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Acta Brazilian Science
Ano I, Volume 1, 2º Trimestre, Julho de 2013, São Luis, Ma, Brasil
ISSN: 2317-7403
Acta Brazilian Science
Ano I, Volume 1, 2º Trimestre, Julho de 2013, São Luis, Ma, Brasil
ISSN: 2317-7403
APRESENTAÇÃO
A revista eletrônica Acta Brazilian Science apresenta estudos, pesquisas e reflexões em torno de diversas áreas
da ciência e tecnologia sob a responsabilidade de renomados consultores e autores vinculados a diferentes grupos
de pesquisas da iniciação científica à pós-graduação em várias instituições de ensino superior do Brasil e do
Mundo. O intuito da revista é divulgar os diversos trabalhos que estão sendo desenvolvidos por centros,
institutos de pesquisa e instituições de ensino superior, em um veículo de qualidade, indexado e de grande
circulação internacional. Esta iniciativa oportuniza a apresentação das produções intelectuais e criticas de
diversos pesquisadores nas mais longínquas regiões do saber, bem como, o fortalecimento do maior número de
interessados em contribuir para a melhoria da qualidade de ensino, pesquisa e extensão nas instituições de nível
superior dentro e fora do país. A periodicidade da revista será trimestral sendo subdividida em três seções:
editorial, divulgação científica e o olhar do pesquisador sênior. No Editorial teremos matérias correlacionadas à
ciência, tecnologia e ensino sempre explorando os rumos tomados pela ciência e tecnologia em uma perspectiva
critica. Com o propósito de apoiar a disseminação do conhecimento, na seção Divulgação científica, faremos a
preleção dos melhores artigos submetidos e aprovados para publicação por nossos consultores Ad Hoc. E no
último capitulo, fecharemos a edição com a opinião de um pesquisador sênior sobre temática de grande interesse
da comunidade científica em destaque.
Prof. Dr. Patrício Moreira de Araújo Filho
Editor Chefe
CONSELHO EDITORIAL
Diretoria Geral
Prof. Dr. Patrício Moreira de Araújo Filho, UNESP, BRAZIL
Conselho Consultivo
ProfªDrª Maria da Conceição Furtado Ferreira, UERJ, BRAZIL
ProfªDrª Bárbara Rosemar Nascimento de Araújo, UEFS, BRAZIL
ProfDrª Maria José Moraes Antunes, USP, BRAZIL
Prof. Drª. Marilande M. Abreu, UNICAMP, BRAZIL
Prof. Dr. Rafael Campos Quevedo, UNB, BRAZIL
Prof. Dr. Will Ribamar Mendes Almeida, UFCG, BRAZIL
Prof. Dr. Antônio Jeferson de Deus Moreno, UFC, BRAZIL
Prof. Dr. Lúcio Antônio Alves de Macedo, USP, BRAZIL
Prof. Dr. Ivone Garros Rosa, UFC, BRAZIL
Prof. Dr. Norberto E. Consani, Université de Paris II, FRANÇA
ProfªDrªLaura Lucia Bogado Bordazar, Unversidad de La Republica Oriental del Uruguay, URUGUAY
Prof. Dr. Roberto Miranda, Universidad Nacional de La Plata, ARENTINA
Secretário de Editoração:
Prof. Allisson Jorge Silva Almeida, UFMA, BRAZIL
Conselho Editoral da CEAMA
Profª. Darlene Santos Barros
Prof. Everaldo dos Santos Almeida
Prof. Herminio de Sousa Lima
Prof. Joaquim de Oliveira Gomes
Prof. Patrício Moreira de Araújo Filho
Profª. Yaskara Fernanda Matos de Castro
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Ano I, Volume 1, 2º Trimestre, Julho de 2013, São Luis, Ma, Brasil
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Contato do Acta Brazilian Science
http://www.actabrazilianscience.com.br/
Faculdade Atenas Maranhense – Departamento de Pesquisa e Extensão
Avenida São Luís Rei de França, n. 32 – Turú - São Luís - MA
CEP: 65065-470. Telefone: 2108-6000
E-mail: [email protected]
Os artigos publicados nesta revista são de inteira responsabilidade dos autores. Qualquer reprodução é
permitida, desde que seja citada a fonte.
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Ano I, Volume 1, 2º Trimestre, Julho de 2013, São Luis, Ma, Brasil
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SUMÁRIO
EDITORIAL: PERSPECTIVAS DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO NORDESTE ATUAL.............
4
DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA......................................................................................................................
6
PESQUISA QUALITATIVA E QUANTITATIVA: POSSIBILIDADES DE USO NA PESQUISA
SOCIAL...........................................................................................................................................................
7
REDES INTERORGANIZACIONAIS: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................................
13
LOGÍSTICA REVERSA APLICADA AOS RESÍDUOS ELETRÔNICOS EM SÃO LUIS-MA.........
22
ABORDAGEM MECANICISTA X ABORDAGEM COMPORTAMENTAL: A INFLUÊNCIA
NAS ORGANIZAÇÕES MODERNAS........................................................................................................
33
MENSURAÇÃO DO CAPITAL INTELECTUAL POR MEIO DO NÍVEL DE APRENDIZAGEM
DO CAPITAL RELACIONAL DE UMA IES EM SÃO LUÍS-MA..........................................................
42
TEORIA DAS RESTRIÇÕES, A IMPORTÂNCIA DA IDENTIFICAÇÃO DE GARGALOS EM
UMA LINHA DE PRODUÇÃO DE ÁGUA SANITÁRIA ........................................................................
52
COMPUTAÇÃO EM NUVEM: UMA VISÃO GERAL...........................................................................
61
A RESSOCIALIZAÇÃO DO ADOLESCENTE INFRATOR: SUSTENTABILIDADE E CRÍTICA
SOCIAL...........................................................................................................................................................
69
A JUVENTUDE E AS EXIGENCIAS DE PROFISSIONALIZAÇÃO, FRENTE AO MARANHÃO
INDUSTRIALIZADO. ..................................................................................................................................
74
EFEITOS
DA
POLÍTICA
DO
BENEFÍCIO
GOVERNAMENTAL
SOBRE
O
COMPORTAMENTO DE PEQUENAS COMUNIDADES AGRÍCOLAS NA ILHA DE SÃO LUIS
DO MARANHÃO...........................................................................................................................................
86
A MALÁRIA E A SUA RELAÇÃO COM OS FATORES CLIMÁTICOS EM SÃO LUÍS DO
MARANHÃO NO ANO DE 2010..................................................................................................................
95
REPRESENTAÇÃO DOS ASPECTOS SÓCIO-SANITÁRIOS E COMO INTERRELACIONAMSE NO PROCESSO DE DISSEMINAÇÃO DA ESQUISTOSSOMOSE NO BAIRRO
COROADINHO, SÃO LUÍS - MA................................................................................................................
103
CONTROLE DE QUALIDADE PARA MÉIS DE APIS MELLIFERA: REVISÃO
BIBLIOGRÁFICA..........................................................................................................................................
107
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EDITORIAL: DEMOCRATIZANDO O ENSINO SUPERIOR NO BRASI
PERSPECTIVAS DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO NORDESTE
ATUAL
Novas forças históricas impulsionam o crescimento mundial, uma nova ordem se estabelece direcionando os
países a investirem em conhecimento como o principal fator para um desenvolvimento econômico globalizado
onde o desempenho da economia está cada vez mais interconectado e interdependente.Neste cenário desafiador
surgem novas formas de gestão colaborativas e éticas capazes de garantir a sobrevivência e o crescimento
sustentável onde as empresas desenvolvam um sistema de garantia de gestão que assegure o retorno de seus
investimentos, agindo de forma politicamente correta, socialmente responsável e ambientalmente sustentável.
A educação de braços dados com a ciência e a tecnologia representam a chave mestra que abre as portas para
o desenvolvimento, e capacita o Brasil para as mudanças internas necessárias capazes de promover crescimento
e desenvolvimento sustentáveis, combater a pobreza, reduzir desigualdades e incluir seus cidadãos e que ao
mesmo tempo, preparam o país para participar de forma competitiva do cenário internacional, enfrentando os
desafios externos de uma economia globalizada. Representam também no cenário mundial os principais
instrumentos para promover o desenvolvimento, gerar crescimento econômico, empregos e renda e garantir a
democratização de oportunidades. A concepção, implantação e efetivação de um modelo de desenvolvimento
sustentável, capaz de atender às justas demandas sociais dos brasileiros e o permanente fortalecimento da
soberania nacional só serão possíveis com o trabalho interdisciplinar de técnicos, cientistas, pesquisadores e
acadêmicos e o engajamento das empresas.
A partir dos anos noventa com o desenvolvimento tecnológico a economia mundial vem apresentando um
forte aumento da concorrência. O avanço científico e tecnológico e a competição internacional implicam que,
sem investimentos em educação, ciência, tecnologia e inovação, um país dificilmente alcançará o
desenvolvimento onde a competitividade não promova a exploração e uso predatórios de recursos naturais e/ou
humanos. É preciso investir de maneira permanente na formação e atualização de recursos humanos de alto nível
e na acumulação de capital intangível promovendo a incorporação de conhecimento na sociedade brasileira.
Segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da Republica – SAE BRASIL 2022, pesquisas
recentes sobre o papel da Ciência, da Tecnologia e da Inovação CT&I - demonstram: a forte correlação entre o
grau de desenvolvimento de um país e seu esforço em CT&I, a importância do apoio governamental nos países
desenvolvidos à inovação nas empresas; e a articulação entre a política industrial e a política de CT&I como
catalizador da mudança do padrão de desenvolvimento econômico de alguns países. Tomando como base essas
premissas, e a partir da consciência de que o Brasil tem condições de atingir um patamar que o aproxima ao dos
países desenvolvidos, foi lançado em 2007 o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação 2007-2010
(Plano CTI).
Considerando que o Brasil é um país de dimensões continentais e que apresenta desigualdades sociais e
regionais significativas os problemas apresentam grande complexidade e estão associados de forma incisiva com
a base econômica regional.
O Centro Regional de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Organização Social supervisionada pelo
Ministério de Ciência e Tecnologia – MCT considera que a redução das desigualdades depende de esforços
sistemáticos de investimentos, da capacidade de organizar e promover a infraestrutura e identificar e reter ativos
relacionais e deve ser estruturada pela via dupla de investimento de maior vulto e dos programas regionais,
operando nas múltiplas escalas das iniciativas concretas de desenvolvimento.Para tanto se faz necessário quebrar
paradigmas buscar formas interdisciplinares, multidisciplinares e transdisciplinares capazes de promover e
estimular ações que rompam com a inércia das estruturas econômicas ultrapassadas e frágeis das economias
regionais mais atrasadas.
O foco deste trabalho é a região Nordeste, uma das cinco regiões do Brasil, com maior número de estados
nove ao todo: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernanbuco ( Distrito Estadual de Fernando de
Noronha e o Arquipélago de São Pedro e São Paulo), Rio Grande do Norte ( a Reserva Biológica Marinha do
Atol das Rocas) e Sergipe. Por apresentar características físicas diferentes esta região, foi dividida em quatro
sub-regiões: meio-norte, sertão, agreste e zona da mata, que apresentam também níveis variados de
desenvolvimento humano. Sua área compreende 1.558.196 km² equivalente à do estado do Amazonas, e a da
Mongolia, população de 53.907.144 hab. IBGE/2010 equivalente à da Itália, e o menor Indice de
Desenvolvimento Humano - IDH 0,720 médio PNUD/2005, próximo ao de El Salvador. Comparada com as
outras regiões brasileiras, tem o terceiro maior território, o segundo maior colégio eleitoral do país (36.727.931
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eleitores em 2010), e o terceiro maior PIB per capta R$ 8.167,00 IBGE/2009. Em 2011, apresenta a maior taxa
de analfabetismo do país, 15,9% de analfabetos.
De acordo com dados publicados (IBGE), 2010, a região Nordeste é a terceira maior economia do Brasil.
Sua participação no Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) foi de 13,5% em 2009, abaixo da Região Sul com
16,5% e à acima da Região Centro-Oeste com 9,6%. Mesmo com estes resultados a região ainda apresenta o
menor PIB per capita e o maior nível de pobreza. Quanto à distribuição de renda melhorou significativamente na
década de 2000: segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, a renda média no
Nordeste sofreu um aumento real de 28,8% entre 2004 e 2009. Foi à região que apresentou o maior incremento
no salário médio do trabalhador nesse período. 7
O campo da ciência e tecnologia no Nordeste brasileiro está em pleno processo de crescimento e expansão,
desde o final da década de 1990 e continua crescendo no atual milênio. Cidades nordestinas estão recebendo
reconhecimento nacional e internacional pelos seus polos, centros e institutos tecnológicos.
Um dos exemplos a seguir é a cidade de Recife (PE), com a criação do Porto Digital em 2000, um polo de
desenvolvimento de softwares, reconhecido hoje, como maior parque tecnológico do Brasil em faturamento e
número de empresas e como referência mundial na produção de softwares.
Campina Grande no interior da Paraíba se destaca entre as nove cidades no mundo que apresentam um novo
modelo de centro tecnológico, a única citada em toda a América Latina na edição de abril de 2001 da revista
estadunidense Newsweek. Em outro estudo, aparece ao lado de São Paulo, como as únicas cidades latinoamericanas, na área de inovação tecnológica mundial. Esse destaque tecnlógico de Campina Grande é resultado
da formação de uma sólida base acadêmica, iniciada na decada de 60, qundo a Universidade Federal de Campina
Grande (UFCG), então Escola Politécnica, adquiriu um dos cinco primeiros computadoes em universidades do
país, sendo aprimeira do Norte-Nordeste, dando origem aos atuais cursos de graduação e pós-graduação nas
áreas de engenharia elétrica e computação.
Outra iniciativa notória foi à criação em 2006, do Instituto Internacional de Neurociências de Natal capital
do Rio Grande do Norte (RN), idealizado pelo neurocientista Miguel Nicolelis (reconhecido como um dos 20
mais importantes neurocientistas em atividade no mundo). Acrescenta-se a este cientista renomado o mérito de
iniciar no nordeste o processo de descentralização da pesquisa nacional, até então restrita às regiões Sul e
Sudeste do Brasil. 12 A seguir, em 2010 foi inaugurado o chamado "Campus do Cérebro" em Macaíba (RN), que
é um centro de pesquisa e desenvolvimento da neurociência e que conta também com um Projeto de Inclusão
Social. Outros projetos desenvolvidos no Rio Grande do Norte são a Cidade da Ciência e a Metrópole Digital.
Dando prosseguimento ao processo de descentralização da pesquisa da ciência e da tecnologia, Salvador
(BA) em 2009, inaugurou o primeiro centro de biotecnologia localizado nas regiões Norte e Nordeste: O Centro
de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael (CBTC), o mais moderno e avançado centro de
estudos de celulas-tronco da América Latina.
Em São Luís, capital do Estado do Maranhão, destaca-se a eminente professora pesquisadora Terezinha de
Jesus Almeida Silva Rêgo que teve sua vida dedicada a Pesquisa Científica, no campo da Fitoterapia. Com
diversos trabalhos publicados no campo da fitoterapia, medicina popular, etnobotânica e espécies medicinais. É
uma das pioneiras na pesquisa de plantas com potencial terapêutico no país. Farmacêutica e professora titular do
Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), possui o titulo de Livre Docência
em Botânica Geral (USP) e especialista em Fitoterapia (Universidade de Havana, Cuba). Atuou como Membro
Fundador da Acadêmia Maranhense de Ciências, Coordenadora do Polo de Biotecnologia do Maranhão,
Professora do Departamento de Farmácia (UFMA). Atualmente é Coordenadora do Programa em Fitoterapia e
curadora do herbário Ático Seabra (UFMA). Recebeu diversos títulos, homenagens e prêmios nacionais e
internacionais, destacando-se o prêmio da Câmara de Comércio Brasil/China, onde recebeu homenagem e
reconhecimento por sua contribuição ao combate da Síndrome Respiratória Aguda naquele país.
Neste contexto destaca-se o pioneirismo do nordeste no uso da inovação tenológica em prol do
desenvolvimento socioeconomico e na quebra de paradigmas para resolver problemas de iclusão social que
afligem o país. As pesquisas realizadas pelos seus polos, centros e institutos tecnológicos promovem o
reconhecimento nacional e internacional. O momento é de crescimento, promovendo a inclusão é preciso
reconhecer a necessidade de unidade de direção e comprometimento de todos os atores envolvidos no processo
para garantir um futuro sustentável para a nação.
Considerando o momento de revisão da política de CT&I, é imperativo tornar a ciência, tecnologia e
inovação como componentes efetivos do desenvolvimento sustentável, também do ponto de vista
socioambiental, criar e fortalecer as instituições de pesquisa propiciando um ambiente sistemico favorável,
comprometendo todos os atores do processo de forma a criar um ambiente ético e propício a inovação e a
melhoria dos processos de uma gestão estratégica.
Por: Maria das Graças Figueiredo da Luz
____________________________________________
Profª. ME. em Administração, Docente da
Faculdades Pitágoras de São Luís e Atenas
Maranhense de São Luis - Ma
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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA
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PESQUISA QUALITATIVA E QUANTITATIVA: POSSIBILIDADES DE
USO NA PESQUISA SOCIAL
Recebido em 27/06/2013
Aprovado em 30/07/2013
Loianne Cristiny Morais de Magalhães Ferreira, [email protected]
Patrício Moreira de Araújo Filho, patrí[email protected]
Allisson Jorge Silva Almeida, [email protected]
1. Faculdade Pitágoras de São Luís, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT:Words, science and method seem synonymous, but to present a science that escapes the usual
process of the method is the natural appearance of suspicion about the effectiveness of the method. But to leave
appropriate this new possibility of doing research, the researcher may find it a huge contribution with regard to
the evolution of the research. Joining quality over quantity to accomplish it, seems to be the perfect mix for the
improvement of social research.
KEYWORDS: Search. Quantitative. Quality, Method.
RESUMO: As palavras, ciência e método parecem sinônimos, porém ao apresentar uma ciência que foge do
processo usual do método é natural o aparecimento da desconfiança sobre a eficácia do método. Mas, ao
deixar-se apropriar desta nova possibilidade de fazer pesquisa, o pesquisador poderá encontrar nela uma
contribuição enorme no que diz respeito à evolução da pesquisa. Unir qualidade à quantidade ao realizá-la,
parece ser a mistura perfeita para o aperfeiçoamento da pesquisa social.
PALAVRAS-CHAVE: Pesquisa. Quantitativo. Qualidade. Método.
1 INTRODUÇÃO
No que diz respeito à ciência muito se tem discutido sobre a questão do método, já que historicamente, o
método é o que sempre definiu a validade científica ou não do resultado de uma pesquisa. Este artigo apresenta
formas consistentes e diferentes de fazer ciência apresentando-a com meios e fins, além de diferentes
possibilidades instrumentais. Ao invés de identificar a melhor metodologia aplicável a um determinado estudo,
pretende-se esclarecer os métodos qualitativos e quantitativos como contribuidores da pesquisa e, adequá-los a
ela de forma coerente com os objetivos propostos.
Este debate tem gerado dúvidas quanto à questão dos métodos e à sua utilização em várias literaturas já
existentes sobre o assunto. Portanto, cabe falar sobre cada uma destas metodologias, expondo suas possibilidades
e limite diante da função que exercem na pesquisa e, a partir daí, tirar conclusões quanto a sua utilização e
possivelmente detectar problemas quanto a aplicabilidade destas, pois segundo Bauer e Gaskell (2000), enfoques
qualitativos e quantitativos na pesquisa representam posições epistemológicas profundamente diferentes e, por
isso, devem ser vistas como escolhas relativamente independentes devendo-se perceber não somente como
análise de dados, mas também, como geração de dados. Contudo, far-se-á uma exposição conceitual sobre
pesquisa qualitativa e quantitativa, suas perspectivas e peculiaridades, seus possíveis instrumentos
metodológicos e como as duas podem trabalhar de forma complementar na produção da pesquisa cientifica.
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2 A CIÊNCIA E O MÉTODO
A ciência, ao longo do tempo, mostrou-se bastante vinculada ao método, ou seja, procurava sempre a
estrutura lógica para o estudo dos fatos, isso fez com que durante muito tempo a pesquisa quantitativa
predominasse como a única forma aconselhável de validar um conhecimento científico, por apresentar um
método sistemático e rígido de coleta e análise de dados.
Com o desenvolvimento da hermenêutica, procurou-se iluminar a ciência à luz dos significados e atribuir a
ela menos formalidade sem deixar de lado o teor científico. A partir daí as verdades uniam-se aos significados
das realidades estudadas.
Para Demo (2006), procurou-se ver a qualidade além da quantidade, pois, a partir deste momento, a
qualidade é captada na contra-luz de expressões quantitativas, ou na greta dos dados. Temos na história da
ciência exemplos relevantes, de estudos qualitativos, como a descoberta de Freud de que os sonhos,
aparentemente caóticos e, assim considerados por muitos, são sistematizáveis, desde que se faça uma análise em
profundidade. Assim, sonho não é um monte incoerente de coisas, mas um caos estruturado. A ciência não sabe
o que fazer daquilo que é propriamente caótico, então começa a entender o caos, descobrindo nele alguma
estrutura.
Ao adequar esta visão menos formal, a ciência se sujeita a uma visão mais subjetiva, pois agora os conteúdos
estarão sujeitos à interpretação a luz do pesquisador, propondo processo indutivo para consequências interligadas
a um fato. Geralmente, abordagens subjetivas dão origem a novos fatos que futuramente poderão ser estudados,
que por sua vez originaram outros problemas para pesquisa por não apresentarem objetividade em suas
conclusões.
Temos então, a pesquisa como a ciência da dúvida, pois uma vez havendo a dúvida, logo vem o despertar
para uma nova pesquisa. Partindo desta premissa, a dúvida, ou seja, o problema a ser desvendado é o que vai
originar as possibilidades de estudo na ciência fazendo evoluir os diferentes questionamentos oriundos das
representatividades sociais. Esta objetividade tão buscada pela cientificidade, segundo Popper (1985) apresenta
como o a teoria da falsificação, sente-se abalada diante de tal afirmação.
Se por um lado tem-se uma formalidade e objetividade apresentada pela pesquisa quantitativa, por outro
vemos a ciência interpretativa, como aquela que abriu caminhos não muito formais para a pesquisa, mas isso não
quis dizer menos confiáveis. Esta nova forma de fazer ciência atribui qualidade ao estudo, preocupando-se muito
mais com processos que com produtos, Galvão (2001), é principalmente toda preocupação com os processos
durante a realização da pesquisa qualitativa que mantém a confiabilidade a esta metodologia.
3 PESQUISA QUANTITATIVA
Segundo, Bauer; Gaskell (2000), a pesquisa quantitativa, lida com números e com modelos estatísticos e é
considerado pesquisa, hard, ou hard science. Como se essa ciência fosse mais eficiente e até mais difícil por
possuir regras bem definidas e controles estatísticos rigorosos.
Este método de pesquisa possui influências positivistas e cientificistas, uma vez que apresenta objetividade
em suas pesquisas e técnicas bem estabelecidas do que e como fazer. A pesquisa quantitativa preocupa-se muito
com uma amostra perfeita para generalizar, por método de indução, o resultado a que a pesquisa é proposta,
mantendo assim veracidade aos fatos (GÜNTHER, 1999).
O ataque a este tipo de ciência é considerado por seus defensores como um ataque a razão, pois os
positivistas acreditam que o modo de fazer ciência que não seja por verificação e comprovação dos fatos não
pode ser considerado científico, o que vem a unir-se aqueles que afirmam que a informalidade da pesquisa
diminui a confiabilidade dos resultados..
Diante de tais fatos, podemos reafirmar o que diz Galvão (2001) sobre a visão de ciência,quando menciona
que somos levados a pensar em ciência como a atividade de um verdadeiro cientista de jaleco branco em seu
laboratório, com uma atividade altamente organizada dentro dos princípios científicos para “descobrir” a
verdade.
A esta metodologia dar-se-á a impressão de que a formalidade distancia os dados e esse tem uma análise
equivocada da realidade por não perceber o contexto social ou as emoções e afetos que circulam este indivíduo.
4 PESQUISA QUALITATIVA
Para Godoy (1995), a pesquisa qualitativa possui um conjunto de técnicas interpretativas que visam a
descrever e a decodificar os componentes de um sistema complexo de signos, ou seja, para designar significados
da realidade apresentada em cada estudo.
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Para os defensores da pesquisa qualitativa a realidade social é formada por um conjunto de significados.
Portanto, a ênfase dada ao caráter processual e reflexivo e a subjetividade contrapondo-se a objetividade na
pesquisa, dão um caráter interpretativo aos fatos e contextos trabalhados na pesquisa qualitativa. Esta, por sua
vez, tenta compreender a realidade e a natureza das coisas para compreendê-la e agir sobre ela.
Apesar da multiplicidade representativa e da multiplicidade de significados que a pesquisa qualitativa
apresenta, deve-se perceber o que de fato é importante ao contexto estudado e não se prender ao seu caráter
ilusório, pois este tipo de pesquisa é muito atrativo.
5 PESQUISA QUALITATIVA X PESQUISA QUANTITATIVA
Diferente das concepções isoladas de realidade a pesquisa qualitativa visa uma interpretação de resultados
utilizando-se da ciência hermenêutica para compreender a realidade estudada e ajudar na construção de
significados ou poderíamos dizer na obtenção das “verdades”.
Esta pesquisa capacita o pesquisador a representar um mundo de várias maneiras, possibilitando, como
aponta Denzin; Lincon (2006), a utilização de muitos instrumentos na geração de dados. Além de abordarmos
alguns deles também iremos fazer referência aos instrumentos utilizados nas pesquisas quantitativas.
Considerada por estes autores como uma ciência soft, ao contrário da ciência hard, atribuída à pesquisa
quantitativa, a pesquisa qualitativa em sua execução, apresentam muito mais variáveis e complexidade
metodológica quanto a sua atitude reflexiva do que a pesquisa quantitativa. Não significa que a pesquisa
quantitativa não queira compreender a realidade a qual seu estudo esteja pautado, mas segundo Günter (2006), o
que o pesquisador defende é que a maneira de chegar a uma compreensão se dá por meio de explicações ou
compreensões das relações entre variáveis.
Para entender melhor esta colocação seria importante ressaltar o que diz Denzin; Lincon (2006), quanto à
diversidade de métodos e características presentes na realidade, pois eles afirmam que o pós-positivismo confia
em muitos métodos para o máximo possível da realidade, por achar que a realidade nunca pode ser
compreendida por completa.
Cabe aqui falar a concepção de Poepe; Mays (1995), quanto ao caráter não excludente, mas sim,
complementar, dos métodos qualitativos e quantitativos. Caracterizando, a união de procedimentos de cunho
racional e interpretativo como uma eficaz contribuição para uma melhor compreensão dos fenômenos estudados.
Se por um lado a pesquisa quantitativa é extremamente objetiva e cientificista e trabalha com média padrão e
escalas numéricas, a pesquisa qualitativa trabalha com a interpretação da realidade, com um olhar subjetivo,
acreditando que a realidade deve ser compreendida sobre vários aspectos e que é impossível se chegar a uma
objetividade dos fatos já que a realidade se submete a interpretações, e estas, sempre fazem referência a uma
visão de mundo.
É possível surgirem questionamentos quanto à veracidade dos resultados da pesquisa qualitativa, diante da
diversidade de métodos para análise e interpretação do conteúdo da pesquisa, pois de outro lado o fazer ciência
da pesquisa quantitativa é altamente controlado desde a simulação de um ambiente em laboratório com variáveis
destacadas como de importante relevância para a composição do cenário científico a avaliação quanto ao nível
de confiabilidade do teste.
É importante destacar que a pesquisa qualitativa apesar de apresentar toda essa liberdade interpretativa,
também apresenta seus controles durante sua execução, um exemplo disso é a transcrição de dados de uma
entrevista, já que este, tem todo um trabalho minucioso de transcrever os detalhes da fala do entrevistado, por
exemplo.
6 UMA BREVE COMPARAÇÃO SOBRE O USO DAS METODOLOGIAS
A previsibilidade da pesquisa quantitativa diante do rigor a que ela é submetida e a informalidade de uma
ciência que interpreta e possui abordagem reflexiva sobre a realidade se entrelaçam em um cenário de pesquisa.
Julgar uma, ou outra, como melhor método a utilizar, ou sugerir a complementação de uma pela outra, é tarefa
difícil, porém mais difícil é tentar adequá-las aos objetivos propostos por uma determinada pesquisa. Segundo
Gaskell (2000), os diferentes tipos de problemas são submetidos aos diferentes tipos de métodos. Fazendo-se
adequar exatamente aos objetivos propostos por cada estudo. Assim, quem define o método ou os melhores
métodos é a própria pesquisa, pois tendo posse de seus objetivos é possível verificar claramente o melhor meio
que leva aos fins. Estas proposições dão abertura à utilização de recursos diferentes em uma mesma pesquisa.
O multimétodo proposto por Fiske em 1959, estabelece ligações entre descobertas obtidas por diferentes
fontes, tornado-as mais compreensíveis, além de dá nova ênfase aos problemas redirecionando-os a outros
questionamentos. (NEVES, 2010).
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Tentar chamar a atenção ao problema do método quanto ao seu conceito ou a sua função é analisar cada uma
de suas possibilidades e formas de aplicabilidades em pesquisa, ou seja, se estes estão sendo explorados ao
máximo para bom usufruto e aprimoramento da pesquisa.
Ter a objetividade e a subjetividade em um mesmo cenário fornece à pesquisa quantitativa a qualidade
necessária a sua representação. Além disso, é possível perceber que se o subjetivismo possibilita muito mais
questionamentos possíveis após análises de compreensão de realidades e que este fato leva-nos a perceber a
pesquisa mais frutífera, não se pode deixar de lembrar que todo conhecimento científico, resultado de uma
abordagem quantitativa pode ser origem também para um passo mais avançado em termos de pesquisas deste
próprio conhecimento. Encontrar semelhanças em métodos tão distintos é trabalho árduo, mas compreender o
quão rico é a utilização paralela de tais metodologias nos faz avançar em termo de pesquisa. Não há uma coleta
de dados sem que antes haja a interpretação destes dados.
Diante da evolução constante da humanidade e suas necessidades, a pesquisa qualitativa cumpre uma função
social de reconhecimento desta realidade para uma melhor intervenção sobre ela, com uma proposta de observar
o mundo segundo os aspectos que o envolvem.
Essa ciência hermenêutica interpreta os diferentes aspectos de significações representados pela pesquisa
social e a reconhece como essencial na busca da compreensão do mundo e do que o envolve, uma vez que, além
de constatar dados numéricos a pesquisa qualitativa irá entender o porquê destes dados. Assim, Bauer, Gaskell
(2000), exemplificam que antes de saber sobre a distribuição de cores num jardim de flores, deve-se
primeiramente identificar o conjunto de cores existentes no jardim.
É muito fácil escolher uma estrutura de métodos já pronta e mergulhar na objetividade de quem apenas quer
quantidades esquecendo-se que toda esta realidade interpretada é parte fundamental da pesquisa e critério
essencial para obter sucesso na mesma. Portanto, pode-se dizer que é importante significar a realidade a ser
estudada.
Ao perceber então, que toda pesquisa numérica tem um cunho interpretativo, e que, para chegar aos números
temos que primeiro interpretar estes dados, seria então possível considerar toda pesquisa, segundo este aspecto,
como qualitativa? (GÜNTHER, 2006).
Segundo Bauer; Gaskell (2000), a pesquisa qualitativa leva-nos a pensar na possibilidade do monopólio
interpretativo pela pesquisa qualitativa, relembrando que a pesquisa quantitativa chega às suas conclusões quase
que automaticamente. Portanto, isso tudo, faz-nos refletir sobre a afirmação de que o único caminho seguro para
as pesquisas conseguirem resultados significativos seria a sofisticação da estatística.
Compreender que não há até o momento uma receita de como escolher o melhor método a pesquisa
trabalhada, é a razão de todo este discurso, pois existem grandes estudos a cerca da definição do método, mas
deve-se perceber, principalmente, se a forma como ele foi aplicado à pesquisa foi adequada, dando importância
também a possibilidade de redirecioná-lo.
Conforme mencionado anteriormente não cabe a este estudo definir o melhor método, mas a melhor forma
de fazer pesquisa.
7 RELEVÂNCIA ENTRE MÉTODOS
Na verdade, a pesquisa qualitativa acredita na pesquisa social como uma nova visão de mundo mais
detalhada e perceptível aos olhos do pesquisador, redimensiona os papeis de pesquisador e pesquisado
(MAANEN, 1979), além do fato de que conhecendo a realidade a fundo, esta, tenha a capacidade de
aplicabilidade mais efetiva em suas esferas sociais.
8 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA E COLETA DE DADOS
Na coleta de dados é importante que tenhamos um método capaz de retratar a realidade com linguagem
simples e cuja apresentação de seus elementos deve ser levada em conta, pois cada caso apresentará uma
linguagem singular e única para aquele estudo.
Segundo Ludk; André (1986), o estudo de caso é um dos principais instrumentos qualitativos,
principalmente na pesquisa educacional, por encerrar um potencial para compreender os problemas da escola.
Assim como em outras áreas da pesquisa, e por também conter os elementos citados acima, o estudo de caso,
apesar de sua similaridade com outros casos, apresenta elementos singulares que revelam a multiplicidade de
dimensões presentes em uma determinada situação problema.
Para Nisbet; Watt (1978), o desenvolvimento do estudo de caso se dá em três fases. A primeira caracterizada
como exploratória, ou seja, momento de definição sobre o que pode ser relevante para o estudo, a segunda
caracterizada pela delimitação do estudo, mais precisamente o que e como analisar, culmina com a análise dos
dados e elaboração do relatório.
