Escola Secundária Professor José Augusto Lucas

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Transcrição

Escola Secundária Professor José Augusto Lucas
DANIEL PENNAC
mágoas da
escola
JORGE PALMA
voo nocturno
LAURENT
CANTET
a turma
A Escola guarda sempre um futuro
É UMA GRANDE RESPONSABILIDADE ESCREVER SOBRE ALGO
QUE EXISTE JÁ HÁ MAIS TEMPO QUE NÓS. É uma ainda maior
responsabilidade fazê-lo com o intuito de celebrar a vivência que
esse algo já teve.
NÃO ESTIVE PRESENTE E NÃO POSSO CONTAR AS HISTÓRIAS
MAGNÍFICAS, MARCANTES, INTERESSANTES, INSPIRADORAS,
QUE POR AQUI SE PASSARAM. Nada disso me pertence e, no
entanto, tudo isso me pertence sem que eu dê por isso. Está nas
Beatriz Pinto
paredes, nos azulejos, nos canteiros. Tudo isso é a escola, aquele
edifício velho que, disfarçado de tintas novas já antigas, vai fazendo
parte da nossa vida tal como nós acabamos por ser, todos os anos, renovados de
esperanças, ideias e desilusões, a sua única e plena alma.
NÓS, A ALMA, CHEGAMOS DE MANSINHO SEM NOS APERCEBERMOS DA HISTÓRIA
DO SÍTIO, DA IMPORTÂNCIA DE TUDO AQUILO, DE TODOS OS PORMENORES. Vamos
porque nos querem formados e porque nos querem, talvez, também educados. No início
não passa muito disso, estamos ali para aprendermos as disciplinas. Para concluirmos
mais uma etapa do nosso ensino obrigatório e depois optar se queremos ir para o
secundário, para a universidade, para o mercado de trabalho, para ter uma reforma e
para no fim descansar. Mas seria triste se fosse só isso, se fosse tudo tão mecânico.
Não é assim, nunca é assim tão certo. Aquela enorme biblioteca de pessoas e
experiências não nos dá só certezas, dá-nos
tantas mais incertezas quanto rumos a seguir,
porque nos acolhe de uma forma que sentiríamos
falta se não a tivéssemos, porque nos vai
tecendo o conhecimento feito de sentimentos,
amizades e inimizades, porque vai apresentando
realidades e porque nos dá a oportunidade de
escolhermos aquela que queremos inventar. E
inventamos mesmo.
ENTRAMOS NA ESCOLA MIÚDOS E SAÍMOS
DELA, SE TUDO CORRER BEM, VERDADEIROS
GAIATOS PARA A VIDA. Somos, no resto do
percurso, aquilo que fomos na escola, porque ela
fez parte do início do nosso próprio caminho, tal
como nós fizemos parte de mais uma gaveta das
memórias que o edifício velho, disfarçado e
sorridentemente tosco, vai guardando.
POR ISSO TODOS OS ANOS QUE
CELEBRARMOS, não lhe ponhamos tijolos
pesados com idade em cima, ponhamos sim a
certeza de que mais do que um passado
a escola guarda sempre um futuro.
Ilustração de Beatriz Pinto
CRÍTICA # ANO 11 # N.º 23 # 2009/2010
Revista da Escola Secundária Professor José Augusto Lucas – Av. Carolina Michaelis, 2795 – 052 Linda-a-Velha, Tel. 21 419 14 72, Fax 21 419 06 32
Concebida e elaborada por alunos das turmas: 7.ºA, 7.ºC, 7.ºE, 8.ºA, 8.ºB, 9.ºC, 9.ºD, 10.ºD, 10.ºE, 10.ºF, 11.ºC, 11.ºE, 11.ºF, 11.ºG, 11.ºH, 12.ºA, 12.ºB, 12.ºD e 12.ºF
Coordenação: Prof. Francisco Morais – Tiragem: 400 exemplares – Maio 2010
EDITORIAL
O que dirias se te
perguntassem onde
vives?
Em Casa, claro, onde
está o meu pai, a minha
mãe e o meu irmão!
06 07
Esmiuçando
de A a Z
10 11
O Projecto
TurmaMais
14 15
de ESLAV
a ESPJAL
22 23
Voo
Nocturno
24 25
A Turma
26 27
A Nossa
Escola
Não será a Escola, no
entanto, um
Sara Encarnação
espaço onde
passas grande parte da tua vida, a
tua segunda casa?
Essas paredes velhas, essas cadeiras
riscadas e essas árvores altas são
também a tua casa. Assim como são,
também esses professores que
tentam que algo fique retido dentro
de ti, os teus pais. E esses teus
colegas, os teus grandes amigos do
futuro, os teus irmãos.
Durante três décadas passaram
pela ESPJAL milhares de alunos,
milhares de vidas, milhares de
histórias que por aqui ainda andam e,
sim, muita coisa mudou. Muitos
espaços estão diferentes, muitas
pessoas desapareceram, mas as
suas marcas vivem em cada um
de nós e em cada um dos que
estão para vir.
Comemoremos assim a nossa
Casa, conhecendo as memórias de
quem por cá andou, aprendendo o
que alguém, lá no fundo do passado,
fez por nós, abrindo a nossa mente
para outras formas de ensinar pois é
na escola que não só nos
apercebemos da enorme infinidade do
universo como do que se passa na
mais pequena bactéria.
É aqui que nos ensinam a pôr o
mundo na ponta do lápis e a
contar contas sem fim, também é
aqui que nos relacionamos, que
crescemos e aprendemos a SER.
Abra-se o champanhe
e apaguem-se as velas que a
nossa casa faz anos!
30 já passaram, mais virão!
“O Professor José Augusto Lucas (…) sempre acreditou na juventude, (…) defendendo sempre...
perguntámos...
ANDRÉ JORGE
Aluno do 11º Ano
Século XXI.
Horários de trabalho exigentes,
competitividade e o ritmo
acelerado do quotidiano
associado ao desenvolvimento
tecnológico fizeram com que a
escola suplementasse a família e
se tornasse, para a grande
maioria das crianças e jovens, o
principal espaço para o
desenvolvimento das suas
capacidades.
A concepção da escola, como um espaço destinado
exclusivamente à aquisição de conhecimentos e
desenvolvimento de competências intelectuais onde uns
ensinam e outros aprendem, uns “passam” e outros
“chumbam”, é redutora e insuficiente. Esta é muito mais
do que isso, é um local de interacção social que potencia
experiências e relacionamentos que ajudam a conhecer e
a definir o “eu”. É nesse sentido que entendo a
inteligência emocional como parte integrante de uma
escola vocacionada para as exigências da sociedade
moderna, uma escola que forme indivíduos e cidadãos
equilibrados.
Auto-conhecimento emocional, controlo emocional,
auto-motivação e capacidade de interagir socialmente,
todos estes conceitos se relacionam, todos eles integram
aquilo que denominamos de inteligência emocional,
todos eles são fundamentais no mundo em que vivemos.
Numa escola em que o insucesso, o abandono escolar, o
bullying, os contrastes sociais e os comportamentos de
risco são uma realidade existem algumas questões que
se impõem. Como posso alcançar o sucesso sem
autoconfiança e sem motivação? Como posso
integrar-me se não sei relacionar-me com os outros?
Como posso mudar quando determinam o meu
futuro com rótulos de “aluno problemático”? Será
então que a inteligência emocional reserva em si a
resposta?
A inteligência emocional é um conceito relativamente
recente e, talvez por isso, não esteja em cima da mesa
quando falamos de escola ou de educação. No entanto a
sua natureza, indissociável do ser humano e o facto de
poder ser desenvolvida e treinada, tornou a inteligência
emocional alvo de atenção de muitos especialistas e
curiosos.
A inteligência emocional é o cinzento de uma
inteligência concebida a preto e branco.
... uma escola pública, de qualidade, de afectos, democrática e inclusiva.”
04 05
CRÍTICA
CARLOS GUERREIRO
Director da ESPJAL
No dia 17 de Dezembro de 2009
simultaneamente comemorámos os
trinta anos da Escola Secundária de
Linda-a-Velha e prestámos
homenagem ao nosso querido amigo e
antigo presidente do Conselho
Executivo, professor José Augusto
Lucas, que passará a ser o patrono da
Escola.
Fundada em 17 de Dezembro de 1979,
em pleno momento de explosão
democrática do ensino, a Escola tem
sido palco e protagonista de um
percurso complexo de aprendizagens e experiências, vivido
com um espírito de inquietação e procura de que nos
orgulhamos.
Acompanhando as alterações do tecido social da freguesia e
do concelho, que se reflectem na população discente, a Escola
tem vindo a adaptar o seu Projecto Educativo e Curricular a
esta transição. Inicialmente foi definido como nosso lema
“Uma Escola de Todos para Todos”, procurando dar
resposta às necessidades de integração de uma população
discente em grande medida oriunda de bairros degradados
(Pedreira dos Húngaros, Alto de Santa Catarina, Barronhos,
entre outros), que chegou a atingir, no Ensino Básico a
percentagem de 32%. Com a alteração do tecido social da
freguesia e do concelho (fruto de Programas de Realojamento
a cargo da Câmara Municipal de Oeiras e de construção de
habitação de qualidade), dando conta de uma outra realidade,
o nosso lema passa a ser “Ensinar e Aprender com
Qualidade”, não esquecendo que a diversidade social, étnica
e cultural permanece ainda como uma característica
importante dos alunos.
30 anos é muito tempo e pela ESLAV passaram milhares de
pessoas, que viveram as várias transformações pelas quais a
Escola passou.
Começando pelas instalações, estas foram feitas de acordo
com normativos da época diferentes dos actuais, e apresentam
algumas deficiências que urge reparar, nomeadamente as que
dizem respeito à segurança e à saúde. Embora a comunidade
escolar considere o espaço da escola como um elemento
positivo, refira-se que o equipamento e mobiliário se encontra
muito degradado e desactualizado, necessitando também de
urgente substituição.
Acompanhando também a transformação da população da
zona, passámos de uma escola com elevada percentagem de
alunos oriundos dos PALOPs, para uma escola com maior
diversidade cultural e étnica, com alunos vindos também do
leste da Europa, Brasil (maioritário em relação às outras
comunidades), China, etc.
A Escola Secundária de Linda-a-Velha sempre se
caracterizou por uma grande dinâmica a nível de projectos e
actividades extracurriculares. Assim, a par da grande
preocupação com a qualidade das aprendizagens curriculares
dos alunos, sempre desenvolvemos iniciativas visando o
enriquecimento cultural, social e cívico dos alunos. Ao longo
dos anos, a Associação de Pais e Encarregados de Educação
tem sido activa, colaborando eficazmente com a escola.
