Revista 41 - Crea-BA

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Revista 41 - Crea-BA
cr a
Revista do Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia da Bahia
DESAFIOS
DA ética
Após
aposentadoria,
ministra Eliana
Calmon quer
atuar em Ong
de combate a
corrupção
B A H I A
Nº 41 > out.nov.dez > 2012
bagagem
para a copa
Especialistas e gestores públicos
analisam perspectivas para a
mobilidade urbana em 2014
fotos joão alvarez
sumário
12 Entre o rio e
o mar, Imbassaí,
atrai turistas de
vários países e
muitos baianos
17 Planejamento
estratégico e
inteligente para
Salvador
21 Debate sobre ética
e homenagem aos
veteranos marcam Dia
do Engenheiro
36 Os desafios de
gerenciamento do
aquífero Urucuaia
veja edição online no site www.creaba.org.br
joão alvarez
08 TCU indica
metodologia da FPI
ao Ministério do Meio
Ambiente
Capa
Principais portões
de chegada ao
Estado, o aeroporto
e a rodoviária
precisam de maior
infraestrutura para
receber turistas na
Copa de 2014
Página 26
>correio
Seca
Parabéns pelos dez anos da revista.
Participei da 3ª edição, com a matéria
“Estradas na Bahia”. Com a intenção
de colaborar com a matéria “A seca
e seus espinhos”, publicada na 40ª
edição, encaminho esta mensagem:
“Novamente, o semiárido baiano é
atingido por inclemente seca. Combater o flagelo secular é impossível, mas
existem modos de convivência. Precisamos transformar crises em oportunidades. Chegou a hora em que,
para encontrar a solução, no lugar de
convocar para o horário da reunião é
melhor convidar para o momento da
união. Além da locução, vale a ação.
Precisamos ir além do lamento, urgem
a solução e o fomento. Sendo forte, o
sertanejo precisa, antes de tudo, ser
próspero. O Brasil deve inovar e vencer
o secular desafio do semiárido”. Paulo Cesar Bastos, engenheiro civil e
produtor rural
Estrangeiros
Lendo, na edição 40 da revista
Crea-BA, a matéria “Cresce número
de estrangeiros no Brasil”, me lembrei
de uma outra matéria que li, há cerca
de um ano, sobre a grande publicidade que foi feita do Brasil no exterior.
Esta publicidade pode estar rendendo
alguns frutos, principalmente quanto à melhora da nossa autoestima,
mas também traz alguns efeitos colaterais. Sou engenheiro e conheço
vários colegas que se submetem a
empregos que não pagam o teto mínimo da categoria, além de engenheiros que estão desempregados. Para
os engenheiros recém-formados, as
oportunidades são mais difíceis ainda
na Bahia. Considero a colocação do
senhor Hani Hassan oportuna: “antes de abrir campo de trabalho para
os estrangeiros, precisamos inserir os
profissionais brasileiros no mercado”.
Cléber Azevedo, engenheiro
4
crea V.3, n. 41, p. 4 - out/nov/dez.2012 - Bahia
Encontro dos técnicos
Parabenizo o Crea-BA e a Mútua
pelo evento promovido, no dia 17 de
dezembro de 2012, na Fieb. O 1º Encontro dos Técnicos Industriais foi um
sucesso. Espero, em breve, ser convidado para o próximo. Elieser Moreira Santos, técnico eletromecânico
PDDU
Quero parabenizar vocês pela matéria “Entidades questionam legalidade da composição do Conselho da
Cidade”, de 21/11/2012. O Crea-BA precisa se manifestar e se posicionar contra o absurdo do atual PDDU. Estão
destruindo as raríssimas áreas verdes
que ainda existem na cidade. A especulação imobiliária e a construção civil estão "enfeiando" Salvador com excessos de prédios, desmatando áreas
verdes em Patamares, Jaguaribe, Piatã e Pituaçu. É muito triste. Marcus
Batista Bandeira dos Santos
Piso salarial
Gostaria de saber se o Crea-BA
pode se manifestar contra o salário
de R$ 800 que a prefeitura de Itamaraju-BA está oferecendo a quem
passar no concurso para engenheiro
agrônomo. Há alguma forma legal
que possa se usada? Adler Tamay,
engenheiro agrônomo
Resposta: Existe a Lei 4.950/66, que
estipula o salário para os engenheiros
profissionais no valor de 8,5 salários
mínimos, mas ela não é aplicada aos
órgãos estatutários, apenas aos celetistas. O Crea-BA tem trabalhado na
conscientização do poder público sobre a importância do cumprimento da
legislação profissional. No caso de Itamaraju, encaminhamos a sua denúncia ao setor responsável para que entre
em contato com a prefeitura.
Concurso
Vai abrir o concurso do Sema e
Inema-BA e os profissionais de engenharia de pesca não vão poder participar. Um concurso da área de meio
ambiente e recursos hídricos e vocês
não estão atentos a isso? É um descaso com os profissionais da engenharia
de pesca na Bahia! Leon Leal
Resposta: Encaminhamos ofício ao
Sema e Inema e o edital já foi retificado, incluindo, além da engenharia
de pesca, para o cargo de especialista
em meio ambiente e recursos hídricos, análise de sistema, aquicultura e
ecologia aquática, ciências da computação, engenharia de aquicultura,
engenharia hídrica, processamento
de dados, sistema de informação e
tecnologia da informação.
Engenharia pública
Acabei de receber a edição de nº 40,
que traz uma matéria sobre a parceria
entre o Crea e a Escola Politécnica, na
criação de um escritório de engenharia pública. Gostaria de conhecer mais
o projeto. Paulo Roberto Rodrigues
Lisboa, técnico em edif icações
Resposta: Você pode obter mais informações com o chefe de gabinete
do Crea-BA, Herbert Oliveira. O e-mail
dele é [email protected]
Fale conosco
Envie a sua mensagem, contendo nome completo, e-mail e telefone, para o endereço eletrônico: [email protected] Reservamo-nos o direito de, sem alterar o conteúdo, resumir e adaptar os textos publicados. Siga o Crea-BA nas redes
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ANUNCIAR: [email protected] Tel.: (71) 3453-8912/3453-8929. Edição online
no site www.creaba.org.br
>curtas
paulo macedo
O 12º seminário de inspetores reuniu 50 profissionais em torno de debates sobre futuros projetos do Crea-BA
Seminário de Inspetores
A regionalização das ações do Crea-BA foi discutida
durante o 12º Seminário de Inspetores, promovido no
dia 12 de dezembro de 2012, em Salvador. O evento
propôs uma reflexão sobre os futuros projetos da
entidade e avaliou os resultados das atividades
realizadas ao longo do ano passado. Na ocasião,
o presidente da autarquia federal, o engenheiro
mecânico Marco Amigo, chamou a atenção dos 50
inspetores presentes para atuarem em favor da
ocupação do espaço político de forma organizada e
articulada, destacando ainda a intenção em organizar,
este ano, 300 eventos, entre cursos e palestras, na
sede e no interior do Estado.
Crea assume vaga no Comam
O Crea-BA assumiu, em 8 de novembro de 2012, uma
vaga no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam).
O colegiado integra o Sistema Municipal de Gestão
Ambiental (SMGA), responsável pelo planejamento,
promoção e execução da política de meio ambiente da
capital. Com caráter consultivo, normativo e deliberativo,
compete também a esta instituição a emissão de licenças
para construção de grandes empreendimentos. Marco
Amigo, presidente do Crea-BA, ressaltou o papel social
da iniciativa. “Buscamos estar sempre alinhados às
ações que visam promover o bem estar da sociedade.
Considero nossa participação no Comam, oferecendo
conhecimento técnico, um dever”.
6 crea V.3, n. 41, p. 6 - out/nov/dez.2012 - Bahia
Entre a academia
e a indústria
Legado sobre
o semiárido
Em novembro do ano
passado, no auditório
da Fieb, o seminário
Formação de Engenheiros
para a Próxima Década: a
visão do setor industrial
da Bahia debateu
a interação entre a
academia e o setor
industrial, apontada
como a questão
contemporânea que mais
impulsiona a inovação
e a formação plena dos
profissionais. “O processo
de troca de informações
e parcerias, entre a
universidade e o setor
produtivo, é importante
para o desenvolvimento
da engenharia e da
sociedade”, observou
o engenheiro civil Luís
Edmundo Campos,
conselheiro do Crea-BA.
O evento foi promovido
pelo Fórum de Inovação
da Bahia.
Considerado um dos
maiores defensores
do Rio São Francisco, o
engenheiro civil Manoel
Bonfim Ribeiro, especialista
em hidrologia, morreu no
dia 4 de dezembro de 2012,
em Salvador. Ex-diretor
do DNOCS e da Codevasf,
e ex-secretário geral do
Instituto Geográfico e
Histórico da Bahia, ele
dedicou sua vida ao
combate à seca e ao
convívio do sertanejo
com a estiagem, deixando
várias obras sobre os
assuntos, adotadas
atualmente por diversas
faculdades. Foi um grande
colaborador da revista do
Crea na matéria A seca e
os seus espinhos, veiculada
na edição nº 40, e foi o
entrevistado da edição de
nº 34, quando falou sobre
a poluição e o descaso com
os rios.
Plano Diretor de Encostas
Conciliação
A Cidade também é Nossa
A convite do Ministério Público,
o Crea-BA participou, no dia 18
de outubro de 2012, da audiência
pública inaugural para discutir
propostas para o Plano Diretor de
Encostas (PDE), documento técnico
administrativo no qual constam
433 áreas de risco, com os devidos
custos para a intervenção, e para o
Plano de Implementação de Medidas
Eliminadoras de Desastres. A ideia
é que Salvador adote o exemplo da
Fundação Instituto de Geotécnica
(Geo-Rio), que atua no Rio de
Janeiro, com ações desenvolvidas
desde 1966 em favor da proteção
das encostas. A audiência foi
coordenada por Hortênsia Pinho,
promotora de Justiça, Habitação e
Urbanismo de Salvador.
O Crea-BA esteve presente ao
1º Mutirão Multiconselhos,
da Semana de Conciliação da
Bahia, realizada no dia 13 de
novembro do ano passado,
em Salvador. Promovido pela
Justiça Federal, o evento
reuniu representantes de
diversos conselhos de classe
e teve o objetivo de facilitar
a solução de conflitos
litigiosos entre os cidadãos
e as instituições presentes.
“Indicamos 113 processos
para conciliação. Desse total,
30% foram solucionados”,
afirmou o procurador-chefe
do Conselho, José Antonio
Rocha.
O Fórum A Cidade Também é Nossa,
que se reúne periodicamente no
Crea-BA, vem se firmando como
um espaço de garantia do controle
social para as ações políticas
realizadas em Salvador. Entre muitas
lutas enfrentadas pelo colegiado em
2012, o destaque vai para o combate
às alterações da Lei de Ordenamento
do Uso e Ocupação do Solo
(Louos) e do Plano Diretor de
Desenvolvimento Urbano (PDDU).
O colegiado repudiou
ainda o pacote de projetos
enviados pelo prefeito João
Henrique para aprovação da Câmara
de Vereadores no fim de novembro
do ano passado. Entre eles, estava à
autorização para licitação do Projeto
Linha Viva.
Ufba é destaque
em aerodesign
Representantes de 26 instituições participaram da reunião do CER-BA
CER-BA elege nova coordenação
Com a proposta de ampliar, organizar e fortalecer as organizações de classe
da Bahia foi realizada, no dia 13 de dezembro de 2012, a reunião do Colégio de
Entidades Regionais (CER). O encontro, promovido pelo Crea-BA, em Salvador,
contou com a participação de representantes de 26 instituições, além do
coordenador do Colégio de Entidades Nacionais (CDEN), engenheiro eletricista
Ricardo Nascimento. Na ocasião, foi aprovado o regimento interno e eleita
a coordenação geral e adjunta do fórum, composta respectivamente pelo
engenheiro agrimensor Joseval Carqueija (Asseab) e a engenheira civil Karen
Barbosa (Associenge).
Os estudantes de engenharia da
Ufba conquistaram a 1ª colocação
Norte-Nordeste na 14ª competição
nacional de aerodesgin. O evento
aconteceu entre os dias 1º e 4 de
novembro, em São José dos
Campos (SP), e contou com a
participação de 62 equipes
nacionais e internacionais.
A equipe baiana Axé Fly, formada
por 11 alunos dos cursos de
engenharia mecânica, elétrica e
controle e automação de processos,
superou grupos tradicionais no
ramo da engenharia aeronáutica,
como o ITA. O capitão da equipe,
Mateus Dantas, aluno do 6º
semestre de engenharia mecânica,
disse que o maior desafio da equipe
é a captação de recursos. Além do
apoio da Ufba, o grupo conta com
o auxílio de empresas na cessão
de recursos financeiros, materiais,
serviços e capacitação.
V.3, n. 41, p. 7 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 7
>Meio Ambiente
tcu elogia
fpi do são
francisco
Órgão federal recomendou ao
Ministério do Meio Ambiente
a adoção da metodologia
Por Nadja Pacheco
fotos gilson pereira
respeitabilidade
em
torno das ações da Fiscalização Preventiva Integrada do São Francisco, promovida pelo Crea-BA e outras
17 instituições, ultrapassou as
fronteiras do Sistema Confea/
Crea e ganhou o reconhecimento do Tribunal de Contas
da União (TCU). O órgão federal
recomendou ao Ministério do
Meio Ambiente (MMA) a adoção da metodologia da FPI, por
seu êxito nas atividades de revitalização do rio.
A iniciativa, que completou
10 anos em 2012, inclui atividades com o objetivo de salvaguardar a população de situações de
risco e impedir a degradação do
meio ambiente. Entre as ações
desenvolvidas pela FPI, estão a
recomposição da mata ciliar, a
preservação das áreas de proteção permanente, a realização
de obras do sistema de esgotamento sanitário, a recuperação
de nascente, a implantação do
sistema de informação geográ-
8 crea V.3, n. 41, p. 8 - out/nov/dez.2012 - Bahia
fica e práticas de gestão hídricas. Até o final do ano passado,
foram realizadas 29 etapas da
fiscalização em 115 municípios
da Bahia.
A FPI do São Francisco iniciou
as atividades na primeira gestão do presidente do Crea-BA,
engenheiro mecânico Marco
Amigo. De acordo com o gestor,
que está no terceiro mandato, a
iniciativa reflete o compromisso
da instituição com o coletivo,
sendo considerada a principal
ação social da autarquia federal.
“Os benefícios gerados pela fiscalização vão além da proteção
ambiental. Ela também garante
cidadania à população e presta
contas das ações realizadas pelos órgãos federais e estaduais”.
Compromisso social
Segundo o acórdão do TCU,
processo nº 026.570/2011-4,
relativo ao Ministério do Meio
Ambiente, a revitalização da
bacia do São Francisco não obterá resultados favoráveis, caso
Técnicos do
Crea, do Ibama
e do Ministério
Público fiscalizam
obras na região
de Casa Nova
persistam as mesmas agressões ambientais observadas hoje. “O aumento da fiscalização reduz
o ritmo de degradação, devido aos seus efeitos
dissuasivo e punitivo e, consequentemente, amplia a efetividade do programa de revitalização.
Iniciativas como a FPI devem ser estimuladas
como auxiliares no processo de combate a essa
degradação”. O documento, assinado pelo ministro Aroldo Cedraz, reconhece ainda o empenho
da FPI em evitar e reparar os danos ambientais da
bacia, além de estimular ações socioeducativas
de conservação.
De acordo com Augusto Queiróz, assessor de
relações institucionais do Crea-BA, a visibilidade
social e a credibilidade dos órgãos participantes
da FPI junto à sociedade contribui para determinar e reafirmar a iniciativa do Sistema Confea/
Crea como a única referência bem sucedida de
projeto de cidadania de um sistema profissional
de alcance nacional. “O programa é respeitado
por diversas instituições e autoridades, possibilitando a visibilidade do nome e do papel do Crea-BA na defesa dos interesses da sociedade”.
