Horizon Report > Edição Ensino Superior 2014

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Horizon Report > Edição Ensino Superior 2014
Horizon Report > Edição Ensino Superior 2014
Interessado nestes tópicos sobre tecnologias emergentes? Saiba mais sobre eles e outras
visões de tecnologia educacional curtindo a página do NMC no Facebook em facebook.com/
newmediaconsortium e nos seguindo no Twitter em twitter.com/nmcorg.
iii
Índice
Sumário Executivo1
Principais Tendências na Aceleração da Adoção de Tecnologia no Ensino Superior4
Tendências Rápidas: mudanças de direção no Ensino Superior entre um a dois anos
> Crescente Ubiquidade das Redes Sociais6
> Integração de Aprendizado Online, Híbrido e Colaborativo8
Tendências de Médio Alcance: mudanças de direção no Ensino Superior entre três a cinco anos
> Crescimento da Aprendizagem e Avaliação Baseada em Dados10
> Mudança de Alunos como Consumidores para Alunos como Criadores12
Tendências de Longo Alcance: mudanças de direção no Ensino Superior em cinco ou mais anos
> Abordagens Ágeis para Mudança14
> Evolução do Aprendizado Online16
Desafios Significativos que Impedem a Adoção de Tecnologia no Ensino Superior18
Desafios Solucionáveis: aqueles que nós entendemos e sabemos como resolver
> Baixa Fluência Digital do Corpo Docente20
> Relativa Falta de Incentivos para o Ensino22
Desafios Difíceis: aqueles que entendemos, mas cujas soluções são difíceis de serem identificadas
> Competição de Novos Modelos de Educação24
> Desenvolvimento de Inovações Pedagógicas26
Desafios Complexos: aqueles que são difíceis de definir e muito mais de solucionar
> Ampliando o Acesso28
> Mantendo a Educação Relevante30
Avanços Importantes na Tecnologia Educacional para o Ensino Superior32
Horizonte de Tempo para Adoção: Um Ano ou Menos
> Sala de Aula Invertida (Flipped Classroom)34
> Análise da Aprendizagem (Learning Analytics)36
Horizonte de Tempo para Adoção: Dois a Três Anos
> Impressão 3D 38
> Games e Gamificação 40
Horizonte de Tempo para Adoção: Quatro a Cinco Anos
> Quantified Self42
> Assistentes Virtuais44
Comitê de Especialistas do Ensino Superior de 201447
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014 é uma colaboração entre
The NEW MEDIA CONSORTIUM e EDUCAUSE Learning Initiative, um Programa
EDUCAUSE.
A pesquisa por trás do NMC Horizon Report: Edição Ensino
Superior 2014 é realizada em parceria com o New Media
Consortium (NMC) e a EDUCAUSE Learning Initiative (ELI), um
Programa EDUCAUSE. A participação fundamental da ELI na
produção deste relatório e seu forte apoio para o NMC Horizon
Project é reconhecido neste agradecimento. Para saber mais
sobre ELI, visite www.educause.edu/eli; para saber mais sobre
NMC, visite www.nmc.org.
A tradução para o Português do Brasil deste relatório foi
possível graças à Bandtec Faculdade de Tecnologia.
© 2014, The New Media Consortium
ISBN 978-0-9914828-1-8
A permissão é concedida sob uma licença Creative Commons
de atribuição. Esta licença permite reproduzir, copiar, distribuir,
transmitir ou adaptar este relatório fornecido livremente,
contanto que seja citada a fonte de origem como ilustrado na
citação abaixo.
Para ver uma cópia desta licença, visite creativecommons.org/
licenses/by/3.0/ ou mande uma carta para Creative Commons,
559 Nathan Abbott Way, Stanford, California 94305, USA.
Citação
Johnson, L.; Adams Becker, S.; Estrada V.; e Freeman, A. (2014).
NMC Horizon Report: 2014 Higher Education Edition. Austin,
Texas, Estados Unidos: The New Media Consortium.
Foto de Capa
O hackaton (maratona hacker) de Primavera de estudantes
de 2013, hackNY, trouxe centenas de alunos à Escola
de Engenharia e Ciências Aplicadas da Fundação Fu da
Universidade de Columbia para 24 horas de atividades hacker
criativas e colaborativas para startups de Nova York. Foto feita
por Matylda Czarnecka. www.flickr.com/photos/[email protected]
N08/8650384822.
Foto de Pós-Capa e Foto de Contracapa
Foto feita por Marlboro College Graduate School.
www.flickr.com/photos/mcgc/8190116423.
Design feito por emgusa.com
1
Sumário Executivo
A
internacionalmente reconhecida série NMC
Horizon Report e regionais NMC Technology
Outlooks fazem parte do NMC Horizon Project,
um empreendimento de pesquisa abrangente,
criado em 2002, que identifica e descreve as
tecnologias emergentes que possam ter um grande
impacto nos próximos cinco anos na educação em todo
o globo. Neste volume – NMC Horizon Report: Edição
Ensino Superior 2014 – as tecnologias emergentes são
examinadas com relação ao seu potencial impacto e uso
no ensino, na aprendizagem e na investigação criativa
dentro do ambiente do Ensino Superior. Embora existam
muitos fatores locais que afetam a prática da educação,
há também as questões que transcendem as fronteiras
regionais e aquelas comuns ao Ensino Superior. Foi com
estas questões em mente que este relatório se originou.
O NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014 é o
11 º da série anual de relatórios de Ensino Superior e é
produzido pelo NMC, em colaboração com EDUCAUSE
Learning Initiative (ELI).
Cada uma das três edições globais do NMC Horizon
Report – Ensino Superior, Educação Básica (K-12) e
Educação para Museus – destaca seis tecnologias ou
práticas que podem vir a ser utilizadas no dia a dia
dentro de seus setores de foco nos próximos cinco anos;
assim como expõe as principais tendências e desafios
que vão afetar a prática corrente em relação ao mesmo
período em discussão. Para o NMC Horizon Report:
Edição 2014, um comitê de especialistas identificou
18 temas muito prováveis de impactar a tomada de
decisão e planejamento de tecnologia: seis tendências
principais, seis desafios significativos e seis importantes
desenvolvimentos em tecnologia educacional. As
discussões sobre as tendências e tecnologias têm
sido organizadas em três categorias relacionadas
com o tempo para adoção. Os desafios são discutidos
dentro de uma estrutura de três partes semelhantes
relacionadas com a dimensão do desafio.
Para criar o relatório, um organismo internacional de
especialistas em educação, tecnologia e outras áreas
foi convocado para constituir um comitê. Ao longo de
três meses, no segundo semestre de 2013, o Comitê
de Especialistas do Ensino Superior 2014 chegou a um
consenso sobre os tópicos que aparecem aqui no NMC
Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014.Os exemplos
e leituras abaixo de cada área de tópico são destinados
a fornecer modelos práticos, bem como o acesso a
informações mais detalhadas.
Uma vez identificado, o referencial do projeto Up-
Scalling Creative Classrooms (CCR) (go.nmc.org/scaleccr),
desenvolvido pelo Instituto de Prospecção Tecnológica
(IPT) da Comissão Europeia e retratado no gráfico da
página 4, foi utilizado para apontar implicações para
a política, liderança e práticas que estão relacionadas
com cada uma das seis tendências e seis desafios
detalhados nas duas primeiras seções do relatório. As
seis tecnologias são descritas em detalhes na terceira
seção do relatório, onde a discussão sobre o que a
tecnologia é e por que ela é relevante para o ensino, a
aprendizagem ou a investigação criativa também pode
ser encontrada.
Ao longo da década da pesquisa
do NMC Horizon Project, mais de
850 especialistas e praticantes
reconhecidos internacionalmente
têm participado nos comitês.
Cada tópico se encerra com uma lista anotada de
leituras sugeridas e exemplos adicionais que ampliam
a discussão no relatório. Esses recursos, juntamente
com uma vasta coleção de outros projetos e leituras
úteis, podem ser encontrados no banco de dados de
conteúdo aberto do projeto que é acessível através do
aplicativo NMC Horizon EdTech Weekly, gratuito para
iOS (go.nmc.org/ios) e dispositivos Android (go.nmc.
org/android). Todos os materiais de apoio para o NMC
Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014, incluindo
os dados da pesquisa, seleções preliminares, a prévisualização de tópicos e esta publicação podem ser
baixadas gratuitamente no iTunes U (go.nmc.org/
itunes-u).
O processo usado para pesquisar e criar o NMC Horizon
Report: Edição Ensino Superior 2014 está enraizado nos
métodos usados em todas as pesquisas realizadas no
âmbito do NMC Horizon Project. Todas as edições do
NMC Horizon Report são fundamentadas tanto por
pesquisa primária quanto secundária. Dezenas de
tendências significativas, desafios críticos e tecnologias
emergentes são analisadas para possível inclusão no
relatório de cada edição.
2
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Cada relatório se baseia na experiência considerável
de um comitê internacional de especialistas que
primeiro considera um amplo conjunto de importantes
tendências, desafios e tecnologias emergentes; e, em
seguida, examina cada tópico com mais detalhes,
reduzindo o conjunto até que a listagem final das
tendências, desafios e tecnologias seja selecionada.
Este processo ocorre online e é capturado na Wiki
do NMC Horizon Project. A Wiki pretende ser uma
janela completamente transparente para o trabalho
do projeto, que não só fornece uma visão em tempo
real do trabalho enquanto ele acontece, mas também
contém todo o registro de pesquisa para cada uma das
várias edições publicadas desde 2006. A Wiki usada para
o NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014 pode
ser encontrada em horizon.wiki.nmc.org.
O comitê foi composto, neste ano, por 53 especialistas
em tecnologia de 13 países em seis continentes; seus
nomes e filiações estão listados no final deste relatório.
Apesar da sua diversidade de origens e experiência,
eles compartilham uma visão consensual de que cada
uma das tecnologias analisadas vai ter um impacto
significativo sobre a prática do Ensino Superior em
todo o mundo ao longo dos próximos cinco anos. As
principais tendências que conduzem interesse em sua
adoção, e os significativos desafios que instituições de
Ensino Superior terão de enfrentar se quiserem alcançar
seu potencial, também representam a sua perspectiva.
O procedimento para selecionar os temas do relatório
é baseado em um processo modificado Delphi –
agora aperfeiçoado ao longo dos atuais 12 anos de
produção da série NMC Horizon Report – e começou
com a organização do comitê. O comitê representa uma
ampla gama de origens, nacionalidades e interesses,
mas cada membro traz uma experiência relevante. Ao
longo da década de pesquisa do NMC Horizon Project,
mais de 850 profissionais e especialistas reconhecidos
internacionalmente participaram nos comitês; em
qualquer ano, um terço dos membros são novos,
garantindo um fluxo de novas perspectivas a cada ano.
Indicações para trabalhar no comitê de especialistas são
encorajadas; veja go.nmc.org/horizon-nominate.
Uma vez que o comitê para uma edição especial
é decido, seu trabalho começa com uma revisão
sistemática da literatura — recortes de imprensa,
relatórios, dissertações e outros materiais — que
pertencem a tecnologias emergentes. Membros
dispõem de um amplo conjunto de materiais de apoio
quando o projeto começa e depois são convidados
a comentá-los, identificar aqueles que parecem
especialmente importantes e adicioná-los ao conjunto.
O grupo discute as aplicações existentes de tecnologia
emergente e faz brainstorming de novas aplicações.
Um critério fundamental para a inclusão de um tema
Elementos do Modelo de Pesquisa
das Salas de Aula Criativas
1 / Inteligência emocional
Infraestrutura de TIC / 28
Conteú 2 / Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade
do e
Cu 3 / Recursos Educacionais Abertos
rrí
cu 4 / Atividades significativas
lo
a
utur
str
e
a
fr
In
Cone
ctiv
ida
de
Espaço físico / 27
2
6 / Avaliação formativa
4
26
25
24
23
Lid era
22
5
6
Práticas
Pedagógicas
Inovadoras
8
10
12
20
eV
19
18
17
15
9
13
14
8 / Aprendizagem através
da exploração
9 / Aprendizagem através
da criação
10 / Aprendizagem através
de brincadeiras
11
alo
11 / Aprendizagem autorregulada
16
12 / Aprenizagem personalizada
re
s
Monitoramento da qualidade / 20
7 / Reconhecimento
de aprendizagem
formal e informal
7
21
n ça
Inclusão e equidade social / 21
1
Pr
át
ica
sd
eA
pre
ndiza
gem
Eventos de aprendizagem / 24
Empreendedorismo social / 22
28
27
ção
alia
Av
Redes Sociais / 25
Gestão de inovação / 23
5 / Formatos envolventes
de avaliação
3
Relação com o mundo real / 26
13 / Colaboração em pares
Or
ga
Cronogramas inovadores / 19
n iz
açã
o
Serviços inovadores / 18
P r átic
as d
n
eE
sin
o
14 / Competências transversais
15 / Múltiplas formas de raciocínio
16 / Múltiplos estilos de aprendizagem
17 / Forças individuais
Sumário Executivo
nesta edição é o seu potencial relevante para o ensino,
aprendizagem e investigação criativa no Ensino
Superior. Um conjunto cuidadosamente selecionado
de feeds RSS (Really Simple Sindication) de centenas de
publicações relevantes assegura que os recursos usados
para a pesquisa fiquem atualizados no decorrer do
projeto. Eles são usados para informar o pensamento
dos participantes.
Na sequência da revisão da literatura, o comitê de
especialistas se envolve no foco central da pesquisa –
as questões de pesquisa que estão no centro do NMC
Horizon Project. Estas questões foram elaboradas para
obter uma lista abrangente de tecnologias interessantes,
desafios e tendências do comitê:
1
Quais destas principais tecnologias catalogadas
no NMC Horizon Project será mais importante para
o ensino, aprendizagem ou questões criativas nos
próximos cinco anos?
2
Que tecnologias-chave estão faltando em nossa
lista? Considere estas perguntas relacionadas:
>
O que você listaria entre as tecnologias
estabelecidas que algumas instituições
de ensino estão usando hoje e que, sem
dúvida, todas as instituições deveriam usar
amplamente para apoiar ou melhorar o ensino,
a aprendizagem ou a investigação criativa?
>Quais são as tecnologias que têm uma base de
usuários sólida em consumo, entretenimento
ou outras indústrias as instituições de ensino
deveriam estar ativamente à procura de
maneiras de usá-las?
>Quais são as principais tecnologias emergentes
que você vê se desenvolverem até o ponto
que as instituições com foco no aprendizado
deveriam começar a tomar conhecimento
durante os próximos quatro a cinco anos?
Que tendências você espera ter um impacto
significativo sobre as formas com que as
instituições educacionais abordam nossas principais
missões de ensino, aprendizagem e investigação
criativa?
3
4
O que você vê como os principais desafios
relacionados ao ensino, aprendizagem ou
investigação criativa que instituições educacionais
vão enfrentar durante os próximos cinco anos?
Na primeira etapa desta abordagem, as respostas
às perguntas da pesquisa são sistematicamente
classificadas e colocadas em patamares de adoção por
cada membro do comitê de especialistas, utilizando
um sistema multivoto que permite aos membros dar
peso a suas seleções. A cada membro, pede-se para
também identificar o intervalo de tempo no qual a
tecnologia vai começar a ser amplamente usada –
definido pelo propósito do projeto como algo sobre
3
20% de instituições que adotam a tecnologia no
período discutido. (Esta figura é baseada na pesquisa
de Geoffrey A. Moore e refere-se à massa crítica de
adoções necessárias a uma tecnologia para ter uma
chance de entrar em amplo uso.) Estes rankings são
compilados em um conjunto coletivo de respostas e,
inevitavelmente, aqueles em torno dos quais há mais
consenso são rapidamente evidenciados.
Um critério chave para a inclusão
de um tópico nesta edição é a
relevância do seu potencial
para o ensino, aprendizagem,
e investigação criativa no
Ensino Superior.
A partir da lista detalhada de tendências, desafios e
tecnologias originalmente consideradas por qualquer
relatório, as 36 que surgem no topo do ranking do
processo inicial – quatro por horizonte – são mais
pesquisadas e ampliadas. Uma vez que estes resultados
provisórios são identificados, o grupo explora as
maneiras pelas quais esses tópicos impactam o ensino,
a aprendizagem e investigação criativa no Ensino
Superior. Uma quantidade significativa de tempo é gasta
pesquisando aplicações reais e potenciais para cada um
dos temas que seriam de interesse para os profissionais.
Para cada edição, quando o trabalho é feito, cada um
desses resultados provisórios é escrito no formato
de relatório: o NMC Horizon Report. Com o benefício
da visão completa de como o tema vai aparecer no
relatório, os temas nos resultados provisórios são, então,
classificados novamente, mas desta vez em sentido
inverso. Os 18 melhores temas identificados são aqueles
detalhados no NMC Horizon Report.
4
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Principais Tendências na Aceleração da Adoção de
Tecnologia no Ensino Superior
A
s seis tendências exibidas no NMC Horizon Report:
Edição Ensino Superior 2014 foram selecionadas
por um comitê de especialistas do projeto
em uma série de ciclos de votos com base
em Delphi, cada um seguido por uma rodada
adicional de pesquisa secundária e discussões. Uma
vez identificado, o referencial de aprimoramento das
“Salas de Aulas Criativas” (CCR - Creative Classrooms),
desenvolvido para a Comissão Europeia, foi utilizado
para identificar implicações para a política, liderança
e práticas que foram relacionadas a cada uma das seis
tendências discutidas nesta seção. Estas tendências
que, segundo os membros do comitê de especialistas,
serão muito importantes para a tomada de decisão e
desenvolvimento de tecnologias ao longo dos próximos
cinco anos, são classificadas em três categorias
cronológicas: tendências rápidas, cujo impacto será
percebido de um a dois anos, e duas categorias de
tendências mais lentas, que terão o seu impacto
percebido dentro de três a cinco anos ou mais. Todas
as tendências listadas aqui foram exploradas pelas suas
implicações no Ensino Superior global em uma série de
discussões que podem ser vistas em horizon.wiki.nmc.
org/Trends.
O comitê de especialistas foi fornecido com um
conjunto extenso de materiais de apoio quando o
projeto começou, o qual identificou e documentou
tendências existentes já conhecidas – o comitê também
foi incentivado a considerar as novas tendências ou
tendências mais lentas a tomarem forma.
Uma vez que foi identificada a lista semifinal de
tendências, cada uma delas foi vista no quadro CCR
representado no gráfico do sumário executivo, que
serviu como uma lente para identificar implicações para
a política, liderança e prática.
Política. Apesar de todas as tendências identificadas
terem implicações políticas, duas tendências, em
especial, devem ter um forte impacto sobre as decisões
políticas nos próximos cinco anos. A aprendizagem
e avaliação orientadas por dados, atualmente em
ascensão em universidades do mundo desenvolvido,
irão atingir o seu impacto máximo no Ensino Superior
em cerca de dois a três anos, mas muitas instituições
líderes estão se movendo consideravelmente
rápido. Na Universidade de Wisconsin, por exemplo,
o programa piloto conhecido como Sistema de
Sucesso Estudantil foi iniciado no primeiro semestre
de 2013 para identificar alunos com dificuldades
e seus padrões de comportamento. Os resultados
mais recentes forneceram métodos para melhorar as
políticas e incluem fazer mudanças de infraestrutura,
documentando problemas e preocupações, e
identificando áreas de melhoria para futura coleta de
dados e análise em grande escala.
Da mesma forma, mais universidades estão trabalhando
para tornar as suas instituições mais confortáveis com
mudanças, através de abordagens ágeis para serem
mais responsáveis, ligeiras e flexíveis. O comitê de
especialistas colocou como pico final do impacto
desta tendência, pelo menos, cinco anos, mas algumas
universidades já estão colocando em prática políticas
que farão suas instituições mais ágeis. A Escola de
Medicina da Universidade de Virgínia, por exemplo,
foi um dos primeiros programas nos Estados Unidos a
incorporar atividades empresariais em seus critérios
de promoção e estabilidade para o corpo docente
da mesma maneira em que startups de tecnologia
recompensam os funcionários para inovar em novos
projetos, produtos e ideias.
Líderes institucionais estão cada
vez mais vendo seus alunos como
criadores ao invés de apenas
consumidores.
Liderança. Ambora existam implicações de liderança
em todas as tendências identificadas que são discutidas
nas páginas seguintes, duas tendências se destacam
como oportunidades únicas para visão e liderança. As
mídias sociais, já muito bem estabelecidas nos setores
de consumo e entretenimento, estão rapidamente se
integrando em todos os aspectos da vida universitária;
com o seu impacto máximo esperado para manifestarse no próximo ano, existe considerável espaço para
ideias criativas. Por exemplo, em Faculty Thought
Leadership Series, desenvolvido pela Assembleia
Profissional da Universidade do Havaí, professores em
vários campi foram convocados a repensar o futuro da
profissão docente no Ensino Superior, com as mídias
sociais como um componente principal. As gravações
das reuniões foram transmitidas no YouTube e qualquer
um poderia participar das discussões em tempo real
através do Twitter. Os exemplos abundam em que as
Principais Tendências
mídias sociais estão sendo usadas pelos tomadores de
decisão para se envolver com as partes interessadas de
maneiras novas e altamente rentáveis.
Mais adiante, mas com uma tendência forte para
os líderes, especialmente, está a ampla integração
de processos criativos e aprendizagem com foco
prático exemplificada pelo crescente interesse em
makerspaces. Líderes institucionais estão cada vez
mais vendo seus alunos como criadores em vez de
consumidores; o comitê de especialistas espera que
esta tendência atinja o auge dentro de três a cinco anos.
Criar um clima organizacional em que os alunos são
incentivados a desenvolver ideias grandes e pequenas,
assim como levar ao mercado soluções criativas para os
problemas do mundo real, exigirá líderes visionários,
mas muitos campi já estão adiantados neste processo.
Um estudante da Universidade de Cornell, por exemplo,
está usando o Kickstarter para desenvolver Kicksat, um
projeto destinado a lançar uma pequena nave espacial
na baixa órbita da Terra.
Prática. Cada uma das seis tendências identificadas
pelo comitê de especialistas tem diversas implicações
para o ensino e a prática de aprendizagem, e exemplos
atuais são fáceis de encontrar, mesmo na categoria de
longo prazo. A integração da aprendizagem online,
híbrida e colaborativa no ensino presencial, apontada
como uma das duas tendências rápidas nas páginas
a seguir, já está afetando a maneira como os cursos
são estruturados na Universidade do Estado de Ohio,
onde o corpo docente do Departamento de Estatística
está criando um modelo de aprendizagem chamado
“HyFlex”, que utiliza uma variedade de tecnologias
online. Eles relataram que o uso de votação interativa,
gravação e um canal de fundo para comunicação
síncrona durante o horário de aula permitiu aos alunos
se envolver com o material de maneira que se adeque
para que aprendam melhor.
A aprendizagem online, em geral, está no meio de uma
reinvenção de longo prazo, tendo se beneficiado muito
com as recentes incursões de MOOCs (Massive Open
Online Courses). Enquanto o foco no design instrucional
em genuinamente atingir o nível de envolvimento
dos alunos em cursos presenciais está crescendo, a
aprendizagem online ainda está pelo menos cinco anos
distante de gerar o maior impacto possível. Esforços da
Pearson para integrar a aprendizagem adaptativa em
cursos online são um atual bom exemplo do estado da
arte. No verão de 2013, a Pearson fez uma parceria com
a Knewton para oferecer a mais de 400 mil estudantes
universitários, matriculados no primeiro ano de cursos
de ciências e de negócios, acesso a serviços de tutoria
personalizada e adaptativa que detectam padrões de
sucessos e fracassos dos alunos com o material do curso
e fornecer orientações conforme necessário.
As páginas a seguir fornecem uma discussão de
cada uma das tendências destacadas pelo comitê de
especialistas deste ano que inclui uma visão geral
5
da tendência, suas implicações e recomendações de
leituras selecionadas sobre o assunto.
6
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Crescente Ubiquidade das Redes Sociais
Tendência rápida: mudanças de direção no Ensino Superior entre um a dois anos
A
s redes sociais estão mudando a maneira
como as pessoas interagem, apresentam
ideias e informações, e avaliam a qualidade do
conteúdo e contribuições. Mais de 1,2 bilhão
de pessoas usam o Facebook regularmente,
de acordo com números divulgados em outubro
de 2013; Um relatório recente da Business Insider
informou que 2,7 bilhões de pessoas — quase 40%
da população mundial — usam regularmente redes
sociais. As 25 principais plataformas de redes sociais
em todo o mundo compartilham 6.3 bilhões de contas
entre elas. Educadores, alunos, ex-alunos e o público
em geral usam rotineiramente as redes sociais para
compartilhar notícias sobre os desenvolvimentos
científicos e outros. O impacto dessas mudanças na
comunicação acadêmica e sobre a credibilidade da
informação continua a ser vista, mas é claro que as
redes sociais têm encontrado uma adesão significativa
em quase todos os setores da educação.
Visão Geral
Usuários da Internet de hoje são prolíficos criadores de
conteúdo e fazem upload de fotos, áudio e vídeos para a
nuvem aos bilhões. Produzir, comentar e classificar estes
meios se tornou tão importante quanto as tarefas mais
passivas de pesquisar, ler, assistir e ouvir. Sites como o
Facebook, Twitter, Pinterest, Flickr, YouTube, Tumblr,
Instagram, e muitos outros facilitam o compartilhamento
e a descoberta de histórias e conteúdos multimídia em
geral. Além de interagir com o conteúdo, as redes sociais
tornam mais fácil a interação entre amigos e instituições
que produziram o conteúdo. Os relacionamentos são,
em última análise, a alma das redes sociais como as
pessoas compartilham informações sobre si mesmas,
descobrem o que os seus pares e organizações favoritos
pensam sobre temas de interesse e trocam mensagens.
A sua experiência fortalece relacionamentos já
estabelecidos, proporcionando espaços para as pessoas
que estão separadas pela distância física ou por outras
barreiras se conectarem umas com as outras. Isso ajuda
as instituições a angariar um público maior enquanto se
comunicam com os já existentes.
As redes sociais já proliferaram até o ponto onde
abrangem todas as idades e demografias. Um estudo
recente da Fast Company revelou que o grupo que mais
cresce no Facebook e no Google+ é a faixa etária dos
45-54 anos; enquanto o Twitter está experimentando o
maior crescimento com os usuários de idade entre 5564 anos. Mais pessoas estão se voltando para as redes
sociais para fins recreativos e educacionais do que a
televisão e outros meios populares. O YouTube, por
exemplo, atinge mais adultos norte-americanos com
idades entre 18-34 do que quaisquer redes de TV a cabo.
