Catequistas Queirozianas - Paróquia de S.Miguel de Vila das Aves

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Catequistas Queirozianas - Paróquia de S.Miguel de Vila das Aves
Paróquia de S. Miguel de Vila das Aves
Catequistas Queirozianas
Catequistas Queirozianas
2008-05-10 03:34:07
No passado dia 25 de Abril, Feriado Nacional e Dia da Liberdade ocorrido numa sexta-feira, cinquenta e
cinco Catequistas participaram no passeio anual cujo destino era a freguesia de Santa Cruz do Douro, do
Concelho de Baião. Fomos de autocarro, que desta vez mereceu ficar fotografado (foto nº1).
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Quando chegámos ao Centro Social de Santa Cruz do Douro, fomos recebidos calorosamente pelo
Senhor Professor Artur Borges (foto nº2) Presidente da Direcção da referida Instituição Particular de
Solidariedade Social; o também Presidente da União Distrital do Porto das IPSS, estava à esquerda
ladeado pela Cláudia e pela Rosa Bela. Como foi durante doze anos Presidente da Câmara Municipal de
Baião pelo Partido Socialista, o Senhor Professor Artur Borges facilmente vislumbrou a necessidade de
criar este Centro Social autonomizado no dia 29/8/1991.
Na visita às instalações do Centro Social de Santa Cruz do Douro ficámos a saber que ali são
confeccionadas 146 refeições para os utentes das valências de Pré-Escolar, A.T.L., Centro de Dia, Apoio
Domiciliário Qualificado, Lar de Idosos e Formação Profissional interna e externa. As fotos 3 e 4 são
credivelmente interactivas. Quando chegámos cá fora (foto nº5), as nossas Catequistas (sobretudo as
mais idosas) estavam tão deleitadas com as cavacas de Viariz (Baião) e seus acompanhamentos (chá,
leite, café, sumos e água) que até desejavam fazer a sua imediata candidatura a utentes! A tal referida
Cláudia, psico-pedagoga no referido Centro Social, acompanhou-nos no autocarro até à Casa de
Tormes, a Meca Portuguesa no roteiro da geografia de Eça de Queiroz, e que dali dista poucos
quilómetros.
Na foto nº6 vemos o acesso da estrada para a Casa e para a Quinta de Vila Nova, hoje conhecida pelo
nome literário de Tormes, criado pelo talentoso Eça de Queiroz no romance “A Cidade e as Serras”. Mal
entrámos pelo portal contíguo à Capela, logo deparámos com as duas escadarias paralelas existentes na
entrada da casa onde foi tirada a foto nº7. Como fomos divididos em dois grupos e só havia uma guia, a
espera pela nossa vez foi ocupada pela ida até à eira (foto nº8) para ver léguas de horizonte onde as
azuladas serras e as águas cantantes e vazantes no Rio Douro são mediações para o Criador do
Universo.
Regressados à laje de granito existente no pátio, partilhámos reciprocamente conhecimentos e
sentimentos sobre este “pobre homem da Póvoa de Varzim”, aqui nascido em 24/11/1845, filho adulterino
que foi baptizado na Igreja Matriz de Vila do Conde onde teve como padrinho o Senhor dos Aflitos;
morreu com 54 anos de idade em 16/8/1900; quase metade da sua vida foi vivida no estrangeiro, após
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ter concluído o bacharelato em Direito na Universidade de Coimbra.
Como a visita do primeiro grupo continuava demorada, aproveitámos o tempo para tirar a fotografia nº9,
junto à entrada interior para a Capela que fica contígua à varanda e ao pequeno sino que, ao puxarmos
pela corda, ficamos a saber que tinha badalo.
A foto nº10 mostra a guia Patrícia a avisar as pessoas do segundo grupo dos locais onde se podia
fotografar. De seguida visitámos as várias salas da Casa-Museu; confesso que exerceu sobre mim um
charme especial o local onde Eça, magro e alto, escrevia de pé; imaginei-o revestido da nobre vestimenta
que lhe ofereceram e a quem respondeu: não tenho pança para tão “sumptuosa cabaia”!
