Luciana Genro

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Transcrição

Luciana Genro
PSOL
Especial Eleições
ilustração: Gilberto Maringoni
Edição
2ª - 2014
ELEIÇÕES
PSOL mais forte nas urnas e nas ruas
Bom resultado eleitoral de Luciana Genro, ampliação da representação parlamentar em nível federal e nos
estados e uma política acertada de independência no segundo turno trouxeram um saldo positivo para o
PSOL e para a luta pela construção de uma alternativa de esquerda para o Brasil.
Páginas 4 e 5.
Entrevista com
Bancada do PSOL maior para enfrentar
Congresso mais conservador
foto: Luiz Eduardo Sarmento
Numa disputa acirrada, com poucos recursos financeiros e
enfrentando as campanhas mais caras de
todos os tempos, Luciana Genro recebeu
1.612.186 votos. Em
entrevista ao Página
50, ela faz um balanço da participação do
PSOL nas eleições e
aponta os de­safios das
lideranças partidárias
e dos parlamentares.
Página 3
foto: Mídia Ninja_CC
Luciana Genro
Edmilson Rodrigues, do Pará, e Benevenuto Daciolo, do Rio de
Janeiro, reforçarão a atuação combativa já feita por Ivan Valente, Chico Alencar e Jean Wyllys. Desafios da nova bancada
serão maiores com o crescimento de parlamentares ligados
Páginas 6 e 7
ao conservadorismo.
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EDITORIAL
PSOL na luta por mais direitos
O ano de 2014 será lembrado como aquele que registrou a consolidação de uma alternativa de esquerda no Brasil. Na sua terceira eleição presidencial, o PSOL apresentou um programa de mudanças,
tendo por base o desejo de ampliação dos direitos sociais e mostrou que os grandes partidos representam a continuidade de uma
política econômica conservadora, voltada a atender os interesses
dos rentistas da dívida pública, postura que impede a garantia da
oferta de serviços públicos de qualidade ou pagamento da enorme
dívida social acumulada em nosso país.
A votação recebida pela candidatura de Luciana Genro e
Jorge Paz e o grande crescimento de nossa bancada federal e estadual são demonstrações do espaço conquistado pelo nosso partido.
O PSOL levantou as bandeiras esquecidas pela polarização
PT versus PSDB, enfrentou o avanço do conservadorismo e colocou
em debate propostas imprescindíveis para reverter a exclusão social, com destaque para a taxação das grandes fortunas, auditoria
da dívida e tarifa zero nos transportes públicos.
A legislação eleitoral que privilegia os grandes partidos e o
financiamento empresarial das campanhas agem como poderosos
impeditivos ao crescimento de alternativas de esquerda, mas nosso partido cumpriu sua tarefa de furar o bloqueio da grande mídia,
seja pela atuação decisiva de sua militância, seja pelo uso das redes
sociais.
A votação conseguida mostrou que o PSOL é o principal
pólo aglutinador do sentimento de mudanças no país, que a terceira via de Marina era uma falsificação e que é possível combinar atuação parlamentar de esquerda, presença militante nos movimentos
sociais e apresentação de um programa de mudanças que conquiste parcelas crescentes dos brasileiros.
A postura partidária no segundo turno das eleições presidenciais mostrou a maturidade e responsabilidade do PSOL. O veto ao retorno do neoliberalismo puro foi decisivo para o resultado do pleito.
Seguiremos sendo oposição programática e de esquerda
ao governo do PT/PMDB e cobraremos mudanças estruturais na
condução do nosso país. Continuaremos apoiando e participando
das mobilizações pela ampliação de direitos e combatendo as movimentações reacionárias, golpistas e fundamentalistas.
foto: Mídia Ninja_CC
Luiz Araújo - Presidente Nacional do PSOL
“O sujo e o mau lavado”
A Operação Lava Jato, da Polícia Federal, desmantelou um
esquema de desvio de verbas da Petrobras, por meio de
grandes empreiteiras, da ordem de R$ 10 bilhões. O fato escancarou a relação direta entre casos de corrupção e financiamento empresarial de campanhas, nessa situação, “mediada” por contratos de grandes obras públicas. Da lista das
campanhas eleitorais financiadas diretas ou indiretamente
por essas empresas, entre os partidos com representação
na Câmara dos Deputados, só se livra o PSOL, que proíbe
o recebimento de dinheiro de empreiteiras. Mesmo assim,
entre os envolvidos com elas (seja da oposição de direita ou
do governo), fica um acusando o outro, como “o sujo falando do mal lavado”.
