Apostila Educativa - Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro

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Apostila Educativa - Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro
Exposição Itinerante
CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
Dinossauros saurópodes sempre atraíram a atenção e estimularam nossa imaginação, com suas
dimensões extraordinárias. Há 70 milhões de anos atrás, eles dominavam do alto as planícies e os
pântanos da maioria dos continentes. Mas a história evolutiva desses titãs se estende por um longo
período de mais de 130 milhões de anos, indo do Jurássico ao final do Cretáceo Superior, quando a
maioria dos dinossauros se extinguiu.
Deste fascinante grupo, restaram sobre nosso planeta apenas as aves, uma linhagem de
dinossauros alados que se originou de pequenos terópodes carnívoros do grupo dos Velociraptores e
Dromeossauros.
O fóssil de dinossauro descoberto pelos pesquisadores do Museu de Zoologia da USP nas rochas
da Bacia Sanfranciscana, denominado Tapuiasaurus macedoi, viveu há 120 milhões de anos, na idade
geológica denominada Aptiano. Pertence ao grupo dos titanossauros, considerada a linhagem mais
evoluída de saurópodes.
O Tapuiasaurus macedoi representa uma descoberta importante por dois motivos: ele estende a
origem do grupo dos titanossauros evoluídos para um período bem mais antigo, preenchendo um
vazio temporal de mais de 30 milhões de anos na história evolutiva dos titanossauros. Possui o
esqueleto craniano mais bem preservado e completo no mundo para o grupo, sendo o primeiro
descoberto no Brasil. O estudo das características anatômicas deste animal ajudou os cientistas a
entender melhor a aparência e os hábitos de vida dos titanossauros.
Esta rara descoberta de um fóssil de titanossauro com um crânio completo representa um evento
extraordinário que o Museu de Zoologia tem orgulho de compartilhar com todos os seus visitantes.
Hussam Zaher
Alberto B. Carvalho
Maria Isabel Landim
Curadores
ÍNDICE
INTRODUÇÃO À PALEONTOLOGIA.....................................02
TERRA: TECTÔNICA DE PLACAS E TIPOS DE ROCHAS...........08
DINOSSAUROS E OUTROS RÉPTEIS.....................................12
CLASSIFICAÇÃO DOS SERES VIVOS.....................................19
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E HISTÓRIA DOS OBJETOS.........25
EXPOSIÇÕES: CONCEITOS, ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO......32
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................38
INTRODUÇÃO
À PALEONTOLOGIA
INTRODUÇÃO À PALEONTOLOGIA
03
O que é Paleontologia?
A Paleontologia é uma área do conhecimento dedicada ao estudo de restos de animais e vegetais
“pré-históricos” ou evidências de suas atividades ao longo do tempo geológico, produzindo
informações que possibilitam suporte à elaboração de teorias em diversas áreas da História Natural. O
termo “paleontologia” foi empregado pela primeira vez por Richard Owen em 1834, composto pelas
palavras gregas palaios (antigo), ontos (ser) e logos (estudo). A Paleontologia integra conhecimentos da
Biologia, da Geologia e de outras disciplinas para entender a biodiversidade do passado e os processos
formação dos fósseis. São obtidos dados que podem ser aplicados em diversas áreas do conhecimento,
como a Climatologia e a Geografia.
Fósseis: definição, importância do estudo e tipos de fossilização
Estima-se que o aparecimento de vida na Terra tenha ocorrido há aproximadamente 3,8 bilhões de
anos e, desde então, restos de organismos vivos e suas atividades foram preservados em rochas. Estes
restos ou evidências são denominados fósseis (do latim fossilis = extraído da terra) e constituem o objeto
principal do estudo na Paleontologia.
1. O que é um fóssil?
Fóssil é todo resto de animais, vegetais ou vestígios de atividades biológicas que podem estar
preservados em rochas, âmbar ou até mesmo congelados. Para ser considerado um fóssil, um organismo
ou parte dele deve ter, no mínimo, 10 mil anos. Esta idade mínima é baseada no final do último evento
glacial ocorrido durante o Pleistoceno. Os fósseis podem ser parte de um esqueleto, carapaça ou concha,
pegadas, fezes, ovos, impressão de folhas, impressão de penas etc.
2. Qual a importância do estudo dos fósseis?
Os fósseis são importante evidência do processo evolutivo. São úteis para o reconhecimento de
camadas de rochas contemporâneas e sua sucessão temporal. Permitem o reconhecimento da
distribuição dos antigos mares e continentes (Paleogeografia) e são ferramentas essenciais para a
reconstrução dos ambientes antigos (Paleoecologia). São importantes também na indústria do petróleo e
do carvão. Além disso, contribuem para o entendimento das relações de parentesco entre as espécies
que viveram no passado e as que vivem nos dias de hoje.
Para saber mais: Petróleo
O petróleo é constituído a partir do carbono derivado de micro-organismos
fósseis, especialmente os marinhos, que são comumente chamados de plâncton.
Esses organismos são muito comuns nos oceanos, e quando morrem, a maioria é
depositada no fundo do oceano e posteriormente recoberta com sedimentos.
Com o passar dos anos, e com o acúmulo de camadas cada vez mais espessas de
sedimentos, a temperatura e a pressão aumentam, e as moléculas dos
microorganismos enterrados começam a se desfazer, originando compostos
líquidos e gasosos aprisionados em “bolsões” subterrâneos.
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
Geralmente, as evidências que os seres vivos deixam após sua morte são seus esqueletos, conchas,
carapaças e/ou qualquer parte dura que componha seu corpo. Mas existem ainda outros tipos de
fósseis.
Para um detetive saber que uma pessoa morreu ou esteve em uma sala ou quarto, nem sempre
ele precisa encontrar o corpo da pessoa no local. Se ele encontrar vestígios como sangue, fios de
cabelo, saliva ou pegadas, ele consegue deduzir com boa margem de acerto, o que aconteceu
naquela sala. Na Paleontologia isso também ocorre. Basta encontrar algum vestígio de atividade para
entendermos de que organismo se trata. A esse tipo de vestígio se dá o nome de icnofóssil. O
icnofóssil é a indicação da atividade de um animal ou vegetal preservado na rocha ou em outros
fósseis. Alguns tipos de icnofósseis conhecidos são: pegadas; fezes (coprólitos); urinas (urólitos);
ovos; ninhos; pedras que foram engolidas pelo animal (gastrólitos); rastros ou pistas; regurgitos;
além de orifícios e tocas.
Para saber mais: Icnofóssil
Excrementos ou fezes fossilizadas (coprólitos)
também são evidências de organismos que viveram
no passado. Podemos ver um icnofóssil na exposição.
Aproveite para tocá-lo!
Fonte: Arquivo MZUSP
3. Preservando o passado
A formação de um fóssil exige condições especiais. Em geral, após sua morte, o organismo
precisa ser imediatamente soterrado. Com o passar do tempo, as partes mais resistentes de seu
corpo são substituídas por minerais disponíveis no sedimento que o envolve. Com a compactação
desse sedimento forma-se uma rocha que envolve o organismo, mantendo-o protegido e preservado
até sua descoberta. Quando um organismo morre e fica exposto no ambiente, ele geralmente é
decomposto por bactérias e/ou por carniceiros ou o mesmo é destruído por fenômenos naturais
como a erosão e intemperismo (chuvas, incêndios etc). Em outras circunstâncias, o corpo do
organismo morto é protegido desses fatores que podem destruí-lo, preservando algumas de suas
partes mais resistentes. Quando isso ocorre, temos a situação ideal para a formação de um fóssil. Os
fósseis podem ser preservados de diferentes formas, dependendo dos fatores que atuam após a
morte de um organismo. A fossilização, portanto, resulta de uma série de processos físicos, químicos
e biológicos.
tipo
características
Mineralização
No processo de mineralização, uma camada de sedimento cobre o corpo do organismo após sua
morte, impedindo que este seja destruído e protegendo-o da decomposição rápida. Quanto mais
rápido e preciso for o evento que causar o recobrimento do corpo do organismo, maior a
possibilidade de preservação deste. Na mineralização, as partes do organismo são substituídas por
minerais presentes no sedimento que o soterrou e o mais comum é que toda a parte mole (estruturas
menos rígidas do corpo como a pele e os órgãos) seja decomposta, o que faz com que somente as
partes mais resistentes se preservem. Raramente, estruturas como pelos e penas são preservadas.
Este tipo de fossilização ocorre em rochas sedimentares e é onde se encontram os dinossauros mais
famosos.
Existem vários processos pelos quais um fóssil pode ser formado. Os principais são:
INTRODUÇÃO À PALEONTOLOGIA
tipo
características
Moldagem
A moldagem ocorre quando o ser vivo não se preserva, mas deixa uma marca ou molde de seu corpo
na rocha. Quando a moldagem representa a parte interna do corpo do animal, como o interior das
conchas, chama-se molde-Interno. Quando a moldagem reflete o lado de fora do animal, ou quando
deixa uma impressão, como a de uma moeda na massinha de modelar, chama-se molde-externo.
Conservação
A conservação é o tipo de fossilização que melhor preserva a estrutura de um organismo. Nela o
organismo se mantêm envolto em alguma substância fossilizante e/ou de alto nível de preservação que
impede sua deterioração, como os mamutes no gelo e os insetos no âmbar - tipo de seiva expelida por
algumas espécies de árvores. Outras substâncias comumente encontradas como conservantes de fósseis
são o piche (asfalto) e a sílica.
Incarbonização
Processo que consiste na retenção do elemento carbono presente na estrutura do organismo e
eliminação dos demais componentes orgânicos. Muito comum nos vegetais e em animais com esqueleto
a base de quitina, como é o caso de alguns trilobitas.
Através dos estudos realizados pela Paleontologia, conseguimos compreender melhor os
processos evolutivos de diferentes organismos no decorrer do tempo e restaurar os ambientes
distintos de uma época, solucionando questões paleoambientais, paleogeográficas, paleoecológicas
e suas correlações. Essas informações reunidas possibilitam também um melhor entendimento das
relações entre os grupos de seres vivos e suas interações com o ambiente.
