Insipiência Permanente

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Insipiência Permanente
A INCIPIÊNCIA PERMANENTE:
HIPÓTESES SOBRE OCUPAÇÃO
HUMANA, MANEJO DA NATUREZA E
DISPERSÕES LINGÜÍSTICAS NA
AMAZÔNIA ANTIGA
Eduardo Góes Neves
Museu de Arqueologia e Etnologia
Universidade de São Paulo
I CIAEE, Dourados, 14/5/2010
ARQUEOLOGIA AMAZÔNICA:
História indígena de longa
duração,
Amazônia é repleta de paisagens
resultantes da atividade humana
no passado.
Os biomas da Amazônia têm uma
história cultural tão rica quanto
uma história natural,
É importante, no entanto, que se
estabeleça quais foram as
formações sociais nas quais se
produziram tais paisagens,
Deve-se trazer mais “história” à
ecologia histórica.
Se paisagens têm histórias,
pode-se associar “autorias
culturais” às paisagens?
Pode-se associar a grande
diversidade cultural da
Amazônia a padrões no
registro arqueológico?
Diversidade
lingüística como
um “proxy” para
diversidade
cultural
Main indigenous language families in lowland South America
(Ericksen, after Nimuendaju)
“CULTURA ARQUEOLÓGICA”
Conceito antigo, que remonta à
Thomsen,
Proposto por Childe na década de 1950 e antes,
Criticado pela arqueologia processualista por seu normativismo
O PROJETO AMAZÔNIA CENTRAL
Identificação, mapeamento e escavação
de sítios em uma área de 900 km2 perto
da confluência dos rios Negro e
Solimões (1995 – 2010),
11 dissertações de mestrado, 4 teses
de doutorado defendidas,
3 mestrados e 5 doutorados em
desenvolvimento.
DONALD
LATHRAP´S
CARDIAC
MODEL
Gasoduto Urucu-Manaus
Padrão dos achados
feitos durante
os levantamentos
Escavação dos sítios do gasoduto
Mapeamento dos sítios
O rio Solimões na área de
pesquisa
Sítios-escola
MAPEAMENTO GERAL DOS SÍTIOS
Programa de educação patrimonial
Curadoria e conservação in situ
Divulgação científica
FIGURA 3
SÍTIO ARQUEOLÓGICO DONA STELLA
N
Areal
N 1050m
Sondagem
Maio/2002
M-2
Areal
Área de lazer
abandonada
Área escavada para
retirada de areia
Ruína de
quiosque
N 1000m
M-4
Escavação
M-1
(Datum escavação)
Agosto/2002
Campo de
futebol
M-3
(coleta de lítico
remanescente
da área escavada)
E 1150m
E 1100m
E 1050m
E 950m
N 950m
E 1000m
Ig
ar
ap
é
Areal
Pa
ra
s
ed
ed
af
az
en
da
LEGENDA
M-1
Escavação arqueológica
Estrada
Coleta de superfície de material lítico
Capoeira antiga
Marco de ferro
Campina
Edificação
Gramíneas
COORDENADAS DO MARCO M-1
0
10
20
30
ESCALA
40
50m
GEOGRÁFICAS - GPS: 03º12' 31.5" S
60º 10' 49.6" W
UTM - ZONA 20: 9.644.942m N
813.438m E
General View of Dona Stella Site
Excavations at Dona Stella
Lithics from DS
EVIDENCIAS TEMPRANAS DE OCUPACIÓN (6.500 BC)
Distribuição de pontas de prójetil na
Amazônia e norte da América do Sul
PADRÕES PALEO‐ECOLÓGICOS
AREA
EVIDENCE
CRONO
Middle Caquetá
(W Amazônia Colômbia)
DRYING
INCREASE IN RAINFALL
11.500 – 4.700
3.000
Behling et al. 1999,
Berrío 2002
Loma Linda
(E. Colômbia)
INCREASE IN RAINFALL
3.600
Behling & Hooghiemstra
2000
Porto Velho – Humaitá
(SW Amazônia)
DRYING
9.000 – 3.000
