alteracao das propriedades fisicas da area degrada por erosao

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alteracao das propriedades fisicas da area degrada por erosao
ALTERAÇÃO DAS PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁREA DEGRADA POR
EROSÃO HIDRICA DO SÍTIO SÃO JOSÉ, MUNICÍPIO DE OURINHOS-SP
AMENDMENTS OF PHYSICAL ELEMENTS OF THE DEGRADED AREA
CAUSED BY HIDRIC EROSION OF SÃO JOSÉ SITE AT OURINHOS-SP
CITY
Juliana Marina Zanata, Prof.ª Dr.ª Maria Cristina Perusi, Jakson José Ferreira
Universidade Estadual Paulista - Campus Experimental de Ourinhos - Curso de [email protected] Bolsista FAPESP
PALAVRAS-CHAVES: solos rurais; degradação ambiental; erosão
KEY WORDS: rural soils; environmental degradation; erosion
INTRODUÇÃO
Venturi (2006) define o conceito de Recurso Natural como qualquer elemento ou aspecto da
natureza que esteja em demanda, seja passível de uso ou esteja sendo usado direta ou indiretamente
pelo Homem como forma de satisfação de suas necessidades físicas e culturais, em determinado
tempo e espaço. De acordo com esse conceito, evidencia-se a importância dos recursos naturais para
a humanidade. Destaca-se então o solo, que oferece às populações tanto possibilidades de cultivo,
de onde provém a maior parte dos alimentos consumidos, como a base para estruturação de
moradias, além de servir como fonte de renda para inúmeras pessoas. Apesar de sua importância,
contata-se que não só o solo, mas os recursos naturais de maneira geral, encontram-se
depauperados.
Como recurso natural dinâmico, o solo pode ser degradado pelo uso antrópico
inadequado, condição em que o desempenho de suas funções básicas fica
severamente prejudicado. Tal fato acarreta interferências negativas no equilíbrio
ambiental, diminuindo drasticamente a qualidade de vida nos ecossistemas,
principalmente naqueles que sofrem mais diretamente a interferência humana como
os sistemas agropecuários e urbanos. (OLIVEIRA et al., 2008, p. 04)
Com o crescente aumento da população surge a necessidade de destinar novas áreas para
habitação e agricultura. Com novas áreas agricultáveis, surgem mais problemas: primeiramente o
desmatamento de grandes áreas e depois o esgotamento da fertilidade do solo devido à práticas
inadequadas de manejo. Além disso, destaca-se a implantação de processos erosivos. Essa forma de
degradação ambiental é conseqüência da utilização inadequada do recurso natural solo.
De acordo com Pires e Souza (2006) com a erosão, além do empobrecimento do solo pela
perda de nutrientes, matéria orgânica e partículas, ocorre também à contaminação dos recursos
hídricos, pois a água que não infiltra arrasta consigo além desses elementos, diversos produtos
químicos como corretivos, fertilizantes, condicionadores e agrotóxicos.
Na área degradada estudada no presente trabalho, identificam-se atividades rurais como a
criação de gado leiteiro, cujo pisoteio provoca as chamadas erosões zoógenas. O quadro de
degradação é agravado pelo fato de se tratar de uma área de embaciamento de águas oriundas de
uma estrada rural, que desembocam numa propriedade rural, sítio São José, com 18 ha localizado
no município de Ourinhos/SP (figura 1). Na propriedade a montante do sítio, não se identifica
curvas de níveis ou qualquer outra técnica de conservação do solo. Este fato faz com que toda água
pluvial escoe de forma concentrada, resultando na formação de erosão hídrica na forma de ravinas e
voçorocas.
Dentre as diversas formas de manifestação dos processos erosivos, a erosão hídrica é o
principal tipo que se revela no Brasil. A erosão hídrica pode ser classificada em três estágios:
primeiro a erosão laminar, responsável por remover as partículas superficiais. Para Bertoni e
Lombardi Neto (2005), constituem a parte ativa do solo de maior atividade química, afetando
diretamente a fertilidade dos solos. A erosão em sulcos constitui-se de pequenas incisões,
geralmente em terrenos que apresentam declividade, onde a atuação das enxurradas acaba formando
aberturas mais ou menos profundas, variando com a velocidade da água. O produto final da erosão é
a desagregação e perda dos solos, manifestado na forma de ravinas e voçorocas (PERUSI, 2004, p.
