Edição 02 Revista Mundo Tecnológico Janeiro a Junho de 2012

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Edição 02 Revista Mundo Tecnológico Janeiro a Junho de 2012
ISSN 2238-2011
MUNDO TECNOLÓGICO
Faculdade Norte Capixaba de São Mateus – UNISAM
v. 2 n. 2 janeiro/junho – 2012 - Semestral
Diretor Executivo
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Diretora Acadêmica
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Diretor
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Coordenadora de Graduação/Acadêmica
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Análise Desenvolvimento de Sistemas
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Engenharia de Produção Mecânica/Engenharia Civil/Engenharia Química
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Petróleo e Gás
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Serviço Social
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Bibliotecária
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Presidente da Comissão Editorial
Eliene Maria Gava Ferrão
Comissão Editorial
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Eliene Maria Gava Ferrão
Renata Altoé Dadalto
Sandrelia Cerutti Carminati
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Endereço para correspondência
Rod. Othovarino Duarte, s/nº, Bairro Park Washington,
São Mateus-ES, CEP.: 29930-000
e-mail: [email protected]
Capa
Alex Cavalini Pereira
M965 Mundo Tecnológico/ Faculdade Norte Capixaba de São
2012 – São Mateus:UNISAM, 2011.
Mateus – v.2, n.2,
Semestral
ISSN 2238-2011
1. Pesquisa acadêmica – periódicos. 2. Gestão. 3. Exatas. I. Faculdade
Norte Capixaba de São Mateus
CDD 001.891
CDU: 001.891(05)
EDITORIAL
A revista científica Mundo Tecnológico é uma iniciativa da Faculdade Norte Capixaba de São
Mateus que possibilita a divulgação de artigos e resumos de contribuições relevantes para a
comunidade científica das diversas áreas de estudo que abrange a Instituição. Portanto, tratase de um veículo de publicação acadêmica semestral, cujo público-alvo são professores e
alunos de graduação e pós-graduação.
Diante disso, a Instituição almeja que a revista científica Mundo Tecnológico contribua para o
fomento contínuo da prática da investigação, e promova o crescimento educacional.
MUNDO TECNOLÓGICO
SUMÁRIO
ARTIGOS
Produção de Biogás a partir de aterro sanitário ..........................................................
07
Amaro Vicente Ribeiro de Souza
Ana Carolina Rocha dos Santos Ferri
Cecilia Ferraz dos Santos
Dalvaci Quirino Santos
Protótipo de sistema de gestão de custos agricola das fazendas Ilídio Cerqueira
Filho no município de Pinheiros-Es...............................................................................
27
Elisangela Gama
Everton Cordeiro Ramos
Temístocles Alves Rocha
Vânia Alves Santana
Terminal Norte Capixaba de São Mateus - ES: Como o empreendedor
TRANSPETRO acompanha os impactos socioeconômicos e ambientais na
comunidade de Campo Grande ......................................................................................................
43
Éricka de Souza Colombi
Júlio Flávio Soares
Karla Karolliny Emídio da Silva
Wilton Silva Rocha
Gestão de água produzida na extração de petróleoe em campos terrestres: o
atendimento à resolução CONAMA 396/2008 por uma empresa atuante no
município de São Mateus-ES .........................................................................................
60
Jann Erick Possati de Moraes
Júlio Flávio Soares
Maycon Donatti
Segurança de perímetro: estudo de caso Batalha Administradora e Corretora de
Seguro...............................................................................................................................
80
Lidyane Marques Mota
Ramilton Costa Gomes Júnior
Sistemas multiplataforma: interoperabilidade com o projeto mono..........................
97
Patrick Nunes Segantine
ISSN 2238-2011
7
PRODUÇÃO DE BIOGÁS A PARTIR DE ATERRO SANITÁRIO
Amaro Vicente Ribeiro de Souza1
Ana Carolina Rocha dos Santos Ferri2
Cecília Ferraz dos Santos3
Dalvaci Quirino Santos4
RESUMO
Um aterro sanitário implantado de forma correta pode ser viável para o aproveitamento
de biogás (gases gerados na decomposição de matéria orgânica), promovendo a
diminuição de gases poluentes lançados na atmosfera. O lixo orgânico é a matéria-prima
para geração de biogás, o que torna necessário a coleta seletiva e a disposição correta do
lixo no aterro, podendo gerar um volume considerável de metano durante a vida útil
desse aterro. Existe um projeto do governo do estado do Espírito Santo de implantação
de um aterro sanitário no município de São Mateus que irá abranger quinze municípios
da região norte e noroeste do estado.
Palavras-Chave: Gases poluentes, lixo, meio ambiente.
ABSTRACT
A landfill deployed correctly can be viable for the use of biogas (gas generated in the
decomposition of organic matter), promoting the reduction of greenhouse gases into the
atmosphere. The organic waste is the raw material for biogas generation, which makes
it necessary to separate collection and proper disposal of waste in the landfill, which can
generate a considerable amount of methane during the life of that landfill. There is a
project of the government of Espirito Santo state of implementation of a landfill in the
municipality of St. Matthew, which will cover fifteen municipalities in the region north
and northwest of the state.
Keywords: gaseous pollutants, garbage, environment.
1 INTRODUÇÃO
A População mundial tem crescido progressivamente nas últimas décadas e isso é
notório, basta verificar as pesquisas apresentadas pelo o IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística) anualmente. Em consequência disso, torna-se cada vez mais
necessário a discussão de fontes energéticas no Brasil e no mundo.
1
Especialista em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas. Professor da Faculdade
Norte Capixaba de São Mateus
2
Graduada em Petróleo e Gás pela Faculdade Norte Capixaba de São Mateus
3
Graduada em Petróleo e Gás pela Faculdade Norte Capixaba de São Mateus
4
Graduada em Petróleo e Gás pela Faculdade Norte Capixaba de São Mateus
8
Obter energia para atender essa demanda é o grande desafio e também é a causa de
grandes discussões no cenário mundial, onde se aponta instabilidade no uso de
combustível fóssil, como ocorrido na década de 70. A chamada crise do petróleo, e um
aumento nos gases de efeito estufa lançados na atmosfera provenientes da queima do
mesmo.
Algumas fontes alternativas de energia são bastante destacadas, como a energia eólica,
energia solar, energia da biomassa, dentre outras. Nesse contexto, destaca-se também a
energia que pode ser gerada a partir da produção de biogás em aterros sanitários, obtida
através da decomposição de resíduos orgânicos, que gera uma fração considerável de
metano e outros gases. A fração obtida nesse processo é tratada para retirada de gases
como CO2, O2, H2S, etc., resultando em energia que pode ser usada para vários fins,
como por exemplo, energia elétrica, energia veicular, dentre outras apresentadas neste
trabalho.
O governo do estado do Espírito Santo possui um projeto de implantação de um aterro
sanitário no norte do Estado para tratar o lixo de quinzes municípios das regiões norte e
noroeste. Sendo assim, através de levantamentos de dados sobre a população existente
nesses municípios bem como o lixo coletado pelos mesmos, este trabalho simulará uma
produção de biogás que pode ser aproveitado no centro de tratamento de resíduos
sólidos de São Mateus.
Segundo dados do IBGE (2011) o lixo coletado no Brasil diariamente chega a 125.281
toneladas. Desses 47,1% são destinados a aterros sanitários, 22,3% vão para aterros
controlados e 30,5% vão para lixões.
Para Moraes (2008), os aterros sanitários podem render muitos milhões no mercado de
créditos de carbono para empresas e prefeituras que investirem em tecnologias limpas e
conseguirem registrar os empreendimentos na Organização das Nações Unidas (ONU).
O biogás pode apresentar perigo ao meio ambiente, se não aproveitado de maneira
correta, pois, o gás metano gerado contribui em proporção considerável para emissões
globais.
Com base no que foi abordado, este trabalho busca responder ao seguinte problema de
pesquisa: Qual o potencial de produção de biogás produzido a partir do aterro sanitário
CTR (Centro de Tratamento de Resíduos) São Mateus?
Diante do conhecimento do biogás e sua utilização, o objetivo específico deste trabalho
é a conversão em um estudo de caso avaliando as condições para sua aplicação.
Envolvendo:
- Levantamento de pesquisa sobre a região contemplada pelo aterro;
- Identificação dos dados referentes à quantidade de resíduos produzidos;
- Identificação da população beneficiada;
- Potencial de produção de biogás.
9
Acredita-se que ao final da pesquisa terá a seguinte hipótese: a produção do biogás
proporciona benefícios para a população, podendo ser utilizado em energia térmica,
iluminação, energia elétrica, uso veicular além de contribuir para que haja uma
diminuição de gases poluentes no efeito estufa, gerando créditos de carbono o que
influencia diretamente na economia do país que possui essa tecnologia, pois gera uma
fonte alternativa de receita.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO BIOGÁS
A principal matéria-prima para a produção de biogás é o lixo, que precisa ser disposto
de forma correta nos aterros sanitários, para então ocorrer a produção do biogás.
A definição de lixo segundo a ABNT da NBR 10004 (apud FIGUEIREDO, 2007, p. 31)
“são resíduos sólidos, divididos em sólidos e semi-sólidos produzidos pela comunidade
de fontes industriais, doméstica, hospitalar, comercial, agrícolas, de serviço de varrição
e até lodos de tratamento de água que não pode ser jogado no esgoto”.
De acordo com o critério de origem e produção os resíduos sólidos podem ser
classificados como:





DOMÉSTICO: lixo produzido em domícilio que são restos de comida, papel,
plásticos e vidros.
VARRIÇÃO: lixo coletado nas ruas.
COMERCIAL: resíduos gerados pelo diversos tipos de indústria. Entretanto nem
todas as indústrias se enquadram nessa categoria. Existem aquelas que seus resíduos
podem ser considerados como domiciliar, como por exemplo, padarias.
AGRÍCOLA: resíduos sólidos provenientes de atividades agrícolas e pecuários.
HOSPITALAR: resíduos de hospitais.
O lixo deve ser separado de maneira correta, facilitando o seu destino final. Para isso
usa-se a coleta seletiva, a fim de atender o artigo 2º do parágrafo1º da resolução
CONAMA nº 275 obtida online através do portal São Francisco, de abril de 2001 diz
que fica recomendada a adoção do referido código de cores para programas de coleta
seletiva, estabelecidos pela iniciativa privada, cooperativas, escolas, igrejas,
organização não governamental.
O lixo usado para geração de biogás nos aterros sanitários são os orgânicos, por isso
torna-se fundamental a coleta seletiva onde vai ocorrer a separação desses resíduos.
A descoberta do biogás ocorreu por volta de 1667, no entanto foi em 1776 que
obtiveram notificação da presença de metano no gás produzido nos pântanos. Mais
tarde Louis Pasteur sugeriu a utilização deste no uso de aquecimento e iluminação
pública. Índia foi o primeiro País a usar a experiência em 1857.
10
Segundo Pecora (2006), com a crise do petróleo da década de 70 foram trazidas para o
Brasil a tecnologia de digestão anaeróbica onde permite a retirada do biogás como
combustível. O processo ganhou força devido à constante procura por fontes de
energias alternativas para atender a demanda de consumo.
Para Pecora (2006) o processo de formação do biogás é a partir da degradação
anaeróbica de matéria orgânica, isto é, sem oxigênio. Esta pode ser lixo doméstico,
resíduos agrícolas, pecuária e lodos de esgoto dentre outros, etc. Resultando em uma
mistura gasosa que sofre uma degradação formando principalmente metano e gás
carbônico e outros gases. Destas, 60% é metano e 35% gás carbônico e 5% outros gases
como dióxido de carbono, gás sulfídrico, nitrogênio, amônia, hidrogênio e aminas
voláteis (FILHO ET. AL, 2004).
Para utilizar o biogás como combustível é necessário fazer a retirada desses gases
deixando apenas o metano. Quanto maior a fração metano presente no biogás, maior
será seu poder calorífico que pode variar entre 5000 kcal/m3 a 7000 Kcal/m3. Para
aumentar o poder calorífico é retirado o dióxido de carbono da mistura podendo chegar
a 8700 Kcal/m3.
A utilização do biogás como fonte de energia tem se mostrado um fator bastante
relevante no cenário energético por se tratar de fonte renovável e reciclável ao mesmo
tempo. Seu aproveitamento implica numa diminuição dos gases causadores do efeito
estufa, tendo em vista que nos aterros sanitários essa mistura é gerada de uma forma
espontânea devido à degradação de matéria orgânica.
Segundo OLIVEIRA (2004) “o produto dessa degradação, o metano é um poluente
maior se comparado ao dióxido de carbono, nos GEE (Gases de Efeito Estufa). Na
tabela abaixo é possível visualizar a participação do metano bem como de outros gases
no efeito estufa”.
TABELA 1 – POTENCIAL DE AQUECIMENTO GLOBAL (GWP).
Fonte: IPCC apud CETESB, 2006.
11
Sendo assim, o aproveitamento desse gás acarretará numa diminuição dos poluentes,
bem como uma fonte de energia alternativa, como mostra um estudo de caso feito na
cidade de São Paulo, onde é possível identificar o volume que é aproveitado de biogás
em função da vazão gerada no aterro. (COELHO, Suani et al apud CETESB, 2006)
TABELA 2 - POTÊNCIA E ENERGIA DISPONÍVEL EM FUNÇÃO DA VAZÃO DE METANO.
Fonte: CETESB, 2006
No entanto, o aproveitamento de biogás nos aterros sanitários implica uma série de
fatores que devem ser considerados na sua elaboração e/ou aproveitamento. Um desses
fatores é o econômico, pois para cada fim e/ou objetivo de produção existe uma planta
de processo a ser instalada para captação desse biogás.
12
2.2 ATERRO SANITÁRIO
Aterro sanitário é a alternativa mais viável quando se visa à geração de biogás, uma vez
que existem técnicas para captação dos gases liberados.
Segundo Filho (apud FIGUEIREDO, 2007) o que define o tipo de método utilizado
para construção do aterro são as características da área e do volume de lixo a ser
aterrado. Os métodos de processo de aterramento dos resíduos podem ser da Trincheira
ou Vala (valas que podem ser de grande ou pequena dimensão), de Rampa ou
Escavação Progressiva (empregado em áreas de meia encosta em que o solo apresente
condição de ser escavado e ser utilizado como cobertura) e o método de área
(empregado em áreas de topografia plana e lençol freático em nível baixo).
Figura 1 – Método da trincheira
Fonte: Filho apud FIGUEIREDO, 2007
Figura 2 – Método de rampa.
Fonte: Filho apud FIGUEIREDO, 2007
13
Figura 3 – Método de área
Fonte: Filho apud FIGUEIREDO, 2007
Para sua construção, o local deve ser analisado e ser localizado distante de centros
urbanos devido a fatores como mau cheiro e ao trânsito de carretas. No aterro sanitário
os resíduos sólidos ficam dispostos em camadas cobertas com terra conforme o
esquema a seguir.
Conforme identificado na figura 5, a impermeabilização do solo é feita por meio de
camadas de argila e uma geomembrana de polietileno de alta densidade (PEAD) para
evitar infiltração dos líquidos percolados (chorume) no solo, o lixo é depositado sobre o
terreno e depois recoberto com camadas de cascalho, argila, solo e grama.
Nas câmaras formadas é produzido o gás e liberado o chorume, que é recolhido por
tubulações e transportado para tanques de tratamento.
Figura 4 – Retenção e coleta de fluidos em locais de disposição de resíduos sólidos.
Fonte: Alves apud FIGUEIREDO, 2007.
14
2.3 SISTEMA DE COLETA, EXTRAÇÃO E TRATAMENTO DO BIOGÁS
Um modelo para sistema de coleta do biogás de aterro pode ser feito por poços de coleta
e tubos condutores verticais perfurados e horizontais, sistema de compressão e sistema
de purificação do biogás, além do flare que é utilizado para a queima do gás quando
esse se encontra em excesso ou para paradas de manutenção nos equipamentos.
(WILLUMSEN apud FIGUEIREDO, 2007).
Os tubos horizontais são colocados quando ainda está ocorrendo a deposição do lixo no
aterro, para que ao gás seja coletado desde o início da sua decomposição tendo um
maior aproveitamento do gás.
Quando ocorre o fechamento do aterro cada extremidade dos tubos é ligada a uma
tubulação principal na qual o gás é transportado para uma unidade de tratamento.
Para Willumsen (apud FIGUEIREDO, 2007) a sucção do gás é feita por uma bomba
que interligada com o tubo. A maior dificuldade encontrada nesse sistema é controlar a
característica, quantidade do biogás e a identificação de um vazamento nas tubulações
caso tenha. Para que o operador tenha mais segurança e que seja um sistema rentável
com boas condições de trabalho é ter uma tubulação para cada poço.
SISTEMA DE COMPRESSÃO: Após o sistema de coleta, o gás é removido através de um
compressor no qual o gás será comprimido e enviado para o sistema de recuperação
energética. Dependendo do equipamento de conversão energética, da quantidade de gás
produzida e do grau de compressão é que será escolhido o tipo de compressor e a
quantidade a ser utilizado. Tolmasquim (apud FIGUEIREDO, 2007).
SISTEMA DE TRATAMENTO DE CONDENSADO: Para que não ocorram problemas no
sistema de coleta e no processo de recuperação de energia se faz necessário o
tratamento do biogás, retirando o condensado. O biogás sai do aterro em altas
temperaturas, quando vai passando pela tubulação ele vai resfriando formando o
condensado. São instalados tubos inclinados e conectores nos tanques permitindo a
remoção do condensado. Tolmasquim (apud FIGUEIREDO, 2007).
QUEIMA DO GÁS: Faz-se necessário a instalação de um flare que é um elemento
utilizado para a queima do biogás, caso ocorra alguma falha no sistema de recuperação
de energia o biogás é transportado para o flare e queimado evitando a emissão de gases
metano na atmosfera. Segundo Muylaert (apud FIGUEIREDO, 2007) os flares podem
ser abertos ou enclausurados. Os enclausurados são os mais utilizados, pois reduz o
nível de ruído e iluminação sendo mais eficiente na combustão.
SISTEMA DE TRATAMENTO DO BIOGÁS: O biogás passa por um sistema de tratamento
antes de sua utilização para a retirada de impurezas e condensados que não foram
retirados completamente. Segundo Tolmasquim (apud FIGUEIREDO, 2007), a forma
de tratamento a ser utilizado vai depender do tipo de utilidade do biogás. Para geração
de energia são utilizados filtros para a remoção de impurezas, pois elas podem danificar
as partes do motor ou da turbina, diminuindo assim a eficácia do sistema; caso seja
utilizado em caldeiras o tratamento é mínimo.
15
2.5 UTILIZAÇÃO DO BIOGÁS
O biogás possui elevado teor de metano (CH4), isso faz com que possa ter diferentes
meios de utilização, dentre eles destacam-se a produção de calor de processo, secagem
de grãos em propriedades rurais, secagem de lodo em Estações de Tratamento de
Esgoto (ETEs), queima em caldeiras, aquecimento de granjas, iluminação a gás,
tratamento de chorume, entre outros, conforme o diagrama abaixo.
Figura 5 – Diagrama com as alternativas de aproveitamento do biogás.
Fonte: Instituto Agir Sustentável apud ICLEI, 2009
2.5.1 GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA
Para geração de energia elétrica temos o motor ciclo Otto e microturbinas a gás. Devido
ao maior rendimento elétrico e menos custo quando comparado a outras tecnologias, o
motor ciclo Otto é o equipamento mais utilizado para queima do biogás, que movimenta
um gerador de energia elétrica.
Os motores ciclo Otto aspiram a mistura ar-combustível antes de ser comprimida no
interior dos cilindros e a combustão da mistura é dada por centelha produzida na vela de
ignição Pereira, (apud ICLEI, 2009). São chamados de 4 tempos pois funcionam em
quatro etapas (admissão, compressão, combustão, exaustão).
Apresenta como vantagens a geração de energia elétrica para o próprio consumo do
aterro, possibilidade de obtenção de receita adicional pela venda de excedente de
energia e possibilidade de obtenção e comercialização de créditos de carbono. E como
desvantagem são motores grandes o que faz com que necessitem ser importados, pois o
Brasil não possui motores com potência elevada, necessitando de maior investimento.
Outra desvantagem é que emite NOx que causa grande impacto ambiental.
Nas microturbinas, os gases provenientes da combustão são expandidos na turbina e o
calor pode ser aproveitado para aquecimento do ar de combustão. Possui como
vantagem os baixos níveis de ruído e vibrações, dimensões reduzidas e simplicidade de
16
instalação, isso faz com que possa ser instalado ao ar livre, e as emissões de NOx são
menores que a do ciclo Otto. Possui desvantagem de necessitar de equipamentos
importados, alto custo de operação e manutenção e necessidade de um rígido sistema de
limpeza do biogás e remodelação da microturbina para sua queima, já que é um gás de
baixo poder calorífico.
2.5.2 GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA
Para a geração de energia térmica utiliza-se a tecnologia ciclo a vapor Rankine ou
evaporador de chorume.
O ciclo Rankine consiste em uma caldeira, uma turbina, um condensador e uma bomba.
Utiliza-se o calor resultante da combustão de biogás, em uma caldeira, para geração de
vapor, que poderá ser utilizado para processos industriais, aquecimento direto ou
geração de energia elétrica, por meio do acionamento de uma turbina a vapor acoplada a
um gerador.
Apresenta como vantagem o aproveitamento da energia térmica, trazendo a diminuição
das emissões de carbono e outros poluentes atmosféricos, além da diminuição dos
impactos causados ao meio ambiente devido ao despejo de calor para a atmosfera. E
também um ganho econômico devido à redução de gastos referentes à energia adquirida
da concessionária e à possibilidade e comercialização dos créditos de carbono. Como
desvantagem é o baixo rendimento térmico: aproximadamente 30% e deve-se realizar
manutenção regular, impedindo a formação de depósitos de sílica, enxofre e cloro nos
equipamentos.
Para tratar o chorume resultante da decomposição dos resíduos é utilizado o evaporador.
Durante o processo o chorume é aquecido a altas temperaturas e esse aquecimento é a
partir do biogás como combustível.
O vapor quente passa por sistema de purificação para que possa ser lançado à atmosfera
ou, então, para ser utilizado na geração de energia térmica de processo, como
aquecimento ou refrigeração. O lodo adensado pode retornar para o aterro. Esta
tecnologia já é empregada nos Estados Unidos, Europa e Brasil (BAHÉ et. al., apud
ICLEI, 2009).
Possui dentre suas vantagens, a utilização do biogás que é de baixo custo, o tratamento
pode ser realizado no próprio aterro. E como desvantagem necessita de tratamento dos
vapores antes de serem liberados na atmosfera.
2.5.3 GERAÇÃO DE COMBUSTÍVEL VEICULAR
O biogás apresenta em sua composição, ácido sulfídrico, dióxido de carbono e outras
partículas que são necessárias serem retiradas para o biogás ser utilizado como
combustível veicular. Esta retirada é realizada através da dissolução de um componente
da mistura em um líquido e em carbonato de potássio, hidróxido de cálcio ou hidróxido
17
de sódio. Segundo a ANP - Agência Nacional de Petróleo (apud ICLEI, 2009) na
Portaria 128, de 28 de agosto de 2001, a porcentagem mínima de metano no gás natural
para uso veicular deve ser de 86%, e a máxima de CO2 de 5%.
Para fazer esta retirada podem ser utilizados os métodos físicos (crivos moleculares,
separação por membranas e colunas de absorção). Segundo Wong e Bioletti (apud
ICLEI, 2009), estes métodos são os mais utilizados, pois apresentam fácil regeneração
dos reagentes utilizados.
Possui vantagens como a utilização do combustível nos próprios caminhões utilizados
para coleta de lixo do aterro, substituição dos combustíveis por combustível renovável
que possui baixo impacto ambiental devido à redução das emissões de gases poluentes.
E como desvantagens é que não existem tecnologias nacionais para esta finalidade.
Quando comparado aos outros combustíveis, apresenta baixa produção e alto custo para
ser implantado.
2.5.4 GERAÇÃO DE ILUMINAÇÃO A GÁS
Nessa utilização o biogás é queimado gerando iluminação. Sua quantidade de produção
é relacionada à quantidade de biogás a ser queimado.
Apresenta como vantagem a transformação de metano em dióxido de carbono,
proporciona receita adicional ao aterro, pois possibilita a comercialização de créditos de
carbono. Possui como desvantagem falhas operacionais que os sistemas já instalados
apresentam, estando ainda em fase de adequação além de necessitar de alto custo para
investimento, além de não poder ser instalado próximo ao aterro, pois corre risco de
explosão caso haja vazamento.
2 METODOLOGIA
Mediante a necessidade do estudo a pesquisa a ser utilizada para desenvolver o tema é a
exploratória visto que buscou-se dados referentes à população da região norte e noroeste
que está envolvida com o repasse de resíduos para o aterro sanitário.
O instrumento utilizado para a realização deste trabalho foi a partir da entrevista. Para
isso, ligou-se para prefeituras dos municípios vizinhos, para coleta de dados e nesta
entrevista foram aplicados formulários que continham duas questões.
Após a coleta de dados com as prefeituras dos municípios próximos a São Mateus,
utilizou-se método de seleção e tabulação, onde aplicou-se um formuntas foram feitas
via telefone com intuito de identificar as quantidades de resíduos sólidos gerados e se os
municípios já efetuavam coleta seletiva.
No referencial teórico estará disposta a contextualização do biogás, descrição dos tipos
de aterros sanitários, as fases para a formação do biogás, os tipos de sistema de coleta,
extração e tratamento do biogás e alternativas para a utilização do mesmo.
18
4 ESTUDO DE CASO – APROVEITAMENTO DO BIOGÁS
PROVENIENTE DE ATERRO SANITÁRIO
O estudo de caso descrito a seguir baseia-se no projeto “Espírito Santo sem lixão” em
desenvolvimento pelo governo do estado do Espírito Santo e é direcionado ao
aproveitamento do biogás proveniente do aterro sanitário construído por este projeto no
município de São Mateus.
O projeto atenderá a região norte do estado, através de um consórcio chamado
CONORTE (Consórcio Público da Região Norte) que abrangerá quinze municípios da
região, sendo eles Água Doce do Norte, Barra de São Francisco, Boa Esperança,
Conceição da Barra, Ecoporanga, Jaguaré, Nova Venécia, Montanha, Mucurici, Pedro
Canário, Pinheiros, Ponto Belo, São Mateus, Sooretama e Vila Pavão.
Figura 6 – Mapa identificando a localização para implantação do aterro sanitário.
Fonte: Espírito Santo, 2010 - Relatório de Impacto Ambiental – RIMA Centro de Tratamento e
disposição adequada de resíduos sólidos de São Mateus/ES.
A área de implantação desse aterro será localizada no km 41 da rodovia ES-381 no
Nestor Gomes, onde possui uma área que atende as especificações para criação de um
aterro, por se tratar de uma área que não é urbana e possuir uma boa direção de ventos
que devem ser direcionados ao aterro e não à área urbana. Apresenta também disposição
19
de recursos superficiais e subterrâneos, acessibilidades, drenagem, área disponível e
integração aos demais municípios contemplados.
Segundo o relatório de impacto ambiental do Espírito Santo (2010), este aterro CTR
São Mateus (Centro de Tratamento de Resíduos de São Mateus), comporta um total de
2.608.000t e uma vida útil de 20 anos, o que implica num controle e redução dos
impactos ambientais da área a ser implantada.
Além disso, o CTR São Mateus terá uma unidade de tratamento de chorume, uma
unidade administrativa associada a um auditório para promoção de cursos de educação
ambiental, e um sistema de duas balanças para controle de entrada e saída dos coletores
de resíduos.
A instalação de flares no aterro até a implantação final do sistema de recuperação do
biogás depende da viabilidade econômica do aterro, que dependerá de um estudo.
3.1 DESCRIÇÃO DO ATERRO DO CTR EM SÃO MATEUS
A implantação do Centro de Resíduos de São Mateus, (segundo o projeto do governo do
estado do Espírito Santo), passou por minuciosos critérios para escolha da área que
atendesse a especificação desejável para a implantação de um aterro sanitário. O
referido projeto foi conseguido online pois o mesmo é disponível no site do governo do
Espírito Santo. Neste projeto, em linhas gerais, será colocada uma manta de sacrifício,
para cobrir a área e para evitar a presença de aves e entrada de chuva.
Será implantado também um sistema de drenagem de água, para que não ocorra uma
sobreposição dos resíduos e ainda serão fixadas canaletas de concreto, para drenagem
de água pluvial.
Os resíduos serão dispostos no aterro e compactados, sendo cobertos por uma
membrana, aproveitando o espaço bem como o controle da proliferação de animais,
garantindo a minimização dos fluidos percolados. Consta ainda um sistema de coleta de
percolados e filtração de gases.
No projeto original do governo do estado, não está incluso o aproveitamento de biogás,
sendo assim serão instalados nos taludes e no topo do aterro, tubos galvanizados com
queimadores nas extremidades, conforme Figura 6.
Além disso, o CTR São Mateus abrange todos os programas do governo, englobando os
de ordem federal, estadual e municipal. Estes programas visam, além de questões
ambientais, à inclusão social e programas relacionados à saúde e conscientização.
20
Figura 6 – Queimadores de gases no topo do aterro.
Fonte: Espirito Santo, 2010 - Relatório de Impacto Ambiental – RIMA Centro de Tratamento e
disposição adequada de resíduos sólidos de São Mateus/ES.
3.2 LEVANTAMENTOS DE DADOS
O CTR São Mateus ainda está em processo de construção, porém diante da importância
que o biogás possui e suas diferentes formas de utilização já descritas neste trabalho,
referentes aos municípios contemplados com o aterro, foram levantados dados no
período de 12 de setembro de 2011 até o dia 23 de outubro de 2011 por meio dos sites
das prefeituras e via telefone das mesmas.
A sequência de municípios e suas respectivas quantidades de resíduos produzidos
atualmente estão dispostas na tabela 3.
Durante o levantamento dos dados foi encontrado uma dificuldade para obter
informações das quantidades de lixo produzidas por alguns municípios, pois não são
todas as prefeituras que possuem registro das quantidades e algumas não são
responsáveis pela a coleta de seu lixo passando para empresas terceirizadas. Os dados
obtidos foram referentes aos municípios de Barra de São Francisco, Boa Esperança,
21
Conceição da Barra, Jaguaré, Mucurici, Nova Venécia, Pedro Canário, Pinheiros e
Sooretama.
TABELA 3 - SEQUÊNCIAS DE MUNICÍPIOS E SUAS RESPECTIVAS QUANTIDADES DE
RESÍDUOS PRODUZIDOS ATUALMENTE
Municípios
Nº de habitantes (IBGE, 2010)
Quantidade de lixo t/ano
Água Doce do Norte
11.771
4.020,28
Barra de São Francisco
40.610
13.870,00
Boa Esperança
14.199
4.664,37
Conceição da Barra
28.477
9.726,00
Ecoporanga
23.223
7.931,62
Jaguaré
24.718
8.442,20
Montanha
17.854
6.097,88
Mucurici
5.672
168
Nova Venécia
46.020
15.751,89
Pedro Canário
23.789
8.124,93
Pinheiros
23.891
8.159,76
Ponto Belo
6.970
2.383,00
São Mateus
109.067
117.822,44
Sooretama
23.860
8.149,18
Vila Pavão
8.672
2.961,84
Total
408.793
218273,39
Desta forma, toma-se como base o município de Barra de São Francisco, que foi um dos
que os dados foram disponibilizados e que possui a coleta seletiva sendo mais precisa a
identificação para o lixo orgânico que é o utilizado para produção do biogás. Assim nos
municípios que disponibilizaram os dados, foi estimada a produção de lixo através de
uma regra de três simples.
Segundo a Recicloteca (Centro de Informações sobre Reciclagem e Meio Ambiente),
cerca de 52% do lixo coletado no estado do Rio de Janeiro se trata de lixo orgânico,
44% reciclável e 4% são rejeitos. Para este adotou-se um percentual de 50%, tendo em
vistas que outros autores diferem em torno de 50 a 58% a percentagem de lixo orgânico
produzido. Assim foram gerados os dados conforme a tabela 5.
TABELA 4 – ESTIMATISMA DE PRODUÇÃO DE LIXO ORGÂNICO POR MUNICÍPIO.
Município
Quantidade de lixo orgânico t/ano
Água Doce do Norte
2010,14
Barra de São Francisco
6.935
Boa Esperança
2332,185
Conceição da Barra
4863
Ecoporanga
3965,81
Jaguaré
4221,1
Montanha
3048,94
Mucurici
84
Nova Venécia
7875,945
Pedro Canário
4062,465
Pinheiros
4.079,88
Ponto Belo
1.191,50
São Mateus
58.911,22
Sooretama
4.074,59
Vila Pavão
1.480,92
Total
109136,695
22
3.3 DETERMINAÇÃO DO POTENCIAL DO BIOGÁS A SER PRODUZIDO
Existem várias formas de determinar a produção de biogás em aterros sanitários
segundo o IPCC (International Panel on Climate Change). No entanto para este estudo
adotou-se o método mais simples sugerido pela USEPA (United States Environmental
Protection Agency,1997), por se tratar de um projeto de aterro que ainda não foi
implantado bem como dificuldades em obtenção de dados referente a este. Cálculo
segundo a USEPA:
Q = população. Taxa de RSD. RSDF. 0,45. F
equação 1
Onde:
Q= metano gerado em m³/ano
POPULAÇÃO= número de habitantes atendidos pelo aterro
TAXA DE RSD= taxa de geração de resíduos sólidos por habitante por ano
(kg/habitantes. ano).
RSDF= taxa de resíduos coletados e dispostos no aterro (%)
0,45= volume de biogás gerado por 1 kg de resíduos sólidos m³/biogás/kg RSD.
F= fração de metano no biogás.
Conversão de toneladas para kg: 109136,695 x 1000 = 109136695,0
Identificação dos dados:
População beneficiada= 408.793,00 habitantes
Taxa de RSD: Resíduos sólidos/numero de habitantes por ano
Taxa de RSD= 109.136.695,0/408.793,00
Taxa de RSD= 266,97 kg/habitante por ano
Conversão de toneladas para kg: 218273,39 x 1000 = 218273390,0
equação 2
RSDF= quantidade de lixo orgânico/ quantidade de lixo coletado
equação 3
RSDF=109.136.695/ 218273390,0
RSDF=0,5 ou seja, 50%
F= considerou-se 0,4, ou seja, 40%, levando em consideração o IPCC que recomenda
50%, porém pesquisas feitas em vários aterros demonstraram um índice de 40% de
metano no biogás produzidos nestes aterros.
Q= 408.793,00 x 266,97 x 0,5 x 0,45 x 0,4
Q= 9.822.192,049 m³ de CH4 /ano
Informação esta para o primeiro ano do aterro, levando em consideração que o tempo de
vida útil desse projeto para construção do aterro será de 20 anos, adotou-se a seguinte
premissa:


Que a população cresça em torno de 1,13% por ano (IBGE, 2007);
E que os resíduos sólidos aumentem 6,8% por ano, com base de informação o jornal
O GLOBO em agosto de 2011.
23
Assim sendo, segue abaixo a estimativa de vazão de metano. Levando em consideração
que a vazão de metano no começo do aterro geralmente é baixa, esta vazão vai
aumentando durante o funcionamento do aterro, mas chega um ponto que essa vazão
começa a diminuir. Como já foi descrito ao longo deste trabalho, foi simulada uma
vazão com base nos dados obtidos para o aterro de São Mateus, seguindo os dados na
tabela 6.
TABELA 5 – ESTIMATIVA DE VAZÃO DE METANO.
Ano
1
2
3
População
Lixo orgânico (kg/ano)
Taxa de RSD
RSDF
F
Vazão
408793
413412,3609
109136695
116557990,3
266,97
281,94
0,5
0,5
0,4
0,42
9822192,049
11014681,96
418117,8206
124483933,6
297,72
0,5
0,44
12323721,72
4
422842,552
132948841,1
314,42
0,5
0,48
14358616,76
5
427620,6728
141989362,3
332,045
0,5
0,5
15973796,96
6
432452,7864
151644638,9
350,66
0,5
0,55
20642525,08
7
437339,5025
161956474,3
370,32
0,5
0,7
25508001,42
8
442281,4389
172969514,6
391,08
0,5
0,7
272423699,5
9
447279,2192
184731441,6
413,01
0,5
0,7
29095099,48
10
452333,4744
197293179,6
436,16
0,5
0,7
31066014,24
11
457444,8427
210709115,8
460,62
0,5
0,6
28445612,86
12
462613,9694
225037335,7
486,45
0,5
0,55
27848522,47
13
467841,5073
240339874,3
513,72
0,5
0,5
27038198,15
14
473128,1163
256682985,8
542,52
0,5
0,45
25988998,4
15
478474,464
274137428,8
572,94
0,5
0,4
24672344,35
Considerando que o aterro receba lixo até o ano dez da sua existência, é possível
visualizar conforme a figura 6, um crescente aumento na produção, tendo em vista que a
vazão do metano aumenta em função dos resíduos nele depositados. No entanto quando
ele para de receber o lixo, essa vazão vai diminuindo, conforme figura 7.
Figura 7 – Vazão do metano em função do tempo.
24
Segundo o Portal Club de Serviços e Negócios (apud CALCULADORA
AMBIENTAL) uma casa popular consome em média 200kwh de energia por mês.
Tomando com base essa informação, é possível dizer que a energia produzida através
do biogás no CTR de São Mateus daria para abastecer 6.948,273 casas populares/ano,
de acordo com a tabela 3 do capítulo 2, na qual foi efetuada a regra de três simples
conforme os cálculos a seguir:
Uma vazão de metano de: 217935,2 equivale a 1,44Mwh/d.
Então: 576222025,4 (vazão obtida da simulação do CTR de São Mateus) equivalem a
3.807, 3686 Mwh/d.
Em um ano obtém-se: 1.389.689,544 Mwh
Dividindo por 200 Mwh obtém: 6.948,44 casas durante um ano. Usando em kWh:
6.948.440,00.
Essa energia poderia ser usada também para secagem de grãos em propriedades rurais,
já que a região da implantação do aterro possui muitos agricultores principalmente nas
redondezas em que o projeto está destinado. Pode ainda ser utilizada como energia do
próprio aterro, diminuindo as despesas do mesmo.
4 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO
Através da diminuição significativa da emissão de gases poluentes na atmosfera e de ser
uma fonte de receita alternativa, pois é considerada energia limpa, a produção de biogás
em aterros sanitários é de fundamental relevância dentro do contexto de
desenvolvimento sustentável.
A população identificada durante a pesquisa foi de 408.793 habitantes que produzem no
geral 218.273,39t/ano de resíduos, sendo 50% desses, orgânicos. A partir disso é
possível notificar o potencial de produção de biogás que se convertido em energia pode
favorecer o município, abastecendo 104.226.710,00 casas populares durante os anos de
produção, o que se refere a 3.807,3686 Mwh/dia. Dentro do estudo apresentado é
possível notificar o potencial de energia que o biogás pode oferecer durante a sua vida
útil um potencial de 1.389.689,544 Mwh/ano. No entanto vale ressaltar que se trata de
um estudo hipotético, pois alguns valores foram arbitrados, devido à dificuldade de
levantamentos de dados durante a pesquisa e pelo fato do aterro ser apenas um projeto
ainda em elaboração. Desta forma, foram atendidos os objetivos específicos propostos
que era levantamento da região beneficiada pelo aterro, identificação das quantidades de
resíduos produzidos, identificação da população beneficiada e determinação do
potencial de produção de biogás.
Conforme apresentado no objetivo geral, há uma possibilidade de utilização do biogás
produzido no aterro sanitário, porém no primeiro momento não é possível dizer se o
aterro é viável ou não, economicamente, pois essa resposta só seria concreta se tivesse
mais informações sobre o projeto e as técnicas utilizadas no aterro, bem como a
quantidade exata de resíduos destinados ao mesmo.
25
Pode-se perceber que o potencial identificado é bastante conveniente, porém ainda são
necessários mais estudos para identificação de equipamentos e técnicas a serem
utilizados para efeito de viabilidade econômica, pois para cada tipo de energia a ser
adquirida é empregado um modelo de equipamento para retirada do metano que vem
acompanhado de outros gases.
Dessa forma, recomenda-se um aprofundamento deste estudo para que se possa ter uma
real viabilidade técnico-econômica desta atividade para a região.
REFERÊNCIAS
1. ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho cientifico.
5. ed. São Paulo: Atlas S.A, 2001, p.43.
2. CALCULADORA AMBIENTAL. Disponível em:
<http://www.remaster.com.br/calculadora_ambiental.php>. Acesso em: 20 de nov.2011
3. CESTEB, SP. Biogás: Projeto e pesquisas no Brasil / CETESB, Secretária do Meio
Ambiente; Organização Josileni Ticianelli Vannuzini Ferrer; responsável técnico João
Wagner Silva Alves.- São Paulo : SMA, 2006. Disponível em : <
http://www.cesteb.sp.gov.br>.
4. CORES DA RECICLAGEM DO LIXO. Disponível em: <http://www.portalsão
Francisco.com.br/.../cores –da-reciclagem.php>. Acesso em: 30 abr. 2011
5. ESPÍRITO SANTO (Estado). Governador (2006-2010: Hartung) Relatório de impacto
ambiental-RIMA. Centro de tratamento e disposição adequada de resíduos sólidos
de São Mateus. Espírito santo, 2010.
6. FIGUEIREDO, Natalie Jimenez Vérdi. Utilização do biogás de aterro sanitário para
geração de energia elétrica e iluminação a gás: estudo de caso geração do biogás do
aterro de Essencis CTR Caieiras no ano de 2007. São Paulo: 2007 90p. Monografia
(Bacharel em engenharia mecânica)-Universidade Presbiteriana Mackenzie, São
Paulo,2007.
7. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas,
2002. p.54.
8.
IBGE Pesquisa Nacional de saneamento Básico. Disponível em:
<http://www.IBGE.gov.br/home/estatística/.../defaut.shtm>. Acesso em: 05 mar.2011.
9.
IBGE. Censo 2010 Espírito Santo. Disponível em:
<http:/www.ibge.gov.br/homr/estatistica/populacao/censo2010/tabelas pdf/total
populacao espirito santo.pdf>. Acesso em: 15 set. 2011.
10. ICLEI. Manual para aproveitamento de biogás, São Paulo, v. 1, 2006. Disponível
em:
<http://www.iclei.org/fileadmin/user_upload/documents/iacs/Portugues/Programas/m2
m/iclei_manual-_final72_dpi.pdf >. Acesso em: 16 mai. 2011.
26
11. MENDES, et al. Comparação entre métodos de estimativa de geração de biogás em
aterro sanitário, Revista biociência Taubaté, v. 13, p.134-142 jul./dez, 2007.
Disponível
em:<http://periodicos.unitau.br/ojs2.2/index.php/biociencias/article/viewFile/200/166>. Acesso em: 20 out. 2011
12. OLIVEIRA,Luciano Basto. Potencial de aproveitamento de lixo e biodiesel de
insumos residuais no Brasil. Rio de Janeiro: 2004, 247p. Tese (pós graduação em
engenharia) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004.
13. PECORA, Vanessa et al. Aproveitamento do biogás proveniente dos resíduos sólidos
para geração de energia elétrica: estudo de caso em São Paulo, 2006.
27
PROTÓTIPO DE SISTEMA DE GESTÃO DE CUSTOS AGRICOLA
DAS FAZENDAS ILÍDIO CERQUEIRA FILHO NO MUNICÍPIO
DE PINHEIROS-ES
Elisângela Gama5
Everton Cordeiro Ramos6
Temístocles Alves Rocha7
Vânia Alves Santana8
RESUMO
O desenvolvimento deste trabalho tem como objetivo demonstrar a construção de um
protótipo de sistema para gerenciar as despesas e lucros no escritório das Fazendas
Ilídio Cerqueira Filho, situada na cidade de Pinheiros localizado no Norte do Espírito
Santo, proporcionando assim a redução do tempo para a visualização do controle de
entrada e saída. Utilizou-se para tanto, o emprego de pesquisa descritiva e exploratória,
para a averiguação de resultados. Na obtenção de dados, utilizou-se como instrumento
metodológico, o uso de fontes secundárias baseando-se em bibliografias para a
construção de embasamento teórico e explicativo da pesquisa. Para a construção do
protótipo utilizou-se ferramentas de modelagem que dão suporte na elaboração
processual, conceitual, lógica e física do sistema e ferramentas para desenvolvimento
com sintaxe de fácil entendimento e uma gama de recursos que dão ao projeto proposto
base para solucionar os impedimentos encontrados em meio à execução do protótipo.
Palavras-chave: Sistema. Controle. Ferramentas.
ABSTRACT
The development of this work aims to demonstrate the construction of a prototype
system for managing expenses and profits in the office of Ilídio Cerqueira Son Farms,
located in the city of Pines located in northern Espírito Santo, thereby providing a
reduction of time for viewing control input and output. We used to do so, the use of
descriptive and exploratory research for the investigation results. In obtaining data, was
used as a methodological tool, the use of secondary sources based on bibliographies for
the construction of theoretical and explanatory research. For the construction of the
prototype we used modeling tools that support the preparation procedure, conceptual,
logical and physical system and development tools with easy to understand syntax and a
5
Formada no Curso Superior Tecnológico de Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Faculdade
Norte Capixaba de São Mateus - UNISAM
6
Formado no Curso Superior Tecnológico de Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Faculdade
Norte Capixaba de São Mateus - UNISAM
7
Formado em Curso Superior em Tecnologia de Processamento de Dados pela FAESA - Especialista em
Gestão da Educação: Habilitação em Administração, Supervisão e Orientação Escolar pela Faculdade
Vale do Cricaré - Mestrando Energia pela UFES – Universidade Federal do Espírito Santo.
8
Aluna do curso Superior Tecnológico em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Faculdade Norte
Capixaba de São Mateus - UNISAM
28
range of features that give the proposed project basis to address the impediments found
through the implementation of the prototype.
Keywords: System. Control. Tools.
1 INTRODUÇÃO
O protótipo “Sistema de Controle de Custos Agrícola” foi desenvolvido com o intuito
de projetar um sistema para informatizar o escritório das Fazendas Ilídio Cerqueira
Filho situado no Município de Pinheiros localizado no Norte do Estado do Espírito
Santo, objetivando auxiliar em seus processos de tomadas de decisões, obtendo
resultados com rapidez referentes às despesas e lucros, fornecendo para os gestores um
controle das atividades agrícolas, sendo capaz de prever as consequências em nível de
cálculo de resultados de todos os registros que nele forem realizados, tendo mais
agilidade e facilidade na obtenção de informações, melhorando o gerenciamento e a
organização da empresa. Devido os processos administrativos da fazenda, em questão,
ainda serem realizados manualmente, há uma perda significativa de tempo que poderia
ser utilizado em outras atividades que aumentariam por consequência uma visualização
mais ampla e rápida dos lucros e despesas da mesma.
Como a tecnologia e as ferramentas de desenvolvimento de sistemas tem tido grandes
avanços nas ultimas décadas inserindo novos padrões tecnológicos no mercado, buscarse-á quais seriam os mecanismos de análise e desenvolvimento de sistemas que melhor
auxiliariam no processamento, armazenamento, manipulação de dados e automação dos
processos administrativos para a obtenção de informações rápidas e precisas e para a
automatização dos processos que facilitam as prestações de serviços.
O motivo pelo qual se busca essas inovações tecnológicas para a construção desse
sistema é acima de tudo focado no fator competitivo no setor na qual as fazendas em
questão se encaixam, pois a corrida por níveis mais altos de competitividade força as
empresas desse setor a dispor de mais atenção às necessidade de seus clientes
melhorando a qualidade da prestação de seus serviços com o uso de novas tecnologias.
A importância do tema apresentado nesse trabalho está ligada às perceptíveis e atuais
mudanças que estão ocorrendo nas empresas do setor que procuram alcançar maior
qualidade em seus processos através de sistemas de informação automatizados e
sofisticados.
Algumas considerações teóricas são apresentadas neste projeto, para que possa
fundamentar a pesquisa feita e uma detalhada descrição dos resultados alcançados, bem
como algumas conclusões decorrentes da análise realizada.
29
2 ESTUDO DE CASO
2.1 OBJETO DE ESTUDO – FAZENDAS ILÍDIO CERQUEIRA FILHO
Na década de 60 o Sr Ilídio Cerqueira saiu do Estado da Bahia e foi para a cidade de
Pinheiros localizada no Norte do Estado do Espírito Santo. Almejando ingressar no
setor agrícola adquiriu sua primeira fazenda com cinco hectares de extensão a qual
denominou Campanário. Iniciou suas atividades com base na agricultura familiar
cultivando mandioca e milho. Com o aumento da produção para atender a demanda do
mercado o patriarca transfere a administração da propriedade para seu primogênito
Ilídio Cerqueira Filho que em sua gestão cria as estratégias para o alcance de maiores
lucros.
Com a lucratividade obtida com a fazenda Campanário o administrador adquire parte do
que hoje compõe a propriedade chamada Instância Ilênia, incluindo em sua produção o
cultivo de abóbora, café, feijão e mamão. Em terras férteis as plantações se
desenvolveram com rapidez e qualidade, sendo fator principal para o crescimento do
seu capital, que possibilitou-o comprar fazendas vizinhas à sua área de produção,
aumentando gradativamente seu patrimônio, assim dá-se inicio as Fazendas Ilídio
Cerqueira Filho, tornando-se um dos maiores empregadores da cidade, ajudando no
fortalecimento da economia local.
As Fazendas Ilídio Cerqueira Filho possuem atualmente uma área produtiva de 706.7
hectares composta por cinco Fazendas, sendo: Fazenda Califórnia (99.9 ha), Fazenda
Alegria (414 há), Fazenda Ambição (84.4 ha), Fazenda Instância Ilênia (48.4 ha) e
Fazenda Arrendada (60 ha) que se dividem em 13 áreas produtivas delineadas por pivôs
(sistema de irrigação).
Em 1993, o controle de entrada e saída dessas Fazendas passa a ser gerenciado por sua
cônjuge Josilene Cordeiro Orletti Cerqueira que controla os custos e lucros
separadamente de cada produção. Os dados referentes a esses controles são feitos
manualmente e inseridos na planilha do Excel, os dados inseridos no aplicativo são
obtidos através dos relatórios escritos pelos gerentes. Que por conseqüência trás
resultados demorados.
Os lucros estão relacionados com a produção feita em cada pivô. As despesas são
ligadas às necessidades de cada plantação quantificada no uso de insumos, defensivos,
fertilizantes, consumo de energia e dentre outras despesas que surgem durante o período
em que a plantação esta sobre o solo.
2.2 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Neste capítulo são apresentados os dados obtidos na pesquisa realizada no escritório das
Fazendas Ilídio Cerqueira Filho, situado no município de Pinheiros/ES. A apresentação
dos resultados é demonstrada através de gráficos que facilitam sua interpretação e
30
visualização. Os gráficos correspondem às respostas obtidas através do questionário
aplicado aos funcionários.
O questionário foi aplicado ao setor administrativo das Fazendas Ilídio Cerqueira Filho,
no qual é composto por 04 membros equivalente a 100% do quadro de funcionários.
Percebe-se no gráfico 1, que 100% dos funcionários responderam que as falhas
apresentadas pelo controle manual das entradas e saídas, afetam no rendimento da
produtividade e na rapidez da visualização dos lucros e gastos obtidos.
Gráfico 1: As falhas apresentadas pelo controle de entrada e saída afetam na qualidade e a rapidez
do processo produtivo?
Destaca-se no gráfico 2 que 50% dos funcionários encontram grande grau de
dificuldade ao manusear os controles feitos manualmente, 25% responderam que o grau
de dificuldade é regular, os outros 25% tem pouca dificuldade. Nenhum dos
funcionários respondeu que não tem dificuldade ao manusear os controles.
Gráfico 2: Qual o grau de dificuldade que você encontra ao manusear os controles manuais?
31
O gráfico 3 demonstra que a automação das atividades feitas manualmente é
considerada por 2 funcionários que correspondem a 50% da amostra à alteração mais
importante, 25% acreditam que a vantagem da alteração será na rapidez no processo das
informações e os outros 25% no maior avanço tecnológico.
Gráfico 3: Com o desenvolvimento de um sistema baseado no protótipo, qual alteração seria mais
importante?
No gráfico 4 apresenta-se que 100% dos funcionários consideram que os processos
executados manualmente interferem na qualidade e rapidez do processo produtivo.
Gráfico 4: Os processos executados manualmente interferem na qualidade e rapidez do processo
produtivo?
O gráfico 5 notifica que 100% dos funcionários do setor administrativo acreditam que
haverá melhorias no processo produtivo do objeto estudado com a implantação de um
sistema totalmente automatizado.
32
Gráfico 5: Com o sistema totalmente automatizado haverá melhorias no processo produtivo?
Finalizada a apresentação e análise dos dados, e com base nas informações obtidas
através do questionário, deu-se inicio a criação dos diagramas, dicionário de dados, e
telas do protótipo.
A modelagem de processos pode ser compreendida como uma maneira de representar
como será o funcionamento do sistema baseado no protótipo proposto nesse estudo,
nessa modelagem ilustra-se os ou atividades executadas e a transição de dados entre
elas.
O diagrama de contexto a ser aplicado neste estudo tem a funcionalidade de definir
como o processo operacional interage com o ambiente. O diagrama tem a finalidade de
exibir os fluxos dos dados que entram e saem das entidades externas, mostrando a
operacionalidade do sistema em um processo completo como um único processo, ou
seja, o próprio sistema.
No diagrama de fluxo de dados nível zero tem-se a apresentação dos processos que se
propõem em realizar com o sistema desenvolvido através do protótipo, mostra também
as entidades externas, os depósitos de dados e os fluxos de dados entre as atividades.
Dennis e Wixom (2005) falam que diagrama de relacionamento de entidades é um
retrato que mostra as informações criadas, usadas e armazenadas. Em que o analista
pode interpretá-lo para descobrir fragmentos individuais de informações no sistema e
como estão organizados e relacionados entre si.
A figura 1 ilustra-se o diagrama de relacionamento de entidades do protótipo onde
percebe-se a organização dos relacionamentos entre as entidades, que auxiliam no
entendimento das transições dos dados.
33
Figura 1 - Diagrama de Relacionamento de entidades.
Os conceitos e técnicas da abordagem a objetos deste protótipo se fundamentaram no
diagrama de caso de uso e no diagrama de classe.
O diagrama de caso de uso mostra a interação entre os usuários externos e o sistema que
posteriormente vem a ser desenvolvido com base no protótipo desse estudo, assim
capturando os requisitos do objeto de estudo para a orientação no desenvolvimento. O
diagrama de caso de uso a seguir comunica em um alto nível o que o sistema baseado
nesse protótipo precisa fazer.
34
Protótipo SCCA
Cadastrar Cliente
Cliente
Efetuar Pedido
Pagar Pedido
Cadastrar Cultura
Usuário
Cadastrar Pivô
Cadastrar Usuário
Cadastrar
Fornecedor
Solicitar
Mercadoria
Fornecedor
Figura 2 - Diagrama de Caso de Uso
O diagrama de classes demonstrado a seguir exibe a natureza estática do sistema a ser
desenvolvido a partir desse estudo, ilustrando os relacionamentos entre as classes do
sistema representando classes, que incluem atributos, estados e comportamentos.
35
Cliente
Pedido
+Cod_Cli
+Nome Cli
+CPF/CNPJ_Cli
+RG_Cli
+Endereco_Cli
+Bairro_Cli
+Cidade_Cli
+UF_Cli
+Email_Cli
+Telefone_Cli
+Celular_Cli
+Observação_Cli
+Cod_usu
+alterar()
+excluir()
+pesquisar()
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Pivô
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Usuário
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Fornecedor
Caixa
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Mercadoria
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Cultura
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+Nome_For
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+Telefone_For
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+Observação_For
+Cod_Usu
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+imprimir()
+incluir()
Figura 3 - Diagrama de Classes
Com a análise dos dados e a elaboração dos diagramas com base nas informações
obtidas através do questionário e das literaturas, com a finalidade de construir o
protótipo do sistema capaz de gerenciar os controle de entrada e saída, arquitetou-se as
telas do protótipo, que estão apresentadas abaixo.
A tela de login no sistema apresentada a seguir, demonstra a entrada do usuário no
sistema onde o mesmo inseri o seu login e senha para ter acesso as funcionalidades e
processos.
Figura 4 - Tela de Login
36
Após a entrada no sistema construído com base nesse estudo o usuário tem acesso à tela
principal, onde ao clicar no menu cadastros ele irá encontrar os links para executar
todos os cadastros do sistema e no menu movimentação o mesmo tem acesso as telas de
caixa e pedido.
Figura 5 - Tela Principal
Na tela de cadastro de cliente encontram-se os campos destinados a inserir os dados do
cliente, sendo nome, cadastro de pessoa física ou cadastro nacional de pessoa jurídica,
registro geral, endereço completo, telefones e observação. Que possibilita ao usuário um
acesso fácil aos clientes já cadastrados e um controle sobre as informações dos mesmos.
Figura 6 - Tela de Cadastro de Clientes
37
Na tela de Cadastro de pivô têm-se o campo código que identifica qual é o número de
controle da área de terra, esse código é preenchido automaticamente. Os campos nome e
cultura são preenchidos pelo usuário, onde nome identifica a nomeação da área dada
pelos gestores e o campo cultura identifica a plantação que está sobre o solo da mesma.
Figura 7 - Tela de Cadastro de Pivô.
A tela de cadastro de mercadorias registra os itens solicitados pelo objeto de estudo ao
fornecedor, onde código é uma variável auto-incremental destinada a organização dos
itens, descrição é o campo onde se descreve a mercadoria solicitada, fornecedor
representa de quem se solicitou mercadoria, pivô é onde essa mercadoria vai ser
aplicada, cultura é onde a mesma será usada, quantidade exibe o quanto de solicitou e
valor unitário é o valor individual de cada mercadoria, o campo valor total se preenche
automaticamente a medida em que as mercadorias são lançadas na tela.
Figura 8 - Tela de Cadastro de Mercadorias
38
Na tela caixa apresentam-se os campos onde se registram as venda efetuadas. Lançando
a cultura de onde o produto foi extraído, qual cliente está adquirindo, a data da venda, o
peso do produto, a quantidade, o valor do pedido e o valor total da nota, após o
lançamento desses dados, clica-se no botão de relatório e é impresso a lista de tudo que
foi adquirido, bem como os seus respectivos valores e o valor totalitário da venda.
Figura 9 - Tela de Caixa
Na tela de cadastro de usuários apresentadas a baixo tem-se os campos: Código que é
preenchido automaticamente pelo sistema, nome onde é inserido o nome do novo
usuário que terá acesso ao sistema desenvolvido com base nesse protótipo e o login e
senha para a realização da entrada do novo usuário ao sistema.
Figura 10 - Tela de Cadastros de Usuários
Na tela cadastro de cultura apresentada a seguir exibi-se os dados necessários para o
cadastro da cultura ser realizado com sucesso, onde código que é preenchido
automaticamente pelo sistema, nome representa o nome da plantação que será
introduzida no solo, data inicial é a data de inicio da safra, data final é a data de
finalização da safra e o campo gerente é onde se identifica qual é o gestor responsável
pela plantação.
39
Figura 11 - Tela de Cadastro de Cultura
Em análise a tela pedido exibida abaixo apresentam-se os campo: Cógido, que é autoincremental, ou seja, preenchido automaticamente pelo sistema, cliente onde se inclui o
cliente que fez a solicitação do produto, o campo cultura que mostra qual é o produto
requerido, valor mostra o valor a ser pago, total do pedido representa o valor total do
pedido feito e data do pedido é qual a data que o pedido será atendido.
Figura 12 - Tela de Cadastro de Pedido
Na tela cadastro de fornecedor têm-se o controle de quais são os abastecedores do
estoque, onde o campo código é preenchido automaticamente pelo sistema, nome
identifica qual é o fornecedor da mercadoria, CNPJ é o cadastro nacional de pessoa
jurídica, telefone é o numero de contato com o abastecedor, e-mail é o endereço
eletrônico do mesmo, e o campo observação é onde se insere as demais informações
necessárias para contato com os fornecedores.
40
Figura 13 - Tela de Cadastro de Fornecedor
3 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
3.1 CONCLUSÕES
Este estudo permitiu observar que o controle dos custos e lucros das Fazendas Ilídio
Cerqueira Filho podem vir a ser executados com a criação de um sistema baseado na
ideologia e na análise realizada para a construção do Protótipo SCCA. Sendo assim,
todo trabalho manual que acarreta uma perda de tempo seria extinto, auxiliando os
gestores numa visão eficiente das informações necessárias para traçarem suas
estratégias de mercado.
Partindo dos procedimentos usados no trabalho adquirimos embasamento nas
informações coletadas dos funcionários das Fazendas Ilídio Cerqueira Filho que
relataram o principal problema da empresa, sendo assim, mencionamos nos objetivos
gerais e específicos como essas questões foram declaradas. Para a solução do problema,
buscamos usar mecanismos como: coleta e analise de dados e fontes de informações
para o alcance dos resultados obtidos.
O objetivo geral desse estudo foi de desenvolver um protótipo capaz de fazer um
controle das entradas e saídas dos lucros do objeto de estudo. Assim, o mesmo foi
respondido no capítulo 3 deste estudo, pois com a obtenção das informações a partir do
questionário aplicado, dado inicio processo de construção do Protótipo SCCA .
O primeiro objetivo especifico proposto foi de buscar informações na literatura sobre o
tema estudado. Como mostra o capítulo 2, o mesmo foi alcançado, pois com base nas
informações contidas nas bibliografias estudadas obteve-se embasamento para
desenvolver o protótipo.
41
No segundo objetivo específico onde foi proposto levantar as necessidades das
Fazendas Ilídio Cerqueira Filho para o desenvolvimento do protótipo, foi realizada uma
visita ao escritório para observação das necessidades presentes na gestão, onde se
analisou os dados usados para realizar os controles dos lucros e custos.
Respondendo ao terceiro objetivo específico que busca desenvolver um modelo do
sistema com todos os processos necessários para atender a necessidade da gestão
administrativa das Fazendas Ilídio Cerqueira Filho, destaca-se o estudo de caso e
análise dos dados presentes no item 2 deste artigo, que evidenciam a criação do
protótipo, de um sistema totalmente adaptado à realidade das Fazendas.
Conclui-se então que o Protótipo de Sistema de Controle de Custos Agrícola que foi
desenvolvido para as Fazendas Ilídio Cerqueira Filho, situado na cidade de Pinheiros –
ES apresenta resultados positivos diante da realidade do escritório, pois a utilização de
um sistema de informação criado com a ideologia e análise presentes nesse estudo
proporcionarão aos funcionários envolvidos no processo administrativo maior rapidez e
qualidade na execução de suas atividades.
3.2 RECOMENDAÇÕES
As atividades agrícolas nos últimos anos têm obtido um grande crescimento, e esta
contém uma grande representatividade no mercado nacional, porém, mesmo com esses
avanços, há poucos estudos dos controles de entradas e saídas de maneira otimizada
direcionados para atividades administrativas relacionadas à agricultura, principalmente
no quesito tecnologia.
Dessa forma, recomenda-se que seja desenvolvido e implementado um sistema baseado
no Protótipo SCCA criado neste estudo, para atender as Fazendas Ilidio Cerqueira
Filho. Recomenda-se também que estudos relacionados à informatização das atividade
administrativas ligadas à agricultura sejam realizados, principalmente sobre inovações
tecnológicas que são fundamentais para que esse importante segmento continue
crescendo.
REFERÊNCIAS
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Books,2002
2. CAMPOS, André. Sistema de Segurança da Informação. 2 ed. Florianópolis: Visual
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2004.
4. COUGO, Paulo Sérgio. Modelagem Conceitual e Projeto de Banco de Dados. 18
reimpressão, Rio de Janeiro: Elsevier, 1997
42
5. DENNIS, Alan; MIXON, Barbara Harley. Análise e Projeto de Sistemas. 2.ed. Rio de
Janeiro: LTC Editora, 2005.
6. FOINA, Paulo Rogério. Tecnologia da Informação: planejamento e gestão. 1.ed. São
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7. HEUSER, Carlos Alberto. Projeto de Banco de Dados. 6.ed. Porto Alegre: Bookman,
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8. LAUDON, Renneth C.; LAUDON, Jane P. Sistema de Informação Gerencial. 7.ed.
São Paulo:Pearson, 2007.
9. LIPPMAN, Stanley B. C# um Guia Prático. 1.ed. São Paulo: Artmed Editora S.A.,
2003
10. MACHADO, Felipe Nery Rodrigues. Projeto e implementação de banco de dados.
2.ed. São Paulo: Érica, 2008
11. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do Trabalho
Científico. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006.
12. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amuru. Teoria Geral da Administração da Revolução
Urbana à Revolução Digital. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2010.
13. NORTON, Peter. Introdução à Informática. 1.ed. São Paulo: Pearson Makron Books,
1996.
14. OLIVEIRA, Jayr Figueiredo de. Sistemas de Informação: um enfoque gerencial
inserido no contexto empresarial e tecnologia. 3.ed. São Paulo: Érica, 2000.
15. SAID, Ricardo. Curso de Lógica de Programação. 1.ed. São Paulo: Digerate Book,
2007.
16. SHARP, John. Microsoft Visual C# 2008: Passo a Passo. 1.ed. Porto Alegre:
Bookman, 2008.
17. TACHIZAWA, Takeshy. Gestão Ambiental e Responsabilidade Social Corporativa.
5. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
18. TEOREY, Toby J. Projeto e Modelagem de Banco de Dados. 4.ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2007.
43
TERMINAL NORTE CAPIXABA DE SÃO MATEUS – ESPÍRITO
SANTO: COMO O EMPREENDEDOR TRANSPETRO
ACOMPANHA OS IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS E
AMBIENTAIS NA COMUNIDADE DE CAMPO GRANDE
Éricka de Souza Colombi9
Júlio Flávio Soares10
Karla Karolliny Emídio da Silva11
Wilton Silva Rocha12
RESUMO
Este trabalho tem como principal objetivo apresentar de forma concisa como o Terminal
Norte Capixaba de São Mateus - que é operado pela empresa TRANSPETRO, que atua
no ramo de Petróleo - se relaciona com a comunidade de Campo Grande, ressaltando os
impactos socioeconômicos e ambientais gerados. O foco principal foi a identificação
dos pontos positivos e negativos que surgiram após a implantação do empreendimento e
como a empresa monitora e gerencia essa situação, por meio de programas de
integração socioeducativos visando à conscientização da comunidade do entorno.
PALAVRAS-CHAVES: Empresa; Petróleo; Conscientização.
ABSTRACT
This work has as main objective to present concisely as the North Terminal Capixaba of
St. Matthew - which is operated by Transpetro, which operates in the field of Oil relates to the community of Campo Grande, emphasizing the socioeconomic and
environmental impacts generated. The main focus was to identify the strengths and
weaknesses that have emerged after the implementation of the project and how the
company monitors and manages this situation by means of integration programs aiming
at the socio-educational community awareness of the surroundings.
Keywords: Company; Petroleum; Awareness.
1 INTRODUÇÃO
Diante dos grandes avanços econômicos pelos quais o mundo está passando, não se
pode deixar de mencionar um dos fatores que mais contribui para esse desenvolvimento
socioeconômico da humanidade, que é o petróleo. Quando se trata da questão
econômica, ele movimenta o mundo, trazendo desenvolvimento e riquezas para os
países que o exportam e os que dispõem de tecnologia derivada do produto.
9
Graduada em Petróleo e Gás pela Faculdade Norte Capixaba de São Mateus – UNISAM.
Especialista em Direito Processual Penal, Civil e Administrativo e Professor da Faculdade Norte
Capixaba de São Mateus.
11
Graduada em Petróleo e Gás pela Faculdade Norte Capixaba de São Mateus – UNISAM.
12
Graduado em Petróleo e Gás pela Faculdade Norte Capixaba de São Mateus – UNISAM.
10
44
Contudo, na questão ambiental, sabemos que desde o processo de extração até
transformação química do petróleo há prejuízos, pois o mesmo pode agredir o meio
ambiente em todas as etapas: durante a extração, devido à possibilidade de derrame;
durante o transporte, durante o refino, onde ocorre a emissão de gases na atmosfera,
impactando no aumento do efeito estufa e até mesmo no consumo.
Considerando os possíveis impactos ambientais, nas últimas décadas, as empresas
exploradoras de petróleo perceberam a necessidade de uma gestão de recursos para
direcioná-los a uma prática voltada para a sustentabilidade, através de um
gerenciamento adequado. Nesse contexto insere-se a preocupação com a comunidade
presente no local onde a empresa atuará, pois se entende fazer parte do leque de
preocupações ambientais. Dessa forma, deve-se buscar acompanhar a percepção da
empresa, mesmo após a implantação do projeto e durante todo o ciclo de vida do
mesmo.
No Brasil, os impactos ambientais são avaliados por dois documentos: o EIA (Estudos
de Impactos Ambientais), que aprofunda o estudo dos impactos ambientais que o
empreendimento possa vir a gerar e o RIMA (Relatório de Impactos Ambientais), que
apresenta uma linguagem mais acessível para facilitar a análise por parte do público
interessado. O embasamento jurídico é a Lei Federal nº. 6.938/81, que estabeleceu a
Política Nacional do Meio Ambiente se tornando o maior instrumento utilizado pelos
órgãos ambientais no Brasil.
A audiência pública, ato solene executado antes da aprovação do projeto, já envolve as
comunidades na análise dos impactos ambientais decorrentes do empreendimento. O
envolvimento da comunidade do entorno é fator de extrema importância. Demonstra um
processo legal e democrático, proporcionando o exercício da cidadania e a troca de
informações, produzindo um bom relacionamento entre ambas as partes.
Neste contexto, surge então a execução de um estudo de caso com o objetivo de
observar como uma empresa que atua no ramo de petróleo lida com questões ambientais
e socioeconômicas da comunidade do entorno após a implantação do empreendimento.
Em virtude disso, este trabalho busca através de entrevistas e pesquisas realizadas a
resposta do seguinte problema: Em que a implantação do Terminal Norte Capixaba
afetou o entorno, especificamente a comunidade de Campo Grande, e se há
preocupação da empresa em monitorar os impactos gerados?
Para proporcionar melhor entendimento em relação ao problema a pesquisa pretende
alcançar os seguintes objetivos específicos:



Entrevistar os habitantes da comunidade de Campo Grande;
Analisar o local, os pontos positivos e negativos, se houver;
Mostrar a importância da realização desse estudo.
Acredita-se que ao final da pesquisa será identificado que a empresa está
acompanhando de maneira adequada os impactos gerados com a implantação desse
empreendimento, solucionando os possíveis problemas.
45
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 IMPLANTAÇÃO DE UMA EMPRESA PETROLÍFERA
O processo de implantação de uma empresa em determinada área não é uma tarefa tão
simples para se executar, principalmente quando o empreendimento é de potencial
poluidor, como é o caso das empresas que atuam na área do petróleo e que atualmente,
dão subsídio para o elevado crescimento da economia nacional e internacional.
Sabe-se que uma empresa com esse potencial é nociva ao meio ambiente, gerando
assim, grandes preocupações e por isso, antes de sua implantação, é preciso que se
cumpra a legislação ambiental em vigor atendendo às condicionantes exigidas. Cabe
ressaltar que a preocupação ambiental vem crescendo cada vez mais, não só em
empresas petrolíferas, mas sim, nas demais organizações, visando a atingir um
desempenho ambiental satisfatório, controlando os impactos gerados em suas
operações, e com isso, a legislação ambiental vem se tornando cada vez mais exigente.
Nesse contexto, com o intuito de proporcionar que as organizações alcancem de forma
eficaz seus objetivos econômicos e ambientais, foram criadas as normas de gestão
ambiental.
A política Nacional do Meio Ambiente – lei 6.938/81 em seu artigo 3º define Meio
Ambiente como “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física,
química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
Com base nesta definição, percebe-se a grande responsabilidade que o empreendimento
deve assumir nas suas atividades, pois qualquer falha na operação pode modificar
completamente o meio ambiental, podendo causar danos irreversíveis. Para manter o
controle dessas atividades e dar proteção ao meio ambiente, além do sistema de gestão
ambiental, a empresa precisa obter o licenciamento ambiental antes de sua instalação.
2.2 LICENCIAMENTO AMBIENTAL
CONAMA (1997, p. 1), em seu artigo 1º define licenciamento ambiental como:
Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a
localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades
utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente
poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação
ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas
técnicas aplicáveis ao caso.
CONAMA (1997, p. 2 e 3), em seu artigo 8º, expõe que:
O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as
seguintes licenças:
46
I – Licença Prévia (LP) – concedida na fase preliminar do planejamento do
empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a
viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e
condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação;
II – Licença de Instalação (LI) – autoriza a instalação do empreendimento ou
atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e
projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental, e demais
condicionantes, da qual constituem motivo determinante;
III – Licença de Operação (LO) – autoriza a operação da atividade ou
empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das
licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes
determinadas para a operação.
Kahn (2003, p. 75) discorre sobre a concessão do licenciamento ambiental, afirmando
que:
A Política Nacional do Meio Ambiente – lei 6.938/81, nos seus artigos 10 e 11,
estabeleceu as competências para concessão do licenciamento ambiental. Por
aquela lei, compete primariamente ao órgão ambiental estadual licenciar
atividades ou obras consideradas potencialmente poluidoras. A mesma lei
determina que a União, através do IBAMA, poderá atuar supletivamente
licenciando, na falta de iniciativa do órgão ambiental estadual, ou de forma
obrigatória, quando a atividade ou obra representar significativo impacto
ambiental nacional ou regional, desde que seja considerado significativo.
Segundo o IBAMA, o licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia quando se
quer instalar qualquer empreendimento ou atividade que tenha caráter poluidor ou que
seja nociva ao meio ambiente e possui como característica muito forte a participação da
comunidade na escolha das decisões, apresentando o teor do estudo aos interessados,
sendo este processo chamado de Audiência Pública.
O IBAMA é o órgão executor do SISNAMA (Sistema Nacional de Meio Ambiente)
com capacidade para autorizar projetos de grandes infra-estruturas, que possam causar
impactos em demais estados, além de licenciar as atividades que envolvam exploração e
produção de petróleo, ou seja, atividades realizadas na plataforma continental.
Segundo Kahn (2003, p. 77):
As atividades de exploração e produção de petróleo na plataforma continental são
licenciadas pelo IBAMA. Existe um instrumento denominado “Termo de
Referência” e é através dele que o órgão concedente da licença determina os
elementos que julga necessário fornecer para que o corpo técnico do órgão
concedente possa analisar os pontos que considera importantes.Este estudo é
muito importante no sentido de dar maior segurança a quem irá deferir ou
indeferir o pedido de licença ambiental.
O “Termo de Referência” citado por Kahn (2003) consiste em uma ferramenta poderosa
para efetuar o Estudo de Impacto Ambiental, pois o mesmo oferece subsídio para que se
concretizem os objetivos do empreendimento e consequentemente atinjam as metas
desejadas.
O conceito de impacto ambiental, segundo Valle (2010) é definido como a modificação
do meio ambiente em relação às suas propriedades químicas, físicas e biológicas,
47
causadas pela ação do homem de forma direta ou indireta provocando alteração nas
atividades socioeconômicas, bem como a qualidade dos recursos ambientais.
Por isso quando se tem algum projeto de grande influência a ser implantado em
determinada área, se faz necessário realizar um estudo de impacto ambiental (EIA),
visto que esse projeto possa ocasionar consideráveis alterações ao meio ambiente.
Considerando que o EIA é um documento técnico com informações relacionadas ao
processo e por conter características das instalações não acessíveis a qualquer cidadão,
ou seja, restritas, se fez necessária a criação de um documento elaborado em uma
linguagem mais simples, de forma que todos tenham acesso, permitindo a formação de
um conceito do empreendimento. Esse documento é denominado RIMA. Sendo assim,
percebe-se a grande importância que os estudos elaborados com base nas legislações
existentes exercem, porém isso não é o bastante. Esses documentos não são criados para
ficarem apenas no papel, mas sim, devem ser colocados em prática, visando
principalmente o desenvolvimento sustentável, com o auxílio de programas que
envolvam responsabilidades sociais e educação ambiental.
2.3 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL
Se baseando na Política Nacional de Educação Ambiental, Valle (2010, p. 35) expõe o
conceito de educação ambiental:
[...] os processos por meio dos quais o individuo e a coletividade constroem
valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas
para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à
sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.
Esses processos, de um modo geral, consistem numa forma de conscientizar as partes
interessadas para atingir um único objetivo: preservar o meio ambiente. Essa
conscientização é obtida por meio de inúmeras ações, como palestras, seminários
externos e internos, campanhas, etc. que devem ser implantadas pela organização.
A responsabilidade social é um fator de extrema importância, pois faculta à comunidade
o poder de permitir que o empreendimento exista. Nesse sentido, a empresa se sujeita a
atender às expectativas da sociedade, comprometendo-se também com os problemas
sociais, caso pretenda permanecer em longo prazo.
Segundo Donaire (2009) apud Carrol (1979) observou-se que essa responsabilidade
social das organizações refere-se às expectativas socioeconômicas e éticas, as quais a
sociedade espera que as empresas realizem em um tempo determinado. Desse modo, o
empreendimento deve dispor de ferramentas que proporcionem um pleno
funcionamento de suas atividades e cumprir com suas responsabilidades visando manter
o bom relacionamento com a comunidade e demais interessados atendendo aos seus
respectivos anseios.
48
3 METODOLOGIA
Para a realização do trabalho adotou-se a pesquisa descritiva que segundo Gil (2007, p.
42) tem como “objetivo primordial a descrição das características de determinada
população por fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis”. Vale
ressaltar que os fatos neste tipo de pesquisa “são observados, registrados, analisados,
classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles” (ANDRADE, 2006,
p. 124).
A sustentação desse trabalho se dá por meio de informações obtidas através de
pesquisas em documentos, internet, questionários e entrevistas. Sendo assim, através
destes, foi realizado um estudo de caso com a comunidade de Campo Grande em
relação ao TNC.
4 ESTUDO DE CASO
O estudo de caso foi realizado no Terminal Norte Capixaba, que se trata de um terminal
aquaviário de estocagem de óleo pesado e leve, especificamente situado na área rural de
Campo Grande, município de São Mateus.
Por se encontrar entre o mar, mangues e comunidades próximas, a região onde o TNC
está localizado se torna muito sensível, e por isso, considerando esses fatores, antes da
implantação do TNC - sendo o mesmo situado em uma área que já se encontrava
desmatada antes de sua construção - foi realizado um estudo dos impactos ambientais,
no qual foi elaborado o RIMA, baseando-se no Termo de Referência aprovado pela
Secretaria de Estado para Assuntos do Meio Ambiente-SEAMA, por atender a
legislação ambiental em questão.
O RIMA (2002) do TNC apresenta em uma linguagem direta, o Estudo de Impacto
Ambiental (EIA), disponibilizando os resultados do mesmo para a sociedade, de acordo
com os procedimentos do processo de licenciamento ambiental da empresa.
A construção do Terminal Norte Capixaba viabilizou a permissão do escoamento
da nova curva de produção da Unidade de Negócios de Exploração e Produção do
Espírito Santo, área de ação do Ativo de Produção Norte Capixaba (UNES/ATPNC), principalmente do óleo pesado proveniente do campo de Fazenda Alegre.
(RIMA, 2002, pag. 10).
Em relação às atividades do empreendimento, o óleo pesado é extraído dos
campos onshore do Espírito Santo, tratado na Estação Fazenda Alegre e encaminhado
através de dutos para o TNC.
Esse sistema de transporte através de dutos foi desenvolvido para atender as
necessidades de escoamento e operação da Estação de Fazenda Alegre e do Terminal
Norte Capixaba, sendo prevista a construção de um sistema composto por cinco dutos,
com o intuito de:
49