Também existe uma forte articulação com a autarquia com
participação regular na vida da escola, quer a nível
institucional, quer através da colaboração em recursos e
apoios aos vários projectos da escola.
Como é obvio uma das grandes preocupações, expressa nos
sucessivos projectos educativos, tem sido a promoção do
sucesso escolar que, para a escola, e passo a citar,
“integralmente atingido, implica a aquisição de
conhecimentos, o desenvolvimento de competências, bem
como o domínio de instrumentos, para uma plena inserção
social e pleno exercício da cidadania”. O desempenho da
escola tem vindo a melhorar a todos os níveis nomeadamente
nas subidas das taxas de progressão e nas médias dos exames.
Também se verifica uma descida na taxa de abandono, fruto
de um trabalho de prevenção desenvolvido pelos Directores
de Turma e pelo Serviço de Psicologia e Orientação, em
articulação com a Comissão de Protecção de Crianças e
Jovens de Oeiras. No âmbito da filosofia da promoção de
mais e melhor sucesso educativo a escola aderiu este ano ao
projecto Turma mais, aplicado às turmas do 7.º ano de
escolaridade.
Embora a Escola não tenha meios objectivos de avaliação do
impacto da sua acção educativa, há um dado que nos permite
apurar os resultados dessa acção: as listas de colocação dos
alunos no Ensino Superior revelam que a grande maioria
ingressa no ensino superior e, muitos deles, na primeira
escolha, em cursos como Medicina, Engenharia
Aeroespacial, Engenharia Civil, Arquitectura e outros.
Apesar de não haver um conhecimento sistemático do
percurso escolar e ou profissional após a saída da escola, há
algum conhecimento, em regra satisfatório, pois são muitos
os alunos que, depois de saírem, vêm à Escola, para
assistirem a actividades realizadas, como convidados para
sessões, ou simplesmente para visitar a escola. O melhor
exemplo é a fundação da Associação dos Antigos Alunos da
Escola Secundária de Linda-a-Velha, concretização de um
sonho antigo perfilhado também pelo professor Lucas, cujos
dirigentes colaboraram activamente na comemoração dos 30
anos da ESLAV.
Orgulhosos do nosso passado, trabalhando para melhorar
o presente e perspectivar o futuro, continuamos a
valorizar, de entre os princípios orientadores que constam
do nosso projecto educativo, a defesa de uma escola
inclusiva e plural, onde as diferenças são encaradas como
riqueza e não como constrangimento, e a valorização dos
afectos que possibilitem a construção de universos
pessoais sem violência.
Esta foi a herança deixada pelo professor José Augusto Lucas
e que a escola quer continuar a honrar.
Toda a escola ainda hoje se orgulha da forma digna,
profissional e solidária como soube gerir e anular conflitos e
tensões.
O Professor José Augusto Lucas é uma referência para os
alunos e professores presentes e vindouros.
É uma referência porque sempre acreditou na juventude,
lutando para que lhe fossem oferecidas, na escola, para
além das condições pedagógicas, outras de alcance
cultural, formativo e desportivo, defendendo sempre uma
escola pública, de qualidade, de afectos, democrática e
inclusiva.
É uma referência porque sempre colocou em primeiro
lugar a escola, dedicando-se totalmente a esta causa, que
abraçou até ao último dia da sua vida.
“Para agrado de todos, esperamos...
escola
Depois de uma semana
verdadeiramente de loucos, em
que tivemos dança, futebol,
concertos, karaoke e muito,
muito despique entre as listas S e
J, eis que acabou.
Para infelicidade nossa, mas
para descanso dos protagonistas
desta semana frenética…
A vencedora?… A LISTA S.
Pretendemos, com esta entrevista
ao Presidente João Mota e ao
vice-presidente André Jorge,
saber todo o processo e o que
levou a lista S a vencer
estas eleições. E, claro
está, o que é que nos
vão trazer de novo!
ESMIUCEMO-LOS
ENTÃO…
POIAR OS ALUNOS – “Todas
as propostas que nós
apresentámos no nosso programa de
actividades servem para isso mesmo,
apoiar os alunos, e é isso que nós
queremos que vocês (alunos) sintam
ao longo deste nosso mandato”.
ATTLES – “O nosso principal Tomás Frischknecht
objectivo era mobilizar os
alunos, já que esta é uma das poucas
coisas por que se interessam quando se fala de listas ou de
eleições. A lista S tinha os seus contactos e a J tinha outros.
Falámos com o presidente da lista J e ele achou boa ideia. E
assim surgiu todo aquele “espectáculo”.
ONCERTOS – “Nós, durante a campanha, trouxemos
um guitarrista, para entreter os alunos e para lhes
mostrar aquilo que podemos fazer nesta área. Podemos
substituir um pouco as festas por um ou outro concerto,
porque conhecemos um ex-aluno aqui da ESPJAL, que não se
importa de cá vir tocar. Era giro…”
IVERSÃO – “Nós contamos com o apoio de duas
produtoras, a GoNight e a CGV, para nos ajudar a
realizar festas aqui na escola. Essas produtoras disponibilizam
-nos também DJ’s e podemos arranjar entradas à borla numa
ou noutra festa. Afinal de contas é disto que os alunos
gostam!”
MPENHO – “Temos, de certeza ABSOLUTA!”
A
B
C
D
E
F
AZER – Garantem que a palavra FAZ parte do
vocabulário desta associação…
G
H
ULOSEIMAS – Muitas voaram
ao longo da campanha. Nós
alunos só podemos agradecer.
INO DA ESCOLA – “Temos
dois amigos a trabalhar para a
lista que percebem de música e nos
estão a ajudar neste aspecto. Mas não é
uma prioridade, neste momento
Tia- Ferreira
inicial.” Falou-se num concurso entre
os alunos, quem sabe…
CARTAZ – “É um cartaz com informação de cinema,
desporto, CD’s, filmes… Mas ouvimos falar de um grupo
de alunas que, para a disciplina de Área de Projecto vai fazer
um trabalho parecido, por isso ainda não sabemos bem.
Vamos ver o que é que dá!”
A LISTA ADVERSÁRIA – “Nós ganhámos e pronto!
Preferimos não fazer grandes comentários à campanha
deles.” (risos)
IMITAÇÕES – “A nossa única limitação é a preguiça
do nosso presidente.” (risos)
ATRECOS – “Muita gente achava que o que
tínhamos escrito sobre os matraquilhos, no nosso
programa de actividades, era mentira. Bem, mas aqui está a
nossa resposta, já estão a 20 cêntimos!”
OVIDADES – “A nossa maior novidade é realmente
fazer alguma coisa! Essa vai ser mesmo a nossa
novidade para todos.”
RGULHO – “Mais do que orgulhosos, agora queremos
estar orgulhosos no final do ano por tudo o que
fizemos!”
I
J
L
M
N
O
... que se realizem todas as propostas feitas!”
P
ROGRAMA DE ACTIVIDADES – “Nós procurámos
elaborar um programa de actividades que abrangesse o
maior número de aspectos que considerámos importantes para
uma associação fazer, ao longo do seu mandato. Penso que
nos saímos bem!”
UAL A PRIMEIRA COISA QUE JÁ FIZERAM? –
“Dar uma tremenda arrumação no espaço que nos foi
destinado e pôr os matraquilhos a 20 cêntimos.”
ÁDIO DA ESCOLA – “Já temos a rádio, mais ou
menos em funcionamento, não tanto quanto desejamos
mas pelo menos já conseguimos passar alguma música
durante os intervalos, para os alunos descomprimirem das
aulas. O próximo objectivo é passar géneros de música mais
variados. Só não nos peçam para passar Fado!” (risos)
OLIDARIEDADE – “Nós pensámos em ajudar os cães e
outros animais, arranjando-lhes comida. Não somos só
nós (humanos) que precisamos deste tipo de ajuda...”
ORNEIOS DESPORTIVOS – “Pretendemos realizar o
mais rápido possível este tipo de torneios. Teremos que
primeiro resolver uma ou outra questão, mas depois disso esta
é uma actividade que vai, certamente, para a frente.” Fica a
promessa para os desportistas…
M POR TODOS E TODOS POR UM – “Sim,
esperemos que esta seja uma associação marcada pela
união e pelo bom trabalho realizado por toda a nossa equipa.”
OTA S – Muito barulho fizeram eles!
Q
R
S
T
U
V
X
EQUE-MATE – “Se for em relação aos torneios de
xadrez, então respondemos que estão em marcha, mas
se for em relação à lista J preferimos não entrar por
aí!” (risos)
Z
IMBORA” TRABALHAR NO DURO!
06 07
CRÍTICA
De 16 a 20 de Novembro de 2009
decorreram as eleições para a nossa
Associação de Estudantes,
com duas listas concorrentes,
designadas pelas letras S e J.
Os primeiros dois dias foram
somente dedicados à Lista S,
mas segundo a lista J fazia tudo
parte do “plano”!
Nessa semana, as duas listas
estiveram em confronto com uma
campanha eleitoral bastante
atractiva. Por parte
da Lista J houve boa
Madalena Frischknecht
música, jogos de
futebol da playstation, karaoke e
o show de malabarismo. A Lista
S não teve tanta diversão
(excluindo o barulho dos
tambores), mas sim a
apresentação de mais propostas
e propaganda às mesmas. Com
alguma rivalidade, realizou-se
também um mini jogo de futebol, Joana Freire
ganho pelos jogadores e
representantes da lista S.
Para que conste os candidatos a
presidentes foram, pela Lista S, o João
Mota, e, pela Lista J, a Inês Belo.
Depois de uma semana de “árduo trabalho”
realizou-se, no dia 23 de Novembro, a
esperada eleição. A
Lista S venceu com 395
votos contra 271 da
Lista J, dos 683 votos
entrados nas urnas.
Com esta vitória, a lista S
não perdeu tempo para pôr
em prática algumas das
propostas feitas como: os
torneios semanais de
“Magic the Gathering”, os
famosos e tão falados
matraquilhos a vinte
cêntimos e a rádio com
melhor música, ao gosto
de todos.
Para agrado de todos,
esperamos que se
realizem todas
as propostas
feitas!
“O Sr. César gostou muito de frequentar a escola...
escola
Sónia Oliveira
Beatriz Gonçalves
E que tal saber a opinião de um pai?
E se esse pai já tiver sido antigo aluno da nossa Escola?
Decidimos, por isso, entrevistar um ex-aluno da ESLAV,
que partilhou connosco a sua ideia acerca da Escola
e sobre outros temas....
ENCONTRÁMO-NOS À ENTRADA DA
NOSSA ESCOLA com o antigo aluno César
Oliveira (pai duma das entrevistadoras), numa
tarde de um sábado, do mês de Dezembro.
