FUNDAMENTOS SOCIOLOGICOS DA EDUCAÇÃO A RELAÇÃO

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FUNDAMENTOS SOCIOLOGICOS DA EDUCAÇÃO A RELAÇÃO
FUNDAMENTOS SOCIOLOGICOS DA EDUCAÇÃO
A RELAÇÃO ENTRE MUDANÇA SOCIAL E EDUCAÇÃO
A relação entre mudança social e educação nos permite compreender
que o processo de socialização nunca se completa, na medida em que a
capacidade do homem de transformar sua realidade é algo que está sempre
presente. O ser humano está sempre construindo seu mundo e sendo
construído por ele. Essa capacidade faz com que sempre se encontre diante de
um universo dinâmico e a realidade na qual vive nunca possa ser pensada em
termos definitivos, mas sempre relativizados.
No contexto de uma sociedade globalizada, marcadamente excludente, qual a
função que está assumindo a educação enquanto instituição de formação de
indivíduos e grupos?
Certamente, não podemos distanciar a mudança social da educação, já
que são partes que se encontram imbricadas.
A MUDANÇA SOCIAL, como o termo indica, significa transformações
nas formas de vida presentes nas sociedades. Devemos compreender também
que a intensidade das mudanças sociais encontra-se interrelacionada com as
características típicas de cada sociedade. Nas sociedades complexas, como
aquela em que vivemos, as mudanças sociais são rápidas e intensas,
considerando-se que
O ritmo da mudança social dependendo do maior ou menor número de
contados sócias com outros povos, do desenvolvimento dos meios de
comunicação e também de certas atitudes individuais e sociais que o aceleram
ou dificultam. A multiplicidade de contatos com os povos de costumes, padrões
de vida e técnicas diversas faz acelerar as mudanças sociais.
Segundo Oliveira, há duas formas de se estabelecer a mudança social:
por meio de forças que são ENDÓGENAS (internas), ou seja, por
transformações que ocorrem dentro da sociedade, ou por forças EXÓGENAS
(externas), por transformações que ocorrem fora da sociedade, ou seja, por
outras sociedades, no contexto da difusão cultural. O autor considera que
difundir técnicas é mais fácil do que a difusão de valores éticos, religiosos,
morais etc., na medida em que estes se encontram impregnados por reações
de caráter emotivo, que muitas vezes são difíceis de assimilar.
Observamos que, no contexto das sociedades, um elemento cultural,
quando é considerado significativo e encontra-se de pleno acordo com a
própria cultura de uma dada sociedade, é certamente de mais fácil assimilação.
A aceitação de novos valores culturais é determinada pelo elemento novidade.
Toda novidade é mais fácil de aceitar. Conforme Oliveira, “As novidades se
referem quase sempre a aspectos não-essenciais da cultura”. Pelo que
podemos compreender neste momento de nossos estudos existem muitos
fatores que são causadores de mudança, e estas alteram o próprio traço
marcante da sociedade, ou seja, sua característica especifica.
As mudanças de caráter tecnológico não se constituem enquanto tal
apenas em mudanças técnicas utilizadas, elas fomentam também modificação
nos hábitos, nos costumes e, até mesmo, nas formas de ver o mundo. O que
queremos demonstrar neste momento é a relação de interdependência
existente entre mudanças de caráter técnico e mudanças de caráter
estritamente cultural, embora devamos compreender que as mudanças de
caráter cultural se fazem de forma mais lenta no contexto social, na medida em
que pode haver formas de resistências. Salientamos, novamente, que a
educação não se encontra refrataria a todos esses processos, ou seja, as
mudanças endógenas e às mudanças exógenas.
As invenções e a difusão cultural são processos que ocasionam as mudanças
sociais, pois suscitam modificações nos costumes, relações sociais e
instituições. Essas alterações podem ser de pequeno porte, passando até
despercebidas, ou podem alterar quase todos os setores da vida social. A
invenção de uma nova tinta pode causar alterações somente no campo
artístico; mas a invenção da televisão, por exemplo, influenciou as diversões, a
política, a educação, os hábitos familiares, a propaganda, etc .
