Por dentro da Usina

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Por dentro da Usina
3
Ricardo Pinto
ELOGIO
Um casal de velhinhos passeava pela antiga fazenda que
lhes pertencia. De repente, a velhinha olha para uma antiga
cerca e fala de quando eles faziam amor encostados nela.
O velhinho, já empolgado, convence a mulher de relembrar
o passado. Ela concorda.
Eles vão para a cerca e mandam ver. A velhinha pula como
se fosse um touro bravo sendo montada num rodeio. Em
pouco tempo o velhinho atinge o clímax.
Extasiado e ofegante, ele elogia sua mulher:
- Nossa, Amor! Quando fazíamos isso antes não era tão
bom como foi agora.
A esposa, descabelada e quase sem ar, responde:
- Claro, querido! Naquele tempo não existia cerca elétrica.
Independentemente do motivo que nos faz receber um
elogio sincero, como o que a velhinha recebeu, ele sempre
nos satisfaz. Afinal, todo ser humano busca e precisa de
reconhecimento. E o elogio é uma das maneiras mais eficientes de se reconhecer um bom desempenho.
Muitos líderes e executivos das empresas não têm a
real noção do poder de motivação que possui um simples
elogio.
A palavra motivação define o impulso interno que nos
leva à ação. Como se trata de algo interno ao ser humano,
ninguém consegue motivar o outro, mas podemos oferecer estímulos que possam despertar a motivação do outro.
Neste aspecto, um elogio não só fortalece a autoestima do elogiado, como também estimula sua motivação.
Há diversos especialistas em neurologia que apontam
que o reforço positivo funciona melhor do que a punição
no processo de educar as pessoas. Eles baseiam-se no fato
4
4
de que a dopamina, libertada pelo cérebro nos momentos
de satisfação, é um elemento químico poderoso.
Logo, o elogio dá lucro, e muito. Além de não custar
nada e exigir pouco esforço, um elogio atende à necessidade de todas as pessoas por reconhecimento e estima
de suas capacidades individuais.
Mas, para ter alta efetividade, o elogio a um profissional deve seguir algumas regras básicas.
A primeira regra é: o melhor elogio é aquele realizado
em forma de cumprimento pessoal “olho no olho”.
Elogiando desta maneira, demonstramos respeito e
geramos uma atmosfera de pessoalidade.
Já a segunda regra estipula: elogie o quanto antes
após o ato digno de nota. Cada ação, atitude ou resultado merecedor de elogio deve recebê-lo o mais rápido
possível, visando a que se repita mais vezes.
Em terceiro lugar, lembramos: todo elogio deve conter o nome do elogiado, o fato merecedor do elogio e uma
apreciação sincera do desempenho digno do elogio. Não
faça elogios genéricos.
Em seguida, vai um alerta: cuidado com o que for
falar após o elogio. Por exemplo, mandar um elogiado
voltar ao trabalho logo após elogiá-lo pode diminuir o
efeito do elogio. Além disso, fazer uma crítica após ter
feito um elogio na realidade não é um elogio.
Por último, segue uma regra fundamental: elogie em
público. O elogio compartilhado com os demais colegas
de equipe possui ainda mais força. Ele não só estimula
o elogiado, mas mostra aos demais colegas o que a empresa espera de cada um deles.
Vamos elogiar mais?
Índice
“Perder tempo em aprender coisas que não
interessam, priva-nos de descobrir coisas
interessantes.”
Carlos Drummond de Andrade
“A imaginação é mais importante do que o
conhecimento.”
Albert Einstein
Especial
6
O efeito dominó da crise sobre o setor
Fórum
14
Daqui para a frente, a crise do setor
sucroenergético irá melhorar ou ainda
pode piorar mais?
Tecnologia
Agrícola
16
Reinventando o plantio de cana
24
Perdas na operação de colheita
mecanizada
28
Os olhos biônicos do agricultor
36
Centrifugação em açúcar e
etanol
40
Bombas por toda parte
48
Como ter qualidade em projetos
de engenharia para o setor
sucroenergético
Gestão
50
Eucalipto: Uma oportunidade de
aumento de rentabilidade
Por dentro
da usina
54
Dicas e
novidades
56
Panorama
Global
57
Atualidades
Jurídicas
58
Aspas
60
Entrevista
62
Executivo
66
Dropes
70
“O pessimista vê dificuldade em cada
oportunidade. O otimista vê oportunidade em
cada dificuldade.”
Winston Churchill
“Só existem dois dias no ano que nada pode ser
feito. Um se chama ontem e o outro se chama
amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar,
acreditar, fazer e principalmente viver.”
Dalai Lama
Tecnologia
Industrial
edição 163
Ano 13
Setembro
de 2014
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Editora
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Executivo expatriado
5
especial
“Oito usinas fecharam em Minas Gerais”,
“Produção de etanol no Mato Grosso deve
reduzir 5,5%”, “Cidade que vive da cana
sente efeitos de crise no setor”, “Subsídio a
gasolina é um dos desafios para as usinas”,
“Em seis anos cana perde 300 mil empregos”, “Produção de cana 2% menor em Minas
Gerais”. Essas são apenas algumas matérias
divulgadas nos jornais Brasil afora que mostram que a crise do setor sucroenergético é
assunto nacional, quiça internacional.
Os efeitos da crise começaram a serem
sentidos em 2009 e, de lá para cá, só fazem
aumentar.
De acordo com José Darciso Rui, diretor executivo do Gerhai (Grupo de Estudos
em Recursos Humanos na Agroindústria), o
setor emprega atualmente cerca de 1 milhão
de trabalhadores diretos e mais 2,5 milhões
de trabalhadores indiretos contando toda a
cadeia produtiva (empresas que prestam serviços para o setor, fabricantes de equipamentos, máquinas agrícolas etc).
Segundo ele, é difícil precisar quantos
postos de trabalho foram ceifados nos últimos
anos. “Sabemos que tínhamos 434 unidades
produtoras e foram fechadas 48 nos últimos
anos. Isso deve acarretar uma perda de 100
mil empregos diretos e mais uns 200 mil in-
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diretos”, contabiliza.
Destes 100 mil diretos, Rui considera
que 85 mil são da área agrícola, 15 mil são
da indústria e 5 mil são da área administrativa. “Dos indiretos, a grande maioria é de
prestadores de serviços de manutenção e de
fabricantes de equipamentos”, diz.
O diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), Antônio de Pádua Rodrigues, afirma que o número de vagas fechadas depende do índice de colheita e
plantio de cada unidade. “Hoje, as melhores
empresas possuem 0,5 empregos para cada
1 mil t/cana. Nas regiões Norte e Nordeste,
que não tem colheita mecanizada por causa
da declividade, a média é de três empregos
para cada 1 mil t/cana”, enumera.
Como nas regiões Norte e Nordeste a
produtividade é de 65 milhões de t, a média
é de 200 mil empregos diretos. Já no Centro-Sul a média é de 600 mil empregos diretos. O setor emprega, diretamente, 800 mil
empregos.
Pádua ainda lembra que na época do Proálcool, quando ainda não tínhamos o avanço tecnológico no campo e na indústria, e
a mecanização, o índice era de 3 empregos
para cada 1 mil t de cana. “Se isso não tivesse acontecido, teríamos um contingente
no setor de mais de 2 milhões de empregos
diretos”, vislumbra.
Ele também diz que o número de demissões ocorridas ultimamente no setor não
trouxe impacto na atividade, pois a cana das
unidades que fecharam foi moída em outras
unidades. “Não houve impacto na atividade
agrícola porque a cana foi moída em outra
unidade. Todo o ano, com o avanço da colheita e plantio mecanizado perde-se em mão
de obra não qualificada e investe-se em mão
de obra qualificada. O maior peso da redução
de mão de obra no setor deu-se devido à mecanização, mas a crise também pesou, fora a
quebra de produtividade de 15% no Estado
de São Paulo”, cita.
No entanto, Pádua admite que a falta de
preço e a quebra de safra por condição climática afetaram as usinas. “A crise levou as
usinas a reduzirem onde foi possível. O último foi na mão de obra, pois antes disso a
usina deixou de reformar a indústria, trocar
a frota, fazer os investimentos necessários à
atividade. Tudo isso para resistir a crise e se
manter na atividade.”
Para o diretor técnico, as demissões não
podem ser vistas apenas como impacto, pois
são parte de uma solução dentro do contexto
do setor. “As empresas investem em plantio,
aumento da produtividade agrícola, entre outros. Algumas possuem capacidade financeira
de investir em máquinas e equipamentos em
um cenário sem preço e com quebra agrícola.
As unidades que não possuem capacidade de
investir sofrerão maior impacto, e com isso
terão que reduzir o contingente de mão de
obra e de área”, esclarece.
QUEDA BRUSCA
Marcos Fava Neves, professor titular de
Planejamento Estratégico e Cadeias Alimentares da FEA-RP/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de
Ribeirão Preto/Universidade de São Paulo)
menciona que o número de trabalhadores no
ano de 2013 foi de 613.235. “Se considerarmos os empregos sazonais, esse número sobe
para 988.256”, conta. Esses números englobam o cultivo de cana-de-açúcar e a fabricação de açúcar e etanol.
Mas para se ter uma ideia, no ano de
2008, o número de empregos no setor, considerando os sazonais, era 1.283.258. “Como
temos muitos cargos de trabalho sazonais no
setor, costumamos não falar em dispensas,
mas sim em saldo de empregos. Podemos
dizer que, no total, o saldo de empregos entre
os anos de 2008 e 2013 foi negativo, conta-
SALDO NEGATIVO
O saldo de empregos no
setor entre os anos de
2008 e 2013 foi negativo,
contabilizando -295.002
cargos de trabalho. Na
área agrícola, a redução
foi de -198.015, ou seja,
uma redução de mais de
40% enquanto que na
área industrial o saldo
de empregos ficou em
-96.987, o que representa
redução de 12% se
considerados os anos de
2008 e 2013.
Rui: “O Brasil é uma fonte inesgotável
de energia renovável, porém o pré-sal
e Belo Monte são mais importantes na
visão dos atuais governantes.”
bilizando -295.002 cargos de trabalho. Na
área agrícola, a redução foi de -198.015, ou
seja, uma redução de mais de 40% enquanto
que na área industrial o saldo de empregos
ficou em -96.987, o que representa redução
de 12% se considerados os anos de 2008 e
2013”, afirma Fava Neves.
A média salarial destes trabalhadores na
região Centro-Sul, em 2013, foi de US$ 481
e na Norte-Nordeste de US$ 374. A média
nacional ficou em US$ 446, o que resultou
em uma massa salarial de US$ 4,13 bilhões.
Como as demissões foram oriundas, na
grande maioria, do fechamento de unidades
industriais, foram demitidos funcionários de
todos os tipos. ”No atual cenário brasileiro,
a disponibilidade de mão de obra capacitada está escassa, ou seja, as organizações privadas realizam investimentos para capacitar
seus funcionários. As demissões representam
uma perda de investimentos, uma vez que todo o trabalho feito para adequar o trabalhador
às necessidades da organização é perdido”,
salienta Fava Neves.
Rui lembra que boa parte dos trabalhadores dispensados eram qualificados, como
mecânicos, operadores de máquinas, motoristas, montadores, destiladores, cozedores e,
outros tantos eram rurais que laboravam na
colheita de cana.
O Grupo Aralco, em suas quatro unidades (Usina Aralco, Usina Figueira, Destilaria
Generalco e Usina Alcoazul), possui 1.939
funcionários. Antes das demissões, as quatro usinas somavam 4.154, comparado com
o mesmo período do ano passado. “Ao todo,
desde o início da reestruturação empresarial,
foram dispensados 2.215, sendo 110 da área
administrativa, 1.908 da área agrícola e 197
da área industrial”, conta o porta-voz do Grupo Aralco e consultor diretor da DSCV Assessoria e Gestão, José Carlos Escobar.
Ele diz que a média salarial base desses
colaboradores era de R$ 1.300 e aproximadamente 930 colaboradores tinham qualificação.
“Com a crise que assola o setor, tivemos
que deixar de lado algumas atividades que
perderam espaços com a realidade atual. Procuramos o equilíbrio de custo e volume para
nos adequar às nossas atividades e conseguir
um desempenho de acordo com a produção”,
afirma Escobar.
IMPACTOS
Os impactos destas demissões são consideráveis. Cidades que dependiam ou dependem da geração de renda e impostos das
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unidades produtoras viram suas receitas desabarem de um ano para outro. Exemplo disso
foram os fechamentos recentes de unidades
como Cia. Florida (ex-Floralco), Usina Dracena, Albertina, Aralco (uma das unidades),
Usina Bertolo (Pirangi), Santa Helena (Goiás), Grupo João Lyra (Nordeste e Minas Gerais), Grupo José Pessoa (MS, SP) e tantas
outras.
Em cidades com foco no agronegócio
como Sertãozinho, há uma situação um tanto
calamitosa em razão das demissões de empregados do setor metalúrgico e de serviços.
As usinas sentiram o baque. “Diretamente impactou na redução do plano de benefícios, no crescimento do potencial que
as quatro usinas têm, reduzindo, assim, as
oportunidades de contratar e capacitar mais
pessoas dos 25 municípios em que atuamos.
Indiretamente paralisou o desenvolvimento
e a renda destes municípios”, cita Escobar.
“As demissões são uma consequência da
crise do setor e do fechamento de usinas. O
maior impacto delas é o fato de que atualmente está difícil capacitar e reter mão de obra no
campo, ou seja, quando o setor apresentar sinais de melhora e novas contratações tiverem
que ser feitas, será difícil recuperar o pessoal
perdido”, observa Fava Neves.
Muitas unidades industriais foram fechadas, sendo forçadas a demitir seus trabalhadores, enquanto outras sofreram fusão e consequente otimização de cargos, ou seja, frente
às demissões, os trabalhadores remanescentes
passaram a assumir maiores responsabilidades para viabilizar o negócio.
Fava Neves acredita que as usinas que
permaneceram abertas não foram as que exerceram maior impacto nas demissões da área
industrial do setor, e sim aquelas que encerraram suas atividades. “As usinas remanescentes fazem uma otimização de cargos, que
pode ser prejudicial para o setor se não for
muito bem feita, visto que muitas vezes um
número reduzido de trabalhadores pode não
dar conta do trabalho, reduzindo a produtividade”, atenta.
Rui aponta que dois motivos principais
levaram as usinas a realizarem corte no seu
contingente de funcionários. O primeiro foi
a forte mecanização, que reduziu postos de
trabalho na colheita manual de cana-de-açúcar, mas que por outro lado trouxe uma nova
cultura para o setor com aumento de profissionais qualificados.
“O segundo motivo, que não é aceitável numa economia em desenvolvimento, é
a redução de postos de trabalho por conta do
8
Segundo Pádua, o maior peso da redução
de mão de obra no setor deu-se devido à
mecanização, mas a crise também pesou,
fora a quebra de produtividade de 15% no
Estado de São Paulo
fechamento de empresas que sofreram por
falta de políticas públicas governamentais,
especialmente do governo federal que, além
de não ajudar em nada, vem atrapalhando por
demais o setor sucroenergético e a economia
brasileira como um todo”, desabafa.
Além da redução do quadro de funcionários, as usinas têm reduzido suas atividades
de manutenção industrial, tratos culturais,
investimentos em novas tecnologias e renovação de canaviais. Há ainda o envelhecimento do parque industrial e da área agrícola que resultam em queda de produtividade.
Outra consequência é a estagnação do setor,
que não investe em novas tecnologias e não
acompanha a evolução dos outros setores,
ficando defasado.
ADAPTAÇÃO À NOVA
REALIDADE
Diante da realidade, as usinas também
tiveram que se reestruturar e se adaptar ao
cenário. Escobar comenta que para isso, o
Grupo Aralco alinhou as atividades com alta
tecnologia e gestão. “Estamos qualificando
todas as atividades e processos com tecnologia, times de melhoria e tecnologia de
informações”, diz.
O corte de funcionários, em alguns casos, é uma forma drástica de otimizar investimentos, alongar dívidas e reduzir as
necessidades de capital de giro da usina.
“A escassez de crédito, aliado à baixa produtividade e envelhecimento dos canaviais,
falta de acesso a capital para melhoria do
parque industrial e também a falta de atualização dos canaviais nos faz pensar em ações
deste porte para termos como sair destas
situações com mais sucesso.”
Rui, por sua vez, crê que otimizar investimentos independe de corte de pessoal. “O
que pode ocorrer é que algum investimento
em novas tecnologias pode reduzir postos
de trabalho, a exemplo da mecanização. Dívidas e capital de giro não são parâmetros
de corte ou contratação de empregados,”
ressalta.
Para que o quadro se reverta e a usina volte a contratar, o porta-voz do grupo Aralco aponta que será preciso gerar
caixa para atualizar os canaviais da empresa em todos os aspectos de colheitabilidade e boas práticas de produção,
otimizar o potencial industrial, aumentando o volume de cana, aliado a boa gestão. Por último, o mercado precisa ajudar a virar o jogo nos próximos dois anos. Para se manter na atividade, o Grupo vem
melhorando a gestão a cada dia, com uma
mentalidade enxuta de produzir mais com
menos, com informações em tempo real
para promover economia, produtividade e
rentabilidade. Tudo isso promovendo ações
com agilidade, flexibilidade e melhoria contínua através do envolvimento das pessoas.
Além disso, o Grupo adotou a política de
transparência empresarial para com a sociedade, veículos de comunicação, colaboradores e credores entre outros envolvidos
com o grupo.
Escobar comenta que foram colocados
em prática alguns projetos e programas para auxiliar na qualificação do rendimento e
desenvolvimento do Grupo. A implantação
do projeto ‘180 x 180’, por exemplo, permitiu redesenhar as atividades do Grupo,
obtendo ganhos de 15% a 35 % nos custos
em diferentes recursos como:
- otimização da mão de obra, reduzindo por
completo serviços terceirizados (a mesma mão de obra fazendo os trabalhos de
terceiros);
- utilização de equipamentos por mais tempo em mais atividades;
- mudanças em viveiros de mudas e forma de plantio, desde época até a forma
de fazer;
- implantação de outras formas de manutenção no parque industrial e na frota;
- capacitação profissional contínua com foco maior na função de cada profissional.
“As usinas estão aproveitando a crise
como oportunidade e reinventando a forma
de gestão de pessoas e de processos, profissionalizando a gestão empresarial, pratican-
9
do a Governança Corporativa e implantando
programas de Gestão de Pessoas voltadas a
resultados, desempenho e liderança”, destaca Rui.
Com isso, segundo Rui, as usinas atingem ganho de competividade, maior comprometimento, produtividade e qualidade,
melhor remuneração e satisfação com o
trabalho, retenção de mão de obra, menor
absenteísmo e turn over. “Além disso,
cumprem os preceitos legais e trabalhistas
oriundos de legislação e/ou Acordos Coletivos de Trabalho.”
MAIS DEMISSÕES
Se a crise persistir e novas unidades industriais inviabilizarem suas atividades, as
demissões vão continuar. “O setor precisa
se reerguer para manter-se estruturado”, salieta Fava Neves.
Indagado sobre a possibilidade de mais
demissões no Grupo, Escobar explica que
enquanto não houver maiores ganhos de
produtividade, melhora do valor dos produtos, valor da mão de obra mais compatível com o valor dos produtos e mudanças
na CLT, será uma ação continuada. Hoje, os
ganhos reais de salário têm sido bem maiores que os valores de produção alinhados
junto com a perda de produtividade.
Muito provavelmente haverá novas demissões neste período conturbado do setor
e da economia brasileira. “Aliado aos problemas financeiros está a situação climática que tem prejudicado os canaviais em
sua renovação, ampliação e tratos culturais.
A queda na produção da safra 2014/2015,
em razão das condições climáticas, irá reduzir o faturamento e por conseguinte os
investimentos e manutenção para a safra
2015/2016. Oxalá eu esteja enganado e as
empresas retomem o caminho dos investimentos para a safra futura”, salienta Rui.
“Se os canaviais forem abandonados e a
quantidade de cana diminuir, teremos mais
funcionários demitidos”, argumenta Pádua.