Queiróz reitera ainda que o modelo da FPI baiana foi repassado aos Creas de Alagoas e Sergipe, e
que o Ministério da Integração Nacional, por meio
da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do
São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), usou os
relatórios com os diagnósticos da fiscalização
para a liberação de recursos destinados a obras
de saneamento básico em 48 municípios baianos.
Segundo ele, devido ao sucesso da iniciativa, já
foram aprovados, pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), novos recursos
As ações da
FPI incluem
visitas e
orientação
aos
moradores
de cada
localidade
V.3, n. 41, p. 9 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 9
>Meio Ambiente
>SAÚDE
“ASSOCIAR AS DUAS
504Émunicípios
PRÁTICAS
O IDEAL. ALÉM
compõem a Bacia do São
DE PROPORCIONAR
MELHOR
Francisco;
QUALIDADE DE VIDA, AUXILIA
13 milhões
NA PREVENÇÃO
DE DOENÇAS
moram em municípios
COMO banhados
HIPERTENSÃO,
CÂNCER
pelo rio;
E DIABETES”
Óleos funcionais,
por que não?
Além dos alimentos, também existem os óleos
funcionais. Eles melhoram a saúde e ajudam a
emagrecer, acelerando o metabolismo e produzindo uma sensação de saciedade. Além da perda
das águas do
de peso, podem ser utilizados como hidratantes
vêm deste rio;sobre
AméliaNordeste
Duarte, nutricionista,
para a pele e atenuantes dos sintomas da TPM.
harmonizar dieta alimentar e treino funcional
A ingestão recomendada varia entre duas comunicípios do
Luciana Khoury, do Ministério
Público,
palestra
sobre
a FPIcápsulas
lheres
de
chá ou em
de sopa
por dia,
ou duas
total do Vale do São
antes
das
principais
refeições,
seguindo
a orienFrancisco estão na Bahia.
tação dos nutricionistas. Devem ser ingeridos em
Araújo
funcional – que deve ser professores Mateus
temperatura ambiente, já que o aquecimento
Órgãos
envolvidos
a Semeaelaborado por um nutricio- e Felipe Macena,
pode eliminar alguns nutrientes, e são altamente
para
“Esses resultados
dere, especializada
nessa monistaoperações.
especializado.”
recomendáveis quando há prática regular de atiCrea-BA > Conselho Regional de
*Cipe > Companhia Independente
monstram
que
a
decisão
do
Crea-BA,
O treino funcional con- dalidade. Engenharia e Agronomiavidades
físicas.
da Bahia
de Policiamento Especializado
em
e manter
investimentos
Além deMPE
proporcionar
sisteparticipar
na prática
de exerEntre as variedades
de óleo
> Ministério Público Estadual
* Polícia
Civil funcional, destana
organização
e
realização
fiscaMPF >rápidos,
Ministério
Federal
Sesab >antioxidante
Secretaria deeSaúde
da
mais
o Públicocam-se
cícios executados sem o dasresultados
o de gergelim,
com granlizações,
é o equipamentos
caminho certo notreino
cum- funcional
MPT > Ministério
Bahia
dispensa Públicodedoquantidade de
auxílio de
Vitamina E; o óleo de abóbora,
Trabalho
*Divisa > Diretoria de Vigilância
primento
do seu “Ao
papelinvés
social”. espaços fechados
e o uso
convencionais.
poderosa fonte de ômega-6,
ômega-9 e vitamina
Sema > Secretaria de Meio Ambiente
Sanitária e Ambiental
mais
complide utilizarmos os aparelhos de aparelhos
E,
e
o
óleo
de
linhaça,
rico
em
ácidos graxos, que
da Bahia
DNPM > Departamento Nacional de
Como
funciona
uma
caidas academias
de ginástica, cados. Uma corda,
ajuda
na
redução
de
triglicerídeos,
*Inema > Instituto de Meio
Produção Mineral na regulação
A FPI do
São Francisco
é uma
xaação
e outros objetos
simples
usamos
outras
ferramenda
pressão
arterial
e no
combate
à inflamação
Ambiente e Recursos Hídricos
Ibama
> Instituto
Brasileiro
de
marcada
pela
atuação
conjunta
do
Sefaz
>
Secretaria
da
Fazenda
do
Meio
Ambiente
e
Recursos
Naturais
tas, como a escada de agi- são alguns dos utensílios
das células de gordura.
Estado
da Bahia
Renováveis
Ministério
Público
Estado, indicados.
Crea e
E,
o melhor,
os
lidade, bolas,
cones,dotrenós
E não podemos
ignorar o óleo de coco, granSeagri > Secretaria de Agricultura
SRTE > Superintendência Regional
de
diversos
órgãos
voltados
para
a
dee uma série de instrumen- exercícios podem ser realide estrela dos funcionais. Antioxidante natural,
Bahia
do Trabalho e Emprego
fesa
da sociedade.
A intervenção
en-ao ardalivre,
zados
na>praia,
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permite melhorar
passou
vez> Superintendência
mais recomendado
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Agência Estadual
de a ser cada
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instituições
que,
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seu
do condoa flexibilidade, a coorde- na área externa
seus
benefícios está o fortaDefesa
Agropecuárianutricionistas. Entre
Pesca
e Aquicultura
dia
a dia,
exercem
individualmente
SSP >no
Secretaria
Funasa > aFundação
Nacional
de
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nação
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no pátio da emmuscular
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lom- de
cardiovasculares,Saúde
a redução das taxas de colesterol
*Coppa > Companhia de Polícia de
> Polícia Rodoviária Federal
atribuições
específicas.
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presa.é “Podemos
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e, claro, o auxílioPRF
no processo
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Ambiental
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que comanda,
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do meio ambiente.
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10 -- jul/ago/set.2012
jul/ago/set.2012 -- Bahia
Bahia
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V.3, n. 40, p. 11 - jul/ago/set.2012 - Bahia
crea 11
>saúde
12 crea V.3, n. 40, p. 14 - jul/ago/set.2012 - Bahia
>verão
Convite
ao sol,
ao mar e
ao prazer
Localizada na Linha Verde, a apenas
65 quilômetros de Salvador, Imbassaí
tem mar, rio, comidinhas deliciosas,
restaurantes refinados e hotéis de luxo
Por Ronaldo Brito
Fotos João Alvarez
anhado pelas águas doce do Rio Imbassai e pelas águas salgadas do Oceano Atlântico, o vilarejo de Imbassaí, a 65 quilômetros de Salvador,
é um convite ao prazer. Um dos destinos mais
procurados pelos turistas que buscam o litoral norte, a
localidade se diferencia da maioria dos destinos daquela
parte do litoral baiano. Ali, o rio e o mar se encontram e,
juntos, convidam os visitantes a entregarem-se às suas
belezas naturais. Embora não seja tão movimentada e
badalada como a vizinha Praia do Forte, a simplicidade
e o jeito despojado dos habitantes compensam a escolha. Como aliados, a vila tem ainda a seu favor a natureza
exuberante e uma moderna infraestrutura.
Para alcançar o mar é preciso cruzar o rio. Entre os dois,
dezenas de barracas com bebidas e comidinhas ajudam a
colorir a deslumbrante paisagem. Ao longo dos seus mais
de seis quilômetros de praia, estão instalados bares, restaurantes de boa qualidade como o Três Marias, do chef
espanhol Alfredo Rodriguez, um madrilenho que desembarcou na vila quase por acaso (ele ia para a Praia do Forte
encontrar um amigo e passou do ponto de ônibus) e nunca
mais saiu de lá. A casa comandada por Rodriguez não deixa nada a dever aos sofisticados restaurantes dos grandes
centros. Da sua sofisticada cozinha “espanhola moderna”,
V.3, n. 41, p. 13 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 13
>verão
Imbassaí tem culinária
para todos os gostos
e bolsos, da mais simples
à mais refinada, aliada
à tranquilidade da pequena
vila, que ainda guarda
o aspecto rústico, e de
uma rede hoteleira com
excelente infraestrutura
14 crea V.3, n. 41, p. 14 - out/nov/dez.2012 - Bahia
saem pratos que são um deleite para
quem aprecia a boa gastronomia. Ainda nessa seara, outra opção é o bar e
restaurante do casal Manuel e Josefa
Wenger. Ele suíço, ela pernambucana.
O espaço oferece ainda um bom
cardápio de pizzas. Essas, uma especialidade também de outro casal:
André Moura e Taliana Electo, que
montaram na vila um complexo gastronômico, o Jerimum, que inclui
uma charmosa loja de artesanato e
um simpático café. Empreendedores
experientes, eles já passaram por outras localidades como Ilha Bela (Rio
de Janeiro) e Arraial da Ajuda (Porto
Seguro). “Nós estávamos buscando
um lugar que estivesse em processo
de crescimento e que quando este
chegasse nós já estivéssemos estabelecidos”, conta Moura.
Estavam certos. Nos finais de semana. as filas de espera para saborear
suas criações, como a pizza de nozes
com gorgonzola, são grandes. Mas,
quem aprecia a boa cozinha baiana,
não pode perder a comida preparada
por Vânia Ribeiro, dona do restaurante que leva o seu nome. Natural de
Santo Estevão, ela chegou ao litoral
norte há 12 anos e fixou residência na
Praia do Forte, onde montou um restaurante. Com a urbanização do lugarejo, resolveu seguir para em Imbassaí
em busca de maior tranquilidade. “Eu
queria ficar perto da natureza e achei
esse lugar aqui que é maravilhoso e
ainda muito tranquilo”.
A moqueca de camarão que sai do
seu fogão também costuma gerar filas na porta do seu simpático restaurante. Enquanto aguarda o prato ficar
pronto, a pedida é uma das deliciosas
roskas que levam sua assinatura e que
fez crescer sua fama no vilarejo. Com
uma boa rede hoteleira, Imbassaí dispões de boas pousadas, hotéis e até
resorts. O custo da hospedagem nessa
época do ano, não é dos mais caros. E,
seguramente, menor que os valores
comumente cobrados na vizinha Praia
do Forte. Reza a lenda que o nome do
vilarejo foi dado por seus antigos moradores. Palavra que, na língua tupi
guarani, significa caminho das águas.
Turismo responsável
A descoberta da vocação da vila para
o turismo começou com a inauguração da Linha Verde, em meados dos
anos 1990. Antes, o lugar era considerado um paraíso ecológico e explorado apenas pelos apreciadores da
natureza como o hoje dono da pousada Sítio da Fonte, Beto Pitombo, 50,
autor da canção “Estrada Velha”, que
se tornou uma espécie de hino do lugar. Com uma população fixa de pouco mais de mil habitantes – costuma
triplicar na alta temporada –, os moradores não abrem mão do equilíbrio
entre a preservação e a exploração
responsável.“Não queremos um turismo predatório, que desfigure este
lugar que é sagrado para nós”, avisa
Márcia Viana, 52, da Associação de
Moradores de Imbassaí.
Há 15 anos, ela e o marido, Hélio
Viana, trocaram a vida agitada da
capital pelo sossego de viver perto
da natureza. Para sobreviver, abriram
a Pousada Cajibá. Apesar da tranquilidade, a expansão imobiliária já
chegou por lá. O Reserva Imbassaí,
pilotada pelo grupo português Reta
Atlântico, instalou por lá o resort
Gran Paladium. Os preços das casas
no condomínio variam de R$ 350 mil a
R$ 1,1 milhão. Mas há opções mais em
conta. Os villages têm preço que varia
entre R$ 220 e R$ 315 mil.
Mas é o turismo ecológico e de
aventura a grande vocação do lugar.
Entre passeios bucólicos pelo rio e trilhas nas reservas de Mata Atlântica,
Imbassaí é um convite à tranquilidade. Suas ruas, recentemente urbanizadas, e as casas, afastadas umas das
outras, garantem a sensação de liberdade. De quebra, ainda oferece bares
com mesas e cadeiras dentro d´água,
o que permite uma experiência única
a quem gosta da dolce far niente. Na
Cabana do Marujo, por exemplo, o
cardápio oferece enormes pitus, vindos direto do Rio Negro, no Amazonas.
Melhor que isso só mesmo um banho
na Cachoeira de Dona Zilda, do outro
lado da pista, um passeio a cavalo ou
de caiaque pelo rio. Se quiser adicionar
uma dose de adrenalina pode-se praticar canoagem, vencendo a distância
entre Santo Antônio e Imbassaí, seguindo o caminho das águas.
Entre o rio e o mar, os
turistas optam pela
travessia em charmosas
jangadas, ou vão a pé
pela areia até a praia
V.3, n. 41, p. 15 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 15
>Sustentabilidade
Metrópoles mais
inteligentes e humanas
Para o urbanista Carlos Leite, autor do livro
Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes,
Salvador precisa de planejamento estratégico
por arivaldo silva
ilustração gentil
s metrópoles podem ser criadas
do zero ou devem ser construídas através dos séculos? No
caso de São Paulo, Londres, Berlim,
Nova York e Tóquio, as atuais conexões entre cidadãos, desenvolvimento
e oportunidades são fruto de um processo de centenas de anos. Enquanto
no Brasil ainda estamos em busca de
soluções para problemas de trânsito,
enchentes e apagões, segurança, saúde e educação ineficientes, o conceito
de cidade inteligente ou smart city –
que usa a tecnologia para melhorar a
qualidade de vida dos habitantes – já
vem sendo aplicado na Europa, Estados Unidos e Ásia, movimentando um
mercado bilionário.
São comunidades que lançam mão
16 crea V.3, n. 41, p. 16 - out/nov/dez.2012 - Bahia
do que há de mais moderno em recursos tecnológicos e arquitetônicos
como resposta aos desafios impostos
pela alta concentração populacional,
utilizando rede de sensores, análise de
dados, plataformas de comunicação
e serviços via web, para proporcionar
uma vida sustentável aos seus habitantes. Sustentabilidade está no topo
das discussões contemporâneas sobre
os centros urbanos. Como organismos
vivos, as cidades precisam ser repensadas com o auxílio da tecnologia, preservando a essência da multiplicidade
e diversidade humana.
Reinvenção
De acordo com dados do Instituto
Futura, 73% dos cidadãos de Salvador
gastam em média quatro horas por
dia no trânsito. Com 2,7 milhões de
habitantes circulando por suas ruas estreitas, cortadas por ladeiras cheias de
histórias, a primeira capital do Brasil e
terceira maior cidade do País precisa de
planejamento estratégico voltado para
atender às necessidades das pessoas
que a habitam. Esta é a opinião do arquiteto e urbanista Carlos Leite, autor
do livro Cidades Sustentáveis, Cidades
Inteligentes.
“Se temos instrumentos tradicionais de planejamento estratégico e de
smart city, para fazer uma Salvador
mais interessante para os cidadãos,
isso é excelente, mas o principal é o
planejamento voltado para as pessoas.
Por isso, acho que as novas tecnologias
de gestão inteligente das cidades são
bem vindas. Serviços públicos agendados por smartphones, transparência,
menos corrupção, portanto mais eficiência é excelente. Mas temos que priorizar uma cidade mais humana e não
pensar em investir na tecnologia pela
tecnologia”.
De acordo com o urbanista, é preciso atentar para as inteligências metropolitanas para conseguir vencer as
desigualdades, a partir de exemplos
positivos de revitalização. “Precisamos
atuar conjuntamente com as cidades
que souberam fazer o dever de casa e
estão se reinventando. Salvador precisa implementar e concretizar grandes
ações focadas em planejamento estratégico”. As questões ambientais e
de mobilidade, na opinião de Leite, são
do âmbito do território metropolitano,
onde vivem 3,5 milhões de pessoas “e
não apenas de Lauro de Freitas, Salvador ou Itaparica, como provam as
experiências de São Paulo, Barcelona,
Nova York e Bogotá”.
