O Futuro da Mobilidade Elétrica

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O Futuro da Mobilidade Elétrica
SUMÁRIO
Edição 86 | Ano XIV | Edição Especial 16o Etransport | Dezembro 2014
INTRODUÇÃO
16º Etransport reuniu 10 mil congressistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
FETRANSRIO
Feira apresenta inovações em mobilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8
DIA 5 DE NOVEMBRO
SOLENIDADE DE ABERTURA
Autoridades se reúnem para a abertura oficial do Etransport . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
FÓRUM FETRANSPOR DE SEGURANÇA NO TRÂNSITO
O Código de Trânsito Brasileiro e a prevenção de acidentes . . . . . . . . .
Segurança nos corredores BRT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Aspectos cognitivos e comportamentais relacionados com a segurança viária .
Álcool, drogas e segurança viária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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ENCONTRO ABRATI
Palestra do jornalista Carlos Alberto Sardenberg . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
3º SEMINÁRIO DE TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS NO TRANSPORTE
Ônibus elétrico no mundo: uma visão tecnológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
DIA 6 DE NOVEMBRO
PAINÉIS
Novas fontes de recursos para o transporte no país . . . . . . . . . . . .
Promoção da integridade e combate à corrupção: Lei Anticorrupção . . . .
Executivos revelam experiências em busca de gestão de qualidade . . . . .
As melhores empresas para se trabalhar investem em educação corporativa
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PALESTRA
Robert Cervero afirma que dependência do automóvel precisa mudar . . . . . . . . . . . . . . 36
PAINÉIS
A importância do planejamento da mobilidade por ônibus – UITP América Latina / Ásia . . . . 38
Atuação em rede – Fator estratégico para gerar valor e resultados sustentáveis para o negócio . . . 39
Rede Compara: uma nova ferramenta para empresas avaliarem seus desempenhos . . . . . . . 40
DIA 7 DE NOVEMBRO
PAINEL
Excelência no Transporte: BRT – Melhores Práticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
COLÉGIO DE ADVOGADOS FETRANSPOR
Iniciativa irá promover encontros e fortalecer a categoria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
PAINÉIS
Mobilidade Corporativa – O impacto nos negócios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
Motorista de ônibus: o cartão de visita da sua empresa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
JORNADA DE SAÚDE E SEGURANÇA
Palestras: Saúde & Trânsito e Atualidades em medicina de tráfego . . . . . . . . . . . . . . . 51
Mesa-redonda: Atuação de médicos e psicólogos em empresas de transporte . . . . . . . . . 52
Painel: Ações voltadas para a promoção do trânsito seguro . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
SUMÁRIO
www.revistaonibus.com.br
PALESTRA
Joe Kenny, representante da UITP, diz que setor de transporte deve
criar 7 milhões de novos empregos . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
PAINÉIS
Políticas de gestão de pessoas no setor de transporte . . . . . . . 55
Plataformas de Comunicação Digital . . . . . . . . . . . . . . . 57
Terminais rodoviários e os desafios
para uma nova mobilidade urbana . . . . . . . . . . . . . . . . 58
EVENTOS PARALELOS
II FÓRUM RIOCARD
Painéis discutiram estratégias, tendências e alternativas
para o ramo de bilhetagem eletrônica.. . . . . . . . . . . . . . . 60
8ª UITP BUS CONFERENCE
Realizada pela primeira vez na América Latina,
Conferência Internacional do Ônibus apresentou
experiências de transporte pelo mundo. . . . . . . . . . . . . . . 65
ENTREVISTA COLETIVA
Fetranspor e UITP analisam a mobilidade urbana
nas cidades brasileiras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
DIÁLOGO JOVEM SOBRE MOBILIDADE
Jovens se reúnem para discutir temas relacionados
à mobilidade urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
VISITAS TÉCNICAS
Congressistas conheceram BRT, Lourdes e COR . . . . . . . . . . 78
SINDICATOS
Rio Ônibus lança livro infantil sobre o BRT Transcarioca . . . . . . 80
Setransduc lança Cadernos de Boas Práticas . . . . . . . . . . . . 81
COMUNICAÇÃO
NTU lança campanha sobre o transporte público . . . . . . . . . . 82
PRÊMIO ALBERTO MOREIRA
Fetranspor elege os 18 melhores rodoviários do
Estado do Rio de Janeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
6ª BIENAL DE MARKETING DA ANTP
ANTP premia 17 trabalhos e anuncia possibilidade
de ampliar abrangência da Bienal . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
SOLENIDADE DE ENCERRAMENTO
Lélis Teixeira destaca contribuição do setor
para a mobilidade urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
Uma publicação da
www.fetranspor.com.br
Diretoria
Presidente: Lélis Marcos Teixeira
Diretor Administrativo e Financeiro:
Paulo Marcelo Tavares Ferreira
Diretora de Mobilidade Urbana:
Richele Cabral
Diretor de Marketing
e Comunicação:
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Conselho de Administração
Titulares
Presidente: José Carlos Reis Lavouras
Vice-presidente:
João Augusto Morais Monteiro
Demais Conselheiros:
Narciso Gonçalves dos Santos
Generoso Ferreira das Neves
Florival Alves
José Carlos Cardoso Machado
Marcelo Traça Gonçalves
Domênico Emanuelle Siqueira Lorusso
Francisco José Gavinho Geraldo
Alexandre Antunes de Andrade
Amaury de Andrade
Joel Fernandes Rodrigues
Suplentes:
Isidro Ricardo da Rocha
Manuel João Pereira
Manoel Luis Alves Lavouras
João Carlos Felix Teixeira
Jacob Barata Filho
Marco Antônio Feres de Freitas
Conselho Fiscal
Efetivos:
Valmir Fernandes do Amaral
Luiz Ronaldo Caetano
Humberto Valente
Suplentes:
Carlos Alberto Souza Guerreiro
Jorge Luiz Loureiro Queiroz Ferreira
Fábio Teixeira Alves
Delegado representante / CNT
Efetivo: Jacob Barata Filho
Suplente: Francisco José Gavinho Geraldo
Revista Ônibus
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e Eventos: Verônica Abdalla
Editora chefe: Tânia Mara Gouveia Leite
Redação:
Fred Pacífico
Juliana Marques
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16º ETRANSPORT
Evento reuniu 10 mil congressistas
O 16º Etransport, realizado no Riocentro entre 5 e 7 de novembro, reuniu
10 mil congressistas, em 50 painéis,
para estudar e debater a “Mobilidade
Inteligente”. Os temas, focados na
questão da mobilidade urbana, foram
escolhidos em pesquisa junto aos empresários de todo o País, em especial
do Estado do Rio de Janeiro.
Os BRTs do Brasil e do mundo, o
BHLS (Bus With High Level of
Service), os conceitos de TOD (Desenvolvimento Orientado ao Transporte), apontando a necessidade de
uso do solo misto e compacto, com
projeto para pedestres e ocupação
do solo fisicamente voltada para o
transporte, bem como a priorização
Vista geral da FetransRio
Solenidade de abertura
6
do transporte público, estiveram na
pauta principal dos debates.
Eventos como o II Fórum RioCard,
a Jornada de Saúde, o Fórum de Segurança de Trânsito, o III Seminário de
Tecnologias Sustentáveis e o encontro
do Diálogo Jovem sobre Mobilidade
foram algumas das atrações do Congresso, que também discutiu a questão
da educação dos rodoviários, em palestras coordenadas pela Universidade
Corporativa do Transporte, e inaugurou
o Colégio de Advogados da Fetranspor.
O Etransport contou com a presença das principais instituições de
pesquisas e estudos do País, como:
IPEA, ITDP, BNDES, ANTP, Embarq
Brasil, Abramet, além de entidades,
como Rio Como Vamos, sindicatos
de trabalhadores e representantes da
sociedade em geral. Palestrantes de
renome internacional, provenientes
de países como Canadá, Estados
Unidos da América, França, China,
Chile, México, Inglaterra, entre outros,
assim como autoridades, técnicos e
empresários de todo o Brasil, deram
suas contribuições para os debates.
Houve ampla cobertura da mídia
brasileira. Mais de 20 jornais, TV e
rádio noticiaram os assuntos tratados
durante o Congresso e entrevistaram
os representantes de cada setor.
A 10ª FetransRio, evento paralelo
ao Etransport, realizado em três pavilhões, num espaço de 35 mil metros
Alain Flaush na abertura da UITP Bus Conference
O jornalista Edimilson Ávila no Diálogo
Jovem Sobre Mobilidade
quadrados do Riocentro, contou com
73 expositores, que apresentaram as
últimas novidades em produtos e serviços para o mercado de transportes.
Pela primeira vez na América
Latina, também paralelamente ao
Etransport, foi realizada a 8ª Conferência Internacional de Ônibus
da UITP, mais importante palco de
discussão deste meio de transporte, além do “Policy and Executive
Board”, encontro internacional da
UITP. Outro importante evento foi a
Bienal de Marketing da ANTP, que
deu quatro prêmios para cases da
Prêmio Alberto Moreira
Fetranspor – Revista “Indo & Vindo”,
CRC (Central de Relacionamento
com o Cliente), Mobilidade Sonora e
Diálogo Jovem sobre Mobilidade. Sem
falar no Prêmio Alberto Moreira, que
homenageou os melhores rodoviários
do Estado do Rio de Janeiro, na noite
de 6 de novembro, destacando os três
primeiros colocados nas categorias
Motorista, Cobrador, Operacional, Manutenção, Administração e Liderança.
Esta Revista Ônibus especial traz
a cobertura completa do Etransport e
de todos os eventos que aconteceram
paralelamente ao Congresso.
Solenidade de encerramento
Visitas técnicas
ao BRT e ao
Centro de
Operações
Hall de entrada do evento
Equipe do Diálogo Jovem sobre
Mobilidade recebe o prêmio da
Bienal de Marketing da ANTP
7
10ª FETRANSRIO
Feira apresenta inovações em mobilidade
Empresas aprimoram produtos e serviços
de transporte de passageiros no País
A Fetranspor promoveu, em paralelo à 16ª edição do Etransport, a 10ª
FetransRio, um dos mais importantes
acontecimentos do setor na América Latina, que se consolidou como importante
polo de negócios, e a cada edição vem
se firmando como um dos maiores eventos da indústria voltada para o segmento ônibus, com a apresentação do que
existe de mais moderno em tecnologia
aplicada ao transporte de passageiro.
“O transporte tem uma cadeia produtiva grande até chegar ao cliente final. Ele
movimenta muitos negócios e envolve
inúmeros personagens que estão nessa
feira”, afirmou o presidente da Federação, Lélis Teixeira.
As principais montadoras e encarroçadoras do setor aproveitaram a oportunidade para apresentar novidades
e aprimoramentos em seus produtos.
A ausência da Mascarello e da Agrale
se explica, provavelmente, pelo fato de
que 2014 não foi um ano próspero para
o mercado, e deve fechar com baixa em
relação às vendas realizadas em 2013.
De acordo com a Anfavea, de janeiro a
outubro foram produzidos 30.490 chassis. No mesmo período, em 2013, a produção já ultrapassava 35 mil unidades.
Se, por um lado, a baixa do mercado é
dada como certa, as perspectivas para
2015 parecem ser boas, principalmente tão logo as novidades expostas na
FetransRio estejam à disposição dos
frotistas. Confira abaixo o que as principais empresas apresentaram no Rio
de Janeiro.
8
FetransRio reuniu 75 expositores em 35 mil m2 de área
Encarroçadoras apostam
na reestilização de modelos
Irizar – Completando 125 anos
de mercado, a empresa, localizada
em Botucatu, apostou no aprimoramento do modelo I6, apresentado na FetransRio 2012. O I6 plus se
apresenta como opção de carroceria
ideal para atender às necessidades do
transporte rodoviário, de fretamento
e turismo, que precisam de maior capacidade no bagageiro, com menor
custo de investimento inicial, operacional e de manutenção, em comparação às carrocerias similares.
Caio – A encarroçadora paulista expôs mais uma reestilização do
já conhecido Apache Vip. Também
mostrou a carroceria Solar, aplicada
no transporte rodoviário e no fretamento, além do Foz 2400 Executivo.
A principal mudança no Apache é o
design, com a nova geometria do
conjunto ótico. As lanternas traseiras
são intercambiáveis, a mesma peça
pode ser utilizada em ambos os lados,
facilitando a reposição.
O modelo Solar apresenta nova
grade frontal, com maior entrada
de ar, melhorando a refrigeração do
motor. As linhas gerais e a junção de
acabamentos das laterais dão limpeza visual e harmonia à carroceria.
Marcopolo – Para a feira realizada em terras cariocas, a encarroçadora de Caxias do Sul trouxe três modelos. Destaque para o Paradiso 1800
de piso duplo. Além deste, também
abrilhantaram o estande da Marcopolo o Viale BRS Low Entry e o Novo
Torino, ambos desenvolvidos para uso
em ambiente urbano. O Paradiso é
Fotos: Jorge Santos
Divulgação
A Caio expôs mais uma reestilização do Apache Vip
A espanhola Irizar comemorou seus 125 anos de mercado, aprimorando o modelo I6
voltado para o transporte rodoviário,
sendo o mais sofisticado da marca e
do mercado nacional, com conforto e
comodidades comparáveis aos da primeira classe de voos internacionais,
com vistas a proporcionar viagens
agradáveis e prazerosas.
O veículo tem capacidade para 44
passageiros no piso superior, em poltronas semileito, e 12 no piso inferior.
Especialmente, o veículo conta com camarote para o motorista auxiliar, minibar com geladeira e cafeteira, além de
sistemas de áudio e vídeo com cinco
monitores, ar-condicionado e sanitário.
Neobus – Neste ano, a fabricante
gaúcha apresentou algumas versões
do seu N10, desde o modelo mais sofisticado para o transporte rodoviário
até a carroceria voltada ao mercado
urbano de melhor requinte.
De acordo com o diretor comercial
da empresa, Ronaldo Fontolan, essa
é a grande aposta da Neobus para
2015, logo que, neste ano, as vendas
do N10 para o transporte rodoviário
foram consideradas positivas. “O N10
é um dos maiores sucessos do mercado. Durante alguns anos a indústria
se ressentiu da falta da Busscar, e
desde então ela não experimentava
um desafio. Com o N10 isso foi colocado, e os clientes estão comprando e
renovando, o que já nos fez ter 6% do
mercado rodoviário absoluto, ou seja,
de veículos com motores traseiros”.
O executivo acredita na retomada
do mercado com um acréscimo de
até 5% em relação ao fechamento
de 2014. “Apesar das dificuldades,
o transporte por ônibus é a solução
possível para o nosso país. O que pre-
A Marcopolo trouxe o Paradiso 1800 de piso duplo
A Comil mostrou o seu urbano, Svelto
cisamos é de transportar as pessoas
com mais conforto para que elas deixem o carro em casa”, disse.
Comil – A encarroçadora de
Erechim fez o lançamento da reestilização do Campione 3.25, que é
a opção da marca para o segmento
de fretamento e para uso em linhas
rodoviárias intermunicipais e interurbanas. Também estiveram expostos o
rodoviário Campione Double Decker
e o urbano Svelto. Entre os atrativos
desses modelos, a redução do consumo de combustível, ocasionada pela
curva frontal mais acentuada e pelo
baixo peso da estrutura.
O Campione Double Decker oferece requinte aos passageiros e está
disponível para chassis 6x2 e 8x2,
podendo contar com várias configurações e itens, como sofás, mesa
de jogos, bar e equipamentos de
entretenimento. O Svelto atende ao
transporte urbano, com o objetivo de
oferecer o melhor custo benefício do
segmento, com alto desempenho.
Neobus apresentou algumas versões do seu N10
9
10ª FETRANSRIO
Montadoras apresentam novidades
na FetransRio 2014
Entretanto, até mesmo entre os
principais fabricantes de chassis,
a palavra é cautela. É preciso dar
continuidade aos investimentos
para reformulação do transporte
urbano, assim como à regulamentação das novas regras para o serviço de transporte rodoviário, que
deve impactar no comportamento
do empresário no momento da renovação da frota.
MAN – A montadora, com sede
em Resende, no sul do Estado do Rio,
levou para a feira o modelo 9.160 OD
com piso baixo. O micro-ônibus deve
ser a atração da empresa para as
próximas licitações do programa Caminhos da Escola que atenderá áreas
urbanas. De acordo com a empresa, o
chassi prima pela acessibilidade, principalmente em função da qualidade
das vias. Outra novidade é o 17.230
com suspensão pneumática total. Os
ônibus de 17 toneladas representam
a maior parte das vendas do mercado
brasileiro, e a MAN não ficaria de fora
da briga neste segmento que vem
apresentando inovações desde 2013.
Scania – Destaques da montadora durante a FetransRio foram os
chassis K 310 6x2*4 (15 metros), K
400 6x2 e K 310 4x2. Segundo o diretor de Vendas de Ônibus Urbanos da
Scania nas Américas, Silvio Munhoz,
a feira dá “a oportunidade de estar
em contato direto com os clientes,
sejam de modelos urbanos, rodoviários, intermunicipais, fretamento ou
turismo”.
Na ocasião, o executivo anunciou,
ainda, os testes com um ônibus movido a biogás. Inicialmente, o veículo
estará em operação em Foz do Iguaçu, dentro da usina Itaipu Binacional.
Sem perder o foco no mercado
de ônibus para aplicações rodoviárias, Munhoz vislumbra um futuro
promissor, logo que, com o regime de
autorizações da ANTT, as empresas
esperavam a definição para retomar
os investimentos. “A expectativa é de
que, nos próximos anos, o segmen-
A Scania anunciou testes com ônibus a biogás
to de chassis rodoviários tenha um
aumento anual entre 2,5 mil e 3 mil
unidades”.
Mercedes-Benz – Em um dos
maiores estandes da feira, a Mercedes-Benz expôs sete chassis de ônibus. O novo OF 1724 com câmbio automatizado; os modelos OF 1721 L e
OH 1621 L com suspensão pneumática o micro-ônibus LO 916; o superarticulado O 500 MDA de piso alto na
versão BRT; e os chassis rodoviários
O 500 RSD 6x2 e O 500 RSDD 8x2,
A Mercedes-Benz expôs sete chassis de ônibus, entre eles o superarticulado O 500 MDA
A MAN levou o micro-ônibus 9.160 OD com piso baixo
10
disponíveis para receberem carroçarias do tipo double decker e low
driver. Outra novidade anunciada no
evento foi a realização de testes com
três ônibus urbanos equipados com
tecnologia flex, ou seja, diesel e GNV.
Além da tradicional configuração
com suspensão metálica, os chassis OF1721 e OF 1724 passam a ser
oferecidos também com suspensão
pneumática – assim como o modelo OH 1621 L –, elevando o nível de
conforto a bordo, aumentando a satisfação dos passageiros e também
do motorista.
Já os chassis O 500 RSD 6x2 e O
500 RSDD 8x2 chegam ao mercado
com segundo eixo direcional de série
e ganharam motores mais potentes.
Iveco Bus – Mais nova marca
no segmento ônibus, a montadora
italiana apresentou o chassi para
aplicações urbanas e de fretamento, o 170 S28U, projetado no centro
de desenvolvimento de produto da
empresa, em Sete Lagoas. A principal característica desenvolvida no
projeto S170 é o seu baixo custo
operacional. Além disso, o produto foi concebido para oferecer aos
clientes robustez, confiabilidade e
economia de combustível.
Volvo – A empresa
apostou na interatividade e na experimentação de dirigir um
ônibus híbrido. A montadora, com sede em
Curitiba, levou para a
A Volvo mostrou o chassi biarticulado B340M para uso em BRTs
feira um simulador de
direção. Durante o evento, quem se lidade, além de ter mostrado o chassi
aventurou percebeu as diferenças biarticulado B340M para uso em corentre dirigir um ônibus diesel e um redores do tipo BRT.
híbrido. O equipamento ainda mosBYD – A chinesa BYD foi um dos
trava a performance na condução expositores e mostrou, pela primeira
– um visor no painel
do simulador aponta
quanto da frenagem
ele aproveitou para recarregar a bateria.
O simulador de direção do ônibus híbrido
foi desenvolvido pela
Volvo para treinamento
de motoristas no Brasil
e em outros países da
América Latina. A emA BYD mostrou seu ônibus 100% elétrico, urbano, 12m, piso baixo
presa aposta na adoção
dessa tecnologia em
2015. A montadora prospectou servi- vez, seu ônibus 100% elétrico, moços de telemática associados à mobi- delo urbano, 12 metros, piso baixo,
com quatro portas, desenhado especialmente para atender ao mercado
brasileiro. O K9 despertou o interesse
e a curiosidade dos convidados da
feira pelo seu design inovador, pela
alta autonomia operacional e pelo
incrível desempenho energético em
comparação ao similar a diesel. Com
autonomia maior do que 250 quilômetros e vida útil das baterias de fosfato de ferro superior a dos próprios
veículos, o K-9 é apontado como uma
alternativa altamente viável para os
A mais nova montadora no segmento, a Iveco, apresentou o chassi urbano / fretamento 170 S28U
transportes urbanos no Brasil.
11
10ª FETRANSRIO
Mas não foram somente os veículos que atraíram a atenção de quem passou pela feira. O evento apresentou diversas tecnologias capazes de
proporcionar melhor qualidade de serviço tanto
para operadores – principalmente na otimização
de custos com manutenção –, como para usuários. Ao seguir as tendências, os operadores elevarão de maneira considerável o nível de serviço
ofertado no setor de transporte de passageiros.
Stertil Koni, líder mundial em elevadores para
veículos pesados, expôs o elevador ST 1075 FWF
Destaque da Digicon: validador DG Smart com câmera
para verificar passageiros que possuem benefícios
A Tranzabik’s
maior capotaria
especializada em
ônibus do Rio de
Janeiro atua com
excelência na
venda e reforma
de bancos e
oferece acessórios
de conforto
12
Divulgação
Novas tecnologias
para otimização
da qualidade
A Prodata comemorou a marca de 100.000 validadores
vendidos em 2014 e a inauguração de uma nova fábrica
A anfitriã, Fetranspor,
disponibilizou seu estande
para os sindicatos filiados
A Elber
Geladeiras
trabalha em
sintonia com as
montadoras para
atender todas
as necessidades
de seus clientes,
como tamanho,
material,
litragem e cores
A BGM Rodotec
apresentou o
Globus Cloud,
para gestão
de transportes
em nuvem, e
o ERP Globus,
módulo que visa
a controlar e
reduzir custos
operacionais
O Futuro da Mobilidade Elétrica
A BYD (Build Your Dream) é especialista em tecnologia da informação,
painéis fotovoltaicos e energia limpa, baterias estacionárias para
armazenagem de energia, iluminação LED de alta eficiência e
veículos híbridos e elétricos (carros, ônibus, caminhões e
empilhadeiras).
BYD no Brasil
A BYD iniciou suas operações no Brasil em 2012
e anunciou sua primeira unidade industrial para
fabricação de baterias recarregáveis e ônibus
elétricos em Campinas, São Paulo, na presença
dos presidentes do Brasil e da China. Previsão
de abertura da fábrica para início de 2015.
A BYD é a maior fornecedora de baterias recarregáveis do mundo e a
maior fabricante de ônibus elétricos do mundo. Além disso, a BYD é a
segunda maior fabricante (ODM – Original Design Manufacturer) de
celulares, tablets e computadores portáteis – laptops - do mundo.
A BYD Auto tornou-se uma das mais inovadoras marcas de
automóveis mundiais, e vêm liderando os desenvolvimentos
tecnológicos visando a mobilidade elétrica nos transportes coletivos.
Colocamos à disposição dos nossos clientes a
mais alta tecnologia de ônibus elétricos, com
baterias de fosfato de ferro lítio, que permitem
autonomia de mais de 250 km e reduzido custo
de operação. Bem-vindo às novas tecnologias
de mobilidade urbana. Bem-vindo à BYD.
Articulado
Uma promissora alternativa para a Evolução dos ônibus
urbanos
e sistemas BRT (Bus Rapid Transit) no Brasil e no mundo.
Micro ônibus
Escritório BYD do Brasil
O ônibus elétrico da BYD é o primeiro ônibus 100% elétrico à
baterias produzido em escala comercial e o mais vendido em todo o
mundo. É também o único movido pelas novas baterias de fosfato
de ferro lítio, tecnologia ambientalmente correta (reciclável) e com
grande vida útil (maior do que o próprio ônibus). Com autonomia de
250km por carga (pode ser noturna) o ônibus elétrico da BYD
dispôe de freios regenerativos e motores na roda, a revolucionária
tecnologia que reduz custos de manutenção e aumenta eficiência
operacional
SOLENIDADE DE ABERTURA
Mobilidade urbana exige investimento
Fotos: Arthur Moura
Autoridades nacionais e internacionais do setor de
transportes participam da abertura do 16º Etransport
Na abertura do 16º Etransport, dia 5 de novembro, no Riocentro, o presidente executivo da
Fetranspor, Lélis Teixeira, falou
sobre a importância do evento
para a mobilidade urbana brasileira e destacou a necessidade de
investimentos cada vez maiores
na área, tendo em vista o crescimento populacional das cidades.
“Hoje, vivemos em um novo cenário global. Enquanto 85% dos
brasileiros moram nas cidades,
a média, nos outros países, é de
54% da população residindo em
áreas urbanas. Somos 3,9 bilhões
de pessoas nas cidades do mundo e 170 milhões nas cidades
brasileiras. O mundo é urbano e
14
o Brasil, superurbano. Em todo
o planeta, cidades crescem em
velocidade nunca vista; e os problemas se multiplicam, inclusive
na área de mobilidade urbana”,
afirmou Lélis.
O executivo abordou também
as grandes metrópoles brasileiras, como o caso do Rio de Janeiro. “Além das duas megalópoles (cidades com mais de 10
milhões de habitantes), temos
16 cidades com mais de 1 milhão de habitantes no Brasil. O
Rio de Janeiro é exemplar, com
92 municípios, que reúnem mais
de 16 milhões de pessoas, inclui
a segunda maior região metropolitana do País, a terceira da
“Hoje, vivemos em um novo
cenário global. Enquanto
85% dos brasileiros moram
nas cidades, a média, nos
outros países, é de 54% da
população residindo em áreas
urbanas. Somos 3,9 bilhões de
pessoas nas cidades do mundo
e 170 milhões nas cidades
brasileiras. O mundo é urbano
e o Brasil, superurbano”
Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor
o VLT, que está sendo construído
no Centro e na Zona Portuária”.
E, segundo o executivo, esse novo
cenário elevará a participação do
transporte público de massa na
matriz de transporte, “dos atuais
16% para cerca de 64%, até os
Jogos Olímpicos de 2016”.
Segundo o secretário municipal de Transportes do Rio, Alexandre Sansão, que integrou a
mesa de abertura, representando
o prefeito Eduardo Paes, “o BRT é
o maior exemplo de investimento
em mobilidade que está ocorrendo
atualmente no Rio de Janeiro, com
o aumento da oferta do transporte de passageiros de grande capacidade”. Já a secretária estadual
Novo cenário
“O transporte público é a chave
para a criação de cidades
dinâmicas, embora existam
ainda muitos desafios”
Peter Hendy, presidente da UITP
América do Sul e a 20ª do mundo. Se, no mundo, temos 54%; no
Brasil, 85%; no Estado do Rio são
95% das pessoas morando nas
cidades. Se o mundo é urbano,
o Brasil é superurbano e o Rio é
hiperurbano”, concluiu. Para Lélis, esse Rio metropolitano exige
“uma visão holística, um planejamento urbano integrado, em que
a mobilidade tenha prioridade
e seja considerada estratégica,
com a participação da sociedade
em sua definição”.
