Prof. ANDERSON PINHO

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Prof. ANDERSON PINHO
Prof. ANDERSON PINHO
FILOSOFIA
PARA O
ENEM
2015
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FILOSOFIA PARA O ENEM
SUMÁRIO
www.andersonpinho.com.br
Maquiavel e o dilema do príncipe.....................................24
Capítulo 7 – Formação e consolidação do Estado...26
CONSIDERAÇÕES INICIAIS...................................02
Thomas Hobbes e a mecânica do Estado........................29
UNIDADE I – FILOSOFIA ANTIGA......................03
Questões...............................................................................30
Capítulo 1 – Origem da Filosofia..................................03
Capítulo 8 – Empirismo e Racionalismo..................33
Contexto histórico..............................................................03
Descartes e o Grande Racionalismo.................................33
O Mito..................................................................................04
Francis Bacon – Conhecimento (empírico) é poder.......35
A pólis e o surgimento da Filosofia...................................04
Isaac Newton e o Grande Relógio Celeste.......................36
Pré-socráticos – Os primeiros filósofos...........................05
Questões...............................................................................37
Capítulo 2 – Filosofia Clássica......................................07
Capítulo XX – Iluminismo............................................39
Atenas em questão..............................................................07
Iluminismo na Inglaterra....................................................39
Os Pluralistas.......................................................................09
John Locke: empirismo e liberalismo..................39
Sofistas..................................................................................10
George Berkeley....................................................41
Sócrates................................................................................10
David Hume e o poder do hábito........................42
Platão....................................................................................11
Adam Smith e o livre mercado.............................43
Aristóteles............................................................................13
Iluminismo na França.........................................................44
Capítulo 3 – Filosofia Helenística................................16
Voltaire e a tolerância............................................44
Contexto histórico - Alexandre o Grande.......................16
Montesquieu e os três poderes............................44
Epicurismo..........................................................................17
Rousseau e a vontade geral...................................45
Estoicismo...........................................................................17
Enciclopédia...........................................................46
Ceticismo/Pirronismo.......................................................17
Iluminismo na Alemanha...................................................46
Cinismo................................................................................17
Immanuel Kant......................................................46
Questões...............................................................................17
Questões...............................................................................49
GABARITO.......................................................................51
UNIDADE 2 – FILOSOFIA MEDIEVAL...............20
Capítulo 4 – A Patrística e Santo Agostinho..............20
Capítulo 5 – Escolástica e São Tomás de Aquino....21
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UNIDADE 3 – FILOSOFIA MODERNA...............22
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Capítulo 6 – Renascimento............................................22
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Contexto histórico..............................................................22
Bons estudos e até mais!!!
Galileu Galilei e o início da ciência experimental..........24
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FILOSOFIA PARA O ENEM
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Sobre o ENEM.
Que o ENEM não é um vestibular tradicional
você já está cabeludo de saber. Ele não aborda os
conteúdos das disciplinas como fins em si mesmos. O
que o Ministério da Educação quer saber é se você
consegue compreender, avaliar e ter um posicionamento
crítico sobre a realidade que o rodeia.
Para isso, mais do que testar sua decoreba, o
governo quer saber se você tem as competências e
habilidades necessárias para entender o seu contexto
sócio-histórico-cultural, fundamentado nos conteúdos
adquiridos no ensino médio. Ele quer saber se você é um
cidadão crítico e consciente. Pelo menos, essa é a ideia.
Mas para se ter uma compreensão desse nível
sobre a realidade é necessário uma visão, não
multidisciplinar,
mas
interdisciplinar
e
contextualizada sobre a mesma. Esses são os conceitos
chaves desse exame.
Tanto é que não há no edital o conteúdo das
disciplinas da Área de Humanas divididos da forma
tradicional em Português, Literatura, História, Geografia,
Filosofia e Sociologia. Linguagens, Códigos e suas
Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias são
a forma que esses conteúdos aparecem. E isto é assim
para que se possa, por meio dos conhecimentos dessas
disciplinas, ter uma visão da realidade como um todo
inter-relacionado e contextualizado.
Por isso, o estudo de Filosofia é tão importante
para esse exame, mas contraditoriamente relegado a um
segundo plano, seja nos colégios ou nos cursinhos
preparatórios.
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Nesse e-book vamos ver como as respostas às
perguntas formuladas sobre os problemas de sociedades
tão distintas da nossa podem nos ajudar a superar muitos
dos nossos problemas atuais.
E para isso não podemos estudar o pensamento
de determinado filósofo dissociado de seu ambiente
social, alheio à sua história. Somente com a consciência
de que todo grande pensador formula suas teorias a partir
de seu meio social e dentro de seu contexto histórico,
podemos entender melhor todo e qualquer filósofo.
Todos nós temos uma história, mas somente
tendo consciência da teia, dos enredos das diversas
histórias das instituições que nos cercam e que formam o
contexto em que nossa própria história vai se desenrolar,
é que poderemos tomar consciência dela e, por
conseguinte, de nós mesmos.
Dessa maneira, vamos fazer uma viajem
histórico-filosófica das ideias que formaram a nossa
sociedade e suas instituições para que posamos assim,
compreendermos como e por que nossa situação atual
chegou a ser o que é hoje. Somente dessa maneira
teremos um melhor embasamento para fazermos
julgamentos sobre o sentido de alguma coisa.
Creio que abordar o conhecimento filosófico
dessa maneira seja a melhor forma para você desenvolver
as competências e habilidades exigidas pelo ENEM.
Por que estudar por esse e-book? Ele é voltado
especificamente para o ENEM, abordando os conteúdos
como o edital exige. Esse material está escrito em
linguagem fácil, prática, direta, e bem descontraída. Além
de trazer, divididas por assunto, todas as questões de
filosofia que já caíram no ENEM.
Não é sem propósito que a Filosofia vem
ganhando destaque nesse exame, a ponto de ter 18
questões com conteúdo filosófico na última prova. Isso
equivale a 40% da prova de Ciências Humanas, e 10% de
todo o ENEM.
A Filosofia é a única disciplina que nos possibilita
ter uma visão de conjunto interdisciplinar sobre a nossa
realidade. E não estou falando aqui do estudo de mais
uma disciplina escolar em que se tem de aprender mais
conteúdos dissociados de nossa vivencia diária.
Não é a simples leitura do pensamento de
determinado filósofo que viveu numa época totalmente
diferente da nossa e que por isso não pode nos dar
nenhuma lição para os nossos problemas atuais.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
IDADE 1 – FILOSOFIA ANTIGA
CAPÍTULO 1 – ORIGEM DA FILOSOFIA
Para uma melhor compreensão da matéria, é
importante deixar bem claro que é um erro chamar as
póleis gregas de cidades-estados, dentre tantos motivos
destacarei apenas dois. O primeiro é a imprecisão
histórica; o termo cidade é romano (civitas em latim), e o
Estado é invenção da modernidade, ainda não existindo
nesse tempo.
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CONTEXTO HISTÓRICO
Na antiguidade a região conhecida como Grécia
não era um estado unificado, com poder centralizado,
governo único, e suas cidades-estados (póleis) obedecendo
a esse poder. Era na verdade, uma região que por suas
peculiaridades históricas e geográficas abrigava povos de
origem, costumes e crenças comuns, unidos por uma
mesma língua.
Alguns podem retrucar e argumentar que isso não
tem importância. Para eles eu destaco o segundo
motivo, que é a carga de preconceitos que esses termos
carregam. E quando uso o termo preconceito não estou
usando-o de forma pejorativa, mas em seu sentido literal,
isto é, de ideias preconcebidas, sem reflexão.
Quando se fala em “cidade” imaginamos nossas
formas de aglomeração humana em um mesmo espaço,
uma arena em que cada indivíduo procura o seu bem, se
dar bem sem prejudicar a busca do bem do outro, estejam
esses bens correlacionados ou não. O termo “bem”, aqui,
não está sendo usado no sentido metafísico, mas no
sentido de propriedade mesmo, seja ele (bem) posses
materiais, fama, dinheiro ou poder.
Noutra vertente, quando usamos o termo
“estado” vem à nossa cabeça um poder exterior a nós que
por meio de um governo, quer se intrometer em nossas
vidas, quer seja positivando/regulando nossas relações
sociais, quer seja tributanto nossos salários ou negócios,
quer seja ditando quando, onde, e como será gasto nossas
riquezas.
Quando se fala em estado, temos um governo,
uma sociedade civil (organizada ou não) e uma
democracia representativa. Uns que comandam e outros
que são comandados.
Como veremos a seguir, a Grécia, melhor
dizendo, a Atenas da época clássica, gerou uma forma de
organização da vida humana que serviu de base durante
esses milênios para nossas sociedades. Mas é importante
deixar claro que usar o termo “cidade-estado” para
designar essa forma de organização político-social dos
gregos é uma monstruosidade que precisa ser corrigida
pelos manuais do ensino médio.
Continuar com isso é permanecer no erro de
olhar o outro pelo nosso umbigo, querer entender suas
formas de expressão a partir das nossas. Esse tipo de
pensamento é que causa discórdia e não aceitação do
outro, o que gera guerras e mais guerras.
A história desse povo na antiguidade é dividida
em quatro períodos. A sua formação se dá pela união das
civilizações Cretense e Micênica no período que ficou
convencionado chamar de pré-homérico (Secs. XX a
XII a. C.), cujo fim ocorre com a invasão dórica que
ocasionou a primeira diáspora grega, quando eles
ocuparam todas as áreas banhadas pelo mar Egeu na
forma de pequenos núcleos rurais.
Começa a partir de então o período
homérico (Secs. XII a VIII a. C.), que leva esse nome
por causa das obras do grande poeta Homero, que nos
conta, por meio da Ilíada e Odisseia, como foi essa época.
Os pequenos núcleos
rurais deram origem aos genos
que, comandado por um pater,
eram formados por pessoas que
acreditavam ser de uma mesma
descendência. Apesar de terem
um líder, a terra era de
propriedade de todos.
Nesse período, houve um grande
aumento populacional que não foi acompanhado pela
produção de alimentos, pois haviam poucas terras férteis.
Muitos genos se dividiram, houve disputas e
distribuição desigual de terras que passaram a ser
propriedade privada. Foi um período de turbulência e
muitas pessoas ficaram marginalizadas.
Desse modo, a sociedade, que era essencialmente
agrária e patriarcal, ficou estruturada da seguinte forma:
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FILOSOFIA PARA O ENEM
1) Eupátridas = os paters e seus parentes mais
próximos que detinham as maiores e melhores
terras;
2) Demiurgos = trabalhadores livres
3) Georgoi = pequenos proprietários de terras;
4) Thetas = homens livres, mas marginalizados por
que sobraram na divisão e disputas por terras;
5) Escravos
Essa instabilidade gerou a necessidade de alguns
genos se aliarem. Dessas alianças resultaram as fratrias,
e da união destas, as tribos. O poder do pater passou a
ser exercido por grupos de latifundiários bem nascidos
conhecidos como eupátridas. Até que finalmente foram
formados os demos que tinha como líder o basileu
(rei), que era o mais fodão dos eupátridas.
Para sobreviver, muitos gregos tiveram que
buscar terras férteis para o cultivo de alimentos. Eles se
lançaram ao mar à procura dessas regiões e se
estabeleceram, além do Mar Egeu, por quase toda região
europeia
banhada
pelo
Mar
Mediterrâneo
(principalmente no sul da península itálica e na região da
Sicília, que ficou conhecida como Magna Grécia),
adentrando também na região do Mar Negro fundando
apoikias (novos demos - colônias) em todos esses
territórios. Essa busca de novas terras foi Segunda
Diáspora grega.
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coisas, e mesmo sem ter a tecnologia de que dispomos
hoje, eles tinham a imaginação trabalhando a todo vapor.
Com ela criaram diversas histórias que foram
passadas de forma oral por várias gerações. A palavra
grega mythos significa contar, narrar, conversar.
O mito é uma narrativa fantasiosa que visa dar
uma explicação para a origem de determinada coisa, seja
ela o homem, o amor, a doença, o mundo, os deuses, etc.
Mas além disso, é também uma forma de
justificação da estrutura social da época. Dito de outro
jeito, o mito é uma forma de ver não só o mundo natural,
como também de entender e aceitar a divisão e
funcionamento da sociedade.
Tanto é que os mitos se sustentam apenas na
autoridade de quem os conta. O poeta-rapsodo, tem
autoridade inquestionável, seja porque recebeu a
narrativa de uma tradição oral respeitada, seja porque é
considerado alguém escolhido pelos deuses para receber
uma revelação e passá-la aos outros. Esses devem receber
a informação como verdade inquestionável.
Desse modo, os mitos não dão espaço para
questionamentos e nem reflexão, perpetuando a forma
de ver e entender tanto o mundo natural quanto o social.
Perceba que os grandes reis (basileu) são protegidos ou
escolhidos pelos deuses e os grandes guerreiros, como
Aquiles, possuem vínculos com eles. Você se atreveria a
discutir com eles, ou questionar sua autoridade? Fica
difícil, não é?
Os mitos sobre a origem do mundo são as
cosmogonias (cosmos = mundo ordenado + gonia =
gerar), já os que narram a origem dos deuses são as
teogonias (theos = seres divinos + gonia = gerar.
Admitem incoerências, contradições e são muito
limitados deixando vários questionamentos em aberto.
Foi basicamente nessa época que houve o
ressurgimento da escrita entre os gregos, quando eles
adaptaram o alfabeto fenício à sua língua.
A Ilíada e a Odisseia descrevem vários aspectos
da cultura e as diversas formas de relacionamento social
dessa época, e mais importante, influenciaram muito as
várias gerações gregas que tiveram o guerreiro bom e
belo como um ideal de formação a ser alcançado.
O MITO
Antes mesmo do advento da Filosofia o homem
tinha já possuía a curiosidade de saber sobre a origem das
No entanto, sucessivos acontecimentos acabaram
derrubando muitas dessas explicações e uma nova forma
de ver o mundo (incluindo a sociedade) precisava ser
criada.
A PÓLIS E O SURGIMENTO DA FILOSOFIA
Com a segunda diáspora, começa o período
arcaico (Sécs. VIII a VI a. C.), quando tivemos a
formação de vários demos espalhados por todo o
mediterrâneo, intensificando as trocas de mercadorias e
fazendo florescer novamente o comércio. É importante
destacar que nessa época surge a moeda como um meio
de facilitar as transações comerciais.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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A partir daí, foi só questão de tempo para que os
demos se unissem e formassem as póleis (eram mais de
1000), que foram governadas por conselhos de
eupátridas (proprietários de terras) dando início aos
regimes oligárquicos (governo de poucos). Eles
desenvolveram leis, distribuíam a justiça, e ditavam a
divindade a ser cultuada.
E esse tipo de discurso proporcionado pela
atividade política foi fundamental para o
surgimento do discurso filosófico, que nasceu
como diálogo. A palavra que sempre pode ser
debatida e questionada. Lembrem-se que no
mito, a palavra era inquestionável.
Agora, com um número muito maior de póleis, e
várias delas sendo importantes centros comerciais e
portos estratégicos para a navegação, a principal atividade
econômica deixou de ser a agricultura, e o comércio passa
a ser o seu principal fator de desenvolvimento
econômico.
Nas póleis gregas não havia muita diferença de
riqueza entre os cidadãos e a monarquia não era a forma
de governo predominante entre eles.
Esse desenvolvimento econômico proporcionou
uma melhora significativa na qualidade de vida material
da população. A partir daí os gregos passaram a ter tempo
para fazer algo além de comercializar, eles agora iriam
pensar.
A consolidação das póleis seguido de uma relativa
estabilidade política e econômica, e um longo período de
prosperidade foi o terreno fértil para o nascimento da
Filosofia. Algumas invenções e atividades que se
desenvolveram, ou foram criadas, juntamente com a polis
foram cruciais para o seu surgimento. São elas:




As navegações – ao desbravarem os mares os
gregos iriam realmente descobrir se existiam os
monstros e sereias que os mitos contavam.
A invenção do calendário – isso proporcionou
aos gregos verem que as estações do ano não
eram vontade dos deuses mas fenômenos
naturais que podiam ser previstos.
A moeda – Você certamente sabe quanto custa
uma caneta, um caderno ou uma meia. Mas você
sabe quanto vale um real? Sabe porque um real
vale um real, e cem reais vale cem reais? Pois é,
esse é um exercício de abstração que requerem
cálculos complexo. Os gregos deixaram de trocar
as coisas e passaram a usar a moeda quando
adquiriam essa capacidade de abstração.
A escrita alfabética – se eu desenhar um
homem e te mostrar, você vai saber que aquilo
representa um homem. Mas se eu te mostrar esse
símbolo
A política – Esse ponto é bastante importante
porque marca uma ruptura no modo de encarar a
organização social. A pólis é um lugar onde os
homens decidem o seu próprio destino, e não
mais os deuses.
E esse governo dos homens só era possível
porque eles eram livres para criarem suas próprias
leis, que eram fruto do debate público, ou seja, da
palavra que era posta sob questionamento.
Todos eram responsáveis pela defesa da pólis,
então, não fazia sentido não terem participação na
tomada de decisões sobre os rumos da mesma. Foi assim
que nasceu a política na forma de democracia.
Os gregos acreditavam que um homem livre que
vivia em pleno gozo de suas faculdades mentais e
corporais deveria viver em uma comunidade política que
se autodeterminava por leis que ela mesma criava por
meio do debate, e não por um homem (rei) ou alguma
divindade.
A vida na pólis era voltada para que eles
desenvolvessem plenamente suas capacidades humanas,
fruto de sua natureza. Cada cidadão era estimulado a
exercitar as virtudes e reprimir os vícios. E a justiça
necessária para controlar esse lado ruim só pode ser
encontrada em uma comunidade bem ordenada, de
homens virtuosos, justos e livres, que governam a si
mesmos, ou seja, na pólis.
Essa visão histórica da formação da sociedade
grega desde os núcleos rurais até a formação das póleis,
nos ajuda a entender não apenas o surgimento da
filosofia, mas o por que dela ter sido uma invenção grega.
Ela não foi um “milagre” repentino desse povo, mas o
resultado de uma gestação que vinha acontecendo no
seio das transformações ocorridas na sociedade grega
durante séculos.
PRÉ-SOCRÁTICOS
FILÓSOFOS
–
OS
PRIMEIROS
Tendo Sócrates como a grande referência na
filosofia antiga, os historiadores consentiram em chamar
esse primeiro período filosófico de pré-socrático.
É de se ressaltar que essa convenção tem como
critério não apenas uma ordem cronológica, mas a linha
de investigação filosófica, pois ao tempo de Sócrates
ainda haviam pré-socráticos.
Esses primeiros filósofos se preocuparam em
tentar explicar a physis (natureza/mundo/universo) de
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FILOSOFIA PARA O ENEM
uma forma racional (cosmologia), dando uma explicação
diferente da dos mitos, que recorriam aos deuses.
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Diferentemente da explicação mítica que dizia
que o universo havia sido criado do nada, para eles o
universo havia sido gerado de um princípio universal. E
descobrir essa arché seria a chave para entender todas as
coisas.
Heráclito de Éfeso
(535-475 a. C.), um dos filósofos
mais importantes desse período,
atribuía ao fogo a origem das
coisas, já que para ele a
realidade/physis é uma eterna
luta de contrários que tem esse
elemento como sua causa.
Eles acreditavam que a physis apesar de estar em
constante movimento (devir) possuía um elemento de
permanência e que este seria o seu princípio originador,
seu fundamento, e explicaria a causa da mudança.
Autor da famosa frase que caracteriza bem o seu
pensamento: “Um homem não pode se banhar duas vezes no
mesmo rio, porque na segunda vez o rio e o homem não serão os
mesmos.”
Dentre esses filósofos haviam os que acreditavam
que a arché era um único elemento, estes eram os
monistas. Mais tardiamente, outros pré-socráticos
começaram a defender que eram vários, e ficaram
conhecidos como pluralistas.
Para ele, o universo está em constante mudança,
tudo flui, tudo está em transformação constante. E isso é
assim porque todas as coisas possuem os oposto em
constante guerra. O real é a mudança e a permanência é
ilusória.
Tales de Mileto (640-546 a. C.),
que talvez tenha sido o primeiro
filósofo, e estava na lista dos sete
sábios da Grécia, acreditava que a
água era a origem de tudo.
Você já não é tão jovem quanto quando começou
a ler essas palavras, mas ainda é jovem, mas está
envelhecendo, mas ainda é jovem, mas está
envelhecendo, mas ainda é jovem, mas está
envelhecendo, mas ainda é jovem, mas está
envelhecendo.
Anaximandro (610-547 a.
C.) dizia que o princípio criador
não poderia ser conhecido pelos
sentidos, mas somente pelo
intelecto já que ele é o apeiron
(indeterminado).
Anaxímenis (588-524 a.
C.) argumentava que o ar seria esse
princípio originador de tudo.
Pitágoras de Samos
(570-490 a. C.) creditava aos
números a origem de tudo, mas
desde que entendidos como
harmonia e proporção. Ou seja,
tudo na natureza é proporcional
e harmônico.
Parmênides (510-470 a.
C.) de Eleia, rompe com os
filósofos que o precederam na
maneira de pensar o mundo. E
por isso não se adequa a
classificação de monista ou
pluralista.
Ele afirmava que o
elemento de permanência, de
origem, de fundamento, das coisas/mundo (physis) não
pode ser encontrado na sua mutabilidade constante.
Melhor dizendo, não se pode encontrar o
princípio (arché) imutável do universo na sua própria
mudança, ainda mais quando a investigação é conduzida
pelos sentidos.
Para ele a mudança seria apenas uma ilusão dos
sentidos, e o que é essencial nas coisas só pode ser
captado pelo pensamento. Por esse motivo, é que haviam
tantas opiniões contrárias sobre o Ser das coisas, porque
os filósofos estavam trilhando um caminho errado que
só os levava à ilusão.
A mudança (devir) não existe, é uma ilusão dos
sentidos, Heráclito estava errado. “O Ser é e o não ser
não é”. O Ser é o Logos (razão), a permanência, é
imutável e sem contradições.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
Continuaremos a estudar os outros filósofos présocráticos (pluralistas) quando adentrarmos no período
clássico, por que contextualizando-os socialmente
poderemos entender melhor suas teorias e a influência
delas em seu meio social.
CAPÍTULO 2 – FILOSOFIA CLÁSSICA
A maturação e desenvolvimento da filosofia
clássica ocorre em Atenas devido a uma série de
acontecimentos que passaremos a analisar a seguir.
É importante entendermos o contexto histórico
para que as teorias filosóficas desse período possam fazer
sentido, pois a Filosofia como construção humana está
limitada a seu tempo e contexto social, embora muitos
queria fazer parecer que não.