Chegados ao interior da Capela dedicada a Santo António, já existente em 1595, contemplámos o seu
retábulo (foto nº11) a as imagens (ditas) de Santa Ana e de S. Teresa (fotos 12 e 13), colocadas
lateralmente em peanhas. A visita terminou no balcão/venda da Fundação Eça de Queiroz ali sediada
desde que foi criada em 9/9/1990 após doação não só do solar e seu recheio, mas também da Quinta por
parte da Senhora Maria da Graça Salema de Castro, actualmente com 88 anos de idade e Presidente
vitalícia; ela é viúva de Manuel Benedito, neto materno de Eça de Queiroz, pois a filha do Escritor,
chamada Maria, morreu em 1970, com 83 anos de idade.
Registo que o vinho de Tormes, da casta Avesso, a mim oferecido pela Catequista e Professora
Rosalinda, ali comprado a mando do seu marido e advogado Dr. Lino Alves, recordou-me o vinho esperto
e seivoso a que Eça se refere com estas palavras: “entra mais na alma do que qualquer poema ou livro
santo”. Na despedida, pensámos que ali também esteve, em 25/11/1997, o Presidente da República Dr.
Jorge Sampaio, para inaugurar as importantes obras de reabilitação e adaptação. Também recordámos
que a este lugar mítico da Casa de Tormes acorrem em romaria sete mil visitantes por ano, muitos deles
estrangeiros porque Eça é um Escritor que alcançou o seu lugar próprio na galeria dos grandes escritores
mundiais do seu tempo.
Quero voltar a Santa Cruz do Douro para ir ao cemitério e junto dos restos mortais de Eça, transladados
para junto dos seus quatro filhos do cemitério do Alto de S. João em Lisboa no dia quinze de Setembro de
1989, e poder meditar nestas palavras escritas no final de “A Cidade e as Serras” : Solo eterno e de
eterna solidez”.
Como Santa Cruz do Douro é também um lugar literário e biográfico concernente a Camilo, eu
recordei-me que sobre ele escrevi no Diário do Minho de 4/9/1990, por causa de termos ido de bicicleta à
Samardã em 21/Agosto/1990, e que também se poderá ler no meu livro “Revisão aos 25”, páginas
107-109; é que a Fanny, mencionada no drama camiliano viveu na Casa do Lodeiro, sita em Santa Cruz
do Douro, onde Camilo também escreveu e datou artigos seus.
Mas, as nossas Catequistas, já banhadas em profundas emoções, algo diferentes das que Eça
experimentou ao ter chegado ali há 116 anos, ficaram ainda mais queirozianas quando eu lhes disse que
o escultor Hélder Carvalho, ao preparar o busto do nosso Benemérito António Martins Ribeiro, em
1/4/2000 inaugurado junto à sua casa, levou-me a Canelas (Vila Nova de Gaia) para eu ver (e com que
prazer!) a escultura de Eça de Queiroz, da sua autoria, que se encontra no jardim das seculares
Cameleiras, sito no “Solar dos Condes de Resende” onde viveu o 6º Conde que era cunhado de Eça de
Queiroz, chamado Manuel de Castro. Em 1987 a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia comprou este
belo e solarengo edifício do século XVIII porque o próprio Eça confessou ter-se alí interessado pela sua já
conhecida Emília de Castro.
A nossa terceira paragem foi para almoçar na Casa do Lavrador, sita na Sede da Associação Cultural e
Recreativa de Santa Cruz do Douro, onde o Senhor Professor Artur Borges como Presidente da
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Direcção, tem sido o garante da preservação do valiosíssimo património e o defensor acérrimo da
identidade daquela terra e daquela região.
As fotos nº14,15 e 16 mostram os comensais que foram honrados com uma bem-aventurada comezaina,
evocativa do “tremendíssimo almoço” comido e referido por Eça, e amorosamente servido pela Daniela,
Andreia e Beatriz. Na foto nº17 está o registo da surpresa da música ao vivo, proporcionada pelo Rancho
Folclórico de Santa Cruz do Douro. Na foto nº18 está, lateralmente encostado à porta, o Senhor Mário
Neto, Promotor da Casa do Lavrador e que, com o Senhor António Cardoso, Director do Rancho
Folclórico de Santa Cruz do Douro que está à sua beira, foram cúmplices do bailarico registado nas fotos
19 e 20.
