VIDA e oBRA Do ARTIsTA leonARDo DA VIncI

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VIDA e oBRA Do ARTIsTA leonARDo DA VIncI
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consul e
ar e
PubliTime
Editora
Ano 2 - Edição 09
arte em
tempo real
VIDA E OBRA DO ARTISTA LEONARDO DA VINCI
calendário de artes • BISCUIT
FOTOGRAFIA • VITRINE DE PRODUTOS
editorial
Nesse número, trazemos uma matéria especial sobre o gênio Leonardo da
Vinci. Sua infância, os primeiros passos
como artista, a consagração e algumas
curiosidades sobre sua vida. Esperamos
que outros artistas de talento no Brasil
possam se inspirar, conhecendo mais
sobre esse grande mestre quando lerem a Consulte Arte em seus computadores ou tablets.
Expediente
Diretor Executivo - Helder Fazilari
Editor - Helder Fazilari - MTB 33.880 - SP
Diretora Administrativa - Samira Samara
Direção de Arte - Luciana Suet
Assistente de Redação - Henrique Julião
Comercial - Mayra Neves
Para os artesãos, trazemos uma receita rápida de biscuit e contamos um
pouquinho da história dessa massa que
é mania no Brasil. Para os fotógrafos de
plantão, um perfil da talentosa Elizabeth Carvalho. Além de obras de diversos
artistas do Brasil e de membros da Up
Art.
Boa leitura!
Helder Fazilari
Editor
PubliTime
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Ano 2 - Edição 09
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LEONARDO DA VINCI - o artista
06
BISCUIT - PORCELANA FRIA
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calendário
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VITRINE DE PRODUTOS
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ANUÁRIO DE ARTES ii
20
ELIZABETH CARVALHO - FOTO
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artistas
DARCI SELES
ELIZABETH CARVALHO
HENOCH AMORIM
ICLÉA
LINAH BIASI
DAVID DALMAU - UP ART
EDUARDO IGLESIAS - UP ART
EVANDRO CARLOS JARDIM - UP ART
FERNANDO DURÃO - UP ART
GASTÃO DE MAGALHÃES - UP ART
GUSTAVO ROSA - UP ART
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consulte arte
Abril chega ao fim. Como já é de praxe a cada dois meses, os leitores de todo
o Brasil podem apreciar o lançamento
de mais uma edição da Consulte Arte, a
maior revista digital de arte do país.
sumário
LEONARDO
DA VINCI
fotos: divulgação
O ARTISTA
“No curso natural dos acontecimentos, muitos homens e mulheres nascem com talentos notáveis, mas, ocasionalmente, de uma maneira que transcende a natureza, uma única pessoa é
maravilhosamente dotada pelo céu com a beleza, graça e talento em abundância tal que ele
deixa os outros homens para trás, todas as suas ações parecem inspiradas e, na verdade tudo o
que faz claramente vem de Deus e não da habilidade humana. Todos reconhecem que isso era
verdade em Leonardo da Vinci, um artista de beleza física excepcional, que mostrou infinita graça em tudo que ele fez e que cultivou seu gênio tão brilhante que todos os problemas que estudou, ele resolveu facilmente.”
U
m homem a frente de seu tempo. Pintor, cientista, inventor, escultor, flertava com a música e a
poesia, com a arquitetura, a matemática e
a engenharia. É até hoje considerado uma
das maiores mentes de todos os tempos,
além de ser a principal figura do Renascimento.
Nascido na Toscana em 1452, do ventre
de uma camponesa, Leonardo di Ser Piero
da Vinci era filho ilegítimo de um tabelião,
Piero de Vinci. Depois de passar os primeiros anos da infância com a mãe no pequeno vilarejo de Anchiano, o jovem passou a
viver com seu pai, avô e madrasta em Vinci. Foi lá e depois em Florença que Leonardo começou a demonstrar sua veia artística. Sua habilidade era tanta que, em 1466,
ingressou no atelier de Andrea del Verrocchio.
6 - Consulte Arte
Verrocchio (alcunha que significa “olho
verdadeiro”) era um dos mais importantes
artistas da época e mestre de outros célebres pintores, como Sandro Boticelli e Domenico Ghirlandaio. Da Vinci chegou ao
seu atelier com 14 anos, após Ser Piero da
Vinci reconhecer o talento do filho ilegítimo e enviar à Andrea alguns dos trabalhos
do então jovem gênio. Durante o tempo
que passou com Verrocchio, Leonardo esteve no centro da efervescência intelectual que sacudia Florença e não só aperfeiçoou e muito o seu estilo como passou a
dominar uma série de novas áreas, como
a anatomia, a engenharia, a arquitetura e a
física. O promissor aprendiz ainda colaborava com seu mestre em alguns trabalhos:
em O Batismo de Cristo, de Verrochio, da
Vinci contribui criando um dos querubins
que segura as vestes de Jesus.
Mona Lisa ou La Gioconda - ÓLEO SOBRE MADEIRA - 76,8X53CM - 1503-1507
Giorgio Vasari, pintor e arquiteto italiano
Consulte Arte - 7
ARTISTA RENOMADO
LEONARDO DA VINCI
Mistérios da Última Ceia
Leonardo da Vinci foi o 12° grão-mestre do Priorado de Sião, uma ordem milenar que
protege os descendentes secretos de Jesus Cristo e Maria Madalena. Qualquer um que
leu O Código da Vinci, de Don Brown, ou assistiu o filme homônimo, conhece essa teoria.
Na realidade, não há nenhuma evidência que prove o envolvimento de Leonardo com o
tal priorado.
Apesar disso, são muitos os que acreditam na existência de mensagens cifradas de da
Vinci em suas obras. A preferida é A Última Ceia. Para Dan Brown e outros estudiosos,
quem estava sentada ao lado direito de Jesus Cristo no famoso afresco é Maria Madalena, e não o apóstolo João; os traços femininos e sensíveis da figura comprovariam a
teoria. No afresco, Pedro, o fundador da Igreja Católica, faz um gesto ameaçador à figura
enigmática. Entre ela e Jesus, um espaço vago na forme de um triângulo de ponta cabeça: o símbolo do feminino. Supostos sinais de que Jesus e Maria Madalena tiveram um
relacionamento ou só teoria da conspiração? Só Leonardo da Vinci pode dizer: uma pena
que ele morreu há quase 500 anos.
A ANUNCIAÇÃO - ÓLEO SOBRE TELA E TÊMPERA - 98X217CM - 1472-1475
Com apenas vinte anos de idade, Leonardo foi aceito na Guilda de São Lucas,
uma tradicional corporação que reunia artistas de diversos países. No caso da guilda
que homenageava o apóstolo Lucas (patrono das artes), a maioria era holandesa
ou originaria da Antuérpia. Embora não
aceitasse judeus, a Guilda de São Lucas
foi a única a admitir uma mulher em seus
quadros: a pintora renascentista flamenga
Catarina van Hemessen. Havia uma espécie de monopólio das guildas para decidir
quais artistas serviriam nas cortes. Dessa
forma, ingressar em uma guilda tão cedo
já era um sinal que Leonardo teria um futuro bem promissor.
Fazer parte de uma guilda influente e
ser aluno de um dos mais importantes artistas da época permitiram que o artista
conhecesse Lourenço de Médici. Chamado de Lourenço, o Magnífico, o soberano
florentino foi um grande humanista e patrono de diversos artistas, poetas e músicos, como Michelangelo, Botticelli e Heinrich Isaac. Muitos governantes também
8 - Consulte Arte
patrocinavam pintores e literatos: era o
chamado mecenato. Os maiores trabalhos
renascentistas talvez nunca tivessem saído do papel se não fosse pela atividade de
mecenas como Lourenço. No século XV, o
território que hoje chamamos de Itália era
separado em diversos reinos diferentes.
Foi nesse contexto que surgiu a figura do
mercador, burgueses não aristocratas que
governavam, de facto, as cidades, mas que
ainda eram mal vistos pela nobreza. Patrocinar a arte era uma boa maneira de alcançar status e reverter essa situação.
