Livro do fogo

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Livro do fogo
Livre du feu 2011
MITO DE PEDRO E INÊS
Inês de Castro
«aquela que depois de morta foi Rainha»,
“Agora é tarde, Inês é morta”
D. Inês de Castro (Galiza, 1320 ou 1325 - Coimbra, 7 de
Janeiro de 1355) foi uma nobre galega que foi coroada, depois de morta pelo rei, seu
marido, D. Pedro I de Portugal, de quem teve quatro filhos.
Inês acompanhou D. Constança de Castela, esposa do príncipe Pedro de Portugal da
qual era dama de companhia. D. Pedro apaixona-se perdidamente a ponto de
negligenciar a esposa, o que levou à aproximação do trono de nobres de Castela (o
irmão de D. Inês torna-se amigo e confidente do príncipe) e de favorecer a emergência
de um partido dito dos “Castro” à coroa portuguesa.
D. Afonso IV não aprovava esta relação, não só por motivos de diplomacia mas
também devido à amizade íntima de D. Pedro com os irmãos de D. Inês, mandou exilar
D. Inês no castelo de Alburquerque, na fronteira castelhana. No entanto, a distância
não teria apagado o amor entre D. Pedro e D. Inês.
Após a morte da princesa D. Constança, em 1345, D. Pedro mandou D. Inês regressar
do exílio e os dois foram viver juntos em sua casa, que continuou, em vão, a tentar que
D. Pedro se casasse novamente com uma dama de sangue real, proposta esta, de
união matrimonial, que este recusou. Nesta época, os quatro filhos ilegítimos de Pedro
e Inês prosperam para desespero da nobreza portuguesa inquieta pela influência dos
Castro sobre D. Pedro.
Depois de várias tentativas para separar o casal e preocupado com a possibilidade de
D. Pedro tomar o partido da crise política castelhana, o rei ordena a execução de D.
Inês. Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco são designados para o
efeito e partem para o Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra, onde reside Inês e
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assassinam-na a 7 de Janeiro de 1355. Quando toma conhecimento da notícia, D.
Pedro revolta-se contra seu pai e envolve o país numa curta guerra civil.
Em 1357, D. Pedro, já rei de Portugal, anuncia ao país, pela proclamação de
Cantanhede que, secretamente, casou com Inês, tornando-a assim rainha de Portugal.
A palavra do rei, confirmada por algumas testemunhas, foi e continua a ser a única
prova deste casamento. Contudo, os filhos desta união, são reconhecidos como filhos
legítimos o que terá constituído a razão principal desta proclamação.
Reza a lenda que ele mandou exumar o corpo de Inês e a cobriu com um manto
púrpura. Sentada no trono real, Inês foi coroada e D. Pedro obrigou todos os nobres do
reino a fazer o beija-mão. Mandou perseguir os três assassinos de Inês, dos quais dois
foram capturados e condenados à morte. Os assassinos arrancam o coração a um pelo
peito (Pêro Coelho) e a outro pelas costas (Álvaro Gonçalves) sendo, de seguida,
segundo a Crónica do Rei D. Pedro I, de Fernão Lopes, queimados.
As cerimónias funerárias foram organizadas, desta feita, no Mosteiro de Alcobaça. Inês
repousa num sumptuoso túmulo de um dos lados do transepto, frente ao túmulo
destinado a recolher o corpo de Pedro I aquando da sua morte. Pedro desejou que no
momento do Apocalipse e do despertar dos mortos, os dois amantes quando
despertassem se pudessem olhar olhos nos olhos.
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Inés de Castro
« Il est trop tard désormais, Inés est morte ».
Inés de Castro (Inês de Castro en portugais, née en Galice en 1320 et décédée le 7
janvier 1355) est une noble espagnole qui fut couronnée reine de Portugal après sa
mort.
Inés émigre au Portugal en 1340 pour suivre Constance de Castille, l'épouse du prince
Pierre de Portugal, dont elle est dame de compagnie. Le prince tombe rapidement
amoureux fou d’elle, au point de négliger sa femme, ce qui a pour effet de rapprocher
du trône les nobles castillans (le propre frère d’Inés devient l'ami et le confident du
prince), et de favoriser l'émergence d'un parti dit des Castro à la cour royale
portugaise.
Le roi Alphonse IV de Portugal, le père de Pierre, désapprouve l’influence d’Inés et de
sa famille sur son fils mais décide d’attendre que leur passion s’éteigne d’elle-même.