01).
Perusi (2005) afirma que a erosão é responsável por reduzir a produtividade dos solos, uma
vez que as características químicas, físicas e biológicas desse recurso natural são degradadas. Sendo
assim, justifica-se a importância do dimensionamento das alterações físicas dos solos degradados
por erosão hídrica em uma pequena propriedade rural do município de Ourinhos/SP.
OBJETIVOS
O objetivo do presente trabalho é identificar as alterações físicas dos solos do entorno e do
talvegue da voçoroca rural localizada no sítio São José, nas proximidades do bairro Paccheco
Chaves, município de Ourinhos-SP, tendo como padrão de comparação amostras de solo que
guardam características edáficas mais conservadas, mata nativa.
MATERIAL E MÉTODOS
O material utilizado no presente trabalho é oriundo do processo de intemperização do
basalto, mais especificamente o Latossolo Vermelho (EMBRAPA, 2006), obtido em área rural no
município de Ourinhos-SP. Foram analisadas cinco amostras simples de solos, sendo distribuídas da
seguinte forma: amostra 1: cabeceira do processo erosivo, distante vinte metros da borda; amostra
2: talvegue do processo erosivo; duas amostras há vinte metros da cabeceira e da borda da erosão:
uma do lado esquerdo: amostra 3 e outra do lado direito: amostra 4 (de costas para a estrada);
amostra 5: área de vegetação nativa.
Analisaram-se as seguintes propriedades: textura, densidade do solo, densidade da partícula
e volume total de poros. As análises foram feitas no laboratório de Geologia, Geomorfologia e
Pedologia da UNESP/Campus Experimental de Ourinhos.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Ao observar a Tabela 1, nota-se que as amostras 1, 2 e 3 são classificadas texturalmente
como média, por apresentar concentração de argila inferior a 350 g.kg-1 . A amostra 4 é classificada
como argilosa por apresentar concentração de argila maior que 350 g.kg-1 . A amostra 5 é
considerada muito argilosa por apresentar concentração de argila superior a 600 g.kg-1. Cumpre
esclarecer que a amostra 5 é a de mata, portanto, a que guarda as características originais. Sendo
assim, infere-se que a argila das amostras 1, 2 e 3 foram erodidadas, denotando alteração física do
solo.
Tabela 1. Resultado da análise textural
Fracionamento da areia*
Amostras
Areia
Silte
Argila
-1
g.kg
Classe
textural
MG
G
Média
Média
0,9
2,2
0,5
M
F
MF
12,1
40,2
44,3
1,9
12,0
48,1
37,2
%
1
613,0
51
336
2
634,3
43,7
322
3
748,0
1,9
250
Média
0,1
1,0
9,3
54,2
35,1
414
Argilosa
0,6
1,3
9,7
49,7
38,5
752
Muito
Argilosa
3,7
10,3
21,8
30,1
33,1
4
5
524,4
92,2
61,6
155,7
*MG: areia muito grossa; G: areia grossa; M: areia média; F: areia fina; MF: areia muito fina.
A expressiva quantidade de argila é típica do Latossolo, produto da intemperização do
basalto. A amostra 3, obtida no talvegue da erosão, destaca-se pela maior quantidade de areia, o que
evidencia a alteração física da área, comprovando o transporte seletivo das partículas onde as
coloidais são as primeiras a serem carreadas.
Quanto ao fracionamento da areia, pode-se observar que nas amostras 1, 2, 3 e 4
predominam texturas fina e muito fina, compatíveis com as características do material de origem.
Quanto ao traço de areia muito grossa e grossa na amostra 5, pode-se inferir que se trata de argila
não dispersa, concrecionada. Isso se deve à grande quantidade dessa partícula. Ainda assim,
predomina areia fina e muito fina, compatível com a literatura.
De acordo com a literatura, o valor esperado para a densidade de um solo argiloso fica em
torno de 1,00 a 1,25 kg.dm-3. No caso das amostras analisadas, pode-se notar que todos os
resultados deram acima desses valores, variando de 1,4 a 1,7 kg.dm-3, como se pode observar na
Tabela 2.