4. O Paleontólogo: definição, formação e campo de trabalho
O paleontólogo é o profissional que estuda a evolução e a diversidade da vida no passado da
Terra. Para isso, ele tenta compreender os fósseis, que são os restos e vestígios que os diferentes
tipos de seres vivos deixaram há milhares, milhões ou até mesmo bilhões de anos atrás e são
encontrados atualmente em nosso planeta. Fazer escavações em lugares áridos e quentes faz parte
da rotina de qualquer paleontólogo, mas a maior parte do trabalho fica por conta do estudo
detalhado dos fósseis nos laboratórios de Universidades e Museus de Ciência.
Muitas pessoas confundem dois tipos de profissionais que são “parecidos porém diferentes”: o
paleontólogo e o arqueólogo. Enquanto o paleontólogo busca entender a diversidade e o
desenvolvimento da vida no passado da Terra, o arqueólogo foca seus estudos mais na diversidade e
desenvolvimento das diferentes culturas e civilizações humanas ao longo da história de nossa
espécie (Homo sapiens). Por exemplo, quem estuda os dinossauros e seus fósseis são os
paleontólogos, enquanto quem estuda as múmias e as pirâmides do Egito são os arqueólogos.
No Brasil, não existe curso de nível superior em Paleontologia. Normalmente, os paleontólogos
que trabalham em nosso país são formados em Biologia ou Geologia e depois fazem pós-graduação
(Mestrado e Doutorado) com temas voltados para a área da Paleontologia em alguma das diversas
universidades espalhadas pelo nosso país que realizam este tipo de pesquisa científica.
5. Expedição de coleta
Expedições de coleta de fósseis são uma das etapas importantes na pesquisa em Paleontologia. A
aplicação de técnicas e procedimentos específicos é fundamental para o resgate seguro do fóssil até
a sua chegada ao museu. A coleta de fósseis é um processo delicado e minucioso, que só deve ser
realizado por profissionais preparados para que não ocorra nenhum tipo de perda de informação
científica. Um mínimo erro durante uma coleta pode acarretar em enormes prejuízos para o
conhecimento científico de um dado grupo biológico, por isso, as coletas são procedimentos que
costumam demandar muito tempo e esforço, tudo isso para que possamos entender como era a
biodiversidade no passado da Terra.
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
Equipe do Laboratório de Paleontologia do
MZUSP em atividade de campo.
Fonte: Jornal Estadão
Mas como os paleontólogos sabem onde vão encontrar fósseis? Seguindo algumas pistas, os
profissionais podem realizar alguns estudos de campo, como por exemplo procurar em lugares onde
já foram encontrados fósseis no passado e estudar o mapa geológico da região. Muitas vezes, os
próprios moradores locais se deparam com um fóssil pela primeira vez e entram em contato com
alguma Universidade para realizar a coleta adequada, como foi o caso da descoberta do dinossauro
no município de Coração de Jesus!
Uma vez localizado um ou mais fósseis, se inicia o trabalho de coleta. Primeiramente, é realizada
uma varredura ao redor do local para possível identificação geológica e definição da área de trabalho.
Quando os fósseis são identificados, inicia-se um processo de delimitação dos mesmos, através de
pequenas ferramentas que os paleontólogos utilizam para separar o que é fóssil do que é rocha.
Para saber mais: Expedição de coleta
Veja algumas ferramentas que os Paleontólogos
usam na sua busca pelos fósseis!
A partir da delimitação de um fóssil, é
possível
Fonte: Arquivo MZUSP
cavar ao redor dele, com o objetivo de extrair
um
bloco
de
rocha
com
fóssil
que
será
preparado
adequadamente
em
laboratório
especializado.
Este bloco de rocha é envolvido com ataduras e gesso, para que o transporte até a Universidade seja
feito com segurança para que nenhum pedaço seja quebrado. Dentro do laboratório, o bloco é aberto e
são utilizadas ferramentas mais específicas para separar de vez o fóssil da rocha. A partir daí, os
paleontólogos começam o trabalho de pesquisa, comparando o fóssil escavado com outros parecidos,
afim de entender questões como: que ser vivo ele era? Como ele vivia e se alimentava? Há quanto
tempo atrás ele viveu? Na maior parte das vezes, demoram-se anos desde que um fóssil é descoberto
até a publicação dos resultados da pesquisa científica com o material.
INTRODUÇÃO À PALEONTOLOGIA
Legislação sobre fósseis
De acordo com o Decreto-Lei Federal nº 4.146 de 1942, todos os fósseis encontrados em nosso
país são de propriedade da União, ou seja, os fósseis do Brasil pertencem ao Brasil. A própria
Constituição Brasileira, de 1988, Título III, Capítulo II, Art. 20º, Item X, garante que “as cavidades
naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos” são de propriedade da União. O que
ocorre, do ponto de vista legal, é que instituições de ensino e pesquisa públicas brasileiras,
provenientes de qualquer estado, possuem salvaguarda do material fóssil coletado, isto é, estas
instituições têm o direito e o dever de proteger o patrimônio paleontológico de maneira adequada,
garantindo que o mesmo seja preservado para futuras pesquisas científicas.
Não importa de qual Unidade Federativa (Estado) provém o material fóssil coletado nem para
qual Unidade Federativa o mesmo material será salvaguardado; as leis que regulamentam a
Paleontologia em nosso país exigem apenas que o patrimônio fossilífero seja preservado
adequadamente dentro de alguma instituição de ensino e pesquisa pública nacional, afim de garantir
as condições adequadas para conservação de forma que o mesmo fique em território brasileiro.
Obviamente, quanto melhor é a estrutura de uma instituição para salvaguardar um fóssil, maior é a
garantia de que todas as informações científicas presentes naquele fóssil sejam preservadas para as
gerações futuras. Instituições de ensino superior e pesquisa privadas podem fazer a salvaguarda de
material fóssil desde que possuam a devida autorização dos órgãos responsáveis.
Mas… quanto vale um fóssil?
É difícil estabelecer um valor comercial para um fóssil. Isso se deve ao fato de que nós
estabelecemos valores monetários para coisas que podem ser comercializadas: aparelhos
eletroeletrônicos, imóveis, automóveis, etc. Mas como estabelecer um valor comercial para um fóssil
que é único no mundo inteiro? Não existe nenhuma maneira adequada para isso, pois o verdadeiro
valor dos fósseis são as informações científicas contidas nele. Por isso, temos no Brasil o Decreto nº.
72.312, de 31/05/1973, que proíbe a "importação, exportação e transferência de propriedades ilícitas
dos bens culturais”, incluindo em seu Artigo 1, Item ‘a’: “coleções e exemplares raros de zoologia,
botânica, mineralogia e anatomia, e objeto de interesse paleontológico”. Ou seja, o comércio de
fósseis, no Brasil, é ilegal. Esse é um decreto muito importante para garantir que a informação
científica dos fósseis não seja perdida, ficando encostada em alguma sala de algum colecionador
particular ou curioso. Portanto, podemos dizer que os fósseis são extremamente valiosos, mas do
ponto de vista científico; do ponto de vista comercial, eles não têm valor algum no Brasil.
ALGUNS TERMOS QUE LEGISLAM SOBRE O PATRIMÔNIO FOSSILÍFEROS BRASILEIRO
- Decreto Lei nº. 72.312, de 31/05/1973: protege os bens culturais, incluindo os de interesse paleontológico. Proíbe a importação,
exportação e transferência de propriedades ilícitas dos bens culturais.
- Constituição Federal de 1988, Capítulo 2, Artigo 20, Item X: são bens da União "as cavidades naturais subterrâneas e os sítios
arqueológicos e pré-históricos" (inclui ainda os Artigos 23 e 24).
- CÓDIGO PENAL artigo 163*: é crime “destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia”.
- CÓDIGO PENAL artigo 180*: é crime de receptação “Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou
alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte”.
*Os dois artigos acima (163 e 180) podem ser relacionados a transporte ilegal, receptação e venda de fósseis ou qualquer
patrimônio da união!
- LEI 7.345, de 24/07/1985: esta lei regulamenta a responsabilidade por danos a locais com fósseis.
- Portaria 55, de 14/03/1990 e DECRETO 98.830, de 30/01/1990 (Ministério da Ciência e Tecnologia): regulamenta a coleta de
materiais de qualquer tipo por estrangeiros no país (pessoas físicas ou jurídicas).
- LEI 8.176. de 08/02/1991 Art. 2°: constitui crime contra o patrimônio, na modalidade de usurpação, produzir bens ou explorar
matéria-prima pertencentes à União, sem autorização legal ou em desacordo com as obrigações impostas pelo título autorizativo.
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TERRA
TECTÔNICA DE PLACAS E TIPOS DE ROCHAS
TERRA: TECTÔNICA DE PLACAS E TIPOS DE ROCHAS
A crosta da Terra está dividida em grandes pedaços denominados placas tectônicas. A Terra possui
atualmente sete grandes placas tectônicas e elas estão constantemente se movendo e interagindo
umas com as outras. Nessa interação ocorrem a formação de ilhas, fossas abissais, cadeias de
montanhas bem como a geração de tsunamis e terremotos. As partes emersas dessas placas são o
que conhecemos hoje como continentes. E esses continentes são constituídos por rochas que
formam o substrato para a vida no ambiente terrestre. Uma rocha é formada pela mistura de um ou
mais minerais.
EXISTEM TRÊS TIPOS DE ROCHAS DE ACORDO COM O MODO QUE SÃO FORMADAS
Rochas Ígneas: São aquelas que se solidificam de rochas derretidas do fundo da Terra. Exemplos: O granito que se forma
da solidificação do magma subterrâneo. O basalto que é formado quando o magma sai de vulcões, com o nome de lava e
essa se esfria até solidificar.
Rochas Metamórficas: São rochas que sofreram algum tipo de transformação por processos físicos ou químicos depois de
terem sido submetidas a grandes pressões e temperaturas. Exemplos: O mármore é formado quando o calcário é exposto
a altas pressões e temperaturas geralmente próximo de onde ocorreram atividades vulcânicas.
