LNA alerta sobre os problemas da poluição luminosa na Rio +20

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LNA alerta sobre os problemas da poluição luminosa na Rio +20
Uma publicação eletrônica para divulgação de notícias para os usuários do
MCTI/Laboratório Nacional de Astrofísica
Editores: Giuliana Capistrano e Patrícia Aline de Oliveira
ISSN 2179­4324 / [email protected]
Número 25 ­ 16 de julho de 2012
LNA alerta sobre os
problemas da poluição
luminosa na Rio +20
D
Saulo Gargaglioni
urante a Rio+20 – Conferência das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – realizada entre os
dias 13 e 22 de junho, o trabalho do
LNA foi de alertar aos visitantes sobre
os impactos da poluição luminosa e contribuir para a disseminação do tema. Estima-se que foram distribuídos em torno
de 5.000 folders do LNA e a apostila
“Identificação e combate à Poluição Luminosa”.
O mau planejamento dos sistemas de iluminação é a causa desta poluição. O aumento na luminosidade do céu noturno
é um dos efeitos mais evidentes da poluição luminosa, que pode ser definida como a luz externa mal-direcionada que
não é aproveitada devidamente, causando o brilho visto acima das cidades, em
vez de somente iluminar o chão.
Uma das grandes vantagens da conscientização para o planejamento dos sistemas de iluminação é a economia de
energia elétrica, visto que existe grande
desperdício de energia pela escolha
inadequada da iluminação dos municípios.
A poluição luminosa pode causar impactos sociais, ambientais, econômicos
e científicos. Em relação aos impactos
sociais, estudos têm sugerido que a exposição à luz durante a noite pode ser
um fator de risco para o câncer. A invasão de luz nas casas pode prejudicar a
qualidade do sono das pessoas, podendo ocasionar stress, dor de cabeça e
cansaço visual.
Índice
LNA
Rio+20 .........................
Santos-Dumont .............
Japão .....................
NWO .....................
Concurso ...............
SBPC ......................
Gemini
1
3
4
5
6
6
Participação ........... 7
Comitê usuários ............ 8
2015 .......................... 9
OT .......................... 11
GNAO ...................... 12
IRAF ........................... 13
Relatório ...................... 13
YouTube
.............
13
GeminiFocus ............. 13
SOAR
Fase
Visita
II
...............
14
....................
16
Ronaldo Vasconcelos e Saulo Gargaglioni no estande do LNA na Rio+20.
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LNA em dia
Em relação à visualização do céu pelas
pessoas, estima-se que cerca de 1/5 da
população mundial, mais de 2/3 da população dos EUA e mais da metade da população da União Europeia perderam a
visibilidade a olho nu da Via Láctea.
LNA
Os impactos ambientais causados pela
poluição luminosa podem afetar a reprodução, a migração e a comunicação das
espécies. Pássaros atraídos pela luz
dos prédios, torres de transmissão, monumentos e outras construções, voam
sem cessar em torno da luz até caírem
de cansaço ou pelo impacto em alguma
superfície.
Saulo Gargaglioni é chefe
do Serviço de Manutenção
e Apoio Operacional do
LNA.
A iluminação artificial nas praias também pode ocasionar a desorientação de
filhotes de tartarugas marinhas que saem dos ninhos nas praias. Os filhotes
movem-se em sentido contrário de ambientes escuros e baixos e vão em direção ao oceano. Com a presença de
luzes artificiais na praia, os filhotes não
conseguem diferenciar os ambientes e ficam desorientados.
Quanto aos impactos econômicos, pesquisadores norte-americanos estimam
que são desperdiçados nos EUA anualmente 2 bilhões de dólares com iluminação ineficiente. Na área de astronomia
também ocorrem grandes perdas. A iluminação não planejada compromete o
alto investimento em observatórios, limitando as possibilidades de explorar o
Universo.
Vale ressaltar que iluminar bem não é
iluminar em excesso, e sim, com eficiência, e os profissionais e a comunidade em geral devem ser alertados.
Com a discussão sobre poluição luminosa esperamos que as cidades, estados e países compreendam a
necessidade de legislações específicas
para minimizar os malefícios da má iluminação artificial externa. Além disso,
todo cidadão pode tomar atitudes individuais e simples para ajudar a combater
o problema.
Com apoio do LNA, na Semana de Astronomia promovida por estudantes da
Universidade Federal de Itajubá haverá
um concurso de redações para as escolas da região, com o tema poluição luminosa.
Equipe do LNA atendendo o público na Rio+20.
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LNA em dia
LNA traz exposição sobre
Santos­Dumont a Itajubá
O
LNA e o Museu de Astronomia e
Ciências Afins (MAST) inauguram
dia 13 de julho em Itajubá a exposição
“Passo a passo, salto a salto, voo a voo:
o cientista Santos-Dumont”, criada pela
equipe de pesquisa do MAST.
“Passo a passo, salto a salto, voo a voo”
revela como Alberto Santos-Dumont, de
família tradicional mineira, conseguiu
projetar e construir aparelhos mais pesados que o ar capazes de decolar do so-
A exposição mostra a importância da
sólida formação técnica e científica de
Santos-Dumont nas soluções que ele
encontrou até realizar o histórico voo do
14-bis, em 1906, encantando o mundo.
As imagens e os documentos apresentados são vestígios importantes da vida
dessa personalidade quase mítica da
história brasileira.
