Case Mio Sabore - Faculdades ALFA

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Case Mio Sabore - Faculdades ALFA
Case Mio Sabore
Milão é uma das cidades mais bonitas e surpreendentes da Itália. Sua história, recheada de romance e
beleza, passa por uma gastronomia simples, mas única e singular, direcionada a fortalecer os braços dos
trabalhadores da cidade. Pratos à base de carnes, sopas de legumes e sua composição mais famosa, o
Panetone, são exemplares de como essa cidade se alimenta e pode alimentar seus visitantes.
Aliás, gastronomia é assunto sério na Itália. Tão sério que algumas associações, como a pizza e o sorvete
são inevitáveis. Contudo, não é necessário (ainda que desejável) ir à Itália para experimentar um delicioso
e tradicional sorvete italiano.
Isso em possível em Goiânia, capital do estado de Goiás, cidade escolhida por três milaneses para ser
sede de sua deliciosa e variada marca de sorvetes: a Mio Sabore.1
História
Tudo começou em 2007, em Milão, uma das mais famosas cidade da Itália, conhecida principalmente por
sua associação com o mundo da moda e belezas históricas.
Italianos tem o hábito de estudar despretensiosamente, para adquirir informações e aprimorar o saber. Foi
isso que Luíz Gabriotti, um engenheiro de 45 anos, fez em 2004 um curso de sorvete na cidade italiana de
Bolonha, onde há uma faculdade só para estudo dessa delícia. Humberto Giovanni, então casado com
uma goiana e amigo de Luíz, tinha pensamentos empreendedores e sonhos com o Brasil. Queriam mesmo
empreender, buscar novos ares e lugares mais propensos ao empreendedorismo, que não é tão
fomentado na Itália.
O Brasil – e seu clima – já os havia atraído e então foram conversando e maturando a ideia de sair de
Milão, de levar seus sabores para outro lugar do mundo e, principalmente, de tornar conhecido um dos
melhores sorvetes do mundo: o italiano. Essa conversa gerou ao registro do CNPJ, em 2009, cidade de
Goiânia, setor Bueno, após estudos empíricos e algumas visitas à cidade.
O nome, que é a base para a composição do sorvete, foi criado por eles, que também providenciaram o
registro e metodologia de produção em escala e conservação.
Inovaram na forma de divulgação. Um mês antes da inauguração oficial da loja do Bueno, que foi em abril
de 2010, investiram em degustação. Todos sabem como o Buzzmakerting funciona em Goiânia e essa
prática simples e barata gerou cerca de 20 mil pessoas à loja no dia da inauguração.
1
O nome da empresa e sócios presentes no texto são fictícios, bem como as situações descritas no texto. O caso é
destinado exclusivamente ao estudo e discussão acadêmica, bem como à competição de Estudo de Caso,
evento interno da Faculdade, sendo vedada a sua utilização ou reprodução em qualquer outra forma. A
violação aos direitos autorais sujeitará o infrator às penalidades da Lei. Direitos Reservados à Faculdade
Alves Faria – ALFA.
Após quatro meses de inaugurada, a Mio Sabore foi indicada pela Revista Veja como a melhor sorveteria
da cidade para a surpresa e alegria de seus proprietários.
Desde então, cinco títulos de melhor sorveteria do Estado e outros prêmios de gastronomia, consolidaram
a marca como referência em sorvetes artesanais em Goiás e estimularam seus proprietários abrir mais
duas lojas na cidade (uma sede própria) e a buscar cada vez mais inovação e variedade nos sabores e
formas de produção dos sorvetes artesanais.
Dificuldades
Porém, nem tudo foram flores na construção e consolidação dessa marca.
Burocracia, Infra-Estrutura e Recursos Humanos poderiam representar empecilho até para o
empreendedor brasileiro, imagine-se para não brasileiros.