INVESTIMENTOS PARA
SOBREVIVER
O diretor técnico da Unica afirma que o
setor precisa investir para sobreviver. “Para isso ele aumentou o seu endividamento
porque precisa se endividar para crescer. A
atividade requer investimentos para ser viável e se manter”, enfatiza.
O preço do etanol está dado e tem paridade com a gasolina. O mercado de açúcar
está atrelado ao preço do etanol e se tiver10
Além da redução do quadro
de funcionários, as usinas têm
reduzido suas atividades de
manutenção industrial, tratos
culturais, investimentos em
novas tecnologias, renovação
de canaviais e outros. Há
ainda o envelhecimento do
parque industrial e da área
agrícola que resultam em
queda de produtividade. Outra
consequência é a estagnação
do setor, que não investe
em novas tecnologias e
não acompanha a evolução
dos outros setores, ficando
defasado.
mos uma quantidade de cana menor, os custos da atividade aumentarão e as empresas
cortarão o que for possível. As empresas
que não tem o que cortar, irão demitir. Este
é o cenário atual do setor sucroenergético.
Segundo Pádua, é preciso uma política
de longo prazo que volte a atrair investimentos para o setor, além de conhecer a previsibilidade da política de preço do combustível. “O potencial está no etanol hidratado
que é concorrente da gasolina. Também é
necessário um tributo diferenciado entre o
Tonielo Filho diz que as empresas
têm enfrentado problemas de caixa e
dificuldades no financiamento de capital
de giro e investimentos
combustível que polui e o que não polui. Ao
tirar a Cide (Contribuição de Intervenção
no Domínio Econômico), tirou-se do setor
a competitividade do etanol (R$ 0,20/l). Isso representa R$ 16/t de cana. O setor está
deixando de faturar mais de R$ 10 bilhões
com isso”, contabiliza.
Para o setor reagir e voltar a crescer, é
preciso que haja crescimento da economia
brasileira, investidores nacionais e internacionais, politicas públicas que suportem
a produção de açúcar, etanol e energia. “O
Brasil é uma fonte inesgotável de energia
renovável, porém o Pré-sal e Belo Monte
são mais importantes na visão dos atuais
governantes, os quais abandonaram o setor,
suas tendências, sua história, seu potencial”,
menciona Rui.
Na opinião de Fava Neves, é preciso
que o governo crie mecanismos de recuperação do setor, mecanismos que possibilitem o aumento da competitividade do
etanol frente à gasolina. “Com o aumento da demanda pelo produto, o setor volta
a ser remunerado corretamente e passa a
ser capaz de recuperar seus investimentos,
mas isso não é simples. As ações vão gerar resultados no médio e longo prazo. Por
ser um setor grande e que sofreu drasticamente nos últimos anos, a recuperação será
lenta”, analisa.
RAMIFICAÇÕES DA
CRISE
“A crise que afeta o setor não é exclusiva das indústrias”, acentua Bruno Rangel
Geraldo Martins, presidente da Socicana
(Associação dos Fornecedores de Cana de
Guariba), que integra mais de 1.300 produtores de cana que, juntos, produzem mais
de 6,5 milhões de t/cana.
De acordo com ele, os produtores de
cana também sofrem os efeitos da falta de
políticas específicas. “Algumas unidades
industriais que, há pouco, eram sólidas, hoje estão em situação complicada. Já presenciamos até mesmo o parcelamento do
pagamento pela produção da cana aos fornecedores”, diz.
Algumas unidades, que encerraram as
suas atividades, tinham no seu escopo a cana do fornecedor. Isso fez com que esses
produtores procurassem outras usinas para
entregar a matéria-prima, em regiões mais
distantes, aumentando, assim, o custo do
transporte e, dessa forma, inviabilizando o
cultivo do canavial.
Martins explica que há um crescimento
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11
expressivo no custo de produção, para implantação e manutenção do canavial, devido ao aumento de pragas e doenças, custos
de mão de obra, do óleo diesel, entre outros. O custo aumentou, mas a remuneração
pela cana não acompanhou estes índices,
diminuindo a margem consideravelmente.
Muitos produtores trabalham contabilizando prejuízos.
“Estamos diante da falta de políticas
públicas que aumentem a competitividade
do etanol frente à gasolina. O etanol é um
combustível renovável, sustentável, gerador
de renda para o País. Entretanto, o governo
subsidia a gasolina por interesses políticos.
Isso está destruindo a Petrobrás e aumentando o risco de vermos o programa brasileiro
de etanol sucumbir. Muitos produtores já
pensam em deixar de plantar cana e procurar uma cultura que seja mais rentável,
como última alternativa para permanecerem
na atividade e evitarem o arrendamento ou
a venda de suas terras”, entrega Martins.
Do outro lado, a indústria de base, que
fornece equipamentos para as usinas, também foi atingida em cheio.
De acordo com os últimos dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério
do Trabalho), a indústria de Sertãozinho
perdeu 1.097 postos de trabalho de janeiro
a junho deste ano.
Pela descrição de atividades do CNAE
(Classificação Nacional de Atividades Econômicas), Sertãozinho tem hoje 702 empresas cadastradas. Destas empresas, 17% são
de fabricação de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos), 20% são de
fabricação de máquinas e equipamentos, e
23 % manutenção, reparação e instalação de
máquinas e equipamentos. Com estes dados,
pode-se afirmar que 426 empresas de Sertãozinho atendem o setor sucroenergético e, se
considerarmos o faturamento das indústrias
instaladas no município, este percentual ultrapassa 85%.
“As empresas estão alavancadas e sem
demandas. São poucos os pedidos de manutenção de máquinas, equipamentos, e não há
novos projetos industriais e de usinas, em
andamento. Por conta dessa ociosidade, e para que unidades não fossem definitivamente
fechadas, os empresários usaram a dispensa
como estratégia para manter o mínimo de
atividade até que a retomada do setor aconteça”, esclarece Antonio Eduardo Tonielo
Filho, presidente do Ceise Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético
12
O preço do etanol está dado e
tem paridade com a gasolina.
O mercado de açúcar está
atrelado ao preço do etanol e
se tivermos uma quantidade
de cana menor, os custos da
atividade aumentarão e as
empresas cortarão o que for
possível. As empresas que
não tem o que cortar, irão
demitir. Este é o cenário atual
do setor sucroenergético.
e Biocombustíveis).
Ele também pondera que as demissões
ocorreram justamente para adequar o volume de pedido à capacidade de produção das
empresas, adaptando o número de funcionários à demanda. “O corte de funcionários
neste caso, nada mais é do que a adaptação
da capacidade de produção com o volume
de encomendas. Não está se reduzindo funPara Fava Neves as demissões representam uma perda de investimentos, uma vez
que todo o trabalho feito para adequar o
trabalhador às necessidades da organização é perdido
cionários para substituição por máquinas e
equipamentos, ou apenas para redução de
custos. São medidas adotadas para a sobrevivência”, ressalta.
Em algumas empresas, a redução de funcionários implicou também em redução de
turnos de trabalho. Dessa maneira, os colaboradores que permaneceram foram ajustados conforme as necessidades da empresa.
Para se adequarem ao período de crise,
as empresas de Sertãozinho, além de reduzir custos, estão procurando diversificar a
produção a fim de atender novos mercados e
dessa maneira deixarem de ser totalmente dependentes da cadeia produtiva da cana. “Cada empresa sofre reflexos da crise de acordo com sua gestão ou planta instalada. Mas,
podemos garantir que todas têm enfrentado
problemas de caixa e dificuldades no financiamento de capital de giro e investimentos”,
declara Tonielo Filho.
O presidente do Ceise Br salienta que o
setor sucroenergético carece de uma definição clara do papel do etanol e da biomassa na
matriz energética do País. O próprio etanol
também requer atenção quanto a uma remuneração justa, equivalente, para que possa
aumentar a atratividade por investimentos.
Faz-se necessária a criação de condições de
planejamento no longo prazo, sem interferências governamentais que prejudiquem o
rendimento dos bens produzidos pelo setor.
“A normalização do ICMS a 12% nos
demais estados, além de SP, a volta da aplicação da Cide, e o resgate dos créditos provenientes do PIS-Cofins são medidas que
podem ajudar o setor. Urge ainda, a necessidade de investimentos em pesquisas e inovações para a melhoria da produtividade da
cana-de-açúcar e do desempenho dos equipamentos de processamento, sem se esquecer da estocagem e do transporte e logística
dos produtos bruto e final – elementos responsáveis por 30% do custo de produção.
A partir disso, a indústria de base também
precisará de linhas de financiamentos especiais para adquirir, enfim, uma estabilidade
econômica e, consequentemente, voltar a
investir em inovações tecnológicas, garantindo então sua competitividade”, defende
Tonielo Filho.
Resumidamente, além da quebra de produção, as demissões que vem ocorrendo demonstram que o setor está com a navalha
na própria carne. As feridas estão abertas e
irão cicatrizar. Porém, as marcas deixadas
serão lembranças desagradáveis de um período difícil e que não deixará saudades.
A revolução
já começou.
Uma nova cana começa pela muda.
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13
fórum
SETOR PRECISA DE
BOA SAFRA E LUCRO
“Para o setor sair da crise, primeiro os preços dos seus produtos precisam subir, haja
vista que os custos subiram anualmente
Ricardo Pinto
acima da inflação nos últimos anos. Nes- sócio-diretor
te capítulo, penso que o açúcar deverá se
da RPA
Consultoria
manter entre US$16 e US$19 cents de dólar por libra-peso ainda por vários meses,
conforme baixa demanda atual e projetada
para o ano que vem pelos organismos internacionais. A saída será o Real se desvalorizar mais. Os fundamentos econômicos
do Brasil, cada vez piores, mostram que
podemos vislumbrar um Real valendo entre R$ 2,40 e R$ 2,50 já no final deste ano.
Isso ajudará muito no preço do açúcar. Já
falando do preço do etanol, vejo ótimas
perspectivas. A próxima entressafra será
longa - cinco meses - com pouco etanol estocado. Assim, vejo uma forte tendência de
crescimento do preço do etanol anidro já
a partir de dezembro de 2014, levantando
o preço do hidratado em função de vasos
comunicantes. Paralelamente, se a Dilma
for reeleita, ela poderá elevar um pouco
(3% a 5%) o preço da gasolina já neste
ano, e também dar outro aumento pequeno (4% a 6%) no começo do ano que vem,
diluindo a correção necessária para salvar
14
a Petrobras. Se ela não for reeleita, para
prejudicar o candidato vencedor, creio que
ela terminará o ano sem aumentos, passando a sujeira embaixo do tapete para o novo
presidente que, certamente, deverá dar um
aumento importante para a gasolina logo no
começo de seu mandato. De qualquer maneira, prevejo que, independente do novo
presidente, o preço do etanol no mercado
interno irá melhorar nos próximos seis a
nove meses. Porém, dado o grande endividamento do setor, a melhora de preços não
significará automaticamente o fim da crise.
As usinas, a meu ver, precisarão de uma boa
safra, geradora de lucros, para colocar a casa em ordem, melhorar seu perfil da dívida,
e, daí sim, voltar a pensar em investimentos
e crescimento, aliás, crescimento que o Brasil precisa da produção de etanol para acompanhar a demanda doméstica dos próximos
anos. Logo, penso que 2015 será um ano de
buscar geração de caixa com investimento
zero, o que sinalizará para o mercado que
ainda o setor estará em crise, mas, na minha opinião, estará sim é saindo dela. Creio
que 2016 será um ano normal, para aquelas
usinas que sobrarem. Digo isso porque vejo como irremediável a situação das usinas
com endividamento maior do que R$ 200/t
de cana de capacidade de moagem.”
RECUPERAÇÃO
LEVARÁ
TEMPO
“Os efeitos da crise foram
muito grandes no setor.
Acredito que o cenário irá
melhorar, porém os efeitos
da crise ainda serão sentidos
pelos próximos anos. A retomada da plenitude do setor
ainda vai levar um tempo.”
Marcos Fava Neves – professor titular de Planejamento Estratégico e
Cadeias Alimentares da
FEA-RP/USP (Faculdade
de Economia, Administração e Contabilidade de
Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo)
FUNDO DO
POÇO
“Acredito que chegamos ao
fundo do poço, mas tudo vai
depender da política adotada pelo novo governo federal em relação aos combustíveis.”
Alexandre Andrade Lima
– presidente da AFCP (Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco)
Luiz
Henrique
Sanches
- diretor
do Grupo
Canabrava
Ramón
Orlando
Villarreal engenheiro
açucareiro
com
experiência
no setor de
bioenergia
MUITAS VARIÁVEIS
AMBIENTE DESAFIADOR
“Convivemos com crises diferentes. Temos o aumento dos custos
de produção com a melhoria dos
níveis salariais, maior despesa com EPIs, aumento do preço do diesel, enfim, nossos custos aumentam mês a mês. Temos
o aumento de custo do capital
em função da reaceleração da inflação, onde o Banco Central precisou aumentar em mais de 50%
a taxa básica, o que aumenta a taxa de juros praticadas pelos bancos. Temos o preço do açúcar em
função de conjunturas internacionais, que vem caindo e se encontra em níveis muito baixos. Por
último, temos o preço do etanol
hidratado como uma das poucas
coisas de fácil previsão, pois depois das eleições teremos um aumento, sem dúvida. As perdas da
Petrobras, segurando o preço da
gasolina, estão altas e seu fôlego
está acabando. Subindo a gasolina, o etanol hidratado tem faixa
para subir, considerando-se a paridade de 70%.”
“Segundo as agências de riscos, o ambiente macroeconômico desafiador deverá continuar a impor riscos às empresas brasileiras,
principalmente para o setor sucroenergético,
já que é certo que o ano de 2015 será difícil,
com menor disponibilidade de cana-de-açúcar,
condições climáticas ruins e preços limitados
do etanol. No caso do fornecedor de cana, em
abril de 2011, por exemplo, o valor era R$
0,57 por kg de ATR. Nesta safra, não passou
de R$ 0,48. Por conseguinte, como o custo
está mais alto que a receita, devemos esperar
tempo sombrios ainda e queda na produção.
Além disso, algumas usinas que não estão ou
não foram preparadas para crises longas como
essa devem ser erradicadas. Todavia, depois
da tempestade e turbulência, parte do setor
que apresenta uma profissionalização e uma
governança corporativa vai sobreviver com
a expansão no setor de energia elétrica e nas
apostas do etanol de segunda geração.”
MAIS UMA OU
DUAS SAFRAS
RUINS
“O cenário é sombrio. Pode ser que
vamos patinar por mais uma ou duas safras. Porém, a Eletrobras e Petrobras precisam ser sanadas para
atrair investidores e isto precisa ser
feito o mais cedo possível, ou seja,
após a eleição. Logo, estas ações
vão favorecer o setor. Soma-se a
isto as ações que partirão das lideranças do setor para conseguir que
o governo apoie a recuperação.” Júlio
Henrique
Vinha –
associado
sênior da
empresa
Macquarie
Group
SITUAÇÃO AFLITIVA
Luiz Nitsch
- diretor
na Sigma
Consultoria
Automotiva
“Eu sempre acreditei no adágio que diz que
‘Depois da tempestade vem a bonança’. Mas
esta tempestade parece não ter fim. O fim da
gasolina subsidiada é um dos fatores imperativos para a recuperação dos preços do etanol
hidratado. Infelizmente, o clima seco também
teve sua influência nefasta na cultura canavieira - já se comenta que, em muitas regiões, as
safras acabarão antes do planejado por falta
de cana. O aumento dos custos operacionais
das usinas, sem a contrapartida na comercialização do açúcar e etanol, faz com que as
contas não fechem. O mercado internacional
é afetado pela grande oferta do produto. Nem
todas as usinas brasileiras estão preparadas
para aproveitar os bons preços da energia elétrica. Assim, é realmente aflitiva a situação do
setor, potencializada pelo desdém do governo
associada a algumas administrações amadoras
de algumas empresas.”
15
tecnologia agrícola
Depois de alguns anos e entre muitos
AGMusa da Basf, ambas voltadas para a
erros e acertos, o setor sucroenergético co-
formação de viveiros de mudas saudáveis.
meça a caminhar rumo a soluções que de-
Após retirar do mercado o Plene por
verão revolucionar o sistema de plantio de
problemas técnicos relacionados à produ-
cana-de-açúcar. Nos últimos quatro anos,
ção em larga escala, no final de 2013, a
empresas e institutos de pesquisa não só
Syngenta resolveu entrar no mercado de
desenvolveram e lançaram no mercado no-
viveiro de mudas e lançou o Plene Evolve,
vas tecnologias e metodologias para plan-
voltado à formação de viveiros pré-primá-
tio de cana, como também tem procurado
rios, e o Plene PB, mudas pré-brotadas e
evoluí-las. Entre 2008 e 2014, seis novas
tratadas, voltadas para viveiros primários
tecnologias surgiram e uma delas passou
e secundários. Este ano, no final do mês de
por reformulação.
julho, a empresa confirmou a reformulação
A curva de aprendizagem deu início em
do Plene, que agora passa a se chamar No-
2008, com o lançamento dos mini-toletes
vo Plene, também voltado exclusivamente
Plene, da Syngenta, concebidos exclusiva-
para o plantio comercial.
mente para plantio comercial, e seguiu, em
Ainda a partir deste ano, uma parce-
2013, com o lançamento do sistema MPB
ria entre a RPA, consultoria agrícola es-
(Mudas Pré-brotadas) do IAC (Instituto
pecializada em cana-de-açúcar com maior
Agronômico de Campinas) e da tecnologia
atuação no Brasil, e a Fitoclone, empresa
especializada em tecnologias para a produ-
O Novo Plene será baseado em um
tecido encapsulado de cana, produzido em um ambiente controlado, que
fornecerá uma taxa de multiplicação
mais elevada e um menor custo por
tonelada em comparação com sistemas de plantio convencional
ção de mudas através de micropropagação,
deverá trazer ao mercado mudas pré-germinadas com baixo custo. O sistema, chamado Trinca – Muda, será desenvolvido
com ajuda de incentivos obtidos através do
Paiss Agrícola (Plano de Apoio Conjunto
16
Grandes Marcas
Inspiram ideias
inovadoras
à Inovação Tecnológica Agrícola no Setor
primeira versão do Plene. “Como erramos
Sucroenergético) do BNDES (Banco Na-
muito no passado, discutimos com cada
O Novo Plene é baseado em um tecido
cional do Desenvolvimento).
um de nossos clientes e perguntamos o
encapsulado de cana, produzido em um
que precisava mudar”, disse John Atkin,
ambiente controlado, que fornecerá uma
chefe de Operações da Syngenta.
taxa de multiplicação mais elevada e um
NOVO PLENE, NOVA
FÓRMULA
Após estudar todas as questões, a Syn-
sulamento de gemas propago-vegetativas.
menor custo por tonelada em comparação
Como ter um padrão de produção? Co-
genta encontrou uma nova fórmula de pro-
mo atender em larga escala? Como ter uma
duzir a tecnologia. Por meio de um acordo
O primeiro ponto resolvido no novo
logística mais eficiente? Eram estas algu-
de licenciamento exclusivo com a cana-
projeto foi o shelf-life (vida útil), o maior
mas das perguntas que a Syngenta tenta-
dense New Energy Farms, a empresa terá
problema do antigo Plene. Segundo Atkin,
va responder aos clientes que adotaram a
acesso a Ceeds, uma tecnologia de encap-
o Novo Plene poderá ser conservado em
com sistemas de plantio convencional.
17
geladeira em temperatura de até 10ºC pelo
período de seis meses a um ano, ou seja,
pode ser usado durante todo o ano. “Com
maior shelf-life, a usina, o produtor ou as
cooperativas podem estocar o produto por
mais tempo.”
A segunda questão resolvida foi a taxa
de multiplicação. A germinação do produto é maior. Enquanto no Plene tinha-se
apenas uma gema, a nova tecnologia permitirá mais de uma gema dentro de um
só produto. “O fato de ter mais de uma
gema é o que vai conferir a boa germinação. Hoje quando uma usina planta 22 t/
ha, volume excessivo de cana, ela o faz
porque não há confiança de que aquelas
gemas são viáveis. No caso desta tecnologia, a viabilidade é muito alta por ter
duas, três ou até mais gemas dentro de
um só produto. É quase uma certeza de
germinação”, afirmou Leandro Amaral,
diretor de marketing em Cana-de-açúcar
da Syngenta.