A mostra ficará exposta no espaço Dr.
José Braz, s/nº, ao lado do terminal rodoviário, em Itajubá, MG. Abre dia 13 julho e permanece até o início de outubro.
O horário de visitação é de segunda à
sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às
17h. A entrada é franca.
Cartaz de divulgação da exposição.
LNA
Este evento sucede a exposição sobre o
cientista Luis Cruls, apresentada no museu municipal de abril a junho deste
ano, ocasião em que centenas de estudantes e cidadãos de Itajubá tiveram a
oportunidade de conhecer alguns aspectos da ciência brasileira.
lo, voar e pousar, controlados pelo
homem.
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LNA em dia
Pesquisadores do Japão
visitam o LNA
O
LNA
LNA recebeu nos dias 23 e 24 de
maio a visita de Atsushi Shimono e
Hajime Sugai, membros do Instituto de
Física e Matemática do Universo (IPMU), localizado em Tókio, no Japão.
O Brasil, por meio de uma parceria entre
o Instituto de Astronomia e Geofísica da
USP (IAG) e o LNA, está colaborando
com outros países para a construção de
um instrumento astronômico (um spectrógrafo multi-objeto) para o telescópio
SUBARU, que fica em Hilo, no Havaí.
Este projeto tem o nome de PFS-SUMIRE, que em português significa Sistema
de Posicionamento de Fibras.
A parceria IAG/LNA é responsável pelo
desenvolvimento e montagem do cabo
de fibras ópticas (2.400 fibras) com
comprimento estimado em 55 metros,
sendo o cabo com maior tamanho e
quantidade de fibras ópticas já desenvolvido no Brasil.
Os integrantes do IPMU vieram ao LNA
para uma reunião técnica junto à coordenação de instrumentaçao gerenciada
pelo pesquisador Antonio Cesar de Oliveira. Fazem parte deste trabalho: Ligia
Souza de Oliveira, Marcio Vital de Arruda, João Batista Carvalho de Oliveira,
Tania Pereira Dominici, Vanessa Bawden de Paula Macanhan de Arruda e
Rodrigo Vilaça.
Atsushi Shimono e Hajime Sugai em visita ao laboratório de fibras ópticas do LNA
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LNA em dia
LNA recebe delegação da
Organização Holandesa para
a Pesquisa Científica (NWO)
N
Os pesquisadores visitaram os laboratórios do LNA e conheceram o Observató-
rio do Pico dos Dias. Além disso,
apresentaram a missão e as potencialidades da NWO aos pesquisadores e
tecnologistas do LNA.
O objetivo da visita foi explorar oportunidades para fortalecer ainda mais a cooperação na área de Astronomia entre a
NWO e o Brasil, uma vez que foi assinado recentemente um acordo com o
CNPq.
LNA
o dia 12 de junho, o LNA recebeu a
visita da Netherlands Organisation
for Scientific Research (NWO). A delegação holandesa foi chefiada pelo Dr.
Louis Vertegaal, diretor da instituição, e
composta por Dr. Ronald Stark, chefe
da Astronomia e Saskia Matheussen,
conselheira sênior para Astronomia e
Cooperação Internacional.
Dr. Ronald Stark, chefe da Astronomia da NWO, Saskia Matheussen,conselheira da NWO,
Dr. Bruno Castilho, Diretor do LNA, Dr. Louis Vertegaal, diretor da NWO e Dr. Albert Bruch,
pesquisador e ex-Diretor do LNA em visita ao Observatório do Pico dos Dias (OPD).
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LNA em dia
Concurso Público para
provimento de cargos no LNA
O
Laboratório Nacional de Astrofísica
informa a realização de Concurso
Público para o provimento de:
LNA
• duas vagas para o cargo de Pesquisador Adjunto I do nivel superior da carreira de Pesquisa em Ciência e
Tecnologia, na área de Astrofísica Observacional Ótica/Infravermelha;
• duas vagas para o cargo de Tecnologista da carreira de Desenvolvimento
Tecnológico, sendo uma vaga para Tecnologista Junior 1/I e uma vaga para
Tecnologista Pleno 1/I;
• cinco vagas para o cargo de Técnico
da carreira de Desenvolvimento Tecnológico;
• quatro vagas para o cargo de Analista
em Ciência e Tecnologia Pleno I da carreira de Gestão, Planejamento e Infraestrutura em Ciência e Tecnologia;
• sete vagas para o cargo de Assistente
em Ciência e Tecnologia I da carreira
de Gestão, Planejamento e Infraestrutura em Ciência e Tecnologia;
As inscrições serão efetuadas somente
via internet. As informações completas
bem como os editais para provimento
dos cargos podem ser vistos na página
do LNA/MCTI (www.lna.br/concurso).
O LNA irá participar da SBPC
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Notícias do Gemini
LNA em dia
Brasil amplia sua
participação no
Observatório Gemini
Marilia J. Sartori
A
Devido ao tempo cativo dos anfitriões
Chile e Universidade do Havaí(1) e ao
Tempo de Diretor(2), a fração de tempo
de em cada telescópio Gemini de cada
parceiro é um pouco menor do que sua
cota de participação. Atualmente, o Brasil tem tido acesso a entre 4,5 e 5% do
tempo de ciência, resultantes da soma
dos 2,31% do tempo que o Brasil tem direito (por participar com 2,5% do orçamento para operações) e da compra de
70 horas por semestre (35 horas em cada telescópio) do Reino Unido(3).