A ÚLTIMA CEIA - ÓLEO E TÊMPERA SOBRE GESSO PREPARADO SOBRE REBOCO - 460X880CM - 1495-1497
Foi através de Lourenço que Leonardo recebeu uma grande encomenda em
1841. Pouco antes, o artista havia passado
por um momento difícil: em 1476, Leonardo e mais três artistas foram acusados de
sodomia (ver box), mas inocentados por
falta de provas. Não existem registros que
listem suas atividades até 78, quando ele
foi contratado para pintar o retábulo da
capela de São Bernardo. Já a encomenda de 81 veio dos monges de San Donato
de Scopeto, que comissionaram Leonar-
Consulte Arte - 9
ARTISTA RENOMADO
LEONARDO DA VINCI
A Virgem dos Rochedos foi um dos primeiros trabalhos de da Vinci sob a proteção de Ludovico, em 1483. Embora se
especule que o trabalho não tenha sido
produzido exclusivamente por Leonardo,
foi o painel o primeiro a introduzir a técnica do chiaroscuro¸ que reproduz na pintura a passagem de luz que ocorre nos objetos reais, trabalhando com o contraste
entre sombra e luminosidade. A técnica influenciou o barroco e é marcante na obra
de Caravaggio. Na mesma época, da Vinci
fez uma série de esboços para o domo da
Catedral de Milão. Pensamos em da Vinci
como um arquiteto, mas na época a profissão não existia. Diferentes construtores
e artistas intervinham em pontos isolados
das construções. Contudo, sob a luz do Renascimento, a arquitetura passou por um
VIRGEM DO FUSO - ÓLEO SOBRE TELA - 1499-1507
do para produzir A Adoração dos Magos.
Essa é a primeira grande obra do artista: a
madona com o menino Jesus ao centro, os
três magos prostrados a sua frente e todos
os elementos convergindo para atrair os
olhos de quem vê ao centro. Os elementos
apresentavam noções de anatomia muito
avançadas. Infelizmente, o trabalho nunca
foi finalizado, porque em 1482 Leonardo
partiu para Milão.
A tensão política entre as cidades-estado era muito grande. O próprio Lourenço
já havia perdido um irmão em uma malograda tentativa de tomar o poder da Casa Médici. Os florentinos também tinham
problemas com os milaneses, governados
então pelo duque não oficial de Milão Ludovico Sforza, conhecido como Ludovico,
o Mouro. As boas relações entre as duas cidades só foi restabelecida quando Lourenço de Médici enviou a Ludovico um jovem
artista que também possuía grande habilidade como engenheiro de guerra. Era Leonardo da Vinci.
10 - Consulte Arte
grande processo de ruptura e transformação. Os arquitetos assumiram-se cada vez
mais como profissionais independentes,
criaram estilos próprios e resgataram referências da Antiguidade. Leonardo, por
exemplo, tinha projetos bem elaborados
que reimaginavam uma Milão menos suscetível às pragas, repleta de espaços para
o passeio público e bem ventilada. Só esboços. Seus arroubos arquitetônicos nunca sairiam do papel.
Outro projeto inacabado de Leonardo
foi um monumento em memória a Francesco Sforza, falecido pai de Ludovico. Conhecido como Gran Cavallo, a produção
tomou muito tempo da vida de Leonardo.
O modelo de argila da estátua equestre foi
finalizado em 1992 e já impressionava pe-
O BATISMO DE CRISTO - ÓLEO SOBRE TELA - 177X151CM - 1472-1475
A associação de da Vinci com Ludovico
Sforza durou 17 anos. O fruto mais notável da relação é A Última Ceia. Comissionado por Ludovico, o afresco começou a ser
produzido por Leonardo da Vinci em 1495
e só foi concluído dois anos depois, para
ser colocado no refeitório do convento de
Santa Maria delle Grazie, em Milão. Representa a última ceia de Jesus com seus apóstolos, antes da traição de Judas e a crucificação de Cristo. Segundo a Bíblia, é nesse
momento que Jesus avisa a seus discípulos que será traído por um deles. A Última
Ceia é uma das mais famosas (e polêmicas:
ver box) obras de da Vinci, muito embora
tenha enfrentado grandes dificuldades de
conservação. Da Vinci utilizou no afresco
uma mistura de pigmentos com gema de
ovo. O novo método se revelou infeliz em
algum tempo: vinte anos depois, a obra já
estava deteriorada e em 1560, arruinada. O
convento que abriga o trabalho ainda foi
bombardeado durante a Segunda Guerra.
O processo de restauração da obra começou em 1978 e só terminou em 1999.
BACO - ÓLEO SOBRE TELA - 177X115CM - 1510-1515
A VIRGEM E O MENINO COM SANTA ANA - ÓLEO SOBRE TELA - 168X112CM - 1508
Consulte Arte - 11
ARTISTA RENOMADO
LEONARDO DA VINCI
lo realismo e tamanho. A ideia era esculpir a peça em bronze: setenta toneladas
do material haviam sido separadas para
a confecção. A situação política milanesa, porém, era instável, a ponto de Sforza
preferir empregar a matéria prima reservada para a obra na construção de canhões
que defenderiam a cidade das investidas
dos franceses. Já em 1999, Ludovico foi
deposto pelo rei francês Luís XII, que era
descendente da família que governava Milão antes da ascensão dos Sforza. Sem seu
patrono, Leonardo fugiu para Veneza; o
modelo de argila do Gran Cavallo foi usado pelas tropas francesas como alvo para
treino de tiro. A única peça esculpida por
da Vinci que se tem conhecimento é a pe-
quena The Horse and Rider, que ficou desaparecida por um bom tempo, até ser encontrada em 1985.
Em Veneza, Leonardo da Vinci trabalhou por um período como engenheiro militar, criando mecanismos de defesa
para a cidade durante a Segunda Guerra
Italiana. Um de seus companheiros na fuga para “La Sereníssima” foi o matemático Luca Pacioli. Frei franciscano, Pacioli é
conhecido como o pai da contabilidade.
Ele lecionava matemática na corte de Ludovico Sforza em Milão, onde conheceu
Leonardo, e foi um dos responsáveis pelo
interesse do artista pela geometria. Publicado por Pacioli em 1509, em Veneza, mas
A vida sexual de Leonardo da Vinci
Em 1476, uma denúncia anônima acusava Jacopo Saltarelli de ser “parte de muitas coisas más, e
de dar prazer às pessoas que lhe solicitavam tais maldades”. Os autos citavam quatro suspeitos
de manterem relações sexuais com o garoto de programa: um deles era Leonardo da Vinci. Na
época, a sodomia era crime passível de pena de morte e o homossexualismo, ainda longe de ser
aceito, entrava nessa classificação. Para sorte da humanidade, Leonardo foi absolvido por falta
de provas.
Embora alguns biógrafos tenham concluído que da Vinci era celibatário, é seguro afirmar que o
artista teve alguns companheiros. Um deles foi Francesco Melzi, filho de um aristocrata milanês
que se tornou seu aprendiz em 1506. Melzi ajudou da Vinci em seu seus últimos quadros, quando
o pintor já estava debilitado, e herdou grande parte de seus trabalhos. Em uma carta, Melzi classifica sua relação com da Vinci como um “profundo e ardentíssimo amor”.
Já Gian Giacomo Caprotti da Oreno era chamado por Leonardo de Salai, um equivalente a diabinho. E ele parecia honrar sua alcunha, já que foi descrito por da Vinci em uma carta como “ladrão,
mentiroso, teimoso e glutão”. Em 1991, foi encontrada uma coleção perdida com alguns desenhos
a carvão de Leonardo. Entre eles, um erótico, acompanhado de um poema nomeado The Incarnate
Angel, que levava o nome de Salai, posteriormente riscado pelo artista. O personagem da peça é
praticamente idêntico ao João Batista de Leonardo em São João Batista, a última obra conhecida
do pintor. Apesar das rusgas, foi Salai quem herdou a Monalisa após a morte de da Vinci.
12 - Consulte Arte
escrito de 1496 a 1498, em Milão, De Divina Proportioni conta com ilustrações de da Vinci e trata da utilização da proporção áurea (ou número de ouro) na
arte e na arquitetura. Em um dos capítulos do manuscrito, Pacioli discorre sobre as aplicações da matemática na arquitetura, propostas pelo matemático
Marcus Vitruvius Pollio, que viveu entre 70-10 a.C.
Leonardo também tinha grande interesse pela obra
de Vitruvius. Em 1490, da Vinci se inspirou no De Architectura do matemático antigo e buscou expor os
conceitos de Vitruvius artisticamente. O resultado
foi O Homem Vitruviano. Era o redescobrimento das
proporções matemáticas do corpo humano.
Antes mesmo de Andreas Vesalius, considerado o
“Pai da Anatomia”, lançar De Humani Corporis Fabrica”, em 1543, Leonardo da Vinci já tinha trabalhos
com potencial para revolucionar a medicina da época. Ao longo de 15 anos, o pintor desenhou órgãos
e elementos do corpo humani. Leonardo participava de dissecações de cadáveres, prática proibida na
época, e retratava os pormenores de nossa anatomia com uma precisão única. Seus trabalhos na área
nunca foram publicados.
