TL1_STEIGER_Lirico

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TL1_STEIGER_Lirico
T^O^A
^*4í>. C. A. cSALc.ZZ . %Q ^
^^
ESTILO LÍRICO: ARECORDAÇÃO
te" -T^ÍSa^^l^^r N— d° Viandan-CO .. Já se escreveu qufLTSprSo^sot ^ *
"Über allen Gipfeln
Ist Ruh.. ."
Xq^~ CrePÚSC"'° S,,CndM0' m""" *»*> ««
"In allen Wipfeln
Spürest du. .."
rpaorr™ea;i^-;thrainnaãoe r%acaIento tão profu-
que corresponde ao movimento fiLd da^Si^n ^J^' °
Finalmente que a pausa depois de
árV°res-
"Warte nur, balde. . ."
Warte nur, baIde / Ru££- ^Jí*^ schweigen im Walde. /
^^SSo" C^^t;íuíeB» «dM «arvores mal per.
um pouco, breve / desca^TtlZtm^ ** ^^ ' =*«» só
. eu ^opia espera, até que. no verso final, nas duas últimas
palavras' prolongadas,
mero conhecem-se vários versos onomatopaicos como o famoso
e combatido hexâmetro da tradução alemã de Voss, freqüen
temente citado:
"Ruhest du auch.. ."
8
"Hurtig mit Donnergepolter entrollte der tückische Marmor."
tudo se acalma, inclusive o homem, o mais inquieto dos seres.
r-
("Célere rolava com estrondo de trovão o traiçoeiro már
A estrofe de Verlaine
•:
more.")
"Et je m'en vais
Au vent mauvais,
Ou "Dumpfhin kracht er im Fali" (desencadeia-se em estré-
Qui m'emporte
grego-
nito abafado), que traduz maravilhosamente em alemão o
Deçà dela,
Ou .ainda o verso que descreve a corte amorosa de Ca-
Pareil à Ia
Feuille morte."
iipso a Ulisses:
leva-nos a considerações semelhantes. Osegundo verso soa qua
u
se _como o primeiro, com uma única diferença, na minha opi
nião: a nasal se desloca no jogo despreocupado. Quase não
se pode considerar as palavras "vais - mauvais, dela - à Ia"
. como nmav-pois a língua parece ficar a repetir a mesma vogal em simples balbucios sem significação. A rima em "Ia", si-
Os meios sonoros da língua aqui são aplicados a um
acontecimento. Se digo ".aplicados a" mostro com isso que a
língua e o acontecimento descrito são diversos um do outro.
Dizemos, com razão, que a língua "reproduz" o ocorrido. O
conceito "imitatio" está ben1 escolhido. A imitação lingüís
tica é uma tarefa até certo p<>nto fundamentável: a seqüência
dos cíác.tilo.s, reproduz o estroi>do do mármore, a riqueza das
•Vbgàis, as artimanhas sedutor^ de Calipso. Essas corn"^^.
' laba fugaz, tende a roubar por completo o pêüo da linguagem
Assim, parece-se ouvir, mesmo, algo desesperadamehte lúdico'
;•: Já os sons parecem sugerir a disposição da alma criada pela
apreciação de folhas outonais levadas ao vento.
>
ções não chegam a melindrar hinguém> Pois o leitor pr(,'Ssupõe
sível, e ao poeta elas vêm apenaT. reforÇar a alegria de [eT ^on]
quase sempre a intencionalidacie' ou Pel° menos julg^a p0J_
Se podemos confiar em nosso sentimento do verso antigo
o fim da conhecida estrofe sáfica
seguido coisa tão bela.
Asteres mèn amphl kálan selánnan
No estilo lírico, entretanto, não -%^L.Í.
no adônico
9
L^Qflução
lin-
outro a língua com todos os seus sons, prorua a. ser aplicada.
- Antes, é a própria noite que soa como língua. O poeta não i
ç Realiza" coisa alguma. Ainda não há aqui um' defrontar-se ' ?>'
4 objetivo (Gegenübery. A língua dissolve-se no clima crepuscular e o crepúsculo na língua. Por isso, a indicação das re t
lações sonoras isoladas está fadada a decepcionar. A interpre
tação separa em partes distintas o que em sua origem é enigmàticamente uma só coisa. Além disso, ela não pode nunca
X>
í
á
poeta quando justamente a falta de intenção é o agradável e
onde qualquer vestígio de .intencionalidade é uma dissonân
cia. Oconhecedor tem razões para não desprezar o julgamen
to do amador, pois seu conhecimento só é autêntico, enquanto
êle continua também amador. Mas talvez seja possível solu
desvendar todo o. mi_í_ÍÍ_J___Lbja_iírica. Pois esse estado de
jun_a_cjade (Einssein) é mais íntimo que a mais sagaz pers
picácia de espirito; capaz de notar como uma face "fala" mui
to mais que qualquer descrição fisionômica e a alma é mais
cionar a contenda. Seria necessário apenas que o conhecedor
reconhecesse que não há aqui onomatopéias. Da-épica de Ho20
re
Nachtlied" estivesse de um lado o clã?3 do crePúsculo e do
parece fazer-nos ouvir a serenidade clara e prolongada, espa
A análise estilística deleita-se com essas observações Não
podemos opor-nos. Mas o leigo, o simples amigo da poesia,
acha-as desagradaveis._Parece_q.ue.je. atribuLumaJntenção ao
€>
guística de um fato. Não se pode ace.ltar 1ue na
— Vanderers
war
Laítm' épi kal gãn
lhada sobre terra e mar pela lua cheia.
Aiel dè niS-Jakoísi kal aimylíoisi lógoisi.. .
profunda que qualquer tentativa de interpretação psicológica.
0
\ °.rvalor dos versos líricos é justamente essa unidade entre
"Kleine Quelle
j_significação das palavras e sua mús ca. É uml"música es^
.
s.
So tief und schneíle
p^n^neú, enquanto a onomatopéia - frutati* mutandis e sem
Ais der Liebe
valoraçao - seria comparável à músicjt descritiva. Nada mais
d.
Em conseqüência dissecada palavra ou mesmTTililhtrah:,
nao; importunar que substitua em "Wandeíêrs Nàchtlied"
ao "u" fechado e escuro, corresponde o "e", ao "nd" o "1"
dobrado. Pensamos novamente estar ouvindo a água, mas não
mais agora a profundeza da fonte, e sim a enxurrada célere
seriamente prejudicado. Claro que nem todas as poesias são
primida, e sim paixão arrebatadora. E a isso corresponde a
significação nova ou modificada das palavras. Nem "schneíle"
.intocável. É já uma audácia sua simples leitura, pelo receio de
uma alongação ou abreviação das sílabas, contrária'ao tom
(célere), nem "reissende" (arrebatadora) estavam no texto la
tino.'A harmonia de som e significação é, portanto, tão pura
como no original. Por sua vez, o todo está completamente
na poesia lírica é insubstituível e imprescindivlOrTnT^rT.Ti
X
r s
H
5
spurest _pelo sinônimo "merkest" ou suprima o "e" de
Vogelem e se pergunte se em cada mudança o verso não fica
m-TS Ve",como esta. Mas quanto mais lírica. Tanto r--,;,
do poeta. Os hexâmetros épicos são muito mais resistentes
^Pode-se até, dentro de certos limites, aprender a recitá-los
Versos líricos, entretanto, quando têm que ser declamados, só
•soam corretamente, enquanto ressurgem de profunda submersao, de uma quietuae isolada do mundo, mesmo quando se
.trata de.versos alegres. Eles precisam do encantamemn~dT7^r
.piraçao, e qualquer suspeita de intenrin^H^ _T^~
á*qui em desacordo.
~
£*•:• Isso é que dificulta ou mesmo impossibilita a tçadução
t em línguas estrangeiras. No caso das onomatopéiasTum tra
II
"5- o
Reissende Welle." *
pengoso que uma tlTmaiiiÍMUcgo direta do clima espiritual
dutor engenhoso poderá sair-se bem. Entretanto, é muito im
provável que palavras com o mesmo sentido em línguas di
versas tenham também a mesma unidade lírica de sons e si»,
niticaçao. Ernst Jünger traz um exemplo em "Elogio das Vo-.
gais ,4£a estrofe latina:
6
estrangeira. Ouvem os sons._e_rijLmosJ e sentem-se tocados pela
'disposição (S*timmung) do poeta, sem necessitarem de compre. ensão lógica. Aqui se insinua a possibilidade de uma com
preensão sem conceitos. Parece conservar-se no lírico um re
manescente da existência paradísica. \i
^, ,r-
••"••í
Q •<?$£.
«,.v/v> •<ãr^-va-k,.h
\ A música| é esse remanescente, linguagem que se comu-
nica sem palavras, mas que se expande também entoando-as.
Ô~própfíõ~"poeta copfessa-o, quando compõe a canção (Lied)
importância para o ouvinte. Acontece, as vezes, que o próprio
••V'"V
Furibunda." *
A violência do amor é comparada à água e as rimas "unda,
profunda, furibunda". evocam as profundezas do sentimento
de onde. provém o inaudito, que nós mesmos não conhecemos.