Escoar o óleo da Estação de Fazenda Alegre para o Terminal Norte
Capixaba e deste para a instalação de embarque;
Escoar o gás combustível da Estação de Fazenda Cedro para a Estação
de Fazenda Alegre;
Interligar o oleoduto São Mateus - Fazenda Cedro ao Terminal Norte
Capixaba; ( RIMA,2002, p. 09)
Além de apresentar os impactos ocasionados com a construção do empreendimento, o
RIMA do TNC também apresenta diversos fatores como as influências sobre a
economia Estadual e Municipal,
A instalação do Terminal Norte Capixaba representa uma excelente oportunidade
para os municípios de São Mateus e Jaguaré ampliarem o seu dinamismo
econômico, suas vantagens locacionais e aumentar substancialmente sua
capacidade de investimento em infra-estrutura e programas sociais voltados para a
população do seu município, em decorrência do crescimento da arrecadação de
ISS e ampliação da participação na divisão dos royalties e no ICMS.(RIMA,2002,
p. 60)
De fato, com a instalação do TNC, consequentemente houve um aumento significativo
do turismo na Comunidade de Campo Grande e as demais comunidades do entorno,
bem como o aumento da população (Gráfico 1), pela valorização dos terrenos e a
criação de estradas na região após a chegada do Terminal.
GRÁFICO 1 – AUMENTO DA POPULAÇÃO E DO TURISMO
3.1 CERTIFICAÇÃO DA EMPRESA
Em sua política interna, o Terminal Norte Capixaba é certificado na ISO 14001; ISO
9001 e OHSAS 18001. Quanto à questão de comunidades a política ambiental trata da
seguinte forma:
A alta administração deve definir a política ambiental da organização e assegurar
que, dentro do escopo definido de seu sistema da gestão ambiental, a política:
50
a) seja apropriada à natureza, escala e impactos ambientais de suas atividades,
produtos e serviços,
b) inclua um comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção de
poluição,
c) inclua um comprometimento em atender aos requisitos legais aplicáveis e
outros requisitos subscritos pela organização que se relacionem a seus
aspectos ambientais,
d) forneça uma estrutura para o estabelecimento e análise dos objetivos e metas
ambientais,
e) seja documentada, implementada e mantida,
f) seja comunicada a todos que trabalhem na organização ou que atuem em seu
nome, e
g) esteja disponível para o público. (ISO 14001:2004, p. 4)
Conforme o exposto acima, a ISO expõe a defesa e preservação do meio ambiente, por
meio da implantação de sistemas de gestão ambiental dentro da organização, além do
compromisso com o público.
De fato, o meio ambiente está vulnerável à ação do homem que é o responsável pelo
desequilíbrio do mesmo, gerando grandes impactos e com isso, afetando todo o planeta.
Levando em consideração o estudo realizado, a organização ao implantar o
empreendimento fez uma avaliação do local escolhido e dos possíveis impactos que
seriam gerados com a formulação do RIMA, acima mencionado, tendo em vista o
desenvolvimento sustentável, onde a empresa assume o comprometimento com a
população local, de modo que todos tenham qualidade de vida e direito ao meio
ambiente equilibrado ecologicamente, sendo preservado e defendido não só para a
presente geração, mas também para as gerações futuras. Assim sendo, o Terminal Norte
Capixaba foi o empreendimento contemplado para este estudo com o intuito de observar
como a empresa acompanha os respectivos impactos que surgiram na comunidade do
entorno durante sua instalação. Levando em consideração que o TNC atua no ramo da
logística da indústria do petróleo, a possibilidade de impactos ambientais e
socioeconômicos é identificado no levantamento de aspectos e impactos da indústria do
petróleo.
Em tratando das responsabilidades sociais do TNC, de acordo com o RIMA foram
criados programas de monitoramento e acompanhamento dos impactos ambientais de
natureza preventiva e/ou mitigadora que foram implementados pela Petrobrás.
Programa de Educação Ambiental - Promover Programa de Educação Ambiental
para os trabalhadores e Comunidade adjacente ao Empreendimento, durante sua
fase de implantação, com o objetivo de transmitir informações e conceitos
importantes para a preservação do meio ambiente.
Programa de Comunicação Social Empresa-Comunidade. - Para que sejam
evitadas expectativas infundadas sobre o Empreendimento, deverá ser
desenvolvido um Programa de Comunicação Social Empresa-Comunidade para
informar à população quais são os reais impactos e benefícios que serão gerados.
Programa de Saúde e Segurança do Trabalhador - Implantar programas
preventivos de saúde e segurança do trabalho, durante a construção e operação do
Terminal Norte Capixaba, conforme as exigências das normas regulamentadoras
do Ministério do Trabalho. (RIMA, 2002, p. 71)
51
Durante a visita ao Terminal Norte Capixaba, o representante técnico de meio ambiente
afirmou que esses programas são realizados com frequência no regime interno da
empresa e com o meio externo, que representa a comunidade.
GRÁFICO 2 - PROGRAMAS DE MONITORAMENTO E ACOMPANHAMENTO DOS IMPACTOS
AMBIENTAIS.
3.2 COMUNIDADE DE CAMPO GRANDE
Campo Grande é um município de São Mateus – Espírito Santo e tem uma população
de 253 moradores. Sua localidade é à beira da praia e também do manguezal.
TABELA 1 - POPULAÇÃO RESIDENTE, DIVISÃO POR SEXO E FAIXA ETÁRIA (2009).
Faixa Etária
<1
1a4
5a6
7a9
10 a 14
15 a 19
20 a 39
40 a 49
50 a 59
>60
Total
Sexo
Masculino
1
13
1
7
12
13
35
18
14
15
129
Feminino
11
10
6
14
11
44
14
8
6
124
Fonte: Petróleo Brasileiro S.A. - Ativo de Produção Norte Capixaba.
Com as entrevistas realizadas na comunidade, é perceptível que a principal atividade
econômica dos moradores da comunidade provém basicamente da cata dos caranguejos
e da pesca. No local há apenas um bar e outro morador que comercializa na porta de sua
casa alguns alimentos supérfluos. Desse modo, é perceptível a precariedade do
comércio na comunidade.
52
A geração de empregos se intensificou com as atividades petroleiras, devido à
implantação do Terminal Norte Capixaba, porém a pesca também é exercida como uma
profissão.
Se for feito um comparativo entre as duas comunidades que ficam mais perto do
Terminal, a comunidade de Campo Grande se destaca na Educação, pois tem uma
escola que atende até o 5º ano (Figura I), uma unidade de saúde e um centro de
convivência (Figura II) que foi instalado em 2005 pela Petrobrás.
No centro de convivência, as pessoas se reúnem no auditório, e há também outras salas
para realização de cursos, como por exemplo, o curso de informática.
FIGURA I – ESCOLA EM CAMPO GRANDE.
FIGURA II – CENTRO DE CONVIVÊNCIA.
Fonte das Figuras I e II: Petróleo Brasileiro S.A. - Ativo de Produção Norte Capixaba.
Por outro lado, quando o assunto é serviço público, Campo Grande se encontra em um
patamar inferior ao de Barra Nova, pois segundo um estudo feito da PETROBRAS,
apenas 5,4% da população recebe abastecimento de água pela rede pública e 45,9%
através de poços ou nascentes e o restante através de outras maneiras. Segundo um
morador da comunidade muitas famílias recebem água do carro pipa.
A implantação do Terminal Norte Capixaba em Campo Grande gerou pontos positivos e
negativos (Gráfico 3) para a comunidade. Com base nos dados apurados durante a
entrevista realizada, foi possível perceber a alteração de alguns fatores a se pontuar:


Como ponto positivo, houve a geração de emprego para os próprios moradores da
comunidade, de modo que na maior parte das famílias da região, há uma pessoa
ingressada no TNC.
Houve a abertura de estradas com a movimentação frequente de veículos de pequeno e
grande porte, ligando a BR 101 para permitir a flexibilidade do acesso ao TNC,
possibilitando o aumento do fluxo de pessoas pelas comunidades.
53


O advento da energia elétrica após a instalação do empreendimento, foi também um
ponto de grande destaque, levando em consideração que antigamente isso era uma
possibilidade remota.
A diminuição nas atividades de cata de caranguejos (Gráfico IV), que antes, eram
abundantes na região na qual dava aos moradores o direito de escolhê-los sem grandes
esforços no processo da cata, graças ao aumento da população na comunidade. Os
moradores também alegam que houve um derrame de óleo que afetou o mangue no ano
de 2005, provocando a escassez de caranguejos na região, porém a empresa alega que a
doença do caranguejo foi o motivo para a quase erradicação destes na região.
Sobre a doença do caranguejo, Coimbra (2005, p.1) comprova:
A síndrome ou doença do caranguejo letárgica afeta o caranguejo-uçá (ucides
cordatus), o mais consumido, e leva o animal contaminado à morte em 12 horas.
O animal contaminado não reage a estímulos e não resiste à manipulação. A
doença é causada pelo fungo do filo Ascomycota, subfilo Pezizomycotina, como
aponta um grupo de pesquisadores do Paraná.
A doença do caranguejo chegou ao Espírito Santo há menos de dois meses, mas
só na semana passada o Ibama foi informado do problema. O primeiro foco foi
identificado em Campo Grande, no município de São Mateus, norte do Estado.
A partir deste acontecimento, a quantidade de caranguejos em Campo Grande diminuiu
consideravelmente conforme o previsto, porém fica exposto que a TRANSPETRO não
contribuiu para tal desequilíbrio.
Coimbra (2005, p.1) ainda ressalta:
O coordenador do Grupo Gestor diz não ter procedência a informação de
pescadores de Campo Grande de que os animais morreram afetados por poluentes
lançados pela Petrobras. Na região houve vazamento de betonita, há cerca de um
mês, mas o acidente foi restrito a uma pequena área e controlado. A betonita é
uma espécie de argila mineral. Sua composição química é sílica (SiO2) 60,2%,
alumina (Al2O3) 18,5%, ferro (Fe2O3) 7,2%, magnésio (MgO) 2,0%, cálcio
(CaO) 2,4%, sódio (Na2O) 2,5%, água combinada (H2O) 6,0% e, outros
componentes, 1,2%.
Apesar da coincidência das datas em que ocorreu a doença e o vazamento de betonita na
região, fica explícita a ideia de que a empresa não foi culpada pelo ocorrido, alegando
ser uma acusação por parte dos moradores, pois possui total controle de suas ações
mitigadoras em relação aos impactos provenientes da mesma.


O festival de caranguejos que eles promovem todo ano, motivado pela fartura que havia
desse crustáceo, que antes conseguiam realizar apenas com a cata, hoje já não é tão
simples, pois é preciso ir buscar caranguejos em outros lugares para a realização do
evento.
Quanto aos ruídos (Gráfico 4), o TNC não causa incômodo, porém cita-se que logo no
início de seu funcionamento, o que incomodava eram carretas que passavam fazendo
barulho em horários impróprios (madrugada) e isso ocasionou uma manifestação da
comunidade, quando interditaram as estradas, julgando o fato como uma falta de
respeito da empresa quanto ao horário, sanando assim o problema.
54
De acordo com a apuração dos dados coletados na comunidade foi possível perceber
que no início, o entendimento entre a empresa e os habitantes não foi muito amigável,
até porque o TNC, de certa forma, fez com que a sociedade em questão adotasse um
novo padrão de vida. Mas com o tempo através de reuniões que acontecem
constantemente entre eles, e as medidas de minimização por parte da TRANSPETRO
dos fatores que causaram insatisfação nos habitantes, houve uma conciliação entre
ambos, que conseqüentemente gerou um melhor relacionamento.
GRÁFICO 3 - RELAÇÃO DOS PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS COM A IMPLANTAÇÃO DO
TERMINAL NORTE CAPIXABA COM A COMUNIDADE.
GRÁFICO 4 - IMPACTOS
35
Houve diminuição de
caranguejos depois da
implantação do Terminal?
30
25
20
Houve alteração na
qualidade da água?
15
10
O Empreendimento causa
incômodo como ruídos?
5
0
Sim
Não
3.3 RELACIONAMENTO DA EMPRESA COM A COMUNIDADE DE CAMPO
GRANDE
Em uma visita realizada à empresa, orientada pelo representante técnico de meio
ambiente pode-se perceber que atualmente a empresa promove muitas palestras para a
comunidade, com o objetivo de levar o conhecimento dos riscos e benefícios para todos
os habitantes locais e conscientizá-los sobre a preservação do meio ambiente, além de
trazer muitos benefícios como a construção do centro de convivência e o posto de saúde
através de um convênio com a prefeitura, para proporcionar uma melhor interação entre
os moradores de Campo Grande.
55
O relacionamento da empresa com a comunidade do entorno é dividido em duas partes:


Relacionamento de atendimento considerando as leis determinadas, que são definidas
como condicionantes ambientais, as quais baseiam-se na legislação ambiental;
Relacionamento independente de condicionantes, ou seja, ações voltadas somente para a
interação com a comunidade.
A TRANSPETRO, dentre as muitas ações que exerce com as partes interessadas, realiza
um trabalho com a população de Campo Grande envolvendo:









Integração de SMS;
Porta a porta nas comunidades, envolvendo a divulgação de algum evento por meio de
panfletos e simulados;
Apóia projetos como o Dia Mundial da Alimentação nas Escolas, também com
divulgações em cartazes, panfletos, etc.
Dentre as próximas ações deste segundo semestre de 2011, encontram-se:
CINE BR em movimento, que visa o lazer das crianças, com cinema;
Simulado TNC;
Campanha contra dengue;
Palestra com o Tema: Mais segurança em casa;
Programa de visita kids.
3.4 IMPACTOS SOCIAIS
Com base nesses impactos, pode-se observar que a vida dos habitantes mudou
consideravelmente, pois, antes, essas pessoas tiravam seu sustento das atividades de
cata de caranguejo e pesca. Agora, com a construção do Terminal, foi despertado o
interesse nos moradores de Campo Grande por uma qualidade de vida melhor, acirrando
assim a busca pelo conhecimento, se qualificando para o mercado de trabalho por meio
dos cursos oferecidos no município de São Mateus, em virtude das expectativas de
emprego que o empreendimento proporciona.
Para se ter uma ideia, no início do funcionamento da empresa, a maioria dos
empregados que pertence à comunidade do entorno atuava na área de serviços gerais,
porém, com as capacitações adquiridas por meio da TRANSPETRO, essas pessoas
conseguiram a promoção dos cargos.
3.5 LICENÇA OPERAÇÃO DA EMPRESA E CONDICIONANTES
De acordo com Patrícia Suzuki em uma palestra realizada no Terminal Norte Capixaba
a LO 439/2010 foi emitida em dezembro de 2010 após análise do pedido de renovação
005/10. Segundo a empresa, essa emissão demorou cerca de um ano e meio. A LO
possui validade de 4 anos.
56
De acordo com o representante técnico em meio ambiente na palestra ministrada
durante a visita ao empreendimento, as condicionantes da empresa consistem em:





Informativas
Meio físico-biótico
Meio socioeconômico
Operacionais
Penalidades e multas
Dentre essas condicionantes as que mais se destacam em relação ao relacionamento que
o TNC exerce com a comunidade são:



C3- Monitoramento e manutenção do projeto de cortina vegetal e da recomposição da
restinga e manguezal da faixa existente ao longo do Terminal Norte Capixaba.
C5- Programa de monitoramento da atividade pesqueira de todas as comunidades na
área de influência do Terminal Norte Capixaba.
C7- Implantar e monitorar o projeto de 2,5 hectares de restinga na praia de Guriri
aprovado pela condicionante nº 37 da LO 005/5.
Essa condicionante é devido à ocupação da área onde se encontra o Terminal, como se
fosse uma compensação pelo local, porém o representante técnico de meio ambiente cita
que quando foi construído o Terminal no local já não havia restinga, mesmo assim eles
acharam importante que fosse feita essa compensação. Como por perto do Terminal não
havia um local de 2,5 hectares para implantar a restinga, foi decidido que o mesmo seria
feito na praia de Guriri em parceria com a prefeitura.