Rochas Sedimentares: São rochas que foram formadas em camadas ou estratos, podendo ser compostas de pedaços de
rochas, areia, conchas, lodo, lama etc. Elas são gradualmente depositadas no leito de um mar, lago ou estuário, e são
comprimidas de tal forma que, com o passar do tempo, endurecem igual rocha. Exemplo: O arenito é formado quando um
material granular, igual areia, é acumulado e compactado.
Se observarmos esses três modos de formação, podemos perceber que, todas as rochas, um dia já
foram rochas ígneas e que depois apenas foram sofrendo alterações físicas e/ou químicas com o
passar do tempo.
Para saber mais: Deriva continental
Os continentes nem sempre estiveram na mesma posição em que estão atualmente. Ao longo dos 4,6 bilhões de
anos de idade do planeta Terra, eles se separaram, colidiram e mudaram de forma e posição inúmeras vezes. No
início da Era Mesozóica, as placas, que formavam o supercontinente Pangeia, estavam se separando, definindo a
posição atual dos continentes. E essas placas continuam se movendo... Observe na exposicão como os continentes
se movimentaram ao longo da historia geológica da Terra. Eles se encaixam como um quebra-cabeças!
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
Tempo Geológico
O Tempo Geológico refere-se ao tempo desde a formação do planeta Terra, há
aproximadamente 4,6 bilhões de anos, até os dias atuais. É classificado de acordo com a distribuição
dos oceanos e continentes que modificaram sua posição no decorrer do tempo, separando-se ou
aproximando-se de modo gradual. Outra forma de catalogar a linha do tempo é através do registro
de organismos vivos presentes em cada época, sua extinção e marcação como fósseis guias. O Tempo
Geológico foi dividido em unidades denominadas “eras”. As eras foram subdivididas em “períodos”,
os períodos em “épocas”, e assim sucessivamente.
Métodos de Datação
Atualmente, utilizamos dois métodos para datar os acontecimentos que sucederam no decorrer
de tempo desde a formação da Terra:
DATAÇÃO RELATIVA: Como o próprio nome sugere, é feito através da correlação entre a idade préestabelecida de um fóssil ou rocha e sua disposição em estratos, comparando ambos através de uma
idade estimada.
Exemplo de como os fósseis contribuem
para a datação de camadas de rocha sedimentar.
Fonte: TerraCiência.
DATAÇÃO ABSOLUTA: É baseada na radioatividade presente em elementos químicos que compõe as
rochas e sua emissão/decaimento natural, possibilitando uma estimativa de acordo com a quantia
que é disseminada em taxas constantes ao longo do tempo.
Exemplos de elementos químicos radioativos
utilizados para as datações absolutas.
Fonte: TerraCiência.
TERRA: TECTÔNICA DE PLACAS E TIPOS DE ROCHAS
Maestrichtiano
Escala do tempo geológico (b.a. = bilhões de anos atrás; m.a. = milhões de anos atrás; ˜ = idade relativa;  = inferido com
base na geologia lunar). Fontes: International Comission on Stratigraphy; Solid Earth.
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DINOSSAUROS
E OUTROS RÉPTEIS
DINOSSAUROS E OUTROS RÉPTEIS
No final da Era Paleozóica, um grupo de animais vertebrados terrestres denominados amniotas,
que entre outras características apresenta um embrião envolvido por três diferentes membranas que
proporcionam alimentação, respiração e proteção (ovo de casca dura), diversificou-se dando origem
a dois ramos principais: os sinapsídios, que mais tarde dariam origem aos mamíferos, e os
sauropsídios. Os sauropsídios, durante o final da Era Paleozóica e inicio da Mesozóica, sofreram
diversas modificações em sua estrutura anatômica e fisiológica, dando origem aos vertebrados
conhecidos comumente como répteis.
A Era Mesozóica durou aproximadamente 186 milhões de anos, começando há 252 milhões de
anos e terminando há cerca de 66 milhões de anos atrás. Essa Era é especialmente conhecida pela
grande irradiação de grupos de répteis, alguns desses conhecidos até hoje (tartarugas, lagartos,
crocodilos, aves) e também pelo aparecimento, domínio e desaparecimento de algumas formas de
animais muito peculiares: os DINOSSAUROS.
Os dinossauros surgiram durante o Período Triássico, há cerca de 250 milhões de anos atrás,
dominaram o ambiente terrestre por cerca de 160 milhões de anos e conviveram com outros grupos
de répteis que estão extintos atualmente, como os pterossauros (os primeiros vertebrados a alçar
vôo), os ictiossauros e os plesiossauros.
O termo Dinosauria (grego, deinos= terríveis; sauria= lagarto), foi utilizado pela primeira vez em
1842, por Richard Owen. Dinossauros compreendem um grupo de formas fósseis (Tiranossauro,
Apatossauro, Tapuiassauro) e também de formas viventes: as aves atuais!
Os dinossauros diferem de outros "répteis" devido a
várias características, a maior parte das quais estão
relacionadas com a aquisição de um modo bípede de
locomoção (apesar de vários dinossauros serem
secundariamente quadrúpedes) e a uma postura de seus
membros locomotores mais ereta, que os permitia ficar
com o ventre bem acima do chão. Outras características
compartilhadas estão presentes nos membros anteriores e
posteriores, no crânio e na cintura pélvica.
Sir Richard Owen (retrato).
Fonte: Science Library
No final do Triássico, há cerca de 200 milhões de anos, a
maior parte dos continentes conhecidos atualmente estava
unida em uma única massa de terra emersa, a Pangéia.
Rochas portando os mais antigos dinossauros procedem da
porção sudoeste deste supercontinente, sendo os mais
bem conhecidos da Argentina (Patagônia) e do Brasil,
datados de cerca de 228 milhões de anos. Dentre eles, o
Herrerasaurus, o Eoraptor e o Pisanosaurus, do noroeste
argentino; além do Staurikosaurus, Saturnalia e Pampadromaeus coletados no Rio Grande do Sul.
Grande parte do grupo foi extinta no final do período Cretáceo, há cerca de 66 milhões de anos. As
aves são os representantes vivos deste grupo e apresentam ampla distribuição e grande diversidade.
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
O clado Dinosauria atualmente está dividido em dois grandes grupos: Saurischia, que abrange
Theropoda e Sauropoda, e Ornithischia. Esta divisão é baseada na diferença na forma da pélvis
(bacia) desses animais. Os dinossauros Saurischia apresentam pélvis propúbica enquanto que
Ornithischia apresentam pélvis opistopúbica. Os dinossauros terópodos se adaptaram ao papel de
predadores bípedes, posteriormente dando origem às aves. Os sauropodomorfos e os ornistíquios
foram um grupo de dinossauros que desapareceram definitivamente há cerca de 66 milhões de anos
atrás. Todas essas formas de dinossauros se espalharam pelos continentes e hoje seus vestígios
podem ser encontrados nas Américas, África, Europa, Ásia, Austrália e até mesmo na Antártica.
Para saber mais: Como classificar um dinossauro?
Os dinossauros são divididos em dois grandes grupos: SAURISCHIA e ORNITHISCHIA. Nos ornitísquios, o púbis (osso
que compõe a pelve, juntamente com o ílio e o ísquio) é voltado para trás. Nos saurísquios, o púbis é direcionado
ventralmente e para a frente.
Diferenças morfológicas na estrutura pélvis de Ornithischia (acima, à
esquerda) e Saurischia (à direita); abaixo, a estrutura pélvica
saurísquia de Tapuiasaurus macedoi.
Imagem: Bruno Albert Navarro
Ornithischia
Os dinossauros Ornithischia são considerados grupo
irmão de Saurischia. Todas as espécies conhecidas eram
herbívoras, ou seja comiam plantas, tinham maxilas e bicos
córneos, e alguns possuíam dentes adaptados para
mastigação/trituração. Alguns desses animais eram bípedes,
sendo que os de maior tamanho eram quadrúpedes.
Apresentavam também os mais variados tamanhos, indo de
espécies com menos de 1 metro de comprimento, até
outras com quase 20 metros. Os ornitísquios são
basicamente divididos em cinco grandes grupos: os
dinossauros encouraçados, quadrúpedes - Stegosauria e
Ankylosauria; os Ornithopoda, formas bípedes (entre elas
os dinossauros bico-de-pato) e os Pachycephalosauria
(dinossauros bípedes com crânios extremamente espessos)
e Ceratopsia (dinossauros quadrúpedes com cornos).
Kentrosaurus aethiopicus, um Stegosauria.
Imagem: Jorge Blanco
DINOSSAUROS E OUTROS RÉPTEIS
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No Brasil o único registro de um possível Ornitischia foi descoberto no Rio Grande do Sul, do
período Triássico. Foi batizado de Sacisaurus. Ele era bípede com aproximadamente 1,5 metros de
comprimento e 0,70 centímetros de altura. Porém, estudos posteriores revelaram que
provavelmente se trata de um animal pertencente a um grupo próximo ao dos dinossauros, não
sendo portanto um dinossauro propriamente dito.
Saurischia
Este grupo está dividido em Theropoda e Sauropoda. Os terópodes (Theropoda) são um grupo
de dinossauros carnívoros, com postura bípede e pés semelhantes ao das aves com três dedos
funcionais, crânio de tamanho variável e narinas localizadas anteriormente. Suas mandíbulas são
bastante desenvolvidas. Esses animais podiam variar de 1m a 14m ou mais de comprimento. Seu
pescoço apresentava um padrão ligeiramente em forma de "S" (semelhante às aves atuais).