Até eu tive de agradecer (foto nº21) os Parabéns dos 60, quarenta e oito horas depois cantados e
tocados, afinadamente. Veneradas e desfrutadas tantas memórias e tradições naquela Casa do
Lavrador, ao dirigirmo-nos para o autocarro a nossa catequista e psicóloga Drª Marisa Costa teve o
prazer de encontrar e de alegremente falar com o seu antigo Professor no Curso de Psicologia na
Universidade Lusíada do Porto, Dr. Teixeira de Sousa. Prestes a sair, foram-nos dirigidas palavras pelo
Senhor Dr. Manuel Pereira Cardoso (foto nº22 e ex-Vereador da Cultura na Câmara Municipal de Baião),
pelo Senhor Dr. José Fernando Pinho Silva (foto nº23 e actual Presidente da Assembleia Municipal de
Baião) e pelo Senhor Professor Artur Borges (foto nº24, o todo poderoso e amoroso anfitrião).
Ao micro, culturalmente foi-nos dito que esta região de Baião orgulha-se não só de Eça de Queiroz e de
Camilo, mas também de outros grandes escritores: Agustina Bessa-Luís, António Mota, Visconde de Vila
Moura, Soeiro Gomes e Alves Redol. Gastronomicamente aconselharam o anho assado e a célebre
cabidela. Artesanalmente recordaram as bengalas de Gestaçô, cujos finalistas tanto adoram.
Na última deslocação já chegámos hora e meia atrasados, e à Senhora Arqueóloga, Carla Stockler (à
minha esquerda na foto nº25), mais uma vez lhe peço perdão pelo atraso; além de ter sido a nossa
paciente guia, ela é a Coordenadora dos espaços museológicos do Município de Baião.
O Centro Interpretativo da Vinha e do Vinho, inaugurado em Junho de 2003, está sediado na Quinta do
Mosteiro fundado no século XII e adquirido pela Câmara Municipal de Baião em 1984; ao visitarmos os
celeiros, adegas e lagares, reparámos num dos tunéis com aros de madeira de lódão, e até nos foi
projectado o filme da lagarada tradicional. As pessoas que estão na foto nº26 escondem o grande tanque
das lampreias que deu azo à Senhora Arqueóloga Carla Stockler referir que esta Ordem dos Dominicanos
chegou não só a explorar as pesqueiras desse ciclóstomo, mas também a controlar as portagens no Rio
Douro, para já não falar no vinho dali exportado para Flandres (hoje, leia-se Bélgica e Holanda). A
competente guia deu-se ao luxo de referir a original concessão deste “paraíso” feita aos Dominicanos pela
Rainha Dona Catarina, casada com Dom João III de Portugal em 1525, e que veio a ser regente na
menoridade do seu neto Dom Sebastião.
Para o fim estavam reservadas mais duas visitas, agora sob jurisdição paroquial. Na Igreja Matriz de
Santo André de Ancêde, contemplámos a rosácea que ainda é da primitiva Igreja do Mosteiro (foto nº27).
Na sacristia o Senhor Júlio (amável Sacristão) mostrou-nos o cráneo com os ossos encaixados do Frei
Geraldo que tinha fama de curar os doentes da raiva (foto nº28). Enquanto caminhávamos (foto nº29)
para a Capela de Nossa Senhora do Bom Despacho, eu fiquei a saber que o Senhor Júlio Sacristão (hoje
com 63 anos de idade) andou a trabalhar na Quinta deste Mosteiro (e não convento, exactamente por ter
couto conforme muito bem tinha explicado a Senhora Arqueóloga Carla Stockler), com o seu pai (falecido
no ano passado com 94 anos de idade), que foi caseiro do Visconde de Vilarinho.
Chegados à referida Capela de Nossa Senhora do Bom Despacho, a Arqueóloga Carla Stockler referiu
três particularidades: é de construção octogonal, é de uma enorme beleza barroca e proporciona uma
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verdadeira catequese dos Mistérios do Rosário. Talvez por causa disto o nosso Terço rezado durante o
regresso a Vila das Aves teve a participação fervorosa de todos; agradeço a animação musical da
Deolinda Pinto e a reza dos mistérios feita pela Francisca, Margarida, Adelina, Emília Vilaça e Rosa
Torres. Ao motorista Sr. Nuno, a nossa gratidão pela boa condução que nos permitiu chegar sãos e
salvos.
Vila das Aves, 08/Maio/2008, dia consecutivo ao novo rosto desta página paroquial na Net.
Padre Fernando de Azevedo Abreu.
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