Leite aponta ainda a ampliação da
diversidade social como chave para
resolver graves questões da cidade.
“O problema não é a favela, é essa
absurda falta de sociodiversidade
territorial, que encanta quando chegamos à Macedônia, Buenos Aires,
Ipanema, Copacabana, Higienopólis.
Pessoas de diferentes classes, diferentes gêneros e cores dividindo o
mesmo lugar, isso é o que favorece
uma cidade dinâmica, propensa à
inovação e à qualidade de vida”.
Infraestrutura
Entre os especialistas no assunto, uma
questão é unânime: para planejar com
inteligência é preciso pensar uma cidade sustentável para as pessoas, e essa
foi a principal ideia debatida na abertura da 3ª edição do Agenda Bahia, no
auditório da Federação das Indústrias
da Bahia (Fieb), que debateu a infraestrutura da metrópole baiana. Estudiosos do Brasil e da Espanha, baseados
em exemplos de outras capitais, falaram sobre espaço público, planejamento urbano e alternativas sustentáveis para o trânsito de Salvador,
Nesse contexto, as soluções para
a mobilidade urbana são as principais
preocupações de governos e organizações, sempre visando o deslocamento
das pessoas e bens em um período ideal de tempo e de maneira confortável.
A urgência por soluções de longo prazo para problemas históricos aumenta conforme se aproximam os mega
eventos esportivos que o Brasil irá
sediar. Um dos responsáveis pela reconstrução de Barcelona para as Olimpíadas de 1992, o engenheiro espanhol
Manuel Herce Valejjo criticou a falta
de passeio para pedestres em Salvador
e alertou que a construção de viadutos
e de estacionamentos não vai resolver
os problemas da capital.
Por possuir apartamento na cidade, Valejjo diz conhecer todas as
suas peculiaridades e dificuldades.
“É preciso dar atenção ao pedestre e
melhorar o transporte público”, observa. Para Ana Fernandes, professora
da Ufba e doutora pela Universidade
Paris XII, há várias possibilidades de
projetos para a área urbana. “Precisamos diminuir o espaço dos carros.
É um investimento fácil, basta uma
decisão política, capacidade técnica e
respeito pela população. Uma cidade
que não acolhe seu povo não pode ser
considerada inteligente”.
Metrópole projetada
Na Coréia do Sul, a cidade global do futuro – Songdo – está sendo construída a 65 quilômetros de Seul, em uma
ilha artificial de 607 hectares. Com
um investimento de R$ 80 bilhões, a
metrópole, que deve ficar pronta em
2015, terá o que há de mais moderno
em tecnologia e noções de urbanismo,
tudo planejado para facilitar a vida do
cidadão. Com 80 mil apartamentos
residenciais, 4,6 km de escritórios e
40% de sua área, ou seja, 41 hectares
V.3, n. 41, p. 17 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 17
>Sustentabilidade
destinados a parques e praças, a ideia
é criar um novo centro financeiro da
Ásia, uma mistura de Paris, Nova York
e Dubai.
Além dos altos investimentos – em
metrô, bondes elétricos e até táxis
aquáticos elétricos – , as ruas desta
metrópole projetada terão sensores
no asfalto, para ajudar a entender os
deslocamentos em tempo real e até
diminuir a iluminação das vias quando ninguém estiver passando por elas,
de modo a economizar energia. Sondo
será também uma cidade wireless, totalmente conectada.
Exemplos
Responsável por notáveis intervenções
em Bogotá, capital da Colômbia, o ex-prefeito Enrique Peñalosa mudou a
maneira como a cidade tratava seus
cidadãos, para isso restringiu o uso
do automóvel e instituiu um sistema
de transporte público rápido e seguro, que transporta hoje 1,2 milhões de
pessoas por dia. Entre outras melhorias, foram ampliadas e reconstruídas
as calçadas, grandes espaços públicos
foram criados, e construídos mais de
340 quilômetros de ciclovias exclusivas, que se estendem desde as áreas
de favela até o centro da cidade, que se
tornou referência em transporte sustentável. Outro item implantado em
Bogotá é a restrição do uso de veículos
somada à ampliação e qualificação do
sistema de ônibus Transmilênio.
Gestão
eficiente
do tempo
O Rio de Janeiro é uma das poucas
cidades brasileiras a colocar em prática alguns conceitos de smart city. Em
março deste ano, o The New York Times publicou um artigo com o título
Rio é a nova cidade inteligente, sobre
o Centro de Operações Rio, projeto que
integra 30 órgãos que monitoram o
cotidiano da cidade por 24 horas. Com
estrutura da IBM, o centro capta a imagem de 560 câmeras, e auxilia na solução imediata de problemas e na tomada de decisões em momentos de crise.
A Cisco também anunciou investimentos no Rio, da ordem de R$ 1 bilhão
até 2016, o que inclui a construção de
um centro de inovação no Centro do
Rio, programado para 2013. O foco das
intervenções será em soluções de sistemas de telecomunicações, comunicação entre sensores, redes cabeadas
e sem fio, data centers e aplicações inteligentes de análises de informações,
principalmente em infraestrutura urbana, entretenimento e esportes.
Alguns aplicativos mobile estão
no centro de importantes mudanças na difusão de informações
em tempo real, possibilitando ao
usuário gerir melhor o seu tempo.
Este é caso do Waze, uma ferramenta de mapeamento dinâmico,
geolocalização e informações de
trânsito totalmente baseada em
crowdsourcing, um modelo que
utiliza a inteligência através de conhecimentos coletivos espalhados
pela internet.
Outra ferramenta que tem sido
usada para trocar informações em
tempo real sobre o trânsito, nas
grandes metrópoles, é o Twitter.
Essas informações fazem parte
do consciente coletivo e os dados
podem, e devem, ser usados na
rede de sensores para prover serviços básicos para a população, seja
através de terminais e telas espalhadas pela cidade, seja através
dos smartphones, companheiros
das pessoas durante o dia.
Economia criativa
Economia criativa e ferramentas digitais numa cidade feita por e para pessoas inteligentes. Este foi o tema da 2ª
edição da conferência TEDXPelourinho, que ocorreu em setembro do ano passado, em Salvador. Um dos 14 palestrantes, o publicitário Gabriel Medeiros afirmou que as pessoas devem se apossar do espaço público e tornar a cidade um local mais agradável para viver. “Cidade inteligente é o lugar onde as pessoas podem ser protagonistas”.
TED é uma organização mundial sem fins lucrativos dedicada ao Ideas Worth Spreading – da tradução literal do
inglês, ideias que merecem ser espalhadas. O evento começou em 1984, na Califórnia, originalmente influenciado
pelo Vale do Silício, como uma conferência reunindo especialistas em tecnologia, entretenimento e design.
18 crea V.3, n. 41, p. 18 - out/nov/dez.2012 - Bahia
>nononono
anúncio
mútua
V.3, n. 41, p. 3 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 19
>dia do engenheiro
Debates
Sobre ética
e tecnologia
celebram a
profissão
O evento, promovido pelo Crea, no
Fiesta Convention Center, em
Salvador, homenageou a categoria
Por Arivaldo Silva
Fotos João Alvarez
ual a relação entre a engenharia e os temas ligados ao
desenvolvimento tecnológico
sustentável? Em torno desta questão,
debatida no seminário Tecnologia,
Ética e Desenvolvimento, o Crea-BA
comemorou a passagem do Dia do
Engenheiro e o cinquentenário de formação dos profissionais registrados
na entidade. O evento ocorreu no dia
13 de dezembro, no Fiesta Convention
Center, em Salvador, e teve como um
dos temas Valorização e os Desafios
da Ética na Área Tecnológica, palestra
ministrada pelo engenheiro aeronáutico Ozires Silva, criador da Embraer.
Silva lembrou a importância do
papel da inovação para o desenvolvimento nacional e apontou a educação, o empreendedorismo, a liderança e a competência gerencial como
condições necessárias para consolidar
Durante o evento, foram homenageados os profissionais que completavam 50 anos de registro no Crea-BA
20 crea V.3, n. 40, p. 20 - jul/ago/set.2012 - Bahia
este objetivo. “Temos de pensar grande. A capacidade que nós brasileiros
temos é enorme e precisa ser explorada. Basta vontade para o Brasil ocupar
os melhores lugares, pois as oportunidades são globais e a educação de
qualidade é essencial”.
1
Transformar realidades
Durante o evento, o presidente do
Crea-BA, engenheiro mecânico Marco
Amigo, felicitou os profissionais que,
naquela ocasião, completavam 50
anos de registro na entidade e de atuação profissional. "Hoje, comemoramos a formatura desses colegas, que
são ícones do nosso trabalho e que
merecem todas as nossas homenagens, pois dedicaram uma vida inteira
à engenharia”.
Amigo frisou o potencial transformador inerente à profissão. “Podemos transformar a nossa realidade e
o objetivo é aglutinar os profissionais
da área tecnológica, visando o desenvolvimento da nossa cidade e do
nosso estado. Acredito que o exercício
ético da profissão é o caminho para
que possamos viver em um mundo
melhor e Ozires Silva é um exemplo
de ética”.
O legado deixado pelo arquiteto
Oscar Niemeyer também foi lembrado por Marco Amigo. “Ele é uma referência da nossa área e soube aproveitar as oportunidades que a vida
lhe deu. Arquitetura e engenharia são
6
2
3
4
5
7
1. Representantes da turma de 1962
2. Marco Amigo 3. Karen Daniela
Melo Miranda e Jô Furlan 4. Marília
Barreiros Correia de Melo e Luís
Edmundo de Prado Campos 5. Joseval
Carqueija e Marco Amigo entregam
placa comemorativa a Antonio Batista
Machado 6. Marco Amigo entrega placa e
diploma a Ozires Silva 7. Roberto Ibrahim
Uehbe, do CRA, homenageia o presidente
do Crea-BA 7. Roberto Ibrahim Uehbe,
do CRA, homenageia Marco Amigo
V.3, n. 41, p. 21 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 21
>dia do engenheiro
1
2
profissões irmãs e sempre irão trabalhar juntas”.
Ainda durante o seminário, Ineivea
Farias, diretora-geral da Mútua-BA,
engenheira de produção e técnica
em segurança do trabalho, ressaltou
a importância do compromisso ético
no exercício profissional. “É necessário colocar a ética como o principal
objetivo de nossas conquistas”.
Formação
3
4
5
1. Erick Carvalho, Herbert
Oliveira, Lucas Santana, José
Alexandre e Luis Edmundo
Campos 2. Vereador Léo Prates
(DEM-BA) 3. Deusdete Brito
(Jequié), Vanderlino (Itaberaba)
e Jorge Estabel (Luis Eduardo
Magalhães) 4. Deputada Maria
Del Carmen (PT-BA), Marco
Amigo e João Batista Paim 5.
Uiliam Almeida, Sérgio Souza,
Antonio Batista Machado e
esposa 6.. Engenheiros reunidos
6
22 crea V.3, n. 40, p. 22 - jul/ago/set.2012 - Bahia
Conselheiro do Crea-BA e diretor da
Escola Politécnica da Ufba, o engenheiro civil Luís Edmundo Prado Campos exaltou o papel da educação na
formação dos profissionais. “Estou
orgulhoso por fazer parte deste evento, pois a engenharia é uma profissão
que engrandece o país”. Vereador eleito, o engenheiro eletricista Leo Prates
representou o prefeito ACM Neto no
evento e contou que a engenharia faz
parte da história de sua família. “Meu
pai era uma pessoa de origem humilde do interior e venceu na vida graças
a engenharia, o que viabilizou a nossa
permanência na capital”.
Segundo ele, o novo prefeito tem
consciência da importância da engenharia para o desenvolvimento da
cidade. Entre os presentes, o superintendente do Ibama-BA Célio Costa
Pinto, as vereadoras Aladilce Souza e
Olívia Santana (PCdoB) e o superintendente da Indústria e Mineração da
Bahia Rafael Valverde, representando
o secretário James Martins.
Também disseram sim ao convite
do Crea-Ba a engenheira civil e deputada estadual Maria Del Carmem (PT), o
deputado estadual Yulo Oiticica (PT), o
engenheiro sanitarista Renavan Sobrinho (da Sedur), o conselheiro federal
pela Bahia, engenheiro Roberto Costa
e Silva, o presidente do Crea-DF, Flávio
Correa e Souza, e o coordenador do Colégio de Entidades Nacionais (CDEN),
Ricardo Nascimento.
“O brasileiro é criativo,
mas não pode dar
um passo sem um
carimbo oficial”
Por Arivaldo Silva
os 81 anos, o engenheiro aeronáutico Ozires Silva continua em plena
atividade. Graduado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA),
em 1962, liderou a equipe que projetou o avião Bandeirante e presidiu a
Embraer até 1986, quando aceitou o desafio de comandar a Petrobras, onde ficou por três anos. Em 1990, assumiu o Ministério da Infraestrutura e, em 1991,
retornou à Embraer, atuando diretamente no processo de privatização. Por
três anos (2000-2003), foi presidente da Varig e criou, em 2003, a Pele Nova
Biotecnologia, primeiro fruto da Academia Brasileira de Estudos Avançados,
empresa focada em saúde humana. O engenheiro destaca-se ainda pela produção literária. Já publicou quatro livros, entre eles, “Etanol: a revolução verde
e amarela”, em 2008. Nesta entrevista, Ozires afirma que as escolas não têm
nada a ver com a inovação, pelo contrário, representam o conservadorismo.
Como foi criar a Embraer, uma das
maiores empresas de engenharia aeronáutica do mundo contra todas as
expectativas contrárias?
Essa pergunta dá um simpósio. Porque foi um projeto bastante perseguido durante muitos anos. Tivemos
que manter o foco, saber exatamente
onde queríamos chegar e vencer o
negativismo das pessoas, que acham
que o empreendedorismo não tem risco, que devemos fazer o que sabemos,
o que já existe, e que não se pode, por
exemplo, produzir aviões, porque não
era uma vocação brasileira. E, no entanto, acabamos conseguindo. Mas
realmente foi um caso típico de foco,
permanentemente colocado com intensidade e espírito criativo. Porque
não era apenas fabricar aviões no Brasil, tínhamos de fabricar um produto
que fosse vendido e, para isso, era
preciso ter compradores interessados.
Certa vez, ouvi uma palestra do Steve
Jobs e ele dizia que, quando criou o
iPad, o mundo não sabia que precisava daquele produto. Hoje todo mundo
deseja ter um. Portanto, ele foi visionário e enxergou além do horizonte.
Sob certo aspecto foi o que tivemos
que fazer. Porque precisávamos entrar
no mercado com um produto que fosse desejado e pudesse ser oferecido.
Com isso, criamos o transporte aéreo
regional, que não existia no passado.
O trabalho empreendedor sempre é
facilitado quando ele mira um nicho
de mercado que seja viável.
Como o DNA de empreendedor impactou na inovação e infraestrutura
no Brasil?
Não tenho a presunção de dizer que
conseguimos influenciar. Mas, no caso
dos aviões, nos esforçamos bastante.
O avião não é um empreendimento
em si. Ele é uma soma de empreendimentos. Quando alguém compra
um avião, não o faz por um atributo
V.3, n. 41, p. 23 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 23
>dia do engenheiro
apenas. São vários e é preciso inovar
de forma relativamente extensa para
interessar o potencial comprador. De
modo que a multiplicidade de tecnologias embarcadas em uma aeronave, com os vários sistemas – elétrico,
hidráulico, eletrônico, pneumático –,
sejam somadas para desenvolver um
produto mais competitivo.
