Um ANo INcomUm

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Um ANo INcomUm
Reter talentos: um desafio significativo, de Marcelo Gonçalves, sócio-diretor da BDO
Na roda dos biocombustíveis
Energia eólica: bons ventos no Brasil
Alegria, o maior parque eólico do país
Terceiro navio do Promef é lançado ao mar
Especial: retrospectiva 2010
Um ano incomum
Entrevista exclusiva
Internacionalização do E&P no mercado
de óleo e gás no Brasil, por Marcos Mazzaroppi
O impacto dos grandes sinistros no setor de óleo & gás
e considerações sobre seguros e gestão de riscos
para a indústria, por Paulo Niemeyer Neto
A melhor estratégia é ter uma proposta de valor atraente,
por Fernando Armbrust Lohmann
Incubadoras para o futuro, por José Octávio Armani Paschoal
A era do petróleo
fácil acabou
00075
Gestão do investimento social privado
no setor petrolífero, por Roberto Dertoni, Lucilene Danciguer
e Edison Durval Ramos de Carvalho
Maurício Figueiredo, vice-presidente para a
América Latina da americana Baker Hughes
9 771415 889009
Mudança de paradigma, por João Amato Neto
e Gil Anderi da Silva
ISSN 1415889-2
Revista Brasileira de Tecnologia e Negócios de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Biocombustíveis
opinião
Ano XII • nov/dez 2010 • Número 75 • www.tnpetroleo.com.br
suplemento especial: caderno de sustentabilidade
CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO É TUDO!
HÁ POUCO MAIS DE UMA DÉCADA, A LEI 9.478, CONHECIDA COMO LEI DO PETRÓLEO,
DEU INÍCIO A UM NOVO CICLO NA HISTÓRIA DA CADEIA PRODUTIVA DE PETRÓLEO E GÁS
NO BRASIL. NESTE CENÁRIO SURGIU EM 1998 A REVISTA TN PETRÓLEO. UMA APOSTA
DECISIVA DA BENÍCIO BIZ EDITORES ASSOCIADOS NA CAPACIDADE E PERSEVERANÇA DA
INDÚSTRIA PETROLÍFERA NACIONAL.
MAIS DO QUE RETRATAR OS NOVOS CENÁRIOS DESTE SETOR, DELINEADOS
A PARTIR DA QUEBRA DO MONOPÓLIO DO PETRÓLEO, A TN PETRÓLEO TAMBÉM AJUDOU
A RESGATAR UMA HISTÓRIA DE PIONEIRISMO E SUPERAÇÃO DE DESAFIOS.
E FOI MAIS LONGE AO MOSTRAR PARA OS INVESTIDORES – NACIONAIS E
ESTRANGEIROS – AS OPORTUNIDADES E O IMENSO POTENCIAL DO PAÍS.
HOJE, TEMOS UMA COMPANHIA 100% BRASILEIRA DESPONTANDO ENTRE AS DEZ
MAIORES DO MUNDO NO SETOR DE PETRÓLEO E GÁS. E UMA CADEIA PRODUTIVA
QUE VEM BUSCANDO MAIOR QUALIFICAÇÃO E COMPETITIVIDADE PARA DAR SUPORTE À
INDÚSTRIA DE PETRÓLEO E GÁS LOCAL, SEM PERDER DE VISTA AS OPORTUNIDADES NO
MERCADO INTERNACIONAL.
QUEM NÃO QUER PERDER OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS DESTA HISTÓRIA, TEM NOVE RAZÕES
PARA LER A TN PETRÓLEO:
• COMPROMISSO COM O LEITOR
• INFORMAÇÃO PRECISA E DETALHADA
• ATUAÇÃO ÉTICA E TRANSPARENTE
• FOCO NAS NOVAS TECNOLOGIAS
• ACOMPANHAMENTO DOS NEGÓCIOS DO SETOR DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL
• COMPROMETIMENTO COM AS INDÚSTRIAS DA CADEIA PRODUTIVA
• INCENTIVO À PEQUENA E MÉDIA EMPRESA
• APOIO À DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO
• CRENÇA NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO PAÍS
SEM MAIS PALAVRAS, VAMOS PARA MAIS UMA DÉCADA.
VENHA COM A GENTE!
TN Petróleo 75
1
Colômbia
Roraima
o
Branc
Negro
onas
AmazTotal
uá
Jur
Estaleiro Bibi
s
ru
Amazonas
Maranhão
ins
Tocant
eira
Mad
Ta
pa
jós
Manaus
s
São Luís
de portos públicos ..............................................37
Total de portos privados ............................................... 3
Terminais privados ....................................................125
Terminais da Petrobras ...............................................24
Carga transportada .................733 milhões
Pará de toneladas,
sendo 95% (696 milhões de toneladas) no comércio exterior
Cargas transportadas em navegação
de longo curso ................531 milhões de toneladas, ou 72%
Cargas transportadas na navegação
de cabotagem ............170 milhões de toneladas, ou 23%
Cargas transportadas
em hidrovias .............................. 31 milhões de toneladas
Represa de
Tocantins Tucuruí
õe
u
lim
Rio Maguari
Belém
Xing
Santarém
Erin
So
2
8.547.403 km
191 milhões
2
20 hab./km
R$ 3,1 trilhões
7,5% ao ano (2010)
R$ 17.000
80 milhões
7.367 km
36 mil km (3º no mundo)
Ilha de Marajó
Movimentação
onas
Amaz portuária
Japurá
Pu
Área
População
Densidade
PIB
Crescimento do PIB
Renda per capita
Força de trabalho
Extensão da costa
Rios navegáveis
Petroleiros .................................... 120 (52 da Petrobras)
Graneleiros ................................................................. 22
Cargueiros ..................................................................24
Porta-contêineres .......................................................13
Amapá
GLP ...............................................................................9
Tanques químicos ........................................................6
Macapá 5
Ro-Ro ...........................................................................
Barcaças ....................................................................52
Capacidade de transporte .................3,5 milhões de TPB
Jari
ia
ua
ag
Ar
Tipos de carga
Granel sólido 59%; granel líquido 27% (combustíveis,
óleos minerais e produtos químicos); carga geral 14%,
desde percentual 62% foi através de 4,550 milhões de
contêineres.
Fonte: Antaq 2009, 2010
Porto Velho
Tocantins
Acre
Palmas
Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro – Promef
Peru
Brasil
o
Fase 1: construção de 26 navios (dez Suezmax, cinco Aframax, quatro Panamax, quatro
produtos e três GLP)
Posição da Fase 1: dos 26 navios previstos, 23 foram licitados e estão sendo
construídos pelos estaleiros: Atlântico Sul (PE) – 10 navios Suezmax: preço global:
US$ 1,2 bilhão; cinco navios Aframax: preço global: US$ 693 milhões;
Estaleiro Ilha – EISA (RJ) – quatro navios Panamax: preço global: US$ 468 milhões;
Estaleiro Mauá (RJ) – quatro navios de produtos: preço global: US$ 277 milhões.
ancisc
Rondônia
São Fr
Rio Branco
Aragu
aia
Fase 2: construção de mais 23 navios: quatro Suezmax DP (EAS), três Aframax DP (EAS),
oito produtos, cinco GLP e três Bunker).
Nota: hoje a Petrobras possui uma frota de 120 petroleiros, sendo que 52 são de propriedade
da estatal.
Mato Grosso
Programa de RenovaçãoCuiabá
da Frota de Apoio Marítimo – Prorefam
o
Goiânia
ancisc
La Paz
DF
Goiás
São Fr
Bolívia
Brasília
Fase 1: contratação de 64 AHTs (oito de 21 mil HP, 10 de 15 mil HP e 46 de 18 mil HPs),
64 PSVs (49 de 3 mil ton e 15 de 4,5 mil ton) e 18 ORSVs.
Posição da Fase 1: contratação de 13 navios: a CBO ficou com 4 PSVs; a Edson Chouest com
2 PSVs e a Wilson, Sons com 2 PSVs. A Siem-Consub e Navegação São Miguel ficaram
com 2 RSVs e a Astromática, com 1 RSV.
Fase 2: afretamento por oito anos de 26 navios, sendo 18 PSVs e 8 AHTS.
Programa empresas Brasileiras de Navegação – EBN
Sucre
Fase 1: contratação de 19 navios operando até 2014; duração do contrato: 15 anos.
Posição da Fase 1:Navegação são Miguel: três navios bunker de 4,5 mil TBP; Delima: um navio
bunker de 2,5 mil TPB; Global:três navios de 45 mil TPB para produtos claros; Elcano: três navios
gaseiros de 7 mil m³; Kingfish:três navios Campo
de 45 mil
TPB para produtos escuros;Pancoast:dois
Grande
navios de 45 mil TPB para produtos claros e dois navios de 45 mil TBP de produtos escuros.
a
Paranaíb
Uberlândia
Minas Gerais
Ribeirão
Preto
Para
ná
Fase 2: contratação de 20 navios petroleiros (três Aframax, três Panamax, quatro de 45 mil TPB
para produtos claros, quatro de 45 mil TBP para produtos escuros, dois de 18 mil TBP para
Tiete
Mato Grosso do Sul
produtos escuros, quatro gaseiros: dois de 12 mil m³ e dois de 8 mil m³), operando até 2016,
duração do contrato: 15 anos.
Posição da Fase 2: Kingfish: oito navios de 45 mil TPB, sendo quatro para produtos claros
e quatro para produtos escuros; Brazgax/Brazil Gas:quatro navios de GLP, sendo dois de
8 mil m³ e dois de 12 mil m³.
Parapanem
São Paulo
Volta
Redonda
a
Chile
Paraguai
Belo Horizonte
Uberaba
Barueri
Guarulhos
São Paulo
Santos
Paraná
Rio d
Janei
Paulínia
Re
Ita pres
ipu a
de
IMPRESSO EM PAPEL COUCHÊ BRILHO, 115 gr. FORMATO: 1,0 m X 0,7m.
Guiana
Boa Vista
Venezuela
Números do Brasil
em operação
gro
Ne
ENCARTE ESPECIAL DESTA EDIÇÃO: MAPA DA INDÚSTRIA NAVAL 2011.
Guiana
Suriname Francesa
Frota mercante
Angra
dos Reis
São Sebastião
Ilha D’
Rio de Ilha Re
Janeiro
Wilson, Sons
Vellroy
Intermarine
Curitiba
Paranaguá
São Francisco
do Sul
Ocean
Joinville
Itajaí
Santa Catarina
ESTALEIRO NAVSHIP, Navegantes, SC
Processamento de aço: 15 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 175 mil m²;
área coberta: 31.145 m²; carreira de lançamento:
capacidade de lançamento de embarcações de até
115 metros de comprimento e acima de 7 mil ton de
arqueação.
Obras em construção: barcos de apoio offshore
Florianópolis
Rio Grande do Sul
Porto
Alegre
Rio
Grande
Uruguai
ESTALEIRO RIO GRANDE, Rio Grande, RS
Santiago
Processamento de aço: 100 mil ton/ano
Facilidades industriais: área construída: 550 mil m²;
galpão coberto: 40 mil m²; dique seco: 130 m x 350 m
x 17,1 m; cais norte; 42 m; cais sul: 350 m; pórtico
(Golias): 600 t; carretas hidráulicas: 400 t.
Obras em construção: módulos da semisubmersível P-55, FPSO P-58 e oito cascos para FPSOs.
Montevidéu
Argentina
Estaleiro
Rio Grande
Números da indústria em 2010
Empregos diretos ......................................
Empregos indiretos ...................................
Massa salarial ..........................................
Faturamento estimado ..............................
Carteira de encomendas: nos últimos 10
realizados 230 empreendimentos, sendo:
barcos de apoio marítimo e cerca de 70 reb
apoio portuário, empurradores e balsas pa
fluvial e outras embarcações.
Decisões em 2011: construção dos 8 navi
para a Transpetro, de 13 sondas de perfur
ERIN – ESTALEIROS RIO NEGRO, Manaus, AM
ESTALEIRO RIO MAGUARI, Belém - PA
INACE, Fortaleza, Ceará
ESTALEIRO ATLÂNTICO SUL, Ipojuca, PE
STX OSV PROMAR, Suape, PE
PARAGUAÇU, São Roque do Paraguaçu, BA
STX OSV BRAZIL OFFSHORE, Niterói, RJ
Processamento de aço: 5 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 60 mil m²;
área construida: 30.130 m²; potência elétrica
instalada: 3.500 KW; 1 carreira para lançamento de
navios até 20 mil TPB; 4 carreiras cobertas com
comprimento de 60 m, podendo construir embarcações de até 12 mil TPB.
Obras em construção: empurradores, rebocadores e chatas.
Processamento de aço: 6 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 120 mil m²;
área coberta: 6 mil m²; dique seco: 120 m de
comprimento x 35 m de largura; catenária para
fabricação e lançamento de balsas: 120 m de
comprimento x 30 m de largura; 2 galpões para
fabricação e pré-montagem: 5.703 m²; almoxarifado
de campo: 3.860 m²; almoxarifado coberto: 936 m²;
almoxarifado avançado e ferramentaria: 120 m²;
oficina mecânica: 270 m²
Obras em construção: balsas, lanchas, ferry boats,
empurradores e catamarãs.
Processamento de aço: 15 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 180 mil m²;
área coberta: 11 mil m²; plataforma elevatória de
embarcações: 80m de comprimento, 15,5 m de
largura, capacidade para embarcações de até
4 mil t de peso, interligada por um ship-carrier
sobre trilhos a um grande pátio de transferência,
comunicando-se por trilhos com todos os berços
de construção e reparos; amplas oficinas e galpões
localizados nas áreas cobertas.
Obras em construção: lanchas de patrulha para a
Marinha do Brasil e lanchas de passeio.
Processamento de aço: 160 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 780 mil m²;
área coberta: 110 mil m²; dique seco: comprimento
de 400 m, boca de 73 m e pontal de 12 m, servido
por dois guindastes de 50 ton, dois de 15 ton e um
golias de 1 mil ton; cais: 700 m de cais de acabamento,
servido por dois guindastes de 35 ton, e 350 m de
cais para construção e reparo de unidades offshore;
transportadores horizontais de blocos: dois de 300 ton.
Obras em construção: 10 Suezmax, 5 Aframax, casco da
semisubmersível P-55, 4 Suezmax DP e 3 Aframax DP.
Processamento de aço: 20 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total do terreno:
800 mil m² sendo 250 mil m² área industrial; área
coberta: 100 mil m²; linha de edificação: 300 m de
comprimento com pórticos até 150 ton; cais de acabamento com 600 m de comprimento; sistema de
lançamento através de load out com dique flutuante
150m x 40m.
Obras em construção: navios gaseiros e barcos
de apoio offshore.
Processamento de aço: 120 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 1,5 milhão
de m²; dique seco para navios com até 300 m de
comprimento e quatro berços de atracação.
Processamento de aço: 6,5 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 65 mil m²; carreira: capacidade de carga até 3 mil ton, para embarcações com até 100 m de comprimento; cais de acabamento:
300 m de comprimento; guindastes instalados na
carreira ao longo do cais, com capacidade até
250 ton; oficinas de montagem providas de facilidades
e equipamentos de carga; dique flutuante para embarcações de até 110 m de comprimento, 18 m de boca e
deslocamento de 3.500 ton
Obras em construção: barcos de apoio offshore
(AHTS, PSV, OSCV, pipelaying).
Pecém
Fortaleza
Inace
ALIANÇA, Niterói, RJ
Teresina
Ceará
Rio Grande
do Norte
Natal
Piauí
Paraíba
Processamento de aço: 10 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 112 mil m²;
instalação e área de montagem: 12.580 m²; pier nº 1:
comprimento de 30 m, profundidade de 6 m; pier
nº 2: comprimento de 50 m, profundidade de 7 m.
Obras em construção: módulos de geração da P-56.
João
Pessoa
Recife
São
Fran
cisc
o
Pernambuco
Alagoas
Sergipe
l
Atlântico Sul
STX Promar
Ipojuca
Suape
Maceió
Eisa Alagoas
Aracaju
Bahia
Feira de Santana
EISA, Rio de Janeiro, RJ
Estaleiro
Bahia
RENAVE e ENAVI, Niterói, RJ
ESTALEIRO MAUÁ, Niterói, RJ
UTC ENGENHARIA, Niterói, RJ
Camaçari
Processamento de aço: 52 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 150 mil m²;
área coberta: 55 mil m²; carreiras: 2 carreiras laterais de lançamento para navios até 280 m x 46 m
e 133 m x 22 m; guindastes: quatro, sobre trilhos,
de: 1 x 60 ton; 1 x 50 ton; 2 x 20 ton; pórticos: 2, de
48 m de largura, com capacidade de 2 x 50 ton + 1
x 20 ton; cais de acabamento: 3 para navios de até
280 m, 250 m e 200 m de comprimento; galpões
na área de acabamento: 3 de 125m x 25m, com 8
pontes rolantes de 5 a 10 ton
Obras em construção: 4 navios Panamax e portacontâiners e barcos de apoio offshore.
Aratu
Salvador
Estaleiro
Paraguaçu
Processamento de aço: 36 mil ton/ano
Facilidades industriais: Ponta D’Areia – área
total: 180.377 m²; área coberta: 69.140 m²; carreira longitudinal: 1 de 223 m x 41 m, atendida por 2 guindastes
de 100 ton; dique seco: 167 m x 22,50 m; cábrea: capacidade de içamento de 2.050 ton e altura de lança de
100 m; cais: 2 (cais I, 350 m; cais II, de 306 m), atendidos por 4 guindastes de 15, 20 e 30 ton, porte
máximo: 70 mil TPB; capacidade de processamento
de aço/ano: 36 mil ton.
Facilidades industriais: Caximbau – área total:
78 mil m²; carreira: horizontal, para construção de módulos com duas linhas, cada uma com capacidade
de 280 ton/m² até 167m de extensão; cais: capacidade
de 20 ton/m² (em construção).
Facilidades industriais: Ilha do Caju – área total:
76 mil m²; carreira: horizontal, para construção de
jaquetas com duas linhas, cada uma com capacidade de 300 ton/m² até 180 m de extensão; cais:
capacidade de 20 ton/m².
Obras em construção: 4 navios de produtos, reparos/upgrade de plataformas de perfuração.
Processamento de aço: 40 mil ton/ano
Facilidades industriais: Renave – área total: cerca de
200 mil m²; dique flutuante Almirante Alexandrino:
215 m de comprimento total; 35m de largura interna livre;
pontal de 9,50 m sobre os picadeiros; capacidade de
elevação de 20 mil t, para navios de até 80 mil TPB;
dique seco Henrique Lage: 184 m de comprimento total;
27 m de largura na entrada; calado máximo de 8,50 m;
capacidade para navios de até 30 mil TPB; dique seco
Orlando Barbosa: 136 m de comprimento total;
17,43 m de largura na entrada; calado máximo de 4,33 m;
capacidade para navios de até 8 mil TPB; dique
flutuante José Rebelo: 70 m de comprimento total;
17 m de largura interna livre; calado máximo de 4 m;
capacidade de elevação de 1.800 ton.
Enavi – dique flutuante Almirante Guilhem: 200 m de
comprimento total; comprimento do flutuante na linha
de centro de 180 m; largura interna entre as laterais de
34 m; largura interna livre entre defensas de 32,8 m;
pontal moldado de 15,6 m; altura dos picadeiros na
quilha de 1,75 m; capacidade de elevação de 18 mil ton.
Obras em construção: reparo de navios petroleiros,
porta-contâiners e de carga geral e construção
de três navios bunker.
Processamento de aço: 10 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 61 mil m²; área
coberta: 11 mil m²; carreira: para 10 mil TPB; guindastes: 60 t; cais: dois, com 100 m cada um.
Obras em construção: barcos de apoio offshore.
ARSENAL DE MARINHA, Rio de Janeiro, RJ
ESTALEIRO CASSINÚ, São Gonçalo, RJ
Processamento de aço: 6 mil ton/ano
Facilidades industriais: cais: 200 m; dique seco:
69 m de comprimento; 12,6 m de largura; calado
máximo de 3,5 m; servido por um pórtico para 25 ton;
dique flutuante: 30 m de comprimento; 14,4 m de
largura; 4,2 m de calado; guindastes: 1 x 30 ton; 1 x
40 ton; 1 x 75 ton; 1 x 125 ton.
Obras em construção: reforma da Boia de Sustentação de Risers para a Bacia de Santos e reparo
de embarcações offshore.
RIO NAVE, Rio de Janeiro, RJ
ESTALEIRO ITAJAÍ, Itajaí, SC
Lagoa Parda
Regência
Espírito
Santo
Vitória
Processamento de aço: 12 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 168.422 m²;
área coberta: aproximadamente 10 mil m² – galpões
de processamento e montagem de blocos e diversas oficinas, servidos por pontes rolantes e outros
equipamentos; carreira de lançamento: 150 m de
comprimento (em expansão para 200m); capacidade para navios de até 10 mil TPB (em expansão
para 30 mil TPB); elevador de embarcações tipo
“Hydrolift”: para embarcações pequenas, de até
570 ton de peso; sistema de transferência de pesos
de até 570 ton através de uma malha de trilhos e
vagonetas; cais de acabamento: 150 m de comprimento; atendido por 2 guindastes com capacidades
de carga de 30 ton e 8 ton.
Obras em construção: rebocadores.
Processamento de aço: 48 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 94.766 m²
área coberta: 43.052 m²; carreira nº 1: comprimento de 230 m, largura de 36 m, capacidade para
navios até 100 mil TPB, servida por 3 guindastes
de 40 ton e 1 guindaste de 20 ton; carreira nº 2:
comprimento de 159 m, largura de 34 m, capacidade para navios até 30 mil TPB, servida por
2 guindastes de 40 ton e 1 guindaste de 20 ton;
cais de acabamento nº 1: comprimento de 182 m,
profundidade de 5 m, servido por 1 guindaste de
40 ton e 1 guindaste de 20 ton; cais de acabamento
nº 2: mesmas dimensões do cais nº 1, servido por
2 guindastes de 20 ton; cais de acabamento nº 3:
comprimento de 76 m, profundidade de 6 m; cais de
acabamento nº 4: comprimento de 115 m, profundidade de 7 m, servido por 1 guindaste de 20 ton; pier
nº 1: comprimento de 35 m, profundidade de 7 m,
servido por 1 guindaste de 40 ton e 1 guindaste de
20 ton; pier nº 2: comprimento de 60 m, profundidade de 7 m, servido por 2 guindastes de 20 ton.
Obras em construção: reparo e modernização de
embarcações de médio porte e offshore.
FIBRAFORT - F. MARINE, Itajaí, SC
Processamento de aço: 5 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 18.460 m²;
área construída: 3.125 m² .
Obras em construção: lanchas de passeio e
competição.
Ponta Ubú
Campos
de
iro Cabiúnas
INHAÚMA, Rio de Janeiro, RJ
Processamento de aço: 50 mil ton/ano
Facilidades industriais: área coberta: 16.550 m²
(oficinas de caldeiraria, tubulação, estrutural e
usinagem); dique nº 1: 160 m de comprimento,
25 m de largura, calado com maré zero de 4 m,
capacidade para navios de até 25 mil TPB; dique
nº 2: 350 m de comprimento, 65 m de largura,
calado máximo de 6,20 m, capacidade para navios
de até 400 mil TPB; guindastes: 1 x 100 ton,
2 x 40 ton, 1 x 20 ton; cais de acabamento 1 e 2:
comprimento de 293 m, calado máximo de 6 m;
cais de acabamento nº 3: comprimento de 45 m,
calado máximo de 8 m; cais de acabamento nº 4:
comprimento de 286 m, calado máximo de 8 m.
Obras em construção: reparo de petroleiros e PSV’s.
’água
edonda
ios gaseiros
ração (de um
Processamento de aço: 15 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 85 mil m²;
área coberta: 7.170 m²; dique flutuante: 76,4 m
de comprimento, 29,20 m de largura e calado com
2,70 m; cais nº 1: extensão de 80 m, calado máximo
de 6 m, servido por um guindaste de 8 ton; cais nº 2:
extensão de 80 m, calado máximo de 6 m; carreira
longitudinal para embarcações de até 120 ton.
Obras em construção: um rebocador de 25 TTE;
um rebocador de 50 TTE; um rebocador de 80 TTE.
WILSON, SONS, Guarujá, SP
MINAS GERAIS
RIO DE JANEIRO
no Atlântico
..................80 mil
................300 mil
.........R$ 4 bilhões
.........R$ 5 bilhões
0 anos foram
90 navios, 146
bocadores de
ara transporte
SRD OFFSHORE, Angra dos Reis, RJ
Transnave
Eisa
SÃO
PAULO
Duque de Caxias
Rio de Janeiro
Angra
dos Reis
Fonte: Petrobras, Sinaval e Abeam
Nota: em 2011, serão entregues cinco navios à Transpetro
e outras seis embarcações serão lançadas ao mar para
acabamentos finais (Promef).
DETROIT, Itajaí, SC
Quissamã
Macaé
São Gonçalo
Niterói
Cabo Frio
Arraial do Cabo
Rio Nave
Inhaúma
Arsenal de Marinha
SRD Offshore
Brasfels
total de 28 previstos); 8 cascos de plataformas FPSOs,
a serem construídas na área do dique seco no Estaleiro
Rio Grande, pela Engevix; integração dos módulos da
P-58 pela Queiroz Galvão; construção da TLWP P-61 no
estaleiro BrasFels, em Angra dos Reis (consórcio Keppel
Fels/J. Ray McDermott); integração dos módulos da
P-62 (consórcio Camargo Corrêa/Iesa) e a Quip com os
módulos de produção da plataforma P-63, em Rio Grande.
STX Brazil
Aliança
Renave/Enave
Estaleiro Mauá (Caximbau)
Cassinú
São Miguel
UTC
Mac Laren Oil
Estaleiro Mauá (Ponta d’Areia)
Estaleiro Mauá (Ilha do Caju)
Processamento de aço: 10 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 90 mil m²;
área industrial: 14 mil m²; área coberta: 5 mil m²;
laterais das docas elevatórias utilizadas como cais
de acabamento; grua sobre trilhos com capacidade
de até 4 ton ; 2 guindastes móveis com capacidade de 200 ton cada um; 2 carros de transferência para embarcações de médio porte; galpões
equipados com cinco pontes rolantes de 4 a 10 ton
de capacidade a 15 m de altura para atender às
oficinas de montagens de blocos, mecânica, elétrica
e acabamento; docas elevatórias (capacidade
máxima): 110 m comprimento, 23 m de boca livre,
5,50 m de calado livre, capacidade de içamento de
3.600 ton, sistema eletromecânico computadorizado, com controle por meio de células de carga, para
estabilidade na operação.
Obras em construção: rebocadores e barcos do
tipo LH 3000.
Oceano Atlântico
Encarte Especial Revista TN Petróleo nº 75
Processamento de aço: 10 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 22 mil m²;
carreira/dique: comprimento de 205 m, largura
de 16 m, calado máximo de 5 m, capacidade para
embarcações de até 1.500 TPB
Obras em construção: barcos de apoio.
Processamento de aço: 10 mil ton/ano
Facilidades industriais: dique Almirante Régis:
tem capacidade para docar navios da Marinha
do Brasil ou navios mercantes de até 80 mil TPB,
comprimento: 254,58 m, largura: 35,96 m, altura:
15,51 m; dique Almirante Jardim: tem capacidade
para docar navios da Marinha do Brasil ou navios
mercantes de até 16 mil TPB, comprimento: 165,15 m,
largura: 19,00 m, altura: 11,21 m; dique Santa Cruz: tem
capacidade para docar navios da Marinha do Brasil
ou navios mercantes de até 2.500 TPB, comprimento: 88,45 m, largura: 9,15 m, altura: 8,50 m;
dique flutuante Almirante Schieck: tem capacidade
para docar navios da Marinha do Brasil ou navios
mercantes de até 5 mil TPB, comprimento: 100 m,
largura: 14 m; carreira: comprimento: 116 m,
declividade: 6%, boca: 25 m; guindastes: 3 x 30 ton,
5 x 10 ton, 1 x 5 ton, 1 x 6 ton, 1 x 11 ton, 1 x 13 ton,
1 x 20 ton, 1 x 70 ton
Obras em construção: submarino e reparo/
modernização de embarcações militares.
BRASFELS, Angra dos Reis, RJ
Processamento de aço: 50 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 1 milhão m²,
aproximadamente; área coberta: 135 mil m², aproximadamente; carreira nº 1: 174 m de comprimento;
30 m de largura; capacidade para navios de até
45 mil TPB, servida por um guindaste de 80 ton
e um guindaste de 40 ton; carreira nº 2: 310 m de
comprimento, 45 m de largura, capacidade para
navios de até 150 mil TPB, servida por 2 guindastes de
80 ton; carreira nº 3: 300 m de comprimento, 70 m de
largura, capacidade para navios de até 600 mil TPB,
servida por um guindaste de 40 ton, um guindaste de
80 ton e um pórtico de 660 ton; dique seco: 80 m de
comprimento, 70 m de largura, servido pelos mesmos
guindastes da carreira nº 3 e pelo pórtico de 660 ton;
cais de agulha: 313 m de comprimento, extensão
de 54 m, servido por um guindaste de 40 ton e um
guindaste de 80 ton; cais de acabamento: 200 m de
comprimento, extensão de 130 m, servido por um
guindaste de 40 ton; pista um: 460 m de comprimento, servida por 2 guindastes de 80 ton; pista dois:
460 m de comprimento, servida por um guindaste de
80 ton; pista três: 460 m de comprimento, servida
por um guindaste de 40 ton.
Obras em construção: semisubmersível P-56,
TLWP P-61, modernização de 3 navios-sonda para
a Noble e modernização do BGL-1.
VELLROY, Osasco, SP
TWB, Navegantes, SC
Processamento de aço: 10 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 78 mil m²; áreas
cobertas não industriais: 900 m²; áreas cobertas
industriais: 7.386 m²; carreira: 75 m de comprimento por 16 m de largura, com capacidade para
embarcações de até 1.800 ton de peso leve.
Obras em construção: ferry boats e barcos de
passeio.
Processamento de aço: 5 mil ton/ano
Facilidades industriais: área total: 50 mil m²; área
coberta: 40 mil m²; guindastes: um pórtico móvel
para 26 ton, um pórtico móvel para 50 ton,
seis pontes rolantes para 10 ton, uma ponte rolante
para 50 ton e uma ponte rolante para 20 ton.
Obras em construção: lanchas de passeio.
Promef (1 e 2), Prorefam (1 e 2), EBN (1 e 2) e PN Petrobras 2010-2014
Revista Brasileira de TECNOLOGIA e NEGÓCIOS
de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina
e Biocombustíveis
Rua do Rosário, 99/7º andar – Rio de Janeiro, RJ, Brasil – CEP 20041-004 – Tel/Fax: 55 21 3221-7500
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© 2011 - Benício Biz Editores Associados Ltda.
Indústria Naval 2011
Oportunidades no offshore
e os novos investimentos da Transpetro
Fonte: MME, MT, ANP, BNDES, FMM, IBGE, Petrobras, Transpetro, Sinaval, Abeam, Arsenal de Marinha RJ, Antaq.
sumário
14
edição nº 75 nov/dez 2010
Entrevista exclusiva
com Maurício Figueiredo, vice-presidente
para a América Latina da americana Baker
Hughes
A era do petróleo
fácil acabou
17 Baker Hughes: mais de
US$ 250 milhões no Brasil
18
48
Especial: retrospectiva 2010
Um ano
incomum
Biocombustíveis
Na roda dos
biocombustíveis
52 Etanol: pioneirismo brasileiro
53 Petrobras dá início às obras
do etanolduto
54
Bons ventos no
Brasil
56 Alegria, o maior parque
eólico do Brasil
59 China terá usina eólica de
10,8 milhões de quilowatts
61 Produção local
64
Liderança em Classificação e Certificação Offshore
e-mail: [email protected] Tel: + 55 21 2276-3535
Terceiro navio
do Promef é
lançado ao mar
66 7º Encontro Nacional do Prominp:
Competitividade e mais espaço
68 Prêmio Profissional de Destaque
da Indústria de Petróleo e Gás: Reconhecimento
120
Coffee Break
A bicentenária
Biblioteca
Nacional
artigos
86 Mudança de paradigma, por João Amato Neto e Gil Anderi da Silva
88 Gestão do investimento social privado no setor petrolífero,
por Roberto Dertoni, Lucilene Danciguer e Edison Durval Ramos de Carvalhos
CONSELHO EDITORIAL
Affonso Vianna Junior
Alexandre Castanhola Gurgel
André Gustavo Garcia Goulart
Antonio Ricardo Pimentel de Oliveira
Bruno Musso
Colin Foster
David Zylbersztajn
Eduardo Mezzalira
Eraldo Montenegro
Flávio Franceschetti
Francisco Sedeño
Gary A. Logsdon
Geor Thomas Erhart
Gilberto Israel
Ivan Leão
Jean-Paul Terra Prates
João Carlos S. Pacheco
João Luiz de Deus Fernandes
José Fantine
Josué Rocha
Luiz B. Rêgo
Luiz Eduardo Braga Xavier
Marcelo Costa
Márcio Giannini
Márcio Rocha Melo
Marcius Ferrari
Marco Aurélio Latgé
Maria das Graças Silva
Mário Jorge C. dos Santos
Maurício B. Figueiredo
Nathan Medeiros
Roberto Alfradique V. de Macedo
Roberto Fainstein
Ronaldo J. Alves
Ronaldo Schubert Sampaio
Rubens Langer
Samuel Barbosa
106 Internacionalização do E&P no mercado de óleo e gás no Brasil,
por Marcos Mazzaroppi
112 O impacto dos grandes sinistros no setor de óleo & gás
e considerações sobre seguros e gestão de riscos para a indústria,
por Paulo Niemeyer Neto
114 A melhor estratégia é ter uma proposta de valor atraente,
por Fernando Armbrust Lohmann
116 Incubadoras para o futuro, por José Octávio Armani Paschoal
seções
5
6
10
64
70
75
editorial
hot news
indicadores
eventos
perfil profissional
caderno de sustentabilidade
94
98
118
120
123
124
pessoas
produtos e serviços
fino gosto
coffee break
feiras e congressos
opinião
Ano XII • Número 75 • nov/dez 2010
Fotos: Agência Petrobras, BP e Braskem
CALL FOR PAPERS CLOSES MARCH 2011
The 20th World Petroleum Congress
First for the Middle East – 4-8 December 2011,
Doha, Qatar.
Qatar: Energy supplier to the world
20th WPC Call for Papers
Submit your Abstract now at
www.20wpc.com
and join 500 Industry Leaders on the Speakers’ Panel
Your chance to present a Paper or Poster to over
4,000 Delegates at the 20th WPC
Host Sponsor
4
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TN Petróleo 75
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Filiada à
Entre o pré
e o pós-sal
D
essa vez o ano começou
rápido, sem aquela letargia
pré-carnavalesca que parecia
nos acometer nos meses de janeiro e
fevereiro, até se dissiparem os sons
da festa de Momo. Não tanto pelo
fato de o carnaval cair desta vez na
primeira semana de março, mas sim
por outros fatores, que fizeram o país
arregaçar as mangas logo na primeira semana de 2011.
A começar pela posse da primeira mulher eleita
presidente da República no Brasil,
Dilma Rousseff,
que comandou
o Ministério de
Minas e Energia
e foi ministrachefe da Casa
Civil, tendo um papel decisivo na
formulação da política energética do
Governo Lula.
Confirmada a permanência (já esperada) de Edson Lobão no MME, e a
continuidade ou nomeação de outros
ocupantes do primeiro escalão, o país
sabe que os próximos meses serão
de dura negociação entre Governo e
aliados.
Inclusive no que se refere ao
setor de petróleo e gás, que depende
de uma definição do Congresso quanto ao cálculo a ser adotado para os
royalties do petróleo do pré-sal, para
que seja realizada a primeira etapa
de licitações para a exploração de
novos blocos dessa rica área.
Com isso, acredita-se que o leilão
das áreas do pós-sal e demais blocos
seja realizado no primeiro semestre,
mas que somente no segundo entrarão em licitação blocos do pré-sal.
Independente das camadas
em que o petróleo e o gás natural
venham ‘despontando’ nas bacias
brasileiras – inclusive em terra firme,
na Bacia de Parnaíba –, o Brasil
continua despertando o interesse dos
investidores e de grandes e pequenas companhias da cadeia produtiva
de óleo e gás, como o leitor poderá
conferir na retrospectiva 2010 que a
TN Petróleo traz nessa edição.
Mais além do petróleo, o país
continua avançando na área da
energia, tanto no que diz respeito aos
biocombustíveis, dos quais é um dos
pioneiros, como no que se refere à
energia eólica, que vem mudando a
cara do Nordeste brasileiro, cada vez
mais povoado das grandes pás que
retiram do vento a energia do futuro.
A aceleração dos projetos do présal, com o afretamento de duas novas
plataformas do tipo FPSO destinadas aos projetos-pilotos da área de
Guará-Norte e do campo de Cernambi (antiga área de Iracema), mostram
que a Petrobras não tem tempo a
perder. E que pretende continuar na
vanguarda dos acontecimentos, mesmo face as primeiras especulações
em torno do pré-sal da costa oeste
da África.
Enfim, não vai faltar assunto para
as próximas edições da TN Petróleo,
que mantém firme seu compromisso
de ser a revista dessa indústria que
está dando uma contribuição decisiva
para o desenvolvimento econômico do
Brasil. Seja do pós-sal ou do pré-sal.
Benício Biz
Diretor executivo da TN Petróleo
TN Petróleo 75
5
hot news
Petrobras: recorde de produção
e reservas ampliadas
A petroleira brasileira, alçada a uma das cinco maiores companhias
de energia do mundo, encerrou o ano com toda corda.
Outro desCampo
Volume Recuperável º API
taque, ainda, Área
Total (bilhões de boe)
é a entrada em
p r o d u ç ão do Tupi
Lula
6,5
28
poço SPS-55,
Cernambi
1,8
30
que deu início Iracema
ao Teste de LonTotal
8,3
ga Duração da
área de Guará, no pré-sal da Bacia de
PA-BRSA628
Santos. O TLD com duração estimada
de cinco meses e produção diária esperada de 14 mil barris de óleo por dia
está sendo realizado no poço produtor
CERNAMBI
SPS-55, utilizando o navio-plataforma
FDPSO Dynamic Producer. A área de Guará, sob concessão
do consórcio formado pela Petrobras
(operadora), BG Group e Repsol, está
localizada no bloco BM-S-9, a cerca
de 300 km da costa do estado de São
LULA
Paulo. Os volumes recuperáveis de
20 km
óleo e gás na área de Guará estão
estimados entre 1,1 e 2 bilhões de
de Tupi, iniciado em abril de 2009,
barris de óleo equivalente, de boa
geraram as principais informações
qualidade, com cerca de 30º API.
para embasar o volume recuperável
total que está sendo divulgado hoje
Lula e Cernambi – O campo de Lula
pela companhia, assim como os Plaserá o primeiro supergigante de penos de Desenvolvimento da Produção
tróleo do país (volume recuperável
para os campos de Lula e Cernambi.
acima de 5 bilhões de boe), e o de
O Bloco BMS-11 é operado pela PeCernambi está entre os cinco maiotrobras, que detém 65% da concessão,
res campos gigantes do Brasil. Os 11
tendo como outros concessionários as
poços concluídos nas duas áreas e o
empresas BG Group com 25% e Galp
Teste de Longa Duração (TLD) na área
Energia com 10%.
Doze novos navios contratados
A Petrobras assinou, no apagar das
luzes de 2010, 12 novos contratos de afretamento de navios, por um período de 15
anos, previsto na segunda fase do Programa
Empresas Brasileiras de Navegação (EBN2).
Os documentos foram assinados pelo diretor
de Abastecimento, Paulo Roberto Costa.
Foram contratados oito navios com a
empresa Kingfish do Brasil Navegações
Ltda, sendo quatro embarcações de 45 mil toneladas de porte bru-
6
TN Petróleo 75
Ilustração: Agência Petrobras
Primeiro, agregou 8,3 bilhões de
barris de óleo equivalente às suas
reservas prováveis ao declarar a comercialidade dos campos de Tupi e
Iracema – e batizando-os, respectivamente, Lula e Cernambi.
Depois, comemorou três recordes
de produção de petróleo no Brasil em
dezembro: a média mensal de 2.120
mil barris por dia (contra 2.033 mil
barris, em abril de 2010), superior em
4,4% à de novembro (2.030 mil bpd);
o recorde diário de 2.256 mil barris,
no dia 27 de dezembro, consolidando
um patamar de produção superior a
2 milhões de barris por dia (2.003 mil
bpd) – recorde anual.
Esse desempenho decorreu, principalmente, da entrada em operação
de cinco novos poços na Bacia de
Campos, nos campos de Cachalote
e Baleia Franca, ambos interligados
ao FPSO Capixaba; os poços JUB-9
e JUB-14, interligados à recém-instalada plataforma P-57, no campo
de Jubarte; e o CRT-43, batizado
provisoriamente de Carimbé, que
é um poço produtor do pré-sal do
campo de Caratinga, conectado à
plataforma P-48. O bom desempenho
dos campos localizados em áreas maduras das regiões Norte, Nordeste e
do estado do Espírito Santo também
contribuiu para os bons resultados. to (TPB) para produtos claros (nafta, diesel, querosene, gasolina)
e outras quatro de 45 mil toneladas de porte bruto (TPB) para
produtos escuros (petróleo, óleo combustível, entre outros).
Já com a empresa Brazgax/Brazil Gás Transportes Marítimos
foram contratados quatro navios de GLP, dois com capacidade de
8 mil m³ e outros dois de 12 mil m³. As embarcações deverão ser
entregues entre 2013 e 2017.
O programa EBN é parte integrante de um conjunto de iniciativas da Petrobras para estimular a construção naval no Brasil. Essa
ação pretende reduzir a dependência do mercado externo de fretes
marítimos, gerar empregos e tem como referência parâmetros
internacionais de custos e qualidade.
Multinacionais:
mais P&D no Brasil
tivo desenvolver novas tecnologias
para soldagem de tubos, testes e
simulações para tubos de grande
diâmetro e estudos de revestimentos metálicos de polímeros.
Além disso, haverá um setor
para cuidar especificamente das
conexões premium TenarisHydril,
destinadas a operações de perfuração de poços de P&G. Os outros
centros de pesquisa da empresa
estão localizados na Argentina,
México, Itália e Japão.
Durante a cerimônia de assinatura do contrato, o vice-presidente
executivo da TenarisConfab, Túlio
Chipoletti, destacou a importância
da aproximação da companhia
com a universidade como forma
estratégica para o desenvolvimento tecnológico do Brasil.
Em janeiro de 2011, haverá
novo processo seletivo para as
três últimas vagas voltadas para a
ocupação de empresas de grande
porte no Parque Tecnológico.
O Parque Tecnológico foi inaugurado em 2003 tendo como meta
estimular a interação entre a
universidade – seus alunos e corpo
acadêmico – e empresas que fazem
da inovação o seu cotidiano. São
350.000 m² para abrigar empresas
de setores intensivos em diferentes
áreas de conhecimento.
Repsol e Sinopec:
negócios conjuntos
O presidente da Repsol, Antonio Brufau, e
o da Sinopec, Su Shulin, realizaram no início
de janeiro a primeira reunião conjunta, desde
que a companhia chinesa aportou US$ 7,111
bilhões na subsidiária da petroleira espanhola
no Brasil, no processo de ampliação de capital
subscrito integralmente pela nova parceira.
Foto: Divulgação
As multinacionais Halliburton, prestadora de serviços para
exploração e produção de petróleo,
e TenarisConfab, fabricante de
tubos aço, assinaram no dia 21 de
dezembro de 2010 contrato com
a Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) para concessão de
uso de área do Parque Tecnológico, localizado na Ilha da Cidade
Universitária. As duas empresas
vão construir unidades de pesquisa para o desenvolvimento de
novas tecnologias para o setor de
petróleo e gás.
A chegada das empresas
confirma a vocação do Parque da
UFRJ nessa área, que já conta com
empresas como Schlumberger,
FMC, Baker Hughes e Usiminas.
A previsão é que as obras sejam
iniciadas no segundo semestre de
2011 e sejam concluídas até o final
de 2012.
A Halliburton, que ocupará um
terreno de 7.000 m², investirá de
US$ 10 a 15 milhões na construção do centro de pesquisa, que
terá como foco a caracterização e
o monitoramento de reservatórios;
a produtividade, construção e
completação de poços de petróleo.
A empresa pretende desenvolver
soluções para estimulação e performance de poços, área eletrônica
e desenvolvimento de softwares
em 3D e visualização.
Já a TenarisConfab ocupará um
terreno de 4.000 m², no qual vai
construir seu quinto centro de P&D
no mundo, destinado aos setores
de petróleo e gás, mineração, construção civil e automobilística.
O novo centro terá investimentos
de US$ 21 milhões, e tem por obje-
Foto: Divulgação TenarisConfab
Halliburton e TenarisConfab assinam contrato para construção
de centros de pesquisa no Parque Tecnológico da UFRJ
Os dois executivos acordaram criar
grupos de trabalho específicos para buscar
novas oportunidades de negócios conjuntos
no mundo, indicando que essa aliança pode
ir mais além do Brasil. “Existem grandes
sinergias entre a Repsol e a Sinopec, e o
entendimento entre nossas companhias
estabelece as bases para continuar potencializando nossa aliança e explorar novas
oportunidades de negócios conjuntos em
todo o mundo”, declarou Brufau.
“O sucesso do acordo entre a Sinopec
e a Repsol reflete o desejo compartilhado
por ambas as companhias de que este seja
o início de uma aliança ampla e duradoura.
Colocaremos todo nosso empenho para consolidar e desenvolver nossa relação com a
Repsol”, confirmou Su Shulin.
A Repsol tem 60% do capital social da
companhia brasileira e a Sinopec os 40%
restantes. Estas porcentagens se refletem
na composição do Conselho de Administração e nos órgãos diretivos da companhia. A
operação supõe uma mais-valia contábil para
a Repsol de US$ 3,757 bilhões. O montante
desta operação garante os investimentos necessários para o desenvolvimento dos ativos
no offshore brasileiro, que inclui algumas das
maiores descobertas do mundo, como as
obtidas nos blocos de Guará e Carioca.
TN Petróleo 75
7
hot news
Primeira embarcação oceanográfica
importada da Noruega chega ao Brasil
Tanto o GSO Marechal Rondon, quanto
os outros navios encomendados, chegarão
ao Brasil inteiramente aptos à operação,
com equipamentos, tripulantes e equipe
técnica embarcada. Toda a equipe de trabalho passou por treinamentos especiais de
operação dos equipamentos instalados.
Segundo o presidente da Geodata Serviços Offshore, Roberto Ribeiro, quando
os três navios estiverem em pleno funcionamento, a meta de faturamento da
empresa é de R$ 200 milhões ao ano. As
embarcações estão capacitadas para coleta
de solo para estudos geoquímicos, inspeção de dutos e equipamentos e também
foram adaptadas para receberem ROVs
(remotely operated vehicle).
“São embarcações de pesquisa que
poderão fazer coleta de materiais e serviços como medições oceanográficas por
satélite, imagens de fundo oceânico e
amostragem e análise com Piston-core e
Box-core, entre outros”, conta Ribeiro. As
pesquisas acontecerão em todos os campos
já conhecidos e os novos da costa do Brasil.
Eventualmente poderão ser feitos estudos
marinhos não voltados para o petróleo.
Sobre a escolha do nome do navio,
Ribeiro conta que foi feita uma homenagem ao grande desbravador Marechal
Rondon. “Foi a forma que encontramos
de associar algo histórico com o objetivo
de exploração e pesquisa da empresa.
Os outros dois navios, que irão chegar
no segundo semestre de 2011, também
vão homenagear figuras brasileiras com
espírito desbravador”, afirma. Quando os
três navios estiverem em pleno funcionamento, a meta de faturamento da empresa
é de R$ 200 milhões ao ano.
De acordo com Ribeiro, todas as embarcações chegarão ao Brasil inteiramente
aptas à operar, com equipamentos, tripulantes e equipe técnica embarcada. Toda a
equipe de trabalho passou por treinamentos
especiais de operação dos equipamentos
Foto: Divulgação
Em um investimento de R$ 30 milhões, a Geodata Serviços Offshore, empresa atuante no
mercado de serviços ambientais e oceanográficos ligados à exploração de petróleo offshore,
adquiriu três embarcações oceanográficas vindas da Noruega. A primeira é a GSO Marechal
Rondon, que foi lançada no país em dezembro de 2010.
instalados. “Os navios similares que atualmente operam no Brasil são estrangeiros
que vieram cumprir contratos específicos.
Eles não têm o nível operacional do nosso,
que possui uma gama completa de equipamentos, podendo fazer todo o tipo de
pesquisa oceanográfica”, finaliza.
A Geodata é controlada pela Georadar Levantamentos Geofísicos, empresa de geosserviços que atua nos
segmentos de óleo e gás, de mineração
e de monitoramento, diagnóstico e remediação ambiental.
O lucro líquido da Evonik quase
quadruplicou nos primeiros nove
meses, levando a empresa a prever
um recorde histórico de lucros na área
química e redução da dívida financeira líquida com o aumento no fluxo de
capital. Os investimentos planejados
visam maior crescimento. “O terceiro
trimestre continuou forte; os primeiros
nove meses foram excelentes. Estamos satisfeitos com nosso negócio”,
comentou Klaus Engel, presidente do
Conselho Executivo da Evonik Industries, quando o grupo publicou seus
principais números financeiros para o
terceiro trimestre e para os primeiros
nove meses de 2010.
Na área de Químicos, com maior
demanda global, uma melhora substancial em capacidade de utilização e ações
efetivas para aumentar a eficiência
elevaram os ganhos consideravelmente.
“No fim dos primeiros nove meses, os
8
TN Petróleo 75
Foto: Divulgação
Evonik prevê crescimento recorde
ganhos da nossa área de químicos estão
a caminho de um recorde histórico”,
comentou Engel. A área de Energia
também mostrou grande melhora.
A Evonik espera que a tendência dos negócios continue positiva
no quarto trimestre e anunciou uma
estimativa para o ano: “Esperamos
resultados excelentes com mais de 20%
de crescimento de vendas”, disse Engel. Ao mesmo tempo, a Evonik iniciou
investimentos estrategicamente importantes para garantir que a trajetória de
crescimento continue no longo prazo.
O Grupo Evonik tem expectativas
de que a tendência de bons negócios
continue no quarto trimestre, apesar de
que fatores sazonais indiquem que não
será possível manter os bons números
dos trimestres anteriores.
Em geral, a Evonik prevê um desempenho excelente para o ano fiscal
de 2010. Graças à demanda global
sustentada, se espera que as vendas
cresçam mais de 20% durante o ano.
Os lucros serão consideravelmente
maiores que no ano anterior. O Grupo
antecipa que a área de Químicos
apresentará um desenvolvimento especialmente bem sucedido e relatará
um histórico recorde de lucros antes
de juros e impostos.
Aprimore e oriente seu caminho para uma produtividade superior.
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©2010 ExxonMobil Corporation. O logotipo Mobil® e o desenho do Pegasus são marcas
registradas da ExxonMobil Corporation, de suas subsidiárias ou distribuidores autorizados.
TN Petróleo 75
9
indicadores tn
2010: recorde de consumo e importações de aço,
mas sobra capacidade na indústria nacional
O acréscimo constatado em 2010 em
relação aos dois anos anteriores deve-se
às importações, que no ano em curso estão
estimadas em 5,9 milhões de toneladas, crescimento de 154% na comparação com o ano
passado e de 123% em relação a 2008. “No
pós-crise, a América
Latina passou a atrair
volumes crescentes de
exportações e isso foi
percebido claramente
no Brasil. O recorde de
consumo infelizmente
não significou recorde
de produção de aço no
país, mesmo com sobra de capacidade”, afirmou o presidente do
Conselho Diretor do IABr, André B. Gerdau
Johannpeter.
O aumento das importações reflete em muito
os efeitos do câmbio valorizado, da persistência
de elevados excedentes de oferta no mercado internacional e a existência de incentivos estaduais
à importação. Tais incentivos têm prejudicado o
desenvolvimento da indústria e a geração de empregos no país e já tiveram sua constitucionalidade
questionada junto ao Supremo Tribunal Federal
(STF) por órgãos representantes do empresariado
e dos trabalhadores.
A produção brasileira de aço bruto está
estimada pelo Instituto Aço Brasil, para 2010,
em 33,1 milhões de toneladas, crescimento de
25% em relação ao ano passado. As vendas
internas devem apresentar crescimento de
30,4% em relação a 2009, chegando a 21,3
milhões de toneladas. As exportações de produtos siderúrgicos no período devem totalizar
8,7 milhões de toneladas e 5,5 bilhões de dólares, representando aumento de apenas 1% de
volume, quando comparado com 2009.