Lélis também discursou sobre
as mudanças já implementadas
para a melhoria da mobilidade
urbana no Rio, como a construção
de BRTs e do VLT, a instalação de
BRS, entre outras. ”A priorização
do transporte público já apresenta
aqui resultados visíveis: dois BRTs
em funcionamento, transportando
mais de 400 mil passageiros/dia, e
mais dois em construção, que ficarão prontos em 2015 e 2016. Teremos acima de 160 quilômetros de
BRT, em que serão transportados
mais de 1,5 milhão de passageiros
por dia. Um deles, o TransBrasil,
será a via de ônibus de maior capacidade do mundo, com mais de
50 mil passageiros por hora, por
sentido. Há ainda grande expansão de metrô, trens e barcas, além
da construção de um novo modal:
“O BRT é o maior exemplo de
investimento em mobilidade
que está ocorrendo atualmente
no Rio de Janeiro, com
o aumento da oferta do
transporte de passageiros de
grande capacidade”
Alexandre Sansão, secretário municipal de
Transportes do Rio de Janeiro
15
SOLENIDADE DE ABERTURA
Auditório lotado
“(O Bilhete Único) é um
mecanismo social de aumento
da empregabilidade. É
considerado, pela UITP, o
melhor programa da América
Latina”
Tatiana Carius, secretária estadual de
Transportes do Rio de Janeiro
16
de Transportes do Rio de Janeiro,
Tatiana Carius, que representou
o governador Pezão, destacou o
papel do Bilhete Único como “mecanismo social de aumento da
empregabilidade. É considerado,
pela UITP, o melhor programa da
América Latina”. O deputado federal Julio Lopes, ex-secretário estadual dos Transportes, ressaltou
o significado do Congresso para a
questão da mobilidade. “O Etransport é um aperfeiçoamento do debate público em torno dos transportes. Aqui, se apresentam teses,
se discutem ideias, se promove a
integração dos transportes, além
da apresentação de todos os sistemas capazes de transformar
esse tema tão importante que é a
mobilidade urbana”, celebrou.
“Cidades dinâmicas”
Presente à cerimônia, o presidente da UITP, Peter Hendy, falou
sobre a importância do ônibus em
todo o mundo, lembrando que “o
transporte público é a chave para
a criação de cidades dinâmicas,
Thierry Wagenknecht , presidente do Conselho
de Ônibus da UITP
embora existam ainda muitos desafios”. Já Thierry Wagenknecht,
presidente da 8ª Bus Conference,
que acontece paralelamente ao
Etransport e também foi aberta
na noite de quarta-feira (5 de
novembro), pela primeira vez na
América Latina, visitou o BRT
Transoeste e exaltou a qualidade
desse meio de transporte no Rio
e no Brasil.
Também integraram a mesa
de abertura: o presidente do
Conselho de Administração da
Fetranspor, José Carlos Lavouras; o presidente da Assembleia
Legislativa do Estado do Rio de
Janeiro, deputado Paulo Melo;
o deputado federal Hugo Leal,
representando o presidente da
Câmara, Henrique Alves; o presidente da NTU, Otávio Vieira da
Cunha Filho; o presidente da Fabus, José Fernandes Martins, e o
vice-presidente da Anfavea, Luiz
Carlos Gomes Moraes, representando o presidente Luiz Moan.
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FÓRUM Fetranspor de Segurança no Trânsito
Dia 05
Palestra 1 – O Código de Trânsito Brasileiro e a prevenção de acidentes
envolvendo ciclistas, motociclistas e pedestres
Durante o Fórum de Segurança
no Trânsito, que teve como moderador o coordenador médico da Fetranspor, Fernando Moreira, foram
discutidos o Código de Trânsito Brasileiro e a prevenção de acidentes
envolvendo ciclistas, motociclistas
e pedestres, situações de riscos, seguranças nos corredores BRT, álcool,
drogas e segurança viária e aspectos
cognitivos e comportamentais relativos à segurança viária.
A primeira palestra, “O Código
de Trânsito Brasileiro e a prevenção de acidentes envolvendo ciclistas, motociclistas e pedestres”,
foi proferida pelo presidente do
Cetran (Conselho Estadual de Trânsito), Antônio Sérgio de Azevedo
Damasceno, e teve como moderador o presidente da CELT – OAB,
Armando de Souza.
Regras de circulação
Damasceno destacou que existem regras de circulação para bicicletas, patinetes elétricos e skates,
e que principalmente os pedestres
deveriam respeitar as normas de
trânsito. Ele defende que o Estado
deva informar e orientar o cidadão
sobre as normas de trânsito, mas
que a responsabilidade de educar
é da família e da escola. “Não tem
curso para pedestre. Não tem curso para cidadão. O curso de formação de condutor forma apenas
o condutor e não o caráter da pessoa. O Estado tem a sua atuação
18
Fotos: Guilherme Costa Pinto
O número de mortes no trânsito no Brasil continua
aumentando
e o seu esforço, mas a sociedade
precisa colaborar também. Ou
seja, é preciso que o motorista
faça a sua parte, seguindo a principal orientação, que é se beber
não dirija”, afirmou.
Situações de risco
O professor do Departamento de
Psicologia da Calgary University, no Canadá, Charles Thomas Scialfa, apontou
os principais resultados dos estudos
que realizou com o objetivo de identificar os maiores fatores de risco na ocorrência de acidentes de trânsito. Entre
os mais importantes, citou velocidade,
álcool, distração, problemas de saúde e
até a idade do motorista. “Há todo tipo
de riscos nas estradas, e a maioria deles
conseguimos evitar. Algumas pessoas
são melhores ao perceber os riscos e
conseguem reagir mais rapidamente,
freando, mudando de pista ou tomando
outra atitude”, destacou.
Scialfa lembrou que, segundo
pesquisas, tanto na América do Norte
“Não tem curso para pedestre.
Não tem curso para cidadão.
O curso de formação de
condutor forma apenas o
condutor e não o caráter da
pessoa. O Estado tem a sua
atuação e o seu esforço, mas
a sociedade precisa colaborar
também”
Antônio Sérgio de Azevedo Damasceno,
presidente do Cetran
como na América Latina e no Brasil, a
idade é um fator de risco na direção,
não somente considerando os mais
jovens como também os mais velhos
e, por isso, é preciso atenção especial.
Excesso de velocidade
O professor sugere que sejam adotados, aqui no Brasil, testes de percepção, como condição para obtenção da
carteira de habilitação. Ele acredita que
essa iniciativa não seja a solução para o
problema, mas poderia ajudar o país a
ter motoristas melhores no futuro.
Palestra 2 – Segurança nos corredores BRT
O BRT trouxe muitas vantagens para a população
e para o meio ambiente
O diretor do Departamento de
Medicina Ocupacional da Abramet,
Dirceu Rodrigues Alves, destacou a
preocupação da Associação com o
aumento das mortes provocadas pelos acidentes de trânsito, principalmente envolvendo motociclistas. “A
cada dez leitos, seis são ocupados
com vítimas do trânsito. E desses seis,
quatro são motociclistas”, revelou.
Alves destacou os benefícios
que o BRT trouxe para os grandes
centros urbanos, entre eles, a rapidez, o isolamento dos veículos mais
leves e o conforto para os usuários,
que se sentem mais estimulados
a deixar o carro em casa e utilizar
esse meio de transporte.
Na opinião do palestrante, o ponto
de ônibus é o local mais inseguro que
existe nas ruas. Já no BRT o meio fio é
elevado, e o usuário fica na altura do
veículo para o embarque e desembarque, o que ajuda a reduzir acidentes.
“Nossa grande
responsabilidade é
fazer BRTs seguros”
Brenda Medeiros, gerente de Projetos de
Transporte da Embarq Brasil
Vantagens para a saúde
Dirceu Rodrigues também citou
as vantagens do BRT para a saúde
da população e para o meio ambiente. “O BRT reduz a emissão de
gases, vapores, poeiras e fuligens,
e aumenta o conforto dos usuários de transporte. Melhora a vida
dentro da cidade, com a redução
do número de veículos nas ruas,
do estresse físico e moral, da fadiga, dos acidentes de trabalho e
das doenças ocupacionais. Ou seja,
traz qualidade de vida”, frisou.
Já a gerente de Projetos de
Transporte da Embarq Brasil, Brenda Medeiros, defendeu que as
questões relativas à segurança do
BRT sejam avaliadas ainda na concepção do projeto. Basta ser BRT
para ser mais seguro”. Ela lembra
que outro grande problema é mudar o comportamento do pedestre,
que procura sempre a rota mais fácil, com menor resistência.
“O BRT reduz a emissão de
gases, vapores, poeiras e
fuligens, e aumenta o conforto
dos usuários de transporte.
Melhora a vida dentro da
cidade que vivemos”
Dirceu Rodrigues, diretor do
Departamento de Medicina Ocupacional
da Abramet
Mais fluidez x preservação
da vida
Segundo afirmou, a maioria dos
BRTs nasce em vias com velocidade
máxima permitida de 60 km/hora,
mas, para minimizar os riscos de
morte, o ideal seria 50 km/hora. Ou
seja, surge aí o conflito entre dar
maior fluidez ao trânsito e preservar a vida.
Brenda defende que cada corredor construído é um exemplo do
que fazer e do que não fazer. “Nossa grande responsabilidade é fazer
BRTs seguros”, finalizou.
19
FÓRUM Fetranspor de Segurança no Trânsito
Palestra 3 – Aspectos cognitivos e comportamentais relacionados
com a segurança viária
O Brasil perde, por ano, em acidentes de trânsito,
o equivalente à Guerra da Síria
O Brasil está entre os países
que mais matam no trânsito. Foram 55 mil mortes em 2013, o
que equivale ao número de óbitos na Guerra da Síria por ano.
A afirmação foi feita pelo
palestrante José Mauro Bráz de
Lima. Segundo o professor, é necessário aumentar a fiscalização
“A maior parte dos acidentes
acontece em virtude de uma
questão humana, seja pelo
mau estado da estrada, pela
mata encobrindo a visão
humana, etc.”
Professor José Mauro Bráz de Lima
e a penalização, e desenvolver
novas ações de educação, pois,
apesar da criação da Lei Seca,
em 2008, o número de mortes
envolvendo embriaguez continua
crescendo. Ele defende a necessidade da Lei Seca, que considera
uma iniciativa importante, mas
acha que é preciso conscientizar
ainda mais a população sobre os
efeitos do uso do álcool e outras
drogas no cérebro.
Para Lima, a redução do número de acidentes de trânsito depende principalmente do aspecto cognitivo comportamental. “A maior
parte dos acidentes acontece em
virtude de uma questão humana,
seja pelo mau estado da estrada, pela mata encobrindo a visão,
20
etc”, frisou. O professor afirmou
que não concorda com o caminho
de “demonizar” o álcool, pois isso
não funcionou nos Estados Unidos,
mas lembra que o Brasil é hoje o
terceiro maior produtor mundial de
cerveja e o primeiro de cachaça. E
lamenta que a propaganda maciça
e crescente de bebidas alcoólicas,
voltada para os jovens, aponte
evidente correspondência com o
aumento de consumo nos últimos
anos e, consequentemente, com o
aumento do número de acidentes
relacionados à combinação entre
álcool e direção.
O professor Egas Caparelli Moniz de Aragão Dáquer concorda com
Lima que a maior parte dos acidentes acontece devido ao comportamento humano. Ele lembra que
questões como sono, fadiga, intoxicação e sonolência interferem, de
“Algumas doenças
psiquiátricas ou neurológicas
podem interferir na capacidade
de condução. Motoristas com
doenças como Alzheimer ou
Parkinson, na fase inicial,
podem dirigir com segurança,
mas com a progressão da
doença é natural que surjam as
dificuldades”
Professor Egas Caparelli
Moniz de Aragão Dáquer
modo decisivo, na capacidade cognitiva do motorista. “Algumas doenças psiquiátricas ou neurológicas
podem interferir na capacidade de
condução. Motoristas com doenças como Alzheimer ou Parkinson,
na fase inicial, podem dirigir com
segurança, mas com a progressão
da doença é natural que surjam as
dificuldades”, destacou.
Palestra 4 (internacional) – Álcool, drogas e segurança viária
Mercier-Guyon: “O problema não é o uso do
álcool, e sim dirigir embriagado”
Na palestra internacional “Álcool,
drogas e segurança viária”, Charles
Mercier-Guyon, da Association Prévention Routière, da França, revelou
que o uso de outras drogas lícitas ou
ilícitas é tão grave quanto o uso de
bebidas alcoólicas por condutores; ou
seja, dirigir sob o efeito de tranquilizantes ou outros medicamentos pode
ser tão arriscado quanto dirigir embriagado, pois em ambas as formas a
percepção do motorista estará afetada, o que coloca em risco a segurança
de toda a sociedade.
Mercier destacou, porém, que, no
caso do uso do álcool, a diferença é a
gravidade do acidente. “Cerca de 25%
dos acidentes mortais na Europa envolvem o consumo de bebidas alcoólicas”,
afirma. “Só iniciativas de proteção viária, como as barreiras da Lei Seca, aqui
no Rio, são possíveis de detectar motoristas alcoolizados”, completou.
Controles mais rigorosos
Ele defendeu, também, que os
motoristas profissionais sejam submetidos a controles mais rigorosos,
assim como os motoristas reincidentes. Revelou que, pelo menos na França, as campanhas mais impactantes
não costumam ser bem-sucedidas,
então, optaram por sempre abordar o
tema de forma mais leve.
Na avaliação do palestrante, é muito importante adotar políticas diferentes para os distintos perfis de consumidores de bebidas alcoólicas, como, por
exemplo, para aqueles que consomem
apenas no fim de semana, aqueles que
têm dependência social e aqueles que
já são alcoólatras, sem contar os motoristas que dirigem veículos pesados.
Para Mercier, os novos motoristas precisam ser acompanhados
mais de perto quando se iniciarem
na direção, e a renovação de suas
carteiras de habilitação deve ser
feita em períodos menores e de
forma mais rigorosa. Ele acredita
ainda que, para tornar mais seguro o desempenho dos motoristas, é
necessário desenvolver programas
de reabilitação mais efetivos, implantar campanhas mais eficientes
“Só iniciativas de proteção
viária, como as barreiras da Lei
Seca, aqui no Rio, são possíveis
de detectar motoristas
alcoolizados”
Charles Mercier-Guyon, da Association
Prévention Routière, da França
e desenvolver novos mecanismos,
como, por exemplo, um já lançado
no exterior, que impede que o carro
dê a partida quando for detectado
um nível de alcoolemia muito elevado no motorista.
21
ENCONTRO ABRATI
Dia 05
Palestra do jornalista Carlos Alberto Sardenberg
No fim da tarde do primeiro dia
do 16º Etransport, Carlos Alberto
Sardenberg, jornalista da TV Globo
e da CBN, apresentou, no Encontro
Abrati, um panorama da economia
brasileira, com o intuito de responder
“como chegamos até aqui” e “como
voltareros a crescer”, em sua palestra
intitulada “Momentos econômico e
político do País após as eleições”.
Suas análises passaram por situações de crise, de recuperação, de
evolução e de estagnação, vividas
pelo Brasil em cinco momentos. O
primeiro começou em 1994, ano da
introdução do Real, e foi até 2006.
“Antes, de 1986 a 1994, tivemos seis
moedas, deixando o ambiente inviável para se trabalhar. A partir daí, não
somente a moeda, mas um conjunto
de leis, regras e reformas, realizadas
ao longo desse período, mudaram a
cara do Brasil, permitindo a conquista
do grau de investimento, fator essencial aos investimentos internacionais
e também à administração da dívida
e da taxa de juros interna”, explicou
o jornalista.
Virtudes da estabilidade
Dentre as mudanças implantadas
durante o fim dos anos 90 e começo de 2000, o regime de metas de
inflação do Banco Central e a Lei de
Responsabilidade Fiscal destacam-se
como as virtudes da estabilidade. O
primeiro, de acordo com Sardenberg,
é um modelo baseado no fato de que
se a inflação está acima da meta, os
juros sobem; caso contrário, caem.
22
Foto: Luiza Sansão
O Brasil nos últimos 20 anos
“E não é o Banco Central que fixa
a meta. Este apenas cumpre aquela
fixada pelo Conselho Monetário Nacional. Atualmente, diversos países
apresentam índices de inflação e de
juros muito baixos, e os bancos centrais estão reduzindo suas taxas, diferentemente do Brasil. A nossa economia, assim como em outros países,
está andando devagar, porém os juros
estão aumentando, reflexo do movimento da inflação”.
A segunda mudança refere-se
ao reajuste das contas públicas. Para
Sardenberg, a Lei de Responsabilidade Fiscal é o coração da estabilidade
e determina as regras ao conjunto
de gastos públicos, inclusive o planejamento anual do orçamento do
governo federal; ou seja, é obrigatório escrever na lei a meta numérica,
algo que não existia antes da sua
implantação. “Com as reformas dos
sistemas financeiros e o fechamento
dos bancos estaduais que acumulavam grandes prejuízos, conseguimos
alcançar a estabilidade e o controle
da dívida”, completou.
“Da água para o vinho”
No primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram
realizadas reformas microeconômicas, como modificações tributárias e
legislação de renovação do crédito,
que melhoraram o ambiente de negócio e estimularam a retomada do sistema de crédito abandonado há muito tempo no Brasil, voltando assim ao
processo de crescimento econômico.
“O crédito nacional aumentou quase três vezes em um período de dez
anos, e os programas sociais iniciados
no governo do Fernando Henrique
Cardoso e acelerados pelo Lula, assim
como os reajustes no salário mínimo,
geraram aumento de renda para a
população”, completou o palestrante.
Foto: Luiza Sansão
O comportamento do Brasil também é outro, diante do “Efeito China”
(2001/ 2008 – segundo momento),
assim chamado o crescimento do gigante asiático, pelo jornalista: “Essa
evolução começou no final dos anos
80 e interferiu muito nos padrões internacionais. Ao longo desses anos, a
China exportou tecnologia e, ao mesmo tempo, gerou uma demanda extraordinária de minérios e matérias-primas. Os países emergentes estão
fornecendo para os chineses e comprando deles, que são hoje os maiores
parceiros comerciais da América Latina; e este processo enriquece todo
“Ao longo desses anos, a
China exportou tecnologia
e, ao mesmo tempo, gerou
demanda extraordinária de
minérios e matérias-primas”
mundo. Nossa exportação de bens
primários cresceu 260% entre 2001 e
2011, e as contas externas mudaram
de direção, resultando em saldos e
superávits altos por mais de um ano
consecutivo, e na sobra de dólares,
possibilitando grandes pagamentos
da dívida externa em 2013, uma diferença da água para o vinho”.
Um grande país
Olhar para um país é observar se
há crescimento e inflação, como estão as contas públicas e se a dívida
externa é financiável. “O crescimento do Brasil é resultado de uma série
de atitudes e reformas. O Lula fez um
governo mais ortodoxo que o FHC,
porque precisava mostrar credibilida-
de, e conseguiu, com a nomeação de
uma pessoa experiente para o cargo
de presidente do Banco Central, o
ex-presidente do Bank Boston, Henrique Meirelles”, lembrou o jornalista, citando, além desse acerto, o erro
em estimular o crédito e o consumo
durante a crise de 2008/2009. “Em
um primeiro momento funcionou,
mas gerou inflação e déficit público”
(2009/10 – terceiro momento).
De 2011 até aqui (quarto momento), os juros subiram, assim
como a inflação e os gastos públicos,
três fatores que exigem total atenção. E, para lidar com tal situação,
é preciso estimular investimentos
do setor privado, criando benefícios.
A recuperação está sendo lenta,
mas mesmo diante das incertezas,
o Brasil continua recebendo US$ 60
bilhões de dólares de investimentos
externos, porque é um grande país.
“Somos a oitava economia do mundo em consumo de petróleo; terceira,
no uso de celulares, atrás dos Estados Unidos e da China, e no uso de
computadores; quinta maior em usuários de internet; grande consumidor
de cosméticos e produtor de veículos,
sendo 3,5 milhões neste ano, o que
é considerado ruim para a indústria
automobilística. É só ajustar a economia, porque o mercado está pronto”.
E concluiu: “Não se sabe o que
o novo governo vai fazer (quinto
momento), mas vários sinalizadores do mercado, como a inflação,
os juros, a dívida e a população, cobram e mostram que os caminhos
estão errados e é preciso mudar de
direção. Se nada acontecer, o Brasil
do próximo ano será parecido com
o atual, mas vai chegar a hora de
se tomar decisões importante”.
23
3º SEMINÁRIO DE TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS NO TRANSPORTE
Dia 06
Palestra – Ônibus elétrico no mundo: uma visão tecnológica
Fotos: Bianca Pimenta
Experiências com ônibus 100% elétricos comprovam
que esta tecnologia já é uma realidade
Adalberto Maluf
Discutir mobilidade urbana nas
grandes cidades do Brasil e do mundo
é um dos reflexos da rápida urbanização, que estimula, cada vez mais, a demanda por um transporte público com
qualidade, eficácia e energia limpa para
atender a população. “Ônibus e táxis
representam a menor parte do número
de veículos de uma cidade. Porém, são
responsáveis por 25% do consumo de
combustíveis, 30% da emissão de gases
poluentes e 50% de particulados, fator
de maior impacto na saúde pública, que
nos obriga, pensando em política integrada, a trabalhar em soluções. A BYD
foi construída, em 1995, para viabilizar o
sonho de se produzir energia limpa, sustentável, e hoje é a maior fabricante de
24
baterias recarregáveis e de ônibus elétricos no mundo. Nossa tecnologia foi testada e aprovada tanto no papel quanto
na prática, como mostram Bogotá, Los
Angeles, Londres, Bruxelas e a própria
China. Por isso, vou destacar seus aspectos econômicos”, disse Adalberto Maluf,
diretor de Relações Governamentais e
Marketing da Build Your Dreams (BYD),
abrindo o 3º Seminário de Tecnologias Sustentáveis no Transporte, com
o tema “Ônibus elétrico no mundo: uma
visão tecnológica”.
No Brasil, a meta da BYD é apontar
o ônibus elétrico como potencial alternativa sustentável para a mobilidade,
independentemente dos desafios em
relação ao desenvolvimento técnico e
aos investimentos necessários. “Aqui
esta tecnologia é tratada como algo do
futuro, mas no restante do mundo isso já
é uma realidade. O investimento é mais
alto no início, contudo resulta em 25%
de economia em um ciclo de dez anos.
Em Campinas, por exemplo, cinco ônibus
elétricos, em uma determinada linha,
economizaram R$ 238.416,27 por ano.
E ainda é possível fixar contratos sem
aumento de tarifas, diferentemente do
diesel e da gasolina, combustíveis que
impossibilitam estabilizar o preço do
transporte público”, explicou Maluf.
Iêda Oliveira, gerente comercial
da Eletra – empresa brasileira de desenvolvimento de tecnologias para
ônibus elétricos há mais de 30 anos,
“Crescemos muito nesses
anos, mas não conseguimos
avançar no Brasil devido às
políticas governamentais e
à falta de planejamento para
isso acontecer. Afinal, temos
tecnologia disponível”
Iêda Oliveira, gerente comercial da Eletra
abrangendo desde o projeto até a
integração em qualquer chassi fabricado para o diesel – também afirma
que tal solução, em grande expansão
na Europa, não é novidade e que até
mesmo as adaptações não são complicadas. Entre os exemplos citados,
destacam-se as experiências com
duas frotas de trólebus em São Paulo, 178 e 85 carros, respectivamente,
que reduziram, juntas, 23.345 toneladas de emissão de C02 por ano, um
resultado excelente para um número
relativamente pequeno de veículos.
“Trabalhamos com trólebus híbridos
(pioneiros nesse lançamento, em
1999) e elétricos puros. Crescemos
muito nesses anos, mas não conseguimos avançar no Brasil devido às
políticas governamentais e à falta
de planejamento para isso acontecer.
Afinal, temos tecnologia disponível”.
A visão dos operadores
Representando a Fetranspor,
Guilherme Wilson, gerente de Planejamento e Controle, apresentou
algumas questões sobre a viabilidade técnica, econômica e ambiental dos ônibus elétricos puros,
com autonomia a bateria – única
tecnologia alternativa, ainda não
aprofundada, que começa a ser
mais presente no cenário brasilei-
ro. “Avaliamos os híbridos em série
e em paralelo, junto com a COPPE/
UFRJ, que continuará conosco nesses próximos estudos. O planejamento compreenderá aspectos
como emissões, produção, disponibilidade energética, ponto de equilíbrio de cada uma das alternativas
comparadas ao diesel, e os reais
custos da aquisição. Para a tomada de decisão do operador, ainda é
preciso considerar (entre outros) a
maturidade da indústria em termos
de suporte, manutenção e entrega
do produto e de suas peças em um
prazo razoável, a fim de atender
determinada demanda. Não basta
comprar o veículo, é preciso avaliar
toda a estrutura atrás do projeto”.
Os testes, no Rio de Janeiro, foram realizados com um modelo fabricado pela BYD durante 60 dias, e
o trabalho desenvolvido pela Eletra,
em São Paulo, está sendo acompanhado. A operação foi na linha 249,
cujas características se adequam à
realidade do trânsito da cidade, e
os resultados foram bem-sucedidos
e estão sendo atualizados. Segundo
Guilherme, ainda são necessários
testes para comprovar a durabilidade das baterias. Os custos se aproximam do valor do bem e podem
”Para a tomada de decisão
do operador, ainda é preciso
considerar a maturidade
da indústria em termos de
suporte, manutenção e entrega
do produto e de suas peças
em um prazo razoável, a
fim de atender determinada
demanda”
Guilherme Wilson, gerente de
Planejamento e Controle da Fetranspor
25
3º SEMINÁRIO DE TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS NO TRANSPORTE
elevar seus investimentos duas ou
três vezes mais que em um ônibus
convencional. “Na autonomia de
2,62 km/l de um motor a diesel, o
custo mensal foi de R$ 5.370,23,
e tendo a energia como combustível, na autonomia de 0,76 km/kwh
(comparação equivalente à quilo-
metragem rodada), R$ 1.190,00; ou
seja, uma redução de 70%. Talvez
desse ponto possamos começar a
fechar a conta”, completou.
Mesa-Redonda discutiu oportunidades e desafios
do ônibus elétrico no Brasil
Para encerrar o seminário, Margarete Gandini, coordenadora-geral
do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior; Márcio
d’Agosto, coordenador da PET/COOPE
da UFRJ; Bernardo Ribeiro de Castro,
gerente da DEURB/AS – BNDES; Francisco Christovam, presidente do SPUrbanuss; Pietro Erber, diretor-presidente
da Associação Brasileira do Veículo
Elétrico (ABVE), e Guilherme Wilson,
gerente de Planejamento e Controle da
Fetranspor, estiveram juntos em uma
mesa-redonda mediada por Agostinho
Vieira, jornalista do jornal “O Globo”,
que, em breve abertura, pediu para todos apresentarem as principais oportunidades e ameaças em relação aos
ônibus elétricos no Brasil.
De acordo com Margarete Gandini, o tema está sendo abordado
em âmbito federal sob dois aspectos: a mobilidade nos espaços
urbanos e as novas tecnologias de
motorização e seus impactos na
indústria. “É preciso saber como
a indústria automotiva nacional
vai se inserir na rota tecnológica
global, que é uma oportunidade
para avançarmos e nos tornarmos,
de alguma maneira, protagonistas.
Já o desafio está relacionado justamente a esta inserção, que será de
forma gradual e vai exigir coordenação das políticas públicas”.
26
D’Agosto impressionou-se com
a evolução dos ônibus elétricos nos
últimos anos: “A grande oportunidade é que esta tecnologia parece
estar entrando em um período maduro e viável dos pontos de vista
técnico e econômico. Queremos
vê-la funcionando e avaliar qual a
sua real contribuição para melhorar
o desempenho do transporte sustentável. Os desafios tecnológicos
são menores que os políticos e há
nichos para testarmos seu uso. Não
podemos ficar esperando; precisamos ousar”.
E o que falta?
Os próximos passos para a implantação dos ônibus elétricos foram citados, nas considerações finais, como
um planejamento a longo prazo aliado
a políticas energéticas, conforme sugerido por Bernardo de Castro, ou à
unificação das políticas existentes pelo
governo federal, que deve exercer papel de liderança para criar programas
de médio ou longo prazo e possibilitar
a adoção dessa tecnologia, segundo
Guilherme Wilson.
Francisco Christovam acredita ser
necessário gestão, além de destacar
a falta de planejamento e integração
entre as políticas existentes para se
obter soluções mais rápidas. E Pietro
Erber completou: “De fato, não se passa do desejo à realidade sem gestão. E
para o setor energético, é importante
lembrar que a bateria é a única consumidora reversível de energia; ou seja, é
possível devolver parte da energia absorvida da rede para a rede. Já estamos
prontos para usar esta tecnologia”.