Frequentou a Escola Secundária de Linda-aVelha (ESLAV) de 1981 a 1984, entre os
14 e os 17 anos.
Considerava-se muito
bom aluno, embora
tenha tido algumas
pequenas dificuldades
de adaptação, porque os
seus pais tinham-se
mudado para o Zaire,
permanecendo lá quase
toda a sua infância.
Quando veio para
Portugal, não teve que
repetir nenhum ano e
continuou a frequentar o
9.º ano.
O Sr. César acha que a actual Escola Secundária
Professor José Augusto Lucas (ESPJAL) sofreu
grandes alterações desde a sua altura de estudante.
Quando ele a frequentava, não havia Biblioteca
nem, por exemplo, computadores. O Polivalente
era, nessa época, um espaço muito simples, e não
existiam os pavilhões E e F. O Ginásio estava
ainda inacabado, a meio
da sua construção. Por
outro lado, havia algo que
agora causaria uma
tremenda contestação:
aulas ao Sábado. Existia
também, nessa altura,
pouco controlo e
vigilância por comparação
com a situação actual.
Gostava muito do campo
de futebol onde ia muitas
vezes jogar com os
amigos.
… e, por isso, matriculou a sua filha aqui.”
Em geral, simpatizava com os professores e
costumava dar-se muito bem com os funcionários,
especialmente com a D. Nazaré, uma simpática
funcionária que ainda há pouco tempo se reformou.
Nessa altura, tinha alguns pequenos problemas em
relação às suas escapadas furtivas da escola. Como
o pai do Sr. César trabalhava numa mercearia perto
do recinto escolar, ele conhecia alguns dos
funcionários, nomeadamente o porteiro. Assim,
tinha alguma dificuldade em sair da escola sem os
pais se aperceberem. Então tinha que ficar na
escola, e não podia ir fazer outros “programas”
com os amigos, ou então tinha que ir logo para
casa. Recorda-se também que a sua mãe nunca o
deixava almoçar no Refeitório e ele não gostava
muito disso.
Contou-nos que, até há pouco tempo, existia
mesmo junto à escola um bairro intitulado de
“Pedreira dos Húngaros”, com habitações muito
degradadas (barracas) e onde viviam pessoas que
não tinham tantas possibilidades económicas.
Havia diversos assaltos a alunos, professores ou
pessoas que passavam ali perto. O Sr. César diz que
foi óptimo terem retirado as pessoas dali para outro
lugar onde tivessem uma casa.
08 09
CRÍTICA
Referiu-nos que gostava bastante do período do
Carnaval passado na escola. Havia guerras de
ovos e de balões de água onde todos se divertiam,
muito embora ache que algumas brincadeiras eram
perigosas e acabava sempre alguém magoado.
As eleições para a Associação de Estudantes
tinham um grande impacto e, nesse momento,
havia muito entusiasmo. As listas eram apoiadas
por alguns partidos políticos, faziam-se e
colocavam-se muitos cartazes e distribuíam-se
muitas ofertas pelos estudantes para caçar o voto.
Por essa altura, havia sempre música nos intervalos
e ping-pong no Polivalente.
O Sr. César gostou muito
de frequentar a escola
e, por isso, matriculou a sua filha aqui.
Quem sabe se a sua filha
não fará exactamente o mesmo?...
“Esperemos que esta nova experiência diminua o insucesso...
escola
Nós não sabíamos o que era o
Projecto TurmaMais e, numa
sexta-feira do final do 1.º Período,
fomos falar com a professora
Paula Varela para descobrir…
Ficámos a saber que é uma
experiência que dá aos alunos a
oportunidade de melhorar a sua
aprendizagem.
SEGUNDO NOS FOI INFORMADO
PELA PROFESSORA
COORDENADORA DESTE
PROJECTO, PAULA VARELA, a
ideia inicial surgiu há cerca de 8 anos na
Escola Secundária com 3.º ciclo
Rainha Santa Isabel, em Estremoz, e a
partir daí foi sendo adoptada por outras
escolas. Actualmente, existem cerca de
70 escolas a implementar o projecto.
Mónica Coutinho
O objectivo do projecto é melhorar o
sucesso e a auto-estima de TODOS os alunos
envolvidos.
O projecto na nossa escola começou a funcionar este
ano lectivo com 6 turmas do 7.º ano. As turmas estão
divididas em dois grupos de três turmas. As turmas
A C e E formam a TurmaMais G, por sua vez, as
turmas B, D e F formam a TurmaMais H.
Cada um dos grupos de 3 turmas é leccionado pela
mesma equipa pedagógica de professores. De acordo
com a nossa entrevistada “temos observado que os
alunos se sentem mais confiantes e mais à vontade
para participar na aula e esclarecer as suas dúvidas,
melhorando assim a sua aprendizagem”.
Rita Albuquerque
... continuando a melhorar as capacidades dos alunos.”
“Eu adorei este Projecto.
Adorava poder continuar nesta
turma o resto do ano pois
conheci pessoas muito
simpáticas e até reencontrei
outros amigos. Adorava que este
Projecto continuasse no 8.º ano,
pois foi das iniciativas mais
proveitosas em que pude
colaborar.”
João Tiago Gonçalves 7.ºC
Também segundo a Coordenadora “até agora, a
reacção dos alunos a frequentar a TurmaMais foi
bastante positiva”. A professora Paula Varela afirma
que “cada vez mais se nota a evolução dos alunos”. A
ideia global é, por enquanto, positiva. Contudo, segundo
nos afirmou “infelizmente o Projecto apenas abrange
6 disciplinas (Língua Portuguesa, Matemática,
Inglês, Francês, História e Geografia)”. No entanto,
os professores que integram o Projecto esperam que,
para o próximo ano lectivo, sejam integradas todas as
outras disciplinas.
Esperemos que esta nova experiência diminua o
insucesso, continuando a melhorar as capacidades
dos alunos.
10 11
CRÍTICA
“Este Projecto permite aos alunos
melhorar as notas. Gosto de estar na
TurmaMais pois estamos todos a
trabalhar ao mesmo ritmo e é mais fácil.
As vantagens é os alunos com mais ou
menos os mesmos resultados, de
turmas diferentes, estarem a trabalhar
todos juntos. As desvantagens é que,
por exemplo, no meu caso, as minhas
amigas não vieram para a TurmaMais e
é difícil estar com elas, mas ao fim de
tudo até foi interessante estar na
turma…”
Andrea Monteiro 7.ºE
“Acho que este
Projecto foi bastante
interessante, apesar
de ter começado
demasiado cedo, mas
até me adaptei bem.
O ambiente de
trabalho é totalmente
diferente e assim até
conheci colegas novos
e fiz novos amigos.
Adorei a experiência.”
Nuno Galhofo 7.ºA
“Eu acho que este Projecto até
funcionou bem, mas tem o problema de
que a turma de origem quase nunca
está junta. Tem vantagens na
aprendizagem. Não fiquei tão à-vontade
como gostaria, mas foi bom, ensinoume algumas coisas…
Tive mais atenção nas aulas e
compreendi as matérias.”
Carla Duarte 7.ºC
“(...) uma merecida homenagem tanto ao cinema...
escola
No dia 16 de
Dezembro de 2009,
como habitualmente,
às quartas-feiras no
Clube de Cinema,
juntaram-se no
anfiteatro amantes
de cinema – desde
meros curiosos a
absolutos fanáticos –
para celebrar uma
vez mais a sétima
arte.
POR OCASIÃO DA COMEMORAÇÃO DOS
30 ANOS DA ESCOLA e genialmente
sugerido pela Professora Ana Páscoa
preparávamo-nos para ver Apocalypse Now, um
épico do cinema de 1979 (também com 30 anos),
brilhantemente realizado por Francis Ford
Coppola.
Toda a jornada, que acaba por se centrar na
subida de um rio, permite-nos olhar de dentro
e de forma lúcida a guerra do Vietname, ver as
mais terríveis atrocidades e, por isso, duvidar
Assim, juntaram-se os habituais membros do
do Homem enquanto ser racional,
Maria Nunes questionando até que ponto somos capazes de
Clube de Cinema, muitos outros professores,
alguns funcionários e outros tantos alunos, o que
suprimir o nosso instinto animal e mais
constituiu um grupo muito simpático, de pessoas
selvático. Vamos acompanhando a complexa
interessantes, de olhares curiosos e atentos, prontas para
construção das personagens e partimos numa viagem,
se deleitar, vendo ou revendo e revivendo, na minha
mais que física, espiritual, de procura da essência do
opinião, uma das melhores obras cinematográficas de
ser.
sempre. Mas há que fazer um pequeno aparte. Lamentar
a falta de afluência dos alunos da escola, a sua falta de
Em seguida, deu-se a discussão. Uma conversa aberta
adesão. Pois esta não era, de forma alguma, uma sessão
e acesa como deve ser, onde se apresentaram
entediante, antes uma comemoração do cinema e, por
diferentes perspectivas e se reconheceu a qualidade da
extensão, uma celebração da vida. Enfim, o filme
fotografia, a predominância de cores como o verde e o
começou num ambiente silencioso e quase cerimonial.
negro e se debateu todo o simbolismo inerente.
Apocalypse Now é o resultado de uma adaptação do
conto de Joseph Conrad Heart of Darkness e a acção
tem lugar no Vietname, em plena guerra. Willard
(Martin Sheen) é um capitão norte-americano que parte
numa missão incumbido de matar um tal de coronel
Kurtz (Marlon Brando), uma personagem non grata ao
regime.
Como fã incondicional de cinema que sou
só poderia dizer que, apesar do frio, chuva e
desconforto, esta foi uma tarde muitíssimo bem
passada, onde foi feita uma merecida homenagem
tanto ao cinema como a uma escola
que já faz 30 anos.
… como a uma escola que já faz 30 anos.”
12 13
CRÍTICA
"This is the end"Com estas
palavras, cantadas
pela voz de Jim
Morrisson, o
eterno vocalista
dos The Doors,
poeta e “Rei
Lagarto”, começou
o filme Apocalypse Guilherme Santos
Now de Francis
Ford Coppola, o filme escolhido para
comemorar os 30 anos da Escola
Secundária de Linda-a-Velha.
Escolhido pela Professora Ana Páscoa,
professora de Filosofia e Psicologia, o
filme foi seleccionado por dois motivos: a
sua data, 1979, ano em que a ESLAV
também foi fundada; e a sua qualidade,
atestada por dois Óscares e seis
nomeações para a mesma estatueta
dourada.