Freitas et. alli 2001
Rio Beni, Bolívia
(SW Amazônia)
FOREST EXPANSION
2.000
Burbridge et al 2004
Lago Titicaca
INCREASE IN HUMIDITY
2.000
Baker et alli. 2001
BR 174, Manaus,
Amazônia Central
DRYING
7.700 – 3.000
Piperno & Becker 1996
Caxiuanã,
E. Amazônia
INCREASE IN RAINFALL
2.700
Behling & Costa
Caeté Estuary (Pará)
NO MANGROVE
5.900 – 2.800 cal BP
Souza filho et al. 2008
Estuary
DECREASE IN POLLEN
FROM MANGROVE
SPECIES
5.600 – 3.600
Behling 2002
14
C BP uncal)
SOURCE
Van Breukenen et al. 2008
Seca de 2005 - Manaus
CRONOLOGIA
CULTURAL
• Fase Guarita
• (900 – 1600 DC)
• Fase Paredão
• (700 – 1250 DC)
• Fase Manacapuru
• (400 – 900 DC)
• Fase Açutuba
• (300 BC – 400 DC)
Fase Açutuba
300 AC –
400 DC
Sítio Hatahara – Contextos Manacapuru/Paredão in situ
Feições da fase Paredão
“TERRAS PRETAS”
Sítio Hatahara sepultamentos
(foto Val Moraes)
Montículos Artificiais – fase Paredão
PADRÃO GERAL PELAS
TERRAS BAIXAS,
ESTABELECIMENTO DO
“PRESENTE ETNOGRÁFICO”
AO REDOR DO A.D.,
ETHNOGÊNESE INTENSA.
CENTRAL AMAZON PROJECT – GENERAL
CHRONOLOGY (1500 BC – 1600 DC)
CRONOLOGIA
CERÂMICA
• Fase Guarita
• (900 – 1600 DC)
• Fase Paredão
• (700 – 1250 DC)
• Fase Manacapuru
• (400 – 900 DC)
• Fase Açutuba
• (300 BC – 400 DC)
Aldeias circulares das fases
Manacapuru e Paredão
Distribuição de montículos em ocupações
da fase Paredão (vermelho)
Sítio Hatahara – P disponível por nível artificial de 10 cm. (Rebellato 07)
Sítio Açutuba ‐ Vala defensiva na extermidade Sul (Neves 07)
Sítio Lago Grande ‐ Vala defensiva (Neves 07)
Comparação das áreas de dispersão de ocupações Guarita (vermelho) e pré‐Guarita (bege e preto)
NA AMAZÔNIA CENTRAL,
MUDANÇAS NAS CERÂMICAS E NA
FORMA DOS ASSENTAMENTOS SÃO
MARCADORES DE VARIABILIDADE
CULTURAL NO PASSADO,
PODE-SE PORTANTO, NESTE CASO,
IDENTIFICAR “CULTURAS
ARQUEOLÓGICAS” E “AUTORIAS
CULTURAIS” NO REGISTRO
ARQUEOLÓGICO.
O QUE ISSO TEM A VER COM
AGRICULTURA, MANEJO OU
DISPERSÕES LINGÜÍTICAS?
TALVEZ A DIVERSIDADE
CULTURAL FOI REPRESENTADA
POR DIFERENTES MANEIRAS –
CULTURALMENTE MEDIADAS – DE
SE EXERCER O MANEJO DOS
RECURSOS
Language
diversity as a
proxy for
cultural
diversity
Main indigenous language families in lowland South America
(Nimuendaju)
Podemos observar o padrão
contemporâneo de distribuição
de línguas e o usar como um
parâmetro para explicar o
passado?
Claro que sim! Arqueólogos
fazem isso há décadas, mas há
um novo interesse nessa
abordagem, a partir de
trabalhos na Europa e Pacífico.
The Bellwood‐
Renfrew Hypothesis
Distribuição de famílias lingüísticas pelo mundo (Bellwood & Diamond)
Ao contrário do Pacífico (exceto
Melanésia), África sub-saariana e
Europa, a diversidade lingüística
na Amazônia é comparativamente
maior,
Quais são as implicações desse
padrão para a hipóteses de
Bellwood-Renfrew?
Como os arqueólogos conceberam
a agricultura pré-colonial na
Amazônia?
Projeção etnográfica do “padrão
de floresta tropical” no passado,
Projeção de um padrão
“mississipiano” de intensificação e
cultivo de milho nas várzeas.