PAINEL
Dia 06
Novas fontes de recursos para o transporte no País
Palestrantes defendem retomada da CID
para baratear o transporte no Brasil
“A tarifa tem que ser
compatível com a realidade do
trabalhador”
Sebastião Almeida, prefeito de Guarulhos
“Nosso modelo atual não abrange
toda a sociedade. Apenas os mais pobres pagam. Os ricos não contribuem.
Quando as famílias ficam mais ricas,
as pessoas consomem menos transporte público e compram veículos
particulares”. Henrique acredita que a
volta da CID pode ser uma solução e
que “o melhor dos mundos seria poder
taxar sobre a venda dos veículos”.
Desoneração e gratuidade
Sebastião Almeida defende a retomada da CID, considerada por ele uma
das fontes de financiamento para baratear o transporte público no Brasil. O prefeito de Guarulhos acredita que o setor
de transporte público precisa caminhar
Fotos: Guilherme Costa
O painel “Novas fontes de recursos para o transporte no país”, mediado pelo jornalista, comentarista
da Globo News e colunista do Jornal
“O Globo”, Jorge Vidor, contou com
a participação dos seguintes debatedores: Edmundo Pinheiro, empresário
de Goiânia; Carlos Henrique, do IPEA;
Marcos Bicalho, diretor da NTU; José
Evaldo, secretário adjunto municipal
de Transportes de São Paulo, e Sebastião Almeida, prefeito de Guarulhos.
O técnico do IPEA defendeu que
toda a sociedade brasileira precisa
contribuir para o transporte público.
para a desoneração e repensar as gratuidades para algumas categorias. “A tarifa
tem que ser compatível com a realidade do trabalhador”. Ele ainda afirmou
que atualmente só não se consegue
financiamento para a construção de
corredores em cidades que não possuem bons projetos.
O empresário goiano Edmundo de
Carvalho Pinheiro destacou várias diferenças entre as capitais de Goiás e do
Rio de Janeiro. Contudo, ressaltou que,
na questão da mobilidade, os problemas são semelhantes. “A mobilidade
tornou-se um problema em todas as
cidades e, por isso, está sendo discutida
no mundo inteiro”.
Já Marcos Bicalho acredita que o
Brasil ainda “está engatinhando na
questão do financiamento do transporte público, em termos de infraestrutura”. O diretor administrativo e
institucional da NTU lembrou que a
retomada desse tipo de investimento
começou há apenas cinco anos, após
um período de 20 anos de estagnação.
“Ainda temos um longo caminho pela
frente, e a expectativa é de que o governo dê continuidade aos investimentos iniciados em 2007, com os PACs da
mobilidade”.
“A mobilidade tornou-se
um problema em todas as
cidades e, por isso, está sendo
discutida no mundo inteiro”
Edmundo de Carvalho Pinheiro,
empresário de Goiás
“Ainda temos um longo
caminho pela frente e a
expectativa é de que o
governo dê continuidade
aos investimentos iniciados
em 2007, com os PACs da
mobilidade”
Marcos Bicalho, diretor da NTU
27
PAINEL
Dia 06
Relevância da gestão responsável para a sustentabilidade do negócio
Indicadores Ethos para negócios sustentáveis e responsáveis
Promoção da integridade e combate à corrupção: Lei Anticorrupção
Durante o painel “Relevância da
gestão responsável para a sustentabilidade do negócio”, no segundo
dia do Etransport, foram apresentados os benefícios e a funcionalidade
dos Indicadores Ethos, em sua utilização pela Fetranspor, assim como
a história e a missão do Instituto,
fundado em 2000, criador e responsável pela aplicação da ferramenta.
Os Indicadores Ethos são ferramentas de autodiagnóstico que
auxiliam as empresas a alcançarem a sustentabilidade do negócio. Os processos e resultados da
metodologia servem também para
dar respostas a todos os envolvidos na gestão de uma empresa ou
setor, tanto internamente quanto
externamente e para a sociedade.
De acordo com Márcia Vaz, gerente de Responsabilidade Social da
Fetranspor, o procedimento passou a ser adotado pela Federação
em 2013, e deverá continuar no
próximo ano.
Consciência e visão
Ao todo, dez sindicatos e mais
de 200 empresas se envolveram
com a Federação no preenchimento
dos Indicadores Ethos. “Percebemos a necessidade de evoluirmos
na gestão do nosso setor. A estratégia da Fetranspor vem procurando estimular a responsabilidade de
gestão, ambiental, social, em todas
as áreas e em todos os parceiros e
28
Fotos: Guilherme Costa
Promoção da integridade e combate à corrupção:
Lei Anticorrupção
associados da Federação. A metodologia facilitou essa consciência e
a melhor visão do todo, os papéis
ficaram mais claros. Por isso, procuramos, desde 2013, abraçar esse
processo dos Indicadores Ethos,
através de oficinas, encontros e
videoaulas que contribuíram bastante na multiplicação dessa discussão dentro das empresas e da
Fetranspor. Muitas organizações
do nosso setor, agora, estão sendo apontadas pelo Instituto Ethos
como casos bem-sucedidos, estão
se tornando cases”, conta Márcia.
A gerente comenta que as empresas de ônibus e os sindicatos
precisam e têm buscado evoluir
nessa área, para que todas as partes possam sentir essa melhoria,
inclusive o cliente, na ponta. “Claro que não é só a responsabilidade
das empresas, também são as dos
governos e das gestões públicas e
privadas”, diz.
“Diálogo é a palavra do
momento”
Caio Magri
Boas práticas
Segundo Vaz, um dos resultados
positivos foi a melhor consciência do
próprio sistema interno da empresa,
com suas áreas, que passaram a ter
maior e melhor contato e contribuições entre si. “Após o preenchimento,
realizamos uma oficina com todas as
empresas e os sindicatos que participaram dos Indicadores, para olharmos
para o resultado dentro da realidade
de cada um, e do sistema como um
todo, e percebermos os pontos críticos, pensarmos em melhorias, o que
seria preciso priorizar, e isso foi muito
importante. Um dos temas prioritários
é o combate à corrupção, e estamos
utilizando todas as oportunidades e
os canais para levar a todos, e para a
sociedade, essa discussão sobre gestão responsável”, afirma.
Ao todo, 3.700 empresas já aplicaram os Indicadores. Destas, 74%
estão listadas no ISE Bovespa. Para o
diretor de Operações, Práticas Empresariais e Políticas Públicas do Instituto
Ethos, Caio Magri, atualmente, a responsabilidade efetiva está em uma
nova forma de gerir o negócio e se
relacionar com a sociedade.
“Diálogo é a palavra do momento. Os Indicadores Ethos se propõem
a provocar diálogos internos na empresa. São uma referência, trazem as
empresas para um campo de aliança
e parceria na construção de uma sociedade mais justa e mais sustentável.
Entendemos que algumas agendas só
podem avançar se forem tratadas de
forma coletiva entre as empresas. São
questões novas, novos diálogos, em
todos os níveis da organização, na
perspectiva da sustentabilidade do
negócio”, explica Magri.
“A estratégia da
Fetranspor vem
procurando estimular
a responsabilidade
de gestão, ambiental,
social, em todas as
áreas e em todos os
parceiros e associados
da Federação”
Márcia Vaz, gerente de
Responsabilidade Social da
Fetranspor
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PAINEL
Dia 06
Gestão pela qualidade nas empresas de ônibus
Quais os benefícios para o seu negócio? Reflexões sobre a implementação de
modelo de gestão pela qualidade para incremento da produtividade
A consultora em Gestão de Negócios da SISGEN, Cristina Costa, abriu
o painel revelando a urgência de as
empresas entenderem que os tempos
mudaram e que elas precisam mudar
também rapidamente. “Se as empresas continuarem fazendo a mesma
coisa dia após dia, não há como esperar resultados diferentes”, ressaltou.
Cristina Costa lembrou que é fundamental ter metas, e que as questões
estão ficando cada vez mais complexas
e os desafios só tendem a aumentar.
“Começamos a ouvir que a empresa precisa ser resiliente, persistente e
também tem que se preocupar com a
“Começamos a ouvir que a
empresa precisa ser resiliente,
persistente e também tem
que se preocupar com a
sustentabilidade”
Cristina Costa, consultora em Gestão de
Negócios da SISGEN
30
Fotos: Bianca Pimenta
Executivos revelam experiências em busca de
gestão de qualidade
Lélis Teixeira
sustentabilidade. E ainda surgiu outra
palavra, mais desafiadora: a excelência,
que é um alvo móvel. Quando achamos
que estamos próximos de alcançá-la,
ela chega mais para a frente”, frisou.
O presidente da Fetranspor e do Rio
Ônibus, Lélis Teixeira, destacou o desafio
do setor de transportes no Rio de Janeiro
de melhorar a gestão da qualidade nas
empresas, a partir da constatação, através de pesquisas de opinião, de que a
maior insatisfação dos usuários estava
relacionada justamente ao desempenho
dos profissionais. Ele explicou que, desde
então, a Fetranspor decidiu desenvolver
o programa de educação, que culminou
na criação da Universidade Corporativa
do Transporte (UCT).
Lélis lembrou a dificuldade de se
trabalhar com 112 mil funcionários, de
220 empresas diferentes. E ressaltou
que, quando uma empresa é premiada,
como foi o caso da N. Sra. de Lourdes,
ela passa a ser referência para outras,
não só do Estado, mas de todo o Brasil.
“Faremos a diferença”
Para Lélis, as empresas só passarão
a oferecer um serviço melhor à medida
que tiverem melhores funcionários. “Só
assim faremos a diferença. Tenho uma
fé inabalável que o legado que vamos
deixar para esta cidade é uma realidade
muito melhor do que aquela que encontramos aqui. Através de uma gestão de
excelência vamos transformar a mobilidade em nosso país”, concluiu.
A necessidade de as empresas
estarem preparadas para enfrentar
cenários imprevisíveis e de terem
maior previsibilidade foi destacada
pelo superintendente da Fundação
Nacional de Qualidade (FNQ), Jairo
Martins. Ele acredita que a instituição
que pretende se manter e evoluir, nos
próximos anos, precisará ter maior
rapidez nas respostas e estar mais
preparada para correr riscos, encontrar surpresas e enfrentar mudanças.
“Quem diria que iria faltar água em
São Paulo, por exemplo?”, indagou.
Experiência empresarial
Jairo Martins
Martins explicou ainda que o objetivo da FNQ não é premiar, mas transmitir para a sociedade a importância
da gestão de qualidade. Citou alguns
passos que uma empresa, em busca
da excelência, precisa dar, como estabelecer uma visão de futuro à luz dos
cenários, alinhar as lideranças internas
e fazer um plano de comunicação corporativo, entre outros. “A má gestão
leva à fragmentação, enquanto a boa
gestão leva à excelência”, afirmou.
“Nunca os empresários e o
poder concedente foram tão
criticados e cobrados em
qualidade e melhorias. Mas,
paradoxalmente, nos últimos
seis anos foi o prefeito quem
mais investiu no transporte”
Humberto Valente, presidente da Viação
Nossa Senhora de Lourdes e do
Consórcio Internorte
A experiência da Viação Nossa Senhora de Lourdes na gestão da qualidade foi apresentada pelo presidente
da empresa e do Consórcio Internorte,
Humberto Valente, que destacou os investimentos na melhoria do ambiente
de trabalho, em projetos sociais, na informatização da Lourdes, na satisfação
dos colaboradores, entre outros, que
levaram a organização a se tornar uma
das vencedoras do Prêmio Nacional de
Qualidade da ANTP. “Não temos como
trabalhar a eficácia dos serviços sem
trabalhar as pessoas”, afirmou.
Valente relatou que, nos últimos 15
anos, a Lourdes evoluiu muito e que,
em 2009, recebeu o certificado da ISO
9001. A partir dessa certificação, a empresa começou a pensar efetivamente
em qualidade. Nesse período, o setor de
transportes também sofreu profundas
mudanças e foi mais desafiado. “Nunca
os empresários e o poder concedente foram tão criticados e cobrados em qualidade e melhorias. Mas, paradoxalmente,
nos últimos seis anos foi o prefeito quem
mais investiu no transporte”, afirmou.
Novas demandas
Eduardo Lorenzo, gerente corporativo da Qualidade da Embraer,
revelou que todas as unidades da
empresa no mundo são certificadas,
inclusive do ponto de vista ambiental.
Lorenzo relatou que a implantação
do programa de excelência, em 2008,
foi essencial para ajudar a empresa a
enfrentar melhor a crise que afetou o
setor posteriormente.
A primeira etapa de implantação do
Programa de Excelência, o P3E, consistiu em trabalhar as pessoas, identificar
seus valores dentro da Embraer. Em seguida, organizaram a empresa em 450
“Acreditamos que uma
das formas de qualificar a
vida urbana é qualificar a
mobilidade das pessoas; é
construir calçadas e faixas de
pedestres para que elas possam
atravessar as ruas; o usuário
já sair de casa com ideia do
tempo que vai precisar esperar
pelo ônibus. Isso muda a
relação dele com o transporte
público”
Ailton Brasiliense, presidente
da ANTP
cédulas de melhoria contínua, e cada
cédula ganhou um agente de melhoria.
Em 2014, foi uma das vencedoras do
Prêmio Nacional da Qualidade.
O presidente da Associação
Nacional de Transportes Públicos
(ANTP), Ailton Brasiliense, destacou
que, nos últimos anos, as mudanças
no setor de transportes foram muito
intensas, e que é preciso estar preparado para atender às novas demandas dos usuários: “Acreditamos que
uma das formas de qualificar a vida
urbana é qualificar a mobilidade das
pessoas; é construir calçadas e faixas
de pedestres para que elas possam
atravessar as ruas; o usuário já sair
de casa com ideia do tempo que vai
precisar esperar pelo ônibus. Isso
muda a relação dele com o transporte público”, destacou.
31
PAINEL
Dia 06
Vale a pena investir em educação corporativa?
Uma discussão sobre o sistema de educação formal versus os investimentos
em educação corporativa e os resultados no desempenho profissional
Fotos: Bianca Pimenta
As melhores empresas para se trabalhar investem
em educação corporativa
“As empresas brasileiras apontadas como as melhores para se trabalhar têm universidade corporativa”.
A afirmação é da coordenadora do
painel “Vale a pena investir em educação corporativa”, a professora da
Fundação Instituto de Administração
(FIA – USP), Marisa Eboli, que acredita que essa informação não deixa
dúvidas sobre a importância de se
investir nessa modalidade de educação no Brasil.
Segundo a professora, embora
o Brasil seja a décima economia do
mundo, ainda deixa muito a desejar no campo da educação, inclusive na educação formal. Ela não
vê outra saída para as empresas
32
“Muitas vezes, os funcionários têm o
conhecimento técnico, mas não têm o conceito
ético que se espera deles. Então, as empresas
precisam investir também na formação
comportamental e ética das pessoas”
Andrea Ramal, doutora em Educação e consultora da Rede Globo
senão investir, cada vez mais, em
educação. “Se você acha a educação cara, experimente a ignorância”, desafiou. Citou várias pesquisas que comprovam o quanto os
jovens valorizaram o treinamento
e todas as questões envolvendo
desenvolvimento de gestão de pessoas, temas muito conectados com
a educação corporativa.
Parceria com universidades
Marisa Eboli lembrou o caso da
GE, que lançou recentemente seu centro de pesquisa e sua universidade corporativa, e destacou que, com ou sem
crise, é preciso que as empresas continuem a investir em educação corporativa. Ressaltou, inclusive, a parceria
com universidades como uma iniciativa bem-sucedida em alguns países.
Fotos: Bianca Pimenta
Se você acha a educação cara,
experimente a ignorância”
Marisa Eboli, professora da Fundação
Instituto de Administração
Já a doutora em Educação e consultora da Rede Globo, Andrea Ramal, iniciou sua apresentação explicando o cenário atual da educação
no Brasil. Segundo ela, atualmente,
três fenômenos estão causando
uma ruptura na educação: a rapidez
das informações que chegam em
tempo real; as tecnologias digitais
– interatividade e hipertextualidade
–; e a relação estreita entre aprendizagem, trabalho e cidadania, visto
que hoje a aprendizagem acontece
ao longo da vida, baseada em competências.
Sistema de educação
Outros problemas atualmente
enfrentados pelo sistema de educação no Brasil, na avaliação de Andrea Ramal, são as escolas pouco
equipadas, os professores sem preparo e desvalorizados, e a falta de
uma relação positiva entre a escola
e a família. “O cenário da educação
no Brasil é desesperador. Estamos na
lanterna”, afirmou.
Em resposta à pergunta central
do painel, Andrea Ramal destacou
que ou a empresa investe em educação corporativa, ou vai parar ou perder espaço para outras instituições.
E fez outro alerta: “muitas vezes,
os funcionários têm o conhecimento técnico, mas não têm o conceito
ético que se espera deles. Então, as
empresas precisam investir também
na formação comportamental e na
ética das pessoas”.
Senso crítico
Falta gente qualificada
A formação dos universitários
para o mercado de trabalho foi
abordada pelo professor da Fundação Centro Universitário Estadual da
Zona Oeste (UEZO), Roberto Nicolsky. Ele acredita que a universidade
deveria incentivar um senso crítico
nos estudantes, pois só a partir desse
despertamento, esses profissionais
poderão chegar no mercado de trabalho e contribuir efetivamente para
o seu desenvolvimento tecnológico.
“Senão, essas pessoas ficarão presas
naqueles laboratórios onde estudaram, e quando chegarem na empresa, vão contribuir apenas tocando
uma rotina produtiva”, frisou.
O investimento do sistema bancário em educação corporativa foi apresentado pelo diretor do Instituto Febraban de Educação, Fábio Cássio Costa
Moraes, que lembrou a importância
de se oferecer educação financeira à
população. Moraes foi responsável
por implantar um projeto de educação corporativa no setor financeiro e
revelou que os desafios são similares
ao do setor de transportes, embora o
mercado seja diferente. “Gente é igual
em qualquer lugar”, ressaltou.
Segundo ele, as principais dificuldades que o setor financeiro
encontrou, para a implantação da
universidade corporativa, foram
as mudanças do mercado, a internacionalização, a inovação, as novas relações com o consumidor, o
aumento da competitividade, as
questões relativas à sustentabilidade, a carência de soluções rápidas
e de maior transparência. Moraes
afirmou que o setor financeiro também tem falta de gente qualificada,
e com a universidade corporativa
setorial, espera-se minimizar esse
problema.
No caso do setor financeiro, a
educação corporativa tem duas frentes: uma voltada para a qualificação
social, destinada à educação financeira da sociedade em geral, e outra
profissional, que consiste na realização de cursos profissionalizantes
para os funcionários dos bancos.
Na visão do palestrante, a
educação setorial pode criar uma
ponte com um vácuo. E, por isso,
acredita que a maior missão da
educação corporativa é ter uma
visão global, é saber olhar para a
Fabio Cássio Costa Moraes e Roberto Nicolsky
33
PAINEL
harmonia do cidadão com o futuro,
e conseguir equacionar todas as
questões: gerar emprego e ajudar
as empresas a crescerem com respeito à cidadania e em equilíbrio
com o meio ambiente.
Visão das empresas
A diretora do Grupo Redentor – que abrange as empresas
Redentor, Futuro e Barra –, Maria
Helena Pinheiro Antunes, falou sobre o grande investimento que realizam em educação corporativa.
Com 4.400 colaboradores, o grupo
investe em treinamentos funcionais
por área, em cursos operacionais,
complementares, de pós-graduação
e de MBA. Na área de manutenção,
mantém convênios com Senai, Cefet, Faetec e diversas instituições de
nível superior.
Há 21 anos, o Grupo oferece a
seus colaboradores, dependentes
e terceirizados o Telecurso 2000,
recentemente ampliado para consorciados (BRT). Outra iniciativa
do Grupo que merece destaque é
o Plano B, criado há cerca de três
anos e que consiste na promoção de
profissionais internos para a função
de motoristas.
Mais conhecimento
O diretor da Auto Viação Vera
Cruz, Francisco Carlos Teixeira, lamentou o estágio em que se encontra a educação formal hoje no
Brasil. “No grupo das dez maiores
economias, o Brasil é o único país
que está entre os piores nas avaliações internacionais da qualidade na
educação”, frisou. Sobre o investimento em educação corporativa,
34
ele não tem dúvida
“No grupo das dez maiores
de que vale a pena. economias, o Brasil é o único país que
está entre os piores nas avaliações
“Educação corporatiinternacionais da qualidade na
va não é uma escolha;
educação”
é uma necessidade”,
afirmou.
Francisco Carlos Teixeira, diretor da
Auto Viação Vera Cruz
Teixeira ressaltou
que o momento atual
trouxe profundas mutratar profissionais preparados para
danças nas organizações, impulsio- esse novo cenário ou de desenvolver
nando também a demanda por no- novas competências nos seus atuais
vos e maiores conhecimentos para funcionários.
as equipes. As empresas, por sua
Ele citou os principais projetos e
vez, sentiram a necessidade de con- iniciativas empreendidos pela Vera
Cruz, como o Programa de Economia de Combustíveis, já premiado
pela CNT; a campanha Transportando Mais e Melhor; o projeto Jovem
Aprendiz; a participação de funcionários no MBA de Gestão Empresarial da UCT; o Programa Lugar de
Mulher é no Volante, entre outros.
Concluindo, Francisco Teixeira
afirmou que “investir em educação
corporativa é garantir o desenvolvimento das organizações e a sustentabilidade do negócio, promovendo
o desenvolvimento das pessoas,
através da construção de conheciMaria Helena Pinheiro Antunes
mentos, habilidades e atitudes”.
Untitled-1 1
22/04/14 21:37
PALESTRA
Dia 06
Planejando o futuro das cidades e da mobilidade
Principal atração do painel “Planejando o futuro das cidades e da
mobilidade”, o professor e pesquisador Robert Cervero, da Universidade
de Berkeley, EUA, focou sua apresentação na transformação de diferentes cidades do mundo por meio
da mobilidade, seguindo o modelo
TOD – Desenvolvimento Orientado
pelo Transporte (sigla em inglês).
Segundo Cervero, muitas cidades em
desenvolvimento, ao redor do mundo, vêm se tornando dependentes da
mobilidade por carro, e isso precisa
mudar. “Não estou demonizando o
carro, levando em conta todo seu
conforto e facilidades, mas há vários
problemas nesse modelo, como: poluição do ar local e global, aumento
de diferentes doenças respiratórias,
dependência de combustíveis fósseis, exclusão social, e construção e
aumento dos congestionamentos,
que criam uma erosão econômica e
afeta a qualidade de vida”, afirmou.
“Investe-se muito mais no
transporte individual do
que no transporte público.
Enquanto não for resolvida
esta contradição, não iremos a
lugar algum”
Sydnei Menezes, presidente do Conselho
de Arquitetura e Urbanismo
do Rio de Janeiro
Para Cervero, é necessário pensarmos numa cidade TOD; ou seja,
mais compacta, mista em seu uso
36
Fotos: Guilherme Costa
Robert Cervero afirma que dependência do
automóvel precisa mudar
do solo, amigável aos pedestres, e
fisicamente orientada pelo e para
o trânsito. “O conceito TOD não é
novo. Pensar no trânsito deveria ser
mais do que pensar só na mobilidade para aliviar o tráfego; deve-se
pensar na modelagem da cidade. O
BRT é muito positivo nessa transformação, como temos visto ao redor
do mundo. O BRT é flexível, versátil
e de rápida instalação, o que possibilita impactar positivamente e
transformar totalmente a relação
de uma cidade com sua mobilidade.
Há 4.424 quilômetros de corredores, divididos, hoje, em 108 cidades,
que abrigam 324 corredores exclusivos de BRTs, em todo o planeta.
A América Latina é a que mais tem
se aproveitado do sistema BRT e de
sua praticidade”, disse.
Novo modelo de cidade
Clarisse Linke, diretora executiva do ITDP Brasil, levantou a discussão sobre o momento pelo qual a
cidade do Rio de Janeiro passa em
relação à mobilidade urbana, com
a implantação dos corredores de
transporte, como os BRTs e BRSs, e
aos investimentos que estão sendo
feitos nos demais modais. Para Link,
é a oportunidade de se repensar
a cidade como um município policêntrico, diferentemente do modelo
que vinha sendo praticado. “Devemos focar o investimento no pedestre, no ciclista, no uso misto das
áreas, na conexão eficiente entre
os diferentes espaços, no uso compacto da terra. Precisamos de um
novo modelo de cidade, deixando
o modernista das superquadras, e o
TOD está aí, apresentando concretamente as formas e os benefícios
da implementação desses conceitos
e orientações”, afirmou.
Sydnei Menezes, presidente do
Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, também
defendeu que é preciso rever urgentemente a questão das cidades. “Temos que pensar nisso. Estarmos aqui, neste local de difícil
Fotos: Guilherme Costa
acesso, no Riocentro, debatendo
esse tema, é um exemplo claro
de que, no conceito, nós concordamos, mas na prática não atuamos. Todos viemos de diferentes
locais, nos deslocamos, muitos de
carro, para estarmos aqui agora
discutindo mobilidade e o futuro
das cidades”, disse. Menezes terminou sua participação provocan-
do a contradição do discurso e da
prática.“Investe-se muito mais no
transporte individual do que no
transporte público. Enquanto não
for resolvida esta contradição, não
iremos a lugar algum. Fóruns e discussões são importantes e, talvez,
façam o governo se conscientizar
de que o foco do investimento tem
que ser repensado”.
“Pensar no trânsito deveria ser mais
do que pensar só na mobilidade
para aliviar o tráfego; deve-se
pensar na modelagem da cidade”
Robert Cervero, professor e pesquisador da
Universidade de Berkeley, EUA
37
PAINEL
Dia 06
A importância do planejamento da mobilidade por
ônibus – UITP América Latina / Ásia
Orçamentos no setor de transporte ampliam
projetos de mobilidade urbana
Nos últimos anos, a indústria automobilística cresceu em muitos lugares
do mundo, assim como as oportunidades de se comprar automóveis. Some
a essa facilidade o tráfego de ônibus e
táxis, eis um conjunto que obriga quaisquer autoridades a reformular seus sistemas viários. “A partir do PAC, o Brasil
tomou uma nova direção em investimento em mobilidade. Temos hoje, só
em execução do BRT, projetos da ordem
de R$ 12, 5 bilhões. É preciso reconhecer que nunca, na história deste País, se
investiu tanto em infraestrutura”, disse
André Dantas, diretor técnico da NTU,
durante o painel “A importância do planejamento da mobilidade por ônibus
– UITP América Latina / Ásia”, na tarde
do segundo dia do 16º Etransport.
O encontro reuniu representantes
de países da América Latina e da Ásia
para mostrar mudanças realizadas no
transporte público com grandes investimentos e de forma planejada. Na América Latina, panorama apresentado por
Eleonora Pazos, representante da UITP,
a Cidade do México é um bom exemplo, pois vem fazendo investimentos
altos neste setor.
Jesus Padillha Zenteno, presidente da Associação Mexicana de
Transporte e Mobilidade, considera o
BRT como divisor de águas na mobilidade urbana da Cidade do México. “Começamos com 54 ônibus e
atualmente são 427 transportando
aproximados 956 mil passageiros
por dia, ao longo de 105 quilômetros
divididos em sete linhas, e seguimos
38
Eleonora Pazos
André Dantas
trabalhando para atingir mais 100
quilômetros de extensão até 2018.
Outros investimentos também vêm
sendo feitos, como os trens de alta
velocidade em quatro diferentes cidades ao redor da Cidade do México.
Todas essas mudanças em mobilidade têm transformado os espaços urbanos e a maneira de as pessoas se
relacionarem com esses espaços”.
Na China, os investimentos no setor
são prioritários, o número de usuários
entre 2009 e 2012 aumentou gradualmente em relação ao veículo particular.
“Reconstruímos o transporte público. Temos um sistema diversificado, com redes
ferroviárias e rodoviárias entre as cidades, trens de alta velocidade e redes de
ônibus urbanos”, disse Chien-Pang Liu,
representante do Ministério dos Transportes de Taiwan, que conta com grande
apoio do governo e espera duplicar os
resultados até 2025.
Rendimentos comprovados
Pazos afirmou que o transporte por
ônibus gera 13 milhões de empregos,
dando uma contribuição fundamental
para a sociedade: “Outro tema pouco
levantado é a saúde. Vários comparativos da UITP indicaram que usuários
do sistema praticam mais exercícios físicos. E ainda há a diminuição de fatalidades de acidentes de trânsito, como
o projeto do Transmilênio na América
Latina, cujos resultados mostraram
uma economia de US$ 3 milhões de
dólares em dez anos”.
