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CONFERÊNCIAS NAVA
ANTROPOLOGIA VISUAL EM REDE: USOS DA IMAGEM
Pesquisa, Rodagem, Montagem
O PANORAMA - 8ª Mostra do Documentário Português e o Núcleo de Antropologia Visual e da
Arte do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (NAVA-CRIA) convidam à apresentação
de trabalhos relacionados com os usos da imagem (vídeo, fotografia, arquivo) nas áreas da
Antropologia, Cinema / Documentário, Artes Visuais e afins. As Conferências NAVA, sob o tema
“Antropologia Visual em Rede: Usos da Imagem - Pesquisa, Rodagem, Montagem”, terão lugar no
dia 14 de Maio, no Cinema S. Jorge, entre as 10h e as 17h30.
O programa das conferências inclui uma intervenção de abertura pela organização, seguido de
sessões de 20 minutos de apresentação dos trabalhos selecionados, acompanhados de discussão com
o público, e um painel de oradores convidados.
A sessão de encerramento estará a cargo do Professor Roger Canals, antropólogo, realizador e
especialista em Antropologia Visual da Universidade de Barcelona.
Cinema S. Jorge, Sala 2
14 de Maio
Painel 1: 9h30 – 13h
Painel 2: 14h30 – 18h
Conferência gratuita limitado aos lugares existentes
Inscrições até 12 de Maio
Inscrições e informações: [email protected]
PROGRAMA
9h30-10h: Abertura pela organização
10h-11h: Conferência de abertura: Ângela Ferreira (FBAUL), ‘Câmaras políticas’
11h: Pausa para café
11h30-13h:
Painel 1 - À volta dos arquivos
Debatedora: Sofia Sampaio (CRIA-IUL)
Joana Miguel Almeida, ‘O artista-objectificador: entre o arquivo e a etnografia’
Paulo Augusto Franco, ‘Antropologia da pose: os retratos de família no espaço rural em Minas
Gerais, Brasil’
Rodrigo Lacerda, ‘A Morte de um ditador: o olhar e o visual no funeral de António de Oliveira
Salazar’
13h-14h30: Pausa para almoço
14h30-16h:
Painel 2 - Da pesquisa ao filme, do filme à pesquisa
Debatedor: Ricardo Campos (CEMRI-Universidade Aberta)
Rita Ávila Cachado, ‘Manjulaben, viagem a Maputo, julho 2011’
Daniela Rodrigues, ‘Os Últimos Pioneiros – Filme, memória e nostalgia reflexiva’
Maria Azevedo Coutinho, ‘Quanto tempo é um minuto?’
16h: Pausa para café
16h30-17h30: Conferência de encerramento
Roger Canals (Universidade de Barcelona), ‘O olhar ritual. Notas para uma etnografia visual dos
cultos afro-americanos na Venezuela, em Porto Rico e em Barcelona’
18h: Comentário de encerramento
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RESUMOS E NOTAS BIOGRÁFICAS
O artista-objectificador: entre o arquivo e a etnografia
Joana Miguel Almeida
Quando determinados artistas contemporâneos - particularmente trabalhando num contexto de
apropriação - trazem consigo uma reflexão sobre o seu passado histórico, atribuindo a documentos,
cartas ou eventuais objectos, um segundo olhar ou uma segunda vida (Kirshenblatt-Gimblett),
poderemos recorrer ao conceito de Handler de “objectificação cultural” e ao sentido que este dá à
figura de um ‘objectificador’. Neste sentido, pretende-se pensar o paradigma (apossando-nos do
termo de Handler) do artista como objectificador, atentando ao trabalho de três artistas
contemporâneos, enquadrados por autores como Hal Foster (1996, 2006) ou por Okwui Enwezor
(2008) entre os paradigmas de etnógrafo ou arquivista, mas que cremos, no entanto, serem
merecedores de uma vigilância redobrada pela especificidade das suas manifestações criativas.
Através das obras de Christian Boltanski, Fred Wilson e Zoe Leonard – intentar-se-á, deste modo,
expor o arquétipo do artista-objectificador: um artista que, pensando criticamente o seu passado
histórico e a sua representação e fugindo de uma representação hegemónica ou institucionalizada,
tenta desconstruí-lo e (re) documentá-lo, oferecendo-nos novas vozes e novas possibilidades de
leitura.