Frente às projeções macroeconômicas
do Brasil para 2011, o IABr estima o consumo aparente de produtos siderúrgicos em
28,3 milhões de toneladas no ano que vem,
aumento de 6%. “Não conseguimos, porém,
estimar números de comércio exterior, porque dependerá da evolução das condições de
competitividade da indústria brasileira frente
à concorrência desleal, custos tributários
elevados e política cambial. Entendemos que
10
TN Petróleo 75
Foto: Banco de Imagens Stock.xcng
O Brasil deve fechar 2010 com recorde de consumo aparente de produtos siderúrgicos, impactado
fundamentalmente pelo aumento das importações. Segundo previsão do Instituto Aço Brasil (IABr), o
consumo aparente deve ser de 26,8 milhões de toneladas este ano, 44% a mais do que em 2009 e 11%
acima de 2008, período pré-crise.
no mundo pós-crise, muito mais competitivo,
torna-se imprescindível preservar o mercado
interno e priorizar o crescimento sustentado”,
disse o presidente executivo do Instituto Aço
Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.
Empreendedores se recuperam com novas contratações
Brasil mostra fortes sinais de que o empreendedorismo está se preparando para um
grande impulso de recuperação com investimentos em pessoal.
Empreendedores de todo o mundo estão
mais inclinados a apostar no aquecimento
econômico e contratar pessoal do que as grandes empresas. E, como as PMEs respondem
por mais de 50% do emprego em qualquer
economia, esse é um importante indicador de
crescimento futuro. A Regus, empresa de soluções de espaço de trabalho, colheu as opiniões
de empresários no mundo inteiro, para obter
um panorama do setor de PMEs nos diferentes
países. Entre os empreendedores que participaram da pesquisa, 2/3 (40%, líquido) dos
entrevistados pretendem aumentar o quadro
funcional de suas empresas nos próximos
seis meses, ante uma média de 36%, líquido,
entre as grandes companhias. Além disso, as
empresas estão tão abertas a empregar mães
em retorno ao mercado de trabalho quanto as
corporações (36%).
Participaram da pesquisa mais de cinco
mil empreendedores de 78 países, que responderam a perguntas sobre as recentes
tendências na receita e no lucro de suas
empresas, além de intenções de contratação
nos próximos seis meses. Outra conclusão do
estudo é que os pequenos empreendimentos
tendem a ser mais flexíveis quanto ao local
de trabalho (76%) do que as empresas em
geral (66%), um indicador de que atender às
necessidades do pessoal é uma prioridade
que essas companhias reconhecem como
necessidade para reter os melhores talentos.
No Brasil, 56% das empresas são flexíveis
quanto à localização do ambiente de trabalho,
56% (líquido) pretendem aumentar pessoal e
mais de 1/3 (39%) planejam contratar mães
voltando a trabalhar.
“As empresas empreendedoras confirmam seu papel como motores do crescimento, fornecendo o combustível para acelerar
o crescimento de seu país”, afirma Mark
Dixon, diretor executivo da Regus. “Apesar
de as estatísticas de desempenho mostrarem resultados mistos, os indicadores de
expansão gerais sinalizam estabilização”,
observa Dixon. “Na comparação com corporações em situação estável, os projetos dos
empreendedores, por sua própria natureza,
estão expostos a um maior nível de risco,
são altamente voláteis e mais sensíveis a
altos e baixos no lucro e na receita”, reflete.
Para Dixon, um indicador mais relevante na
avaliação do nível de confiança no curto prazo
é a atitude das PMEs de empreendedores em
relação ao aumento de pessoal.
“No Brasil, onde as PMEs respondem
por 50% do emprego no setor privado e
representam 99% dos 5,8 milhões de empresas formais , vemos fortes sinais de que
o empreendedorismo está se preparando
para um grande impulso de recuperação com
investimentos em pessoal. Em vez de reduzir
os recursos humanos, as PMEs estão optando por oferecer mais flexibilidade quanto
ao local de trabalho e reduzir custos com
espaço físico para escritórios, para atrair
e recompensar funcionários com grandes
talentos, como mães retornando ao mercado
O pior já passou?
Para a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a demanda mundial de petróleo aumentou em 1,3 milhão de barris/dia em 2010, ou seja, mais 190 mil barris diários que o
estimado inicialmente.
de trabalho, que se beneficiarão de um melhor
equilíbrio entre trabalho e vida.”
Mão de obra qualificada
Até 2016 estão previstas 9.550 obras em
todo o Brasil. Com a forte demanda, a formação profissional tornou-se mais um desafio
para o mercado. De olho na necessidade de
treinamento, a ArcelorMittal promoveu durante o evento cursos gratuitos para pedreiros
e mestre de obras. Mais de 50 operários
participaram das aulas no caminhão-escola
da empresa, que também ficou na parte ex-
Produção de países-membros da Opep e não-membros – dez/08 a nov/10
câmera lenta e passando por turbulências. Para
o cartel, a China continua sendo a economia que
mais contribuirá para o aumento do consumo
de petróleo, apesar das tentativas de Pequim de
controlar as despesas em energia. Ainda assim,
a Opep estima que o consumo em 2011 no país
será 5,14% maior do que em 2010.
Após 35 anos, o Irã volta a presidir a Opep
– O Irã volta a presidir a Opep em janeiro.
O país não ocupa o posto desde 1975, quando
era uma monarquia sob o xá Reza Pahlevi,
apoiado pelos EUA. Naquela época, o Irã
respondia por 7% das importações norteamericanas de petróleo bruto.
Em dezembro, o embaixador do Irã na
Opep, Mohammed Ali Jatibi, afirmou que o
mercado global está à beira da crise devido à incerteza que existe sobre a provisão
de energia. Para Jatibi, o preço do petróleo
superará a barreira dos US$ 100 por barril
em um futuro não muito distante.
terna do evento. Os professores do curso
Maq Operações, especializado no treinamento
de operários para máquinas pesadas como
empilhadeiras, tratores, guindastes e escavadeiras, levaram 30 alunos para conhecer
de perto os equipamentos. Segundo Jeferson
Barros, professor da Maq Operações, o IBGE
no Brasil divulgou recentemente um déficit
de nove mil operadores, o que vem obrigando as empresas a importar profissionais de
outros países.
“O Brasil é um dos únicos países da
América Latina que não tem um curso téc-
Nov 10
Set 10
Out 10
Jul 10
Ago 10
Jun 10
Abr 10
Maio 10
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82
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27
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29
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85
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30
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31
Maio 09
87
Fev 09
32
Mar 09
88
Jan 09
33
Dez 08
O consumo mundial crescerá este ano
para 85,78 milhões de barris de petróleo por
dia, superando a previsão anterior em 0,22%.
Segundo a Organização, 2011 será um ano de
crescimento da demanda, que poderá atingir os
86,95 milhões de barris diários. Apesar de este
número representar um acréscimo de 0,14% em
relação às últimas estimativas, a Opep alerta
que ocorreu uma redução do consumo.
A procura de petróleo junto aos países da
Opep é agora estimada em 28,8 milhões de
barris diários, o que representa um acréscimo
de 0,3 milhão de barris diários em relação ao
relatório anterior. No entanto, isso ainda representa uma redução de 0,2 milhão de barris
diários em relação ao último ano. Para 2011
a previsão é que a demanda deverá atingir,
em média, 29,2 milhões de barris diários, o
que significa um acréscimo de 0,4 milhão
de barris diários em relação às estimativas
anteriores.
A revisão em alta da Opep está alinhada
com as previsões divulgadas no relatório
anual da Agência Internacional da Energia
(AIE). Nos países ricos, as expectativas foram
superadas como resultado de uma melhor
atividade econômica e o aumento do consumo
de petróleo na América do Norte, Europa e
nos industrializados da Ásia e Oceania.
No entanto, os analistas continuam prudentes quanto à evolução do consumo nos
Estados Unidos, considerando que tudo depende do modo como irá progredir a economia
norte-americana, bem como das condições
climáticas ao longo do inverno.
A Opep reconhece que cresce o otimismo
sobre as perspectivas para a atividade econômica em 2011, adiantando que, no entanto,
a recuperação econômica vai evoluindo em
“Os mercados globais estão muito perto de uma crise pela incerteza da provisão
de petróleo. O mundo está preocupado
com as garantias no abastecimento de
petróleo pois chegou antecipadamente
o descenso da produção e o declive da
oferta dos países que não pertencem à
Opep”, disse. “Nos últimos anos, alguns
dos países produtores que não são membros da Opep estiveram abarrotando o
mercado, mas isto já não será possível
em um futuro próximo devido à queda da
produção”, acrescentou.
Jatibi sugeriu que uma possível solução para garantir o fornecimento mundial
seria uma alta dos preços. “Uma das soluções seria aumentar o investimento na
indústria petrolífera e a este respeito uma
alta do preço do petróleo contribuiria para
encorajar este investimento”, argumentou.
Assim, Jatibi previu que o preço do barril de
petróleo podia superar os US$ 100.
nico para estes profissionais. Somos o primeiro curso no Brasil para operadores de
máquinas pesadas. Este tipo de formação
é importante porque cada tipo de serviço e
equipamento exige uma habilidade específica”, explica.
Investimentos externos chegam
a 1,9% do PIB
Investimento estrangeiro direto retornou ao nível pré-crise, depois de uma
evolução muito fraca em 2009 e durante
boa parte de 2010.
TN Petróleo 75
11
indicadores tn
Frases
“Nos últimos anos, alguns dos países produtores que não são membros da Opep estiveram abarrotando o mercado, mas isto já não será
possível em um futuro próximo devido à queda da produção.”
Mohammed Ali Jatibi, embaixador do Irã na Opep. 07/12/2010 – Agência EFE
“O pré-sal é o nosso passaporte para o futuro. Recusaremos o gasto
apressado que reserva as dívidas para as futuras gerações.”
Dilma Rousseff, presidente do Brasil. 01/01/2011 – O Globo
“Para a Petrobras, é bom (ser operadora única) por diversificar as áreas
e reduzir os custos. A Petrobras é a empresa com maior experiência
do mundo em águas profundas. Garante a qualidade técnica. É bom
que seja o operador único.” José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras,
De acordo com o Banco Central, o Brasil
registrou um déficit em conta corrente de
US$ 4,7 bilhões em novembro deste ano,
valor bem acima da média observada entre
janeiro e outubro (US$ 3,9 bilhões). Nos 12
meses terminados em novembro, o déficit nas
transações correntes chegou a US$ 49,4 bilhões (2,4% do PIB), contra US$ 24,3 bilhões
no ano de 2009 (-1,5% do PIB) e US$ 28,2
bilhões em 2008 (-1,8% do PIB).
A conta capital-financeira foi superavitária em US$ 7,8 bilhões em novembro,
ligeiramente abaixo da média de US$ 8,3
bilhões/mês observada entre janeiro e outubro. Os ingressos líquidos de Investimentos
Estrangeiros Diretos (IED) chegaram a US$
3,7 bilhões em novembro (acima da média de
US$ 2,9 bilhões observada entre janeiro e
outubro). Em 12 meses o IED atingiu a marca
de US$ 38,2 bilhões, ou 1,9% do PIB.
durante cerimônia de registro do balanço de governo 2003-2010. 15/12/2010
– Agência Estado
“Vamos continuar observando. O dólar é flutuante e não dá para
arriscar. No momento temos verificado que há flutuações internas e
externas.” Guido Mantega, ministro da Fazenda. 06/01/2011 – Agência Estado
Produção da Petrobras de óleo, lgn e gás natural
Produção de óleo e LGN (em mbpd) - Brasil (junho
Jun
Jul
Ago
Bacia de Campos
1.648,4
1.672,1 1,678,4
Outras (offshore)
115,4
120,4
124,4
Total offshore
1.763,8 1.792,5 1.802,8
Total onshore
214,0
212,5
219,7
Total Brasil
1.977,8 2.005,0 2.022,5
a novembro/2010)
Set
Out
Nov
1.604,2 1.609,4 1.697,1
124,8
125,6
118,6
1.729,0 1.734,9 1.815,6
214,9
203,9
215,3
1.943,9 1.938,8 2.030,9
Produção de GN sem liquefeito (em mm³/d)* - Brasil (junho a novembro/2010)
Bacia de Campos
Outras (offshore)
Total offshore
Total onshore
Total Brasil
Jun
26.015,2
11.908,8
37.924,0
15.706,4
53.630,4
Jul
Ago
Set
Out
Nov
25.690,0 25.216,5 24.110,7 23.713,1 24.653,2
11.216,0 11.385,8 14.189,3 16.918,5 15.460,7
36.906,0 36.602,3 38.300,0 40.631,6 40.113,9
15.695,0 15.782,5 15.473,3 14.188,1 15.174,1
52.601,052.384,9 53.773,3 54.819,755.288,0
Produção de óleo e LGN (em mbpd)** - Internacional (junho a novembro/2010)
Exterior
Jun
154,6
Jul
150,6
Ago
151,6
Set
153,6
Out
155,8
Nov
147,6
Produção de GN sem liquefeito (em mm³/d) - Internacional (junho a novembro/2010)
Exterior
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
15.878,1 16.047,0 16.170,0 15.955,0 16.109,0 15.978,0
Produção total de óleo, LGN e de gás natural (em mboe/d) (junho a novembro/2010)
Brasil+Exterior
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
2.563,2 2.580,9 2.598,8 2.529,9 2.534,2 2.620,4
(*) Inclui gás injetado.
(**) Em 2003 inclui os dados da Petrobras Energia (ex-Pecom).
12
TN Petróleo 75
Fonte: Petrobras
Petrobras bate recordes anual,
mensal e diário de produção
de petróleo
A Petrobras alcançou em dezembro
três novos recordes de produção de petróleo
no Brasil: média mensal, anual e diária. A
média mensal recorde de dezembro deverá
ficar em torno de 2 milhões e 120 mil barris
por dia (bpd). O recorde anterior, obtido em
abril deste ano, foi de 2 milhões e 33 mil
bpd. Confirmado esse resultado, o volume
produzido no mês será 6,7% superior à produção de dezembro de 2009 e 4,4% acima da
produção de novembro deste ano.
Além do recorde mensal, a empresa registrou mais um recorde diário. No dia 27 de
dezembro a produção de petróleo chegou a
2 milhões e 256 mil barris. Com esses resultados, a companhia fecha 2010 com um
patamar de produção superior a 2 milhões
de barris por dia, o que configura, também,
um novo recorde anual.
Ao longo do mês de dezembro a estatal
bateu sucessivos recordes diários de produção: no dia 4 foram extraídos, dos campos
nacionais, 2.088.560 barris de petróleo
diários (bpd); no dia 5 a produção foi de
2.117.321 bpd; em 13/12 chegou a 2.154.518
bpd e, no dia 24, atingiu 2.166.504 bpd.
TN Petróleo 75
13
entrevista exclusiva
Maurício Figueiredo, vice-presidente
para a América Latina da americana Baker Hughes
A era do petróleo fácil
acabou
Quem afirma isso é o baiano Maurício Figueiredo, vice-presidente para a
América Latina da americana Baker Hughes, terceira maior companhia
fornecedora mundial de equipamentos para perfuração e completação de
poços. Com sede em Houston e no Brasil desde o final da década de 1960,
a empresa, que opera em mais de 90 países, está atrás apenas da francesa
Schlumberger e da conterrânea Halliburton.
por Cassiano Viana
Graduado em Engenharia Mecânica, Figueiredo, que está na companhia desde 1979 – a Baker foi praticamente seu primeiro emprego – tem
conhecimento acumulado para falar
da companhia no Brasil e sobre petróleo. Parceira antiga da Petrobras,
a norte-americana vem, ao longo dos
anos, aperfeiçoando cada vez mais seu
aparato tecnológico tendo em vista a
superação dos novos desafios.
Em entrevista exclusiva à TN
Petróleo, Figueiredo enumera os investimentos no Brasil, considerado
estratégico para a Baker Hughes, e
conta como a empresa contribuiu com
a Petrobras na redução do tempo necessário para perfuração de um poço
no campo de Tupi em até 37%.
TN Petróleo – Fale um pouco da trajetória da Baker Hughes no Brasil.
Maurício Figueiredo – A empresa
está no Brasil desde o final da década
de 1960, quando se fez representar pela Brasquip, cuja sede era em
Salvador, Bahia. Em 1973, ela veio a
adquirir a Brasquip, tomando a decisão de estar presente no Brasil,
14
TN Petróleo 75
através da Hughes Tool Company, que
já fornecia para o país equipamentos
(brocas de perfuração e ferramentas
de completação da Baker Oil Tools).
Pouco tempo depois, em 1977, foi
construída a fábrica em Salvador,
em Porto Seco Pirajá.
Em 1987, demos início à produção
de bombas centrífugas submersas
no Brasil. No final do mesmo ano,
aconteceu a união da Baker Oil Tools com a Hughes Tool Company. O
impacto dessa união foi evidentemente o crescimento da empresa e
o ganho de tecnologia que veio associado: a empresa passou a atuar
num segmento bem mais amplo da
exploração e produção. No entanto,
simultaneamente ocorreu a queda da
atividade no Brasil.
Por quê?
O governo proibiu os contratos
de risco que a Petrobras tinha com
empresas como Shell, Total, Exxon e,
como consequência disso, reduzimos
as atividades de mais de cem para
15 sondas no Brasil. Ficaram apenas
as sondas que eram da Petrobras
na época. Isso implicou uma queda
dramática do mercado, que culminou
com o fechamento da fábrica que nós
tínhamos no país, em 1990. Tivemos de
demitir muitos funcionários no Brasil,
para ajustar a empresa ao tamanho do
mercado. Mas claro que essa queda
impactou toda a indústria no Brasil.
Foi um verdadeiro retrocesso.
E com a quebra do monopólio?
Com a abertura do mercado, em
1997, a indústria voltou a crescer. No
entanto, como tem sido dito, a era do
petróleo fácil já acabou. Daí, a decisão
acertada da Petrobras de acelerar o
processo de aumento de produção de
óleo e gás no país. A tendência é de que,
a produção atual em queda (dos campos existentes) e o consumo crescente
de petróleo, principalmente nos países
em desenvolvimento, representam um
grande desafio. Com a maturidade dos
campos de petróleo em todo o mundo, a
expectativa é de que até 2030, a produção vai sofrer uma perda de até 70% do
que é produzido hoje nestes campos. Daí
a necessidade de se apressar a produção
de novas descobertas como o pré-sal.
Fotos: Ricardo Almeida
Os investimentos de
E&P no Brasil saíram
da ordem de pouco
mais de US$ 3 bilhões
aos níveis atuais
de US$ 15 bilhões.
Esse crescimento
foi extremamente
acentuado. Avaliamos
que esses níveis
de investimento só
tendem a crescer,
sobretudo
a partir de 2013.
Que deixam o Brasil em posição estratégicamente muito confortavel.
manda crescente e aumentar o nosso
conteúdo local em produtos.
Quais os principais marcos (grandes
contratos, por exemplo) da Baker Hughes no país?
Eu diria que a Baker passou por
algumas fases importantes, mas o
marco principal da companhia, o mais
recente, foi a partir de 2004, quando a
matriz definiu o Brasil como uma das
suas áreas estratégicas de investimento. E desde então temos investido
fortemente no Brasil, em contratações e construção de infraestrutura
para atender um mercado que a gente
previa que iria crescer com rapidez.
Desde 2005 a Baker Hughes cresceu
385% no Brasil. Voltamos a investir
em fábricas no país para atender à de-
O que vocês fizeram?
Os planos são de expansão da unidade hoje em construção em Macaé (RJ).
Lá está sendo construído um complexo
que terá, além da fábrica de brocas e
ferramentas, um centro de reparo e
manutenção, e um centro para a área
de tubulares. O investimento total deve
estar próximo de US$ 50 milhões. A
inauguração da fábrica, já com o maquinário, deverá acontecer em até abril
ou maio do ano que vem. A capacidade
será de fabricação de até cem brocas e
até 70 ferramentas diariamente.
Qual a expectativa para os próximos
dez anos?
Os investimentos de E&P no Brasil
saíram da ordem de pouco mais de
US$ 3 bilhões aos níveis atuais de
US$ 15 bilhões. Esse crescimento foi
extremamente acentuado. Avaliamos
que esses níveis de investimento só
tendem a crescer, sobretudo a partir
de 2013, quando terá início em escala acelerada o desenvolvimento nos
campos do pré-sal.
O quanto a crise econômica afetou o
desenvolvimento da companhia?
No Brasil, a crise econômica não
afetou em nada a Baker Hughes. Eu
diria até que teve uma repercussão
mínima. O impacto maior na atividade em nível mundial é decorrente
do acidente que a indústria viveu no
poço de Macondo, no Golfo do México.
TN Petróleo 75
15
entrevista exclusiva
a Baker Hughes está
investindo cerca de
US$ 30 milhões em um
centro de tecnologia
voltado para os
desafios do pré-sal,
no Rio de Janeiro.
Este acontecimento impactou todos os
segmentos da indústria de petróleo,
desde a imagem perante a sociedade
a consequências econômicas do acidente. Ninguém saiu ileso dele.
O que mudou com a compra da BJ Services, em 2009, e com a compra de diversas empresas na área de reservatório?
A Baker foi muito beneficiada com
a crise econômica por estar muito
capitalizada quando ela ocorreu. E
isso lhe deu a oportunidade de fazer
muitas aquisições que fortaleceram
sua posição no segmento em que atua.
A BH é uma empresa genuinamente
de E&P e aproveitou esse momento
para reforçar a posição em alguns segmentos como a área de reservatórios
e bombeio. A Baker adquiriu empresas
como a Epic Consulting Services, a
Gaffney, Cline, a GeoMechanics International (GMI) a RDS e a Jewel
Suite, todas na área de reservatórios. Essas aquisições lhe conferiram
uma posição de destaque na área de
reservatórios. E a aquisição da BJ
veio para complementar um gap que
tínhamos na área de pumping. Com
isso, estamos em praticamente todos
os segmentos da área de serviços e
produtos para E&P. Estrategicamente
muito bem posicionada para competir nesse cenário que se desenha no
Brasil com o desenvolvimento dos
campos do pré-sal.
16
TN Petróleo 75
Falando em tecnologia, quais os carros-chefes da empresa no Brasil?
Podemos destacar o trabalho que
a Baker vem desenvolvendo com a
Petrobras na busca de ganho de eficiência para perfuração dos poços
do pré-sal. A Baker introduziu nesse
cenário algumas tecnologia como o
(sistema de perfuração) TruTrak, o
(sistema de monitoramento de perfuração em tempo real) Copilot, que é
outra tecnologia introduzida no Brasil
recentemente, as ferramentas de ressonância magnética. Essas tecnologias
aliam-se a uma tecnologia de broca
de perfuração chamada Quantec, e
geraram ganhos importantíssimos para
a Petrobras na eficiência da perfuração
no pré-sal. Somos ainda a única empresa a oferecer a ferramenta MaxCore
que produz testemunhos laterais de
grande volume (três vezes maior que
as ferramentas convencionais).
Qual o impacto do pré-sal no desenvolvimento tecnológico?
Como vislumbramos essa necessidade por novas tecnologias desde o
início de 2008, tudo está acontecendo
em ritmo razoável. É sempre corrido,
mas nada emergencial. Tivemos um
primeiro fórum de tecnologia com a
Petrobras para entender os desafios
e alinhar nossa área de pesquisa e
desenvolvimento em Agosto de 2008.
Ou seja, estamos falando de dois anos
atrás, quando iniciamos os trabalhos
para ajudar a indústria e principalmente a Petrobras a superar os desafios
do pré-sal.
Foi o primeiro grande workshop promovido por empresas parceiras?
Esse workshop foi um marco no
estudo dos principais desafios do présal. O fato de termos iniciado isso com
antecedência nos ajudou a focar nesses
desafios e perceber que precisávamos
de um centro tecnológico aqui no Brasil,
para facilitar a parceria com a Petrobras e com as universidades locais.
A Baker Hughes também colaborou
com a Petrobras na perfuração de um
poço no campo de Tupi, reduzindo o
tempo de perfuração em 37%. Para
seguir gerando ganhos deste tipo para
os nossos parceiros, a empresa está
investindo cerca de US$ 30 milhões em
um centro de tecnologia com principal
foco para os desafios do pré-sal, no
Rio de Janeiro.
Quais são os investimentos hoje da
BH no Brasil em P&D em termos de
parceria tecnológica?
Além do centro tecnológico no
Fundão, estamos montando um centro
de testes para bombeio centrífugo
submerso, além de um centro de
excelência para produtos químicos,
ambos em Macaé. Hoje estamos desenvolvendo nossos produtos químicos aqui no Brasil. A ideia é fortalecer este segmento, principalmente
na área de fluidos de perfuração e
fluxo de produção (flow assurance).
São várias iniciativas simultâneas,
além de uma fábrica de brocas – já
em construção –, todas em Macaé,
com previsão de inauguração para
abril ou maio de 2011. O centro de
testes, que deve estar funcionando
entre dezembro desse ano e janeiro
do ano que vem, será o único da Baker
Hughes fora dos Estados Unidos e o
único na América Latina.
a era do petróleo fácil acabou
Qual a importância da parceria e acordos tecnológicos dos centros de P&D
da Baker Hughes com instituições
acadêmicas locais, como Coppe/UFRJ
e Poli/USP?
Além da parceria com a Petrobras
e de projetos conjuntos em desenvolvimento, temos parcerias, projetos em
andamento com a PUC/RJ, a Unicamp
e a UFRJ. São projetos distintos. Com
a Unicamp são projetos na área de
reservatório; com a PUC, projeto na
área de construção de poços e com a
UFRJ. Além do centro, estamos dando
suporte à montagem de um laboratório de última geração para testes de
brocas de perfuração.
sileiro. O que isso representou para
a empresa?
Esse foi um passo importante na
consolidação do Brasil como polo produtor de tecnologia. A Baker já atua no
mercado brasileiro há cerca de 40 anos
e agora a empresa norte-americana
alavancará seus investimentos na área
de desenvolvimento de tecnologias no
Brasil, tendo como foco as demandas
da Petrobras e das demais parceiras.
A assinatura desse memorando é um
marco importantíssimo no relacionamento com a Petrobras. Ele alavancará
investimentos no Brasil e transferirá
tecnologia, garantindo a manutenção
de conhecimento no país. O acordo
resultará na contratação de cientistas
dentro e fora do país e contribuirá para
o crescimento do conteúdo local dos
produtos e serviços da Baker Hughes.
Contribuirá, ainda, para priorizar o
desenvolvimento de tecnologias da
empresa para atender às necessidades
específicas da indústria local.
Qual o investimento previsto nesse
projeto?
O investimento estimado para os
próximos quatro anos será de R$ 32
milhões para a Petrobras e de R$ 56
milhões para a Baker Hughes. A iniciativa prevê, também, o envolvimento das
universidades de Campinas (Unicamp),
da Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro (PUC-Rio), Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ) e a Estadual do
Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf),
localizada em Macaé, que atuarão em
parceria. O Centro de Tecnologias funcionará como um polo de desenvolvimento
e aplicação de tecnologias e atuará nas
áreas de caracterização de reservatórios,
otimização da perfuração, completação
de poços e produção. O foco do trabalho
a ser desenvolvido estará voltado para
a redução de custos de construção e
avaliação de poços em águas profundas e
para a otimização da produção e do fator
de recuperação dos reservatórios, com a
gradativa evolução do conhecimento.
Baker Hughes: mais de US$ 250 milhões no Brasil
ração e completação, a empresa decidiu
duplicar sua base em Lagomar, Macaé,
e construir um poço de testes para BCS
(único na América Latina), além de uma
nova base e laboratórios para centralizar operações com produtos químicos
e um complexo no qual abrigará uma
fábrica de brocas de perfuração, operações de completação e operações da
BJ Services.
Por fim, após identificar os incontáveis desafios tecnológicos resultantes
das atividades no pré-sal, decidiu, em
2009, construir um Centro Tecnológico
no parque da UFRJ, com foco principal
na construção de poços e maximização
da produção dos campos do pré-sal.
Assim, a Baker Hughes investiu no
Brasil mais de U$ 250 milhões nos últimos três anos e planeja investir mais de
U$ 100 milhões em 2011. Conta hoje com
cerca de dois mil funcionários e detém
a liderança de mercado na maioria dos
segmentos em que atua no Brasil.
A previsão de faturamento da Baker
Hughes para 2010 é de US$ 13 bilhões
e os negócios no Brasil representam
cerca de 5% desse valor.
Em julho do ano passado, foi assinado,
com a Petrobras, acordo de cooperação
tecnológica voltado para pesquisa e
desenvolvimento de tecnologias para
as áreas de poço, reservatórios e
elevação e escoamento de petróleo,
com foco nos projetos do pré-sal bra-
Terceira maior companhia fornecedora mundial de equipamentos para
perfuração e completação de poços,
atrás apenas da Schlumberger e da Halliburton, seus principais concorrentes, a
Baker Hughes, com sede em Houston
(EUA), opera em mais de 90 países.
A norte-americana está no Brasil desde o final da década de 1960,
quando se fez representada aqui pela
Brasquip, cuja sede era em Salvador
(BA). Em 1973, adquiriu a Brasquip e
decidiu estar presente no Brasil através da Hughes Tool Company, que já
fornecia para o país equipamentos
(brocas de perfuração e ferramentas de
completação da Baker Oil Tools). Pouco
tempo depois, em 1977, foi construída
a nova fábrica em Salvador, em Porto
Seco Pirajá.
Em 1987, teve início a produção de
bombas centrífugas submersas no Brasil. No final do mesmo ano, aconteceu
a união da Baker Oil Tools com a Hughes Tool Company, formando a Baker
Hughes Inc.
Projeto do Centro Tecnológico
na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro
No final da década de 1980, foram
fechadas duas fábricas devido à queda
de atividades no Brasil: uma em São
Paulo e uma na Bahia, nas quais eram
fabricadas brocas de perfuração, ferramentas de completação e bombas
centrifugas submersas.
Com a abertura de mercado no final da década de 1990 e o consequente crescimento da atividade, a Baker
Hughes estabeleceu o Brasil como um
foco de investimentos e construiu uma
grande base em Macaé (RJ), em 2005,
de onde dá suporte à sua atividade de
perfuração, avaliação de formações,
BCS e completação.
Após numerosas conquistas nos
últimos cinco anos, nas áreas de perfu-
TN Petróleo 75
17
retrospectiva 2010
2010
O ano de 2010 foi acidentado, não só no sentido de
acontecimentos infelizes, mas também pausas, alterações,
acasos, acontecimentos imprevistos. Tanto, que o presidente
americano Barack Obama afirmou que o vazamento da
Deepwater Horizon, no Golfo do México, é o ‘11 de Setembro’
do meio ambiente e da indústria do petróleo mundial.
18
TN Petróleo 75
por Cassiano Viana
Um ano incomum
N
o Brasil, tivemos de
esperar o Plano de
Negócios da Petrobras, divulgado com
vários meses de atraso
e conviver com temas
como capitalização, cessão onerosa,
Petro-sal, eleições, discussões sobre
royalties etc. Também foi mais um
ano sem Rodada de Licitações da
ANP (Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis).
Por outro lado, foram anunciados vários investimentos em
Pesquisa & Desenvolvimento no
país, vindos de empresas como
GE, TenarisConfab, FMC, Repsol
e Schlumberger. Além disso, tivemos a bem-vinda ampliação do
Centro de Pesquisas da Petrobras
(Cenpes) e a aprovação do Finep
(Financiadora de Estudos e Projetos) para infraestrutura laboratorial para o pré-sal, cujos projetos
do CTDUT (Centro de Tecnologia de Dutos) e IPT (Instituto de
Pesquisas Tecnológicas) foram os
principais contemplados.
Em compasso
de espera – Passado pouco mais
de um ano da
mais profunda
crise econômica
desde a Grande Depressão, a economia global parecia, em janeiro,
ingressar em uma fase de recuperação. “O Brasil se mostrou no caminho certo, por meio de sua política
econômica e monetária profissional
e confiável, fazendo com que tenhamos perspectivas animadoras
TN Petróleo 75
19
Foto: Agência Petrobras
retrospectiva 2010
para 2010”, avaliou, em janeiro,
Bernardo Moreira, sócio responsável pelo setor de petróleo e gás
da KPMG no Brasil.
Em fevereiro, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa
confirmou o que muitos já pressentiam: divulgação do Plano de
Investimentos para o período de
2010- 2014 só mesmo após a aprovação do novo marco regulatório.
“Não faz sentido algum aprovar
um plano se estamos prestes a
fazer uma capitalização do porte previsto no novo marco. Isso
muda tudo”, afirmou.
Schlumberger incorpora Smith –
Em janeiro, a Schlumberger, maior
grupo da área de serviços para o
setor de óleo e gás, assumiu o controle da norte-americana Smith International, num acordo de ações
de US$ 12,4 bilhões.
A aquisição reforçou a posição
da Schlumberger em uma das raras
áreas do setor na qual ainda não
tinha maior presença: a de brocas
de perfuração. E ainda assegura
o controle da M-I Swaco, as operações de fluidos de perfuração,
compartilhadas pelas duas companhias desde 1999.
GE anuncia centro global de pesquisas no Brasil – No mesmo mês,
20
TN Petróleo 75
Foto: Agência Petrobras
29/1 – Inauguração do
Gasoduto Paulínia/SP-Jacutinga/MG
Jeff Immelt, o CEO mundial da
General Electric (GE), anunciou
que o Brasil seria a sede do próximo centro global de pesquisa da
companhia. Immelt fez o anúncio
em São Paulo, durante uma visita
de três dias ao país no qual também
deveria ter reuniões com clientes e
políticos (Brasília e Rio de Janeiro).
A companhia detalhou ainda seus
planos de investimento operacionais para 2010, com uma injeção
de US$ 118 milhões, que excluíam
o novo laboratório.
Início das obras da refinaria Premium I, no Maranhão – Com a
presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a
Petrobras realizou, no dia 15 de
janeiro, no Maranhão, a cerimônia
de lançamento da pedra fundamental e início das obras da Refinaria
Premium I.
A Refinaria Premium I, a ser
implantada no município de Ba-
cabeira (MA), a 60 km do futuro
terminal de São Luís, será uma das
quatro novas unidades de refino da
Petrobras no Nordeste. O projeto
visa a aumentar a produção nacional e facilitar a distribuição regional de derivados combustíveis de
alta qualidade, como óleo diesel,
querosene de aviação (QAV), nafta
petroquímica, gás liquefeito de petróleo (GLP), bunker (combustível
para navios) e coque.
Produção de petróleo aumentou
6,3% em 2009 – Em janeiro, foi
anunciado que a produção média de
petróleo e gás natural da Petrobras
no Brasil em 2009 foi de 2.287.457
barris de óleo equivalente (boe),
indicando um crescimento de 5,1%
sobre o volume produzido em 2008
– de 2.175.896 barris/dia.
A produção exclusiva de petróleo atingiu a média diária de
1.970.811 barris, com um aumento
de 6,3% sobre 2008, cuja média
chegou a 1.854.655 barris/dia.
O volume de gás natural produzido
pela empresa no país foi de 50 milhões 343 mil m³/dia, mantendo-se
nos mesmos níveis da produção
de 2008, como consequência da
retração da demanda no Brasil.
No mesmo mês, a Petrobras informou que exerceu o direito de
preferência para aquisição dos 50%
de participação da Devon Energy
Corporation (Devon) no campo de
Cascade, localizado no Golfo do
México. Como resultado, a estatal
passou a deter 100% de participação no Campo de Cascade.
Gasoduto Paulínia/SP-Jacutinga/
MG – No final de janeiro, a Petrobras inaugurou o Gasoduto Paulínia/
SP-Jacutinga/MG. Com capacidade
de transporte de 5 milhões m³/dia e
93 km de extensão, este é o primeiro
gasoduto para atendimento a Minas
Gerais depois da entrada em operação do Gasbel I, em 1994.
P-61 – Ainda em janeiro, a Petrobras assinou com a Floatec, joint
venture formada pela Keppel Fels
e J. Ray McDermott, para a construção da plataforma P-61. A unidade do tipo TLWP (Tension Leg
Wellhead Platform) será construída
no estaleiro Brasfels, em Angra dos
Reis.
Modelo utilizado no Golfo do
México (EUA), a P-61 será a primeira plataforma do tipo TLWP
construída no Brasil. A unidade será
instalada no campo de Papa-terra,
sul da Bacia de Campos, com o primeiro óleo previsto para 2013.
Gasduc III – Assegurando mais
robustez à malha de transporte de gás natural do país, que
desde 2003 dobrou de tamanho de
5 mil km para 10 mil km, a Petro-
Foto: Cortesia Atlantia ponto com
um ano incomum
31/01 – Keppel Fels
e J. Ray McDermott
vencem a concorrência
para construção da P-61
bras inaugurou, no início de fevereiro, o gasoduto Cabiúnas-Reduc
III (Gasduc III), maior gasoduto em
diâmetro da América do Sul, com
38 polegadas (equivalente a 96,5
cm) e com a maior capacidade de
transporte entre os gasodutos brasileiros (40 milhões de m³/dia).
Com 179 km de extensão, o
gasoduto teve investimentos de
R$ 2,54 bilhões provenientes do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e foi construído em
um túnel de 3.758 m de extensão,
maior que o túnel Rebouças, no Rio
de Janeiro (com 2.840 m).
O Gasduc III irá aumentar a
flexibilidade na oferta e a capacidade de transporte para atender o
mercado do Sudeste, no qual há o
maior consumo de gás natural do
país. Além disso, o gasoduto vai
permitir o crescimento da oferta
para o mercado não termelétrico.
Shell e Cosan assinam acordo para
criação de joint venture no Brasil
– No início de fevereiro, a Shell
International Petroleum Company
Limited (Shell) e a Cosan S/A (Cosan) anunciaram a assinatura de
um Memorando de Entendimento
(MoU) não vinculante, com o objetivo de criar uma joint venture (JV)
no valor de quase US$ 12 bilhões
no Brasil, para a produção de eta-
Linha do Tempo
Foto: Cortesia OGX
Janeiro
5 – Pela primeira vez desde a crise, o
consumo de energia elétrica tem
variação positiva.
7 – GE anuncia centro global de
pesquisas no Brasil.
Tyco anuncia aquisição do Grupo
Hiter e Válvulas Crosby.
12 –OGX anuncia presença de hidrocarbonetos na seção eocênica do
poço OGX-4.
Foto: Cortesia Braskem
retrospectiva 2010
Foto: Agência Petrobras
14 –Lula inicia obras da refinaria
Premium I, no Maranhão.
21 –Produção de petróleo no país
aumentou 6,3% em 2009.
25 –Petrobras amplia participação
na Braskem.
27 –Petrobras é a quarta empresa de
energia do mundo segundo
a PFC Energy.
28 –Petrobras adquire participação
no campo de Cascade.
Petrobras inaugura Gasoduto
Paulínia/SP-Jacutinga/MG.
Foto: Stock.xcng
Fevereiro
1 – Shell e Cosan assinam acordo
para criação de joint venture de
biocombustível no Brasil.
10 –Petrobras inaugura gasoduto
Cabiúnas-Reduc III (Gasduc III).
22
TN Petróleo 75
03/03 – Braskem informa ao mercado
lucro líquido de R$ 917 milhões, em 2009
nol, açúcar e energia e suprimento,
distribuição e comercialização de
combustíveis.
Novas acumulações na Bacia de
Campos – A Petrobras informou
que, com a perfuração de um único poço (6-BR-63A-RJS) descobriu duas novas acumulações de
petróleo em reservatórios localizados na Bacia de Campos, uma
no pós-sal e outra no pré-sal. O
poço exploratório foi perfurado na
área de concessão de produção de
Barracuda, a cerca de 100 km do
litoral do estado do Rio de Janeiro,
em águas com profundidade de
860 m. A Petrobras já tem estrutura
de produção e escoamento instalada na área.
Uma das acumulações descobertas foi em reservatórios carbonáticos do pré-sal e está localizada a 4.340 m de profundidade.
Estimativas preliminares indicam
a presença de petróleo leve (28º
API), com volumes recuperáveis
de, aproximadamente, 40 milhões
de barris, em reservatórios com
boa produtividade, confirmada
pelos testes realizados.
A outra descoberta, também
no poço 6-BR-63A-RJS, foi uma
acumulação de petróleo em reservatórios arenosos do pós-sal, que já
apresentam histórico de produção
na área de Barracuda. Estima-se
que o volume de óleo recuperável
nessa acumulação seja de 25 milhões de barris.
Braskem obtém
lucro líquido
de R$ 917 milhões – No dia
3 de março, a
Braskem informou ao mercado que obteve em
2009 lucro líquido de R$ 917 milhões, contra prejuízo de R$ 2,457
bilhões em 2008. “Ainda que a
adesão ao Refis tenha impactado negativamente o lucro líquido no quarto trimestre de 2009,
o bom desempenho operacional
e a apreciação do real perante o
dólar proporcionaram a recuperação dos resultados da companhia”,
um ano incomum
diz a administração, no relatório
de desempenho.
Aker Solutions ganha importante contrato para dois FPSOs no
Brasil – Ainda em março, a Aker
Solutions assinou um importante contrato com a Petrobras para
o fornecimento de unidades de
remoção de sulfato (SRU) para
os FPSOs P-58 e P-62, que irão
operar na costa brasileira (valor do
contrato: USD 41 milhões).
O escopo do trabalho inclui
o fornecimento de dois sistemas
de remoção de sulfato, além de
equipamentos associados. Os
sistemas topside de SRU serão
instalados nos processos da P-58
e P-62.
BP adquire ativos da Devon no
Brasil – No dia 11 de março, a BP
anunciou uma transação que irá
resultar em um importante posi-
cionamento exploratório em águas
profundas no litoral brasileiro, reforçando significativamente seu
núcleo em áreas estrangeiras.
Através de um amplo acordo, a
BP pagará à Devon Energy, em
dinheiro, US$ 7 bilhões por seus
ativos no Brasil, Azerbaijão e em
águas profundas do Golfo do México (EUA).
Após a conclusão da transação
(que ainda não foi aprovada), os
funcionários da Devon no Brasil
passarão a fazer parte da BP.
OGX planeja investimentos de
US$ 3 bilhões até 2013 – Ainda em março, a OGX informou
que encerrou o ano de 2009 com
investimentos totais de R$ 639
milhões. Esse valor compreende
os gastos efetuados na execução
da campanha sísmica 3D (R$ 77
milhões), considerando as etapas
de aquisição, processamento e
interpretação dos dados nas bacias de Campos, Santos, Espírito Santo, Pará-Maranhão e do
Parnaíba, e, principalmente, da
robusta campanha de perfuração,
iniciada no segundo semestre de
2009 (R$ 562 milhões).
Para a execução de seu plano
de negócios, ao longo dos próximos quatro anos (2010-2013), a
OGX prevê um investimento de
cerca de US$ 3 bilhões na perfuração de poços. Esse número
é superior aos US$ 2 bilhões estimados de início, por conta dos
novos volumes certificados pela
consultoria DeGolyer & MacNaughton (D&M), que acabaram
demandando uma intensificação
da campanha exploratória de 51
para 79 poços até 2013. A companhia mantém ainda a previsão
de US$ 1 bilhão no desenvolvimento da produção inicial da
Bacia de Campos.
11 –Petrobras descobre petróleo em
águas rasas na Bacia de Campos.
25 –Petrobras descobre duas novas
acumulações de petróleo na
Bacia de Campos.
Foto: Cortesia Comperj
Março
2 – Petrobras reinicia atividades
operacionais na Reduc.
3 – Braskem obtém lucro líquido de
R$ 917 milhões.
8 – Aker Solutions ganha importante contrato para FPSOs P-58 e
P-62.
9 – Assinatura de contratos para
implementação do Comperj.
Foto: Agência Petrobras
11 –BP adquire ativos da Devon no
Brasil.
Foto: Agência Petrobras
15 –OGX planeja investimentos de
US$ 3 bilhões até 2013.
17 –Shell e Cosan definem proposta
para a joint venture.
17 –Agência Nacional de Hidrocarburos promove road show no Rio de
Janeiro.
22 –Petrobras comemora primeiro
óleo de Tiro e Sídon na Bacia de
Santos.
24 –Teste em Tupi comprova alta
produtividade.
25 –Revap celebra 30 anos de existência.
26 –Inauguração do Gasoduto da
Integração Sudeste Nordeste
(Gasene).
24
TN Petróleo 75
Foto: Agência Petrobras
retrospectiva 2010
Primeiro óleo de Tiro e Sídon – A
Petrobras comemorou, no dia 22 de
março, a bordo da plataforma semissubmersível SS-11 Atlantic Zephyr,
e em evento no Hotel Sandri, em
Itajaí (SC), o primeiro óleo extraído
das acumulações de petróleo de
Tiro e Sídon, na Bacia de Santos.
Esse projeto dará continuidade ao
desenvolvimento das jazidas do Polo
Sul da Bacia de Santos.
Além do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e do
diretor de Exploração e Produção
da companhia, Guilherme Estrella,
participam das solenidades o secretário especial de Articulação
Internacional de Santa Catarina,
Vinícius Lummertz, representando
o governador do estado; o prefeito
de Itajaí, Jandir Bellini; a senadora
Ideli Salvatti, e outros gerentes da
Petrobras e convidados.
Paralelamente a essas comemorações, aconteceu o batismo da SS11, que operará no Teste de Longa
Duração (TLD) das áreas de Tiro e
Sídon. A madrinha da plataforma
foi a sra. Cristina Maria Teixeira
Leite, técnica de contabilidade
sênior da Petrobras. O TLD, que
produzirá cerca de 10 mil barris de
petróleo por dia, tem o objetivo de
testar o comportamento dos reservatórios daquelas áreas, que foram
descobertas, respectivamente, em
julho e setembro de 2008.
Tupi comprova alta produtividade – Menos de 24 horas depois,
22/03 – Produção
do primeiro óleo
de Tiro e Sídon na
Bacia de Santos
a Petrobras comunicava que os
testes de formação no poço 3-RJS662A (3-BRSA-755A-RJS), localizado na Área de Avaliação de
Tupi, em águas ultraprofundas
da Bacia de Santos, haviam sido
concluídos, constatando uma altíssima produtividade dos reservatórios carbonáticos do pré-sal
nesta área.
Nos testes de formação realizados foram medidas vazões da
ordem de 5 mil barris por dia de
óleo leve (cerca de 28º API), limitada à capacidade dos equipamentos
de teste. O potencial de produção
deste poço foi estimado em cerca
de 30.000 barris/dia, comprovando a alta capacidade de produção
de petróleo leve na área de Tupi,
antes constatada por outros poços
testados na área.
O poço testado, que corresponde ao quarto perfurado em
Tupi e cuja perfuração terminou
em novembro de 2009, localizase em área de avaliação no bloco
BM-S-11, em profundidade de
2.115 m, a cerca de 265 km da
costa do estado do Rio de Janeiro
e 18 km a nordeste do poço descobridor 1-RJS-628A (1-BRSA369A), conhecido como Tupi.
O consórcio, formado pela Petrobras (65%, operadora), BG Group
(25%) e Galp (10%), dará continuidade às atividades e investimentos
necessários para a avaliação das
jazidas em Tupi, com a perfuração
de novos poços até a Declaração
TN Petróleo 75
25
retrospectiva 2010
Foto: Agência Petrobras
8 – Novo poço confirma potencial de
petróleo leve em Tupi.
13 –OGX anuncia presença de hidrocarbonetos na seção eocênica do
poço OGX-9DB.
14 –Petrobras adquire participação na
Austrália.
15 –Keppel compra estaleiro TWB.
16 –Radix Engenharia e Software
chegam ao mercado com previsão
de faturar R$ 20 milhões em
venda em um ano.
20 –A plataforma Deepwater Horizon,
da Transocean, utilizada pela BP,
explode no Golfo do México e
mata 11 pessoas. Começa o maior
acidente ambiental de petróleo no
Golfo do México, e um dos maiores
do mundo nos últimos 30 anos.
27 –Poço 2-ANP-1-RJS comprova
existência de óleo leve no pré-sal
da Bacia de Santos (Iara).
30 –Mancha de óleo atinge costa da
Louisiana.
Petrobras inicia processo de
contratação para plataformas do
pré-sal.
Maio
3 – Começa, em Houston, OTC 2010.
BP perfura poço auxiliar para
conter vazamento de óleo.
26
TN Petróleo 75
24/03 – Comemoração
dos 30 anos da Refinaria
Henrique Lage (Revap)
Foto: Agência Petrobras
Abril
1 – Brasil e China devem ampliar
cooperação no setor de petróleo
e gás.
5 – Transpetro, Estaleiro Eisa e
BNDES assinam contrato de
financiamento para mais quatro
Panamax do Programa de Modernização e Expansão da Frota
(Promef).
Holanda inaugura, no Rio de
Janeiro, escritório de Agência da
Indústria Naval.
6 – Petrobras bate recorde de exportação de petróleo.
de Comercialidade, prevista para
dezembro de 2010.
30 anos da Revap – A Refinaria
Henrique Lage (Revap), comemorou em março os 30 anos de existência da Petrobras na cidade de
São José dos Campos (SP), na região do Vale do Paraíba. Atualmente a Revap responde, sobretudo,
pelo abastecimento de derivados
de petróleo do mercado paulista,
sul de minas, sul fluminense e o
centro-oeste do país.
Para celebrar os 30 anos, a refinaria preparou uma série de atividades destinadas aos empregados,
comunidade localizada no entorno
da unidade e demais moradores da
cidade de São José dos Campos.
As comemorações foram marcadas pela nova fase da refinaria.
A obra de modernização de sua
planta industrial está em pleno
andamento, com 80% das obras já
finalizados. Com um investimento da ordem de US$ 3 bilhões, a
refinaria está trabalhando para a
conclusão das obras em 2011.
Novas unidades serão construídas com objetivo de oferecer ao
Brasil energia de qualidade, ambientalmente limpa, com segurança
e sem dependência externa. Com a
modernização, o faturamento da refinaria deverá aumentar em 6,5% e
a arrecadação do ICMS em 15%, já
que a unidade estará adaptada para
processar, percentualmente, maior
volume de petróleo nacional e produzir derivados ambientalmente
mais adequados, de alta qualidade
e maior valor agregado.
Transpetro, Estaleiro Eisa e
BNDES assinam contrato de financiamento para mais quatro
navios – No final de março, a
Transpetro, o Estaleiro Eisa e o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram os contratos de
financiamento para a construção
de quatro navios do tipo Panamax
do Programa de Modernização
e Expansão da Frota (Promef). A
partir destas assinaturas, o Eisa
dará início na próxima semana à
execução dos contratos, no valor
global de R$ 856 milhões, para
construir os quatro navios.
A entrega do primeiro Panamax,
com 70 mil toneladas de porte bruto e 500 mil barris de capacidade
de carga, deve acontecer até o final
de 2012. As demais embarcações
serão entregues ao longo de 2013.
Na construção dos navios, está prevista a geração de quatro mil novos
empregos diretos.
Dentro do Promef, este é o terceiro estaleiro a firmar a eficácia
de seus contratos, o que permite a
liberação dos recursos financiados.
O Estaleiro Atlântico Sul (Suape,
em Pernambuco) alcançou esse es-
um ano incomum
WILL
tágio em 15 navios contratados com
a Transpetro e o Mauá (Niterói, no
Rio), em outros quatro.
Holanda – Ser
uma ponte entre as indústrias
marítimas brasileira e holandesa, estimulando
a parceria e a cooperação no setor
naval, dando suporte ao levantamento e análise de informações
sobre o mercado naval local é um
dos principais objetivos do escritório brasileiro da Agência da Indústria Naval Holandesa (HMHB),
inaugurado no início de abril.
O ministro holandês dos Transportes, Obras Públicas e Manejo da
Água, Camiel Eurling, inaugurou
o escritório, em evento que contou com a participação do novo
embaixador da Holanda no Brasil,
Kees Rade, e de representantes de
empresas associadas à Agência,
do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e outros membros
da diretoria do Programa de Modernização e Expansão da Frota
(Promef), e ainda o presidente da
Jaraguá Equipamentos Industriais,
Cristian da Silva.
O escritório irá também pesquisar
empresas que buscam oportunidades
de cooperação no Brasil e na Holanda, além de orientar seus associados
sobre questões como conteúdo local
GARANTIAS CONTRATUAIS
Foto: Cortesia EISA
31/03 – Assinado
contrato para
financiamento de
construção de mais
quatro navios para
a Transpetro pelo
Estaleiro Eisa
e outros aspectos relacionados ao
mercado marítimo brasileiro.
Corretora de Seguros
Brasil e China – A cooperação entre o Brasil e a China nos setores
de petróleo e gás e de biocombustíveis também deve ser ampliada nos
próximos anos. A previsão foi feita
pelo diretor-geral da ANP, Haroldo
Lima, durante sua visita à China a
convite da Administração Nacional
de Energia daquele país.
A visita abriu novas perspectivas
de cooperação bilateral em petróleo,
gás natural e biocombustíveis às
vésperas da visita do presidente da
China ao Brasil, agendada para a
segunda quinzena de abril. O diretor-geral da ANP viajou acompanhado pela diretora Magda Chambriard, e pelos superintendentes
de Comunicação Institucional e de
Planejamento e Pesquisa, além de
um representante da Superintendência do Refino.