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Também não podemos deixar de lado instrumentos importantes para a pesquisa qualitativa, como as
entrevistas qualitativas, individuais ou em grupos focais, capazes de, segundo Gaskell (2000), estabelecer ou
descobrir perspectivas, ou pontos de vista sobre os fatos nas pessoas que são entrevistadas. Este autor afirma que
a entrevista qualitativa é um instrumento de compreensão dos modos de vida e das perspectivas sociais dos
indivíduos e que sua importância se dá para um fim em si mesmo ou para uma descrição detalhada de um meio
social específico, além de servir de dado para pesquisas futuras ou referenciais de interpretação para as mesmas.
Além destes métodos pode-se ressaltar ainda, como instrumentos da pesquisa qualitativa, a investigação
participativa, a observação participante e os métodos visuais.
Para o método quantitativo podemos ressaltar o uso de questionários para levantamento de dados e,
considerando o que diz Güther (1999) sobre o questionário, a apresentação de um survey pode ser
conceitualizada como um estímulo de que se espera alguma resposta, este deve ser bem planejado para tal.
Pode-se perceber quanto à coleta de dados a escolha de um ou outro instrumento, ou até mesmo de dois ou
mais em uma mesma pesquisa, mas de fato, estes só serão relevantes se utilizados de maneira adequada.
9 ANÁLISE DE DADOS
Outra etapa da pesquisa, a análise de dados, caracterizada também por análise de conteúdo, análise de
retórica, análise de discurso e análise estatística, deve ser mencionada. A forma como estes dados são tratados e
interpretados fazem toda a diferença quando se dá prioridade a um determinado método escolhido.
Segundo Gaskell (2002), muita confusão metodológica e muitas afirmações falsas surgem da compreensão
equivocada ao se fazer a distinção entre quantitativo e qualitativo na coleta e análise dos dados ou atendimento
aos interesse da pesquisa em seu delineamento, portanto dá-se ênfase a escolha como a melhor maneira de se
gerar dados e não como forma de atender primeiramente aos interesses do conhecimento.
Além de todo este enfoque metodológico é interessante ressaltar que uma pesquisa seja ela qualitativa ou
quantitativa, nunca está isenta de ideologia, portanto é importante livrar-se de uma interpretação tendenciosa que
vise a outros interesses que não seja o interesse da própria pesquisa, principalmente quando se trata da pesquisa
qualitativa de caráter subjetivo e análise interpretativa dos conteúdos.
Para finalizar (MAYRING, apud GÜNTHER, 2006), "nem estruturações teóricas e hipóteses, nem
procedimentos metodológicos devem impedir a visão de aspectos essenciais do objeto [de pesquisa]". Ao mesmo
tempo, enfatiza, que "apesar da abertura exigida, os métodos são sujeitos a um controle contínuo [...].
Este trabalho apresentou dimensões da pesquisa e como ela pode se desenvolver para a partir deste
direcionamento compreender que o ato de pesquisar requer uma postura ética de quem a conduz. Portanto, se é
qualitativa ou quantitativa ou um método misto o que vai importar de fato é como esta produção será conduzida
e avaliada.
10 CONCLUSÃO
Entender o que é pesquisa e como fazê-la é essencial para a boa utilização dos diversos métodos disponíveis
e suas aplicações. Definindo o referencial metodológico exigido por área ou pelos próprios objetivos propostos
pela pesquisa.
Os métodos de pesquisa seja ela, quantitativa, ou qualitativa propõem enfoques diferentes na construção de
um conhecimento, apresentando, qualidade além da quantidade, e possibilitando ao conhecimento novos
significados.
Esse novo olhar, agora informal, que se contrapõe ao método positivista de fazer ciência, possibilita além de
solucionar o problema típico da pesquisa, desvendar os diferentes signos que representam à realidade na qual
esta é inserida.
Portanto, além disso, descobre-se uma nova abordagem, muito maior e mais abrangente que o
condicionamento a uma orientação unilateral do método, percebendo sempre, o que de fato é importante para o
estudo. Assim, o mais importante seria adequar as estruturas metodológicas aos objetivos propostos pelo estudo,
cabendo então uma reflexão maior a cerca destes métodos que podem ser considerados práticas científicas
complementares e não excludentes.
Avaliá-los, possibilitaria redimensionar a aplicabilidade dos mesmos, algo muito mais enriquecedor para os
estudos sobre a metodologia da pesquisa do que o simples fato de iniciar uma discussão epistemológica que
promova a disputa da melhor forma de realizar a pesquisa.
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Disponível
em:
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REDES INTERORGANIZACIONAIS: UMA REVISÃO
BIBLIOGRÁFICA
Recebido em 03/06/2013
Aprovado em 12/07/2013
Andrea Mendonça da Silva, [email protected]
1. Faculdade Atenas Maranhense, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT. The present article considers to argue on the interorganizacionais nets as an important
strategical factor them companies to continue developing activities in the competitive market, as well as showing
the growth of this area in the Brazilian scientific research. Initially, one discourses on the interorganizacionais
nets and its characteristics. After that, the state of the scientific research through the analysis of 15 (fifteen)
articles published in the site of scielo.br is evaluated, in the period of 2006 the 2012, with the objective to
analyze the studies on the interorganizacionais nets in order to verify if they are important strategical factors of
the companies. One reveals that diverse studies exist on the subject in analysis, but nothing determines if they
guarantee the success of the organizations in the competitive market. It is distinguished necessity of more studies
on the subject en vogue in order to propagate more the model of interorganizacionais nets. Of this form, it gains
the companies in such a way how much the economy of the country.
KEYWORD: Strategical factor. Competitive market. Interorganizacionais nets. Scielo.br.
RESUMO. O presente artigo propõe discutir sobre as redes interorganizacionais como um importante fator
estratégico para as empresas continuarem desenvolvendo atividades no mercado competitivo, bem como
mostrar o crescimento dessa área na pesquisa científica brasileira. Inicialmente, discorre-se sobre as redes
interorganizacionais e suas características. Em seguida, avalia-se o estado da pesquisa científica através da
análise de 15 (quinze) artigos publicados no site da scielo.br, no período de 2006 a 2012, com o objetivo de
analisar os estudos sobre as redes interorganizacionais de modo a verificar se elas são importantes fatores
estratégicos das empresas. Mostra-se que existem diversos estudos sobre o tema em análise, mas nada
determina se eles garantem o sucesso das organizações no mercado competitivo. Destaca-se a necessidade de
mais estudos sobre o tema em voga de modo a propagar mais o modelo de redes interorganizacionais. Dessa
forma, ganha tanto as empresas quanto a economia do país.
PALAVRAS - CHAVE: Fator Estratégico. Mercado Competitivo. Redes Interorganizacionais. Scielo.br.
1 INTRODUÇÃO
As mudanças no processo econômico e financeiro forçaram as empresas a buscarem novas formas de
estruturas organizacionais para continuarem competindo no mercado. Peci (1999 apud SOUSA, 2006, p. 01)
entende que “as pequenas empresas independentes, ou as grandes empresas integradas verticalmente, já não são
capazes de se adaptar às novas características estruturais de produção e de mercado”. Torna-se necessário criar
alternativas para que essas empresas possam continuar atuando no mundo globalizado.
As redes interorganizacionais surgem como uma alternativa para esse contexto de exigências, pois
apresentam “maior capacidade de ação e reação às mudanças e contingências do ambiente” (SOUSA, 2009, p.
01). Oliveira, Andrade e Cândido (2007) entendem que as Pequenas e Médias empresas estão se destacando com
essa nova forma organizacional, pois são capazes de enfrentar seus problemas e, consequentemente, obterem
vantagens competitivas.
Thompson (2003 apud VERSCHOORE; BALESTRIN, 2006) corrobora afirmando que “as redes, por suas
características peculiares de ambivalência, unindo competição com cooperação, escala com escopo e, sobretudo,
hierarquia com mercado, respondem melhor às demandas competitivas”. Verschoore (2004) entende que as redes
configuram-se como a estrutura mais apropriada para enfrentar os desafios do novo contexto globalizado.
Mas, até que ponto essas estruturas garantem a competitividade das organizações no mercado? Busca-se,
então, analisar as publicações científicas publicadas no banco de dados da Scielo.br que tratam sobre as redes
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interorganizacionais de modo a perceber se elas estão sendo empregadas pelas empresas como forma de
aumentar a competitividade. Para tanto, analisa-se o contexto atual das mudanças e das incertezas, conceitua-se
redes interorganizacionais e suas características. Depois, discorre-se sobre os assuntos mais abordados nos textos
analisados. Fazem-se as considerações finais do assunto de modo a compreender que as redes são importantes no
contexto atual.
O presente artigo científico justifica-se à medida que as organizações estão se unindo como meio de garantir
o sucesso. No entanto, não existem estudos que comprovem a garantia de perpetuação no mercado.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
As organizações estão submetidas a um ambiente de grandes transformações, seja no setor político,
econômico, social, cultural e tecnológico. Essas mudanças são dinâmicas e complexas e desafiam as estruturas
tradicionais. Entende-se que as empresas, sejam elas pequenas ou grandes, “não são capazes de se adaptar as
novas características estruturais de produção e de mercado” (PECI, 1999 apud SOUSA, 2009, p. 02).
Torna-se necessário criar estratégias mais adequadas para este ambiente de constantes mudanças. Assim,
para competirem no mercado, as empresas começaram a formar cadeias, conglomerados, redes e alianças
(SOUSA, 2009). Entende-se que as micro e pequenas empresas desempenham papel importante na economia,
principalmente, na brasileira, pelo fato de serem capazes de gerar emprego e renda para a população, levando
assim a sustentabilidade do país (VASCONCELOS; GUEDES; CÂNDIDO, 2006).
Contudo, pela instabilidade do mercado, elas estão perdendo espaço para as grandes empresas. Como forma
de continuarem atuando, as micro e pequenas empresas estão preferindo adotar o formato de organização em
redes porque há o fortalecimento da competitividade ao mesmo tempo que possibilita enfrentar os novos
concorrentes que surgem em melhores condições. Segundo Sousa (2009, p. 01), as redes interorganizacionais são
alternativas “mais adequada ao ambiente atual, que demanda maior capacidade de ação e reação às mudanças e
contingências do ambiente”.
As redes interorganizacionais são formadas no intuito de aumentarem o poder de barganha no mercado, ou
seja, das empresas poderem competir e atuarem no mercado. Elas podem ser designadas por diversos termos
dentre eles: “redes de empresas, organizações em rede, alianças estratégicas, redes organizacionais, network ou
quase-empresas” (OLIVEIRA; ANDRADE; CANDIDO, 2007, p. 03).
Assim, discorre-se sobre as redes interorganizacionais mostrando sua origem e o contexto em que estão
inseridos.
2.1 Redes Interorganizacionais
As redes interorganizacionais configuram-se como a nova forma organizacional visto que as empresas
buscam meios para aumentar a produtividade e a competitividade. Percebe-se que essa sociedade em rede é a
primeira e “mais abrangente tendência de evolução organizacional identificada” e esse fato ocorre pelo processo
de “transição da produção em massa para a produção flexível, ou do ‘fordismo’ ao ‘pós-fordismo’”
(CASTELLS, 2001 apud SOUSA, 2009, p. 02).
As principais causas desse processo de mudança estão relacionadas a: demanda de quantidade e qualidade de
produção ficou imprevisível; os mercados ficaram mundialmente diversificados, não havendo um controle e a
transformação tecnológica tornou obsoletos os equipamentos de produção. Dessa forma, “o sistema de produção
em massa ficou muito rígido e dispendioso para as características da nova economia” (SOUSA, 2009, p. 03).
Como uma forma de resposta a essa rigidez, surge o sistema produtivo flexível que se desenvolve em
diversas regiões do mundo como, por exemplo, no Japão, na China, na Coréia do Sul e etc. (CASTELLS, 2001
apud SOUSA, 2009). Não somente as grandes empresas reúnem-se nesse tipo de agrupamento, mas também as
micro e pequenas empresas como forma de obterem sucesso e competitividade a nível mundial (CASAROTTO;
PIRES, 1999 apud SOUSA, 2009).
Observa-se que as redes estão sendo formadas e desenvolvidas em diversos países, não só aqueles
industrializados, como é o caso da Itália, Japão e Alemanha, mas também nos países emergentes ou de
economias em desenvolvimento, como o México, Chile, Argentina e o Brasil (AMATO NETO, 2000 apud
SOUSA, 2009, p. 03).
Segundo Sousa (2009, p. 04) o interesse nas relações interorganizacionais está relacionado a:
a) A crescente exposição das organizações a ambientes mais competitivos nas
últimas décadas exige a reestruturação para novas formas mais flexíveis e capazes
de se adequar mais rapidamente aos padrões;
b) Desenvolvimento tecnológico - torna processos de produção mais flexíveis e
especialmente desintegrados;
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c) A maturação da rede como disciplina
interdisciplinaridade dos estudos organizacionais.
acadêmica, expandida para a
Balestrin e Vargas (2002 apud SOUSA, 2009, p.04/05) mostram os diversos tipos de redes existentes no
mundo:
Redes familiares nas sociedades chinesas;
Redes de empresários - ricas fontes tecnológicas dos meios de inovação, como no
vale do Silício;
Redes organizacionais de unidades empresariais descentralizadas de antigas
empresas verticalmente integradas e forçadas a se adaptarem às realidades atuais;
Redes hierárquicas comunais do tipo keiretsu japonês;
Redes horizontais de cooperação, como as existentes no norte da Itália;
Redes internacionais resultantes de alianças estratégicas entre grandes empresas que
operam em diversos países; podendo-se acrescentar a essas variedades os APLs
(arranjos produtivos locais), as centrais de negócios; e outros.
Hoffmann et al (2004 apud OLIVEIRA; ANDRADE; CÂNDIDO, 2007) compreendem que as redes devem
ser classificadas baseada em quatro indicadores: direcionalidade que se subdivide em vertical ou horizontal;
localização no que diz respeito a dispersão ou aglomeração; formalização, regulada por contratos ou informais,
sem um contrato de direito e dever e no poder que se relaciona ao aspecto orbital ou não orbital.
Segundo Balestrin e Arbage (2007, p. 07), essa classificação pode ser resumida para quatro dimensões
apenas, a saber: “redes verticais - dimensão da hierarquia; redes horizontais – dimensão da cooperação; redes
formais – dimensão contratual; redes informais – dimensão da conivência”.
Observa-se que a concepção delas nessas classificações é a mesma. As redes verticais apresentam uma
dimensão hierárquica. São conhecidas como cadeia de suprimento; têm uma clara estrutura hierárquica (SOUSA,
2009). “Essa configuração é utilizada, por exemplo, pelas grandes redes de distribuição que adotam esta
estratégia para estar mais próximo do cliente, como ocorre com as grandes redes de distribuição integrada,
distribuição alimentar e bancos” (BALESTRN, 2005 apud SOUSA, 2009, p. 07).
As redes horizontaispertencem a Dimensão da cooperação. Preservação da independência, mas coordenam
as atividades de forma conjunta com o intuito de atingir certos objetivos – “criação de novos mercados, suporte
de custos e riscos em pesquisas e desenvolvimento de novos produtos, definição de marcas de qualidade, entre
outros”. (SOUSA, 2009, p. 07). Formam-se sob a dimensão da cooperação de seus membros. Escolhem a
“formalização flexível para melhor adaptar a natureza de suas relações” (SOUSA, 2009, p. 07).
As redes formais pertencem a dimensão contratual. Algumas redes são “formalizadas por termos contratuais
que estabelecem regras de conduta entre os atores que compõem esta rede” (BALESTRIN; VARGAS, 2004, p.
205). Como exemplo, têm-se as alianças estratégicas, os consórcios de exportação, as joint-ventures e as
franquias.
As redes informais pertencem a dimensão da conivência. Elas permitem “encontros informais entre os
agentes, portadores de preocupações comuns” (SOUSA, 2009, p. 09). Esse tipo de rede é formado sem qualquer
tipo de contrato, registrado em papel. Elas agem em conformidade com os interesses comum sendo a confiança o
elo que as mantém unidas.
Os benefícios e vantagens desse novo modelo organizacional podem ser elencados, nas palavras de Sousa
(2009, p. 10): “reduzir custos, aumentar poder de barganha, melhorar preços e descontos, status, suporte,
padronização, entre outros”.
Observa-se que a formação das redes deve-se a uma mudança do paradigma de uma produção em massa
para uma enxuta/ágil e flexível, juntamente com “uma concepção de alianças estratégicas e o surgimento da
economia informacional e desenvolvimento de uma nova lógica organizacional advinda da transformação
tecnológica fizeram emergir uma nova estrutura empresarial: a empresa em rede” (CASTELLS, 2001 apud
SOUSA, 2009, p. 03)
No entanto, deve-se observar que nesse cenário de mudanças tanto as empresas quanto os gestores devem
estar preparados para as novas práticas organizacionais. Eles devem possuir competências para lidar com as
incertezas do mercado. (SARSUR, 2002 apud SOUSA, 2009, p. 06)
3 METODOLOGIA
Utiliza-se, inicialmente, uma abordagem fundamentada na literatura utilizada nas aulas do mestrado em
Administração, módulo Gestão de Sistemas Educacionais, da FEAD (Faculdade de Estudos Administrativos), de
Belo Horizonte, MG, de modo a dá embasamento teórico para o presente estudo. Posteriormente, utiliza-se 27
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(vinte e sete) artigos científicos publicados na base de dados da Scielo.br, no período de 2006 a 2012. No
entanto, somente 15 foram selecionados para a análise porque versavam diretamente sobre o tema proposto.
Esses artigos foram obtidos utilizando as palavras-chave: redes interorganizacionais, características de redes
interorganizacionais, arquiteturas de redes interorganizacionais, tipologias de redes.
O presente artigo tem como objetivo detectar se as pesquisas desenvolvidas nesses 5 (cinco) anos
comprovam que as redes interorganizacionais estão sendo empregadas pelas empresas como forma de aumentar
a competitividade.
Os artigos encontrados foram divididos em dois grupos: embasamento teórico (26,67%) e estudos empíricos
(73,33%) de modo a verificar se existem comprovações que as redes interorganizacionais são capazes de
alavancar a competição existente no mercado globalizado. Os textos selecionados para a análise estão descritos
na tabela abaixo.
Leonel Cezar Rodrigues
Emerson Antônio Maccari
Valéria Riscarolli
Arquitetura e coopetição em redes interorganizacionais
Fabio Alves Barbosa
José Benedito Sacomano
Arthur José Vieira Porto
Metodologia de análise para redes interorganizacionais:
competitividade e tecnologia
Afonso C. C. Fleury
Maria Tereza Leme Fleury
Estratégias competitivas e competências essenciais:
perspectivas para a internacionalização da indústria no
Brasil
Estratégia como prática social: o estrategizar em uma rede
Interorganizacional
César Tureta
Juvêncio Braga de Lima
Gilnei Luiz de Moura,
Marcelo do Carmo,
Rogério Cerávolo Calia, Sandra Lilian O.
Façanha
Aprendizado em redes e processo de inovação dentro de
uma empresa: o Caso Mextra
Elisa Maria Barbosa de Amorim Ribeiro
Antônio Virgílio Bittencourt Bastos
Redes sociais interorganizacionais na efetivação de projetos
sociais
Julio Araujo Carneiro da Cunha
João Luiz Passador
Cláudia Souza Passador
Recomendações e apontamentos para categorizações em
pesquisas sobre redes interorganizacionais
Luciano Rossoni
Edson Ronaldo Guarido Filho
Cooperação interinstitucional no campo da Pesquisa em
estratégia
Mariana Baldi
Marcelo Milano Falcão Vieira
Calçado do vale: imersão social e redes Interorganizacionais
Verônica Macário de Oliveira
Elisabeth de Oliveira Andrade Gesinaldo
Ataíde Cândido
Um paralelo entre Redes Interorganizacionais e Estratégias
de Inserção Competitiva: O Caso da Rede Smart no Estado
da Paraíba
Fabio Stallivieri
Renato Ramos Campos
Jorge Brito
Capacitações Tecnológicas de Micro e Pequenas Empresas
Inseridas em Redes Tecnoprodutivas: o caso da eletrometalmecânica em Joinville (SC)
Sérgio Luís Boeira
Indústria de tabaco e cidadania: confronto entre redes
organizacionais
Competências críticas ao desenvolvimento de mapas
cognitivos de redes interorganizacionais
José Osvaldo De Sordi
Djair Picchiai
Manuel Antonio Meireles da Costa
Maria Aparecida Sanches
Marcos Vianna Villas
A influência das redes de alianças estratégicas sobre a
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T. Diana L. v. A. de Macedo-Soares
tecnologia de informação e comunicação
Marcos de Castro
Sergio Bulgacov
Valmir Emil Hoffmann
Relacionamentos Interorganizacionais e Resultados: Estudo
em uma Rede de Cooperação Horizontal da Região Central
do Paraná
4 RESULTADOS
Nas análises feitas nos artigos selecionados que tratam das redes interorganizacionais pode-se observar que
existe um consenso entre estudantes e pesquisadores que os negócios estão sofrendo modificações ao longo dos
tempos. “A principal razão está no fato de que as empresas estão saindo de seu isolamento natural, como
entidades independentes e separadas, e voltando-se para formas mais colaborativas de convivência, onde a
ênfase está na interconectividade” (RODRIGUES; MACCARI; RISCAROLLI, 2007, p. 176).
Afirma-se que as estruturas antigas de organização, do modelo verticalizado, não oferecem mais garantia de
sucesso visto que a competição provocada pela globalização é intensa. Castells (1999 apud OLIVEIRA;
REZENDE; CARVALHO, 2011, p. 71) entende que as razões do não sucesso dessas antigas formas de
organização estão relacionadas a:
A passagem da produção em massa (fordismo) para a produção flexível (toyotismo);
a crise da grande empresa e a flexibilidade das pequenas e médias empresas como
agentes de inovação e fontes de criação de empregos; os métodos de gerenciamento
provenientes das empresas japonesas; o modelo de redes multidirecionais e de
licenciamento e subcontratação; as alianças corporativas, a empresa horizontal e as
redes globais.
A estrutura horizontalizada, então, passa a ser desenvolvida nas empresas em razão delas serem mais
orgânica e com atividades primárias terceirizadas (TURETA; LIMA, 2011). Observa-se que essas estruturas se
formam pelas trocas sociais e de informações geradas entre elas. Dessa forma, elas tornam-se mais informais e
são difíceis de serem analisadas. Oliveira, Rezende e Carvalho (2011, p. 72) entendem que essas estruturas
“apresentam também princípios de isonomia e insubordinação, ou seja, os direitos e deveres são iguais e não há
relação hierárquica; o poder é descentralizado e prima pela coordenação e pela democracia no lugar do controle”.
Observa-se que o processo de transição entre a estrutura vertical e a horizontal apresenta como pano de
fundo a mudança do processo de produção que antes era em massa e agora passa a ser mediada pela
inovação.(RODRIGUES; MACCARI; RISCAROLLI, 2007, p. 176).
No entanto, deve-se observar, nas palavras de Balestrin, Verschoore e Reyes Junior (2010, p. 461), que “o
mundo ainda não vive o apogeu da sociedade em rede, descrita por Castells (1999)”. Mas, já apresenta um
interesse maior por parte daqueles que estudam o mercado e as organizações.
Segundo Nohria e Eccles (1992 apud SORDI et al., 2009, p. 1184), as razões para o aumento no interesse
das redes interorganizacionais estão relacionadas a:
A emergência da “nova competição”; o surgimento das tecnologias de informação e
comunicação (TICs) que possibilitam uma maior capacidade de inter-relações entre
firmas dispersas; e a consolidação da análise de redes como uma disciplina
acadêmica, não somente restrita a alguns grupos de sociólogos.
Vários livros foram publicados evidenciando “a capacidade de colaboração e da estruturação em rede como
condições fundamentais para o êxito organizacional” (BALESTRIN; VERSCHOORE; REYES JUNIOR, 2010,
p. 461). As revistas e periódicos científicos também deram espaço em suas páginas para evidenciar a importância
dessa nova forma organizacional no contexto nacional e internacional, como foi o caso da Organization Studies,
em 1998, a Academy Of Management Journal, em 2004, a Forbes, em 2007, e a International Management, em
2007 (BALESTRIN; VERSCHOORE; REYES JUNIOR, 2010, p. 461).
Encontros são desenvolvidos como forma de evidenciar a colaboração das redes no campo econômicoorganizacional. Balestrin, Verschoore e Reyes Junior (2010, p. 461) destacam que:
O primeiro foi o XXIV Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, realizado pela
Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração
[ANPAD], cujo tema foi ‘Inovação em redes e redes de inovação’. O segundo foi o
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XVI Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas,
realizado pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos
Inovadores [ANPROTEC], cujo tema foi ‘Redes institucionais promovendo o
empreendedorismo inovador’. O terceiro foi o II Cooperação Brasil, realizado em
Porto Alegre, que contou com mais de mil participantes e teve a apresentação de
palestras, artigos e casos nacionais e internacionais sobre as redes de cooperação.
Em 2008, o Encontro de Estudos Organizacionais [EnEO], promovido pela
ANPAD, definiu as ‘Redes e relacionamentos intra e interorganizacionais’ como um
de seus temas de interesse.
Os artigos mostram que foi a partir dos anos de 1980 que as redes começaram a ganhar forma no mercado
competitivo pelo fato de obterem “economias de custos de coordenação e aumentar a flexibilidade das
organizações interligadas na rede” (MOURA et al., 2008, p. 06). Esses dois fatores proporcionam garantias de
sucesso em qualquer ambiente, seja ele incerto e/ou complexo.
Sordi et al. (2009) entende que nessa época o desenvolvimento tecnológico estava acelerado e os
consumidores mudavam constantemente de valores e comportamentos ficando, então, a incerteza de produzir em
determinados produtos. Aldrich (1979 apud CASTRO; BULGACOV; HOFFMANN, 2011, p. 27) entende que
os estudos sobre os relacionamentos interorganizacionais aumentaram pela necessidade que das organizações de
“interagir com o seu ambiente para acessar os recursos necessários às suas atividades”.
Esse entendimento é visto por Castells (1999 apud BOEIRA, 2006) que afirma ser o surgimento das redes
resultado do processo de interação da crise e da transformação organizacional.
Torna-se necessário destacar que as redes interorganizacionais são “formadas por um agrupamento de
organizações distintas que coordenam ações conjuntamente, não por meio de estruturas hierárquicas formais,
mas por meio de acordos e de relações pessoais” (MOURA et al., 2008, p. 06).
A empresa que desenvolve esse formato de organização consegue reduzir os custos de gerenciamento de
sistema. Além disso, possuem “complementaridade de competências, informações diversificadas e direcionadas,
aprendizado e inovação” (LIN; YANG; ARYA, 2009 apud OLIVEIRA; REZENDE; CARVALHO, 2011, p.
69).
Tureta e Lima (2011, p. 78) entendem que “a interação que ocorre dentro da rede promove uma série de
benefícios estratégicos para as empresas participantes, como economia de escala, aprendizagem, troca de
informações, geração e transmissão de conhecimento, campanhas de marketing conjuntas etc”.
Marteleto e Silva (2004 apud CUNHA; PASSADOR; PASSADOR , 2011) corroboram dizendo que as redes
interorganizacionais devem ser entendidas como um sistema formado por “nós” e conexões entre eles sendo os
nós representados pelas organizações e os elos sendo as relações existente entre elas.
As características dessas organizações estão relacionadas à postura dinâmica, a pouca hierarquia presente e a
sua capacidade de se conectar entre seus diversos atores (SORDI et al, 2009).
Os artigos analisados questionaram os motivos que levam as organizações a se unirem em rede. As
observações feitas dizem respeito à “maneira eficaz para o alcance de objetivos individuais e coletivos, por meio
de um complexo ordenamento de conexões, em que as organizações estabelecem inter-relações sob diferentes
maneiras, em distintos contextos e a partir de expressões culturais diversas” (CASTELLS, 1999 apud CASTRO;
BULGACOV; HOFFMANN, 2011, p. 27).
Nohria e Eccles (1992 apud MOURA et al,2008, p. 06) entendem que a relação existente entre fornecedores,
clientes, consumidores e agentes administrativos e econômicos é a determinante da dinâmica do ambiente de
negócios de uma organização.
As principais correntes teóricas que tratam do assunto são: “a economia industrial, a abordagem de
dependência de recursos, a teoria de redes sociais, as teorias críticas, a teoria institucional, a teoria dos custos de
transação e a abordagem de estratégias organizacionais” (BALESTRIN; VERSCHOORE; REYES JUNIOR,
2010, p. 462).
A utilização da corrente da economia industrial relaciona que os diferentes ganhos econômicos de produção
explicam a eficiência das redes. Os ganhos são provenientes das economias de escola, de escopo e de
especialização (BALESTRIN; VERSCHOORE; REYES JUNIOR, 2010, p. 462). Na teoria de dependência de
recursos, deve-se “entender o processo por meio do qual as organizações reduzem suas dependências ambientais,
utilizando várias estratégias para aumentar seu próprio poder”. (BALESTRIN; VERSCHOORE; REYES
JUNIOR, 2010, p. 463).
A abordagem das redes sociais é analisada como meio de entender se a relação social dos atores afeta o
desempenho da empresa. A teoria críticas analisa o poder e a dominação existente nessa forma organizacional.
Castro, Bulgacov e Hoffmann (2011, p. 28) entendem que o poder é aplicado nas redes pelo fato de “que a
escassez de recursos motiva as organizações a tentar exercer poder, influência ou controle sobre outras que
possuem os recursos requeridos, contrastando com o pressuposto de que a escassez de recursos motiva as
organizações a cooperarem entre si”.
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Na teoria institucional, tem-se a dependência como foco de análise pelo fato dela oferecer a legitimação
entre os participantes. “As teorias sobre estratégia foram utilizadas para entender como a cooperação e as
relações interorganizacionais podem gerar impacto na competitividade das empresas” (BALESTRIN;
VERSCHOORE; REYES JUNIOR, 2010, p. 463).
Castells (2005 apud SORDI et al., 2009) entende que as redes são estruturas abertas e como tal conseguem
se expandir de forma ilimitada, criando novos nós desde que sejam capazes de compartilhar o processo de
comunicação.
Nos artigos analisados, observou-se que as redes podem ser analisadas como estruturas abertas, mas em três
níveis: “nos indivíduos que fazem parte de grupos, os grupos que fazem parte de organizações e as organizações
que fazem parte da rede”. (BALESTRIN; VERSCHOORE; REYES JUNIOR, 2010, p. 464). Devendo lembrar
que é preciso antes de tudo ter confiança entre as empresas que fazem parte da rede. Oliveira, Rezende e
Carvalho, (2011) denotam que a confiança é construída com o tempo, pois seus elementos constituintes
(honestidade, disposição e eficácia) só podem ser analisados com a convivência entre eles.
Knights, Murray e Willmott (1993 apud TURETA; LIMA, 2011, p. 78) entendem que “as redes são
retratadas como arranjos essencialmente baseados em reciprocidade e confiança, e que interesses próprios seriam
supostamente sacrificados em função da coletividade”. Observa-se que somente este artigo cientifico evidenciou
a questão dos interesses pessoais. No entanto, não se pode determinar a validade do sacrifício das vontades
pessoais.
Torna-se importante observar as palavras de Cunha, Passador e Passador (2011, p. 510) quando mostram
que:
Nos dias de hoje, ainda que algumas diretivas já tenham sido estabelecidas a fim de
se propor elementos importantes para a pesquisa empírica de estudos de casos de
redes interorganizacionais (e.g. HALINEN e TÖRNROOS, 2005), ainda existe a
carência de definições e de teorizações amplamente aceitas na comunidade
acadêmica no que tange à taxonomia dessas redes. Isso implica que por mais que se
tenha avançado no campo de estudo das redes interorganizacionais, no sentido de
entender de que forma elas se estruturam e como operam (e.g. AGRANOFF e
McGUIRE, 1999; GRANDORI e SODA, 1995; PODOLNY e PAGE, 1998;
PROVAN, FISH e SYDOW, 2007; THORELLI, 1986) e de desenvolver algumas
tipologias (e.g. BORGATTI e FOSTER, 2003; CORRÊA, 1999; GRANDORI e
SODA, 1995; ROWLEY, 1997; TODEVA e KNOKE, 2005; UZZI, 1997;
PRENKERT e HALLÉN, 2006; WHETTEN, 1981), ainda perdura o problema da
falta de padronização na conceituação, teorização e metodologia da área.
Comumente, as definições conceituais ainda são confundidas, quando não
misturadas, e teorias aplicáveis a diferentes contextos industriais são transpostas ao
contexto das redes interorganizacionais sem a devida adaptação.
Assim, observa-se que as redes podem surgir como elemento de competição e cooperação entre as empresas,
mas não se sabe até que ponto elas realmente oferecem vantagens e desvantagens.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O ambiente das organizações atuais sofre alterações constantes em decorrência dos fenômenos da
globalização. Destaca-se que esse processo não é algo recente, surge desde o século XIX com a Revolução
Industrial onde se mudou o processo de produção (artesanal-fabril) e forçou as pessoas a buscarem conhecimento
para trabalharem nesse meio mais industrial. No século XXI, esse processo foi ainda mais intenso em
decorrência da economia baseada no conhecimento. As empresas deveriam operar usando informações e as
tecnologias para alavancar resultados. (FERREIRA et al., 2008)
Segundo Morgan (1996 apud TURETA; REIS; ÁVILA, 2006, p. 05), as organizações sofreram constantes
modificações e para sobreviverem nesse mercado de incertezas e dificuldades, precisaram desenvolver
habilidades para adquirir seus suprimentos. Como a competição entre as organizações é intenso, somente aquelas
que estão mais bem adaptadas conseguem permanecer.
Para resolver esses conflitos de existência no mercado globalizado, foram criadas as redes organizacionais.