Completando 50 anos de graduação
em engenharia aeronáutica, como o
senhor avalia a qualidade do ensino
superior no Brasil? Quais as áreas
mais promissoras, em sua opinião?
Acho que não daria para concluir o
processo de avaliação agora, porque
o sistema educacional brasileiro mudou bastante nos últimos dez anos.
Há escolas oficiais com a reputação
estabelecida, mas também existem
escolas privadas com qualidade. De
modo que qualquer pesquisa hoje
tem que envolver a escola privada.
Até porque, na área da graduação, no
caso da engenharia, atualmente, 80%
dos jovens estão em escolas privadas.
As escolas oficiais, rigorosamente falando, não criaram nenhuma vaga
adicional, permitindo uma entrada
muito forte do ensino em instituições
particulares. Acho que nosso sistema
educacional ainda está em processo
de maturação.
Na sua concepção, como aliar desenvolvimento com sustentabilidade? O
que falta, nos dias de hoje para que
as maiores capitais brasileiras tenham uma infraestrutura sustentável e inteligente?
Educação. O próprio MEC divulga que
70% dos brasileiros são analfabetos
funcionais. De modo que a nossa população não tem essa capacidade de
julgamento. Talvez até por modismo,
eles venham a aderir à sustentabilidade, que muitas vezes é praticada
com excessos ilógicos e não coeren24 crea V.3, n. 41, p. 3 - out/nov/dez.2012 - Bahia
tes entre si. Isso é uma deficiência do
processo educacional. Eu diria que o
Brasil não está participando intensamente da corrida mundial pela
educação. Está em um dos últimos
lugares. E se nós queremos ver o país
que aspiramos nascer no horizonte,
temos de melhorar consideravelmente o processo de desenvolvimento
educacional, focados na formação de
brasileiros vencedores para o mercado mundial, porque as fronteiras dos
países não têm o mesmo valor do passado. Elas são furadas por produtos,
moedas, pessoas e assim por diante.
O mundo mudou dramaticamente,
então também temos de mudar nossa educação para preparar os brasileiros para esta realidade.
o Brasil do futuro? Eu diria que não.
Para fazer um julgamento sobre infraestrutura brasileira que precisamos, primeiro temos de colocar a
vontade política de que esta questão
seja realmente atendida. A China,
que tem mais ou menos as mesmas
dimensões continentais do Brasil,
está se transformando de maneira
dramática. Enquanto discutíamos
o trem-bala de Campinas ao Rio de
Janeiro, os chineses fizeram um do
Tibet até Pequim, com 1.200 km, em
dois anos e meio e pela metade do
custo. Sem dúvida, precisamos de
um plano para o setor no Brasil, para
dar uma resposta satisfatória sobre
este assunto. Porque, infelizmente,
ainda não temos.
O senhor está acompanhando a realização das obras de infraestrutura
nos aeroportos brasileiros? Eles suportarão o fluxo de um evento como
a Copa do Mundo de Futebol?
Vou responder a sua pergunta com
outra pergunta. Existe plano de infraestrutura no Brasil? Existem obras
significativas no sentido de construir
Salvador é a primeira capital do Brasil
e hoje é a terceira metrópole do País,
com quase três milhões de habitantes. Em questões de infraestrutura, a
cidade sofre com o crescimento desordenado. Como é possível resolver
a mobilidade urbana, em uma cidade
onde os moradores levam mais de
duas horas para ir ao trabalho e mais
duas no retorno para casa, problema
de complexidade comparável a outros municípios com maior extensão
territorial, número de habitantes e
veículos?
Dois atributos fundamentais são:
bom planejamento e melhor execução. A mobilidade urbana hoje está
sob ataque no mundo inteiro. Se você
for a Nova York, Londres ou mesmo
Paris, você vai encontrar problemas
igualmente sérios. Na realidade, hoje
o que precisamos é de planejamentos
extremamente bem feitos, abrangentes e com execução muito melhor do
que temos feito até agora. Se você
visitar Pequim, vai encontrar um dos
melhores aeroportos do mundo, feito
numa velocidade espantosa para as
olimpíadas. Acredito que nós temos
«
O que as escolas
têm de dar a
seus alunos é
competência,
para que
eles, sendo
inovadores,
possam ter
a capacidade
técnica
necessária para
transformar as
suas inovações
em produtos”
«
Acredito que nós temos um
Brasil antes da Copa do Mundo e
das Olimpíadas 2016 e teremos um
outro país depois. Então, temos
de planejar para o Brasil e não,
efetivamente, para os eventos”
um Brasil antes da Copa do Mundo
e das Olimpíadas 2016 e teremos um
outro país depois. Então, temos de
planejar para o Brasil e não, efetivamente, para os eventos. Claro que,
se os eventos justificarem investimentos, palmas para eles, mas esta
não deve ser a razão fundamental.
Se focarmos a área da aviação, posso
afirmar tranquilamente que o Brasil
tem uma aviação muito menor do
que a ideal. Para se ter uma ideia, em
5.500 municípios, temos linhas aéreas atendendo a 60 cidades. É uma
demonstração cabal de que o avião,
com a sua mobilidade e capacidade
de vascularizar o território nacional,
está sendo usado insuficientemente.
E, certamente, uma das coisas que
mais inibe isso é a regulamentação
governamental, que está dificultando
– para os empreendedores, os investidores, os inovadores – o lançamento
de produtos novos.
O brasileiro tem a característica de
ser um povo criativo e essa criatividade contribui para estimular a
inovação tecnológica. Em que as universidades e escolas técnicas podem
contribuir para avançarmos na área
tecnológica?
As melhores escolas do mundo são
conservadoras. Então não se pode
atribuir inovação às escolas de um
modo geral. O que as escolas têm de
dar a seus alunos é competência, para
que eles, sendo inovadores, possam
ter a capacidade técnica necessária
para transformar as suas inovações
em produtos. O processo educacional
tem um papel enorme na inovação.
O brasileiro é criativo, mas não pode
dar um passo sem um carimbo oficial,
diferentemente dos Estados Unidos,
onde a legislação diz que o que não
está escrito pode ser feito, aqui no
Brasil, o que não está escrito tem de
escrever para ser feito. Então, realmente, nós temos um processo burocrático que limita enormemente a capacidade do inovador avançar. Tanto
é que as inovações que implantamos
no Brasil são projetos de fora do País
e, às vezes, já chegam aqui velhas. Outro entrave é a carga tributária. Há países que têm tributação superior à do
Brasil, mas tem uma devolução para a
população muito melhor que a nossa.
O problema da nossa carga de tributos talvez não seja o número, mas o
que nós recebemos efetivamente em
troca do imposto que pagamos.
O senhor foi ministro da infraestrutura, conhece bem os problemas desta área no Brasil?
O Estado mudou muito desde a época
em que fui ministro da Infraestrutura.
O Estado hoje se amarrou, demasiadamente, em legislação e fiscalização,
no sentido de que não é a educação
que impede a corrupção, mas a fiscalização, eu acho que não. Eu acho que
só a educação pode impedir a corrupção. Para sairmos do gargalo em que
nós estamos, o Governo deve prestigiar a concessão pública. Ao invés
de tentar executar, deve só regular e
fiscalizar.
V.3, n. 41, p. 3 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 25
Transportes
Rumo
A 2014
Proximidade da Copa força gestores
públicos e especialistas a pensarem
soluções para a mobilidade urbana
por ronaldo brito
Fotos João alvarez
ma das doze cidades sedes da Copa do Mundo, Salvador deverá receber mais de
700 mil visitantes entre os meses de junho e julho de 2014. Levantamento feito
pela Superintendência de Investimentos e Polos Turísticos da Secretaria de Turismo da Bahia, revela que o aumento do fluxo de turistas no mês de junho, em comparação a um ano comum, será de 114,3%, com a entrada de 433 mil visitantes na
cidade. No mês de julho, a previsão é que desembarquem aqui outros 325,6 mil
passageiros. Isso significa 15,4% a mais que o índice normal. A expectativa dos
dirigentes públicos é de que estes torcedores, vindos dos mais diversos cantos do
planeta, injetem R$ 683 milhões na economia local.
Tamanha movimentação tem requerido dos governos, federal, estadual e municipal, investimentos pesados em infraestrutura para atender esse público. Parte
disso ainda não saiu do papel. Por hora, apenas o Aeroporto Internacional de Salvador começou a decolar com seus planos de reforma e ampliação. Embora prometidos, os investimentos no sistema de transporte urbano local, intermunicipal
26 crea V.3, n. 41, p. 26 - out/nov/dez.2012 - Bahia
O aeroporto
baiano responde
por mais de 30%
da movimentação
no Nordeste
V.3, n. 41, p. 27 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 27
transportes
Além do edifício-garagem, a área interna do aeroporto será reformada
e interestadual, ainda não pegaram o
caminho da modernização, o que preocupa o trade turístico e especialistas
do setor de transportes.
Atrasos
A menos de dois anos do campeonato mundial, Salvador ainda não resolveu mesmo as pequenas questões
de mobilidade urbana que garantem
conforto e comodidade aos visitantes. Há quase 13 anos, por exemplo,
os baianos esperam que o seu “micro
metrô” entre nos trilhos. Espaços fundamentais para atender ao grande
fluxo de visitantes, como a Estação
Rodoviária, sequer tem um projeto de
reforma ou ampliação em curso.
Na primeira quinzena de janeiro,
o governador Jaques Wagner, o secretário executivo da Aviação Civil,
Guilherme Ramalho e o presidente
da Empresa Brasileira de Infraestru28 crea V.3, n. 41, p. 28 - out/nov/dez.2012 - Bahia
tura Aeroportuária (Infraero), Antônio Gustavo do Vale, assinaram uma
ordem de serviço para iniciar as obras
de ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de
Salvador, que custarão R$ 87 milhões.
A reforma, prevista para ser concluída em 360 dias, vai contemplar
ainda o edifício-garagem. "Já estão
em curso as obras de construção da
nova torre, que consumirá R$ 15 mil
milhões e as de ampliação dos pátios
das aeronaves que custarão outros
R$ 18 milhões", explica o superinten-
700
mil
torcedores
invadirão Salvador
entre junho e
julho de 2014
dente do Aeroporto Internacional de
Salvador, Manoel Henrique Cardoso
Bandeira.
O aeroporto baiano atualmente
responde por mais de 30% da movimentação de passageiros do Nordeste, recebendo uma média diária de
19 mil pessoas distribuídos em 240
pousos e decolagens. “Em 2012, passaram pelo aeroporto 8,6 milhões de
passageiros. Ainda não temos a expectativa do número de pessoas que
circularão por aqui durante a Copa do
Mundo, mas já estamos trabalhando
pra atender a demanda futura”, completa o superintendente da Infraero.
Durante a solenidade de assinatura
dos convênios, o governador Jaques
Wagner esclareceu que as obras não
têm apenas o objetivo de preparar o
aeroporto baiano para atender ao aumento do fluxo de visitantes durante
a Copa de 2014, mas também para
outros grandes eventos na cidade.
“Essa reforma é de grande importância, não somente para a aviação regional como para o desenvolvimento do
País. Precisamos otimizar a hotelaria,
bares, restaurantes, o comércio, e melhorar a infraestrutura do aeroporto,
já que somos uma capital que vive basicamente de serviços".
Fora da rota
Embora estejam fora do roteiro da
Copa, dois outros municípios baianos
também receberão recursos para os
seus aeroportos. Vitória da Conquista,
no sudoeste, receberá R$ 60 milhões
para construção de um novo aeroporto. Deste total previsto, R$ 20 milhões,
serão liberados na primeira etapa da
obra. O outro município baiano contemplado com os recursos é Barreiras,
no oeste do estado. O projeto, orçado
em R$ 49 milhões, prevê a ampliação
Mobilidade urbana está no
centro dos debates sobre
a infraestrutura da cidade
para a Copa do Mundo
e reforma das pistas de pouso e decolagem, ampliação da pista de táxi,
construção de um novo pátio para o
estacionamento de aeronaves, vias de
acesso interno, serviço contra incêndio e ampliação da cerca.
Com relação aos prazos, Wagner
disse que algumas obras ficarão prontas para a Copa das Confederações,
mas outras só serão finalizadas no final de 2013. “Nem todas ficarão prontas porque estão sendo preparadas
para a Copa do Mundo. A obra está
sendo bastante avançada, acabamos
de visitar a ampliação do pátio três, já
vamos começar a ampliação do pátio
um e tem um conjunto de obras que
ultrapassa R$ 130 milhões na área de
passageiros, incluindo a visibilidade
da outra pista”.Com a conclusão das
obras, segundo o governo, o número
de passageiros pode aumentar para
40 milhões por ano. A capacidade
atual é de nove milhões. No projeto,
estão incluídos o estacionamento do
aeroporto e o metrô com destino a
Lauro de Freitas, município da região
metropolitana de Salvador, que deverá passar na frente do aeroporto.
Rodoviária
Enquanto o aeroporto ensaia a decolagem para o futuro, a Estação Rodoviária se dirige para a Unidade de
Terapia Intensiva (UTI). Construído há
quase 40 anos, o Terminal Rodoviário
de Salvador há muito entrou em um
processo de saturação. Sem estrutura
física para atender à demanda atual,
a rodoviária chegou ao ponto de estrangulamento. “O transporte físico
está limitado. Não há condições de
ampliação de novas linhas”, afirma
a engenheira civil, Denise Ribeiro, do
Departamento de Transportes da
Universidade Federal da Bahia.
V.3, n. 41, p. 29 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 29
transportes
programa que prevê a reabilitação e o
fortalecimento das linhas ferroviárias
regionais e a Bahia está incluída. Portanto, a possibilidade de termos de
volta esse importante meio de transporte é grande. Estamos concluindo o
estudo de viabilidade e, já digo de antemão, que está evidenciado que isso
vai acontecer”.
Planejamento
A Agerba sinaliza a
possibilidade da construção
de um novo terminal
rodoviário em Simões Filho
30 crea V.3, n. 41, p. 30 - out/nov/dez.2012 - Bahia
No momento, o departamento trabalha num projeto conjunto com o
Ministério dos Transportes para avaliar a possibilidade de trazer de volta
os trens regionais para ampliar a oferta de transporte entre os municípios
baianos. “O governo federal tem um
A Agência Estadual de Regulação de
Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia
(Agerba), responsável pela gestão
da estação rodoviária, sinaliza com
a possibilidade da construção de um
novo terminal no município de Simões Filho, na Região Metropolitana
de Salvador, para atender à capital.
O projeto ainda não está sequer
no papel, mas, para os que criticam
a distância entre os dois municípios,
Denise Ribeiro alerta que essa não é
a questão mais importante. “Tudo
depende do planejamento. O trem regional ou o metrô, seriam fundamentais. O mais importante não é a distância entre as cidades, mas a oferta
de transportes para fazer a ligação”.
A especialista lembra que muita
gente trabalha na capital e mora em
municípios próximos, como Candeias,
Camaçari e Feira de Santana, e têm
como única alternativa de transporte
o sistema rodoviário. “Os trens regionais seriam o meio mais adequado”,
diz. Na sua avaliação, o sistema de
transporte urbano de Salvador está a
beira do estrangulamento.
“Não existe um projeto em curso
e a gestão das estações está muito
aquém da necessidade da população.
Até mesmo para o turista comum que
visita Salvador, a situação já chegou
ao limite, imagine se não houver um
«
O sistema de
transporte urbano
de Salvador e a
gestão das
estações está
muito aquém da
necessidade da
população. Até
mesmo para o
turista comum que
visita Salvador”
Denise Ribeiro, engenheira civil e
pesquisadora do do Departamento
de Transportes da Universidade
Federal da Bahia
investimento para a Copa do Mundo”,
diz a engenheira, que acredita que
falta uma política pública de uso do
solo para fazer a integração de linhas.