'
4. Em Blãtttr und Steíne ("Tolhas e Pedras"), Hamburgo, 1934.
éíúribuna?^ °nda ' t5° pr'oíunda' ' quant0 a íôr5a d° amor /
22
Se, como vimos, a tradução de versos, líricos é quase im
praticável, é também por outro lado mais dispensável que a
de épicos ou dramáticos, pois todos julgam sentir ou pressen
tir algo ao escutá-los, mesmo quando não conhecem a língua
que destina ao canto. No canto, há uma elaboração da curva
"Nulla unda
Na tradução alemã
transformado.
metódica, do ritmo. O conteúdo da frase passa a ter menor
Tam profunda
Quam vis amoris
da corrente. Também o amor é outro, não mais demonía re
cantorn~ão sabe bem de que se fala no texto. Amor — morte
— água, qualquer idéia mais ou menos propícia lhe basta. Nos
intervalos, êle segue cantando despreocupadamente e continux
perfeitamente integrado no todo. Êle se chocaria se. lhe dis
sessem que não compreendera a canção. É evidente' quç com
isso êle não dedica o tratamento devido ao todo da 'criação
artística; pois também as palavras e o conteúdo das frases
pertencem, como é lógico, à canção. Nem .somente a música
das palavras, nem somente sua significação p,erfa2em o mila*
"Pequena íonte / profunda e célere / como a onda / arrebata
dora do amor."
."I -N
,.o^ ^ ( cc\ ,(í>0 •
looavia criticar, se alguém se abandona mais ao efeito^imedia-
to da música; pois mesmo o poeta sente-se quase inclinado a
dedicar uma certa primazia à parte musical, e, desvia-se, por
vezes, aas regras e usos da linguagem determinados pelo senUdo a bem do tom ou da rima. O-e final é sincopado, mo-
difica.se a seqüência das palavras, e, algumas vêzesf despreza-
se uma parte gramaticalmente imprescindível.
ção, palavras e versos. Ninguém pensa, entretanto, que a ver_dadeira_fôrça e valor de uma poesia está na situação, ernlèÜs
juativos. ,A_p^Ltjr_daíJazem:sé'milhares de_poesias em que o
motivo é nulo e que simulam uma éspéae de~ixis7ência, sim
plesmente através de sensações e versos sonoros".
Em artes plásticas, .Goeihe demonstrou a mesma simpa
tia pelos motivos, o que muito decepcionou os pintores ro
mânticos. P.usj)u^jirmar que..sò.meme_a_£as_s_agem de uma poe-
"Viel Wandrer lustig schwenken
Die HÜt'im Morgenstrahl..." *
'"Weg, du Traum! so gold du bist;
"i3_Erosa_ mostrada _p...que.,a. poesia reahnente tem devida
Se necessário, poder-se-ia compreender isso através de dramas
Hier auch Lieb und Leben ist.. .'* **
e obras épicas. As viagens de Ulisses conseguem prender o
"Was soll ali der Schmerz und Lust?" •**
ra Jais ve"os chamariam a atenrãn n,,.,^ j ão é •.
-?-i pois^Tcampos
.s.numa obra lír„ica
5eriammusicais
•^,r!L£gg^
Jlalo,
de força
dos q^T^p^r^
exigência da correção e uso gramaticãiT—~^
^.. ^...^íi 1U, uma puL-sia c ucia, e pensam apenas na sensa
U-£-i-
Além.disso poesias de motivos e sentido substancialmen-
ao Pp°ovroeS SSíf0^
KCUl0S essa
CSéCUl0S
na 3ma
TrvFr™
f C combateu
teoria. inalteradas
Nas conversas
com
'deti^
n os motivos
Uma V"quedeGoethe
Can?Õesabordou:
sérvias-5 "AEckermann
deleita-se ,'com
mocinha
nao deseja aquele a quem não ama", "os prazeres do amor
se desvanecem , 'a bela garçonete; seu escolhido não está en
tre os fregueses". Acrescenta que os motivos são por si tão vi-
leitor mesmo nas "Lendas da Antigüidade Clássica" de Schwab.
Pode-se pensar numa reprodução do "Wallenstein" de Schiller
que conserve sua força. As canções (Lieder), porém, perdem
com_ os vercos,_o..essencial ejgor_^mriUadomn motivo jnsig.
nííí^ajTte pode adquirirem linguagem lírica o valor de uma
obTã artística do mais alto nívèL"
'
Seria difícil destacar-se em muitas das poesias de Eichendortf um motivo. E será que a canção de Goethe "An den
Mond", uma das mais apreciadas, não desmente seu rude jul
gamento? Há mais de um século, conhecedores de Goethe
procuram chegar a um acordo quanto à situação-gênese dessa
poesia. Dirige-se ela a uma mulher ou a um homem? Se é a
um homem, será então uma poesia monologada (Rollengedicht) ? Ou será antes uma composição em diálogo? Se fór
vos, que êle quase não sente mais necessidade de poesia Goe
uma composição em diálogo, como se dividem as estrofes en
the responde-lhe:
tre os interlocutores? As mais diversas hipóteses foram aven
"Tem razão; é isso mesmo. Mas com isso você nota a im
unânime: que essa canção enigmática é uma das mais belas
portância enorme que têm os motivos, e que. ninguém sabe
avaliar. As mulheres aqui não têm a menor idéia de seu va-
tadas e postas em seguida de lado; apenas uma opinião foi
da literatura mundial.
Essa exigência a um bom poema, Goethe a fêz em época
manna ™t°S Vlandantes alegres agltam / « chapéus ao sol da
remota, quando sua estética apoiava-se em noções elaboradas
a partir da natureza e das artes plásticas. Esses mesmos con
•* "Para longe, sonho! / dourado que sejas / há aqui também
mã, principalmente o conceito um tanto perigoso da forma,
vida e amor..."
que pressupõe sempre, de alguma maneira, algo a formar-se e
••» "Para que tanta dor e prazer?'
5.
2.4
V>6
Í~C tf-Çfl
uma força formativa, ou uma espécie de fôrma ôca com que
se forma algo.,'Justamente essa oposição entre a forma e o
} que se vai.JpMar .inexiste..na._criaçãjUí£gãrNo estilo épico,
18 de' Janeiro de 1825.
CflmPos.
>
ceitos tornaram-se fundamento da História da Literatura Ale
-OnvSÍCrH^
25
- •
--
i— -"- -»wüJiua. <ucuu<j ue uuia
"Lass, o Welt, o lass mich seinl
y^m^máJ^cJTmã"", o hexâmetfõTmalterável apesar de tScTãs as
<m^ançaTTemâticas. os mais diversos r^rrrFrmjr-^^c^^pl^er,
Locket nicht mit Liebesgaben,
Lasst dies Herz alleine haben
Seine Wonne, seine Pein!" *
tiiintar.de armas e regresso do herói ao lar. Na criação lírica.
t ao contrário, metro, rima e ritmo surgem em uníssono com_
as frases. Não se distinguem entre si, e.assim não existe forma
-. aqui e conteúdo ali.)
*"
~"
"
•V
:
-^Parece conseqüência lógica, que deve_haye£^m_criações
^c"cas tantas estruturas métricas quantos jjossíveis climãT
«':•.'
(Stimmungen). a expressar-se. fNa históruTda" Lírica, nótãmse vestígios de tal fato. A Lírica causava dificuldades à Poé
tica antiga, que procurava classificar os gêneros de acordo com
características métricas, justamente pela variedade de metros
existentes, "varietate carminum". Finalmente a poética encontra a melhor saída, dizendo que esta "variedade" é uma ca
Entretanto há uma completa harmonia de tom e. mensagem.
Há um gesto suave de afastamento, percebe-se certa recusa na
ênfase quase imperceptível da primeira sílaba, e na pausa que
se segue, marcada pela vírgula.
"Lass, o Welt, o lass mich sein!"
E como se o poeta se quisesse antecipar à corte do mundo. Os
três versos começando com "L" contribuem também para esse
efeito - só podemos ainda aqui sugerir uma interpretação; o
mundo deixará agora aquele coração livre.
A terceira estrofe soa bem diversa:
racterística do gênero. As denominações de estrofes, "ascle-
piadéia", "alcaica", "sáfica", mostram que antigamente, pelo
menos cada mestre do melo cantava ém seu próprio tom, um
ideal que ressurgiu na idade médi.v Chegou-se ao auge, quan-
"Oft bin ich mir kaum bewusst,
Und die helle Freude zücket
Durch die Schwere, so mich drücket,
. do não apenas cada poeta, mas ainda cada composição tinha
Wonniglich in meiner Brust." **
seu próprio tom, sua estrofe e métrica características. £ o que
acontece nas composições curtas do Goethe dos primeiros anos
de Weimar, como "Rastlose Liebe", ("Amor sem Descanso"),
"Herbstgefuhl" ("Sentimento d Outono"), e com mais per
feição a "Wanderers Nachtlied" -
"Über aí1--
ipfeln ist
Ruh'" —pois essa poesia excelente apresenta em , ia verso a
mais sutil flexibilidade métrica e não se adapta absolutamen
te a nenhum esquema métrico, protegendo-se assim de qual
quer plágio. Algumas canções breves de Mõrike merecem tam
bém menção aqui, como "Er ist's" ("É a Primavera"), "In
der Frühe" ("No Alvorecer"), "Septembermorgen" ("Manhã
de Setembro"), "Um Mitternacht", ("À Meia-noite"), "Auf
den Tod eines Vogels" ("Sobre a morte de um Pássaro").
Os pés métricos continuam os mesmos, mas a melodia vai num
crescendo. As sílabas iniciais "oft" e "durch" não conseguem
a ênfase de "lass", "locket" e "lasst". Em compensação, o fi
nal dos versos ganha força. "Bewusst", "zücket", "drücket",
têm mais acentuação que "sein", "haben" e as duas sílabas
finais de "Liebesgaben". O tom crescente à aproximação no
final parece dar a essa estrofe leves asas, enquanto que a pri
meira, cuja acentuação vai morrendo, transmite uma impres
são de recuo. Hugo Wolf soube captar tudo isso e criou para
a terceira estrofe uma melodia especial. Sua composição deixa
o sentido dos versos bem claro, e nem mesmo o apreciador
mais sensível poderá sentir-se melindrado ao ouvi-la.