Além disso, a Reuters informou que a visita a sites de
redes sociais é a atividade mais comum que as pessoas
se envolvem na web. Pessoas se conectam diariamente
para acompanhar as notícias e compartilhar conteúdo,
o que fez com que sites de redes sociais se tornassem
grandes fontes de notícias, com mais e mais jornalistas
e meios de comunicação publicando notícias de última
hora neste veículo.
Para as instituições de ensino, as redes sociais permitem
diálogos de duas vias entre os alunos, futuros alunos,
educadores e instituições que são menos formais se
comparadas com outros meios de comunicação. Como
as redes sociais continuam a florescer, os educadores
estão usando-as como comunidades profissionais de
prática, comunidades de aprendizagem e como uma
plataforma para compartilhar histórias interessantes
sobre temas que estão estudando em sala de aula.
A compreensão de como as redes sociais podem
ser aproveitadas para a aprendizagem social é uma
habilidade fundamental para os professores; e esperase que, cada vez mais, nos programas de formação de
professores esta habilidade seja incluída.
Os relacionamentos são
essencialmente a vida da mídia
social.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
Um estudo realizado pela Universidade de Massachusetts
Dartmouth descobriu que 100% das universidades e
faculdades pesquisadas usam as redes sociais para
algum propósito. A faculdade citou a inclusão de vídeos
e blogs como uma das aplicações mais comuns de
redes sociais para o ensino. Outra pesquisa realizada
pelo Babson Research Group e a Pearson revelou que
70,3% dos professores usam as redes sociais em suas
vidas pessoais, o que reflete o uso da população em
geral, e 55% usam essas redes especificamente em
contextos profissionais. No entanto, professores e
administradores que estão envolvidos na formulação
Tendência rápida
de políticas ainda nutrem preocupações sobre manter
a privacidade, assim como querem que as salas de
aula sejam percebidas como espaços seguros para
a discussão aberta e para preservar a integridade de
trabalhos de estudantes. Caberá aos formuladores de
políticas durante o próximo ano criar diretrizes para a
utilização eficaz e segura de redes sociais, incluindo a
prevenção do cyberbullying e a formalização de sanções
ao cometê-lo. Um relatório recente, “Cyber Bullying in
Higher Education”, de pesquisadores da Universidade
Walden revelou que até mesmo os instrutores têm sido
sujeitos a esta forma virtual de ostracismo. O relatório
afirma que alguns professores que participaram do
estudo não relataram seus confrontos porque eles
simplesmente não sabiam onde relatá-los.
Há espaço para a liderança entre as universidades
e faculdades em documentar projetos criativos de
redes sociais que demonstram os seus benefícios para
a educação. Esforços como o canal do YouTube da
Universidade Vanderbilt dão aos alunos, professores
e ao público em geral um vislumbre de um trabalho
importante acontecendo no campus, por exemplo;
enquanto a Universidade do Estado do Texas aproveita
o Facebook e o Twitter como fóruns formais e informais
de discussão. Em última análise, as redes sociais
estão promovendo oportunidades para milhares de
estudantes colaborarem – mesmo entre as instituições.
Um bom exemplo é a Universidade Murdoch, na
Austrália, que, em parceria com a Universidade de
Duke, criou um projeto de mapeamento social em que
os alunos poderiam contribuir com as suas observações
sobre os ecossistemas do noroeste da Austrália. Há
também a dimensão convincente de que os especialistas
de campo podem ser facilmente contatados nas redes
sociais para trazer perspectivas do mundo real para o
assunto, que pode complementar os conhecimentos
adquiridos a partir de aulas formais.
O que também faz com que as redes sociais sejam de
interesse para o Ensino Superior é o aspecto público
inerente. Seja através de um vídeo postado, uma
imagem ou um texto de resposta em uma conversa,
qualquer um na rede social pode se envolver com o
conteúdo. A Assembleia Professional da Universidade
do Havaí lançou a Faculty Thought Leadership Series, em
que convida professores em vários campi para repensar
o futuro da profissão docente do Ensino Superior, com
as redes sociais como um componente principal. As
gravações de sessões presenciais foram transmitidas no
YouTube e qualquer um poderia participar de discussões
em tempo real, incentivadas e acompanhadas com
uma hashtag (#) especial no Twitter. As redes sociais
mudaram a natureza dessas conversas importantes
para que elas não fiquem mais restritas a poucos, mas
seja uma oportunidade para substancial reflexão e ação
coletivas.
7
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre a crescente
ubiquidade das redes sociais:
In Higher Education, Social Media Is Your Job
go.nmc.org/hiedsoc
(James Nolan, The Huffington Post, 16 de setembro de
2013.) O autor acredita que os acadêmicos não podem
mais se dar ao luxo de ignorar as redes sociais – é um
veículo cada vez mais importante para as instituições
continuamente construírem relações democráticas.
Is it Time to Start Using Social Media to Promote
Academic Projects?
go.nmc.org/time
(Annett Seifert, School of Advanced Study Blogs, 14 de
agosto de 2013.) Esta publicação descreve como a Escola
de Estudos Avançados da Universidade de Londres
está usando canais de redes sociais para aumentar a
conscientização e engajamento sobre o impacto dos
projetos de pesquisa individuais.
Is Social Media Good for Education?
go.nmc.org/medgoo
(Vanessa Doctor, Hashtags.org, 31 de julho de 2013.) A
autora discute os prós e contras do uso de redes sociais
na educação. Ela enumera quatro pontos positivos e
dois pontos negativos sobre a sua eficácia na educação
— a facilidade de comunicação é citada como um
benefício e a veracidade das fontes é identificada como
um malefício.
Social Media for Teaching and Learning
go.nmc.org/socmed
(Jeff Seaman e Hester Tinti-Kane, Babson Survey
Research Group e Pearson Learning Solutions, outubro
de 2013.) Uma série de relatórios lançados em 2009 e
publicados anualmente mostrou que os professores
estão adotando meios de comunicação social, mas
preocupações com a privacidade devem ser abordadas
de forma a acelerar a adoção do uso profissional.
Using Social Media in the Classroom: A Community
College Perspective
go.nmc.org/asa
(Chad M. Gesser, notas de rodapé, janeiro de 2013)
Um professor da Comunidade e Colégio Técnico de
Owensboro descreve suas aplicações de redes sociais
para organizar cursos e discutir complexos conceitos
sociológicos.
Visitors and Residents: Students’ Attitudes to
Academic Use of Social Media
go.nmc.org/visres
(Science Daily, 29 de abril de 2013.) Um estudo recente
mostra que alguns alunos, mais conhecidos como
residentes, usam as redes sociais para compartilhar
informações sobre seus estudos com os seus pares
acadêmicos, de maneira semelhante que fariam ao
conversar com amigos no Facebook.
8
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Integração de Aprendizado Online, Híbrido e Colaborativo
Tendência rápida: mudanças de direção no Ensino Superior entre um a dois anos
O
s paradigmas da educação estão mudando
para incluir mais modelos de aprendizagem
online, mista ou híbrida e colaborativa. Os
estudantes já gastam muito do seu tempo livre
na Internet, aprendendo e trocando novas
informações. As instituições que adotam o modelo
presencial, online e outros modelos de aprendizagem
híbrida têm potencial para alavancar as habilidades
digitais que os alunos já desenvolveram de forma
independente. Ambientes de aprendizagem online
podem disponibilizar diferentes experiências dos
tipos de campi físicos, incluindo oportunidades para
uma maior colaboração enquanto equipam os alunos
com mais ênfase em habilidades digitais. Os modelos
híbridos, quando concebidos e implementados com
sucesso, capacitam os alunos a viajar para o campus
para algumas atividades e a usar a rede para outros,
aproveitando o melhor de ambos os ambientes.
Visão Geral
O grande interesse da imprensa acadêmica e popular em
novas formas de aprendizagem online nos últimos anos
também têm aumentado o uso de fóruns de discussão,
vídeos embutidos e avaliações digitais em mais classes
tradicionais, com a intenção de fazer uma melhor
utilização do tempo de aula. Um número crescente de
universidades estão incorporando ambientes online
para os cursos de todos os tipos, o que está tornando o
conteúdo mais dinâmico, flexível e acessível a um maior
número de alunos. Estas definições de aprendizagem
híbridas estão envolvendo alunos em atividades de
aprendizagem criativas, que muitas vezes exigem mais
colaboração entre os pares que os cursos tradicionais.
A aprendizagem online ampliou o potencial de
colaboração, incorporando pontos de conexão que
os alunos podem acessar fora da sala de aula para
se reunirem e trocarem ideias sobre um assunto ou
projeto. Em um comentário para o The Chronicle of
Higher Education, David Helfand, um dos fundadores
da Universidade Quest, no Canadá, propõe um cenário
de mais colaboração no aprendizado do século XXI.
Em uma época onde as ferramentas multitarefas
são algo natural e os meios de comunicação estão se
tornando mais eficientes, Helfand argumenta que
é responsabilidade da universidade de incentivar
habilidades de colaboração entre os alunos para
que eles sejam melhor preparados para enfrentar os
problemas do mundo globalizado. Muitos educadores
estão descobrindo que plataformas online podem ser
usadas para facilitar grupos de resolução de problemas
e construir habilidades de comunicação, enquanto
avançam no conhecimento do assunto estudado.
A qualidade da comunidade e a interação estão
se tornando discriminadores importantes entre
os ambientes de aprendizagem híbridos, já que as
ferramentas digitais emergentes tornam mais fácil para
os alunos perguntarem e responderem uns aos outros
e para os instrutores fornecerem feedback em tempo
real. Na Universidade do Estado de Ohio, por exemplo,
os educadores do Departamento de Estatística estão
experimentando uma combinação de tecnologias para
a criação de um modelo de aprendizagem chamado
“HyFlex”, que incorpora votação online interativa,
gravação de palestras e um canal aberto para a
comunicação síncrona. De acordo com os instrutores,
este esforço exploratório conseguiu criar um modelo
que se adapte aos interesses e desejos dos alunos,
que podem escolher como assistir a palestra — a
partir do conforto da sua casa ou, de modo presencial,
com os seus professores. Além disso, os resultados
do estudo formal mostram que os alunos sentiram
que a tecnologia instrucional tornou o assunto mais
interessante, aumentando a sua compreensão, bem
como incentivou a sua participação através do canal
online.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
Para incentivar a colaboração e reforçar as competências
do mundo real, as universidades estão fazendo
experiências com as políticas que permitem mais
liberdade nas interações entre os alunos ao trabalhar
em projetos e avaliações. A experiência de Peter Nonacs,
professor de Ecologia Comportamental na Universidade
da Califórnia, é um forte exemplo de como uma situação
inovadora de teste pode levar a uma compreensão mais
profunda de um assunto. Para determinar o quão bem
seus alunos compreenderam a teoria dos jogos, Nonacs
preparou um exame desafiador para que seus alunos
pudessem trabalhar em conjunto. Nonacs disse que
eles poderiam usar quaisquer recursos para o teste.
Este foi o cenário ideal para que vivessem a autêntica
experiência da teoria dos jogos: criaram uma hipótese,
debateram e formularam um sistema para encontrar
as melhores respostas. Nonacs argumenta que não
há prejuízo em permitir que o aluno use os recursos
intelectuais de que precisa para responder a perguntas,
pois as melhores avaliações vão além da memorização
e, além disso, inspiram a pensar de forma criativa por
meio da discussão, colaboração e pensamento crítico.
Tendência rápida
As universidades estão se mantendo à frente da
curva com melhores práticas de ensino através da
experimentação de ambientes de aprendizagem online
e ferramentas que promovam a colaboração entre
pares. Na Universidade de Indiana–Purdue Indianapolis
IUPUI), nos Estados Unidos, estudantes pesquisadores
estão trabalhando com especialistas em tecnologia
educacional e professores para explorar como as
plataformas de conferência web podem ser usadas como
“Peer-Led Team Learning” (PLTL), um modelo de ensino
utilizado nas ciências em que pequenos grupos de
alunos resolvem problemas juntos nas oficinas dirigidas
por líderes de grupos. A equipe testou plataformas
comerciais e sem custo, e avaliaram o grau de eficácia
que as ferramentas em ambientes baseados na web,
como o Adobe Connect, Vyew, Blackboard Collaborate
e Google Hangouts, permitem aos alunos trabalharem
juntos. Depois de determinar a melhor solução, a PLTL
foi implementada no primeiro semestre de cursos
de química geral na IUPUI e cursos introdutórios de
biologia da Universidade de Purdue e da Universidade
Internacional da Flórida. Mais pesquisas abordarão
como os modelos PLTL de tecnologia melhorada podem
se expandir para outras disciplinas e passar a incorporar
textos eletrônicos, laboratórios virtuais e mais recursos
de vídeo para esses ambientes online.
Instrutores também podem aproveitar componentes
de aprendizagem online para fazer aprendizagem
personalizada escalável em muitas aulas introdutórias.
Em comparação com o modelo tradicional de
aprendizagem, em que o espaço é necessário para
acomodar centenas de estudantes, a aprendizagem
híbrida pode abordar o caminho de aprendizagem
de cada aluno. A Universidade do Texas, por exemplo,
lançou uma iniciativa em 2013 para incorporar novas
tecnologias na divisão inferior de história, cálculo,
estatística, política e literatura clássica, com o objetivo
de estabelecer um modelo híbrido para melhorar o
envolvimento de alunos da graduação. Com base em
aumentos nas taxas de persistência entre calouros nos
últimos três anos, bem como melhorias significativas
em notas, frequência e taxas de aprovação, três anos
de incentivos no valor de 50 mil dólares serão dados a
cada departamento para apoiar o desenvolvimento de
conteúdo online, como módulos de vídeo e ferramentas
que promovem a discussão em sala de aula.
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre a integração do
aprendizado online, híbrido e colaborativo:
After Setbacks, Online Courses are Rethought
go.nmc.org/setb
(Tamar Lewin, The New York Times, 11 de dezembro de
2013.) Embora os MOOCs por si só não provaram ser
tão bem sucedidos quanto anunciados, a publicidade
em torno deles tem impulsionado muitas universidades
ao desenvolvimento de uma estratégia de Internet,
9
incorporando recursos online de qualidade com
professores em todo o mundo para melhorar seu
próprio programa de estudos.
Arizona State University Selects HapYak Interactive
Video for eLearning Video Initiatives
go.nmc.org/hapyak
(HapYak, 2 de dezembro de 2013.) A Universidade
do Estado do Arizona usa uma plataforma de vídeo
interativo “HapYak” em seus cursos híbridos para
adicionar elementos interativos, como as perguntas do
quiz, capítulos e links. O software também cria relatórios
de engajamento que permitem aos professores e
funcionários da universidade saberem quem está
assistindo aos vídeos, quais segmentos são mais
importantes e como eles podem melhorá-los.
Blended Learning: College Classrooms of the Future
go.nmc.org/colcla
(The Huffington Post, 16 de julho de 2013.) Iniciativas
de aprendizado híbrido da Universidade de Maryland
levaram a mais tempo de esclarecimento, atividades
práticas e discussões durante a aula ao invés de
introdução de um novo material pela primeira vez.
Is Blended Learning the Best of Both Worlds?
go.nmc.org/blen
(Online Learning Insights, 17 de janeiro de 2013.) Este
artigo explora a finalidade, definições e implicações
do modelo de aprendizado híbrido no Ensino Superior,
que é um equilíbrio de ensino baseado na web e a
tradicional instrução presencial.
A New Way of Learning: The Impact of Hybrid
Distance Education on Student Performance
go.nmc.org/neww
(Rosa Vivanco, George Mason University, acessado em
17 de dezembro de 2013.) Um estudo da Universidade
George Mason mostrou que alunos que colaboraram
com outras pessoas fora da sala de aula para os
componentes online de um curso de gestão disseram
ter gostado e aprendido mais.
Watering the Roots of Knowledge Through
Collaborative Learning
go.nmc.org/roots
(David J. Helfand, The Chronicle of Higher Education, 8
de julho de 2013.) O autor mostra como um sistema
de aprendizagem colaborativa progressivo no
Ensino Superior pode produzir graduados hábeis na
comunicação, raciocínio quantitativo e trabalho em
equipe.
10
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Crescimento da Aprendizagem e Avaliação Baseada
em Dados
Tendência de Médio Alcance: mudanças de direção no Ensino Superior entre três a cinco anos
H
á um crescente interesse no uso de novas fontes
de dados para personalizar a experiência de
aprendizagem e de medição de desempenho.
Ao participar de atividades online, os alunos
deixam rastros cada vez mais claros de
análise de dados que podem ser extraídos para uma
maior compreensão. Experiências e projetos de
demonstração em análise da aprendizagem (Learning
Analytics) estão atualmente analisando formas de
utilizar esses dados para modificar estratégias e
processos de aprendizado. Painéis de controle filtram
essas informações para que o progresso do aluno
possa ser monitorado em tempo real. Ao passo que
o campo de análise da aprendizagem amadurece,
espera-se que essa informação permita a melhoria
contínua dos resultados da aprendizagem.
Visão Geral
Os dados estão sendo medidos, coletados e analisados
no setor de consumo desde o início da década de 1990
para informar às empresas sobre o comportamento
do cliente e suas preferências. Uma tendência recente
na educação tem procurado empregar análises
semelhantes para melhorar o ensino e a aprendizagem
nos cursos em um nível institucional. Como os alunos
e educadores geram mais e mais dados, especialmente
em ambientes online, há um interesse crescente
no desenvolvimento de ferramentas e algoritmos
para revelar padrões inerentes a esses dados e, em
seguida, aplicá-los na melhoria dos sistemas de ensino.
Enquanto o interesse é considerável, o Ensino Superior,
em geral, ainda tem de abraçar plenamente esses tipos
de processos. As questões de privacidade e ética estão
apenas começando a ser abordadas, mas o potencial
de utilização de dados para melhorar os serviços, a
retenção dos alunos e o sucesso de cada um deles é
evidente.
A ciência emergente da análise da aprendizagem,
discutida em mais detalhes adiante neste relatório,
está fornecendo as ferramentas estatísticas e de data
mining (prospecção de dados) para reconhecer os
desafios precoces, melhorar os resultados dos alunos
e personalizar a experiência de aprendizagem. Com
os recentes acontecimentos na aprendizagem online,
em especial, os alunos estão gerando uma quantidade
exponencial de dados que pode oferecer um olhar
mais abrangente sobre a sua aprendizagem. Painéis
de controle – uma característica de muitos sistemas de
gerenciamento de aprendizagem que fornecem tanto
a estudantes quanto a professores uma visão geral
desses dados – estão sendo usados por um número de
universidades como forma de melhorar a retenção do
aluno e personalizar a experiência de aprendizagem.
Esses tipos de ferramentas podem proporcionar aos
alunos os meios de compreender o seu progresso e
ajudar os instrutores a identificar os alunos que estão
em risco de falhar em uma classe, implementando os
serviços de apoio adequados antes de um aluno desistir
de uma matéria. Exemplos de painéis de controle
disponíveis no mercado incluem: Course Signals da
Ellucian, Retention Center da Blackboard e Student
Success System da Desire2Learn.
À medida que os aprendizes
participam de atividades online,
eles cada vez mais deixam um
rastro claro de dados analíticos que
podem ser minados em busca de
discernimentos.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
Em ambientes online, especialmente, alunos e
professores estão gerando uma grande quantidade de
dados relacionados com a aprendizagem que pode
informar decisões no processo de aprendizagem,
mas o trabalho continua na estruturação de políticas
adequadas para proteger a privacidade dos alunos. Um
número crescente de universidades está formalizando
políticas relativas à coleta e uso de dados na tomada
de decisões instrucionais. Essa mudança de atitude,
documentada pelo Departamento de Educação dos
EUA no relatório “Enhancing Teaching and Learning
Through Educational Data Mining and Learning Analytics”,
tem o potencial para melhorar os serviços em todo o
panorama universitário.
A iniciativa de cinco anos na Eastern Connecticut State
University está usando uma abordagem orientada a
dados para aumentar o sucesso de alunos de baixa
renda, minorias e estudantes de primeira geração
universitária em suas famílias. Com coletas de dados
Tendência de Médio Alcance
realizadas a partir de fontes, tais como de bibliotecas,
programas de tutoria e pesquisas, a universidade
espera entender e prever por que alguns alunos são
mais propensos a abandonar o curso do que outros.
Na Universidade de Wisconsin, o programa piloto
“Student Success System” (S3) –Sistema de Sucesso do
Aluno – foi iniciado no primeiro semestre de 2013 para
determinar os alunos em dificuldades e padrões de
comportamento. Os primeiros resultados forneceram
métodos para lidar com as mudanças de infraestrutura,
documentando problemas e preocupações, e identificar
áreas de melhoria para interações futuras.
Software de aprendizagem adaptativa é uma área
relacionada, onde está ocorrendo considerável
desenvolvimento, e muitos líderes educacionais e
políticos veem como promissora a incorporação destas
ferramentas em ofertas online, onde já estão sendo
usados para medir a compreensão dos alunos em
tempo real e ajustar conteúdos e estratégias conforme
necessário. Outro uso do software de aprendizagem
adaptativa é fornecer adicionais tutorias e práticas de
oportunidades para os alunos de forma mais eficiente.
Para Ler Mais
Os seguintes recursos são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre o aumento da popularização do aprendizado e avaliação orientada a dados:
How Can Educational Data Mining and Learning
Analytics Improve and Personalize Education?
go.nmc.org/datamin
(EdTech Review, 18 de junho de 2013.) Esta publicação
explora como o data mining educacional utiliza novas
ferramentas e algoritmos para descobrir padrões e
esclarece como a análise da aprendizagem pode aplicar
essas ferramentas e técnicas para responder a perguntas
sobre o progresso do aluno e suas notas.
How Data is Driving the Biggest Revolution in
Education Since the Middle Ages
go.nmc.org/revo
(Rebecca Grant, VentureBeat, 4 de dezembro de 2013.)
Fundador do Udacity, Sebastian Thrun, defende que
estudamos a aprendizagem como uma ciência de dados
para fazer a engenharia reversa do cérebro humano de
modo que o currículo possa ser projetado com base em
evidências.
Mixed Signals
go.nmc.org/mix
(Carl Straumsheim, Inside Higher Ed, 6 de novembro
de 2013.) Alegações de Purdue são de que, utilizando
os sinais do sistema de alerta precoce, podemos
melhorar as taxas de retenção de alunos que entraram
recentemente, trazendo à tona a importância de se
avaliar as tecnologias de análise da aprendizagem.
Smart Analytics in Education
go.nmc.org/smarta
(Jay Liebowitz, The Knowledge Exchange, 6 de junho
de 2013.) Para garantir o sucesso dos estudantes,
11
professores e instituições educacionais, um maior
número de universidades está aproveitando o poder do
big data para a análise da aprendizagem.
Smart Education Meets ‘Moneyball’ (Part I)
go.nmc.org/moneyb
(John Baker, Wired, 9 de abril de 2013.) Universidades
e faculdades estão começando a usar análise preditiva
para transformar dados em inteligência ativa. Esta
publicação examina onde os dados se originam e como
eles podem ser mais eficazmente aplicados.
University Data Can Be a Force for Good
go.nmc.org/forc
(Ruth Drysdale, Guardian Professional, 27 de novembro
de 2013.) Muitas instituições de Ensino Superior estão
agora olhando para uma variedade de dados, além da
assiduidade para determinar o envolvimento dos alunos
e antecipar a sua retenção. Uma análise da Manchester
Metropolitan University revelou uma correlação direta
entre os dois.
12
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Mudança de Alunos como Consumidores para Alunos
como Criadores
Tendência de Médio Alcance: mudanças de direção no Ensino Superior entre três a cinco anos
U
ma mudança está ocorrendo no foco da
prática pedagógica nas universidades em
todo o mundo enquanto estudantes, através
de uma ampla variedade de disciplinas, estão
aprendendo, fazendo e criando; ao invés do
simples consumo de conteúdo. A criatividade – como
ilustra o crescimento de vídeos gerados por usuários,
comunidades makers (criadoras), e os projetos de
financiamento colaborativo (crowdfunded) nos
últimos dois anos – está cada vez mais presente na
forma de aprendizagem prática. Departamentos
universitários em áreas que não têm, tradicionalmente,
laboratórios ou componentes de trabalhos práticos
estão mudando para incorporar experiências práticas
de aprendizagem como parte integrante do currículo.
Cursos e planos de graduação em todas as disciplinas
nas instituições estão em processo de mudança, a fim
de refletir sobre a importância da criação nos meios
de comunicação, design e empreendedorismo.
Visão Geral
Há uma tendência crescente nas universidades
em os alunos fazerem mais criações de conteúdo
multimídia e design em todo o espectro de disciplinas.
Mais faculdades, universidades e bibliotecas estão
desenvolvendo ambientes e facilitando oportunidades
para aproveitar essa criatividade e construir espaços
físicos onde os alunos possam aprender e criar juntos,
integrando conteúdos e atividades centradas no
produto como parte de sua instrução. Esta tendência
está ganhando força e deve atingir o seu pleno impacto
em cerca de três a cinco anos.
Makerspaces (também conhecidos como hackerspaces)
começaram a aparecer em comunidades, por volta
de 2005, como locais onde as pessoas podem
experimentar usando uma gama de ferramentas
para trabalhar, tais com metal, madeira, plásticos,
eletrônicos e ferramentas que foram compradas e
compartilhadas por membros do grupo através de uma
série de estratégias – incluindo associações, horários
compartilhados, estruturas de custos ou propriedade
coletiva. Nos últimos anos, makerspaces acadêmicos
e laboratórios de fabricação surgiram nos campi
universitários em uma variedade de lugares, incluindo
bibliotecas. Estes espaços dedicados estão equipados,
não apenas com ferramentas artesanais tradicionais,
mas também com equipamentos digitais; tais como
cortadores de laser, microcontroladores e impressoras
3D. A escassa disponibilidade desses recursos caros
transformou laboratórios maker em espaços comuns,
onde os alunos podem trabalhar em projetos
acadêmicos e pessoais, além de participar na gestão e
manutenção das instalações. Makerspaces universitários
estão começando a demonstrar o valor destes locais
para o ensino e a aprendizagem de novas maneiras
interessantes. O laboratório maker da Faculdade de
Ciências Humanas da Universidade de Victoria, no
Canadá, por exemplo, está realizando a pesquisa
Humanities Physical Computing – que traz materiais
digitais e analógicos em diálogo com a construção de
sistemas interativos. Esta pesquisa centrada em maker
está ajudando a promover o crescimento da área de
humanidades digitais.