“Hoje a precariedade do sistema de
transporte urbano é uma realidade,
tanto em termos de infraestrutura
quanto em serviços. Os problemas da
rodoviária, não se restringem a falta
de espaço físico".
O superintendente de Transporte
da Secretaria de Infraestrutura do Estado, Ivan Barbosa, confirma que não
há nenhum projeto em curso para
construção de um novo terminal, mas
defende que a estação rodoviária, tal
qual está, ainda não está completa-
mente saturada. “O governo tem feito
adequações à nova realidade”.
Enquanto o governo assegura que
a situação está sob controle, a população reclamam. “Aqui falta segurança, temos que conviver com sujeira,
mau cheiro, piso danificados, além de
pontos de ônibus precários”, reclama
Ana Márcia Ribeiro que, todos os dias,
passa pela estação para se dirigir a
São Francisco do Conde. A professora, assim como outros passageiros,
sonha com dias melhores. “Nossa esperança é que a Copa leve os gestores
públicos a pensarem em alternativas
para resolver os problemas de mobilidade da cidade”.
1/2 anúncio
FGV
V.3,
V.3, n.
n. 40,
41, p.
p. 327- out/nov/dez.2012
- jul/ago/set.2012 - Bahia
crea 31
>entrevista Eliana Calmon, ministra do Superior Tribunal de Justiça
“Sou uma
mulher
sem dono”
De férias na Bahia, antes de voltar à
função dupla de presidente interina
do STF e diretora da Escola Nacional
de Formação de Magistrados, Eliana
Por Ronaldo Brito
Fotos joão alvarez
pós dois anos à frente da Corregedoria Nacional de Justiça,
com uma atuação impecável,
a ministra Eliana Calmon, retornou às
suas funções no Superior Tribunal de
Justiça (STJ). De quebra, assumiu o comando da Escola Nacional de Formação de Magistrados e já deu sinais de
que, por onde passa, deixa sua marca.
“Um jornalista de Brasília comentou,
que onde vou piso, os pés no tomate”,
conta, em tom de risos. No seu confortável apartamento, com vista para
o mar da Barra, a baiana recebeu a
Revista do Crea-Ba e falou sobre seus
planos para o futuro, o assédio que
vem recebendo dos partidos políticos
que a querem na política e outros temas polêmicos, como o julgamento
do mensalão. Desde setembro do ano
passado, na vice-presidência do STJ,
em substituição ao ministro Gilson
Dipp, Eliana prepara-se agora para
assumir, interinamente, a presidência
da instituição, no lugar do atual presidente, que entrará em férias.
32 crea V.3, n. 40, p. 28 - jul/ago/set.2012 - Bahia
A senhora está à frente da Escola Nacional de Formação de Magistrados.
Como sabemos que não é de se acomodar com uma vidinha tranquila,
com certeza já começou a revolucionar aquilo lá, estou certo?
Está. Como diz um jornalista lá de Brasília, onde quer que vá, sempre piso
os pés no tomate. Lá, não está sendo
diferente. Estou querendo mudar um
pouco a orientação na formação dos
magistrados. E não estou querendo
fazer aquilo que as escolas estaduais
já vêm fazendo, que é dar formação
jurídica. Eu não quero isso, quero dar
uma formação macropolítica. Política
judiciária. Acho que esse é o papel da
escola nacional.
Em paralelo, a senhora atua como
vice-presidente do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) interina desde setembro do ano passado. Como concilia as
duas funções?
Estou substituindo o vice, que está
hospitalizado, e conduzindo conjun-
tamente a escola. Em janeiro de 2013,
passo a substituir o presidente do STJ,
que sairá de férias.
A senhora tem a pretensão de chegar
à presidência do STJ?
Não. Eu chegarei pelo tempo, mas seria por pouco tempo, e acho que isso
atrapalha a administra da instituição.
De forma que não terei como alcançar
os dois anos necessários, porque me
aposentarei antes desse período.
E já pensou no que fará depois da
aposentadoria?
Não. Ainda tenho dúvidas. A minha
ideia sempre foi participar de uma
Ong, voltada para o combate à corrupção, para a área do Judiciário, que
acho importantíssima. Creio que esse
poder, se houvesse vontade política,
seria capaz de solucionar o problema
da corrupção no País e, hoje, está havendo um pouco mais de consciência
em relação a isso. Eu, pela minha experiência, acredito que poderia contribuir muito trabalhando numa Ong.
Existem muitas que são sérias.
Parar de trabalhar, então, não está
nos planos?
Não. Eu sou muito inquieta, combativa, e acredito muito nesse combate,
porque tenho sido muito bem sucedida em todos os meus empreendimentos, inclusive em todas as minhas
“pisadas de tomate”, termino me dando bem. Isso porque eu sou muito comedida, sei até onde eu vou, até onde
chegam as minhas forças. Então, acho
que tenho ainda muito a contribuir
com meu País.
A senhora vem sendo muito assediada pelos partidos para ingressar na
política. Isso está nos seus planos?
Realmente, tenho sido muito procurada pelos políticos, pois adquiri muita
«
Eu não sou muito
a favor dessa
questão de
índole. Acho que
isso não existe,
o que existe é
educação. Se você
é educado para
um país civilizado
é uma coisa. Se
você é educado
em um país onde
falta a ética,
você leva ferro o
tempo todo”
credibilidade popular e isso faz bem a
alguns partidos. O PPS, por exemplo,
é um partido que tem uma forma diferente, que se inclina mais para as
questões da ética e da moral, e tem
procurado candidatos com esse perfil.
O PPS foi o primeiro partido a me procurar. Me ofereceram uma medalha
de mérito legislativo. Depois, fui até
lá, na sede deles, até para agradecer,
e eles fizeram uma abordagem direta. O PV também já me abordou. No
partido de Kassab (PSP), seria para
sair como senadora por Brasília. Mas
eu não tenho muita inclinação para a
política. Nunca fui política. Acho que
a gente tem que fazer o que sabe.
Outra coisa é esse sistema de finan-
ciamento de campanha, que é um
absurdo. Eu não vou colocar o meu
pequeno patrimônio, que é fruto do
meu trabalho, em risco, nem quero
ser financiada por ninguém, para que
ele seja meu “dono”. Sou uma mulher
sem dono. De forma que é meio complicado aceitar um convite político.
Mas a política a seduz?
Eu acho que tudo termina no Poder Judiciário, mas passa, necessariamente,
pelo Poder Legislativo. Aliás, no filme
“Tropa de Elite”, a mensagem é muito
positiva, porque, depois de toda a luta
do capitão Nascimento, ele encontra
abrigo no Congresso Nacional. Aquilo
é lindo. Mas, hoje, temos uma política
V.3, n. 40, p. 29 - jul/ago/set.2012 - Bahia
crea 33
>entrevista Eliana Calmon, ministra do Superior Tribunal de Justiça
«
Sem sombra de dúvidas. Todas as
vezes que existir uma impunidade,
existe também estímulo para
que isso continue. Quando há
a condenação, a repressão, as
pessoas recuam”
nacional que foi dominada por uma
linha que é completamente absurda.
Estamos elegendo, como presidente do Senado, Renan Calheiros. Isso
é um absurdo! Vamos eleger, como
presidente da Câmara, Henrique Alves! São pessoas que não têm credibilidade, do ponto de vista da ética
e da moral... Estamos orgulhosos,
politicamente, de empossar José Genoíno, que acaba de ser condenado
por crimes gravíssimos, no Supremo
Tribunal Federal (STF). E sabemos que
dificilmente a pena dele vai cair, porque será o próprio STF que julgará os
recursos. E se utilizaram desse expediente regimental para empossá-lo.
Um acinte ao Poder Judiciário. Esse é
o Congresso que nós temos. Precisamos melhorar? Precisamos. Mas será
que eles querem melhorar? Tenho
muitas duvidas a esse respeito. Quem
seria Eliana Calmon no Congresso
Nacional. Ali é que eu tenho medo de
“pisar no tomate”.
E o Poder Executivo, não a interessa?
Muita gente diz que vou acabar indo
para lá, que irei para o Ministério da
Justiça, para a Advocacia Geral da
União, mas o Executivo é também um
problema sério. Nem a presidente da
República tem carta branca. Ela é refém de Lula, dos partidos aliados, do
PMDB... E eles estão ganhando força
agora, estão dizendo que vão colocar
ela nos eixos. Então eu pergunto: é
possível chegar a um ministério des-
34 crea V.3, n. 40, p. 30 - jul/ago/set.2012 - Bahia
ses com carta branca? Lógico que
não. Para eles, seria bom colocar lá
alguém que tenha credibilidade popular, dariam uma satisfação ao povo,
mas acabariam com a minha credibilidade. Me matariam de inanição. Com
todos os defeitos, tive independência
para fazer o trabalho que fiz na Corregedoria.
Como a senhora está viu o julgamento do mensalão?
Fiquei muito satisfeita. Não pelo resultado, mas pelo seguimento das
coisas, pela clareza com que os votos
foram dados, pela postura assumida
pelos ministros, que expressaram-se
em uma linguagem compreensível.
Porque eu entendia que o Judiciário,
por meio do STF, falava uma linguagem tão hermética que até nós, que
somos de lá, muitas vezes, não entendíamos. Eram aqueles votos enormes,
imensos, cheios de tecnicismos. De
forma que o julgamento do mensalão foi tão claro que os brasileiros o
seguiram como seguem uma novela.
As pessoas iam para casa mais cedo
para ouvir os ministros. Acompanharam tudo, porque entendiam o que os
ministros estavam fazendo.
O que a gente pode tirar de aprendizado desse julgamento?
Tiramos a lição de que o povo quer
que a Justiça funcione. E esse é um
grande avanço para a Justiça brasileira, saber que conta com um povo
que deseja realmente que as coisas
funcionem.
A senhora acha que as condenações
servirão de exemplo para que outros
políticos, gestores públicos ou empresários pensem duas vezes antes
de cometer crimes contra o erário?
Sem sombra de dúvidas. Todas as vezes em que existe uma impunidade,
existe também o estímulo para que
isso continue. Quando há a condenação, a repressão, as pessoas recuam.
E eu acho que, a partir de agora, teremos um grande divisor de águas.
Isso porque, até então, nunca tivemos
um julgamento de poderosos, de crime de colarinho branco. O STF ficava
com aquelas teses de “garantismos”,
criadas pelos grandes escritórios de
advocacia de São Paulo, e nunca enfrentou as coisas como deveria. Tanto
que os advogados de defesa dos acusados do mensalão tinham consciência absoluta de que seus clientes não
seriam condenados, que o julgamento seria como estavam acostumados
a ver. Até saiu publicada uma foto, em
um jornal, que pretendo recuperar e
colocar em um quadro. É de um grupo desses grandes advogados rindo à
ponto de se virarem pra trás, como se
estivessem felizes, com a certeza da
absolvição de seus clientes, num deboche absoluto. Aquilo me indignou.
Era esse o resultado que a senhora
esperava?
Não. Eu esperava que o relator (Joaquim Barbosa), que eu conheço bem,
tivesse aquela postura, mas não pensei que houvessem tantas adesões ao
voto do relator. Eu estive conversando
com o procurador-geral da República,
Roberto Gurgel, fui me despedir dele,
e perguntei-lhe qual a expectativa.
Ele me disse que não tinha a menor
ideia. O que eu posso dizer é que as
provas são muito contundentes. Eles
(os acusados) não tiveram nenhuma
preocupação em esconder as provas.
Vivemos uma crise de ética?
Ah sim, porque é do ser humano querer se dar bem. Essa crise de ética na
política, nos poderes públicos, irradia
para a população. Onde começar essa
limpeza ética? Tem que ser no Estado,
que deve dar o exemplo. O Estado, na
medida em que este está contaminado com essa infiltração de pessoas
que só querem se dar bem, torna a
população refém, muito embora esta
não concorde. A população sempre
está do lado certo. Ou fazemos uma
reforma política, que nos coloque
num patamar de ética, ou não teremos um povo ético.
«
Precisamos
melhorar?
Precisamos.
Mas será que
eles querem,
efetivamente,
melhorar?
Tenho muitas
duvidas a esse
respeito. Quem
seria Eliana
Calmon no
Congresso
Nacional. Ali é
que eu tenho
medo de pisar no
tomate”
Em sua opinião, a ética pode ser adquirida ou ela diz respeito apenas a
índole da pessoa?
É um exercício. Eu não sou muito a favor dessa questão de índole. Acho que
isso não existe, o que existe é educação. Se você é educado para um país
civilizado é uma coisa. Se você é educado em um país onde falta a ética,
você leva ferro o tempo todo. E você
acaba entrando no campo da Lei de
Gérson, de se dar bem. Em um momento em que o País começa a caminhar certo, começa a respeitar os seus
direitos, você intui que tem de andar
dessa forma também. Ninguém se incomoda de jogar lixo na rua, porque
sabe que não existe sanção para isso.
No dia em que houver, as pessoas deixarão de jogar.
MBA É NO INBEC *
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n. 40,
p. 31 - jul/ago/set.2012 - Bahia crea 35
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>Recursos hídricos
Gerenciamento
das águas
mobiliza
especialistas
car o Urucuia. Estudos vêm sendo desenvolvidos pela Ufba, UNB e Unesp,
na tentativa de definir geometria,
espessura, delimitação do substrato,
caracterização geológica e hidrogeológica, gerando informações técnicas
fundamentais para a gestão dos recursos. Os dados serão utilizados para
planejar o desenvolvimento sustentável da região e definir o limite de uso
da água subterrânea sem comprometer a sua contribuição para a manutenção da vazão do Rio São Francisco.
banco de dados e capacitação técnica
continuada”, explica.
Pantoja explicou que a ANA vem
desenvolvendo estudos no Sistema
Aquífero Urucuia, um projeto orçado
em R$ 4,5 milhões. “Estamos fazendo
o levantamento em torno da vulnerabilidade e manejo da água, uso e ocupação do solo, riscos de contaminação, entre outros”, afirma, destacando
que a agência está trabalhando com
informações de 200 poços tubulares
no Urucuia. Os estudos da ANA deverão ser encerrados no primeiro semestre deste ano.
Segundo Maria Antonieta Alcântara Mourão, doutora em geologia e
técnica do Serviço Geológico do Brasil
(CPRM), a rede de monitoramento do
órgão federal no Urucuia é composta
por 38 poços, responsáveis pela geração de informações sobre o comportamento do aquífero. A meta, este ano,
é implantar três poços estratigráficos.
Mas, ela salienta que falta fundamentação técnica que comprove a presença de agrotóxico na água do Urucuia
– uma denúncia constante dos movimentos sociais da região Oeste da
Bahia. “As análises químicas não mostraram a presença de veneno, mas estamos ajustando tudo para que as dificuldades sejam contornadas e a rede
integrada seja viável”. A CPRM possui
250 poços de monitoramento no País.
Monitoramento
Dados compartilhados
De acordo com Márcia Pantoja, gerente de águas subterrâneas da Agência
Nacional das Águas (ANA), a gestão
integrada de recursos hídricos é complexa devido à variedade de componentes físicos, legais e políticos. “A
gestão de água superficial e subterrânea não pode ser separada. Para que
o gerenciamento ocorra, é necessário
disponibilização de recursos financeiros, ampliação da articulação entre
as instituições, implantação de um
O geólogo Renato Andrade, analista técnico do Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia (Crea-BA),
chama a atenção dos representantes
da ANA e CPRM para a necessidade
de atuação integrada dos órgãos e
união de esforços para a formação de
um banco de dados com informações
consistentes, que permitam a gestão
adequada do Urucuia. “A legislação
sobre água subterrânea não é unificada. Minas Gerais, por exemplo,
Estudos sobre o Aquífero Urucuia põem em discussão
a necessidade urgente de uma gestão integrada
Por Nadja Pacheco
descaso com as águas subterrâneas e superficiais brasileiras não se restringe somente
à questão ambiental. A falta de gestão integrada desses mananciais e o
desconhecimento, por parte da população, são problemas antigos no
Brasil. O assunto passou a ser discutido no mundo na década de 90, mas,
por aqui, ainda é impossível prever
uma data para o início deste gerenciamento. Preocupados com o tema,
geólogos, hidrogeólogos, hidrólogos,
técnicos de órgãos dos governos estadual e federal e representantes de instituições de ensino participaram do
Seminário Nacional Sobre o Sistema
Aquífero Urucuia (SAU), realizado em
Salvador, em dezembro de 2012.