Segundo Miguelleto (1998 apud TURETA; REIS; ÁVILA, 2006, p. 13), as redes podem ser consideradas como:
A rede é um arranjo organizacional formado por um grupo de atores, que se
articulam - ou são articulados por uma autoridade - com a finalidade de realizar
objetivos complexos, e inalcançáveis de forma isolada. A rede é caracterizada pela
condição de autonomia das organizações e pelas relações de interdependência que
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estabelecem entre si. É um espaço no qual se produz uma visão compartilhada da
realidade, se articulam diferentes tipos de recursos e se conduzem ações de forma
cooperada. O poder é fragmentado e o conflito é inexorável, por isso se necessita de
uma coordenação orientada ao fortalecimento dos vínculos de confiança e ao
impedimento da dominação.
Ferreira et al. (2008, p. 03) entende que a rede interorganizacional é “uma organização intermediária entre a
empresa e o mercado pela necessidade de coordenação das atividades econômicas, representando um arranjo
híbrido, contendo elementos de mercado e de hierarquia”. Vilela (2003 apud FERREIRA et al., 2008)
compreende que esse formato organizacional acaba com o isolacionismos das empresas obrigando-as a mudarem
sua estrutura, seu estilo ou sua forma de reagir ao mercado.
As redes são importantes no contexto atual porque levam as empresas a continuarem existindo visto que
isoladas elas não apresentariam resultados ou entrariam em falência. Destaca-se que a adoção das redes
organizacionais pelas micro e pequenas empresas foi maior pela necessidade que a economia teve de fazer com
que elas continuassem no mercado, pois elas são responsáveis pela empregabilidade de mais da metade da
população.
Mostrou-se que as redes são classificadas por dimensões, a saber: rede vertical, rede horizontal, rede formal
e informal. Cada uma apresenta uma característica peculiar que leva as empresas a apresentarem mais destaque
no mercado. Evidenciou-se que essa prática é importante para o mercado e que ela é capaz de aumentar a
capacidade produtiva das empresas e a competitividade entre elas. Mas, deve-se observar que até agora não há
estudos significativos que evidenciem as desvantagens dessa modalidade de organização.
Os benefícios são inúmeros tanto para a economia quanto para as organizações, mas é preciso observar que
muitos interesses pessoais delas são inibidos em detrimentos dos interesses coletivos. Ferreira et al. (2008)
destaca que para uma empresa entrar numa rede ela precisa vencer certas questões como a cultura
organizacional, as burocracias legais existentes, a falta de cooperação e comprometimento entre alguns
associados que só querem participar dos lucros e não das dificuldades e etc.
Observa-se que muitos interesses são renegados para haver o sucesso, mas torna-se importante analisar até
onde esse limite de interesses é aceito, ou seja, se torna válido de modo que não se possa colocar em risco a
saúde empresarial daqueles que estão envolvidos nesse processo.
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LOGÍSTICA REVERSA APLICADA AOS RESÍDUOS ELETRÔNICOS
EM SÃO LUIS-MA.
Recebido em 20/06/2013
Aprovado em 19/07/2013
Alexsandro de Jesus Ericeira Amorim, [email protected]
Patrício Moreira de Araújo Filho, patrí[email protected]
AllissonJorge Silva Almeida, [email protected]
Will Ribamar Mendes Almeida, [email protected]
1. Faculdade Pitagoras São Luís-MA, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT: Nowadays many electronic products are being developed in serial scale in the industry to meet
the new demands of the global market. The evolution of these devices reduces the lifetime of electronic products,
resulting in replacement or disposal due to rapid obsolescence. In Brazil, with the growth of the economy, the
purchasing power of the population increased significantly, which has lead to higher consumption of these
products. On this premise, a big problem is getting worse which is the amount of electronic waste generated by
the disposal of these products, which are not normally sent to a correct location for your deposition. The
Reverse Logistics is offering a new mechanism to minimize these impacts, collecting, transporting, recycling and
reusing these electronic waste. The purpose of this work is to check the way the company Management of
Technological Resources Ltda. (GRD), who worried about the environment, buys and collects this type of waste
in the city of São Luís, MA. We made technical visits, interviews and observations, recorded through
photographs, inherent to the process of reverse logistics company. At the end of the study, we determined the
collection of approximately 12.1 tonnes of waste, between the period from February to September of this year,
demonstrating the great need of recycling these materials, since these components have many harmful chemicals
to the environment and the man himself. Therefore, it is evident that reverse logistics is to contribute decisively
to achieve development with responsibility and sustainability.
KEYWORDS: Electronics, Technology, Reverse logistics, Waste.
RESUMO: Na atualidade muitos produtos eletrônicos estão sendo desenvolvidos em escala serial na indústria
para atender as novas exigências do mercado globalizado. A evolução de tais dispositivos reduz a vida útil dos
produtos eletrônicos, implicando em substituição ou descarte devido à rapidez de sua obsolescência. No Brasil,
com o crescimento da economia, o poder aquisitivo da população teve um aumento significativo, o que vem
acarretar no maior consumo destes produtos. Nesta premissa, um grande problema está se agravando que é a
quantidade de resíduos eletrônicos gerado pelo descarte destes produtos, onde normalmente não são
encaminhados para um local correto para sua deposição. A Logística Reversa vem oferecer um novo mecanismo
para minimizar estes impactos, coletando, transportando, reciclando e reutilizando estes resíduos eletrônicos. A
finalidade deste trabalho é verificar a forma com que a empresa Gestão de Recursos Tecnológicos Ltda (GRD),
que preocupada com o meio ambiente, compra e recolhe este tipo de resíduo na cidade de São Luís-MA. Foram
feitas visitas técnicas, entrevistas e observações, registradas através de fotografias, inerentes ao processo de
logística reversa da empresa. Ao final do trabalho foi possível constatar a coleta de aproximadamente 12,1
toneladas de resíduos, entre o período de fevereiro a setembro do corrente ano, demonstrando a grande
necessidade da reciclagem destes materiais, posto que estes componentes possuam muitos produtos químicos
nocivos ao meio ambiente e ao próprio homem. Portanto, fica evidenciado que a logística reversa vem a
contribuir decisivamente para atingirmos um desenvolvimento com responsabilidade e sustentabilidade.
PALAVRAS-CHAVE: Produtos eletrônicos, Tecnológica, Logística reversa, Resíduo.
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1 INTRODUÇÃO
Os resíduos sólidos estão cada vez mais chamando atenção da sociedade como um todo, devido
principalmente na enorme quantidade gerada diariamente e seus malefícios ao meio ambiente e porque não ao
próprio homem. O mundo será obrigado a se desenvolver de forma sustentável, ou seja, que preserve o meio
ambiente, e as empresas deverão fazer o mesmo, por iniciativa própria ou por exigência legal (SHRIVASTAVA
e HART, 1998).
A logística reversa atua por meio da política de deposição dos materiais e produtos no seu pós-uso, para não
serem descartados de forma indesejável e desordenada na natureza (LACERDA, 2002). Objetiva a redução de
resíduos na fonte, a reciclagem, a substituição, a reutilização de materiais, reforma e remanufatura, sempre com a
visão da cadeia, ou seja, na gestão dos fluxos reversos, desde o ponto de consumo até o ponto de origem.
Um das grandes preocupações em torno da disposição de lixo, estão os provenientes de resíduos eletrônicos,
pois seus componentes químicos contaminam os solos e podem se infiltrar até chegarem às águas subterrâneas,
gerando impactos ao meio-ambiente. Estes dejetos eletrônicos, em sua grande maioria, são gerados e acumulados
por empresas que precisam manter suas estruturas tecnológicas sempre atualizadas.
Este estudo tem como objetivo abordar a logística reversa de resíduos eletrônicos na cidade de São Luis do
Maranhão, com destaque para as ações demandadas pela empresa Gestão de Recursos Tecnológicos Ltda.
(GRD), que compra e recolhe esses tipos de materiais, e posteriormente encaminham para um destino
ambientalmente adequado para os mesmos, como a reciclagem.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Alexandre, o grande, foi o primeiro a utilizar a logística em seu planejamento estratégico, criando na sua
época o mais móvel e mais rápido exército da época. Por volta de 1.670, um conselheiro do Rei Luís XIV
sugeriu a criação de uma nova estrutura de suporte para solucionar os crescentes problemas administrativos. Foi
criada a posição de “Marechal General de Logis”, cujo título se originou do verbo francês “loger”, que significar
alojar. Entre seus deveres estavam a responsabilidade pelo planejamento das marchas, seleção dos campos e
regulamentação do transporte e fornecimento.
O termo “LOGISTIQUE”, depois traduzido para o inglês “LOGISTICS” foi desenvolvido pelo principal
teórico militar da primeira metade do século XIX, o Barão Antoine Henri Jomini. Baseado em suas experiências
vividas em campanhas de guerra ao lado de Napoleão, Jomini escreveu o “Sumário da Arte da Guerra” em
1.836. Ele dividiu a arte da guerra em 5: estratégia, grandes táticas, logística, engenharia e táticas menores,
definindo logística como “a arte de movimentar exércitos”.
Embora somente nos últimos anos ela tenha sido amplamente difundida, no início do século XX começou os
primeiros trabalhos acadêmicos sobre o assunto. Durante a década de 40, com a Segunda Guerra Mundial, a
logística passou a ser aplicada principalmente nas Forças Armadas, assim, para muitos autores, sua origem está
essencialmente ligada às operações militares. Com o final da Segunda Guerra Mundial, a Logística começa a
existir como ciência, e esta apresentou uma evolução continuada, sendo considerada atualmente, elemento
essencial na sobrevivência das empresas.
A Logística é definida como o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a
armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem
até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor (NOVAES, 2001).
De acordo com essa citação, as enormes pressões competitivas existentes, aliadas aos altos custos
operacionais e administrativos, planejar as atividades envolvidas em todo o processo logístico torna-se
imprescindível, objetivando sempre o melhor atendimento ao consumidor. Portanto, se faz necessário o
conhecimento de todas as etapas do processo, almejando a satisfação plena de toda a cadeia. É importante
lembrar que é preciso encontrar soluções eficientes no que diz respeito a custos, com eficácia na busca pelos
objetivos estabelecidos inicialmente. Esse planejamento inicia no instante em que o cliente resolve transformar
um desejo em realidade (MARTINS e ALT, 2000).
Ballou (2001) descreve: a missão da logística é dispor a mercadoria ou o serviço certo, no lugar certo, no
tempo certo e nas condições desejadas, ao mesmo tempo em que fornece a maior contribuição à empresa.
O Council of Supply Chain Management Professionals, define a logística como:
Logística é a parte do Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento que
planeja, implementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente e
econômico de matérias-primas, materiais semi-acabados e produtos
acabados, bem como as informações a eles relativas, desde o ponto de origem
até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos
clientes (Carvalho, 2002, p. 31).
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Assim como a definição de logística vem evoluindo com o passar dos anos, o da logística reversa também
vem passando por este processo, com novos conceitos, adaptações e abrangências tornando-se cada vez mais
amplo.
Já nos anos 90, autores como Stock (1992), introduziam novas abordagens da logística reversa, como a
logística do retorno dos produtos, redução de recursos, reciclagem, e ações para substituição de materiais,
reutilização de materiais, disposição final dos resíduos, reaproveitamento, reparação e remanufatura de materiais.
Em 1998, Carter e Ellram definindo a Logística Reversa, incluíram a questão da eficiência ambiental.
Segundo Lacerda (2002): a logística reversa é um processo de planejamento, implementação e controle do
fluxo de matérias-primas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de
consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado, como
descrito na figura 1.
Figura 1 – Atividades típicas do processo de logística reversa.
Fonte: Lacerda (2002)
Para Leite (2003), define a logística reversa como:
A área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as
informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e
de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos
canais de distribuição reversos, agregando lhes valor de diversas naturezas:
econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa.
Na concepção de Bowersox e Closs (2009), um dos objetivos operacionais determinantes do desempenho
logístico é o apoio ao ciclo de vida, sendo assim, é importante considerar a inversão do fluxo normal de trânsito
de estoque em direção aos clientes.
Dessa forma, para estes autores a logística reversa surge a partir de necessidades como: sustentabilidade
ambiental, padrões relativos à qualidade, prazo de validade do produto, crescente número de leis que proíbem o
descarte indiscriminado e incentivam a reciclagem, enfim, a logística reversa conclui o ciclo de vida do produto
destinando de forma correta os mesmos.
A logística reversa é dividida em duas áreas: pós venda e pós-consumo como mostra a figura 2.
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Figura 2 – Processo de logística reversa no pós-consumo e na pós-venda.
Fonte: Leite (2003)
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A logística reversa pós-venda tem como objetivo estratégico agregar valor a um produto logístico que é
devolvido por razões comerciais, erros no processamento dos pedidos, garantia dada pelo fabricante, defeitos ou
falhas de funcionamento, avaria no transporte entre outros motivos (LEITE, 2003).
Já a logística reversa pós-consumo é definida como: área de atuação que equaciona e operacionaliza
igualmente o fluxo físico e as informações correspondentes de bens de pós-consumo descartados pela sociedade
em geral que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo por meio dos canais de distribuição reversos
específicos (LEITE, 2003).
No caso dos resíduos sólidos se encaixam nos produtos de pós-consumo, onde seu fluxo pode ser
visualizado na figura abaixo:
Figura 3 – Fluxograma da logística reversa no pós-consumo.
Fonte: Leite (2003)
Em 2010 o governo institui o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, Lei nº 12.305 de 02 de agosto de 2010 e
que foi regulamentada pelo decreto nº 7.404 de 23 de dezembro de 2010.
A lei nº 12.305 reúne seus princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações a ser adotado pela
União isoladamente ou em parcerias com Estados, Distrito Federal, Municípios e particulares visando à gestão
integrada, o gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos.
Na gestão integrada e no gerenciamento dos resíduos sólidos deve seguida a seguinte ordem de prioridade:
Não geração;
Redução;
Reutilização;
Reciclagem;
Tratamento dos resíduos sólidos e;
Disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos a partir de 02 de agosto de 2014.
No decreto lei nº 7.404 em seu artigo art. 13. A logística reversa é o instrumento de desenvolvimento
econômico e social caracterizado pelo conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta
e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos
produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.
No art. 33 da lei nº 12.305, as cadeias de produtos com obrigatoriedade de implementar a logística reversa
são: agrotóxicos e seus resíduos e embalagens, pilhas e baterias, pneus, lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio
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e mercúrio e luz mista, produtos eletroeletrônicos e seus componentes e óleos lubrificantes seus resíduos e
embalagens.
O crescimento da população gera um excedente de subprodutos de suas atividades que supera a capacidade
de adaptação do meio ambiente, o que pode representar uma real ameaça à biosfera. O potencial de
reaproveitamento que os resíduos representam, somado a um fator de interesse mundial que é a preservação
ambiental e promoção do desenvolvimento ecologicamente sustentável, impulsiona a necessidade de reverter
essa situação. (ANDRADE, 2002).
Segundo a Ecobras (2012) resíduo eletrônico ou mais conhecido como lixo eletrônico, é o nome dado aos
resíduos resultantes da rápida obsolescência de equipamentos eletrônicos (inclui computadores, celulares e
baterias Recarregáveis). Ainda, o lixo eletrônico é um dos grandes problemas da atualidade. Por ano, são
produzidos até 50 milhões de toneladas desse tipo de dejeto no mundo inteiro. A questão principal não é a só a
ocupação física, o grande perigo é que a maior parte dos aparelhos eletrônicos usa em sua fabricação metais
tóxicos, como mercúrio, chumbo, arsênio, zinco, manganês, cloreto de amônia, cádmio e cloreto de polivinila
(pvc).
Atualmente o Brasil é o país emergente maior produtor per capita por ano de lixo eletrônico, em torno de 0.5
Kg, segundo dados da ONU (2009). O Brasil também foi cotado nesse estudo como campeão na ausência de
dados e estudos sobre a situação da produção, reaproveitamento e reciclagem de eletrônicos, assim como: China,
Índia, Argentina, Chile, Colômbia, Marrocos, África do Sul.
3 METODOLOGIA
A pesquisa bibliográfica é a atividade inicial de uma pesquisa, onde através da localização e da consulta de
fontes diversas objetiva a coletar dados gerais ou específicos a respeito de um tema.
Segundo Lakatos e Marconi (1995) a pesquisa bibliográfica trata-se do levantamento, seleção e
documentação de toda bibliografia já publicada sobre o assunto que está sendo pesquisado em livros,
enciclopédias, revistas, jornais, folhetos, boletins, monografias, teses, dissertações e material cartográfico.
Para essa pesquisa foram utilizados documentos como livros, revistas, artigos científicos, monografias,
pesquisa na internet e estudos de caso, que deram embasamento teórico a respeito do assunto a ser pesquisado.
Após está fase do embasamento teórico, delimitou-se o objeto de estudo, neste caso a empresa GRD (Gestão
de Resíduos Tecnológicos Ltda.), com sede na cidade São Luis do Maranhão, localizada na Estrada de Ribamar
nº 176, Forquilha, atuando na compra de sucata de materiais de informática, eletroeletrônicos, sobras industriais
e sucatas diversas. A empresa possui licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (IBAMA), e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMAM).
Na fase de coleta de dados foram feitas visitas técnicas na GRD, onde foram coletados dados quantitativos e
qualitativos como: observação, levantamento de dados, entrevista informal, histórico do projeto e registro
fotográfico.
Em seguida iniciou-se a seleção dos dados mais relevantes para o estudo, com foco na logística reversa.
Com a seleção finalizada o próximo passo foi a interpretação dos dados, levando em consideração a quantidade e
qualidade, utilizando de teorias, dados e informações que sejam reconhecidas nesta área do conhecimento.
E na ultima fase desse processo é representada pela elaboração do relatório do projeto, especificando todas
as fases dessa pesquisa como: as teorias, metodologia, a coleta, análise e interpretação dos dados e por fim os
resultados obtidos, e também a relevância deste estudo neste campo da ciência.
4 RESULTADOS
A empresa GRD – Gestão de Resíduos Sólidos Ltda., é uma empresa que surgiu com a ideia de reaproveitar
o lixo eletrônico gerado principalmente pelas empresas. A empresa compra computadores, impressoras,
monitores, eletroeletrônicos, placas de telefonia, placas-mãe, placas de rede, vídeo, som e fax modem, sobras
industriais; sucatas de alumínio, cobre e bronze. Além desses materiais, recolhe celulares, baterias,
estabilizadores e no-breaks. A própria GRD retira no local os materiais, no estado em que estiverem como
sucata, obsolescência, usados e de ponta de estoque. Assim como também, na sua própria sede no bairro da
Forquilha, onde qualquer cidadão pode levar seus resíduos.
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Figura 4 – Fotos da sede da GRD – Gestão de Resíduos Tecnológicos.
Fonte: Própria, 2012
A GRD aliou-se a uma empresa que já tem um trabalho consolidado no recebimento de materiais recicláveis, o
que possibilitou a ampliação de suas operações, passando a coletar materiais recicláveis em uma faculdade
privada e em alguns locais de São Luis, instalando quatro urnas coletoras para recolhimento de aparelhos
celulares, baterias e outros dispositivos eletrônicos, pois não havia um local apropriado para este fim nem
mesmo uma campanha que incentivasse o descarte de tais aparelhos. Uma vez recolhidos, os celulares e as
baterias são colocados em sacos para que sejam transportadas até as empresas de reciclagem.
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Figura 5 – Urna Coletora de Resíduos.
Fonte: Própria, 2012
Figura 6 – Fotos com celulares e baterias recolhidas das urnas coletoras.
Fonte: Própria, 2012
Os resíduos eletrônicos após serem coletados, são transportados para a sede da GRD, onde é feita a
separação do material com foco principal em computadores, na qual são desmontados e separados todos os seus
componentes como: placa-mãe, hd, placas de vídeo, placas de som, processador, fonte e memórias. Um dos
principais resíduos gerados são as placas-mãe, onde as mesmas são embaladas em sacos, totalizando 25 kg em
cada fardo.
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Figura 7 – Fotos do processo de separação da placa-mãe, pesagem e embalagem em sacos com peso de 25 kg.
Fonte: Própria, 2012
A empresa já opera há dois anos no mercado. No inicio, os gestores não tinham uma sede própria, e percorriam
os locais recolhendo os resíduos, em empresas e residências. A partir de fevereiro desde ano, constitui a sua sede
própria, tendo uma estrutura física, na qual foi possível quantificar todo o material recolhido ao longo de um
mês, e desde fevereiro de 2012 até setembro deste ano já totalizou 12.100 kg de resíduos coletados, conforme
pode ser visualizado no gráfico abaixo:
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Figura 8 – Gráfico da quantidade de materiais recolhidos mensalmente no período de fevereiro à setembro de
2012.
Fonte: GRD, 2012
Todo esse material, proveniente principalmente de computadores, são transportado para uma empresa no
Estado de São Paulo que compra estes resíduos. Os produtos eletrônicos passam por um processo de triagem, no
qual são classificados, acondicionados, desmontados e/ou descaracterizados, separados, triturados, compactados,
ensacados e exportados para países, onde empresas parceiras com know-how tecnológico e que igualmente
possuam responsabilidade socioambiental, reciclam esses materiais para reintegrá-los ao processo produtivo, na
forma de matéria-prima, sem prejuízos ao homem e ao meio ambiente.
5 ANÁLISE E DISCUSSÃO
Um sistema de Logística Reversa trás vários benefícios, na qual podemos destacar alguns: diminuição da
quantidade de resíduos encaminhados para aterros, estimular o uso eficiente dos recursos naturais, reduzir as
obrigações físicas e financeiras dos municípios para com a gestão de determinados resíduos, desenvolver os
processos de reutilização, reciclagem e recuperação de produtos e materiais, promover processos de produção
mais limpa, incrementar a conscientização da sociedade, maximizar oportunidade de negócios e os resultados, e
melhoria das condições ambientais através de uma gestão mais eficiente dos resíduos.
Para a correta gestão dos resíduos eletroeletrônicos, há necessidade de esforços conjuntos da sociedade,
empresas e Governos, através de campanhas de conscientização e de uma educação ambiental efetiva,
legislações que atribuam responsabilidades aos fabricantes, comerciantes e também aos consumidores, assim
como na instalação e divulgação de pontos de coleta de fácil acesso com condições logísticas e incentivos fiscais
para as práticas de reciclagem, reuso, reutilização, tratamento e destinação correta desses resíduos.
Esta pesquisa teve como principal função de analisar como os resíduos eletrônicos estavam sendo
descartados na cidade de São Luis do Maranhão, e neste segmento confirmou-se que em toda a cidade,
apenasuma única empresa recolhe esse tipo de material, a GRD – Gestão de Recursos Tecnológicos Ltda.,
comprando e recolhendo produtos desta natureza, objetivando seu destino ambientalmente correto, como a
reciclagem.
A GRD neste contexto cumpre sua responsabilidade ambiental, partindo da idéia do mentor deste projeto
que resolveu unir seu conhecimento no ramo de equipamentos usados e obsoletos, aliada a sua experiência
comercial, para criar este empreendimento, que além de fomentar a indústria de reciclagem, gera empregos e
contribui com a inclusão digital e a preservação do meio ambiente.
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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sociedade, as empresas e organizações cada vez mais estão se preocupando com o meio ambiente, seja por
respeito à natureza, geração de uma vantagem competitiva ou para criar uma boa imagem da empresa, e a
logística reversa tornou-se um agente de extrema importância neste processo, haja vista até pela própria
legislação da obrigatoriedade da implantação dessa gestão em algumas cadeias de produtos.
A grande mensagem de trabalhos desta área do conhecimento é de investigar ações preocupadas com a
natureza, que aliada à logística reversa, visa adotar sistemas integrados para que possam dar um destino seguro
aos resíduos gerados diariamente pelo ser humano, sobretudo com a implantação da Política Nacional dos
Resíduos Sólidos, e cabe também a sociedade participar deste processo, com ações simples, como a coleta
seletiva seja na suas residências ou no âmbito da empresa em que trabalha, criando uma consciência ecológica,
não só nos tempos atuais, mas como uma herança para as gerações futuras.
REFERÊNCIAS
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como Resíduos Sólidos. Tese de Mestrado. Campinas: Faculdade de Engenharia Mecânica. Universidade
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ABORDAGEM MECANICISTA X ABORDAGEM
COMPORTAMENTAL: A INFLUÊNCIA NAS ORGANIZAÇÕES
MODERNAS
Recebido em 03/06/2013
Aprovado em 15/07/2013
Andrea Mendonça da Silva, [email protected]
1. Faculdade Atenas Maranhense, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT: This study aims to analyze the behavioral and mechanistic approach in the context of modern
organizations with the purpose of highlighting the interactivity of them to offer conditions managers to the
achievement of organizational objectives. Initially, talks about the mechanistic approach and work on the
behavioral, highlighting the influence of them in modern organizations. To this end, the methodology of
literature review so support this discussion. It makes searching in books and scientific articles available in
electronic media. Highlights that there is the influence of the approaches in the Organization context. However,
there is no ready-made recipes to steer an organization and the elements that are part of it. You need to know
the environment in which we are inserted in order to make decisions in a way that does not compromise future
generations. Any decision can give certain can work or not just the knowledge of transforming it in satisfactory
results. In addition there is an exchange between individuals and organization and it is up to the Manager to
take advantage of that relationship.
KEYWORDS: Behavioral Approach. Mechanistic Approach. Manager. Modern Organizations.
RESUMO: O presente estudo pretende analisar a abordagem mecanicista e a comportamental no contexto das
organizações modernas com a finalidade de evidenciar a interatividade delas para oferecer aos gestores
condições propícias para o alcance dos objetivos organizacionais. Inicialmente, discorre-se sobre a abordagem
mecanicista do trabalho e sobre a comportamental, destacando a influência delas nas organizações modernas.
Para tanto, usa-se a metodologia da revisão bibliográfica de modo fundamentar a presente discussão. Faz-se
pesquisa em livros e artigos científicos disponíveis em meio eletrônico. Destaca-se que existe a influência das
abordagens no contexto organização. Contudo, não há receitas prontas para dirigir uma organização e os
elementos que fazem parte dela. É preciso conhecer bastante o meio em que se está inserido para poder tomar
decisões de modo a não comprometer as gerações futuras. Qualquer decisão pode dá certa pode funcionar ou
não basta para isso o conhecimento de transformá-la em resultados satisfatórios. Além do que sempre existe um
intercâmbio entre indivíduos e organização e cabe ao gestor tirar proveito desse relacionamento.
PALAVRAS-CHAVE: Abordagem Comportamental. Abordagem Mecanicista. Gestor. Organizações
Modernas.
1 INTRODUÇÃO
A sociedade moderna está passando por um processo constante de modificações relacionadas a exigências
do mercado por profissionais multifuncionais. Ao mesmo tempo em que se buscam profissionais com
qualificação e competência, exigem-se condições adequadas de trabalho.
No período da Revolução Industrial, o homem era visto como uma máquina no qual produzia sem limites.
Ele não tinha sentimentos e não precisava pensar para produzir. As decisões a serem tomadas na empresa eram
de responsabilidade do administrador da empresa e a ele cabia apenas o trabalho braçal.
Nesse contexto de produção e decisões, estudos como de Taylor e Fayol ganham destaque por defenderem
ideias como técnicas de organização, de gestão do trabalho e da produção. Fayol contribuiu com sua teoria da
administração na qual englobava as atividades de planejamento, organização, comando, coordenação e controle.
Outras teorias foram sendo desenvolvidas ao longo do tempo de modo que as organizações pudessem ter seus
resultados maximizados através de modos corretos de gestão.
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Mas, foram com os estudos de Elton Mayo que uma nova abordagem ganha destaque: a abordagem
comportamental. O foco da gestão passa ser o homem. A experiência de Hawthorne buscava motivar o homem
para atingir as metas organizações. A teoria das Relações Humanas foi o movimento de reação e de oposição a
abordagem mecanicista da administração, defendida por Taylor, Ford e Fayol, preocupando-se com o indivíduo
dentro da empresa.
Nessa nova abordagem, estudos ganham importantes destaques como o da Teoria das Necessidades
Humanas (Maslow), Teoria dos dois fatores (Herzberg), Teoria X e Y (McGregor), Teoria Behaviorista (Herbert
Simon) e outros. Nesses estudos, o homem é essencial a organização e sem ele os resultados não podem ser
maximizados.
Dessa forma, o presente estudo pretende fazer uma análise sobre a abordagem mecanicista e a
comportamental no contexto das organizações modernas de modo a evidenciar que as duas ainda existem nos
dias atuais, mas que interagem conjuntamente para oferecer ao gestor condições propícias para o alcance dos
objetivos organizacionais.
2 ABORDAGEM MECANICISTA DO TRABALHO
Foi na época da Revolução Industrial que ocorreram mudanças significativas no processo de produção e de
organização das empresas. Antes, tinha-se a produção artesanal que não exigia qualificação profissional para
exercer a função. A profissão era passada de pai para filho, sendo os produtos confeccionados a partir de
necessidades pessoais da sociedade.
Godoy (2010, p. 43) entende que a característica básica dos métodos de produção desenvolvidos antes da
Revolução Industrial era a liberdade dada ao trabalhador para decidir como e em que tempo o trabalho seria
realizado. Essa possibilidade ocorria por que:
O conhecimento sobre o modo e o tempo de execução de uma tarefa constituía-se
em patrimônio do operário, assimilado na convivência da oficina com os outros
operários e transmitido pela tradição oral. Daí decorria a falta de uniformidade no
modo de execução das tarefas, já que tais conhecimentos permaneciam basicamente
empíricos, sem passagem por processos sistemáticos de codificação.
Com a existência das máquinas, trazidas pelo processo industrial, a produção e o tipo de administração
desenvolvido na época ficaram incoerentes. A produção de pequena escala era visto como um sistema de
vadiagem ou, ainda, de indolência sistemática (GODOY, 2010). Sousa (2004) entende que as mudanças sociais,
políticas e econômicas trazidas pelo surgimento do capitalismo industrial mudaram completamente o modo de
produção, facilitando a eficiência da produção e a eliminação de desperdícios, garantido, assim, o aumento do
rendimento do trabalho.
Vários estudos foram desenvolvidos nessa época como os de Taylor e Ford. Antunes (2006 apud SILVA;
SACHUK, 2011, p. 26) entende que:
O taylorismo e o fordismo dominaram o sistema produtivo e os processos de
trabalho nas grandes indústrias, ao longo do século XX. Estes eram calcados na
produção em massa, por meio da linha de montagem e fabricação de produtos mais
homogêneos; por intermédio do controle dos tempos e movimentos, pelo
cronômetro e produção em série; pelo trabalho parcelar e pela fragmentação das
funções; pela existência de unidades fabris concentradas e verticalizadas e pela
constituição/consolidação do operário-massa, do trabalhador coletivo fabril, entre
outras dimensões.
A Teoria da Administração Cientifica de Frederick Taylor está fundamentada na estrutura formal e nos
processos organizacionais. As pessoas eram instrumentos de produção devendo alcançar a eficiência máxima. A
produtividade do trabalhador deveria ser desenvolvida por meio de uma análise científica e sistemática do seu
trabalho com o objetivo de atingir a melhor maneira de realizar a tarefa, assegurando lucros para o empregador e
prosperidade para o empregado.
O conceito de homoeconomicus (homem econômico) foi desenvolvido nessa teoria onde determinava que as
pessoas fossem influenciadas exclusivamente por recompensas salariais, econômicas e materiais. O homem
trabalhava não porque gostava, mas por ser um meio de ganhar a vida. Além disso, tinha o receio de passar fome
e de não ter dinheiro para sobreviver.
É importante destacar que os estudos de Taylor foram desenvolvidos em “princípios práticos baseados na
separação entre trabalho mental e físico e na fragmentação das tarefas. Estes princípios são aplicados até hoje
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tanto nas fábricas como nos escritórios” (WOOD JÚNIOR, 1992, p. 03).
Seguindo os estudos de Taylor, a Teoria Clássica de Henri Fayol toma espaço na administração das
empresas por admitir uma organização com estruturas anatômicas e estruturais. Fayol acreditava que a boa
prática da administração segue certos padrões que podem ser identificados e analisados. Foram desenvolvidos 14
(catorze) princípios gerais de administração que deviam reger o trabalho do administrador.
A Teoria Clássica tinha como ideia “padronizar e proporcionar regras genéricas de aplicação, como uma
espécie de modelo para lidar com todos os assuntos administrativos”.(CHIAVENATO, 1999, p. 41). Fayol
enfocava a administração geral e não as funções específicas de uma organização. A administração geral deveria
ser guiada pelos seus objetivos. Godoy (2010, p. 46) entende que as ideias de Fayol complementavam as de
Taylor. Havia apenas a diferença, por parte de Fayol, de que os problemas relativos a organização estava
relacionados ao processo de trabalho especificamente.
Fayol estava preocupado em formular precisamente as regras básicas e os
procedimentos fundamentais de uma “doutrina da administração”. Administrar para
ele constituía a capacidade essencial dos “agentes superiores” de uma empresa, os
“grandes chefes”. “Em toda classe de empresas a capacidade principal dos agentes
inferiores é a capacidade profissional característica da empresa, e a capacidade
principal dos grandes chefes é a capacidade administrativa”.
Segundo Souza e Aguiar (2011, p. 206), Henry Fayol foi “vítima da cronologia e da história. Tendo
apresentado suas ideias na mesma época que o norte-americano Frederick W. Taylor, os ambientes econômicos e
políticos da primeira metade do século XX contribuíram para que o norte-americano o ofuscasse”.
A Teoria da Burocracia, idealizada por Max Weber, complementou o enfoque mecanicista das organizações,
pois defendia a eficiência máxima através da padronização do desempenho humano ao ponto de ser possível a
previsibilidade do comportamento dos funcionários. O modelo desenvolvia a ideia de uma organização humana
baseada na racionalidade, no qual se alcançava a eficiência por meio da utilização racional dos recursos.
O modelo burocrático de Weber contempla tanto a diferenciação (pela divisão do
trabalho e especialização das tarefas) como a integração (pela hierarquia de
autoridade e regras e regulamentos escritos) necessários para realizar um trabalho
específico. Weber acreditava que qualquer organização com características
burocráticas seria eficiente. Também observava, contudo, que o trabalho numa
burocracia poderia tornar-se tão simples e pouco exigente que poderia gerar uma
crescente insatisfação nos funcionários e, consequentemente, tornar-se-ia menos
produtivo. (WAGNER III, HOLLENBECK, 2002, p.13)
As teorias contempladas nessa abordagem ignoraram ostensivamente a dimensão humana das organizações.