Presentes na sessão estavam 34 pessoas,
na sua maioria professores. Após a
exibição do filme, que durou duas horas e
trinta e dois minutos, a Professora Ana
Páscoa iniciou o debate, explicando por
que tinha escolhido o filme. Prosseguiuse então a discussão entre professores e
alunos, sobre os temas do filme como a
guerra e o efeito que a derrota
desastrosa teve para os Estados Unidos,
assim como a análise mais subtil à
natureza humana e à reacção do Homem
perante a barbárie e o brutalmente
surreal. A discussão foi sempre muito
interessante, contando com participações
da maioria do auditório, passando por
professores e também alunos.
Trinta anos depois, o filme
"Apocalypse Now" envelheceu como
um bom vinho do Porto, mantendo a
sua qualidade e a sua mensagem
actuais.
Lançamento do Livro “30 e Tal Olhares” - uma colectânea
de textos de alunos, professores, funcionários, encarregados
de educação e ex-alunos da Escola sobre os filmes mais
significativos dos últimos 30 anos.
“O Prof. José Augusto Lucas (…) ,durante toda a sua carreira, combateu o abandono escolar e ...
escola
Exactamente no dia
17 de Dezembro de
2009,
a Escola fez 30 anos.
Nada melhor, portanto,
que iniciar as
Comemorações da
antiga ESLAV
com a já consagrada
Corrida da Escola
e esperar que, pelo dia
fora, vá surgindo a
nova... ESPJAL
A PARTIR DAS 10H00
COMEÇOU A SER
REALIZADA A CORRIDA DA
ESCOLA que, desta vez, reuniu
professores, funcionários e
alunos, num acontecimento
desportivo anual que pretende
Miguel Moreira incentivar à prática de exercício
físico.
Depois da preparação física, às 14h30, decorreu
finalmente o acontecimento mais importante das
Comemorações dos 30 anos da ESLAV. Estas tiveram
lugar no Polivalente, que sofreu uma transformação
radical para albergar um evento desta dimensão. Vários
alunos, juntamente com
professores, empenharam-se para
embelezar o lugar, com sucesso.
Foi então que, por volta das
15h00 horas, foi aberta a Sessão
Solene. Inicialmente, o Director
da Escola, Professor Carlos
Guerreiro, brindou toda a
plateia de funcionários,
professores, alunos e ex-alunos
da ESLAV com um discurso
sobre os momentos importantes
da história da Escola.
Mereceu especial referência o percurso do Professor
José Augusto Lucas até chegar a Presidente do
Conselho Executivo da Escola, não tendo sido
poupados elogios a este que, durante toda a sua
carreira, combateu o abandono escolar e ajudou
pessoalmente todos os alunos da ESLAV, no seu
percurso académico.
… ajudou pessoalmente todos os alunos da ESLAV, no seu percurso académico.”
14 15
CRÍTICA
No dia 18 de Dezembro, sexta-feira
(e último dia de aulas), devido às
Comemorações dos 30 anos da
Escola, realizaram-se também várias
actividades.
Seguiu-se um breve discurso do Director Regional da
Educação, representante da Ministra da Educação, que
não pode marcar presença neste acontecimento. Este
frisou alguns assuntos referidos anteriormente, mas
aproveitou a oportunidade para lembrar que a
ESPJAL está inserida num programa para a
recuperação de instalações escolares. Esta cerimónia
findou com o discurso da representante da Câmara
Municipal de Oeiras.
Seguiu-se a cerimónia de atribuição da nova designação
oficial à ESLAV, que passou a chamar-se Escola
Secundária Professor José Augusto Lucas, em
homenagem ao antigo Presidente do Conselho
Executivo.
Nesta cerimónia é de realçar a presença do
Presidente da Câmara Municipal de Oeiras,
Sr. Isaltino Morais
e dos filhos do Prof. José Augusto Lucas.
Durante a manhã, no
Pavilhão G, de Educação
Física, realizaram-se
actividades de carácter
lúdico e desportivo,
neste caso râguebi e
tiro ao alvo que
mobilizaram grande
parte dos alunos.
João Albuquerque
Ao longo do dia
foram decorrendo outras actividades,
como a inauguração da Exposição do
Clube de Cinema, no Pavilhão E, o
lançamento do livro “30 e Tal
Olhares” (ver página 13), a plantação
de uma Oliveira e a realização de um
Pedipaper.
Além de vários momentos de Poesia,
Musicais e da inauguração da
Exposição “1979 – 30 Livros em
Português”, as actividades da manhã
foram encerradas com um lanche com
oferta de livros da Editora Gradiva à
comunidade escolar e uma animação
com antigos alunos trajados com a
roupa do ano de 1979.
Foi um dia bastante activo, tanto
para professores como para alunos.
CRÍTICA: Já foi professora nesta escola.
Como foi essa experiência? Gostou do
tempo em que leccionou na Secundária
de Linda-a-Velha?
ROSA BARBOSA: Eu vim para aqui em
81/82, um ano depois da escola ter sido
inaugurada. Estava nessa altura no
Conselho Directivo a Prof.ª Teresa Garcia
Nunes e o Prof. Carlos Gonçalves, de
Educação Física. Foram eles que me
receberam quando me vim apresentar.
Esta será sempre a minha escola. Eu fui 4
anos para a Escola Joaquim Carvalho, na
Figueira da Foz, e embora gostasse, não
tinha nada a ver.
Eu acho que o que caracteriza esta escola é,
por um lado, a enorme diversidade de
alunos, o que dá uma riqueza espantosa às
turmas; Por outro lado, existe também um
certo “espírito de escola” para o qual penso
que, de certo modo, também contribuí um
bocadinho, na altura que estive por cá.
Começou aí, mas felizmente com o Prof.
Lucas as coisas caminharam num sentido
absolutamente espantoso de integração, de
abertura e de uma sempre disponibilidade
para todas as coisas que nos lembrávamos
de trazer fora do “dar aulas”. E foi isso que
Sara Encarnação
C: Durante o tempo em que esteve na
escola exerceu um cargo mais
administrativo no Conselho Executivo.
Como foi exercer esse cargo? Recorda-se
de alguma experiência em especial?
R.B.: Em 83/85 fizemos uma lista e fomos
para o Conselho Directivo durante dois
anos, que foram terríveis nesta escola,
porque foi quando se deu a explosão
demográfica escolar nesta zona e surgiu a
Secção (anexo existente até 1998).
A escola do primeiro ano ao segundo
cresceu de tal forma que de um momento
para o outro tínhamos 34 turmas de 7.º e 8.º
anos sem sala. Estavam as turmas
formadas, os professores colocados e não
havia espaços. Foi quando começaram a
construir os pavilhões da Secção, na Rua
dos Lusíadas.
Eu nunca mais me esqueço do primeiro ano
em que aqui estive. Fiquei horrorizada ao
ver o Polivalente completamente cheio de
gente... e o Inspector Pedagógico que veio à
escola ver como é que as coisas se estavam
a processar, por causa das brincadeiras de
Carnaval, vinha de blazer azul e resolveu ir
enfrentar a multidão de alunos para o
C: Há dois anos fez uma palestra aqui na
escola sobre a “inteligência do coração”.
Poderia explicar, sucintamente, em que
consiste este tipo de inteligência?
R.B.: No fundo consiste em desenvolver
uma série de capacidades que têm sido
subalternizadas.
Até agora, capacidades que são centradas
no hemisfério esquerdo, como a memória, a
inteligência dita pura racional, a lógica, o
pensamento sequencial de causa-efeito são
aquelas que normalmente a escola
privilegia e que mede em termos
quantitativos. O que a inteligência
emocional pretende é que se desenvolvam,
por um lado, o auto-conhecimento da
própria pessoa, das suas emoções, do que a
pessoa pensa e porque é que sente isso em
determinada situação, o que dará
possibilidade a um autocontrolo, a uma
auto-gestão dessas emoções. Depois há o
que as escolas têm hoje, é o que eu sinto do
que oiço dizer. Promovemos uns dias de
actividades livres, organizadas pelos alunos
e apoiadas por nós e a primeira festa de
Carnaval, que se fez nesta escola, foi nesse
ano, 1984!
No ano em que a Escola Secundária de Linda-a-Velha (de agora em diante
Escola Secundária Professor José Augusto Lucas) comemora uns
grandiosos 30 anos, fomos conversar com Rosa Barbosa, antiga Professora de
Filosofia da nossa escola.
Recordámos os primórdios, o verdadeiro começo desta aventura, os momentos
menos bons e os excelentes, sempre em paralelo com o assunto da inteligência
emocional, sobre o qual a Professora Rosa se tem debruçado.
Porque recordar é viver, é a relembrar que mantemos viva a memória do Professor
Lucas e também lembrámos um jovem Professor Carlos (actual Director).
Este é um belo testemunho das vivências nesta escola, do que fez da ESPJAL a
escola que é hoje, na voz informal e divertida da Professora Rosa.
tema de k
C: Como é que a inteligência
emocional poderá ser ensinada, em
termos práticos, nas nossas
escolas?
R.B.: É muito complicado, já tenho
pensado muito nisso.
Por exemplo, estamos perante uma
turma pela primeira vez, uma das
coisas que eu acho que dava resultado
era não querer saber nada
relativamente ao percurso escolar.
Não querer saber se traziam ou não
boas... Porque isso condiciona as
nossas expectativas como professores
e isso faz com que, relativamente
àqueles alunos, não haja tanta aposta
em todos. O importante é conseguir
fazê-los acreditar e sentir que o que é
importante é o agora e daqui para a
frente. É evidente que não é tanto
assim porque há coisas vividas atrás
que marcam as pessoas.
de encontrar formas de me ocupar
mais profundamente do que as
pequenas coisas que tinha.
“O Lucas, não tinha idade para isso, mas era quase como um filho (…) Era uma pessoa
C: E do Professor Carlos Guerreiro?
Guarda algumas memórias?
R.B.: O Carlos era muito jovem, mas era
um indivíduo muito dinâmico. Ele era
responsável pelo sector das tecnologias,
que a maioria dos professores não percebia
nada. Ele era a nossa salvação para tudo o
que havia ligado a máquinas e
computadores, a laboratórios e aos
pavilhões! Mas não era só isso, ele era e é
um indivíduo muito inteligente. Nas nossas
reuniões era muito tímido, era sempre o
último a falar, mas nós insistíamos e lá saía
a sua opinião. Não era uma pessoa que
ficasse à margem, de maneira nenhuma!
E ajudou-nos bastante naquela altura!
C: Que ligações e memórias tem do
Professor Lucas?
R.B.: Ainda hoje é muito difícil falar sobre
isso. O Lucas, não tinha idade para isso,
mas era quase como um filho e eu conhecio novinho ainda. Era uma pessoa muito
interessante: cheio de humanidade e nunca
tinha certezas.
Eu acho que ele, realmente, corporiza o
“espírito” que eu acho que marca esta
escola: a abertura às diferenças, a
capacidade de ouvir mas também a
capacidade de cortar a direito quando é
preciso. Não era impunemente que os
jovens, quando havia algum problema
diziam “Vai chamar o professor Lucas!”.