OGX anuncia presença de hidrocarbonetos na seção eocênica do
poço OGX-9DB – Em abril, a OGX
comunicou que foi identificada a
presença de hidrocarbonetos na
seção eocênica do poço 3-OGX9DB-RJS, localizado no bloco
BM-C-41, em águas rasas da parte
sul da Bacia de Campos. Este é
o primeiro poço delimitatório da
acumulação de Vesúvio, descoberta pelo poço OGX-1, e também
TN Petróleo 75
27
retrospectiva 2010
Foto: Daniel Feijó
Foto: Cortesia BP
10 –Petrobras assume estaleiro Ishibrás com o nome de Inhaúma.
11 –BP lança dispersante e prepara
nova ação contra vazamento no
Golfo.
11 –Shell encontra petróleo a 1.571 m
no campo de Nautilus.
12 –BP, Transocean e Halliburton
trocam acusações sobre maré
negra.
BP envia nova estrutura para
conter vazamento no Golfo do
México.
13 –ANP descobre segundo maior
poço do pré-sal.
14 –OGX faz a maior descoberta em
águas rasas.
17 –BP tem primeiro êxito em trabalhos para conter vazamento.
19 –BP espera recuperar dois mil
barris diários de petróleo no
Golfo do México.
24 –BP aceita pagar indenização de
60 milhões de euros pelo derrame no Golfo do México.
25 –BP tenta selar poço de petróleo
danificado.
28
TN Petróleo 75
trato, com validade
de dois anos, é um
consórcio entre a
empresa, a Chemtec, empresa do
grupo Siemens e
a Exactum.
Segundo Alexandre Kovacs,
gerente de projetos da Kromav, este
é o terceiro contrato da empresa
com a Petrobras. “O primeiro foi
formado pelo consórcio da Kromav
com a Chemtech e a Aker, já o segundo e este agora são junto com
a Exactum”, afirma. Ele ressalta
que o atual contrato é válido para
todas as unidades de negócios da
Petrobras, tendo validade de dois
anos e ainda podendo ser prorrogado por mais dois.
20/04 – Explosão da
Deepwater Horizon, na
costa da Louisiania,
gera o maior desastre
ambiental até então
Foto: Cortesia BP
4 – Maré negra: BP paga € 1.200
diários a voluntários.
5 – BP tapa um dos três vazamentos
de óleo no Golfo do México.
6 – Petrobras ajuda BP na contenção
do vazamento.
7 – Transpetro lança ao mar primeiro
navio do Promef, no Estaleiro
Atlântico Sul, batizado de João
Cândido.
teve como objetivo reservatórios
arenosos, de idade eocênica mas
não atingidos pelo poço anterior. A
OGX detém 100% de participação
neste bloco.
Keppel – A Keppel Offshore & Marine, de Cingapura, adquiriu, em
abril, o Estaleiro TWB, localizado em
Navegantes (SC), com a expectativa
de ampliar as instalações e contar
com uma capacidade anual para produzir pelo menos oito embarcações.
Batizado como Keppel Singmarine
Brasil, o novo estaleiro irá fabricar
embarcações de apoio do tipo AHTS
(Anchor Handling Tug Supply) e
PSV (Platform Supply Vessels), para
transporte de suprimentos e outros
equipamentos às plataformas de
petróleo e construir módulos para
plataformas offshore.
A Keppel pretende investir US$
50 milhões na ampliação da unidade. Chow Yew Yuen, seu presidente
nas Américas, assegura que o investimento visa reforçar a atuação
do grupo no Brasil, além de complementar os serviços oferecidos
pelo Estaleiro Brasfels, em Angra
dos Reis, Rio de Janeiro.
Kromav fecha mais um contrato
com o Cenpes – A Kromav, especializada em projetos e serviços
de engenharia, fechou em abril
contrato com o Cenpes (Centro
de Pesquisas da Petrobras), para o
fornecimento de serviços técnicos
para projetos básicos de engenharia do empreendimento. O con-
Deepwater Horizon – Localizada
no Golfo do México, a cerca de 80
km da costa de Louisiana, a Deepwater Horizon explodiu no dia 20
de abril, matando 11 dos 126 trabalhadores presentes na unidade.
O acidente, considerado um dos
mais graves da indústria mundial
offshore, devido ao vazamento contínuo de óleo, provocou a decretação do estado de emergência na
Louisiana, contíguo ao Texas, além
de Mississipi, Alabama e Miami.
A BP reconheceu que a liberação de petróleo no mar ocorreu
devido a uma falha no equipamento que veda o poço em caso
de ruptura.
Pro m ef – N o
dia 3 de maio
foi lançado ao
mar o Almirante
Negro, como foi
chamado o marinheiro João Cândido Felisberto,
líder da revolta da Chibata, que recebeu como monumento ‘as pedras
pisadas do cais’ em O Mestre-sala
um ano incomum
dos Mares, de João Bosco e Aldir
Blanc. A canção foi censurada pela
ditadura militar e tornou-se o mais
novo símbolo da retomada da indústria naval brasileira: o homenageado teve seu nome cunhado na
proa do primeiro navio do programa de modernização e expansão
da Frota da Transpetro (Promef),
marcando também a conclusão da
embarcação pioneira do Estaleiro
Atlântico Sul (EAS), fincado no
porto de Suape, em Pernambuco.
Com 274 m de comprimento, capacidade para armazenar o
equivalente à metade da produção
diária nacional, ele será utilizado,
principalmente, para o transporte
de longo curso (viagens internacionais). O navio Suezmax é a primeira
embarcação de grande porte construída no Brasil entregue ao Sistema
Petrobras em 13 anos.
“A construção deste navio tem
que ser levada a sério por nós.
É a autoafirmação de um povo”,
afirmou o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, no
lançamento do novo petroleiro, no
início de maio.
OTC 2010 – Realizada em Houston,
no Texas (EUA), entre os dias 3 e
6 de maio, a OTC 2010 aconteceu
cerca de duas semanas depois da
explosão da Deepwater Horizon.
A indústria de óleo e gás mostrava
no maior evento mundial do setor
que está aquecendo os motores,
ainda que em meio a um dos maiores acidentes offshore do planeta
e os efeitos prolongados da crise
financeira internacional.
Embora a questão do risco de
acidentes tenha permeado discussões, o evento não perdeu seu
foco: mostrar as novas tecnologias
e tendências do setor, por meio
de debates, palestras, painéis e
coletivas de imprensa, além da ex-
posição, que reuniu mais de 2.400
empresas de 40 países.
O pré-sal, que continuou sendo o fator mais atraente da indústria de óleo e gás das Américas,
a capitalização da Petrobras e o
novo marco regulatório dividiram
as atenções na coletiva concedida
pelo presidente da estatal, José
Sergio Gabrielli, e o da Petrobras
America, Orlando Azevedo.
Já o pavilhão Brasil cresceu em
50% e mudou de endereço: passou
de 350 m² (2009) para 550 m², e
a ocupar o espaço 1.117, na entrada do Reliant Center, próximo
ao estande da Petrobras e outras
grandes companhias globais.
Integraram o pavilhão nada menos que 37 empresas dos mais diversos setores da cadeia produtiva
da indústria de petróleo brasileira,
além do IBP, Onip e da ANP. “O
aumento do número de empresas
no pavilhão demonstra o poten-
retrospectiva 2010
28 –Lançado ao mar primeiro portacontêiner construído no Brasil
(Log In Jacarandá).
Foto: Cortesia MCS
TenarisConfab assina acordo
tecnológico com a Coppe.
Notícia de que o segundo poço
da ANP pode conter mais de 4,5
bilhões de barris de petróleo.
4 – Petrobras faz nova descoberta no
pré-sal do campo de Marlim.
9 – Opep dá sinal verde para o Brasil
integrar a Organização.
10 –Para ANP, pré-sal pode ter 50
bilhões de barris.
15 –Petrobras inaugura Gasbel II.
Vazamento da BP é o ‘11 de Setembro’ do meio ambiente,
diz Obama.
17 –Petrobras prepara segunda etapa
do programa de estímulo à indústria naval.
18 –BNDES financia a construção de
19 navios de apoio a plataformas
de petróleo.
21 –BP estima vazamento de 100 mil
barris por dia.
Novo plano de negócios da Petrobras prevê investimentos de 224
bilhões de dólares.
30
TN Petróleo 75
Foto: Banco de Imagens TN Petr[oleo
Foto: Cortesia BDEP
Junho
2 – Banco de Dados de Exploração e
Produção (BDEP), da ANP, completa dez anos.
cial exportador dos fornecedores
brasileiros e o interesse que despertam no comprador ou parceiro estrangeiro pelo Brasil, que é,
atualmente, referência mundial do
setor offshore de petróleo e gás”,
avaliou o secretário executivo do
IBP, Álvaro Teixeira.
OTC Brasil – Para os brasileiros, a
grande notícia foi a confirmação da
realização, durante os dias 4 a 6 de
outubro de 2011, no Rio de Janeiro,
do primeiro encontro com a marca
OTC no Brasil. Outras duas edições
do evento, batizado Offshore Technology Conference Brasil (OTC
BR) – já estão programadas para
2013 e 2015.
“Este é o primeiro evento da
OTC fora dos Estados Unidos. Há
mais ou menos um ano, pensávamos onde estaria, nos próximos
dez anos, a indústria de petróleo
mundial e decidimos realizar estas
duas conferências, uma no Brasil e
outra sobre o Ártico, em fevereiro
de 2011, aqui em Houston”, comentou Susan Cunningham, atual
chairman da OTC.
03/05 – Tem início,
em Houston, no Texas,
a OTC 2010
ANP descobre segundo maior
poço do pré-sal – A ANP informou,
no dia 13 de maio, que descobriu
4,5 bilhões de barris de petróleo e
gás no reservatório apelidado de
Franco, perfurado no pré-sal da
Bacia de Santos em área da União.
O poço fica próximo ao Iara, encontrado pela Petrobras, e será usado
na capitalização da estatal, se o
projeto de lei que prevê a cessão
onerosa de até 5 bilhões de barris
for aprovado no Congresso.
O volume de barris estimado pela
ANP é o segundo maior nos reservatórios do pré-sal até agora. Menor
apenas que Tupi, onde a Petrobras
estima a existência de 5 bilhões a 8
bilhões de barris recuperáveis. Esse
volume corresponde a 32% das reservas totais do Brasil, que somam
14 bilhões de barris de óleo equivalente (que expressa volumes de
petróleo e gás em barris).
Empresa de Eike faz a maior descoberta em águas rasas – No dia
seguinte, a OGX informou que
o bloco BM-C-41, na Bacia de
Campos tem reservas recuperá-
um ano incomum
Nova descoberta no Campo de
Caratinga – No dia 26 do mesmo
mês, a Petrobras comunicou a descoberta de duas novas acumulações de petróleo leve (29º API) em
reservatórios do pós e do pré-sal
em águas profundas da Bacia de
Campos, resultante da perfuração
do poço 6-CRT-43-RJS, conhecido
como Carimbé, localizado no Campo de Caratinga, a cerca de 106 km
da costa do estado do Rio de Janeiro, em local onde a profundidade
d’água é de 1.027 m.
A acumulação descoberta nos
reservatórios do pós-sal está a
3.950 m de profundidade no subsolo marinho. Estimativas preliminares indicam volumes recuperáveis de cerca de 105 milhões de
barris de óleo equivalente.
Porta-contêineres – Jacarandá é o
nome do primeiro porta-contêiner
brasileiro, lançado ao mar no dia 27
de maio, no Rio de Janeiro. Trata-se
do primeiro do lote de cinco navios
desse tipo e dois graneleiros que
estão sendo construídos pela Eisa
para a Log-In, integralmente financiados com recursos do Fundo da
Marinha Mercante (FMM) e tendo
como agente financeiro o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Na ocasião, foi realizado também o batimento de quilha do primeiro graneleiro da Log-In, que
investiu cerca de R$ 1 bilhão na
construção de navios. O último
navio-contêiner brasileiro havia
sido construído em 1995.
Petrobras assume estaleiro Ishibrás – Ainda em maio, a Petrobras
assumiu a área do antigo estaleiro
Ishibrás, no Caju, zona portuária
da cidade do Rio de Janeiro. A informação foi dada pelo governador
Sérgio Cabral, que participou do
seminário sobre a indústria naval
fluminense na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O governador revelou
ainda a mudança de nome para
Estaleiro Inhaúma – como era chamado antes de se tornar Ishibrás.
TenarisConfab assina acordo
com Coppe – Ainda em maio, a
TenarisConfab assinou acordo de
cooperação com a Coppe/UFRJ
(Instituto Alberto Luiz Coimbra de
Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal
do Rio de Janeiro) para a qualificação de tubos. O convênio global
inclui dois acordos específicos que
visam à utilização do Laboratório de
Ensaios não Destrutivos (LNDC)
para o desenvolvimento de soldas
circunferenciais aplicadas a tubos
submarinos de alta resistência (X70
e X80), e do Laboratório de Tecnologia Submarina (LTS) para o desenvolvimento de tubos soldados com
alta resistência ao colapso aplicados
em poços de petróleo (OCTG).
Segundo poço
da ANP pode
conter mais
de 4,5 bilhões
de barris de
petróleo – No
dia 2 de junho o diretor-geral da
ANP, Haroldo Lima, afirmou que
o segundo poço perfurado para a
cessão onerosa, dentro do processo
de capitalização da Petrobras, na
área do pré-sal da Bacia de Santos,
seria “melhor que o primeiro” em
termos de volume. A ANP já havia
anunciado um megacampo de 4,5
milhões de barris na região.
Inicialmente batizado de Franco, o primeiro poço da ANP fica
27/05 – Lançado, no
Estaleiro Eisa, Jacarandá,
o primeiro porta-contêiner
brasileiro
Foto: Divulgação
veis de até 3,7 bilhões de barris.
É o maior volume descoberto em
águas rasas no país. A petrolífera
concluiu a perfuração de dois poços no bloco, do qual detém 100%
de participação.
distante apenas 41 km do campo
de Iara, onde a operadora Petrobras
estimou reservas de 3 a 4 bilhões
de barris de óleo equivalente (boe).
Lima comentou que a ANP espera
que a certificação das reservas no
prospecto de Franco esteja pronta
até o final do mês de outubro.
Petrobras faz nova descoberta no
pré-sal do campo de Marlim – No
dia 4 de junho, a Petrobras anunciou
descoberta de nova acumulação de
petróleo leve (29º API) no pré-sal
da Bacia de Campos, em profundidade de água de 648 m, no campo
de Marlim. A descoberta foi resultado da perfuração do prospecto
exploratório conhecido como Brava,
realizada através do poço 6-MRL199D-RJS, localizado a 170 km da
cidade de Macaé (RJ).
A acumulação descoberta nos reservatórios carbonáticos encontra-se
a 4.460 m de profundidade total. Foram perfurados cerca de 5.000 m, dos
quais 1.000 m de sal, para atingir o
reservatório. Estimativas preliminares
apontam para volumes recuperáveis
potenciais em torno de 380 milhões
TN Petróleo 75
31
retrospectiva 2010
Foto: Cortesia FMC
Julho
1 – Estaleiro Promar promete construir navios gaseiros do Promef
em Pernambuco.
6 – MPX inicia exploração em poço
maranhense.
FMC e UFRJ assinam acordo
para Centro de Tecnologia no
Parque Tecnológico do Rio.
Foto: Silvio Aurichio
8 – Plenário do Senado aprova criação da Pré-Sal Petróleo S.A.
9 – Petrobras bate recorde de processamento de refino.
Transpetro e Promar assinam
contrato para a construção de
oito navios gaseiros.
14 –Ibama autoriza Petrobras a
ampliar exploração na Bacia de
Santos.
15 –Petrobras inicia produção no
pré-sal do Espírito Santo.
BP afirma ter conseguido interromper vazamento de óleo.
19 –Devon anuncia indício de petróleo na Bacia de Campos.
Acidente na China despeja 1,5 mil
toneladas de óleo no mar.
21 –BP anuncia venda de US$ 7
bilhões em ativos à Apache.
23 –BP suspende atividades na área
do acidente por ameaça de tempestade.
32
TN Petróleo 75
21/06 – Petrobras anuncia
o seu PN 2010-2014
de barris de óleo equivalente. Está
prevista a realização de testes para
avaliar a produtividade desses reservatórios.
A descoberta está localizada
em área próxima à infraestrutura
instalada dos campos de Marlim
e Voador, sendo que o poço descobridor está situado a 4,5 km de
distância da plataforma P-27, o que
deverá facilitar o desenvolvimento
do campo, reduzir o prazo necessário para o início da produção e
diminuir os investimentos.
Enfim, o Plano de Negócios – A
Petrobras manteve seu plano de
investimentos bem próximo do volume que havia sido anunciado em
março, sendo que projetos no Brasil
consumirão a maior fatia – US$
212,3 bilhões – do volume total
de recursos, cabendo aos empreendimentos da estatal no exterior
5% – US$ 11,7 bilhões. O volume
anunciado, em torno de 20% superior ao PN 2009-2013, representa
uma média de investimentos de
US$ 44,8 bilhões por ano.
Como era de se esperar, a área de
exploração e produção (E&P) receberá mais da metade dos investimentos
previstos pelo Plano de Negócios da
Petrobras para o período de 2010 a
2014 (PN 2010-2014): ficará com
US$ 118,8 bilhões, que representa
53% do total de US$ 224 bilhões de
Foto: Agência Petrobras
23 –Descoberta de indícios de
petróleo no pré-sal em Albacora
Leste.
25 –Presidente da Petrobras participa
de evento na ONU.
recursos que serão alocados para
projetos no Brasil e no exterior.
O montante é 14% superior aos
investimentos estimados no plano anterior (2009-2014). A segunda maior
receita ficou com a área de abastecimento (que engloba, além de refino,
transporte e comercialização) e esta
vai receber US$ 73,6 bilhões, equivalentes a cerca de 33% do total.
Os investimentos em novos
projetos somam US$ 31,6 bilhões
(pouco mais de 14% do total), sendo que o E&P vai receber 62%
(US$ 19,7 bilhões), ficando a área
de gás e energia com 21% (US$
6,5 bilhões) e o abastecimento,
com 16% (US$ 5,1 bilhões). No PN
2010-2014, houve uma redução
de US$ 17 bilhões de retirada e
redefinição de outros projetos e
foram agregados 155 novos empreendimentos.
A meta de produção no Brasil e
exterior para 2014 é de 3,907 milhões de barris de óleo equivalente
por dia, o que corresponde a um
crescimento anual de 9,4% nesses
quatro anos, tomando como base
o projetado para 2010, de 2,723
milhões de barris. Do total previsto para 2014, no Brasil serão
extraídos 2,980 milhões de barris
de petróleo, sendo 152 mil barris
de reservas do pré-sal. Outros 623
mil barris serão de gás extraído no
país e os 304 mil barris restantes,
TN Petróleo 75
33
27 –“Plano Nacional de Contingência
contra vazamento deve sair até
setembro”, diz ministra de Meio
Ambiente.
30 –Rio de Janeiro terá três novas
siderúrgicas. Somadas a outros
dois projetos já em andamento,
deverão ser investidos R$ 20
bilhões no setor.
Foto: Agência Petrobras
Agosto
2 – Novos dados divulgados pelo
governo americano indicam que
o acidente da BP no Golfo do
México despejou quase 5 milhões
de barris no oceano, tornando-se
o maior vazamento acidental de
petróleo da história.
3 – Wärtsilä fecha novos contratos
de O&M.
4 – BP afirma ter estancado fugas de
petróleo.
6 – Petróleo cai a US$ 82 com temor
sobre desemprego.
9 – Vazamento de óleo atinge praias
do litoral do Rio de Janeiro. Nem
a Marinha, nem a Petrobras
sabem a origem do vazamento.
Empresa já gastou mais de
R$ 10 bi com vazamento de petróleo nos EUA.
10 –Petróleo sobe a US$ 81,48, após
três dias de baixas.
Shell Brasil anuncia novo presidente.
11 –Petróleo cai em Londres e NY,
afetado por mercados de ações.
12 –Plataforma P-35 da Petrobras
sofre princípio de incêndio.
13 –ANP interdita plataforma P-33.
18 –Maior parte do petróleo segue
no Golfo do México, apontam
cientistas.
19 –Petrobras gasta R$ 300 milhões
na busca por petróleo da capitalização.
20 –Produção da Petrobras no Brasil
e no exterior cresceu 3,3% em
julho.
34
TN Petróleo 75
Foto: Banco de Imagens TN Petróleo
retrospectiva 2010
24/06 – Lançado, no Estaleiro
Mauá, o segundo navio do
Promef, Celso Furtado
de óleo e gás retirados de reservas
no exterior.
Para 2020, a estatal espera
atingir uma produção de 5,382
milhões de barris de óleo equivalente por dia, o que corresponde
a um avanço anual de 7,1% sobre
a expectativa para 2010. Desse
montante, o Brasil contribuirá com
3,950 milhões de barris de óleo
(dos quais 1,183 milhão de barris
do pré-sal) e o equivalente a 1,109
milhão de barris de gás natural.
No exterior, a produção de óleo e
gás deverá somar 323 mil barris
no final dessa década.
Primeiro navio fluminense do Promef – Um duplo evento marcou o
lançamento ao mar do navio-tanque
Celso Furtado, no final de junho,
construído no Estaleiro Mauá, em
Niterói (RJ), para a Transpetro, braço logístico da Petrobras. No mesmo
dia em que a primeira embarcação
do Programa de Modernização e
Expansão da Frota (Promef) construída no Rio foi batizada, houve o
batimento de quilha do segundo
dos quatro navios de produtos, para
transporte de derivados de petróleo,
encomendados ao Estaleiro Mauá
pelo Promef, simbolizando o início
da montagem.
O navio-tanque recebeu seu
nome em homenagem ao economista paraibano que participou
da criação da Superintendência
do Desenvolvimento do Nordeste
(Sudene) e lançou os fundamentos
do mais recente ciclo de desenvolvimento do país.
Nova UN – Com
o objetivo de
distribuir melhor a responsabilidade pela
gestão das operações de exploração e produção da
Bacia de Santos, que se estende de
Cabo Frio (RJ) a Florianópolis (SC),
a Petrobras instalou oficialmente a
unidade no dia 2 de julho, em Itajaí, no litoral de Santa Catarina, a
mais nova unidade de negócios da
Petrobras: a Unidade de Operações
de Exploração e Produção do Sul
(UO-SUL), criada em função do
acréscimo do volume de atividades
da UO-Bacia de Santos (UO-BS).
A UO-SUL responderá pela
produção das áreas de Tiro e Sídon,
ainda em fase de teste de longa duração (TLD), produzindo atualmente 17 mil barris por dia de petróleo
leve, e pelo desenvolvimento da
produção dos campos marítimos de
Cavalo-marinho, Caravela, Estrelado-mar e Tubarão.
Mais P&D – A FMC Technologies
e a UFRJ assinaram, no dia 6 de
julho, o termo para construção do
Centro de Tecnologia da FMC no
Parque Tecnológico do Rio, na Cidade Universitária. O tempo de contrato entre a companhia e a universidade será de 20 anos. Esse será
o primeiro centro de pesquisa da
empresa no Brasil, que vai ocupar
uma área de cerca de 20 mil m².
A companhia irá investir cerca
de R$ 70 milhões no projeto, que
vai empregar perto de 300 engenheiros dedicados ao desenvolvimento de projetos e pesquisa de
tecnologias submarinas para exploração de petróleo e gás no país,
principalmente para o pré-sal e o
pós-sal. A unidade contará com
centros de pesquisa & desenvolvimento (P&D), laboratórios de testes
e qualificações, instalações para
testes de integração e protótipos
em escala real.
O início das obras do Centro
de Tecnologia está previsto para
ainda este mês e, até o fim do primeiro semestre de 2011 o empreendimento deve estar em pleno
funcionamento. Além da FMC,
Schulmberger e Baker Hughes
também terão centros de pesquisa
no Parque Tecnológico.
Plenário do Senado aprova criação
da Pré-Sal Petróleo S/A – No dia
7 de julho, o Plenário do Senado
aprovou o projeto do governo (PLC
309/09) que cria a Pré-Sal Petróleo
S/A (PPSA), empresa que irá funcionar como uma espécie de ‘olhos
da União’ na exploração de petróleo e gás da camada de pré-sal da
plataforma marítima brasileira.
Ainda BP – Com os seguidos fracassos da petrolífera britânica em
tentar cessar o vazamento, ficou
cada vez mais claro que a empresa
não estava preparada para uma
tragédia dessa magnitude. Os números assustadores da quantidade
de óleo despejado só aumentavam.
As estimativas, em junho, eram de
Ilustração: Cortesia FMC
um ano incomum
06/07 – A FMC Technologies e
a UFRJ assinam o termo para
construção do Centro de Tecnologia
da FMC no Parque Tecnológico do
Rio, na Cidade Universitária
que foram perdidos no mar cerca
de 100 mil barris por dia, o que correspondia a 16 milhões de litros.
Diversas tentativas foram feitas para fechar o poço, mas, até
aquele momento, a BP conseguira
realizar apenas medidas paliativas, resultando em uma coleta
de quase 20 mil barris por dia –
muito pouco em relação ao que
era liberado no mar.
O desastre fez empresas do
mundo todo se mobilizarem para
ajudar na contenção do óleo, como
a Petrobras, que enviou uma equipe de especialistas em segurança e meio ambiente aos Estados
Unidos. A equipe era formada por
20 pessoas, entre funcionários da
companhia e profissionais da Marinha, Força Aérea e do Ministério
do Meio Ambiente.
Devon anuncia indício de petróleo em Campos – No dia 19
de julho a americana Devon informou à ANP ter encontrado
indícios de petróleo a 2.484 m
no bloco C-M-471, na Bacia de
Campos. O bloco é operado pela
Devon em parceria com a Petrobras (50%). A companhia americana havia anunciado a venda de
seus ativos no Brasil à BP, mas a
transação ainda não fora efetivada porque aguardava autorização
da Agência. Há inclusive rumores de que a transação pode não
sair depois do acidente da BP no
Golfo do México.
O bloco C-M-471 foi adquirido pela Devon e pela Petrobras
em 2005, na sétima rodada da
ANP e faz parte do bloco de nome
BM-C-34.
TN Petróleo 75
35
Foto: Cortesia CBO
25 –Shell e Cosan assinam joint
venture para produzir e comercializar açúcar, energia e etanol
de cana-de-açúcar, e distribuir
combustíveis para transporte e
indústria, a partir da integração
das redes de distribuição e varejo
das duas empresas no Brasil.
26 –Estaleiro STX Brazil lança ao mar
o Skandi Amazonas.
Estaleiro Aliança entrega o PSV
CBO Ana Luisa à CBO para cumprir contrato com a Petrobras.
27 –Petroquímica Suape inicia fase
de pré-operação.
Foto: Agência Petrobras
Setembro
2 – Barril do petróleo para capitalizar
Petrobras vai custar US$ 8,51.
OGX anuncia novos indícios de
hidrocarbonetos na seção devoniana do poço OGX-16.
Wärtsilä fecha contrato para
manutenção de 30 navios da
Transpetro.
Plataforma de petróleo da empresa Mariner Energy Inc explode
no Golfo do México, a poucos
quilômetros do incidente da Dea
3 – Custos da BP no vazamento no
Golfo do México sobem para U$ 8 bi.
Petrobras comunica ao mercado
início da capitalização.
8 – Plataforma de petróleo pega fogo
na Argentina.
10 –Gasoduto explode na Califórnia.
13 –Tem início Rio Oil & Gas 2010.
24 –Petrobras arrecada R$ 120 bilhões com novas ações na maior
operação da história.
36
TN Petróleo 75
29/07 – Anunciado para os próximos
três anos, a construção de três novas
siderúrgicas, no Rio de Janeiro
Mais acidentes – No mesmo dia foi
divulgado que autoridades chinesas
lutavam há dois dias para controlar
um vazamento de 1,5 mil toneladas
de petróleo no mar, causado por
um incêndio e um escapamento em
dois oleodutos, próximo ao litoral de
Dalian, no noroeste daquele país. A
mancha de óleo abrangia entre 50
e 100 km² de petróleo na superfície
da área onde se encontram os mares
de Bohai e Amarelo, que separam a
China da península da Coreia.
Enquanto isso, a BP anunciava
acordo para vender US$ 7 bilhões
em ativos à empresa Apache, como
parte do seu plano para arrecadar
dinheiro suficiente para arcar com
os grandes custos do vazamento
de petróleo no Golfo do México.
A Apache irá adquirir instalações de
gás e petróleo da BP no Texas, no oeste do Canadá e no Egito. Um depósito
de US$ 5 bilhões seria feito no dia 30
de julho como parte do negócio.
Cessão onerosa e capitalização da
Petrobras – No dia 10 de junho foi
aprovado o projeto de lei referente
à cessão onerosa e à capitalização
da Petrobras no Senado Federal.
A proposta autoriza a União a ceder onerosamente à Petrobras o
exercício das atividades de pesquisa, exploração e produção de
petróleo e gás natural em determinadas áreas do pré-sal, limitado
Foto: Cortesia Usiminas
retrospectiva 2010
ao volume máximo de 5 bilhões
de boe, além de autorizar que a
União possa subscrever ações do
capital social da Petrobras.
O projeto de lei foi aceito sem
alterações em relação ao texto
aprovado pela Câmara dos Deputados e, por isso, foi encaminhado
à sanção presidencial para depois
ser convertido em lei.
Também foi aprovado o novo
regime de partilha de produção
que regulará a exploração e produção em áreas do pré-sal e em
áreas estratégicas. Esse regime
foi aprovado por meio do projeto
que unificou os projetos de lei
referentes à criação do Fundo
Social e do regime de partilha
de produção. O regime aprovado garante à Petrobras o papel
de operador único, com parcela
mínima de 30%, podendo ainda
a estatal participar dos processos
licitatórios visando a aumentar
sua participação nas áreas.
Três novas siderúrgicas – O Rio
de Janeiro vai ganhar três novas
siderúrgicas nos próximos anos. As
novas unidades ampliarão a capacidade de produção de aço do estado.
Somadas a outros dois projetos já
em andamento, deverão ser investidos R$ 20 bilhões no setor.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado de Desenvolvimento
TN Petróleo 75
37
28 –Dax Oil inaugura refinaria.
29 –Refinaria Landulpho Alves
(RLAM) completa 60 anos.
Foto: Divulgação Parque das Conchas
Outubro
1 – EUA endurecem normas para
evitar novo vazamento de petróleo.
5 – OGX anuncia presença de hidrocarbonetos no poço OGX-20.
Petrobras batiza plataforma P-57
e inaugura ampliação de seu
Centro de Pesquisas.
6 – Repsol constrói laboratório de
tecnologia em parceria com
UFRJ.
7 – Novo poço confirma potencial de
petróleo leve em Tupi.
8 – Centro de pesquisas da Petrobras é ampliado.
13 –EUA anunciam fim de moratória à exploração de petróleo no
oceano.
15 –Shell lança segunda fase do
Parque das Conchas.
21 –Petrobras inaugura Polo Naval
do Rio Grande.
22 –Novo poço ao sul de Tupi confirma potencial e extensão da
jazida.
25 –Incêndio em oleoduto deixa 14
mortos em Mianmar.
27 –Petrobras anuncia nova descoberta na Bacia de SergipeAlagoas.
28 –“Produção de petróleo no Campo
de Tupi pode chegar a 70 mil
barris por dia em 2011”, diz
Formigli.
Petrobras comemora primeiro
óleo produzido pelo FPSO Cidade de Angra dos Reis.
29 –Lula inaugura produção comercial do pré-sal e prevê que
século 21 será do Brasil.
Libra pode chegar a 15 bilhões
de barris de petróleo.
38
TN Petróleo 75
Foto: Cortesia Wärtsilä
retrospectiva 2010
03/08 – Wärtsilä fecha
novos contratos de
Operação e Manutenção
em usinas termelétricas
Econômico, Energia, Indústria e
Serviços, Julio Bueno, na abertura
do seminário ‘Perspectivas e Condicionantes do Desenvolvimento do
Setor Siderúrgico do Estado do Rio
de Janeiro’, realizado em julho, no
auditório da Firjan.
O maior empreendimento é
uma siderúrgica da Ternium,
holding de aços longos da multinacional Techint, no Complexo
do SuperPorto do Açu, que terá
capacidade para produzir cerca
de 5,6 milhões de toneladas de
placas de aço por ano. Mais dois
projetos – cujos investidores pediram sigilo – estão em negociação
nas cidades de Barra Mansa e
Quatis, na região do Médio Paraíba. Juntos, estes dois empreendimentos deverão somar mais 1,5
milhão de toneladas/ano de aço
à capacidade atual de produção
do estado.
Wärtsilä fecha
novos contratos
de O&M – No
início de agosto, a Wärtsilä
Brasil informou
a assinatura de mais dois novos
contratos no Nordeste. Fornecerá
os serviços de Operação e Manutenção (O&M) durante cinco
anos, podendo ser renovados por
mais cinco, às usinas termelétricas Campina Grande (Borborema
Energética S/A) situada na Paraí-
ba, com 168 MW de potência, e
Maracanaú (Maracanaú Geradora
de Energia S/A) situada no Ceará,
com 164 MW de potência.
A Wärtsilä também foi responsável pela construção e fornecimento
dos equipamentos às duas usinas.
Com estas novas contratações a
empresa ultrapassou a barreira de
1 Gigawatt em contratos de Operação e Manutenção.
Ainda BP – No início de agosto, a
BP informava ao mercado que já
havia gasto mais de R$ 10 bilhões
(US$ 6,1 bilhões) para combater as
consequências do vazamento de
petróleo no Golfo do México.
De acordo com comunicado
da empresa, o montante incluía
os gastos para tentar conter o fluxo
do vazamento, limpar o petróleo
derramado, perfurar um segundo poço e injetar cimento no primeiro, além das indenizações ao
governo dos Estados Unidos, aos
estados americanos afetados pela
catástrofe e a pessoas e empresas
prejudicadas.
A companhia britânica afirmou ainda ter recebido mais de
145 mil pedidos de indenização.
Segundo a BP, mais de 103 mil
pagamentos foram feitos, totalizando cerca de R$ 560 milhões
(US$ 319 milhões).
Mais acidentes – A Capitania dos
Portos informou, no dia 11 de agosto, que foi comunicada pela Petrobras de um princípio de incêndio
na plataforma de produção de petróleo P-35, instalada no Campo
de Marlim, na Bacia de Campos. A
unidade constava, ao lado da P-31
e da P-33, da lista de embarcações
com condições críticas de manutenção, lista esta elaborada pelo
Sindicato dos Petroleiros do Norte
Fluminense (Sindipetro-NF). A P-33
tinha sido vistoriada no dia anterior
pela Marinha e pela ANP.
um ano incomum
Novas embarcações – No dia 26
de agosto, a STX Brazil lançou
ao mar o Skandi Amazonas. Encomendada pelo armador Dof
Navegação, a nave é o maior e
mais potente navio de reboque,
suprimento e manuseio de âncoras já construído no Brasil. A embarcação, construída no estaleiro
STX Brazil, prestará serviços à
Petrobras em operações de apoio
marítimo a plataformas de petróleo, na Bacia de Campos.
No mesmo dia, o Estaleiro Aliança entregava o PSV Ana Luísa à
CBO. Trata-se de um navio de apoio
marítimo do tipo PSV, o 18º da frota
da CBO – em setembro de 2010 iniciaria operações para a Petrobras.
OGX anuncia descoberta na bacia
do Parnaíba – No dia 12 de agosto,
a OGX comunicou ao mercado,
através de sua subsidiária OGX
Maranhão, a presença de gás na
seção devoniana do poço 1-OGX16-MA, no bloco PN-T-68, na bacia
terrestre do Parnaíba. A OGX Maranhão, sociedade formada entre
26/08 – Lançado no Estaleiro STX Brazil,
em Niterói, o Skandi Amazonas
Foto: STX Brazil
Segundo comunicado da Capitania dos Portos, não houve vítimas nem danos ambientais no
incidente. O incêndio teria começado por causa do “gotejamento de
condensado de vapores de água
e hidrocarbonetos sobre o revestimento térmico da Torre Regeneradora de Glicol (equipamento
que faz parte do tratamento de gás
na unidade)”. O fogo foi controlado pelos próprios operários da
plataforma.
Dois dias depois, a ANP determinou a suspensão das operações
da plataforma P-33, da Petrobras,
situada no Campo de Marlin, na
Bacia de Campos, por falta de condições de segurança operacionais
e para os trabalhadores. Essa foi a
primeira vez que uma plataforma
da empresa foi interditada.
OGX S.A. (66,6%) e MPX Energia
S.A. (33,3%), é a operadora e detém
70% de participação neste bloco,
enquanto a Petra Energia S.A. detém os 30% restantes.
“Esta descoberta abre uma nova
fronteira exploratória em uma bacia
terrestre, fato que não ocorria há
aproximadamente duas décadas
no Brasil. Convém também ressaltar que a campanha exploratória,
iniciada em outubro de 2009, está
sendo conduzida por companhias
brasileiras, obtendo importantes
resultados em tempo recorde”, comentou Paulo Mendonça, diretor
geral da OGX.
“Viva o Brasil, viva a inteligência brasileira”, comemorou, na ocasião, Eike Batista, acionista controlador e presidente do Conselho de
Administração da OGX.
O primeiro poço (OGX-16, em
Capinzal do Norte) foi concluído
em outubro com a identificação de
duas acumulações de gás, também
na idade devoniana. Na ocasião,
a OGX e a MPX estimaram uma
capacidade produtiva de aproximadamente 15 milhões de metros
cúbicos diários de gás natural em
toda a área dos sete blocos da bacia
do Parnaíba. Os 3,4 milhões de m³/
dia devem ser entendidos como
parte desse montante.
Petroquímica – No dia 27 de agosto, a Companhia Petroquímica de
Pernambuco (PetroquímicaSuape)
iniciou a pré-operação da unidade
de polímeros e fios de poliéster que
produzirá 240 mil toneladas por ano
de filamentos e polímeros têxteis.
O primeiro processo a entrar em
funcionamento será o de texturização, quando serão produzidos fios
para malharias e tecelagens. Outras
duas plantas industriais compõem o
complexo petroquímico: uma para a
produção de ácido tereftálico (PTA)
e outra de resina PET.
Mais acidentes – No início
de setembro,
a explosão da
plataforma Vermilion Block 380,
no Golfo do México, a 160 km da
costa da Louisiana (EUA), operada
pela Mariner Energy, jogou ao mar
pelo menos 13 pessoas que estavam
no local. Mesmo sem alcançar a dimensão do caso da BP, o acidente
reforçava a decisão do presidente
Barack Obama de manter a moratória para a exploração de petróleo
e gás na região.
Alguns dias depois, um incêndio destruiu uma plataforma da
petroleira chilena Sipetrol, em
TN Petróleo 75
39
retrospectiva 2010
Foto: Banco de Imagens TN Petróleo
23 –Finep aprova infraestrutura laboratorial para o pré-sal. Projetos
do CTDUT e IPT são os principais contemplados.
26 –Teste de Longa Duração confirma
nova descoberta na Amazônia.
30 –Coppe e Bureau Veritas assinam
acordo de cooperação.
Dezembro
1 – Lupatech e Acergy assinam contrato com Petrobras.
2 – Câmara aprova regime de partilha
do pré-sal.
6 – Lula assina decreto de regulamentação da Lei do Gás.
40
TN Petróleo 75
05/10 – Inaugurado o novo Cenpes,
Ilha do Fundão, RJ
Foto: Agência Petrobras
Novembro
3 – BG eleva estimativa para reservas no Brasil.
3 – Dilma Roussef fala sobre pré-sal
em pronunciamento.
5 – Produção de gás bate recorde em
setembro, mas a de petróleo cai 4%.
9 – “Congresso não deve aprovar lei
do pré-sal este ano”, diz ANP.
Petrobras é quarta maior empresa de energia do mundo, segundo
Platts.
10 –“Petróleo regressa aos cem dólares apenas em 2015”, diz Agência
Internacional de Energia (AIE).
11 –Aker Solutions inaugura simulador de perfuração no Brasil.
Petrobras assina contrato para
construção de plataformas.
17 –Petrobras descobre óleo leve
ao sul da Bacia de Santos.
Almir Barbassa, diretor da Petrobras, é eleito executivo do ano de
2010 pelo Ibef.
18 –Schlumberger inaugura Centro
de Pesquisas no Parque Tecnológico da UFRJ.
19 –É lançado o terceiro navio do
Promef.
águas argentinas do Estreito de
Magalhães, no extremo sul da
América, sem causar vítimas ou
derramamento de óleo.
Ademais, na mesma semana,
um gasoduto explodiu no condado de San Bruno, em San Francisco, na Califórnia. Seis pessoas
morreram e mais cem foram obrigadas a deixar suas casas, devido
ao intenso incêndio que aconteceu após a explosão. O governador interino, Abel Maldonado,
declarou estado de emergência
na localidade, que fica a apenas
3 km do Aeroporto Internacional
de San Francisco.
Plano nacional contra vazamento
– Três meses após o vazamento de
petróleo no poço da British Petroleum (BP) no Golfo do México, o
Brasil passou a debater um programa de ação para acidentes no
pré-sal. A proposta do governo foi
de que a ANP, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e a
Marinha elaborassem, juntos, o
primeiro Plano Nacional de Contingência para evitar catástrofes
durante a exploração de petróleo
em alto-mar.
O plano brasileiro começou a
ser esboçado depois do vazamento
de 1,3 milhão de litros de petróleo
na Baía de Guanabara, em janeiro
de 2000, mas estava parado há
dois anos e meio no Ministério
do Meio Ambiente.
P-57 e Cenpes
– No dia 5 de
outubro, a Petrobras não só
batizou a plataforma P-57, mas
também inaugurou a ampliação de
seu Centro de Pesquisas.
Com capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo e
2 milhões de m³ de gás por dia, a
plataforma P-57 foi batizada pelo
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo presidente
da Petrobras, José Sergio Gabrielli,
em Angra dos Reis (RJ).
No mesmo dia, foi realizada a
cerimônia de inauguração da expansão das instalações do Centro
de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de
Mello (Cenpes), na Ilha do Fundão (RJ). As novas instalações
agregam arrojadas técnicas de
construção, sustentabilidade e
ecoeficiência e representam um
salto para o desenvolvimento de
tecnologia na Petrobras.
TN Petróleo 75
41
Foto: Agência Petrobras
7 – Caixa anuncia investimento de
R$ 70 bilhões no setor de petróleo e gás até 2014.
Braskem e Governo da Bahia
fecham parceria para tecnologias
com foco em sustentabilidade.
8 – Gabrielli recebe prêmio Personalidade do Ano. A premiação é
uma iniciativa conjunta do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis (IBP), Organização Nacional da Indústria do
Petróleo (Onip) e da Seção Brasil
da Sociedade dos Engenheiros
de Petróleo (SPE).
Petrobras e ABNT lançam a ISO
26000 no Brasil.
9 – Inauguração, no Rio de Janeiro,
do primeiro Centro de Simulação de Guindastes Portuários e
Offshore do Brasil.
Petrobras e Petroquisa investem
em petroquímica, no desenvolvimento de projeto de expansão da
Fábrica Carioca de Catalisadores
S.A. (FCCSA).
Produção de gás da Petrobras
aumentou 7,8% em outubro.
13 –GE apresenta proposta de aquisição da Wellstream.
Petrobras incorpora subsidiárias
do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).
14 –Petrobras Biocombustível encerra 2010 com produção de 1 bilhão
de litros de etanol.
Petrobras compra participação da
Repsol na Refap.
Iniciado o Teste de Longa Duração (TLD) do reservatório de
Carimbé, na Bacia de Campos.
16 – Novo poço de Tupi confirma
potencial de petróleo leve.
42
TN Petróleo 75
Fotos: Agência Petrobras
retrospectiva 2010
05/10 – Batismo da P-57, no Estaleiro
Brasfel, em Angra dos Reis, RJ
Mais P&D – Em outubro, a Repsol anunciou a construção de um
laboratório de tecnologia em parceria com UFRJ. Depois de pronto, o Centro Tecnológico 2 (CT2)
da Fundação Coppetec/UFRJ, na
Ilha do Fundão, vai representar
um marco na indústria de petróleo e gás. O novo complexo,
somado ao pólo tecnológico de
toda a UFRJ, será considerado a
maior concentração de laboratórios especializados no segmento
de petróleo e gás em todo o hemisfério Sul.
A Repsol aportou capital para
construir um dos cinco laboratórios
especializados em petróleo e gás,
e participará ativamente das pesquisas a serem desenvolvidas no
Laboratório de Modelagem de Impactos e Ecogerenciamento de Reservatórios de Petróleo (LMIERP).
Só no LMIERP devem trabalhar
50 pessoas, entre professores, administrativo e estudantes de pósgraduação, e sua inauguração está
prevista para novembro.
Tupi – Ainda no início do mês de outubro, a Petrobras divulgou que na
perfuração do oitavo poço na área
de Tupi foi confirmado o potencial
de petróleo leve nos reservatórios do
pré-sal, em águas ultraprofundas da
Bacia de Santos. O novo poço, denominado 3-BRSA-839A-RJS (3-RJS675A), e informalmente conhecido
como Iracema Norte, está localizado
na área do Plano de Avaliação de
Tupi, em profundidade de água de
2.247 m, a cerca de 240 km da costa
do estado do Rio de Janeiro e a 6
km a nordeste do poço Iracema –
4-RJS-647 (4-BRSA-711).
Novo Cenpes – Com a expansão
do Cenpes, o empreendimento
da Petrobras passa a ser um dos
maiores complexos de pesquisa do
mundo, com mais de 300 mil m².
A estatal é hoje a empresa que
mais investe em ciência e tecnologia no país.
Localizado no Rio de Janeiro,
o Cenpes conta com diversos
laboratórios destinados a atender as demandas tecnológicas
das áreas de biotecnologia,
fertilizantes, biocombustíveis,
reuso de água, petroquímica e
avaliação do meio ambiente nos
locais em que a empresa opera
ou pretende operar.
Com a ampliação, o centro de
pesquisas contará também com
modernos laboratórios para atender exclusivamente as demandas
do pré-sal. Das dez alas de novos
laboratórios, cinco são dedicadas
ao pré-sal, com foco na caracterização de rochas e interação das
mesmas com os diversos fluidos
presentes (petróleo, gás natural,
água, CO2, etc.).
Durante o evento, seu gerente
executivo, Carlos Tadeu Fraga, informou que a expansão do Cenpes
é uma das estratégias da Petrobras
para ampliação da capacidade experimental do parque tecnológico brasileiro. O executivo indicou
também que o investimento da
Petrobras em tecnologia é cinco
vezes mais o de uma década. “Nos
últimos três anos, fomos responsáveis por um dos cinco maiores
investimentos em pesquisa e tecnologia do mundo”, disse.
Na ocasião, o presidente da
Petrobras, José Sergio Gabrielli,
ressaltou que a ampliação gerou
cerca de seis mil empregos diretos
e 15 mil empregos indiretos durante a execução da obra.
A inauguração também contou
com a participação do presidente da
República Luiz Inácio Lula da Silva,
de representantes da Petrobras e de
diversas autoridades. Eles visitaram
as instalações do Laboratório de
Petrogeofísica e o Núcleo de Visualização Colaborativa (NVC), com
ambientes para o desenvolvimento
de estudos e projetos com simulação
tridimensional.
Em seu discurso, Lula parabenizou a iniciativa e enfatizou
que ela é parte da proposta de
Ciência e Tecnologia, idealizada pela comunidade científica e
concretizada pelo Ministério de
Ciência e Tecnologia. “O Cenpes
dá direito aos gestores do Rio de
Janeiro de dizerem ao mundo
que esse é um estado tecnológico, porque este centro é o maior
do hemisfério Sul. Valeu a pena
a gente acreditar na indústria nacional, na mão de obra nacional
15/10 – A Shell
anuncia investimentos
para a segunda fase no
Parque das Conchas,
Bacia de Campos
Foto: Divulgação Parque das Conchas
um ano incomum
e na geração de emprego e renda
no Brasil”, revelou.
Parque das Conchas – No dia
15 de outubro, a Shell anunciou
os investimentos para a segunda
fase do Parque das Conchas, projeto localizado no bloco BC-10, na
Bacia de Campos, a mais de 100
km da costa do Espírito Santo.
Esse significativo investimento
servirá ao desenvolvimento do
quarto campo no bloco e dá continuidade à bem-sucedida onda
de crescimento na produção da
Shell nos negócios de Exploração
e Produção nas Américas. Todo o
projeto vai gerar recursos energéticos de cerca de 300 milhões
de boe, com produção de cerca
de 100 mil barris por dia.
Mais acidentes – No dia 25 de outubro, pelo menos 14 pessoas morreram e cem ficaram feridas no incêndio de um oleoduto na região central
de Mianmar, antiga Birmânia.
Tupi – No dia 28, a Petrobras comemorou a entrada em operação
do navio-plataforma Cidade de
Angra dos Reis, primeiro sistema
definitivo de produção instalado
na área de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos. A nova plataforma
está conectada, inicialmente, ao
poço RJS-660, que será testado
tecnicamente até a Declaração de
Comercialidade (DC) da jazida,
prevista para o final de dezembro,
quando estará concluída, também,
a sua interligação a outros poços
produtores e a área de Tupi entrará na fase de desenvolvimento da
produção.
Primeira unidade programada
para produzir em escala comercial
no pré-sal da Bacia de Santos, o
Cidade de Angra dos Reis é uma
plataforma do tipo FPSO (na sigla
em inglês, unidade flutuante que
produz, armazena e exporta óleo e
gás). A unidade produzirá óleo leve
de alto valor comercial e dará início
ao sistema de produção definitivo
de Tupi, que coletará informações
técnicas fundamentais para o desenvolvimento das grandes acumulações de petróleo descobertas nos
últimos anos naquela bacia sedimentar. A área de Tupi é operada
pela Petrobras (65%) em parceria
com as empresas BG Group (25%)
e Galp Energia (10%).
Libra – No fim do mês, a ANP confirmou que a descoberta de petróleo, no campo de Libra, na área
do pré-sal da Bacia de Santos, no
poço 2-ANP-2A-RJS, possui volume recuperável de óleo entre 3,7
e 15 bilhões de barris.
A área vem sendo explorada
pela Petrobras como parte do
processo de cessão onerosa de
capitalização da empresa e não
faz parte dos blocos já licitados na
região. O poço 2-ANP-1-RJS, no
prospecto de Franco, e 2-ANP-2ARJS, em Libra, foram perfurados
em área da União com o objetivo de aumentar o conhecimento
sobre o potencial petrolífero do
pré-sal brasileiro.
BG eleva estimativa para reservas no Brasil – No início
de novembro, o
grupo britânico
de petróleo e gás BG Group elevou
suas estimativas para as reservas
TN Petróleo 75
43
retrospectiva 2010
Tecnologia – Foi inaugurado em
novembro pela Aker Solutions,
em Rio das Ostras (RJ), o primeiro
simulador do mundo de equipamento de perfuração em formato
domo 240°. A inauguração ocorreu
no novo centro de treinamento de
equipamentos de perfuração da
empresa em Rio das Ostras.No
mesmo mês, teve início a operação
do Centro de Pesquisas em Geoengenharia da Schlumberger.
44
TN Petróleo 75
posicionamento dinâmico para
navios petroleiros, com particular
interesse para os campos do présal, que será desenvolvido pelos
pesquisadores do Programa de
Engenharia Naval e Oceânica; e a
cessão à Coppe, com objetivos acadêmicos, dos softwares Hidrostar
e Ariane, que foram desenvolvidos
pelo Bureau Veritas com foco de
atuação nas áreas de hidrodinâmica e amarração de unidades
offshore, respectivamente.
28/10 – Entra em
operação, no campo de
Tupi, o primeiro sistema
definitivo de produção,
com o FPSO Cidade de
Angra dos Reis
Foto: Agência Petrobras
de petróleo e gás no Brasil em cerca de um terço e reportou aumento
de 6,7% em seu lucro líquido do
terceiro trimestre, citando forte
desempenho nas operações com
gás natural liquefeito.
A companhia, que tem sede no
Reino Unido, informou ter adicionado 2,7 bilhões de barris de petróleo equivalente às suas estimativas
brutas para os campos de petróleo
Tupi, Iracema e Guará na bacia
offshore de Santos, no litoral brasileiro, elevando a estimativa de
recursos brutos recuperáveis de
tais campos para 10,8 bilhões de
barris de petróleo equivalente.
Na mesma semana, a produção brasileira de gás bateu recorde
em setembro, quando atingiu 63,9
milhões de m³ de média diária.
O resultado é 2,25% superior à
produção de agosto e 6,2% maior
à de setembro do ano passado. Já
a produção de petróleo recuou 4%
de agosto para setembro. De acordo com a ANP, a média diária de
extração em setembro foi de 1,987
milhão de barris, abaixo do recorde
registrado um mês antes, de 2,068
milhões de barris por dia.