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Escolheram Sólon, um dos sete sábio da Grécia,
que instituiu profundas reformas na sociedade. Dentre as
quais podemos citar:
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


ATENAS EM QUESTÃO
Atenas foi fundada pelos jônios na região da
Ática. Inicialmente esteve sob o regime monárquico, e
depois oligárquico. Era governada pelos Eupátridas
(bem nascidos), que além de possuírem as maiores e
melhores terras, ainda tinham como escravos outros
atenienses, que foram pequenos proprietários de terras
que não conseguiram saldar suas dívidas.
Sem um solo propício para agricultura, e com um
porto (Pireu) estrategicamente localizado no
Mediterrâneo, os Atenienses se lançaram ao mar.
Tornaram-se grandes marinheiros e desenvolveram o
comércio de forma significativa.
O comércio enriqueceu muitos atenienses que
não tinham o sangue azul dos eupátridas e estavam
doidos por participação política. A isso, some a
insatisfação dos escravizados por dívidas, dos
potencialmente escravos, e ainda, rebeliões provocadas
por estes. Pronto, o barril de pólvora estava cheio e
prestes a explodir.
Dracon em 620 a. C., tentou acalmar os ânimos
tornando públicas por meio da escrita, as leis da pólis,
que antes eram conhecidas só pelos eupátridas. Não
adiantou muita coisa.
Perdoou a dívida dos atenienses escravizados, e
acabou com a escravidão por dívidas;
Limitou o tamanho da propriedade;
Modificou o critério de classificação social, do
nascimento para a riqueza;
Com isso, modificou o critério para participação
nos cargos públicos (magistraturas), permitindo
a participação dos comerciantes na política;
Permitiu a participação de todos os atenienses na
Assembleia (Eclésia), mesmo o mais pobre;
Criou a boulé, que era um conselho de 400
membros escolhidos pela Eclésia, e que tinha a
função de criar projetos de leis para serem
votados por esta;
Deu cidadania a todo aquele que contribuísse
com a pólis.
Ficou decidido que, o que Sólon fizesse não
poderia ser modificado por 10 anos. Então, depois de
fazer essas reformas Sólon deixou Atenas, tanto para não
perder sua vida, quanto para não usar de seu prestígio e
tornar-se um tirano.
Apesar de profundas, essas reformas trouxeram
ainda mais tensões. E de toda insatisfação emergiu em
546 a. C. o primeiro tirano de Atenas, Pisístrato.
Nessa época o termo tirano não tinha toda a carga
negativa que tem hoje, e designava apenas uma forma
ilegítima de governo. Não é que o tirano fosse cruel e
mandasse cortar a cabeça de quem olhasse torto pra ele,
é que ele não chegou ao poder com o apoio dos que
detinham o poder.
Pisístrato foi até um bom governante, manteve
inalteradas as leis de Sólon, construiu grandes obras,
patrocinou as artes, os jogos e os festivais, e projetou
Atenas como grande centro comercial e cultural da
Grécia.
Seus sucessores foram uns bocós e não souberam
se manter no poder, abrindo espaço novamente para
conflitos internos, quando Clístenes toma o poder em
510 a. C.
Agora pasmem, em 594 a. C., os grupos
dominantes da época, decidiram eleger um homem sábio
para fazer reformas que pudessem colocar fim ao clima
de guerra que afligia a sociedade ateniense.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
Clístenes
governou
Atenas de 510 a 507 a. C, e ousou
muito ao dividir o território da
Ática em 10 tribos, e cada tribo
em 03 DEMOS. Com isso ele
queria acabar com a influência
das
tradicionais
famílias
nobres aristocráticas.
É claro que para ocupar cargos públicos ainda era
necessário ter uma certa quantidade de riqueza, como
Sólon havia estipulado. Mas cada vez menos isso
dependia da família a que se pertencia.
A boulé (que criava projeto de lei) passou a ter
500 membros. Cada DEMO elegia 50, e cada tribo a
presidia sucessivamente durante o ano. Perceba o salto
qualitativo nesse regime de participação política que mais
tarde viária a ser chamado de DEMOCRACIA.
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Inicialmente os recursos obtidos ficaram na ilha
de Delos (por isso o nome), mas com o tempo foram
transferidos para Atenas. Mesmo com o fim das ameaças
externas a Liga permaneceu, e ninguém mais poderia dela
se desligar, pois Atenas logo interferia. O que antes não
era obrigação, tornou-se submissão.
Dessa maneira, portanto, Atenas, sob a liderança
de um líder democrático, construiria com as riquezas dos
outros a sua ERA DE OURO. Foi nessa época que a
cidade foi embelezada com grandes templos e obras
públicas. Só para se ter uma ideia, o Partenon, um dos
maiores feitos de arquitetura da humanidade, foi erguido
nesta época.
A Eclésia (assembleia popular) passou também a,
além de votar, discutir os projetos de lei. Provavelmente
a boulé tinha mais poderes que a Eclésia no início do
processo de construção desse novo regime, mas com o
tempo a situação se inverteu.
O OSTRACISMO foi uma instituição muito
famosa criada também por ele. Não era uma pena, mas
uma forma de defender o novo regime contra
levantes tirânicos. Se uma pessoa estava se tornando
demasiadamente famosa, prestigiada, e influente, ela era
banida da pólis por um período de 10 anos e depois
retornava como se nada tivesse acontecido.
Pense bem. Num regime onde todos devem ser
iguais, não deve haver essas grandes personalidades,
senão, não haveria isonomia, que era a base do sistema.
As reformas de Clístenes no sistema político de
Atenas acabou influenciando toda a Grécia, e seu
governo foi a transição entre o período arcaico e o
clássico.
No período clássico (Sec. V ao IV a. C.), as
Guerras Médicas (os medos faziam parte do povo Persa,
daí o nome) foram o pano de fundo para um maior
destaque de Atenas dentre todas as póleis gregas. Eles já
estavam se sentido os maiorais por terem suas
instituições como modelo do que de melhor se poderia
ter. Agora, iam colocar os músculos para trabalharem.
Diante dessas invasões as póleis gregas,
persuadidas por Atenas, fizeram uma aliança militar
conhecida como Liga de Delos. Claro que isso tinha um
custo, e que ninguém era obrigado a participar. No
entanto, seria bom contar com uma certa segurança não
é mesmo?
É inegável que toda a glória alcançada por Atenas
teve como sustentação material a submissão das outras
póleis.
No entanto, deve-se deixar bem claro que apesar
da relação dos atenienses com os outros fosse de
hostilidade, entre eles, imperava os ideais mais nobres
como igualdade, liberdade e justiça. Em virtude disso, a
forma de governo que tem por base esses ideais pôde
florescer em sua plenitude.
Em Atenas o exercício da atividade política era
básico, algo comum na vida de seus habitantes. A
participação na tomada de decisões dos assuntos que
dizem respeito à administração da pólis era a principal e
mais nobre atividade que um homem livre poderia se
dedicar.
Foi nessa época que surgiu na cena política
ateniense um grande orador, de família aristocrática, e
excelente estrategista militar.
Péricles (495 – 429 a.C.) liderou Atenas em seu
esplendor (não é à toa que esse século recebeu seu nome),
quando na assembleia, juntamente com seus
concidadãos, aprimorou o regime democrático a ponto
de afirmar o seguinte em seu discurso fúnebre:
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“Nosso regime político
não se propõe tomar como modelo as
leis de outros: antes somos modelos
que imitadores. Como tudo nesse
regime depende não de poucos, mas
da maioria, seu nome é democracia.
Nela, enquanto no tocante às leis
todos são iguais para a solução de
suas divergências particulares, no
que se refere à atribuição de
honrarias o critério se baseia no
mérito e não na categoria a que se
pertence...”
O primeiro cidadão ateniense instituiu a
mistoforia, que era uma justa quantia em dinheiro para
que mesmo o mais lascado dos homens livres pudesse
participar diretamente da administração da cidade. Agora,
não precisava mais nem ser de família nobre, e nem ter
riqueza suficiente para ocupar determinado cargo.
Tal salário era necessário porque esses gregos
acreditavam que todos os cidadãos eram iguais
(isonomia) e por esta razão, tinham direito de se
expressar (isegoria) na assembleia, e de ter participação
no poder (isocracia). Para eles não havia outra maneira,
a única forma de DEMOCRACIA era a DIRETA.
Basicamente, a estrutura
arquitetada da seguinte forma:
política
estava
ASSEMBLÉIA – Conselho de cidadãos que
tomavam as decisões mais importantes da pólis. Eles se
reuniam no monte Pnyx (imagem abaixo). Claro que não
tinham essas cadeiras, mas olhe a vista que eles tinham da
acrópole. Imagine os atenienses tomando as decisões da
pólis com a vista das maravilhas que eles foram capazes
de fazer. Era mesmo algo grandioso.
Para todos os cargo públicos uma pessoa só
podia ser eleita uma única vez na vida, para dar
oportunidade para outros participarem do poder. Na
boulé podia-se eleger duas vezes, e para estrategos podia
ser indefinidas vezes, isso por que esse cargo exigia
habilidades especiais de guerra.
Somente podiam participar desses cargos os
homems filhos de pais atenienses maiores de 20 anos,
pois apenas eles eram considerados Zoôn politikons. Eram
membros de famílias aristocráticas, pequenos
proprietários de terras, comerciantes e artesãos.
Mas a sociedade ateniense não era formada
apenas por eles; haviam também os que eram excluidos
da cidadania. Nesse grupo temos os metecos, que eram
os estrangeiros residentes ou não na pólis; as mulheres,
que serviam basicamente para cuidar da casa e
reproduzir; e finalmente os escravos, que eram os
prisioneiros de guerra.
Não por coincidencia, os escravos começaram a
aumentar quando a democracia estava em seu auge. Ora,
para haver tempo livre para os cidadãos se dedicarem à
política alguem tinha que ficar trabalhando. Estimasse
que eles fossem ¼ da popolação, no máximo.
Em Atenas não
escravos, não existiam
pelas ruas, chicotadas
pública. Pelo contrário,
serem libertados.
havia tratamento duro com os
pessoas acorrentadas andando
e esquartejamentos em praça
era muito comum os escravos
Habitantes de outras póleis estranhavam quando
andavam nas ruas de Atenas e viam escravos andando na
rua como se fossem livres.
Nas fazendas e no mercado eles trabalhavam lado
a lado com o seu senhor. Não há nenhum registro de
rebeliam de escravos em Atenas. A possibilidade de
conquista da liberdade que estava no horizonte,
abrandava a relação entre senhor e escravo.
OS PLURALISTAS
BOULÉ – Conselho de 500 cidadãos que
propunham as leis.
01 ano.
ESTRATEGO – 10 generais com mandatos de
Nesse período a filosofia
continuou progredindo com os
filósofos pré-socrático. O próprio
Péricles tinha um desses sábios
como mestre, seu nome era
Anaxágoras (499-428 a. C.). Ele
defendia que o princípio gerador
de todas as coisas não é único, que
a physis era formada de várias partículas (sementes –
espermatas) ordenadas por uma inteligência universal.
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Diferentemente dele,
Empédocles (490-430 a. C.)
acreditava que os elementos
água, terra, ar e fogo eram os
princípios criadores, que
formavam as coisas pela
união e repulsão, pelo amor e
ódio.
Demócrito (460-370
a. C.) era contemporâneo de
Sócrates, mas como o objeto
de sua investigação ainda era
a physis, ele é considerado um
pré-socrático.
Segundo ele, o mundo
é formado por partículas invisíveis e indivisíveis
chamadas átomos, que se chocavam ao acaso no vazio
para formar os corpos percebidos pelos nossos sentidos.
Percebam que esses pré-socráticos do período
clássico, defendem não um, mas vários os elementos
criadores do universo.
Será coincidência eles defenderem isso no tempo
em que a constituição da pólis, ou seja, do mundo social,
dependesse de muitos e não de um só? Ou terá sido essa
forma de organização social fundamentada nessa nova
visão da constituição do universo?
Independentemente da resposta, o fato é que
havia agora uma nova visão do mundo, seja ele físico ou
social, e em ambos não havia mais o predomínio de uma
arché que a tudo governava, mas, a relação entre vários
elementos que regidos por leis constituíam o cosmos.
No mundo da physis cabia aos homens
descobrirem essas leis, no mundo da pólis cabia a eles
criarem-na. E essa atividade divina de criarem as leis, que
trariam ordem ao caos, era feita no espaço público da
pólis, na ÁGORA (praça central onde se discutiam
diversos assuntos), por meio da palavra, através do
discurso.
SOFISTAS
É também nesse contexto de valorização do
humano, da palavra, de se expressar bem e de convencer
o público por meio da oratória para se sair bem no
cenário político, que surgiram os sofistas, um conjunto
de sábios que ensinavam retórica (arte de falar bem e
persuadir o público).
póleis vendendo seu conhecimento, pois não eram ricos
para se manter no ócio intelectual.
Protágoras (480-410 a. C.) foi o primeiro e mais
ilustre dos sofistas. Nascido em Abdera, mudou-se para
Atenas onde se tornou muito famoso e requisitado pelas
famílias ricas.
Defendia que não havia um conhecimento e uma
verdade absolutas sobre as coisas, e que o mundo era
relativo ao que os homens percebiam dele. Daí sua
famosa frase: “o homem é a medida de todas as coisas”.
Sua doutrina relativista impossibilitava a
construção de um saber objetivo no qual se pudesse
chegar a critérios que estabelecessem e diferenciassem o
verdadeiro do falso, o certo do errado. Tudo dependia de
quem ou que grupo estava falando. As regras sociais, bem
como a própria pólis são convenções, e como tal, mudam
de acordo com que as convencionou, sendo, portanto,
relativas.
O maior crédito que se deve atribuir aos sofistas
foi o de ter voltado o debate filosófico da cosmologia,
para a área do humano, da pólis, da ética, da política. Pois
foi por se contrapor a eles que Sócrates deu início ao
conhecimento filosófico herdado pelo ocidente.
SÓCRATES
Sócrates (470 – 399 a.
C.) foi um marco na filosofia
grega. Não deixou nada escrito
e o que sabemos de seu
pensamento é o relatado por
seu discípulo Platão. Ele
nasceu em Atenas, foi
contemporâneo de Péricles, e
crítico do regime democrático.
Ele viveu na época da GUERRA DO
PELOPONESO (431-404 a. C.), que foi motivada pela
forma autoritária e abusiva com que Atenas tratava os
seus aliados.
Um grupo de póleis cansada da tirania Ateniense,
sob a liderança de Esparta, formaram a Liga do
Peloponeso, para enfrentá-la. Essa guerra foi o grande
motivo da decadência das póleis gregas, pois elas foram
se destruindo e abrindo espaço para que inimigos
externos pudessem conquista-las.
Sócrátes participou de algumas batalhas, sendo
condecorado por bravura.
A palavra sofista vem do grego sophós e quer dizer
sábio. Eles eram homens que viviam viajando entre as
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O Oráculo de Delfos o celebrou como o mais
sábio dos homens por ele ter consciência de sua própria
ignorância.
Ele travou um grande embate com os sofistas ao
dizer que estavam errados, que poderíamos sim obter um
conhecimento objetivo, um saber verdadeiro. Sustentava
que o homem poderia conhecer a essência das coisas e
que a primeira pergunta a ser respondida era qual a sua
própria essência.
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perguntando: “será mesmo que vivemos uma
democracia, quando temos um regime político que
permite a um bom orador ir à assembleia e fazer um
discurso bonito e pomposo que leve o povo a aprovar o
que ele quer sem o mínimo de reflexão?”, “será que é
certo tratarmos nossos aliados com toda essa arrogância,
e usando mais a força que a justiça em nossas relações?”,
“será mesmo bom essa democracia onde qualquer um
possa influir nos destinos da pólis, mesmo não tendo
conhecimento do que seja bom e justo?”.
Para ele, a essência do homem é a sua alma,
entendida como consciência de si. É isso que distingue o
homem dos outros animais. Não é à toa que ele instigava
seus discípulos a terem esse conhecimento, pois era isso
que os tornavam humanos. “Conhece-te a ti mesmo”
estava escrito no pórtico do oráculo que afirmou ser ele
o mais sábio dos homens.
Entendem agora porque Sócrates era um perigo
a ser exterminado o mais rápido possível? Era um traidor,
um corruptor da juventude.
Mas essa consciência de si não era só o simples
saber de um eu individual. Era a consciência de que
somos parte integrante de um conjunto de relações que
formam um todo maior, e que por fazer parte desse todo
é que temos o poder e o dever de conhecer sua essência.
Desde a derrota de Atenas nessa guerra, o regime
democrático ficou desacreditado pelos próprios
ateniense, e muitos deles começaram a criticá-lo. Eles
argumentavam que em momentos cruciais da guerra,
foram tomadas muitas decisões estúpidas por que foi
colocado para a maioria decidir, e isso levou à derrota de
Atenas.
Desse modo, temos o poder de ter essa
consciência moral que nos guia na interação com nossos
semelhantes. Nessas relações só podemos agir
conscientes se tivermos conhecimento da essência das
coisas, sejam elas o bem, a amizade, a virtude, ou até
mesmo a democracia.
O interessante é que Sócrates não trazia respostas
prontas. Por meio do diálogo, ele se posicionava como
um ignorante e começava a questionar as pessoas sobre
o que eles pensavam saber, mostrando-lhes que nada
sabiam, e que o que sabiam eram crenças que lhes foram
passadas como verdades sem nenhum tipo de reflexão
crítica. E ao final, ele fazia a própria pessoa chegar à
verdade.
Talvez se ele aparecesse com verdades prontas
não teria sido Sócrates, mas apenas mais um sabichão
metido a besta. No entanto, como ele fazia a pessoa ver
a verdade pro si própria, por meio da maiêutica, ele foi
o mais sábio dos homens e por isso um perigo para o
sistema.
Ora, pensemos um pouco. No auge do
imperialismo ateniense, quando eles eram tomados como
modelos pelas outras pólis (como o próprio Péricles
afirmou acima); quando eles tratavam seus “aliados” da
Liga de Delos como bem entendiam, usando os recursos
da Liga para tornar Atenas a mais bela e poderosa pólis
que já existira; quando eles estavam maravilhados com
seu regime político, que eles próprios criaram; vem um
cara e começa a botar caraminholas na cabeça dos jovens
A Guerra do Peloponeso durou 27 anos e
terminou com a vitória de Esparta, no entanto, acabou
deixando as partes envolvidas enfraquecidas.
O regime democrático ateniense foi substituído
por uma oligarquia comandada por 30 tiranos indicados
por Esparta. Nesse tempo ficou proibido o debate em
público e o ensino de retórica. Mas, alguns anos depois a
democracia foi restaurada e Sócrates voltou a
importunar.
Ele foi acusado e, por mais forte que fossem seus
argumentos de defesa, foi condenado, porque sua
condenação já era certa desde antes mesmo do
julgamento começar. Bebeu cicuta mas não renunciou ao
que disse. O cara era macho, que nem outro barbudo que
vocês ouvem falar desde criancinha.
PLATÃO
Platão (427 – 347 a. C.) foi
o maior discípulo de Sócrates, e
era um homem de família
aristocrática e influente na
política. Como todo jovem
ateniense, era um entusiasta do
regime democrático até conhecer
seu mestre aos vinte anos de
idade.
Sob influência de Sócrates passou a ser também
crítico do regime, e depois de sua morte deixou de
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FILOSOFIA PARA O ENEM
acreditar na possibilidade de uma vida justa e feliz.
Deixou Atenas para fazer uma longa viagem, quando
voltou e fundou a Academia, onde pôde desenvolver suas
teorias e repassá-las a seus vários discípulos.
Na busca de um conhecimento verdadeiro,
buscou um meio de contornar o beco sem saída deixado
por Heráclito e Parmênides. Grande parte de suas ideias
estão escritas em sua mais famosa obra, a República.
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Platão afirma que somente pela dialética é
possível alcançar gradativamente o que é verdadeiro, e
passar das ilusões ao real. Importante deixar claro que a
dialética Platônica é o que a etimologia da palavra sugere,
um diálogo crítico em busca da verdade que se passa do
senso comum ao conhecimento verdadeiro.
Ele explica essa passagem do falso ao real pela
alegoria do mito da caverna, ilustrada na figura abaixo.
Metafísica
O constante devir que Heráclito afirmava ser a
realidade foi chamado de mundo sensível (material)
por Platão. Esse mundo captado pelos sentidos, a causa
de nossos erros e ilusões, era uma cópia imperfeita do
mundo das ideias (inteligível), que correspondia à
permanência de Parmênides, um mundo captado apenas
pelo pensamento, e, portanto, perfeito.
Aqueles caras deitados no chão nasceram e
cresceram ali, e a única coisa que eles viam eram aquelas
sombras. Por nunca terem visto outra coisa, eles
julgavam que aquelas sombras eram os objetos
verdadeiros.
Tudo que existe nesse mundo material é porque
tem sua ideia no mundo superior. Apesar da
multiplicidade com que ela possa aparecer no mundo
sensível, a ideia é uma só, indestrutível e eterna. Segundo
Platão, apesar de existirem
diferentes tipos de cavalo, a
ideia de cavalo é uma só.
Quando
pensamos em
cavalo, pensamos a ideia e
não determinado cavalo.
Mas como foi que aconteceu essa cópia? Platão
nos diz que foi um demiurgo (construtor) que plasmou
do mundo das ideias esse mundo imperfeito. Tudo que
existe nesse mundo em que vivemos, já existe no mundo
superior das ideias.
Seguindo esse raciocínio, a pólis deveria ser
organizada de acordo com a pólis ideal, para que seus
cidadãos pudessem viver de acordo com o supremo bem
e a justiça.
Mas como fazer isso? Como conhecer esse
mundo ideal e verdadeiro para viver de acordo com o que
é bom e justo nesse mundo de erros, se eu estou nesse
segundo e tudo que percebo vem dele?
Só que um dia, um deles consegue se soltar e sair
da caverna. Lá fora, ele não consegue enxergar nada
porque é quase cegado pela luz do sol. Aos poucos ele
vai conseguindo ver as coisas e se dá conta que aquilo que
viam na caverna eram apenas as sombras, que eles
tomavam por verdadeiro aquilo que era falso.
Depois, ele volta para alertar os outros de sua
condição, mesmo sabendo que eles podem não acreditar
no que ele estava dizendo. Alguns dizem que ele está
louco e outros decidem acompanhá-lo.
Política
Platão não via a democracia como um bom
regime, foi a democracia que matou o mais sábio dos
homens. E foi a democracia que levou Atenas à guerra e
à ruía. Como é que pessoas não instruídas sobre valores
como o bem comum, amizade, virtudes, justiça, podem
governar? Já imaginou dar poder de governar àqueles
caras acorrentados na caverna que só veem sombras?
Seria um desastre. Como de fato foi.
Por isso que ele defende que quem deve governar
a cidade são os filósofos, aqueles que saíram da caverna
(mundo sensível) e conheceram a realidade (mundo das
ideias). Só eles possuem as virtudes e o conhecimento
necessário (as ideias) para dar à pólis uma estrutura bem
ordenada de forma que o bem e a justiça possam reger as
relações entre seus cidadãos.
