Informativo - Portfólio Online de Maria Luiza Gondim

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Informativo - Portfólio Online de Maria Luiza Gondim
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Nas ondas do Rádio
Durante a produção do Radiofone, professores da Rede.lê
aprendem a fazer programas de rádio
Em uma sala, alunos prestam atenção na
explicação. O diferencial desta turma? Os alunos
são professores da rede pública de ensino e estão
aprendendo a produzir um programa de rádio. O
Centro de Convergência de Novas Mídias (CCNM),
através do projeto Rede.lê, promoveu uma ação
colaborativa, em parceria com as escolas, que
resultou no programa piloto Radiofone.
A ação teve início quando os professores
manifestaram curiosidade sobre o processo de
produção radiofônico. Eles concluíram que a melhor
forma de aprender é fazer, e para isso criaram o
programa Radiofone.
Durante reuniões semanais da Rede.lê e
por meio de listas de discussão na internet os
professores montaram o roteiro e sugeriram efeitos
sonoros para compor o programa e músicas que
marcaram a história do rádio como Calhambeque,
de Roberto Carlos, e Twist and Shout, dos Beatles.
Também lembraram da primeira novela radiofônica
veiculada no Brasil, Em Busca da Felicidade, e a
propaganda do sabão em pó Rinso, que
patrocinava programas voltados para o público
feminino.
Com o roteiro pronto, no dia 07 de julho, os
professores reuniram-se no Centro de Treinamento
Fundação Christiano Ottoni, onde são realizadas
parte das atividades do CCNM, para finalizar o
roteiro e gravar as locuções. No processo de
criação foram escolhidos os nomes dos
personagens que apresentaram o programa.
Pluguinha e Mptrix contam aos ouvintes um pouco
da história do rádio.
Os personagens Pluguinha e Mptrix ganham vida
durante a gravação das locuções
O intuito é fazer com que as escolas
produzam programas de rádio para serem
utilizados como ferramentas pedagógicas. O
professor da Escola Municipal Paulo Mendes
Campos, Antônio Augusto Liza, diz que os alunos
de sua escola já produzem programas de rádio,
porém utilizam este meio de comunicação apenas
para veicular programas de música. Esse programa
piloto, no entanto, pode ser uma forma de mostrar
aos alunos as possibilidade que o rádio apresenta e
incentivar a pesquisa por meio da produção de
programas temáticos.
A professora da Escola Municipal Professor
Moacyr Andrade, Maria Moraes, diz que neste
projeto todos irão participar. “Primeiro mostro (o
programa piloto) aos professores e depois para os
alunos. Daí cada um faz para sua sala e os temas
vão sendo escolhidos e são variados.”.
Na semana seguinte os professores se
reuniram novamente para editar o programa. Em
um clima descontraído eles propuseram como
montar os arquivos de áudio selecionados durante
a semana a partir do roteiro. Contemplaram vários
estilos musicais, o que tornou o programa
democrático e divertido.
Professores participam da edição e finalização
do programa Radiofone
Para editar o Radiofone, os professores
tiveram contato com o Ardour, software livre de
edição de áudio. Maria achou o programa fácil e irá
repassá-lo para seus alunos. Para a equipe do
CCNM, responsável pela atividade, o programa
Radiofone é um exemplo de que os softwares livres
apresentam os recursos suficientes para criações e
produções autônomas, dentre elas programas de
rádio.
No mês de Agosto o programa estará
disponível na rádio da Rede.lê, que pode ser
acessada em www.ufmg.br/rede.le/radio.
A criação
A Rede.lê busca, entre outros objetivos, a
integração de conteúdos escolares e novas
tecnologias por meio de ações coletivas. Uma das
ações nesse sentido é o Cartografias nas Escolas,
que visa estimular a percepção crítica em relação
ao espaço. Neste projeto os alunos e professores
registram o ambiente em que vivem, por meio de
suportes tecnológicos como câmeras de vídeo e
fotográficas, aparelhos de som digitais, entre outros.
A partir da perspectiva de unir conteúdo
escolar e novas tecnologias, os professores da
Rede.lê propuseram a criação de um programa de
rádio, com a utilização de software livre. A intenção
dessa iniciativa é estimular outros professores a
utilizarem o sofwtare livre para criações de novas
metodologias de ensino adaptadas à forma de
produção e perfil da escola.