</ Não vamos por, isso cometer o erro de atribuir_jmp_ortâriçkexagerada à onginaIidajLe_clo_esquema métrico._e_considejarjnenj3sJiricas_aiUBÚmer^
que se desenvolvem 'den
tro da mesma estrutura de versos iâmbicos e trocaicos. Ainda
"dentro de um mesmo esquema, há lugar para alternâncias
rítmicas que se adaptam perfeitamente a qualquer "disposição
anímica" (Stimmung) individual A "Verborgenheit" ("Reco
lhimento") de Mõrike, por exemplo, movimenta-se dentro do
quarteto trocaíco comum alemão:
.X^/1
"Y\ */"*«*!./ -
2
Poesias como "Canção Noturna do Viandante", "É a Pri
mavera", "No Alvorecer" adaptam-se maravilhosamente ao que
•
"Deixa-me, mundo, deixa-me ser, / Não me atraias com dons
de amor / Deixa só a este coração ter / Suas delícias, sua dor."
** "Multas vezes mal percebo / E a alegria límpida agita-se /
Penetrando através a dor / Deliciosamente em meu peito."
í
?
Auf der Welle blinken
que o_eji_nãj2j_ip^nas_^^
Tausend schwebende Sterne,
Rings die türmende Ferne;
concentra e se volta para si mesmo.
Die beschattete Bucht,
"A satisfação do eu por seu reencontro através do com
passo é tanto mais completa quanto a unidade e a uniformi
Morgenwind umflügelt
Und im See bespiegelt
""
dade nao dependam do tempo, nem dos próprios sons, e sim
Sich die reifende Frucht." *
pertençam ao próprio eu e sejam por êle mesmo, para satislaçao própria, transportados ao tempo. T
d, 2ítS Sã° aS PaneS dêSSe t0d°: a Primeira ten> um toque
.«
iSSf, V°ragem' gtaÇa? às árSÍS; aseSunda' com «eu» ver••••!?v»T ' Uma contemPIaÇã° evocativa; na terceira, segue-
Isso tem validade para o verso branco, para o hexâmetro
ou para os pés métricos de uma canção qualquer, enquanto
passíveis de serem fixados. Quando Hegel, de acordo com os
M_viagem com encantamento levemente abafado. "O discreto
inflamar.se do mundo" repete-se três vezes no poeta ede mo!
pressupostos de sua Metafísica, diz que a uniformidade não
pertence ao tempo nem aos sons, mas ao eu, quer dizer que
dos.tao^diversos que não se pode, portanto, falar de três es
trofes. Colocamos as diferentes inspirações em seqüência, ape
nas porque elas se relacionam objetiva e temporalmente. Não
em realidade" nunca nascem compassos idênticos (a não ser
numa declamação metronômica), mas que a igualdade é per
, ciclo é pouca demais a distância entre as partes, para uma
res ou menores oscilações. É a oposição entre compasso e ritmo,
cebida como uma idéia regulativa que se álirrna sobre maio
se sabe ao. certo se se trata de poesia ou de um ciclo. Para um
como líeüsler mesmo descreve. • É essencial para discernir-se
-- poesia, por demais longa, São momentos líricos de uma via-
o estilo do poeta observar se o compasso e o ritmo em declamação normal estão próximos, ou muito distintos entre si
..gem. O que unifica esses momentos não é linguagem nem o
•» clima (Stimmung), apenas um relacionamento biográfico que
.devidamente prolongado, enquadra todas as poesias de Goethe
SL&nTíí-
subsistência
indefinLda, mas conquista-se como individualidade quando s*
Weiche Nebel .trinken
Nas baladas de Schiller, o ritmo aproxima-se, freqüentemente
!?nt0*Tdo„í,0mpasso' ^Ue os versos soam como que entrecortados. No Recolhimento" de Mõrike, a igualdade do compasso
nas estrofes desaparece frente à mudança do ritmo e parece
kcomo fragmentos de uma confissão".
A dúvida permanece portanto: como surgir canções mais
longas que niojieixem perder-se o sêlíHdT^linTTn^rT^^.
ser apenas um olho a vigiar imperceptlvelmente os versos, e
fte-Pe^TÍCr-SO
;_iòmentejij^«tf^
lírica de desfazer-se (
Mas arèpTfiçãcTpresta-se igualmente a qüItouer~cna7ão^~Soé-
na do Viandante" não se percebe claramente. Há diferentes
demarcações possíveis, dependendo de como se considere a
duração das sílabas e das pausas. Em cadência semelhante
protegê-los da desintegração. O compasso em "Canção Notur
^Á^^^J-0,
comPasso' a^fieiiçic^eUdiaticas,
, , •>
unidadesc^n^mpo. HgeUgmEara_oJçoinpas8o
com as fileiras \\CfoL
,oe colunas ou vidraças da arquitetura, e chama a atenção de
w.*/ 'Z^l^0 JTeSC0' B&ngne nôvo- / sorvo de um mundo 11X»£i
e terna aabarcaça
natureza-/ à/ cadência
<ue e* dos
«eu remos
selo me/
aongaj ^TJ.
/ A ondab°nd^f
embalança-nos
e montes, nublados contra o céu, / vêm encontrar nossa «taT'
-
Olhos meus porque se fecham? / os sonhos de ouro hão de vol-
t%Jj*% ^ SOah0' d0Urado que seJas ' ^ tembém há viver
CtatUam na onda / milhares de estrelas flutuantes / neblinas'
fSffifSS.Í ^tanc^ acumuladas?/ brisa matutina acaS"
a baía em sombras / e no lago vem mirar-se / o amadurecido fruto.
30
toV^ QPt 5So „ \ bfr\V> ^ S ü-Kn V(VT>1fí Tyrj
'
'
4
'
poesias mais longas se desfariam.
_ -Suanto mais lírica a poesia, mais evita esta uma repeti
rão neutra de compassos, não para aproximar-seja prosa', mü
emfavor de um ritmo que
de acordo
que varia
varia ae
acorao "com
com 'a'''dispoSctõ
a "dispos\y«u
anímica" (Stimmung).
~nt isto é: apenas
~~
a expressão métrica de
que em obra lírica dificilmente defrontam-se um eu de um
lado e um objeto do outro. Ao contrário, em Schiller è&te
distanciamento é grande, o que corresponde em sua Estética
l' ?^r°ftcomPlet^, Jubiláums-Ausgabe, Stuttgart, 1928, vol XTV
nA»> Í7 História ** Ver*if*caçao Alemã, Berlim e Lelpzlg, vol. I, 1925,
T\ i V,
a
o~ 7 .-
,.., „.^^^u
mtuuw
visaier cnama o "discreto inflamar-se do
%• -"inundo no sujeito lírico". |~São poesias de poucas linhas. Toda
tem recursos, é claro, pode lançar mão da linguagem que já
i; composição lírica _auténticfaeve ser de pequeno tamanho,~L^o
usou em canções de seu vasto repertório anterior; e Brentano
:• 'jpouz-se do que jáTcTctíto, é será ainda explicitado adiante.
mw
;.....O •pc-eia-lirico não produz coisa alguma. Êle abandona-se - /
assim o fêz inúmeras vezes; mas um epígono, mesmo um epígono de si mesmo, não engana a ouvidos apurados.
a um nem a outra, gèu poetar é involumâriol~o7~íábios dei- -*
Revela-se aqui uma. certa debilidade do gênero lírico, pos
como uma idéia que não tem a força 'de ser em estado puro e
Mas seu trabalho difere muito do modo como o autor drama-
ti,
gência de sua própria essência e não por incapacidade do
O
autor.
literalmente (Stimmung) -J. inspiração. ÊTe~lmpTrT~ão~"mesmo.: tempo clima e linguagemTNão tem condições de dirjgir^se___
xam escapar o "que está na ponta da língua". Mõrike, justa- ^
mente, foi um poeta que de algum modo burilou suas poesias, ê
tico reflete sobre seu plano, ou o épico insere novos episódios
e tenta dar forma mais clara a sua obra. O poeta lírico escuta
sempre de novo em seu íntimo os acordes já uma vez entoa
dos, recna-ós, como os cria também no leitor. Finalmente re
conquista o já perdido encantamento da inspiração, ou dá
li
busca completar-se com o épico e o dramático por uma exi
.•^l^R9«Ç^_anímica'' (Stimmung) por exemplo, é aper
jias um momento, um curto prelúdio, a que se segue o desen
canto, ou de novo um outro som. jV[as_quando esses momen-
pelo menos um cunho de involuntariedade a sua obra, como
o fazem também muitos poetas de épocas decadentes, herdei
•:?;a_£orreilíe---anímica e seus versos acompanham, linógràfica-
vezes caminho idêntico entre a primeira e última redação. Mas
êle dificilmente seria considerado um protótipo do poeta lí
iB_.0.í)-rA_d.e-arteJ' Há poesias dessa espécie, em ritmos livres,
em que cada verso dá a impressão de total espontaneidade, em
ros deste legado útfQConrad Ferdinand Meyer trilhou muitas
rico: Clemens Brentano criava de outro modo, inclinado sobre
-os sons, improvisando para surpresa e admiração de seus ami
Wâ
teriormente abordada mais de perto, quando de sua análise
gos.: Suas canções demonstram um desabrochar espontâneo:
"Von der Mauern Widerklang —
AchI — im Herzen frãgt es bang:
Ist es ihre Stimme?"