Participação popular
A bancada do PSOL na Câmara apresentou, no final de outubro, o PL 8.048/2014, que institui a Política Nacional de
Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS). A proposta surgiu menos de 24 horas
depois de a Câmara anular o decreto presidencial que tratava do assunto. O PL 8.048 tem como base o decreto presidencial 8.242/2014, mas foram retirados os trechos que
determinavam a coordenação pela Secretaria Geral da Presidência da República e acrescentados outros, como o que
garante a paridade na organização de novos conselhos e o
que determina que as conferências nacionais sejam realizadas a cada dois anos.
Leandro Konder, presente!
A esquerda brasileira perdeu, no dia 12/11, um dos mais importantes pensadores marxistas do país. Leandro Konder,
nascido em 1936, exilou-se em 1972, após ser preso e torturado pelo regime militar, tendo regressado ao Brasil em
1978. Era professor do Departamento de Educação da PUC-RJ e do Departamento de História da UFF. Ex-militante do
PCB e do PT, Konder foi o fundador número 101 do PSOL.
Seu legado político e teórico seguirá conosco e com todos
que acreditam no socialismo.
Em busca da verdade no México
A Executiva Nacional do PSOL aprovou moção em solidariedade às famílias dos 43 estudantes de Guerrero, no México,
brutalmente assassinados a mando do Estado. No documento, o partido exige que os envolvidos sejam severamente punidos e também manifesta seu profundo repúdio à
violência institucionalizada e comandada conscientemente
pelos agentes públicos no México. “Este caso absurdo demonstra, primeiramente, o quanto a violência contra o povo
pobre e trabalhador é uma constante em diversas partes do
mundo, especialmente nas periferias”, avalia a moção.
CURTAS
EXPEDIENTE: Esta é uma publicação do Partido Socialismo e Liberdade - PSOL. Presidente: Luiz Araújo; 1º Secretário Geral: Fernando Silva
“Tostão”; 2º Secretário Geral: Leandro Recife; 1º Secretário de Finanças: Francisvaldo Mendes; 2º Secretária de Finanças: Luciete Silva; 1º Secretário
de Comunicação: Juliano Medeiros; 2ª Secretária de Comunicação: Maria José Maninha; 1ª Secretária de Formação: Marinor Brito; 2ª Secretária de
Formação: Celisa Melo; 1º Secretário de Movimentos Sociais: Rogério Silva; 2ª Secretária de Movimentos Sociais: Camila Valadão; 1º Secretário de
Organização: Edilson Silva; 2ª Secretária de Organização: Albanise Pires; 1ª Secretária de Relações Institucionais: Sílvia Santos; 2ª Secretária de
Relações Institucionais: Brice Bragato; 1º Secretário de Relações Internacionais: Pedro Fuentes; 2ª Secretária de Relações Internacionais: Mariana
Riscali; Membro Vogal: Djalma do Espírito Santo; Presidente da Fundação Lauro Campos: Luciana Genro.
Coordenação editorial: Juliano Medeiros; Jornalista responsável: Leonor Costa (MTB: 3709/DF)
Diagramação e concepção gráfica: Luiz Eduardo Sarmento; Colaboração: Kauê Scarim
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entrevista com
Luciana Genro
fotos: Luiz Eduardo Sarmento
Escolhida por unanimidade na Convenção Nacional, em junho deste ano, para representar o partido na disputa presidencial, a advogada, ex-deputada
federal e fundadora do PSOL, Luciana Genro, mostrou que o partido tem ganhado, cada vez mais, o apoio da juventude, de trabalhadores e dos movimentos sociais. Numa disputa bastante acirrada, com poucos recursos financeiros e enfrentando as campanhas mais caras de todos os tempos, Luciana
recebeu 1.612.186 votos, o que representa praticamente o dobro do desempenho do partido nas eleições de 2010. Com essa expressiva votação, o PSOL
sai fortalecido das urnas, conquistando o quarto lugar.
O Página 50 traz uma entrevista com Luciana Genro, onde ela faz um balanço positivo da participação do PSOL nas eleições, aponta os desafios das lideranças partidárias e afirma que, cada vez mais, o PSOL vem se consolidando como uma alternativa de esquerda coerente.