A Agência atribuiu a queda à
redução da produção do Campo de
Marlim, em decorrência da parada
programada da plataforma P-35 e da
interdição da P-33. Na comparação
com setembro de 2009, a produção de
petróleo foi praticamente a mesma,
com aumento de apenas 0,24%.
Já a Finep anunciou o resultado da Chamada Pública que visa
fornecer apoio financeiro para
infraestrutura laboratorial para o
desenvolvimento de projetos relacionados à exploração de petróleo
na camada do pré-sal.
Os dois laboratórios necessários para a implantação da Rede
de Competência em Válvulas
– Laboratório de ensaios de desempenho de válvulas e acessórios de tubulações, do Centro de
Tecnologia em Dutos/CTDUT e
Laboratório de Ensaios de Desempenho de Válvulas e Acessórios
de Tubulação, do IPT (Instituto
de Pesquisas Tecnológicas do
Estado de São Paulo) – foram
aprovados. As unidades contarão com financiamentos de R$
3.473.908,73 e R$ 6.206.691,22,
respectivamente.
Ainda em novembro, a Coppe e o Bureau Veritas assinaram acordo de cooperação para
o desenvolvimento de projetos
na área de engenharia naval e
oceânica (offshore). Como fruto
desse acordo, duas ações já estão
programadas: o desenvolvimento
de um sistema voltado para avaliar a capacidade de sistemas de
Mais embarcações – No dia 19,
a Petrobras realizou, no estaleiro
Mauá, o batismo e o lançamento do
terceiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota da
Transpetro, dentro do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC).
O presidente da Transpetro, Sérgio
Machado, batizou o navio, para
transporte de produtos derivados
claros de petróleo, de Sérgio Buarque de Holanda, em homenagem
ao historiador, jornalista e crítico
literário paulista, autor do clássico
Raízes do Brasil.
Nova descoberta na Amazônia
– No final do mês, a Petrobras comunicou que os primeiros dados
do Teste de Longa Duração (TLD),
iniciado em setembro, no poço exploratório 1-ICB-1-AM (Igarapé
Chibata nº 1), confirmaram a descoberta de uma nova acumulação
de óleo leve (46º API) e gás natural
no município de Tefé (AM), distante 630 km de Manaus e 32 km
da Província Petrolífera de Urucu.
A companhia já detém três campos
produzindo petróleo e gás natural
no município de Coari.
O poço de 3.485 m foi perfurado na Bacia do Solimões,
Bloco SOL-T-171, onde a Petrobras detém 100% de participação dos direitos de exploração e
produção. Os dados do TLD, até
o momento, indicam que o poço
um ano incomum
tem a capacidade de produzir
2.500 barris de óleo por dia, o
que é considerado um excelente
resultado, em se tratando deste
tipo de bacia no Brasil.
Menor nível de
queima de gás
natural – Em
dezembro, a
ANP, divulgou
que o volume de
gás queimado no país em outubro,
foi 33,7% menor em relação a igual
mês do ano passado e 16,2% inferior a setembro de 2010. No mês
de outubro, a queima de gás no
país foi de 5,49 milhões de m³ por
dia, o menor nível desde abril de
2008 quando houve a queima de
4,7 milhões de m³.
A ANP informou que está negociando com as principais produtoras do país – Petrobras, Shell e
Chevron – um termo de ajuste que
obriga as empresas a reduzir os
atuais níveis de queima de gás, de
cerca de 8,5% do total da produção,
para até 3% a partir de 2012.
Assinatura de contratos – A
Lupatech anunciou contrato de
prestação de serviços com a Petrobras, no valor de R$ 112,2 milhões, por cinco anos, renováveis
por mais cinco anos. O contrato
engloba a prestação de serviços
para conexão e desconexão de
tubos de perfuração, produção e
de revestimento, incluindo a utilização de equipamentos como
chave hidráulica, cunhas manuais,
spiders, elevadores pneumáticos,
raspadores e crossovers. A execução terá início em abril de 2011,
com operação plena a partir de
outubro de 2011.
O contrato será executado pela
subsidiária integral da companhia,
a Lupatech Equipamentos e Serviços para Petróleo Ltda, com base
em Macaé (RJ).
No mesmo mês, a Acergy conquistou contrato com a Petrobras
para a construção e instalação
do trecho raso do Gasoduto Sul
Norte Capixaba. O gasoduto com
18 polegadas de diâmetro será
instalado na costa do Espírito
Santo, com lâmina d’água entre
30 m e 100 m e aproximadamente
150 km de extensão, interligando
o gasoduto do Campo de Camarupim ao complexo do Parque
das Baleias.
Para condução deste contrato,
a Acergy constituiu com a Odebrecht Óleo e Gás (OOG) um
consórcio que será responsável
pelo gerenciamento do projeto,
engenharia, suprimento e fabricação. A Acergy fará ainda
a instalação do gasoduto além
dos serviços de mergulho e atividades de pré-comissionamento
do sistema, que serão realizados
pelas embarcações Acergy Polaris
e pelo Acergy Harrier a partir do
final de 2011.
Aprovado regime de partilha do
pré-sal – E no segundo dia do
mês, numa sessão tensa e repleta de bate-bocas, a Câmara dos
Deputados aprovou o projeto que
estabelece o regime de partilha
para a exploração do pré-sal e
cria o Fundo Social para gerir
esses recursos. Na ocasião, os
parlamentares também aprovaram o novo modelo de divisão
dos royalties, que agora serão
repartidos pelos mesmos critérios
do Fundo Constitucional para
estados e municípios. O projeto básico foi aprovado com 204
votos a favor, 66 contra e duas
abstenções.
Lula assina decreto de regulamentação da Lei do Gás – Após sete
anos de discussões entre governo e
agentes do mercado de gás, o presidente da República, Luiz Inácio
TN Petróleo 75
45
Foto: Cortesia GDK
retrospectiva 2010
03/12 – Assinado o decreto
de regulamentação da Lei do Gás
Lula da Silva, assinou em dezembro, o decreto de regulamentação
da Lei do Gás.
A nova lei vai regulamentar o
período de exclusividade de uso de
um duto por parte de seu investidor. A ideia é que a partir de agora
ocorram leilões com os trechos dos
gasodutos a serem construídos, a
exemplo do que já acontece no
setor elétrico, com as linhas de
transmissão. Até então, apenas a
Petrobras construiu dutos no país
para escoar seu produto.
Caixa vai investir R$ 70 bilhões no
setor de petróleo e gás até 2014
– A Caixa Econômica Federal vai
investir R$ 70 bilhões, entre 2011
e 2014, no setor de petróleo e gás.
Em 2010, primeiro ano em que o
banco direcionou recursos ao setor, foram destinados R$ 3 bilhões.
Para 2011, o valor deve ficar entre
R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões. As
informações foram divulgadas pelo
superintendente regional da Caixa
no Rio, Edalmo Porto Rangel.
Ele adiantou que, a fim de aumentar a proximidade com o setor,
20 agências da Caixa serão inauguradas no próximo ano em municípios
que abrigam instalações ligadas à
exploração de petróleo e gás.
46
TN Petróleo 75
Primeiro Centro de Simulação de Guindastes Portuários
e Offshore do Brasil – O primeiro Centro de Simulação de
Guindastes Portuário e Offshore, desenvolvidos com tecno logia totalmente nacional, foi
inaugurado no Rio de Janeiro,
na Incubadora de Empresas da
Coppe/UFRJ. O Centro é o primeiro desta categoria no Brasil e
vai funcionar como ambiente de
treinamento para operações em
guindastes de bordo, portainer,
ponte rolante e caminhões. Os
simuladores estarão disponíveis
para empresas, escolas e pessoas
físicas, interessadas em locar os
equipamentos para treinamento
de mão de obra qualificada.
Produção de gás da Petrobras
aumentou 7,8% em outubro – A
Petrobras informou em dezembro
que a produção de gás natural
dos campos nacionais atingiu a
média mensal de 54 milhões 820
mil m³ diários no mês de outubro, 7,8% a mais que o volume
produzido no mesmo período de
2009, quando foi registrada a produção de 50 milhões 861 mil m³
de gás. No exterior, a produção
aumentou 1,1%.
Internacional – O Grupo Sinopec
comprou a Occidental Petroleum,
que explora ativos de petróleo e gás
natural na Argentina. A China Petrochemical, que é a maior refinadora da Ásia e também é do Grupo
Sinopec, anunciou em comunicado
que chegou a acordo para comprar
a petrolífera sul-americana.
A aquisição de 2,45 mil milhões
de dólares (1,85 mil milhões de
euros) faz parte do esforço de resposta às necessidades energéticas
da economia em maior crescimento e a segunda que mais petróleo
consome no mundo.
Negócios – A GE anunciou sua
intenção de fazer uma oferta de
compra de 100% da Wellstream
Holdings PLC, empresa líder na
área de engenharia e fabricação
de produtos de dutos flexíveis de
alta qualidade para o transporte de petróleo e gás no setor de
produção submarino. A aquisição
proposta faz parte da estratégia
de crescimento da GE, que visa
investir em seus negócios de alta
tecnologia industrial, melhorar
a competitividade dos produtos e ampliar sua presença em
mercados emergentes de rápido
crescimento.
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47
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bicombustíveis
Na roda dos
biocombustíveis
Com um mercado em franca
Foto: Niels Andreas, UNICA
expansão, os biocombustíveis têm
48
TN Petróleo 75
ampliado sua participação no setor
automotivo com o aumento do
consumo do etanol e as inovações
em biodiesel.
por Rodrigo Miguez
Além disso, segundo dados da
União da Indústria da Cana-deaçúcar (Unica), com a substituição
de combustível pelo álcool, desde
1970 o país já deixou de emitir 600
milhões de toneladas de CO2 na
atmosfera.
Biodiesel
Outro combustível que tem
recebido grandes investimentos,
inclusive da Petrobras, é o biodiesel, que tem como principais
matérias-primas o óleo de soja
(85,58%), seguido pela gordura
bovina (11,17%), óleo de algodão
(1,51%) e outros materiais graxos
(1,43%). O óleo de fritura corresponde a apenas 0,24% desse mercado, mas o governo quer ampliar
a fatia desse tipo de óleo.
O biodiesel é misturado ao diesel comum, no percentual de 5%
(B-5) a 20% (B-20), e há meios de
transporte coletivo que utilizam
até 100% (B-100), como alguns
de transporte urbano (Curitiba é
pioneira) e no modal ferroviário
de carga. O governo tinha uma
previsão de entrar com o B-5 no
de parte, à obrigatoriedade de se
agregar biodiesel no diesel comum
a partir do início desse ano.
A estimativa do mercado é que
o biodiesel, o etanol e o gás natural veicular (GNV) têm campo
livre para crescer nos próximos
dez anos. Para Gregory Pal, vicepresidente corporativo da empresa
LS9, os biocombustíveis não irão
substituir o petróleo, e sim ser uma
alternativa a esse item, que terá
uma demanda maior nos próximos
anos, quando o mundo precisará
dispor dessas novas fontes para
suprir a necessidade energética.
Expansão mundial
De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia, o cenário
atual da produção de biocombustíveis aponta os Estados Unidos,
Brasil, Alemanha, França e China
como os maiores produtores mundiais. Juntos, Brasil e Estados Unidos respondem por mais de 50% da
produção de biocombustíveis – basicamente, etanol e biodiesel.
Hoje, a demanda externa de
etanol ainda é pequena e, em ter-
Fotos: Bia Cardoso
N
o Brasil, onde hoje
mais de 90% dos carros produzidos são do
modelo flex fuel (que
permite ao motorista
rodar com mais de um
combustível), a crescente expansão
dessa frota nacional e também das
exportações levará ao aumento da
produção de etanol em 36,5 milhões de litros nos próximos dez
anos. A produção total em 2019
deve chegar a 64 milhões de litros
– quase duas vezes e meia o que é
produzido hoje.
Essa previsão do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE)
2019, divulgado em maio pela
Empresa de Pesquisa Energética
(EPE), aponta que a maior parte
do crescimento da produção ocorrerá principalmente em função da
expansão da demanda interna, que
passará de 22,8 para 52,4 bilhões
de litros. “Ela será sensivelmente
influenciada pelo aumento da frota
de veículos flex fuel, que passará
dos atuais 24,8 milhões para 39,7
milhões de unidades até 2019”,
afirma o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.
A avaliação é de que, nos próximos dez anos, o país passará a ter
uma frota de veículos flex fluel leve
– ciclomotor – a álcool de 39,71
milhões de veículos, passando a
responder por 77,9% da frota nacional. Enquanto isso, a de veículos movidos a gasolina cairá dos
atuais 56,8% para apenas 20,9%
de toda a frota.
A diferença nos preços do álcool
e da gasolina tem sido primordial
na opção dos consumidores pelo
etanol na hora de abastecer o carro.
Os números do setor sucroalcooleiro são crescentes e substanciais:
existem hoje cerca de 70 mil fornecedores de cana no país, que geram
1,2 milhão de empregos formais e
contribuem para um faturamento
de US$ 28 bilhões.
mercado somente em 2013, mas
antecipou esta data e o combustível, desde janeiro deste ano, está
disponível em bombas de postos
de serviços de todo o país.
Segundo o Ministério da Agricultura, a produção de biodiesel
deve atingir 2,4 bilhões de litros
este ano, o que representa um aumento de 50% em relação a 2009.
O crescimento se deve, em gran-
mos de exportação, representa
apenas 15% da nossa produção.
Porém, a tendência é de crescimento no uso de biocombustíveis
nos Estados Unidos e na Europa,
principalmente devido às metas
de redução de emissão de gases
do efeito estufa (GEE).
Na União Europeia, por exemplo, a partir de 2020 os países terão
que ter 10% de renováveis na sua
TN Petróleo 75
49
bicombustíveis
Etanol hidratado: distribuição por região
Total produzido: 19,1 milhões m³
Norte
Centro-Oeste
Sul
0,2%
Venda de etanol hidratado: participação das distribuidoras
Total das vendas: 16,5 milhões m³
Nordeste
Petrobras 22,2%
Outras 27,8%
Inclui outras
145 distribuidoras
6,7%
17,4%
8%
Euro 2,2%
67,7% Sudeste
Ipiranga 17%
Alesat 2,6%
Twister 3%
Gold 3,2%
Petronova 3,8%
Cosan 5,1%
Fonte: Mapa/Spae/DAA, 2009
50
TN Petróleo 75
Shell 13,1%
25
20
milhões m³
matriz de transporte. Porém, para
que isso aconteça, é preciso que as
tarifas de importação para o etanol
brasileiro sejam retiradas em locais
como os Estados Unidos, União
Europeia e Japão, os principais
mercado desse energético que começou a ser usado pioneiramente
no Brasil há 40 anos.
Estudos da Organização das
Nações Unidas para Agricultura e
Alimentação (FAO) mostram que
a possibilidade de ampliação do
mercado de biocombustíveis pelo
mundo é completamente viável.
A FAO estima que mais de cem países poderiam produzir biocombustíveis para 200 nações, sem afetar
a produção de alimentos, desde
que tomadas medidas para evitar
que o plantio de matérias-primas
como cana, soja e outros cultivos
se sobreponham às principais culturas que abastecem os mercados
mundiais, sobretudo os de grãos
e frutas.
De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil tem áreas suficientes para os
cultivos de alimentos e de biocombustíveis. Portanto, é necessário
direcionar a produção de forma
integrada e coordenada.
Fonte: ANP/SAB, 2009
15
10
5
2000
2001
Fonte: ANP/SPP, 2009
2002
2003
2004
Etanol
Investimentos crescentes
O crescimento dos biocombustíveis deve-se muito aos investimentos
das empresas. De 2006 a 2009, mais
de cem usinas
foram construídas, consumindo
mais de US$ 20
bilhões. As empresas nacionais
e estrangeiras
estão de olho no
crescente movimento do setor de
biocombustíveis no Brasil. Somente
a Petrobras planeja alocar em torno
US$ 3,5 bilhões nos próximos quatro
anos, na produção, infraestrutura e
pesquisa de etanol e biodiesel.
Segundo Miguel Rosseto, presidente da Petrobras Biocombustível, a agenda destes produtos está
2005
2006
2007
2008
2009
Gasolina Automotiva
em franco crescimento e o século
21 será o da transição energética,
com o uso cada vez maior de fontes renováveis. Ele confirma que
Estados Unidos, Brasil, Europa e
China serão os grandes consumidores de energias renováveis nos
próximos anos.
No fim de abril, a Petrobras
aportou R$ 1,6 bilhão para obter
o controle de 45,7% no capital da
Açúcar Guarani, quarta maior processadora de cana no país e que
é controlada pela francesa Tereos
Internacional.
De olho no incremento da
sua participação na produção de
biocombustíveis, a Shell fez uma
joint venture com a Cosan, gigante
nacional produtora de etanol, na
qual vai investir cerca de US$ 1,5
na roda dos biocombustíveis
Seguindo a trilha
Nesse novo século, as petrolíferas têm voltado as suas atenções
para o setor de biocombustíveis,
já que os custos de exploração de
petróleo estão cada vez mais altos
e, muitas vezes, os campos descobertos estão em países nos quais
o setor é dominado por estatais,
como no Brasil.
Além da Petrobras e Shell,
outras empresas do setor petrolífero também estão expandindo
seus negócios para o ramo dos
combustíveis menos agressivos ao
meio ambiente. A britânica British Petroleum (BP), que em 2008
adquiriu 50% da usina Tropical
BioEnergia, está investindo US$
1 bilhão na produção de etanol no
Brasil, enquanto a ExxonMobil
está alocando US$ 600 milhões
em biocombustíveis provenientes
de fontes sintéticas.
Capacidade nominal e produção de biodiesel (B100),
por região em 2009 (mil m³/ano)
Norte
Capacidade nominal: 203
Produção: 41,8
Nordeste
Capacidade nominal: 824,7
Produção - 163,9
Foto: Bia Cardoso
bilhão. A intenção da companhia
petrolífera anglo-holandesa é fazer
do Brasil sua plataforma de distribuição de biocombustíveis para o
resto do mundo. No total, o acordo,
estimado em US$ 12 bilhões, prevê
a criação de duas subsidiárias.
A Shell investe também em tecnologia, com quatro centros de pesquisa exclusivos para biocombustíveis no mundo. Com a formação
da joint venture com a Cosan, tudo
leva a crer que haverá um projeto
semelhante no Brasil. “Achamos
que há um grande potencial para o
etanol brasileiro
de cana-de-açúcar. O mundo já
percebeu que o
Brasil criou, nos
últimos anos, um
mercado de biocombustíveis bastante competitivo”, afirmou Mark
Gainsborough, vice-presidente de
Estratégia, Portfólio e Energia Alternativa, do Grupo Shell.
Centro-Oeste
Capacidade nominal: 1.809,8
Produção: 640,1
Sudeste
Capacidade nominal: 824,7
Produção: 163,9
Sul
Capacidade nominal: 931,4
Produção: 477,9
A francesa Total também está
no páreo: em meados do ano ela
adquiriu 17% da norte-americana
Amyris, que tem
usina-piloto em
Campinas (SP)
para a produção
de combustíveis
e produtos químicos usando a
cana-de-açúcar
como matéria-prima, com base na
tecnologia de biologia sintética.
A Amyris transforma o caldo da
cana em um produto intermediário
para a produção de combustíveis
químicos.
As duas sócias afirmam que a parceria “combina a plataforma de biologia sintética industrial e a capacidade
de produção emergente no Brasil da
Amyris com o know-how tecnológico,
a capacidade de escala industrial e
o acesso aos mercados da Total”.
“Trata-se de uma parceria estratégica. Vamos utilizar o conhecimento que a Total tem na cadeia
de petroquímicos para a fabricação
de produtos com fonte renovável”,
afirmou Roel Collier, diretor-geral
da Amyris no Brasil.
Gregory Pal, da empresa LS9,
afirma que uma das vantagens dos
biocombustíveis é que não competem
com a produção de alimentos, pois há
uma abundância de matérias-primas
para se chegar ao produto final.
Ele lembrou que também é possível fazer o biodiesel, por exemplo, com a gordura animal e o óleo
acumulado em bares e restaurantes
das grandes cidades. Isso beneficia
outros setores da economia e também ajuda no combate à poluição
do meio ambiente.
A expectativa do mercado é que
o crescimento dos biocombustíveis
será de cerca de 1,5% ao ano até
TN Petróleo 75
51
bicombustíveis
2030, o que significa uma produção
de 2,7 milhões de barris combustíveis limpos por dia. Alguns especialistas dizem que a expansão
da produção da cana-de-açúcar no
Brasil pode diminuir as áreas de
plantio de alimento, o que é totalmente negado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e também
por outras entidades do setor.
Inovação tecnológica
Junto com os investimentos
em pesquisa de novos processos
(e matérias-primas) de produção de
biocombustíveis, a indústria vem
injetando recursos também em novas tecnologias. As biorrefinarias
estão sendo desenvolvidas em di-
versos países do mundo, inclusive
no Brasil.
Os benefícios econômicos e ambientais dessas unidades de refino
são inúmeros, como a substituição
do óleo diesel por biomassa, que
pode gerar uma economia de milhões de dólares ao ano, além de
diminuir a emissão de gases do
efeito estufa na atmosfera.
As tecnologias já desenvolvidas
permitem a obtenção de subprodutos como a nanocelulose, com a
qual é possível fabricar não apenas
fibra para papel, mas também fibra têxtil, polímeros, filmes e géis
empregados como aditivos em
alimentos. Até mesmo materiais
antes considerados resíduos, como
A partir da crise do petróleo,
nos anos 1970, o governo brasileiro
criou o programa Pró-álcool. Com
forte investimento do governo, na
época, em tecnologia e subsídios
para as usinas produtoras do combustível, a indústria automobilística
e os consumidores foram na onda
do novo produto, adaptando os motores dos veículos para receber
o álcool combustível.
Em 1986, o carro a álcool ganhou o gosto dos brasileiros, que
compraram em sua maioria veículos
que rodavam com o novo combustível. No entanto, o consumo de álcool
apresentou uma queda gradual, devido à escalada do preço internacional do açúcar, o que desestimulou
a fabricação desse insumo. Com o
produto escasso no mercado, o governo passou a importar etanol dos
Estados Unidos, em 1991, ao mesmo
tempo que ia retirando os subsídios
à produção, o que promoveu a quase extinção do Pró-álcool.
Além desses problemas mercadológicos, a queda no uso desse
biocombustível deveu-se também
a problemas técnicos nos motores
52
TN Petróleo 75
Foto: Agência Petrobras
Etanol: pioneirismo brasileiro
Shigieaki Ueki, então presidente da Petrobras,
abastecendo o primeiro carro movido à alcool no
Brasil, um Fiat 147.
a álcool, incapazes de um bom desempenho nos períodos frios.
Porém, no início dos anos 2000,
com a alta dos preços do petróleo
e consequentemente dos combustíveis na bomba dos postos, o governo voltou a investir na produção
de álcool para veículos. O resultado
foi um grande sucesso do agora
popularizado etanol, com mais de
90% dos carros saindo das fábricas
preparados para receber o produto.
A grande vantagem dessa nova era
do etanol é que os veículos recebem
os dois tipos de combustíveis, álcool
e gasolina, o que dá a garantia de
longevidade ao programa, e a certeza de crescimento desse mercado.
galhos, copas e raízes de árvores
são reaproveitados, resultando
em combustíveis como o etanol e
a lignina, que substituem o carvão
nos fornos de cal das indústrias de
celulose e papel.
De acordo com estudos realizados pelo grupo sueco Innventia,
líder mundial em pesquisa e desenvolvimento de celulose, papel,
embalagens e biorrefino, o custo
total para a implantação de uma
usina de biorrefinaria com capacidade para 50 mil toneladas de
lignina por ano pode chegar a US$
18 milhões.
Outra frente de desenvolvimento tecnológico é a produção
do etanol celulósico, feito a partir
do bagaço de cana. A utilização
do bagaço irá aumentar significativamente a produção e ainda
reduzirá os custos. Além disso, já
está sendo pesquisado o uso de etanol na aviação, o que seria muito
benéfico para o meio ambiente, já
que os aviões são grandes poluidores, por utilizarem diesel como
combustível.
Logística
Mesmo com todos esses investimentos e bons números, o setor
de biocombustíveis, assim como
outros ramos da economia brasileira, também sofre com a falta de
infraestrutura para o escoamento
do produto, o que gera mais custo
para toda a cadeia e um insumo
com preço maior na bomba.
Para superar esse gargalo, as
empresas estão investindo em soluções para não depender apenas
de caminhões para o transporte dos
combustíveis. Há diversos projetos
para a construção de dutos para
abastecer com mais rapidez os demais estados brasileiros e facilitar
a chegada deste produto para exportação no Porto de Santos.
A Uniduto acaba de conseguir
o Estudo de Impacto Ambiental
na roda dos biocombustíveis
(EIA) para a realização da obra de
cerca de 612,4 km de dutos, com
quatro coletores que ficarão nas
cidades paulistas de Serrana, Botucatu, Anhembi e Santa Bárbara
d’Oeste, mais dois terminais de
distribuição para o mercado interno, em Paulínia e Caieiras, e
ainda um terminal de exportação,
em Santos, onde também operará
um porto próprio offshore.
Pelo projeto, os centros coletores
estarão posicionados para se integrar
a outros modais, interagindo assim
com o transporte ferroviário e rodoviário. O início das operações, que
terão como foco o etanol, está previsto para janeiro de 2013, quando será
possível transportar até 16 bilhões
de litros de etanol por ano.
Para Eduardo Leão, diretor-executivo da Unica, os alcooldutos vão trazer
Sistema Integrado de
Transporte de Etanol
Petrobras dá início
às obras do etanolduto
A Petrobras começou, no fim de
novembro, as obras do Sistema Integrado de Transporte de Etanol da
PMCC, empresa formada pela Petrobras e Camargo Corrêa. Junto com
as duas empresas, a Copersucar,
Cosan, Odebrecht e Uniduto se associaram ao empreendimento para
dar continuidade à implementação
do sistema.
Com investimentos de mais de
R$ 5 bilhões, o Sistema Integrado de
Transporte de Etanol possui 850 km
de extensão e vai atravessar 45 municípios, ligando as principais regiões
produtoras de etanol nos estados
de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e
Mato Grosso à Replan, em Paulínia
(SP). Parte deste sistema integrado
será composto por um etanolduto de
longa distância, entre as regiões de
Jataí (GO) e Paulínia. O primeiro trecho irá de Ribeirão Preto a Paulínia.
O projeto, quando concluído, terá
capacidade instalada de transporte
de até 21 milhões de m³ de etanol
por ano.
O presidente da PMCC, Alberto
Guimarães, ressaltou a importância
do projeto para
tornar o mercado
de etanol no país
ainda mais competitivo. Segundo ele “grande
parcela do preço
do etanol decorre dos custos com logística e esse
projeto abraça a principal região de
produção no país”. E ressaltou ainda
uma importante
redução de custos,
gerar um melhor
planejamento por
parte das empresas e também irá
ajudar na redução
de emissões de
gases do efeito estufa, já que haverá
diminuição no uso de caminhões para
o transporte dos combustíveis.
que grande parte do etanolduto atravessará faixas já existentes e que
isso minimizará impactos ambientais
e para as comunidades do entorno.
Um dos benefícios do projeto
será a redução do tráfego nas grandes rodovias e nas áreas de grande
circulação de veículos dos centros
urbanos. Como resultado disso, haverá redução no número de caminhões e menor desgaste das estradas, maior segurança e agilidade e
menor emissão de poluentes.
O empreendimento irá se integrar também ao sistema de transporte hidroviário existente na bacia
Tietê-Paraná. Os comboios de transporte, compostos pelas barcaças de
cargas e os barcos empurradores,
serão construídos e operados pela
Transpetro. A combinação dos modais dutoviário e hidroviário do sistema Tietê-Paulínia irá garantir uma
melhor racionalização do processo
de transporte do etanol, com os menores custos possíveis.
O sistema integrado se estenderá por uma ampla malha de dutos
até Barueri e Guarulhos, na grande
São Paulo, e Duque de Caxias (RJ).
A partir destes terminais, o etanol
será levado diretamente aos postos
de combustíveis por meio de transporte rodoviário de curta distância.
E, para garantir que o etanol chegue a outros mercados no território
nacional, por meio da cabotagem, o
sistema de escoamento alcançará
terminais marítimos nos litorais de
São Paulo e Rio de Janeiro.
TN Petróleo 75
53
n
por Maria Fernanda Romero
Prevista para o primeiro mês de 2011 a entrada em operação de
Alegria 1, juntamente com Alegria 2, logo em seguida. Quando
estiver concluído, será o maior parque eólico da América Latina,
fazendo com que o Brasil entre definitivamente nos ventos da
energia sustentável.
O empreendimento em Guamaré, no Rio Grande do Norte, confirma
a vocação do Nordeste para essa fonte energética, que já começou
a mudar a paisagem da região. E vem ajudando a posicionar o
Brasil com um dos países mais promissores neste setor, o qual,
impulsionado pelos bons resultados dos leilões, vem ganhando
maior competitividade.
Prova disso são os altos investimentos e novos projetos em 2010,
que culminaram com a inauguração da primeira etapa do parque
eólico Alegria, que vai gerar energia suficiente para abastecer 194
mil residências e evitará a emissão de cerca de 115 mil toneladas de
CO2 na atmosfera.
B
54
TN Petróleo 75
n
o
s
o
B
t
il
ras
s
n
o ve
energia eólica
A
Distribuição Geográfica do Potencial de Energia Eólica
Potencial Indicativo: 143,5 GW
Norte: 9 %
12,8 GW
26,4 TWh/ano
Nordeste: 52 %
75,0 GW
144,3 TWh/ano
Centro-Oeste: 2 %
3,1 GW
5,4 TWh/ano
Sudeste: 21 %
29,7 GW
54,9 TWh/ano
Brasil: 143,5 GW
272,2 TWh/ano
Fonte: Atlas de Energia Eólica – Cepel/Eletrobras
Foto: Banco de Imagens Keystone
Sul: 16 %
22,8 GW
1,1 TWh/ano
s perspectivas quanto à energia eólica
para as próximas
décadas são surpreendentes, segundo o
estudo Global Wind
Energy Outlook 2010, divulgado
pelo Conselho Global de Energia
Eólica (GWEC, na sigla em inglês)
e o Greenpeace International.
A perspectiva mais moderada, tendo em conta as políticas que incentivam o uso de fontes renováveis, é
que em 2030 haja uma capacidade
instalada de quase 1,8 mil GW – o
que representa mais de dez vezes
a capacidade estimada até o final
de 2010, que é de 197 GWh.
De acordo com o estudo, a geração eólica deverá atender de 15%
a 17,5% da demanda de energia
mundial. Europa, América do Norte, China e Índia continuarão a
liderar a implantação de novos parques eólicos nas próximas décadas
e a América Latina deve pular de
1 GW, em 2009, para 72 GW em
2030. No mesmo período, a China
vai passar de 26 GW para 404 GW.
O Brasil é o país que está tendo
o maior progresso na área eólica na
América Latina, devendo terminar
o ano de 2010 com 900 MW de capacidade instalada. “Este país tem
uma área com grande potencial para
energia eólica, combinado com o
crescimento da demanda de energia
e uma infraestrutura industrial sólida”, afirma o relatório. O documento
destaca ainda que em 2009 e 2010
foram viabilizados em leilões cerca
de 3,8 mil MW de capacidade, apesar de alguns projetos do Programa
de Incentivo às Fontes Alternativas
de Energia Elétrica (Proinfa) ainda
estarem em construção.
O relatório Panorama Global da
Energia Eólica/GWEO 2010 indica
que a energia eólica deverá atender
12% da demanda elétrica mundial
em 2020, e poderá chegar a 22%
desta demanda em 2030.
TN Petróleo 75
55
energia eólica
Estas reduções representarão
entre 50% e 75% do total das reduções nas emissões acumuladas
que foram o compromisso assumido para o ano 2020, nas metas
de 2010 indicadas pelas nações
industrializadas, conforme seus
“compromissos de Copenhagen
para 2020.” No ano 2030, um
total de 34 bilhões de toneladas
de CO2 poderá ser evitado pelas
2.300 GW de capacidade eólica
instalada no mundo.
Alegria,
“Energia eólica pode fazer uma
contribuição maciça e limpa para a
produção mundial de eletricidade e
para a descarbonização da geração
elétrica, mas será necessário um
comprometimento político para que
isto venha a ocorrer ”, comentou
Steve Sawyer, secretário geral do
GWEC. “A tecnologia de produção eólica dá aos governos uma
alternativa viável e econômica para
enfrentar os desafios atuais e, ainda, para tomarem parte ativa na
o maior parque eólico do Brasil
Com capacidade instalada total de 151,9 MW, o Parque Eólico Alegria, que está sendo construído no município de Guamaré, no Rio Grande do Norte, ocupará uma
área total de cerca de 1.900 hectares, na Praia do Minhoto, a cerca de 170 km de Natal. O complexo inica sua
operação na primeira quinzena de janeiro de 2011.
O empreendimento é uma iniciativa da New Energy
Options Geração de Energia, empresa brasileira, controlada pelo grupo Multiner, sediado no Rio de Janeiro,
focado no desenvolvimento e operação de centrais de
geração elétrica.
O Parque é composto por duas unidades, Alegria I e
Alegria II. A unidade Alegria I é composta por 31 aerogeradores com potência total de 51,2 MW, enquanto que
na unidade Alegria II serão instalados 61 aerogeradores
com potência total de 100,7 MW. Os 92 aerogeradores do
complexo foram fabricados pela dinamarquesa Vestas,
líder mundial na fabricação deste tipo de equipamento.
Juntas, as duas usinas terão capacidade total de geração
de 151,8 MW.
Em 2009, a empresa adquiriu da Vestas 92 turbinas
eólicas para as Usinas de Energia Eólica Alegria I e Alegria II. Segundo a Multiner, a escolha da localização das
usinas é extremamente estratégica, uma vez que a re56
TN Petróleo 75
Fotos: Divulgação
Aponta ainda que a energia
eólica deverá ter uma participação estratégica na forma de
atender à crescente demanda
mundial por energia enquanto,
ao mesmo tempo, contribuirá
para a crucial diminuição das
emissões de gases de efeito estufa. A projeção de que o mundo
terá 1.000 GW instalados e em
operação em 2020 irá permitir a
não-emissão de até 1,5 bilhão de
toneladas de CO 2 por ano.
gião tem um dos melhores regimes de ventos do país,
com média anual que excede 8,5 m/s.
A energia gerada pelo Parque Eólico Alegria será escoada por uma linha de transmissão de 230 KV, com extensão
de 89 km entre a Subestação Alegria e a Subestação Açu
II, quando será entregue ao Sistema Interligado Nacional.
A energia produzida pelo parque eólico será suficiente para
abastecer 194 mil residências e evitará a emissão de cerca
de 115 mil toneladas de CO2 na atmosfera.
O parque gerador da Multiner envolve o desenvolvimento, montagem e operação de usinas hidrelétricas,
termelétricas (a óleo, gás e biomassa) e eólicas no país.
A Multiner possui uma termelétrica em operação, em
Manaus (AM): a UTE Cristiano Rocha – operada pela
Rio Amazonas Energia S/A, com capacidade de 85 MW
e plano de expansão para 135 MW. Em operação desde
novembro de 2006, a UTE Cristiano Rocha gera energia
de forma continuada para a distribuidora de energia elétrica local: a Amazonas Energia, fornecendo energia
elétrica para mais de 200 mil habitantes.
Atualmente, o portfólio da Multiner de energia contratada – representado por usinas já em funcionamento
e com contratos de venda (PPAs) já garantidos – atinge a
capacidade total de 1,5 GW.
bons ventos no brasil
Evolução da capacidade instalada mundial de eólica
Capacidade acumulada (MW)
180.000
Valores em 2009 (destaques)
EUA 35 GW
Alemanha 26 GW
China 25 GW
Brasil (apenas 0,6 GW)
160.000
140.000
120.000
100.000
80.000
157.899
.a
a
27%
60.000
40.000
20.000
0
6.100
7.600
10.200
1996
1997
1998
13.600
17.400
1999
2000
23.900
31.100
2001
2002
39.431
2003
47.620
2004
=5x
9
200
02 a
0
2
de
120.550
93.835
74.052
59.091
2005
2006
2007
2008
2009
Capacidade adicional (MW)
40.000
37.466
35.000
30.000
26.282
25.000
19.865
20.000
15.244
15.000
11.531
10.000
5.000
1.280
1.530
2.520
3.440
3.760
1996
1997
1998
1999
2000
6.500
7.270
8.133
8.207
2001
2002
2003
2004
0
2005
2006
2007
2008
2009
Fonte: Global Wind Energy Council
revolução energética de que nosso
planeta necessita.”
Além dos benefícios para o meio
ambiente, a energia eólica está se
transformando em fator substancial
para o desenvolvimento econômico,
pois hoje já conta com mais de 600 mil
posições de trabalho ‘colarinho verde’
em empregos diretos e indiretos. Até
2030, a projeção é de que o número
destes empregos cresça para mais de
3 milhões em todo o mundo.
Em 2010 os 600 mil trabalhadores da indústria eólica estarão colocando um novo aerogerador em
operação a cada 30 minutos – sendo que uma em cada três turbinas
estará sendo instalada na China 1,
informou Sven Teske, especialista
sênior de energias do Greenpeace
Internacional. “Em 2030 este mercado estará três vezes maior que
hoje, envolvendo investimentos da
ordem de 202 bilhões de euros. E,
o objetivo previsto é de que serão
instalados um aerogerador a cada
sete minutos!”
A energia eólica é a principal
fonte de desenvolvimento de ge-
ração de enerPotência eólica instalada no mundo até 2009
gia em muitos
Outros 13,5%
países e, hoje,
21.391 MW
sua aplicação
Dinamarca 2,2%
EUA 22,1%
3.465 MW
35.064 MW
disseminou-se
por mais de 75
Portugal 2,2%
3.535 MW
países ao redor
do mundo.
Reino Unido 2,6%
4.051 MW
“O interesFrança
2,8%
sante é que,
4.492 MW
hoje, grande
Itália 3,1%
4.850 MW
proporção do
China 16,3%
25.805 MW
crescimento
Índia 6,9%
10.926 MW
da eólica está
Alemanha 16,3%
Espanha
12,1%
25.777
MW
ocorrendo fora
19.149 MW
do mundo inFonte: Centro de Pesquisas de Energia Elétrica - Cepel
dustrializado”,
informou Klaus
Arrancada brasileira
A energia dos ventos ganhou
Rave, presidenforça em 2010: o que mais se viu
te mundial do
no setor neste período foram alGWEC. “Em
tos investimentos e promessas de
2030, temos a
grandes projetos eólicos. E a situaexpectativa de
ção continua ‘de vento em popa’
que mais de
para os próximos anos, segundo a
metade dos parques eólicos instalados no mundo Associação Brasileira de Energia
estará localizada em países em Eólica (Abeeólica). A entidade indesenvolvimento e em economias dicou no ano passado que a capacidade instalada para a produção
emergentes.”
TN Petróleo 75
57
Foto: Cortesia Suzlon
energia eólica
Maiores fabricantes mundiais de aerogeradores
VESTAS, Dinamarca
Outras
17,8%
15,8%
NORDEX, Alemanha
3,4%
GOLDWING, China
3,6%
GE ENERGY, EUA
ACCIONA, Espanha
16,7%
4,1%
SINOVEL, China
4,5%
GAMESA, Espanha
6,2%
10,8%
SUZLON, Índia
ENERCON, Alemanha
8,1%
9,0%
Fonte: Centro de Pesquisas de Energia Elétrica - Cepel
de energia eólica no Brasil vai ser
multiplicada por cinco até 2013,
atingindo 4.597 MW.
Hoje, o setor conta com 744
MW de capacidade instalada e
outros 1.806 MW em processo de
instalação. Para a Abeeólica, até
2013 serão mais 2.047 MW, resultado dos contratos fechados nos
leilões de energia de reserva e de
fontes renováveis feitos pela Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel), no início de setembro.
Nos leilões, a energia produzida pelas usinas de bagaço de
cana (biomassa) foi comercializada,
em média, a R$ 144,20 o MW/h;
a energia eólica, a R$ 130,86 e a
das pequenas centrais hidrelétricas (PCH), a R$ 141,93. As usinas
eólicas ficaram
com 70% do total negociado,
enquanto as de
biomassa ficaram
com 25% e as de
PCHs com 5%.
O presidente
da empresa de pesquisa energética (EPE), Maurício Tolmasquim,
observa que a fonte eólica, depois
destes leilões, tornou-se competitiva no Brasil, podendo ser reavaTN Petróleo 75
Resultado final para energia eólica
• 70 projetos contratados
• 2.047,8 MW de potência instalada
SIEMENS, Dinamarca
58
Leilão brasileiro
de fontes alternativas 2010
liada a classificação da fonte como
alternativa. Segundo ele, o resultado do leilão mostrou que a eólica
perdeu o papel de coadjuvante na
matriz energética brasileira. “Considerada ambientalmente interessante, mas pelo seu custo com um
papel marginal, pós-leilão a visão
mudou. É uma fonte competitiva,
que pode ter papel relevante na
complementaridade às hidrelétricas”, afirmou Tolmasquim.
No Rio Grande do Norte serão
instalados 62 projetos de energia
eólica até 2013. Destes, 23 vão
iniciar as operações em 2012 e os
outros 39 no ano seguinte. No total,
segundo o governo do estado, serão
instalados mil aerogeradores, em
11 municípios.
A Bahia, que contará com uma
fábrica de aerogeradores da Alstom
Wind a partir de 2011, estima que
no total receberá investimentos de
R$ 21 bilhões de energia eólica.
O estado garantiu a construção de
587,4 MW, em 16 usinas. No primeiro leilão de energia de reserva
para eólicas, no final de 2009, a
Bahia viabilizou 18 parques com
390 MW de capacidade.
Hoje, a eólica corresponde a
apenas 0,67% da energia elétrica
• 899 MW médios de energia
negociada
• R$ 130,86/ MWh (preço médio)
Fonte: EPE.
do Brasil, mas a Abeeólica estima
que essa participação pode chegar
a 20% nas próximas duas décadas. Ainda assim, o país é líder na
América Latina, com previsão de
instalação de 31,6 gigawatts de
capacidade por volta de 2025, de
acordo com um recente estudo da
IHS Emerging Energy Research.
A escala de mercado brasileiro, e as
políticas proativas de energia renovável estão criando um crescimento
continuado no desenvolvimento da
energia eólica.
Para Tolmasquim, a principal característica e vantagem da
energia eólica brasileira é a sua
complementaridade com a energia
hidráulica. “Aqui você pode usar o
próprio reservatório da hidrelétrica
para a produção de energia eólica, essa é uma grande vantagem
do país. Sem contar que os ventos
brasileiros são de melhor qualidade que os da Europa. Nosso fator
de capacidade está acima de 40%,
enquanto a Europa está abaixo de
25%”, aponta.
Segundo o presidente da EPE,
os principais desafios do setor eólico são: conseguir internalizar mais
a produção dos aerogeradores para
criar mais empregos no Brasil; re-
bons ventos no brasil
duzir ao máximo a importação de
máquinas e equipamentos; manter
o nível de preço competitivo e não
esquecer da capacitação de mão de
obra. “Na Europa, a energia eólica
entrou de forma muito artificial, já
no Brasil foi de forma competitiva,
então acredito que apesar desses
desafios nosso crescimento de mercado é mais sustentado”, diz.
Tolmasquim comenta, ainda,
que tem confiança que todos os
anúncios de projetos e criações de
parques eólicos nos próximos anos
saiam, porque apesar dos atrasos
que podem ocorrer, o que está em
jogo são uma soma de recursos e
muitas garantias, e os investidores
não vão apostar para perder.
Temporada de leilões
Tradicionalmente, o Brasil tem
contado bastante com as hidrelétricas para seu suprimento de energia. Os recentes leilões de energia
eólica reforçam o compromisso do
país em incluir a energia eólica em
sua matriz energética, enquanto
continua a expandir seu leque de
fontes renováveis.
Segundo a EPE, o Leilão
A-3/2010 proporcionou a contratação de uma potência instalada
total de 1.685,6 MW, a partir de um
conjunto de 56 empreendimentos
que negociaram contratos de compra e venda com 15 empresas de
distribuição de energia elétrica.
A energia negociada no leilão totalizou 714,3 MWmédios, sendo 643,9
MWmédios de eólica, 22,3 MW médios de biomassa (bagaço de cana)
e 48,1 MW médios em pequenas
hidrelétricas. O preço médio final
ficou em R$ 135,48/MWh.
A energia adquirida no referido
leilão foi destinada especificamente
ao suprimento da demanda de mercado indicada pelas distribuidoras
de eletricidade para daqui a três
anos. Todos os empreendimentos
contratados nesta licitação terão
que entrar em operação em 1° de
janeiro de 2013.
Já o leilão de Reserva 2010
contratou 1.206,6 MW de potência instalada. Um total de 33 empreendimentos vendeu energia ao
preço médio de R$ 125,07/MWh.
A energia negociada no leilão totalizou 445,1 MWmédios, sendo
255,1 MWmédios de eólica, 168,3
MWmédios de biomassa (bagaço
de cana) e 21,7 MWmédios em pequenas hidrelétricas.
O leilão de Reserva contratou
um estoque de geração de energia
elétrica além do montante necessário para atender à demanda dos
consumidores. O objetivo foi aumentar a segurança e a garantia
de fornecimento de eletricidade
no país.
Encomendas crescentes
Como parte dos leilões de energia alternativa de 2010 do país, a
GE recebeu encomendas por parte
de quatro desenvolvedores para
fornecer 258 turbinas eólicas que
acrescentarão mais de 400 mega-
A China construirá uma usina
de energia eólica de 10,8 milhões
de quilowatts em Hami, na região
de Uigur de Xinjiang, no extremo
oeste do país, nos próximos cinco
anos. A capacidade instalada da usina em Hami era de apenas 100 mil
quilowatts no ano passado, segundo Guan Baili, vice-secretário-geral
do Comitê do Partido Comunista da
China da Liga de Hami.
Um projeto de energia eólica de
200 mil quilowatts da China Huadian
Corporation já passou por revisão
preliminar do Departamento de Proteção Ambiental local, que constitui
parte da usina com capacidade de
2 milhões de quilowatts que será
construída por dez empresas de eletricidade no sudeste de Hami.
A capacidade potencial da usina
de eletricidade ficará em 75 milhões
Foto: Banco de Imagens Stock.xcng
China terá usina eólica de 10,8 milhões de quilowatts
de quilowatts, isto é, perto de 60%
do total de Xinjiang.
O crescimento do uso de energia
eólica está diretamente ligado aos
esforços do governo chinês de usar
mais energias limpas, com o objetivo
de reduzir a dependência da energia
gerada por carvão, que é poluente.
A China também planeja construir
outras plantas de energia eólica de 10
milhões de quilowatts até 2020. As
sete bases, incluindo Hami, terão ca-
pacidade de 90 milhões de quilowatts
até 2020, 60% do total do país.
Hoje, a China transformou-se no
maior mercado mundial de energia
eólica e conta com a maior indústria
de manufatura de aerogeradores do
mundo. De acordo com o relatório
GWEO 2010, até 2010 está previsto
um crescimento para até dez vezes
a atual capacidade instalada na China, partindo-se dos 25 GW em operação no final de 2009.
TN Petróleo 75
59
energia eólica
watts de eletricidade eólica limpa à
capacidade de geração de energia
renovável do Brasil, alavancando
a companhia como maior fornecedora desta tecnologia em projetos
contratados no país.
Segundo a GE, as encomendas
do leilão de 2010 são provenientes de clientes importantes para a
companhia como a Renova Energia S/A para um projeto na Bahia;
e a Dobreve Energia S/A (Desa),
Contour Global e Bioenergy, para
projetos o Rio Grande do Norte.
Petróleo a 90 dólares dá
competitividade à eólica
A energia eólica já é competitiva
com a produção a gás natural com o
barril de petróleo acima dos 90 dólares e, no médio prazo, este valor
poderá baixar para um patamar de
referência de 75
dólares. O cenário, traçado pelo
administrador da
EDP, João Manso
Neto, baseia-se
num aumento
progressivo do
custo dos combustíveis fósseis
nos próximos anos e no previsível
progresso tecnológico da energia
eólica. “A este pacote de condicionantes associa o preço do CO2,
também com tendência ascendente
devido às restrições ambientais.
O resultado é, no médio/longo prazo, uma inevitável “subida do preço
da eletricidade”, diz ele.
Realça, no entanto, que atualmente “a maior parte da tarifa da
eletricidade não resulta do custo da
energia propriamente dita, mas sim
das outras componentes, como a
política energética e a remuneração
das redes elétricas, as quais são
definidas por leis regulatórias. “Um
maior peso das renováveis no ‘mix’
energético reduzirá a exposição do
país a esta tendência estrutural”,
afirma este administrador da EDP.
60
TN Petróleo 75
Os compromissos incluem o fornecimento de 258 das avançadas
turbinas eólicas da GE de 1,5 e 1,6
megawatts. A série de turbinas eólicas de 1,5 megawatts são as mais
vendidas e instaladas em fazendas
eólicas mundialmente.
“A capacidade de suprir as necessidades do Brasil com a tecnologia mais adequada às condições
eólicas do país é o fator chave do
nosso contínuo sucesso nos leilões
de energia eólica”, afirma Victor
Abate, vice-presidente de Energias
Renováveis da GE Power & Water.
“Estamos focados em trabalhar
com os nossos clientes no Brasil e
ajudá-los na sua missão de gerar
energia proveniente de fontes renováveis no país.”
Em 2009, a GE ganhou mais de
400 megawatts em encomendas de
turbinas eólicas no primeiro leilão
de energia eólica realizado em dezembro de 2009. “Para nós da GE,
sermos contemplados para fornecer
o equivalente a 21% dos megawatts
ofertados nos dois últimos leilões
reafirma nosso posicionamento
como um dos líderes de energia
eólica no Brasil. E, mais importante
ainda, representa um passo enorme
nas nossas visões de compromisso
de longo prazo com o Brasil”, disse
Jean Claude Robert, diretor da GE
Wind para a América Latina.
De acordo com o executivo, a
Renova e a Desa já haviam escolhido antes a tecnologia GE nos
leilões de 2009 no Brasil, enquanto
a Contour Global e a Bioenergy
são clientes da companhia pela
primeira vez. O escopo de trabalho com cada desenvolvedor irá
incluir o fornecimento, instalação
e comissionamento das turbinas
eólicas, junto com contratos de
serviço de pelo menos dois anos.
A tecnologia da turbina eólica da
GE é parte da estratégia ecomagination, negócio da companhia
responsável pelo desenvolvimen-
to de soluções inovadoras para os
desafios ambientais.
Para a Renova, a GE fornecerá
163 megawatts com 102 unidades;
para a Desa, 60 megawatts com
38 unidades; Contour Global, 150
megawatts com 100 unidades e
para a Bioenergy, fornecerá 28.8
megawatts com 18 unidades.
Procurando cumprir seu papel
de prestação de serviços na área de
estudos e pesquisas destinadas a
subsidiar o planejamento do setor
energético, a Empresa de Pesquisa
Energética (EPE) receberá, a partir
de fevereiro de 2011, as primeiras
informações do banco de dados de
geração eólica. Segundo Tolmasquim, o sistema computacional já
está pronto e a solução será montada a partir da implementação dos
parques eólicos negociados nos
leilões de energia de dezembro de
2009 e agosto de 2010.
“O banco de dados permitirá
um inventário do potencial brasileiro de produção de energia dos
ventos, permitindo, entre outros
benefícios, a análise integrada
do comportamento comum entre
a geração eólica e a geração hidrelétrica”, afirma o executivo.
Ele diz que as informações que
farão parte desse monitoramento
agregam dados como velocidade
e direção dos ventos, temperatura local, umidade relativa do ar e
pressão atmosférica.
O primeiro dos 71 parques negociados no Leilão de Reserva de
2009 farão o envio dos dados à EPE
a partir de 16 de fevereiro de 2011,
cada parque começará a enviar as
informações seis meses antes da
entrada em operação.
Projetos otimistas
Com mais de 950 MW de projetos com contratos de compra e venda de energia assinados, o Grupo
Impsa é hoje o maior gerador de
energia eólica da América Latina.
A empresa tem em operação três
parques eólicos no Brasil de 100
MW, localizados no Ceará.
“Os parques são formados pelas
praias de Parajuru, com capacidade
de 28,8 MW, praia do Morgado,
com 28,8 MW, e Volta do Rio com
42 MW. E ainda temos outros projetos em execução em Santa Catarina, com 222
MW, totalizando
dez parques que
estarão entrando
em operação comercial a partir de fevereiro
2011”, aponta
Foto: Divulgação
bons ventos no brasil
Juan Carlos Fernandez, vicepresidente da Impsa.
