MEDIUNIDADE e DOUTRINA

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MEDIUNIDADE e DOUTRINA
CARLOS A. BACCELLI
MEDIUNIDADE e
DOUTRINA
Odilon Fernandes (Espírito)
INSTITUTO DE DIFUSÃO ESPÍRITA
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ÍNDICE
Mediunidade e Doutrina - Emmanuel
Mediunidade e Nós - Odilon Fernandes
I - Mediunidade
II
- Estudo
III - Fé raciocinada
IV - Espiritismo aplicado
V - Evolução
VI - Mediunidade inconsciente
VII - Incredulidade
VIII - O crivo da razão
IX - A finalidade da comunicação
X - Sintonia
XI - Espíritos e médiuns
XII - Proselitismo
XIII - Todos somos médiuns
XIV - Vozes dos Espíritos
XV - O grupo mediúnico
XVI - O médium como instrumento
XVII - Aptidão mediúnica
XVIII
- Os médiuns principiantes
XIX - Psicografia
XX - Mediunidade e missão
Dr. Odilon Fernandes
MEDIUNIDADE E DOUTRINA
Leitor amigo,
A mediunidade, desde o século passado, tem sido perquirição e tema para
eminentes cientistas e escritores.
Estudada, aprovada, combatida, escalpelada, incompreendida, caluniada,
acolhida, rechaçada, defendida, maltratada, abençoada ou esclarecida por dignas
autoridades científicas e filosóficas, desde Allan Kardec que a descortinou na
condição de qualidade inerente à constituição de todas as criaturas, tem sido a via
de comunicação entre o Plano Físico e o Mundo Espiritual, já que existe nas
sendas humanas, desde tempos imemoriais, de maneira primitiva ou
descontrolada, apresenta neste livro a face real que lhe compõe as características.
Odilon Fernandes, o legítimo expositor das realidades espirituais, valendo-se das
faculdades mediúnicas do companheiro Carlos Antônio Baccelli, enfileira nestas
páginas ensinamentos e informações corretos e completos, sobre essa oficina de
conhecimento e paz, esclarecimento e luz, que vem estabelecer um novo clima
para a mediunidade e para os médiuns de todos os graus e procedências,
traçando-lhes o caminho ideal, pavimentado no Evangelho de Jesus, para quantos
se dispõem caminhar na estrada do serviço ao Bem, entre os Espíritos
encarnados, que se dedicam ao ideal da Imortalidade para a sustentação e
elevação das criaturas humanas.
Estudemos juntos, leitor amigo, este volume que nos expõe a verdade sobre as
lides e realizações mediúnicas, tais quais são, e estaremos buscando a frente, sem
as soberbas ilusões do cientificismo, não só palmilhando as veredas de nosso
aperfeiçoamento íntimo, mas também integrando-nos, cada vez mais nos
ensinamentos de Jesus e nos desígnios de Deus.
Emmanuel
Uberaba, 20 de novembro de 1989.
(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier)
MEDIUNIDADE E NÓS
Apresentando estas páginas aos nossos amigos, não tenho outra intenção que não
seja a de estudarmos juntos os variados temas da mediunidade.
Quando encarnado, militando na seara espírita, a mediunidade sempre mereceume observações continuadas e, desde muito, alimentava o propósito de alinhavar
algumas notas em torno do assunto, a título de colaboração despretensiosa.
Durante anos, participei das inesquecíveis reuniões mediúnicas da "Casa do
Cinza", em Uberaba, Minas Gerais, e tive oportunidade de contatar com
inúmeros médiuns, quase todos eles em tremenda luta consigo mesmos para
perseverarem na tarefa encetada.
Muitos me procuravam, atormentados por suas dúvidas; então, de imediato os
convidava ao estudo de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec; aí, ouvia-os
responder-me que o tempo se lhes fazia escasso...
Quantos passaram pela "Casa do Cinza" em busca de orientação, eu não saberia
dizer... Sei apenas que vi muitas mediunidades e médiuns promissores perderemse no vazio das horas inúteis.
Quando a desencarnação chegou, trouxe comigo para a Nova Vida o anseio de,
quando possível, através de um médium amigo, fazer como Espírito o que não
pudera fazer como homem comum, ou seja, condensar num pequeno volume
algumas considerações práticas, especialmente dedicadas aos médiuns iniciantes.
E é justamente por isto que aqui estou, ao mesmo tempo rogando desculpas aos
confrades, se não consegui expressar melhor os meus pensamentos.
Talvez as minhas palavras se choquem com as opiniões de muitos; todavia, não
compareço aqui como o dono da verdade e sou o primeiro a reconhecer as
limitações deste trabalho.
Que outros companheiros venham a campo para o diálogo que se faz necessário.
O que não podemos é cruzar os braços e silenciar, deixando os nossos irmãos
médiuns ao desamparo e tratando a mediunidade como se fosse um assunto tabu.
Sempre fui e continuo sendo, com a graça de Deus, aberto ao diálogo fraterno a
que, aliás, a própria Doutrina nos incentiva.
A Codificação Kardeciana estruturou-se através de perguntas e respostas, e os
próprios Espíritos Superiores não tiveram a pretensão da última palavra.
Tenho plena consciência de que os companheiros que me conheceram não terão
qualquer dificuldade em identificar-me nestas páginas.
Esforcei-me ao máximo para sintetizar o resultado de meus estudos, os quais
prosseguem na Vida Espiritual, na tentativa de resolver o problema da verdadeira
crise da "falta de tempo" que vem acometendo os homens, mormente neste final
de milênio.
Sei, repito, que as ideias aqui apresentadas são passíveis de desenvolvimento,
mas não desejo ser prolixo e, ao mesmo tempo, sintetizando, convido a todos
para que não me deixem falando, ou melhor, pensando sozinho...
Agradeço ao Senhor pela oportunidade de servir e deixo-lhes o meu abraço
cordial.
Odilon Fernandes
Uberaba, 25 de outubro de 1989.
I- MEDIUNIDADE
"Por que o Espírito livre não poderia se comunicar com o Espírito cativo, como
o homem livre com o que está aprisionado?" (O Livro dos Médiuns - Allan
Kardec - IDE - Primeira Parte -Cap. I)
Com a Codificação Espírita, efetuada por Allan Kardec, a mediunidade passou a
ser mais bem compreendida. Antes, os próprios médiuns não tinham
esclarecimentos sobre o fenómeno em que se observavam envolvidos. Agiam
como meros instrumentos, não raro tornando-se joguetes de Espíritos infelizes.
A partir dos estudos de Kardec, a compreensão da mediunidade tornou-se
possível a todos os homens. Os médiuns passaram a atuar com conhecimento de
causa. As barreiras existentes entre os mundos visível e invisível transformaramse em pontes, interligando os dois planos da vida. Os Espíritos contavam agora
com a parceria consciente dos sensitivos, superando enormes dificuldades no
intercâmbio.
Com esse trabalho conjunto, o Espiritismo pôde expandir-se e houve, por assim
dizer, uma maior integração entre a Terra e o Mundo Espiritual.
Hoje, a mediunidade difundiu-se a tal ponto, que é impossível ao homem de
bom-senso duvidar da sobrevivência da alma após a morte.
Ser médium não é privilégio dos espíritas, de vez que esse sentido psíquico é
inerente a todos e encontramos a mediunidade na base de tudo. A Bíblia é um
repositório de fatos mediúnicos incontestes. Os génios da Humanidade foram,
antes de tudo, grandes medianeiros.
Todavia, a consciência espírita dota o médium de recursos mais amplos para o
trabalho que lhe compete desenvolver para o bem comum. Eis a diferença
fundamental entre um médium espírita e outro que não o seja. O médium espírita
aprende a sintonizar com os Espíritos esclarecidos, evitando a problemática da
obsessão, ao passo que o médium fora do conhecimento espírita atua sem o
discernimento necessário, podendo tornar-se num foco de perturbação, conforme
exemplos inumeráveis que a história registra .
O médium espírita sabe que deve esforçar-se pela renovação íntima, e a
mediunidade lhe é prestimosa auxiliar na senda do progresso espiritual.
O médium espírita sabe, ainda, que a mediunidade se desenvolve a cada dia com
o desenvolvimento do Espírito e, por isso mesmo, procura cultivar a humildade e
a disciplina no clima da oração e do trabalho, do estudo e da vigilância.
Herdeiro da Fé Raciocinada, o médium espírita procura ser fiel à Verdade,
trazendo sempre direcionado para a Luz o espelho dos próprios sentimentos,
através do qual os pensamentos divinos se refletirão em benefício de todos,
iluminando os que se demoram nas sombras do fanatismo e da violência!
A tendência da mediunidade é a de generalizar-se ainda mais, no entanto, a tarefa
de evangelização das almas está apenas começando. Um grande caminho está
para ser percorrido.
Que os médiuns presentemente a serviço na Doutrina Espírita não se distraiam,
deixando-se empolgar pelas novidades parapsicológicas deste final de século,
mas aprendendo, também na mediunidade, a "separar o joio do trigo". Não que
nos posicionemos contra a Parapsicologia, ciência a cujo estudo procurei
igualmente dedicar-me na Terra, mas porque o Espiritismo nos oferece um
campo de trabalho vinculado ao Cristo, que nos recomenda "dar de graça o que
de graça recebemos".
II- ESTUDO
"A explicação dos fatos admitidos pelo Espiritismo, suas causas e suas
consequências morais, constituem toda uma ciência e toda uma filosofia, que
requerem um estudo sério, perseverante e aprofundado." - (O Livro dos Médiuns
-Primeira Parte - Cap. II)
Mediunidade sem estudo pode ser comparável a uma locomotiva correndo fora
dos trilhos.
O primeiro e mais importante dever do médium é, sem dúvida, o de estudar.