"Wie klinget die Welle!
Wie wehet ein Windl
O selige Schwelle,
Wo wir geboren sindl" *
As estrofes seguintes dessa longa poesia só raramente conser
vam o mesmo encantamento da primeira. O poeta vê-se obri
gado a elaborar sua inspiração, a coordená-la, burilá-la e se
necessário mesmo explicá-la. Com isso, situa-se frente (Gegenüber) ao lírico e, portanto, fora do âmbito da graça. Êle
tos_se sucedem,_quandoj3_r^uj^rxastado nos altos e baixos
mente, essas mudanças, onde fica a unidade de que necessáta
que o todo se precipita como corrente, sem margens^ sem prin
cípio nem fim. Pretende-se um ideal de ininterrupta existên
cia lírica, ideal não mais possível artisticamente, e que leva
à total desintegração do eu.
Então quer isso dizer que a poesia lírica ficaria adstrita
a uma faixa muito pequena? Vejamos como exemplo a poesia
de Goethe, "Auf dem See" ("No Lago") :
,. • , / i "Und friscne Nahjung, neues Blut
c"1''
Saug ich aus freiér~Welf tA^wo
Wie ist Natur so. liofd und gut,feWT'^
W .,„., n
Die Well<r wiegeTu^èrn^ahn ^ ^ '
Die mjçh am Busen hàlt! ^
Im Rudertakt hinauf,
Und Berge, wolkig himmelan,
Begegnen unserm Lauf.
6. Estética. 2." ed., Munique 1923, vol. VI, pág. 208.
* "Ecoam as muralhas / e temeroso o coração pergunta / será
sua voz?" / "Como soa a onda! / como sopra o vento / oh! abençoado
umbral / em que nascemos."
Aug, mein Aug, was sinkst du nieder
Goldne Tráume, kommt ihr wieder?
Weg, du Traum! so gold du bist;
Hier auch Lieb und Leben ist.
28
_?r
à antítese entre uma pessoa,, sempre idêntica a si mesma, e um
estado anímico, sempre sujeito a modificações.
Quando o compasso não é essencial, são possíveis outras
repetições? "Nachts" ("À Noite") de Eichendorff consta de
duas estrofes métricas idênticas:
"Ich wandre durch die stille Nacht,
Da schleicht der Mond so heimlich sacht
Não se pode negar que há outras diferenças mais difíceis de
classificar. Elas, entretanto, não afetam a unidade rítmica do
todo. Isto é: a música da primeira estrofe repete-se na segun
da. A mesma corda soa mais uma vez, dá um segundo tom,
muito semelhante,, cuja vibração parece velar as diferenças da
mensagem, como'um acorde sustentado por um pedal conse
gue prolongar toda uma melodia.
O "À Meia-noite" de Mõrike leva-nos ainda mais adiante:
Oft aus der dunklen Wolkenhülle,
"Gelassen stieg die Nacht ans Land,
Und hin und her im Tal
Lehnt tráumend an der Berge Wand, >-•-
Envacht die Nachtigall,
Dann wieder alies grau und stille.
,
.
Ihr Auge sieht die goldne Waage nun
.'"'
••-.''•
,j
^\ -y'
Der Zeit in gleichen Schalen stille ruhn;
Und kecker rauschen die Quellen hervor,
Sie singen der Mutter, der Nacht, ins Ohr
O wunderbarer Nachtgesang:
Von fern im Land der Stróme Gang,
Vom Tage,
Vom heute gewesenen Tage.
. Leis Schauern in den dunklen Báumen —
Wirrst die Gedanken mir,
Mein irres Singen hier
Das uralt alte Schlummerlied,
Ist wie ein Rufen nur aus Trãumen." *
Sie achtets nicht, sie ist es müd;
• Diferenças métricas há aqui tão poucas como no "Recolhimen
Ihr klingt des Himmels Bláue süsser. noch,
Der flüchtgen Stunden gleicheschwungnes Joch.
to" de Mõrike. Rltmicamente também essas duas estrofes quase
l^nao se diferenciam. A ársis um tanto pesada na primeira es-
Doch immer behalten die Quellen das Wort,
•; trdfe, repete-se à mesma; altura da segunda:
Es singen die Wasser im Schlafe noch fort
Vom Tage,
Vom heute gewesenen Tage." *
"Oft aus der dunklen Wolkenhülle..."
"Leis Schauern in den dunklen Bàumen..."
também no último verso, nota-se a ársis um pouco mais leve,
mas ainda assim quase imperceptlvelmente acentuada:
"Dann wieder alies grau und stille..."
"Ist wie ein Rufen nur aus Trãumen..."
A divisão do peso é notadamente harmônica. Apenas no quar
to verso, há uma sensível mudança de ritmo:
"Und hin und her im Tal..."
"Wirrst die Gedanken mir..."
* "Perambulo pela noite quieta, / e sorrateira esgueira-se a lua, /
no mesmo par de versos fala-se do jugo do tempo igualmente
distribuído, no mesmo par de versos fala-se das fontes. Enfim,
ambas as estrofes terminam com as mesmas palavras. A re
petição rítmica, a dissimular as divergências da mensagem,
opõe-se à resistência da linguagem, que se esforça por sempre
prosseguir.
•
"Serena desceu a noite sobre a terra, / encostou-se sonhadora
na montanha; / seu olhar vê agora a balança de ouro / do tempo
descansar calma em pratos iguais / e as fontes cantam seus receios
/ aos ouvidos da mãe, da noite, / sobre o dia, / o dia passado de
hoje. //
multas vezes de escuras nuvens / e no vale de lá pra cá, / vai acor
dar o rouxinol. / E tudo volta a cinza e quletude. //
O tão antigo acalento / a noite não percebe, está cansada; / o
azul do céu repete mais doce, / o Jugo igualmente distribuído das
Maravilhoso acalento noturno: / correntes vindas de longe / tre
mores leves nas árvores escuras / a confundir-me as idéias. / Meu
horas fugidias. / Entretanto a palavra, as fontes a conservam / e as
águas cantam-na em sono / sobre o dia, / o dia passado de hoje."
canto, aqui, é sem rumo / como um chamado de sonhos."
33
•m
li
ti-';-
••wi? Tal' repetição só é possível em uma obra lírica. Não é
'. licito argumentar que também em criações épicas de Homero
há'repetições idênticas de versos. Encontraremos lá várias ve
No contexto das estrofes:
"Ich trãumte hinaus in das dunkle Tal
zes, por exemplo:
Auf engen Felsenstufen,
;"Quando a aurora crepuscular acordou com dedos de rosas"
Bald hier, bald da gerufen.
"E levantaram as mãos para a refeição deliciosa já preparada;"
Treulieb, Treulieb ist verlorenl
Und hab mein Liebchen ohne Zahl
Mein lieber Hirt, nun sage mir,
Hast du Treulieb gesehen?
Más nesse caso, o poeta apenas escolhe as mesmas palavras que
ffe'
êle, usara antes n* mesmas situações para uma outra refeição
e uma outra manhã. A repetição lírica não traz .nada,de--nôvo
Sie wollte zu den Lãmmern hier
Und dann zum Brunnen gehen. —
com as mesmas palavras. E a singularidade d~ã~mesma dispoUVU.
Treulieb, Treulieb ist verloren..." *
I
A repetição velada como em "À Noite" de Eichendorff
acontece raramente e só pode conservar o clima lírico no má
ximo por duas'ou três estrofes. O que se segue já é cansativo.
Assim é que a primeira repetição na "Spinnerin" ("A Tecelã") de Brentano consegue agradar, mas a segunda já é mo-'
, ri nótona. A_repetição literal, ao contrário, p chamado refrão, _é
t#* comum em poesias antigas e modernas, de vários povos. Natu-
Os versos alternantes dessa poesia são declamados a
maioria das vezes de modo recitativo, se possível por um só
declamador, para que a "história" seja compreendida. No
refrão, colaboram também os ouvintes. O canto avoluma-se.
A musicalidade abafa a significação das palavras.
' ,
O refrão pode também vir no início e no meio da estrofe:
"Nach Sevilla, nach Sevilla. . . "**
^«
ralmente, nem sempre como em "À Meia-Noit?' de Mõrike.
Tri^lW jvfesta poesia, o tom.é lírico do início ao fim. O refrão quase
"Einsam will ich untergehen. . ." ***
"Nun soll ich in die Fremde ziehen. . ." ****
ç^^cW^lque não se distingue como acréscimo, os primeiros versos da
estrofe. Mas o comum em canções populares (Volkslieder),
ou outros poemas nos mesmos moldes, é que o refrão se dife
rencie pelo seu caráter musical. Parece concentrar em si o
elemento lírico, enquanto o resto do poema tende mais ao
Novamente Brentano imita as poesias populares do "Des
Knaben Wunderhorn" ("O Chifre Encantado do Menino").
êsses_.exemplos são os melhores para mostrar o valgjr_cLo-refrão.
__poeta__tqca.. de novo conscientemente a corda que _estava
épico ou ao dramático. Brentano traz inúmeros exemplos.
