A Consciência é mais do que ela diz

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A Consciência é mais do que ela diz
Ficha Catalográfica
PREFÁCIO
NIAC e a audácia de pensar.
No final da década de 1980, fundei um curso pré-vestibular em Salvador que
causou verdadeiro espanto. Nesse curso havia uma biblioteca com cerca de 2.000
títulos, um clube de cinema, uma oficina de dança moderna e um fórum permanente
de debates, com grandes nomes do pensamento nacional, intitulado “Aprendendo
a Pensar”. Para os padrões de um cursinho – que prima pelo massificação dos
conteúdos e pela “decoreba” de fórmulas – foi uma verdadeira revolução.
“Aprender a Pensar” sempre foi uma expressão-conceito que ocupou minha
cabeça a vida toda. Aliás, dos quatro pilares da educação propugnados pela UNESCO
– aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser –
só se chega ao último, que é a culminância de todos os antecedentes, quando se
aprende a pensar, a refletir sobre o conhecer, o fazer e o conviver. Aí se completa a
essência humana, a finalidade da viagem de nossa alma.E isso – aprender a pensar, infelizmente é, hoje, mercadoria escassa no mundo.
Se avaliamos o mar de material didático exposto e difundido em nosso país,
constataremos, de pronto, que a grossa maioria contenta-se apenas com ”aprender
a memorizar ou decorar” Nada que provoque ou estimule um quantum de inteligência
que seja para que atinjamos apenas o primeiro pilar: aprender a conhecer.Quase
todos eles ainda tributários de uma didática mecanicista ensinam geralmente o
“QUÊ” das coisas; raramente o “POR QUÊ”; dificilmente, o “COMO” , e quase nunca
o “PARA QUÊ”. Não é de se admirar o nível de leitura de mundo que possuem nossos
jovens estudantes e a distância que procuram manter da escola como centro de
crescimento pessoal.
Lendo agora esse material pedagógico do NIAC, “A Consciência é mais do
que ela diz” experimento um desatado prazer em ver aqui o que sempre sonhei
para um suporte didático. Os movimentos sociais-revolucionários apresentados em
textos claros e, em seguida, a provocação intelectual ao jovem leitor, convidando-o
a protagonizar, do seu modo, aqueles momentos históricos e, posteriormente,
levando-o à reflexão como ato absoluto da Consciência. Simples, direto, genial.
Duvido que algum estudante permaneça inerte ante um convite tão sedutor.
Quando se firma um consenso de que só o ensino de qualidade pode dar
sustentabilidade ao futuro deste país, as ideias do NIAC têm muito o que ensinar à
nossa perplexa rede de educação.E que isso aconteça logo.
Jorge Portugal
Educador e membro do Conselho Nacional de Políticas Culturais.
APRESENTAÇÃO
“Se quisermos progredir, não devemos repetir a história,
mas fazer uma história nova.”
“O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.”
“Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.”
Mahatma Gandhi
“Uma boa cabeça e um bom coração formam sempre
uma combinação formidável.”
Devemos promover a coragem onde há medo , promover
o acordo onde existe conflito, e inspirar esperança
onde há desespero.”
“A educação é a mais poderosa arma pela
qual se pode mudar o mundo.”
Nelson Mandela
“Revolução pode ser feita, também, com o bélico ou com as
palavras; mas a revolução ideal se faz com o autoconhecimento”
“A única revolução indispensável é a religiosa, ou seja, a
espiritual, portanto, aquela que se realiza no interior do Ser Humano.”
“Uma pessoa é uma multidão; duas é uma conspiração;
e três uma revolução “
Jair Tércio
Essas são algumas das idéias que embasam mais um dos trabalhos
do Núcleo de Investigações Avançadas da Consciência (NIAC), que objetivam
o despertamento, construção e/ou desenvolvimento da Consciência do
ser humano.
Trata-se de um dos Núcleos do Grupo de Pesquisa em Educação,
Cidadania e Desenvolvimento Humano, do Mestrado Multidisciplinar
Profissional em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social, do
Centro de Pós-graduação e Pesquisa Visconde de Cairu, que busca investigar
em quantidade relativamente suficiente, mas com qualidade significativa,
acerca da potência latente do gênero humano, mais particularmente a
Consciência.
Tais investigações objetivam despertar, conhecer, desenvolver,
manter e usar a Consciência de todos os pesquisadores sensíveis e
buscadores de um sentido mais profundo do seu viver, e da sociedade em geral,
fruto das realizações do próprio Núcleo. Além disto, as referidas investigações
buscam favorecer aos seres humanos a criação lógica, racional, organizada
e equilibrada dinamicamente, dos seus pensamentos com o fim de nortear
os seus atos, enfim, suas ações, do seu dia a dia de relações, considerando
as suas necessárias e/ou desejáveis, realizações, em função da finalidade
da vida, bem como da razão de nossa existência.
Eis que o NIAC, com tal empreendimento espera contribuir,
indubitavelmente, com o que expressa o seu objeto, desde a sua origem, em
20 de outubro de 2004, embasada na crença de que todo trabalho pedagógico
deve propor a criação de oportunidades que possibilitem conduzir ao objeto
mor da educação: o despertamento, conhecimento e/ou desenvolvimento da
Consciência em função da necessária transcendência para autorrealização
humana, considerando a razão de sua existência.
No que se refere à presente obra, destacamos que é o resultado da
pesquisa intitulada: Os Grandes Movimentos Sociais/Revolucionários da
Humanidade como Produtos dos seus Ícones, com o objetivo de investigar o
impacto dos referidos movimentos sociais/revolucionários da humanidade na
sociedade como um todo.
Expressa, através de uma linguagem lúdico-pedagógica, as
características mais marcantes e significativas do humanismo, renascimento,
iluminismo e existencialismo como movimentos que não só mudaram o
contexto artístico-científico, mas todo um conjunto de conceitos filosóficos,
psicológicos, econômicos, políticos e sociais de gerações, impactando em
novas atitudes individuais e coletivas, em cada tempo histórico.
Ao longo do livro o leitor terá a oportunidade de relembrar de cada
um desses movimentos: o contexto histórico, político, econômico, cultural e
social; pilares centrais; impactos na educação; as principais contribuições
para o ser humano e para a sociedade, seus principais ícones, bem como as
suas possíveis contribuições para a criação de um novo movimento social/
revolucionário a partir da sua própria Consciência.
Como participantes do NIAC, oferecemos a você leitor a nossa
contribuição para a sociedade: nós criamos o nosso movimento social/
revolucionário para auxiliar na contenção, minimização e/ou extinção dos
conflitos que tanto assolam a humanidade. Movimento este intitulado:
“Consciencialismo”.
Do consciencialismo compartilhamos as suas características gerais, os
pilares centrais, tais como: o ser humano e sua estrutura trina (física, psíquica
e moral/espiritual); seus níveis de sentir, pensar e agir; as relações entre
Deus, Natureza e Ser Humano; suas contribuições para a sociedade, bem
como seus ícones principais.
Da mesma forma que criamos, acreditamos, principalmente, no seu
potencial como jovem para ir além, em função das grandes indagações que
permeiam seu viver, sua criatividade e sua força de realização. Este livro,
portanto, tem como público alvo estudantes do ensino médio que acreditam
na possibilidade da transformação social, a partir de si mesmo. Afinal, nós, o
mundo e a humanidade somos um e os fazemos como são e estão.
Um novo movimento, neste contexto, pressupõe buscar encontrar
o segredo de fazer tudo, e a tudo fazer bem, segundo a união entre o que
indicam: a ciência, através do método preciso pela Ordem dos fatos; a
filosofia, através do rigor das deduções lógicas e racionais; e a religião,
através da noção exata de bom sentimento, aliada a noção exata de moral,
ética e estética elevadas, em prol da sua formação integral. Afinal, o Ser
Humano integral é aquele que já tem consciência da responsabilidade como
dever e da liberdade como direito. Tem consciência de sua utilidade individual
e social, e age e interage com base no autoconhecer.
Que a Consciência ilumine as criações que estão por vir!
Sumário
CAPÍTULO I - HUMANISMO ----------------------------------------------------------------12
Contexto Histórico e Social ----------------------------------------------------------------------12
Características do Humanismo -----------------------------------------------------------------15
Ícones do Movimento ------------------------------------------------------------------------------16
Principais Contribuições --------------------------------------------------------------------------19
Quadro de Aprofundamento ----------------------------------------------------------------------21
Referências --------------------- ----------------------------------------------------------------------22
CAPÍTULO II - RENASCENTISMO -------------------------------------------------------26
Contexto Histórico e Social ----------------------------------------------------------------------27
Pilares Centrais -------------------------------------------------------------------------------------29
Principais Contribuições --------------------------------------------------------------------------30
Ícones do Movimento ------------------------------------------------------------------------------33
A educação Renascentista ----------------------------------------------------------------------35
Quadro de Aprofundamento ----------------------------------------------------------------------39
Referências --------------------- ----------------------------------------------------------------------40
CAPÍTULO III - ILUMINISMO
-------------------------------------------------------------44
Contexto Histórico e Social ----------------------------------------------------------------------45
Iluminismo e Educação ----------------------------------------------------------------------48
Ideias que Iluminaram -----------------------------------------------------------------------------49
Movimentos revolucionários de ideais Ilumintas -------------------------------------------52
Quadro de Aprofundamento ----------------------------------------------------------------------58
Referências --------------------- ----------------------------------------------------------------------69
CAPÍTULO IV - EXISTENCIALISMO -------------------------------------------------------63
Contexto Histórico e Social ----------------------------------------------------------------------64
Caracteristicas Principais ----------------------------------------------------------------------66
Existencialismo e Educação ----------------------------------------------------------------------66
Ícones do Movimento ------------------------------------------------------------------------------67
Relações ser humano/ser humano; ser humano/natureza; ser humano/Deus -----72
Quadro de Aprofundamento ----------------------------------------------------------------------76
Referências --------------------- ----------------------------------------------------------------------77
CAPÍTULO V - Consciencialismo -------------------------------------------------------81
Novo Movimento Social Revolucionário para Humanidade ------------------------------81
Revolução da Consciência ----------------------------------------------------------------------82
Pilares Centrais -------------------------------------------------------------------------------------88
Ícones do Movimento ------------------------------------------------------------------------------94
Convite ao Consciencialismo ----------------------------------------------------------------------95
Quadro de Aprofundamento ----------------------------------------------------------------------97
Referências --------------------- ----------------------------------------------------------------------98
CAPÍTULO VI - CRIAÇÃO--------------------------------------------------------------102
Novo Movimento Social Revolucionário------------------------------------------------------102
“Na cultura, o homem passa a se encarar como ser
humano, e não mais como a imagem de Deus”
Gil Vicente (1465-1536)
I
HUMANISMO
João
Olá, sou João, tenho 15 anos,
gosto muito de estudar e
apreciar as coisas belas da vida.
Tenho uma proposta para você:
Que tal fazermos uma viagem no
tempo e redescobrir o
Humanismo? Vamos lá?
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
CAPÍTULO I
HUMANISMO
Vamos falar um pouco desse movimento cultural que germinou na Euro-
pa no início do século XIV, bem no final da Idade Média e implantou novas
idéias na sociedade de sua época. Você já ouviu falar desse movimento?
Conversaremos um pouco sobre isso!!!
As Meninas (Diego Velázquez 1599 – 1660)
Contexto Histórico e Social
Segundo QUEIROZ (2008), o humanismo surgiu na Itália durante o século XV,
buscava o renascimento da cultura clássica greco-romana e a formação humana por
meio da literatura e das ciências.
Ainda de acordo com GAARDER
(2005, p.244), “a palavra humanismo deriva de humano. Podemos definir um humanista como que aquele que dá maior importância aos seres humanos, à vida humana
e à dignidade humana.”
É a abordagem do despertamento
do ser humano sobre sua importância no
contexto histórico e a prospecção de
mudanças sociais e culturais. É o momento
de transição, do “abrir os olhos” para valorização de si mesmo, de descoberta das
potencialidades do ser humano. Período
de efervescência das necessidades humanas e de apresentação da visão centrada
no ser humano, em que são valorizadas a
inteligência, o conhecimento e o dom artístico.
O humanismo buscou resgatar
conceitos da Antigüidade Clássica, valorizando e revisando sua produção cultural e principalmente a concepção do
“espírito humano”.
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A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
A sociedade da época medieval era dividida da seguinte forma:
Para saber mais...
Assista o filme O Nome da Rosa para
entender um pouco como era a
sociedade na Idade Média!!!
No entanto, nesse período surge a Burguesia, uma nova classe social composta
por mercadores, comerciantes e artesãos
que modificará as relações estabelecidas
na sociedade. Este nome esta relacionado ao surgimento das cidades, chamadas
de burgos, onde a burguesia mantinha sua
sustentação no comércio, fato esse, que
contribuiu para o declínio do feudalismo.
SINOPSE: Estranhas mortes começam a
ocorrer num mosteiro beneditino localizado na Itália durante a baixa idade média,
onde as vítimas aparecem sempre com os
dedos e a língua roxos. O mosteiro guarda uma imensa biblioteca, onde poucos
monges tem acesso às publicações sacras
e profanas.
A chegada de um monge franciscano
(Sean Conery), incumbido de investigar
os casos, irá mostrar o verdadeiro motivo
dos crimes, resultando na instalação do
tribunal da santa inquisição.
O feudalismo... estilo de organização social e
político, baseado na relação de servidão, característico na Europa no período na Idade Média.
Também nessa época o homem começa buscar novas terras, e têm início as
Grandes Navegações. Essa iniciativa proporcionou a troca de informações com culturas completamente diferentes.
O olhar humano desviava-se do céu
para a terra, ocupando-se mais com as
questões do cotidiano. A curiosidade, aguçada para a observação dos fatos, redobrou o interesse pelo corpo e pela natureza
circundante.
A glorificação do homem, tornando-o
o centro de todas as indagações e preocupações. Os Humanistas não mais aceitavam os valores e maneiras de ser e viver
da Idade Média. Tenderam a valorizar a
produção cultural da Antiguidade GrecoRomana.
O Humanismo caracterizou-se como
um período de conflitos e mudanças
de valores. Aos poucos, o ser humano
foi deixando de lado a visão teocêntrica da
existência humana, passando a interferir
mais objetivamente no mundo em que vivia. Começou a valorizar sua própria capacidade intelectual e artística, tornando-se
autor de descobertas científicas e de obras
de arte admiráveis.
O Humanismo coloca o homem no
centro do universo, ou seja, cabe a ele
toda a responsabilidade, resultado de suas
ações.
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Assista o filme Lutero e entenda um pouco
o que foi contestação dos dogmas católicos!
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
Um dos fatores
que contribuiu para a
difusão do Humanismo
foi o aperfeiçoamento
da imprensa, uma vez
que possibilitou a impressão dos clássicos
gregos e romanos, bem
como das obras da época.
Esse período também foi marcado
por pesquisas e inovações técnicas, investigações científicas, o afloramento da música e literatura.
E assim... o humanismo contribuiu
para transformações significativas na sociedade de sua época que refletem ainda
hoje!!! É importante também, lembrar que
esse movimento é o espelho do pensamento de diversos ícones. Vamos conhecer alguns deles!!
Ainda, segundo QUEIROZ (2008),
em educação o humanismo refere-se aos
seguintes princípios:
•Todo o conhecimento está subordinado às necessidades fundamentais da
natureza humana;
•A educação tem como finalidade o
desenvolvimento total do ser humano;
•A salvação do homem depende apenas das forças humanas, tanto no que se
refere à política e a economia, quanto na
própria ética.
Vamos dar uma parada!!
Que tal buscar no caça-palavras
termos que você já viu no texto
até agora? Vamos lá !
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A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
Características do Humanismo
•Valorização da cultura greco-romana.
Para os artistas da época renascentista,
os gregos e romanos possuíam uma visão
completa e humana da natureza, a homens
medievais;
•O antropocentrismo, que projeta o
homem como centro do Universo rompendo
com a visão medieval teocêntrica que significava Deus como o centro do Universo.
•Valorização da capacidade intelectual e artística do ser humano, o que proporcionou diversas descobertas científicas.
•O ser humano da época rompe com
a visão teocêntrica do mundo determinada
pela igreja e vai em busca de si mesmo, de
novas descobertas e novos valores.
•Ruptura entre Igreja e Ciência, diferenciando assim a visão do homem e sua
relação com os demais elementos da natureza.
•As qualidades mais valorizadas no
ser humano passaram a ser a inteligência, o
conhecimento e o dom artístico;
•Com o surgimento da burguesia, novas cidades foram aparecendo e muitas famílias que morvam no campo mudaram-se
para estas cidades;
•Na economia ocorre a substituição da
subsistência feudal pelas atividades comerciais.
•Nos séculos XV e XVI o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo).
•Enfraquecimento do regime feudal de
servidão.
você Sabia?
Que o Humanismo Secular é
apenas uma denominação para
uma filosofia que utilizando
métodos racionais e científicos
lida com assuntos referentes
aos seres humanos.
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A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
Ele que defendia que a astrologia deveria ser vista sob a ótica de como aconteciam as relações entre os astros e o que
Francesco
acontecia na Terra. Sem falar também que
Petrarca
ele contribuiu para os estudos de Isaac
(1304 -1374)
Newton na formulação da teoria da gravitaImportante intelectu- ção universal, quando afirmou que os plaal e poeta. É considerado netas se moviam em órbita elíptica e não
o inventor do soneto – tipo circular.
de poema composto de 14
Paracelso
versos. Ficou conhecido
(1493-1541)
tradicionalmente como pai do humanismo.
É o pseudônimo utiSONETO 1
lizado para Phillipus Aureolus Theophrastus BomVós que ouvistes em rimas esparsas o sonho,
bastus Von Hohenheim
Nos meus juvenis e suspirosos dias,
, foi médico, alquimista,
Com que eu nutria outrora o coração
físico e astrólogo. Ele é
Quando aquele que eu fui tinha alguma ilusão;
Paracelso
considerado o fundador
Se conheceis do amor a reflexão,
da Bioquímica.
Ícones do Movimento
Entre fugidias esperanças e o pranto em vão,
Piedade eu espero achar, mais que perdão,
Para as dores das minhas fantasias.
A
gora, um momento de reflexão
com uma frase bastante profunda de
Paracelso. Sugiro que reflitam bastante!!