Um fluxo contínuo de novos caminhos para ideias
criativas serem financiadas e se tornarem realidade
colocou os estudantes universitários, mais do
que nunca, no controle do desenvolvimento de
sua pesquisa. Através dos sites de financiamento
colaborativo Kickstarter ou Indegogo, projetos liderados
por estudantes que poderiam ter parado no estágio
do conceito ou modelagem podem agora ser levados
à realização. Um estudante da Universidade de Cornell,
por exemplo, está usando o Kickstarter para desenvolver
Kicksat, um projeto destinado a lançar uma pequena
nave espacial na baixa órbita da Terra. Maior acesso a
ferramentas de produção de meios de comunicação
e pontos de venda também permitiram aos alunos
mudarem de consumidores de vídeo para produtores
de vídeo.
As bibliotecas dos campi, cada vez mais abrigam, não
apenas makerspaces, mas também outros serviços
que incentivam a criatividade e produção, tais como
empréstimos de equipamentos de vídeo e estúdios,
instalações de digitalização e serviços de publicação.
Na Faculdade de Dartmouth, os pesquisadores estão
explorando como os vídeos gerados pelos estudantes
podem ser usados para promover a aprendizagem e
avaliar o desempenho acadêmico de alunos, através
da coleta de várias atribuições hospedadas na página
de projetos de mídia do site da faculdade. Por exemplo,
uma tarefa de arquitetura propõe que estudantes
façam um vídeo do ambiente construído a partir de sua
perspectiva pessoal para, depois, revelar a história e o
caráter de um local específico.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
A nova iniciativa da National Science Foundation,
denominada Cyberlearning: Transforming Education,
Tendência de Médio Alcance
está oferecendo incentivos financeiros para pesquisas
sobre os benefícios educacionais de makerspaces
e a transferência deste tipo de aprendizagem para
melhoria de habilidades matemáticas e científicas. Os
resultados destes projetos de pesquisa vão ajudar a
estabelecer um Centro de Recursos CyberLearning que
beneficiará educadores, especialistas em currículos
e outros interessados em conhecer o impacto destas
atividades. O projeto da Universidade de Indiana, Maketo-Learn Initiative, é um exemplo do Ensino Superior
que reúne os fabricantes, educadores e pesquisadores
para entender como a cultura DIY (Do-It-Yourself,
em inglês, ou “faça você mesmo”) pode alavancar os
resultados da aprendizagem, ser efetiva na integração
das instituições de ensino e envolver diferentes estilos
de aprendizagem.
A Universidade Vanderbilt está mudando ativamente
a ênfase do ensino em seus campi para incluir mais
oportunidades para a exploração criativa e aplicada de
aprendizagem. Sua iniciativa Student as Producer cria
oportunidades semestrais para os alunos em várias
disciplinas e cursos para se envolverem em atividades
de produção. No centro desta iniciativa, os estudantes
trabalham em problemas ou questões que não foram
totalmente respondidas, compartilhando seu trabalho
com outras pessoas fora da sala de aula, buscando
feedback e insights de especialistas e trabalhando em
projetos de uma forma majoritariamente autodirigida.
Atividades centradas no estudante incluem estudantes
de biologia projetando suas próprias experiências;
estudantes de engenharia criando podcasts sobre seus
projetos; e alunos de inglês expressando suas ideias
através de materiais multimídia em blogs do curso.
A abordagem demonstra como os alunos podem
colaborar ativamente com os professores na produção
de conhecimento e dar significado a ela.
O Centro de Empreendedorismo da Universidade
de Michigan e várias organizações lideradas por
estudantes patrocinaram uma série de atividades de
criação de conteúdo na primavera de 2013. MHacks
foi um hackaton de 36 horas ininterruptas. OptiMize
foi uma competição onde os alunos criaram projetos
de inovação social centrados em torno dos temas de
saúde, pobreza, meio ambiente ou educação. Como
parte disso, os desenvolvedores de negócios com foco
em alunos criaram uma loja na União dos Estudantes
para vender seus produtos diretamente para outros
estudantes. 1000 Pitches foi um concurso onde os alunos
criaram vídeos curtos de negócios para apresentar
suas ideias. O envolvimento da liderança estudantil foi
fundamental para o sucesso desses eventos.
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre a mudança de alunos
consumidores para alunos criadores:
13
The Case for a Campus Makerspace
go.nmc.org/mspa
(Audrey Watters, Hack Education, 6 de fevereiro de
2013.) O autor explica que a cultura maker tem o
potencial de revigorar as instituições de Ensino Superior,
incitando mais colaboração, baseando-se em projetos
participativos e aprendizagem colaborativa.
Commandeering the Decks: Baltimore’s Digital
Harbor Tech Center
go.nmc.org/timc
(Tim Conneally, Forbes, 18 de janeiro de 2013.) Depois
de não ter sido usado por décadas, o South Baltimore
Rec Center foi reaberto como Digital Harbor Tech Center,
uma comunidade Makerspace onde os alunos podem
acessar as ferramentas para ajudá-los a projetar e criar
objetos usando impressoras 3D e placas de circuito.
Este artigo discute por que o crescente movimento
maker é um exemplo de reconhecimento do valor da
aprendizagem experiencial.
Creativist Manifesto: Consumer vs. Creator
go.nmc.org/creama
(Olivia Sprinkel, Rebelle Society, 9 de janeiro de 2013.) Ser
um criador e não um consumidor exige uma mudança
de atitude em termos de como a pessoa se envolve com
o mundo ao seu redor; a tendência criacionista é mais
ativa e informa as escolhas feitas em uma base diária.
Is Making Learning? Considerations as Education
Embraces the Maker Movement
go.nmc.org/makelea
(Rafi Santo, Empathetics: Integral Life, 12 de fevereiro
de 2013.) O potencial para impactar a aprendizagem
através da cultura maker tem rejuvenescido os
educadores. De acordo com este artigo, o aspecto mais
importante desta abordagem não está no produto, mas
sim no processo criativo.
Stanford FabLearn Fellows Program
go.nmc.org/fabl
(Stanford University, acessado em 31 de outubro
de 2013.) O laboratório Transformative Learning
Technologies, da Universidade de Stanford, está
liderando uma iniciativa para gerar um currículo de
código aberto para makerspaces e Fab Labs em todo o
mundo.
What Is the Maker Movement and Why Should You
Care?
go.nmc.org/mamove
(Brit Morin, The Huffington Post, 2 de maio de 2013.) A
essência por trás do movimento do-it-yourself (faça você
mesmo), tradicionalmente relacionada a livros sobre
como fazer algo, transformou-se em um movimento
em que as pessoas em todas as indústrias estão criando
novos produtos, artesanatos, alimentos e tecnologias.
14
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Abordagens Ágeis para Mudança
Tendência de Longo Alcance: mudanças de direção no Ensino Superior em cinco ou mais anos
H
á um consenso crescente entre os muitos
líderes do pensamento de Ensino Superior
de que a liderança institucional e currículos
poderiam se beneficiar de modelos de startup
ágeis. Os educadores estão trabalhando
para desenvolver novas abordagens e programas
baseados nesses modelos, que estimulam a mudança
de cima para baixo e podem ser implementados
através de uma ampla gama de configurações
institucionais. O movimento Lean Startup utiliza a
tecnologia como um catalisador para a promoção
de uma cultura de inovação de uma maneira mais
ampla e eficiente financeiramente. Programas pilotos
e outros programas experimentais estão sendo
desenvolvidos para melhorar o ensino e a estrutura
organizacional, a fim de fomentar mais eficazmente o
empreendedorismo entre os alunos e professores.
Visão Geral
As instituições estão cada vez mais experimentando
abordagens progressivas de ensino e aprendizagem
que imitam startups de tecnologia. Em outubro de
2013, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos
publicou um relatório intitulado The Innovative and
Entrepreneurial University (A Universidade Inovadora
e Empreendedora), que destacou as formas em que
universidades de todo o país estão alimentando o
empreendedorismo em suas práticas de infraestrutura e
de ensino. A pesquisa revelou uma crescente ênfase em
ambos os programas formais e informais que constroem
os interesses dos alunos na resolução de problemas
sociais e globais, criando produtos e contribuindo
com conteúdo para ajudar as empresas existentes. Um
exemplo notável é a Patent Clinic, da Universidade de
Illinois, em que estudantes de direito trabalham com
alunos inventores para elaborar pedidos de patentes
reais.
Com a demanda dos empregadores por graduados
que tenham experiência no mundo real antes de
entrar no mercado de trabalho, mais instituições estão
estruturando atividades de aprendizagem para gerar
estas oportunidades mais cedo. A Universidade Rice, por
exemplo, recentemente levantou mais de um milhão de
dólares para lançar uma competição de planejamento
de negócios, onde os alunos apresentaram estratégias
para iniciar suas próprias empresas; o dinheiro também
foi usado para financiar os planos do vencedor para
conseguir decolar em seu projeto. Além disso, mais
instituições estão desenvolvendo programas para
orientar os alunos a cultivarem este espírito de inovação.
Instituições como a Universidade de Washington e da
Universidade da Flórida estão trazendo profissionais
de sucesso para orientar os alunos para que eles
formulem ideias de negócio e produtos. Aproveitar o
conhecimento de profissionais de empresas locais é
uma forma de garantir que os alunos recebam os mais
atuais insights sobre a força de trabalho. Os alunos
da Universidade Chapman podem participar dos
programas Entrepreneurs in Residence e Entrepreneur
Mentor, que os colocam em contato com profissionais
de sucesso que lhes fornecem orientação especializada.
A Universidade George Washington fornece o mesmo
serviço para professores que estão desenvolvendo suas
próprias empresas iniciantes.
Historicamente, os escritórios de transferência e
licenciamento de tecnologia da universidade têm
ajudado inovadores no campus a comercializar seus
produtos, mas o crescente foco em empreendedorismo
expandiu suas funções para ajudar tanto o corpo docente
quanto alunos a se conectarem com os investidores
de tecnologia e líderes da indústria. Segundo o
Departamento de Comércio dos EUA, isso está levando
a mudanças de cultura institucional e até mesmo
levou empresas a localizarem-se em comunidades
universitárias. Um dos exemplos mais eficazes do
crescente relacionamento que as universidades estão
criando com a indústria é a da Universidade de Cornell,
com seus programas de divulgação IP & Pizza e IP &
Pasta, que orientam professores e alunos, não só para
que compreendam melhor as questões de propriedade
intelectual, mas, o mais importante, como sua pesquisa
pode ser mais útil para a sociedade. Da mesma forma, a
Escola de Engenharia da Universidade de Delaware e a
Escola de Negócios da Faculdade Lerner lançaram a Spin
In para ajudar os empresários locais que desenvolvem
novas tecnologias que exigem mais revisões e interações.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
Por natureza, muitas startups estão equipadas para
mudar rapidamente os processos e fluxos de trabalho;
se as instituições de Ensino Superior adotam modelos
de startup, isso poderia levar a uma utilização mais
eficiente de novas práticas e pedagogias. Um bem
conhecido modelo de baixo custo é One Button Studio
da Universidade Estadual da Pensilvânia, que é uma
instalação de gravação de vídeo que permite que os
usuários sem experiência em produção possam criar
vídeos de alta qualidade com apenas uma unidade
flash e ao toque de um botão. Quando os educadores
Tendência de Longo Alcance
são capazes de experimentar novas tecnologias e
abordagens antes de implementá-las em cursos, eles
têm a oportunidade de avaliá-las e fazer melhorias para
os modelos de ensino. Faculdades estão usando o One
Button Studio para criar introduções a cursos online,
juntamente com módulos de demonstração para melhor
esclarecer conceitos complexos. Os alunos também
são incentivados a utilizar o One Button Studio para
gravação de tela e de apresentações de classe, alterando
o escopo do que se espera deles. Outras instituições
estão tomando nota e lançando estúdios semelhantes,
incluindo a Universidade Cristã de Abilene.
A ênfase cada vez maior de programas universitários
sobre empreendedorismo criou uma necessidade
de políticas que apoiem de forma mais agressiva o
corpo docente e discente em trabalhos inovadores.
A Universidade do Sul da Califórnia, por exemplo, tem
atraído a atenção por suas políticas de gratificação e
financiamento em projetos criados pelo corpo docente,
enquanto apenas alguns anos atrás, a Faculdade de
Medicina da Universidade de Virginia iniciou um dos
primeiros programas que incorporava atividades
empresariais em sua promoção e critérios de posse. O
programa Entrepreneur Residence, do Centro Médico da
Universidade de Nebraska, apoia o desenvolvimento
de novas empresas que se baseiam no trabalho e
nas inovações de seus professores e funcionários
pesquisadores.
Existem muitas oportunidades para as instituições de
Ensino Superior se tornarem líderes na promoção da
inovação através de seus campi. A Universidade Colorado,
Denver, oferece uma experiência de empreendedorismo
internacional para professores que desejam estudar
no exterior e aprender sobre as pedagogias mais
eficazes relacionados ao ensino de cursos de negócios
com aplicações globais. Da mesma forma, a Escola de
Administração de Rady, da Universidade da Califórnia em
San Diego, incorpora treino e formação do corpo docente
em seu Programa de Serviços de Desenvolvimento
Empreendedor. Um número crescente de organizações
externas, como a Fundação Coleman, também estão
direcionando o desenvolvimento do corpo docente
como um importante espaço para fomentar a inovação
do campus. Eles oferecem na faculdade um programa
de bolsas para melhorar as áreas, como aumentar
a frequência e a qualidade do empreendedorismo
interdisciplinar, enquanto muitos outros programas
estão limitados a escolas de negócios.
Para Ler Mais
Os seguintes recursos são recomendados para aqueles
que querem aprender mais a respeito da aceleração
rápida da tecnologia intuitiva:
Are Edutech Startups Plugging an Innovation Gap in
Our Universities?
go.nmc.org/gap
(Claire Shaw, The Guardian Higher Education Network,
27 de março de 2013.) O CEO da Mendeley, uma
15
startup de tecnologia educacional sediada no Reino
Unido incentiva as universidades a escolher pequenas
empresas que oferecem serviços de tecnologia, ao invés
dos líderes de mercado por oferecem soluções mais
personalizadas para os problemas de uma instituição.
Change Is Coming
go.nmc.org/isco
(Dan Greenstein, Inside Higher Ed, 16 de dezembro
de 2013.) Este artigo argumenta que a inclusão de
tecnologia é a única maneira de facilitar novos modelos
de negócios que proporcionam aos alunos uma
educação adaptada às suas necessidades, seus estilos de
aprendizagem e seus objetivos, incluindo treinamento
adequado e aconselhamento.
John Kolko on Finding Purpose Working at an
Edtech Startup (Video)
go.nmc.org/flag
(Capture Your Flag, 30 de outubro de 2013.) O vicepresidente de Design de uma startup de tecnologia
educacional, e fundador do Centro de Design de Austin,
explica o que ele aprendeu em uma empresa de capital
de risco onde trabalhava como designer de MyEdu,
uma solução de software para unir estudantes aos seus
futuros empregadores.
Rutgers President Barchi Calls for New Business
Model in Higher Education to Focus on PublicPrivate Partnerships
go.nmc.org/rut
(Rutgers University, acessado em 16 de dezembro de
2013.) O presidente Robert Barchi, da Universidade de
Rutgers quer estabelecer parcerias público-privadas
para obter novas fontes de receita e de recursos, e ele
acredita que um aspecto importante disto é a criação de
colaborações de pesquisa.
Stanford University Is Going To Invest In Student
Startups Like A VC Firm
go.nmc.org/inves
(Billy Gallagher, TechCrunch, 4 de setembro de 2013.) A
Universidade de Stanford está trabalhando com StartX,
uma aceleradora de startups sem fins lucrativos, para
ajudar os alunos a fazerem suas empresas começarem
a funcionar. Os hospitais e clínicas de Stanford investirão
em empresas no Fundo Stanford- StartX.
U-M’s Ross School Student-Led Venture Invests in
EdTech Startup
go.nmc.org/ross
(Greta Guest, UM News, 18 de abril de 2013.) O grupo
de investimento “The Social Venture Fund”, dirigido
por estudantes da Universidade de Michigan,
proporcionou fundos para Mytonomy, uma empresa
startup de Maryland que desenvolve um ambiente de
aprendizagem social baseado em vídeos para os alunos
de primeira geração universitária em suas famílias.
16
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Evolução do Aprendizado Online
Tendência de Longo Alcance: mudanças de direção no Ensino Superior em cinco ou mais anos
A
o longo dos últimos anos, tem havido uma
mudança na percepção de aprendizagem
online para o ponto em que é vista como
uma alternativa viável para algumas formas
de aprendizagem presencial. O valor que as
ofertas de aprendizagem online agora oferecem é bem
compreendido, com flexibilidade, facilidade de acesso,
bem como a integração de sofisticados recursos
multimídia e tecnologias entre a lista de vantagens. Os
desenvolvimentos recentes nos modelos de negócio
estão aumentando as apostas de inovação nesses
ambientes digitais, que são amplamente considerados
maduros para novas ideias, serviços e produtos.
Embora cresça progressivamente, esta tendência está
ainda um número de anos distante de seu máximo
impacto. O progresso na análise da aprendizagem,
aprendizagem adaptativa e uma combinação de
tecnologias e ferramentas assíncronas e síncronas
continuarão a avançar o estado de aprendizagem
online e a manterão atraente, embora muitas delas
estejam ainda sujeitas às experiências e pesquisas por
parte dos prestadores de serviços de aprendizagem
online e instituições de Ensino Superior.
Visão Geral
Como a aprendizagem online angaria cada vez mais
interesse entre os alunos, as instituições de Ensino
Superior estão desenvolvendo mais cursos online para
substituírem ou completarem os cursos existentes. De
acordo com um estudo realizado pelo Babson Research
Group, publicado no início de 2013, mais de 6,7 milhões
de alunos ou 32% do total das matrículas do Ensino
Superior nos Estados Unidos, fizeram pelo menos um
curso online no segundo semestre de 2011 — um
aumento de mais de meio milhão de alunos em relação
ao ano anterior. Como tal, o projeto dessas experiências
online tornou-se primordial. Um artigo recente do The
Chronicle of Higher Education sugere que, para cursos
online envolverem os alunos do começo ao fim, devem
abranger recursos interativos, além de promover uma
comunidade robusta, que é apoiada por uma presença
forte do instrutor.
As discussões entre os membros do Grupo de
Especialistas do Ensino Superior 2014 indicam que, com
o advento de ferramentas de voz e vídeo, não estão
apenas aumentando o número de atividades interativas
entre professores e alunos online, mas também
melhorando significativamente a sua qualidade. Em
uma sala de aula tradicional, a presença do instrutor
é facilmente sentida por causa da natureza física de
alguém em pé na frente de uma sala. Ferramentas de
áudio, como VoiceThread e SoundCloud, juntamente
com as ferramentas de criação de vídeo como o iMovie
e Dropcam, habilitam professores a capturar gestos
humanos importantes, incluindo voz, contato visual
e linguagem corporal, onde todos promovem uma
ligação não verbal com os alunos.
Uma forma de envolver os alunos em profunda
aprendizagem em ambientes online é a personalização
da experiência. Esforços como da Pearson para integrar
a aprendizagem adaptativa em cursos online estão
comprovando essa afirmação. No verão de 2013, a
Pearson levou a sua parceria com a tecnologia big data
do provedor Knewton para um outro nível, oferecendo a
mais de 400.000 estudantes universitários matriculados
no primeiro ano dos cursos de ciência e de negócios
acesso a serviços de tutoria adaptativos. A tecnologia
detecta padrões de sucessos e fracassos dos alunos com
o material do curso e oferece aulas personalizadas de
acordo com cada aluno. Um piloto inicial com algumas
centenas de alunos revelou melhor desempenho e
atitude deles. Como os serviços de aprendizagem
adaptativa ganham força em ambientes online em larga
escala, é fácil imaginar que os cursos que realmente
atendem a todos os estilos de aprendizagem sejam
atraentes a mais alunos.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
O papel do professor como líder e guia é essencial e
pode ser o maior influenciador de como efetivamente
os alunos aprendem em ambientes online. De acordo
com StudyMode, 65% da população é composta de
aprendizes visuais. Quando professores compartilham
vídeos gravados pessoalmente, demonstrando
conceitos complexos em ação, como um processo
químico ou circuito elétrico, a gravação atrai
naturalmente a este público. Através de discussões
síncronas, usando ferramentas como o Google Hangout
e alavancadas por Clemson e pela Universidade de
Minnesota, os alunos podem melhor detectar e
interpretar as nuances inerentes à fala e os gestos do
instrutor. Alguns dos sites mais populares de educação
online, tais como a Khan Academy, fazem uso de vídeos
para tornar a aprendizagem mais envolvente.
A Universidade de Stanford faz um uso extremamente
eficaz do iTunes U, onde publica vídeos profissionais
e outros materiais didáticos, produzidos por
especialistas. Este modelo visa equalizar o acesso à
Tendência de Longo Alcance
educação e ensinar conceitos complexos através de
multimídia. Enquanto instrutores individuais podem
não ser capazes de replicar a qualidade do conteúdo
publicado se comparados às coleções de Stanford, há
uma expectativa crescente de que as universidades e
faculdades sejam líderes na aprendizagem online; e,
portanto, equipem o seu corpo docente e funcionários
com as ferramentas e treinamentos necessários para
criar recursos de primeira qualidade. A Universidade
da Califórnia, em Irvine, por exemplo, lançou o Instituto
Docente de Aprendizagem Online para melhor equipar
professores com as habilidades necessárias para criar
conteúdo mais eficaz para e-learning.
Parte do engajamento dos alunos
para a aprendizagem profunda
em ambientes virtuais é a
personalização da experiência.
Algo importante para a discussão de aprendizagem
online são as explorações das políticas necessárias para
apoiar e incentivar os esforços e garantir a qualidade.
Na política de privacidade do MITx, como um exemplo,
há uma cláusula que sugere que diferentes alunos
podem ver as diferentes variações do mesmo conteúdo,
a fim de personalizar a experiência de aprendizagem.
Este tipo de política dá aos designers de cursos e
instrutores a flexibilidade necessária para adaptar as
necessidades dos alunos a estratégias de ensino em
tempo real, usando a inteligência da máquina, que é
uma área em desenvolvimento considerável e que está
se expandindo.
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre a evolução da
aprendizagem online:
Creating Conceptual Capacity through Intelligent
Tutoring
go.nmc.org/macq
(Thomas Kern et al., Macquarie University, acessado em
16 de dezembro de 2013.) A equipe da Universidade
Macquarie, na Austrália, criou um Sistema Tutor
Inteligente online para auxiliar no ensino de construção
e análise de demonstração de fluxo de caixa dentro do
currículo de contabilidade.
A New Pedagogy is Emerging…And Online
Learning is a Key Contributing Factor
go.nmc.org/pedag
(Contact North, acessado em 6 de janeiro de 2014.)
Expectativas tecnológicas e estudantis estão
impulsionando mudanças na pedagogia que favoreçam
17
a gestão do conhecimento através de fluência digital e
capacidades de aprendizagem sólida de experiências.
Aprendizagem híbrida, uso de multimídia e aumento
do controle do aprendiz são algumas das tendências
que estão convergindo para criar novas pedagogias
com foco no Ensino Superior online.
Online Code School Bloc Raises $2 Million For Its
Web Development “Apprenticeship” Program
go.nmc.org/bloc
(Sarah Perez, TechCrunch, 5 de dezembro de 2013.) Bloc
é uma escola de desenvolvimento web online fundada
pelos graduados da Universidade de Illinois, em UrbanaChampaign, que usam um modelo de aprendizagem
para se conectar aos alunos diretamente com um
mentor experiente que atua como tutor e revisor de
código do aluno.
The Online Education Revolution Drifts Off Course
go.nmc.org/drif
(WFPL News, 1 de janeiro de 2014.) Os principais
fornecedores de MOOC estão agora reconhecendo que
uma estrutura de apoio centrado no ser humano, mais
ampla, é vital para que os alunos retenham informações
e concluam seus cursos.
Online Learning Gets More Interactive
go.nmc.org/seme
(The Wall Street Journal, 18 de novembro de 2013.) Uma
organização chamada Semester Online oferece créditos
para cursos online de faculdades e universidades de
todo o mundo, utilizando conteúdo assíncrono e aulas
ao vivo para que os alunos participem da interação em
tempo real com os professores, reunindo uma vez por
semana por 80 minutos em uma webcam para discutir
o conteúdo.
Shindig CEO Speaks at Education Innovation
Summit (Video)
go.nmc.org/shindig
(Steve Gottlieb, Shindig, 28 de agosto de 2013.) Steve
Gottlieb apresenta Schindig, uma plataforma de ensino
online que utiliza uma nova arquitetura de comunicação
que permite a comunicação assíncrona e conversas
privadas entre os membros da audiência ou estudantes.
18
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Desafios Significativos que Impedem a Adoção de
Tecnologia no Ensino Superior
O
s seis desafios apresentados no NMC Horizon
Report: Edição Ensino Superior 2014 foram
selecionados por um comitê de especialistas
do projeto em uma série de ciclos de votos
com base em Delphi, cada um seguido por uma
rodada adicional de pesquisa secundária e discussões. O
referencial do projeto das “Salas de Aulas Criativas” (CCR
– Creative Classrooms), desenvolvido para a Comissão
Europeia, foi utilizado para identificar implicações para a
política, liderança e práticas relacionadas a cada um dos
seis desafios discutidos nesta seção. Estes desafios que,
segundo os membros do comitê de especialistas, serão
provavelmente empecilhos para a adoção da tecnologia
ao longo dos próximos cinco anos, são classificados
em três categorias definidas pela sua natureza:
desafios solucionáveis – aqueles que nós entendemos
e sabemos como resolver, mas aparentemente falta
vontade; desafios difíceis – aqueles que entendemos,
mas cujas soluções são difíceis de identificar; e os mais
difíceis, os desafios complexos – difíceis de definir e,
portanto, que necessitam de dados e insights adicionais
antes mesmo de as soluções serem possíveis. Todos
os desafios listados aqui foram explorados por suas
implicações para o Ensino Superior global em uma série
de discussões online que estão em horizon.wiki.nmc.
org/Challenges.
