Estudo in vitro da relação carga/deflexão de

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Estudo in vitro da relação carga/deflexão de
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE ODONTOLOGIA
CENTRO DE ORTODONTIA E ORTOPEDIA FACIAL
PROF. JOSÉ ÉDIMO SOARES MARTINS
ESTUDO IN VITRO DA RELAÇÃO CARGA/DEFLEXÃO
DE DIFERENTES ALÇAS DE RETRAÇÃO
UTILIZADAS EM ORTODONTIA
GIULIANO BRAGATTO
CD
Dissertação apresentada à Faculdade de
Odontologia da Universidade Federal da
Bahia, como parte dos requisitos para
obtenção do título de Especialista em
Ortodontia.
Salvador
2003
ii
ESTUDO IN VITRO DA RELAÇÃO CARGA/DEFLEXÃO
DE DIFERENTES ALÇAS DE RETRAÇÃO
UTILIZADAS EM ORTODONTIA
GIULIANO BRAGATTO
CD
Orientador: Prof. Dr. Roberto Amarante Costa Pinto
Co-orientador: Prof. Fernando Antônio Lima Habib
Dissertação apresentada à Faculdade de
Odontologia da Universidade Federal da
Bahia, como parte dos requisitos para
obtenção do título de Especialista em
Ortodontia.
Comissão Examinadora:
Prof. Dr. Mickelsson Costa
Prof. Dr. Rogério Frederico Alves Ferreira
Profa. Dra. Telma Martins de Araújo
Salvador
2003
iii
Ficha Catalográfica
BRAGATTO Giuliano. Estudo in vitro da relação carga/deflexão de diferentes
alças de retração utilizadas em ortodontia. Salvador, UFBA, Faculdade de
Odontologia, 2003.
xvii, 85f.
Dissertação: Especialização em Ortodontia e Ortopedia Facial
Orientador: Prof. Dr. Roberto Amarante Costa Pinto
Co-orientador: Prof. Fernando Antônio Lima Habib
1. Alça de retração
3. Tratamento térmico
2. Relação carga/deflexão
4. Dissertações
I. Universidade Federal da Bahia – Faculdade de Odontologia
II. Título
CDU: 616.314-089.23
iv
À Hayana, minha esposa, pelo amor infinito dedicado a mim,
apoiando-me nas minhas decisões, incentivando-me
nas minhas dificuldades, revigorando-me nos
momentos de cansaço e, principalmente,
por sua inteira abdicação dos seus
sonhos e compromissos para
que neste momento os
meus pudessem
ser realizados.
Dedico.
v
AGRADECIMENTOS
A Deus, nosso Pai Celestial, pela oportunidade de ter conhecido e convivido
com pessoas maravilhosas e pelas amizades que fiz ao longo deste curso, porque
“tudo posso N’aquele que me fortalece”.
À minha querida mãe, Penha, pelos eternos ensinamentos e, em especial,
pelo exemplo de vida dado ao longo da minha existência.
Ao meu pai, José Elias, e as minhas irmãs, Lidiane e Júlia, que mesmo
distante sempre desejaram a minha felicidade.
Ao meu sogro, Robeval, e à minha estimada sogra, Anália, pela compreensão
e, acima de tudo, pelo amor e carinho demonstrados a mim.
À Coordenação do Curso de Especialização em Ortodontia, representada
pela Professora Doutora Telma Martins de Araújo, e aos meus orientadores,
Professores Dr. Roberto Amarante Costa Pinto e Dr. Fernando Habib, pelos
ensinamentos, incentivos, segurança e principalmente pelos exemplos de vida
dados a todos aqueles que têm o privilégio de tê-los como mestres.
Ao Professor Dr. Márcio Sobral pela amizade e constante disponibilidade
prestada na ilustração deste trabalho. Aos demais Professores que integram a
vi
equipe de Ortodontia da UFBA, Dr. Marcos Alan, Dra. Máyra Reis Seixas, Dr.
Marcelo de Castellucci, Dra. Adelisa Carvalho, Dra. Myrela Galvão, Dra. Fernanda
Catharino, Dr Rogério Ferreira, Dr. Mickelson Costa, Dr. Rivail Brandão, Dra.
Luciana Gomes, pelos conhecimentos transmitidos e dedicação ao Curso de Pósgraduação.
Aos meus colegas e irmãos de Pós-graduação, Luciano Lemos, Aline Alves,
Maridélia Machado, Márcia Costa e Josenita Nascimento, pelos incontáveis
momentos de alegria e satisfação dos quais sempre lembrarei com muito carinho.
Aos funcionários, Dona Lúcia Rivas, Suzana Sales, André Nascimento e Dona
Ginalva Souza pelo empenho de suas funções e ajuda prestada a todos do curso.
Ao meu cunhado e quase irmão, Társis, pela convivência harmoniosa, e ao
Dr. Lúcio Safira, pela oportunidade de podê-lo chamar de Grande Amigo.
Ao Dr. Magno Pinheiro, primeiro a incentivar a minha caminhada em busca de
uma ortodontia digna, e aos professores, Dra. Christina Tomé Pacheco, Dr. Ricardo
Bortolotti, Dr. Henrique Sardermberg, iniciadores na formação da minha consciência
profissional e compreensão a mim demonstrada.
À Semp-Toshiba, pela doação dos computadores feita ao Centro de
Ortodontia e Ortopedia Facial Dr. José Édimo Soares Martins da Faculdade de
Odontologia da Universidade Federal da Bahia, que nos favoreceu em muito para a
conclusão do Curso de Especialização.
À Professora, Giovana, e sua aluna, Adriana, pela contribuição dada à análise
estatística realizada no Departamento de Matemática da UFBA.
Aos responsáveis pelo Laboratório Profix e toda sua equipe, que gentilmente
cederam o forno de fundição utilizado para a realização do tratamento térmico das
alças avaliadas nesta pesquisa.
vii
E a todos que, de alguma forma, contribuíram para a realização deste
trabalho.
Os meus sinceros agradecimentos! Que DEUS abençoe a todos vocês!
viii
RESUMO
Durante a confecção das alças de retração são introduzidas tensões no fio, as
quais podem interferir na relação carga/deflexão desempenhada, havendo
necessidade de libertá-las através do tratamento térmico. O presente trabalho teve
como objetivos correlacionar a quantidade de ativação e a força dissipada por cinco
diferentes tipos de alças, verificar a existência de diferenças significativas da relação
carga/deflexão entre alças não submetidas ao tratamento térmico e aquelas tratadas
termicamente e verificar se a quantidade de fio utilizado na confecção das alças
influencia no desempenho das mesmas. Com base nos resultados obtidos nesta
pesquisa que utilizou diferentes tipos de alças construídas com fio de aço inoxidável
de espessura 0,018” x 0,025”, pôde-se concluir que: as cargas geradas pelas alças
de retração aumentaram de forma significativa à medida que a deflexão de ativação
também era aumentada; o processo de tratamento térmico de libertação de tensão
gerou proporções carga/deflexão significativamente mais baixas que as alças não
submetidas ao processo e que a maior quantidade de fio utilizado na confecção das
alças influenciou na redução da proporção carga/deflexão desempenhada pelas
mesmas.
ix
SUMMARY
Bending loops in a space closure arch wire induces residual tensions that may affect
wire load/deflection rate. This tensions must be released by heat treatment
procedure. The purposes if this study were to correlate the amount of activation and
force released by five different loop design; investigate if there is any different load/
deflection rate between the heat treated wires from those not treated, and, finally,
find how the amount of wire used on each loop configuration affect there
performance. Using .018” x .025” Brazilian stainless steel wire (Morelli ®) it may
concluded that: the load increased as much as the loop were deflected; the heat
treatment process decreased the load deflection rate in a significante way and the
amount of wire used had a important influence in the load/deflection rate decrease.
x
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
AISI =
Instituto Americano do Ferro e do Aço
CCC = Cúbica de corpo centrado
CFC = Cúbica de face centrada
Fe3C = Carboneto de ferro
Kg =
Quilograma
LEC =
Limite de escoamento convencional
LP =
Limite de proporcionalidade
E=
Módulo de elasticidade
Mpa =
Megapascal
RMT = Resistência máxima à tração
TCC = Tetragonal de face centrada
xi
LISTA DE FIGURAS
Página
Figura 1 Células simples de grades espaciais.
5
Figura 2 Modelos de cristais cúbicos.
6
Figura 3 Tipos de alças recomendadas para retração dos dentes
anteriores.
27
Figura 4 Arco de retração em massa preconizado por Begg.
32
Figura 5 Efeitos sobre as propriedades físicas de uma alça vertical.
34
Figura 6 Desenhos das alças avaliadas.
48
Figura 7 Dispositivo suporte de medição e paquímetro digital de precisão
Stainless Hardered.
Figura 8 Forno de fundição EDG, modelo F 3000, utilizado para
realização do tratamento térmico.
48
49
xii
LISTA DE GRÁFICOS
Página
Gráfico 1 Gráfico tensão/deformação para um fio de aço inoxidável
submetido à tração.
8
Gráfico 2 Gráfico tensão/deformação ilustrando os conceitos de resiliência
e tenacidade.
9
Gráfico 3 Gráfico de resistência à tração e ductibilidade de um metal em
função do percentual de trabalho a frio e tempo de tratamento
térmico.
11
Gráfico 4 Comparação das médias das alças sem o tratamento térmico
em todas as deflexões e ativações.
58
Gráfico 5 Comparação das médias das alças após o tratamento térmico
em todas as deflexões e ativações.
59
Gráfico 6 Comparação das médias da alça vertical com helicóide com e
sem tratamento térmico de libertação de tensões.
65
Gráfico 7 Comparação das médias do T loop com e sem tratamento
térmico de libertação de tensões.
65
xiii
Gráfico 8 Comparação das médias do tear drop loop com e sem
tratamento térmico de libertação de tensões.
66
Gráfico 9 Comparação das médias do bull loop com e sem tratamento
térmico de libertação de tensões.
66
Gráfico 10 Comparação das médias da alça reversa com e sem
tratamento térmico de libertação de tensões.
67
Gráfico 11 Comparação das médias mínimas e máximas de todas as
alças com e sem tratamento térmico na deflexão de 1mm.
67
Gráfico 12 Comparação das médias mínimas e máximas de todas as
alças com e sem tratamento térmico na deflexão de 1,5mm.
68
Gráfico 13 Comparação das médias mínimas e máximas de todas as
alças com e sem tratamento térmico na deflexão de 2mm.
68
Gráfico 14 Comparação das médias mínimas e máximas das alças com e
sem tratamento térmico na deflexão de 2,5mm.
69
xiv
LISTA DE TABELAS
Página
Tabela 1 Composição, percentual, de três tipos essenciais de aço
inoxidável.
20
Tabela 2 Valores numéricos das forças ótimas necessárias para a
movimentação dentária.
43
Tabela 3 Valores em gramas necessários para a movimentação dos
incisivos isoladamente e caninos.
44
Tabela 4 Somatória dos valores em gramas para a movimentação dos
incisivos e dos incisivos e caninos.
44
Tabela 5 Médias dos valores das medições de todas as ativações e
deflexões obtidas sem o tratamento térmico das alças.
57
Tabela 6 Médias dos valores das medições de todas as ativações e
deflexões obtidas após o tratamento térmico das alças.
58
Tabela 7 Análise descritiva dos dados na deflexão de 1mm.
61
Tabela 8 Análise descritiva dos dados na deflexão de 1,5 mm.
61
Tabela 9 Análise descritiva dos dados na deflexão de 2 mm.
62
Tabela 10 Análise descritiva dos dados na deflexão de 2,5 mm.
62
xv
Tabela 11 Resultados do p-valor dos testes de Kolmogorov-Smirnov e de
homogeneidade.
63
Tabela 12 Comparação das alças analisadas que se enquadram nos
valores referenciais de força ótima (segundo JARABACK e
FIZZELL, 1975) em suas respectivas deflexões.
74
xvi
ÍNDICE
Página
1 INTRODUÇÃO
1
2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS
5
2.1 Estrutura dos metais
5
2.2 Propriedades mecânicas dos metais
6
2.3 Tratamento térmico de libertação de tensões
9
2.3.1 Recuperação, recristalização e crescimento granular
2.4 Ligas para fios ortodônticos
2.4.1 Liga de aço inoxidável
10
15
16
2.5 Mecânica de retração
21
2.6 Reações teciduais e força ótima para o movimento dentário
36
3 PROPOSIÇÃO
46
4 MATERIAL E MÉTODO
47
4.1 Material
47
4.2 Método
50
4.3 Controle do erro
54
4.4 Análise estatística
54
xvii
5 RESULTADO
57
6 DISCUSSÃO
70
7 CONCLUSÃO
78
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
79
1
1 INTRODUÇÃO
Os materiais metálicos são muito utilizados em Ortodontia sendo de
fundamental importância o conhecimento de como uma liga ortodôntica é produzida
e quais são as suas propriedades para que se possa manuseá-los corretamente e,
assim, obter o máximo de aproveitamento da liga metálica (PHILIPS, 1995).
O uso do aço inoxidável na construção de aparelhos e fios ortodônticos
proporcionou um avanço muito significativo para a ortodontia (TOTTI, 1992), tanto no
que se refere à evolução como no custo mais acessível dos acessórios ortodônticos.
Acompanhando a evolução dos materiais empregados em ortodontia, surgiu
uma nova visão ortodôntica para a elaboração do plano de tratamento de uma
percentagem
significativa
de
maloclusões,
principalmente
aquelas
que
apresentavam discrepâncias entre o tamanho dentário e dos maxilares, bem como
entre as bases ósseas, onde freqüentemente o tratamento recai em uma terapia
com exodontias (RICKETS, 1976).
O tratamento ortodôntico de pacientes que apresentavam problemas de falta
de espaço para o correto alinhamento e nivelamento dos dentes começou a ganhar
importância através dos questionamentos de Strang e Tweed na década de 40
2
(MENDES, 1992), que ao analisar novamente as finalizações dos seus tratamentos
efetuados sem extrações, observaram que esses mesmos casos poderiam ser
finalizados de uma forma melhor se exodontias fossem realizadas. Os mesmos
estudiosos submeteram os pacientes, previamente tratados sem extrações
dentárias, a uma nova terapia com exodontias e obtiveram excelentes resultados.
A partir desse fato, devidamente apresentado e comprovado cientificamente,
várias técnicas mecânicas foram idealizadas com o intuito de promover o
fechamento
dos
espaços
em
tratamentos
ortodônticos
com
exodontias,
principalmente dos primeiros pré-molares.
Um dos pioneiros no emprego da técnica do arco segmentado para promover
a distalização dos caninos foi BURSTONE, em 1962, que após a análise minuciosa
dos seus experimentos, concluiu que o sucesso sobre o controle na movimentação
dentária depende da proporção carga/deflexão estabelecida, da magnitude do
momento de força e da constância da força aplicada aos dentes (ALBUQUERQUE,
1987). Quando da utilização dessa técnica, deve-se considerar, além de outras
variáveis, a espessura e as propriedades do fio usado, bem como o desenho da
mola de retração empregada. O aumento da quantidade de fio utilizado em uma
mola de retração implica em uma relação carga/deflexão mais adequada
(BURSTONE, 1982).
Segundo MANHARSTSBERGER em 1989, analisando sob esse ponto de
vista, deve-se sempre ter em mente a Terceira Lei de Newton que diz que a toda
ação corresponde a uma reação de igual magnitude e direção, mas em um sentido
contrário. BURSTONE, em 1982, enfatizou que ao se aplicar uma força na face
vestibular de um dente, utilizando outros dentes como ancoragem, os efeitos
3
adversos dessa força devem ser anulados para que se possa obter o máximo do
movimento dentário desejável.