Mudanças gradativas destroem as instituições sociais existentes. Geralmente,
visam apenas a melhorá-las. Já as mudanças profundas e violentas alteram
todo o sistema de relações sociais. As mudanças gradativas, que procuram
melhorar as instituições sem destruí-las, sem romper com os costumes, são
chamadas de REFORMAS. A mudança social profunda e violenta, que destrói
ou procura destruir a ordem social existente, substituindo-a por outra contraria,
chama-se REVOLUÇÃO.
No contexto da sociedade atual, pelo impacto da aplicação das novas
tecnologias nas mais diversas áreas, estamos experienciando um intenso
processo de difusão cultural e uma verdadeira revolução, e esta mesma
revolução de caráter técnico está também modificando nossa visão de mundo e
de homem, dado que o mundo não é mais restrito, regionalizado, mas, sim,
amplo.
O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONÕMICO E SUA INFLUENCIA
NA EDUCAÇÃO
Neste momento de nossos estudos, devemos entender a íntima relação
entre desenvolvimento econômico e educação. Numa sociedade desenvolvida
economicamente, a educação também se encontrar desenvolvida, no sentido
de que são disponibilizados atendimentos aos recursos necessários para o
desenvolvimento de políticas educacionais de caráter inclusivo. Já nas
sociedades em desenvolvimento, como se costuma denominar, encontramos
uma certa defasagem entre elementos de desenvolvimento econômico e a
existência de políticas educacionais mais adequadas e, por assim dizer, a
caminho do desenvolvimento. Nenhuma sociedade poderá dizer-se
desenvolvida se não tiver também uma educação desenvolvida, ou seja, um
elevado grau de desenvolvimento educacional de sua população. Por outro
lado, como afirma Oliveira.
Há necessidade de se incrementar o processo educativo, mas, acima de tudo,
é necessário se fazer o mesmo com o desenvolvimento econômico. Par
promover o desenvolvimento, a educação deve caminhar paralelamente com
outros fatores: aumento do processo de industrialização, melhor distribuição de
terras no campo, programas sanitários e melhor distribuição de renda nacional.
Só a existência de uma moderna infra-estrutura econômica é que vai permitir
um desenvolvimento maior da sociedade nos seus vários aspectos.
No contexto de nossa realidade social brasileira, o que observamos é
que não encontramos elementos de desenvolvimento em vários setores da
sociedade: saneamento, saúde, redistribuição de renda e a própria educação.
Podemos observar então que a sociedade carece de políticas públicas que
garantam e determinem o que podemos denominar de ritmos de
desenvolvimento. Encontramos em nossa sociedade uma contradição: somos
um país subdesenvolvido, na medida em que muitos fatores não estão sendo
atendidos pelas políticas governamentais, no entanto, a prática discursiva
realizado por parte de nossas autoridades parece priorizar a educação.
Salientamos, porém, que a educação em si mesma não é força propulsora de
desenvolvimento de um país.
Esta é a contradição que se apresenta: não se atende a necessidades
básicas para garantir melhores condições de vida a uma parte dos segmentos
subalternos da sociedade e costuma-se colocar a educação como principal
problema nacional. Há ainda uma nova contradição: a educação não recebe
investimentos suficientes que possibilitem ao país atingir elevado grau de
desenvolvimento para atender aos anseios da sociedade, principalmente,
repetimos, da parcela que compõem os segmentos subalternos da população
brasileira.
O PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO E A EDUCAÇÃO
Pensar o processo de globalização e a educação é pensar em uma
característica especifica do modo capitalista de produção que é a busca de
novos mercados, experienciada em variados períodos da historia mundial.
Essa busca ocorreu nos séculos XVI, XIX e XX. No século XXI, encontramos
ainda essa busca inerente ao sistema socioeconômico capitalista, mas agora
de caráter diferenciado, pois hoje estão presentes as novas tecnologias da
educação e invenções eletrônicas que, como resultado, traz o encurtamento
das distancias. Estamos diante da globalização.