Joana Miguel Almeida é licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da
Universidade de Lisboa. De momento, frequenta o mestrado de Antropologia das
Culturas Visuais, encontrando-se a redigir a sua dissertação que se foca na “Apropriação
do arquivo privado do período da Guerra Colonial na prática artística contemporânea
portuguesa”, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de
Lisboa.
Antropologia da pose: os retratos de família no espaço rural em Minas Gerais, Brasil
Paulo Augusto Franco
Partindo de imagens coletadas durante dois anos de pesquisa etnográfica realizada em Santo
Antonio do Rio das Mortes Pequeno, distrito rural de São João del Rei, o texto abordará os retratos
de família no seu potencial antropológico. Acredita-se, nesse sentido, que a fotografia, na sua
qualidade de “indexicalidade transitiva” entre o visível e o não visível na composição de indícios e
revelações de arranjos narrativos e espaciais e de significados socioculturais relevantes, se constitui
como olhares sobre as realidades sociais. Como olhares são escolhas e, portanto, frutos de
processos sociais, as fotografias possuem lugares sociais distintos, obedecendo a ditames formais e
comportamentais de uma época e no âmbito da própria dinâmica de sua produção. No desafio
narrativo dessas reflexões (1) serão abordados aspectos relacionados à história da fotografia no
interior de Minas Gerais, adotando como centralidade a itinerança constituinte desse ofício e a
dimensão cerimonial dessa prática para as famílias rurais. Para isso (2), serão propostas reflexões
sobre os usos da fotografia na prática etnográfica, considerando seu potencial na sugestão/revelação
do “olhar” que a produziu, ou seja, a partir de sua inserção num contexto de práticas, costumes e
crenças, enfim, no “mundo social”. Em seguida (3), serão realizadas leituras de imagens coletadas
nos arquivos pessoais na sua dimensão familiar (álbuns, porta-retratos e gavetas), destacando, como
base para a reflexão, as noções de performatividade e de representação no sentido da montagem/
construção imagética diante da pretensão de memória.
Paulo Augusto Franco é doutorando em Antropologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro,
mestre em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (2013) e bacharel em Direito
pela Universidade Federal de Ouro Preto (2010). Tem experiência em Sociologia e Antropologia do
Direito, com ênfase em estudos rurais, trabalhando principalmente sobre os seguintes temas:
etnografias do rural (família, direito, política e imagem); acesso ao crédito e questão agrária. Atua
como pesquisador no Centro de Direito e Economia da Escola de Direito da Fundação Getúlio
Vargas do Rio de Janeiro. Dirigiu o documentário etnográfico Juízes de Paz, trabalho que
documenta as diversas concepções de justiça no cotidiano rural de comunidades do interior do
estado de Minas Gerais.
A Morte de um ditador: o olhar e o visual no funeral de António de Oliveira Salazar
Rodrigo Lacerda
Nas sociedades contemporâneas, a morte é um assunto privado e essencialmente relevante para a
família e amigos mais próximos. Contudo, a morte de pessoas que, devido à sua vida ou
falecimento, são consideradas pelo Estado, população e media como simbolicamente importantes,
tendem a transformar-se em eventos mediáticos saturados em imagens.
A presente apresentação analisa a representação imagética (jornais e televisão) produzida durante o
funeral de António de Oliveira Salazar no sentido de reflectir sobre a imagem poliédrica construída
pelo ditador e outros agentes sociais, os modos de reprodução social do regime e a realidade social,
política e mediática de Portugal em 1970.
Rodrigo Lacerda nasceu em Coimbra em 1979. Estudou Cinema e Televisão na London
Metropolitan University e National Film and Television School, no Reino Unido, e obteve o
mestrado em Antropologia, especialização Culturas Visuais, pela Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a tese “A Morte de um Ditador: O Visual e o Olhar
no Funeral de António de Oliveira Salazar”, orientada pelos Professores José Neves e Catarina
Alves Costa. É, actualmente, doutorando em Antropologia na mesma faculdade e investigador do
CRIA-FCSH. Co-realizou, com Rita Alcaire, os documentários Filhos do Tédio (2006), O Pessoal
do Pico Toma Conta Disso (2010), Filarmónicas da Ilha Preta (2011) e, em co-produção com a
RTP, Das 9 às 5 (2011). A título individual, realizou Pelos Trilhos do Andarilho - Ao Encontro de
Ernesto Veiga de Oliveira (2010; produção GEFAC) e Thierry (2012).