O comitê de especialistas foi fornecido com um
conjunto extenso de materiais de apoio quando o
projeto começou. Foram identificados e documentados
os desafios regionais conhecidos, mas o comitê também
foi encorajado a considerar novos desafios, bem como
aqueles que têm demorado para tomar forma.
Uma vez que foi identificada a lista semifinal de desafios,
cada um foi visto no referencial CCR, representado
no gráfico do sumário executivo, que serviu como
uma lente para identificar implicações para a política,
liderança e prática.
Política. Apesar de todos os desafios identificados
terem tido implicações políticas, dois desafios
específicos estão dirigindo as decisões em muitos
campi no momento. O mais fácil para as universidades
fazerem é rever as políticas que favorecem injustamente
a pesquisa acadêmica sobre o ensino. Na Europa, os
ministros da educação reconheceram este problema
com a crença de que a cultura acadêmica deve ser
alterada em conformidade. The Guardian elaborou o
desafio em University Reputations: Will Teachers Pay
the Price? (As Reputações das Universidades: Irão
os Professores Pagar o Preço?), observando que as
universidades da UE estão competindo para ganhar
financiamento no âmbito do Referencial de Excelência
em Pesquisa (Research Excellence Framework – REF), uma
iniciativa do governo do Reino Unido que irá fornecer
fundos para instituições com notas excelentes. Por causa
do REF, as universidades estão colocando maior pressão
sobre os professores para publicarem pesquisas. Talvez,
sem surpresa, o corpo docente sinta que o processo
desvaloriza a sua parte da missão na universidade.
Competição vinda de lugares
inesperados está desafiando
noções tradicionais do ensino
superior, e especialmente os
modelos de negócios.
Uma área política desafiadora é aquela em que
professores adotantes de novas pedagogias, muitas
vezes, encontram ambientes que dificultam a
implementação dessas inovações. Algumas instituições
e programas já estão tomando medidas para obter
uma melhor compreensão e resolver este desafio.
Pesquisadores dos programas internacionais da
Universidade de Londres e Universidade De Montfort,
por exemplo, revisaram os cinco projetos dentro do
programa de Planejamento e Estruturação de Currículos
do Comitê de Sistemas de Informação Conjunta do
Reino Unido (Joint Information Systems Committee –
JISC). Todos os cinco têm como objetivo introduzir novos
sistemas para facilitar o desenvolvimento profissional
contínuo e a concepção de currículo interdisciplinar.
Eles concluíram que as inovações pedagógicas mais
eficazes podem ser aumentadas quando alavancadas
em um processo participativo, com um método de
colaboração com o desenvolvimento de políticas de
cima para baixo.
Liderança. Mais uma vez, enquanto todos os
desafios identificados têm implicações de liderança que
são discutidas nas páginas seguintes, três representam
obstáculos para empregar visão e liderança eficaz. Há
uma necessidade urgente de combater a falta de fluência
digital entre os professores. O desafio é amplamente
Desafios Significativos
reconhecido e algumas grandes organizações estão
tomando medidas por conta própria. The Andrew W.
Mellon Foundation, por exemplo, forneceu à Faculdade
Davidson, uma doação de US$ 800.000 para criar um
modelo curricular abrangente de estudos digitais para
apoiar o desenvolvimento de competências digitais
entre os professores. Os funcionários irão se encontrar
semanalmente em institutos de ensino, workshops e
seminários para explorar ferramentas emergentes e
abordagens.
A competição de lugares inesperados desafia as noções
tradicionais de Ensino Superior e, especialmente, os
seus modelos de negócio. Instituições são cada vez mais
esperadas para mesclar o tradicional presencial com o
aprendizado de estratégias de aprendizagem online;
mas recentes experimentos com alguns dos novos
modelos online indicam que o apelo de aprendizagem
online formal pode não estar totalmente difundido.
No segundo semestre de 2012, o Campus Global da
Universidade do Estado do Colorado tornou-se a
primeira faculdade a oferecer aos alunos a oportunidade
de reservar créditos da faculdade (com uma taxa extra)
ao passarem por um MOOC. Um ano mais tarde, o
colégio informou que não houve um único aluno que
tivesse aproveitado o programa.
Algo que os programas online estão sendo
relativamente bem-sucedidos, no entanto, é em ajudar
a ampliar o acesso a materiais de aprendizagem, um
fenômeno observado pelo presidente do MIT, L. Rafael
Reif, em um artigo recente na revista Time. A diferença
de acesso é particularmente sentida pelos países do
terceiro mundo, onde se matricular em instituições
com cursos presenciais não é uma opção viável para
muitos. A Rainha Rania da Jordânia criou uma fundação
que apoiará Edraak, uma parceria com o MIT e edX, da
Universidade de Harvard, para desenvolver versões
em árabe de cursos, abrindo a porta a estes materiais
para dezenas de milhares de potenciais alunos. A
Rainha acredita que esses MOOCs podem ajudar a
democratizar a educação para as minorias em países
árabes, aumentando e fortalecendo programas online. É
claro que as questões de cobertura de acesso ou preços
acessíveis à Internet ainda limitam a disponibilidade de
cursos online em muitas regiões.
Prática. Cada um dos seis desafios identificados pelo
comitê de especialistas apresenta inúmeros obstáculos
para o avanço do ensino e da aprendizagem; mas, talvez,
o desafio mais complexo relacionado a tais práticas
seja manter a educação relevante. Os empregadores
têm relatado a decepção com a falta de prontidão no
mundo real que eles observam em recém-graduados,
empregados potenciais ou atuais. Com a tecnologia e
o valor das competências em rápida evolução, é difícil
para as instituições ficarem à frente das necessidades da
força de trabalho. A Universidade do Norte do Arizona
espera superar este desafio com o seu Programa de
Aprendizagem Personalizado (Personalized Learning
19
Program), onde eles estão usando transcrições que
mostram competências dos estudantes, em um esforço
para acompanhar a aprendizagem de uma forma que
pode ser mais valiosa para futuros empregadores.
As páginas a seguir fornecem uma discussão de cada um
dos desafios destacados pelo comitê de especialistas
deste ano, que inclui uma visão geral do desafio, suas
implicações e recomendações da curadoria para ler
mais sobre o assunto.
20
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Baixa Fluência Digital do Corpo Docente
Desafios Solucionáveis: aqueles que nós entendemos e sabemos como resolver
A
formação do corpo docente ainda não
reconhece o fato de que o letramento em
mídias digitais continua a sua ascensão
em importância como uma habilidade
fundamental em cada disciplina e profissão.
Apesar do consenso generalizado sobre a importância
da educação para as mídias digitais, treinamentos
nas habilidades e técnicas de apoio são raras na
formação e inexistentes na preparação de professores.
Palestrantes e professores começam a perceber que
eles estão limitando seus alunos por não ajudá-los a
desenvolver e utilizar as competências de letramento
digitais de mídia em todo o currículo. A falta de
treinamento formal está sendo compensada por meio
do desenvolvimento profissional ou aprendizagem
informal, mas estamos longe de ver esse letramento
como uma norma. Este desafio é agravado pelo fato de
que o letramento digital é menos sobre ferramentas e
muito mais sobre o raciocínio; portanto as habilidades
e padrões baseados em ferramentas e plataformas
têm provado serem um tanto efêmeras.
Visão Geral
A American Library Association’s Digital Literacy Task
Force define o letramento digital como a capacidade
de usar a tecnologia da informação e comunicação
para encontrar, avaliar, criar e comunicar informações.
O letramento digital foi considerado criticamente
importante para os alunos e instrutores no Ensino
Superior, mas é amplamente reconhecido que há
uma falta de treinamento eficaz para garantir que os
professores desenvolvam as habilidades que necessitam
para orientar os alunos. Uma grande parte do desafio é
baseada no insuficiente desenvolvimento profissional, o
que é resultado de uma série de questões que vão desde
a falta de financiamento, o baixo apoio administrativo,
a escassez de agendas formais de letramento digital ou
ambiguidade em torno da definição de fluência digital.
Outra faceta desse desafio está na mudança de atitude
exigida dos professores; se eles estão relutantes em
abraçar novas tecnologias e a promoção do letramento
digital, os alunos não vão ver a importância dessas
competências para ter sucesso no mercado de trabalho.
Atuais treinamentos em letramento digital para
professores variam em eficácia e disponibilidade.
Campos de treinamentos – tais como os realizados no
verão de 2013 pela Universidade Xavier, dos Estados
Unidos – ou workshops que fornecem introduções
a novas ferramentas são a forma mais comum de
desenvolvimento profissional; mas o que está faltando
é um engajamento intelectual e experiencial profundo
com conceitos subjacentes. Enfrentar esse desafio
requer uma mudança de mentalidade da implantação
de treinamentos individuais para um processo contínuo
de exploração e definição, especialmente por causa da
rapidez com que as tecnologias evoluem. Além disso, para
as universidades progredirem nesta área, é necessário
que haja um maior apoio institucional e liderança a partir
do nível presidencial até o nível departamental.
O Diretor de programas de formação de professores
da Educação Básica da Faculdade de Mount
Holyoke publicou um artigo que propõe ofertas de
desenvolvimento profissional em que o letramento
digital fosse oferecido por meio de parcerias, tutorias ou
aprendizagem colaborativa – ao invés de uma conexão
solta de vários treinamentos, como chave para superar
este desafio. Emparelhar estudantes digitalmente
experientes com professores, por exemplo, oferece
insights valiosos sobre como os alunos atualmente
utilizam a tecnologia. As redes sociais também envolvem
os alunos em novas formas de aprendizagem através
de seus contatos fora da classe. Os instrutores podem
ter um papel mais ativo no aprendizado dos alunos,
mostrando-lhes, por sua vez, como usar as mídias digitais
para a aprendizagem. As bibliotecas também têm sido
muito ativas nesta área, fornecendo recursos valiosos
para o pessoal da universidade e professores que
procuram ajuda com o letramento digital. Bibliotecários,
tais como os da Universidade de Cincinnati, em parceria
com associações universitárias, estão ajudando o corpo
docente a eficientemente localizar, examinar e citar as
fontes de informação para uso em sala de aula.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
A urgência em resolver o baixo letramento digital,
tanto para professores quanto alunos, foi reconhecida
e abordada por grandes financiadores como a Andrew
W. Mellon Foundation. A agência ofereceu recentemente
à Faculdade Davidson, uma doação de US$ 800.000
para criar um modelo curricular abrangente de estudos
digitais que irão desenvolver familiaridade e fluência do
corpo docente com ferramentas digitais. A concessão vai
financiar o desenvolvimento e a expansão de estudos
digitais em todo o currículo da faculdade, incluindo o
apoio ao desenvolvimento profissional do corpo docente.
Em vez de se concentrar apenas no desenvolvimento
de ferramentas digitais e bases de dados para os
professores, a abordagem de Davidson é difundir
estudos digitais o mais amplamente possível em todo o
Desafios Solucionáveis
currículo da instituição. Institutos de ensino, workshops
e seminários serão reforçados com apoio contínuo na
forma de comunidades de aprendizagem digital, onde
professores e funcionários se encontram semanalmente
para explorar ferramentas ou metodologias específicas.
Similarmente, JISC apoia o uso de tecnologias digitais
na educação e pesquisa no Reino Unido, incluindo
um programa que explora a fluência digital em vários
campi universitários. O desenvolvimento do Programa
de Desenvolvimento do Letramento Digital (Developing
Digital Literacy Program),-financiado pela JISC, promove
o desenvolvimento de estratégias institucionais e
abordagens organizacionais coerentes, inclusivas e
holísticas para o desenvolvimento de letramentos
digitais para todos os funcionários e estudantes no
Reino Unido e além do Ensino Superior. Os resultados do
projeto de três anos incluem o desenvolvimento de um
conjunto de recomendações para apoiar o letramento
digital de toda a instituição, exemplos de boas práticas,
estudos de caso e oficinas gratuitas. O Projeto Digidol,
um projeto financiado pelo JISC, na Universidade de
Cardiff, abordou a importância da mudança de atitude
em relação ao letramento digital em todas as áreas e
níveis da universidade. Eles começaram a estabelecer um
marco dos atuais níveis de competências de letramento
digital e, em seguida, desenvolveram um modelo
de organização, análise de lacunas e mudança na
abordagem de gestão para a incorporação de letramento
digital em todos os cursos de desenvolvimento de
pessoal e programas acadêmicos.
Como líderes em letramento da informação e mídia
digital, bibliotecas acadêmicas atualmente fornecem
serviços que ajudam professores a se sentirem
confiantes no aprendizado de novas ferramentas e
processos. Na Biblioteca Henry Madden da Universidade
Estadual de Fresno, professores e funcionários podem
obter informações e recursos de letramento digital —
bibliotecários ajudam com reestruturação curricular e
tutoriais de letramento digital, bem como criação de
objetos digitais, módulos e vídeos. Os bibliotecários
da Universidade do Texas estão ajudando a integrar
a informação e letramento digital no planejamento
curricular, bem como através de colaborações com o corpo
docente ao trabalharem juntos para criar atribuições de
investigação eficazes e atividades que ajudem a reforçar
os conceitos de letramento da informação, tanto para
estudantes quanto para instrutores.
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre a baixa fluência digital
do corpo docente:
5 Keys to Engaging Faculty With IT
go.nmc.org/keys
(Linda L. Briggs, Campus Technology, 6 de junho de 2013.)
Este artigo destaca vários programas de tecnologia
para o desenvolvimento de professores que foram bem
sucedidos, explicando por que a análise, comunicação,
21
orientação mútua, colaboração e subsídios ou bolsas têm
desempenhado papéis cruciais para as universidades na
criação de programas de desenvolvimento que engajem
seus participantes.
ASTI: The Formation of Academic Support,
Technology and Innovation at Plymouth University
go.nmc.org/ply
(Neil Witt et al., Plymouth University, 9 de julho de 2013.)
Este relatório detalha como a equipe profissional da
Universidade de Plymouth foi reorganizada em um novo
departamento de Serviços Acadêmicos, Tecnologia e
Inovação que desenvolve recursos e trabalha com a
comunidade acadêmica, integrando com sucesso a
tecnologia em suas pedagogias.
Digital Library Center Launches at Notre Dame
go.nmc.org/diglib
(Inside Indiana Business, 18 de dezembro de 2013.)
As Bibliotecas Hesburgh, da Universidade de Notre
Dame, inauguraram o Centro para Bolsas de Estudos
Digitais. Este é uma das instituições que transformaram
sua biblioteca em um espaço de aprendizagem fértil
e completo com ferramentas digitais, workshops e
treinamento em tecnologia para professores e alunos.
Digital Literacy for Digital Natives and Their
Professors
go.nmc.org/native
(Steven Berg, HASTAC, 22 de março de 2013.)
Respondendo a um artigo sobre a aprendizagem dos
alunos através de rede de discussões sociais informais,
o autor concorda que os alunos estão assumindo o
controle de sua aprendizagem, mas argumenta que
eles precisam de orientação quando se trata de escolher
tecnologias eficazes para atender seus objetivos
acadêmicos.
Incentives and Training
go.nmc.org/ince
(Marian Stoltz-Loike, Inside Higher Ed, 18 de dezembro de
2013.) Apesar de muitas faculdades e universidades em
todo o país estarem exigindo professores para ensinar,
pelo menos, um curso online, em um esforço para cortar
custos, muitas vezes, os instrutores não são providos das
ferramentas necessárias para usar um formato online.
Why Universities Should Acquire — and Teach —
Digital Literacy
go.nmc.org/literacy
(Fionnuala Duggan, The Guardian, 23 de abril de 2013.)
O autor acredita que, quanto mais alunos de graduação
usam a tecnologia, a formação em letramento digital
deve ser implementada de modo que eles estejam
cientes das melhores práticas de comunicação e
colaboração online.
22
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Relativa Falta de Incentivos para o Ensino
Desafios Solucionáveis: aqueles que nós entendemos e sabemos como resolver
O
ensino é muitas vezes classificado como
inferior à pesquisa no meio acadêmico. No
mercado global de educação, o status de
uma universidade é determinado em grande
número pela quantidade e qualidade da sua
investigação. De acordo com a metodologia do Ranking
Mundial de Universidades da Revista Times Higher
Education, pesquisas e citações são responsáveis por
60% da pontuação da universidade, enquanto o ensino
é apenas metade disso. Há um sentido abrangente no
mundo acadêmico de que as credenciais de pesquisa
são um ativo mais valioso do que o talento e habilidade
de um instrutor. Devido a este modo de pensar, os
esforços para implementar pedagogias eficazes são
escassos. Professores adjuntos e alunos sentem o peso
deste desafio, como contratos apenas de ensino são
subestimados e mal pagos, os alunos devem aceitar
os estilos de ensino ultrapassados dos principais
pesquisadores da universidade. Para equilibrar
prioridades concorrentes, grandes universidades
estão experimentando alternar entre cargas de ensino
suaves e intensas durante o ano letivo e contratando
mais professores adjuntos.
Visão Geral
Os professores enfrentam cada vez mais expectativas
de universidades que tornam evidente que os esforços
de pesquisa são recompensados com cargos de
gestão, desconsiderando a amplitude da experiência
do professor como instrutor. No entanto, a pesquisa
mostra que os professores adjuntos podem ter grande
ou ainda maior impacto sobre os alunos do que
professores efetivos. Um estudo recente do National
Bureau of Economic Research descobriu que os dados de
oito grupos de alunos do primeiro ano da Northwestern
University, que participaram de cursos introdutórios
com professores adjuntos, foram significativamente
mais propensos a se inscrever em um segundo curso no
assunto do que os ensinados por professores efetivos.
Além disso, os alunos de menor desempenho fizeram
os maiores ganhos nos temas mais desafiadores quando
ensinados por adjuntos.
Há também um corpo de trabalho que indica que
os professores reconhecem que o ensino não é uma
prioridade no Ensino Superior, mas muitos fazem esforços
conscientes para melhorar seus métodos a cada nova
turma de alunos, mesmo sem incentivos. A SUNY Press
publicou um estudo qualitativo, em 2012, que pesquisou
55 membros do corpo docente de diversas disciplinas
na Universidade de Washington sobre as maneiras pelas
quais eles adaptaram seus ensinamentos para melhorar
os resultados de aprendizagem e comportamento dos
alunos. O estudo revelou que quase todos os educadores
haviam mudado exercícios e conteúdo e experimentado
formas de envolver os alunos em cada semestre. Os
resultados também demonstraram que houve alguns
professores conceituados que relataram a falta de
confiança no ensino de um curso que tinham lecionado,
muitas vezes, no passado, sugerindo que pode haver
uma necessidade de instrutores se atualizarem e
praticarem suas metodologias de ensino de forma
contínua. Professores geralmente querem melhorar suas
pedagogias, mas não dispõem de recursos e incentivos
por parte de suas instituições para fazê-lo.
Na Europa, este desafio tem sido articulado pelas
principais partes interessadas que acreditam que a
importância dada à pesquisa é uma faceta da cultura
acadêmica que deve ser mudada. Um estudo recente de
mais de 17.000 alunos de graduação no Reino Unido pelo
site de informação do consumidor Which? mostraram
uma diminuição na interação entre professores e
alunos. Os alunos relataram que receberam menos
feedback, em comparação com os alunos do Reino
Unido em 1963. A tendência de queda nos padrões
de qualidade de ensino também foi elaborada no
relatório de 2013 para a Comissão Europeia sobre a
melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem nas
instituições de Ensino Superior europeias. O relatório
definiu três pontos principais de desafios: abordou
a necessidade de priorizar o ensino e o aprendizado
sobre a pesquisa, a importância dos membros do corpo
docente de treinamento para ensinar em um padrão de
primeira linha, e para os decisores políticos e líderes de
pensamento para incentivar as instituições de Ensino
Superior a reavaliarem as suas missões, levando-as a
perceberem o ensino como pedra angular.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
Há uma necessidade de os governos desenvolverem
estratégias baseadas em pesquisas atuais, com o
objetivo final de promover uma cultura acadêmica
que premia financeiramente a qualidade da interação
em sala de aula. The Guardian explorou esse dilema
em University Reputations: Will Teachers Pay the Price?
(As Reputações das Universidades: Irão os Professores
Pagar o Preço?). O autor observou que as universidades
da EU (União Europeia) estão competindo para ganhar
o financiamento do Referencial de Excelência em
Pesquisa (Research Excellence Framework – REF), uma
Desafios Solucionáveis
iniciativa do governo do Reino Unido que irá fornecer
fundos para instituições com classificações excelentes.
Por causa do REF, as universidades estão exercendo
pressão sobre os professores para publicar pesquisas,
provocando reações negativas entre outros colegas do
ensino que acreditam que estão sendo desvalorizados.
Embora as qualidades da pesquisa e do ensino possam
estar fortemente ligadas, algumas partes interessadas
acham que deve haver iniciativas do governo para alocar
fundos para o propósito expresso de melhorar o ensino
e a aprendizagem.
Dirigentes universitários podem começar a exigir que
estudantes de pós-graduação cumpram os requisitos
de treinamentos, a fim de criar um impacto maior sobre
os alunos. Enquanto há uma abundância de recursos
dedicados à formação de professores de Educação
Básica, há uma escassez de programas com o objetivo
singular de formação de professores universitários. O
ex-reitor da Universidade de Harvard e autor de Higher
Education in America (Ensino Superior na América), Derek
Bok, usou The Chronicle of Higher Education como um
fórum para discutir a aparente falta de preparação que
o corpo docente recebe antes de ingressar na faculdade.
Bok observou que, apesar de mais centros surgirem
para ajudar alunos de pós-graduação a aprenderem a
ser professores assistentes, este tipo de treinamento é
opcional, intermitente e superficial por natureza. Como
a aprendizagem online desempenha um papel maior no
Ensino Superior, este treinamento será essencial, pois os
professores deverão estar familiarizados com técnicas
de ensino que abordam a aprendizagem facilitada pela
tecnologia.
Uma pesquisa realizada em 2013 pela Faculdade Focus
entrevistou 1.247 profissionais de nível superior e
descobriu que mais da metade acredita que seu trabalho
é mais difícil hoje do que era há cinco anos. Entre as
fontes de estresse estão o trabalho em ambientes de
pesquisa intensiva altamente competitivos, onde o valor
do ensino não é reconhecido. Segundo a Associação
Nacional de Educação dos Estados Unidos, o número
de professores que trabalham fora da função é cada vez
maior, uma tendência que é desfavorável para os que
têm um talento especial para o ensino; entretanto eles
desejam segurança no trabalho e benefícios. Mesmo
professores com doutorado estão acostumados a
trabalhar em vários cargos docentes em tempo parcial
para ganhar seu sustento, dando-lhes menos tempo
para publicar pesquisas que irão aumentar as suas
posições. Para abordar esta questão, as instituições
precisam reavaliar suas missões de forma a manter a
excelência no ensino como um princípio central, que irá
transformar o processo rígido de ganhar renome.
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre a relativa falta de
recompensas para o ensino:
23
The Adjunct Advantage
go.nmc.org/tenure
(Scott Jaschik, Inside Higher Ed, 9 de setembro de
2013.) Um estudo do National Bureau of Economic
Research descobriu que alunos do primeiro ano em
uma universidade aprendem mais com professores
adjuntos do que com professores efetivos, incentivando
as instituições a empregar mais professores que não têm
obrigações de pesquisa.
Helping Professors Use Technology Is Top Concern in
Computing Survey
go.nmc.org/help
(Hannah Winston, The Chronicle of Higher Education, 17
de outubro de 2013.) Uma pesquisa anual do Campus
Computing Project, realizada por administradores de
tecnologia seniores, descobriram que ajudar professores
a se aclimatar às novas tecnologias em classe, à medida
que as aulas passam a migrar para as plataformas online,
será a maior preocupação de TI ao longo dos próximos
dois a três anos.
Teaching to Teach
go.nmc.org/tote
(Carl Straumsheim e Doug Lederman, Insider Higher Ed,
22 de novembro de 2013.) A crescente popularidade
da educação online leva mais professores a reconhecer
as falhas de seus próprios métodos de ensino, mas os
professores também têm dificuldade em romper com
seus compromissos existentes para o treinamento.
Training the Faculty
go.nmc.org/trai
(Carl Straumsheim, Inside Higher Ed, 16 de outubro de
2013.) Na mais recente conferência anual EDUCAUSE,
dois líderes de pensamento sobre TI na educação
discutiram a importância de investir no desenvolvimento
do corpo docente com o mesmo grau com que se investe
em novos equipamentos.
Uni Teaching Underrated, Lecturer Says
go.nmc.org/otago
(John Lewis, Otago Daily Times, 10 de julho de 2013.)
Durante seu discurso de aceitação para um prêmio
de excelência em ensino, uma educadora de longa
data compartilhou suas preocupações de que a
qualidade do Ensino Superior está sofrendo por causa
de universidades que recompensam largamente
professores exclusivamente para pesquisa.
Universities Putting Research Before Teaching, Says
Minister
go.nmc.org/minister
(Peter Walker, The Guardian, 20 de outubro de 2013.)
Um ministro do Ensino Superior discute uma pesquisa
recente com alunos de graduação que mostrava que
estudantes recebiam feedbacks insuficientes, apoiando
assim o seu argumento de que deve haver uma mudança
cultural para promover o ensino em detrimento da
pesquisa.
24
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Competição de Novos Modelos de Educação
Desafio Difícil: Aqueles que entendemos, mas cujas soluções são difíceis de serem identificadas
N
ovos modelos de educação estão trazendo uma
concorrência sem precedentes para os modelos
tradicionais de Ensino Superior. Em geral as
instituições estão procurando maneiras de
oferecer um serviço de alta qualidade e mais
oportunidades de aprendizagem. Cursos online
massivos abertos estão na vanguarda das discussões,
permitindo aos alunos completar a sua educação e
experiências em instituições tradicionais, com ofertas
online cada vez mais ricas e, muitas vezes, gratuitas. Ao
mesmo tempo, questões surgiram relacionadas com
as baixas taxas de conclusão de alguns MOOCs(Cursos
Online Aberto Massivos). À medida que essas novas
plataformas surgem, há uma crescente necessidade
de se avaliar francamente os modelos e determinar
a melhor forma de apoiar a colaboração, interação
e avaliação em grande escala. Apenas aproveitar a
nova tecnologia não é o bastante; os novos modelos
devem usar essas ferramentas e serviços para
envolver os alunos em um nível mais profundo.