O problema do transporte também foi
resolvido. O antigo Plene possuía menor
O QUE NÃO DEU
CERTO?
plantar na época seca e não chover mais,
A primeira versão do Plene da
Syngenta foi anunciada em
2008 como uma revolução
porque consistia no plantio
de uma espécie de “semente”
(gema única) de cana, o que
significava uma quebra de paradigma do segmento sucroalcooleiro, que usa toletes de
cana oriundos de canaviais
não voltados à produção comercial: os viveiros.
Apesar de ter sido pioneira e
ter chegado a atingir vendas
de US$ 350 milhões no País,
deixou de ser comercializado
em dezembro de 2012, após
problemas técnicos relacionados à produção em grande
escala. Em 2014, a Syngenta
reformulou a tecnologia, que
deverá chegar ao mercado
até 2017.
com a cana normal. Vamos apenas vali-
provavelmente o seu desenvolvimento
deverá ser afetado assim como ocorre
dar se a nova tecnologia resiste mais ou
menos dias nesta primeira fase.”
As expectativas em produtividade
são altas. Isto porque áreas em que o antigo modelo do Plene vingou e que já passam pelo terceiro corte têm demonstrado
alta produtividade. Segundo Amaral, as
produtividades de terceiro ano estão entre 105 e 110 t/ha. “Áreas perto de Campinas, SP, estão dando 170 t/ha. Então
resgatar as variedades com uma biofábrica já traz um salto de produtividade muito grande. A única forma de ficar menos
dependente do preço das commodities é
fazer igual a soja e o milho fizeram.”
Você leitor, pode estar pensando:
“mas se terei a tecnologia que vai me
servir para o plantio comercial, isso significa que não vou precisar mais me preocupar com os viveiros de mudas”. Se
pensou assim, enganou-se. De acordo
com Atkin, uma tecnologia não elimi-
eficiência de transporte, ou seja, cerca de
meio hectare por caminhão. Com esse no-
as nossas variedades de cana. Assim, como
vo modelo, será possível entregar 200 ha
temos acordos com o IAC, CTC e Ridesa
“Desde o momento em que se de-
de plantio por caminhão. “Estamos che-
para o Plene Evolve e PB, a tendência é
senvolve uma variedade nova, ela não é
gando a uma tecnologia de semente para
estender a parceria para a nova tecnologia.
colocada imediatamente na nova tecno-
cana-de-açúcar”, destacou Amaral.
na a outra.
Então teremos acesso a todas as varieda-
logia. Primeiro precisamos criar viveiros,
O modelo de produção também mudou
des disponíveis hoje e novas variedades
depois chegaremos ao Novo Plene. Para
completamente. Ao invés de viveiros, o
que entrarão no mercado também. Esta-
que uma variedade chegue nessa tecnolo-
processo industrial é todo feito em bio-
mos na fase de testes, começando lá nos
gia vai demorar, no mínimo, dois ou três
fábrica. Saindo da biofábrica ele vai para
Estados Unidos e depois trazendo ao Bra-
anos. Mas isso nunca vai parar porque
dentro das estufas e de lá sai pronto para
sil. Nos EUA, a cana energia tem mostrado
o desenvolvimento de novas variedades
o campo. “Teremos um ambiente contro-
ótimos resultados. Então acreditamos que
vai continuar. Sempre vai ter uma série
lado, vamos ter uma produção muito mais
com as variedades daqui tenhamos boas
de variedades entrando e outras deixando
assertiva e não precisaremos sofrer com
respostas”, revelou Amaral.
de existir. Ou seja, algumas variedades,
as intempéries do tempo. É muito maior
O fato de o Novo Plene ser encapsu-
as mais utilizadas, existirão no Novo Ple-
a velocidade de implementação e escala-
lado deverá proteger o produto contra a
ne. Mas outras, mais específicas e que as
bilidade”, salienta Atkin.
falta de água, outro problema que o an-
usinas gostam, serão produzidas via Plene Evolve e Plene PB”, enfatiza Atkin.
A previsão para início da comerciali-
tigo formato teve. A cera que envolve o
zação do Novo Plene é em 2017. Deste ano
produto armazena umidade e protege con-
A origem de tudo é a biofábrica em
até 2017 o produto passa por uma fase de
tra a entrada de fungos. Segundo Amaral,
Itápolis, SP, aonde são produzidas as mu-
desenvolvimento. “Primeiro vamos trazer
quando ele vai para o solo, acontece um
das a partir de meristemas. Essas mudas
a tecnologia Ceeds do Canadá e tropicali-
rompimento da cápsula para que a plan-
têm como características a pureza genéti-
zar nas diferentes regiões do Brasil e com
ta consiga se desenvolver e crescer. “Se
ca que rejuvenesce a planta e confere-lhe
18
Grandes Marcas
Desconhecem
fronteiras
sanidade. O Plene Evolve promove toda a
afirma Amaral.
introdução de novas variedades. Já o Plene
De acordo com ele, a tendência é que
PB é uma tecnologia de mudas pré-bro-
o Plene PB seja mais utilizado para for-
tadas oriundas dos viveiros da Syngenta
mação de viveiros, visto que há uma difi-
e é voltada àquelas usinas ou produtores
culdade de escalar o processo de produção
que perderam a prática de fazer viveiros
desta tecnologia e por conta dos custos,
no passado e têm a possibilidade muito
que são altos. “Essa tecnologia tende a
mais simples de replicar as variedades
migrar para o uso em plantio de falhas
mais consolidadas.
de canaviais de soqueira. Hoje estima-se
“Faz um ano que estamos comercia-
que temos entre 10% e 20% de canaviais
lizando estas tecnologias e os resultados
falhados. Então, acreditamos que essa mu-
têm sido muito interessantes. Estamos
da pré-brotada vai poder atender o plantio
conseguindo de 10% a 15% mais produ-
dessas falhas, aumentando a longevidade
tividade. O mais importante é o número
e a produtividade.”
de gemas viáveis. Conseguimos aumentar
COMO PLANTAR O
NOVO PLENE?
este número, o que faz com que a taxa de
multiplicação de viveiros aumente. Uma
A plantadora desenvolvida pela John
usina ou produtor consegue uma taxa de
1 para 3 ou 1 para 4. Estamos conseguindo ver os primeiros resultados de 1 para
6 e até 1 para 10. A tecnologia está presente em mais de 80 usinas e produtores.
E mais de 50 usinas e produtores já têm
áreas colhidas dando esses resultados”,
Amaral: “Hoje quando uma usina planta
22 t/ha, ela o faz porque não há confiança
de que aquelas gemas são viáveis. No caso desta tecnologia, a viabilidade é muito
alta por ter duas, três ou até mais gemas
dentro de um só produto. É quase uma
certeza de germinação.”
Deere para a primeira versão do Plene poderá atender ao novo modelo da tecnologia através de uma simples adaptação. A
própria empresa que licenciou a tecnologia Ceeds também já tem uma plantadora
voltada ao setor sucroenergético.
19
De acordo com a Syngenta, não há
parceira exclusiva no desenvolvimento de plantadoras. Qualquer plantado-
20
TRINCA – MUDAS:
PLANTIO MAIS
BARATO
plantio com adubação líquida parcelada
exatamente sobre as mudas transplantadas.
“Haverá economia em relação ao plantio
ra que puder ser adaptada, como as de
Desde o final do ano passado, a RPA
atual praticamente em todas as fases, o que
batatas ou transplantadoras de mudas,
Consultoria deu início à formatação de um
nos permite vislumbrar que conseguiremos
que já têm sido usadas para o Plene PB,
sistema que promete revolucionar o plantio
fazer plantios comerciais de cana a um cus-
serão opções.
de cana no Brasil cumprindo três objetivos
to de R$ 3.800 por ha, já considerando o
“As máquinas serão muito meno-
básicos: 1) reduzir em 40% o atual custo de
custo das mudas pré-germinadas a R$ 0,10
res, com menor consumo de energia e
plantio de cana, já incluindo o custo com
cada”, explica.
necessidade de tratores muito menores.
mudas; 2) aumentar em 15 toneladas por
Dentro do desenvolvimento do Trinca,
A sustentabilidade vai ser muito maior
hectare a produtividade da cana no primei-
é fundamental para seu sucesso econômico
porque haverá muito menos impactos e
ro corte; e 3) eliminar a necessidade de se
que cada muda de cana a ser transplantada
poderão ser plantadas muito mais linhas
usar áreas de viveiros. Tal sistema passou
atinja o custo máximo de produção de R$
ao mesmo tempo. Logo, o ganho que
a ser chamado de Trinca – Transplantio In-
0,10. Justamente por isso, a RPA Consulto-
as usinas terão com redução de custos
tegrado de Cana.
ria separou do Trinca a parte do desenvolvi-
vai ser muito grande. Acreditamos que
Ricardo Pinto, sócio-diretor da RPA
mento relacionada à muda, que passou a se
essa simplificação do plantio vai trazer
Consultoria, explica que o desenvolvimen-
chamar Trinca – Muda. “Hoje as mudas de
outras melhorias adjacentes. Achamos
to do Trinca considerou todas as fases do
cana produzidas pelo sistema MPB ou si-
ainda que o ganho de produtividade vai
plantio, desde a origem do material que vai
milares apresentam custo de produção entre
ser brutal”, destaca Amaral.
dar entrada nas estufas robotizadas, geran-
R$ 0,30 e R$ 0,40 cada uma. Para chegar ao
Os testes no Brasil serão feitos em
do mudas pré-germinadas de cana com alto
custo de R$ 0,10, os desafios são grandes.
canaviais próprios e de parceiros da em-
vigor e taxa de pegamento, passando pelo
Justamente por isso, numa parceria com a
presa. A Syngenta pretende ainda abrir
preparo de solo mais econômico em faixas,
Fitoclone, empresa incubada da Universi-
cinco biofábricas em lugares estraté-
o transplantio das mudas pré-germinadas
dade de Viçosa, em Minas Gerais, apresen-
gicos para tornar a logística do Novo
sobre canteiros com sua posição georrefe-
tamos nosso projeto de inovação do Trin-
Plene mais eficiente.
renciada, e chegando ao cultivo pós-trans-
ca – Muda ao Paiss Agrícola, do BNDES,
Grandes Marcas
Desafiam o
tempo
e tivemos nosso pedido de financiamento
camente viável de se originar as plântulas
aprovado”, detalha Ricardo.
que entrarão nas estufas para tornarem-se
Assim, o desenvolvimento do Trin-
mudas, seja via material coletado direta-
ca – Muda atuará no desenvolvimento de
mente de canaviais comerciais, seja via jar-
métodos, práticas, máquinas, estufas e ro-
dim clonal ou via biofábrica de meristemas.
botização das estruturas que sejam neces-
“Para reduzir o custo de produção de
sárias para se reinventar o atual modo de
mudas germinadas, nosso projeto irá de-
produzir mudas de cana germinadas e rus-
senvolver uma estufa especializada para a
tificadas, eliminando-se os desperdícios e
produção das mudas de forma automática
ineficiências.
e robotizada com custo final máximo de R$
“No atual contexto do sistema de pro-
0,10 por muda germinada, já acondicionada
dução de cana-de-açúcar, a problemática
em bandejas especiais para a automação da
da ‘muda’ se faz urgente e necessária. Se
sua ida ao campo para transplantio”, apon-
o plantio convencional, através de toletes,
ta Ricardo.
com alto consumo dos mesmos e baixa efi-
Marco Viana, diretor de Novos Negócios da RPA e responsável pelo Trinca, diz
6.380 por ha, a alternativa do plantio via
Ricardo explica que o Trinca deverá reduzir o valor das mudas de R$ 0,40 para
R$ 0,10 cada
Mudas Pré-brotadas (MPB) pode atingir um
ção de mudas germinadas”, afirma Ricardo.
ca se efetivarem, o modo como a cana é
custo muito maior, entre R$ 8 mil e R$ 9 mil
De acordo com ele, para não mais de-
produzida no Brasil mudará muito. “Atual-
por ha, já que só a muda tem custo individu-
pender da existência de viveiros (toda usi-
mente o ciclo econômico dos canaviais do
al entre R$ 0,30 e R$ 0,40. Este alto custo
na e produtor de cana desperdiça 3,5% de
Centro-Sul está em seis cortes e a produti-
empurra a tecnologia para uso somente em
seus canaviais com viveiros para produção
vidade média neste ciclo atinge 78 t/ha. Se o
viveiros. Assim, o Plano de Inovação do
de mudas), o Trinca - Muda pretende iden-
custo do plantio se reduzir em 40% com ga-
Trinca – Muda pretende reinventar a produ-
tificar a forma mais econômica e agronomi-
nho de 15 t/ha no primeiro corte, com ganho
ciência de brotação, define um custo de R$
que, se os resultados projetados para o Trin-
21
semestre de 2014 resultados iniciais da
rede experimental instalada para avaliar
efeitos de arranjos e distribuição espacial
de plantas. Na área de matocompetição
também haverá novas indicações de manejos e utilizações”, afirma o pesquisador
do IAC.
O AGMusa, mudas produzidas através
de um processo desenvolvido pela Basf
que garante a homogeneidade genética,
sanidade, alto vigor na formação do viveiro, não passou por evoluções desde a
sua concepção. Mas a tecnologia também
vem sendo testada por muitas unidades
O AG Musa, sistema de mudas pré-brotadas desenvolvida pela Basf não passou por
evoluções desde a sua concepção
produtoras, seja em pequenos volumes ou
em áreas mais representativas.
nos cortes subsequentes, o ciclo econômico
dentes. De acordo com Mauro Alexandre
De acordo com Antônio César Aze-
passará a ser de quatro cortes. Isso provoca-
Xavier, pesquisador do IAC, da Secretaria
nha, gerente de Negócios AgMusa da
rá uma redução do custo de produção desta
de Agricultura e Abastecimento do Esta-
Basf, a procura tem sido alta e a tecno-
cana de 14% e a produtividade média neste
do de São Paulo, no momento não existe
logia tem surpreendido positivamente em
ciclo mais curto será de 98 t/ha. E nem estou
um levantamento exato de quantas usinas
relação a incrementos de produção e quan-
considerando o fato de que incorporaremos
e produtores adotaram o sistema, mas há
tidades de gemas viáveis para a formação
à área comercial cerca de 3,5% de canaviais
uma intensa movimentação e procura por
de viveiros. “Um viveiro com mudas Ag-
de viveiros que hoje temos de ter nas usi-
treinamentos oferecidos pelo Programa
Musa pode atingir até 1,5 milhão de gemas
nas e nos fornecedores de cana. Será uma
Cana do IAC. por ha contra 800 gemas por ha no sistema
revolução!”, fala entusiasmado.
“As primeiras usinas a iniciar a utili-
convencional”, destaca.
Segundo Viana, as experiências provam
zação estão tendo a oportunidade de rea-
A entrega das mudas é feita pela
que o desafio de se obter um sistema de
lizar levantamentos que indicam pontos
empresa no local de plantio no dia e quan-
transplantio de mudas germinadas (ao invés
favoráveis da adoção. Neste sentido res-
tidade combinados. Já em relação ao plan-
de toletes) é grande. “Temos convicção de
saltamos aspectos qualitativos como, por
tio, existe um protocolo Basf que é alinha-
que as tentativas anteriores falharam em ob-
exemplo, sanidade e autenticidade varie-
do com o cliente e que deve ser seguido,
ter um sistema de plantio significativamente
tal, padronização e uniformidade das áreas
desde o preparo da área até o seu controle
mais barato que o convencional justamente
de plantio e redução no volume de mudas
fitossanitário.
por focar a inovação em uma ou outra fase
a serem utilizadas no processo. A integra-
Outro ponto da tecnologia é que ela
do processo de plantio e não em todas as
ção do sistema MPB a outros manejos uti-
precisa de água para garantir um bom pe-
etapas de forma integrada, criativa e ori-
lizados no ciclo de produção da cana abre
gamento das mudas. A forma de irrigação,
ginal, quebrando diversos paradigmas de
oportunidades de desdobramentos em sé-
segundo Azenha, pode ser desde forneci-
uma só vez, como estamos buscando fazer
rie, o que representa potencial natural de
mento localizado no sulco de plantio a até
no sistema Trinca, do qual o Trinca – Mu-
aumento de produção por unidade de área
sistemas mais avançados de gotejamento
da faz parte.
cultivada”, diz Xavier.
ou aspersão.
Segundo ele, neste momento há uma
Para fazer o plantio do AGMusa, a em-
dinâmica entre as áreas de P&D, o que
presa desenvolveu uma plantadora, paten-
possibilitará apresentar ao setor soluções
teou-a e licenciou-a para a DMB Máqui-
A divulgação do sistema de produção
na forma de pacotes tecnológicos que in-
nas Agrícolas fabricá-la. “O equipamento
do MPB, do IAC, associado a outras práti-
cluem não só a produção do MPB. “Houve
segue evoluindo, mas hoje podemos dizer
cas de manejo estão em fase de adoção por
avanços nas ofertas de equipamentos para
que é a melhor plantadora do mercado,
importantes grupos do setor sucroenergéti-
produção e também para o plantio. O Pro-
co nacional e também produtores indepen-
grama Cana IAC apresentará no segundo
pois prioriza a qualidade de plantio”, diz
Azenha.
MPB E AGMUSA:
EVOLUÇÕES
22
Fundada em 1950, a Zanini iniciou suas atividades
como fabricante de equipamentos de caldeiraria pesada
para usinas de açúcar. Na década de 70, a Zanini se
transformou na mais importante empresa brasileira
fornecedora de soluções e tecnologia da América Latina.
Em 1976, a Zanini inaugurou duas grandes empresas: a Renk Zanini, empresa especializada em redutores especiais de velocidade e a Sermatec Zanini que
iniciou suas atividades como empresa fornecedora de
serviços de montagens eletromecânicas em equipamentos industriais para diversos segmentos da indústria
brasileira, transformando-se em indústria fabricante de
equipamentos pesados a partir de 1992.
Na década de 80, a Zanini expandiu sua atuação
nas Américas, business offices dedicados à exportação
de bens manufaturados foram abertos em países
estratégicos das Américas.
Agora no século XXI, a marca Zanini — sinônimo de
tradição, alto conteúdo tecnológico e confiabilidade —
passa a liderar todas as marcas da holding de bens de
capital do grupo, bem como de suas parceiras nacionais e internacionais.
23
tecnologia agrícola
Luiz Geraldo Mialhe
Na área de Mecanização Agrícola, as perdas
mais impactantes são as que ocorrem durante a
operação de colheita e transporte pela simples
razão de tratar-se de perda com o maior valor
agregado de todo o processo produtivo. Cada quilograma de produto in natura disponível para ser
colhido após o término de um ciclo fenológico
agrega custos de mão de obra, combustíveis, fertilizantes, defensivos, depreciação, juros, impostos
etc. Portanto, trata-se de algo a ser focado com
a devida atenção nas empresas e, principalmente, por aqueles diretamente envolvidos na gestão
executiva da colheita mecanizada.
SIGNIFICADO FÍSICO X
REPRESENTATIVIDADE
DAS PERDAS DE
COLHEITA
Perdas em colheita mecanizada de cana-de-açúcar é um tema de fácil definição, mas de
abordagem altamente complexa devido aos inúmeros fatores intervenientes. Assim, ao se falar
de perdas de colheita, é prudente começar pela
diferenciação entre seu significado físico e a sua
24
representatividade conceitual.
O significado físico da perda de colheita é
explicitado pela parcela da massa de produto
agrícola disponível in natura no terreno agrícola cultivado e que não foi removida para a unidade industrial durante a operação de colheita.
Evidentemente, é com base nesse conceito que se
proporá uma metodologia de aquisição de dados
para a avaliação das perdas.
A representatividade da perda de colheita explicita a proporção da produtividade física que
deixou de ser recuperada na operação de colheita,
expressa em termos de razão produto/área diretamente ou em termos percentuais. Trata-se, portanto, de uma forma relativista de se expressar o
significado físico da perda de colheita.
