da santidade - Colégio Santa Maria

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da santidade - Colégio Santa Maria
REVISTA DO COLÉGIO SANTA MARIA - N0 41
A UM PASSO
DA SANTIDADE
COMUNIDADE DO SANTA MARIA COMEMORA
A BEATIFICAÇÃO DE PADRE MOREAU,
FUNDADOR DA CONGREGAÇÃO DA SANTA CRUZ
1
MENSAGEM
Irmã Diane Clay Cundiff
Diretora-geral do
Colégio Santa Maria
DEPOIMENTO
PADRE MOREAU ESTAVA, SIM,
PRESENTE À NOSSA FESTA
C
omo é possível dar uma festa e convidar milhares de pessoas para homenagear uma pessoa
ausente? Essa foi a dúvida dos nossos alunos
da pré-escola quando descobriram que Padre Moreau não viria à festa porque já havia morrido.
É difícil explicar o fato de que algumas pessoas
não “morrem”, porque o seu espírito é tão forte que
há um reconhecimento público da Igreja Católica
para os seus heróis, chamado beatificação. Anuncia
publicamente que esse homem ou essa mulher são
dignos de honra.
Acreditamos que essa pessoa, que fez tanto bem
durante a sua vida, agora que está junto a Deus,
pode interceder para as nossas intenções e mobilizar
ainda hoje a missão de Deus no mundo.
Os preparativos para a comemoração da beatificação de Padre Moreau no dia 15 de setembro foram
um sinal vivo de seu carisma em energizar as pessoas
a assumir e continuar sua missão de responder às necessidades mais urgentes do Povo de Deus, usando
como meio uma educação acadêmica culturalmente
forte e o anúncio da Boa Nova de que Deus habita
no meio de nós.
Precisamos de pessoas que nos inspirem a preservar a fé e a confiança no homem e em Deus, apesar
dos grandes obstáculos e ameaças, porque o nosso
sonho é grande, urgente e esperançoso.
Nesta edição de Caleidoscópio, demos destaque
para as festividades, mas, sobretudo, recordamos os
nossos compromissos e os nossos projetos para com
a política, o diálogo, a preservação e a promoção do
ambiente, a valorização das nossas raízes e das produções culturais. Lembramos, também, com carinho,
a presença de nossas famílias e amigos.
2
Revista bimestral do
Colégio Santa Maria
N o 41 - Ago./set. de 2007
Equipe de redação
Irmã Diane Clay Cundiff; Irmã Anne V. Horner Hoe; Ana Cristina Proietti
Imura; João Luiz Muzinatti; Maria Rita Moraes Stellin; Paula Bacchi;
Sonia Regina Yamadera; Tânia Maria Uehara Alves
COLÉGIO SANTA MARIA
Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901
Jardim Marajoara, São Paulo, SP
Telefone (11) 2198-0600
www.colsantamaria.com.br
[email protected]
Produção editorial
Editor: Ricardo Marques da Silva; Editora de arte: Maila Blöss;
Fotos: Éric B., Rafael Hupsel, School Picture e acervo do Santa Maria;
Impressão: CompanyGraf
Foto da capa: Éric B.
POR QUE ESCOLHI O SANTA MARIA
PARA SER A ESCOLA DO MEU FILHO
E
stou na área da Educação Infantil
há 30 anos. Trabalhei em escolas
grandes e pequenas, com metodologias diferentes, das mais tradicionais
às mais “alternativas”. Mas hoje eu
quero falar com vocês como mãe,
sem deixar de lado, é claro, minha
profissão de educadora.
Tive uma infância muito feliz e longa. Vivi num tempo em que se assistia
a pouca TV, não havia computadores
e os brinquedos eram poucos. Porém,
tínhamos coisas preciosas: espaço e
amigos. Fui para a escola aos 7 anos
para aprender a ler e escrever no 10 ano
primário. Até então, o meu espaço de
aprendizagem era em casa, com meus
pais, e na rua, com os amigos. Brinquei
de tudo: amarelinha, roda, escondeesconde, pega-pega, corda. Nossa vida
enquanto criança resumia-se em brincar, tomar lanche na casa de vizinhos,
banho, refeições e cama. A rua era de
terra e a imaginação corria solta. Vivíamos a infância na maior parte do dia.
Quando resolvi ser mãe, queria dar
a meu filho essa mesma infância. Queria que ele fosse feliz como eu havia
sido. Só que os tempos eram outros.
Morávamos num apartamento, por
ser mais seguro, e o espaço para a brincadeira era restrito à sala, ao quarto e à
pequena área de lazer do prédio. Terra?
Ele não tinha contato. Isso me incomodava; eu queria dar mais a ele, afinal a infância é uma só e, hoje, curta.
Quando comecei a procurar uma
escola para ele, pesquisei muito. Queria que fosse uma escola diferente: um
pouco da rua da minha infância, e que
também ensinasse coisas interessantes,
que o fizesse perceber que aprender
demanda esforço, mas é prazeroso.
Nunca tive pressa em relação à quantidade de conhecimentos, mas queria
que fossem significativos, que ele soubesse por que estava estudando determinados conteúdos, que, para isso,
precisariam ser vivenciados.
Conheci o Santa Maria por meio
de mães que também procuravam
uma escola especial para os filhos.
Assim que conheci este espaço e sua
proposta pedagógica, descobri que era
a escola perfeita para meu filho. Além
de possuir um pouco da rua da minha
infância (bosques, jardins e parques),
tinha como meta a formação do ser
humano dentro de princípios éticos
e cristãos. Tudo o que eu imaginava
como a escola ideal estava aqui: formação, conhecimento, contato com
a natureza, muito espaço para brincadeiras e valorização da amizade, dentre
outros valores fundamentais para a
formação de uma criança.
A escola tornou-se o espaço de
convivência mais importante na vida
dele. Diariamente, chegava contando
sobre o jacaré que morava na floresta
(bosque) da escola e sobre tudo o que
aprendia. Não queria faltar às aulas,
pois sempre tinha uma atividade importante para fazer ou uma experiência
para terminar. E como chegava sujo!
Essa era a prova de que havia brincado
e experimentado bastante.
A paixão por esta escola começou
no dia em que a conheci e acentuou-se
quando, dez anos depois, vim fazer parte da equipe de educadores. Como professora, pude rechear a vida das crianças
com amor, dedicação e fantasia. Cada
dia era diferente: pesquisas no bosque,
atividades artísticas, registros da escrita
e histórias, muitas histórias.
Dessa forma me realizei como mãe,
proporcionando ao meu filho a oportunidade de viver neste espaço dos 4
aos 17 anos, e como educadora, transformando a infância dos meus alunos
e alunas num período feliz, rico em
conhecimentos e experiências.
Por tudo isso é que acredito ser o
Santa Maria a melhor escola para se
iniciar a escolarização, na Educação
Infantil, e consolidá-la no Ensino
Médio, e dessa forma construírem-se
como pessoas competentes no domínio dos conhecimentos e da ética e
sensíveis às necessidades do ser humano, do planeta e de sua sobrevivência.
Obrigada, Santa Maria!
Paula Bacchi, orientadora e ex-professora
de Educação Infantil
Paula com o filho,
Bruno Bacchi M. Cozzo,
hoje jornalista
3
HOMENAGEM
PADRE MOREAU:
BEATIFICADO,
QUASE SANTO
N
À direita, de cima para
baixo, alunos do 4o ano
durante a missa campal;
trabalhos do 2o ano em
exposição; desfile
de moda do 8o ano
4
o mesmo instante, em 15 de setembro de 2007,
dois eventos de singular importância aconteceram em cidades muito distantes entre si. Em Les
Mans, no norte da França, era beatificado o Padre Basile Antoine-Marie Moreau, na igreja de Notre Dame
de Sante-Croix. Em São Paulo, um grande número
de pessoas reuniu-se nos espaços do Santa Maria para
assistir a uma homenagem dedicada ao que acontecia
naquela cidade européia.
