Cap05-EquipamentoIndividualSGA2016

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Cap05-EquipamentoIndividualSGA2016
Manual de Salvamento em Grande Ângulo
S.R.P.C.B.A. - Divisão de Prevenção, Formação e Sensibilização
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Capítulo
5
Equipamento Proteção
Individual
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1. Arnês
Trata-se de um dos elementos fundamentais na cadeia de segurança. É o equipamento
responsável por unir o corpo ao cabo e de repartir o choque produzido pela queda sem provocar
lesões. Também proporciona comodidade quando se permanece em suspensão durante largos
períodos de tempo.
Até ao ano de 1986, o arnês utilizado por bombeiros era um cinto que só abrangia a cintura e
era unido por um conector de grandes dimensões. Em conjunto com um cabo utilizava-se para as mais
variadas manobras.
No ano de 1986 surgiu um cinturão desenhado por bombeiros que, mediante uma regulação,
permitia convertê-lo em arnês, repartindo o peso pela cintura e pelas pernas. Como equipamento de
apoio, além do conector grande e do cabo, utilizava-se um descensor oito, um conetor de segurança
pequeno e uma fita plana, aumentando-se assim as manobras a efetuar e melhorando as anteriores.
A partir de 1998 os fabricantes de equipamentos de espeleologia e de escalada começaram a
desenhar arneses para equipas de manobras de salvamento, melhorando os existentes até então e, o
mais importante, com certificação, o que garante a sua prestação.
Para definir os objetivos das normas aplicam-se as seguintes definições:
Arnês – conjunto de fibras têxteis estreita; dispositivo de ajuste ou outros elementos que se
adaptam ao corpo para o apoiar numa posição de suspensão.
Normas aplicadas – EN 358 + EN 361 + EN 813 + EN 12277
Alguns arneses têm mais do que uma norma e outro apenas uma (EN 361 – Trabalhos em
estruturas; EN 358 + EN 361 + EN 813 + EN 12277 – Trabalhos em suspensão).
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1.1. Tipos
Dependendo da sua utilização, poderemos utilizar o tipo de arnês adequado ao tipo de
salvamento a executar. Como tal, o técnico deverá utilizar aquele que lhe ofereça maiores e melhores
condições de segurança.
1.1.1. Arnês de corpo inteiro (TIPO A): arnês que se adapta, no
mínimo, à volta da parte superior do corpo e das coxas. Este tipo de arnês
consegue suportar o peso de uma pessoa inconsciente numa posição
vertical (cabeça para cima).
Fonte: Petzl
1.1.2. Arnês de corpo pequeno (TIPO B): arnês de corpo inteiro
deste tipo destina-se a pessoas até 40Kg.
Fonte: Petzl
1.1.3. Arnês de assento (TIPO C): arnês de assento, com a forma
de um cinturão unido a um apoio sub-pélvico apropriado para apoiar um
corpo consciente na posição de sentado.
Fonte: Petzl
1.1.4. Arnês de peito (TIPO D): arnês de peito, adapta-se em
torno da parte superior do corpo, em torno do peito e/ou debaixo dos
braços. Este tipo de arnês só por si não consegue suportar uma pessoa
numa posição de suspensão sem causar lesões permanentes em menos de
1 minuto.
Fonte: Petzl
1.2. Síndroma do Arnês
O Síndrome do Arnês, também conhecido como Síndrome da Suspensão ou Choque
Ortostático, ocorre sempre que um técnico permanece suspenso, num arnês, e imóvel (ou com
movimentação reduzida). Na origem deste fenómeno, está a acumulação de sangue nos membros
inferiores provocada pelo estrangulamento causado pelas perneiras do arnês. Estas restringem a
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circulação sanguínea dificultando assim o retorno venoso. Deste modo, a quantidade de sangue
disponível para ser bombeado pelo coração diminui, originando o choque hipovolémico (Románs,
2009).
Existem algumas discrepâncias entre autores em relação ao tempo existente entre a
suspensão e o aparecimento dos primeiros sintomas do Síndroma do Arnês. Segundo Románs (2009),
os sintomas para este fenómeno podem surgir a partir dos 2 minutos de suspensão imóvel. Já
Montesa e García (2005) referem que o mesmo pode ocorrer a partir dos 10 minutos de suspensão,
embora não descartem a hipótese de poder ocorrer em menos tempo.
O Síndroma do Arnês pode provocar num técnico a perda de consciência ou até a morte,
mas antes destas situações poderão ser detetados alguns sinais e sintomas que nunca deverão ser
desvalorizados. Um praticante num estado inicial deste fenómeno poderá apresentar dormência dos
membros inferiores, dor intensa nos mesmos, taquicardia, hipotermia, náuseas, hipotensão, sinais de
cianose nas extremidades corporais e arritmias (Románs (2009) e Montesa e García (2005)).
O tratamento de uma vítima de Síndroma do Arnês começa pelo resgate rápido, ou seja, na
remoção do praticante da situação de suspensão. Durante esta fase, deverão ser acionados os meios
de emergência pré hospitalar e informar os mesmos do tempo de suspensão da vítima. Após a
receção da vítima ao solo esta deverá ser mantida na posição de sentada até à chegada da ajuda
especializada. No caso de uma vítima inconsciente, esta deverá ser colocada em decúbito lateral
direito, em posição fetal durante 30 a 40 minutos antes de ser passada à posição horizontal. A
passagem imediata da vítima à posição horizontal poderá provocar a chamada “morte do resgate”
devido à criação de sobrecarga aguda do ventrículo direito provocada pelo retorno massivo do sangue,
outrora acumulado nos membros inferiores. Durante o tempo de espera pela ajuda especializada
deverá ser mantida uma vigilância constante da vítima, uma vez que, em casos extremos, pode haver
a possibilidade de esta entrar em paragem cardiorrespiratória (Montesa e García, 2005).
Contudo, seja qual for o grau de conforto e de segurança que o arnês ofereça, testes
realizados sobre a síndroma do arnês dizem que no máximo de 30 minutos todas as pessoas que
estavam colocadas inertes perderam o conhecimento. Provas realizadas provaram que uma pessoa
inconsciente entra em perigo de morte entre os 6 e 7 minutos de suspensão, porque a imobilidade
completa, associada à pressão das cintas, tem graves danos circulatórios para o organismo.
2. Talabartes (EN 354; EN 355; EN 358)
Concebidas para permitir evoluir com o máximo de segurança. Para selecionar um talabarte
(longe) que corresponda às necessidades, é conveniente determinar se esta, tem por função a
restrição, o posicionamento no trabalho ou se integra num sistema de travamento de quedas.
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A técnica de restrição, limita o deslocamento e impede as evoluções numa zona onde exista
risco de queda. Esta é definida pela EN 354 como:

Linha de vida: elemento de ligação ou componente de um sistema anti-queda. Poderá ser em 
cabo de fibras sintéticas, cabo de aço ou corrente metálica.
A técnica de progressão ou posicionamento em trabalho, permite progredir com as mãos
livres sem ter que se preocupar com o equilíbrio. Em certas situações é aconselhável reforçar a
segurança com um sistema anti-quedas, definido pela EN 354. Esta técnica é definida pela EN 358
como “elemento que absorve carga para ligação a um sistema”.
O Sistema anti-quedas associam ao arnês um talabarte (longe), com um sistema de absorção
de energia definido pela EN 355 como:

Sistema de absorção de forças: componente de um sistema anti-queda. Este sistema garante a
completa segurança durante uma queda.
Fonte: Petzl
3. Descensores (EN 341; EN 12841 tipo C)
Nas várias especializações de grande ângulo, os descensores diferem consoante o tipo de
salvamento a efetuar. Para definir os objetivos da norma aplicam-se as seguintes definições: aparelho
através do qual um individuo pode, de forma controlada, descer de um ponto elevado para um ponto
mais baixo, ou ser descido por outro.
Descensor de rolamentos: fabricado em dois modelos com e sem sistema de travamento.
Concebido para descidas longas.
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Fonte: Petzl
4. Bloqueadores (EN 567 + EN 12841 tipo B)
Chamam-se bloqueadores a todos os acessórios que bloqueiam o cabo num sentido e
permitem a sua livre passagem no outro. Contudo, existem vários tipos para funções diferentes.
As definições desta norma são:
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


Bloqueador de cabo: aparelho mecânico que, em conjunto com um cabo de diâmetro
apropriado, bloqueia num sentido e corre livremente no outro. 

Mecanismo de fecho: mecanismo para prevenir deslizamentos de cabo num dos sentidos
(came dentada ou de atrito). 

Dispositivo de bloqueio/travamento: dispositivo para prevenir automaticamente a saída do cabo
do bloqueador. 

Definições de segurança: os bloqueadores devem ter um sistema de fecho, para prevenir que
um cabo com diâmetro, esteja marcado no mesmo deslize num dos sentidos. Os bloqueadores
deverão ser concebidos de forma que bloqueiem em carga num dos sentidos, permitindo que
corra livremente no outro. 
Os bloqueadores mais utilizados no EPI, são os de peito (croll), e o ascensor (punho).
Fonte: Petzl
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5. CAPACETES (EN 397)
O capacete é uma peça fundamental para o técnico de grande ângulo, pois será a sua
proteção durante toda a manobra. Nunca deverá ser substituído por outro tipo de capacete (bombeiro).
Este capacete terá que cumprir as exigências das normas, relativas aos capacetes para trabalhos em
alturas. São especialmente fabricados para trabalhos verticais, as fivelas terão que se soltar quando
sujeitas a forças de tração, para não provocarem lesões. Terão que suportar baixas temperaturas (30º), isolamento elétrico a 440v, deformação lateral e resistir a projeções de metais fundidos.
A EN 397 especifica os requisitos e os métodos de ensaio para os capacetes de alpinismo,
espeleologia, trabalhos em altura, salvamentos e outras atividades deste tipo.
As definições desta norma são:
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
Capacete: equipamento de proteção individual, utilizado para proteger a parte superior da
cabeça do utilizador dos riscos de lesões provocadas pela queda de objetos. 

Calote: elemento de material rígido, com acabamento liso que dá ao capacete a sua forma
exterior. 

Aba: rebordo periférico da calote. Pode dispor de uma goteira. 

Arnês: conjunto completo de elementos destinados a assegurar a manutenção correta do
capacete na cabeça do utilizador, e capaz de absorver a energia cinética provocada por um 
choque.
O perfeito conhecimento do equipamento pelos membros da equipa é fundamental para o
sucesso do salvamento. Será este o seu equipamento individual, e durante o salvamento será nele
que terá que se apoiar sem nunca o utilizar para efetuar outras manobras.
Fonte: Petzl
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