A magnitude de força necessária para uma eficiente movimentação dentária
tem sido estudada por muitos pesquisadores (STOREY & SMITH, 1952; REITAN,
1957; BURSTONE & GROVES, 1961; THUROW, 1972; RICKETTS, 1976; QUINN &
YOSHIKAWA, 1985; MENDES et al. 1992; SHIMIZU, 1999).
De acordo com BURSTONE em 1994, de uma maneira geral, os conceitos da
física aplicada à engenharia mecânica podem proporcionar, fundamentalmente, três
características ao dispositivo ortodôntico: permitir o desenvolvimento e o
aperfeiçoamento de um desenho específico para os dispositivos ortodônticos; o
estudo da biofísica do movimento dentário, que possibilita quantificar os sistemas de
forças aplicados aos dentes e, assim, levar ao entendimento de suas respostas
clínicas e histológicas; produzir melhores resultados nos tratamentos, minimizando
os efeitos colaterais indesejáveis decorrentes da falta de conhecimentos de física.
Com a crescente necessidade de desenvolvimento de fios e molas que
proporcionem uma relação carga/deflexão mais compatível com o movimento
dentário, muitos estudos foram efetuados com esse objetivo. Sendo o fio de aço
inoxidável o mais utilizado devido ao seu baixo custo, fácil manuseio e possibilidade
de obtenção de excelentes resultados, soluções foram pesquisadas acerca das
propriedades das alças de retração. Durante a confecção das dobras são
introduzidas tensões no fio. Essas tendem a abrir a alça, possibilitando uma
deformação permanente, prejudicando o trabalho de movimentação dentária,
tornando-se então de necessidade fundamental liberar essas tensões. Para se
realizar este procedimento, o metal encruado é submetido ao tratamento térmico de
libertação de tensões, no qual este é aquecido a 450oC por 5 minutos, promovendo
4
então a libertação dessas tensões, mas mantendo a estrutura fibrilar do fio
(MUENCH, 1994). Em virtude das razões expostas, os pesquisadores passaram a
fazer tal procedimento.
A escolha do tipo de alça e a quantidade de ativação desta, durante as fases
de distalização de caninos e fechamento de espaços, deve ser realizada
criteriosamente. Assim sendo, é intuito deste trabalho entender o comportamento de
cinco tipos diferentes de alças confeccionadas com fio de aço inoxidável retangular
de espessura 0,018” x 0,025”.
5
2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS
2.1 Estrutura dos metais
Os átomos constituintes dos metais se dispõem no espaço em posições
ordenadas, um em relação ao outro, segundo formas geométricas, grades espaciais
(Figura 1), sendo as mais comuns a cúbica de face centrada (Figura 1c) e de corpo
centrado (Figura 1b) e a hexagonal compacta (Figura 1d), constituindo as estruturas
cristalinas cúbicas e hexagonal (MUENCH, 1994; ANUSAVICE, 1998).
A
B
C
D
Figura 1. Células simples de grades espaciais: A, cúbica simples; B, cúbica
de corpo centrado; C, cúbica de face centrada; D, hexagonal compacta.
Fonte: ANUSAVICE, 1998.
6
O agregado de um número muito grande de átomos constitui o grão cristalino
(Figura 2, página 6). Durante a solidificação do metal, esses grãos crescem a partir
de núcleos, encontrando-se ao terminar a fase líquida. As orientações da seqüência
de átomos nos diversos grãos cristalinos não são as mesmas e entre os grãos há
átomos que não ocupam posições homólogas com as dos grãos vizinhos e
constituem a substância intergranular (MUENCH, 1994).
A
B
Figura 2. Modelos de cristais cúbicos: A, face centrada; ; ;
B, corpo centrado.
Fonte: ANUSAVICE, 1998.
2.2 Propriedades mecânicas dos metais
Os materiais metálicos são os mais usados em ortodontia e o conhecimento
de suas propriedades torna-se importante. De acordo com THUROW em 1972,
PHILLIPS em 1995 e ANUSAVICE em 1998, várias são as propriedades mecânicas
dos metais, dentre elas temos:
- resistência: é definida como a tensão necessária para causar fratura ou uma
quantidade específica de deformação plástica (ANUSAVICE, 1998).
- resistência limite: é a tensão que o corpo de prova suporta ao se romper
(TOTTI, 1992, MUENCH, 1994).
7
- limite de proporcionalidade (Gráficos 1 e 2, páginas 8 e 9): ponto até onde as
deformações são proporcionais às tensões no corpo de prova (THUROW, 1972;
TOTTI, 1992; ANUSAVICE, 1998).
- limite de elasticidade: é a tensão máxima que pode ser aplicada ao corpo de
prova, sem que ele se deforme permanentemente. Para fins de estudo,
considera-se que o limite de elasticidade e o limite de proporcionalidade sejam
iguais por estarem muito próximos (TOTTI, 1992; MUENCH, 1994).
- limite de escoamento convencional: é a tensão necessária para se produzir
uma dada quantidade de deformação plástica, onde um esforço aplicado ao
material, além do limite de elasticidade, provoca uma deformação permanente
(ANUSAVICE, 1998). Na prática, é difícil determinar o limite de escoamento,
entretanto é mais fácil determinar o limite de escoamento convencional (LEC),
que corresponde à tensão relativa a uma deformação permanente de 0,1% a
0,2% (Gráfico 1, página 8). Para fins práticos, o LEC é considerado coincidente
com o de proporcionalidade e elasticidade (MUENCH, 1994).
- módulo de elasticidade (módulo de young ou módulo elástico): é uma área do
gráfico tensão/deformação e descreve a relativa rigidez de um material que é
medida pela curva da porção elástica deste gráfico (THUROW, 1972;
ANUSAVICE, 1998), sendo definido pela relação tensão/deformação unitária até
o limite de proporcionalidade (TOTTI, 1992). O aço apresenta um grande módulo
de elasticidade (Gráfico 1, página 8).
- resiliência: pode ser definida como a quantidade de energia absorvida por um
material quando este é tensionado até o limite de proporcionalidade
(ANUSAVICE, 1998), e é medida pelo módulo de resiliência sendo representada
por uma área sob a região elástica do gráfico tensão/deformação (MUENCH,
8
1994). Quanto maior a área, maior será a resiliência (Gráfico 2, página 9). É a
resistência do material a uma deformação permanente especialmente sob
impacto repentino (EICK, 1989).
.
2.000
1.800
Resistência Máxima à Tração = 1.625 MPa
-------------------------------------1.600 -----------------------------RMT
LCE (0,2%) = 1.536
.
1.200
1.000
LCE
MPa
LP = 1.020 MPA
---------------P
------------------------
TENSÃO
(MPa)
1.400
800
600
400
200
0
0,0
0,2
0,4
Deformação
convencionada a 0,2%
E = 1.020/0,0053 = 192 GPa
0,6
0,8
1,0
1,2
1,4
1,6
DEFORMAÇÃO (%)
Gráfico 1. Gráfico tensão/deformação para um fio de aço inoxidável
submetido à tração. O limite de proporcionalidade (LP) é de 1020 Mpa. O
limite elástico, embora não seja mostrado, é aproximadamente o mesmo
valor. O limite convencional de escoamento (LCE) a uma deformação
convencionada a 0,2% a partir da origem (O) é de 1536 Mpa e a
resistência máxima à tração (RMT) é de 1625 Mpa. Um valor para o
módulo de elasticidade (E) de 192000 Mpa foi calculado pela inclinação
da região elástica.
Fonte: ANUSAVICE, 1998.
- tenacidade: é definida como a quantidade de energia de deformação elástica
e plástica necessária para fraturar um material, e constitui uma medida de
resistência à fratura (ANUSAVICE, 1998). A tenacidade pode ser medida como a
área sob a curva tensão/deformação a partir da tensão zero até a tensão de
fratura (Gráfico 2, página 9).
9
Existem três propriedades mecânicas básicas de interesse para o
ortodontista: limite de elasticidade, módulo de elasticidade e flexibilidade máxima.
Em termos ortodônticos, a flexibilidade máxima é chamada de intervalo de ativação,
que é a maior distância através da qual um fio pode ser dobrado sem que ocorra
TENSÃO DE TRAÇÃO
deformação permanente (REISBICH, 1980).
DEFORMAÇÃO
Gráfico 2. Gráfico tensão/deformação ilustrando os conceitos de resiliência e
tenacidade. A resiliência pode ser calculada pela mensuração da área da
região elástica. A tenacidade está relacionada com a área total das regiões
elástica e plástica.
Fonte: ANUSAVICE, 1998.
2.3 Tratamento térmico de libertação de tensões
Os fios ortodônticos de aços inoxidáveis são obtidos por trefilação a partir de
um lingote metálico fundido. Os grãos cristalinos equiaxiais do lingote fundido
alongam-se, chegando a uma estrutura fibrilar (THUROW, 1972; BRANTLEY, 1989).
Esse ato de deformar os metais chama-se trabalho mecânico e quando os grãos
estão deformados diz-se que o metal sofreu encruamento (MUENCH, 1994).
10
O trabalho mecânico melhora consideravelmente algumas propriedades
mecânicas dos metais (BRANTLEY, 1989), entre elas a dureza, o limite de
proporcionalidade e a resistência limite. Por outro lado, o encruamento promovido no
metal diminui o alongamento, tornando a dobra de fios um processo crítico, podendo
haver fratura deste material (MUENCH, 1994).
Durante o trabalho mecânico são introduzidas tensões em alto grau, sendo,
às vezes, necessário libertá-las parcialmente. Para tanto, o metal encruado é
submetido a um tratamento térmico, o qual é elevado à certa temperatura por
determinado tempo. Com esse tratamento são libertadas as tensões, mas mantida a
estrutura fibrilar (THUROW, 1972; MUENCH, 1994).
Se esse recozimento for conduzido a temperaturas mais altas os grãos
cristalinos que estavam deformados, voltam à estrutura equiaxial antes da trefilação,
ou seja, inconveniente para fins ortodônticos. Isto é muito importante quando da
soldagem por brasagem, cujo super aquecimento dos fios implica na recristalização
e conseqüentemente na perda das propriedades mecânicas desejáveis (MUENCH,
1994).
2.3.1 Recuperação, recristalização e crescimento granular
De acordo com ANUSAVICE (1998), o tratamento térmico de modo geral
compreende três estágios: recuperação, recristalização e crescimento granular
(Gráfico 3, página 11).
A recuperação é considerada como o estágio em que as propriedades de
trabalho a frio começam a desaparecer antes que quaisquer alterações significativas
sejam observadas ao microscópio. Como pode ser visto no Gráfico 3 da página 11,
11
existe uma discreta redução na resistência à tração e nenhuma alteração na
ductilidade no estágio de recuperação.
Embora não mostrado, existe uma
pronunciada alteração na recuperação da condutividade elétrica, mais ainda, um
metal trabalhado a frio contém tensões residuais. Aparelhos ortodônticos fabricados
pela flexão de fios trabalhados mecanicamente são freqüentemente submetidos a
um alívio de tensões pelo tratamento térmico antes de sua instalação; tal processo
estabiliza a configuração do aparelho e permite uma precisa determinação da força
que o mesmo será capaz de exercer na boca.
A recristalização ocorre após o estágio de recuperação. Isto envolve uma
alteração radical na microestrutura, como pode ser visto no Gráfico 3. Os grãos
antigos desaparecem completamente e são substituídos por novos grãos livres de
deformações. Estes grãos de recristalização crescem na maioria das regiões do
metal severamente trabalhado a frio, geralmente nas fronteiras (limites) dos grãos,
ou onde a grade espacial tiver sido mais severamente deformada. Isto ocorre porque
Recuperação
Recristalização
Crescimento
dos grãos
Resistência à tração
Ductilidade
% de trabalho a frio
Tempo de tratamento térmico
Gráfico 3. Gráfico de resistência à tração e ductibilidade de um metal em
função do percentual de trabalho a frio e tempo de tratamento térmico.
Fonte: ANUSAVICE, 1998.
Ductilidade
Resistência à tração
Trabalho a frio
12
os núcleos livres de deformação consomem a matriz severamente distorcida mais
rápido do que a recuperação da mesma. Após a recristalização estar completa, o
material atinge essencialmente sua condição macia e dúctil original (Gráfico 3).
A estrutura recristalizada possui um tamanho médio pequeno, dependendo do
número de núcleos. Quanto mais severo for o trabalho a frio, maior será o número
destes núcleos. Portanto, o tamanho do grão para o material completamente
recristalizado pode variar de bem pequeno a razoavelmente grande.
Se a estrutura granular final sofreu novamente um processo de amaciamento
pela temperatura (tratamento térmico), os grãos começam a crescer, minimizando a
energia da fronteira destes. Como efeito, os grãos maiores consomem os menores.
O processo de crescimento granular não progride indefinidamente até a derradeira
formação de um único cristal, em vez disso, uma estrutura grande é produzida e
então, em termos práticos, o processo de crescimento granular está terminado.
O tratamento térmico em excesso pode levar a grãos maiores.
Este
fenômeno ocorre somente em metais trabalhados mecanicamente. Quando uma
grande estrutura granular está presente em uma fundição, esta é primariamente
resultante de excessivas temperaturas de fundição. Uma grande estrutura granular é
geralmente prejudicial às propriedades de resistência de um metal.
Por outro lado, com um tamanho de grão suficientemente grande,
particularmente em um aparelho odontológico de pouca espessura transversa, a
grade espacial de um grande grão pode ser orientada de tal modo que produza uma
alta ductilidade e um baixo limite de proporcionalidade.
O ortodontista submete o fio de aço, seja ele de secção redonda ou
retangular, a uma série de dobras, entre elas se destacando as alças de retração.
Durante esse trabalho a frio, são introduzidas tensões no fio, onde na região externa
13
da curvatura da alça existem tensões de tração. Essas tensões tendem a abrir a alça
e agem no mesmo sentido da sua ativação, possibilitando uma deformação
permanente, prejudicando o trabalho de movimentação dos dentes (MUENCH,
1994).
Em virtude das razões expostas, os pesquisadores passaram a fazer o
tratamento térmico de libertação das tensões.
O tratamento térmico foi introduzido por Emery Frase em 1949, através da
Fundação Charles H. Tweed, para pesquisas em Ortodontia, o qual possibilitava
uma melhora das propriedades mecânicas dos fios ortodônticos após a dobra,
reduzindo a concentração de esforços. Pesquisas realizadas utilizando fios redondos
de aço inoxidável 18/8, duros e extraduros de diferentes marcas e diâmetros,
demonstraram que a libertação de esforços a temperaturas de 370oC e 480oC
melhorava consideravelmente as propriedades elásticas dos fios, libertava tensões
introduzidas durante a manipulação, reduzindo a possibilidade de ruptura durante o
uso clínico e não era suficiente para justificar tempos e temperaturas diferentes no
tratamento térmico. (KOHL, 1964; THUROW, 1972; BRANTLEY, 1989; ANUSAVICE,
1998).
O fio de aço inox, pronto para o uso ortodôntico, deve ser submetido ao
tratamento térmico em baixas temperaturas, em aparelhos especiais ligados à
corrente elétrica no próprio consultório, com a finalidade de aliviar as tensões
produzidas após o seu manuseio (ANUSAVICE, 1998).
O tratamento térmico das ligas de aço proporciona um melhor aproveitamento
de suas propriedades mecânicas se elas forem previamente endurecidas ou
normalizadas por processo de usinagem. Durante o seu preparo industrial, o aço
inox sofre trefilamento (processo de transformação térmico-mecânico), que tem por
14
objetivo reduzir as dimensões do aço, ocorrendo alteração na estrutura dos grãos
cristalinos e alguma formação de martensita. É feito então o recozimento com o
objetivo de reestruturar os grãos cristalinos, tornando a liga menos rígida,
recuperando suas propriedades físico-mecânicas (FERREIRA, 1999).