Os terópodes estão subdividido nos grupos Ceratosauria e Tetanurae. Este último grupo, Tetanure,
compreende os grupos extintos e as aves fósseis e atuais. As linhagens de Theropoda podem ser
divididas em três tipos gerais: predadores de grande porte (Ceratosauria e Carnosauria), predadores
velozes que atacavam pequenas presas (Ornithomimidae) e predadores velozes que atacam presas
maiores que os mesmos (Deinonychosauria). Apareceram no Período Triássico, há aproximadamente
230 milhões de anos. As principais descobertas foram feitas principalmente da Formação de
Ischigualasto (Argentina), onde foram encontrados os mais antigos dinossauros conhecidos como o
Eoraptor e Herrerasaurus, além de dinossauros ornitísquios e saurísquios. Existem ainda registros na
Europa (Espanha, Dinamarca, Portugal), África (Egito, Líbia, África do Sul), vários registros na América
do Norte e na América do Sul (na região oeste e sul da Argentina, Chile e Brasil). No Brasil se
conhecem espécies incompletas, representadas por dentes e ossos isolados, encontradas nas
Formações Santa Maria (Rio Grande do Sul); Formação Santana (Nordeste) e na Bacia Bauru (Mato
Grosso, Minas Gerais e São Paulo).
Os Sauropoda foram o grupo de mega-herbívoros
dominante por 140 milhões de anos durante a Era Mesozóica.
São considerados atualmente como os maiores animais
terrestres que já existiram, onde alguns de seus
representantes chegavam a ter 40 metros de comprimento e
mais de 50 toneladas. Esse grupo apareceu no Triássico
Superior, e apresentando grande diversidade global no
Jurássico, extinguindo-se no final do Cretáceo.
Os saurópodes apresentam de modo geral, um crânio
pequeno em relação ao seu tamanho e os membros
locomotores em forma colunar. Comparando com os outros
dinossauros Saurísquios, os saurópodes foram marcados pelo
aumento do tamanho corporal, alongamento do pescoço e a
transição de uma postura bípede para uma quadrúpede. São
classificados em dois grandes grupos: os Macronaria (o grupo
do Tapuiassauro) e os Diplodocoidea.
Tyrannosaurus rex, um Theropoda.
Imagem: Jorge Blanco
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
Os registros de saurópodes das bacias cretáceas do Brasil são geralmente atribuídos a uma família
específica chamada Titanosauridae. A Família Titanosauridae inclui cerca de 1/3 de todas as espécies
conhecidas de saurópodes.
Os titanossaurídeos são típicos do hemisfério sul, com registros no Uruguai, Chile, Argentina e
África, mas também conhecidos da América do Norte, Europa, Ásia e Índia. No Brasil essas
ocorrências são mais abundantes nas rochas da Bacia Bauru, principalmente no estado de São Paulo e
no Triângulo Mineiro (MG). Contudo, a descoberta de Tapuisaurus macedoi em rochas da Bacia
Sanfranciscana no norte de Minas Gerais indica uma ampla distribuição geográfica desta família.
O Dinossauro de Coração de Jesus
O Tapuiasaurus macedoi viveu há cerca de 120 milhões de anos, no período chamado de Cretáceo
Inferior, onde hoje é a bacia do rio São Francisco, norte do estado de Minas Gerais. A Bacia
Sanfranciscana, como é chamada, é uma formação geológica cujos fósseis eram em sua maioria
desconhecidos da ciência, com ocorrência de apenas alguns peixes fósseis, além de pequenos
crustáceos e algumas algas de água doce. O clima da região no tempo em que o Tapuiassauro viveu
era provavelmente muito ameno, subtropical.
O ambiente possuía grandes áreas desérticas
entrecortadas por manchas alagadas, formando
pântanos e leques aluviais (quando um rio desemboca
em um alagadiço, longe do mar), além de lagos e
lagoas. A cobertura vegetal daquela época era
composta principalmente por coníferas (plantas do
mesmo tipo que os pinheiros) e samambaias, e já
estavam presentes algumas plantas com flores. Estas
plantas serviam de alimento a insetos, como baratas,
moscas, abelhas e besouros. Estes pequenos animais
eram presas de outros insetos, como libélulas, e
também de aranhas, pequenas rãs e lagartos, que por
sua vez alimentavam crocodilos de pequeno porte.
Se você fosse transportado para aquela época, provavelmente este cenário composto pelos
animais pequenos não seria muito surpreendente. Deveria ser, na verdade, muito próximo do que se
enxerga nos ambientes naturais de hoje. Porém, a grande surpresa seria ao se olhar para os animais
maiores. Pequenos dinossauros carnívoros corriam em busca de alimento através da vegetação,
dividindo espaço com pequenos crocodilos totalmente terrestres, hoje também extintos.
Provavelmente esses animais carnívoros com man-díbulas longas e dentes afiados representassem
algum perigo para os grandes dinossauros herbívoros, como o Tapuiassauro.
Titanossauros no mundo
Sabemos que o registro fóssil nem sempre nos fornece todas as informações a respeito da
biologia e do modo de vida de um organismo. Essa falta de informação no registro fóssil limita a
compreensão da evolução e diversificação dos grupos de seres vivos.
DINOSSAUROS E OUTROS RÉPTEIS
17
O Tapuiasaurus macedoi, encontrado no município de Coração de Jesus (MG) é um exemplo da
importância de se encontrar um fóssil cujas características nos permitem entender melhor sua
anatomia e preencher algumas lacunas no conhecimento sobre seu grupo.
O conhecimento da anatomia do crânio dos titanossauros está praticamente restrito à dois fósseis
encontrados até hoje que possuem parte do seu crânio preservado: Nemegtosaurus (Ásia) e
Rapetosaurus (Madagascar). A descoberta do Tapuiasaurus com um crânio completo preenche uma
lacuna importante e fornece novas informações sobre a vida desses animais. O crânio do
Tapuiassauro é o mais bem preservado de todos os titanossauros conhecidos até hoje. Seus dentes
em forma de lápis indicam que devia se alimentar puxando ramos de folhas, como um jardineiro usa
um rastelo, ou um ancinho. O formato alongado do crânio, com olhos bem lateralizados sugere que
ele enfiava o focinho nos arbustos, deixando os olhos para fora, para poder observar o que acontecia
ao redor, mais ou menos como fazem os cavalos hoje em dia.
Rapetosaurus krausei
Cretáceo Superior
80 milhões de anos atrás
Nemegtosaurus mongoliensis
Cretáceo Superior
70 milhões de anos atrás
Crânio preservado do Tapuiasaurus macedoi.
Fonte: Jornal Estadão
Extinção
Espécies surgem e desaparecem a todo o tempo na história da vida na Terra. O desaparecimento
de uma espécie geralmente ocorre devido a alterações nas condições ambientais. Geralmente
algumas espécies não conseguem se adaptar a essas alterações e são eliminadas. Contudo, é
importante lembrar que, ao desaparecer, um organismo ou grupo de organismos abre espaço para
outros melhor adaptados a um determinado clima ou ambiente. Portanto, os eventos de extinção
natural fazem parte do processo evolutivo. Quando a taxa do desaparecimento de espécies é muito
elevada, falamos em Extinção em Massa.
Sabemos hoje que há 66 milhões de anos ocorreu um evento de extinção em massa que atingiu
inúmeras espécies de animais e vegetais no mundo todo. Diversas teorias tentam explicar esse fato, a
mais famosa, é a de que um grande asteroide teria caído na Terra naquele tempo. Existem evidencias
da queda de um grande asteroide que data do final do Cretáceo Superior, mas será que somente esse
evento foi suficiente para causar a morte e o desaparecimento total de algumas espécies de
organismos?
18
CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
O que se sabe é que esse evento catastrófico deve ter gerado inúmeras alterações ambientais,
dentre elas chuva ácida, incêndios, tsunamis etc. Além disso, sabe-se que o impacto de um asteroide
de grande tamanho é capaz de jogar na atmosfera grande quantidade de poeira que fica suspensa
acima das nuvens durante muito tempo (podendo chegar a vários anos, e até décadas). Essa nuvem
de poeira é capaz de bloquear a luz do Sol, fazendo com que a cobertura vegetal da terra seja
comprometida quase completamente. É possível, portanto, imaginarmos que no final do Período
Cretáceo, esses eventos e alterações ambientais tenha tido um papel importante na extinção de
alguns organismos que viviam na Terra. Por exemplo, estudos e modelos baseados nos fósseis
conhecidos estimam que grande parte dos dinossauros e cerca de 60% das espécies existentes no
planeta foram extintas. Nos oceanos, 80% das espécies pereceram. Somente animais com menos de
50 kg, como os mamíferos do tamanho de camundongos encontraram as condições mínimas para
sobrevivência.
Simulação do impacto de um asteroide contra
a Terra há 66 milhões de anos atrás.
Fonte: TerraCiência
Embora eventos catastróficos, como a queda de um asteroide seja uma das explicações aceitas
para o desaparecimento de alguns seres vivos da face da Terra, sabemos que os processos de
extinção nem sempre seguiram o padrão daquela que acabou com alguns dinossauros. Os répteis
marinhos, como os ictiossauros e mosassauros desapareceram alguns milhões de anos antes do fim
do Período Cretáceo.
Além disso, o número de espécies de dinossauros já vinha diminuindo havia vários milhões de anos
quando sobreveio a grande catástrofe. Com a deriva dos continentes, acentuada no Cretáceo,
mudaram as correntes marítimas e o regime dos ventos. Isso deu início a um esfriamento constante
do clima da Terra, o que pode explicar por que a extinção de algumas espécies ocorreu antes da
provável queda do asteroide. Além disso, na região central da Índia houve uma enorme atividade
vulcânica, que durou vários milhões de anos, esse vulcanismo deve ter lançado um volume imenso de
poeira e gás na atmosfera, bloqueando o calor do Sol e causando uma brusca queda de temperatura
na Terra. Portanto, vários outros fatores devem ter contribuído para as mudanças ambientais e
climáticas que já vinham ocorrendo antes do final do Cretáceo.
Atualmente um dos grandes responsáveis por eventos de extinção de seres vivos é o homem.