EXEMPLO PRÁTICO
Consideremos um exemplo tomado da prática: no talhão “X”, com área de 8,6 ha, foram
colhidas 714 t de matéria-prima. A equipe de fiscalização de perdas aplicou nele 80 amostragens
de 10 m2 (segundo metodologia proposta pelo
CTC), recolhendo o total de 24,05 kg de maté-
A Zanini Renk nasceu da joint venture realizada entre
as empresas Zanini, de Sertãozinho, SP, e a Renk AG,
da Alemanha. Desde 1983 , a Renk AG mantém
contrato de transferência de tecnologia com a Zanini
Renk, assegurando a mesma concepção tecnológica
desenvolvida nos redutores especiais de velocidade
projetados na Alemanha.
Entendendo a necessidade de modernizar a marca
foi contratado um dos mais conceituados escritorios de
designers do Brasil, WollnerSigno, responsável pela
criação da marca em 1969.
25
ria-prima (tocos, cana inteira, toletes, lascas etc). Portanto, a
parcela da massa de produto in natura disponível no terreno
cultivado (talhão de 8,6 ha) que não foi removida pela colheita mecânica, conforme a amostragem CTC, é obtida por:
Perda (produto não colhido) =
(86 mil m2 x 24,05 kg) / (10 m2 x 80)
Perda = 2585,4kg = 2,59 t
Nesse exemplo pode-se avaliar a produtividade física
do talhão (TCH) por:
TCH = (714.000 kg + 2585,4 kg) / (8,6 ha x 1000 kg/t)
TCH = 83,32 t/ha
Assim, após a determinação do significado físico (2,59
t) da perda de matéria-prima no referido talhão “X” parte-se
para verificar a representatividade dessa perda:
Perda (área) = 2,59 t / 8,6 ha = 0,301 t/ha
Perda (%) = (2,59 t/ha x 100) / 83,32 = 3,11%
A conclusão do relatório da equipe de fiscalização de perda indicará que no talhão “X” a frente de colheita mecanizada
provocou uma perda média de 301 kg/ha de matéria-prima ou
3,11% da produtividade física do talhão.Nesse relatório também deverá constar os seguintes parâmetros de amostragem:
Taxa de área amostrada (% da área amostrada):
TAm = (80 x 10 m2 x 100) / (8,6 ha x 1000 m2/ha)
TAm = 0,93 %
Massa média por amostra (gramas/m2):
MAm = (24,05 kg x 1000 g/kg) / (80 x 10 m2)
MAm = 30,06 g/m2
Considerando-se o exemplo, os baixos valores de TAm
(inferior a 1%) e MAm (inferior a 100 g/m2) sugerem a necessidade de se avaliar a variabilidade dos dados amostrais, pelo
menos através do parâmetro estatístico coeficiente de variação (CV%) e uso de balança de campo com fundo de escala
de, no máximo, 200g. Trata-se de cuidados visando garantir
a confiabilidade das informações levantadas pela equipe de
fiscalização de perdas.
O DESAFIO DO CONTROLE
DE PERDAS EM COLHEITA
MECANIZADA
O primeiro passo na gestão do controle de perdas na
colheita mecanizada é a estruturação de um protocolo de
26
avaliação/controle de perdas (incluindo procedimentos operacionais, treinamento de pessoal, rotina de trabalho etc) capaz de gerar relatórios como o do exemplo apresentado anteriormente.
O passo seguinte é a identificação dos fatores que
elevam as perdas acima dos níveis considerados aceitáveis pela gerência agrícola da empresa. Todavia há
que se considerar, nesse ponto, todo um estudo prévio sobre os critérios de aceitabilidade de perdas, que
envolvem uma série de fatores técnicos e socioeconômicos característicos da realidade de cada empresa
agrícola. Daí a importância de se distinguir os diversos
fatores que podem determinam o surgimento das perdas. Isso porque não há como zerar perdas em colheita
mecanizada, pois é elemento intrínseco da interação
Máquina X Massa Vegetal Manipulada.
Assim, a minimização dessas perdas se dá via controle dos fatores que determinam sua ocorrência. Portanto, não basta ter equipes de fiscalização de perdas
que apenas fazem relatórios de amostragens nos talhões colhidos - é preciso ir além disso!
CUSTO DAS PERDAS X
CUSTO DO CONTROLE DE
PERDAS
Quando alguém afirma que é aceitável um nível de
perda de até 4% está implicitamente aceitando que o
custo do controle (total dos gastos com as equipes de
fiscalização/controle) é menor ou, no máximo, igual
ao custo da matéria-prima perdida no campo. Quando
a empresa tem um acurado sistema de apropriação de
custos, pode-se avaliar com precisão as despesas realizadas em cada talhão e, portanto, o custo real de cada
tonelada de cana nele produzida. Por outro lado, o custo hora médio de cada equipe de fiscalização/controle
de perdas pode ser também precisamente levantado.
Assim, a variável decisória sobre a adoção do controle
de perdas de colheita passa a ser em função do tempo de amostragem/fiscalização e da eficácia da ação
fiscalizadora. Quanto mais tempo for consumido na
amostragem e fiscalização dos fatores de perda, maior
será o preço cobrado do talhão recém-colhido. Quanto
maior for a eficácia da ação fiscalizadora, menores
serão os níveis de perdas nesse talhão. Trata-se, portanto, de otimizar os procedimentos de amostragem,
sem perda de acurácia, associado a ação fiscalizadora
de caráter educativo.
*Luiz Geraldo Mialhe é professor do Departamento
de Engenharia Rural da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade
de São Paulo)
27
tecnologia agrícola
Concorrendo com
imagens de satélite
e fotografias
aéreas feitas de
avião, os drones
têm a vantagem
do custo menor e
maior agilidade no
resultado
28
É um pássaro? É um avião? Não!
É um drone! Já é muito comum observar pequenas aeronaves que parecem
de brinquedo voando pelos céus. Diferentemente dos aeromodelos, utilizados para atividades de lazer, os chamados drones (palavra em inglês que
significa “zangão”) ou Vants (veículos
aéreos não tripulados), têm sido bastante estudados e adaptados para uso
em áreas agrícolas. Concorrendo com
imagens de satélite e fotografias aéreas feitas de avião, os drones operam
em custo menor e com mais agilidade.
Detecção de falhas de plantio,
estresse hídrico, monitoramento da
sanidade do canavial, informações
para estimativa de produtividade e
necessidade de replantio, são alguns
dos levantamentos possíveis de serem
feitos com o uso destas pequenas
aeronaves que já são consideradas
uma importante ferramenta para produtores e usinas de cana-de-açúcar.
A Embrapa calcula que, só no
Brasil, ao menos 200 drones estejam
sobrevoando lavouras de grãos, cana-de-açúcar e algodão, além de áreas
de silvicultura. O que mais chama a
atenção é que hoje esta tecnologia de
última geração está muito mais acessível não só ao grande produtor rural,
mas também aos pequenos e médios.
“Os drones andam bastante expressivos nos cultivos de cana-de-açúcar,
pela alta falha de plantio; em florestas, pela estimativa de produção; e
em citriculturas, por serem alvos frequentes de doença”, afirma o pesquisador da Embrapa, Lúcio André de
Castro Jorge.
Originalmente concebidos para uso militar, os drones eram utilizados em missões muito perigosas
(para não expor pilotos e pessoas ao
risco de morte), para tarefas simples
e repetitivas, geralmente de longa
duração e para uso em locais contaminados. “Eles também eram usados em missões de patrulhamento,
vigilância de fronteiras, busca e salvamento, apoio aéreo, controle de
tiro, amplificação da rede de comunicação, missões de inteligência em
área inimiga, designação de alvos e
guerra eletrônica”, conta Paulo Renato Jotz, diretor de marketing da
Creare Sistemas.
Os estudos voltados para uso de
drones na agricultura começaram na
década de 90. No Brasil, em 2000, surgiu o Projeto Arara (Aeronave de
Reconhecimento Autônoma e Remotamente Assistida), desenvolvido em
parceria entre a USP (Universidade
de São Paulo) e a Embrapa (Empresa
Os drones andam bastante expressivos nos cultivos de cana-de-açúcar pela alta falha de plantio; em florestas, pela estimativa
de produção; e em citriculturas, por serem alvos frequentes de doença
Brasileira de Pesquisa Agropecuária), com
vistas à utilização em Agricultura de Precisão. E desde que se percebeu que estas pequenas aeronaves poderiam contribuir em outras
áreas, além da militar, diversas empresas vem
utilizando-as para melhorar a eficiência de
seus serviços.
“Os produtores e usineiros têm visto que
este equipamento pode facilitar muitos dos
seus serviços, agilizando a coleta de dados e
colaborando na produtividade e eficiência dos
trabalhos nas culturas de cana-de-açúcar. Eles
podem ser utilizados nessas culturas quando
há arrendamento de terras, em que há a captação de imagens antes, durante e no térmi-
29
no do contrato de arrendamento, compondo
laudos ambientais e judiciais, demonstrando
a real situação da área. Outro aspecto importante que se pode analisar com o uso de Vants
são falhas nas plantações e a produtividade
de cada talhão, desenvolvendo programas
computacionais que identificam, através das
imagens aéreas, algumas adversidades nas
lavouras”, detalha Carla Fernandes de Barros,
responsável técnica da empresa PSG/VANTs.
DRONE: O QUE É E
COMO FUNCIONA
Os Vants são aeronaves de pequeno porte que usam forças aerodinâmicas para obter
sustentação, podendo voar de forma autônoma, semi-autônoma ou remotamente controlada. Os equipamentos mais modernos conseguem fazer imagens com qualidade superior à
de satélites, ajudando a localizar deficiências
no plantio a tempo de correção.
A diferença básica de um Vant para um
aeromodelo, segundo Jotz, é que no Vant não
é preciso pilotar a aeronave. Todo o seu plano
de voo é programado em solo antes do lançamento/decolagem da aeronave. Com isso,
a carga de trabalho da equipe envolvida na
operação fica reduzida, permitindo que eles
se concentrem na carga útil que o Vant carrega, ou seja, nas câmeras de vídeo, câmeras
fotográficas, radares, sistemas de rádio etc.
“Basicamente, o drone é constituído pelo
30
veículo aéreo, com sua eletrônica de controle, guiamento e navegação, carga útil e um
sistema de comunicação de dados (via rádio)
entre o veículo aéreo e a estação de controle de solo (equipamentos de planejamento e
acompanhamento da missão)”, explica Jotz.
Operando com câmeras semi-profissionais, o Vant decola e, de modo autônomo,
cumpre uma missão previamente traçada pelo
operador. Depois de fazer imagens fotográficas, o Vant emite um sinal, informando que
finalizou a tarefa. Todas as imagens captadas depois são analisadas por um software
apropriado.
Os modelos menores custam cerca de R$
5 mil, e são capazes, entre outras funções, de
detectar falhas no meio da plantação, manchas de invasores e deformidades no tamanho de plantas. Os mais avançados, maiores
e mais caros, pensados para gerenciar grandes
terrenos, são capazes ainda de captar problemas como estresse hídrico e deficiência
nutricional graças ao modo infravermelho
da câmera, além de medir a temperatura do
vegetal e do solo com a câmera térmica.
MONITORAMENTOS
MAIS RÁPIDOS
As imagens captadas pelo Vant, aliadas
a uma boa técnica de geoprocessamento, são
capazes de identificar com precisão a existência de pragas e falhas em lavouras, problemas
de solo, além de áreas atingidas por erosão e
assoreamento de rios.
Depois de coletadas pelos drones, as imagens podem ser analisadas com a ajuda de um
programa de computador que indica, através
de cores específicas, os problemas que provocam prejuízos nas lavouras.
Carla aponta que a tecnologia facilita e
agiliza os monitoramentos porque coleta imagens atuais e em tempo real. Ela ainda destaca
que é possível desenvolver vários produtos
que facilitam as verificações de adversidades
em qualquer tipo de lavoura, contribuindo em
uma maior produtividade e melhor utilização
da terra pelos produtores rurais.
“Os Vants vieram mesmo para ficar. Um
drone em um único dia pode recobrir mais de
mil ha e transmitir dados para o produtor em
curto espaço de tempo. A mão de obra para
realizar este tipo de serviço sem os Vants é cara e desgastante, não sendo tão ágil e eficiente. O uso adequado de drones não acarreta
qualquer tipo de risco a pessoas, animais ou
propriedades, necessitando de poucas pessoas
para sua operacionalização”, salienta Carla.
De acordo com Adriano Fecundo, gerente
da Usina Agroindustrial Santa Helena, localizada em Nova Andradina, MS, quando realizado manualmente, o monitoramento das
áreas necessita de seis pessoas trabalhando e
leva cerca de um mês para ser concluído. Já
com o uso dos Vants são necessários apenas
31
custos com amostragens e análises de campo. “Vejo que esta tecnologia poderá, acima
de tudo, direcionar as análises de campo e
também nortear os gestores para uma melhor
tomada de decisão.”
ALÉM DAS AERONAVES
três funcionários e o trabalho fica pronto
em três dias. “O Vant dá um subsídio muito
melhor, porque com o trabalho manual nós
só temos resultado de amostragens, mas com
o equipamento fazemos uma área de mil ha
em poucos dias”, avalia.
O produtor de cana Victor Paschoal Cosentino Campanelli, da Agro-Pastoril Paschoal Campanelli, testa a tecnologia desde 2012
para o mapeamento de falhas de plantio e
mapeamento de infestação de ervas daninhas.
“Hoje estudamos o uso dos drones para
uma melhor calibração da curva de aplicação de nitrogênio em cana-de-açúcar porque
queremos sair da aplicação por produtividade média. Hoje praticamos a agricultura de
precisão com aplicação de adubo e corretivo
em taxa variável. Creio que o drone possa ser
uma das tecnologias que ajudará nesta curva
de calibração. Também existem empresas privadas trabalhando com foco nesta tecnologia
e buscando novas aplicações. Usaria como
exemplo a Geoagri que está desenvolvendo algoritmos para levantamento de falhas
e mapeamento de linhas de plantio de cana.
Também em parceria com a Geoagri buscamos um algoritmo com uso de sensoriamento
remoto e/ou drone para o levantamento de
infestação de pragas como migdolus.”
Campanelli acredita que o uso de drones
poderá trazer significativamente a redução de
32
Além do Vant e das câmeras embarcadas
(diurnas, infravermelhas e multiespectrais),
são necessários computadores com alta capacidade de processamento, softwares de geoprocessamento para a geração de mosaicos
(a partir das imagens tiradas pelo Vant), e
softwares dedicados à interpretação de imagens com suas devidas funcionalidades. É
opção da usina ter a sua própria plataforma
de Vants e uma equipe dedicada para o uso
dessa ferramenta, no entanto, existem empresas que prestam todo o serviço.
A PSG Tecnologia é umas delas. Ela fabrica suas próprias aeronaves e equipamentos para uso próprio. Carla alerta que os vants
não devem ser operados por pessoas que não
possuem conhecimento específico para este
fim, já que estas aeronaves, além de possuírem alta tecnologia embarcada, precisam de
pessoal treinado para operá-las, o que requer
várias horas de treino diárias, haja vista que
os drones podem causar sérios riscos a pessoas e propriedades se manuseados e utilizados
de forma indiscriminada.
A Creare comercializa o software de análise de imagens para a identificação da sanidade do canavial e/ou não conformidades,
a partir das imagens geradas pelos Vants da
usina ou de qualquer outro prestador de serviço. “Não comercializamos as aeronaves.
O escopo de nosso trabalho é o desenvolvimento do software de análise das imagens
geradas pelo Vant para a identificação da sanidade do canavial e/ou não conformidades.
Existem diversas empresas no Brasil comercializando Vants e oferecendo treinamento,
suporte técnico, peças sobressalentes etc.”
“Colocar o drone para voar parece ser
brincadeira de criança, mas o que vem depois é muito mais complicado. É preciso fazer os mosaicos das imagens e processá-las
em softwares específicos. A análise ocular
de imagem a imagem, não é a mais eficiente.
Quando usados softwares apropriados, eles
tem o poder de fazer centenas de milhares de
cálculos e entregar uma imagem processada
com um realce de anomalias, facilitando a
análise e interpretação dos dados. Portan-
to, creio que esta tecnologia será operada
por empresas especializadas e prestadores
de serviço que entregarão à usina ou para
o agricultor um relatório já processado e de
fácil interpretação”, adiciona Campanelli.
Com o apoio de propriedades parceiras,
a Embrapa desenvolve e testa diferentes softwares para serem usados com drones, um
deles, o Stonway, é voltado para diferentes
culturas e é oferecido gratuitamente aos produtores.
SEM LICENÇA,
SEM VOO
Já deu para perceber que não adianta
comprar um drone e sair voando com ele
por aí. A Anac (Agência Nacional de Aviação
Civil), responsável pela autorização de uso
deste tipo de aeronaves, já lançou diversas
Instruções Normativas restringindo o uso de
drones e resguardando a segurança da população quanto aos efeitos destes equipamentos.
Para que seja autorizado o uso do drone
no campo é preciso que o Vant seja homologado pela Anac e que sejam obtidas as autorizações de voo junto a Anac e Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para que
esteja em plena concordância com as regras
vigentes. Além disso, é preciso fazer uma
notificação para cada voo que será feito.
“Além das empresas serem registradas
na Anac e terem licença de operação, houve
proposta apresentada à Agência para que os
sistemas Vant das classes A (até 2 Kg), B (2
0800 7700496 | sew-eurodrive.com.br
A SEW-EURODRIVE investe de forma constante
no desenvolvimento de soluções que otimizam o
setor sucroalcooleiro. É assim que ela se tornou
a líder mundial em acionamentos. São 80 anos de
tecnologia e inovação, presentes nas 15 fábricas
e nos 77 centros de tecnologia, distribuídos
por 49 países, movimentando mais de 15 mil
Nova unidade SEW-EURODRIVE — Indaiatuba/SP
colaboradores em todo o mundo. Agora, a história
da SEW-EURODRIVE no Brasil dá um salto
tecnológico com a nova unidade em Indaiatuba/SP,
´
A INDUSTRIA
SUCROALCOOLEIRA
~
E´ MOVIDA A SOLUCOES
´
INOVADORAS.
uma das mais modernas do grupo. São 300 mil
metros quadrados de terreno, espaço ideal para
gerar maior capacidade tecnológica e produtiva,
com uma planta que tem como filosofia a
sustentabilidade e o máximo aproveitamento dos
recursos empregados. Na nova fábrica, estão
em operação os mais avançados processos,
máquinas e equipamentos para fabricação e
montagem nacional de acionamentos industriais,
que atendem o mercado mundial. Para isso, os
departamentos de desenvolvimento de produtos
e serviços trabalham em absoluta sintonia com
as demandas reais dos mercados. Tudo isso
para acompanhar sua empresa no seu principal
movimento: o da EXPANSÃO.
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melhor aproveitamento da energia gerada, prazos de entrega
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33
a 7 Kg) e C (7 a 25 Kg) possam voar sem
licença de voo ou Notam*, desde que cumpram vários requisitos, incluindo que o voo
não seja totalmente autônomo, voo diurno
com linha de visada limitada a 500 m, voo
no máximo de 150 m de altitude, voos a 150
m de pessoas e/ou áreas populosas, entre outros”, complementa Jotz.
De acordo com o pesquisador da Embrapa, ainda existem muitos relatos de quedas
de Vants por diferentes motivos, sendo os
principais a falta de manutenção, o não seguimento dos procedimentos de operação e
falhas de operação. “A falha do sistema, em
geral, não tem sido causa de quedas, uma
vez que existem dispositivos de segurança
como paraquedas, pousos pré-programados
etc. O grande problema tem sido a manutenção inadequada e condições de operação.
No campo estas condições são mais críticas
ainda, considerando a robustez do campo.”
A CAMINHO DA
EVOLUÇÃO
Como a tecnologia é nova e ainda se
encontra em fase transitória, melhorias significativas deverão e irão ocorrer em todos
os componentes dos Vants, bem como nas
cargas úteis (câmeras e equipamentos embarcados) e nos softwares GIS. Segundo
Jotz, novos softwares especialistas deverão surgir e os drones vão ser usados para
34
aplicação pontual de produtos agroquímicos,
na quantidade certa, no local certo, sem expor o ser humano a situações de risco e/ou
contaminação.
