Foto: Murilo Góes - Associação Brasileira de Criadores de Ovino

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Foto: Murilo Góes - Associação Brasileira de Criadores de Ovino
Foto: Murilo Góes
2
jun-jul/09
Editorial
Abate Clandestino. Até Quando?
O ARCO JORNAL é o veículo informativo da
ASSOCIACÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE
OVINOS – ARCO
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N
oventa por cento
dos abates de ovinos não possuem
inspeção sanitária. Esse
número não está em nenhuma estatística oficial. É uma
estimativa, um sentimento
de todos que atuam no setor. Foi um dado apresentado inclusive na reunião
da Câmara Setorial da Ovinocaprinocultura do Paraná, realizada durante a ExpoLondrina em abril
deste ano. Um número destes ou mesmo próximo é
assustador para quem quer estabelecer um processo
contínuo de produção de carne e, também atender a
um mercado consumidor em crescimento. É um número alarmante porque mostra o quanto as estruturas oficiais de fiscalização estão longe de conseguir
terminar com este problema, ou mesmo controlá-lo a
ponto de diminuir sua incidência. E o mais chocante
também é que este é um problema nacional.
Sabemos que é uma luta difícil, de grande trabalho
para todos. Até porque, as vezes, o processo começa
no momento da comercialização do produto. Muitas
vezes o produtor de cordeiro recebe oferta para seu
produto, com valor bem superior ao do Frigorífico,
com pagamento a vista, não importando se serão 10
ou cinco animais. O abatedouro, com todas as suas
responsabilidades e custos, não consegue competir
em preço neste mercado. Gerando este problema que
é o abate clandestino. Um cenário que precisamos
mudar, de qualquer jeito.
Até porque uma das conseqüências deste proble-
Associado
ma são os riscos à saúde humana. Uma das principais doenças dos animais domésticos encontradas
pela inspeção sanitária em matadouros é a Tuberculose, que pode ser transmitida pela ingestão de carnes; esta doença é bacteriana.
Existem também as parasitárias como as cisticercoses, que podem transmitir as tênias para o ser humano e também cisticercos que se alojam no músculo
e órgãos. Há também outras doenças transmissíveis
ao homem, via animais, como as Toxi infecções e a
hidatidose. Todas são evitadas quando a fiscalização
detecta o problema dentro dos frigoríficos e abatedouros com inspeção sanitária oficial.
Somos uma entidade que busca de várias formas,
organizar a cadeia produtiva da ovinocultura. E se
lutamos por isto, devemos ter claro quais são os
principais nós que impedem o crescimento sustentado do setor. Sabemos que o abate clandestino é um
destes nós. Ele afeta também a cadeia bovina e deixa graves prejuízos para todos. O complicador desta
questão é que é uma atividade silenciosa, onde nem
sempre se consegue encontrar os causadores.
Mas penso que já é hora de realmente discutirmos
com seriedade esta questão, com todas as forças da
sociedade. Porque isoladamente não vamos longe.
Precisamos ver quais as soluções práticas que temos
e realmente passar a agir para resolver isto, de uma
ver por todas. E já não dá mais para protelar. A hora
é agora!
Boa leitura!
Paulo Schwab - Presidente da ARCO
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3
jun-jul/09
Especial
Por Horst Knak
O
ingresso de novos criadores e a perspectiva de
abastecer redes de restaurantes e integrar programas de produção de cordeiros estão dando um
novo caminho para a ovinocultura
no Triângulo Mineiro e Alto Parnaíba, em Minas Gerais. Atualmente,
o rebanho ovino mineiro é estimado em mais de 500 mil cabeças,
em fase de crescimento. “A ovinocultura é um empreendimento com
grande potencial, possuindo uma
tecnologia estabelecida e mercado
ainda em expansão, apresentando
oferta de produtos em quantidade, com qualidade comprovada”,
destaca o criador e inspetor técnico da ARCO, Maurício Fonseca
Pimentel de Ulhoa. Segundo ele,
as raças de corte que estão contribuindo para mudar o perfil do
setor – Santa Inês, Dorper e White
Dorper – estão apresentando boa
adaptação, com adequada produção em sistema intensivo ou semiintensivo. Os novos criadores se
caracterizam, especialmente, pelo
profissionalismo e investimentos
crescentes na produção.
Diagnóstico objetivo
Integrante da Câmara Setorial
Federal da Cadeia Produtiva de
Caprinos e Ovinos, do Ministério
da Agricultura, Aurora Maria Guimarães Gouveia - presidente da
Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos de Minas Gerais
(Accomig) - é hoje é uma das vozes mais fortes do setor no Estado.
Do alto de sua experiência como
Aurora Gouveia
professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais, ela faz um diagnóstico objetivo: “Independente da atividade, a
maioria dos criadores é carente de
assistência veterinária. O produtor
costuma se achar auto-suficiente
e não procura assistência preventiva. E pelo baixo valor dos animais, muitas vezes não compensa
pagar pelo atendimento curativo”,
Minas a caminho da profissionalização
Fotos: Divulgação
Carcaças da Procordeiro, uma amostra do potencial de Minas
constata. Segundo ela, o precário
controle de algumas doenças gera
alta mortalidade ou baixa produtividade, levando o criador a desistir
da atividade, colocando a culpa na
espécie.
Outro gargalo, diz Aurora Gouveia, envolve a inexistência da
produção em escala, a irregularidade de oferta, implicando depois na
falta de padronização das carcaças.
A criação de um módulo mínimo
econômico, levando à aglutinação
de grupos de produtores, tanto para
a produção de leite como para a de
carne é apontada como solução
para incrementar a produtividade.
Ela lembra que o Brasil é importador de lã e carne ovina, havendo
portando demanda para um incremento na produção mineira.
O crescimento dos rebanhos
tecnificados, destaca Maurício
Ulhoa, estão sendo implantadas
novas técnicas de manejo sanitário, reprodutivo e nutricional, além
de uma nova relação na área comercial. Um destes exemplos é A.
C. Agro Mercantil, de Araxá, que
possui rebanho de Dorper e Santa
Inês com alto valor genético. Esta
empresa foi uma das pioneiras do
Brasil a importar embriões de ovinos da raça Samm. Em Uberaba, a
Ovinogen - empresa especializada
em reprodução animal e melhoramento genético - trabalha com as
raças Santa Inês e Dorper. “Em
Uberlândia, os criadores se especializam no desenvolvimento de
uma ovinocultura para produção
de genética, com grande competência para ofertar carne de cordeiro”, comenta.
Novos rumos
Uma das tendências verificadas
por Maurício Ulhoa é o ingresso de
empresários comprometidos com a
melhoria genética, que substitui a
criação de zebuínos e cana de açúcar pelos ovinos. Segundo Ulhoa,
tanto para a criação de ovinos de
carne como para animais de elite, já
é uma realidade o aproveitamento
de resíduos de usinas processadoras de grãos, o que reduz sensivelmente o custo do confinamento.
Outro aspecto valorizado por
Maurício Ulhoa foi a regularidade da inspeção técnica oferecida
pela ARCO. “Este diferencial tem
conquistado a confiança e maiores investimentos na criação de
ovinos e constata-se uma opção a
mais na diversidade das atividades pecuárias”, observa. Segundo
ele, “a ARCO é referência na respeitabilidade da organização e suporte técnico, na seleção rigorosa
de seus profissionais de registro e
acompanhamento sistemático da
da ovinocultura na região”.
Da expansão a partir do ano
2000, fica uma constatação: o crescimento arrefeceu pela falta de conhecimento técnico da atividade.