A VIRGEM DO CRAVO - ÓLEO SOBRE TELA - 62X48CM - 1478-1480
Em 1500, Leonardo retornou à Florença. Passou
a viver com os monges do mosteiro Santissima Annunziata, aonde mantinha um atelier. Em 1502, o artista rodou a Europa a serviço de César Bórgia, trabalhando mais uma vez como engenheiro militar. Com
dificuldades para encontrar um patrono, da Vinci ficou em Veneza e voltou à Guilda de São Lucas. Em
outubro de 1503, Leonardo recebeu outra importante encomenda: a Monalisa, a obra de arte mais
conhecida da história. O retrato representa uma
mulher sorridente, com uma expressão um pouco
introspectiva e um sorriso “de canto de boca”. Um
dos segredos é justamente o sorriso. Quem consegue lê-lo? Misterioso, insinuante, que diz tudo sem
dizer nada. Outro mistério é a verdadeira identidade
da mulher retratada. A teoria mais aceita é que seria
Lisa di Antonio Maria Gherardini, mulher de Francesco Giocondo, um rico cidadão florentino. Especula-se que o retrato foi encomendado por Juliano II de
Médici (sobrinho de Lourenço, o antigo patrono de
Leonardo), que seria supostamente apaixonado pela mulher de Giocondo. Outra linha de pensamento
sugere que a modelo da Monalisa seria um homem:
ninguém mais do que o próprio Leonardo, travestido de mulher. De todo modo, a obra foi a precursora
da técnica conhecida como sfumato.
Em 1506, Leonardo volta para Milão. Sem patrono, o artista se empenha em terminar algumas
de suas obras inconclusas na cidade, a pedido do
governador francês Charles d’Ambroise. A cidade
estava sob o jugo francês desde a queda dos Sfoza, que afastou Leonardo de lá sete anos antes. E
foi justamente a volta da mesma família ao poder
que obrigou Leonardo a se mudar novamente: em
1512, Massimiliano Sforza, filho de Ludovico, toma
a cidade. “Desempregrado”, Leonardo foi viver em
Roma a convite de Juliano II de Médici, irmão do
papa Leão X. Mas o vaivém não havia chegado ao
fim. Depois de três anos no Vaticano, Leonardo foi
convidado de volta à Milão: os franceses haviam
retomado a cidade, que agora estava sob poder
de Francisco I. Já com mais de 60 anos, o artista
passou a trabalhar unicamente para o monarca e
a morar em Amboise, perto do rio Loire, na França.
Foi lá que o gênio passou seus últimos anos, até
morrer, em 1519.
•
Consulte Arte - 13
A FEBRE DO
Aprenda como fazer uma massa rápida de biscuit. Você vai precisar de:
BISCUIT
• Duas xícaras de chá com cola branca, própria para biscuit;
• Duas xícaras de chá com Maisena (amido de milho);
• Uma colher de sopa com creme hidratante sem silicone;
• Uma colher de sopa com caldo de limão ou vinagre;
• Duas colheres de sopa com vaselina líquida;
• Embalagem de plástico PVC;
• Pote de vidro ou panela;
• Microondas ou fogão;
• Colher de pau.
M
uito popular nos dias de hoje, o biscuit (também chamado de porcelana fria) é uma
massa de modelar produzida a base de
amido de milho e cola branca. Somando
tintas de diferentes cores, fica pronta um
material de fácil modelagem e que vem
conquistando cada vez mais fãs no meio
dos artesões.
É difícil dizer onde que surgiu o biscuit, mas é seguro dizer que a Itália foi
um dos berços da técnica. Trabalhos com
pasta di sale, uma mistura a base de farinha, água e sal, já eram feitos há muito
tempo no país europeu. Nos Estados Unidos também existem registros de trabalhos com uma massa parecida com o biscuit: a salt dough. As peças, porém, eram
muito frágeis.
fotos: aline suet
A infusão da cola branca na mistura
serviu exatamente para esse propósito:
somar durabilidade às peças, que quebravam com qualquer queda. A partir
daí, a mistura se popularizou. Na América
Latina, diversos artistas argentinos passaram a utilizar a técnica, que se expandiu rapidamente para Peru, Bolívia, Chile
e, é claro, o Brasil.
14 - Consulte Arte
Coloque os ingredientes no pote de vidro e mexa bem, misturando harmoniosamente tudo. Leve
ao microondas. Não há um tempo padrão para a
massa ficar ponta, por isso é recomendado olhar
de 30 em 30 segundos e verificar se a consistência está boa. Depois é a hora de sovar e embalar a
mistura. Passe um pouco do creme nas mãos e em
uma superfície onde a massa será sovada, como a
pia da cozinha. Pegue a massa ainda quente e sove
da mesma forma que se faz com o pão, até que ela
fique elástica e macia. Em seguida, embale no filme de PVC e deixe a massa descansar por 24 horas.
Está pronta sua massa caseira de biscuit.
Foi nos anos 80 que o biscuit chegou
para valer nas terras tupiniquins. Vários
artistas já pesquisavam o assunto e trouxeram a técnica para cá; entre eles, a artista plástica Anna Modugno. Hoje em
dia, o biscuit é muito popular na América
Latina e é tema de um grande número de
exposições, feiras, mostras e congressos.
•
cleusa suet - biscuit / porcelana fria
11 9 8221-8348
[email protected]
Consulte Arte - 15
calendário
16 - Consulte Arte
Exposição Gregório Gruber
Vernissage: 4 de junho de 2014, 20h, quarta-feira
Abertura ao público: de 5 de junho a 12 de setembro de 2014
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h
Local: Pinacoteca da APM
Endereço: Av. Brigadeiro Luis Antonio, 278, 8º andar, São Paulo
Ingressos: gratuitos
Exposição “Futebol Também é Cultura”
Data: 17/6 até 17/7/2014
Local: Casa de Cultura Professor Antônio Fernando Costella (Rua Brigadeiro Jordão, 1236 - Vila Abernéssia - Campos do Jordão/SP)
Horário: de segunda a sexta, das 9h às 17h
Informações: (12) 3662-6000 e (12) 3664-4427
Entrada: gratuita
Show de Bola no Rio de Janeiro
Local: Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro / RJ.
Abertura da exposição: dia 10 de junho, às 19h.
Período: de 11 de junho a 13 de julho.
Horário: de terça a domingo, das 12h às 19h.
Valor: grátis.
Tel.: (21) 3261-2550
Show de Bola em São Paulo
Local: Biblioteca Alceu Amoroso de Lima
Rua Henrique Schaumann, 777 - Pinheiros, São Paulo / SP.
Abertura da exposição: dia 14 de junho, das 14h às 16h.
Período: de 14 de junho a 14 de julho.
Horário: 2ª a 6ª feira, das 10h às 19h e sábado, das 9h às 16h.
Valor: grátis.
Tel.: (11) 3082-5023
Eternamente Banha: Número Circense e Conversa com o Público
Andréa Macera
26/06 - quinta-feira - 18h30
Classificação: livre
60 lugares (retirar ingresso com meia hora de antecedência)
Oficina Cultural Amácio Mazzaropi
Avenida Rangel Pestana, 2.401 - Brás - Cep: 03001-000
São Paulo – SP
Telefone: (11) 2292-7071 / 2292-7711 | [email protected]
Funcionamento: Terça a sexta-feira das 13h às 22h e sábado das 9h às 18h
Inscrições: Terça a sexta-feira das 13h às 20h
Sábados: 10h às 17h
Site: www.oficinasculturais.org.br
Espetáculo: Sobre Tomates, Tamancos e Tesouras
Andréa Macera
24/6 – terça-feira – 19h
Classificação: livre
60 lugares (retirar ingresso com meia hora de antecedência)
Oficina Cultural Amácio Mazzaropi
Avenida Rangel Pestana, 2.401 - Brás - Cep: 03001-000
São Paulo – SP
Telefone: (11) 2292-7071 / 2292-7711 | [email protected]
Funcionamento: Terça a sexta-feira das 13h às 22h e sábado das 9h às 18h
Inscrições: Terça a sexta-feira das 13h às 20h
Sábados: 10h às 17h
Site: www.oficinasculturais.org.br
Show de Bola em Piracicaba
Local: Centro Cultural Martha Watts
Rua Boa Morte, 1257 - Centro, Piracicaba / SP.
Abertura da exposição: dia 6 de junho, das 19h às 21h.
Período: de 6 a 27 de junho.
Horário: de 2ª a 6ª feira, das 9h às 12h e das 13h às 17h.
Valor: grátis.
Tel.: (19) 3124-1889
O Elogio da Xilo - Exposição com Maria Bonomi
De 3 de junho a 15 de setembro
Entrada gratuita
Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Avenida Paulista, 37 – próximo à Estação Brigadeiro do Metrô.
Horário de funcionamento: de terça-feira a sábado, das 10h às 22h;
Domingos e feriados, das 10h às 18h.
Convênio com o estacionamento Patropi: Alameda Santos, 74
(exceto domingos e feriados).
Tel.: (11) 3285-6986 / (11) 3288-9447.