Ele ainda lembra diversas novas funcionalidades que serão desenvolvidas com o uso
dessa plataforma. “As empresas agrícolas terão informações antecipadas nas diversas fases
do plantio, permitindo a tomada de ação para
evitar, eliminar e/ou mitigar futuros problemas. As diversas funcionalidades e benefícios
do Vant não podem ser obtidas pelo homem a
pé. A questão não é se o Vant vai ser um sucesso na agricultura, mas sim quando será um
sucesso. É só uma questão de tempo. Quanto
antes o produtor começar a dominar e utilizar essa tecnologia, mais cedo terá resultados
significativos, obtendo maior produtividade e
competitividade. Daqui a alguns anos, os drones serão como os tratores são hoje para quem
vive da agricultura”, conclui Jotz.
O pesquisador da Embrapa, no entanto,
lembra que os Vants ainda não são como tratores. “A tecnologia exige procedimentos e cuidados. Mas deve, certamente, figurar nos próximos tempos como uma das ferramentas mais
úteis na agricultura de precisão”, finaliza.
* NOTAM é um documento que tem por finalidade divulgar, antecipadamente, toda
informação aeronáutica que seja de interesse direto e imediato à segurança, regularidade e eficiência da navegação aérea
35
tecnologia industrial
Sem novidades tecnológicas, usinas precisam
fazer a devida manutenção em centrífugas de
açúcar e etanol para evitar perdas
Após a cana-de-açúcar passar pelas
moendas, temos o caldo e é a partir dele
que será obtido o açúcar e etanol. Para
que isso aconteça, o caldo precisa passar por várias fases e uma delas é o processo de centrifugação, composto por
máquinas centrifugadoras separadoras
de líquidos e sólidos de uma mistura.
É importante salientar que as centrífugas de açúcar e etanol são máquinas completamente diferentes que trabalham pelo mesmo princípio da física,
ou seja, a centrifugação que age por
efeito da força G.
Paulo Sérgio Garcia Nascimento,
especialista em Equipamentos Centrífugos e Processos Industriais e diretor da
Hiper Centrifugation Ltda, explica que
a função da centrífuga no processo de
etanol é separar a levedura proveniente
da fermentação do caldo da cana evitando assim sujar as colunas de destilação.
Parte da levedura separada volta para o
processo e a outra é utilizada para ração
animal ou humana devido a alta fonte
proteica.
A função da centrífuga de cesto na
fabricação de açúcar é, após a evapo36
ração e concentração do caldo de cana, separar o açúcar cristalizado concentrado no
melaço.
As centrífugas são de extrema importância para a fabricação de açúcar e etanol. “Em ambos os casos são para melhorar a qualidade do produto final, diminuir
o tempo desta fase, aumentar o rendimento
industrial e o retorno financeiro”, enumera Carlos Gregório, gerente de vendas da
Fives Lille do Brasil.
DIFERENÇAS NA
PRODUÇÃO DE
AÇÚCAR E ETANOL
São diversos os fabricantes e seus vários modelos de centrífugas. No caso de
centrífugas para a produção de açúcar os
fabricantes mais comuns são Mausa, Silver
Weibull, BWS, Fives Cail, Usitep etc. No
caso de etanol, as fabricantes de centrífugas
são GEA Westfalia, Flottweg, Alfa Laval,
Mausa, etc.
Na produção de açúcar, após o obter-se
a massa cozida produzida nos cozedores
a bateladas ou contínuos, alimenta-se as
centrifugas em bateladas ou contínuas para massa A. Esta massa será encaminhada
ao elemento de separação denominado cesto,
o qual proporcionará força centrífuga à massa
separando os cristais de sacarose dos méis e
impurezas. Neste processo nada é descartado,
pois temos a sacarose de um lado e de outro
lado os méis, os cristais de sacarose pequenos
e impurezas (subproduto aproveitável). Neste
caso recuperam-se os cristais pequenos para
retornar ao processo e os méis retornam ao processo de açúcar e ou fermentação para álcool
e ou ração. “Os cristais de açúcar separados podem ir
para mais uma fase de refinamento ou se for a
última, para ensacamento de produto final. O
melaço separado pode ser enviado para mais
um processo de cozimento de açúcar para se
extrair mais açúcar, e quando chega no final,
esse residual de melaço vai para a produção
de etanol, nada é descartado”, reitera Gunnar Johansen, gerente administrativo na WSC
Service Center Centrífugas Industriais Ltda.
Para a produção de etanol, igualmente o
vinho (mosto fermentado com as leveduras
mais as impurezas) alimentará a centrifuga
decantadora que também utiliza a força centrifuga e irá separar e recuperar as leveduras
por uma tubulação e, por outra, o vinho levedurado com as impurezas.
As centrífugas são de extrema importância para a fabricação
de açúcar e etanol, pois melhoram a qualidade do produto final,
aumentam o rendimento industrial e o retorno financeiro
DIMENSIONAMENTO E
PERFORMANCE
Para a boa performance das centrífugas
é necessário que as mesmas sejam bem dimensionadas.
Gregório salienta que se for um projeto
que está sendo iniciado deve-se saber do investidor qual a capacidade inicial e final do
ILUSTRAÇÕES:empreendimento, ou seja, quantos sacos de
ASSUNTO: ANUNCIO_IDEIA NEWS
DATA: 26/07/2014
açúcar e litros de etanol serão produzidos por
ORIGINAL: RICARDO SÁ
dia e em quantas etapas acontecerá o cresci-
Centrífugas contínuas usadas para a produção de açúcar
mento. “Nesta fase contemplamos equipamentos que ofereçam tecnologia mais avançada objetivando retorno do capital em menor
tempo. A partir disso o dimensionamento é
realizado para não haver excesso ou falta de
equipamentos de processo dentro de cada fase, levando-se em consideração suas capacidades unitárias e padronização dos mesmos.
Isso vale tanto para as centrífugas de açúcar
quanto para as de etanol.”
Nascimento reforça que o dimensionado
de uma centrífuga é feito de acordo com a
capacidade de produção e quantidade de produto a separar. “Para a separação de levedura,
existe no mercado centrífugas para produção
de 30 mil a 200 mil l/h de vinho. “
Já a performance ideal, segundo Gregório, para uma centrífuga de açúcar, é que o
equipamento reproduza capacidade, qualidade do produto final, durabilidade e confiabilidade operacional conforme o projeto
da máquina.
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Manutenções preventivas e corretivas devem ser realizadas conforme as boas práticas de manutenção e seguindo os preceitos técnicos do projeto do equipamento
Johansen completa dizendo que a performance ideal é aquela que une vazão adequada
para a produção de determinada usina com a
produção do açúcar de menor concentração
de umidade e açúcar mais branco possível
(Brix - menos coloração dada por melaço).
“Para centrífuga voltada para a produção de
etanol, a performance ideal é aquela que une
vazão adequada para a produção de determinada usina com o maior percentual de concentração possível (de fermento separado).”
“A performance ideal, além da produção nominal da centrífuga, é a clarificação
ideal do vinho que deve estar praticamente
isento de fermentos e a concentração da levedura”, diz Nascimento sobre as centrífugas
de etanol.
MINIMIZANDO
PROBLEMAS
O mau dimensionamento de uma centrífuga causa perdas e consequentes danos
ao processo.
“Isso é certamente desastroso e o prejuízo é inevitável, além da previsão do retorno
financeiro do investimento ocorrer em tempo
maior que o projetado”, observa Gregório.
Em principio não é comum haver problemas com as centrífugas de açúcar durante a
safra, desde que tenha sido feita a manutenção preventiva e corretiva conforme boas práticas de manutenção e seguindo os preceitos
técnicos do projeto do equipamento. “Esta é
a forma de diminuir a possibilidade de haver problemas dentro da safra. O que ocorre
durante a safra é a substituição de partes que
sofrem desgastes pelo uso como telas de tra-
38
balho, que é rotina do trabalho de operação e
que ocorre com pouca frequência dependendo do tipo de máquina e condução da operação. Isso também explica como aumentar a
eficiência no processo de centrifugação, porém devo lembrar que o equipamento necessita que todos os requisitos técnicos sejam
atendidos”, lembra Gregório.
Entre os problemas mais comuns nas
centrífugas para etanol, Johansen aponta o
desgaste natural que demanda manutenções
preventivas periódicas a cada 5 mil h (recomendado por fabricantes) para manter a vida útil e produtividade do equipamento, e
as manutenções não feitas ou efetuadas por
empresas não capacitadas que chegam a desconfigurar e mutilar os equipamentos, além
de prejudicar a produtividade, colocando em
Segundo Johansen, as manutenções
efetuadas por empresas não capacitadas
chegam a desconfigurar e mutilar os
equipamentos, além de prejudicar a
produtividade
risco a segurança do equipamento.
Nascimento também afirma que o mais
comum são os danos causados por imperícia
dos operadores na hora da desmontagem para limpeza. “Isso acontece devido à falta de
treinamento adequado”, frisa ao mencionar
que as manutenções preventivas periódicas
devem ser feitas em todas as centrífugas, assim como troca de óleo dentro das especificações e treinamento do pessoal de operação
e manutenção envolvido.
Para evitar esses e outros problemas nas
centrífugas, é necessário efetuar as manutenções periódicas e de entressafra sempre
com empresas capacitadas, que podem ser os
próprios fabricantes ou oficina credenciadas
pelos mesmos.
EFEITOS DA CRISE
Apesar da crise, o mercado de centrífugas
está muito escasso e concorrido, na visão de
Gregório. “O preocupante é que com os baixos preços do açúcar e etanol os empreendedores tendem a comprar equipamentos com
menor valor de aquisição que certamente não
reproduzirão o mesmo resultado das máquinas que seguem normas rígidas de projeto e
de materiais construtivos”, explica.
Para esse ano, ele não aponta novidades
por parte da fabricante Fives Lille. “Da parte
da Fives a novidade está prevista para o próximo ano. Essas novidades visam melhorar
a qualidade e minimizar custos”, sintetiza.
Gregório também conta que, com a crise,
as usinas deixaram de dar a devida atenção
à manutenção das suas centrífugas. “A consequência disso para o processo, inevitavelmente, são as paradas das máquinas dentro
da safra causando prejuízos enormes, muito
maiores que o custo da manutenção”, frisa.
Nascimento diz que, no atual momento, o mercado de centrífugas se encontra parado devido à crise no setor de etanol. “No
momento não temos novidades e esperamos
que o sucesso da Fenasucro nos dê retorno
em vendas para esse setor”, adianta.
O diretor também aponta que devido à
crise, algumas usinas, no intuito de economizar, deixaram de fazer a necessária manutenção preventiva das suas centrífugas “Isso
pode causar danos à parte mecânica, que devido à alta rotação pode ocasionar a quebra
de rolamentos e consequente ruptura de eixos, pondo em risco os operadores e todos os
periféricos”, conclui.
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Presentes em todo o processo produtivo
de uma unidade sucroalcooleira, ainda não
existe nada revolucionário em bombas e
em sistemas de bombeamento para o setor
sucroenergético
Walter Luiz Polônio
As funções das bombas centrífugas nos setor sucroalcooleiro
se destinam as áreas industrial e agrícola, sendo aplicada para
transporte, dosagem, promoção de pressão e mistura. Na área
agrícola as aplicações se resumem a aspersão e distribuição de
vinhaça e ou de água para irrigação. Já na indústria as aplicações
são desde um simples bombeamento de água as mais variadas e
complexas operações unitárias de processo, representando entre os setores industriais a maior diversidade de aplicação possível, inclusive com relação à indústria química, petroquímica
e mineração.
Os tipos de bombas podem ser resumidos em três classificações pelas siglas BA, BP e BE, sendo:
Tipo 1 - Bombas para Água (BA): Manuseio de água limpa,
com pH (potência hidrogeniônico) próximo a neutro e a
temperatura ambiente, aplicações consideradas de baixa
responsabilidade e atendendo grandes faixas de vazão e
pressão, com emprego de somente um rotor.
Tipo 2 - Bombas para Processo (BP): Manuseio de fluídos contendo sólidos em suspensão, sólidos dissolvidos, sólidos insolúveis, fluídos corrosivos com pH alcalino e ou
ácido, fluidos com gases dissolvidos, gases inclusos e
ou com liberação e gases em processo, fluidos aquecidos ou subresfriados, fluidos cristalizantes, fluidos com
média viscosidade e outras exigências de processo que
40
se considerem médias e não extremas. As principais características exigidas das bombas para processo resume-se na operacionalidade a estado estabelecido o que
se denomina na língua Inglesa de steady state, que significa a manutenção e fluxo constante sem variação de
vazão, desde que esta varie de zero até a vazão nominal
e projeto, mantendo fluxo estável independente das condições de aspiração (como altura de sucção), quantidade
de sólidos insolúveis ou dissolvidos, gases inclusos ou
dissolvidos, viscosidade e temperatura para a faixa de
exigência de processo.
Tipo 3 – Bombas Especiais (BE): Manuseio de fluídos também
de processo, mas para condições extremas. Em resumo
geral as aplicações são definidas para fluidos sólidos
solúveis ou dissolvidos e insolúveis, com características de abrasão e ou fibrosos variando a viscosidade e
temperatura, e as ações físicas resultantes de ataque de
químicos, temperatura e presença de gases podendo ser
dissolvidos ou ar incluso.
As bombas ainda são classificadas em duas categorias em
função da responsabilidade e requerimentos exigidos, sendo:
- Média responsabilidade - Bombas de Processo (BP) para manuseio de fluídos de processo considerando a influência de
temperatura, viscosidade, sólidos dissolvidos, sólidos em sus-
pensão, fluidos com gases leves abrasivos e corrosivos. São
bombas com rotor aberto (figura 1 e 3) e construção conforme
Norma ANSI B73.1)
- Baixa responsabilidade - Bombas de Água (BA) basicamente
para manuseio de água a temperatura ambiente. São bombas
com rotor fechado (figura 2 e 4), e construção conforme a
Norma ISO 5199 e ISO 2858.
A principal diferença física entre bombas para água e bombas
para processo, está na forma em que se realiza a selagem das regiões de alta e baixa pressão no rotor dentro da carcaça da bomba.
As bombas para água, denominadas aqui pela baixa responsabilidade, possuem anéis de selagem fixados no rotor fechado
e carcaça, determinando fronteiras finas dadas pela largura dos
anéis de selagem e que por isso são fáceis de ser rompidas e
desestabilizadas por separação de pressões nas fronteiras, interrompendo o fluxo estável e permanente a qualquer passagem
de sólidos, gases e ou vaporização do fluido circulante. Já nas
bombas para processo, as separações das zonas de baixa e alta
pressão são realizadas por rotor aberto que se ajustam as carcaças e a fronteira divisória é ampla e segura representada por
quase toda a extensão do diâmetro do rotor, o que mantêm os
fluxos contínuos e estáveis, dando assim características para
atendimento ao processo, sem que se modifique facilmente por
passagem de gases, sólidos e ou vaporização.
As bombas de água devem operar em situações adequadas,
com fluídos límpidos a temperatura ambiente, e por isso denominam-se de baixa responsabilidade.
Já as bombas de processos são consideradas de média e alta
responsabilidade, pois são capazes de manter os fluxos estáveis,
mesmo que os fluidos sejam impuros (contenham sólidos em
suspensão), podendo ser minerais e ou fibras ou outros orgânicos, operem com fluidos aquecidos e ou superaquecidos, que
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manuseiem fluidos com gases inclusos e ou gases que se liberem durante a redução e pressão na sucção (gases dissolvidos),
e ou mesmo fluidos que produzam gases em circulação como os
fermentescíveis. Essas bombas também permitem operar com
fluídos cristalizantes, incrustantes, de alta viscosidade e de baixa pressão de vapor, atendendo assim as exigências hidráulicas
para fluídos de processo.
Uma observação importante é que não se devem comparar
valores de NPSH requeridos entre bombas com rotor fechado
mais anéis de selagem com bombas de rotor aberto juntos a carcaça (construção conforme ANSI B 73), pois em poucas vezes
as bombas com anéis possuem valor de confronto menor. Isto
não significa superioridade, pois a confiabilidade de constância
em processo para as bombas de anéis é frágil e, sendo assim,
recomenda-se para uso em processo as bombas com rotor aberto
junto a carcaça, que se prestam mais as condições de processo.
Em relação à vida útil e capacidade de manusear fluidos sujos e em condições adversas, as bombas de rotor aberto junto a
carcaça são as mais recomendadas, garantindo vida útil superior,
além de possibilitarem ajustes de folgas sem desmontagem das
bombas em pleno regime de campanha, ou seja, sem necessidade de intervenção corretiva, o que é necessário para bomba com
anéis no rotor.
Não se apresenta neste artigo aplicações de bombas para Alta Responsabilidade, que classificamos como Bombas Especiais
(BE), as quais exigem formas construtivas diferenciadas de rotor,
carcaça e ou emprego de outros materiais como:
- Bombas de alta pressão (acima de 8 bar quando requer múltiplos estágios), como alimentação de caldeira;
- Bombas para fluidos extremamente abrasivos (água de fuligem
de caldeira, lodo de decantação, caldo misto de moendas, embebição para moendas por extração convencional e ou difusor);
- Bombas para massas ou fluidos ou semifluidos de altíssima
viscosidade (bombas de deslocamento positivo, cavidade progressiva, de embolo, de palhetas, de lóbulos e outras para
aplicação);
- Bombas para fluídos corrosivos (ácidos concentrados ou ácidos
em diversas concentrações).
Lembro ainda que este artigo não tem como objetivo explicar as razões técnicas da escolha do tipo construtivo das bombas
com rotor fechado e aberto, ou diferenciações entre ANSI e ISO.
UTILIZAÇÃO NAS USINAS
A aplicação de bombas centrífugas se encontra distribuída em
toda a sequência de processo produtivo de uma unidade sucroalcooleira, desde a recepção de cana, percorrendo todo o processo
de extração, tratamentos físicos e químicos dos caldos, aquecimentos, passando pela clarificação, separação e lodo, evaporação, cristalização, centrifugação e/ou fermentação, e destilação.
A tabela 1 descreve os principais fluidos em circulação dentro de uma unidade sucroalcooleira com refinaria anexa, onde se
classificam os empregos de bombas BA, BP e BE em função das
naturezas de bombeamento e o tipo de solicitação.
Algumas operações são comuns entre os setores sucroalcooleiro, químico, petroquímico, mineração e papel e celulose,
mas nem todas as soluções são viáveis e o setor sucroalcooleiro
46
tem se posicionado com soluções próprias que objetivam custos
menores, facilidade de manutenção e operação aliado a condição de quem opera em regime de safra e paralização no período
de entressafra.
Um exemplo típico é que no setor sucroalcooleiro não se
permite a aquisição de bombas atendendo normas construtivas
API, normalmente empregadas no setor petroquímico, por dois
motivos básicos: o elevado custo e a característica operacional
do setor que tem interrupção de operação durante três a quatro
meses por ano (entressafra), o que pode representar, sem maiores
cuidados específicos, um desgaste ou motivo para falha prematura de equipamentos em função da inatividade.
Outro importante fator que direcionou as soluções de
aplicação de bombas no setor sucroalcooleiro se devem as condições de manutenção como simplicidade construtiva, facilidade na acessibilidade ao mercado (disponibilidade no mercado
nacional), emprego de materiais nacionalizados que permitam
recuperação com facilidade e fidelidade do conjunto para condição operacional em regimes sazonais. Como exemplo tem-se registros históricos de que no setor sucroalcooleiro existem
bombas operando em condições críticas ou severas de abrasão,
corrosão há mais de 32 anos sem reposição de partes como carcaça, rotor e eixo (originais), sendo mantidas com substituição
somente de rolamentos, juntas e outros e ainda com excelentes
condições e performance.
Pode-se afirmar ainda que não existe nada de novo e ou revolucionário em bombas e sistemas de bombeamento para o setor
sucroalcooleiro, por dois motivos: um devido aos fabricantes e
outro devido aos consumidores.
No que diz respeito aos fabricantes, os equipamentos disponibilizados no mercado nacional e internacional, atendem toda
e qualquer aplicação quer seja ela existente ou a ser empregada.