Os produtores que viram na criação
de ovinos a tábua de salvação ou a
Central Ovinogen, em Uberaba
fórmula mágica para ganhos rápidos, acabaram abandonando a atividade, que agora está no caminho
da profissionalização. Este processo, que ainda está ocorrendo, passa
pelo uso de novos conhecimentos
tecnológicos e da especialização
das criações, que passaram a ser
administradas seguindo índices
zootécnicos e terem um eficiente
sistema de nutrição e controle de
custos.
O técnico da ARCO, Geraldo
Jonas da Silva, observa que os
aventureiros estão saindo do setor e
que a atividade passa por uma fase
de consolidação. "A ovinocultura
mineira é muito antiga e já houve
tempo em que o artesanato de lã
era uma atividade regular. Estamos
mapeando estas regiões, especialmente nas regiões serranas - Zona
da Mata, por exemplo, e percebemos que a criação de ovinos volta
firme, agora com os tradicionais
ovinos crioulos (semelhantes aos
gaúchos), os deslanados e as novas
raças de carne", constata Geraldo.
Fotos: Nelson Moreira/Agropress
Geraldo Jonas da Silva
"A importação de animais de alta
genética da Austrália e África do
Sul estão contribuindo para mudar
o perfil do setor", salienta.
Aurora Gouveia também entende que a imagem de que caprinovinocultura é atividade de subsistência está mudando, principalmente
no Sudeste e no Centro-Oeste. “É
importante mostrar que, além de
serem adequados para as pequenas
propriedades, para assentamentos,
para população de baixa renda, os
ovinos são rentáveis do ponto de
vista da grande produção comercial, como atividade
industrial. Portanto, o mercado está
aberto, mas nos próximos 10 anos não
teremos capacidade
de exportação de
carne. Primeiro precisamos estruturar a
cadeia.”, destaca.
Matriz Dorper de Araxá
Procordeiro
Nesse meio tempo, lembra Pedro Nobre de Lima, alguns frigoríficos, inclusive de outros estados,
iniciaram suas compras em território mineiro, mas por questões de
logística e falta de freqüência nos
fornecimentos, acabaram interrompendo o abate de ovinos. De
todos aqueles que ingressaram na
atividade, a única empresa que permaneceu foi a Procordeiro – Cooperativa Mineira de Produtores de
Cordeiro Ltda., com sede em Belo
Horizonte.
Sem apoio financeiro oficial,
mas contando com o esforço e dedicação de seus cooperados, que
são também produtores de cordeiro, a cooperativa controla a produção, desde transporte até o frigorífico, abate, cortes especiais, embalagem e comercialização. Desta
forma, uma seleta clientela de restaurantes e consumidores continua
a degustar o que há de melhor na
produção mineira.
O suporte aos produtores está
sendo suprido por entidade de
ensino, pesquisa e extensão rural, como a UFMG, UFV, UFLA,
FAZU, Epamig e ReHagro/Newton
Paiva. Segundo Pedro Nobre de
Lima, os entusiastas do setor estão
buscando atividades de treinamento e especialização em nível de
pós-graduação, para criar corpo
técnico capacitado para atender os
principais desafios. As prioridades
na área de pesquisa, diz, envolvem
nutrição, genética (obtenção de híbridos ou cruzas que atendam as
exigências do mercado) e reprodução, especialmente novas técnicas
de multiplicação de animais, para
acelerar o melhoramento genético.
Para Pedro Nobre de Lima,
uma das novidades foi a introdução das raças leiteiras Bergamácia, Lacaune e East Friesian. Este
trabalho que tem como objetivos
a criação das bases da produção
do tricross, na ovinocultura de
corte e ainda a criação de uma
raça de leite brasileira, como
o que ocorre em outros países,
onde o queijo ovino faz arte da
tradição cultural. •
4
jun-jul/09
Artigo
Planejamento: o segredo da maior produtividade
Por Eng. Agr. Thiago
Stella de Freitas, M.Sc. *
A
atual realidade sócio
econômica do mundo
em que vivemos pressiona também o campo por maior
eficiência e eficácia nas atividades
produtivas. Assim, está cada vez
mais presente a necessidade de
planejar as atividades agropecuárias de forma integrada, privilegiando o uso adequado dos recursos básicos de produção como o
solo, pastagens, máquinas, insumos, mão-de-obra, recursos financeiros e assim por diante.
O sucesso de qualquer sistema
produtivo está diretamente ligado
ao estabelecimento claro de objetivos capazes de serem alcançados
no curto, médio e longo prazos.
No caso de sistemas de produção animal baseados no pasto, na
massa verde, a melhora na eficiência nutricional do rebanho é um
dos principais objetivos a ser perseguido, pois o pasto é o alimento
mais barato que se pode ter e produzir na própria propriedade para
administrar aos ruminantes. Neste
sentido, e por estas razões, é que
se tem desenvolvido e aconselhado aos técnicos e aos produtores a
utilização de uma ferramenta que
é considerada crucial para uma
pecuária eficiente, lucrativa e de
alto nível: o “Planejamento Forrageiro”.
Consiste em adequar a quantidade de forragem produzida ao
longo do ano às necessidades de
utilização desses nutrientes ou
ao número de animais existentes
numa propriedade, visando alcançar máxima eficiência e mínima
sazonalidade no uso desses alimentos. Ou seja, se planeja a produção e a oferta forrageira para
que o período de escassez de pasto
e a necessidade de suplementação
com volumosos sejam os menores
possíveis.
O Planejamento Forrageiro
baseia-se em informações como a
projeção da dinâmica do rebanho,
a identificação de épocas críticas
para sua correta alimentação (estação de monta, período de engorda, etc.), estabelecimento de
níveis esperados de produtividade
da pastagem ao longo do ano, etc.
Essas informações permitem estabelecer épocas de provável escas-
sez ou excesso de forragem e possibilitam prever intervenções de
manejo para minimizar estresses
nutricionais dos animais e condições inadequadas de utilização da
pastagem.
O planejamento, de modo
geral, pode ser dividido em três
níveis básicos: o estratégico, o
tático e o operacional. As decisões estratégicas normalmente
envolvem metas para três a cinco
anos (longo prazo). É aqui que se
estabelecem as metas para a produtividade, se estima a quantidade
de forragem produzida em cada
área ou piquete e as metas para
taxa de lotação, produtividade
animal e quantidade demandada
de forragem. Ou seja, o planejamento estratégico compatibiliza a
capacidade produtiva da fazenda
com a quantidade de alimentos
demandada pelos animais para os
cenários de produção previstos.
Nesta etapa também se estima fluxos financeiros.
O planejamento tático considera decisões de médio prazo e tem
por objetivo promover ajustes no
planejamento estratégico, como
por exemplo: mudanças nas datas
para compra e venda de animais
devido a uma condição indesejada
da pastagem, alterações na utilização de áreas para conservação de
forragem; necessidade de controle
de pragas, doenças e plantas daninhas, formulação de suplementos
e na estratégia de suplementação
do rebanho, etc.
O terceiro nível do planejamento é o operacional (curto prazo - de dias ou semanas) e inclui a
utilização e diferimentos de pastagens para as várias categorias animais, visando manter condições
adequadas tanto para a pastagem
quanto para o desempenho animal. Desta maneira, são tomadas
decisões relacionadas à sequência
de utilização dos piquetes, tempo
de ocupação e de descanso, intensidade de pastejo e remanejo de
animais.
É importante ressaltar que se
deve buscar interação harmônica
entre os objetivos e as metas de
curto, médio e longo prazos, e que
a projeção dinâmica do rebanho e
a estimativa da produção de massa de forragem ao longo do ano
são essenciais para um bom planejamento forrageiro.
