Ataque a sindicato da Intercel apenas evidencia a inoperância do

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Ataque a sindicato da Intercel apenas evidencia a inoperância do
No 1290 - 05 de novembro de 2015
A CAMINHO DO OURO
Jornalista do Sinergia lança livro em
nesta quinta-feira, em Florianópolis
pg 4
ASSEMBLEIAS
AUTORIZAM NEGOCIAÇÃO
DO SALDO DE HORAS
COMPENSÁVEIS
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CELESC
A revolta da
INCOERÊNCIA
Ataque a
sindicato
da Intercel
apenas
evidencia a
inoperância
do Senge-SC
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CELESC
A REVOLTA DA INCOERÊNCIA
Ataque a sindicato da Intercel apenas evidencia a inoperância do Sindicato
dos Engenheiros do Estado de Santa Catarina (Senge-SC)
Na última semana o Sindicato dos Engenheiros de Santa Catarina utilizou seu boletim para atacar
um dos sindicatos que compõem a Intercel. Envolvido em um imbróglio com a Diretoria da Celesc
na negociação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) 2015, o Senge-SC decidiu eleger os sindicatos da Intercel como responsáveis pela sua incompetência. Enquanto os sindicatos da Intercel conseguiram um avanço importante na PLR 2015, o Senge credita sua
incapacidade de realizar o acordo a um suposto conluio dos sindicatos da Intercel com a
Diretoria da Celesc. Mas a revolta é incoerente, pois os atos do Senge-SC demonstram
exatamente o contrário.
O problema da PLR 2015
O grande ponto de discordância entre Intercel e Senge-SC na PLR é a forma de distribuição. A Intercel considera que a PLR deve ser
distribuída integralmente linear por que todos
são fundamentais na empresa. Há pelo menos 5 anos a categoria tem apoiado esta ideia,
aprovando a reivindicação de 100%. Este ano
os trabalhadores novamente reivindicaram a
distribuição igualitária da PLR, deixando claro
que não aceitariam retrocesso, nem estagna-
ção. A Celesc propôs manter a distribuição 55% linear e 45% proporcional,
que foi rejeitada. Com a mobilização
da categoria a Celesc apresentou uma
nova proposta, passando a linearidade
para 60%. A categoria aprovou a proposta, no espírito de continuar avançando ano
a ano rumo ao 100%. E qual o problema da
PLR 2015? Para a Intercel nenhum. O problema é do Senge-SC.
A incoerência do Senge-SC: sindicalistas ou chefes?
O Senge-SC tem uma ligação estranha com
a Celesc. Uma das "bandeiras" deste sindicato é cobrar que apenas os engenheiros
são qualificados para terem cargo de chefia
na empresa. E não por acaso, boa parte de
seus “sindicalistas” ocupam cargo de chefia
na Celesc. Cargos indicados pela Diretoria
da Celesc ou pelo Governo do Estado. Cargos de confiança. Então veja a incoerência:
com a Diretoria recheada de “sindicalistas”
indicados para chefia pela empresa o Senge-SC ainda acusa a Intercel de ter conluio com
a Celesc.
É bom aqui também esclarecer o ranço do
Senge-SC com a Intercel. Nas décadas de
80/90, no início da mobilização política que
levou à criação da Intercel, o Senge-Sc fez
parte do coletivo. Com uma postura elitista, o
Senge não priorizou debater o fortalecimento
do coletivo, a defesa dos trabalhadores ou a
Celesc Pública. Buscava utilizar o restante da
categoria para conseguir conquistas para si.
As críticas do Senge-SC só comprovam
que estes não conhecem a história da Celesc, levantando suspeitas sobre cláusulas
que compõem o ACT há vários anos. Não
há nada de estranho nem suspeito na liberação de dirigentes sindicais da Intercel.
Há um trabalho de 50 anos de negociação
coletiva que evoluiu para garantir uma representação sindical forte e atuante. Coisa
que o Senge-SC não sabe como fazer. A
Intercel tem 17 liberações por que faz um
trabalho estadual, realizando anualmente o
maior evento de trabalhadores da empresa,
a Assembleia Estadual, que dá a oportunidade de companheiros de todo o estado debaterem e unificarem suas reivindicações e
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"Uma das "bandeiras"
deste sindicato é cobrar
que apenas os engenheiros
são qualificados para terem
cargo de chefia na empresa.
E não por acaso, boa parte
de seus “sindicalistas”
ocupam cargo de chefia na
Celesc. Cargos indicados
pela Diretoria da Celesc ou
pelo Governo do Estado.