Um dos melhores portfolios de apresentação de bombas centrífugas que analisei com as mais variadas opções construtivas
para todo e qualquer processo na indústria, foi um catálogo da
empresa Ingersoll Rand datado da década de 50, muito rico em
opções e especialidades e que até hoje estou esperando serem
disponíveis no mercado nacional. Portanto entendo que o desenvolvimento há de prosseguir, pois também participo do meio
acadêmico e opero na indústria. Mas que não está sendo fácil
colocar o “ovo em pé”, isto posso afirmar, pois a indústria de
bombas possui soluções para o setor sucroalcooleiro que ainda
temos que enfrentar.
Do lado dos consumidores, muitos ainda carecem de um conhecimento da grande variedade de equipamentos disponíveis no
mercado para as variadas aplicações. A melhor escolha vai ser
definida com a relação custo benefício, mas temos equacionado
e resolvido mais de 98% das soluções aceitáveis no setor com
equipamentos e materiais nacionais de fácil acesso e relativo baixo custo. Não nos cabe procurar um equipamento especialmente
concebido para as unidades operacionais existentes, considero
que as soluções são comuns, e as especialidades surgem assim
como novos processos. Portanto, para uma usina padrão estamos
muito bem servidos pelo mercado nacional.
* Walter Luiz Polônio é engenheiro mecânico pós-graduado
Master Science Industrial em Filtração a Vácuo
47
tecnologia industrial
Mesmo com estudo e planejamento, podem surgir problemas
durante o desenvolvimento do projeto. O que fazer para evitá-los?
Tercio Marques Dalla Vecchia *
Antes de qualquer coisa, permita-me fazer uma pergunta: Por que se fazem projetos
e o que motiva um projeto?
As respostas são claras:
a) Ganância! No bom sentido, claro, ou seja, vontade de ganhar dinheiro ou mais dinheiro! Neste caso estão os greenfields, as
ampliações brownfields, aumentos de eficiências etc;
b) Uma necessidade técnica para resolver um
problema operacional;
c) Resolver uma situação de insegurança (reduzir riscos de injúrias pessoais, materiais
ou ambientais);
d) Sobrevivência - algumas intervenções têm
que ser realizadas para que a empresa não
perca competitividade ou, pelo menos, reduza seus prejuízos.
Diante disso, um ponto que deve ser destacado são as principais fontes de deficiência
nos projetos de engenharia. Abaixo, cito uma
lista deles:
O Edital: Um projeto sempre começa
com um edital. Um edital bem feito é muito
difícil de ser realizado por vários motivos. O
edital é o Enunciado do Problema e, se este
não for claro, não há solução possível. Um
edital pode ser uma simples informação oral
como pode ser um documento com centenas
de páginas. O tamanho não é proporcional à
qualidade. É comum ter editais com dezenas
48
de páginas com informações não aplicáveis
ao projeto, mas simplesmente geradas pelo
“copy/paste” do Word. É importante notar
que se o edital não for bem feito, o entendimento dos fornecedores não será igual, ocasionando dificuldades de equalizações técnicas e comerciais.
Pressão sobre os prazos: Os prazos são
o maior inimigo da qualidade de um projeto.
Infelizmente, as usinas dependem da safra e
atrasos podem redundar em grandes prejuízos. Mudanças para a safra 2015 já deveriam
ser projetadas para dar tempo adequado para
aquisições, fabricação e montagem. Infelizmente, a maioria dos projetos será contratada
no fim de 2014. No planejamento, todos os
prazos devem ser bem estabelecidos. O prazo
para elaboração do edital, para contratação
e execução do projeto, para a aquisição de
equipamentos e serviços, para a construção
e montagens, testes de pré-operação e operação. Se a decisão de fazer o edital é tomada
tardiamente, o edital acabaça ficando com
falhas por ter sido realizado em curto prazo.
As propostas são apresentadas de forma incompleta, a equalização das propostas fica
difícil e demorada. Muitas vezes, as propostas equalizadas seguem para o departamento
de suprimentos, negociações infindáveis para
conseguir o menor custo atrasam a contratação do projeto... E a data de início da safra
está lá, firme. Nesta fase, o prazo para exe-
cução do projeto já foi reduzido a - praticamente - o impossível.
Pressão sobre o custo do projeto: Há
uma tendência muito grande de pressionar
os preços dos projetos de engenharia para o
menor valor possível. Não é aí que deve se
economizar, pois cada real gasto no projeto
e no planejamento pode representar R$10 ou
R$20 economizados no empreendimento. O
item engenharia (total) raramente ultrapassa
no setor sucroenergético 3% a 4% do valor
do investimento. A indústria de gás e óleo
está acostumada com valores de 15% a 17%.
Isto demonstra, claramente, o valor que se dá
a engenharia. O custo de projeto é, basicamente, mão de obra especializada. O custo
unitário (R$/h) não é muito diferente de uma
empresa para outra. Entretanto, é o número
de horas alocadas e a qualificação do pessoal
alocado que dão diferenciais significativos ao
custo. Assim, comprar um projeto pelo preço pode sair muito caro no final das contas.
Mudanças de Escopo: Quando as bases
do projeto não estão bem estabelecidas e
acordadas ocorrem muitas mudanças de escopo que refletem no custo, no prazo e muitas
vezes na qualidade do projeto. Revisões de
documentos e redefinição de prazos acabam
pressionando a qualidade do projeto. O mais
interessante é que é difícil (ou quase impossível) convencer o cliente do aumento de custo
e do aumento de prazo. Assim, se você quer
um bom projeto, faça um bom trabalho de
definições básicas que não exigem grandes
modificações de escopo.
Documentos de Terceiros: Durante a
execução do projeto é necessário utilizar desenhos e documentos de terceiros (dimensionais de equipamentos, dados de operação
etc.). Por pressão dos prazos, é comum utilizar-se documentos não certificados de terceiros, o que é um erro brutal. Coisas impossíveis de serem alteradas, frequentemente, o
são (vide Lei de Murphy). Esta é uma das
maiores fontes de erros que podem causar
grandes prejuízos ao empreendimento (locação de bases erradas, interferências de tubulações, dificuldade de montagem e desmontagem e por aí vai). Claro que refazer
uma base ou mudar uma tubulação já pronta
custa bastante.
Listas de Materiais: Uma grande reclamação é a deficiência das listas de materiais
para compra e montagem. Listas faltando peças ou com especificações erradas são muito comuns. Principalmente quando as listas
preliminares são realizadas para um levantamento de custos. Quando se dá por conta,
a lista preliminar foi totalmente adquirida e
a preliminar ficou “definitiva” até a hora da
montagem, quando as deficiências vão aparecer. Pergunte ao seu projetista como ele faz
a gestão de listas de materiais.
As Built: 100% das nossas usinas não têm
a documentação completa. Assim é essencial
realizar o as built de uma instalação e ter os
dados confirmados antes do projeto de instalação ser iniciado. As Built com erros faz
com que os erros sejam propagados por todo
o projeto. O as built deve ser realizado ao
terminar a implantação do projeto e todas as
vezes que se fizer uma intervenção na área.
Conclusão: Qualidade (segundo o PMBOK) é “adequação aos requisitos”. Um
dos primeiros processos de gerenciamento
de projetos é a coleta de requisitos, onde são
definidos todos os atributos que o projeto
deve ter para que possa atender a qualidade
desejada pelo cliente. Basicamente, trata-se
do nivelamento de expectativas. A projetista
tem que saber com a maior exatidão possível
o que fazer (escopo), quanto gastar (custo),
em quanto tempo e como (qualidade) deve
entregar seu trabalho. É imprescindível que
Segundo Dalla Vecchia, é imprescindível que o cliente tenha consciência do
que comprou e o que vai receber
o cliente tenha consciência do que comprou
e o que vai receber. Começa por aí. Ou seja,
as bases do projeto têm que ser muito bem
feitas!
*Tercio Marques Dalla Vecchia é
engenheiro químico e CEO da Reunion
Engenharia
49
conjuntura
Ronaldo Cabrera*
O setor sucroenergético está em constante transformação, desde
o campo, processos industriais, até a comercialização. É um sistema
muito complexo, onde na mesma empresa há a produção agrícola,
a indústria, a comercialização, a mecanização, o transporte e a segurança. Esta complexidade cria um gigantesco vácuo de eficiência durante todo o processo, deixando muitos espaços para serem
preenchidos com otimizações. Um exemplo clássico é o bagaço,
que no passado era um problema e hoje está mais valorizado (R$/
tonelada) do que a própria cana, devido principalmente a geração
de energia elétrica, que num período de crise talvez seja o produto
mais lucrativo das usinas.
Dentro deste contexto, surge a necessidade de otimizar os re-
50
cursos como terra, pessoal, máquinas e a própria indústria. Um
modelo exemplar é a Usina Nardini, na região de Vista Alegre do
Alto, SP, que cultivando eucalipto para geração de energia elétrica
consegue maximizar seus recursos disponíveis.
A adequação das propriedades, conforme as exigências ambientais, assim como a mecanização da colheita gerou uma perda
de área muito significativa, criando pontos inviáveis ao plantio de
cana, pois as áreas de manobra e/ou a declividade não permitem
a mecanização. Estes pontos agricultáveis acabam abandonados,
o que num primeiro momento parecem pequenos, mas o somatório torna-se representativo no universo de uma usina, que cultiva
milhares de hectares.
As usinas podem ganhar muito cultivando eucalipto nestas
áreas. O poder calorífico do cavaco de eucalipto é 2,3 vezes maior
que o bagaço da cana (4600 kcal/kg x 2000 kcal/kg – Figura 1),
ou seja, produz pelo menos o dobro de energia por unidade processada. Se o bagaço já é um bom negócio para a usina, imagina
um material com o dobro de capacidade calorífica e cultivado em
áreas abandonadas.
Os pontos de otimização seriam:
1- As terras não cultivadas;
2 - Como o plantio de eucalipto ocorre durante o ano todo, é possível utilizar os equipamentos a qualquer momento de ociosidade,
pois são basicamente os mesmos utilizados no cultivo da cana,
o mesmo acontecendo com o pessoal de campo;
3 - A colheita do eucalipto pode ser feita na entressafra, utilizando
51
Cavaco de eucalipto para bioeletricidade
Eucalipto plantado em área não mecanizável para cana-deaçúcar
a mesma estrutura de transporte da cana;
4 - O sistema de cogeração da usina pode funcionar o ano inteiro,
pois o cavaco de eucalipto supre a entressafra do bagaço.
Para haver sucesso nesta operação é importante respeitar regras simples na implantação das florestas, pois é possível produzir
200 t/ha no sexto ano, ou seja, 33 t/ha/ano. Considerando que uma
tonelada de cana gera 140 kg de bagaço, então a produção de eucalipto equivale a 238 t/ha/ano de cana. Numa produtividade média
de 80 t/ha de cana, 1 ha de eucalipto representa 2,95 ha de cana
em termos de produção de bagaço e, se levarmos em consideração
o maior poder calorífico do cavaco de eucalipto, o mesmo equivale a 6,8 ha de cana em termos de produção de energia elétrica.
Com a produção de 33 t/ha/ano de cavaco, rendimento energético de 2 MW/t e preço de venda de R$ 150/MWh, obtem-se
uma receita bruta de R$ 9,9 mil/ha/ano em uma área abandonada.
PLANTIO
A escolha do material genético é muito importante e hoje estão
disponíveis os materiais clonados, sendo os mais produtivos os híbridos de Eucaliptus grandis X Ecualiptus urofilia, mais conhecidos
como Urograndis. O plantio pode ser adensado com espaçamento
de 3,0 m x 1,0 m, para colheita com três anos, ou plantio convencional com espaçamento de 3,0 m x 2,0 m para colheita aos seis anos.
Os cuidados iniciais são correção do solo com calcário, gesso
52
agrícola, adubação com macro e micronutrientes, irrigação, controle de mato e formigas. No caso específico da cana é preciso tomar cuidado com os herbicidas residuais que podem prejudicar a
cultura do eucalipto.
O gesso agrícola tem papel importante na implantação da floresta, pois na cultura do eucalipto, não é necessário elevar tanto
o pH do solo (pH em CaCl2 de 4,6 a 5,0), mas a neutralização do
alumínio e o fornecimento de cálcio em profundidade é essencial
para o bom desempenho da floresta, e o gesso agrícola cumpre este
papel com muita eficiência.
Com 20% de cálcio e 15% de enxofre, o gesso agrícola fornece dois nutrientes essenciais, que tem a função de aumentar a
lignina da madeira, proteína responsável pelo aumento de peso e
resistência da planta, consequentemente aumentando a produtividade e o rendimento energético. A aplicação pode ser a lanço e a
recomendação segue a fórmula da Embrapa para a cultura perene:
NG = 75 x % argila
Onde, NG = necessidade de gesso em kg/ha, 75 = constante
para cultura perene e % argila = teor de argila do solo.
Na implantação da floresta é recomendável a subsolagem da
linha de plantio para facilitar o crescimento radicular e o estabelecimento da floresta. Nesta operação recomenda-se aplicação de
fósforo, fazendo a fosfatagem profunda na dose que varia de 80 a
120 kg/ha de P2O5.
As adubações de cobertura contemplam macro e micro nutrientes, sendo boro, cobre e zinco os micronutrientes mais importantes. A recomendação deve ser embasada em análise de solo, e o
monitoramento nutricional da cultura é feito com análises foliares
até o terceiro ano.
Vale lembrar que o sucesso da implantação da floresta depende
das operações efetuadas nos 30 primeiros dias, ou seja, a qualidade e a produtividade de uma floresta de seis anos são definidas no
primeiro mês de condução.
A agricultura brasileira é fantástica, uma dádiva e sempre estão
surgindo coisas novas, onde o aproveitamento e a competitividade
dependem fundamentalmente da iniciativa de pessoas envolvidas
no processo produtivo. O cultivo do eucalipto para fins energéticos é uma oportunidade que deve ser vista com bons olhos, pois
seria a pedra angular para tornar o setor ainda mais competitivo
e eficiente.
*Ronaldo Cabrera é consultor de empresas, engenheiro agrônomo e doutor em Agronomia
parar o motor, o que reduz significativamente os danos e diminui o tempo de inatividade da máquina.
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Por dentro da Usina
SÃO MARTINHO CONCLUI
AQUISIÇÃO DO CONTROLE DA
SANTA CRUZ
A sucroalcooleira São Martinho informou que concluiu a
operação de aquisição de 92,14% do controle acionário na Santa
Cruz Açúcar e Álcool. A operação, que havia sido anunciada em
5 de maio, foi aprovada em 23 de julho pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e fechada com a Luiz
Ometto Participações S.A. (LOP) e demais acionistas controladores pessoas físicas (PFs) da Santa Cruz.
Dessa forma, o Grupo São Martinho adquiriu uma participação societária adicional na Santa Cruz por R$ 315,8 milhões,
passando dos atuais 36,09% para 92,14%. A São Martinho alienou a totalidade de suas ações da Agro Pecuária Boa Vista para a LOP por R$ 195,9 milhões. A Companhia informou ainda
que celebrou um contrato de arrendamento de cana-de-açúcar
entre a Santa Cruz e a Agropecuária Boa Vista por um período
de 20 anos.
BUNGE DEVE PERDER SÓCIA
JAPONESA EM DUAS USINAS DE
ETANOL
Depois de acumular prejuízos consecutivos com a operação
e de ainda não ter encontrado uma solução estratégica para o
negócio, a Bunge terá agora que desembolsar recursos para
comprar a participação que a sua sócia japonesa Itochu Corporation detém no negócio.
Insatisfeita com as incertezas de rentabilidade futura do negócio, a Itochu, que investiu, de 2008 a 2011, US$ 160 milhões
para obter 20% das duas usinas, decidiu vender sua participação
no negócio. O pedido para aquisição pela Bunge da participação da japonesa nas usinas Santa Juliana, localizada em Minas
Gerais, e na Pedro Afonso, localizada em Tocantins, está em
análise no Cade.
A Bunge detém 80% das duas unidades. “A consolidação do
controle pela Bunge decorre da definição da sócia (Itochu) de se
retirar do mercado de açúcar e bioenergia brasileiro em razão
das incertezas de mercado atuais”, informou a Bunge em requerimento ao Cade.
Unidade de Pedro Afonso, TO
54
FALTA DE CHUVA ADIANTA A
DEMISSÃO DE 4 MIL TRABALHADORES
A falta de chuvas prejudicou o desenvolvimento das lavouras de
cana-de-açúcar na região de Piracicaba, SP, e vai acelerar o fim da safra, gerando a demissão antecipada de cerca de 4 mil trabalhadores rurais, segundo estimativa da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de
Cana do Estado de São Paulo). O trabalho nos canaviais se estenderia
até novembro, mas em razão da estiagem terminará em setembro, com
produção até 40% menor que a da safra anterior.
José Francisco da Silva Filho, gerente de um consórcio de produtores rurais, contratou 600 cortadores de cana, mas mudou os planos. “A
gente deve fazer a demissão de 50% em setembro e dos outros antes de
novembro, o que deve aumentar o custo porque vamos demitir, pagar
os encargos e a viagem antes do previsto”, disse.
Os fornecedores reclamam ainda do preço pago pelas usinas, que
segundo eles não cobre o custo de produção. “O custo de produção (por
tonelada) hoje é de em torno de R$ 72 e a gente recebe R$ 65 da usina.
Não fecha a conta e o produtor não tem caixa para aguentar. Então, não
tem como segurar o trabalhador”, afirmou José Rodolfo Penatti, gerente
do departamento técnico da Associação dos Fornecedores de Cana de
Piracicaba (Afocapi).
SANTA ADÉLIA RELATA LUCRO DE
R$ 24,2 MILHÕES
A Santa Adélia, grupo sucroalcooleiro com sede em Jaboticabal,
SP, e duas outras unidades no Estado de São Paulo, reverteu o prejuízo
líquido de R$ 102,4 milhões de 2012/2013 e relatou lucro líquido de
R$ 24,2 milhões no ano-safra 2013/2014, encerrado em 31 de março.
Além da Santa Adélia, o grupo controla ainda as usinas Pereira Barreto, na cidade homônima paulista e a Pioneiros, em Sud Mennucci, SP,
anexada à companhia em um processo de fusão finalizado em 2012. As
usinas processaram 5,8 milhões de t de cana-de-açúcar em 2013/2014,
produziram 211 mil t de açúcar e 350,2 milhões de l de etanol e comercializaram 343 mil MW/h de energia cogerada.
DEBÊNTURES PODEM SER
ALTERNATIVA PARA AS USINAS
Para ajudar as usinas sucroalcooleiras endividadas, o Ministério de
Minas e Energia (MME) incluiu, no início de agosto, a produção de etanol entre os setores com benefício fiscal para a emissão de debêntures.
Esta emissão de debêntures incentivadas só é possível graças à
inclusão do setor sucroenergético no escopo dos projetos prioritários
de investimentos na área de infraestrutura em energia. A intenção é
favorecer a captação de recursos para que as usinas ampliem sua capacidade produtiva e possam reestruturar suas dívidas.
O diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do
MME, Ricardo Dornelles, coloca que, junto a outros esforços do
governo federal, o ministério está “buscando tudo o que for possível
para tentar incentivar o aumento da produção de etanol”. Entretanto, não acredita que a nova medida possa desencadear uma corrida
pela operação.
A emissão precisa ser realizada por uma Sociedade de Propósito
Específico (SPE), com a elaboração de um projeto e plano de investimento que devem ser submetidos à avaliação do ministério para a
concessão do incentivo, após todas as demais etapas definidas pela
Comissão de Valores Mobiliários.
55
50 ANOS CONTRIBUINDO
COM NOVAS SOLUÇÕES
Em agosto a DMB Máquinas Agrícolas comemorou 50 anos de muito trabalho voltado ao
desenvolvimento de soluções que colaboram para o plantio e tratos culturais da cana-de-açúcar.
A DMB oferece hoje mais de 500 produtos
em seu portfólio e está presente em quase todas
as usinas do País. De acordo com Auro Pardinho,
diretor de marketing da DMB, devido a situação
econômica atual, o ano político e a situação que
se encontra a cultura em grandes áreas produtoras, a expectativa da empresa é que em 2016 o
setor comece a se reestabelecer.