Luciana Genro: O PSOL cresceu
porque conseguiu canalizar uma
parcela importante da insatisfação popular que tomou as ruas
em junho de 2013. Apresentamos um programa ao mesmo
tempo radical e compreensível,
que dialogou com os problemas
concretos do povo e apresentou
propostas de enfrentamento com
os interesses dos bancos e dos
milionários. Dissemos claramente que para garantir os direitos
reivindicados em junho é preciso
enfrentar os interesses de uma
minoria que sempre se beneficiou das políticas implementadas
pelos governos. Abraçamos pautas dos direitos civis que são muito importantes, como os direitos
LGBTs. Assim como também ao
pautar o fim da guerra às drogas
e a descriminalização do aborto,
abrimos um canal de diálogo com
a juventude e com as mulheres. O
PSOL está se consolidando como
uma alternativa de esquerda coerente e a votação que tivemos é
uma demonstração clara disto.
Página 50: Como foi cumprir essa
tarefa nas eleições seguintes às
manifestações que ocorreram em
junho de 2013?
Luciana Genro: Para mim foi um
grande desafio suceder o saudoso Plínio de Arruda Sampaio. Ju-
nho foi um levante juvenil, mas
surpreendeu pela força e pelo
entusiasmo que despertou num
setor de massas, que pela primeira vez depois de muitos anos percebeu que podia atuar e mudar o
curso das coisas. Não é novidade
que os partidos diretamente burgueses, como o PSDB e o PMDB,
e reformistas operário-burgueses,
como já é o próprio PT, tenham
recebido o voto da maioria. O
novo, porém, é que tivemos o
levante de junho, cujas marcas
existiram também no processo
eleitoral. Para mim foi uma grande honra ter representado o PSOL
neste momento histórico e acho
que consegui corresponder às expectativas.
Página 50: O que foi mais marcante no contato com as pessoas?
”
Página 50: O PSOL teve nessa
eleição de 2014 quase o dobro
de votos que obteve nas eleições
de 2010. Como você avalia esse
crescimento no desempenho do
partido?
tro episódio marcante foi o fato
de eu ter sido a única candidata
mencionada no documento político eleitoral do MTST. Este é hoje
um dos movimentos sociais mais
importantes do cenário político,
pela sua força e independência, e
conseguimos estabelecer uma relação importante com eles. Também fiquei muito emocionada
com o apoio de muitos intelectuais do Brasil e do exterior.
Página 50: Como será a atuação
do PSOL frente ao quarto mandato do PT no Palácio do Planalto?
”
Luciana Genro: Será a oposição
de esquerda, a oposição coerente. As primeiras movimentações
da formação do novo governo e
o aumento da taxa de juros mos-
O PSOL está se consolidando
como uma alternativa de
esquerda coerente
Luciana Genro: O que mais me
marcou foram as manifestações
espontâneas de apoio e carinho.
Na Unicamp, por exemplo, tivemos um evento com 3 mil jovens
entusiasmadíssimos. E também
em várias outras universidades,
muita gente. Muitos LGBTs que diziam: “obrigada pelo que tu estás
fazendo por nós”. Eu sempre dizia:
“eu é que agradeço!”. Também me
marcou muito o apoio de artistas
como Gregório Duvivier, Marina
Lima, Marcos Breda e Valesca Popozuda, apoios que mostram que
conseguimos fazer o PSOL chegar num setor mais amplo. Ou-
tram que Dilma vai fazer coisas
que ela dizia que só Aécio faria. A
diferença entre o PT e o PSDB é o
grau de ajuste. Por isso, não tenho
dúvida que virão ataques e que
os salários serão arrochados. Vamos para o enfrentamento tanto
com a direita, como com o governo, que vai tentar aplicar os planos do capital. Além disso, temos
o tema da reforma política, que
soa como algo positivo, mas pode
carregar uma grande ameaça ao
PSOL. A tentativa de impor uma
cláusula de barreira que tire da
TV os partidos pequenos foi derrotada uma vez, mas não saiu da
pauta. Temos que combater com
força qualquer tentativa de estreitar os espaços democráticos, que
já são bastante reduzidos.
Página 50: Qual recado você
quer dar à militância do PSOL em
relação à campanha que se encerrou e aos desafios futuros para a
esquerda socialista?