Por algumas horas, os mais de 10 mil quilômetros
que separam Les Mans de São Paulo deixaram de existir, com uma única intenção: ressaltar a obra de um
homem que dedicou a vida inteira à tarefa de provar
que é possível mudar as pessoas para melhor por meio
da educação e da fé. Em suas ações, Padre Moreau deu
sentido pleno a palavras como dignidade, respeito, solidariedade, justiça e transcendência.
Agora beato – a um passo de se tornar santo –,
Padre Moreau fundou, em 1837, a Congregação da
Santa Cruz, mantenedora do Colégio Santa Maria
e de muitas outras escolas. Cento e setenta anos depois dessa iniciativa, ainda hoje Padre Moreau inspira
os ideais dos educadores e das Irmãs da Santa Cruz,
de tornar a escola um ambiente de transformação e
avanços e berço de cidadania.
Era um sábado de céu azul, quase primavera, e um
extenso programa atraiu muitos convidados: alunos,
pais, parentes, vizinhos, professores, coordenadores,
supervisores, funcionários – enfim, a comunidade do
Santa Maria, que tanto trabalhou na organização da
festa como usufruiu de tudo o que foi oferecido em
engenho e arte.
Houve um pouco de tudo. Logo cedo, no início da
manhã, os alunos do 6o ano capitanearam uma caminhada pelos espaços do Colégio, desde a colina do Prisma, para relembrar as seis décadas de história do Santa
Maria. A parada seguinte ocorreu no Teatrinho, onde
as classes do 3o ano mostraram uma representação da
vida e do trabalho de Padre Moreau, ao mesmo tempo
em que o 2o ano ocupou o corredor da Capela para
contar a história do fundador da Congregação em arte
e fotos. No pátio do Ensino Médio, um coral do 4o ano
cantou músicas que representavam os locais das missões das Irmãs pelo mundo, inspirando os colegas do 9o
ano que organizaram a procissão e a bênção da imagem
de Moreau, eternizado nos jardins do Colégio.
PROFISSÃO DE FÉ –
Em seguida, todos se reuniram nas quadras cobertas para a missa campal em
homenagem à beatificação do Padre Moreau. Foram
celebrantes Dom Antonio Maria Mucciolo, arcebispo emérito de Botucatu e presidente da Rede Vida
de Televisão; Padre Rubens Pedro Cabral, pároco da
Paróquia de Santo Eugenio de Mazenod e orientador
espiritual do Santa Maria, e Padre Maurílio Mauritano, PIMI. Na procissão de entrada, destacou-se a
presença de representantes das entidades apoiadas
pelo Colégio, assim como as bandeiras dos países em
que atua a Congregação da Santa Cruz, levadas por
alunos do Ensino Médio e da Educação Infantil.
No alto, coral do 4o ano
celebrou o legado de
Padre Moreau; à esquerda,
de cima para baixo, peça
apresentada pelo Ensino
Médio; a emocionante
renovação dos votos de
Sister Anne (ao lado de
Dom Antonio Maria
Mucciolo e Padre Maurílio
Mauritano), respondidos
pelas Irmãs da Santa Cruz
5
Acima, emoção e fé na
missa campal; à direita,
alunos do 7o ano plantam
mudas de espécies
nativas da Mata Atlântica,
simbolizando os 60 anos de
trabalho das Irmãs da
Santa Cruz, enquanto o
6o ano faz um apelo à paz
“A nobre causa do nosso fundador é o que nos faz
dar o melhor de nós na missão de educar, de unir a fé
à disposição para trabalhar”, disse João Luiz Muzinatti,
diretor do Ensino Médio, um dos leitores, ao lado de
Sérgio Berti, membro da APM, e Elias Esaú, diretor do
Curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA)
RENOVAÇÃO DOS VOTOS – Um dos momentos
mais tocantes da missa foi a renovação e confirmação
dos votos religiosos da diretora e Irmã Anne Veronica
Horner Hoe, há 25 anos na Congregação. Emocionada, ao lado das outras Irmãs, Sister Anne afirmou:
“Reafirmo o meu desejo de seguir Jesus Cristo em
sua morte e ressurreição, de modelar a minha vida
seguindo o exemplo de Maria, que é cheia de compaixão pelo mundo, e de permanecer fiel ministra de
Jesus Cristo. Espero, pela graça de Deus, chegar a um
jubileu eterno no Reino de Deus”.
Na procissão do ofertório, funcionários e alunos
do EJA e do 6o ao 9o ano levaram os símbolos oferecidos na missa: os locais de missão das Irmãs da
Santa Cruz, os trabalhos pastorais, instrumentos de
trabalho, estandartes e o pão e o vinho da Eucaristia.
Todo o tempo um coral de mães e pais do Santa Maria entoou os cânticos da celebração, acompanhado
por alunos e pelo funcionário Gerson Santana, que
compôs o hino oficial da celebração.
GESTOS CONCRETOS – Depois da missa, alunos
do 7o ano, ao lado de seus pais, transformaram em
gesto concreto as intenções da homenagem e planta6
ram na colina abaixo do Prisma 60 mudas de árvores,
simbolizando as seis décadas de trabalho das irmãs
da Santa Cruz no Brasil. Assim, a já exuberante área
verde do Santa Maria foi enriquecida com novas sibipirunas, acácias, ipês amarelos e roxos, aroeiras, quaresmeiras e pau-brasis, entre outras espécies nativas da
Mata Atlântica.
No restante do dia não faltaram atrações: dança e
cultura brasileira no pátio do Ensino Médio, números de dança do Projeto Sol no Auditório, apresentação musical da Família Labrada e do Coral Compasso 22, da APM do Colégio, peça teatral em inglês
pelos alunos do 5o ano, sarau de poesias e cantigas do
Pré e do 1o ano, dança do 5o ano e peça teatral do 8o
ano. Questões importantes foram analisadas em mesas redondas que trataram de problemas ambientais
(alunos do 6o ano) e da educação como instrumento
de transformação (Ensino Médio).
O encerramento da homenagem a Padre Moreau
coube ao tenor Thiago Arancam, único brasileiro
com presença cativa no legendário teatro Scala de
Milão, cidade em que mora atualmente. Paulista, 25
anos, Thiago cantou músicas consagradas por Luciano Pavarotti e outros ídolos italianos. Depois de alguns números em que se apresentou sozinho, Thiago
convidou para acompanhá-lo o tenor Jorge Durian,
com quem gravou o álbum Nessun Dorma.
Foi um final em grande estilo, mas a homenagem
a Padre Moreau não ficou por aí. Exposições permanentes e outras atividades darão seqüência ao programa até meados de novembro.