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Esses filósofos não pertenceriam a classe social
alguma. Em, A República, ele apresenta um processo de
educação que começa aos 07 e vai até os 30 anos, sendo
que todos participam, independente da classe social e do
sexo. Isso mesmo, Platão defendia que as mulheres
poderiam ser educadas para participar da vida pública.
porta-voz dos gregos instruídos, pois era assim que ele se
considerava.
Platão entendia o homem como sendo corpo e
alma. Esta, que antes era livre no mundo das ideias,
agora vive prisioneira no corpo, esquecendo-se de tudo
que já havia contemplado. Ela seria composta por três
partes: a racional, representada pela inteligência; a
emotiva, representada pelas emoções; e a apetitiva,
representada pelos desejos carnais de sobrevivência e
reprodução. Se livrar das emoções e desejos carnais era
necessário para contemplar o mundo das ideias, porque
eles não fazem parte daquele mundo.
De Estagira, na Macedônia, Aristóteles sai aos 18
anos para estudar na Academia de Platão em Atenas.
Isso, provavelmente, uns 10 anos antes do domínio
macedônico sobre a Grécia. Com uma mente notável,
permanece por lá durante 20 anos até a morte de Platão.
Esse processo educacional, serviria para fazer a
alma atingir o mundo das ideias, ou seja, relembrar
(processo de reminiscência da alma) do lugar de onde
veio. Por isso, só completariam todo o percurso
educacional aqueles que adquirissem e exercitassem as
virtudes necessárias a fazer com que a parte racional de
sua alma se sobrepusesse acima das partes emotiva e
apetitiva que o deixa preso nesse mundo de aparências.
Somente esses seriam filósofos.
Em uma pólis bem ordenada os seus habitantes
seriam divididos em três grupos, de acordo com suas
virtudes, assim como a alma. Os que cuidam da
subsistência (agricultores, comerciantes, artesão, etc), os
que a defendem (guerreiros), e os que a governam (os
filósofos). Cada um, ao exercitar suas virtudes,
desempenha um papel na sociedade, contribuindo como
podem para o seu bom funcionamento.
Apesar de ter sido um dos maiores pensadores
que Atenas produziu, ele era um meteco, e como tal, sem
direitos políticos.
Após a morte do mestre, a quem Aristóteles era
muito amigo e admirador, não vê mais motivos de
continuar na academia e sai de Atenas para viajar por um
bom tempo.
Em 335 a. c., o rei Felipe II o chama para morar
em Pela, capital do império macedônico, e ser professor
de seu filho Alexandre, condição na qual permaneceu até
este assumir o poder. Essa proximidade com a corte
macedônica se dava pelo fato de Nicômaco, seu pai, ter
sido o médico do rei Amintas, pai de Felipe.
Aristóteles foi um grande pensador sistemático,
que dividiu os saberes em:
Produtivos – que se destinam a produção das
coisas que são úteis aos homens. Ex: artes, arquitetura,
carpintaria, etc.
Práticos - que tratam das práticas que os homens
mantem entre si. Ex: política, ética, economia, etc.
Teóricos – dispõem sobre os conhecimentos
contemplativos da realidade, das coisas que existem
independentes do homem. Ex: física, matemática,
astronomia, etc.
Metafísica
ARISTÓTELES
Juntamente com Platão,
Aristóteles (384 – 322 a. C.) é a
grande referência da filosofia
grega antiga que vai influenciar
na construção do mundo
ocidental. Dante Alighieri dizia
que ele foi o mestre dos
mestres, e São Tomaz de
Aquino se referia a ele como
“o” filósofo.
Ele foi o pensador que analisou todo o
pensamento grego e o melhorou; escreveu sobre quase
tudo, de metafísica à biologia. Em resumo, ele foi “o
cara”. Por isso, devemos estudar Aristóteles como o
Segundo ele, enquanto os saberes particulares
refletem sobre os seres particulares sujeitos ao
movimento (devir), existe um saber que reflete sobre
todos esses seres em conjunto, que estuda o que há de
comum a todos eles, e que os estruturam em um todo
organizado.
Esse saber ele chamou de Filosofia Primeira, que
mais tarde ficou conhecida como Metafísica (meta +
físico = além do físico). É ela que analisa os princípios e
a essência última do mundo, do universal, contida em
todos os seres. É ela que diz se o objeto (esse mundo que
nos rodeia) dos saberes particulares é real e verdadeiro.
Na sua investigação do que seja a realidade, afim
de fundar um conhecimento verdadeiro das coisas,
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FILOSOFIA PARA O ENEM
Aristóteles superou Heráclito, Parmênides, e deu uma
resposta diferente da de Platão, criticando a posição de
seu mestre.
Para ele, esse mundo material que nos envolve e
que é mutável, não é uma ilusão ou cópia imperfeita de
algo (Parmênides e Platão), mas também não é toda a
realidade (Heráclito).
A mudança não é algo que torne as coisas
ilusórias ou imperfeitas, mas é na realidade a sua essência.
E se Parmênides e Platão dizem que não dá para
construir um conhecimento verdadeiro sobre ela,
Aristóteles afirma que eles estão errados, que dá para
obter um conhecimento verdadeiro desse mundo, esse
conhecimento é a Física.
Crítico do dualismo platônico, ele não acreditava
que deveríamos conhecer primeiro um mundo intelectual
para só assim conhecermos o mundo material.
Aristóteles voltou a investigação filosófica para a matéria
afirmando que o ser (o real/inteligível) encontra-se nela,
na matéria, e que a possibilidade de compreensão e
apreensão do real (ser) deve-se dar a partir dela. Essa
discordância com Platão ficou bem retratada na obra do
renascentista Rafael Sanzio.
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Esse conhecimento se dá, segundo ele, quando
investigamos vários particulares até abstrairmos uma
essência comum a todos, na qual podemos generalizar
através do conceito geral/universal. Esse método de ir do
particular ao geral é a indução.
Para Aristóteles, os seres se diferenciam pela
quantidade de movimento a que estão sujeitos, e a
depender dessa quantidade existe um conhecimento
próprio ao seu estudo.
De acordo com a metafísica aristotélica, todo ser
físico possui uma matéria de que é feito e uma forma que
o individualiza. Essa matéria possui a capacidade de se
tornar algo diferente, de assumir outra forma,
atualizando-se. E é o movimento que lhe é inerente,
essencial, que faz acontecer essa mudança.
Desse modo, os conceitos que Aristóteles
desenvolveu em sua metafísica para entender a realidade
são:
Matéria – é aquilo do que o ser é feito.
Forma – é o que o individualiza, tornando-o o
que ele é.
Potência – é capacidade/possibilidade que a
matéria tem de mudar.
Ato – é a forma que ele está assumindo agora.
Substância – é a essência do ser, aquilo que o faz
ser o que é.
Acidente – são as características não essenciais
do ser, que, caso ele tenha ou não, não o impede de ser o
que ele é. Exemplo: grande/pequeno, amarelo/azul,
leve/pesado, etc.
Mas quais são as causas dessa mudança, do
movimento. Aristóteles diz que são quatro, a saber:
Ele acreditava que existe uma ordem
(inteligência) regendo todos os seres (matéria). Cada
objeto que existe possui essa ordem dentro de si, que o
constitui, que o faz ser como ele é, e que pode fazer ele
se tornar algo melhor, sempre almejando uma finalidade.
Ou seja, o inteligível está nas coisas e não separado
dela em um mundo exterior.
O que faz cada ser, ser o que é, Aristóteles
denominou de Substância/essência, e pelo fato do
homem ser dotado de consciência (racional), ele pode
conhecer a essência/substância das coisas.
Causa material – refere-se à sua matéria. Uma
pedra nunca vai ser um homem adulto
Causa eficiente/motora – refere-se àquilo que
age sobre a matéria para que ela adquira outra forma.
Causa formal – refere-se àquilo que a matéria
tende a se tornar.
Causa final – refere-se ao propósito ao qual a
matéria sofreu todo o movimento para se tornar o que é.
Lembre-se sempre que no pensamento
aristotélico, TODAS as coisas tem uma finalidade, tudo
tem um propósito e uma função. A causa final é a causa
mais importante de todas, é a inteligência (o logos)
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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ordenando o mundo, e todos os seres estão sujeitos a ela,
sejam eles animados ou inanimados. Tudo tem seu
propósito e fim. Por essa razão é que o pensamento
aristotélico é chamando de teleológico (telos + lógico =
fim ordenado).
E quando ele investiga a causa das causa ele se
depara com o princípio causador de todas as causas, qual
seja, o Primeiro Motor Imóvel. Ele é ato puro, não sujeito
a nenhum tipo de movimento, é o incausado que é a
causa de todas as causas.
Política
Assim como o próprio Platão percebeu mais
tarde que seu projeto de funcionamento de uma pólis
ideal governada por reis filósofos não era viável,
Aristóteles também sabia que esse projeto nunca daria
certo.
Tendo isso em mente, ele elaborou um projeto
político que fosse viável, e desenvolveu uma política para
o homem comum. Mas não entenda esse homem como
qualquer um. É o homem bem instruído, e de
determinadas posses, que o permitisse ter ócio suficiente
para se voltar aos estudos e à política.
Nessa linha de raciocínio, a polis que esse homem
habitaria seria a melhor possível. Ela teria sua
constituição como sendo um reflexo desse tipo de
homem. E como seria essa polis?
Para dar essa resposta, Aristóteles analisou 158
constituições diferentes, e definiu os tipos possíveis de
governo conforme o quadro abaixo:
BOM
RUIM
UM
MONARQUIA
TIRANIA
POUCOS
ARISTOCRACIA
OLIGARQUIA
MUITOS
REPÚBLICA
DEMOCRACIA
A corrupção de um regime a outro, acontece
quando quem governa se desvia do objetivo de atingir o
bem comum, e passa a governar de acordo com seus
interesses.
Quanto à melhor forma de governo, Aristóteles
diz que vai depender do tipo de povo. Segundo ele, existe
uma disposição natural em cada povo que o torna
propício a determinada forma de governo.
Particularmente, ele prefere a monarquia, e argumenta
que dentre as formas corrompidas de governo, a
democracia é a melhor.
Para compreendermos bem o pensamento
aristotélico sobre a política e a ética é importantíssimo
sabermos que ele não entendia as duas separadamente.
Isso porque ele, assim como os gregos instruidos, não
entendia um modo de ser, um comportamento do
ánthropos (homem) que não fosse o mesmo do zoôn
politikon (animal político). Ser homem para ele era ser
cidadão.
Tanto é que a palavra ética vem de ethos que de
forma abrangente quer dizer modo de ser, e a palavra
política vem de polis + ética, ou seja, o modo de ser da
pólis. Não existe comportamento racional/inteligível que
não seja dentro da pólis.
Segundo ele, um homem que não vivesse em
comunidade, ou era um deus, ou uma fera. E se vivesse
em comunidade que não fosse uma pólis, seria inferior.
Por isso que um estrangeiro era inferior a um grego e era
legítimo que ele fosse escravizado. Por isso, Aristóteles
condenava a escravidão entre homens livres, por ser
contrário à natureza das coisas.
Aí você pode pensar, mas não é todo mundo
gente do mesmo jeito? Nananinanan, não. Vamos botar
os pingos nos ís. Aristóteles tinha em mente que todos
nós, gregos ou não, somos zoôn (animais), mas apenas os
que vivem numa comunidade política, numa pólis, são
zoôn polítikon, são ánthropos (ανθρώπου).
Ora, nós vimos acima que o pensamento racional
surgiu com a pólis. A racionalidade, que é uma descoberta
grega, que era, portanto, grega, é uma racionalidade
política, no sentido de comunitária, e o que faz o ánthropos
(homem) ser superior aos outros animais é justamente
isso, ser racional. Mas ele só pode ser racional se fizer
parte dessa comunidade política que é a pólis, pois
somente nela, ele pode desenvolver a sua natureza
racional. E se é assim, a pólis também é algo natural ao
homem.
As leis que regem a pólis são criações da palavra
(logos/razão), que não é mais ditada pelos deuses a um
sacerdote que a transmite aos homens. Ela é
genuinamente humana, fruto do debate, da dialética,
expressão do logos (razão) que organiza a pólis e reina
sobre os homens, não todos os homens, mas sobre os
gregos.
É essa palavra (logos) que é o conhecimento do
que é útil, do bem e do mal, do justo e do injusto; e viver
de acordo com a justiça é viver a boa vida, permitida
apenas na pólis. É isso que faz de um grego, um zoôn
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FILOSOFIA PARA O ENEM
(animal) politikon (superior), e somente este é ánthropos
(ανθρώπου).
Repito, tudo isso de que estamos falando foi
construído por eles, por isso, não é obra do homem em
geral, mas dos gregos em particular. Aristóteles está
falando para os gregos, ele está ensinando a eles, e não a
todos os homens do planeta. E por que não?
Por que ele acreditava que só os gregos eram
capazes de entender o que ele estava dizendo, e é aqui
que reside o preconceito que não é só de Aristóteles, mas
dos gregos em geral.
Ética
Como viver essa boa vida, que só era possível
participando da pólis? Aristóteles deixou essa resposta
em sua obra Ética a Nicômaco. Como já vimos, ele
concebia que tudo tem um fim, e não seria diferente com
as ações humanas, que devem ser realizadas objetivando
atingir o bem supremo que é a eudaimonia, comumente
traduzida por felicidade.
Não devemos entender essa felicidade como uma
emoção que temos quando algo bom nos acontece. Ela
está mais para um estado de plenitude, uma forma de
viver plena, voltada para o bem, para o saber, para a
justiça, no aperfeiçoamento constante do caráter. E viver
dessa forma não é possível sem as virtudes.
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323 a. C.) de apenas 18 anos, assume o poder e conquista
os grandes domínios do Império Persa, expandindo o
poderio macedônico até a Índia.
Alexandre
foi
educado
nos
costumes
gregos, teve Aristóteles como
seu professor, e espalhou a
cultura grega por um
vastíssimo
território.
A
expansão e mistura da cultura
grega com a dos povos
orientais originou o que foi
conhecido de Helenismo.
Seu império não resistiu à sua morte, foi dividido
entre seus generais, e foi conquistado pelos romanos. No
entanto, as cidades fundadas por ele continuaram
transmitindo a cultura grega pra diversos povos ao longo
de séculos. Como exemplo, podemos citar Alexandria no
Egito, Pérgamo na Ásia Menor, e a Ilha de Rodes no Mar
Egeu.
Alexandria foi a que mais se destacou ao possuir
a maior biblioteca do mundo de sua época, e por ter
formado uma escola com grandes pensadores.
Abaixo, mapa indicando o tamanho da expansão
do Império Macedônico.
As virtudes são as qualidades do caráter que
nos permitem conseguir os bens necessários
(materiais e imateriais) para viver plenamente, ou seja,
ter uma vida feliz. E a principal delas é a phronesis, a
nossa conhecida prudência.
Ela é a sabedoria, o saber prático necessário, a
chave da felicidade, para viver moderadamente. É a
prudência que nos permite viver sem exageros e nem
deficiências, ou seja, no meio termo. É essa virtude que
nos permite saber como agir moderadamente em cada
situação particular.
CAPÍTULO 3 – FILOSOFIA HELENISTICA
CONTEXTO HISTÓRICO - ALEXANDRE O
GRANDE
Enfraquecidos pela Guerra do Peloponeso, os
gregos não resistiram ao ataque macedônico na
BATALHA DE QUERONEIA (338 a. C.) e
sucumbiram diante do rei Felipe II.
O domínio macedônico não ficou só na Grécia.
Com a morte do rei Felipe II, seu filho Alexandre (336 –
Alexandre com suas expansão promove
gradualmente a queda da pólis. Ele dá início ao primeiro
projeto de globalização, com a convivência de povos de
diferentes costumes vivendo sob um mesmo território e
domínio.
Esse novo mundo que Alexandre estava criando
requeria um novo homem, que deixaria de ser um
cidadão da pólis para ser um cidadão do mundo, da
cosmopólis, ou seja, um cosmopolita.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
Dessa maneira, todo aquele corpo teórico
sustentado pelos filósofos gregos, que concebia a pólis
como sendo o único lugar onde o homem poderia
exercitar suas virtudes e fazer florescer suas
potencialidades, foi perdendo sentido, pois a pólis estava
deixando de existir em seu formato original.
Essas mudanças na forma de ver o mundo
colocava novas questões que não podiam ser respondidas
pelos escritos filosóficos já existentes.
É nesse contexto que surgem novas correntes de
pensamento filosóficas, como respostas às novas
questões postas por essas transformações.
Epicurismo
Fundada por Epicuro (341 – 271 a. C), o
epicurismo ensinava que os homens devem se libertar
dos medos e viver uma vida voltada para os simples
prazeres (hedonismo), como beber quando se tem sede,
comer quando se tem fome, aproveitar a presença dos
amigos e familiares. Tudo com moderação.
Estes prazeres seriam entendidos como a
superação dos desejos estimulados em sociedade, como
a busca por fama, riqueza e poder. A felicidade seria,
portanto, essa libertação dos desejos e prazeres, com o
objetivo de se levar uma vida serena e simples, própria de
um sábio.
Estoicismo
Outra doutrina foi a de Zenão de Cício (336 –
263 a. C.), que ficou conhecida por estoicismo. Segundo
ela, o homem deveria viver indiferente aos problemas da
vida. Teria que desprezar totalmente qualquer tipo de
prazer, pois os entendia como a causa dos males.
Para esse filósofo, o homem deveria dedicar-se
apenas à sabedoria sobre a ordem do cosmo para viver
de acordo com ele, pois o homem não pertence a lugar
nenhum, mas ao mundo.
Ceticismo
Pirro de Élida (360-270 a.C.) foi o maior nome
dessa corrente filosófica. Ele tirou suas conclusões
depois de participar das expedições de Alexandre o
Grande, onde percebeu, ao ter contato com diversas
culturas, que não há como se ter conhecimento do que
seja verdadeiro ou falso, e que a maior sabedoria que o
homem poderia alcançar é a aceitação desse fato. E negar
isso é a causa de todos os males e infelicidades.
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Cinismo
Figura emblemática do cinismo é Diógines de
Sínope (400-325 a. C.), mais conhecido como Diógines o
cão. Ele viveu em Atenas de acordo com o que
acreditava, morando em um barril e comendo apenas o
os outros lhe davam, pois o cinismo pregava que as
pessoas deveriam viver da forma mais simples possível,
como um cão, desprezando todas as convenções sociais.
Tudo que era natural deveria ser feito aos olhos
de todos, e considerava coisas tolas a riqueza, fama,
poder, e honras.
Em busca de uma pessoa que não fosse corrupta,
ele andava com uma lanterna interpelando a todos que
encontrava.
Certa vez o imperador Alexandre foi ao seu
encontro e disse que lhe daria qualquer coisa que ele
pedisse, quando então, Diógenes pediu apenas que eles
saísse da frente do sol, pois estava impedindo-o de
receber sua luminosidade.
QUESTÕES
1. (2012)
TEXTO I
Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento
originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que
outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar
se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos
são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar
por feltragem e, ainda mais condensadas, transformamse em água. A água, quando mais condensada,
transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo
possível, transforma-se em pedras.
BURNET, J. A aurora da filosofia grega . Rio de
Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).
TEXTO II
Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu:
“Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio
do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se
nos apresentam, em face desta concepção, as
especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o
mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos,
como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga
Demócrito. Na verdade, dão impressão de quererem
ancorar o mundo numa teia de aranha.”
GILSON, E.: BOEHNER, P. Historia da
Filosofia Crista. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).
Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram
teses para explicar a origem do universo, a partir de uma
explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo
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FILOSOFIA PARA O ENEM
grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em
comum na sua fundamentação teorias que
a) eram baseadas nas ciências da natureza.
b) refutavam as teorias de filósofos da religião.
c) tinham origem nos mitos das civilizações antigas.
d) postulavam um princípio originário para o mundo.
e) defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas.
2. (2012) Para Platão, o que havia de verdadeiro em
Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto
de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma
relação entre objeto racional e objeto sensível ou material
que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo.
Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias
formava-se em sua mente.
ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da
filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado).
O texto faz referência à relação entre razão e sensação,
um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão
(427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão
se situa diante dessa relação?
A) Estabelecendo um abismo intransponível entre as
duas.
B) Privilegiando os sentidos e subordinando o
conhecimento a eles.
C) Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e
sensação são inseparáveis.
D) Afirmando que a razão é capaz de gerar
conhecimento, mas a sensação não.
E) Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação
é superior à razão.
3. (2014)
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No centro da imagem o filósofo Platão é retratado
apontando para o alto. Esse gesto significa que o
conhecimento se encontra em uma instância na qual o
homem descobre a
A) suspensão do juízo como reveladora da verdade.
B) realidade inteligível por meio do método dialético.
C) salvação da condição mortal pelo poder de Deus.
D) essências das coisas sensíveis no intelecto divino.
E) ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.
4. (2009.2) Segundo Aristóteles, “na cidade com o
melhor conjunto de normas e naquela dotada de homens
absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma
vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de
vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades
morais —, tampouco devem ser agricultores os
aspirantes a cidadania, pois o lazer é indispensável ao
desenvolvimento das qualidades morais e a pratica das
atividades políticas”.
VAN ACKER, T. Grécia. A vida cotidiana na
cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994.
O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles,
permite compreender que a cidadania
A) possui uma dimensão histórica que deve ser criticada,
pois é condenável que os políticos de qualquer época
fiquem entregues a ociosidade, enquanto o resto dos
cidadãos tem de trabalhar.
B) era entendida como uma dignidade própria dos grupos
sociais superiores, fruto de uma concepção política
profundamente hierarquizada da sociedade.
C) estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção
política democrática, que levava todos os habitantes da
pólis a participarem da vida cívica.
D) tinha profundas conexões com a justiça, razão pela
qual o tempo livre dos cidadãos deveria ser dedicado as
atividades vinculadas aos tribunais.
E) vivida pelos atenienses era, de fato, restrita aqueles que
se dedicavam a política e que tinham tempo para resolver
os problemas da cidade.
5. (2013) A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre
e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não
devem estar separados como na inscrição existente em
Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor
é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”. Todos
estes atributos estão presentes nas mais excelentes
atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos
como felicidade.
ARISTOTELES. A Politica. São Paulo: Cia das Letras, 2010.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais
excelentes atributos, Aristóteles a identifica como
a) busca por bens materiais e títulos de nobreza.
b) plenitude espiritual e ascese pessoal.
c) finalidade das ações e condutas humanas.
d) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.
e) expressão do sucesso individual e reconhecimento
público.
6. (2014)
TEXTO I
Olhamos o homem alheio às atividades públicas
não como alguém que cuida apenas de seus próprios
interesse, mas como um inútil; nós, cidadãos atenienses,
decidimos as questões públicas por nós mesmos na
crença de que não é o debate que é o empecilho para à
ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate
antes de chegar a hora da ação.