Suas poesias mais longas costumam apresentar um aconteci
"sõando_ espontânea em seu cora"çao~ê~escuta o tom pela segunda,.
mento, em tom de balada, ou em versos mais ou menos des
guagem reproduz o mesmo clima_ anímico, possibiITtãndo'uma
cuidados, e ao mesmo tempo coroá-los sempre à maneira de
capítulos, com um refrão feiticeiro:
"O wie blinkte ihr Krõnlein schõn,
Eh die Sonne wollt untergehn."*
"O Stcrn und Blume, Geist und Kleid,
Lieb, Leid und Zeit und Ewigkeit."**
"Como cintllava sua coroazinha / antes do sol querer se pôr."
"Estrela e flor, espirito e roupa, / amor, dor, tempo e eternidade."
34
terceira,__quarta e _quint.a vézésT XPque jhe escapacomo linvolta ao momento da inspiração lírica. Nèlse meio tempo, êle
pode narrar algo ou refretTr~s"5Uré" ã~cüsposição anímica (Stim
mung). O todo conserva-se líricamente coeso. O refrão no
final da estrofe não traz diferenças fundamentais. Apenas o
♦ "Sonhei ao ar livre, no bosque escuro, / de rochas em estrei
tos degraus, / e chamei meu amor pelo nome / váxlas vezes aqui e
ali. //
Amorzinho, Amorzinho perdeu-se! / diz-me, bondoso pastor, / vis
tes Amorzinho? / Ela queria alcançar os carneiros / e depois chegar
ali à fonte. — / Amorzinho, Amorzinho perdeu-se..."
** "Para Sevüha, para Sevilha..."
**•
**♦*
"Solitário quero partir..."
"Agora preciso arribar para o desconhecido."
•'. :• elemento lírico é colocado artificialmente no fim, e é signifi
cativo que apareça o.refrão no título como em "Amorzinho,
t&fc'.
Amorzinho perdeu-se"; pois, com isso, a atmosfera lírica co;V''./. ' meça também realmente desde aí; o refrão é a fonte musical
Sfc-
fe~
do- todo. .
}C"OYi ""•. Há repetições de outra espécie, como por exemplo no
íí
_ron<Jg/._que descreve um movimento circular ou que retorna
ligado de algum modo a' versos anteriores:
"Verflossen ist das Gold der Tage,
As repetições "nach dir", "auf dich" servem claramente
de ponte entre os versos mais recitativos e o refrão. Uma com
posição insinua-se e surge bem definida. Os três primeiros
versos são pouco melódicos. O quarto alcança no final um
canto íntimo-doloroso, uma música que mais tarde, no refrão,
já completamente livre de regras, poderá transbordar à von
tade. O
elemento lírico vai
condensando-se nesta estrofe ;\
proporção que o fim se aproxima, ou então sempre que se
repetem palavras isoladas ou grupos de palavras:
Des Abends braun und Blaue Farben:
"Nach seinem Lenze sucht das Herz
Des Hirten sanfte Flóten starben/
Des Abends blau und braune Farben;
In einem fort, in einem fort..."*
(CF. Meyer)
Verflossen ist das Gold der Tage." *
"Tiefe Flut, tief tief trunkne Flut..."*#
A peça teatral de Strindberg "Nach Damaskus" ("Para
Damasco") tem a grosso modo estrutura semelhante. Quando
o autor, a partir do meio da peça repete os cenários em ordem
inversa e retorna finalmente ao primeiro, o todo ganha real•.. mente côr lírica. O espectador não é arrebatado (pág. 124),
e sim acalentado como no "Traumspiel" ("Fantasmagoria").
vJív--:
,•/;
A repetição lírica vai desenvolvendo-se até chegar a casos
bem singulares. Brentano oferece-nos de novo, exemplo bas
(A. V. Dr.oste)
"O Lieb, o Liebel so golden schõn. . ."**•
(Goethe)
"Muss i denn, muss i denn zum Stádtele naus. . ,"**»»
"Aveva gli occhi neri, neri, neri..."
tante elucidativo:
"Die Welt war mir zuwider,
Die Berge lagen auf mir,
Der Himmel war mir zu nieder,
j,''
, Ich. sehnte mich nach dir, nach dir!
O lieb Mâdel, wie schlecht bist du!
Ich trieb vrohl durch die Gassen
Zwei larige Jahre mich;
.«: .
An den Ecken- musst ich passen
Und harren nur auf dich, auf dichl
O lieb Mâdel, wie schlecht bist du!" **
*
"ó"réTraó." O "discreto inflamar-se do mundo" repete-se, O
poeta escutã~~cTé~" novo, com atenção, ressonâncias do acorde
executado.
Isso nos conduz finalmente à rima. Não vamos procurar
estudá-la em todas as suas manifestações, pois muito tem ca
riado sua importância para a história de 'criação literária. Ape
nas precisamos ter em mente que sua diversidade exige do
estudioso uma grande cautela.
"Passou-se como dos dias / da noite as cores cinza e azul /
do pastor delicadas flautas calaram / da noite as cores azul e cinza /
passou-se o ouro dos dias."
** "O mundo parecia contra mim:. / montes havia sobre mim /
o céu me era baixo demais / eu sentia falta de ti, ah! de ti / meni
na querida, como és ruim! //
Levei-me pelas ruelas / dois longos anos / em esquinas tive que
esperar / atento só em ti, ah! em ti / menina querida, como és ruim!
36
Tais repetições encontramos apenas em linguagem lírica,
ou, em outra formulação, çju^njo_encontramos tais repetições,
consideramos a pass^gem....còmo_.líri.c.a.fl Acontece o mesmo com
*
"Em nostalgia da primavera, meu coração / busca evadlr-se,
busca escapar..."
** "Fluxo profundo, profundo e inebriado fluxo..."
***
*«' *
"Amor! ó Amor) tão dourado e belo..."
"Será que eu tenho, que eu tenho mesmo que ir à minha
cidadezinha..."
9.
Comparem-se aqui as repetições completamente diversas do
estilo patético, págs. 140 e 141.
i
,• Arima só surge como realidade na literatura_çristã, c
i
parece destinada a substituir a variedade métrica daTíricã" an-
tiga, que vai aos poucos desaparecendo. É como se a música
A unidade e coesão do clima lírico é de suma importân-
agora procedesse de nova fonte. É por isso que poesias que
cia-num poema, pois o contexto lógico, que sempre esperamos
JgJ^gliLrcirçifestgÇãP I'nguística,~~quase nunca é elaborado em
procuram coordenar os dois métodos, como estrofes sáficas ri
madas, não conseguem um efeito animador, parecendo exage-
tais casos, ou o é apenas imprecisamente. A linguagem lírica y
P?JAÇ.^-à?^r.e.z.ílJ.Jls..cPI1.qii^stas de um progresso lento em dire
radamente trabalhadas. Apesar disso, a rima, cadenciando o
fim dos versos, pode apresentar qualidades métricas excepcio
ção à clareza, — da construção paratática à hipotática, de
nais. Foi isso que Humboldt elogiou nos versos de Schiller.10
Aqui porém interessam apenas as rimas de efeito sonoro
mágico. Dos melhores exemplos são as rimas e assonâncias
como os "Romanzen vom Rosenkranz" ("Romances de Ro-
adyérbios_ a çonjunções, de conjunções temporais a causais.
O "Bescheidenes Wünschlein" ("Desejozinho Modesto")
cie Spitteler começa assim:
senkranz") de Brentano:
"Damals, ganz zuerst am Anfang,
wenn ich hàtte sagen sollen,
"Aliem Tagewerk sei Friedenl
Was, im Fali ich wünschen dürfte,
Keine Axt erschall im Wald!
ich mir würde wünschen wollen. .."*
Alie Farbe ist geschieden,
Und es raget die Gestalt.
É gracioso, mas apenas porque zomba- da real natureza
do lírico, numa ironia simpática. Spittelerjfazendo da neces
sidade virtude, mostra por meio de construções exageradamente lógicas sua pouca aptidão líricaT? Mas se um autor _de can
ções _expressa-se seriamente, com uma lógica tão visível, logo
Tauberauschte Blumen schliessen
Ihrer Kelche süssen Kranz,
Und die schlummertrunknen Wiesen
Wiegen sich in Traumes Glanz.
lamentamos a faltá^de^usicjlijdade^è^^sua colnposiçj^^Pois.
pensar e cantar são duas atividades que hão coexistem harmônicamente: Assim começa ã "poesia "Liéd" "de" Héhlbd:
Wo die wilden Quellen zielen
Nieder von dem Felsenrand,
Ziehn die Hirsche frei und spielen
Freudig in dem blanken Sand..."*
_E assim por diante, sessenta e três estrofes, na mesma
variação hipnótica de "i" para "a". Os mesmos sons evocam
a mesma disposição 'afetiva. E somente um leitor sem sensi
"Komm, wir wollen Erdbeern pflücken,
<,<V>
Ist es doch nicht weit zum Wald,
?B"
^
Wollen junge Rosen brechen,
Sie verwelken ja so bald!
C^
bilidade musical seria capaz de discriminar à primeira leitura
as minúcias do texto. A noite, a paz, o sono ficam-lhe grava
Droben jene Wetterwolke,
Die dich ãngstigt, fürcht ich nicht;
dos no 'espírito como imagem, enquanto as muitas outras lhe
escapam numa torrente irreprimível.
Denn die Mittagssonne sticht."**
10. A Schiller, 18 de agosto de 1795.
• "Paz ao trabalho do dia] / Não soe machado algum na flo
restal / todo colorido Já se foi / apenas a forma avoluma-se //
Flores de orvalho enebriadas fecham / dos cálices a doce coroa /
e os prados sonolentos / acalentam-se em brilho de sonho. //
Onde as fontes selvagens escoam-se / do alto de rochas de pe
dra / os cervos dão saltos livres / e divertem-se na areia branca."