Não basta ser médium para deter o conhecimento espírita, assim como não basta
ser espírito liberto da matéria para possuir toda a sabedoria acerca do Mundo
Espiritual. Existem Espíritos tão ou mais ignorantes do que os médiuns dos quais
se servem.
Afora a necessidade de tomar parte nas reuniões de estudos do Centro Espírita a
que esteja vinculado, o médium deve estudar por conta própria, procurando
ampliar os seus conhecimentos, permutando ideias com os companheiros mais
experientes da jornada humana.
Mediunidade é intercâmbio, e o intermediário deve aprimorar-se quanto possível,
para não deturpar a mensagem de que deseje fazer-se o estafeta.
Não raro, o que pertence ao Espírito comunicante são a ideia e a emoção; ao
medianeiro cabe materializá-las através de seus recursos intelectuais.
Quanto mais consciente o médium, maior a sua participação na mensagem e,
consequentemente, maior a sua responsabilidade.
Os médiuns chamados mecânicos, ou inconscientes, são difíceis de encontrar. No
caso deles, os Espíritos têm que, praticamente, fazer todo o trabalho; por isso,
preferem trabalhar com os médiuns que, conscientemente, lhes secundem os
esforços. O exemplo que podemos citar nesse sentido é o do próprio Cristo, que
foi o Médium Consciente de Deus. Ele representa a Mediunidade no que ela tem
de mais sublime. A sua identificação com o Pai era de tal ordem, que disse: "Eu e
o Pai somos um."
Sendo um sentido psíquico, a mediunidade está sujeita à evolução, assim como
os demais sentidos do homem. À medida que evolui, ela caminha para o campo
da intuição pura, que é o seu ápice. Por isso, não vemos motivo para que os
médiuns desejem operar na inconsciência, como se isso lhes fosse garantia contra
o animismo ou problemas semelhantes.
Quando se trata do bem genuíno, não existe animismo e nem tampouco
mistificação, no sentido literal da palavra.
Quando enfatizamos a necessidade de estudo do médium, não estamos nos
referindo apenas ao estudo de caráter doutrinário. Quanto mais o médium se
forma e se informa, maior será a sua colaboração ao Espírito comunicante. Sim,
porque muitos Espíritos precisam do médium, não apenas como uma ponte de
que se servem para atravessar o abismo dimensional que os separa da Terra, mas,
igualmente, para suprir-lhes a falta de recursos intelectuais e a sua total
inabilidade para lidarem com o intercâmbio em si.
Portanto julgamos de bom alvitre que o médium se dispa de seus escrúpulos
excessivos e procure estudar e estudar sempre.
A mente mediúnica assemelha-se a um computador que precisa estar
devidamente programado, para funcionar a contento.
O exercício da mediunidade não se compadece com a ignorância do instrumento.
Aliás, a rigor, não há um só médium que não coloque algo de si mesmo na
mensagem que transmite. Se assim é, que o médium participe positivamente e
não negativamente.
Que o médium seja sincero e bem intencionado e obterá o aval dos Espíritos
Superiores; caso contrário, precipitar-se-á, mais cedo ou mais tarde, na vala
escura do desequilíbrio.
III- FÉ RACIOCINADA
"Os meios de convicção variam extremamente segundo os indivíduos; o que
persuade alguns, não produz nada nos outros; tal é convencido por certas
manifestações materiais, tal outro por comunicações inteligentes, a maioria pelo
raciocínio." (O Livro do Médiuns - Primeira Parte - Cap. III)
Equivocam-se quantos acreditam que o fenômeno possa convencer mais do que o
raciocínio.
O fenómeno é um meio e não um fim em si mesmo.
Os que se convencem pelo fenómeno poderão vir a reconsiderar a própria crença,
ao passo que nada conseguirá abalar a convicção dos que se fundamentam nos
alicerces inamovíveis da razão.
()s fenômenos ditos mediúnicos são de todos os tempos. Manifestações de
Espíritos sempre ocorreram e nunca lograram mais do que convencer
momentaneamente as pessoas. Passado o primeiro entusiasmo, a dúvida volta
com todo o seu rigor.
Por isso o Espiritismo dirige a sua mensagem aqueles que, antes de crer, desejam
compreender.
Embora as manifestações de caráter ostensivo continuem tendo o seu lugar, hoje
vivemos a fase das comunicações inteligentes, mesmo porque, em seu
dinamismo natural, a Doutrina carece de estar acompanhando a marcha do
progresso da Humanidade.
O médium espírita não deve preocupar-se em ser um instrumento de convicção
para quem quer que seja.
A fé é fruto que amadurece na época certa; acontece de dentro para fora e não de
fora para dentro.
Os médiuns que desejam fazer proselitismo acabam prestando um desserviço ao
Espiritismo. No fundo, é preciso que o médium pergunte a si mesmo qual e a sua
verdadeira intenção na mediunidade, porque muitos desejam simplesmente
autopromover-se.
Os médiuns levianos pululam na atualidade e, de certa forma, chegam a
comprometer o trabalho dos médiuns sérios, fornecendo uma imagem distorcida
da Doutrina para aqueles que ainda não possuem o desejável discernimento.
Hoje, infelizmente, há uma preocupação muito grande com a quantidade de
adeptos e não com a qualidade. Mas perguntaríamos: todos os que são atraídos
pelo fenómeno se tornarão espíritas? Todos os que recebem passes ou são
beneficiados, de algum modo, no Centro Espírita de elevada frequência estarão
sendo esclarecidos quanto aos reais objetivos da Terceira Revelação?
Pode-se questionar o fenômeno, e até o próprio médium, o que ocorre até com
certa frequência, mas a grandeza cristalina da filosofia espírita é inquestionável.
Ao longo de mais de um século, médiuns têm sido flagrados na má-fé, no
entanto, o Espiritismo continua a sua trajetória, porque nem mesmo os espíritas
invigilantes conseguem impedir o seu avanço, assim como os adulteradores do
Evangelho não conseguiram obstruir a mensagem cristã!
Que os médiuns cumpram, silenciosamente, o seu dever, recordando-se das
palavras de Paulo, em sua Primeira Carta aos Coríntios: "Eu plantei, Apolo
regou; mas o crescimento veio de Deus."
IV- ESPIRITISMO APLICADO
"Que o homem utilize o Espiritismo para o seu adiantamento moral, é o
essencial; o resto não é senão curiosidade estéril e, frequentemente, orgulhosa,
cuja satisfação não lhe fará dar nenhum passo à frente; o único meio de avançar
é o de tornar-se melhor." - (O Livro dos Médiuns -Primeira Parte - Cap. IV)
A finalidade precípua do Espiritismo é melhorar o homem.
Todos os seus esforços devem concentrar-se neste sentido.
Aquele que deseje desenvolver as suas pontencialidades medianímicas,
canalizando-as para o bem, deve aprimorar-se interiormente, aplicando o
Espiritismo à sua própria vida.
Mediunidade sem Doutrina é uma luz que deslumbra.
Muitos ambicionam incursões pelo mundo da mediunidade, aspirando a
revelações para as quais não se encontram preparados.
A Revelação Espírita é gradativa e acompanha o progresso da Humanidade.
Todavia existem Espíritos que, servindo-se de médiuns invigilantes, intentam
anexar ao corpo doutrinário teorias esdrúxulas e absolutamente pessoais.
Exercendo certo fascínio sobre os instrumentos que controlam, esses Espíritos
pseudo-sábios não integram a Falange do Espírito Verdade e como que desejam
fragmentar opiniões, criando sistemas paralelos e semeando a discórdia entre os
homens.
Espelhemo-nos no que aconteceu com o Cristianismo e busquemos zelar pela
Codificação, imitando o bom-senso do Codificador, o qual cumpriu com
fidelidade a missão que lhe foi confiada diretamente pelo Senhor.
Os espíritas têm, presentemente, material de reflexão para muito tempo.
Considerar ultrapassadas e obsoletas as obras que mal saíram do prelo é, no
mínimo, falta de discernimento. A Verdade será sempre a Verdade, em qualquer
tempo e lugar.
Muitos se têm embrenhado pelos atalhos da curiosidade estéril, comprometendose significativamente.
É preciso ainda que o homem considere o seu próprio carma. Sem que se liberte
do passado, pelas oportunidades do presente, caminhará atabalhoadamente para o
futuro...
Nenhuma construção sólida se ergue em terreno arenoso.
A estrada da evolução deve ser percorrida passo a passo.
Passados vinte séculos, o Evangelho continua sendo a grande "novidade" para o
homem que não lhe vivência os preceitos divinos. Os exemplos dos primitivos
cristãos parecem cada vez mais distantes da civilização atual. Mas a dor se
encarregará de fazer com que o homem retorne às suas origens, compreendendo
que de "nada lhe vale ganhar o mundo e perder a alma"...
O Espiritismo caminha com segurança, porque o Evangelho lhe tutela a marcha.
Que os médiuns combatam o personalismo e não queiram forçar as portas da
revelação espiritual.
Recordemo-nos da palavra do Mestre: "Procurai, pois, primeiramente o reino de
Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo."
O melhoramento moral é tarefa inadiável e intransferível.
À medida do merecimento, receberemos.
Reconhecer as próprias limitações é sabedoria.
Aquele que cogita de desenvolver a mediunidade e servir dentro do esquema
traçado pelo Senhor de nossas vidas deve despojar-se de ambições pessoais e,
qual João Batista, o Precursor da Boa-Nova, repetir de si para consigo mesmo: "E
necessário que Ele cresça e que eu diminua."
V- EVOLUÇÃO
"(...) se negligenciaram as mesas girantes, foi para ocuparem-se das
consequências muito mais importantes em seus resultados: trocaram o alfabeto
pela ciência (...)" - (O Livro dos Médiuns - Segunda Parte - Cap. II)
No princípio, os Espíritos se sujeitaram ao fenômeno das "mesas girantes",
porque se fazia mister chamar a atenção dos homens para a realidade espiritual.