A temperatura ideal para o tratamento térmico das ligas de aço deve ser em
torno de 399oC durante 11 minutos (MARCOTTE, 1973). LINO em 1973, estudando
molas de aço para fechamento de espaço, encontrou melhores resultados quando o
tratamento térmico era realizado a 450oC durante 6 minutos. Após o tratamento
térmico em baixa temperatura, o valor do módulo de elasticidade aumenta
aproximadamente 10%, ou menos, nas ligas de aço inoxidável e cerca de 10% a
20% nas ligas em cromo-cobalto (BRANTLEY, 1989).
Em suas pesquisas, TOTTI em 1992, concluiu que o tratamento térmico
induziu uma deformação permanente em todas as alças analisadas, sendo esta
influenciada pela espessura e marca dos fios utilizados. Com relação à espessura, a
maior deformação permanente ocorreu nas alças confeccionadas com fio 0.021” x
0.025", seguido do fio 0.017” x 0.025”, sendo que a menor deformação ocorreu no fio
0.018" x 0.025”. Quanto às marcas estudadas, a ordem crescente de deformação
plástica foi: G.A.C., ROCKY MOUNTAIN, UNITEK e DENTAURUM.
A eficiência do tratamento térmico depende, em grande parte, da composição
do aço (KOHL, 1964; ANUSAVICE, 1998), entretanto, a exata composição química
do fio e suas propriedades físicas nem sempre são fornecidas ou definidas pelos
fabricantes (KOHL, 1964). Os benefícios do tratamento térmico são dependentes do
ponto de fusão da liga e da temperatura utilizada, sendo esse um processo relativo:
quanto mais alto o ponto de fusão da liga, maior será a temperatura necessária para
o tratamento térmico (amaciamento). Uma regra geral é utilizar uma temperatura que
15
seja aproximadamente a metade daquela necessária para se fundir o metal na
escala de temperatura absoluta em graus Kelvin (ANUSAVICE, 1998). Segundo
MUENCH (1994), as temperaturas e tempos empregados para a libertação das
tensões dependem das ligas. Para os aços inoxidáveis, a maioria dos autores
preconiza tempos de 5 a 20 minutos, em temperaturas de 370oC a 460oC.
2.4 Ligas para fios ortodônticos
Em ortodontia raramente são empregados metais puros, pois as suas
propriedades mecânicas são pobres, e podem ser amplamente melhoradas pela
formação de ligas metálicas. Uma importante exigência das ligas metálicas é que
possuam alta resistência mecânica e à corrosão.
Para a fabricação dos fios utilizados atualmente na clínica ortodôntica, além
do aço inoxidável têm-se as ligas de ouro, ligas de níquel-cromo, ligas de cromocobalto-níquel, ligas de níquel-titânio e ligas de beta-titânio (PACHECO, 1995). Os
fios de cromo-cobalto-níquel e de aço inoxidável possuem semelhanças na
aparência, nas propriedades físicas e nas características de soldagem. Já as ligas
de níquel-titânio apresentam ótimas características elásticas e pouca rigidez, porém
seu uso fica restrito devido à impossibilidade de confecção de alças e dificuldade de
soldagem (BRANTLEY, 1989). Nas ligas de beta-titânio a soldagem a ponto de
acessórios ortodônticos é possível e não há necessidade de se realizar uma
soldagem adicional com solda de prata para reforçar a estrutura (BURSTONE,
1987).
16
2.4.1 Liga de aço inoxidável
O uso de fios de aço inoxidável foi introduzido há cerca de 60 anos e tinham
por finalidade a substituição dos metais nobres na terapêutica ortodôntica. Existem
muitos tipos de aços inoxidáveis, a depender da sua composição.
De acordo com THUROW (1972), a American Iron and Steel Institute (AISI) é
o órgão americano responsável para catalogar os aços, onde recebem numerações
segundo suas composições e propriedades físicas. Para se estudar os aços
inoxidáveis, é preciso ter como base os aços-carbono. De acordo com ANUSAVICE
(1998), os aços-carbono são ligas à base de ferro que usualmente contêm menos de
1,2% de carbono. As diferentes classes de aços são embasadas em três possíveis
arranjos de grade espacial do ferro. O ferro puro à temperatura ambiente possui
uma estrutura cúbica de corpo centrado e é referido como ferrítico. Esta fase é
estável a temperaturas altas como 912oC. Os espaços entre os átomos na estrutura
cúbica de corpo centrado (interstícios) são pequenos e achatados nos pólos
(oblatos); portanto, o carbono possui uma baixa solubilidade no estado ferrítico
(máximo de 0,02% de peso).
Na temperatura entre 912oC e 1394oC, a forma estável do ferro é uma forma
cúbica de face centrada denominada austenítica. Os interstícios na grade espacial
cúbica de face centrada são mais largos do que aqueles na estrutura cúbica de
corpo centrado.
Entretanto, o tamanho do átomo de carbono limita a máxima
solubilidade do carbono a 2,1% de peso (ANUSAVICE, 1998).
Quando o aço austenítico é resfriado lentamente a partir de altas
temperaturas, o excesso de carbono, que não é solúvel no ferrítico, forma carboneto
17
de ferro (Fe3C). Esta fase dura e friável adiciona resistência às formas do ferro
ferríticas e austeníticas consideradas relativamente dúcteis e macias. Entretanto,
esta transformação requer uma difusão e um período definido de tempo. Se o aço
austenítico for resfriado rapidamente, este irá sofrer uma transformação espontânea
e com ausência de difusão a uma estrutura tetragonal de corpo centrado
denominada martensítica. Esta grade espacial é altamente distorcida e deformada,
resultando em uma liga dura e resistente (ANUSAVICE, 1998). O níquel estabiliza o
aço na forma austenita, mesmo em temperatura ambiente, por isso os aços
adicionados desse elemento são conhecidos como austeníticos, e nessa condição,
são metais mais macios, e a incorporação de cromo confere resistência à deflexão e
à corrosão (THUROW, 1972).
A formação do aço martensítico é um importante mecanismo de reforço para
os aços-carbono. As faces cortantes dos instrumentos de aços-carbono são
freqüentemente martensíticas, porque a dureza extrema permite o desgaste de uma
borda aguda que esteja mantida em uso. O aço martensítico decompõe-se para
formar carbonetos ferríticos. Este processo pode ser acelerado pelo tratamento
térmico apropriado para reduzir-se a dureza, porém isto é contrabalançado pelo
aumento em tonicidade. Quando realizado desta maneira, o tratamento térmico é
chamado têmpera (ANUSAVICE, 1998).
As ligas de aço podem ser classificadas conforme a quantidade de carbono
presente (FERREIRA, 1999). Segundo o Metals Handbook (1981), o material é
considerado com baixo conteúdo de carbono se tiver no máximo 0,15% desse
elemento; entre 0,15% e 23% de carbono, é considerado de médio-baixo conteúdo;
de 23% a 44% é considerado de médio-alto conteúdo de carbono e acima de 44% é
de alto conteúdo.
18
As ligas de aço comumente utilizadas em ortodontia são de baixo conteúdo
de carbono, apresentam cerca de 0,08% a 0,015% de carbono, além de 18% de
cromo e 8% de níquel, o que é representado pelo grupo 18/8 de aços inoxidáveis.
Essas ligas contêm, ainda, ferro e alguns modificadores. (THUROW, 1972;
FERREIRA, 1999). Estruturalmente, é um tipo austenítico (MUENCH, 1994).
Quando 12% a 30% de cromo são adicionados ao aço, a liga é comumente
chamada de aço inoxidável, sendo esta a principal liga utilizada em ortodontia
composta de ferro-cromo-níquel. Outros elementos, além do ferro, carbono e cromo
podem também estar presentes, resultando em uma grande variação na composição
e propriedades desses metais. Por exemplo, à temperatura ambiente, o limite
convencional de escoamento pode variar de 211 Mpa a mais de 1760 Mpa
(ANUSAVICE, 1998).
As superfícies das ligas de aço, quando analisadas clinicamente, apresentamse cobertas por uma camada orgânica rica em sódio, fósforo, enxofre, cloro e cálcio.
O cromo é o elemento responsável pela resistência à corrosão desse aço no meio
bucal (ANUSAVICE, 1998). A exposição do metal ao meio aquoso bucal promove a
formação de uma camada de oxidação superficial, a qual depende das
características da superfície do metal (MUENCH, 1994). Este forma uma camada de
óxido, aparentemente passiva, não apresentando qualquer produto de corrosão
(EDIE et al, 1981), além de não ser visível e permitir que o mesmo continue
apresentando seu brilho característico (MUENCH, 1994).
O aço inoxidável 18/8 não é suscetível de tratamento térmico endurecedor,
conforme acontece com os aços-carbono. As propriedades mecânicas desejáveis do
aço inoxidável 18/8 são conseguidas por meio do trabalho mecânico de trefilação
para obtenção dos fios. Disto se pode inferir o cuidado a ser tomado na soldagem
19
indireta, pois uma temperatura de 700oC a 800oC pode recristalizar em poucos
segundos um fio ortodôntico.
Os aços-carbono se oxidam à temperatura ambiente, sendo preferível utilizar
os aços enriquecidos de cromo e níquel. As ligas de aços-carbono necessitam de
banhos salinos para se obter a estabilidade desejada da austenita, caracterizando,
assim, maior rigidez. As ligas de aço austenítico podem ser endurecidas pelo
trabalho a frio, não necessitando de banhos salinos. Os aços austeníticos
comumente utilizados para confecção de fios e de anéis ortodônticos são do tipo 302
e 304, os quais são ditos inoxidáveis por apresentarem em sua composição mais
que 18% de cromo (MUENCH, 1994; ANUSAVICE, 1998).
Existem essencialmente três tipos de aços inoxidáveis, evoluindo a partir dos
possíveis arranjos de grades espaciais previamente descritos para o ferro. Esta
classificação com suas composições aproximadas é fornecida na Tabela 1 da
página 20 (ANUSAVICE, 1998).
As ligas de aços inoxidáveis ferríticos são freqüentemente designadas como
Ferro Americano e aços inoxidáveis Série 400 do Instituto do Aço (AISI).
Este
número de série é dividido com as ligas martensíticas. As ligas ferríticas provêm
uma boa resistência à corrosão a um baixo custo, uma vez que uma alta resistência
não seja necessária. Devido ao fato da alteração de temperatura não induzir uma
mudança de fase no estado sólido, a liga não é enrijecida pelo tratamento térmico.
Mais ainda, o aço inoxidável ferrítico não é prontamente endurecido pelo trabalho.
Esta série possui pequena aplicação na odontologia (ANUSAVICE, 1998).
As ligas de aço inoxidável martensíticas dividem a designação AISI 400 com
as ligas ferríticas. Elas podem ser tratadas do mesmo modo que os aços puros de
carbono, com resultados similares. Devido a sua alta resistência e dureza, os aços
20
inoxidáveis martensíticos são utilizados em instrumentos cirúrgicos, cortantes e
pontas de alicates ortodônticos.
Tabela 1. Composição, percentual, de três tipos essenciais de aço inoxidável.
Sílica, enxofre fósforo, manganês, tântalo e nióbio podem também estar presentes
em pequenas proporções. CCC, cúbica de corpo centrado; CFC, cúbica de face
centrada; TCC, tetragonal de face centrada.
Fonte: ANUSAVICE, 1998.
Tipo (Grade Espacial)
Cromo
Níquel
Carbono
Ferrítico (CCC)
11,5-27
0
0,20 máx.
Austenítico (CFC)
16-26
7-22
0,25 máx.
Martensítico (TCC)
11,5-17
0-2,5
0,15-1,20 máx.
O limite convencional de escoamento do aço inoxidável martensítico com alto
teor de carbono pode variar de 492 Mpa, na condição torcida termicamente, a 1898
Mpa no estado endurecido, bruscamente resfriado e temperado. A resistência à
corrosão do aço inoxidável martensítico é menor do que a de outros tipos e é
reduzida mais ainda após o tratamento térmico.
De modo geral, quando a
resistência e dureza aumentam, a ductilidade diminui (ANUSAVICE, 1998).
Quando a liga de aço austenítica é resfriada bruscamente, pode sofrer
transformação martensítica, que é uma estrutura atômica meta-estável, cúbica de
corpo centrado de ferro saturado e carbono (MUENCH, 1994).
Os tipos de aços inoxidáveis austeníticos são as ligas mais resistentes à
corrosão dos aços inoxidáveis. O AISI 302 é um tipo básico, contendo 18% de
cromo, 8% de níquel e 0,15% de carbono. O aço inoxidável, Tipo 304, possui uma
21
composição similar, porém a principal diferença é seu reduzido conteúdo de carbono
(0,08%). Ambos podem ser designados como aço inoxidável 18/8; eles são os tipos
mais comumente utilizados pelos ortodontistas na forma de anéis (bandas) e fios. O
tipo 316L (0,03% máximo de carbono) é o tipo mais freqüentemente empregado em
implantodontia (ANUSAVICE, 1998).
Geralmente, o aço inoxidável austenítico é preferível ao aço inoxidável
ferrítico devido às seguintes características: maior ductilidade e capacidade de sofrer
mais trabalho a frio sem fraturar; substancial aumento de resistência durante o
trabalho a frio; maior facilidade de solda; capacidade de prontamente superar
sensibilização; o crescimento granular é menos crítico; comparativamente fácil de
modelar (ANUSAVICE, 1998).
A vantagem de incorporar o cromo ao aço em ortodontia está em obter uma
combinação entre suavidade e tenacidade, permitindo uma liga estável e
consistente, capaz de se submeter à realização de dobras com desenhos complexos
(FERREIRA, 1999).
2.5 Mecânica de retração
A mecânica de retração, apesar de ser utilizada em praticamente todas as
técnicas ortodônticas, apresenta uma variação muito grande no que diz respeito à
maneira como ela é executada pelos diferentes profissionais (MENDES, 1992).
BULL (1951) recomendava que para a retração parcial dos caninos em casos
de exodontias de primeiros pré-molares, arcos seccionados confeccionados com fio
0,021" x 0,025”. A quantidade dessa retração era determinada pela necessidade de
espaço para verticalização e alinhamento dos incisivos. O arco constituía-se de uma
22
alça, denominada bull loop, no meio do espaço da extração ativada por um ômega
mesial, porém, afastado do tubo do molar. A ativação dessa alça deveria ser no
máximo de 1mm e reativada em três semanas. Para a retração dos incisivos,
recomendava arcos contínuos com fio 0,021" x 0,025” com alças fechadas (Figura 3
A, página 27), confeccionadas entre os incisivos laterais e os caninos e ativadas 1 a
1,5mm através de ômegas mesiais aos tubos dos molares.
A alça bull loop (Figura 3 A, página 27) é versátil e sua localização deveria ser
sempre dentro do espaço a ser fechado. O comprimento desta alça seria em função
da profundidade do vestíbulo; na maxila em torno de 8mm e na mandíbula 6,5mm
(JOULE, 1960). Esta alça idealizada por Bull quando confeccionada com fio de aço
inoxidável 0,021” x 0,025” e ativada em 1,25 mm, liberava uma magnitude de força
superior a 1kg (HIXON et al, 1969). Já ROSENSTEIN e JACOBSON (1970)
recomendavam, para a retração dos dentes anteriores, superiores e inferiores, a alça
de Bull modificada (Figura 3 B, página 27), a qual seria fechada em todo o seu
comprimento, exceto na sua porção apical; sua ativação em 1mm produziria uma
magnitude de força de 200 a 300 gramas.