Passando para cerca de 6% do tempo
de ciência, teremos aproximadamente 2
a 3 noites a mais por semestre! Alertamos os colegas para esta oportunidade,
pois tal quantidade de tempo permite
que se apresentem propostas de observação mais ambiciosas que as usuais.
Com a saída do Reino Unido do Consórcio Internacional depois de 31 de dezembro de 2012, havia a possibilidade de
alterar a participação do Brasil no Consórcio a partir de 2013. Em função de
um debate na comunidade astronômica
no contexto da preparação do Plano Nacional de Astronomia sobre a cota ideal
do Brasil no Gemini, o Conselho Técnico-Científico (CTC) do LNA instaurou
uma Comissão Especial para elaborar
uma recomendação sobre o assunto. A
Comissão recomendou fortemente que
o Brasil participasse do Consórcio Gemini no período de 2013 a 2015 com uma
quota que concedesse ao Brasil a mesma fração de tempo que temos hoje, incluindo o tempo adquirido do Reino
Unido. (ver "Sobre a fração brasileira no
Consórcio
Gemini"
<
http://www.lna.br/gemini/documentos/Comissao-Gemini-recomendacao_final.pdf>). O CTC/LNA acatou essa
recomendação. Desta forma, a cota brasileira passaria a ser a cota inicial de
2,5% mais 2,5%, equivalente à parte
comprada do Reino Unido.
Contudo, após a redistribuição inicial de
uma parte da cota do Reino Unido, a
cota restante deveria ser distribuída entre os demais parceiros. A 4ª Emenda
prevê que cada sócio receba uma fração da mesma em proporção a sua própria cota. Com isso, a cota brasileira
aumentou de 5% para 6,53%.
Ressaltamos que, apesar do aumento
da cota brasileira, não haverá custos financeiros adicionais para o Brasil. Isso
se deve ao fato de que os recursos financeiros utilizados no acordo com o
Reino Unido serão transferidos, a partir
de 2013, para o Gemini para cobrir os
custos da cota adicional de 2,5% assumida pelo Brasil. A redistribuição da cota restante do Reino Unido não implica
em custos adicionais para os parceiros,
pois o Conselho Diretor do Gemini decidiu diminuir o orçamento total do observatório proporcionalmente à cota
redistribuída.
Gemini
partir do semestre 2013A e até
2015B, o Brasil terá mais tempo no
Observatório Gemini: atualmente em
2,5%, o Brasil passará a ter uma participação de 6,53%.
A ampliação da participação do Brasil
no consórcio Gemini foi formalizada
com a assinatura da Quarta Emenda ao
Acordo Internacional ("4th Amendment
to
the
International
Agreement"
<http://www.lna.br/gemini/documentos/Gem_Agreement_4Amend.pdf>) pelos representantes dos parceiros (no
caso do Brasil, pelo Ministro da Ciência,
Tecnologia e Inovação). Esta Emenda
regulamenta o consórcio para o período
2013-2015, entrará em vigor em 01 de
janeiro de 2013 e estabelece que os
parceiros devam contribuir para o orçamento do Observatório Gemini para as
Operações, aprovado anualmente pelo
Conselho Diretor, para o período 20132015, de acordo com os seguintes percentuais:
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LNA em dia
EstadosUnidos (National Science Foundation) - 65,50%
Canadá (National Research Council) 18,65%
Brasil (Ministério da Ciência, Tecnologia
e Inovação) - 6,53%
Austrália (AustralianResearchCouncil) 6,21%
Gemini
Argentina (Ministerio de Ciencia, Tecnología e InnovaciónProductiva) - 3,11%
A Universidade do Havai receberá 10%
do tempo de observação disponível no
telescópio Gemini Norte e o Chile 10%
do tempo de observação no telescópio
Gemini Sul.
Marília J. Sartori é
Gerente do Escritório
Brasileiro do Gemini e
Vice Presidente da
NTAC do Gemini.
(1)
Ver
“Partner
Subscription”
<http://www.gemini.edu/sciops/observing-gemini/partner-subscription>
(2) Ver “Directors Discretionary Time”
<http://www.gemini.edu/sciops/observing-gemini/observing-modes/director039s-time>
(3) O acordo entre a União e o "Science
and Technology Facility Council" (STFC
), órgão responsável pelo gerenciamento da participação do Reino Unido no
Gemini, foi assinado pelo então Ministro
do MCT, Sergio Machado Rezende, em
4 de fevereiro de 2010, é gerenciado
pelo LNA e começou a valer a partir do
semestre 2010B.
Gemini cria Comitê de
Usuários
O
Observatório Gemini instituiu um
novo comitê: “Users' Committee for
Gemini Observatory” (UCG). Este Comitê de Usuários irá fornecer feedback para o Observatório Gemini sobre todas as
áreas operacionais que afetam os atuais
usuários, com base na experiência dos
membros do comitê, bem como contribuições recolhidas da comunidade maior
de usuários Gemini. O Observatório irá
utilizar essas informações para melhorar
o serviço que presta aos usuários.
