4 A Adriana_RevistaVerde[1] - Grupo Verde de Agroecologia e

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4 A Adriana_RevistaVerde[1] - Grupo Verde de Agroecologia e
REVISTA VERDE DE AGROECOLOGIA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
GRUPO VERDE DE AGRICULTURA ALTERNATIVA (GVAA) ISSN 1981-8203
Revisão de Literatura
FISIOLOGIA PÓS-COLHEITA DE Heliconia spp.
Adriana Andrade Guimarães
Enga. Agr. Doutora em Fitotecnia – UFV E-mail: [email protected]
Fernando Luiz Finger
Ph. D. Professor – UFV E-mail:[email protected]
Andréa Andrade Guimarães
Enga. Agr. Mestranda – UFERSA E-mail: [email protected]
Pahlevi Augusto de Souza
D. Sc. Professor – IFCE E-mail: [email protected]
Paulo César Ferreira Linhares
. Agr. Doutor em Fitotecnia – UFERSA E-mail:[email protected]
RESUMO - O conhecimento dos fatores que afetam a longevidade pós-colheita de flores de corte
são de fundamental importância, para o seguimento da cadeia de comercialização de flores. Nesse
trabalho são discutidos os principais entraves na conservação pós-colheita de Heliconia spp., bem
como os principais tratamentos utilizados para retardá-los e/ou inbi-los.
Palavras chaves: floricultura, pos colheita, plantas
POSTHARVEST PHYSIOLOGY OF Heliconia spp.
SUMMARY - An understanding of factors affecting the postharvest longevity of cut flowers are of fundamental
importance for continuity in the supply chain of flowers. In this paper we discuss the major barriers in post-harvest
preservation of Heliconia spp. As well as the main treatments used to slow them and / or InBio them.
Key words: floriculture, post harvest, plants
FISIOLOGÍA DE Heliconia spp.
RESUMEN - La comprensión de los factores que afectan la longevidad de post-cosecha de flores de corte son de
importancia fundamental para la continuidad de la cadena de suministro de flores. En este trabajo se discuten los
principales obstáculos en la preservación de post-cosecha de las especies de Heliconia. Además de los principales
tratamientos utilizados para reducir los mismos y / o InBio ellos.
Palabras clave: floricultura, después de la cosecha, las plantas
INTRODUÇÃO
A atividade da floricultura mobiliza no país cerca
de 4 mil produtores, numa área estimada de 5,5 mil
hectares, sendo responsável por cerca de 120 mil
empregos diretos e indiretos (BARROSO, 2007), segundo
Santos et. al., (2006) a floricultura é uma das melhores
alternativas de investimento na agricultura, porque
demanda pouca área e o ciclo de produção é geralmente
curto, permitindo rápido retorno do capital investido
Embora o carro-chefe das exportações serem
ainda flores tradicionais como rosas e crisântemos,
verifica-se anualmente um aumento na comercialização de
flores tropicais tanto no mercado externo quanto interno, e
dentre essas flores, as helicônias são as espécies que mais
têm despertado interesse, por serem detentoras de uma
beleza exótica, relativa rusticidade e grande variabilidade
de cores, formas, tamanhos podendo ser utilizadas tanto
como flores de jardim quanto de corte (CASTRO, 1993).
Mesmo apresentando potencial para crescimento
no mercado floricultor, informações sobre o manejo pós-
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colheita de helicônias são ainda reduzidas; embora
existam relatos sobre as possíveis causas que afetam a
conservação, como a baixa capacidade de absorção de
água, elevada taxa transpiratória e sensibilidade à injúria
pelo frio (JAROENKIT E PAULL, 2003).
Diante do exposto verifica-se que as informações sobre o
manejo pós-colheita de helicônias são bastante restritos,
tornando necessário investigar quais são de fato os
principais entraves na vida pós-colheita dessas espécies.
PROBLEMAS
PÓS-COLHEITA
DAS
HELICÔNIAS
OCLUSÃO DOS VASOS XILEMÁTICOS
O decréscimo na absorção de água pode,
dependendo da espécie, ser devido a uma série de fatores,
os quais podem ser classificados como inerentes à haste,
também chamados de bloqueio fisiológico, bloqueio
devido ao crescimento microbiano e bloqueio ocasionado
por formação de bolhas de ar (embolia) (HE et al., 2006;
VAN DOORN, 1999a).
O bloqueio fisiológico ocorre como resposta ao
estresse imposta pela colheita, através da deposição de
materiais da superfície do corte, que dependendo de sua
composição, são chamados de látex, goma, mucilagem ou
resina. Outro tipo de bloqueio fisiológico pode ser
ocasionado pela formação de tiloses, que é definida como
o crescimento desordenado das células que se sobressaem
dentro do lúmem dos vasos xilemáticos, cuja forma se
assemelha à de um balão. Esses “balões” podem não
ocorrer em adequado número para explicar o bloqueio,
mas sua formação é acompanhada pela produção de
substâncias de alto peso molecular, que pode ocasionar a
falta de fluidez da água nas hastes (VAN DOORN,
1999a).
As substâncias depositadas na superfície do
corte, assim como as tiloses, podem migrar para dentro
dos vasos do xilema, servindo como barreira à entrada de
microrganismos, ao mesmo tempo em que ocasionam sua
obstrução, impedindo a absorção de água. A formação de
tais substâncias, segundo Vaslier e Van Doorn (2003),
provavelmente está envolvida com a síntese de etileno e
ação de enzimas peroxidase (POD), fenilalanina amônia
liase (PAL) e catecol oxidase (Polifenoloxidases - PPO).