Luciana Genro: Jean Paul Sartre
(escritor e filósofo francês) escreveu que a reinvenção do homem
não pode ser realizada no escuro,
mas sim pela construção guiada
por princípios. E que a emancipação humana somente pode ser
realizada arrebentando todos os
grilhões. Acredito que, guiados
por esta ideia, podemos fortalecer e unir a esquerda socialista.
Todos os dias somos bombardeados pela ideia de que é impossível
construir outro tipo de sociabilidade humana que não esta, que
transforma tudo em mercadoria,
inclusive as pessoas. Socialismo é
o nome de uma ideia de emancipação da humanidade. Entretanto, nenhuma ideia é redutível ao
seu nome. Nas jornadas de junho,
a partir da negação do atual estado de coisas, (re)viveu e se fortaleceu a ideia da emancipação, a
ideia de que a humanidade é capaz de derreter seus grilhões e de
que uma nova “verdade histórica”
é possível. Não é fácil, mas vamos
seguir esta luta. Mesmo que alguns queiram congelar a realidade nas suas “verdades” eternas, o
porvir não cessa, o mundo está
sempre em movimento
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ELEIÇÕES
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PSOL mais forte
para lutar por um outro país
Bom resultado eleitoral de Luciana Genro, ampliação da representação parlamentar em nível federal e nos
estados e uma política acertada de independência no segundo turno trouxeram um saldo positivo para o
PSOL e para a luta pela construção de uma alternativa de poder popular
foto: campanha Tarcísio Motta
Reunidos no dia 10 de novembro, em Brasília, os integrantes
da Executiva Nacional do PSOL fizeram um amplo debate
sobre a participação do partido nas eleições de outubro,
com base nos resultados das urnas e também nos três meses de campanha. No encontro, conduzido pelo presidente
nacional do partido, Luiz Araújo, que também contou com
as presenças da ex-candidata à Presidência da República e
presidenta da Fundação Lauro Campos, Luciana Genro; do
ex-candidato a vice presidente, Jorge Paz; e do deputado federal reeleito em 5 de outubro, Chico Alencar, foi aprovada,
sem nenhum voto contrário, a resolução com o posicionamento do partido a respeito do processo.
Os membros da Executiva consideraram que o partido, por
meio do trabalho de convencimento de seus candidatos e
da militância, conseguiu apresentar propostas concretas
que de fato garantem melhores condições de vida e mais direitos para a população, se diferenciando substancialmente
das demais candidaturas. Além de reafirmar que o PSOL sai
mais forte desse pleito de 2014, considerando o aumento
de sua bancada de deputados federais e estaduais e a aproximação com importantes setores dos movimentos sociais,
a Executiva também indicou como será a atuação do partido diante do próximo mandato da presidenta Dilma e
do Congresso Nacional. “Continuaremos como
oposição de esquerda programática ao
governo. As medidas que forem
de arrocho e de retirada
de direitos sofrerão as
duras críticas do partido.
Assim como no Parlamento,
pautaremos as propostas que
garantirão mais direitos para
a população e continuaremos
o enfrentamento firme contra o
conservadorismo”, avaliou Luiz
Araújo.
Na disputa para a Presidência
da República, Luciana Genro teve ótimo desempenho, ficando em
quarto lugar, com uma votação superior à de Plínio de Arruda
Sampaio, na eleição de 2010. Luciana obteve 1.612.186 votos, enquanto Plínio recebera 886 mil votos, 0,87% do total. A
presidenciável do PSOL ficou bem à frente de Pastor Eymael,
Eduardo Jorge e Levy Fidélix, com quem teve fortes embates
nos últimos dois debates televisivos devido às defesas ultraconservadoras do candidato do PRTB, rebatidas com firmeza
pela presidenciável.
Balanço
Na reunião, Luciana também fez um balanço positivo do
processo, reafirmando que o PSOL conseguiu se consolidar como a verdadeira alternativa de esquerda. “Falamos da
dívida pública, defendemos a auditoria e a suspensão do
pagamento, mostramos a injustiça do sistema tributário e
o quanto a ‘bolsa banqueiro’ prejudica os investimentos públicos. Dissemos claramente que para garantir os direitos
reivindicados em junho é preciso enfrentar os interesses de
uma minoria que sempre se beneficiou das políticas implementadas pelos governos”.