Chien-Pang Liu
PAINEL
Dia 06
Atuação em rede – Fator estratégico para gerar
valor e resultados sustentáveis para o negócio
No segundo dia do Etransport, o
painel sobre atuação em rede reuniu
Caio Magri, diretor de Operações Práticas Empresariais e Políticas Públicas
do Instituto Ethos; Augusto de Franco,
criador e netweaver da Escola de
Redes; Vinicius Machado, cofundador
da GOMA, e a mediadora Alda Marina Campos, sócia-diretora da Consultoria Pares Resultados Sustentáveis,
para discutir a relevância e os impactos das redes nas estratégias empresariais do setor de transportes.
Augusto de Franco abriu o painel
falando sobre o papel das empresas na
sociedade em rede e explicando o que é
uma organização em rede. Ele ressaltou
que, nesse caso, os papéis sociais são
diferentes daqueles da estrutura hierárquica tradicional, são mais descentralizados, com todas as partes altamente
conectadas. Augusto ainda indicou a importância de as empresas aumentarem
a simultaneidade e a inovatividade para
se manter a sustentabilidade da atuação,
evitando assim um risco sistêmico.
“Vamos ter que combinar
e conviver com diferentes
percepções de ferramentas e
meios de comunicação, em
que a superação de um ou de
outro se dará por um processo
de mudança em todos os
lugares, não só naquele que
emite a mensagem”
Caio Magri, diretor de Operações Práticas
Empresariais e Políticas Públicas do
Instituto Ethos
Fotos: Guilherme Costa
Palestrantes debatem sobre a “revolução” que é a
transição para uma sociedade em redes
Caio Magri
Vinicius Machado
Saídas e soluções
Caio Magri destacou a importância de se construir saídas e soluções
na atuação em rede das empresas, levando em conta fatores como a colaboração, visando a objetivos maiores
do que apenas lucro, como a equidade de riquezas produzidas. Também
ressaltou o grande desafio de se reestruturar as relações para se adaptar a novos modelos. “Vamos ter que
combinar e conviver com diferentes
percepções de ferramentas e meios
de comunicação, em que a superação de um ou de outro se dará por
um processo de mudança em todos
os lugares, não só naquele que emite
a mensagem. Temos o desafio da leitura do outro e da nossa, e de como
construir uma ação coletiva dentro
das empresas, sempre considerando
uma agenda da responsabilidade social e da sustentabilidade”, disse ele.
O palestrante Vinicius Machado considera a transição para um
modelo de redes como uma verdadeira revolução. Segundo ele, a
Augusto de Franco
internet é a mídia responsável por
essa mudança, gerando uma nova
cultura que está emergindo para o
“Estamos passando por uma
mudança de mindset; ou seja,
mudando valores e crenças,
adaptando-os a um modelo de
processos mais criativos, com
mais interação, mais humano e
mais orgânico”
Vinicius Machado, cofundador da GOMA
mundo offline. De acordo com Vinicius, “estamos passando por uma
mudança de mindset; ou seja,
mudando valores e crenças, adaptando-os a um modelo de processos
mais criativos, com mais interação,
mais humano e mais orgânico”.
Essas interações gerariam mudanças cada vez mais exponenciais. Ele
destacou, ainda, a grande importância da responsabilidade social nessas
transformações, principalmente com a
inclusão da mulher em papéis de liderança e como agente multiplicador.
39
PAINEL
Dia 06
Rede Compara – transporte e trânsito – Projeto ANTP
Lançamento de sistema de indicadores com referenciais comparativos
de desempenho organizacional em transporte e trânsito
Fotos: Guilherme Costa
Rede Compara: uma nova ferramenta para
empresas avaliarem seus desempenhos
Denise Cadete
A representante da Associação
Nacional de Transportes Públicos
(ANTP), Denise Cadete, apresentou
a Rede Compara – projeto desenvolvido pela entidade, em parceria com
a empresa de Tecnologia da Informação Cittati, cujo principal objetivo é
disponibilizar uma estrutura de indicadores para análise comparativa de
desempenho no setor de transporte
público e trânsito.
Segundo a representante da Rede
Compara, os indicadores propostos estão organizados em resultados econômico-financeiros relativos aos clientes
e ao mercado, à sociedade, às pessoas
e aos fornecedores. As informações
da Rede são setorizadas por grupos
de organizações similares, como os
órgãos gestores, as operadoras metroferroviárias urbanas e metropolitanas,
as rodoviárias urbanas e metropolitanas, as rodoviárias intermunicipais de média e
longa distância, e as de
fretamento.
Denise Cadete explicou, também, que
qualquer
instituição
de transporte público
urbano e de trânsito,
estabelecida no BraJackson Mattos da Rocha sil, pública ou priva-
40
da, pode aderir à Rede Compara.
Adesão gratuita
O gerente da Rede Compara, Jackson Mattos da Rocha, destacou
como diferencial do projeto a confiabilidade proporcionada, em grande
parte, pela parceria com a Cittati.
Afirmou, ainda, que o maior desafio da Rede é estimular o benchmarking entre as empresas do sistema, e que, até o final de 2015, a
ANTP pretende criar uma câmara técnica. Rocha anunciou também que as
primeiras 50 empresas cadastradas
na Rede Compara terão gratuidade
na adesão.
Mais informações sobre a Rede
Compara podem ser obtidas no hotsite do projeto, cujo acesso deve ser
feito a partir do site da ANTP: www.
antp.org.br.
PAINEL
Excelência no Transporte: BRT – Melhores Práticas
Mapas da velocidade e ajuste on-line de intervalos (headway)
entre ônibus em busca do aperfeiçoamento
Painel reúne experiências internacionais
do sistema BRT
Fotos: Bianca Pimenta
Dia 07
O BRT é realidade em diferentes cidades do mundo já há
alguns anos, e este convívio tem
proporcionado um aprendizado
importante que deve ser compartilhado. Diante disso, na manhã
do último dia do Congresso, Juan
Carlos Muñoz, diretor do Centro
de Excelência em BRT do Chile e
professor da PUC/Chile; Michael
Schipper, diretor de Engenharia e
Projetos da RTA (Regional Transit
Authority), Cleveland /USA; Marco
Priego, coordenador de Sistemas
Integrados de Transportes, CTS
– Embarq México; e Daniela Facchini, diretora de Projetos e Operações – Embarq Brasil, realizaram
o painel “Excelência no Transporte:
BRT – Melhores Práticas”, quando
compartilharam suas experiências,
como o ajuste on-line dos interva-
los entre os ônibus, o aumento da
segurança viária de forma integral
e o planejamento de acordo com o
progresso do entorno.
“A frota de automóveis na cidade do Rio de Janeiro cresceu
35% nos últimos dez anos. Na Região Metropolitana, esse número
chega a 64%. De acordo com uma
pesquisa realizada em 2011/2012,
55% dos deslocamentos são feitos
por ônibus, ou seja, a maioria das
pessoas está sujeita aos congestionamentos. Por isso, optamos pela
implantação do BRT, que não sofre
com as variações do trânsito. E este
encontro é muito importante para
aprendermos o melhor de todos os
outros sistemas”, disse, na abertura, Carlos Maiolino, subsecretário
de Transportes do município do Rio
de Janeiro.
Carlos Maiolino
Tecnologia para intervalos
regulares
O BRT surgiu como uma solução
de transporte de superfície com os
mesmos benefícios do metrô. Juan
41
PAINEL
“Devemos aumentar a
velocidade, manter a
regularidade nos intervalos e
diminuir o tempo de espera,
intensificando, assim, a sua
frequência. Precisamos saber
reescrever o BRT e transformálo em BRRT, Bus Rapid Reliable
(confiável) Transit”
Juan Carlos Muñoz, diretor do Centro de
Excelência em BRT do Chile
que podem gerar protestos, porque,
para o usuário, é impraticável utilizar o sistema dessa maneira. Esse
cenário leva as autoridades a solicitarem mais veículos e, na verdade,
precisamos apenas de regularidade.
Isso reduz a confiabilidade e afeta
passageiros e operadoras”.
Para evitar esse desequilíbrio, o
Centro de Excelência de BRT do Chile desenvolveu o DMG, sistema de
controle de intervalos, e também o
BuzzAssist, um software que o complementa, passando instruções aos
motoristas em tempo real, como
aguardar um pouco mais antes de
sair da estação, ou aumentar ou
reduzir a velocidade. “Tudo em um
tablet instalado no console de cada
ônibus, com GPS e conexão direta
com os centros de operações”.
Um dos destaques do BRT de
Cleveland foi o cumprimento do
padrão de distância entre a plataforma, nas estações, e os ônibus do
BRT, a fim de garantir a acessibilidade às pessoas com mobilidade
reduzida e necessidades especiais.
“São sete centímetros de distância
horizontal e, na vertical, 2,5 centímetros, uma polegada máxima
no momento da docagem. Muitos
testes foram realizados até desenvolvermos braços de precisão que
rompessem antes da colisão junto à plataforma. Também fizemos
marcações nas ruas de forma alinhada (faixas pintadas no asfalto),
ajudando o motorista a encontrar a
posição correta da docagem”, explica enfatizando serem esses dois
fatores os grandes diferenciais para
redução dos acidentes.
Docagem segura
Carlos Muñoz destacou diferenciais
do novo modal que ainda devem ser
trabalhados na prática. “Devemos
aumentar a velocidade, manter a regularidade nos intervalos e diminuir
o tempo de espera, intensificando,
assim, a sua frequência. Precisamos
saber reescrever o BRT e transformá-lo em BRRT, Bus Rapid Reliable
(confiável) Transit”, disse.
Ajustar os intervalos entre os
ônibus é um desafio enfrentado
pelos corredores expressos de Santiago, Londres, Beijin, Bruxelas e
também do Rio de Janeiro. Durante
a operação, os veículos se aglomeram e trafegam em “blocos”, e após
passarem nas estações, o tempo até
a chegada do próximo é muito grande. “Assim surgem as insatisfações,
42
O projeto desenvolvido em Cleveland foi apresentado por Michael
Schipper desde o seu começo até a
atualidade, incluindo as modificações nas áreas próximas ao sistema,
todas realizadas em função da sua
implantação. Revitalização e construção de edifícios, projetos paisagísticos, redes elétricas sob o asfalto
e ruas reconfiguradas são exemplos
das transformações pelas quais a cidade passou antes de receber o novo
modal. “Priorizamos a sinalização
do tráfego do BRT e administramos
informações em tempo real em um
centro de operações parecido com
o do Rio de Janeiro. Os índices de
aprovação cresceram 60%, e estamos 25% mais rápidos com o corredor reconhecido”, ressalta Schipper.
Michael Schipper
Gestão integral
É preciso ter um plano de ação
em cada ponto do projeto, principalmente a segurança. “A estratégia
da Embarq é tentar fazer com que o
mundo tenha um transporte público
PAINEL
nho das vias, e já alcançamos 70% de
recomendações implementadas. Os
resultados proporcionaram melhor
integração urbana e cerca de 80% de
aprovação”.
A Gestão Integral para a Segurança Viária é dividida em políticas institucionais, administração da informação, infraestrutura, entretenimento
e capacitação, regulação e controle,
e comunicação. O trabalho também
envolve treinamentos teóricos e práticos, com materiais específicos ao tipo
“Nas auditorias, sugerimos
intervenções, reorganização
do entorno e redesenho
das vias, e já alcançamos
70% de recomendações
implementadas”
Marco Priego, coordenador de
Sistemas Integrados de Transportes,
CTS – Embarq México
sustentável e melhor de maneira integrada: pedestres, corredores, nada
pode ser visto de forma isolada.
E cada sistema deve se adaptar às
necessidades da cidade onde está”,
explicou Marco Priego.
O estudo sobre segurança viária
na rede Embarq começou há aproximados seis anos. Desde então, 15
projetos foram desenvolvidos na Cidade do México, identificando até
detalhes simples, como, por exemplo,
a necessidade de faixa de segurança
e de semáforos para permitir uma
travessia de pedestres segura. “Nas
auditorias, sugerimos intervenções,
reorganização do entorno e redese-
de veículo e ao comportamento dos
profissionais. “Entre 2005 e 2011,
na Cidade do México, conseguimos
a média de 89% menos colisões no
ano. Conquistamos a atenção dos
operadores dos transportes e dos governos, e isso nos permite trabalhar
em prol da segurança viária”, completou Priego.
BHLS: demanda diferenciada
Atrair o motorista do veículo particular para o transporte público em
favor da mobilidade urbana é um
desafio antigo dos grandes centros
urbanos, e os que se dedicaram a
enfrentá-lo no começo já desfrutam
dos bons resultados. Assim surgiu,
nos anos 90, na Europa, o Bus with
High Level of Service (BHLS), uma alternativa complementar ao BRT, que
recebe hoje, em alguns países, até
30% dos motoristas de automóveis.
De acordo com Daniela Facchini, o
sistema de ônibus com alto nível de
serviço foi desenvolvido para um público diferenciado, não atende altas
demandas, e oferece frequência, confiabilidade, conforto, transportando
de três a quatro pessoas por metro
quadrado, e acessibilidade.
“As estações são abertas e com
distâncias menores entre si, facilitando o acesso. Há pontos de integração
com bicicletários e estacionamentos,
cujo incentivo é utilizá-lo e viajar gratuitamente no BHLS, e o ganho de velocidade é em relação ao tráfego misto
(não competem com o BRT tradicional
e o metrô, modais mais rápidos). No
Brasil, existem muitas desculpas para
se abandonar o automóvel, mas todas
podem ser vencidas. E Niterói terá o
primeiro BHLS no Brasil, planejado
com os mesmos moldes”, disse lembrando-se de diferenciais, como wi-fi e
TV, para estimular a migração.
Daniela Facchini
43
COLÉGIO DE ADVOGADOS FETRANSPOR
Iniciativa irá promover encontros
e fortalecer a categoria
Fotos: Jorge dos Santos
Dia 07
Sérgio Bermudes, Victor Farjalla e Enéas Bueno
O último dia do 16º Etransport
começou com uma novidade para o
setor de transportes no Rio de Janeiro. A Fetranspor instalou o seu Colégio de Advogados, com o objetivo de
promover o fortalecimento da categoria dentro do segmento, por meio
de encontros periódicos que permitam troca de conhecimento e maior
interação entre os profissionais das
empresas de ônibus do Estado, de
forma que todos atuem de maneira
mais centralizada para defender os
interesses do setor e das operadoras.
Presentes à sessão que deu o
pontapé inicial às atividades do
Colégio de Advogados, o gerente
jurídico da Fetranspor, Victor Farjalla, representando o presidente executivo da Federação, Lélis
Marcos Teixeira; o diretor jurídico
do Rio Ônibus, Enéas Bueno, além
do convidado do dia, o jurista e
professor Sérgio Bermudes.
Temas do cotidiano
Farjalla destacou a importância da iniciativa para discussão de temas fundamentais que
fazem parte do cotidiano das
operadoras, uma vez que estas
estão focadas no atendimento de
qualidade em função da pressão
social sobre o setor. “O ano de
2015 será voltado para a gestão da qualidade das empresas.
Isto traz, para nós, evidentemente, uma responsabilidade muito
grande. Nós, advogados do setor,
impomos o dever de lealdade
“Nós, advogados do setor,
impomos o dever de lealdade
profissional, de mostrar os
caminhos que devem ser
seguidos para enfrentarmos
esses novos tempos, com a Lei
Anticorrupção e ações
civis públicas”
Victor Farjalla, gerente jurídico da
Fetranspor
44
Enéas Bueno
profissional, de mostrar os caminhos que devem ser seguidos
para enfrentarmos esses novos
tempos, com a Lei Anticorrupção
e ações civis públicas”.
Além deste alerta, Farjalla falou da forma de atuação dos profissionais do segmento para garantia dos direitos das empresas,
e sobre como o Colégio de Advogados pode contribuir significativamente para o fortalecimento
da defesa dos interesses do setor.
“O fortalecimento da categoria
passa pela troca de ideias permanente, pela uniformização das teses e de defesas, de maneira que
possamos efetivamente resistir,
quando for momento de resistir,
e fazer cumprir, quando for momento de fazer cumprir”.
Menos tempo para soluções
Coube ao diretor jurídico
do Rio Ônibus, Enéas Bueno, a
responsabilidade de oficializar
a abertura do Colégio de Advogados do setor no Rio de Janeiro. “É com alegria e satisfação
que declaro instalado o Colégio
de Advogados da Fetranspor”,
disse. Na sequência, o jurista e
professor Sérgio Bermudes fez
uma palestra que abordou pon-
tos importantes do Código de
Processo Civil. Ao longo da sua
explanação, o professor revisou
o documento, lembrando autores
que tiveram papel de destaque
na formulação de teses, como o
italiano Francesco Carnelutti.
Bermudes também falou sobre as novas formas de resolução
de litígios que começam a ganhar
mais força no Poder Judiciário
brasileiro, podendo representar
um novo momento para as questões que levavam muito tempo
para serem resolvidas, e tendem
a ser solucionadas de forma mais
rápida, com a mediação e a arbitragem. “A mediação decolou
em países do primeiro mundo,
com os Estados Unidos saindo
na frente, depois na Alemanha e
França, e ainda vai florescer no
Brasil. Já a arbitragem é recorrida
para casos em que as partes têm
pressa de ver o seu litígio solucionado, sendo desenvolvida por
pessoas que conhecem a matéria.
Seja por arbitragem ou pela mediação, o resultado normalmente
é uma sentença mais rápida e
quiçá mais justa”, finalizou.
“A mediação decolou em países
do primeiro mundo, com os
Estados Unidos saindo na
frente, depois na Alemanha e
França, e ainda vai florescer
no Brasil. Já a arbitragem é
recorrida para casos em que
as partes têm pressa de ver o
seu litígio solucionado, sendo
desenvolvida por pessoas que
conhecem a matéria”
Sérgio Bermudes, jurista e professor
45
PAINEL
Dia 07
Mobilidade Corporativa – O impacto nos negócios
A concepção de cidades mais
amigáveis do ponto de vista da
mobilidade, a redução dos índices
de acidentes nos centros urbanos,
as novas formas de trabalho, os
meios alternativos de locomoção.
Estas foram algumas das questões
tratadas durante o painel “Mobilidade Corporativa: O impacto nos
negócios e nas cidades”, realizado
no último dia do 16º Etransport.
Na oportunidade, especialistas
apresentaram um panorama da
mobilidade nas principais metrópoles brasileiras, e mostraram iniciativas que podem minimizar os
efeitos colaterais de um modelo
de mobilidade urbana ultrapassado e plenamente dispensável para
as cidades que se deseja ter num
futuro breve.
O engenheiro civil e sociólogo
Eduardo Vasconcellos, assessor
técnico da ANTP, abriu a reflexão
falando sobre as políticas da mobilidade, abordando medidas adotadas no passado, e apontou caminhos para o futuro. O incentivo
ao uso do carro e o barateamento
“Quando você estimula
a carona, está criando
um novo tipo de
transporte sem gastar
um centavo, sem fazer
qualquer investimento em
infraestrutura”
Márcio Nigro, sócio-diretor
da Caronetas
46
Fotos: Jorge Santos
Discussão aborda alternativas capazes de melhorar a
locomoção nas grandes cidades brasileiras
Eduardo Vasconcellos
na compra de motocicletas contribuem, de maneira significativa,
para o panorama atual da mobilidade brasileira. De acordo com
Vasconcellos, o processo de individualização da mobilidade com
a indústria automobilística está se
completando com a indústria da
motocicleta. “Esta foi uma política
que deu certo”, afirmou de forma
irônica. “Como se diz no futebol,
perdemos o primeiro tempo do
jogo, e nosso objetivo agora é tentar ganhar o segundo tempo”, disse. O engenheiro ainda ressaltou
que a grande vantagem que temos,
atualmente, é o fato de a juventude brasileira estar “mobilizada
com o tema da mobilidade”.
Caronas inteligentes
Márcio Nigro, sócio-diretor da
Caronetas – Caronas Inteligentes,
site que estimula caronas e promove a integração de colaboradores
de diversas empresas de maneira
segura, explicou que a proposta
do site é promover um mecanismo
para facilitar a divisão diária de caronas, destacando a diminuição dos
custos com deslocamentos, e defendeu o modelo, pois, “quando você
estimula a carona, está criando um
Paulo Canarim
novo tipo de transporte sem gastar
um centavo, sem fazer qualquer investimento em infraestrutura”, disse, acrescentando que a carona tem
potencial de crescimento no contexto atual da mobilidade urbana.
Paulo Canarim, gerente de Comunicação do Centro de Operações do Rio (COR), explicou como
o Centro trabalha em benefício da
cidade do Rio de Janeiro, antecipando soluções para os problemas
diários que influenciam diretamente no trânsito. Canarim mostrou
que, equipado com 600 câmeras
próprias e outras 400 de instituições parceiras, o COR monitora o
trânsito carioca e, através de seu
geoportal, acompanha áreas de
risco, alertas de chuvas e possíveis
alagamentos. Uma das novidades
anunciadas foi a publicação de
rotas alternativas, por meio de 20
relógios digitais, instalados na cidade, que indicam o tempo de viagem, no caso de as vias principais
estarem congestionadas. “A cidade
inteligente é a cidade de visão colaborativa, com uma comunicação
de mão dupla”.
Espaços urbanos
A diretora do ITDP, Clarisse
Linke, deu destaque ao momento
pelo qual a mobilidade vem passando, com o aumento na taxa de
motorização, a série de investimentos em transporte público, assim
como as externalidades geradas,
ou seja, congestionamentos e consequente poluição. Para inversão
do quadro, Clarisse enfatizou os
oito princípios da mobilidade sustentável e o desenvolvimento das
regiões no entorno das estações
de embarque, com a caminhada
e o uso de bicicletas como principais formas de acesso aos serviços
“Devemos cobrar mais
pelo estacionamento em
via, ter parâmetros mais
rigorosos nas edificações com
estacionamento e até mesmo
incentivar empreendimentos
sem vagas”
Clarisse Linke, diretora do ITDP
básicos. Além da qualificação dos
espaços urbanos, Clarisse falou de
medidas restritivas ao uso do automóvel. “Devemos cobrar mais
pelo estacionamento em via, ter
parâmetros mais rigorosos nas edificações com estacionamento e até
mesmo incentivar empreendimentos sem vagas”, disse.
José Lobo, diretor da ONG
Transporte Ativo, evidenciou o uso
das bicicletas como meio de multiplicar a capacidade de transporte
sem necessidade de energia, geran-
“É preciso diminuir a
velocidade dos veículos
no perímetro urbano para
que pedestres e ciclistas
possam circular com mais
segurança”
José Lobo, diretor da ONG
Transporte Ativo
47
PAINEL
do benefícios para seus usuários.
De acordo com Lobo, o advento
do uso das bicicletas como modal
influencia no desenho das cidades, tornando-as mais amigáveis
do ponto de vista da mobilidade
sustentável. Outro aspecto abordado por Lobo está relacionado à
saúde, logo que estudos apontam
para a redução de doenças cardiovasculares e da obesidade. O
diretor ainda citou um trabalho da
London School of Economics, de
2012, que mostra a economia de
R$ 540 milhões com a diminuição
do absenteísmo nas organizações,
fruto da adoção das bicicletas
como modo de transporte.
Menos viagens de carro
Marcos de Souza, diretor do
portal Mobilize, aproveitou o evento para fazer um alerta a respeito dos altos índices de acidentes
ocorridos com pedestres e ciclistas
nas grandes cidades. Souza também apresentou uma pesquisa
feita pelo portal, em 2011, que
aponta a necessidade de se diminuir as viagens motorizadas, e deu
o exemplo de São Paulo, como uma
das cidades mais violentas do País,
com mais de 12 mortes por grupo
de 100 mil habitantes. “É preciso
diminuir a velocidade dos veículos
no perímetro urbano para que pedestres e ciclistas possam circular
com mais segurança”.
Andrea Leal, consultora de
Transporte Sustentável e Políticas
Públicas do Banco Mundial, falou
sobre o projeto de mobilidade corporativa realizado pelo banco com
vistas à melhoria da mobilidade
em São Paulo, tendo como missão
48
Andrea Leal
ganhos de produtividade, diminuir
custos e reduzir emissões, levando
em consideração o aspecto da mobilidade. Com base em uma pesquisa divulgada em 2013, que atestou
que o Rio de Janeiro tem o terceiro
pior trânsito do mundo, ela afirmou
que uma alternativa bastante viável
é a adoção do home office. “Trata-se de uma modalidade de trabalho
flexível que também promove a
qualidade de vida”.
Finalizando o painel, Raquel
de Souza, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desen-
reduzir o número de viagens de
carro. Entre algumas empresas que
participaram do projeto: Toyota,
hotéis Hilton e Sheraton, Instituto
Brasileiro de Governança Corporativa e o consulado do Canadá.
Leal citou ainda as recomendações
coletadas junto aos trabalhadores,
além de medidas adotadas pelas
empresas e os ganhos obtidos.
Home office: alternativa
A diretora Regional da SOBRATT
(Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades), Monica Carvalho, fomentou uma reflexão sobre como as empresas podem obter
Monica Carvalho
Raquel de Souza
volvimento Sustentável (CEBDS),
disse que a instituição representa o WBCSD (Conselho Mundial
de Desenvolvimento Sustentável
Empresarial), e sua atuação é
pautada na realização de câmaras temáticas, entre elas a mobilidade. Raquel apresentou indicadores de mobilidade sustentável
definidos pelo Conselho Mundial
e mostrou como a câmara técnica
do CEBDS tem contribuído para
promover a mobilidade entre as
suas associadas.
PAINEL
Motorista de ônibus: o cartão de visita da sua empresa
O ponto de vista do cliente sobre o comportamento do motorista como fator
crítico na qualidade da prestação de serviços de transporte de passageiros
A imagem que o público tem do motorista e seus
impactos na empresa para a qual ele trabalha
O motorista de ônibus é certamente um dos principais atores
de qualquer sistema de transportes. Mas qual é a sua influência
na imagem da empresa para
a qual trabalha? Como eles se
veem e como encaram o exercício
dessa profissão? É uma categoria
unida? Consideram seu trabalho suficientemente criativo? As
lideranças são competentes? A
empresa ouve suas sugestões?
Em que medida a diversidade
do setor dificulta ou facilita os
recursos humanos da área de
transportes?
Foi lançando estas perguntas
que Patricia Amelia Tomei, professora da Escola de Negócios da
PUC/RJ deu início ao painel “Motoirsta de ônibus: o cartão de visita da sua empresa”.
O painel também contou com
a presença dos palestrantes Thereza Lobo, coordenadora executiva do Movimento de Cidadania
Rio Como Vamos; Brenda Medeiros, gerente de Projetos de Transporte da Embarq Brasil; Carlos
Alberto Rabaça, diretor da Rabaça & Associados Multiempresa de
Marketing e Comunicação; Cláudio Callak, presidente do Consórcio Intersul e da Real Holding; e
Isidro Rocha, presidente da Petro
Ita Transportes Coletivos.
Fotos: Bianca Pimenta
Dia 07
Patricia Amelia Tomei
Relação entre os atores
Thereza Lobo, falou sobre a
relação do motorista com os demais atores do sistema. De acordo com Thereza, as críticas por
os avanços de sinal e condução
em velocidade acima do permitido. Já as críticas dos próprios
motoristas vão desde os engarrafamentos até as cotas de viagem
“O que foi dito aqui precisa
ser falado mais, precisa ser
transmitido à sociedade em
geral. Cabe a nós pressionar para
que os graus de investimento
se mantenham agora e
principalmente após 2016”
Thereza Lobo, coordenadora executiva do
movimento de cidadania Rio Como Vamos
parte do usuário com deficiência,
por exemplo, são muitas. “Eles reclamam de que vários motoristas
não param para os cadeirantes,
não sabem operar o elevador, e
realizam curvas em alta velocidade”. Para os guardas de trânsito,
ela explica que são recorrentes
diárias, passando pela pressão na
demora em alojar deficientes e
em cobrar as passagens.
Lembrou também os impedimentos para a boa utilização do
transporte público, como os atrasos,
o desconforto, a lotação e a imprevisibilidade, e ressaltou que falta
investimento em infraestrutura.