As enzimas peroxidase e polifenoloxidase estão
envolvidas no bloqueio vascular de algumas espécies de
flores, através da oxidação dos álcoois ρ-cumaril, coniferil
e sinapil que são precursores da lignina. A lignina é um
composto que faz parte do metabolismo secundário das
plantas e, apesar de dar sustentação e estrutura no
transporte de água pelo xilema, pode, em caso de estresse,
funcionar como mecanismo de proteção contra ataque de
patógenos se depositando na superfície do corte
impedindo, também, a entrada de água nos vasos
(BOERJAN et al., 2003).
O bloqueio fisiológico é encontrado em algumas
espécies de flores, por exemplo, em crisântemos cv.
Viking. Nessa cultivar Van Doorn e Cruz (2000)
pesquisaram o envolvimento de bactérias, cavitação e
resposta fisiológica ao corte, concluindo que o bloqueio
não foi causado por bactérias devido estas se encontrarem,
durante todo o armazenamento, em níveis abaixo do
crítico, o mesmo ocorrendo em relação à embolia, uma
vez o ar aspirado na superfície do corte cessou antes da
redução da taxa de consumo de água. Assim, devido ao
atraso no murchamento das folhas tratadas com
antioxidantes, bem como à presença de material na
superfície do corte, os autores verificaram que o bloqueio
xilemático dessa espécie foi de natureza fisiológica.
Semelhantemente, em hastes florais de grevillea
cv. Crimson Yul-lo, o bloqueio vascular foi aparentemente
de natureza fisiológica envolvendo a síntese de fenólicos e
oxidação, possivelmente com formação de suberina (HE
et al., 2006).
Loubaud e Van Doorn (2004) também
concluíram que o bloqueio em hastes de Astilbe foi de
natureza fisiológica envolvendo a atividade das enzimas
peroxidase e polifenoloxidase, uma vez que a oclusão se
desenvolveu tanto nas flores que foram armazenadas
úmidas quanto no armazenamento á seco, por outro lado,
em rosas da cv. Red One e em Viburnum opulus cv.
Roseum, o bloqueio observado nessas hastes foi
aparentemente relacionado à presença de bactéria no
xilema.
Segundo Van Doorn (1990) o bloqueio
promovido pela entrada de ar pode ocorrer quando hastes
florais são removidas de uma planta que se encontrava em
estado de estresse hídrico, pois a coluna de água presente
pode encontrar-se sob tensão e atrair bolhas de ar para o
interior dos vasos xilemáticos.
Alguns fatores podem interferir na predisposição
ao bloqueio promovido pelo ar, como cultivar, tempo de
exposição, diâmetro dos vasos xilemáticos e quantidade
de água perdida durante o período de exposição ao ar.
A presença de ar em Rosa hybrida L., cv. Sonia
não foi uma barreira ao subseqüente consumo de água
após transferência para vasos contendo água. Por outro
lado, a exposição relativamente prolongada ao ar resultou
no bloqueio da parte mais baixa dessas hastes (VAN
DOORN, 1990).
Em flores de crisântemos, embora os autores
tenham verificado a presença de ar nos vasos xilemáticos
após o corte, tal fato por si só não foi um sério obstáculo
para a fluidez da água, pois os autores concluíram que a
oclusão encontrada nessas flores foi de natureza
fisiológica, induzida pelo dano ocasionado pelo corte na
colheita pela atividade das enzimas peroxidase e
polifenoloxidase (VAN DOORN E VASLIER, 2002).
Van Doorn e Reid (1995), trabalhando com
quatro cultivares de rosas, verificaram que durante a
exposição ao ar o decréscimo na taxa transpiratória, peso
fresco, abertura estomatal e potencial hídrico foram
semelhantes nas cvs. Sonia, Madelon, Cara Mia e Frisco,
porém, essa última perdeu menos água e apresentou
menor transpiração em relação ás demais cultivares.
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Uma descrição física da restauração do processo
de embolia dos vasos do xilema, próximo à base do corte
de uma flor, prediz que dentro de poucas horas depois de
colocadas em água, somente uma parte dos vasos pode ser
completamente preenchido com água e outros vasos
incompletamente (VAN IEPEREN et al., 2002). O que
vai depender de fatores como: cultivar, tempo de
exposição, diâmetro dos vasos e quantidade de água
perdida durante o período de exposição ao ar.
Outra causa do bloqueio dos vasos xilemáticos é
devido à presença de bactérias na água, em decorrrência
da deposição de polissacarídeos extracelulares produzidos,
bem como de produtos oriundos de bactérias mortas e
macromoléculas que são formadas sobre a degradação
dessas bactérias os quais podem cobrir a superfície
cortada da haste. Análogamente, a superfície do corte
pode conter substratos para crescimento da bactéria, como
substâncias açucaradas que podem fluir por algum tempo
para fora das células do floema aberto e embora a oclusão
bacteriana ocorra em todas as flores, espécies e até mesmo
cultivares podem responder diferentemente (VAN
DOORN, 1999a).
Algumas espécies de flores apresentam bloqueio
devido à presença de bactérias como verificado por
Loubaud e Van Doorn (2004), onde a inclusão de
antibactericidas na água de vaso de rosas (Rosa hybrida)
da cv. Red One e Viburnum opulus cv. Roseum retardou o
bloqueio xilemático dessas flores.