TUCÍDIDES. História da guerra do Peloponeso. Brasília: UnB, 1987 (adaptado).
TEXTO II
Um cidadão integral pode ser definido por nada
mais anda menos que pelo direito de administrar justiça
e exercer funções públicas; algumas destas, todavia, são
limitadas quanto ao tempo de exercício, de tal modo que
não podem de forma alguma ser exercidas duas vezes
pela mesma pessoa, ou somente podem sê-lo depois de
certos intervalos de tempo prefixados.
ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985.
Comparando os textos I e II, tanto para Tucidides (no
século V a.C.) quanto para Aristóteles (no século IV a.C.),
a cidadania era definida pelo(a)
No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem
tem como fim
A) alcançar o prazer moderado e a felicidade.
B) valorizar os deveres e as obrigações sociais.
C) aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com
resignação.
D) refletir sobre os valores e as normas dadas pela
divindade.
E) defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir
o saber.
8. (2014) Compreende-se assim o alcance de uma
reivindicação que surge desde o nascimento da cidade na
Grécia antiga: a redação das leis. Ao escrevê-las, não se
faz mais que assegurar-lhes permanência e fixidez. As leis
tornam-se bem comum, regra geral, suscetível de ser
aplicada a todos da mesma maneira.
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 1992 (adaptado).
Para o autor, a reivindicação atendida na Grécia antiga,
ainda vigente no mundo contemporâneo, buscava
garantir o seguinte princípio:
A) Isonomia – igualdade de tratamento aos cidadãos.
B) Transparência – acesso às informações
governamentais.
C) Tripartição – separação entre os poderes políticos
estatais.
D) Equiparação – Igualdade de gênero na participação
política.
E) Elegibilidade – permissão para candidatura aos cargos
públicos.
A) prestígio social.
B) acúmulo de riqueza.
C) participação política.
D) local de nascimento.
E) grupo de parentesco.
7. (2014) Alguns dos desejos são naturais e necessários;
outros, naturais e não necessários; outros, nem naturais
nem necessários, mas nascidos de vã opinião. Os desejos
que não nos trazem dor se não satisfeitos não são
necessários, mas o seu impulso pode ser facilmente
desfeito, quando é difícil obter sua satisfação ou parecem
geradores de dano.
EPICURO DE SAMOS. Doutrinas principais. In: SANSON, V.F. Textos de
filosofia. Rio de Janeiro: Eduff, 1974.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
UNIDADE 2 – FILOSOFIA MEDIEVAL
CONTEXTO HISTÓRICO – A QUEDA DE
ROMA
Antes da queda, numa tentativa desesperada de
salvar o Império Romano, em 380 o imperador Teodósio
torna o cristianismo, que já era a seita religiosa com o
maior número de seguidores, a religião oficial.
O Império caiu, mas a Igreja Católica (do grego
καθολικος /katholikos = universal) Apostólica, e agora,
Romana emergiu e se tornou a maior instituição do
mundo (até hoje).
Em um cenário de fragmentação, a Igreja surgia
como um elemento de união, crescendo no vácuo que foi
deixado pelo desaparecimento do império. Ponte entre o
homem e Deus, ela teria a última palavra (a única) sobre
como deveria ser a vida de seu rebanho e sobre o que era
o bem e o mal, o certo e o errado, o justo e o injusto.
Seria, portanto, a dona da mente e, por conseguinte, dos
corpos das pessoas.
Poderosa não apenas do ponto de vista espiritual,
mas também político, ninguém melhor do que ela para
dizer como Deus queria que a sociedade fosse
organizada, legitimando assim, uma sociedade
hierarquizada, desigual e sem mobilidade social.
Definida pelo critério de sangue, quem nascia nobre
morria nobre, quem nascia servo, morria servo.
Por esses tempos o pensamento filosófico entrou
de férias, pois os homes letrados, com raras exceções,
eram os sacerdotes da igreja. Eles centralizaram o ensino
em torno de si nos mosteiros, e posteriormente nas
universidades. Desenvolveram o pensamento teológico,
no entanto, não conseguiram fugir do estudo dos grandes
filósofos.
Nesse período inicial de expansão da doutrina
católica, os sábios da igreja tinham que deixar a fé cristã
bem palatável aos olhos das classes mais cultas que
conheciam bem os textos filosóficos. Esse movimento
ficou conhecido como PATRÍSTICA por ter sido
protagonizado pelos padres, e teve como seu principal
expoente o africano Aureliano Agostinho.
CAPÍTULO 4 - A PATRÍSTICA E SANTO
AGOSTINHO
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Depois de passar por uma
grande crise existencial na qual se
perguntava pelo sentido da vida,
Agostinho (354 – 430) se converteu
ao cristianismo e passou a ser um
grande pregador. Essa crise está
descrita em sua obra autobiográfica
As Confissões.
Ele acreditava e pregava que o homem bom é
aquele voltado para o seu interior na procura de Deus e
em busca de sua salvação, pois já nascera desgraçado,
fruto do pecado original de Adão e Eva.
Não via como antagônicas fé e razão, mas
afirmava que para se compreender era necessário crer,
subordinando, portanto, a razão à fé.
Apropriou-se de muitos elementos da filosofia
platônica para fundamentar sua explicação da doutrina
cristã. Muitos autores afirmam que Santo Agostinho
cristianizou Platão.
Assim como Platão julgava o intelecto superior à
matéria, Santo Agostinho pregava a superioridade da
alma ante o corpo, e sendo a alma um presente de Deus,
devíamos nos voltar inteiramente à Ele.
Contemporâneo do declínio do Império
Romano, Agostinho respondeu à acusação de que fora o
cristianismo o culpado pela queda, e pôs a culpa no
paganismo.
Sua resposta veio na obra Cidade de Deus,
onde, segundo ele, há a cidade espiritual de Deus e a
cidade material dos homens. Elas não coexistem
separadamente, mas no plano de nossa existência a
depender de nossa vontade de viver uma vida de pecado
na cidade terrena dos homens, ou se voltar para deus e
viver em sua graça como um de seus servos.
Percebam que a boa vida não é mais aquela
voltada para o desenvolvimento da racionalidade humana
dentro de uma comunidade política, cujo Bem era
encontrado por meio da razão e ensinado por meio de
um processo educacional virtuoso, como teorizaram os
gregos.
Agora, o conhecimento do bem não dependia
mais de uma instrução racional, mas apenas da vontade
individual de cada um, por meio do livre-arbítrio, de
viver uma vida voltada para Deus. E a compreensão de
como vivê-la é obra da graça divina que ilumina o
coração de quem estiver aberto para isso.
O primeiro grande doutor da igreja foi o cara
mais cachaceiro e raparigueiro que existia na cidade de
Tagaste, uma província romana no norte da África.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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Mas quem dizia o que era ter uma vida voltada
para Deus? E ainda, quais pessoas viviam dessa maneira?
Um xero no olho para quem respondeu: a Igreja.
2. Causa eficiente – não podendo ser causa de
sua própria existência, os seres tiveram uma
causa primeira que é Deus.
3. Contingente e necessário – sendo os seres
contingentes, isto é, não podendo ser eles a
causa de sua própria existência, existe algo
necessário, que é a causa da existência de
todas as coisas.
4. Graus de perfeição – os seres existem em
graus diferentes de perfeição, mas somente
Deus é a perfeição máxima.
5. Causa final – para que haja ordem, tudo no
mundo tem uma finalidade, tem um
propósito, seja uma pedra ou o homem. E o
que rege a finalidade de tudo é Deus, a
inteligência ordenadora.
Mas aí meu amigo, deu no que deu.
CAPÍTULO 5 - A ESCOLÁSTICA E SÃO TOMÁS
DE AQUINO
No século VIII, o imperador franco Carlos
Magno começou a estimular e difundir o ensino ao
construir escolas que seriam dirigidas pela Igreja,
retirando dos mosteiros o monopólio do ensino.
A cultura greco-romana passa a ser divulgada nos
moldes romanos, ou seja, passa a ser ensinado gramática,
retórica, e dialética (trivium), além de geometria,
aritmética, astronomia e música (quadrivium), todas elas, é
claro, sob um viés teológico.
Essa nova fase do pensamento da Igreja é
chamado de escolástica e tem como principal expoente
Tomás de Aquino.
Natural de Nápoles na Itália, Tomás de Aquino
(1225 – 1274) foi ordenado monge dominicano e estudou
na universidade de sua cidade natal
e na de Bolonha. Mais tarde
tornou-se professor da maior
universidade europeia daquela
época, a de Paris.
Se
Santo
Agostinho
cristianizou Platão, Tomaz de
Aquino cristianizou Aristóteles ao
usar sua teoria filosófica para
explicar a fé e até mesmo a existência de Deus. A
influência de seu pensamento penetrou toda a Europa a
ponto dele ser considerado o conselheiro dos
conselheiros dos reis. Ou seja, o mestre dos mestres. Sua
obra principal foi a Suma Teológica.
Se em Santo Agostinho o lema era “crer para
entender”, aqui é “entender para crer”. Apesar de dar
uma valorizada na razão, ele também a entendia como a
serviço da fé.
Prova racional da existência de Deus
São Tomás desenvolve a teoria das cinco vias
para explicar racionalmente a existência de Deus.
Ética
O primeiro motor de Aristóteles, que era a causa
de tudo, o puro ato, São Tomás o transforma em Deus,
que tudo criou (a causa de tudo). Assim como Aristóteles
entendia que a felicidade poderia ser alcançada e vivida
na pólis, São Tomás também entende que ela pode ser
vivida ainda nesse mundo, mas a felicidade que ele
defende é uma felicidade mais alta, o conhecimento de
como Deus é em si mesmo.
Política
Na época dele os reinos já estavam fortalecidos,
pois as cruzadas haviam deixados os nobres senhores
feudais empobrecidos e dependentes de um poder mais
centralizado. Com isso, ele pôde desenvolver teorias
sobres as leis internacionais, aquelas que regulam as
relações entre os reinos, e sobre a melhor forma de
governo. Não preciso nem dizer que era a monarquia,
não é mesmo?!!!
Ele entendia que os reinos, orientados pela Igreja,
guiavam seus súditos até certo pondo, quando então a
Igreja os orientavam para a felicidade eterna.
O pensamento de São Tomás de Aquino, por ser
o que de melhor a Igreja produziu na idade média,
influenciou suas ações durante séculos. Foi o que os
jesuítas, responsáveis pela educação dos jovens,
ensinaram nos mosteiros, escolas e universidades. E foi
sobre o seu aporte teórico que caíram as críticas de
cientistas renascentistas como Galileu, e filósofos como
Descartes e Thomas Hobbes.
1. Movimento – Todo o movimento existente
no mundo é causado por Deus.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
UNIDADE 3 – FILOSOFIA MODERNA
CAPÍTULO 6 - RENASCIMENTO
CONTEXTO HISTÓRICO – ROMPIMENTO
COM O ANTIGO E O NASCIMENTO DO
(MUNDO) MODERNO
A ruptura com o sistema feudal não aconteceu da
noite para o dia. Foi um processo lento e gradual de
transformações no mundo e no pensamento que
aconteciam ainda na (baixa) Idade Média. Se ainda hoje
existem resquícios desse tempo, imagine durante essa
passagem.
A ponte entre esses dois mundos foi o
Renascimento, que começou ainda no século XIV e se
estendeu até o século XVI. Foi ele o combustível
intelectual que justificou o abandono de uma forma
(ultra)passada de ver a si mesmo e ao mundo, e deu novas
cores, formas e respostas ao que já estava acontecendo e
ao que ainda estava por vir. Por isso, é ele que passaremos
a estudar agora.
Enquanto os grandes reinos estavam sendo
criados, porque a situação estava um caos e precisava-se
de um poder forte para controlá-la, na Península Itálica,
onde se encontravam as principais rotas comerciais,
cidades muito ricas ficavam cada vez mais ricas devido ao
intenso comércio com o oriente.
As mais ricas cidades foram Gênova, Veneza e
Florença, comandadas por ricas famílias de comerciantes
e banqueiros, e onde um grande número de pessoas de
todos os lugares passavam por lá e, além de comerciarem,
trocavam ideias e experiências de vida, ampliando os
horizontes de seus habitantes.
Nessas cidades, uma nova ordem social era
criada. Lá os homens faziam seus destinos por conta
própria, eram senhores de si, construtores de seu novo
mundo. Este, era muito diferente daquele existente no
campo, onde imperavam as regras sociais feudais
sustentadas pela visão teocêntrica (Deus no centro de
tudo) imposta pela Igreja.
Esses homens não aceitavam a imobilidade
social, em que um servo morreria servo, quando homens
pobres podiam ficar ricos e melhorar de via. Eles não
aceitavam ter uma vida de penitências quando se poderia
aproveitar os prazeres que a vida tem a oferecer. Eles não
aceitavam que a busca pelo lucro fosse um pecado
mortal, enquanto que esse lucro lhes proporcionava
mudar para uma vida melhor, na medida de seu próprio
esforço pessoal.
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Percebam que nessas ricas cidades a visão de
mundo feudal (teocêntrica) fundamentada pela Igreja não
tinha muito espaço. Não é que todo mundo ficou ateu
nas cidades, mas é que a interpretação de mundo passa a
se dar a partir do homem, já que ele, realmente era um
pecador, mas também fora feito à imagem e semelhança
de Deus, do criador. E por ter algo de divino, a criatura
mais perfeita criada por Deus, ele poderia também criar
maravilhas.
O homem passaria a olhar o mundo desde então,
não mais a partir de Deus, mas a partir de si mesmo. O
centro
das
coisas
agora
era o
homem
(antropocentrismo). Por isso que os pensadores desse
tempo ficaram conhecidos como humanistas.
Eles estavam no século XIII, onde poderiam
encontrar fundamentos para essas suas ideias? Isso
mesmo, eles tiveram que recuar mais de 1.000 anos para
encontrar nos gregos antigos algo parecido com o que
estava acontecendo com eles. E não foi muito difícil fazer
isso, já que eles estavam, onde mesmo? Exatamente, no
centro do que fora o maior império do mundo, o mesmo
que conquistou os gregos e mesclou a cultura deles com
a sua, preservando vários de seus escritos.
Os homens do renascimento foram buscar nos
gregos e romanos antigos inspiração para louvarem o ser
humano. Isso mesmo, “inspiração”. Eles não estavam
querendo simplesmente copiá-los, prova disso é que
diferentemente dos antigos que contemplavam a
natureza, os renascentistas queriam conhecê-la para
dominá-la.
Não bastava um pensamento contemplativo, eles
queria um saber ativo que lhes permitissem ciar coisas.
O homem renascentista que rompeu com as
imposições da sociedade feudal, agora queria romper
também com as imposições que a natureza lhe impunha.
Descobrir seus mistérios para usá-los a seu favor era algo
muito rentável e promissor.
Pergunte aos navegadores que tinham que
desbravar os mares, aos mineradores que tinham que
encontrar metais preciosos para cunhar moedas.
Pergunte aos estudantes de medicina que queriam
conhecer melhor o corpo humano para trata-lo melhor,
e aos engenheiros que queriam descobrir novas formas
de construir armas para guerrear com mais facilidade.
Essa vontade de obter um conhecimento que os
ajudassem em questões práticas (o embrião do
conhecimento científico), se refletiu em todos os ramos
da cultura, desde a política até as artes. Mas havia algo
que os impedia em progredir, e que infelizmente também
estava lá junto deles na Península Itálica.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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Era a Igreja com seus ensinamentos escolásticos,
principalmente Santo Tomas de Aquino e Aristóteles,
que ensinavam um conhecimento baseado na pura
contemplação e que vinha sendo transmitido à gerações
pela tradição, que era indiscutível.
Para a Igreja, esses desgraçados que já haviam
rompido com a organização social que ela havia dito que
era a única correta, pois reflexo da vontade de Deus,
agora querem descobrir os segredos do corpo humano,
da natureza, e do universo. Mas ela já havia dito tudo que
tinha para ser dito.
Essa vontade de conhecer era uma blasfêmia
tamanha que só poderia ser purificada pelo fogo da
Inquisição do Santo Ofício. “Ousem questionar o que
dissemos e sofrerão as consequências”, era o aviso que a
Igreja havia dado.
Mas as famílias ricas ousaram, e, conhecidos
como mecenas, financiaram vários artistas e cientistas,
que com sua arte e invenções iam firmando os valores
burgueses na nova sociedade.
Nas artes eram usados conhecimentos
científicos e matemáticos, e nelas se destacaram grandes
nomes na Península Itálica, tais como:
Leonardo da Vince (1452 – 1519) – grande
gênio da época interessou-se por tudo, engenharia,
astronomia, pintura, escultura, filosofia, física, música,
etc. Seus traços sempre valorizaram as formas humanas
e suas invenções militares ajudaram os homens daquela
época a se matarem com mais eficiência. Ele também
dissecava corpos nas horas vagas, e seus desenhos
ajudaram a entender melhor o funcionamento do corpo
humano.
Michelangelo Buonaroti (1475 – 1564) – foi
considerado o gigante do renascimento. As suas duas
maiores obras, o teto da Capela Sistina e o Davi, foram
relacionadas a temas cristãos. Mas olhe só a imagem que
há por trás de Deus no momento da criação. Você
consegue reconhecer? E o Davi, qual a diferença com as
esculturas dos deuses e heróis gregos?
Rafael Sanzio (1483 – 1520) – o “pintor da
madonas”. Veja só uma de suas obras mais famosas. A
Escola de Atenas representa os maiores pensadores da
grécia antiga, tendo Platão e Aristótels ao centro.
Nas ciências como a biologia, física,
matemática, astronomia, tivemos grandes nomes que
enfrentaram os dogmas (verdades indiscutíveis) da Igreja.
Nicolau Cpérnico (1473 – 1543) desafiou a teoria
geocênctrica (terra no centro do universo) defendida por
Aristóteles e epla Igreja, e propôs o modelo heliocentrico
(sol no centro).
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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GALILEU GALIEI E O INÍCIO DA CIÊNCIA
EXPERIMENTAL
Aristóteles. Qualquer pessoa podeira ver isso pelo
telescópio e atestar que Galileu estava com a razão.
Também na Itália,
Galileu Galilei (1564 –
1642) conseguiu se impor
como um grande matemático
e inventor. Ele era estudante
de medicina e abandonou o
curso, para desgosto da
família, no intuito de se
aprofundar nos estudos de
matemática, que era sua
grande paixão.
Óbivio que a Igreja não ficou parada de braços
cruzados. A inquisição caiu em cima de Galileu e ele teve
de dizer que suas teorias eram apenas suposições
(hipóteses).
Galileu, contrariando os ensinamentos formais
da Igreja predominantes nas escolas e universidades de
seu tempo, acreditava que era possível explicar o universo
através da matemática, e dedicou sua vida a provar que
estava certo.
Não fosse por Galileu, talvez você não teria que
responder 45 questões de matemática, um quarto da
prova. Mas também se não fosse por ele, talvez você não
estivesse lendo esse mateiral agora, pois provavelmente
não haveria a tecnologia necessária por fazer ele chegar
até você.
Atraves de seus estudos de astronomia Galileu
chegou às mesmas conclusões de Copérnico sobre a
posição da terra no sistema solar, sustentano um sistema
heliocentrico (sol no centro), contrariando a posição
geocentrica (terra no centro) da Igreja.
Além disso, fez algo
revolucionário. Desenvolveu o
telescópio. Pronto, a Igreja
ficou doida. Agora, qualquer
pessoa poderia olhar por aquele
negócio e ver com os próprios
olhos as estrelas e a lua.
Esse foi o grande passo
para o conhecimento experimental. Veja que um
indivíduo, por meios dos sentidos, pôde sozinho desafiar
os conhecimentos contemplativos sustentados por todo
o clero da Igreja.
Além de desbancar Aristóteles com relação à
queda dos corpos, por meio de seus cálculos matemáticos
e suas experiencias na torre de Pisa, ele também provou
que as esferas celestes não eram perfeitas como o filosofo
grego sustentava.
Ele viu com seu telescópio as crateras lunares, e
o extraordinário era que não se tratava apenas de uma
disputa de opiniões, a palavra de Galileu contra a de
Apesar disso, a Igreja não conseguiu conter a
Revolução Científica que Galileu havia começado, e
muitos foram os estudiosos que deram prosseguimento a
seus estudos, sendo Isaac Newton quem aperfeiçou o
sistema.
E o movimento renascentista não ficou só na
Peninsula Itálica, ele se espalhou por toda a Europa. Na
França tivemos Rabelais (1490 – 1553) e Montaigne
(1533 – 1592), na Inglaterra, Willian Sheakespeare
(1564 – 1616), na Espanha, Miguel de Cervantes (1547
– 1616), nos Paises Baixos, Erasmo de Rotterdam
(1466 – 1536).
Ém importante destacar que talvez a principal
invenção dessa época, sem a qual nada disso poderia ter
acontecido, tenha sido a imprensa (1454) do alemão
Gutemberg. Ela possibilitou a reprodução rápida e barata
dos livros já produzidos e dos que estavam sendo
escritos.
Ela foi também um importante instrumento
contra a centralização do saber com o clero, já que antes
dela os livros eram copiados pelos monges de capa a
capa. Imagine quanto tempo levaria para copiar a
quantidade de livros que circulou pela Europa nesse
tempo.
Essas foram grandes realizações dos homens, que
ainda continuaram no campo da política com a criação
dos Estados Nacionais. Diferentemente dos reis feudais,
esses novos Reis teriam tanto poder que alguns deles
desafiaram até o representante de deus na terra, o Papa.
MAQUIAVEL E O DILEMA DO PRÍNCIPE
As transformações
sofridas pelo poder político não
passaram despercebidas pelos
renascentistas, e a principal, e
mais significativa personalidade
nesse campo foi o florentino
Nicolau Maquiavel (1469 – 1527).
Ele assumiu um
cargo importante no governo de
Florença depois que a família Médici foi afastada do
controle da cidade. Trabalhava como diplomata fazendo
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FILOSOFIA PARA O ENEM
várias viagens aos grandes reinos que haviam se
unificado, e não se conformava com o estado de guerra
que se encontrava a Península Itálica.
Na época de Maquiavel as cidades mais
expressivas dessa região eram: a sua Florença, Milão,
Nápoles, e Veneza. Apesar de seu forte comércio elas
eram frágeis politicamente e totalmente vulneráveis a
ataques externos. Na época dele era a coisa mais comum
uma cidade invadir e dominar outra, por isso a sua
preocupação.
Além disso, Maquiavel acreditava que a região
italiana só teria a ganhar se fosse unificada. Mas como
fazer isso? Essa é a pergunta central de O Príncipe (1515),
a sua grande obra prima que iria mudar totalmente o
modo dos homens ocidentais enxergarem a política.