Site: www.casadasrosas.org.br
Momentos Coloridos Apesar do Mistério da Vida
De 10 a 30 de junho
Estação Santa Cecília
Linha Vermelha - Metrô - São Paulo - SP
Datas sujeitas a alterações. Confirme sempre com os organizadores.
Datas sujeitas a alterações. Confirme sempre com os organizadores.
Consulte Arte - 17
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18 - Consulte Arte
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23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Se você só pensou em livros, errou. O que começa com uma
simples leitura é o começo de uma grande aventura. Literatura,
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conhecidos, lançamentos, shows, brincadeiras e, claro, livros
e mais livros. Visitar a Bienal do Livro é fazer parte de um dos
maiores eventos culturais da cidade.
Venha viver uma experiência que vai além das páginas de um livro.
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De 22 a 31 De agoSto De 2014
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fotos: anuário brasileiro de artes plásticas - vol.II
ANUÁRIO
DE ARTES II
Não será justamente a imaginação o solo fértil onde a Arte deitou
suas raízes? Então vamos a ela também!
ARTE RUPESTRE OU ESSÊNCIA HUMANA?
por magali romboli
D
isse certa vez o filósofo grego Aristóteles que “o homem vem a conhecer as coisas porque isto lhe é
natural, prova disso é o prazer que os sentidos nos proporcionam”. Esta forma de conhecer as coisas do mundo nos leva a questionar a naturalidade do que hoje chamamos
Arte.
É claro que esse conceito, hoje, quase
universal, não surgiu como uma evidência
por si, muito pelo contrário, resulta de uma
longa investigação que teve por objetivo
garantir uma definição ao próprio termo,
à obra de arte, ao artista, e qual seu papel
dentro da sociedade. Para tanto, precisamos
ter em mente que quando falamos em “arte rupestre”, trata-se de algo que em nada
em a ver com a nossa compreensão do que
é a Arte hoje. Contudo, também não podemos aceitar qualquer atividade intencional
de nossos ancestrais como Arte, pois requer
uma reflexão maior para que evitemos os extremos. Mas trataremos aqui da arte rupestre, tal qual é em seu aspecto estético hoje,
como obra atual, no sentido de sua expressividade em nossos dias. E também em seu
sentido histórico e científico. Em outras palavras, primeiro iremos percorrer com nosso
olhar contemporâneo as linhas, cores e signos ancestrais, saboreando, por assim dizer,
20 - Consulte Arte
o que os “primeiros artistas” nos legaram, e,
posteriormente, nos deteremos nos locais
onde estes achados vieram à luz, desta vez,
sob uma ótica arqueológica que mostrará à
nossa razão o que os homens se dispuserem
a pintar, esculpir, gravar e modelar, desde
seu alvorecer no Brasil.
O que chamamos de pré-história , período datado até 5 mil anos atrás, tão distante
de nossa contemporaneidade, ávido de rapidez e definições, onde o homem já registrava sua visão ou conhecimento, inaugurando
a magia da experimentação estética no espírito humano. E, realmente podemos presumir que o aspecto mágico fosse o predominante, fato defendido em muitos estudos
acerca da origem da Arte. Ainda assim, por mais lógico que isso nos
possa parecer, trata-se de uma conjectura
que está muito longe de sua comprovação
e que, talvez, nunca venha a ser totalmente
esclarecida em termos rigorosos, tais como a
ciência exige. Contudo, nada nos impede de
imaginar esse teor mágico da Arte na mente
dos primeiro homens. Além disso, hoje dispomos de um grande acervo e teorias sobre
a Arte, que nos autoriza a deixar o rigor da
lógica para a ciência e seguirmos firmes em
nossa caminhada imaginativa como legitima
no domínio da apreensão da Arte.
Outro Tempo, Outras Verdades
Na escuridão de uma caverna,
preservados do ataque das feras, o
homo faber desliza seu olhar pelas
paredes que receberão seu gesto
encantador. Este é o universo real
da Arte: o encantamento. Abre-se o
portal para unificação dos mundos,
o inconsciente guia a mão atenta e
precisa, nada escapa à vontade da
criação dessa nova realidade. Misto
de pedra, homem e bicho surgem
as imagens que povoam um novo
reino. Nelas, haverá mais vida do
que possamos presumir. São aquilo, e mais do que isso, são todos os
seres da espécie representada. O bisão não é aquele bisão, que foi visto
ao longe no dia anterior, tampouco
serão os mesmos cavalos que correram certa vez diante da ameaça
de um tigre dentes-de-sabre. E, ainda assim, também são exatamente
aqueles animais que o olhar humano capturou.
A imagem reúne em si toda a
espécie, numa síntese, no modelo
ideal que terá vida eterna para qualquer olhar humano. Estamos diante
de uma nova mágica, sem dúvida: a
magia do símbolo. A conquista da
representação pelo símbolo garante ao espírito humano uma soberania desconhecida antes de seu advento. Agora de posse desse novo
poder, os homens manipulam seu
conhecimento e seu mundo curva-se diante da vontade da comunidade.
A ideia abre espaço gradativamente sobre a matéria viva, ambas
serão uma ó realidade. A sobrevivência ganha outro instrumental,
e a certeza da dominação germina nas gerações que aprenderão
com a experiência dos mais velhos,
que apontam as imagens na pedra
e desvendam o mundo para seus
descendentes.
Se o fogo constitui a grande descoberta material do homem, a representação através da Arte é sem
dúvida o fogo do espírito humano,
que arde ainda hoje, quando assistimos comovidos uma cena na tela
do cinema. O que sentimos, e que
nenhuma lógica poderá nos explicar é a magia da representação, é o
encantamento da Arte. Assim pode
ter sido com a imagem no escuro
da caverna, e assim é no escuro de
nossas salas de projeção digital.
O que buscava o gesto pré-histórico que difere do pincel do artista de hoje? Não há só uma resposta
para isso, mas há uma consequência inequívoca: a imortalidade de
um cosmo perfeito. Sim, podemos
dizer certamente que se uma imagem nos prende o olhar, se nos
comove, enfim, se há um diálogo
interno entre sua forma e nossa
apreensão dela, há algo de imortal
nessa relação e a imortalidade pode
ser perfeita.
A Arte germina no homem como uma forma primária de imortalidade, pois em cada traço, cada cerâmica ou pedra esculpida há mais
do que um objeto decorado. Há o
conhecimento de uma época, o gene da comunidade atravessando
gerações e constituindo o alicerce
da tradição. Talvez seja aí uma pista
sobre a natureza humana. Revela-se
na Arte o desejo de ser mais do que
um, uma vontade de emergir da
coletividade, não para sobrepor-se
aos demais em sua individualidade
como autor, mas sim para eternizar
o coletivo no símbolo.
Na basta garantir a vida a salvo
dos perigos terrestres, é preciso interceder no reino dos seres imortais, mesmo por que essa divisão
é ausente para o homem pré-científico. A realidade é una, como dissemos há pouco, corpo e espírito,
homem e natureza são nomes que
Consulte Arte - 21
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ANUÁRIO DE ARTES 2
ainda não possuem o significado que hoje atribuímos.
Assim como o ídolo esculpido na pedra não é de pedra, mas uma figura mítica que se figurou em pedra. Os homens
possuíam seus mitos, suas crenças e tradições, mas eram igualmente possuídos
por ele. Refletiam na Arte as verdades e
o desejo de um tempo no qual a palavra
era inédita, viviam a construção do mundo humano.
Daí a importância do estudo arqueológico. Em toda nova descoberta, uma face de nós mesmo se revela à luz de nossa experiência. A identidade se confirma
e com ela o futuro ganha sentidos mais
nítidos. Somos hoje herdeiros de uma
experiência de tudo o que permeou o
espírito humano. Herdeiros dos medos
vencidos, do inconformismo diante do
mistério, dos sonhos de conquistas e da
responsabilidade com as gerações que
nos sucederão, para que a raça sobreviva.
Agora, depois de longo vôo numa realidade imaginada, passemos aos fatos tais
como se confirmam sob o olhar da razão,
do método e da história.
Teoria de Ocupação
A maioria dos pesquisadores propõe
que a passagem do homem para a América deu-se há 100 mil anos, seguindo o
mesmo caminho de bisões, veados, felinos, entre outros mamíferos via Estreito
de Bering, que atualmente separa a Ásia
da América. Fato possível durante algumas das glaciações, em que o nível do
mar baixava o suficiente para que emergisse uma faixa de terra entre o Alasca e
a Sibéria, mais conhecida como Beringia.