Para o fechamento de espaços, era utilizada a alça em forma de gota (tear
drop loop), localizada distalmente aos incisivos laterais e ativada em 1,25mm (Figura
3 H, página 27). Nos casos que existiam uma inclinação vestibular excessiva dos
incisivos, as alças verticais reversas eram indicadas (Figura 3 G, página 27)
confeccionadas com fio redondo (TWEED, 1966).
CARR (1971), preconizava retração em massa dos seis dentes anteriores.
Para isto, utilizava um arco 0,021” x 0,025”, confeccionado de canino a canino, com
torque lingual para incisivos e caninos. Este torque teria por objetivo prevenir o
posicionamento das raízes na cortical óssea vestibular que dificultaria a retração.
23
Para a retração desses dentes, confeccionava alças com quatro helicóides em fio
0,015” x 0,028” (Figura 3 M, página 27), fixadas em tubos verticais, soldados
distalmente aos bráquetes dos caninos e na sua porção posterior aos tubos molares.
Recomendava uma dobra de 180º para a obtenção de efeito de intrusão e controle
de torque e uma ativação de 8mm a 10mm. Para a ancoragem, utilizava um arco
transpalatal, confeccionado com fio 0,036", estendendo-se de primeiro a primeiro
molar, associado à tração extra-oral cervical utilizada 10 a 12 horas por dia.
Para o fechamento de espaços em casos de extrações, as alças reversa
simples ou reversa com um helicóide (Figura 3 F e G, página 27) poderiam ser
usadas. Para a retração em massa dos seis dentes anteriores, quando estes se
encontravam razoavelmente posicionados em suas bases ósseas e existia espaço
variando de 1mm a 3mm entre os caninos e segundos pré-molares, sugeriam a alça
reversa com helicóide confeccionada em fio "elgiloy” 0,016” x 0,016”, a qual teria
7mm de haste distal e 8mm de haste mesial com uma distância de 1mm entre elas.
Seriam incorporados também “gable-bends” que teriam a função de evitar a
mesialização dos dentes posteriores e a inclinação vestibular das raízes dos dentes
anteriores (JARABAK e FIZZELL, 1972).
Para um canino transladar, existia a necessidade de que a força fosse
aplicada no seu centro de resistência. Se a força fosse de 200 gramas, deveria
produzir 200 gramas no bráquete e um momento de 2000g/mm, desde que a
distância entre o bráquete e o centro de resistência fosse de 10mm. Em outras
palavras, produzir-se-ia uma relação momento força de 10:1. Utilizando-se alças
verticais (Figura 3 C, página 27) para fechamento de espaços, produziria um
momento que faria com que a raiz movimentasse distalmente. Para uma alça de
6mm de comprimento, a relação momento/força seria muito baixa (2,2:1), o que
24
dificultaria o controle radicular, fazendo com que esta se movimentasse mesialmente
(BURSTONE e KOENIG, 1976).
Os mesmos autores sugeriram que, para se aumentar a relação
momento/força durante a ativação, era necessário o aumento do comprimento da
alça no sentido apical. Este procedimento, no entanto, era limitado, pois poderia
provocar irritação na mucosa vestibular.
Outra maneira seria o aumento da
quantidade do fio na ponta da alça, o qual faria com que a relação momento/força
aumentasse e a relação carga/deflexão diminuísse. Isto poderia ser feito utilizandose a alça em “T” (Figura 3 I, página 27). A vantagem desta alça sobre a vertical
simples (Figura 3 C, página 27) era que aquela possuía uma relação momento/força
muito mais alta, o que possibilitaria o controle radicular e uma relação carga/deflexão
baixa que permitiria uma maior constância da força. MANHARSTSBERGER et al
(1989) comentaram que, quando se realizava o fechamento de espaços com a alça
“T”, poderia diminuir a magnitude da força pela redução do diâmetro do fio ou da
quantidade de ativação da alça; quanto à relação momento/força, esta poderia ser
aumentada introduzindo-se angulações na alça.
Em sua técnica bioprogressiva, RICKETS, em 1976, propôs o fechamento de
espaços com a utilização de dois tipos de arcos: o arco “A” com mola em forma de
delta duplo e o arco “B” com alça para a integração dos segmentos anterior e
posterior após a terapia com arcos seccionados (Figura 3 L e F, página 27).
Recomendava, também, o arco com alça reversa invertida (Figura 3 G, página 27)
para dar torque e retrair os incisivos superiores.
Um eficiente método, segundo LEWIS (1976), para fechamento dos espaços
de extrações no arco inferior era o uso de molas helicoidais, mola “H”, (Figura 3 N,
página 27) associada à mecânica intermaxilar com elásticos de classe II. Para se
25
obter bons resultados com a referida mola, seria necessário que os dentes
estivessem perfeitamente nivelados e uma redução na espessura do arco nos
segmentos posteriores far-se-ia necessária para a diminuição da fricção. Em casos
de maloclusões de classe II, o fechamento de espaços no arco inferior seria obtido
com molas “H” soldadas 2mm a 3mm à distal dos caninos e ativadas nos prémolares que, por sua vez, estariam ligados aos molares. No arco superior, após a
distalização dos caninos com elásticos de classe Il atuando diretamente sobre seus
bráquetes, a retração dos incisivos seria feita com alças verticais nos espaços
remanescentes.
TWEED (1966) preconizava, para o fechamento de espaços, utilização de
alças em forma de gota (Figura 3 H, página 27) localizadas distalmente aos incisivos
laterais e ativadas em 1,25mm (1 dime). Recomendava também, uma alça reversa
confeccionada com fio redondo, nos casos em que existia uma inclinação vestibular
excessiva
das
coroas
experimentalmente
o
dos
incisivos.
comportamento
SCELZA
desta
mola
et
al
(1985)
preconizada
por
testaram
Tweed,
confeccionada com 6mm de comprimento e 3mm de diâmetro em fio 0,019” x 0,025".
Nesse estudo, puderam verificar que este tipo de mola, quando ativada 1,25mm,
libera magnitude de força de 1kg sobre os dentes suportes.
Acrescentaram,
também, que a ativação superior a 1,25mm provocaria nesta mola uma deformação
permanente. Assim sendo, recomendavam que as ativações fossem menores ou
iguais a 1,25mm para que as propriedades desta mola pudessem ser preservadas.
FAULKNER et al (1991) descreveram alguns requisitos necessários a um
arco de retração:
-
deveria produzir níveis de força e razão momento/força apropriados para
executar a movimentação dentária desejada;
26
-
deveria ter capacidade de ser submetido a uma variação razoável de
ativação/desativação, onde o aparelho liberaria forças e momentos
relativamente constantes;
-
deveria ser suficientemente pequeno de modo a não causar desconforto
ao paciente.
Com o objetivo de testar o comportamento de molas para fechamento de
espaços, esses autores realizaram um estudo experimental, onde analisaram
primeiramente o desempenho da alça vertical (Figura 3 C, página 27) e, a seguir,
foram introduzindo modificações nessa, tais como, a adição de helicóide na sua
região apical, nas regiões apical e laterais (Figura 3 D e E, página 27) e “gablebends”.
Referindo-se à alça vertical para fechamento de espaços, comentaram sobre
a limitação de sua ativação, facilmente deformada de maneira permanente durante a
sua instalação e que não produzia a relação momento/força necessária para a
execução de movimento de translação ou inclinação controlada. No entanto, seu
desempenho podia ser melhorado com a utilização de uma maior quantidade de fio
na sua confecção. Assim sendo, a adição de helicóides na sua porção apical e nas
laterais e “gable-bends” nas suas extremidades reduzia os níveis de força,
aumentava a sua capacidade de ativação e o seu limite de elasticidade, bem como a
sua relação momento/força (FAULKNER et al, 1991).
Descrevendo a confecção de uma alça, MAYORAL e MAYORAL (1977)
citaram que esta deveria ser constituída de uma base, duas hastes e uma parte
conectora que pode ser uma simples secção curva ou um helicóide. A presença do
helicóide aumentaria a sua elasticidade e o aumento de seu comprimento diminuiria
a magnitude de força.
Como o comprimento das hastes não pode ser muito
27
aumentado pelas limitações anatômica e funcional, a incorporação de helicóide traria
maior elasticidade e elevaria a duração da força. Para o fechamento de espaços,
sugeriram a utilização de arco 0,016” com a alça reversa simples ou com helicóide
(Figura 3 F e G).
A
E
I
N
B
F
J
O
C
G
L
P
D
H
M
Figura 3. Tipos de alças recomendadas para retração dos dentes anteriores. A,
Bull loop; B, Bull loop modificado; C, Alça vertical; D, Alça vertical com helicóide;
E, Alça vertical com helicóide modificada; F, Alça Reversa; G, Alça Reversa com
helicóide; H, Tear drop loop; I, “T’” loop; J, “T’” loop modificado; L, Delta duplo; M,
Alça com quatro helicóides; N, mola “H”; O, molas abertas ativadas por amarrilhos;
P, molas fechadas.
Fonte: MENDES et al, 1992.
Existem várias maneiras para se executar o fechamento de espaços
RENFROE, 1975):
a) “stops” soldados mesiais aos tubos molares e ativados com amarrilhos;
28
b) mola fechada com uma extremidade fixa ao tubo molar e a outra, após a
sua ativação, a um esporão (Figura 3 P);
c) mola aberta colocada distalmente a um “stop” feito entre os caninos e
segundos pré-molares e ativadas através de fios de amarrilhos que as
comprimem e são amarrados a esporões mesiais aos caninos (Figura 3
O página 27);
d) módulos de “alastiks” que seriam ativados de maneira semelhante às
molas fechadas.
Na retração em massa dos seis dentes anteriores, nos casos de extrações
dos primeiros pré-molares, em que os terceiros molares não podem ser incluídos no
segmento de ancoragem, a menos que a migração mesial dos dentes posteriores
seja desejada, um aparelho extra-oral apropriado se faz necessário (NIKOLAI,
1985).
Comparando fios de aço inoxidável e de beta-titânio com espessuras 0,016” x
0,022” e 0,017” x 0,025”, GARNER & colabs (1986), concluíram que o fio de betatitânio requeriu uma força maior para movimentar o bráquete, isto é, houve maior
atrito entre o fio de beta-titânio e bráquete do que entre o fio de aço e o bráquete.
Quando uma ancoragem fosse necessária, o fio de beta-titânio deveria ser
considerado como mais resistente ao movimento dentário em uma mecânica de
deslizamento de bráquete.
Comparando três tipos de arcos utilizados para retração dos incisivos e
observando os efeitos mecânicos desencadeados pelos mesmos, de modo que
(CHACONAS et al., 1989):
-
arco retangular com alça em delta - a ativação determinou uma
retração dos incisivos, acompanhada de inclinação lingual de coroa.
29
O ajuste das hastes da alça, no sentido gengival, pode determinar
intrusão dos incisivos, aumento da intensidade do torque lingual e,
conseqüentemente, movimento de translação;
-
arco retangular com alça reversa e helicóide - sua ativação
determinou um aumento na intensidade do torque lingual maior que o
observado para os outros tipos de arcos;
-
arco utilidade de retração e controle de torque - a ativação determinou
o máximo de movimento dentário desejado durante a fase de retração
dos incisivos, assim como o fechamento dos espaços, intrusão e
torque lingual. Foram incorporados “tip-backs” aos primeiros molares
para obtenção de força intrusiva nos dentes anteriores.
Consideraram, também, que o aumento da sobremordida foi observado com a
utilização do arco com alça em delta duplo, cuja ativação determinou a inclinação
lingual de coroa dos incisivos e extrusão destes, e acrescentaram que a
sobremordida poderia ser eliminada durante a fase de retração dos incisivos com o
arco tipo utilidade de retração e torque, visto que este se mostrou efetivo no controle
do posicionamento radicular, no sentido vestíbulo-lingual, sem determinar um
aumento da sobremordida.
A mecânica de retração poderia ser dividida em duas categorias (STAGGERS
& GERMANE, 1991):
1) mecânica com fricção - onde o “alastik” é o componente de força para a
retração com a interação arco-bráquete, produzindo o momento;
2) mecânica sem fricção - onde os dentes são movimentados sem o
deslizamento dos bráquetes pelo arco. A retração é feita através de alças
30
ou molas que oferecem um movimento dentário mais controlado que na
mecânica de deslizamento.
No que diz respeito à mecânica de fricção, comentaram que esta teria como
vantagens não requerer arcos complicados, diminuir o tempo de cadeira e ser mais
confortável.
Quanto à sua desvantagem, estaria a sua menor eficiência.
Acrescentaram que a fricção varia de acordo com a composição e formato do fio e a
composição do bráquete (STAGGERS & GERMANE, 1991).
Na mecânica sem fricção, apontaram as seguintes desvantagens: a
necessidade de um bom conhecimento de mecânica, pois pequenos erros podem
resultar em erros maiores na movimentação dentária; a necessidade de mais tempo
de cadeira e maior desconforto ao paciente. Quanto ao desenho da mola de
retração, comentaram que este influenciaria não somente na relação momento/força,
mas também na relação carga/deflexão. E que a adição de helicóides diminuiria a
relação carga/deflexão sem afetar significativamente a relação momento/força
(STAGGERS & GERMANE, 1991).
A relação carga/deflexão poderia também ser alterada pela mudança da
composição do fio. Uma alça feita com fio de baixo módulo de elasticidade, como o
titânio-molibdênio, teria uma relação carga/deflexão menor que uma alça feita com
fio de aço inoxidável. Porém, a relação momento/força não seria influenciada pela
composição do fio utilizado. Comparando a alça vertical (Figura 3 C, página 27) com
a alça reversa (Figura 3 F, página 27), citaram que ambas possuíam a mesma
relação momento/força, porém a quantidade de ativação e a relação carga/deflexão
seriam maiores na alça reversa, pois esta, quando ativada, as suas hastes se
aproximariam no mesmo sentido da última dobra, ao passo que na alça vertical se
31
afastariam, favorecendo a sua deformação permanente (STAGGERS & GERMANE,
1991).
Esses mesmos autores, ainda fazendo uma análise comparativa entre a alça
vertical e a alça “T”, mostraram que a quantidade de ativação e a relação
momento/força da alça “T” foi superior às da alça vertical. Quanto à obtenção da
relação momento/força de 10:1, necessária para se conseguir movimento de
translação, afirmaram ser muito difícil conseguí-la, tanto com a alça vertical como
com a alça “T” sem a adição de “gable-bends”.
Referindo-se à localização da alça de retração, sugeriram que, quando se
necessitasse somente de retração anterior, esta deveria ser posicionada mais
próxima do canino que do molar e o “gable-bend” feito mais próximo do molar,
aumentando, assim, a ancoragem posterior. Para a retração do segmento anterior e
protração do segmento posterior, a alça deveria ser posicionada no meio do
segmento e “gable-bend” de iguais dimensões deveriam ser usados.
Já para a
protração do segmento posterior, a alça deveria ser feita próxima ao segmento
posterior e o “gable-bend” anterior maior do que o posterior, fazendo com que o
segmento anterior funcionasse como ancoragem.
Acrescentaram, ainda, que os caninos e incisivos seriam freqüentemente
retraídos separadamente para preservação da ancoragem, quando se utilizasse a
mecânica sem fricção. A justificativa para a retração de poucos dentes de cada vez
causaria menor “stress” na ancoragem posterior. Entretanto esta ancoragem seria
requisitada duas vezes: uma na retração dos caninos e outra na dos incisivos e
apenas uma vez na retração em massa.
Em casos de tratamentos com exodontias de primeiros pré-molares, BULL
(1951) recomendava a utilização de um arco segmentado de retração confeccionado
32
com fio 0,021” x 0,025”
para retração parcial dos caninos a fim de permitir a
verticalização e alinhamento dos incisivos. Este arco possuiria alças verticais
fechadas, denominadas “bull loops” no espaço da extração ativadas por um ômega
mesial, 1 a 1,5mm, ao tubo do molar.