49
PAINEL
A realidade do motorista
Já Brenda Medeiros expôs outro
panorama da realidade do motorista, que compreende cobranças, falta
de valorização do trabalho e rotatividade. “É grande a importância
de programas de incentivo à valorização psicológica e financeira do
profissional”. Ela acredita ser mais
barato para a empresa investir em
treinamentos e valorização do motorista do que gastar com seguros e
manutenção do equipamento.
Carlos Alberto Rabaça
por isso, não deve ser responsabilizado por tudo. Desta forma, é
importante diminuir os conflitos
do motorista em seu trabalho, e
facilitar sua rotina o máximo possível. “A melhor forma de avaliar
um bom funcionário é dando a ele
um bom equipamento, para que
ele possa exercer seu trabalho
de forma plena”, avaliou. Isidro
também reiterou a importância
de um tratamento humanizado
para esses atores, partindo das
Necessidade de empatia
“É grande a importância de
programas de incentivo à
valorização psicológica e
financeira do profissional”
Brenda Medeiros, gerente de Projetos
de Transporte da Embarq Brasil
Carlos Alberto Rabaça abordou
a necessidade de se fazer uma aproximação tal que se entenda as responsabilidades do motorista, uma
vez que a percepção do cliente sobre
a empresa recai sobre o comportamento do condutor. Ele enfatizou
que as demandas dos motoristas
abrangem treinamentos, tratamento digno e outros tipos de benefícios. Por isso, o papel do gestor é o
de transmitir confiança e motivar a
equipe com foco, liderança e diálogo.
50
Cláudio Callak constatou a
necessidade de empatia com o
motorista e suas demandas, antes
de transferir a culpa para ele. Segundo o empresário, a maioria dos
executivos de transporte hoje tem,
sim, consciência da importância do
papel do motorista, considerando
que o ônibus sempre será o principal modal do transporte público
e que tende a substituir, inclusive,
os carros de passeio. “O automóvel hoje é como o cigarro, danoso
à saúde”, disse.
Isidro Rocha lembrou ainda
que o motorista está longe de
ser o único ator do sistema e,
Claudio Callak
“A melhor forma de avaliar
um bom funcionário é dando
a ele um bom equipamento,
para que ele possa exercer
seu trabalho de forma plena”
Isidro Rocha, presidente da Petro Ita
lideranças gestoras. Citou medidas importantes de incentivo, tais
como treinamentos, premiações,
promoções e plano de cargos e
salários (escalonamento) relacionado ao tempo de trabalho.
“O que foi dito aqui precisa ser
falado mais, precisa ser transmitido à sociedade em geral. Cabe a
nós pressionar para que os graus
de investimento se mantenham
agora e principalmente após
2016”, lembrou Thereza Lobo.
JORNADA DE SAÚDE E SEGURANÇA
Palestras – Saúde & Trânsito e Atualidades em medicina de tráfego
A importância e os resultados de ações
em prol da segurança no trânsito
A saúde no trânsito é um assunto
pendente nas discussões da sociedade
brasileira. E, para ampliar o horizonte
de todos em relação a este universo
e à prevenção de seus acidentes, Fernando Moreira, assessor médico da
Fetranspor, convidou Marcelo Davoli,
diretor da Seguradora Líder DPVAT;
Marco Andrade, coordenador da Operação Lei Seca, e Ivan Luciano, especialista em Medicina de Tráfego da
Abramet/RJ e coordenador das ações
médicas do Detran do Rio de Janeiro,
para comporem um diversificado painel sobre Saúde & Segurança, na abertura da Jornada de Saúde e Segurança,
realizada na tarde do último dia do 16º
Etransport.
Desde março de 2009, início da
Operação Lei Seca (OLS), o número de
pessoas alcoolizadas ao volante diminuiu significativamente. No começo,
eram 20% dos veículos abordados, e
hoje, a média, ao longo de toda a operação, é de 7,7%. De acordo com Mar-
Fotos: Bianca Pimenta
Dia 07
Marco Andrade
Ivan Luciano
Fernando Moreira
co Andrade, as ações são estruturadas
em fiscalização e educação. “A fiscalização tem como objetivo proteger
e preservar a sociedade do indivíduo
que não entendeu ser necessário respeitar a lei. Paralelamente, investimos
em ações de prevenção, conscientização e educação, buscando mudar a
percepção da sociedade em relação ao
problema, e fazer as futuras gerações
crescerem dentro de uma realidade
diferente, considerando absurda a coragem que as pessoas tiveram, um dia,
de beber e dirigir”.
Mudar comportamentos é, de fato,
um desafio. Ivan Luciano afirmou escutar ainda, entre os condutores que
fazem os exames de aptidão física e
mental, a frase “vou ao Detran para
fazer exame de vista e renovar a carteira de habilitação”. “No consultório
de perícia médica, são realizados exames oftalmológicos, cardiorrespiratórios e neurológicos, entre outros, e
todos são avaliados”.
Duas conferências especiais
Durante a Jornada, o palestrante
Roberto Douglas, presidente da Associação Brasileira de Medicina de
Tráfego (Abramet), destacou, através
de uma apresentação audiovisual, a
necessidade de todos reverem suas
condutas e se lembrarem de que a
51
JORNADA DE SAÚDE E SEGURANÇA
Mesa-redonda – Atuação de médicos e psicólogos
em empresas de transporte e Palestra – Avaliação dos
condutores
Investigar é papel de psicólogos
e de profissionais de medicina
que atuam dentro das empresas
Roberto Douglas
vida é o maior bem. “Sinais de trânsito também comunicam e estão falando da vida das pessoas; não significam
uma multa, caso sejam ultrapassados.
Precisamos melhorar nós mesmos”.
Flávio Emir Adura, diretor científico
da Abramet, declarou, em sua palestra, que há estratégias com sucesso
comprovado para reduzir o número de
mortes no trânsito em muitos países. “A
Organização Mundial da Saúde (OMS)
destaca legislações eficazes aos limites de velocidade e álcool, e o uso da
cadeirinha, do cinto de segurança e do
capacete, como fatores fundamentais
para a preservação da vida no trânsito.
E o Contran precisa colocar em prática
os demais equipamentos de proteção
individual para os motociclistas, como
viseira, luva, colete, bota e faixas refletivas. Dos acidentes graves envolvendo
motos, 70% levam a óbito”.
Saber se o colaborador é capaz de
desempenhar saudavelmente a sua
função previne desconfortos, doenças
e acidentes, que podem ser anunciados
em uma simples consulta. “Muitas vezes, nós, médicos, não caracterizamos
algumas queixas como algo importante
diante da função exercida pela pessoa.
Qualquer dor de cabeça deve ser investigada mesmo antes da contratação;
não podemos apenas fornecer um atestado médico”, disse Dirceu Rodrigues,
diretor de Medicina de Tráfego Ocupacional da Abramet, no início da mesa-redonda “Atuação de médicos e psicólogos em empresas de transporte”, cuja
moderadora foi Marli Piay, gerente de
Gestão de Pessoas do Rio Ônibus.
O evento contou com técnicos em
transportes, empresários, médicos, psicólogos e profissionais de Gestão de
Pessoas. Para Alfredo Albino, médico
Dirceu Rodrigues
da Transportes Flores, o profissional de
medicina do trabalho não pode mais ter
comportamento tradicional, e sim de
integração. “A Ação Integral de Saúde
existe para prever a doença e promover
a saúde. A portaria 3.227, de 1972, junto com a criação do Programa Nacional
de Valorização do Trabalhador (PNVT),
transformaram as características nesta
área da medicina, assim como as certificações. Estas últimas entendem a
questão de forma técnica, humana e
conceitual, e é esse tripé de valores que
desenvolve todo o nosso potencial em
gerir melhorias contínuas”.
O homem como investimento
principal
Flávio Emir Adura
52
Alfredo Albino
Para cumprir os novos protocolos,
Dirceu Rodrigues disse ser essencial
o Programa de Prevenção de Riscos e
Acidentes (PPRA), pois forma equipes
JORNADA DE SAÚDE E SEGURANÇA
Painel – Ações voltadas para a promoção do trânsito
seguro
Exemplos de multiplicação da
educação no trânsito
“Atualmente, o trabalho
do psicólogo vai além
do recrutamento e
seleção. Motivamos,
treinamos e
estimulamos
colaboradores de
diferentes maneiras.
Não somos só
psicólogos, somos
gestores de pessoas”
Georgya Araújo
especializadas em estudar trajetos,
analisar ambientes, detectar problemas
e colaborar com as orientações médicas
para execução do trabalho. “Também
recomendo atividades pré, trans e pós
laboral. O homem é o maior patrimônio
da empresa e, investindo nele, a conservação do conjunto será melhor”.
Georgya Araújo, psicóloga da Auto
Viação Jabour, considera fundamentais
os investimentos no capital humano,
e acredita que o comportamento das
organizações em relação à valorização do papel das pessoas, destacando
inclusive o exercício da sua profissão,
mudou. “Atualmente, o trabalho do
psicólogo vai além do recrutamento e
seleção. Motivamos, treinamos e estimulamos colaboradores de diferentes
maneiras. Não somos só psicólogos,
somos gestores de pessoas”.
Ações em favor de um trânsito
mais seguro podem transformar a realidade brasileira. E para apresentar
trabalhos que já fizeram a diferença e
seguem com diretrizes cada vez mais
exigentes, Alessandra Françoia, coordenadora nacional da ONG Criança
Segura; Maria José Finardi, assessora
de Projetos Educacionais da Escola Arteris; e Fernando Diniz, presidente da
ONG Trânsito Amigo, participaram do
painel de encerramento da Jornada de
Saúde e Segurança intitulado “Ações
voltadas para a promoção do trânsito
seguro”, com a presença de Fernando
Pedrosa, especialista em Segurança no
Trânsito, como moderador.
De acordo com Françoia, em 25
anos de atuação da ONG norte-americana Criança Segura, presente em 26
países, o índice de mortes de crianças
teve redução de 51%. A Escola Arteris
apresentou seu conjunto de práticas
para multiplicar informações. “Trabalhamos em escolas públicas, desde
o ensino infantil até o fundamental,
através de conferências, capacitações
e consultoria permanente aos educadores da malha viária da Arteris, inclusive familiares e comunidades do
entorno”, explicou Finardi. O projeto
ainda conta com diferentes recursos
pedagógicos, como livros didáticos e
álbum seriado, para um ensino leve e
compreensível em todas as disciplinas.
No final, Fernando Diniz, engenheiro motivado a lutar por mudanças devido à perda do próprio filho,
Alessandra Françoia
alertou: “Temos milhares de feridos
com lesões irreversíveis, e tentamos
diminuir as drásticas estatísticas. O
futuro do trânsito está nos ombros de
todas as pessoas, e os que lutam por
um trânsito mais seguro devem se engajar, também, em ações como o Dia
Mundial em Memória das Vítimas de
Trânsito e na criação de comissões em
todos os estados do País, reconhecendo um presidente com poder para aplicar sanções em quem pratica delitos”.
Fernando Diniz
53
PALESTRA
Dia 07
Preocupações internacionais na gestão de pessoas no transporte
Uma abordagem sobre a relação existente entre satisfação dos clientes e
colaboradores engajados, destacando políticas de atração e as motivacionais de
engajamento para retenção de empregados no setor de transporte de passageiros
O presidente do Comitê Business & Human Resources Management, da UITP (Associação Internacional de Transporte Público), Joe
Kenny, iniciou sua apresentação,
na palestra “Preocupações internacionais na gestão de pessoas
no transporte”, explicando como
tem atuado com o objetivo de promover uma visão mais estratégica
de recursos humanos, estimulando
entidades e empresas associadas a
prestarem um serviço de transporte
melhor ao cliente final.
Kenny citou uma campanha de
comunicação da associação que
“A mensagem mais
importante que
pretendemos passar é
que os investimentos em
transporte público têm
um retorno importante”
Joe Kenny, presidente do Comitê
Business & Human Resources
Management, da UITP
54
Fotos: Guilherme Costa
Representante da UITP diz que setor de transporte
deve criar 7 milhões de novos empregos
mostrou que o transporte público é
a chave fundamental para o desenvolvimento. “A mensagem mais importante que pretendemos passar é
que os investimentos em transporte
público têm um retorno importante”, afirmou.
De acordo com o representante
da UITP, há a expectativa de que o
setor crie novos 7 milhões de empregos, e o desafio é recrutar esse
grande número de funcionários,
principalmente os qualificados, treiná-los e retê-los.
Percepção da sociedade
Outro desafio importante para o
setor é mudar a percepção da sociedade sobre o trabalho dos motoristas. “Muitos jovens não percebem o
que esse setor tem a lhes oferecer.
É preciso promover a imagem do
transporte público como bom em-
pregador. É necessário, também,
conseguir leis que apoiem a contratação para o segmento. Muitas vezes, perdemos funcionários por uma
pequena diferença de salário, o que
é extremamente frustrante”, frisou.
O representante da UITP citou
algumas iniciativas que a entidade
vem adotando com o propósito de
atrair profissionais para o setor. Tem
buscado mostrar, por exemplo, que
o setor de transporte de passageiros
é um dos cinco maiores empregadores no mundo. “É preciso promover
o transporte público como algo confiável, desejável e positivo. Precisamos mudar a cultura. As pessoas
têm de se sentir orgulhosas em trabalhar nas empresas de transportes.
Quando a instituição trata bem seu
funcionário, ele trata bem o cliente,
que fica com uma imagem positiva
da empresa”, concluiu.
PAINEL
Políticas de gestão de pessoas no setor de transporte
Reflexões sobre os principais desafios no sistema de Gestão de Pessoas em
cenário de aceleradas mudanças
Iniciativas para reter e motivar funcionários
O diretor corporativo do Grupo
Guanabara, Fernando Pedó, destacou que, para reter talentos, as empresas precisam ser mais atraentes
e saber exatamente o que os funcionários esperam delas. “Realizamos uma pesquisa que revelou que,
para garantir o comprometimento
dos profissionais, é necessário desenvolver cinco pilares: comunicar
com clareza, recompensar comportamentos, inspirar confiança,
promover suporte organizacional
que permita que as pessoas sejam
ouvidas e participem na tomada de
decisões, e oferecer possibilidade
de desenvolvimento”, afirmou.
O programa de gestão do Grupo
Jelson da Costa Antunes (JCA) foi
apresentado pelo diretor do grupo,
João Cândido. O palestrante afirmou
que, com o falecimento do fundador
do JCA, Jelson da Costa Antunes, a
família percebeu que herdou não
só uma empresa, mas também uma
grande responsabilidade. A partir
desse momento, o grupo – hoje composto por nove empresas, presentes
em cinco estados, com 10 mil colaboradores – optou por um sistema de
gestão em que as pessoas seriam a
diferença estratégica.
Soluções de deslocamento
Nesse novo momento, a primeira
etapa do trabalho foi construir, junto
com os acionistas, diretores e gerentes, a identidade do grupo e definir
sua missão, visão e valores. “Foi de-
Fotos: Guilherme Costa Pinto
Dia 07
finida como visão do grupo marcar
a vida das pessoas com soluções de
deslocamento. Nossa missão passou
a ser ter soluções criativas. E percebemos, também, que não somos mais
apenas uma empresa de ônibus; somos uma empresa de deslocamentos”, frisou.
Cândido lembrou que o processo de implantação do novo sistema
de gestão não foi fácil, mas trouxe
resultados muito positivos. O JCA
implementou programas de incentivo profissional, como o Carreira
em Movimento, que atrai pessoas
vindas de universidades, e o Prata
da Casa, através do qual a empresa
investe no curso superior de funcionários que tenham interesse em
determinada carreira.
Teatro no ônibus
Cristina Hernandez, gerente de
Recursos Humanos da Metra Sistema Metropolitano, falou sobre sua
experiência na empresa, que opera
um BRT na Região Metropolitana
de São Paulo e, por isso, atende
clientes mais exigentes. “A Metra,
que já conquistou a certificação ISO
9001, desenvolve diversos programas visando à retenção de talentos
e à evolução de seus profissionais,
além de projetos de responsabilidade socioambiental, com destaque
para o de economia de energia, nos
terminais onde a empresa atua, e o
Corredor Verde, de plantio de árvores”, disse. Embora parte da frota
“É necessário desenvolver
cinco pilares: comunicar
com clareza, recompensar
comportamentos, inspirar
confiança, promover
suporte organizacional
que permita que as pessoas
sejam ouvidas e participem
na tomada de decisões, e
oferecer possibilidade de
desenvolvimento”
Fernando Pedó, diretor corporativo do
Grupo Guanabara
da Metra seja composta por veículos elétricos, a empresa reconhece
que os demais ônibus emitem poluentes, e tenta compensar esse im-
55
PAINEL
João Cândido
pacto no meio ambiente com essas
iniciativas.
A Metra também inovou ao buscar ouvir a opinião dos clientes sobre
qual seria o perfil do motorista excelente. Qualidades como empatia,
sociabilidade, respeito, autocontrole,
autoconsciência e automotivação
foram as mais citadas, levando a empresa a trabalhar esses conceitos melhor junto com os profissionais. Uma
das iniciativas resultantes dessa pesquisa foi o programa Dirigindo pela
Vida, em que pessoas com dificuldade de locomoção vão até a sede da
companhia, a fim de relatar os problemas que enfrentam diariamente
para viajar de ônibus. Graças a esse
programa, já se observou uma mudança de comportamento dos motoristas. A Metra desenvolve, ainda,
um programa de teatro nos ônibus,
“A Metra, que já conquistou
a certificação ISO 9001,
desenvolve diversos
programas visando à
retenção de talentos
e à evolução de seus
profissionais”
Cristina Hernandez, gerente de
Recursos Humanos da Metra Sistema
Metropolitano
56
com o objetivo de melhorar o relacionamento entre os profissionais que
lidam diretamente com o público e
os clientes.
Além dos clientes, os cerca de 2
mil colaboradores da Metra merecem atenção especial da empresa,
que investe bastante em treinamento
e na qualidade de vida de sua equipe,
através de uma academia instalada
em sua sede, que oferece atendimento de nutricionista e psicólogo,
planos de alimentação específicos
para cada grupo de trabalho, além de
serviços de acupuntura.
Investimento reconhecido
O gerente de Operações da Empresa de Transporte Coletivo Viamão, do Rio Grande do Sul, Sílvio
Goulart, falou sobre os programas
desenvolvidos pela empresa para os
funcionários, os clientes e a sociedade. Entre as iniciativas voltadas
para os funcionários, citou o plano
de cargos e salários, a integração
para os novos colaboradores, o programa Procurando Nossos Talentos
(consiste em um sistema que registra tudo o que os funcionários sabem fazer, para ser utilizado quando for necessário um profissional
com alguma habilidade específica),
escolinha de formação de motorista, Programa Espaço Aberto (encontro de funcionários com gerentes),
Código de Ética, Programa Viamão
de Bem com a Vida, entre outras.
A empresa também dedica atenção especial às questões sociais e
relacionadas ao meio ambiente. Pratica coleta seletiva de lixo, faz distribuição de alimentos e brinquedos,
desenvolve campanhas do agasalho
e realiza apresentações teatrais edu-
Sílvio Goulart
cativas nas escolas da cidade, além
de colaborar com instituições de ensino por meio de doações de viagens,
entre outras contribuições.
Todo esse investimento em melhorias para os funcionários e no bem-estar social foi reconhecido e premiado.
A Viamão conquistou diversos prêmios
de qualidade no Rio Grande do Sul e
também o Prêmio ANTP. “O desafio
para os próximos anos será obtermos
o reconhecimento como organização
social e ambientalmente responsável”,
concluiu Goulart
Cristina Hernandez
Plataformas de Comunicação Digital
Plataformas de Comunicação Digital
Experiências e oportunidades para o setor de transporte
Dia 07
Fotos: Bianca Pimenta
Usuários do transporte público utilizam
cada vez mais a internet
“Para 68% dos usuários, esse
é o momento preferido para
acessar a internet, sendo
câmera e mensagens os
recursos mais utilizados.
Tal fato aumenta a
interatividade do usuário
com as empresas”
Risoletta Miranda, diretora da
FSB Digital
smartphones. Além disso, a internet
é um hábito estável do brasileiro e,
por isso, um mercado em expansão
e evolução. “Um em cada sete brasileiros possui ao menos um aplicativo em seu celular, porém apenas
20% dos sites em português foram
desenvolvidos para acesso adequado nessa plataforma”.
Marcos Amazonas lembrou que
a internet mudou o nosso comportamento. “Hoje a internet nos leva
a respostas cada vez mais rápidas,
tornando o público exigente e gerando uma sensação latente de
tempo perdido, e o passageiro está
descontente com o serviço oferecido no transporte público”. Para ele,
a comunicação e a publicidade podem ajudar a enriquecer a experiência da mobilidade urbana no Brasil, tornando um tempo que seria
“perdido” mais divertido, dinâmico
e produtivo. Esse tipo de mídia seria
a TV fora de casa, outra opção de
entretenimento para o usuário, incluindo promoções, ofertas e oportunidades de forma interativa.
Local preferido
Marcos Amazonas, da diretoria
da Outernet, e Risoletta Miranda,
diretora da FSB Digital, falaram sobre “Plataformas de comunicação
digital”, em painel mediado pelo
diretor de Marketing e Comunicação da Fetranspor, Paulo Fraga, que
lembrou que já somos 105 milhões
de usuários da internet no Brasil.
Risoletta Miranda apresentou uma
análise do perfil do usuário dessas
plataformas. Segundo ela, o número
cresce com a amplitude do perfil, o
que vem ocorrendo com o aumento da quantidade de usuários de
No Brasil, de acordo com a palestrante, o local onde as pessoas
mais utilizam seus dispositivos móveis é justamente no transporte público. “Para 68% dos usuários. Esse
é o momento preferido para acessar
a internet, sendo câmera e mensagens os recursos mais utilizados.
Tal fato aumenta a interatividade
do usuário com as empresas, sendo
possível responder publicamente a
diversas reclamações, elogios e outras formas de feedback, estabelecendo cada vez mais diálogo entre
usuário e empresa”, disse.
“Hoje a internet nos leva
a respostas cada vez mais
rápidas, tornando o público
exigente e gerando uma
sensação latente de tempo
perdido”
Marcos Amazonas, da diretoria da
Outernet
57
PAINEL
Dia 07
Terminais rodoviários e os desafios para uma nova mobilidade urbana
Fotos: Arthur Moura
A mobilidade urbana pensada a partir
de concepções inovadoras de terminais
“É muito importante tratar
do espaço urbano ao redor
das estações, e assegurar o
conforto e a segurança dos
usuários”
Jozé Candido Sampaio de Lacerda,
arquiteto e urbanista responsável pelo
projeto do Terminal Alvorada e das
estações do BRT do Rio de Janeiro
Mediado pelo gerente operacional do Consórcio Rio Terminais
Rodoviários de Passageiros S/A
(RIOTERP), Bruno Martins, o painel
“Terminais rodoviários e os desafios para uma nova mobilidade urbana”, no terceiro e último dia do
16º Etransport, abordou sistemas
de mobilidade integrada, centros
de controle operacionais, projetos
de desenvolvimento de estações
de BRT e formas de se aperfeiçoar
o atendimento ao usuário.
O professor, arquiteto e urbanista Jozé Candido Sampaio de Lacerda, responsável pelo projeto do
Terminal Alvorada e das estações
do BRT do Rio de Janeiro, distinguiu os tipos de terminais, destacando que, enquanto no terminal
rodoviário o passageiro tem tempo
e bagagem, a ideia do terminal urbano é reduzir ao máximo o tempo
de circulação em seu interior. “Ao
saltar do ônibus, o passageiro vai
58
direto para casa ou pegar outro
ônibus. Quanto menor o tempo que
ele ficar no terminal, mais eficiente
será o terminal, porque oferecerá
maior conforto”, explicou.
Lacerda apresentou projetos
antigos, como o Terminal Rodoviário de Corrêas, em Petrópolis – primeiro terminal de integração, de
1992 –, e recentes, como o Terminal
Aroldo Melodia, na Ilha do Fundão,
inaugurado em outubro, “constituído de quatro plataformas de BRT e
três plataformas de alimentadores,
que vai servir tanto à Transcarioca
quanto à Transbrasil”, de acordo
com o arquiteto. “Este terminal foi
feito em tempo recorde, é bastante
agradável e está pronto para receber as demais plataformas”, disse.
E ressaltou a importância de se ter
uma área de estoque de BRTs com
ônibus que possam entrar em atividade nas horas de pico, o que,
em todos os terminais, é feito por
meio de passarelas: “o acesso ao
terminal é muito importante, e é interessante que seja feito pelas passarelas, que funcionam muito, pois
servem à cidade também, independentemente do terminal. A travessia
do pedestre é sempre uma grande
preocupação”, completou.
Terminal Alvorada
O palestrante também falou sobre a concepção do projeto do Terminal Alvorada, e detalhou o funcionamento da rede municipal de
BRTs, que se constitui, basicamente,
de vias segregadas, com linhas expressas, plataformas niveladas com
o piso do veículo, ônibus de alta
capacidade (articulados e biarticulados) e o Centro de Controle de
Operações (CCO) – que assegura
intervalos regulares entre os ônibus,
monitorando, em tempo real, as estações, as vias e os veículos, e informando os usuários sobre o tempo
PAINEL
Wanderley Galhiego
de chegada e partida da condução
através de uma televisão presente
em cada estação –, além da integração com ônibus alimentadores,
trem e metrô. “É muito importante
tratar do espaço urbano ao redor
das estações, e assegurar o conforto e a segurança dos usuários”,
frisou o professor. Ele detalhou características de planejamento, como
ventilação natural no interior dos
terminais, aproveitamento da luz
solar, iluminação zenital, uso de iluminação artificial em LED somente
à noite, captador eólico (sistema
de captação do vento dominante),
vidro laminado com proteção
solar, portas automáticas, telhas
sanduíches para maior conforto
térmico, entre outras.
O gerente de Novos Negócios
da Socicam, Wanderley Galhiego,
apresentou a empresa, que presta
serviços de gestão integrada no
apoio ao transporte de passageiros e no atendimento ao cidadão,
e relatou desafios da mobilidade com foco nas estações e nas
regiões onde estão localizadas.
Segundo Galhiego, a empresa realiza levantamentos e avaliações
– baseadas na delimitação da
área de influência e no dimensionamento demográfico, na análise
geomercadológica, entre outros
aspectos –, assim como estudos
de viabilidade fundamentados na
análise de investimentos, de despesas operacionais e de impactos
socioambientais, compreendendo
desde a administração e operação
de terminais até a manutenção e
limpeza. Atualmente atua em 48
terminais rodoviários e 70 urbanos.
Jayme Lago, arquiteto do escritório JLM Arquitetura, falou sobre
a questão do varejo e da iniciativa pública, destacando que “o
transporte público é a menina dos
olhos do varejo”, e que este não
só objetiva o lucro como cria áreas
que absorvam a comunidade. “Antigamente a gente pensava em um
terreno somente para o varejo, ou
somente para o institucional, ou
somente para o equipamento de
mobilidade pública, mas há cada
vez mais projetos com a fusão disso tudo em um grande espaço, seja
em função dos custos para incorporação desses produtos seja para
se aproveitar um fluxo interessante
do público que passa por esses lugares”, disse o arquiteto.
“O transporte público é a
menina dos olhos do varejo”
Jayme Lago, arquiteto do escritório
JLM Arquitetura
59
II FÓRUM RIOCARD
Painéis discutiram estratégias, tendências e alternativas
para o ramo de bilhetagem eletrônica
Paulo Borgerth
A segunda edição do Fórum
RioCard, cuja proposta é discutir os
meios de pagamento eletrônico, dialogando com o poder público e as
principais empresas do segmento, foi
realizada durante o segundo e o terceiro dias do 16º Etransport.“Pessoas
com conhecimentos específicos em
soluções para essa questão discutirão
o que pode ser feito pelo desafio de
melhorar os serviços de transporte e
o futuro desta área”, disse Paulo Bor-
60
gerth, diretor-presidente da RioPar, na
abertura oficial.