A equipe que atua no campo
Foto: Divulgação
A atenção às novas tecnologias gera ovinos saudáveis
deve estar capacitada para fazer
uma avaliação pontual dos sistemas de produção e estabelecer as
melhores alternativas de produção
para que o produtor possa lançar
mão de fertilizantes e especialidades zootécnicas de última geração,
visando obter os melhores resultados produtivos e econômicos.
Os técnicos vão avaliar a utilização de adubos nitrogenados
granulados associados a algas
calcárias que permitem obter alta
praticidade de aplicação eficiência
do N aportado, adubos específicos
para solos ácidos que combinam
várias fontes de fósforo com reatividades para permitir o fornecimento de nutrientes que acompanhem as altas exigências das forrageiras causadas pelo constante
desfolhamento, blocos minerais
de lamber que estimulam a salivação e aumentam o aproveitamento
dos alimentos ingeridos pelos animais, etc.
Além disso, a assistência de
técnicos articulados vão auxiliar
e orientar o produtor a realizar
o manejo correto das pastagens,
para que o sistema apresente os
resultados projetados. Isso permite ter uma pecuária moderna,
de alto nível e também lucrativa.
Como exemplo destes resultados,
podemos observar na tabela os resultados de um ensaio conduzido
pela Embrapa CPPSul de 2000
a 2002, que mostra que o adubo
Lithofertil apresentou um índice
de eficiência agronômica 24%
superior ao do superfosfato triplo
no terceiro ano de utilização em
pastagens.
Portanto, a utilização de planejamentos forrageiros utilizando fertilizantes específicos para
pastagens associados ao manejo
correto das mesmas oferece alto
potencial de eficiência e lucratividade para os sistemas pecuários. •
* Gerente de Marketing da
TIMAC Agro Brasil
[email protected]
www.timacagro.com.br
Produção de matéria
seca de azevém
(Lolium multiflorum)
submetido a
diferentes doses
de nitrogênio com
Sulfammo (Freitas,
2001).
Índice de eficiência agronômica (IEA) do fertilizante Lithofertil em comparação ao
Superfosfato Triplo (TSP) em três anos de avaliação com pastagens de trevo branco,
trevo vermelho, cornichão e azevém anual.
Efeito da adubação com Sulfammo em várias doses sobre a qualidade da folha de azevém em
duas épocas do ano e sobre a produtividade/área (Freitas, 2001).
5
jun-jul/09
Saúde
Queijo de leite de ovelha melhora saúde do coração
C
onsumir queijo feito a partir de leite de ovelha, rico
em ácido linoléico conjugado (CLA) pode reduzir os marcadores relacionados a doenças
do coração, sugeriram resultados
de um pequeno estudo italiano.
Pesquisadores da Universidade de
Florence reportaram que o leite de
ovelha, rico em CLA cis-9, trans11, produziu mudanças favoráveis
nas citocinas inflamatórias e na
agregação plaquetária, ambos fatores associados com aterosclerose, ou endurecimento das artérias
devido ao acúmulo de depósitos de
gordura nas paredes das artérias.
A aterosclerose é a causa principal da doença coronariana cardíaca (CHD, da sigla em inglês).
“Essas observações, apesar de
preliminares e obtidas em um
grupo limitado de estudo, parece
ter relevância para implicações
práticas em termos de nutrição
e saúde da população em geral”,
disseram os pesquisadores no
Nutrition, Metabolism e Cardiovascular Diseases. “Se os efeitos
dos produtos lácteos naturalmente
Foto: Divulgação
Queijo de leite de ovelha é saboroso e faz bem ao coração
enriquecidos por seus teores de
CLA cis-9, trans-11 forem confirmados por mais exames, isso
provavelmente terá importantes
implicações para a nutrição humana e a indústria de alimentos”.
Os pesquisadores, liderados por
Francesco Sofi, recrutaram 10
pessoas com idade média de 51,5
anos e aleatoriamente distribuídos
para consumir uma dieta contendo 200 gramas por semana de
queijo de leite de ovelha (queijo pecorino), naturalmente rico
em CLA, ou queijo de leite de
vaca (placebo), por 10 semanas.
Sofi e seus colaboradores reportaram que o consumo de queijo de
leite de ovelha rico em CLA produziu reduções significantes nos
marcadores inflamatórios, incluin-
do 43% de redução na interleucina-6 (IL-6), uma redução de 36%
na IL-9 e uma redução de 40%
no fator de necrose tumoral alfa
(TNF-alfa). Não foram observadas mudanças após 10 semanas de
placebo.Além disso, uma redução
de 10% na extensão da agregação
plaquetária, induzida pelo ácido
araquidônico, foi observada no
grupo que consumiu queijo com
CLA, comparado com o placebo.
“Os CLAs foram anteriormente
reportados como atenuantes da
expressão da citocina inflamatória
em animais e humanos e foi recentemente reportado que eles são
capazes de inibir a expressão de
moléculas de adesão induzida por
citocinas nas células endoteliais e
da musculatura lisa”. “Dessa forma, é concebível a hipótese de que
os CLAs são capazes de atenuar o
processo de aterosclerose através
da inibição das citocinas inflamatórias iniciais, como as medidas
em nosso estudo”. Fonte: nutraingredients.com, traduzida e
adaptada pela equipe FarmPoint
- www.farmpoint.com.br. •
6
jun-jul/09
Reportagem
Por Nelson Moreira
O Nordeste se encontra
na Feira de São Cristóvão
Encravado no tradicional Bairro de São Cristóvão,
uma feira com 700 barracas oferece todo tipo de
produto apreciado pelos nordestinos. A Feira de São
Cristóvão é frequentada por um público que busca
matar a saudade dos seus costumes e da sua cultura.
A culinária é a maior oferta deste Centro de Tradições
Nordestinas, tendo na carne ovina um produto muito
procurado pelos consumidores
V
isto de longe, ele tem o
formato de um grande
chapéu de couro nordestino e quando se entra no recinto parece que estamos num
pedaço do nordeste. As barracas
oferecem todo o tipo de produto que o povo daquela região
gosta e costuma consumir. Feijão branco, fava, tapioca, carne
de sol, e muitas outras coisas.
No centro da feira, repentistas
e trovadores se desafiam nas
rimas e nos temas e nos extremos da feira, shows de forró
animam as pessoas.
É um pedaço do Nordeste no
Rio de Janeiro. Assim pode ser
definido o Centro Luiz Gonzaga
de Tradições Nordestinas, onde
funciona a tradicional Feira de
São Cristóvão. São 700 barracas fixas que recebem a visita
de cerca de 450 mil visitantes
por mês, entre turistas e cariocas (nordestinos, na sua maioria). Em junho, período das festas de São João a feira recebe
cerca de um milhão de pessoas.
Entre estas barracas, existem
cerca de 60 grandes restaurantes e 90 de porte pequeno. São
Cristóvão tem a função de juntar os nordestinos que saíram
de suas terras fugindo dos ma-
les da seca, em busca de um lugar melhor no “sul maravilha”,
como muitos chamavam o Rio
de Janeiro e São Paulo. Com
quase 30 anos de existência serviu como ponto de apoio a toda
esta gente.
Conta a história que os caminhões pau-de-arara chegavam no Rio, no Campo de São
Cristóvão, e ali deixavam os
retirantes do Nordeste, a espera
de parentes que tinham vindo
antes. Aos poucos, comerciantes foram montando barracas
de alimentos para vender a este
povo. E a feira foi se formando assim, espontaneamente. A
estrutura de hoje tem somente
Peninha: marketing pode elevar o consumo da carne ovina
seis anos, mas ela já existe há
64 anos. Sarapatel, Galinha
Caipira, Baião de Dois, Feijão
de Corda, Carneiro Ensopado
Fotos: Nelson Moreira/Agropress
Restaurantes como o Baião de Dois oferecem a típica comida nordestina
são alguns dos pratos típicos
servidos nos principais restaurantes que existem na avenida
central do Centro de Tradições.