Juan lembrou ainda que a
holding de geração eólica Energimp – 55% do Grupo Impsa e
Produção local
Suzlon vai inaugurar fábrica de
pás destinadas a aerogeradores no Brasil
O Ceará vai receber uma fábrica de aerogeradores da indiana
Suzlon, terceira maior empresa de
energia eólica do mundo e líder
de mercado no Brasil. Com investimentos de R$ 30 milhões, a primeira fase do empreendimento terá
capacidade para produzir 300 pás
de aerogeradores e deve começar
a produzir em março de 2012. Serão gerados cerca de 200 postos
de trabalho na indústria.
Para o presidente da empresa,
Arthur Lavieri, a operação vai começar com a produção das pás do
modelo S95. “À medida que for aumentando a demanda, a fábrica será
ampliada e vai produzir, em uma segunda fase, o hub, e na terceira fase,
os painéis elétricos de geração de
energia”, explicou Lavieri.
A cidade cearense que vai receber a indústria de pás ainda não foi
anunciada pela empresa. “Estamos
trabalhando com três possibilidades”,
afirma o presidente da Suzlon, mas
sem revelar os destinos possíveis.
“Estamos em negociação com o Go-
verno do Estado. Pedimos infraestrutura, terreno e apoio tributário.”
Os aerogeradores S88 da Suzlon
estão presentes em dez parques
do Ceará, gerando 382 MW, o que
representa 45%
da energia eólica do Brasil. São
182 turbinas, no
total. A partir de
fevereiro de 2011,
outros nove parques começam a
ser construídos e vão receber aerogeradores S88 da Suzlon, divididos
entre Ceará, Rio Grande do Norte e
Paraíba, somando 400 MW.
Lavieri diz que a produção da
fábrica do Ceará se destinará, em
um primeiro momento, ao mercado
interno. “O Brasil concentra 70%
da produção de energia eólica na
América Latina”, afirma. “É uma
energia limpa, não queima, não
inunda áreas. O Brasil busca a diversificação da matriz energética.
A eólica representa 0,90% da potência instalada. Se seguir a meta
45% do FI FGTS – participou nos
processos de leilões em dezembro de 2009, ganhando todos os
parques apresentados. “Os oito
parques estão localizados no
dos países ricos, deve alcançar
20% em 2020.” O investimento de
uma nova fábrica no Ceará devese, segundo Lavieri, à posição geográfica do estado, incentivos do
governo e a estrutura já montada
em Fortaleza, onde um escritório
monitora as 182 torres 24 horas.
Durante a 16ª Conferência da ONU
sobre Mudança Climática (COP-16),
realizada em novembro de 2010, em
Cancun (México), a Suzlon ganhou o
prêmio Gigaton por liderança global
em controle de emissões e práticas
sustentáveis, na categoria energia. O
Prêmio Gigaton é promovido pela Carbon War Room, organização sem fins
lucrativos que une empresários a fim
de implementar soluções de mercado
para as mudanças climáticas. A premiação baseia-se em dados do Carbon Disclosure Project (CDP), projeto
que reúne o mais abrangente banco de
dados global em informações do mercado sobre mudanças climáticas.
Com a premiação, a Suzlon se
torna uma das seis companhias
destaque pela liderança global na
redução de emissões e em práticas
sustentáveis, em uma lista que inclui
Vodafone Group (telecomunicações),
Nike (Consumo), 3M (industriais),
GDF Suez (utilidades) e Reckitt Benckiser Group (Bens de Consumo).
TN Petróleo 75
61
energia eólica
Ceará e somam uma potência
instalada de 211 MW. Estamos
agora em processo de fechamento
de financiamento com a Caixa
Econômica Federal como banco
repassador do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES)”, informou.
Segundo ele, no mesmo ano, o
Grupo Impsa conseguiu em um
leilão do governo da Argentina
os contratos de compra e venda
de energia para quatro projetos,
totalizando 155 MW.
Em agosto de 2010, a Energimp
participou do leilão de fontes alternativas e ganhou com os nove
projetos, totalizando 270 MW no
Ceará e Rio Grande do Norte.
“Além destes sucessos, a Impsa,
como fornecedora de aerogeradores, instalou e pôs em operação 25
MW no parque Arauco na Argentina e assinou recentemente um
contrato para expansão do parque
de mais 25 MW. Outro grande sucesso foi a contratação da Chesf
para a provisão de 180 MW de
aerogeradores para o parque que
ganhou no último leilão”, comenta
Juan Carlos.
Para o executivo, o Proinfa
(Programa de Incentivo às Fontes
Alternativas de Energia Elétrica)
e os leilões foram cruciais para alavancar o país neste setor. “Hoje a
energia eólica no Brasil é um sucesso. Aguardamos leilões eólicos para
2011 com uma capacidade de cerca
de 2.000 e 3.000 MW”, indica.
Juan Carlos informou também
que o grupo investiu em 2010, no
projeto de Santa Catarina, mais de
R$ 1.300 milhões através da holding eólica que tem parceria com
o FI FGTS, e indicou: “Planejamos
investir perto de R$ 1.200 milhões
em 2011.”
Crescendo com os ventos
Para a Ersa/Energias Renováveis, companhia dedicada exclusivamente à geração de energias limpas a partir de fontes renováveis, o
mercado de energia eólica tem se
desenvolvido com muita rapidez.
Marcelo Souza,
diretor financeiro e de relações
com investidores
da Ersa, indica
que o Brasil tem
regimes de vento
muito favoráveis,
sobretudo no Nordeste, disponibilidade de terras, e já possui grande
número de fornecedores de equipamentos instalados ou em andamento. “A presença dos fornecedores
reduziu bastante o custo de implantação dos projetos, tornandoos bem competitivos. Para 2011,
essa tendência deve se manter e
o crescimento deve aumentar com
a realização de mais leilões pelo
governo”, comentou.
A energia eólica está se configurando como o segundo vetor de
crescimento da base de geração da
Ersa. Como empresa de energia
renovável, é muito importante a
flexibilidade da companhia para
explorar todas as tecnologias disponíveis. “O primeiro passo da em-
Grupo Bimbo anuncia a construção do maior parque
eólico do mundo para a indústria de alimentos
Em dezembro de 2010, o diretor-geral do Grupo Bimbo, Daniel Servitje, anunciou o início da construção do
Piedra Larga, o maior parque eólico
do mundo para a indústria alimentícia,
que abastecerá o consumo elétrico de
50% de suas operações, no mundo, e
100% no México. Este parque entrará
em operação comercial para o Grupo
Bimbo no final de 2011.
Com uma potência instalada de 90
MW, o parque permitirá abastecer o consumo elétrico de 65
instalações da empresa no México (plantas produtivas e outros
centros de operação).
Este parque, localizado no estado de Oaxaca, viabilizou-se graças à aliança estratégica formada pelo governo, iniciativa privada e bancos. Mesmo assim, a operação
se dará por meio da à sociedade do Grupo Bimbo com
a Desarrollos Eólicos Mexicanos (Demex), empresa filial
da espanhola Renovalia Energy.
62
TN Petróleo 75
O Grupo Bimbo enfocou sua atenção na implementação de energia eólica, para cumprir com o permanente
compromisso do Grupo com o meio ambiente. “A construção deste parque é uma pedra angular em nossa busca
para seguir crescendo com a força da natureza e representa um esforço sem precedentes no aproveitamento
de energia renovável, limpa e virtualmente inesgotável: a
energia verde”, comentou Daniel Servitje.
O presidente da Renovalia Energy, Juan Domingo Ortega Martínez, acrescentou que esta construção é um marco
na política de expansão de energias renováveis no México,
com um investimento total de cerca de US$ 200 milhões.
O Grupo Bimbo constantemente busca reduzir seu
rastro ambiental e para isso opera sob os mais altos padrões de desempenho. “Este é um esforço que fazemos
já há dez anos, a partir de nossos cinco pilares de sustentabilidade ambiental: economia de energia, economia
de água, redução de emissões, manejo de resíduos e responsabilidade social empresarial.”
presa no mercado de geração de
energia eólica foi em 2008, quando
incorporou os projetos atuais e os
desenvolveu de forma a deixá-los
muito competitivos. A Ersa pretende continuar crescendo na geração
de energia eólica, seja por meio dos
parques que já possui ou por meio
dos novos projetos que está desenvolvendo”, conta o executivo.
Apesar do cenário positivo, ele
disse que a principal dificuldade
para trabalhar e desenvolver projetos no setor eólico no Brasil tem
sido a competição na comercialização de energia por meio dos leilões.
De acordo com ele, os mesmos têm
apresentado oferta muito superior
à demanda, o que derruba bastante
os preços, sobretudo quando há a
participação de estatais no páreo
(o que ocorreu nos últimos certames). “Como a comercialização no
mercado livre ainda não é muito
expressiva, a venda de energia em
leilões ainda é a principal maneira
de viabilizar projetos.”
Atualmente, a Ersa possui 11
projetos eólicos nos Complexos Gameleira e Macacos, localizados no
Rio Grande do Norte. A empresa
comercializou energia de quatro
parques no leilão de fontes alternativas de agosto de 2010 e as obras
começam nos primeiros meses des-
Foto: Divulgação
bons ventos no brasil
te ano. Marcelo informou ainda
que os demais sete projetos estão
prontos para comercializar energia, pois já possuem licenciamento
ambiental, arrendamento das áreas
e medição de ventos de mais de
quatro anos. De acordo com ele,
após a venda da energia, as obras
serão iniciadas.
Com capacidade de 167
MW, a energia desses sete parques poderá ser comercializada no próximo leilão de fontes
alternativas (expectativa que
o governo realize um leilão já
em 2011) ou no mercado livre.
O investimento para esses parques
é de quase R$ 700 milhões.
TN Petróleo 75
63
eventos
Estaleiro Mauá e Transpetro
Terceiro navio do Promef
Foto: Banco de Imagens TN Petróleo
é lançado ao mar
A Petrobras realizou o batismo e o lançamento do navio de produtos Sérgio Buarque
de Holanda, o terceiro dos 49 encomendados pela Transpetro, dentro do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). Já foram lançados ao mar o petroleiro tipo Suezmax
João Cândido, no Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, e o Celso Furtado, no
Estaleiro Mauá, que tem as mesmas características do Sérgio Buarque de Holanda.
A
por Maria Fernanda Romero
embarcação construí-da pelo no
Estaleiro Mauá é
para transporte de
produtos derivados
claros de petróleo,
com capacidade para 48,3 mil toneladas de porte bruto e 183 m
de comprimento, equivalente a
dois campos de futebol. O navio
teve como madrinha a biofarmacêutica cearense Maria da Penha
Maia Fernandes, cuja luta para
combater a violência doméstica
64
TN Petróleo 75
contra as mulheres deu origem à
lei que leva seu nome.
O navio foi nomeado em homenagem ao historiador, jornalista e
crítico literário
paulista, autor do
clássico Raízes do
Brasil. A solenidade seguiu o
cronograma de
lançamentos previstos para o ano,
que se iniciou no dia 7 de maio, no
Estaleiro Atlântico Sul (PE), com
o Suezmax João Cândido, e no
próprio Estaleiro Mauá, no dia 24
de junho, com o navio de produtos
Celso Furtado.
Durante entrevista coletiva realizada no dia anterior ao lançamento, Sergio Machado, presidente da
Transpetro, falou sobre os desafios
e a importância do programa para
a indústria brasileira: “Temos um
grande programa de navios para
ser cumprido e isto significa o
renascimento da indústria naval
brasileira em bases sólidas. Nós
características técnicas
Boca moldada: 32,2 m
Calado de projeto máximo: 12,8 m
Capacidade: 48,3 mil tpb
Velocidade: 14,6 nós
Autonomia: 12 mil milhas
nos propusemos a ter navios competitivos em nível mundial e assim
o primeiro passo foi modernizar
os estaleiros. Este foi nosso grande desafio. O primeiro navio que
fizemos no Estaleiro Mauá levou
nove meses para ficar pronto e o
que lançaremos amanhã, apenas
cinco meses, mostrando o desenvolvimento da tecnologia da construção.” O presidente destacou o
fato de esta curva de aprendizado
contribuir muito para a redução do
custo das embarcações.
Machado afirmou que o lançamento de mais uma embarcação
no âmbito do Promef impulsiona a
indústria naval brasileira. “É sem
dúvida a consolidação do renascimento da indústria naval do país.
Basta lembrar que há dez anos
tínhamos no setor apenas 1,9 mil
empregos e hoje temos 50 mil brasileiros trabalhando na indústria
naval do país”, indicou.
“O setor naval viveu momentos
difíceis e hoje temos a satisfação de
ver a retomada da construção naval.
Isso representa empregos, resultados positivos e a reconstrução da
indústria”, completou o ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio Passos.
Depois de ser a segunda maior
fabricante mundial nos anos 1970,
a indústria naval brasileira foi praticamente extinta nos anos 1990,
até ressurgir nesta década. Hoje,
com o Promef, o Brasil já possui
a quarta maior carteira de navios
petroleiros do mundo. O programa
Maria da Penha Maia Fernandes, madrinha do navio, Luiz Inácio Lula da Silva e José Sérgio Gabrielli
de construção naval da Transpetro
já gerou mais de 15 mil empregos
diretos. Este número chegará a 40
mil. Em suas duas primeiras fases,
o programa prevê a construção de
49 navios no Brasil, dos quais 46
já foram contratados, com investimento de R$ 10 bilhões.
“Nós vimos nos preparando para
este momento de crescimento da
economia brasileira. A produção
de petróleo vai aumentar, então
precisamos ampliar a capacidade
logística. Temos necessidade de
navios para transportar o petróleo
do pré-sal. O processo de exploração e crescimento estará em curso
e buscamos atendê-lo”, observou
Sérgio Machado. de petróleo vai aumentar, então precisamos ampliar a
capacidade logística. Temos necessidade de navios para transportar
o petróleo do pré-sal. O processo
de exploração e crescimento estará
em curso e buscamos atendê-lo”,
observou Sérgio Machado.
Petrobras terá demanda
de cinco a seis
plataformas por ano
Durante o lançamento do Sérgio Buarque de Holanda, o presidente
da Petrobras, José Sergio Gabrielli,
disse que a demanda da companhia
por embarcações será de cinco ou
seis novas plataformas de produção
por ano, além de sondas e barcos
de apoio e transporte.
“O futuro da indústria naval está
presente no conjunto de contra-
Foto: Banco de Imagens TN Petróleo
Comprimento: 183,0 m
Foto: Agência Petrobras
Navio destinado ao transporte de
produtos claros derivados de petróleo
(diesel, gasolina, querosene de aviação, nafta, óleo lubrificante)
Segundo a Transpetro, em 2011,
seis navios serão lançados e cinco
serão entregues pelos estaleiros à
Transpetro para o início de operações. Nesse contexto, fez parte da
cerimônia na ocasião o batimento
de quilha (início da montagem) do
terceiro navio de produtos construído para a Transpetro pelo Mauá. Até
o início de 2015 estarão concluídos
os 49 navios do programa. Com isso,
a frota da empresa, hoje com 52
navios, superará o número de cem
embarcações, com um investimento
de R$ 10 bilhões.
tos já assinados pela Petrobras
e Transpetro com os estaleiros
brasileiros. É necessário produzir
petróleo, extrair petróleo do fundo
do mar e da terra e, para isso, tem
que ter sonda, plataforma, navio de
apoio e rebocador”, disse Gabrielli.
O presidente da Petrobras
afirmou, ainda, que o país terá
nos próximos anos muitas plataformas. “Vamos ter que construir
cinco ou seis plataformas por
ano”, afirmou.
TN Petróleo 75
65
eventos
7º Encontro Nacional do Prominp
espaço
Fotos: Divulgação
Competitividade e mais
A necessidade de ampliar as ações que ajudem o fortalecimento da indústria e da
cadeia de fornecedores de bens e serviços, para que atinja os níveis internacionais
de competitividade e possa ter mais espaço nas oportunidades geradas pelo setor
de petróleo foi o tema que permeou os debates do 7º Encontro Nacional do Prominp,
realizado em novembro de 2010, em Porto Alegre (RS).
F
azer um balanço
anual do Programa
de Mobilização da
Indústria Nacional de
Petróleo e Gás Natural
(Prominp) é o principal objetivo do encontro anual,
que esse ano reuniu mais de 500
pessoas entre os dias 17 e 19 de
novembro, em Porto Alegre (RS).
Abrindo a programação, cerca
de 140 pessoas participaram das
visitas técnicas ao Polo Metal
Mecânico de Caxias de Sul; ao
Polo Naval, em Rio Grande, e
à refinaria Alberto Pasqualini,
a Refap S/A, em Canoas – onde
66
TN Petróleo 75
conheceram de perto a realidade
da cadeia produtiva do setor no
Rio Grande do Sul.
Em paralelo, realizou-se o 3°
Encontro Nacional de Gestores
do Convênio Petrobras-Sebrae,
firmado em 2004 no âmbito do
Prominp, com o objetivo de promover a inserção competitiva e
sustentável de micro e pequenas
empresas na cadeia produtiva de
petróleo, gás e energia. Desde o
início do convênio, cerca de três
mil empresas foram capacitadas
para fornecer para o setor.
José Barusco, gerente executivo da Engenharia da Petrobras,
por Maria Fernanda Romero
opina que a participação da
indústria nacional nos projetos
de petróleo e gás evoluiu de
2003 para cá, mas é nítido que
ainda há espaço para avançar.
“Em 2003, a Petrobras recebia
apenas uma proposta para fazer
duas plataformas. Hoje, quando abrimos a licitação para a
construção de uma unidade de
produção, recebemos pelo menos
sete propostas de estaleiros instalados aqui. E tenho certeza que
teremos condições de construir
muitas plataformas no Brasil”,
lembrou o gerente na cerimônia
de abertura do evento.
O segundo dia foi marcado
por apresentações técnicas e discussões em grupo. Pela manhã, a
agenda contemplou os resultados
do Prominp em palestra proferida por seu coordenador executivo, José Renato de Almeida; o
vice-presidente da Firjan, Raul
Sanson, representando a Confederação Nacional das Indústrias
(CNI) palestrou sobre a ‘Visão
da indústria sobre a competitividade da cadeia produtiva
de petróleo e gás natural’; e
o professor titular da UFRJ,
Adilson de Oliveira, apresentou
o estudo inédito elaborado pela
Petrobras, BNDES e Prominp,
que resultou no diagnóstico das
necessidades de adequação do
parque supridor nacional.
À tarde, os participantes se
dividiram em grupos de trabalho
– Emprego e Qualificação Profissional; Fatores Exógenos da
Competitividade da Cadeia de
Suprimentos de Bens e Serviços;
Adequação do Parque Supridor
Nacional, Tecnologia e Infraestrutura Fabril; e Meio Ambiente
– gerando propostas de ação que
serão analisadas pelo Comitê
Executivo do Prominp, para possível implementação.
O encerramento do encontro
foi marcado pela apresentação
dos resultados dos grupos de
trabalho e pela exposição de
quatro iniciativas de destaque
para o desenvolvimento do setor
de petróleo e gás: o Programa
Progredir, lançado pela Petrobras
em agosto deste ano para faci-
litar o acesso ao crédito para os
fornecedores da cadeia produtiva
do setor; a Rede de Melhoria de
Gestão, criada em parceria pela
Petrobras, Ministério do Planejamento, Movimento Brasil Competitivo e Fundação Nacional da
Qualidade (FNQ); os Projetos
do Centro de Excelência para
a Cadeia EPC (sigla em inglês
para Engenharia, Suprimento e
Construção), e os Resultados do
Convênio Petrobras-Sebrae.
Coppe e Bureau Veritas assinam acordo de cooperação
A Coppe e o Bureau Veritas assinaram um acordo científico e
tecnológico de cooperação para o desenvolvimento de projetos
na área de engenharia naval e oceânica (offshore).
Com o acordo, duas ações já estão
programadas: o desenvolvimento de um
sistema voltado para avaliar a capacidade de sistemas de posicionamento
dinâmico para navios aliviadores, com
particular interesse para os campos do
pré-sal, que será desenvolvido pelos
pesquisadores do Programa de Engenharia Naval e Oceânica; e a cessão
à Coppe, com objetivos acadêmicos,
dos softwares Hidrostar e Ariane, que
foram desenvolvidos pelo Bureau Veritas com foco de atuação nas áreas de
hidrodinâmica e amarração de unidades
offshore, respectivamente.
Segundo o vice-presidente do
Bureau Veritas América Latina,
Eduardo Camargo (à direita na
foto), a expectativa da empresa é
de que os resultados sejam gerados
imediatamente. Ele afirmou que a
intenção é melhorar cada vez mais
a capacitação dos profissionais de
engenharia e o desenvolvimento de
novas ferramentas para contribuir
com a exploração do pré-sal.
Estiveram presentes à cerimônia o diretor de Tecnologia
e Inovação da Coppe, Segen
Estefen; o engenheiro naval da
Petrobras, Marco Donato Ferreira; o vice-presidente do Bureau
Veritas América Latina, Eduardo
Camargo; o vice-presidente e diretor técnico da Área Marítima do
Grupo – França, Pierre De Livois;
e o vice-presidente de Pesquisa &
Desenvolvimento da Divisão Marítima – França, Pierre Besse.
TN Petróleo 75
67
eventos
Prêmio Profissional de Destaque da Indústria de Petróleo e Gás
Reconhecimento
Foto: Agência Petrobras
Indústria de petróleo e gás presta homenagem aos profissionais de destaque em 2010
A
indústria de petróleo premiou no
dia 7 de dezembro,
no Rio, os profissionais que mais
se destacaram
nas atividades do setor ao longo
deste ano. A iniciativa é organizada em conjunto pelo Instituto
Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Organização
Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) e a Sociedade dos
Engenheiros de Petróleo (SPESeção Brasil). O prêmio Profissional de Destaque da Indústria
de Petróleo e Gás visa reconhecer anualmente o talento e a
dedicação daqueles que ajudam
a fazer da indústria de petróleo e
gás no Brasil um dos motores do
desenvolvimento do país.
Profissionais premiados
Excelência Empresarial em Fornecimento de Serviços: Ana Zambelli
(presidente da Schlumberger
Brasil)
Excelência Empresarial em Fornecimento de Bens de Capital: Nestor
Perini (presidente da Lupatech)
Personalidade do Ano: José Sergio
Gabrielli (presidente da Petrobras)
Excelência Técnica: Álvaro Maia
(assistente do diretor de Exploração e Produção da Petrobras,
Guilherme Estrella)
Formação de Recursos Humanos:
Marcelo Gatass (diretor do Grupo
de Tecnologia em Computação
Gráfica/Tecgraf/PUC-Rio)
Instituído pela SPE-Seção
Brasil, em 2004, ao longo dos
anos várias categorias têm sido
objeto da premiação, tais como:
excelência técnica, formação
de recursos humanos, destaque
estudantil, fornecimento de bens
e serviços, excelência em SMS
e Personalidade da Indústria de
Petróleo e Gás. Com o objetivo
de aumentar a representatividade da indústria de óleo e gás
brasileira na premiação, o evento
foi ampliado e redesenhado em
2009, com as participações do
IBP e da Onip.
Este ano, a seleção dos vencedores foi feita pelo Comitê Organizador (formado por profissionais das entidades idealizadoras
do prêmio) em cinco categorias:
Excelência Técnica; Formação de
Recursos Humanos; Excelência
Empresarial em Fornecimento de
Serviços; Excelência Empresarial
em Fornecimento de Bens de Capital; e Personalidade do Ano.
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68
TN Petróleo 75
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31° CONBRASCORR - Congresso Brasileiro de Corrosão
32° SEMINSP - Seminário de Inspeção de Equipamentos
15ª IEV - Conferencia Internacional sobre Evaluación de Integridad
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7ª EXPOEQUIP - Exposição de Tecnologia de Equipamentos
para Corrosão & Pintura, END e Inspeção de Equipamentos
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TN Petróleo 75
69
perfil profissional
Stella Brant
Uma vida nos
estaleiros
por Cassiano Viana
A indústria naval corre nas veias de
Stella Brant, analista comercial da
Naproservice Offshore Estaleiros do Brasil.
“Eu não poderia estar trabalhando em outro ramo”, diz ela,
contando que o pai era oficial da Marinha de Guerra, quando o Brasil
comprou o porta-aviões Minas Gerais, em 1956. Construído a mando de Winston Churchill, enquanto Hitler bombardeava Londres, o
navio, antes batizado como Vengeance (Vingança), foi um ícone da
vitória naval da frota de Sua Majestade na Segunda Guerra.
“Já nomeado Minas Gerais, quando o governo brasileiro fez um
acordo com o Verolme, que tinha um estaleiro na Holanda, para fazer
a reforma da embarcação, no início dos anos 1960, ganhando, em
troca, uma área para a construção de um estaleiro no Brasil, meu pai
foi para a Holanda supervisionar a obra, em Roterdã”, conta. “Foi
quando conheceu minha mãe.”
Terminada a reforma do porta-aviões, o casal voltou para o Brasil.
Em Angra dos Reis, pela quantidade de colaboradores holandeses,
em função da falta de mão de obra especializada na região, foi preciso criar uma escola para os filhos desses funcionários. “E foi essa a
escola que frequentei. Só na quinta série fui para uma escola brasileira”, conta. “Na verdade, a minha terceira língua foi o português.”
Única mulher – Carioca, 47 anos, criada em Angra, onde o pai foi
funcionário do Verolme, como dito, Stella, entrou no setor de óleo e
gás em 2000, com a reabertura do citado estaleiro, agora denominado
Brasfels, na época do grupo Fels Setal. Começou como secretária.
70
TN Petróleo 75
“Havia apenas 30 pessoas trabalhando no estaleiro e eu era a
única mulher. Fiquei no estaleiro
um ano, quando o CEO da Fels
Setal me chamou para ser a secretária dele no Rio.”
Na Keppel Fels, foi secretária de Tay Kim Hock por quatro
anos, quando surgiu uma vaga
no setor de comunicações e
marketing, do qual foi coordenadora por três anos. Neste
meio tempo, a Setal vendeu
suas ações e o grupo tornouse Keppel Fels. “Durante toda
a minha trajetória na Keppel,
tive o prazer de acompanhar de
perto o renascimento da indústria naval, através do apoio dos
governos municipal, estadual
e federal”, avalia. “Vivi esta
época com muita emoção, já
que fui criada num ambiente de
estaleiro – quando havia sete
mil funcionários. Ao retornar e
ver o estaleiro abandonado tive
um sentimento de perda muito
grande”, confessa.
Após sete anos na Keppel, foi
trabalhar na Rebras, que havia
se associado à Smit da Holanda.
A Smit Rebras estava no começo
de sua solidificação no mercado.
“Como falo bem holandês, esta
oportunidade fez com que eu
tivesse contato com meu país
materno”, aprecia.
Novos tempos – Os marcos do
período são muitos, ainda mais
quando a primeira grande obra
do Brasfels entrou na baía de
Angra, num dia de chuva, anunciando dias melhores.
Era a plataforma Sedco 135.
Veio a P-48, que aos poucos
foi se transformando aos nossos
olhos em um FPSO. “Participar de perto da construção da
P-52, a inovação de tecnologia,
o processo de transporte e, por
fim, o mating, mostram que o
ser humano quando quer é capaz de fazer obras grandiosas”,
destaca.
Devido ao projeto de 18
rebocadores da Smit, todos com
propulsão Schottel, ela acabou
ficando muito próxima da empresa. “Estávamos em contato
constante, pois como era um
Idade: 47
Formação: Superior fisioterapia
Primeiro trabalho: na área naval,
Keppel Fels, antes disto dava aulas
de inglês
Principais cargos ocupados: secretária do Diretor do BrasFELS,
secretária do CEO Keppel Fels,
coordenadora de Marketing e Comunicação Keppel Fels
Horas médias de trabalho/dia: 10h
Hobbies: praia, curtir a familia e
amigos, andar de barco
Sonho de consumo quando criança:
viajar para a Holanda
Sonho de consumo hoje: sapatos e
bolsas
Músicas: anos 70 e 80, MPB, Legião
Urbana e Jota Quest
Um bom lugar para descansar:
minha casa
Um filme: o Fantasma da ópera
Livros: atualmente estou lendo Desvendando os segredos da linguagem
corporal de Allan Pease; livros de
supense e a Bíbilia
grande projeto, demandava muito trabalho de ambas as partes”,
recorda.
“Quando a Schottel resolveu
abrir seu próprio escritório de
projetos no Rio de Janeiro, eles
precisavam de uma pessoa com
o meu perfil e que possuísse boa
experiência no ramo. A mudança
foi muito interessante, pois a experiência de deixar de ser cliente
para ser fornecedor me acrescentou bastante.”
Na Schottel, suas principais
atribuições eram dar suporte ao
gerente de projetos nas suas diversas funções, desde o acompanhamento de projetos existentes
junto à matriz na Alemanha, até
a geração de novos negócios,
organizando as informações necessárias para os clientes.
Na área comercial – Hoje, a
Schottel do Brasil está finalizando um projeto de cinco rebocadores para a Vale e um ferry boat
no Peru. “Para o ano que vem,
eles devem entregar dois importantes projetos para o mercado
offshore, os PSV 4500 que serão
construídos na Starnav pelo
estaleiro Detroit e os OSRV 75010 que serão construídos pelo
estaleiro ETP para a Consub,
aumentando significativamente
sua participação no segmento
offshore”, enumera.
O desafio de trabalhar integralmente na área comercial fez
Stella optar pela mudança, em
novembro, para a Naproservice
Offshore Estaleiros do Brasil,
uma das mais conceituadas
empresas especializadas do
segmento naval no Brasil e na
América Latina. “Minha principal atribuição será fortalecer as
parcerias com diversas empresas
nacionais e estrangeiras, com
ênfase maior nas estratégias
comerciais”, explica.
TN Petróleo 75
71
perfil profissional
Participar do renascer da indústria naval brasileira tem sido
motivo de muito orgulho
e satisfação para Stella. “O
caminho das pedras não se pode
ensinar, depende do feeling de
cada um. Primeiro, é preciso se
situar no mercado de trabalho
e fazer aquilo que realmente
gosta; depois é insistir em seus
sonhos, aprender com os erros,
nunca fechar uma porta, porque
você não sabe quem vai encontrar pela frente”, pontua. “Procurar se qualificar sempre, falar
pelo menos duas línguas estrangeiras... o setor é tão amplo que
tem lugar para todos os tipos de
profissões.”
Longe do mar, e quando não
está visitando estaleiros, a paixão é a família. “A minha paixão
são os meus dois filhos – o mais
velho, Thiago, está com 20 anos,
e o mais novo, Pedro, com 18. E
também há minha labrador, que
é um membro da família”, conta.
“Gosto de passar meu tempo
livre com meus filhos e seus
amigos, ir à praia, ao cinema...
ler um bom livro acompanhado
de um bom vinho.”
Considerada, há mais de 20
anos, uma conceituada empre-
sa do Brasil e América Latina
– especializada em serviços de
grande porte em reparos navais
–, a Naproservice tem como
clientes: Petrobras, Transocean,
Brasdril, Pride, Frontier, Astromarítima, Tugbrasil, Delba
Marítima, Schahin Petróleo,
Edison Chouest, Maersk, Camorim, Tranship, Flowserve,
Rolls-Royce, CBO, Finarge,
Vale, SDC, Etesco, Acergy, Sulnorte, Elcano, Norsul, Marinha
do Brasil, Wilson Sons, BOS e
Seabulk.
E conta com uma área total
construída de cerca de 2.600 m².
Recentemente, adquiriu uma
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localizado um Centro de
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para cá, com os programas de Renovação da Frota de Apoio Marítimo (Prorefam) e o de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da
Transpetro, a indústria da construção naval brasileira saltou de dois mil para 80 mil empregos diretos e indiretos, serão 146 embarcações
de apoio marítimo e 49 navios, com um índice de 65% de conteúdo nacional no setor de navipeças. Participe!
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TN Petróleo 75
TN Petróleo 75
73
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DE QUALIDADE.
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A tecnologia da informação se aperfeiçoa em ritmo acelerado. Não basta ser rápido na transmissão
dos fatos; é preciso ser eficaz, saber onde prospectar a informação e ser ágil ao transformá-la em
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TN Petróleo 75
Ano 2 • nº 11 • setembro de 2010 • www.tnsustentavel.com.br
Editorial
Responsabilidade compartilhada
O ano de 2010 foi marcado por diversos avanços em ações
de sustentabilidade em todas as esferas do mercado brasileiro.
Avanços que se traduzem por investimentos nas áreas de
legislação, tecnologia, conhecimento e certificações.
Em entrevista exclusiva à TN Petróleo, Silvano Costa,
secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, do Ministério de Meio Ambiente (MMA), fala sobre a lei sancionada em
agosto de 2010 que traz avanços como o foco na prevenção e
na precaução, estimulando padrões sustentáveis de produção
e consumo. Segundo ele, a lei prevê a responsabilidade compartilhada na gestão dos resíduos sólidos e proíbe a manutenção de lixões em todo o país – o que é de suma importância
para mudar aspectos nas áreas de saúde e segurança.
Outro ganho importante é o fortalecimento da chamada
‘logística reversa’, fundamental para que se estruturem os
negócios numa economia, acima de tudo, responsável. Quem
produz será responsável pelo destino final de seus produtos,
pós-venda e pós-consumo.
Na área de tecnologia, a aposta ficou por conta da empresa
Lwart Lubrificantes, maior empresa latino-americana de coleta
e rerrefino de óleos lubrificantes usados, que, ao modernizar
sua fábrica para a produção de óleos básicos de alto desempenho, investiu R$ 230 milhões para se tornar a segunda maior
empresa de rerrefino de óleos lubrificantes usados do mundo.
Mas, para avançarmos e atingirmos bom desempenho com
novas tecnologias, precisamos de pesquisa e de talentos, o
que tivemos em dose dupla no 7º Fórum para a Sustentabilidade do Ministério Federal de Educação e Pesquisa (Fona), em
Berlim, Alemanha. A iniciativa premiou dois jovens pesquisadores brasileiros pelo seu trabalho com o prêmio internacional de sustentabilidade Green Talents. O critério decisivo de
seleção é o fato de uma pesquisa poder contribuir de forma
crucial para enfrentar os desafios globais, como as alterações climáticas, declínio das fontes energéticas e a poluição
ambiental. Tal reconhecimento reforça mais uma vez a ação
brasileira na busca incessante por alternativas sustentáveis,
que antes ficava só no discurso.
E, finalmente, na área de certificações a TÜV Rheinland
do Brasil, subsidiária de um dos maiores grupos de certificação e inspeção mundiais, está ampliando a atuação com
a realização de certificações ambientais para projetos de
MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) e de sustentabilidade industrial, o que inclui pelo menos uma dezena de
serviços diferentes.
Portanto, amigos leitores, essa edição tem exemplos
de sobra de que o mercado de sustentabilidade promete e
muito para 2011!
Lia Medeiros
Diretora do Núcleo de Sustentabilidade da TN Petróleo
Sumário
78
80
81
A importância
da coleta de óleo
1ª Bolsa Internacional
de Negócios da
Economia Verde
Ministra da Alemanha distingue dois pesquisadores brasileiros com o Green Talents
Lwart Lubrificantes
Evento
Premiação
TN Petróleo 75
75
suplemento especial
Entrevista especial
Silvano Costa, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, do MMA
Política Nacional de Resíduos Sólidos
Após 20 anos de debates, a lei sancionada em agosto de 2010 traz
avanços como o foco na prevenção e na precaução, estimulando
padrões sustentáveis de produção e consumo. O Brasil produz 57
milhões de toneladas de lixo por ano e, segundo o Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), somente 2,4% dos resíduos sólidos urbanos
são reciclados. Silvano Costa, secretário de Recursos Hídricos e
Ambiente Urbano, do Ministério de Meio Ambiente (MMA), conta à
TN Petróleo que a lei sancionada prevê a responsabilidade compartilhada
na gestão dos resíduos sólidos e proíbe a manutenção de lixões em
todo o país. O plano é importante porque também alavanca a inclusão
social, a geração de renda e de trabalho, bem como o fortalecimento
da chamada ‘logística reversa’, fundamental para que se estruturem
os negócios de uma economia verde, inclusiva e responsável.
TN Petróleo – Qual o principal objetivo da
política nacional de resíduos sólidos?
Silvano Costa – A Política Nacional
de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece
princípios, objetivos e instrumentos,
bem como diretrizes e normas para o
gerenciamento dos resíduos no país,
visando reduzir a geração desses resíduos (lixo passível de reutilização ou
reciclagem) e combater a poluição e o
desperdício de materiais descartados
pelo comércio, residências, indústrias,
empresas, domicílios e hospitais.
De que forma ela vai revolucionar a gestão dos resíduos sólidos no Brasil?
A PNRS é inovadora por tratar da
responsabilidade ambiental sobre os
resíduos e estabelecer a logística reversa, além de trazer um ganho para
a agenda da sustentabilidade do país.
E ainda, reúne conceitos modernos de
gestão de resíduos sólidos: responsabilidade compartilhada; gestão integrada;
inventário; sistema declaratório anual;
acordos setoriais; ciclo de vida do produto; não-geração, redução, reutilização,
reciclagem e tratamento dos resíduos,
bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos; princípios
do direito ambiental; elaboração de pla76
TN Petróleo 75
nos de gestão (em nível nacional, dos
estados e municípios) e de gerenciamento (pelo setor empresarial); e faz o
destaque para a inclusão social por meio
do fortalecimento das cooperativas e
associações de catadores de materiais
recicláveis.
A PNRS considerou o estilo de vida
da sociedade contemporânea, propondo a redução da produção e consumo
intensivos que provocam uma série de
impactos ambientais, à saúde pública
e sociais incompatíveis com o modelo de desenvolvimento socioambiental
sustentado que se pretende implantar
no Brasil.
Quais são os benefícios desta política
ao país no que se refere às ações de
responsabilidade ambiental?
O mais importante é que agora haverá outros responsáveis pela coleta de
resíduos sólidos além dos municípios e
catadores de materiais recicláveis. Entre
as inovações da Política Nacional de
Resíduos Sólidos destaca-se o conceito
de responsabilidade compartilhada em
relação à destinação de resíduos. Isso
significa que cada integrante da cadeia
produtiva – fabricantes, importadores,
distribuidores, comerciantes e até os
por Maria Fernanda Romero
consumidores – ficarão responsáveis,
junto com os titulares dos serviços de
limpeza urbana e de manejo de resíduos
sólidos, pelo ciclo de vida completo dos
produtos, que vai desde a obtenção de
matérias-primas e insumos, passando
pelo processo produtivo, pelo consumo
até a disposição final.
Por que a tramitação desta lei demorou
mais de duas décadas na Câmara?
O PL 203/91, que instituiu a PNRS,
era de iniciativa do Legislativo. Segundo a avaliação de alguns deputados, o
Congresso Nacional aguardava uma manifestação por parte do Executivo para
dar celeridade ao processo, o que só
aconteceu em setembro de 2007, quando
o presidente Lula enviou o Projeto de
Lei 1991 ao Congresso.
Pelas novas regras, os envolvidos na
cadeia de um produto (da indústria ao
comércio, passando pelo consumidor)
terão que dividir as atribuições para
garantir a retirada dos resíduos do meio
ambiente. Como se dará isso?
A PNRS estabelece que compete ao
gerador de resíduos sólidos a responsabilidade pelos resíduos, compreendendo as etapas de acondicionamento,
disponibilização para coleta, tratamento
e disposição final ambientalmente adequada de rejeitos. Significa dizer que
todos nós – consumidores, fabricantes,
revendedores, comerciantes, industriais,
entre outros – somos responsáveis pelos
resíduos sólidos que geramos e a PNRS
estabelece a Logística Reversa, que exige
dos geradores de resíduos o compromisso com o destino final de seus produtos pós-venda e pós-consumo. Assim,
os resíduos podem ser reaproveitados
em novos produtos, na forma de novos
insumos, em seu ciclo ou em outros
ciclos produtivos. E os consumidores
deverão acondicionar adequadamente e
de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados (embalagens, latas, papel
ou papelão, vidro, restos de comida) e
disponibilizá-los adequadamente para
fins de coleta e devolução.
A atitude do consumidor será primordial para que a PNRS funcione e
para que as empresas cumpram seu
papel: pela lei, o setor empresarial fará
a coleta, reciclagem e destinação dos
resíduos domiciliares (papel, vidro, plástico, metal), o que é chamado de logística
reversa. Mas a lei diz também que todos
são solidariamente responsáveis por
isso: o fornecedor, fabricantes, importadores, comerciantes, a autorizada, o
poder público e nós, cidadãs e cidadãos.
Então o consumidor tem de cobrar e
fazer a sua parte.
De que forma as regras para a destinação
e tratamento do lixo, determinadas na
lei de resíduos sólidos, favorecerão, no
longo prazo, o setor de reciclagem?
Tradicionalmente, os fabricantes
não se sentem responsáveis por seus
produtos após o consumo, pois a maioria
dos produtos usados são jogados fora
de maneira inadequada.
Assim, a Logística Reversa induzida
potencializará a reciclagem no Brasil e
é importante porque oferece diversas
vantagens à sociedade: preservação do
meio ambiente, economia de energia, a
diminuição da exploração dos recursos
naturais para novos produtos, e a geração de empregos, mesmo sendo, em
sua maioria, informais como para os
catadores de materiais recicláveis.
Isso decorre do fato de se conseguir
diminuir a descartabilidade de produ-
tos, implicando uma redução dos custos
para as empresas, amenizando impactos
ambientais e diminuindo o consumo de
matérias-primas, além de contribuir
para o incremento da reutilização e da
reciclagem de material.
Esta política também define regras para a
coleta seletiva. Quais são essas regras?
Os serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos
devem estabelecer um sistema de coleta
seletiva, priorizando, por exemplo, o
trabalho de cooperativas ou associações
de catadores de materiais recicláveis.
Isso vai permitir a geração de emprego
e renda para muitos homens e mulheres.
Os serviços de limpeza urbana devem
implantar um sistema de compostagem
para resíduos sólidos orgânicos e articular, junto aos agentes econômicos e
sociais, formas de utilização do composto reduzido.
Como será a estruturação e a implementação de sistemas de logística reversa para agrotóxicos, seus resíduos
e embalagens?
A lei obriga a estruturação e a implementação de sistemas de logística
reversa para agrotóxicos, seus resíduos
e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, sejam
considerados resíduos perigosos.
A adoção de medidas, para que os
resíduos de um produto colocado no
mercado façam um ‘caminho de volta’
após sua utilização, também deve ser
aplicada a pilhas e baterias, pneus, óleos
lubrificantes, lâmpadas fluorescentes
de vapor de sódio e mercúrio e de luz
mista, além de produtos eletroeletrônicos
e seus componentes.
Tanto a logística reversa como os outros instrumentos da PNRS estão sendo
definidos no processo de regulamentação da Lei e dos acordos setoriais.
Qual a estimativa do governo quanto ao
impacto desta lei no setor de gestão de
resíduos e tratamento de água para os
próximos anos?
Com as mudanças necessárias,
impostas pela Lei, os impactos positivos na gestão serão muito significativos, tanto na esfera federal,
quanto na dos entes federados, e para
a sociedade brasileira.
Na esfera da União, a elaboração
do Plano Nacional de Resíduos Sólidos apontará para programas, metas
e ações, que deverão ser efetuados de
forma integrada entre os órgãos do governo que atuam no setor, tais como, o
próprio Ministério do Meio Ambiente, o
Ministério das Cidades, a Funasa/MS e
o Ministério da Integração.
Para os entes federados, o planejamento é a necessidade da elaboração
de planos estaduais e municipais, que
serão os primeiros passos para impactar
positivamente todo este novo modelo de
manejo dos resíduos sólidos, fazendo
com que esta ferramenta de gestão seja
o norte para os investimentos e para a
própria operação dos serviços.
Vale destacar que até 2014 os aterros sanitários poderão receber apenas
rejeitos e não mais resíduos. Ou seja, é
fundamental que as prefeituras implementem a coleta seletiva, a cobrança, os
instrumentos estabelecidos na PNRS,
considerando que a Lei prevê a contratação de associações ou cooperativas de
catadores de materiais recicláveis, com
dispensa de licitação, gerando trabalho,
emprego e renda – inclusão social com
dignidade.
Quanto ao componente ‘água’, podemos destacar que com o manejo adequado dos resíduos sólidos, os mananciais,
principalmente os urbanos, terão melhor
qualidade, pois o sistema de drenagem
urbana não carreará tantos dejetos. Este
fator deve rebater, de modo positivo, na
qualidade dos mananciais, propiciando
melhor operação e tratamento das águas
a serem distribuídas à população.
De que forma a sociedade vai perceber
os efeitos desta lei no seu dia a dia?
Como o consumidor poderá ‘monitorar’
o novo sistema?
Acredito que na medida que a proposta começar a ser implementada, trazendo melhorias na qualidade do meio
ambiente. Quando novas oportunidades
de negócios surgirem, a geração de empregos e renda apresentar benefícios
para os estados ou municípios, a população vai perceber os desdobramentos advindos desta legislação inovadora.
TN Petróleo 75
77
suplemento especial
Lwart Lubrificantes
A importância da
Foto: Cortesia Lwart Lubrificantes
coleta de óleo
Lwart Lubrificantes, maior empresa latino-americana de coleta e rerrefino de óleos
lubrificantes usados, moderniza fábrica para produção de óleos básicos de alto
desempenho. Investiu R$ 230 milhões para se tornar a segunda maior empresa de
rerrefino de óleos lubrificantes usados do mundo.
R
esponsável pela coleta de 45%
do óleo lubrificante usado
disponibilizado para coleta
do país (cerca de 148 milhões de
litros ao ano), a Lwart Lubrificantes
investe na modernização da planta
industrial de Lençóis Paulista (SP)
para a produção de óleos minerais
básicos do Grupo II.
Segundo Carlos Renato Trecenti, presidente do Grupo Lwart, até
a conclusão do
projeto, prevista
para o final de
2011, a empresa planeja realizar aportes de
R$ 230 milhões,
parte financiada
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), na compra de tecnologia, equipamentos e serviços de
78
TN Petróleo 75
implantação. “Esta nova estrutura
e o atendimento de um mercado
que ainda é 100% importador no
Brasil permitirão um incremento de
25% em cinco anos nas receitas da
Lwart Lubrificantes”, afirma.
“A modernização da planta viabilizará o processamento de 150 mil
m³ por ano de óleos usados, fará da
Lwart a segunda maior empresa de
rerrefino do mundo e a consolidará
como a maior da
América Latina”,
informa Thiago
Trecenti, diretor
geral da Lwart
Lubrificantes. Segundo ele, a empresa tem a meta
de atender a demanda crescente
por óleos básicos de alta qualidade,
fruto do grande avanço tecnológico
de motores e equipamentos.
Thiago Trecenti conta que esta
iniciativa recebeu o nome de Projeto H por se utilizar da tecnologia
de hidroacabamento ou hidrotratamento. Este é um processo químico
no qual o hidrogênio reage na presença de um catalisador, removendo contaminantes e imperfeições
da estrutura molecular dos hidrocarbonetos que compõem o óleo
básico, possibilitando um produto
de melhor qualidade. Para viabilizar o projeto, o executivo informa
que a empresa pretende utilizar
cerca de 80% de equipamentos
fabricados no Brasil.
O Projeto H permitirá à fábrica
produzir tanto os óleos minerais básicos do Grupo II quanto do Grupo
I, atualmente já manufaturados na
planta. “Essa flexibilidade depende
apenas do ajuste do tratamento com
hidrogênio e da demanda do mer-
cado brasileiro por produtos mais
nobres, o que é a nossa maior expectativa”, destaca Thiago Trecenti.
Outro ponto positivo do avanço da empresa está relacionado a
questões ambientais do processo.
“Com essa tecnologia, vamos gerar menos subprodutos de baixo
valor agregado, diminuiremos o
consumo de água e eliminaremos a necessidade de alguns insumos, como o ácido sulfúrico”,
acrescenta Silvio Fante, gerente
de Engenharia Corporativa do
Grupo Lwart.
De acordo com o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o rerrefino é a única destinação legal para os óleos lubrificantes
usados. O descarte inadequado do
produto é destinado a aplicações
ilegais, como a queima indiscriminada, sem tratamento prévio, o
que gera emissões de gases tóxicos.
Além disso, sabe-se que apenas um
litro de óleo lubrificante pode contaminar 1 milhão de litros de água.
A Lwart ratifica a necessidade do
aumento da disponibilidade de óleos lubrificantes usados para serem
coletados no país. De acordo com o
Sindicato da Indústria do Rerrefino
de Óleos Minerais (Sindirrefino),
em 2009 dos 500 milhões de litros
de óleos lubrificantes usados gerados no país, apenas 330 milhões
foram coletados para o rerrefino.
Produto de alto desempenho e
ambientalmente correto
O Brasil ocupa a quinta colocação mundial em consumo de óleos
lubrificantes (1,25 milhão de m³
por ano) e a primeira na América
Latina. Em 2009, a importação de
óleos básicos do país foi de 315 mil
m³, sendo grande parte desse volume de tipos de óleos que ainda
não se produz no Brasil, como os
do Grupo II. Portanto, é sobre esse
déficit do Brasil por óleos básicos
de qualidade superior, que sempre
foram importados, que a Lwart
Lubrificantes pretende atuar,
suprindo a demanda com uma
produção nacional.
O grande mérito do óleo básico rerrefinado é a contribuição
ao meio ambiente. Sua fabricação
requer a coleta de óleos lubrificantes usados, altamente poluidores,
proporcionando um destino sustentável a esse resíduo perigoso. Com
tratamento adequado e modernas
tecnologias, o óleo mineral básico
volta ao mercado com excelente
qualidade e é capaz de atender as
mais rígidas exigências do mercado. “A Lwart investe continuamente
em tecnologias que garantem a alta
qualidade dos óleos rerrefinados e
na melhoria da imagem do produto, que tem muitas características
positivas para a indústria e para
o meio ambiente. Com o Projeto
H, esperamos elevar o nível dos
óleos básicos produzidos no país e
mostrar que temos potencial para
participar do mercado de óleos automotivos de alto desempenho”,
ressalta Trecenti.
TN Petróleo 75
79
suplemento especial
1ª Bolsa Internacional de Negócios da
Economia Verde
Foto: José Jorge Neto
São Paulo sedia, durante quatro dias, evento inédito com foco na apresentação de propostas
que aliem o desenvolvimento econômico com a melhoria da qualidade ambiental.
A
primeira edição da Bolsa
Internacional de Negócios
da Economia Verde (Binev)
contou com a participação de representantes do governo de São
Paulo, investidores, empresários,
empreendedores, Organizações
Não Governamentais (ONGs),
universidades e membros da sociedade civil do Brasil e de diversos
países.
Um dos motivos do evento ser
realizado na capital paulista é o
termo estabelecido pelo estado
de redução de 20% na emissão de
gases do efeito estufa até 2020, o
que será um grande avanço para
uma das metrópoles mais poluídas do mundo.
Os destaques da Binev foram a
Conferência Internacional da Economia Verde, a Bolsa de Negócios e
a área de exposição – onde estavam
estandes de empresas ligadas ao
mercado de economia verde. A conferência contou com a realização de
palestras, mostras de cases e tecnologias sobre agricultura, construção civil sustentável, energias renováveis,
saneamento ambiental, transportes
sustentáveis e turismo.
Um dos participantes e apoiadores do evento, a ETH Bioenergia, que produz e comercializa eta-
nol, energia elétrica de biomassa
e açúcar e tem a cana-de-açúcar
como matéria-prima do negócio,
tem certeza de que a Binev está
em sinergia com seu negócio e de
acordo com as práticas e políticas
de sustentabilidade presentes em
todas as áreas da empresa.
“Podemos dizer que a sustentabilidade está no centro dos negócios
da ETH Bioenergia, uma vez que
sua principal matéria-prima é renovável e seu método de produção
reutiliza todos os resíduos como
nutrientes ou insumo da produção
de energia elétrica”, destaca Carla
Pires, responsável pela sustentabilidade na empresa.
Para reduzir os efeitos das emissões de CO2 durante os quatro dias
da Bolsa Internacional de Negócios
da Economia Verde, a organização
do evento plantou 264, de acordo
com o cálculo de emissões e de
árvores para redução de CO2, do
Instituto Totum e com o apoio da
ONG SOS Mata Atlântica.
26 a 27 – Espanha
Global Biofuels Summit 2011
Local: Barcelona
Tel.: 00421 257 272 146
Fax: 00421 255 644 490
www.flemingeurope.com
[email protected]
31/01 a 02/02 – Brasil
EnerGen LatAm 2011
Local: Rio de Janeiro
Tel.: +55 11 3214-1300
Fax: +5511 3256-3513
[email protected]
www.energenlatam.com.br
27 – Reino Unido
Investing for Sustainability
Local: Londres
Tel.: 0208 651 7132
Fax: 0208 651 7117
www.investingforsustainability.com
[email protected]
Fevereiro
Feiras e Congressos
Janeiro
20 – Irlanda
Irish Renewable Energy Summit 2011
Local: Dundalk, Irlanda
Tel.: +353 (0)1 661 3755
Fax: +353 (0)1 661 3786
[email protected]
www.energyireland.ie
80
TN Petróleo 75
03 – Irlanda
Water NI 2011
Local: Belfast
Tel.: +4420 8651 7132
[email protected]
www.waterni.net
Ministra da Alemanha distingue dois
pesquisadores brasileiros com o Green Talents
Com o prêmio internacional de sustentabilidade Green Talents deste ano, a ministra federal
alemã de Educação e Pesquisa, professora Annette Schavan, premiou dois jovens pesquisadores
brasileiros pelo trabalho.