Era porque ele andava por aí pelos recreios,
falava com todos, olhava, via o que estava a
acontecer e quando havia qualquer
problema ia lá direito ao foco da situação e
enfrentava-a. Agarrava neles, levava-os
para o Conselho Executivo e conversava
com eles. Eu assisti a algumas situações e
era engraçadíssimo a forma como ele dava
a volta a jovens muito complicados.
nunca mais encontrei...
C: Falou das coisas mais difíceis, mas
teve com certeza boas experiências
quando esteve a exercer o cargo de
Presidente do Conselho Directivo?
R.B.: Houve claro coisas interessantes.
Promovemos algumas acções em que
chamámos algumas pessoas para falar com
os professores. Havia sempre aqueles
problemas, aquelas fricções, mas o que
algumas pessoas que estavam cá me têm
dito agora, à distância, é que houve um
certo tipo de coisas novas que surgiram a
partir dessa gestão e depois continuaram.
Por exemplo a abertura à realização de
projectos que os professores apresentavam.
Havia professores muito activos (e sempre
houve nesta escola), muito dinâmicos e
com ideias muito interessantes para
projectos autenticamente interdisciplinares.
Tínhamos também mais liberdade do que a
Polivalente. Subiu para cima de uma
cadeira. O senhor era Professor de
Educação Física e trazia um apito, resolveu
apitar. Ficou coberto de ovos da cabeça até
aos pés e a Prof.ª Teresa Garcia Nunes
tentava limpar-lhe o casaco.
Foi de morrer a rir!
C: Como entrou em contacto com este
assunto?
R.B.: A minha área de formação é
Filosofia. Durante muitos anos dei poucas
vezes, muito poucas, Psicologia. Não era
uma coisa que me interessasse por aí além,
para ser franca! Interessava-me muito mais
a Filosofia, o lado mais sociológico das
coisas. A única coisa que fiz foi, depois de
estar reformada, começar a ler coisas que
não tinha tido tempo de ler antes. Nessa
altura pediram-me para fazer um curso de
formação sobre um tema novo que era a
inteligência emocional. Aquilo foi um
desafio, foi uma coisa que eu tive muito
medo de aceitar, não me sentia
minimamente preparada mas ao mesmo
tempo era mesmo isto! Eu estava a precisar
problema da motivação que é um problema
fundamental, da empatia e da competência
social: a capacidade de liderar e de
trabalhar em grupo. Esse tipo de
capacidades são fundamentais numa
sociedade. Nalguns países que já começa a
ser mais evidente que noutros. Portanto são
esse tipo de características que têm a ver
com as tais competências relacionais...
C: Um professor pode muitas vezes
fazer uma grande diferença na vida
de uma aluno, para melhor ou para
pior. Dos alunos a quem já deu
aulas, sentiu que tenha marcado
algum em especial?
R.B.: Há uma coisa que me marcou.
Num primeiro teste que fiz coloquei
um texto do Almada Negreiros sobre
Filosofia. No fim, tinha uma frase
que dizia qualquer coisa como “o
género humano não suporta muito a
realidade” e uma jovem que estava a
ler aquilo, a dada altura comecei a vêla toda encolhida sobre o teste e dou
conta de que ela estava a chorar, mas
a chorar profundamente! Fiquei
assustadíssima a pensar “o que é que
se passa?”. Fui lá ao pé dela, ela não
conseguia dizer nada e dizia “Não
consigo, não consigo” e saiu porta
fora. Eu chamei uma empregada e
disse “Olhe, veja lá, vá com ela ao
bar comer qualquer coisa mas depois
veja se me vem dizer ou se manda cá
alguém, esteja com ela, não a deixe
sozinha” e ela lá foi. Aquilo passou e
no fim a aluna veio falar comigo.
Tivemos uma enorme conversa, ela lá
se abriu e a partir dali foi uma das
alunas mais espantosas que eu tive.
Nunca mais me esqueci dela, aquele
caso marcou-me de tal modo que
ainda hoje me comovo quando penso
nisso, na conversa que tive com ela.
Foi um momento fulcral para ela.
a muito interessante: cheio de humanidade e nunca tinha certezas.”
16 17
CRÍTICA
“Aquele estilo de vida “Esta
em que
é sempre...
se está...
uma manhã com...
Por ocasião do trigésimo
aniversário da ESLAV, a
Crítica entrevistou Rosa
Barbosa, antiga Professora e
membro do Conselho
Executivo da nossa escola,
agora reformada.
AO CAMINHARMOS ATÉ À SALA K
AZUL E, FINADA A ENTREVISTA,
percorrendo o caminho oposto, foi com
surpresa que vimos vários docentes e
funcionários cumprimentarem a professora
com alegria e satisfação. Pareceu-nos óbvio
que tínhamos convidado a pessoa certa!
Começa a entrevista e nem são precisas as
perguntas. Como um longo pergaminho que
desenrolamos e que nos revela todo o saber de
outros tempos, assim a Professora Rosa se abriu
connosco e contou histórias e histórias sem rol. O
entusiasmo era visível nos seus olhos, vibrantes
da emoção, mas o pesar nostálgico dos anos
passados, esse pressentíamo-lo nos seus dedos,
que agarravam com força uma pilha de revistas e
a contorciam nervosamente.
texto
fotos
João d’Eça
Sara Meess
... em
…
a minha
comunhão
escola!”
com a natureza”
Da confissão peremptória de que esta escola, não
sendo a única em que trabalhara, era a única que
lhe ocupava o coração, à lembrança dos tempos
mais conturbados, em que havia mais de trinta
turmas sem sala e em que os professores eram alvo
de ovos e outras brincadeiras de Carnaval, às
descrições humanas e compassivas do professor
Lucas, ficámos maravilhados com tudo o que
desconhecíamos sobre esta escola que, apesar de
ser já trintona, consegue atrair ainda tantos jovens,
de tantos locais diferentes.
Falou-se também sobre o papel dos professores
hoje em dia e sobre os métodos de ensino
ultrapassados, nomeadamente a excessiva
valorização da inteligência racional e pura em
detrimento da inteligência emocional. Nesse
aspecto, a escola foi pioneira pois, desde cedo,
incentivou projectos interdisciplinares, como o
projecto “Clave de Sol”, como actividades culturais
18 19
CRÍTICA
de integração na escola, lembrando a “Semana
Africana”, e promoveu projectos extra-curriculares
como o Clube de Jardinagem, o Clube de Dança, o
Clube de Fotografia, o Clube de Teatro e, mais
recentemente, o Clube de Cinema.
Mais de vinte minutos depois do tempo
inicialmente planeado para a entrevista, a
Professora Rosa despediu-se de nós e
acompanhámo-la quase até ao Polivalente.
Consigo, levava uma caixa de queijadas e pastéis
de Tentúgal, um velho hábito seu, interrompido
aquando da trágica morte do professor Lucas, há
dois anos. Mas neste dia em que regressava à
escola para contar o seu longo percurso profissional
e para rever os seus amigos e conhecidos, decidira
também retomar a tradição.
“Esta é sempre a minha escola!”
Professora Rosa
“O autor trata o cábula com dignidade. Motiva-o e este acaba por conseguir libertar-se...
leituras
Nem mais, um autêntico cábula...
Ocorrer-te-ia alguma vez que o
escritor deste livro tenha sido, ao
longo da sua vida escolar, um cábula?
E que esse mesmo cábula seja hoje
professor?
DANIEL PENNAC era um rapaz
que vivia angustiado face às suas
dificuldades constantes e
permanentes de nada conseguir
aprender na escola. O tempo
passava sem que conseguisse
alterar a sua capacidade de
conseguir aprender
Raquel Ramos simplesmente
qualquer coisa. É da
problemática do ser mau aluno, do ponto
de vista efectivo de um ex-mau aluno, que
nos fala esta obra.
De forma simples, o autor relata a vida e
as dificuldades de um aluno cábula (que
era ele próprio). Relata acontecimentos
vividos na escola, no seio familiar, entre
amigos e colegas, das suas dificuldades,
anseios, angústias, da sua enorme e
profunda dor, perturbadora e permanente,
com prognósticos perpétuos e
aterrorizadores, simplesmente porque era
um cábula.
Mas o que mais o aterrorizava e afligia era
a impotência sentida face à ignorância e
abandono que era consagrado, sem que
nada pudesse fazer para inverter ou alterar
tais sentimentos injustos, que inundavam
o cérebro de quem o rodeava, colegas,
pais, irmãos, amigos, professores e até do
mais ignorado cidadão.
Era simplesmente aterrorizador.
E era aterrorizador e preocupante porque ninguém
tentava perceber porque é que esse mau aluno não
aprendia. Os outros, OS BONS, pais, colegas, irmãos,
professores e cidadãos incógnitos eram verdadeiros
sábios, logo deveriam tentar perceber o que lhe ia na
alma… Mas não. Ignoravam que ele existia e que
também tinha problemas, ignoravam que ele era mais
que um simples CÁBULA.
Mágoas da Escola
Autor: Daniel Pennac
Tradução: Isabel St. Aubyn
Porto Editora
253 págs.
O autor, com esta sua
obra, pretende alertar
para as dificuldades
vividas pelos maus alunos
dentro e fora da escola,
para o ser estigmatizado e
rotulado. Alerta também
para os actuais métodos de
ensino que nem sempre
vão de encontro às suas
dificuldades, nem
acompanham as suas
motivações.
Pennac, que foi professor durante mais de vinte anos, dá
a importância devida ao mau aluno, tirando-o do
abatimento psicológico a que foi sujeito, percebendo os
verdadeiros motivos por que NADA aprende,
concluindo:
O autor trata o cábula com DIGNIDADE.
MOTIVA-O e este acaba por conseguir libertar-se
do estigma do mau aluno e consegue
aprender e sentir-se PESSOA.
... do estigma do mau aluno e consegue aprender e sentir-se PESSOA.”
Tenho doze anos e meio
e não fiz nada.
Os nossos «maus alunos» (alunos
considerados sem futuro) nunca vão
sozinhos para a escola. O que entra na
sala de aula é uma cebola: algumas
camadas de tristeza, de medo, de inquietação, de
rancor, de raiva, de desejos insatisfeitos, de renúncias
furiosas, acumuladas sobre um fundo de passado
humilhante, de presente ameaçador, de futuro
condenado. Reparem, vejam-nos chegar, o corpo em
transformação e a família dentro da mochila. A aula
só poderá começar realmente depois de pousarem o
fardo no chão e descascarem a cebola. É difícil de
explicar, mas às vezes basta um olhar, uma palavra
amiga, um comentário de adulto confiante, claro e
estável, para dissolver estas mágoas, aliviar os
espíritos, instalá-los num presente rigorosamente
indicativo.