Os professores optaram por um tema geral,
o próprio rádio. Falar sobre o rádio fez com que
eles refletissem e buscassem informações sobre
esse meio de comunicação, transformando o
processo de produção em um aprendizado.
---------------------------------------------------------------Desafios da Pesquisa Participante
Equipe do CCNM analisa sua atuação frente às comunidades onde desenvolve
seus projetos durante seminário interno
No dia 30 de junho a equipe do CCNM
promoveu um seminário interno em que se abordou
o tema Pesquisa Participante. A partir da leitura de
textos sobre o assunto, coordenadores e bolsistas
do grupo de pesquisa discutiram aspectos
relacionados às possibilidades e limitações dessa
abordagem.
A atividade foi orientada pelo estudante de
Psicologia Otacílio de Oliveira, bolsista do CCNM.
Otacílio foi bolsista do Núcleo de Psicologia Política
da UFMG durante três anos e participou de
pesquisas com diferentes movimentos sociais. A
partir dessa experiência, realizou uma revisão
teórica de autores que tratam de metodologias que
colocam em discussão o vínculo entre ciência e
emancipação social.
Durante o seminário, foram destacadas as
especificidades da pesquisa participante em
relação à abordagem tradicional. A pesquisa
participante surge em resposta a um momento de
crise das Ciências Humanas, em que se começou a
questionar o papel e a postura do pesquisador
diante de seu objeto de estudo: o homem como
indivíduo e como ser social. As críticas à pesquisa
tradicional residem principalmente em sua
metodologia. Muitas vezes, o pesquisador chega às
comunidades
com
questionários
e
busca
apreender, a partir dessas perguntas, a realidade
local. Além de não se mostrar suficiente para uma
investigação social mais aprofundada, essa
metodologia não permite o estabelecimento de um
canal de troca entre pesquisador e comunidade. Os
sujeitos envolvidos na pesquisa são meros
espectadores e depositários do conhecimento
produzido pela universidade.
Já a pesquisa participante centra-se no
desenvolvimento de meios que possibilitem a
participação dos diferentes atores sociais nos
processos de produção do conhecimento. Essa
abordagem recebe essa denominação também pelo
fato de a pesquisa participar da vida dos envolvidos
e, conseqüentemente
ser desenvolvida a partir
das demandas da sociedade. Desse modo, a
pesquisa participante representa uma tentativa de
democratizar a ciência, tornando-a um elemento
que potencialize transformações sociais.
Algumas questões que preocupam a equipe
do CCNM foram levantadas no decorrer do
seminário. Uma delas refere-se à relação entre
pesquisador e comunidade. Integrantes do CCNM
que realizam ações em diversas comunidades de
Belo
Horizonte
relataram
as
dificuldades
enfrentadas nos primeiros contatos. De acordo com
Daise Diniz, pesquisadora do CCNM, muitas vezes
é necessário repensar a metodologia em
conformidade com o contexto encontrado. Levar o
contexto social em consideração faz parte de um
esforço de estabelecer relações horizontais entre
universidade e comunidades, de modo a construir
um conhecimento que responda adequadamente às
necessidades reais dos públicos envolvidos.
Destacou-se, entretanto, que as diferenças
que existem entre pesquisador e comunidade não
podem significar um obstáculo para a pesquisa. Ao
contrário, devem enriquecê-la, na medida em que
esses diferentes atores sociais contribuem, cada
um com sua perspectiva, para o processo de
produção do conhecimento.
Ao final do seminário, pensou-se na
possibilidade de estabelecer uma peridiocidade
para a realização de atividades como essa. Ficou
constatado que é muito relevante a reflexão e
analise critica em relação às ações prática da
equipe, sem as quais as práticas podem resvalar
para um esvaziamento de sentido.
CCNM na Pesquisa Participativa
É possível identificar em muitas frentes de
trabalho do CCNM esforços no sentido de promover
a pesquisa participante. Um exemplo é a Ação
Cartografias de Sentidos nas Escolas. Nessa ação,
professores e alunos de escolas ligadas ao projeto
Rede.lê, realizam um trabalho de reconhecimento
dos entornos das escolas a partir da realização de
registros em áudio, vídeo, fotografias, desenhos e
textos. A ação teve início em abril do ano passado
e neste mês os professores começaram um
trabalho de sistematização de todo esse processo.