“Gostaríamos de agradecer enormemente
aos nossos clientes pela contribuição contínua
no desenvolvimento de novas soluções que contribuem com o crescimento do setor como um
todo. Garantimos que estaremos sempre
atentos e buscando novas
tecnologias
que venham
colaborar com
o desenvolvimento sustentável do setor”, destaca
Pardinho.
TECNIPLAS TRAZ NOVIDADES
PARA FENASUCRO
A Tecniplas, fabricante de equipamentos em compósitos PRFV (Plástico Reforçado com Fibra de Vidro) já reconhecida pelo setor sucroenergético pelas mais de
400 unidades de torres distribuídas em usinas por todo o País e pela sua resistência,
traz novidades a Fenasucro deste ano.
A empresa dá destaque aos tanques de grande capacidade, que podem chegar até
4,5 mil m³ e podem ser transportados pelo método de oblatação, que reduz em até
30% o prazo de instalação e pode chegar a 10% do custo convencional de transporte. De acordo com a empresa, são produtos com alta resistência química, térmica e
mecânica, e podem ser fabricados em diferentes configurações com um ótimo custo-benefício em relação a materiais metálicos nobres.
Faça uma visita ao estande BC33 e conheça as soluções da Tecniplas para os
seus negócios!
ARMO LEVA LANÇAMENTOS EM
MANUTENÇÃO INDUSTRIAL PARA A
FENASUCRO 2014
Nesta edição da Fenasucro, a Armo do Brasil faz uma seleção dos últimos lançamentos em produtos para manutenção industrial para expor em seu
estande. A grande novidade da Armo para este ano está na linha de consumíveis industriais.
A empresa chega com os produtos da Stier, sua marca própria, que traz como novidade as mangueiras de solda dupla fabricadas em borracha. A solução
tem como característica principal uma vida útil mais prolongada, reduzindo
a necessidade de substituições constantes.
Segundo a empresa, o produto sai na frente dos similares existentes no
mercado por ser mais competitivo. “Vai ser a primeira vez que levaremos para a Fenasucro um suprimento para manutenção industrial com nossa marca”,
afirmou Antonio Marcos de Oliveira, gerente de vendas técnicas da empresa.
A Armo do Brasil estará no Pavilhão 2, Rua G, estande BG49.
MODELO DE GESTÃO BUSCA MAIOR
QUALIDADE À IMPLANTAÇÃO
Atualmente, percebe-se a existência de várias modalidades
de gestão na implantação de um empreendimento. Uma modalidade que vem ganhando espaço no setor sucroenergético é a
utilização de contratações do tipo Engenharia do Proprietário
(EP), em que o contratado se torna parte da equipe do cliente,
auxiliando-o desde a etapa de projeto até fornecimento, construção, montagem, comissionamento e start up do empreendimento.
A Reunion Engenharia decidiu introduzir em seu leque de
produtos e serviços a EP, como uma maneira de viabilizar os
novos negócios através da redução de riscos e atendimento aos
objetivos de todas as partes interessadas.
Com esse serviço a Reunion exerce a função de Engenharia
do seu cliente, ou seja, passa a ser o “olho do dono” com o objetivo de
observar, reportar e atuar. As gestões em que pode atuar são: Gestão de
Escopo; Gestão do Projeto; de Tempo; de Qualidade; de Suprimentos; de
RH e Gestão de Comunicação.
“Não resta dúvida quanto às inúmeras vantagens que o modelo de
contrato EP traz ao empreendedor sob o ponto de vista econômico. Entendemos que a Engenharia do Proprietário tem como principal papel
a atenuação de riscos envolvidos, quanto a prazos e conformidade de
produtos contratados e seus respectivos custos, visto que as incertezas
inerentes à execução dos serviços de projetos, construção, fornecimento,
montagem, comissionamento e operação de empreendimentos devem ser
controladas por meio de monitoramento adequado das etapas envolvidas,
praticamente em tempo real (online)”, explicou o diretor da Reunion
Engenharia, Jorge Luiz Scaff.
Trabalho foi desenvolvido com sucesso na Glencane Bioenergia S/A
56
AUSTRÁLIA
AUSTRÁLIA ENFRENTA
BAIXA PRODUÇÃO DE
CANA-DE-AÇÚCAR
A Associação dos Produtores
de Cana-de-açúcar da Austrália, a Canegrowers, afirmou
que esta safra foi a pior da
história do País porque não se
conseguiu atingir uma produção de cana-de-açúcar suficiente para ser moída.
Alguns produtores ainda estavam se recuperando dos danos
causados pelas últimas inundações. Para agravar ainda
mais a situação, a maior parte
da cana, que não está desenvolvida o suficiente para ser
cortada, foi arruinada pelas
primeiras geadas do inverno.
A usina de açúcar Maryborough, que entrou em funcionamento no início de agosto,
prevê que não terá produção
de metade de todo o montante
que teve em 2013.
ÍNDIA
ÍNDIA COMEÇARÁ SAFRA
COM ESTOQUES DE
AÇÚCAR
A produção de açúcar na Índia
pode aumentar 4%, para 25,3
milhões de t, em 2014/15. O
País terá açúcar suficiente para
cerca de quatro meses de consumo, quando a nova temporada
(2014/15) começar, em outubro.
As usinas no maior produtor de
cana, o Estado de Uttar Pradesh, que responde por um terço
da produção total de açúcar da
Índia, decidiram não começar a
operar na temporada 2014/15, citando sua incapacidade de pagar
os preços definidos pelo Estado
pela matéria-prima. Mas 7,5 milhões de t de estoques em 1º de
outubro de 2014 devem garantir
que o maior consumidor mundial
do adoçante não enfrente escassez grave, eliminando qualquer
necessidade de importação imediata.
TAILÂNDIA
TAILÂNDIA DEVERÁ
PRODUZIR MENOS
AÇÚCAR EM 2014/15
A consultoria Platts Kingsman
reduziu sua previsão para a produção de açúcar da Tailândia em
mais de 4% para a temporada
encerrada em setembro de 2015,
mas manteve inalterada a estimativa de déficit global do produto,
à medida que melhoram as condições climáticas na Índia.
Uma menor produção na Tailândia, segundo maior exportador
global, pode dar sustentação aos
preços do açúcar na bolsa de
Nova York, que caíram 6% nos
últimos três meses. A Kingsman
disse, no entanto, que maiores
estoques de passagem reduziram
os ganhos.
A empresa projetou a produção
tailandesa em 2014/15 em 10,8
milhões de t de açúcar, antes 11,3
milhões da previsão anterior, devido a um tempo ruim.
FIJI
FIJI TEM BOA
PRODUÇÃO DE
CANA-DE-AÇÚCAR
Em Fiji, as quatro usinas do
País, produziram cerca de 71
mil t de açúcar desde o início
da temporada de moagem
(junho) e esmagaram cerca
634 mil t de cana-de-açúcar,
de acordo com a Fiji Broadcasting Corp. Além disso, a
Associação dos Produtores
de Cana-de-açúcar se mostra
positiva para o início da nova
safra.
Sundresh Chetty, presidente
da Fiji Sugar Corporation
elogiou publicamente tanto os produtores quanto os
agricultores pelo resultado
positivo. Entretanto a quantidade de cana por tonelada de
açúcar foi reduzida devido às
condições meteorológicas adversas nas áreas chamadas de
“cinturão de cana” da ilha.
57
57
Atualidades Jurídicas
DIREITO TRIBUTÁRIO
STJ VEDA COBRANÇA DE
DIFERENCIAL DE ALÍQUOTA DE ICMS
POR ESTADO
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) entendeu que o Estado onde
está a empresa que vendeu mercadoria não pode cobrar diferença de
ICMS caso ela não comprove a entrega do bem ao comprador localizado em outro Estado.
O caso envolveu a venda de açúcar de uma empresa do Estado de
São Paulo à outra sediada no Mato Grosso. O Fisco paulista, entretanto, alegou que a mercadoria não saiu do Estado, cobrando daquela
o diferencial entre a alíquota interna e a interestadual do imposto.
Ao julgar, a Corte Superior considerou que não faz parte da obrigação do vendedor fiscalizar a situação cadastral da empresa para a
qual vai vender sua mercadoria, pois, se não há evidências de que a
empresa vendedora está envolvida com algum tipo de irregularidade,
o fato de não provar que a mercadoria chegou ao Estado com alíquota
reduzida não é suficiente para embasar a autuação.
Com o entendimento, o STJ reformou decisão do Tribunal de
Justiça de São Paulo (TJ-SP), que havia entendido que a cláusula
FOB (Free on Board) tem validade apenas entre as partes, nada valendo perante o Fisco.
DIREITO DO TRABALHO
EMPREGADO SERÁ INDENIZADO POR
TER BANHEIROS PRECÁRIOS NO
AMBIENTE DE TRABALHO
Um trabalhador rural de uma empresa do setor agroindustrial
será indenizado por não ter estrutura adequada para realizar refeições e necessidades fisiológicas. Segundo o ministro relator do processo, o descaso com a oferta adequada de instalações sanitárias aos
trabalhadores rurais configura dano moral e ofende o princípio da
dignidade humana.
Em defesa, a Nova América afirmou que sempre cumpriu as regras do Ministério do Trabalho e Emprego, relativas à organização
e ao ambiente do trabalho rural. Sustentou ainda que os empregados
contavam com sanitários, abrigo com toldo, mesas, cadeiras, água
para lavagem das mãos e água potável.
De acordo com provas testemunhais, os toldos, cadeiras e banheiros foram instalados após rigorosa fiscalização do MTE no local.
Ficou claro no processo que poucos trabalhadores usavam o banheiro
devido ao calor e ao mau cheiro.
TRABALHADOR RURAL GARANTE
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE POR
CONTATO COM FULIGEM DA QUEIMA
DE CANA
Um trabalhador rural conseguiu o direito de receber adicional de
insalubridade na Justiça do Trabalho pelo trabalho em contato com a
fuligem derivada da queima de cana-de-açúcar. O Tribunal Superior
do Trabalho não conheceu o recurso de revista de uma usina paulista
contra a condenação. Para o TST, o adicional é devido em grau máximo, uma vez que o material queimado produz hidrocarboneto, agente
nocivo à saúde e previsto em Norma Regulamentadora do Ministério
de Trabalho e Emprego.
Em recurso ao TST, a usina alegou que nem a queima e nem o
5858
corte de cana queimada estão enquadrados na norma ministerial. Destacou ainda, que a Norma Regulamentadora do MTE não poderia ser aplicada, já que a fuligem da cana não pode ser comparada a manipulação
de alcatrão, breu, betume, óleos minerais, óleo queimado ou parafina,
nem a esmaltes, tintas, vernizes e solventes contendo hidrocarbonetos,
conforme prevê a norma.
Todavia, para o ministro relator do caso, a decisão deixou expresso
que os laudos periciais apresentados no processo constatam a existência
de hidrocarbonetos na fuligem da queima da cana-de-açúcar no processo de facilitação da colheita. Por fim, concluiu que, o trabalhador era
exposto a hidrocarboneto por contato na pele, e não só por inalação, e
decidiu não conhecer do recurso.
FALAR MAL DA EMPRESA EM REDE
SOCIAL GERA JUSTA CAUSA
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região reconheceu a demissão por justa causa de trabalhador que publicou ofensas em rede
social contra superiores e contra a própria empregadora. A dispensa
também teria sido motivada por agressões verbais praticadas contra
cliente da empresa.
As reiteradas injúrias foram devidamente documentadas. As faltas
cometidas pelo empregado na rede social já bastariam para a caracterização da justa causa, mas o comportamento agressivo, desrespeitoso
e imoral, que se extrai da conduta que o trabalhador adota nas redes
sociais, acabou sendo novamente demonstrado no atendimento a clientes da empresa.
MOTORISTA EXPOSTO À VIBRAÇÃO DO
VEÍCULO TEM DIREITO A ADICIONAL
DE INSALUBRIDADE
A Justiça do Trabalho condenou uma empresa a pagar adicional de
insalubridade, em grau médio, a um motorista que se expunha à vibração na condução do veículo de transporte de carga, operando em pisos
asfaltados e irregulares.
A decisão se baseou em uma perícia que, após as medições devidas,
apurou que o reclamante se expunha a níveis de vibração que indicam
riscos potenciais a saúde, caracterizando a insalubridade, em grau médio.
Embora a reclamada tenha protestado contra a perícia, segundo
o juiz do caso, a mesma não fez provas suficientes para descaracterizar as conclusões que constam no laudo pericial, seja documental ou
testemunhal. Principalmente porque o perito foi claro ao afirmar que
a avaliação é realizada de forma qualitativa, nos termos da Portaria
ministerial, e que os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) não
neutralizam o agente.
PORTARIA DO MTE INSTITUI ÓCULOS
DE TELA COMO EPI
O Ministério do Trabalho e Emprego através da Portaria nº 1.134,
inclui óculos de tela para proteção dos olhos contra impactos de partículas volantes na lista de EPIs.
Na mesma data também foi publicada Diário Oficial da União a Portaria nº 440, que altera e estabelece os requisitos mínimos de identidade
e desempenho aplicável a luvas de segurança utilizadas na atividade de
corte manual de cana-de-açúcar. O novo texto prorroga por 12 meses
o prazo para disponibilização de luvas com Certificado de Aprovação
aos trabalhadores do setor.
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Entrevista
Quando assumiu a presidência do Ceise Br (Centro Nacional
das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis) em
2013, Antonio Eduardo Tonielo Filho tinha como um dos seus
desafios ajudar a cadeia produtiva no diálogo com os governos
em busca de soluções e incentivos para o setor sucroenergético. Ele acredita que a sua missão foi cumprida, mas diz que
ainda tem muitos desafios pela frente em busca de retomar o
desenvolvimento da indústria de base e a prestação de serviços
para o setor, que hoje passa pelo pior momento da sua história,
acumulando, só este ano, 1.097 demissões.
RPANEWS - O SENHOR ESTÁ CONSEGUINDO
REALIZAR AS METAS QUE TRAÇOU QUANDO
ASSUMIU A PRESIDÊNCIA DO CEISE BR?
Tonielo Filho - Acredito que sim. Nossa missão é representar, defender e garantir as melhores condições para o desenvolvimento da indústria de base e prestação de serviços do
setor sucroenergético. Logicamente, muitas de nossas ações
atuais não são as que desejamos no início de mandato, pois
estão relacionadas a um período recessivo. Mas são ações
que se fazem necessárias. Gostaria de tratar sobre a inovação e desenvolvimento com sustentabilidade em um cenário
de crescimento econômico, mas a agenda nos impõe temas de
um ambiente recessivo como desemprego, queda de demanda,
inadimplência etc.
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RPANEWS - QUAL É A ATUAL
SITUAÇÃO DA INDÚSTRIA
SUCROENERGÉTICA? QUANTAS
PESSOAS JÁ PERDERAM SEUS
POSTOS DE TRABALHO ATÉ
AGORA NA INDÚSTRIA?
Tonielo Filho - A situação econômico-financeira das empresas da cadeia produtiva do setor sucroenergético está muito
difícil. Estamos atravessando um dos piores momentos da história do setor. Quanto
ao fator trabalho, este sofre as consequências da queda de pedidos em carteiras
das indústrias. De acordo com os últimos
dados divulgados pelo Caged (Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados),
de janeiro a junho deste ano, a indústria
de Sertãozinho perdeu 1.097 postos de
trabalho. Toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar amarga os reflexos da crise econômica mundial, iniciada em 2009,
além de sofrer os efeitos climáticos das
duas últimas safras e que já comprometem a atual. O cenário é crítico, derivado
da ausência de investimentos, da falta de
competitividade, do aumento do custo de
produção e da falta de condições de planejamento.
e eólica sinaliza um período crítico para o
próximo ano, viabilizando assim a energia
cogerada através da biomassa da cana.
RPANEWS - ENTIDADES
COMO A UNICA SOFRERAM
GRANDES MODIFICAÇÕES
ESTRUTURAIS PARA CONSEGUIR
ULTRAPASSAR O MOMENTO
DE CRISE. OS PROJETOS
DO CEISE BR PASSARAM OU
PASSARÃO POR ALGUM TIPO DE
REFORMULAÇÃO POR CONTA DA
CRISE?
Tonielo Filho - O Ceise Br é uma entidade enxuta, que pontualmente contrata estudos setoriais, não tem um custo fixo alto.
Atua político-institucionalmente junto aos
governos municipal, estadual e federal,
tendo como propósito provocar condições
para a abertura, incremento, e manutenção de novos mercados. As ações da entidade estão focadas na representação, for-
mação e qualificação do setor, visando à
inovação, e buscando o desenvolvimento e
crescimento socioeconômico sustentável.
Nesse sentido, os trabalhos do Ceise Br
são sempre elaborados, projetados conforme as necessidades, reivindicações da
indústria de base e serviços – segmento
da cadeia que representa.
RPANEWS - COMO O SENHOR
ACHA QUE É POSSÍVEL
REAVIVAR A INDÚSTRIA
SUCROENERGÉTICA
NOVAMENTE? QUAIS AÇÕES
EMERGENCIAIS O SETOR
PRECISA PARA QUE A INDÚSTRIA
SE REESTABELEÇA?
Tonielo Filho - A indústria faz parte da
cadeia sucroenergética, e por isso sofre
os efeitos da indefinição de um marco regulatório e, consequentemente, da falta
de condições de planejamento. Para a retomada de crescimento do setor urge a
RPANEWS - A SITUAÇÃO AINDA
PODE PIORAR?
Tonielo Filho - Já enfrentamos tantos
problemas nos últimos anos que é difícil
fazer previsões. Particularmente acredito
que, no médio prazo, ocorrerão algumas
medidas de incentivo ao setor, como flexibilização de crédito e disponibilização
de recursos financeiros, criando possibilidades de novos investimentos e, consequentemente, dando condições para a retomada do crescimento de toda a cadeia
produtiva sucroenergética.
Manter a comercialização da gasolina nos
moldes atuais é inviável, tem onerado e
muito a balança comercial brasileira, devido à prática de preços muito abaixo do
mercado – utilizando esta política para o
controle da inflação –, o que vem a dar
margem à valorização do etanol, como
única saída. Além disso, o abastecimento
de energia elétrica proveniente das águas
63
determinação clara do papel do etanol
na matriz energética do País e de uma
melhor
remuneração para o etanol, vi sando o aumento da atratividade para
investimentos. Faz-se urgente a criação
de condições de planejamento no longo
prazo, sem interferências governamentais
que prejudiquem a compensação dos bens
produzidos pelo setor.
A volta da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), a normalização do ICMS a 12% nos demais estados, e
o resgate dos créditos provenientes do PIS-Cofins também são ações que podem dar
um fôlego para o setor. São fundamentais
ainda, investimentos em pesquisas e inovações para a melhoria da produtividade da
cana-de-açúcar e do desempenho dos equipamentos de processamento, sem se esquecer da estocagem, e do transporte e logística dos produtos bruto e final – elementos
responsáveis por 30% do custo de produção.
RPANEWS - QUAL É O DIÁLOGO
QUE O CEISE BR TEM TIDO COM
SEUS ASSOCIADOS EM BUSCA DE
SOLUÇÕES PARA A CRISE?
Tonielo Filho - Além da sua atuação político-institucional, o Ceise Br também desenvolve, promove diversos cursos, palestras,
workshops e seminários de acordo com as
demandas da indústria, no sentido de abastecer tanto empresários quanto colaboradores,
com conteúdos relevantes para o aprimoramento do conhecimento, apresentando possíveis alternativas, soluções, e perspectivas
sobre o cenário sucroenergético.
Através desse trabalho, a entidade também
tem estimulado a diversificação da produção, para que as empresas possam atender
a outros setores além do sucroenergético, ou
seja, deixar de ser totalmente dependente da
cadeia produtiva da cana-de-açúcar – o que
vai avalizar maior estabilidade financeira
frente a crises sazonais. Esta iniciativa, porém, está muito difícil de ser implementada,
porque os outros setores da indústria também estão com baixo índice de crescimento.
Atualmente, o Ceise Br desenvolve junto com
a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio o projeto de Arranjo Produtivo Local
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(APL), que tem como norte a criação de um
Centro de Inovação e/ou até a implantação
de um Parque Tecnológico na cidade.