Cargos de confiança. Então
veja a incoerência: com
a Diretoria recheada de
“sindicalistas” indicados
para chefia pela empresa
o Senge-SC ainda acusa a
Intercel de ter conluio com a
Celesc"
anseios. Além disso, os sindicatos da Intercel organizam periodicamente, em conjunto
com o Representante dos Empregados no
Conselho de Administração, o Congresso
dos Empregados da Celesc, para debater o
futuro da Celesc Pública.
Outra questão levantada pelo Senge SC
é o suposto pagamento de periculosidade e
horas extras para os liberados da Intercel.
Os dirigentes sindicais da Intercel recebem
uma média da remuneração que percebiam
no último ano antes de sua liberação. Essa
média de remuneração foi implementada
após aprovação dos trabalhadores para que
aqueles que se identifiquem com o trabalho
sindical e decidam se dedicar à defesa dos
direitos coletivos, lutando e beneficiando todos os trabalhadores da empresa, não tenham prejuízo na sua remuneração. Em uma
empresa onde a maior parte do efetivo é da
área operacional, esta cláusula resguarda os
companheiros e da autonomia para o embate
com a empresa.
As críticas feitas no boletim do Senge-SC
são irresponsáveis e não podemos deixar
que seja colocada em xeque a idoneidade
dos sindicatos da Intercel, nem conquistas
do coletivo. Os sindicatos que compõem a
Intercel permanecerão lutando por todos os
trabalhadores da Celesc, independente de
cargos ou categorias profissionais. É lutando pelo coletivo que fortaleceremos cada
vez mais a Celesc na luta pela sua manutenção pública.
Quanto ao Senge-SC, este fica cada vez
mais isolado em sua incoerência. Considerando que os demais sindicatos da Intersindical também aprovaram a proposta à PLR
2015, os engenheiros sindicalizados no Senge-SC permanecem os únicos a não receberem a PLR. A Intercel, que representa todos
os eletricitários, debaterá o assunto para que
os trabalhadores não sejam prejudicados.
Aproveitamos para reforçar o convite feito
pelo Sinergia em seu boletim, convidando os
companheiros engenheiros a se filiarem no
sindicato da Intercel de sua região. Por um
sindicalismo combativo, venham junto à Intercel.
ELETROSUL
ASSEMBLEIAS AUTORIZAM
NEGOCIAÇÃO DO SALDO DE
HORAS COMPENSÁVEIS
Trabalhadores indicam premissas básicas
para negociação com a empresa
Os sindicatos que compõem a Inter- horas de compensação registradas no
sul realizaram assembleias em todas sistema da Empresa. Informações anteas áreas da Eletrosul, depois que a Em- riores à vigência do atual sistema (CONpresa encaminhou uma proposta de ne- SIST HR), que estavam disponíveis no
gociação do saldo de horas compensá- sistema antigo (TERATERM) estão bloveis. A decisão das assembleias foi pela queadas para consulta pelos empreganegociação desta pendência gerada dos. Por isso, querem os trabalhadores
pela empresa a partir de
o restabelecimento ime"Na visão dos diato do estado anterior
seus próprios equívocos
gerenciais. Várias assemtrabalhadores e desses registros, à data
bleias trouxeram porém,
em que foram efetuadas
dos sindicatos
elementos importantes
as alterações no sistema,
da Intersul, a
que deverão embasar o
de forma a garantir a fideestabelecimento de pre- responsabilidade dignidade dos dados que
missas e condições míniserão objeto de negociapelo passivo
mas para uma negociação.
criado é da gestão Os trabalhadores tamção de fato.
Dentre as questões da empresa, e não bém contestaram nas
apontadas pelos trabalhaassembleias a redução
dos
empregados"
dores, citamos exemplos
da quantidades de horas
das assembleias na Sede
na proposta da Eletrosul,
da Empresa e no Sertão do Imaruí, onde e sinalizaram para uma negociação que
os trabalhadores levantaram os proble- vise superar esta redução, seja por demas relativos às regras implantadas ságio, seja por qualquer alegação de
pela Eletrosul para o controle da frequ- prescrição de direito. Ao término das asência. Os trabalhadores denunciaram sembleias, os trabalhadores ainda regisque a Empresa não computa até dez mi- traram seu repudio à responsabilização
nutos da jornada de trabalho logo após dos empregados pela produção do atual
o cumprimento das oito horas obrigató- passivo. Na visão dos trabalhadores e
rias, ou seja, para um empregado, por dos sindicatos que compõem a Intersul,
exemplo, que tenha cumprido suas 8 a responsabilidade pelo passivo criado
horas obrigatórias às 18h, mas que per- é da gestão da empresa, e não dos emmaneça na empresa até 18h10min, os pregados.