Como podemos definir a globalização? Segundo Johnson, a
GLOBALIZAÇÃO se constitui um processo em que a vida social nas
sociedades ocidentais é de certa forma afetada pelas influencias internacionais,
que envolvem os mais amplos aspectos – políticos, comerciais e culturais.
Giddens, ao trabalhar com as dimensões da globalização, afirma o seguinte:
A globalização é muitas vezes retratada apenas como um fenômeno
econômico. Muito disso se deve ao papel das corporações transnacionais,
cujas operações, massivas se expandem através de fronteiras
nacionais,influenciando os processos de produção global e a distribuição
internacional do trabalho.Alguns assinalam a integração eletrônica dos
mercados financeiros globais e o enorme volume defluxo de capital global.
Outros se concentram na abrangência sem precedentes do comercio mundial,
envolvendo uma variedade de bens e serviços muito maior do que antes.
Embora as forças econômicas sejam uma parte integrante da globalização,
seria errado sugerir que elas sozinhas a produzam. A globalização é criada
pela convergência de fatores políticos, sociais, culturais e econômicos. Foi
impelida, sobretudo, pelo desenvolvimento das tecnologias da informação e da
comunicação que intensificaram a velocidade e o alcance da interação entre as
pessoas ao redor do mundo.
Considera-se a forma mais poderosa de globalização e de caráter
ECONÔMICO. No contexto da economia globalizada, as empresas
denominadas de transnacionais realizam suas transações econômicas
simultaneamente em vários países diferentes e acabam por explorar as
condições locais. A Globalização, em sua dimensão econômica, pode ser
entendida também como um complicador das relações econômicas, na medida
em que é concentradora de riquezas, de poder econômico e é um forte
desestabilizador das relações de trabalho no contexto do capitalismo industrial.
Com o processo de globalização, entendemos que se agudizam os fatores de
precarização do mundo do trabalho. Esse processo de transnacionalização do
capital financeiro internacional teve inicio basicamente na década de 1970 e
intensificou-se com o colapso do socialismo entre os anos de 1989 e 1991,
estabelecendo-se o processo de interligação mundial dos mercados.
É importante salientar que a globalização não se restringe apenas às
determinações econômicas do capital financeiro internacional; envolve também
implicações de caráter POLÍTICO e de caráter CULTURAL, relacionando-se
com o enfraquecimento das tradições e das próprias identidades culturais, no
sentido de que identidades híbridas estão se constituindo. Ou seja, estamos
vivenciando um processo de disseminação de diversidades culturais de
impacto nunca antes visto em nossa história ocidental. Segundo Giddens, a
globalização está afetando nossa vida cotidiana, na medida em que está a
gerar mudanças na natureza de nossas experiências próprias.
Como as sociedades nos quais vivemos passa por profundas transformações,
as instituições estabelecidas que outrora a sustentavam perderam seu lugar.
Isso está forçando uma redefinição de aspectos íntimos e pessoais de nossas
vidas, tais como a família, os papéis de gênero, a sexualidade, a identidade
pessoal, as nossas interações e nossas relações de trabalho. O modo como
pensamos nós mesmos e nossas relações com outras pessoas está sendo
profundamente alterado pela globalização.
Considerando notadamente as implicações de caráter cultural, vamos
nos deparar com a educação. No contexto de uma sociedade globalizada, a
educação não se encontra imune a esse processo, em razão de as exigências
de um profissional mais qualificado se fizerem cada vez mais presentes.
A educação também está respondendo às necessidades de uma
economia de mercado, cada vez mais globalizada e mais excludente. Cada vez
mais no contexto das sociedades, prega-se o fim da escola pública, da escola
gratuita e mantida pelo Estado. Estamos diante de uma lógica da privatização,
cabendo ao Estado a garantia da educação para os segmentos subalternos da
população, por meio da distribuição de bolsas de estudo em escolas
particulares ou do financiamento dos estudos desses segmentos para que,
posteriormente à formatura, retornem ao Estado o beneficio recebido.