Os premiados e o júri
Janaína Accordi Junkes está
atualmente fazendo doutorado na
Universidade Federal de Santa Ca-
Foto: Divulgação
A
ministra recebeu os 20 vencedores de 12 países no
7º Fórum para a Sustentabilidade do Ministério Federal de
Educação e Pesquisa (Fona), em
Berlim, Alemanha. “Estamos extremamente satisfeitos pela adesão à
competição Green Talents deste ano
e pelo interesse dos participantes na
Alemanha como local de pesquisa”,
disse Annette Schavan. “O objetivo deste concurso é desenvolver
a cooperação internacional para
que possamos em conjunto contribuir para soluções sustentáveis que
combatam as alterações climáticas
e protejam o meio ambiente”. A ministra destaca ainda que “Criamos
condições que nos fazem aprender
uns com os outros. E o mais importante: não queremos tomar sozinhos
decisões sem ter a participação dos
jovens cujo futuro está aqui em discussão. Queremos sim colaborar e
decidir com eles.”
O prêmio do Ministério Federal
de Educação e Pesquisa (BMBF)
é entregue pela segunda vez em
2010. Trata-se de uma distinção
para talentos científicos extraordinários no campo de pesquisa
sobre sustentabilidade. O critério
decisivo de seleção é o fato de uma
pesquisa poder contribuir de forma
crucial para os desafios globais,
como as alterações climáticas, declínio das fontes energéticas e a
poluição ambiental.
tarina, em Florianópolis, e impressionou o júri com sua pesquisa na
utilização de resíduos industriais,
como o lodo de estações de tratamento de água potável na fabricação de revestimentos cerâmicos.
Daniela Morais Leme, estudante
da Universidade Estadual Paulista
(Unesp) de Rio Claro, foi premiada pela sua pesquisa na área de
poluição ambiental, por avaliação
de águas de solos contaminados
com biodiesel e suas misturas ao
óleo diesel.
Um total de 234 jovens cientistas de 57 países inscreveram-se
para se tornarem um dos Green Talents, entre eles 18 investigadores
do Brasil. Um júri constituído por
especialistas alemães selecionou
os vencedores que viajaram pela
Alemanha de 1º a 11 de novembro e fizeram parte de um fórum
científico de dez dias.
A Alemanha é um dos países
líderes mundiais em pesquisas no
campo da sustentabilidade e um
forte parceiro para cooperações internacionais nesta área. Durante a
sua estadia no país, os Green Talents
visitaram universidades, instituições
e empresas importantes, e conhece-
ram conhecer projetos inovadores
em várias áreas da tecnologia.
Os selecionados também se
encontraram com renomados especialistas alemães e estabeleceram contatos com jovens cientistas
alemães. Após a semana do fórum,
os vencedores tiveram a oportunidade de uma estadia adicional
até três meses, dentro de um ano,
para a realização de pesquisas na
Alemanha, de forma a intensificarem o intercâmbio internacional
no campo da pesquisa de sustentabilidade.
Vencedores Green Talents –
Fórum Internacional para
Alunos de Grande Potencial no
Desenvolvimento da Sustentabilidade 2010
Green Talents 2010 do Brasil – Janaína
Accordi Junkes, mestrado em ciência
e engenharia de materiais, em fase de
doutorado na Universidade Federal de
Santa Catarina, Brasil. Foco da investigação: gestão de resíduos - reutilização
de resíduos minerais.
Daniela Morais Leme, mestrado em ciências biológicas, em fase de doutorado na
Universidade Estadual Paulista Rio Claro,
Brasil. Foco da investigação: impacto
ambiental do biodiesel.
TN Petróleo 75
81
suplemento especial
Países da América Latina criam Fórum
Permanente de Eficiência Energética
A ação pioneira foi criada na Cidade do México e celebra um acordo de cooperação entre os
países da América Latina em evento organizado pela International Copper Association (ICA)
com o apoio da Agência de Cooperação Técnica Alemã (GTZ) e Organização Latinoamericana
de Energia (Olade).
82
TN Petróleo 75
Foto: Divulgação
O
ICA/Procobre, rede de instituições latino-americanas
sem fins lucrativos que trabalha para difundir usos e benefícios do cobre, cuja missão é contribuir para a melhoria da qualidade
de vida, realizou no México, no
final de outubro, o Seminário para
a Criação de um Fórum Permanente de Eficiência Energética na
América Latina.
O Brasil faz parte deste grupo, cuja
proposta foi lançada em 2007, durante
o 1º Seminário de Políticas Públicas
de Eficiência Energética na América
Latina, realizado no Rio de Janeiro.
Já o realizado no México pretendeu
estabelecer um fórum de discussão e
divulgação de experiências na região
e propiciar o desenvolvimento de uma
rede de conhecimento.
Como parte dos resultados do
Seminário, foi aprovada por unanimidade a criação do Fórum Permanente sobre Eficiência Energética
na América Latina, cujo objetivo
será difundir as atividades que
os governos, organizações, instituições e especialistas da região
estejam desenvolvendo em torno
da eficiência energética. O início
das atividades será o Comitê de
Governança Transitória, integrado
de forma voluntária, o qual definirá a estrutura do Comitê Gestor
Permanente e o plano de trabalho
para os próximos seis meses.
“Esta iniciativa surgiu da necessidade de promover uma integração regional, na qual especialistas
em eficiência energética tenham a
oportunidade de trocar informações
e experiências”, destacou Glycon
Garcia, líder regional de Energia Elétrica Sustentável do ICA/
Procobre para a
América Latina.
“É importante
definir a criação
de uma plataforma que permita
uma integração pessoal ou virtual,
em que os países possam compartilhar práticas e estratégias sobre
o tema”, enfatizou. Inicialmente,
farão parte do Fórum os representantes dos países presentes no Seminário – Argentina, Brasil, Chile,
Costa Risca, Guatemala, Honduras,
México, Panamá, Peru e Uruguai.
A troca de conhecimentos fará
com que países com maior desenvolvimento em eficiência energética conheçam e apliquem as
melhores práticas executadas no
mundo. Ao mesmo tempo, contribuirá para impulsionar a criação
de programas e políticas em países
com menos experiência e, finalmente, num ato de cooperação regional, irá estabelecer mecanismos
para homologação de sistemas de
normalização que reduzam custos
e permitam padronizar a certificação de equipamentos eficientes em
nível regional.
“No quesito ‘eficiência energética’, existem três categorias de
países na América Latina: aqueles com muita experiência, os que
possuem programas incipientes e
outros nos quais não há ação implementada. Um foro permanente
permitirá aproveitar as experiências dos mais avançados para gerar
programas de forma mais ágil, com
menor custo e com resultados garantidos”, explicou George Alves,
Assessor de Diretoria de Tecnologia
da Eletrobrás e do Procel, no Brasil,
instituição que também fará parte
do Fórum Permanente.
Segundo Alves, o Brasil está
entre os países com políticas mais
avançadas quando o assunto é normatizar o uso e consumo de energia.
Um dos exemplos de destaque no
país é o Procel (Programa Nacional
de Conservação de Energia Elétrica), executado pela Eletrobrás e
criado em 1985 pelo Governo Federal. O Programa define que o Brasil
já registrou avanços no controle do
consumo e uso de energia, como
o Procel Edifica, que conscientiza
sobre uso eficiente de energia em
edifícios; o Procel Indústria, com
os mesmos objetivos; e o Selo do
Procel, que identifica equipamentos com baixo consumo de energia,
atestados pelo Instituto Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – Inmetro. Todos
os projetos do Procel contam com
laboratórios distribuídos pelo país
para emissão de certificações e testes de equipamentos.
De maneira geral, foram identificados três fatores que promovem o desenvolvimento de programas e medidas de economia e
uso eficiente de energia: o preço
do petróleo no mercado internacional, a luta contra as mudanças
climáticas e a busca por uma maior
competitividade e desenvolvimento
sustentável. “A indústria que hoje
não é eficiente no uso dos recursos energéticos não é competitiva.
A energia gerada com combustíveis
fósseis é um bem finito e escasso e,
como tal, irá custar cada vez mais
caro”, argumentou Alicia Baragati, assessora da Direção Nacional
de Promoção da Subsecretaria de
Energia Elétrica de Argentina.
Eficiência energética
De acordo com dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), ao longo dos
últimos dez anos, a taxa média de
crescimento do consumo de energia na região alcançou 3,15% acima
da média mundial de 2,11%. E 80%
do consumo energético na América
Latina concentram-se nos seguintes países: Brasil (36%), México
(20,5%), Argentina (9,9%), Venezuela (7,5%) e Colômbia (4,2%).
Na América Latina, os programas mais comuns para economia e
eficiência energética foram desenvolvidos nos setores de iluminação
residencial, motores industriais, refrigeradores, normas e etiquetas.
Implementando programas e
medidas de eficiência energética, o
potencial de economia de energia na
América Latina é de 20% a 25%.
Gestão da água
WWF lança formato de arquivo
‘verde’ (que não pode ser impresso)
A prefeitura de Guarulhos, na
Grande São Paulo, implantou um sistema de reuso de água da chuva para
lavar sua frota de quase 700 veículos,
no Departamento de Transportes Internos (DPI). Desde setembro, a prefeitura
evita o desperdício de 10 mil litros de
água potável por dia na lavagem de
carros, motos, caminhões e máquinas
pesadas.
A captação da água é feita no telhado
do próprio departamento, que tem uma
área de 5.000 m². A água é coletada em
uma caixa com capacidade de 15 mil litros, depois de passar por dois filtros, ela
segue para dois reservatórios de 15 mil
litros, cada, totalizando 45 mil litros de
capacidade de armazenagem. Essa quantidade permite à prefeitura lavar seus veículos por uma semana, sem custo.
Vale lembrar que a utilização dos
filtros permite reaproveitar toda a água
para limpar novamente os veículos.
O projeto de reuso inclui também um
circuito que separa o óleo e devolve
a água para o sistema de filtragem.
O óleo proveniente da graxa dos automóveis é, então, entregue ao Fundo
Social de Solidariedade, que vende o
material a empresas que possuem certificados de destinação do material.
Todos os dias, florestas inteiras são
cortadas para fazer papel. E apesar
de ser fácil evitar a impressão salvando o documento como um PDF, eles
também podem ser impressos. Atentos
a isso, a organização ambiental WWF
(World Wide Fund for Nature) lançou
nesta semana o projeto Save as WWF,
Save a Tree (Salve como WWF, salve
uma árvore), para incentivar pessoas e
empresas a criarem documentos eletrônicos com o novo formato .WWF, que
não pode ser impresso.
A ideia é simples, mas salva árvores.
O aplicativo que cria e lê arquivos .WWF
baseia-se no popular formato PDF, da
Adobe. Por enquanto, esse programa
gratuito só funciona no sistema operacional Mac OS X, da Apple. Uma versão
para Windows está prevista para breve.
“Todos os dias, florestas inteiras são
derrubadas para fazer papel. Para parar
o uso desnecessário de impressão e
encorajar uma nova consciência sobre
o uso do papel, desenvolvemos um formato novo e verde, o WWF, que não pode
ser impresso”, diz a WWF em seu site.
“Decida quais documentos não precisam
de impressão, e os salve como .WWF.”
O criador e leitor de arquivos
WWF está disponível para download
em www.saveaswwf.com/en.
Foto: Sidnei Barros
Guarulhos usa água da chuva para lavar veículos da frota municipal
“A expectativa é de que os reservatórios sejam suficientes para abastecer as lavagens, inclusive nos períodos sem chuva”, diz Waldomiro do
Amaral Júnior, diretor de Transportes
Internos da prefeitura. Além da lavagem dos carros, o DTI irá usar a água
reutilizada para os sanitários, onde em
geral se desperdiça muita água.
A implantação do projeto contou
com o apoio da Secretaria de Obras,
do Saae (Serviço Autônomo de Água
e Esgoto) e da Proguaru (Progresso e
Desenvolvimento de Guarulhos S/A).
O projeto custou R$ 160 mil, mas a
expectativa é recuperar o valor em até
um ano graças à redução do uso de
água tratada no processo.
TN Petróleo 75
83
suplemento especial
TÜV Rheinland
Foco em certificações de projetos
MDL e sustentabilidade industrial
Certificadora acredita que o crescimento da procura por eficiência
energética industrial e a implementação de novas usinas elétricas
de fontes renováveis deverão aquecer os mercados específicos.
84
TN Petróleo 75
Foto: Banco de Imagens Stock.xcng
A
tenta às movimentações de
empresas em busca de certificações que atestem suas
boas práticas ambientais, a TÜV
Rheinland do Brasil, subsidiária de
um dos maiores grupos de certificação e inspeção mundiais, está
ampliando a atuação com a realização de certificações ambientais
para projetos de MDL (Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo) e de
sustentabilidade industrial, o que
inclui pelo menos uma dezena de
serviços diferentes.
“O crescimento da procura por
eficiência energética, principalmente nos setores que agregam
companhias energointensivas, bem
como os últimos leilões do governo
federal e os futuros de compra de
energia nova de fontes renováveis, fez abrir
um potencial
de mercado significativo a ser
explorado pela
TÜV Rheinland
no Brasil”, afirma a superintendente técnica
de certificação da TÜV Rheinland,
Regina Toscano.
Ela ressalta que “o país está
vivendo um cenário no qual as exigências para práticas ambientalmente corretas são cada vez mais
fortes e economicamente viáveis,
e a TÜV Rheinland se estruturou para atender a esse potencial
mercado nacional”. A principal
atuação da empresa nessa área
está relacionada aos serviços de
sustentabilidade industrial, entre
os quais a TÜV Rheinland oferece
o Selo de Eficiência Energética
Industrial.
Para a obtenção deste selo,
as empresas passam por rigorosa
avaliação do consumo total de
energia gerado nas diferentes
etapas de seus processos industriais, da quantidade de energia
utilizada por produto fabricado
e da quantidade de energia que
poderia ser economizada nestas
etapas. A partir da equalização
desses dados, a TÜV Rheinland
pode desenvolver um projeto que
resulte em processos mais eficientes e, consequentemente, preserve
o meio ambiente.
A TÜV Rheinland ainda
auditora e verifica inventários de
emissões atmosféricas, monitora
essas emissões, realiza teste funcional (AST), calibração (QAL2) de
instrumentos de medição de GEE
(Gases do Efeito Estufa) e valida
esses sistemas. Também mede e
avalia odores e realiza o teste e
a certificação de dispositivos de
medição e monitoramento de emissões (Certificação QAL1).
“Dentro desse mix de ações
está a realização do Carbon
Footprint, estudo que levanta o
total de emissões
de GEE diretos e indiretos
associados a
uma cadeia de
produção e baliza ações para
minimizar as
agressões contra
a natureza”, explica o responsável pela área na TÜV Rheinland,
Sebastián Rosales.
Por fim, a certificadora também valida projetos de MDL para
geração de créditos de carbono,
bem como aplica os conceitos de
eficiência energética em muitas
das usinas de geração elétrica por
fontes renováveis, especialmente
em sistemas de cogeração de eletricidade a biomassa.
Itaipu é bicampeã no
Prêmio Fundação Coge
A Itaipu Binacional recebeu em dezembro um dos prêmios mais prestigiados do
setor elétrico brasileiro, o Prêmio Fundação Coge 2010, na categoria “ação de
responsabilidade ambiental”, com o projeto Veículo Elétrico para Catadores. Essa
é a segunda vez que a empresa recebe o prêmio – a primeira foi em 2006, com o
programa Cultivando Água Boa.
Foto: Cortesia Itaipu Binacional
O
projeto premiado foi o de carrinhos elétricos para catadores, resultado de uma parceria
entre a Itaipu e a Blest Engenharia,
de Curitiba. As peças têm capacidade para transportar até três vezes
mais carga que os veículos normais,
a um custo mensal de apenas R$ 9
em eletricidade. “Foi muito emocionante receber o prêmio diante
dos representantes das principais
empresas do setor elétrico nacional,
que ficaram muito surpresos com
um projeto dessa magnitude – ele
está humanizando e dignificando
o trabalho dos catadores”, afirma a
diretora financeira de Itaipu, Margaret Groff, ao receber o prêmio em
nome da empresa, juntamente com
o superintendente de Energias Renováveis, Cícero Bley.
A edição 2010 do prêmio teve
um recorde de 82 projetos inscritos.
“Além da questão social e ambiental
ligada ao projeto, o carrinho tem um
aspecto muito positivo que está no
fato de a Itaipu, cuja energia movimenta 60% do PIB brasileiro, também
colocar sua energia no trabalho realizado pelos catadores de materiais
recicláveis”, acrescentou Bley.
O desenvolvimento do projeto
teve início a partir de um pedido da
primeira-dama Marisa, quando foi
apresentado ao presidente Lula o
projeto Veículo Elétrico da Itaipu,
em parceria com a Fiat e a suíça
KWO. Um protótipo foi entregue ao
Movimento Nacional de Catadores
de Recicláveis (MNCR) ao final de
2007 pelo próprio Lula. De lá para
cá, já foram produzidos cerca de cem
peças, que estão sendo utilizadas
por cooperativas de catadores da
região de Foz do Iguaçu e também
pelo MNCR em diversas capitais
brasileiras.
Segundo a empresa, agora uma
das preocupações do projeto está
em viabilizar uma linha de crédito
para a aquisição desses carrinhos.
A Fundação Parque Tecnológico Itaipu está prestando assessoria técnica
ao MNCR para a contratação de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
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TN Petróleo 75
85
suplemento especial
Mudança de
paradigma
Contribuições para o debate de um
modelo de produção sustentável
O
João Amato Neto é professor titular do Departamento de Engenharia de
Produção da Poli-USP e
vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Vanzolini. É também
coordenador do núcleo de pesquisa Redes
de Cooperação e Gestão do Conhecimento
(Redecoop) e do Ceai.
Gil Anderi da Silva é professor associado do
Departamento de Engenharia Química da PoliUSP e presidente da Associação Brasileira de
Ciclo de Vida. É também professor no Curso
de Especialização em Administração Industrial
(Ceai) da Fundação Vanzolini.
86
TN Petróleo 75
debate a respeito das práticas sustentáveis nas empresas está
cada vez mais intenso, envolvendo vários agentes sociais.
Percebe-se, no entanto, certa carência de fundamentos científicos e de referenciais mais elaborados na discussão deste tema tão
relevante para a vida das empresas e da sociedade.
Do ponto de vista dos efeitos provocados pela produção indus­trial
no meio ambiente, em particular, há que se destacar con­ceitos muito
relevantes, tais como o da Produção mais Limpa (P+L), Ecoeficiência,
Análise do Ciclo de Vida (ACV), Susten­tabilidade ao Longo da Cadeia de Suprimentos (Green Supply Chain), Logística Reversa, como
elementos fundamentais para a elaboração e execução de um plano
de sustentabilidade nas empresas.
Destacamos, aqui, alguns desses conceitos e suas aplica­ções em
sistemas produtivos. A prática da Produção mais Limpa (P+L) certamente contri­bui de modo significativo para o avanço no caminho
da sustentabi­lidade. Tal prática inicia-se no projeto e desenho dos
produtos e busca direcionar o design para a redução dos impactos
negativos ao ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima até a
disposi­ção final dos produtos. Já em relação aos processos de produção, a P+L orienta para a economia de matéria-prima e energia, a
eli­minação do uso de materiais tóxicos e a redução nas quantidades e
toxicidade dos resíduos e emissões. Em relação aos serviços, direciona seu foco para incorporar as questões ambientais dentro da estrutura e entrega de serviços.
Hoje, no entanto, constata-se que uma mudança de patamar se
faz necessária: a mudança para o patamar do Consumo mais Limpo.
Esse conceito engloba o da P+L e vai além, para a etapa do consumo
dos produtos e serviços, a qual inclui as atividades de distribuição, de
comercialização, do uso propriamente dito e da destinação final dos
produtos.
A carência dessa evolução ficou explícita a partir do entendi­mento
de que todas as atividades antrópicas, potenciais causas de todos os
impactos ambientais, ocorrem visando ao atendimento das necessidades ou dos desejos da sociedade. Considerando que todas as necessidades e todos os desejos da sociedade são aten­didos por produtos e
serviços, conclui-se que a busca pela mini­mização dos impactos am-
Foto: Banco de Imagens Stock.xcng
bientais deve incluir, obrigatoriamente, o percurso
dos produtos a partir de sua produção.
A trajetória dos produtos, desde a extração
dos recursos naturais necessários à sua produção,
passando por todos os elos da cadeia produtiva e
se­guindo pela distribuição, comercialização, uso
e destinação final é denominada de Ciclo de Vida
dos Produtos. Neste contexto, fica claro que uma
das vertentes para a con­secução da sustentabilidade é o Consumo mais Limpo. Para ‘limpar’ o consumo é preciso, inicialmente, identificar todas as
‘sujeiras’ ao longo do ciclo de vida dos produtos e,
a partir desse diagnóstico, estabelecer um programa de minimização de impac­tos abrangendo todas
as fases desse ciclo.
A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma técnica da Gestão Ambiental que avalia, de forma quantificada, os efeitos que um produto provoca no meio
ambiente, ao longo do seu ciclo de vida. Uma característica que diferencia a ACV de outras técnicas da
Gestão Ambiental é a de que ela avalia os impactos
ambientais associados aos produtos e pode também
avaliar os impactos asso­ciados ao atendimento de
necessidades e desejos da sociedade.
Como exemplo, pode-se citar a necessidade de
‘mobilidade dos seres humanos’. Essa necessidade
pode ser suprida de inú­meras maneiras. A título
ilustrativo, apresenta-se um exemplo: deseja-se
saber qual dos combustíveis – gasolina ou álcool
– é mais agressivo ao meio ambiente. À primeira
vista, poder-se-ia pensar em fazer a comparação
a partir dos estudos de ACV de cada um dos dois
produtos; no entanto, do ponto de vista sis­têmico,
a validade maior seria a de comparar os resultados
dos seguintes estudos de ACV:
• Deslocar quatro pessoas por 100 km em um veículo movido a gasolina; e
• Deslocar quatro pessoas por 100 km em um veículo (o mesmo do caso anterior) movido a álcool.
A aplicação de tais conceitos, aliada a uma
decisão estratégica de considerar, além dos
aspectos ambientais (planejamento de ações
de conservação da biodiversidade, proteção da
qualidade dos recursos hídricos, gestão ecologicamente racional dos pro­dutos químicos tóxicos
e dos rejeitos perigosos), os imperativos sociais
(ações contra a pobreza, novas modalidades de
consumo, ações de proteção e fomento à saúde
humana, e ações contra a ex­ploração do trabalho
infantil e escravo, e, por outro lado, medidas a
favor de condições decentes de trabalho) deverão
nortear o fu­turo das empresas e organizações de
sucesso no futuro próximo.
Trata-se, de fato, de uma ruptura de paradigma de produção e de consumo e de um processo
permanente de aprendizagem, no qual todos os
agentes sociais públicos e privados deverão estar
conscientes e mobilizados.
TN Petróleo 75
87
suplemento especial
Gestão do investimento social
privado no setor petrolífero
Este trabalho apresenta uma avaliação dos processos de seleção
e monitoramento da carteira de projetos de Responsabilidade
Social de uma empresa do setor petrolífero, com o objetivo geral
de fornecer subsídios para o direcionamento, monitoramento e
gestão dos investimentos sociais de um setor da empresa em suas
unidades de negócio
E
ste diagnóstico, realizado pelo Grupo de Aplicação Interdisciplinar
à Aprendizagem (Gaia) entre janeiro e agosto de 2008, com base nas
entrevistas realizadas, documentação entregue, visitas realizadas aos
projetos e conhecimento técnico da equipe, demonstra que a questão da
responsabilidade social corporativa (ou empresarial) vem sendo abordada
com crescente interesse e profissionalismo.
A avaliação dos processos de seleção e monitoramento da carteira de
projetos de responsabilidade social da empresa compreendeu as seguintes
ações:
Roberto Dertoni é administrador, coordenador de
projetos do Gaia (Grupo
de Aplicação Interdisciplinar à Aprendizagem).
Lucilene Danciguer é
mestre, antropóloga, gerente de projetos do Gaia.
Edison Durval Ramos de
Carvalho é PHD, geólogo,
gerente geral do Gaia.
88
TN Petróleo 75
1. análise da carteira de projetos de responsabilidade social;
2. programação e agendamento prévio de visitas a todas as unidades de
negócios;
3. entrevistas com funcionários sobre a percepção e o entendimento de
cada unidade quanto às iniciativas e ações de responsabilidade social
da unidade e a integração destas à gestão do negócio;
4. entrevistas com o gestor de cada projeto para análise de suas características, realizações e desafios;
5. avaliação da adequação do trabalho atual das UNs ao processo padrão
estabelecido;
6. validação da carteira de projetos de responsabilidade social da unidade
aos filtros e critérios de seleção estabelecidos;
7. identificação das melhores práticas que possam ser replicadas para todos
os projetos e das oportunidades de melhoria;
8. avaliação comparativa das práticas de gestão adotadas e os critérios
estabelecidos na sistemática de investimentos sociais;
9. consolidação estatística dos dados coletados, gerando informações importantes para análise e discussão gerencial do processo.
A carteira de projetos de responsabilidade social do setor da empresa foi
definida por meio da análise de todos os patrocínios nessa área e seleção de
Este trabalho técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2010, realizada no período de 13 a 16 de setembro de 2010, no Rio de Janeiro. Foi selecionado para apresentação pelo
Comitê Técnico do evento, segundo as informações contidas na sinopse submetida pelo(s) autor(es).
Outras temáticas
(educação ambiental e
desenvolvimento comunitário)
Outras temáticas
(educação ambiental e
desenvolvimento comunitário)
Geração de renda
18%
Geração de renda
8%
9%
24%
38%
Qualificação
profissional
49%
Direitos da criança
e do adolescente
1%
Direitos da criança
e do adolescente
53%
Qualificação
profissional
Figura 1. Número de projetos da carteira de Responsabilidade Social por eixo
temático – 2007.
Figura 2. Investimento Social da carteira de projetos de Responsabilidade
Social por eixo temático – 2007.
projetos geridos por terceiros ou de programas próprios
estabelecidos pelo setor da empresa. Esta carteira tem
caráter de investimento proativo para atender às demandas percebidas ou recebidas de comunidades vizinhas
aos seus empreendimentos.
Os projetos foram analisados segundo a origem da
gestão (empresa ou terceirizada) e a região onde foram
implementados (Sul/Sudeste e Norte/Nordeste). As principais diretrizes consideradas para a análise basearam-se
na missão da empresa, no conceito de Responsabilidade
Social e no cumprimento do objetivo estratégico do Balanced Scorecard do Downstream. A identificação dos
projetos benchmark baseou-se na definição dos princípios de projeto social estruturante, ou seja, em projetos
que têm como premissa garantir a transformação social
necessária ao desenvolvimento sustentável.
(53%); 38% foram alocados para direitos da criança e do
adolescente, 1,5% para geração de renda e 7,5% para
outras temáticas (educação ambiental e desenvolvimento comunitário, Figura 2). As diferenças nos valores
investidos por unidade de negócios refletem o porte da
Unidade, a complexidade da relação com a comunidade
e a fase do empreendimento.
Investimentos e necessidades dos municípios – Para
alinhar o direcionamento dos investimentos, foi utilizado o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal
(IFDM) para os municípios da área de abrangência
das unidades. O IFDM varia de 0 a 1, sendo 1 o maior
nível de desenvolvimento da localidade. Sua principal
vantagem é ser um índice com atualização anual com
base em dados dos ministérios e outros órgãos oficiais.
Foi sugerido que sejam priorizados os municípios com
os menores IFDM e com demandas críticas, considerando as necessidades básicas e qualidade de vida das
comunidades. Os investimentos devem concentrar-se
nos municípios com índices gerais e específicos, abaixo
da média nacional, e com alto grau de dependência
econômica das unidades ou que não gozem de nenhum
benefício fiscal. A ordem de priorização proposta deve
ser refinada com dados específicos das localidades no
entorno das unidades, uma vez que o índice não reflete
as diferenças locais.
Eixo temático e público beneficiário – O principal eixo
temático dos projetos é o de garantia dos direitos da
criança e do adolescente (54% dos projetos gerenciados
pela empresa e 52% dos projetos gerenciados por terceiros). O percentual de projetos em geração de renda é
bem menor (4% dos projetos gerenciados pela empresa
e 24% dos projetos gerenciados por terceiros). Quando
consideramos as regiões do Brasil, a maior parte dos
projetos financiados também pertence ao eixo temático
Avaliação da carteira de projetos
Características do investimento social – A carteira é
formada por 52 projetos distribuídos nas Unidades de
Negócio. Destes, considerados na primeira fase, sete
não se enquadravam na carteira ou foram cancelados
e/ou encerrados, totalizando 45 projetos avaliados.
A sistemática do investimento social da empresa e o Programa Desenvolvimento & Cidadania definem três eixos
temáticos de atuação: Geração de Renda e Oportunidade
de Trabalho; Educação para a Qualificação Profissional;
e Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente. De
acordo com estes três eixos, existem quatro projetos de
Geração de Renda, 11 de Qualificação Profissional, 22
de Direitos da Criança e do Adolescente, além de oito
projetos de outras temáticas como educação ambiental
e desenvolvimento comunitário (Figura 1). Os projetos
do eixo temático de qualificação profissional receberam
pouco mais da metade do investimento social de 2007
TN Petróleo 75
89
suplemento especial
Figura 3. Resultados e impactos sociais – múltiplas respostas (%).
de garantia dos direitos da criança e do adolescente (57%
dos projetos atendidos na região Sul/Sudeste e 47% na
região Norte/Nordeste).
Considerando os públicos beneficiários (Comunidade
Escolar, Funcionários, Líderes Comunitários, Mulheres,
Portadores de Deficiência, População em Geral, Outros),
a maioria dos projetos contempla a Comunidade Escolar
(crianças e adolescentes), independentemente da origem
da gestão ou região do Brasil onde foram implantados
(Comunidade Escolar aparece como beneficiária de 62%
dos projetos com gerenciamento de terceiros, 46% dos
projetos com gerenciamento da empresa, 50% dos projetos do Sul/Sudeste e 60% dos projetos da região Norte/
Nordeste). O segundo segmento mais atendido varia de
acordo com o ponto de vista da observação. As Mulheres
aparecem como beneficiárias de 24% dos projetos com
gerenciamento de terceiros e a População em Geral como
beneficiária de 25% dos projetos com gerenciamento da
empresa. Já sob a ótica da divisão regional, a População em
Geral é beneficiária de 30% dos projetos do Sul/Sudeste;
não há predominância significativa de nenhum segmento
específico na região Norte/Nordeste.
As características e demandas identificadas por meio
do índice IFDM nos municípios, bem como a avaliação
do Sísmico 2006, indicam que um aumento no investimento em projetos de geração de renda contemplaria de
forma mais abrangente as necessidades de alguns municípios, proporcionando uma contribuição mais efetiva
ao desenvolvimento local. A importância dos projetos
que atendem crianças e adolescentes é indiscutível;
no entanto, é essencial ter uma visão geral do papel do
projeto e do público-alvo para a implementação de um
projeto estruturante. É desejável que o projeto apresente
90
TN Petróleo 75
características estruturantes, ou que seja parte de um
mais amplo que as tenha. Um fator limitante para isso
é que por vezes os atores sociais envolvidos não têm a
formação necessária para implementar projetos desta
abrangência. A realização de capacitações da comunidade para organização social e elaboração de projetos
estruturantes seria uma grande contribuição da empresa
para o desenvolvimento local sustentável.
Satisfação em relação ao valor patrocinado – O valor
patrocinado pela empresa é considerado suficiente para
79% dos projetos com gerenciamento da empresa e para
71% dos projetos com gerenciamento de terceiros; o mesmo ocorre para 80% dos projetos localizados na região
Sul/Sudeste e para 67% dos localizados na região Norte/
Nordeste. A satisfação em relação ao valor patrocinado é
um ponto positivo, pois evita que uma suposta falta de
recursos seja utilizada como justificativa pelos executores
dos projetos sociais para o não atendimento dos objetivos
propostos. Há um equilíbrio entre projetos próprios e patrocinados, sendo que 53% dos projetos são próprios.
O valor patrocinado é considerado suficiente para a
maioria dos projetos.
Estabelecimento de outras parcerias – De modo geral,
os projetos têm um ou dois parceiros, responsáveis por
complementarem os recursos financeiros ou disponibilizarem infraestrutura. Todavia, pelo menos 30% dos
projetos dependem dos recursos da empresa para sua
sobrevivência no atual formato. Vários projetos indicaram a intenção de buscar novos parceiros (60% dos
projetos da região Norte/Nordeste e 33% da região Sul/
Sudeste); no entanto, é importante que se estabeleça, no
projeto inicial, o compromisso com metas concretas para
a efetivação de parcerias complementares, essenciais
para a sustentabilidade do projeto e para a redução da
dependência em relação à empresa.
Resultados alcançados e impactos sociais – Com relação
aos resultados alcançados e impactos sociais dos projetos, foram avaliados oito aspectos: 1. Aprendizagem e
Desenvolvimento Escolar; 2. Empregabilidade e Desenvolvimento Profissional; 3. Relacionamento Interpessoal;
4. Autoestima; 5. Inclusão Social; 6. Maiores cuidados
com Saúde; 7. Geração de Emprego e Renda; e 8. Valorização do Meio Ambiente.
O aspecto Aprendizagem e Desenvolvimento Escolar
foi o resultado mais citado (67% dos projetos), independentemente da região do Brasil onde foram implementados e
da origem da gestão. Outros resultados muito apontados
foram Empregabilidade e Desenvolvimento Profissional,
Relacionamento Interpessoal e Autoestima (Figura 3).
Para os projetos com gestão da empresa, o item Empregabilidade e Desenvolvimento Profissional foi destacado
por 54% do total. No caso daqueles geridos por terceiros,
esse item foi citado como resultado por 43% dos projetos. Na
região Sul/Sudeste, Empregabilidade e Desenvolvimento
Profissional foi apontado como resultado por 53% dos projetos;
já na região Norte/Nordeste, esse número foi de 40%.
Relacionamento Interpessoal teve destaque nos projetos com gestão de terceiros (48%), contra 38% nos
projetos com gestão da empresa, e Autoestima, nos da
região Norte/Nordeste (47%) e na região Sul/Sudeste
(27%). A Valorização do Meio Ambiente está entre os
resultados com menor destaque, independentemente
da região do Brasil e da origem da gestão (empresa ou
terceiros). Isso é reflexo dos poucos projetos com essa
temática na atual carteira da empresa.
Com relação à análise das metas por região, 33% dos
projetos da região Norte/Nordeste alcançaram entre 90 e
100% de suas metas e 27% as superaram. Na região Sul/
Sudeste, 57% alcançaram entre 90 e 100% das suas metas
e 23% as superaram. Analisando as metas segundo a
gestão, 67% dos projetos com gerenciamento da empresa
que responderam a essa questão alcançaram entre 90 e
100% de suas respectivas metas e 8% as superaram.
Dos projetos com gerenciamento de terceiros, 29%
alcançaram entre 90 e 100% de suas metas e 43% as
superaram. Estas diferenças observadas nas metas alcançadas indicam que, com exceção de projetos de interesse estratégico da empresa incorporados na sua cadeia
produtiva, a eficiência na gestão dos projetos parece ser
maior quando realizada por terceiros. Isso se deve ao
fato de os gestores estarem inseridos na problemática
com maior disponibilidade de tempo para os projetos,
além de maior empenho no alcance do público-alvo e
capilaridade por parte de instituições do terceiro setor
que têm um histórico de relacionamento com as comunidades (ver item abaixo).
Dificuldades – Em relação às dificuldades de operação
(Falta de apoio do Poder Público, Alcance do públicoalvo, Falta de infraestrutura e de recursos financeiros,
Grande demanda, Burocracia, Falta de recursos financeiros, Relações familiares, Gestão, Não há), a principal
dificuldade apontada para os projetos gerenciados pela
empresa foi o Alcance do público-alvo, e a dos projetos
gerenciados por terceiros foi a Falta de infraestrutura e de
recursos financeiros (Figura 4). Os projetos gerenciados
pela empresa têm maior dificuldade de mobilização do
público-alvo.
O Alcance do público-alvo é uma etapa crítica em projetos de responsabilidade social e requer estratégias
contínuas de comunicação e relacionamento. A Falta de
apoio do Poder Público, mais mencionada nos projetos
gerenciados pela empresa, indica a dificuldade de capilaridade nos projetos, focados quase exclusivamente
nos público-alvo diretos. Ambas as questões evidenciam
necessidade de maior atenção por parte do gestor da
empresa nas relações com o público-alvo e com os organismos públicos locais.
Tempo de financiamento por projeto
A carteira tem uma parcela significativa de projetos
próprios ou patrocinados por longo período. A maioria
dos projetos tem recebido financiamento há no mínimo
Figura 4. Dificuldades de operação – múltiplas respostas (%).
quatro anos (75% do total), e mais de 20% recebe patrocínio há mais de 10 anos (Figura 5). Esse padrão é
semelhante para as duas regiões analisadas. A empresa
estabeleceu, na Sistemática para Projetos Sociais, que
o investimento em cada projeto deve ser de até dois
anos, podendo ser renovado uma única vez. No entanto,
consideramos que essa diretriz deve ser flexibilizada
para projetos estratégicos para o negócio da empresa,
bem como para projetos estruturantes que apresentem
excelência de resultados. Para incentivar a busca de
sustentabilidade do projeto pelas comunidades, pode
ser estipulada uma redução gradual do investimento
ao longo do tempo.
Influência em políticas públicas – Uma parcela significativa dos projetos (31%) já se transformou ou influenciou
políticas públicas. Este resultado é muito positivo, dada
a sua importância para a sustentabilidade dos projetos
e a dificuldade para que isso aconteça, indicando que
apresenta características de um projeto estruturante.
Sete dos 24 projetos com gerenciamento da empresa,
e sete dos 21 projetos com gerenciamento de terceiros,
influenciaram políticas públicas. Esses correspondem
a 40% dos projetos da região Norte/Nordeste e 27% da
região Sul/Sudeste.
Premiações – O reconhecimento externo (premiações),
valorizando o investimento da empresa, também é
significativo. Dos oito projetos com gerenciamento da
empresa que participaram de algum tipo de concurso,
seis receberam prêmios; o mesmo ocorreu com seis dos
sete projetos gerenciados por terceiros. Em termos da
carteira, 28% dos projetos receberam prêmios. Além da
visibilidade, os prêmios fortalecem a autoestima dos
envolvidos e renovam os ânimos da equipe.
Benchmark e boas práticas – Foi identificado um projeto
de benchmark em cada eixo temático (Educação para
Qualificação Profissional e Geração de Renda e OportuTN Petróleo 75
91
suplemento especial
Figura 5. Número de projetos por período de financiamento.
nidade de Trabalho; Garantia dos Direitos da Criança e
do Adolescente; Educação Ambiental; Desenvolvimento
Comunitário), e foram apontadas as adequações necessárias para os demais projetos da carteira.
Avaliação do Processo da Gestão de Projetos
de Responsabilidade Social
O processo atual da gestão dos projetos não está em
linha com as diretrizes constantes do padrão de Seleção e
Monitoramento dos Projetos Socioambientais da empresa.
Apenas uma Unidade de Negócio implantou integralmente as diretrizes do padrão da empresa, enquanto dez
unidades implantaram-nas parcialmente. Nas diferentes
unidades, o levantamento das demandas é recebido por
meio das partes interessadas (Conselhos Comunitários,
de Indústrias, órgãos públicos), ou da própria empresa.
Atualmente, não existe modelo definido para apresentação de uma solicitação de patrocínio.
A análise aborda o escopo do projeto, o público a
ser atendido e o valor do investimento, não existindo
critérios de comparação e/ou priorização entre os diversos patrocínios solicitados e avaliação da capacidade de
gestão da entidade interessada. A seleção é realizada
pela Liderança das Unidades de Negócio, mas poucas
unidades implementaram o Comitê de Responsabili-
92
TN Petróleo 75
dade Social. Observou-se que
muitos projetos novos não foram
cadastrados e projetos que deixaram de receber investimento
não saíram do cadastro, motivo
pelo qual a carteira de projetos
não está atualizada.
Os principais indicadores utilizados são: número de participantes, cronograma planejado versus
realizado, desempenho escolar,
avaliações de comportamento.
A etapa de conclusão do projeto
e emissão de relatório é realizada
por todas as unidades; entretanto, falta ainda uma análise que
possa servir de base para futuros
patrocínios em projetos com características semelhantes
aos encerrados.
Os investimentos estão concentrados em Educação
e Qualificação Profissional, tanto em termos de volume
de recursos e número de projetos, como em público
atendido. Os resultados alcançados na transformação
da vida dos participantes apontam para o desenvolvimento humano, gerando capital humano, o que não se
observa em termos de capital social. Será necessário
ampliar a carteira, inserindo os eixos Desenvolvimento
Comunitário e Educação Ambiental, para promover a
formação de lideranças, instituições e redes de colaboração, além do fomento de processos de concertação local
e regional. É necessária a construção do IDS (Índice de
Desenvolvimento Social Sustentável), para alimentar os
indicadores corporativos. Os projetos que têm relação
direta com os interesses do negócio devem ser gerenciados pela empresa; os demais devem migrar para uma
gestão terceirizada, que têm obtido melhores índices de
cumprimento de metas. São sugeridas algumas ações
para alinhar as práticas adotadas na gestão dos projetos
de Responsabilidade Social às diretrizes constantes no
documento da empresa que versam sobre seleção e monitoramento de projetos socioambientais e à Sistemática
para Investimentos Sociais.
Fotos: Banco de Imagens Stock.xcng
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A comunicação e a informação são poderosas aliadas
do ambiente corporativo, principalmente quando este
passa por mudanças profundas como nos dias de hoje.
O momento é de muita reflexão e as decisões precisam
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TN Petróleo 69
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TN Petróleo 75
93
pessoas
Carlos Fadigas vai ocupar lugar
de Gradin na Braskem em 2011
Bernardo Gradin, atual presidente da petroquímica, passará
o cargo a Carlos Fadigas, responsável atualmente pelo braço
da companhia nos Estados Unidos, a Braskem America.
A nomeação de Fadigas será
submetida ao conselho de administração, em 2011. A companhia afirma
que a mudança segue um “permanente aprimoramento da governança
da Braskem, sempre com transparência e respeito aos stakeholders
(acionistas)”.
No texto colocado na página
eletrônica da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), a Braskem também
destaca algumas conquistas obtidas durante a gestão de Gradin. “A
Braskem concluiu sua estratégia de
consolidação do mercado brasileiro, estabeleceu relevante presença
internacional e liderança global em
biopolímeros, com destaque para as
aquisições de Quattor e dos negócios
de polipropileno da americana Sunoco
Chemicals”.
A empresa também coloca em
relevo os avanços no projeto desenvolvido no México e a inauguração da
unidade de plástico verde – produzido
a partir do etanol de cana-de-açúcar –
em setembro de 2010.
Sobre Carlos José Fadigas – Carlos
José Fadigas de Souza Filho nasceu
em Salvador, Bahia. É graduado em
Administração de Empresas pela
Universidade Estadual Unifacs e em
Master in Business Administration
ABB muda
diretoria para
dar conta do
crescimento da
demanda no Brasil
pelo Institute for Mangement Development (IMD) na Suíça.
Após trabalhar dois anos no Citibank,
juntou-se ao Grupo Odebrecht em 1992.
Foi responsável pela área de planejamento estratégico da OPP/Trikem, hoje
Braskem S/A, e em 1999 foi apontado
Corporate Controller da OPP/Trikem.
Iniciou suas atividades na Construtora Norberto Odebrecht (CNO) em
2002, como gerente financeiro e, em
agosto de 2004, foi nomeado o diretor
financeiro da CNO. Em janeiro de
2007, passou a ocupar o cargo de vice-presidente de Finanças e Relações
com Investidores na Braskem S/A
até se tornar presidente da Braskem
America, em 2010.
A ABB, grupo líder em tecnologias de
potência e de automação, promoveu
alterações em sua diretoria no final
de 2009. Desde 1º de dezembro de
2010, Marisa Cesar assumiu a direção
da área de Comunicação Corporativa
e de Marketing da ABB no Brasil e na
América do Sul.
Marisa Cesar está substituindo
Carlos Roberto Hohl, que assumiu
a diretoria de Desenvolvimento de
Negócios da ABB no Brasil. Américo
Nunes deixa a diretoria de Negócios
e assume a Divisão de Produtos de
Potência da empresa.
Marisa é formada em Relações Públicas pela Faculdade de Comunicação
Social Cásper Líbero, e pós-graduada
em Marketing pela Escola Superior de
Propaganda e Marketing. Desde 1998,
quando ingressou na ABB, exerceu
várias funções nas áreas de comunicação e marketing.
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TN Petróleo 75
Aben divulga nova diretoria para o biênio 2010-2012
No início de dezembro do ano passado tomou posse o novo presidente da Associação
Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Edson Kuramoto, juntamente com a diretoria
eleita para o biênio 2010-2012.
Kuramoto é engenheiro nuclear,
com mestrado pela Coppe/UFRJ, e especialista em análise de acidentes em
usinas nucleares – foi presidente da Aben
no biênio 2004-2006. Em sua opinião,
o setor nuclear vive um bom momento,
principalmente, devido à retomada de Angra 3 e de outros empreendimentos que
estavam praticamente parados, como a
construção do protótipo do reator do submarino nuclear da Marinha, a expansão
das instalações de enriquecimento de
urânio, em Resende (RJ), e o projeto do
Reator Multipropósito Brasileiro. Além
disso, há a perspectiva da construção
de, no mínimo, quatro usinas, de acordo
com o PNE 2030.
Mas ele afirma que é preciso garantir
recursos para que esses projetos sejam
concretizados e não sofram atrasos. “É
essencial que haja um planejamento de
longo prazo para a área nuclear que seja
cumprido, de forma que a indústria possa
se planejar e se qualificar para atender
às necessidades do setor”, frisa.
O dirigente acrescenta que os técnicos do setor precisam ser ouvidos na
reestruturação do Programa Nuclear
Brasileiro (PNB), trabalho esse que está
sendo coordenado por uma comissão
interministerial formada pelo governo
Presidente – Edson Kuramoto
Primeiro Vice – Margarida Mizue Hamada
Segundo Vice – Olga Cortes Rabelo Leão
Simbalista
Tesoureiro – Roberto Cardoso de Andrade
Travassos
Primeiro secretário – Paulo Roberto de Souza
Segundo secretário – Rogério Arcuri Filho
Vogais – Guilherme D´avila Mello Camargo;
João da Silva Gonçalves; Régia Ruth Ramirez
Guimarães e Marycel Figols de Barbosa
Conselho Fiscal – Jair de Lima Bezerra;
Ronaldo Barata de Andrade; Graciete Simões
de Andrade e Silva; Noriyuki Koishi; Maria de
Lourdes Moreira; Francisco Rondinelli Júnior; Ivan Pedro Salati de Almeida e
Lourença Francisca da Silva
federal. “A Aben, como representante
dos profissionais da área nuclear, tem
muito a contribuir para esse processo,
que definirá o futuro da energia nuclear
no Brasil”, comenta.
Outra prioridade precisa ser a reposição dos profissionais do setor, cuja
média de idade é alta, sendo superior a
50 anos. Nos últimos anos, as empresas
e instituições da área nuclear têm promovido concursos públicos, mas isso ainda
é pouco, segundo o novo presidente da
Aben. “É preciso que haja uma política de
Estado de recursos humanos que garanta
o desenvolvimento contínuo da tecnologia
nuclear no país”, frisa Kuramoto.
Durante a cerimônia de posse, no
Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro,
Kuramoto indicou que a Aben pretende
abrir outras secretarias no Nordeste,
tendo em vista a construção de novas
usinas na região. “Muito provavelmente
iremos abrir secretarias no Nordeste
para promover cada vez mais uma maior
integração entre a comunidade nuclear
e a sociedade brasileira, principalmente
nessa região que terá novas usinas nos
próximos anos”, aponta.
Raul Munhoz Neto na presidência da Copel
O executivo Raul Munhoz Neto,
atual diretor de Geração e Transmissão de Energia e de Telecomunicações da Copel (Companhia
Paranaense de Energia), responderá
interinamente pela presidência da
companhia. Ele assume o posto no
lugar de Ronald Thadeu Ravedutti,
que faleceu no final de novembro de
2010, após sofrer um acidente de
carro.
Munhoz Neto nasceu em 1943 e
é graduado em engenharia mecânica
pela Universidade Federal do Para-
ná. Ingressou na Copel em 1982 e
atuou em diversas áreas e funções.
Em 1994, assumiu a diretoria de
engenharia e construção.
José Danilo Tavares ocupará a
vaga de Munhoz Neto na diretoria
que lhe cabia. Ambos foram eleitos
para completar o mandato até 2011.
Tavares ingressou na Copel em
1978 e trabalhou em diversas áreas
e funções. Desde 2006 atuou como
assistente da diretoria de Geração e
Transmissão de Energia e de Telecomunicações.
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pessoas
Instituto Ethos elege nova diretoria
O Conselho Deliberativo do Instituto Ethos e do Uniethos, em reunião ordinária ocorrida em
novembro de 2010, elegeu a nova diretoria das duas entidades para o biênio 2011-2012.
Jorge Luís Numa Abrahão foi
eleito para diretor-presidente executivo. Engenheiro
e empresário,
Abrahão sempre
participou ativamente de movimentos em prol
da cidadania.
Como empresário, foi membro
da coordenação
nacional do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), da
Associação Brasileira de Empresários
pela Cidadania (Cives) e do Conselho
de Segurança Alimentar e Nutricional
(Consea) da Presidência da República. Foi também coordenador do Fórum
Empresarial de Apoio à Cidade de São
Paulo. É integrante do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial (FSM).
Fez parte do núcleo fundador do Instituto
Ethos, com presença ativa na entidade,
como membro do Conselho Deliberativo. Também participou da fundação
do Uniethos.
Paulo Augusto
de Oliveira Itacarambi é, de novo,
o vice-presidente executivo do
Ethos. Como Jorge Abrahão, Itacarambi é engenheiro e
empresário. Veio para o Instituto Ethos
em 1999, ocupando a coordenação executiva da entidade. Em 2007, foi eleito
vice-presidente. Mestre em Administração Pública, também é especialista
em planejamento estratégico e coaching
organizacional. Atuou como professor
na Universidade Federal de São Carlos (SP); foi presidente do Conselho
de Administração e diretor-presidente
da empresa pública Anhembi Turismo
e Eventos da cidade de São Paulo. É
fundador e conselheiro do Instituto
Polis/Instituto de
Estudos, Formação
e Assessoria em
Políticas Sociais,
e também membro
do Conselho Brasileiro da Construção
Sustentável (CBCS).
Com esta mudança na gestão, Oded
Grajew, eleito em 2008 presidenteemérito do Instituto Ethos, volta ao
Conselho Deliberativo, que é presidido
por Sérgio Mindlin.
Abieps conta com novos conselheiros
A Associação Brasileira da
Indústria de Equipamentos para Postos de Serviços (Abieps) elegeu em
dezembro de 2010 os oito representantes que farão parte do Conselho
Diretor nos próximos dois anos.
“Para 2011, estamos preparando
vários projetos
para o setor.
Assim, os novos
escolhidos terão
muito trabalho
pela frente”,
afirma Volnei
Pereira, presidente da entidade.
Pereira também divulgou durante
a Assembleia Geral, realizada pouco
antes da eleição, o balanço das atividades de 2010 e os planos para
o próximo período.
Os conselheiros que assumirão o mandato durante o biênio de
2011-2012 são: Anibal Alves Bastos
96
TN Petróleo 75
Neto (Telemed); Laércio Lopes (Nupi
Brasil); Marcello Cyrino (Microsffer
Informática); Maurício Prado Alves
(Servmar); Ricardo Mitaini (Gilbarco
Veeder Root); Roseli Doreto (Geo
Brasil Soluções); Vittorio Arturo
Leone (Leone Equipamentos) e Volnei
Pereira (Arxo).
O Conselho Diretor
da Abieps é formado por
14 membros e renovado
alternadamente na proporção de oito membros
e seis a cada ano. Os
conselheiros têm como
papel criar propostas e
projetos de trabalho, bem
como definir diretrizes da
entidade.