Esse fenômeno conhecido como sexta extinção em massa começou na época das grandes
navegações europeias, há cerca de 500 anos atrás, e extinguiu um grande número de espécies
animais pela caça e pesca indiscriminada, especialmente em ilhas, cujas populações eram restritas
pelo espaço. Calcula-se que mais de 800 espécies de vertebrados tenham sido extintas desde essa
época, em uma taxa mais de mil vezes mais rápida do que seria sem a presença dos humanos. Hoje o
número de extinções continua crescendo, nem tanto devido à caça e pesca predatórias, mas
principalmente devido à expansão das cidades, da agricultura e da pecuária, que implica na
destruição de espaços naturais. É estimado que cerca de uma centena de espécies sejam extintas por
ano, sendo a grande maioria insetos. Contudo, mais de 16.200 espécies de vertebrados estão
atualmente ameaçadas de extinção, segundo a International Union for Conservation of Nature
(IUCN).
CLASSIFICAÇÃO
DOS SERES VIVOS
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
É uma característica inerente ao ser humano classificar, temos a tendência de reunir em grupos
aquilo que consideramos semelhante. Em geral classificamos as coisas porque isso as torna mais
fáceis de serem compreendidas, assim também é feito com os organismos, utilizamos a classificação
biológica para facilitar os estudos e como tentativa de compreender a diversidade.
A primeira classificação conhecida foi feita pelo filósofo grego Aristóteles (384- 322 a.C.).
Aristóteles trabalhou principalmente com animais e classificou diversas espécies. Ele dividia os
animais em dois grandes grupos: os com sangue e os sem sangue. Teofrasto, um discípulo de
Aristóteles, descreveu muitas plantas conhecidas na sua época, ao classificar as plantas, um dos
critérios utilizados era o tamanho: dividia-as em árvores, arbustos, subarbustos e ervas.
De Aristóteles até o começo do século XVIII não houve grandes avanços, tendo sido elaborados
alguns sistemas de classificação, mas com pouco sucesso. Um importante passo na classificação dos
seres vivos foi dado pelo naturalista e médico sueco Carolus Linnaeus.
Carolus Linnaeus (1707–1778) desenvolveu um sistema de categorias hierárquicas que, com
algumas modificações, é usado até hoje. Sua principal obra, a Systema Naturae, teve 12 edições (1.ª
edição em 1735). Nesta obra, o natureza é dividida em três reinos: mineral, vegetal e animal. Para
sistematizar a natureza, em cada um dos reinos Linnaeus usou um sistema hierárquico de cinco
categorias: reino, classe, ordem, gênero e espécie.
Apesar das suas múltiplas contribuições para a taxonomia, Linnaeus se destaca pela introdução do
método binomial, esse método ainda em uso nos dias de hoje é utilizado para formular o nome
científico das espécies e foi proposto por Linnaeus somente na 10º edição do Systema Naturae.
Chama-se binominal porque o nome de cada espécie é formado por duas palavras: o nome do gênero
e o epíteto específico. O nome da espécie deve ser sempre escrito sublinhado ou em itálico, o gênero
sempre iniciado em letra maiúscula e o epíteto em minúscula. Por exemplo:
Tapuiasaurus macedoi: (Gênero) Tapuiasaurus + macedoi (epíteto especifico)
Contudo, em seu sistema de classificação Linnaeus não levou em conta as relações de parentesco
evolutivo entre os seres vivos, pois acreditava que as espécies existentes tinham sido criadas uma a
uma e que, desde o momento da criação até então, elas não teriam sofrido nenhuma alteração. Essa
ideia da imutabilidade das espécies, denominado fixismo, era amplamente aceita entre os
naturalistas contemporâneos de Linnaeus.
Inicialmente Linnaeus elaborou um sistema de classificação onde havia 5 categorias,
posteriormente foram ampliadas e podem ser representadas, da mais geral para a mais específica, da
seguinte maneira:
REINO
FILO
CLASSE
ORDEM
GÊNERO
ESPÉCIE
Além dessas categorias, muitas vezes são utilizadas categorias intermediárias, tais como sub-filo,
infraclasse, superordem, superfamília, subgênero, subespécie.
CLASSIFICAÇÃO DOS SERES VIVOS
A classificação clássica era um tanto subjetiva, pois dependia basicamente da análise do cientista e
não poderia ser repetida, já que não possuía uma metodologia básica a ser seguida, ficando a cargo
da habilidade do cientista enquadrar aquele espécime nesta ou naquela categoria.
Em 1959, um entomólogo alemão chamado Willi Hennig criou a Sistemática Filogenética, um novo
método de analisar as relações de parentesco entre as espécies. Seu livro Fundamentos da
Sistemática Filogenética, lançado inicialmente em alemão, foi traduzido para o inglês em 1966, e
somente a partir daí então teve ampla aceitação e divulgação no meio científico.
A ideia de Hennig era criar um método que fosse possível reconstruir hipóteses da história
evolutiva entre as espécies e assim a estrutura das classificações deveria refletir de maneira precisa as
suas relações filogenéticas, ou seja, de parentesco. Esse método delimita grupos naturais, a partir da
análise de caracteres que podem ser iguais ou diferentes de outros grupos.
Exemplificando a relação de grupo-irmãos.
Na sistemática filogenética, dois grupos
próximos devem compartilhar um ancestral
comum somente a eles, e são denominados de
grupo-irmão. Desses três grupos pelo menos dois
compartilham um ancestral exclusivo entre eles e
assim sucessivamente. Dessa forma, obteremos
hipoteticamente uma sequência até chegarmos ao
ancestral comum de todas as espécies existentes,
ou seja, a sua filogenia ou história evolutiva. O
nome dado a um terminal em uma árvore
filogenética é táxon.
Os grupos aceitos pelos filogeneticistas são aqueles que incluem todos os descendentes de um
mesmo ancestral, e recebem o nome de grupo monofilético. Aqueles grupos com um mesmo
ancestral, mas que nele não estão inclusos todos os seus descendentes, não são aceitos como grupos
naturais, e recebem o nome de parafiléticos.
Mas como sabemos que tais grupos são mais
próximos entre si, do que de outros? A resposta
está nas características que esses grupos
apresentam, os caracteres semelhantes que são
compartilhados entre esses táxons podem ser
um indício, mas não é qualquer caráter que pode
ser usado para estabelecer relações de
parentesco.
Para estabelecer então os caracteres válidos,
é essencial entender inicialmente o conceito de
homologia. Caracteres homólogos são aqueles
que possuem a mesma origem embrionária, mas
não necessariamente possuem a mesma função.
Essa relação de mesma origem fortalece a
proposta evolutiva e evidencia a ancestralidade
comum entre os organismos.
Representação de grupo monofilético, grupo que inclui
ancestral e todos os seus descendentes (acima), e de um grupo
parafilético que não inclui todos os descendentes de um
ancestral (abaixo).
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22
CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
Sapos, pássaros, coelhos e lagartos possuem
membros anteriores com forma diferente,
refletindo seus diferentes estilos de vida. No
entanto, esses membros compartilham o mesmo
conjunto de ossos homólogos - o úmero, o rádio e
a ulna. Estes mesmos ossos pode ser visto até
mesmo em um peixe de nadadeiras lobadas
extinto, Eusthenopteron.
Fonte: TerraCiência
A partir então da hipótese de homologia entre determinadas estruturas, passamos a estudar como
que esse caráter evoluiu, ou seja, a série de transformações ocorridas ao longo do tempo. Esses
caracteres podem se apresentar em estados ancestrais ou derivados, caracteres em estado ancestral são
aqueles que estão presentes desde o ancestral comum daquele grupo, e denominado como
plesiomorfia, já se os caracteres apresentam-se com séries de modificações, ou seja, possui estados
diferentes do ancestral, estes são chamados de apomórficos. Se esse estado de caráter derivado está
presente entre todos os descendentes de um mesmo ancestral, sendo portanto compartilhado,
chamamos este caráter de sinapomorfia.
Quando uma característica derivada aparece somente em um táxon e não é compartilhada com
outros grupos, esse estado derivado exclusivo do caráter chama-se autapomorfia. No entanto, é através
das sinapomorfias, ou seja dos estados de caráter derivado compartilhado entre os grupos, que
estabelecemos os chamados grupos monofiléticos e assim reconstruímos o padrão filogenético,
representado em um cladograma.
Um cladograma é um dendograma, ou seja uma representação gráfica, que demonstra através de
ligações a relação evolutiva de determinado grupo. Cada ramo representa um táxon e cada nó o seu
ancestral hipotético que os une como um grupo monofilético. Cada um desses grupos e nós devem ser
sustentados por sinapomorfias específicas daquele ramo.
É importante sempre salientar que todo cladograma representa uma hipótese de relacionamento,
de acordo com os dados utilizados pelo cientista que o propõe.
Relações filogenéticas entre os vertebrados
O grau de parentesco entre os organismos pode ser representado graficamente na forma de um
diagrama. Este aqui apresenta os principais grupos de vertebrados, indica as relações entre esses
grupos e a sua diversidade ao longo do tempo geológico.
CLASSIFICAÇÃO DOS SERES VIVOS
Cladograma das relações filogenéticas entre os amniotas.
Como os fósseis ajudam a compreender outros seres vivos?
Desde o começo do século 19 os naturalistas já observavam as formas de vida e se faziam
perguntas do tipo: “Porque os seres vivos vivem onde vivem?” (exemplo: ursos polares apenas no
Ártico, tamanduás apenas na América do Sul), “Porque os indivíduos da mesma espécie não são
todos iguais?”, ou “Porque encontramos nas rochas sinais de animais que nunca vimos?” Todos esses
questionamentos foram se acumulando com o passar dos anos, mas foi apenas com a pesquisa de
Charles Darwin e Alfred Wallace que uma explicação plausível foi proposta de forma satis-fatória
(Lamarck já havia tentado propor uma explicação nesse meio tempo, mas com sucesso apenas
parcial). O conceito era de que todos os seres vivos possuíam um ancestral em comum, e que ao
longo de milhões de anos foram passando por modificações graduais, sempre o mais bem adaptado
sobrevivendo, seja ao ambiente, seja na competição para conseguir reproduzir, etc.