No contexto de uma sociedade globalizada, a escola está sendo
repensada, na medida em que está passando paulatinamente a funcionar nos
moldes de uma empresa ou microempresa, no sentido de que, salienta
Meksenas, deve funcionar como estimuladora da competição – pois se
encontra contida num contexto marcadamente concorrencial – sem depender
dos recursos advindos do Estado, contando, por fim, com financiamentos
privados, com a ajuda da comunidade ou de voluntários, que se intitulam
“amigos da escola”. Assim, “Estimula a iniciativa individual ao mesmo tempo
em que nega valores e trabalhos coletivos”. Esse é um aspecto muito
importante observado por Meksenas, pois a intensificação da concepção
individualista de homem e de mundo no contexto das sociedades globalizadas
pode até mesmo tornar os vínculos sociais cada vez mais flexíveis.
A prática discursiva da denominada qualidade total passa a fazer parte
integrante da própria prática discursiva das escolas em seus setores
administrativos, o que demonstra a transformação da concepção de escola,
vinculando-a ao funcionamento de uma empresa que deve gerar lucros.
Toda uma concepção de homem e de mundo está sendo alterada pelo
processo de globalização. Cada vez mais estamos nos firmando em uma
concepção individualista, concorrencial, de elevado nível de competição, que
está a exigir, cada vez mais intensa qualificação para o trabalho, para o
mercado. A escola não foge a essas múltiplas determinações advindas com o
processo de globalização.
A EDUCAÇÃO NO BRASIL
No contexto do século XXI, a educação figura como um significativo
componente de crescimento econômico. Segundo Meksenas, faz-se
necessário pensar também a educação como fator de diminuição das
desigualdades sociais tão presentes e agudas em nossa sociedade
A desigualdade social presente no contexto de nossa sociedade leva à
instauração de formas profundas de desqualificação de indivíduos e grupos.
Como o Estado brasileiro poderia minimizar as sérias conseqüências da
desigualdade social para significativo contingente populacional da sociedade
brasileira?
Os problemas brasileiros no que tange à educação são muitos, mas o
que se apresenta de forma mais aguda é, sem sombra de duvidas, o fracasso
escolar. No contexto da sociedade da informação, da denominada “era digital”,
em que recursos tecnológicos estão sendo cada vez mais usados, ainda nos
deparamos com o fantasma do fracasso escolar. Podemos até mesmo dizer
que estamos diante de um problema social de ordem estrutural, na medida em
que esse fracasso reproduz todo um processo de desigualdade social presente
em nossa realidade.
O fracasso escolar deve ser pensado sociologicamente, e a sociologia
da educação pode contribuir para isso. Pensar sociologicamente o fracasso
escolar nos remete ao conceito de estrutura familiar e, assim, ao próprio capital
cultural familiar. Há sim, um elemento familiar que contribui para o fracasso
escolar. Nesse sentido, o capital cultural familiar de algum modo tem força
determinante na forma como os pais percebem a educação de seus filhos. Ao
mesmo tempo, encontra-se em estreita relação com as condições materiais de
existência das famílias e aqui encontramos outro determinante, o da
desigualdade social presente em nossa realidade como dissemos
anteriormente.
Segundo Meksenas, 93% das crianças concluem seus estudos
fundamentais e posteriormente lhes dão seqüência enquanto apenas 63% das
classes trabalhadoras conseguem concluir as séries fundamentais e nem
sempre prosseguem em seus estudos. Ora, esse fato demonstra claramente a
marca da desigualdade social, que lembrando Bourdieu, a escola irá
reproduzir, pois reproduz o que se encontra presente na estrutural envolvente.
Os filhos dos trabalhadores, no contexto da sociedade brasileira, muito cedo
deixam seus estudos para se integrarem ao mercado de trabalho. Foi também
por essa razão que foram criados os denominados ensinos supletivos. O
objetivo era atender às necessidades dos segmentos sociais subalternos da
população, já que os segmentos dominantes não tinham e não têm essa
necessidade especifica.