C9- Realizar diagnóstico da iluminação do Terminal Norte Capixaba. (Para não
atrapalhar a reprodução das tartarugas).
C22- Priorizar a contratação de mão-de-obra local. Promover junto ao SINE municipal
a abertura de postos.
C23- priorizar as empresas do próprio estado. Contratação de bens ou serviços locais.
C24- Executar o programa de geração de trabalho e renda (projeto de apicultura)
voltado aos catadores de caranguejo e pescadores artesanais.
C25- Implantar e dar suporte à comissão consultiva permanente de acompanhamento do
licenciamento ambiental do empreendimento. Isso Envolve muitas pessoas, realizando
debates com as partes interessadas.
C27- Apoiar os festivais do camarão e do caranguejo configurados como atividades
complementares de incentivo ao turismo e geração de renda para as comunidades
situadas na AID do empreendimento.
C28- Executar o programa de agentes ambientais voluntários.
C29- Programa de educação ambiental voltado para a comunidade.
C30- Programa de educação ambiental voltado para os funcionários do Terminal Norte
Capixaba.
C31- Programa de comunicação social para esclarecer a população do entorno sobre os
impactos causados.
57
4 CONCLUSÃO
Apesar da pesquisa se restringir a uma comunidade do entorno do empreendimento,
pode-se inferir que outras comunidades tenham sido influenciadas da mesma forma
devido as mesmas características. No estudo constata-se, através da percepção dos
moradores da comunidade de Campo Grande, destaque de pontos positivos, no entanto
identificam-se pontos de melhoria na interface de comunicação Transpetro x
comunidades.
Na percepção da Comunidade, dentre os vários benefícios relacionados, destaca-se a
melhoria da qualidade de vida. Os moradores de Campo Grande evidenciaram que a
qualidade de vida foi alterada com a geração de empregos para os próprios integrantes
da Comunidade, que antes sobreviviam com a cata de caranguejos e a pesca. Destaques
também para a melhoria da pavimentação das estradas, energia elétrica, dentre outros.
Observa-se, na percepção da comunidade, que a empregabilidade é considerada o maior
benefício, advindo da implantação do Terminal.
A harmonia quanto aos benefícios do empreendimento só não é completa quando
aborda-se a causa da diminuição de caranguejos. A percepção da comunidade
demonstra uma lacuna a ser preenchida pelo empreendedor, pois surge dúvidas quanto a
influência do empreendimento como causa da diminuição dos caranguejos.
A Transpetro utilizou-se de estudos científicos para demonstrar que a causa da
diminuição dos caranguejos não estava relacionada com a instalação do
empreendimento. O que gerou a dúvida é que no mesmo ano do empreendimento, 2005,
houve diminuição do importante recurso marinho, intensamente explorado por
moradores da região, em decorrência da doença do caranguejo letárgico, causado por
um fungo. A coincidência dos eventos, diminuição de caranguejos e a implantação do
Terminal, deixou dúvidas na comunidade sobre a influência do empreendimento na
exploração do recurso marinho de região costeira amplamente explorado.
Portanto, apesar do resultado obtido no trabalho indicar que a implantação do Terminal
Norte Capixaba (TNC) afetou a comunidade, na percepção de seus moradores, com
prevalência de pontos positivos, a comunidade mantêm a dúvida quanto a influência em
relação a diminuição de caranguejos, na visão de seus moradores.
Destaca-se a preocupação constante do empreendedor em monitorar seus impactos,
decorrente de sua política socioambiental, que foi demonstrada através de
sistematização de programa de educação ambiental, palestras, brincadeiras com as
crianças, campanhas porta a porta, além de ajudar com o festival de caranguejos,
principal evento da região.
Apesar de todos os benefícios, amplamente reconhecidos pela comunidade, o
entendimento depreendido da pesquisa sinaliza uma necessidade de aproximação do
Empreendedor junto a comunidade para esclarecer melhor a questão da diminuição de
caranguejos.
58
REFERÊNCIAS
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7ª ed. São Paulo: Atlas, 2006.
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científica. 2ª ed. São Paulo: Pearson Makron Books, 2000.
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Papirus, 1989.
4.
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década. Séculodiario, Vitória, 15. Set. 2005. Disponível em:
<http://www.seculodiario.com/arquivo/2005/setembro/15/noticiario/meio_ambiente
/15_09_06.asp. Acesso em: 05. nov. 2011.
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Disponível em: < http://www.ciesp.com.br/ciesp/conteudo/conama_237.pdf>.
Acesso em: 09 nov. 2011.
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<http://www.promonengenharia.com.br/br/atuacao/cases/popupCase.aspx?codigoC
ase=339>. Acesso em: 26 abr. 2011.
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2007.
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sd. Disponível em:< http://www.ibama.gov.br/licenciamento/> Acesso em: 01
nov. 2011.
10. KAHN, Mauro. Sumário do Direito Ambiental na Indústria do Petróleo. 1. Ed. Rio
de Janeiro: E-papers, 2003.
11. Lei Nº 6938/1981. Dispões sobra a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e
mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providencias. Data da
Legislação: 31 Agos. 1981. Publicação DOU, 02 Set. 1981. Disponível em:
<http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=313> Acesso em: 20
nov. 2011.
12. MARCONE, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria; Metodologia do
Trabalho científico. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2006.
13. MARCONE, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria; Fundamentos de
metodologia científica. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2007.
14. Norma ABNT NBR ISO 14001: 2004.
59
15. Petróleo Brasileiro S.A. - Ativo de Produção Norte Capixaba.
16. Relatório de impacto ambiental; Estação de Fazenda Alegre - Terminal Norte
Capixaba, 2002.
17. SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. 11ª ed. São Paulo:
Martins Fontes, 2004.
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Norte Capixaba de São Mateus em 04. Nov. 2011.
19. VALLE, Cyro Eyer. Qualidade Ambiental ISO 14000. 10. Ed. São Paulo: Senac,
2010
60
GESTÃO DE ÁGUA PRODUZIDA NA EXTRAÇÃO DE
PETRÓLEO EM CAMPOS TERRESTRES: O ATENDIMENTO À
RESOLUÇÃO CONAMA 396/2008 POR UMA EMPRESA
ATUANTE NO MUNICÍPIO DE SÃO MATEUS-ES.
Jann Erick Possati De Moraes13
Júlio Flávio Soares14
Maycon Donatti15
RESUMO
A água de produção é um resíduo da indústria petrolífera. Sua composição é tóxica e
representa riscos ao meio-ambiente e aos seres humanos, caso seu descarte não seja
feito corretamente. No Brasil, legislações regulamentam o assunto. Em campos
terrestres, a Resolução CONAMA 396/2008 é uma das principais normas. Devido à
exigência legal e posicionamento de mercado, empresas do setor petrolífero precisam
cumprir as regras de forma eficiente. Este trabalho mostra como essa resolução é
cumprida por uma empresa que atua no Município de São Mateus, Norte do Espírito
Santo.
Palavras-chave: Gestão Ambiental; Legislação; Água de produção; Riscos; Resolução;
Conama; Resíduo; Efluente; Descarte; Reuso; Re-injeção.
ABSTRACT
The water production is a residue of the oil industry. Its composition is toxic and poses
risks to the environment and humans if their disposal is not done correctly. In Brazil,
laws governing the subject. In onshore fields, CONAMA resolution 396/2008 is one of
the main rules. Due to legal requirements and market positioning, sector oil companies
need to enforce the rules effectively. This paper shows how this resolution is fulfilled
by company a company that operates in São Mateus, North of the Espirito Santo.
Keywords: Environmental Management; Legislation; Water production; Risk;
Resolution; Conama; Residue; Effluent; Disposal; Reuse; Re-Injection.
1 INTRODUÇÃO
Devido ao aumento da produção petrolífera, no Estado do Espírito Santo, e o
consequente crescimento do número de poços em atividade, é notável que além do
13
Aluno do curso Superior Tecnológico em Petróleo e Gás da Faculdade Norte Capixaba de São Mateus.
Especialista em Direito Processual Penal, Civil, e Administrativo e Professor da Faculdade Norte
Capixaba de São Mateus
15
Graduado em Petróleo e Gás pela Faculdade Norte Capixaba de São Mateus
14
61
petróleo, propriamente dito, outros componentes também passem a ser produzidos em
maior quantidade, gerando um problema de grande proporção para o setor. O
questionamento é sobre o que fazer com o resíduo, que acompanha o petróleo, de forma
que não haja agressão ao meio ambiente e não cause transtornos às comunidades que
vivem no entorno da área de operação.
Um dos fluidos que fazem parte dessa questão é a água que fica armazenada,
conjuntamente com o petróleo, no interior da rocha reservatório. Ao se extrair o
hidrocarboneto, consequentemente retira-se também a água que estava armazenada no
subsolo.
Segundo Thomas (2004, p. 264), “a quantidade de água produzida associada com o óleo
varia muito, podendo alcançar valores da ordem de 50% em volume ao até mesmo
próximo de 100% ao fim da vida econômica dos poços”. Isso significa que com o
amadurecimento dos poços de petróleo cresce o volume de água produzido. Daí surge a
pergunta: O que fazer com essa água? Entre as opções encontradas, estão o tratamento
do fluido para descarte e a re-injeção dessa água no poço para aperfeiçoar a produção de
petróleo, que com o passar do tempo vai sendo reduzida por conta da queda de pressão,
entre outros fatores, ou mesmo a re-injeção para descartar este resíduo.
É importante destacar a necessidade de tratamento da água gerada no sistema de
produção de petróleo, já que a mesma contém materiais corrosivos e apresenta alto nível
de salinidade. Esses fatores tornam a água produzida imprópria para o consumo e
inadequada para o descarte no meio ambiente, podendo provocar desastres ambientais
caso os procedimentos, que se fazem necessários com esse fluído após a sua chegada à
superfície, não sejam adotados de maneira correta. Outro detalhe do tratamento é o
aproveitamento do óleo ainda presente na água. “O tratamento da água tem por
finalidade recuperar parte do óleo nela presente em emulsão e condicioná-la para reinjeção ou descarte” (THOMAS, 2004, p.264).
Decorrente da preocupação mundial com a preservação do ecossistema, surge a adoção
de práticas menos agressivas ao meio ambiente pelas organizações, gerando uma série
de normas que regularizam a questão do descarte de materiais nocivos na natureza. A
água gerada na extração de petróleo também faz parte do rol de assuntos tratados nesse
campo de estudo, que envolve também normas jurídicas que abordam o tema. No caso
específico da água de produção, a resolução CONAMA 396 de 2008 é uma das normas
que regulam o assunto, ditando regras que norteiam o descarte e a re-injeção desses
resíduos.
Este trabalho propõe avaliar as condições de atendimento à norma regulamentadora,
mostrando o que se faz necessário para garantir o cumprimento das exigências
ambientais frente às cobranças da legislação e dos órgãos públicos responsáveis pela
fiscalização, e também por parte da sociedade, que têm atuado de maneira enérgica
diante dos descasos praticados por organizações que violam regras que garantam a
preservação do meio ambiente.
O presente estudo foi realizado com base na gestão de água em campos terrestres de
exploração de petróleo no Norte do Espírito Santo, mais precisamente no Município de
62
São Mateus-ES. Desenvolveu-se um estudo bibliográfico sobre o assunto e uma
consulta ao Departamento responsável pela Gestão Ambiental de uma empresa que atua
no referido Município, para mostrar o destino da água produzida e as condições
necessárias para o cumprimento das normas regulamentadoras.
2
REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 PETRÓLEO, MEIO AMBIENTE E A GERAÇÃO DE RESÍDUOS
De acordo com a Constituição Federal, em seu artigo 225 (1988), “todos têm direito ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à
sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o poder de
difundi-las e preservá-la para as presentes e futuras gerações”.
A partir da promulgação da nossa Carta Magna, uma série de regras foi formalizada a
fim de garantir e promover a melhoria das condições ambientais do nosso País. A
legislação e instrumentos normativos que tratam do assunto preveem penas de ordem
administrativa, civil e criminal para autores e co-autores de condutas que prejudiquem o
meio ambiente.
A exploração e produção de petróleo e gás compõem uma das atividades mais
importantes para a sociedade, pois tratam-se de duas das matrizes energéticas mais
valorizadas e exploradas na atualidade.
A energia, em sua ampla concepção, é um bem quase que indispensável à sobrevivência
humana. Por meio dela nos locomovemos, trabalhamos, e realizamos todas as tarefas
inerentes à nossa sobrevivência em meio à sociedade moderna. Os hidrocarbonetos,
como o petróleo e o gás natural, são, hoje, principais fontes de energia dentro desse
contexto. E sua forma de exploração aumenta a cada dia.
Apesar do avanço tecnológico e de inúmeras pesquisas e investimentos no setor, a
exploração de petróleo e gás continua sendo impactante ao meio ambiente. A
perfuração, por exemplo, é um dos procedimentos que geram uma grande quantidade de
resíduos sólidos e ruídos prejudiciais à biota.
Mançú, Monteiro e Bruni (2009) dão um enfoque temporal para o desenvolvimento de
práticas ambientais dentro da cadeia produtiva de petróleo. Segundo os autores, foi a
partir da década de 70, período de graves acidentes ambientais em todo o globo, que a
gestão ambiental assumiu um papel de maior importância no cenário mundial. Foi com
base em acidentes ambientais, em diversos países, que houve uma pressão, no cenário
internacional, para a regulamentação do controle ambiental, assim como também o
estímulo para a realização de debates que promovessem o aperfeiçoamento da discussão
a respeito do tema. Foi a partir daí que grandes eventos foram destaque na tentativa de
melhorar o Sistema de Gestão Ambiental nos mais diversos setores. Como exemplos: 1ª
e 2ª Conferências das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em 1972 em Estocolmo, e
em 1992 no Rio de Janeiro.
63
A partir desses eventos, iniciam-se os primeiros movimentos de preservação
ambiental. O segmento empresarial passou a se preocupar com a racionalização
do uso de energia e de insumos, como também, conscientes da importância de
adotar um sistema de gestão ambiental, através da aplicação da redução dos
desperdícios na fonte, reutilização e reciclagem dos resíduos industriais, criando
alternativas para uma disposição local segura e um tratamento adequado que não
apresente riscos para o meio ambiente. (MANÇÚ, MONTEIRO E BRUNI, 2009,
p. 2)
Pode-se perceber uma preocupação por parte de diferentes setores a respeito de uma
produção menos impactante no setor petrolífero mundial. É fato que os atuais meios de
exploração trazem prejuízos ao meio ambiente, mas também é verdade que a sociedade
moderna ainda não conseguiu se desvincular da utilização do petróleo e do gás natural
como matrizes energéticas.
Diante de todo esse cenário de exploração e produção de petróleo e gás encontram-se os
processos de tratamento, adequação e descarte/reuso da água produzida junto à
formação. Esses procedimentos são necessários devido aos riscos que este efluente
possui. A água de produção é altamente tóxica para o consumo humano, possuindo uma
série de componentes nocivos ao meio ambiente. A complexidade no tratamento com
este fluido motivou a preocupação da sociedade e de legisladores que editaram normas
para amenizar o impacto gerado com o descarte/reuso desse componente indesejado da
produção petrolífera.
2.2
ÁGUA PRODUZIDA
A chamada água de produção é encontrada no interior do reservatório de óleo e gás. A
sua produção é mínima no começo da vida dos campos produtores, mas vai aumentando
com o decorrer do amadurecimento do poço. Entre os motivos estão o volume de água
já existente na rocha reservatório e também a injeção de água e vapor para aumento da
recuperação.
Segundo Curbelo (2002), a água está presente na formação junto com o gás e o óleo,
sendo que cada um deles se dispõe em camada. Como a água é mais densa, mais
pesada, quase sempre ela se apresenta na parte inferior da rocha reservatório, sendo
seguida pelo petróleo e posteriormente pelo gás. Ainda de acordo com a autora, é
comum a injeção de água no reservatório para a manutenção da pressão, e conseqüente
garantia da produtividade, sendo que a água pode ser doce, salgada ou mesmo a
produzida junto ao óleo depois de separada. O importante é garantir a qualidade dessa
água, independente da procedência. “Seja qual for o tipo de água injetada no
reservatório, ela é tratada para garantir que não ocorra entupimento dos poros da rocha,
dificultando a migração de óleo para os poços” (CURBELO, 2002, p.7).
Silva (2006) destaca que a produção de água tende a aumentar, consideravelmente, com
o passar do tempo. E as soluções de tratamento e injeção podem se tornar um problema
caso a planta de tratamento e re-injeção não comporte o volume de água produzida
gerado pela formação. O planejamento deve prever tais situações para que o sistema
esteja preparado para enfrentar o aumento de água produzida.
64
Com o "envelhecimento" das estruturas e maturação de projetos de extração, a
produção de água pode tornar-se maior do que o necessário para os processos de
injeção e recuperação secundária. O volume excedente deve ser tratado e injetado
implicando em custos adicionais. Pode-se elevar a pressurização além da original
ou necessária para a produção. Isto acarreta problemas, como a chegada da água
de injeção aos poços produtores antes do previsto, limitando o volume recuperado
e aumentando-se o BSW. (SILVA, 2006, p. 14)
2.2.1 CARACTERÍSTICAS DA ÁGUA PRODUZIDA
A respeito da água produzida, Guerra (2009) explica que a hipótese mais aceitável é de
que as fases de petróleo e água mantenham-se separadas no interior dos reservatórios. A
formação de emulsões, contendo as duas fases, poderia se dar a partir das intervenções
na rocha reservatório.
Essas emulsões, ao chegar à superfície precisam de um tratamento especial com
diversas finalidades. A primeira se trata de separar o óleo da água, depois é preciso
recuperar as partículas de óleo presentes na água já separada do óleo. Por seguinte é
preciso tratar adequadamente esse resíduo, seja para o descarte, seja para a re-injeção
em poços destinados a este fim, ou mesmo para recuperação secundária de petróleo.
A preocupação com o destino correto da água produzida se faz necessária devido à
toxidade que esse efluente possui. Guerra (2009, p. 18) destaca que “os componentes da
água produzida geralmente incluem minerais dissolvidos oriundos da formação
produtora, frações solúveis e insolúveis de petróleo, [...], consistindo em uma mistura
complexa [...] similares aos encontrados em óleo cru e gás natural”. O autor enfatiza
ainda que é possível encontrar também, na água de produção, elementos químicos
decorrentes do uso de substâncias durante a fase de produção.
A água de produção contém alto teor de sal. Outros componentes podem também estar
presentes como produtos químicos usados no processo de exploração e produção. Esses
materiais, além dos riscos de contaminação, acabam prejudicando o processo produtivo,
já que levam a um desgaste precoce dos equipamentos envolvidos nas atividades de
produção, escoamento e refino de petróleo e gás e também podendo gerar danos à
formação.
Segundo dados fornecidos pela Petrobras, em visita realizada à empresa em outubro de
2011, ficou constatado que as características básicas da água produzida em poços do
Norte do Espírito Santo são de um PH alcalino que varia de 7 a 8. A quantidade de
sódio chega a 20.325 mg Ca/L. Outras substâncias ajudam a compor a emulsão,
tornando-a ainda mais perigosa, ambientalmente, e mais onerosa em relação ao custo de
tratamento para o descarte/reuso.
A tabela a seguir, a partir de dados coletados na visita, mostra a identificação dos
componentes e suas concentrações em campos de petróleo na Unidade de Operação do
Norte do Espírito Santo, no ano de 2010.
65
TABELA 1 – COMPONENTES E CONCENTRAÇÕES DE ÁGUA PRODUZIDA EM POÇOS DO
NORTE DO ESPÍRITO SANTO
Substâncias
Concentrações
Sólidos suspensos
848 mg/L
Óleos e Graxas
800 mg/L
pH
7–8
Sulfetos
252 mg/L
Sulfatos
233 mg/L
Fósforo
1,345 mg/L
Salinidade
65 g NaCl/L
Alcalinidade total (CaCO3)
1040 mg/L
Acetato
378 mg/L
Bário
70 mg/L
Estrôncio
194 mg/L
Cálcio
3.399 mg Ca/L
Ferro Solúvel
2 mg Fe/L
Magnésio
880 mg Mg/L
Bicarbonato
2476 mg/L
Carbonato
< 2,03 mg/L
Cloretos
43563 mg/L
Hidróxido
< 1,821 mg/L
Nitrato
4,519 mg/L
Potássio
416 mg K/L
Sódio
20325 mg Na/L
Lítio
5,07 mg/L
Fonte: Petrobras, 2010
2.2.2 RISCOS DA CONTAMINAÇÃO POR ÁGUA PRODUZIDA
Devido a sua composição, a água de produção se torna inadequada para diversos usos.
Sua aplicação doméstica é inaceitável pelo fato da alta toxidade de seus componentes, o
que a torna também imprópria para o uso na agricultura. Um dos maiores problemas
encontrados na água produzida estão na alta salinidade do efluente e na participação de
metais em seus constituintes (GUERRA, 2009).
Um fator que deve ser levado em consideração é a característica de cada poço. A
composição da formação rochosa, onde se encontra o reservatório é que determina os
componentes e suas concentrações, representando em fim as características finais da
água de produção de cada região. “A composição química da água de produção é
dependente das características do campo produtor” (GUERRA, 2009, p. 29).
Fica evidenciada, de acordo com a literatura, a necessidade de se conhecer a
característica de cada campo produtor. A finalidade é saber a composição da água
produzida, seus riscos e as melhores formas de tratamento desse resíduo para adequação
dos processos que atendam às normas legais e garantam a preservação ambiental e
operacional, este último, nos casos de descarte/re-injeção em poços produtores. Essa
análise se faz fundamental para que possam ser avaliadas as consequências de um
descarte incorreto e as possibilidades de adequação do material para o seu propósito
final.
66
Prestelo (apud CUNHA, 2006) confirma o perigo dos danos que a água produzida pode
gerar. Segundo o autor, o impacto ambiental provocado pelo descarte da água produzida
é geralmente avaliado pelo poder de contaminação dos compostos orgânicos e
inorgânicos presentes na mistura. Esses contaminantes podem causar diferentes efeitos
ao meio ambiente. Ao serem descartados, alguns desses elementos permanecem
dissolvidos, outros tendem a sair da solução. “Acredita-se que os efeitos mais nocivos
ao meio ambiente são aqueles relacionados aos compostos que permanecem solúveis
após o descarte da água produzida” (PRESTELO, 2006, p. 92).
2.2.3 TRATAMENTO DA ÁGUA PRODUZIDA
Para a reutilização da água de produção é preciso que o fluido passe por um processo de
tratamento. O objetivo é adequar a água a padrões e características exigidas pelas
normas legais, e até mesmo para que a mesma não altere as características da formação,
de modo a diminuir o impacto no meio ambiente. Dessa forma, a água tratada pode ser
re-injetada nos poços ou então descartada em corpos de água, desde que atenda
determinadas exigências. Para isso é preciso que o fluido passe por todo um processo,
segundo Andrade (2009).
Para separação óleo/água os processos de separação mais utilizados na indústria
de petróleo são os flotadores e os hidrociclones. O processo de flotação se dá pela
força gravitacional, enquanto que os hidrociclones são alimentados de modo
tangencial e a pressão da água oleosa no trecho de maior diâmetro do
hidrociclone leva à formação de um vórtex descendente onde as partículas mais
densas são projetadas para a parede sendo arrastadas até a parte inferior do
mesmo. Esse fluxo é acelerado pelo contínuo decréscimo de diâmetro, criando
uma força centrífuga que força os componentes mais pesados (água e sólidos)
contra as paredes. As partículas de menor densidade são direcionadas
internamente em fluxo espiral em direção ao trecho de menor diâmetro. Devido
ao formato cônico do hidrociclone e ao diferencial de pressão existente entre as
paredes e o centro, ocorre, na parte central do equipamento, um fluxo axial
reverso. A fase líquida central contendo óleo em maior proporção é denominada
de rejeito. (ANDRADE, 2009, p. 6)
A respeito desse tratamento, Gomes (2009) aponta que há diversas maneiras de se tratar
a água produzida, o que vai ajudar na escolha são as características do poço,
reservatório, e por conseqüência da água que precisará ser tratada. Variáveis que
precisam e devem ser levadas em conta no momento de escolha do método de
tratamento.
Os processos de tratamento da água produzida são fundamentais para a manutenção do
meio ambiente nas áreas onde ocorrem a exploração e produção de petróleo e gás.
Entres os procedimentos convencionais mais utilizados estão tanques de separação
óleo/água, os sistemas de filtragem para a retirada de sólidos e retirada de óleo, flotação
por gás induzido ou dissolvido, a centrifugação e o uso de hidrociclones e a adição de
carvão ativado para adsorção de contaminantes orgânicos (GUERRA, 2009).
De acordo com Guerra (2009), a prioridade nos tratamentos de água produzida é o
atendimento às normas legais vigentes nas áreas de exploração/produção. Com base nos
atendimentos desses regramentos jurídicos tem-se por objetivo a remoção de óleos e
67
graxas; a remoção de compostos orgânicos solúveis; a remoção de gases dissolvidos, a
diminuição do teor de sólidos totais dissolvidos; a diminuição do teor de sólidos em
suspensão; a diminuição da concentração de benzeno; a diminuição da demanda
biológica de oxigênio; e a remoção do excesso de dureza da água.
A maioria dos objetivos citados acima é conseguida por meio de processos unitários.
Enfatizando que cada um deles corresponde a uma etapa do tratamento da água
produzida. Isso significa que eles devem ser executados em combinação, para que todos
os parâmetros de tratamento sejam atendidos, de acordo com as características da água
produzida em um determinado campo de exploração.
2.2.4 DESTINO DA ÁGUA PRODUZIDA
Thomas (2004) explica que a água produzida não pode ser descartada de qualquer
maneira no meio ambiente, ou mesmo injetada, sem os devidos tratamentos prévios. De
acordo com o autor, a empresa responsável deve obedecer a determinadas
especificações para a eliminação ou aproveitamento desse resíduo, e na maioria das
vezes esses condicionamentos estão descritos nas normas regulamentadoras, ficando os
órgãos ambientais responsáveis pela fiscalização.
Em média, cada m³ de petróleo produzido gera 3,5 m³ de água, uma proporção que pode
ser ainda maior em campos maduros. Durante as atividades de exploração, perfuração e
produção, a água produzida corresponde a 98% de todos os efluentes gerados
(THOMAS, 2004). Outro risco que a água produzida representa é sua composição que
pode conter metais, óleo e alto teor de salinidade.
Segundo Thomas (2004), o descarte da água produzida pode ser feito com o descarte
em campos marítimos (offshore) e, em terra (onshore). O melhor seria a re-injeção em
poços produtores para recuperação secundária ou mesmo para o descarte.
Thomas (2004) relata que, desde que a composição da água produzida não seja
prejudicial à formação, a injeção em campos terrestres é a melhor opção em termos
ambientais. “Proporciona, ainda, uma economia de água doce de boa qualidade
(aqüíferos), comumente usada para esse fim, que fica, assim, disponível para fins mais
nobres, como o consumo humano” (THOMAS, 2004, p. 267).
2.3
LEGISLAÇÃO HÍDRICA NO PAÍS E SUA IMPORTÂNCIA
A água recebe um tratamento especial na legislação nacional. Tanto é que possui uma
política normativa voltada para o setor com base na Lei 9.433/97 que instituiu a Política
Nacional de Recursos Hídricos. Um marco importante que tem norteado toda a
legislação referente ao assunto.
De acordo com Guimarães (2008), as águas subterrâneas também foram contempladas
com a norma, sendo inclusive caracterizadas de diferentes maneiras. Dentro da indústria
do petróleo foram divididas em água de injeção e água produzida. As resoluções, que
tratam do tema, impuseram o tratamento de efluentes na extração de petróleo e gás.
Guimarães destaca ainda a conceituação desse produto dentro da norma jurídica como
68
sendo “a água normalmente produzida junto com o petróleo” (CONAMA, 2007, p. 01).
Em pesquisa, Cavaco e Barros (2005) destacam a importância dos cuidados e da
reutilização da água. Os autores colocam como de fundamental importância, e até
mesmo um desafio mundial, a questão da gestão de água no planeta. Segundo eles, se
tornará necessário o desenvolvimento de políticas mais enérgicas voltadas à gestão
desse bem.
Em uma fase inicial a adoção de medidas de racionalização do uso visando
minimizar o desperdício e levando a adoção de uma nova cultura. As medidas
para reduzir desperdícios são relativamente fáceis de implantar e tem baixo custo.
Os pequenos valores investidos têm retorno imediato, uma vez que, com a
redução do consumo, o custo devido será menor. Portanto, devem ser
implementadas medidas mesmo não havendo necessidade devido a atual
abundância de água no Brasil.
Outra alternativa é o reuso da água, porém, normalmente acarreta custos maiores
devido ao uso de tecnologia para seu aproveitamento, devendo ser feito um
estudo de viabilidade. Normalmente só será justificável se houver situação de
escassez.
[...]
Que a água é um bem que se tornará escasso num futuro próximo, ninguém
contesta, por este mesmo motivo é uma vantagem estratégica o estabelecimento
de visões de cenários de curto (5 anos), médio (10 anos) e longo prazos (20 anos),
a fim de estabelecer instrumentos de gestão ambiental referentes aos efluentes e
recursos hídricos. (CAVACO e BARROS, 2005, pag. 575-576).
A esse respeito, Fontes (2010) explica que o Brasil é um dos países mais rigorosos em
qualidade no descarte de águas. De acordo com a autora, cada país possui uma
legislação específica, porém várias convenções têm sido feitas com o objetivo de
unificar os padrões de descarte em áreas afins de diversas federações. Nesse aspecto, o
estudo tem sido voltado para o descarte em alto mar, área de interesse de muitas nações.
Em terra, as Resoluções 357/2005 e 396/2008 são as normas que abordam a questão.
Tavares (2003) chama a atenção para o fato de que a separação de água e óleo data de
tempos remotos, mais precisamente 1850. Naquele período o objetivo não era o
aproveitamento do óleo, mas sim a recuperação do sal que estava presente na água.
Atualmente, a separação das emulsões continua ocorrendo, só que agora os objetivos
são diferentes. O principal é a extração do petróleo, sendo que a salinidade da água
passa a ter um papel secundário para a indústria petrolífera, não menos importante, já
que uma série de regras norteia o descarte e o uso de re-injeção da água, mesmo assim
os papéis foram invertidos. “Com o advento da indústria do petróleo em 1865, a água
tornou-se o contaminante e o petróleo passou a ser o produto” (TAVARES, 2003, p.
11).
2.3.1 RESOLUÇÃO CONAMA 396/2008
No dia 3 de abril de 2008, o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA –
publicou a normativa de número 396. A mesma dispunha sobre a classificação e
diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas, também dando
outras providências.
69
Essa norma deixa claro em seu caput que a água subterrânea é bem dos Estados,
segundo o artigo 26 da Constituição Federal de 1988. Ainda, em seus parágrafos
iniciais, a normativa deixa, em fácil entendimento, a explicação de que as águas
subterrâneas possuem características individuais, intrínsecas a sua localização e
formação. Isso significa que as águas subterrâneas apresentam composições diferentes,
relativas ao processo de sua formação e armazenagem. Outros fatores também podem
interferir em suas qualidades finais (CONAMA, 2008).
O legislador mostrou-se ciente, quanto à necessidade de regularização das
características das águas subterrâneas pelos seus usuários. Regularização que deve ser
feita, independente de prazo fixo, tendo que ser analisado cada caso individualmente
para estabelecimento de prazos e metas. Isso é comprovado quando, no Caput, é
expresso: “Considerando que o enquadramento expressa metas finais a serem
alcançadas e podendo ser fixadas metas progressivas intermediárias, obrigatórias,
visando a sua efetivação;” (CONAMA, 2008).
O artigo 2º trata das definições. As principais estão nos incisos I e III que definem águas
subterrâneas e aqüíferos, respectivamente. A 1ª explica que águas subterrâneas são
aquelas que ocorrem naturalmente ou artificialmente no subsolo, já a 2ª diz que
aqüíferos são corpos hidrogeológicos com capacidade de acumular e transmitir água
através dos seus poros, fissuras ou espaços resultantes da dissolução e carreamento de
materiais rochosos (CONAMA, 2008).
A resolução CONAMA 396/2008 define as águas subterrâneas em seis classes (Classe
Especial; Classe 1; Classe 2; Classe 3; Classe 4; e Classe 5). As separações são feitas de
acordo com suas características, qualidade para uso e necessidade de tratamento. A
Classe Especial e a Classe 1 são as que independem de tratamento, para uso
preponderante, sendo que a 1ª são as que estão situadas em conjuntos de aqüíferos, ou
porção desses, destinados à preservação de ecossistemas em unidades de conservação
de proteção integral e que sirvam para o abastecimento de corpos de água superficiais
(CONAMA, 2008).
Já as demais classes exigem tratamento para seus respectivos usos preponderantes, com
exceção da Classe 5, em que a água, mesmo com alteração de sua qualidade por
atividades desempenhadas pelo homem, não necessita de tratamento para uso em
atividades específicas. Resumindo, para atividades que não exijam requisitos de
qualidade para uso.
O Capítulo IV da Resolução 396 declara que é de responsabilidade dos órgãos
ambientais, em conjunto com os órgãos gestores dos recursos hídricos, a tarefa de
promover a implementação de Áreas de Proteção de Aqüíferos e Perímetros de Proteção
de Poços de Abastecimento. O objetivo desse trabalho é a proteção da qualidade da
água subterrânea (CONAMA 396/2008). É claro que a responsabilidade de fiscalização
e cobrança cabe ao poder público na pessoa de suas entidades fiscalizadoras, o que não
exime a responsabilidade das organizações que fazem o uso dessas águas subterrâneas.
Do artigo 23 ao artigo 25, o CONAMA (2008) abordou a questão da injeção de água.
No 23º é dito que não poderá haver alteração da qualidade da água no interior do
aqüífero, o que restringe a composição da água que será usada para re-injeção. O artigo
70
24 diz basicamente a mesma coisa, mas amplia o leque de contaminação para águas
subterrâneas que estejam acima ou abaixo da formação que irá receber a água reinjetada. Já o artigo 25 exige que as organizações e entidades ambientais fiscalizadoras
tenham, em conjunto, um programa específico de monitoramento da qualidade da água
subterrânea, o que pode ser exigido da empresas exploradoras desse recurso.
No Capítulo V da referida norma são colocadas as diretrizes ambientais para o
enquadramento das águas subterrâneas levando em consideração uma série de requisitos
como: a caracterização hidrogeológica e hidrogeoquímica; a caracterização da
vulnerabilidade e dos riscos de poluição; o cadastramento de poços existentes e em
operação; o uso e a ocupação do solo e seu histórico; a viabilidade técnica e econômica
do enquadramento; a localização das fontes potenciais de poluição; e a qualidade
natural e a condição de qualidade das águas subterrâneas (CONAMA, 2008).
O artigo 30 da referida resolução (CONAMA, 2008) diz que em caso da condição da
qualidade da água subterrânea estar em desacordo com os padrões exigidos, será preciso
traçar um plano de ações de controle ambiental para a adequação da qualidade da água à
sua respectiva classe, previamente determinada, só que a no mesmo ordenamento, mais
precisamente no Parágrafo 3º, percebe-se um “afrouxamento” da norma quando é
explicito que em caso de constatada a impossibilidade da readequação, deverá ser feito
novo estudo para que essa água subterrânea, alterada, seja reenquadrada em outra
categoria. Aqui entendemos que o legislador reconhece a incapacidade, em alguns
casos, de se reaver o estado anterior da água subterrânea, restando apenas um novo
exame para um novo enquadramento.
2.3.2 RESOLUÇÃO CONAMA 396/2008 E A ÁGUA PRODUZIDA
A água produzida na indústria de petróleo e gás pode ser caracterizada como a água
subterrânea descrita na Resolução CONAMA 396/2008.
De acordo com Guimarães e Xavier (2008), o enquadramento se dá diante de uma
necessidade de integração de normativas que tratam o assunto de exploração industrial
dos recursos hídricos, exigindo uma confluência de políticas específicas fundadas no
direito ambiental, tendo por destaque, neste trabalho, a resolução CONAMA 396.
Para Guimarães e Xavier (2008), na indústria de Petróleo e Gás a extração de
combustíveis fósseis está diretamente associada à produção de água dos aqüíferos. E de
acordo com os autores, esse efluente pode ser descartado em consonância com as
normas existentes ou reutilizado no processo produtivo, com a re-injeção como forma
de aumentar a pressão nos poros da formação, garantindo um ganho de produtividade na