Destaca-se que cada pessoa, independente de funcionário da alta direção quanto do chão de fábrica, nunca deixa
de se comportar como um indivíduo, tendo a motivação como parâmetro de desempenho. Dentro dessa
insatisfação do homem como máquina foi que novas abordagens foram desenvolvidas no contexto
organizacional.
3 ABORDAGEM COMPORTAMENTAL
A abordagem comportamental surgiu dentro do contexto da Teoria das Relações de Elton Mayo. Com a
experiência de Hawthorne, novas idéias foram inseridas no estudo da administração focalizando a motivação dos
indivíduos para atingir metas organizacionais. Assim, a Teoria das Relações Humanas foi o movimento de
reação e de oposição à Teoria Clássica da administração, tendo forte preocupação com os indivíduos dentro da
organização.
A teoria comportamental da Administração, também conhecida como Teoria Behavorista, trouxe um novo
direcionamento para as organizações, pois aborda o comportamento na administração e abandona as “posições
prescritivas e normativas das teorias anteriores. A preocupação com a estrutura se deslocou para a preocupação
com o processo e a dinâmica organizacional”. (TEORIA COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO,
200[?], p. 01)
A ênfase da teoria comportamental da administração está nas pessoas. Suas origens estão relacionadas a:
oposição ferrenha da teoria das relações humanas em relação a teoria clássica; desdobramento da teoria das
relações humanas, pois compartilha conceitos fundamentais; incorporação da sociologia da burocracia,
ampliando o campo da teoria administrativa.
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O surgimento desta teoria ocorreu no final da década de 40. Ela busca “uma redefinição total de conceitos
administrativos: ao criticar as teorias anteriores, o behaviorismo na administração não somente re-escalona as
abordagens, mas, principalmente, amplia o seu conteúdo e diversifica a sua natureza” (TEORIA
COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO, 200[?], p. 2)
O comportamento individual das pessoas explica o comportamento organizacional. Dessa forma, torna-se
necessário o estudo da motivação humana.
3.1 Teoria da Motivação Humana
Segundo Robbins (2002, p.151), a motivação humana pode ser tida “como o processo responsável pela
intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de uma determinada meta”. Nesse
sentido as teorias da motivação buscam explicar o comportamento das pessoas, numa visão mais ampla, baseada
em dinheiro e recompensas salariais e materiais do trabalho e recompensas sociais, simbólicas e não materiais.
As pessoas comportam-se de diversas maneiras ou por uma necessidade ou para preencher uma expectativa.
Essas podem ser diversas e se caracterizam de vários modos, desde divisões simples em motivos psicológicos e
motivos sociais ou em motivação intrínseca e extrínseca.
A motivação intrínseca está relacionada a recompensas psicológicas, tais como a
oportunidade de usar a habilidade de alguém, um sentido de desafio e realização,
recebimento de um reconhecimento positivo ou apreciação, ser tratado de maneira
considerável.
As recompensas psicológicas são geralmente determinadas pelas ações e
comportamentos individuais dos gerentes.
A motivação extrínseca está relacionada a recompensas tangíveis ou materiais, tais
como: salários, benefícios adicionais, seguros de vida, promoções, contratos de
trabalho, ambiente e condições de trabalho. (SILVA, 2004, p.222)
Nesse ambiente de considerações a cerca da motivação, surge o ciclo motivacional, que Silva (2004, p.223)
define como sendo “uma sequência de eventos que inicia com as necessidades insatisfeitas, e termina depois que
o indivíduo analisa as consequências da tentativa de satisfazer aquelas necessidades”.
Pode-se assim dizer que o homem fica em estado de equilíbrio psicológico até surgir um estímulo para
romper e criar uma necessidade. Essa provoca um estado de tensão em substituição ao estado de equilíbrio
anterior. Aqui, tem-se um comportamento ou ação que leva a alguma forma de satisfação da necessidade. Se for
satisfeita, o estado de equilíbrio inicial volta, até que outro estímulo possa advir. Toda satisfação é uma liberação
de tensão ou descarga tensional, que permite o retorno ao equilíbrio anterior.
3.1.1 Teoria das Necessidades Humanas
A teoria das necessidades humanas de Maslow explica como ocorre a motivação no homem. As
necessidades podem adquirir formas e expressões variadas dependendo da pessoa. Existe uma hierarquia de
necessidades que são colocadas de acordo com a capacidade de motivar o comportamento. “Sua intensidade ou
manifestação também é extremamente variada, obedecendo às diferenças individuais entre as pessoas.”
(TEORIA COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO, 200[?], p. 4)
No primeiro plano, têm-se as necessidades primárias ou fisiológicas que são consideradas básicas. Enquanto
não forem satisfeitas, permanecem na consciência da pessoa, tendo exclusividade no poder de motivação. Podem
ser fome, sede, abrigo, sexo e outras necessidades fisiológicas.
Destaca-se que as primeiras necessidades (fisiológicas e segurança) estão atreladas a qualquer pessoa, pois
fazem parte da sobrevivência do indivíduo; as demais estão relacionadas ao comportamento do indivíduo, são
capazes de motivar, dar direção e conteúdo.
Uma vez satisfeitas, elas perdem seu lugar de motivação, cedendo espaço as necessidades de segurança.
Hampton (1992, p.53) afirma que nesse ângulo são incluídas “a necessidade de ser protegido contra ameaças e
perigos de muitas espécies.”Incluem necessidades de proteção contra doenças, incertezas, desemprego, roubo,
etc. Também relaciona segurança e proteção contra danos físicos e emocionais. Silva (2004) destaca que essas
necessidades controlam as pessoas no que tange a relação de dependência com a empresa ou com outras pessoas,
podendo tornar-se poderosos ativadores motivacionais, dependendo do modo como serão usadas.
As necessidades sociais estão relacionadas à participação em grupos, aceitação por parte dos companheiros,
amizade, afeto, amor, etc. Quando as pessoas se frustram com o afeto e o amor, elas se isolam e não se adaptam
socialmente. Mas quando satisfeitas são importantes forças motivadoras do comportamento dos indivíduos.
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Quanto às necessidades de estima, aquelas em que o indivíduo se vê e se analisa. Implicam o desejo de
querer ser respeitado pelo outros e por si próprio. Envolvem autoapropriação, autoconfiança, autor espeito,
aprovação social, status, prestígio e consideração.
As necessidades de auto realização são as mais elevadas. Não se extingue, aparentemente, pela saciação
plena. Quanto maior for a satisfação que uma pessoa experimente, tanto maior e mais importante parecerá a
necessidade. Segundo Robbins (2002, p.152) é a “intenção de tornar-se tudo aquilo que a pessoa é capaz de ser,
inclui crescimento, autodesenvolvimento e alcance do próprio potencial”.
Para Maslow, as pessoas são motivadas a satisfazer às necessidades mais básicas antes que tentem satisfazer
às mais elevadas. À medida que é satisfeita uma necessidade extingue-se a motivação. “Assim, para motivar
alguém, de acordo com a teoria de Maslow, é preciso saber em que nível de hierarquia a pessoa se encontra no
momento, e focar a satisfação neste nível ou no imediatamente superior”. (ROBBINS, 2002, p. 152)
3.1.2 Teoria dos Dois Fatores de Herzberg
Essa teoria explica que o comportamento humano no trabalho é orientado por dois grupos de fatores, a saber:
os higiênicos e os motivacionais. Os fatores higiênicos são aqueles que não fazem parte intrinsecamente de um
trabalho, mas estão relacionados às condições sob as quais o trabalho é realizado. Pode-se dizer que são fatores
relacionados às condições do ambiente e podem abranger as políticas da empresa, condições de trabalho,
pagamento, supervisão, os colegas e outros. Estes fatores podem transformar as pessoas dependendo de como
são administradas em felizes ou infelizes.
Os fatores motivacionais estão associados aos sentimentos positivos dos trabalhadores sobre o trabalho.
Relacionam-se com o conteúdo do cargo e com a natureza das tarefas que o indivíduo executa. Assim sendo, os
fatores higiênicos estão sob o controle do indivíduo, pois estão relacionados com aquilo que ele faz e
desempenha. Os fatores motivacionais relacionam-se aos sentimentos de crescimento individual do homem, do
reconhecimento profissional e suas necessidades de auto-realização, sendo dependentes das tarefas que o
indivíduo realiza no seu trabalho.
Segundo Herzberg, o efeito dos fatores motivacionais no comportamento das pessoas é muito mais profundo
e estável. Quando eles são ótimos, as pessoas estão satisfeitas. No entanto, quando são precários, podem ebvitam
a satisfação. Diz, ainda, que “os fatores responsáveis pela satisfação profissional das pessoas são totalmente
desligados e distintos dos fatores responsáveis pela insatisfação profissional” (CHIAVENATO, 1999, p. 119).
A teoria dos dois Fatores de Herzberg afirma que:
A satisfação no cargo é função do conteúdo ou das atividades desafiantes e
estimulantes do cargo que a pessoa desempenha: são os fatores motivacionais ou
satisfacientes. A insatisfação no cargo é função do contexto, isto é, do ambiente de
trabalho, do salário, dos benefícios recebidos, da supervisão, dos colegas e do
contexto geral que envolve o cargo ocupado: são os fatores higiênicos ou
insatisfacientes. (CHIAVENATO, 1999, p. 174)
3.1.3
Teoria X, Y e Z de McGregor
McGregor surge no meio administrativo com as teorias X (teoria tradicional, mecanicista e pragmática) e Y
(baseado nas concepções modernas a respeito do comportamento humano). Na teoria X, o homem é motivado
apenas pelo salário. Na “Y”, as pessoas gostam do que fazem e dão o máximo de si para a organização em que
trabalham.
A Teoria X caracteriza-se por ter um estilo tradicional, mecanicista, autocrático onde as pessoas fazem
exatamente aquilo que a organização pretende que elas façam. Seus aspectos mais importantes estão
relacionados:
A responsabilidade pelos recursos da empresa (organização); o processo de dirigir
os esforços das pessoas (controle das ações para modificar o seu comportamento); as
políticas de persuasão, recompensas e punição (suas atividades são dirigidas em
função dos objetivos e necessidades da empresa) e a remuneração como um meio de
recompensa. (TEORIA COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO, 200[?], p.
4)
A Teoria Y se baseia na eliminação de preconceitos sobre a natureza humana, seus principais aspectos estão
relacionados com:
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A questão do homem meio não tem desprazer inerente em trabalhar a aplicação do
esforço físico ou mental, seu trabalho é tão natural quanto jogar e descansar; as
pessoas não são resistentes às necessidades da empresa, têm motivação básica e
padrões de comportamento adequados e capacidades para assumir
responsabilidades; não só aceita responsabilidades, também as procura e, além disso,
possui capacidade de imaginação e de criatividade na solução de problemas, que são
distribuídas entre as pessoas (TEORIA COMPORTAMENTAL DA
ADMINISTRAÇÃO, 200[?], p. 4)
A Teoria Y desenvolve um estilo altamente democrático através do qual administrar é um processo de criar
oportunidades e proporcionar orientação quanto a objetivos. A administração se caracteriza pelos seguintes
aspectos:
É responsabilidade da Administração proporcionar condições para que as pessoas
reconheçam e desenvolvam características como motivação, potencial de
desenvolvimento, responsabilidade.
Criar condições organizacionais e métodos de operações por meio dos quais possam
atingir seus objetivos pessoais e dirigir seus esforços em direção dos objetivos da
empresa. (TEORIA X, Y E Z, 2009, p. 5)
A Teoria X prega um estilo administrativo de fiscalização e controle rígido, o qual limita a capacidade de
participação e desenvolvimento de habilidades das pessoas, somente considera o salário como o único estímulo.
Essas considerações têm apontado que não se utiliza todas as capacidades das pessoas, segundo a teoria Y, a
Administração deve liberar potenciais rumo ao autodesenvolvimento.
McGregor classifica os incentivos ou recompensas em diversas categorias:
•
•
Os incentivos extrínsecos – ligados ao ambiente, ralação comportamento com trabalho.
Os incentivos intrínsecos – inerentes à própria natureza da tarefa – realização do indivíduo no
desempenho de seu trabalho.
A estratégia proposta por McGregor é que a administração deve criar condições tais que os membros da
organização, em todos os níveis, possam melhor alcançar seus próprios objetivos, dirigindo seus esforços para os
objetivos da organização.
McGregor, antes de morrer, estava desenvolvendo a teoria Z que sintetizava as duas teorias X e Y, nos
princípios: “emprego para a vida, preocupação com os empregados, controle informal, decisões tomadas por
consenso, boa transmissão de informações do topo para os níveis mais baixos da hierarquia” (TEORIA X, Y E Z,
2009, p. 6)
A Teoria Z compreende o sucesso da organização ligado a motivação humana e não apenas a tecnologia do
processo produtivo. “As máquinas são ferramentas sofisticadas a serviço do homem precisando sempre de
aperfeiçoamentos do próprio homem” (TEORIA COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO, 200[?], p.
6).
Nessa linha de análise o homem é colocado frente a frente à porta que ele sempre quis abrir e passar de
modo que ele consiga obter resultados satisfatórios para a vida profissional dele. Dessa forma, ele quer
participar, ele é criativo, busca uma qualidade de vida melhor para o seu futuro, está sempre insatisfeito com sua
situação e etc.
Entende-se que esses conceitos foram tirados do dia a dia das organizações orientais e ocidentais, tendo
como resultado “a conquista de estabilidade no emprego, remuneração mais condizente, satisfação de
participação nos problemas e sucesso das organizações” (TEORIA COMPORTAMENTAL DA
ADMINISTRAÇÃO, 200[?], p. 7).
Apesar de ter nascido no oriente, destaca-se que essa teoria já espalhou no mundo sendo as aspirações
humanas iguais independentes da localidade geográfica e cultural.
3.1.4
Teoria Behaviorista
A Abordagem Comportamental, chamada Behaviorista, tem como precursor Herbert Simon. Ela surge como
evolução de um dos segmentos da Escola das Relações Humanas, que recusou a concepção da satisfação do
trabalhador ser gerada de forma intrínseca à eficiência do trabalho. A preocupação essencial nessa teoria era “o
comportamento humano no processo de tomada de decisão e resolução de problemas organizacionais”
(BALESTRIN, 2002, p. 05)
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Kwasnicka (1989, p.87) trata essa teoria como sendo “o estudo e a análise das observações e verificações do
comportamento humano a partir de processos científicos. Caracteriza-se por ser uma ciência indutiva, que
focaliza o indivíduo e utiliza bases teóricas de outras ciências”.
A teoria não se preocupa apenas com as ações das pessoas nas organizações, mas também, em como o
comportamento delas afetam o desempenho das empresas. Enfatiza, então, o trabalho, absenteísmo, rotatividade,
produtividade, desempenho humano e administração através da motivação, liderança, autoridade e processo
decisório.
Dessa forma, pode-se falar em produtividade à medida que uma organização consegue atingir seus objetivos
e, para isso, transformam as entradas em resultados ao menor custo possível. Ela está diretamente relacionada
com a eficiência e eficácia. A primeira reflete a minimização dos custos pela produção enquanto a eficácia
precisa satisfazer todas as suas demandas, que lhe proporcionam os recursos necessários à sua sobrevivência.
O absenteísmo relaciona-se a falta do funcionário ao trabalho o que leva algumas empresas a ter redução dos
seus lucros. Todavia, algumas faltas são benéficas quando estão relacionadas com doença, estafa ou excesso de
tensão, pois reduzem significativamente a produtividade de um funcionário e geram prejuízos, ainda maiores,
para a empresa.
A rotatividade é a permanente saída e entrada de pessoal da organização, seja ela voluntária ou não. Esse
índice elevado resulta em aumento de custos para recrutamento, seleção e treinamento. Além disso, pode gerar
prejuízos para a empresa, na medida em que desenvolve um funcionário e o lança no mercado com
conhecimento maior sobre determinado assunto sendo assim um “inimigo” em potencial para a concorrência.
A satisfação com o trabalho significa na visão de Robbins (2002, p.21) que “os funcionários satisfeitos são
mais produtivos do que os insatisfeitos”.A definição desse elemento envolve valores, importância dos valores e
percepção. O primeiro, na concepção de Wagner III e Hollenbeck (2002, p.121), é o
Que uma pessoa deseja obter consciente ou inconscientemente (...) são exigências
subjetivas, existentes na mente da pessoa. O segundo componente da satisfação do
trabalho é a importância. As pessoas não diferem apenas nos valores que defendem,
mas na importância que atribuem a esses valores (...) e a percepção, situação atual
em relação aos nossos valores.
Esses elementos, dessa forma, podem ser mais bem compreendidos quando se falam da base teórica advinda
desses conhecimentos através da teoria da motivação, liderança, autoridade e processo decisório.
É importante destacar que a “teoria comportamental procura demonstrar a variedade de estilos de
administração que estão a disposição do administrador” (TEORIA COMPORTAMENTAL DA
ADMINISTRAÇÃO, 200[?], p. 5). Pode-se influenciar não apenas as pessoas, mas também o modo como o
trabalho é planejado, organizado e dividido entre os membros da organização.
Dentro desse contexto, Simon desenvolve a teoria de decisão onde cada pessoa “participa racional e
conscientemente, escolhendo e tomando decisões individuais a respeito de alternativas mais ou menos racionais
de comportamento” (TEORIA COMPORTAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO, 200[?], p. 7)
Tomar uma decisão envolve os seguintes elementos: tomar decisões, objetivos, preferências, estratégias,
situação e resultado. Conforme destaca Balestrin (2002, p. 03), o processo de decisão envolve uma “seleção
consciente ou inconsciente de determinadas ações entre aquelas que são fisicamente possíveis para o agente e
para aquelas pessoas sobre as quais ele exerce influência e autoridade”.
Quando se remete aos tomadores de decisão nas organizações, Simon critica fortemente essas pessoas por
considerar que elas têm habilidades limitadas para avaliar todas as alternativas possíveis de uma decisão, além
do que podem não saber lidar com as consequências de uma decisão tomada de forma errada. Simon (apud
BALESTRIN, 2002, p. 04) entende que “uma teoria, para entrar em existência, deve estar firmemente baseada
em conhecimento sobre o processo de tomada de decisão atual e real dos seres humanos”.
Simon ainda discute sobre o aspecto da autoridade acreditando que ela é “uma das várias formas de
influenciar o comportamento dos indivíduos, sendo sua principal característica a persuasão e a concordância do
subordinado”. (BALESTRIN, 2002, p. 05)
4 ABORDAGEM MECANICISTA X ABORDAGEM COMPORTAMENTAL: A INFLUÊNCIA NAS
ORGANIZAÇÕES MODERNAS
Percebe-se que estudar as pessoas dentro do contexto organizacional torna-se complexo pelo fato de
envolver características motivacionais. Após a passagem do taylorismo pelo mundo, as organizações começaram
a observar como aumentar o resultado sem desgastar o homem ou, ainda, como fazer para ele interagir mais de
modo que se tenha sucesso.
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Várias teorias tentam explicar a relação homem x produção, como a de Maslow, McGregor e Simon.
Percebe-se que cada uma delas soma mais conhecimento ao que já existe no meio dos estudos organizacionais. O
homem não pode ser considerado uma máquina, como é visto na Teoria de Taylor. Ele trabalha para atender suas
necessidades básicas (alimentação e segurança) e após estas estarem completas, as demais assumem a prioridade.
É preciso entender que o homem não é preguiçoso e indolente como explícito na Teoria X de McGregor,
mas ele é incentivado justamente pelas suas necessidades. Se ele não observar um sentido para aquele
serviço/trabalho, o mesmo pode ou não produzir ou produzir incompleto. Já a Teoria Y é mais sensata, pois as
pessoas são esforçadas e gostam de trabalhar contrapondo-se com a teoria de Maslow no aspecto que elas podem
até gostar de trabalhar, mas primeiro deve ter suas necessidades satisfeitas e depois, devem ser reconhecidos pelo
ambiente que estão inseridos.
A Teoria Z relaciona o sucesso das empresas à motivação humana e não ao processo tecnológico dos
processos produtivos. Destaca-se que apesar das inovações o homem precisa ainda ser motivado. Mais uma vez a
relação com a Teoria de Maslow.
Simon, com sua teoria de decisão, parte do pressuposto que decidir envolve objetivos, preferências,
estratégias e resultados. A tomada de decisão depende do ambiente que se está localizado e como as pessoas se
envolvem nesse processo (centralizado ou não). Dessa forma, “o administrador, além de tomar suas decisões da
melhor maneira possível, deverá providenciar para que todos na sua organização também as tomem de maneira
efetiva” (BALESTRIN, 2002, p. 03).
No contexto organizacional, as pessoas precisam estar cada vez mais qualificadas para assumir suas
competências e dentro desse contexto faz-se necessário estudar as teorias, pois não se pode mais ver o homem
como uma máquina, mais sim como um elemento que participa da estrutura organizacional dando o máximo de
si para que a empresa alcance resultados satisfatórios.
Segnini (2001, p.20) entende que as habilidades, conhecimentos, visão de mundo
etc. que o trabalhador adquire na sua relação com as instituições e com os outros
homens só se transformam em valor de troca no momento em que o capital
reconhece estas características como relevantes. Neste sentido, “escolaridade e
formação profissional são condições necessárias, mas insuficientes, para o
desenvolvimento social” (Segnini, 2001, p.21) (MOREIRA, 2010, p. 03)
Assim, motivar envolve elementos maiores do que os prevista na hierarquia das necessidades de Maslow.
Depende do homem e do meio o processo de motivação. Ademais, tomar decisões não é tão fácil quando não se
possui qualificação profissional, pois se pode comprometer o futuro financeiro da organização.
Silva e Sadckuh (2010, p. 39) entendem que as organizações atuais devem, para atrair e conservar
profissionais em seu corpo estrutural, oferecer benefícios “já que o tipo de organização em que as pessoas
querem estar é aquela que dá importância ao autodesenvolvimento, à qualidade dos relacionamentos, às
atividades significativas e ao esforço cooperativo”.
Moreira (2010, p. 07) entende que um desses objetivos pode ser a educação continuada e/ou aprendizagem
contínua, pois é através dela que “a organização exercita a sua capacidade em responder ao seu ambiente interno
(objetivos, metas, resultados) e ao mercado (estratégia). Tais organizações, as que abraçam esses ideais, podem
ser entendidas como Organizações de Aprendizagem”.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É importante destacar que todos os estudos feitos até agora sobre organizações e o homem no meio de
trabalho não são afirmações certas. Tanto que De Masi (2001 apud SILVA; SACHUK, 2011, p. 43) destaca que:
O homem não é uma máquina predisposta pela natureza para ser veloz, repetitiva e
precisa (apesar de se tornar). E, mesmo assim, o próprio homem, em função das
exigências de velocidade, repetitividade e precisão, criou aparelhos de alcance, mais
eficazes do que ele mesmo, e submetendo-se a esses aparelhos deixou de lado a
criatividade, a ideia vaga, o imprevisto, a mudança, o riso, o pranto e tudo mais que
o torna humano.
Vê-se com frequência que o objetivo proposto da relação homem x produção e alcançar resultados para a
empresa e, quando se fala da relação homem x empresa, tende-se a buscar a satisfação do trabalho e o
reconhecimento do serviço prestado. Assim, a relação homem x produção e homem x empresa é conflituosa e
envolve necessidades, desejos e resultados. Para gerir, torna-se necessário estar preparado para direcionar as
ações organizacionais e os conflitos existentes no homem.
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Entende-se que o homem está no mercado de trabalho simplesmente para não se excluir da sociedade e, por
isso, está sujeito a erros e acertos. Como menciona Betiol (2005 apud SILVA; SACHUK, 2011, p. 43), “o
trabalho é, para a maioria das pessoas, a forma obrigatória de atividade para ter acesso aos recursos materiais e
imateriais para viver na nossa sociedade”.
Dessa forma, não há receitas prontas para dirigir uma organização e os elementos que fazem parte dela. É
preciso conhecer bastante o meio em que se está inserido para poder tomar decisões de modo a não comprometer
as gerações futuras. Qualquer decisão pode dá certa pode funcionar ou não basta para isso o conhecimento de
transformá-la em resultados satisfatórios. Além do que sempre existe um intercâmbio entre indivíduos e
organização e cabe ao gestor tirar proveito desse relacionamento.
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MENSURAÇÃO DO CAPITAL INTELECTUAL POR MEIO DO NÍVEL
DE APRENDIZAGEM DO CAPITAL RELACIONAL DE UMA IES EM
SÃO LUÍS-MA
Recebido em 07/07/2013
Aprovado em 28/07/2013
Renailson Pinheiro Silva, [email protected]
1. Faculdade Atenas Maranhense, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT: This research aims tocontributesignificantly tothe expansion of knowledgeof Intellectual
Capitalevidenced by themeasurementand value creationarisingfrom thelevel oflearningRelationalCapitalexclusivelystudents ofAccounting SciencesIEScomposing theuniverseandsample.It will also bea way to
increasethe competitive advantageover the competitionoveralland still bean instrument ofdecision making. It is
worth mentioningherethat theintellectual capitalisdefined as the knowledgeproduced andshared
byeachindividual withinand outside the organizationthat creates valueand thereforewealthtoorganizations
nowadays, so it isa strategic assetof relevancein the business scenariocurrent. The results achievedhave
reinforcedthe importance ofdisclosure, measurementanddisclosureof thisstrategic asset-theintellectual capitalmaking itindispensable forthe success of organizationsin the Knowledge Age, where themost valuable
assetbecome theStrategic Knowledge©Extraordinary, namely,one that producesvalue and wealthand no one
canimitateorovercomeeasily.
KEYWORDS: Knowledge Age, Intellectual Capital, Knowledge.
RESUMO: A presente pesquisa objetiva contribuir de forma relevante para a ampliação do conhecimento do
Capital Intelectual evidenciado pela mensuração e geração de valor advindo do nível de aprendizagem do
Capital Relacional – exclusivamente alunos do curso de Ciências Contábeis da IES que compôs o universo e
amostra deste estudo. Será também uma forma de aumentar a vantagem competitiva frente à concorrência
global e ainda ser um instrumento de tomada de decisões. Cabe mencionar que o Capital Intelectual aqui será
concebido como o conhecimento produzido e compartilhado por cada indivíduo dentro e fora da organização
que gera valor e, consequentemente riqueza às organizações na atualidade, logo, trata-se de um ativo
estratégico de relevância no cenário de negócios atual. Os resultados alcançados vieram reforçar a importância
da evidenciação, da mensuração e da divulgação desse ativo estratégico – o Capital Intelectual - tornando-o
indispensável para sucesso das organizações na Era do Conhecimento, onde o ativo mais valioso passar a ser o
Conhecimento Estratégico Extraordinário©, a saber, aquele que produz valor e riqueza e ninguém consegue
imitar ou suplantar facilmente.
PALAVRAS-CHAVE: Era do Conhecimento; Capital Intelectual; Conhecimento.
1 INTRODUÇÃO
Nunca anteriormente, a ciência deu tanta importância ao Capital Intelectual – conhecimento produzido e
compartilhado por cada indivíduo dentro de uma organização com o objetivo de gerar vantagem competitiva –
como na atualidade, a saber, na Era do Conhecimento.
Tal importância é uma necessidade estratégica oriunda de eventos como: a globalização da economia; o
desenvolvimento das Tecnologias da Informação – TI’s; a competição global, além de outros.
Considerando esse contexto, optou-se por contribuir com esta pesquisa para que se desperte no ambiente
acadêmico e de pesquisa em Gestão do Conhecimento e em Contabilidade, o desejo de um estudo mais aguçado
e profundo acerca do Capital Intelectual e de sua mensuração, com o objetivo de fazê-lo num futuro bem
próximo o objeto de estudo do novo ramo estratégico da Contabilidade, denominado aqui de – Contabilidade
Intelectual©.1
1©
©
2010. PINHEIRO, Renailson. Contabilidade Intelectual é o novo ramo estratégico da Contabilidade que tem
como objeto de estudo o Capital Intelectual, visando garantir às empresas da Era do Conhecimento informações
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Tendo em vista que a Contabilidade é a ciência que estuda o patrimônio das organizações, definição esta que
se apega com bastante força à mensuração dos Ativos Tangíveis, vê-se nessa ciência a oportunidade potencial de
ela abarcar o Capital Intelectual em sua plenitude, com o intuito de reconhecê-lo, proceder ao seu registro, à sua
mensuração, à sua avaliação e posteriormente divulgá-lo como integrante das Demonstrações Contábeis, ainda
que seja necessária a formulação de normas contábeis que contemplem essa necessidade e de demonstrações
contábeis exclusivas para tal fim, mais tal anseio será tratado em outro estudo.
O estágio atual em que se encontra o conhecimento acerca do Capital Intelectual permite inferir, que ele é
hoje o ativo mais valioso do ponto de vista estratégico e da geração de valor e riqueza para as organizações na
Economia do Conhecimento, pois trata-se da essência, do cerne que faz as organizações funcionarem e
continuarem vivas diante da concorrência global.
Este estudo obedece ao seguinte escopo: primeiro sustenta-se teórica e cientificamente o arcabouço
conceitual do estudo e a mensuração do Capital Intelectual e ainda conjectura-se sobre os conceitos teóricos e
empíricos dos principais precursores do Capital Intelectual e dos modelos de mensuração mais difundidos e que
apresentam com mais coerência o possível “valor” do Capital Intelectual das organizações do conhecimento.
Discorre-se no capítulo terceiro acerca da metodologia adotada, bem como as especificações do instrumento
de coleta de dados e das técnicas de análise tanto qualitativa, quanto descritiva, que permitiram a inferência
empírica e científica dos resultados deste estudo.
E por fim, conclui-se com os resultados obtidos, juntamente com as considerações, análises e
recomendações a que se chegou por meio desta relevante e inédita pesquisa.
2 SUSTENTAÇÃO TEÓRICA
Nesta seção apresenta-se a sustentação teórica desta pesquisa, baseando-se nos principais teóricos e autores
do assunto e tema em questão, mantendo-se sempre coerência na relação Conhecimento/Capital
Intelectual/Mensuração, de forma a atender aos objetivos ora formulados para a presente pesquisa.
Definir ou conceituar o Conhecimento é uma das tarefas mais árduas do ser humano, principalmente porque
ele é mais dinâmico e mutável do que pode-se controlar ou mensurar. No entanto, não se pode deixar de salientar
as principais teorias e conceitos que construíram e continuam a formar o que se concebe hoje como
conhecimento.
Por Conhecimento entende-se segundo Carvalho (2012) que é a informação devidamente organizada que
sustenta a tomada de decisões. Nesse conceito nota-se a ligação estratégica entre o conhecimento e o ambiente
de negócios e a competição global que as organizações e as pessoas enfrentam hoje.
Conforme explicita também (ANGELONI, 2008, p. 2 apud MORIN, 1999): Conhecimento não é sinônimo
de acúmulo de informações, mas sim de um agrupamento articulado delas por meio da legitimação empírica,
cognitiva e emocional. Observa-se aqui que o conhecimento como ele o é, deve efetivar a sua função tanto por
meio da experiência quanto por outros aspectos ligados a fatores intrínsecos aos indivíduos.
Compactuando com (ANTUNES, 2007, p. 29 apud CRAWFORD, 1994, p.21) vê-se que o conhecimento é
capacidade de aplicar informação a um trabalho ou a um resultado específico. Logo, sobre este ponto de vista
infere-se o quão importante é despertar nos indivíduos – os educandos – a importância de saber o que fazer com
o que conhecimento compartilhado e criado com e por eles. Portanto, tem-se implicitamente a esse conceito a
figura da aprendizagem.
A Aprendizagem assim como o Conhecimento são elementos difíceis ou como alguns acreditam impossíveis
de serem definidos e mensurados, mas nem de longe se construiu esse estudo no cenário da impossibilidade, por
entender-se que a capacidade intelectual humana é ilimitada e este é a matéria prima daqueles.
Segundo afirma (FLEURY; OLIVEIRA JUNIOR, 2001. p.15): Todo conhecimento é fruto da
aprendizagem. Então cooperando conceitualmente com esses autores vislumbra-se que não existe conhecimento
sem aprendizagem.
Ainda segundo Senge (2009, p. 53): O Aprendizado mais poderoso vem da experiência direta. Por
experiência direta depreende-se que o indivíduo participa do processo de criação e aplicabilidade do
conhecimento, transformando esse, em valor estratégico tangibilizado por meio da criação de soluções em
produtos e serviços.
Para construir o conhecimento e consequentemente o Capital Intelectual (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p.
10) expressam que: para criar conhecimento, o aprendizado que vem dos outros e as habilidades compartilhadas
com os outros precisam ser internalizados – isto é, modificados, enriquecidos e traduzidos de modo a se
ajustarem à identidade e auto-imagem da empresa.
estratégicas que geram valor e vantagem competitiva, construindo um presente viável e um futuro sustentável
economicamente por meio do Conhecimento.
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É nesse cenário que se decidiu medir o ‘valor’ do Capital Intelectual por meio do nível de aprendizagem do
Capital Relacional da IES objeto desta pesquisa conforme será tratado no decorrer deste ensaio científico. Nas
próximas seções serão abordados com mais especificidade os conceitos pertinentes ao Capital Intelectual bem
como do estado da arte dos principais modelos de mensuração desse ativo intangível.
2. 1 A origem do Conhecimento e do Capital Intelectual
Uma das maiores inquietações do homem e da ciência moderna foi definir o conhecimento com exatidão, no
entanto, conceituá-lo como ele deve ser, paira na experiência e conforme explicita Nonaka e Takeuchi (p. 24,
1997): O conhecimento é a crença verdadeira justificada. E ainda salientando o que afirma (FLEURY;
OLIVEIRA JUNIOR, p. 15, 2001): [...] Todo conhecimento é fruto da aprendizagem. Foram baseados nesses
pressupostos que se decidiu mensurar o quanto de ‘valor’ a aprendizagem do Capital Relacional –
exclusivamente os alunos da amostra em tela – cria e agrega de valor à IES objeto desta pesquisa.