À esquerda, a partir do
alto, alunos do 3o ano
representam a vida, a
obra e a missão de Padre
Moreau; crianças do Pré
mostram cartazes com
o nome das entidades
apoiadas pelos projetos do
Colégio; os tenores Thiago
Arancam (à direita) e Jorge
Durian, no encerramento
7
HISTÓRIA
PADRE MOREAU:
O SANTO PADROEIRO DO ENSINO
POR DAN E. PITRE1
BASÍLIO MOREAU, C.S.C., FUNDOU UMA CONGREGAÇÃO
MUNDIAL DEDICADA A ESCOLAS COMO A UNIVERSIDADE DE NOTRE
DAME E A FACULDADE SAINT MARY’S, NOS ESTADOS UNIDOS
O
venerável Padre Basile Antoine-Marie Moreau,
C.S.C., beatificado em setembro, se mais tarde
for canonizado poderá ser considerado o santo
padroeiro do ensino. A educação é a herança duradoura
desse sacerdote francês que fundou a Congregação da
Santa Cruz. Sua ordem tem renome pelas instituições
educacionais que estabeleceu para ajudar a enriquecer
as mentes e os corações dos fiéis e espalhar a palavra de
Cristo pelo mundo. Com zelo e determinação, Padre
Moreau montou sua congregação a partir de um pequeno grupo de sacerdotes, até formar uma organização dinâmica, com mais de 3 mil homens e mulheres
que se dedicam à renovação da Igreja, à educação cristã
da juventude e à caridade com os pobres.
Hoje, a Congregação da Santa Cruz serve em 18
países de quatro continentes, parte do sonho de Padre
Moreau de produzir uma ordem dedicada às mentes e
às almas. “Ele levou uma vida simples e austera, acrescentando atos de penitência àqueles já prescritos pela
disciplina da Igreja”, escreveu o cardeal Joseph Saraiva
Martins em Decretum Super Virtutibus para a beatificação de Padre Moreau. “Com paciência e o mais profundo espírito de humildade, ele suportou inumeráveis
adversidades e enfermidades.”
Padre Moreau acreditava em uma espiritualidade
muito avançada para o seu tempo, que serve como um
farol para navegar nesta era moderna. Estimulava seus
seguidores a olhar além das extravagâncias do mundo
material. “Nosso fundador confrontou a época moderna e pôs em ação uma espiritualidade para os nossos
tempos”, diz o Padre Hugh W. Cleary, C.S.C., supe8
rior-geral da Congregação da Santa Cruz em Roma.
“Ele acreditava no ensino de Jesus como revelador do
verdadeiro e definitivo significado da vida, em esperança que cura numa era de injustiça e em amor apaixonado por meio do próprio Espírito de Deus.”
Padre Robert J. Kruse, C.S.C., autoridade em Padre Moreau, crê que o fundador da Santa Cruz previa
uma única grande família: “Na sua própria vida, Padre
Moreau foi influenciado pela idéia de que irmãos e irmãs constituem a família de Jesus. Ele queria que os
religiosos e os leigos fossem parceiros. A maneira como
fomentava essa colaboração fez dele um pioneiro no
seu próprio tempo e um modelo para o nosso”.
“O nosso zelo está guiado pela caridade. Tudo se
faz com força e gentileza”, escreveu Moreau em 1855.
“Força porque somos corajosos e inabaláveis no meio
da dor, das dificuldades e das provações, e com gentileza porque temos a ternura do nosso Modelo Divino.”
PRIMÓRDIOS HUMILDES –
O homem que
chegaria a ser beatificado – um passo de ser declarado
santo – veio de origem humilde, durante um tempo
tumultuoso na França. Basile Antoine-Marie Moreau
nasceu em Laigné-en-Belin, perto de Le Mans, em 11
de fevereiro de 1799, no fim da Revolução Francesa.
Era o nono de 14 filhos. Seus pais, Louis e Louise, eram
agricultores. O pai era também atacadista de vinho.
O vigário da paróquia reconheceu o potencial do
menino e o motivou a estudar para o sacerdócio. Ele
entrou no Colégio de Chàteau-Gontier e depois no
seminário de Le Mans, estudando filosofia e teologia.
Ordenou-se sacerdote em 12 de agosto de 1821 e foi
para o seminário de Saint-Sulpice, em Paris, para mais
dois anos de formação.
Em 1835, formou um grupo de padres para pregar
missões e retiros paroquiais. Ao mesmo tempo, seu bispo pediu que assumisse a direção de uma associação de
ensino, os Irmãos de São José. Dois anos depois, unificando as associações, Moreau estabeleceu a Congregação da Santa Cruz para promover a evangelização nas
paróquias do interior. Sua nova ordem foi reconhecida
por Roma como Congregatio a Santa Cruce – Congregação da Santa Cruz, nome que provém do pequeno
bairro de Sainte-Croix, perto de Le Mans, onde Moreau
servia como vigário. Hoje, os religiosos da Congregação levam os iniciais “C.S.C.” após os sobrenomes,
prática oriunda da designação original em latim.
A SOCIEDADE CRESCE – Enquanto a Santa Cruz
crescia, Padre Moreau dava início à missão de espalhar
a Palavra pelo mundo. A união das duas sociedades de
padres e irmãos, conhecidos como Salvadoristas e Josefitas, recebeu aprovação final da Santa Sé em 1857. As
irmãs, chamadas de Marianitas da Santa Cruz, foram
aprovadas dez anos depois. Em 1859, as Marianitas de
Indiana, nos Estados Unidos, receberam autonomia e
se tornaram as Irmãs da Santa Cruz.
Padre Moreau escreveu: “Na união há força; a dissensão leva à ruína”. Para ele era importante que os
membros fossem uma só mente enquanto educavam
os jovens e evangelizavam os fiéis. “Desde que formamos com Ele um só Corpo e recebemos vida do mesmo Espírito, Ele nos incita a permanecermos unidos
entre nós mesmos, a fim de sermos como os ramos e a
videira, sustentados pela mesma raiz e alimentados pela
mesma seiva, formando juntos uma só planta.”
Porém, seu êxito conduziu a sua própria queda. Sua
organização crescia em poder e influência e atraía pessoas que tinham idéias próprias de como ela deveria ser
dirigida. Quando Padre Moreau procurou remediar os
problemas, seguiu-se uma disputa pelo controle e ele
se viu forçado a renunciar a seu posto. Moreau suportou com calma e racionalidade as agressões. Após sua
renúncia, continuou a servir a Cristo.
Padre Moreau faleceu em 20 de janeiro de 1873 e
jamais foi abandonado pelas Marianitas de Santa Cruz,
que estavam presentes ao redor do seu leito de morte.
Após seu falecimento, Padre Moreau ficou quase
esquecido, assim como a Igreja Notre Dame de Sainte-Croix, que foi vendida e chegou a ser usada como
quartel do exército e armazém. Entre 1920 e 1930, Padre James Donahue, superior- geral da Congregação,
voltou a comprar o edifício da Igreja, reconsagrada em
1937. Hoje, Notre Dame de Sante-Croix foi a sede da
beatificação do Padre Moreau.
A HERANÇA FRUTIFICA – Padre Moreau é lembrado como o homem que fundou a Congregação da
Santa Cruz, mas a sua influência freqüentemente passa
despercebida. Conforme o Padre Cleary, ele estabeleceu um conceito moderno de como deveríamos abrir
os nossos corações a Deus e permitir que Ele toque em
nosso cotidiano.
Ao longo dos anos, a Congregação tem se desenvolvido como ministério dinâmico. Cerca de 1.670 padres
e irmãos de Santa Cruz servem como missionários,
professores, vigários, párocos e ministros na França,
nos Estados Unidos, Bangladesh, Mali, Burkina Fasso,
Costa Rica, Brasil, Canadá, Chile, Gana, Haiti, Índia,
Itália, Quênia, México, Peru, Tanzânia e Uganda.
1.Dan E. Pitre, o autor deste artigo (aqui resumido), é diretor da
Family Theater Productions, uma produtora que faz parte dos Ministérios Familiares de Santa Cruz.