Luciana avalia que o bom desempenho nas urnas coloca
o partido em condições mais favoráveis para enfrentar os
desafios do próximo período. “Eu penso que os mais de
1,6 milhão de votos que o PSOL teve no primeiro turno expressaram o desejo de mudança consciente por
uma parcela considerável da população. É preciso
entender que o crescimento do PSDB se deu pelo
abandono das bandeiras por um
setor da esquerda. Por isso, não
abrimos mão de ser oposição
e construir uma esquerda coerente”. A fundadora do PSOL reforça a necessidade
da militância e das lideranças do partido atuarem, cada vez mais,
em conjunto com os
5
foto: Kauê Scarin
foto: divulgação PSOL
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Professor e dirigente da APEOESP Jorge Paz avalia que
o PSOL conseguiu se diferenciar das outras candidaturas, pautando questões que nenhum outro candidato
teve coragem de enfrentar
“Nossas lutas não são decididas nas urnas, mas sim nas
ruas. É lá que estaremos sempre!”, considera Luciana
Genro ex-deputada federal e fundadora do Partido
Socialismo e Liberdade
movimentos sociais, com a juventude e com os trabalhadores. “Não é somente do resultado das urnas que sairá a nova
correlação de forças no Brasil. Ela será decidida nas lutas que
virão, e é para elas que o PSOL deve estar preparado. Nossa
tarefa é organizar a indignação que explodiu nas ruas em
junho de 2013 e que mesmo estando agora em estado de
latência não vai deixar de se expressar nos próximos anos.
Para isso, nosso partido deve estar junto com os movimentos sociais que defendam as bandeiras do povo. Nossas lutas não são decididas nas urnas, mas sim nas ruas. É lá que
estaremos sempre!”.
direitos e que visem barrar quaisquer ajustes contra o povo
e a classe trabalhadora. De acordo com o documento, o partido se coloca a denunciar as medidas regressivas, “como
forma inclusive de dialogar com a desilusão que deve tomar os setores que apoiaram Dilma no segundo turno como
veto a Aécio”.
Conforme avalia Jorge Paz, que participou como candidato
a vice-presidente na chapa do PSOL, o processo eleitoral foi
um momento bastante importante para o partido, considerando que essas eleições foram marcadas por várias dificuldades e particularidades. Segundo ele, o PSOL conseguiu
se diferenciar das outras candidaturas, ao pautar questões
que nenhum outro partido teve coragem de enfrentar. “Nós
conseguimos capitalizar e expressar, na nossa campanha,
parte dos movimentos que aconteceram em junho de 2013.
Acredito que o resultado eleitoral foi bastante importante,
porque tivemos uma votação numérica significativa, que
praticamente dobrou em relação à eleição passada. E o
mais importante é que o nosso programa polarizou, dentro
da sociedade brasileira, com temas fundamentais, como a
questão da auditoria da dívida, a taxação das grandes fortunas e com a pauta dos direitos sociais, que os outros candidatos não tiveram coragem de apresentar para a sociedade”, afirmou Paz.
Perspectivas para o futuro
A resolução aprovada pela Executiva Nacional aponta uma
série de desafios e tarefas que o PSOL deve enfrentar no
próximo período, entre elas estar em todas as lutas por mais
Entre os desafios colocados, a resolução destaca, por exemplo, a denúncia, de forma didática, do compromisso do governo com o pagamento dos juros da dívida; a participação
de sua militância nos espaços de enfrentamento pela reforma política e pela democratização dos meios de comunicação. “O PSOL participará de forma ativa das lutas que se
aproximam, desde a sua organização e formulação, convocando sua militância, pela reforma política e pela democratização dos meios de comunicação, também pelos direitos
LGBTT e pela desmilitarização da PM, pela demarcação das
terras indígenas e contra o avanço das terceirizações; lutando pelo aumento do salário mínimo, a revisão da Lei de
Anistia e a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas, colaborando nas articulações de movimentos e partidos por reformas estruturais, exigindo do governo avanços
no cumprimento dessa pauta e combatendo o conservadorismo em parceria com os movimentos sociais”.
Na resolução, o PSOL conclui que com o bom resultado eleitoral de Luciana Genro, com a ampliação da representação
parlamentar em nível federal e nos estados, com uma política acertada de independência no segundo turno, “as eleições de 2014 trazem um saldo positivo para o PSOL e para
a luta pela construção de uma alternativa de poder popular,
em aliança com outros atores sociais e políticos, para a construção do socialismo no Brasil”.