A distribuição dos membros deve ser representativa da comunidade internacional e da experiência coletiva dos
usuários. O comitê irá nominalmente ter
7 membros efetivos, dois do parceiro majoritário (EUA), um de cada um dos outros parceiros (Canadá, Brasil, Austrália
e Argentina) e um membro de um dos
parceiros anfitriões, que será inicialmente o Chile. Além disso, o presidente do
“Operations Working Group” (OpsWG Grupo de Trabalho das Operações) será
um membro ex officio, na qualidade de
observador. O Observatório seleciona
os membros, com base em recomendações dos “National Gemini Offices”
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(NGOs - Escritórios Nacionais do Gemini), da comunidade de usuários em geral e da equipe do Observatório. A
formação do UCG foi recentemente
anunciada, sendo o representante do
Brasil o Dr. Eduardo Cypriano
(IAG/USP).
O UCG responderá perante o Diretor do
Gemini. Mas como o UCG irá aconselhar sobre os problemas dos usuários, e
por ser o apoio ao usuário prestado em
conjunto pelo Observatório e pelos
NGOs, o feedback também será fornecido aos NGOS através do OpsWG. O
Observatório tornará públicas as recomendações do UCG e as respostas. Os
NGOs deverão divulgar estas informações para suas comunidades e, quando
apropriado, responder às recomendações.
O UCG inicia suas atividades em julho
de 2012, com a primeira reunião durante a “Gemini Science Meeting” em San
Francisco, EUA.
Mais informações em http://www.gemini.edu/science/#ucg
LNA em dia
Brasil discute sua
participação no Gemini
após 2015
Marília J. Sartori e Albert Bruch
N
tanto, em vez de prorrogar o contrato
atual, está sendo contemplado firmar
um contrato totalmente novo.
Até o final do semestre 2012B, o Brasil
participa do consórcio com 2,5% e compra horas de telescópio do Reino Unido
(ver LNA em dia, No.11). Nos semestres de 2013A a 2015B, o Brasil terá
uma participação formal de 6,53% (ver
Quarta Emenda ao Acordo Gemini em
<http://www.lna.br/gemini/documentos/Gem_Agreement_4Amend.pdf
>),
com direito a uma porcentagem do tempo de telescópio um pouco menor, considerando o tempo cativo para os
países/instituições anfitriões Chile (Gemini Sul) e Universidade de Havaí (Gemini Norte) e o Tempo Diretor.
Gemini
a reunião do Conselho Diretor do
Gemini em novembro de 2012 haverá um “Assessment Point”, no qual cada
parceiro deve dizer se pretende continuar na parceria depois de 2015. O primeiro “Assessment Point” foi realizado em
2009, no qual o Reino Unido manifestou
sua intenção de se retirar da parceria depois de 31 de dezembro de 2012 e os
outros parceiros concordaram em estender o Acordo Internacional até 31 de dezembro de 2015. Seguindo a rigor as
palavras do contrato sobre o Gemini, as
alternativas se restringem nas opções
de prorrogar o contrato para mais três
anos, ou permitir que o contrato vença
sem renovação e os parceiros disponham das instalações do Gemini. Entre-
Gemini Observatory/AURA
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LNA em dia
Gemini
Foi iniciado o processo para definir a posição brasileira no “Assessment Point”.
Estão previstos três passos:
O assunto já está sendo discutido no Comitê de Trabalho Gemini (CTG). O Conselho Técnico-Científico (CTC) do LNA
criou o CTG para discutir as questões
do
Gemini
no
Brasil
(http://www.lna.br/gemini/GemCOM.html). Este comitê, composto por
todos os representantes brasileiros em
órgãos do Gemini, tem a função de subsidiar o CTC e o diretor do LNA nas
questões relativas ao Gemini, entre elas
preparar a discussão sobre a renovação
do contrato com o Gemini após 2015. O
CTG iniciou os trabalhos para elaborar
uma recomendação sobre o assunto, a
ser submetida ao CTC/LNA, levando em
conta os aspectos positivos do observatório para a astronomia brasileira, mas
também os problemas e alguns parâmetros externos importantes. Além disso, o
CTG considera manifestações anteriores da comunidade sobre o Gemini e incentiva os colegas astrônomos a opinar
sobre o assunto.
Em um segundo passo, o CTC/LNA vai
discutir a questão na base da recomendação do CTG. O resultado deverá ser
uma recomendação ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e
um mandato ao Diretor do LNA para levar a mesma às autoridades do MCTI
que, no terceiro e último passo, como
parceiro formal do consórcio Gemini, deverá definir a posição brasileira no Assessment Point.
O CTG reconhece a importância que o
Gemini teve e vem tendo para a comunidade brasileira, permitindo - apesar das
limitações - acesso a telescópios de 8
metros em ótimos sítios. Ao mesmo tempo, o CTG está consciente das limitações atuais do Gemini e da necessidade
de ações para assegurar o melhor retorno possível de nossa participação neste
consórcio. Existem vários aspectos que
complicam a situação, pois apresentam
condições de contorno que ainda aguardam uma definição. Podemos classificálas em dois grupos: aspectos externos e
aspectos inerentes ao Gemini.
Mencionamos dois dos parâmetros externos:
1) O primeiro é a indefinida situação referente ao ESO. Mesmo se a associação
do Brasil ao ESO não torna desnecessária sua participação no Gemini, o pata-
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mar do seu envolvimento, a saber, a
futura cota brasileira no Observatório,
certamente depende dessa questão.
