e o santo graal - egregora grupal

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e o santo graal - egregora grupal
WAGNER
E O SANTO GRAAL
Edna May Crowley, F.R.C.
Compilado de: O Rosacruz mar/abr 1989
Após 40 anos de trabalho prodigioso, e às vezes sofrendo tempestuosa
oposição, Richard Wagner foi reconhecido pelo mundo musical como o maior
criador dentro da história da arte musical. Mas é o mundo místico que enxerga
em Parsifal, sua última ópera, a revelação do Cálice Sagrado.
Para compreender Parsifal, precisamos primeiro abordar as óperas dos
anéis. Em maioria, os historiadores acentuam que Wagner extraiu os enredos
das óperas dos anéis do épico germânico “Nibelungenlied” (O anel dos
Nibelungos). Mas a penetrante visão de Corrine Heline, em seu livro Música
Esotérica de Richard Wagner, revela que as óperas dos anéis representam
Água, Ar, Fogo e Terra. “Das Rheingold” (O ouro do Reno), representa a Senda
da Água; “Die Walküre” (A Valquíria), a Senda do Ar ; “Siegfried”, A Senda da
Terra e “Die Götterdämmerung” (O Crepúsculo dos Deuses), a Senda do Fogo.
Por isso, tem-se a certeza de que Wagner teve acesso a ensinamentos
místicos.
INICIAÇÃO À LUZ
As óperas dos anéis supostamente formam um imenso caleidoscópio do
desenvolvimento passado, presente e futuro da espécie humana.
Götterdämmerung representa as trevas da materialidade e revela a senda
da iniciação do amor, que levará a humanidade de volta à luz do espírito.
Se encararmos as óperas de Wagner como graus de desenvolvimento
espiritual, sua ordem seria esta: Tannhäuser, Lohengrin, Tristão e Isolda e
Parsifal. À medida que as óperas eram criadas, cada qual trazia consigo maior
promessa da possibilidade do épico final - a majestosa e incomparável Parsifal,
sobre a qual se afirmou: “Pela música excelsa de Parsifal, o homem pode
construir uma ponte de ouro sonora, por meio da qual pode comungar com as
hostes angélicas e arcangélicas”. *
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O mundo musical registra que Lohengrin e Parsifal foram baseadas nas
lendas medievais do Santo Graal. Afirma-se que Wagner obteve o texto dessas
óperas na obra do poeta épico e minnesinger (poeta-cantor) alemão Wolfram
von Eschenbach (1170-1220)
O primeiro autor que se sabe ter dado tratamento literário à lenda do Rei
Artur foi Chrestien de Troyes, da França (fins do século XII). Mas a primeira
referência conhecida data do ano 600 d.C.
Essas lendas originaram-se das tradicionais estórias de heróis, irlandesas
e galesas. Antes do ano 1000, surgiram entre os bretões, que as difundiram no
Oeste da Europa, parcialmente através dos minnesingers. Os minnesingers da
Alemanha, correspondentes aos Trobadors (trovadores) do Sul da França,
floresceram no século doze e treze. Os maiores foram Walter von de
Vogelweide e Wolfram von Eschenbach. Mais tarde, os meistersingers
sucederam os minnesingers.
O REI ARTUR
Afirma-se que o Rei Artur pode ser colocado aproximadamente entre 495 e
537 d.C.. O mundo místico porém, tem motivos para crer que o conhecimento
do Cálice Sagrado (O Graal) data de séculos antes do Rei Artur e séculos antes
de Cristo.
Por ordem do Imperador Napoleão III, a ópera de Wagner , Tannhäuser foi
encenada no teatro de ópera de Paris em março de 1861. Foi vaiada e forçada
a sair do palco pelos membros do Jockei Club, que condenaram a produção de
uma ópera que não continha o costumeiro balé no meio do segundo ato.
Wagner recusou-se a inseri-lo para não quebrar a continuidade da ópera.
Nessa época Wagner estava em penosas dificuldades financeiras,
dependendo da caridade de alguns amigos, principalmente de Liszt. A partir de
1850 sua lista de obras literárias aumentou rápida e intensamente, incluindo
todos os poemas de todas as suas óperas posteriores, com exceção de
Parsifal.
Em 1864, Luiz II da Bavária ofereceu-lhe o cargo de Diretor Real em
Munique, dando-lhe ainda um amplo apoio a seus projetos teatrais. O teatro de
ópera de Bayreuth, construído somente para a produção das óperas de
Wagner, foi completado em 1876, e a tetralogia dos anéis, que Wagner chamou
de Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos), foi apresentada nesse
ano.