Agora vejo bem,
Em mim falou-se, e ria muita gente,
E de mim mesmo, às vezes me envergonho.
“Se queremos buscar
Deus, devemos buscá-lo
dentro de nós mesmos,
pois fora de nós, não o
encontraremos jamais.”
E amargo fruto que colhi sonhando,
Já sei - me arrependendo e envergonhando,
Que a sedução da vida é breve sonho.
Olha que lindo esse Soneto de
Petrarca! O que acharam?
Johannes Kepler
(1571-1630)
Era astrônomo, estabeleceu as três leis
fundamentais da mecânica celeste, conhecidas
como leis de Kepler, e
também estudou óptica.
Johannes Kepler
Kepler contribuiu bastante
nas temáticas da área da
astrologia, ou melhor, que ele definia como
‘cosmologia’.
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Dante Alighieri
(1265-1321)
Era escritor, poeta
e político italiano. É autor de A Divina Comédia,
sendo um dos grandes
expoentes da literatura
italiana
Dante Alighieri
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
Erasmo de
Roterdam
Gil Vicente
(1465-1536)
(1466-1536)
Seu nome era
Desiderius Erasmus Roterodamus. Cursou o monastério e tornou-se monge. Escreveu sobre temas
Roterdam
relacionados à Literatura
e Religião. Seu principal livro foi Elogio da
Loucura.
Erasmo de Roterdam publicou uma
edição crítica do Novo Testamento Grego
em 1516, e no ano seguinte surgiu o Protestantismo. Olha que interessante, pode
estar aí o surgimento da Reforma Protestante.
É considerado o
criador do teatro português pela apresentação,
em 1502 de seu Monologo do Vaqueiro. O teatro
vicentino é basicamente
gil vicente
caracterizado pela sátira,
criticando o comportamento de todas as
camadas sociais: a nobreza, o clero e o
povo.
“Na cultura, o homem passa a se encarar
como ser humano, e não mais
como a imagem de Deus”
Gil Vicente
o achou deste pensamento de gilvicente? Compartilhe suas impressões com seus colegas e
familiares!
“. . . Deixarás tudo aquilo que te
agrada mais profundamente; é esta seta a
tal logo no arco do exílio
disparada. E provarás como é falto de salo
pão d’ outros, e como é dura estradasubir e
sair pelas escadas de outros.”
O Canto XVII – 55-60
Thomas Morus
(1478-1535)
Fernão Lopes
(1378-1459)
O Humanismo é um
período muito rico no desenvolvimento da prosa,
graças ao trabalho dos
cronistas, notadamente
fernão lopes
de Fernão Lopes, considerado o iniciador da historiografia portuguesa.
Suas principais Obras foram, la Crônica del Rei D. Pedro, Crônica del Rei D.
Fernando, Crônicas del Rei D. João.
Era diplomata, escritor e advogado. Foi canonizado santo na Igreja
Católica. É considerado o
Thomas Morus
patrono dos estadistas e
políticos. Algumas de suas obras: Utopia,
Epitáfio, A agonia de Cristo, entre outras.
Pesquise um pouco sobre essas obras!
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Sugiro algumas obras de Thomas Morus para você pesquisar e conhecer!
Aproveite!
•A agonia de Cristo
•Um homem só (cartas da torre)
•Piedosa instrução
•Orações
•Súplicas da Alma
•Utopia
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
PAUSA LÚDICA!
Hum, agora quero saber se você lembra
os nomes dos grandes ícones que
contribuíram para esse movimento!
Vamos lá... procure!!
"Criação do Homem"
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A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES DO HUMANISMO PARA A SOCIEDADE
E então?! Vamos conversar um pouco sobre quais seriam as contribuições do Humanismo para a sociedade. Interessante falar na quebra de paradigma religioso, só em confrontar alguns aspectos dos dogmas religiosos
católicos. Imaginem, numa época em que a Igreja dominava. Isso fez com que
várias perspectivas da existência humana fossem reavaliados.
Que tal!? E nome do movimento?! Já diz muita coisa: HUMANISMO! O
homem é colocado no centro, questionado sob sua existência. E vale ressaltar que o Humanismo impulsionou outros movimentos como o Renascimento,
Iluminismo. E pode inspirar o seu também! Você também pode ser um transformador da sociedade! Só depende de você!
“O que há de mais certo é confiarmos em nós mesmos, para nos
tornarmos pessoas de mérito e de valor.”
Michelangelo Buonarroti
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A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
Se você fosse
participar da criação de
um novo movimento
social revolucionário, o
que aproveitaria do
Humanismo?
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Fonte Adaptada: Arca Sagrada, 2009.
I. O centro de onde
parte todas as ações
7. Fonte (Qual a Origem?)
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6. Recursos - Com o que?
5. Método (Como, onde, Quanto, Qunato?)
4. Fundamentos (Quais?)
3. Justificativa (Por que?)
2. Finalidade (Pra que?)
II. O Agir
III. O objeto que reflete todas as ações
1. Objeto (O que é?)
exercite seu saber pensar quanto ao estudo do humanismo
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo I • Humanismo
REFERÊNCIAS
AQUINO, Santos Rubim. História das sociedades: das sociedades modernas às sociedades atuais. Ao livro técnico SA, Rio de
Janeiro, 1978.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2006.
GAARDER, Jostein; HELLEM, Victor; NOTAKER, Henry. O livro
das religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
QUEIROZ, Tânia Dias. Dicionário prático de Pedagogia. 2ª ed.
São Paulo: Rideel, 2008
http://www.logdemsn.com/2008/03/16/o-que-e-o-humanismo-quesurgiu-no-renascimento/
http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br/Humanismo.html
http://www.coladaweb.com/porliteratura/humanismo.htm
http://www.consciencia.org/maquiavel_more.shtml
http://www.saber.cultural.nom.br/template/pintores/f...
http://sol.sapo.pt/.../images/1027372/591x480.aspx
22
"A mais nobre paixão humana é aquela que ama a
imagem da beleza em vez da realidade material. O
maior prazer está na contemplação."
Leonardo da Vinci (1452-1519)
II
RENASCENTISMO
RENÉ
E aí, gostou do Humanismo? Eu
também tenho 15 anos, me
chamo René e estou aqui para
darmos continuidade a nossa
viagem no tempo. Adoro as
Artes, a Literatura e tenho uma
quedinha pelas ciências, por
isso mesmo, vamos agora para
o Renascimento. Espero que
você curta esta encantadora
experiência.
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
CAPÍTULO II
RENASCENTISMO
http://www.easypedia.gr/el/images/shared/2/22/Da_Vinci_Vitruve_Luc_Viatour.jpg
O
período
renascentista
foi
marcado por muitos progressos e incontáveis
realizações no campo das artes, da
literatura e das ciências que superaram a herança clássica.
Segundo Johnson (2001) em nenhum outro
período tantos talentos produziram, ao mesmo
tempo, um significativo número de produções.
O legado deixado pelo Renascimento,
cujos ideais se tornaram imprescindíveis
para a evolução do pensamento ocidental, estão refletidos na Ciência, na Filosofia e nas Artes.Uma das repercussões do
período renascentista para o Ser Humano e para a sociedade foi a transição da
acentuada religiosidade medieval para a
racionalidade.
Homem Vitruviano
(Leonardo Da Vinci)
Como podemos compreender melhor essa idéia?
Podemos compreender isso analisando o fato de que, até no fim da Idade Média,
os questionamentos acerca da religião como
única e principal fonte de conhecimento eram
transmitidos de maneira enfática. Lembre-se
de que, até então, a Igreja Católica detinha o
saber e não permitia que o mesmo fosse expandido para fora dos seus muros.
Davi (Michelangelo)
Mas, a inquietação e o impulso da
descoberta sempre fizeram parte das buscas
humanas. Alimentado pela vontade de saber
um pouco mais, o ser humano - no período
Renascentista - descobre que a verdade não
se encontrava, apenas, nas quatro paredes
das Igrejas. Descobre, ainda, que ela está bem
mais perto do que pensava: nele mesmo.
Daí surge a idéia do Antropocentrismo e,
com ela, o ser humano, passou a ser o centro
das atenções, tentando compreender a si mesmo, buscando respostas para as suas indagações sobre seu papel no Universo, da relação
com Deus e com o meio do qual fazia parte,
sem, no entanto perder a fé Nele.
As qualidades mais valorizadas passaram a ser a inteligência, a razão, o conhecimento e o dom artístico. Com isso, os cientistas passam a utilizar métodos experimentais
de observação da natureza e do universo.
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A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
CONTEXTO HISTORICO, POLITICO, SOCIAL, CULTURAL DA EPOCA
Historicamente o período renascentista é situado entre os séculos XIV e XVI e
rendeu ao mundo uma estética inovadora e
obras de arte inesquecíveis que marcariam
a história da humanidade.
Entendemos melhor o contexto histórico, faz-se necessário compreender o período de transição da Idade Média para a
Idade Moderna.
Conhecida como “Idade das Trevas”,
a Idade Média foi marcada por grandes batalhas, problemas políticos e graves surtos
de doenças, levando o Continente Europeu
do século XV “a vivenciar um colapso, registrando a morte de milhares de pessoas.”
(INHAN e FREITAS,2008,p.12).
Os autores supracitados, ressaltam
ainda que o fim da Idade Média é marcado
por grandes transformações nos segmentos social, econômico e político, conforme
você já estudou no capítulo anterior, quando tratamos do Humanismo.
Esboço de A Virgem e o menino, Santana e João
Batista (Leonardo Da Vinci)
Pieta é a máxima visão da anatomia humana. Nenhum detalhe nesta escultura fica inacabado (Michelangelo)
Para saber mais...
Em 1550, cerca de 40 cidades tinham população igual ou superior a 10 mil habitantes. Em Florença, a população chegava a 60 mil em 1530, e em Nápoles, a 210 mil. Com esse panorama, fica evidente a importância
dos comerciantes, artesãos e donos de estabelecimentos na construção de uma nova estrutura social, que
não podia mais ser dividida como era anteriormente, em clero, nobreza e camponeses.
(INHAN e FREITAS, 2008,p.16).
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A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
Muitos autores consideram a
Itália como o “berço” do
Renascimento.
E por que isso ocorre?
no decorrer do século XVI a cultura renascentista
expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as
guerras e invasões vividas pela Itália.
As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as
obras renascentistas e a expansão em direção
a outros países, cada um adaptando-o segundo
suas peculiaridades, numa época de formação do
absolutismo e de início do movimento de Reforma
Religiosa.
A Itália nos séculos XV e XVI era um dos
maiores pólos urbanos da Europa, apresentando
grande desenvolvimento do comercio e, com isso,
um desenvolvimento econômico, dando origem a
uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. As conquistas marítimas
e o contato mercantil com a Ásia também favoreceram a ampliação do comércio e a diversificação
dos produtos de consumo na Europa a partir do
século XV. Com a expansão comercial, muitos europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas.
Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores.
Os governantes, os burgueses e o clero
passaram a dar proteção e ajudafinanceira aos
artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha o intuito de patrocinar as artes. Era muito comum os mecenas encomendarem pinturas, principalmente os retratos e
esculturas junto aos artistas.
Segundo Recco, Catarin e Bandouk (2000),
A Virgem com o Menino e o pequeno
João Batista (Rafael Sanzio)
Cristo (Rafael)
Moises (Micheangelo)
28
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
PILARES CE N TRAIS DO
M O V IMENTO
elevada dos antigos gregos e romanos,
acreditando ser o modelo ideal para as
suas obras.
De acordo com Recco, Catarin e
Já sabemos que o Renascimento influenciou os mais diversos setores da ativi- Bandouk (2000) foi necessário fazer uma
dade humana. Foi uma época de transição pequena diferenciação entre a cultura reentre as idades medieval e moderna, onde nascentista - aquela caracterizada por um
era comum observar a relação dialógica novo comportamento do homem da cidaentre os princípios e conceitos velhos e no- de, a partir de novas concepções de vida
e de mundo - da Produção Renascentista
vos.
Vamos
destacar
algumas - que representa as obras de artistas e incaracterísticas desse período? Para telectuais, que retrataram essa nova visão
referendar os tópicos a seguir, utiliza- de mundo e são fundamentais para sua diremos os autores INHAN e FREITAS fusão e desenvolvimento. Essa diferenciação é importante para que não julguemos
(2008,p.29).
o Renascimento como um movimento de
Primeiro destacaremos o ANTRO- “alguns grandes homens”, mas como um
POCENTRISMO. Como vimos anterior- movimento que representa uma nova somente, o Antropocentrismo ressalta a idéia ciedade urbana caracterizada pelos novos
do individuo ser visto como o “centro do valores burgueses e ainda associada aos
universo”, valorizado como um ser racio- valores cristãos.
nal, capaz de criar e explicar os fenômenos
a sua volta.
O RACIONALISMO, como a própria
palavra sugere, destaca a razão humana
como base para toda construção do conhecimento, obtido através da observação
e experimentação das Leis Naturais que
regem o universo.
Outra característica é o HUMANISMO, ou seja, a valorização de um saber
crítico, racional e voltado para a busca do
conhecimento sobre o ser humano e as
suas potencialidades.
Nesse contexto os artistas buscavam
a sua afirmação enquanto criador e passaram a assinar as suas obras.
O INDIVIDUALISMO se faz presente,
não no sentido egóico e egoísta, mas sim
de afirmação do artista em relação a sua
obra.
A INSPIRAÇÃO NA ANTUIGUIDADE
CLÁSSICA foi importante fonte para os arA Virgem do Rochedos
tistas e pensadores do Renascimento, pois
(Leonardo Da Vinci)
os mesmos procuravam imitar a estética
29
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES DO MOVIIMENTO PARA A SOCIEDADE
A característica primordial do Renascimento é a liberdade do ser humano em
relação à natureza e à sociedade. Nesse
contexto, a dignidade humana é restaurada. Ao contrário do que ocorria na Idade
Média que o colocava inteiramente submetido à Igreja e ao Império Romano.
Como você já estudou tanto o Humanismo , com o Renascimento são considerados dois momentos do mesmo movimento,
tendo, basicamente os mesmos princípios,
a saber: Dentre as contribuições desse
movimento, há um grande desenvolvimento no campo tecnológico, artístico e científico, que serviram de base para a expansão
marítima.De acordo com Recco, Catarin e
Bandouk (2000), o movimento renascentista envolveu uma nova sociedade e portanto novas relações sociais em seu cotidiano.
A vida urbana passou a implicar um novo
comportamento, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, os encontros nas
ruas, implicavam por si só um novo comportamento dos homens. Isso significa que
o Renascimento não foi um movimento de
alguns artistas, mas uma nova concepção
de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas
obras de arte.
Afirmação do valor e da dignidade
da natureza humana.
Fé inabalável na natureza
humana levando a crença de que
a inteligência e a liberdade são
ilimitadas, basta seguir
as leis da natureza.
Canhão, invenção de Leonardo da Vinci
Florença
Muito já estudamos até aqui, não é
mesmo? Mas, a nossa viagem pelo
Renascimento não pára por aqui.
Vamos aprofundar um pouco mais os
nossos estudos.
30
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
TEXTO COMPLEMENTAR
Retirado do site: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=191
A
pesar de recuperar os valores da cultura clássica,
o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizavase dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova
maneira à uma nova realidade.
Assim como os gregos, os homens "modernos" valorizaram o antropocentrismo: "O homem é a medida de todas
as coisas". Nesse sentido, o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação,
compreendidos como produto da sua ação.
Uma outra característica marcante foi o racionalismo, isto é, a convicção de que
tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em
qualquer coisa que não tenha sido provada; dessa maneira o experimentalismo, a ciência, conheceram grande desenvolvimento. O individualismo também foi um dos valores
renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A
idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer
opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos acentuaram gradualmente o individualismo. É importante percebermos que essa característica não implica o isolamento
do homem, que continua a viver em sociedade, em relação direta com outros homens,
mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões. Foi acentuada a importância
do estudo da natureza; o naturalismo aguçou o espírito de observação do homem. O
hedonismo representou o "culto ao prazer", ou seja, a idéia de que o homem pode produzir o belo, pode gerar uma obra apenas pelo prazer que isso possa lhe proporcionar,
rompendo com o pragmatismo.
O Universalismo foi uma das principais características do Renascimento e considera que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber.O Renascimento Científico
representou, sobretudo, o exercício do pensamento crítico e do livre exame de todas
as questões, fugindo dos dogmas medievais estabelecidos pela Igreja. No entanto, é
incongruente pensar que a busca do cientificismo gerou um afastamento total dos ideais
religiosos. O que aconteceu foi a busca de uma melhor compreensão e da crítica dos
dogmas impostos pelo catolicismo.
O racionalismo e o espírito crítico foram cultuados com o renascimento. A igreja
Católica, já em descrédito, se via ameaçada pelos ideais renascentistas. Além das ciências naturais, houve também o desenvolvimento das ciências humanas como a História
e a Filosofia.
31
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
PAUSA LÚDICA!
Agora que você já se sabe e sente o que o renascimento significou para a humanidade e para a
sociedade, encontre palavras referentes às suas
ideias centrais. Divirta-se e aprofunde um pouco
mais seus conhecimentos.
Agora que vocês encontraram as palavras referentes as ideias
centrais do Movimento Renascentista, Veremos Agora seus principaios
ícones, pois neste período surgiram importantes nomes nos campos da
filosofia, da pintura, escultura e das Artes de forma geral.
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A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
trabalharem com maior liberdade de movimento, redescobrindo cada gesto, elegância e serenidade nas figuras retratadas nas
suas obras.
Ícones do Movimento
Leonardo da Vinci
(1452-1519)
Importante artista e
pensador da época.
Leonardo ficou conhecido pelos seus dotes
em diversas áreas do conhecimento humano. A sua
destreza pode ser verificada, não apenas,
nas suas obras artísticas mas, também,
nos seus projetos arquitetônicos, matemática, ciências na-turais, engenharia, astronomia, anatomia, música.
Da Vinci era um contemplador atento
da natureza e dos fenômenos que a cercava. De acordo com INHAN e FREITAS
(2008,p.82) “as formas das plantas, o movimento dos astros pelo céu e as cores
abundantes, exerceram sobre ele uma
grande admiração e um sentimento que o
instigava a descobrir como retratar cada
um daqueles mistérios.”