Leia a resolução completa sobre o balanço das eleições
na página: www.psol50.org.br.
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Com bancada maior,
PSOL fica mais forte
para atuar por mais direitos e
em defesa de um país mais justo
Ivan Valente, Chico Alencar e Jean Wyllys terão atuação reforçada com a eleição de Edmilson Rodrigues, do Pará, e Cabo Daciolo, do Rio de Janeiro.
Crescimento de parlamentares historicamente ligados ao conservadorismo aumenta desafio da nova bancada do PSOL
da bala, fundamentalista, empresarial, da bola e dos donos dos
meios de comunicação, para que
não haja retrocessos contra os interesses da população oprimida.
Bancada estadual mais
do que dobra
foto: liderança do PSOL na Câmara
Com dez anos de fundação, completados este ano, sem dúvida o
PSOL protagonizou neste ano de
2014 o seu melhor desempenho
nas urnas. Foram vários os motivos que fizeram com o que partido e toda a sua militância saíssem mais fortes nas eleições de
5 de outubro. Tanto no âmbito
nacional, quanto nos Estados, o
partido cresceu, apesar das poucas condições financeiras e das
pequenas estruturas de campanha das candidaturas. Ao longo
dos três meses de campanha,
se destacou como a verdadeira
alternativa de esquerda, apresentando propostas necessárias,
que diferenciaram o seu projeto com o dos demais partidos e
coligações, que ao fim e ao cabo
poucas diferenças apresentavam. Como dizia Luciana Genro
em suas entrevistas, a diferença
entre as três primeiras candidaturas à Presidência da República
era apenas o grau dos ajustes
que cada um faria contra o povo,
o que também se refletiu nas
disputas estaduais. Em todos os
espaços, o PSOL trouxe à tona temas que ninguém ousou enfrentar, sendo coerente com a sua
história e com as suas diretrizes
programáticas para o país.
Além da expressiva receptividade de Luciana Genro,
nas urnas e nas ruas durante a
campanha, o PSOL também saiu
vitorioso na eleição de deputados federais e de deputados estaduais. O partido aumentou a
sua bancada na Câmara Federal
de três para cinco deputados. A
partir de fevereiro de 2015, Ivan
Valente, Chico Alencar e Jean
Wyllys – todos reeleitos com
Todos os deputados do PSOL foram indicados, mais uma vez,
entre os melhores da Câmara pelo Prêmio Congresso em Foco.
Uma bancada que agora cresce e que faz a diferença.
votação expressiva em seus estados – contarão com o reforço
de Edmilson Rodrigues, do Pará,
e de Cabo Daciolo, do Rio de Janeiro. Essa bancada, que foi considerada a melhor da Câmara por
dois anos consecutivos pelo Congresso Em Foco, continuará não
medindo esforços para combater
o avanço do conservadorismo e
enfrentar os representantes do
agronegócio, das grandes empresas e dos barões da mídia.
Vale ressaltar, no entanto, que o PSOL saiu fortalecido,
mas é certo que os setores historicamente ligados ao poder
econômico também tiverem um
crescimento bastante expressivo e ameaçador, o que aumenta ainda mais o desafio da nova
bancada do PSOL. Os ruralistas,
por exemplo, aumentarão em
33% na próxima legislatura. Atualmente são 205 deputados e
senadores e a partir do ano que
vem esse número deverá chegar
a 273. E entre as prioridades do
setor é aprovar a Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) nº
215/2000, que transfere para o
Legislativo a decisão sobre a demarcação de terras indígenas.
Os dados levantados
apontam que os desafios dos
cinco deputados do PSOL eleitos
serão ainda maiores a partir do
ano que vem. Ivan Valente (SP),
Chico Alencar (RJ), Jean Wyllys
(RJ), Edmilson Rodrigues (PA) e
Cabo Daciolo (RJ) defenderão,
com firmeza, as bandeiras históricas do PSOL por mais direitos
e enfrentarão os representantes
dos setores ligados ao atraso,
incluindo as bancadas ruralista,
Outro desempenho bastante
expressivo e que reflete o crescimento do PSOL nessa eleição foi
nas bancadas estaduais. Agora o
partido contará com 12 bravos
representantes em assembleias
legislativas. Foram reeleitos Marcelo Freixo, sendo o mais votado
no Rio de Janeiro, com 350.408
votos; Carlos Giannazi, em São
Paulo, com 164.929; e Paulo Ramos, também do Rio de Janeiro,
com 18.732 votos. Os novos deputados estaduais são: Eliomar
Coelho (14.144 votos), Flávio
Serafini (16.117 votos) e Dr. Julianelli (11.805 votos), do Rio de
Janeiro; Edilson Silva (30.435
votos), de Pernambuco; Renato
Roseno (59.887 votos), do Ceará;
Raul Marcelo (47.923 votos), de
São Paulo; Pedro Ruas (36.230
votos), do Rio Grande do Sul; Fabrício Furlan (4.294 votos) e Prof.