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PARSIFAL
Parsifal, a última ópera de Wagner, foi encenada em 26 de julho de 1882.
Causou forte impressão, e dessa época em diante os festivais de Bayreuth,
realizados em intervalos irregulares, tornaram-se local de inúmeras
peregrinações musicais.
Após o falecimento de Wagner, em 1883, sua segunda mulher, Cosima,
que era filha de Franz Liszt, levou adiante o empreendimento de Bayreuth.
No teatro de ópera de Bayreuth, a orquestra ficava oculta da platéia por um
enorme peitoril que se inclinava na direção do palco. E o que era mais
surpreendente, ninguém podia aplaudir. Wagner desejava que a platéia
passasse pelas mesmas experiências sublimes que estavam sendo encenadas.
Não obstante, seus nobres temas eram uma afronta para uma sociedade
materialista e sensual. Que eles ficassem furiosos e ofendidos, que proibissem
de serem apresentadas suas obras e que se revoltassem quando encenadas...
Wagner não capitulava.
Ele sobreviveu aos anos difíceis e enfrentou o doloroso fato de seu grande
talento não ser reconhecido. Chamavam-no de teimoso, mau-humorado,
egoísta, abusivo em suas exigências, um monstro e um idiota. Mas Wagner não
capitulava!
Ele estava certo, e sabia disso! E por fim triunfou !
As honras que lhe foram concedidas superaram em muito as desfrutadas
por qualquer outro compositor. O tempo provou que suas obras não só
revolucionaram a trajetória da ópera, mas reverberaram em todo o campo da
arte musical. Assim, a obra de arte do futuro que fora tão duramente atacada,
acabou tornando-se vitoriosa. Ao criador dessa obra é bem apropriado
aplicarmos as palavras de Shakespeare: “Ele de fato, vence o pequeno mundo
como um gigante”.
O DESABROCHAR DA ESPIRITUALIDDE
Analisemos o drama das duas óperas mais reveladoras, Lohengrin e
Parsifal.
A Princesa Elsa, heroína de Lohengrin, exemplifica a personalidade-alma
evoluída o bastante para desposar o Ser Divino (a Grande Luz) exemplificado
por Lohengrin, o cavaleiro do Santo Graal.
O fato de Elsa sonhar com um cavaleiro em reluzente armadura indica que
ela está pronta para ascender a um grau maior de evolução. Lohengrin surge
num bote puxado por um cisne. Feitos os planos de casamento, Lohengrin
pede que Elsa tenha fé - que não lhe pergunte o nome e nem de onde ele vem.
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Elsa concorda. Tudo parece bem, e os preparativos para o casamento são
feitos. Mas a dúvida vence a fé. Elsa faz as fatais perguntas e perde assim, seu
lugar na Grande Luz.
Enquanto ainda soam os acordes da marcha nupcial, Lohengrin tristemente
anuncia aos presentes que o casamento não mais ocorrerá. Canta então uma
das declarações mais dramáticas de todas as óperas – a narrativa de Lohengrin
Em Terras Distantes. Fala sobre Monsalvat e sobre os cavaleiros que aí
guardam o Santo Graal. Revela que seu pai é Parsifal, que reina sobre tudo, e
que ele é Lohengrin.
Lohengrin então parte num bote, agora puxado por uma pomba branca.
Afirma-se que a ópera Parsifal está mais próxima da “Música das Esferas”
que qualquer outra obra composta por mão mortal. Wagner sentia que essa
obra estava além de sua época e pediu que ela fosse apresentada em
Bayreuth, só cinquenta anos após sua morte. Ele a chamava de Peça de
Festival Sacro. Apesar da resoluta oposição da Sra Wagner, a ópera Parsifal foi
apresentada no Metropolitan Opera House de Nova Iorque em 1903. Os direitos
autorais expiraram em 1913, e seguiram-se produções em Berlim, Paris, Roma,
Bolonha, Madri e Barcelona.
A estória de Parsifal leva à verdadeira realidade do “centro divino”. Só
Wagner deu a essa revelação mística, tratamento dramático tão reverente e
significação tão sublime.
Os seguintes eventos, que ocorreram antes de abertura dessa ópera,
ajudam a esclarecê-la melhor.