38
Nein, sie ist mir sehr willkommen,
* "De inicio, bem no início / se eu tivesse devido dizer / o que,
no caso de eu ter podido pedir, / eu gostaria de desejar para mim..."
** "Venha, queremos colher cerejas, / e, além disso, a floresta
não é longe. / Queremos apanhar tenras flores / que com certeza logo
murcharão. //
Acima a te amedrontar / a nuvem carregada, não temo / perce
bo-a com boas vindas / pois o sol das doze queima."
«n
'.Vi
Esta impressão de frieza deve-se antes de tudo às palavras
A objeção de que essa_paiat&xe_ é típica do estilo român-
aparentemente inofensivas: "doch", "ja", "nein", "denn". Se
ticcTem particular, e não do gênero lírico, só pode ter razão
eles assemelham-se antes a uma canção:
no sentido de que é no Romantismo alemão que a "canção"
atinge seu apogeu dentro da literatura mundial, e com isso
as afastamos, o caráter doutrinário dos versos desaparece, e
"Wir wollen Erdbeern 'pflücken,
Es ist nicht weit zum Wald,
Und junge Rosen brechen.
Rosen verwelken so bald..."*
; i^As canções não são igualmente sensíveis a todas as con
junções. As causais e finais provocam os efeitos mais desagra
dáveis. Um "se" ou "mas" de quando em vez quase não pêrT
turbam o clima lírico, mas o que melhor se adapta no caso
é a parataxe simples como em
também a forma lírica mais pura'. |Mas encontramos a mesma
estrutura frasal na canção "À Lua*1 de Goethe, no "Über allen
Gipfeln ist Ruh", em Verlaine, ou já mesmo em obras primas
líricas do barroco, do século tão apaixonadamente interessado
em estruturas lógicas; como o prova por exemplo o "Wo sind
die Stunden der süssen Zeit" ("Onde os Tempos Doces de
Outrora") de Hofmannswaldau. É claro que não é uma arte"
casual, e sim o mais apurado senso artístico que cria a lin
guagem lírica aqui, principalmente na última estrofe;
"Ich schwamm in Freude,
Retorno" de Eichendorff:
Der Liebe Hand
"Mit meinem Saitenspiele,
Spann mir ein Kleid von Seide,
Das schôn geklungen hat,
Das Blatt hat sich gewandt,
Ich geh'im Leidc,
Komm ich durch Lãnder viele
Zurück in diese Stadt.
Ich ziehe durch die Gassen,
So finster ist die Nacht,
Und alies so verlassen,
Hatt's anders mir gedacht.
Am Brunnen steh ich lange,
Der rauscht fort, wie vorher,
Kommt mancher wohl gegangen,
Es kennt mich keiner mehr.
Da hõrt' ich geigen, pfeifen,
Die Fenster glãnzten weit
Dazwischen drehn und schleifen
Viel fremde, frõhliche Leut'
Und Herz und Sinne mir brannten,
Mich trieb's in die weite Welt,
Es spièlten die Musikanten,
Da fiel ich hin im Feld." *#
* "Queremos colher cerejas, / não está longe a floresta / e rosas
tenras apanhar, / que logo se vão murchar."
*.* "Com minha harpa de cordas / que soube tão bem tocar /
passo*por multas terras / até à minha cidade chegar. //
40
Ich wein'itzund, dass Lieb' und Sonnenschein
Stets voller Angsc und Woiken sein."*
T'""
L^ Uma única oração subordinada ao final. Justamente aí
o efeito lírico diminui sensivelmente, o canto cede lugar à
falâjp "dass" (que) é, indubitavelmente, uma das conjunções
nãóTiricas. As poesias populares (Volkslieder) agrupam-se
também aqui, e da antigüidade lembramos Safo com seu tom
lírico primitivo que nos soa como segredo confiado à distân
cia de dois milênios e meio.
Déduke mèn a selánna
kal pleíades; mésai dè
núktes, para d' érchet' óra;
égo dè mona kateúdo.
Ando pelas ruas sem rumo / e a noite está assim escura / e tudo
assim abandonado / como não pensara eu. //
A fonte, muito tempo parado, / ouço o marulhar como antes /
alguns vêm de lá e de cá / e ninguém me conhece mais. //
Então ouvi violinos, assovios, / as Janelas luziram abertas / e se
voltam, e vão e vêm, / passos estranhos e alegres. //
Arderam-me coração e Idéias / o vasto mundo chamava; / mul
tas músicos tocavam / e lancei-me sem mais ao campo."
* "Nadei em gozo, / a mão do amor / teceu-me um vestido de
seda, / A folha virou, / ando vestido de sofrimento / lamento agora
que o amor e o sol / estejam sempre cheios de medo e nuvens."
^Entretanto o conceito
paratático" não define satisfatò-
épico. (Conforme pág. 97) -Jío^gàS^o^s^Oj^õ^nT^^^l
"Süsse Ruh', süsser Taumel im Gras,
Von des Krautes Arome umhaucht,
Tiefe Flut, tief tief trunkne Flut,
Wenn die Wolk' am Azure verraucht,
se. isso até ortogràficamente em períodos inteiros separados
Wenn aufs mude, schwimmende Haupt
Süsses Lachen gaukelt herab,
' riamente a linguagem lírica, pois a. épica élãmblm paratTtlcã:
larrtoque se costuma dizer que quanto mais paratático, mais
são autônomas, no lírico não o são. Na poesia moderna, revela-
apenas, por vírgulas. Não seria apenas pedantismo bobo, mas
Liebe Stimme sáuselt und traüft
Wie die Lindenblüt' auf ein Grab."*
um procedimento ànti-estilístico a obediência cega às regras
gramaticais no "Retorno" de Eichendorff, ou em "À Lua" de
\_Goethe. O fluxo lírico seria entrecortado. Mais clara se torna
;a:•diferença, quando comparamos a prosa de um Eichendorff
ou em Goethe:
, corri a de um Kleist ou de um Lessing. Aqui uma pontuação
"Dámmrung senkte sich con oben,
riquíssima, lá um retraimento em colocar-se sinais de pausa
Schon ist alie Nãhe fern;
',' mais longa, que lembra o estilo costumeiro de uma carta femi
Doch zuerst emporgehoben
nina que se poderia atribuir às mesmas damas que merecem
. a critica de Goethe pela vocação para poesias exclusivamente
: musicais. Com isso, já se apresenta talvez um traço feminino
da poesia lírica, ou um traço lírico da mulher.
Outra prova da coordenação das partes é que mesmo um
período já completo pode ceder lugar a mais uma seqüência
Holden Lichts der Abendstern!"**
Às vezes existe uma relação gramatical entre as partes,
mas o leitor despreocupado não a procura; é o caso do "Wanderlied" ("Canção do Viandante") de Eichendorff:
"Durch Feld und Buchenhallen
• • de membros desgarrados:
Bald singend, bald fróhlich still,
Recht lustig sei vor allen,
"Und hin und her im Tal
Erwacht die Nachtigall,
Dann wieder alies grau und stille. . ."*
:Kv
O úliimo verso não chega a ser uma frase, como também
não o è o início da segunda estrofe:
"O wunderbarer Nachtgesang:
Von fern im Land der Strõme Gang
Leis Schauern in den dunklen Bãumen. . ."**
Surgem fragmentos de frases que não podem existir isola
damente, que são apenas ondas da corrente lírica: antes de
delinear-se o cume, já se destrói de novo a onda. O fluir cons
tante impede a conclusão de cada uma das partes. Assim "Im
Grase" ("Na Relva") de Annette von Droste:
Wer's Reisen wãhlen will!"***
Gramaticalmente, seria assim compreensível: "Wer's Rei
sen wáhlen will, der sei durch Feld und Buchenhallen. bald
singend, bald fróhlich still, vor allen recht lustig." **•* Não
se precisa perder tempo a explicar a inutilidade de tal escla
recimento do sentido gramatical.
* "Doce quietude, doce delírio na grama, / do aroma da erva
perfumado / fluxo profundo, profundo e enebriado fluxo; / quando a
nuvem no azul dissipa-se / quando sobre a cabeça já cansada / vem
brincar sorriso doce, / uma voz delicada sussurra e cai ./' como um
botão de 'tília sobre um túmulo."
**
"O crepúsculo desceu do alto / e o próximo já é distante /
macia elevara-se antes / a luz da estrela vespertina."
**•
"Por entre campos e florestas de faia / ora cantando, ora
satisfeito e calado / esteja antes de tudo alegTe / quem quer a via
.*
**
42
Confira pág. 32
Confira a pág. 32.
gem escolher."
**»* "Quem quer a viagem escolher, esteja por entre os campos e
florestas de faia cantando ou satisfeito e calado, antes de tudo alegre";
S|í''
é dispensável para a compreensão do todo. Quando se inter-'
cala o que faltava, passam a coincidir a significação e a cons
CÍ'f ,,; Na0 raro ficam Para atrás algumas palavras soltas, como
•
"Tote Lieb', tote Lust, tote Zeit." *
trução gramatical. Em nossos exemplos, entretanto, seria im
possível intercalar-se algo, sem falsear'o sentido lírico:
na segunda estrofe de "Na Relva" de Annette von Droste, sem
•qualquer relação com o que foi dito ou o que vem a seguir.