Como é natural, o bem estar será provisório, a cebola
voltará a formar-se à saída e será com certeza
necessário recomeçar no dia seguinte. Mas ensinar é
isso mesmo: é recomeçar até ao nosso necessário
desaparecimento como professores. Se não
conseguirmos instalar os nossos alunos no presente
do indicativo da nossa aula, se o nosso saber e o
gosto de o levar até eles não pegarem nesses rapazes
e nessas raparigas, no sentido botânico do verbo, a
sua existência descambará para as fendas
pantanosas de uma carência indefinida. Não teremos
sido nós com certeza os únicos a escavar essas
galerias ou a não saber colmatá-las, mas esses
homens e essas mulheres terão ainda assim passado
um ou vários anos da sua juventude, ali, sentados à
nossa frente. E já é muito, um ano de escolaridade
perdido: é a eternidade numa redoma.
Excerto do capítulo II
Evolução
do livro Mágoas da Escola
20 21
CRÍTICA
DANIEL PENNAC
é um escritor
francês nascido
em 1944 em
Marrocos e é
hoje
considerado um
dos mais
importantes e
populares
autores da literatura francesa.
Tornou-se professor após estudar em
Nice. Começou a escrever para crianças.
Escreveu uma série de livros sobre a
família “Malaussène” (O Paraíso dos
Papões, A Fada Carabina, A
Vendedora de
Prosa, O Senhor
Malaussène e A
Paixão Segundo
Thérèse), escrita
bem-humorada e
imaginativa.
Escreveu também
Como Um
Mariana Dionísio
Romance, um
ensaio sobre a leitura
que se transformou num livro de culto.
Mágoas da Escola obteve o Prémio
Renaudot, em 2007, depois de ter
estado mais de 50 semanas nos tops de
vendas franceses. Traduzido em 24
países, vendeu, só em França, mais de
800 mil exemplares.
Em 2008, Daniel Pennac obteve, pelo
conjunto da sua obra, o Prémio
Metropolis Bleu, anteriormente
atribuído a escritores como Margaret
Atwood, Carlos Fuentes, Paul Auster ou
Norman Mailer.
Informações retiradas de
www.wook.pt
“Jorge Palma já se tornou uma referência na música portuguesa, influenciando...
músicas
Jorge Palma
contagia-nos de novo.
Desta vez com
Voo Nocturno,
o seu 13.º álbum,
nome provavelmente
associado
à sua vida de sonhador.
Teresa Cardosa
Manuela Fonseca
VOO NOCTURNO DE JORGE PALMA começa com
o já famoso “Encosta-te a Mim” em que levitamos ao
som da philicorda e da guitarra acústica ou “Rosa
Branca” que nos incentiva a dançar e a viver sem
perder tempo.
Somos logo levados a comprar o CD pela sua capa
contraditória, por um lado transmite tristeza pela cor
negra e por outro alegria e emoção através da mistura
das cores de fogo que formam um voador nocturno, tal
como Jorge Palma.
A sua voz transmite-nos
conforto e sabedoria. As
letras são muito
realistas, talvez reflexo
de uma vida repleta de
paixões e desilusões.
Ironicamente diz o que
pensa e diverte-nos com
as suas rimas. Sem
receios.
Jorge Palma já se
tornou uma referência
na música portuguesa,
influenciando assim
muitos jovens no início
da sua carreira
musical.
Voo Nocturno foi mais um álbum de sucesso, tendo-se
mantido por mais de 6 meses nos Tops de Portugal.
É, de certo, um álbum muito pessoal e especial para
Jorge Palma, porque foi ao som de uma das suas
músicas, “Encosta-te a Mim”, que ele casou com Rita
Tomé, a sua namorada de longa data, em Las Vegas.
Através deste álbum, podemos sentir o seu grande amor
e dedicação à música, tendo começado aos seis anos de
idade no Conservatório onde estudava piano. Mais
tarde, já durante a sua adolescência, descobriu a sua
paixão pela guitarra, através do rock n’ roll e da música
popular americana e inglesa. A
sua música tem, desde sempre,
vindo a ser influenciada por
cantores como Bob Dylan, Lou
Reed e a famosa banda Led
Zeppelin.
Apesar de estar envolvido
nalgumas salutares polémicas, a
sua boa música continua a
contagiar pessoas de todas as
idades.
Apelamos assim a todos para
que oiçam a música de um dos
nossos grandes artistas,
Jorge Palma.
... assim muitos jovens no início da sua carreira musical.”
22 23
CRÍTICA
JORGE MANUEL DE ABREU PALMA
nasceu em Lisboa, no dia 4 de Junho de
1950. Aos seis anos de idade, ao mesmo
tempo que aprendia a ler e a escrever,
Jorge aprendia também a tocar piano.
Teve a sua primeira audição no
Conservatório Nacional, com oito anos,
altura em que era aluno da conceituada
professora Maria Fernanda
Chichorro.
Voo Nocturno
Agora já não vejo o sol
nem o seu reflexo lunar
levo as asas nos bolsos
e o coração a planar
neste voo nocturno
não sei onde vou aterrar
Sinto as nuvens nos meus pulsos
e o leme sempre a consentir
são sempre os mesmos ossos
que eu insisto em partir
neste voo nocturno
só quero mesmo resistir
Neste voo nocturno sou mais leve do que o ar
neste voo nocturno não sei onde vou acordar
Em baixo há manchas no canal
mas eu não as quero ver
o aeroplano está frio
e os hélices a ferver
o nariz do avião
só obedece a quem quiser
Agora não existe nada
o meu motor “ao ralenti”
Vou revendo em surdina
tudo o que eu vivi
neste voo nocturno
a madrugada vem aí
Letra e Música: Jorge Palma
Estudou no Liceu Camões e num
colégio interno perto de
Abrantes. Durante a
adolescência e a par da
formação erudita, começa a
interessar-se pelo rock’n’roll e,
de um modo geral, pela
música popular americana e
Isabel Valente
inglesa. A sua primeira
experiência profissional surgiu aos 17 anos,
quando integrou o grupo Black Boys, onde
tocava órgão.
Mas a sua estreia a solo só veio a acontecer em
1972, ano em que lança o seu primeiro single,
“The Nine Million Names of God”.
A partir daqui torna-se premente a necessidade
de aprender a escrever letras em português.
Fernando Tordo leva-o ao encontro do famoso
poeta português José Carlos Ary dos Santos,
que o ajuda a aperfeiçoar a sua escrita poética e
nasce o disco chamado “A Última Canção”.
Em 1975, participa no Festival da Canção com
“O Pecado Capital” e fica qualificado em 7.º
lugar num total de 10 canções concorrentes.
Nesse ano grava também o seu primeiro LP,
chamado “Com uma Viagem na Palma da
Mão”, com canções escritas durante o seu exílio
(para fugir à Guerra Colonial) em Copenhaga.
O seu entusiasmo, nos anos 80, é enorme e
especialmente inspirador editando os álbuns
“Acto Contínuo”, “Asas e Penas”, “Lado
Errado da Noite”, “Quarto Minguante” e
“Bairro do Amor”. A nata das suas músicas
sairá destes trabalhos.
A década de 90 é marcada por muitos concertos
e trabalhos, facto que não muda ao entrar no
novo milénio. Em 2002, é nomeado para os
Globos de Ouro, evento promovido pela SIC,
pelo seu álbum “Jorge Palma”, lançado em
2001.
Mais recentemente, em 2007, lançou o seu
disco “Voo Nocturno” numa viagem que só
terminará quando a música acabar.
“Afinal, a culpa é dos alunos...
filmes
João d’Eça
Se o cinema é a
verdade vinte e quatro
vezes por segundo,
como disse Godard,
então o filme
A Turma
(Entre Les Murs),
de Laurent Cantet,
é a verdade duzentas e
quarenta vezes por
segundo, que nos
embrulha e entontece
com o seu ritmo
alucinante e a sua
terrível representação
da mais importante
instituição que a
sociedade conhece:
A ESCOLA.
OS DIÁLOGOS MORDAZES DE
“A Turma” e as suas situações
incríveis têm o poder ambíguo de
nos comoverem pelos “enfants
terribles” e ao mesmo tempo de
desejarmos a sua repressão.
As cenas são magistralmente filmadas em estilo semi-documental e expõem-nos os comportamentos de uma
turma intercultural num bairro suburbano de Paris. O
professor de Francês, protagonista da história, é o
Director da Turma, cujos esforços para transformar os
seus alunos em cidadãos respeitáveis se vêem
constantemente frustrados, quer pelo sistema repressivo
da escola, quer pelos próprios alunos, oriundos de
classes baixas e pouco educadas ou de famílias
emigrantes. São muitos os alunos que nem o francês
dominam e um deles intriga os restantes ao esquecer o
seu país de origem e escolher a França como a sua
selecção de futebol.
É um filme bastante interessante na sua reflexão sobre
vários dos problemas contemporâneos que afectam, não
só aquele país, mas também o nosso e muitos outros,
como a discriminação racial, a formação de um
sistema de ensino responsável pela exclusão dos
indivíduos com menos capacidades e a ausência de
estímulo da inteligência emocional que conduz as
camadas mais jovens pelo caminho fácil que, a longo
prazo, se revela inevitavelmente como o mais árduo.
Afinal, a culpa é dos alunos, ou da Escola?
Sobre o final explosivo, que nos remete para outras
obras cinematográficas como “Sementes de Violência”,
(Blackboard Jungle, 1962), de Richard Brooks, e que
nos mostra a expulsão de um aluno e o consequente
fracasso do professor e da escola na sua integração,
tenho a dizer que era o fim esperado numa obra que tem
o dom de surpreender mesmo com o que à partida nos
parece óbvio.
… ou da Escola?”.
A Turma
Entre les Murs
Realização:
Laurent Cantet
Argumento Original:
François Bégaudeau
França, 2008, 128 min.
Principais intérpretes:
François Bégaudeau (François Marin),
Nassim Amrabat (Nassim),
Esmeralda Ouertani (Esmeralda),
Franck Keïta (Souleymane),
E não se pode esquecer a cena em que uma das
alunas diz que nada aprendeu na escola, mas
sim em casa, onde leu “A República”, de
Platão, por livre iniciativa.
24 25
CRÍTICA
Laurent Cantet, o realizador de
“A Turma”, admitiu que o seu filme
podia ser visto quase como um
documentário sobre a escola pública da
actualidade. Depois de ter visto este
filme, várias vezes, acho que concordo
com ele.