9
A PALAVRA DO ALUNO
ESPIRITUALIDADE E RELIGIOSIDADE
“O ESPÍRITO DE COMUNIDADE
CONSISTE NAQUELA UNIÃO
ÍNTIMA QUE EXISTIU ENTRE
OS PRIMEIROS CRISTÃOS,
UM SÓ CORAÇÃO E UMA SÓ
ALMA, DE TAL MANEIRA QUE
COLOCARAM TODOS OS SEUS
BENS EM COMUM.” PADRE MOREAU
F
alar em Deus, espiritualidade e religiosidade é o grande desafio de todos os tempos.
Como, então, fazer que, em meio aos limites
e à finitude da vida, nosso aluno perceba que, para
além de si e do mundo, pulsa a existência de Alguém que dá consistência e sentido à vida? Como
perceber que, como diz Padre Moreau, tudo começa, é sustentado e levado a efeito pela iniciativa
de Deus?
No dia-a-dia, por meio de orações e meditações,
nossos educandos têm a possibilidade do encontro
com o cosmos: com o outro, com a natureza, com
Deus e consigo mesmo. Assimilam valores e significados, e não somente fatos e acontecimentos.
Desse modo, cada um experimenta suas próprias
dimensões, sua experiência de Deus, seu espírito.
Deixa emergir seu profundo apelo de compaixão e
a identificação com o outro, com a comunidade. E
é justamente na comunidade que se desenvolve a
espiritualidade e o compromisso com a promoção
da vida e da dignidade. No cotidiano, são chamados a vivenciar o espírito de comunidade, um dos
elementos essenciais para Padre Moreau.
Espiritualidade e religiosidade são, portanto, a
força que está dentro de cada um, a luz que impulsiona a vida; parte essencial do ser humano que
transparece no cotidiano, como podemos confirmar
nas palavras de nossos alunos, nos quadros ao lado.
Áurea Maria Curti, professora de Ensino Religioso do 6o ano
10
tar
m Deus significa es
“Estar conectado co
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em sintonia e em ha
mos
do momento precisa
e com o outro. A to
us
r as dádivas que De
orar para agradece
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quando passamos
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mos recebendo e pa
sentimos que estáva
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paixão, solidaried
conhecimento, com
i presentes.” o
amor para todos al
ano F
d e Felipe Gonçalves, 6
Isabella Barragan Rache
“Nós nos cone
ctam
momento, e isso os com Deus a qualquer
nos faz pessoa
s melhores.
E não é somen
te por meio de
orações.
Quando nos co
ncentramos, on
de quer que
seja, percebem
os que Deus es
tá sempre
conosco. Estar
conectado com
o Senhor
significa seguir
o caminho corr
eto, sabendo
que assim esta
remos com pa
z dentro de nó
acompanhados
se
da proteção di
vina.”
Bruna Martins e Ygor
o
Bastos, 6 ano A
s, Dele
“Às vezes nos desconectamos de Deu
a.
anç
onfi
desc
sentindo medo, vergonha ou
os
vam
ndo
Ao orarmos ou até mesmo qua
lugar e
a centros religiosos, respeitando o
mos
liga
nos
,
entendendo sua importância
emos
end
apr
ia
Mar
novamente. Aqui no Santa
com
s
rmo
o que é realmente nos conecta
estamos
Deus. Sentimos essa ligação quando
.”
alegres, confiantes e em paz
o
Shaia Lambert e Larissa Ribeiro, 6 ano G
DIÁLOGOS SOBRE A ESPIRITUALIDADE:
APRENDENDO COM AS DIFERENÇAS
“As pessoas da nossa classe são na maioria cristãos
e católicos. Há também um muçulmano e uma da filosofia
espírita. As religiões que conhecemos têm regras diferentes
e usam diferentes símbolos sagrados. Essas religiões também
possuem jeitos de pensar parecidos: respeitam Deus, rezam
para agradecer, fazer pedidos e pedir perdão, todos têm
um livro sagrado e, além disso, valorizam a união, o amor,
a paz, a fraternidade, a solidariedade e a família.”
Trecho de texto coletivo – 3o C
“A vida é um presente
de Deus. O momento em
que eu mais me encontro
com Deus é quando
estou rezando.”
Omar Hassan Fares – 3o C
“Eu pratico a religião
indo à igreja e
rezando. Nas minhas
orações, peço que
parem as guerras e
os preconceitos. É
importante fazer coisas
boas para as pessoas.
André Luiz Gonzaga do
Nascimento – 3o C
Eliane Scheffer, professora do 3o ano C
11
EXTRACURRICULAR
O E S PORT E
COMO PREPARAÇÃO PARA A VIDA
P
arte das comemorações dos 60 anos da Congregação das Irmãs da Santa Cruz no Brasil e
da beatificação do Padre Moreau, a nona edição do Torneio Desportivo do Colégio Santa Maria
traduziu o aprendizado dos alunos dos cursos extracurriculares num grande espetáculo. Esporte, dança, artes marciais e circo, integrados a valores como
honestidade, justiça, ética e disciplina, são alicerces
para a formação do caráter.
Reafirmamos a crença de Padre Moreau de que a
verdadeira educação consiste em formar o coração
do jovem e que atividades diversificadas complementam a formação pessoal. Numa relação de envolvimento direto entre alunos, professores, escola e
família, compartilhamos suas crenças no nosso diaa-dia, ao mesmo tempo incentivando as crianças e
12
os jovens a participar do torneio desportivo, convite estendido a mais de 30 escolas para disputas de
vôlei, futebol de campo, futsal, handebol, capoeira,
judô e ginástica rítmica e artística. Foram momentos de convívio entre os alunos do Santa Maria e das
escolas convidadas, que celebraram conosco numa
integração harmoniosa e prazerosa.
Para os nossos “atletas”, foi o dia de apresentar
suas habilidades para a família, como relata Stephanie Conolly Carolino, do 4o ano F, aluna de ginástica rítmica: “Eu torcia para que fosse bem divertido,
para lembrar da coreografia e para que a minha família viesse me assistir”.
Todos os alunos que participaram dos festivais foram premiados com uma medalha para ser guardada
e lembrada durante a vida toda. Os alunos tinham
diferentes expectativas: Rogério Barros Couto, do
7o E, que joga futebol de campo, disse: “Minha expectativa é de jogos que se destaquem pela vontade
de cada atleta. Já participei outras vezes e vi que é
preciso ter união”. Já Arthur Lobato, do 3o B, que
participa da oficina de esportes, afirmou: “O importante é respeitar o árbitro e as regras”.
Espera-se que os alunos envolvidos possam compreender a importância do torneio e entendam a
transmissão dos valores envolvidos de forma sadia
e educativa, buscando ações que contribuam para
o seu desenvolvimento pessoal e melhorando sua
auto-estima e sua autonomia. Percebemos a responsabilidade com que os alunos e alunas encaram o
torneio: “Treinamos muito para representar o Santa
Maria. Como é o meu primeiro torneio, fiquei mui-
to ansiosa e confiante ao mesmo tempo”, disse Julia
Spadini Santilli, do 6o G, que pratica vôlei.
Preparado com dedicação, o evento contou com
a colaboração de pessoas de vários setores do Colégio. Afinal, era um dia muito esperado pelos alunos,
professores e por toda a equipe dos cursos extracurriculares da área esportiva.
Sentimos que todos somos vitoriosos e campeões,
pela dedicação dos profissionais envolvidos, a postura dos atletas e o desenvolvimento das habilidades das crianças e jovens que tanto se empenham
na busca de resultados satisfatórios – enfim, de toda
comunidade do Santa Maria, que reafirma os ideais
de Padre Moreau em tudo o que realiza.