A preocupação com o estudo do Conhecimento enquanto diferencial que agrega valor para as organizações
começou em 1967 com a publicação do livro: The Human Organization: Its Management and Value de Likert
(SULLIVAN, 2000 apud PACHECO, 2005, p. 153).
A seguir apresenta-se o conceito de Capital Intelectual, bem como sua composição do ponto de vista teórico
e prático a fim de esclarecer a importância do tema.
O termo Capital Intelectual foi consolidado no ano de 1990 por Thomas A. Stewart, seu precursor e teórico,
sendo até hoje um dos experts mais renomados no assunto (OLIVEIRA, E. C. M. de. et al, 2008).
Capital Intelectual é a soma do conhecimento de todos em uma empresa, o que proporciona vantagem
competitiva. O Capital Intelectual constitui a matéria intelectual – conhecimento, informação, propriedade
intelectual, experiência – que pode ser utilizada para gerar riqueza. É a capacidade mental coletiva, assegura o
mesmo autor. Ainda como complemento ao Capital Intelectual Stewart (1998, p.61) afirma o seguinte:
A inteligência torna-se um ativo quando se cria uma ordem útil a partir da
capacidade intelectual geral, ou seja, quando assume uma forma coerente (uma mala
direta, um banco de dados, uma agenda para uma reunião, a descrição de um
processo); quando pode ser aplicada a algo que não poderia ser realizado se
continuasse fragmentado como moedas em um bueiro. O Capital Intelectual é o
conhecimento útil em nova embalagem.
Diante dessas definições fica evidente que o Capital Intelectual constitui-se num Ativo Intangível, e,
portanto, merece ser tratado de forma diferenciada tanto pelas organizações quanto principalmente pela
Contabilidade, no que diz respeito à sua mensuração e divulgação. Vale ressaltar que a Contabilidade já faz o
registro de uma parte do Ativo Intangível que compõe o Capital Intelectual como em relação aos direitos de
propriedade intelectual – marcas, patentes e outros.
2.2.1 Composição do Capital Intelectual
De acordo com Stewart (1998) o Capital Intelectual é a composição formada pelo: Capital Humano, Capital
Estrutural e Capital de Cliente, os quais serão definidos a seguir.
Para Stewart (1998) o Capital Humano é capacidade necessária para que os indivíduos ofereçam soluções
aos clientes. É também a fonte de inovação e renovação.
Capital Humano é a soma de diversas peculiaridades como: conhecimento, habilidades individuais, valores,
cultura, filosofia da empresa, ou seja, a somatória dos diversos ativos intangíveis (OLIVEIRA, E. C. M. de. et al,
2008).
Pode-se inferir também que o Capital Humano é o integrante mais significativo dentro da formação de
Capital Intelectual, pois os outros dois tipos conforme se verá adiante, são resultado dele.
Para Stewart (1998) o Capital Estrutural consiste em todo conhecimento contido e retido de propriedade da
empresa. O Capital Estrutural inclui os conceitos organizacionais e de documentação, a qualidade dos seus
sistemas informatizados de informação, o relacionamento com os clientes e a imagem da entidade perante o
público (OLIVEIRA, E. C. M. de. et al, 2008). Outro ensinamento desses autores afirma que o Capital Estrutural
é aquele que serve de suporte para o Capital Humano, permitindo um uso repetitivo para a criação de valor.
O último tipo de Capital Intelectual a ser estudado é o Capital de Cliente também denominado de Capital
Relacional, definido de forma concisa por Stewart (1998, p.69) que diz: é o valor dos relacionamentos de uma
empresa com as pessoas com as quais faz negócios.
É desse último integrante do Capital Intelectual, o Capital Relacional, é que está fundamentado o arcabouço
dessa pesquisa, a qual será delineada com mais abrangência nas seções posteriores.
No quadro 1 adiante, visualiza-se os elementos que formam o Capital Intelectual.
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Quadro 1 - Elementos do Capital intelectual
Fonte: Dzinkowski, 1998 apud Pacheco (2005, p.62)
Nesse quadro observou-se os principais indicadores que compõem cada elemento do Capital Intelectual,
segundo esse teórico, os quais demonstram um arcabouço de conhecimento com alta significância para estudo e
mensuração do Capital Intelectual pela Contabilidade e pela geração de valor na atualidade. No próximo tópico
será feita uma abordagem sucinta dos principais modelos de mensuração do Capital Intelectual.
Modelos de Mensuração do Capital Intelectual
Desde que os estudos acerca do Capital Intelectual foram iniciados, buscou-se entre os pesquisadores
interessados a composição de um modelo para sua efetiva evidenciação e possível mensuração, mas, no entanto,
passaram-se décadas e ainda não temos um modelo consolidado. Entretanto, convém mostrar alguns dos
principais modelos que foram criados com o objetivo primordial de mensuração do desse ativo estratégico.
Dentre eles pode-se citar conforme apresenta (OLIVEIRA, E. C. M. de. et al, p. 95, 2008) por ano,
denominação e autoria :
• 1994 – Navegador da Skandia de Leif Edvinsson;
• 1995 – Processo de Criação de Conhecimento de Nokata e Takeuchi;
• 1996 – Balanced Score Card de Kaplan e Norton;
• 1996 – Technology Broker de Annie Brooking;
• 1996 – Modelo da Universidade de Ontário Oeste de Bontis;
• 1997 – Intellectual Assets Monitor de Karl Erik Sveiby;
• 1998 – Gestão do Conhecimento da KPMG Consulting;
• 1998 – Modelo Intelect apresentado no Euroforum de 1998;
• 1998 – Capital Intelectual de Drogonetti Roos;
• 1998 – Modelo de Direção Estratégica por Competências – o Capital intangível de Bueno e
Morcilo;
• 1999 – Modelo Nova – Clube de Gestão do Conhecimento e Inovação da Comunidade
Valenciana e por último
• 1999 – Modelo da Arthur Anderson de Gestão do Conhecimento.
Não se pode deixar de explicitar uma importante ferramenta com o mesmo objetivo das anteriores, criada e
desenvolvida pelo Professor Antonio de Loureiro Gil, denominado de Balanço Intelectual – BIN cujo conceito é
definido por (OLIVEIRA, E. C. M. de. et al, p. 139, 2008) como: “Balanço Intelectual – BIN, é o instrumento
para decisões quanto ao rumo dos negócios e para o entendimento e convencimento quanto à validade do
processo exercido para acerto na decisão a adotar”.
Vê-se nesses instrumentos a preocupação iminente com a evidenciação e mensuração do ativo intangível –
Capital Intelectual – como diferencial competitivo que gera valor e vantagem competitiva nessa era de
concorrência global onde quem sabe o que fazer com o conhecimento é que garante a continuidade
organizacional.
O Capital Relacional como já abordado anteriormente será o componente do Capital Intelectual que validará
os objetivos desta pesquisa, e onde os principais elementos que o compõem estão disponíveis no quadro a seguir:
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Quadro 2 – Elementos do Capital Relacional
PRESENTE
Base relevante de clientes
Lealdade dos clientes
Intensidade de relação com os clientes Satisfação dos
clientes
Processos de serviços e atendimento aos clientes
Mercado de atuação
Confiabilidade da marca
Reputação/nome da entidade
Alianças estratégicas
FUTURO
Capacidade de melhora/exploração de
novos produtos e clientes
Relacionamentos externos
Fonte: Adaptado de (OLIVEIRA, E. C. M. de. et al, p.115, 2008)
Do quadro acima nota-se a importância do Capital Relacional e de sua manutenção, para tal é preciso
conhecer esse elemento do Capital Intelectual bem como todas as medidas assertivas a serem adotadas visando
criar o máximo de valor à organização por meio de sua gestão.
3 METODOLOGIA UTILIZADA
Quanto à metodologia utilizada nesta pesquisa, sua natureza é qualitativa e quantitativa, quanto aos fins é do
tipo exploratória e quanto aos meios é bibliográfica e de campo, com aplicação da ferramenta de avaliação
inédita denominada de Mensuração da Aprendizagem – MEAP©2.
Adotou-se o seguinte conceito para pesquisa de campo, de acordo com (RUIZ, 1996 apud OLIVEIRA,
2003):
Como uma forma de coleta que permite a obtenção de dados sobre um fenômeno de
interesse, da maneira como este ocorre na realidade estudada. Consiste, portanto, na
coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente relevantes, diretamente
da realidade, para ulteriores análises dentro desta utilizando também os tipos:
bibliográfica, exploratória e descritiva.
Na próxima seção serão delineados o universo e a amostra deste estudo.
3.1 Universo e Amostra
O universo ou população conforme assegura Teixeira (2008, p.14) é o maior conjunto tomado como
referência na observação de um fenômeno.
Nesta pesquisa, o universo foram os alunos do Curso de Bacharelado em Ciências Contábeis de uma
Instituição de Ensino Superior – IES particular localizada em São Luís – MA, que está em funcionamento há
mais de 13 anos, oferecendo cursos de graduação, tecnólogos, além de cursos de Pós-graduação, e possui em
torno de 4 mil alunos.
A amostra é uma porção ou parcela convenientemente selecionada do universo – população. E ainda
corroborando com Teixeira (2008, p.14): amostra é uma parte da população. Ela foi composta por 141 discentes
do Curso de Bacharelado em Ciências Contábeis que estavam cursando a partir do 6º semestre letivo no horário
noturno, haja vista os parâmetros da ferramenta de avaliação e a disponibilidade para a execução da pesquisa em
tela.
A representatividade da amostra em relação ao universo por turno está descrita na tabela 1 que segue:
Tabela 1 - Representatividade da Amostra por turno e número de alunos
2
© 2013 PINHEIRO, Renailson.
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NÚMERO DE ALUNOS POR TURNO
PESO DA AMOSTRA (%)
Nº DE ALUNOS MATUTINO
261
54,02%
Nº DE ALUNOS VESPERTINO
18
783,33%
Nº DE ALUNOS NOTURNO
682
20,67%
961
14,67%
Nº TOTAL DE ALUNOS
Fonte: Autor, 2013.
AMOSTRA
141 ALUNOS
Conforme a tabela acima nota-se que a representatividade ou materialidade da amostra é suficientemente
relevante e adequada para o que se propõe, objetivando ainda emitir opiniões importantes para a tomada de
decisões frente ao escopo deste estudo tanto por parte dos docentes e IES quanto dos discentes no
acompanhamento de seus anseios pessoais, sociais e profissionais.
3.2 Instrumento de coleta de dados
Como instrumento de coleta de dados escolheu-se o tipo inédito e criado pelo autor chamado: Mensuração
da Aprendizagem - MEAP©3. Optou-se por tal instrumento pelas suas peculiaridades, pela amostra em questão e
objetivos da pesquisa.
O modelo de avaliação - Mensuração da Aprendizagem - MEAP© - foi construído e delineado partindo dos
pressupostos descritos abaixo:
• O processo de ensino-aprendizagem deve permitir aos envolvidos a construção do conhecimento e não
somente a sua mera repetição;
• A mensuração efetiva da aprendizagem está sustentada não somente no que o aluno sabe, mas sim no
que ele é capaz de fazer com o que sabe.
• O sucesso da aprendizagem só será considerado alcançado quando o educando for capaz de construir
conhecimento(s) a partir de sua interação ativa no processo de ensino-aprendizagem;
• Docente e discente devem promover uma interação harmoniosa que facilite a identificação dos Fatores
Críticos de Sucesso – CFS no processo de ensino-aprendizagem;
• A exposição do conhecimento deve ser feita de forma interrogada e considerar as experiências de todos
os envolvidos no processo educativo;
• O conhecimento – conceitos, princípios, fórmulas, aplicações e outros deverão ser apresentados
partindo da essência para a aplicabilidade pessoal, social e por fim profissional, objetivando dar ‘vida’
àquilo que deverá ser apreendido e praticado.
Mensurar o Capital Intelectual por meio do nível de aprendizagem de um dos elementos mais importantes
para o universo e a amostra em tela corrobora com Senge (p.177, 2009) que afirma: As organizações só
aprendem por meio de indivíduos que aprendem. Logo, pode-se tirar valiosas informações e por fim
Conhecimento Estratégico Extraordinário©4 para a tomada de decisões de sucesso empresarial para a IES em
tela.
A Mensuração da Aprendizagem - MEAP© foi composta por 10 (dez) indagações, assim distribuídas: 7
(sete) questionamentos aferindo conhecimentos específicos de Contabilidade e 3 (três) medindo conhecimentos
de cunho multidisciplinar, estes últimos objetivando descobrir a adequação entre o curso e as aptidões
profissionais dos educandos.
Cada questão foi construída partindo dos pressupostos já citados e obedecendo à seguinte estrutura para
todas as questões, a saber, dois comandos: primeiro indagou-se sobre os aspectos conceituais partindo da origem
da Contabilidade até o cenário atual onde buscou-se identificar o grau de compreensão científica e técnica do
indivíduo e por último pediu-se a contextualização do primeiro comando a partir da aplicabilidade do
conhecimento a uma situação hipotética, mas semelhante à práxis cotidiana pessoal, social e profissional.
3
© 2013 CKO Renailson Pinheiro. ©R5 KM & INNOVATION
4©
2013. PINHEIRO, Renailson.
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O MEAP© foi aplicado entre março e abril de 2013 sem comunicação prévia aos integrantes da amostra;
não foi permitida nenhuma consulta a qualquer tipo de material de apoio, tendo em vista a evitar distorções no
resultado da pesquisa.
Para o tratamento estatístico dos resultados do MEAP© foram construídos os indicadores que seguem com
as respectivas legendas que aparecerão nas tabelas das próximas seções: Atendido Plenamente – APL; Atendido
Parcialmente – APA; Não Atendido – NAT; Não Respondido – NRE. Onde o APL representa adequação
máxima entre o avaliado e o obtido; o APA representa a adequação média entre o avaliado e o obtido; o NAT
representa a inadequação total entre o avaliado e o obtido e por último o NRE – representa as indagações que
não foram respondidas intencionalmente ou por outros motivos não sabidos.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos da amostra possuem representatividade de 20,67% e 14,67% em relação ao universo
noturno e total respectivamente. Na tabela 2 será apresentado o resumo geral dos resultados apurados pelos
indicadores de mensuração bem como a discussão e contextualização dos resultados mais relevantes conforme se
verá adiante nos demais instrumentos de tabulação.
Tabela 2 - Resumo geral por indicador de mensuração
Nº TOTAL
%
APL – Atendido Plenamente
494
35,04
APA – Atendido Parcialmente
589
41,77
NAT – Não Atendido
149
10,57
NRE – Não Respondido
178
12,62
1.410
100,00
INDICADOR
TOTAL
Fonte: Autor, 2013.
Das informações acima depreende-se que menos da metade da amostra alcançou o nível máximo de
adequação entre o avaliado e o obtido ficando o indicador APL com 35,04 % do total da composição dos
indicadores. Ressalta-se tal adequação foi mensurada cobrando-se o alinhamento entre o nível de conhecimento
técnico e científico obtido e a sua aplicabilidade. Logo, conclui-se um nível de aprendizagem regular apurado
por este indicador e nesse contexto estatístico.
No que concerne ao indicador APA obteve-se 41,77% do total geral dos indicadores, tal resultado reflete o
nível médio de adequação entre o avaliado e o alcançado. Esse valor demonstra que aproximadamente metade da
amostra manteve-se no status de aprendizagem considerado médio. Tomando-se os resultados dos indicadores
APL e APA em conjunto, vê-se a necessidade de ajustes relevantes ao atual modelo de ensino-aprendizagem,
bem como reflete o ‘valor’ do Capital Intelectual apurado por estes indicadores.
Em relação aos indicadores NAT e NRE obteve-se 10,57% e 12,62% respectivamente, os quais nesse
cenário mostraram-se de baixa relevância não prejudicando os resultados deste estudo.
Na tabela que se segue visualiza-se a visão global dos indicadores por questão do MEAP© a fim de se
estabelecer outras análises e interpretações dos resultados alcançados.
Tabela 3 – Visão global dos Indicadores de Mensuração da amostra por questão
INDICADORES DE MENSURAÇÃO
QUESTÕES
APL
%
APA
%
NAT
%
NRE
%
TOTAL
1
34
24,11%
85
60,28%
12
8,51%
10
7,09%
141
2
26
18,44%
91
64,54%
17
12,06%
7
4,96%
141
3
23
16,31%
63
44,68%
37
26,24%
18
12,77%
141
4
36
25,53%
65
46,10%
19
13,48%
21
14,89%
141
49
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5
29
20,57%
80
56,74%
11
7,80%
21
14,89%
141
6
0
0,00%
96
68,09%
26
18,44%
19
13,48%
141
7
0
0,00%
100
70,92%
22
15,60%
19
13,48%
141
8
115
81,56%
3
2,13%
3
2,13%
20
14,18%
141
9
115
81,56%
2
1,42%
0
0,00%
24
17,02%
141
10
116
82,27%
4
2,84%
2
1,42%
19
13,48%
141
Fonte: Autor, 2013.
Legenda: APL – Atendido Plenamente; APA – Atendido Parcialmente; NAT – Não Atendido;
NRE – Não Respondido.
Desta tabela far-se-á as análises e interpretações tomando-se por base informações das duas seções em que
foi dividido o MEAP©, a saber 7 (sete) questões medindo conhecimentos específicos de Contabilidade e 3 (três)
questões medindo conhecimentos de cunho multidisciplinar, estes últimos objetivando descobrir a adequação
entre o curso e as aptidões profissionais dos discentes.
Tomando-se por base as questões específicas a média obtida no indicador APL ficou em 14,99%, o que mais
uma vez reforça o posicionamento anterior alcançado na análise global anteriormente citada, demonstrando
ainda um grau insuficiente de aprendizagem frente ao modelo de avaliação MEAP©.
Há que se mencionar ainda que duas das sete questões de conhecimento específico tiveram índice de
adequação em 0,00%, resultado este que reflete a discrepância imensa entre o processo de ensino-aprendizagem
e a aplicabilidade o conhecimento, ou seja, a materialização da aprendizagem por meio do conhecimento criado,
apreendido e compartilhado.
Já no que tange ao APA a média foi 58,76% evidenciando um nível de aprendizagem regular, mas que
carece de medidas corretivas pontuais. Na análise dos indicadores NAT e NRE alcançou-se as médias de 14,59%
e 11,65% respectivamente, os quais novamente mostram-se como de baixa significância para os resultados
globais da amostra.
Em relação às questões de cunho multidisciplinar as médias obtidas não alteram os resultados da pesquisa
nem tampouco a prejudicam por serem questões abertas e não possuírem critérios de adequação próximos de
certo ou errado, mas sim comandos que buscaram evidenciar a adequação, as aptidões bem como o alinhamento
vocacional dos discentes frente curso atualmente experienciado por eles. No indicador APL a média foi de
81,80%; já no APA foi de 2,13%, no NAT 1,18% e por fim no NRE 14,89%, logo tais valores como já ressaltado
não se extrapolam para os indicadores específicos como outrora esclarecido.
Ainda na análise e interpretação dos resultados das indagações de cunho multidisciplinar foi arguido na
última questão a proposição que segue: “Cite três dentre as profissões mais influentes e reconhecidas do mundo”.
Tal indagação foi motivada por visar conhecer a adequação vocacional dos discentes ao curso escolhido por eles.
Como resultado obteve-se o que consta na tabela 4
A indagação foi construída de forma aberta a fim de evitar indução e o comprometimento dos resultados. Da
amostra apurou-se somente a resposta cuja opção foi Contador, conforme a indagação já expressa anteriormente.
Tabela 4 - Alinhamento vocacional da amostra ao curso
ELEMENTOS
Nº
Nº DE ALUNOS DA AMOSTRA
Nº DE CONTADORES
%
141
100%
91
Fonte: Autor, 2013.
64,54%
Os resultados alcançados mostraram um nível de adequação e alinhamento vocacional de 64,54%, logo mais
da metade da amostra, valor este considerado relevante pelo autor e que tem influência direta no desempenho
pessoal, discente e concomitantemente profissional.
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
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Concluiu-se desse estudo que o Conhecimento é hoje o ativo estratégico mais relevante para a tomada de
decisões e que segundo (CARVALHO, 2012): a mudança é a principal certeza nos mercados, logo para
administrar as mudanças, incertezas e demais variáveis é indispensável a Gestão do Conhecimento e do Capital
Intelectual.
Mostrou-se ainda que a representatividade e materialidade da amostra foram suficientes e adequadas para as
análises e interpretações ora formuladas.
Viu-se também que os resultados obtidos revelaram que a mensuração do Capital Intelectual tornou-se
possível e posteriormente será usada como ferramenta de criação de valor estratégico para esta IES e todos os
envolvidos nesse estudo.
Cabe salientar que o modelo de avaliação MEAP© não é a melhor ou única ferramenta de medição da
aprendizagem, mas sim o resultado de mais de 8 anos de Expertise – conhecimento especializado - em Ensino e
Pesquisa do autor.
Notou-se também como o atual modelo de ensino-aprendizagem, cabe ressaltar não só desta IES, mas do
nosso país, isso salientado sem arrogância, é prejudicial, principalmente porque tem formado discentes que na
maioria das vezes não sabem o que fazer com uma gama de conhecimentos sem significado, sem essência, sem
aplicabilidade, logo sem contextualização com a realidade que o tornou e o transforma num ser pensante.
É de se reforçar ainda que o nível de aprendizagem do Capital Relacional está aquém do esperado tanto
ponto de vista da IES, quanto do autor e principalmente dos discentes.
Ressalta-se ainda que se existe o indicador APL medindo 35,04% para o total de discentes da amostra em
relação à composição global dos indicadores, isto evidencia um número preocupante quanto à adequação e
efetividade da aprendizagem da amostra. Logo, conclui-se um nível de aprendizagem regular apurado por este
indicador e nesse contexto estatístico.
Tomando-se por base as questões específicas a média obtida no indicador APL ficou em 14,99%, o que mais
uma vez reforça o posicionamento anterior alcançado na análise global já citada, demonstrando ainda um grau
insuficiente de aprendizagem frente ao modelo de avaliação MEAP©.
Há que se mencionar que duas das sete questões de conhecimento específico tiveram índice de adequação
em 0,00%, resultado este que reflete a discrepância imensa entre o processo de ensino-aprendizagem e a
aplicabilidade do conhecimento, ou seja, a materialização da aprendizagem por meio do conhecimento criado,
apreendido e compartilhado.
Tais resultados revelam que corroborando com (NOLLER apud MONTEIRO JUNIOR, 2011) dizem: As
mentes são como paraquedas: só funcionam se estiverem abertas. Isto implica que o educador, educando, assim
como toda a cadeia de valor desta IES devem se permitir aprender a aprender a partir dos resultados deste ensaio
científico.
É preciso inovar, dar novas respostas às mesmas perguntas e conforme expressa (ALENCAR apud
PREDEBON, 2013): mais do que nunca, necessitamos fazer uso de nosso potencial de criar. Criar implica
criatividade, logo conhecimento, aprendizagem, criatividade e inovação são elementos indispensáveis ao sucesso
global das pessoas e das corporações. Tudo isso é intrínseco às pessoas e às suas escolhas pessoais e
profissionais.
Outro resultado relevante mostrou o grau de adequação vocacional de 64,54%, da amostra ao curso, o que
enseja em um maior grau de comprometimento e sucesso no longo prazo por parte dos discentes.
Por fim, demonstrou-se com este ensaio científico que a Mensuração do Capital Intelectual por meio do
nível de aprendizagem do Capital Relacional foi uma grande experiência para a construção do Conhecimento
Estratégico Extraordinário© - aquele que gera valor e riqueza para as organizações por meio das pessoas que
usam o Conhecimento certa, na hora certa para resolver o problema certo.
E por último que a Gestão do Conhecimento e do Capital Intelectual é um dos ativos estratégicos mais
relevantes para o sucesso organizacional na atualidade e que a sua mensuração, divulgação e uso estratégico
garantirá aos envolvidos posições sólidas bem como resultados sustentáveis em relação à sociedade global.
REFERÊNCIAS
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ANGELONI, Maria Terezinha (Org.); MULBERT, Ana Luísa. et al. Organizações do Conhecimento:
infraestrutura, pessoas e tecnologia. 2. Ed. São Paulo: Saraiva, 2008.
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CARVALHO, Fábio Câmara Araújo de. Gestão do Conhecimento. São Paulo: Pearson, 2012.
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NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação de Conhecimento na empresa: como as empresas
japonesas geram a dinâmica da inovação. 14ª ed. Rio de Janeiro: Campus Elsevier, 1997.
OLVEIRA, Antonio Benedito Silva (Coord.). Métodos e técnicas de pesquisa em contabilidade. São Paulo:
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NEUMANN, Regina Aparecida. Capital Intelectual: Reconhecimento e Mensuração. Curitiba: Juruá,
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PACHECO, Vicente. Mensuração e divulgação do capital intelectual nasdemonstrações contábeis: teoria e
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Engenharia deProdução, Florianópolis, UFSC.
PREDEBON, José. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. 8. Ed. São Paulo: Pearson Education do
Brasil, 2013.
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Ano I, Volume 1, 2º Trimestre, Julho de 2013, São Luis, Ma, Brasil
ISSN: 2317-7403
TEORIA DAS RESTRIÇÕES, A IMPORTÂNCIA DA IDENTIFICAÇÃO
DE GARGALOS EM UMA LINHA DE PRODUÇÃO DE ÁGUA
SANITÁRIA
Recebido em 07/07/2013
Aprovado em 28/07/2013
Alessandro Melo Conceição, [email protected]¹
Will Ribamar Mendes Almeida, [email protected] ¹
Patrício Moreira de Araújo Filho, [email protected]
1
Faculdade Pitágoras São Luís - MA, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT:This study discusses issue on the theory of constraints, using it as a tool for continuous process
improvement. This case study was carried out in a factory in the industrial district of sanitizing the city of Sao
Luis. Based on the production line of this company, and from the use of tools supervisory system was possible to
identify the constraints that occur in the process of manufacture. At the end of this study, the production line
studied showed a significant increase in production, with minimal in-process inventories and minimum
expenditure possible.
KEYWORDS: Theory of Constraints. Bottlenecks. Production.
RESUMO: O presente trabalho aborda tema sobre a teoria das restrições, utilizando-a como ferramenta para
a melhoria contínua do processo. Este estudo de caso foi realizado em uma fábrica de saneantes no Distrito
Industrial da cidade de São Luís-MA. Com base na linha de produção desta empresa e, a partir do uso de
ferramentas do sistema supervisório foi possível identificar e propor melhorias as restrições ocorridas neste
processo de fabricação. Ao final deste estudo, a linha de produção estudada apresentou um aumento
significativo de produção, com o mínimo de estoques em processo e o mínimo de gastos possível.
PALAVRAS CHAVE: Teoria das Restrições. Gargalos. Produção.
1.
INTRODUÇÃO
No mundo contemporâneo, cada vez mais competitivo, a teoria das restrições, mais conhecida como TOC
(TheoryofConstraints) tem se mostrado vantajosa em relação as formas mais antigas de administração da
produção, tendo em vista que a mesma foca na melhoria contínua do processo, o que é exigido neste mundo cada
vez mais dinâmico e competitivo.
Nos fins dos anos 70, surgiu a Teoria das Restrições, a partir de estudos de Fox e Goldratt, que buscaram
novas formas de abordar o planejamento e programação da produção, desenvolvendo um software denominado
OPT (OtimizedProduction Technology). Sistema este, que advoga que o principal objetivo da empresa é “fazer
dinheiro”, elevando o fluxo de produção, reduzindo os estoques e as despesas operacionais (TUBINO, 2000).
A proposta deste estudo foi utilizar a Teoria das Restrições para propor melhorias à linha de produção
estudada neste trabalho, com a finalidade de reduzir os estoques em processo e, com isso, aumentar o lucro da
empresa e aumentar a capacidade produtiva da linha. Ressalta-se que todas as melhorias propostas neste trabalho
são frutos de simulações, não tendo sido concretizadas no campo em que foi realizado este trabalho.
Durante este processo, utilizaram-se pequenas tabelas, com a finalidade de permitir uma melhor visualização
dos processos que existem na fábrica e com isso obter mais facilidade para visualizar as restrições existentes.
Seguindo esta linha de raciocínio, o escopo desse trabalho referiu-se e direcionou-se ao aumento da
capacidade de produção organizacional utilizando-se de tabelas, como ferramentas para facilitar a visualização,
tendo-se como meta: evitar paradas desnecessárias na restrição do processo, elevar a capacidade da restrição e
subordinar as demais operações ao ritmo da restrição, assim fazendo uma leitura da real produção da fábrica e
sempre respeitando as suas prioridades.
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A primeira seção destinou-se à Introdução; o referencial teórico descreve a teoria das restrições e suas
características; A metodologia mostra a linha de produção utilizada no trabalho e a metodologia utilizada; o
estudo de caso trata da aplicação prática da Teoria das Restrições; conclui-se com a análise e conclusão dos
resultados obtidos com a melhoria efetuada neste processo, utilizando os estudos citados nas seções anteriores.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA – A TEORIA DAS RESTRIÇÕES
A Teoria das Restrições foi criada na década de 1980 pelo Dr. Goldratt, e é responsável por uma revolução
na gerência moderna. Desde que foi criada, vem sendo debatida por diversas áreas, como por exemplo: gestão de
projetos, logística, educação, contabilidade, marketing, chão de fábrica, entre outros.
2.1 A Teoria das Restrições – TOC (TheoryofConstraints)
Dr. Elyahu M. Goldratt, o pai da teoria das restrições, é de origem israelense, ele é um físico e utilizava
métodoscientíficos para resolver os problemas corporativos. Isto se torna evidente na Teoria das Restrições,
quando o mesmo começou a utilizar métodoscientíficos, em outras áreas além das “difíceis” ciências, como por
exemplo, a administração. A Teoria das Restrições, também é conhecida por muitas outras nomenclaturas, como
por exemplo, produção sincronizada, synchronous flow manufacturing e gerenciamento das Restrições.
(MULLEN, 1998)
A Teoria das Restrições é focada em cinco passos, e tem como meta direta explorar a restrição e tornar todo
o restante do sistema subordinado a restrição. TOC tem um grande crédito entre os gerentes, e é reconhecida,
como, entre outras coisas, melhorar a rentabilidade do mix de produtos, expor a capacidade oculta, reduzir os
inventários da fábrica, e aumentar a velocidade do tempo de entrega dos produtos. (MERWE, 2008)
Identificar a
restrição
Repetir o
processo
Explorar a
restrição
Elevar o
desempenho
da restrição
Subordinar
e
sincronizar
Figura 1- 0s 5 passos da Teoria das Restrições
Fonte: Adaptado de http://www.leanproduction.com/theory-of-constraints.html
A partir da Figura 1 pode-se verificar os 05 passos da Teoria das Restrições como um processo cíclico.
Sempre busca uma nova restrição no processo, evitando-se que a inércia seja a restrição do sistema. Segundo o
Dr. Elyahu M. Goldratt. Conforme a Figura 1, os 05 passos desta teoria:
1. Identificar a Restrição: deve-se identificar o gargalo, que será o recurso de menor capacidade de
produção, esse recurso controla a produção da fábrica inteira. O gargalo será a máquina em
processamento, que tiver a maior fila de produtos aguardando para serem processados nela;
2. Explorar a Restrição: a produção do gargalo deverá ser aumentada, para isso pode-se fazer com que
essa restrição trabalhe em mais turnos, ou sua atividade pode ser processada pro outras máquinas,
assim aumentando a sua produção. Quanto menos tempo a máquina gargalo ficar parada, maior será
o ganho para a linha de produção;
3. Subordinar o sistema a Restrição: todas as demais máquinas do sistema (máquinas não-gargalo),
deverão produzir só o suficiente para que o gargalo trabalhe em sua capacidade máxima, com isso
ocorrerá redução de gastos, já que existirá menor fila de material em processo no estoque;
4. Elevar a Restrição: deve-se elevar a capacidade de produção do gargalo, seja buscando uma forma
de processar as peças dos gargalos em outras máquinas não-gargalos, ou utilizando de algum
software ou incremento na máquina que aumente a sua produção em si;
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5.
Fazer o primeiro passo novamente: é provável que após se fizer os quatros passos anteriores, a
restrição do sistema não seja mesma, por isso deve-se buscar identificar uma nova restrição, e
nunca deixar que a inércia seja a restrição do sistema.
2.2 OPT “OptimizedProduction Technology”: a abordagem baseada nos gargalos.
O OPT começou a ser desenvolvido em 1978, com o nome de OptimizedProductionTimetables, em
português, Produção Otimizada a Horários, porém só passou a ser conhecido no início dos anos 80, e com a nova
nomenclatura OptimedProduction Technology – OPT.
O software OPT, na década de 80, teve alguma penetração na Europa e nos EUA, porém no Brasil não teve a
mesma sorte. Contudo, em nível acadêmico, as questões levantadas por este software com relação à programação
finita da rede de atividades em um sistema de produção convencional, foram estruturas em um conjuntos de
regras ou conceitos conhecido como “Teoria das restrições”, que tem como base o principio de “gargalo”
(TUBINO, 2000).