Recordemo-nos de que o Senhor iniciou a sua divina missão no mundo
transformando a água em vinho, nas Bodas de Caná.
Ainda hoje, esporadicamente, ocorrem manifestações físicas, no intuito de
manter acesa a crença de que existe algo além do túmulo, subtraindo a mente
humana das ocupações materiais em que vive excessivamente mergulhada.
De quando em quando, despontam medianeiros realizando - digamos verdadeiros prodígios, no caso das cirurgias psíquicas, com ou sem uso de
instrumentos cortantes, e mobilizando a opinião pública. Esses companheiros,
muitos deles autênticos mártires da mediunidade, trabalham num campo difícil e,
quase sempre, quando não se valem do apoio da Doutrina, terminam os seus dias
em situação lastimável!
Mas compreendemos que a comprovação científica da sobrevivência não é tarefa
específica do Espiritismo. Caberá à ciência materialista proclamar a veracidade
das teses espíritas. Novos Williams Crookes haverão de surgir. Já não vemos, nos
próprios países da "cortina de ferro", médiuns não-espíritas estudados
exaustivamente nos laboratórios, como se fossem autênticas cobaias humanas?
Os médiuns do Espiritismo são chamados a atuar num campo mais elevado, de
vez que lhes cabe, junto aos Espíritos Superiores, prosseguir na obra de
construção do imenso edifício doutrinário.
Em vão, esperar-se-ão nos Centros Espíritas reuniões espetaculares quais as do
século passado, nos salões de Paris.
Se o homem não estiver preparado para receber mais do Alto, ao invés de
beneficiar-se, ele se comprometerá. Aqui, evocamos a imagem forte da palavra
atribuída ao Senhor: "Não atireis pérolas aos porcos..."
Porventura, não se exercitam, na atualidade, os poderes da mente para fins
belicistas?
Se o homem, de uma maneira geral, ainda não crê ser ele mesmo um Espírito,
atribuindo a sua inteligência a "uma espécie de secreção das células do cérebro",
como acreditar que os outros o possuam?
Todo o esforço da Espiritualidade Superior resume-se em orientar o homem para
o autoconhecimento, ensinando-o a crescer interiormente a fim de que ele
encontre dentro de si as verdades que anseia por descobrir.
No Espiritismo, o tempo do Pentecostes já passou... Já não há necessidade de ver
para crer.
Por outro lado, Espíritos preocupados com o atraso moral da Humanidade Espíritos comprometidos com outras faixas do pensamento religioso - têm-se
feito manifestar, ostensivamente, neste final de milênio, valendo-se da
mediunidade latente dos profitentes das religiões de massa, numa tentativa de
arrancá-los do marasmo mental em que vivem, despertando-os da hipnose secular
a que foram submetidos. E muitos dos Espíritos que lhes "aparecem", tomando a
forma de figuras veneráveis por todo o mundo cristão, são os mesmos que, no
passado, se responsabilizaram por tal estado de coisas.
Compreendamos tudo e sigamos adiante.
Saibamos manter-nos em equilíbrio no degrau da escada da evolução em que nos
encontramos, até o momento de dar o próximo passo acima...
VI- MEDIUNIDADE INCONSCIENTE
"O Espírito pode agir sem o concurso de um médium?
- Pode agir com desconhecimento do médium; quer dizer que muitas pessoas
servem de auxiliares dos Espíritos para certos fenômenos, sem disso
desconfiarem. O Espírito toma delas, como de uma fonte, o fluido animalizado
de que tem necessidade; é assim que o concurso de um médium, tal como
entendeis, não é necessário, e é o que tem lugar, sobretudo, nos fenómenos
espontâneos." - (O Livro dos Médiuns - Segunda Parte - Cap. IV)
Para manifestar-se aos homens, o Espírito não pode agir sem o concurso do
médium, o qual lhe é imprescindível. Sejam manifestações físicas ou intelectuais,
em suas variadas formas.
Na maioria dos casos, há participação consciente do médium.
A mediunidade inconsciente - repetimos - é rara, e preciso é que haja uma grande
afinidade do médium com o Espírito, afinidade conquistada na convivência
estreita, em vidas anteriores.
Na mediunidade inconsciente, há como que uma acoplagem de mentes entre o
Espírito comunicante e o médium. Referimo-nos às comunicações intelectuais,
porque, nas físicas ou materiais, há apenas uma junção definidos, para a
produção do fenómeno.
Verdadeiramente, porém, entendemos por mediunidade inconsciente a sintonia
natural estabelecida entre os homens e os Espíritos no cotidiano da vida.
Explicamo-nos.
Quantos agem no mundo impulsionados pelos pensamentos dos Espíritos, sem o
saberem?
Quantos chegam a repetir frases inteiras que lhes são como que "sussurradas"
pelos desencarnados, sem que disso se dêem conta?
Esse tipo de mediunidade inconsciente está bem próximo da intuição.
Quantos não registram ideias que lhes "brotam" aparentemente do nada, abrindolhes novas perspectivas?
De onde fluiriam esses pensamentos? Do inconsciente? Mas, às vezes, as pessoas
que os têm precisam valer-se de outras para as auxiliarem na decodificação da
mensagem que recebem. E, não raro, têm que consultar livros que nunca
manusearam.
O que se chama "presença de espírito", ante esta ou aquela situação embaraçosa,
pode ser a presença de um Espírito Amigo agindo com presteza.
Muitos querem a mediunidade inconsciente, mas não pensam nela por esse
prisma que apresentamos. O curioso é que desejam estar conscientes da própria
inconsciência no ato do fenómeno.
Não estamos fazendo jogo de palavras.
Neste instante, o médium de que me sirvo para grafar estas linhas atua de
maneira consciente, todavia posso registrar-lhe a surpresa crescente à medida que
vamos escrevendo. A ideia, originariamente, flui do meu cérebro para o dele,
mas acompanho-lhe o cuidado em escolher as palavras que as represente no
papel com a maior fidelidade possível. E anoto-lhe a frustração, quando não
consegue. E lamento quando precisamos parar, a fim de que o dicionário seja
consultado, porque a mente mediúnica muitas vezes se me mostra refratária,
principalmente quando desejo empregar termos que lhe fogem ao domínio.
Que os médiuns se conscientizem e estudem.
Assim, grande parte dos obstáculos que nos separam serão removidos e os nossos
caminhos aplainados, de modo que a nossa mensagem não chegue à Terra tão
entrecortada e "cheia de ruídos", à semelhança da comunicação telefónica de
longa distância, efetuada sob tempestade.
Nota do Autor Espiritual - Como exemplo de mediunidade absolutamente
inconsciente, temos os casos de obsessão, em que a "vítima", em avançado grau
de fascinação ou, então, já subjugada, age sem nenhum controle sobre si mesma,
sem reter, quando consegue tornar à realidade, nenhuma lembrança do que lhe
ocorreu, ou se se recorda de alguma cousa, essa recordação, fixando-se em seu
consciente, são "sequelas obsessivas" que somente o tempo poderá afastar em
definitivo.
VII- INCREDULIDADE
"Os ateus e os materialistas não são, a cada instante, testemunhas dos efeitos do
poder de Deus e do pensamento? Isso não os impede de negar a Deus e a alma.
Os milagres de Jesus converteram todos os seus contemporâneos?"-(O Livro dos
Médiuns - Segunda Parte - Cap. V)
Muitos se aproximam do Espiritismo, pedindo provas.
Querem tocar a realidade, como Tomé pediu para tocar as chagas do Cristo.
Esquecem-se, no entanto, de que a convicção também é uma conquista.
Os próprios médiuns, às vezes, oscilam entre a crença e a descrença.
Atribuem o que produzem mediunicamente a si mesmos.
Isto acontece quando o medianeiro é pouco dado à reflexão e ao estudo.
Se todo médium estudasse um pouco mais e refletisse sobre a vida, procurando
orar para fugir à influência perniciosa daqueles Espíritos que desejam vê-lo
estacionar, não se transformaria ele mesmo num obstáculo para os Espíritos que
estimariam vê-lo progredir.
O Evangelho nos conta o caso do pai de um menino lunático a quem implacável
obsessor perseguia. Nem os apóstolos puderam curá-lo. O pai, aflito, suplicava:
"Senhor, eu creio; ajuda a minha incredulidade"...
Dizem os evangelistas que, indo a Nazaré, cidade onde fora criado, Jesus "não
fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles."
Não encontramos uma só passagem em todo o Novo Testamento, onde o Mestre
se tenha preocupado em convencer alguém pelo fenómeno, e o fariseus viviam
pedindo-lhe "um sinal do Céu"... .
Já em Cafarnaum, vemos o Senhor exaltando a fé do centurião que lhe rogava a
cura de seu servo, dizendo pela boca dos amigos que ele enviara à divina
presença: "Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em
minha casa.
"Por isso eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com
uma palavra, e o meu rapaz será curado.
"Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas
ordens, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo:
Faze isto, e ele o faz."
A incredulidade é uma prova que cada um deve superar sozinho.
O Espiritismo não se dirige aos olhos do corpo, mas aos da alma.
Os que crerem nele o farão pelo raciocínio, de vez que o fenómeno em si estará
sempre sujeito a questionamentos de toda ordem.
Porventura, os soviéticos não criaram a chamada Parapsicologia sem Alma para
explicar fenômenos que a escola norte-americana começa a admitir como sendo
provocados por uma força extracorpórea? A Psicologia não atribui tudo à própria
alma encarnada?
Vejamos que, por muito tempo ainda, o homem lutará contra o cepticismo. É que
a incredulidade, estando na raiz de todos os males que assolam a Humanidade,
interessa sobremodo às inteligências encarnadas e desencarnadas que pelejam por
mantê-lo encarcerado à ignorância.
Quando o homem vencer a barreira da incredulidade, nada mais o deterá na
senda do progresso espiritual.
A sua mente se abrirá para o Universo e ele resplandecerá à feição de um sol
imenso, brilhando na escuridão.