Em experimentos realizados com um dinamômetro que tinham por finalidade
medir, com precisão, a magnitude de força dissipada por arcos e molas auxiliares
nos dentes, HALDERSON et al (1953) puderam verificar que a utilização da alça
vertical com 9mm de comprimento, confeccionada em fio 0,0215” x 0,0275” e ativada
1mm de cada lado para a retração dos seis dentes anteriores, liberava uma
magnitude de força de 800 gramas de cada lado. Assim sendo, levando-se em
consideração os dentes de ancoragem, teria-se uma magnitude de 1600 gramas,
distribuída em doze dentes, o que, segundo os autores, seria excessiva. Portanto,
recomendavam que se utilizasse fios de menor calibre ou fios com ligas mais leves.
Para o fechamento dos espaços das extrações, BEGG (1956) recomenda a
retração em massa dos seis dentes anteriores. Para isso, utilizava arcos com fios
redondos 0,016” ou 0,018” (Figura 4), ativados por amarrilhos elásticos, ligados das
Figura 4 Arco de retração em massa
preconizado por Begg.
Fonte: SHIMIZU 1999.
33
extremidades do arco aos esporões confeccionados para a utilização de elásticos
intermaxilares, localizados mesialmente aos caninos. Como ancoragem, utilizava
apenas os primeiros molares, alegando que estes têm resistência suficiente para a
retração dos seis dentes anteriores quando forças suaves fossem utilizadas.
Segundo o autor, a perda de ancoragem, nesses casos, não seria proveniente da
utilização de poucas unidades de ancoragem, e sim, do uso de força excessiva.
Para a retração dos incisivos, STEINER (1960) preconizava arcos
confeccionados com fio 0,020” x 0,024”, com alças de 5mm de comprimento, hastes
bem próximas e localizadas distalmente aos incisivos laterais. Pedia que as alças
fossem ativadas ligeiramente e que estas fossem repetidas a cada 3 ou 4 semanas.
Recomendava, também, que na região dos incisivos fosse dado um torque lingual
para evitar que os ápices tocassem na cortical óssea.
A alça de Bull era muito versátil para o fechamento de espaços (JOULE,
1960). Este recomendava que os arcos fossem confeccionados com fio 0,021” x
0,025” e que as alças confeccionadas nas distais dos caninos fossem ativadas 1mm
a cada 3 semanas. Quanto ao comprimento destas, era determinado pela
profundidade do sulco julgal, sendo geralmente de 8mm para o arco superior e de
6,5mm para o inferior.
Estudando as propriedades mecânicas em função das alças, variando o
comprimento do braço das mesmas, LINO (1970) observou que para uma
determinada abertura da alça curta, a ativação implicaria em força muito maior que
para a mesma abertura da alça longa. Por outro lado, abrindo-se as alças sob
tensão constante, verificar-se-ia que a de braços longos se abririam muito mais
quando comparada com a de braços curtos.
34
BOOTH (1971) apud SHIMIZU, em 1999, realizou estudos com o objetivo de
analisar os efeitos sobre propriedades mecânicas de uma alça vertical de
fechamento de espaços, construída com um fio de aço inoxidável quando fossem
alteradas as secções transversais do fio, a configuração, a distância interbráquete e
a altura da mola (Figura 5). A alça vertical tomada como referência foi construída
com fio de aço inoxidável 0,018” x 0,025” com oito milímetros de altura, que
apresentava uma proporção carga/deflexão de 500g/mm. Assim, alterando o fio
para uma espessura de 0,017” x 0,025” com o mesmo aço inoxidável, reduziu-se a
proporção carga/deflexão em 15%, por outro lado, aumentou-se em 30% quando se
utilizou o fio 0,019” x 0,025”.
.019” x .025”
↑ 30%
6mm ↑ 102%
Secção
transversal do fio
Comprimento da
secção vertical
10mm ↓ 45%
.017” x .025”
↓ 15%
8mm
.018” x .025”
8mm distância
interbraquete
Proporção C/D : 500 g/mm
4mm ↑ 27%
12mm ↓ 8%
Distância
interbraquete
↓ 5%
↓ 8%
↓ 16%
↓ 29%
Configuração
↓ 41%
Figura 5 Efeitos sobre as propriedades físicas de uma alça vertical: construída
com fio de aço inoxidável 0,018” x 0,025”, com 8mm de altura, com alteração da
secção transversal do fio, da configuração da alça, da distância interbráquete e
da altura da alça.
Fonte: SHIMIZU, 1999.
35
A configuração da alça também mostrou-se relevante com uma redução gradual da
rigidez, como o descrito a seguir: tear drop loop (8%), vertical reversa (16%), vertical
com helicóide (29%) e vertical reversa com helicóide (41 %). Com a diminuição da
distância interbráquete para 4mm, aumentava-se a rigidez em 27% e, com o
aumento desta distância para 12 mm, diminuía-se a rigidez em 8%. Finalmente,
diminuindo-se a altura da mola para 6mm, aumentava-se em 102% a proporção
carga/deflexão, e quando se aumentava para 10mm, esta proporção reduzia-se em
45% (Figura 5, página 34).
Freqüentemente, próximo à finalização, têm-se casos que necessitam de
intrusão, fechamento de espaços e torques (TAYER, 1981). Para esses casos,
sugeriu a utilização da alça “T” modificada, esta teria 7mm de comprimento e a
adição de um helicóide na haste mesial (Figura 3 J, página 27). Neste helicóide,
seria introduzido uma dobra que levantaria o segmento anterior do arco em
aproximadamente 3mm, produzindo um torque lingual de 30 graus. Recomendava
que a ativação fosse de 2mm e a utilização de aparelhos extra-orais com puxada
alta na região anterior e elásticos de classe II, apoiados na distal do braço horizontal
da alça para potencializar os efeitos de torque e intrusão dos incisivos.
Para a retração dos incisivos, GIANELLY et al. em 1985, utilizaram o fio
0,016” x 0,022”. Este seria dobrado em 90 graus distalmente aos incisivos laterais,
de modo que a espessura do mesmo na região anterior passasse a ser 0,022” x
0,016” e, na região posterior, 0,016" x 0,022", possibilitando, assim, o controle de
torque dos incisivos e a diminuição do atrito na região posterior. Em substituição às
alças para fechamento dos espaços, seriam soldados ganchos distalmente aos
incisivos laterais e utilizados elásticos intra-orais com mecânica de classe lI.
Incorporaram também torque lingual de 10 a 15 graus aos incisivos, permanecendo
36
o arco passivo na região posterior.
A força de retração seria entre 350 a 400
gramas, sendo a quantidade estimada de retração em 1mm por mês.
Em
um
estudo
realizado
experimentalmente
em
“Typodont”
por
ALBUQUERQUE, em 1987, foi analisado o desempenho de três tipos de molas
utilizadas para o fechamento de espaços. Nesse estudo, verificou que a mola “H”
(Figura 3 N, página 27) e a alça em forma de gota (Figura 3 H, página 27) foram
mais eficientes que a alça reversa (Figura 3 G, página 27), no que diz respeito ao
paralelismo entre as raízes de caninos e segundos pré-molares. Ressalta, também,
que, na alça reversa, foram necessárias seis ativações para o fechamento de
espaços, enquanto a mola “H” necessitou de oito ativações, e a alça em forma de
gota, de nove. Apesar de a mola “H” apresentar a possibilidade de ampla ativação,
ela tem o inconveniente do atrito do arco com os bráquetes. Por outro fado, a alça
em forma de gota necessitou de maior número de ativações, devido ao seu baixo
limite de elasticidade.
A mola ideal para o fechamento de espaços deve ter a capacidade de liberar
forças constantes do começo ao final de sua ativação. Isto não significa que os
níveis de força devam permanecer constantes durante um certo tipo de movimento
dentário, e sim, que não sofram variações súbitas de magnitude de força e que o
desenho dessa mola não seja determinado somente por fatores mecânicos, mas
também pelas limitações da cavidade oral, sua altura seria limitada pela
profundidade do sulco julgal, pois a utilização de muitas dobras poderia causar
desconforto ao paciente (MENDES et al.,1992).
O fio de espessura 0,018” x 0,025” foi o que sofreu menos deformação
permanente em comparação com os fios 0,017” x 0,025” e 0,021” x 0,025” quanto
aos testes de tração/deformação e quanto ao tratamento térmico (TOTTI, 1992).
37
2.6 Reações teciduais e força ótima para o movimento dentário
Para que ocorra movimentação ortodôntica, faz-se necessária a presença de
alterações histológicas nos tecidos que circundam o dente.
De acordo com MENDES et al, em 1992, uma das primeiras constatações da
existência dessas alterações foi feita por SANDSTEDT em 1905, que, realizando
experimentos em cães, pôde observar deposição óssea no lado da tensão e
absorção óssea no lado de pressão dos dentes submetidos a forças ortodônticas.
Verificou também que, quando se exercia uma pressão maior no dente, ocorria a
compressão do ligamento periodontal pelas forças pesadas, não ocorrendo a
absorção do osso alveolar que, segundo o autor, seria devido a sua desvitalização.
Apesar disto, logo se iniciava uma absorção ativa nos espaços medulares, próximos
ao processo alveolar, removendo o osso e os tecidos moles comprimidos na região
de grande pressão. Quando todo o material necrótico era eliminado, o dente
assumia bruscamente a nova posição. A este processo denominou absorção
solapante. Acrescenta ainda que esta reação biológica do osso alveolar explica o
fato de a movimentação ortodôntica ser obtida com a utilização de forças pesadas.
Investigando as alterações tissulares provenientes da movimentação
ortodôntica verificou-se que, quando da aplicação da força sobre um dente, ocorre
absorção óssea no lado da pressão decorrente do aumento da quantidade e da
atividade dos osteoclastos e deposição óssea do lado da tensão, devido ao aumento
da quantidade e atividade dos osteoblastos (BURSTONE, 1962).
Após três horas da aplicação da força, encontram-se áreas hialinizadas no
lado da pressão (MACAPAMPAM et al.,1954). Comentam ainda ter encontrado um
38
aumento da atividade mitótica 15 a 18 horas após aplicação da força, o que sugere a
existência de uma íntima relação entre o aumento do espaço periodontal e o
aumento da atividade mitótica nas áreas de tensão para que haja a reparação da
relação existente entre osso e dente.
Durante o tratamento ortodôntico, utilizando somente o recurso de ancoragem
intrabucal, perdia-se aproximadamente um terço dos espaços proporcionados pelas
exodontias de primeiros pré-molares, devido a mesialização dos dentes posteriores
durante o fechamento de espaços (STEINER, 1960).
Ressaltou, também a
necessidade de reforçar a ancoragem, utilizando-se apoio extrabucal ou o preparo
de ancoragem preconizado por Tweed.
A configuração das alças afetaria a quantidade de forças liberadas e que
estas deveriam ser de, aproximadamente, 60g a 180g (STONER, 1960). Salientava,
ainda, que a redução da força seria proporcional ao aumento do comprimento do fio
entre os bráquetes e que as alças fechadas eram clinicamente mais eficientes que
as abertas. Afirmou, ainda, que a incorporação de helicóides nas alças verticais
diminuía quase pela metade a quantidade de força liberada.
O desenho e a utilização de molas nos aparelhos ortodônticos dependem de
três características que devem ser consideradas: a relação entre a carga e a
deflexão desenvolvida pela alça, a carga em que ocorre deformação permanente e a
média de ativação dentro do limite de elasticidade (BURSTONE et al., 1961). A
conclusão dos estudos destes pesquisadores indicou que as molas as quais
possuíam baixa proporção carga/deflexão liberavam forças mais constantes durante
a sua desativação, já que existia uma menor alteração da força para cada milímetro
de ativação. Os autores lembram a lei de Hooke “que seria a relação entre a força
aplicada e a deflexão do fio, onde o limite proporcional de qualquer deflexão do
39
material é proporcional a sua carga”. Portanto, durante toda a variação da ativação
de uma mola, o quociente da força aplicada, dividido pela deflexão é uma constante.
Esta constante denominada relação carga/deflexão varia consideravelmente nos
aparelhos ortodônticos comumente utilizados. Exemplificam, dizendo que esta
variação
pode
ser
demonstrada,
comparando-se
duas
alças
verticais
confeccionadas com fios 0,016” e 0,021” x 0,025” onde as relações são 60g/mm e
310g/mm respectivamente. A alça confeccionada com fio 0,021” x 0,025” requer 310
gramas para cada milímetro de deflexão e, inversamente, durante a sua
desativação, ocorre uma queda de 310 gramas para cada milímetro de movimento
dentário. Já a alça confeccionada com o fio 0,016”, durante a sua desativação, reduz
somente 60g a cada milímetro de movimento dentário. Concluindo-se então, que as
alças que têm sua relação carga/deflexão baixa liberam forças mais constantes
durante a sua desativação, já que existe menor alteração da força de um milímetro
de ativação para o outro.
Referindo-se às propriedades das alças, afirmam que mesmo com uma
configuração semelhante, podem ter suas propriedades alteradas, utilizando-se fios
com diferentes módulos de elasticidade.
Quanto à espessura do fio, um pequeno aumento ou diminuição pode resultar
em um aumento ou diminuição significativos da relação carga/deflexão de uma alça.
Exemplificam que fios 0,010” e 0,020” defletidos na mesma quantidade, no fio
0,020”, a magnitude de força liberada é 16 vezes maior, apesar de seu diâmetro ser
apenas o dobro.
Acrescentam, ainda, que duas alças diferentes podem liberar forças idênticas
de 150g para a movimentação de um dente.
Para isso, uma alça vertical
confeccionada em fio 0,021” x 0,025” requer ativação de 0,5 mm, ao passo que a
40
mesma alça, confeccionada com fio 0,010” x 0,020", necessita de uma ativação de
4 mm.
O movimento dentário poderia ser dividido em duas fases: inicial e
secundária. A fase inicial caracterizava-se primeiramente por um período de
movimentação dentária muito rápida e, geralmente, de curta duração (poucos dias).
A rapidez do deslocamento dentário, logo após a aplicação da força ortodôntica,
sugere que a movimentação neste período é decorrente da mudança da unidade
para o espaço correspondente à membrana periodontal. Logo após este período,
praticamente não ocorre movimento dentário ou este é muito pequeno, sendo
conhecido como período de hialinização e observado nas áreas de máxima pressão.
Na fase secundária, o deslocamento dentário só ocorrerá após a remoção de toda
área hialinizada, sendo o grau deste movimento gradualmente aumentado
(BURSTONE, 1962).
Vários autores estudaram os aspectos relacionados ao movimento dentário
ortodôntico. BURSTONE, em 1966, afirmou ser necessário considerar as seguintes
características: magnitude, direção e ponto de aplicação da força, assim como a
distância sobre a qual a mesma estaria atuando e a sua uniformidade dentro dessa
distância.
Durante a movimentação ortodôntica, pode-se ter dois tipos de absorção
óssea: a direta e a indireta. A absorção óssea direta ocorreria sem a formação prévia
de uma área de hialinização. Neste tipo de absorção, os osteoclastos se formariam
diretamente ao longo da área correspondente às fibras comprimidas. De modo a não
causar hialinização, as fibras periodontais deveriam ser ligeiramente comprimidas.
Normalmente, esse tipo de absorção não ocorre na fase inicial da movimentação
dentária. A absorção óssea indireta se dá após a formação de uma área de
41
hialinização. Devido à delgada espessura do ligamento periodontal, suas fibras são
comprimidas entre a raiz e a superfície óssea. Esta compressão faz com que as
fibras periodontais se tornem desprovidas de células, resultando na interrupção do
movimento dentário e o dente não se movimentará novamente até que esta situação
se modifique favoravelmente (REITAN, 1969).