Dante Alighieri
(1265-1321)
Outro gênio desse período foi o florentino Dante
Alighieri, que nasceu em
1265. Dante inventou o
italiano como língua literária e a sua obra máxima, A
Divina Comédia, está impregnada de influências aristotélicas — pouco difundidas à
época por conta de seu viés pagão, uma
grave heresia para a Igreja Católica. O
Renascimento, de uma forma geral, representou uma volta aos valores clássicos sufocados pelo medievalismo. (JOHNSON,
2001).
A influência da antiguidade clássica impulsiona os artistas da época a
Michelangelo
Buonarotti
(1475-1564)
Suas esculturas apresentam formas que, até os
dias atuais, impressionam
pela perfeição de detalhes.
Famoso por obras como Pieta, Davi e a
pintura da Capela Sistina, que você pode
conhecer na visita virtual sugerida no site
do Museu do Vaticano.
A influência da antiguidade clássica
impulsiona os artistas da época a trabalharem com maior liberdade de movimento, redescobrindo cada gesto, elegância e
serenidade nas figuras retratadas nas suas
obras.
N
a astronomia, por exemplo, Copérnico derrubou a teoria geocêntrica - que considerava a Terra como
centro do Universo, teoria muito difundida
na Idade Média - substituindo-a pelo heliocentrismo, afirmando que os planetas giravam em torno do sol. O alemão Kepler
aprimorou o trabalho de Copérnico, demonstrando a órbita elíptica das estrelas.
Galileu Galilei aperfeiçoou o telescópio e
deu significativas contribuições à ciência.
A medicina também teve amplo desenvolvimento. André Vessálio, médico
de Bruxelas, pesquisou o corpo humano
através da prática de dissecação de cadáveres.
33
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
William
Shakespeare
SONETO XVIII
(William Shakespeare)
(1564-1616)
Poeta,dramaturgo e
ator , William Shakespeare, mundialmente conhecido pelas peças que escreveu, como por exemplo,
Romeu e Julieta, Macbeth, Rei Lear, Sonho
de uma noite de verão, Noite de Reis, dentre ou-tras, ele também escreveu diversos
so-netos.
Agora apresentaremos um Soneto de
Shakespeare - com a tradução de Anna
Amélia Carneiro de Mendonça - para
que, juntos, possamos perceber a beleza das suas palavras. Enquanto ler o
poema, você pode apreciar a bela obra
de outro artista do Renascimento: Boticcelli, e também veremos como esse
estilo literário influenciou outros poetas
em diferentes épocas e países como, por
exemplo, os sonetos do brasileiro Carlos
Drummond Andrade. E mais uma vez
convidarei você a apreciar mais um quadro desse período. Trata-se da Escola de
A-tenas, do pintor Rafael.
Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.
Escola de Atenas (Rafael)
MÃOS DADAS
(Carlos Drummond Andrade)
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus
companheiros. Estão taciturnos mas nutrem
grandes esperanças. Entre eles, considero a
enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos
muito, vamos de mãos dadas. Não serei o
cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a
paisagem vista da janela,não distribuirei
entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado
por serafins. O tempo é a minha matéria, o
tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
O Nascimento de Vênus (Sandro Boticcelli)
34
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
A EDUCAÇÃO RENASCENTISTA
Já vimos que uma das características do Renascimento foi a valorização da cultura
greco-romana e essa influência estava presente, também, na Educação desse período.
Elitista, aristocrata e nutria o individualismo liberal, ela não chegando às classes populares. O seu acesso era restrito a nobreza, ao clero e a emergente burguesia. Mas,
apesar disso, a educação renascentista permitia uma maior participação do sujeito na
aprendizagem. Como uma conseqüência natural, as Ciências Humanas foram muito valorizadas.
Nesse período eram enfatizados, na prática educacional, três campos de interesse:
o passado greco-romano, o mundo subjetivo das emoções e o mundo da natureza física.
Uma das principais conseqüências disto são: o afastamento dos assuntos divinos
e a valorização do próprio ser humano. Lembram que já falamos sobre o Antropocentrismo? Não poderia ser diferente com a Educação, visto que ela é um reflexo direto dos
acontecimentos sócio-culturais.
Nesse período começam a surgir idéias onde características do aprendiz se tornam
mais relevantes. Segundo CAMBI APUD FELTRE (séculos XIV e XV), em sua “Casa Giocosa”, propunha uma educação individualizada, o auto governo dos alunos, a emulação.
Preocupava-se, acima de tudo, com a formação integral do homem. “Já aflorava a valorização da aprendizagem, pois assim dizia uma legenda da Casa Giocosa “Vinde ó, meninos aqui se instruem não se atormenta,”, ou seja, aprender deveria ser algo prazeroso
e também voltado para a realidade, pois
PRINCIPAIS EDUCADORES
assim falava:” Quero ensinar aos jovens
RENASCENTISTAS
a pensar, não a delirar’’. Foi considerado um precursor da Escola Nova.
Ainda mais, a indução não possui
a força lógica da dedução, o que torna ainda mais fácil a implementação
da crítica. Mais um tijolo para a escola
dos aprendizes ativos. Na mesma linha,
Rabelais (séculos XIV e XV), faz os
franceses rirem da educação medieval
através do gigante Gargântua. Ressalta
a importância da natureza em oposição
aos livros. Claramente contra-hegemônico, criticou a escolástica, valorizando
a cultura popular em resistência à cultura oficial dominante.
.(CABRAL, 2008. Disponível <http://www.webartigos.com/articles/8796/1/A-Educacao-NoRenascimento/pagina1.html#ixzz0tTJDLNLY>
Acessado em 12.jul.2010).
35
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
A
gora que você pode verificar a influência da literatura do Renascimento na contemporaneidade, vamos fazer um passeio pela internet.
Para conhecer um pouco visite os sites
abaixo e se surpreenda com as incríveis obras de artes desse que, sem dúvida, foi um movimento social que muito marcou a história da humanidade.
Alguns desses sites foram concebidos
originalmente nos idiomas inglês e francês. Mas, você ativar a
barra de tradução automática disponibilizada
no do google.com.br
BOA VIAGEM!
GALERIA DEGLI UFFIZI
http://www.uffizi.com/
MUSEU DO LOUVRE
http://www.louvre.fr/llv/commun/home.jsp
GALLERIE DELL’ACCADEMIA
http://www.gallerieaccademia.org/sito/
ing_museo.html
MUSEU DO VATICANO
O link dará acesso a uma visita virtual à Capela
Sistina, famosa pela grandiosa pintura de
Michelangelo.
http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html
Sessão de Cinema Renascentista
A MEGERA DOMADA (1967).
Direção: Franco Zeffirelli.
SINOPSE: Baseado na peça homônima de Shakespeare sobre
os costumes da burguesia italiana emergente. Sinopse: Um cavalheiro do século XVI, que ficou
pobre, viaja quilômetros atrás de
uma esposa rica. Ele encontra
uma mulher não só rica como
bonita. Tudo ia bem até que ela veio com umas
idéias bastante esquisitas, que séculos mais tarde
ficariam conhecidas como feminismo. Demonstra a
atualidade das idéias do dramaturgo Shakespeare.
ROMEU E JULIETA (1968).
Direção: Franco Zeffirelli.
SINOPSE: Versão cinematográfica da peça homônima de
Shakespeare, na qual dois jovens de famílias rivais se apaixonam. Ambientado na cidade de
Verona, tem boa reconstituição
histórica da época. Sinopse: Em
Verona Romeu (Leonard Whiting), um jovem, fica apaixonado e é correspondido
por Julieta (Olivia Hussey), uma donzela que pertence a uma família rival. No entanto este amor profundo terá trágicas conseqüências.
AMADEUS (1984).
Direção: Milos Forman.
SINOPSE: Baseada na peça de
Peter Shaffer sobre o grande músico Wolfgang Mozart e a corte
de José II da Áustria. Sinopse:
Após tentar se suicidar, Salieri (F.
Murray Abraham) confessa a um
padre que foi o responsável pela
morte de Mozart (Tom Hulce) e
relata como conheceu, conviveu e passou a odiar
Mozart, que era um jovem irreverente mas compunha como se sua música tivesse sido abençoada
por Deus.
36
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
SHAKESPEARE
APAIXONADO. (EUA/1998)
o QUE vIMOS nESTE cAPÍTULO
Informações disponíveis em http://www.suapesquisa.com/renascimento
Direção:John Madden.
Sinopse: Comédia romântica que se passa em 1593,
mas com ares dos anos 90.
Tudo começa quando o jovem
Will Shakespeare (Joseph
Fiennes) depara-se com uma
provação: o bloqueio da criatividade. Não importa o quanto
tente, ele não consegue buscar entusiasmo para
escrever uma nova peça teatral. Mas então, num
momento extraordinário em que a vida imita a arte,
ele apaixona-se por Lady Viola (Gwyneth Paltrow),
uma mulher que o faz viver sua própria aventura de
amor.
HAMLET (EUA/1996)
Direção de Kenneth Branagh.
SINOPSE: Depois de Muito
Barulho por Nada e Othelo ,
Kenneth Branagh dirige e protagoniza mais um clássico do
teatro shakespeareano. Ele
vive Hamlet, o príncipe da Dinamarca que, depois de concluir seus estudos fora do país,
retorna para o Palácio de Elsinore e encontra seu tio Claudius (Derek Jacobi)
casado com Gertrude (Julie Christie), sua mãe. Bernardo (Ian McElhinney), Horatio (Nicholas Farrell) e
Marcellus (Jack Lemmon), três amigos de Hamlet,
falam a ele sobre um fantasma que parece ser seu
falecido pai, que morreu há poucos meses. O fantasma pede vingança a Hamlet pela morte do pai.
LEONARDO DA VINCI
(DOCUMENTÁRIO BBC
MUNDO ESTRANHO)
A vida e as invenções do homem mais curioso de todos os
tempos. O documentário conta
a vida do italiano Leonardo da
Vinci, desde o seu nascimento no pequeno vilarejo de Vinci até sua morte. Por meio de
reconstituições de época (com
atores etc) e entrevistas com alguns dos maiores
especialistas na obra, os filmes retratam cada episódio marcante na trajetória daquele que é considerado uma das mentes mais brilhantes da história.
E tocam em todos os pontos mais curiosos de Da
Vinci.
37
Mona Lisa (também
conhecida como La
Gioconda) Leonardo da Vinci.
- Esse período foi caracterizado pela
valorização da cultura greco-romana.
Para os artistas da época renascentista,
os gregos e romanos possuíam uma
visão completa e humana da natureza,
ao contrário dos homens medievais.
- As qualidades mais valorizadas
no ser humano passaram a ser a
inteligência, o conhecimento e o dom
artístico. Enquanto na Idade Média a
vida do homem devia estar centrada em
Deus (teocentrismo), nos séculos XV
e XVI o homem passa a ser o principal
personagem (antropocentrismo).
- A razão e a natureza passam a
ser valorizadas com grande intensidade.
O homem renascentista, principalmente
os cientistas, passam a utilizar métodos
experimentais e de observação da
natureza e universo. Durante os
séculos XIV e XV, as cidades italianas
como, por exemplo, Gênova, Veneza
e Florença, passaram a acumular
grandes riquezas provenientes do
comércio. Estes ricos comerciantes,
conhecidos como mecenas, começaram
a investir nas artes, aumentando assim o
desenvolvimento artístico e cultural. Por
isso, a Itália é conhecida como o berço do
Renascentismo. Porém, este movimento
cultural não se limitou à Península Itálica.
Espalhou-se para outros países europeus
como, por exemplo, Inglaterra, Espanha,
Portugal, França e Países Baixos.
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
Se você fosse participar
da criação de um novo
movimento social
revolucionário, o que
aproveitaria do
Renascentismo?
38
Fonte Adaptada: Arca Sagrada, 2009.
I. O centro de onde
parte todas as ações
7. Fonte (Qual a Origem?)
39
6. Recursos - Com o que?
5. Método (Como, onde, Quanto, Qunato?)
4. Fundamentos (Quais?)
3. Justificativa (Por que?)
2. Finalidade (Pra que?)
II. O Agir
III. O objeto que reflete todas as ações
1. Objeto (O que é?)
exercite seu saber pensar quanto ao estudo do Renascentismo
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo II • Renascentismo
REFERÊNCIAS
CABRAL, Márcia Regina. Uma síntese histórica da educação no Renascimento. Disponível <http://www.webartigos.
com/articles/8796/1/A-Educacao-No-Renascimento/pagina1.
html#ixzz0tTJDLNLY>Publicado em 22/08/2008. Acessado em
12.jul.2010
BANDOUK,Gabriel Luiz. Renascimento Cultural.2000. Disponível
em <http://historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=191
Acessado em 07.mai.2010
INHAN, Luciana. FREITAS,Tiago. Renascimento: uma Europa
renovada através das obras de Leonardo da Vinci, Michelangelo, Sandro Boticcelli e Rafael Sanzio. Coleção Quero Saber.
São Paulo: Editora Escala, 2008.
JOHNSON, Paul. O Renascimento. Rio de Janeiro: Objetiva,
2001.
RECCO,Claudio Barbosa. CATARIN, Cristiano Rodrigo.
<http://www.suapesquisa.com/renascimento/>
22.abr. 2008
acessado
<http://www.historiadaarte.com.br/renascimento.html
em 05.mai.2008
< http://culturabrasil.org/arenascenca.htm
05.mai.2008
>
em
>acessado
acessado
em
< http://www.suapesquisa.com/renascimento/ > acessado em
22.abr.2008
www.googleimagens.com.br
www.corbis.com
40
“O que sabemos é uma gota, o que
ignoramos é um oceano.”
Isaac Newton,(1642 – 1727)
III
ILUMINISMO
Luan
Oi, pessoal, sou Luan, tenho 14
anos e amei compartilhar com
João e René informações sobre
o Humanismo e o Renascimento.
Vamos agora acender os faróis
das nossas ideias? Luz, câmera,
ação, Iluminismo em busca da
liberdade de pensamento.
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
http://images.zeno.org/Literatur/I/big/jaco1por.jpg
CAPÍTULO III
ILUMINISMO
A busca pelo saber e a
liberdade de pensame n to
“O Iluminismo representa a saída
dos seres humanos de uma tutelagem que
estes mesmos se impuseram a si.
Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem.
É-se culpado da própria tutelagem
quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento, mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do
entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão!”
Immanuel Kant ( 1724 - 1804)
Immanuel Kant, 1784
O
final do século XVII e o século XVIII foram marcados
por grandes transformações científicas e filosóficas, que foram precedidas pelos questionamentos a respeito do absolutismo dos monarcas,
a intolerância religiosa e o privilégio
que o clero e a nobreza desfrutavam.
Este movimento transformador
foi denominado “Iluminismo”, e os
filósofos, pensadores, cientistas defensores do iluminismo eram denominados de “Iluministas”. O lema do
movimento foi: Liberdade, Igualdade
e Fraternidade.
44
Cerimônia, no Congresso Americano, para apresentação da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Essa carta inspirou o
movimento da Inconfidência Mineira.
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
CONTEXTO HISTORICO,
POLITICO, SOCIAL, CULTURAL
DA EPOCA
As origens desse
movimento se encontravam em trabalhos
e reflexões de filósofos como Renè Descartes (1956 – 1650),
que lançou as bases
do Racionalismo como
única fonte de conheDescartes (1596 – 1650)
cimento. Desenvolveu
o método da dúvida
que consistia em questionar todas as teorias ou ideias pré-existentes. E resumiu assim a única verdade possível: “Penso, logo
existo”.
Descartes acreditava na existência
de Deus, criador do universo e governador
das Leis Imutáveis.
Não acreditava
na interferência divina
no universo após sua
criação.Confirmando o
que disse Descartes,
o físico inglês Isaac
Newton (1642 – 1727)
se referia à interpretação do mundo natural
Newton (1642 – 1727)
baseada na razão, ele
espressava as leis da
natureza de forma matemática por meio de
experimentos.
Influenciado pelo conjunto de idéias
de Isaac Newton, o também britânico, John
Locke (1632 – 1704), filósofo, escreveu a
obra Segundo Tratado sobre Governo Civil, onde defendia a idéia de que os homens tem direito à vida, à liberdade e à
propriedade.
Por resolução da maioria seria escolhido o governante que receberia autoridade e tinha o dever de garantir os direitos
VOCÊ SABIA?
que Newton defendia que
deveriam haver leis que
governassem as relações
sociais, a História, a
Política e a Economia.
de todos os governados. Caso o governo
rompesse o “contrato”, utilizando os poderes delegados pela sociedade em benefício
próprio perderia o cargo. Assim surgia um
princípio revolucionário, rejeitando o absolutismo e o poder divino dos monarcas.
Locke (1632 – 1704)
Voltaire(1694 – 1778)
Atraídos pelas idéias de John Locke,
Voltaire (1694 – 1778), escritor francês, por
2 vezes foi preso por criticar o poder dos
reis e da igreja, indo se exilar na Inglaterra,
onde escreveu Cartas Inglesas, exaltando
a liberdade de pensamento e de religião.
45
“Acontece com os livros o mesmo que
com os homens, um pequeno grupo,
desempenha um grande papel.”
Voltaire, 1747
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
Considerado
o
pai do liberalismo burguês,
Montesquieu
(1689 – 1755) foi escritor, jurista e filósofo.
Escreveu Espírito de
Deus, onde propunha
a divisão do poder em
três instâncias: legisMontesquieu
(1689 – 1755)
lativa (elabora e aprova as leis); executiva
(executa as leis e administra o país), e;
judiciária (fiscaliza e faz cumprir as leis).
Também pregava a necessidade de um
conjunto de leis que expressassem os valores de toda a sociedade e que fossem
por todos cumpridas, inclusive os governantes: a CONSTITUIÇÃO. Suas idéias
influenciaram a organização de quase todos os governos pós-revolução francesa.
Diferente de Montesquieu e Voltaire, que
defendiam a burguesia, Rousseau (1712 –
1778), filósofo francês,
defendeu os interesses das camadas mais
simples da população.
Suas idéias contrariavam um dos princípios
centrais da sociedade
burguesa – a propriedade privada. RousRousseau (1712 – 1778)
seau foi defensor da
democracia e da igualdade entre todos os homens. Além dos filósofos, o iluminismo foi representado pelos
economistas que atacaram a intervenção
do Estado nos assuntos econômicos, defendendo a liberdade total nas atividades
econômicas. Os economistas iluministas
mais importantes foram: Gournay (1712
– 1759), que cunhou a expressão “deixe fazer, deixe passar, o mundo vai por
si mesmo”;o britânico Adam Smith (1723
– 1790), considerado o pai da economia
como ciência, elaborou e demonstrou leis,
“São a força e a liberdade que
fazem os homens virtuosos.