O espírita, pois, pode ser comparado a alguém que se esforça diuturnamente para
romper os últimos grilhões que o prendem ao jugo da matéria.
O espírita verdadeiro não apenas crê: sabe; não apenas acredita: tem certeza.
A razão é o invencível argumento. E o médium, quando sincero, tem, no mínimo,
ao seu alcance, dois motivos para que a incredulidade não lhe embarace os
passos: primeiro, porque é espírita; segundo, porque é médium.
VIII- O CRIVO DA RAZÃO
"Recordai, espíritas, que se é absurdo repelir sistematicamente todos os
fenómenos de além-túmulo, não é prudente aceitá-los cegamente." -(O Livro dos
Médiuns - Segunda Parte - Cap. V)
O próprio médium deve submeter toda comunicação que receba ao crivo da
razão, e isto porque ele precisa ser o principal interessado na autenticidade do
fenómeno, evitando comprometer a Causa e expor-se ao ridículo.
O médium que crê na sua infalibilidade ou na dos Espíritos torna-se presa fácil
da obsessão.
Cabe ao espírita zelar pelo patrimônio da Dou-nina, não aceitando a priori tudo
que os Espíritos dizem, seja através deste ou daquele médium, por mais idôneo
lhe pareça.
A mediunidade é exercida no dia-a-dia e, quando menos espera, o médium pode
tropeçar na invigilância.
Para confiar-se no médium, deve-se confiar em sua vida. Diríamos: tal o homem,
tal o médium.
Muitos médiuns, assim como muitos Espíritos, gostam de impor-se pela cultura
que possuem, quando lhes escasseia o que seja talvez o bem mais precioso da
mediunidade: o discernimento.
E comum, nos dias atuais, encontrarem-se médiuns que se julgam aptos a
resolver todo e qualquer tipo de problema para que são procurados. Com uma
facilidade incrível, dispõem-se a revelar as vidas passadas de seus consulentes,
descendo a espantosos detalhes!
Outro fato corriqueiro, no capítulo que estudamos, é o dos médiuns que afirmam
ver Espíritos ao redor de todas as pessoas, cometendo, assim, os maiores
disparates e desacreditando a mediunidade!
Vejamos o que nos diz o profeta Jeremias, no texto que Allan Kardec transcreveu
no capítulo XXI de O Evangelho Segundo o Espiritismo: "Eu não enviava esses
profetas e eles corriam por si mesmos; eu não lhes falava e eles profetizavam de
sua cabeça.
Eu ouvi o que disseram esses profetas que profetizaram a mentira em meu nome,
dizendo: Sonhei, sonhei. Até quando essa imaginação estará no coração dos
profetas que profetizam a mentira e cujas profecias não passam de seduções de
seu corações?"
O médium que merece credibilidade é simples e discreto. Não gosta de falar de si
mesmo e age sem nenhum interesse pessoal, por menor que seja.
Uma técnica que os Espíritos infelizes gostam de empregar, para conquistar a
simpatia e a confiança dos que desejam manipular, é a lisonja, o elogio fácil,
incensando as pessoas, através dos médiuns que lhes servem aos inferiores
propósitos, com o que lhes anulam a capacidade de discernir, tornando-se-lhes
defensores incondicionais.
O Espiritismo é uma doutrina livre. Não há cerceios ao pensamento e ao trabalho
de nenhum médium, todavia nada nos impede, na condição de espírita, de
discordar deste ou daquele Espírito, deste ou daquele médium.
Allan Kardec deixou isto bem claro nas obras da Codificação.
Existem Espíritos que, em conluio com os médiuns que lhes são afins, dominam
a comunidade do Centro Espírita, não permitindo que se faça nada sem que
sejam consultados. Quando contrariados em seus pontos de vista, eis que então se
revelam com toda a arbitrariedade que os caracteriza, chegando até ameaçar os
que ousam enfrentá-los!
Sintetizando, em louvor do fenómeno genuíno, devemos submeter todos os
comunicados de além-túmulo ao crivo da razão, sem, no entanto, exigir perfeição
do Espírito ou do médium, de vez que tanto eles quanto nós somos Espíritos
carregados de mazelas e estamos muito longe da Verdade Integral, que pertence a
Deus.
IX- A FINALIDADE DA COMUNICAÇÃO
"Qual é o objetivo dos Espíritos que vêm com uma boa intenção?
Consolar as pessoas que os lamentam; provar que existem e que estão perto de
vós; dar conselhos e, algumas vezes, reclamar assistência para eles mesmos." (O Livro dos Médiuns -Segunda Parte - Cap. VI)
Os Espíritos formam a Humanidade desencarnada e habitam o mundo que lhes é
próprio.
Homens e mulheres desencarnados, eles não se desvinculam, pela morte,
daqueles que deixaram na Terra.
Embora continuem vivendo em outra dimensão, a maioria sabe que deverá tornar
ao corpo de carne, porque, segundo a afirmativa evangélica, "tudo que ligarem na
Terra será ligado no Céu e tudo que desligarem na Terra será desligado no Céu."
A reencarnação é, portanto, indispensável ao progresso dos Espíritos. Em contato
com a matéria densa é que se lhes desenvolvem as potencialidades latentes,
porque o corpo está para o Espírito como a terra está para a semente...
Colaborar com os homens é, para nós, os desencarnados, muito mais que uma
tarefa de amor. E investir em nosso próprio futuro. Tanto a Terra quanto o
Mundo Espiritual são, ao mesmo tempo, um campo de causas e efeitos. O que
semeamos, na condição de desencarnados, é o que colheremos, quando
reencarnarmos, e vice-versa.
Trabalhar por um mundo melhor hoje é criar condições mais favoráveis para o
nosso retorno ao berço, amanhã.
Como evoluímos em grupo, herdamos de nós mesmos e daqueles que se nos
constituem a parentela corporal, de vez que nos responsabilizamos pelo tipo de
educação que transmitimos aos nossos descendentes.
Assim é que um Espírito pode vir a ser avô... de si mesmo, sendo filho de seu
próprio filho. E, conforme a orientação que tiver dado ao filho, assim será
orientado.
Muitos Espíritos trabalham anos e anos, reaproximando desafetos a quem devem
auxiliar na reconciliação, renascendo no meio deles.
A finalidade da comunicação dos Espíritos que os antecederam na Grande
Viagem não é apenas, portanto, de consolação, embora seja o que habitualmente
acontece, devido, principalmente, à incompreensão dos homens sobre o
fenômeno da morte.
Além de desejarem provar-lhes que estão vivos e dar-lhes bons conselhos, como
na parábola do mendigo leproso Lázaro e o mau rico, os Espíritos que nos
comunicamos, logrando atravessar o abismo que nos separa, aspiramos
transmitir-lhes a nossa experiência, agora que a nossa visão de vida se encontra
ampliada.
Por exemplo, não fosse a iniciativa dos Espíritos Superiores, em cumprimento às
promessas de Jesus com referência ao Consolador, os homens não conheceriam o
Espiritismo!
A Doutrina Espírita é fruto da comunicação dos Espíritos com os homens.
Enquanto o Cristianismo contou com os seus médiuns, a doutrina cristã
permaneceu inalterável, mas, assim que as portas do intercâmbio mediúnico
foram cerradas, os Espíritos tiveram que silenciar, limitando-se a contatos
esporádicos, mesmo porque os médiuns que lhes escutavam as vozes eram
condenados às fogueiras!
De quando em quando, chegam até nós rumores de que certa facção de espíritas
se mostra contrária aos nossos comunicados e já se falou, inclusive, em extinção
dos trabalhos mediúnicos dedicados à enfermagem espiritual...
Fossem os homens abandonados à própria sorte, teríamos na Terra de agora um
retorno à Idade Média, quando os Espíritos infelizes, agindo a seu bel prazer,
mergulhavam o mundo em completa escuridão. E chegamos a imaginar se não
será o que desejam novamente...
Se as reuniões de desobsessão nos Centros Espíritas fossem extintas, ter-se-ia
que aumentar a capacidade dos sanatórios e o número de celas nas penitenciárias!
Se fôssemos descrever a complexidade do trabalho dos Espíritos junto aos
homens, seríamos igualmente acusados de criar obras de ficção.
E, se os homens soubessem o que ocorre no Mundo Espiritual no momento do
repouso físico, quando a nossa população se vê consideravelmente aumentada,
talvez que não desejassem abandonar o corpo. No que afirmamos, se baseia o
medo inconsciente que muitos têm da morte, porque receiam o encontro consigo
mesmos.
X- SINTONIA
"O melhor meio de afastar os maus Espíritos é atrair os bons." - (O Livro dos
Médiuns -Segunda Parte - Cap. IX)
Em mediunidade, a sintonia é tudo.
O melhor médium é aquele que está em permanente contato com os Espíritos
bons. Mas, para isto acontecer, ele precisa elevar o seu padrão vibratório,
disciplinando o pensamento.
A diferença entre mediunidade e obsessão é apenas uma questão de vida mental.
Todo obsediado é um médium em potencial, mas nem todo médium é assediado
pelos Espíritos obsessores. A obsessão é um estado doentio da mediunidade. O
obsediado pode tornar-se um médium equilibrado e a mediunidade, quando
exercida de forma irresponsável, pode degenerar em obsessão.
Para que o médium sintonize com os bons Espíritos, ele deve vivenciar o bem,
pois a prática do bem repele, naturalmente, a presença dos Espíritos infelizes.
Os Espíritos votados ao mal tudo fazem para atrapalhar o medianeiro bem
intencionado. Criam dificuldades, armam ciladas, preparam obstáculos,
interferem na sua vida profissional, favorecem situações embaraçosas...
Há uma necessidade muito grande de vigilância diária.
Mesmo o Cristo, antes de iniciar o seu ministério entre os homens, foi tentado
pelos Espíritos que se sentiam importunados com a sua presença no mundo.