Essa explicação deu uma razão satisfatória e aceitável para quase todos os questionamentos dos
naturalistas da época, entre elas, o fato de encontrarmos em rochas impressões ou vestígios de seres
vivos que não existiam mais. Já era sabido que seres vivos podiam se extinguir sem deixar
descendentes, mas antes da ideia evolutiva, as pessoas achavam que a única coisa capaz de extin-guir
um ser vivo eram catástrofes. A ideia de Darwin e Wallace deu destaque para a competição, e
demonstrou que nem todas as espécies precisam ser extintas em um ambiente inóspito. As que
tiverem mais capacidade de adaptação às condições do ambiente conseguem sobreviver.
As evidências que temos hoje para a Evolução Biológica são tão fortes que mesmo sem a
existência dos fósseis seria possível mostrá-la verdadeira. Os fósseis são um “bônus” nas teorias
evolutivas, e um “bônus” muito bem vindo. Se imaginarmos o nosso conhecimento sobre a história
da Terra como um livro, o que temos são muitos textos, e várias páginas em branco.
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
Os fósseis são inusitadas e incrivelmente didáticas figuras neste livro imaginário: as figuras que
mostram como a diversidade da Terra já foi diferente do que é hoje em dia; que dão uma ideia de
como a diversidade existente hoje se construiu; que ilustram alguns caminhos que a evolução tomou
e que deram certo por um bom tempo, mas que em algum momento, fracassaram. Os dinossauros
são um exemplo perfeito disso.
Veja na exposição as diferentes formas de
animais fósseis que viveram há milhões de
anos atrás, como este crocodilo terrestre!
Fonte: Arquivo MZUSP.
Ninguém saberia da existência dos dinossauros se não fossem os fósseis. Ainda que as aves sejam
dinossauros muito modificados, seria impossível chegar a essa conclusão sem que existissem os
vários fósseis de dinossauros espalhados por museus do mundo inteiro, e outros tantos esperando
para serem escavados. Além dos dinossauros há inúmeros outros grupos, seja de animais
vertebrados ou invertebrados, bem como plantas, protozoários e bactérias, que deixaram a marca de
seu grande sucesso temporário no registro fóssil e hoje não mais existem. Há pelo menos 15 grupos
de répteis hoje totalmente extintos, e totalmente diferentes daquilo que conhecemos hoje. Há no
mínimo 5 grupos de mamíferos totalmente extintos, e de peixes também. Há mais de um grupo de
artrópodes totalmente extintos, e com registro fóssil extremamente numeroso, o mesmo valendo
para moluscos, cnidários, plantas, etc.
Todos esses fósseis ajudam a compreender as mudanças que um determinado grupo biológico
passou durante o seu tempo de existência, ainda que neste “álbum” faltem muitas figurinhas, as que
existem são uma importante ferramenta para a compreensão da diversidade atual, suas formas, suas
estruturas, e até o seu comportamento. São casos raros, mas algumas vezes é possível sim ter
indícios do comportamento de espécies fósseis. Ninhos com ovos, com um adulto sentado em cima
(como já foi encontrado em fósseis de dinossauros da Mongólia) indicam cuidado com os filhotes.
Trilhas de pegadas fossilizadas de dinossauros, com as pegadas maiores rodeando as pegadas
menores, também indicam preocupação com os mais novos. Isso talvez ajude a explicar porque os
grupos mais próximos aos dinossauros vivos hoje são praticamente os únicos répteis com cuidados
parentais (crocodilos e aves), e talvez auxilie a entender a origem desse comportamento.
Mas à medida que os fósseis ajudam a responder muitas questões que já existiam, eles também
geram novos questionamentos. Por que alguns grupos de animais continuam vivendo, enquanto
outros grupos se extinguiram por completo? Muitas vezes, esses grupos extintos são extremamente
semelhantes a outros grupos que ainda existem. Por que só alguns foram extintos? O que
determinou quem sobrevive e quem morre? Essa é a força que move a Ciência, o dinamismo que
sempre estimula as pessoas a saberem mais.
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
E A HISTÓRIA DOS OBJETOS
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
Existem diversas definições de cultura. Neste material será utilizado o conceito antropológico que
define a cultura como todas as ações e processos individuais e coletivos pelos quais os povos
expressam suas formas de ser, se organizar e de se integrar com o mundo que os identifica como
grupo dentro de um contexto social.
A cultura é identificada nos produtos materiais e nas formas como o povo os usa, nas tradições,
nas crenças, na organização social, nas manifestações, nos processos históricos e nas atividades
científicas e tecnológicas. Reconhecer a diversidade cultural é compreender que cada povo produz
cultura de forma diferente, que todos os povos têm sua própria cultura e que suas culturas não são
necessariamente iguais. Essa compreensão permite ampliar a visão sobre a cultura em sim e a
impossibilidade de julgamento sobre culturas diferentes a partir de nossa.
Partindo do pressuposto que a cultura identifica-se por seus produtos materiais e suas maneiras
de utilizá-los, os bens culturais são aqueles pelos quais podemos relacionar a cultura de um grupo a
um determinado momento histórico e local. Os bens culturais podem ser tangíveis, que são bens
materiais (por exemplo: copo, cadeira, livro, casa, quadro, documento, fotografia, ônibus etc.) ou
podem ser intangíveis, ou seja, o que não se materializa (por exemplo: rituais, modo de plantio, tipo
de fabricação de bebida, modo de fazer uma comida, danças etc.), que são registrados somente
através de imagem, fotografias ou gravação.
Os bens culturais podem ser consagrados ou não, de acordo com a ideologia vigente e com os
critérios usados para escolha e preservação. Contudo, mesmo que somente parte dos bens culturais
tenha sido preservada, estes refletem um determinado momento histórico; e, a observação, análise e
estudo atentos desse material permitem a reconstrução sociedades, comportamentos, atividades
econômicas e política.
O contato com os bens patrimoniais possibilita uma reflexão de um passado que o observador
ser herdeiro, possibilitando a conscientização e conhecimento do presente e propiciando melhoria na
sua qualidade de vida. Além disso, reconhecer o passado cultural é um grande passo na construção
de uma identidade cultural.
Um objeto guarda em si não somente cor, tamanho ou textura; também representa a forma de
construção, relação de produção, contexto político em que foi produzido ou desenvolvimento da
tecnologia da época. Por meio de seu estudo podemos ter a compreensão de várias questões sobre a
sociedade e o momento histórico que foi produzido.
Embora os objetos sejam fontes de uma série de informações e conhecimentos disponíveis à
exploração, reflexão e aprendizado e concentrem muitas manifestações das relações humanas (que
já existiram e que existem ainda hoje), é necessária a mediação para que estes conhecimentos
cheguem ao observador.
Educação Patrimonial
Desde 1983 inúmeras experiências vêm sendo realizadas no Brasil para constituir uma
metodologia de desenvolvimento de ações educativas para o uso qualificado e apropriação de bens
culturais. Esta metodologia é denominada Educação Patrimonial.
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E A HISTÓRIA DOS OBJETOS
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A ideia básica da Educação Patrimonial é a experiência direta com objetos ou fenômenos culturais,
em um processo permanente de descoberta e reflexão. Nesta metodologia, os objetos são fonte
primária de informações e, portanto, funcionam como um instrumento de ensino cuja exploração,
observação e questionamento podem ser traduzidos em conceitos e conhecimentos.
A Educação Patrimonial pode ser considerada um instrumento de “inclusão cultural”, pois
possibilita o observador fazer a leitura do mundo a sua volta de maneira mais crítica. Este processo
leva ao desenvolvimento da autoestima e à valorização da cultura.
A vantagem desta metodologia é que ela pode ser aplicada a qualquer área ou evidência material,
seja ele um objeto ou um conjunto de bens, um monumento, um animal, um fóssil ou uma paisagem.
Outro fato importante é que ela é transdisciplinar, isto é, articula conhecimentos de diversas
disciplinas.
Metodologia da educação patrimonial
A metodologia de educação patrimonial compõe-se basicamente de três etapas principais:
etapas
recursos e atividades
objetivos
1. Observação
Exercícios de percepção sensorial por meio de perguntas ou
manipulação de objetos.
Identificação do objeto,
função, significado,
desenvolvimento da
percepção visual e
simbólica.
2. Registro
Desenhos, descrição verbal ou escrita, fotografia, mapas,
maquetes, modelagem, etc.
Fixação do conhecimento,
aprofundamento da análise
crítica, desenvolvimento da
memória, pensamento
lógico intuitivo e
operacional.
3. Análise
Discussão, levantamento de hipóteses, análise do problema,
questionamentos, levantamento em outras fontes.
Desenvolvimento da
capacidade de análise e
julgamento críticos,
interpretação das
evidências e significados.
Museus: Lugar de Objetos
Museu é uma palavra de origem latina proveniente do termo museum, deriva do grego mouseion.
Este termo faz referência ao templo dedicado às nove musas, filhas de Zeus com Mnemosine, a deusa
da Memória.
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
“Musas dançando com Apolo”
por Baldassarre Peruzzi, 1520.
Fonte: Cornwell University Library
Apenas a partir do Renascimento que o termo “museu” passou a ser utilizado em relação a
coleções de objetos de valor histórico e artístico. Neste período, as coleções contavam com rochas,
plantas e animais e obras de arte. A partir da descoberta de novos continentes, a formação de
coleções de objetos artísticos ou curiosidades naturais foi bastante estimulada, servindo de base para
os gabinetes de curiosidades.
Alguns dos museus mais importantes da atualidade
surgiram a partir destes acervos. Os gabinetes de
curiosidade foram modelos de status social e poder.
Os primeiros museus surgiram de coleções de pessoas,
Famílias ou instituições muito ricas. O acesso era
restrito à estudiosos e nobres. Os museus começaram
a abrir a partir do século XVII. É neste período
também que os museus científicos substituem os
Gabinetes de curiosidades. Atualmente, os museus
passaram a valorizar a atuação em rede procurando
mostrar sua importância para o desenvolvimento
econômico, preservação da memória dos povos, das
coleções e principalmente sua função comunicacional e
educacional.