Segundo este postulado, esses deslocamentos ocorreram em tr~es ocasiões: entre 100 mil e 90 mil anos, entre 75
mil e 60 mil anos, entre 30 mil e 15 mil
anos. Entretanto, os bandos de homo sapiens sapiens e os mamíferos só puderam se disseminar pela América nos períodos em que as geleiras que também
cobriam o Alasca, o Canadá e o norte dos
22 - Consulte Arte
Estados Unidos recuavam formando um
verdadeiro corredor livre de gelo. Fenômeno constato geologicamente durante
os tais 100 mil anos, por 4 vezes. A explicação cientifica que fundamenta essa teoria se baseia em três fatores: o primeiro
trata do grau de afinidade genética entre
os Ameríndios e os Asiáticos; o segundo,
da semelhança entre as primeiras indústrias líticas (pedra polida) americanas e siberianas; e por fim, a Beringia foi efetivamente o único caminho entre o Velho e o
Novo Mundo.
Isto tudo, é claro, se levarmos em
consideração que nossa espécie – homo sapiens sapiens, emergiu como forma dominante de hominídeo na Terra,
há cerca de 100 mil anos, e que primeiro se difundiu por todo o Velho Mundo,
isto é, África, Europa e Ásia. Todas as outras teses ou vias de ocupação da América são transoceânicas, ou seja, exigem o
desenvolvimento da navegação, e até hoje não tenham sido encontrados indícios
de embarcações mais antigas que 12 mil
anos. No entanto a descoberta de coprólitos (fezes humanas) no Piauí, datados de
7.750 anos, com a presença de parasitas,
mais precisamente o Ancilostoma duodenalis, que é um verme parasita intestinal
dos homens, comprova que o homo sapiens sapiens só poderia ter vindo para a
América por outra rota, que sua larva não
se desenvolve em climas frios. Todavia,
essa evidência, assim como tantas outras,
indicam a existência de caminhos percorridos por pequenos grupos humanos.
No Brasil, o sítio arqueológico da Pedra Furada, Piuaí, tornou-se o foco de
muita contestação entre a classe científica, quando a datação do Abrigo Evidências de ocupação remontam até 50 mil
anos, através de amostragens de carvão
e fogueiras circulares delimitadas por blocos de rocha caídos da parede do abrigo,
associadas ao que se chama indústria de
pequenos objetos de pedra lascada feita
sobre seixos de quartzo e quartzito. A polêmica reside quanto ao método de da-
tação radiocarbônica, método físico em
que os isótopos radioativos de carbono
(C14), a partir de amostras de matéria orgânica, como o carvão, conchas e ossos, e
esta medida pode ser transporta em anos
e com isso se obtém idades absolutas. À
frente desta pesquisa destaca-se a arqueóloga Niéde Guidon, a grande defensora
da autenticidade desta tese de ocupação.
As Ocupações do Brasil
Os caçadores-coletores do Interior e
os pescadores do litoral.
Num tempo mais recente, cerca de 10
mil anos atrás, ocorreram uma série de
mudanças climáticas no Brasil: o aumento das temperaturas e da umidade proporcionou a expansão das florestas tropicais úmidas, e a consequente diminuição
da caatinga, cerrados e matas, causando
a extinção de vários mamíferos de grande
porte. As bacias hidrográficas se ampliaram, o nível do mar se elevou e aumentaram os manguezais. Este clímax térmico
proporcionou o conhecido “ótimo clima”,
há 7 mil anos, e proporcionou aos habitantes do interior do Brasil um período de
transição para as faixas litorâneas. Para os
habitantes do interior, a caça dos grandes
mamíferos, em área abertas, foram gradativamente substituídas para o desenvolvimento de técnicas de captura de vegetais e pesca.
O testemunho desta especialização
estratégica, para a sobrevivência humana, proporcionou aos pesquisadores encontrar uma variedade de objetos de
pedra, resultantes das técnicas de lascamento, picoteamento e polimento, compostos de utensílios pontiagudos, machados, trituradores, moedores, mão de
pilão, boadeiras, cinzéis, anzóis, agulhas e
adornos, feitos em ossos, dentes, chifres,
conchas e pedras. Este processo de transição aponta para um período conhecido
como Brasil Pré-Colonial, há 2 mil à 1 mil
anos, e gradativamente caçadores-coletores deram lugar aos povos horticultores-ceramistas.
Com a criação, entre ao nos de 1870 e
1910, das primeiras instituições oficiais de
pesquisa cientifica, o Museu Nacional do
Rio de Janeiro, o Museu Paulista e o Museu Paraense, foi possível organizar missões com a finalidade de estudar sítios
arqueológicos. Com ênfase nas regiões
conhecidas como sambaquis, existentes
das planícies litorâneas da região sul-sudeste, do Espírito Santo ao norte do Rio
Grande do Sul.
Nestas colinas artificiais de dimensões
variadas, de 50 a 500 metros de comprimento, por 1 a 30 metros de altura, cujo
sedimento é composto de mais de 80%
de conchas de moluscos, os arqueólogos
e historiadores puderam conhecer um
pouco da prátia de sobrevivência dos povos que viviam na faixa litorânea brasileira.
A cultura dos sambaquis baseava-se
na pesca e coleta dos animais marinhos,
nesta modalidade de construção de morros de conchas também foram encontrados artefatos feitos a partir de conchas,
ossos e dentes, além de uma verdadeira
industria lítica, composta de machados,
moedores, polidores e escultoras.
Os vestígios desta ocupação datam de
8 mil anos, por povos caçadores-coletores
oriundos do interior, que pressionados
pelas mudanças climáticas se refugiaram
e se adaptaram ao ambiente costeiro. Por
volta de mil anos atrás, os sambaquis tornaram-se raros, embora não se saiba o
porque. No mesmo período, as incursões
arqueológicas constataram a chegada
de povos ceramistas nestes locais, o que
proporciona uma mudança de hábitos ou
impulsiona o final da cultura sambaqueira. Streinen. C. Rath, Emílio Goeldi e K. Rath realizaram as primeiras escavações em
sambaquis em sítios cerâmicos marajoaras.
Nossos Primeiros Painéis
Desde os primórdios da constatação humana no Brasil, um fato devemos
enaltecer, suas lembranças e seu registro
Consulte Arte - 23
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ANUÁRIO DE ARTES 2
ficaram guardados na vastidão de quase todo o território nacional. Um acervo
monumental de pinturas, objetos, esculturas, cuja maior incidência de painéis rupestres se encontram nas áreas da Várzea
Grande, no Piauí, e na Lagoa Santa, em
Minas Gerais. Para se ter uma ideia da importância e riqueza de Lagoa Santa, a região é comparada à região Franco-Cantábrica européia.
Nos painéis encontrados nas paredes
rochosas de grutas mineiras perfilam figuras de animais estilizados e sinais, raramente aparecem figuras humanas.
Uma série de significados e atributos são
incessantemente produzidos para definir tais representações, tais como semelhança com a arte rupestre do Levante Espanhol, pela sua estilização e pela
composição como um todo, elementos
de escrita, marcos de contagem, representações que evocam divindades diversas, enfim, se atribuirmos um significado,
ou sentido, levando-se em consideração
os padrões da sociedade ocidental atual,
evidentemente uma série de ideias absurdas poderão figurar como hipóteses
prováveis destas criações ancestrais.
Costuma-se denominar arte rupestre
as pinturas e gravuras encontradas em
paredões de rocha, geralmente no interior de grutas, mas também encontrados
em locais abertos. Na arqueologia, em
geral, a definição do que vem a ser a arte rupestre serve-se entre outros fatores,
da função que esse tipo de manifestação
podia ter para o homem primitivo. Assim,
por não apresentar a possibilidade de outra função, e assemelhando-se à finalidade do adorno, difere de outros objetos
– como, por exemplo, uma urna de cerâmica decorada -, e, desse modo, as pinturas e gravuras acabam por representar a
categoria “arte”. Isto não é um consenso,
sobretudo quando compararmos a visão
de um historiador da arte sobre o assunto.
A função que um determinado objeto tem não é por si mesma um fator que
24 - Consulte Arte
garanta seu estatuto na comunidade primitiva. Utensílios que foram manipulados
em funções distintas do que se consideraria “arte” – ferramentas de pedra, por
exemplo – podem sofrer uma transformação de significado quando passam a
integrar peças de oferenda em rituais, e,
assim, transcender sua função ordinária,
assumindo um valor estético. Por isto, tratar o assunto requer o cuidado de não validar uma única visão em detrimento de
outra. O fato é que ainda temos todo o
nosso passado ancestral para ser investigado. E que ainda o que se apresenta como sendo nossa história regressa, é fruto
da cultura ocidental européia.
Duas dificuldades são evidentes para
a definição que melhor corresponderia
à arte rupestre. Primeiro, a arqueologia
ainda é uma ciência muito nova, embora avance a passos largos a cada dia. Isto levará o arqueólogo a incrementar sua
noção sobre seu objeto de estudo e modificar sua visão do mesmo. E segundo as
definições acerca da Arte, seja de qual gênero for, sempre caminham sobre polêmicas e dificuldades que se iniciam pela
falta de amplitude que a terminologia dispõe para tratar do universo artístico em
sua essência, isto é, toda teoria acerca da
Arte se faz num meio estranho ao verdadeiro domínio da Arte. Ainda temos que
considerar mais agravantes, que dificultam sobremaneira o desenvolvimento da
pesquisa sobre a arte rupestre no Brasil.