2) O segundo é o resultado, esperado
para o final de agosto, do Portfolio Review da National Science Foundation
(NSF) dos Estados Unidos (conforme a
Quarta Emenda, a NSF ficará responsável por 65,5% do orçamento do Gemini
a partir de 2013). Na expectativa de seríssimos problemas financeiros nos próximos anos, a NSF instaurou uma
comissão para revisar todas as atividades astronômicas financiadas pela NSF
e para fazer recomendações sobre como adequar suas atividades ao orçamento futuro. Prevê-se que cortes
dolorosos serão necessários, podendo
também atingir o financiamento do Gemini.
Aspectos inerentes ao Gemini incluem:
a) O Plano de Transição do Gemini será
bem sucedido? Visto a necessidade para se tornar mais eficiente, considerando o orçamento menor após a saída do
Reino Unido do consórcio, o observatório criou um ambicioso Plano de Transição. Ainda não se sabe se o Gemini irá
conseguir atingir os objetivos do mesmo, ou se o patamar de financiamento
mais baixo a partir de 2013 gerará problemas para um Gemini pós 2015.
b) A instrumentação futura do Gemini
atende às necessidades brasileiras?
Um ponto importante a considerar nesse contexto é o espectrógrafo de alta resolução (Gemini High-resolution Optical
Spectrograph – GHOS) que pode estar
com seu cronograma avançado em
2015. Esse instrumento tem o potencial
de atrair setores da comunidade nacional, interessados em espectroscopia de
alta resolução. A nossa preferência referente à lotação do GHOS no norte ou
no sul evidentemente não independe da
questão da associação brasileira ao
ESO.
c) O novo contrato irá evitar os problemas gerados pelo contrato atual? A
complicada estrutura de governança do
Gemini, com a NSF como Agência Executiva, a AURA como Organização Gerencial e o Conselho Diretor como órgão
de supervisão e regulamentação (estrutura essa em parte estabelecida devido
a limitações legais nos Estados Unidos)
criou confusão de competências e poderá ter levado a diretrizes contraditórias para o observatório, contribuindo
LNA em dia
significativamente aos problemas de gestão do Gemini no passado.
d) O Brasil irá manter pleno controle sobre a distribuição do seu tempo de telescópio? Existe uma forte tendência entre
alguns dos parceiros atuais do Gemini
para substituir as Comissões de Programas nacionais para uma comissão unificada.
Reconhecendo
que
tem
argumentos a favor e contra essa mudança, nossa comunidade não decidiu
se ela está disposta a abandonar uma
parte da sua autonomia.
O CTG deve apresentar sua recomendação ao CTC/LNA durante a próxima
reunião do mesmo, cuja data ainda não
foi definida. No intuito de envolver a comunidade astronômica brasileira na decisão sobre a questão em pauta, o CTG
convida os colegas a opinar.
Manifestações deverão ser encaminhadas para o Coordenador do CTG, Laerte Sodré Jr. ([email protected]).
Marília J. Sartori é Gerente do Escritório
Brasileiro do Gemini e Vice Presidente da
NTAC do Gemini.
Albert Bruch é pesquisador do LNA e
membro do Comitê Financeiro do Gemini.
Novidades do Observing
Tool para 2012B
U
ma nova versão do "Observing Tool" (OT) para 2012B foi disponibilizado em 18 de junho de 2012 e as
principais novidades em relação à versão anterior são:
- A criação de um "esqueleto" de programa mais detalhado, utilizando as informações de configuração do instrumento
selecionadas na proposta (PIT 2012B).
- A seleção automatizada de estrelas de
guiagem para todos os instrumentos
operacionais e sensores de frente de onda.
A configuração dos instrumentos deve
ser verificada e completada (com filtros
e fendas, por exemplo) nos "templates".
A seguir, esses "templates" devem ser
aplicados aos alvos e às condições observacionais aprovadas. Os "templates"
podem ser reaplicados quando alterações forem feitas.
Gemini
e) Qual será o prazo de vigência do novo contrato? O contrato atual não permitiu a saída de nenhum sócio por 18 anos
(1994-2012). Será que é prudente o
Brasil se comprometer de novo por tanto tempo, ou será possível negociar um
contrato que permita uma saída antecipada?
Tutoriais em vídeo sobre a preparação
da fase II com o OT 2012B estão disponíveis em http://www.gemini.edu/node/11846
Os novos "esqueletos" têm observações
modelo ("templates") para todos os modos instrumentais solicitados na Fase I.
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LNA em dia
A Oficina de Óptica
Adaptativa do Gemini Norte
A
Gemini
Alberto Rodríguez­Ardila
Alberto Rodríguez Ardila é
coordenador da Coordenação
de Apoio Científico (CAC) do
LNA e Gerente Brasileiro do
SOAR
conteceu nos dias 19-21 de junho
de 2012, no Herzberg Institute of Astrophysics, em Victoria, Canadá, a Oficina de Óptica Adaptativa do Gemini
Norte (GNAO). O encontro, organizado
pelo Observatório Gemini, teve como
principal objetivo identificar casos de ciência para a próxima geração de sistemas de óptica adaptativa no Gemini
Norte e, nesse processo, identificar o desempenho necessário para atender as
necessidades dos potenciais usuários.