A burocracia os acompanha desde o inicio de suas atividades. A primeira dificuldade foi com a
naturalização dos sócios. Humberto, já naturalizado, teve menos problema. Mas Luíz e o novo sócio,
Fabiano, demoraram 16 meses para conseguir finalizar o processo de naturalização. Falta de orientação
quanto à documentação necessária, quanto ao funcionamento do processo e quanto aos requisitos legais
foram apenas alguns dos inúmeros entraves encontrados no processo de naturalização, sem o qual a
consumação da sociedade civil é impossível. Será que esse processo poderia ser mais rápido e eficiente?
Era só o que pensavam...
Entender a legislação comercial brasileira e adequar-se a ela é um desafio para qualquer empreendedor.
Não somente pela complexidade, mas também pela mutabilidade e dinâmica do ambiente legal,
principalmente em níveis estadual e municipal. Após vencerem os desafios de ter que possuir residência
fixa no país, visto permanente (provisório por dois anos) e legalização de toda documentação pessoal, eles
finalmente conseguiram participar da pessoa jurídica já aberta pelo primeiro sócio. Mas, as dificuldades
não pararam por aí.
Tiveram que contratar um contador e, mesmo impressionados com o que chamam de “excesso de
exigências”, seguiram em frente rumo ao sonho de serem empreendedores no Brasil. Enquanto na Europa
a média de tempo para se abrir uma empresa é de 10 dias, no Brasil, é de 90. Outro entrave é que vários
órgãos são responsáveis pela liberação de “uma parte” do negócio e, em se tratando do segmento de
alimentação a Agência e Vigilância Sanitária conseguem tornar o processo mais lento e rigoroso ainda. O
que mais os incomodava era o fato de terem de que peregrinar em vários órgãos para resolver problemas
diversos...por que não poderiam resolver tudo em um só lugar?
Enfim, em março de 2007 a primeira loja foi inaugurada. Sucesso total! E com ele novos problemas
surgiram...
O primeiro, a infraestrutura regional de produção. É importante salientar a origem de seus principais
insumos e o impacto disso em relação à sua posição geográfica. Estão localizados em Goiânia – GO, cuja
tradição está ligada à produção, não à importação de produtos ou serviços. Ainda que essa realidade
esteja mudando, o fato é que todos os saborizantes e aromatizantes dos sorvetes são importados de Milão
e, como fazer para esses produtos chegarem aqui o mais rápido e com as menores perdas e custos
possíveis?
O mais importante é garantir a qualidade do produto final e, nesse quesito, não utilizam produtos
substitutos, considerando a grande perda que pode ocorrer em uma pequena variação de sabor. Por isso,
investem em produtos importados, ainda que a carga tributária e logística onerem esses em cerca de 40%
a 50% esses produtos. Como resolver?
Os sorvetes são feitos de frutas naturais, o que lhes confere sabor e textura especiais. Contudo, conseguilas nem sempre é fácil. Perceberam que frutas nativas são comuns mas outras, como amora, framboesa,
pinha, romã (dentre outras) são de difícil aquisição em Goiás. Analisaram que o custo de comprar essas
frutas aqui seria 17% mais acessível do que de Minas Gerais, o fornecedor especialista mais próximo.
Porém, observando a diferença de ICMS entre Minas e Goiás e que mesmo em Minas o fornecedor
garante a entrega semanal das frutas, toda segunda-feira, a um custo total 22% maior do que o gerado na
operação local, eles estão considerando a possibilidade de comprar essas frutas do fornecedor mineiro,
cujo nome e credibilidade também são relevantes na escolha. Será que devem?
Os demais insumos como embalagens, caixas, produtos de higiene e limpeza, etc, são adquiridos em
Goiânia mesmo. Mas observaram que têm dificuldade em encontrar tudo em um mesmo fornecedor, logo,
as negociações variam com fornecedores diferentes tendem a gerar perdas de tempo, além de não serem
a opção mais econômica. Será que existem opções mais econômicas para a compra desses insumos?