Semelhantemente, em rosas da cv. Ruimeva a
presença de bactérias na água influenciou a vida de vaso
dessas flores. Inflorescências de Dendrobium cv. Jew
Yuay Tew apresentaram aumento na vida de vaso quando
mantidas em água esterilizada indicando que a presença
de bactérias afetou a longevidade dessas flores
(RATTANAWISALANON et al., 2003). Elevados
conteúdos de bactérias na água de vaso reduziram também
a longevidade de cravos (Dianthus caryophyllus) das cvs.
Scania e White Sim.
Um ou mais tipos de bloqueio pode existir em
uma mesma espécie (VAN MEETEREN et al., 2006),
onde a grande variabilidade entre espécies, e até mesmo
cultivares, de flores ao bloqueio dos vasos xilemáticos não
são completamente esclarecidas; contudo, podem estar
relacionadas, a taxa transpiratória, superfície do produto e
abertura estomatal. Outros fatores como anatômicos,
condições na pré e pós-colheita podem também
determinar se uma espécie ou mesmo uma cultivar pode
ou não ser passível de bloqueio.
De acordo com Van Doorn (1999b) hastes de
diversas espécies de helicônias não são sensíveis a
problemas hídricos. No entanto, nessa mesma pesquisa
com Heliconia psittacorum, quando transportadas a seco
observou-se taxas de consumo de água muito baixas já no
primeiro dia após a colheita; resultados igualmente
verificados nas inflorescências transportadas úmidas,
concluindo assim que o enrolamento prematuro das folhas
e descoloração das brácteas resultou na oclusão vascular,
sendo esta de natureza desconhecida.
INJÚRIA PELO FRIO OU CHILLING
A utilização de temperatura baixa durante o
armazenamento atrasa a senescência de flores e folhas
prolongando o período de armazenamento. No entanto, a
maioria das flores originárias de clima tropical requer
armazenamento na faixa de temperatura entre 7 a 15 ºC
visto que temperaturas baixas causam injúria por frio; os
sintomas da injúria incluem, dentre outros, descoloração
das flores, lesões necróticas sobre pétalas e folhas e atraso
no desenvolvimento de botões (NOWAK & RUDNICKI,
1990).
As helicônias são sensíveis à injúria por frio. De
acordo com Jaroenkit e Paull (2003) são facilmente
danificadas quando armazenadas e/ou transportadas em
temperaturas abaixo de 8 a 10 °C em que manifestam
sintomas de escurecimento das brácteas quando mantidas
a 10 °C por um período de dois dias.
Injúria por frio ou chilling é o termo utilizado
para descrever o distúrbio fisiológico que ocorre em
muitas plantas e produtos hortícolas como resultado da
exposição a temperaturas relativamente baixas, mas acima
do ponto de congelamento (PARKIN et al., 1989). Os
sintomas variam de espécie para espécie sendo mais
comumente verificado o escurecimento e descoloração
dos tecidos que reduzem a aparência visual diminuindo a
vida de vaso (JOYCE et al., 2000).
Esse distúrbio fisiológico foi inicialmente
dividido por Lyons e Raison em 1970 em duas fases. A
primeira foi denominada de Teoria de Transição de Fases,
que se caracterizou pela mudança de estado dos lipídeos
que compõe as membranas, os quais passam de “gel
líquido” para “gel sólido”; isso ocorre em função de
plantas sensíveis à injúria por frio apresentarem menor
percentagem de ácidos graxos saturados em relação a
plantas resistentes, e os ácidos graxos dessa natureza
tendem a se solidificar em temperaturas relativamente
baixas (MARKHART, 1986). Nessa fase não há
manifestação de sintomas externos. Na segunda fase
ocorre a manifestação de alguns sintomas, dentre esses o
escurecimento dos tecidos, ocasionado principalmente
pela oxidação dos compostos fenólicos (ABREU, 1998),
onde as enzimas peroxidase (POD) e polifenoloxidase
(PPO) podem estar envolvidas (HERSHKOVITZ et al.,
2005), além disso, ocorrem murcha, depressões e
descolorações, dentre outros.
O escurecimento dos tecidos ocorre em
conseqüência da desestruturação das membranas, pois os
compostos fenólicos que se encontravam armazenados nos
vacúolos são liberados ou alternativamente são
depositados nas paredes celulares, entrando em contato
com as enzimas oxidativas peroxidase e polifenoloxidase
(NGUYEN et al., 2003).
A polifenoloxidase (PPO) (catecol oxidase EC
1.14.18.1) é uma oxidase terminal de grande ocorrência
em plantas; cataliza a oxidação de fenólicos, resultando no
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escurecimento de tecidos de produtos hortícolas através da
conversão de monofenóis a difenóis (atividade da
monofenoloxidase) e oxidação desses últimos (atividade
da difenoloxidase), (ZHANG E QUANTICK, 1997). É
requerida em pelo menos duas reações que irão conduzir o
escurecimento, a primeira é a conversão de dipacroma a
5,6-dihidroxindol, que logo após será convertido em
indol-5,6-quinona caracterizando a segunda reação.
As peroxidases (POD, EC. 1.11.17) são enzimas
que catalisam reação redox em vegetais usando tanto o
peróxido de hidrogênio como o oxigênio como aceptores
de hidrogênio. Atuam na catálise de reações oxidativas,
peroxidativas e de hidroxilação. Oxidam diferentes
doadores de hidrogênio, tais como: fenólicos, aminas,
leucobases e compostos heterocíclicos. São encontrados
no citoplasma (forma solúvel), na parede celular (forma
insolúvel), membranas e organelas. Participam de várias
etapas da oxidação do álcool cinamil, que é o precursor da
lignina a qual pode ser depositada no local do corte da
haste evitando a entrada de microrganismos; ao mesmo
tempo impede a entrada de água via vasos xilemáticos
(CHITARRA E CHITARRA, 2005).