extração de hidrocarbonetos.
Essa água injetada encontra definição legal de acordo com os órgãos competentes.
Água injetada em reservatório, com o objetivo de forçar a saída do petróleo da
rocha reservatório, deslocando-o para um poço produtor. Este método é
conhecido como ‘recuperação secundária’, e é empregado quando a pressão do
71
poço torna-se insuficiente para expulsa naturalmente o petróleo. (ANP, 2011, p.
01)
Guimarães e Xavier (2008) destacam que a CONAMA 396/2008 trata de norma
específica para a regulação da classificação e diretrizes ambientais para um controle e
monitoramento das águas subterrâneas. Sendo, dessa forma, um mecanismo legal eficaz
para o controle do assunto em âmbito nacional.
A água de produção da indústria petrolífera se enquadraria na Classe 4 da Resolução
396/2008, de acordo com as exigências da norma. “Classe 4: águas dos aqüíferos,
conjunto de aqüíferos ou porção desses, com alteração de sua qualidade por atividades
antrópicas, e que somente possam ser utilizadas, sem tratamento, para o uso
preponderante menos restritivo (CONAMA, 2008, p. 03)”.
É certo que o atendimento à legislação ambiental não se dá apenas pelo cumprimento de
uma norma, mas sim pelo atendimento a uma série de normativas que regulam o setor.
O mesmo acontece quando o assunto em voga são as águas subterrâneas. Apesar da
Resolução CONAMA 396/2008 tratar especificamente do assunto, o atendimento ao
controle de águas passa também por outras diretrizes legais que devem ser respeitadas e
cumpridas conforme a determinação do legislador.
A aplicabilidade da resolução, apresentada neste trabalho, prioriza o atendimento de
uma das inúmeras normas que regem o setor de exploração e produção de Petróleo e
Gás Natural no Brasil, mais precisamente em campos terrestres.
A CONAMA 396 tem um papel fundamental nesse arcabouço jurídico desenvolvido
para a proteção dos recursos hídricos. Ela trata diretamente dos aqüíferos, das águas
subterrâneas, consideradas de suma importância por causa de seu relacionamento com o
ciclo hidrológico. Essas águas representam 97% dos recursos hídricos disponíveis e
servem a mais da metade das populações mundiais, especialmente nas regiões semiáridas, segundo Guimarães e Xavier (Apud MIERZWA; HSPANHOL, 2008).
3 O ASPECTO MANDATÓRIO DA NORMA
3.1
PETROBRAS: UMA EMPRESA LEGALISTA
A sociedade e o mercado são exigentes quando o assunto é a imagem de uma
organização em relação as suas atitudes e posicionamentos diante das dificuldades que
lhes são impostas. Atualmente, a cultura que permeia a sociedade é de que são
necessários investimentos para que o desenvolvimento seja realizado de forma
sustentável, em qualquer que seja a área de atuação de uma empresa.
No setor de Petróleo e Gás a situação não se faz diferente. Por ser uma empresa
“degradante” por natureza, as exigências por uma produção que gere menor impacto são
ainda maiores. Por isso que as empresas do setor se mostram preparadas para a
adequação, rápida, de respeito às normas exigentes e até mesmo a propostas de regras
72
que ainda não foram aprovadas pelos legisladores. Isso faz parte de uma tendência
política empresarial de se antecipar às situações impostas por entidades externas, como
sociedade e órgãos governamentais.
Para Boger, Grohe e Bessow (2005), as empresas da atualidade, que se mostram
socialmente responsáveis, apresentam uma postura ética onde o respeito à comunidade
passa a ser um grande diferencial. E o reconhecimento dessa prática dá evidência à
instituição perante os consumidores, fornecedores, colaboradores e sociedade em geral.
Dessa maneira é possível angariar vantagens competitivas que garantam o sucesso da
organização no mercado em que está inserida.
A responsabilidade empresarial frente ao meio ambiente é centrada na análise de
como as empresas interagem com o meio em que habitam e praticam suas
atividades, dessa forma, uma empresa que possua um modelo de Gestão
ambiental já está correlacionada à responsabilidade social. Tais eventos irão, de
certa forma, interagir com as tomadas de decisões da empresa, tendo total
importância na estratégia empresarial. (BOGER; GROHE; BESSOW, 2005, p.01)
Então, a Gestão Ambiental e a Responsabilidade Social, que hoje são condicionalmente
cobradas por meio de regulações, fazem parte da cultura e exigência da sociedade por
uma busca de um desenvolvimento sustentável. Esses valores, tidos no passado com
excepcionais, são agora permanentes e devem ser praticados em todos os setores
industriais.
Diante desse contexto, a Petrobras tem se mostrado bastante comprometida. Suas ações
podem ser vistas não apenas em atendimento a legislações ambientais, mas também em
questões sociais é possível ver sua presença de forma atuante. Isso nos mostra que a
empresa tem adotado uma postura que reflete sua política de responsabilidade social
que engloba, é claro, a gestão de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS).
Dentro desse processo de adequação das suas operacionalidades, a Petrobras instituiu
uma política interna voltada para a melhoria de seus procedimentos e processos com o
objetivo de se evitar e corrigir as não-conformidades. A Política e Diretrizes
Corporativas de SMS da Petrobras marcam uma etapa de envolvimento de toda a
diretoria e colaboradores da companhia. Essas regras internas servem para nortear as
ações que serão desenvolvidas dentro do plano de ação da empresa.
Os principais objetivos desse plano compreende Integrar o Sistema de Gestão de SMS;
a Ecoeficiência de operações de produtos; a Prevenção de acidente, incidentes e
desvios; a Saúde dos trabalhadores; a Prontidão para situações de emergência; e a
Minimização de riscos e passivos.
Entre as diretrizes que norteiam a Política de SMS da Petrobras, uma se destaca e se
mostra de suma importância para este trabalho. Trata-se da Diretriz II. Ela trata da
Conformidade Legal. Essa regra diz que toda e qualquer atividade da empresa deve
estar em conformidade com a legislação vigente nas áreas de Segurança, Saúde e Meio
Ambiente.
73
O 1º requisito dessa diretriz diz que a verificação de atendimento à legislação deve ser
permanente, e que sempre que necessário, os responsáveis deverão adotar medidas para
correção de eventuais não conformidades. Outro requisito exigido pela Diretriz II
solicita o acompanhamento das mudanças que venham a ocorrer na legislação
relacionada à SMS, de modo a promover a adequação das atividades da empresa, bem
como permitir a identificação de novos cenários. O 3º requisito pede o atendimento aos
preceitos legais e regulamentares durante todo o ciclo de vida das instalações e
operações da empresa, bem como verificação de seu cumprimento por parte de
contratos, fornecedores e parceiros. Para finalizar a Diretriz II, o último requisito
determina a manutenção de uma política de cordialidade e colaboração com os órgãos
ambientais competentes.
Dessa maneira, podemos perceber o comprometimento da empresa com a gestão
ambiental e o atendimento às normas legais vigentes. É certo que as ações adotadas pela
Petrobras são norteadas pela sua Política e Diretrizes Corporativas de Segurança, Meio
Ambiente e Saúde, fazendo dessa organização uma empresa “legalista”, que exige e
cumpre as regras vigentes. Para isso, a empresa faz uso de algumas ferramentas como o
software SMSnet que auxilia nas tomadas de decisões e implantação de atividades para
minimizar os riscos/impactos gerados pela atividade exploratória.
Importante destacar que essa política reflete as exigências sociais e de mercado, em
pleno Século XXI. Momento em que as organizações buscam novos modelos de
estratégias para garantir o sucesso de mercado junto a clientes e fornecedores, numa
época em que a concorrência acontece de maneira global. Essas atitudes voltadas à
preservação e cumprimentos de normas garantem a Responsabilidade Social e a Gestão
Ambiental, fazendo com que esses aspectos promovam novas oportunidades de negócio
(BOGER; GROHE; BESSOW, 2005).
3.2 CONTROLE DA ÁGUA PRODUZIDA NO NORTE DO ES
Apesar de haver legislação que exija os cuidados e tratamento da água produzida, a
Petrobras, no Norte do Estado, possui regras bastante rigorosas no quesito gestão
ambiental. Essa exigência, feita pela própria empresa, é realizada diante da Política
Corporativa adotada pela organização que norteia todas as ações desenvolvidas. Com
base nesses requisitos é feito um controle rigoroso de todos os processos pelo qual passa
a água produzida.
De acordo com informações da Petrobras, o monitoramento é feito constantemente em
todas as áreas de produção da empresa. As regras consistem em analisar a composição
do efluente para adequar seu tratamento e possível reuso/descarte.
Os dados são avaliados e servem de base para poços que estejam interligados na mesma
formação produtora. São principalmente analisados os Teores de Óleo e Graxa (TOG) e
o índice de Sólidos Suspensos Totais (SST). Esse controle, apesar de fazer parte das
exigências legais, é usado para uma análise técnica da água de produção. Entre os
principais objetivos estão a adequação da água para descarte em poços, conforme a
74
norma, e a adequação dessa mesma água para que ela não prejudique a formação dos
poços, acarretando queda na produção de óleo e gás.
De acordo com a empresa, geralmente, o tratamento da água produzida é feito por meio
de técnicas conhecidas e solidificadas no setor de petróleo e gás. São métodos como os
sistemas de flotação, tanque pulmão e filtragem. Depois que passa por todas essas
etapas o fluido é enviado para um tanque de injeção onde posteriormente é injetado nos
poços.
Para a empresa esse processo de tratamento é fundamental diante de duas perspectivas.
A 1ª trata de atendimento à questão legal, as exigências dos órgãos competentes. A 2ª se
deve a fatores não menos importantes, no caso em questão de qualidade operacional.
Isso significa que a qualidade da água injetada pode representar prejuízo para a
empresa, caso a mesma não esteja de acordo com os aspectos intrínsecos da formação
poderá acarreta entupimento dos poros e queda de vazão de óleo e gás para a superfície.
Resumindo, a qualidade da água pode afetar diretamente a formação do poço. Isso
acontece pelo fato da água de produção não apresentar as mesmas características da
água no interior da rocha. A água de formação apresenta elevado índice de sólidos
suspensos e teor de óleo em sua composição. Essa combinação associada a outros
componentes que podem estar inseridos no efluente causam alterações na rocha
produtora, o que pode fazer com que o fator de recuperação de uma determinada
formação seja prejudicado, caso a água não receba o tratamento adequado antes de ser
re-injetada.
Segundo a Petrobras, o monitoramento não é feito apenas em grandes profundidades de
onde vem a água de produção, abaixo aproximadamente de 1000 metros, mas é feito
também em aquíferos que estão próximos à superfície, a cerca de 150 metros. A
empresa alega que esse controle é fundamental para avaliar se há vazamento das
formações para aquíferos superiores que servem de abastecimento para o consumo
humano. Uma maneira de tornar a fiscalização mais rigorosa sobre a injeção da água
produzida e garantir a Política de SMS da empresa.
Dentro dessa questão, o software SMSnet desempenha um papel importante, pois
garante o controle das atividades desenvolvidas nos processos de injeção, dando maior
segurança aos processos com um cruzamento de informações que compõem o seu banco
de dados. O resultado da consulta ao programa é uma planilha contendo todos os riscos
de impactos e as ações que devem ser adotadas para se evitar situações que possam
representar perigo de acidentes.
Para a Petrobras, a re-injeção da água produzida torna-se uma alternativa econômica
diante dos custos que seriam realizados para o tratamento do efluente e seu posterior
descarte em corpos hídricos superficiais. Por esse motivo alguns poços são usados
apenas para a re-injeção da água, para o descarte propriamente dito, enquanto que em
outros a re-injeção significa recuperação secundária por meio de aumento de pressão no
interior da formação.
75
De acordo com a empresa, o tratamento para re-injeção gera um determinado custo, mas
nada comparado com os gastos que seriam necessários para o seu descarte na superfície.
Por outro lado, os custos gerados com o tratamento minimizam possíveis danos à
formação que acabariam por gerar mais despesas dentro do processo produtivo, como a
intervenção para recuperação de poços que apresentam problemas de produtividade.
Isso significa que ao final do cálculo de Custo X Benefício, o tratamento para injeção de
descarte resulta em economia que se tem em relação ao direcionamento adequado que a
mesma deveria receber em caso de descarte em corpos hídricos superficiais.
O controle da água produzida feito pela Petrobras mostra que o processo é rigoroso não
apenas para atender às normas legais exigidas pelas legislações, mas também para
cumprir com a política interna da empresa que garante a preservação e os cuidados com
as questões referentes à SMS.
3.2.1 SMSNET COMO FERRAMENTA DE CONTROLE LEGAL
Para atender as necessidades de conformidade com os requisitos legais existentes na
legislação nacional, como a Resolução CONAMA 396/2008, a Petrobras mantém um
banco de dados com informações pertinentes aos assuntos de saúde, meio ambiente e
segurança. Um software é responsável por gerir esses dados e passar as informações
relevantes aos interessados.
O programa se chama SMSnet. Essa ferramenta é responsável por auxiliar na
administração de um sistema de gestão integrada, dentro da Petrobras, garantindo a
implementação de políticas e ações voltadas para a área de meio ambiente, além de
abranger ainda questões de saúde e segurança.
O SMSnet serve para identificação de aspectos, impactos, perigos, riscos e associações
de requisitos legais para geração de relatórios de conformidade. Tudo baseado nas
normas brasileiras que tratam o assunto. O programa funciona como uma ferramenta de
gestão dentro do processo de manutenção de SMS da empresa, auxiliando nas tomadas
de decisões.
O uso do software vai ao encontro das exigências legais e certificadoras que exigem que
a organização deva possuir e manter procedimentos aptos a identificar e ter acesso às
legislações que tratem de SMS. Então, além do contexto normativo legal, o programa
auxilia no cumprimento das exigências de certificação, no caso em voga, a ISO 14.001,
além é claro das resoluções CONAMA.
Resumidamente, o sistema funciona com base em um banco de dados composto de leis,
identificação de riscos e ações a serem adotadas para a mitigação, transferência ou
eliminação do perigo.
O banco de dados do SMSnet é abastecido regularmente por uma equipe de consultoria
jurídica especializada em questões de segurança, saúde e meio ambiente. Após
abastecer o software com novos dados legais, cabe à equipe de SMS da Petrobras
avaliar se a normativa é, ou não, cabível às ações da empresa. Sendo detectada a
76
necessidade de adoção ao novo regramento jurídico, ações são viabilizadas para o célere
cumprimento da norma. Dessa maneira, a Petrobras consegue atender, prontamente, o
cumprimento de leis e de requisitos exigidos pelas autoridades.
O SMSnet é consultado em todas as ações desempenhadas pela empresa. A utilização
do software garante planejamento e plano de ação para diminuição e combate aos riscos
enfrentados no uso da gestão de água produzida, tanto para o seu descarte como para a
sua re-injeção para recuperação secundária.
Com base nas normas legais e nas informações dos procedimentos que serão adotados,
o software cruza informações em seu banco de dados e informa os impactos que podem
ser gerados por tais ações. Com base nos dados, os responsáveis podem planejar
medidas para a diminuição/eliminação dos riscos que são medidos em três classes:
tolerável, moderado e não tolerável. Em casos de novos parâmetros, identificados
durante os processos, o software pode ser atualizado com essas novas informações,
dando mais segurança às ações desenvolvidas.
Quando informações são solicitadas por um usuário do sistema, uma planilha é emitida
pelo programa dando os dados solicitados. Nesta planilha constam o nome dos
procedimentos, das ações, dos aspectos/perigos e dos impactos/riscos.
Com base no software, a re-injeção de água produzida no Norte do Estado é tida como
sendo de risco tolerável. O programa avalia ainda se a ação é benéfica ou não ao meio
ambiente. No caso em questão, a re-injeção de água é avaliada positivamente como
favorável, sendo de risco tolerado na classe de impactos de SMS. Lembrando que todas
as ações que tenham relação com a resolução CONAMA 396/2008, ou qualquer outra
legislação vigente, serão analisadas e avaliadas pelo SMSnet a fim de se evitar não
conformidades.
O banco de dados do sistema é abastecido constantemente com novas leis, resoluções,
dando à organização a garantia do cumprimento de normas atuais e servindo de controle
e planejamento das ações desenvolvidas, garantindo, além do cumprimento das normas,
a fiscalização para a preservação do meio ambiente.
4
CONCLUSÃO
A Política de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras é de fundamental
importância para a empresa e a sociedade em geral. Ao garantir a preservação da vida e
do meio ambiente, a empresa se compromete com o desenvolvimento sustentável e
mostra que está disposta a aderir aos processos de exploração e produção, gerando
menos impacto ao meio ambiente, prática já instituída por empresas de diversas partes
do mundo.
A Diretriz II da Petrobras (2002) é uma grande aliada ao assegurar o atendimento às
normas legais e a antecipação de ações que possam prevenir futuras não-conformidades.
Por ser abrangente, essa diretriz torna o setor de proteção ao meio-ambiente da empresa
um mecanismo dinâmico e capaz de identificar novas mudanças legais e exigí-las de
77
seus fornecedores e parceiros. Grande ferramenta dentro desse processo é a ferramenta
SMSnet, que auxilia no cumprimento das normas e propõe ações a serem
implementadas de acordo com a classificação de cada risco.
Por meio de suas práticas voltadas ao respeito à legislação e ao compromisso com a
sociedade, diga-se gerações futuras, a Petrobras entra em uma nova era em que a
responsabilidade social torna-se uma regra para a sobrevivência no mercado mundial.
Organizações que não se enquadrarem nesses parâmetros sofrerão conseqüências
drásticas, que podem ir de desvantagem competitiva à até mesmo a não sobrevivência
nesse novo cenário global. O que pode ser percebido, é que nesse aspecto, a empresa
tem mostrado uma eficiência em antecipação nas propostas de gestão ambiental.
Entender o processo de uma produção que gere menor impacto, com a reutilização da
água produzida, foi uma das alternativas que a Petrobras encontrou para atender as
normas e se enquadrar nas e exigências nacionais e internacionais.
Os cuidados com a gestão ambiental já fazem parte de uma nova fase da administração
de empresas no mundo. Na atualidade, o respeito ao meio ambiente não advêm apenas
do cumprimento de regramentos jurídicos, mas sim de uma nova postura no cenário
comercial, onde o menor impacto gerado se transforma em diferencial competitivo.
Com um tratamento adequado da água produzida e sua re-injeção para reuso/descarte, e
constante monitoramento desses poços, a empresa consegue atender de forma eficiente
a Resolução CONAMA 396/2008, reduzindo os custos que teria com o tratamento desse
resíduo para o descarte em corpos hídricos superficiais.
Ficou evidenciado que por meio de ferramentas de SMS, como o SMSnet, e ações
planejadas e eficazes de tratamento e re-injeção de água produzida é possível uma
gestão atual dos processos de cumprimento legais referentes às normas que regem o
setor petrolífero. Com base na gestão de antecipação dos riscos, com o uso de métodos
eficientes, a Petrobras consegue cumprir o que determina a Resolução 369/2008, no
Município de São Mateus, gerando um menor custo em relação ao descarte dessa água
em corpos superficiais e sem agredir o meio ambiente.
Pode-se comprovar, diante das evidências, que o tratamento de água produzida se faz
necessário para a garantia de um meio ambiente saudável e, até mesmo para a
manutenção da qualidade da produção, para os casos de re-injeção conforme estudado
neste trabalho. Além, é claro, de que o controle desses riscos ambientais é
imprescindível para o atendimento legal e manutenção das certificações.
Concluímos que o atendimento à Resolução CONAMA 396/2008 é possível com o
aproveitamento na produção e o respeito ao meio ambiente, garantindo uma produção
sustentável sem desrespeitar a legislação vigente.
78
REFERÊNCIA
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tratada por processo evaporativo com a finalidade de reuso em solo. Tese de
Doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2009, 144 p.
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5.
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a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas
e dá outras providências. MMA. Brasília.
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79
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18. THOMAS, José Eduardo (org.). Fundamentos de Engenharia de Petróleo. 2ª ed.
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80
SEGURANÇA DE PERÍMETRO: ESTUDO DE CASO
BATALHA ADMINISTRADORA E CORRETORA DE
SEGUROS
Lidyane Marques Mota16
Ramilton Costa Gomes Junior17
RESUMO
Este artigo tem como objetivo, mostrar a importância da segurança das informações nas
empresas, em especial a corretora, Batalha Administradora e corretora de seguros.
Apresentar possíveis aplicações de métodos no sistema de informação e demonstrar
como a ausência da automação e falhas podem gerar perdas, extravio e quebra dos
princípios de segurança da informação no ambiente tecnológico da empresa. Com isso
este artigo tem como objetivo apresenta a implantação da segurança de perímetro, que é
a expressão formal de uma fronteira fortificada, onde inclui o firewall e o roteador, que
tem como objetivo direcionar os dados para dentro ou fora da rede.
PALAVRAS-CHAVE: Segurança da informação. Segurança de rede. Perímetro.
ABSTRACT
This article aims to show the importance of information security in companies,
particularly brokerage, Battle Administrator and insurance broker. Discuss possible
applications of methods in the information system and demonstrate how the lack of
automation and failures can cause loss, loss and breakage of the principles of
information security in the technological enterprise. Thus this article aims to present the
implementation of perimeter security, which is the formal expression of a fortified
border, which includes the firewall and router, which aims to direct the data into or out
of network.
Keywords: Information Security. Network security. Perimeter.
1 INTRODUÇÃO
O ativo mais valioso de uma empresa é a informação, assim se faz necessário mais
segurança e uma proteção adequada a ela. Assustadoramente a globalização vem
atingindo as pequenas, médias e grandes empresas trazendo um crescimento
tecnológico e aumentando os riscos de ataques, vulnerabilidades, incidentes, uma série
16 Discente do Curso Superior Tecnológico em Analise e Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade
Norte Capixaba de São Mateus - UNISAM.
17 Formado em Ciência da Computação pela Unifenas, Especialista em Criptografia e Segurança de
Redes pela Universidade Federal Fluminense(UFF), mestrando em Energia pela Universidade Federal
do Espirito Santo(UFES) e Embaixador do Fedora Brasil.
81
de ameaças ao sistema de informação, suas redes de computadores e até mesmo ao
banco de dados, resultando em prejuízos, com os dados e informações das empresas.
Segundo Campos (2007) a segurança da informação baseia-se em três princípios
extremamente necessários, sendo eles: a confidencialidade, integridade e
disponibilidade da informação.
A confidencialidade tem como objetivo manter a restrição de acesso, garantido que
apenas a pessoa autorizada tenha o acesso solicitado. De acordo com o dicionário a
palavra confidencial é caráter restrito, reservado, ou seja, a confidencialidade parte para
o princípio de manter a informação segura e confidencial à apenas ao usuário correto.
Integridade é manter a informação íntegra, completa e sem alterações. O conceito chave
para integridade é permitir que apenas as pessoas autorizadas ou sistemas autorizados,
façam a devidas alterações nas informações e dados da empresa. E a disponibilidade é
manter a informação sempre disponível, para o uso e acesso dos usuários, sendo
essencial o preparo físico e tecnológico da empresa.
Muitas empresas são vitimas de grades prejuízos, pois não possuem em seus ambientes
uma segurança adequada para as informações.
Este artigo trata-se da apresentação da importância da segurança da informação em uma
corretora de seguros, bem como a implantação da segurança de perímetro no servidor
Windows através do Isa Server, usado para proteger a conexão da rede empresarial com
a internet. Será constituído através de considerações teóricas para melhor
fundamentação do tema e seu desenvolvimento.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 INFORMAÇÃO
Informação são fatos conhecidos ou características de um determinado objeto
comunicados acerca de alguém ou algo, é a interpretação real dos dados.
Segundo Campos (2007 p.15)
[...] informação é ao mesmo tempo composta de dados e componente do
conhecimento. [...] a informação é um elemento essencial para a geração do
conhecimento, para a tomada de decisões, e que representa efetivamente valor
para o negócio, dentro de cada um de seus processos. Uma vez que a informação
representa valor e, consequentemente, contribui diretamente para a geração de
lucro, é possível afirmar então que a informação é um bem, um ativo da
organização.
A informação pode ser classificada conforme o seu valor e importância, sendo
determinadas como pública, interna, confidencial e secreta. Laureano (2011, p.08) diz
82
que “é exposto, a necessidade de classificação da informação em níveis de prioridade,
respeitando a necessidade de cada empresa.”
Informações públicas são aquelas que não são direcionadas a um só publico, podem ser
enviadas, estarem disponíveis para qualquer pessoa pois sua essência, conteúdo não irá
causar danos a empresa. As informações internas são direcionadas a um local ou pessoa,
porém se for acessadas não interferem no processo administrativo e nem produtivo da
empresa. Confidenciais são informações restritas para o uso da empresa, cujo extravio,
divulgação, pode causar um desequilíbrio de operações na empresa. Já as informações
secretas são informações também restritas geradas através de reuniões, sessão de
negócios no qual são de grande importância e valor para a empresa.
Para que a informação seja manipulada, ela tem que estar guardada, armazenada de
algum modo. Encontramos as informações conservadas de várias formas, sendo forma
física, em documentos, papéis, livros, revistas, jornais, fotografias; formas digitais
presentes em CDs, DVDs, discos, fitas, disquetes, memórias de computadores,
pendrives, HD’s e na mente das pessoas ou filmes.
O ciclo de vida da informação é identificado pelos momentos e situações que a
informação passa depois der ter sido criada. Ele tem por início quando a mesma gera
algum conhecimento sobre algo ou alguém, resultando em elementos de interesse
específico tornando-se diferentes e competitivos nos ambientes no qual a informação se
enquadra.
O ciclo de vida da informação é um processo de manuseio, armazenamento, transporte e
descarte. O manuseio da informação começa quando ela é criada e manipulada, seja ao
consultar documentos publicados ou interpretar dados e gerar um conhecimento, assim
o próximo passo é o armazenamento no qual pode ser tanto de forma física, digital, na
mente ou por filmes como já informado acima, o transporte da informação é quando ela
tem que ser enviada e adquirida por outras pessoas, utilizando de meios para a
condução, podendo ser, por fax, e-mail, carta, telefone, mensagem, redes sociais,
bluetooth e por fim, o descarte da informação, quando ela é jogada na lixeira de
empresas, casas, ao eliminar um arquivo eletrônico, ao quebrar CDs e outros meios de
rejeição que são utilizados pelos usuários.
2.1.1 SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO
Segurança de acordo com o dicionário Aurélio, é o ato ou efeito de segurar-se, tornar
algo ou o ambiente seguro, livre de perigo e riscos. A segurança da informação tem por
objetivo, estabelecer, padronizar e normalizar a segurança dos dados e seus processos,
tanto no escopo humano como no escopo tecnológico dentro do ambiente corporativo,
seja onde estejam situadas.
De acordo com Campos (2007 p.17)
Um sistema de segurança da informação baseia-se em três princípios básico: 1)
confidencialidade, 2) integridade e 3) disponibilidade. [...] Se um ou mais desses
princípios forem desrespeitados em algum momento, isto significa uma quebra de
83
segurança da informação, o que pode ser chamado também de incidente de
segurança da informação.
As informações são ativos importantíssimos para o cotidiano das organizações de um
modo geral, uma vez que os seus valores são imensuráveis dado à quantidade crescente
de dados que as empresas possuem, agregam e utilizam em suas rotinas diárias.
É muito importante manter os equipamentos, os hosts, a rede empresarial, funcionando
e garantindo que os pilares da segurança não sejam corrompidos.
A segurança da informação tem que permanecer presente em todos os segmentos da
empresa, os colaboradores que utilizam os sistemas têm que serem treinados para obter
conhecimentos acerca das políticas de segurança que a empresa possui, como senhas
pessoais fortes, acessos restritos, autenticações de usuários, normas acerca de condutas
pessoais e profissionais dentro da empresa.
Já os gerentes administrativos, os sócios-proprietários, deverão manter uma boa relação
com a equipe de TI, para obter o conhecimento e juntos tomarem decisões sobre as
medidas de segurança que serão utilizadas na empresa, como diz Izquierdo (2011, p.01)
“a segurança da informação é assunto estratégico e deve ser tratado no nível apropriado
da organização que é a alta administração (sócios proprietários e/ou diretoria
executiva).”
2.1.2 PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO
Os princípios ou pilares da segurança são características para manter e garantir que os
ativos estejam seguros e protegidos contra as falhas e incidentes de segurança no
ambiente de uma determinada corporação, utilizados para orientar a análise,
planejamento e implantação das medidas de segurança.
De acordo com Campos (2007 p. 17 e 18) os princípios para a segurança da informação
denotam-se:
 O princípio da confidencialidade é garantido quando apenas a pessoas
explicitamente autorizadas podem ter acesso a informação.
 O princípio da integridade é garantido quando a informação acessada está
completa, sem alterações e, portanto, confiável.
 O princípio da disponibilidade é garantido quando a informação está
acessível, por pessoas autorizadas, sempre que necessário.
A palavra confidencial significa, escrito em segredo, que tem caráter reservado. Sendo
assim, o princípio da confidencialidade tem como característica principal manter a
informação segura e reservada apenas para a pessoa ou processos destinados.
Um mecanismo importante na confidencialidade é manter a privacidade dos dados,
utilizando métodos como, uma identificação, autenticação e autorização.
84
Moraes (2010, p.105) diz que “o principio da confidencialidade é proteger a informação
em sistemas, recursos e processos para que eles não sejam acessados por pessoas não
autorizadas.”
Integridade é manter a informação completa, inteira. Toda informação gera
conhecimento, sendo assim é importantíssimo que a informação esteja sempre correta,
integra e digna de ser utilizada, pois ela está sempre presente em nosso cotidiano.
A integridade está relacionada com a proteção da informação para que os dados
não sejam intencionalmente ou acidentalmente alterados sem a devida
autorização. [...] o objetivo da garantia da integridade dos dados é prevenir a
existência de fraude ou erro de processamento. (MORAES 2010 p. 103)
Os sistemas e seus bancos de dados são fontes de informações utilizadas pelas
organizações para que tenham acesso mais rápido e respostas exatas de suas solicitações
diárias, portanto eles têm que estarem sempre acessível, a serventia dos usuários. O
princípio da disponibilidade de acordo com Moraes (2010 p.106) está relacionado “a
garantia de que o sistema vai estar sempre acessível quando o usuário precisar.”
2.2 AMEAÇAS E VULNERABILIDADES
As ameaças são indícios de moléstias, situações que causam mal, malefícios que serão
expostos a algo ou alguém. Elas exploram os pontos fracos (falhas de segurança) e
como consequências provocam danos.
Campos (2007 p.25)
A ameaça é um agente externo ao ativo de informação, que se aproveitando de
suas vulnerabilidades poderá quebrar a confidencialidade, integridade ou
disponibilidade da informação suportada ou utilizada por esse ativo. Alguns
exemplos de ameaça são fraudadores, espiões, sabotadores, vândalos, sobrecargas
no sistema elétrico (que podem causar incêndio), tempestades (que podem causar
inundação), vírus, spywares, worms, entre outros.
As ameaças são classificadas em três tipos:
 Naturais, que são as condições da natureza, como por exemplo, fogo que pode
causar um incêndio, chuvas, granizos, quedas de energias decorrentes a grande
descarga de energia ou relâmpagos. Para evitar esse tipo de ameaça é essencial que
os hardwares, equipamentos e instalações físicas estejam instalados corretamente e
tenham planejamento de recuperação se caso ocorrer algum desastre natural.
 Intencionais são ameaças ocasionadas por fraudes, vandalismo, invasões, ataques
de hacker, espiões, funcionários mal-intencionados dentre outras formas. Segundo
Moraes (2010 p.111) as ameaças intencionais “são as que viram noticia de jornal e
nas quais os produtos de segurança podem atuar melhor.”
 Involuntárias ou não intencionais são as ameaças resultantes de ações inconscientes
dos usuários, perigos ocorridos por falta de conhecimento e ignorância dos
usuários.
85
Vulnerabilidade trata-se de onde as informações estão sujeitas a receberem ataques e de
serem corrompidas. De acordo com (CAMPOS 2007 p. 25) “[...] É importante destacar
que essas vulnerabilidades estão presentes nos próprios ativos, ou seja, que são
inerentes a eles, e não de origem externa.”
Elas podem estar presentes nos ambiente físicos das empresas, condições da natureza,
defeitos ou configuração dos hardwares e dentre os pontos fracos dos softwares. Moraes
(2010 p. 112, 113) descreve a vulnerabilidade como:
Um ponto no qual o sistema é suscetível a ataque. [...] ameaça é uma intenção
concreta de exploração das vulnerabilidades em um sistema. [...] as
vulnerabilidades de um sistema são classificadas ou categorizadas em físicas,
naturais, hardware ou software, mídia, emanação 18, comunicação e humanas.
Vulnerabilidades são falhas, fraquezas encontradas nos ativos, no qual são resultantes
da quebra de um ou mais princípio da segurança da informação, elas facilitam a
ocorrência de incidentes de segurança, conforme apresenta a figura abaixo. Todos os
ambientes estão vulneráveis, uma vez que nenhum lugar é totalmente seguro.
2.3 ATAQUES
Ataques ou agressões os sistemas, redes corporativas e outras fontes de informação,
acontecem quando as vulnerabilidades não são tratadas ou os problemas não são
reparados.
Conforme cita Guimarães, Lins e Oliveira (2006 p.12) “ataques de segurança são
quaisquer ações que possam comprometer a disponibilidade, integridade, sigilo e
autenticidade de uma informação pertencente a uma organização.”
Os ataques estão muito presentes nas empresas devido à falta de segurança que elas
apresentam. Eles ocorrem por meios internos, sendo por funcionários mal
intencionados, atividades que colocam as informações em perigos, etc. e também por
meios externos, sendo através da internet, vírus espiões, spams e outros.
Existem vários tipos de ataques, como por exemplo: engenharia social, no qual explora
as fraquezas humanas e sociais; o ataque físico, concedido por invasões na parte física
estrutural da empresa, com roubos de equipamentos, softwares; vírus, worms, spywares;
ataques dirigidos a banco de dados e falsa autenticação de usuário.
2.4 VÍRUS
Vírus é um programa ou parte do mesmo, este é malicioso e tem por objetivo infectar
arquivos de um computador para destruir os dados ou o sistema, ele depende da
18 - Sinais emitidos por computadores, equipamentos de rede e monitores que podem ser captados e
decifrados.
86
execução do programa ou arquivo hospedeiro para que possa se tornar ativo e dar
procedimento ao processo de infecção ou seja é um código auto-propagável. Os
primeiros vírus foram desenvolvidos em linguagem C e Assembly, atualmente eles são
desenvolvidos de várias maneiras, como através de scripts e de funções de determinados
programas.
Tadeu (2006 p.31) diz que “o nome vírus, se dá devido à semelhança das ações e
proliferações que o mesmo efetua, como um vírus real que domina o mecanismo de
células normais.”
Os vírus são espalhados por diferentes meios, como e-mail, pendrives, dispositivos
removíveis, disquetes, arquivos compartilhados. Os vírus são classificados como:





Vírus de arquivos ou programas;
Boot, que ficam armazenados na inicialização de softwares;
Macro, que são vírus que infectam os arquivos do Office da Microsoft;
Multipartite, armazenados em arquivos executáveis,
Stealth, no qual utiliza técnicas para enganar o antivírus e polimórficos, se auto
modificam a cada nova disseminação.
Quando um vírus é descoberto a ICSA (International Computer Security Association)
faz uma pesquisa e estuda as características da nova praga e envia os dados para os
fabricantes de antivírus para que eles construam uma vacina para conter ou destruir o
vírus.
Os antivírus são softwares que verificam se em um computador, sistemas, pendrives,
dispositivos removíveis ou outras possíveis fontes, estão infectados por vírus. Os
fabricantes de antivírus, para construírem a vacina, analisam o código do vírus e
armazenam pequenos fragmentos que não são encontrados em nenhum outro software
conhecido. Eles enviam periodicamente estes códigos para os usuários, através das
atualizações dos softwares de antivírus.
2.5 WORM
Worm ou verme são parecidos com os vírus, no entanto eles não precisam ser
executados para serem disseminados. Os Worms criam cópias de si e passam de um
computador para o outro através da internet ou através da rede local, capturam
endereços de e-mail nos arquivos dos usuários e utilizam o serviço de SMTP para que
contaminação seja feita de uma forma rápida.
O criador do primeiro Worm da historia, foi Robert Morris Jr. que ficou muito famoso
com sua criação. Danos causados por um worm têm uma proporção bem maior do que
os danos causados por um simples vírus. Exemplos mais comuns de worm são o
Melissa (worm de macro) e o I Love You (worm vbscript) ambos sempre enviados por
e-mail.
[...] embora de finalidades semelhantes, os vermes possuem a característica
especial, e muito perigosa, de não precisarem de intervenção humana para a sua
propagação. [...] eles tem a habilidade de se hospedar e um computador e usá-lo
87
como base para se multiplicar e se auto-enviar a outros computadores, utilizando
informações ou furtados daquele no qual se instalaram. (JÚNIOR 2004 p.51)
Os antivírus mais novos localizam e obtém o worm, porém como não são programas
executáveis são facilmente alterados e conseguem enganar o software.
2.6 TROJAN
Trojan é um tipo de praga digital que permite o acesso remoto ao computador após a
sua infecção, seu objetivo é capturar e apagar dados, destruir aplicativos no sistema ou
computador infectado. Definimos um cavalo de tróia ou trojan como um programa que
além de realizar as funções normais para o objetivo criado, ele também tem a função
maliciosa de deixar portas abertas.
São diversas formas que o trojan pode estar escondido, sendo, através de fotos, arquivos
de músicas, aplicativos, mensagens de texto e até mesmo em jogos. Tipos de cavalos de
tróia: Invasão por portas TCP e UDP, trojans de informação, trojans de ponte, rootkits e
trojans comerciais.
2.7 SPAM
Spam são mensagens eletrônicas, como mensagens de redes sociais, e-mails, recebidos
de fontes não confirmadas, sem autorização, recebidos sem nenhuma solicitação e sem
o consentimento do usuário, trata-se do lixo eletrônico.
De acordo com Carmona (2006 p.119) spam é “o responsável pelo aumento do trafego
de rede, além de ser uma das causas da propagação de vírus e spywares 19 nas redes de
computadores.”
O recebimento de Spam é muito comum em ambientes comerciais. O Spam quando é
enviado, chega para vários usuários. Quando o conteúdo é comercial, este tipo de
mensagem também é chamada de UCE (Unsolicited Commercial E-mail).
Muitos problemas podem ser causados pelo Spam, nas redes, empresas e para os
usuários de internet, como por exemplo, não receber e-mails, aumentos de infecções por
pragas digitais, perda de produtividade no envio e recebimento de mensagens, fraudes e
até mesmo conteúdos impróprios e ofensivos.
O bloqueio do recebimento de Spam é realizado através de softwares chamados de antispam. Os Anti-Spams são programas que administram a lista de endereços dos contatos
eletrônicos e identificam aqueles que possuem uma origem duvidosa.
Este software pode ser configurado para executar ações automáticas ou apenas quando
forem solicitadas pelo usuário, ações como: apagar emails ao recebê-los, informar o
19 Programas que ficam "espionando" as atividades dos internautas ou capturam informações sobre eles,
podem vir embutidos em softwares desconhecidos, e quando baixados podem infectar o computador.
88
recebimento ao provedor do usuário, verificar os spams recebidos para serem
bloqueados no futuro e identificar e mover o spam para uma pasta específica
2.8 SEGURANÇA DE PERÍMETRO
Segurança de perímetro é usada para proteger o acesso da rede empresarial com a
internet, mantendo a rede livre de quaisquer perigos. De acordo com Andrade (2007
p.18) “o perímetro é uma área delimitada por recursos físicos e lógicos. Tem como
objetivo impedir o acesso não autorizado e manter a integridade das informações da
organização.”
A insuficiência da segurança de perímetro nas redes corporativas abre brechas na
segurança, facilitando a invasão e possíveis explorações das vulnerabilidades na rede
com propósito de capturar as informações e prejudicar o desenvolvimento da mesma.
Para Cheswick, Bellowin e Rubin (2005 p.30) a segurança de perímetro funciona como
uma cidade, sendo que:
Tem dois componentes: o muro e o portão. Na internet, o portão é implementado
por um firewall, uma configuração de máquinas e softwares que permitem aos
habitantes da cidade de fazer seus negócios sem deixar os maus elementos
entrarem. Para ser eficiente, o muro deve circundar toda a cidade e ser
suficientemente alto e espesso para suportar um ataque.
Para incluir a segurança de perímetro em uma rede de computadores utiliza diferentes
componentes, como, roteadores que são equipamentos que controlam o
encaminhamento das mensagens que trafegam na rede, firewalls, proxies
(intermediários entre o usuário e servidor, que desempenha a função de conexão do
computador local à internet), sistemas de detecção de intrusos (sistema que detecta se os
computadores estão sendo acessados ou sofrendo manipulações através da internet).
Existem dois tipos de perímetros, o perímetro exterior e o perímetro interior. O
perímetro exterior de acordo com Guimarães, Lins e Oliveira (2006 p.22) “representa o
ponto de separação entre os recursos que estão sob o controle e os recursos que não
estão sob o controle, com exceção da rede VPN20.” Já o perímetro interior “são
relacionados a um recurso particular que se pretende proteger.”
2.9 FIREWALL
Peterson e Davie (2004 p. 450) interpretam firewall como:
Um roteador programado especialmente, e que fica entre uma instalação e o
restante da rede. Ele é um roteador no sentido de que está conectado a duas ou
mais redes físicas e encaminha pacotes de uma rede para outra, mas também filtra
os pacotes que passam através dele.
20 VPN quer dizer Rede Privada Virtual (Virtual Private Network), é uma rede de comunicação privada
normalmente utilizada por empresas ou um conjunto de empresas.
89
Firewall é um software ou hardware responsável pela filtragem, tráfego de pacotes e
verificação dos dados antes de enviar ao usuário que fez a solicitação dos dados.
Segundo Moraes (2010 p.202) “os firewalls podem desempenhar o papel de
concentradores de VPN na rede sem fio e ainda serem utilizados para proteger o acesso
a internet para redes sem fio e corporativa.”
As principais funções de um firewall são estabelecer a segurança em um perímetro,
separar a rede interna da externa controlando os acessos, ser fundamental no controle de
políticas de segurança, proteger a rede e sistema contra as vulnerabilidades e ameaças.
O administrador, gerente da TI ou até mesmo o profissional responsável pelo
gerenciamento de bloqueios em um firewall, tem que ter o conhecimento da política de
segurança, controle de acessos para configurá-lo. Ele já tem uma configuração padrão,
portanto tem que alterar as configurações conforme necessidade da empresa e sua
política de segurança, liberando acessos, portas e se caso seja necessário, criar também
os bloqueios.
2.10 ISA SERVER
Isa Server (Microsoft Internet Security e Acceleration Server) é um sistema
desenvolvido pela Microsoft sendo uma solução em segurança, ele ajuda a proteger o
computador através de regras definidas, proxy, firewall, VPN, gerenciamento de
acessos na rede, oferecendo diversos benefícios para a rede, segurança das informações
no cotidiano das organizações.
De acordo com a Microsoft (2011, p.1) a ferramenta Isa Server é descrito como “[...]
um gateway de segurança integrada que ajuda a proteger o seu ambiente de TI contra
ameaças da internet, ao mesmo tempo em que fornece a seus usuários um acesso remoto
rápido e seguro de dados e aplicações.”
Os requisitos mínimos para a instalação do Isa Server em um computador é: 300MHz
ou superior Pentium II CPU compatível, 256 MB de RAM, 2 GB de disco rígido espaço
na partição NTFS formatado, 200 MB de espaço disponível no disco rígido. Para que o
sistema seja utilizado como firewall é preciso que se considere o quão potente a CPU é
em termos de requisito para rendimento. Por exemplo: Em uma um taxa de menos de 25
Mbytes por segundo, recomenda-se uma CPU com Pentium II 300 MHz ou 500 MHz.
Esta ferramenta utiliza diferentes modelos de rede para melhor ser adequada ao
ambiente tecnológico da empresa e atender as necessidades de segurança das
informações internas e externas.
O Isa Server permite que os gestores de TI e os administradores da empresa obtenham
dados com valores a respeito do tráfego das informações, desempenho e gerenciamento
da rede. Pode ser utilizado em diferentes cenários:
 Publicando o conteúdo do acesso remoto de forma segura. Ao ser utilizado neste
cenário, esta ferramenta disponibiliza que as informações acessadas remotamente
90
por usuários, estejam seguras, com dados criptografados e acessos autenticados
através de senha do usuário.
 Fazendo a conexão e proteção de escritórios remotos. Neste cenário, permite um
acesso remoto entre as filiais da empresa com a matriz através de uma conexão
rápida e segura.
 Resguardando contra as ameaças internas e externas decorrente da internet. O Isa
Server neste cenário utiliza o firewall e proxy, para gerenciar, monitorar e proteger
a rede.
O Isa Server 2006 possui duas edições, o Standard e Enterprise Editions. A diferença
entre as edições do Isa Server estão presentes em seus recursos. Os principais recursos
disponíveis em ambas edições: servidores Microsoft internos com acesso remoto
seguro, serviços de rede virtual privada (VPN), gerenciamento, monitoramento e
serviços de relatório, múltiplas redes, proteção avançada do firewall, autenticação,
publicação de servidores e desempenho.
A implantação do Isa Server conforme Serwin (2011) gera conceitos na segurança das
informações da empresa como, uma política de acesso, regras, utilização de matrizes de
domínio através do Active Directory (Serviço de diretórios do Windows que identifica
através das senhas dos usuários, os recursos disponíveis na rede).
A nova atualização do Isa Server recebeu uma alteração em seu nome, portanto o Isa
Server 2006 foi atualizado para Forefront TMG 2010 (Microsoft Forefront Threat
Management Gateway).
De acordo com Souza (2011 p.01) o Forefront TMG 2010, possui alguns pilares:
Definimos como os pilares do Forefront TMG: proteção de acesso de fora para
dentro, proteção de acesso de dentro para fora e proteção contra ameaças de rede.
Podemos resumir como sendo o acesso a servidores de correio, servidores de
aplicação (web ou client-server), VPN e outros recursos publicados, inspeção de
Malware e HTTPs, além de filtro URL para controle de acessos a determinados
sites e recursos que foram aperfeiçoados tais como IDS (Intrusion Detection
System) e inspeções de rede.
Está atualização além de manter as funcionalidades do Isa Server 2006, tem um
desempenho diferenciado, ele ajuda a manter os colaboradores da empresa longe dos
ataques e riscos da web.
3 ESTUDO DE CASO
O objeto de estudo deste artigo é a empresa Batalha Administradora e Corretoras de
Seguros, com o seu desenvolvimento crescente a cada ano, e adquirindo muitas
conquistas, dentre essas clientes, atualmente são 6.338 (seis mil trezentos e trinta e oito)
clientes segurados.
Para a realização deste artigo foi criado um questionário, que foi apresentado junto aos
colaboradores da empresa e a entrevista realizada junto com a sócio proprietária Daniela
de Oliveira Neves Batalha. O questionário utilizado foi formulado com um total de oito
91
perguntas, no qual foi respondido pelos seis colaboradores da empresa Batalha
Administradora e Corretora de Seguros. As perguntas com suas respectivas resposta,
foram:
1. Estrutura da rede satisfaz a atividade cotidiana da empresa, com relação à utilização
da internet, downloads e segurança no tráfego das informações? - 84% dos
colaboradores acham que a estrutura da rede satisfaz a atividade cotidiana da empresa,
com relação à utilização da internet, downloads e segurança no tráfego das informações
e 16% não acha que a estrutura da rede satisfaz.
2. A rede corporativa juntamente com os hosts presentes, sofre com quais invasões? Sendo que os colaboradores responderam que sim e que 60% responderam que são
vírus, 40% responderam que são spam, totalizando 100% dos colaboradores.
3. Os sites eram bloqueados? - 100% dos colaboradores responderam que nao tinha
nenhum tipo de bloqueio.
4. A empresa possui alguma política de segurança (Normas, regras, diretrizes) referente
ao uso da internet, downloads e redes sociais?- Dos 84 % dos colaboradores da empresa
acreditam que a empresa não tem uma política de segurança e 16% acredita que tem.
5. Existe senha de acesso por usuário em cada computador, sistema banco de dados? 100% dos funcionários da empresa não tem senhas para acesso aos computadores e
banco de dados.
6. Como você classifica a rede de comunicações da empresa com relação à segurança
das informações?- Dos seis funcionários que corresponde a 100%, 50% ou seja, três
funcionários acham que a rede de comunicação da empresa é regular e os outros três
correspondentes ao outros 50% acreditam que a rede é ruim.
7. Qual a importância da segurança das informações na empresa?- 84% acha que é
importante e 16% acha que é muito importante.
8. Com a aplicação de medidas de segurança das informações, haverá melhorias no
ambiente tecnológico da empresa?- 100% dos funcionários acreditam que a aplicação de
medidas de segurança no ambiente tecnológico da empresa, resultará em melhorias.
Mediante os dados colhidos e analisados, detectou a necessidade de implementação da
segurança de perímetro, na empresa Batalha Administradora e corretora de Seguros para
diminuir as vulnerabilidades e incidentes na rede empresarial.
4 IMPLEMENTAÇÃO
4.1 INSTALAÇÃO
O processo de instalação do Isa Server inicia através do assistente de instalação
conforme tela abaixo:
92
Figura 1 - Assistente de instalação Isa Server 2006
Próximo passo, prosseguindo com a instalação, segue tela com os termos do contrato de
licença, e após aceitar os termos do contrato de licença, avançamos, e informamos o
nome de usuário, organização e o número de série do produto, ou seja, a chave de
ativação para a instalação do software. Clicamos em avançar e definimos qual será o
tipo de instalação, a instalação personalizada permite que o usuário selecione os
componentes a serem instalados, o a instalação tipica, onde sera instalada os recursos
básicos. Após definir o tipo de instalação, prossiga clicando em avançar. A próxima
etapa ser mostrada quais os serviços serão desabilitados ou reiniciados e por ultimo
clica em avançar e aguarde a instalação do Isa Server. Conforme a figura abaixo.
Figura 2 - Assistente instalação - Instando Isa Server.
Após a instalação concluída, mostrara a tela inicial do Isa Serve, conforme a figura
abaixo:
93
Figura 3 – Tela gerenciamento do Isa Server.
4.2 CONFIGURAÇÃO
As configurações de permissões ou negações são realizadas através do console de
Administração. Conforme a tela abaixo.
Figura 4 - Console de Administração
A primeira regra criada foi para a publicação de sites, clicando com o botão direito do
mouse, escolhe a opção novo e por ultimo em Regra de publicação de site. Toda regra
de negação tem que ser adicionada antes da regra de permissão senão a regra de
negação não é atendida. A ação permite, permite que os usuários tenham licença para
utilizar os protocolos definidos conforme a definição da empresa, a figura abaixo
94
mostra a tela do Console do Isa Server com os serviços que foram configurados em
processo de execução:
Figura 5 - Console de Administração – Serviços
5 CONCLUSÃO
O grande desafio para as empresas decorrente do crescimento tecnológico é manter seus
ambientes protegidos, controlados, livres de vulnerabilidades e se adequarem
tecnologicamente e estruturalmente ao desenvolvimento que a tecnologia da informação
tem alcançado. Nenhum ambiente é totalmente seguro, porém utilizando medidas,
ferramentas de segurança, conseguimos diminuir o fluxo dos danos decorrentes a
ausência de proteção as informações.
O objetivo geral deste artigo relaciona-se com o exposto acima, neste estudo ficou
evidenciado a necessidade da segurança do perímetro no ambiente da empresa Batalha
Administradora e Corretora de Seguros, onde se confirma e fica baseado nas respostas
dos colaboradores da empresa onde 100% responderam que com a aplicação de medidas
de segurança das informações haveria melhorias no ambiente tecnológico da empresa.
Os pontos fundamentais foram aplicados como processos do desenvolvimento do
projeto onde foram executados atendendo a necessidade da empresa, proteção e controle
adequado para a segurança das informações.
A segurança de perímetro atendeu e supriu as deficiências de segurança no ambiente
tecnológico da empresa. Demonstrando que a segurança de perímetro iria melhorar o
processo de segurança das informações.
Podemos afirmar que a segurança dos ativos, informações é muito importante para a
gestão e cotidiano nas empresas, uma vez que com o uso da internet sem políticas,
95
controles de acesso, as portas dos servidores ficam expostas e vulneráveis a uma grande
rede de comunicações. A segurança de perímetro tem tudo para se tornar uma ótima
medida de segurança, atendeu aos requisitos solicitados, porém tem que se dar
procedimento ao processo de configurações, manutenção, atualização para que seu
funcionamento seja eficiente para a empresa.
REFERÊNCIAS
1. ANDRADE, Maria Margarida. Introdução á Metodologia do Trabalho
Cientifico. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2006
2. ANDRADE, Paulo Henrique Coelho. Segurança de perímetro de Rede em
conformidade com os padrões NBR ISSO/IEC (BS7799) e C2. Lavras: 2007, 55
p. Monografia (Pós-Graduação em Administração em Redes Linux) – Universidade
Federal de Lavras, Lavras, 2007.
3. CAMPOS, Andre. Sistema de Segurança da Informação: Controlando os riscos.
2. ed. Florianópolis: Visual Book, 2007
4. CARMONA, Tadeu. Treinamento prático em redes de computadores. 1º ed. São
Paulo: Digerati Books, 2006
5. CHESWICK, William R.; BELLOVIN, Steven M; RUBIN, Aviel D. Firewalls e
segurança na internet: repelindo o hacker ardiloso. 2. ed. Porto Alegre: Bookman,
2005.
6. GUIMARAES, Alexandre Guedes; LINS, Rafael Dueire; OLIVEIRA,
Raimundo.Segurança com redes privadas virtuais: VPNs. 1. ed. Rio de Janeiro:
Brasport, 2006.
7. IZQUIERDO, Antonio Victor. Afinal o que é segurança da informação?.
Disponível em <http://www.relacionamentodigital.com/afinal-o-que-e-segurancada-informacao>. Acesso em 06/11/2011
8. JUNIOR, Higor Orrico. Pirataria de Software. 2. ed. São Paulo: MM Livros
Editora e Distribuidora, 2004.
9. LAUREANO, Marcos Aurelio Pchek. Gestão de segurança da informação.
Disponível em: <http://www.mlaureano.org/aulas_material/gst/apostila
_versao_20.pdf>. Acesso em 06/11/2011
10. MICROSOFT, Isa Server. Visão sobre o produto. Disponível em:
<http://www.microsoft.com/brasil/servidores/isaserver/prodinfo/overview.mspx>.
Acesso em: 21/06/2011
11. MORAES, Alexandre Fernandes de. Redes sem fio: Instalação, configuração e
segurança. São Paulo: Érica Ltda, 2010.
96
12. PETERSON, Larry L; DAVIE, Bruce S. Redes de computadores: Uma
abordagem de sistema. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
13. SERWIN, Sebastian. Microsoft ISA Server, Parte I: Introdução, instalação,
configuração de cachê da web e acesso à internet. Disponível em:
<http://www.windowsecurity.com/articles/Microsoft_ISA_Server_Part_I__introduc
tion_installation_configuration_Web_caching_and_Internet_access.html>. Acesso
em: 21/06/2011
14. SOUZA, Ranieri Marinho. Segurança da Informação. Disponível em:
<http://blog.segr.com.br/dmz-seguranca-de-perimetro>. Acesso em 18/06/2011.
15. TADEU, Luciano Silva. Política de segurança da informação: Recomendações
para redução de riscos e vulnerabilidades humanas. Brasília: 2006. 73 p.
Monografia (Licenciatura em ciências da computação). Universidade de Brasília –
UnB, Brasília, 2006.
97
SISTEMAS MULTIPLATAFORMA: INTEROPERABILIDADE
COM O PROJETO MONO
Patrick Nunes Segantine21
RESUMO
O estudo aqui proposto objetiva apresentar uma solução quanto ao desenvolvimento
softwares independente de arquitetura ou sistema operacional através das tecnologias
.NET Framework e Mono. O Framework Mono é uma implementação open source22
dos padrões ECMA (European Computer Manufactures Association)23 33424 e 33525 do
.NET Framework da Microsoft e oferece vários recursos para o desenvolvimento,
migração e distribuição de aplicações multiplataformas.
Palavras-chaves: tecnologia; informação; dotnet; framework; compilador.
ABSTRACT
The study proposed here aims to present a solution for the development of independent
software architecture or operating system through technology. NET Framework and
Mono. The Mono Framework is an open source implementation [1] standards ECMA
(European Computer Manufacturers Association) [2] 334 [3] and 335 [4]. NET
Framework and Microsoft offers several resources for development, migration and
distribution of multi-platform applications.
Keywords: technology, information, dotnet, framework, compiler.
1 INTRODUÇÃO
Durante várias décadas, o processo de desenvolvimento de software estava amarrado à
arquitetura do hardware e do sistema operacional sobre o qual rodaria. Ao projetar um
software, os analistas de sistemas e engenheiros de software preocupavam-se
primeiramente com o sistema operacional para então iniciarem o projeto. Isto porque
não havia compatibilidade das aplicações desenvolvidas e os vários sistemas
operacionais existentes.
21
22
23
24
25
Graduado em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Faculdade Norte
Capixaba de São Mateus – UNISAM.
Software que possui o código fonte aberto, ou seja, de acesso público para testar, copiar, modificar e
redistribuir.
Associação Europeia da Indústria fundada em 1961, e dedicada a padronização de Tecnologias da
Informação e Comunicação (TIC) e Eletrônicos. Endereço eletrônico: ecma-international.org
ECMA 334: documento de especificação da linguagem de programação C# para desenvolvimento
de softwares.
ECMA 335: documento de especificação da CLI (Common Language Infrastructure) que define
como as aplicações poderão ser executadas em ambientes diferentes sem a necessidade de reescrever
o código fonte.
98
Com o lançamento da tecnologia Java, iniciou-se então o desenvolvimento de software
para “rodar” sobre a máquina virtual e não mais para o sistema operacional. Neste
contexto, a máquina virtual encarrega-se de comunicar com o sistema operacional ou
plataforma sobre a qual está rodando e gerenciar o aplicativo.
Posteriormente, a Microsoft lançou a plataforma .NET1. Uma plataforma muito rica e
bem desenhada para facilitar o desenvolvimento de aplicações. A plataforma .NET
tornou-se, em pouco tempo, uma excelente ferramenta de desenvolvimento para
aplicações desktop, web e mobile.
Baseados nos princípios da plataforma .NET, a comunidade open source, patrocinados
pela Novell2, resolveu então criar o Projeto Mono. Com o lançamento do Projeto Mono,
tornou-se possível a interoperabilidade das aplicações .NET sendo possível desenvolver
soluções para rodar tanto em sistemas operacionais proprietários quanto em livres.
Segundo Gallo e Hancock (2003, p. 18):
Interoperabilidade se refere ao grau em que produtos de software ou hardware
desenvolvidos por diferentes fabricantes são capazes de se comunicar com
sucesso [...].
Pode-se dizer que o termo interoperabilidade está diretamente relacionado a questões de
compatibilidade e portabilidade. Uma tecnologia compatível significa que fora
construída tendo como princípios padrões abertos e públicos, ou seja, independente de
organizações, para que possa atender a uma determinada necessidade de mercado. Já o
conceito de portabilidade gira em torno da capacidade de um sistema ou tecnologia
funcionar em um cenário e, ser migrado para outro totalmente diferente, sem que o
mesmo pare de funcionar. Desta forma, a interoperabilidade, compatibilidade e
portabilidade passam a ser essenciais para as estratégias de TI permitindo a
independência de fornecedores e organizações.
A Plataforma .NET e o Projeto Mono oferecem três principais tecnologias de
interoperabilidade para o desenvolvimento de sistemas. São elas:
 Plataforma Invoke (ou P/Invoke): tecnologia de interoperabilidade de código
gerenciado para nativo que permite chamar APIs nativas no estilo C de código
gerenciado;
 COM26: tecnologia que permite consumir interfaces COM nativas de código
gerenciado ou exportar essas interfaces a partir de APIs gerenciadas;
 C++/CLI: com a qual é possível criar assemblies que contêm uma combinação de
código compilado C++ gerenciado e nativo e funciona como uma ponte entre o
código gerenciado e o nativo. Kaplan (Revista MSDN Magazine, v. 24, n. 1, 2009)
26 Component Object Model (COM): antigo framework de desenvolvimento de aplicações da Microsoft.
Através desta tecnologia, é possível obter um bloco de código reutilizável.
99
2 A PLATAFORMA .NET E O PROJETO MONO
2.1 A .NET FRAMEWORK E O CONCEITO DE PLATAFORMA VIRTUAL
Por vários anos, desenvolver um software não era uma tarefa muito fácil. Além do fato
de o engenheiro de software esbarrar nas questões como escolher a arquitetura sobre a
qual o software rodaria e a linguagem de programação a ser adotada pela equipe de
desenvolvedores, ele também ficava amarrado à plataforma de hardware.
Durante algumas décadas, as tecnologias COM, CORBA27, EJB28; as linguagens de
programação C, C++, Visual Basic, Delphi; e os frameworks MFC29, ATL30; foram
anunciadas como as melhores ferramentas para o desenvolvimento de software.
Entretanto, algumas delas tornaram-se obsoletas para muitas aplicações atuais.
Quando se falava em desenvolver software para a família de sistemas operacionais
Windows envolvia diretamente o uso da linguagem de programação C juntamente com
a interface de programa de aplicativo Windows (API). A linguagem C é, por sua vez,
muito complexa fazendo com que seus desenvolvedores gerenciassem manualmente a
memória e os operadores aritméticos. Além disso, por ser uma linguagem estruturada,
não fornece os benefícios da abordagem de orientação a objetos. Devido a essas
dificuldades, ainda hoje, pode-se encontrar vários softwares com bugs.
Devido a essas complicações, muitos programadores preferiram adotar linguagens mais
gentis como Visual Basic 6 da Microsoft e o Delphi da antiga Borland. Hoje, ainda é
possível encontrar muitas aplicações desenvolvidas nestas linguagens, devido à
simplicidade e rápida aprendizagem. Porém, essas linguagens não eram totalmente
orientadas a objetos e sim compatível com objetos.
No início de 1996, a Sun Microsystems, lançou primeira versão do Java, uma
linguagem de programação totalmente orientada a objetos e com a sintaxe do C++. O
Java apresentava como principais recursos a independência de plataforma e o suporte
em tempo de execução JIT (Just In Time).
Um programa compilado em Java na verdade é um semi-compilado, chamado de
bytecodes e são executados sobre um ambiente chamado JVM (Java Virtual Machine),
que faz o gerenciamento e acesso à memória automaticamente. Entretanto, o Java
apresentava uma curva de aprendizado longa, pois a linguagem não é muito fácil de
aprender e o fato de ter que utilizá-la do início ao fim durante o ciclo de
desenvolvimento do sistema já que não oferece integração com outras linguagens.
27
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29
30
Common Object Request Broker Architecture (CORBA): padrão de arquitetura para
desenvolvimento de sistemas distribuídos independente de linguagem.
Enterprise JavaBeans (EJB): componente da plataforma Java Enterprise Edition (J2EE) que tem por
objetivo fornecer um rápido e simplificado desenvolvimento de aplicações Java baseado em
componentes distribuídas, transacionais, seguras e portáveis.
Microsoft Foundation Class (MFC): conjunto de classes da linguagem C++ que facilita a construção
de aplicações para sistemas operacionais Windows.
Active Template Library (ATL): framework que fornece outros conjuntos de classes C++, templates
e macros para facilitar a criação de objetos do tipo COM.
100
2.1.1 A Filosofia .Net
Segundo Lima, Edwin (2002, p. 7):
A .NET visa resolver os seguintes problemas: Independência de linguagem
de programação [...]; Reutilização de código legado [...]; Tempo de execução
compartilhado [...]; Sistemas auto-explicativos e controles de versões [...];
Simplicidade na resolução de problemas complexos.
Logo após o lançamento oficial do .NET Framework a Microsoft iniciou o processo de
padronização do núcleo da plataforma .NET: o CLR (Common Language Runtime) e a
Linguagem C#31; que resultaram em algumas especificações como o ECMA 332 e o
ECMA 335. Estes dois documentos descrevem todo o funcionamento dessas
tecnologias o que possibilita a qualquer empresa criar sua própria versão do .NET, para
qualquer sistema operacional ou plataforma de hardware.
2.1.2 A Arquitetura .Net
Segundo Troelsen (2009, p. 6) “o .NET Framework pode ser compreendido como um
ambiente de tempo de execução e uma biblioteca completa de classes básicas”. Os
blocos de contração da plataforma .NET consiste na CLR (Common Language
Runtime), CTS (Common Type System) e na CLS (Common Language Specification).
O CLR, também conhecido como tempo de execução compartilhado, é o ambiente de
execução de todas as aplicações .NET. Quando uma aplicação .NET é chamada, o
sistema operacional dispara o runtime .NET que, a partir desse momento, assume o
controle da aplicação, realizando o gerenciamento da memória via um mecanismo de
chamado GC (Garbage Collector) ou coletor de lixo. Esse gerenciamento da memória
torna os programas menos susceptíveis a erros. Outro detalhe importante sobre o CLR é
o fato do mesmo ser compartilhado e, portanto, não necessita ter um runtime para cada
linguagem .NET.
O CTS, ou Sistema Comum de Tipos, faz parte do CLR e tem por objetivo definir os
tipos suportados pela .NET e as suas características. Cada linguagem que suporta .NET
tem de, necessariamente, suportar esses tipos. E é dessa forma que os diversos tipos nas
diversas linguagens são implementados obedecendo às regras definidas no CTS.
Troelsen, define o CLS como sendo uma especificação relacionada, que define um
subconjunto de tipos comuns e estruturas de programação com o qual todas as
linguagens de programação .NET poderão consumi-los. Para Lima, seguir essas regras é
um imperativo porque, caso contrário, um dos grandes ganhos do .NET, que é a
independência da linguagem de programação e a sua interoperabilidade, fica
comprometido.
Além das especificações CLR, CTS e CLS já citadas, a plataforma .NET fornece a BCL
(Base Classe Library ou biblioteca de classe básica), que está disponível para todas as
linguagens de programação .NET. Seu objetivo é oferecer aos programadores de
31
Leia-se Cê Sharp
101
sistemas uma biblioteca consistente de componentes de software reutilizáveis que não
apenas facilitem, mas também que acelerem o desenvolvimento de sistemas. Dentro da
BCL pode-se encontrar classes básicas, como threads, entrada e saída de arquivos (I/O),
um novo sistema de janelas, sockets, gerenciamento da memória etc. A figura abaixo
descreve a arquitetura da plataforma .NET:
Figura 01 - Relação entre CLR, CTS, CLS e a BCL
Fonte: TROELSEN, Andrew. Profissional C# e a Plataforma .Net 3.5 Curso Completo p.7
O modelo de execução do .NET Framework ocorre da seguinte forma: Cada linguagem
tem um compilador para .NET. Com isso é possível fazer um programa em C#, uma
DLL em VB.NET e outra parte em C++. Quando o código fonte é compilado, conforme
o tipo de projeto, um arquivo EXE, ASPX, DLL ou ASMX, é gerado, mas o mais
importante é que será gerado um código em Intermediate Language (IL - linguagem
intermediária) – por isso é que é possível fazer com que as linguagens interajam entre
si. O IL será gerado no ambiente Managed Code, ou seja, no ambiente do .NET. Em
seguida, o CLR passa por um JIT (Just In Time Compiler) e o código fica pronto
(nativo) para ser executado.
Este processo pode ser visualizado na figura a seguir:
Figura 02 - Todos os compiladores .Net emitem código IL e metadados.
Fonte: TROELSEN, Andrew. Profissional C# e a Plataforma .Net 3.5 Curso Completo p.10
102
2.2 O PROJETO MONO
Mono é uma plataforma de software projetado para permitir aos desenvolvedores criar
facilmente aplicações multiplataforma. O Mono é uma implementação open source do
.NET Framework da Microsoft com base nos padrões ECMA para C # e CLR.
Segundo Binhara (2010, p. 29):
[..] quando a Microsoft liberou as especificações do .NET, Miguel de Icaza
era o criador e líder do projeto GNOME32 [...]. Ele estava à procura de uma
plataforma capaz de atender às necessidades de sua empresa. Encontrou na
plataforma .NET todas as qualidades que procurava.
Binhara (2010, p. 29) ainda afirma que “com essa visão, o Miguel de Icaza decidiu criar
o projeto Mono que seria uma implementação open source do .NET”. O Projeto Mono
se iniciou pelo desenvolvimento da runtime Mono que é a máquina virtual responsável
por converter o código IL em código de máquina nativo. Basicamente, o Mono é
composto pelos seguintes componentes:
 C# Compiler - O compilador do Mono possui todos os recursos para o C# 1.0,
2.0, 3.0, e 4.0 (ECMA).
 Mono Runtime - O runtime implementa o ECMA Common Language
Infrastructure (CLI). O runtime fornece um complador Just-in-Time (JIT), an
AOT (Ahead-of-Time) compiler, um gerenciador de biblioteca, o garbage
collector (coletor de lixo), um sistema de threading e funcionalidades de
interoperabilidade.
 Base Class Library - A plataforma Mono dispõe de um conjunto abrangente de
classes que fornecem uma base sólida para construir aplicações. Essas classes
são compatíveis com as classes do .NET Framework da Microsoft.
 Mono Class Library - O Mono também fornece muitas classes que não estão
presentes no BCL fornecido pela Microsoft. Estas classes disponibilizam
funcionalidades adicionais que são úteis especialmente na construção de
aplicações para os sistemas Linux. Por exemplo: Gtk+ e POSIX.
2.2.1 Compatibilidade com o .NET Framework
O mono está atualmente na versão 2.8 (distribuída em outubro de 2010). Por seguir os
padrões ECMA, o Mono oferece uma boa integração com o .NET Framework da
Microsoft. No quadro33 a seguir, pode-se comparar a compatibilidade entre os dois
frameworks com base nas versões do .NET Framework:
Implementado
Implementado Parcialmente
Não Implementado no Mono
32 O GNOME é um projeto internacional de software livre que provê basicamente duas coisas: o
ambiente desktop para usuários finais e a plataforma de desenvolvimento (um framework extenso
para construção de aplicações que se integrem com todo o desktop. Disponível em <http://wiki.soft
warelivre.org/GNOMEBR/Gnome>. Acesso em 21 nov 2011.
33 Disponível em <http://mono-project.com/Compatibility>. Acesso em 10 abr 2011.
103
.NET 4.0
C# 4.0
ASP.Net 4.0
ASP.Net MVC 1 and MVC 2
System.Numerics
Managed Extensibily Framework - Shared with .NET via MS-PL license
Dynamic Language Runtime - Shared with .NET via MS-PL license
Client side OData - Shared with .NET via MS-PL license
Parallel Framework and PLINQ
CodeContracts - API complete, partial tooling
EntityFrameworks - Not available.
Server-side OData - Depends on Entity Framework.
.NET 3.5
C# 3.0
System.Core
LINQ
ASP.Net 3.5
ASP.Net MVC
LINQ to SQL - Mostly done, but a few features missing
.NET 3.0
WCF - silverlight 2.0 subset completed
WPF - no plans to implement
WF - Will implement WF 4 instead on future versions of Mono.
.NET 2.0
C# 2.0 (generics)
Core Libraries 2.0: mscorlib, System, System.Xml
ASP.Net 2.0 - except WebParts
ADO.Net 2.0
Winforms/System.Drawing 2.0 - does not support right-to-left
.NET 1.1
C# 1.0
Core Libraries 1.1: mscorlib, System, System.Xml
ASP.Net 1.1
ADO.Net 1.1
Winforms/System.Drawing 1.1
System.Transactions
System.Management - does not map to Linux
System.EnterpriseServices - deprecated
2.2.2 Arquiteturas Suportadas
Até a conclusão do desenvolvimento deste trabalho, o Mono suportava as seguintes
arquiteturas de hardware:
104