A fraqueza e a escravidão nunca fizeram nada
além de pessoas más.”
Rousseau
Gournay (1712 – 1759)
Diderot (1717 – 1783)
condenava o mercantilismo, afirmava que
o “Trabalho” e não o comércio era fonte de
riqueza.
Suas idéias caracterizavam o Liberalismo
Econômico, verdadeira cartilha do capitalismo liberal, sua mais importante obra foi
Riqueza das Nações. Os maiores responsáveis pela divulgação das idéias iluministas foram os os filósofos Diderot (1717
– 1783) e D’Albert (1713 – 1784) que reuniram numa enciclopédia monumental, dividida em 35 volumes, todo o conhecimento
humano acumulado até então como os iluministas entendiam. 130 pessoas colaboraram neste trabalho, dentre eles Voltaire,
Montesquieu e Rousseau. A obra expressa
valores como racionalismo, substituto da
fé; o estímulo à ciência; à crença em Deus,
força impulsionadora do universo; e a idéia
de “contrato” entre governantes e governados. A Enciclopédia foi fundamental como
instrumento divulgador dos ideais liberais
para a política e a economia.
46
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
Para saber mais...
RESPEITO A PLURALIDADE
CULTURAL
Para viver democraticamente em uma socidade plural é preciso respeitar os diferentes grupos e
culturas que a constituem. A sociedade brasileira é formada não só por diferentes etnias, como
também por imigrantes de diferentes países. Além disso, as migrações colocam em contato grupos diferenciados. Sabe-se que as regiões brasileiras têm características culturais bastante diversas e que a convivência entre grupos diferenciados nos planos social e cultural muitas vezes é
marcada pelo preconceito e pela discriminação. Por isso que o Respeito a Pluralidade Cultural
é ponto fundamental para convívio em sociedade.
O respeito não é um dever, mas uma obrigação.
Fonte: Parâmetros curriculares nacionais / pluralidade cultural - http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdf
PAUSA LÚDICA!
Agora o seu desafio é Encontrar no caça-palavras
o nome das três instâncias do poder
propostas por Montesquieu.
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A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
O Iluminismo e a Educação
O
s princípios básicos do Iluminismo consistiam em acredi-
tar na expansão do conhecimento através
do ensino educacional para aumentar os
multiplicadores do movimento; a primazia
da razão; a confiança no processo das ciências; a afirmação da liberdade; o espírito de tolerância; e, a idéia do progresso.
Os
iluministas
acreditavam
que
Deus estava presente na natureza, portanto no próprio homem, sem que haja
necessidade de interferência da religião
e que a fé deveria ser racionalizada.
Passava-se a acreditar que as doenças endêmicas não eram castigos divinos,
mas sim resultados de procedimentos inadequados de governantes e governados.
Consideravam, ainda, que os homens eram
bons e iguais e que as desigualdades eram
provocadas pela forma como a sociedade
se comportava. Seria necessário corrigir as
distorções dando a todos, indistintamente,
proteção contra a escravidão, a injustiça, a
opressão e as guerras; liberdade religiosa
e de expressão e a livre posse de bens.
48
“Se é a razão que faz o homem, é o
sentimento que o conduz. “
Rousseau
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
IDEIAS QUE ILUMINARAM
O Iluminismo exerceu vasta influência sobre a vida política, intelectual e econômica da maior parte dos países ocidentais, e foi marcado
por transformações políticas consolidando estados-nação, a expansão
dos direitos civis, a redução da influência da nobreza e da igreja na vida
dos indivíduos.As mais importantes revoluções ocorridas no mundo
dentro das idéias iluministas foram a Revolução Francesa, ocorrida em
1789; a Independência dos Estados Unidos, em 1776; a constituição
Polaca de 1791; a Revolução Dezembrista da Rússia em 1825; o movimento de independência na Grécia e nos Balcãs; a reforma “Iluminista”
do Marquês de Pombal, em Portugal; bem como os diversos movimentos de emancipação nacional ocorridos no continente americano a partir de 1776.O ideal iluminista também repercutiu no Brasil influenciando os idealizadores da Inconfidência Mineira. Como no Brasil-colônia
não existia escola Superior, muitos filhos de famílias importantes foram
estudar na Europa, eis como tomaram conhecimento e foram influenciados pelos movimentos anti-absolutistas, trazendo para a colônia os
ideiais libertários e a vontade de viver num país livre, mais justo e íntegro. Também são considerados iluministas diversos intelectuais que
participaram de revoltas anticoloniais no final do século XVIII, tais como
Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. Mesmo não
sendo teórico destacado, Tiradentes, o líder e mártir do movimento mineiro, andava pelas livrarias do Rio de Janeiro à procura de livros que
tratassem da Independência das 13 colônias inglesas, livros de autores
franceses que tratavam dos ideais liberais, girando em torno de uma
idéia-chave: a República de governo, popular e livre. Muitos autores
associam ao ideário iluminista o surgimento das principais correntes
de pensamento que marcariam os séculos XIX e XX, como liberalismo,
socialismo e social-democracia.
49
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
Estou aqui para propor um desafio para vocês.
Vamos lá! A partir do texto, faça uma lista com as
personalidades que se tornaram ícones do movimento iluminista.
Lista de Ícones do Iluminismo
Aprofunde e vá além!
Para refletir e discutir em equipes!
A Lei Natural é uma norma geral e irrestrita, exigida pela necessidade, justificada pela razão, ditada pela autoridade competente
e dotada de sanção. Arca, II.1:64
A Lei é diretamente proporcional, no mínimo, à razão. Contudo, ao
contrário da segundo, a primeira é irretocável. Arca, II. 1:154
A Lei Natural é a ação da razão, bom senso e boa intenção indicando rumos, ditando normas e norteando as ações humanas para
o conhecimento, autoconhecimento e a autorrealizacão. Arca,
II.1:252
50
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
Maria Antonieta (2006).
Sessão de Cinema Iluminista
Ventos da
Liberdade (1998).
Direção: Ken Loach
SINOPSE: Na Irlanda, em 1920,
trabalhadores das cidades e do
campo se unem à guerrilha para
combater tropa que quer impedir
a independência irlandesa. O filme acompanha, especificamente, o drama de dois irmãos que
entram em combate: Damien (Cillian Murphy ), que
abandona uma promissora carreira como médico, e
Teddy (Padraic Delaney), um violento guerrilheiro.
Tiradentes (1998).
Direção: Oswaldo Caldeira
SINOPSE: A trajetória de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (Humberto Martins), líder da Inconfidência Mineira, um
movimento surgido em Vila Rica
(Ouro Preto) em 1789. Tiradentes sonhou junto com amigos e
intelectuais ver o Brasil independente do domínio português, mas esbarrou na traição de Joaquim Silvério dos Reis (Rodolfo Bottino).
Jefferson
Em Paris (1995).
Direção: James Ivory
SINOPSE: conta um escândalo
da vida pessoal de Thomas Jefferson (Nick Nolte), o mais famoso estadista da América que
chegou a ser presidente dos Estados Unidos - na época em que
foi embaixador dos EUA na França revolucionária.
Ele apaixona-se por uma bela mundana Dama da
Corte (Greta Scacchi), mas está dividido entre sua
paixão por ela e o desejo secreto por uma escrava da casa. Pego num complexo triângulo amoroso
e com a revolução francesa estourando, Jefferson
precisa tomar uma das decisões mais importantes
de sua vida.
Direção: Sofia Coppola
SINOPSE: vida da lendária Rainha adolescente da França MARIA ANTONIETA. Prometida ao
Rei Luis XVI ( Jason Schwartzman ) aos quatorze anos de idade, a ingênua Maria Antonieta
( Kirsten Dunst ), é lançada na
opulenta corte francesa que é
cheia de intrigas e escândalos. Sozinha, sem orientação e perdida em um mundo perigoso, a jovem
Maria Antonieta se rebela contra a atmosfera isolada de Versalhes, e no processo, ela se torna a
monarca mais incompreendida da França.
Morte ao Rei (2003)
Direção: Mike Barker
SINOPSE: Inglaterra, 1645. A
nação está em ruínas. A guerra
civil que dividia o país terminou.
Os Puritanos derrubaram o Rei
Charles I (Rupert Everett), ganhando assim a batalha contra
a corrupção. Surgem dois heróis pós-guerra: Lorde General
Thomas Fairfax (Dougray Scott) e o General Oliver
Cromwell (Tim Roth). A missão de ambos é unir e
reformar o país. Fairfax, membro da aristocracia,
quer uma reforma moderada enquanto Cromwell
exige a execução do Rei. O rei deposto acredita
que o seu reinado foi roubado por Fairfax e está determinado a reconquistá-lo. Encontra em Lady Anne
Fairfax (Olivia Williams), uma simpatizante que se
mantém fiel à monarquia. Fairfax se encontra cada
vez mais dividido entre a fidelidade à esposa, Lady
Anne, preservando sua classe social, e à causa revolucionária de seu companheiro. Cromwell age de
forma cada vez mais agressiva e brutal e Fairfax
percebe que precisa detê-lo, iniciando-se assim
uma batalha onde a traição e a conspiração são as
principais armas dos dois homens mais poderoso
do pais.
►Catarina, Amor e Poder, com Catherine Zeta-Jones.
►O Pacto dos Lobos.
►Danton, o Processo da Revolução, de Andrzej Wajda
►A Inglesa e o Duque, de Eric Rohmer (2001). Com
Alain Libolt e Caroline Morin
►Os Inconfidentes, de Joaquim Pedro
de Andrade
►Tiradentes, o Mártir da Independência,
de Geraldo Vietri
51
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
Movimentos revolucionários
de ideais Iluministas
Independência dos Estados Unidos da America
A partir do século XVII os ingleses começaram a
colonizar a região onde iniciou a formação dos Estados
Unidos da América.
A colonização aconteceu de duas formas diferentes: (1) Colônias do Norte – foram formadas pelos protestantes ingleses que fugiam das perseguições religiosas,
chegaram com a finalidade de transformar a região num
lugar próspero para habitar com suas famílias, com mãode-obra livre, economia baseada no comércio, pequenas
propriedades e abasteciam o consumo interno. (2) Colônias do Sul – eram explorados pela Inglaterra. Eram baseadas no latifúndio, mão-de-obra escrava, a produção
era exportada para a metrópole e agricultura era basicamente de monocultura.
Com a deflagração da “Guerra dos sete anos” (1756 1763) entre Inglaterra e
França pela posse dos territórios norte-americanos, a Inglaterra resolveu cobrar o prejuízo das batalhas entre os colonos. Para isso resolveu aumentar impostos e taxas,
além de criar novas leis que atrapalhavam a vida dos colonos:
•Lei do açúcar – novas taxas alfandegárias para açúcar que
não fosse comprado das Antilhas Inglesas.
•Lei do selo – obrigava a utilização de selo em qualquer documento, jornais, contratos e até em baralhos.
•Lei do chá – garantia o monopólio do comércio de chá para
a Companhia das Índias Orientais, da qual muitas personalidades
inglesas possuíam ações.
•Lei do aquartelamento – exigia dos colonos que contribuíssem com alojamento, comida e transportes para as tropas inglesas
enviadas para as colônias.
George Washington
•Lei da moeda – proibia emissão de dinheiro nas colônias.
A mudança da política colonial inglesa após a “Guerra dos sete anos” e os ideais
iluministas propagados na Europa influenciaram os colonos na preparação do movimento emancipacionista das 13 colônias americanas. Em várias cidades formavam
comitês pró-independência que realizavam a propaganda da emancipação política e
ao mesmo tempo armazenavam armas e munições, caso houvesse conflito.
Os representantes dos colonos se reuniram no 1º Congresso Continental
de Filadélfia onde decidiram boicotar os produtos ingleses e elaboraram uma Declaração de Direitos e Agravos. Revogação das Leis Intoleráveis.Após um ano
da realização do 1º Congresso foi organizado o 2º Congresso Continental da
52
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
Filadélfia (1775) com o objetivo de tornar as colônias independentes.Os colonos tinham certeza que somente com o apoio de alguma potência européia teriam forças
para enfrentar os ingleses. A França sentiu que seria vantajoso para ela apoiar os
norte-americanos, pois seria uma forma de enfraquecer a Inglaterra, grande inimiga
dos franceses. A França enviou 7.500 soldados e no ano seguinte a Espanha também
participou da luta contra a Inglaterra.
Em 1781 as tropas coloniais, liderados por George Washington, e franceses derrotaram os ingleses na Batalha Yorktown. A Inglaterra sem ter outra saída teve de
reconhecer a “Independência das 13 colônias”, com o nome de Estados Unidos da
América, pelo Tratado de Versalhes.
Em 1787, foi proclamada a Constituição norte-americana, baseada nos ideais do
Iluminismo, definindo o Estao como República Federativa Presidencialista, estabelecendo a existência de 03 poderes: executivo, legislativo e judiciário.Apesar de grande
significado, a Declaração manteve a escravidão no país.A Independência Norte-americana influenciou a Revolução Francesa, a Inconfidência Mineira e tantos outros movimentos libertários em várias partes do mundo.A Independência dos Estados Unidos
da América foi promulgada em 04 de julho de 1776.
Filmes relacionados com a independência dos EUA:
•O veleiro da aventura (de Clarence Brown)
•O patriota (com Mel Gibson)
•Revolução (de Hugh Hudson)
Revolução Françesa
A revolução francesa (1789 a 1799) foi influenciada pelos ideais iluministas e da Independência Americana (1776).
É uma das maiores revoluções acontecidas no mundo. Deu
início à Idade Contemporânea. Aboliu a escravidão e os direitos feudais e proclamou os princípios universais: liberdade, igualdade e fraternidade, frase de autoria do iluminista
Jean Jacques Rousseau.
A França no século XVIII era governada por um Rei absoluto, que detinha poder supremo e era dividida em 3 castas: Clero ou Primeiro Estado; Nobreza ou Segundo Estado
e Povo ou Terceiro Estado.A França passava por um período
de crise financeira em decorrência dos elevados custos da
corte de Luís XVI, participação na Guerra da Independência
dos Estados Unidos da América. Para tentar resolver a crise
financeira, o rei Luís VXI convida o Conde Turgot para gerir a crise como ministro e
implementar profundas reformas sociais e econômicas: o Clero (Primeiro Estado, a No
53
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
breza (Segundo Estado) oprimiu o Terceiro Estado e não acei-tavam as reformas, pois tinham isenção tributária e usufruíam do tesouro real por meiode pensões
e cargos públicos. O Clero e a Nobreza se sentiram pressionados a contribuir no pagamento de impostos, pediram ajuda a burguesia para lutar contra o poder real. Eles
iniciaram a revolta ao exigir a convocação dos Estados Gerais para votar o projeto de
reformas. Como o rei não aceitou a limitação do poder real, tentou dissolver os Estados Gerais.Os representantes do Terceiro Estado rebelaram-se e transformaram-se
na Assembléia Nacional Constituinte onde foi aprovada a legislação abolindo o regime
feudal e senhorial e suprimindo o dízimo.
Uma intensa mobilização nacional destronou o rei, e depois de elaborar a Carta
Magna Francesa a Assembléia Nacional Constituinte dissolveu-se. Em 14 de julho culmina o movimento com a tomada da prisão da Bastilha, símbolo do poder real. Pouco
depois, aprova-se a solene “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”.
Entra o período da Assembléia Legislativa: motins de Paris provocados pela
fome; a França declara guerra à Austria; dá-se o ataque ao Palácio das Tulheiras; a
família real é presa.
No período da Convenção Nacional fica dominada pelos Jacobinos (partido da
pequena e média burguesia, liderado por Robespierre). A monarquia é abolida e a
família de Luís XVI é guilhotinada em 1793.
Segue-se o período do Diretório, um golpe de Estado armado desencadeado
pela alta burguesia (girondinos) marca o fim de qualquer participação popular no movimento revolucionário.O golpe em 9 de novembro de 1799 põe fim ao Diretório, iniciando-se a Era Napoleônica sob a forma do Consulado, a que se segue a Ditadura e
o Império. O poder concentrou-se nas mãos de Napoleão, que ajudou a consolidar as
conquistas burguesas da Revolução.
A França precisou de um século para encontrar outro regime que fosse aceito
pela grande maioria da nação e assim fazer valer a Bandeira Francesa nas cores branca, azul e vermelho: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Filmes sobre Revolução Francesa:
•Danton, o processo da Revolução da Andrzey Wayda
•Calvário de uma rainha (de Jean Delanoy)
•Morte ao Rei de 2003
•A inglesa e o duque de Eric Rohmer (2001)
•Maria Antonieta
54
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
Inconfidência Mineira
Dentre os movimentos que eclodiram
no ocidente influenciados pelo Iluminismo
está a Inconfidência Mineira, um dos mais
importantes movimentos sociais da nossa
história. Ocorreu em Minas Gerais no ano
1789. Contemporânea da Revolução Francesa. Durante o século XVIII a nação portuguesa sofreu uma grave crise econômica
e para tentar resolver a crise utilizou uma
nova forma de organizaçãodo próprio estado, influenciado pelo avanço das idéias
iluministas implementadas pelo administrador do reino, Marques de Pombal; abreviou
e simplificou os estudos científicos, desvinculando o estado da igreja; apoio total aos
trabalhos desenvolvidos na Academia Real de História e na Academia Real de Ciência;
o ensino passou a ser público, organizado e financiado pelo Estado e fora da influência
da igreja.A política pombalina para o Brasil, representou na prática uma exploração
mais racional, com a Organização das Companhias de Comércio Monopolistas que
atuaram com mais rigor em Minas Gerais que se constituía na mais importante região
mineradora.
Com o agravamento da crise econômica de Portugal a exploração das colônias
se fez mais forte e rigorosa, com a cobrança de altas taxas e aumento abusivo do imposto sobre a exploração do ouro que passou de “um quinto” para a cota fixa de 100
arrobas por ano (1500kg). Como a produção do ouro caiu muito, não era possível o
pagamento total do tributo, ocasionando o endividamento da colônia.