Avaliando quantitativamente as forças ortodônticas e a reação dos tecidos
circundantes, BURSTONE & GROVES em 1960 concluíram que o tratamento mais
favorável biologicamente não utiliza forças maiores que a pressão capilar sangüínea.
Essa pressão, no homem, é de 20 a 26g/cm2. A "força ótima" utilizada na retração
dos caninos estaria entre 150 e 200 gramas. Aumentando-se esta força, a
movimentação do canino diminuiria e finalmente se aproximaria do zero. Quando
fossem usadas forças acima de 300g haveria um aumento da movimentação da
unidade de ancoragem e diminuição da movimentação do canino (STOREY &
SMITH, 1952). Na retração dos dentes anteriores por inclinação simples, ficou
constatado que taxas ótimas de movimentação eram observadas quando 50 a 75
gramas de força eram aplicados (BURSTONE & GROVES, 1960). O postulado mais
apropriado sobre força por unidade de área de raiz é de 3 a 4 gramas por mm2, o
que aumenta a velocidade da resposta biológica (HIXON et al.,1969).
Durante a fase de retração do segmento ântero-superior, a força adequada
para cada incisivo central e lateral seria respectivamente 90 e 70 gramas
(RICKETTS, 1976).
A força ótima, ou ideal, para se mover um dente, aquela que produz máxima
resposta tecidual, mantém a saúde do ligamento periodontal durante o movimento
do dente, movimenta o dente mais rapidamente com o mínimo de danos aos tecidos
e menos desconforto clínico (GIANELLY & GOLDMAN, 1971; MOYERS e BAUER,
42
1950; MENDES et al, 1992). Este ainda coloca que a grande variação da resposta
biológica para o movimento dentário depende de alguns fatores como: modo de
aplicação da força, que pode ser contínua, interrompida, intermitente ou funcional;
quantidade de força aplicada; duração e direção da força aplicada; função oclusal e
idade.
Uma adequada combinação do ângulo de ativação da alça e a força de
ativação podem produzir movimento de corpo do canino. Esta força não deve
exceder 300g e o ângulo da alça de 45ºC a 60oC (CAPUTO & COLABS, 1974).
BOESTER & JOHNSTON, também em 1974, chegaram as seguintes conclusões
sobre força ótima para retração de caninos (1 onça é igual a 31,10 gramas):
a) uma força de 2 onças produz significativamente menos movimento do que
as de 5, 8 e 11 onças;
b) comparando-se as forças de 5, 8 e 11 onças, não é significativamente
diferente a quantidade de movimento;
c) perda de ancoragem não é significante estatisticamente com todas as
forças utilizadas de 2, 5, 8 e 11 onças;
d) não é significante, estatisticamente, o nível de desconforto dentário nos
diferentes tipos de força de 2, 5, 8 e 11 onças.
Na fase de retração inicial, os valores deveriam ser de 25g/cm2 para
pacientes adultos e 40g/cm2 para jovens (REITAN, 1969). Recomendava que,
posteriormente, estes valores deveriam ser aumentados para superar a resistência
do dente à movimentação. THUROW, em 1972, sugeriu forças entre 25 a 100g,
exceto para os caninos e molares devido à sua maior área radicular.
JARABAK e FIZZELL, em 1975, determinaram valores de força ótima para
cada dente de acordo com o comprimento radicular e que seriam correspondentes
43
aos níveis ideais de força para a movimentação dos mesmos (Tabela 2). Já
RICKETTS, em 1976, preconizava valores de 90 gramas para os incisivos centrais e
70 gramas para os incisivos laterais superiores.
Tabela 2. Valores numéricos das forças ótimas necessárias para movimentação
dentária. Valores descritos em gramas.
Fonte: Jarabak e Fizzell, 1975.
Dentes
Raízes
Raízes
Raízes
Curtas
Médias
Longas
Incisivos inferiores
50-55
55-65
65-70
Caninos inferiores
85-95
95-110
110-130
Pré-molares inferiores
70-80
80-90
90-100
280-300
300-320
320-360
Incisivos superiores
65-75
75-85
85-95
Incisivos laterais superiores
60-65
65-70
70-80
Caninos superiores
105-115
115-130
130-170
Pré-molares unirradiculares
85-100
100-115
115-135
Pré-molares multirradiculares
100-110
120-130
130-140
Primeiros molares inferiores
230-250
250-270
270-320
Primeiros molares superiores
Com o objetivo de comparar os valores determinados por JARABAK e
FIZZELL, em 1975, tomando como base a área radicular para os diferentes
elementos dentários estabelecida por Freeman, esses valores foram agrupados em
gramas para os incisivos e caninos (Tabela 3, página 44).
44
Tabela 3. Valores em gramas necessários para a movimentação dos
incisivos isoladamente e caninos.
Fonte: MENDES, 1992.
Autores
Schwarz
I.C.S.
I.L.S.
I.C.I.
I.L.I.
C.S.
C.I.
53
45
39
46
65
62
105-170
85-130
65-95
Jarabak; Fizzell
50-70
Hixon et al
80
68
60
70
99
94
Reitan Adultos
57
48
42
50
70
67
Jovens
92
77
68
80
113
108
90
70
-
-
-
-
Ricketts
A partir desses valores, estabeleceram-se as somatórias dos incisivos,
incisivos e caninos, tanto para o arco superior como o inferior (Tabela 4).
Tabela 4. Somatória dos valores em gramas para a movimentação
dos incisivos e dos incisivos e caninos.
Fonte: MENDES, 1992.
Autores
Σ.I.S
Σ I.I.
Σ I.C.S
Σ I.C.I
Schwarz
196
170
326
294
Jarabak; Fizzell
320
240
595
455
Hixon et al
296
260
494
448
Reitan Adultos
210
184
350
318
Jovens
338
296
564
512
320
-
-
-
Ricketts
45
Os níveis de força ótima para os dentes anteriores, contidos na Tabela 3 da
página 43, mostram diferenças no que se refere aos valores preconizados pelos
autores. Conseqüentemente, quando analisadas as somatórias desses valores
(Tabela 4), constata-se que eles variam de 196 a 338 gramas para os incisivos
superiores, 170 a 296 gramas para os incisivos inferiores, 326 a 595 gramas para os
incisivos e caninos superiores e 294 a 512 gramas para os incisivos e caninos
inferiores. Com base nestes resultados, observa-se discordância entre os autores,
no que diz respeito à força ótima para a retração dos dentes anteriores. Por outro
lado, existem variações individuais na reação tecidual, no padrão e densidade do
osso alveolar, tamanho e forma radicular que, associados aos princípios mecânicos
envolvidos, influenciam na quantidade e velocidade do movimento dentário.
A força a ser aplicada ao dente dependeria do tipo de movimento:
aproximadamente 250g durante o estágio final de movimentação contínua de um
canino e somente 25g em um dente anterior em um movimento de intrusão. Quanto
ao controle dos níveis de força, REITAN em 1969, recomendava que se evitasse a
utilização de forças excessivas que poderiam criar extensas áreas de hialinização
nos dentes anteriores, dificultando a sua retração, favorecendo assim a mesialização
dos dentes posteriores. A mecânica de retração, apesar de ser utilizada em
praticamente todas as técnicas ortodônticas, apresentaria uma variação muito
grande no que diz respeito à maneira como é executada pelos diferentes
profissionais. A aplicação de forças leves produziria osteoclastos primários de forma
abundante e deveriam ser considerados essenciais para a movimentação dentária.
46
3 PROPOSIÇÃO
Diante do exposto o autor pretende:
3.1) Determinar uma relação entre a quantidade de ativação e a força
dissipada (relação carga/deflexão) por diferentes tipos de alças utilizadas em
Ortodontia.
3.2) Verificar se existem diferenças significativas da relação carga/deflexão
entre as alças que não foram submetidas ao tratamento térmico e aquelas tratadas
termicamente.
3.3) Avaliar a influência da quantidade de fio utilizado para a confecção das
alças no desempenho das mesmas.
47
4 MATERIAL E MÉTODO
4.1 Material
A amostra utilizada neste estudo constou de 50 alças ortodônticas de
fechamento de espaços. O fio utilizado foi de aço inoxidável 18/8 da marca
comercial Morelli de secção transversal 0,018” x 0,025” e as dobras foram realizadas
com o alicate número 139 (Bird Beak Plier – Código 900-709) e alicate “Tweed Loop
Former Plier” (Código 900-720). Os fios foram cortados com o alicate “End Cutter”
(Código 900-750, 3M Unitek Corp) e suas pontas foram arredondadas com a lima
“Hauke File” (Código 808-001, 3M Unitek Corp), ambos da marca 3M Unitek Corp.
Para padronização dos corpos de prova, foi construído um “template”, em
papel milimetrado, das alças com tamanhos padronizados conforme as medidas que
serão relatadas posteriormente (Figura 6, página 48).
Para realizar as medições, foi utilizado um dispositivo de suporte para as
alças e para o tensiômetro de precisão (Figuras 7, página 48). Este dispositivo
permitiu o encaixe das alças, de um lado em um bráquete conversível da marca
Morelli de referência 10.51.101, o qual foi soldado em uma placa quadrada de aço
48
Figura 6. Desenhos das alças avaliadas.
A
A, vertical loop com helicóide;
B, “T” loop;
B
C, tear drop loop;
D, bull loop;
C
E, alça reversa.
D
E
A
B
4
1
4
3
3
2
1
2
D
C
E
1
2
Figura 7. Dispositivo suporte de medição e paquímetro digital de precisão Stainless
Hardered. A, Vista superior do dispositivo suporte: A1, Suporte fixo para encaixe das
alças; A2, Base fixa de madeira; A3, Base móvel; A4, Torno de ativação. B, Vista
superior do dispositivo suporte com tensiômetro digital posicionado: B1, tensiômetro
digital; B2, haste horizontal do tensiômetro; B3, Suporte metálico móvel com
bráquete soldado para fixação da alça durante a medição; B4, Régua milimetrada.
C, Vista lateral do dispositivo suporte: C1, Base móvel; C2, Torno de ativação. D,
Paquímetro digital ajustado para medições de 1mm de deflexão.
49
inoxidável de 1cm2 presa na base fixa e do outro lado à mola do tensiômetro digital
de precisão da marca Kratos, que permite leituras de 0,01g, variando até 2000
gramas, preso em uma base móvel.
A deflexão realizada pela alça foi conseguida através do giro horário de um
torno adaptado ao dispositivo de suporte (Figura 7 A4 e 7 C2, página 48), à medida
que o torno era girado, a abertura da alça era conferida visualmente através de uma
régua milimetrada posicionada sob a mola e posteriormente com um paquímetro
digital pré-ajustado na deflexão a ser avaliada (Figura 7 B4, página 48).
A
B
C
Figura 8. Forno de fundição EDG modelo F 3000, utilizado para realização
do tratamento térmico. A, Visão frontal do forno; B, Close do painel de
controle; C, Visão aproximada do compartimento interno onde foram
colocadas as alças para o aquecimento durante o tratamento térmico.
50
Para a realização do tratamento térmico foi utilizado um forno de fundição da
marca EDG modelo F 3000, totalmente digital e de alta precisão (Figura 8, página
49).
4.2 Método
Com o objetivo de tornar este trabalho de pesquisa o mais próximo possível
das situações que ocorrem, no dia a dia, de uma clínica ortodôntica, todas as alças
de fechamento de espaços foram confeccionadas manualmente pelo mesmo
operador devidamente calibrado e construídas, tomando-se o cuidado de manter a
mesma seqüência de dobras durante sua construção para melhor padronização dos
corpos de prova.
Foram selecionados cinco (5) desenhos de alças que mais rotineiramente são
empregados na clínica ortodôntica (Figura 6, página 48). Cada desenho diferente de
alça possuía dez (10) exemplos, totalizando cinqüenta alças (50) a serem avaliadas,
sendo que, destas, vinte e cinco (25) alças seriam avaliadas sem o tratamento
térmico e vinte e cinco (25) após este procedimento.
Todas as alças possuíam, nas suas extremidades mesiais e distais, uma
pequena dobra perpendicular de 5mm com a qual seria possível fixá-las no
dispositivo de suporte de medição e no tensiômetro de precisão (Figura 7 A, B e C,
respectivamente página 48).
O tempo e a temperatura adotados para o tratamento térmico foram de 5
minutos a 450ºC, como proposto por PHILLIPS em 1995. O processo de tratamento
térmico ocorreu da seguinte forma: o forno foi ligado e regulado para atingir a
temperatura de 450ºC; quando esta temperatura foi alcançada, as molas foram
51
colocadas no seu interior e iniciou-se a cronometragem do tempo de 5 minutos. O
tempo gasto para a colocação das molas no interior do forno, após ter alcançado os
450ºC, fez com que esta temperatura caísse para 443ºC. Esta queda de 7ºC foi
desprezada, pois, foram necessários apenas 5 segundos para que a temperatura
voltasse a atingir 450ºC, mantendo-se neste nível durante todo o período do
tratamento térmico que foi de 5 minutos. Quando este tempo foi alcançado, as molas
foram removidas do interior do forno e deixadas ao ar livre para resfriamento
espontâneo à temperatura ambiente que estava em 30ºC; sendo estas avaliadas
criteriosamente quanto a presença de deformação permanente, o que não foi
detectado.
O tamanho das alças confeccionadas foi determinado através da retificação
de um exemplo de cada modelo de alça e medido com paquímetro.
As alças foram divididas em dois grupos: grupo não tratado termicamente e
grupo tratado termicamente com um total de 25 alças em cada grupo. Para cada
desenho diferente de mola, dentro de cada grupo, denominamos alças 1, 2, 3, 4 e 5,
as quais possuíam as seguintes dimensões:
1)
Vertical loop com helicóide: 40mm de comprimento, 8mm de altura,
3mm de diâmetro do helicóide, distância mínima visível entre as hastes
verticais paralelas e ganchos laterais com 5mm. A quantidade total de fio
utilizada foi de 7,7cm;
8
3
5
40
52
2)
T loop: 40mm de comprimento, 7mm de altura, 14mm haste superior
do “T” com 2mm de espaçamento entre as hastes horizontais e distância
mínima visível entre as hastes verticais, ganchos laterais com 5mm. A
quantidade total de fio utilizada foi de 9,1cm;
14
2
5
5
40
3) Tear drop loop: 40mm de comprimento, 7mm de altura, 2mm de raio e
distância mínima visível entre as hastes oblíquas na região inferior e
ganchos laterais com 5mm. A quantidade total de fio utilizada foi de 6,7cm;
4
7
5
40
4) Bull loop: 40mm de comprimento, 8mm de altura, hastes verticais
paralelas com distância mínima visível de afastamento e ganchos laterais
com 5mm. A quantidade total de fio utilizada foi de 6,6cm;
8
40
5
53
5) Alça reversa: 40mm de comprimento, 8mm de altura, hastes verticais
paralelas com 2mm de afastamento e ganchos laterais com 5mm. A
quantidade total de fio utilizada foi de 7,2cm;
2
8
5
40
As molas foram avaliadas na seguinte seqüência: vertical loop com helicóide,
“T” loop, tear drop loop, bull loop e alça reversa. Inicialmente foram analisadas as
molas não tratadas termicamente e depois as tratadas (Tabelas 5 e 6, páginas 57 e
58). Em cada grupo diferente de alça foram feitas três (3) medições em cada
ativação de 1mm, 1,5mm, 2mm, 2,5mm. As medidas foram feitas pelo mesmo
operador devidamente calibrado, com o auxílio de uma régua milimetrada
posicionada sobre a base de madeira e conferidas com um paquímetro digital de
precisão da marca “Stainless Hardered” (Figura 7D, página 48). Sempre, após cada
ativação, foi permitido o retorno da mola à sua posição inicial, através do giro antihorário do torno de ativação e, em seguida, fazendo-se criteriosa inspeção visual de
uma possível deformação plástica da alça para aquela ativação, sendo então os
valores obtidos dispostos em tabelas para posterior análises estatísticas.