Cette passion restera néanmoins forte et constante, malgré la désapprobation royale.
Inés est exilée en Castille.
Après la mort de la princesse Constance en 1345, Inés revient d'exil, pendant que le roi
cherche en vain à remarier son fils, celui-ci refusant tout projet d'union matrimoniale.
Dans le même temps, les quatre enfants illégitimes de Pierre et d’Inés prospèrent au
désespoir de la noblesse portugaise inquiète de l’influence du parti des Castro sur
Pierre.
Après plusieurs tentatives pour séparer le couple, et soucieux de l'éventualité de voir
le Prince Pierre prendre parti dans la crise politique castillane, le roi ordonne
l'exécution d’Inés. Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves et Diogo Lopes Pacheco sont
désignés pour cela et partent pour le monastère de Santa Clara à Coimbra, où réside
Inés, et la tuent le 7 janvier 1355. À cette nouvelle, Pierre se rebelle contre son père et
engage le pays dans une courte guerre civile.
Quelques temps après être devenu roi du Portugal en 1357, Pierre annonce au pays,
par la proclamation de Cantanhede qu’il a secrètement épousé Inés, faisant ainsi d’elle
la reine de Portugal. La parole du roi, confirmée par quelques témoins de son
entourage, est alors, et reste de nos jours, la seule preuve de ce mariage. Toutefois les
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enfants de cette union s'en trouvent de ce fait reconnus comme légitimes, ce qui peut
avoir constitué le motif principal d'une telle proclamation.
Selon la légende, il fait déterrer le corps d'Inés, la fait revêtir d'un manteau de pourpre.
Assise sur le trône de la reine, Inés est couronnée et Pierre oblige tous les grands du
royaume à lui baiser la main. Il fait poursuivre les trois assassins d'Inés ; deux d'entre
eux sont capturés et mis à mort. Les bourreaux leur arrachent le cœur, à l'un par la
poitrine (Pêro Coelho) et à l'autre par le dos (Álvaro Gonçalves), selon la Chronique du
Roi D. Pierre I, de Fernão Lopes. Ceux-ci sont ensuite brulés.
De nouvelles funérailles sont organisées, cette fois dans le monastère d'Alcobaça: Inés
y repose dans un somptueux tombeau sur un des côtés du transept, face à celui
destiné à recueillir le corps de Pierre Ier à sa mort. Pierre souhaite ainsi qu'au moment
de l'Apocalypse et du réveil des morts, les deux amants se lèvent l'un en face de
l'autre.
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Inês de Castro
“The Queen who was crowned after death"
“It’s too late, Inés is dead”.
Inês Pérez de Castro (Inés in Spanish and Galician) (1325 – 7 January 1355) was a
Galician noblewoman. She is best known as lover and posthumously exhumed and
declared lawful wife of King Pedro I of Portugal, and therefore Queen of Portugal by
order of Pedro himself.
Inês came to Portugal in 1340 as a maid of Infanta Constance of Castile, recently
married to Prince Pedro, the heir to the Portuguese throne. The prince fell in love with
her and started to neglect his lawful wife, endangering the already feeble relations
with Castile. Moreover, Pedro's love for Inês brought the exiled Castilian nobility very
close to power, with Inês's brothers becoming the prince's friends and trusted
advisors. King Afonso IV of Portugal, Pedro's father, disliked Inês's influence on his son
and waited for their mutual infatuation to wear off, but it did not.
Constance of Castile died in 1345. Afonso IV tried several times to arrange for his son
to be remarried, but Pedro refused to take a wife other than Inês, who was not
deemed eligible to be queen. Pedro's and Inês's illegitimate children were thriving; this
created even more discomfort among the Portuguese nobles, who feared the
increasing Castilian influence over Pedro. Afonso IV banished Inês from the court after
Constance's death, but Pedro remained with her declaring her as his true love. After
several attempts to keep the lovers apart, Afonso IV ordered Inês's death. Pêro Coelho,
Álvaro Gonçalves, and Diogo Lopes Pacheco went to the Monastery of Santa Clara in
Coimbra, where Inês was detained, and killed her, decapitating her in front of her small
child. When Pedro heard of this he sought out the killers and managed to capture two
of them. He executed them publicly, ripping their hearts out claiming they didn't have
one having pulverized his own heart.