A coroa portuguesa resolveu instituir a “derrama”, isto é a cobrança dos impostos
atrasados por meios violentos e obrigando a todos o pagamento da dívida. Além dos
tributos altos era proibidos a existência de manufaturas no Brasil, dificultando muito a
vida da população de modo geral e privilegiando os produtos manufaturados vindos
da Inglaterra. Nesse período era comum à elite colonial enviar filhos para estudar na
Europa onde tomaram contato com as idéias Iluministas de Locke, Voltaire, Rousseu,
entre outros. Ao retornarem da Europa encontrando o Brasil super explorado pela coroa portuguesa e ainda influenciados pela Independência das 13 colonias inglesas na
América do Norte , começaram a se reunir com o objetivo de seperar definitivamente
o Brasil de Portugal.
Fazem parte do grupo: Tomás Antonio Gonzaga (magistrado e poeta), Claudio Manoel da Costa (poeta e advogado), Alvarenga Peixoto (fazendeiro e poeta), o cônego Luiz Vieira da Silva, os padres Carlos Correia de Toledo e Melo e
José da Silva Oliveira Rolim, Tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, o comandante da Cavalaria São João D’El Rei Luiz Vaz de Toledo Piza, a
esposa de Alvarenga,a poetisa Bárbara Heliadora Guilhermina Silveira; ainda fazia parte o mais exaltado e considerado brilhante, curioso pelos conhecimentos,
que se tornou líder do movimento: José Joaquim da Silva Xavier – o Tiradentes.
55
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
O movimento chegou até mesmo a desenhar a bandeira – um
retângulo branco com um triângulo vermelho e a inscrição LIBERTAS QUAE SERA TAMEN a inscrição significa liberdade ainda
que tardia em latim, atualmente esta é a bandeira de Minas Gerais.
O Movimento seria deflagrado quando o Visconde de Barbacena, governador da capitania de Minas Gerais executasse
a “derrama”.Um dos mineradores, devedor de impostos e participante do movimento conspiratório, Joaquim Silvério dos Reis,
resolveu delatar por escrito ao governador. Com o apoio das autoridades portuguesas sediadas no Rio de Janeiro iniciou-se as
prisões, sendo Tiradentes um dos primeiros a ser feito prisioneiro, na capital, onde se
encontrava em busca de apoio ao movimento. Logo outros inconfidentes foram presos
em Minas Gerais e foi promovida uma grande devassa para apurar os delitos.
Tiradentes, quando foi preso, negou a existência da conspiração, porém vários
participantes presos passaram a confessar o envolvimento, descrevendo as reuniões,
os planos e os nomes dos demais conspiradores. A partir dessas notícias, Tiradentes
não só admitiu a existência do movimento como sua posição de líder.
A devassa promoveu a acusação de várias pessoas que alguns anos mais tarde
tiveram suas sentenças definidas. A justiça da rainha D. Maria I, a louca, não perdoou
ninguém. Cada revolucionário teve seu castigo, de acordo com o seu papel. Onze
foram condenados à morte, outros a exílio perpétuo na África e outros a exílio temporário também na África. Portugal comutou as penas e somente Tiradentes morreria enforcado em praça pública (Campo São Domingos, Rio de Janeiro). Foi esquartejado,
degolado, sendo a cabeça exposta em Vila Rica (atual Ouro Preto). A casa salgada,
a família declarada infame até a quarta geração. Embora a Inconfidência Mineira não
tenha logrado êxito, transformou-se num símbolo de resistência, um exemplo de luta
dos brasileiros pela independência, liberdade e contra um governo injusto, violento,
ganancioso e autoritário.O Brasil como um Estado Republicano e Democrático de Direito, possui, hoje, uma constituição baseada em princípios iluministas, ressaltando a
igualdade, a liberdade e a fraternidade; a segurança e a vida, todos estes princípios
iluministas e inerentes à pessoa humana. Ainda influenciada desde os primórdios da
república pela ideia iluminista, nossa constituição está alicerçada na divisão de três
poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
56
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
Se você fosse
participar da criação
de um novo
movimento social
revolucionário, o
que aproveitaria do
Iluminista?
57
Fonte Adaptada: Arca Sagrada, 2009.
I. O centro de onde
parte todas as ações
7. Fonte (Qual a Origem?)
58
6. Recursos - Com o que?
5. Método (Como, onde, Quanto, Qunato?)
4. Fundamentos (Quais?)
3. Justificativa (Por que?)
2. Finalidade (Pra que?)
II. O Agir
III. O objeto que reflete todas as ações
1. Objeto (O que é?)
exercite seu saber pensar quanto ao estudo do iluminismo
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo III • Humanismo
REFERÊNCIAS
AQUINO, Rubim Santos Leão de; BELLO, Marco Antônio Bueno;
DOMINGUES, Gilson Magalhães. Um sonho de liberdade: a
conjuração de Minas. São Paulo: Editora Moderna, 1998.
BLUCHE, Frederic; RIALS, Stephane; TULARD, Jean. Revolução
Francesa. Coleção L&pm Pocket Encyclopaedia. Porto Alegre/RS:
L&PM, 2009.
CHARTIER, Roger. Origens Culturais da Revolução Francesa.
São Paulo: Unesp, 2009.
CHIAVENATO, Júlio José. As várias faces da Inconfidência Mineira. São Paulo: Contexto, 1989.
JARDIM, Márcio. A Inconfidência Mineira: uma síntese factual.
Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1989.
JUNIOR, Manoel Pio Corrêa. Primórdios da Revolução Francesa.
Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 2002.
MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa: a Inconfidência
Mineira: Brasil-Portugal - 1750-1808. São Paulo: Paz e Terra,
1985. 318p. mapas, tabelas.
Tiradentes: a sentença. Rio de Janeiro: ALERJ, 1992.
Tiradentes: os caminhos do ouro. Brasília: Imprensa Nacional,
1992.
HOBSBAWM , Eric J.. A Revolução Francesa. São Paulo: Paz e
Terra, 2000.
59
"O homem primeiramente existe, se
descobre, surge no mundo; e que só depois
se define(...) se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer."
Sartre,1973
IV
EXISTENCIALISMO
TINNA
Olá, meu nome é Tinna, tenho 16
anos e amo a vida, vou à escola,
curto sair com meus amigos, ouvir
uma boa música e gosto muito de
filosofar. Por isso mesmo estou aqui
para viajarmos pelo mundo interior da
existência humana. Apresento a você
o Existencialismo. Mas quero fazer
uma pergunta: E você ama a vida?
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
A e x i s tênc ia p re cede
a essê nc ia
CAPÍTULO 4
“(...) Assim, pois, ainda aí, a essência do homem precede sua
existência histórica que encontramos na natureza. (...)”.
O
existencialismo ateu, que eu represento, é
mais coerente. Declara ele, que se Deus
não existe, há pelo menos um ser no qual
a existência precede a essência, um ser que existe
antes de poder ser definido em qualquer preceito, e que
este ser é o homem ou, como diz Heidegger, a realidade
humana. Que significará aqui o dizer-se que a existência
precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois
se define. O homem, tal como o concebe o existencialista,
se não é definível, é porque primeiramente não é nada.
Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se
fizer. Assim, não há natureza humana visto que não há
Deus para conceber. O homem é, não apenas como ele se
concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este
impulso para a existência; o homem não é mais que o
que ele faz. Tal é o primeiro princípio do existencialismo.
É também a isso que se chama de subjetividade, e o que
nos censuram sobre este mesmo nome. Mas, que queremos dizer nós com isso, se não que o homem tenha uma
dignidade maior que uma pedra ou uma mesa? Porque o
que nós queremos dizer é que o homem primeiro existe,
ou seja, que o homem, antes de mais nada, é o que se lança para o futuro e o que é consciente de se projetar para o
futuro. (...) Mas, se verdadeiramente a existência precede
a essência, o homem é responsável por aquilo que é. Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo
homem no domínio do que ele é de lhe atribuir a total
responsabilidade da sua existência. E, quando dizemos
que o homem é responsável por si próprio, não queremos
dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens .
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo, Col. Os
pensadores, São Paulo, Abril Cultural, 1973. p.11-12.
63
EXISTENCIALISMO
E. Delacroix, A liberdade guiando
o povo (1830), detalhe, óleo sobre
tela, Museu do Louvre
“O primeiro esforço do existencialismo é o de pôr todo homem no domínio do que ele é
de lhe atribuir a total responsabilidade da sua existência. “
Sartre,1973
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
Para saber mais...
Contexto Histórico e Social
O caminho da
tragédia ao bem
estar
O inicio da Primeira Guerra Mundial deu-se
com a rivlidade entre as nações imperalistas.
Os USA sairam como a maior potência econômica do mundo. Foi a pior guerra que o mundo
conhecera, com nove milhoes de mortos e seis
milhões de mutilados. Apesar da tragédia, houve o onicio de um novo tempo. No lugar de príncipes havia presidentes da república. Em vez
de carruagens, automóveis; em lugar da ópera
e valsa, o jazz, discos, rádio, cinema.
M. C. Escher (1898 - 1970) “Mão com esfera reflexiva”
a partir da autenticidade, em liberdade
diante de quaisquer expectativas, na verdade, é apenas uma filosofia que não faz
concessões: coloca sobre o ser humano
toda a responsabilidade por suas ações.
O
Existencialismo difundiu-se como
o pensamento mais radical a respeito do homem na época contemporânea, no fim do século XIX, alcançando
seu auge nas primeiras décadas do século XX, onde o mundo passava por várias
transformações, principalmente relacionado às grandes guerras e exorbitantes crises
políticas, sócias, ideológicas e filosóficas.
Embora não seja possível dar uma definição precisa do existencialismo - pois não
existe um existencialismo único - ainda
assim há uma série de traços que ajudam
a descrever a índole e o espírito desse
movimento filosófico. Denomina-se Existencialmo uma série de doutrinas filosóficas que, mesmo diferindo radicalmente
em muitos pontos, coincidem na idéia de
que é a existência do ser humano, como
ser livre, que define sua essência, e não
a essência ou natureza humana que determina sua existência. E tem como tema
central a análise do ser Humano e sua
relação com o mundo, existindo uma preocupação com o sentido e o objetivo de
sua vida. O ser humano, na ótica existencialista, é visto como aquele que age
Cartaz de Propaganda da 10 Guerra Mundial Fonte: www.firstworldwar.com/photos
“ O Existencialismo é assim caracterizado,
em primeiro lugar, pelo facto de pôr em questão o modo de ser do homem; e, dado que entende este modo de ser como modo de ser no
mundo, caracteriza-se em segundo lugar pelo
facto de pôr em questão o próprio “mundo”,
sem pressupor o ‘ser como já dado ou constituído. “
(ABBAGNANO, 1970 p.179)
64
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
E
mbora represente uma corrente específica do pensamento
moderno, o existencialismo não deixa de ser uma tendência
que se faz sentir ao longo de toda a história da filosofia. Assim
sucede, por exemplo, com o imperativo socrático “conhece-te a
ti mesmo”.O dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855), profundamente religioso e considerado o pai do existencialismo,
interpreta a existência em termos de possibilidade. A existência
humana é, para todas as formas de
existencialismo, a projeção do futuro
sobrea base das possibilidades que o
constituem. [...]
Sócrates (470 a.C.-399 a.C)
[...] Outros, enfim, como o italiano Nicola Abbagnano (1901-1990)
e o francês Maurice Merleau-Ponty
(1908- 1961), consideram que as possibilidades existenciais são limitadas pelas circunstâncias, mas nem determinam a escolha nem
fazem com que ela seja indiferente. Sejam quais forem suas posições particulares, todos os existencialistas afirmam, porém, que a
escolha entre as diferentes possibilidades implica riscos, renúncia
Kierkegaard (1813-1855)
e limitação, salvo o francês Gabriel Marcel (1889-1973), principal representante do existencialismo cristão, que acha possível a
transcendência do homem mediante seu encontro com Deus na fé.
“O que diferencia o homem e os animais é
que só o homem é livre. Se o homem existe,
ele é “para si”, isto é, é consciente, autoreflexivo.” SARTRE, 1973
PENSE NISSO!
O que é Existência pra Você?
Reflexão
Para melhor compreender o significado dela, (a existência) é preciso
rever o que quer dizer essência. A essência é o que faz com que uma
coisa seja o que é, e não outra coisa [...], o homem tal como define o
existencialista, se não é definível, é por que primeiramente não é nada.
Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. Assim não
há natureza humana [...] O homem é, não apenas como ele se concebe,
mas como ele quer que seja como ele se concebe depois da existência,
como ele se deseja após este impulso para a existência [...](ARANHA e
MARTINS, 1993, p.306)
65
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
PRINCIPAIS CARACTERISTICAS
DO EXISTENCIALISMO
- O modo de ser do homem é um modo
de ser no mundo em determinada
situação.
- O homem nunca é, e nunca encerra
em si uma totalidade infinita.
EXISTENCIALISMO E EDUCAÇÃO
P
- Existir significa relacionar-se com o
mundo, com as coisas, com os outros
homens.
ara o existencialista, a educação verdadeira é aquela que
possibilita o homem a construção de
- Não há no ser humano uma alma ou
espírito já incorporado. Esta essência
será adquirida através da existência,
pois o homem define a sua realidade.
sua essência a partir da liberdade,
mostrando ao Ser humano que a sua
liberdade está estritamente vinculada
- O homem está entregue
determinismo no mundo.
ao
à responsabilidade, pois o ato responsável do homem também é o ato res-
- A liberdade do homem é condicionada,
finita e obstada por muitas limitações.
ponsável por toda a humanidade. A
educação deverá libertar o homem das
- Ignora a noção de progresso porque
não pode entrever nenhuma garantia
dele.
amarras, sem que seja condicionado
por forças que lhe vendam os olhos e
- Reconhece sem pudores a importância
que tem para o homem, a exterioridade,
a materialidade.
que lhe impeça de construir sua exis-
- Afirma o primado da existência sobre
a essência. Essa definição funda a
liberdade e a responsabilidade do
homem.
ma não serve para o existencialismo.
tência/essência e como impositora de
normas para a reprodução do siste-
Texto Adaptado do site: http://www.cefetsp.br/
edu/eso/filosofia/existencialismoeducacao.html
66
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
PRINCIPAIS ÍCONES DO
EXISTENCIALISMO
Martin Heidegger (1889-1976)
•Martin Heidegger nasceu a 26 de setembro de 1889 em
Messkirch, na Schwarzwald (Floresta Negra), Alemanha, e faleceu em 26 de maio de 1976, na mesma Messkirch, então
parte da Alemanha Ocidental.
•Pensador de maior destaque;
•Filósofo e Professor de filosofia;
•Discutiu e elaborou a teoria do ser, a que denominava
de Dasein1, O homem é um ser no mundo.
“A angústia é a disposição
fundamental que nos coloca
ante o nada.”
1. Expressão alemã que significa o “ser-ai” (ARANHA e MARTINS, 1993, p.304).
Karl Jaspers (1883-1969)
•Karl Jaspers nasceu em 23 de Fevereiro de 1883 em
Olddenburg (Alemanha);
•Médico, professor de psicologia e de filosofia;
•Tinha elevada sensibilidade moral;
•Opositor do nazismo, defendendo a tese que “não há filosofia
sem pensamento político;
•Critica a ciência, julgando-a incapaz de fundamentar os valores estáveis.
•Destacou-se por falar que o Ser Humano é um sujeito que
transcende a si mesmo e que a existência é inobjetiva, não
A forte defesa da filosofia
sendo objeto de conhecimento; experimenta-se a existência,
e da liberdade foi uma das marcas
onde o ser humano toma consciência de si mesmo em situado pensamento de
Karl Jaspers
ções limites, como a luta, a culpa, o sofrimento, a morte.
Jean-Paul Sartre (1905-1980)
•Jean-Paul Sartre nasceu em Paris, no dia 21 de junho de
1905;
•Filósofo, professor e escritor;
•Ateu, se concentra no “eu” fora da consciência... No mundo...;
•Ganhou sucesso durante a guerra no livro e no teatro; com o
Ser e o nada, em 1943, passou para a lista dos grandes filósofos do tempo;
•Segundo ele, a “existência precede a essência”, o homem
existe independente de qualquer definição pré-estabelecida
sobre seu ser, onde o ser humano por si só define sua reali“Nunca se é homem enquanto se não encontra
dade.
alguma coisa pela qual se
estaria disposto a morrer.”
67
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
PAUSA LÚDICA!
Para refletir e discutir em equipes!
A apartir do que você viu até agora, O que você tem
a dizer sobre estas duas charges?
Conflitos Existenciais
Banda Cachorro Grande / Composição: Marcelo Gross
Esta música é uma das
minhas preferidas! Leia
a letra e Assista o clipe
no youtube .
Vale a pena!
Conflitos existenciais
Tomam conta da minha cabeça
De onde eu vim, e quem sou?
Por que eu estou aqui, pra onde vou
Conflitos existenciais
Tomam conta de minha cabeça
Por que nada é como eu queria que fosse?
Isso tudo ao meu redor
Quem é que trouxe?
Conflitos existenciais
Tomam conta da minha conciencia
Todos erros que eu cometi
Contrariando uma voz que eu não quis ouvir
Conflitos existenciais
Tomam conta da minha cabeça
Por que nada é como eu queria que fosse?
Isso tudo ao meu redor
Quem é que trouxe?
Conflitos existenciais
Tomam conta da minha cabeça
De onde eu vim, e quem sou?
Por que eu estou aqui, pra onde vou
Conflitos existenciais
Tomam conta de minha cabeça
Por que nada é como eu queria que fosse?
Isso tudo ao meu redor
Quem é que trouxe?
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A consciência é mais do que ela diz.
ENTREVISTA
Capítulo IV • Exisntencialismo
FILÓSOFO GERD BORNHEIM
Existencialismo: uma Presença Extraordinária em Nosso Tempo
Jadir Lessa: Como surgiu o
seu interesse pelo Existencialismo?