Porém, apesar dos compostos fenólicos serem
considerados como um dos fatores causais de
escurecimento em produtos hortícolas, eles apresentam
também função de proteção contra Espécies Reativas de
Oxigênio, onde estão incluídos os ânions superóxidos (O•), radicais hidroxilas (OH•) e peróxido de hidrogênio
(H2O2), que causam peroxidação dos lipídeos, danificando
as organelas (DE MARTINO et al., 2006). Segundo
Pennycooke et al. (2005), essas espécies são induzidas
quando as situações de estresse tornam-se severas; são
espécies altamente tóxicas, podendo danificar importantes
componentes como DNA, RNA, proteínas e lipídeos.
A síntese de compostos fenólicos inicia-se com a
desaminação da fenilalanina pela fenilalanina amônialiase (PAL EC 4.3.1.5) produzindo trans-cinamato, um
monofenol. Independentemente, a polifenoloxidase (PPO
catecol oxidase; EC 1.1418.1) converte monofenóis a
difenóis (atividade da difenoloxidase), que inicia uma
cascata de eventos levando a formação de pigmentos
marrons e, em seguida, cataliza à oxidação de dopacromo
a quinonas (CHOEHOM et al., 2004).
Plantas submetidas a condições de estress pelo
frio apresentam um excedente nos processos metabólicos
degradativos das células (catabolismo) em relação aos
processos de manutenção da integridade celular
(anabolismo) sendo estes mais severos quanto menor for o
sistema antioxidante presente (FRANCK et al., 2007).
Esse sistema oxidante, composto por lipídeos
solúveis antioxidantes (∝-tocoferol e β-caroteno),
redutores solúveis em água (ascorbato e glutationa), e
enzimas como superóxido dismutase (SOD, EC.
1.15.1.1.), catalase (CAT, EC 1.11.1.6), ascorbato
peroxidase (APX, EC. 1.11.1.11) e glutationa redutase
(GR, EC 1.6.4.2.), protege as células vegetais contra os
efeitos das espécies reativas ao oxigênio. A atividade
deve-se, principalmente, ás propriedades redox, que têm a
capacidade de absorver e neutralizar radicais livres,
seqüestrando o oxigênio singleto e tripleto ou
decompondo peróxidos.
Durante o armazenamento, além da temperatura e
presença de um sistema antioxidante funcional, outro fator
que interfere na intensidade da injúria por frio é o estádio
de maturação, onde os produtos hortícolas imaturos são
mais susceptíveis, além do período de permanência do
produto sob condições de temperaturas relativamente
baixas.
Contudo os mecanismos de tolerância à injúria
por frio são complexos. Podem agir juntamente com
outros mecanismos bioquímicos e fisiológicos para manter
as funções fisiológicas normais sob situações de estress ou
promovido pela injúria por frio (PENNYCOOKE et al.,
2005).
TRANSPIRAÇÃO
Transpiração é o processo de transferência de
massa, no qual o vapor d’água se move do interior do
órgão vegetal, por meio da sua superfície, para o ambiente
externo. É um fenômeno de superfície como conseqüência
do déficit de pressão de vapor (DVP) e do coeficiente de
transpiração (perda de umidade pelo produto em uma
unidade de tempo por déficit de pressão de vapor)
(CHITARRA E CHITARRA, 2005).
A intensidade da transpiração é controlada pela
temperatura, umidade relativa e velocidade do ar, sendo
diretamente proporcional à temperatura e inversamente
proporcional a umidade relativa. O nível de perda de água
que as flores suportam varia de espécie para espécie, no
entanto, qualquer flor que venha perder de 10 a 15% do
seu peso em água por causa da transpiração, certamente
perderá qualidade e diminuirá sua longevidade
(OLIVEIRA, 1996).
Quando a taxa transpiratória é maior que a taxa
de consumo de água, ocorre um déficit hídrico. A
magnitude da perda de água pela transpiração é maior em
flores com área foliar relativamente grande, como em
lírios e rosas, quando comparada ás que apresentam área
foliar relativamente pequena, como cravos (VAN
DOORN, 1997).
TRATAMENTOS PÓS-COLHEITA
INIBIDORES ENZIMÁTICOS E CORTE
DA BASE DA HASTE
Segundo Van Ieperen et al. (2002) a formação do
bloqueio xilemático depende de fatores como altura da
água no vaso, diâmetro dos vasos xilemáticos, duração da
exposição das hastes, situação de estresse (VAN DOORN
E JONES, 1994) e altura do corte da base da haste (VAN
DOORN, 1994), além de fatores genéticos.
A localização do bloqueio xilemático em flores
de corte, segundo Van Meeteren et al. (2006) e Van
Ieperen et al. (2002), difere em relação a sua natureza, ou
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seja, se for por entrada de ar ou presença de bactérias
geralmente resulta em uma pequena resistência aos vasos,
sendo comumente localizado nos primeiros 2,0 cm da base
da haste. Por outro lado, quando o bloqueio é de natureza
fisiológica, resulta em alta resistência, se inicia na base da
haste, movendo-se para cima, sendo mais freqüentemente
verificado nos 5,0 cm da base da haste.