Tabela 2. Resultado da determinação da densidade do solo, da partícula e da porosidade
Amostra
1
2
3
4
5
Densidade do solo
Densidade da partícula
kg.dm-3
1,60
2,46
1,60
2,53
1,71
2,53
1,70
2,53
1,40
2,77
VTP*
%
35
37
32
33
49
*Volume total de poros
Com esses resultados pode-se inferir que as amostras 1, 2, 3 e 4, referente à área rural
degradada sofrem com o processo de compactação, devido ao pisoteio constante do gado, uma vez
que a área é utilizada como pastagem. Nessas condições, os resultados da determinação da
densidade do solo são compatíveis com as referências consultadas evidenciando que parte de suas
características foram alteradas. Quanto a amostra 5, referente a área de pastagem, a densidade do
solo apresenta valor menor, 1,40 kg.dm-3, particularidade atribuída a grande presença de matéria
orgânica, que altera o valor da densidade do solo devido ao seu baixo valor.
Quanto à densidade da partícula, para Kiehl (1979), o valor varia em média de 2,3 e 2,9 Kg.
dm-3 para solos minerais. Nos resultados das amostras (Tabela 2) pode-se afirmar que se trata de
solos eminentemente minerais, podendo inferir que se trata da caulinita, um dos principais
componentes minerais do solo em questão, por ser este material o que se encontra no estágio mais
avançado de intemperização. Sendo assim, característico dos latossolos.
O VTP, volume total de poros, corresponde à fração do solo preenchida por água e ar. São
consideradas como poros todas as lacunas presentes entre uma partícula e outra, inclusive aquelas
provocadas pela ação de atividades de animais e das raízes. Segundo Kiehl (1979) a porosidade
esperada para solos argilosos gira em torno de 40 a 60 %. No caso das amostras em questão, o
resultado fica em torno de 32 a 49 %. Os baixos valores de porosidade estão diretamente
relacionados com os altos valores da densidade do solo. Sendo assim, quanto maior a densidade do
solo, maior a compactação, menor porosidade, maior comprometimento da circulação do ar e
percolação da água, maior propensão à implantação de quadros erosivos. Essas características são
comprovadas ao analisar os resultados da amostra 5, referente a área de mata.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Baseada nos resultados laboratoriais e na revisão de literatura constata-se que os processos
erosivos alteram as propriedades originais dos solos da área degradada rural. Essa afirmação se
torna mais evidente quando comparado com o solo sob vegetação nativa.
Quanto à alteração física, a que caracteriza a desconfiguração das propriedades originais do
solo, pode ser notada nos resultados da amostra 3, uma vez que apresenta maior concentração de
areia, comprovando que se trata de um processo erosivo, onde as partículas coloidais como a argila
e o silte são as primeiras a serem transportadas.
Pode-se concluir, portanto, que os solos rurais sofrem alteração física devido ao manejo
inadequado, que resulta em processos erosivos afetando tanto a disponibilidade de nutrientes quanto
a capacidade de produção agrícola do mesmo.
REFERÊNCIAS
BERTONI, J.; LOMBARDI NETO, F. Conservação do solo. 5. ed. Ícone, São Paulo, 2005.
EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. 2.ed. Rio de Janeiro: EMBRAPA Solos,
2006.
OLIVEIRA, C.M., et. al. Comparação entre atributos físicos e químicos de solo sob floresta e
pastagem. Revista Cientifica Eletronica de Engenharia Florestal. Ano VII- n.12, ago.2008.
disponível em: www.revista.inf.br.
PERUSI, M. C.; ZERO, V. M.; TOMMASELLI, J. T. G.; BRIGATTI, N. Erosividade das chuvas no
extremo oeste do Estado de São Paulo nos anos de 1998 e 1999. Caderno Prudentino de
Geografia, Presidente Prudente, n. 26, p. 26-36, 2004.
PERUSI, M. C. Discriminação de Argissolos e avaliação da estabilidade de agregados por vias
seca e úmida em diferentes sistemas de uso e manejo. Tese (Doutorado em Agronomia/Energia
na Agricultura) - Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu,
2005.
PIRES, F. R.; SOUZA, C. M. de. Práticas mecânicas de conservação do solo e da água. 2. ed.
Suprema Gráfica, Viçosa, 2006.
VENTURI, L.A.B. Recurso Natural: a construção de um conceito. GEOUSP – Espaço e tempo.
São Paulo, n.20. p.9-17, 2006

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