Gerd Bornheim: Era a época! Uma
época que veio da 2ª Guerra Mundial em
que o indivíduo não existia. Conturbada
depois por ditaduras de diversas ordens,
um totalitarismo político que fez com que
os valores do indivíduo fossem ressaltados. Então ele fica mais desperto. Não só
o indivíduo em primeiríssimo lugar, mas a
situação histórica fantástica que é o individualismo. E nós presenciamos hoje a crise
do individualismo, a crise de nós mesmos,
em última análise. Este indivíduo tem a
presença muito forte, mas de certa maneira crítica; existencialmente crítica. E em
segundo lugar exatamente este aspecto é
que o indivíduo, por contingências históricas das mais diversas, a começar pela política, se tornou crítico. Ele quer questionar
a realidade e não a aceita mais passivamente. Por exemplo: se fala hoje que há
uma manipulação muito grande da realidade humana. Manipulação fantástica havia
na Idade Média, quando foi disseminado,
contra a conquista árabe, o culto à virgem
Maria. Isso era feito em nome do absoluto,
que na verdade não é absoluto. É autoritário, dogmático. Mas havia aí uma manipulação sobre o conceito mesmo da mulher
que era fantástico, extraordinário. Hoje as
coisas se tornaram críticas justamente porque a manipulação é questionada. Todo
mundo fala que o homem é manipulado e
por aí vai. Eu acho que esse pensamento existencial, essa postura mais crítica é
que justifica a presença da própria psicologia e principalmente da filosofia nesse tipo
de atividade. A consciência crítica leva a
questionar o conceito de manipulação.
"...Se fala hoje que há uma manipulação muito
grande da realidade humana. Manipulação fantástica havia na Idade Média, quando foi disseminado, contra a conquista árabe, o culto à virgem
Maria..."
JL: Como o senhor vê a situação do Existencialismo hoje no
Brasil e no mundo?
GB: O Existencialismo é um movimento que atingiu o seu apogeu na metade do século. Os grandes mestres praticamente desapareceram. O problema é que
as questões colocadas pelo pensamento
existencialista dizem respeito a própria realidade humana em toda a sua extensão. E
a partir daí o Existencialismo continua tendo uma repercussão teórica e prática crescente. É impressionante como no campo
da Psicologia e da Psicanálise, no Brasil e
no mundo, se busca discutir as teses do
Existencialismo clássico, que continuam
tendo uma vitali-dade muito grande, já que
o pensamento subsequente se compraz
muito em reduzir tudo à categoria do objeto, ao cientificismo, e tende a esquecer
a realidade humana. Quando de fato essa
realidade humana é que tem que ser pensada, meditada, questionada. E o Existencialismo é a doutrina que coloca as categorias básicas para se repensar a realidade
humana. É como Freud, também do início
do século. Mas afinal de contas, o Existencialismo continua tendo uma presença em
nosso tempo de fato extraordinária.
69
"...E a partir daí o Existencialismo continua tendo uma repercussão teórica e prática
crescente. É impressionante como no campo
da Psicologia e da Psicanálise, no Brasil e
no mundo, se busca discutir as teses do Existencialismo clássico..."
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
JL: Dentre os temas existencialistas quais aqueles que mais
o interessam?
GB: Os clássicos são os temas que
ficam. Aquilo que Heidegger falava de inquietação, de angústia, existência autêntica e inautêntica, o ser para a morte, bem
entendida a coisa toda, evidentemente, a
questão da liberdade, da responsabilidade
sartreanamente colocadas. São questões
que ainda não encontraram um equacionamento muito amplo, porque uma grande
lacuna do nosso tempo, que justifica tudo
que falamos aqui, é o fato de que ainda
não existe uma ética, uma moral adequada
a esse mesmo tempo. Então o homem fica
um pouco à deriva, instável. Ele não tem
normas e não se trata das normas. Ele tem
que desenvolver o senso de responsabilidade, de liberdade para chegar de fato a
equacionar essas coisas de modo adulto
e maduro. E isso se faz em larga medida
com a colaboração da psicoterapia.
JL: Quantos livros o senhor
já publicou e quais são eles?
GB: Livros, eu tenho mais ou menos
uma dúzia. Agora tenho muita coisa em
obras coletivas, como por exemplo a série
toda da Companhia das Letras, Ética, Tempo e História, Arte e Pensamento, O Olhar,
O Desejo e o último chama-se A Crise da
Razão. Os meus livros, eu tenho bastante mas está quase tudo esgotado. Porque
eles se esgotam e os editores não se interessam em fazer novas edições, eu não
entendo bem porquê. Agora estou preocupado em começar um processo de reeditar
meus livros que, modestia à parte, têm um
sucesso interessante: oito, doze edições.
Acho que esse ostracismo não se justifica.
“...As doutrinas filosóficas têm uma atualidade extraordinárias e me pergunto até se
certas opiniões são esquecidas, como por
exemplo Jaspers, que tem uma ligação com
a Psiquiatria tão fundamental...”
JL: Gostaria que o senhor falasse sobre a tradução do “Ser
e Nada” de Sartre para o português?
GB: Ela corre muito bem. A tradução
é muito bem feita. Na primeira edição houve uma série de falhas técnicas apontadas
pelo próprio tradutor. Falhas das origens
das mais diversas que, segundo ele, nas
edições subseqüentes seriam sanadas.
Mas eu fiquei espantado com o sucesso
dessa tradução. Já são diversas edições
que se acumulam. É um sucesso, um bestseller no mercado. Acho que o público leitor brasileiro está de parabéns por ter tanto
interesse por obra difícil, pensada na base
do Sartre. Agora nós temos dois livros
fundamentais o “Ser e Tempo”, de Heidegger e o “Ser e Nada”, de Sartre, traduzidos para o português. Isso é um evento da
maior significação.
*Entrevista extraída do JORNAL EXISTENCIAL feita pelo presidente da SAEP, psicólogo Jadir Lessa, com um dos mais respeitados representantes do Existencialismo no
Brasil, o filósofo, professor e doutor Gerd Bornheim.
Intitula-se um pesquisador. Ler e escrever são as
atividades que mais o agradam. Possui vários livros
publicados, quase todos esgotados, além de muitos artigos e capítulos editados em obras coletivas.
Leciona regularmente filosofia na UERJ e é muito
solicitado para ministrar palestras em congressos
e outros eventos no Brasil e no exterior. (Jornal On
line Existencial, http://www.existencialismo.org.br/,
acesso 03.05.2010 ás 15:55)
70
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
Bicho de 7 Cabeças
Sessão de Cinema Existencialista
Ah... mais uma coisinha!
Esses são alguns filmes que vocês podem assistir, são ótimos!!!
Título no Brasil: Bicho de 7 Cabeças
Título Original: Bicho de Sete Cabeças
Direção: Laís Bodanzky
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 80 minutos
Ano de Lançamento: 2000
Sinopse: Seu Wilson (Othon Bastos) e seu filho
Neto (Rodrigo Santoro) possuem um relacionamento difícil, com um vazio entre eles aumentando cada
vez mais. Seu Wilson despreza o mundo de Neto e
este não suporta a presença do pai. A situação entre
os dois atinge seu limite e Neto é enviado para um
manicômio, onde terá que suportar as agruras de
um sistema que lentamente devora suas presas.
À Espera de um Milagre
titulo original: (The Green Mile)
lançamento: 1999
direção: Frank Darabont
atores: Tom Hanks, James
Cromwell, Michael Clarke Duncan, Bonnie Hunt,
David Morse
duração: 188 min
gênero: Drama
Sinopse: 1935, no corredor da morte de uma prisão sulista. Paul Edgecomb (Tom Hanks) é o chefe
de guarda da prisão, que tem John Coffey (Michael
Clarke Duncan) como um de seus prisioneiros. Aos
poucos, desenvolve-se entre eles uma relação incomum, baseada na descoberta de que o prisioneiro possui um dom mágico que é, ao mesmo tempo,
misterioso e milagroso.
Pink Floyd: The Wall
Direção: Alan Parker / Gerald Scarfe, baseado em
argumento de Roger Waters (do album The Wall)
Duração: 1 hora e 39 minutos
Distribuidor: MGM Home Entertainment
Produção: Inglaterra
Sinopse: Um roqueiro (Pink) assistindo TV penetra
em um outro mundo. Desgastado pelo meio empresarial musical e capaz de cantar nos palcos apenas
com a ajuda de drogas Pink regride até a infância,
onde é oprimido pela mãe superprotetora. Na escola
é reprimido pelos professores por começar a escrever poemas. Então, lentamente, ele começa a construir um muro à sua volta, para se proteger do mundo exterior. O filme mostra isso num clima pesado e
sombrio até o último instante, quando ele destrói o
muro e se liberta.
71
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
Relações ser humano/ser humano;
ser humano/natureza; ser humano/Deus;
O Existencialismo é o movimento contemporâneo que
mais está relacionado paralelamente ser humano/ser humano, pois ele preconiza que o homem, é responsável, e
não co-responsável por seus atos, ações, atitudes, ou seja,
causas e consequêcias.
Apesar de partir de uma vertente que ignora a preexistência de algo Divino, Superior, que afirma a precedência da essência à existência, logo se transforma quando, ele
o próprio existencialismo se depara com as suas possibilidades. Isso quer dizer que a relação Ser Humano/ Deus, flui
através da consciência existente no homem, já que ele é o
elemento que designa sua felicidade ou sofrimento, paz ou
guerra, harmonia ou agonia, em fim tudo.
Ao homem existencialista, está provado que a razão
o torna um ser criatura e produtor, predador ou preservador
de todas as coisas da natureza. Ao Ser estão, todas as feitorias da criação. “E,quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem
é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é
responsável por todos os homens (SARTRE, 1973)”, isso
define a relação entre Ser Humano e a Natureza.
Nesse contexto, é esperado que o homem utilize mais
eficazmente a consciência e seja o mais profundo observador de seus pensamentos, sentido o que necessita e agindo de forma coerente com a razão consciente que lhes é
pertinente. No tocante, cabe ao existencialista permitir ser
mais humano, acolhedor, mais verdadeiro, desprendido de
materialismo e de pequenas ambições que o façam provar
do sofrimento ao invés do prazer, do bem. O movimento
existencialista não deve ser visto nunca de forma negativa,
pois é mais um ícone que alerta e desperta ao ser de que
somente o Homem é possuidor da razão do direito de liberdade e de expressão e de escolha.
O existencialismo enveredou no século XX durante
duas grandes guerras, e isso proporcionou que se fizessem
reflexões, sobre quem estava no poder, tipo de governo, começaram a buscar, atividades no campo da música, teatro,
cinema. Porém, tendo os seus precursores como grandes
filósofos, sua grande contribuição foi voltada também para
a filosofia.
72
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
Se você fosse
participar da criação
de um novo movimento
social revolucionário,
o que aproveitaria do
existencialismo?
73
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
TEXTO COMPLEMENTAR
Moral da ambigüidade
A
infelicidade do homem, disse Descartes, deriva d e que ele foi primeiro uma
criança. E, com efeito, estas escolhas infelizes que fazem a maior parte dos
homens só se podem explicar porque se operaram a partir da infância. O que
caracteriza a situação da criança é que ela se encontra jogada num universo que não
contribuiu para constituir, que foi moldado sem ela e que lhe aparece como um absoluto ao qual não pode senão submeter - se. Aos seus olhos, as invenções humanas - as
palavras, os costumes, os valores - são fatos consumados inelutáveis como o céu e as
árvores, ou seja,o mundo em que vive é o mundo do sério, já que o específico do espírito
de seriedade é considerar os valores como coisas estabelecidas. (...) O mundo verdadeiro é o dos adultos, onde não lhe é permitido senão respeitar e obedecer. Ingenuamente vítima da miragem do para - outro crê no ser dos seus pais, dos seus professores:
considera-os como as divindades que estes procuram vilmente ser e cuja aparência se
comprazem em imitar diante de olhos ingênuos. As recompensas, as punições, os prêmios, as palavras de elogio ou de censura insuflam na criança a convicção de que existe
um bem, um mal, fins em si, como existe um sol e uma lua. (...) E é nisto que a condição
da criança (ainda que possa ser, em outros aspectos, infeliz) é metafisicamente privilegiada: a criança escapa normalmente à angústia da liberdade; pode ser, a depender de
sua vontade, indócil, preguiçosa; seus caprichos e suas faltas dizem respeito somente a
ela, não pesam sobre a terra, não poderiam perturbar a ordem serena de um mundo queexistia antes dela, sem ela, no qual está em segurança por sua própria insignificância;
pode fazer impunemente tudo o que lhe agradar, sabe que nada acontecerá por causa
disso, tudo já está dado; seus atos não comprometem nada, nem mesmo a si própria.
(...) É muito raro que o mundo infantil se mantenha além da adolescência. Desde
a infância, já suas falhas se revelam; no espanto, na revolta, no desrespeito, a criança
pouco a pouco se interroga: por que é preciso agir assim? A quem isto é ú til? E, se eu
agisse de outra forma, que aconteceria? (...) E quando chega a idade da adolescência, todo seu universo se põe a vacilar, porque percebe as contradições que os adultos
opõem uns aos outros, bem como suas hesitações, suas fraquezas. Os homens cessam
de lhe aparecer como deuses, e, ao mesmo tempo, o adolescente descobre o caráter
humano das realidades que o cercam: a linguagem, os costumes, a moral, os valores,
têm sua fonte nessas criaturas incertas; chegou o momento em que será chamado a
participar também dessa operação; seus atos pesam sobre a terra tanto quanto os dos
outros homens, ser-lhe-á preciso escolher decidir. Compreende-se que tenha dificuldade
em viver esse momento de sua história e reside nisso. Sem dúvida, a causa mais profunda da crise da adolescência: é que o indivíduo deve, enfim, assumir a sua subjetividade.
De certa forma, o desabamento do mundo sério é uma libertação. Irresponsável, a criança se sentia também sem defesa em face das potências obscuras que dirigiam o curso
das coisas. Mas, qualquer que seja a alegria dessa libertação, não é sem uma grande
confusão que o adolescente encontra-se jogado num mundo que não é mais completamente feito, mas a fazer, dono de uma liberdade que nada mais prende, abandonado,
injustificado. Em face dessa situação nova, que pode ele fazer? É nesse momento que
se decide; se a história, que se pode chamar natural, de um indivíduo - sensualidade,
74
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
seus complexos afetivos etc. - depende sobretudo de sua infância, é a adolescência que surge como o momento da escolha moral: então, a liberdade se revela e é
preciso decidir que atitude tomar diante dela. (...) A infelicidade que vem ao homem do
fato de ele ter sido uma criança consiste, pois, em que sua liberdade lhe foi inicialmente
ocultada e em que ele guardará toda sua vida a nostalgia do tempo em que ignorava as
exigências dela.
(...) Compreende-se facilmente porque, de todas as atitudes inautênticas, essa é
a mais freqüente: é que todo homem foi inicialmente uma criança; depois de ter vivido
sob o olhar dos deuses, tendo prometido a si mesmo a divindade, não aceita de bom
grado voltar a ser, na inquietude e na dúvida, simplesmente um homem. Que fazer? Em
que acreditar’? Freqüentemente, o jovem que, como o sub-homem, não recusou logo a
existência de maneira a que essas questões não se colocassem, assusta-se, entretanto,
por ter de respondê-las; após uma crise mais ou menos longa, volta-se para o mundo
de seus pais e de seus senhores ou então adere a valores novos, mas que parecem
também seguros. Em lugar de assumir uma afetividade que o lançaria perigosamente
adiante de si mesmo, ele a repele.(...) Ao contrário, o homem que tem os instrumentos
necessários para evadir -se desta mentira e que não quer usá-los, esse destrói sua liberdade ao recusá-la; faz de si mesmo sério, dissimula sua subjetividade sob a armadura
de direitos que emanam do universo ético reconhecido por ele; não é mais um homem,
mas um pai, um chefe, um membro da Igreja Cristã ou do Partido Comunista.
Tetxo Adptado de ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS Maria Helena Pires. Filosofando, introdução à Filosofia. 2ª edição rev. e atualizada, São Paulo: Moderna, 1993. pág 309
75
Fonte Adaptada: Arca Sagrada, 2009.
I. O centro de onde
parte todas as ações
7. Fonte (Qual a Origem?)
76
6. Recursos - Com o que?
5. Método (Como, onde, Quanto, Qunato?)
4. Fundamentos (Quais?)
3. Justificativa (Por que?)
2. Finalidade (Pra que?)
II. O Agir
III. O objeto que reflete todas as ações
1. Objeto (O que é?)
exercite seu saber pensar quanto ao estudo do existencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo IV • Exisntencialismo
REFERÊNCIAS
A liberdade na filosofia existencial. Site:http://www.philosophy.
pro.br/liberdade_existencial_00.htm Acesso em 28. 03.2010 15:28
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. Ed. Martins Fontes, São Paulo; 1998 p.403
__________________. História da Filosofia. Vol.14. Tradução
Conceição Jardim, Eduardo Lúcio Nogueira e Nuno Valadas, Lisboa: Presença, 1970 p.179 – 291
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS Maria Helena Pires.
Filosofando, introdução à Filosofia. 2ª edição rev. e atualizada,
São Paulo: Moderna, 1993.
Enciclopédia Simpozio. História da filosofia moderna. http://www.
cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y744.htm acesso em 29.03.2010
15:45
BERSSA. José. Kierkegaard - vida e obra. Site: http://www.josemarbessa.com/2009/08/kierkegaard-1813-1855-vida-e-obra.html
acesso em 29.03.2010 14:38
COBRA, Rubem Q. Existencialismo. Site www.cobra.pages.nom.
br, Internet, Brasília, 2001. Acesso em18. 11.2009 14:19
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. Ed. 12. São Paulo: Ática,
2002
POKLAKED, Danuta D. Como surgiu o Existencialismo. Site
http://www.psicoethos.com.br/si/site/010404, Internet, Santo André - SP, 2004. Acesso em18. 11.2009 14:34
77
Consciência; Sociedade; Revolução.
“A verdadeira revolução acontece quando
mudam os papéis e não apenas os autores.”
(Gilbert Cesbron)
V
CONSCIENCIALISMO
Cainã
Oi, gente, sou Cainã, tento 17 anos
e acredito que todos os movimentos
que até agora estudamos, contribuíram significativamente para o desenvolvimento da consciência humana.
Estou aqui e agora para contribuir
com novas ideias. Você quer saber
mais? Então, continue a leitura, pois
apresento um novo movimento e
tenho certeza que você vai se identificar: O Consciencialismo.