Dessa forma, a utilização do corte da base da
haste é um tratamento que tem apresentado efeitos
positivos em várias espécies de flores, como em Grevillea
da cv. Crimson Yul-lo (HE et al., 2006), crisântemos
(VAN DOORN E VASLIER, 2002), Zínia elegans
(CARNEIRO et al., 2002) e Strelitzia reginae
(CAMPANHA et al., 1997). Semelhantemente, em flores
de Bouvardia, Vaslier e Van Doorn (2003) verificaram
que o bloqueio dessas hastes localizou-se nos 5,0 cm mais
baixos e foi de natureza fisiológica envolvendo a atividade
das enzimas peroxidase e polifenoloxidase.
Outros tratamentos visando reduzir o bloqueio
dos vasos xilemáticos têm sido realizados através da
utilização de inibidores enzimáticos, onde Van Meeteren
et al. (2006) verificaram que hastes de crisântemo cv.
Cassa, tratadas com solução de tropolone (inibidor
enzimático), apresentaram maior percentagem de
recuperação do peso inicial após período de
armazenamento à seco, quando comparada ao controle
(pulsing com água), provavelmente por agir na atividade
das enzimas lacases.
Alguns inibidores enzimáticos podem ser
responsáveis ainda pela diminuição na tensão de
superfície, como é o caso do hexilresorcinol e agral-LN,
conforme relatado por Vaslier e Van Doorn (2003) em
flores de bouvardia. Nesse caso os resultados positivos no
prolongamento da vida de vaso podem ter sido
confundidos se foi devido à inibição da atividade
enzimática ou a diminuição da tensão superficial da
solução.
Outra questão a ser considerada com o uso de inibidores
enzimáticos, é que alguns têm a capacidade de baixar o
pH para valores abaixo de 5 em determinadas
concentrações, como no caso do 2-mercaptoetanol, que
segundo Vaslier e Van Doorn (2003), pode confundir se
os resultados foram devidos á acidez da solução ou a
inibição de enzimas propriamente dita.
REFRIGERAÇÃO
O mais importante fator na manutenção da
qualidade e prolongamento da vida de prateleira dos
produtos hortícolas após a colheita é a temperatura, uma
vez que a maioria das reações física, bioquímicas,
microbiológicas e fisiológicas, as quais são responsáveis
pela deterioração dos produtos, é influenciada pela
temperatura (TANO et al., 2007).
A refrigeração também possibilita estender o
período de conservação, transporte e distribuição
(MORAES et al., 1999) e, desse modo, é um dos mais
importantes fatores de sucesso no armazenamento de
flores de corte e plantas herbáceas (VAN DOORN E
CRUZ, 2000).
De um modo geral, temperaturas entre 0 e 1 °C
são mais efetivas em manter a qualidade de muitas flores
de corte. No entanto, algumas espécies, especialmente de
origem tropical e subtropical, podem sofrer injúria por frio
quando submetidas a faixa de temperatura entre 0 e 15 °C
(JOYCE et al., 2000), porém, a faixa de temperatura ótima
para o armazenamento varia de espécie para espécie e até
mesmo cultivar, Contudo, esses autores verificaram que
flores de Grevillea cv. Sylvia, embora de origem
subtropical, manteve qualidade comercial acima de 12
dias de armazenamento na temperatura de 0 °C.
Temperaturas relativamete baixas podem
também causar outros efeitos adversos à longevidade de
flores, como o estímulo à síntese de etileno, fato esse
ocorrido em rosas, as quais apresentaram aceleração da
senescência quando transferidas para a temperatura de 22
°C, após um período de exposição a 2 °C (FARAGHER E
MAYAK, 1984). Nesse caso, os autores atribuíram essa
aceleração da senescência ao avanço e estímulo do pico da
produção de etileno devido a temperatura mais baixa.
Similarmente em cravos (Dianthus caryophyllus) a
temperatura de armazenamento de 0 °C por 4 ou 5
semanas causou um pico na produção de etileno (PAULIN
et al., 1985).
A temperatura ideal para o armazenamento de
flores varia entre espécieS e até mesmo dentro de cada
espécie; contudo, algumas flores tropicais como
Anthurium andraeanum André, cvs. Nitta, Kaumana,
Ozaki tem sua longevidade prolongada quando
armazenadas na faixa de temperatura entre 14 e 17 ºC
(PAULL, 1987). Já inflorescências de Strelitzia reginae
Ait., segundo Moraes et al. (1999), se mantém com
excelente qualidade até os 14 dias de armazenamento a 10
°C sem manifestar nenhum sintoma de injúria por frio.
Flores de Narcissus tazetta L., cv. Paper White e
Narcissus pseudonarcissus L., cv. Geranium envasadas
apresentaram o dobro da longevidade pós-produção
quando armazenadas a 0 °C, comparada às flores mantidas
a 12,5 °C (CEVALLOS E REID, 2000), indicando uma
correlação inversa entre a taxa respiratória e a vida de
vaso dessas flores.
Armazenando
flores
de
Leucocoryne
coquimbensis a 2 °C por 3 ou 7 dias, Elgar et al. (2003)
verificou que a longevidade foi de 8 a 9 dias, porém,
quando mantidas a 12 ou 20 °C por 3 dias, apresentaram
longevidade apenas de 5 a 7 dias.