O evento, que contou com a participação de pesquisadores e especialistas
em instrumentação de toda a comunidade Gemini e da comunidade internacional, foi dividido em duas partes. Na
primeira, foi realizada uma revisão geral
dos sistemas de óptica adaptativa (OA)
que atualmente se encontram em operação ou próximos a iniciarem seu funcionamento e que podem ser usados como
base para definir o desempenho e as
aplicações do futuro sistema. Também,
foram apresentados palestras convidadas, ministradas por líderes de diversas
áreas da astrofísica, sobre o estado da
arte de cada área, as perspectivas futuras e prioridades, e como os novos sistemas de OA podem permitir obervações
consideradas críticas para atingir os resultados esperados.
Na segunda parte da Oficina, os participantes foram divididos em três grupos
de trabalho (Física do universo e ciência
fundamental; Galáxias, aglomerados e
meio interestelar; Estrelas, exoplanetas
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e planetas) com o intuito de discutir casos de ciência relevantes a cada área e
os requisitos mínimos que o novo sistema de OA do Gemini Norte deve possuir para permitir o estudo de cada um
deles. No último dia do evento, houve
uma sessão geral onde cada grupo
apresentou e debatiu os resultados obtidos da discussão. Um documento final,
contendo os resultados de todos os grupos foi elaborado para ser apresentado
no Gemini Science Meeting em São
Francisco.
Quatro aspectos foram comuns a os casos de ciência discutidos: o novo sistema de OA do Gemini Norte deve
permitir atingir uma razão de Strehl acima de 70% , possuir um campo de correção superior aos 10 segundos de
arco, permitir uma cobertura de céu próxima dos 100% e estender o limite de
resolução espacial que atualmente se
atinge na banda K, como mínimo, até o
limite azul da banda J. Os interessados em revisar o conteúdo das apresentações discutidas no evento podem
consultá-las
no
endereço
(https://www.astrosci.ca/gnao2012/Home.html)
Os resultados da Oficina servirão de
subsídios para uma discussão mais ampla sobre o assunto durante o Gemini
Science Meeting, em julho. Também, visa dar suporte ao STAC (Gemini Science
and
Technology
Advisory
Committee) para identificar e priorizar
instrumentação futura no Gemini.
Imagem dos participantes da
Oficina de Óptica Adaptativa do
Gemini Norte, tomada durante uma
das sessões do evento, no salão de
conferencias do Herzberg Institute
of Astrophysics (HIA). Cortesia de
Dennis Crabtree, do HIA.
LNA em dia
"Getting Started" com o pacote Gemini IRAF
A nova página "Getting Started" <http://www.gemini.edu/sciops/data-and-results/processing-software/getting-started> fornece informações para auxiliar os
usuários no tratamento dos dados obtidos com os telescópios Gemini.
Reúne as informações das páginas web do Gemini e apresentações escritas
pela equipe científica do Observatório e por membros dos Escritórios Nacionais
do Gemini, relacionadas ao tratamento de dados Gemini usando o pacote Gemini IRAF.
Acesse o segundo número do boletim público trimestral da Divisão de Desenvolvimento do Gemini, sobre as atividades de desenvolvimento de instrumentos, no
site do LNA: http://www.lna.br/gemini/documentos/2012Q2Dev.pdf
Gemini YouTube channel
O Observatório Gemini agora possui um canal YouTube <http://www.youtube.com/user/GeminiObservatory>, por meio do qual se pode acessar vídeos
atuais sobre o Observatório. Novos vídeos serão postados regularmente ao
longo dos próximos meses. O mais recente é sobre o Gemini Multi-Conjugate
Adaptive Optics System (GeMS), em espanhol com legendas em inglês.
Gemini
Relatório Trimestral da Divisão de Desenvolvimento do Gemini
2012Q2
(Extraído do Gemini e-Newscast #38 de 07/06/2012)
GeminiFocus Newsletter
A partir do exemplar de junho de 2012, o boletim informativo semestral GeminiFocus tem um novo formato impresso: um painel com três dobras e serve principalmente como um índice de conteúdo dos artigos online, acessados pelo link
<http://www.gemini.edu/index.php?q=node/27>.
As edições anteriores do GeminiFocus estão disponíveis para download como
documento PDF em < http://www.gemini.edu/index.php?q=node/27>.
L N A em Dia | Julho 2 01 2 | N ú m e r o 2 5 | P á g i n a 1 3
LNA em dia
Notícias do SOAR
Fase II do Telescópio
SOAR
Alberto Rodríguez Ardila
SOAR
U
suários do Telescópio SOAR que receberam tempo de observação no
semestre 2012B devem estar atentos para não perder o prazo de submissão do
formulário de Fase II, cuja data foi fixada
para o 27 de julho de 2012. Pesquisadores responsáveis por programas com alvos adequados para observação nos
meses de agosto e setembro devem enviar o formulário, preferencialmente, antes do prazo, afim de poder incluir esses
alvos na fila de observação nas primeiras noites do próximo semestre ou ainda, nas últimas noites de 2012A.
Lembramos que o propósito principal da
Fase II é coletar os detalhes necessários dos diferentes programas em modo fila, afim de configurar adequadamente
os instrumentos e seguir as orientações
dos usuários na hora de realizar as observações. Dessa forma, podemos coletar dados que se adequem à ciência
proposta. Projetos aprovados no modo
clássico/remoto devem também enviar a
Fase II. Porém, o prazo nesse último caso é uma semana antes da data programada para a observação. A Fase II em
projetos clássico/remoto visa ter um respaldo caso a conexão de internet falhar,
de modo que os astrônomos residentes
possam continuar com a execução do
programa se o observador estiver fora
do ar temporariamente.