“Gabinete de curiosidades”
por Johann Georg Hainz, 1666.
Fonte: Science Library
Os museus como ferramenta didática
Os museus vêm assumindo cada vez mais seu papel educativo e possuem uma maneira própria
de desenvolver e atingir seus objetivos pedagógicos. Essa característica leva a diferenciá-lo de outros
espaços educativos. Atualmente, diversos autores dividem o sistema educacional em três categorias:
- Educação formal: sistema estruturado cronologicamente, programação definida, certificação,
treinamento técnico e profissional. Exemplo: escolas e universidades.
- Educação não formal: qualquer atividade organizada fora do sistema escolar e que tenha
intencionalidade educativa, com carga horária e programação mais flexíveis. Exemplo: museus,
zoológicos, jardins botânicos etc.
- Educação informal: processo realizado ao longo da vida no contato com a família, amigos, a
experiência cotidiana, trabalho, lazer e nas diversas mídias.
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E A HISTÓRIA DOS OBJETOS
Mas... Como o Museu vai ajudar o aluno a aprender melhor?
A aprendizagem que ocorre nos museus é diferente daquele da sala da aula. No museu o aluno
pode escolher o caminho a seguir e estabelecer suas próprias relações, uma vez que não existe uma
sequência de conteúdos obrigatória a ser aprendida. O aluno pode construir o conhecimento sobre o
tema em exposição de acordo com seus interesses pessoais e a partir dos seus conhecimentos
prévios. A natureza da experiência vivida em um museu é basicamente não verbal e pontual; ao
contrário da escola, em que é continuada no tempo e baseada no texto escrito.
O PAPEL DO PROFESSOR ANTES, DURANTE E DEPOIS DE UMA VISITA A UM MUSEU
1. Escolha previamente o museu e o visite: a ida do professor previamente ao museu é fundamental
para que se tire o máximo proveito da visita.
2. Estabeleça os objetivos da vista: os alunos têm necessidade de se sentirem “amparados”. É
importante relacionar a temática do museu com o currículo ou conteúdo que está sendo dado no
momento. Não se esqueça de organizar a visita (horário, agendamento e etc).
1. Prepare os alunos para a visita: converse com os alunos sobre o museu, localização, o que irão
conhecer, histórico, como será a visita, comportamento no museu etc. Apresente também aos
alunos a programação das atividades propostas, com horários e que atividades serão realizadas.
2. Visita: participe ativamente durante a visita, de modo que os alunos possam ver que o professor
também aprende nos museus. É importante que roteiros e trabalhos propostos para a visita não
dificultem a experiência de observação e construção de conhecimento dos alunos.
3. Pós-visita: é neste momento que se consolida o aprendizado e a experiência vivida no museu,
portanto discuta a visita, retome conceitos e faça as pontes necessárias com o currículo e as
tarefas que eles deverão que realizar.
A experiência de visitar uma exposição propicia ao público um olhar diferente para o mundo. É
possível que os visitantes de exposições e museus reflitam sobre o cotidiano, pensem em suas
atitudes, tentem coisas novas, comparem o que conheciam antes com o que viram e saiam de lá com
a curiosidade e o espírito crítico estimulados. O visitante, que pode ser o aluno, o professor ou outro
cidadão interessado terá uma experiência significativa depois de uma visita ao museu.
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
A história da educação nos museus até os dias de hoje
O desenvolvimento da educação nos museus está dividida em três etapas. A primeira delas foi a
inserção dos museus nas instituições de ensino formal, inicialmente nas universidades. Em 1683, a
Universidade de Oxford na Inglaterra, inaugura o Ashmoleam Museum com grandes coleções de
Geologia e História Natural, porém o acesso era restrito aos estudiosos. O principal objetivo dos
museus inseridos no contexto da educação formal era a contribuição para a formação cultural do
público através do estudo e observação dos objetos expostos. O acesso, mesmo que apenas de
estudiosos, marca o início do acesso do público aos museus.
A segunda etapa do desenvolvimento da educação nos museus é caracterizada pelo acesso de
diferentes públicos: diversas classes sociais, faixas etárias, níveis de formação diferentes ou pessoas
com dificuldades de algum tipo. No final do século XVIII, os museus começaram a ser considerados
como um lugar de saber e de progresso do conhecimento, onde o público poderia desenvolver seu
gosto pelas artes admirando diversas exposições.
Os museus do século XIX pretendiam ser um espaço pedagógico de difusão da cultura, auxiliando
na educação dos indivíduos e na modernização da sociedade. Nesta época são montados os
primeiros museus brasileiros. Criados com grande influência europeia e norte americana, os museus
brasileiros também coletavam, catalogavam e estudavam elementos do mundo natural e cultural do
país.
A disseminação cultural do século XIX baseava-se nos ideais democrático da Revolução Francesa
que, por um lado, estimularam a abertura de novos museus pela Europa e, por outro, começaram a se
preocupar com a função educativa dessas instituições. Essas preocupações transformaram-se em
projetos governamentais que propunham as escolas que propiciassem aos estudantes visitas aos
museus como “complementação” das aulas. Esta atividade era conhecida como a “lição das coisas”,
em que o aluno observava “ao vivo” o que tinha estudado na teoria na sala de aula.
Ainda no século XIX são criados os primeiros serviços educativos nos museus. Porém, esses
serviços ainda não contavam com profissionais especializados. Em geral, as visitas eram guiadas pelos
pesquisadores responsáveis pelas coleções, com discursos extremamente aprofundados em assuntos
específicos e em linguagem não acessível. Paralelamente, os professores que visitavam os museus
com seus alunos, não tinham ferramentas pedagógicas suficientes para utilizar os conhecimentos
sobre as coleções apresentados nas visitas, em suas aulas.
A terceira etapa, ocorrida ao longo do século XX e contemporânea, representa a implantação
definitiva dos serviços educativos nos museus devido à diversificação e ao aumento do público nos
museus.
Os especialistas em Educação começaram e perceber que era necessário fazer com que o público
entendesse e se apropriasse do que estavam vendo. Este movimento levou os museus a aplicar
estratégias que facilitassem a comunicação de seus acervos com seu público.
Vários museus inauguraram exposições específicas, respeitando a faixa etária e o interesse de
cada tipo de público. Além disso, os museus passaram a se utilizar de diversos tipos de mídias (por
exemplo: som, vídeos e totens interativos) e cenários (florestas, casas etc.), contextualizando o
objeto em exposição e facilitando a compreensão do visitante.
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E A HISTÓRIA DOS OBJETOS
Contudo, apenas na segunda metade do século XX é que os museus foram reconhecidos como
intrinsecamente educativos, com objetivos pedagógicos específicos.
Atualmente, mostra-se cada vez mais importante que os profissionais da Educação nos Museus
estejam envolvidos na preparação de exposições, participando ativamente da construção de um
discurso acessível e significativo para o público que visita essas instituições e que almeja
compreender, fazer parte e se reconhecer nestes espaços também educativos.
Paleontologia na escola
A Paleontologia é essencialmente uma ciência multidisciplinar que está associada ao cotidiano
dos cidadãos em diversas atividades: no contexto escolar por meio das disciplinas como Ciências e
Biologia; em contextos midiáticos por meio de filmes, publicações de divulgação e ficção científica;
em atividades de colecionismo (embora ilegal no Brasil); além de contextos políticos, muitas vezes
conflitantes como a exploração de combustíveis fósseis, como o petróleo, distribuição e organização
de territórios e guarda de fósseis.
No contexto estritamente escolar, as abordagens geológicas e paleontológicas fazem parte do
conteúdo de Ciências trabalhado em todos os níveis da educação no Brasil – Ensino Infantil,
Fundamental e Médio, embora os materiais didáticos existentes demandem, na maioria das vezes,
revisão e complementações.
Em Geologia, o que se observam são informações gerais sobre nosso planeta (por exemplo,
constituição, forma, distribuição dos continentes, tipos de rochas e minerais) e, mais recentemente,
problemas ambientais decorrentes da interação homem-litosfera (por exemplo, enchentes,
assoreamento). A Paleontologia, por sua vez, é introduzida esporadicamente e permeia por outros
assuntos, como a origem da vida, definição e tipos de fósseis.
Trabalhar com a Paleontologia sob a perspectiva de Educação Patrimonial sugere que os alunos
aprendam a partir do registro fóssil. Ao abordar a popularidade e controvérsia sobre os fósseis, os
professores podem usar a Paleontologia com tema para ensinar conceitos importantes em ciência
pois a Paleontologia permite a integração de várias disciplinas da ciência, além da biologia, como a
matemática, a história e a geografia. Além das questões científicas diretamente relacionadas aos
fósseis, o trabalho educativo em Paleontologia também fornece subsídios para que os fósseis façam
parte da identidade local e sejam entendidos como um patrimônio natural a ser preservado. Por fim,
aprender a partir do registro fóssil é também praticar o processo da ciência e esta é a chave para uma
sociedade cientificamente alfabetizada.
Ao final deste volume são apresentadas atividades práticas que podem ser realizadas em salas de
aula ou em laboratórios de Ciências. As propostas são atividades motivadoras que abordam diversos
aspectos da Paleontologia discutidos nesse material. Sugere-se que as atividades sejam realizadas
antes da visita à exposição “Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro”, para introduzir o tema aos
alunos, e/ou depois da visita, como uma retomada dos conceitos apresentados pela exposição.
31
EXPOSIÇÕES:
CONCEITOS, ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO
EXPOSIÇÕES: CONCEITOS, ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO
33
As exposições e a comunicação em museus
O estatuto do ICOM (The International Council of Museums) adotado a partir da 21ª Conferência
Geral de Viena de 2007 e admitido como referência internacional, define um museu como “uma
instituição permanente e não lucrativa a serviço da sociedade e seu desenvolvimento, aberta ao público
e que adquire, conserva, pesquisa, comunica e exibe o tangível e intangível patrimônio da humanidade e
sua ambiente para fins de ensino, estudo e diversão”.