Maquiavel é considerado o pai da ciência
política moderna porque não escreveu um tratado
teórico de como deveria ser o governo ideal. Desde os
gregos até sua época, todos fizeram isso.
Sua preocupação não era como deveria ser a
política, mas sim em como ela é realmente praticada.
Com isso em mente, tendo como fundamento empírico
as lições que a história havia dado e como se
comportavam os grandes políticos de sua época, ele
escreveu um manual de como construir um estado
forte e como se manter no poder para governá-lo.
Para isso ele entendia que o príncipe deveria ser
guiado pelos resultados a serem alcançados, podendo
tudo fazer. Não deveria ficar preocupado com questões
morais, o importante era conseguir o poder e mantê-lo.
Para Maquiavel, portanto, a política não é atrelada à
moral, pois os “fins justificam os meios”.
O príncipe deve usar de todas as artimanhas
possíveis, mentir, ludibriar, enganar. É o homem astuto,
esperto o suficiente para conseguir o que deseja. Desse
modo, para conseguir o poder ele tem que possuir a
virtu, ou seja, qualidades especiais que o diferencie dos
outros homens. É ela que vai possibilitá-lo a reconhecer
as circunstâncias certas (fortuna) para agir como se deve
no momento certo. A fortuna é o que muitos chamam de
sorte, mas só a aproveita quem estiver preparado.
Esse é o elemento característico do pensamento
renascentista nos seus ensinamentos. Maquiavel sabe que
existem forças independentes da vontade do homem
agindo sobre ele. Mas o homem como um ser racional,
dotado de inteligência, não é uma simples marionete
jogada de um lado a outro ao sabor do acaso. Ele pode
usar sua racionalidade para decidir os rumos de sua vida.
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Chegado ao poder, é preciso saber como se
manter nele. Para isso, é melhor ser temido do que
amado. Maquiavel tinha uma visão pessimista sobre o
homem, acreditava que ele é um bicho escroto, que
quando tá tudo bem, todo mundo é seu amigo, mas “na
hora do vamos ver” todo mundo lhe vira as costas.
Não existe essa de bem comum. Os indivíduos
vivem em constante conflito em sociedade, e não dá pra
agradar todo mundo. Para manter a lealdade de todos é
melhor que eles o temam, pois assim é mais fácil de
obedecerem e se manterem fiéis. É até bom de vez em
quando esfolar um infeliz para que todos vejam que o
príncipe não está para brincadeira.
Para o leitor superficial de Maquiavel, O Príncipe o
torna, sem sombra de dúvidas, um dos escritores mais
sem escrúpulos de todos os tempos. Essa é a
interpretação possível para quem analisa essa obra fora
de seu contexto histórico.
Maquiavel escreveu essa obra, quando os Médici
retornaram ao poder e ele foi posto para fora da cena
política. Ele a dedicou a Lorenzo de Médici, o único
homem que poderia, aos olhos dele, unificar a Itália e lhe
trazer de volta o brilho e esplendor da Roma republicana
anterior à ditadura de Júlio César.
Maquiavel era um republicano, e não escreveu
um obra para um governante que quisesse se perpetuar
no poder de forma absoluta e despótica. Ele tinha um
sonho, mas não era um ingênuo. Sabia que teria de haver
derramamento de sangue para que um grande Estado
fosse criado, e que isso teria de ocorrer sob a liderança de
um único homem.
No entanto, alcançada a estabilidade, um regime
republicano deveria ser instalado para que o interesse
coletivo pudesse guiar o destino de todos, e os rumos do
Estado.
É claro que não encontramos isso em O Príncipe,
que, como já dissemos, é um manual de como conseguir
o poder e se manter nele. Esse perfil republicano de
Maquiavel é percebido em outra obra sua, qual seja,
Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio.
Vejamos um trecho dessa obra em que isso fica
bem evidente:
“Percebe-se facilmente de onde nasce o amor à
liberdade dos povos; a experiência nos mostra que as
cidades crescem em poder e em riqueza enquanto são
livres. É maravilhoso, por exemplo, como cresceu a
grandeza de Atenas durante os cem anos que sucederam
à ditadura de Pisístrato. Contudo, mais admirável ainda é
a grandeza alcançada pela república romana depois que
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FILOSOFIA PARA O ENEM
foi liberta dos seus reis. Compreende-se a razão disto:
não é o interesse particular que faz a grandeza dos
Estados, mas o interesse coletivo. E é evidente que o
interesse comum só é respeitado nos repúblicas: tudo que
pode trazer vantagem geral é nelas conseguido sem
obstáculos. Se uma certa medida prejudica um ou outro
indivíduo, são tantos o que ela favorece, que se chega
sempre a fazê-la prevalecer, a despeito das resistências,
devido ao pequeno número de pessoas prejudicadas”
Essas palavras não parecem ser de um homem
que defenda um governo absolutista, que deseja ver um
rei governar por toda a eternidade. Parecem mais o alerta
de alguém que sabe a importância da liberdade para a
grandeza e prosperidade de um povo.
CAPÍTULO 7 - FORMAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO
DO ESTADO
O Estado foi o artifício criado pela nobreza e
burguesia para a manutenção de seus interesses e
privilégios, respectivamente. No momento de seu
nascimento ele tinha que vir ao mundo como uma
Monarquia Absolutista, pois era preciso a
concentração de poder nas mãos de alguém que
personalizasse essa transformação que ocorria para fazer
nascer uma nova ordem social.
com:
Os burgueses, pagavam impostos, mas ganhavam




Leis unificadas;
Sistemas de medidas e pesos unificados;
Moeda única que facilitava o comércio;
Segurança pública e jurídica;
Os nobres também ganhavam porque os reis
eram nobres, e todo o corpo burocrático necessário para
o funcionamento do estado era composto de nobres.
Além disso, eles tinham leis diferenciadas que os
beneficiavam de diversas formas, como por exemplo, a
isenção do pagamento de tributos. Ou seja, seu status
estava garantido.
Algumas medidas foram tomadas pelos Reis para
que centralizassem o poder. Dentre elas podemos citar:
 Somente o Rei poderia ter um exército;
 A resolução dos conflitos e aplicação da justiça
seria tarefa real. Acabaram-se os tribunais feudais
e a Igreja passa a julgar casos que envolvam
somente questões de fé;
 O rei poderia criar leis que valeriam para todo o
reino, sempre objetivando o bem comum;
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As características que marcaram o sistema absolutista
foram:
 Centralização de poderes nas mãos do Rei;
 Construção de um idioma nacional que pudesse
dar unidade e identidade ao povo;
 Unificação de moedas e de sistemas de pesos e
medidas;
 Demarcação do território do reino;
 Ordenamento jurídico único que valesse para
todo o território.
Os ibéricos saíram na frente na formação dos grandes
reinos, enquanto Inglaterra e França ainda se matavam na
guerra dos cem anos.
Somente depois, quando Portugal e Espanha já
haviam até começado o processo de exploração de suas
colônias americanas, é que aqueles dois países
começavam a se fortalecer e emergir como monarquias
absolutistas.
Na França, os conflitos religiosos entre a
nobreza católica e a burguesia calvinista (huguenote)
formaram, juntamente com a Guerra dos Cem Anos, o
cenário que propiciou a formação e consolidação do
absolutismo francês.
Já nessa época, metade do século XVI, o jurista e
filósofo francês Jean Bodin (1530-96) defendia o direito
absoluto do governante, que para ele tinha que ser um
rei. A monarquia seria a melhor forma de governo, pois
estaria em conformidade com a natureza das coisas e dos
homens. Só existe um Deus, um Sol, e um chefe de
família, por isso apenas um deve governar.
Suas ideias foram expostas em sua obra Os seis
Livros da República, publicada em 1576, e é nela que
encontramos a formulação moderna do conceito de
soberania como sendo o poder supremo de governar,
ou seja, é o poder que está acima de todos os outros
poderes, não se sujeitando a nada. “Por soberania se entende
o poder absoluto e perpétuo que é próprio do Estado” (Livro I,
capitulo III).
Um poder tão grande como esse só poderia vir
de Deus, cujo poder seria o único acima do poder
soberano do rei. O rei possui um direito divino de
governar. É por essa razão que Bodin não entende o
poder soberano como absoluto no sentido de ilimitado,
tirânico, porque ele não deve confrontar os direitos
naturais divinos, dentre eles o direito à liberdade e
propriedade dos súditos.
Pela teoria de Bodin, podemos ver que o poder
da Igreja Católica era muito grande na França. Tanto que
em 1589, quando o protestante Henrique IV tornou-se
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FILOSOFIA PARA O ENEM
rei, teve que se converter ao catolicismo. Apesar disso,
ainda conseguiu conceder tolerância religiosa aos
protestantes com o Édito de Nantes, que não durou
muito, pois seus sucessores foram eliminando aos
poucos essas liberdades.
A consolidação do absolutismo na França se dá
com o cardeal Rchelieu, que foi primeiro ministro de
Luís XIII. Esse cardeal enfraqueceu o poder dos nobres,
e atribuiu grande autoridade aos funcionários do rei. Para
ele, as necessidades do Estado estavam acima de tudo e
de todos, podendo o mesmo fazer tudo para alcançar
seus objetivos.
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ver o rei abolir o Édito de Nantes e tornar o catolicismo
a única religião a ser praticada em território francês.
Além desse apoio, um grande marketing político
contribuiu para associar a imagem do rei à do próprio
Estado, fazendo com que ele mesmo afirmasse: “O
Estado sou eu”. A sensação que ele passa de ser o todopoderoso, um homem perfeito que simboliza o próprio
estado francês em sua grandeza.
E realmente fez. Para desbancar a Espanha como
potência mundial, a França, num ato contraditório,
apoiou os protestantes, a quem sempre perseguiu, no
conflito que ficou conhecido como Guerra dos Trinta
Anos (1618-48). Na metade do século XVII a França se
tornou o Estado mais poderoso da Europa.
Foi essa potência que Luiz XIV governou de
1643 a 1715. Ele aprendeu direitinho com o Richelieu, e
se tornou o todo poderoso Rei-Sol. O ápice do
absolutismo monárquico se dá no seu reinado.
No plano teórico, depois de Bodin, e ao tempo
de Luiz XIV, apareceu outro pensador francês para
justificar o direito do rei de governar absolutamente. O
bispo católico Jacques Bossuet (1627 – 1704) escreveu
a obra Política tirada da Sagrada Escritura, onde também
defendeu o direito divino de governar do rei. O rei
deve obediência somente a Deus, que legitima o seu
poder, e todos devem obediência ao rei.
Para fortalecer seu poder, Luiz XIV diminuiu
influência política da aristocracia, enquanto fortalecia
economicamente o Estado com as ações de seu ministro
das finanças Jean-Baptiste Colbert, cujas medidas
mercantilistas ficaram conhecidas como colbertismo.
Tais medidas foram basicamente:
 O aperfeiçoamento do sistema de cobrança de
impostos;
 Incentivo às manufaturas;
 Estímulo ao comércio internacional de seus
artigos de luxo e produtos bélicos.
 Fortalecimento da marinha para entrar na
disputa por colônias;
Sua imagem foi cuidadosamente construída para
representar a magnificência, a perfeição e o caráter divino
do reino francês.
Ele ia morar em qualquer lugar? Claro que não.
Teria que ser uma palácio digno se um rei sol. Luiz XIV,
então, manda construir um palácio que represente sua
realeza. E claro, tinha que ser o maior da Europa. Nesse
sentido, o Palácio de Versalhes foi construído para
mandar uma mensagem ao mundo: “Aqui é a casa/sede
do homem/estado mais poderoso do mundo”.
Luiz XIV governou com o consentimento da
aristocracia e o apoio da Igreja. Os primeiros, apesar de
terem reduzida influência política, mantinham seu status
de “amiguinhos” do rei, e detinham uma série de
privilégios, como não pagar impostos. Já a Igreja, adorou
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FILOSOFIA PARA O ENEM
Mas Versalhes, e todo luxo em que viviam o rei e
sua corte, além de guerras constantes em que o estado
estava envolvido, tiveram um custo, que certamente não
era pago com o trabalho suado do rei. A bomba estava se
armando, e ela ia explodir na forma de uma das maiores
revoluções do mundo ocidental.
Na Inglaterra, Henrique VIII ganhou amplo
apoio da burguesia e de setores da nobreza ao romper
com a Igreja Católica e fundar, como seu chefe, a religião
anglicana (essencialmente calvinista, mas católico na
forma), governando esse país de 1509 a 1547. Mas foi sua
filha Elizabeth I que tornou essa nação uma potência ao
governá-la de 1558 a 1603.
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rurais que antes eram usadas em proveito coletivo,
passaram a ser exploradas por um único dono,
principalmente na criação de ovelhas que forneciam a lã
que impulsionava a nascente manufatura de tecidos nas
cidades. Esse processo contribuiu para a criação de uma
classe aristocrática aburguesada, e mais forte
economicamente, os gentry.
Nesse processo houve o que ficou conhecido
como cercamentos, onde os camponeses foram
praticamente expulsos do campo para viver uma vida
miserável na cidade. Isso forçou um descontrolado
êxodo rural para as cidades que não estavam preparadas
para receber todo esse contingente populacional que se
tornou mão de obra barata e fortaleceu o mercado
consumidor interno. Esse processo contribuiu para a
consolidação do capitalismo na Inglaterra.
A “rainha virgem” morreu sem deixar herdeiros,
sendo sucedida pelo seu primo escocês, e católico,
Jaime. Este uniu Inglaterra e Escócia e governou de 1603
a 1625, iniciando a dinastia dos Stuart como Jaime I.
Atrasados na corrida para exploração das
américas, Elizabeth quis recuperar o tempo perdido a
todo custo. Ela incentivou a construção de navios para a
formação de um poderosa frota que pudesse invadir e
explorar territórios, fossem eles já dominados por outros
países, ou não.
Foi nessa época que começou a ocupação da
américa inglesa, que não dava muito lucro porque não
havia muito o que explorar, pois as terras que produziam
especiarias e tinham metais preciosos já estavam há muito
tempo ocupadas pelos espanhóis.
Diante disso, esses navios serviam também para
saquear outros, de preferência os espanhóis, que vinham
abarrotados de metais preciosos.
Não tardou muito para os espanhóis
responderem, e a Invencível Armada (a maior frota de
navios do planeta) do rei Felipe II atacou os ingleses, mas
estes saíram vitoriosos. A partir de então, os mares
passaram a ter outros donos.
O cara mal chegou e já queria ter seus poderes
reais aumentados. E quem dava a fundamentação para a
legitimidade do poder ser ilimitado? Exatamente, o
catolicismo. Então ele começou a enfatizar o caráter
católico do anglicanismo. Mas não colou muito não. O
parlamento, composto pela aristocracia rural
aburguesada (gentry) e pelos burgueses fiéis aos
ensinamentos calvinistas (puritanos), se manifestou
contrário a essa jogada do rei, aumentando as tensões
entre os poderes.
Já no reinado do sucessor de Jaime, Carlos I, o
parlamento apresentou em 1628 uma Petição de Direitos
limitando os poderes reais. O rei ficou doido, mandou
fechar o parlamento e prender todo mundo. A situação
só piorou, e em 1640 desencadeou-se uma guerra civil
(1642-48) entre os “cavaleiros” (bajuladores do rei) e os
“cabeças redondas” partidários do parlamento. Tem-se
início a Revolução Puritana.
A fim de tirar um rei absolutista do poder, Oliver
Cromwell lidera as tropas do parlamento, corta a cabeça
do rei e assume como ditador com o apoio do exército,
instaurando uma republica ditatorial conhecida como
protetorado, e governa de 1649 a 1658. Forma em 1651
a Comunidade Britânica com a união da Inglaterra,
Irlanda e Escócia.
Mas as transformações econômicas ocorridas na
terra da rainha não ocorreram só nos mares, o modo de
produzir na terra também se modificou. As propriedades
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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THOMAS HOBBES E A MECÂNICA DO
ESTADO
que ele chamou de Estado de Natureza. O homem é o
lobo do próprio homem.
Hobbes (1588 –
1679) nasceu na era de ouro
elisabetana, mas sua vida
adulta foi marcada por esses
conflitos entre reis e o
parlamento. Ele era crítico
da democracia e por
conseguinte, da monarquia
parlamentar inglesa.
Hobbes parte de uma concepção de natureza
humana para fundamentar o poder político. Como
Galileu na física, no campo da política, ele também
começa contrariando Aristóteles, sustentando que o
homem não é naturalmente sociável, não é um animal
político.
Quando estourou a guerra entre rei e parlamento
ele se manteve a favor do rei, e teve que se exilar na
França em 1640. Um país onde todo aquele quem
quisesse defender o absolutismo era bem vindo.
Hobbes encarou a questão da legitimidade do
poder absoluto e da fundamentação da criação do estado
em sua grande obra Leviatã, que publicou na França em
1651, dois anos depois da vitória de Cromwell, e quando
seu governo ditatorial começava a se consolidar.
Por que deve existir o Estado e de onde vem o
seu poder absoluto? Essa é a pergunta central da obra
magna de Hobbes. Na França, havia a teoria do direito
divino dos reis de governar, mas nosso filósofo era um
homem racional demais para abraçar tal teoria.
Além de filósofo, ele era também um matemático
que admirava a explicação matemática que Galileu dava à
realidade. Sua explicação para o poder político estava
embasada na nova forma de ver o mundo, oriunda da
nova ciência que estava surgindo.
Ele é um ser malvado por natureza, que precisa
de um poder superior ao seu para frear seus instintos
naturais de destruição. Segundo esse filósofo, nesse
estado, o homem possuía o direito natural (inerente à
própria natureza humana) à vida, e à liberdade, que
consistia em usar seu poder para fazer tudo o que
quisesse para preservar sua vida, ou seja, de se
autogovernar como quiser.
Mas esse mesma vontade de autoconservação que
o impele à guerra, faz o homem querer também viver em
paz. O que fazer então?
Contrato Social
Para sair desse estado de guerra, onde os homens
podiam usufruir amplamente de sua liberdade para se
autogovernar, todos eles devem concordar em renunciar
parte desse poder, e transferi-lo a outro homem, ou uma
assembleia, a fim de se criar um ente todo poderoso que
Hobbes inova no pensamento político da época
ao defender que a organização social deve ser entendida
e explicada não como uma teia de jogo de interesses entre
classes sociais diferentes, mas do mesmo modo como a
ciência explica o movimento dos corpos através de suas
relações de causa e efeito, tendo como princípio básico o
entendimento do movimento como um fenômeno
natural. Filosofia, para ele, era física dos corpos.
Estado de Natureza
Para descobrir o fundamento do Estado e de seu
poder soberano, absoluto, Hobbes não faz uma
investigação histórica sobre as primeiras sociedades.
Tal como na ciência ele começa com uma
hipótese, a de que os homens viviam inicialmente
isolados, livres e iguais, em um estado anterior à
sociedade, no qual tudo era possível, não existiam leis e
muito menos justiça, onde havia a pura e simples
barbárie, um estado de guerra de todos contra todos a
pudesse acabar com os conflitos.
Esse ente que surge desse contrato feito entre os
homens, Hobbes chamou de Leviatã, um monstro
marinho citado na bíblia, no livro de Jó.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
Veja que o poder do Estado, ou seja, sua
soberania, advém não mais do direito divino do rei, mas
do pacto feito entre os cidadãos de renunciar parte do seu
poder de governar-se.
Estado e Sociedade civil
Perceba que o homem só consegue viver em
sociedade, para Hobbes, quando cria o Estado. Portanto,
diferentemente dos gregos que viviam numa instituição
que era o reflexo do seu instinto natural de sociabilidade
(pólis), o Estado é um ente criado artificialmente para que
os homens consigam viver em sociedade.
natural.
A sociabilidade humana é algo criado e não
E qual seria a forma de governo que deveria
assumir o Estado? Hobbes defendia a monarquia. Ele
acreditava que a guerra civil na Inglaterra aconteceu
porque o poder soberano estava dividido entre o rei e o
parlamento.
Dessa forma, a melhor maneira de se manter um
bom governo seria concentrando todas as forças nas
mãos de uma só pessoa, para que essa pudesse manter a
ordem e evitar a guerra por meio da força. Não é à toa
que o Estado está segurando uma espada na figura acima.
Por causa disso, muitos de seus amigos o viram como
defensor do governo de Cromwell.
A função principal do estado, portanto, é garantir
a vida e a segurança de seus cidadãos. Quando ele não
consegue garantir tais direitos a um indivíduo, a
subordinação acaba, mas somente entre o estado e aquele
cidadão em específico.
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e) astronomia e religião.
2. (2014) A filosofia encontra-se escrita neste grande
livro que continuamente se abre perante nossos olhos
(isto é, o universo) que não se pode compreender antes
de entender a língua e conhecer os caracteres com os
quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática,
os caracteres são triângulos, circunferências e outras
figuras geométricas, sem cujos meios é impossível
entender humanamente as palavras; sem eles vagamos
perdidos dentro de um obscuro labirinto.
GALILEI, G. O ensaiador. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
No contexto da revolução científica do século XVII,
assumir a posição de Galileu significava defender a
A) continuidade do vínculo entre ciência e fé dominante
na Idade Média.
B) necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado
do exame matemático.
C) oposição da nova física quantitativa aos pressupostos
da filosofia escolástica.
D) importância da independência da investigação
científica pretendida pela Igreja.
E) inadequação da matemática para elaborar uma
explicação racional da natureza.
3. (2010) O príncipe, portanto, não deve se incomodar
com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o
povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos
duros poderá ser mais clemente do que outros que, por
muita piedade, permitem os distúrbios que levem ao
assassínio e ao roubo.
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. São Paulo: Martin Claret, 2009.
QUESTÕES
1. (2011) Acompanhando a intenção da burguesia
renascentista de ampliar seu domínio sobre a natureza e
sobre o espaço geográfico, através de pesquisa científica
e da invenção tecnológica, os cientistas também iriam se
atirar nessa aventura, tentando conquistar a forma, o
movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo a expressão
e o sentimento.
SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.
O texto apresenta um espírito de época que afetou
também a produção artística, marcada pela constante
relação entre
a) fé e misticismo.
b) ciência e arte.
c) cultura e comércio.
d) política e economia.
No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, reflexão
sobre a Monarquia e a função do governante. A
manutenção da ordem social, segundo esse autor,
baseava-se na
A) inércia do julgamento de crimes polêmicos.
B) bondade em relação ao comportamento dos
mercenários.
C) compaixão quanto à condenação dos servos
D) neutralidade diante da condenação dos servos.
E) conveniência entre o poder tirânico e a moral do
príncipe
4. (2012) Não ignoro a opinião antiga e muito difundida
e que o que acontece no mundo é decidido por Deus e
pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias,
devido às grandes transformações ocorridas, e que
ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura
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FILOSOFIA PARA O ENEM
humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o
nosso livre arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte
decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos
permite o controle sobre a outra metade.
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6. (2012)
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).
Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do
poder em seu tempo. No trecho citado, o autor
demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o
humanismo renascentista ao
a) valorizar a interferência divina nos acontecimentos
definidores do seu tempo.
b) rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.
c) afirmar a confiança na razão autônoma como
fundamento da ação humana.
d) romper com a tradição que valorizava o passado como
fonte de aprendizagem.
e) redefinir a ação política com base na unidade entre fé
e razão.
5. (2013) Nasce daqui uma questão: se vale mais ser
amado que temido ou temido que amado. Responde-se
que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é
difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que
amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos
homens se pode dizer, duma maneira geral, que são
ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de
lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus,
oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando,
como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele
chega, revoltam-se.
Na França, o rei Luís XIV teve sua imagem fabricada por
um conjunto de estratégias que visavam sedimentar uma
determinada noção de soberania. Neste sentido, a charge
apresentada demonstra
A) a humanidade do rei, pois retrata um homem comum,
sem os adornos próprios à vestimenta real.
B) a unidade entre o público e o privado, pois a figura do
rei com a vestimenta real representa o público e sem a
vestimenta real, o privado.
C) o vínculo entre monarquia e povo, pois leva ao
conhecimento do público a figura de um rei
despretensioso e distante do poder político.
D) o gosto estético refinado do rei, pois evidencia a
elegância dos trajes reais em relação aos de outros
membros da corte.
E) a importância da vestimenta para a constituição
simbólica do rei, pois o corpo político adornado esconde
os defeitos do corpo pessoal.
MAQUIAVEL, N. O principe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.
A partir da análise histórica do comportamento humano
em suas relações sociais e políticas. Maquiavel define o
homem como um ser
a) munido de virtude, com disposição nata a praticar o
bem a si e aos outros.
b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para
alcançar êxito na política.
c) guiado por interesses, de modo que suas ações são
imprevisíveis e inconstantes.
d) naturalmente racional, vivendo em um estado présocial e portando seus direitos naturais.
e) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas
com seus pares.
7. (2009.2) O que se entende por Corte do antigo regime
é, em primeiro lugar, a casa de habitação dos reis de
França, de suas famílias, de todas as pessoas que, de perto
ou de longe, dela fazem parte. As despesas da Corte, da
imensa casa dos reis, são consignadas no registro das
despesas do reino da França sob a rubrica significativa de
Casas Reais.
ELIAS, N. A sociedade de corte. Lisboa: Estampa, 1987.
Algumas casas de habitação dos reis tiveram grande
efetividade política e terminaram por se transformar em
patrimônio artístico e cultural, cujo exemplo é
A) o palácio de Versalhes.
B) o Museu Britânico.
C) a catedral de Colônia.
D) a Casa Branca.
E) a pirâmide do faraó Quéops.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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8. (2012)
Que é ilegal a faculdade que se atribui à
autoridade real para suspender as leis ou seu
cumprimento.
Que é ilegal toda cobrança de impostos para a
Coroa sem o concurso do Parlamento, sob pretexto de
prerrogativa, ou em época e modo diferentes dos
designados por ele próprio.
Que é indispensável convocar com frequência os
Parlamentos para satisfazer os agravos, assim como para
corrigir, afirmar e conservar leis.
Declaração de Direitos. Disponível em: http://disciplinas.stoa.usp.br.
Acesso em: 20 dez. 2011 (adaptado).
No documento de 1689, identifica-se uma particularidade
da Inglaterra diante dos demais Estados europeus na
Época Moderna. A peculiaridade inglesa e o regime
político que predominavam na Europa continental estão
indicados, respectivamente, em:
a) Redução da influência do papa - Teocracia.
b) Limitação do poder do soberano - Absolutismo.
c) Ampliação da dominação da nobreza - República.
d) Expansão da força do presidente - Parlamentarismo.
e) Restrição da competência do congresso Presidencialismo.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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CAPÍTULO 8 – RACIONALISMO E EMPIRISMO
O espírito mecanicista
Apesar da atitude de voltar aos antigos na
tentativa de recomeçar a empreitada humana como se o
pensamento teológico da Idade Média fosse só um
obstáculo a ser contornado, ele, obviamente, deixou sua
marca na história do pensamento europeu, e por
conseguinte, na nossa, já que somos, querendo ou não,
herdeiros diretos dessa matriz intelectual.
A sociedade de sua época estava maravilhada
com as engenhocas mecânicas que divertiam a
aristocracia nos grandes jardins europeus, como a água
corrente em tubulações subterrâneas que movimentavam
robôs autômatos fazendo-os produzir sons musicais e
quase fazê-los falar.
Na antiguidade, com exceção de algumas
correntes de pensamento, a investigação filosófica estava
centrada em descobrir a essência das coisas, com o
objetivo de entender a ordem do universo e do mundo e
o lugar do homem dentro de toda essa trama.
Nessa empreitada, não se duvidava da capacidade
do homem de compreender isso tudo. Mas depois da
Igreja passar quase 1.000 anos dizendo que o homem era
um ser desgraçado, que não tinha como alcançar o
conhecimento das coisas, a não ser pela graça divina, isso
ficou marcado no pensamento de todos aqueles que
viveram essa época.
Desse modo, diante de uma concepção de razão
enfraquecida em sua capacidade de conhecer o mundo, a
pesquisa filosófica recua um pouco para, antes de
perguntar pela essência das coisas, questionar primeiro se
somos capazes de conhecê-las.
As questões passam a ser: “podemos conhecer?”,
se sim, “o que podemos conhecer?”, e se sim, “como
podemos conhecer?”, e “quais os limites dessa
capacidade de conhecer?” .
A
filosofia
será
reduzia
à
epistemologia/teoria do conhecimento, e cria-se dois
grandes paradigmas, o RACIONALISMO, para aqueles
que defendem que o conhecimento é oriundo apenas da
razão, e o EMPIRISMO, para aqueles que sustentam
que o conhecimento é fruto dos sentidos por meio da
experiência.
DESCARTES E O GRANDE RACIONALISMO
René Descartes (1596
– 1650) é “o” filósofo da
modernidade. Ele sintetiza o
espírito do seu tempo e
problematiza o que será
discutido a partir dele.
Ele nasceu na França
e estudou no melhor colégio
daquele país, que obviamente
era jesuíta e onde se ensinava
a doutrina escolástica aristotélico-tomista, é claro.
Mas não era só isso, bombas hidráulicas,
roldanas, guindastes facilitavam a vida de muita gente. E
a
invenção
mais
impressionante para a
época, o relógio mecânico,
a perfeita aplicação das
teorias da física e da
mecânica na construção de
máquinas.
É nesse clima de
euforia científica que
Descartes cresce, sempre
incomodado com o fato de que na escola não lhe ensinam
nada disso.
Apesar de católico, Descartes não era ortodoxo
ao ponto de obedecer cegamente os dogmas de sua
religião, e percebia claramente a incompatibilidade entre,
os ensinamentos sobre o mundo natural promovidos
pela igreja através de seus propagadores jesuítas nos
colégios e nas universidades e os avanços da ciência.
Não aceitava a relutância da Igreja em admitir que
seus ensinamentos sobre o mundo natural estavam
errados, que, segundo ele, não passavam de falsas
opiniões e de apego cego à tradição.
Ele não via aplicação prática daquilo que lhe fora
ensinado no colégio e no meio acadêmico. Descartes era
contemporâneo de Galileu e não ignorava os avanços
dele na explicação do universo, principalmente porque
Galileu partia de um ponto de vista racional onde
qualquer pessoa, livre de preconceitos, e que tivesse
disposta a usar a razão, poderia chegar as mesmas
conclusões que ele.
E qual a linguagem usada por Galileu para
explicar a natureza? Isso mesmo, a matemática. O uso do
puro raciocínio, que poderia ser feito por qualquer
pessoa. Descartes era obcecado pelo uso prático que se
podia fazer da matemática.
A missão de Descartes
Insatisfeito com os conhecimento ultrapassados
que recebeu e que ainda eram ensinados nas instituições
de ensinos oficiais, conhecimentos totalmente
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FILOSOFIA PARA O ENEM
desconexos, sem um princípio unificador, sem
sistematicidade, ele decide viajar para conhecer o que o
mundo tinha a ensinar.
Em uma das noites de sua viajem, sonhou que
deveria erigir um novo conhecimento, sistemático,
lógico, e totalmente fundamentado na razão, portanto,
universal.
Foi então que decidiu se fixar em um lugar para
mergulhar nos estudos. Queria ficar em Paris, mas a vida
agitada, e o medo das perseguições da Igreja fez com que
ele se mudasse para um lugar onde houvesse tolerância
de pensamento, e parte, então, para a Holanda.
Descartes tinha o projeto de abarcar a totalidade
do conhecimento e organizá-lo de forma sistemática, a
começar por princípios seguros sobre os quais todas as
áreas pudessem partir, de modo que se pudesse chegar a
conhecimentos complexos progredindo dos simples, tal
como uma equação matemática. Ele imaginou o
conhecimento humano como uma árvore organizada da
seguinte forma:
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O caminho (método) certo
O que há de radical nessa obra é que
diferentemente de todos os sistemas teóricos anteriores
que já partiam para conhecer o mundo físico, aqui
descartes dá um passo atrás e começa pelo “como”
conhecemos, para saber se podemos ter acesso a um
saber verdadeiro, não passível de erro.
Nessa obra Descartes propõe quatro regas
básicas para se chegar a um conhecimento verdadeiro,
são elas:
l) Regra da evidência - não aceitar por verdadeiro senão
aquilo que se apresenta clara e distintamente ao espírito;
2) Regra da análise - dividir as dificuldades em tantas
partes quantas seja possível para melhor solucioná-las;
3) Regra da síntese - ordenar os pensamentos dos mais
simples para os mais complexos; e,
4) Regra da enumeração - fazer enumerações gerais e
completas para se ter certeza de nada omitir.
Para Descartes, mente, alma, espírito e razão são
palavras de mesmo significado. Portanto, na primeira
regra ele está colocando a razão como critério par se ter
evidência, clareza e distinção de alguma coisa, pois os
sentidos são enganadores.
Esses são os mesmo passos usados pelo
matemáticos que chegam às suas conclusões por
processo de decomposição e síntese.
A dúvida metódica
Desse modo, para decompor seu pensamento no
intuito de chegar ao primeiro princípio verdadeiro,
claro e distinto, Descartes se utiliza da dúvida metódica,
que é o processo de duvidar de tudo, das coisas mais
simples que me chegaram pelos sentidos até as evidências
matemáticas.
E para duvidar da matemática Descartes usa o
artifício do gênio maligno, que segundo ele é um deus
enganador que nos faz acreditar que estamos certo
quando dizemos que dois mais dois são quatro, quando
na verdade estamos errados e o resultado talvez seja
outro.
Sistematizar logicamente o saber humano dessa
maneira, era prover um meio, um caminho, um método
seguro, para se construir um conhecimento verdadeiro e
universal. Então, em 1637 publica a obra que inaugura a
filosofia moderna, o Discurso do método. E para
alcançar o maior público possível, ele publica o livro em
francês numa época que era costume publicar obras na
língua pura que era o latim.
Cogito, ergo sum
Dessa forma, ao duvidar de tudo, não posso ter
certeza de nada. Mas desse processo, pode-se tirar um
certeza, que nem mesmo a dúvida metódica pode me
fazer duvidar. É a certeza de que se eu duvido. E se eu
duvido, eu penso, e se penso, eu existo.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
Descartes encontrou o primeiro princípio
fundador de sua filosofia: “penso, logo existo”. O
problema agora é partir desse princípio para saber se as
coisas existem e como podemos conhecê-las.
E esse não é um problema simples. Ele toma
consciência que duvida, que pensa, que existe, mas esse
existir é como pensamento puro, como uma coisa
pensante (res cogitam), uma substância pensante, e não
como o indivíduo Descartes, com um corpo, com essa
cabeleira que parece uma peruca e com esse bigodinho
ridículo.
Como ele vai provar logicamente, como ele vai
deduzir a existência do mundo, incluindo seu próprio
corpo, a partir dessa única certeza que tem de que existe,
mas somente como substância pensante? Ele sabe que
não pode ser a causa das coisas, então como elas existem?
A existência de Deus e do mundo
A única ideia que ele tem que não depende dele é
a de que existe um ser perfeito, que é Deus. Ele chega a
essa conclusão porque ele sozinho, como ser imperfeito,
não poderia ter a ideia de perfeição, pois o perfeito não
pode vir do imperfeito, mas o contrário. E ainda, sendo
ele imperfeito, não poderia conceber essa ideia, portanto,
ele já foi criado com ela, ou seja, ela é uma ideia inata.
A existência de Deus é a segunda certeza no
fundamento do conhecimento verdadeiro empreendido
por Descartes. Daí que se existe esse ser perfeito, ele não
pode ser enganador, então, o mundo realmente existe. As
ideias que tenho do mundo sempre estiveram em minha
mente, pois foram colocadas por Deus.
Mas se esse mundo exterior chega ao pensamento
por meio de ideias, e eu como ser imperfeito que sou,
posso me enganar quanto a elas, cabe ao próprio
pensamento descobrir quais dessas ideias são claras e
distintas, ou seja, verdadeiras.
Outra evidência é a de que como essas ideias se
referem ao mundo exterior a mim, esse mundo, assim,
como o próprio corpo existem como uma extensão, uma
res extensa.
Certo, o mundo existe, mas dele só podemos
conhecer o que a matemática pode nos dizer, ou seja, sua
extensão, as propriedades quantitativas (o que pode ser
medido), nada de propriedades qualitativas como cheiro,
sabor, quente frio, etc. Apenas as propriedades
quantitativas são as ideias claras e distintas (verdadeiras)
que podemos ter do mundo.
No pensamento cartesiano, o homem é
substância pensante e extensa. A primeira como algo
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abstrato que não se submete às leis físicas, a segunda
como algo material que está totalmente subordinada às
leis dos corpos. Assim a ciência estudará a parte extensa
do homem, enquanto que a filosofia se encarregará de
decifrar os mistérios do pensamento/racionalidade,
principalmente de sua capacidade de conhecer.
Essa é a maior contribuição de Descartes ao
debate filosófico, essa mudança de rumo que ele imprime
na filosofia. A partir dele a grande tarefa dos filósofos
será estabelecer “como” conhecemos, e quais os limites
desse conhecimento.
FRANCIS BACON –
(EMPÍRICO) É PODER
CONHECIMENTO
Francis Bacon (15611626) foi um parlamentar
inglês que se destacou como
um grande cientista. Ele
acreditava que ciência deveria
servir para o progresso e bem
estar das pessoas. Por isso,
para ele, conhecimento é
poder.
Como era típico de sua época, era crítico de
Aristóteles e contrário ao silogismo dedutivo, fruto da
mera argumentação abstrata. Para ele o conhecimento
deveria se fundar nas base solidas do experimento, do
método indutivo de investigação.
Seu método está descrito em sua obra Novum
organum, onde ele afirma que o homem só pode progredir
na ciência quando se livrar de quatro ilusões, ou ídolos.
Quais sejam:
1º - Ídolo da tribo: não existem conexões entre a
natureza do homem e das coisas;
2º - Ídolo da caverna: o indivíduo não deve
analisar a natureza a partir de suas crenças particulares;
3º - Ídolo do foro: não se descobre o que a
natureza é apenas conversando com os outros;
4º - Ídolo do teatro: não acredite em falsas ideias
de doutrinas filosóficas ou científicas.
Somente tomando esses cuidados o homem
estará apto a explorar os mistérios da natureza usando o
método correto, qual seja, o da experimentação, que
consiste em fazer uma hipótese, testá-la, buscando a
maior quantidade de dados possível, e somente depois
confirmar sua veracidade, podendo torná-la lei geral.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
ISAAC NEWTON E O GRANDE RELÓGIO
CELESTE
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Newton explica tudo com a sua teoria da gravitação
universal.
Perceba a grandiosidade de sua obra, ela não
explica apenas os fenômenos terrestres, mas todo o
universo. Ele diz até como calcular a quantidade de massa
de cada planeta. Explica o motivo da terra ser achatada
nos polos e porque há uma saliência na região do
equador. Ele descreve as leis de funcionamento do
universo. É algo extraordinário.
O grande cientista que completou a revolução
científica do século XVII foi Isaac Newton (1642 –
1727). Ele também era fascinado pelos inventos
mecânicos de sua época, quando criança construiu pipas,
moinhos, e até um relógio d’agua.
Na universidade ele conheceu a filosofia
mecânica de Descartes e seus trabalhos de geometria, a
explicação matemática de Galileu para o universo, e as
leis de Kepler sobre os movimentos planetários.
Quando estudou a luz usou o método de
observação e experimentação de Francis Bacon, e
descobriu que as cores são um propriedade da luz e não
dos objetos.
Newton se vale das duas grandes concepções de
ciência de seu tempo, a matematização e a experiência.
Mas ele não é apenas um seguidor dessas diferentes
concepções, ele as unifica e as supera, na síntese que faz
do empirismo de Francis Bacon e do racionalismo de
Descartes.
Apesar de se utilizar da filosofia mecânica,
Newton não gostava do materialismo que estava por trás
dela, do fato desta filosofia ter tirado Deus da explicação
do funcionamento do mundo.
Na base de todo o pensamento de Newton estava
a crença em um Deus racional que havia criado um
universo racional que poderia ser descoberto pela análise
e pela matemática.
Em 1687, chegara o tempo dele descrever
racionalmente a grande obra divina que era o universo,
na sua grande obra Os princípios matemáticos da filosofia
natural, popularmente conhecido como Principia.
Kepler já havia dito que as órbitas planetária eram
elípticas, mas não explicou o motivo. No Principia,
O Principia foi a primeira obra científica a
apresentar um trabalho quantitativo, exato, de um
sistema matemático, baseado em experimentação e
observação crítica. Ele concluiu o processo de explicação
matemática do universo, desde o cair de uma maçã, ao
movimento dos planetas.
Apesar da grandiosidade do sistema newtoniano,
ele próprio admitia que não sabia o que era a gravidade,
apenas como ela atua. Por isso foi acusado de usar em
sua teoria conceitos medievais como a magia. Mas essas
críticas em nada abalaram a grandiosidade de sua obra.
Para ele, espaço e tempo são absolutos, tendo
conhecimento do que acontecia num determinado
momento era possível calcular o que iria acontecer em
outro. Os eventos/movimentos eram determináveis,
como em uma máquina, um grande relógio para ser mais
preciso. Descobrindo-se a causa de um efeito, poder-seia prever os efeitos seguintes, como uma grande
engrenagem de causas e efeitos.
Inaugurava-se então uma grande era de
inovações, onde os homens fariam uso das leis da
natureza para controlar seus destinos. A revolução
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FILOSOFIA PARA O ENEM
industrial muito dificilmente teria acontecido sem as
ideias de Newton.
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daquelas que foram anteriormente varridas por essa
mesma dúvida.
SILVA, F.L. Descartes. a metafísica da modernidade.
São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).
QUESTÕES
9. (2013) Os produtos e seu consumo constituem a meta
declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi
proposta pela primeira vez no início da Modernidade,
como expectativa de que o homem poderia dominar a
natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em
programa anunciado por pensadores como Descartes e
Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de
um prazer de poder”, “de um mero imperialismo
humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de
enriquecer sua vida, física e culturalmente.
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae
Studia. São Paulo, v. 2 n. 4, 2004 (adaptado).
Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e
Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência como
uma forma de saber que almeja libertar o homem das
intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação
científica consiste em
a) expor a essência da verdade e resolver definitivamente
as disputas teóricas ainda existentes.
b) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem
e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia.
c) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras
áreas do saber que almejam o progresso.
d) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a
natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos.
e) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos
naturais e impor limites aos debates acadêmicos.
10. (2013)
TEXTO I
Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde
meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões
como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei
em princípios tão mal assegurados não podia ser senão
mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamente,
uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões
a que até então dera crédito, e começar tudo novamente
a fim de estabelecer um saber firme e inabalável.
DESCARTES, R. Meditacoes concernentes a Primeira Filosofia. São Paulo:
Abril Cultural, 1973 (adaptado).
TEXTO II
É o caráter radical do que se procura que exige a
radicalização do próprio processo de busca. Se todo o
espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que
aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada
pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma
A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam
que, para viabilizar a reconstrução radical do
conhecimento, deve-se
a) retomar o método da tradição para edificar a ciência
com legitimidade.
b) questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias
e concepções.
c) investigar os conteúdos da consciência dos homens
menos esclarecidos.
d) buscar uma via para eliminar da memória saberes
antigos e ultrapassados.
e) encontrar ideias e pensamentos evidentes que
dispensam ser questionados.
11. (2014) É o caráter radical do que se procura que exige
a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o
espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que
aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada
pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma
daquelas que foram anteriormente varridas por essa
mesma dúvida.
SILVA, F.L. Descartes: a metafísica da modernidade.
São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).
Apesar de questionar os conceitos da tradição, a dúvida
radical da filosofia cartesiana tem caráter positivo por
contribuir para o(a)
A) dissolução do saber científico.
B) recuperação dos antigos juízos.
C) exaltação do pensamento clássico
D) surgimento do conhecimento inabalável.
E) fortalecimento dos preconceitos religiosos.
12. (2012)
TEXTO I
Experimentei algumas vezes que os sentidos
eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar
inteiramente em quem já nos enganou uma vez.
DESCARTES, R. Meditações Metafísicas.
São Paulo: Abril Cultural, 1979.
TEXTO II
Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que
uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum
significado, precisaremos apenas indagar: de que
impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível
atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá
para confirmar nossa suspeita.
HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento.
São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a
natureza do conhecimento humano. A comparação dos
excertos permite assumir que Descartes e Hume
a) defendem os sentidos como critério originário para
considerar um conhecimento legítimo.
b) entendem que é desnecessário suspeitar do significado
de uma ideia na reflexão filosófica e crítica.
c) são legítimos representantes do criticismo quanto à
gênese do conhecimento.
d) concordam que conhecimento humano é impossível
em relação às ideias e aos sentidos.
e) atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no
processo de obtenção do conhecimento.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
CAPÍTULO 16 - ILUMINISMO
O iluminismo é um movimento intelectual de
valorização da razão que tem início na Inglaterra ainda no
século XVII, inspirado pela revolução científica, mas que
toma maior destaque na França no século XVIII (devido
à estrutura social daquele país e o impacto que a
revolução daquele país teve no ocidente), e na região que
posteriormente iria se tornar a Alemanha.
Assim como a revolução científica deu à luz, por
meio da razão, as leis que regem o universo físico, os
iluministas queriam trazer à luz, a sociedade, afastando-a
das trevas dos preconceitos oriundos da tradição e da
religião que perduraram durante toda Idade Média.
E que trevas eram essas? 1) O absolutismo
monárquico, 2) o mercantilismo e 3) a estrutura social
hierarquizada e sem mobilidade; todos sustentados pela
autoridade irracional da tradição e da religião. Em suma,
o Antigo Regime.