Sim, é possível encontrar carne
ovina nos cardápios!
Carneiro à Moda da Casa,
Carneiro ensopado e chuleta
de Carneiro com baião de dois,
são alguns dos pratos com carne ovina que se pode degustar
na famosa Feira de São Cristóvão.
Francisca Alda, ou Chiquita, como é conhecida, está na
Feira de São Cristóvão há 25
anos. Veio do Ceará trabalhar
com uma tia na própria feira.
Hoje com a nova estrutura conseguiu um lugar que fica perto de um dos palcos de show,
onde o movimento de pessoas
é muito forte. Seu cardápio é
variadíssimo em tudo o que é
típico do Nordeste. Quando se
trata de carne ovina recomenda a chuleta (carré) com Baião
de Dois. Tem ainda a buchada
de carneiro. Chiquita diz que a
chuleta ovina tem muita saída
e poderia ter mais se houvesse
promoção do sabor e das qualidades desta carne. Por muito
tempo comprava o produto de
um açougue que também fica
dentro da feira. Segundo ela, a
carne vinha de vários lugares,
principalmente do Nordeste, o
que eleva muito o custo final
do refeição. “O consumo desta
chuleta é de 90 pratos por fim
de semana, estamos negociando com um fornecedor de São
Paulo para ter padrão na carne e
também um custo melhor. Com
isto eu penso que vamos conseguir aumentar o consumo e
oferecer outros pratos com esta
carne”, afirma. Chiquita diz que
o nordestino está habituado a
comer carne ovina, sabe o sabor
que tem e por isto pede muito o
prato que está no cardápio.
O restaurante Estação Baião
de Dois também está na principal avenida da feira. Carneiro
a moda da casa é a opção oferecida aos clientes. Conforme
explica o gerente Francisco
Gomes Medeiros, que veio de
Nova Russas, no Ceará, a carne de cordeiro só não sai mais
porque não é bem divulgada na
feira. “Os nossos garçons, mesmo treinados, não se entusiasmam com o produto e pouco
recomendam aos clientes”, diz
Peninha, como é conhecido na
Feira. Ele ressalta que os orientais, quando entram no restaurante pedem logo o prato com
carne ovina. O consumo do restaurante é em torno de 50 pratos
por semana, utilizando muito o
pernil. Peninha acredita que se
>>
7
jun-jul/09
os produtores desta carne fizerem um trabalho de marketing
ali em São Cristóvão, “vão vender muito mais”.
A paraibana Jerlany Vesia é
a diretora de marketing da Associação dos Feirantes de São
Cristóvão e dona do restaurante
Asa Branca. Ela concorda com
seus colegas que se houver uma
ação promocional da carne ovina, os pratos vão ter mais saída.
Em seu restaurante vende cerca
de 15 refeições de cordeiro por
fim de semana. Normalmente é
cordeiro assado na brasa ou um
prato com guisado de cordeiro.
Em períodos de frio – junho
a agosto – há um aumento no
consumo destes pratos porque
são considerados quentes. Outro prato que ela oferece é a buchada de carneiro, prato bastante pedido pelos nordestinos.
Uma curiosidade da Feira de
Jerlani, do
restaurante
Asa Branca:
Adoro carne
de carneiro
Fotos: Nelson Moreira/Agropress
Chiquita mostra seu prato
com carne ovina
São Cristóvão é que três fortes
restaurantes são dirigidos por
mulheres. Maria Rocha Melo
é uma delas. Veio de Teresina,
Piauí, e está com um restaurante Maria e Getúlio, na feira,
desde 1981. Ela diz que usa o
carrezinho – chuleta – de animais com pouco mais de seis
meses – comprados geralmente
do Nordeste, porque não encontra na região. “Isto aumenta
meu custo significativamente e,
às vezes, me deixa sem produto,
como estou agora já há um mês”,
reclama. Para ter a garantia de
fornecimento, Maria disse que
também está na negociação do
fornecedor paulista. Ela diz que
por semana vende cerca de 10
quilos de carne ovina “e poderia
vender mais, através de outros
cortes, mas tenho receio de oferecer e depois não ter o produto”,
finaliza.
O principal fornecedor desta
carne para os restaurantes é Jaime Basílio da Silva, ou seu Jaime, pai do Carlinhos, dono do
açougue que fica dentro da Feira.
Ele garante que precisa procurar
em muitas cidades e estados para
conseguir manter o fornecimento
constante e no tamanho de carcaça pedida pelos clientes. Em
geral comercializa 50 quilos por
semana, vendidos também para
clientes do bairro. Segundo ele,
o processo de compra e venda
ficaria mais fácil se encontrasse
um fornecedor local, do Rio de
Janeiro ou de um Estado vizinho.
“Eu teria menos custos em sair
buscando por aí o tipo de animal
que eu preciso”, conclui. •
CTN - a versão paulistana
A versão paulistana da Feira de São Cristóvão chama-se Centro
de Tradições Nordestinas, ou CTN, e fica no bairro do Limão, na
capital. Em tamanho, o CTN é menor e possui barracas de comida e de produtos nordestinos. O CTN foi criado por iniciativa do
radialista José de Abreu, no início dos anos 90. A idéia de Abreu
foi criar um espaço para que os nordestinos que viviam na capital
paulista pudessem encontrar um espaço para cultuar suas tradições.
Também ali são oferecidos pratos típicos do Nordeste, mas por falta
de conhecimento e de divulgação, não há comidas feitas com carne
ovina.
Vicente Nonato da Silva é dono do Box 2 do CTN. Oferece os
principais pratos da culinária da região e trabalha com carne de cabrito e de gado. Ele acredita que se houvesse uma oferta de carne
ovina boa, de qualidade, poderia compor bons pratos. “Precisaria
também mostrar ao consumidor que o cordeiro é uma comida saborosa, para que houvesse demanda”, salienta, acrescentando que no
CTN, por final de semana devem passar cerca de 100 mil pessoas. •
8
jun-jul/09
Sanidade
Mal-do-Caroço em 25 perguntas e respostas
festando a doença.
14 - Então, como vou saber
quais animais vacinar?
DN - Como norma deve-se vacinar borregos de 3 a 6 meses de idade. Revacinar 30 dias após a vacinação. Em pouco tempo, com essa
sistemática de vacinação e com o
descarte dos animais portadores, o
contaminado e o que foi retirado do
rebanho vai ficar livre da doença.
caroço devem ser queimados. Até
15 - E se eu quiser vacinar toos animais que morreram por Lindos
os animais?
fadenite também devem ser incineDN - Dependendo da região no
rados. Todo material cirúrgico deve
Brasil, a contaminação de ovinos
ser desinfetado para reutilização.
por Linfadenite, pode chegar a 70%
05 - Como curar o Mal-do-Caroço?
do rebanho. Rebanhos muito bem
DN - É uma doença crônica.
cuidados têm cerca de 7 a 18% de
Uma vez doente de linfadenite, o
animais portadores de Linfadenite.
animal será sempre portador da
Rebanhos da caatinga podem aprebactéria. Ou é vacinado, antes de
sentar em média 40% de animais
contrair o mal, ou não haverá solucontaminados. Assim, a decisão
ção.
de vacinar todo o rebanho deve ser
06 - Quando o caroço está maprecedida de um exame de palpação
duro para extração?
bem rigoroso em todos os animais,
DN - O caroço é duro no início.
e aqueles que tiverem linfonodos,
Depois ele fica mole e os pêlos da
mesmo pequeninos, devem ser
área caem ou se soltam com faciapartados e não vacinados. Animais
lidade quando forem puxados. Este
que já tiveram ou
é o momento em
Foto: Divulgação
estão apresentando
que o caroço está
caroço devem ser
maduro. Se não for
apartados e não vaextraído, logo ele
cinados. Os demais
se romperá sozinho,
poderão tomar a vaespalhando bilhões
cina. Mesmo assim,
de bactérias.
alguns portadores
07 - Injetar
de Linfadenite, que
formol ou álcool
não foram identino caroço, mata a
ficados no exame,
bactéria?
poderão apresentar
DN - Pode matar
caroços rapidamenalgumas que ente. A vacina, portantrarem em contato
to, expõe o perigo
com a substância,
e facilita o descarte
mas não resolve o
de animais contamiproblema.