Seguindo-se a lógica de Bourdieu, entendemos ser a escola uma das
estratégias de manutenção do status social ou de ascensão social. O
investimento feito pelas famílias na escolarização de seus filhos encontra-se
diretamente relacionado às condições de possibilidade que os fazem perceber
a escola enquanto forte instrumento de mobilidade social. Logo perceber-se
que para as classes sociais o papel da escola não se restringe somente à
transmissão de conhecimentos, entendendo que Lea contribui também para a
manutenção de um dado status social. Não nos esqueçamos de que o capital
cultural familiar está diretamente relacionado com a condição de classe e, se
nos encontramos em uma sociedade marcadamente desigual e excludente o
capital cultural familiar no que concerne aos investimentos na educação dos
filhos obedecerá a essa mesma determinação de classe. Nesse sentido,
seguindo-se Bourdieu, podemos perceber que na escola encontramos o
domínio da reprodução social e a legitimação das desigualdades sociais. Esta
é uma perspectiva pela qual podemos refletir sociologicamente sobre os
índices apresentados por Meksenas.
Outro aspecto significativo encontra-se relacionado com a própria
instituição do Estado. Como são os investimentos do Estado brasileiro no
campo da educação?Não são ainda os índices adequados às necessidades da
maioria da população do Brasil ainda é um dos países que menos investe no
setor, considerando-se outros países latino-americanos. No contexto da
atualidade, as escolas públicas não estão tendo investimentos suficientes,
funcionando em condições precárias. Se associarmos educação e
desenvolvimento pode-se verificar que, levando em conta os investimentos
feitos em educação no Brasil, ainda estamos carecendo de melhor
aproveitamento dos recursos produzidos socialmente, de políticas públicas que
priorizem o universo educacional e que permitam o acesso à instituição escolar
por parte de considerável contingente da população brasileira.
Os problemas da desigualdade social refletem-se no contexto da sala de
aula. Onde se perceber, como afirma Oliveira, que encontramos uma
inadequação entre a escola e o seu aluno, em especial o aluno que é mais
carente, principalmente em termos econômicos.
Com base em pesquisas e estudos realizados recentemente, sabemos que
muitos fracassos dependem do preparo das crianças. As crianças
culturalmente marginalizadas, que provém de lares economicamente
desfavorecidos, nascem e crescem em ambientes que não lhes proporcionam
a estimulação e o treinamento que seriam necessários para seu bom
desenvolvimento social e intelectual.
Nos dizeres de Oliveira, nota-se que a ausência de condições materiais
de existência satisfatória por parte das famílias dos segmentos subalternos da
sociedade brasileira faz com que não seja possível, isso é natural e quase
óbvio, a construção de um significativo capital cultural, na medida em que
fundamentalmente não existe um significativo capital econômico.
Outro aspecto importante diz respeito à mobilidade social. Há na
sociedade brasileira uma prática discursiva que atribui também à escola, ao
ensino formal, portanto, papel relevante no que concerne à mobilidade social.
Porém, o que estamos vendo em nossa realidade? Que a educação não está a
cumprir com os objetivos vinculados à idéia de mobilidade social e
neutralização das desigualdades sociais. Não há como termos dúvidas quanto
ao que atesta Oliveira: “O efeito direto da educação sobre a mobilidade social e
os ganhos é muito baixo. A origem social de classe, isto é, a classe social de
onde as crianças provêm, é uma variável que explica como bastante clareza a
trajetória educacional e ocupacional das pessoas”?. Assim, para que tenhamos
uma boa educação e o fim do fracasso escolar, os investimentos na melhoria
da condição de vida da população devem ser mais substanciais por parte do
Estado, na medida em que o rendimento escolar e a própria concepção da
importância dos estudos encontram-se diretamente relacionados com as
condições materiais da existência.
No contexto de uma sociedade marcadamente excludente como a nossa
as determinações da estrutura socioeconômica da população são fatores
contribuintes, para o de declínio da educação, em especial no ensino
fundamental, basicamente pelas razões que colocamos acima, mas também
porque parece não haver vontade política de melhorar substancialmente o
sistema educacional brasileiro, fato contraditório no contexto de um mundo
globalizado em que a qualificação é essencial. Podemos perguntar então:
como teremos profissionais devidamente qualificados na sociedade se o
ensino fundamental não é atendido em suas necessidades mais básicas pelo
Estado?