Essa estrutura irracional e opressora aprisiona o
homem e não deixa ele se desenvolver, causando a
infelicidade humana, e por isso deve ser combatida e
exterminada.
Mas já que o sistema era tão ruim quanto
pintavam os iluministas, porque as pessoas não se
voltaram contra ele por conta própria? Por que elas
estavam nas trevas e não conseguem enxergar a luz,
devendo serem educadas para perceberem sua situação.
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ILUMINISMO NA INGLATERRA
JOHN LOCKE: EMPIRISMO E LIBERALISMO
POLÍTICO
O inglês John Locke
(1632 – 1704) vem de uma
família de comerciantes
puritanos,
estudou
na
universidade de Oxford,
onde se formou médico, e
sempre esteve envolvido na
política. Lá ele teve contato
com as ideias de Francis
Bacon e Descartes.
Era
contra
a
monarquia absolutista e por isso teve que se exilar na
Holanda em 1683 no final do reinado de Carlos II, contra
o qual ajudou a elaborar uma conspiração.
Com a revolução gloriosa, e a ascensão ao trono
do holandês Guilherme de Orange, ele volta à Londres e
pode se dedicar inteiramente à filosofia.
Mesmo já vindo se desenvolvendo antes dele,
muitos o consideram o pai do empirismo, mas não há
dúvidas de sua paternidade quanto ao liberalismo
político.
Empirismo
Por que a natureza é do jeito que é? Por que o rei
governa? Por que a sociedade é dividida e rígida? “Por
que Deus quer”. Com os avanços da razão nas ciências,
esse tipo de fundamento não se sustentava mais. A razão
deve agora guiar o homem em direção ao progresso, por
meio da educação.
E essa tarefa de iluminar a sociedade foi abraçada
com toda força e vigor pelos iluministas. Eles
conseguiram propagar as ideias que derrubariam regimes
inteiros e instalariam uma nova ordem mundial baseada
na razão, na liberdade e na felicidade dos povos.
Eles tinham um novo projeto de sociedade, que
seria organizada racionalmente, assim como o universo
mecanicista de Newton. Dessa maneira, o método
empírico-matemático usado para descobrir as leis físicas,
seria usado também para organizar essa nova sociedade.
Começaremos a abordar o assunto pelo
iluminismo inglês, pelo homem precursor desse
movimento e que influenciou os iluministas franceses.
sentidos através da experiência.
A obra que trata
sobre a capacidade de
conhecermos é Ensaios
acerca do entendimento
humano, onde defende o
empirismo afirmando
que ao contrário do que
dizia Descartes, não
temos ideias inatas,
nosso conhecimento é
adquirido por meio dos
Seu objetivo nessa obra é investigar, não o que
conhecemos, mas o que, como, e os limites do processo
de conhecer. Sua preocupação é em saber como a mente
funciona.
Segundo ele, a mente do ser humano ao nascer é
como um folha de papel em branco/tábula rasa, onde
vão sendo impressos conhecimentos/ideias ao longo da
vida, que nos chegam por meio dos sentidos.
“Suponhamos, pois, que a mente é, como
dissemos, um papel branco desprovido de todos os
caracteres, sem quaisquer ideias; como ela será suprida?
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FILOSOFIA PARA O ENEM
De onde lhe provem este vasto estoque, que a ativa e que
a ilimitada fantasia do homem pintou nela com uma
variedade quase infinita? De onde apreende todos os
matérias da razão e do conhecimento? A isso respondo,
numa palavra, da experiência. Todo o nosso
conhecimento está nela fundado e dela deriva
fundamentalmente o próprio conhecimento.” (Ensaio
sobre o entendimento humano. Livro II, cap. I, sec. 2).
Esse conhecimento nos chega através de uma
experiência sensível imediata/sensação e é
processado internamente por meio da reflexão.
Adquirimos ideias simples pelos sentidos e elaboramos
as complexas através da reflexão.
Mas por entender que a matemática é um
conhecimento válido em termos lógicos, Locke não pode
ser considerado um empirista radical.
Liberalismo político
Assim como não há ideias inatas, não existe
também o direito inato, divino de governar. Locke era
contra um governo absoluto, que tudo pudesse fazer,
desrespeitando os direitos dos indivíduos e invadindo a
esfera da sua intimidade.
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defensores do jusnaturalismo (jus = direito, naturalismo =
natural).
A propriedade
Em um sentido mais restrito, a propriedade para
Locke é também a posse de bens, sejam eles móveis ou
imóveis. Os burgueses quase deliraram de alegria quando
leram o que ele escreveu sobre a propriedade, que era
muito mais favorável a eles do que a concepção de
Hobbes, além de ser algo inovador para a época.
Para Hobbes, a propriedade não existia em estado
de natureza tornando-se somente possível com a criação
do estado, por isso o soberano, a causa de sua existência,
podia dela dispo como bem lhe conviesse.
Para Locke, não. A propriedade já era possível
desde o estado natureza como um direito do homem. E
por ser um direito existente antes mesmo da criação da
sociedade, não pode ser violado pelo Estado. Que
bacana, não é?
Assim como Hobbes, ele vai tratar sobre a origem
e a legitimidade do Estado, mas via diferir deste em
muitos aspectos.
Em estado de natureza o homem era livre e dono
de sua pessoa e de seu trabalho. E era este o critério de
aquisição de propriedade. A terra foi dada por Deus aos
homens, mas pode se apropriar dela quem lhe imprimir
o seu trabalho. Quem trabalha num pedaço de terra se
torna seu proprietário, não podendo ninguém mais ter
direito sobre esse pedaço.
Suas ideias políticas estão contidas no Segundo
tratado sobre o governo, obra que foi escrita para justificar e
legitimar a revolução gloriosa, investigando até onde deve
ir o poder de governar e para que ele serve.
Desse modo, se só posso ser dono do que
conseguir trabalhar, então, minha propriedade será
limitada, porque não poderei trabalhar em grandes
extensões de terra, certo? Errado.
Essa obra é um marco histórico no pensamento
político ocidental, pois serviu de base para as principais
revoluções liberais da Idade Moderna. O Segundo tratado
sobre o governo é o primeiro e mais completo trabalho sobre
o Estado liberal.
Cm a invenção do dinheiro, o que era útil, mas
perecível, como a carne, o leite, arroz, trigo, etc, pôde ser
trocado por moedas de ouro e prata, ou melhor, pôde ser
comprado. O dinheiro possibilitou o comércio, e uma
nova forma de adquirir propriedade, além do trabalho.
Estado de Natureza
De limitada, a propriedade pôde se tornar
ilimitada, basta ter dinheiro para comprá-la. Aqui, Locke
legitima a acumulação de riquezas e, por conseguinte, a
desigualdade.
Na mesma linha de Hobbes, e contrário a
Aristóteles, a teoria individualista de Locke afirma que o
homem é anterior à sociedade e ao Estado.
Mas diferentemente de Hobbes, ele afirma que
realmente, historicamente, existiu um estágio pré-social e
político onde o homem vivia em liberdade e igualdade,
que não era um estado de guerra, mas de relativa paz,
chamado de estado de natureza.
Nesse estado o homem já era um ser racional
detentor de propriedade, esta entendida em sentido
amplo como sua vida, liberdade e seus direitos naturais.
Locke, assim como Hobbes, também foi um dos grandes
Contrato social
O estado de natureza pensado por Locke, não era
um estado de guerra como em Hobbes, havia até uma
relativa paz. Então, por que fazer um pacto para criar o
Estado?
Para estabelecer leis gerais aceitas por todos,
resolver os conflitos que possam aparecer, com
imparcialidade e força para fazer valer as decisões. Não
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FILOSOFIA PARA O ENEM
se pode deixar que os particulares resolvam sozinhos os
seus conflitos, pois não haverá justiça no resultado.
Disso decorre que seus objetivos principais são:
1) Preservar os direitos naturais, entendidos
como a propriedade em sentido amplo, ou seja, vida,
liberdade, e a propriedade em sentido estrito (posse de
bens), e;
2) Proteger a comunidade política dela mesma
(evitar guerra civil) e de inimigos externos.
Em Hobbes, o contrato social é um pacto de
submissão. Em Locke, é um pacto de consentimento. Os
homens de livre e espontânea vontade criam o Estado
para preservar os direitos que já possuíam em estado de
natureza (direitos naturais).
Sociedade política ou civil
A passagem do estado de natureza para o Estado
se dá pelo consentimento unânime de todos os indivíduos,
mas o mesmo não ocorre com a escolha da forma de
governo, que deve ser uma escolha majoritária (pela
maioria).
No caso da Inglaterra, pós revolução gloriosa,
impera um sistema misto de governo, onde o rei
representa a monarquia, a Câmara dos Lordes, a
oligarquia, e a Câmara dos Comuns, a democracia. Mas,
mesmo para um homem comum participar desta última,
era necessário ter terras e dinheiro, pois só assim teria
condições de participar da vida política. A democracia
pensada por Locke é, nessa medida, exclusiva e elitista.
Na teoria política de Locke, o Estado não é
invasivo na regulação da vida do indivíduo em sociedade,
devendo haver liberdade de expressão, de pensamento, e
de culto, e principalmente, não deve interferir na
atividade econômica.
Ele existe apenas para preservar o bem comum,
qual seja, a propriedade dos indivíduos, que consentiram
viver em sociedade justamente para esse fim. Fora isso, o
estado deve deixar o indivíduo em paz.
Para Locke, o Estado só se legitima quando existe
o controle do governo pela sociedade, quando o governo
é comprometido com a proteção do direito de
propriedade (bem comum), e quando há o controle do
executivo pelo legislativo.
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legítimo de se rebelar contra ele, podendo usar até
mesmo a força.
Conclusão
John Locke foi um grande filósofo, tanto por
seus trabalhos em teoria do conhecimento, quanto em
política. A teorização da defesa dos direitos naturais,
como a vida, a liberdade, e a propriedade dos indivíduos
como fim a ser perseguido pelo Estado, faz dele o pai do
liberalismo político.
Suas ideias políticas justificaram a Revolução
Gloriosa, a revolução norte-americana, e a Revolução
Francesa.
Não tem como entender a política de nosso
tempo sem estudá-lo, pois suas ideias estão na base de
nosso sistema político.
GEORGE BERKELEY
A marca deixada por George Berkeley (1685 –
1753) na história da filosofia foi a sua afirmação da
imaterialidade do mundo, pois para ele, nós não podemos
saber se existem as coisas materiais.
Esse filósofo irlandês, e sacerdote anglicano,
acreditava que a Europa estava perdida no materialismo
científico e no ceticismo ocasionado pela dúvida
estimulada pelo pensamento filosófico, o que retirava as
pessoas do caminho da fé, afastando-as de Deus.
Com base nisso, pediu recursos ao parlamento
inglês para fundar uma Universidade na américa do norte
para educar os jovens de lá, que, segundo ele, ainda
tinham salvação. Passou três anos em Rhode Island,
colônia inglesa nos EUA, mas voltou para Londres
depois que percebeu que os recursos nunca seriam
enviados.
Para combater esse estado de degradação,
Berkeley ataca, em sua obra Tratado sobre os princípios do
conhecimento humano, a base fundamental da ciência
moderna formulada por Newton, que é a matéria.
Direito de resistência
Ele sustenta um tipo diferente de empirismo, ao
afirmar que só podemos conhecer através dos sentidos
que nos dão a percepção das coisas, mas nada além disso.
Melhor dizendo, nós conhecemos, apenas, as percepções
das coisas, mas nunca as coisas mesmas, pois elas não
existem.
Quando o governo deixa de preservar o bem
comum, e começa a exercer o poder em interesse
próprio, ele se torna tirânico, e a sociedade tem o direito
A matéria não existe, o que existe são as
percepções (ideias) que temos da existência das coisas.
Por isso que, para ele, “ser é perceber e ser percebido”.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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E ainda, essas percepções são apenas ideias
simples, de experiências com objetos particulares, nunca
podemos ter ideias complexas ou abstratas, porque elas
não são originadas de experiências que temos com
determinados objetos.
Esse negócio de ideias gerais e abstratas, isso é
invenção de filósofo e cientista. Ora, se isso não existe,
não há como existir as leis formuladas por Newton para
explicar a natureza, e tchau ciência.
Em síntese, Berkeley defende a imaterialidade do
mundo sustentando um idealismo imaterialista, segundo
o qual, tudo o que existe são os sujeitos com suas
percepções oriundas da experiência.
Mas então, poderiam argumentar que as coisas
que não estão sendo percebidas não existem, ao que ele
refutaria dizendo que existe um ser supremo que garante
a existência das coisas a serem percebidas. E adivinhem
quem ele diz que é esse ser supremo? Exatamente, Deus.
Segundo ele, o que existe em nossa mente são
percepções, que são de dois tipos:
1 – impressões, que são percepções fortes.
Quando queimamos pela primeira vez a ponta do dedo
em algo quente, temos a percepção do calor e da dor.
Quando isso acontece novamente, não temos mais a
percepção, por que ela já está em nossa mente, o que
temos é uma impressão, que é o sentir a percepção
novamente.
2 - ideias/pensamentos, que são percepções
mais fracas. São as lembranças que temos das percepções.
Quando lembramos do dedo queimando, temos apenas
uma ideia (percepção mais fraca) do que aconteceu, mas
não sentimos novamente a dor e o calor. Nossas ideias,
portanto, são apenas cópias das impressões.
De posse disso, podemos agora perceber quando
uma ideia é verdadeira ou falsa. Somente as verdadeiras
tem origem na experiência.
Perceba que, para ele, o mundo não existe de uma
relação direta do indivíduo para com esse mundo, mas do
mundo com indivíduo através de Deus que garante a
percepção e o conhecimento do mundo ao indivíduo.
E para saber quais delas se originam na
experiência temos que decompor as ideias complexas até
chegarmos às simples, se essas tiverem por base a
experiência, são verdadeiras, e se da sua união surgir uma
ideia complexa que também tem por base a experiência,
então, ela também é verdadeira.
DAVID HUME E O PODER DO HÁBITO
Imaginemos um pégaso, ele é um cavalo com
asas. Temos a ideia de
cavalo unida a ideia de
asas. As duas ideias
provêm de percepções
reais, pois cavalo e asa
existem, todos já vimos
na realidade. Mas quando
essas ideias se juntam,
não
há
qualquer
correspondente disso no mundo empírico, real. Portanto,
só podemos concluir que pégaso é uma ideia falsa.
Nascido
em
Edimburgo, na Escócia,
Hume
(1711-1776)
abandona os estudos de
direito para se dedicar à
Filosofia. Passa a maior
parte de sua vida na
Inglaterra, onde se dedicou
à política e ocupou cargos
públicos, como o de
embaixador na França.
Foi um filosofo muito importante e famoso,
escrevendo sobre política, moral, teologia, e foi muito
importante para a teoria do conhecimento, avançando
nos estudos do empirismo. E é nessa parte de sua
filosofia que vamos nos ater aqui.
Empirismo
Hume é um empirista radical, para ele, não existe
conhecimento que não tenha sido adquirido pelos
sentidos. Não existem ideias inatas, todas elas vão se
formando em nossa mente desde quando nascemos e
durante toda a nossa experiência de vida. Na experiência
reside a fonte de nosso conhecimento. E como fazer para
verificar se o que pensamos saber é falsa ou verdadeira?
Esse processo de decomposição é importante
porque nossa mente pode nos enganar com seus truques
que a razão não pode controlar. Por isso que um
conhecimento, proveniente somente da razão não pode
ser confiável, ele deve ter a experiência como base de
verificação.
O mesmo processo se aplica a ideia de Deus, e do
eu cartesiano. Se Deus existe, nós não podemos conhecêlo, pois não há essa percepção da realidade. De outra
banda, há medida que vamos vivendo vamos adquirindo
várias percepções do eu, e cada uma delas diferentes umas
das outras. Portanto, não existe essa unidade constante
que é uma substância pensante. Isso não passa de
invenção da mente.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
O hábito, a crença e o fim da causalidade
Quando uma criança solta alguma coisa pela
primeira vez, ela não sabe que aquele objeto vai cair. Mas
quando ela cresce, de tanto ela soltar coisas, ela aprende
que cai.
Newton respondeu que as coisas caem porque
existe a gravidade que a atrai para o chão. Mas o próprio
Newton não sabia o que era a gravidade, ele nunca a viu,
ou tocou nela, e nem sentiu. Você, agora, está sentindo a
gravidade? Quando você pula você sente a gravidade lhe
puxando para baixo? Não. Você apenas cai. E sabe que
vai cair porque sempre experimentou isso, não é?
Ora, não existe uma lei racional chamada
gravidade que é a causa de todos os corpos tenderem ao
chão. Pensar nisso é apenas um truque da mente, o que
existe são percepções disso, nada mais. Por termos o
hábito de experimentarmos isso toda vez, acabamos
tendo a crença de que isso sempre se repetirá.
Hume diz que não existem causas gerando
efeitos, o que há é uma crença, oriunda das experiências
habituais, de que toda vez que um evento x acontecer,
um evento y também irá acontecer como seu efeito.
Por isso não há um conhecimento certo e
universal de que o sol nascerá todos os dias, ou de que a
noite sucederá ao dia, ou de que se eu me atirar de um
penhasco eu vá cair. Para ele, portanto, não existe esse
negócio de leis imutáveis da natureza. Isso é só um
truque da mente humana.
Lembrem que falei no início que ele havia sido
um filósofo famoso, pois é, sua teoria foi levada a sério
pelos pensadores de seu tempo. Por isso, o seu
empirismo radical, levado às últimas consequências, tinha
que ser refutado, pois ele acabava com toda esperança de
um conhecimento racional.
Sem o princípio de causalidade não há como
existir nem ciência, nem moral, muito menos uma
política racional.
ADAM SMITH E O LIVRE MERCADO
O escocês Adam Smith (1723 – 1790) era filho de
família de classe média que
estudou na Universidade de
Oxford, na Inglaterra. É o pai do
liberalismo econômico, ou seja,
do capitalismo em sua forma
mais pura.
Criticava o mercantilismo
e defendia uma economia livre da
interferência do Estado. A este caberia apenas criar e
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manter instituições públicas, como a justiça, construir
obras públicas e cuidar da defesa nacional.
Sua teoria está contida em sua obra Investigação
sobre a na natureza e as causas da riqueza das nações, que foi
publicada em 1776 em plena Revolução Industrial. Ela é
um marco na história da economia e serviu de
fundamento teórico para a expansão do capitalismo
industrial.
Nessa obra ele defende que devemos medir a
riqueza de uma nação, não pela riqueza do Estado, mas
pela riqueza gerada pelo seu povo através do trabalho,
que deve ser especializado para aumentar a produtividade
de bens. Ao Estado não é permitido interferir nas
relações econômicas, pois o mercado se autorregula. Mas
como?
Para ele, assim como o universo possui suas leis
universais e imutáveis, o mercado também têm suas leis
naturais, e são elas que regulam a economia. Mas que leis
são essas? A oferta e a procura.
Oferta e procura
A economia é a ciência que estuda a criação e
distribuição das riquezas limitadas tiradas da natureza.
Quando existe muito produto ofertado no mercado, ele
se torna abundante e seu preço tende a cair. Quando
existe muita procura por um produto, o seu preço tende
a aumentar. Resumindo:
Oferta > procura = baixa no preço;
Procura > oferta = alta de preço.
Isso se aplica a tudo, são as leis universais e
imutáveis do mercado.
Mas quando se chega ao extremo da procura por
um produto ser tão grande que eleve o preço às alturas?
Ou, quando a oferta é tão grande que o preço do produto
fique muito pequeno?
Então, diz Adam Smith, entra em ação a mão
invisível do mercado para equilibrar a situação, e o
mercado se auto regular.
No primeiro caso, em que a procura é maior que
a oferta e o preço aumenta, exatamente por causa da alta
do preço, a procura diminui e o preço cai.
No segundo caso, em que a oferta é muito grande
e o preço diminui, exatamente por causa da diminuição
do preço a produção diminui por que não compensa
produzir para vender muito barato. Então, a oferta
diminui e os preços aumentam.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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Nos dois casos, a mão invisível do mercado
regulou/equilibrou a oferta e a procura. E isso se fez sem
nenhuma necessidade de interferência do Estado na
economia.
ILUMINISMO NA FRANÇA
Em meados do século XVIII a França ainda era
um país caracteristicamente feudal. Havia um rei com
poderes absolutos, uma sociedade altamente estratificada
e praticamente sem mobilidade social, e ainda, com a
Igreja católica legitimando todo esse sistema e ditando o
que as pessoas podiam ou não fazer.
O pessoal já estava puto por lá, de saco cheio dos
padres, bispos e cardeais corruptos que viviam no luxo às
custas do trabalho alheio.
Os intelectuais franceses visitavam Londres e
ficavam maravilhados com a ampla liberdade que o
indivíduo desfrutava naquele lugar. As pessoas tinham a
possibilidade de mudar de vida pelo esforço próprio, e os
cargos público eram preenchidos por qualquer um que
tivesse competência.
E acima de tudo, todos pagavam impostos e o rei
poderia criar novos tributos somente com autorização do
parlamento. Era algo de se admirar.
VOLTAIRE E A TOLERÄNCIA
De família rica burguesa, Voltaire (1694-1778) é
o maior propagador do Iluminismo na França. Hábil
escritor, denunciava constantemente a intolerância
religiosa, o clero, e a prepotência dos poderosos, sendo
muito vezes perseguido, preso, e exilado. Mas sempre
combativo.
É autor de Dicionário
Filosófico, onde faz uma
veemente defesa da tolerância.
Ele é um dos grandes
defensores da liberdade de
crença. É famosa a sua célebre
frase: “Posso não concordar
com nenhuma palavra que
você diz, mas defenderei até a
morte o seu direito de dizê-la”.
Concordava com Locke sobre a necessidade de
limitações ao poder real, assim como o fato dos homens
serem dotados de direitos naturais que não podiam ser
violados pelo governo.
Não era um democrático, pois acreditava que o
povão não tinha capacidade para participar da política.
Era defensor de uma monarquia esclarecida que
governasse de acordo com a razão. Trocava cartas com
Frederico II da Prússia e a imperatriz Catarina da Rússia,
aconselhando-os a tomar decisões racionais que levassem
ao progresso de seus países, como em investir em
educação.
MONTESQUIEU E OS TRÊS PODERES
Montesquieu (1689 –
1755) era um nobre que
desde muito cedo recebeu
formação
iluminista,
tornando-se um crítico
severo das monarquias
absolutistas e do clero.
A sua principal obra é O
espírito das leis (1748), onde
ele analisa o comportamento político dos diferentes tipos
de sociedades apresentadas pela história, e suas relações
com o poder. A partir daí, ele traça um panorama geral
da natureza, do espírito, das leis.
Ele não está interessado na discussão da
legitimidade dos governos, como Hobbes e Locke, o que
ele quer entender é o funcionamento dos governos e
como eles se mantêm.