Além
A melhor opção é previnir a doença com vacinação
nados.
disso, o formol é
16 - Ovelhas mais fracas pocelular. Vacinas à base de toxóides
uma substância cancerígena e predem ser vacinadas para que mee vacinas de bactérias mortas concisa ser manipulada com muito
lhorem?
ferem imunidade humoral, dando
cuidado. Para piorar, existem pesDN - Não podem. A vacina não
muito baixa proteção ao rebanho.
soas que acabam comendo a carne
é um produto que cura. Ela só inRecomendam-se, então, vacinas de
de animais com linfadenite, vindo
duz a imunidade e, para o animal ter
bactérias vivas, atenuadas, que cona ingerir elementos do formol que
garantida a imunidade precisa estar
ferem imunidade celular e dão 97%
se espalharam na carne do animal
saudável. - Animais que receberam
de proteção ao rebanho.
- embora isso seja totalmente proipouca comida e estão fracos e des12 - Devo vacinar animal que
bido. Por isso, o certo é remover o
nutridos não respondem à vacinatem ou que teve caroço?
caroço maduro, cirurgicamente.
ção. - Animais doentes ou que estão
DN - Não. Uma vez que pegou
08 - Aplicar ou dar antibiótise recuperando de uma doença tama Linfadenite, o animal é portador
cos ajuda?
bém não respondem à vacinação. crônico da bactéria e a vacina não
DN - Não! Não ajuda por que a
Animais com alta carga parasitária
adianta mais.
bactéria fica no caroço, que é uma
também não. Em qualquer um des13
E
se
vacinar
o
ovino
que
cápsula isolada, e existe dificuldade
tes casos, os animais devem ser tratem Linfadenite Caseosa, o que
na penetração do antibiótico. Desse
tados para depois serem vacinados.
acontece?
modo não adianta dar antibióticos.
17 - Só uma dose da vacina
DN - Em primeiro lugar é jogar
O animal não irá curar por conta de
contra a Linfadenite Caseosa não
dinheiro fora porque o animal não
antibiótico.
resolve?
vai curar. Em segundo lugar essa
09 - A Linfadenite pega em gente?
DN - Não, não resolve. Todo
agressão (o estresse da vacinação)
DN - Sim. A Linfadenite Caseanimal deve receber uma dose de
pode fazer estourar caroços nos aniosa é transmitida para pessoas. Por
vacina e depois de 30 dias mais
mais que já estavam contaminados,
isso ela é classificada como ZOOuma dose de reforço. Só depois de
mas que ainda não estavam maniNOSE. Sempre que manipular ani-
Inúmeras perguntas relativas ao Mal-do-Caroço foram pesquisadas pela médica veterinária e gerente técnica do Laboratório
Vencofarma, de Londrina, Daniela Name. Durante feiras e visitas a propriedades rurais dedicadas à criação de ovinos ela observou que havia perguntas recorrentes e resolveu desenvolver um
questionário com 25 itens que desse resposta a estas dúvidas.
01 - O que é a Linfadenite Caseosa dos ovinos?
Daniela Name - Também chamada de Mal-do-caroço, “tumor”,
ou simplesmente “Linfa”, a Linfadenite Caseosa é uma doença causada por uma bactéria, a Corynebacterium pseudotuberculosis.
02 - Quais são seus sintomas?
DN - Os principais sintomas são
“caroços” ou “tumores” que são os
linfonodos (gânglios linfáticos ou
ínguas), do ovino, acometidos pela
bactéria. Os linfonodos funcionam
como uma espécie de filtro que retém as bactérias. A bactéria do Maldo-Caroço aí retida multiplica-se
e fica encapsulada em “caroços”.
Pode também ocorrer caroços internos, nos pulmões e nas vísceras. Esses caroços evoluem e se rompem,
liberando o conteúdo purulento.
03 - Como saber se há um caroço interno?
DN - Não dá para saber com
certeza. O processo de contaminação do carneiro pode ser por três
vias: a) Através da pele, nas feridas
superficiais ou mucosa, causando
caroços nos linfonodos e aí se diz
“tumor” ou “linfa”. b) Pela respiração, através da inalação do material
infectante, indo a bactéria parar nos
pulmões causando dezenas de caroços nos pulmões, daí se falando
que é uma “pseudo-tuberculose”.
c) Pela boca, através da ingestão
de material infectante, junto com
os alimentos ou a água, causando
caroços nas vísceras e órgãos internos, daí chamada de “visceral”.
Assim se o animal apresenta tosses
secas e outros sintomas de tuberculose (dificuldade respiratória, etc.)
pode ter a linfadenite pulmonar. Se
o animal começa a emagrecer muito e não é devido à falta de comida,
pode ser a linfadenite visceral. Em
ambos os casos o animal morre com
a progressão da doença.
04 - Como evitar a contaminação do ambiente?
DN - Fazer um controle dos animais com palpações freqüentes nos
linfonodos para descobrir caroços.
Acompanhar a evolução do caroço.
Quando ele estiver maduro, desinfetar com álcool iodado a 10% e
fazer a remoção cirúrgica. Retirar
toda a massa ou líquido e desinfetar com iodo a 10%. Todo material
mais contaminados, principalmente
na extração dos caroços maduros,
ou na limpeza de caroço que vazou
sozinho, deve-se tomar todas as
precauções para evitar a contaminação. É preciso usar luvas de látex
que, depois, devem ser incineradas
junto com os demais materiais usados. A linfadenite pode contaminar
também eqüídeos, suínos e bovinos,
mas os sintomas são diferentes.
10 - Então qual a solução para
uma criação ovina sã e saudável?
DN - São necessários: um bom
manejo, uma boa alimentação, desverminação e eliminação de parasitas de forma frequente. Também
fazer vacinação preventiva contra
clostridioses e contra o Mal-doCaroço.
11 - Qualquer vacina contra
Linfadenite Caseosa serve?
DN - Não. A Corynebacterium
pseudotuberculosis, bactéria responsável pelo Mal-do-Caroço, tem
atividade intracelular; para proteger
dessa bactéria a imunidade deve ser
30 dias do reforço é que a imunidade estará sólida. Para que isso aconteça o animal tem de estar forte e
saudável.
18 - Falam que a imunidade
vai pelo colostro da mãe para o
borrego. Então posso vacinar fêmeas prenhes?
DN - Não! Não pode vacinar fêmeas prenhes porque esta vacina é
feita com bactérias vivas atenuadas.
Quer dizer que a bactéria está viva
e não causa doença, mas pode prejudicar o feto.
19 - Quando posso vacinar o
borrego?
DN - Eles estão prontos para
criar imunidade já aos três meses.