Entre as atribuições
dos conselheiros estão
sugerir aperfeiçoamentos,
complementos e mudanças
do estatuto da entidade,
aprovar a entrada de novos associados, formar comissões especiais de
trabalho, aprovar o plano diretivo e
planejamento financeiro do ano subsequente do diretor presidente
e/ou pelo diretor financeiro, discutir
e aprovar a previsão orçamentária,
entre outros.
Julio Cesar da Silva Costa (CEF); Maria Fernanda Romero e Rodrigo Miguez (Revista TN Petróleo), Renan Magalhães (Correio Popular); Samantha Lima e
Pedro Soares (Folha de São Paulo); Claudia Siqueira (Brasil Energia) e Eloi Fenández y Fernández (Onip).
TN Petróleo no Prêmio Onip de Jornalismo
Pela quarta vez, a TN Petróleo é premiada no Prêmio Onip de Jornalismo. Na 9ª edição, realizada em dezembro do ano passado, a TN recebeu Menção Honrosa na categoria Revista. O prêmio distingue as melhores reportagens sobre o setor de petróleo e
gás natural, publicadas em jornais e revistas de circulação nacional.
Instituído em 2001, o Prêmio Onip
de Jornalismo é uma iniciativa da
Organização Nacional da Indústria
do Petróleo (Onip) que conta com a
coordenação da Print Comunicação
e apoio do Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Município do Rio de
Janeiro e da Federação Nacional dos
Jornalistas.
Nesta edição, as matérias inscritas abordaram a indústria petrolífera,
abrangendo as atividades de exploração, produção, refino, transporte, distribuição, tecnologia, meio ambiente
e as indústrias de bens e serviços.
Foram feitas 47 inscrições, nas
categorias jornal e revista, das quais
cinco, de cada categoria, selecionadas. A Caixa Econômica Federal
(CEF) patrocinou o evento de entrega
do prêmio. O júri foi composto por
Eliane Velloso, assessora de imprensa especializada na área energética;
Renato Cordeiro, gerente do setor
de Óleo e Gás do UK Trade & Investment (UKTI) no Brasil (especialista
em energia do Consulado Britânico,
no Rio de Janeiro); Fátima Belchior,
editora da Print Comunicação Empresarial; e Alfredo Renault, superintendente da Onip. A cerimônia de
premiação foi realizada na sede da
Federação das Indústrias do Estado
do Rio (Firjan).
A TN Petróleo recebeu a menção
honrosa com a matéria “Nas águas
da tecnologia”, dos jornalistas Beatriz Cardoso, Maria Fernanda Romero
e Rodrigo Miguez. Esta é a quarta
vez que a revista foi premiada, entretanto desde que participa sempre
fica dentre as finalistas.
Em 2003 e 2004, a TN ganhou
o prêmio com as seguintes matérias:
“O ativo-rei da Bacia de Campos
Marlim” e “Petrobras Argentina –
a via da expansão”, ambas da jornalista Beatriz Cardoso. Em 2007,
menção honrosa, com a matéria
“Uma indústria com a cara do Brasil”,
de Cassiano Viana.
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TN Petróleo 75
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produtos e serviços
General Eletric
Foto: Cortesia GE
GE investirá US$ 500
milhões no Brasil
A GE anunciou no início de novembro
que irá investir US$ 500 milhões na
expansão de suas operações no Brasil.
Deste montante, o principal
investimento da companhia será o novo
Centro de Pesquisas Global, o quinto
da empresa no
mundo, que ficará
localizado na Ilha
de Bom Jesus, na
Ilha do Fundão,
dentro do Parque
Tecnológico da
Universidade
Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ).
Com investimentos de US$ 100 milhões, o Centro de Pesquisas terá como
foco o desenvolvimento de tecnologias
avançadas para as indústrias de óleo e
gás, energias renováveis, mineração,
transporte ferroviário e aviação.
A construção do complexo, no qual irão
trabalhar cerca de 300 pesquisadores
e engenheiros, deve começar em 2011
e a previsão é que as obras estejam
concluídas no fim de 2012.
“Escolhemos o Rio de Janeiro
por concentrar muitas qualidades
como facilidades de acesso, logística,
98
TN Petróleo 75
proximidade com nossos clientes e
com as universidades”, afirmou João
Geraldo Ferreira, presidente e CEO
da GE Brasil, que lembrou que cidades
como Belo Horizonte, Campinas e São
José dos Campos também estavam na
disputa pelo empreendimento.
Durante a entrevista coletiva, os
representantes da prefeitura do Rio de
Janeiro disseram que um dos incentivos à empresa foi a redução do ISS
para Pesquisa e Desenvolvimento
(P&D) de 5% para 2%. Além disso, o
terreno no qual a GE irá se instalar
foi adquirido pelo governo municipal
que então fez a cessão do espaço pelo
período de 50 anos.
Ademais, a empresa irá investir
outros US$ 400 milhões nos próximos
três anos e neste valor está incluído um
aporte de US$ 200 milhões no aumento
da capacidade de fábricas e desenvolvimento de novos produtos para os
negócios de Energia, Óleo e Gás.
Juntamente com o Centro de Pesquisas Global, a GE irá construir um Centro
de Qualificação, com custo de US$ 50
milhões, com foco em treinamento
e desenvolvimento dos funcionários.
Durante a cerimônia, a empresa
assinou acordos de cooperação com
órgãos do governo, universidades e
companhias brasileiras. A Vale e a GE
firmaram um termo de cooperação técnica focada em projetos de armazenamento, geração e distribuição de energia. Com o acordo, as duas empresas
poderão compartilhar conhecimentos
e experiências e trabalhar em conjunto
para compartilhar informações sobre
as atividades do Centro de Pesquisas
Global, e assim auxiliar no desenvolvimento de tecnologias e cooperar na
identificação de áreas de P&D.
“Essa parceria é essencial para desenvolvermos tecnologias e soluções que
possibilitem a produção sustentável de
energia, sobretudo para empresas como
a Vale que demandam um consumo elevadíssimo desse insumo importante para
o desenvolvimento da empresa e do setor
de mineração”, afirmou o diretor do Instituto Tecnológico da Vale, Luiz Mello.
No que se refere às universidades,
a GE firmou acordos voltados para
pesquisa e desenvolvimento de soluções
tecnológicas, com a UFRJ e o Instituto
de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo
(IPT). A empresa também irá trocar conhecimento em um termo assinado com
o Ministério de Ciência e Tecnologia.
Sudeste Pré-Fabricados
Mais rápido e sem geração de resíduos, o sistema poupa
recursos financeiros e evita descartes de materiais inertes.
O uso de processos industrializados
na construção civil, como os pré-moldados
e paredes duplas, vem trazendo progressos na execução de cada uma das etapas
da obra e também nas questões que envolvem o desenvolvimento sustentável.
O retorno mais rápido sobre o investimento, pela agilidade na entrega,
é apenas um dos atrativos a gerar economia. Outro fator inerente à difusão
do processo tem sido o ganho quanto à
utilização racional de recursos, inclusive
de mão de obra, um gargalo em tempos
de aquecimento do setor. A customização
de fábrica e o uso planejado de materiais
completam as vantagens, que enxugam
o canteiro de obras, ao evitar incorreções
e desperdícios comumente associados ao
sistema tradicional de alvenaria.
Sem a necessidade de pilares e vigas
para sustentação e sem seguir medidas
modulares no sistema industrializado,
as paredes ou lajes são produzidas de
acordo com o projeto e com as facilidades
de montagem. Estima-se que tais características representem até 30% mais de
agilidade no cumprimento de contratos
do que a construção convencional.
Segundo o engenheiro e diretor da
Sudeste Pré-Fabricados, Fabio Casagrande, a precisão
do projeto e a nãogeração de resíduo
já valeriam o investimento em produtos sustentáveis. “O
sistema artesanal
de construção é um
agente de degradação do meio ambiente, dado o volume de
descarte de materiais inertes que produz.
Na construção industrial, além de não
haver geração de resíduo, ainda é possível
aproveitar materiais como borracha reciclada na hora de construir”, afirma.
Para o engenheiro, a conscientização
tem sido um dos pontos chaves na hora de
optar pelo sistema de pré-fabricados e de
Foto: Cortesia Sudeste
Construção industrializada aposenta canteiro de obras
paredes duplas. “Outro fator de atração é
a economia e a organização no canteiro
de obras, sem desperdício de material
ou compras inexatas. O sistema industrializado é poupador de mão de obra e a
qualidade pode ser rastreada, como se a
parede ou laje tivesse um código de barras”, salienta o engenheiro referindo-se
ao controle de fábrica da produção.
Aker Solutions
Aker Solutions inaugura simulador de perfuração no Brasil
tecnologia e performance fornece um modelo
matematicamente correto da sonda, que se
comunica com o sistema de controle.
Com simuladores instalados em Houston
(EUA), Cingapura, e outras duas cidades da
Noruega, o chairman
da Aker Solutions,
Øyvind Eriksen, explicou que o principal
foco do equipamento
é aumentar a qualificação dos próprios
funcionários da companhia, além disso,
uma tecnologia como essa, quando disponível
no país, visa também estimular os jovens a
ingressar na área de óleo e gás.
“O Brasil é o país perfeito para o crescimento das tecnologias para extração de petróleo em águas profundas”, afirmou o chairman
da Aker, que adiantou também que já está
certo que a empresa irá instalar, também em
Rio das Ostras, outro simulador, de mesmo
modelo. E confirmou ainda que a empresa
irá construir um Centro de Engenharia no Rio
de Janeiro, nos próximos anos.
Foto: Cortesia Aker Solutions
A multinacional Aker Solutions inaugurou no dia 11 de novembro o seu simulador
de perfuração em formato domo 240º de
visão, com tecnologia 3D, que permite dar
ao operador um treinamento mais seguro e
eficiente, reduzindo a possibilidade de erros.
O simulador ficará no novo centro de formação de operadores da companhia, na cidade
de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro.
O novo Centro de Treinamento de Equipamentos de Perfuração da empresa custou
R$ 17 milhões e, além do simulador, possui
salas de reunião e três salas de aula multimídia, nas quais os funcionários das empresas
operadoras terão aulas teóricas conduzidas
por instrutores bilíngues (inglês e português).
Dentre as empresas que já têm contrato com
a companhia para treinar seus funcionários
está a Odebrecht Óleo e Gás.
O simulador XFactor DES, desenvolvido e
construído pela companhia, utiliza tecnologia
avançada para reproduzir toda a estrutura de
uma plataforma de perfuração. O centro de
TN Petróleo 75
99
produtos e serviços
Falcão Bauer
Reman quer operar com maior confiabilidade
A nova metodologia tem como
base o sistema Seis Sigma e Norma
Americana API 770. A proposta é unir
os dois conceitos para aprimorar a gestão de Confiabilidade na Reman.
O Seis Sigma é um conjunto de
práticas para melhorar sistematicamente os processos, eliminando os defeitos,
e sendo utilizado também como estratégia gerencial para promover mudanças nas organizações, fazendo com que
se chegue a melhorias nos processos,
produtos e serviços.
A Norma API 70 é um guia que
visa a redução de erros humanos e a
melhoria do desempenho das pessoas
nas indústrias de processo. Ele contém
conhecimentos básicos sobre as causas
dos erros humanos e sugere maneiras
de reduzir estes erros, descrevendo ainda como incorporar a Análise de Confiabilidade Humana (ACH) em atividades
de gestão de segurança de processos.
Tudo será conduzido pelo especialista na área de processos industriais, o
engenheiro Ricardo Moura, juntamente
com a psicóloga
Roseane Rodrigues
Moura, ambos da
Falcão Bauer, sob
coordenação da
Engenharia da
Reman. “É uma
iniciativa interessante, bastante inovadora na região e
que nós ainda não tínhamos visto. Essa
junção de fato une bem os conceitos,
adequando-se ao modelo de negócio da
Refinaria”, afirmou Ricardo Moura.
Segundo a Reman, o ponto inicial
do projeto é a fase de conhecimento
em que será realizado o seminário
Foto: Agência Petrobras
Em parceria com a empresa Falcão Bauer, a Refinaria Isaac Sabb (Reman), em Manaus, está
desenvolvendo uma nova metodologia para melhorar o desenvolvimento do seu Programa de
Confiabilidade Operacional e Humana.
Números da Reman
executivo para mapear e conhecer os
processos industriais e, em paralelo,
o mapeamento e conhecimento das
atividades desenvolvidas pelos colaboradores. As fases de treinamentos
de 2011, elaboração do plano de ação
e mais uma fase de aprimoramento da
metodologia serão realizados neste
primeiro semestre de 2011.
A metodologia utilizada é a
DMAIC / Definir, Medir, Analisar,
Implementar Melhorias e Controlar,
cuja aplicação será feita pelas equipes
reunidas em ‘times’ de melhorias nos
diversos processos da organização e,
em paralelo, como trabalho de pesquisa para desenvolver a ferramenta de
confiabilidade humana com base nas
necessidades da Unidade.
Em novembro do ano passado, o
presidente da Petrobras, José Sergio
Área: 9,8 km²
Contribuição em impostos: R$ 500 milhões/ano (ICMS)
Principais produtos: GLP, nafta petroquímica, gasolina, querosene de aviação,
óleo diesel, óleos combustíveis, óleo leve
para turbina elétrica, óleo para geração
de energia, asfalto.
Capacidade instalada: 46 mil barris/dia.
Gabrielli, afirmou que há capacidade
para aumentar o volume da produção da
Reman, num breve futuro, não somente
por conta do aumento a produção em
Urucu, mas também pelas descobertas
que ele espera que ocorram na região.
A iniciativa com a empresa Falcão
Bauer potencializa os resultados dos
programas que, unificados, permitirão
ações em conjunto, numa abordagem
mais estimulante e com sinergia de
forma a garantir o sucesso do Programa de Confiabilidade Operacional e
Humana da Reman.
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100
TN Petróleo 75
Emerson
Automação do Comperj é da Emerson
Como Main Automation Contractor, a empresa disponibilizará serviços de engenharia e tecnologias
para automação de processo e integração de sistemas da refinaria, parte das utilidades e offsites
que compõem o gigantesco projeto energético brasileiro.
A Petrobras escolheu a Emerson
Process Management, empresa do grupo
Emerson, para fornecer tecnologias de
automação e serviços para o Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Para a companhia norte-americana, o escopo do contrato de automação reflete a
confiança da petroleira no conhecimento
industrial da empresa e nos seus grandes
investimentos na América Latina.
O projeto do Comperj é um dos primeiros no Brasil a utilizar o modelo Main
Automation Contract, o que melhora a
coordenação dos projetos envolvendo
vários fornecedores e empresas contratadas. A Emerson irá aproveitar sua experiência global nessa função para oferecer
amplo escopo de produtos e serviços de
automação.
Além dos sistemas para controle de
processos, segurança, detecção de incêndio e gás, monitoramento de máquinas e gerenciamento de informações de
processo e de manutenção, a empresa
também fornecerá instrumentos de medição, válvulas de controles, reguladores
de pressão e outros produtos e serviços
relacionados.
O trabalho de engenharia já começou, com início da entrega do hardware
em 2011. As tarefas de automação serão
comandadas por uma equipe dedicada
exclusivamente ao projeto no Rio de
Janeiro e em Sorocaba (SP), onde está
localizada a sede brasileira da Emerson.
No fim de 2009, a Emerson anunciou a
expansão em 45.000 m², no valor de US$
35 milhões, de sua
planta de produção
e operação.
“A Emerson está
honrada por ter sido
escolhida pela Petrobras para esse
projeto importante,
complexo e altamente sofisticado”, disse Steve Sonnenberg,
presidente da Emerson Process Management. “Os investimentos em nossas
instalações e pessoas no Brasil refletem
o comprometimento em atender às necessidades de clientes como a Petrobras, que
estão construindo uma América Latina
mais desenvolvida.”
Construído em área de 45 milhões
de m² – o equivalente a seis mil campos
de futebol – o Comperj poderá processar
165 mil barris de petróleo pesado por dia,
quando sua primeira refinaria entrar em
operação em 2013, e a mesma quantidade
em uma segunda unidade projetada para
três ou quatro anos depois. Esse investimento ajudará a reduzir as importações
petroquímicas e de combustível e suportará a produção crescente de petróleo do
país. É esperado, também, que o projeto
gere mais de 200 mil empregos diretos
e indiretos durante a construção e em
sua operação.
A Emerson Process Management é
líder em negócios para a automação de
produção, processamento e distribuição
nas indústrias química, de petróleo e
gás, refino, papel e celulose, energia,
tratamento de água e esgoto, mineração
e metalurgia, alimentos e bebidas, farmacêutica e outros. A empresa combina
produtos e tecnologias de última geração
com serviços industriais especializados de
engenharia, gerenciamento de projetos
e serviços de manutenção.
IFS
Sueca IFS inaugura filial no Rio de Janeiro
De olho no crescimento dos segmentos
de óleo e gás, assim como nos investimentos
em infraestrutura e a chegada de empresas
internacionais desses setores no Brasil, a
IFS, companhia global fornecedora de software para gestão empresarial, inaugura uma
nova unidade no Rio de Janeiro.
O foco deste investimento é capitalizar
sua participação no mercado de empresas
orientadas para projetos, sobretudo para as
que operam no mercado de offshore, e no
segmento de utilities, setores que se tornaram os alvos mundiais da IFS.
“Atualmente contamos com uma base
de 15 clientes locais, entre eles prestadores
de serviços que operam como fornecedores
de projetos para a Petrobras, assim como a
Companhia Estadual de Águas e Esgoto do
Rio de Janeiro (Cedae-RJ), que adotou o
IFS Applications para gerenciar seus processos”, comenta Lávio Falcão, presidente
da IFS do Brasil.
Além de contar com projetos de roll out
do sistema em empresas internacionais que
já utilizam a tecnologia fora do Brasil, e que
agora estão operando no Rio de Janeiro devido à intensificação dos negócios no ramo
petrolífero, a companhia quer explorar no
local uma particularidade de seu sistema
– único no mercado. Trata-se de um con-
junto de processos que envolve engenharia,
suprimento, construção e instalação, tudo
integrado ao IFS Applications.
O EPCI (do inglês, Engineering, Procurement, Construction and Installation), como
é conhecido, é um modelo de gestão exigido
em contrato pelas empresas de offshore que
controla processos como a adequação da estrutura, aquisição de material necessário para
um projeto, construção e instalação. “O fato
de termos esses procedimentos integrados à
gestão executada pelo IFS Applications torna
a IFS uma empresa diferenciada neste meio”,
afirma Walmir Cardoso, diretor comercial da
IFS do Brasil.
TN Petróleo 75
101
produtos e serviços
Elipse
Elipse lança versão 3.5 do E3
A Elipse Software, empresa gaúcha que desenvolve soluções
para o gerenciamento de processos de automação, lança a
versão 3.5 de seu software E3, de supervisão e controle.
A novidade, que chega ao mercado em novembro, traz pacotes
criados para atender a mercados que não necessitam contar com
todos os recursos oferecidos pela versão padrão do software,
como o de petróleo e gás.
No setor de petróleo e gás, a
utilização do E3 se dá por meio de empresas de engenharia que configuram o
sistema de acordo com as necessidades
de cada aplicação. “Temos importantes
casos de referência nestas áreas. O E3
apresenta uma arquitetura
robusta para este tipo de
aplicação específica. Já a
área de energia é, atualmente, o nosso principal
nicho de mercado, para o
qual desenvolvemos soluções direcionadas para
os segmentos de geração,
transmissão, distribuição
e medição de energia”, explica o diretor
de negócios da Elipse Software, Marcelo
Barbosa Salvador.
Tecnicamente, o executivo aponta que
a nova versão desta ferramenta foi criada
porque a empresa sentiu a necessidade
de elaborar um padrão entre as aplicações desenvolvidas para cada cliente, de
forma que diversos módulos de análise
de energia pudessem ser plugados sem
a necessidade de modificações.
Salvador indicou ainda que: “A iminente evolução dos sistemas elétricos para
adoção de fontes renováveis e a constante
necessidade de P&D é uma das outras motivações da criação desta nova versão, pois
os sistemas computacionais precisam ser
mais inteligentes, a fim de lidarem com a
descontinuidade natural destas fontes. Além
da constante necessidade de P&D, porque
sempre haverá poucos fornecedores neste
mercado, geralmente dividido entre grandes
empresas multinacionais.”
De acordo com ele, a principal solução da empresa para o mercado de
óleo, gás e energia é o Elipse Power.
A solução já traz, de forma integrada,
todas as ferramentas necessárias para o
desenvolvimento de uma aplicação de
supervisão e controle, desde uma simples
IHM de subestação até uma complexa
rede de distribuição, com a possibilidade
de receber módulos avançados de análise e controle como descarte de cargas,
simulação, treinamento de operadores,
localização de faltas, entre outros. “Estes
aplicativos são de grande importância
para se buscar a qualidade e eficiência
do suprimento de energia estão dentro
de um processo”, afirmou.
Há também o E3 IHM, que possui
versões de 50 a 1 mil tags, com limite de
até dois drivers de comunicação e sem
conexão com bancos de dados. Por fim,
o E3 Gateway é indicado para aplicações
de tradução de protocolos, com versões
de 500 a 20 mil tags. Como opcionais, a
solução também permite a aquisição de
pacotes de drivers de Energia Clientes
ou Servidores (IEC 101/103/104/61850,
DNP 3.0, Modbus, entre outros), além dos
relacionados aos principais equipamentos
de controle de mercado.
A empresa conta ainda com o Elipse
Plant Manager, que é um historiador
capaz de coletar, consolidar e armazenar
dados provenientes de várias fontes
de tempo real ou históricas. “O Plant
Manager é o primeiro sistema do tipo
a adotar totalmente o novo padrão OPC
UA, que permite o envio de qualquer
informação de tempo real ou histórica
através de webservices ou via programação.NET para outros sistemas. O Elipse
Plant Manager também possui interfaces que permitem definir indicadores
de eficiência (KPIs) ou outros cálculos
complexos”, finaliza Salvador.
Acergy
Acergy e Odebrecht Óleo e Gás assinam contrato
de R$ 426 milhões com a Petrobras
A Acergy conquistou o contrato
junto à Petrobras para a construção e
instalação do trecho raso do Gasoduto
Sul-Norte Capixaba. O gasoduto de 18
polegadas de diâmetro será instalado
em lâmina d’água entre 30 m e 100 m e
cerca de 150 km de extensão, interligando o gasoduto do campo de Camarupim
ao complexo do Parque das Baleias, no
litoral do Espírito Santo.
Para a condução deste contrato, a
Acergy constituiu com a Odebrecht Óleo e
Gás (OOG) um consórcio que será respon-
102
TN Petróleo 75
sável pelo gerenciamento do projeto, engenharia, suprimento e fabricação. A Acergy
fará ainda a instalação do gasoduto, além
dos serviços de mergulho e atividades de
pré-comissionamento do sistema, que serão realizados pelas embarcações Acergy
Polaris e pelo Acergy Harrier a partir do
final de 2011.
Jorge Mitidieri, diretor superintendente da OOG, destacou: “Este projeto é
um marco para a Odebrecht Óleo e Gás
e para a Organização Odebrecht, pois
marca a nossa entrada no segmento de
subsea, para servir aos nossos clientes e
prover soluções integradas para o mercado
offshore.”
Gilles Lafaye, vice-presidente da Acergy para a América do Sul, disse: “Estamos
satisfeitos por termos conquistado este
contrato, o que demonstra a nossa capacidade e versatilidade, oferecendo soluções
competitivas tanto para projetos em águas
rasas como profundas. Este contrato é uma
excelente oportunidade para ampliarmos
a nossa presença no Brasil e de trabalhar
com um parceiro nacional reconhecido no
setor, como é o caso da Odebrecht, aproveitando nossa experiência como líder de
serviços offshore no Brasil.
Virtualy
Qualificação com alta tecnologia
A Virtualy, empresa especializada
em simuladores, inaugurou na Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ, no Rio
de Janeiro, o primeiro Centro de Simulação de Guindastes Portuário e Offshore
desenvolvido com tecnologia totalmente
nacional. O Centro será o primeiro desta
categoria no Brasil e vai funcionar como
ambiente de treinamento para operações
em guindastes de bordo, portainer, ponte
rolante e caminhões. Os simuladores estarão disponíveis para empresas, escolas
e pessoas físicas, interessadas em locar os
equipamentos para treinamento de mão
de obra qualificada.
O centro será equipado com dois
simuladores com projeção em cave (caverna digital) e duas estações de mesa
para operação a partir de monitores interligados, os dois formatos servem como
base para operar diferentes modelos de
guindastes. Os simuladores apresentam
situações que podem ser vivenciadas
durante o exercício da função, como
procedimentos padrão de manipulação
da carga, carga e descarga de navio,
condicionamento em situações de emergência e condições adversas de clima,
entre outros.
O treinamento no ambiente portuário
e offshore é importante, principalmente,
para garantir segurança e agilidade nas
operações, reduzir custos e aumentar a
produção, já que os treinamentos não
precisam mais ser feitos no próprio equipamento real ou fora do Brasil, como
atualmente acontece. A tecnologia comercializada pela Virtualy foi desenvolvida no Laboratório de
Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce/Coppe). Os simuladores funcionam a partir de uma réplica de cabine
com todos os comandos ativos integrados
a um sistema de visualização avançado.
Foto: Divulgação
Rio de Janeiro ganha primeiro centro de simulação de guindastes
portuários e offshore do Brasil
O cenário virtual, em 3D, pode ser projetado em cave ou em monitores interligados,
simula sons e condições meteorológicas em
tempo real. Os cenários são reproduções do
ambiente de portos brasileiros, entre eles o
porto de Santos e do Rio de Janeiro, Portocel
Espírito Santo.
A Samplling Planejamento, empresa
de treinamentos, é parceira da Virtualy
e será a primeira empresa a utilizar os
simuladores do Centro de Simulação de
Guindastes Portuários e Offshore para
cursos de treinamento.
Clariant
Clariant conquista contrato da Petrobras
O contrato para exploração em
águas profundas do pré-sal, o primeiro
com produtos de perfomance a ser licitado com uma empresa química, inclui o
pacote de produtos químicos e serviços a
serem prestados para o FPSO Capixaba,
que opera para a Petrobras na costa do
estado do Espírito Santo. A produção
atualmente baseia-se nas reservas pós-sal
e pré-sal, tendo iniciado a produção no
pré-sal em julho deste ano.
“É fundamental ter um fornecedor de
especialidades químicas como a Clariant
Oil Services, que investe continuamente
em P&D e em inovação, para atender
às novas demandas da área de E&P da
Petrobras, principalmente em cenários
complexos como o pré-sal”, destaca Luis
Marcelo Freitas, gerente executivo de
produtos químicos da Petrobras Distribuidora, responsável pelo suprimento de
produtos químicos, combustíveis e fluidos
especiais para as atividades offshore da
Petrobras em todo o país.
“Além de sua capacidade de produção
nacional e garantia de fornecimento, a
Clariant tem produtos de performance
de alta qualidade, testados no Centro
de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes) e validados em campo pela Petrobras, com custos bastante
competitivos”, acrescenta Klaus Nolte,
gerente de Supply House da Petrobras
Distribuidora.
A produção do pré-sal é possível por
meio do desenvolvimento e aplicação de
tecnologias inovadoras. A Clariant Oil
Services, com amplo conhecimento em
Foto: Agência Petrobras
A Clariant, líder mundial em especialidades químicas, anunciou que
seu negócio Oil Services, sediado em Houston (EUA), conquistou
contrato de produtos químicos para o pré-sal no valor de CHF 1,5
milhão por ano, da Petrobras.
especialidades químicas, é famosa por
sua expertise em química e serviços prestados à indústria do petróleo e gás.
Christopher Oversby, vice-presidente e
gerente geral da unidade de negócios Oil
& Mining Services da Clariant, observou:
“Estamos muito orgulhosos pela conquista
desse contrato para a exploração em águas
profundas do pré-sal da Petrobras.” E acrescentou que “a exploração em águas profundas oferece reais desafios tecnológicos e
estamos entusiasmados com a oportunidade
de demonstrar nossa capacidade na FPSO
Capixaba para a Petrobras”.
TN Petróleo 75
103
produtos e serviços
Will Garantias Contratuais
Seguro garantia para o setor
de petróleo e gás natural
Como já se sabe, as empresas do segmento de petróleo e gás precisam se precaver de
várias formas, pois o risco no negócio é muito grande. Existe a necessidade de segurar todo o
material envolvido no processo de perfuração para procura de reservas minerais. Com isso, o
seguro de riscos de petróleo é importantíssimo por garantir a cobertura de bens, equipamentos
e responsabilidade civil, para possíveis sinistros em operações onshore e offshore.
O seguro é destinado a instituições dos governos federal, estadual
e municipal e a empresas privadas, e
garante indenização pelo não-cumprimento de um contrato nas mais diferentes modalidades, como execução de
obras e projetos, fornecimento de bens
e equipamentos, prestação de serviços,
concorrências e licitações. As coberturas desse seguro são aplicadas, ainda,
nas áreas aduaneira, judicial, administrativa, naval, de energia, petróleo e
gás, entre outras.
Segundo Caroline Vieira, diretora
executiva da Will Garantias Contratuais, o seguro
garantia atende
aos requisitos da
Lei das Licitações
e Contratos 8.666,
de 1993, atualizada pela Lei 8.883,
de 1994. É também
instrumento para
as exigências da Lei das Concessões e
Permissões de Serviços e Obras Públicos (Lei 8.987, de 1995).
Já com relação ao setor naval,
Vieira informa que o seguro cobre, até
o valor definido na apólice, o risco de
o navio não ser construído e entregue
nos prazos e custos previstos no contrato entre estaleiro e armador.
A contratação do mesmo diminui
os riscos da operação e, consequentemente, melhora o acesso ao financiamento que viabiliza a construção do
navio. Na maioria das vezes, o estaleiro não tem como atender às exigências
do credor para financiar um bem cujo
valor supera seu patrimônio. “Ao emitir a apólice, a seguradora garante a
construção e entrega do navio, tornan-
104
TN Petróleo 75
do-se corresponsável pela finalização
da operação”, explica Vieira.
Além disso, o seguro garantia
para o setor de petróleo e gás natural
indeniza a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP), até o valor fixado na apólice,
por perdas causadas pelo descumprimento do prazo de execução integral
das obrigações do tomador perante
o Programa Mínimo de Exploração.
Esse seguro é utilizado nas rodadas
de licitação da ANP na concessão de
áreas de exploração de petróleo e gás
natural.
De acordo com o fundador da Will
Garantias Contratuais, a ANP é a segurada, e a empresa licitante, contratada, concessionária ou permissionária
representa a figura do tomador nessa
modalidade de garantia. “Diante dos
altos valores envolvidos na atividade
petrolífera, esta modalidade do seguro
garantia recorre, obrigatoriamente, ao
resseguro”, complementa.
Algumas coberturas do seguro de
riscos de petróleo:
• Danos materiais causados a torres,
plataformas, navios, sondas e seus
equipamentos, quer no desenvolvimento das próprias operações,
quer decorrentes de fenômenos da
natureza;
• Danos decorrentes da construção,
reparos ou manutenção de torres,
plataformas, navios, sondas e seus
equipamentos;
• Danos materiais ou perda de receita
causados pela eclosão de situações
de guerra ou greves durante a
vigência da apólice;
• Despesas operacionais decorrentes
de um evento coberto que, em prin-
cípio, estão fora da atividade normal
do segurado, como, por exemplo, as
despesas para controle de um poço
de petróleo, para a evacuação de
uma área, o fechamento deliberado
de um poço, entre outros;
• Responsabilidade Civil por danos
causados a terceiros, decorrentes
das operações.
O executivo conta, ainda, que a
Will Garantias Contratuais juntamente com a Carriço Vieira Corretora de
Seguros, especializada em seguro
garantia há mais de 12 anos, criou
um departamento de atendimento
somente para esta área com profissionais qualificados no mercado para
oferecer as melhores opções de seguros
e de custos para esse ramo. “Temos em
nossa estrutura de serviços associados,
na área jurídica (análise de contratos),
de engenharia (inspeções, estudos,
try-out), e área econômica (contábil e
financeira)”, diz.
Vieira apontou que nesses anos
foram atendidos diversos fornecedores de grandes empresas como: Vale,
Petrobras, Ford do Brasil, Fiat, Renault,
Peugeot, General Motors, Metrô, Sabesp, Prefeituras, Secretaria da Receita
Federal, entre outras, viabilizando coberturas e inovando em soluções para
atendimento às necessidades contratuais desses clientes.
Através de sua crescente especialização e do seu grande volume
de operações, a Will/Carriço Vieira
Corretora se tornou uma grande
parceira das maiores seguradoras
que operam no Seguro Garantia,
dentre as quais se destacam a
J.Malucelli, a Berkley, a Porto Seguro, a Mapfre, a UBF.
Petrobras
Melhores fornecedores de 2010
Em dezembro do ano passado, a
Petrobras homenageou os melhores fornecedores de 2010. Cerca de 200 empresas
prestadoras de serviços e 500 fornecedores de bens foram avaliados. A premiação
é uma forma de a estatal reconhecer o
empenho das suas parceiras na melhoria
de seus serviços e investimento na capacitação de seus profissionais.
A cerimônia de entrega dos certificados e troféus às empresas vencedores
do Prêmio Petrobras Bacia de Campos –
Melhores Fornecedores de bens e serviços
2010 aconteceu na sede da estatal, no Rio
de Janeiro. Cerca de 200 empresas prestadoras de serviços e 500 fornecedores de
bens foram avaliados, após passarem por
uma verdadeira ‘peneira’ para chegar aos
que se destacaram entre julho de 2009 a
junho deste ano.
Quesitos como qualidade, competitividade, taxa de frequência de acidentes, desempenho nos contratos vigentes,
quantidade de multas e investimento na
capacitação da mão de obra foram alguns
dos principais critérios.
A lista dos concorrentes é gerada a
partir do Sistema Integrado de Gestão
da Petrobras, que filtra, dentre todas as
empresas cadastradas na Bacia de Cam-
pos, aquelas que atendem aos critérios
básicos de participação, de acordo com
cada categoria.
Critérios de avaliação – Na área de bens,
as empresas são divididas em três categorias (Pequenos Contratos, Médios
Contratos e Contratos de Longa Duração/
Globais) e avaliadas por sua competitividade, desempenho, análise dos clientes,
consultas aos demais órgãos de compras
da empresa, entre outros.
No setor de serviços, existem quatro
categorias: Pequenos, Médios e Grandes
Contratos, além de Rodízio de Fornecedores. Para a classificação, são considerados a taxa de frequência de acidente,
o desempenho das empresas em relação
aos contratos vigentes, a quantidade de
multas e o investimento em capacitação
da mão de obra por meio de treinamentos
comprovados.
Vencedores
FORNECEDORES DE SERVIÇOS
Grandes Contratos: 1° – Varco International do Brasil Equipamentos e Serviços
Ltda.; 2° – TSL – Engenharia, Manutenção e Preservação Ambiental Ltda.; 3° –
Serviços Marítimos Continental S/A
Dow Oil & Gas lança novas tecnologias
para campos petrolíferos
A Dow Brasil, por meio da divisão Dow
Oil & Gas, traz ao mercado latino-americano o lançamento de três linhas de produtos
que passam a integrar o amplo portfólio
de soluções para exploração, produção,
recuperação avançada (EOR), refino de
petróleo e processamento de gás: as linhas
Embarktm, Elevatetm e Accenttm.
Para a Dow Oil & Gas, o lançamento
dos produtos na América Latina é importante para o desenvolvimento da região,
uma vez que a indústria de energia
continua a ser um dos principais pilares
da economia local. O lançamento dos
produtos foi feito durante o evento Petroleum Exhibition & Conference of Mexico (Pecom), que ocorreu em novembro
de 2010, em Villahermosa, no México.
Dentre os principais lançamentos da
empresa está a solução Embarktm Modificador de Reologia, desenvolvida para
proteger os equipamentos e aperfeiçoar
as operações de perfuração em ambientes de alta temperatura e pressão, o que
resulta em uma produção aprimorada e
na redução dos custos operacionais.
Médios Contratos: 1° – Prysmian Energia Cabos e Sistemas do Brasil S/A; 2°
– Unicontrol Automação Ltda.; 3° – V&M
do Brasil S/A
Pequenos Contratos: 1° – Hideo Nakayama Importação Exportação Industrial
Ltda.; 2° – Smiths Brasil Ltda. – Divisão
John Crane; 3° – Primus Processamentos
de Tubos S/A – Protubo
Rodízio: 1° – Sollaxnews Ships Service
Ltda.; 2° – Cimeq Centro Integrado deMetrologia e Qualidade Industrial Ltda.; 3°
– Emerson Process Management Ltda.
FORNECEDORES DE BENS
Pequenos Contratos: 1° – Sermap Comércio e Serviços Ltda.; 2° – Diagonal
Comércio Indústria e Serviços Ltda.; 3°
– Dimopel Distribuidora de Motores e
Peças Eletrônicas Ltda.
Médios Contratos: 1° – Weatherford
Indústria e Comércio Ltda.; 2° – Ponsi
Representações e Comércio de Válvulas
Ltda.; 3° – Christensen Roder Produtos e
Serviços de Petróleo Ltda.
Contratos de Longa Duração: 1° –
Paper-Rio Comércio de Artigos de Papelaria Ltda.; 2° – Confab Industrial
S/A; 3° – Cia. Brasileira de Amarras
Brasilamarras
Outro lançamento da empresa para
a indústria de petróleo e gás é a linha
CO2 Elevate™. Voltada para a recuperação
avançada de petróleo (EOR), esta solução
foi desenvolvida para superar os desafios técnicos e promover um aumento
das taxas de recuperação de petróleo em
poços produtivos por meio de injeções
de gás carbônico (CO2).
A Dow apresenta ao mercado latinoamericano também a linha Accenttm.
Desenvolvida a partir de químicas
avançadas oferecidas antes pela Rohm
and Haas, os Inibidores de Incrustação
Accenttm contam com um histórico
de sucesso na proteção de ativos de
produção.
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http://twitter.com/portalnaval
TN Petróleo 75
105
e&p
Internacionalização do E&P
no mercado de óleo e gás no Brasil
Com a abertura do mercado de óleo e gás em 1997, surgiu a oportunidade
de empresas do mundo inteiro começarem a investir na exploração e
produção (E&P) no mercado brasileiro. Este artigo tem como objetivo
rever os fatos que contribuíram para o processo de internacionalização
deste setor, a forma como foi desenvolvido e quais as expectativas para
o curto e médio prazo.
V
ivemos hoje, no Brasil, um processo forte de internacionalização na
área de E&P (exploração e produção) no setor de O&G (óleo e gás).
Antes mesmo da descoberta da perspectiva gigantesca de reservas no pré-sal da Bacia de Santos, o Brasil já era o foco das atenções das
principais oil companies mundiais, que buscavam se instalar no país para
aproveitar a estabilidade político-econômica – isto, aliado à rentabilidade
no setor – fato difícil de ser encontrado nos países produtores de petróleo
no mundo.
O objetivo deste artigo é rever a situação física e econômica do mercado de O&G brasileiro, assim como as perspectivas futuras, analisando
como aconteceu o processo de abertura do mercado, que gerou o processo
de internacionalização de E&P no setor.
Para isso, será explicado, de forma breve e sucinta, como funciona o
mercado mundial e suas principais características.
Correntes de óleo
Marcos Mazzaroppi é
mestrando em Economia Empresarial pelo
Ibmec-RJ, e economista
da Organização Nacional
da Indústria do Petróleo
(Onip).
106
TN Petróleo 75
O petróleo é uma fonte energética não renovável, de extrema importância na composição da matriz energética mundial,1 correspondendo no ano
de 2009 a 59% (35% óleo e 24% gás natural).
O petróleo não é um ‘produto’ homogêneo, e sim uma combinação de
vários hidrocarbonetos (líquidos e gasosos). Devido a essa mistura, diferentes tipos de petróleo são encontrados em diversas partes do mundo e
não possuem a mesma densidade e composição de hidrocarbonetos (Mazzaroppi, 2007).
A forma mais comum de se comparar os tipos de petróleo é por meio
da densidade do óleo, que é classificado pelo API (American Petroleum
Institute), denominado grau API. Quanto maior o grau API, maior o seu
valor no mercado, pois, maior a presença de hidrocarbonetos ‘leves’, que
possuem, em geral, um rendimento melhor no refino para destilados leves
(diesel e gasolina). Também, utiliza-se a quantidade de enxofre, sendo este
considerado ’impureza’.
1
Composição das fontes de energia primárias consumidas no mundo.
A Figura 1 retrata as principais correnFigura 1. Principais correntes de óleo por grau API e
tes de óleo do mundo, com o teor de enxofre, grau API e média de produção diária.
Os óleos de diferentes correntes são
comercializados, utilizando óleos de referências, o que no mercado americano
é o WTI (West Texas Intermediate) e, no
mercado europeu, o Brent.
O WTI é comercializado na Nymex
(New York Mercantile Exchange), possui entre 38ºAPI a 40ºAPI. O Brent é um
Blend – uma mistura de vários óleos originados do mar do Norte (Europa).
A produção destas duas correntes não
chega hoje a 2% da produção mundial,
porém continuam sendo utilizados como
óleos de referência, pois as principais correntes produtoras são de países da Opep
(Organização dos Países Exportadores
de Petróleo). Casos estes controlassem os
preços, a Opep seria de fato um cartel.2
A indústria do petróleo é subdividida entre upstream e downstream. O primeiro termo representa a fase de exploração e de produção (E&P), enquanto o
downstream representa todo o restante
da cadeia, com o refino, transporte, dis- Fonte: World Oil and Gas Review, ENI, 2007.
tribuição e comercialização
A unidade de venda de petróleo é o
Figura 2
barril, que possui cerca de 159 litros. A produção é meProdução e consumo - Mil bpd 2009
dida em bpd (barris por dia).
Mercados produtores e consumidores
O barril de petróleo é, hoje, por larga vantagem,
a commoditie mais transacionada no mundo, porém,
possui algumas particularidades.
Além de sua alta participação nas transações comerciais entre nações, o petróleo é também um bem
estratégico, graças à sua importância na matriz energética mundial. O mercado possui outra característica
única: os grandes centros produtores estão longe dos
grandes centros consumidores, sendo que poucos países são ‘autossuficientes’ e a maior parte das exportações é originária de poucos países.
A Figura 2 mostra a produção, consumo e o saldo/necessidade de importação, das regiões do mundo, em 2009.
Observamos que 50% da produção mundial em
2009 ocorreram na África, Oriente Médio, e América
do Sul. A Opep foi responsável por 42% da produção.
Essa concentração da produção, em regiões menos
desenvolvidas, gera instabilidade na indústria, pois
alguns possuem governos ditatoriais, outros estão em
guerra civil, etc.
Região
América
do Norte
Produção %
Consumo %
enxofre.
Saldo
13.388
17
22.826
27
9.438
6.760
8
5.653
7
1.107
Europa
e Eurásia
17.702
22
19.372
23
1.669
Oriente
Médio
24.357
30
7.146
8
17.211
África
9.705
12
3.082
4
6.623
Ásia
(Pacífico)
8.036
10
25.998
31
17.962
América do
Sul e Central
Fonte: BP Statistical Review of World Energy, Junho 2010.
Se em 2009 já havia essa concentração, a situação deverá se agravar no futuro, pois, das reservas
provadas atualmente, 77% estão situadas em paísesmembros da Opep; e as regiões acima mencionadas,
correspondem a 82%.
A indústria do petróleo possui uma característica
única, visto que não é possível para a empresa petrolí-
2
Segundo a definição microeconômica de cartel, de Hal R. Variant, um cartel é formado quando um grupo de empresas se reúne para definir preço e quantidade.
Como o preço do óleo é gerado no mercado externo, EUA ou Europa, a Opep apenas define a quantidade a ser produzida, através da cota de produção estabelecida para cada país-membro. Na bibliografia, existem três trabalhos que explicam o papel da Opep no mercado: Mazzaroppi, Pimentel e Yergin.
TN Petróleo 75
107
e&p
Figura 3. Distribuição dos modelos de regulação no mundo
leo, então, é de extrema importância para as economias,
fazendo com que as empresas se ajustem aos ambientes
institucionais mais adversos
possíveis.
Ambiente institucional
e regulatório
Fonte: Petrobras
Segundo Adelman (2002),
a “maldição do petróleo” assola a indústria. Esse é um termo muito recorrente, que visa
explicar o desempenho econôFonte: Considerations with Respect to Brazil’s Exploration and Production Contracts and Economics. Gaffney, mico de países abundantes em
Cline & Associates, IBP Workshop, 2008.
petróleo, que acabam limitando toda a sua indústria, sendo
Figura 4. Reservas provadas no Brasil
dependentes exclusivamente
da exportação de petróleo, desencadeando a doença holandesa.4 Além disso, é comum os
problemas políticos (ditadura,
autoritarismo, etc.) e, muitas
vezes, guerra civil.
A exploração de petróleo
se dá no mundo, na maioria
dos casos, em três formas de
regulação: partilha, concessão
e contrato de serviços. Existe
também, a possibilidade de
uma combinação de modelos.
A concessão é a forma em
que o governo local cede a um concessionário o direito
fera escolher aonde quer instalar sua planta de procesexploratório ao seu subsolo, por um período determiso, pois só é possível produzir onde há reservas, difenado de tempo. Cabe ao operador o risco exploratório,
rente da indústria automobilística, eletrônica, etc.
e caso haja sucesso na exploração comercial de algum
Em função dessas características, as empresas pereservatório, o pagamento de royalties e outros tributos
troleiras estão acostumadas a conviver com os mais diestabelecidos em lei. A concessão é a forma de regulafíceis e diversos ambientes institucionais, passando por
ção presente nos países mais desenvolvidos.
turbulências econômicas, atentados terroristas e ondas
A partilha, em geral, é feita em países nos quais o
de nacionalização.3
arcabouço tributário não está bem desenvolvido, ou
Por outro lado, graças à vital dependência da enerexistam falhas na apuração dos resultados. A empregia para a economia, os países consumidores se comsa é responsável pelos riscos exploratórios, e caso haja
portam de forma diferenciada em relação ao petróleo.
sucesso na exploração comercial, ela passa a dividir,
Durante as crises de preço na década de 1970, o Japão,
fisicamente, a produção com o país de origem.
que consome atualmente 5% do petróleo mundial, ao
A terceira forma de regulação, o contrato de serviobservar os preços dispararem, foi ao mercado e auço, ocorre em poucos países do mundo, quase sempre
mentou seu consumo, para fazer reservas estratégicas,
quando existe grande risco exploratório, pelo qual a
com medo de desabastecimento do mercado. O petró3
Na bibliografia, existem três trabalhos que explicam as ondas de nacionalização da indústria do petróleo na década de 1960 e 70: Mazzaroppi, Pimental e Yergin.
A doença holandesa (Dutch Disease) é um conceito econômico que tenta explicar o relacionamento entre a exploração de recursos naturais e o declínio no
setor manufatureiro. A teoria é a de que o aumento nos rendimentos advindos a partir das exportações dos recursos naturais leva a uma desindustrialização da
economia mediante a redução da taxa de câmbio, o que torna a manufatura nacional menos competitiva. É assim denominado porque, no início dos anos 1980,
houve uma escalada dos preços do gás natural, o que aumentou substancialmente as receitas de exportação da Holanda e valorizou o florim (moeda holandesa
da época). Com isso, o excesso de exportações de gás derrubou as exportações dos demais produtos por falta de competitividade. Entretanto, é extremamente
difícil determinar se a doença holandesa é a causa da contração do setor manufatureiro, uma vez que existem tantos outros fatores econômicos influentes.
Na maioria dos casos, observa-se o fenômeno a partir da exploração de recursos naturais, mas também pode vir a se referir a qualquer desenvolvimento que
tenha como resultado um grande aporte de moeda estrangeira corrente, incluindo um forte aumento dos preços dos recursos naturais e dos investimentos
externos diretos” (Jesus, 2009).
4
108
TN Petróleo 75
Figura 6. Produção de petróleo no Brasil
Petróleo
Gás Natural
empresa não quer assumir, ou quando existe grande
certeza e grande rentabilidade, fazendo com que o país
pague a empresa, apenas para fazer a operação.
O mapa da Figura 3 mostra o mundo, dividido pelas formas de regulação.
Indústria petrolífera brasileira
A história da indústria brasileira de petróleo começou no ano de 1939, com a primeira perfuração de
um poço, em Lobato, na Bahia. Porém, este poço era
subcomercial. Dois anos mais tarde, em 1941, o Conselho Nacional de Petróleo (CNP) perfurou em Candeia,
também na Bahia, dando origem então ao primeiro
poço comercial brasileiro (Bacoccoli, 2008).
Após o início da exploração do petróleo, surgiu no
Brasil a campanha O Petróleo é Nosso, que culminou,
em 1953, com a promulgação da lei 2004, a criação
da Petrobras, quando foi concedido à estatal o monopólio dos principais processos da cadeia produtiva da
indústria do petróleo: exploração, produção refino e
comercialização.
Como podemos observar no gráfico da Figura 4,
a historia da produção de
petróleo no Brasil tem, até
hoje, três fases distintas:
fase terrestre (1954-1968);
fase marítima de águas rasas (1968-1974); fase marítima de águas profundas
(1974 até hoje).5
Em 1968, foi oficialmente iniciada a campanha exploratória marítima
em águas rasas no Brasil,
com a perfuração dos primeiros poços pioneiros.
Nesta época, o barril de
petróleo era cotado em
torno de US$ 2/bbl, o que
dificultava à Petrobras investir em E&P. A Figura
5 mostra o investimento
da Petrobras, entre 1954 e
2008, e também a curva de
investimento em E&P, em
relação ao investimento total naquele ano.
Em 1974, foi descoberto o campo de Garoupa,
que originou a produção
na bacia petrolífera mais
importante até os dias de hoje,6 a Bacia de Campos.
Em 1984, dez anos após a descoberta do campo de
Garoupa, a Petrobras fura o campo de Albacora, fazendo com que se inicie a fase de exploração em águas
profundas, e mais tarde em águas ultraprofundas. As
reservas provadas brasileiras, que antes eram inferiores a quatro bilhões de bbl, dobram. O impacto das
águas profundas também se dá na produção de óleo,
como é observado na Figura 6.
Passados 13 anos do início da fase de exploração
em águas profundas, ocorre outro fato marcante na
história da exploração do petróleo no Brasil, a promulgação da Lei 9.478, a Lei do Petróleo, em 6 de agosto
de 1997.
A Lei do Petróleo termina com o monopólio da exploração de petróleo no Brasil e estabelece o regime
de concessão, em que a União é dona das reservas no
subsolo brasileiro e concede às empresas, por meio de
leilões de licitação, o direito de explorar comercialmente determinada área, por um prazo máximo especificado. Cabe ao concessionário restituir à União, sobre
Fonte: Anuário Estatístico ANP/SEE/SDP, 2003.
Figura 5. Investimento da Petrobras no Brasil
Fonte: Petrobras
internacionalização do e&p no mercado de óleo e gás no brasil
5
Como os reservatórios do pré-sal da Bacia de Santos ainda se encontram em avaliação, e até o momento não houve declaração de comercialidade em nenhum
bloco, não é possível analisar o real impacto na história brasileira do petróleo.
6
A produção no pré-sal da Bacia de Santos ainda se encontra em fases de testes.
TN Petróleo 75
109
e&p
a operadora do campo.
Após essa fase de recoDescoberta de
Descoberta de
Descoberta de
Criação da
Garoupa: 1974
Albacora: 1984
Parati (BS): 2006
Petrobras: 1954
nhecimento do mercado,
2,0 milhões
a empresa passa a rea1,8 milhão
lizar uma parceria, mas
dessa vez tendo a ope1,6 milhão
ração da produção sob
sua
responsabilidade.
1,2 milhão
Hoje, já existem alguns
1,0 milhão
blocos sob concessão inteiramente de empresas
800 mil
estrangeiras, sem o envolvimento da Petrobras
400 mil
– mas eles ainda não
produzem.
Ao fazer um paralelo
0
01 03 05 07 09 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 51 53 55
deste caso com a literaAno a partir da descoberta
tura econômica, fica claAno 1 =
Petrobras: total histórico
Histórico Bacia de Campos
Campos gigantes BC
Pré-sal planejamento
ra a utilização do modeessa concessão e por meio de bônus de assinatura, os
lo de Uppsala,7 em que a empresa vai, lentamente, se
royalties e participação especial – conforme explicitacomprometendo com o mercado, a partir do momento
remos adiante.
que esta passa a ter um melhor conhecimento.