Herodes chegou a sonhar com Ele - o Rei que viria destroná-lo, e mandou
eliminar todas as crianças de até dois anos de idade que fossem encontradas na
Palestina.
O médium que deseje servir na seara espírita deve fazer da oração o seu alimento
diário, porque, quanto mais importante a tarefa que esteja executando, maior será
o assédio que experimentará.
A prece nascida do fundo d'alma, como que lhe será uma luz acesa dentro da
noite, facilitando o auxílio dos Espíritos que o assistem.
Existem médiuns que nem sempre estão bem assistidos espiritualmente. Quando
eles reconhecem esta verdade, já estarão criando as suas próprias defesas,
aprendendo a combater por si mesmos a influência dos Espíritos infelizes.
Mas, normalmente, quando o médium está debaixo de uma influência negativa,
ele não consegue detectá-la de imediato, a não ser que tenha bastante experiência
e humildade.
Sem querer julgar ninguém, apenas a título de aprendizado, quantos médiuns, em
todo o mundo, já receberam obras similares àquela que conhecemos sob o título
de A Vida de Jesus Ditada por Ele Mesmo?...
Retomando a questão da sintonia mediúnica, vejamos o caso de Maria de
Magdala, a qual, segundo a narrativa evangélica, "era possuída por sete génios
das sombras"... A partir do momento em que ela decidiu mudar de vida, elegeu
outros Espíritos para companhia e transformou-se num dos maiores exemplos de
renovação interior da História!
Vivemos mergulhados num oceano de ideias e emoções. Influenciamos e somos
influenciados, mas "semelhante atrai semelhante."
A vida exterior de cada um é o resultado de sua vida mental.
O pensamento é um ímã.
Se o bem ocupar a vida mental do médium, o mal não encontrará espaço para aí
proliferar.
Disciplinar a mente é também disciplinar os olhos, os ouvidos, a língua...
Que o médium comece a fazer uma triagem nos assuntos que comenta ou que são
comentados à sua volta, e estará caminhando a passos largos na conquista da
serenidade mental, que o imunizará contra a obsessão, garantindo-lhe o exercício
saudável da mediunidade.
XI- ESPÍRITOS E MÉDIUNS
"Os Espíritos sérios não são todos igualmente esclarecidos; há muitas coisas
que ignoram e sobre as quais podem se enganar de boa-fé; é por isso que os
Espíritos verdadeiramente superiores nos recomendam, sem cessar, submeter
todas as comunicações ao controle da razão e da mais severa lógica." - (O Livro
dos Médiuns - Segunda Parte - Cap. X)
O Espírito, quando bem intencionado, não luta para que o seu ponto de vista
prevaleça sobre os demais. Isto também vale para os médiuns.
O Espírito esclarecido não deseja impor a sua opinião, pois sabe que não detém a
última palavra, com referência ao assunto ventilado.
Os Espíritos Superiores que ditaram a Codificação orientaram Allan Kardec a
que submetesse os seus próprios comunicados "ao controle da razão e da mais
severa lógica".
Existem médiuns que se melindram, quando os comunicados que recebem são
colocados em dúvida...
Se um médium age com sinceridade, não deve temer a crítica, porque o tempo se
encarregará de defendê-lo.
Os Espíritos de uma evolução mediana falam do que sabem, mas, quando
possuem bom-senso, fazem questão de dizer que seus conhecimentos são
limitados. Assim, igualmente, deve agir o médium.
Somente os Espíritos de uma faixa superior têm opiniões mais ou menos estáveis,
mas, mesmo assim, não gostam de ditar normas de conduta. Eles têm um respeito
muito grande pelo livre-arbítrio de cada um.
Neste sentido, Kardec foi admirável, ao escrever que o Espiritismo, em face do
avanço da Ciência, estaria pronto a rever-se, se tal ou qual princípio lhe fosse
ultrapassado.
No atual estágio evolutivo do homem, a Verdade possui um dinamismo
extraordinário. O que hoje se compreende de uma forma, amanhã se
compreenderá de outra. As ideias vão-se aperfeiçoando.
A única Verdade Imutável é Deus.
Tanto os médiuns quanto os Espíritos têm a obrigação de estudar sempre!
Aqui, no Mundo Espiritual, o nosso estudo é muito mais intenso do que na Terra;
as nossas lições abrangem a Vida Universal. Aprendemos que todos os assuntos
estão relacionados uns com os outros e procuramos entender a vida como um
todo, porque tudo está contido em tudo. Um átomo é um universo em miniatura e
o homem é um deus em gestação.
O Mundo Espiritual possui dimensões que mesmo nós, os desencarnados,
estamos longe de conhecer.
Precisamos manter a mente receptiva à Excelsa Luz que se derrama das Alturas.
Os "donos da verdade" são os que mais sofrem quando retornam ao Além,
porque constituem um tipo de "ignorantes intelectualizados", com os quais é
difícil, também para nós, sustentar qualquer diálogo. Não raro, precisam
reencarnar de imediato, para que, no período da infância, se tornem receptivos a
novas ideias.
É triste observar os Espíritos que têm ideias fixas. Enclausurados em si mesmos,
julgam-se superiores aos outros e carecem ser tratados como doentes mentais,
pois que realmente o são.
Que os médiuns não se julguem investidos de altos mandatos, mas vacinem-se
contra o orgulho e a vaidade! Que também, não se considerem incapazes de
servir, a pretexto de inferioridade, porque diz a lógica que quem não caminha não
chega ao objetivo a que se propõe alcançar!
XII- PROSELITISMO
"Se nossa fé se consolidou dia a dia, foi porque compreendemos; fazei, pois,
compreender, se quereis arregimentar prosélitos sérios." -(O Livro dos Médiuns
- Segunda Parte - Cap. XII)
O Espiritismo, ao contrário de outras religiões, não faz proselitismo de
arrastamento, e os médiuns, que se lhe dedicam às fileiras, devem adotar idêntico
comportamento.
Os Centros Espíritas estão de portas abertas para os que desejem procurá-los e as
lições ali ministradas são acessíveis a todos.
Os que estiverem aptos para assimilarem a Doutrina, espontaneamente a
procurarão.
Muitos dos que, após o seu primeiro contato com a filosofia espírita, dela se
distanciaram, é porque se sentiram "incomodados", a nível de consciência, de vez
que, justamente por não exigir nada de ninguém, sentem-se na obrigação de
corresponder-lhe de alguma forma.
O comodismo é responsável pelo atraso espiritual de um sem-número de pessoas
e, infelizmente, existem religiões que fomentam esse estado de coisas, já que lhes
interessa a ingenuidade de seus profitentes.
Habitualmente, diz-se que os espíritas trabalham muito. E que, ansiando por
recuperar o tempo perdido, eles compreendem o significado das palavras do
Mestre Nazareno: "Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos
abrirá..."
No Espiritismo não há lugar para a ociosidade.
Compreende-se a brevidade da vida física e procura-se fazer o que se pode. O
espírita tem sede de progresso, e os Espíritos-espíritas (se é que nos podemos
rotular assim) também a temos.
É por não fazer proselitismo que a Doutrina tem chamado a atenção de muita
gente. Mas o espírita não faz proselitismo porque não deseja que as pessoas
sejam espíritas... Evidentemente que deseja colocar a luz sobre o candeeiro e
compartilhá-la com todos, mas sabe que não pode e não deve obrigar ninguém a
contemplá-la.
Paulo, que ansiava por espalhar a Boa-Nova, foi rejeitado exatamente pelo povo
mais culto da época - o grego -, que, inclusive, no Areópago de Atenas, rendia
culto ao Deus Desconhecido!
O médium não deve prevalecer-se de sua mediunidade para fazer proselitismo.
Quando o fruto amadurece, ele despenca da árvore, se bem que o vendaval das
provas pode arremessá-lo ao chão, obrigando-o à maturação.
O exemplo é o discurso mais convincente.
A altercação religiosa deve ser evitada, a todo custo, pelos espíritas idóneos.
Dialogar, sim; polemizar, não.
Se o próprio Cristo não polemizou sobre a Verdade, com Pilatos, por que
haveríamos de nos arvorar em seus intransigentes defensores?
A discussão religiosa aumenta a distância entre Deus e os homens.
Divulgar a Doutrina, através de todos os recursos lícitos, é dever básico do
espírita, desde que não haja imposição.
Que as sementes sejam lançadas e que germinem as que caírem em terreno fértil.
Lembremo-nos de que, dos dez leprosos curados pelo Mestre, apenas um voltou
para agradecer-lhe...
Silenciando, ainda, ante Pilatos, Jesus não o estaria convidando a descobrir por si
mesmo a resposta, como a dizer-nos que o conhecimento da Verdade é uma
tarefa pessoal?!...
XIII- TODOS SOMOS MÉDIUNS
"Toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos Espíritos, por
isso mesmo, é médium." (O Livro dos Médiuns Segunda Parte Cap. XIV)
Todos são médiuns - uns mais, outros menos.
Mas nem todos renascem para uma tarefa específica na mediunidade.
A mediunidade é exercitada no dia-a-dia, das mais variadas formas.
Como o tato e a visão, que foram desenvolvendo-se no curso dos milénios, a
mediunidade vem-se desenvolvendo na criatura, desde tempos remotos.
Em algumas pessoas, a mediunidade, de quando em quando, dá sinal de sua
presença, através de pressentimentos, visões, sonhos reveladores.
Outras podem atravessar a experiência física, sem perceberem em si nenhuma
manifestação medinanímica digna de nota.
A telepatia entre os homens, ou a chamada "telegrafia humana", é uma das
nuances da mediunidade. Atentassem os encarnados para o referido fenómeno, e
a mediunidade se lhes desenvolveria de forma mais completa.
