Como nossos pais.

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Como nossos pais.
Como nossos pais. - Simplicíssimo
Escrito por Luiz Emanuel Campos
Seg, 18 de Setembro de 2006 22:00 - Última atualização Qua, 07 de Maio de 2008 11:50
"Você pode até dizer que eu tô por fora
Ou então que eu tô inventando,
Mas é você que ama o passado e que não vê,
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem.
~ Belchior, interpretado por Elis Regina
Lembro-me claramente. Carro com cinco pessoas, embora eu e meus irmãos fôssemos
pequenos, era também pequeno o carro, e cheio de malas, para um mês na praia, janeiro. A
descida, longa e lenta era regida ao som de fitas de meus pais como Casarão, Gilberto Gil,
Milton Nascimento e outros sons que eu detestava. Simplesmente não conseguia me imaginar
no futuro ouvindo uma música "estúpida" como "Pai, afasta de mim este
cálice, pai".
Hoje sou entusiasta de Chico Buarque, amo tudo da MPB e questiono muito dos rocks e
"verdades" que ouvi na minha juventude. Me peguei agindo como meu pai até na
palestra que fiz na FATEC, faculdade onde estudo e meu pai, que já estudou lá, hoje leciona. E
o pior é que adorei a sensação. É como se eu estivesse fazendo caminhar os projetos que ele
mesmo já teve. Fôlego novo na velha luta.
Toda esta nostalgia e reflexão nasceram de uma sucessão curiosa de fatos. Ouvia um CD
que ouvia ao acaso, música quase ambiente "Elis Regina - Sem limite", CD duplo
excelente, quando minha mãe me convocou à sala para ver o clipe de Maria Rita. Eu sei que
estava já bastante influenciado pelo CD que eu ouvia, mas eram indistinguíveis os sons, tons,
jeitos. Eu via Maria Rita e ouvia Elis, eu via Elis e ouvia Maria Rita. E me apaixonei...
Dá para ouvir Maria Rita e não pensar em Elis Regina? Não, e vou mais longe, é impossível
não ouvir Maria Rita cantar e não pensar nesta auspiciosa música de Belchior e que ficou tão
maravilhosa na voz da mãe de Maria Rita, Elis Regina.
Acho que Platão foi o primeiro a dizer “... é vencer a morte pela reprodução e produzir a
imortalidade”, e Sheakspear assinaria embaixo na bela obra que até no filme "O homem
que copiava" foi recitado, "Contra a foice do Tempo é vão combate, Salvo a prole,
que o enfrenta se te abate”.
Maria Rita é prova viva de que os passos da humanidade estão acima de uma pessoa, de um
único gênio, e que com certeza, nascemos predestinados, a continuar a luta de nossos pais de
alguma forma, às vezes, de forma direta e idêntica àquela em que lutaram nossos pais. Às
vezes de forma indireta, às vezes até invisível para nós, mas poderá fazer um sentido
tremendo no futuro...
Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
a prata a preta têmpora assedia
Quando vejo sem folha o tronco antigo
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Como nossos pais. - Simplicíssimo
Escrito por Luiz Emanuel Campos
Seg, 18 de Setembro de 2006 22:00 - Última atualização Qua, 07 de Maio de 2008 11:50
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.
~ Sheakspear
Por Emanuel Campos, cronista, estagiário, fatecano, filho de fatecano, e que foi aluno do pai
professor...
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