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
N o v o Movimento Social
R e v o l u c i o n ário para Humanidade
Iniciamos nossas reflexões com a
seguin¬te indagação: O que vem a ser Revolução? De acordo com Ximenes (2000, p. 822)
é a ação ou efeito de revolver(-se); transformação ra¬dical na estrutura econômica, política,
social, cultural ou cientifica. Há mais de dez
décadas a humanidade não vê a expressão de
um novo movimento social, cultural, filosófico,
revolucio-nário, sendo que os últimos que mudaram os rumos da sociedade, em um contexto
mais am¬plo foram o Humanismo, na segunda
metade do século XIV, Renascentismo, no fim
do sé¬culo XIV até o século XVII aproximadamente, o iluminismo no século XVIII, por fim,
e o mais recente, o Existencialismo, meados
do século XIX até o século XX, onde cada um
destes mo¬vimentos contribuíram para o entendimento do ser humano e suas relações
com mundo.
Diante dos fatos observados atualmente no planeta: grandes conflitos, desastres
natu¬rais, grandes crises econômicos, a falta
de mo¬ralidade; nossas relações deverão estar pauta¬das em modos de interdependência,
onde cada ser se enxergue como uma peça
consistente e flexível, sendo cada vez mais solidário e res¬ponsável, havendo, portanto a necessidade de uma nova revolução, lembrando
que uma pes¬soa é uma multidão; duas é uma
conspiração; e três uma revolução.
Tal revolução demanda, principalmente, a busca de repostas às grandes questões:
Qual a razão da nossa existência? Qual é a
finali¬dade da Vida e do Princípio Criador?
Neste sentido, cabe buscar melhor compreendermos as possíveis relações entre Ser Humano/Deus, Ser Humano/Natureza e Ser Humano/Ser Hu¬mano, a fim de identificarmos o que
podemos realizar em prol do todo, a partir de
nós mes¬mos, como a primeira e última oportunidade, buscando nos fatos históricos os instrumentos de transformação social e individual
e a influ¬ência de uma nova Consciência no
favoreci¬mento da evolução abreviada do Ser
Humano.
81
CAPÍTULO V
Consciencialismo
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
R E V OLU Ç Ã O DA CONSCIÊNCIA
Para saber mais...
Mahatma Gandhi
Inicialmente a palavra revolução pode
propor a ideia de rebelião, revolta ou conduta violenta, porque o Ser Humano em
sua constante procura por mudanças, muitas vezes se comporta de forma abrupta,
radical, ou até mesmo violenta, gerando
desde discussões, disputas ou até mesmo
guerras. Porém, como dito anteriormente,
revolução é a ação ou efeito de revolver(se) Ximenes (2000), ou seja, é um ato de
transformação de conceitos e atitudes predominantes em nível individual ou social,
que só é possível pelo processo de despertamento, construção e/ou desenvolvimento
de uma nova Consciência.
A exemplo de Mahatma Gandhi (1869
– 1948), que soube conduzir seu povo a
independência sem confrontos armados,
mostrando que é possível transformar uma
sociedade por meio do desenvolvimento
da Consciência, proclamando que a “nãoviolência não quer dizer renúncia a toda
forma de luta contra o mal, pelo contrário,
a não-violência [...] é uma luta ainda mais
ativa e real que a própria Lei do Talião mas em plano moral.”, através de atitudes
que respeitem a dignidade da vida.
VOCÊ SABIA?
Se em algum momento na história da
humanidade se pode dizer que uma Nação teve um porta-voz, esta Nação foi a
Índia e seu porta-voz consensual na primeira metade do século XX foi Mohandas
Karamchand Gandhi – Mahatma, a
“Grande Alma”.A complexa Teologia
Hindu reza que há um único Deus e este
se apresenta em 3 formas: Brahma, o
Criador; Shiva, o Destruidor (sempre presente quando a história chega a seu final)
e Vishnu, o Equilibrador (a serviço do
Dharma). Quando o caos ameaça a humanidade, Vishnu toma a forma humana para
recompor a ordem. Segundo o Mahabharata, Vishnu veio ao mundo como Krishna,
no alvorecer da civilização indiana. Para
seus contemporâneos, Mohandas Gandhi,
que repudiava ser chamado assim, constituía a mais recente encarnação da divindade, portanto era chamado de Grande Alma. Devotou a sua vida à causa da
Independência da Índia e a encaminhou
política e religiosamente em perfeita harmonia com a Tradição de seu povo, daí o
estrondoso sucesso obtido.
Que Lei do Talião é uma expressão que vem do latim Lex Talionis (lex = “lei” e talis = “tal, de tal tipo”) e
consiste na justa reciprocidade do crime e da pena. Esta lei é freqüentemente simbolizada pela expressão “olho
por olho, dente por dente”. O Código de Hamurabi, escrito em acádio ou babilônio antigo (1750-1730 a.C.).
(MEISTER, M. F. 2007, p.58)
82
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
Vamos consultar o dicionário
e descobrir a origem da
palavra consciência?
Reforçando ainda mais esta máxima Barreto (2006, p.10) a conceitua como “ [...] uma
das mais importantes faculdades inatas capitais
do Ser Humano que lhe possibilita, além de saber e sentir, suficientemente, acerca da realidade, segundo, não só conhece, mas também se
aproxima daquilo que estabelece aquela moralidade universal [...]”.
Ao pesquisar etimologicamente a palavra Consciência encontramos em Monteiro (2006) o seguinte
significado: “palavra de origem latina
(conscientìa,ae) que significa ‘conhecimento de alguma coisa comum a muitas
pessoas, conhecimento, senso íntimo’.
Segundo o dicionário da língua
portuguesa Ximenes (2000, p. 245)
“Consciência é a faculdade que permite
ao homem o conhecimento e a avaliação do que se passa em si mesmo e
à sua volta; a capacidade de julgar os
próprios atos, do ponto de vista moral
[...]” Para tal, Junior (2007, p. 2) a define
como “experiência subjetiva com conteúdo. Ao enfocar a experiência, entendida como o processo pelo qual um ser
interage com o seu ambiente “
Edgar Nahoun (que
mais tarde adotará o
sobrenome “Morin”)
nasce em Paris no dia
8 de julho.
Mais: http://edgarmorin.sescsp.org.br/
Reforçando ainda mais esta máxima Barreto (2006, p.10) a conceitua como “ [...] uma
das mais importantes faculdades inatas capitais
do Ser Humano que lhe possibilita, além de saber e sentir, suficientemente, acerca da realidade, segundo, não só conhece, mas também se
aproxima daquilo que estabelece aquela moralidade universal [...]”.
Morin nos apresenta
a consciência em dois
sentidos: moral e intelectual. No sentido
moral, corrobora com
o pensamento de Rabelais que diz: “Ciência sem consciência
é apenas ruína da
alma”. E no sentido
intelectual, relaciona
com a aptidão autoreflexiva, considerada como qualidadechave da consciência
(BARRETO, 2006).
“A única revolução possível é dentro de
nós”
(Mahatma Gandhi)
83
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
E qual o nosso entendimento
acerca da consciência?
Percebido que o saber pesar é um
impulso constante de inquietação do saber o que é; as sensações provocadas
por esta busca sofrida, racional ou intuitiva, possibilitam-nos a evolução e nos
leva ao aperfeiçoamento, a construção
e desconstrução de pensamentos e/ou
ações, levando ao questionamento de
valores e provas imutáveis, desvendando um completo estado de libertação
de Consciência, um melhoramento das
relações do seu ser com o mundo externo, buscando a reflexão no sentido alfa
das relações.
No nosso entendimento, a Consciência é vista como causa e efeito dos
questionamentos mais abstratos e significativos das relações do Ser Humano
com sua essência e a ordem natural do
Universo. Entretanto, se percebe uma
fragmentação no que tange essas relações, devido à preocupação do Ser Humano com experimentações baseadas
somente no raciocínio lógico, esquecendo as ações cognitivas em níveis
mais abstratos.
Essa fragmentação, portanto se
dá pela falta do exercício do saber pensar, pois pensar é o ato de refletir, julgar, raciocinar, planejar, preocupar - se
ou lembrar de algo ou alguém, e como
pensamento, a faculdade de pensar, de
fantasiar, imaginar, sonhar uma vez que
é um ato do espírito ou operação da inteligência (TORRES, 2006, p. 3). Torres
(2006, p. 6) evidencia que a faculdade
humana de imaginar, pensar, produzir pensamentos e de inteligir sobre os
mesmos são essenciais para a compreensão da vida e de seus ditames.
Refletir sobre as expressões do pensar
humano é de essencial importância se
levarmos em conta
o fato de que nossas
ações são o resultado do que sentimos
e pensamos, quer
consciente ou inconscientemente. (TORRES, 2006. p.1)
Assim, autoconhecer-se é grande
chave para os questionamentos a cerca de uma totalidade em comum e do
viver universal, interagindo com o seu
eu interior e as forças da universalidade, ou seja, experimentar, desenvolver,
transcender a Consciência, esta força
vital que promove revolução/evolução,
é o elo e o alicerce principal de convergência desse novo movimento, no que
tange as leis universais e suas atribuições acerca do viver.
Onde o Universo/Planeta/Ser Humano é a tríade que rege esta “orquestra” tão primorosa e delicada, onde nós
devemos sim, começar a ser solidários
e responsáveis pela sua preservação e
não tentar se desvencilhar desta rota
84
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
harmônica, transformando cada dia e /
ou momento em um novo desafio, pois,
o maior desafio é fazer cada Ser Humano vencer suas próprias limitações.
Assumimos então, a Consciência
como caminho de transformação da humanidade, pois ela favorece a revolução
– evolução de um estado inicial mais superficial para um estado de desenvolvimento humano mais profundo e essencial. Porque a grande necessidade é de
enxergar o universo como um sistema
complexo e harmônico e (re) descobrir
que não somos exclusivamente produto
do meio em que vivemos, mas o reflexo
de uma força interior que por muitas vezes não nos permitimos conhecer, conforme Barreto (2006, p.2):
lhe é Origem Causal;
origem esta da qual,
tudo tem sido dito, e
que todos têm ouvido,
embora nada tenha
sido falado (BARRETO, 2008, p.3).
De acordo com esta concepção,
vislumbraremos possibilidades de revoluções significativas, sem brigas, sem
guerras, onde o Ser Humano, ciente de
seu poder de transformação, será levado a resultados mais duradores.
Diante do Exposto, a Consciência,
causa e efeito de transformação, é o alicerce do Consciencialismo, onde a finalidade maior é constituir os pilares deste
novo movimento social, cultural, filosófico, revolucionário, alertados por um
novo posicionamento mais consciente
de todos os Seres Humanos perante a
Obra Universo, a Obra Planeta e a Obra
Ser Humano.
O estudo da Consciência nos remete
a uma melhor compreensão da vida, a
partir da concepção
do Ser Humano como
uma totalidade. Portanto, um Ser que
sente, pensa e age,
lembrando que os
nossos sentimentos,
pensamentos e atos,
nada mais são senão
expressões de nossa
consciência.
Onde a mesma nos permite compreender melhor a vida, partido da observação de nós Seres Humanos como
uma totalidade, desvendando-nos em
um eu mais profundo, a percepção da
realidade que nos cerca, pois,
A Obra Ser Humano
é uma Obra de Arte,
do Divino Arquiteto
do Universo, firme em
vontade própria, nobre
em razão, claro em
consciência, infinito em
qualidades, faculdades,
forças em domínio, formas e movimentos, tão
criador quanto um Deus
e tão ator quanto anjo
Jair Tércio
[...]esta que é a força
do Ser Humano que
o permite exilar-se,
meditar e silenciar-se,
voluntariamente, para
ouvir, d’Aquilo que
85
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
EIS QUE IMPORTA APROFUNDARMOS e ir além!
E A CONSCIÊNCIA É O GUIA
Estes são alguns sites que voçê poderá aprofundar
mais sobre o estudo da Consciência
Estudos da Consciência
http://www.conscienciologia.pro.br
Instituto Integral da Consciência
http://www.inic.com.br
Encontro da Nova Consciência
http://novaconsciencia.multiply.com/
E estes são alguns livros que voçê poderá ler e aprofundar
mais sobre o estudo da Consciência
Título: Da Sociedade do
Conhecimento À Sociedade
da Consciência - Princípios ,
Práticas e Paradoxos
Autor: Guevara, Aroldo José
de Hoyos; Dib, Vitória Catarina
Editora: Saraiva
Título: Conhecer-se - O Despertar da Consciência Energética
Autor: Willecke,elsbeth
Editora: Eko
86
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
Título: Um Mundo Novo - O
Despertar de uma Nova Consciência Autor: Tolle, Eckhart
Editora: Sextante / Gmt
Título: O Universo
Autoconsciente
Autor: Goswami, Amit
Editora: Aleph
Título: Revolução da Consciência uma Nova Visão de Vida
Autor: Isha
Editora: Pensamento
Título: Nova Consciência Século XXI
Autor: Nogueira, Rui
Editora: Rui Nogueira
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Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
O S PIL ARES DO
C O N S C I E NCIA LISMO COMO
U M N O VO MOVIMENTO
S O C I AL / REVO LU CIONÁRIO
o que está separado e compartimentado, que respeite o diverso, ao mesmo
tempo que reconhece o uno, que tente
discernir as interdependências.
Para isso, o Ser Humano precisa
estar consciente de seu movimento em
relação a si próprio; ao outro e a natureza; ser ético, socialmente responsável,
com posicionamento visionário, sem limites para criatividade, usando o corpo
para expressar e canalizar a energia do
Universo. Então:
Mostramos que a Consciência é
a caminho de transformação para um
novo Ser Humano, consciente de sua
totalidade e unicidade perante o Universo. Neste contexto, as bases de ação
humana estarão em seu próprio interior
(BARRETO, 2009), constituindo assim
os pilares do Consciencialismo em três
aspectos:
[...] a ação ou o pensamento (que são a
mesma “coisa”) brotam de uma parte da
nossa
consciência.
Existe uma certa freqüência ou vibração
associada à ação ou
pensamento. Quando
agimos, endossamos
aquela realidade, de
modo que nos conectamos ao universo
pela freqüência ou
vibração associada.
Tudo “lá fora” com a
mesma
freqüência
responderá a ela, e
será refletido em nossa realidade. [...] tudo
em nossas vidas —
pessoas, lugares, coisas, tempos e acontecimentos — não
são senão reflexos
de nossas vibrações
pessoais. [...] (ARNTZ
et. Al, 2007, p111).
O Ser humano é um ser bio-psicosócio-espiritual e refletir sobre as questões humanas é estar ciente da sua estrutura física, psíquica, moral: é permitir
que cada Ser Humano tenha consciência de sua condição humana, situandoa em seu mundo físico, em seu mundo biológico, em seu mundo histórico,
em seu mundo social, a fim de que tal
condição possa ser assumida (MORIN,
2001). Por isso se faz necessária mudança de postura e pensamento.
Segundo Morin (2000) há necessidade de um pensamento que ligue
Nesta perspectiva, corroborarmos com a idéia de Barreto (2009, p.6)
quando afirma que:
O desafio é reconhecer o imutável em si
mesmo e caminhar
em sua direção, o que
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Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
perpassa pela busca
não só do conhecer,
como também do
sentir e do ser, pois
quando o Ser Humano aprende e sente,
enfim, compreende
que sua existência
está
diretamente
relacionada com o
Imutável, então seus
pensamentos, atos e
obras logo se modificam.
também, do meio em que vive, bom que seja
redito. 3 Portanto, ele não é só produto, mas,
também, produtor do meio em que se encontra
inserido. 4 Eis que nós, o mundo e a humanidade somos um, e os fazemos como são e estão.5
Portanto, cada um deve fazer a sua parte para
que o todo viva em estado efetivo de Harmonia,
Amor, Verdade e Justiça. 6 O Ser Humano, essa
trindade, não raro, adormecida, composta que é
de altura, largura e profundidade. É tão grande
quanto compreende a sua altura como sendo
a sua elevação para Deus; a sua largura como
sendo a sua busca ao bem estar de si mesmo,
do seu próximo, e do meio em que vive; Portanto
do todo que é e faz parte, e a sua profundidade
como sendo a sua busca acerca de si mesmo,
portanto, do Princípio Criador, da Finalidade da
Vida, bem como da Razão de Nossa Existência.
7 No entanto, não há mistério na altura nem na
largura, mas há na profundidade. 8 Enquanto
ignoramos, esquecemos e/ou inobservamos,
por exemplo, o que indica a noção exata de
alma, de consciência e de Lei Natural, para
a nossa evolução abreviada consciente, nos
tornamos e mantemos densos, ainda que tenhamos pouco volume, pois estaremos baixos na altura, estreitos na largura e rasos na
profundidade. 9 Eis que, meus amados, Deus
nos quer onde estamos e como somos, sem a
menor possibilidade de sermos outra coisa, senão nós mesmos. 10 Portanto, busquem saber,
cada vez mais, se integrarem à força para não
se entregarem à força, pois o Ser Humano não
pode deixar de adquirir a sabedoria, a força e a
beleza. No entanto, deve estar bem claro que,
senão nada, pouco adianta adquirir a sabedoria
e a força, e não se ter beleza em suas ações.
Reafirmando a idéia de Barreto
(2006), para promover mudança o Ser
Humano precisa sim estar consciente e
conhecer de fato a sua relação com o
mundo físico, psíquico e espiritual em
seu constante movimento de procura
pelo equilíbrio universal.
Quando analisamos o Ser Humano em suas três dimensões: sentir,
pensar e agir; buscamos em primeira e
última instâncias a razão da nossa existência e a finalidade de nossas vidas,
pois a dimensão do pensar é aquela
que dá conta do racional, do entendimento de dados e fatos; dimensão do
sentir é aquela que dá conta das nossas emoções e valores e a dimensão do
agir é aquela ligada às nossas ações e
motivações.
Para tal, reporto-me a Ocidemnte
(2003, p. 29-31), ao expressar:
Portanto, o Ser Humano deve ser
livre, inteligente e criativo para buscar
o equilíbrio entre materialidade e espiritualidade; consciente de sua força para
alcançar a sustentabilidade e a religação com o todo.
Parafraseando
Morin
(2000,
p.157-158), a relação do homem com
a natureza não pode ser concebida de
forma redutora nem de forma separada,
pois a humanidade é uma entidade planetária e biosférica onde o Ser humano
1 São eleitos de Deus. Os que já concebem,
em si mesmos, que importa deveras ao Ser
Humano tornar e manter integrados os seus
sentimentos, pensamentos e atos, numa ação
de integração, em função de suas, essencialmente necessárias e racionalmente justificáveis, realizações, considerando a Finalidade da
Vida, bem como a Razão de Nossa Existência.