Uma das questões que serão abordadas diz
respeito aos desafios da integração do uso das
novas tecnologias aos conteúdos curriculares.
Trata-se de um "trabalho voltado para professores
feito por professores", segundo a coordenadora
geral do CCNM, Regina Helena Alves da Silva.
O Centro Virtual de Memória Coletiva é uma
plataforma virtual que também conta com a
colaboração de integrantes das comunidades
envolvidas para sua construção. As histórias
dessas comunidades são contadas pelos seus
próprios integrantes, que também realizam registros
de áudio, vídeo, fotográficos e escritos sobre as
regiões em que moram.
---------------------------------------------------------------"Tem ritmo, tem africanismo"
Professor Congolês explica fatores que caracterizam
a produção musical africana
"You are because I am. I am because you
are."* Foi assim que o etnomusicóloco congolês
Kazadi wa Mukuna falou sobre a filosofia de
existência
africana,
durante
a
conferência
"Dimensões da Música Africana", realizada no dia
1º de julho na Faculdade de Filosofia e Ciências
Humanas (Fafich) da UFMG. Entre os dias 2 e 4 de
julho, Mukuna ofereceu o curso "Música Africana:
teoria, cultura material, arte e comunicação", em
que aprofundou ainda mais o assunto. A
conferência e o mini-curso foram uma realização do
Centro de Convergência de Novas Mídias (CCNM),
com o apoio do Programa de Pós Graduação de
História da UFMG e da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Professor explica os fatores que caracterizam
a música africana
Durante a conferência, Mukuna explicou
que os africanos centram-se no coletivo, ou seja, na
relação dos homens entre si. A consciência de
pertencimento é uma forte marca da identidade do
povo africano. E o que tem a música a ver com
isso? Para Mukuna, a música é um "produto do
comportamento do homem no tempo e no espaço".
Dessa forma, a compreensão da música africana
não se limita à partitura ou a sua estrutura. É
necessário também compreender o comportamento
que a produziu. Por isso, explica o congolês, a
produção musical da África, assim como a filosofia
de existência daquele continente, é coletiva.
O conferencista comparou a produção
musical africana com a de origem européia.
Enquanto a música européia baseia-se no concerto,
em que um instrumento musical tem destaque e os
outros o acompanham, a música africana resulta de
uma combinação harmônica de padrões rítmicos,
isto é, não há prevalência de um instrumento sobre
outro. Quando esses padrões são encaixados
corretamente, o resultado é uma percepção
melódica. "Cada padrão rítmico possui buracos,
que são preenchidos por outro padrão rítmico, que
também
possui
buracos",
explicou
o
etnomusicólogo.
Mukuna disse também que a música
africana é fortemente influenciada pelos idiomas
falados no continente, que são predominantemente
tonais. Ou seja, a forma como se pronuncia uma
palavra determina seu significado. Muitas palavras
possuem a mesma grafia, diferenciando-se apenas
pelo tom, pela ênfase dada em uma sílaba ou em
outra. Na música africana, a melodia é construída a
partir da base tonal que determina os sentidos das
palavras. Se os tons são definidos pela língua, ao
compositor cabe o papel de estabelecer uma forma
de organizá-los.
Africanismo no mundo
Kazadi lembra que quando o negro foi
retirado da África pelos colonizadores, foram
colocados obstáculos à sua comunicação,
impedindo-o de organizar formas de resistência.
Diante disso, o negro acabou perdendo a parte
semântica de sua língua. Mas a sintaxe, que é o
que constrói o ritmo, permaneceu. Dessa forma, o
ritmo é o que prevalece em tudo que é criado pelos
negros. Em tudo que há ritmo, está presente o
africanismo.
Paulo Cabral de Melo, aluno do mestrado
do departamento de História da UFMG, considerou
a conferência muito interessante, pois conseguiu,
por meio dela, perceber as permanências da
influência da música africana nas expressões da
cultura popular brasileira, como o tambor de crioula,
samba de roda e outras manifestações afrobrasileiras.
O estudante de Ciências Sociais da PUCMinas, Marcelo Silva Bernardes, diz ter grande
interesse na Antropologia para estudar a cultura
afro-brasileira através da música e que, nesse
sentido, a conferência ministrada por Mukuna
contribuiu para incentivá-lo nessa empreitada.