O Painel 1 – “Tendências mundiais de meios de pagamento
contactless”– contou com os palestrantes João Paulo Pereira, gerente de
Novos Negócios da Intelcav; Edson
Yano, gerente sênior de Vendas da
Confidex; e Caio Reis, gerente de Marketing do Banking Field da Gemalto,
e com Savana Sá, gerente de Logísti-
“O aumento do número
de smartphones permite
o aumento do seu uso
para a compra através
do sistema mobile. E
é importante também
ter opções para quem
não possui esse tipo de
aparelho”
Edson Yano, gerente sênior de
Vendas da Confidex
ca da RioCard, como mediadora. João
Paulo citou as tendências dos meios
de pagamento, referenciando grandes
empresas internacionais fora do segmento de transportes, como a Apple,
e reiterando ser natural a integração
entre mobilidade e tecnologia móvel.
Edson Yano retomou a temática:
“O aumento do número de smartphones permite o aumento do seu
uso para a compra através do sistema mobile. E é importante também
II FÓRUM RIOCARD
ter opções para quem não possui
esse tipo de aparelho, sempre pensando em proporcionar mais conforto ao usuário do transporte público”,
disse. Caio Reis lembrou ainda que
as novas gerações de clientes bancários são de nativos digitais e, portanto, o banco deve estar integrado às
novas tecnologias: “O usuário deve
preocupar-se mais em aproveitar a
experiência de consumo do que em
efetuar o pagamento”.
é a quebra de um paradigma muito
profundo. Antigamente era ‘siga o
rastro do dinheiro’, hoje seguimos o
rastro da informação. Temos uma série de questões que o tempo real e o
da simultaneidade começam a desafiar no Direito”, explica.
O crescimento do comércio eletrônico trouxe novas fronteiras aos
contratos tradicionais, novos arranjos
bancários e instituições de pagamento que permitem ao cidadão realizar
“Nenhuma tendência
regulamentadora de
mercado pode ser um
retrocesso”
Patrícia Peck, presidente da
Patrícia Peck Pinheiro Advogados
Os paradigmas das novas
tecnologias
O Painel 2 – “Governança e
Compliance de Pagamentos Digitais” – trouxe Patrícia Peck, presidente da Patrícia Peck Pinheiro Advogados, para apresentar um panorama
sobre as quebras de paradigmas jurídicos, econômicos e mercadológicos
impostas pelo desenvolvimento tecnológico. O diretor jurídico da RioPar,
Evandro Valle, foi o moderador da
discussão.
De acordo com a palestrante,
cada vez mais se reduz a diferença
entre real e digital, o que vem causando a desmaterialização da moeda
e impondo uma nova forma de se
pensar as relações financeiras. “Isso
transações sem a necessidade de
intermediação de uma instituição financeira. “Tal possibilidade gera para
o usuário benefícios, como redução
de custos e preços, conveniência, melhoria do serviço e a inclusão financeira. Vale ressaltar que os cartões
private label, emitidos por empresas
para aquisição de bens e serviços por
elas ofertados, não se enquadram
nessa categoria”.
Os princípios da open society
Para Peck, os quatro princípios
da open society são essenciais para
nortear as novas relações. São eles:
colaboração, transparência, compartilhamento de conteúdo e mobilização. O resultado do compartilhamento é somado às redes de inteligência
para gerar mais retorno. “Nenhuma
tendência regulamentadora de mercado pode ser um retrocesso. Se isso
acontece, o país começa a se retirar
da competitividade global. Por este
motivo, o acesso está sendo elevado
a direito essencial”, afirma.
A segurança, uma das principais
questões da implantação de tecnologias NFC e pagamentos tap and go,
e o lastro do dinheiro ainda geram
discussões, que se impõem à regulamentação dessas novas relações.
“Não migramos as práticas de segurança ao mudarmos do computador
para o tablet e para o celular. Estamos diminuindo a segurança em vez
de aumentá-la. Arranjos de pagamento estão sendo embarcados, quase
sempre, dentro de ambientes como
o celular. E o risco não está no meio
de pagamento; está na cultura, ainda insegura, do uso dos dispositivos
móveis”.
Sistemas Inteligentes de
Transporte
O Painel 3 – “ITS – Sistemas Inteligentes de Transporte: Conceito,
cases mundiais e seu momento”–,
no início da tarde do segundo dia do
Congresso, levantou o debate em
torno do ITS (na sigla em inglês para
Intelligent Transportation System). O
ITS consiste no conjunto de soluções
que uma cidade, através da tecnologia da informação e das soluções
integradas, consegue fornecer para
melhorar o acesso da população e do
público externo ao transporte público. Soluções que visam a trazer, para
o usuário do setor, uma vida melhor e
uma mobilidade com mais qualidade,
segurança e otimização de todos os
recursos empregados.
Moderado pelo gerente de Desenvolvimento da RioCard TI, Marcus
Bignon, o debate reuniu seis diferentes perfis. A mesa foi formada pelo
diretor da RioCard TI, Homero Quin-
61
II FÓRUM RIOCARD
taes, e por Gustavo Rabelo, vice-presidente de Setor Público da Oracle do Brasil; Max Leite, diretor de
Inovação da Intel Brasil; Mario Cesar
Pereira de Araújo, diretor-presidente
da MC Sistemas de Comunicação; e
Francisco Sant’Anna, diretor de Vendas Corporativo da Oi.
A maturidade da bilhetagem
eletrônica
As principais categorias de aplicação dos ITSs são a geração de informações aos passageiros, a gestão
do sistema de transporte, a bilhetagem eletrônica, o marketing e a interatividade social. Segundo Marcus
Bignon, no Brasil, a bilhetagem eletrônica é a que está mais avançada.
“Já temos, em média, 20 anos de
experiência e maturidade na bilhetagem eletrônica. Um dos grandes
pilares, talvez o maior, em qualquer
projeto de cidade planejada e inteligente, é o transporte”, diz.
Homero Quintaes apresentou
como o Rio de Janeiro utiliza as me-
Homero Quintaes
lhores tecnologias disponíveis para a
bilhetagem eletrônica. “É um grande
benefício, pois soluciona a questão
62
“Já temos, em média,
20 anos de experiência
e maturidade na
bilhetagem eletrônica”
Marcus Bignon, gerente de
Desenvolvimento na RioCard TI
da tarifa para o cliente de acordo
com a sua utilização, além de fazer a
integração de sete modais distintos,
que atendem às municipalidades de
quase todo o Estado”, afirma.
Segurança e desenvolvimento
No Painel 4 – “Inovação responsável e meios de pagamento”
–, a discussão a respeito da implementação desses novos sistemas reuniu os palestrantes Percival Jatobá,
diretor executivo de Produtos da Visa
do Brasil; e Cassiano Rusycki e Gilson
Sanches, CEOs da RioCard Cartões e
da RioCard TI, respectivamente.
De acordo com Jatobá, o comércio
on-line e o portátil estão convergindo,
e este é um caminho inevitável. “Observamos uma mudança radical no
comportamento dos consumidores. O
pagamento móvel está modificando a
face do comércio. Não existe dúvida
de que o celular lidera uma revolução
silenciosa. Queiram acreditar ou não,
em breve, estaremos utilizando os celulares para absolutamente tudo que
já fazemos, inclusive pagar nossos
meios de transporte”, diz.
O debate sobre as possibilidades trazidas pelas novas tecnologias
voltou à segurança. Esta questão foi
apontada por Jatobá como sendo de
extrema importância para qualquer
segmento. “A indústria da fraude caminha, e vem tendo, cada vez mais,
sucessivos e retumbantes sucessos na
captura de informações. Interoperabi-
lidade, conveniência e segurança são
os pilares para o desenvolvimento”,
afirma.
Benefício sob intensa auditoria
O Painel Governamental – “Bilhete Único e as novas integrações” – contou com os palestrantes
Cristine Leite Petrus, superintendente
de Programas e Projetos Especiais da
Secretaria Estadual de Transportes,
representando a secretária estadual
de Transportes, Tatiana Carius; e Alberto Nygaard, coordenador de Controle Operacional do Bilhete Único
Carioca, representando o secretário
municipal de Transportes, Alexandre
Sansão; além da participação espe-
Cristine Leite Petros
II FÓRUM RIOCARD
com os palestrantes Márcio Coelho
Barbosa, executivo do SETRERJ; Cid
Alledi Filho, professor de Ética nos
Negócios, Responsabilidade Social e
Sustentabilidade da UFRJ, Unicamp e
UniEthos, e sócio-gerente da Núcelo
Ético; André Sant’anna, secretário de
Tecnologia da Informação – TER/RJ, e
Renata Faria, gerente de Gratuidade
da RioCard, além de Rodolfo Schneider, diretor de Jornalismo do Grupo
Bandeirantes do Rio de Janeiro, como
mediador.
A gerente de Gratuidades da RioCard, Renata Faria, relatou as iniciativas
cial dos CEOS da RioCard TI e da RioCard Cartões, Luiz Ribeiro e Cassiano
Rusycki, respectivamente.
De acordo com Cristine Petrus,
o BU – Bilhete Único Intermunicipal – possui, atualmente, 3,5
milhões de usuários ativos cadastrados no sistema, gerando, em
média, 995 mil viagens por dia. “Já
foram gastos mais de R$ 1,9 bilhão
em subsídios. O BU envolve todo
um sistema de segurança, pois lida
com os dados dos usuários e com
um aporte muito grande de valores, e somente a Receita Federal e
a Secretaria da Fazenda têm acesso a esse banco de dados. A RioCard é auditada diariamente pela
Coppetec. Temos um sistema com
grande segurança e fornecemos
um benefício ao usuário altamente
controlado, verificado e auditado
pelo Estado”, explica Petrus que
ainda disse que, com a reestruturação tarifária realizada na implantação do sistema do BU, junto com o
apoio da RioCard e da Fetranspor,
foi possível reduzir o número de tarifas de 74 para 12.
“O pagamento móvel
está modificando a face
do comércio. Não existe
dúvida de que o celular
lidera uma revolução
silenciosa”
Percival Jatobá, diretor executivo
de Produtos da Visa do Brasil
Biometria em foco
O Painel 6 – “‘Biometria:
Tecnologia para garantir o uso
correto dos direitos do usuário
de transporte público” – abriu
o último dia do II Fórum RioCard,
da empresa para estimular a correta utilização do benefício no Rio de Janeiro, e
reforçou a ideia de que a biometria existe justamente para que isso aconteça.
O superintendente do SETRERJ,
Márcio Barbosa, sindicato pioneiro no
Rio de Janeiro a implantar a biometria nos ônibus, afirmou que, apesar
do alto custo, vale a pena investir em
biometria. A implantação foi apenas
para os usuários com direito à gratuidade, como idosos, estudantes e
pessoas com necessidades especiais,
e como resultado, houve aumento no
número de passageiros pagantes.
Márcio Coelho Barbosa
63
II FÓRUM RIOCARD
A adoção da biometria nas eleições, iniciada em 2009 através do
recadastramento dos eleitores, foi
explicada pelo secretário de Tecnologia da Informação do TRE/RJ, André
Sant´anna. “A biometria será ampliada gradativamente até alcançar
todo o País. Niterói e Búzios foram os
dois municípios que fizeram o recadastramento biométrico, envolvendo
aproximadamente 370 mil eleitores”.
Sant’anna apontou, como principais
desafios para a implementação da
biometria, os locais de atendimento,
a instalação da infraestrutura e a ca-
da através do celular e do uso deste
equipamento como ferramenta de
comunicação pelas empresas. “O
celular será o instrumento para informar o usuário que utiliza o sistema de ônibus. Tecnicamente, estaria
tudo resolvido, mas, e na hora que
o celular não comunicar? Esse é um
desafio a ser resolvido”, frisou.
pacitação da equipe de atendimento.
André Santana
Informação como ferramenta
de adaptação
Em um primeiro momento, o SETRERJ informou a população sobre o
grande número de cartões fraudados
que havia em circulação. Além disso,
houve investimento em publicação de
anúncios em jornais de grande circulação, distribuição de folhetos explicativos, divulgação em carros de som,
e instalação de adesivos nas catracas,
entre outras iniciativas, tudo com o
objetivo de obter a compreensão da
população e de explicar o funcionamento do novo sistema.
Na fase de cadastramento, o Sindicato investiu em instalações confortáveis e agradáveis para atender
bem os beneficiários da gratuidade.
Cerca de 16 mil trabalhadores que
atuam nas empresas associadas ao
sindicato receberam treinamento
especial para operar o novo sistema,
orientar a população e esclarecer
suas dúvidas. E a instalação do sistema foi padronizada nos 4.179 ônibus
das 30 empresas associadas.
64
Automação é tendência
mundial
O Painel 7 – “Inovação nos canais de vendas de créditos” – reuniu
os palestrantes Fernando Mitidieri, gerente geral de Software e Outsourcing
da Perto; e José Carlos Nunes Martinelli, diretor da Prodata Mobility Brasil;
e teve, como mediador, Gilson Souza,
gerente comercial da RioCard Cartões,
para encerrar o II Fórum RioCard.
De acordo com Mitidieri, há um
grande avanço entre o antigo modelo
de venda assistida e o sistema de autoatendimento, e uma série de vantagens para a recarga e a venda de
cartões em todo o sistema de transporte público, como a maior disponibilidade, a possibilidade de controle
total sobre o sistema, a redução de
filas e o aumento da segurança tanto
para as operadoras quanto para os
usuários. “A tendência mundial é a
automação”, completou.
Para José Carlos Nunes Martinelli, a bilhetagem eletrônica já está
consolidada no Brasil, e há uma tendência natural de evolução na ven-
“O celular será o instrumento
para informar o usuário que
utiliza o sistema de ônibus”
José Carlos Martinelli, diretor da Prodata
Mobility Brasil
Fernando Mitidieri
8ª UITP BUS CONFERENCE
Fotos: Arthur Moura
Realizada pela primeira vez na América Latina,
Conferência Internacional do Ônibus apresentou
experiências de transporte pelo mundo
Com o objetivo de aprimorar os
sistemas de transportes públicos por
meio de projetos de mobilidade urbana sustentável, em um processo protagonizado pelo ônibus, foi realizada,
no Riocentro, dias 6 e 7 de novembro,
paralelamente ao 16º Etransport, a
Conferência Internacional do Ônibus,
da União Internacional de Transportes Públicos (UITP). Foi a primeira
vez que o evento ocorreu na América Latina, reunindo autoridades de
todas as partes do mundo no setor,
para debater a temática “Crescendo
com o transporte público”.
Sessão de abertura
Primeiro a discursar na sessão
de abertura da Bus Conference,
o secretário-geral da UITP, Alain
Flausch, falou sobre a origem e a
importância histórica da instituição.
“É a única associação internacional
que engloba todos os aspectos do
transporte público”. Flausch lembrou que a UITP possui, hoje, mais
de 3.400 membros e 1.800 entidades legais. O secretário também
abordou a questão da percepção
do usuário sobre os ônibus, a necessidade de aprimoramento da
relação entre ele e os operadores,
e a importância dos funcionários
do sistema nesse processo. “A tecnologia do ônibus é cada vez mais
limpa. Foi investido muito dinheiro
para isso. Pode ser que, no futuro, os
ônibus sejam completamente elétricos”, prenunciou Flaush.
Deu seguimento à sessão inaugural o britânico David Martin,
vice-presidente honorário da UITP,
presidente da Divisão de Ônibus
da UITP e chefe executivo da Arriva
PLC – grupo do Reino Unido especializado em transportes públicos.
65
8ª UITP BUS CONFERENCE
“Como sabemos, as
redes de ônibus são
o melhor sistema de
transporte de massa
nas cidades”
David Martin, vice-presidente
honorário da UITP
“Como sabemos, as redes de ônibus são o melhor sistema de transporte de massa nas cidades”, disse. Martin ressaltou a importância
do uso da tecnologia híbrida e elétrica para se alcançar um sistema
de mobilidade sustentável. “O que
nós queremos é que o ônibus seja
parte fundamental de um transporte rentável e eficiente. Estamos em
uma época de mudança profunda,
e estou otimista em relação ao futuro. Temos todos os ingredientes
na mão”, finalizou Martin.
Peculiaridades dos sistemas
Thierry Wagenknecht, presidente da Comissão de Ônibus da UITP e
diretor-técnico do Transports Publics
Genevois (operadora de Genebra, Suí-
Thierry Wagenknecht
66
ça), defendeu a necessidade de se considerar as peculiaridades de cada um
dos sistemas de ônibus a partir de seus
contextos locais. Dizendo encontrar-se
“na terra do BRT” – numa alusão ao
pioneirismo brasileiro no sistema Bus
Rapid Transit (Transporte Rápido
por Ônibus) –, teceu elogios à rede de
BRTs do Rio de Janeiro, que chamou de
“um desenvolvimento em grande escala”. Wagenknecht também revelou
estar convencido de que o ônibus elétrico é a solução para uma mobilidade
sustentável. “É claro que a UITP está
fazendo contatos com os fabricantes
para reduzir os custos fixos. Precisamos reduzi-los e fazer um esforço na
manutenção, buscando excelência
operacional”, destacou.
e a preparação para recepcionar a
Olimpíada em 2016: “É um trabalho
muito intenso e que já tem resultados visíveis”.
Diferenças do transporte
brasileiro
“Temos aqui uma diferença em
relação aos outros países: todas as
operadoras são privadas. O transporte público é feito sob concessão, após licitações, para empresas
privadas. Agências reguladoras fazem
o controle dessa operação”, explicou
Lélis Teixeira. “Por se tratar de um país
de escasso capital, definiu-se que o investimento prioritário se daria em educação, segurança, saúde. E a operação
dos transportes por trens, metrôs, bar-
“Com 85% da população
brasileira concentrados nas
áreas urbanas, temos um país
altamente urbanizado que
exige vários esforços para se
investir na mobilidade”
Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor
O presidente da Fetranspor, Lélis
Teixeira, apresentou dados referentes aos desafios de mobilidade no
Brasil. “Com 85% da população
brasileira concentrados nas áreas
urbanas, temos um país altamente
urbanizado que exige vários esforços para se investir na mobilidade”,
afirmou. “São 16 cidades com mais
de 1 milhão de habitantes, então
não temos desafios somente em
duas ou três grandes cidades, mas
em várias”, enfatizou Lélis Teixeira,
que também falou sobre o trabalho realizado para sediar jogos da
Copa do Mundo, neste ano de 2014,
cas e ônibus foi atribuída à iniciativa
privada. É uma característica do nosso
Estado”, enfatizou o presidente da Fetranspor. Ele também citou iniciativas
e parcerias com o objetivo de aprimorar o atendimento ao usuário, como a
instalação de televisões com conteúdo
próprio nos ônibus, o investimento na
mobilidade, a criação de um programa
de autocontrole em relação à emissão
de poluentes, além de parcerias com
empresas de outros modais e da criação da Universidade Corporativa do
Transporte, cujos cursos têm conteúdos próprios para os rodoviários.
8ª UITP BUS CONFERENCE
Alexandre Sansão
O secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Alexandre
Sansão, apresentou o projeto do
sistema de BRTs do município. “O
sistema de BRTs veio da necessidade de se adequar custos, tempo de
execução e urgências da população.
As cidades brasileiras e da América
Latina, como sabemos, não dispõem
de grandes recursos para se investir
com rapidez em redes de metrô,
como foi feito na maioria das grandes cidades europeias ou de outros
países desenvolvidos”, disse.
Operações de BRTs
Aprofundaram-se, assim, os aspectos técnicos daquele que seria
o tema central do primeiro painel
do evento, “Operações de BRTs”,
presidido pelo gerente geral do BRT
Rio, Alexandre Castro. No painel, o
diretor técnico da NTU e membro
do Comitê de Ônibus da UITP, André
Dantas, apresentou um guia, cujo
objetivo é orientar o desenvolvimento de um modelo de mobilidade urbana que priorize o transporte
por ônibus. Foi enfatizada a importância das pistas dedicadas – faixas
exclusivas para esse tipo de veículo – e a relação custo-benefício do
processo. “Temos várias linhas dedicadas ao tráfego geral, e outras
com prioridade total para o movimento de ônibus”, explicou.
Alberto González Pizarro, gerente
do Projeto BRT do Grupo Keolis, falou
sobre a organização: “presente em
15 países, com plataformas de atuação diferenciada e uma frota que
contempla mais de 2.300 ônibus”,
desenvolvendo soluções de mobilidade adaptadas. Ele abordou o funcionamento dos BRTs na cidade francesa
de Metz, cujo transporte público é
Alberto González Pizarro
inovador, um dos melhores da Europa. “Temos feito esforço para que a
área urbana tenha crescimento e desenvolvimento sustentável. Isso só é
possível com um transporte eficiente.
Trabalhamos com um sistema híbrido, com quatro portas grandes, para
que o tempo de parada seja reduzido,
mesmo com maior fluxo de passageiros. Também usamos cores e marcas
diferentes, para que o usuário consiga
se identificar rapidamente com a rede
de transporte, e temos um sistema de
ajuda por meio de GPS”, contou.
Experiência do Japão
Tusuku Takahama
O vice-diretor da East Japan
Railway Company, em Bruxelas
(Bélgica),Tusuku Takahama, narrou a
experiência japonesa no uso temporário de BRTs, na preparação do país
para recepcionar a Olimpíada de 2020.
Destacando o “desafio de reconectar o
Japão por meio do transporte”, após o
terremoto que devastou grande parte
do território japonês, em 2011, lembrou o quanto a tragédia prejudicou
diretamente o segmento. Takahama
disse que o governo de Tóquio está
buscando financiadores para projetos
de BRT, e tudo precisa estar pronto
para os Jogos Olímpicos de 2020.
Todos os palestrantes da sessão
“Operações de BRTs” reconheceram
limitações do processo de implantação deste sistema e convergiram no
que diz respeito a seus benefícios, ressaltando a necessidade de seu aprimoramento, tendo em vista aspectos
como as necessidades dos usuários,
os custos para as operadoras e a
sustentabilidade ambiental. Também
foram debatidas formas de tornar o
transporte público por ônibus mais
atraente para o usuário, evitando sua
migração para veículos individuais –
um consenso entre os conferencistas.
Ônibus elétricos
Conduzida pelo presidente honorário do Comitê de Ônibus da UITP e
coordenador externo da Transportes
Metropolitanos de Barcelona (TMB),
Oscar Sbert Lozano, a sessão “E-Bus”
acentuou, a cada apresentação, o fato
de o ônibus elétrico não ser uma tecnologia nova, apontando a questão
da durabilidade e recarga de baterias
como o principal desafio no uso desse
tipo de veículo. “Hoje ficamos sabendo de motivações para desenvolver
67
8ª UITP BUS CONFERENCE
esta linha de transporte. Na Europa
as pessoas saem do campo para as
cidades e voltam para o campo. Pesquisas demonstram que o público pede
maior mobilidade. Quais as consequências disso?”, questionou Martin Schmitz,
membro do Comitê de Ônibus da UITP e
Jeff Hiott
diretor de engenharia da Associação das
Empresas de Transporte Alemãs (VDV).
O gerente sênior de programação
de ônibus da Associação Americana de
Transportes Públicos (APTA), sediada
em Washington DC (EUA), Jeff Hiott,
apresentou o projeto “Tendência para
zero: indústria de ônibus da América
do Norte rumo à emissão zero”. Ele
destacou a questão ambiental e as
melhorias na qualidade de serviços
de transporte público decorrentes de
um conceito de mobilidade baseado
na sustentabilidade. “Nos EUA, utilizamos critérios como os de poluição do ar,
como nitrogênio, gás carbônico e gases
que provocam o efeito estufa. Parte da
qualidade ambiental melhora se você
tiver ônibus silenciosos circulando”,
afirmou. “Ainda são maioria os ônibus
movidos a diesel ou híbridos com diesel.
É preciso buscar fontes renováveis de
energia”, disse. E completou: “O custo
de se operar um ônibus elétrico é menor
do que com diesel e gás”.
Também rumo à emissão zero
caminha a cidade inglesa de Londres, caso abordado por Mike Weston, vice-presidente do Comitê de
Ônibus da UITP e diretor de Ônibus
da Transport for London (TfL), e Umberto Guida, diretor de projetos da
UITP na União Europeia (Bruxelas,
Bélgica), que apresentaram o projeto ZeEUS (Zero Emission Urban
bus System). “Falamos de ônibus
elétricos como uma revolução, mas
já são muito usados em transporte
público hoje em dia. O projeto de
ônibus elétrico é uma solução de
transporte limpo. Pode haver outras, como faixas dedicadas, novos
sistemas, velocidade comercial, que
têm peso como forma de transporte
limpo”, afirmou Guida. “Todos os
ônibus de dois andares em Londres
terão que ser híbridos até 2015, e
todos os de um andar terão que ser
emissão zero”, anunciou Weston.
Caso de Genebra
No debate sobre energia, destacou-se a explanação de Olivier Augé,
gerente global de Produtos e agente
de Inovação da ABB Sécheron SA
(Meyrin, Suíça), que abordou o caso
de Genebra ao apresentar o projeto
TOSA (Sistema Trólebus de Energia de
Otimização), modelo de ônibus elétri-
co articulado que utiliza uma bateria
recarregável ultrarrápida (carga de
flash), que pode ser carregada em
apenas 15 segundos (tempo estimado para o embarque e desembarque
de passageiros), experimentada pela
primeira vez em Genebra. “Para aumentar a eficiência energética, é
preciso reduzir o peso do veículo. A
bateria não pode tirar o espaço das
Iêda Maria Alves Oliveira
pessoas; por isso, uma bateria leve, no
teto do ônibus, é ideal”, disse.
Com foco no cenário brasileiro,
Iêda Maria Alves Oliveira, gerente comercial da Eletra Industrial, sediada
em São Bernardo do Campo, se disse
“feliz em ouvir os colegas e saber que
os países têm realidades diferentes,
mas desafios semelhantes”. Oliveira
dispensou especial atenção ao trólebus. “Somos pioneiros na produção
deste ônibus no mundo. Todas as peças são fabricadas no Brasil, como as
baterias de chumbo 100% recicladas.
O custo-benefício é compensatório.
No Brasil nós temos muitas dificuldades em executar políticas públicas.
Temos tecnologia, mas as políticas
O projeto de ônibus elétrico é uma solução de
transporte limpo. Pode haver outras, como faixas
dedicadas, novos sistemas, velocidade comercial,
que têm peso como forma de transporte limpo”
Umberto Guida, diretor de projetos da UITP na União Europeia
(Bruxelas, Bélgica)
68
8ª UITP BUS CONFERENCE
públicas muitas vezes não permitem
pôr os projetos em prática”, afirmou.
Mesa-redonda
A mesa-redonda presidida por
Dato’s Sri Shahril Mokhtar, do Grupo Diretor da Prasarana Malaysia
Berhad (Prasarana / Rapid KL), sediada em Kuala Lampur (Malásia),
deu continuidade ao debate acerca
dos ônibus elétricos.
“Um dos pontos fortes da nossa
candidatura, em 2009, como sede
dos Jogos Olímpicos de 2016, foram
justamente os investimentos que ocorreriam no sistema de transportes. Com
isso, assumimos um compromisso com
o Comitê Olímpico Internacional e tivemos que mudar o cenário do sistema
de transportes, no qual não existia investimento havia muito tempo”, disse
a gerente de Mobilidade Urbana da
Fetranspor, Eunice Teixeira. Ela mencionou o processo de aprendizado no planejamento da mobilidade urbana para
a Olimpíada de 2016 e apresentou a
rede preparada para o megaevento – a
Transoeste, em funcionamento há dois
anos; a Transcarioca, inaugurada este
ano para fazer a ligação do Aeroporto
Internacional com a Barra da Tijuca;
a Transolímpica e a Transbrasil, ainda
em processo de construção. “O município foi dividido em quatro grandes
pontos: Barra da Tijuca, Copacabana,
Maracanã e Deodoro; e a rede BRT
foi construída para atendê-los. A
expectativa é de que tenhamos, até
2016, toda essa rede montada”.
“Em quase dez anos
trabalhando no Brasil, demos
suporte a cidades em diversos
projetos de sustentabilidade,
como transporte público,
ciclistas e pedestres, mas
um dos principais é a
implementação do BRT”
Brenda Medeiros, gerente de Projetos de
Transportes da Embarq
Sucesso no Rock in Rio
“Um dos pontos fortes da
nossa candidatura, em
2009, como sede dos Jogos
Olímpicos de 2016, foram
justamente os investimentos
que ocorreriam no sistema
de transportes. Com isso,
assumimos um compromisso
com o Comitê Olímpico
Internacional e tivemos que
mudar o cenário do sistema de
transportes, no qual não existia
investimento havia muito
tempo”
Eunice Teixeira, gerente de Mobilidade
Urbana da Fetranspor
“A localização dos shows do
Rock in Rio foi fundamental, porque
abrangeu os principais pontos onde
ocorrerão os Jogos Olímpicos, que
não são locais atendidos por transporte de alta capacidade e possuem
poucas linhas regulares de ônibus.