Paulo Lemos (4.105 votos), ambos do Amapá.
Em todas as campanhas,
o PSOL buscou encarnar o desejo de mudança dos milhões de
brasileiros que saíram às ruas em
junho de 2013. Certamente, os
milhares de eleitores que depositaram a sua confiança votando
em seus candidatos ao Congresso Nacional e às assembleias legislativas poderão seguir contando com o PSOL nas batalhas que
virão.
grafismo: reprodução de painel de azulejos de Athos Bulcão do Salão Verde da Câmara dos Deputados
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PSOL nos estados
BANCADA QUE CRESCE
Renato Roseno
Edilson Silva
Deputado Estadual
Ceará
Deputado Estadual
Pernambuco
Fabrício Furlan Prof. Paulo Lemos
Deputado Estadual
Amapá
Deputado Estadual
Amapá
Dr. Julianelli
Carlos Giannazi
fotos: divulgação
Deputado Estadual
São Paulo
Deputado Estadual
Rio de Janeiro
Raul Marcelo
Eliomar Coelho
Deputado Estadual
Rio de Janeiro
Deputado Estadual
São Paulo
Pedro Ruas
Deputado Estadual
Rio Grande do Sul
Marcelo Freixo
Flávio Serafini
Deputado Estadual
mais votado do Rio de Janeiro
Deputado Estadual
Rio de Janeiro
Paulo Ramos
Deputado Estadual
Rio de Janeiro
foto: divulgação
PSOL no Congresso
Eleição de
Edmilson Rodrigues
reforçará atuação de esquerda do PSOL
O arquiteto e urbanista Edmilson Rodrigues, eleito deputado federal pelo
estado do Pará
Leia no site do PSOL entrevista completa
com o deputado Edmilson Rodrigues.
A bancada de deputados combativos do PSOL na Câmara Federal ganhará um importante reforço a partir
de fevereiro de 2015, com a eleição de Edmilson Rodrigues como deputado federal pelo Pará. Com mais
de 170 mil votos, o atual deputado estadual ficou entre os mais votados do Pará no pleito do dia 5 de
outubro.
O novo integrante da bancada do PSOL foi prefeito de Belém nos períodos de 1997 a 2000 e de
2001 a 2004, quando ainda era militante do PT. Exerceu dois mandatos de deputado estadual, de 1987 a
1990 e de 1991 a 1994. Em 2005, filiou-se ao PSOL e em 2010 foi eleito o deputado mais votado da história
do Pará.
“É uma grande contradição, nós, que lutamos contra a ditadura, vermos, hoje, o crescimento da
representação dos setores mais atrasados e perversos da sociedade, do latifúndio, do agronegócio, das
grandes corporações estrangeiras e daqueles que evocam a violência e o preconceito contra negros, indígenas e LGBTs”, avalia Edmilson, sobre o crescimento da bancada conservadora.
Banc
Liderança da greve dos bombeiros
contra governo Cabral
O terceiro deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro é Benevenuto Daciolo, de 38 anos, conhecido
como Cabo Daciolo, por ser integrante do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio. Eleito com 49.831 votos,
o novo deputado do PSOL foi uma das principais lideranças da greve dos bombeiros, que enfrentou o
governador Sérgio Cabral em 2011.