“A Turma” é um relato bastante realista do que é e
como funciona a Escola nos dias de hoje, passando
pela relação professor-aluno, pelos problemas
disciplinares de integração social e da
imigração. É realista não só pela
forma como está filmado e
concebido, mas também pela escolha
das personagens – que eram meros
alunos, e não actores. É também
importante destacar o fabuloso
argumento (galardoado com um
César no festival César Awards, em
França), escrito pelo próprio actor
André Vieira
que faz de professor no filme.
Tal como em “O Clube dos Poetas Mortos” (Dead
Poets Society, 1989) fala-se do papel da Escola, da
Educação e, mais concretamente, do papel do
Professor.
O mundo evolui, as mentalidades mudam, as
pessoas pensam de outra forma. Como não poderia
deixar de ser, a Escola também tem que
acompanhar essa evolução constante. É inevitável.
Quem acha que a Escola devia continuar a ser
como há 40 ou 50 anos atrás e que os alunos
deviam continuar a levar reguadas é irrealista
e ingénuo.
Um bom professor deve estar a par dessas
mudanças e saber adaptar-se às circunstâncias. Um
professor que dê aulas, por exemplo, no Colégio
São João de Brito, não pode ensinar da mesma
forma que um professor de uma Escola na Buraca
ou da Amadora. Sempre existiram e sempre
existirão alunos problemáticos e, admitindo que não
podemos simplesmente pô-los de parte, há que
criar métodos para chegar a eles, conseguir motiválos e ajudá-los a se interessarem minimamente em
aprender. E mesmo que não aprendam nada em
Matemática, Física ou História, mesmo que não
saibam os nomes dos países e das cidades, dos reis
e das rainhas, já é bom que pelo menos saiam de lá
bem preparados, mais crescidos como homens e
cidadãos, a saber lidar com os outros e a viver em
sociedade.
“Na escola se molda o menino fazendo dele um
homem.” Esta é a citação que está gravada numa
placa mesmo à entrada da minha antiga escola, e
que acho que diz tudo.
Quem disse que é fácil ser professor?
“Todos os locais que percorremos (que guardaremos na memória) são também ...
passeios
A Escola Secundária
de Linda-a-Velha,
(actualmente Escola
Secundária Professor
José Augusto Lucas)
completou, no passado
dia 17 de Dezembro de
2009, os seus 30 anos.
Neste sentido, o nosso
“passeio” foi, desta vez,
num local mais
familiar – a Nossa
Escola.
COMEÇÁMOS POR PENSAR NOS
LOCAIS que mais marcaram o nosso
percurso escolar e dos quais nos
lembraremos daqui a 30 anos.
Iniciámos o nosso itinerário pelo espaço
exterior realizando algumas paragens para
apreciar o local e conversar com alguns
alunos ali presentes.
Ana Martins
As bancadas (junto aos campos de jogos) foram o nosso
primeiro destino. Aí, perguntámos a alguns alunos a razão de
terem escolhido aquele local para passar algum do seu tempo
livre. As respostas foram semelhantes: todos gostam deste
local por ser agradável e bastante solarengo.
A paisagem cativa os olhares: além do Cristo Rei e da Ponte
25 de Abril que vemos lá ao fundo, também os colegas a
jogar futebol no campo.
Prosseguimos então
pelo campo até
chegarmos à zona atrás
do Pavilhão de
Educação Física, onde
encontrámos alguns
graffitis interessantes...
Parando junto das
escadas em caracol
encontrámos sentadas,
no seu topo, duas
alunas que nos explicaram preferir estar neste local por ser
mais isolado (contrariamente às bancadas, este é um local
com bastante sombra).
Daí passámos para a esplanada onde
actualmente se encontram os
matraquilhos; esta é uma zona que
poderia ser bastante mais
aproveitada.
Comentámos depois acerca da nova
“varanda dos professores”: espaço
este que nos parece agradável, uma
Catarina Saldanha vez que é bastante florido.
Continuámos o nosso caminho até ao
pátio em frente ao Pavilhão D, um dos espaços exteriores
mais frequentados nos intervalos. Para alguns é apenas um
espaço de passagem para os pavilhões enquanto outros
preferem ficar por
lá, sentados nos
bancos,
especialmente em
dias de sol. Perto
deste espaço
encontramos ainda
dois bebedouros,
renovados, no
âmbito da
disciplina de Área
de Projecto, por
um grupo de alunos do 12.º do ano lectivo anterior, cujo tema
era “Por Água Abaixo”. Íamos deslocar-nos para o espaço
traseiro do pavilhão E quando, subitamente, outra zona nos
captou a atenção: as escadas que se encontram junto ao
Pavilhão B e com vista para a entrada da escola. Neste local
passámos bastante tempo enquanto alunas do ensino básico.
Actualmente, especialmente de manhã, este espaço é ocupado
por alunos de outros anos.
... espaços de aprendizagem que nos moldam ao longo dos anos.”
Retomámos o nosso caminho até ao Pavilhão E, cuja zona
traseira era antigamente um espaço não muito
recomendado… porém, hoje em dia, encontramos grupos de
amigos a jogar, a ouvir música ou ainda namorados…
Preparávamo-nos para passar aos espaços interiores, quando
nos apercebemos que existe ainda outro sítio
que pode ser considerado uma zona “lá fora,
cá dentro” – referimo-nos ao jardim que se
encontra no centro do pavilhão D. Este
espaço é cuidado pelo Clube de
Jardinagem, contudo acaba por ser outro
dos espaços que consideramos pouco
aproveitados – visto que na maioria das
vezes o seu acesso se encontra vedado (a
porta está fechada). Infelizmente, só
podemos contactar com este espaço na
presença de um professor. Ao lado, encontrase a Biblioteca, o local para onde nos
dirigíamos. Aqui, encontrámos alunos
realizando as mais diversas actividades:
desde estudar, ler, estar no computador ou
simplesmente conversar. Actualmente, a Biblioteca é um dos
espaços que se encontra em renovação.
Terminámos o nosso passeio quando, finalmente, atingimos o
lugar que é efectivamente o mais frequentado da escola quer
por alunos, professores, funcionários e quer por outros
membros da comunidade escolar - o Polivalente. Este é
definitivamente um local que ficará na memória de todos os
alunos que passaram/passarão pela ESLAV porque é,
inegavelmente, um espaço muito abrangente.
26 27
CRÍTICA
Neste espaço os intervalos são passados ao som das músicas
pouco diversificadas escolhidas pela Associação de
Estudantes, contrariamente às actividades que aí se podem
realizar. Observando atentamente este espaço encontramos
pessoas que conversam, estudam, jogam cartas Magic, jogam
ping-pong, comem, observam exposições (como a que
actualmente verificamos do concurso dos postais de Natal) ou
trabalhos de projectos
expostos pelos alunos, entre
outras actividades. Quando
saímos do Polivalente pela
zona das casas de banho, o
nosso olhar caiu sobre o
placard que existe nessa
zona e no qual se anunciam
eventos associados ao
Desporto Escolar, assim
como a abertura de um
espaço de exposições
(associado ao Clube de
Cinema) no pavilhão E.
Terminado este “passeio” e enquanto nos dirigíamos para a
saída da escola, o Professor Francisco ia-nos perguntando o
nome de algumas plantas ou árvores que nos rodeavam.
Respondendo a algumas destas questões, apercebemo-nos
de que aquilo que aprendemos na escola não se restringe
às quatro paredes da sala de aula.
Todos os locais que percorremos (que guardaremos
na memória) são também espaços de aprendizagem
que nos moldam ao longo dos anos.
“(...) a relação de saber é também uma relação de afectos, daí que seja fundamental...
ex-alunos
Na tarde de um
sábado,
28 de Novembro,
encontrámo-nos
com Susana Santos
e Sérgio Mimoso
na pastelaria
“A Padeira”,
em Carnaxide.
Assistimos a um
reencontro entre a
“calma”
e o “caos”!
Sara Vilaças Catarina Nunes
A SUSANA decidiu escolher a ESLAV devido à
influência da mãe (Prof.ª Guida Santos, que
leccionava Inglês neste estabelecimento) e dos irmãos
mais velhos que, na altura, eram alunos da escola.
Inscreveu-se no curso da área das Ciências Físicas e
Tecnológicas e tinha como sonho
ser astronauta. Recorda-se da
ESLAV como uma escola com
professores exigentes, que faziam
tudo para dar uma boa formação
aos alunos. Foi uma aluna aplicada
e muito exigente consigo própria no
que toca aos estudos. Falou-nos em
especial do seu Professor de ITI,
“uma pessoa com quem gostava
muito de conversar”, e as
professoras Gilda Rosa e Teresa
Antunes.
Actualmente, enquanto acaba a sua tese, lecciona no
ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e
da Empresa) e tem por objectivo prosseguir para o
Doutoramento na mesma escola.
Transmitiu-nos a sua paixão pela política e a prova
disso é o facto de ser Secretária Geral da JSD
(Juventude Social Democrática), em Algés/Carnaxide.
Na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
da Universidade de Lisboa, foi directora do Jornal dos
Estudantes e recorda-se de ter escrito um texto sobre a
inteligência emocional (ver pág. ao lado). “Estava a
ler um livro sobre esse assunto. Achei que faria
sentido esse artigo”. Mas a sua opinião
sobre o tema é bastante clara, “trata-se
apenas de um tema de marketing,
apesar de a nível científico ser muito
estudado”. A conversa então avançou
para a diferença entre os “bons” e os
“maus” alunos. Admitiu que na sua
actual função de professora, por vezes,
faz essa distinção. Uma das razões para
essa distinção é o facto de os
professores se sentirem seduzidos pelos
melhores alunos.
Revelou-se uma pessoa simples e muito modesta em
relação a tudo o que faz.
Quanto a nós, temos a mesma opinião do seu colega
Sérgio Mimoso:
“Um dia ainda vamos ouvir falar muito
da Susana Santos”!
Ficamos à espera.
… que o professor considere as necessidades afectivas dos seus alunos.”
28 29
CRÍTICA
A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL VAI À ESCOLA
Quando nos deparamos com a palavra educação,
quase automaticamente, a primeira revelação que
temos remete para uma apreensão cognitiva. Na
realidade, hoje sabemos que o acto de educar
ultrapassa bastante esta concepção tradicional
predominantemente cognitiva, integrando também
outros objectivos como ajudar a construir a
identidade do(s) outro(s), com o intuito de
estimular também as competências emocionais,
afectivas e sociais dos alunos. Cada vez mais esta
concepção holística e ecléctica da educação faz
sentido, uma vez que a população de alunos deste
novo milénio apresenta características relacionais
bem diferentes, que precisam também de receber
o interesse dos professores, dos psicólogos e dos
agentes intervenientes em contexto escolar.
A relação pedagógica adquire as características de
uma relação de transmissão de saberes, na qual o
professor é agente de emissão de saber enquanto
que o educando é agente assimilador.