2 Afinal é fato que, o Ser Humano é um ser
que sente, pensa e age. No entanto, ele não é
só o produto, do que sente, pensa e faz, mas
89
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
é ao mesmo tempo natural e sobrenatural tendo sua origem na natureza viva e
física, emergindo dela e se distinguindo
dela pela cultura, pensamento e consciência.
Neste sentido, cabe trilharmos o
caminho da evolução, mostrando os
diferentes estágios do viver e da compreensão do Ser humano a partir de
sua constituição física, psíquica, moral
e suas tendências sobre o sentir, pensar
e agir. Conforme quadro a seguir:
RENASCIMENTO
(Fim do século XIV
até o século XVII aprox.)
HUMANISMO
(Segunda metade do século XIV)
MOVIMENTOS SOCIOCULTURAIS DA HUMANIDADE
Física/ Psíquica/ Moral
Sentir/ Pensar/Agir
Reconhecimento da totalidade como
ser formado de alma e corpo destina- Nega a superioridade da vida contemplado a viver no mundo e a dominá-lo. O tiva, sobre a vida ativa.
Humanismo reivindica para o homem o
valor do prazer, exalta a sua dignidade O Homem é a medida de todas as coisas.
e liberdade.
Os artistas começam a dar mais valor às
Valorização das disciplinas que estu- emoções.
dam o ser humano.
Renovação moral, intelectual e política
decorrente do retorno aos valores da civilização em que o homem teria obtido
as suas melhores realizações: a grecoromana. O corpo humano com todos os
seus detalhes era exaltado na escultura
Desenvolvimento do espírito crítico, rae na pintura. Ideais do Renascimento:
cionalista; Formava-se um novo perfil do
Antropocentrismo
homem das ciências, oposto ao obediente
religioso que tudo acreditava em nome da
Hedonismo (prazer individual e imediafé.
to com supremo bem da vida humana).
ILUMINISMO
(Século XVIIIII aprox.)
•
•
•
Racionalismo
Otimismo
Individualismo
Os princípios religiosos baseados na fé
foram substituídos por princípios cien- Respeito aos valores individuais como litíficos baseados na razão.
berdade, igualdade, propriedade.
O Iluminismo adota a fé cartesiana da Ênfase nas idéias de progresso e perfectirazão, mas também acha que é limitado bilidade humana.
o poder da razão.
90
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
(2010...
CONSCIENCIALISMO
(Meados do século XIX
até o século XX.)
EXISTENCIALISMO
O homem está entregue ao determinismo
no mundo.
O modo de ser do homem é um modo de
ser no mundo em determina situação.
A liberdade do homem é condicionada, finita e obstada por muitas limitações.
O homem nunca é, e nunca encerra em si
uma totalidade infinita.
O Existencialismo ignora a noção de progresso porque não pode entrever nenhuma
Existir significa relacionar-se com o mun- garantia dele.
do, com as coisas, com os outros homens.
O Existencialismo reconhece sem pudores
Não há no ser humano uma alma ou es- a importância que tem para o homem, a
pírito já incorporado. Esta essência será exterioridade, a materialidade.
adquirida através da existência, pois o hoAfirma o primado da existência sobre a
mem define a sua realidade.
essência. Essa definição funda a liberdade
e a responsabilidade do homem.
Corpo como canalização e expressão de
energia do Universo; consciente de seu
movimento em relação a si próprio; ao
outro e a natureza; ser ético, socialmente
responsável com posicionamento visionário sem limites para criatividade.
O Ser Humano inteligente, livre e criativo, em busca do equilíbrio entre materialidade e espiritualidade consciente de sua
força ao alcance da sustentabilidade e da
religação com o todo.
Fonte adaptada: BARRETO, M.; TORRES, R., 2008.
a prova sua sobrevivência e a das futuras gerações; e isso ocorre por que todos nós costumamos pensar que tudo o
que nos cerca já é algo que existe sem
nossa interferência ou escolha. (ARNTZ
et. al, 2007, p. 111) A grande questão
é entendermos o ciclo da manifestação universal, onde tudo parte de nós
e certamente retornará a nós. Segundo
Goswami (1998, p.19):
Este quadro nos leva observar
como o Ser Humano vai desenvolvendo suas consciências paulatinamente, a
partir do seu sentir, pensar e agir, mas
também através do meio no qual está
inserido. O Consciencialismo surge
neste contexto para preencher lacunas
deixadas por nossos antecessores, afinal, como foi dito no inicio desta construção, o passado guarda a nossa história e indica as perspectivas de novos
rumos.
É valido considerar que o Ser
Um nível crítico de
confusão satura o
91
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
somente precisa de um olhar que unifique mente e espírito, mas sim uma
visão que contemple natureza, corpo,
mente e espirito, pois as relações entre Ser Humano/Natureza; Ser Humano/Ser Humano e Ser Humano/Deus
devem estar pautadas no respeito, no
amor, no comprometimento e ações de
sustentabilidade, onde teremos certeza
que estaremos em completo equilibro,
contribuindo para o novo sentido de
moralidade nessas relações.
mundo contemporâneo. Nossa fé nos
componentes espirituais da vida—na realidade vital da consciência, dos valores,
e de Deus. [...] As
tribulações em que
vivemos alimentaram
a exigência de um
novo
paradigma—
uma visão unificadora
do mundo que integre
mente e espírito [...]
Complementando as palavras de
Goswami (1998), o mundo não
Vamos dar uma parada!!
Que tal buscar algumas palavras que você já viu no
texto até agora?
PAUSA LÚDICA!
92
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
o BUDA (2006).
Direção: Diego Rafecas
Sessão de Cinema Consciencialista
Anote aí as dicas de filme que abordam a
temática da Consciência, separe a pipoca e
bom filme!
QUEM SOMOS NÓS? (2005).
Direção: Betsy Chasse , Mark
Vicente , William Arntz
SINOPSE: Amanda (Marlee Matlin) está numa fantástica experiência ao estilo “Alice no País das
Maravilhas” enquanto seu monótono cotidiano começa a se desmanchar. Esta situação revela o
incerto mundo escondido por trás daquilo que se
costuma considerar realidade. Amanda mergulha
num turbilhão de ocorrências caóticas que revelam
um profundo e oculto conhecimento do real. Ela
entra em crise e questiona o sentido da existência
humana
SINOPSE: Jovem vive numa cidade grande e luta para fugir de
sua profunda necessidade espiritual: a auto-descoberta. Perdas,
desilusões e tragédias o levam
a severas práticas espirituais,
abandonando
completamente
sua vida e afetando profundamente o mundo das
pessoas que o rodeiam. Seu irmão, professor universitário de Filosofia, e sua noiva, atriz e filha de
uma empresária do ramo televisivo, são os interlocutores de sua exótica viagem em busca por seu
mestre em um templo zen nas montanhas.
mATRIX (1999).
Direção: Andy Wachowski / Lana
Wachowsk
SINOPSE: Neo é um hacker
que percebe a estranha força, o
Matrix. Ele é levado pela guerreira Trinity para o esconderijo
de Morpheus, o único homem a
combater essa força. Ele acredita
que Neo é um predestinado e que poderá ajudá-lo a
vencer a ditadura cibernética. Vencedor de 4 Oscar.
O PODER ALÉM DA VIDA
K-PAX (2002).
Direção: Victor Salva
SINOPSE: Dan Millman (Scott
Mechlowicz) é um talentoso ginasta adolescente que sonha em
participar das Olimpíadas. Ele
tem tudo o que um garoto da sua
idade pode querer: troféus, amigos, motocicletas e namoradas.
Certo dia seu mundo vira de pernas para o ar, quando conhece um misterioso estrangeiro chamado
Socrates (Nick Nolte). Depois de sofrer uma séria
lesão, Ele descobrirá que ainda tem muito a aprender e que terá de deixar várias coisas para trás a
fim de que possa se tornar um guerreiro pacífico e
assim encontrar seu destino.
Direção: Iain Softley
SINOPSE: Em um hospital para
pessoas com problemas psicológicos, Prot (Kevin Spacey) é um
paciente que afirma ter vindo de
um planeta distante, chamado
K-Pax. Seu psiquiatra, dr. Mark
Powell (Jeff Bridges), percebe que seu comportamento e suas descrições sobre a vida em seu planeta ajudam os outros pacientes a melhorar. Mais
do que isso, o médico fica perplexo com a confiança
de Prot e começa a duvidar da própria capacidade
de diferenciar realidade de ilusão.
►O PONTO DE MUTAÇÃO
►O BURACO BRANCO NO TEMPO
►CONTATO
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Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
Ícones do M ovimento
Anna Karitta
Adriana Assis Santos
Adriana Bitencourt de Souza
Adriana Mota Santos
Amanda Sabrina Souza Lima
Ana Claudia Gomes da Silva
Ana Dinamarc dos Santos Bispo
Andréa Ribeiro de Oliveira
Dionne Barreto
Cristiane Santos Ferreira
Edvania Carla Pereira Costa
Elba Carla Lima Santos
Elisabeth da Paixão Neta
Elizete Genonadio Silva Neta
Fabiana Queiroz Costa
Flávia Daniela Miranda de Mattos
Geórgia Assis Gomes
Jaqueline Alves Reis
Jamile de Sousa Macêdo
José Roberto Gomes Santana
Jussara Santana Tibúrcio
Lorena Carla Pinto Freitas
Luciano Oliveira Mata
Luciene Santos Guimarães
Marcele Santos de Sousa
Marcone de Mendonça Matos
Marise Santana de Andrade
Mayana Alcântara V. de Oliveira
Nadja da Cruz Silva
Niete Almeida Silva
Patrícia Porto Medrado Goulart
Priscila Lins dos Santos
Ranulfo de Magalhães Castro Neto
Rosangela Bezerra de Menezes
Sheila Nunes Queiroz
Silvana Aurora Ghignone Orleans de Assis
Taís Silva de Souza
Profª Drª Maribel Barreto (Orientadora)
NIAC
Núcleo de Investigações
Avançadas da Consciência
94
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
Convite ao Consciencialismo
Neste constante movimento de busca, convido a todos a colaborarem e serem multiplicadores
desta idéia que surgiu com o intuito de levar a Humanidade a criar, despertar, desenvolver um novo
Ser Humano; ético, responsável, fraternal, com
ações criativas e sustentáveis, a partir do despertar de sua própria Consciência.
Eis que se todos nós somos formados pela
mesma luz, pela mesma força, pela mesma energia, temos por “obrigação” carregar a bandeira do
indivisível, da religação com o todo, pois a primeira e última revoluções começam a partir de nós.
Junte-se a nós!
Faça Parte deste
Movimento!
95
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
Se você fosse
participar da criação
de um novo movimento
social revolucionário,
o que aproveitaria do
Consciencialismo?
96
Fonte Adaptada: Arca Sagrada, 2009.
I. O centro de onde
parte todas as ações
7. Fonte (Qual a Origem?)
97
6. Recursos - Com o que?
5. Método (Como, onde, Quanto, Qunato?)
4. Fundamentos (Quais?)
3. Justificativa (Por que?)
2. Finalidade (Pra que?)
II. O Agir
III. O objeto que reflete todas as ações
1. Objeto (O que é?)
exercite seu saber pensar quanto ao estudo do CONSCIENCIALISMO
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo V • Consciencialismo
Capítulo V • Consciencialismo
A consciência é mais do que ela diz.
REFERÊNCIAS
ABBAGNANO, Nicola. História da Filosofia.
Vol.14. Tradução Conceição Jardim, Eduardo
Lúcio Nogueira e Nuno Valadas, Lisboa: Presença, 1970 p.179 – 291
ARNTZ, Willian et. al. Quem somos nós?: a
descoberta das infinitas possibilidades de alterar a realidade diária. Rio de Janeiro: Prestígio
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BARRETO, Maribel Consciência e educação.
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Fundação Ocidemnte, 2006. 1 CD-ROM.
._______________ O Centro é toda parte – a
consciência é prova cabal disto. In: SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE CONSCIÊNCIA,
1., 2008, Salvador. Anais... Salvador: Fundação
Ocidemnte, 2008. 1 CD-ROM.
________________ Consciência Significa
sem Significar. In: SIMPÓSIO NACIONAL
SOBRE CONSCIÊNCIA, 1.,2010, Salvador.
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GOSWAMI, Amit. O universo autoconsciente –
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MELLO, Leonel Itaussu A. COSTA, Luís César Amand. História moderna e contemporânea.
São Paulo: Scipione, 1999. p. 38 – 55
98
“Imaginar é o princípio da criação. Nós imaginamos
o que desejamos, queremos o que imaginamos e,
finalmente, criamos aquilo que queremos.”
Bernard Shaw (1856-1950)
VI
Criação
Novo Movimento Social Revolucionário
BEL
Olá amiga e amigo, sou Bel e tenho 17
anos, estou iluminada, com tantas contribuições valorosas. Desde o Humanismo,
passando pelo Renascimento, investigando
o iluminismo, “mergulhando” no Existencialismo e aterrissando no Consciencialismo.
Depois de tantos estudos, convido você a
expandir o grau de consciência até então
adquirido, criando o novo movimento que
contribuirá para a transcendência e
autorrealização humana na contemporaneidade. E aí aceita o desafio?
Mãos a obra!
Capítulo VI • Novo Movimeto Social Revolucinário
A consciência é mais do que ela diz.
CAPÍTULO VI
Nome do Movimento
Idéia Central do Movimento
Espaço Reservado para colar imagens ou
escrever algum texto de introdução (poesia,
prosa, musica, etc), que estaja de acordo
com a sua criação.
102
Capítulo VI • Novo Movimeto Social Revolucinário
A consciência é mais do que ela diz.
Contextualização histórica, social, cultural, artística, econômica, psicológica
Este espaço é para escrever como você
vê o mundo a sua volta. Fique a vontade, coloque figuras, pensamentos, etc.
Vamos a Obra!
103
Capítulo VI • Novo Movimeto Social Revolucinário
A consciência é mais do que ela diz.
Aqui você vai escrever os conceitos que
sustentam seu movimento.
Pilares Centrais
A partir de agora você irá descrever o Ser humano em seu
movimento e suas relações
Estrutura física, psíquica e moral/espiritual do Ser Humano
104
Capítulo VI • Novo Movimeto Social Revolucinário
A consciência é mais do que ela diz.
Níveis de sentir, pensar e agir do Ser Humano
Relações ser humano/ser humano; ser humano/natureza;
ser humano/Deus
Pois bem! Agora que já escreveu as características do Ser Humano em seu Movimento,
irá apontar as principais contribuições deste
movimento para a Sociedade.
105
Capítulo VI • Novo Movimeto Social Revolucinário
A consciência é mais do que ela diz.
As principais contribuições do movimento para a sociedade
Agora você vais listar as personalidades, figuras
marcantes do seu movimento.
Icones do Movimento
106
Fonte Adaptada: Arca Sagrada, 2009.
I. O centro de onde
parte todas as ações
7. Fonte (Qual a Origem?)
107
6. Recursos - Com o que?
5. Método (Como, onde, Quanto, Qunato?)
4. Fundamentos (Quais?)
3. Justificativa (Por que?)
2. Finalidade (Pra que?)
II. O Agir
III. O objeto que reflete todas as ações
1. Objeto (O que é?)
exercite seu saber pensar Quanto a criação do seu Movimento Social / revolucionário
A consciência é mais do que ela diz.
Capítulo VI • Novo Movimeto Social Revolucinário
Capítulo VI • Novo Movimeto Social Revolucinário
A consciência é mais do que ela diz.
REFERÊNCIAS
108
Parabéns!!!
Muito caminhamos até aqui. E muito aprendemos, inclusive com as nossas construções.Podemos perceber, através dos nossos estudos, que os grandes movimentos sócios
revolucionários que marcaram a história da humanidade contribuíram significativamente
para o seu crescimento e desenvolvimento, nas diferentes épocas em que ocorrem.
Estudamos, também, que a Consciência é uma das nossas faculdades inatas capitais, que nos faculta aptidões tais como a do discernimento, que nos possibilita compreender absorvendo, em nós mesmos, a verdadeira natureza que reside em todas as coisas.
Isso significa que a tomada de Consciência reside no fato de que quando nos colocamos num estado de constante renovação, aprendizado e movimento iremos para além
de nós mesmos, no entanto, cada vez mais para dentro de nós, visto que, quanto mais nos
afastamos de nossa essência, mais mergulhamos na falta de sentido e nos conflitos, tanto
individuais, como sociais. Conflitos este, que se caracterizam pelo alto índice de violência,
corrupção, volúpia revelando assim, uma existência sem sentido onde a auto-ilusão e o
auto-engano, são vividos de maneira intensa.
Claro está que a convivência harmoniosa entre nós seres humanos é proveniente
do grau de Consciência que até então adquirimos. Isto exige uma ampla compreensão da
realidade e do desenvolvimento dos nossos níveis intelectual, afetivo, emocional e espiritual, e do nosso compromisso com a ética, a responsabilidade social e planetária, numa
visão integradora.
A nossa caminhada não acaba aqui. Que possamos, agora, caminhar juntos nessa
jornada em prol de uma sociedade de paz, harmonia e equilíbrio. Afinal de contas, o todo
é sempre maior que a soma de suas partes e que a Consciência é o fio condutor que nos
guiará de forma segura na nossa trajetória de vida.
QUE A CONSCIÊNCIA NOS ILUMINE!
folha reservada para
ficha técnica do livro
No que se refere à presente obra,
destacamos que é o resultado da pesquisa
intitulada: Os Grandes Movimentos Sociais/
Revolucionários da Humanidade como Produtos
dos seus Ícones, com o objetivo de investigar
o impacto dos referidos movimentosque não
só mudaram o contexto artístico-científico,
mas todo um conjunto de conceitos filosóficos,
psicológicos, econômicos, políticos e sociais
de gerações, impactando em novas atitudes
individuais e coletivas, em cada tempo histórico.
Ao longo do livro o leitor terá a oportunidade
de relembrar de cada um desses movimentos: o
contexto histórico, político, econômico, cultural
e social; pilares centrais; impactos na educação;
as principais contribuições para o ser humano
e para a sociedade, seus principais ícones,
bem como as suas possíveis contribuições
para a criação de um novo movimento
social/revolucionário a partir da sua própria
Consciência.
NIAC
Núcleo de Investigações
Avançadas da Consciência

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