No contexto da realidade brasileira persiste ainda o analfabetismo. Esse
fator notadamente demonstra uma situação de atraso e marginaliza
considerável contingente da população. Devemos destacar ainda quanto a
essa questão a existência do analfabetismo funcional, que se caracteriza pelo
fato de uma pessoa não possuir os recursos mínimos para operar um
computador e seus programas básicos, principalmente quando verificamos que
a maioria da população brasileira não tem condições materiais para adquirir um
computador. Pensar a educação no Brasil hoje é pensar, refletir de forma
crítica sobre determinantes claros de nossa realidade social envolvente.
Podemos verificar ainda, segundo vários autores que versam sobre a
sociologia da educação, que outro problema que temos presente em nossa
sociedade é o preconceito vivenciado dentro da escola, o que nos revela um
problema da educação brasileira, na medida em que assume graves
proporções na realidade vivenciada por milhões de alunos que são segregados
em função de sua condição racial, social ou educacional. A escola, de certa
forma, como anteriormente dissemos, reproduz o que se encontra presente no
contexto da estrutura social. Há preconceitos fortes em nossa sociedade com
relação à pobreza; parece que temos no imaginário coletivo uma associação
entre miséria e criminalidade. Esse tipo de preconceito perpassa as paredes
das salas de aula. Da mesma forma, podemos falar do preconceito racial, que
é presente no Brasil de forma sub-reptícia, que é velado, mas se manifesta em
muitas formas de expressão, como piadas relacionadas aos negros. Em suma,
não vivemos uma democracia racial, na medida em que, segundo autores da
sociologia da educação, esse fato se expressa fundamentalmente nos
indicadores sociais do País, em especial aqueles que dizem respeito à
educação e à remuneração salarial. Há também profundas diferenças de
gênero, principalmente no que à remuneração pelo trabalho. São fatores, que
perpassam as paredes das salas de aula.
Estamos novamente no palco da desigualdade social, que também diz
respeito à educação. As conseqüências da desigualdade social, pelo que
podemos constatar, são enormes: “As conseqüências dizem respeito a
modelos de vida, nos quais a maior parte da população trabalhadora perdeu o
direito de sonhar e de projetar uma vida digna. A ausência de perspectivas
econômicas, políticas, sociais e culturais produz o aumento brutal da violência
e do desrespeito às leis”.
Meksenas alerta para o que se pode produzir no contexto da
desigualdade social, salientando que esta não se constitui enquanto sinônimo
de pobreza, mas, sim, sinônimo de concentração de renda, isto é, da produção
de riqueza sem a devida distribuição desta. O autor acaba por concluir que,
“assim, o combate à desigualdade social requer que os governantes de um
país tenham a coragem de priorizar as políticas públicas de redistribuição da
riqueza acumulada”. Estas devem envolver educação, saúde, alimentação,
habitação, lazer, transporte etc., conforme consta na Constituição Federal.
O mesmo autor chama a atenção ainda para outro aspecto da educação
no Brasil, fruto da desigualdade social: no Brasil uma criança leva em média
nove anos para concluir a sexta série do ensino fundamental. Trata-se de um
fato que indica a presença da desigualdade no campo educacional brasileiro.
Gostaríamos de estar falando do progresso da educação, mas a
realidade que se vive não permite. Pois vivemos em uma sociedade
marcadamente desigual e excludente, características que também se aplicam
aos processos educativos e aos investimentos estatais em educação. É grave
a realidade educacional brasileira em todos os níveis, do ensino fundamental
ao ensino superior, e a sociologia da educação, por ser sociologia, deve
analisar criticamente a realidade social envolvente, sob pena até mesmo de
não ser uma sociologia.
Pensar a educação no Brasil hoje é pensar diretamente na desigualdade social
que faz parte da estrutura de nossa sociedade. Avançamos pouco no que
concerne à educação. Desse modo, uma questão fundamental fica para nossa
reflexão: pode a educação superar as desigualdades sociais?
Pelo que se viu, no contexto da sociedade brasileira, há um problema
mais premente a ser atacado – o problema de uma estrutura social desigual,
que remete seus tentáculos a tos os campos da sociedade, educacional,
cultural, social e econômico. Pensemos a esse respeito com carinho.

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