Peter became King of Portugal in 1357. He then stated that he had secretly married
Inês, who was consequently the lawful queen, although his word was, and still is, the
only proof of the marriage. Legend has it that he had Inês's body exhumed from her
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grave and forced the entire court to swear allegiance to their new queen by kissing the
corpse's hand. She was later buried at the Monastery of Alcobaça where her coffin can
still be seen, opposite Peter's so that, according to the legend, at the Last Judgment
Peter and Inês can look at each other as they rise from their graves. Both marble
coffins are exquisitely sculpted with scenes from their lives and a promise by Pedro
that they would be together “até ao fim do mundo” (until the end of the world).
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Idade média
Lenda do Milagre da Batalha de Ourique
Segundo esta lenda, foi no campo de Ourique, em 1139, que se defrontaram o exército
de D. Afonso Henriques e os exércitos de cinco reis mouros que dominavam o sul da
Península Ibérica (Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora e Beja).
Um pouco antes da batalha, D. Afonso Henriques terá sido visitado por um velho
homem, que o rei já tinha visto em sonhos, que lhe fez uma revelação profética da
vitória. O rei deveria, na noite seguinte, sair do acampamento sozinho.
D. Afonso Henriques assim o fez e foi surpreendido por um raio de luz que,
progressivamente, iluminou tudo em seu redor, deixando-o distinguir, aos poucos, o
sinal da Cruz de Jesus Cristo crucificado. O rei emocionado ajoelhou-se e ouviu a voz
do Senhor que lhe prometeu a vitória naquela e noutras batalhas travadas por ele e
pelos seus descendentes.
D. Afonso Henriques voltou confiante para o seu acampamento e, no dia seguinte,
perante a coragem dos portugueses, os mouros fugiram, sendo perseguidos e
completamente dizimados.
Ainda segundo a lenda, foi então que D. Afonso Henriques decidiu que a bandeira de
Portugal passaria a ter cinco escudos ou quinas em cruz representando os cinco reis
vencidos e as cinco chagas de Cristo carregadas com os trinta dinheiros de Judas.
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Moyen Age
Légende du Miracle d'Ourique
Selon cette légende, c'était dans le domaine d'Ourique, en 1139, que se sont battues
l'armée de D. Afonso Henriques et les armées des cinq rois mauresques qui dominaient
le sud de la péninsule ibérienne (Séville, Badajoz, Évora et Beja).
Un peu avant la bataille, D. Afonso Henriques fut visité par un vieil homme que le roi
avait déjà vu dans ses rêves et qui lui avait fait une révélation prophétique de la
victoire.
Le roi devrait, la nuit suivante, partir tout seul du campement.
Ainsi le fit D. Afonso Henriques et il fut surpris par un rayon de lumière qui,
progressivement, illumina tout autour de lui, permettant de distinguer, peu à peu, le
signal de la Croix de Jésus Christ crucifié. Le roi ému se mit à genoux et entendit la voix
du Seigneur qui lui promit la victoire pour cette bataille et les autres batailles engagées
par lui et par ses descendants. D.Afonso Henriques est revenu à son campement et, le
jour suivant, devant le courage des portugais les Maures s'enfuirent et furent
complètement décimés.
Ainsi selon la légende, ce fut à ce moment là que D. Afonso Henriques décida que le
drapeau du Portugal commencerait à avoir les boucliers ou les quines en croix
représentant les cinq rois mauresques vaincus et les cinq plaies du Christ chargées
avec les trente sous de Judas.
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Middle Age
Legend of the Miracle of Ourique
According to the legend, in 1139, in the battlefield of Ourique, the army of D. Afonso
Henriques was fighting against the army of five Moorish kings. These kings ruled five
kingdoms in the South of the Iberian Peninsula: Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora and Beja.
Before the battle D. Afonso Henriques was visited by an old man. In D. Afonso's
dreams he had already seen this man who told him he would win the battle against the
Moorish kings. In his dreams, the old man told D. Afonso to leave the camp alone the
next night.
D. Afonso Henriques did what he was asked for in his dreams and he was caught by a
sunbeam. This sunbeam was lightening up everything around D. Afonso and so he
could see the Cross of Jesus Christ crucified. The king was so thrilled that he knelt
down and heard the voice of God. God promised him the victory and further ones, not
only for himself, but also for his descendants.