Agricultura de coivara de
mandioca com grande mobilidade
na terra firme
(padrão de floresta tropical)
Agricultura intensiva com
pesca na várzea
POR ENQUANTO, NO ENTANTO, HÁ
POUQUÍSSIMA EVIDÊNCIA PALEOBOTÂNICA PARA MANDIOCA PARA A AMAZÔNIA, EMBORA A MANDIOCA JÁ APAREÇA NO REGISTRO DATADO EM 6.000 BC (RIO PORCE, COLÔMBIA).
ALGUMAS EXPANSÕES, COMO
A TUPI-GUARANI NO SUDESTE,
SEGUIRAM UM PADRÃO
ECOLÓGICO QUE
“CONTORNOU” O CERRADO E
CAMPOS E FAVORECEU ÁREAS
DE FLORESTA E BAIXA
ALTITUDE
(BROCHADO, NOELLI)
DO MESMO MODO, SISTEMAS AGROECOLÓGICOS TINHAM
PROVAVELMENTE MENOS
MOBILIDADE, PELO MENOS DEVIDO
AO USO DE MACHADOS DE PEDRA
SISTEMAS AGRO-FLORESTAIS
PRÉ-COLONIAIS ERAM MAIS
INTENSIVOS,
OPORTUNÍSTICOS, MENOS
MÓVEIS E TALVEZ MAIS
ESTÁVEIS,
“ESTABILIDADE” INFERIDA
PELOS DADOS DE OCUPAÇÃO
DA AMAZÔNIA CENTRAL.
SISTEMAS AGRÍCOLAS
MAIS MÓVEIS: ANIMAIS DE
REBANHO, CEREAIS,
LEGUMINOSAS,
TUBÉRCULOS E FRUTAS E
ESTRATÉGIAS DE
ARMAZENAGEM
(Harris 2003: 31)
PALMEIRAS SÃO UM
PARÂMETRO. A ÚNICA
PALMEIRA TOTALMENTE
DOMESTICATADA NA AMAZÔNIA
É A PUPUNHA
(Bactris gasipaes),
MUITAS OUTRAS PALMEIRAS
SÃO ECONOMICAMENTE E
CULTURALMENTE
IMPORTANTANTES MAS NÃO
DOMESTICADAS.
É IMPORTANTE, DESSE MODO,
ESTABELECER UMA DISTINÇÃO
ENTRE “DOMESTICAÇÃO” E
“AGRICULTURA”,
DOMESTICAÇÃO É MUITO
ANTIGA NA AMAZÔNIA, MAS É
UM PROCESSO QUE NÃO LEVA
NECESSARIAMENTE À
AGRICULTURA.
DOMESTICAÇÃO É UM
PROCESSO CO-EVOLUTIVO
(RINDOS 84),
POUCAS PRESSÕES SELETIVAS
PARA A AGRICULTURA (E
POUCAS PLANTAS
“DOMESTICÁVEIS”?),
RECURSOS ABUNDANTES E
AMPLAMENTE DISTRIBUÍDOS.
NESSE SENTIDO, É HORA DE
PARARMOS DE FALAR EM
“AGRICULTURA INCIPIENTE”
OU MESMO “HORTICULTURA”
PADRÃO AMPLO DE
DISTRIBUIÇÃO DA MANDIOCA
PODE RESULTAR DA
HISTÓRIA COLONIAL.
OBRIGADO!
O REGISTRO ARQUEOLÓGICO
DA DISTRIBUIÇÃO DE
LÍNGUAS E DA
DOMESTICAÇÃO DA
PAISAGEM NA AMAZÔNIA
Eduardo Góes Neves
Museu de Arqueologia e Etnologia
Universidade de São Paulo
Centro de Ciências do Ambiente
Universidade Federal do Amazonas
Museu Paraense Emilio Goeldi, Belém, 5/4/10
DATAS MAIS FREQÜENTES
PARA O INÍCIO DO HOLOCENO
“Cultura arqueológica”:
archaeological cultures are more recognizable at their borders. It is at the borders, defined by bundles
of material‐culture contrasts, where archaelogical cultures and
living cultures or societies might
correspond, (Anthony 2007: 131).

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