Então, para dissipar os 100 mil espectadores do evento, foram criados
dois tipos de serviço: um regular e
um especial”, detalhou Eunice. Foram
vendidos cartões diferentes para os
dois serviços, e teve início um modelo de planejamento até então inédito
no Rio: as ruas foram fechadas para
carros, sendo incentivado o uso de
transportes públicos. “Esse e todos
os outros eventos serviram para que
nós começássemos a entender como
sediaríamos os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Nosso alvo sempre foi
chegar a 2016 com uma rede completa, com condições de atender todos
da melhor forma possível”, ressaltou.
Jan Politiek, membro da Comissão de Segurança da UITP e conselheiro de Segurança Integrada
da Arriva Nederland (Heerenveen,
Holanda) apresentou o “triângulo
sagrado” – no topo, os governos e
autoridades de transporte público;
na ponta esquerda, as operadoras
de transporte; e, na direita, os clientes (pagantes de impostos).“As três
partes devem querer esses mesmos
objetivos. É como escalar uma montanha: todos nós devemos nos ajudar para chegar ao topo”, defendeu.
Segurança e sustentabilidade
Sobre a questão da segurança,
enfatizou-se a importância de se con-
69
8ª UITP BUS CONFERENCE
siderar a visão dos usuários, com destaque para a necessidade de se educar também o pedestre, e não só os
motoristas, no combate aos acidentes.
“Em quase dez anos trabalhando no
Brasil, demos suporte a cidades em
diversos projetos de sustentabilidade, como transporte público, ciclistas
e pedestres, mas um dos principais é
a implementação do BRT”, destacou
Brenda Medeiros, gerente de Projetos
de Transportes da Embarq.
“Aperfeiçoando o sistema de
transporte público, evitamos que as
pessoas migrem para modelos menos
seguros, como carros e motos. Hoje,
no Brasil, há quase 15 mil mortes em
acidentes com motocicletas, além de
quase 200 danos físicos permanentes
provocados por acidentes de moto
por ano. Precisamos evitar esta migração e, para isso, é necessário um
sistema de transporte público de alta
qualidade”, defendeu ela, que inclusive trouxe à tona o fato de os passageiros serem também pedestres,
sendo necessário, portanto, a garantia de que cheguem às estações com
segurança, melhorando o acesso e as
informações aos usuários.
Economia Operacional
Na sessão presidida por Guido
Del Mese, diretor-geral da Associação
Nacional de Companhias de Transportes Urbanos Italianos (ASSTRA), sobre
Economia Operacional, que abriu o segundo e último dia da Bus Conference,
foram apresentados os casos de Washington, por Jack Requa, assistente da
Auditoria de Trânsito da Área Metropolitana de Washington (WMATA), na capital norte-americana; de Bruxelas, por
Martin Langlois, consultor empresarial
da Unidade de Negócios de Ônibus da
Société des Transports Intercommunaux
de Bruxelles, em Bruxelas (Bélgica); e de
Hong Kong, por Evan Auyang, membro
do Comitê de Ônibus da UITP e diretor-geral adjunto do The Kowloon Motor
Bus Co. (1933), em Hong Kong (China).
Abordando o “crescimento com
soluções de operações”, Requa mencionou o fato de Washington, conhecida como “uma das três cidades mais
congestionadas nos Estados Unidos”,
ser hoje referência no transporte público. Ele afirmou que existe um esforço
para a implantação de pistas dedicadas
na capital estadunidense, onde a primeira faixa exclusiva foi inaugurada em
agosto deste ano. Também revelou que
“falta tecnologia para que os ônibus
sejam mais rápidos”, e que os responsáveis pelo sistema procuram manter
a uniformidade de espaçamento entre
os veículos. A partir do reconhecimento
da necessidade de melhorias constantes no sistema, Requa explicou que,
apesar da limitação no financiamento,
houve crescimento significativo da rede
de transportes de Washington: “Temos
feito o que podemos para aprimorar o
ambiente para os clientes. Anualmente,
além do nosso processo regular, separamos parte do orçamento para uma
revisão dos nossos serviços”, destacou.
Bruxelas e Hong Kong
Guido Del Mese
70
Com o mote “Excelência operacional em gestão de crescimento”,
Langlois apresentou sua atividade em
Bruxelas, mencionando o constante
aumento de demanda pela Société
des Transports Intercommunaux de
Bruxelles (TIB) nos últimos anos, e
ressaltando a importância do investimento em infraestrutura. Segundo
Langois, até 2013, os serviços da
operadora tinham “um modelo bem
simples e linear”, mas o crescimento
de serviços, do ano passado para este,
foi maior. Ele também falou sobre a
“Há muitas opções de
transporte em Hong Kong,
onde 95% dos ônibus são
de dois andares. Temos
miniônibus, barcas,
ferrovias; mas a parte
mais importante disso é
que nenhuma das nossas
operadoras é subsidiada”
Evan Auyang, membro do Comitê
de Ônibus da UITP e diretor-geral
adjunto do The Kowloon Motor Bus
Co., em Hong Kong (China)
importância do sistema KPI (Key Performance Indicator), utilizado pela TIB
para medir a performance do negócio.
“Todos nós temos ônibus e motoristas, departamento de manutenção,
folhas de pagamento. Então, nossas
atividades são semelhantes, enquanto os KPIs, não”, afirmou.
O estudo de caso realizado em
Hong Kong – “As políticas e medidas para promover os serviços de
ônibus” –, apresentado por Evan
Auyang, destacou a importância do
esforço político no aprimoramento do
transporte público na capital chinesa
– cidade mais densa do mundo, com
mais de 7 milhões de habitantes, em
uma área muito pequena, de acordo
com o membro do Comitê de Ônibus
8ª UITP BUS CONFERENCE
da UITP e diretor-geral adjunto do
The Kowloon Motor Bus Co. (1933):
“Carregamos cerca de 2,5 milhões de
passageiros por dia, o que nos torna a
cidade com maior operação no mundo”, ressaltou. “Há muitas opções
de transporte em Hong Kong, onde
95% dos ônibus são de dois andares.
Temos miniônibus, barcas, ferrovias;
mas a parte mais importante disso é
que nenhuma das nossas operadoras
é subsidiada”, disse. “O transporte
ferroviário está crescendo, é muito
importante investir em ferrovias e
rodovias. Mas temos um crescimento
exponencial de carros privados, e isso
é muito grave, insustentável”.
Mercado e investimento
O debate se aprofundou com relação a questões de mercado e à importância do investimento financeiro,
sendo constantemente enfatizada
pelos palestrantes a necessidade de
se tornar o transporte por ônibus
mais atrativo para os usuários, que
possuem hoje diversas opções de
deslocamento em meio a um sistema
dinâmico no qual há uma tendência
à procura pelo conforto individual. O
principal desafio das operadoras de
ônibus é, portanto, atrair clientes, impedindo sua migração para o uso de
carros privados.
Guido Del Mese falou sobre a As-
“Os clientes não querem
saber quem está operando,
querem ter informações. Eles
mudam o tempo todo e nós
precisamos nos adaptar, o que
é impossível sem um sistema
de eletromobilidade”
Carl Desrosiers, CEO da Sociedade de
Transportes de Montreal (Canadá)
sociação de Transportes Públicos da
Itália, da qual é diretor, e sobre problemas econômicos do país. “A crise
provocou um déficit no transporte
público, porque o governo direcionou
menos verba para o setor”, explicou,
dirigindo o debate para a questão
social envolvida nos serviços de transporte. Del Mese disse que ouviu muita
coisa durante o evento, que o fez acreditar que está havendo um avanço na
direção social, mas que muitas vezes
as pessoas não vinculam diretamente
esta questão ao transporte público.
Também contou que, na Itália, foi preciso brigar com o governo para fazer
um troller: “Vocês precisam refletir sobre esta consideração, que é muito importante. Na Europa, as leis são 8 mil,
enquanto na Itália são 28 mil, e muitas
sobre serviço público, então é impossível trabalhar. A burocracia atrapalha
muito o nosso serviço”, encerrou.
Novas Tecnologias
Conduzida pelo presidente da Comissão de Ônibus da UITP e diretor
técnico do Transports Publics Genevois (operadora de Genebra, Suíça),
Thierry Wagenknecht, a última sessão
da Conferência foi uma extensão da
anterior, que já havia abordado as
novas tecnologias. Foram mostrados
sistemas para desenvolver a integração entre modais por meio do planejamento do espaço urbano, de modo
a atender bem os pedestres, cedendo-lhes espaço. Também foi reiterada a
importância de sistemas de transporte inteligentes, com o estímulo aos
ônibus híbridos e elétricos.
Antonio García Pastor, chefe do
Departamento de Estudos e Planejamento do Consórcio Regional de
Transportes de Madrid (CRTM), apre-
sentou o NODES, projeto da comissão
europeia para aprimorar a operação
de intercâmbios urbanos multimodais. “O projeto é coordenado pela
UITP, tem 17 parceiros e custa 4,2
milhões de euros, sendo que a contribuição da União Europeia é de 2,8
milhões, ou seja, 60% dos custos”,
explicou. O NODES focou cinco tópicos principais: infraestrutura, design,
energia e meio ambiente, modelos de
negócios e necessidades dos usuários.
Pastor mostrou as conquistas do projeto e de que forma eles monitoram
as pistas e realizam seus cálculos.
Montreal e Madri
Carl Desrosiers, CEO da Sociedade
de Transportes de Montreal (Canadá),
falou sobre a STM, que é a terceira
agência de trânsito da América do
Norte, tendo recebido o prêmio de
Melhor Associação de Transporte em
2010. “Estamos entre os dez melhores
do mundo e isso é muito bom. Mas estamos muito atrás em tecnologia, por
isso investimos mais do que no ano anterior”, explicou. “O mais importante é
a satisfação dos clientes. Estamos felizes, porque a pesquisa recente apontou uma satisfação de 88%”, disse o
CEO. Mas, ressalvou: “Os clientes não
querem saber quem está operando,
querem ter informações. Eles mudam
o tempo todo e nós precisamos nos
adaptar, o que é impossível sem um
sistema de eletromobilidade”, disse,
ao destacar a experiência da STM na
implementação da Avlis.
“Entre os sistemas conhecidos
estão o de controle, o de informação
ao usuário, mas não são tão conhecidos os sistemas de planejamento
eficiente”, disse Julián Lara Jiménez,
CEO do Sistema de Metas América em
71
8ª UITP BUS CONFERENCE
“O bom funcionamento das
operações nos permite reduzir
quilômetros vazios, custos
de horas extras, e faz com
que os motoristas cumpram
suas horas de trabalho.
Finalmente, além de reduzir
os custos de operações, nos
possibilita reduzir os custos
das passagens e melhorar os
serviços para o passageiro”
Julián Lara Jiménez, CEO do Sistema de
Metas América em Madri (Espanha)
Madri (Espanha), que explanou sobre
o agendamento do transporte integrado eficiente em LATAM, que consiste
em coletar todos os dados da rede de
transporte e criar formas de atender
às demandas. “O bom funcionamento
das operações nos permite reduzir quilômetros vazios, custos de horas extras,
e faz com que os motoristas cumpram
suas horas de trabalho. Finalmente,
além de reduzir os custos de operações, nos possibilita reduzir os custos
das passagens e melhorar os serviços
para o passageiro. Um planejamento
eficiente deve se refletir, sobretudo, na
vida do cidadão”, ressaltou.
Luxemburgo, Bruxelas e
Barcelona
O engenheiro sênior de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro
Público de Pesquisa, Henri Tudor
72
(Luxemburgo), MarcinSeredynski,
apresentou o sistema da cidade de
Luxemburgo e falou sobre uma tecnologia que relaciona os atrasos dos
ônibus aos sinais de trânsito, e sobre
a necessidade de se mudar temporariamente o tempo dos sinais,
aumentando a duração dos verdes
para ônibus, para evitar atrasos. Ele
defendeu o uso da tecnologia que
permite uma comunicação entre
veículos, o TSP, “conceito de sistema implementado na Europa que
codifica os veículos”, que passam
a emitir sinais para outros veículos,
a partir dos quais é possível saber a
velocidade a ser imprimida nos ônibus. Ele explicou que “a tecnologia
de veículos conectados, que vai ficar
mais frequente no mercado nos próximos anos, já existe, mas por algum
motivo há um delay na aquisição”.
Michele Tozzi, gerente de projetos
da 3iBS, da UITP, na União Europeia
(Bruxelas, Bélgica), e Francisco Gonzalez-Balmas, vice-presidente do Comitê
de Ônibus da UITP e diretor técnico dos
Transportes Metropolitanos de Barcelona (TMB), apresentaram o projeto
“3iBS, o inteligente e inovador sistema
de ônibus integrado”, abordando dados oriundos de uma pesquisa realizada com 70 mil ônibus elétricos e trólebus em operação na Europa. “Mais de
30% dos entrevistados querem passar
para o maior uso de eletricidade e de
híbridos”, disse. “O próximo passo,
em termos de eficiência energética,
que pode ser aplicado por qualquer
operadora que use ônibus movidos
a diesel, é usar uma caixa de marcha
de controle eletrônico”, afirmou Gonzales-Balmas, segundo o qual houve
aumento de 20% na eficiência energética na frota de Barcelona, e economia
de energia de 20%, 25% a 32% na
utilização de híbridos. Também foi ressaltada a questão da vontade política,
parte que independe das operadoras,
com relação ao investimento em sistemas de mobilidade inteligente. “Não
há outro caminho, além da mobilidade
inteligente; acho que todos aqui concordam com isso”, frisou Wagenknech.
Rio em destaque
No discurso de encerramento do
evento, o vice-presidente do Comitê de
Ônibus da UITP e diretor de Ônibus da
Transport for London (TfL), Mike Weston, reiterou que os ônibus correspondem a 80% dos transportes ao redor
do mundo, defendeu a necessidade
de integração entre modais e elogiou
a adaptação e expansão dos BRTs na
América do Sul, destacando sua eficácia de custos, vantagens operacionais,
entre outros aspectos ligados a tecnologias sustentáveis. “Ficou claro que o
Rio tem muita experiência em gestão
de grandes eventos, e está numa boa
posição para recepcionar os Jogos
Olímpicos”, declarou. “Acredito que
a principal pergunta seja sobre como
integrar toda essa tecnologia sem aumento do custo”, completou.
Gonzalez-Balmas foi o último
a discursar. “No final das contas, o
que acontece no resto do mundo é
uma adaptação da tecnologia do
BRT de vocês. Portanto, parabéns
por exportar essa tecnologia”, disse.
E finalizou: “Vimos a melhora da interconexão modal, os sistemas que
aprimoram a modalidade, os sinais
de frota. Eu diria que tivemos uma
noção completa sobre como aprimorar nossos serviços e sobre como
fazer isso melhorando o ambiente
local e até mesmo o global”.
COLETIVA
Fetranspor e UITP analisam a mobilidade urbana nas cidades brasileiras
Fotos: Bianca Pimenta
Representantes das instituições participaram
de entrevista coletiva durante o 16º Etransport
O modelo de mobilidade que, ao
longo dos anos, vem se perpetuando
nas cidades brasileiras, com o automóvel ocupando aproximadamente 70%
do espaço urbano, tem se mostrado, dia
após dia, mais ineficiente. A perda de
produtividade das capitais, em função
dos congestionamentos cada vez mais
nocivos à economia dos grandes centros,
faz da priorização ao transporte público
condição primordial para a melhoria da
competitividade e da qualidade de vida
nas principais cidades do País.
Sob esta ótica, os investimentos
em projetos estruturantes e a requalificação do sistema convencional de
transporte são apontados como medidas emergenciais, capazes de promover a inversão do quadro na busca pela melhoria da mobilidade das
cidades, de maneira a torná-las com-
petitivas, amigáveis do ponto de vista
ambiental, e aprazíveis para se viver.
Anos de luta
Diante desse cenário, o presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, e o
secretário-geral da UITP, Alain Flausch,
concederam entrevista coletiva, no
segundo dia do Etransport. No início
do encontro, Lélis falou que ambas as
instituições vêm propondo melhorias
para a mobilidade há anos, porém o
assunto só entrou na pauta do governo
em função das manifestações de 2013,
e atualmente o tema vem sendo pouco
abordado no âmbito da esfera pública.
“Nós estamos propondo a melhoria da
mobilidade urbana há pelo menos 25
anos, quando da realização do primeiro Congresso. Nesta edição, estamos
trazendo a 8ª Conferência Mundial de
“É impossível que as cidades
fiquem enfileiradas de carros,
e se demore uma hora e meia
para vir de Copacabana até a
Barra da Tijuca. Qual a cidade
que queremos? Uma cidade
agradável ou uma que está
sufocada pelo automóvel?”
Alain Flaush, secretário-geral da UITP
Ônibus, por meio da UITP, e estão aqui,
no Rio de Janeiro, todos os fabricantes,
especialistas, pesquisadores da Europa e do mundo. Vemos a formação
de um novo governo federal e não
há ninguém que possa falar sobre
a mobilidade. O tema não é levado
a sério, como se trata habitação,
educação, saneamento, enquanto a
mobilidade é a base da qualidade de
vida das cidades”, criticou.
73
COLETIVA
De volta ao Brasil, depois de 35
anos, o secretário-geral da UITP, Alain
Flausch, mostrou-se surpreso com a
permanência do modelo pautado no
fomento à indústria automobilística.
“É impossível que as cidades fiquem
enfileiradas de carros, e se demore
uma hora e meia para vir de Copacabana até a Barra da Tijuca. Qual a
cidade que queremos? Uma cidade
agradável ou uma que está sufocada
pelo automóvel?”, indagou.
Investimento e desonerações
Apesar do espanto, Flausch demonstrou otimismo quando analisou o
cenário futuro para a mobilidade urbana no Rio de Janeiro e em outras importantes cidades brasileiras. “Os projetos
de transporte são uma boa notícia, e
acredito que os BRTs que estão sendo
construídos vão transformar o perfil da
cidade e do País. O cenário é semelhante para São Paulo, com o esforço que
está sendo feito com a construção do
metrô, dos BRTs e das faixas exclusivas;
então espero um futuro positivo”.
Políticas de estímulo ao uso do automóvel, o custo do transporte para o
usuário, assim como questões relativas
ao meio ambiente e à sustentabilidade,
também foram abordados no encontro.
Segundo Lélis, o governo federal deveria promover investimentos diretos,
sem exigir contrapartida de estados e
municípios. “Entendemos que deveria
haver incentivo direto do governo federal, que tem maior arrecadação de
impostos para aplicar em infraestrutura
de transporte e mobilidade urbana”.
No quesito tarifa, o presidente executivo da Fetranspor falou que o país
deveria seguir o exemplo de financiamento praticado por países europeus,
que sobretaxam o uso do automóvel
74
de maneira a investir em transporte
público. “A tarifa tem mais de 20% de
impostos sendo devolvidos ao governo,
ao contrário de políticas internacionais
que subsidiam e estimulam a mobilidade. Deveríamos ter uma política de desonerações mais importante”.
A miopia do poder público parece
ser algo comum também entre as autoridades de outros países e foi alvo de
críticas feitas pelo secretário-geral da
UITP: “Não é somente no Brasil que os
políticos não se antecipam aos problemas. Normalmente, só quando dão com
a cara na parede é que se conscientizam. A primeira pessoa que precisa se
apropriar dessa questão é o prefeito, que
deve constituir um staff, com planejador urbano e de transporte, além de economistas, porque, para modificar a cidade, é necessário um trabalho integrado
em todas as áreas”.
Menos carros, mais pessoas
No caso do Rio de Janeiro, a cidade
vem promovendo a requalificação da
mobilidade urbana com a inauguração
dos BRTs e os investimentos previstos
para outros modais. Para Lélis, é algo
significativo, porque vai se consolidar a
rede de transporte na capital. “É preciso investimento no metrô, no trem, no
VLT, nas barcas; ou seja, fazer mais pela
“Vemos a formação de um
novo governo federal e não
há ninguém que possa falar
sobre a mobilidade. O tema
não é levado a sério, como
se trata habitação, educação,
saneamento, enquanto
a mobilidade é a base da
qualidade de vida das cidades”
Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor
mobilidade. Temos 85% da população
residindo em áreas urbanas. Não é possível fazer investimentos somente em
função da Olimpíada. Devemos investir
nas cidades e promover o planejamento do transporte de maneira orientada,
junto ao planejamento urbano”.
Flausch completou destacando cidades que investiram em mobilidade
com reflexos positivos na qualidade
de vida das pessoas. “Todos conhecem
o exemplo de Bogotá, onde a transformação foi feita restringindo o espaço
para o automóvel e aumentando o do
pedestre. Quando se faz a opção pelas
pessoas, você precisa dar mais espaço
para elas. Em Paris, houve a redução
para 20 km/h, o que criou uma cidade
mais pacífica, com a volta das crianças
às ruas. Ou seja, você reduz o perigo
do local, e a cidade deixa de ser apenas aquela onde você dorme”.
DIÁLOGO JOVEM SOBRE MOBILIDADE
Fotos e ilustração: Márcia Vaz
Jovens se reúnem para discutir temas
relacionados à mobilidade urbana
Divididos em grupos, os jovens escolheram os temas de debate do DJ no Etransport
Integrantes do Diálogo Jovem sobre Mobilidade (DJ) – um dos programas da área de Responsabilidade Social da Fetranspor, que visa a estimular
o envolvimento de jovens de 13 a 29
anos, entre busólogos, colaboradores
de empresas e sindicatos do setor de
transporte e escolas e universidades
públicas, escolhidos por seu perfil
inovador e dinâmico, em discussões
sobre a mobilidade urbana – estiveram presentes em diversos painéis e
discussões do 16º Etransport.
No evento, cuja proposta principal
era debater temas ligados à questão
da mobilidade, a participação desses
jovens foi fundamental, reforçando a
máxima do grupo: “o diálogo constrói”. Em um dos corredores do Riocentro, foi montado um painel onde
os jovens escreveram pequenas men-
sagens contendo suas expectativas
para o Congresso, como “conhecer
pessoas” e “perceber outros pontos
“Não adianta pensar
que o jovem é o futuro,
a situação precisa ser
mudada agora”
Cristian, integrante do DJ
era muito séria: levar a esse público
de representantes as pautas discutidas e as demandas estabelecidas
nos encontros periódicos que o grupo realiza ao longo do ano. Dentre
esses temas, estão: valorização do
profissional; mobilidade corporativa;
qualidade do serviço; planejamento
para a cidade do futuro; modelos de
gestão para a qualidade; sustentabili-
de vista”. Também foram colocadas
ilustrações que representam as discussões do programa, com temas
como “Qual é o transporte público
dos seus sonhos?”.
Missão séria
Apesar do ambiente lúdico e descontraído dos painéis do programa,
a missão dos jovens ali presentes
Márcia Vaz
75
DIÁLOGO JOVEM SOBRE MOBILIDADE
dade e qualidade de vida; superação
de obstáculos; coletivismo e individualismo; planejamento e concretização
de ideias; cidadania e responsabilidade. A proposta dos diálogos é que
se desenvolvam de forma horizontal,
unindo as contribuições de todas as
partes envolvidas.
No primeiro dia de evento, foi
realizada uma dinâmica participativa
com os jovens, debatendo assuntos
relevantes para a área de transportes.
Os jovens ainda relacionaram os sete
temas principais do Etransport (Excelência no Transporte – Qualidade de
serviço e melhores práticas; Novas
“Acredito demais no
protagonismo dos
jovens nessa área. Na
medida em que o jovem
percebe a importância
disso na vida dele,
acaba cobrando das
autoridades e cobrando
com aquele sentimento
de que vai conseguir, de
que vai dar certo”
Domenico Lorusso, presidente
do Consórcio São Gonçalo de
Transportes
fontes de recursos para o transporte
no país; Tecnologia para o transporte;
Modelos de gestão para a qualidade; Planejando a cidade do futuro;
Mobilidade Corporativa: o impacto
nas cidades e pessoas: a chave para
o sucesso do transporte público) com
aqueles debatidos por eles ao longo
de dois anos de programa (o DJ foi
lançado durante o 15º Etransport, em
2012, e desde então realiza encontros
regulares).“Eles mesmos escolheram
os assuntos e estão formando os
76
conteúdos. O objetivo inicial é refletir
sobre os temas para estruturar como
serão conduzidos o encontro e suas
atividades”, explicou Márcia Vaz, gerente de Responsabilidade Social da
Fetranspor.
Papo Reto
Uma das novidades do DJ para
essa edição do Etransport foi o espaço chamado de Papo Reto: montado
no corredor principal do evento, o espaço contou com a exibição de vídeos
em totens interativos, e foi cenário de
entrevistas com especialistas sobre
mobilidade e sustentabilidade. “Acredito demais no protagonismo dos jovens nessa área. Na medida em que
o jovem percebe a importância disso
na vida dele, acaba cobrando das
autoridades e cobrando com aquele
sentimento de que vai conseguir, de
que vai dar certo”, disse Domenico
Lorusso, presidente do Consórcio São
Gonçalo de Transportes.
Outros especialistas, como Tatiana
Carius, secretária de Transportes do
Estado do Rio de Janeiro, e Valeska
Pinto, consultora da ANTP, foram questionados quanto ao protagonismo dos
jovens na construção da mobilidade
inteligente e às perspectivas para o
futuro da mobilidade urbana diante
da gestão da política atual. Os entrevistados se mostraram dispostos a
contribuir na construção desse diálogo. Valeska enfatizou que acredita na
iniciativa dos jovens em quaisquer circunstâncias e orientou-os a serem ativos e não imediatistas. “Ser protagonista é formular respostas à altura dos
desafios em que vocês se colocam”,
disse. Já a secretária abordou temas
ligados à economia, à importância do
Bilhete Único como medida social e de
empregabilidade, aos investimentos
Jovens opinam
na estrutura dos trens da SuperVia,
à integração entre diferentes modais
do transporte público e à expansão
DIÁLOGO JOVEM SOBRE MOBILIDADE
da malha ferroviária subterrânea – a
linha 4 do metrô, que vai ligar a Zona
Sul à Barra da Tijuca. Os vídeos produzidos pelos jovens, contendo trechos
das entrevistas, estão disponíveis no
canal do DJ no YouTube.
Roda de Diálogo
Outra parte importante da programação do DJ no evento foi a Roda
de Diálogo, na qual foram reunidos,
na mesma sala, os jovens do programa, representantes das empresas
do setor de transportes, autoridades
governamentais da área, busólogos
e usuários do transporte público.
Também esteve presente o jornalista Edimilson Ávila, especialista em
transportes da TV Globo. Ao centro
da roda, os participantes da dinâmica
se revezavam, e os jovens puderam
apresentar suas demandas para a
mobilidade, além de dar sugestões
a serem implantadas nas empresas
e para a melhoria da qualidade de
vida da população. Os convidados
aprovaram a iniciativa: “O objetivo é
trazer uma questão que é maior que
a responsabilidade de cada um desse
O jornalista Edimilson Ávila participou da Roda de Diálogo
setor – a conversa sobre que mobilidade queremos ter nos próximos
anos”, explicou Tatiana Antunes, do
Instituto JCA.
O objetivo principal, ao fim de
toda a programação do DJ, foi a
produção de uma Carta de Princí-
“O objetivo é trazer uma
questão que é maior
que a responsabilidade
de cada um desse setor
– a conversa sobre que
mobilidade queremos
ter nos próximos anos”
Tatiana Antunes, do Instituto JCA
Roda de Diálogo, uma das atrações do Diálogo Jovem no Etransport
pios, para ser entregue aos empresários do sistema na cerimônia de
encerramento do evento. Três representantes do DJ leram a carta.
“Não adianta pensar apenas que o
jovem é o futuro, pois a situação
da mobilidade urbana no Rio de Janeiro precisa ser mudada agora”,
enfatizou Cristian, um dos jovens
do programa. Além disso, também
foi apresentado o primeiro vídeo
produzido por eles nessa edição do
evento.