O formulário para o preenchimento da
Fase II encontra-se disponível no endereço
(http://www.lna.br/SO-
P á g i n a 1 4 | L N A em Dia | J u l h o 2 012 | N ú m e r o 2 5
ARF2_2012B/SOARF2.php). O login e
senha necessários são os mesmos utilizados na Fase I. Caso o pesquisador(a)
esquecer da senha, uma nova pode ser
solicitada através do menu que aparece
à esquerda do formulário (System → reset passwd). Um endereço de correio
eletrônico será requisitado para encaminhar a nova senha.
No
endereço
http://www.lna.br/soar/NSO/info.html o usuário pode encontrar ferramentas úteis para o cálculo de
tempo de exposição dos diferentes instrumentos, enlaces para as páginas de
referência dos instrumentos, assim como estratégias de observação e dicas
que podem aumentar a eficiência de observação de cada programa.
Usuários do espectrógrafo Goodman
têm agora a disposição uma nova rede
de 400 l/mm, que apresenta uma eficiência consideravelmente superior em
relação à de 300 l/mm. A Figura 1 permite constatar que o ganho em eficiência e resolução espectral compensa
significativamente a ligeira perda em cobertura espectral. Assim, se seu projeto
não se beneficia de todo o intervalo oferecido pela rede de 300 l/mm, sempre é
vantagem usar a nova rede. Ainda, informamos que durante o semestre de
2012B, será também testada e caracterizada a nova rede de 900 l/mm, recentemente aquirida pelo SOAR para o
Goodman. A previsão é que seja já oferecida em 2013A.
LNA em dia
E por falar em redes, é importante frisar
que a de 2100 l/mm, que providencia a
maior resolução espectral atualmente
disponível no Goodman (R~12600 com
fenda de 0.46”) não pode ser utilizada
em observações acima dos 6000 Å. Isso
porque não é possivel atingir o ângulo
de câmera necessário para chegar nessa configuração. É um limite físico do
instrumento, já que a câmera se choca
com a armação do Nasmith.
Dúvidas em relação à configuração instrumental ou a estratégias de observação devem ser encaminhadas ao e-mail
[email protected] Sugestões ou dúvidas com o formulário devem ser enviadas a Propércio Guida ([email protected])
com cópia para Alberto Rodríguez Ardila ([email protected]). Boa Fase II para todos!
SOAR
Figura 1. Eficiência do espectrografo com a nova rede de 400 l/mm
(azul) em comparação com a de 300 l/mm (vermelho).
Alberto Rodríguez Ardila é
coordenador da Coordenação
de Apoio Científico (CAC) do
LNA e Gerente Brasileiro do
SOAR
L N A em Dia | Julho 2 01 2 | N ú m e r o 2 5 | P á g i n a 1 5
LNA em dia
Formando nossos futuros
astrônomos em grandes
observatórios com
participação brasileira
LNA
Jorge Meléndez
O
s nossos jovens astrônomos irão
explorar o Universo na era dos megatelescópios (25-40m). Sendo assim, é
essencial que os estudantes de pós-graduação tenham familiaridade com os
grandes telescópios de hoje (4–10m).
No entanto, poucos deles chegam a conhecer de perto grandes telescópios como aqueles disponíveis em La Silla e
Paranal (ESO) ou em Cerro Pachón (Gemini Sul, SOAR), no Chile. Os projetos
brasileiros em grandes telescópios são
geralmente executados em modo fila ou
remotamente, de tal maneira que muitos
estudantes trabalham nas suas teses
sem nunca ter conhecido os grandes observatórios onde foram obtidos seus dados.
Nesse contexto, e como novo professor
da disciplina “Astrofísica Observacional”
da pós-graduação do IAG/USP desde
março de 2012, decidi realizar um trabalho de campo no exterior para que os
meus estudantes conhecessem pelo menos um dos grandes observatórios que
o Brasil tem acesso. Ano passado, aproveitando a entrada do Brasil no ESO,
submeti um ambicioso projeto (88 noites) para procura de planetas em torno
de estrelas gêmeas do Sol utilizando o
HARPS, o espectrógrafo mais preciso
no mundo (1 m s-1) para a descoberta
de exoplanetas. O meu Large Programme de quatro anos foi aprovado na íntegra pelo ESO. Como uma das minhas
missões seria em abril de 2012, pensei
que esta fosse uma excelente oportunidade para levar os meus estudantes a
La Silla. Solicitei ao ESO autorização
em caráter excepcional, pois geralmente
apenas são permitidos dois observadores por missão, enquanto seríamos em
dez pessoas (oito estudantes, um colaborador internacional e eu). A resposta
do ESO foi positiva e, gentilmente, o
P á g i n a 1 6 | L N A em Dia | J u l h o 2 012 | N ú m e r o 2 5
ESO comprometeu-se com as despesas
de transporte local de La Serena a La
Silla, hospedagem e alimentação dos
estudantes. No entanto, para que a missão fosse realizada, precisaria ainda encontrar financiamento para passagens
aéreas de São Paulo a Santiago do Chile e de Santiago a La Serena, além de
outras despesas.