Visão Geral
Com o conteúdo de alta qualidade livre e acessível
através da Internet, tanto o aprendizado online formal
quanto o informal estão em ascensão; sendo que alguns
temem que possa diminuir o apelo de instituições de
Ensino Superior. MOOCs estão atualmente dominando
as discussões sobre formas alternativas de educação. O
termo curso online aberto massivo, cunhado em 2008
por Stephen Downes e George Siemens, entraram em
uso amplo em 2012. Desde então, os MOOCs ganharam
atenção pública com uma ferocidade não vista em tempo
algum. Universidades de renome mundial, incluindo
MIT e Universidade de Harvard (edX), assim como a
Universidade de Stanford (Coursera) ou mesmo empresas
inovadoras, como o Udacity, entraram no mercado
com tudo, e têm recebido uma quantidade enorme de
atenção e de imitação. A noção de dezenas de milhares
de alunos participantes em um único curso, trabalhando
em seu próprio ritmo, com base em seu próprio estilo
de aprendizagem e sendo avaliados individualmente,
mudou o cenário de aprendizagem online.
Uma série de líderes respeitados, no entanto, acredita
que a manifestação atual de MOOCs se desviou da
premissa inicial, esboçada por Downes e Siemens
quando eles lançaram os primeiros cursos no Canadá.
Eles imaginavam os MOOCs como ecossistemas do
conectivismo – uma pedagogia em que o conhecimento
não é um destino, mas uma atividade permanente,
alimentada pelas relações que as pessoas constroem e as
discussões profundas são catalisadas dentro do MOOC.
Esse modelo enfatiza a produção de conhecimento
sobre o consumo, e novos conhecimentos que emergem
do processo ajudam a manter e evoluir o ambiente
do MOOC. Apesar de suas diferenças filosóficas, um
aspecto que os MOOCs contemporâneos têm é que há
pouco em comum com essa paisagem. Cada exemplo
de MOOC coloca diante de seu próprio modelo como
a aprendizagem online deve funcionar em larga escala.
Embora esta nova forma de aprendizagem seja uma
imensa promessa, os especialistas estão preocupados
com baixas taxas de conclusão dos MOOCs – em
torno de 5-16% no total. No MOOC DAE Introdução à
Programação, do Udacity, por exemplo, apenas 14%
dos 160 mil alunos matriculados passaram no curso.
O que torna esse desafio mais difícil é que, enquanto
os MOOCs foram amplamente adotados em 2012, o
ano de 2013 trouxe uma importante mudança radical
de atitude. Após estas estatísticas iniciais terem sido
publicadas, muitos se tornaram céticos sobre o quão
capazes de engajar os alunos esses ambientes de
aprendizagem realmente são. Os críticos advertem
que há uma necessidade de examinar essas novas
abordagens, através de uma lente crítica para garantir
que eles são eficazes e evoluir além das pedagogias
de estilo de aula tradicional. Somando-se ao desafio,
muitas partes interessadas veem a concorrência como
uma ameaça para a própria noção de universidades e
faculdades públicas, o que dificulta a exploração de
modelos e estratégias alternativas.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
O alcance dos prestadores de MOOC e as suas ofertas
livres fez com que o valor de diplomas e certificados
fossem questionados. Se alguém pode aprender de
alguns dos melhores instrutores do mundo online e de
graça, o que as instituições mais tradicionais oferecem
para poder competir? De acordo com relatos recentes
no The New York Times e CBS, há um número crescente
de estudantes preocupados com o que eles estão
realmente recebendo em troca dos enormes custos de
sua educação. A mensalidade média da universidade
já é alta (e está subindo), juntamente com os custos
de moradia estudantil e as viagens para o campus
físico; os MOOCs apresentam uma alternativa atraente,
especialmente para os graduados que já estão no
mercado de trabalho e à procura de oportunidades
rápidas de desenvolvimento profissional. Um dos
desafios políticos mais importantes é.
Desafio Difícil
Em um experimento notável, o Departamento de
Música, Tecnologia e Artes da Universidade de Purdue e
Universidade de Indiana–Purdue Indianapolis ofereceu
um MOOC que poderia ser convertido em crédito. O
curso de seis semanas cobriu a música da civilização
ocidental a partir de 600 d.C. até o presente e foi entregue
com ferramentas de tradução, conteúdo de mídia rica e
ferramentas de redes sociais integradas. A maioria das
instituições está agora investindo no desenvolvimento
de cursos online semelhantes e produzindo conteúdo
que vai atrair potenciais estudantes a se inscreverem
para o crédito formal. No entanto, algumas das primeiras
experiências para crédito demonstram que o recurso de
aprendizagem online formal pode não ser tão amplo
quanto se pensava inicialmente. No segundo semestres
de 2012, o Campus Global da Universidade do Estado
do Colorado tornou-se a primeira faculdade a oferecer
crédito a estudantes que passassem por um MOOC,
caso eles se registrassem e pagassem por uma taxa. Um
ano depois, nem um único estudante tinha aproveitado
a oferta. Além disso, em janeiro de 2013, a Universidade
Estadual de San Jose fez uma parceria com o Udacity
para desenvolverem um curso em que se ofereciam
créditos, mas os resultados foram insatisfatórios e a
iniciativa foi deixada de lado.
A simples capitalização em novas
tecnologias não é suficiente; os
novos modelos devem usar estas
ferramentas e serviços para
engajar os alunos em um nível
mais profundo.
Um dos maiores desafios para as instituições é encontrar
uma maneira de projetar o ganho de créditos em
MOOCs que sejam tanto eficientes em custo-benefício
para os estudantes quanto transcendam as práticas
tradicionais de ensino. Muitos instrutores mediadores
de cursos online estão descobrindo que o uso de mídias
ricas e a incorporação de abundantes oportunidades
para a interação são fundamentais. Um excelente
exemplo de um curso online eficaz, que é organizado
em torno do modelo conectivista original, é o curso de
narração de histórias no meio digital, da Universidade
de Mary Washington – que qualquer pessoa pode fazer
e que foi adaptado para diversas outras instituições. Eles
estão atualmente explorando como dar crédito para os
novos alunos do Ensino Médio que completá-lo.
25
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre a concorrência de
novos modelos de educação:
Can Virtual Classrooms Beat Face-to-Face
Interaction?
go.nmc.org/face
(Libby Page, The Guardian, 13 de novembro de 2013.)
A tendência para a aprendizagem online tem muitos
questionamentos, tais como se a educação se tornaria
uma experiência impessoal, deixando os alunos
isolados. Neste artigo, uma série de educadores
experientes compartilha seus insights.
The Disruptive Business Model for Higher Education
is Open Source
go.nmc.org/opso
(Brian Reale, OpenSource, 15 de outubro de 2013.) Este
artigo argumenta que, se os prestadores serviço no
Ensino Superior se concentrarem no reconhecimento
de talentos, a recompensa para as universidades não
virá com a venda de cursos, mas sim ao encontrar e
desenvolver o talento e receber retorno na forma de
contribuições para o investimento.
Educational Model Change Rattles Teachers
go.nmc.org/rat
(Chelsea Davis, The World, 16 de outubro de 2013.)
A Universidade de Wisconsin está introduzindo uma
educação alternativa, baseada na competência Flex;
opção que custa apenas 2.250 dólares por três meses
de acesso para “tudo o que você puder estudar” – com
a possibilidade de terminar a licenciatura em três meses
ou estudar em um ritmo mais lento, dependendo da
preferência pessoal.
Employers Receptive to Hiring IT Job Candidates
with MOOC Educations
go.nmc.org/rece
(Fred O’Connor, PCWorld, 9 de dezembro 2013.) Este
artigo contém exemplos de estudantes incrementando
sua educação através de MOOCs para ajudá-los a
conseguir novos empregos ou mudar de direção em
suas carreiras.
The Future Is Now: 15 Innovations to Watch For
go.nmc.org/now
(Steven Mintz, The Chronicle of Higher Education, 22
de julho de 2013.) Uma mudança na forma como os
estudantes atendem o Ensino Superior está desafiando
faculdades tradicionais a se tornarem mais dinâmicas e
se focar no aluno.
Higher Education: New Models, New Rules
go.nmc.org/mode
(Louis Soares, Judith S. Eaton, Burck Smith, EDUCAUSE
Review Online, 7 de outubro 2013.) Três ensaios discutem
o que precisa mudar no sistema de ensino atual para
permitir um modelo de educação que incorpora
pedagogia orientada a resultados, acesso ubíquo e
mensalidades mais baratas.
26
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Desenvolvimento de Inovações Pedagógicas
Desafio Difícil: Aqueles que entendemos, mas cujas soluções são difíceis de serem identificadas
N
ossas organizações não são adeptas do
movimento inovador pedagógico para a
prática no dia a dia. A inovação surge da
liberdade para conectar ideias de novas
maneiras. Nossas escolas e universidades
geralmente nos permitem conectar ideias apenas em
formas pré-estabelecidas — às vezes, isso leva a novas
descobertas, mas o mais provável é que elas levem
à aprendizagem mecânica. As atuais estruturas de
promoção organizacionais raramente recompensam
a inovação e melhorias no ensino e na aprendizagem.
A aversão profunda às mudanças limita a difusão de
novas ideias e também, muitas vezes, desestimula a
experimentação.
Visão Geral
Em um relatório de 2013 sobre a inovação no Ensino
Superior, dois estudiosos sobre políticas educacionais
da American Enterprise Institution, Frederick M. Hess e
Andrew P. Kelly, supuseram que o sistema de créditos tem
ajudado a manter as práticas tradicionais de ensino nas
universidades e desencorajado a consideração de novas
ferramentas e abordagens. Hess e Kelly destacaram
quatro princípios para guiar a mudança significativa
no Ensino Superior enquanto enfrentam os desafios
que impedem a absorção das melhores práticas. Suas
recomendações para as universidades incluem a
abordagem de novos operadores com mais abertura no
mercado; perseguir a tendência da separação do Ensino
Superior; e considerar a portabilidade ou a noção de os
alunos serem capazes de escolher partes distintas de
seu aprendizado a partir de vários fornecedores para
compor suas titulações. Acima de tudo, eles enfatizam
a necessidade de as universidades irem além de sua
prática padrão de adaptação de suas instituições
com as mais recentes tecnologias. A visão geral é um
paradigma de Ensino Superior diversificado em que os
prestadores competem por alunos que estão pagando
por componentes distintos de um título em vez de o
próprio título.
As universidades estão sendo cada vez mais pressionadas
a examinar de perto as soluções tecnológicas de ponta
e práticas de ensino, mas existem muitas barreiras que
impedem as instituições de implementação de novas
estratégias. Há um movimento nos EUA para facilitar
o caminho à titulação, com defensores que propõem
mais oportunidades para experimentar novos modelos
de ensino que ofereçam preços mais baixos e reforcem
a aprendizagem do aluno. Os defensores desta reforma
argumentam que o potencial da tecnologia para
melhorar o aprendizado e aumentar a qualidade do
ensino para grandes audiências já foi realizada, mas a
burocracia que envolve o processo de titulação é um
impedimento para as universidades expandirem suas
instituições em territórios inexplorados. Ainda assim,
responsáveis regionais por titulações defendem o seu
status no ecossistema do Ensino Superior, considerando
já terem começado a aprovação de mais caminhos
com base na competência e aceleração de títulos, que
não são baseados em créditos comuns. Os principais
interessados questionam os motivos por trás de
esforços para mudar o modo tradicional de titulação
para um sistema em que os fundos sejam transferidos
para empresas privadas que têm interesses especiais no
assunto.
Mesmo que currículos mais inovadores estejam
sendo desenvolvidos, as universidades enfrentam
problemas de capacidade que limitam a profundidade
e a velocidade da integração. Não há um núcleo de
professores para fazer o trabalho que é necessário para
a implementação significativa, argumenta Adrianna
Kezar, vice-diretora do Centro Pullias para o Ensino
Superior na Universidade do Sul da Califórnia. Isto é
devido à forma como as universidades funcionam como
empregadoras; o número de professores não efetivos e
professores adjuntos em tempo parcial superam os que
são efetivos e exclusivos. Esta disparidade contribui para
a falta de impacto em tempo parcial que a faculdade
tem na integração da inovação pedagógica. Sem o
apoio e investimento de uma equipe, o potencial de
práticas pedagógicas inovadoras não pode ir além dos
métodos de pesquisa utilizados para desenvolvê-las.
Kezar enfatiza a necessidade de as partes interessadas
trabalharem juntas em uma visão para o futuro do
corpo docente, e repensarem quais serão suas funções e
responsabilidades com a inevitável evolução do Ensino
Superior.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
Ambientes de aprendizagem online oferecem a
promessa de estender as melhores práticas de ensino
para educadores em todos os lugares. A WIDE World
é um recurso online para professores do Ensino
Fundamental ou Médio e professores de faculdades,
formadores de professores e administradores que
vêm promovendo o desenvolvimento de práticas
pedagógicas construtivistas desde a sua criação em
2004. Desenvolvido pela Escola de Estudos Avançados
em Educação da Universidade de Harvard, a WIDE World
Desafio Difícil
oferece cursos semestrais em que os participantes
estudam novas pedagogias baseadas em pesquisas,
aplicam as abordagens que aprenderam com os seus
alunos, interagem regularmente com treinadores
experientes e contribuem para o diálogo no curso
com seus pares. Embora essa abordagem tenha como
objetivo preencher a lacuna de conhecimento de ação
com uma pesquisa ampla e forte de design instrucional,
a escala continua limitada porque o seu sucesso
depende da demanda demonstrada pelos cursos.
A Comissão Europeia demonstrou o impacto que
uma visão fundamental pode ter em guiar a inovação
nas práticas de ensino com a abertura da Iniciativa
de Educação, que propõe ações em níveis nacionais.
Fundada na ideia de que os recursos educacionais
abertos podem ser aproveitados para proporcionar o
desenvolvimento profissional de professores, o projeto
irá financiar os esforços para desenvolver cursos online
abertos e expandir as comunidades de professores de
prática, tais como e-Twinning e SCIENTIX, existentes
para fazer o treinamento em melhores práticas mais
acessíveis a educadores europeus em todos os setores.
O apoio à investigação por trás dessa iniciativa revelou
que as estruturas de governança rígidas, orçamentos
inflexíveis e falta de recompensa para os educadores
inovadores são fatores que inibem a propagação das
práticas pedagógicas emergentes entre os EstadosMembros.
Algumas instituições estão determinando quais
características da cultura universitária tornam
difícil escalar novas práticas de ensino de maneira
significativa.
Pesquisadores
da
Universidade
De Montfort e da Universidade de Programas
Internacionais de Londres, por exemplo, revisaram os
métodos em que foram empregados cinco projetos de
Programa de Planejamento e Elaboração de Currículo
da JISC, a partir de uma perspectiva de gestão. Esses
projetos introduzem novos sistemas técnicos para
facilitar várias atividades, incluindo fornecimento de
desenvolvimento profissional contínuo e concepção
de currículos interdisciplinares. Cada estratégia dirigida
à dinâmica e o comportamento dos funcionários estão
trabalhando dentro de uma cultura onde a mudança
acontece como resultado de influência, credibilidade
pessoal e de táticas de subculturas e comitês decisórios.
Os pesquisadores analisaram criticamente a abordagem
“de cima para baixo” versus uma abordagem de “baixo
para cima” para a implementação; e concluiu que as
inovações são mais efetivamente escaladas usando um
método colaborativo e participativo para identificar
problemas e soluções, com a liderança distribuída entre
as partes interessadas.
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre o dimensionamento
de inovações pedagógicas:
27
2014 is the Perfect Time to Reform Our Schools
go.nmc.org/refor
(Gene Budig and Alan Heaps, The News-Gazette, 5 de
janeiro de 2014.) Este artigo discute os componentes
do cenário educacional que fazem a reforma e inovação
no ensino difíceis. O autor pede uma estratégia que seja
apoiada nacionalmente com metas de longo prazo.
Beyond Retrofitting: Innovation in Higher
Education
go.nmc.org/huds
(Andrew P. Kelly e Frederick M. Hess, Hudson Institute,
junho de 2013.) Instituições de Ensino Superior existentes
estão oferecendo cursos online, implementação de LMS
e criando serviços aperfeiçoados para os estudantes de
tecnologia, mas os autores acreditam que esses novos
produtos não alteram as estruturas de custos ou preços
existentes.
The Dean of Parsons: Design Education Must Change
go.nmc.org/pars
(Katherine Allen, ArchDaily, 10 de novembro de 2013.)
A Parsons New School for Design é pioneira de um
programa de design que usa métodos exploratórios de
aprendizagem interdisciplinar e de base tecnológica,
ensinando os alunos a aplicar design no mundo real.
Higher Education: A Canary in a Privatization
Coalmine
go.nmc.org/cana
(Christina Gonzalez, University World News, 8 de
novembro de 2013.) Universidades chilenas estão entre
as mais caras do mundo, ficando difícil o aumento
da ascensão no Chile, mas o sistema permanece
basicamente inalterado, apesar da escalada de protestos
estudantis.
Innovation — Doomed to Fail?
go.nmc.org/doom
(Adrianna Kezar, Inside Higher Education, 6 de dezembro
de 2013.) Para inovar de forma eficaz, há problemas
de capacidade subjacentes que devem ser abordados
no mesmo ritmo em que as instituições incorporam
novas tecnologias. O artigo revela que, infelizmente,
muitas pedagogias atuais de alta tecnologia reforçam
a memorização ou atendem a alunos altamente
privilegiados.
Time to Change the Rules?
go.nmc.org/rule
(Paul Fain, Inside Higher Ed, 1 de novembro de 2013.)
Durante uma audiência do Comitê do Senado em
Saúde, Educação, Trabalho e Pensões dos EUA, os
parlamentares discutiram a reforma da educação, o olhar
para as opções de créditos com base em competências
e as mudanças na política de ajuda financeira.
28
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Ampliando o Acesso
Desafios Complexos: Aqueles que são difíceis de definir e muito mais de solucionar
O
esforço global para aumentar o número de
alunos que participam de cursos de graduação
está colocando pressão em todo o sistema.
A relação muito citada entre o potencial dos
ingressos e o nível educacional, além do claro
impacto de uma sociedade formada a partir do
crescimento da classe média, está pressionando os
governos a incentivar cada vez mais estudantes a
ingressar em universidades e faculdades. Em muitos
países, no entanto, a população de alunos preparados
para os cursos de graduação já está inscrita —
ampliar o acesso significa estendê-lo para os alunos
que podem não ter a formação acadêmica para
serem bem sucedidos sem o apoio adicional. Muitos
nas universidades acham que essas instituições não
têm tempo e recursos suficientes para ajudar a este
conjunto de alunos.
Visão Geral
A mudança atual de economias orientadas para o
trabalho para economias baseadas no conhecimento,
composta por uma população global crescente, está
exercendo pressão sobre os países em todo o mundo
para expandir o acesso ao Ensino Superior. De acordo
com o Fórum Econômico Mundial, 40% dos jovens
estão desempregados no mundo; uma educação de
nível superior está se tornando menos uma opção e
mais um imperativo econômico. As Universidades, que
antes eram bastiões da elite, agora precisam reexaminar
sua trajetória frente a essas questões de acesso. Dessa
forma, o conceito de um título baseado no crédito é
questionável. Para complicar o desafio estão fatores de
grande alcance, como as restrições financeiras, falta de
capacitação, as prioridades nacionais e a baixa fluência
digital, que fazem a dimensão deste problema muito
difícil de entender. Opções tais como a construção de
mais campi universitários, reforçar a aprendizagem
online e remover barreiras para a aprendizagem
permitem solucionar apenas uma parte deste desafio
complexo.
Os números esperados de estudantes universitários
globais são surpreendentes. Ao longo dos próximos
12 anos, o Banco Mundial estima um aumento
de 25% no comparecimento mundial no Ensino
Superior, ou seja, de 200 a 250 milhões. Só na África,
o continente precisaria construir quatro universidades
com capacidade de 30.000 pessoas a cada semana
apenas para acomodar os alunos que chegarem à
idade de matrícula em 2025. Com uma população de
234 milhões de pessoas entre as idades de 15 e 24, a
Índia também se depara com grandes decisões sobre
a forma de educar de forma eficaz os alunos atuais e
futuros. Países como Cingapura, Dubai e Qatar estão
atualmente trabalhando para resolver este problema
crescente, capaz de seduzir as principais universidades
internacionais para estabelecer novos campi-satélites,
fornecendo infraestrutura e instalações gratuitas. A
Índia está seguindo o exemplo desses países através
da aprovação do projeto Foreign Education Providers
(Provedores de Educação Estrangeira), projetado para
encorajar parcerias com qualidade em instituições de
Ensino Superior no exterior.
A exclusão digital está agravando o desafio, já
que encontrar oportunidades está cada vez mais
relacionado com o acesso à tecnologia. Em países
desenvolvidos e em desenvolvimento, essa diferença
continua a aumentar e as soluções de base tecnológica
para proporcionar maior acesso ao conhecimento,
como MOOCs, têm pouca eficácia se a infraestrutura
adequada ou a conectividade não estão prontamente
disponíveis. Os grupos minoritários e pessoas com
deficiência também, muitas vezes, encontram barreiras
físicas e financeiras que precisam ser superadas para
que possam ter sucesso no Ensino Superior. A empresa
sem fins lucrativos Byte Back está trabalhando para
resolver o problema local de residentes de baixa renda
da área de Washington DC, fornecendo treinamento em
informática e ensinando habilidades para o mercado
de trabalho. Da mesma forma, no Oriente Médio, onde
o acesso a computadores e banda larga é limitado em
áreas remotas, o serviço de educação online Edraak
é uma parceria com organizações comunitárias para
fornecer plataformas de computador para aqueles que
buscam a educação.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
Durante a próxima década, os trabalhos de mais rápido
crescimento nos Estados Unidos exigirão grau de nível
superior; e necessidade de preencher esses postos de
trabalho de classe média estimulam a ação de uma
política em nível federal. A Casa Branca informou que
os Estados Unidos atualmente ocupam a 16ª posição no
mundo em títulos e certificados emitidos para adultos
com idades entre 25 a 34 anos. Além disso, pouco
mais da metade dos estudantes de ensino médio dos
Estados Unidos, das 25% de famílias mais pobres da
nação, procuram a educação formal. Em resposta a
estas estatísticas, a administração Obama estabeleceu
um novo objetivo para os Estados Unidos terem a
Desafios Complexos
maior proporção de diplomados no mundo até 2020.
Para abordar as questões de acesso e acessibilidade, o
governo propõe políticas formais para ajudar as famílias
a pagar faculdade, menores custos de aula, fortalecer
as faculdades comunitárias e melhorar a transparência
e a prestação de contas. Estes esforços são projetados
para preencher a lacuna de oportunidades que
existem atualmente entre os estudantes privilegiados e
desprivilegiados.
Ao longo dos próximos 12 anos, o
Banco Mundial estima um aumento
de 25% na participação no ensino
superior, de 200 para 250 milhões.
A aprendizagem online é vista como uma estratégiachave para aumentar o acesso ao Ensino Superior.
Embora a maioria dos novos fornecedores de educação
online seja baseada nos Estados Unidos, suas ofertas são
fornecidas em muitas línguas locais em reconhecimento
ao mais de dois terços de estudantes que vivem no
exterior. Em resposta às lacunas inerentes a diversas
culturas, como mencionado anteriormente, a rainha
Rania da Jordânia criou uma fundação que, como parte
de uma parceria com o MIT e edX, da Universidade de
Harvard, cria versões em árabe dos cursos oferecidos
nessa plataforma. A Rainha acredita que os MOOCs têm
o potencial de democratizar a educação, especialmente
entre as mulheres jovens. Na África, os MOOCs são
vistos como uma solução de baixo custo para fornecer
educação superior a países com baixo grau de formação.
A organização sem fins lucrativos Generation Rwanda
está atualmente desenvolvendo uma universidade
baseada inteiramente em MOOCs, com cursos de
iniciação com apoio de tutores da Universidade de
Harvard e da Universidade de Edimburgo.
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre a expansão do acesso:
Access to Higher Education Must Be a Global Priority
go.nmc.org/prio
(Aengus Ó Maoláin, University World News, 5 de
novembro de 2013.) Duas grandes manifestações
na Tailândia e no Canadá revelam um movimento
estudantil que está defendendo o direito à educação
como um bem público, uma responsabilidade pública
e um direito humano inalienável.
Community Colleges are On the Front Lines of
Battling Inequality
go.nmc.org/commu
(Eduardo J. Padron, Aljazeera America, 3 de dezembro
de 2013.) Os últimos números mostram que a
29
disparidade de renda nos EUA atingiu níveis que não
eram vistos desde a Grande Depressão, colocando o
custo de uma educação universitária fora do alcance
de muitos estudantes. As faculdades comunitárias são
fundamentais para apoiar esses estudantes de baixa
renda porque elas são mais baratas e o financiamento
para elas é, atualmente, muito menor do que as
universidades públicas e privadas.
Digital Divide Not Just About Hardware, But People
(Video)
go.nmc.org/peop
(Kelley Ellsworth, The Washington Post, 6 de novembro
de 2013.) Educar as pessoas não é apenas disponibilizar
tecnologias, mas também promover um ambiente
seguro que dê aos alunos a confiança na sua capacidade
de aprender. Uma vez confortáveis, eles serão capazes
de aprender por conta própria e se adaptar às novas
tecnologias.
How is Technology Addressing the College Access
Challenge?
go.nmc.org/chall
(Getting Smart, 5 de dezembro de 2013.) Um relatório
divulgado pelo Get Schooled revela que os recursos
online disponíveis para apoiar a preparação para
a universidade são poucos e distantes entre si. A
ampliação do acesso à universidade não pode ser
alcançado sem o apoio e orientação desde a mais
tenra idade até o momento da formatura. Além disso,
a tecnologia é um fator importante na ampliação dos
recursos de aconselhamento.
How Jordan’s Queen Plans to ‘Democratize Access’
to Education
go.nmc.org/jord
(Christina Farr, Venture Beat, 18 de novembro de 2013.)
Na Jordânia, a Fundação Al Abdullah da Rainha Rania
anunciou um novo serviço de educação online árabe
chamado Edraak, formado com o edX, e que fará
parceria com organizações comunitárias para oferecer
um centro de computadores para pessoas que não têm
acesso à Internet em casa.
