Ao menos sete grupos querem disputar aeroportos - sicepot-mg

Сomentários

Transcrição

Ao menos sete grupos querem disputar aeroportos - sicepot-mg
Imprimir ()
08/08/2016 - 05:00
Ao menos sete grupos querem disputar
aeroportos federais
Por Daniel Rittner e Fernanda Pires
Vista do aeroporto internacional de Salvador, um dos ativos mais
cobiçados e alvo preferencial do grupo CCR
Ao menos sete grupos nacionais e estrangeiros manifestam interesse firme nos quatro aeroportos que o
governo pretende conceder à iniciativa privada em dezembro. A lista inclui pesos-pesados do setor que
ainda não haviam entrado nas licitações brasileiras, como a francesa Vinci e a alemã Avialliance (exHochtief).
Mas o provável arranjo dos consórcios difere, até agora, do desenho montado nos últimos leilões, em
que grandes empreiteiras locais ancoravam - diretamente ou via concessionárias das quais são acionistas
- uma dobradinha com operadoras internacionais de aeroportos. Agora, apurou o Valor, deve haver
bem mais voos solos.
A Vinci, que tem ganhado terreno em um projeto de expansão no exterior, desponta como uma das mais
interessadas e já comunicou a auxiliares do presidente interino Michel Temer sua disposição em
participar agressivamente da disputa. Além de administrar terminais de médio porte no interior da
França, ela sagrou-se vitoriosa recentemente nos processos de privatização dos aeroportos de Portugal inclusive Lisboa - e de Santiago, no Chile. Segundo fontes do mercado, a Vinci entraria sozinha no
certame, que engloba os aeroportos de Salvador (BA), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS) e Florianópolis
(SC).
Lastreada em sua experiência internacional - ela opera terminais como Quito (Equador) e Juan
Santamaría (Costa Rica) -, a brasileira CCR se prepara para apresentar um lance na disputa pelos dois
ativos na região Nordeste. A empresa está de olho principalmente em Salvador, que tem sinergia com
sua outra concessão, o Metrô Bahia. Mas acredita que Fortaleza também tem boas perspectivas de
crescimento, tornando-se um "hub", pela proximidade com Estados Unidos e Europa.
A CCR se aliou à Flughafen Zurich, que opera um dos terminais europeus mais bem avaliados, para
administrar o aeroporto de Confins (MG). Agora, existe boa possibilidade de separação entre as duas no
próximo leilão. Executivos da Zurich estiveram em Brasília, no mês passado, para comunicar às
autoridades que querem ampliar a carteira de ativos no país. Cada uma, porém, está disposta a fazer seu
próprio lance.
Dona de aeroportos como Atenas e Budapeste, o grupo alemão Avialliance tem uma parceria no Brasil
com o fundo Pátria Investimentos, que contratou Alysson Paolinelli, ex-presidente da Inframérica,
concessionária de Brasília e de Natal, para estudar sua participação no próximo leilão.
Os outros três grupos aeroportuários interessados são o alemão Fraport, que administra o aeroporto de
Frankfurt; o argentino Corporación América, que controla a Inframérica; e o espanhol Ferrovial, que é
controlador do aeroporto de Heathrow (Londres).
O governo interino trabalha com a perspectiva de publicar os editais definitivos de concessão em
setembro, logo após a votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, e realizar o
certame em dezembro.
Diferentemente das rodadas anteriores, quando havia diferença de 30 a 45 dias entre essas duas etapas,
o prazo agora será de 90 dias. A dilatação é vista como fundamental para permitir aos investidores
estudar mais detidamente os ativos oferecidos.
Também empreiteiras brasileiras de médio porte estudam entrar no negócio, interessadas em avançar
como empreendedoras. O Valor apurou que estão nesse nicho Construcap e Racional, por exemplo, que
precisariam se associar a parceiros com experiência. O grupo Barbosa Mello, com atuação em
concessões, também tem interesse. Os requisitos mínimos de experiência do operador serão de 9
milhões de passageiros em pelo menos um dos últimos cinco anos para Salvador e Porto Alegre, 7
milhões para Fortaleza e 4 milhões para Florianópolis.
Do outro lado, os operadores estrangeiros que sondam parceiros nacionais procuram empresas sem
envolvimento em escândalos de corrupção, nos quais foram pegas as maiores empreiteiras do país que
disputaram rodadas anteriores. Uma operadora de fora está em tratativas com a Racional.
Desta vez, a Fraport não repetirá a parceria feita com a concessionária de infraestrutura Ecorodovias.
Ambas formaram consórcio no passado para brigar por Guarulhos, Viracopos e Brasília. Mas agora o
italiano grupo Gavio, um do co-controladores da Ecorodovias, quer que a companhia se concentre no
negócio-mãe: as concessões rodoviárias. Uma possível parceria entre a construtora paranaense CR
Almeida, a outra sócia da Ecorodovias, e a Fraport é cogitada.
Em ritmo menos adiantado, outras empresas pesam riscos e oportunidades de entrar. Investidores
chineses já procuraram o governo e disseram ter interesse especificamente em Fortaleza. Os aeroportos
são considerados uma das mais interessantes concessões de infraestrutura por serem ativos raros e para
os quais há demanda reprimida, com espaço para explorar receitas comerciais, como lojas e hotéis.
Grupos grandes como Mitsui e Marubeni, por exemplo, estudam participar da licitação - mas, como
demais estrangeiros, não se sentem confortáveis com o risco da demanda ser do empreendedor, o que
tende a afastar interessados mais conservadores. Tradicionalmente, há transferência do risco de
demanda para o concessionário onde a economia é menos volátil - o que não é o caso do Brasil. Aqui,
essa regra produz o que especialistas chamam de seleção adversa, que é a atração de empresas sem
relação com o negócio, como foi no Brasil nas rodadas recentes. "Que construtora entende de operar
aeroporto?", questiona uma fonte a par do processo.
"A moral da história é: se o mecanismo de transferir o risco de demanda não funciona no Brasil, é
preciso trocar o mecanismo", diz Bruno Werneck, sócio da área de infraestrutura do escritório Mattos
Filho. O período de audiência pública do edital já terminou. A Anac, agência reguladora do setor,
recebeu cerca de 1.500 contribuições.
Os valores mínimos de outorga somam R$ 4,1 bilhões - R$ 729 milhões para o de Porto Alegre; R$ 1,49
bilhão para Salvador; R$ 1,56 bilhão para Fortaleza; e R$ 329 milhões para Florianópolis. Os
investimentos são estimados em R$ 6 bilhões. O prazo de exploração será de 30 anos - menos Porto
Alegre, com 25 anos.

Documentos relacionados