Este intercâmbio de saber só é possível quando
existem factores de natureza emocional e afectiva
na relação, como a empatia, a motivação, a
autonomia ou a auto-estima. Os factores
emocionais são determinantes pois deles depende
o sucesso ou o insucesso das interacções professor
-aluno e, consequente, os resultados do processo
de ensino-aprendizagem. Deste modo, a relação de
saber é também uma relação de afectos, daí
que seja fundamental que o professor
considere as necessidades afectivas dos seus
alunos. O processo de aprendizagem não inclui
somente factores de natureza cognitiva mas
necessita também das emoções e da acção.(…)
Susana Santos
Jornal dos Estudantes
de Psicologia e Ciências da Educação
da Universidade de Lisboa
Abril 2006
O SÉRGIO, mais conhecido por Mimoso, admite ser
um rapaz do tipo “não pontual” e “relax”, mas que
coloca os amigos sempre em primeiro lugar.
Escolheu a ESLAV por uma razão muito simples: indo
para uma escola que não estivesse perto de casa teria
que adquirir um passe de autocarro – o que lhe daria
imensa liberdade!
Sente saudades da ESLAV, “foram os melhores anos
da minha vida”, tanto no campo escolar, “era uma
turma porreirinha”, como no campo
emocional, “consegui namorar com a
rapariga mais bonita da turma!”.
Segundo a Susana, sua colega de
turma, era visto pelos colegas como
“um amigo que estava sempre por
perto”. “Ao pé dele era impossível
não rir!”
Nunca se sentiu à parte na turma
embora ele fosse um dos piores de uma
turma de excelentes alunos, só... tinha
média de 15.
Recorda com saudade e alegria o
Clube do Mar a que ambos pertenciam. Este Clube,
com aulas de canoagem e vela, era uma boa
oportunidade para o convívio e descontracção com os
colegas.
Terminado o Secundário, entrou na Faculdade de
Psicologia e Ciências da Educação da Universidade
de Lisboa. Quando acabou o curso esteve a trabalhar
com jovens em situação de risco, na zona de Chelas.
Aí conseguiu a experiência suficiente para, actualmente,
se sentir bastante à vontade no exercício de Técnico de
Educação Especial, numa Escola Primária em Mem-Martins. Nela, dá acompanhamento a alunos e famílias
mais desfavorecidas. “Costumo estar no recreio a
conversar e a conviver com os alunos. Quero que me
vejam como um amigo com quem podem falar e
desabafar”.
Numa conversa mais a sério,
confessou-nos que o seu trabalho
por vezes consegue ser muito duro,
mas que gosta do que está a fazer,
pois conseguiu juntar as duas
componentes que aprecia: educação
e ciências na área da psicologia.
Em relação à diferença entre alunos
“bons” e “maus”, explicou que o
“rótulo” ainda existe. É inevitável,
faz parte do dia-a-dia de toda a
gente e a solução está em os alunos
saberem dar a volta por cima.
Foi muito específico na opinião sobre o que é a
Inteligência Emocional: “é saber lidar com as
emoções e compreendê-las”.
Revelou-se ser uma pessoa muito fácil de se gostar e
mostrou-nos que tudo pode vir a ser simples se
não o complicarmos antes.
Mágoas da Escola
Peço o título emprestado a Daniel Pennac e ao
seu livro, que acaba de ser publicado em
Portugal.
É um romance-ensaio que todos os
professores deveriam ler. Ao contrário de
outras obras que insistem em "estratégias",
"metodologias" ou "sistemas" para vencer o
insucesso, Mágoas da Escola parte do mal-estar
do aluno. Durante anos, os meninos do
insucesso interiorizaram a ideia de que valem
zero - a classificação que obtiveram em
diversas avaliações ao longo dos seus estudos.
É daí que Pennac parte - da própria noção de
fracasso dos estudantes para a pôr em causa e
avançar para uma nova leitura do que é ser
"mau estudante".
Encontrei neste livro o reforço da minha ideia
de que todo o trabalho com crianças e
adolescentes deve partir não só da observação
e escuta activa das suas necessidades, como
também da desconstrução dos preconceitos
de que são alvo. Um deles, muito frequente, é
a expectativa negativa que muitos professores
têm sobre a "má turma" e o "mau aluno",
baseada no rótulo afixado aos estudantes, às
vezes desde o início do seu percurso escolar. O
"diagnóstico" (muitas vezes formulado sem
qualquer avaliação rigorosa) do aluno
"problemático", transportado como uma
segunda pele desde o 1.° ano de escolaridade,
é a versão moderna das "orelhas de burro" da
primeira metade do séc. XX, porque serve o
mesmo propósito: desqualificar, estigmatizar,
excluir.
Perante este rótulo, muitos professores
desanimam à partida. Falam de turmas
"terríveis", de alunos "desmotivados", de
famílias "disfuncionais". Caminham para a sala
de aula como quem vai para o manicómio,
sem esperança nem alegria: afinal contactam
todos os dias com a indisciplina, o abandono e
o insucesso, no fundo as marcas visíveis do
seu fracasso docente. A culpa, contudo, não é
dos professores. Protagonistas de uma escola
sem rumo, todos os dias esmagados pela
burocracia ministerial, fazem o melhor que
podem. E, em muitos casos, conseguem salvar
vidas de gente nova, à custa de um grande
esforço pessoal ou de uma melhor organização
da escola.
Pennac inverte esta leitura. É a partir da
própria definição de mal-estar estudantil que
se olha para a realidade e se reconstrói a
aprendizagem, com a utilização de
instrumentos agora tidos como antiquados, por
exemplo o ditado e a memorização de textos.
Tudo se consegue numa interacção muito viva
com os alunos, redefinindo as suas posições
desanimadas e co-construindo um novo
relacionamento com os livros e a escola.
Mágoas da Escola subverte a noção tradicional
de que as "bases" são o essencial e que sem
elas pouco se poderá fazer, como tantas vezes
ouvimos a professores: na ânsia de
diminuírem a sua própria ansiedade com o
fracasso das crianças a seu cargo, esses
docentes empurram a culpa para os que os
precederam e demitem-se de lutar, até porque
lá está a "disfunção" da família ou a
desorganização da escola anterior para tudo
justificar. Tal como Pennac, ele mesmo um
menino de insucesso que triunfou, muitos dos
alunos que hoje têm más avaliações poderão
ter melhor futuro, se alguém for capaz de os
escutar com atenção e partir do seu
"insucesso" para a descoberta de novos
caminhos, que passam sempre por aproveitar
qualquer coisa que está dentro deles.
Lia eu Mágoas da Escola quando me chegou
mais uma notícia do nosso Ministério da
Educação (ME). Estará a sua equipa dirigente
mesmo preocupada com o insucesso ou a
formação dos professores? Estará
hierarquizada a formação docente, de modo a
garantir menos indisciplina na escola? Parece
que não. De outra forma, como compreender
o interesse da formação dos professores em
crianças "índigo", creditada e a custo a cem
euros? Perante as mágoas, o ME prefere o
esoterismo e o ensino sobre coisas que
ninguém sabe muito bem o que é. Um
professor assim poderá perscrutar essas
crianças "especiais", em vez de se preocupar
com os meninos "zero".
Para que conste.
Daniel Sampaio
Revista Pública
19 Abril 2009
(Tipo de letra: Verdana)
Para o Lucas
Estás sentado à tua secretária, um pouco inclinado
como quem acabou de chegar ou está prestes a levantar-se
ou ainda como se esperasses que alguém entrasse no teu gabinete
sempre aberto para nos acolher.
Estás no pátio da escola
caminhas por entre os alunos
olhas para cada um deles e sabes o seu nome
e sabes melhor que qualquer um de nós
que os sonhos jovens e as loucuras jovens e as mágoas jovens
são para escutar atentamente
porque são os jovens que enchem de energia o nosso mundo
e nos ajudam a colher o dia, a luz de cada dia.
Talvez por isso tenhas permanecido sempre naquele lugar
improvável e difícil da eterna juventude.
Estás numa festa da escola - em todas as festas da escola
e o teu olhar ilumina-se de ternura paterna (ou será fraterna?)
o teu olhar abraça-nos de alegria de viver.
Caminhas por entre os alunos
e não sabes ainda que os teus passos hão-de ficar gravados
aqui para sempre
e que nos dias de luz mais inquieta os seguiremos
para nos sentirmos menos sós.
Estás no canteiro em frente à porta
é quase noite, já todos partiram e tu cortas a relva distraidamente
como quem sacode o tapete depois da festa ou antes da nova festa
que é como queres cada dia na tua casa-escola.
É cedo para sabermos da grandeza de tudo aquilo que aprendemos contigo
e a saudade que vai crescendo enterrou já o que em ti por vezes nos exasperava:
a tua insegura teimosia, a tua obstinada procura de consenso
e sobretudo o teu sorriso de menino melancólico que sempre nos desarmou.
Se tu soubesses da metade da falta que nos fazes
talvez não tivesses partido assim tão cedo e sem despedida.
Ainda assim queremos dizer-te que cuidaremos de tudo aquilo
que na pressa da partida deixaste connosco.
Deixaremos abertas as portas do coração
saberemos de cor a cor dos nomes de cada um
escutaremos o mais pequeno rumor do território dos jovens afectos
e não desistiremos da utopia de uma escola de todos e para todos.
E, podes crer, cortaremos a relva do teu canteiro.
Elisa Costa Pinto
Linda-a-Velha, 21 de Novembro de 2007
(Tipo de letra: Arial Rounded MT Bold)
OUVI DIZER QUE NA PRÓXIMA
SEMANA VAMOS TER UMA
NOVA DISCIPLINA
RELACIONADA COM A
“INTELIGÊNCIA
EMOCIONAL”...
Mariana Amor
“INTELIGÊNCIA
EMOCIONAL”?
O QUE É ISSO?
...E VAMOS
COMEÇAR
COM UM
TESTE...
… E CLARO QUE TAMBÉM SE
“BOM, SEGUNDO A MINHA
TRATA DE SABERMOS
PESQUISA A “INTELIGÊNCIA
RELACIONARMO-NOS COM NÓS
EMOCIONAL” É A
MESMOS E COM OS OUTROS...
“CAPACIDADE DE FAZERMOS
ESCOLHAS RAZOÁVEIS,
QUANDO CONFRONTADOS
MAS AINDA NÃO PERCEBI
COM SITUAÇÕES
COMO VÃO VÃO TORNAR A
COMPLEXAS”...
“INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
NUMA DISCIPLINA...
OK, SÓ UMA
PERGUNTA...
DIZ?...
???
MAS
AFINAL,
QUAL É A
MATÉRIA
QUE VEM
PARA O
TESTE???.

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