D. Afonso Henriques went back to the camp and the next day, during the battle against
the Moors, the Portuguese showed outrage courage. The Moorish ran away and were
persecuted and annihilated.
By this time, D. Afonso Henriques decided that the flag of Portugal would have five
shields or sharp edges in a cross shape. The five shields would represent the five
defeated kings and the five wounds of Jesus Christ; the thirty coins would represent
Judas' treason.
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Lenda do castelo de Almourol
Conta esta lenda que um dia D.
Ramiro, alcaide do castelo de
Almourol, voltava cheio de sede
de uma campanha guerreira, encontrando duas formosas mouras, mãe e filha, que
traziam com elas uma bilha de água. D. Ramiro pediu à filha que lhe desse de beber,
mas esta assustou-se e deixou cair a bilha. Enraivecido, D. Ramiro matou-as.
Nessa altura, apareceu um rapazinho de onze anos, filho e irmão das mulheres
assassinadas. D. Ramiro logo o fez cativo e levou-o para o castelo. O jovem mouro
jurou que se vingaria na mulher e na filha do cavaleiro.
Tempos depois, a mulher do alcaide adoeceu e acabou por morrer, vítima de venenos
que o mouro lhe foi dando a pouco e pouco. Porém não conseguiu matar Beatriz, a
filha de D. Ramiro, porque os dois se apaixonaram.
Certo dia, D. Ramiro chegou ao castelo na companhia de outro alcaide, a quem
prometera a mão da sua filha. Os jovens fugiram sem deixar rasto. D. Ramiro morreu
pouco depois, vitimado pelo desgosto. O castelo abandonado caiu em ruínas.
Dizem que, nas noites de S. João, os jovens aparecem abraçados, na torre grande do
castelo. A seus pés, D. Ramiro implora perdão, mas o mouro inflexível responde-lhe
com dureza:
- MALDIÇÃO!
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Légende du château d’Almourol
On raconte qu'un jour, D. Ramiro, bailli du château d'Almourol, revenait d'une guerre
et il était assoiffé. Il rencontra deux maures très belles, mère et fille, qui portaient une
cruche d'eau. D. Ramiro leur demanda de l'eau mais la fille s’effraya et la cruche
tomba. Exaspéré, D. Ramiro les tua.
Juste à ce moment-là, apparut un petit garçon de onze ans, le fils et le frère des
femmes assassinées. D. Ramiro le captura et l’amena au château. Le jeune maure jura
de se venger sur la femme et la fille du chevalier.
Plus tard, la femme du bailli tomba malade et finit par mourir, victime des poisons que
le maure lui avait petit à petit donnés. Toutefois il ne fut pas capable de tuer Beatriz, la
fille de D. Ramiro, parce qu'il en était tombé amoureux.
Un jour, D. Ramiro arriva au château avec un autre bailli, à qui il avait promis la main
de sa fille. Les jeunes amoureux s’évadèrent. Peu après, D. Ramiro mourut de chagrin.
Le château abandonné tomba en ruines.
On dit que les nuits de St. João, D. Beatriz et le maure apparaissent embrassés, dans la
grande tour du château. À ses pieds, D. Ramiro implore le pardon, mais le maure lui
répond inflexiblement :
- MALEDICTION!
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Legend of the castle of Almourol
D. Ramiro was the military governor of Almourol castle. One day, while he was coming
back from a battle completely thirsty, he met two gorgeous Moorish women: a mother
and her daughter who carried water in containers. D. Ramiro asked the girl for water
but she was so frightened that she dropped down the container. D. Ramiro got angry
and murdered both mother and daughter.
By that time, an eleven-year old boy showed up. He was the son and the brother of the
murdered women. D. Ramiro arrested him and took him to his castle. The young
Moorish boy swore revenge by killing the wife and the daughter of the governor.
Later the governor's wife got sick and died because the boy gave her some poison. The
Moorish boy couldn't poison Beatriz, D. Ramiro's daughter because they fell in love.
One day, D. Ramiro arrived at the castle with another governor. whom he had
promised his daughter in marriage, but the young lovers ran away and nobody knew
where they were. D. Ramiro died of grief. The castle was left with no human being
alive and soon collapsed.
It is believed that at St. John’s nights, the lovers can be seen hugged together in the
great tower of the castle. On their feet, D. Ramiro asks for forgiveness, but the
Moorish answers: “CURSE”!
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