Kelley et al. (2003) trabalhando com flores
comestíveis verificaram que Viola tricolor L. cv. Helen
Mount; Viola x wittrockiana L., cv. Accord Clear Mixture
e Tropaeolum majus L. cv. Jewel Mix, podem ser
armazenadas a 0 e 2,5 °C por duas semanas, com perfeita
qualidade visual. Por esse mesmo período, flores de
Borago offcinalis L. podem ser armazenadas a -2,5 °C
com qualidade aceitável; já as flores de Phaseolus
coccineus L., cv. Dwarf Bees não exibiram qualidade
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satisfatória durante duas semanas de armazenamento em
nenhuma das temperaturas estudadas (-2,5; 0; 2,5, 5; 10 e
20 °C), exibindo necroses, mofo e colapso dos tecidos.
Joyce e Shorter (2000) verificaram que a faixa de
temperatura de segurança para o armazenamento de flores
de Anigozanthos spp., cvs. H1 e Bush Dawn é entre 2 e 5
°C, pois quando mantidas a 0 °C apresentaram injúria por
frio, cujos sintomas foram o murchamento e descoloração
das pétalas.
Em Gerbera jamesonii cv. Vesuvio e Helianthus
annuus L. (ÇELIKEL E REID, 2002) verificaram que é
possível armazená-las em temperaturas próximas a de
congelamento sem exibir nenhum sintoma de injúria por
frio.
Temperaturas relativamente baixas podem
também causar outros efeitos adversos à longevidade de
flores, como o estímulo á síntese de etileno, fato esse
ocorrido e rosas, as quais apresentaram aceleração da
senescência quando transferidas para a temperatura de 22
°C, após um período de exposição a 2 °C, onde Faragher e
Mayak (1984) atribuíram o avanço e estímulo do pico da
produção de etileno a temperatura mais baixa.
Similarmente em cravos (Dianthus caryophyllus) o
armazenamento a 0 °C por 4 ou 5 semanas, causou um
pico na produção de etileno (PAULIN et al. 1985).
ATMOSFERA MODIFICADA
A perda de água e o murchamento de produtos
hortícolas ocasionados pela elevada taxa respiratória e
transpiratória durante o armazenamento, podem ser
minimizados pela modificação da atmosfera ao redor do
produto, cujo princípio básico baseia-se em reduzir a
capacidade do ar circundante em absorver vapor de água
da sua superfície. Essa modificação pode ser adquirida
pela redução da temperatura, elevação da umidade do ar e
adição de barreiras protetoras, tais como, filmes plásticos
ou substâncias como ceras e emulsões, dentre outros
(LANA E FINGER, 2000).
Contudo, a crescente preocupação em reduzir o
volume do lixo e a dificuldade em reciclar a maioria das
embalagens, tem incentivado pesquisas no sentido de
buscar materiais extraídos de plantas que possuam a
capacidade de formar géis com propriedades semelhantes
às obtidas nos revestimentos comerciais, ou seja, formar
barreira protetora contra perda de água e passagem de O2
e CO2 criando, dessa forma, uma atmosfera modificada ao
redor do produto; apresenta ainda as vantagens de não
agredir o meio ambiente e possuir baixo custo em
comparação às formulações ou embalagens encontradas
no mercado (MAFTOONAZAD E RAMASWAMY,
2005).
Esses revestimentos podem ser fabricados a base
de lipídeos e polissacarídeos extraídos de sementes, folhas
e/ou frutos, como é o caso de películas fabricadas á base
de sementes de Caesalpinia pulcherrima, arbusto da
família leguminosaea, cujas sementes são ricas em
polissacarídeos tipo galactomananas, hidrofóbicas e
insolúveis em solventes orgânicos.
A eficiência dos revestimentos biodegradáveis é
dependente da permeabilidade desses e da taxa
respiratória do produto, que por sua vez podem ser
afetados
pela
temperatura
de
armazenamento
(MAFTOONAZAD E RAMASWAMY, 2005).
Contudo, os revestimentos a base de
polissacarídeos apresentam controvérsia em relação à
permeabilidade aos gases O2 e CO2 e ao vapor d’água.
Baldwin et al. (1999) citam que os revestimentos a base
de polissacarídeos são menos permeáveis aos gases O2 e
CO2 e mais permeáveis ao vapor d’água; já Ribeiro et al.
(2007), enfatizam que esses possuem igualmente alta
seletividade aos gases e vapor d’água.
Por outro lado, cerejas revestidas com películas á
base de polissacarídeos extraídos de Aloe vera L.,
apresentaram perdas reduzidas de massa sem a
incorporação de lipídeos em sua composição
(MARTINEZ-ROMERO et al., 2006).
Outra consideração em relação aos revestimentos
biodegradáveis é em relação ao uso dos plasticizantes
Viña et al. (2007), citam que a adição de glicerol (agente
plasticizante) ao filme de PVC (Cloreto de Polivinil),
apesar de promover integridade física, reduzir a
permeabilidade ao vapor d’água e aos gases O2 e CO2,
promoveu perda de massa acima do limite recomendável
para repolho (Brassica oleraceae).
Outros
trabalhos
utilizando
revestimentos
biodegradáveis em frutos e hortaliças são encontrados na
literatura. A exemplo, cita-se películas à base de
metilcelulose em frutos de abacate que se mostrou
benéfica em retardar o amadurecimento, agindo como
barreira física a troca de gás entre o fruto e o ambiente;
diminuiu a taxa de catabolismo do substrato e habilidade
em gerar energia requerida para conduzir as reações
bioquímicas associadas ao amadurecimento, além de
influenciar favoravelmente diversas propriedades do fruto
durante o amadurecimento (MAFTOONAZAD E
RAMASWAMY, 2005).
Películas a base de cactus, contendo ou não
glicerol como agente plasticizante, foram testadas em
morango (Fragaria ananassa). Nesse caso, Del-Vale et al.