"Von fern im Land der Stróme Gang." *
Enfim o famoso refrão de Brentano:
Se colocamos o "rauscht" (murmura), a frase ganha uma
nitidez muito diferente da idéia do autor. Se, na primeira
estrofe de "Na Relva", construímos com o verbo ser a oração
subordinada de "wenn", dizendo "é doce quietude, é fluxo
profundo, quando a nuvem no azul dissipa-se", vemos que o
tom lírico resiste a este "é", e mesmo onde o poeta diz "é",
"O Stern und Blume, Geist und Kleid,
Lieb', Leid und Zeit und Ewigkeit.. ."**
parece água da vida que o poeta deixa escorrer pelas mãos;
. nada permanece intacto, nada conserva contornos definidos
como fruto de uma existência lírica voltam, incessantemente,
estaria dificilmente expressando um ser no sentido de exis
• as mesmas palavras fugazes e cheias de mistérios.
tência presente. Sem o tom pessimista, as palavras de Werther
[_ Mesmo numa narração, se os laços entre as frases se per
adaptam-se aqui:
dem, sentimos o trecho como lírico. O "Julian" de Eichendorff,
uma narrativa em versos, serve de exemplo:
"Podes dizer" isto é, "quando tudo passa. . .?"
"Drauf von neuem tiefes Schweigen,
m
Und der Ritter schritt voll Hast. .."***
coisas passageiras. Para êle, uma mulher não tem "corpo".
Também no "Spiritus familiaris des Rosstãuschers"
("Spiritus Familiaris do Negociante de Cavalos") de Annette
von Droste: "Tiefe tiefe Nacht, am Schreine nur der Maus
geheimes Nagen rüttelt!" ****
ir
cante. Uma paisagem tem cores, luzes, aromãsTmas nem chTõt
:. íSòmente no estilo patético, são também possíveis frases
eS5a Xa2a?.'....e£LJ^^b. flao."P(^emos lembrar absolutamente /
de^pmtufa^ rnas_no máximo de visões que surgem e se desfazem novamente, despreocupadas com as relações de espaço
inteiramente diverso. O incompleto no estilo patético reflete
uma exigência (conforme pág. 126). Q.poeta lírico não exige
coisa alguma; ao contrário, êle cede. deixa-se_Ievar para onde
P
,queira conduzir.
Kl
Seria incompreender essas riquezas lingüísticas interpre
tá-las como (elipses. Um elipse indica que falta algo à estru
tura gramaticãlTãlgo que pertence realmente à frase mas que
. * "Amor morto, alegrias mortas, tempo morto."
**
Confira pág.
34.
Eada_Igsistente, nada de contornos. Tem talvez um •brilho"
nos olhos e seios que o confundem, mas não tem um busto
n^s^nüdo, de_uma..formajjástica e nenhuma fisionomia maf^
nem terra como_base1_Quando falamos nã~poesia lírica, por
incompletas e até mesmo palavras soltas. Mas com sentido
qJIüXa. arrebatador da "dispo.siçãj2-mímj_çal' (Stimmung) o
outras palavras: para o poeta lírico não existe uma
substância, mas apenas acidentes, nada que perdure, apenas
e tempo.:1 Quando essas visões parecem mais fixas, como em
muitas poesias de Gottfried Keller, sentimo-nos já muito afas
tados do círculo fechado do lírico. Na canção de Goethe "À
Lua", misturam-se espacial e temporalmente fatos próximos e
longínquos, como também em "Im Frühling" ("Na Primave
ra") de Mõrike e "Durchwachte Nacht" ("Noite de Vigília")
de Droste. Chamamos a isso saltos da imaginação, como ten
demos a falar em relação à linguagem de saltos gramaticais.
Mas tais movimentos são saltos apenas para a intenção e para
V;W£s
»** "De novo silêncio profundo / e o cavaleiro cavalgava apres
sado..."
•«•♦"Noite
profunda, na mercearia o único ruído é / o ro.v
secreto do camundongo."
44
^^ (f
C-UP^
•
'&uG
^^ísv^
£
Confira pâg. 32.
Se longe no campo o movimento da corrente. D£ S. Ã^ "2,© Yh
fc(f Tfi
M^üo.
c~;sflS
fvivs m;<?iai\
45
o espírito pensante. A_ahna não dá saltos, resvala. Fatos dislanciadosnela estão juntos Como se maniieluramHfln-rTsn
n^S-SrmamSTSt ligação, já quTtôdjrás partes estão
imersas no chma ouna "disposição anímlc^Mírita"
que muitas situações possíveis adaptam-se aqui como base.
Nos versos de Marianne von Willemer:
~
"Was bedeutet die Bewegung?
Bringt der Ost mir frohe Kunde?" *
(U^aft
'PC
CO^ ® ^'c S
^OC?iOPr5
a biografia informa-nos que Goethe partiu de Frankfurt e que
4
o vento sopra agora como se fosse um mensageiro seu. Tal in
S.AZF'1? f1C!l CareCC tã° P°UC0 ^ C0"eXÕeS logras nn,n.
^g^^ueesjarjnais. ou-^SoTêaasclfr, antes da
f"tÓ"a Ini"ar-sT/Com muito mais razões, o autor dramático
em que pressupor a existência de um teatro, e o que falta
JesTZ:T°J°
"acrescenta^
posteriormente;
Um
poe
a pode também t0d°
começar
com uma espécie
de exposição.
formação pode aumentar o deleite que uma poesia proporcio
na. Entretanto ela é dispensável, e a maioria dos leitores não
a exige. Menos ainda lembrar-se-á alguém de perguntar a que
localização do firmamento refere-se Goethe nos versos de
Mignon:
"Allein und abgetrennt
slt"men?o°:r ^^ g°St3 de comunicar ° ensejo de um
Von aller Freude,
Seh ich ans Firmament
Nach jener Seite **
"Hier lieg ich auf dem Frühlingshügel. .."*
Mas tal não é necessário. "Gãrtner" ("O Tardineiro'") de
Eichendorff começa logo com uma completa confissão de amor!
"Wohin ich geh und schaue.
ouálm,.1T P
As canções de Mignon independem totalmente dos "Anos
de Aprendizagem de Wilhelm Meister". Quantas pessoas admi
ram-nas e cantam-nas sem ao menos conhecer o romance!
Uma poesia pode •
*#
— começar até com "e'
paginar a seu bel-prazer uma situação
semelhantes:
aÍop
n-qUC C°mP°rte tais Palavras- caso sinta.se inclinado
a uso e nao conheça a passagem da "Vida de um Vagabundo"
C F MeSeerVerS°S *' SCgUem' ÁSSÍm C°mCÇa Um P0ema de
contrariamente a todo uso racional
"pois", "mas" ou outras conjunções
"Und frische Nahrung neuses Blut...."***
"Denn was der Mensch in seinen Erdeschranken.. ."****
"Ais ob er horchte. Stille. Eine Ferne. . ." *****
"Geh nicht, die Gott für mich erschufl
.
Lass scharren deiner Rosse Huf
Den Reiseruf!" ***
Compreende-se qual a razão dessa falta de fundamentação.
Em qualquer parte, no fluir de um dia descaracterizado, a
existência transforma-se em música.^ o "ensejo" que levou
Quem quer realizar a viagem? Quem está tentando reter
a que parte? Só o percebemos muito indecisamente, de modo
para
* "Aqui estou, estendido sobre o monte..
46
* "Só e afastada / de toda felicidade, ,/ olha o firmamento /
aquele lado."
••
*• "Para onde quer que eu vá e olhe...'
tP„ corcel
Zl ,"Nâ?
Vá!,' tU' /feitinha
dei* para
teu
a ferradura
o toqueP°r
de partir."
"Que significa o movimento? / O oriente traz-me boas novas?"
mim, / deixa soar de
**•
•***
Confira pág. 29.
"Pois o que o homem em seus limites..."
"Como se escutasse. Silêncio. Uma distância..."
47
:^p^ne;a duimar lodo trecho autenticamente lírico de uma
^: j,poesia:de
moineatojTal
elTs^Jo^sTã^ãabnao-coS^tSh
-d? vida. Deixai
fundamentar
biográfica, psicológka Sló
glc, histónc, e biològi.camente. Goethe em "pSS e Vt
dade explicita a partir do contexto biográfico o enseio de
munas de suas poesias. Aêle aliam-se nfmesma tarefa seus
estudiosos, zelosos em contribuir com ométodo. Essas cançcS
' JÍ^U4^ o£2ÊͧLiiâocon^i^^
^^eensi^^tra.és-dcMexto. CompreensãQ-jngiaTaTto
^aeíostência. Nesses casos, justamente, não há apreensão
pura Oque permite qualquer relacionamento é superestima-
me;to\dTe2Hd0'
GeraImente
nã° éP°SSÍvel
êsse Raciona
mento e quando 1ele
existe, o leitor
só posteriormente
dá-se
í-mbVÍ T °S V£rKS caü5aram-lhe al^a ou consolo porque
aütfnrE»
V1V,C
T0S condicionamentos. A uma leitura
autentica, o próprio leitor vibra conjuntamente sem saber
Sombra11
"* ^^^ razão ^gica.
Sòme^en
naovtbra em"^
umssono_comaotoa_exige
razões. SòSemToque
que seja dada todos os dias ao leitor. Folheamos uma coletâ
o
nea de canções. Nada nos comove. Os versos nos soam vazios
e surpreendemo-nos com o poeta vaidoso que se deu ao trabalho
VA
de escrever tais coisas, catalogá-las e entregá-las a seus con
.D
temporâneos e à posteridadeQjòibitamente, porém, numa hora
especial, uma estrofe ou toda uma poesia comove-nos. A esta
juntam-se outras, e chegamos quase a reconhecer que é um
grande poeta que nos fala. É oefeito de uma arte que nem
nos retém.como a.épica, nenTejccita:..e._çausa__tuenj|oe^om5 a
dramática.. O llriconos é incutido. Para a insinuação ser eficaz
tõTgiíor.píÇ.LÇisa,iita£jndefeso, receptivo. ,I»o_açontece —quan-
F'do sua alma está
afinada com a do autõrTTortanto^i^oesia
'lírica manifesta-se como arte da soTfcTãpTjque em estado puro
é recèptàda" apenas por pessoas que interiorizam essa solidão.