Manjulaben, viagem a Maputo, julho 2011
Rita Ávila Cachado, ISCTE-IUL
Manjulaben viveu 40 anos em Maputo. Veio para Portugal em 2001, quando a conheci. Desde então
aspirei ir a Maputo conhecer a terra onde viveram muitos hindus agora residentes em Lisboa,
população com quem trabalhei, num bairro em vias de realojamento. Em 2011 consegui finalmente
ir a Maputo, precisamente na companhia de Manjulaben. Ela precisava de alguém com quem viajar
e eu precisava de Manjulaben para me orientar nos percursos hindus da cidade. Tal como imaginei,
a viagem foi sobretudo um espaço e um tempo para recordar, com os amigos com quem cresceu e
com quem viveu a vida adulta. Além do diário de campo sempre presente nesta etnografia,
considerei que este momento requeria imagens em movimento, registando este momento singular
de uma das mulheres hindus que melhor conheço. Com o auxílio de um técnico de imagem e de
uma realizadora, o Zé Miguel Antunes e a Leonor Noivo, consegui obter um filme de cerca de uma
hora para devolver a Manjulaben e família, do qual trago excertos para visionamento. Nesta
apresentação pretendo debater as dificuldades sentidas ao filmar, uma vez que mantive outras
funções, como observadora e companhia de Manjulaben, e partilhar dúvidas sobre o momento de
devolução, bem como o alcance/divulgação do filme. No contexto da reflexão antropológica,
analiso esta experiência enquanto complemento a uma intenção biográfica.
Rita Ávila Cachado é doutorada em Antropologia, com especialidade em Antropologia Urbana
pelo ISCTE-IUL (2008). Realizou etnografia prolongada entre os hindus do bairro Quinta da Vitória
(Concelho de Loures, AML), onde analisou o processo de realojamento que ali teve lugar, e as
influências do passado colonial na atualidade da vida das famílias hindus. É investigadora no CIESIUL e tem bolsa de pós-doutoramento FCT. Entre os interesses atuais de investigação destaca-se, do
lado das metodologias, o método biográfico e o diário de campo; nas temáticas, os percursos
socioprofissionais e as políticas sociais e, do lado das abordagens teóricas, os estudos urbanos.
Os Últimos Pioneiros – Filme, memória e nostalgia reflexiva
Daniela Rodrigues
Nesta comunicação gostaria de partilhar o processo de investigação, realização, devolução e
recepção do filme documental Zadnji pionirji | Os Últimos Pioneiros (Link para visionamento:
https://vimeo.com/59833551). O filme retrata o ritual da celebração de integração no movimento
pioneiro jugoslavo através da conjugação de memórias de indivíduos que viveram enquanto
crianças o desmembramento da Jugoslávia e a transição para a República da Eslovénia
(1991-1992). Como se trabalham visualmente temas invisíveis? Gostaria de enfatizar as
metodologias utilizadas para trabalhar a memória, a transição, a nostalgia, o habitus, um ritual que
já não existe. A narrativa foi criada através do entrelaçamento de discursos individuais, obtidos de
entrevistas com metodologias catalisadoras de memória. Os dispositivos catalisadores incluem itens
de cultura material e imaterial inventariados ao longo da investigação – música, hinos, lengalengas,
filmagens de arquivo, ilustrações, revistas, boletins de saúde, fotografias, fardas. Estes objectos
utilizados no processo de investigação foram incorporados na edição final do filme, justapostos via
edição aos relatos de memória que despoletaram. Finalizado, um filme sobre a memória tornou-se
ele mesmo num catalisador de memórias. O momento de devolução e recepção do filme tem feito
surgir, a cada exibição, mais descrições sobre o ritual, sobre o passado na Jugoslávia ou sobre a
retórica socialista/ comunista, gerando debates sobre o passado e estimulando avaliações sobre a
Eslovénia contemporânea em exercícios de nostalgia reflexiva. Este filme não foi o ponto de
chegada da minha investigação. Seguindo o método circular de trabalho em antropologia, tem sido
agora um ponto de partida para futuras investigações sobre a transição para o capitalismo ou as
realidades passadas e contemporâneas dos contextos da antiga Jugoslávia. Ao acompanhar a
recepção do filme, tenho um olhar diferente sobre o material recolhido mas descartado na primeira
edição. Tenho novas pistas para perguntas, personagens, objectos e lugares. Quando acaba a
investigação etnográfica?