A falta de tradição industrial na cidade de Goiânia também gerou outro entrave, a dificuldade de
assistência técnica. Todo o sistema de refrigeração veio pronto da Europa e foi montado por técnicos
italianos, que ficaram aqui até o término da montagem e asseguraram que o processo estava em
funcionamento.
Mas, não contavam com as constantes quedas de energia na cidade, o que desprograma as máquinas e
requer assistência contínua. Alem do que, as mais sensíveis acabam por sofrer danos irreparáveis e duas
já foram substituídas.
E agora? Contratar um técnico ou pagar uma assistência técnica especializada? Ter uma pessoa à
disposição, o que geraria um custo mensal em torno de R$ 18.000,00 ou pagar cerca de R$ 8.000,00 para
a assistência técnica que já os atende? Isso em termos de custos finais. Contudo, fatores como a
disponibilidade, redução de perdas (entende-se que as máquinas não podem ficar mais de 30 min sem
energia e sem os procedimentos de programação para queda de energia) e, principalmente, a qualidade
do produto final (que, uma vez derretido ou submetido a qualquer anomalia, deve ser descartado
imediatamente, não havendo reaproveitamento) também devem ser observados nessa decisão. Será que
existem outras opções?
Aliás, a contratação talvez seja a área mais traumática da empresa. De longe, parece que o maior
problema da organização está relacionado à gestão de pessoas. Na Itália, trabalhadores ingressam em
uma organização e, independente de suas funções, exercem-nas como uma profissão. No Brasil, alguns
cargos, especialmente os que não exigem formação técnica/profissional, como o de atendente/balconista,
acabam por ser vistos como uma espécie de “trampolim” pelo colaborador, que não o considera como fim
em si mesmo, logo, não crê que deva valorizá-lo como uma profissão e como parte de seu currículo
profissional. Assim, turnover, absenteísmo e outros desvios são comumente observados na organização e,
para isso, não sabem o que fazer.
Por isso contrataram você, estudante de Administração da ALFA, para orientá-los na solução dos
seguintes problemas:
1º ao 4º períodos:
1. Qual a origem, conceito e importância da burocracia na história da Administração? Por que e
como o termo tomou uma conotação “negativa” na sociedade atual? Seriam possíveis novas
soluções para os problemas gerados pela “burocracia” no caso proposto? Quais?
2. Em relação ao problema com o fornecimento de frutas, a empresa deve optar por fornecedor
local ou interestadual? Existem outras opções? Quais seriam? Justifique sua resposta e
mostre COMO chegou a ela, ou seja, qual foi e como foi o processo de construção da
solução.
3.
Em relação ao fornecimento de outros insumos, ajude-os a refletir sobre os critérios de
planejamento de compra e se existem, de fato, soluções mais acessíveis e práticas para
essas compras. Quais seriam?
4. Qual (ou quais) teoria (s) justifica (m) o comportamento dos colaboradores (turnover,
absenteísmo e desinteresse)? Aponte, no mínimo, duas possíveis soluções minimizar esses
problemas.
5º ao 7º períodos:
1. Faça uma analise SWOT da organização
2. Considerando os aspectos fiscais na compra dos insumos importados e interestuadais,
quais seriam as melhores opções em planejamento tributário para essa organização?
Elenque os elementos que devem ser considerados no planejamento e, no mínimo, uma
opção plausível que poderiam adotar, especialmente em relação ao ICMS e aos tributos
federais incidentes na importação.
3. Em relação ao problema de assistência técnica, sugira opções, embasadas teórico e
empiricamente, para o caso de contratarem ou terceirizarem essa função? Deixe claro
quais critérios devem utilizar para tomar essa decisão.
4. Desenhe um modelo de Gestão de Pessoas (recrutamento e seleção – Ambientação –
treinamento e desenvolvimento – Plano de carreira e remuneração) que possa
contemplar as dificuldades e minimizar os problemas que tem em relação ao RH.