AÍcanção de amoi\ em que um poeta dirige-se à amada
um "você", que o eu sabe não terá eco.
O ouvinte pode naturalmente s_e,r_p_rep_arado para_ajjdis-
posição anímica"T"l"5te"ér3o ponto de vista do poeta,'o sentido
',,S° P°?ta lírÍC°! PròPriame"te, "ao importa se um leitor
compassos uma fórmula mágica que afasta o que não diz res
peito ao texto e alivia o peso do coração. Eles abriram, com
£^&-E colecionarTôTEaTBItaTnlo-^^
ura.contrasenso. Quando ovolume está pronto^, oque éqt
opovo faz com êle? Podem-se declamarV^s líricas mas
apenas como também se pode ler um drama teatral. Recita'
iP0Cma
° nã° P°de ser-apreciado
como mêTécT'.
, ÍJJui!• Tacaamagorareatar,.diante
de uma salaTn^-p^^
^exclusivamente lírjjnr^sjmt^ma^e sempre umTlm^SSr
sensibilidade |«iiinnri]^feg:
Mas4umP£SSOas,
trechoa,<**!»
irl^slHSslíbT^
_deuma vida solitg^E mesmo este éZSEnZEã^Tú^
48
l
•3>
I
tf
lírico só é possível quandcT~amã3"á"'é""poeta formam "um cora
ção e uma alma". O lamento do amor não correspondido diz
cía composição." de uma canção. Schubert, Schumann, Brahms,
CaomDo5i?-SmH MZ-^y^^^2JEàlÍ^^^
.e anos é reün aa e entrêgliF^jTTrT^if^^
agu^um volume ^jg^^ôj^^JpSSlõ^^
ã>
com um íntimo"võcT/jgrá^que ser incluída aqui. Um você
^^^^
' ° Poeta lírico é solitário, não se T^^^J^J^^^
•
CTr
Hugo Wolf e Schoeck são mestres da arte de dar em poucos
suas músicas, tesouros imensuráveis da poesia lírica ao povo
de língua alemã. Ressalte-se Hugo Wolf, sempre atento à in
terpretação mais fiel e que quase nunca negligenciou o texto
do poeta.
Mas.jmesmo numa_sala de conçêrt_Q._P._ouvinte fica a sós
_çojn"ã_canção. Ela não aproxima as pessoas comojrma sinfonia
de Haydn,_em que cada um se sente obrigado a. mclinar-sé
para o vizinho, nem como uma .final de Beethoven _de^ que
esperamos que possa levar todos a levantarem-se.jvum~lmpeto
"decidido". Os" aplausos, aqui "situados, moíestam-nos após can
ções líricas, pois sentíamo-nos solitários e somos forçados sü-'
bitamente a estar de novo com outros.
Goethe e Schiller, esforçando-se por encontrar as leis bá
sicas que regem os gêneros dramáticos, partiram da relação
entre o público de um lado, e as rapsódias e farsas do outro."11.
Correspondência, 23 e 26 de dezembro de 1797.
49
£
'
rf C^LírÍCa,,K°m qUC n5° se Pre^param, rpoderíamos arir
s
acrmodo semelhante.
Quem não se dirige a ninguém e se preocupa apenas com
pessoas, esparsas-que'se encontram em idêntica disposição °™
1 "^Jíio necessita da arte de convencer. AidéSdcllúco
I^dmlgõ^gito retórico. Quem"d^eTá ièT^cêbW^ão
gre, milagre!". Muito justo, pois qualquer verso lírico autên
tico que se sustenta por milênios é um milagre inexplicável
se?, «Sn
° C°ereme- ^^* ^ntirà como setiyfes.
nentes consideram quase tudo que lhes mostram ruim. Quan
do surpreendem uma boa poesia têm vontade de gritar: "mila-
Qualquer sentido de comunidade, de verdade fundamentada
de torça persuasiva ou de evidência, escapa-lhe. É o que há
de mais privado, e de mais peculiar sobre o tema. E, contudo,
W ^ ^ ebaIbUCÍa - -« cLo se
consegue unir os ouvintes mais intimamente que qualquer
outra palavra. Enquanto, porém, toda ppesia_autêntica mer
gulha.até _a?_ profundezas do.lírico e reflete em" si a~unTdã"dd
r^St^n\P°TqUe
toca'nos ocasiona
tã0 imediata.
SídadV,
n,COnh5.cim?nt°aP°eSÍa
^direto,Iírica
discursivo,
difi
^.n_lam.en^se_np imperscrutável de um "sünBêTl^aTun^Be''
culdades. Quer dizer: é fácil .compreender-se uma poesia ou
melhor, não é fácil nem difícil, mas é algo que se dá pór S
i iricnos°iul,dáálde ^°/IgUm- ^«anto^laU sobre versos
o
vj
com a idéia de que sua alma é mais rica do que êle mesmo
omoT à~ amada' eíP°nd° raZÕ6S lóSicas Paraíso. Asim
sibrcaêrIesena°prpeC1a
dC palavras
U? arraZ°ad0'
esforçar-se por exphcar
veladas.também
Aquelena°queneceaita
se en
contra em idêntica disposição afetiva, traz consigo Ta chave
i
desencadeia disposições inteiramente novas, jamais até então
existentes. Precisa, todavia, ser apreensível e confortar o leitor
supusera_
até então.
A poesia lírica
tem.,
portanto,
que
satisrci7Pr
«VKTPnrinr
o « *-n ™ A _ ; _ .T_
r» '
:
"
í
;
:—:
3
•
.31er_ex;glilc..Las_antagô^icas^,.Por
outro
lado,
leitores
expe
que lhe fornece uma melhor visão do que a do mundo orde-
sgej_; O julgamento muito dificilmente aíclm^Y^dV do
lírico; vai, às vezes, apoiar-se em alguma outra coisa que tam
bém faz parte da poesia, na significação do motivo básico ou
JiumajnexátQra ousada. É aqui que se torna nítida a diferença
dessa fonte originária (cf. pág. 163), tôda^e qualquer poesia
peculiar, em que não é mais possível qual_quer explicação cia
beleza e do correto, mas também não_ mais..éGnêçess"aFÍir
;-v";';.
. . - 'i'<
5 ';V±\5\ ^=: H&\ °°
Se a jdéia de lírico, semprejdêmica a si mesma, fun
damenta tócTõs~õT'-fênomenos estilístiços~~l^é~lnr??r^rri>™
essa mesma idéia una e idêntica precisa ser revelada e ter
cada uma de suas partes, mas no momento em que é com
,nome.TUnidade_jn;rejL_música_das palavras e de sua significai
_çao; Huaç|çiJmediata_.do_lírico semTiêcêlslcT5cIeH3ê3cõmpíe_ensao (1); p^ngp_de_Jerr_am^r^è7TeTrdo_pelo reMoerepeti-
dificuldade. O próprio objeto está situado no mesmo plano
da linguagem, que esclarece e deduz. Épor isso que a Estética
_tudo isto"7naTía" que tm^ohsíKJmcKJMIW~àl^má^mtx\tò.
entre a poesia lírica e a dramática. Não é fácil a compreensão
de um drama de Ibsen, Hebbel ou Kleist, nem é fácil penetrar
preendido, a fundamentação deste .conhecimento não traz mais
ocupa-se preferlvelmente do drama, enquanto a Lírica' tem
não raro _uma existência .apócrifa, e é tratada com certo em-
baraçõJDai também as grandes divergências quanto à valoraçao de poesias. Os mestres clássicos e românticos já não susci
tam mais dúvidas. Contudo, com referência aos poetas novos
ainda não consagrados, eclodem, vez por outra, disputas dê
feição, extravagante, na medida em que ninguém "tenciona
aceitar argumentos. O inexperiente sempre superestima poe-J>s dàCl <i i -uTiC- .
r ••••'>
.'
;' •- '.- ,
L
os versos sao bons.LEmr_etan^aj>oesia autenticamente lírica
.Singular. e_.irrepxoduzíveljComo um mdmJuum incffaHIê-
l^^^aT^logamente
dispostas, SsTSí
SS
fundamentação numa poesia lírica sóa tão
ndehcada quanto a atitude de um apaixonado que declara
i
sias. Acha que também sente mais ou menos assim, e portanto
JfOÊ.lÍe_pujrp_tipp_.(2) ; renúncVà^rênçiTgrãmatical, lógica
e_Lqrmal_ (3) ; poesia_ da solidão compartilhada ap^HãspeTos
E°HS£i..9.ue se enco^tralrTnrmèlmir^nsp^sTçao animica" (4)';
Examinemos tal afirmação mais minuciosamente e pro
curemos reafirmá-la com novas provas:
£ mais fácil começarmos notando que ojeitor de poesia
]íriça_não se coloca à distância. Não é possível "tomar-se polT^
ção contrária" ao elemento lírico de uma poesia. Êle nos co
move ou nos deixa indiferentes. Emocionamo-nos com êle,
quando estamos cm idêntica disposição interior. Em seguida
s

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