Claudio Natacci de Souza e Cleber Teodoro Pereira
da Silva, professores do Extracurricular
13
ESPORTE
PROJETO DE SÉRIE
PEDALANDO
PELA NATUREZA
O
JOGOS INTERCLASSES:
ATIVIDADE FÍSICA E COMPETIÇÃO
A
liar a prática de atividade física e a vivência em
situações de competição, sem que esta ocorra
em detrimento do bom convívio com o outro:
esse tem sido o propósito dos Jogos Interclasses do
Ensino Médio. Três etapas o compõem. Os alunos e
as alunas de cada classe disputam torneios de atletismo (salto em distância, corrida em 50 metros e salto
em altura), basquetebol, futebol, handebol e voleibol.
Cada etapa é composta por uma modalidade coletiva para os meninos, outra para as meninas e uma de
atletismo. Os pontos são somados à classe, conforme
a classificação de cada equipe. Após a terceira etapa,
chega-se à classificação final do torneio.
Inerente à participação nos Jogos Interclasses está
o ato de se mover, de colocar o corpo em movimento
e, com isso, manter postura contrária à do sedentário,
tão marcante em nosso cotidiano. Pesquisa recente
da Sociedade Brasileira de Cardiopatia revela que
metade da população brasileira é sedentária – o que
confirma a impressão que temos no dia-a-dia. Como
comparação, foram mencionados a Finlândia, onde
apenas 8% da população é inativa, e os Estado Unidos, em que 60% das pessoas não praticam nenhuma
14
atividade física regular. Esses dois países são opostos, e
o Brasil encontra-se no meio, mais perto dos Estados
Unidos do que da Finlândia.
A representação do grupo-classe, a cooperação, o
empenho, a persistência, o reconhecimento dos erros,
o respeito às regras, a mobilização, a organização prévia (desde a confecção de camisetas até a escalação da
equipe e a definição das estratégias de jogo), a frustração com o resultado ou a comemoração da vitória são
aspectos envolvidos em cada etapa dos Jogos Interclasses. São aspectos que, em maior ou menor grau,
se assemelham às situações que os alunos do Ensino
Médio vivenciam dentro e fora do espaço escolar.
Durante as aulas de Educação Física, com a realização de movimentos variados, participação em jogos e
a reflexão sobre os aspectos decorrentes dessa atuação,
conseqüentemente os alunos se preparam para a terceira etapa dos Jogos Interclasses, que ocorrerá no dia
10 de novembro, nas modalidades de salto em altura,
futebol de campo feminino e basquetebol masculino.
Nesse dia, a prática de atividade física e a competição
estarão mais intensamente em ação. Confiram.
Adão Sandes Gomes, professor de Educação Física do Ensino Médio
tema do projeto da série no 7o ano é “Ser generoso e redescobrir a solidariedade”. Essa idéia
inicial se desdobra em “Ouvir e ver para compreender”; “Conhecer, conviver e comungar com o
outro”; “Rejeitar a violência” e “Respeitar a vida e preservar o planeta”. São idéias que permitem aos professores criar o planejamento a partir de relações entre os
diferentes componentes curriculares, num entrelaçamento de conteúdos informativos de diferentes áreas
do conhecimento, tendo como foco a ação social e o
cuidado com o meio ambiente.
Nesse campo, buscamos implementar ações que
possam explicitar o que estudamos. Neste ano, destacamos o Passeio Ciclístico que envolveu não apenas
os alunos do 7o ano, mas colegas das outras séries,
pais, parentes e amigos, reunindo mais de mil pessoas
da comunidade do Santa Maria e da redondeza.
Notamos que estimular posturas saudáveis e alteração de hábitos e discutir problemas ambientais
encontram ressonância nos diferentes atores desse cenário que se transformou numa festa de participação.
As cores das bicicletas e dos enfeites demonstraram a
diversidade do grupo que se mobilizou para incentivar o uso de um meio de locomoção que não polui e
promove o exercício físico.
Como possibilidade de continuidade da reflexão,
ficou a questão sobre como podemos, numa cidade
como São Paulo, aumentar as ações que partam desses
princípios e atuar, inclusive nos meios de representação pública, para que possamos aderir ao movimento
de diminuição do uso de transportes que provocam
danos ambientais.
Para todo esse movimento, a participação dos alunos e professores do 7o ano foi animada e fundamental, e os outros participantes demonstraram abertura
e garra para encarar o convite -desafio.
Denise de Col, orientadora do 7o ano
15
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
ONDE HÁ VIDA
HÁ DE SE TER CUIDADORES
O
cuidado com a vida, no sentido mais amplo,
representa um dos ideais pelos quais Padre Moreau sempre lutou. Em especial, neste ano da
sua beatificação, os projetos ligados ao meio ambiente
retratam como o Santa Maria concretiza tão importante ideal, por meio das ações dos alunos e alunas.
Nossa mata preservada permite o conhecimento da
variedade e riqueza das espécies vegetais, a presença da
vida animal e uma nascente. No estudo do meio, os
alunos do 1º ano aprenderam a importância da água
para a manutenção da mata e sua relação com as plantas que, por meio de suas raízes, transportam a água
da chuva para o lençol freático, conservando o solo e
evitando a erosão. Descobriram também uma nascente
bem no meio da mata, objeto de estudo e de projetos.
Uma amostra da água da nascente foi encaminhada para análise e constatou-se que não é potável. As
16
crianças questionaram: será que não há outra utilidade, já que não podemos usá-la para beber? Lembraram da seca que temos vivido nesses últimos meses,
que demanda aguar o parque antes de irem brincar,
devido à poeira que se forma e prejudica a saúde.
“Não poderíamos utilizar esta água para molhar
o bosque e parques, poupando a água da Sabesp e
ajudando a manter o equilíbrio ambiental?”, perguntaram. Solicitação feita aos canais competentes aqui
do Colégio, prontamente atendida pelos responsáveis
da manutenção. Até o fim de outubro, o acesso à nascente será facilitado, com possibilidade de retirada da
água para uso na mata e nos parques, quando necessário. Além disso, a nascente continuará sendo um
canal de conhecimento da importância da água para
a manutenção da vida no bosque.
Novos conhecimentos a respeito das matas brasileiras, com ênfase para a realidade da floresta Amazônica, tema da Campanha da Fraternidade deste ano,
despertaram o interesse das crianças para problemas
ambientais como o desmatamento, as queimadas, a
extinção de animais e a poluição.
A necessidade de ações urgentes para cuidar da vida
intensificou a coleta seletiva, tanto em casa quanto no
Colégio, uma vez que as próprias crianças salientaram
aos pais a importância dessa atitude para a defesa o
meio ambiente.
Divulgar no Comunicando: Jornal Mural do 1o Ano
o alerta de que o nosso planeta está sendo destruído
foi outra forma encontrada pelas crianças para envolver mais pessoas na Campanha do Cuidado com a
Vida. Vejam no cartaz algumas dicas listadas por elas
para cuidar do meio ambiente:
Faça você também a sua parte. Cuidar da vida não
é só um ideal sonhado pelo Padre Moreau. Ações
concretas são possíveis e urgentes.
Edith Sonagere, professora do 1o ano C
PROBLEMAS PLANETÁRIOS
EM NOSSA CIDADE
I
magine um grupo humano de mais de 15 milhões
de indivíduos compactados numa megalópole,
cada um produzindo mais ou menos 1 quilo de
lixo por dia. Deste lixo, 50% é orgânico, proveniente de matéria viva. É muito lixo, não? E para onde
vai tudo isso? O que causa ao ambiente e às pessoas?