Podemos concluir que os museus, por definição têm como missões: a preservação da memória
através de suas coleções, a produção de conhecimento por meio da pesquisa e sua difusão para a
sociedade.
As exposições constituem o principal meio de comunicação dos museus, oferecendo ao mesmo
tempo conhecimento e entretenimento. Podem ser inovadoras, inspiradoras e conduzir o visitante à
reflexão, proporcionando ótimos momentos de aprendizagem, mas também de satisfação. Mais do
que o simples processo de colocar objetos em vitrines ou quadros em paredes, as exposições são um
meio sofisticado de narrativa, que no caso dos museus, é sempre estruturada com foco em seus
acervos e no conhecimento a eles associado.
Tipologia das exposições
Exposições podem ser classificadas segundo sua estrutura, período de abrangência, temática e
objetivos específicos. Hoje reconhecemos três níveis básicos de exposições:
tipo
temática
abrangência
objetivos
Longa Duração
Caráter enciclopédico,
explorando os grandes eixos
temáticos do museu.
Tempo indeterminado
(anos a décadas).
É o eixo principal de
narrativa do museu e o
foco principal da visitação.
Temporária
Explora assuntos específicos
dentro do universo temático do
museu.
Tempo determinado
(semanas a meses).
Procura estimular reflexão
e discussão sobre
atualidades de grande
relevância e repercussão
social.
Itinerante
Explora assuntos específicos
dentro do universo temático do
museu.
Tempo determinado
(semanas a meses).
Permite que o museu
estenda seu alcance
de comunicação para além
de sua sede, podendo
atender um leque de
público muito mais amplo
do que o convencional.
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CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
Planejamento
A realização de exposições em museus é uma empreitada complexa que tem início a partir da
seleção de um tema de interesse da comunidade, que deve refletir a missão e a filosofia da instituição
em relação à pesquisa, gerenciamento de acervo, educação e acesso público.
Após a escolha do tema a ser abordado, convém a elaboração de um plano de ação que estabelecerá
metas, cronogramas e recursos necessários para a realização da exposição. Exposições podem ser
planejadas para atender um leque mais diversificado ou um segmento específico de público.
A exposição deve ser planejada com uma atenção especial à variedade de oportunidades de
aprendizado e deve prever todas as possibilidades de acesso físico, sensorial e intelectual, bem como o
conforto a ser proporcionado aos visitantes de todas as idades e condições físicas. Deve contemplar
ainda a avaliação das necessidades de conservação, exibição, manutenção e segurança do acervo,
segundo as diretrizes técnicas específicas para cada tipo de objeto, como também deverão ser levadas
em consideração as implicações sanitárias e de segurança dos visitantes durante sua permanência na
exposição, incluindo uma completa avaliação de riscos.
Estratégias de marketing e divulgação da exposição devem fazer parte de seu planejamento,
assegurando que veículos e conteúdos estejam adequados ao público-alvo. É preciso monitorar
regularmente as condições ambientais da exposição, o desgaste dos equipamentos, bem como o
conforto e segurança do público.
Exposição temporária Biodiversidade: Fique de Olho!
Museu de Zoologia em parceria com Estação Ciência da USP.
Fonte: Arquivo MZUSP
Componentes da exposição
A exposição é uma forma de comunicação especifico com base em objetos, que por sua vez são
acompanhados por recursos que permitem aos seus visitantes melhor identificar e compreender sua
significância. Todos os envolvidos na organização de exposições têm uma enorme responsabilidade para
com o público. Eles são intermediários entre os acervos dos museus e os visitantes que vêm para
apreciá-los.
EXPOSIÇÕES: CONCEITOS, ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO
elementos
características
35
profissionais
responsabilidades
Curadoria
Define a estrutura narrativa de uma
exposição e o acervo envolvido ( =
recorte curatorial).
Especialista no tema da
exposição (pesquisador,
artista, etc).
Delimitação dos objetivos e
expectativas
a
serem
alcançados, os conceito-chave
que deverão ser abordados na
narrativa, opinam sobre a
escolha dos objetos que irão
compor
o
acervo
e
supervisionam a seleção das
informações
que
serão
disponibilizadas ao públicoalvo.
Museologia/Museografia
Processamento técnico do acervo
selecionado, assim como outros
aspectos gerenciais de equipes e
materiais.
Museólogo e técnico em
museografia.
Levantamento de informações
sobre cada peça, registro e
documentação, avaliação do
estado
de
conservação,
negociação para empréstimo
(quando necessário) e etc.
Expografia
A tradução espacial da exposição,
dentro de uma lógica que tem
como finalidade valorizar o
conjunto e proporcionar as
melhores condições e conforto
para
sua
apreciação
pelos
visitantes.
Equipe multidisciplinar.
Ver próximos itens.
Identidade visual
Reúne os elementos que vão
construir a estética da exposição e
devem estabelecer uma linha de
coerência com a temática do
projeto e a natureza do acervo, e
refletir a identidade autoral da
instituição.
Programador visual ou
designer.
Criação
de
logomarca,
definição da paleta de cores e
variedade de texturas que
serão utilizadas, assim como a
tipografia e a iconografia.
Cenografia
Abrange
todo
o
mobiliário
contextualizado
em
uma
ambientação
específica,
que
influenciará na transmissão dos
conceitos e seu entendimento pelo
público. Os mesmos objetos usados
em montagens distintas podem
contar histórias diferentes e
fornecer novas perspectivas sobre
seus significados.
Cenógrafo.
Elaboração das soluções de
apresentação, incluindo a
definição da estética e dos
materiais a serem utilizados,
assim como sua distribuição
espacial e o percurso a ser
adotado pelos visitantes,
como forma de conduzi-los
para que sejam atingidas as
expectativas da curadoria.
Cenotécnica
Constitui a execução do projeto
cenográfico.
Marceneiro, serralheiro,
pintor, eletricista, técnico em
iluminação, técnico em
audiovisual e artista plástico.
Construção
física
da
cenografia a partir das
diretrizes
definidas
pelo
cenógrafo,
incluindo
instalação do mobiliário, da
estrutura
de
iluminação,
ajuste
de
recursos
audiovisuais, confecção de
módulos expositivos especiais,
paisagismo, etc.
36
CABEÇA DINOSSAURO: O NOVO TITÃ BRASILEIRO
elementos
características
profissionais
responsabilidades
Comunicação visual
Deve ser planejada de modo que os
conteúdos possam ser apreciados
pelos mais variados perfis de
público, por pessoas de diferentes
faixas
etárias,
contextos
socioeconômicos e intelectuais.
Especialista, Programador
visual ou designer e revisor.
Dimensionamento do conteúdo
textual e dos recursos gráficos
de
apoio
(fotografias,
ilustrações e infográficos) nas
peças de sinalização tais como
cartazes, legendas, e painéis.
Montagem
Em geral é uma operação que
envolve profissionais capacitados e
todo o restante da equipe que,
através de um conjunto de
esforços,
faz
nascer
uma
exposição.
Montador profissional.
Avaliação da natureza das
peças e necessidades para sua
disposição na cenografia,
montagem e ajustes.
Ação Educativa/Mediação
Abrange um conjunto de ações e
estratégias com o propósito de
aproximar o público e o acervo da
exposição, de modo a oferecer uma
experiência educacional no seu
sentido mais amplo.
Educador, monitor e técnico
de apoio.
Responde pela recepção do
público e mediação, assim
como
promove
ações
pedagógicas, programas de
capacitação de professores e
treinamento de monitores.
Frequentemente
acumula
ainda a responsabilidade pelo
agendamento de grupos e
controle
de
visitação,
registrando informações que
serão
posteriormente
utilizadas
para
fins
estatísticos.
Assessoria de
Comunicação
O sucesso de uma exposição
depende, entre outros fatores, de
uma boa estratégia de divulgação.
Jornalista.
Atende pela publicidade,
divulgação e assessoria de
imprensa.
Assessoria jurídica
Garante a legalidade de todos os
procedimentos
envolvidos
no
processo de planejamento e
execução de uma exposição.
Advogado.
Avalia todos os aspectos de
implicação jurídica, tais como
contratações de prestadores
de serviços, compra de
materiais,
termos
de
empréstimo de acervo, entre
outros.
Vigilância
O valor cultural, científico e social
do acervo, combinado ao alto
investimento na execução do
projeto expositivo exigem ações de
prevenção
que
garantam a
segurança do acervo e também do
público visitante.
Vigilante.
Supervisionar e controlar o
fluxo de visitantes para
preservar a segurança tanto
do acervo exposto quando
das próprias pessoas que
transitam pelo espaço.
Apoio
Manutenção da estética da
apresentação durante todo o
período
de
abrangência
da
exposição, tal como originalmente
planejado,
fundamental
para
garantir a melhor experiência e
apreciação do público durante a
visitação.
Profissional de limpeza e
manutenção.
Manter a higiene do espaço, o
funcionamento
dos
equipamentos de apoio e a
estética da exposição.
EXPOSIÇÕES: CONCEITOS, ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO
Equipes atuando na montagem de diversas
exposições elaboradas pelo Museu de Zoologia.
Fonte: Arquivo MZUSP
Importância
A exposição é uma estratégia de diálogo que tem como função principal a de traduzir afirmações,
questionamentos, anseios, desejos e propostas de soluções para demandas coletivas e sociais. Não é o
único propósito de um museu, mas uma ferramenta para que se estabeleçam interações entre a
instituição e o seu público.
Descobrimos muito nos últimos anos sobre a maneira como as pessoas aprendem com as exposições.
Se forem planejadas com atenção e imaginação, podem inspirar, surpreender, suscitar ideias, promover
descobertas e provocar mudanças. Para garantir os melhores resultados, é essencial a definição do
público-alvo e o objetivo do museu a fim de se obter o conhecimento necessário para desenvolver uma
abordagem apropriada e aprender a partir de experiências anteriores. A preparação e a execução de uma
exposição pode ser um dos processos mais extenuantes e, ao mesmo tempo, empolgantes em que os
profissionais de museus podem se envolver!
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REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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