O curso
A conferência foi apenas uma prévia dos
aspectos da música africana que foram tratados
com mais profundidade durante o curso "Música
Africana:
teoria,
cultura
material,
arte
e
comunicação", ministrado por Kazadi wa Mukuna
de 2 a 4 de julho, na Fafich.
O curso abordou a organização ritmica da
música e da dança tradicional e contemporânea na
África ao sul do Saara. O professor mostrou como
as divisões étnicas, as religiões, as áreas
geográficas, os idiomas e o processo de dominação
colonial foram determinantes para a configuração
da música dessa região.
O primeiro dia do curso foi dedicado aos
instrumentos musicais africanos. Mukuna disse que
a classificação dos instrumentos está diretamente
relacionada à forma como o som é produzido.
Como exemplo, ele comparou o tambor e o agogô.
Na classificação convencional, eles seriam
considerados como instrumentos de percussão. Já
segundo a classificação africana, o tambor, pelo
fato de seu som ser produzido pela vibração de
uma pele ou membrana esticada sobre seu corpo, é
classificado como membranofone. Já o agogô, por
ter seu som produzido pela vibração de seu próprio
corpo, é classificado como idiofone. Essa
classificação, além de destacar as especificades de
cada tipo de instrumento, reflete a diversidade do
conjunto de instrumentos africanos, ao invés de
reduzi-los a uma classificação única.
Mukuna durante o mini-curso
Nos dias seguintes, Mukuna aprofundou-se
na relação direta entre o aspecto tonal dos idiomas
africanos e a produção musical daquele continente.
Pedro Pedrosa, bolsista do CCNM que participou
do curso, contou que o professor ensinou duas
músicas para que os alunos tivessem a vivência do
ritmo africano. A experiência serviu para que
percebessem como deve ser a coordenação entre
os músicos.
Tanto a conferência como o curso foram
integralmente registrados em áudio e vídeo pela
equipe do CCNM. A proposta é disponibilizar o
material resultante desse registro no Centro Virtual
de
Memória
Coletiva,
plataforma
virtual
desenvolvida pelo grupo de pesquisa.
* Você é porque eu sou. Eu sou porque você é.
---------------------------------------------------------------Vídeo Cartografias
Vídeo Tambolelê
O vídeo "Cartografias – Escola Viva"
foi selecionado para compor a "Mostra
Formação do Olhar – Kinoikos", que integra o
19º Festival Internacional de CurtasMetragens de São Paulo, que será realizado
entre os dias 21 e 29 de agosto. O vídeo
"Cartografias – Escola Viva" relata a
experiência da Ação Cartografias de Sentidos
nas Escolas, iniciada em abril de 2007 em
nove escolas da Rede Municipal de Ensino de
Belo Horizonte. A ação consiste no
desenvolvimento de práticas que estimulem a
apropriação crítica do espaço urbano e das
Novas Tecnologias, articulando tais práticas à
vida escolar e ao cotidiano de professores e
alunos.
Foi concluída na última semana a
edição do vídeo "Tambolelê", produto final da
Oficina Registro realizada com integrantes do
Bloco-Oficina do Centro Cultural Tambolelê.
O vídeo, que tem 13 minutos de duração, fala
da relação do centro cultural com a
comunidade do Novo Glória, bairro em que
está localizada sua sede. Há depoimentos de
moradores da região, relatos sobre a
trajetória do Grupo Tambolelê, além de
imagens de algumas de suas festividades. Os
registros para o vídeo foram todos realizados
pelos jovens participantes da oficina, que
também foram os autores do roteiro. Em
breve, a produção será disponibilizada no
Centro Virtual de Memória Coletiva.
---------------------------------------------------------------Coordenação Geral: Regina Helena Alves da Silva
Coordenação de Equipes: Denísia Martins Borba
Coordenação de Tecnologia: Wagner Meira Jr.
Jornalista Responsável: Renata Ferreira Ornelas - MTb - 12444/MG
Estagiárias de Jornalismo:
Maitê Gugel Rosa
Maria Luiza Gondim de Castro
Demais coordenadores:
Daise Aparecida Palhares Diniz Silva
Denise de Abreu Peixoto
Eduardo Campos dos Santos
Fábio Lucas Belotte
Felipe Benoni Souza Dominguez
Karime Marcenes Junqueira Silveira
Maíra Alves Brandão
Milene Migliano Gonzaga
Pedro Silva Marra
Solange Mara do Nascimento Pena
Vanderlan Ferreira Godinho