O que acontecerá no futuro? Essas foram perguntas
que iniciaram nossa discussão sobre a destinação do
lixo na Grande São Paulo.
Viramos nosso olhar para a natureza, que também produz seu “lixo orgânico”: folhas, galhos, frutos, restos de seres microscópicos etc. Só que a natureza não desperdiça os “recursos químicos” desse
material, que passa por um processo de reciclagem.
Muitas vezes mimetizamos os processos de reciclagem
da natureza. No Santa Maria, observamos que no trabalho do jardineiros, liderados pelo sr. Jurandir, os
restos de vegetais são acumulados em depressões do
terreno para, após um tempo, já decompostos, serem
usados no cultivo das plantas. Iniciamos, então, nosso
projeto de compostagem dos resíduos orgânicos produzido pelo refeitório do Colégio. Utilizamos todo
esse material na nossa compostagem, descrita assim
nas palavras dos alunos do 9o B.
“A compostagem é um método no qual o lixo
orgânico é colocado em condições favoráveis para a
decomposição e pode servir de adubo”, define Lucas
Ruggeri. “Trata-se de um processo ambientalmente
seguro, em que ocorre a eliminação de patógenos e
microorganismos nocivos ao homem, aos animais e
às plantas”, acrescenta Lucas Mirabela.
“Se o composto for bem feito, ele não atrai animais
e insetos. A compostagem ajuda a limpar a cidade e a
melhorar a qualidade de vida da população”, diz Felipe Pinheiro. “O projeto compostagem é uma grande
idéia, mas não é muito usada por falta de preocupação da população diante do nosso lixo. Temos o dever
de “ensiná-los” para que um dia possamos viver num
mundo melhor”, ensina Lívia Tanizaki.
“Na pilha de composto, em cada pequeno punhado de terra existe um grande número de microorganismos responsáveis pelo processo de decomposição
biológica. A compostagem ajuda na adubação do
solo e impede que sofra mudanças bruscas de acidez
ou alcalinidade”, explica Marina Ciscato.
Natalie Almeida completa: “Porém, nem todos estão dispostos a ajudar e não separam o lixo orgânico.
Temos que batalhar contra isso. A compostagem deveria ser mais bem divulgada, para aumentar a conscientização da população”.
Nosso projeto continuará nos próximos bimestres.
Os resíduos têm mau-cheiro e aspecto não muito
agradável, mas não podemos tratar a biosfera como
um grande lixão. Precisamos decompor nossos preconceitos e “reciclar” nossa visão de como utilizamos
os recursos do nosso planeta. Talvez assim possamos
produzir um “composto” social mais justo.
Bartolomeu Ferreira, professor de Ciências do 9o ano
17
PERFIL DE EX-ALUNO: BRUNO CAETANO RAIMUNDO
“O COLÉGIO ME DEU TODAS AS FERRAMENTAS”
DULCE, A POLIVALENTE
Centro Santa Marta, onde podia ajudar alunos carentes, dando aulas de reforço e tomando contato com
uma outra realidade social; o grêmio dos alunos, que
tive a felicidade de presidir por dois anos, e as escolas
de esporte, que naquela época foram promovidas pelo
grêmio estudantil. Lembro que o time de futebol da
minha época era muito bom e, salvo engano, a nossa
participação no campeonato entre escolas do estado
segue sendo o melhor desempenho do Colégio. Eu
era o goleiro desse time, que terminou entre as 20
melhores escolas do estado, resultado expressivo, pois
participaram do torneio mais de 500 colégios.
á 29 anos no Santa Maria, Maria Dulce dos Santos Pereira é responsável pelo Apoio Administrativo e coordena três setores fundamentais para a escola:
o refeitório, a cantina e a limpeza. Dulce tem muitas
histórias para contar, momentos especiais vividos nos
antigos e atuais espaços do Colégio.
Bruno, secretário de Gestão
Estratégica do Governo de São
Paulo,com Sister Diane,
diretora-geral do Colégio:
“Desde que saí do Santa, não
perdi nenhuma festa junina
B
runo Caetano Raimundo, 28 anos, formou-se
no Santa Maria, na turma de 1996 e concluiu,
em 2001, o curso de Ciências Sociais na USP. Como
sempre gostou das matérias relacionadas ao campo
das humanidades, as disciplinas de estudos sociais,
Bruno optou pela carreira na administração pública,
fez mestrado e doutorado em Ciência Política na USP
e hoje é um profissional bem-sucedido, ocupando o
cargo de secretário de Gestão Estratégica do Governo
do Estado de São Paulo.
Caleidoscópio - Como era a escola na sua época?
Qual foi a importância do Santa Maria na sua formação e carreira profissional?
Bruno – O Colégio me deu todas as ferramentas para
que eu pudesse cursar uma boa faculdade e realizasse minha escolha profissional. O tipo de ensino que
orienta o aluno a pensar, e não a decorar a solução de
problemas, é útil até hoje na superação dos desafios
do dia-a-dia. Outro ponto importante é a forma plural com que o Colégio encara a educação dos alunos.
Foi muito bom ter tido a chance de cursar, além das
disciplinas básicas como português e matemática, as
aulas de teatro, de música e até a introdução à ciência
política, disciplina optativa cursada na 3a série do Ensino Médio e que sem dúvida foi decisiva para a minha escolha profissional. Destaco também as atividades extracurriculares, como as aulas na Biblioteca, em
que desenvolvi o gosto pela leitura; as atividades no
18
PERFIL DO FUNCIONÁRIO
Houve algum professor que marcou de modo especial seu tempo de estudante?
Muitos professores foram muito importantes na minha formação. Lembro com carinho de “tia Mônica”,
“tia Rosana” e “tia Eliane”. Recordo também as aulas
do Paulo, professor de História do Ensino Médio,
que importaram muito na escolha da minha trajetória profissional.
Você tinha um lugar predileto no Colégio?
Os meus lugares prediletos eram o campo de futebol
e as quadras de esporte. Passava grande parte das tardes jogando bola com meus amigos.
Mantém contato com sua turma de formatura do
Santa Maria?
Boa parte dos meus amigos de hoje foram meus colegas de turma no Santa Maria. Esses eu revejo sempre, praticamente todas as semanas. A turma toda se
reúne nas festas juninas do Colégio. Desde que saí do
Santa, não perdi nenhuma festa junina.
Quer deixar uma mensagem para os alunos?
Aproveitem ao máximo o Colégio. Participem de todas as atividades, das viagens, dos estudos, das disciplinas extracurriculares. Todas as experiências serão
muito importantes para a vida de cada um de vocês.
Manuela Dias, coordenadora de Comunicação
H
Caleidoscópio – Como é sua rotina de trabalho?
Dulce – Supervisiono e acompanho o refeitório, a cantina e a limpeza da escola. Tenho de estar muito atenta
a tudo o que ocorre e está programado para planejar,
dar suporte e garantir que cada reunião, atividade escolar ou evento aconteça como foi planejado, bem como
me antecipar às necessidades da direção, funcionários,
áreas do Colégio e seus responsáveis. Saber lidar com
os imprevistos, ser ágil e ter criatividade é fundamental
para coordenar com sucesso estes setores.
Do que mais gosta na profissão?
É maravilhoso ver o resultado imediato de nosso trabalho. Ouvir os pais dos alunos e colegas elogiarem o trabalho da equipe significa que o evento foi um sucesso,
atendeu a todas as expectativas.
Que momentos foram mais importantes?