Majoritariamente
situado
na
Bahia, onde ocupa 142 mil km, o SAU
se estende também pelos estados do
Maranhão, Tocantins, Piauí, Goiás e
Minas Gerais, interferindo nas bacias
dos rios São Francisco, Tocantins e
Parnaíba. Recentemente, a universidade assumiu a tarefa de desmistifi36 crea V.3, n. 41, p. 36 - out/nov/dez.2012 - Bahia
POR
DENTRO
TÍTULO
DO GRÁFICO
DO AQUÍFERO
PI
TO
SISTEMA
SAU
CÁRSTICO-FISSURAL OCIDENPROVÍNCIA
TAL
TOCANTINS
SAU
CENTRAL
SAU
ORIENTAL
SISTEMA CÁRSTICO-FISSURAL
CRÁTON DO SÃO FRANCISCO
PI
BA
BA
TO
PLUVIOSIDADE
MÉDIA
1.500
(mm)
1.400
1.300
N
Gilbués (PI)
Nono nono non, nnon, non nononnon
ESTRUTURA
COMPLEXA
É
nonon non nononon
nononon non,
no nono non,
nnon,ESPECIALISTAS
non nonoon.
DESAFIO
PARA
1.200 1.100
1.000
900
Formosa do Rio Preto (BA)
800
ÁREA DE RECARGA
PRINCIPAL DO SAU
Rio Corrente
Rio Corrente
METROS
1.000
POSSE
900
A
800
B
700
C
SRA. Mª DA
VITÓRIA
CORRENTINA
Luís Eduardo
Magalhães (BA)
Rio São Francisco
Barreiras (BA)
Taguatinga (TO)
D
SÃO FÉLIX
DO CORIBE
600
500
SISTEMA
AQUITARDE-AQUÍFERO
Rio Formoso
Rio da Prata
TO
GO
Rio Arrojado
Correntina (BA)
CONVENÇÕES GEOLÓGICAS
GO
BA
CONVENÇÕES HIDROGEOLÓGICAS
MESOZOICO (Neocretáceo)
Grupo Urucuia
Nível estático regional
Nível potenciométrico
Eixo divisor do fluxo subterrâneo
Formação Serra das Araras
Posse (GO)
BA
MG
Rios
Nascentes
Formação Posse
NEOPROTEROZOICO
Grupo Bambuí
ARQUEANO/PALEOPROTEROZOICO
Paleoventos
A
D
Complexo gnáissico-migmatítico
de Correntina
Saiba mais
sobre o Urucuia
>O Oeste baiano é responsável por
40% da área irrigada da Bahia;
>A Bahia também possui os
aquíferos cárstico da região de Irecê,
de São Sebastião no Recôncavo e da
Bacia Sedimentar de Tucano.
>A idade aproximada do SAU é de
65 milhões de anos.
>Existem 1.433 poços e nascentes
cadastrados no SAU
>
90%
das águas do rio São Francisco, na
época de seca, vêm do SAU.
140 mil hectares
do Oeste baiano são irrigados
AQUÍFERO LIVRE COM NÍVEL
ESTÁTICO PROFUNDO
AQUÍFERO DE TRANSFERÊNCIA Função recarga do Sistema
Cárstico-Fissural do Cráton do
São Francisco
GO
MG
possui uma lei própria de gestão das
águas subterrâneas (Lei. 13771/2000).
A Bahia possui apenas um capítulo na
Lei que estabelece a Política Estadual
de Recursos Hídricos (Lei. 11612/2010).
É importante que todas as informações sejam disponibilizadas à sociedade, afinal os estudos são feitos com
recursos públicos”.
De acordo com Zoltan Romero
Rodrigues, geólogo e especialista
em recursos hídricos do Instituto de
Meio Ambiente e Recursos Hídricos
da Bahia (Inema), apesar de a maior
parte do Urucuia estar em solo baiano, a Bahia é o estado mais atrasado em relação à questão de outorga
das águas subterrâneas. “É por meio
de eventos como este que tentamos
chamar a atenção para a questão”. O
geólogo reiterou ainda a contribuição
da gestão integrada das águas para
análise dos impactos ambientais. “Os
estudos da ANA e da CPRM são fundamentais para envolver usuários,
órgãos gestores e sociedade. Por enquanto a situação é confortável, mas
quando existirem impactos, haverá
conflitos entre os seis estados”, alerta.
Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil
(CPRM), Thales Sampaio afirmou que o
levantamento geofísico sem controle
estratigráfico não funciona. “Faremos
o que for necessário na geologia, geofísica e estratigrafia para compreender
o Sistema Aquífero de Urucuia e garantir a vazão do rio São Francisco e o desenvolvimento econômico”, pontuou,
assegurando a alocação de recursos
para que as dúvidas ainda existentes
sobre o SAU sejam esclarecidas.
V.3, n. 41, p. 37 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 37
>tecnologia
Inovadores
por natureza
Estudantes e profissionais brasileiros usam
ferramentas tecnológicas para alavancar o
desenvolvimento econômico do País
Por Arivaldo Silva
foto joão alvarez
magine acordar e não ter mais os
movimentos dos membros inferiores ou superiores. A situação é
comum para vítimas de Acidente
Vascular Cerebral (AVC) ou de lesões
medulares, que muitas vezes perdem
a dorsiflexão – o movimento de flexão na articulação do tornozelo. Foi o
que aconteceu, por exemplo, com o
estudante Vitor Veiga, 18 anos, quando tinha apenas 14, em 2008. Contudo, em meio ao drama familiar, o
poder de se colocar no lugar do outro
pode dar um rumo diferente a essa e
diversas outras histórias.
Comovido com a situação do irmão, Daniel Veiga, 22, estudante de
engenharia mecatrônica da Unifacs,
criou, em parceria com os colegas
Bruno Cavalcanti e Bruno Soares, o
protótipo de uma palmilha inteligente, que evoluiu para uma tornozeleira
batizada de Motus (do latim movimento). A tecnologia é capaz de impulsionar o músculo que movimenta
a ponta do pé de uma pessoa com
deficiência, por meio da eletroestimulação, funcionando como uma central
de processamento de dados ligada ao
músculo por elétrodos. Os estudantes
criaram a Startup Vitae – Soluções em
38 crea V.3, n. 41, p. 38 - out/nov/dez.2012 - Bahia
acessibilidade, empresa de engenharia que desenvolve produtos na área
de reabilitação.
O aparelho foi concebido dentro
do Laboratório de Robótica, da Incubadora de Negócios Unifacs, sob a
coordenação do engenheiro mecânico Thomas Buck, com consultoria
de professores de fisioterapia da universidade. O projeto aguarda agora a
liberação do Comitê de Ética Médica,
do Conselho Nacional de Saúde, para
que os primeiros testes sejam realizados. “Meu irmão sofreu a dissecção da
artéria carótida, vaso sanguíneo que
leva sangue do coração ao cérebro,
por conta de um problema genético.
O quadro evoluiu para um AVC. Parti
para a pesquisa e consultei um amigo
fisioterapeuta, que disse já existir um
aparelho parecido para auxiliar na locomoção de pacientes com dificuldade de mobilidade. Usamos como base
e criamos o Motus”, conta Daniel.
capacitação
O jovem faz parte de um grupo cada
vez maior de brasileiros que buscam
capacitação para o salto de qualidade tão necessário para o desenvolvimento nacional. “O quanto você
está motivado é o quanto você pode
alcançar. É a medida para chegar
mais longe”. O Motus é uma órtese,
complementa o membro danificado,
diferentemente de uma prótese, que
substitui um órgão. O sistema é acionado por uma conexão sem fios via
rádio a partir da tornozeleira, onde
está instalado um módulo de sensores que detecta as características
do passo a ser dado após a retirada
do calcanhar do chão: aceleração,
inclinação, velocidade e deslocamento. Com o dispositivo, os estudantes
venceram a edição 2011 do prêmio
Ideias Inovadoras, promovido pela
Fundação de Amparo à Pesquisa da
Bahia (Fapesb), com apoio do Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e receberam o
prêmio de R$ 8mil, investido na patente do invento.
Esse trabalho levou Daniel a Washington (EUA), em abril de 2012. Ele
foi o único brasileiro, entre cem estudantes de 96 países, escolhido pela
Laureate International Universities,
para representar o Brasil no Clinton
Global Initiative University, evento
criado pelo ex-presidente Bill Clinton
para premiar iniciativas inovadoras,
Daniel Veiga, estudante de mecatrônica, e atornozeleira Motus
COMO FUNCIONA
central de processamento de dados
O dispositivo detecta a
da
1 Uma
3 Através
é ligada ao músculo através de eletrodos. 2 aceleração, inclinação,
eletroestimulação é
O sistema é acionado por uma conexão
sem fios via rádio a partir da
tornozeleira, onde está instalado um
módulo de sensores que detecta as
características do passo a ser dado após
a retirada do calcanhar do chão
habilidades em liderança e comprometimento social em universidades
de todo o mundo. “A importância do
Motus vai além do estímulo elétrico.
Os dados armazenados no aparelho serão usados por fisioterapeutas
e médicos para balizar e aprimorar
o tratamento do paciente”, explica
Bruno Cavalcanti. Outro dispositivo
desenvolvido pelos estudantes é uma
impressora braile de baixo custo que
velocidade e
deslocamento
possível movimentar
a ponta do pé de
uma pessoa com
deficiência
ganhou, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio da Fapesb para inovação,
desta vez no valor de R$ 15 mil.
Fenômeno startup
Empreendedorismo social e inovação. Estas palavras traduzem o espírito dos que se dedicam à área de
tecnologia de ponta. O fenômeno é
chamado de startup, empresas que,
geralmente, surgem em incubadoras,
com ideias promissoras ligadas a pesquisa. Estes empreendedores estão
antenados com as mudanças históricas e atuam no desenvolvimento de
tecnologia e conhecimento de ponta,
seja dentro de empreendimentos de
base tecnológica, seja em incubadoras, instaladas nas universidades, com
o objetivo de gerar inovação em prol
da sociedade.
Projetos surgidos na capital baiana
destacam-se pela inovação e uso da
tecnologia em áreas distintas. Um deles é um sistema de automação batizado de “Barras de Proteção para Metrôs
e Trens Metropolitanos”, que recebeu
menção honrosa durante a 15ª Edição
Internacional - Negócios nos Trilhos,
que ocorreu em novembro do ano passado na capital paulista.
Desenvolvido pelos baianos João
Marques (tecnólogo de petróleo e
gás), Álvaro Lessa (inventor e projetista) e Daniel Santos (metalúrgico), o
invento foi escolhido entre mais de 30
projetos de renomadas empresas do
segmento metroferroviário de todo
o País. “Os acidentes em estações são
rotineiros. Sem a proteção adequada,
são ainda mais frequentes. Esperamos que Salvador seja a primeira cidade a usar este equipamento”, afirma João Marques.
Incentivo e Inovação
No bojo das inovações tecnológicas
que estão surgindo, o Parque Tecnológico da Bahia tem papel importante, com seus grupos de pesquisas
divididos nas áreas de: tecnologia da
informação e comunicação, energia e
engenharias e biotecnologia e saúde.
O empreendimento conta hoje com
as seguintes empresas: IBM, Unigel,
Softwell, Jus Brasil, VCR Informática,
Cetene, Prodeb, Grupo Meta, EriccsonInovação, Indra. Implantado em 2007, o
Programa Estadual de Incentivo à Inovação Tecnológica – Inovatec – dispõe
V.3, n. 41, p. 39 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 39
>Tecnologia
de R$ 15 milhões em recursos do Fundo
de Investimento Econômico e Social
(Fies) para fomentar projetos que contribuam para o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado.
As incubadoras
Segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico, a Bahia é o sexto Estado com mais pesquisadores no País
e o primeiro do Norte/Nordeste. De
acordo com o secretário estadual de
Ciência Tecnologia e Inovação, Paulo
Câmara, o cenário é propulsor e o investimento é indispensável para o desenvolvimento de uma cultura de empreendedorismo. “No Tecnocentro,
já temos nove empresas totalmente
voltadas para a sinergia inovadora. E
novos investimentos estão sendo feitos. Agora, o programa será estendido
para cidades do interior, como Ilhéus,
Itabuna, Vitória da Conquista e Feira
de Santana”.
O Tecnocentro, edifício central do
Parque Tecnológico da Bahia, foi inaugurado em setembro de 2012 e, nele,
foram investidos R$ 53,3 milhões do
ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação (MCTI) e R$ 7,1 milhões de
contrapartida do Governo da Bahia.
Todo esse investimento, objetiva
abrigar pequenas, médias e grandes
empresas a fim de gerar novos negócios e impulsionar a economia baiana. Dados do estudo Demografia das
Empresas 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
apontam que quatro em cada dez
empresas fecham após os dois primeiros anos. Já o estudo do Sebrae,
Taxa de Sobrevivência de Empregos
no Brasil, de 2011, indica que mais de
1,2 milhão de novos empreendimentos formais são criados anualmente
no País. Desse total, mais de 99% são
micro e pequenas empresas e Empreendedores Individuais (EI).
40 crea
A quase inacreditável
revolução da bio-retina
Em meados dos anos 1960, quando a série de ficção científica Jornada nas Estrelas - Star Trek estava no auge, o engenheiro-chefe da
nave Enterprise, comandante Geordi La Forge, chamava atenção por
conta de um acessório que utilizava como visor. Portador de cegueira
congênita, La Forge usava uma prótese que funcionava como uma
espécie de retina artificial, transformando sinais luminosos em imagens enviadas diretamente ao cérebro, fazendo-o enxergar.
Hoje, os avanços da bioengenharia focados em regeneração ocular divulgados em pesquisas da Universidade de Cornell (EUA), e de
uma empresa de Israel, rompem as barreiras entre ficção e realidade e trazem esperança a pessoas que perderam a visão, por doenças
oculares degenerativas. Batizada de bio-retina, o invento é um chip
com uma célula fotovoltaica implantada por meio de uma incisão e
fixada na retina. O chip é alimentado por uma fonte de lasers instalados nos óculos do paciente.
Outro vetor de crescimento destas
empresas são as incubadoras, como a
de Base Tecnológica da Escola Politécnica da Ufba – a Inovapoli, ambiente
onde são gerados produtos, processos ou serviços a partir de pesquisas aplicadas, nas quais a tecnologia
representa alto valor agregado. De
acordo com o conselheiro do Crea-BA
e diretor da Escola Politécnica, engenheiro civil Luís Edmundo Campos, as
universidades e o governo estão estimulando as ideias dos empreendedores. “É preciso fomentar o empreendedorismo desde a universidade para
mudar a cultura do estudante em relação ao mercado. Na Bahia, o profissional, não só de engenharia, conclui
a faculdade para ser empregado. Não
existe inovação sem empreendedorismo”. E para isso, segundo ele, a incubadora é fundamental. “Se a incubadora consegue proteger a empresa
nesse período, consegue-se melhorar
a situação do País e dar mais emprego
e renda para a população”.