RPANEWS - O QUE A INDÚSTRIA
PODE FAZER PARA QUE, QUANDO
O SETOR SE REESTABELECER
ECONOMICAMENTE, CONSIGA
ATENDER A DEMANDA?
Tonielo Filho - As indústrias de base do setor estão prontas para atender a demanda
gerada pelas projeções de órgãos governamentais sobre a necessidade de crescimento
de produção de açúcar e energia, pois ela foi
projetada com uma perspectiva de receber a
implantação, frustrada, de mais 100 unidades produtivas nesta década. Logicamente,
deverá permanentemente investir em novas
tecnologias para manter-se competitiva.
RPANEWS - O CEISE BR TAMBÉM
TEM TIDO ALGUM TIPO DE
DIÁLOGO COM O GOVERNO
FEDERAL?
Tonielo Filho - A entidade tem estreitado cada vez mais seu relacionamento com
os governos estadual e federal. Entre as
reivindicações da classe que a entidade
tem pleiteado junto ao governo está a ampliação do FGI (Fundo Garantidor de Investimentos), com maiores garantias para empréstimos e financiamentos, além da
renegociação de dívidas com o BNDES e
bancos públicos. Temos também solicitado
a renegociação de dívidas de financiamentos e tributárias do setor.
Ainda em dezembro do ano passado, em
parceria com o deputado e presidente da
Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Nacional, Newton Lima, e com o deputado e coordenador da Frente Parlamentar
pela Valorização do Setor Sucroenergético, Arnaldo Jardim, o Ceise Br realizou
um café da manhã na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), que contou com
a presença de 25 empresários de Sertãozinho, onde foi lida uma carta pontuando
as dificuldades e anseios do setor para
180 participantes – incluindo assessores
parlamentares, e técnicos dos ministérios
de Minas e Energia, Desenvolvimento, In-
dústria e Comércio Exterior, Fazenda e
Agricultura.
Em fevereiro e abril desse ano, a entidade esteve novamente na capital do País,
junto aos Conselhos de Competitividade
de Agroindústria, Bens de Capital e Energias Renováveis, articulando as mesmas
reivindicações do setor, e foi incumbida
pelo Ministro da pasta, Mauro Borges, a
apresentar o perfil de endividamento das
empresas. Para tanto, o Ceise Br firmou
contrato com a Fundace/USP para a realização desse diagnóstico. Também tivemos
algumas reuniões com a Superintendência
de Negócios da Desenvolve SP (Agência
de Desenvolvimento Paulista) e Invest SP
buscando apoio às ações da entidade, que
visam o desenvolvimento da indústria.
RPANEWS - QUAL É A
PERSPECTIVA PARA A
FENASUCRO DESTE ANO E O
QUE ELA DEVERÁ REPRESENTAR
PARA O SETOR?
Tonielo Filho - Apesar do momento crítico pelo qual a cadeia produtiva da cana
vem passando, a Fenasucro acontece como
uma grande fomentadora de novos negócios, onde todos os segmentos da agroindústria sucroenergética têm a oportunidade
de mostrar suas tecnologias e inovações em
equipamentos e serviços para profissionais
técnicos e qualificados, e para potenciais
empresas compradoras do mundo inteiro.
A feira também recebe nesta edição – para reforçar seu propósito de geração de
novos negócios –, caravanas de diversas
regiões do País, produtoras de cana-de-açúcar e/ou ligadas ao setor sucroenergético, criando um ambiente de interesses
e transações ainda mais reais, através da
presença de representantes com poder de
compra e de decisão.
Como todos os anos, o Ceise Br acredita
na realização da feira como um instrumento, um meio de expor ao mundo o quão é
importante e necessária a valorização da
cana-de-açúcar, principal matéria-prima
na produção de etanol – combustível limpo, renovável, autossustentável e gerador
de empregos.
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executivo
Djalma Teixeira
de Lima Filho
Naturalidade
Guarapuava, PR
Idade
52 anos
Estado Civil
Casado há 22 anos e tem um filho
Formação
Graduação em Engenharia Mecânica
pela UFPR (Universidade Federal
do Paraná), Pós-Graduação em
Gestão de Produção, Mestrado
em Administração e MBA em
Controladoria e Finanças
Cargo
CEO do grupo colombiano Riopaila
Castilla
Hobby
Ler
Filosofia de vida
“Acredito no trabalho como base do
progresso, na disciplina como razão
da excelência e em Deus como fortaleza e fonte de inspiração.”
6666
Para muitas pessoas mudar pode ser algo assustador, mas para
o executivo do mês, as mudanças são encaradas como grandes
oportunidades. Em 2012 ele não teve medo, pegou a família,
as malas e voou para a Colômbia atrás de um novo caminho.
Djalma Teixeira de Lima Filho, hoje CEO do grupo colombiano
Riopaila Castilla, diz que sempre viu as mudanças como oportunidades de crescimento profissional e auto-desenvolvimento.
“Entendi junto com minha família que poderia ser uma experiência interessante, em termos pessoais e profissionais, e decidimos aceitar o desafio.”
O fato de se identificar com as Ciências Exatas, além de
gostar muito da área mecânica, levou-o a cursar Engenharia
Mecânica. No primeiro dia após concluir o curso, ele teve uma
oportunidade de trabalho no setor agroindustrial, inicialmente
como supervisor de manutenção em uma fábrica de processamento de soja conjugada a um terminal portuário. Djalma era muito
jovem e conta que a experiência, apesar de demandar grande
responsabilidade, deu a ele a certeza de que o esforço sempre é
recompensado. “Respeitando meus pares e subordinados e sabendo trabalhar em equipe consegui executar um bom trabalho
e alcançar os resultados”, diz o executivo.
Oito anos depois de uma carreira ascendente em outros setores do agronegócio, dentro de um movimento estratégico de
carreira, Djalma aceitou uma proposta para trabalhar na área
sucroalcooleira.
“Na época o setor vivia um boom expansionista, criando uma
perspectiva de um grande ciclo desenvolvimentista da bioenergia no Brasil, que nos posicionaria como um País de vanguarda
em termos de energia sustentável em âmbito mundial. Foi assim
que passei a entender os aspectos específicos do setor, com suas
oportunidades e ao mesmo tempo com suas debilidadades em
termos de modelos de gestão, que começavam a desenvolver-se
com mais intensidade como uma exigência dos fundos de capital
privado que começavam a participar ativamente”, relembra.
Nesse período, o executivo teve a oportunidade de adquirir
amplo conhecimento técnico e comercial do setor, inclusive com
uma passagem por um fundo de investimento, que o mostrou como
se movem os capitais internacionais. Aliado a isso, Djalma nunca
deixou de estudar, fazer cursos e adquirir conhecimento em todas
as áreas que envolvem o ambiente corporativo de uma organização.
“Dentro desse cenário recebi, ao final de 2011, um contato
de uma empresa internacional de hunting sobre a oportunidade
existente na Colômbia. Depois de fazer um reconhecimento da
empresa, entendi que poderia ser uma experiência interessante.
O que ajudou muito foi o fato de que eu e minha esposa sempre
tivemos essa característica de flexibilidade geográfica, já que
ela, como advogada, consegue manter-se vinculada ao escritório e trabalhar via internet com ajuda da equipe. Por isso, esse
tipo de mudança nunca foi para nós um problema, ao contrário,
sempre vimos as mudanças como oportunidades de crescimento
profissional e auto-desenvolvimento. Sempre é possível conciliar
interesses”, declara.
Em março de 2013, depois de nove meses como vice-presi-
Em Roma, um dos 25 países pelo qual o executivo já passou
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Segundo o executivo, a cultura organizacional colombiana se diferencia da média do setor sucroalcooleiro no Brasil
principalmente em relação à aplicação de um modelo de Governo Corporativo onde há uma participação mais intensa do
Conselho de Administração nas principais decisões
dente de operações, o executivo diz que se viu diante de um dos
maiores desafios da sua carreira: assumir a presidência do grupo
colombiano. “Mesmo com toda a situação de preços no mercado internacional de açúcar, com a experiência, conhecimentos
adquiridos e com uma excelente equipe, conseguimos superar e
obter sucesso.”
VIDA COMO UM CEO
Os desafios diários de um CEO são inúmeros e Djalma diz
que seria impossível listá-los em poucas palavras. Saber administrar bem o tempo e motivar continuamente a equipe de trabalho, mantendo o contato com todos os setores da empresa, para
ele é essencial.
De acordo com o executivo, um dos principais desafios pelo qual passou frente a presidência do grupo colombiano se deu
por conta dos baixos preços do açúcar no mercado internacional,
provocados por anos sucessivos de superávit de produção em
relação à demanda dentro do contexto global, fato que em uma
análise preliminar de budget, levariam o Grupo a uma condição
de resultados negativos no ano de 2013.
“Necessitávamos urgentemente de ajustes, tanto no aspecto
comercial quanto operacional. Foi assim que rapidamente redefinimos metas e ações que nos permitiram, entre outras coisas, uma
redução brutal de custos e despesas de mais de US$ 10 milhões
anuais, uma redução das perdas de sacarose a um nível recorde
histórico da empresa, e a um crescimento de vendas de 8% no
mercado de consumo massivo da Colômbia.
Outro desafio importante foi projetar estrategicamente aonde
a empresa quer estar em 2020, entendendo as expectativas dos
acionistas, criando desafios a seus profissionais, mas ao mesmo tempo respeitando a cultura local e o DNA da organização.
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“Creio que já conseguimos realizar um trabalho interessante de
planejamento de longo prazo, para o qual será muito importante
a otimização dos conceitos de Governo Corporativo da empresa,
um dos próximos desafios que precisamos enfrentar.”
Segundo ele, a cultura organizacional colombiana se diferencia da média do setor sucroalcooleiro no Brasil principalmente
em relação à aplicação de um modelo de Governo Corporativo
onde há uma participação mais intensa do Conselho de Administração nas principais decisões. Também se dá uma maior relevância aos processos de Gestão de Risco Empresarial (em inglês
ERM - Enterprise Risk Management) e aos modelos de Gestão
de Derivativos, como ferramentas de proteção de riscos comerciais e financeiros.
RIOPAILA CASTILLA
O Grupo Riopaila Castilla é composto por duas usinas - uma em
La Paila, com capacidade para 2,5 milhões de t anuais e outra em
Pradera, com capacidade para 2,2 milhões de t anuais. A empresa
possui ainda uma participação de 22% em outra usina no Norte do
Valle del Cauca, também na Colômbia.
As duas usinas juntas tem 47 mil ha de cana entre terras próprias
e de terceiros, com uma produtividade média de 110 t/ha. Segundo
Djalma, atualmente o grupo produz 32 tipos diferentes de açúcar, estando em implementação um projeto de uma destilaria para 400 mil
l/dia e uma cogeração de energia de 34 MW. “Nesta safra devemos
processar 4,3 milhões de t de cana, exportando em torno de 45% da
produção de açúcar.”
Toda a cana no Vale do Cauca é plantada de forma manual. Apenas
no novo projeto de bioenergia da petroleira colombiana Ecopetrol,
no Estado de Meta, onde Riopaila Castilla é o principal fornecedor
de cana, com 40% do total, se está utilizando o plantio mecanizado.
VIDA NA COLÔMBIA
Diferentemente do choque cultural que muitas pessoas sofrem ao deixar o seu país de origem, Djalma conta que ele e
sua família, formada pela esposa Silvia, com quem é casado
há 22 anos, e Lucas, seu único filho, de 9 anos, se adaptaram
tranquilamente.
“Tem sido muito bom. Fizemos bons laços de amizade. Para se ter uma ideia, no dia do jogo Brasil X Colômbia na Copa
do Mundo, nosso coração até ficou um pouco dividido! A Colômbia é muito diferente daquilo que estamos acostumados a
ouvir. Colômbia e Brasil têm muitos pontos em comum. Fomos
muito bem recepcionados desde que chegamos e somos muito
gratos ao País por isso. O povo colombiano é muito amável,
alegre e caloroso, como somos também no Brasil. No entanto, possuem uma economia mais aberta, com tratados de livre
comércio com os EUA, Europa e Coréia do Sul, entre outros,
o que confere ao País uma atmosfera mais cosmopolita, fator
que os difere do Brasil, mas que facilita a adaptação. Choques
culturais existem, claro, mas nada que não seja facilmente
contornável”, revela Djalma.
Ele conta que dois fatos chamaram a sua atenção quando
começou a conhecer um pouco mais da Colômbia. Um deles
é o profundo respeito com que são conduzidas as relações interpessoais, principalmente quando se trata de pessoas idosas.
O respeitoso “senhor” e “senhora” para os mais velhos e professores, por exemplo, não foram esquecidos e são mantidos
com rigor. Outro ponto que marcou o executivo foi observar
que existe um verdadeiro espírito do Natal, no qual o que mais
se valoriza é o aspecto religioso da data em substituição ao
consumismo exacerbado.
Assim como no Brasil, o setor sucroenergético na Colômbia também pode acabar tomando muito tempo da vida de um
executivo. Mas ele diz que procura não ultrapassar 12 horas
diárias de trabalho.
“Procuro estabelecer um período de dedicação à família
logo que chego em casa ao final de cada dia e procuramos sempre jantar juntos, porém usando disciplinadamente uma hora
de trabalho a noite, quando organizo agendas, reviso as metas
semanais e mensais, respondo e-mails pendentes e me atualizo
com as principais informações e notícias do mercado. Reservo
também uma parte importante do final de semana para a interação com a família e compromissos pessoais”, afirma Djalma.
Além de sair para curtir um cinema ou comer em um bom
restaurante acompanhado de sua família e amigos, ele sempre
tira um tempinho para ler. “Sem dúvida, o que eu mais gosto
de fazer é ler. Algumas vezes leio dois ou três livros simultaneamente, além de revistas e jornais. Disso eu não abro mão!
Gosto muito de me atualizar e aprender coisas novas. Neste
momento, me dedico a adquirir mais conhecimentos sobre o
incrível mundo dos vinhos.”
O executivo ao lado da esposa Silvia e do filho Lucas
Outra paixão da pequena família é viajar. O executivo diz
que ele e sua esposa adoram conhecer novos lugares e revisitar
lugares onde já estiveram. Entre viagens profissionais e de lazer,
o executivo teve a oportunidade de conhecer mais de 25 países,
onde sempre procura reservar um tempo para conhecer um pouco da cultura local.
Ele diz que acredita no trabalho como base do progresso, na
disciplina como razão da excelência e em Deus como fortaleza e
fonte de inspiração. “Costumo dizer que tenho apenas duas preocupações na vida, a coerência com que conduzo minhas decisões pessoais e profissionais, e a reputação que construo baseada
nessa coerência.”
UM DIA A CASA RETORNA
O executivo e sua família sentem muita falta dos familiares,
dos amigos e da casa que deixaram em Uberlândia, MG. Mas esperam voltar em breve.
“Amamos nosso País e sentimos falta de todos os amigos,
família, da comida mineira e do churrasco. Ainda que estejamos
acostumados e felizes em nossa realidade atual, esperamos em
algum momento voltar. Como sempre moramos fora de nossa
cidade natal, no Paraná, o fato de viver em locais diferentes não
representa para nós um problema, mas sim uma experiência enriquecedora que deve ser aproveitada ao máximo. Em médio prazo
temos vontade de voltar, e esperamos que, em nosso retorno, possamos encontrar um País melhor, com menos problemas políticos,
maior estabilidade econômica e maior justiça social”, conclui.
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DESACELERAÇÃO DA MOAGEM DE
CANA NO CENTRO-SUL
Dados da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) mostram que a moagem de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da
região Centro-Sul atingiu 35,98 milhões de t na segunda quinzena de
julho de 2014, o menor valor já registrado desde a safra 2007/2008,
quando 25,27 milhões de t foram processadas na mesma quinzena.
Com isso, a moagem no mês alcançou 77,39 milhões de t, retração
de 11,49% comparativamente a julho de 2013.
No acumulado desde o início da safra 2014/2015 até 1º de agosto, o volume processado somou 280,43 milhões de t, contra 270,16
milhões de t observadas em igual período do ano anterior.
De acordo com Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da
Unica, esta retração se deve às chuvas que ocorreram em parte da
região produtora de cana-de-açúcar e à redução do ritmo de moagem
por várias usinas diante da perspectiva de menor oferta de matéria-prima para o processamento nesta safra.
CAFÉ COM A PRESIDENTE
A presidente da República, Dilma Rousseff encontrou-se em São
Paulo com o presidente do Conselho de Administração da Cosan, Rubens Ometto, no início de agosto. A reunião, que durou 35 minutos
e à qual a presidente chegou com 50 minutos de atraso, ocorreu na
Sala das Autoridades do aeroporto de Congonhas, e foi anunciada
como agenda de governo.
Durante a conversa, Ometto pediu uma política mais favorável
ao setor de etanol, que enfrenta uma das crises mais graves de sua
história. Entre as maiores queixas estão o controle de preço da gasolina feito pelo governo para segurar a inflação. Para que o preço do
etanol seja mais competitivo, Ometto defende a retomada da Cide,
cuja alíquota sobre a gasolina foi reduzida a zero, em 2012.
Ometto acrescentou que sua conversa com Dilma Rousseff teria
a ver com demandas não só da Cosan, mas de outras empresas do
setor sucroenergético.
SAFRA DE CANA PODE CHEGAR A
659 MILHÕES DE T
A estimativa de cana-de-açúcar produzida na safra 2014/2015 é
de 659 milhões de t, de acordo com o 2º levantamento da safra feito
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e
Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), divulgado no dia
8 de agosto.
A maior parte da produção de cana-de-açúcar deverá ser destinada
para a produção de etanol, representando 54,2%. A produção de etanol
total deverá passar de 27,9 bilhões para 27,6 bilhões de l. Já a produ70
70
ção de açúcar está estimada em 38,2 milhões de t, com crescimento
de 1% em relação aos 37,9 milhões de t produzidas na safra passada.
O estudo realizado nas 393 unidades produtoras do País revela que houve elevação da área de corte, que passou de 8,8 milhões
para 9,1 milhões de ha. Segundo o coordenador-geral de Açúcar e
Álcool do Departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia (DCAA)
da Secretaria de Produção e Agroenergia (SPAE) do Mapa, Cid Jorge Caldas, as condições climáticas influenciaram na diminuição da
produtividade.
TESTES COM CANA
TRANSGÊNICA INICIAM
NA AMÉRICA DO SUL
O teste de campo das variedades de cana-de-açúcar transgênica
desenvolvidos pela Ceres, foram iniciados para avaliar o desempenho das características de alto teor de açúcar e tolerância à seca
das plantas. O primeiro ciclo de crescimento terminará na segunda
metade de 2015, quando as observações de desempenho preliminares estarão disponíveis.
As avaliações serão administradas por um desenvolvedor sul-americano de cana-de-açúcar.
Se ficar provado que as variedades transgênicas mostram melhores características, então as novas variedades poderão oferecer benefícios expressivos à produção de cana-de-açúcar. Segundo Roger
Pennell, vice-presidente de desenvolvimento de tratamentos para a
Ceres, os maiores rendimentos de açúcar, maior tolerância à seca e
outras condições de estresse não só aumentariam a produção, mas
também diminuiriam os custos de produção.
PIAUÍ: SAFRA DE CANA AUMENTA
GERAÇÃO DE EMPREGOS
A produtividade da cana-de-açúcar em todo o Brasil registrou
o maior aumento percentual no Estado do Piauí. A informação foi
divulgada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento),
que realizou estimativa sobre a safra 2014/2015, em comparação
com o mesmo período do ano passado. Com isso, empresas especializadas no refino no açúcar, na produção do etanol e no cultivo
da cana, propriamente, terão que realizar mais contratações para o
trabalho na produção.
Apesar da área de plantio ter sido reduzida, a produtividade por
hectare da cana aumentou. De acordo com a companhia, o Piauí teve
um incremento de 19% no total plantado e colhido. A estimativa é
de que o Piauí produza 67 t/ha este ano, em comparação com as 56
t/ha produzidas em 2013. Em segundo lugar no País, ficou o também nordestino Estado da Bahia, com variação positiva de 17%.
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