Online Learning Could Provide Answer
go.nmc.org/could
(Nontobeko Mishali, iOL scitech, 12 de novembro de
2013.) Este artigo conclui que, se as instituições forem
receber os alunos que atingem a idade de inscrição da
universidade, entre agora e 2025, quatro universidades
terão de ser construídas a cada semana com uma
capacidade de 30.000 alunos. Além disso, para MOOCs
serem bem sucedidos no mundo em desenvolvimento,
todas as infraestruturas necessárias, atualmente
inexistentes, incluindo hardware e conectividade,
devem ser providenciadas.
30
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Mantendo a Educação Relevante
Desafios Complexos: Aqueles que são difíceis de definir e muito mais de solucionar
M
uitos especialistas temem que, se o Ensino
Superior não se adaptar aos tempos
modernos, outros modelos de aprendizagem
(especialmente outros modelos de negócios)
tomarão o seu lugar. Enquanto esta
preocupação tem alguns méritos, é improvável que as
universidades como as conhecemos vão desaparecer.
Partes do negócio universitário, no entanto, estão
em risco, tais como educação contínua e avançada
em campos altamente técnicos e de rápida evolução.
À medida que a aprendizagem online e o conteúdo
educacional livre tornam-se mais difundidos, as partes
interessadas das instituições devem abordar a questão
sobre o que as universidades podem oferecer que as
outras abordagens não podem; e repensar o valor do
Ensino Superior a partir da perspectiva de um aluno.
Visão Geral
O setor de Ensino Superior chegou a um ponto crítico
em que deve abordar as inovações que mudaram a
forma como os seus alunos, e o resto da sociedade,
buscam o conhecimento e se envolvem com ele.
Os alunos estão se voltando para a Internet para
obter informações e notícias; e estão gastando mais
tempo lá do que em salas de aula. Fornecedores de
livros didáticos foram os primeiros a reconhecer isso,
incluindo material suplementar que pode ser acessado
via CD. Hoje, muitos desses publicadores mudaram
todo o seu conteúdo para o formato online, oferecendo
modelos de assinatura para instituições ou para alunos.
A transformação observada no Ensino Superior tem sido
comparada ao da indústria de jornal, quando muitas
empresas de longa data falharam porque ignoraram
como a tecnologia estava influenciando seu público.
Alguns líderes da educação acreditam que, se as
universidades não se adaptarem com rapidez suficiente
para mudar, elas vão sofrer o mesmo destino.
Ambientes abertos de aprendizagem online,
especialmente na forma de MOOCs, estão na
vanguarda das discussões em torno deste desafio.
Desde a explosão de MOOCs em 2012, um número de
universidades de primeira linha tem oferecido cursos
gratuitos e de alta qualidade ministrados por seus
melhores instrutores. De acordo com uma pesquisa
recente do Consumer Financial Protection Bureau, a
dívida total dos estudantes dos EUA é de mais de 1.2
trilhão de dólares, com 39 milhões de jovens devendo
uma média de 24.803 dólares. Com receio crescente
da dívida e um mercado de trabalho desfavorável
à frente, alguns graduados do ensino médio estão
reconsiderando o valor de um diploma universitário
tradicional. É geralmente aceito que o retorno sobre o
investimento de frequentar uma instituição tradicional
não é imediatamente garantido, especialmente para
profissões na área de humanas, incluindo a Direito.
Esta noção está forçando as autoridades universitárias
a repensar o que a experiência de aprendizagem na
instituição por meio de um provedor de educação
formal vale, num momento em que há uma abundância
de recursos livres para atingir habilidades empregáveis
sem a necessidade de um diploma.
Partes interessadas do Ensino Superior estão
enfrentando uma realidade difícil de digerir; o
paradigma que elas têm trabalhado por mais de um
século está, gradualmente, se tornando obsoleto e
as universidades devem renovar — ou, em alguns
casos, reconstruir — seus fundamentos, se quiserem
permanecer relevantes. Alguns líderes acreditam que a
maior parte dessa transformação vai acontecer quando
o sistema de horas de crédito for revisto. Fundada em
1893, esta unidade básica de educação universitária
tornou-se fundamental para muitas outras facetas da
vida acadêmica. Com os custos de taxa de matrícula
em constante aumento e uma falta documentada
de trabalhadores qualificados no mercado global,
muitos estão questionando se o tempo de aula
pode ser equiparado à aprendizagem significativa.
Estas preocupações e afins levaram muitos líderes
universitários a propor programas mais centrados no
aluno que incidem sobre a demonstração de resultados
da aprendizagem. O Personal Learning Program, da
Universidade do Norte do Arizona é uma dessas
iniciativas baseadas em transcrições que mostram as
competências dos estudantes em vez de créditos, em
um esforço para acompanhar a aprendizagem de uma
forma que pode ser aplicável a futuros empregadores.
Implicações para Política, Liderança ou
Prática
A adaptação dos sistemas de Ensino Superior para as
tendências tecnológicas atuais requer uma liderança
progressista e a capacidade de imaginar como as
instituições formais permanecerão relevantes em
uma época em que os materiais de aprendizagem de
qualidade são mais acessíveis do que nunca. O futuro
do Ensino Superior está sendo moldado por aqueles
que reconhecem como a aprendizagem online irá
redefinir o valor de um título, e estão abertos a explorar
meios alternativos de provar a aquisição de habilidades
através de certificados, crachás e e-portfolios. Líderes
Desafios Complexos
31
institucionais devem levar estas opções a sério, já que
eles precisam tomar decisões sobre a relevância da
educação universitária em um momento em que se
reconhece que um diploma universitário não garante
um retorno direto do investimento. Determinar como
desenvolver os cenários mais eficazes de aprendizagem
online e integrá-los com a aprendizagem presencial é
uma das considerações mais importantes relacionadas
a esta questão.
Are You Competent? Prove It.
go.nmc.org/compe
(Anya Kamenetz, The New York Times, 29 de outubro
de 2013.) Muitas universidades estão introduzindo
programas com base em competências que permitem
aos alunos ganhar crédito pelo que eles já sabem e
para que possam concentrar seu tempo e dinheiro mais
nas áreas em que eles precisam para expandir seus
conhecimentos e habilidades.
O paradigma que tem funcionado
por mais de um século está
gradualmente se tornando obsoleto.
Can Policy Keep Up with Technology?
go.nmc.org/poli
(Todd Bishop, GeekWire, 13 de setembro de 2013.)
A Microsoft está doando US$ 1,7 milhão para a
Universidade de Washington por seu Tech Policy Lab,
que irá diminuir a distância entre política e tecnologia,
estudando e testando novas tecnologias para informar
e moldar as políticas nacionais.
As partes interessadas das universidades precisam levar
em conta o progresso feito por seus antecessores na
concepção e implementação de novas abordagens. Isso
exige uma pesquisa aprofundada das instituições que
já tenham explorando formas criativas de demonstrar
os resultados de aprendizagem. Há um número
de universidades que têm oferecido programas de
aprendizagem com base em competência e avaliação
por anos. Outros programas de aprendizagem online
concedem títulos baseando-se em testes, trabalhos e
projetos, em vez de números de créditos concluídos,
como os da College for America na Southern New
Hampshire University. Os últimos desenvolvimentos
baseados em competências no Ensino Superior estão
em programas recém-conceituados “flex”, como
aqueles que estão sendo desenvolvidos pela Wisconsin
University; que são oferecidos em um período de
duração de três meses e combina a aprendizagem
online e a prática pessoal, juntamente com o acesso a
mentores e instrutores acadêmicos.
Os instrutores são, frequentemente, confrontados
com grandes incertezas que decorrem deste desafio,
especialmente porque a tendência de aumento da
aplicação de modelos híbridos define novas expectativas
de professores de universidades. Alguns nos campi se
questionam se estes tipos de cursos passarão a ser a
norma, e o que isso significa para as cargas de trabalho
do corpo docente, ressaltando que é impossível
enfraquecer o valor de experiências e interações que
os alunos compartilham com seus professores. Há
necessidade considerável de modelos para que as
plataformas de aprendizagem online alavanquem em
alta qualidade, considerando o que os professores fazem
de melhor — facilitando questionamentos, orientando
os alunos a recursos e de transmitindo a sabedoria que
vem com a experiência no campo.
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre como manter a
educação relevante:
Change: An Unstoppable Force of Nature – and
Information Technology
go.nmc.org/uns
(Greg Hunt, CIO New Zealand, 7 de novembro de 2013.)
Este artigo explora a ideia de que a forma de abordar as
mudanças nas organizações determina o seu sucesso a
longo prazo; e estas abordagens podem ser adotadas
para ajudar a responder de forma positiva às forças
além de seu controle.
Tech Launching New STEM-Focused MBA Program
go.nmc.org/focu
(Blake Ursch, A-J Media, 5 de dezembro de 2013.) O
Rawls College of Business da Texas Tech está lançando
um programa de MBA de um ano, especificamente,
para estudantes com formação em educação
STEM (em inglês, Ciências, Tecnologia, Engeharia e
Matemática) para lhes proporcionar um conjunto maior
de habilidades do que o oferecido em um entorno
estritamente técnico, permitindo-lhes comercializar as
suas ideias.
Vocational Education 2.0: Employers Hold the Key
to Better Career Training
go.nmc.org/voc
(Tamar Jacoby, Insider Online, 25 de novembro de 2013.)
Este relatório descreve como os empregadores devem
reconhecer sua responsabilidade de ajudar a preparar a
mão de obra de amanhã em parceria com educadores e
governo, criando melhores opções de treinamento.
WISE – Can Universities Keep Up with the Future?
go.nmc.org/keep
(Yojana Sharma, University World News, 1 de novembro
de 2013.) A Associação Internacional de Reitores
de Universidades, em sua sessão na conferência
WISE, em Doha, provocou um debate sobre como as
universidades podem sobreviver por meio de avanços
tecnológicos e da globalização.
32
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Avanços Importantes na Tecnologia Educacional para o
Ensino Superior
O
s seis tópicos de tecnologia que foram listados
no NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior
2014 foram selecionados por um comitê de
especialistas do projeto em uma série de ciclos
de votos com base em Delphi, cada um seguido
por uma rodada adicional de pesquisa secundária
e discussões. Essas tecnologias, que segundo os
membros do comitê de especialistas provavelmente
serão a unidade de planejamento de tecnologia e de
tomada de decisão ao longo dos próximos cinco anos,
são classificadas em três categorias relacionadas com
o tempo — tecnologias de curto prazo, que devem
conseguir a adoção generalizada em um ano ou menos;
tecnologias de médio prazo, de três a cinco anos para
essa adoção; e tecnologias de longo prazo, que estão
previstas para entrar no uso diário da educação dentro
de quatro a cinco anos. A lista inicial de temas também
foi organizada através de lentes especiais ou categorias
que ilustram a origem primária e uso da tecnologia.
Todas as tecnologias apresentadas aqui foram
exploradas por suas implicações para o Ensino Superior
global em uma série de discussões online que pode ser
visto em horizon.wiki.nmc.org/Horizon+Topics.
TO comitê de especialistas foi fornecido com um
conjunto extenso de materiais de apoio quando o
projeto começou. Foram identificadas e documentadas
tecnologias existentes, mas o comitê também foi
incentivado a considerar as tecnologias emergentes,
cujo impacto pode ainda estar distante. Um critério
fundamental para a inclusão de uma nova tecnologia
nesta edição é o seu potencial relevante para o ensino,
aprendizagem e investigação criativa no Ensino
Superior.
Na primeira rodada de votação, o grupo de especialistas
selecionou 12 tecnologias, que foram pesquisadas
em profundidade pela equipe NMC e escritos como
resultados provisórios destinados a informar a rodada
final da votação. As tecnologias que não fazem parte
dos resultados intermediários ou do relatório final são
ainda, muitas vezes, amplamente discutidas na Wiki do
projeto em horizon.wiki.nmc.org. Às vezes, elas não são
votadas porque o comitê de especialistas acredita que
a tecnologia já está em uso ou, em muitos casos, eles
acreditam que a tecnologia está há mais de cinco anos
longe da adoção generalizada. Algumas tecnologias, ao
mesmo tempo que são intrigantes, não têm exemplos
de projetos credíveis suficientes para substanciá-los.
As tecnologias rastreadas para o NMC Horizon Report:
Edição Ensino Superior 2014 foram organizadas nas
seguintes categorias de temas.
A lista inicial de tópicos foi
organizada através de lentes
particulares, ou categorias que
ilustram a origem primária ou
o uso da tecnologia.
Atualmente existem sete categorias de tecnologias
que o NMC monitora continuamente. Estas não são
um conjunto fechado, mas são destinadas a fornecer
uma maneira de ilustrar e organizar as tecnologias
emergentes em vias de desenvolvimento que são
ou podem ser relevantes para a aprendizagem
e investigação criativa. As novas tecnologias são
adicionadas a esta lista em quase todos os ciclos
de pesquisa; outras são mescladas ou atualizadas.
Coletivamente, as categorias servem como lentes para
pensar em inovação; cada uma delas é definida abaixo.
>Tecnologias de consumo são ferramentas criadas
para fins recreativos e profissionais e não foram
projetados, pelo menos inicialmente, para uso
educacional — embora possam servir bem como
auxiliares de aprendizagem e serem bastante
adaptáveis para uso nos campi. Estas tecnologias
encontram seus caminhos em campi porque as
pessoas estão usando-as, ao invés do contrário.
>Estratégias digitais não são tanto as tecnologias,
mas formas de utilizar os dispositivos e software para
enriquecer o ensino e a aprendizagem, seja dentro ou
fora da sala de aula. Estratégias digitais eficazes podem
ser utilizadas na aprendizagem formal e informal; o
que as torna interessantes é que elas transcendem
ideias convencionais e atividades de aprendizagem
para criar algo que é novo e significativo no século
XXI.
>Tecnologias facilitadoras são as tecnologias que,
como reconhecimento de local, têm o potencial de
transformar o que esperamos de nossos dispositivos
e ferramentas. O vínculo para a aprendizagem nesta
categoria é menos fácil de fazer, mas este grupo de
tecnologias é o lugar onde a inovação tecnológica
substantiva começa a ser visível. Tecnologias que
permitam ampliar o alcance de nossas ferramentas,
Avanços Importantes na Tecnologia Educacional para o Ensino Superior
torná-las mais capazes e úteis e, muitas vezes, mais
fáceis de usar também.
>
Tecnologias de Internet incluem técnicas e
infraestruturas essenciais que ajudam a tornar as
tecnologias subjacentes à forma mais transparentes,
menos intrusivas e mais fáceis de usar ao interagirmos
com a rede.
>
Tecnologias
de
aprendizagem
incluem
tanto as ferramentas e recursos desenvolvidos
especificamente para o sector da educação, bem
como as vias de desenvolvimento que podem
incluir ferramentas adaptadas de outros fins
combinadas com estratégias para torná-las úteis
para a aprendizagem. Estas incluem tecnologias
que estão mudando a paisagem da aprendizagem
formal ou informal, tornando-as mais acessíveis e
personalizadas.
33
é que afetam a capacidade inerente do cérebro para
processar rapidamente a informação visual, identificar
padrões e organizar-se em situações complexas. Estas
tecnologias são um grupo crescente de ferramentas
e processos para a mineração de grandes conjuntos
de dados, explorando processos dinâmicos e,
geralmente, tornando simples o que é complexo.
As páginas seguintes apresentam uma discussão
sobre as seis tecnologias destacadas pelo comitê
de especialistas deste ano. Para cada uma delas, há
uma visão geral da tecnologia; uma discussão sobre
a sua relevância para o ensino, a aprendizagem ou
a investigação criativa; e curadoria de exemplos de
projetos e recomendações para leitura.
>
Tecnologias de mídias sociais poderiam ter
sido incluídas na categoria de tecnologias de
consumo, mas elas tornaram-se tão onipresentes
e tão amplamente utilizadas em todas as partes
da sociedade que foram elevadas à sua própria
categoria.Como bem estabelecida como a mídia
social é, ela continua a evoluir a um ritmo acelerado,
com novas ideias, ferramentas e desenvolvimentos
sendo publicados online constantemente.
>Tecnologias de visualização executam uma gama
de infográficos, desde simples a complexas formas de
análise de dados visuais. O que elas têm em comum
Tecnologias de Consumo
> Vídeo 3D
> Publicação Eletrônica
> Aplicativos Móveis
> Quantified Self
> Computação em Tablet
>Telepresença
> Tecnologia Vestível
Estratégias Digitais
>BYOD
> Sala de Aula Invertida
> Games e Gamificação
> Inteligência de Localização
> Makerspaces
> Tecnologias de Preservação/
Conservação
Tecnologias de Internet
> Computação em Nuvem
> A Internet das Coisas
> Tradução Automática em Tempo Real
> Aplicações Semânticas
> Acesso Único
> Ferramentas de Distribuição
Tecnologias de Aprendizagem
> Badges/Microcréditos
> Análise da Aprendizagem
> MOOC
> Aprendizado Móvel
> Aprendizado Online
> Conteúdo Aberto
> Licenciamento Aberto
> Ambientes Imersivos de
Aprendizagem
> Laboratórios Remotos e Virtuais
Tecnologias de Mídias Sociais
> Ambientes Colaborativos
> Inteligência Coletiva
> Crowdfunding
> Crowdsourcing
> Identidade Digital
> Redes Sociais
> Inteligência Tácita
Tecnologias de Visualização
> Impressão 3D/Prototipagem Rápida
> Realidade Aumentada
> Visualização de Informação
> Análise de Dados Visuais
> Telas Holográficas e Volumétricas
Tecnologias Facilitadoras
> Computação Afetiva
> Redes de Celulares
>Eletrovibração
> Telas Flexíveis
>Geolocalização
> Serviços Baseados em Localização
> Aprendizado de Máquina
> Banda Larga Móvel
> Interfaces Naturais de Usuário
> Comunicação Por Campo de
Proximidade
> Baterias de Próxima Geração
> Hardware Aberto
> Tradução Automática de Voz
> Tradução Automática Estatística
> Assistentes Virtuais
> Energia Sem Fio
34
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Sala de Aula Invertida (Flipped Classroom)
Horizonte de Tempo para Adoção: Um Ano ou Menos
A
Sala de Aula Invertida (Flipped Classroom)
virou referência a um modelo de aprendizagem
que reorganiza o tempo gasto dentro e fora
da classe; transferindo o protagonismo, no
processo de aprendizado, dos educadores
para os alunos. No modelo de Sala de Aula
Invertida, o valioso tempo de aula é dedicado a uma
aprendizagem mais ativa, com projetos baseados
no aprendizado e nos quais os alunos trabalham em
conjunto para resolver os desafios locais e globais
— ou outras aplicações do mundo real —; obtendo
uma compreensão mais profunda do assunto. Ao
invés de o professor utilizar o tempo de aula para
oferecer informações, esse trabalho é feito por cada
aluno depois da aula – o qual pode assumir a forma
de assistir a aulas em vídeo, ouvir podcasts, folhear
conteúdo em e-books e colaborar com os colegas em
comunidades online. Os alunos podem acessar a esta
grande variedade de recursos em qualquer momento
que precisarem. Os professores podem dedicar mais
tempo a interagir com cada indivíduo. Após a aula,
os alunos gerenciam o conteúdo que usam, o ritmo
e estilo de aprendizagem e as formas com que eles
demonstram seu conhecimento; o professor adapta
as abordagens instrucionais e de colaboração para
atender às suas necessidades de aprendizagem
pessoais. O objetivo é que os alunos aprendam mais
autenticamente fazendo.
Visão Geral
O modelo de sala de aula invertida faz parte de um
grande movimento pedagógico que se sobrepõe
com a aprendizagem híbrida, aprendizagem baseada
na investigação e outras abordagens de ensino e
ferramentas que se destinam a serem flexíveis, ativas
e mais atraentes para os alunos. O primeiro exemplo
bem documentado de sala de aula invertida foi em
2007, quando dois professores de química em uma
escola de ensino médio do Colorado, a Woodland Park
High School, quiseram resolver o problema dos alunos
que faltavam à aula quando eles estavam viajando
devido a atividades escolares. Os estudantes estavam
lutando para manter-se em dia com suas tarefas e
afazeres. Os professores, Jonathan Bergmann e Aaron
Sams, experimentaram o uso de software de captura
de tela e PowerPoint para gravar aulas ao vivo e postálas no YouTube. Eles imediatamente observaram uma
mudança dramática na sala de aula: o foco mudou
para aumentar as interações e promover ligações mais
profundas entre eles e seus alunos, bem como entre os
próprios alunos. Seus papéis mudaram de professores
para instrutores, orientando a aprendizagem dos alunos
individualmente. Eles observaram os alunos realizarem
tarefas em pequenos grupos, fizeram avaliações mais
precisas sobre quem precisava de atenção extra e,
depois, criaram vídeos curtos com aulas que atendiam
a esses alunos.
Na mesma época dessa implementação, Salman Khan
fundou a Khan Academy, sem fins lucrativos e com a
missão de oferecer uma educação livre em nível mundial
para qualquer pessoa, em qualquer lugar. Os apps de
celular e website armazenam uma extensa biblioteca
de palestras e vídeos profissionais, que vão da Ciência
à Economia; Finanças a Humanas. Enquanto milhões de
estudantes, muitas vezes, visitam a Khan Academy para
complementar sua educação formal, os educadores
também estão usando os vídeos como recursos para
suas salas de aula invertidas. A Khan Academy tem
inspirado uma série de empreendimentos similares,
incluindo a Code Academy e a LearnersTV. Com uma
vasta gama de recursos livres prontamente acessíveis,
professores que estão lançando seus cursos, muitas
vezes, não têm que criar todos os materiais a partir
do zero; mas, em vez disso, podem se concentrar na
curadoria do melhor conteúdo para o assunto.
Sete anos após a primeira interação de aprendizagem
invertida e o lançamento da Khan Academy, educadores
de todo o mundo adotaram com sucesso o modelo,
justificando a posição do tema em um horizonte de
curto prazo. Considerando que muitas tendências de
tecnologia de aprendizagem decolam primeiro no Ensino
Superior e, só depois, têm aplicações nos segmentos
anteriores, a sala de aula invertida reflete uma trajetória
oposta. Hoje, muitas universidades e faculdades
adotaram essa abordagem, permitindo aos alunos passar
um valioso tempo de aula imersos em atividades práticas
que, muitas vezes, demonstram as aplicações do mundo
real do assunto que estão aprendendo.
Relevância para o Ensino, Aprendizagem
ou Investigação Criativa
O modelo de Sala de Aula Invertida está se tornando
cada vez mais popular em instituições de Ensino
Superior por causa de como ele reorganiza a instrução
presencial para professores e alunos – assim como a
criação de uma utilização mais eficiente e enriquecedora
do horário de aula. Para os professores, muitas vezes,
isso supõe a criação ou a seleção cuidadosa de
materiais para casa que são mais relevantes para uma
lição em particular. Estes materiais podem assumir a
Horizonte de Tempo para Adoção: Um Ano ou Menos
forma de palestras com vídeos feitos de capturas do
computador, uma seleção de links para orientação ou
uma variedade de Recursos Educacionais Abertos (Open
Educational Resources – OER). Jorum, da Universidade de
Manchester, por exemplo, é um repositório de ensino
online gratuito com milhares de recursos classificados
por assunto, autor ou palavras-chave.
O ambiente de aprendizagem é
transformado em um espaço mais
dinâmico e mais social onde alunos
podem participar em críticas ou
trabalhar em problemas junto à equipes.
Além de assistir a palestras de vídeo gravadas, outras
tecnologias, como leituras digitais com anotações
colaborativas e software para discussão, habilitam
professores para estar mais em sintonia com padrões
de aprendizagem e necessidades de seus alunos. Ao
analisar os comentários e perguntas que os alunos
colocam online, os instrutores podem se preparar
melhor para a classe e abordar ideias particularmente
desafiadoras durante o tempo presencial. O ambiente de
aprendizagem se transforma em um espaço dinâmico e
mais social, onde os alunos podem participar de críticas
ou trabalhar através de problemas em equipes. Um
instrutor na Universidade Marshall observou que ele não
precisava mais gastar tempo precioso em classe com
um aluno que perdeu uma aula; ele poderia entregar a
ele um tablet carregado com o conteúdo e continuar a
trabalhar na prática de projetos entre todos da classe.
Um benefício adicional da Sala de Aula Invertida é
que ela ajuda os alunos a desenvolver as habilidades
necessárias para serem bem sucedidos no mercado
de trabalho. O Sistema de Saúde americano está se
voltando para equipes de profissionais colaboradores;
o Instituto de Ciência Cerebral da Universidade
de Duke usou a Sala de Aula Invertida como uma
forma de desenvolver uma maior colaboração e as
habilidades de raciocínio lógico em médicos iniciantes.
Os estudos estão atualmente examinando como as
Salas de Aula Invertidas impactam o aprendizado – e
os resultados preliminares são muito encorajadores.
Um estudo realizado em cursos básicos de Farmácia
na Universidade da Carolina do Norte mostra que
o ambiente da Sala de Aula Invertida aumentou os
resultados dos testes em 5,1%. A Faculdade Harvey
Mudd também está envolvida em um estudo sobre o
impacto desta estratégia de aprendizagem em cursos
STEM, e os pesquisadores estão avaliando os ganhos
de aprendizagem, retenção e transferência para cursos
secundários.
35
Sala de Aula Invertida na Prática
Os links a seguir fornecem exemplos de Sala de Aula
Invertida em uso em ambientes de Ensino Superior:
Flipped Business Courses in India
go.nmc.org/bsch
A Indian School of Business, em Mumbai, está usando
software criacionista para gerenciar conteúdo,
segurança e entrega – bem como para acompanhar
as respostas e as atividades dos alunos para ajudar a
facilitar o seu modelo de aprendizagem invertida.
Flipped Classroom for Literary Texts
go.nmc.org/lit
O Departamento de Estudos em Língua Inglesa da
Universidade de Queensland, na Austrália, está usando
a Sala de Aula Invertida para incentivar a leitura efetiva
de textos literários. Os alunos utilizam questionários e
marcações online para garantir que estão preparados
para discussões em grupo e debates em sala de aula.
Security and Forensics at UAlbany
go.nmc.org/digfor
Com o apoio da Fundação Nacional de Ciências,
estudantes de computação forense da Universidade de
Albany reveem palestras e trabalham em laboratórios
virtuais fora da classe, enquanto trabalham com seus
instrutores na resolução de problemas de segurança
cibernética durante a aula.