(2005) verificaram que, após nove dias de
armazenamento, o revestimento contendo glicerol
proporcionou melhor sabor e maiores notas pelos
jugadores; porém, a melhor aparência visual e brilho
foram verificados nos frutos revestidos com a película
sem adição do glicerol.
O uso de películas à base de babosa (Aloe vera)
em cereja (Prunus avium) promoveu retardo na perda de
umidade e mudança de coloração, reduziu o amolecimento
dos frutos, taxa respiratória, perda de massa e acidez
titulável (MARTINEZ-ROMERO et al., 2006). Yaman e
Bayoindirli (2002) trabalhando com cerejas, revestidas
com película comestível SemprefreshTM (composto de
ésteres de sacarose de ácidos graxos, carboximetil-
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celulose de sódio e monodiglicerídeos de ácidos graxos),
observaram que houve retardo nas mudanças de vários
parâmetros de amadurecimento como perda de massa,
firmeza da polpa e coloração da casca nos frutos
revestidos.
Em tomates o revestimento a base de quitosana
induziu reações de defesa nos frutos e melhorou a
resistência contra o mofo cinzento (LIU et al., 2007).
Scanavaca Júnior et al. (2007) utilizou película à base de
fécula de mandioca (Manihot esculentum) em mangas
(Mangifera indica L.), cv. Surpresa, onde verificaram que
o revestimento propiciou redução na perda de massa,
menor incidência de antracnose, retardo na mudança de
coloração da casca prolongando, dessa forma, a vida de
prateleira desses frutos.
Outro efeito benéfico com o uso da atmosfera
modificada, além dos citados, é a capacidade de retardar
ou minimizar os efeitos de injúria por frio. Ao que tudo
indica, esse é decorrente da elevação da umidade no
interior do produto, dos níveis de CO2 e diminuição de O2.
Esse último é citado como principal fator atuante na
redução dos sintomas de injúria por frio, já que as enzimas
oxidativas peroxidase, polifenoloxidase e fenilalanina
amônia-liase, causadoras do escurecimento dos tecidos,
possuem baixa afinidade pelo oxigênio.
Alguns trabalhos relatam os efeitos da atmosfera
modificada e/ou controlada sobre o retardo e/ou redução
nos sintomas de injúria por frio. Por exemplo: em bananas
o filme de polietileno não perfurado proporcionou redução
nos sintomas de injúria por frio durante o armazenamento
a 10 °C (NGUYEN et al., 2004); em pêras (Punus pérsica
L.) a atmosfera controlada associada ao tratamento
térmico após o pré-armazenamento foi eficaz em retardar
os sintomas de injúria por frio, proporcionando ótima
qualidade aos frutos após 3 a 4 semanas (MURRAY et al.,
2007); em pepinos (Cucumis sativus) filmes selados ou
perfurados promoveram retardo nos sintomas de injúria
por frio, ao passo que os não embalados exibiram esses
sintomas já no sexto dia de armazenamento (WANG E QI,
1997).
REGULADORES VEGETAIS
Hormônios vegetais são definidos por Castro et
al. (2005) como compostos orgânicos de ocorrência
natural, produzidos pelas plantas, que em baixas
concentrações promove, inibe ou modifica processos
morfológicos e fisiológicos do vegetal.
Vários pesquisadores, visando retardar o
processo de senescência têm utilizado substâncias
sintéticas que possuem propriedades semelhantes a dos
hormônios vegetais os quais são conhecidos como
reguladores de crescimento ou reguladores vegetais. Esses
reguladores são utilizados em preservativos florais,
podendo ser aplicados de forma isolada, em conjunto com
outras substâncias reguladoras de crescimento ou em
junção com antagônicos dos hormônios vegetais
(NOWAK E RUDNICKI, 1990).
O aumento na longevidade de flores tratadas com
citocininas é o resultado da somatória de muitos efeitos
fisiológicos diferentes desse hormônio nos tecidos florais.
Podem atuar na manutenção da permeabilidade das
membranas, balanço hídrico e no metabolismo de
proteínas e de ácidos nucléicos, além de reduzir a
produção de etileno (CASTRO, 1993).
As citocininas também são descritas como
estabilizadores da respiração e inibidoras da degradação
da clorofila (CASTRO, 1993). Esse retardo na degradação
da clorofila foi verificado em Brassica oleraceae L., onde
os floretes tratados com benzilaminopurina (BAP), um
regulador vegetal com propriedades semelhantes ás das
citocininas naturais, manteve a cor verde por até 4 dias, ao
passo que os tratados com ethefon apresentaram
descoloração já no segundo dia de armazenamento
(COSTA et al., 2005).
Outro regulador de crescimento com funções
semelhantes ao das citocininas naturais é a benziladenina
(BA) que além de promover aumento no conteúdo de
clorofila, acarretou em menor perda de massa em folhas
de Crisântemos (Dendranthema grandiflora) cv. Reagan
White (PETRIDOU et al., 2001). Já em olivas (Olea
europeae) esse regulador de crescimento foi responsável
pela diminuição da taxa respiratória (TSANTILI E
PONTIKIS, 2004).
Em Heliconia latispatha tratada com 100, 200 e
300 mg L-1 de benziladenina (BA), Moraes et al. (2005)
verificaram que a vida de vaso foi diretamente
proporcional ao aumento das doses. Semelhantemente a
vida de vaso de helicônias cvs. Andrômeda e Sexy Pink
tratadas com 200 mg L-1 de benziladenina aumentou 2,4
vezes em relação a testemunha, além disso, o tratamento
com BA promoveu atraso no escurecimento e na abscisão
das brácteas (PAULL E CHANTRACHIT, 2001).