O clima brasileiro atua de forma implacável na progressiva destruição dos objetos
pré-históricas, e dessa forma, somadas às
dificuldades conceituais que a atividade
exige, pouco resta de outras formas de
arte, ou que poderiam ser consideradas
como tal, que sobrevivem à umidade dos
trópicos e cheguem ao conhecimento de
nossos arqueólogos e pesquisadores.
É o caso das vestimentas ou das formas de edificação que caracterizam as
manifestações dos aborígines no território brasileiro. Sem resquícios de manifestações que possam nortear a pesquisa,
senão a pintura, utensílios de pedra e cerâmica, resta ao investigador do assunto
um árduo caminho para trilhar.
Contudo, a cerâmica é uma das maiores fontes para a pesquisa arqueológica
no país. Por si mesma, a cerâmica constitui uma rica reserva de informações valiosas ao arqueólogo. Um dos exemplos
mais ricos dessa forma de arte é encontrado no Norte brasileiro, e que é conhecido pelo nome genérico de arte Marajoara.
A Arte dos Agricultores da Amazônia
Entre os anos de 10 a 3 mil a.C., sucede
o período conhecido como Arcaico, momento em que são registrados a presença
de povos agricultores, responsáveis pelo
transplante de vegetais da floresta para
os quintais, a principio são verdadeiros
centros de experimentação e desenvolvimento de espécies, que mais tarde viabilizariam o cultivo de roças. Os chamados
“índios” americanos seriam responsáveis
pela domesticação de inúmeros vegetais
amplamente utilizados depois da colonização, tais como batata, cacau, milho,
amendoim, abacaxi, abóbora, algodão,
mamão, feijão, pimenta, além de uma infinidade de outros vegetais.
Com o final do Arcaico e o inicio do
período caracterizado como Formativo,
entre 3 mil a 500 anos antes da colonização, as populações de agricultores passam também a desenvolver a cerâmica,
um fato considerado inevitável, mesmo
que haja evidencia de povos ceramistas
sem agricultura e vice-versa. O surpreendente é que os mais antigos vestígios
de cerâmica na América são encontrados
justamente na região Amazônica, nos
sambaquis do litoral paraense foram encontradas peças de 5 mil anos e na região
de Santarém, cerâmicas de 7 mil anos. Estes indícios sugerem que a Amazônia tenha sido um centro de inovação cultural
dentre os períodos de transição do Arcaico para o Formativo.
A Ilha de Marajó, uma das belezas na-
turais do Brasil, encerra em seu passado
um precioso tesouro para a arqueologia.
Sob suas terras, banhadas pelo Oceano
Atlântico e pelo Rio Amazonas, num encontro de tias, encontram-se uma das
mais ricas jazidas arqueológicas da Amazônia. A bela e complexa cerâmica marajoara inspirou pesquisas diversas, estabelecendo comparações de sua decoração
a hieróglifos egípcios, maias, astecas, caracteres indianos e chineses.
De formas e tamanhos variados, se é
que podemos escolher entre as mais belas e de design mais arrojado, se pensarmos nos processo de confecção e queima
das peças, o que mais impressiona a classe cientifica, e por não dizer os próprios
artistas, são as complexas representações
humanas ou de animais, com pintura policrômica, com motivos geométricos e
apliques que reforçam seu aspecto humano/animal. Também ficaram famosas
as tangas, com suas faces externas decoradas com desenhos formando linhas e
triângulos, ou aquelas simplesmente pintadas de vermelho.
Pelo volume de objetos encontrados
nas escavações de várias datações, entende-se que esta cultura tenha tido uma
existência estável e de grande densidade
populacional, cujo florescimento esteve
entre os séculos II e XII d.C.
Já a cultura Tapajônica, ou de Santarém, alem da cerâmica marajoara, também são associadas muiraquitãs, pequenos pingentes de pedra polida, na maioria
no formato de rã, atualmente tidos como
talismãs de sorte, além dos cachimbos,
vasos de elaborada decoração estatuetas.
Uma sociedade hierarquicamente dividida, havendo até referencias de escravos.
Estes povos também cultivavam o milho,
mandioca, algodão e uma espécie de arroz, e durante o período de contato com
os portugueses, estavam domesticando
tartarugas fluviais.
Arte Rupestre
Pode-se dizer que todo o território
Consulte Arte - 25
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ANUÁRIO DE ARTES 2
brasileiro possui alguma manifestação de
arte rupestre, contudo as regiões onde há
maior reincidência de achados são nas
áreas secas do Nordeste e Centro do país.
Quando da chegada dos portugueses e espanhóis no Nordeste, foram encontrados vários grupos indígenas, mais
conhecidos por Aruaques, ou Aruak. Em
verdade, eram mais do que um só grupo
– aruãs, mapuás, anajás, guajrás, jurunas,
mas foram grupo pelos portugueses, que
os chamavam de nhengaíbas.
A produção oleira desses povos era
extraordinária e já contava com um altíssimo padrão de ornamentos. Atribui-se
os desenhos ás mulheres devido à delicadeza dos formatos e beleza dos traços.
Geralmente os desenhos reproduzem
animais, plantas e aves da região. E ainda
faces humanas estilizadas, representando
diversos estados de ânimo.
A profusão das formas é realmente impressionante. Encontram-se vasos, urnas
funerárias, panelas, pratos e tangas. Estas
ornamentações trazem um parentesco,
em certa medida, com as artes dos Incas.
É de se supor que algum tipo de contato pode ter ocorrido entre estas culturas
num tempo muito anterior á conquista.
Fato que só aumenta o enigmático destino desses povos, que desapareceram por
volta do século XVIII, ocorrendo a perda
de suas línguas, devido à migrações para o alto amazonas, onde dispersaram-se,
deixando este vasto registro em sua arte
oleira, como a única fonte para comprovar sua existência.
Outra região que concentra um importante sitio arqueológico é o antigo
território do estado de Goiás, atualmente
dividido entre Goiás e Tocantins. Possui
solos que elevam-se à grandes altitudes –
as chamadas “a cumieira do Brasil”.
O Cerrado constitui um tipo de vegetação que ocupa 1/5 do território nacional, estendendo-se destes Estados para vários outros. Proliferam nessa região
inúmeras arvores frutíferas – a pitanga, o
caju, o araticum, o araçá e o pequi, entre
26 - Consulte Arte
outras. Isto favoreceu a alimentação de
várias espécies animais – o cervo, a anta, o lagarto, os tatus e as tartarugas, e
permitiu aos povos primitivos a prática
da caça e da pesca, pois a rica vegetação
da região é cortada por rios piscosos que
ainda hoje atraem o amante da peca, como Tocantins, o Araguaia e o Paranaíba.
Foram encontrados muitos abrigos
nesta região, locais que provavelmente
serviram a vários grupos étnicos diferentes em períodos distintos, a julgar pelas
gravuras que podem ser observadas nas
paredes de pedra. Os desenhos foram
pintados em geral com pigmento vermelho – minerais de ferro – e algumas vezes
em amarelo, repto e branco. As representações apresentam estilizações geométricas e formas de seres vivos, animais da região na maior parte.
Sob a visão do arqueólogo, os desenhos não constituem cenas ou algum significado evidente, mas cabe aqui perguntar se o que seria uma cena ou evidência
para nossa cultura moderna, sobretudo sob olhar da ciência, seria igual para
o autor da gravação na rocha há mais de
10 mil anos. Nunca saberemos ao certo.
Daí a importância de equipes multidisciplinares, formadas por arqueólogos, historiadores e por que não dizer artistas, se
desenvolvendo na reconstrução de nossa
história.
Em São Paulo, os povos ceramistas
pertencem à cultura Tupi-Guarani, Itararé
e recentemente oram encontrados vestígios da Tradição Aratu. A cerâmica Tupi-Guarani é policrômica, com decorações
conhecidas como inciso ou corrugada. Estes povos vindos da Amazônia ocuparam
os vales da bacia do Rio Paraná e quase
toda a costa brasileira, sendo os primeiros
a terem contato com os portugueses. Organizados em grandes aldeias, eram agricultores, bons navegantes e guerreiros.
Mais ao sul do estado, achados da Tradição Itararé apresentam uma cerâmica
lisa e fina, produzida em pequenas aldeias. Ao norte, encontramos a Tradição
Aratu, com grandes vasos funerários sem
nenhuma decoração, de grande volume
e espessos, vestígios dos séculos X e XII,
estes povos migraram da região central
brasileira.