O GRAAL
O Graal é o cálice onde Cristo bebeu na Última Ceia, com seus discípulos.
Esse cálice sagrado, junto com a lança sagrada corria o risco de cair em mãos
infiéis.
Mensageiros devotos confiaram o cálice e a lança a um cavaleiro de
imaculada moral chamada Titurel, que construiu um esplêndido santuário
chamado Monsalvat (O Monte da Salvação) numa inacessível rocha dos
Pirineus, e reuniu uma companhia de cavaleiros de irrepreensível honradez.
Esses cavaleiros devotaram-se a preservar o Graal. Uma vez por ano uma
pomba descia do Céu para renovar o poder sagrado do Graal e de seus
guardiões.
Titurel , chefe dos cavaleiros, percebendo a chegada da velhice, nomeia
seu filho Amfortas, seu sucessor.
O cavaleiro Klingsor que vive perto do castelo de Monsalvat, deseja reparar
seus erros à medida que a velhice se aproxima. Tenta juntar-se à Ordem do
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Graal, mas é rejeitado. Como vingança, consulta um espírito maligno, Kundry, e
planeja arruinar os cavaleiros. Invoca o auxílio de um grupo de sirenas,
chamadas meninas-flores, metade mulher e metade flor, que vivia num jardim
mágico.
Descobrindo que muitos dos cavaleiros tinham perdido a dignidade por
causa do fascínio das moças-flores, Amfortas decide fazer uma investigação.
Leva consigo a lança sagrada, confiando em que esta o protegeria da magia
das sirenas. Mas ai..! – não só ele é subjugado pelo feitiço de Kundry, como
Klingsor toma-lhe a lança e nele produz um ferimento incurável.
Com profunda infelicidade, Amfortas retorna ao Castelo de Monsalvat,
sofrendo eterno remorso e perpétua agonia pelo ferimento. Entretanto, como
sacerdote-mor, é forçado a celebrar os Ritos Sagrados, sentido-se o tempo
todo indigno.
Em vão busca desesperadamente um remédio para a ferida e perdão pelo
seu pecado. Por fim numa visão, uma voz proclama que só um “tolo ingênuo”
(alguém que ignore o pecado e resista à tentação), poderá lhe trazer alívio, e
que mensageiros celestiais guiarão essa pessoa a Monsalvat. Inicia-se então a
ação da ópera Parsifal.
PARSIFAL CHEGA
Ferindo um cisne, sem saber que este estava sob a proteção do rei,
Parsifal é arrastado por dois cavaleiros ante Gurnemanz (um veterano cavaleiro
do Graal), que o repreende. Essa ação ocorre perto do Castelo de Monsalvat.
Os cavaleiros percebem que Parsifal pouco sabe sobre si mesmo.
Conhecera um cavaleiro chamado Sir Lancelot, na floresta perto de casa.
Contrariando os desejos da mãe, seguira-o até ali. Lembrava-se de que a mãe
chamava-se Herzelied (Tristeza do Coração).
Kundry, que entra em cena com um novo medicamento para a ferida de
Amfortas, dá mais informações. O pai do jovem era Gamuret. Após a morte do
pai em batalha, a mãe afastou o filho do convívio dos homens, para que não
tivesse a mesma sina do pai. A mãe já faleceu, e Parsifal é um andarilho.
Kundry (Kundralina) é um estranho ser, que parece ter duas naturezas: Ela
aparece alternadamente como serva devota do Graal e, sob a influência mágica
de Klingsor, como uma mulher de terrível beleza, que por fascínio leva à ruína
todos os cavaleiros que caem sob seu poder. Essa maldição é uma punição por
um crime que cometera numa existência prévia quando, Herodíade, zomba de
Cristo na cruz. Quem a encontre adormecida pode chamá-la a seu serviço; sob
o feitiço de Klingsor, ela é bela; no castelo dos cavaleiros, ela é como um feio
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animal. Alguns dos cavaleiros protestam contra sua presença, mas Gurnemanz
a defende.
Ocorre a Gurnemanz que Parsifal pode ser o tolo ingênuo enviado para
curar a ferida de Amfortas, enquanto o conduz ao grande aposento em que o
Graal será desvelado no rito anual. Parsifal é tocado pela beleza e
deslumbramento do lugar e diz: “Quase eu não ando, mas estranhamente
pareço correr”.
Gurnemanz responde: “Meu filho, percebes que aqui tempo e espaço são
unos e tudo é Deus”.