O termo OPT deve ser usado única e exclusivamente para descrever o software disponível, software este que
visa uma maximização da produção através dos recursos gargalos. (COX; SPENCER 2002).Segundo Corrêa e
Gianesi (1993), o OPT é um SAP (Sistema de Administração da Produção) este sistema defende que o objetivo
principal das empresas é “ganhar dinheiro”. Para que a empresa ganhe mais dinheiro, o OPT diz que é necessário
que a empresa aumente o fluxo de materiais (Throughput), reduza os estoques (Inventory) e as despesas
operacionais (OperatingExpenses). Ainda segundo estes autores, O OPT advoga que a administração tradicional
da produção, tem que ser repensada em quatro áreas:
CASO 2
CASO 1
Utilização
X
Y
X
Y
100%
75%
100%
75%
CASO 3
CASO 4
Demandas independentes
Montagem
Utilização
X
Y
X
Y
100%
75%
100%
75%
Figura 2-Recurso-Gargalo e Recurso-Não Gargalo
Fonte: Adaptado de Correia; Gianesi, 1993
Tipos de Recurso:
Primeiramente, é necessário compreender que recurso é qualquer elemento necessário no processo de
produção, e deverão ser separados em dois tipos: Recurso-gargalos e Recursos Não-Gargalos. Sendo o Recurso
Gargalo, aquele que restringem ou limitam a produção. E os Recursos Não-Gargalos, aqueles que não limitam a
produção, devendo estes, não serem prioridade.
Conforme a demonstrado na Figura 2, é observado que nos 03 primeiros casos, a utilização dos recursos
não-gargalo é determinada pela utlização dos gargalos, já no 4º caso, podemos observar que o gargalo não
restringe o fluxo de produção, já que as demandas são independentes, isso nos leva a crer que nesse caso, o que
manda na produção é a demanda do mercado, com isso chegamos a conclusão de que, utilização e ativação de
um recurso não são a mesma coisa.De acordo com Rigoni (2009), a ativação significa o uso do recurso de forma
independente, sem que sejam levadas em consideração as restrições do sistema, enquanto utilização significa
utilizar o recurso até a capacidade do gargalo do sistema, desta forma evitando estoques e gerando fluxo.
Como neste último caso, a ativação do recurso não contribui para atingir os objetivos, pode-se dizer que é
somente a ativação do recurso, e não a utilização. Utilização é quando contribui para o sistema como um todo.É
visto que a identificação dos recursos em gargalos, ou não gargalos, é fundamental a aplicação da teoria de Dr.
Goldratt.
Preparação das máquinas (set-up)
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Utiliza-se o termo ‘’Tempo de set-up’’ ou ‘’Tempo de Preparação das Máquinas’’, designando ‘’montar’’
determinadas máquinas para produzir itens específicos.
Ao ganhar 02 horas no tempo de set-up das máquinas em um recurso-gargalo, se ganha 02 horas no tempo
de processamento, e, com isso, 02 horas no sistema global. Ganhando-se esse tempo em um recurso NãoGargalo, não haveria ganhos tão evidentes na redução dos tempos de preparação, poderia até utilizar parte do
tempo ocioso para fazer um maior número de preparações, e com isso obter-se lotes menores reduzindo o
estoque em processo.(CORRÊA, GIANESI)
Tamanho de Lotes
Segundo o OPT, deve-se considerar o tamanho de lotes de acordo com duas perspectivas: perspectiva do
recurso, que está relacionada ao lote do processamento e perspectiva do fluxo, que está relacionada ao lote de
transferência.
O lote de processamento é aquele que vai ser processado em um recurso (máquina), antes que este seja
preparado novamente para processar outro item, já o lote de transferência, é aquele que define o tamanho de lote
a ser transferido para a etapa seguinte.Nos sistemas tradicionais, esses lotes tem que ser iguais, já no OPT, não
existe essa obrigatoriedade. Com isso ganhamos tempo, pois o material processado já pode ser transferido para a
próxima etapa, mesmo antes que todo o material seja processado.
Os efeitos das incertezas
Este é um fator que deve ser considerado em qualquer tipo de projeto ou planejamento, já que as incertezas
não podem ser previstas, mas é possível evitar que estes tipos de eventos atrapalhem o nosso planejamento.
Para Corrêa e Gianesi (1993:151),
[...] Eventos incertos vão sempre ocorrer em sistemas complexos como são os sistemas de produção. Como é
difícil antecipar onde, no sistema, os eventos vão ocorrer, é necessário que o sistema esteja protegido em seus
pontos frágeis ou críticos [...].
Esses pontos frágeis ou críticos citados pelos autores são os gargalos da produção, pois se houver qualquer
problema, estes afetaram a produção toda, devendo por esses motivos estarem sendo protegidos, com a
finalidade de evitar atrasos na produção. De acordo com (CORRÊA; GIANESI, 1993:154). Essa proteção do
gargalo deve ocorrer da seguinte forma:
[...] programam-se os materiais para chegarem ao recurso-gargalo determinado tempo( de segurança) antes
do instante em que o recurso-gargalo está programado para começar sua operação. Dessa forma se qualquer
atraso ocorrer com os recursos que alimentam o recurso-gargalo, este pode ser absorvido por este tempo de
segurança [...]
3 METODOLOGIA
Coleta de Dados
A metodologia empregada é um estudo de caso do tipo investigativo e no desenvolvimento metodológico é
feita uma a coleta e a tabulação de dados de uma linha de produção de uma empresa- Biomol, após essa etapa é
realizadauma análise dos resultados e é elaborada as conclusões e propostas de melhorias.
A coleta de dados foi realizada de duas formas distintas, dependendo da forma em que a etapa é processada,
se a mesma é processada de maneira manual ou automatizada.
Para as etapas que são realizadas de forma manual pelos funcionários da empresa. Foram cronometrados
cinco minutos por um celular Iphone, já que não existia a necessidade de um cronômetro de precisão para o caso.
Durante estes minutos foi conferido quantos frascos o funcionário foi capaz de processar trabalhando em sua
capacidade máxima. Para os fins deste trabalho foi utilizada a média de 80% da produção realizada neste tempo,
tendo em vista que nenhum ser humano é capaz de trabalhar em 100% da sua capacidade por todo o tempo.Para
as etapas realizadas de forma automática foram utilizados os dados fornecidos pelos manuais dos fabricantes dos
equipamentos utilizados neste sistema.
4 APLICAÇÃO DO GERENCIAMENTO DAS RESTRIÇÕES AO CASO
A aplicação da teoria de Dr. Goldratt a este caso é feita na linha principal de produção de água sanitária, que
é um composto químico de NaClO, é solúvel em água, não-inflamável, fotossensível (decompõe-se quando em
contato direto com a luz), e corrói metais. (http://www.infoescola.com/quimica/hipoclorito-de-sodio/)
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A água sanitária é muito utilizada hoje em dia na limpeza de roupas brancas, remoção de manchas, na
limpeza geral de cozinhas, banheiros, pisos, azulejos e cerâmicas. Pode ser usada também na desinfecção de
água para consumo humano, de caixas d’água, e de frutas e verduras. A água sanitária é utilizada, inclusive, no
combate as larvas do mosquito da dengue. (www.biomol.ind.br)
A etapa estudada neste caso vai do posicionamento de frascos na esteira até a transferência das caixas selada
para o depósito, já que as outras etapas da linha de produção são separadas e podem trabalhar em mais um turno
em casos de necessidade.
[...] Os produtos(bens) são produzidos em um sistema de produção. Um sistema de produção consiste em
uma série de etapas sucessivas desempenhadas por diferentes recursos. Todas as etapa das operações devem ser
finalizadas em uma sequência específica para se obter o produto final [...] COX; SPENCER 2002)
Durante o processo de elaboração deste fluxograma, utilizou-se a medida frascos/hora como padrão para
facilitar a identificação das restrições.
É feita essa visualização das capacidades produtivas também através da ferramenta Excel, no qual pode-se
visualizar a capacidade de cada etapa do processo, conforme a Tabela 1, o número que está destacado em
vermelho sempre é o gargalo da linha.
Tabela 1: Capacidade Produtiva
Etapa
Produção
Posicionamento de Frascos na envasadora
2900
Envasadora
2200
Tampadora
2000
Datadora
158000
Transferência para Depósito
11500
Paletização de Caixas
11387
Seladora de Caixas
11520
Empacotamento
2350
Teoria das Restrições, a 1ª aplicação do ciclo
A tampadora é a etapa com menor capacidade de produção em frascos por hora, ou seja, é o tambor, pois
dita o ritmo de todo o restante da produção. (GOLDRAT, 1990)
[...] Se um roteiro simples composto de nove recursos é considerado e se descobre que o recurso número 6 é
o RRC, o sistema OPT começará a programação naquele ponto. Este é o ponto em que é necessário ‘’bater o
tambor’’, que é a analogia usada pelos mentores do OPT para simbolizar que é aquele o ponto que deve ditar o
ritmo de todo o sistema produtivo [...] (CORRÊA; GIANESI, 1993)
O sistema fica todo subordinado a tampagem, pois caso as outras etapas produzam mais do que esta
máquina, existirá fila em estoque, o que acarretará em maiores gastos e desperdício no sistema de produção.
Neste momento fica claro que o equipamento de tampar os frascos é a restrição do sistema, deve ser a
prioridade para melhoria. Segue-se o processo de melhoria continua a partir da utilização prática dos cinco
passos da Teoria das Restrições. Elevando a capacidade deste item para um valor mais elevado que a 2ª restrição,
o sistema como um todo ganhará um aumento de 10% na produção.
[...] Qualquer tempo perdido no gargalo seja através da preparação de máquinas, da produção de unidades
defeituosas, ou da fabricação de produtos não demandados pelo mercado, diminui o tempo total restrito,
disponível para atender o volume throughput. [...] (apud GUERREIRO, citado por GOLDRATT)
A solução é a troca de uma tampadora por uma mais potente, o melhor custo x benefício é encontrado junto
ao fornecedor Tecnoenvase que fornece uma tampadora com capacidade de 3.500 frascos/hora, a um custo de
R$ 39.000,00.
Levando-se em conta que o produto é vendido a uma média de 352.000 frascos por mês, os frascos são
vendidos em caixas contendo 24 frascos de 01 litro de água sanitária, e cada caixa é vendida a R$11,00 reais. A
empresa tem uma receita média de R$161.216,00, com a venda mensal de água sanitária, o que torna o
investimento na tampadora perfeitamente viável, já que o valor é relativamente baixo em relação à receita obtida
com as vendas dos produtos.
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É observado que após a identificação da restrição, a melhor maneira de aumentar a produção mensal, que
através de um gasto de menos de 20% da receita mensal de venda do produto, foipossível aumentar toda a
produção do sistema em 10%, conforme a Figura 01. É um aumento bastante considerável para este sistema de
produção, e esse aumento real só foi possível devido à Teoria das Restrições.
[...] O JIT, o CQT e o GR criaram uma mudança de paradigma em que as expectativas dos clientes se
transformaram significativamente. Os consumidores exigem produtos e serviços mais baratos, mais rápidos,
melhores e padronizados. A administração não pode se dar mais ao luxo de tratar a organização como funções e
atividades fragmentadas e independentes. A administração deve aprender a reagir de acordo com as exigências
dos consumidores para permanecer competitiva em um caminho de aprimoramento contínuo [...] ( COX;
SPENCER 2002)
Percebe-se que com a aplicação do ciclo do gerenciamento das restrições neste caso é possível aumentar a
produção de forma consistente, fazendo com que os produtos fiquem mais baratos e sejam produzidos em maior
escala.
Etapa
Produção
Posicionamento de Frascos na envasadora
2900
Envasadora
2200
Tampadora
3500
Datadora
158000
Transferência para Depósito
11500
Paletização de Caixas
11387
Seladora de Caixas
11520
Empacotamento
2350
Tabela 2: Capacidade Produtiva
Teoria das Restrições, a 2ª aplicação do ciclo
A teoria funciona em ciclos, então se deve voltar ao primeiro passo, e fazer tudo novamente. Inicia-se pela
identificação do gargalo, que nesta etapa está localizada na etapa de envase, que tem capacidade de produção
claramente bem inferior as demais etapas.
A máquina de envase possui dez bicos de enchimento, foi verificado que esses bicos estão produzindo
abaixo da capacidade que deveriam produzir, pois estão velhos e com isso perderam boa parte de sua velocidade
de envase. Com a substituição dos mesmos por bicos novos e de melhor qualidade, e foi verificado um aumento
de 4% na produção, ou seja, a capacidade subiu de 2.200 para 2.288. No entanto, apesar da significativa melhora,
este item continua sendo o que dita o ritmo de toda a produção, já que continua sendo o menos capaz.
É necessário então, que a quantidade de bicos seja aumentada para que o envase deixe de ser a restrição do
sistema. Não é possível que esta quantidade de bicos de envase seja aumentada devido ao tamanho do tanque de
envase atual, porém, pode-se substituir um tanque por um maior e assim tem-se uma quantidade maior de bicos a
disposição para este sistema.O tanque de envase atual, com a capacidade de dez bicosdeve ser substituído por um
maior. É possível comprar um tanque de maior capacidade e realizar os furos para que sejam postos os bicos de
envase adicionais.
O preço de um tanque é estimado em R$ 1.000,00 reais, tanque este que permite o uso de até 16 bicos de
envase, e os bicos, devido ao fato de terem uma mola de segurança e serem produzidos fora do estado do
Maranhão, ou seja, tem um alto custo de logística custando R$130 reais cada um.
Com a compra de mais 02 bicos, a produção aumentou para 2.745. E ainda existe uma folga, que quando for
exigido o aumento da capacidade, esta poderá atender de uma forma razoável.
Em suma, com o investimento de R$2.560,00, investimento este, de valor muito baixo, quando comparado
ao investimento realizado na 1ª aplicação do ciclo e também se comparado a receita mensal da linha de
produção, obtêm-se um aumento real de quase 7% na produção total do sistema.
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Tabela 3 -Tabela de Capacidade Produtiva- 2ª Melhoria
Etapa
Produção
Posicionamento de Frascos na envasadora
2900
Envasadora
2745
Tampadora
3500
Datadora
158000
Transferência para Depósito
11500
Paletização de Caixas
11387
Seladora de Caixas
11520
Empacotamento
2350
Teoria das Restrições, a 3ª aplicação do ciclo:
Após duas realizações do ciclo, e aumento real de 17,5% da produção. Devemos continuar aplicando sempre
o ciclo das restrições, pois é fundamental evitar que a inércia seja a principal restrição sistema.
O gargalo agora é empacotamento dos frascos envasados, tampados e datados. Esta etapa é realizada de
forma manual, a etapa consiste da preparação da caixa de papelão, da colocação dos frascos na mesma, até antes
da transferência para a máquina de selagem.
Esta etapa manual é realizada por somente um funcionário, claramente percebemos que ao dobrar a
quantidade de funcionários nesta etapa sua produção aumenta consideravelmente.
Foi realizado o teste de cronometragem com 2 funcionários, e verificou-se que estes trabalhando em forma
conjunta, conseguiriam aumentar a capacidade de produção da etapa em 40%. Ou seja, a capacidade da etapa
passou de 2350frs/hora para 3290frs/hora. Aumento esse, muito grandioso, e mais do que suficiente para que
esta etapa não seja mais a restrição do sistema.
A solução para o atual gargalo, é a contratação de um funcionário para a função, um funcionário custa em
média R$1200,00 reais mensais para a empresa, E com esta melhoria a produção aumentaria de 2350frs/hora,
para 2745frs/hora, ou seja, um aumento real de aproximadamente 17% no processo.
Com o gargalo em 2745frs/hora, a receita mensal da venda de todo este produto gera R$ 221.268,96 reais
mensais.
Sem o funcionário novo, e com o gargalo ainda em 2350frs/hora, a empresa obtinha receita de
R$189.428,80. A contratação desse funcionário novo aumentou a receita em R$31.840,16, mesmo com o
desconto da custo média mensal do funcionário, a empresa ainda obteve um aumento de R$ 30.640,16, em sua
receita mensal deste produto. Fato este que mais do que justifica a contratação do funcionário.Com a utilização
do software Excel, é gerada uma tabela que simboliza a produção da seguinte forma.
Tabela 4 – Tabela de Capacidade Produtiva- 3ª Melhoria
Etapa
Produção
Posicionamento de Frascos na envasadora
2900
Envasadora
2745
Tampadora
3500
Datadora
158000
Transferência para Depósito
11500
Paletização de Caixas
11387
Seladora de Caixas
11520
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Após a realização de 03 voltas do ciclo da Teoria das Restrições, foi verificado que a produção real da
empresa saltou de 2.000 frascos/hora para 2.745 frascos hora, ou seja, um aumento de 37,3% no sistema
produtivo. Na Tabela 5, foi utilizada uma fórmula no software Excel, por meio do Gráfico 1, se pode verificar
claramente qual é o aumento percentual durante cada etapa do processo e o aumento das etapas em relação ao
inicio do projeto, antes da aplicação do Gerenciamento das Restrições.
Tabela 5 : Produção de Água Sanitária
Produção de Água Sanitária
Etapa
Produção
Antes do Gerenciamento das Restrições
Após 1ª volta do ciclo do gerenciamento das
restrições
Após 2ª volta do ciclo do gerenciamento das
restrições
Após 3ª volta do ciclo de gerenciamento das
restrições
Aumento
Aumento em Relação ao
Início
2000
2200
10%
10,00%
2350
7%
17,50%
2745
16,81%
37,25%
Gráfico 1 – Gráfico de Melhorias no processo.
O Gráfico 1 permite visualizar qual foi o aumento da produção em cada etapa da aplicação do ciclo, e o
aumento desta etapa em relação ao início, ou seja , pode sevisualizar as melhoriasocorridas no processo
analisado. Nas colunas azuis, podemos verificar o aumento que é encontrado após a realização do ciclo da teoria
das restrições, aumento este em relação a aplicação anterior, já nas colunas vermelhas é possível ver o aumento
em relação ao início, antes da aplicação do gerenciamento das restrições. É importante deixar claro que as
primeiras colunas são iguais, pois ainda não havia aplicação do ciclo da teoria das restrições na linha.
É importante frisar, que durante este estudo, em nenhum momento foi considerado a hipótese de um gargalo
externo ao sistema produtivo, ou seja, a probabilidade de o mercado não absorver aquela produção, e que sempre
foram considerados somente as restrições dentro da linha estudada.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Restrições existem em diversos tipos de processo, estas restrições são responsáveis por impedir que a
empresa possa atingir a sua meta. Considera-se que as restrições devem ser identificadas, pois elas impedem o
aumento do lucro das empresas, ao nível da fábrica é necessário que aumente o fluxo de produção e diminua os
estoques em processo, reduzindo assim as despesas operacionais.
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As organizações que aplicam o gerenciamento das restrições tem uma forma moderna de administrar a
produção, forma essa que tem se mostrado bastante eficiente quando comparada as tradicionais formas de
administração da produção, embora algumas empresas não divulguem a utilização da teoria das restrições.
É demonstrado que a aplicação da teoria de Dr. Goldratt, é de extrema importância para a administração
moderna da produção, é notado também, que a mesma se aplicada de forma correta, pelo gerente de produção, o
mesmo sendo capaz de identificar o gargalo do sistema, e fazer com que as outras etapas trabalhem somente até
este limite, obtendo assim a diminuição dos produtos no sistema produtivo, aumenta consideravelmente o lucro
da empresa.
É observado, que ao elevar a capacidade do gargalo do sistema, toda a produção do sistema aumenta, e para
isso, na maioria das vezes, não são necessários gastos astronômicos para aumentar a capacidade restritiva.
Muitas vezes isso pode ocorrer somente com a troca de uma peça, a adição de algum componente, fazendo com
que algum outro equipamento processe aquela atividade, ou até mesmo um aumento no número de funcionários
responsáveis por realizar aquela tarefa.
Neste estudo de caso, é proposto o uso de três artifícios diferentes para elevar a capacidade do gargalo, troca
de máquina tampadora e de bicos de envase, aumento no número de bicos de envase e disponibilidade de
aumentar o número de funcionários (no gargalo do processo). Em cada aplicação do ciclo no caso, foram
utilizados os cinco passos da teoria das Restrições: identificar, explorar, subordinar, elevar e retornar ao primeiro
passo. Foi verificado um aumento muito consistente na produção, valor estimado em 37.3%.
Conclui-se, portanto, que se ao utilizar a Teoria das Restrições a empresa citada teve uma grande melhoria
no processo, levando em consideração, que o sistema é dinâmico e que a aplicação do ciclo deve ser feita
constantemente, assim a inércia nunca será a restrição do processo produtivo.
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ISSN: 2317-7403
COMPUTAÇÃO EM NUVEM: UMA VISÃO GERAL
Recebido em 01/07/2013
Aprovado em 23/07/2013
Christopher A. Lobo Castro, [email protected] 1
Will Ribamar Mendes Almeida, [email protected]
Patrício Moreira de Araújo Filho, [email protected]
1
2
Universidade CEUMA, Rua Josué Montello, nº 1, Renascença II - São Luís – MA.
Faculdade Pitagoras São Luís-MA, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT. This article demonstrates the use of cloud computing to facilitate the teaching-learning process
showing the characteristics of this technology as addressing scalability and elasticity of their main advantages
and disadvantages and the student approaching its educational content through the use of computer vision
techniques and appropriate software, which enable one can make storage and data access through remote
access. Thus, the objective of this research is to show unequivocally the benefits of cloud computing, because it
is believed that absorption of content becomes easier when there is the possibility of viewing the information to
be transferred..
KEYWORDS: Elasticity, scalability, cloud computing.
RESUMO. Este artigo demonstra a utilização da Computação em Nuvem para facilitar o processo de ensinoaprendizagem mostrando as caracteristicas desta tecnologia como elasticidade e escalabilidade abordando
sobre suas principais vantagens e desvantagens e aproximando o discente do seu conteúdo didático, através do
uso de técnicas de visão computacional e softwares apropriados, que permitem que se possa fazer
armazenamento e acesso a dados através de um acesso remoto. Com isso, o objetivo desta pesquisa é mostrar de
forma inequívoca os benefícios da computação em nuvem, pois, acredita-se que absorção do conteúdo torna-se
mais fácil quando existe a possibilidade de visualização da informação que se pretende transmitir.
PALAVRAS-CHAVE: Elasticidade, escalabilidade, computação em nuvem.
1. INTRODUÇÃO
A “moda” do momento é a “computação em nuvens” ou “cloud computing” (em inglês). Os serviços
oferecidos nesse tipo de modelo estão disponíveis de modo ubíquo para os usuários, e os provedores de serviços
se “abstêm” com os incômodos da administração, manutenção e o custo de aquisição e propriedade de um
sistema de computadores.
A ideia essencial da computação em nuvem é permitir a transição da computação tradicional para um novo
modelo onde o consumo de recursos computacionais, por exemplo, armazenamento, processamento, banda
entrada e saída de dados, será realizado através de serviços. Podemos traçar um paralelo entre o cenário atual
com o final do século XIX, durante o período da Revolução Industrial, quando era comum que grandes fábricas
fossem responsáveis pela produção de sua própria energia elétrica e ou mecânica. Hoje em dia as grandes
fábricas consomem energia como um serviço, e pagam pela quantidade utilizada. A computação em nuvem tem
uma proposta similar. Recursos computacionais passarão a ser de responsabilidade de algumas empresas
especializadas, que ficarão responsáveis por sua gestão e comercialização através de serviços [Carr 2008].
Este termo surgiu pois a computação tem mudado constantemente e de forma acelerada, hoje você não tem
mais aquela grande vontade de comprar um super computador, hoje o que você mais necessita, e o que mais
precisará no futuro, será de mobilidade e portabilidade. Com isto os “supercomputadores” terão os seus destinos
a quem realmente os precisa, mas os usuários comuns não os precisarão mais, tudo será baseado na internet,
como hoje já está sendo feito, o grande centro das atenções nos dias atuais é a internet, em alguns anos, você que
utilizará seu computador na internet, terá o espaço que precisar para guardar seus arquivos como documentos,
fotos, vídeos e músicas na internet.
Atualmente a maioria dos softwares são todos desenvolvidos para a internet, ponto de encontro de tudo e de
todos, e assim estão sempre disponíveis em qualquer lugar, onde e quando o usuário precisa, sem necessidade de
instalações aqui e lá, tendo como requisito único um navegador internet (browser). A grande disseminação do
acesso de banda larga, e o crescente uso demandaram a criação de grandes centrais de processamento de dados,
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ISSN: 2317-7403
os data centers. Se você faz uma pesquisa, acessa seu e-mail, constrói um texto ou planilha diretamente no
Google, com certeza estará usando o processamento dos milhares de servidores da empresa espalhados no
mundo.
Presentemente existem milhares e talvez milhões destes data centers, e é nestes locais que estão seus dados e
arquivos de e-mail, sua compra de passagens aéreas, sua reserva de hotel, sua conta bancária, a central que
comanda seu telefone celular, e às vezes o próprio sistema de gestão utilizado pela sua empresa. As informações
estão espalhadas pelo mundo em diferentes servidores ou como se diz pelos profissionais de TI “estão nas
nuvens”.
Em função do uso em larga escala, é barato e mais fácil oferecer este serviço para as empresas. Assim, o
ambiente de computação, servidores, manutenções, atualizações, entre outras questões que eram tratadas
isoladamente por cada empresa estão se tornando um serviço contratado, assim facilitando a manipulação de
determinados dados.
2. HISTÓRICO
Apesar de muitas pessoas apresentarem a computação em nuvem como uma grande novidade, o conceito é
quase tão antigo quanto o próprio computador. A principal funcionalidade da Computação em nuvem é a
utilização de recursos computacionais por meio da internet, e essa ideia não é tão recente como muitos pensam.
Por incrível que pareça, a ideia já existia em 1960, com Joseph Carl Robnett Licklider. Joseph Carl foi um dos
desenvolvedores da ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network), o antecessor direto da internet,
que tinha o objetivo de interligar as bases militares e os departamentos de pesquisa do governo americano. Nesse
período, Joseph já imaginava uma rede de computadores intergaláctica em que todos estariam conectados
acessando programas e dados de qualquer lugar. Ainda na década de 1960, John McCarthy, um importante
americano pesquisador da área da informática e também um dos pioneiros da inteligência artificial, propôs a
ideia de que a computação deveria ser organizada na forma de um serviço de utilidade pública,assim como os
serviços de água e energia, em que os usuários só pagam pelo que usam, como acontece hoje nesse novo modelo
de computação. Mesmo com a existência dessas ideias há tanto tempo,o termo computação em nuvem só veio a
ser mencionado em 1997, numa palestra acadêmica do professor de sistemas da informação Ramnath Chellappa,
e só foi desenvolvida no ano de 1999 com o surgimento da Salesforce.com , primeira empresa a disponibilizar
aplicações na internet. A partir do sucesso dessa empresa, outras grandes começaram a investir na área, como a
Amazon, a Google, a IBM e a Microsoft.
O esqueleto para o que conhecemos hoje como Computação em Nuvem, nasceu com os sistemas
distribuídos, caracterizados por serem um conjunto de unidades de processamento independentes, que, por meio
da troca de comunicação e gerenciamento de sincronização, pode processar uma aplicação em diferentes
localidades, de forma transparente para o usuário, ou seja, o usuário da aplicação vê apenas o todo. [NUNES,
2012]. Observa-se então que a computação em nuvem cresceu, as aplicações e serviços voltadas para esta
tecnologia se desenvolveram de forma acelerada, grandes empresas nasceram e se firmaram através desta
prática, como por exemplo, o Google e a Amazon.
3. DEFINIÇÃO
O termo computação em nuvem foi introduzido em 2006, quando o então CEO (Chief Executive Officer Diretor Executivo) da Google, Eric Schmidt, utilizou o termo para descrever os serviços da própria empresa, e,
pouco tempo depois, quando a Amazon utilizou o mesmo termo para lançar seu serviço EC2 (Elastic Compute
Cloud). Foi, na verdade popularizado através de um artigo na edição de Outubro da Wired, através do artigo de
George Gilder entitulado “The Information Factories” (as fábricas de informação) [GILDER, 2006].
Kepes (2008) apud Breitman (2010) conceitua computação em nuvem da seguinte forma. “De forma
simplificada computação em nuvem é um paradigma de infra- estrutura que permite o estabelicimento do SaaS
(software-como- serviço) ... é um grande conjunto de serviços baseados na Web com o objetivo de fornecer
funcionalidades, que até o momento demandavam enorme investimento de hardware e software, através de um
novo modelo de pagamento por uso.”
Com o crescimento acelerado da internet a computação em nuvem é sem dúvida seu desenvolvimento
natural. A necessidade de maior armazenamento de arquivos e dado, priorizando o acesso rápido e versátil
(podendo ser acessado de qualquer lugar) cresceu de forma intensiva.
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Figura 1. Esquema simples de computação em nuvem.
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=vf95rulUTjc
A Figura 1 demonstra que a computação em nuvem é uma forma rápida e eficiente de armazenamento de
dados em que se tem acesso remoto a estes elementos que estão armazenados em servidores, ou seja, as
informações podem ser acessadas em qualquer lugar sem precisar “levar ela embaixo do braço”, você não
precisa estar com a informação em um dispositivo local pois o acesso feito é através das “nuvens”.
4. COMPUTAÇÃO EM NUVEM VERSUS MODELO TRADICIONAL
Existem formidáveis diferenças que separam o modelo de computação em nuvem do modelo tradicional de
computação. A Tabela 1, a seguir, adaptada de [CEARLEY, 2009], apresenta um pequeno resumo dessas
diferenças.
Tabela 1 - Diferenças entre os modelos tradicionais e de computação em nuvem
No tocante ao modelo de aquisição verificou-se que o modelo tradicional está ultrapassado em relação ao
modelo de computação em nuvens, este não precisa ter gastos com hardware ou espaço físico tudo é através de
aquisição de serviços, no modelo de negócio observa-se que a computação em nuvem funciona através do que o
usuário precisa, ou seja, todo trabalho de manutenção, segurança etc. é feito pela empresa que oferece o serviço
em nuvem. O modelo de acesso da computação em nuvem supera o modelo tradicional pois pode ser acessado
através de vários dispositivos e vários lugares diferentes através da internet, por exemplo em uma reunião de
negócios em uma cidade ou em um pais distante você não precisa levar qualquer dispositivo de armazenamento
físico pois os seus arquivos podem ser acessados na nuvem de forma rápida, eficiente e segura usando a internet,
o modelo técnico da computação tradicional é muito inferior ao da computação em nuvem porque este é muito
mais desenvolvido e eficiente.
Além das principais diferenças representadas na Tabela 1 a computação em nuvem se sobressai da
computação tradicional pois esta é uma forma de TI verde, ou seja, não deprecia de forma relevante o meio
ambiente.
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5. ARQUITETURA
A computação em nuvem pode ser visto como um estágio mais evoluído da virtualização, pois tem a
possibilidade de virtualizar e compartilhar recursos entre diferentes aplicativos para uma melhor utilização do
servidor [TAURION, 2009].
Em uma arquitetura de computação em nuvem diversos usuários compartilham diversos recursos de um
mesmo provedor.
Figura 2. Arquitetura de Computação em Nuvem Orientada a Mercado.
Fonte: http://www.gta.ufrj.br/grad/10_1/nuvem/arquitetura.html#figura2
A figura 2 representa uma das formas de computação em nuvem (neste caso arquitetura orientada a
mercado), em que os usuários fazem requisições aos serviços que estão na nuvem, o alocador de recursos por sua
vez funciona como uma interface entre o provedor de serviços em nuvem e os usuários. As máquinas virtuais
podem executar diferentes aplicações em diferentes sistemas operacionais nesta arquitetura as maquinas virtuais
podem ser iniciadas ou paradas de acordo com a demanda de requisições de serviços. Por sua vez as maquinas
físicas (servidores) são aqueles que armazenam as maquinas virtuais.
6. MODELOS DE IMPLANTAÇÃO DA COMPUTAÇÃO EM NUVEM
Tratando-se do acesso a da disponibilidade de ambientes de computação em nuvem, tem-se tipos diferentes
de implantação. A restrição ou abertura de acesso depende do processo de negócios, do tipo de informação e do
nível de visão desejado. Pode-se perceber que certas empresas não desejam que todos os usuários possam acessar
e utilizar determinados recursos no seu ambiente de computação em nuvem. Dessa forma, surge a necessidade da
criação de ambientes mais restritos, onde somente alguns usuários devidamente autorizados possam utilizar os
serviços providos. Então neste sentido, podemos de afirmar que existem três tipos de ofertas de computação em
nuvem [TAURION, 2009].
Os conceitos de nuvens públicas e privadas são importantes porque suportam a computação em nuvem, que
permite o provisionamento da dinâmica, são escaláveis e possuem recursos virtualizados através da internet. Os
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usuários finais que utilizam os serviços oferecidos via computação em nuvem pode não ter conhecimento,
experiência, ou controle sobre a infra-estrutura tecnológica que os suporta [MATHER, 2009].
O grau de recursos compartilhados entre os setores de uma empresa pode divider a computação em nuvem
em tres formas básicas de implementação: público, híbrido e privado.
Figura 2. Arquitetura de Computação em Nuvem Orientada a Mercado.
Fonte: http://protocoloti.blogspot.com.br/2012/03/cloud-computing-publica-privada-e.html
6.1. NUVENS PÚBLICAS
Em termos simples, serviços de nuvem pública são caracterizados por estar disponível para os clientes de um
provedor de serviços terceirizado através da internet. O termo "público" não significa sempre livre, mesmo que
ele possa ser gratuito ou razoavelmente barato de usar. Uma nuvem pública não significa que os dados de um
usuário é publicamente visível, fornecedores de nuvem pública normalmente fornecem um controle de acesso e
mecanismo para seus usuários. Nuvens públicas oferecem um custo, elástico efetivo para implementar meios de
soluções [AHRONOVITZ, 2010].
Uma nuvem pública pode estar sendo hospedada, operada e gerida por um fornecedor terceirizado de um ou
mais centro de dados. O serviço é oferecido a múltiplos clientes sobre uma infra-estrutura em comum, ver na
Figura 3 [MATHER, 2009].
Um dos benefícios das nuvens públicas é que elas podem ser muito maiores do que uma nuvem privada, por
exemplo, já que elas permitem uma maior escalabilidade dos recursos. Essa característica evita a compra de
equipamentos adicionais para resolver alguma necessidade temporária, deslocando os riscos de infra-estrutura
para os prestadores de infra-estrutura da nuvem. Há ainda a possibilidade de destinar algumas porções da nuvem
pública para o uso exclusivo de um único usuário, criando o chamado datacenter privado virtual, que provê a
esse usuário uma maior visibilidade de toda a infra-estrutura [CHIRIGATI, 2009].