A linguagem do
empreendedorismo
tecnológico
Startup >
A expressão em inglês é usada
nos EUA há várias décadas. No
entanto, foi com a chamada
bolha da Internet, entre 1996
e 2001, que o termo começou
a ser usado no Brasil como
sinônimo de um grupo de
pessoas trabalhando em ideias
que podem gerar dinheiro.
Startup também é aquela
ebulição criativa, própria de
quem inicia uma empresa e a
coloca em funcionamento.
Incubadora de
base tecnológica >
É um ambiente que permite
o acesso a serviços
especializados, orientação
em gestão, espaço físico
e infraestrutura técnica,
administrativa e operacional,
para o desenvolvimento de
empreendimentos inovadores.
>educação
O domínio
dos técnicos
no mercado
Opção por cursos profissionalizantes, uma
constante em países ricos como Japão e
Alemanha, começa a ganhar força no Brasil
Por Nadja Pacheco
fotos joão alvarez
m estudo inédito realizado
pelo Serviço Nacional de
Aprendizagem
Industrial
(Senai) revela a necessidade de mão de obra qualificada para a
indústria até 2015, com a previsão de
7,2 milhões de vagas para técnicos.
De acordo com o levantamento, dos
24 milhões de jovens brasileiros (18 a
24 anos), apenas 3,4 milhões (15%) ingressam nas universidades. A escolha
pelos cursos profissionalizantes, apesar de não ser uma realidade no Brasil,
onde apenas 6,6% dos estudantes fazem esta opção, é uma constante em
países ricos como Japão e Alemanha,
onde 50% dos jovens preferem o ensino técnico.
A pesquisa sinalizou a região Sudeste como a que vai demandar mais
mão de obra, 57,6%, o que representa
abertura de oportunidades para cerca
de 4,13 milhões de técnicos. A previsão
é que, até 2015, o Nordeste empregue
854,5 mil profissionais de nível médio. Este foi o cenário apresentado
durante o 1º Encontro de Técnicos Industriais da Bahia, realizado em 17 de
dezembro do ano passado, em Salvador. Promovido pelo Crea-BA, Mútua
e Sindicato dos Técnicos Industriais
da Bahia (Sintec), o evento abordou
o mercado de trabalho, a formação, o
perfil, a regulamentação e a representação da categoria.
Segundo o gerente do Senai-Cetind, Alex Santiago, existem 177 ocupações diferentes para a área técnica
e as maiores demandas se concentram nas seguintes áreas: controle de
procedimentos, eletrônica, eletricidade, desenvolvimento de sistemas e
aplicações e operação de computadores. “O Brasil precisa de um modelo de
educação que consiga potencializar
o seu desenvolvimento econômico e
O 1º Encontro de Técnicos Industriais da Bahia abordou o mercado de trabalho e a formação da categoria
V.3, n. 41, p. 3 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 41
>educação
“É necessário
ampliar a
participação dos
técnicos nas
questões políticas
do Confea-Crea,
mas é preciso que
eles procurem
organização
por meio das
entidades”
Sérgio Souza, presidente do
Sindicato dos Técnicos Industriais
da Bahia (Sintec)
"A Bahia é o
único estado do
Nordeste que
continua vendendo
projetos, pois
possui um potencial
inexplorado de
10 vezes o valor
comercializado.
Temos condições
excepcionais"
Rafael Valverde, superintendente
de Indústria e Mineração da Bahia
social”. Santiago diz que o desafio do
Senai é abrir quatro milhões de matrículas até 2014 em suas 809 unidades
operacionais. “Em 70 anos qualificamos aproximadamente 55 milhões
de pessoas. Queremos continuar formando bons técnicos para o mercado
brasileiro”.
As expectativas em torno do crescimento do mercado baiano são
positivas. Foi o que sinalizou Rafael
Valverde Souto, superintendente de
Indústria e Mineração do Governo
42 crea V.3, n. 40, p. 42 - jul/ago/set.2012 - Bahia
da Bahia. O representante da gestão
estadual reiterou a importância da
formação de mão de obra para atender a grande demanda prevista para
os próximos três anos: que é a geração de 82 mil empregos, abertura de
510 indústrias e o investimento de U$
34 bilhões. Segundo ele, o reflexo do
aumento de oportunidades para os
profissionais de nível médio é a transformação do Polo de Camaçari, que
deixou de ser petroquímico, passando
a abrigar outros negócios.
Energias renováveis
De acordo com Rafael Valverde, a
Bahia possui 59 projetos de energia
eólica. “A Bahia é o único Estado do
Nordeste que continua vendendo projetos, pois possui um potencial inexplorado de 10 vezes o valor comercializado. Temos condições excepcionais
de vento e de comercialização”, afirma, destacando que Camaçari caminha para ser o maior potencial eólico
da América Latina, com a geração de
oito mil empregos na área. Segundo
o superintendente, a Bahia também é
a segunda fonte de energia solar com
maior potencial do Brasil.
De olho nesse mercado de energia
renovável, a Alstom instalou uma de
suas fábricas de produção de aerogerador em Camaçari em 2011. Segundo o gerente de recursos humanos
da multinacional, Fernando Picolo,
a região Nordeste detém o maior
potencial eólico brasileiro (75GW).
“Vinte e cinco por centro da energia
do mundo é Alstom, não poderíamos
ficar longe deste mercado”. Sobre
o empenho do profissional baiano,
Picolo afirmou que a empresa está
satisfeita. “Não temos do que reclamar até aqui. podemos constatar
que o nível dos técnicos é excelente”.
Segundo o gerente, a multinacional,
que é formada por um quadro 100%
técnico, deve empregar mais 60 profissionais de nível médio este ano.
“Viemos para fazer da Bahia o futuro
do Brasil”.
Perfil
Gostar da área industrial, analisar
criticamente fatos e dados, ter iniciativa e ser capaz de trabalhar em equipe são alguns dos pré-requisitos adotados pela Braskem para contratar
seus profissionais. A empresa possui
7.600 funcionários e 3.900 atuam na
carreira técnica operacional (51%). De
acordo com Nadja Mello Silva, geren-
Jessé Lira (Sintec-PE); Marco Amigo ( Crea-BA); Sérgio Souza ( Sintec-BA) e Luis Roberto Dias (Sintec-GO)
>
27.263
técnicos estão registrados no CreaBA e 442 mil, no Confea;
R$ 2 mil
é a remuneração inicial;
30%
da produção industrial da Bahia
está focada no petróleo;
O estaleiro Enseada do
Paraguaçu vai gerar
7 mil
empregos e deve funcionar
em janeiro de 2014;
A Bahia é o
5º
maior produtor de veículo e de
minérios do País
te de educação industrial da multinacional, criatividade, determinação,
maturidade e confiabilidade também
são características analisadas. A gerente destacou os programas de formação de operadores e de estágio
técnico.
O primeiro, com duração de 18
meses, visa atrair e formar novos talentos para ingressarem na carreira
de operação industrial. O segundo
investe em jovens talentos e oferece
oportunidades para o início da carreira profissional. “Iremos contratar, nos
próximos cinco anos, 895 técnicos,
então é importante que os jovens estejam atentos a essas iniciativas”, ressalta, destacando ainda o portal Jovem Braskem (www.jovensbraskem.
com.br), canal criado com a proposta
de interação e troca através das comunidades, compartilhamento de
dúvidas nos chats, de links úteis e artigos e inscrição de currículos.
Regulamentação
A representatividade dos técnicos no
Sistema Confea/Crea ainda está sendo construída. Segundo Sérgio Souza,
presidente do Sindicato dos Técnicos
Industriais da Bahia (Sintec), o plenário do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia e de alguns Creas do
Brasil já é composto por profissionais
de nível médio, mas na Bahia ainda
não existe representação da categoria. Segundo ele, é importante inserir esses profissionais nas discussões
políticas. “São necessários esforços,
a fim de ampliar a participação dos
técnicos nas questões políticas do Sistema Confea-Crea, mas é preciso que
eles procurem organização por meio
das entidades.”
V.3, n. 41, p. 43 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 43
nonono oononono
>Construção civil
A ordem é
Reciclar e ser
sustentável
Considerada exemplo no
segmento, a Arena Fonte Nova
reaproveitou 100% dos materiais
da demolição do antigo estádio
Por Ronaldo Brito
crescimento da indústria da
construção civil na Bahia tem
rendido números estratosféricos. Somente em 2011, segundo
dados da Ademi-Ba, foram lançadas
no mercado local quase 13 mil novas
unidades. O setor é também um dos
recordistas na produção de resíduos
sólidos. As perdas, oriundas do desperdício de materiais e do refugo das
demolições, levaram as empresas do
segmento a buscarem soluções para
o reaproveitamento do que iria parar
no lixo. Um dos casos mais emblemáticos foi o do antigo estádio da Fonte
Nova. Sua demolição, para dar lugar à
nova arena que sediará algumas das
disputas de futebol da Copa do Mundo de 2014, gerou aproximadamente
77,5 mil toneladas de resíduos.
O que, em outros tempos, teria
como destino os parcos aterros da cidade ganhou novas funções. As mais
de mil toneladas de aço resgatadas da
demolição foram parar nas siderúrgicas. Parte do material foi transformado em souvenires que, após serem
comercializados, renderam recursos
para as Obras Sociais de Irmã Dulce
(OSID). Outras 40 mil toneladas ga44 crea V.3, n. 41, p. 44 - out/nov/dez.2012 - Bahia
nharam vida e se transformaram em
arte pelas mãos do artista plástico Bel
Borba, que criou esculturas, reunidas
na exposição Aqui. 7 elementos, mostrada nos principais museus da cidade, a exemplo do Palacete das Artes,
onde as peças expostas tinham até
quatro metros de altura.
parcerias
A reutilização, segundo o diretor de
engenharia da Arena Fonte Nova, José
Luiz Góes, foi de 100%. “Os resíduos
tiveram os mais diversos fins. Desde o
uso de materiais para confecção dos
uniformes dos operários até o reaproveitamento de parte dos resíduos
para o corpo de prova de concreto.”
A iniciativa não é a única. De acordo com Natasha Thomas, assessora
técnica do Sinduscon-Ba, a reutilização dos resíduos tem
sido prática comum nas
construtoras. “O Sinduscon-Ba vem fortalecendo
a cada dia as parcerias com
o Sistema S (Sebrae, Senai e
Sesi)”.
Além destes, a parceria
também foi estabelecida
divulgação
com universidades e com o Ministério
Público no intuito de melhorar o cenário da construção civil na Bahia. Seja
através de palestras, seminários e cursos, seja no fortalecimento de ações e
no desenvolvimento de diagnósticos
quantitativo e qualitativo da geração,
coleta e destinação dos resíduos. O
compromisso do Sinduscon-Ba com
a gestão dos resíduos o levou a integrar o Grupo Gestor de Resíduos da
Construção Civil, que faz parte da Comissão do Meio Ambiente da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção
Civil (CBIC). Este grupo, como explica Thomas, desenvolve trabalhos em
função da das Políticas Nacionais de
Resíduos Sólidos.
Segundo dados da Limpurb, o volume de resíduos sólidos gerados pelas
construtoras tem crescido na proporção do mercado imobiliário. Em 2011,
de acordo com o órgão, foram gerados 708 mil toneladas de resíduos.
Nos últimos cinco anos, a média foi de
583 mil toneladas/ano. A escassez de
aterros específicos também tem sido
uma preocupação do setor. Para driblar a situação, a resolução determina
que os grandes geradores de resíduos
sólidos (acima de 2m) elaborem projetos de gerenciamento, com o objetivo
de estabelecer procedimentos necessários ao manejo e destinação.
Na capital baiana, segundo o Sinduscon-Ba, os resíduos classificados
na categoria C (para os quais não foram desenvolvidas tecnologias economicamente viáveis) vão para o Aterro
Revita, que hoje funciona como uma
área de transbordo e triagem. Já os
metais e plásticos (B) seguem para as
cooperativas de reciclagem, enquanto a madeira é destinada a indústrias
como a de cerâmica. “Já o material
classificados pelo Conama como C
e D são dirigidos aos aterros sanitários próprios para resíduos perigosos
onde devem passar por processos de
tratamento antes da disposição final”,
garante a técnica. Já os pequenos geradores transferem para o poder público municipal a responsabilidade de
gerir os resíduos que produzem.
Na capital baiana, existem hoje
apenas dois Pontos de Descarga de
Entulho (PDE), também chamados
de “ecopontos”, disponibilizados a estes pequenos produtores de resíduos
pela prefeitura. No âmbito do Sinduscon-Ba está sendo elaborado um
Plano de Gerenciamento de Resíduos
Sólidos da Construção, assim como o
desenvolvimento de um sistema declaratório dos geradores, transportadores e áreas de destinação.
Reaproveitamento
Para o sindicato dos empresários da
construção civil da Bahia, casa de ferreiro não é espeto de pau. Na nova
sede que a entidade está construindo, o projeto obedece aos critérios de
sustentabilidade do Selo de Processo
AQUA (Alta Qualidade Ambiental).
“Além de estar incorporando inovações tecnológicas de eficiência energética, de consumo de água, mate-
O reaproveitamento e a
destinação dos resíduos mobiliza
empresários da construção civil. À
esquerda, trabalho de Bel Borba,
que transformou entulho em arte
riais e sistemas inovadores, temos o
compromisso de reaproveitar 15% dos
resíduos gerados durante a construção e durante a demolição da casa,
onde será erguido o novo prédio”.
Foi essa mesma preocupação que
levou a Arena Fonte Nova a difundir
a imagem de empresa sustentável.
"Criamos quatro ecopontos para a coleta e posterior reciclagem, em parceria com o Renove”, diz o engenheiro da
obra. Exemplos como esse tem sido
seguidos por outras empresas que
atuam no segmento.
Ações como esta, além de resolver
as questões ambientais ainda tem
alcance social. No caso da confecção
dos uniformes, a partir de material
reciclado da demolição, o Projeto Axé
garantiu trabalho para seus assistidos, que trabalharam na produção
das roupas, criadas pela estilista baiana Luciana Galeão.
V.3, n. 41, p. 45 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 45
>energia
O futuro
está próximo
A implantação do Smart Grid – sistema de
redes inteligentes – é fundamental para a
melhoria do sistema elétrico brasileiro
Por Cíntia Ribeiro
Foto João alvarez
ocê já imaginou saber, em
tempo real, o consumo exato de cada eletrodoméstico,
identificando os horários de pico?
Ou então, um cenário ideal onde as
concessionárias são avisadas automaticamente, via dados digitais, sempre que houver interrupção ou outro
problema na transmissão de energia,
eliminando a necessidade de contato
do cliente? Essas são apenas algumas
funcionalidades da tecnologia Smart
Grid – que , aplicada aos sistemas
elétricos, é chamada de Redes Inteligentes de Energia.
Em linhas gerais, pode-se dizer que
as Smart Grids empregam um elevado grau de tecnologia de automação
na execução das atividades inerentes
ao processo elétrico, permitindo operações autônomas, favorecendo também a integração dos sistemas e dos
diferentes perfis de consumo.
Professora da Universidade de Brasília (UnB), com doutorado em engenharia elétrica, Cristina Silveira explica
que para suprir o consumo crescente
o sistema elétrico depende de uma
infraestrutura de rede e de geração
46 crea V.3, n. 41, p. 46 - out/nov/dez.2012 - Bahia
inteligente e flexível. “Nas redes tradicionais de energia, essa geração segue a demanda. Em breve, entretanto,
o consumo virá depois da geração – e
não o contrário, como acontece hoje.
Isso significa uma mudança de paradigma, no qual os fluxos de energia e
comunicação unidirecionais atuais serão substituídos pelos bidirecionais”,
explica a engenheira.