Flores de Hemerocallis fulva cv. Royal Crown
tratadas com benzilaminopurina (BAP) e cinetina (ambas
citocininas) apresentaram maior longevidade, elevado
peso fresco, além de maior conteúdo de água nos tecidos
(GULZAR et al., 2005).
Assim como as citocininas, outro fitormônio que
tem apresentado resultados positivos em prolongar a vida
de vaso de flores e plantas ornamentais são as giberelinas,
os quais são considerados hormônios da juvenilidade por
retardarem os processos de senescência de produtos
hortícolas, através do retardo da degradação da clorofila,
elevação da síntese de carotenóides, redução da perda de
firmeza dos tecidos e, a exemplo das citocininas, também
promovem a síntese de ácidos nucléicos e proteínas
(CHITARRA E CHITARRA, 2005). Esses resultados
foram observados em crisântemos por Flórez-Roncancio
(1996).
Outros efeitos benéficos, com o uso desse
regulador vegetal, podem ser citados como prevenção do
escurecimento e aborto dos botões florais em lírios
orientais e asiáticos, verificados por Ranwala e Miller
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(2005) e alongamento dos pedúnculos de hastes de
Zantedeschia ellottiana (W. Wats) citados por Janowska e
Jerzy (2004).
Em Rosa x híbrida, cv. Mercedes, o ácido
giberélico suprimiu o desenvolvimento de do fungo
Botrytis blight quando aplicados diretamente na base das
pétalas; porém, quando o tratamento foi realizado através
de pulverizações, necessitou um aumento de 17 vezes na
concentração para produzir efeito. Em Cactus pea esse
regulador reduziu a incidência de doenças após 45 dias de
armazenamento refrigerado, porém, não foi efetivo
quando os frutos foram mantidos por quatro dias
adicionais a 20 °C (SCHIRRA et al., 1999).
Por outro lado, resultados depreciativos na
longevidade de flores utilizando ácido giberélico foram
verificados em crisântemos, onde a aceleração da
senescência foi promovida á medida que aumentou as
concentrações desse regulador, tanto em flores como
folhas. Segundo Brackmann et al. (2005), isso pode ter
sido atribuído à nutrição deficiente veiculada pela solução
conservante e intensidade luminosa, que foram capazes de
suprimir os assimilados, causando a aceleração dos
processos de senescência.
Em relação à forma de aplicação do ácido
giberélico, Skutnik et al. (2001) verificaram que a imersão
de folhas em solução contendo esse regulador foi mais
eficiente que o tratamento de pulsing, provavelmente pelo
fornecimento diretamente no local de contato dos tecidos
da folha com o regulador vegetal evitando o transporte,
dificultado através dos pecíolos.
Porém, Castro (1993), trabalhando com
Heliconia aurorea verificou que o ácido giberélico
quando fornecido como solução de manutenção foi mais
eficiente por promover maior longevidade, brilho,
firmeza, menor queda das flores e maior número de
inflorescências, quando comparado ao tratamento em
solução de pulsing, o que poderia ser devido a maior
permanência das hastes em contato com a solução, o que
possibilitou maior absorção dos compostos, otimizando os
benefícios advindo desse tratamento.
O ácido giberélico, assim como outros
reguladores vegetais, pode ser utilizado isolado ou em
combinação com outros reguladores, como verificado em
híbridos de Sandersonia aurantiaca x Littonia modesta
onde a combinação de ácido giberélico e citocinina foram
mais eficientes em prevenir a clorose foliar quando
comparado a utilização de ambos reguladores de forma
isolada (EASON et al., 2001).
A aplicação dos reguladores vegetais em flores é
especialmente recomendada antes do armazenamento
prolongado ou transporte (NOWAK E RUDNICKI,
1990). Contudo, as respostas à aplicação desses podem ser
atribuídas a grande capacidade dos tecidos em absorvê-los
ou devido aos baixos níveis desses nos tecidos (PAULL E
CHANTRACHI, 2001). Porém, a explicação para os
efeitos benéficos das citocininas e ácido giberélico são
ainda de natureza desconhecida, porém, a teoria mais
aceita é que ambos reprimam a expressão de Gens
Associados á Senescência, denominados gens SAGs.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As helicônias são espécies de flores que tem
despertado grande interesse no mercado interno e externo,
por apresentarem ampla diversidade de cores, forma e
tamanho, podendo ser utilizadas tanto como flores de
corte como plantas de jardim. No entanto, apesar de
algumas espécies serem consideradas rústicas, devido o
retardo nos sintomas de senescência, há registros na
literatura indicando a existência de alguns entraves na
conservação de algumas espécies desse gênero.
A senescência é um fenômeno complexo do
ponto de vista histológico, fisiológico e genéticomolecular que conduz a uma série de fatores como
ativação de enzimas, degradação e síntese de pigmentos,
ácidos nucléicos e proteínas. Diversos fatores interferem
nesse processo dentre eles, condições pré-colheita, e,
principalmente, fatores genéticos. A senescência pode
ainda ser mediada por interações complexas onde estão
envolvidos açúcares, enzimas hidrolíticas e hormônios
vegetais. Nas espécies de flores em que a vida de vaso é
reduzida por mudanças no controle hormonal, geralmente
o nível da produção de etileno aumenta drasticamente,
conduzindo mudanças na coloração, murchamento e
abscisão de pétalas, sépalas, brácteas e folhas.
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