Conseguir financiamento para a viagem
foi um grande desafio e tive que explorar diversas opções. Infelizmente, algumas pessoas não compreenderam a
importância e o impacto da missão na
formação de nossos estudantes. Mas,
felizmente, com a ajuda do Pró-Reitor
da Pós-Graduação da USP (Prof. Dr.
Vahan Agopyan), do Diretor da PósGraduação do IAG/USP (Prof. Dr. Edmilson Dias de Freitas) e do Diretor do
IAG/USP (Prof. Dr. Tercio Ambrizzi),
que mesmo não sendo astrônomos entenderam a relevância da viagem, o dinheiro
que faltava foi obtido
rapidamente.
Aproveitando que a visita ao ESO já estava garantida, decidi ampliar a missão
para que os alunos pudessem conhecer
outros grandes observatórios na região.
Contactei os diretores do Gemini, SOAR
e CTIO para que visitássemos os três
observatórios em uma excursão de um
dia ao Cerro Tololo e Cerro Pachón. Para nossa alegria, recebi resposta positiva de todos eles e o compromisso do
Gemini de coordenar a visita aos três
observatórios.
Saímos na manhã do dia 25 de abril de
São Paulo e, à noite, já estávamos em
La Serena. No dia 26 acordamos cedo
para a visita ao Tololo e Pachón. Nossos guias foram Manuel Paredes, Pascale Hibon e Tina Armond. Fomos
primeiro ao CTIO, onde visitamos o telescópio de 1,5m e o telescópio Blanco
LNA em dia
de 4m, que estava sendo adaptado para
a instalação da DECAM (Dark Energy
Survey). A seguir fomos a Cerro Pachón
para visitar o telescópio de 8m do Gemini Sul e o telescópio de 4m do SOAR.
Conhecemos em detalhe diversos aspectos dos observatórios, como por exemplo
a
gigantesca
câmara
de
revestimento do Gemini, onde os espelhos do Gemini e SOAR são recobertos
em prata. Nem o frio extremo nem o vento implacável abalaram o entusiasmo da
turma.
Para mim foi imensamente satisfatório
como professor ver aquele brilho nos
olhos, notar a emoção e felicidade dos
alunos ao chegar perto dos grandes telescópios, e observar a admiração deles
com o céu estrelado de La Silla. Além
do aprendizado sobre telescópios e instrumentação, eles puderam ter um panorama geral de como é feita a
astronomia hoje. Certamente, agora poderão enfrentar melhor os desafios para
o futuro. Eles sabem o quão difícil é
nossa carreira, mas a nossa missão de
campo servirá como fonte de inspiração
para eles cumprirem seu sonho de um
dia se tornar astrônomos. A seguir, os
alunos relatam a sua experiência visitando o CTIO, SOAR, Gemini e La Silla,
e o impacto que a missão está tendo
em suas carreiras. Gostaríamos de
agradecer aos diretores de La Silla,
CTIO, SOAR, Gemini, aos nossos guias
e às autoridades do IAG e da USP pelo
apoio recebido.
LNA
De 27 a 30 de abril visitamos o observatório La Silla do ESO, onde entramos
em contato com os principais telescópios do sitio incluindo o de 3,6m com o espectrógrafo HARPS, o NTT (também de
3,6m) e o telescópio de 2,2m. Peter Sinclaire (ESO) nos explicou em detalhe os
telescópios e a sua instrumentação.
Além disso, os alunos acompanharam
as observações no 3,6m/HARPS, presenciando a redução automática dos dados praticamente em tempo real, pois a
redução das dezenas de ordens do espectro demora apenas alguns segundos, fornecendo inclusive a velocidade
radial com precisão de 1 m s-1. Os alunos fizeram uma pré-análise dos dados
recém obtidos para apontar quais gêmeas solares poderiam hospedar planetas.
Dessa maneira o observador poderia priorizar a observação de determinados alvos. Além da oportunidade ímpar de
acompanhar de perto uma pesquisa de
ponta, os alunos entraram em contato
com estudantes e astrônomos de outros
países. Mesmo no frio congelante, os
alunos observaram por horas o céu de
La Silla a olho nu, onde a Via Láctea po-
de ser apreciada em todo seu esplendor. Os alunos puderam vivenciar as
diversas atividades de um observatório
extremamente profissional como La Silla. Fizemos também uma emocionante
trilha em busca de petróglifos ao redor
de La Silla. Não foi uma trilha fácil e por
um momento pensei que não iríamos
encontrar as milenares pedras mas,
sim, conseguimos encontrá-las! Foi um
grande desafio vencido, mas ainda teríamos que enfrentar o caminho aclive
da volta! Na nossa última noite os alunos foram acordados por um terremoto,
que foi mais uma nova e excitante experiência para eles em uma semana
cheia de emoções.
Jorge Meléndez é professor do
IAG/USP. A matéria com fotos e
depoimentos dos alunos pode ser lida
na íntegra no link:
http://www.lna.br/lna/LNA_em_dia/Via
gem_2012_06_10.pdf
Na sede do Gemini em La Serena. De esquerda a direita: Prof. Jorge Meléndez e os estudantes
Patricia, Miguel, Fernando, Andressa, Nathália, Marcelo, Viviane e Ana Maria. © Ana Maria Molina
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