Logica
A tecnologia ainda pouco desenvolvida no Brasil – com projetos experimentais em cidades como Aparecida
do Norte (SP) – promete alterar a lógica da distribuição, medição e consumo, a exemplo do que ocorre em
países como Canadá, EUA,Japão e Comunidade Europeia.
Dentre os motivos para o “atraso”
brasileiro estão os processos de regulamentação e padronização dos medidores e fornecedores, que precisam
ser estabelecidos previamente pela
Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel), antes que essa tecnologia esteja disponível para o consumidor final. “Para atender à crescente deman-
da por energia aliada à necessidade de
reduzir as emissões de dióxido de carbono, é preciso dispor de um sistema
elétrico capaz de enfrentar esses desafios de forma sustentável, confiável
e econômica. Como a rede inteligente
permite integrar fontes sustentáveis
de geração distribuída, sua implantação favorece a sustentabilidade e o
melhor aproveitamento dos recursos
energéticos”, explica Cristina Silveira.
De acordo com o diretor de gestão
do setor elétrico do Ministério de Minas e Energia, Marcos Franco Moreira,
no momento as ações governamentais estão voltadas para a regulação.
“Precisamos definir as diretrizes para
elaboração do Programa Brasileiro de
Redes Inteligentes”. Ainda segundo,
Moreira, desde 2010, com a criação de
um Grupo de Trabalho sobre o tema,
o governo tem focado no estudo da
evolução das redes inteligentes no
mundo. Mas a implantação das redes
propriamente dita encontra-se num
estágio embrionário. O que existe em
termos de padronização são apenas
os requisitos para a especificação de
medidores eletrônicos. Ainda assim,
a expectativa do setor é de que até
2020 sejam investidos R$ 15 bilhões
de reais na substituição de medidores
analógicos por digitais.
Atento ao avanço do uso das
smarts grids, o Crea, em parceria com
a Coordenadoria das Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica,
sediou um workshop sobre o tema.
Para o coordenador da Câmara de
Elétrica da entidade, Sérvulo de Oliveira Ramos, a escolha do Smart Grid
justifica-se pelo fato de que esse sistema vem sendo adotado mundialmente como alternativa de política
energética de redução de impactos.
“Nossa preocupação recai na regulamentação e nas políticas de pesquisa
e desenvolvimento que serão implementadas”.
O que muda com
o Smart Grid
Distribuição >se transforma
em uma rede de energia
descentralizada, com máxima
eficiência para todos os
participantes. Integração
de infraestrutura, com
maiores funcionalidades de
monitoramento e controle e
análise de falha.
Medição >Combinam funções de
medição sofisticadas, gestão de
redes de distribuição e integração
de sistemas de TI, desenvolvidos
para atender aos requisitos do
mercado livre de energia. As
distribuidoras podem otimizar
processos essenciais e oferecer
serviços como tarifas flexíveis.
Implantação das redes inteligentes terá impacto na qualidade do sistema
Eficiência energética tem
teste pioneiro em Pituaçu
Um passo importante que coloca a
Bahia na trilha da geração distribuída, voltada à tecnologia das redes
inteligentes, é a instalação no estádio
Governador Roberto Santos, localizado no bairro de Pituaçu, do primeiro
sistema solar fotovoltaico em arenas
esportivas da América Latina.
Parceria entre a Coelba, o Governo
do Estado da Bahia, com cooperação
técnica da Deutsche Gesellschaft für
Internationale Zusammenarbeit (GIZ)
GmbH e da Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC), o projeto é
apontado como um marco de eficiência energética.
Com um custo total de R$ 5,5 milhões e capacidade de geração da
ordem de de 400 kWp (quilowatts-
-pico), a iniciativa permite que o excedente da energia gerada em Pituaçu seja lançado na rede da Coelba.
Anualmente, são gerados 630 MWh
(megawatts-hora) de energia elétrica.
Ou seja, com um consumo médio/ano
de 360 MWh, Pituaçu tem 270 MWh/
ano de excedente o que representa
uma economia de R$ 120 mil/ano.
Este projeto utiliza 2.302 módulos
fotovoltaicos e, dependendo da área,
painéis flexíveis de silício amorfo ou
monocristalino. Por meio do efeito
fotovoltaico, as células de silício dopado convertem a luz solar em energia
elétrica. Já o faturamento mensal é
feito a partir do registro do balanço
energético entre a energia gerada e a
energia consumida.
Consumo >O consumidor se
transforma em "prosumidor"
(produtor + consumidor). Poderá
instalar seu próprio sistema
de gestão de microenergia,
contribuindo para a geração e o
abastecimento.
Mobilidade elétrica >pontos
de recarga para veículos elétricos
devem ser integrados a uma rede
inteligente. O uso desses sistemas
de transporte reduz a emissão
de CO2.
Impacto na
qualidade
>Energia de melhor qualidade nos
vários níveis de tensão
>Aumento da estabilidade do
sistema.
>Menor consumo e maior
eficiência operacional das
concessionárias
>Possibilidade de fluxo de
energia bidirecional.
>Maior segurança do sistema.
>Melhor acompanhamento e
monitoramento.
>Redução dos custos de ciclo de
vida dos ativos.
V.3, n. 41, p. 47 - out/nov/dez.2012 - Bahia
crea 47
>Artigo Glória Cecília Figueiredo
A reforma administrativa da nova
gestão municipal de Salvador
No bojo da polêmica sessão
da Câmara municipal, que
aprovou uma nova Lei de
ordenamento do uso e ocupação do solo e um novo código de obras mais uma vez
sem qualquer discussão e
participação da população,
destaca-se também a lei
da Reforma Administrativa,
que está conformando a
gestão do atual prefeito.
Aparentemente, as novas secretarias e competências municipais criadas parecem sofisticar e atualizar
a Prefeitura soteropolitana,
a exemplo da nomenclatura
inovadora da Secretaria de
Cidade Sustentável. Porém,
o problema é que o “diabo
mora nos detalhes”.
A definição de que a Casa
Civil assume competências
relacionadas com as parcerias público-privadas, sem
apontar mecanismos concretos de regulamentação
e normatização municipal
que garantam a eficiência
no cumprimento das missões de Estado e o respeito
aos interesses e direitos dos
destinatários dos serviços é
um equívoco.
Até aqui e em geral, as
experiências brasileiras dessas parcerias têm priorizado
a alta lucratividade das empresas que assumem, quase sem risco, os contratos
administrativos de concessão patrocinada ou admi-
nistrativa, mesmo que isso
implique em prejuízos para
a maior parte da sociedade.
Outra questão é a reprodução do velho e falido
mantra do turismo como
principal motor econômico da capital baiana. A Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Turismo e
Cultura, aponta para uma
vinculação do Turismo e da
Cultura, essa última se configurando mais como ativo
econômico, do que como
manifestação social específica, com a macro estratégia do desenvolvimento
municipal. No entanto, uma
estratégia eficiente de desenvolvimento, no âmbito
municipal e regional, precisa potencializar, de modo
equilibrado, a estruturação
de outras cadeias e nichos
socioprodutivos.
Sobre a Secretaria Municipal de Urbanismo e Transporte, a questão que nos
parece fundamental não
está colocada, é a de que
é necessário centrar o Desenvolvimento Urbano do
Município Salvador na superação das suas desigualdades socioespaciais. Nesta
perspectiva, a questão da
legislação urbana pode e
deve ser vista como um desdobramento do processo de
planejamento, que, por seu
turno, deve apoiar a gestão
municipal. Portanto, uma
ampla revisão/atualização
do campo normativo implica numa reestruturação
das políticas públicas, orientadas para a redução das
desigualdades, e do planejamento urbano e regional,
numa lógica inovadora, que
rearticule o processo decisório com metas claras.
Sustentável
Já a Secretaria Cidade Sustentável não pode abordar
a sustentabilidade de modo
genérico. Para além das necessárias ações de educação ambiental, gestão de
parques e hortos e preservação de áreas verdes, esse
órgão precisa se debruçar
sobre problemas urbanos
ambientais graves. Muitas
vezes, tais problemas são
potencializados pela ação
equivocada ou omissão de
outras secretarias e órgãos
Glória Cecília Figueiredo
é urbanista e diretorapresidente da Sociedade
Brasileira de Urbanismo
municipais, caso dos licenciamentos aprovados pela
SUCOM em áreas de proteção ambiental; do fato das
ações operadas das políticas
de transportes e mobilidade centrarem-se em obras
viárias e pró-automóvel
individual e poluente, em
detrimento do transporte
público e de modais alternativos e antipoluentes;
da insuficiência da coleta e
tratamento do esgoto que
se transforma também em
poluição dos corpos hídricos
– nesse caso no que pese o
papel da EMBASA enquanto
órgão estadual é ao município quem compete, constitucionalmente, a provisão
dos serviços essenciais.
Por fim, gostaríamos de
comentar ainda a criação
da Secretaria Municipal de
Ordem Pública. Sua emergência nos leva a perguntar de que concepção de
ordem pública se trata?
Certamente, a problemática dos ambulantes é muito
mais complexa do que um
ordenamento meramente
formal. Estamos falando
de um imenso contingente
populacional que atua na
informalidade para sobreviver. A inserção socioeconômica dessa população
deveria integrar uma estratégia de desenvolvimento
municipal e regional que se
pretenda séria.
V.3, n. 40, p. 49 - jul/ago/set.2012 - Bahia
crea 49
Inspetorias
>nononono
Alagoinhas
Inspetor chefe: Eng. agrônomo
Luiz Cláudio Ramos Cardoso
Rua Dantas Bião, s/n, sala 52,
Laguna Shopping, Centro.
CEP: 48.030-030
Telefax: (75) 3421-5638
[email protected]
Barreiras
Inspetor chefe: Eng. agrônomo
Nailton Sousa Almeida
Travessa 15 de Novembro, 21,
Sandra Regina.
CEP: 47.803-130
Tel: (77) 3612-3700
Telefax: (77) 3611-2720
[email protected]
Bom Jesus da Lapa
Inspetor chefe: Eng. civil Fábio
Lúcio Lustosa de Almeida
Av. Duque de Caxias, Ed. Professor
Antonio Ferreira Barbosa,493,
Centro.
CEP: 47.600-000
Tel: (77) 3481-0301
[email protected]
Brumado
Inspetor chefe: Eng. civil André
Luís Dias Cardoso
Av. Otávio Mangabeira, 210, Centro
CEP: 46.100-000
Tel: (77) 3441-3326
[email protected]
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Camaçari
Inspetor chefe: Téc. de Segurança
do Trabalho e eletromecânico
Fabiano Ribeiro Lopes
Av. Jorge Amado, s/n, Shopping
Camaçari Open Center Sala 18Térreo, Ponto Certo.
CEP: 42.806-170
Tel:(71) 3621 1456
[email protected]
org.br
Cruz das Almas
Inspetor chefe: Eng. civil Luís
Carlos Mendes Santos
Rua Januário Velame, 41,
Assembleia.
CEP: 44.380-970
Tel: (75) 3621-3324
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Eunápolis
Inspetor chefe: Eng. civil Ezequiel
Eliahu Mizrahi
Rua Castro Alves, 374, Salas 02 e
03, Centro.
CEP: 45.820-350
Tel: (73) 3281-2806
[email protected]
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Feira de Santana
Inspetor chefe: Eng. civil Diógenes
Oliveira Senna
Rua Prof. Geminiano Costa, 198,
Centro.
CEP: 44.001-120
Tel: (75) 3623-1524
[email protected]
Guanambi
Inspetor chefe: Eng. agrimensor
Wellington Donato de Carvalho
Rua Maria Quitéria, 35, Centro.
CEP: 46.430-000
Tel: (77) 3451-1964
[email protected]
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Ilhéus
Inspetor chefe : Eng. civil Gilvam
Coelho Porto Júnior
Rua Conselheiro Dantas, 81, Centro.
CEP: 45.653-360
Tel: (73) 3634-1158
[email protected]
Irecê
Inspetor chefe: Eng. agrônomo
Marcelo Dourado Loula
Rua Antonio Carlos Magalhães, 59,
Centro.
CEP: 44.900-000
Tel: (74) 3641-3708
Telefax (74) 3641 - 1957
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Itaberaba
Inspetor chefe: Eng. agrônomo
Valmir Macedo de Souza
Praça Flávio Silvany, 130, sala 15,
Edf. Empresarial João Almeida
Mascarenhas, Centro.
CEP: 46.880 - 000
Tel: (75) 3251-3213
[email protected]
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Itabuna
Inspetor chefe: Eng. civil Dermivan
Barbosa dos Santos
Rua Nações Unidas,625, Térreo,
Centro. CEP: 45.600-673
Tel: (73) 3211-9343
Fax: (73) 3211-9273
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Jacobina
Inspetor chefe: Eng. agrônomo
Ernani Macedo Pedreira
Rua Duque de Caxias, 400A –
Estação
CEP: 44.700-000
Tel: (74) 3621-5781
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Jequié
Inspetor chefe: Eng. civil Deusdete
Souza Brito
Rua Jornalista Fernando Barreto,
133, Centro.
CEP: 45.200-000
Tel: (73) 3525-1293
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Juazeiro
Inspetor chefe: Eng. agrônomo
Luciano César Dias Miranda
Rua XV de Novembro, 56, Centro
CEP:48.905-090
Tel:(74) 3611-8186
Telefax: (74)3611-3303
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Lauro de Freitas
Estrada do Coco, Shopping Ponto
Verde, s/nº, loja 17
CEP: 42.700-000
Tel: (71) 3378-7216
Telefax: (71)3288-2012
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Luís Eduardo Magalhães
Inspetor chefe: Eng. agrônomo
Paulo Roberto Gouveia
Av. JK, Qd. 91, Lote 1, Salas 1 e 3,
Centro.
CEP: 47.850-000
Tel:(77) 3628-6755
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Paulo Afonso
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agropecuário Marcos de Souza
Dantas
Rua Carlos Berenhauser, 322,
térreo, General Dutra.
CEP: 48.607-130
Tel:(75) 3281-4887
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Ribeira do Pombal
Inspetor chefe: Eng. civil Jone
Souza Santos
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CEP: 48.400-000
Tel: (75) 3276-3896
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Santa Maria da Vitória
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Oliveira Silveira
Rua Ruy Barbosa, s/nº, Centro.
CEP: 47.640-000
Tel: (77) 3483-1090
Telefax: (77) 3483-1110
[email protected]
Santo Antônio de Jesus
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Leonel Pereira dos Reis Neto
Av. Roberto Santos, 88, Ed.Cruzeiro
do Sul, salas 103 e 104, Centro.
CEP: 44.570-000
Tel: (75) 3631-4404
[email protected]
Seabra
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Souza Wanderley
Rua Jacob Guanaes, 565.
CEP: 46.900-000
Tel:(75) 3331-1327
[email protected]
Teixeira de Freitas
Inspetor chefe: Eng. civil Carlos
Luís Rocha Júnior
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Centro, Ed. Esmeralda - salas 203 a
205, Centro.
CEP: 45.995-006
Tel: (73) 3291-3647
Telefax: (73) 3291-7444
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Valença
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e ambiental Márcia Cristina Alves
do Lago
Rua Dr. Heitor Guedes de Melo,111,
Ed. Argeu Farias Passos, Centro
CEP: 45.400-000
Tel: (75) 3641-3111
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Vitória da Conquista
Inspetor chefe: Eng. civil Marcos
Santana Leite
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Telefax: (77) 3427-8843
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Em atenção à legislação vigente, informamos que as perspectivas, assim como as cores, objetos, móveis e decoração contidos neste folheto têm fins meramente ilustrativos, podendo sofrer alterações de cor, textura, acabamento e
composição, não integrando o contrato de compra e venda. Incorporador/Construtor: Ibérica Construções e Incorporações Ltda., CNPJ no 10.863.415/0001-42. Responsável técnico: Mariana Wenck Martins, CREA/BA no 32723. Registro
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