S390, s390x (32 e 64 bits);
SPARC(32);
PowerPC;
x86;
x86-64: AMD64 e EM64T (64 bits)
IA64 Itanium2 (64 bits);
ARM: little e big endian;
Alpha;
MIPS;
HPPA.
2.2.3 Benefícios do Projeto Mono
O Projeto Mono oferece tecnicamente muitas vantagens para o desenvolvimento de
aplicações. Os principais benefícios são:




Cross Platform – Construído para ser multiplataforma. O Mono funciona em
Microsoft Windows, Linux, Mac OS X, BSD e Solaris da Sun, Nintendo Wii,
Sony PlayStation 3, iPhone.
Common Language Runtime (CLR) – Permite que o profissional escolha a
linguagem de programação com a qual deseja trabalhar e permite também,
interoperar com outros códigos escritos em outras linguagens.
Base Class Library – É uma biblioteca de classes disponível para aumentar a
produtividade no desenvolvimento de aplicações.
Popularidade – Através das linguagens de programação C# e Visual Basic .Net, é
possível desfrutar de centenas de publicações de livros, revistas, sites e tutoriais
com códigos fontes de exemplo.
Oferece ainda, suporte aos sistemas Mac iOS e Google Android, entretanto é necessário
a instalação de plug-ins34. Economicamente falando, a utilização do Projeto Mono
torna-se viável por disponibilizar uma série de ferramentas de uso livre para os mais
variados sistemas operacionais existentes. Desta forma, o usuário que quiser utilizar
essas ferramentas para o desenvolvimento de aplicações não terá custos com aquisição
de licenças, podendo criar e distribuir seus sistemas sem investir nenhum (ou quase
nada) recurso financeiro.
2.2.4 Suporte
O Projeto Mono fornece vários tipos de suporte aos usuários:
 Fórum - listas de discussão (http://go-mono.com/forums/);
 Contato por e-mail ([email protected]) – Dúvidas e sugestões por email;
34
O Mono disponibiliza versões trial destes plug-ins no seguinte endereço eletrônico:
http://xamarin.com/trial.
105
 Relatórios de Bugs (http://www.go-mono.com/contact/) – Endereço na internet
contendo o relatório de erros e correções para a versão do framework;
 FAQ (http://www.mono-project.com/FAQ) – Lista contendo uma série de
perguntas e respostas frequentemente levantadas por usuários;
 Suporte comercial (http://support.xamarin.com/) – Suporte mantido pela
empresa Xamarin, criadora e mantenedora do Projeto Mono. Por ser pago,
geralmente é fornecido através de contrato com outras empresas.
2.2.5 Compiladores
O mcs (Compilador C# Mono) é uma implementação da especificação de linguagem
ECMA-334. O mcs gera imagens (arquivos .exe) que contém os bytecodes de CLI que
pode ser executado por qualquer sistema que implementa uma máquina virtual, como a
.NET Framework no Windows ou Mono em sistemas Unix. Atualmente, existem várias
versões do compilador C# disponíveis no Framework Mono:




mcs – usado para compilar runtime 1.x e implementa C # 1.0 e partes do C# 2.0 e
C# 3.0 (que não dependem de especificações de generics);
gmcs – usado para compilar runtime 2.0 e implementa os recursos da linguagem
C# 3.0 completamente;
smcs – usado para compilar aplicações Silverlight e/ou Moonlight que serão
executados em um navegador web;
dmcs – iniciado com o Mono 2.6 para compilar aplicações C# 4.0.
O mcs aceita opções de linha de comando da mesma forma que o compilador Microsoft
C#. Essas opções podem começar com uma barra (/), um traço (-), ou traços duplos (--)
padrão usado em sistemas GNU.
Ao compilar um código fonte, por padrão, o mcs referencia apenas três assemblies:
mscorlib.dll, System.dll e System.Xml.dll. Para fazer referência às bibliotecas extras
deve-se especificar manualmente usando o arguento de linha de comando -pkg: ou o -r:.
Caso se deseja obter todas as bibliotecas do sistema, poderá usar a opção pkg: dotnet.
A listagem35 a seguir apresenta algumas opções de linha de comando que podem ser
utilizadas como pelo compilador:
 --about: exibe informações sobre o compilador;
 --version => exibe a versão do compilador;
 -doc:FILE => extrai o arquivo XML de documentação do código fonte e
armazenda dentro do arquivo “FILE” passado como parâmetro;
 -main:CLASS => informa ao compilador qual classe contém o ponto de entrada
da com o método Main;
 -out:FNAME, -o FNAME => nome do arquivo a ser gerado após compilação;
35
Todas as opções estão disponíveis no sítio http://docs.go-mono.com/monodoc.ashx?link
=man%3amcs(1). Acesso em 19 nov 2011.
106
 -platform:ARCH => usado para especificar a plataforma a utilizar. Podem ser:
anycpu, x86, x64 or itanium;
 -pkg:package1[,packageN] => assemblies de referência para os pacotes de
dados. Exemplo: mcs -pkg:gtk-sharp demo.cs
o -pkg:dotnet
Referencia as bibliotecas System.* disponíveis tipicamente na .NET;
o -pkg:silver
Usado para compilar aplicações Moonlight/Silverlight para web;
o -pkg:silverdesktop
Opção usada para compilar aplicações Moonlight/Silverlight para
desktop.
 -recurse:PATTERN, --recurse PATTERN => compilação recursiva usando um
padrão especificado. Exemplo: mcs -recurse:'*.cs'
 -r:ASSEMBLY1[,ASSEMBLY2], -reference ASSEMBLY1[,ASSEMBLY2] =>
usado para referenciar as classes utilizadas (assemblies) no desenvolvimento do
programa.
2.2.6 Ferramentas de Desenvolvimento
Para facilitar o desenvolvimento de aplicações, o Projeto Mono disponibiliza
gratuitamente um IDE (Integrated Development Environment – ambiente de
desenvolvimento integrado) conhecido como MonoDevelop. Este IDE foi concebido
essencialmente para C# e outras linguagens portadas para plataforma .NET.
O MonoDevelop permite aos desenvolvedores criar aplicações para desktop e Web
ASP.NET em Linux, Windows e Mac OS X. Segundo o Projeto Mono, existem vários
objetivos a alcançar com o MonoDevelop. Alguns destes são:
 Torná-lo o melhor ambiente de desenvolvimento da para sistemas Unix 36 para
Mono;
 Adicionar funcionalidades para melhorar a experiência com o Gtk#37;
 Integração das ferramentas desenvolvidas pelo próprio Projeto Mono
(MonoDoc, NUnit-Gtk e o depurador) ao IDE.
A figura a seguir mostra a janela principal do MonoDevelop em execução:
36
37
Unix é ou sistema operacional originalmente criado em 1969, por um grupo de programadores da
empresa AT&T e dos Bell Labs. Atualmente, é o nome dado a uma grande família de Sistemas
Operacionais que partilham muitos de seus conceitos originais. Alguns dos sistemas atuais são: BSD
(FreeBSD, OpenBSD e NetBSD), Solaris, Linux e o Mac OS X. Disponível em
<http://www.htmlstaf f.org/ver.php?id=1007>. Acesso em 29 nov 2011.
Gtk# é um Toolkit de interface gráfica do usuário para Mono e .NET, permitindo o desenvolvimento
de aplicações gráficas GNOME totalmente nativas usando o Mono e .NET Frameworks de
desenvolvimento Net.
107
Figura 03 - Janela Principal do MonoDevelop
Fonte: http://monodevelop.com/Screenshots. Acesso em 2011.
Outra ferramenta muito importante desenvolvida pela equipe do Projeto Mono é o
MoMA (Mono Migration Analyzer). Esta ferramenta auxilia na identificação de
problemas que o desenvolvedor pode ter ao portar sua aplicação .NET para o ambiente
Mono.
Figura 04 - MoMA
Fonte: http://www.mono-project.com/MoMA. Acesso em 2011.
108
2.2.7 Download e Instalação
O Mono está disponível para download38 em vários tipos de pacotes, isso porque cada
tipo de sistema operacional gerencia os aplicativos instalados de forma diferente.
Para instalação em sistemas operacionais Microsoft Windows há um pacote de
instalação no formato Windows Installer para que inclui o runtime, o Gtk#. Caso o
usuário utilize o sistema operacional e Mac OS X39, o pacote de instalação está no
formato diferente.
Para instalação em sistemas Linux baseados no Debian, a instalação pode ser realizada
utilizando um terminal. Exemplo: $ sudo apt-get install mono mono-gmcs mono-gac
mono-utils monodevelop
2.3 COMPILANDO ALGUMAS APLICAÇÕES DE EXEMPLO COM O MONO
Para a construção de uma aplicação console simples, abra um editor de textos do tipo
Notepad e digite o código listado abaixo. Para “compilar um arquivo de classe,
obrigatoriamente, este deverá ter a extensão “.cs”, caso contrário, o compilador gerará
um erro.
using System;
public class HelloWorld
{
static public void Main ()
{
Console.WriteLine ("Mono - Olá Mundo Console");
}
}
Salve o arquivo com o nome “helloconsole.cs”. Em seguida, abra o terminal e digite:
$ mcs helloconsole.cs
$ mono hello.exe
Para criar uma aplicação desktop baseada no padrão Windows Forms abra o editor de
textos novamente e digite o código abaixo:
using System;
using System.Windows.Forms;
public class HelloWorld : Form
{
static public void Main()
{
Application.Run (new HelloWorld ());
}
public HelloWorld ()
38
39
O download do Framework Mono é disponibilizado no endereço eletrônico http://www.go-mono.
com/mono-downloads/download.html.
Sistema operacional baseando em UNIX desenvolvido pela Apple.
109
{
// texto a ser exibido na barra de títulos do formulário
Text = "Mono - Olá Mundo Desktop";
// cria uma instância do botão
btnOk = new Button();
// define o texto que aparecerá no botão
btnOk.Text= "&Ok";
// define a posição que o botão aparecerá na tela
btnOk.Location = new System.Drawing.Point(100, 100);
// define um evento para o click do botão
btnOk.Click += new System.EventHandler(this.btnOk_Click);
// adiciona o botão ao formulário
this.Controls.Add(btnOk);
}
// componentes do form
private Button btnOk;
// ação do botão Ok
private void btnOk_Click(object sender,EventArgs e)
{
// fecha a aplicação
this.Close();
}
}
Salve o arquivo com o nome “hellodesktop.cs”. Em seguida, abra o terminal e digite o
comando abaixo para compilar e abrir o arquivo gerado, respectivamente:
$ gmcs hellodesktop.cs -pkg:dotnet
$ mono hellodesktop.exe
3 CONCLUSÃO
Desenvolver software para rodar nos mais variados sistemas operacionais existentes era,
e ainda é, uma tarefa muito difícil devido às especificações que cada um possui. A
tecnologia Java veio como uma possível solução para resolver essas questões. Ela
apresentava excelentes recursos para o ambiente web, porém, para o desenvolvimento
de aplicações desktop deixava a desejar. Outras ferramentas como Delphi e Visual
Basic também não forneciam recursos suficientes para que o programador pudesse
desenvolver um aplicativo multiplataforma. Na verdade, estas ferramentas não foram
criadas para esta finalidade (interoperabilidade).
Com o lançamento da plataforma .NET e, consequentemente a criação do Projeto
Mono, novas maneiras de projetar e desenvolver softwares surgiram. Estas plataformas
trouxeram de vantagem o fato de o programador poder escolher mais de quarenta
linguagens de programação para trabalhar, o que facilitou e muito o processo de
migração para esta nova tecnologia.
A cada nova versão de lançamento da .NET Framework e do Mono Framework, várias
funcionalidades eram incluídas, sendo possível criar soluções para os ambientes
desktop, web e dispositivos móveis como celulares e tablets. Desenvolver software para
estas plataformas tornou-se uma realidade principalmente devido às necessidades de
mercado, onde o cliente não precisa mais ficar “amarrado” a uma determinada
tecnologia, tendo sempre em mãos a vantagem da interoperabilidade.
110
REFERÊNCIAS
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<http://msdn.microsoft.com/pt-br/library/a2c7tshk.aspx>. Acesso em 20 abr 2011.
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4. BINHARA, Alessandro de Oliveira. .NET em Linux, MAC e iPhone é possível?
Descubra como! Revista Mundo.NET, Curitiba, Ano III, n.20, p.28-37, abr/mai,
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científica. 6. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2007.
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Computadores e Tecnologias de Rede. São Paulo: Ed. Cengage Learning, 2003.
7. HORSTMANN, Cay S., CORNELL, Gary. Core Java 2: Volume 1 – Fundamentos.
Rio de Janeiro: Alta Books, 2005.
8. KAPLAN, Jesse. Práticas recomendadas de interoperabilidade entre código
gerenciado e nativo. Revista MSDN Magazine, v. 24, n. 1, 2009. Disponível em
<http://msdn.microsoft.com/pt-br/magazine/dd315414.aspx>. Acesso em 29 mai
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9. LAUDON, Kenneth C., LAUDON, Jane P. Sistemas de informações gerenciais. 7.
ed. Pearson Prentice Hall, São Paulo, 2007.
10. LIMA, Edwin. C# e .NET Guia do Desenvolvedor. Rio de Janeiro: Editora
Campus Ltda., 2002.
11. MEHRA, Puran. .NET Framework and Architecture. Disponível em <http://ww
w.csharpcorner.com/UploadFile/puranindia/NETFrameworkArchitecture
06262009024015AM/NETFrameworkArchitecture.aspx>. Acesso em 05 abr 2011.
12. NEVES, José Luis. Pesquisa Qualitativa - Características, Usos e Possibilidades.
Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 1, n. 3, 2º Sem./1996.
Disponível
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13. RAMPAZZO, Lino. Metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Edição Loyola, 2002.
111
14. RUDIO, Franz Victor. Introdução ao Projeto de Pesquisa Científica, 34. ed.
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16. TROELSEN, Andrew. Profissional C# e a Plataforma .Net 3.5 Curso Completo.
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17. What is Mono. Disponível em <http://www.mono-project.com/What_is_Mono>.
Acesso em 22 abr 2011.
112
Mundo Tecnológico
Apresentação
A revista Mundo Tecnológico publica trabalhos técnicos culturais, científicos e/ou acadêmicos,
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1.4 O texto deve ser entregue em CD e impresso, sendo composto no editor de texto Word for
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 Nome(s) do(s) autor(es)
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trabalhado;
 Introdução;
 Corpo do trabalho;
 Resultado e/ou conclusões;
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2
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