O saldo final do Congresso, para
os jovens participantes, foi certamente muito positivo, e eles esperam ver as empresas do sistema
colocando suas contribuições em
prática. “O Diálogo Jovem, embora
seja um projeto novo, tem avançado muito, e o reconhecimento está
vindo. Foram muitas experiências,
muita gente nova envolvida, muita
troca, muita informação chegando,
muitas ideias, e nós, como jovens
intermediando tudo isso, demonstramos total entrega no que estamos fazendo”, disse Robson, participante do DJ e universitário da
área de gestão de logística.
77
VISITAS TÉCNICAS
Congressistas conheceram BRT, Lourdes e COR
No primeiro dia do Etransport,
os congressistas tiveram a oportunidade de participar de visitas técnicas guiadas aos BRTs Transoeste e
Transcarioca e seu Centro de Controle Operacional; à Viação Nossa
Senhora de Lourdes, empresa vencedora do Prêmio ANTP de Qualidade, e ao Centro de Operações Rio,
da prefeitura carioca, um dos projetos que garantiu ao Rio de Janeiro
a conquista do prêmio internacional
World Smart City 2013, recebido em
Barcelona em novembro do ano
passado.
Na visita aos BRTs, os participantes conheceram as estações com
pagamento antecipado e informação
ao usuário, os ônibus articulados trafegando em corredores segregados
e o CCO, que utuliza alta tecnologia
para monitorar os ônibus, estações e
vias, fazendo o controle do apoio viário e a coordenação de segurança dos
dois corredores.
Na Lourdes, empresa que opera
11 linhas no Rio de Janeiro, contando com mais de 800 funcionários e
cerca de 200 ônibus em sua frota,
a visita mostrou os diversos setores que fazem a operação diária
do serviço, desde o planejamento e
controle até o departamento de manutenção, bem como o posto de ins-
peção, abastecimento e lavagem.
Inaugurado no final de 2010, o
COR-Rio atua como uma espécie
de quartel-general da prefeitura do
Rio de Janeiro, integrando cerca de
30 órgãos municipais e concessionárias, com o objetivo de monitorar e otimizar o funcionamento da
cidade, além de antecipar soluções
e minimizar ocorrências. Ali, os serviços de transportes públicos da
cidade são monitorados em tempo
integral. Os visitantes puderam ver
de perto como as informações da cidade são recebidas, tratadas e geradas por 300 monitores, espalhados
em 100 salas do COR.
Fotos: Arthur Moura
Visita técnica ao Centro de Operações do BRT
Visita técnica dos participantes da UITP Bus Conference
78
Fotos: Bianca Pimenta
Visita técnica à Viação Nossa Senhora de Lourdes
Fotos: Jorge Santos
VisitaTécnica ao BRT
79
SINDICATOS
Fotos: Erica Barbosa e Bianca Pimenta
Rio Ônibus lança livro infantil sobre
o BRT Transcarioca
O Rio Ônibus lançou, no dia 6 de
novembro, no Riocentro, o livro “O
Super Ônibus e seus amiguinhos –
Conhecendo os novos caminhos do
Rio no BRT Transcarioca”. Participaram do evento mais de 40 crianças,
estudantes do ensino fundamental,
no CIEP Presidente Agostinho Neto.
À esquerda, a ilustradora
Clara Maia e o autor
Waldemar Freitas Jr.
80
Eles receberam o livro, assistiram à “contação” da história, feita pelo autor, o professor
Waldemar Freitas Jr., e brincaram de colorir os desenhos de
Clara Maia, que ilustram a publicação. O livro também inclui
o “Jogo da Mobilidade”, que
utiliza o percurso do BRT da
Transcarioca como tabuleiro.
Após a oficina, as crianças
fizeram uma visita guiada ao
estande da Mercedes-Benz e
ao Superarticulado (chassi Mercedes e carroceria Marcopolo),
exposto na 10ª Fetransrio.
Setransduc lança Cadernos de Boas Práticas
Durante o Etransport, no estande
de instituições da Fetranspor e sindicatos filiados, o Setransduc lançou
a Coleção de Cadernos de Boas
Práticas, consolidação do trabalho
do Projeto Trânsito & Vida, que tem
como objetivo levar conhecimento
sobre educação no trânsito para
estudantes de nível fundamental
e médio e para profissionais das
empresas associadas ao Sindicato.
Foram produzidos 500 exemplares para serem distribuídos durante
o Congresso. A previsão é de que, em
2015, sejam confeccionados um número ainda maior para distribuição
nas empresas e escolas, com o objetivo de disseminar os conhecimentos
do Projeto Trânsito & Vida através de
oficinas de multiplicadores.
A ação do Trânsito & Vida consiste em um programa de cinco
módulos, focando áreas comporta-
mentais, conhecimento em história
do transporte, conhecimento legal,
trânsito, transporte e saúde, além
do conhecimento didático e sua
aplicabilidade pedagógica, através
da elaboração e viabilização de subprojetos direcionados a minimizar
riscos e preservar vidas.
Criado pelo Setransduc há mais
de 17 anos, o Projeto Trânsito & Vida
já beneficiou cerca de 50 mil alunos
de escolas da região de Duque de
Caxias e Magé. Essa é a contribuição do Setransduc para a “Década
Mundial de Ações para a Redução de
Mortalidades no Trânsito”.
TransÔnibus divulga seu Centro de Serviços
O TransÔnibus divulgou, durante o Etransport, seu Centro de
Serviços, que é organizado em três
diferentes processos – Desenvolvimento Humano e Organizacional,
Administrativo e Financeiro, e
Gestão da Mobilidade e Sustentabilidade.
No estante institucional, foram
distribuídos folders sobre a iniciativa do Sindicato, traçada a partir
do planejamento estratégico, que
estruturou seus processos em
centros de serviço para atender às
demandas das empresas associadas nessas três áreas de atuação
Esse posicionamento do TransÔnibus parte do entendimento de que a
essência de sua atividade é oferecer
suporte às associadas. A proposta
está alinhada à visão do Sindicato
para 2018, de ser um centro de apoio
em soluções de mobilidade.
Os principais produtos resultantes do Centro de Serviços são
os Encontros de Mobilidade
e o Plano de Cargos e Remunerações.
81
COMUNICAÇÃO
NTU lança campanha sobre o transporte público
O segundo dia do 16° Etransport, além da série de painéis e da
abertura da Conferência Mundial
de Ônibus, trouxe outra novidade.
Trata-se da campanha que a Associação Nacional das Empresas de
Transportes Urbanos (NTU) lançou
com o objetivo de esclarecer a sociedade sobre o setor. Intitulada
“Como funciona o transporte público?”, a campanha aborda temas
importantes em uma série de cinco
vídeos, além de cartazes e folders
para as entidades de transporte urbano do País.
Segundo o presidente da NTU,
Otavio Vieira da Cunha, a campanha visa a dar mais conhecimento
à população sobre aspectos relacionados ao transporte público,
bem como apresentar as responsabilidades tanto dos operadores
quanto das autoridades. “A população cobra o setor, mas, de fato, a
especificação de viagens, o tipo de
ônibus e a programação da operação são definidos pelo poder público. A população não tem esse nível
de informação”, analisou.
Temas tratados
Entre os assuntos abordados,
as responsabilidades de cada ente
do setor, assim como a composição
de custos do segmento, as tarifas,
além de investimentos e a elevação
da qualidade do serviço oferecido.
“Nas manifestações, cobrava-se
melhor qualidade do transporte.
Para isso, é preciso dar prioridade
ao transporte na via. Hoje o ônibus
disputa o espaço público com o automóvel, e 70% do espaço urbano
82
são ocupados pelo carro particular,
que transporta apenas 30% da população”, afirma Cunha.
O executivo credita à priorização, com novos investimentos não
somente em grandes projetos de
mobilidade, mas também na requalificação do sistema convencional
de transporte, como sendo chave
para a melhoria nos deslocamentos. “Já entregamos uma proposta ao governo federal no âmbito
do conselho das cidades, na qual
mostramos que com R$ 5 bilhões é
possível construir 4 mil quilômetros
de faixas seletivas em um ano. Ou
seja, com 10% dos recursos do PAC
da mobilidade seria possível melhorar o serviço e dar uma resposta
à população em curto prazo”.
Custo e tarifa
Sobre os custos do setor e o
impacto nas tarifas, a NTU defende que o modelo de financiamento
deveria ser semelhante ao existente em países da Europa. Para isso,
deve haver um pacto federativo
para continuação das desonerações, de modo a diminuir o valor
da tarifa para o usuário. “É preciso
que seja feita a revisão das gratuidades. Hoje 19% dos usuários
não pagam passagem ou têm algum tipo de incentivo. Esse custo
está rateado entre os passageiros
pagantes, onerando a quem paga.
Em países da Europa e nos Estados
Unidos, o usuário paga 50% do
serviço, e o restante é financiado
por toda a sociedade por meio de
impostos”.
Além dos vídeos, a Associação
produziu peças publicitárias, com
infográficos e textos, que serão
veiculadas, principalmente, nas mídias sociais, como Facebook, Twitter e YouTube. Dois mil cartazes serão afixados nos ônibus do Rio de
Janeiro. O conteúdo da campanha
está disponível no site www.transportepublico.org.br. Os vídeos poderão ser acessados no canal NTU
Brasil no YouTube.
PRÊMIO ALBERTO MOREIRA
Fotos: Arthur Moura
Fetranspor elege os 18 melhores rodoviários
do Estado do Rio de Janeiro
Integrantes da mesa, de pé, ao som do Hino Nacional
A emoção tomou conta do Pavilhão 2, do Riocentro, na noite
de quarta-feira, 6 de novembro,
durante o 16º Etransport. Dezoito
rodoviários conquistaram os primeiros lugares no Prêmio Alberto
Moreira, que destaca os melhores
rodoviários do Estado do Rio de
Janeiro, nas categorias: Motorista,
Cobrador, Operacional, Manutenção, Administração e Liderança.
Ao abrir a cerimônia de premiação, o presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, ressaltou o papel dos rodoviários na mobilidade
urbana. “Vocês estão conduzindo
a população do Estado do Rio. Nos
representam junto à população.
Vocês viabilizam a mobilidade de
todos, conduzem vidas. Todos são
transportados por vocês. Não haverá direito de ir e vir assegurado
sem o trabalho de vocês”, disse.
Ao falar diretamente com os finalistas presentes ao evento, Lélis
“Fazemos parte de uma
grande família, que os
escolheu porque vocês
são os melhores da sua
categoria, indicados
por suas empresas, por
seus sindicatos, para
esse reconhecimento
a toda a categoria de
rodoviários.
Parabéns a todos que
fazem parte disso”
Lélis Teixeira, presidente da
Fetranspor
estendeu o reconhecimento a todos os rodoviários do Estado. “Fazemos parte de uma grande família, que os escolheu porque vocês
são os melhores da sua categoria,
indicados por suas empresas, por
seus sindicatos, para esse reconhecimento a toda a categoria de
rodoviários. Parabéns a todos que
fazem parte disso”, declarou.
317 participantes e 198
finalistas
O Prêmio Alberto Moreira, criado
em 1997, é realizado pela Fetranspor a cada dois anos. A escolha dos
vencedores se dá em três etapas: a
primeira é a indicação, por parte das
empresas, dos profissionais de seus
quadros que mais se destacaram
nos últimos dois anos, nas categorias
83
PRÊMIO ALBERTO MOREIRA
citadas. Em seguida, os sindicatos
filiados à Federação selecionam os
finalistas em cada categoria, entre
os indicados pelas empresas. A última etapa é a avaliação da banca de
jurados, a partir de critérios preestabelecidos, e a premiação dos três
primeiros lugares nas seis categorias.
O processo seletivo de 2014
contou com a participação de
nove sindicatos, 61 empresas,
317 participantes, sendo 198 finalistas. Os 18 vencedores receberam o troféu Alberto Moreira e
um prêmio em dinheiro: R$ 5 mil
para os primeiros colocados, R$
3 mil para os segundos lugares e
R$ 1,5 mil para os terceiros.
Estiveram presentes ao evento: o
presidente do Conselho da Fetranspor, José Carlos Lavouras; a diretora da Universidade Corporativa do
Transporte, Ana Rosa Bonilauri, entre
outras personalidades do setor.
Motorista
1
2
3
Antonio Mazi Domingues – Alpha
Mauro Antonio de Souza – Viação Cidade do Aço
Francisco José Nogueira dos Santos – Auto Viação 1001
2
3
Cobrador
1
2
3
Ronaldo Silva dos Santos – Transportadora Tinguá
Jorge da Paula – Transportes Futuro
José Carlos Pacheco – Evanil Transportes e Turismo
1
2
3
2
3
Operacional
1
2
3
Francisco Miguel R. dos S. Paranhos – Turismo Três Amigos
Antonio Carlos de Souza – Viação Cidade do Aço
Itamar José de Sena – Auto Viação Jurema
1
84
premiados
1
PRÊMIO ALBERTO MOREIRA
Administrativo
1
2
3
Norma Sacchi de Souza – Viação Cidade do Aço
Lucineide Soares da Silva – Empresa de Transportes Flores
Robson José Salustriano da Silva – Evanil Transportes e Turismo
2
3
2
3
2
3
Manutenção
1
2
3
Adriano Basílio Marques – Viação Cidade do Aço
José Raimundo da Silva Filho – TREL
Evandro Leite Guimarães – Viação Petro Ita
1
premiados
1
Liderança
1
2
3
Carla Solange de Aleida Mendes – Viação Mauá
Fabrício Ribeiro Longo – Auto Viação 1001
Mauro Nascimento dos Santos – Viação Pendotiba
1
85
6ª BIENAL DE MARKETING DA ANTP
A Bienal de Marketing da ANTP,
em sua 6ª edição, entregou, durante
a manhã e a tarde do dia 6, os prêmios para os trabalhos que se destacaram nas categorias Promoção,
Fortalecimento Institucional, Produto, Endomarketing, Relacionamento
e Responsabilidade Socioambiental.
A grande novidade do evento, porém, foi o anúncio de início de diálogo com a UITP quanto à possibilidade de se estender a bienal para
toda a América Latina.
Durante o evento, a coordenadora Valeska Peres Pinto lembrou que
a Bienal nasceu há 12 anos, quando
o setor começava a sentir a necessidade de passar a tratar o usuário
como cliente, e informou que a Divisão América Latina da UITP (União
Internacional do Transporte Público) acolheu a ideia de se analisar,
em conjunto, a possível ampliação
dessa experiência brasileira para os
países de sua abrangência.
Valeska Peres Pinto
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Fotos: Jorge Santos
ANTP premia 17 trabalhos
e anuncia possibilidade de ampliar
abrangência da Bienal
Paulo Fraga, diretor de Marketing e Comunicação da Fetranspor,fala sobre a importância
da premiação
A iniciativa da ANTP, que parece
prestes a se tornar internacional, é
responsabilidade da Comissão Técnica
de Marketing da entidade, e foi criada
com o objetivo de reconhecer experiências que contribuam para a melhoria
da mobilidade urbana, incentivando o
uso intensivo do transporte público e
a gestão de um trânsito mais seguro.
Abertura com case europeu
A sessão de abertura do Seminário Nacional de Premiação da Bienal
ANTP de Marketing contou com a
participação do presidente da entidade, Ailton Brasiliense; do diretor
de Marketing e Comunicação da
Fetranspor, Paulo Fraga; do diretor
da OTM Editora, Marcelo Fontana;
da coordenadora da Bienal, Valeska
Peres Pinto; e do diretor de Desenvolvimento, Inovação e Tecnologia
da Organização dos Transportadores
de Lisboa e Região (Otlis), Miguel
Brito da Silva, que proferiu a palestra
“O serviço Viva Parking suportado
pelo Portal Viva e cartão bancário –
um serviço inovador e eficiente, do
transporte para o multisserviço”,
case premiado na Europa.
As várias sessões do Seminário
foram conduzidas por Valeska Peres
Pinto, que destacou a relevância do
marketing para o setor de transportes, especialmente neste momento,
em que é importante esclarecer a
população sobre os custos do transporte, sua relação com a qualidade
do serviço e o valor da tarifa. Cada
sessão contou com um coordenador, e foram entregues certificados
de participação, anunciadas as
menções honrosas e aclamados os
17 trabalhos vencedores.
Presenças importantes
Coordenaram as sessões as seguintes personalidades: Paulo Fraga, diretor de Marketing e Comunicação da Fetranspor (Promoção);
César Cavalcanti de Oliveira, diretor
da ANTP-PE e membro da banca de
Foram ganhadores da Bienal em 2014
ORGANIZAÇÃO
CASE
Categoria Promoção
CBTU – BH
Embarq Brasil
PromobomAutopass
1º Festival Internacional de Fotografia
The CityFix Brasil – Promovendo a mobilidade urbana sustentável
Aceitação do cartão BOM nas estações do metrô e da CPTM – São Paulo
Categoria Fortalecimento Institucional
Fetranspor
SPUrbanuss
Transportes Itamaracá
Diálogo Jovem sobre Mobilidade Urbana
Ônibus queimado não leva a lugar nenhum
Projeto Amigo Moto
Categoria Produto
Cittati
PromobomAutopass
ITDP
Projeto Completo de Mobilidade
Promobom Autopass
Planejamento urbano no entorno da Estação do BRT Transbrasil em Bonsucesso
Categoria Endomarketing
Empresa de Transportes Flores
Fetranspor
CBTU-BH
Academia JAL – Qualidade de vida e saúde para todos
Indo & Vindo – a Revista do Rodoviário
Circuito CBTU Cidadã na campanha contra a hepatite C
Categoria Relacionamento
Metrô SP
Metrô SP
Fetranspor
Ações de relacionamento inclusivas: experiências do Metrô de São Paulo
A estratégia de comunicação do Metrô de São Paulo na Copa
Central de Relacionamento com o Cliente – CRC: novas plataformas
Categoria Responsabilidade Socioambiental
Fetranspor
Metra
juízes (Fortalecimento Institucional); Rodrigo Magalhães, da DeBrito Propaganda – BH e membro da
banca de juízes (Produto); Lula Vieira, publicitário, jornalista e membro
da banca de juízes (Endomarketing);
Cláudio de Senna Frederico, diretor
do instituto Idestra e membro da
banca de juízes (Relacionamento);
e Valeska Peres Pinto (Responsabilidade Socioambiental).
Durante a sessão de encerramento, a Companhia Paulista
de Trens Metropolitanos (CPTM)
e a Associação Criciumense de
Transporte Urbano (ACTU) foram
destacadas, com certificados de
Menção Honrosa, pelo conjunto
de seus trabalhos.
Mobilidade Sonora
Projeto de Sustentabilidade e Inclusão Social
As premiações da
Fetranspor e da Flores
Revista “Indo & Vindo” – A publicação “Indo & Vindo – A Revista do
Rodoviário” venceu na categoria Endomarketing. A revista é o canal mais
importante na comunicação da Fetranspor com os profissionais rodoviários de todo o Estado do Rio de Janeiro.
Em sua apresentação, a editora
das publicações da Fetranspor, Tânia
Mara Gouveia, ressaltou que a publicação é a realização de um antigo sonho da Federação de atingir todos os
profissionais do sistema, levando informação e cultura geral, mas, sobretudo,
investindo na valorização dos rodoviários no nível profissional e pessoal.
“Estou emocionada de receber este
prêmio que vem coroar um trabalho
feito para valorizar estes profissionais.
A revista tem o foco no rodoviário, e é
através das histórias de vida e da sua
trajetória profissional que buscamos
inspirar os demais colaboradores do
setor e aumentar o orgulho de exercer
esta profissão importante para o dia a
dia da sociedade”, ressaltou.
Diálogo Jovem – O projeto Diálogo Jovem sobre Mobilidade, iniciativa
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6ª BIENAL DE MARKETING DA ANTP
Academia JAL – A Empresa de
Transportes Flores foi uma das vencedoras da categoria Endomarketing, com
o case “Academia JAL, Qualidade de
Vida e Saúde para Todos”. A Academia
JAL é um centro de ginástica completo,
instalado dentro da garagem da Flores,
para ser utilizado pelos colaboradores.
Equipe do Diálogo Jovem recebendo o prêmio
da área de Responsabilidade Social da
Fetranspor, venceu na categoria Fortalecimento Institucional. O case do
DJ destaca a missão do projeto, que
é “capacitar e empoderar os jovens
como protagonistas na construção de
novos diálogos e olhares, para assim
contribuírem para a evolução da mobilidade no Estado do Rio de Janeiro”.
Márcia Vaz falou sobre o Mobilidade Sonora e o
Diálogo Jovem
O Diálogo Jovem foi lançado em
2012, durante o 15º Etransport, e reúne jovens colaboradores das empresas
de ônibus do Estado do Rio de Janeiro,
estudantes de instituições públicas e
busólogos, entre 13 e 26 anos.
Mobilidade Sonora – O Programa Mobilidade Sonora, também da
Teresa Roza apresentou o case da CRC
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área de Responsabilidade Social da
Fetranspor, foi mais um agraciado na
categoria Fortalecimento Institucional. O Mobilidade Sonora é um projeto sociocultural que tem por objetivo
mobilizar plateias, contribuir para a
formação de jovens profissionais, preservar a memória da música brasileira
e internacional, através de incentivos
que possibilitem o surgimento de novos talentos. O projeto está em sua
quarta edição e já levou 600 mil pessoas para suas apresentações.
CRC – A Central de Relacionamento com o Cliente (CRC) da
Fetranspor venceu na categoria
Relacionamento, com o case CRC:
Novas Plataformas.
De acordo com a gerente da Área
Digital da Fetranspor e responsável
pela CRC, Aline Freire, a introdução
de mensagens de texto (SMS), entre
as ferramentas de comunicação do
cliente com as empresas de ônibus
do Estado do Rio, possibilitando-o
registrar sua reclamação, sugestão,
elogio ou pedir informação através
de smartphones, mesmo durante
suas viagens ou nos pontos finais, foi
determinante para essa conquista.
A coordenadora da CRC, Teresa
Roza, representou a Federação ao receber o Prêmio, e apresentou o case destacando os resultados positivos alcançados pela CRC nos últimos dois anos.
Tânia Mara defendeu o case da Indo & Vindo
Resultados, como redução de massa magra e massa gorda, de perimetria abdominal, de peso, entre outros,
foram fundamentais para mostrar a
importância da iniciativa dentro da
organização. Ao lado da Academia JAL
funciona ainda um setor de fisioterapia
e um centro médico. Os colaboradores
matriculados passam por avaliação física a cada três meses.
Cristina Gullo, da Flores, falou sobre a
Academia JAL
Segundo o gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da
Flores, Marcos Antônio Pereira Guimarães, “foi um grande orgulho receber
esse prêmio, já que nosso negócio é o
transporte de pessoas e não a administração de uma academia de ginástica.
Tivemos que nos empenhar e aprender
para poder fazer bem feito”.
SOLENIDADE DE ENCERRAMENTO
Fotos: Guilherme Costa
Lélis Teixeira destaca contribuição do setor para a
mobilidade urbana
O economista Carlos Langoni falou sobre o cenário político-econômico do Brasil
Durante a cerimônia de encerra- se vai fazer opção por uma decisão
mento do 16º Etransport, da 10ª Fe- macroeconômica ou por políticas
transRio e da 8ª Conferência Inter- pouco convencionais, adotadas annacional de Ônibus, o economista e tes”, afirmou.
ex-presidente do Banco Central,
“O primeiro passo desse
Carlos Geraldo Langoni, apregoverno deverá ser
sentou um panorama do cenário
restabelecer a confiança
político-econômico brasileiro atuda sociedade. Em seguida,
al, explicando a fase de transição
é preciso voltar a crescer,
pela qual o país passa e revelando
ainda que de forma suave.
suas expectativas para o futuro.
De acordo com o economista, o Se o governo não fizer nada
estará caminhando para o
Brasil vive hoje um processo de reprecipício”
lativa estagnação associada a uma
Carlos
Geraldo Langoni,
inflação elevada, e o problema se
ex-presidente do Banco Central
agrava, pois o tempo para reagir e
reduzir vulnerabilidades é menor,
dado a situação externa, que é preocupante. “De 2009 a 2013, o Brasil Visão otimista
Para Langoni, o principal objeparecia que ia decolar. 2013 foi marcado por uma onda de incertezas. tivo para 2015 deve ser superar os
E a reeleição da presidente Dilma números de 2014, principalmencoloca o governo em um momento te o PIB e o IPCA. Outros ajustes
interessante. É claro que é necessá- prioritários que precisam ser feitos,
rio fazer muitos ajustes. A questão é na sua opinião, são a reforma fis-
cal, a simplificação da cobrança de
impostos e a redução dos gastos
públicos, apesar do compromisso
de manter os programas sociais.
“O primeiro passo desse governo deverá ser restabelecer a
confiança da sociedade. Em seguida, é preciso voltar a crescer,
ainda que de forma suave. Se o
governo não fizer nada estará
caminhando para o precipício.
E ninguém deseja isso. O Brasil
vive uma crise hoje, mas perfeitamente saneável. Se o ajuste for
feito de forma profunda e com
qualidade, a tendência é a economia acelerar”, ressaltou.
O economista enxerga com
otimismo o futuro do Brasil. “Acredito que o Brasil vá sair da estagnação. O País precisa enfrentar seus
desafios, corrigir seus desequilíbrios
e preservar a grande conquista social dos últimos anos, com queda do
nível de pobreza, aumento da for-
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SOLENIDADE DE ENCERRAMENTO
“A Fetranspor e seus
sindicatos filiados se
colocam à altura do
desafio de contribuir para
a evolução do transporte
coletivo em nosso Estado”
Lélis Teixeira, presidente da
Fetranspor
malidade do mercado de trabalho,
entre outros”, concluiu.
do mundo. Sobre o tema central do
evento, Mobilidade Urbana, Lélis
Teixeira declarou que o Etransport
enfocou dois assuntos principais:
como planejar o futuro das cidades
e dos transportes coletivos, e como
melhorar a operação e os sistemas
de BRT.
Para Lélis Teixeira, com o 16º
Etransport, a Fetranspor cumpriu
mais uma etapa da “luta e conscientização” em defesa da mobilidade urbana com qualidade. “É
isso que nos move, e a Fetranspor
e seus sindicatos filiados se colocam à altura do desafio de contribuir para a evolução do transporte
coletivo em nosso Estado”, frisou.
Afirmou ainda que a Federação e
os sindicatos continuarão atentos,
propondo novos projetos, ações e
propostas, a fim de que o Estado do
Rio de Janeiro possa ser referência
no transporte. Acrescentou também
que o legado da Fetranspor será
conduzir o desenvolvimento urbano, elevando os padrões de qualidade da mobilidade no Estado do
Rio de Janeiro.
O presidente da 8ª Conferência
Internacional de Ônibus da UITP,
Thierry Wagenknecht, parabenizou
a Fetranspor pela organização do
evento e definiu a conferência da
instituição como um verdadeiro sucesso. Wagenknecht fez um apelo
à plateia para que as futuras gerações continuem investindo em ônibus, que considera um sistema de
transporte bastante versátil.
A cerimônia de encerramento
do 16º Etransport contou também
com a presença do presidente do
Conselho de Administração da Fetranspor, José Carlos Reis Lavouras;
do subsecretário de Transportes do
Município do Rio de Janeiro, Hélio
Faria; do presidente do Conselho
de Administração da NTU, Eurico
Divon Galhardi; do presidente do
Setransol, Francisco José Gavinho,
representando os sindicatos filiados
à Federação, e do representante da
Abrati, Amaury de Andrade.
Presença do DJ
Referência no transporte
O presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, por sua vez, destacou o
alto nível das palestras que aconteceram durante o Etransport, com
professores vindos do Canadá, Estados Unidos, França, China, Chile,
México, Inglaterra, entre outros países, além de autoridades, técnicos e
empresários de todo o Brasil, e a realização simultânea da 8ª Conferência Internacional de Ônibus da UITP,
mais importante palco de discussão
do sistema de transporte por ônibus
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Ainda na solenidade de encerramento do Etransport, os integrantes
do Diálogo Jovem sobre Mobilidade
apresentaram um vídeo que produziram durante o evento, com depoimentos dos participantes sobre
transporte, inclusive os resultados das
discussões dos três dias de encontro.
“O jovem não é o futuro da mobilidade, pois temos que fazer essa mudança agora” foi uma das mensagens
lidas pelos jovens para a plateia que
acompanhava a solenidade de encerramento do Etransport.
“O jovem não é o futuro da
mobilidade, pois temos que
fazer essa mudança agora”
Jovens do DJ

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