Para Ler Mais
Os seguintes artigos e recursos são recomendados para
aqueles que desejam aprender mais sobre a Sala de
Aula Invertida:
6 Expert Tips for Flipping the Classroom
go.nmc.org/fliptips
(Jennifer Demski, Campus Technology, 23 de janeiro de
2013.) Um professor da Universidade de Harvard, um
diretor-assistente do departamento de Tecnologia da
Educação da Universidade Estadual da Pensilvânia, e
um professor de matemática da Universidade Estadual
de Grand Valley fornecem estratégias para lançar um
curso universitário.
Flipping Med Ed
go.nmc.org/flip
(Carl Straumsheim, Inside Higher Ed, 9 de setembro
de 2013.) O reitor sênior do curso de Medicina da
Universidade de Stanford e o fundador da Khan
Academy acreditam que o modelo de Sala de Aula
Invertida pode dar aos estudantes de medicina mais
tempo de aprendizagem na prática.
A Review of Flipped Learning
go.nmc.org/fln
(Flipped Learning Network, acessado em 6 de
novembro de 2013.) A Flipped Learning Network
lançou uma ampla revisão do modelo de aprendizagem
invertida, concluindo que a pesquisa demonstra que a
abordagem de aprendizagem invertida promove um
ambiente de sala de aula mais centrado no aluno.
36
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Análise da Aprendizagem (Learning Analytics)
Horizonte de Tempo para Adoção: Um Ano ou Menos
A
análise
da
aprendizagem
(“Learning
Analytics”) é uma aplicação educacional de “big
data”, um ramo da análise estatística que foi
originalmente desenvolvido para as empresas
analisarem as atividades comerciais, identificar
tendências de gastos e prever o comportamento do
consumidor. Como ferramentas de rastreamento da
web se tornaram mais sofisticadas, muitas empresas
construíram vastas reservas de informações para
individualizar a experiência do consumidor. A
educação está embarcando em uma busca semelhante
de novas formas de aplicação para melhorar o
envolvimento dos alunos, proporcionando-lhes uma
experiência personalizada e de alta qualidade.
Visão Geral
A pesquisa em análise da aprendizagem utiliza a
análise de dados para informar as decisões tomadas
em todos os níveis do sistema de ensino, aproveitando
os dados dos alunos para chegar a uma aprendizagem
personalizada, permitindo pedagogias e práticas
adaptativas, além de identificar rapidamente problemas
de aprendizagem. Outras esperanças são as de que a
análise de dados relacionados com a educação esteja
em uma escala maior do que nunca e possa fornecer aos
políticos e administradores indicadores de progresso
local, regional e nacional de educação, permitindo
que programas e ideias sejam medidos e melhorados.
Dados de aprendizagem adaptativa já estão fornecendo
insights sobre as interações dos alunos com textos online
e material didático. Um caminho para a criação do nível
dos dados necessários para a análise da aprendizagem
eficaz é a produção de dispositivos de estudantes que
irão capturar dados sobre como, quando e em que
contexto eles são usados; e, assim, começar a construir
na escola, em um nível nacional ou internacional,
conjuntos de dados que podem ser usados para analisar
profundamente a aprendizagem do aluno, e de modo
ideal, enquanto isso acontece.
Desde que o assunto apareceu, pela primeira vez,
há três anos no horizonte de longo prazo do NMC
Horizon Report: Edição Ensino Superior 2011, a análise
da aprendizagem tem, constantemente, capturado o
interesse dos formuladores de políticas de educação,
líderes e profissionais. O big data já está sendo utilizado
para personalizar cada experiência que os usuários
têm em sites comerciais; e em sistemas de ensino, as
empresas e editoras veem um enorme potencial no uso
de técnicas de mineração de dados semelhantes para
melhorar os resultados de aprendizagem. A ideia é usar
os dados para adaptar o ensino às necessidades dos
alunos individualmente e em tempo real – da mesma
forma que a Amazon, Netflix e Google utilizam métricas
para adequar as recomendações para os consumidores.
Esse tipo de análise pode, potencialmente, ajudar
a transformar a educação padrão e genérica em
um sistema de estrutura ágil e flexível, criado para
atender às necessidades e interesses acadêmicos
dos alunos. Durante muitos anos, essas ideias têm
sido um componente central do software adaptável,
com programas que fazem ajustes cuidadosamente
calculados para manter os alunos motivados enquanto
dominam conceitos ou encontram obstáculos.
Novos tipos de visualizações e relatórios analíticos
estão sendo desenvolvidos para orientar os órgãos
administrativos e governar com a evidência empírica,
ao passo que se focam em as áreas de melhoria, alocam
recursos e avaliam a eficácia dos programas, escolas
e sistemas escolares inteiros. Como os ambientes
de aprendizagem online acomodam, cada vez mais,
milhares de estudantes, os pesquisadores e as empresas
estão olhando para dados muito granulares ao redor das
interações desses alunos, com base nas ferramentas de
análise da web. Pearson Learning Studio, por exemplo,
fornece uma infraestrutura LMS que agrega dados
de milhões de alunos que usam seus sistemas, com
o objetivo de permitir que os dirigentes escolares e
formuladores de políticas nacionais desenvolvam,
de forma mais eficaz, caminhos de aprendizagem
personalizados.
Da mesma forma, um grupo da Universidade de Stanford
está analisando grandes conjuntos de dados gerados
por ambientes de aprendizagem online. Estes esforços
estão ocorrendo através do Stanford Lytic Lab, onde
pesquisadores, educadores e especialistas visitantes
estão construindo um painel de análise, o qual ajudará
os instrutores online a acompanhar o envolvimento dos
alunos, além de realizar um estudo de avaliação de pares
em um MOOC com interação humano-computador,
com base em 63.000 notas dadas pelos colegas de sala.
Em abril de 2013, a Fundação Bill & Melinda Gates doou
à Stanford mais de 200.000 dólares em financiamento
para apoiar o Learning Analytics Summer Institute, o
que proporcionou a formação profissional para os
pesquisadores da área.
Relevância para o Ensino, Aprendizagem
ou Investigação Criativa
A análise da aprendizagem está se desenvolvendo
Horizonte de Tempo para Adoção: Um Ano ou Menos
37
rapidamente no Ensino Superior, onde o aprendizado
ocorre em ambientes online e híbridos de modo
crescente. Ela tem sido usada em larga escala no
Ensino Superior nos últimos três anos. Ferramentas
de monitoramento de rede já estão sendo usadas
por instituições para capturar os comportamentos
dos alunos em cursos online, registrando não apenas
variáveis simples, como o tempo gasto em um tópico, mas
também muito mais nuances e informações que podem
fornecer evidências de raciocínio crítico, de síntese e a
profundidade de retenção de conceitos ao longo do
tempo. Conforme dados específicos do comportamento
são adicionados a um repositório crescente de
informações relacionadas com o estudante, a análise de
dados educacional é cada vez mais complexa – e muitos
estatísticos e pesquisadores estão trabalhando para
desenvolver novos tipos de ferramentas analíticas para
gerenciar essa complexidade.
Big Data in Education
go.nmc.org/bigda
Professores da Universidade de Columbia oferecem
um curso online para educadores através do Coursera
para aprender sobre os pontos fortes e fracos dos vários
métodos que os professores estão usando para minerar
e modelar as crescentes quantidades de dados do aluno.
O exemplo atual mais visível de um projeto de análise
em larga escala no Ensino Superior é o Predictive
Analytics Reporting Framework, que é supervisionado
pela Comissão Interestadual do Ocidente para o Ensino
Superior (Western Interstate Commission for Higher
Education – WICHE) e, em grande parte, financiado
pela Fundação Bill & Melinda Gates. As 16 instituições
participantes representam as esferas públicas, privadas,
tradicionais e progressistas da educação. Segundo o site
da WICHE, eles compilaram mais de 1.700.000 registros
de alunos e 8.100.000 registros de nível de curso em um
esforço para compreender melhor as perdas e ganhos
dos alunos.
Empresas como a X-Ray Research estão conduzindo
pesquisas em grupos de discussão online para
determinar quais variáveis comportamentais são os
melhores preditores de desempenho dos alunos.
As ferramentas refletem o potencial de análise para
desenvolver sistemas precoces de alerta com base
em métricas que fazem previsões a partir de dados
linguísticos, sociais e comportamentais. Da mesma
forma, estudos em universidades estão provando que
pedagogias informadas por análises podem melhorar a
qualidade da interação que ocorre de modo online. Na
Universidade Simon Fraser, no Canadá, pesquisadores
analisaram como poderiam resolver uma questão com
base em experimentos passados — fóruns de discussão
de cursos online não apoiavam o engajamento
produtivo ou de discussões. Eles desenvolveram um
Fórum de Discussão Visual em que os alunos pudessem
visualizar a estrutura e profundidade da discussão, com
base no número de linhas que se estendem de seus
posts. Os alunos, neste estudo, também foram capazes
de detectar facilmente quais os temas necessitavam
mais de sua atenção.
Análise da Aprendizagem na Prática
Os links a seguir fornecem exemplos de análises da
aprendizagem em uso em contextos de Ensino Superior:
Competency Map
go.nmc.org/capel
O mapa de competências na Universidade de Capella
ajuda os alunos a tomarem as rédeas do seu aprendizado,
constantemente, mostrando-lhes onde estão em cada
curso, o quanto falta para que terminem e onde eles
precisam concentrar seus esforços para serem bem
sucedidos.
Gradecraft
go.nmc.org/grade
A Universidade de Michigan usa um sistema de
gerenciamento de aprendizagem chamado Gradecraft,
o qual incentiva a tomada de riscos e de múltiplos
caminhos em direção à maestria, enquanto aprendizes
progridem através do material do curso. As análises
empregadas orientam os alunos durante todo o
processo e informam os instrutores de seu progresso.
Para Ler Mais
Os seguintes artigos e recursos são recomendados para
aqueles que desejam aprender mais sobre análise da
aprendizagem:
Data Science: The Numbers of Our Lives
go.nmc.org/datasci
(Claire Cain Miller, The New York Times, 11 de abril de
2013.) De acordo com um relatório do McKinsey Global
Institute, haverá quase meio milhão de empregos
em ciência de dados em cinco anos. As instituições
estão criando programas para treinar cientistas de
computação/engenheiros de softwares híbridos.
Learning to Adapt: A Case for Accelerating Adaptive
Learning in Higher Education
go.nmc.org/case
(Adam Newman, Peter Stokes, Gates Bryant, Education
Growth Advisors, 13 de março de 2013). Um relatório
financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates ilustra
a adoção atual de tecnologias de aprendizagem
adaptativas no Ensino Superior, os obstáculos relevantes
e as soluções que estão sendo exploradas.
The Role of Learning Analytics in Improving
Teaching and Learning (Video)
go.nmc.org/lerana
(George Siemens, Teaching and Learning with
Technology Symposium, 16 de março de 2013.) Siemens
revê uma série de estudos de caso para mostrar que as
análises, quando são aplicadas à educação de forma
semelhante à de como as empresas as usam, podem
melhorar o ensino e a aprendizagem.
38
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Impressão 3D
Horizonte de Tempo para Adoção: Dois a Três Anos
C
onhecido nos círculos industriais como
prototipagem rápida, a impressão 3D se refere
a tecnologias que constroem objetos físicos
a partir de três dimensões (3D) de conteúdo
digital, como software de modelagem 3D,
ferramentas de design assistido por computador
(computer-aided design – CAD), tomografia assistida
por computador (computer-aided tomography –
CAT) e cristalografia de raios X. Uma impressora 3D
constrói um modelo tangível ou protótipo a partir do
arquivo eletrônico, uma camada de cada vez, através
de um processo de extrusão usando plásticos e outros
materiais flexíveis ou um processo de jato de tinta
como para pulverizar um agente de ligação em uma
camada muito fina de pó fixável. Os depósitos criados
pela máquina podem ser aplicados de forma muito
precisa para construir um objeto de baixo para cima,
camada por camada, com resoluções que, mesmo em
máquinas menos caras, são mais do que suficientes
para expressar uma grande quantidade de detalhes.
O processo ainda acomoda peças móveis dentro do
objeto. Utilizando os materiais e os agentes de ligação
diferentes, a cor pode ser aplicada e as peças podem
ser impressas em plástico, resina, metal, tecido e,
até mesmo, alimento. Esta tecnologia é comumente
usada na fabricação de construção de protótipos de
quase qualquer objeto (redimensionada para caber
na impressora, é claro) que pode ser transmitida em
três dimensões.
Visão Geral
Os primeiros exemplos conhecidos de impressão 3D
foram vistos em meados de 1980 na Universidade do
Texas, em Austin, onde a sinterização seletiva a laser foi
desenvolvida, embora o equipamento fosse complexo e
caro. O próprio termo Impressão 3D foi inventado uma
década mais tarde no MIT, quando os estudantes de
pós-graduação estavam experimentando substâncias
não convencionais em impressoras com jato de tinta.
Desde que a impressão 3D apareceu no primeiro NMC
Horizon Report, em 2004, a tecnologia tem ajudado o
Departamento de Defesa dos Estados Unidos a criar
peças aeroespaciais baratas, arquitetos a criar modelos
de edifícios, profissionais da área médica a desenvolver
partes do corpo para transplantes, e muito mais. Nos
últimos anos, tem havido uma série de experiências
no espaço do consumidor — especialmente no âmbito
da cultura Maker, uma comunidade mais experiente
tecnologicamente, de “faça-você-mesmo”, dedicada ao
avanço da ciência, engenharia e outras áreas através da
exploração da impressão 3D e robótica.
Durante o processo de impressão 3D, o usuário começará
pela concepção de um modelo do objeto desejado,
usando software especializado como o CAD. Embora
uma variedade de empresas produza software CAD, a
Autodesk é a líder reconhecida no desenvolvimento
de tais ferramentas. Uma vez que o cartão é enviado
para a impressora, os materiais — quer sejam plásticos,
metais ou uma variedade de outros materiais — são
dispensados através de um bocal e, gradualmente,
depositados para eventualmente formar todo o objeto.
Tecnologias de fabricação de aditivos alteram a maneira
como as camadas são depositadas, visto que alguns
objetos podem ser suavizados ou fundidos. Calor
seletivo e sinterização a laser, por exemplo, exigem
termoplásticos; enquanto fusão por feixe de elétrons,
para ligas de titânio. No caso da fabricação de objeto
laminado, as camadas finas devem ser cortadas e, em
seguida, juntar-se; a tecnologia só havia sido encontrada
anteriormente em laboratórios especializados.
A adoção da impressão 3D também está sendo
abastecida por aplicativos online, como Thingiverse
e MeshLab, repositórios livres de projetos digitais
para objetos físicos, onde os usuários podem baixar
as informações de design digital e criar esse objeto
pela impressora. A MakerBot é uma das várias marcas
de impressoras desktop 3D que permitem aos
usuários construir tudo, desde brinquedos de robôs,
mobiliário doméstico e acessórios, até os modelos de
esqueletos de dinossauros. Relativamente acessível
a menos de 2.500 dólares, a MakerBot foi a primeira
impressora 3D projetada para o uso do consumidor.
Devido à capacidade inerente dos usuários de criar
algo, seja original ou replicado, a impressão 3D é uma
tecnologia especialmente atraente quando aplicada a
aprendizagem ativa e baseada em projetos no Ensino
Superior.
Relevância para o Ensino, Aprendizagem
ou Investigação Criativa
Um dos aspectos mais significativos da impressão 3D
para a educação é que ela permite a exploração mais
autêntica de objetos que podem não estar prontamente
disponíveis para as universidades. Por exemplo,
estudantes de antropologia na Universidade de Miami
podem manipular e estudar réplicas de artefatos
frágeis, como vasos antigos egípcios, que foram
digitalizados e impressos no laboratório de impressão
3D da universidade. Da mesma forma, no GeoFabLab na
Universidade Estadual de Iowa, estudantes de geologia
e entusiastas amadores podem examinar exemplares
Horizonte de Tempo para Adoção: Dois a Três Anos
impressos 3D de fósseis raros, cristais e minerais, sem
risco de danificar estes preciosos objetos.
Alguns dos progressos mais convincentes de impressão
3D no Ensino Superior vêm de instituições que estão
inventando novos objetos. A equipe da Universidade
de Harvard e da Universidade de Illinois, em UrbanaChampaign, imprimiu, recentemente, microbaterias
de íon-lítio que são do tamanho de um grão de areia e
podem fornecer energia a dispositivos muito pequenos
– como implantes médicos e câmeras em miniatura.
No campo da pesquisa médica, a inovação em nível
microscópico está vendo o crescimento cada vez maior.
Pesquisadores da Universidade do Texas, em Austin,
estão isolando bactérias em caixas impressas em 3D
para aproximar ambientes biológicos reais para o estudo
de infecções bacterianas. Cientistas da Universidade de
Liverpool estão desenvolvendo pele sintética impressa
em 3D que se assemelham à idade, gênero e etnia do
indivíduo.
Enquanto a Impressão 3D ganha mais projeção no
Ensino Superior, as universidades estão começando
a criar espaços dedicados a estimular a criatividade e
a investigação intelectual em torno desta tecnologia
emergente. Exemplos incluem a Hunt Library
Makerspace, da Universidade do Estado da Carolina
do Norte; o 3DLab, na faculdade de Arte, Arquitetura e
Engenharia da Universidade de Michigan; e do Maker
Lab em Humanidades, da Universidade de Victoria, no
Canadá. Estes espaços, equipados com os mais recentes
scanners 3D, impressoras 3D, sensores de movimento
3D e cortadores a laser, não só permitem o acesso às
ferramentas, mas também estimulam a colaboração
dentro de uma comunidade de makers e hackers.
Impressão 3D na Prática
Os links a seguir fornecem exemplos de impressão
3D em uso que têm implicações diretas para as
configurações de Ensino Superior:
3D Art
go.nmc.org/3dart
Estudantes de arte estão aprendendendo a história e
as aplicações da arte impressa em 3D na Universidade
de Aalto, na Finlândia. Eles recentemente colaboraram
com um coletivo de artistas locais para criar esculturas
para uma exposição na cidade de Hyrynsalmi.
3D Design Studio
go.nmc.org/ude
O Departamento de Engenharia Mecânica da
Universidade de Delaware abriu um estúdio de design
com uma impressora 3D, repositório de materiais,
oficina mecânica e um laboratório de colaboração para
que os alunos possam ter ideias de design, do conceito
ao protótipo.
Fab Lab
go.nmc.org/fab
Fab Labs começou como um projeto de extensão
do Center for Bits and Atoms do MIT para pesquisar
39
e experimentar com a fabricação digital. Eles já se
materializaram em centros ao redor do mundo,
provendo tecnologias, tais como impressoras 3D,
cortadores a laser e ferramentas de programação para
que os alunos possam usar em ambientes exploratórios.
Organ Creation at the University of Wollongong
go.nmc.org/uw3d
Usando um bio-plotter 3D, pesquisadores da
Universidade de Wollongong, na Austrália, criaram uma
tecnologia para imprimir células humanas vivas, tais
como músculos, juntamente com uma tinta especial
que transporta as células. A esperança é de que os
materiais de impressão possam, eventualmente, ser
usados em implantes específicos do paciente e, até
mesmo, em transplantes de órgãos.
Para Ler Mais
Os recursos a seguir são recomendados para aqueles
que desejam aprender mais sobre a impressão 3D:
4D Printing: The New Frontier
go.nmc.org/4dp
(Oliver Marks, ZDNet, 14 de março de 2013.) Os avanços
na nanobiotecnologia estão levando a novos materiais
que podem ser programados para mudar a sua forma
ao longo do tempo. Isto poderia desencadear muitas
inovações, incluindo calças que se autorreparam feitas
a partir de materiais biológicos e objetos que montam e
desmontam, dependendo da temperatura
10 Ways 3D Printers are Advancing Science
go.nmc.org/10ways
(Megan Treacy, Treehugger, 16 de abril de 2013.) As
impressoras 3D estão avançando na ciência, ajudando
os pesquisadores da NASA que estudam rochas lunares,
pesquisadores médicos que trabalham com próteses
impressas 3D e, até mesmo, as orelhas e outras partes do
corpo. Impressoras especializadas em 3D estão sendo
usadas em laboratórios para produzir uma variedade de
peles e outros tecidos que são literalmente “impressas”
em uma estrutura orgânica.
Lab Equipment Made with 3-D Printers Could Cut
Costs by 97%
go.nmc.org/reduc
(Paul Basken, The Chronicle of Higher Education, 29
de março de 2013.) Um novo estudo da Universidade
Tecnológica de Michigan mostra como impressoras 3D
podem permitir uma melhoria acentuada na eficiência
e capacidade dos laboratórios de pesquisa, reduzindo
os custos em até 97%. Além disso, as peças impressas
em 3D permitem mais personalização para atender às
necessidades individuais.
40
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Games e Gamificação
Horizonte de Tempo para Adoção: Dois a Três Anos
A
cultura de games tem crescido para incluir
uma proporção substancial da população do
mundo, com a idade de um jogador mediano
aumentando a cada ano que passa. Como
tablets e smartphones têm proliferado,
computadores desktops e laptops, televisores e
consoles de games já não são a única maneira de
se conectar com outros jogadores online, fazendo
da jogablidade uma atividade portátil que pode
acontecer em um diversificado leque de configurações.
A jogabilidade há muito tempo deixou de ser apenas
recreativa e encontrou impulso considerável nas
forças armadas, empresas e indústrias; e, cada
vez mais, tem sido percebida na educação como
uma ferramenta de treinamento e motivação útil.
Enquanto um número crescente de instituições e
programas educacionais está experimentando com
jogabilidade, também tem havido cada vez mais
atenção ao redor da gamificação — uma integração
de elementos de games, mecânica e estruturas em
situações e cenários que não são próprios de games.
As empresas adotaram a gamificação como uma
forma de criar programas de incentivo que envolvem
os funcionários através de recompensas, quadros de
líderes e badges, muitas vezes, com um componente
móvel. Embora mais incipiente do que em ambientes
militares ou da indústria, a gamificação na educação
está ganhando apoio entre os educadores que
reconhecem que os games, efetivamente projetados,
podem estimular grandes ganhos de produtividade e
criatividade entre os alunos.
Visão Geral
De acordo com a Entertainment Software Association,
a idade média dos jogadores de hoje em dia é 30
anos, com 68% dos jogadores com mais de 18 anos
— em idade universitária. A popularidade dos jogos
digitais levou ao rápido desenvolvimento da indústria
de videogames na década passada, com avanços
consideráveis, que ampliaram a definição de games e
como eles são jogados. Quando a indústria de games
começou a incorporar conectividade de rede em
projetos de games, eles revolucionaram a jogabilidade,
criando uma imensa arena virtual onde os usuários de
todo o mundo podem se conectar, interagir e competir.
A Internet oferece aos jogadores a oportunidade de
juntar-se online (MMO) em jogos de role-player (RPG)
multiplayer, como Minecraft, e para construir reputações
online com base nas habilidades e realizações de seus
avatares virtuais. Nos últimos anos, os games têm
convergido com interfaces naturais para criar uma
experiência para os jogadores que imitam mais de perto
a vida real. Usando consoles como o Microsoft Kinect
ou Nintendo Wii, por exemplo, os jogadores interagem
através de movimentos corporais e gestos com as mãos.
A gamificação, ou a noção de que os mecanismos
de um game podem ser aplicados a atividades de
rotina, tem sido empregado com sucesso por uma
série de aplicativos móveis e empresas de mídia
social. Uma das encarnações mais populares ao longo
dos anos tem sido FourSquare, com um sistema de
recompensa que encoraja as pessoas a se registrarem
em locais para acumular recompensas — uma ideia
que abriu o caminho para uma série de recursos
que, semelhantemente, “gamificam” a vida cotidiana.
Untappd and Tipsi, por exemplo, são aplicativos que
permitem aos usuários documentar e receber emblemas
para cada tipo diferente de cerveja e vinho que o
usuário tiver experimentado, enquanto Simple.com é
um serviço bancário gamificado que ajuda os usuários
a dominar as suas finanças. Não é incomum agora para
grandes empresas e organizações, incluindo o Banco
Mundial e a IBM, consultarem-se com especialistas de
games para informar o desenvolvimento e concepção
de programas de grande escala que motivam os
trabalhadores através de sistemas que incorporam os
desafios, subidas de nível e recompensas.
Enquanto alguns líderes argumentam que o aumento
do uso do design de games no local de trabalho é uma
tendência de curta duração, que produz um pico de
produtividade em um curto prazo, as empresas de todos
os tamanhos em todos os setores estão descobrindo
que os trabalhadores respondem positivamente aos
processos gamificados. Para o Ensino Superior, esses
ambientes parecidos com games transformam tarefas
em desafios emocionantes, premiam os alunos pela sua
dedicação e eficiência, e oferecem um espaço para que
os líderes surjam naturalmente. Badges, por exemplo,
estão sendo usadas cada vez mais como um sistema
de recompensas para os alunos; permitindo-lhes, em
muitos casos, apresentar publicamente o seu progresso,
habilidades e maestria em perfis online.
Relevância para o Ensino, Aprendizagem
ou Investigação Criativa
A jogabilidade educacional provou ser capaz de
fomentar o engajamento de pensamento crítico,
resolução criativa de problemas e trabalho em equipe
— habilidades que levam a soluções para os dilemas
sociais e ambientais complexos. Esta ideia é a base
Horizonte de Tempo para Adoção: Dois a Três Anos
do trabalho de Jane McGonigal, designer de games
reconhecido e pesquisador que está aumentando a
consciência das pessoas sobre o poder que os games têm
de mudar o mundo. McGonigal e outros pesquisadores
do Instituto para o Futuro estão projetando jogos
online que promovam a participação e novas formas de
pensar sobre sistemas e sustentabilidade na educação,
saúde e contextos urbanos. O objetivo é desenvolver
plataformas envolventes que despertam curiosidade,
incutam um senso de urgência e seriedade, enquanto
recompensam os usuários de maneira significativa.
Simulações digitais são um outro método que está
sendo amplamente utilizado para reforçar aplicações
conceituais em cenários simulados do mundo real.
Isto é especialmente evidente nas escolas de negócios.
Na Escola de Negócios da Universidade Montclair,
em New Jersey, os estudantes desempenham uma
simulação de negócios online chamada GLO-BUS, onde
eles administram uma empresa de câmera digital e
brincam com concorrentes efetivos no mercado global.