últimos dez minutos não são creditados
A Intersul está buscando agendar reuno saldo de horas de compensação. Os nião com a Diretoria da Eletrosul para
trabalhadores afirmam que não confiam tratar desta negociação nos próximos
nas informações disponíveis sobre as dias.
TRACTEBEL
PRIMEIRA RODADA É DIA 4
Aconteceu nesta quarta-feira, dia 04/11, a primeira rodada efetiva de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho dos empregados da Tractebel. A pauta
foi entregue dia 24/09, portanto, com tempo mais que suficiente para que a
empresa apresente resposta a cada cláusula reivindicada pelos trabalhadores.
O conjunto de cláusula que compõe a pauta pode ser dividido em cinco eixos
principais, conforme já divulgado em boletim, sem contudo deixar de registrar
que todas são relevantes e devem ser analisadas pela empresa com o mesmo
grau de importância.
Eixos principais da Pauta:
Econômico: Destaque para Ganho Real, PLR e Benefício Alimentação;
Saúde: Destaque para Carência de Profissionais Credenciados, Demora na Aprovação de
Procedimentos, Valores das Tabelas e Eventos de Alto Custo;
Educação: Destaque para Auxilio Creche, Auxilio Estudante e Incentivo à Formação;
Carreira: Destaque para Progressão, Remuneração de Enquadramento e Tetos das Faixas).
Aposentadoria Complementar: Destaque para Percentuais de Contribuição e Reflexos da
aposentadoria Especial e/ou Antecipada no Plano CD.
Até o término da edição a negociação ainda ocorria. Fique atento ao Boletim da
Intersul para informações detalhadas da rodada.
TRIBUNA
LIVRE
A CULTURA DA NÃO
REFLEXÃO
Por Nei Alberto Pies
“Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho
de pensar, e parece-me que, sem ideias, não
vamos a parte nenhuma”.
Ficamos com a impressão de que as futilidades e apetrechos do momento tomaram, definitivamente, o lugar da reflexão. Não temos tempo para nos ocupar com os pensamentos,
mas temos o maior e mais ingênuo orgulho de nos ocupar
com as coisas que despertam o entretenimento, o descompromisso e os prazeres mais imediatos. Fomos transformados numa massa amorfa, acomodada e com poucos vestígios
de indignação e questionamento. Somos, apenas, bons consumidores de tudo aquilo que outros pensaram como melhor
para a vida da gente.
O mais intrigante e perigoso de nossa cultura de não-reflexão é que abrimos mão das responsabilidades para com a
gente e para com o mundo. Sem reflexão, não geramos conhecimentos. Já sem os conhecimentos, gerados pela reflexão, não temos maiores compromissos senão com a nossa
própria ignorância. Sem compromissos com a vida e com o
planeta, a vida se parece mais leve, mais suave, mais, mais...
Há muito tempo ensinamos que pensar é algo perigoso. Que
o melhor é sempre a gente se adaptar aos processos que organizam o mundo. Que o melhor é a gente cuidar de si e deixar Deus cuidar de todos. Ensinamos também que insatisfeitos e descontentes se retirem do lugar ou da posição em que
se encontram. Ensinamos, por fim, amar as coisas antes de
amar as gentes, as pessoas. Amamos mais as coisas do que
as pessoas. Mas o que a gente jamais deixou de ensinar é que
somos a partir daquilo que conseguimos ter ou parecer (diante dos outros). Que o mais importante é demonstrar poder e
força, custe o que custar.
Os grandes pensadores são, quase sempre, grandes incompreendidos. Saramago alertou a humanidade sobre as suas
cegueiras, em obra entitulada “Ensaio sobre a cegueira”.
Como somos, sem ideias? O que seremos sem reflexão (que
nada mais é do que pensar a ação humana)? O que importa é
que, apesar desta cultura de não-reflexão já ter tomado conta de quase todo mundo, ainda conseguimos espaços para
perguntar e refletir, como estou fazendo agora. Resta saber
se ainda existem espaços para a gente mudar, de verdade, o
percurso que a engenhosa humanidade já decidiu trilhar. Se
ainda teremos tempo de nos humanizar (nos tornar seres humanos melhores).
Eu ainda acredito e por isso escrevo. Por isso também você
está lendo o que a minha consciência e minha reflexão pediu
para dizer.
Nei Alberto Pies, professor, escritor e ativista de direitos humanos.
LINHA VIVA é uma publicação da Intersindical dos
Eletricitários de Santa Catarina
Jornalista responsável: Paulo G. Horn (SRTE/SC 3489)
Conselho Editorial: Wanderlei Lenartowicz
Rua Max Colin, 2368, Joinville, SC | CEP 89216-000 |
(047) 3028-2161 | E-mail: [email protected]
As matérias assinadas não correspondem, necessariamente,
à opinião do jornal.