Desde as primeiras escavações de
cunho cientifico em gutas da região de
Lagoa Santa, Minas Gerais, entre 1830 e
1840, pelo naturalista dinamarquês Peter Wilheim Lund, uma vasta bibliografia
foi produzida sob o Período Pré-Colonial
Brasileiro, composta especialmente por
estudos de sítios arqueológicos, relatórios de escavações, mas são raras as publicações que abordem o tema expresso
e impresso, sob o veio artístico. Um relato curioso que não podemos deixar de
lado, ao pesquisar sobre o assunto, é o
produzido por Lund, sobre a sua descoberta das pinturas de Cerca Grande, em
Minas Gerais, em 1835: “A admirável paisagem destes prados tinha atraído, havia
muito, a tenção dos primeiros habitantes
do Brasil. Os selvagens da tribo dos Caiapós, segundo penso, ali fixaram sua residência e acharam abrigo as grutas, sob
as abóbadas deste imponente rochedo.
Entusiasmados pela beleza da paisagem
circunvizinha, ensaiaram representar os
objetos que mais lhes davam na vista. O
pé do rochedo está coberto de seus desenhos, que são primitivos quanto a imaginação que guiou a mão de seus autores,
nem por isso interessam menos ao filósofo que deseja conhecer as produções do
espírito no mais baixo grau de desenvolvimento”.
SÍTIO PEDRA DO PILÃO - MONTE ALEGRE - PA
É H. Gombrich, um dos maiores historiadores da arte, ao comentar uma passagem da obra Psychoanalytic Explorations
in Art, analisa: “há muito chegamos à conclusão de que a arte não é produzida num
espaço vazio, de que nenhum artista é independente de predecessores e modelos,
de que ele, tanto quanto o cientista ou o
filósofo, é parte de uma tradição específica e trabalha numa área estruturada de
problemas. O grau de mestria nesse contexto e, pelo menos em certos períodos, a
liberdade de modificar esses rigores são,
presumivelmente, parte da complexa escala pela qual o êxito final é medido. E,
no entanto, muito pequena é, até agora,
a contribuição da psicanálise a uma compreensão do sentido do próprio contexto:
a psicologia do estilo artístico está por se
escrever”.
O fato é que o pensamento vivo do
passado dificilmente poderá ser reconstituído, e que a questão sobre as nossas
origens fique, para sempre, sem solução.
Probabilidades e analogias, sim, mas talvez nunca a tão sonhada certeza.
•
Bibliografia
FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Arqueologia. São Paulo: Ática, 1988.
GONZALES, Erika Marion Robrahn. Os
grupos ceramistas pré-coloniais do Centro-Oeste brasileiro. Revista do Museu de
Arqueologia e Etnologia. São Paulo, 1996.
MARTIN, Gabriela. Pré-história do Nordeste do Brasil. Recife: Editora Universitária da UFPE, 1996.
SÍTIO LAJEIRO DO CADENA I - CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA - PA
Consulte Arte - 27
PUBLITIME
ANUÁRIO DE ARTES 2
SÍTIO PEDRAS DAS ARRAIAS - ANAPU - PA
SÍTIO BOA VISTA - PRAINHA - PA
SÍTIO PEDRA DO PILÃO - MONTE ALEGRE - PA
SÍTIO SERRA DO SOL - MONTE ALEGRE - PA
SÍTIO SERRA DO SOL - MONTE ALEGRE - PA
SÍTIO CACHOEIRA MUIRA - MONTE ALEGRE - PA
SÍTIO SERRA DA LUA - MONTE ALEGRE - PA
SÍTIO PEDRA DO MIRANTE - MONTE ALEGRE - PA
28 - Consulte Arte
Consulte Arte - 29
30 - Consulte Arte
Consulte Arte - 31
ELIZABETH
CARVALHO
Vila de Pescadores, Santa Cruz, Aracruz - ES
A natureza e todos
os seus encantos,
Santa teresa - ES
PERFIL FOTOGRAFIA
com a artísta plástica Sandra Resende. Foram anos de
muito aprendizado.
Em 1993, encarou outro desafio: um curso de pintura
em porcelanas, também em Resende. Em 1997, Elizabeth estudou a pintura em vidro.
Abriu um atelier no seu bairo, São Diogo, na cidade
de Serra e ministrou aulas.
Em 2004, conheceu o artista Elias Aquino e ficou encantada com seu trabalho: diferente, pareciam fotografias na tela de terbrim. Fez aulas com ele durante um
bom tempo.
Como todo artista, está sempre em busca da inovação. Se embrenhou pela fotografia e entrou no Savaris
Photostudio Fotografias Fine Art, ministrado pelo professor Marcelo Prest.
foto: DIVULGAÇÃO
•
Entardecer no Morro do Moreno, ao fundo Baía de Vitória - ES
Seu primeiro contato com as tintas e os pincéis foi ainda criança, aos 7 anos de idade. Elizabeth pintava panos de prato para complementar a renda em casa. Já no Espirito Santo,
começou um curso de óleo sobre tela em 1983,
Terceira ponte, visto ao fundo
o Convento da Penha - ES
Vila de Pescadores, Santa Cruz,
Aracruz - ES
fotoS: ELIZABETH CARVALHO
N
ascida na cidade de Barão de Cocais,
em Minas Gerais, Elizabeth Carvalho é
radicada no Espirito Santo.
Noturna, Vista de Vitória , Morro do Moreno - ES
32 - Consulte Arte
Consulte Arte - 33
34 - Consulte Arte
Consulte Arte - 35
ARTES PLÁSTICAS
darci seles
Darci Seles, natural de Cáceres/MT, reside no Acre desde 1996. Artista autodidata, iniciou seus desenhos ainda criança, no fogão a lenha, local em que
sua mãe preparava as refeições diárias.
Aos dezessete anos veio da zona rural para a capital do Acre, Rio Branco,
data em que realizou sua primeira exposição individual e, desde então, faz
pesquisas pessoais, descobrindo novas roupagens para antigas técnicas.
Já expôs suas obras nos Estados Brasileiros: Acre, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, São Paulo, Amazonas e Rondônia. No exterior: Peru, Áustria, Tailândia e China; levando seu estilo próprio de fazer arte, buscando sempre aprimorar seus conhecimentos e técnica.
Sem Título - Técnica Mista - 100 x 80 cm - Sem Data
Sem Título - Técnica Mista - 100 x 80 cm - Sem Data
Sem Título - Técnica Mista - 100 x 80 cm - Sem Data
Sem Título - Técnica Mista - 100 x 80 cm - Sem Data
Sem Título - Técnica Mista - 120 x 140 cm - Sem Data
36 - Consulte Arte
Contato: [email protected]
aapaac.blogspot.com.br
Consulte Arte - 37
ARTES PLÁSTICAS
elizabeth
CARVALHO
Elizabeth é morena, tímida, e por
trás de seus óculos, os seus olhos
revelam bastante ternura. Revelando enorme curiosidade pelas coisas
da Natureza, ela absorve-as para
suas pinturas ardentes.
trabalha numa fábrica de jóias, onde esboça deroquis
de desenhos de anéis, cordão, pulseira e jóias, criando
assim um catálogo artístico da microempresa situada
perto de sua casa.
Primavera em Flor - O/S/T, espátula e pincel 50 x 70 cm - 2010
Já foi convidada para dar aulas de pintura no
histórico distrito de Nova Almeida, nas dependências
do antigo Convento dos Reis Magos datado de 1558,
mas recusou a oferta por absoluta falta de tempo. Mas,
quando sobra, debruça sobre sua telas, demorando
um mês e meio para construir cada quadro e versando
sobre natureza morta. Mas, concluído, sai um trabalho
perfeito, com técnica amadurecida e consciente do
que está fazendo: pintura para ninguém botar defeito.
Casada e mãe de dois filhos,
Vinícius e Emannuele, tem apoio do
marido José Geraldo de Carvalho.
Em Vitória, ela faz parte da
AAPES – Associação dos Artistas
Plásticos do Espírito Santo, desde
1983, quando começou a manejar
os pincéis.
Na época, fez cursos de desenho com os artistas Bianca e Romano, na Praia do Canto. Segundo
a sua mãe, a viúva Hercila Silva,
residente no início do bairro São
Miguel, a filha Elizabeth desde menina já desenhava em guardanapos
aos sete anos.
Hoje, para a pintora cocaiense,
“vender um quadro de pintura é o
mesmo que um filho que vai embora”. E adverte que não gosta de
participar de uma coletiva de arte,
pois o artista individualmente não
fica conhecido.
Já fez exposição em sua terra
natal e participou de uma Mostra
Municipal de Arte, dentro dos pro-
38 - Consulte Arte
Caminhos de Minas - O/S/T, espátula e pincel 100 x 120 cm - 2001
Peras Maduras - O/S/T, espátula e pincel 50 x 70 cm - 2010
Flores Colombianas - O/S/T - 100 x 90 cm - 2008
gramas da XV Festa dos Pés de Pomba.
