Discurso aos pais ausentes Enfim esse dia chegou. Foram

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Discurso aos pais ausentes Enfim esse dia chegou. Foram
Discurso aos pais ausentes
Enfim esse dia chegou. Foram 6 anos de muito aprendizado, determinação,
companheirismo e alegria, porém no meio deste percurso a vida nos surpreendeu com a
perda de alguém muito especial.
Eu e minha amiga Priscila não por acaso estamos aqui hoje, passamos por esse
momento juntas.
Quando estávamos no meio da faculdade tivemos uma infeliz coincidência quando
nossos pais, antes tão fortes e cheios de vida, foram surpreendidos por uma doença que
certamente abreviaria muito rápido suas vidas. E nesse momento, fomos tomadas por
inseguranças e incertezas de como seria essa longa caminhada que estava apenas iniciando,
sem nossos queridos pais. Como seria nossa vida dali pra frente sem nosso porto seguro?
Inimaginável. E dentro de curto intervalo de tempo eles se foram sem ao menos que
conseguíssemos nos despedir. Não tiveram como nos dizer adeus. E nesse momento um
sentimento passou a fazer parte constante da minha vida: a saudade. Procurei então seu
significado no dicionário e encontrei a seguinte definição: Saudade recordação nostálgica de
alguém ausente, decidi então ver o significado de nostalgia e encontrei: tristeza causada pela
saudade do passado. Então pensei comigo, tristeza, não é esse o sentimento que me vem ao
coração. A saudade, talvez, seja o único sentimento que faz sentir-me mais próxima de quem
eu tanto amei.
Pai você partiu deixando um imenso vazio. Se hoje conquisto mais uma vitória é
porque um dia você esteve ao meu lado e me ensinou a lutar pelos meus sonhos. Hoje
especialmente, a saudade é mais forte, mas a lembrança de sua voz amiga, às vezes áspera
quando eu fazia as minhas travessuras, do seu olhar de canto de olho que já dizia que o que eu
estava fazendo não era o correto, do seu sorriso, do seu jeito doce de ajudar as pessoas, da
sua humildade que só os que te conheciam podem me entender, do seu abraço, realimentam
um sentimento que jamais se apagará. Nunca me esquecerei do dia em que o senhor
percorreu a cidade inteira para contar a todos que, enfim, eu tinha realizado seu sonho:
Depois de tanta luta eu havia conseguido passar no vestibular de medicina. E após um ano e
meio desse ocorrido, quando o senhor já não tinha mais forças nem para tomar banho sozinho
devido a doença , num descuido, percebi que tinha percorrido vários quarteirões , em busca de
alguém que consertasse meu computador para que eu pudesse terminar um trabalho de
faculdade. Obrigada pai pela linda prova de amor.
Sei que estará sempre do meu lado e neste momento sinto seu peito cheio de orgulho
e seus olhos repleto de lágrimas. Sinto sua presença, ouço seus aplausos. Poderia dizer-lhe
tanta coisa, mas não consigo, só o silêncio pode dizer o que sinto: um amor enorme e
saudade...
Sei que ninguém mesmo estando ausente, se faz tão presente agora quanto os que amamos e
já partiram. Como disse Sant Exupéry: “ O essencial é invisível aos olhos”. Não procurarei o
brilho do teu olhar em meus convidados porque eu sei que mais que luz nos olhos você é luz
por inteiro.”
A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques, alguns acidentes, surpresas
agradáveis e grandes tristezas. Sei que você pai, somente desembarcou numa estação e nesse
momento me deixou órfão de seu carinho, amizade e companhia insubstituível, mas tenho
certeza que um dia vamos nos abraçar novamente e poderei dizer uma frase que me
arrependo de não dizer infinitas vezes quando você esteve aqui comigo: Te amo. Obrigado.
(Ana Beatriz Maringolo Pioltini)
Quando eu assumi o compromisso de realizar essa homenagem, confesso que tive medo.
Medo de travar a voz, medo de falar em público, de sentimentos meus tão guardados, medo
de cutucar uma ferida ainda não cicatrizada, medo de não conseguir transparecer o que eu
gostaria ou de transformar em drama um momento de imensa felicidade para todos nós. Mas
quando pensei que poderia ser uma linda homenagem ao meu Pai que tanto gostava de um
discurso e de um microfone, criei coragem.
Deus é testemunha das inúmeras vezes que comecei e desisti desse texto, das tantas frases
que escrevi e apaguei. É uma imensa responsabilidade falar em nome de queridos amigos, que
assim como eu, mesmo em um dia de tanta alegria, sentem falta de alguém em especial.
Quando fui escrever meu convite de formatura coloquei um trecho do poema de Clarice
Lispector que também traduz com muita simplicidade o que nós, que perdemos um ente
querido, sentimos no dia de hoje: “Há momentos na vida que sentimos tanta falta de alguém
que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la”. Um abraço forte
do meu pai é o que eu mais gostaria nesse momento. Mas eu sei que apesar da ausência física
destes que tão precocemente nos deixaram, existe a certeza de uma presença inexplicável,
presença que nos acompanham desde o momento em que se foram.
Aos nossos pais temos nossa eterna gratidão, não somente pela formação acadêmica, mas
pela formação como seres humanos. Deixaram-nos muito mais que herança genética,
deixaram-nos ensinamentos.
E a você, meu Pai, que de alguma maneira sei que está presente e cheio de orgulho, muito
obrigada. Obrigada pelas noites em claro matando os pernilongos. Obrigada por me forçar a
ser corintiana. Obrigada por tantas vezes me fazer rir de suas palhaçadas. Obrigada por ter
escolhido minha mãe e considerá-la a mulher da sua vida. Obrigada por sempre me fazer ver o
lado bom das coisas. Obrigada por acreditar em mim em meus sonhos e me ensinar a não
perder as esperanças. Obrigada pelas broncas tantas vezes necessárias. Obrigada por ser quem
você foi e me tornar quem eu sou.
Hoje é mais um dia de conquista e como sempre você está ao meu lado. Se cheguei até aqui
é porque você acreditou em mim. Nunca me esquecerei do dia em que eu passei no vestibular,
após três suados anos de cursinho, e você me disse que era o dia mais feliz da sua vida. Você é
parte disso tudo Pai, é parte de mim e essa vitória também é sua! Obrigada.
(Priscila Sayuri Kusano)

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