Existem pessoas que, seja pelo seu débito cármico, seja pelo seu merecimento,
trazem a mediunidade "à flor da pele"... Elas tiveram no passado um tipo de vida
que lhes possibilitou o progresso nesse sentido. Aprenderam a exercitar a mente,
viveram de forma solitária, foram vampirizados por entidades espirituais que lhes
"precipitaram" as forças de natureza psíquica.
Esses irmãos a que nos referimos - pelo menos a grande maioria - são os que
trabalham como médiuns nos Centros Espíritas, no exercício da caridade
legítima. Às vezes, enfrentam dificuldades no que tange à disciplina e à
perseverança, já que a mediunidade, embora seja uma conquista, não significa,
em si mesma, atestado de evolução moral.
Raros medianeiros reencarnaram investidos de mandato mediúnico, ou seja, raros
têm uma missão especial a desempenhar na mediunidade.
Ter mediunidade a desenvolver não significa que a pessoa esteja preparada para
ser médium na atual encarnação.
O dirigente espírita, ou o responsável pela orientação mediúnica no Centro
Espírita, deve abster-se de dizer a qualquer um que precisa desenvolver a
mediunidade, nos termos pelos quais a maioria entende esse desenvolvimento. E
preciso que ele tenha um conhecimento razoável da Doutrina e esteja sintonizado
com os bons Espíritos, para que, através da intuição, possa promover uma
espécie de triagem nos inúmeros candidatos que se apresentam para sentarem-se
ao redor de uma mesa.
É necessário explicar-se que nem todos os médiuns têm a obrigação de "receber
Espíritos". Poderão trabalhar no passe, na visita aos enfermos, nas diferentes
áreas de serviço de assistência, na oratória...
Afirmou Paulo de Tarso que há diversidade de dons espirituais e, parafraseandoo, diríamos que há infinitas maneiras de exercer-se a mediunidade.
Pode acontecer que seja mais médium quem não recebe Espíritos do que quem
recebe.
Quantos não são convidados para uma reunião mediúnica e desistem, logo nos
primeiros dias? Quantos não pensam que a mediunidade lhes substituirá o
esforço que cada um deve fazer por si mesmo para progredir? Quantos não são
atraídos pelo maravilhoso, pelo sobrenatural, achando que a mediunidade seja
um parque de diversões?!...
Convidamos os companheiros espíritas a refletirmos juntos sobre o assunto, já
que observamos muitos amigos que, mal batendo às portas do Centro Espírita,
vão logo escutando: - "Você tem que desenvolver a mediunidade..." E a pessoa
fica desnorteada ou traumatizada, quando não incrédula.
XIV- VOZES DOS ESPÍRITOS
"Eles ouvem a voz dos Espíritos; como dissemos, falando da pneumatofonia,
algumas vezes é uma voz íntima que se faz ouvir no foro interior; de outras vezes
é uma voz exterior, clara e distinta como a de uma pessoa viva." - (O Livro dos
Médiuns - Segunda Parte - Cap. XIV)
Raros são os médiuns auditivos que escutam a voz dos Espíritos, de forma "clara
e distinta como a de uma pessoa viva." Esse fenómeno, quando acontece,
assemelha-se ao da voz direta e, portanto, quase estaria nos domínios das
manifestações físicas, embora a voz do Espírito seja modulada, para que apenas o
médium a registre. Explica-se por que a sensibilidade auditiva desses médiuns é
maior do que nas demais pessoas.
Dificilmente se encontrará alguém que ainda não captou uma voz como que
"saída do nada", mormente quando se desperta no meio de um sonho. Por vezes,
têm-se a nítida impressão de estar-se ouvindo conversar no quarto de dormir, ao
lado da cama.
De outras vezes, andando-se nas ruas, ouve-se ser chamado pelo nome e não se
sabe por quem, ou batidas insólitas na porta da casa em que se mora, a qual, uma
vez descerrada, não revela nenhuma presença física...
Encontraremos, porém, um maior contingente de médiuns auditivos que
registram, intimamente, as vozes dos Espíritos. Esses medianeiros,
habitualmente, julgam ouvir a voz da consciência.
O fenómeno é tão sutil, que passa despercebido.
Para que as pessoas portadoras desse género de mediunidade possam ouvir a voz
dos Espíritos, devem aprender a distingui-la de seus próprios pensamentos, o que
se consegue com o tempo.
A tentação, por exemplo, pode manifestar-se pela audição de forma sub-reptícia.
É comum o homem ouvir como que uma voz imperiosa ordenando-lhe cometer
certos desatinos. Os internos dos hospitais psiquiátricos chegam a tapar os
ouvidos com as mãos (ou os olhos, no caso da obsessão visual), mas isso seria
como que tentar agarrar uma sombra...
Quantos não são induzidos ao suicídio dessa maneira?
Para distinguir os seus pensamentos dos pensamentos dos Espíritos, o médium
precisa calar-se interiormente, aprender a silenciar.
Para melhor entendimento, poderíamos figurar o pensamento dos Espíritos como
sendo uma ideia que, paulatinamente, viesse à tona do cérebro do médium,
emergindo de seus próprios pensamentos, semelhante ao nadador que se
impulsiona para a superfície da água, procurando oxigénio puro, depois de
demorado mergulho...
Sócrates ouvia dentro de si mesmo uma voz que ele atribuía ao seu génio, ou
seja, ao Espírito que os gregos acreditavam guiar os passos do seu protegido na
Terra.
Joana d'Arc foi condenada à fogueira por testemunhar as vozes dos Espíritos que
nunca a abandonaram.
O rei Saul, das páginas do Antigo Testamento, era atormentado por vozes que
apenas se calavam quando Davi fazia soar a harpa.
Os Espíritos conversam com os homens mais do que os homens com os próprios
homens, mas a verdade é que os homens, de maneira geral, não estão preparados
para ouvi-los.
Para o pensamento, não existem fronteiras.
Se a Ciência já admite a telepatia entre os encarnados, por que ela não seria
possível entre os homens e os Espíritos, desde que se creia na sobrevivência da
alma?
O barulho interior, mais do que o barulho exterior, é que impede as pessoas de
ouvir as vozes de além-túmulo...
XV- O GRUPO MEDIÚNICO
"A prece e o recolhimento são condições essenciais; por isso, pode-se esperar
como impossível a obtenção de alguma coisa em uma reunião de pessoas pouco
sérias, ou que não estejam animadas de sentimentos simpáticos e benevolentes."
- (O Livro dos Médiuns - Segunda Parte - Cap. XIV)
O dirigente espírita deve utilizar-se da maior circunspecção possível na formação
do grupo mediúnico.
Sabemos o quanto a influência do meio pode interferir nas comunicações
mediúnicas.
Os componentes do grupo mediúnico devem estar animados de sentimentos
simpáticos e benévolos, conforme os Espíritos Superiores disseram a Allan
Kardec.
A princípio, as reuniões mediúnicas eram realizadas publicamente. Elas tiveram
a sua razão de ser. Agora, porém, que existe um esclarecimento mais amplo
sobre a Doutrina, é de bom alvitre que essas reuniões tenham um caráter de
intimidade, notadamente as consagradas ao socorro espiritual.
Não nos referimos aqui àquelas reuniões em que, durante a sua realização ou
sempre ao final, os médiuns recebem mensagens doutrinárias de interesse geral.
Os companheiros do grupo mediúnico devem ser pessoas integradas no Centro
Espírita, afeitas ao estudo e ao trabalho.
Como todos ainda lidamos com a imperfeição, não se deve exigir perfeição de
ninguém, mas não se pode olvidar a colocação de Kardec: "Reconhece-se o
verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que empreende
para domar as suas más inclinações."
Os integrantes do grupo devem cultivar a disciplina e não faltar às reuniões, a
não ser por motivo reconhecidamente justo.
Os médiuns psicofônicos, ou de incorporação, devem ter em mente que os
Espíritos os aguardam necessitados que se encontram de se expressarem, e
constitui uma grande frustração para eles quando isso não se faz possível, pela
ausência do irmão que lhes serviria de intérprete.
Aos médiuns doutrinadores cabe a elevada função, junto aos Espíritos
comunicantes, da terapia espiritual pela palavra e carecem, portanto, de dosar a
verdade em amor. Nunca devem perder a simplicidade ou exaltar-se na
argumentação, por mais provocados que sejam.
Os médiuns ditos de sustentação são aqueles que se especializam no sentido de
manterem o bom padrão vibratório da reunião, através da prece silenciosa e dos
pensamentos fraternos que emitem em auxílio aos companheiros encarnados e
desencarnados. Têm uma importância muito maior do que comumente se pensa.
Sendo cada Espírito um mundo por si, a doutrinação deve ser conduzida
naturalmente, não excedendo do prazo de dez minutos, para não cansar o
médium e tomar o lugar de outra entidade que precise externar-se.
O médium doutrinador não deve esperar que o Espírito modifique o seu modo de
pensar num diálogo rápido. A sua função básica é fornecer a ele um novo acervo
de ideias para as suas conclusões pessoais. Jamais se esqueça que o Espírito é
apenas uma pessoa desencarnada.
Evidentemente, cada reunião mediúnica tem a sua característica própria.
Grupos existem que se comprometeram, por exemplo, a trabalhar com "Espíritos
suicidas". Encontramos médiuns que têm maior facilidade de sintonizarem-se
com Espíritos endurecidos, do ponto de vista religioso.
O assunto da mediunidade é tão vasto quanto complexo, mas, quando se tem
discernimento, tudo fica mais fácil, porque o que ainda não se sabe, pode-se
intuir...
A indisciplina e a falta de sinceridade são dos maiores entraves à sobrevivência
do grupo mediúnico.
O médium deve procurar compreender que ele é uma peça importante na
engrenagem, mas não a mais importante e nem imprescindível.
O vedetismo mediúnico arrasa com qualquer médium e com qualquer grupo.
A reunião mediúnica dispensa qualquer aparato e formalismo, que não tem lugar
dentro do Espiritismo, mas, a título de espontaneidade, não se deve faltar com o
respeito que as coisas sérias reclamam.