No modelo de implantação público, a infra-estrutura de nuvens é disponibilizada para o público em geral,
sendo acessado por qualquer usuário que conheça a localização do serviço. Neste modelo de implantação não
podem ser aplicadas restrições de acesso quanto ao gerenciamento de redes, e menos ainda, aplicar técnicas de
autenticação e autorização [SOUZA, 2009].
6.2. NUVENS HÍBRIDAS
A nuvem híbrida ou mista se trata de uma combinação de nuvens públicas e privadas. Essas nuvens seriam
geralmente criadas pela empresa e as responsabilidades de gerenciamento seriam divididas entre a empresa e o
provedor de nuvem pública. A nuvem híbrida usa serviços que estão no espaço público e privado [AMRHEIN,
2009].
Com uma nuvem híbrida, as organizações podem executar serviços que não são necessariamente exigidos
pela empresa, ou seja, que possam ser repassadas para terceiros, hospedando eles em uma nuvem pública e
mantendo os aplicativos principais e dados sensíveis da empresa em casa, na nuvem privada [MATHER, 2009].
A nuvem híbrida pode ter sua configuração descrita pela combinação de um dispositivo local como um
computador conectado a uma nuvem de serviços. Também pode ser descrita com uma configuração que combina
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recursos virtuais e físicos como, por exemplo, um ambiente virtual que requer servidores físicos, roteadores ou
outro tipo de hardware como um firewall ou um filtro de spam . [VIEIRA, 2009].
É válido destacar que as nuvens híbridas introduzem a complexidade de determinar a maneira como as
aplicações são distribuídas entre nuvens públicas e privadas. A relação entre os dados e os recursos de
processamento, por exemplo, deve ser considerada. Se uma aplicação possui uma grande quantidade de dados, o
seu processamento em uma nuvem pública pode não ser favorável, já que passar esses dados de sua nuvem
privada para uma nuvem pública pode ser muito custoso [TAURION, 2009].
6.3. NUVENS PRIVADAS
As nuvens privadas são construídas exclusivamente para um único usuário. Diferentemente de um datacenter
privado virtual, a infra-estrutura utilizada pertence ao usuário, e, portanto, ele possui total controle sobre como as
aplicações são implementadas na nuvem. Uma nuvem privada é, em geral, construída sobre um datacenter
privado [RUSCHEL, 2008].
Nuvens privadas diferem das nuvens públicas em que a rede, computação e armazenamento de infra-estrutura
associada com nuvens privadas é dedicado a uma única organização e não é compartilhado com outras
organizações. Como tal, uma variedade de padrões de nuvens privadas surgiram: [MATHEL, 2009].
Neste modelo de implantação são empregados políticas de acesso aos serviços. As técnicas utilizadas para
prover tais características podem ser em nível de gerenciamento de redes, configurações dos provedores de
serviços e a utilização de tecnologias de autenticação e autorização. Um exemplo deste modelo seria o cenário de
uma universidade e seus departamentos. A universidade pode estar interessada em disponibilizar serviços para
seus departamentos e outros órgãos desta instituição não devem ter acesso a esses serviços [RUSCHEL, 2008].
As nuvens privadas oferecem vantagens com relação à variedade pública. O controle com granularidade mais
baixa com relação a diversos recursos que formam a nuvem fornece a uma empresa todas as opções de
configuração disponíveis. Além disso, as nuvens privadas são ideais quando o tipo de trabalho que está sendo
realizado não é prático para a nuvem pública, devido a preocupações com segurança e regulamentação
[AMRHEIN, 2009].
6.4. COMPARATIVOS ENTRE OS MODELOS
As nuvens públicas são as mais conhecidas e possuem um acesso fácil. Sendo que, em alguns casos a sua
utilização pode ser gratuita ou não, isto vai depender do tipo de serviço que o usuário vai requisitar.
Nestas nuvens públicas, os dados dos usuários são armazenados em provedores de serviço, os quais são
terceirizados, estes vão ser responsáveis pelo gerenciamento correto destes dados, pelas instalações, pela
manutenção e fornecimento de recursos de infra-estrutura quando for solicitado pelo usuário.
As nuvens privadas são feitas para atender somente uma organização. Então, esta tem total controle sobre as
operações em nuvem.
O modelo de nuvem híbrida é necessário quando uma organização quer ter o controle e gerenciar o
armazenamento de dados, todavia precisa de espaço adicional para arquivar os seus dados. Então, a empresa vai
ter a segurança e a supervisão da nuvem privada em suas redes, mas pode armazenar os dados em excesso em
uma nuvem escalável e sob demanda que é a nuvem pública.
7. VANTAGENS E DESVANTAGENS
Algumas das principais vantagens encontradas na computação em nuvem são disponibilidade (O usuário
pode acessar aplicações e dados de qualquer lugar e a qualquer hora.), economia (O usuário diminuirá seus
gastos como por exemplo: com infraestrutura, equipamentos, licenças de aplicativos proprietários, energia
elétrica e manutenção de equipamentos.) e elasticidade (capacidade do ambiente computacional da nuvem
aumentar ou diminuir de forma automática os recursos computacionais demandados e provisionados para cada
usuário).
O Google, por exemplo, é uma das empresas que mais investe em computação em nuvens, pois há muito
tempo vem proporcionando esta tecnologia a seus usuários como o Gmail, Maps, Docs, Talk, Apps etc. Todos
estes são serviços que estão disponibilizados nas nuvens.
Apesar das diversas vantagens que a computação em nuvem oferece são notadas também algumas
desvantagens, pois neste tipo de computação os dados ficam centralizados, ou seja, há grande preocupação no
que diz respeito a segurança e privacidade.
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De acordo com a informação veiculada olhar digital (2012), o Gmail parou de funcionar para boa parte dos
usuários, e não foi só no Brasil. Sites de outros países também relataram os problemas. Segundo oTechCrunch,
quem depende do e-mail do Google ainda poderia tentar usá-lo por meios alternativos como a versão clássica em
HTML ou os aplicativos. IMAP e a versão móvel, entretanto, também ficaram instáveis. No painel de status dos
apps do Google, a empresa anuncia que está "investigando relatos de um problema com o Gmail".
"Forneceremos mais informações em breve", diz. Em outra atualização, o Google admite os problemas
com Gmail e Drive e afirma que deverão ser resolvidos.
Analisadas as vantagens e desvantagens observa-se que as vantagens sobrepõem- se as desvantagens, pois
além de todas as vantagens citadas, a computação em nuvem é uma forma de TI verde, ou seja, o impacto dos
recursos tecnológicos causados por este tipo de sistema é irrelevante se comparado a computação tradicional.
8. CONCLUSÃO
Percebe-se que a computação em nuvem é um assunto muito importante e muitas são as plausíveis direções
futuras que este pode adotar.
Os recursos e benefícios que a computação em nuvem oferecem são extraordinários e imprescindíveis para
aplicações atuais e porvindouras, pois como o grupo Gartner definiu, a computação em nuvem é “um estilo de
computação onde capacidades de TI elásticas e escaláveis são providas como serviços para usuários através da
Internet.”
A computação em nuvem também é uma forma de TI verde, além de trazer benefícios imprescindíveis para
as corporações que a utilizam, e estes são outros atrativos para que essa tecnologia seja usada no futuro com
mais frequência, melhor desempenho e menos suscetível a falhas.
Esta é uma nova tecnologia funcional, que pode modificar significativamente o modo em que
implementamos sistemas de software, havendo um mapeamento correto da aplicação da computação e nuvem e
notando-se que as vantagens superam as desvantagens o empreendimento terá grandes chances de obter sucesso.
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A RESSOCIALIZAÇÃO DO ADOLESCENTE INFRATOR:
SUSTENTABILIDADE E CRÍTICA SOCIAL
Recebido em 26/06/2013
Aprovado em 20/07/2013
Daiane Santos Rabelo, [email protected]
Hiasmym Luz da Silva Aquino, [email protected]
Luana Cavalcante Calvet, [email protected]
Simone Rodrigues Sousa, [email protected]
Samira Costa Ribeiro, [email protected]
Patrício Moreira de Araújo Filho, patrí[email protected]
1. Curso de Serviço Social, Faculdade Atenas Maranhense, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
2. Faculdade Pitagoras São Luís-MA, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT. This article deals with the joint participation of the Family, Society and State in the process of
socialization of adolescents in conflict with the law. With the objective to present the difficulties in this process
and raise some alternatives that can best take place this resocialization. They emphasized the Doctrine of
Integral Protection embraced by ACE, pointing its guiding principles and sequence was performed a literature
search of educational measures targeted at young offenders and the criteria for its application, with emphasis on
the role of family and society in this process. The Statute of Children and Adolescents, in addition to providing
full protection, raised to the category of the teenager responsible for the acts they commit infractions considered
through the application of educational measures. The educational measures behave aspects of coercive nature,
since they are punitive, and also educational aspects, which should be applied pedagogical activities during the
application. The main purpose of educational measures is the reeducation, considering that the accountability of
the juvenile offender has pedagogical and must be provided to this such activities aimed at rehabilitation and resocialization of the child, the author of the offense. However, these measures which are implemented in
specialized entities should, in its execution, be aware of the provisions of the principle of full protection as well
as to society in general, to maintain efforts to be guaranteed the protection of children and adolescents, giving
effect to the doctrine of integral protection.
KEYWORDS: Resocialization, Socio-EducationalMeasures, Teens, ACESociety.
RESUMO. O presente artigo trata da participação em conjunto da Família, Sociedade e Estado no processo de
ressocialização do adolescente em conflito com a lei. Tendo por objetivo apresentar a dificuldade nesse
processo e levantar algumas alternativas para que melhor possa ocorrer essa ressocialização. Destacou-se a
Doutrina da Proteção Integral abraçada pelo ECA, apontando seus princípios norteadores e em sequencia, foi
feita uma pesquisa bibliográfica das medidas socioeducativas direcionadas aos jovens infratores e os critérios
estabelecidos para sua aplicação, com ênfase no papel da família e da sociedade neste processo. O Estatuto da
Criança e do Adolescente, além de prever a proteção integral, elevou o adolescente à categoria de responsável
pelos atos considerados infracionais que cometer através da aplicação das medidas socioeducativas. As
medidas socioeducativas comportam aspectos de natureza coercitiva, uma vez que são punitivas, e também
aspectos educativos, onde devem ser aplicadas atividades de caráter pedagógico durante a aplicação. A
principal finalidade das medidas socioeducativas é a reeducação, tendo em vista que a responsabilização do
menor infrator tem caráter pedagógico, devendo-se proporcionar a este tais atividades visando à reeducação,
bem como a ressocialização do menor, autor do ato infracional. Entretanto, essas medidas que são cumpridas
em entidades especializadas devem, em sua execução, atentar para as disposições do princípio da proteção
integral, bem como deve a sociedade, de uma forma geral, manter esforços para que seja garantida a proteção
das crianças e adolescentes, dando efetividade à doutrina da proteção integral.
PALAVRAS - CHAVE: Ressocialização, Medidas Socioeducativas, Adolescentes, ECA, Sociedade.
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1.
INTRODUÇÃO
As transformações ocorridas no mundo têm refletido diversas mudanças na sociedade. A estrutura da família
vem se modificando constantemente em suas mais diversas fases de evolução, revelando adaptações de novos
modelos de convivência em cada período pelo qual perpassa, a figura materna como protetora e acolhedora e o
pai como aquele que impõe regras, leis e limites, quando ocorre uma quebra nessa estrutura chamada família, a
criança ou adolescente se acomete a perdas no seu desenvolvimento e amadurecimento. Com essa reestruturação
familiar os adolescentes se sentem feridos e por não conseguirem entender acaba modificando seu
comportamento perante a família, os amigos a sociedade, se relacionando com outros adolescentes, por se sentir
fragilizado.
Vários fatores contribuem para que o adolescente se deixe influenciar por outros e acabam que se
envolvendo com violência, drogas e, até mesmo praticando crimes. A partir dessas mudanças de comportamento
começa a evadir-se de casa, da escola, do convívio social, deixa de lado seus laços parentais, já envolvido com a
criminalidade, comete atos infracionais.
Para atender esses adolescentes infratores, em conflito com a lei, são encaminhados para as instituições de
recuperação, conhecido como Fundação Casa, onde são tratados por profissionais que trabalham realizando
estudos a respeito do histórico das famílias, para ressocializar, inseri- lós novamente na sociedade. O processo de
ressocialização se dá de várias formas desde medidas de proteção a medidas sócio educativas, que são medidas
de caráter recuperativo, que primam pela reinserção do adolescente no seio social.
Todas essas formas de ressocialização estão contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei
Federal Nº 8069/90, onde prevê que toda criança e adolescente tem direito à saúde, educação, a convivência
familiar e comunitária, direito a profissionalização e proteção ao trabalho. Através dessa lei que, antes de receber
a pena o adolescente cumprira essas medidas as quais lhes são designadas, são elas: advertência, obrigação de
repara o dano, prestação de serviço à comunidade, liberdade assistida, inserção em regime de semiliberdade e
internação em estabelecimento educacional.
Ao cumprir as medidas sócio educativas o adolescente retorna ao seu lar, a convivência com a família, a
sociedade, onde ira novamente se reinserir, quebrar preconceitos, conquistar seu espaço, se sentir útil. O Estado é
responsável por políticas públicas voltadas para os adolescentes, mais não tem cumprido seu papel de garantir
saúde e educação de qualidade, o que tem precarizado cada vez mais o desempenho dos jovens. A sociedade
também é responsável por essa deficiência, mas não é a solução culpar ambos, é preciso solucionar esse
problema de desassistência e abandono. Faz-se necessário que os direitos e deveres, as leis voltadas aos jovens e
adolescentes sejam conhecidos com mais profundidade pela sociedade, para que possam ajudar no processo de
reinserção.
Em uma determina perspectiva histórica no Brasil viveu-se um total descaso em relação ao fator criança e
adolescente, entre os anos 1830 a 1890 à indiferença no atendimento infanto-juvenil imperava, não importando
se eram criança abandonada ou adolescente infrator, todos eram tratados com mesma vigor. Nesse período
permeava a Doutrina o Direito Penal do Menor, que tinha por objetivo a punição da criança e do adolescente
infrator. No qual recebiam as mesmas penas conferidas a um considerado maior de idade, com privações de
liberdade.
Em 1830 surge O Código Penal do Império, que visava a maior idade penal para os jovens infratores a partir
dos 14 anos de idade, em seguida surge um novo comando, o Decreto nº 847 em 1890, mais conhecido como
Código Penal dos Estados Unidos do Brasil, modificou mais uma vez a imputabilidade, declarando que as
crianças menores de 9 anos de idade são, completamente inimputáveis , já crianças e adolescentes com idades
entre 9 à 14 anos eram considerados inimputáveis se não agissem dentro da lei.
Pode-se notar que no contexto histórico no qual estudamos a cima em nenhum momento é ressaltado criança
e ao adolescente infrator como vitima de um sistema, não havendo tratamentos para a habilitação destes e muito
menos o papel da família pela responsabilização do mesmo, com isso o Brasil em 1923 criou o seu próprio
Juizado de Menores, tomando como referencial o Tribunal de Menores criado em 1899 nos Estados Unidos, que
definia mecanismos processuais e instâncias de aplicação jurisdicional; tendo como objetivo a reavaliação das
punições aplicadas aos jovens infratores.
Fruto de repressão e indignação por meio da Família e da Sociedade com o ha libe no qual afirmava que o
adolescente cumpria penas privativas de liberdade de cunho repressivo e não educativo surge a Declaração de
Genebra de 1924, primeiro documento internacional a reconhecer a proteção especial para a criança e o
adolescente, aprovada pela Assembleia das Nações Unidas. E sobre essa grande influencia em 12 de outubro de
1927, nasce no o Brasil o primeiro Código de Menores, também conhecido como Código Mello Mattos.com
objetivo de para tutelar as crianças e os adolescentes, consolidou as leis de assistência e proteção às crianças e
adolescentes, introduziu a denominação “menor” para referir-se aos “delinquentes e abandonados” com menos
de dezoito anos de idade.
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Com toda indignação, criação da Declaração de Genebra, mudança de denominações os Ainda assim, os
adolescentes delinquentes eram colocados em “presídios de menores”, sofriam castigos físicos, maus-tratos e em
casos extremos sofriam abuso sexual como meio de correção.
Em 1941 nasce o Serviço de Assistência ao Menor - SAM uma politica publica criada pelo Estado no intuito
de sociabilizar o jovem em conflito com a lei por meio de internações. Mas o SAM não gozava de uma estrutura
adequada e não tinha autonomia financeira. Para tentar amenizar a problemática do SAM o Estado cria a
FUNABEM - Fundação Nacional do Bem-Estar no Menor em 1964, estabelecendo direitos e garantias para as
crianças e aos adolescentes, pois eles continuavam a serem tratados como delinquentes.
No dia 13 de julho de 1990 O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi instituído pela Lei 8.069 que
regulamenta os direitos das crianças e dos adolescentes inspirada pelas diretrizes fornecidas pela Constituição
Federal de 1988. A criança e o adolescente estão inseridos na sociedade como ser em formação, e o Estado têm
como principal dever garantir a proteção os direitos que elas merecem. Como o art. 53 do Estatuto da Criança e
do Adolescente trás.
O individuo infrator, sente uma total fragilidade, em relação com o Estado, pois se reconhece como não
cidadão, por não ter acesso a direitos, com uma boa educação básica, e não tiver a oportunidade de frequentar a
elas. A sociedade vendo e não fazendo nada, por ser negligente, e sendo sempre assim, por não haver políticas
eficientes, não ter uma missão de ressocializar, não possuir profissionais capacitados, como psicólogos,
pedagogos na área da infância e da juventude.
A lei Federal n° 8069/90 tem caráter universal, não sendo restrita como as anteriores e reafirma direitos à
saúde, à convivência familiar e comunitária e à educação, entre outros.
Através da promulgação do ECA, a doutrina de proteção integral estabelece que todo adolescente tem direito
às medidas de proteção que sua condição de pessoa em desenvolvimento requer, por parte da família, da
sociedade e do Estado.
Assim, a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente consideram ojovem até 18 anosque
cometeu uma infração penal, sem maturidade para o entendimento do caráter ilícito do ato praticado, dada sua
condição de pessoa em desenvolvimento e não havendo tal capacidade, elimina-se a culpabilidade tornando
isento de consequências, mas submetendo a normas de legislação especial para a apuração do fato e aplicação de
medidas socioeducativas próprias.
Dessa forma, a lei brasileira prevê medidas diferentes que variam conforme as circunstâncias de cada caso,
que inicia com a advertência e culmina com a internação em centros de ressocialização. Adotam-se como
princípios básicos para a aplicação da medida socioeducativa: a determinação de representante do Ministério
Público ou do Poder Judiciário, a natureza do ato infracional, as circunstâncias, a personalidade, a situação
familiar do adolescente.
Nesse sentido, vale destacar que as medidas socioeducativas possuem basicamente duas características:
natureza coercitiva, na qual as medidas são punitivas, e natureza educativa, que tem como objetivo o
acompanhamento realizado pelos programas sociais conferindo direito à informação e inclusão em atividades de
formação educacional e inclusão no mercado de trabalho, vão ter que assumir o erro e redimir- se perante a
sociedade, todavia, o seu caráter educativo está na oportunidade de ressocialização.
No art. 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente, mostra que é dever da família, da comunidade, da
sociedade em geral e do poder público assegurar, o direito à vida, à saúde, à alimentação, a essas crianças e
adolescentes. Apesar das instituições de proteção ao adolescente em conflito com a lei ter o dever de propiciar e
direcionar o adolescente à reeducação e a reintegração deste à sociedade e a família o principal refúgio, contudo,
muitas famílias têm dificuldades financeiras, e muitas dessas crianças e adolescentes largam a escola
precocemente e que dificulta o mesmo no mercado de trabalho, é um dos fatores que influenciam diretamente na
inserção a esses indivíduos ao crime.
A Sociedade tem o compromisso tanto do ponto de vista ético quanto legal, de proteger as gerações futuras.
A Escola se encontra em primeiro lugar um ambiente de aprendizado, sobre a sexualidade, proteção contra as
drogas e a violência, pois são fatores que se encontram presente no dia a dia dos jovens.
O Poder Público tem como objetivo criar trabalho de aprendiz e a erradicação do trabalho infantil, pois essas
seriam algumas alternativas para o sucesso da ressocialização do adolescente infrator. O Governo Federal
dispõem de programas de capacitação profissional, como o pró- jovem, a escola de fábrica.
Apesar da criança e o adolescente terem leis que os protege e políticas de proteção, mesmo assim ainda há
falhas, agente ainda ver muitas crianças vivendo nas ruas, menores sendo vítimas de exploração sexual entre
outras, são situações que são bem visíveis, agente ver ao botar os pés fora de casa, são situações que estão aí e
onde estão as políticas de proteção? Até mesmo porque a sociedade que implementa essas leis e políticas de
proteção não levam a sério, não têm aquela responsabilidade e comprometimento para mudar essa realidade. A
criança e o adolescente ainda hoje são vistos como objeto e é uma realidade que é muito presente no nosso dia a
dia.
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Se esses males ainda são presentes e com frequência, é porque os órgãos competentes não estão tendo
comprometimento. As atividades socioeducativas aplicadas as crianças e adolescentes que são vistos como
menor infrator, que antes já foram taxados de vadios, promíscuos e delinquentes entre outros absurdos.
Essas atividades foram criadas para tentar reparar os danos causados a esses menores, danos esses que a
própria sociedade causou que marginalizou, e hoje tenta ressocializar com atividades socioeducativas, essas
atividades que podem abrir horizontes na busca de uma vida melhor e digna, isso é se a sociedade também
contribuir, e começar a enxergar esses menores com outro olhar, um olhar sem preconceitos e sem
discriminação.
A Fundação Casa é uma instituição onde adolescentes infratores cumprem medidas socioeducativas, por isso
juridicamente ela não é considerada uma prisão, pois não cumprem penas, mas mesmo assim os adolescentes que
são encaminhados para a Fundação Casa vivem sobre controle e regimes e, vivem sem direito à liberdade. Com
isso esses adolescentes ao invés de progredirem na sua ressocialização, vão se transformando em pessoas cheias
de estigmas e problemáticas. É essa falta de liberdade e o regime dessas instituições serem muito rigorosos que
acaba propiciando esses adolescentes a ficarem revoltados e cheios de estigmas.
De acordo com o Estatuto da Criança e o Adolescente, coloca como direto fundamental, direito à liberdade
e a convivência familiar e comunitária. Com certeza, a criança e o adolescente são sujeitos de direitos, e esses
direitos devem ser respeitados.
Constituição Federal do Brasil, 1988 – art. 227: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à
criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer,
a profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além
de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
2 CONCLUSÃO
Para tirar os adolescentes da criminalidade e da vulnerabilidade, estão cada vez mais sendo investido em
atividades socioeducativas voltado à recuperação e ressocialização de adolescentes infratores, isso demonstra
que vale a pena fazer o investimento social. As atividades socioeducativas acontecem no dia a dia, com ações
ligadas às artes e atividades educativas. É muito bom e de grande respaldo esses investimentos, pois quando
esses adolescentes têm uma oportunidade real, com possibilidade de dar sentido a sua vida, agarra-se a ela, trás
para esses adolescentes e até mesmo os que não estão em conflitos com a lei, uma perspectiva de ir além.
Para a sociedade é muito difícil olhar com bons olhos para o menor infrator sempre vai existir o preconceito
em relação a eles. Em outras palavras, acreditam que não há menores infratores vítimas da pobreza, do abandono
ou da falta de oportunidade de estudo ou trabalho, mas produtos de exposições continuadas à situação de
carência moral e que se entregam ao crime por vontade própria, mesmo porque a consciência dos jovens da
atualidade acerca do que é ou não salutar para o seu desenvolvimento em uma sociedade solidaria.
O problema do adolescente infrator tornou-se um problema de classe, que cada vez mais a sensibiliza e a
mobiliza. Se de um lado a sociedade se percebe ameaçada, de outro, se tem a imagem do marginal, da criança, e
do adolescente que necessitam de cuidados e atendimentos especializados.
Portanto, a ressocialização que se pretende conseguir através das medidas sócio-educativas visa a integração
do menor ao mundo social, familiar e escolar, por outro lado, não se deve esquecer que muitas vezes, quem
produz a criminalidade é a própria sociedade.
3 AGRADECIMENTOS
Aos colegas que participaram da confecção deste trabalho: Rayna Carvalho Nunes, Yasmin Moreira Lima,
Florisbela Oliveira Santos e Marcos Antonio Torres Silva alunos do Curso de Serviço Social da Faculdade
Atenas Maranhense prestamos nossos sinceros agradecimentos.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Estatuto da Criança e do adolescente. Lei Federal 8069/1990.
MIRANDA, R. LIMA, J. de D. A. de. “Ressocialização de menores infratores: Considerações críticas sobre
as
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socioeducativas
de
internação”,
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:http://www.ibccrim.org.br/site/revistaLiberdades/_pdf/10/artigo3.pdf, Acessado em 30 de Maio de 2013.
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:
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2013.
GADELHA, G.“18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente: Dá pra comemorar? Disponível
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GISPAIFFER. “Menor Infrator: O Papel Da Família e do Serviço Social na Recuperação”. Disponível em
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VASCONCELOS, T. P , UGIETTE, S. “MEDIDAS SÓCIO-EDUCATIVAS PARA O ADOLESCENTE
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A JUVENTUDE E AS EXIGENCIAS DE PROFISSIONALIZAÇÃO,
FRENTE AO MARANHÃO INDUSTRIALIZADO.
Recebido em 26/06/2013
Aprovado em 29/07/2013
Annet Macedo, [email protected]
Camila Bittencourt,[email protected]
Gleide Daniella Costa,[email protected]
Glacielle Marques,[email protected]
Kamila Rodrigues,[email protected]
Patrício Moreira de Araújo Filho, patrí[email protected]
1. Curso de Serviço Social, Faculdade Atenas Maranhense, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
2. Faculdade Pitagoras São Luís-MA, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT. In this article explore some positives and negatives to this insertion and this qualification has
been made in order to meet the great demand made by industries and how youth can fit the professional profile
required by the current job market.The issue of youth, especially their integration into the world of work, has
been the focus of investigations, demonstrating the centrality of this issue for social policy, mainly due to two
important findings: the large number of young people unemployed and not in education as well as those who
work and who do, in general, in precarious and informal.Such findings have inspired political interventions over
the past few years, which aim to facilitate the integration of young people into the labor market. However,
existing policies are inadequate against the magnitude and heterogeneity of the problem.Professional learning
in Brazil was established with the goal of developing industrialization from its professionalization of teenagers.
Its regulation date 1942, but was significantly altered in 2005, allowing, besides the "S" System. "S", Federal
Centers for Technological Education and nonprofits could teach learning course.Maranhão due to great
industrial expansion in recent years the demand for skilled manpower for this sector has been very little
prompting some companies to professional qualification to significantly invest in the training of professionals
focused on the industry, so as State government has developed programs integrating young people into the labor
market.
KEYWORDS: Maranhão, Young, Industrialization, Professionalization
RESUMO. Neste artigo explanaremos alguns pontos positivos e negativos de como esta inserção e esta
qualificação tem sido feita de maneira a suprir a grande exigência feita pelas indústrias e deque forma a
juventude pode se enquadrar no perfil profissional exigido pelo atual mercado de trabalho. A questão da
juventude, especialmente a sua inserção no mundo do trabalho, tem sido foco de investigações, o que demonstra
a centralidade desse tema para as políticas sociais, principalmente em função de duas constatações
importantes: o grande número de jovens desempregados e que não estudam, bem como aqueles que trabalham,
e que o fazem, em geral, em condições precárias e informais. Tais constatações têm inspirado intervenções
políticas, ao longo dos últimos anos, que procuram facilitar a inserção dos jovens no mercado de trabalho.
Entretanto, as políticas existentes são insuficientes frente à magnitude e heterogeneidade do problema. A
aprendizagem profissional no Brasil foi instituída com o objetivo de desenvolver a industrialização a partir da
respectiva profissionalização de adolescentes. Sua regulamentação data de 1942, mas foi sensivelmente
alterada em 2005, possibilitando que, além do Sistema “S”.“S”, Centros Federais de Educação Tecnológica e
instituições sem fins lucrativos pudessem ministrar curso de aprendizagem. No Maranhão devido a grande
expansão industrial dos últimos anos a demanda de mão de obra qualificada para esse setor tem sido muito
escassa o que levou algumas empresas de qualificação profissional a investirem de forma significativa na
formação de profissionais voltados para a indústria, assim também como o governo do Estado elaborou
programas de inserção dos jovens no mercado de trabalho.
PALAVRA - CHAVE: Maranhão, juventude, industrialização, profissionalização.
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1 INTRODUÇÃO
O Maranhão está localizado a oeste da região nordeste, o estado conta com 217 municípios e, segundo dados
do IBGE em 2010, o estado totalizava cerca de 6.574.789 habitantes. A economia do Maranhão vem tomando
maiores proporções o que solicita a necessidade de mão – de – obra qualificada. Esta mão-de-obra por sua vez é
fundamental para que esse crescimento seja efetivado. A partir desse quadro evolutivo do setor industrial, o
jovem maranhense tem buscado qualificação nas áreas mais solicitadas pelas indústrias sitiadas na região, no
entanto ainda é precária a inserção desses jovens no mercado de trabalho nesse setor devido, principalmente, a
falta de mão-de-obra específica. Além desse entrave os jovens maranhenses ainda enfrentam dificuldades para
ingressar no mercado de trabalho pela mão-de-obra qualificada externa, ou seja, jovens de outros estados que se
tornam personagens competitivos a essas vagas disponibilizadas no Distrito Industrial do Maranhão.
O mercado de trabalho em uma sociedade que evolui a um ritmo intenso, requer novas capacidades de seus
trabalhadores. É necessário formar profissionais flexíveis, autônomos e empreendedores. O contexto sócioprofissional carece de agentes ativos de mudança e esta é a melhor forma para que a Universidades e Cursos
Profissionalizantes,possam instalar suas habilidades intelectuais no mundo de trabalho.O desafio da qualidade
apenas será possível se a comunidade docente e pesquisadora aceitar as transformações produzidas e conseguir
adequar a educação a estas mudanças, que poderiam ser resumidas em uma nova organização do conhecimento e
em uma gestão mais profunda. A adequação dos perfis profissionais e acadêmicos requer, entre outras medidas, a
organização de um currículo regulado por uma formação “por e em” aptidões (transversais, genéricas,
específicas) e uma maior interrelação dos conhecimentos e práticas educativas ágeis, dinâmicas e flexíveis.
Vale dizer que os jovens que pensam no futuro recebam a máxima quantidade possível de informação sobre
as consequências mais prováveis de suas escolhas. Para poder oferecer esta informação e para ter outras
referências na hora de oferecer uma formação profissional de qualidade destinada às necessidades sociais é
importante questionar, por um lado, as características gerais e as mudanças do atual mercado de trabalho e, por
outro, quais são as habilidades, destrezas e aptidões requeridas por este mercado neste momento e as previsões
para os próximos anos.
Deste modo, no momento no qual nos encontramos, não apenas se avalia como essencial a necessidade de
que exista uma adequação sócio-profissional, mas também que os perfis profissionais se transformem no eixo
que permita formular os estudos; definindo as aptidões a adquirir e os conteúdos a desenvolver.
Enfatiza-se que de acordo com o perfil exigido pelo mercado de trabalho, torna-se cada vez maior o número
de jovens que terminaram o ensino médio que ao invés de buscar um curso de graduação opte pelos cursos
profissionalizantes da área da metalurgia, investindo mais na qualificação profissional para conseguir emprego e
aí sim partir para uma qualificação acadêmica. Nota-se, porém que muitos cursos oferecidos não têm a grade
adequada exigida pela indústria, o que gera uma concorrência desleal com aqueles que podem ter uma
qualificação de maior credibilidade e qualidade. São inúmeras as instituições que oferecem cursos de
qualificação profissional, porém, são poucos os que têm registro e reconhecimento no MEC.
Segundo Ruth Cardoso,( Cadernos Ruth Cardoso / Centro Ruth Cardoso. v. 2, n. 2(ago. 2011)
“A questão da juventude, especialmente a sua inserção no mundo do trabalho, tem
sido foco de investigações, o que demonstra a centralidade desse tema para as
políticas sociais, principalmente em função de duas constatações importantes: o
grande número de jovens desempregados e que não estudam, bem como aqueles que
trabalham, e que o fazem, em geral, em condições precárias e informais”.
Tais constatações têm inspirado intervenções políticas, ao longo dos últimos anos, que procuram facilitar a
inserção dos jovens no mercado de trabalho. “Entretanto, as políticas existentes são insuficientes frente à
magnitude e heterogeneidade do problema.”
No que diz respeito às políticas públicas de inserção dos jovens no mercado de trabalho, existem diversos
projetos espalhados em todo o Brasil.O Maranhão Profissional é atualmente o maior programa de capacitação e
treinamento em vigência no país. A ideia do Programa é promover qualificação da mão de obra local para
atender às demandas dos inúmeros empreendimentos privados que estão se instalando no Maranhão, faz parte
também desse programa o Estágio Viva Primeiro Emprego que visa dar oportunidade profissional a jovens e
adultos com idade entre 18 e 30 anos, a partir do estímulo à qualificação para o mercado de trabalho.