Encontrou apoio dos proprietários do bar Rekinth, que cederam um
espaço para ela mostrar seu trabalho, sempre muito elogiado, principalmente por sua técnica de pintar, aprendida com a professora Sandra
Efigênia Ubirajara, de Barbacena mas residente em Vitória.
Barco de Pescador
O/S/T, espátula e pincel
100 x 120 cm
2001
Elizabeth divide o seu tempo com os filhos, dando aulas de pintura
em sua casa no bairro Carapina, na Serra. Também, esporadicamente,
Contato: [email protected]
olhares.uol.com.br/baroneza
Consulte Arte - 39
HENOCH
AMORIM
ARTES PLÁSTICAS
se degladiando numa louca e desvairada corrida, uma
partícula de poeira um nada, uma insensatez, cada um
queria o seu Deus conforme seus princípios, talvez, ser
o próprio Deus para melhor dominar o próximo. Não
sabendo o que fazer com o prêmio da vida que Deus
lhe deu, porém sentí-me feliz de descobrir que sou
uma pequena partícula, talvez uma sub-partícula deste
universo maravilhoso! E cansado da longa jornada,
estacionei a minha nave imaginária e acordei! Queria
continuar a viagem, agora mergulhando em braçadas
longas deslizando no fundo do oceano deslumbrando
as belezas dos seres e seus silêncios lá existentes,
penetrando na Terra atravessando o centro da Terra
desafiando o magma, porém resolvi voltar à minha
base e observar o que é real. Vi em minha volta a luz do
grande astro, que nos brinda com luz calor, e projetava
a sombra dos corpos que se antepunha e todas as
formas de vidas vegetais e animais grandes e pequenos
visíveis e invisíveis, como numa escala de variedades
do princípio ao fim, tendo como objetivo uma só razão
à vida! O vento acoitava e balançava as árvores como
numa dança, folhas se projetavam no espaço, pétalas
das flores caiam e pousavam no chão, ouvia-se, ao
longe, crianças cantarolando, gritando, correndo e
brincando numa alegre sagração à vida.
Henoch Amorim 04/08/2013
Maçã Mecânica
O/S/T
60 x 80 cm
Sem Data
A Pianista
O/S/T
90 x 110 cm
2008
VIAGEM ESPACIAL
Fechei os olhos e viajei na crista de um cometa,
andei de estrela em estrela, Na velocidade da luz
penetrei no Universo, dei um pulinho em outras
galáxias, vi luz em corpo iluminado e a sombra
projetando, paisagens de esculturas que o próprio
universo construiu, Planetas que o ser ainda não
habitou, escapei da força de buracos negros
entendi o mistério do espaço curvo, e conheci
outras dimensões, vi coisas de divinal beleza que a
mente de fraqueza possuída não consegue captar,
ouvi o som que o instrumento ainda não executou,
senti a fragrância que as raízes dos vegetais ainda
não produziram e aos ventos não foram lançadas,
meus olhos captaram as nuances que a luz ainda
não iluminou, vi e senti os movimentos das
40 - Consulte Arte
árvores antes do vento soprar e os movimentos
da bailarina antes da dança começar, às vezes
senti medo e pavor que minha alma abandonar
meu corpo queria, passei pelo calor ardente e o
frio cortante, senti minha matéria ser diluída e
meus atamos ao universo serem lançados e logo
depois reagrupado no mesmo ser. Atravessei
todas as barreiras do universo deixando para traz
todos os corpos celestes, onde todos os sentidos
da vida se juntavam e misturavam-se num só
elemento, os sentimentos, alegrias, as cores,
fragrância sons e movimentos num só elemento
da divina sabedoria. Venci todas as barreiras. Vi
e senti a grandeza do Universo a divina obra que
Deus criou, senti minha mísera insignificante e
pequenez, lá encravado na escala do espaço e
tempo. Eu vi o ser de alma presa em frágil matéria
Concerto Música para o Universo
O/S/T
100 x 130 cm
2011
Inspirado na 9ª Sinfonia e o
Imperador - Beethoven
Contato: [email protected]
Consulte Arte - 41
ARTES PLÁSTICAS
icléa
O Porto
O/S/T
50 x 70 cm
Sem Data
Icléa Gomes de Aguiar é natural de Astolfo Dutra (MG), onde cursou o primeiro ano de Técnico de Contabilidade até se mudar para Volta Redonda (RJ), em 1963.
Radicada na cidade carioca, concluiu seu curso de Contabilidade e, com a experiência que havia adquirido
em um cartório de sua cidade natal, pode desenvolver um grande trabalho na sua área de formação, trabalhando em um escritório de contabilidade.
Privilegiada por possuir grande sensibilidade artística, sempre gostou muito de desenhar e aguardou dois
anos para aprimorar este seu dom no atelier de Tania Corsini, que na época atuava em um pequeno espaço. A
procura por vagas, porém, era muito grande. Icléa não desistiu e aguardou ansiosa por esta vaga, que surgiu
em 1989, quando começou a pintar e nunca mais parou.
Hoje, observa o mundo com um olhar sensível e transporta para suas telas o belo em expressões diversas,
mostrando-se cada vez mais segura dentro das Artes Plásticas.
Mapa Mundi
O/S/T
80 x 110 cm
Sem Data
Estudo de Erastótenes - O/S/T 120 x 90 cm - Sem Data
42 - Consulte Arte
Natureza Morta
O/S/T
50 x 65 cm
Sem Data
Natureza Morta II - O/S/T 30 x 25 cm - Sem Data
Contato: [email protected]
[email protected]
Consulte Arte - 43
ARTES PLÁSTICAS
linah biasi
Bananas na Embalagem de Papel
O/S/T
60 x 90 cm
2010
Pascoalina Coelho Souza nasceu em 28 de abril de 1962, na cidade de São Sebastião do Paraíso
– MG. Utiliza-se do estilo acadêmico voltado para o realismo figurativo e também de natureza
morta.
As técnicas artísticas mais utilizadas em suas obras são óleo sobre tela, acrílico sobre compensado e giz pastel seco.
Entre as exposições mais importantes de sua carreira artística, estão: Exposições na Odd Fellow
Haus, em Berlim (Alemanha - 2004); SINAP-AIAP (São Paulo – 2008); XX MARP - Salão Nacional de
Arte Acadêmica de Ribeirão Preto (2010).
Jogo Errado
O/S/T
60 x 90 cm
2010
fotos: WALDEMAR FRANCISCO
Os prêmios mais importantes que recebeu foram várias medalhas de ouro, prata, bronze e menções honrosas em diversos salões Nacionais e Internacionais.
Carambolas e Mangas
O/S/T
60 x 90 cm
2010
A Atemóia - O/S/T - 60 x 90 cm - 2010
44 - Consulte Arte
Contato: [email protected]
Consulte Arte - 45
UP ART - ARTES PLÁSTICAS E VISUAIS
EDUARDO IGLESIAS
Foto: Fernando Durão
UP ART - ARTES PLÁSTICAS E VISUAIS
DAVID DALMAU
Blue Power
A/S/T
210 x 130 cm
2013
46 - Consulte Arte
Sem Título
A/S/P
80 x 58 cm
2010
[email protected]
dalmau.com.br
[email protected]
iglesiaseduardo.com
Consulte Arte - 47
UP ART - ARTES PLÁSTICAS E VISUAIS
FERNANDO
DURÃO
Foto: Dalva Bertelli
Foto: Fernando Durão
UP ART - ARTES PLÁSTICAS E VISUAIS
EVANDRO
CARLOS
JARDIM
Peruíbe - SP
Água Forte e Água Tinta
40 x 60 cm
1983
48 - Consulte Arte
Sem Título
A/S/T
80 x 80 cm
2012
[email protected]
[email protected]
fernandodurao.art.br
Consulte Arte - 49
UP ART - ARTES PLÁSTICAS E VISUAIS
gustavo rosa
1946-2013 - São Paulo - SP - (em memória)
Foto: Horst
UP ART - ARTES PLÁSTICAS E VISUAIS
gastão
de
magalhães
This is a Poem
Registro Fotográfico
Variável
1976-2013
50 - Consulte Arte
Série Caras
O/S/T
30 x 25 cm
2011
[email protected]
facebook.com/gastao.magalhaes
[email protected]
gustavorosa.com.br
Consulte Arte - 51
O melhor para
os artistas
R. Cotoxó, 110 - SP - Tel. 11-3873-0099
R. Groenlândia, 77 - SP - Tel. 11-3885-5143
Av. Angélica, 1.900 - SP - Tel. 11-3661-9685
www.pintar.com.br
52 - Consulte Arte