Os borregos podem ser vacinados
dos 3 aos 6 meses de idade.
20 - Posso vacinar os filhotes
mais velhos?
DN - Pode, mas sabendo que a
chance de que eles estejam contaminados aumenta com a idade.
21 - Qual a dose da vacina do
Mal-do-Caroço para adultos e
qual a dose para borregos?
DN - A dose para adultos e filhotes é a mesma: 1 ml em aplicação subcutânea na região escapular
(paleta). A dose da vacina não varia
com o peso, o sexo ou a idade do
animal.
22 - Qual a validade da vacina?
DN - A validade da vacina é de
12 meses após a data de fabricação.
A vacina pode ser aplicada até o último dia do último mês da validade.
Ela irá funcionar bem. Nunca se
deve usar vacina vencida.
23 - A vacina vem em um frasco de pó e mais um frasco de líquido diluente. Quanto tempo a
vacina pode ser guardada após
diluir o pó?
DN - Por tempo nenhum! Não
se pode guardar a vacina. Após reconstituir a vacina com o líquido diluente, ela deve ser usada imediatamente. Não pode guardar as sobras,
em nenhuma hipótese.
24 - Posso guardar a vacina fora
da geladeira uma vez que é em pó?
DN - Não. Toda vacina deve ser
mantida na geladeira em temperatura
de 2ºC a 8ºC. Não deve ser guardada
no congelador, pois - apesar de ser
em pó - o organismo está vivo e o
congelamento mata a bactéria seca.
Também não deve ser colocada na
porta da geladeira porque é um lugar
que esquenta rapidamente quando se
abre a porta.
25 - Como transportar a vacina?
DN - Sempre transportar em caixa térmica de isopor com gelo dentro.
Se necessário, o gelo deve ser reposto
de tempos em tempos. •
9
jul-jul/09
Sanidade
Pneumonia – um inimigo sorrateiro
A pneumonia é um inimigo sorrateiro que pode estar
provocando prejuízos ocultos à produtividade do rebanho. Por isso, o produtor precisa revisar constantemente o rebanho. E também atentar para animais
estabulados, em ambientes fechados, com pouca ventilação. As principais vítimas são animais jovens e outros com baixa imunidade. E agora que o inverno chegou na região Sul, advertem especialistas ouvidos pelo
ARCO Jornal, os cuidados devem ser ainda maiores
Por Eduardo Fehn Teixeira
D
e modo geral, a pneumonia é uma doença que
ocorre com bastante frequência nos rebanhos ovinos Brasil afora, provocando graves prejuízos aos criadores. É sorrateira
quando surge e por isto, para detectar a sua presença nos animais,
é necessária a permanente revisão
do rebanho pelo criador. E mesmo
assim, quando instalada no organismo do animal, geralmente leva
ao óbito rapidamente. São inclusive freqüentes a ocorrência de
casos de morte súbita.
A pneumonia é mais presente em ambientes fechados, em
cabanhas, com vários animais
estabulados num mesmo local e
principalmente se no local houver
pouca ventilação ou má circulação de ar. Suas principais vítimas
são animais jovens, mais desprotegidos em termos de imunidade.
Mas também ocorre em rebanhos
criados a campo, podendo atingir
Foto: Horst Knak/Agência Ciranda
Clairton
Emerim
Marques
igualmente várias categorias de
ovinos.
“Uma das principais causas da
pneumonia nos ovinos é a verminose pulmonar, que está mais
presente no inverno, em climas
frios”, aponta o experiente veterinário e criador gaúcho Clairton
Emerim Marques, proprietário da
Cabanha Costa da Serra, em Osório, na região do Litoral Norte do
Rio Grande do Sul, onde mantém
planteis de Texel e de Lacaune.
Segundo ele, que também ficou
conhecido no meio como eficiente
jurado da espécie, quando é atacado por esta doença, o animal para
de comer, emagrece, fica desnutrido e se não for cuidado imediatamente, medicado, vai à morte.
“Tudo começa com uma secreção
nasal, tosse frequente e o emagrecimento do animal”, descreve o
técnico, observando que a principal causa - a verminose pulmonar
– pode ser facilmente detectada
através de exames regulares das
fezes dos ovinos.
“Existem processos bacterianos, que também provocam
a pneumonia nos ovinos. Mas o
mais comum é a enfermidade se
instalar a partir de uma verminose
pulmonar”, explica Clairon Marques.
O veterinário Marcelo da Silva
Cecim, professor e pesquisador
da Universidade Federal de Santa
Maria na área de Medicina de Ruminantes, observa que a Pneumonia frequentemente age associada
a uma outra doença, que gera a
queda de imunidade no animal,
Fotos: Divulgação
Marcelo
da Silva
Cecim
deixando seu organismo exposto
ao ataque.
Ele confirma que o principal
fator determinante da ocorrência da Pneumonia em ovinos é
a qualidade do ar em ambientes
fechados. “Mesmo que os animais fiquem estabulados somente
à noite”, enfatiza. Neste caso, o
agente irritante, que ataca as vias
respiratórias dos ovinos é a amônia, que é produto das excreções
dos animais.
Já o pesquisador e professor da
Faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS), Luiz Alberto
Ribeiro, amplia o tema e observa que existem várias causas que
podem ser atribuídas à ocorrência
da pneumonia em ovinos. “Essas
causas podem ser bacterianas,
víricas, parasitárias ou ainda por
corpo estranho (no banho, o animal pode aspirar a calda do banho
e isto pode causar a doença)”, explica o especialista.
Mas ele aponta que a principal
causa, a que mais ocorre, é a bacteriana, causada pela Pasterella
(Mannheimia haemolytica). “O
trato respiratório dos animais está
sujeito às condições ambientais.
Os animais têm defesas naturais,
mas quando está fragilizado ou
quando o ataque é muito severo
e supera a capacidade de defesa
do animal, a doença se estabelece”, explica Ribeiro. Ele também
justifica essa baixa imunidade dos
animais pela ocorrência de estresse, que pode surgir após mudanças na vida dos ovinos, como viagens, dosificações (administração
de medicamentos por via oral – a
toma), outros manejos mais agressivos ou mesmo mudanças bruscas de clima.
Luiz
Alberto
Ribeiro
Os sintomas da presença da
pneumonia, conforme o pesquisador, podem aparecer na forma de
depressão do animal, mudança de
comportamento, tosse, temperatura alta, corrimento nasal ou tam-
bém pode surgir a morte súbita.
“Na maior parte dos casos, não
há possibilidade de tratamento.
Quando a pneumonia se instala no
organismo do animal, geralmente
leva-o à morte e isto é relativamente rápido, podendo ser de um
dia para o outro”, diz o técnico.
Por isso, ele destaca que o importante para o produtor é a prevenção, com instalações adequadas (arejadas), a não realização de
manejos agressivos e a prática de
todos os cuidados sanitários dos
rebanhos.
Luiz Alberto Ribeiro critica
que no Brasil as vacinas contra
a Pasterellose foram desenvolvidas para uso em bovinos e por
isto sua capacidade de proteção
aos ovinos é limitada. “No primeiro mundo essas vacinas existem, mas ainda não estão disponíveis no mercado brasileiro”,
informa.