XVI- O MÉDIUM COMO INSTRUMENTO
"Para que uma comunicação seja boa, é necessário que emane de um Espírito
bom; para que esse Espírito bom POSSA transmiti-la, lhe é necessário um bom
instrumento; para que QUEI¬RA transmiti-la, é preciso que o objetivo lhe
convenha." - (O Livro dos Médiuns - Segunda Parte - Cap. XVI)
O bom médium é aquele que procura aprimorar-se sempre, sendo um verdadeiro
coadjuvante dos Espíritos que se manifestam por seu intermédio.
Não raro, cabe também ao médium suprir nos Espíritos a falta de recursos
intelectuais, para que a comunicação se efetue. Em muitos deles, inclusive,
há total desconhecimento sobre o intercâmbio mediúnico.
Grande parcela dos Espíritos que se comunicam nos Centros Espíritas,
consolando os familiares, são substituídos, no ato da mensagem, por Espíritos
esclarecidos que lhes tomam o lugar, já que, por si mesmos, não estariam em
condições de fazê-lo.
A caridade cristã impõe-se aos que desejam ser úteis e, entre os Espíritos, não
existe preconceito de identidade.
Desde que a mensagem chegue ao destinatário, refletindo a essência do
pensamento do Espírito que deseja transmiti-la, não importa quem se lhe faça o
intérprete.
Entre os Espíritos existem também os que são médiuns e se especializam nesse
setor.
O bom médium conhece esse mecanismo e não se sente mistificado ou
mistificando; age com a discrição possível, reconhecendo que nem todas as
pessoas conseguem penetrar os meandros da mediunidade.
Por agora, as dificuldades do intercâmbio entre os dois planos da vida são
imensas. Dificilmente se encontra um médium disposto a colaborar e que não
queira ser apenas um instrumento passivo nas mãos dos Espíritos.
Por mais exímio seja o violinista, ele pouco poderá fazer com um violino
desafinado.
É preciso que o médium esteja afinado com os propósitos dos Espíritos e lhes
estenda as mãos para a travessia do abismo a que se convencionou chamar
"morte".
Todavia, repetimos, o médium, além de boa vontade, precisa possuir
discernimento, a fim de não cair no ridículo e comprometer a ideia espírita.
O médium idóneo em hipótese alguma aceita ser idolatrado. Conhece as suas
limitações, sabe de suas inferioridades, e a sua única recompensa é a alegria que
nasce do dever retamente cumprido!
O médium que é espírita convicto coloca o ideal acima de tudo e é justamente
isto que lhe garante a credibilidade.
Se o médium não é sincero, os bons Espíritos o abandonam e ele se torna presa
fácil de entidades obsessoras. Muitos médiuns só acreditam que são médiuns
quando caem na obsessão e percebem que nada são sem o amparo dos bons
Espíritos.
Talvez muitos estranhem estas nossas colocações, mas convidamos a todos para
que meditem conosco.
O bom médium não "inventa" mensagem, no entanto, sentindo a presença de
desencarnados que anseiam em comunicar-se por seu intermédio, vê-se na
obrigação de desempenhar o seu papel da melhor forma possível, indo ao seu
encontro e auxiliando essas mesmas entidades no que deve ser feito.
XVII- APTIDÃO MEDIÚNICA
"Concebe-se que deve ser bastante raro que a faculdade de um médium seja
rigorosamente circunscrita a um só género; o mesmo médium pode, sem dúvida,
ter aptidões, mas há sempre uma que domina e é a que deve se interessar em
cultivar, se for útil." - (O Livro dos Médiuns - Segunda Parte - Cap. XVI)
É comum ouvir-se a pergunta: "Que tipo de mediunidade tenho?"
A mediunidade define-se por si mesma. O companheiro mais experiente nas lides
da Doutrina poderá orientar o candidato ao exercício da mediunidade, abstendose, porém, de conclusões precipitadas.
De fato, todos têm um género de mediunidade que se destaca mais. Em alguns, é
a psicografia, noutros é a psicofonia e assim, sucessivamente.
Quase sempre, o desenvolvimento de um tipo de mediunidade acarreta o
desenvolvimento simultâneo de outro. Encontramos médiuns que são
psicofônicos e videntes ou psicógrafos e clariaudientes.
Todas as mediunidades têm a mesma origem.
Naturalmente, todas as pessoas são médiuns passistas em potencial. Em algumas,
isto é mais patente, de vez que chegam a sentir certas manifestações físicas,
como a sensação de filamentos fluídicos saindo-lhes das pontas dos dedos e das
palmas das mãos.
Todas as pessoas, quando se predispõem, podem doar de si mesmas às outras.
Qualquer um que elevar o pensamento a Deus e estender as mãos em nome da
caridade, será auxiliado pelos Espíritos amigos.
Mas a mediunidade, com o passar do tempo, começa a definir sua área de
atuação. Aqui se faz necessário o bom-senso do médium.
Atuar em todas as áreas da mediunidade é contraproducente. Possuir todos os
géneros de mediunidade não significa, por si só, elevação espiritual.
O homem levou milénios para aprender a utilizar todos os seus sentidos físicos,
sincronizadamente. No que tange aos sentidos psíquicos, não será diferente.
O médium, através do estudo, do trabalho e da meditação, contando sempre com
a inspiração dos Benfeitores Espirituais, deve observar qual o tipo de
mediunidade que nele predomina e em que setor conseguirá ser mais útil aos
semelhantes.
Existem notáveis médiuns psicofônicos que, por desejarem ser também médiuns
psicógrafos, não conseguem ser uma coisa nem outra. Acabam se perdendo.
O género de mediunidade que convive bem com as demais é, sem dúvida, o
passista. Pelo seu exercício é que os médiuns novatos devem começar, a fim de
lograrem o equilíbrio das forças mediúnicas que estão apenas despertando.
Pela transmissão simples do passe aos necessitados, o médium vai conseguindo a
simpatia dos bons Espíritos, os quais passarão a assessorá-lo em seu
desenvolvimento, agindo sobre o seu psiquismo.
A cabine de passes deve ser o estágio inicial de quantos aspiram ao
desenvolvimento de suas faculdades noutro setor, porque aquele que não
conseguir dar de si aos outros, no ato do passe, dificilmente conseguirá dar-se aos
Espíritos para um trabalho que, por vezes, lhe exigirá maior desprendimento e
cooperação.
Definido o género de mediunidade, o médium deve esforçar-se para cultivá-lo e
obter os melhores resultados.
Todos os médiuns estão em constante desenvolvimento.
Os Espíritos exercitam o médium; o médium deve exercitar a mediunidade de
que se reconhece portador.
Ser médium não significa estar apto para a mediunidade.
A aptidão mediúnica é fruto do esforço, do estudo e da perseverança do médium!
XVIII- OS MÉDIUNS PRINCIPIANTES
"A fé no médium novato não é uma condição rigorosa; sem contradita, ela
secunda os esforços mas não é indispensável: a pureza de intenção, o desejo e a
boa vontade bastam." - (O Livro dos Médiuns - Segunda Parte - Cap. XVII)
No início do seu desenvolvimento, os médiuns enfrentam muitos conflitos. As
vezes, não têm o menor conhecimento da Doutrina e nunca sequer transpuseram
as portas de um Centro.
Depois de tentarem solucionar os seus problemas pelos métodos convencionais
(porque os sintomas da mediunidade podem camuflar-se, levando a pessoa a
imaginar que esteja doente), eis que recorrem, em última instância, ao
Espiritismo.
Quando acontece assim, esses irmãos chegam completamente desnorteados à
casa espírita, ainda sob o guante dos preconceitos religiosos que alimentaram por
muito tempo.
Devidamente orientados para um tratamento espiritual através de passes e
reuniões de estudos evangélicos, revelam-se incrédulos, exigindo que o
Espiritismo lhes resolva as dificuldades de um instante para outro!
Perguntam por um Centro que seja mais "forte"...
Dizem não acreditar na influência dos Espíritos...
Afirmam que não querem ser médiuns...
É natural que seja assim, porque se encontram em desequilíbrio psicológico.
O dirigente espírita, ou aquele a quem couber a tarefa, necessita ter paciência e
conquistar-lhes a confiança.
Não é de bom alvitre exigir-lhes muitos esforços, no princípio, mas deve-se
solicitar a colaboração dos familiares interessados no sentido de não os deixarem
faltar às reuniões a que possam comparecer.
A pouco e pouco, eles irão afinizando-se com a instituição espírita e com os seus
frequentadores, ampliando as suas relações de amizade.
Assim fica mais fácil.
Vencidos os primeiros obstáculos, os médiuns principiantes, numa segunda
etapa, duvidarão de si mesmos, atribuindo tudo a um produto da mente.
Começa outra luta, assaz mais difícil que a primeira.
E necessário, então, se lhes esclareça que a fé é uma conquista individual, lenta,
difícil, mas não impossível.
É importante dizer-lhes que na mediunidade, a fé não é uma "condição rigorosa",
conforme afirma Allan Kardec; que ela se lhes desenvolverá naturalmente, à
medida que perseverarem; e que eles próprios, com o correr do tempo, terão
oportunidade de testemunhar a independência de seus pensamentos sobre os
pensamentos dos Espíritos que vierem a comunicar-se por seu intermédio.
Outro recurso de grande valia para os médiuns iniciantes é conhecer os casos dos
médiuns mais antigos que lutaram com as mesmas dificuldades e hoje são figuras
de respeito no movimento espírita.
Os médiuns principiantes assemelham-se a frágeis sementes que não dispensam o
carinho do jardineiro para florescerem. Todavia é preciso auxiliá-los de tal forma
que, mais tarde, possam caminhar com os próprios pés, evitando uma
dependência psicológica nociva em todos os sentidos.
