Relatório de Inflação Março de 2005

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Relatório de Inflação Março de 2005
Comportamento dos Preços Livres em 2004
Preço ao consumidor
Variação % anual
Discriminação
Pesos
Variação Contribuição Participação
2003 2004
IPCA
2004
100,0
9,3
7,6
7,6
71,1
7,8
6,5
4,7
61,3
Comercializáveis
40,1
8,7
6,3
2,5
33,3
Não comercializáveis
31,0
6,7
6,9
2,1
28,0
28,9 13,2
10,2
2,9
38,7
Livres
Monitorados
100,0
Grupos
Alimentação e bebidas
23,1
7,5
3,9
0,9
11,8
Habitação
16,6 12,3
7,1
1,2
15,5
Artigos de residência
5,6
6,9
5,4
0,3
4,1
Vestuário
5,2 10,2
10,0
0,5
6,8
11,0
2,3
30,7
Transportes
21,2
Saúde e cuid. pessoais
10,5 10,0
Despesas pessoais
9,1
7,3
9,6
6,9
0,7
9,5
6,9
0,6
8,3
Educação
4,8 10,2
10,4
0,5
6,4
Comunicação
3,8 18,7
13,9
0,5
6,8
Fonte: IBGE
A inflação medida pelo Índice Nacional de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou 7,6%
em 2004, abaixo dos 9,3% registrados em 2003,
situando-se no intervalo de tolerância da meta para
a inflação estabelecida pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN). Os preços livres aumentaram 6,5%
em 2004, ante 7,8% no ano anterior, e os preços
monitorados, 10,2%, ante 13,2% em 2003. Assim, a
variação dos preços livres foi responsável por 4,66
p.p. da inflação de 2004, e a dos preços monitorados,
por 2,94 p.p., correspondendo a participações de
61,3% e 38,7%, respectivamente, na taxa do ano.
Em 2004, os preços livres foram afetados
positivamente pela oferta favorável de produtos
agrícolas e pela apreciação cambial registrada a partir
do segundo trimestre do ano. No primeiro caso, os
recuos nos preços do arroz, alimentos in natura e
óleo de soja, de 17,1%, 3,2% e 11,3%,
respectivamente, exerceram influência significativa
para a redução da variação dos preços no grupo
alimentação, de 7,5% em 2003, para 3,9% em 2004.
Os efeitos da apreciação cambial foram
evidenciados pelo comportamento distinto dos preços
dos bens comercializáveis e dos bens não
comercializáveis internacionalmente. Nesse sentido,
enquanto os primeiros desaceleraram de 8,7%, em
2003, para 6,3%, em 2004, os últimos mantiveram-se
no mesmo patamar, variando 6,7% e 6,9%,
respectivamente. Ressalte-se, no primeiro grupo, que
mesmo os preços de itens com variação elevada em
2004, a exemplo de remédios, apresentaram
desaceleração significativa em relação ao ano anterior.
A desaceleração dos preços livres em 2004
ante o ano anterior não foi mais expressiva em virtude
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de três fatores: a persistência observada em itens
cujos reajustes refletem a inflação do ano precedente;
a evolução dos preços internacionais do petróleo; e
a elevação dos preços das commodities metálicas,
em especial, ferro e aço.
O efeito da inflação passada, embora mais
acentuado no grupo de preços monitorados, por força
da indexação contratual para reajustes de
determinadas tarifas, pode ser observado, também,
no grupo dos preços livres, em especial no item
cursos, que engloba matrícula e mensalidade escolar.
Evolução do IPCA e dos reajustes em cursos
Variação % anual
15
10
5
0
1999
2000
2001
2002
2003
IPCA (-1)
* até fevereiro
2004
2005*
Cursos
Fonte: IBGE
Influência dos preços de derivados de petróleo
Variação % trimestral
IPA-DI
IPCA
14
6
10
5
4
6
3
2
2
-2
1
-6
Fev
2001
0
Ago
Fev
2002
Ago
Fev
2003
Ago
Fev
2004
Produtos relacionados no IPA-DI
Produtos relacionados no IPCA
Fonte: IBGE e FGV
Ago
Fev
2005
O impacto mais expressivo da elevação dos
preços internacionais do petróleo sobre os preços
domésticos é percebido na evolução dos preços do
segmento monitorados, em particular dos
combustíveis. Ressalte-se, entretanto, que esse fator
também se constitui, em 2004, em determinante da
elevação dos preços livres, na medida em que o
aumento médio de 32,8% no preço do barril de
petróleo provocou alterações representativas nos
preços de insumos químicos e de matérias plásticas
no atacado, com reflexos sobre os preços ao
consumidor de bens afins. Assim, em resposta ao
aumento das cotações do petróleo, os preços no grupo
formado por matérias plásticas e produtos químicos,
categorias que abrangem a maior parte dos derivados
de petróleo, registraram aumento de 24,4% ao longo
de 2004. No varejo, os preços no grupo formado por
produtos que utilizam insumos dessa cadeia 1
elevaram-se 6,4% no ano.
A exemplo do petróleo, os preços das
commodities metálicas experimentaram aumentos
acentuados em 2004, reflexo, em grande parte, do
crescimento da economia mundial. Essa tendência
impactou com maior intensidade os preços ao
consumidor, principalmente os de produtos
pertencentes à cadeia de ferro, aço e derivados, que
guardam expressiva correlação com os insumos no
atacado. Os preços dos bens de consumo durável
apresentaram forte aceleração, com altas de 3,9%
em 2003 e de 8,9% em 2004, destacando-se a
variação de 13,7% no preço de automóvel novo, a
maior variação desse item nos últimos cinco anos.
1/ No varejo, tomando-se como parâmetro o IPCA, esses produtos referem-se aos itens artigos de limpeza e de plástico, calçados e
acessórios, higiene pessoal etc. No atacado, correspondem aos itens química, produtos de matérias plásticas, pneus, câmaras e mangueiras.
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Influência dos preços de ferro e aço
Variação % trimestral
IPA-DI
IPCA
14
5
12
4
Os preços dos produtos que utilizam insumos dessa
cadeia2 registraram, no ano, aumentos de 32,9% no
atacado e de 10,5% no varejo.
10
3
8
6
2
4
1
2
0
0
-1
-2
Fev
2001
Ago
Fev
2002
Fonte: IBGE e FGV
Ago
Fev
Ago
Fev
Ago
2003
2004
Produtos relacionados no IPA-DI
Produtos relacionados no IPCA
Fev
2005
A influência dos choques do petróleo e das
commodities metálicas em 2004 pode ser evidenciada
pela exclusão desses grupos da variação dos preços
livres no IPCA. Excluídos os dois grupos do cômputo
da inflação dos preços livres, esta teria sido de 5,9%
no ano, variação significativamente inferior à
efetivamente registrada, de 6,6%.
2/ No varejo, tomando-se como parâmetro o IPCA, esses produtos referem-se aos itens reparos (material), utensílios para cozinha,
aparelhos eletroeletrônicos, automóveis novos e usados, motocicletas, camionetas etc. No atacado, correspondem aos itens metalúrgica,
mecânica, material elétrico, móveis de aço e material de transporte.
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