Ele recomenda, como único
tratamento disponível, a antibioticoterapia, com a administração
de antibióticos de amplo espectro. “Mas os criadores devem
pressionar as autoridades para
o desenvolvimento de vacinas
contra a pasterelose que tenham
real eficiência”, polemiza o pesquisador da UFRGS. •
Foto: Divulgação
A verminose pulmonar pode ser facilmente detectada através de exames das fezes dos ovinos
10
Rebanho SIM cria projeto de
produção de carne ovina
jun-jul/09
Reportagem
Q
uando o projeto estiver
em total operação estará manejando cerca de
50 mil ovinos comerciais, para
produção de carne. Com o diferencial de trabalhar somente com
a raça Santa Inês. Mas isto é um
processo de médio e longo prazo. Por enquanto Magim Rodrigues e os irmãos Fábio, Rodrigo
e Ricardo Cotrim trabalham no
planejamento e estruturação do
projeto Rebanho SIM Premium
que pretende atender a mercados
de Food Service, restaurantes e
supermercados com esta marca.
O processo, na verdade, começou em 2006 quando entraram na
ovinocultura em sociedade com o
rebanho Mumbuca, de reconhecido trabalho de seleção genética
na raça Santa Inês. O investimento foi acompanhado da aquisição
de uma propriedade de 70 hectares em Amparo, interior paulista,
onde é desenvolvida a seleção
genética, via inseminação e produção de embriões. Nesta propriedade a idéia é instalar 2 mil
ovinos. Para o rebanho comercial
a empresa comprou uma área de
2,4 mil hectares em Itapeva, no
sul de São Paulo.
Segundo o diretor comercial
da empresa, Fábio Cotrim, esta
nova área está sendo toda reformada para receber o projeto. A
idéia é ter uma criação intensiva a base de pastejo rotacionado
com cerca elétrica em piquetes
de quatro hectares. A produção
de cordeiros para abate deve ser
fornecida pela empresa, mas não
Fotos: Murilo Góes
Magim Rodrigues
e Fábio pretendem
dar qualidsade à
carcaça ovina
está descartada a possibilidade
de integrar outros produtores no
projeto. “Queremos conquistar
este mercado levando padronização de carcaça como diferencial”,
assinala Fábio, acrescentando
que hoje a maior reclamação dos
restaurantes e assemelhados é a
falta de padrão na carcaça, o que
dificulta o aproveitamento para
determinados cortes. “Vamos
trabalhar forte na seleção genética do rebanho para alcançar este
resultado, ou seja, uniformidade na carcaça, porque acredito
que o primeiro a conquistar este
patamar, vai levar vantagem no
mercado”, assinala o diretor comercial da fazenda.
Como dirigente de muitas
empresas de grande porte e hoje
empresário, Magim Rodrigues
diz que o mercado é quem vai determinar os cortes e o padrão da
carne a ser vendida. “Eu acredito
muito nisto e acho que a carne
ovina tem potencial para conquistar todos os consumidores
brasileiros, depende sempre do
que se oferece para ser consumido”, afirma.
Fabio diz que pretende usar a
raça definida como produtora da
carne e se for cruzar, será o Santa
Inês sobre as outras. Na opinião
dele a produtividade do Santa
Inês é muito boa, assim como a
carne e seu sabor. “Nossa visão
é um pouco diferenciada do que
vem acontecendo. Normalmente
A base do rebanho será
da raça Santa Inês
entregam carne de primeira qualidade para os restaurantes e food
service, e a segunda linha para as
churrascarias. Queremos mudar
isto no nosso processo e atender
a todos com a mesma qualidade
de carne”, ressalta. Fabio diz que
o projeto deve começar pequeno,
para sentir a resposta do mercado. Inicialmente o abate vai ser
terceirizado, mas não descarta
num futuro, ter seu próprio abatedouro. “Mas tudo vai depender
de conseguirmos ter escala. Precisamos ter volume de abate para
ver a rentabilidade do projeto e
os ganhos que nos traz”, afirma.
O diretor da SIM disse ainda que
tem viajado por várias partes do
País, para conhecer rebanhos e
projetos com carne ovina. “O
potencial para consumo da carne
ovina é grande, de norte ao sul do
Brasil. Depende muito dos produtores se organizarem para que
realmente se conquiste o consumidor, nós vamos fazer a nossa
parte e entrar com seriedade, porque realmente acreditamos que
este mercado já está em ebulição
e tem muito futuro pela frente”,
finaliza. •
11
jun-jul/09
Gestão
A importância dos números
na seleção de um rebanho
Você é um criador de Ovinos? Quer ganhar dinheiro
com a atividade? Como está o preço de venda em sua
região? Você sabe quanto custa o kg produzido em sua
propriedade? E mais, tem claro quais os pontos de estrangulamento desta atividade e onde pode atuar para
alcançar o lucro com ela? Estas e outras questões, propostas pelo veterinário, consultor e inspetor técnico da
ARCO, André Vielmo, devem ser levadas em consideração pelo pecuarista quando está trabalhando com ovinos ou quer entrar no negócio.
P
ara ele o primeiro passo
para quem quer ganhar dinheiro com ovinocultura é
gostar da função. “A ovinocultura é uma atividade econômica de
médio a longo prazo, mas de ciclo
mais rápido”, diz, acrescentando
que melhoramentos que levam 80
anos em bovinos podem ser conseguidos em 15 anos com os ovinos. No seu entender, um rebanho
que receba alimentação adequada
resolve aproximados 80% dos
problemas enfrentados. Assim,
diz Vielmo, o pecuarista faz logo a
conta de quantas matrizes precisa
para atingir o ponto de nivelamento de sua atividade e encontrar um
número de matrizes que faz jus a
sua operação matemática. A partir
daí, a instalação de infraestrutura
com bom suporte técnico, empregados preparados, planejamento e
implemento do projeto, garantirão
os melhores resultados.
Ponto de nivelamento
O consultor exemplifica as afirmativas considerando que o ponto
de nivelamento de uma atividade
será atingido com 1000 matrizes
a um custo de R$ 100,00/ano =
R$ 100.000,00. A partir desta
consideração começa, então, a
compra de machos e fêmeas com
qualidade e procedência certificadas. É preciso considerar a
impossibilidade de iniciar com
o número de matrizes ideal, pois
geralmente o número é grande e
será preciso aclimatar os animais.
Sendo assim, Vielmo orienta para
a compra de um número menor
de animais. “De qualquer modo
é preciso conseguir o número de
matrizes correspondente ao verificado no projeto. Sem esquecer
que estes animais serão identificados, avaliados morfologicamente
e sanitariamente”, orienta o inspetor técnico.
É necessária atenção especial a
dois itens que, em muitos casos,
não são levados a sério pelo pecuarista, custo e seleção.
Custo
Cada propriedade tem um custo de produção que deve ser analisado em: a) Custo por matriz e,
b) Custo por kg produzido. “Essas
contas não são efetuadas e o produtor reclama do preço de venda,
mas não sabe quanto custa”, assinala o consultor. Para ele, é preciso economizar com alimentação,
mão de obra, assistência e medicamentos, mas diminuir valores
Fotos: Divulgação
"É preciso gostar da atividade"
nem sempre é a melhor alternativa
e comprar alimentos mais baratos
não é a opção correta. Com estas
afirmativas, Vielmo questiona fazendo uma comparação de como
seria fornecer ração inadequada
a animais da suinocultura ou avicultura com o potencial genético
existente hoje? E como eles chegaram a este nível? Na questão
da mão de obra e assistência, depende de quanto o produtor está
pagando. Mas é preciso levar em
consideração que o erro no manejo pode matar um reprodutor caro
ou uma quantidade grande de animais. Já os medicamentos podem
ser cortados e em grande escala.
“Sistemas produtivos como a suinocultura e avicultura, na maioria
dos casos, não tratam os doentes
e sim tentam prevenir as afecções
com vacinas e manejo adequado.
Verminose, por exemplo, é algo
que não precisa ser eliminado e
sim conviver de forma harmônica”, define.