E para começar a discussão, contrapondo ao
conceito medieval de Lei como fruto da vontade divina,
ele apresenta uma nova concepção de Lei influenciado
pela física newtoniana, com o intuito claro de tratar de
política como uma área totalmente independente da
religião.
Para ele, Lei é a relação necessária que deriva da
natureza das coisas. Com essa concepção ele quer
mostrar que apesar da variedade de costumes das
diferentes sociedades que funcionam por regimes
políticos
distintos,
podemos
encontrar
uma
uniformidade/universalidade (como na física) no
funcionamento
(movimento)
dos
governos
(massa/matéria/corpos).
Dessa análise do funcionamento das diversas
formas de governo (monarquia, república, despotismo),
ele chega à conclusão de que a liberdade (o direito de
fazer tudo aquilo que a lei permite), só pode existir
verdadeiramente quando há a separação (bem definida),
harmonia, e independência entre os poderes executivo,
legislativo, e judiciário.
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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Ele é fã de John Locke e vai para Londres estudar
o funcionamento da monarquia constitucional
parlamentarista, que é o modelo de governo que ele
defende, sendo a favor de um liberalismo aristocrático e
não da democracia.
ROUSSEUAU E A VONTADE GERAL
Mas então, toda a desgraça aconteceu quando
alguém cercou um pedaço de terra e disse que era seu, e
pior, ninguém disse nada e ainda consentiram, dando
início à propriedade privada.
Com a propriedade privada surgiu o egoísmo, a
ganância, a diferença entre ricos e pobres e todos os
sentimentos ruins que levam ao estado de guerra descrito
por Hobbes.
Jean-Jacques
Rousseau
(1712-1778)
nasceu em Genebra, mas era
filho de franceses calvinistas
que fugiram da França por
causa das perseguições.
Para estabelecer a segurança, os ricos proporam
um pacto para a criação da sociedade onde todos se
beneficiariam. Era só balela, com o tempo eles colocaram
as garras de fora e começaram a explorar os pobres.
Foi talvez o único
filósofo iluminista que não
nasceu em berço de ouro.
Desde muito cedo teve que
trabalhar para se sustentar, e em 1742 vai para a França
em busca de se destacar profissionalmente como
professor de música.
Para sair dessa relação de ganância generalizada,
Rousseau propõe um novo pacto, baseado na vontade
geral, onde todos terão vez e voz.
Rousseau era um Homem inteligente e escrevia
sobre muitos assuntos. Ele escreveu sobre música,
poesia, mas foi com Discurso sobre a origem e a desigualdade
entre os homens (1755), O contrato social (1762), e Emílio
(1762), que Rousseau deixou seu nome marcado na
história como um grande filósofo, influenciando com
suas ideias os rumos da França, e do mundo ocidental
por conseguinte.
Essas três obras são um todo que formam o seu
pensamento político. Suas obras eram tão radicas que ele
recebia críticas severas até mesmo de outros filósofos
iluministas, principalmente de Voltaire que dizia que se
fossemos dar ouvidos a Rousseau teríamos que voltar a
andar de quatro.
Rousseau é também um grande contratualista, ele
escreve sobre a origem do Estado seguindo o mesmo
caminho de Hobbes e Locke, mas diverge totalmente de
ambos. Vejamos, então, como ele concebe a passagem do
homem em estado de natureza para a sociedade política.
Estado de Natureza
Pacto social
Nesse pacto, cada um deixa de ser um indivíduo
e passa a ser cidadão. O que isso significa? Que cada um
passará a ser entendido a partir do todo, da coletividade,
pois fará parte de um corpo político.
É desse corpo político que surgirá a Lei, como
fruto de uma vontade geral, que não é a simples soma de
todas as vontades particulares, mas uma vontade
originada e guiada da busca pelo bem comum, que por
sua vez é a expressão do interesse de todos e não de um,
ou de poucos.
O que Rousseau está propondo é algo
revolucionário demais até para outros iluministas, que
restringiam a cidadania a uns poucos detentores de
posses.
Para ele, a liberdade só pode existir dentro de um
sistema em que todos participem na criação da lei, que é
a expressão da vontade geral da qual fazem parte todos
os cidadãos. Ele dizia que nenhum homem pode ser
melhor representado do que por ele próprio.
Outro fator que caracteriza essa liberdade é a
obediência à lei, que acontece justamente porque a lei é
fruto da vontade geral da qual todos participam. Um
povo só é livre quando tem o poder de atribuir-se leis.
Ele também escreve um história hipotética da
origem da humanidade porque considerava impossível
conhecê-la verdadeiramente, já que se tinha tão pouco
conhecimento e vestígios dessa época.
A soberania em Rousseau, desse modo, advém do
povo, pois somente assim, ela é legítima. E aqui devemos
esclarecer que o soberano é esse corpo de leis criadas em
vistas ao bem comum. É ele que deve guiar os atos de
quem vai administrar o Estado.
Para Rousseau, em estado de natureza o homem
era solitário, livre, e feliz. Agia seguindo apenas seus bons
instintos naturais e em harmonia com o seu meio natural.
Era um bom selvagem.
A participação direta do povo é na criação das
leis, ou seja, no legislativo, mas a administração, o
executivo, poderá caber a um (monarquia), a poucos
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FILOSOFIA PARA O ENEM
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(aristocracia), ou a muitos (democracia) a depender das
características do país em questão, como o tamanho de
seu território, de sua população, etc.
que regem o universo, também há leis naturais na
economia.
Independente da forma de governo que o
Estado venha a adotar, o importante é que ele governe
para o soberano, que é a vontade geral do povo.
O Estado deveria parar de intervir na economia,
porque isso não é de acordo com a natureza, e devia
deixar ela correr solta. A competitividade selecionaria os
melhores e enriqueceria quem merecia enriquecer.
ENCICLOPÉDIA
O DESPOTISMO ESCLARECIDO
O matemático D’Alembert e o escritor Diderot
não eram filósofos, mas foram os responsáveis pela
Enciclopédia, a grande obra que marcaria o movimento
iluminista.
Ele é a reunião de
escritos de mais de cem
autores e foi a maior
forma de propagação do
pensamento iluminista,
tanto é que eles ficaram
conhecidos
como
enciclopedistas.
Apesar do iluministas
serem
contrário
ao
absolutismo, haviam reis que
gostaram desse negócio de
progresso material por meio
da educação.
Esses reis aplicaram
certos ideais iluministas em
seus governos e ficaram conhecidos como déspotas
esclarecidos. Entre eles se destacaram Frederico II da
Prússia, José II da Áustria, Catarina II da Rússia, e Dom
José I de Portugal, motivado por seu ministro Pombal.
Ela é fruto da
crença
que
eles
compartilhavam de que a
razão traria progresso
tanto espiritual quanto
material para os homens.
Além disso, serviria
como o grande livro a ser
usado nesse processo educacional de tirar as pessoas das
trevas a que estavam submetidas.
Os três primeiros ampliaram a liberdade de culto
e investiram em educação, enquanto o último procurou
implantar um governo mais racional em sua
administração, e que melhor explorasse as riquezas do
reino.
A Enciclopédia foi a obra que reuniu a descrição
das maiores invenções tecnológicas, e era um manual de
como funcionavam as máquinas mais sofisticadas da
época no campo do artesanato, manufatura, e indústria.
Kant (1724-1804) nasceu
na Prússia, na cidade de
Koningsberg, onde levou uma
vida extremamente regrada e
simples.
De
origem
protestante e humilde, nunca
se casou, nem saiu de sua
cidade natal. Dizem que
quando alguém queria acertar
o relógio, esperavam ele
passar para saber a hora.
OS FISIOCRATAS
Na economia destacaram-se pensadores como
Quesnay e Turgot. Eles defendiam que a verdadeira
riqueza de um país advinha da natureza, ou seja, da
agricultura.
O artesanato gerava pouca renda, e o comércio
só fazia circular a riqueza. Somente a agricultura gerava
os produtos, e por isso, somente ela produzia riqueza.
Eles eram fervorosos críticos do mercantilismo,
pois acreditavam que assim como existem as leis naturais
ILUMINISMO NA ALEMANHA
IMMANUEL KANT
Apesar de seu estilo de vida simples, Kant foi um
dos maiores filosóficos da história. Conheceu fama ainda
em vida e suas obras sintetizaram o espírito de sua época,
sendo ele o maior porta voz do modo de vida
individualista liberal.
A sua doutrina filosófica moldou o modo de ver
e pensar o mundo no alvorecer da contemporaneidade,
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FILOSOFIA PARA O ENEM
influenciando diversas áreas do saber. Não há como
entender qualquer filósofo que veio depois dele, sem
estudá-lo à fundo, pois ele é leitura obrigatória para todo
aspirante à intelectual.
Conheceu a física de Newton na universidade,
reconheceu a contribuição de Hume sobre os limites da
nossa capacidade de conhecimento, e estudou
profundamente os filósofos iluministas franceses. Foi um
pacifista e defensor do regime republicano, apoiando a
independência norte-americana.
Ele escreveu as três grandes críticas das mais
importantes áreas, quais sejam, a teoria do conhecimento,
a moral, e a estética, além de ter formulados os princípios
do direito, e ter escrito À paz perpétua (1795), texto que
serviu de inspiração para criação da Organização das
Nações Unidas (ONU).
É de se deixar claro que o termo crítica está sendo
usado no sentido de análise, e não no sentido negativo de
escrever coisas ruis sobre determinado assunto. O que ele
estava fazendo era analisar o que os filósofos haviam
escrito sobre a razão.
Crítica da razão pura
Na época de Kant a física newtoniana estava a
todo vapor, os avanços obtidos pelas ciências eram
indiscutíveis, máquinas eram construídas de acordo com
suas leis e a humanidade começava a acordar para as
possibilidades de um progresso material e domínio da
natureza sem precedentes na história.
Em contra partida, no campo da metafísica a
discussão não tinha fim, não havia consenso, muito
menos progresso no debate, ninguém apresentava uma
teoria que fosse universalmente aceita. Perguntas como o
que era Deus e a alma, sempre tinham muitas respostas,
mas nenhum consenso.
Então, o que Kant pretende responder nessa
primeira crítica é porque a física e a matemática
progrediram como ciência, enquanto a metafísica não. E
para isso ele teria que passar pelo grande problema
epistemológico sobre a possibilidade de conhecimento
das coisas: como nós conhecemos, e quais os limites do
conhecimento.
Nós já vimos que haviam duas correntes
filosóficas opostas, que davam respostas antagônicas
sobre como conhecemos. O racionalismo dizia que
tudo que conhecemos já estava em nossa mente como
ideias, e o empirismo defendia que o conhecimento só
era possível pela experiência dos sentidos com os objetos
exteriores a nós.
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Kant fez a grande síntese entre essas duas teorias
e ainda foi além. Este feito o tornou o grande filósofo da
transição entre o mundo antigo e o moderno.
Ele dizia que ambos estavam certos, porque
utilizamos a experiência e a razão para obtermos
conhecimento, e ambos estavam errados, porque não
utilizamos apenas uma ou outra.
Mas assim como Copérnico avançou na
explicação do sistema solar ao colocar o sol no centro,
contrariando a teoria geocêntrica, era preciso abordar a
questão do conhecimento por um ponto de vista
diferente, colocando o sujeito também no centro da
questão.
O homem não tem que regular o seu
entendimento pela análise dos objetos, mas os objetos é
que tem que ser estudados a partir da capacidade de
entendimento do homem. Essa é a revolução
copernicana que Kant imprime na filosofia.
Para Kant, era necessário investigar o que existe
em nós que nos permite conhecer. A essa investigação ele
chamou de filosofia transcendental, não no sentido
metafísico, mas no sentido imanente de conhecer. O que
é característico do homem que o permite conhecer? Ele
nos diz que é a sensibilidade e o entendimento. Mas
como elas funcionam?
Os dados do conhecimento, o material, nos chega
por meio dos sentidos, das experiências, no dizer dele,
pela sensibilidade. Sempre percebemos algo situado no
espaço e tempo, mas esses conceitos não estão fora de
nós, são forma a priori de percepção das coisas exteriores.
Ou seja, espaço e tempo estão em nós e não no mundo.
Depois que percebemos uma coisa em um
determinado lugar e tempo, essas percepções vão para o
nosso entendimento, que vai trabalhá-las por meio de
categorias inerentes a nós, como por exemplo, a
substância, a existência e a causalidade. Esta última,
muito importante para o avanço da ciência.
Essas categorias são conceitos puros do
entendimento que estão presentes em nós, mesmo antes
de qualquer experiência. São elas que fazem a síntese dos
dados percebidos para que possamos produzir
conhecimento. Nós pensamos os objetos por meio delas.
Quando soltamos uma maçã, ela sempre cai no
chão por causa da gravidade. Quando colocamos a mão
no fogo ela queima porque o fogo é quente e causa a
queimadura. Mas essa relação de causalidade de um
evento x gerar um efeito y não está nas coisas, nem é uma
crença proveniente do hábito (como afirmara Hume), ela
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FILOSOFIA PARA O ENEM
é o produto de nosso entendimento do funcionamento
do mundo.
Quando procuramos entender um objeto, não
conseguimos entendê-lo como ele é em si mesmo. O que
nós entendemos é só o que podemos entender com nossa
capacidade de conhecimento. Ou seja, entender um
objeto é entendê-lo somente como ele aparece para nós,
entendemos apenas seus fenômenos, suas manifestações.
É por isso que a ciência (física newtoniana)
conseguiu avançar, porque ela trata de estudar os
fenômenos, e não o objeto/a coisa em si mesma. Mas
dizer que os objetos devem ser entendidos a partir do
sujeito não é cair em subjetivismo? Onde está a
objetividade da ciência?
Para Kant, a objetividade reside no sujeito, nas
condições a priori da experiência. Não adianta tentar
entender as coisas pelas leis do mundo porque as leis
estão no sujeito. E como todo ser racional possui essa
mesma estrutura de capacidade de conhecimento,
conseguindo conhecer da mesma maneira, ela não é
singular a um indivíduo A ou B, mas é universal à todo o
gênero humano.
Ser racional é possuir essa estrutura a priori que
possibilita a nossa capacidade de conhecer. A razão é a
grande legisladora que dita as leis pelas quais conhecemos
as coisas, ou melhor, seus fenômenos.
Mas sendo ela impotente para conhecer a coisa
em si mesma, não pode falar, nem legislar nada sobre
metafísica. Os conceitos de alma, Deus, liberdade, por
exemplo, só podem no máximo ser pensados, mas nunca
conhecidos efetivamente.
A metafísica ao se propor ser um estudo da
essência das coisas (lembrem dos gregos) só pode cair em
contradições. Por esse motivo é que não se consegue ter
avanço na metafísica, como se tem na física e na
matemática.
Imagine alguém dizer que conheceu/entendeu o
que seja Deus, que teve um conhecimento objetivo do
que ele seja; Kant perguntaria, mas como se todo nosso
conhecimento começa pela experiência? Qual foi o
contato que você teve com Ele?
Mas Newton disse que descobriu as leis que
regem o funcionamento do universo, demonstrou e
provou que estava certo, e todos tiveram que concordar
com ele, por que através de suas experiências e cálculos
matemáticos, ele usou a razão, o entendimento, para
dizer quais seriam essas leis. Lembrem-se, ele não disse o
que era a gravidade, apenas a descreveu como ela se
manifesta para nós.
Crítica da razão prática
A Crítica da razão prática é a obra em que ele analisa
os fundamentos do agir moral. O que fazer? Por que agir
de tal maneira? São as perguntas que ele tentar responder
nessa obra.
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Kant rejeita todas as doutrinas morais anteriores
porque, segundo ele, elas estão fundamentadas em
concepções metafísicas, portanto, impossíveis de serem
conhecidas pelo homem.
Agir de maneira a conseguir um lugar no céu, ou
de acordo com o bem comum, ou para buscar a
felicidade, ou para evitar a dor, ou para alcançar um
interesse; nada disso faz sentido para ele, porque todas
essas concepções metafísicas não podem ser
racionalmente sustentadas.
Quando ele fala que não podem ser
racionalmente sustentadas, ele quer dizer que não podem
servir de fundamento para um agir moral que seja
universal. Kant está à procura de uma fundamentação
que sirva para todo ser racional, independentemente de
tempo e espaço, ou seja, não importa onde e quando ele
esteja.
Todo ser racional vai agir de acordo com essa
fundamentação. E qual é a única coisa que é inerente ao
homem independente do lugar ou da época que ele esteja
vivendo? A razão.
O homem tem que seguir apenas as leis universais
que a razão ordena para o agir moral, nada de ficar
buscando outros motivos.
Para Kant, a moral produz dois tipos de ordens,
que ele chama de imperativos: os hipotéticos e os
categóricos.
Quando o homem age visando algum interesse,
ou seguindo alguma inclinação, ele age de acordo com os
imperativos hipotéticos.
Já quando ele age sem pretender obter nada,
totalmente desinteressado, sua ação está obedecendo um
imperativo categórico. Somente esse tipo de ação é, para
Kant, uma ação racional, porque é realizada somente por
dever, e pelo dever.
Mas o homem não é um robô. Ele tem o livre
arbítrio, a liberdade para decidir qual tipo de imperativo
vai seguir. Desse modo, ele deve ter a vontade,
independente das circunstâncias, de seguir a lei moral.
Essa vontade desprovida de qualquer inclinação é a boa
vontade.
Para Kant, o homem só é racionalmente moral
quando age por dever, sem nenhum tipo de interesse ou
inclinação. Só esse tipo de ação pode ser universalizável,
que é uma exigência da razão.
Assim, a resposta que Kant dá para a pergunta “o
que fazer”, é: “age de tal maneira que o motivo que te levou a
agir possa se tornar lei universal”.
Essa é a regra de ouro da moral kantiana, que
serve para guiar o agir moral em qualquer lugar, tempo e
circunstância. É uma regra universal.
Assim, ele responde também à pergunta: “por
que agir dessa maneira?”. O homem deve agir dessa
forma porque essa é a maneira racional de agir. Seguir
uma lei ditada pela razão.
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Kant estabelece dessa forma a deontologia moral,
que é agir somente por dever. E essa doutrina moral é
formalista porque não admite nenhum tipo de motivação
que não seja o dever.
A dignidade da pessoa humana
Segundo Kant, o homem ao agir seguindo a regra
de ouro estará, ao mesmo tampo, sendo racional, e
portanto, autônomo, e ainda, respeitando a dignidade do
outro, pois ao tratar o outro como gostaria de ser tratado,
está respeitando a pessoa como um fim em si mesma e
não como um meio para se chegar a algo.
O esclarecimento
Kant talvez seja o único filósofo a se perguntar o
que foi esse movimento que estava acontecendo em sua
época conhecido como Iluminismo.
E o descreve como sendo a saída do homem da
sua menor idade para começar uma época em que ele iria
começar a pensar por si mesmo. Não iria mais estar preso
a dogmatismos religiosos ou metafísicos, mas seguiria os
preceitos da razão. “Ouse saber” era o lema que ele atribuía
a esse movimento.
QUESTÓES
13. (2012) É verdade que nas democracias o povo parece
fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste
nisso. Deve-se ter sempre presente em mente o que é
independência e o que é liberdade. A liberdade é o direito
de fazer tudo o que as leis permitem; se um cidadão
pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais
liberdade, porque os outros também teriam tal poder.
MONTESQUIEU. Do Espirito das Leis. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997
(adaptado).
A característica de democracia
Montesquieu diz respeito
ressaltada
por
A) ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao
tomar as decisões por si mesmo.
B) ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à
conformidade às leis.
C) à possibilidade de o cidadão participar no poder e,
nesse caso, livre da submissão às leis.
D) ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é
proibido, desde que ciente das consequências.
E) ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo
com seus valores pessoais.
14. (2013) Para que não haja abuso, é preciso organizar
as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder.
Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo
corpo dos principais, ou dos nobres, ou do povo,
exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar
as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as
divergências dos indivíduos. Assim, criam-se os poderes
Legislativo, Executivo e Judiciário, atuando de forma
independente para a efetivação da liberdade, sendo que
esta não existe se uma mesma pessoa ou grupo exercer
os referidos poderes concomitantemente.
MONTESQUIEU, B. Do espirito das leis. São Paulo Abril Cultural, 1979
(adaptado).
A divisão e a independência entre os poderes são
condições necessárias para que possa haver liberdade em
um Estado. Isso pode ocorrer apenas sob um modelo
político em que haja
a) exercício de tutela sobre atividades jurídicas e políticas.
b) consagração do poder político pela autoridade
religiosa.
c) concentração do poder nas mãos de elites técnicocientíficas.
d) estabelecimento de limites aos atores públicos e às
instituições do governo.
e) reunião das funções de legislar, julgar e executar nas
mãos de um governante eleito.
15. (2012) Esclarecimento é a saída do homem de sua
menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade
é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a
direção de outro indivíduo. O homem é o próprio
culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra
na falta de entendimento, mas na falta de decisão e
coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de
outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio
entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A preguiça
e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande
parte dos homens, depois que a natureza de há muito os
libertou de uma condição estranha, continuem, no
entanto, de bom grado menores durante toda a vida.
KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985
(adaptado).
Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento,
fundamental para a compreensão do contexto filosófico
da Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado
por Kant, representa:
A) a reivindicação de autonomia da capacidade racional
como expressão da maioridade.
B) o exercício da racionalidade como pressuposto menor
diante das verdades eternas.
C) a imposição de verdades matemáticas, como caráter
objetivo, de forma heterônoma.
D) a compreensão de verdades religiosas que libertam o
homem da falta de entendimento.
E) a emancipação da subjetividade humana de ideologias
produzidas pela própria razão.
16. (2012) Até hoje admitia-se que nosso conhecimento
se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas
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para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse
nosso conhecimento malogravam-se com esse
pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se
não se resolverão melhor as tarefas da metafísica,
admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso
conhecimento.
KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Guibenkian, 1994 (adaptado).
O trecho em questão é uma referência ao que ficou
conhecido como revolução copernicana da filosofia.
Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que
a) assumem pontos de vista opostos acerca da natureza
do conhecimento.
b) defendem que o conhecimento é impossível, restandonos somente o ceticismo.
c) revelam a relação de interdependência entre os dados
da experiência e a reflexão filosófica.
d) apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na
primazia das ideias em relação aos objetos.
e) refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso
conhecimento e são ambas recusadas por Kant.
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GABARITO
UNIDADE 1 – FILOSOFIA ANTIGA
1. d
2. d
3. b
4. e
5. c
6. c
7. a
8. a
UNIDADE 2 – FILOSOFIA MEDIEVAL
Ainda não houveram questões.
UNIDADE 3 – FILOSOFIA MODERNA
1. b
2. e
2. c
4. c
5. c
6. e
7. a
8. b
9. c
10. b
11. d
12. e
13. b
14. d
15. a
16. a
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