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CULTURA
A caminho do Ouro
Jornalista do Sinergia lança livro nesta quinta-feira
“Esta pequena ilha tem muitas atra- que recém anexara a Califórnia após
ções: suas frutas não têm rivais; sua uma breve guerra com o México. Logo
paisagem é selvagem e pitoresca; seus após o fim da guerra foram descobertas
habitantes são amáveis e calmos. O enormes jazidas de ouro na terra recém
clima embora cálido é influenciado por conquistada. Mas, não haviam estradas
uma brisa marinha que faz com que o que cruzassem o país e o caminho era
calor nunca seja opressivo. Os pássa- difícil e perigoso por causa dos índios
ros desta ilha são fora do comum pela ferozes, das imensas montanhas e vadoçura e brilho de sua música. A fertili- les cortados por caudalosos rios. Não
dade do solo é vista na rica vegetação havia ainda o canal do Panamá e a rota
que oscila numa
que consistia em
massa verdejante
contornar a América
"A encantadora
sobre vales estreitos
do Sul era a mais
descrição de Santa
e escarpados. Pareconhecida por toCatarina foi feita por
ce que o Éden saiu
dos. Este caminho
do leste no formato
era usado há muito
um norte-americano
de uma ilha”.
tempo pelos baleeino meio do século 19.
A
encantadora
ros e viajantes dos
Ele e outros milhares
descrição de Santa
EUA e Europa que
de conterrâneos
Catarina foi feita por
comerciavam com o
um norte-americano passaram por aqui rumo oriente.
no meio do século
O livro também
a Califórnia onde iam a dedica um capítu19. Ele e outros milhares de conterrâ- busca de ouro. E é esta a lo a contar como
neos passaram por história que conta o livro os catarinenses viaqui rumo a Califór“A Caminho do Ouro – veram estes anos
nia onde iam a busde invasão nortenorte-americanos em
ca de ouro. E é esta
-americana. Exisa história que conta
Santa Catarina” de Jeff tiam aqueles que se
o livro “A Caminho
Franco e Marli Cristina esforçaram ao mádo Ouro – norteximo em ser bons
-americanos
em Scomazzon baseada em anfitriões,
outros
Santa Catarina” de dezenas de manuscritos viram no episódio
Jeff Franco e Marli
uma boa oportunidos viajantes daquela
Cristina Scomazzon
dade de lucro e teve
época. Uma história
baseada em dezequem se exasperou
nas de manuscritos ainda inédita na História com a avalanche de
dos viajantes dahomens ruidosos e
de Santa Catarina"
quela época. Uma
ávidos por aventuhistória ainda inédita
ras. Contrabando
na História de Santa Catarina.
incontrolável pelas autoridades, caça
Os viajantes sem exceção ficavam a desertores e alforria de escravos
encantados com tudo: com a comida foram episódios corriqueiros daquela
(sobretudo o café e frutas exóticas), época.
com a beleza da paisagem, com a
A atuação do consulado norte-amehospitalidade dos nativos e ouve até ricano em Desterro encerra o livro.
aqueles que apaixonados por alguma Foram mais de 50 anos de atividade,
mocinha desistiram da busca ao ouro e alguns muito agitados e outros mais
ficaram por aqui definitivamente. O con- calmos. Os cônsules durante a febre
tato com os catarinenses foi idílico na do ouro fizeram o possível para que
maioria dos casos mas também acon- a invasão fosse mais suave possível,
teceram conflitos e até mortos e a po- mas nem sempre tiveram êxito. Na corlícia local teve muito trabalho inclusive respondência oficial que ficou até nospara repatriar viajantes que desistiam sos dias é possível observar também a
da jornada. É que viajar em pequenos influência que alguns deles tiveram na
barcos, por tantos quilômetros não era comunidade.
fácil. As queixas dos navegantes eram
Em resumo, “A Caminho do Ouro”
muitas e a falta de costume com o mar resgata um período da história de
um grande empecilho.
Santa Catarina do qual não se tinha
Todos estes norte-americanos viviam notícia e que foi esquecido pela mena costa leste dos Estados Unidos pais mória popular.
Lançamento
Data: 05 de novembro (quinta-feira)
Local: Fundação Badesc
Rua Visconde de Ouro Preto, 216 - Centro - Florianópolis
Informações
[email protected]
(48) 8809-6761
Marli Cristina Scomazzon
Editora Insular
MARLI CRISTINA SCOMAZZON É JORNALISTA DO SINERGIA DESDE 1991 E FOI DURANTE VÁRIOS
ANOS JORNALISTA RESPONSÁVEL DO LINHA VIVA