Para o consultor, é evidente o
desconhecimento sobre material
genético disponível. Em muitas
fazendas existem Fêmeas e não
Matrizes, Machos e não Reprodutores. “Matriz e reprodutor
são animais que produzem o que
a propriedade necessita, já as fêmeas e machos nem sempre. E aí
reside todo o problema e é quando
as contas não fecham no final do
ano!”, alerta o consultor. No seu
entendimento, a matriz e o reprodutor não devem produzir menos
que a capacidade desejada. “No
meu ponto de vista, os melhores
animais são os que desmamam
cordeiros mais pesados utilizando
dos mesmos recursos disponíveis
aos outros, sem nos preocupar
com rejeição de cria, problemas
de úbere ou quaisquer outras doenças. E para isso basta anotar as
coberturas e nascimentos, pesar
os borregos na desmama, corrigir
o peso para aquele da desmama
e atribuir o peso aos respectivos
pais”, explica. Quando isso acontece, é possível verificar que dentro de uma estação de nascimento
são encontrados fêmeas que não
desmamam e machos que desmamam menos peso médio de borregos.
A qualidade na escolha de matrizes, por exemplo, informa Viel-
mo, relaciona-se com as variações
de produção de cada matriz, quanto mais ela produz menor será o
custo por kg produzido. No entanto, o custo por matriz permanece
o mesmo. “O fato importante é
que os ovinos possuem seu menor custo até a desmama, e estes
também são animais que podem
na desmama estar prontos para o
abate”, destaca.
Seleção
Para otimizar o sistema produtivo é preciso realizar um trabalho
apurado de seleção. Então, a criação se tornará viável e o produtor
terá capacidade competitiva no
mercado. Tudo isso com produção eficiente e rentável. “Nenhum
outro artifício pode representar
tanto, pois entre as commodities,
a carne é a que sofre menos variação. E os itens de consumo de
uma propriedade podem ser no
máximo, pesquisados sem uma
variação expressiva de preços.
Independente do tipo de criação,
a seleção é algo importante e que
atualmente anda esquecida”, conclui Vielmo. •
Os custos estão diretamente relacionados com manejo correto
12
jun-jul/09
Notícias da ARCO
ARCO apresenta novidades para a Expointer
Inclusive exame de DNA, com o objetivo de formar banco de dados
Em abril deste ano a ARCO,
através de sua diretoria e da
Superintendência de Registro Genealógico (SRGO), realizou uma série de reuniões
com as associações de raças,
com o objetivo da promoção
de melhorias para a próxima Expointer, dando início à
formação do banco de dados
do Registro Genealógico da
ARCO.
OS CRITÉRIOS
Segundo o Superintendente Substituto de Registro Genealógico da entidade,
Edemundo Ferreira Gressler,
nesses encontros a ARCO deu
ciência às entidades especializadas de raças sobre alguns
critérios que serão adotados
para a próxima Expointer, de
29 de agosto a 6 de setembro,
Foto: Nelson Moreira/Agropress
Edemundo Gressler
no parque de exposições Assis
Brasil, em Esteio, RS. E entre
as novidades, está o exame de
DNA de dos animais premiados.
No caráter funcional da atuação da ARCO na Expointer,
no que diz respeito à admissão e pesagem dos animais,
ficou determinado, conforme
Fenovinos será no
Paraná em 2010
Fotos: Divulgação
O esforço dos visitantes de Ponta Grossa para
levar a Fenovinos para
o Paraná valeu a pena
e, em 2010, a região dos
Campos Gerais sediará
a 22ª edição da mostra.
Em 2011, a feira acontece em Uruguaiana. O
Secretário de Agricultu- Ponta Grossa será a nova sede da Feira
ra de Ponta Grossa, José
grande evento”, assegurou.
Fernando de Paula, que liderou a
O presidente da ARCO, Paulo
comitiva, disse que desde já está
Schwab, disse, por sua vez, que a
trabalhando para que a próxima
Fenovinos deste ano atingiu plenaedição seja um sucesso, tanto na
mente os seus objetivos de promoparticipação de animais, quanto
ver, na região sul, o agronegócio da
de produtores interessados na oviovinocultura.”Tanto é que tivemos
nocultura. “Nossa região, assim
uma boa representação de ovinos
como todo o Estado, tem forte volã, carne e de produtos manufatucação para a criação de ovinos. Por
rados, como as roupas que estavam
isto que resolvemos investir forte
expostas no Salão da Lã”, ressalpara levar a Fenovinos para Ponta
tou. •
Grossa e tenho certeza que será um
Gressler, que as revisões precisam seguir à risca os critérios indicados. Dentro desta
orientação, os animais devem
apresentar as tatuagens nos
locais corretos, a efetiva verificação dos controles de tosquia, que os animais estejam
identificados com os códigos
de rebanho, apresentação do
exame andrológico, participação das fêmeas na ultrasonografia para a detecção de
prenhez, os produtos (cordeiros) de ovelhas com cria ao
pé devem estar rigorosamente
registrados na ARCO e a novidade é a coleta de material
para a realização de exame de
DNA de todos os animais premiados, machos e fêmeas, do
Grande Campeão ao quarto
melhor exemplar. •
BANCO DE DADOS
Esses dados, conforme explica Gressler, vão compor a
abertura do banco de dados
do Registro Genealógico da
ARCO. A coleta dessas informações será o ponto de partida
para o início da formação do
banco de dados da ARCO, com
o objetivo, posteriormente, de
fazer com que todas as cabanhas tenham a oportunidade
de fazer com que o DNA de
seus animais venha a compor
este banco de informações. “É
um verdadeiro salto em termos
de evolução na área de registro
de animais”, comemora o técnico. No futuro, estes procedimentos também terão abrangência nacional.
“O registro é a manutenção
do arquivo genético do animal
Foto: Horst Knak/Agência Ciranda
Francisco Perelló
e tem como principal meta o
melhoramento de cada raça”,
avalia o Superintendente do
Registro Genealógico (SRGO)
da ARCO, Francisco José Perelló Medeiros. “Tendo bem
determinadas as características e o genótipo da raça, a área
de pesquisa poderá evoluir”,
destaca Perelló Medeiros. •
Conselho Técnico
tem novo presidente
O médico veterinário Fabricio Wollmann Willke, de
Cachoeira do Sul/RS, representante do Conselho Técnico da Raça Ile de France, foi
eleito em novembro do ano
passado como novo presidente do Conselho Deliberativo
Técnico (CDT) da ARCO.
O CDT é integrado pelo
Superintendente do Registro
Genealógico, pelo gerente de Provas Zootécnicas e
por técnicos de nível superior (Eng. Agrônomo, Méd. Fabrício Wollmann Wilke
Empresa Brasileira de Pesquisa
Veterinário ou Zootecnista)
Agropecuária – Embrapa, dos
em representação das Associainspetores técnicos e Federação
ções Nacionais Promocionais
Brasileira de Criadores de Ovide raças existentes no país,
nos Carne – Febrocarne.
do Ministério da Agricultura
O CDT atua como órgão de
e Abastecimento - MAPA, da
deliberação e orientação sobre todos os assuntos de natureza técnica, promovendo
a uniformização dos critérios
e procedimentos, estabelecendo, portanto diretrizes
visando o desenvolvimento e
melhoria da ovinocultura.
O foco de trabalho para
este ano será a elaboração e
regulamentação do Colégio
de Jurados, com um corpo
técnico especializado para
julgamentos das raças criadas no Brasil, seguindo uma
determinação do MAPA.
Como também a implantação do
exame de Genotipagem (DNA),
para que esses dados venham
fazer parte do Arquivo Zootécnico Ovino.

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