O enfrentamento que protagonizou no movimento paredista rendeu a ele 17 dias na prisão, em
fevereiro de 2012. Após ser eleito, Daciolo disse que sua prioridade na Câmara será a defesa da valorização dos trabalhadores da segurança pública e dos servidores públicos. Também garante que vai lutar
contra a criminalização dos movimentos sociais.
foto: divulgação
Benevenuto Daciolo
Benevenuto Daciolo, bombeiro, eleito
deputado federal pelo Rio de Janeiro
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REFORMA POLÍTICA
Por mais democracia e partipação popular
PSOL na luta em defesa de uma reforma política democrática
Um dos temas mais presentes
nos debates políticos desde junho de 2013, quando ocorreram
protestos em todo o país com a
participação de milhões de pessoas, é a reforma do sistema político. Com as eleições de outubro
deste ano, esse assunto se tornou
ainda mais central nas reivindicações dos diversos setores que
compõem o espectro político
brasileiro. Movimentos sociais,
partidos políticos, parlamentares
e os próprios candidatos expressaram a defesa para que hajam
mudanças na forma de conduzir
o conjunto de regras que envolvem a criação e a manutenção
dos partidos, critérios para representação no Congresso Nacional,
propaganda e distribuição do
tempo de TV, repasse do fundo
partidário e o processo eleitoral
em si. No entanto, o conteúdo
do que é defendido nem sempre
atende às demandas das organizações e dos partidos que brigam por um sistema que permita
mais democracia e participação
popular. As divergências ficaram
ainda mais fortes nos três meses que antecederam às eleições
de outubro, quando os diversos
discursos apresentados nas campanhas eleitorais disputavam a
condução dos rumos do país.
Atenta ao tema cada vez
mais presente nos espaços de discussão e com o compromisso de
intervir neste processo, a Executiva Nacional do PSOL aprovou uma
resolução que defende mais democracia e participação popular
em todo o processo do que virá a
ser a reforma política. E o conteúdo do documento deixa claro que
o partido vai se engajar para que
a reforma represente mudanças
concretas no sistema político brasileiro e também ressalta as fortes
divergências com os setores que
defendem a manutenção dos in-
privado de campanhas, entre outras formas de aprofundar o atual
sistema”, afirma a resolução.
Construir um processo
mais democrático significa, para
o partido, defender um sistema
político com “menos acordos nos
palácios e mais debates abertos
nas praças”. Entre os eixos defendidos na plataforma do PSOL, se
destacam: financiamento exclusivamente público de campanhas,
fim das coligações proporcionais,
aumento de instrumentos de
participação, como plebiscitos e
Partido também vai atuar para que STF conclua, de imediato, a votação da Ação Direta
de Inconstitucionalidade 4650, da OAB, sobre
o financiamento de campanhas eleitorais
teresses econômicos. “Enquanto
a profunda insatisfação com o
atual modo de se fazer política no
Brasil é expressa nas ruas, os que
hoje se beneficiam do sistema fazem suas mudanças na superfície
e apenas eleitorais. Além disso,
parte substancial dos partidos
presentes no Congresso, seja da
base do governo ou da oposição
conservadora, disputa a pauta da
reforma política: propõem cláusula de barreira, voto distrital e a
manutenção do financiamento
referendos, e combate a qualquer
medida regressiva, como a cláusula de exclusão aos partidos menores.
O presidente nacional
do PSOL, Luiz Araújo, enfatiza
que o partido vai se somar, nos
próximos meses, às iniciativas
que têm como objetivo central
construir propostas de mudanças efetivas no sistema político
e que levem em consideração
as demandas apresentadas pelo
conjunto dos movimentos so-
ciais. “O PSOL já tem a sua plataforma com os eixos que defendemos para a reforma política.
Vamos nos engajar nas lutas que
visem mudanças para um sistema que fortaleça a democracia
direta e que diminua a incidência
do poder econômico”. Segundo
Luiz, outra atuação importante que o PSOL terá no próximo
período é para que o Supremo
Tribunal Federal (STF) “desengavete” a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4650, da OAB, sobre
o financiamento empresarial de
campanhas eleitorais, que já tem
maioria de votos no plenário. Por
um pedido de vista do ministro
Gilmar Mendes, a Adin está com
a sua tramitação paralisada desde abril deste ano.
“Reconhecendo o papel
da reforma política para a construção de um Brasil soberano e
com justiça social, bem como a
força das lutas recentes em torno do tema, a Executiva Nacional
do PSOL convoca a militância do
partido a construir plataformas
de luta pela reforma política com
demais setores progressistas e
de esquerda da sociedade, buscando o fortalecimento e lutando por vitórias concretas”, finaliza
a resolução, que pode ser lida na
íntegra na página do PSOL:
www.psol50.org.br.

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