Parsifal presencia a retirada do véu, do Cálice. O esplendor flamejante do
Graal enche o aposento, e enquanto os cavaleiros e damas ajoelham-se em
êxtase, Parsifal contempla o Cálice como se não emocionado pela cena. Mais
tarde, interrogado por Gurnemanz, está tão deslumbrado, que não consegue
falar. Enraivecido Gurnemanz empurra-o para fora do aposento e bate a porta,
fechando-a.
No mundo de fora, Parsifal resiste às meninas-flores e rejeita Kundry,
então com sedutora beleza. Enraivecido, Klingsor atira em Parsifal a lança
sagrada, que em vez de feri-lo como fizera com Amfortas, flutua sobre sua
cabeça e Parsifal, dela se apodera. Parsifal, expulsa a magia maligna de
Klingsor para sempre. O poder de Klingsor é anulado, e seu palácio entra em
total ruína.
PARSIFAL VAGUEIA PELO MUNDO EXTERIOR
Embora Kundry use de magia para condenar Parsifal a uma vida de
perambulação, ele sai pelo mundo não tanto pelo poder da magia, mas porque
ainda tem muito a aprender.
Anos depois, numa bela manhã de primavera, Sexta-feira da Paixão aliás,
Parsifal regressa. Durante sua ausência, Amfortas recusava-se a descobrir o
Graal, de que os cavaleiros recebiam sustento e vigor, pois sempre que o fazia
a ferida e a agonia voltavam.
Sobre a ferida de Amfortas, Corrine Heline afirma: “A incurável ferida de
Amfortas é o sofrimento do ser humano, provocado pelo fato dele ter caído na
vida sensorial – que trouxe consigo necessidades, doença, discórdia, morte e
todos os grandes sofrimentos que pesam sobre os habitantes da terra. Essa
ferida só pode ser curada pela redenção, através de purificação da natureza
sensorial inferior e pela transmutação de suas forças nas faculdades da alma”.
Amfortas em crucial agonia, delirante, anseia pela morte. Mas é obrigado a
viver para cuidar do Graal. Pela morte do pai, ele é quem deve desvelar o
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Graal. Como a agonia é maior que suas forças, roga aos cavaleiros que o
matem.
A essa altura, Gurnemanz revela a Parsifal o triste estado dos cavaleiros
no castelo. Kundry aí se encontra no papel de serva do Graal. Ela lava os pés
de Parsifal na fonte sagrada, e os enxuga com os cabelos (reminiscência de
Madalena) e Parsifal a batiza.
O Graal é desvelado, Kundry morre ajoelhando-se ante o altar,
simbolizando isso, a completa e derradeira dedicação da personalidade a
serviço da alma.
Parsifal, entrando no grande aposento em Gurnemanz e Kundry, não é
percebido. Amfortas está prestes a desvelar o Cálice; Parsifal toca-lhe a ferida
com a lança sagrada curando-o. Uma pomba branca desce e paira sobre a
cabeça de Parsifal.
O HERÓI
Parsifal acena suavemente com o Graal ante os cavaleiros, que estão com
os olhos voltados para cima. Gurnemanz e Amfortas, rei e sacerdote depostos,
ajoelham-se ante Parsifal o Rei Sacerdote da Ordem de Melquisedeque,
Senhor das Eras. Parsifal é coroado rei e permanece no castelo como líder dos
cavaleiros.
Temos assim: 1- A Vinda de Parsifal
2- A Tentação de Parsifal
3- A Coroação de Parsifal
Essa seqüência encontra paralelo nas três etapas dos antigos mistérios.
Foi Pitágoras, o grande filósofo místico do século VI a.C., que apresentou a
música e os números como potências das forças divinas. Os estudantes da
escola-templo de Pitágoras passavam por três Graus sucessivos (Preparação,
Purificação, Perfeição) para conseguirem a derradeira descoberta do centro
divino do homem: eles mesmos.
Do ponto de vista místico portanto, a ópera de Wagner, Parsifal, projeta na
era moderna a essência da sabedoria de Pitágoras. Pela luz dessa sabedoria
discernimos o plano de Wagner, de desvelar o Graal para trazê-lo à visão
humana. A Ópera Parsifal é encenada anualmente na Sexta-feira da Paixão, no
Metropolitan Opera House, de Nova Iorque.
* Heline Corrine; Esoteric Music of Richard Wagner, Los Angeles, New Age
Pres, 1948..

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