Os que aparecem no Centro Espírita com sintomas de mediunidade, não devem
ser convidados, de imediato, para essa ou aquela reunião mediúnica. Primeiro,
faz-se indispensável certo período preparatório, cuja duração dependerá de
inúmeros fatores, mas, basicamente, do próprio aproveitamento do interessado.
XIX- PSICOGRAFIA
"Se não é dado ao médium ser exclusivamente mecânico, todas as tentativas
para obter esse resultado serão infrutíferas, e estaria errado em se crer
deserdado por isso; se não está dotado senão da mediunidade intuitiva, é preciso
que com ela se contente, e não deixará de propiciar-lhe grandes serviços, se
sabe aproveitá-la, e se não a repele." - (O Livro dos Médiuns - Segunda Parte Cap. XVII)
A mediunidade mecânica, ou inconsciente, é rara.
De maneira geral, os médiuns de psicografia têm consciência do que escrevem.
A mediunidade consciente confunde-se com a intuição.
A falta de compreensão da mediunidade leva muita gente a desistir do seu
exercício.
Não vamos, aqui, alongar-nos em considerações que já tivemos oportunidade de
tecer nos capítulos precedentes, mas repetimos com Kardec que "não deve o
médium hesitar em escrever o primeiro pensamento que lhe for sugerido, sem se
importar se lhe vem dele próprio ou de uma fonte estranha..."
A orientação acima é válida também para os médiuns de psicofonia.
Um exemplo patente de mediunidade consciente, no campo da psicografia, é o
dos poetas, mesmo quando eles se mostram agnósticos, o que vem provar que "a
fé do médium novato não é uma condição rigorosa..."
Um dos mais célebres poetas da língua portuguesa, Fernando Pessoa, era
claramente médium. Ele próprio acreditava nisto, embora não tenha assumido a
mediunidade e considerasse as entidades comunicantes como simples
heterônimos seus, isto é, diferentes nomes seus...
Ser médium não exclui o valor pessoal de ninguém que seja médium. Não tivesse
Fernando Pessoa a bagagem literária que possuía, os Espíritos buscariam inspirálo em vão. Aliás, ser médium, é até mais difícil do que ser Espírito mensageiro...
Quase sempre, o médium tem que ser um instrumento maleável para os mais
diferentes tipos de comunicados. Não existem os que recebem os músicos, os
pintores, os filósofos, os poetas?
O médium que questiona em excesso a autenticidade da mensagem acaba por
anular-se. Se as ideias que grafa no papel são elevadas, deve seguir em frente.
Todo o Bem verte, originariamente, de Deus. Nós próprios, os Espíritos
comunicantes, por nossa vez, assimilamos as correntes de pensamento daquelas
entidades que habitam planos superiores aos nossos.
Se pudéssemos colocar a mediunidade numa equação matemática, teríamos:
Pensamento do Espírito manifestante + Pensamento do médium = Mensagem.
Evidentemente que tanto no pensamento do Espírito manifestante, quanto no
pensamento do médium, existem um sem-número de outros pensamentos
interferindo. Um livro ou um autor que o médium tenha lido pode interferir no
contexto da mensagem que recebe. Um diálogo que tenha tido, uma conversa
familiar, uma preocupação com determinado assunto e assim por diante. Esperar
do médium que ele se subtraia totalmente do meio em que vive é esperar o
impossível!
O médium psicógrafo consciente, ou semiconsciente não deve permitir que a
dúvida lhe prejudique o trabalho. Decida entre querer ser médium ou não ser. É
desnecessário que se atormente a vida inteira, como existem médiuns que vivem
mergulhados numa eterna luta contra si mesmos. Se não confiam na própria
mediunidade, podem trabalhar noutro campo; a seara é imensa e podem dar-se ao
luxo de escolher...
Agora, o médium disciplinado precisa ter controle sobre as comunicações que
recebe. Pior do que descrer é acreditar cegamente em tudo! Falar, no caso da
psicofonia, ou escrever, no caso da psicografia, o primeiro pensamento que
aparece, mesmo por mais absurdo e incoerente que seja, é colaborar com a
obsessão. Não se tome a palavra de Kardec no sentido literal.
Por isso o médium que se preza deve estudar a Doutrina, para aprender a
discernir.
XX- MEDIUNIDADE E MISSÃO
"Com qual finalidade a Providência dotou certos indivíduos da mediunidade de
uma maneira especial?
E uma missão da qual estão encarregados e que os tornam felizes; são os
intérpretes entre o Espíritos e os homens." - (O Livro dos Médiuns -Segunda
Parte - Cap. XVII)
Todos os médiuns têm uma missão a cumprir e toda missão é importante.
A missão do médium, seja qual for o seu grau de mediunidade, é a de ser
intérprete dos Espíritos, mantendo acesa a chama da fé na Imortalidade.
Ninguém se habilita a uma tarefa - digamos - maior, se não desempenha com
dedicação os encargos considerados menores.
Os médiuns investidos de missão especial, geralmente não têm consciência
definida sobre o trabalho que lhes cumpre desempenhar.
Os que se crêem médiuns missionários estão fascinados. E uma tática que os
Espíritos obsessores costumam empregar para arrasarem com muitas
mediunidades promissoras.
Os verdadeiros missionários fogem ao elogio e reconhecem a sua pequenez ante
a magnitude da causa a que servem.
Quando se tem o exemplo de Jesus Cristo lavando os pés dos discípulos,
cingindo-se com uma toalha à maneira dos antigos escravos e esclarecendo que o
Filho do Homem não viera para ser servido, mas para servir, qualquer tipo de
pretensão à superioridade é loucura.
O homem sabe tão pouco da vida e de si mesmo!...
Os médiuns devem limitar-se a cumprir o seu papel, empenhando nisso o melhor
de seus esforços, conscientes de que estarão sendo os maiores beneficiados,
consoante a máxima evangélica: "É mais bem-aventurado dar que receber."
Ninguém se queixe de suas lutas.
A mediunidade é um caminho para os Cimos, mas não é o único.
Outros companheiros, noutros setores das atividades humanas, estão fazendo
mais e melhor, sem serem médiuns...
O que destaca a mediunidade é a direção que se lhe dá.
Os alicerces de uma casa, embora estejam enterrados, é que lhe garantem as
estruturas.
Médiuns existem que passam pela Terra quase que em completo anonimato, mas
ante os olhos de Deus são verdadeiros missionários do Bem.
Outros estão sempre em evidência, todavia assemelham-se, infelizmente, às
flores artificiais: são belas, enfeitam o ambiente, mas não têm perfume...
DR. ODILON FERNANDES
Dr. Odilon Fernandes, cirurgião-dentista, professor universitário, comerciante,
nascido a 10 de outubro de 1907, em S. João de Capivari, Estado de S. Paulo, e
falecido em 13 de janeiro de 1973, em Guarulhos, Estado de S. Paulo, era o
segundo filho do Dr. Ludovice José Fernandes, também cirurgião-dentista, na
cidade de Uberaba e de Felicidade Fernandes.
Casado com D. Dalva Guido Fernandes em 1934, deixou quatro filhos.
Professor da Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro desde sua
fundação, lecionou Clínica Odontológica e, mais tarde, Dentística Operatória.
Aposentado, após um profícuo magistério, dedicou-se às pesquisas sobre
Hipnodontia, isto é, as aplicações da hipnose e das técnicas de condicionamento
mental no alívio das dores do paciente na rotina do trabalho odontológico.
Presidente da Subsecção da A. B. O. em Uberaba, recebeu honrarias variadas em
sua profissão, bem como o reconhecimento dos seus alunos, em títulos
honoríficos das suas agremiações académicas.
No caminho do serviço à comunidade, recebeu a presidência da Associação de
Cegos da cidade, em 1946, e transformou-a no Instituto dos Cegos do Brasil
Central, no ano de 1947, permanecendo nesse cargo até sua morte, em 1973.
Construiu, para essa agremiação, a sede própria dando-lhe características de
escola para a recuperação de deficientes visuais e não mais apenas as de abrigo
de incapacitados.
Durante suas gestões, foi fundado, anexo ao I.C.B.C., o Hospital Oftalmológico
para atendimento aos cegos da região.
Foi um dos fundadores e incentivadores do Banco de Sangue, ligado ao Hospital
da Criança, de cuja construção participou em campanhas e trabalhos pessoais.
Criou a primeira Guarda Mirim de Uberaba, que teve duração aproximadamente
de quatro anos. Para isto, inspirou-se em experiência anterior, quando criara e
tentara manter, durante algum tempo, um grupo de escoteiros. Também de
duração efémera foi a Sociedade dos Amigos da Cidade de Uberaba, por ele
fundada, juntamente com pessoas gradas da mesma comunidade.
Espírito aberto, nunca se negou a proteger, amparar, socorrer os necessitados ou
quem quer que fosse.
Orador brilhante, sempre procurou abraçar as causas justas, lutando pelo
desenvolvimento da sua terra de adoção, trazendo o seu concurso a dezenas de
agremiações sociais, esportivas e culturais.
Espírita por religião e pesquisador por convicção, aprofundou-se nas diversas
áreas do conhecimento da mente humana, interessando-se pela Parapsicologia,
Psicologia Experimental e Vida Extracorpórea. Para tanto, fundou e presidiu, até
à morte, a "Casa do Cinza", templo espírita-cristão.
"Casa", porque representaria um lar para aqueles que precisassem de religião, e
"do Cinza", por ser este o apelido de seu pai, Dr. Ludovice Fernandes, também
espírita, a cuja memória a casa foi organizada.
Sua vida se resumiu, em poucas palavras, no amor ao próximo, na persistência do
trabalho útil, na fidelidade aos seus princípios, na dedicação completa à
comunidade em que viveu. Por estas razões, a Câmara Municipal de Uberaba
houve por bem chamar Dr. Odilon Fernandes, à avenida onde um dia ele havia
projetado construir a sede própria grandiosa do Hospital Oftalmológico.
(Extraído do livro Espiritismo em Uberaba)

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