O ambiente simulado desafia os alunos a desenvolver
e executar uma estratégia eficaz, com bastante tino
comercial, e fornecer as ferramentas para lidar com a
gama da linha de produtos, operações, terceirização,
preços e responsabilidade social corporativa, entre
outras considerações. Cenários como este demonstram
o poder de games para simular cenas reais de
produtividade, exigindo que os alunos exercitem o
raciocínio executivo em situações difíceis em que suas
decisões têm um impacto grave.
A gamificação também está aparecendo mais em
ambientes de aprendizagem online. A Universidade
Kaplan, por exemplo, gamificou o seu programa de
graduação em TI após a execução de um piloto bem
sucedido em seu curso de fundamentos de programação.
As notas dos alunos melhoraram 9% e o número de
alunos que não conseguiram concluir o curso diminuiu
em 16%. A Kaplan está usando software gamificado que
pode ser incorporado em LMS (Learning Management
System) e outros aplicativos da web. A gamificação
também pode incentivar o desenvolvimento
profissional. A Deloitte desenvolveu a Academia de
Liderança Deloitte, um programa de treinamento que
aproveita gamificação para criar missões baseadas no
currículo. Os alunos ganham emblemas por completar
missões, que podem apresentar em seus perfis do
LinkedIn. Enquanto a jogatina continua dominando
as discussões entre os educadores, alguns acreditam
que ela poderia desencantar estudantes se for mal
executada. Para negar este desafio, mais universidades
estão fazendo parcerias com empresas para conduzir a
pesquisa que é relevante tanto para o currículo como
para a vida dos alunos.
Games e Gamificação na Prática
Os links a seguir fornecem exemplos de games e
gamificação em uso em ambientes de Ensino Superior:
41
The Denius-Sams Gaming Academy
go.nmc.org/utgame
A Universidade do Texas, em Austin, vai oferecer o
primeiro programa de videogame da nação no segundo
semestre de 2014. A Denius-Sams Gaming Academy
será ministrada por líderes na indústria de videogames
e o programa promete ser competitivo e orientado para
a indústria.
Mentira
go.nmc.org/ment
Mentira, um GPS móvel e game baseado em realidade
aumentada, desenvolvido na Universidade do Novo
México, desenvolve habilidades de língua espanhola ao
passo que os aprendizes interagem com os personagens
no cenário de Albuquerque, Novo México, e passam
por vários obstáculos para resolver o mistério de um
assassinato.
SICKO
go.nmc.org/sick
SICKO é um jogo de simulação baseada na web, da
Escola de Medicina da Universidade de Stanford,
no qual os alunos gerenciam três pacientes virtuais
simultaneamente e devem tomar decisões críticas na
sala de cirurgia.
Para Ler Mais
Os seguintes artigos e recursos são recomendados para
aqueles que desejam aprender mais sobre games e
gamificação:
The Awesome Power of Gamification in Higher
Education
go.nmc.org/awesome
(Tara E. Buck, EdTech Magazine, 18 de outubro de 2013.)
Em seu discurso na EDUCAUSE 2013, o desenvolvedor
de games Jane McGonigal apresentou uma visão do
futuro em que o trabalho e a vida diária das pessoas são
transformados em cenários “gamificados” ou “ambientes
de aprendizagem extremas”
Gamification Done Right
go.nmc.org/doneright
(Andre Behrens, The New York Times, 11 de junho de
2013.) O autor explora as diversas implicações que o
termo gamificação carrega e discute os componentes
que o tornam bem sucedidos. Ele aponta toSimple.com
como um exemplo eficaz e criativo.
Video Game Courses Score Big on College
Campuses
go.nmc.org/scorebig
(annick Lejacq, NBC News, 12 de setembro de 2013.)
Faculdades e universidades norte-americanas já estão
oferecendo mais cursos de graduações dedicados
ao estudo dos games como nunca antes, com 385
instituições agora oferecendo tanto cursos individuais
quanto graduações em design de games.
42
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Quantified Self
Horizonte de Tempo para Adoção: Quatro a Cinco Anos
Q
uantified Self descreve o fenômeno de
os consumidores coletarem seus dados e
informações pessoais para acompanhar de
perto as informações mais relevantes para
suas atividades diárias por meio do uso da
tecnologia. O surgimento de dispositivos portáteis no
mercado, tais como relógios, pulseiras e colares que
são projetados para coletar automaticamente dados
estão ajudando as pessoas a gerir a sua aptidão, ciclos
de sono e hábitos alimentares. Aplicativos móveis
também compartilham um papel central nessa ideia,
fornecendo painéis fáceis para o consumidor ler, ver
e analisar suas métricas pessoais. Fortalecidas por
essas ideias, muitas pessoas agora contam com essas
tecnologias para melhorar seu estilo de vida e saúde.
Aplicativos de hoje não só acompanham aonde uma
pessoa vai, o que elas fazem e quanto tempo elas
passam a fazê-lo, mas agora também quais são suas
aspirações e quando elas podem ser realizadas. Novos
dispositivos, como a Memoto, uma câmera ao redor do
pescoço que é projetada para capturar uma imagem a
cada meia hora permitem que as pessoas controlem
suas vidas automaticamente. Quanto mais as pessoas
confiam em seus dispositivos móveis para monitorar
suas atividades diárias, mais os dados pessoais estão
se tornando uma parte maior da vida cotidiana.
Visão Geral
As pessoas sempre demonstraram interesse em aprender
sobre si mesmas, acompanhando e mensurando seus
comportamentos e atividades. Os estudantes já gastam
tempo em contextos formais de sala de aula, coletando
dados sobre si mesmos ou tópicos de pesquisa.
Tecnologias de Quantified Self aproveitam este interesse
na forma de aplicativos móveis, dispositivos portáteis e
serviços baseados em nuvem que tornam o processo de
coleta de dados muito mais fácil.
Encarnações populares do movimento de Quantified
Self se materializaram na forma de ferramentas de
saúde, fitness e publicação online da vida. O Fitbit,
por exemplo, é uma pequena pulseira que rastreia as
atividades diárias dos portadores, incluindo padrões
de sono, passos dados e as calorias queimadas. Através
de sincronização sem fio e automática entre o Fitbit e
smartphones, tablets e laptops, os usuários podem
ver o progresso em tempo real em seus dispositivos.
A pulseira Jawbone Up emprega funcionalidades
semelhantes, permitindo aos usuários controlar o
sono, movimento e informações dietéticas que são
preenchidas automaticamente no aplicativo móvel UP
que o acompanha. A experiência pode facilmente se
tornar social ao passo que as pessoas compartilham
suas conquistas com outros usuários e se unem para
acompanhar e atingir objetivos específicos. Outros
dispositivos vestíveis que têm recebido atenção
mundial possuem ferramentas de autorrastreamento,
incluindo Google Glass e iWatch, mas os preços elevados
— e, em alguns casos, a baixa disponibilidade — destes
dispositivos, como temem alguns especialistas, podem
permitir que a tecnologia de Quantified Self seja um
luxo reservado à classe alta. Versões mais acessíveis
desenvolvidas nos próximos quatro ou cinco anos
poderiam acelerar essa tendência tecnológica em
ambientes educacionais.
Encarnações populares do
movimento de Quantified Self
se materializaram na forma de
ferramentas de saúde, fitness e
publicação online da vida.
Essas tecnologias oferecem aos indivíduos uma maior
autoconsciência dos seus comportamentos através
de autorrastreamento, bem como novas formas de
pensar sobre como utilizar os dados coletados. Desde
a introdução deste conceito, em 2007, as comunidades
formadas em torno da ideia de usar a tecnologia
para ajudar no autoaperfeiçoamento. Através de
encontros presenciais e comunidades online, artistas,
aqueles que buscam conteúdo de autoajuda e, até
mesmo, os candidatos a pesquisadores universitários
compartilham suas experiências com a esperança de
se transformarem e o resto da sociedade por meio da
análise dos dados que eles produzem e coletam. O
Quantified Self Institute, por exemplo, é uma iniciativa da
Universidade de Ciências Aplicadas Hanze, da Holanda,
que traz os parceiros internacionais e regionais em
conjunto para realizar pesquisas sobre diferentes
métodos de autorrastreamento. Esta organização
está bem posicionada para liderar o movimento de
Quantified Self em instituições de Ensino Superior com
recomendações sobre aplicações eficazes.
Horizonte de Tempo para Adoção: Quatro a Cinco Anos
Relevância para o Ensino, Aprendizagem
ou Investigação Criativa
Com o crescente uso de aplicativos móveis e tecnologia
vestível, os indivíduos estão criando uma quantidade
exponencialmente crescente de dados. O movimento
de Quantified Self é inovador, integrando esses fluxos
de dados de maneiras interessantes. Alguns aplicativos
baseados em Quantified Self, por exemplo, podem criar
planos de vida mais saudáveis após monitorar seu sono,
exercício, dieta e outros padrões importantes. O novo
aplicativo móvel Whistle ainda permite que as pessoas
façam o mesmo para seus cães. É imaginável que, se os
resultados dos testes e os hábitos de leitura recolhidos
a partir de análise da aprendizagem pudessem ser
combinados com outro rastreamento de informações
sobre estilo de vida, esses grandes conjuntos de dados
poderiam revelar como as mudanças ambientais
melhoram os resultados de aprendizagem.
A tecnologia de Quantified Self também tem o potencial
para moldar o futuro de algumas indústrias. Na área
médica, por exemplo, os médicos estão usando não
só a medicina tradicional, mas também dados que os
indivíduos coletam de si mesmos, tais como frequência
cardíaca, pressão arterial e níveis de açúcar. Avanços
no campo podem habilitar computadores a procurar
padrões e ajudar os médicos a diagnosticar com mais
precisão ou antecipar problemas de saúde antes que os
pacientes pisem no prédio. Educadores no momento só
podem criar hipóteses sobre uma nova era acadêmica
de Quantified Self, mas o interesse é forte e crescente.
Um dos obstáculos atuais para a adoção generalizada
desta tecnologia gira em torno de preocupações
com a privacidade. O movimento de Quantified Self
é de pessoas que compartilham o que aprendem
sobre si mesmas para o bem maior, mas existe uma
vulnerabilidade de expor informações pessoais que
precisam ser abordadas ao longo dos próximos quatro
a cinco anos. Isto pode incluir uma análise de custo/
benefício sobre quais dados devem ser coletados, os
dados que devem ser compartilhados, quem deve ser
responsável por tomar essas decisões, e como construir
as comunidades online mais eficazes e seguras nesta
prática.
Quantified Self na Prática
Os links a seguir fornecem exemplos de Quantified Self
em uso que têm implicação direta em configurações do
Ensino Superior:
Fitbit at the University of Tokyo
go.nmc.org/tokyo
Pesquisadores da Universidade de Tóquio usaram dados
do podômetro Fitbit para detectar e medir a força das
relações de trabalho. Os resultados iniciais revelam que
os dados gerados por esta tecnologia de Quantified Self
pode favorecer a criação de um perfil exato da empresa.
43
Health Data Exploration Project
go.nmc.org/hdexplore
O Instituto de Telecomunicações e Tecnologia da
Informação da Califórnia, com o apoio da Fundação
Robert Wood Johnson, lançou uma pesquisa que está
buscando indivíduos que adotem a prática de Quantified
Self com foco na sua saúde e em exercícios físicos – em
um esforço para determinar como seus dados podem
ser usados para informar melhor a saúde pública.
The Russ-ome Project at The University of Texas
go.nmc.org/brainstu
Um neurocientista e diretor do Centro de Pesquisa de
Imagem da Universidade do Texas, em Austin, está
usando um monitor de cabeça, um monitor cardíaco
e um aplicativo de pesquisa para rastrear e relatar
seu sono e padrões de exercício para um estudo de
um ano. A informação está sendo armazenada em
um banco de dados que ele acabará usando para
autoaperfeiçoamento.
Para Ler Mais
Os seguintes artigos e recursos são recomendados para
aqueles que desejam aprender mais sobre Quantified
Self:
Gaming the Quantified Self
go.nmc.org/gthet
(Jennifer R. Whitson, Universidade Queens, 2013) Este
artigo explora como os jogos digitais inerentemente
facilitam a fiscalização de atividades do usuário,
promovendo a elaboração de estatísticas que podem
ser usadas para monitorar indivíduos e emergir padrões
de comportamento gerais em ambientes gamificados.
Quantified Self: The Tech-Based Route to a Better
Life?
go.nmc.org/bbcquant
(Karen Weintraub, BBC Future, 3 de janeiro de 2013.)
O Movimento de Quantified Self está enraizado na
necessidade de registrar os detalhes da vida diária,
e novas tecnologias como rastreadores vestíveis e
aplicativos tornaram fácil para as pessoas documentar
regularmente suas atividades.
Trackers, Measuring the Quantified Self
go.nmc.org/track
(Gopal Sathe, Live Mint, 7 de setembro de 2013.)
Rastreadores vestíveis, incluindo Fitbit, Nike Fuel e
Jawbone Up estão ajudando as pessoas a monitorarem
seus dados pessoais, como o ciclo de sono e contagem
de passos, e estão incentivando-as a considerar os
dados pessoais como parte integrante de suas rotinas.
44
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Assistentes Virtuais
Horizonte de Tempo para Adoção: Quatro a Cinco Anos
C
omo reconhecimento de voz e tecnologias antecedentes baseadas em gestos avançam e,
mais recentemente, convergem, estamos nos
movendo rapidamente para longe da noção
de interagir com os nossos dispositivos através
de um ponteiro e teclado. Os assistentes virtuais são
uma extensão credível de trabalho que está sendo
feito com interfaces naturais de usuário (NUIS - Natural User Interfaces) e os primeiros exemplares já
estão no mercado. O conceito baseia-se na evolução
das interfaces de todo o espectro de engenharia, ciência da computação e biometria. Siri (para iPhone) e
Jelly Bean (para Android) são exemplos recentes em
aparelhos móveis e permitem aos usuários controlar
todas as funções do telefone, participar de conversas
reais com o assistente virtual e muito mais. Uma nova
classe de televisores inteligentes está entre os primeiros dispositivos a fazerem uso completo da ideia.
Enquanto as versões limitadas de assistentes virtuais
têm estado disponíveis já há algum tempo, ainda temos que alcançar o nível de interatividade visto no
vídeo clássico da Apple, Knowledge Navigator. Os assistentes virtuais desse calibre e suas aplicações para
a aprendizagem estão claramente no horizonte de
longo prazo, mas o potencial da tecnologia para melhorar esta lista de modos informais de aprendizagem
é convincente.
acadêmicos, apesar de estarem de quatro a cinco anos
longe de serem amplamente utilizados no Ensino
Superior.
Visão Geral
A mais recente iteração de assistentes virtuais podem
ser encontrada em televisores inteligentes ligados a
sistemas de processamento de dados que permitem aos
usuários conectarem-se à Internet. Apple, Samsung e LG
estão entre as primeiras no mercado com suas versões.
Usuários podem transmitir vídeos ao vivo, diretamente
para a Internet através de widgets da Web controlados
por voz e aplicações de software. TVs inteligentes
também rastreiam padrões de visualização dos usuários
e preferências do programa para fazer recomendações
personalizadas. Embora atualmente existem poucas
aplicações concretas de TVs inteligentes ou assistentes
virtuais usados no Ensino Superior, a perspectiva
de ferramentas que se adaptam às necessidades de
aprendizagem dos alunos e preferências tornam a
tecnologia digna de se seguir de perto ao longo dos
próximos cinco anos.
Os assistentes virtuais empregam inteligência
artificial e processamento de linguagem natural para
proporcionar às pessoas suporte a uma ampla gama
de atividades diárias, como discernir as melhores rotas
rodoviárias, organizar roteiros de viagem e organizar as
caixas de entrada de e-mail. Os mais recentes tablets
e smartphones agora incluem assistentes virtuais —
talvez os mais reconhecidos sejam o Siri (para iPhone),
Jelly Bean (para Android) e o Google Now. Estes
assistentes virtuais são integrados nas plataformas
móveis, permitindo que os usuários interajam mais
autenticamente com os seus dispositivos, aproveitando
uma interface de conversação. Os usuários podem
simplesmente fazer um pedido oralmente para
o dispositivo, e o assistente virtual irá responder
instantaneamente. As versões mais avançadas deste
software realmente rastream as preferências e padrões
do usuário para que eles possam se adaptar ao longo do
tempo, sendo mais útil para o indivíduo. Neste sentido,
os assistentes virtuais incentivam a conveniência e a
produtividade, tornando-os particularmente atraentes
para as suas potenciais aplicações em ambientes
A funcionalidade de muitos assistentes virtuais
contemporâneos é desencadeada por uma combinação
de três tecnologias: interface de conversação,
sensibilidade ao contexto pessoal e delegação de
serviço. Interfaces de conversação contam com
ferramentas de reconhecimento de voz que foram
melhoradas com algoritmos especiais e aprendizado
de máquina para decifrar o significado. Como cada
pessoa tem sua própria maneira de falar, a sensibilidade
ao contexto pessoal ajuda os assistentes virtuais
a entenderem nuances específicas com base em
palavras-chave e padrões de linguagem. Interfaces
de conversação e sensibilidade ao contexto pessoal
permitem aos assistentes virtuais se envolverem em
conversas como se fossem humanos quando interagem
com os usuários. Finalmente, a delegação de serviço
permite que os assistentes virtuais móveis acessem
e se comuniquem com uma coleção de aplicativos
móveis dos usuários. Graças a este conceito, uma das
características mais atraentes de assistentes virtuais é
que eles, muitas vezes, são projetados para se integrar
perfeitamente com outros programas, incluindo o
mapeamento e serviços recreativos.
Relevância para o Ensino, Aprendizagem
ou Investigação Criativa
As tecnologias que permitem que os assistentes virtuais
estejam avançando a um ritmo acelerado, apresentam
aos consumidores interfaces que reconhecem e
Horizonte de Tempo para Adoção: Quatro a Cinco Anos
interpretam a fala humana e emoções com precisão
impressionante. Os alunos já estão usando assistentes
virtuais em suas vidas pessoais, mas a maioria das
instituições ainda tem de explorar potenciais ambientes
de pesquisa fora desta tecnologia. A Universidade de
Cambridge, por exemplo, em parceria com a Toshiba
Cambridge Research, apresentou um protótipo de uma
cabeça digital falante chamada Zoe, uma das primeiras
tentativas de colocar um rosto parecido com o humano
como um assistente virtual. A equipe de pesquisa contou
com a ajuda de uma atriz britânica para gravar 7.000
frases e expressões faciais emotivas, que compõem o
conjunto de dados usado para “treinar” o rosto de Zoe.
O software possui poucos dados e tem o potencial de
ser personalizado com vários rostos e vozes.
Os assistentes virtuais já estão fazendo uma aparição
no setor da saúde. No final de 2014, a empresa
de soluções inteligentes Nuance Communications
lançará um assistente virtual inteligente chamado
Florence, que entende a linguagem clínica e pode
registrar as instruções de médicos, como eles receitam
medicamentos, encomendam análises de laboratório
e outros procedimentos diagnósticos. A tecnologia
deverá reduzir a quantidade de tempo que um médico
gasta no trabalho administrativo, que responde por
30% do seu dia de trabalho de acordo com uma
pesquisa realizada pela Nuance. Ela também oferece
um vislumbre de um futuro onde os médicos serão
capazes de recuperar e fazer adições ao prontuário em
tempo real usando o discurso natural, com a ajuda de
tecnologias inteligentes.
Um maior desenvolvimento em tecnologias
relacionadas com os assistentes virtuais – como os que
ensinam os computadores a ver, ouvir e pensar como os
seres humanos fazem – estão progredindo rapidamente
e trazendo maior precisão para reconhecimento de
padrões, uma capacidade que também está dirigindo
tecnologias de tradução em tempo real. Recentemente,
o cientista da Microsoft, Richard F. Rashid, demonstrou
um programa de computador que exibia suas palavras
enquanto ele falava. Nas pausas entre cada frase,
traduzida do software em seu discurso escrito e depois
falado em Mandarim, que foi ouvido em sua própria
voz — uma língua que ele nunca pronunciou. Estes
cenários apontam para um futuro em que os assistentes
virtuais serão equipados com mais recursos avançados
que ajudam as pessoas a navegar em um mundo onde
a colaboração além das fronteiras e no exterior é cada
vez mais a norma.
Assistentes Virtuais na Prática
Os links a seguir fornecem exemplos de assistentes
virtuais em uso que têm implicações diretas para as
configurações de Ensino Superior:
BlabDroid
go.nmc.org/blab
O MIT Media Lab planeja comercializar BlabDroid, um
robô que oferece funcionalidade semelhante a outros
45
assistentes virtuais através da ligação a um smartphone
ou à nuvem para que ele possa comunicar informações
relevantes para os usuários, incluindo o tempo, e postar
em uma rede social baseada em comandos de voz.
M*Modal
go.nmc.org/mmodal
O sistema de saúde da Universidade de Virginia está
usando M*Modal, um motor de reconhecimento de
voz baseado em nuvem, para facilitar a criação, gestão
e partilha de registros médicos eletrônicos. O objetivo
é que a equipe médica e profissionais de informática
captem com rapidez e precisão narrativas clínicas para
melhorar o faturamento, produtividade e atendimento
ao paciente.
VAGUE
go.nmc.org/sphinx
A Universidade Carnegie Mellon criou um conjunto de
ferramentas de código aberto para o reconhecimento
de voz em dispositivos Kindle chamado VAGUE, que
permite aos usuários navegar pelo leitor, carregar várias
ferramentas e mais ações pontuais ao escrever um novo
código.
Para Ler Mais
Os seguintes artigos e recursos são recomendados para
aqueles que desejam aprender mais sobre assistentes
virtuais:
Beyond the GUI: It’s Time for a Conversational User
Interface
go.nmc.org/cuiwi
(Ron Kaplan, WIRED, 21 de março de 2013.) Ron Kaplan
— um linguista, matemático e tecnólogo — prevê
o surgimento iminente da interface de conversação
do usuário, que é baseado em tecnologias de
reconhecimento de voz e de aprendizado de máquina.
New Virtual Assistant Anticipates Needs During
Conversation
go.nmc.org/needs
(Tyler Falk, Smart Planet, 18 de janeiro de 2013.) O
autor desta publicação descreve o novo aplicativo para
iPad chamado MindMeld que, em vez de responder
às perguntas, analisa e compreende o conteúdo de
conversas online, a fim de fornecer informações úteis.
Talk to the Phone: Google’s Moto X Virtual Assistant
Raises Smartphone Bar
go.nmc.org/talkto
(Peter Nowak, CBS News, 13 de agosto de 2013.) O autor
apresenta um relato pessoal de como o assistente
virtual Google Now ajudou ele e sua esposa em uma
viagem em todo o nordeste dos Estados Unido.
46
NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014
Comitê de Especialistas do NMC Horizon Project:
Edição Ensino Superior 2014
Larry Johnson
Co-Principal Investigator
New Media Consortium
United States
Malcolm Brown
Co-Principal Investigator
EDUCAUSE Learning Initiative
United States
Samantha Adams Becker
Lead Writer/Researcher
New Media Consortium
United States
_______________________________
Kyle Dickson
Abilene Christian University
United States
Holly Ludgate
New Media Consortium
United States
Kathy Smart
University of North Dakota
United States
Barbara Dieu
Lycée Pasteur
Brazil
Damian McDonald
University of Leeds
United Kingdom
David Thomas
University of Colorado Denver
United States
Allan Gyorke
University of Miami
United States
Rudolf Mumenthaler
University of Applied Sciences,
HTW Chur
Switzerland
David Wedaman
Brandeis University
United States
Tom Haymes
Houston Community College
United States
Bryan Alexander
Bryan Alexander Consulting, LLC
United States
Don Henderson
Apple, Inc.
United States
Kumiko Aoki
Open University of Japan
Japan
Richard Holeton
Stanford University
United States
Andrew Barras
Full Sail University
United States
Paul Hollins
JISC CETIS
United Kingdom
Helga Bechmann
Multimedia Kontor Hamburg
GmbH
Germany
Helen Keegan
University of Salford
United Kingdom
Michael Berman
CSU Channel Islands
United States
Kyle Bowen
Purdue University
United States
Joseph Cevetello
University of Southern California
United States
Deborah Cooke
University of Oregon
United States
Jolie Kennedy
University of Minnesota
United States
Lisa Koster
Conestoga College Institute
of Technology and Advanced
Learning
Canada
Vijay Kumar
Massachusetts Institute of
Technology
United States
Andrea Nixon
Carleton College
United States
Michelle Pacansky-Brock
Mt. San Jacinto College
United States
Ruben Puentedura
Hippasus
United States
Dolors Reig
Open University of Catalonia
Spain
Jaime Reinoso
Pontificia Universidad Javeriana,
Cali
Colombia
Jochen Robes
HQ Interaktive Mediensysteme/
Weiterbildungsblog
Germany
Jason Rosenblum
St. Edward’s University
United States
Wendy Shapiro
Case Western Reserve University
United States
Michael Lambert
Concordia International School
of Shanghai
China
Ramesh Sharma
Indira Gandhi National Open
University
India
Crista Copp
Loyola Marymount
United States
Melissa Langdon
University of Notre Dame
Australia
Australia
Bill Shewbridge
University of Maryland, Baltimore
County
United States
Eva de Lera
Raising the Floor, International
Spain
Ole Lauridsen
Aarhus University
Denmark
Paul Signorelli
Paul Signorelli & Associates
United States
Veronica Diaz
EDUCAUSE Learning Initiative
United States
Deborah Lee
Mississippi State University
United States
Cynthia Sistek-Chandler
National University
United States
Alisa Cooper
Maricopa Community Colleges
United States
Neil Witt
University of Plymouth
United Kingdom
Alan Wolf
University of Wisconsin
United States
Matthew Worwood
University of Connecticut
United States
Jason Zagami
Griffith University
Australia
Tiedao Zhang
Open University of Beijing
China
Para o NMC Horizon Report: Edição Ensino Superior 2014, um comitê de especialistas identificou 18
tópicos com grande probabilidade de impactar o planejamento e tomada de decisão em relação
ao uso da tecnologia: seis tendências chaves, seis desafios significativos, e seis desenvolvimentos
importantes em tecnologia educacional.
T512-445-4200
F512-445-4205
[email protected]
nmc.org
ISBN 978-0-9914828-1-8
New Media Consortium
1250 Capital of Texas Hwy South
Building 3, Suite 400
Austin, TX 78746
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