Daniela Rodrigues (1984) é antropóloga, mestre em Migrações, Interetnicidades e
Transnacionalismo, actualmente doutoranda em ‘Políticas e Imagens da Cultura e
Museologia’ (FCSH-UNL / ISCTE). Colaborou em projectos na área de cooperação para o
desenvolvimento, comércio justo, educação não-formal, ethnic minority media e filme documental
em ONGs, cooperativas de consumo e associações como SOS Racismo, CIDAC e Mó de Vida.
Desde 2011 que é investigadora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA), onde
colaborou nos projectos ‘Relações Familiares de Imigrantes em Disputa e Travessias do Atlântico –
Materialidade, Movimentos Contemporâneos e Políticas de Pertença’. Zadnji pionirji | Os últimos
Pioneiros é o seu primeiro filme, realizado no contexto de um estágio na associação DZMP e na
produtora Luksuz produkcija (Eslovénia, 2012-2013). Entre os seus interesses de investigação,
contam-se: cultura material, memória, diários gráficos e métodos visuais de recolha etnográfica.
Quanto tempo é um minuto?
Maria Azevedo Coutinho
Quantas vezes nos esquecemos de olhar o mundo à nossa volta? De apreciar o tempo pela sua
riqueza experiencial? Quantos minutos nos são oferecidos, que representem para quem os viveu
uma experiência que apenas existiu no seu mundo sensorial, sem qualquer tipo de efeitos ou
tentativa de os tornar ficcionados? Quantas vezes coleccionamos, sem partilhar ou transformar uma
experiência individual numa aprendizagem e enriquecimento colectivo? O One Minute Lifetime é
um arquivo colaborativo de vídeos com uma duração de cerca de um minuto, gravados com
smartphones e realizados por qualquer cidadão que queira contribuir para este repositório, de
experiências visuais e auditivas, de “terrenos” sociais ou antropológicos, artísticos, meditativos e/ou
reflexivos. São minutos onde o olhar de diversas pessoas sobre o espaço, a natureza, a arte, o
“outro”, diversas culturas e o tempo são o “ator” principal. São minutos de interpretações ou
representações individuais sobre um momento vivido. O minuto passa assim a representar não uma
unidade referencial, mas sim a sua capacidade de nele conter e de nos enriquecer, na sua capacidade
de nos prender a atenção, de nos fazer parar, meditar, aprender, conhecer ou seguir em frente. O
tempo passa assim a ter um papel etnográfico através do olhar de cada um, mas apenas na partilha
cumpre a sua função de criação de uma visão colectiva sobre as experiências.
Maria Azevedo Coutinho (Lisboa, 1981) é licenciada em Design Industrial pelo IADE (2004).
Estudou, através do programa Erasmus, em Treviso na IUAV (Itália, 2003), e completou, em
2006-2007, um ano de estudos pós-graduados como bolseira no Bauhaus Kolleg VIII – European
Capitals of Culture (Bauhaus Dessau Foundation - Alemanha). Sempre focada nas pessoas como o
centro de qualquer desafio, é uma apaixonada pela fusão do design com a pesquisa etnográfica. A
sua experiência profissional passa pelo design de produto, gráfico e pela pesquisa centrada nas
pessoas aplicada ao desenvolvimento de novos serviços ou experiências, tendo trabalhado com
diversas organizações e desenvolvido projetos seja a nível nacional como internacional (Itália,
Alemanha, Luxemburgo, Roménia, Austrália e Estados Unidos). Em 2008 foi bolseira do programa
MAP 08-09 do “Pépinières Européennes pour Jeunes Artistes” em parceria com a Domus Academy
e a Câmara Municipal de Milão, e em 2009 em Lisboa pelo Centro Nacional de Cultura através da
Bolsa de Jovens Artistas, tendo assim realizado investigação e trabalho de campo sobre a presença
da venda ambulante (Projeto Streetpreneurs), em ambas as cidades: Lisboa e Milão. Desde Julho de
2013 iniciou, com Stéphanie Fortunato, o projeto One Minute Lifetime, que tem vindo desde então
a crescer e conta neste momento com a colaboração de outros olhares que contribuem para este
arquivo de documentação de minutos contemplativos, artísticos ou antropológicos através de vídeos
realizados por smartphones. Atualmente está a frequentar o mestrado em Antropologia (Sociedade
e Cultura) pelo ISCTE.