Analisando a produção brasileira de óleo, podemos
Este fato pode ser explicado através da lacuna instiobservar o impacto dessa lei, pois passamos de uma
tucional presente no mercado brasileiro, sobretudo no
produção média em torno de 1 milhão de bpd, em 1997,
setor de óleo e gás.
para 2 milhões bpd (barris por dia), em 2009; ou seja,
Como este mercado é recente, ainda não existe codemoramos 43 anos (1954-1997) para atingir a produnhecimento prévio dos players envolvidos no processo,
ção de 1 milhão de barris e incrementamos a produção
desde o órgão regulador, passando pelos fornecedores,
com outros 1 milhão de barris em 12 anos.
até os concorrentes. Uma internacionalização gradual
passa a fazer mais sentido, visto que os investimentos
Empresas internacionais no Brasil
são volumosos, o risco é grande e, muitas vezes, uma
Em 1999, começou a primeira rodada de licitações proanálise de risco não consegue mitigá-los, e o retorno é
movida pelo governo brasileiro, na qual empresas brasileilento, de longa maturação.
ras e estrangeiras puderam participar de um leilão para explorar e desenvolver áreas, tanto em terra quanto no mar.
Evolução do marco regulatório
Como o objetivo deste trabalho é analisar a internacioCom a descoberta do primeiro campo de petróleo
nalização do setor de exploração e produção de petróleo
no Brasil, em 1939, a forma de regulação brasileira já
no Brasil, focarei apenas nas empresas internacionais.
sofreu duas modificações.
Ao longo dos rounds promovidos pela Agência
A primeira ocorreu em 1953, com a promulgação da
Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
Lei 2004, que criou a Petrobras e estabeleceu o mono(ANP), várias empresas estrangeiras começaram a vir
pólio estatal, na produção e exploração.
para o Brasil, em busca de explorar o petróleo – estão
Isso garantiu ao país iniciar sua busca pelo aumenpresentes hoje, aqui, as principais empresas internacioto de reservas em produção, destacando-se a ida para
nais (IOCs), como: Shell, Chevron, BP, Anadarko, Staa plataforma continental marítima, e posteriormente, o
toil, Hydro, BG, Repsol, El Paso, etc. (no total, são 38).
caminho para as águas profundas e ultraprofundas.
Essas empresas internacionais estão, em sua quase
Em 1997, com o objetivo de dar mais dinamismo
totalidade, em projetos em conjunto com a Petrobras
ao mercado, e tornar a Petrobras ainda mais competiti(joint ventures). A única empresa estrangeira que tem
va, ocorreu a segunda mudança regulatória, a promulprodução como operadora em um campo sem a pargação da lei 9.478 – Lei do Petróleo – que encerrou o
ticipação da Petrobras é a anglo-holandesa Shell, no
monopólio na exploração e produção, tornando livre a
Parque das Conchas.
entrada de outros agentes no mercado brasileiro.
Tradicionalmente, quando uma empresa estrangeiO modelo regulatório utilizado foi de concessão,
ra vem para o Brasil, ela se associa à Petrobras, para
sendo seus blocos definidos pelo CNPE (Conselho Nater participação em alguns blocos, sendo a Petrobras
cional de Política Energética) e sua execução defini54 anos
45 anos
27 anos
22 anos
12 anos
Produção (bpd)
16 anos
Figura 7. Aceleração da produção
7
Cf. Johanson, J. e Vahlne, J. E. The Internationalization Process of the Firm: A Model of Knowledge Development and Increasing Foreign Markets Commitments,
in Journal of International Business, 8, (1), 1977, pp. 23-32.
110
TN Petróleo 75
Foto: Agência Petrobras
internacionalização do e&p no mercado de óleo e gás no brasil
FPSO Cidade de Angra dos Reis iniciando a produção comercial no Campo de Tupi na Bacia de Santos.
da pela ANP. Cabe à empresa concessionária, o risco
exploratório, o pagamento de bônus na assinatura do
contrato e, caso haja exploração comercial, o pagamento de até 10% de royalties. Caso o campo seja de grande
rentabilidade ou de grande vazão, também incidirá a
Participação Especial. Estas participações governamentais são utilizadas como compensações devidas à
União e seus entes federativos, pela extração de um
recurso natural não renovável no subsolo.
Até a presente data, ocorreram dez leilões de licitações, estando presentes no Brasil 77 empresas na área
de E&P, sendo 38 internacionais.
Na era do pré-sal
Em 2007, foi anunciado pela Petrobras um grande potencial de reserva, na área abaixo do sal da Bacia de Campo e Santos, que foi rapidamente denominada de Pré-sal.
Essa área foi a maior descoberta da indústria petrolífera mundial dos últimos 30 anos, desde que foram
descobertos os campos gigantescos no Oriente Médio.
Apenas com os prospectos que hoje já possuem levantamento preliminar, no cluster de Tupi (Tupi, Iara e
Guará), existe a possibilidade de haver entre 8 bilhões
a 14 bilhões de bbl (barris) de reservas. Ao compararmos esses números, a atual reserva provada brasileira,
que beira os 14 bilhões de bbl, vemos a magnitude deste potencial reservatório.
No mercado, fala-se de 60 bilhões até cem bilhões
de barris de reservas, porém, nada ainda foi provado,
muito menos certificado. Contudo, independente do
real tamanho, será uma área de grande reserva, e consequentemente, de grande interesse para a indústria
petroleira do mundo inteiro.
Hoje, o mundo vira-se para o Brasil, querendo explorar essa área, tanto pela sua oportunidade de geração de riquezas, como também a garantia de abastecimento. Porém, surge no país uma onda de instabilidade
institucional, como, por exemplo, tentativas de mudança no marco regulatório.
Nos últimos 12 anos, as empresas petroleiras mundiais têm escolhido o Brasil para realizar seus investimentos devido à rentabilidade do mercado, sua comparativa estabilidade econômica e melhor ambiente
institucional frente a outros países detentores de reservas de petróleo.
A internacionalização da exploração e produção no
mercado de óleo e gás tem acontecido de forma gradual, seguindo o modelo de Uppsala; fato que deve ser
atribuído ao risco, maturação e ambiente institucional.
O pré-sal é um prospecto de alto grau de atratividade de investimento, porém, para ser aproveitado, é
necessário manter o ambiente institucional preservado, com a manutenção das vantagens competitivas que
o país possui.
Bibliografia
Adelman, Morris. World oil production & prices 1947-2000. The Quarterly Review of Economics and Finance 42, pp. 169-191, 2002.
BP (British Petroleum) Statistical Review Full Report of World Energy. June 2010. Disponível em:<www.bp.com>. Acesso em 03/11/2010.
Bacoccoli, Giuseppe. Fronteiras: A exploração de petróleo nas bacias terrestres brasileiras. Rio de Janeiro: Câmara Brasileira do Livro, 2008.
EIA (Energy Information Administration, Official Energy Statistics of the U. S. Government). Disponível em: < http://www.eia.doe.gov>. Acesso em 10/11/2010.
ENI. World Oil and Gas Review 2007. Rome: Marchesi Grafiche Editoriali SpA, 2007.
Jesus, Fernanda Delgado de. Indicadores de vulnerabilidade socioeconômica para países exportadores de petróleo: Metodologia e análise comparativa. Tese
(Doutorado em Planejamento Energético), Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2008.
Mazzaroppi, Marcos. Análise e histórico dos fatores determinantes na formação do preço do petróleo nos últimos 30 anos. Monografia (Graduação em Ciências
Econômicas), Universidade Cândido Mendes, 2007.
Pimentel, Diego Alves. Indicadores de vulnerabilidade de produtores de petróleo: Caso Opep, 2006. Dissertação (Mestrado em Planejamento Energético),
Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006.
Pyndick, Robert S., Rubinfeld, Daniel L. Microeconomia. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2005.
Variant, Hal R. Microeconomia: Princípios básicos. Rio de Janeiro: Campus, 1994.
Yergin, Daniel. The prize: The epic quest for oil, money and power. New York: Free Press, 1990.
TN Petróleo 75
111
seguro
O impacto dos
grandes sinistros
no setor de óleo & gás e considerações sobre
seguros e gestão de riscos para a indústria
Os incidentes recentes, em particular a explosão da plataforma da British Petroleum (BP), que
provocou o vazamento de petróleo no Golfo do México este ano, aumentaram a consciência do
potencial de perda para todas as partes envolvidas na atividade. Para o mercado segurador,
por exemplo, o custo do acidente registrado em águas americanas supera US$ 1,2 bilhão e é
considerado um dos piores sinistros para o setor na área de petróleo.
A
Paulo Niemeyer Neto
é gerente de Oil&Gas/
Recurso Brasil da AON
Holdings Corretora de
Seguros Ltda. Responsável pela administração
de todas contas do segmento de Oil&Gas (upstream) da filial do Rio
de Janeiro. Formado em administração de
empresas pela PUC-Rio.
112
TN Petróleo 75
primeira reação do mercado segurador e ressegurador foi a de buscar
a elevação dos prêmios por força da ocorrência do sinistro. A variação
verificada foi de 10% a 30% na média, mas com alguns comportamentos fora desta curva. O desastre ecológico gerado pela BP também colocou
em evidência a procura por seguros de responsabilidade civil por danos
materiais e pessoais causados a terceiros, e para os mais tradicionais como
cobertura de navios, unidades e equipamentos, estaleiros e serviços de
manutenção e conservação.
Como comprova a história, os acidentes vultuosos tendem a criar um novo
comportamento do mercado e uma preocupação maior em procedimentos de
segurança. Os números mundiais revelam esse salto de qualidade: na década
de 1970, havia em média 25 acidentes por ano que geravam algum tipo de
poluição ambiental. A estatística caiu para oito na década de 1990 e para três
nos anos 2000. Entre os sinistros que causaram mudanças de comportamento
do mercado segurador estão o caso do Furacão Betsy, em 1965, nos EUA,
que custou US$ 65 milhões e arruinou o setor na época; o naufrágio de uma
plataforma na Noruega, em 1981; a explosão da plataforma Piper Alpha, no
Mar do Norte, em 1989, com prejuízo de US$ 1,2 bilhão e 160 mortes.
As empresas brasileiras também investiram e hoje detêm tecnologia e
expertise para se tornar grandes potências do setor, disputando a liderança
com outras empresas estrangeiras. A Petrobras figura como uma referência
mundial, com reconhecida capacidade operacional e de segurança na área
de exploração. No nicho de águas profundas, a Petrobras é responsável por
22% de toda a produção de petróleo e opera 18% de todas as instalações
offshore disponíveis no mundo.
O país prepara-se ainda para uma nova era no setor de óleo & gás, que
promete ser uma das áreas de negócios mais importantes do Brasil e deverá
movimentar US$ 600 bilhões nos próximos dez anos. As descobertas da
camada de pré-sal figuram como a principal mola propulsora do negócio.
De acordo com os resultados obtidos com as perfurações de poços, as rochas do pré-sal se estendem por 800 km do litoral brasileiro, desde Santa
Catarina até o Espírito Santo, e chegam a atingir até 200 km de largura.
Caso a expectativa se confirme, o Brasil ficaria entre os seis países com as
maiores reservas de petróleo do mundo, atrás apenas de Arábia Saudita,
Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes.
pré-perfuração precisam ser adotados.
As empresas têm se
mostrado profissionais
e dedicado atenção a
investimentos, e os
produtos oferecidos
pelas seguradoras
servem para garantir
a segurança financeira destas companhias,
independente de seu
tamanho. Mesmo com
empresas do porte da
British Petroleum, o
impacto financeiro de
catástrofes na perfuração de poços pode ser
desastroso, por isso,
o mercado segurador terá pela frente novos desafios e
oportunidades com a exploração do pré-sal.
Um bom plano de gerenciamento de riscos deve
estabelecer medidas preventivas contra derramamentos, oferecer respostas organizadas, rápidas e eficazes
em caso de acidentes. Além de mapear e identificar, o
plano deve avaliar ainda a capacidade de retenção dos
riscos das empresas e contemplar um completo programa de seguros para os riscos que podem ou devem ser
transferidos para terceiros. Como, por exemplo, para
plataformas de exploração de petróleo são demandados
dois tipos de cobertura: riscos de petróleo (que cobre
danos materiais às plataformas, navios, sondas e seus
equipamentos, decorrentes de fenômenos da natureza,
das operações, manutenção ou situações de guerra ou
greves) e de responsabilidade civil, por danos causados
a terceiros ou ao meio ambiente.
Diversos aspectos são considerados ao definir um
programa de seguros: a amplitude da cobertura, que
deve abranger não somente danos físicos aos equipamentos, mas também os danos que podem ser causados
a terceiros e ao meio ambiente, e as responsabilidades
decorrentes de suas operações. Outro ponto crucial é a
interrupção de negócios e a incapacidade de operar por
um tempo por conta de um evento inesperado, que pode
representar grande impacto no fluxo de caixa. Dependendo do evento e da empresa, pode tornar inviável a
continuidade da operação. Em geral, as grandes empresas
podem absorver riscos maiores, mas, mesmo hoje, elas
podem estar sujeitas a riscos que possam abalar não só
financeiramente, mas também sua marca e reputação.
O mercado de óleo & gás é promissor, mas seu êxito
está associado à discussão e à adoção de iniciativas focadas em responsabilidade socioambiental. O compromisso
das corporações com a sustentabilidade deixou de ser
um diferencial para ser uma política inerente àqueles
que decidem apostar no setor e se destacar.
Foto: Cortesia BP
No entanto, existe uma preocupação em relação às
consequências de um possível acidente em águas tão
profundas, principalmente após o desastre ambiental no
Golfo do México. As normas de segurança tornaram-se
mais complexas e o mercado passou a exigir que, cada
vez mais, as petrolíferas invistam em equipamentos sofisticados para evitar novos acidentes. E, apesar de o Brasil
ser um dos mais avançados do mundo na exploração de
petróleo, o país ainda não dispõe de todos os recursos
necessários para retirar o óleo de camadas tão profundas.
O campo de Tupi, por exemplo, se encontra a 300 km do
litoral, a uma profundidade de 7.000 m e sob 2.000 m de
sal. É de lá e dos blocos contíguos que o governo espera
que vá jorrar 10 bilhões de barris de petróleo.
Em geral, as medidas de prevenção para o pré-sal
são as mesmas adotadas em outros tipos de exploração
com perfuração, só que neste caso as águas são mais
profundas e com maior pressão. Isto significa custos mais
altos e cuidados extras para desenhar e estruturar poços.
Para evitar vazamento semelhante ao do poço Macondo,
é preciso reforçar os equipamentos de segurança, o que
encarece o processo de extração. Proporcionalmente, os
seguros de plataforma também têm seu valor aumentado,
uma vez que possuem exigências maiores para concessão
de licenças ambientais.
Por si só, a exploração de petróleo é uma atividade repleta
de riscos. Requer tarefas perigosas como perfurar rochas
em regiões ultraprofundas, enfrentar pressões altíssimas
e manipular volumes gigantescos de gás. Com o pré-sal,
é importante considerar que, como o material encontrado
durante a perfuração ainda é desconhecido, as características
do petróleo podem ser diferentes de poço para poço, variando
conforme diversos fatores. As características deste petróleo
podem variar e muito, uma vez que as condições no qual foi
sintetizado, em áreas mais profundas do solo do fundo do
mar, lhe atribuíram particularidades bem específicas, que
não sabemos até onde se estendem.
Os equipamentos de exploração de petróleo usados
até o momento são dimensionados para características
conhecidas, contudo tal material pode ser mais ácido, com
densidade mista ou até abrasiva, altamente volátil, com
grande quantidade de gases acumulados. Ou ainda, todo
material está disposto sob altíssima pressão – tanta que as
máquinas e mangueiras podem não suportar (sem contar
outras coisas que só saberemos depois de se alcançar
uma quantidade e volume significativos deste material).
A perfuração e posterior bombeamento também são processos inovadores e, como sabemos, mesmo a exploração
atual já tão difundida há décadas gera seus acidentes.
A prevenção, neste caso, é a melhor forma de obter sucesso
neste novo e potencial ramo. Além de todos os fatores
aqui mencionados, há que se considerar fatores externos
de tempo, como furacões e outros fenômenos que muitas
vezes influenciam mais do que os fatores técnicos.
Para reduzir o impacto ambiental de acidentes, todos
os tipos de precaução, regras de segurança e estudos
TN Petróleo 75
113
economia
A melhor estratégia é ter uma
proposta de valor atraente
A presença do Brasil está cada vez mais forte no radar global e o avanço
da indústria do petróleo tende não apenas a colaborar como a ganhar
peso no conjunto de riquezas do país. As perspectivas de crescimento
desta indústria são consideráveis, mas as previsões quantitativas só serão
viabilizadas se houver um forte investimento na formação de técnicos e
líderes gestores para o setor.
N
Fernando Armbrust Lohmann é engenheiro, sócio
e consultor da Fesa Global
Recruiters, nas áreas de
Energia, Industrial, Petróleo & Gás e Infraestrutura. Foi um dos principais
executivos da subsidiária da Petrobras para
comércio internacional durante quase 10 anos
e diretor-gerente da subsidiária de Cingapura.
Ex-cônsul-geral honorário de Cingapura no
Brasil por oito anos consecutivos. No Grupo
Siemens atuou durante sete anos em projetos
nas áreas de transporte, energia, petróleo &
gás, saneamento, portos e telecomunicações,
no Brasil e na Alemanha.
114
TN Petróleo 75
a última década nos deparamos com expressivos avanços no
país, também impulsionados pelo segmento de óleo e gás,
fazendo com que a participação deste no PIB saltasse de
2,75% (em 1997) para 10,6% (em 2006). Se ao longo deste período o
mercado já se ressentiu, e muito, diante da carência de mão de obra
qualificada, que dirá quando olhamos para os próximos dez anos,
em que as melhores previsões indicam um crescimento da participação do setor no PIB, passando para o patamar de 20%!
Até lá, numerosas lições de casa deverão ser cumpridas, principalmente quando o país experimenta um crescimento homogêneo
da sua economia e a disputa por capital humano qualificado tornase um limitante em suas conquistas. Soma-se a isto o impacto causado pela pequena oferta de bons cursos técnicos e universitários
voltados para a cadeia de valor do segmento óleo e gás.
Os expressivos avanços da Petrobras, com suas importantes descobertas, expansão de sua atuação, tanto setorial quanto geográfica,
vêm demandando, portanto, em curto espaço de tempo, um esforço
de toda cadeia produtiva, requerendo estruturas organizacionais
inovadoras e líderes gestores transformadores.
Quando falamos de líderes gestores, nos referimos àqueles que
são agentes de mudança, entendem o processo de inovação e transformação, estão próximos de seus clientes e liderados, têm obsessão
por pessoas e mente globalizada.
É preciso estratégia para encontrar os líderes que vão conduzir
a indústria de petróleo e gás à maior participação no PIB do Brasil.
Algumas opções se apresentam, como o desenvolvimento interno de
talentos e a atração de líderes gestores de outros segmentos, dentro
e fora da cadeia de valor, tanto local como globalmente. A escolha
de uma não exclui a outra. Todas são complementares.
Ilustração: Banco de Imagens Stock.xcng
No entanto, atrair essa nova geração de talentos requer uma compreensão dos valores que norteiam
seus princípios para a vida. Raramente encontraremos os workaholics dos anos 1980. Os profissionais
de alto talento da atual geração
buscam equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Não gostam de seguir
modelos estanques de gestão,
querem autonomia, flexibilidade, liberdade, trabalho em rede e
maiores recompensas vinculadas ao
resultado. Tais profissionais buscam
no trabalho um significado maior e
não só um meio de vida ou de fazer
dinheiro e ter status.
Por mais que os ambientes corporativos da indústria de petróleo ainda
careçam de sofisticação, o poder
desse segmento de atração é fabuloso. Ele tem enorme potencial de
crescimento na economia nacional
e mundial, pode ser considerado um
segmento de maior previsibilidade e
apresenta uma remuneração acima
da média de mercado. A superar, ainda, temos a necessidade de melhores
modelos de gestão, maior consciência socioambiental – que é pouco
difundida – afinal, essa indústria pode (e deve)
tornar o mundo melhor. Trabalhar valores que
estejam alinhadas com as demandas da nova
geração.
Para haver essa mudança de mentalidade, é
preciso que a gestão de talentos sela vista como
prioridade estratégica dentro deste segmento.
Cabe frisar que a gestão de talentos é responsabilidade da alta gestão: acionistas, conselheiros, CEOs e demais executivos em posição de
liderança. Porém, ainda percebemos uma distância grande entre discurso e prática.
A gestão de talentos ainda é considerada ativi-
dade de curto prazo, como problema tático e não
como parte integral da estratégia de longo prazo
do negócio.
A razão de uma pessoa inteligente e ambiciosa querer trabalhar em determinada organização está diretamente ligada à proposta de valor
que esta pode lhe oferecer. Pode-se entender
como proposta de valor, a marca forte e sólida,
o projeto desafiador, a realização profissional,
a visibilidade, a participação nos processos decisórios, o ambiente sustentável e saudável e a
remuneração alinhada às práticas de mercado e
atrelada a resultados.
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TN Petróleo 75
115
incubadoras
Incubadoras
para o futuro
Sempre fico muito empolgado quando vejo um produto de
alta tecnologia chegar ao mercado depois de ter nascido
numa sala de aula ou laboratório de universidade brasileira.
P
José Octávio Armani
Paschoal é presidente
do Instituto Inova de
São Carlos, entidade
responsável pela gestão
do Parque Ecotecnológico Damha, do município de São Carlos (SP).
116
TN Petróleo 75
rodutos atualmente incorporados ao cotidiano das pessoas, como os
chips, computadores ou mesmo um celular, por exemplo, tiveram
sua origem em instituições de pesquisa e desenvolvimento, ou em
incubadoras de empresas, ou seja, em ambientes que estimulam a criação
de novos produtos e serviços, que disseminam o empreendedorismo e/ou
fomentam a criação de novas empresas.
É um grande salto na capacidade humana de gerar conhecimentos e
transformá-los em riquezas. Esse fenômeno vem acontecendo com frequência
crescente na região de São Carlos, interior de São Paulo, onde, em decorrência da existência dos campi das universidades de São Paulo (USP), São
Carlos (UFSCar), e ainda da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), entre outros, há uma elevada concentração de doutores (Ph.Ds),
sendo um doutor para cada 160 habitantes – enquanto a média nacional é
de um para cada 5.423 habitantes.
É importante mencionar que a primeira incubadora brasileira foi criada
no município de São Carlos, no ano de 1984, numa iniciativa que contou
com a participação do Governo do Estado de São Paulo, da Prefeitura do
Município de São Carlos, entre vários outros parceiros, que contribuíram
para a concretização desta ideia.
Assim, existe hoje, nesta região, uma vigorosa cultura de incubadoras
e geração de empresas, sobretudo de base tecnológica. As incubadoras
surgiram de maneira espontânea. A experiência pioneira e certamente
a de maior sucesso nasceu no final dos anos 1940 na Califórnia (Estados
Unidos), quando a Universidade de Stanford buscou articular a produção
de conhecimento científico à geração de novas tecnologias.
Essa iniciativa propiciou vários empreendimentos bem-sucedidos, principalmente nos segmentos de microeletrônica, que foram a origem do famoso “Vale do Silício”. Tempos depois, o entendimento de que a sinergia
entre a pesquisa acadêmica e as iniciativas empresariais potencializava o
desenvolvimento tecnológico levou universidades e empresas à criação de
um sistema planejado.
Nasceram assim os parques tecnológicos, que se generalizaram pelo
mundo a partir dos anos 1960. Atualmente, eles estão presentes de maneira
muito significativa nos EUA, na China, no Japão, na Europa e em Israel.
No Brasil, a experiência surgiu timidamente nos anos 1970; hoje, empresas
originárias de incubadoras exportam para até para a Nasa (sigla em inglês
de National Aeronautics and Space Administration,
que quer dizer Administração Nacional do Espaço e da
Aeronáutica), também conhecida como agência espacial
norte-americana, e tem suas ações negociadas na Nasdaq,
a bolsa eletrônica americana de valores.
Redescobrindo o Brasil
Em todo o mundo existem cerca de três mil incubadoras – 800 delas instaladas nos Estados Unidos. No
Brasil, mesmo com muitos casos de sucesso, o número
de incubadoras ainda é pequeno – algo em torno de 400.
Cidades como São Carlos e outras, por serem pioneiras,
são alguns dos locais em que a presença delas se faz
notar de maneira mais significativa, principalmente nos
últimos anos, quando o mercado de tecnologia descobriu
o Brasil.
Essa descoberta conseguiu inverter a tendência de
“evasão de cérebros” existente até pouco tempo, em que
os quadros mais qualificados das nossas universidades
iam buscar aperfeiçoamento e trabalho no exterior. Atualmente, ao contrário, muitos estudantes e executivos
estrangeiros vêm para cá para compartilhar experiências
com universidades e empresas nacionais.
São Carlos, que foi pioneira na implantação de incubadoras no Brasil, prepara-se agora para entrar num patamar superior dessa iniciativa. Trata-se do lançamento do
Parque Ecotecnológico Damha, que veio para viabilizar
uma nova geração de iniciativas, incluindo a instalação
de uma incubadora de empresas de base tecnológica, de
um Núcleo de Inovação, além de um Centro de Pesquisa
de São Carlos (Citesc), entre outros.
O Parque Ecotecnológico Damha incorpora o conceito
de sustentabilidade às edificações e aos processos produtivos que serão instalados no local, de modo a minimizar
os impactos e a preservar o meio ambiente. Desta forma,
além do baixo impacto ambiental, o Parque priorizará
também a instalação de empresas que realizam pesquisas e/ou desenvolvem produtos ou serviços, fortemente
ligadas às universidades e institutos de pesquisas, ou
seja, empresas destinadas a transformar conhecimento
em negócios econômico, social e ambientalmente sustentáveis.
Em uma era de grandes desafios, países emergentes
como o Brasil despontam como portadores de alternativas globais. A cultura de criação de parques tecnológicos e de incubadoras de empresas, essencial para o
desenvolvimento integrado de um país, ainda é pouco
disseminada entre nós, mas certamente temos todas as
condições de desenvolvê-la numa versão e visão mais
modernas ainda.
Assim, estaremos criando condições para ingressarmos efetivamente no clube dos países mais avançados,
seja do ponto de vista tecnológico, como social e ambientalmente desenvolvidos.
fino gosto
Prato cria
e reina na
fama
Mesa
por Orlando Santos
Dividindo seu tempo entre aulas, pesquisas universitárias e panelas, o escritor, professor e pesquisador
Fabiano Dalla Bona, curitibano radicado no Rio, vai enriquecendo sua coleção de livros dedicados à
gastronomia, sempre intercalando a informação com preciosidades históricas dos personagens e suas
ligações com os pratos batizados com seus nomes.
A
Uma provinha do que
o leitor vai encontrar
“Filho de um comerciante de bacalhau,
após a falência do pai, Gomes de Sá foi
obrigado a trabalhar como cozinheiro do
Restaurante Lisbonense, lugar em que
criou a receita. Este é um prato típico da
região Norte de Portugal, de preparação
simples e relativamente rápida. Decidiu
inovar, deixando as lascas do bacalhau
marinando em leite aquecido de forma a
ficarem macias. O resultado foi o Bacalhau à Gomes de Sá, hoje um dos mais
famosos pratos da cozinha portuguesa.
Diz-se que passou a receita a um amigo,
um tal João, com a seguinte nota: ‘João,
se alterar qualquer coisa, já não fica capaz’.” (p. 26)
118
TN Petróleo 75
ssim, Fama à mesa, seu livro mais recente, é uma bela e prazerosa viagem
que mescla gastronomia com fatos históricos e curiosos que expõem a
humanidade de reis, rainhas, músicos, artistas, políticos e escritores, todos
incapazes de resistir às tentações da gula.
No capítulo reservado aos pratos criados ou simplesmente sugeridos e consagrados por brasileiros, o destaque vai para o Frango Atropelado Tom Jobim,
inventado pelo maestro na churrascaria Plataforma, nos idos de 1990. O frango
é servido apenas desossado, mas foi o suficiente para o genial maestro olhar
para o seu amigo Alberico Campana, dono do Plataforma, e, às gargalhadas,
batizar o prato de Frango Atropelado. E a iguaria continua até hoje no cardápio
da churrascaria, sendo servido com esse nome.
Tive o prazer de acompanhar de perto esse batismo gastronômico. Ao lado
de amigos como Pedro Gama Filho, Paulo Jardim (já falecidos) e do professor
Sebastião, da UGF, sentávamos, quase diariamente, sempre próximos da mesa
do maestro – ele empunhando o inseparável charuto. Nessa época ouvimos
também o Alberico estranhar a simplicidade de Tom Jobim diante de seu grande
reconhecimento musical mundo afora: ele dava autógrafos o dia inteiro e tirava
fotos com todo mundo. Pelo visto, até na gastronomia Tom era simples.
O certo é que o maestro adorava o tal Frango Atropelado. A receita é das
mais simples, talvez a mais simples de todas do livro de Fabiano: quatro peitos
de frango cortados junto com a coxa e a sobrecoxa, abertos e prensados por um
peso, de modo que fiquem achatados; sal, azeite de oliva (na época ainda não
havia essa profusão de extra virgem), e assados na grelha, dos dois lados, para
que fiquem bem dourados. Nada mais simplório.
Recentemente, nas páginas da revista Rio Show, no capítulo dedicado à
gastronomia, a jornalista Luciana Froés, de O Globo, revelou, com propriedade,
alguns dos pratos nascidos e criados no Rio, como o Filé à Oswaldo Aranha,
citado no livro de Fabiano, e o Picadinho na Faca, criado para atender ao
poeta Vinicius de Moraes, que nas noitadas, segundo consta, tinha preguiça
de cortar o filé e por isso ele já chegava à sua mesa devidamente cortado.
A existência de pratos nacionais, segundo diz Fabiano, ainda é muito
pouco valorizada no país e por isso ele defende a tese de que é preciso que
esse tema, a memória do sabor, seja permanentemente discutido para o conhecimento de todos. Nada mais justo.
3
Fama à mesa revela os bastidores
de encontros gastronômicos, conversas e o passo a passo da criação das
iguarias preferidas de celebridades.
Antes de cada história, é oferecida
a receita completa do prato. Entre
os personagens centrais estão Luís
XV, a ex-miss Brasil Marta Rocha,
Luciano Pavarotti, Eça de Queiroz,
Marcel Proust, Sophia Loren, Frank
Sinatra e até mesmo Miss Marple, a
detetive de Agatha Christie.
Fabiano Dalla Bona explora as
relações da comida com a música e a
literatura, sugerindo que as três artes
são consideradas riquezas imateriais
e nutrientes da alma. Para ele, o alimento tem função social na cultura,
atuando como elemento agregador.
A influência é percebida de forma direta em letras de canções como Feijoada
completa, de Chico Buarque, e A comida da Filó, da Martinho da Vila. Ou
mesmo em livros como Gabriela, cravo
e canela, de Jorge Amado, O crime do
padre Amaro e O primo Basílio, de Eça
de Queiroz, em que as refeições são
narradas em detalhes.
A obra divide-se em seis capítulos: Receitas de homens famosos,
Receitas de mulheres famosas, Receitas musicais, Receitas da realeza, Receitas de grandes escritores
e personagens literários, Drinques
FAMA À MESA,
Fabiano Dalla Bona,
14cm x 21cm, 184p.
Tinta Negra Editorial, 55
Tel.: 21 2524-5006
www.tintanegraeditorial.com.br
2
famosos. Cada tema oferece histórias curiosas e, por vezes, divertidas,
que expõem o lado desconhecido de
homens e mulheres marcantes que
atraíram notoriedade.
A fama e os paparazzi
Fama à mesa também propõe
uma reflexão acerca do conceito de
‘fama’, que sofreu modificações ao
longo dos séculos. Na cultura grega, a notoriedade era atribuída aos
homens que realizavam feitos heroicos. No mundo contemporâneo,
a fama está associada à exposição
pública excessiva e à imagem pessoal do personagem, como artistas
e cantores que estampam capas de
jornais e revistas.
Com o surgimento das celebridades instantâneas, o trabalho dos
paparazzi tornou-se mais importante
para os veículos de comunicação especializados, preocupados em suprir
a demanda por novas fotos e escândalos. O tema é controverso, já que
estes fotógrafos são considerados
invasores de privacidade por grande
parte dos artistas.
Um convite aos prazeres da mesa
Fabiano Dalla Bona apresenta
receitas de massas, carnes, bolos,
tortas, sopas e drinques de diversas
Fotos: Banco de Imagens TN Petróleo
1
origens – francesa, italiana, brasileira, inglesa, australiana, norte-americana, entre outras. O leitor poderá preparar e saborear pratos como:
Omelete Afrodisíaca de Luís XV, ou
Bolo-esponja da Rainha Vitória, ou
Risoto Giuseppe Verdi, ou, ainda,
Vitela Balsâmica de Pavarotti, Camarão à Marta Rocha, Moqueca de
siri mole da Dona Flor e Madeleines
de Proust, dentre outros.
Agradecimentos
As fotos que ilustram esta matéria forma
produzidas com a colaboração dos melhores
restaurantes do Centro do Rio, em suas respectivas especialidades. A sopa Leão Velloso
(1) teve sua origem no Rio Minho, que há 126
anos serve essa preciosidade, agora sob o comando de Cristina Tielas, filha do Sr. Ramon
Tielas, o patriarca da família; o filé Oswaldo
Aranha (2) é servido na quase centenária (98
anos) Casa Urich, sob a direção eficiente dos
irmãos Orlando e Marisa Oreiro Fernandes; o
Frango Atropelado (3), nascido no Plataforma
do Leblon, tem a sua versão no mais novo
restaurante especializado em galetos no Rio
de Janeiro, o Crystal Galeto, sob a batuta de
um dos membros da famíla Safi, Cristiano.
Rio Minho: rua do Ouvidor, 10
Tel.: (21) 2509-2338
Casa Urich: rua São José, 50
Tels.: (21) 2220-2224/2544-7826
Crystal Galeto: rua do Rosário, 90
Tel.: (21) 2507-1001
TN Petróleo 75
119
coffee break
A bicentenária
Biblioteca
Nacional
por Orlando Santos
Encravada na Cinelândia, coração do Centro do Rio, e testemunha de vários episódios
marcantes da história política brasileira, a bicentenária Biblioteca Nacional completou
Foto: Banco de Imagens TN Petróleo
200 anos de uma fecunda e pródiga existência a serviço da cultura nacional.
Biblioteca Nacional 200 Anos:
Uma Defesa do Infinito
Biblioteca Nacional
Avenida Rio Branco, 219, Centro
Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 3095-3879 – www.bn.br
Visitação até 25 de fevereiro de 2011
De segunda a sexta, de 10h às 17h
120
TN Petróleo 75
Considerada pela Unesco uma das dez maiores bibliotecas
nacionais do mundo, ela tem sob sua guarda mais de nove milhões de
obras. Centenas de pesquisadores, estudantes, turistas adentram diariamente o prédio, que, aliás, está comemorando também cem anos de
fundação.
Para provar que apesar de bicentenária ela não se tornou uma referência apenas para consumidores culturais da chamada ‘informação impressa em livros e documentos’, a Biblioteca Nacional está se modernizando:
já digitalizou um milhão dos 9,5 milhões de itens de seu acervo, e é uma
das fundadoras da Biblioteca Digital Mundial, projeto que reúne na internet cópias de peças importantes de bibliotecas do mundo inteiro.
O início de seu tão fecundo caminho está ligado a um dos mais decisivos momentos da história do país: a transferência da família real e da
Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, quando da invasão de Portugal
pelas forças de Napoleão Bonaparte, em 1808.
O acervo trazido para o Brasil, de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas, foi inicialmente acomodado
numa das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo,
na Rua Direita (hoje Primeiro de Março). Em 29 de outubro de 1810, um
decreto do Príncipe Regente determinou que o lugar acomodasse a Real
Biblioteca e instrumentos de física e matemática. A data de 29 outubro de
1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca
que, no entanto, só foi franqueada ao público em 1814.
Quando, em 1821, a Família Real regressou a Portugal, D. João VI
levou de volta grande parte dos manuscritos do acervo. Depois da Proclamação da Independência, a aquisição da Biblioteca Real pelo Brasil
foi regulada, mediante a Convenção Adicional ao Tratado de Paz e Amizade celebrado entre Brasil e Portugal, em 29 de agosto de 1825.
O prédio atual da FBN (sim, porque hoje ela é uma Fundação) teve
sua pedra fundamental lançada em 15 de agosto de 1905 e foi inaugurado
Fotos: Divulgação
cinco anos depois, em 29 de outubro de 1910. O prédio foi projetado
pelo general Francisco Marcelino
de Sousa Aguiar, e a construção
foi dirigida pelos engenheiros
Napoleão Muniz Freire e Alberto
de Faria. As instalações do novo
edifício correspondiam a todas as
exigências técnicas: pisos de vidro
nos armazéns (ainda existentes),
armações e estantes de aço com
capacidade para 400 mil volumes,
amplos salões e tubos pneumáticos
para transporte de livros dos armazéns para os salões de leitura.
A Biblioteca Nacional tem
um setor de restauração para dar
sobrevida às obras mais raras – são
necessários pelo menos dois meses
para restaurar um livro. Toda obra
restaurada é microfilmada e digitalizada antes de ser encadernada
novamente. “O microfilme é mais
confiável, mas com a digitalização é
possível disponibilizar a obra para o
mundo”, considera um dos profissionais da área. A digitalização
também é útil para proteger documentos que poderiam se deteriorar
com a manipulação frequente.
Uma das peças mais preciosas
da FBN é a ‘Bíblia’ de Mogúncia,
impressa em 1462. O exemplar
guardado no Rio é um dos poucos
que ainda existem no mundo.
Preservar os 9,5 milhões de itens
que formam seu acervo é uma
obrigação legal para a instituição.
A legislação em vigor determina
que cada editora brasileira depo-
A exposição Biblioteca Nacional 200
Anos: Uma Defesa do
Infinito está aberta
ao público até 25 de
fevereiro de 2011.
O visitante encontrará uma seleção de
200 peças originais representando algumas das maiores preciosidades e
curiosidades sob a guarda da instituição. A curadoria é do
escritor Marco Lucchesi.
A história da Biblioteca até os dias de hoje é oferecida
sob a forma de um passeio sobre o acervo de livros, ma-
site ali dois exemplares de tudo
o que publicam. Esse dispositivo
ajuda a FBN a cumprir sua finalidade de difundir informação e
cultura, mas lhe impõe um desafio
permanente: abrigar adequadamente tantas peças. Seu espaço
físico é limitado e ela precisa há
todo tempo arranjar mais lugar
para abrigar novos itens.
Desde 2005 a presidência da
Fundação Biblioteca Nacional é
ocupada pelo professor Muniz
Sodré, que confia na permanência
das bibliotecas como uma grande
referência para pesquisadores e
estudantes. Segundo declarou em
recente entrevista, a internet é
ameaça maior para as livrarias do
que as bibliotecas.
nuscritos, periódicos, pinturas, partituras musicais, entre
outras peças ligadas ao acervo. Em destaque: um Livro de
Horas (livro de orações) da Idade Média, com pinturas em
ouro; a primeira edição de Os lusíadas, de Luís de Camões;
A menina do narizinho arrebitado, de 1920, de Monteiro Lobato; peças que integram a Coleção Teresa Cristina Maria,
doada à instituição por D. Pedro II; edições de periódicos
como a revista Tico Tico e O Pasquim; manuscritos de
Clarice Lispector, Raul Pompéia, Castro Alves, Graciliano
Ramos e Carlos Drummond de Andrade; o libreto da ópera
O Guarani (1871), de Carlos Gomes; mapas, entre tantas
outras peças do acervo.
No terceiro andar da Biblioteca, uma exposição especial conta a história do edifício, fundado em 1910.
TN Petróleo 75
121
EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO REFINO E DISTRIBUIÇÃO GEOFÍSICA E SÍSMICA DUTOS E
TERMINAIS INDÚSTRIA NAVAL E OFFSHORE BIOCOMBUSTÍVEIS E SUSTENTABILIDADE
RECURSOS HUMANOS E GOVERNANÇA CORPORATIVA LEGISLAÇÃO E MERCADO
Informação de qualidade
Sempre, sempre, sempre...
ESPECIAL: PRODUTORES INDEPENDENTES
O outro Brasil
do petróleo
Bahia: onde tudo começou
Cadeia produtiva baiana
Inovação para campos maduros
Pequenos produtores, pequenos municípios e grandes
esperanças, por Doneivan F. Ferreira
Entrevista exclusiva
Armando Comparato Jr,
presidente da Prysmian América do Sul
A cara e a cruz: situação do parque supridor na Bahia,
por Nicolás Honorato Cavadas
O Brasil é ótimo
Campos maduros e o governemnt take,
por Thereza Aquino e Mauricio Aquino
Sustentabilidade acontece quando se olha
para o futuro, por Otavio Pontes
A importância da logística enxuta nas
corporações, por Aldo Albieri
Demanda e produção de petróleo:
a necessidade de gestão, por Ronald Carreteiro
As oportunidades do mercado internacional
de gás e óleo pós-crise, por Eduardo Sausen Mallmann
Como atingir a excelência operacional, por Ailtom Nascimento
ESPECIAL: TECNOLOGIA SÍSMICA
Brasil:
um território
inexplorado
Novos desafios à regulação: a sobrevivência
dos independentes, por Marilda Rosado
O marco brasileiro, por Marcio Silva Pereira
Acidente ambiental, por Maurício Green e Carlos Boeckh
O contrato de partilha de produção: considerações
sobre o regime tributário, por Gonçalo Falcão
Entrevista exclusiva
Tomaso Garzia Neto,
presidente da Projemar
Engenharia é o
nosso negócio
A economia brasileira e o apagão de talentos,
por Alfredo José Assumpção
Sistema óptico aprimora medição de tensões residuais em dutos
enterrados, por Armando Albertazzi Gonçalves Jr. e Cesar Kanda
Royalties do petróleo e tributação: ou um ou o outro, por Danny
Warchavsky Guedes e Caroline Floriani Bruhn
Mercado de biocombustíveis carece de regulação,
por Liliam Fernanda Yoshikawa e Hilton Silva Alonso Junior
C O B E R T U R A
Ano XII • mai/jun 2010 • Número 72 • www.tnpetroleo.com.br
opinião
opinião
opinião
www.tnpetroleo.com.br | 55 21 3221-7500
Festa para o Almirante Negro
Golfo do México: horizonte sombrio
Licença ambiental para o Estaleiro do Paraguaçu
nº 72
nº 71
nº 70
Nas águas turbulentas do ISS, por André L. P. Teixeira,
Bianca de S. Lanzarin e Tiago Guerra Machado
O outro Brasil do petróleo – Parte 2
ESPECIAL PN PETROBRAS 2010-2014: 224 BILHÕES DE DÓLARES EM INVESTIMENTOS
FMC: produção submersa
O futuro do aço brasileiro
de Gabriel Aidar Abouchar, diretor de Mineração e Siderurgia da Abemi
Revista Brasileira de TECNOLOGIA e NEGÓCIOS de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Biocombustíveis
Forship: gestão regulatória
Ano XII • mar/abr 2010 • Número 71 • www.tnpetroleo.com.br
Revista Brasileira de TECNOLOGIA e NEGÓCIOS de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Biocombustíveis
SMS: a indústria já entende essa mensagem
ESPECIAL TECNOLOGIA SÍSMICA: BRASIL, UM TERRITÓRIO INEXPLORADO
ESPECIAL: PRODUTORES INDEPENDENTES – O OUTRO BRASIL DO PETRÓLEO
Revista Brasileira de TECNOLOGIA e NEGÓCIOS de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Biocombustíveis
E o tombo não foi tão grande assim
TN PETRÓLEO
TN PETRÓLEO
TN PETRÓLEO
Ano XII • jan/fev 2010 • Número 70 • www.tnpetroleo.com.br
Indústria naval: os próximos passos
de Alceu Mariano, presidente da Sobena – Sociedade Brasileira de Engenharia Naval
A energia descriminada, de Antonio E. F. Muller, presidente da Abdan
(Associação Brasileira do Desenvolvimento das Atividades Nucleares)
O outro Brasil do petróleo – Parte 3
Wärtsilä: com força total
Lançado ao mar primeiro
navio fluminense do Promef
Primeiro porta-contêineres construído no Brasil
ESPECIAL: PLANO DE NEGÓCIOS DA PETROBRAS 2010-2014
224 bilhões
de dólares em
investimentos
A hora do pré-sal e dos pequenos produtores
de petróleo e gás, por Haroldo Lima
Modalidades de transporte e escoamento
de óleos não convencionais, por Clenilson da Silva Sousa Junior
A evolução do licenciamento ambiental
das atividades de E&P, por Maria Alice Doria
Entrevista exclusiva
John Forman,
vice-presidente da HRT Oil & Gas
De volta
ao Eldorado
CADERNO DE SUSTENTABILIDADE
Michelin Challenge Bibendum: mobilidade sustentável
Fórum Internacional de Comunicação
e Sustentabilidade: diálogo necessário
Conferência Internacional do Instituto Ethos 2010
Mais de 2 milhões para Piatam V
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122
TN Petróleo
75
feiras e congressos
Janeiro
18 a 20 – Egito
MENA Natural Gas Distribution
Summit 2011
Local: Cairo
Tel.: 0091 80 4050 9936
Fax: 0091 80 4050 9933
[email protected]
www.fleminggulf.com
31/01 a 01/02 – Reino Unido
Offshore Production Technology 2011
Local: Londres
Tel.: +442072027628
Fax +44 (0)20 7202 7600
[email protected]
www.offshore-summit.com
Fevereiro
17 a 18 – China
4th UGas Summit
(Unconventional Gas)
Local: Cingapura
Tel:+65 6346 9113
Fax:+65 6345 5928
[email protected]
www.cmtevents.com
5 a 6 – Casaquistão
OilTech Atyrau 2011
Local: Atyrau
Tel.: +44 (0) 207 596 5082
Fax: +44 (0) 207 596 5111
[email protected]
www.oiltech-atyrau.com/2011/
13 a 14 – Canadá
ISA Calgary 2011
Show & Conference
Local: Calgary, Alberta
Tel.: +14032093555
Fax: (403) 245-8649
[email protected]
http://isacalgary.com/
18 a 20 – Brasil
1° Congresso Brasileiro de CO2
na Indústria de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis
Local: Rio de Janeiro
Tel.: +5521 2112-9079
Fax: +5521 2220-1596
[email protected]
www.ibp.org.br
Maio
21 a 25 – Argélia
5th Algeria Energy Week 2011
Local: Oran
Tel.: +442075965173
Fax: 0044 0 20 7596 5106
[email protected]
www.sea5-algeria.com/
Junho
7 a 9 – Canadá
Gas & Oil Expo & Conference
North America
Local: Calgary, Alberta
Tel.: +14032093555
Fax: +1 (403) 245-8649
[email protected]
www.gasandoilexpo.com/
7 a 10 – Azerbaijão
Caspian International Oil & Gas
Exhibition & Conference 2011
Local: Baku
Tel.: 0044 207 596 5091
Fax: 0044 207 596 5008
[email protected]
www.caspianoil-gas.com/2010/
index.html
2 a 5 – EUA
OTC 2011
Local: Houston
Tel.: +1.972.952.9494
Fax: +1.972.952.9435
[email protected]
www.otcnet.org/2011/
10 a 15 – EUA
ASME Annual Meeting
Local: Dallas, Texas
Tel.: 973 882 1170
Fax: 973 882 1717
[email protected]
www.asme.org
15 a 17 – Canadá
World Heavy Oil Congress
Local: Calgary, Alberta
Tel.: +14032093555
Fax: +1 (403) 245-8649
[email protected]
www.worldheavyoilcongress.com
5 a 7 – Índia
POWER-GEN India
& Central Asia 2011
Local: Nova Déli
Tel: +44 1992 656 610
[email protected]
www.power-enindia.com
14 a 17 – Brasil
Brasil Offshore 2011
Local: Macaé, RJ
Tel.: 55 11 3060-4868
Fax: 55 11 3060-4953
[email protected]
www.brasiloffshore.com/
21 a 24 – Holanda
Gastech 2011
Local: Amsterdã
Tel.: +442031806576
[email protected]
www.gastech.co.uk
10 a 13 – Brasil
11ª Coteq
Local: Porto de Galinhas, PE
Tel.: +55 11 5586-3197
Fax: +55 5581-1164
[email protected]
www.abendi.org.br
21 a 24 – Rússia
11th MIOGE 2011
Local: Moscou
Tel.: 0044 207 596 5135
Fax: 0044 207 596 5135
[email protected]
www.russianpetroleumcongress.com
16 a 17 – Brasil
VI Congresso Rio Automação
Local: Rio de Janeiro
Tel.: +552121129079
Fax: +552122201596
[email protected]
www.ibp.org.br
22 a 23 – Canadá
Atlantic Canada Petroleum Show
Local: Newfoundland
Tel.: +14032093555
Fax: (403) 245-8649
[email protected]
www.atlanticcanadapetroleumshow.com
21 a 23 – EUA
Mexico Oil and Gas Conference 2011
Local: Houston, TX
Tel.: +44 20 7978 0000
CWCConference[email protected]
www.thecwcgroup.com
Março
Abril
4 a 5 – Alemanha
Pipeline Technology Conference 2011
Local: Hannover Messe
Tel.: +49 511 90992-22
Fax: +49 511 90992-69
e-mail: [email protected]
www.pipeline-conference.com
Para divulgação de cursos e/ou eventos, entre em contato com a redação. Tel.: 21 3221-7500 ou [email protected]
TN Petróleo 75
123
opinião
de Marcelo Gonçalves, sócio-diretor da BDO,
responsável pela área de training no Brasil.
Reter talentos:
um desafio significativo
Como já se tornou notório no Brasil diante de seu crescimento
e desenvolvimento nos últimos anos e das perspectivas de
manutenção desta tendência, temos à frente um grande desafio.
Foto: Divulgação
E
este desafio é representado pela necessidade
de dispormos de um número significativo e
crescente de profissionais capacitados para
encarar os avanços tecnológicos e as demandas
por uma gestão eficiente, seja nas empresas
privadas, ou no setor público.
Mesmo registrando avanços significativos na formação
educacional do brasileiro – especialmente em razão da
inclusão de grandes contingentes
de jovens no ensino superior devido ao crescimento da oferta de
vagas e à consolidação de programas oficiais que concedem bolsas
de estudos em instituições de ensino particulares –, sabemos que
a procura por mão de obra qualificada tem sido maior do que a
oferta de pessoal adequadamente
capacitado para as exigências do
mercado de trabalho.
É fácil perceber, portanto,
que os talentos disponíveis são, a
cada momento, mais e mais valorizados. A disputa pelos
profissionais qualificados torna-se acirrada, e as armas
utilizadas pelos agentes do mercado para atraí-los têm
cada vez mais apelo e potencial de sedução.
Torna-se claro que as corporações têm de se manter
atentas para não perder para o mercado os talentos
existentes em seus quadros. Conhecemos o alto custo
que representa a preparação, formação, capacitação e
adequação de um funcionário às características e necessidades de cada atividade. A perda para o mercado
(muitas vezes para a própria concorrência) de um talento já formado e adaptado às rotinas de uma empresa,
órgão ou entidade equivale ao desperdício de vultosos
124
TN Petróleo 75
recursos investidos na preparação daquele profissional
e, também, à necessidade de dispêndio de mais tempo
e dinheiro na descoberta, contratação e adequação de
um substituto.
Desta forma, reter os profissionais talentosos torna-se
um grande desafio. Para encará-lo, é preciso atenção,
conhecimento, comunicação e investimento. Primeiramente, o empregador e seus gestores devem estar atentos
e conhecer bem os anseios, as necessidades e as ambições
de seus colaboradores para traçar um perfil bem definido
que sirva como referência para o desenvolvimento da
carreira de cada talento.
Manter uma comunicação eficiente, que integre
de fato todos os níveis de gestão da corporação, é
essencial para evitar surpresas em razão de possíveis
descontentamentos ou desentendimentos. Com informações e o conhecimento em mãos, é possível traçar
estratégias de gestão de pessoal que valorizem de fato
os melhores talentos, com a oferta de capacitação,
treinamento e formação constantes e de perspectivas
de ascensão profissional, aliada a políticas de incentivo e concessão de benefícios atrativos. Construir,
oferecer e valorizar um ambiente de trabalho saudável,
adequado e estimulante é, ao final, a ‘cereja do bolo’
para reter os melhores profissionais.
Empresas, órgãos ou entidades precisam estar atentos aos movimentos do mercado de trabalho para evitar
surpresas inesperadas, como a perda de profissionais não
plenamente contentes ou que venham a receber propostas
mais atraentes. Enquanto nosso país não tiver capacidade
de equalizar adequadamente as necessidades de formação
de profissionais qualificados, a balança entre a oferta e
a procura de talentos seguirá desequilibrada. Por isso,
manter os bons profissionais é uma atitude que deve ser
efetivamente valorizada pelas corporações.
Rio
Pipeline
2011
Conference & Exposition
Setembro 20-22
10/10
20 a 22 de setembro de 2011
Chamada de Trabalhos:
21 de janeiro de 2011
Participação
Informações:
Tel.: (+55 21) 2112-9000
Fax: (+55 21) 2220-1596
e-mail: [email protected]
Organização / Realização
Centro Tecnológico
no Brasil.
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STbPUX^bS^?aÐbP[T_PaP^Pd\T]c^SPaTRd_TaPÎÊ^
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