Recordo com carinho da primeira vez que participei
da cerimônia do mastro, na festa junina; da missa cantada pelo coral do Colégio, na Capela, acompanhada
pela Orquestra de Campinas; a missa de comemoração dos 40 anos do Colégio, no momento em que o
sr. João, jardineiro, a dona Conceição, encarregada da
limpeza, e a Regina, assistente administrativa, soltaram
três pombas no Ofertório e
elas ficaram sobrevoando o
ginásio. Em 1994, quando
houve uma enchente, foram marcantes os exemplos
de união, o trabalho em
equipe e a solidariedade de
todos os funcionários.
A ARTE
DE ENSINAR
Regina: “O mais importante
é ser, e não ter”
R
egina Augusta Passos Martins, há 21 anos no Santa
Maria, é professora de História do 8º e do 9º ano.
Ex-aluna da escola, da turma de 1962, está casada há
40 anos com Antonio e é mãe de Cláudia, Luciana e
Antonio Carlos. Dedica um carinho especial ao Colégio, que é parte significativa de sua história.
Caleidoscópio – O que o Colégio significou na sua
formação?
Regina – O Santa Maria solidificou os princípios e
valores cristãos e morais aprendidos com meus pais.
Ensinou-me a traçar metas, ter objetivos e lutar para
alcançá-los. Ensinou-me, ainda, a sonhar, a ter paixão
pelo que faço para obter sucesso e a saber tirar lições e
aprendizados dos insucessos. A Sister Mildred marcoume por uma frase: “O Santa Maria é bonito porque as
crianças fazem o Santa Maria bonito”.
Fale de sua experiência como professora
O professor é o facilitador da aprendizagem, aquele que
orienta, desafia na busca do saber específico e tem de
usar todos os métodos possíveis para fazer com que os
alunos desenvolvam habilidades e competências para a
vida. A disciplina é apenas um instrumento e um veículo para que ocorram esses desenvolvimentos.
Qual é o grande desafio atual de um professor?
É ensinar os alunos a construir seu conhecimento, não
para realizar tarefas para o professor, mas para aprender
e levantar dúvidas. Ensiná-los a ser críticos, a argumentar, a ter uma visão ampla do mundo para julgar e fazer
escolhas. O importante na vida é traçar metas, ter objetivos. Para conquistá-los, o caminho é árduo, pois o
mundo é competitivo e os bem-sucedidos são aqueles
que têm garra, sabem o que querem e por que lutam.
Manuela Dias, coordenadora de Comunicação
19
INSERÇÃO SOCIAL
ENSINO MÉDIO
COMPROMISSO COM O FUTURO
DO QUE ESSAS CRIANÇAS MAIS PRECISAM?
“QUANDO EU CRESCER, VOU ADOTAR ALGUÉM DAQUI.”
JOÃO LUCAS RODRIGUES, 2O ANO D
Q
uem nunca sentiu essa compaixão tão profunda a ponto de desejar levar para casa um ser
humano tão indefeso, tão desprovido de afeto,
de riquezas emocionais e materiais?
Quem nunca imaginou o que será desse bebê, da
criança que vemos esmolando, abrigada por farrapos
e jornais embaixo de uma marquise ou viaduto?
Quem nunca se sentiu impotente a ponto de brotarem lágrimas dos olhos, com pena de si mesmo?
Quem nunca se envergonhou ao sentir medo de
uma criança nos faróis de nossa cidade?
Quem nunca desviou o olhar, blindou o coração?
Quem nunca culpou os pais dessas crianças pelo
abandono e displicência?
Quem nunca responsabilizou o governo e a falta
de uma política que incentivasse a convivência familiar e proporcionasse condições para que os pais conseguissem cuidar de si mesmos e dos filhos?
Mário Volpi, oficial de projetos da Unicef, diz:
“Falta uma boa estratégia de capacitação e de comunicação que ajude a mudar o imaginário das pessoas e trate a convivência familiar como um direito”.
Direito que os alunos do Santa Maria desejam ver
respeitado, pois sentiram de perto que não basta ter
abrigo, roupa, comida. Para Volpi, há necessidade de
incentivar programas que invistam na formação de
famílias abrigadoras que, além de oferecer educação,
alimentação e saúde, oferecessem os bens mais preciosos de todos: carinho, afeto, aconchego, amor.
Gabriela Schreiner, diretora-executiva do Cedif,
organização não-governamental que trabalha na for20
mação de funcionários de abrigos, diz que a mudança
de mentalidade é o principal caminho para integrar
essas crianças e garantir a elas um futuro digno.
Os alunos do 2o ano já começaram a intervir nessa
triste realidade, não de maneira paternalista, mas por
meio de ações concretas, conhecendo e participando
da vida das crianças da Casa de Abrigo Vila Acalanto,
abrigando-as em seus enormes corações.
Tudo começou com uma seleção criteriosa de entidades que abrigam ou orientam crianças. Um grupo de professoras visitou-as, levando em conta faixa
etária atendida, local que pudesse receber uma classe
por vez e possibilidade de convivência, pois pensamos
que só amamos o que conhecemos. Chegamos por
fim à Casa de Abrigo Vila Acalanto – e foi amor à
primeira vista!
Cada classe que visitou as crianças da Vila Acalanto fez uma campanha de doação: alimentos não-perecíveis, leite em pó, produtos de higiene e limpeza. E
a cada vez a resposta que obtínhamos das famílias era
mais impressionante, como uma corrente do bem.
No dia 29 de setembro foi celebrada a missa
da série e algumas crianças da Vila Acalanto vieram.
O momento de maior emoção foi o “abraço da paz”,
quando nossos alunos, sem ensaio, foram abraçálas. Não há palavras suficientes para descrever o que
aconteceu. Todos nós, orientadora, professores e professoras, sentimos que vale a pena acreditar e investir
na sensibilidade de nossos alunos e suas famílias!
Sílvia Sonagere e Cristina Galante, professoras
do 2o ano do Ensino Fundamental
P
ara a grande maioria dos alunos da 3a série do
Ensino Médio, o ano de 2007 não só antecipa
encontros e despedidas como também significa a colheita de tudo aquilo semeado ao longo de
nossas vidas acadêmicas. E a bagagem é grande!
Atenta a essa situação, a equipe de direção e coordenação nos ofereceu uma chance única e muito
bem-vinda: aulas de “cursinho”, realizadas dentro
do Colégio, à tarde. “Considerem-se cobaias de um
projeto pioneiro do Santa. Encarem essas aulas não
como uma espécie de reforço, mas como uma oportunidade que une qualidade de ensino e a comodidade de um ambiente familiar”, aconselhou-nos o
diretor João Muzinatti.
A expectativa era grande. Será que nós, alunos,
conseguiríamos conciliar todas as obrigações do Ensino Médio e ao mesmo tempo demonstrar disposição
nas aulas à tarde? Provamos que sim. Com a ajuda de
uma excelente equipe de professores, dotada de incrível capacidade, empenho e energia nas aulas – que às
vezes mais parecem espetáculos científicos e conceituais do que teorização –, nos surpreendemos com
esse outro lado do aprendizado. Um lado altamente
dinâmico, que exige, acima de tudo, o nosso comprometimento com o trabalho. Estamos na luta!
Mariana Ramos de Baere, aluna da 3a série A do Ensino Médio
No alto, Felipe Sodré Vieira;
ao lado, Daniel de Abreu
Almeida Manzano;
à esquerda, Mariana
Zanotti de Oliveira
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21
PROJETO DE SÉRIE
COMPORTAMENTO
VIVER AS DIFERENÇAS:
UM NOVO OLHAR, UMA NOVA ATITUDE
Ana Luiza Queiroz (5o H)
e Thais D’Angelo (5o F)
E
xplorar idéias acerca das diferenças e criar possibilidades de convivência são enfoques fundamentais no desenvolvimento das atividades
do 5o ano, ainda mais com o tema da Campanha da
Fraternidade 2007, “Vida e missão neste chão – Fraternidade e Amazônia”. Mas como aproximar nossos
alunos dessa realidade tão distante?