As molas que sofreram qualquer grau de deformação plástica, isto é, qualquer
mola que, após alguma ativação, não tenha conseguido retornar à sua posição
original, foi devidamente registrada e suas ativações subseqüentes foram abortadas.
54
4.3 Controle do erro
Os dados obtidos dos testes feitos com e sem tratamento térmico de
libertação de tensões foram incluídos no programa estatístico “SPSS 10.0 for
Windows” e submetidos à análise estatística.
Para cada um dos cinco desenhos diferentes de alças avaliadas foram
submetidas dez molas aos ensaios mecânicos, e para cada mola foram realizadas
três repetições em cada uma das quatro deflexões analisadas. Todos os
procedimentos desta pesquisa foram realizados pelo mesmo operador devidamente
calibrado para tal. Foi realizada a média dos dados obtidos em cada uma das três
repetições para cada deflexão.
4.4 Análise estatística
O tratamento estatístico desta pesquisa foi realizado pelo Departamento de
Estatística do Instituto de Matemática da Universidade Federal da Bahia, que utilizou
o pacote estatístico “SPSS 10.0 for Windows”.
Para responder aos objetivos do trabalho, foram analisadas as seguintes
variáveis:
•
Tipo de alça:
A.
Vertical loop com helicóide;
B.
T loop;
C.
Tear drop loop;
D.
Bull loop;
E.
Alça reversa;
55
•
Deflexão:
- 1mm;
- 1,5mm;
- 2mm;
-2,5mm;
•
Tratamento térmico:
- Com;
- Sem;
•
Carga:
- Média das forças dissipadas pelas alças nas três ativações
em cada deflexão;
Além da análise descritiva, foram realizados testes para verificar a
normalidade dos dados e homogeneidade das variâncias, a fim de utilizar técnicas
de
inferências
adequadas
para
análise
das
observações
em
estudo
(MONTGOMERY, 1984; HOFFMANN & VIEIRA 1989; TRIOLA, 1999). Foi
considerado um nível de significância de 5%. Os testes e as técnicas utilizadas para
estas análises foram as seguintes:

Teste de Kolmogorov-Smirnov
Testa a normalidade dos dados, baseando-se no valor absoluto da diferença
máxima entre a distribuição acumulada observada e esperada admitindo a
suposição de normalidade (HOFFMANN & VIEIRA, 1989).
56

Teste de Homogeneidade de Variâncias
Testa a homogeneidade, ou seja, se a variância dentro dos grupos é
constante (igual).

Análise de Variância (ANOVA)
A análise de variância é um procedimento utilizado para testar a igualdade de
três ou mais médias populacionais, baseada na análise de variâncias amostrais
(TRIOLA 1999). Deve ser aplicada depois de satisfeitas as suposições de
independência, normalidade e homocedasticidade. Como na prática dificilmente
essas suposições são perfeitamente satisfeitas, é possível aplicar a ANOVA quando
existem pequenos desvios destas pressuposições.

Teste de Tukey
Uma vez rejeitada a hipótese de que as médias são iguais (hipótese nula da
ANOVA), utiliza-se este teste para verificar quais pares de médias diferem entre si
(MONTGOMERY, 1984).
57
5 RESULTADO
As médias dos valores das medições das três ativações obtidas sem e após o
tratamento térmico das alças estão disponíveis respectivamente nas tabelas 5 e 6
(página 57 e 58) para as alças: vertical loop com helicóide, T loop, tear drop loop,
bull loop e alça reversa respectivamente, sendo esses dados dispostos nos gráficos
4 e 5 (páginas 58 e 59).
Tabela 5. Médias dos valores das medições de todas as ativações e deflexões
obtidas sem o tratamento térmico das alças. A letra “X” significa que o valor foi
descartado, pois a mola sofreu deformação permanente após a referida deflexão.
Tipo de mola
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
sem tratamento térmico Média 3 ativ. Média 3 ativ. Média 3 ativ. Média 3 ativ.
Vertical loop c/ helicóide
222,67
334,80
446,20
581,40
T loop
115,67
187,00
260,13
352,33
Tear Drop Loop
291,00
430,87
X
X
Bull Loop
280,27
381,27
598,93
X
Alça Reversa
275,74
378,47
524,40
647,20
58
Tabela 6. Médias dos valores das medições de todas as ativações e deflexões
obtidas após o tratamento térmico das alças. A letra “X” significa que o valor foi
descartado, pois a mola sofreu deformação permanente após a referida deflexão.
Tipo de mola
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
com tratamento térmico Média 3 ativ. Média 3 ativ. Média 3 ativ. Média 3 ativ.
Vertical loop c/ helicóide
139,67
241,13
334,33
430,47
T loop
82,13
149,60
219,87
306,40
Tear Drop Loop
216,53
370,07
X
X
Bull Loop
242,60
356,40
559,07
X
Alça Reversa
216,40
340,87
488,33
621,47
Médias das ativações sem tratamento térmico
Carga em gramas
800
700
Vertical loop
c/ helicóide
600
T loop
500
Tear drop loop
400
300
Bull loop
200
Alça reversa
100
0
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
Deflexão
Gráfico 4: Comparação das médias das alças sem o tratamento térmico em
todas as deflexões e ativações. A alça tear drop loop não está representada
na ativação de 2,5mm porque apresentou deformação plástica.
59
Médias das ativações após o tratamento térmico
Carga em gramas
800
700
Vertical loop
com helicoide
600
T loop
500
Tear drop loop
400
300
Bull loop
200
Alça reversa
100
0
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
Deflexão
Gráfico 5: Comparação das médias das alças após o tratamento térmico em
todas as deflexões e ativações. A alça tear drop loop não está representada
na ativação de 2,5mm porque apresentou deformação plástica.
O coeficiente de variação, que mede a dispersão relativa dos dados em torno
da média, permite comparar a dispersão dos grupos. Neste estudo, os coeficientes
de variação, em sua maioria, encontram-se razoavelmente próximos uns dos outros
e em valores (abaixo de 5%) que indicam que o conjunto de dados é razoavelmente
homogêneo, mas vale destacar que em cinco casos o coeficiente de variação não
ficou dentro dos 5%, porém não ultrapassou 12%, confirmando que a amostra
possui dados aceitáveis de homogeneidade. Ainda analisando estes cinco dados
que ficaram fora dos 5% do coeficiente de variação, pode-se observar que em
apenas um caso o desvio padrão foi superior a 40 gramas, sendo este relacionado
com a alça vertical loop com helicóide não submetida ao tratamento térmico, o que
representa apenas 2,6% da amostra.
60
Para as tabelas 7, 8, 9 e 10 (páginas 61 e 62) apresentadas a seguir têm-se
as seguintes legendas:
• As alças submetidas ao tratamento térmico foram identificadas com a
letra “c” após a letra identificadora da alça conforme descrito na página 54.
- Ac: Vertical loop com helicóide
- Bc: T loop
- Cc: Tear drop loop
- Dc: Bull loop
- Ec: Alça reversa
• As alças que não foram submetidas ao tratamento térmico foram
identificadas com a letra “s” após a letra identificadora da alça conforme
descrito nas páginas 54.
- As: Vertical loop com helicóide
- Bs: T loop
- Cs: Tear drop loop
- Ds: Bull loop
- Es: Alça reversa
61
Tabela 7. Análise descritiva dos dados na deflexão de 1mm. Número de
observações, média, desvio padrão, percentual do coeficiente de variação,
carga mínima e máxima desempenhada pelas molas na deflexão de 1mm.
Tipo
n°
Desvio
Coef.
Mola
Observ.
Média
Padrão Variação% Mínimo Máximo
Ac
5
139,67
2,5714
1,84
136,33
143,00
As
5
222,67
16,3016
8,98
204,33
253,67
Bc
5
82,13
6,9655
8,48
72,67
89,33
Bs
5
115,67
2,3933
2,07
112,33
118,00
Cc
5
216,53
5,0562
2,34
211,67
222,33
Cs
5
291,00
9,5051
3,27
280,67
301,67
Dc
5
242,60
8,3243
3,43
232,67
253,00
Ds
5
280,27
9,7111
3,46
268,00
290,00
Ec
5
216,40
7,8323
3,62
207,00
226,00
Es
5
275,74
10,7157
3,89
264,67
293,00
Tabela 8. Análise descritiva dos dados na deflexão de 1,5mm. Número de
observações, média, desvio padrão, percentual do coeficiente de variação, carga
mínima e máxima desempenhada pelas molas na deflexão de 1,5mm.
Tipo
n°
Desvio
Coef.
Mola Observ.
Média
Padrão
Variação % Mínimo Máximo
Ac
5
241,13
4,5798
1,90
234,00
245,33
As
5
334,80
13,1198
3,54
325,66
354,67
Bc
5
149,60
14,097
9,42
129,00
163,67
Bs
5
187,00
4,2108
2,25
181,67
191,67
Cc
5
370,07
13,6007
3,68
356,00
388,00
Cs
5
430,87
9,3779
2,18
418,00
443,33
Dc
5
356,40
7,8702
2,21
346,67
365,00
Ds
5
381,27
12,6532
3,32
364,00
397,00
Ec
5
340,87
9,5031
2,79
326,67
352,33
Es
5
378,47
13,9022
3,67
367,67
401,67
62
Tabela 9. Análise descritiva dos dados na deflexão de 2mm. Número de
observações, média, desvio padrão, percentual do coeficiente de
variação, carga mínima e máxima desempenhada pelas molas na
deflexão
Tipo de 2mm.
n°
Desvio
Mola Observ.
Média
Padrão
Coef.
Variação % Mínimo Máximo
Ac
5
334,33
5,3997
1,62
326,67
340,33
As
5
446,20
8,985
2,99
434,00
478,67
Bc
5
219,87
9,1834
4,18
210,33
233,00
Bs
5
260,13
7,1213
2,74
253,00
270,00
Dc
4
559,07
10,7215
1,92
542,33
571,00
Ds
4
598,93
15,1928
2,54
584,33
620,67
Ec
5
488,33
9,0176
1,85
475,33
499,67
Es
5
524,40
18,7739
3,58
499,67
543,33
Tabela 10. Análise descritiva dos dados na deflexão de 2,5mm. Número
de observações, média, desvio padrão, percentual do coeficiente de
variação, carga mínima e máxima desempenhada pelas molas na
deflexão
Tipo de 2,5mm.
n°
Desvio
Mola Observ.
Média
Padrão
Coef.
Variação % Mínimo Máximo
Ac
5
430,47
5,8374
1,36
423,67
437,67
As
5
581,40
26,5578
4,19
567,00
624,67
Bc
5
306,40
8,872
2,90
292,33
314,33
Bs
5
352,33
5,0396
1,43
346,00
357,67
Ec
5
621,47
9,4663
1,52
610,00
635,33
Es
5
647,20
24,7933
3,83
621,00
675,67
Após
a
análise
descritiva,
foram
testadas
a
normalidade
e
a
homocedasticidade dos dados através dos testes de Kolmogorov-Smirnov e de
homogeneidade respectivamente (tabela 11, página 63).
63
Tabela 11: Resultados do p-valor dos testes de Kolmogorov-Smirnov e de
homogeneidade. Testes de normalidade e homogeneidade das variâncias para as
forças dissipadas pelas alças com e sem tratamento térmico nas deflexões
1,0mm, 1,5mm, 2,0mm e 2,5mm. O nível de significância considerado foi de 0,05.
Deflexão
Normalidade (p-valor)
Homogeneidade (p-valor)
para as alças
para as alças
Com tratamento Sem tratamento Com tratamento Sem tratamento
1,0 mm
0,047
0,166
0,133
0,002
1,5 mm
0,063
0,266
0,106
0,299
2,0 mm
0,082
0,302
0,177
0,246
2,5 mm
0,104
0,398
0,222
0,098
Pode-se observar na tabela 11 que através do teste de normalidade para
1,0mm de deflexão com tratamento térmico foi rejeitada a hipótese de normalidade
dos dados (p-valor: 0,047) e através do teste de homogeneidade para 1,0mm de
deflexão sem tratamento térmico foi rejeitada a hipótese de variância constante (pvalor: 0,002). Sendo decidido utilizar a análise de variância também nestes casos,
deve-se sempre destacar que não foram atendidos os pré-requisitos. Vale ressaltar
que o maior valor de coeficiente de variação foi observado para alça A sem
tratamento na deflexão 1,0 mm (Tabela 8, página 61). Nos demais casos, os prérequisitos foram atendidos e utilizou-se a análise de variância (ANOVA).
Os resultados obtidos através da ANOVA fornecem evidências de que, ao
nível de 5% de significância, deve-se rejeitar a hipótese de igualdade da força média
dissipada para cada tipo de alça, com e sem tratamento térmico em todas as
deflexões estudadas. O p-valor obtido em cada análise de variância foi de um valor
aproximando-se a zero, podendo ser descrito por 0,0001.
64
Após a aplicação da análise de variância de múltiplos fatores (ANOVA) que
evidenciou que as forças médias dissipadas por cada tipo de alça são diferentes, foi
realizada uma comparação de todos os possíveis pares de médias através do Teste
de Tukey para verificar quais tipos de alças diferem entre si.
Para as alças que não foram submetidas ao tratamento térmico verificou-se
que na deflexão de 1,0mm as alças tear drop loop, bull loop e alça reversa não
diferem entre si, o mesmo ocorre com as alças bull loop e alça reversa na deflexão
de 1,5mm para o nível de 5% de significância. Estes resultados podem ser melhor
visualizados através do gráfico 4 (página 58).
Para as alças que foram submetidas ao tratamento térmico, verificou-se que,
ao nível de 5% de significância, na deflexão de 1,0mm apenas as alças tear drop
loop e alça reversa não diferem entre si, o mesmo ocorreu com os pares de alças
tear drop loop e bull loop, bull loop e alça reversa na deflexão de 1,5mm. Estes
resultados podem ser melhor visualizados através do gráfico 5 (página 59).
Os gráficos 6 a 10 (páginas 65 a 67) apresentam comparações das médias
das forças dissipadas pelos mesmos modelos de alças sem e com o tratamento
térmico em todas as ativações. Pode ser observado em todos esses gráficos que
este procedimento promoveu uma redução da relação carga/deflexão, sendo isto
mais evidente na alça vertical com helicóide seguida pelo tear drop loop, T loop, alça
reversa e bull loop estando este fato relacionado a esta ser a seqüência de alça que
contenha a maior quantidade de fio em regiões de tensões, justamente onde o efeito
de tratamento térmico é mais evidente.
Os gráficos 11 a 14 (páginas 67 a 69) apresentam comparações das médias
mínimas e máximas de todas as alças com e sem tratamento térmico; podendo ser
65
observado que o tratamento térmico promoveu uma redução da relação
carga/deflexão mínima e máxima em todas as alças analisadas
Alça vertical com helicóide
Carga em gramas
600
500
400
300
200
100
Com tratamento
Sem tratamento
0
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
Deflexão
Gráfico 6: Comparação das médias da alça vertical com helicóide
com e sem tratamento térmico de libertação de tensões.
T loop
Carga em gramas
600
500
400
300
200
100
Com tratamento térmico
Sem tratamento térmico
0
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
Deflexão
Gráfico 7: Comparação das médias do T loop com e sem
tratamento térmico de libertação de tensões.
66
Tear drop loop
Carga em gramas
600
500
400
300
200
Com tratamento térmico
100
Sem tratamento térmico
0
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
Deflexão
Gráfico 8: Comparação das médias do tear drop loop com e
sem tratamento térmico de libertação de tensões.
