O alerta vem das aves: verão intenso, inverno curto, primavera

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O alerta vem das aves: verão intenso, inverno curto, primavera
O alerta vem das aves: verão intenso, inverno curto, primavera precoce
e menos aves migratórias. Bruno Lima
O alerta vem das aves: verão intenso, inverno curto, primavera
precoce e menos aves migratórias.
por Bruno Lima
ornitólogo
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Abstract: The author make a relate about the effects of the global warming in the
migratory birds. Recent studies have shown that, in response to global climate change,
migratory birds are arriving one- to three-week-early, and are now nesting measurably
earlier in both the North America and Europa.
Todos os anos, quando o rigoroso inverno do Hemisfério Norte agride os bosques
e campos, muitas aves batem asas para as áreas mais quentes do globo e retornam a
sua origem na primavera, para reproduzir. O Brasil é um dos destinos favoritos dessas
aves, principalmente para aquelas que fogem do terrível frio da América do Norte. Por
aqui chegam o maçarico-de-pernas-amarelas (Tringa flavipes), a batuíra-de-bando
(Charadrius semipalmatus), o falcão-peregrino (Falco peregrinus) e muitas outras
espécies migratórias que irão disfrutar de nosso cálido verão.
Acontece que, com o aquecimento global, os dias de verão dessas espécies
parecem estar contados. Estudos apontam que os invernos estão cada vez mais curtos
e as aves, tentando seguir o adiantamento da primavera, estão chegando mais cedo à
América do Norte. Algumas espécies estão retornando à América do Norte com até duas
semanas de antecedência, e com isso encontram mais dificuldades em encontrar
comida e parceiros para procriar.
As aves migratórias da Europa que costumam passar o inverno na África vêm
enfrentando o mesmo problema, pois 117 espécies estão retornando à Europa uma
semana mais cedo do que há anos atrás.
As mudanças climáticas também estão afetando o período de postura dessas
espécies, sendo que na América do Norte as aves as estão botando os ovos cerca de 9
dias antes do habitual, e na Europa, 18 dias antes. O resultado é uma altíssima taxa de
mortalidade dos filhotes, que nascem antes que seja primavera de fato. Nesse ritmo, a
Europa e a América do Norte perderão metade de suas aves migratórias em menos de
trinta anos – entre elas muitas espécies que visitam o Brasil no verão.
As mudanças climáticas também estão forçando as aves a subir as encostas dos
Andes, no sudeste do Peru. Buscando um clima mais fresco, a cada ano mais espécies
que são típicas de terras baixas são forçadas a subir as montanhas. O planeta está se
aquecendo rapidamente, e para garantir a sobrevivência, algumas espécies já
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começaram a migrar para cima. Resta saber se nossas aves estão fazendo o mesmo,
buscando refúgio em montanhas como a Serra dos Órgãos, Serra da Mantiqueira e
Serra do Mar.
Quanto a nós, não podemos todos refugiar-nos nas mais altas montanhas do
mundo, tampouco podemos mudar de planeta quando as temperaturas aqui chegarem
a níveis alarmantes.
Ainda temos tempo para mudarmos nosso padrão de vida e nosso consumo
desenfreado, ainda temos tempo de optarmos por uma vida mais simples que gere
menos poluição. Ainda podemos conservar o que temos de verde e deixamos para
nossos filhos um legado que não seja um mundo super aquecido, onde a única chance
de vermos uma ave será quando visitarmos um museu.
---------------------Referência bibliográfica:
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A estrelinha-escarlate (Regulus calendula) é uma das principais espécies norteamericanas cuja migração encontra-se afetada pelas mudanças climáticas (foto do
autor).
As populações de tordo-americano (Turdus migratorius) também encontram-se
afetadas pelas mudanças climáticas. (foto do autor).
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