CONFERÊNCIA DE ABERTURA
Câmaras políticas
Ângela Ferreira
A apresentação incidirá sobre a componente da prática da artista que tem como preocupação o
desenvolvimento de metáforas e comentários políticos a partir de investigações críticas em torno de
filmes e fotografias etnográficas. Quatro projectos recentes For Mozambique 2008, Political
Cameras (from the Mozambique series) 2011, Estudos para Monumento a Jean Rouch em
Moçambique 2011 e 2012 e Monte Mabu 2013, servirão como ponto de partida para uma reflexão
sobre utopias políticas, o entusiasmo político e social do pós-indpendência e o papel de projectos
científicos e experimentações culturais em território Moçambicano.
Ângela Ferreira nasceu em 1958, em Maputo, Moçambique. É assistente convidada no
Departamento de Escultura da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Estudou
escultura (1983) na Cape Town University, África do Sul. Em 2007, foi convidada a representar
Portugal na Bienal de Veneza, Itália. Também participou na Bienal de Istambul (1999), Turquia;
Bienal de São Paulo (2008), Brasil; e Bienal de Bucareste (2010), Roménia. Participou ainda em
diversas exposições individuais e colectivas nacionais e internacionais (Lisboa, Porto, Berlim,
Londres, Cape Town, Johannesburg , Madrid, Rio de Janeiro, São Paulo, Bona, Frankfurt, Sidney,
etc.) e em vários projectos, tais como “Curating Architecture”, da University of London,
Goldsmiths College, London (2008). Em 2003 foi Honorary Research Associate, no Michaelis
School of Fine Art, University of Cape Town.
CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO
O olhar ritual. Notas para uma etnografia visual dos cultos afro-americanos na Venezuela, em
Porto Rico e em Barcelona
Roger Canals
Os cultos afro-americanos constituem um universo complexo de objetos, corpos, cores e sons onde
o ato de olhar joga um papel decisivo. O objectivo da conferência é, por um lado, mostrar como a
introdução da câmara no trabalho de campo nos permite aprofundar o significado ritual do olhar e
conhecer aspectos do ritual que de outra forma teriam passado despercebidos. Por outro lado,
destacaremos as potencialidades do cinema para realizar uma investigação do fenómeno religioso
contemporâneo em termos transnacionais. Durante a sessão serão projetados fragmentos de
documentários etnográficos e fotografias.
Roger Canals (Barcelona, 1980) é Doutor em Antropologia Social e Cultural, com especialização
em Antropologia Visual pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales de París e pela
Universidade de Barcelona. Publicou diversos artigos sobre antropologia visual e religiões afro-
americanas em catalão, castelhano, inglês e francês, assim como o livro L’image nomade (Éditions
Universitaires Européennes, 2010). Realizou também filmes etnográficos, entre os quais Rostros de
una divinidad venezolana (2007), que explora o culto de María Lionza em Venezuela, e que recebeu
reconhecimentos e prémios em vários festivais de filme etnográfico. Actualmente trabalha na
Universidade de Barcelona como professor e investigador de pós-doutoramento no Departamento
de Antropologia Social e Cultural, onde é também coordenador do Mestrado em Antropologia
Visual.
Uma Organização:
Comissão Organizadora:
Catarina Alves Costa (CRIA-FCSH/NOVA)
João G. Rapazote (PANORAMA/CML)
Sofia Sampaio (CRIA-IUL)
Inês Mestre (CRIA-FCSH/NOVA)
Pedro Antunes (FCSH/NOVA)
Produção/Secretariado:
Mafalda Melo Sousa (CRIA)
Maria Ribeiro Soares (PANORAMA/CML)
Contactos:
CRIA (Sede) - Tel: (+351) 21 790 39 17 (Mafalda M. Sousa)
[email protected]
PANORAMA/CML – Tel: (+351) 21 817 04 33 (Alexandra Martins)
[email protected]