Bull loop
800
Carga em gramas
700
600
500
400
300
200
Com tratamento térmico
100
Sem tratamento térmico
0
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
Deflexão
Gráfico 9: Comparação das médias do bull loop com e sem
tratamento térmico de libertação de tensões.
67
Alça reversa
700
Carga em gramas
600
500
400
300
200
Com tratamento térmico
100
Sem tratamento térmico
0
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
Deflexão
Gráfico 10: Comparação das médias da alça reversa com e sem
tratamento térmico de libertação de tensões.
Comparação das médias mínimas e máximas de todas as
alças com e sem tratamento térmico
Carga em gramas
400
300
200
100
0
Com
Com
Sem
Vertical
looploop
Vertical
comhelicóide
com
helicóide
Com
Com
Com
Com
Com
Sem
Com
Sem
Com
Sem
Com
Sem
T loop
TearTear
drop drop Bull loop
reversa
T loop
Bull loop AlçaAlça
reversa
loop loop
Deflexão 1mm
Gráfico 11: Comparação das médias mínimas e máximas de todas
as alças com e sem tratamento térmico na deflexão de 1mm.
68
Comparação das médias mínimas e máximas de todas as
alças com e sem tratamento térmico
400
300
200
100
0
Com
Sem
Com
Vertical
Vertical
looploop
com
helicóide
com
helicóide
Com
Sem
Com
Sem
Com
Sem
Com
Com
Com
Com
Sem
T loop
reversa
T loop
TearTear
drop drop Bull Bull
loop loop AlçaAlça
reversa
loop loop
Deflexão 1,5mm
Gráfico 12: Comparação das médias mínimas e máximas de todas
as alças com e sem tratamento térmico na deflexão de 1,5mm.
Comparação das médias mínimas e máximas de
todas as alças com e sem tratamento térmico
700
600
Carga em gramas
Carga em gramas
500
500
400
300
200
100
0
Com
Com
Sem
Vertical loop
Vertical loop
com helicóide
Com
Com
T loop
Sem
T loop
Com
Com
Bull loop
Sem
Bull loop
Com
Com
Sem
Alça reversa
Alça reversa
com helicóide
Deflexão 2mm
Gráfico 13: Comparação das médias mínimas e máximas de todas
as alças com e sem tratamento térmico na deflexão de 2mm.
69
Comparação das médias mínimas e máximas das alças
com e sem tratamento térmico
Carga em gramas
800
600
400
200
0
Com
Com
Sem
Vertical
loop
Vertical
loop com
com helicóide
helicóide
Com
Com
T loop
Sem
T loop
Com
Com
Sem
Alça reversa
Alça reversa
Deflexão 2,5mm
Gráfico 14: Comparação das médias mínimas e máximas das alças
com e sem tratamento térmico na deflexão de 2,5mm.
70
6 DISCUSSÃO
A Ortodontia atual convive com uma evolução bastante visível dos materiais
ortodônticos e em especial das ligas metálicas. Frente a essa evolução constante,
torna-se extremamente necessário estudar, analisar e principalmente saber o porquê
de preferir usar tal liga em detrimento da outra, fazendo-se imperativo o
conhecimento dos aspectos metalúrgicos dessas ligas (EICK, 1989; BRANTLEY,
1989; TOTTI, 1992; ANUSAVICE, 1998).
Os processos de fabricação, tratamento térmico e acabamento da superfície
do aço influenciam no comportamento do metal submetido a ciclos de esforços
requeridos. O aço inoxidável tem sido muito estudado e utilizado na prática
ortodôntica, uma vez que possui boas propriedades, sendo estas amplamente
conhecidas e previsíveis (THUROW, 1972; REISBICH, 1980; EICK, 1989; TOTTI,
1992; MUENCH, 1994; PHILLIPS, 1967; ANUSAVICE, 1998; FERREIRA, 1999).
Para um profissional obter êxitos em seus tratamentos ortodônticos, onde há a
utilização de alças de retração de caninos e de fechamento de espaços dos
incisivos, há necessidade de um profundo conhecimento dos princípios de física, em
especial à relação momento/força e carga/ deflexão.
71
Vários autores afirmam que o tratamento térmico promove benefícios para as
alças de fechamento de espaços, reduzindo a concentração de esforços,
melhorando as qualidades elásticas dos fios de aço inoxidável e libertando tensões
introduzidas durante a manipulação diminuindo a possibilidade de ruptura durante o
uso clínico (KOHL, 1964; THUROW, 1972; BRANTLEY, 1989; TOTTI, 1992;
ANUSAVICE, 1998; FERREIRA, 1999). O tempo e a temperatura para tal
procedimento podem variar entre 5 a 20 minutos em temperatura de 370 a 460oC,
independente do diâmetro do fio utilizado (LINO, 1973, BRANTLEY, 1978;
MUENCH, 1994), estando o procedimento de tratamento térmico aqui adotado
dentro desses valores. A melhora em torno de 10% observada no desempenho das
alças está de acordo com os achados de BRANTLEY em 1989 (Tabelas 5 a 10,
páginas 57, 58, 61 e 62; gráficos 4 a 14, páginas 58, 59, 65 a 69).
Analisando os resultados dispostos na tabela 5 (página 57) e mostrados
através do gráfico 4 (página 58) e os dados da tabela 6 (página 58) e mostrados
através do gráfico 5 (página 59), pode-se dizer que todas as alças e suas
respectivas molas tiveram um comportamento bastante semelhante, isto é, em todas
as ativações houve um aumento gradual da carga à medida que a deflexão também
era aumentada. Observando-se os dados obtidos das alças tear drop loop e bull loop
(tabelas 5 e 6, páginas 57 e 58 respectivamente) pode-se notar que os mesmos não
possuem valores em todas as quatro deflexões, isto ocorreu porque, em tais
ativações, não registradas, houve deformação permanente dessas alças, isto é,
após a ativação, tais molas não retornaram às suas posições originais, não sendo
então registrados estes valores. Na alça tear drop loop esta deformação plástica
ocorreu na deflexão de 2mm e na alça bull loop ocorreu na deflexão de 2,5mm.
72
Analisando as medidas descritivas dispostas nas tabelas 7 a 10 (páginas 61 e
62) pode-se observar que a força média dissipada pelos cinco tipos de alças sem o
tratamento térmico foi superior à força média das alças submetidas a este
procedimento em todas as deflexões avaliadas e a medida que a deflexão era
aumentada de 1, 1,5, 2 e 2,5mm, também era aumentada a carga desempenhada
pela alça. Pode-se notar que as alças com maior quantidade de fio utilizado em sua
confecção desempenhou uma menor relação carga/deflexão.
Em relação aos efeitos benéficos do tratamento térmico sobre os fios de aço
inoxidáveis, os achados do presente estudo estão de acordo com vários autores
(KOHL, 1964; THUROW, 1972; BRANTLEY, 1989; FERREIRA, 1999), mas não
estão totalmente de acordo com as pesquisas de TOTTI, em 1992, que encontrou
deformação permanente em todas as alças após o tratamento térmico, sendo esta
em menor nas espessuras de fios aqui utilizadas que foi a 0,018” x 0,025”, o que não
foi observado no presente estudo, onde nenhuma alça sofreu deformação plástica
por efeito do tratamento térmico.
Em tratamentos ortodônticos que sejam necessários o uso de alças de
fechamento de espaços, vários aspectos devem ser considerados, dentre eles
temos: o tipo de liga utilizada e se foi feito ou não o tratamento térmico, o desenho
da alça utilizada e a magnitude de ativação da mesma, a incorporação ou não de
pré-ativações (SHIMIZU, 1999; BRAUN, 2002), as reações histológicas nos tecidos
que circundam os dentes, o número de dentes a serem movimentados e a
necessidade ou não de controle de ancoragem; todos estes aspectos precisam ser
cuidadosamente analisados para que ocorra um movimento dentário adequado com
completo controle da inclinação do dente e que os tecidos de suporte que circundam
os dentes não sofram injúrias. É importante, então, que a movimentação não
73
provoque extensas áreas de hialinização, as quais podem dificultar e/ou retardar o
movimento (MENDES, 1992). Estes critérios estão diretamente relacionados com a
magnitude da força aplicada, havendo, então, a necessidade de se estabelecerem
os valores ideais, força ótima, para a movimentação de um ou mais dentes
(MACAPAMPAM, 1954; REITAN, 1969; GIANELLY e GOLDMAN, 1971; JARABAK &
FIZZELL, 1975; OPPENHEIM, 1994. SHIMIZU,1999).
Os diferentes aspectos abordados mostram a complexidade da mecânica de
retração e a necessidade do conhecimento de seus aspectos biomecânicos e do
discernimento de quem a executa de não considerá-la isoladamente, e sim, como
uma parte de um todo que é o tratamento ortodôntico.
As alças de retração devem apresentar uma relação momento/força alta e
uma relação carga/deflexão baixa, para que os níveis de força sejam relativamente
constantes durante a sua ativação e desativação, facilitando a obtenção do
movimento de translação (MENDES, 1992; SHIMIZU, 1999). As propriedades da
alça de retração podem ser alteradas pela espessura e módulo de elasticidade do
fio, pelo desenho da alça e quantidade de fio utilizado na sua confecção, bem como
pela magnitude de ativação, pela incorporação ou não de dobras de pré-ativação e
pelo efeito do tratamento térmico.
Parece existir discrepância entre a magnitude de força produzida por certas
alças de retração e os valores de força ótima preconizados pelos autores. Os valores
de força ótima recomendada para a retração dos dentes anteriores variam de 196 a
338 gramas para os incisivos superiores, 170 a 296 gramas para os incisivos
inferiores, 326 a 595 gramas para os incisivos e caninos superiores e 294 a 512
gramas para os incisivos e caninos inferiores (REITAN, 1957; HIXON et al., 1969;
JARABAK & FIZZELL, 1975; RICKETTS, 1976), 65 e 170 gramas para os caninos
74
Grupo de dentes
Incisivos superiores
(196g-338g)
Incisivos inferiores
(170g-296g)
Caninos superiores
1mm
1,5mm
2mm
2,5mm
CDE
A
AB
B
AC
AB
B
CDE
A
B
ACDE
B
B
AB
B
(65g-170g)
B
Caninos inferiores
B
(62g-130g)
B
Incisivos e caninos superiores
(326g-595g)
Incisivos e caninos inferiores
(294g-512g)
CDE
ABDE
A
ACDE
AE
AB
CDE
AE
AB
ACDE
A
B
Tabela 12. Comparação das alças analisadas que se enquadram nos valores
referenciais de força ótima (segundo JARABACK e FIZZELL, 1975) em suas
respectivas deflexões.
A: Vertical loop com helicóide;
B: T loop;
C: Tear drop loop;
D: Bull loop;
E: Alça reversa.
Letras azuis representam alças tratadas termicamente;
Letras vermelhas representam alças não tratadas termicamente.
75
superiores, 62 a 130 gramas para os caninos inferiores. Levando em consideração
as dimensões das alças aqui utilizadas e analisando sob este aspecto de força
ótima, observa-se as seguintes alças que possuem registros dentro desses valores
referenciais de força ótima para movimentação dos dentes (Tabela 12, página 74).
Baseando-se na tabela 12, página 74, para molas tratadas termicamente,
pode-se dizer que em tratamentos ortodônticos que necessitem distalização inicial
dos caninos superiores as alças mais apropriadas foram a vertical loop com
helicóide e o T loop na deflexão de 1mm ou somente o T loop na deflexão de 1,5mm
e para alças não tratadas termicamente, apenas a alça T loop com 1mm de
ativação. Após a retração dos caninos superiores, o fechamento de espaços dos
incisivos superiores pode ser realizado com a utilização das alças tratadas
termicamente: tear drop loop, bull loop e alça reversa com ativação de 1mm, vertical
loop com helicóide ativada em 1,5 ou 2mm e T loop ativado em 2 ou 2,5mm, e para
alças que não foram tratadas termicamente, pode-se utilizar: o vertical loop com
helicóide ativado em 1 ou 2mm, o tear drop loop ativado em 1mm e o T loop ativado
em 1,5 ou 2mm.
Em situações clínicas que permitem certa perda de ancoragem, pode-se fazer
a retração em massa dos seis dentes anteriores. Nesses casos, têm-se para o grupo
submetido ao processo de tratamento térmico as alças tear drop loop ativada em
1,5mm, o vertical loop com helicóide ativado em 2 ou 2,5mm, o bull loop e a alça
reversa ativados em 1,5 ou 2mm, o T loop ativado em 2mm, e para o grupo que não
recebeu tratamento térmico têm-se: o vertical loop com helicóide, podendo ser
ativado em 1,5, 2 ou 2,5mm, o tear drop loop ativado em 1,5mm, o bull loop ativado
em 1,5mm, a alça reversa ativada em 1,5 e 2mm e o T loop ativado em 2,5mm.
76
Ainda analisando a tabela 12 (página 74), referindo-se a distalização dos
caninos inferiores, apenas o T loop, com ou sem tratamento térmico, na menor
ativação, promoveu cargas compatíveis para esse movimento. Já o fechamento de
espaços no arco inferior, com movimentação dos quatro incisivos, pode ser realizado
com todas as alças, a saber: alças tear drop loop, bull loop e alça reversa com ou
sem tratamento térmico e vertical loop com helicóide sem tratamento na ativação de
1mm, vertical loop com helicóide com tratamento térmico ativado em 1,5mm, T loop
ativado em 1,5mm sem tratamento ou em 2mm com ou sem tratamento térmico de
libertação de tensões.
Nos tratamentos ortodônticos que permitem a retração em massa dos seis
dentes anteriores inferiores, podem ser utilizados o tear drop loop, bull loop e a alça
reversa, todos com ou sem tratamento térmico na ativação de 1,5mm, além da alça
vertical loop com helicóide, sem tratamento, que também pode ser ativada. Em
2mm, com ou sem tratamento térmico a alça vertical loop com helicóide pode ser
utilizada, além da alça reversa com tratamento. Em 2,5mm, o T loop pode ser
ativado, independentemente do tratamento térmico ter sido realizado ou não, assim
como a alça vertical loop com helicóide com tratamento.
Analisando a tabela 12 (página 75) sob outro prisma, observa-se que com
ativações de 1mm em casos de retração em massa dos incisivos e caninos tanto
superiores como inferiores, nenhuma alça analisada deveria ser empregada, pois os
valores de forças obtidos com as mesmas não estão dentro dos limites de força
ótima preconizados. Esta exclusão também ocorreu com ativações de 1,5mm em
distalização dos caninos inferiores e para os caninos superiores com alças não
tratadas termicamente. Nas ativações de 2mm, observou-se que em distalizações de
caninos superiores e inferiores, nenhuma das alças analisadas deveria ser
77
empregada. Já nas ativações de 2,5mm, nenhuma alça deveria ser usada para
distalização dos caninos superiores, caninos inferiores, incisivos inferiores, e
somente as alças não tratadas termicamente nos casos de fechamento de espaços
dos incisivos superiores.
78
7 CONCLUSÃO
Com base nos resultados desta pesquisa pode-se concluir que:
7.1) À medida que se aumentou a deflexão de ativação das alças foi
observado um acréscimo significativo das cargas geradas pelas mesmas;
7.2) As alças submetidas ao tratamento térmico de libertação de tensão
geraram, significativamente, proporções carga/deflexão mais baixas que as alças
não tratadas termicamente, consequentemente proporcionam magnitudes de forças
mais constantes durante a desativação;
7.3) O aumento da proporção carga/deflexão gerada pelas alças estava
intimamente relacionado com a quantidade de fio utilizado na confecção destas,
quanto menos fio usado, maior a proporção carga/deflexão observada;
79
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