Foi dessa reflexão que nasceu o projeto “Cartas
– Papéis que vencem distâncias”. Queríamos saber:
apesar da concorrência da internet e do telefone, a
carta ainda continua firme e forte? Depois de entrevistar os familiares, os alunos chegaram à conclusão
de que as cartas tornaram-se uma prática pouco comum, mas deixaram saudade. A vontade de retomar
esse meio de comunicação estava latente e, quando
contamos que nossos correspondentes seriam crianças da região Amazônica, o projeto ganhou vida.
“No primeiro semestre, enviamos cartas para elas
dizendo como é a nossa vida em São Paulo. Ficamos
22
ansiosas aguardando a resposta! Algumas crianças enviaram fotos e e-mail, e nós fizemos o mesmo para
retribuir o carinho”, explicam Gabriela Parra, Maria
Olívia Cavalcanti e Thais D’Ângelo, do 5o F.
Ana Luiza Queiroz, do 5o H, diz o que é manter
uma amizade a longa distância: “O Projeto Cartas
está sendo uma surpresa, o que é muito legal! Nunca
me correspondi com pessoas de outras cidades, nem
de outros estados. Isso é bacana, pois conheço gente
nova e faço amizades. Com a Débora e a Ana Beatriz,
alunas da escola Bartoloméa, em Macapá, sinto que
vai acontecer uma grande amizade. Ainda não posso conhecê-las pessoalmente, mas não falta vontade
e, quando isso acontecer, vou sentir muita alegria. Já
imagino as duas aqui em São Paulo, quanta diferença... E também me imagino lá, conhecendo de perto
aquilo que elas me contam nas cartas. Com as cartas,
podemos viajar na imaginação e conhecer culturas”.
Andréas G. e Silva e Gabriel Diniz, do 5o ano F,
também gostaram da experiência: “Nós, alunos do 5o
ano, estamos elaborando um projeto chamado Cartas,
onde nos comunicamos com crianças da Amazônia.
Esse projeto mostra um jeito diferente de nos comunicarmos, assim como era antigamente, antes do surgimento do telefone, computador e outras formas de
comunicação modernas e mais rápidas. A reação das
turmas do 5o ano foi de interesse, pois a maioria não
se comunicava por cartas. Quando fomos mandar a
nossa primeira carta para a Amazônia, vimos como
era diferente fazer o assunto presente na carta. Já recebemos a resposta das crianças de lá, e nela, a verdadeira realidade daquele local se revelou. Mandamos
nossa segunda carta, agora já estamos mais seguros
do que perguntar e criamos um vínculo de amizade.
Estamos ansiosos, aguardando novos contatos”.
Vanda Cristina Machado e Christyanne Garcia Paes de Bueno,
professoras do 5o ano
POR QUE CRIAR UM BLOG
T
udo começou porque senti a necessidade de
criar uma forma de comunicação com os alunos
que aprimorasse a sua competência de leitores
e escritores, revelasse o nosso cotidiano, valorizasse
seus trabalhos e informasse aos pais o que acontece
em sala de aula. Primeiro, tive de entender o que é
um blog – uma página da Web cujas atualizações (ou
posts) são organizadas cronologicamente, como um
diário – e, depois, como construí-lo. Fiquei fascinada
ao descobrir que se trata de um salto na capacidade de
comunicação dos alunos. Pois, convidados a interagir,
eles exercitarão a leitura, a escrita, o senso crítico e a
familiaridade com a informática, habilidades imprescindíveis no século atual. A partir de então, surgiram
os blogs do 5o ano E e F (www.professoravero.zip.net)
e do 6o ano (www.veroerosa.blogspot.com).
Os alunos e os pais aprovaram a idéia de imediato
e hoje não passam um dia sem visitar o nosso blog.
“Oi, Verô, adorei sua idéia, pois muitas pessoas puderam mostrar seu lado de escritor”, disse a aluna Giovanna Albuquerque, do 5o E. “Achei muito criativo,
parabéns pelo trabalho”, comentou no blog o senhor
Cláudio, pai de Fernanda Guedes, do 5o F.
Uma das postagens mais emocionantes aconteceu
no Dia dos Pais: os alunos homenagearam seus pais
em um texto e inseriram fotos de momentos inesquecíveis que viveram juntos. Os comentários dos pais
vieram cheios de emoção, surpresa e felicidade. “Gostei muito dessa lembrança no dia dos pais, e parabéns
pela iniciativa do blog” escreveu o senhor Vagner, pai
de Nathália Neves, do 5o F.
Outro momento muito interessante foi o Concurso Cultural da Folhinha. Após a visita à Folha de S.
Paulo, os alunos do 5o ano demonstraram interesse
em participar do concurso promovido pelo jornal.
Usamos o programa slide share e divulgamos as produções dos alunos em nosso diário pedagógico.
Houve também envolvimento de outros setores do
Colégio, como a Biblioteca, que está sendo mais freqüentada. As experiências no Laboratório de Ciências
apareceram no blog, passo a passo, com fotos da atividade. A entrevista com o professor Athos, a literatura
mensal, o filme Tainá, uma aventura na Amazônia e
exercícios sobre formação de palavras foram algumas
das atividades postadas no diário virtual do 6o ano.
Isso sem falar na criação dos blogs pessoais dos
alunos. A maioria não quer um blog simples; eles
se sentem desafiados a acrescentar avatares e slides,
a conhecer a linguagem HTML, inserir músicas, recados e muito mais. No blogs pessoais há atualidades
(Giovanna, Letícia, Melissa), histórias em quadrinhos
(Leonardo, Beatrice, Julia), concursos, desafios e dicas de jogos eletrônicos (Pedro, Lucas, Fabrízio).
Aderimos ao selo “Escrevendo certo” dos Blogueiros do Bem, e participamos da comunidade Internautas na Educação, o que reforça nosso compromisso
de respeitar as regras ortográficas e gramaticais.
As aulas de informática nunca mais serão as mesmas, uma vez que a ferramenta trouxe maior facilidade de criação e de atualização, veiculação da informação em tempo real, mais possibilidade de interação
com os leitores (pais, alunos, professores), que fazem
comentários, críticas, sugestões e mandam recados.
Criar um blog pedagógico é mais do que aproximar pais, alunos e professores: é dar a oportunidade
de fazer os alunos praticarem a escrita de modo significativo, prazeroso e atual.
Veronice Leal Rocha, professora do 5o e do 6o ano
23
O QUE EU AMO NO SANTA
“O que eu amo no Santa é a oca (quiosque),
porque lá, quando faz sol, tem sombra e posso
lanchar sossegada, contando meus segredos
para minhas amigas.”
Paula Naomi Kawaguchi, 4º E
“Eu gosto do escorregador,
porque é muito grande e dá para
escorregar de vários jeitos.”
Pedro Isao Martos Murata, Jardim C
“O que mais gosto no Colégio
é que podemos conviver perto
da natureza e, assim, aprender a grande
importância de preservá-la.”
Maria Eduarda de Alencar Lima, 7º C
INSTITUTO DAS IRMÃS DA SANTA CRUZ
COLÉGIO SANTA MARIA
AV. SARGENTO GERALDO SANTANA, 890/901
JARDIM MARAJOARA – 04674-225 – SÃO PAULO – SP
NOVO TELEFONE (11) 2198-0600 – WWW.COLSANTAMARIA.COM.BR
24