Segundo dados coletados, o crescimento econômico maranhense provocado pelo desenvolvimento da
atividade industrial é evidenciado como uma atividade que evoluiu diferentemente nos termos da historia
brasileira, contudo, o Maranhão sempre esteve ligado a economias estrangeiras: com Portugal no período da
colonização, com a Europa e Estados Unidos, como fornecedor de matéria prima, tais como, açúcar, algodão,
babaçu etc. Atualmente, disponibilizando de boa infra-estrutura rodo - ferroviária e portuária, empresas
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multinacionais transitam por aqui, investindo em grandes projetos. Os governos Federais e Estaduais planejam e
negociam investimentos futuros. O porto do ITAQUI tornou-se porta de saída para o agronegócio dos cerrados
maranhenses e do Planalto Central, e de vastas áreas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste com exportação
para os mercados da Europa, Estados Unidos e Ásia. O Consórcio de Alumínio do Maranhão e a Companhia
Vale que movimentam a maior cadeia produtiva do alumínio e do minério de ferro do mundo, sempre abraçaram
o Plano Estratégico de Desenvolvimento Industrial do Maranhão, com expansão e industrialização do alumínio,
criação de siderurgias e traçando novos investimentos e gerando mais empregos diretos e indiretos para o povo
maranhense. Pesquisas realizadas pela Universidade Estadual do Maranhão ressaltam que o processo de
desenvolvimento industrial no Maranhão é bastante recente, data da década de 70, quando a partir dos grandes
Projetos, ali se instalaram empresas, inclusive de grande porte, que passam a ocupar, sobretudo a área do Distrito
Industrial, na capital do Estado, São Luis. Antes da década de 1970, o Maranhão possuía um incipiente parque
industrial, onde se destacavam empresas principalmente do ramo têxtil. A partir da decadência do parque
industrial têxtil, a indústria de gêneros alimentícios e químicos ganhou destaque, porém entra em decadência no
final dos anos 70, quando ocorre um conjunto de transformação na indústria maranhense, provocados pela
implantação de projetos minero - metalúrgica, além do agronegócio da soja.
Nos ensinamentos de BOTELHO (2008), “a justificativa da implantação desses grandes projetos seria a
geração de empregos em larga escala, utilizando tecnologia de ponta e geração de receita tributaria para o
Estado”.
O mesmo ressalta ainda que, a instalação de empreendimentos desta natureza nos países periféricos,
corresponde às exigências do capitalismo globalizado e de sua busca por mercados com a existência de áreas
produtoras de matéria prima, mão-de-obra barata, proximidade com mercados da Ásia, EUA e Europa,
incentivos fiscais, áreas com disponibilidade de água e energia elétrica, fatores somados à posição estratégica e
capacidade portuária. O Maranhão atende perfeitamente a todas essas exigências.
No ramo minero- metalúrgico, os grandes destaques foram à instalação do Projeto Grande Carajás e
ALUMAR, cujas empresas passaram a explorar riquezas como minério de ferro, níquel, manganês, alumina e
alumínio, promovendo um aumento significativo nas taxas de crescimento industrial no Estado.
A maior parte das indústrias maranhenses ou que atuam no maranhão estão situadas na capital São Luis, nos
bairros e principalmente no Distrito Industrial (localizado a sudoeste da ilha), onde estão instaladas a fabrica de
Alumina e Alumínio da ALUMAR (considerada uma das maiores do mundo), duas cervejarias (BRAHMA e
ANTARCTICA) e aproximadamente 40 outras empresas que atuam nos setores Químicos, Têxtil, Gráfico,
Imobiliário, Metalúrgico, Metal-mecânico, Alimentos, Oleaginosas, Fertilizantes, Cerâmicas, Artefatos de
Borracha, Cimento e outros.
Além das indústrias citadas acima, o Maranhão possui outras, tais como: indústria de refrigerantes, cervejas,
construção civil, produção de ferro a aço, calçados, sabão e velas, material de transportes, papel, papelão,
produtos farmacêuticos e álcool etílico.
A contextualização da juventude é fundamental, considerando que o processo de formação nos dias atuais se
vê diante de fatores de ordens diferentes: a instantaneidade temporal provocada pela velocidade tecnológica, que
acarreta certa superficialidade na aquisição de conhecimentos, a cultura do consumo, geradora de múltiplas
necessidades rapidamente descartáveis, o quadro recessivo, que amplia a exclusão social, associado à
pulverização das relações coletivas, levando à individualização e ao desinteresse na esfera pública e política. A
partir desse panorama, ocorre o desmapeamento, ou seja, a perda de referenciais que se configuram, como efeito,
significando a fragilidade diante da vulnerabilidade das referências e dos laços socioculturais.
As transformações aceleradas da vida contemporânea e a crescente complexidade social trazem como
conseqüência as dificuldades de compreender a realidade na sua transformação e a diversidade de formas de
existência que se atualizam nas múltiplas redes de valores, afetos, tradições e perspectivas. A fragilização dos
espaços públicos pela violência, insegurança e pelo individualismo exacerbado, ensejam a multiplicação das
práticas de autodefesa, de desagregação social, reduzindo as oportunidades de intensificação da convivência, de
trocas e de experiências. Do mesmo modo, o aumento das dificuldades econômicas e suas conseqüências sobre a
inserção social e profissional de grande parcela da população atingem de forma dramática os jovens no meio
urbano.
Com a globalização e a modernidade do Estado, as bases territoriais dilataram-se de forma real e virtual,
fazendo dos jovens um grupo social que extrapola a área da aldeia, do bairro e do local. Isso tornou as
referências progressivamente as mesmas, genéricas, da população de conjuntos territoriais muito vastos,
alterando ao mesmo tempo a imagem simbólica que os jovens tinham de si e a que a sociedade tinha deles.
Todos esses fenômenos testemunham a afirmação de uma nova percepção (global, nacional, internacional) da
juventude,seus problemas, de seus modelos e de novas formas de solidariedade.
A juventude está sempre a exigir a interrelação com os outros, com símbolo se valores. De um contexto a
outro, de uma época a outra, os jovens desenvolvem outras funções e logram seu estatuto definido de fontes
diferentes: da cidade ou do campo, do castelo feudal ou da fábrica, do espaço familiar ou da escola etc.
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Tampouco se pode imaginar que a condição juvenil permaneça a mesma em sociedades caracterizadas por
diferentes modelos sócios demográficos. Os países do chamado Terceiro Mundo (Brasil, por exemplo), em que
mais da metade dos habitantes tem menos de vinte anos, possui um dinamismo e um estilo incomparáveis com
os das sociedades européias que envelheceram ostensivamente.O argumento de que jovens em culturas e classes
sociais diferentes vivem formas juvenis diversas, pois, apesar de participarem de uma mesma geração
(temporalmente), podem compartilhar ou não vivências e crenças e,sendo assim, fica praticamente impossível
generalizar o termo e linearizar o caminho, como se a juventude de uma determinada época tivesse passado pelas
mesmas experiências. Dessa maneira, percebe-se que existem juventudes que convivem num mesmo espaço
social, na mesma época, mas diferenciadas por classes sociais, comportamentos, religiões, etnias, não havendo
necessariamente um ciclo natural e universal na vida, pois, como já expresso, em sociedades diversas as etapas
da infância, adolescência, juventude, adulto, velhice são demarcadas deformas diferenciadas.
Segundo Abramo, a tendência da cristalização de uma juventude única,ideal, como a retratada pela minoria
do movimento estudantil da década de 1960,pode refletir negativamente nas juventudes das décadas seguintes,
como foi no caso brasileiro, em que os jovens das décadas de 1970-1980 foram percebidos como traidores da
essência da condição juvenil. Conforme anota,Foi como se, no lugar de acreditar numa utopia, passassem a
conviver uma distopia. É como se ao invés de um assalto aos céus da geração anterior, que lhes parece agora
impossível e falacioso, eles sentissem a necessidade de descer aos infernos como único modo de estabelecer uma
relação verdadeira com a sua condição e de estar alerta para as questões de seu próprio tempo.
Nessa perspectiva, não se pode generalizar a idéia de que as gerações subseqüentes às da década de 1960
sejam simbolizadas e niveladas somente por jovens alienados e apolíticos. Já no cenário das décadas de 19801990, emergem formas de agir dos jovens (chamados de delinqüentes, desviantes) como uma recusa à sociedade
capitalista excludente, expressa pelos meios que lhes são disponíveis, que muitas vezes são caracterizados por
atos de violência, linguagem própria, vestuários, excentricidades, comportamentos e movimentos em
grupos(gangues etc.) de oposição ao meio ambiente e social dominante.
Diante de um mercado de trabalho está cada dia crescendo mais, ficando mais amplo, competitivo e com
mais vagas. Com toda a tecnologia existente hoje em dia e com o seu crescimento, não basta apenas ter uma
vaga a ser preenchida, é preciso ter estudo, capacitação e dedicação. Apesar do aumento do número de vagas, as
pessoas capacitadas ainda são poucas, o que dificulta o preenchimento das vagas e o aumento do número de
desempregados. As oportunidades de emprego também são cada vez mais diversificadas, tendo vagas em todas
as áreas e crescendo cada vez mais com bons salários e em alguns casos, até com benefícios pessoais para o
empregado que ocupa aquela vaga, como plano de saúde, cestas básicas, entre outros.
Os empregos hoje necessitam que o trabalhador tenha um conhecimento avançado da tecnologia, que saiba
mexer com máquinas, computadores e aparelhos cada vez mais modernos, e cabe a nós, jovens, tomarmos
conhecimento dessa tecnologia, para que possamos estar aptos visando às necessidades do mercado.
A tecnologia também vem fazendo alguns profissionais praticamente desaparecerem, pois a mão de obra
deles é substituída por máquinas, o que gera mais desempregos e muitas vezes essas pessoas desempregadas não
atendem as necessidades impostas hoje pelo mercado de trabalho. Os profissionais de hoje também sofrem já que
ao invés de buscarem uma profissão que lhes agradem, buscam por uma profissão com bom salário, com
vantagens e benefícios, sem se importar se é a profissão que tanto desejaram um dia ou se é apenas uma
profissão qualquer que proporciona uma vida melhor.
É comum ouvirmos comentários acerca da necessidade de um bom currículo e a ausência deste é um
requisito que dificulta o jovem a conseguir o emprego. Hoje o currículo e a experiência tornam-se o maior
triunfo na busca por emprego.
O mercado de trabalho, hoje, se encontra mais competitivo do que nunca. Profissões de vários tipos surgem
enquanto outras desaparecem. Essas novas profissões que surgem exigem um grau cada vez maior de
especialização, pois estão diretamente ligados a áreas de extrema tecnologia. Isso além de tornar o mercado mais
competitivo, em virtude de ser uma área cada vez mais promissora, também torna o mercado de trabalho cada
vez mais excludente, pois nem todos têm recursos para esta especialização.
A falta de recursos para uma qualificação profissional de qualidade também é um entrave, já que o mercado
competitivo fornece diverso estabelecimentos onde podem ser realizados estes cursos , porém os que tem mais
credibilidade são, geralmente, mais caros o que dificulta o ingresso de muitos jovens de baixa renda que buscam
qualificação profissional. O programa Maranhão Profissional atende esses jovens, mais ainda com uma demanda
pequena de vagas por período.
O perfil atual da nossa sociedade traz ao jovem uma série de interrogações, o que envolve diretamente o setor
educacional de formação do ensino médio, cabendo à escola, neste novo contexto, trabalhar com outros
elementos, além dos tradicionais, pois o jovem de hoje, além de viver num outro universo e ter novas
expectativas, precisa fugir da exclusão social. Contudo, não só os educadores, mas também os pais, enfrentam o
desafio de contribuir com os jovens para que se adaptem ao momento social em que estão inseridos.
A partir desses pressupostos considera-se que a discussão sobre as interfaces da profissionalização juvenil e
o acesso ao mercado de trabalho por meio das políticas públicas educacionais deveria ganhar espaço nos debates
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em todo o Brasil, pois a preocupação com a reformulação nos sistemas educacionais se faz necessária, com a
introdução, no currículo, de matérias que facilitem ao adolescente conhecer sua aptidão, bem como a
modernização dos equipamentos na área da informática.
Para Pochmann (2000, p. 56), quanto mais favorável o funcionamento do mercado de trabalho, quanto mais
efetivos os programas de garantia de renda e quanto maior qualidade tiver o sistema educativo, menor a
proporção de pessoas que tendem a abandonar a condição de inatividade. O trabalho assume a função educativa
e se constitui um fator decisivo em sua vida.
Conclui-se portanto, que a educação, como uma política social, tem sua relevância no que se refere a sua
função de socialização do conhecimento, acarretando um processo de inserção que lhe é legitimado e
favorecendo sua importância política de preparar para o acesso ao mercado de trabalho.
Dentro deste parâmetro sabemos que, atualmente, o processo de globalização afeta a todos na mesma medida
e revela consequências sociais, como a progressiva segregação espacial, separação e exclusão. Dentro deste
processo de globalização, com o aumento da concorrência, as empresas ainda empregam mão de obra ilegal, com
a exploração do trabalho da criança e do adolescente.É válido citar que, a Constituição de 1988 atribui à
sociedade empresarial responsabilidades sociais, como a busca pelo pleno emprego, sendo sempre assegurada a
livre iniciativa.
A capacitação para o trabalho, a iniciação profissional, a profissionalização, integram obrigatoriamente o
processo educacional e são uma responsabilidade a ser assumida pelos gestores públicos. Proporcionar condições
para a inclusão social por meio do trabalho é uma obrigação das sociedades democráticas e um passo decisivo
para a conquista da cidadania.
Considerado o caráter competitivo do atual mercado de trabalho, a profissionalização do adolescente aparece
como procedimento eficaz para impedir a pobreza decorrente do desemprego ou os péssimos salários que
acompanham a falta de qualificação, além de inseri-los de maneira adequada no mercado formal de trabalho e
integrá-los à sociedade como verdadeiros cidadãos.
Entramos então nos programas criados para que este problema de exploração de mão de obra infanto-juvenil
seja erradicado, o mais conhecido é o projeto jovem aprendiz ou menor aprendiz, este deve estar sujeito a
profissionalização metódica do ofício em que exerça seu trabalho, sendo vinculado à empresa por contrato de
aprendizagem conforme dita o art. 428 da CLT, colaborando, dessa maneira, com a capacitação do adolescente e,
consequentemente, com a garantia de uma melhor colocação no mercado de trabalho.
Respaldado pela Lei 10.097/2000, que dispõe sobre o contrato de aprendizagem, explana acerca do
aprofundamento das reflexões sobre responsabilidade social das empresas atuais, particularmente sobre a
possibilidade de estas atuarem no processo de desenvolvimento dos jovens e na sua colocação no mercado de
trabalho, passando também a desempenhar a função de orientador dos jovens que estão desenhando seus projetos
de vida.
O não cumprimento desta Lei de Aprendizagem pode trazer efeitos nocivos para as empresas que têm
obrigatoriedade de contratar aprendizes. A saber, hoje, o valor da multa pode variar de 30 Ufirs (Unidade de
Referência Fiscal) a 150 Ufirs. E, no caso de reincidência, ou seja, nova notificação do Ministério do Trabalho, o
valor pode dobrar, além de a empresa estar sujeita a outras penalizações.
A empresa que participa do programa de aprendizagem tem, em primeiro lugar, um ganho institucional, pois
está fazendo parte de um projeto social que visa ajudar o jovem a ter seu primeiro emprego, um empregador que
contrata adolescentes em seu quadro de trabalhadores, mais que cumprir seu papel social, contribui
positivamente com o desenvolvimento da sociedade, comprometimento este que vai além da obrigação de as
empresas cumprirem leis e pagarem impostos, o que acarreta em uma excelente imagem da empresa perante os
consumidores, tendo, dessa maneira, uma melhor comercialização de seus produtos.
No Maranhão, diversas empresas participam do programa Jovem Aprendiz, podemos citar na área da
indústria a Empresa Vale do Rio Doce e ALUMAR, dentre outras de menor porte. Semestralmente surgem
oportunidades para o ingresso de jovens nesses programas, a Empresa realiza seletivos que selecionam jovens
capacitados ao ingresso no mercado de trabalho no setor industrial e oferece cursos de qualificação profissional
para esse jovens.
Para MELO (2009) “A qualificação pode, ainda, ser colocada sob a perspectiva de investimento, e a
educação e profissionalização ensejariam um retorno financeiro futuro”.
Ainda acerca das leis que regem o ingresso do jovem aprendiz,cabe ressaltar que, a legislação anteriormente
citada obriga que as médias e grandes empresas devam compor em seu quadro de funcionários de 5% a 15% de
aprendizes, entre 14 e 24 anos. O que parece ser um ônus para o empregador passa a ser um bônus, pois, dentre
as vantagens que o empregador tem, está o aspecto positivo de limitar o prazo do contrato de trabalho para até
dois anos, exigindo assim que as empresas vejam os jovens como potenciais funcionários e não apenas como
mão-de-obra barata.
Saliente-se que contratação de aprendizes não é obrigatória para todas as empresas, pois as microempresas,
empresas de pequeno porte e entidades sem fins lucrativos não precisam cumprir essa determinação, então a
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utilização do recurso, que pode trazer inúmeras vantagens para o crescimento do estabelecimento, acaba sendo
facultativa nos casos aqui descritos.
Outras empresas que contribuem muito com a inserção desses jovens no mercado de trabalho no setor
industrial são as empresas de pequeno porte, são empresas registradas no “Simples” (Sistema Integrado de
Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), que optarem por
participar do Programa, não terão acréscimo na contribuição previdenciária e as empresas estarão sujeitas ao
recolhimento da alíquota de 2% sobre os valores da remuneração de cada menor, inclusive sobre gratificações,
para crédito na conta vinculada ao FGTS (Lei 8036/90, art. 15, § 7o), ou seja, há uma redução de 75% da
contribuição normal.
O contrato de aprendiz também dispensa o empregador de aviso prévio remunerado e o isenta de multa
rescisória. Se o aprendiz quiser se desligar do contrato antes do término pactuado este, da mesma maneira, não
era obrigado a indenizar o empregador na forma do art. 480 da CLT, conforme prescreve o § 2º do art. 433,
igualmente da CLT.
Assim, o acompanhamento e a qualificação dos jovens, além de uma responsabilidade social do empregador,
fazem parte de um conjunto que acaba beneficiando toda a sociedade.
A juventude é reconhecida como uma criação da época moderna, pois a inserção social dos jovens no mundo
dos adultos, com os deveres que comporta,ocorre cada vez mais tarde, do que foi para os pais das antigas
gerações. Isso decorre da complexidade sociocultural de cada lugar e de uma gama de múltiplosfatores,
destacando-se o prolongamento do tempo de escolaridade e da aprendizagem,as mudanças nas formas de
socialização, a menor absorção desse público pelo mercado de trabalho, a modernidade, a “psicologização” da
Educação etc.
Durante o percurso da juventude, espera-se que o jovem se torne independente dos pais, escolha uma
vocação, prepare-se para o exercício da sexualidade, fortaleça a identidade, os valores morais, éticos e estabeleça
uma filosofia de vida. Com a chegada da maturação intelectual, a juventude pode vir a seruma época ideal para
examinar as oportunidades, isso dependendo das condições sócio-afetivo-cultural, pois o estabelecimento das
opções e compromissos pode ser dificultado pela instabilidade característica do período.
Nessa fase, o jovem passa a questionar poderes, normas familiares e escolares; tenta escolher seus pares,
questiona a realidade; procura escolher o seu próprio caminho, se expõe e corre risco, experimenta o novo. É um
ser em ebulição,criativo, desafiador, confuso...
A juventude confunde-se com o tempo de um consumo desregrado e descontrolado de vários itens materiais,
afetivos e sociais. A solidariedade de grupo é também reforçada pelas práticas de hospitalidade, de generosidade
dentre os que partilham as mesmas turmas, festas, esporte, banda etc.
Uma diferença social que opõe os adultos aos jovens é o seu comportamento totalmente oposto em matéria
econômica. O adulto deve distinguir-se por sua prudência e controle financeiro, que contrasta com a
generosidade juvenil. Daí o conflito: o dinheiro é necessário para que o jovem mantenha sua condição social,
mas quem detém o dinheiro é o adulto, uma vez que, no geral, o jovem é desprovido de patrimônio.
Historicamente, várias soluções se oferecem aos jovens: primeiro a solução épica – conquistar ele próprio
aquilo de que precisa e assim tornar-se talvez um senhor provedor de si e de outros pelo trabalho; ou a solução
socialmente “desviante” e, possivelmente, tornar-se um delinqüente mantido pelo produto de ato de infração;
também para os de classe mais favorecida a manutenção pela mesada; e, por fim, os excluídos, que não dispõem
de nenhum rendimento. Salvo os casos de quem nasce em “berço de ouro”, que usufruirá aherança patrimonial.
Esses são alguns dos modos predominantes, por excelência,de adquirir bens e/ou poderes.
O Maranhão, apesar de alguns avanços significativos em alguns setores econômicos, ainda concentra a maior
massa de trabalhadores sem qualificação, a maior quantidade de pessoas que vivem em extrema pobreza e com
problemas de saúde pública. O Maranhão permanece como um dos Estados mais pobres e carentes do país,
ocupando a penúltima posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro e com a pior
participação do PIB e renda per capita anual de R$ 1.400,00, sendo o segundo mais baixo do país. (IBGE, 2006)
A proposta defendida pelo governo do Estado e da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da
República é a formulação de mais projetos de desenvolvimento estratégico que tragam resultados não apenas
para o Maranhão mais para todo o Nordeste.
A vinda da refinaria de petróleo Premium, é um exemplo, prevista para ser instalada no município de
Bacabeira, a 50 quilômetros de São Luís, está garantida pela Petrobras. Pela estimativa do presidente da
Petrobras, a refinaria do Maranhão deverá estar pronta em 2013. De acordo com a gerente da Premium no
Maranhão, Sandra Lima, o investimento é de U$ 40 bilhões de Reais, para produção de óleo diesel, nafta e
outros substratos do petróleo. Ela prevê com a chegada da refinaria a abertura de mercado para empresas de
todos os segmentos, de forma direta e indireta. Na cidade de Bacabeiras, deverá ser contratada construtora para
serviços de abertura, ampliação e calçamento de ruas e avenidas, construção de prédios para escolas, hotéis,
residências (para empregados da Petrobras e suas terceirizadas) e outros empreendimentos. Fora esses, serão
contemplados os investidores de serviços, porque vai haver mais demanda nas áreas de ensino, turismo,
gastronomia, hotelaria e muitos outros que terão forte impacto no comércio, na indústria e no setor agropecuário
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também, haja vista que o desenvolvimento virá em cadeia. A instalação de uma refinaria de Petróleo no
Maranhão é aguardada com ansiedade pela classe empresarial, que enxerga neste projeto a grande oportunidade
de serem criadas novas oportunidades de negócios no Estado (O Imparcial. Janeiro, 2009)
Vale ressaltar que ocorre um dilema quanto ao desenvolvimento da indústria na Região, pois o investimento
propiciado pelos incentivos fiscais prioriza o emprego, a diversificação e a orientação do mercado local, o que
prejudica, muitas vezes, o incremento da qualidade dos processos e produtos. Como os grandes atrativos são os
baixos salários da mão-de-obra pouco qualificada e os incentivos fiscais, o incremento da qualidade pode
representar aumento de salários e de despesas que afetariam seus diferenciais competitivos locacionais.
A juventude é uma categoria social que tem conquistado espaço na agenda pública e nas discussões
científicas. Este artigo se propõe a fazer um resgate da categoria social da juventude, abordando aspectos que se
referem às diversas nuances que perpassam esse conceito. Para tanto, procurou-se discutir as fronteiras que
foram delineando esse segmento populacional ao longo do tempo, bem como elucidar as diferentes faces com as
quais esse fenômeno se apresenta na sociedade. Por se tratar de um estudo teórico, lançou-se mão dos principais
autores na temática da juventude na atualidade, bem como foi feito um resgate de dados oficiais a respeito da
realidade da juventude brasileira. Inicialmente, apresenta-se um apanhado histórico acerca da construção social
da juventude, além de discutir como esse segmento vem se configurando de forma ambígua na realidade
brasileira. Em seguida, faz-se uma reflexão acerca da ideal juventude que habita o imaginário social, em
contraponto à apresentação da real juventude brasileira, com toda a sua configuração de violações de direitos e
ausência do Estado. Tais componentes dão subsídio para a discussão acerca de quem é o jovem da atualidade,
em que contexto ele está inserido e que papel representa na sociedade.
Não podemos, entretanto estipular conceito único acerca do que é a juventude em se tratando de faixa etária.
Diferentemente da adolescência, que tem sido delimitada pela fronteira da faixa etária estabelecida no Estatuto
da Criança e do Adolescente – ECA (Lei nº 8069/90) como idade que compreende de 12 a 18 anos incompleto, a
juventude refere-se a um período não necessariamente delimitado pela idade, mas que compreende outros
fatores, relacionados a intensas transformações biológicas, psicológicas, sociais e culturais, que variam de acordo
com as diferentes classes sociais, culturas, épocas, etnias, gênero, dentre outros determinantes (UNESCO, 2004).
Não existe uma concepção social única que caracterize e delimite o grupo geracional no qual os jovens estão
inseridos, visto que se trata de uma categoria em permanente construção social e histórica. Assim, cabe falar em
diferentes juventudes, que possuem a construção da identidade como questão central, mas que se destacam no
imaginário social a partir de múltiplas referências da sociedade.
No entanto, como bem discute Souza (2005), essa definição plural na sociedade de consumo provoca um
entrave à construção da identidade juvenil, em que a reivindicação mercadológica tolhe outros estilos de vida
não condizentes com a lógica do capital e classifica determinado padrão de juventude como modelo. Sobre esse
aspecto, Esteves e Abramovay (2007) sugerem que:
Sujeitos de uma sociedade de consumo ostentatória – cujo principal traço é suscitar nas juventudes, mas não
apenas entre elas, aspirações que, muitas vezes, deságuam em frustrações, porque irrealizáveis para a grande
maioria –, transitam no seio de uma arquitetura social cuja desigualdade e acirramento das diferenças constituem
algumas de suas faces mais visíveis.
Desta forma, percebe-se uma remodelação da representação juvenil, a partir da dicotomia que emerge nas
classes sociais; aqui considerado o principal fator que define a pluralidade das juventudes.
Apesar de a delimitação do grupo populacional jovem sofrer variações segundo contextos particulares,
convenciona-se o estabelecimento de ciclos de idade, definidos a partir de fatores relacionados à aquisição da
autonomia, inserção no mercado de trabalho, expectativa de vida da população, dentre outros fatores (Aquino,
2009). Alguns países, como o Japão, por exemplo, classificam os jovens como indivíduos até 35 anos (Chaves,
1999), enquanto outros adotam outras delimitações bem variadas.
Nos países ocidentais não se observa tanta polêmica quanto ao limite inferior, que geralmente é definido em
15 anos. Para essa delimitação, o enfoque é biológico e psicológico, relacionado ao desenvolvimento das funções
sexuais e reprodutivas. No entanto, a delimitação superior não é tão consensual. Estudos da Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO (2004) indicam importantes fatores que
devem ser considerados: há uma crescente abrangência do segmento juvenil, relacionada à passagem do rural ao
urbano, do industrial à sociedade do conhecimento; há uma perda das características que definem um adulto,
principalmente devido à tendência à "juvenilização"; em contraponto, os jovens vivem um processo de
"adultização" acelerado, decorrente das incertezas e desafios advindos da crescente globalização (UNESCO,
2004). Esses fatores se fazem significativos à medida que a juventude contemporânea se configura enquanto uma
categoria que já tem condições de produzir e de se inserir ativamente na lógica de mercado, mas que, ao mesmo
tempo, ainda é considerada enquanto uma etapa de preparação para tornar-se produtiva na sociedade.
Conforme aponta Quiroga (2005), a juventude não consiste um fenômeno meramente demográfico. Trata-se
de uma complexa condição social, que influencia e é influenciada pelas diferentes culturas e possui uma
condição dinâmica e mutável ao longo do tempo, de acordo com as transformações da sociedade. Não se pode,
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portanto, falar de uma juventude universal, visto que não consiste de um fenômeno que está posto em qualquer
lugar e tempo, sem implicações sociais.
Questionar o caráter universal da juventude é reconhecer a sua historicidade. Ela, assim como todos os outros
segmentos populacionais, vem sendo delineada e contornada ao longo da história (Novaes, 2007a). Parte-se
então de uma perspectiva de conceituação sócio-histórica da juventude, em que cada época e sociedade aprovam
sua concepção própria e lhe atribuem papéis particulares (Fraga &Iulianelli, 2003).
Com o advento do capitalismo liberal no século XX, acirra-se o processo de formação de riqueza e a
consequente disseminação da miséria. Assim como toda a população, a juventude sofreu com a acumulação de
capital em detrimento dos investimentos sociais. Conforme apontam Coimbra e Nascimento (2003), o processo
de concentração do capital provoca efeitos poderosos: exclusão, estigmatização e tentativa de destruição das
classes pobres – notadamente da juventude pobre – por meio da opressão e criminalização. As ações decorrentes
desse contexto socioeconômico, muitas vezes invisíveis, acabam por levar os jovens pobres ao extermínio e à
clausura.
De acordo com Aquino (2009), por volta das décadas de 1950 e 1960, a juventude passa a ser vista como
uma fase preparatória e transitória da vida, que exige da família e da escola uma atenção e esforço contínuos, que
visem preparar o jovem para a socialização. Nessa concepção, os possíveis problemas que emergem são alvo de
redefinição e são entendidos como disfunções ou desvios desse processo de socialização e não mais como
inerentes à condição do jovem.
Iulianelli (2003) discute que, nesse mesmo período, a temática da juventude insurge de forma ambígua: por
um lado, é vista como agente de transformação social e, por outro, como uma parcela populacional ingênua e
irracional. Essa ambiguidade também é apresentada por Fraga (2008), ao discorrer sobre a visão social dos
jovens como promotores e vítimas de violências terríveis que se instauram na América Latina na década de
1980, em conflito com a visão de que estes mesmos atores seriam responsáveis pela reserva ética das sociedades
e pelo destino da humanidade. Novaes (2007a) também aponta a ambivalência da condição juvenil entre a
contradição da sua subordinação à família e à sociedade, coexistindo com as grandes expectativas de
emancipação desses jovens. Essa ambiguidade se torna mais evidente na juventude, especialmente ao se analisar
que a alta incidência de violências que perpassa esse público o marginaliza, enquanto que, ao mesmo tempo, a
sociedade capitalista, ao forjá-lo enquanto modelo ideal, o enaltece.
Além destas concepções, outros pontos de partida para o debate acerca da juventude são apresentados por
Abramo (2008):
a) o foco nas possibilidades e condições de participação dos jovens na sociedade, a partir dos seus valores,
opiniões e atuação social, tanto implicados na mudança do destino da nação, como nas questões particulares
que os afetam;
b) a juventude como um fator demográfico, em que se consideram os fatores de inclusão e exclusão nas
diversas formas de participação na sociedade;
c) a concepção do jovem como um sujeito de direitos, em que se procura analisar, a partir das peculiaridades
da condição juvenil, os direitos emergentes, que devem ser garantidos pelo Estado e pela sociedade. Vale
salientar que, no que se refere à parcela dos jovens que se enquadra na categoria da adolescência devido à sua
faixa etária, esta perspectiva de sujeitos de direitos está contemplada no Estatuto da Criança e do
Adolescente, no entanto, para os demais, esse é um debate que ainda necessita ser construído.
Diante dessa diversidade de abordagens, a concepção da juventude como uma condição transitória –
diferentemente de outras categorias como classe social ou gênero, que se apresentam de formas mais
permanentes – passa a ter lugar em diversos espaços de discussão. Falar na característica da transitoriedade
específica da juventude implica retomá-la a partir do contexto da lógica do consumo, isto é: um período em que
os sujeitos teoricamente possuem as condições necessárias para ingressar na esfera da produtividade no mercado,
mas que, por uma razão ou outra, ainda estão "esperando" que isso aconteça. Segundo discutem autores como
Novaes (2007b) e Dayrell (2007), tal aspecto implica no desenvolvimento da ideia da juventude como um
período de moratória social, em que sua condição consiste apenas em uma etapa de preparação para uma vida
futura, repleta de inserções nas mais diversas dimensões da vida em sociedade.
Aquino (2009), ao contextualizar a condição social dos jovens no Brasil, tem o cuidado de apreciar as
diferentes implicações da juventude como moratória social. Aponta que, com a crise do desemprego na década
de 1990, a restrição de oportunidades ameaça a incorporação dos jovens (e a permanência dos trabalhadores) no
mercado de trabalho, o que implica em duas tendências, quais sejam: os jovens pobres se submetem a condições
precárias de trabalho e continuam dependentes do seu núcleo familiar, mesmo que este também não apresente
boas condições de sobrevivência; e, os jovens privilegiados em sua origem social acabam por adiar a busca pela
inserção profissional, perpetuando-se na condição de estudantes, e também continuam dependendo das suas
famílias, o que provoca um prolongamento da moratória social. A inserção prematura e precária dos jovens
pobres no mercado de trabalho informal, ou a sua desocupação prolongada, diferencia sua condição de moratória
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social da dos jovens de classes mais abastadas, posto que àqueles é associada uma perspectiva negativa dessa
condição, enquanto a estes estão intrínsecos os ideais da liberdade, conforto, e tolerância do meio familiar à fase
de moratória, aspectos tidos como naturais da juventude.
Tem-se então uma clara distinção da condição socioeconômica no que diz respeito à moratória social. Esse
termo, originado da precarização do mundo do trabalho, faz emergir as diferentes expectativas de futuro que a
sociedade neoliberal reserva para jovens de estratos sociais diferentes. Se para uns a busca pela qualificação é
condiçãosinequa nonà educação, mesmo provocando um adiamento do ingresso no mundo do trabalho, para
outros, a falta de oportunidades de emprego formal e a sua posição social lhes transforma em contingente de
reserva e age perversamente adiando sua entrada na maturidade.
Nos ensinamentos de Aquino (2009) quando atenta ainda para as consequências da existência de tal
conjuntura e sugere que, uma vez fora do sistema produtivo, os jovens estariam suspensos da vida social,
situando-se no limite dos processos de criação e decisão, próximos à marginalidade. Além disso, essas
tendências apontam para um entrave na emancipação econômica dos jovens, implicando em uma frustração das
expectativas de mobilidade social, o que acaba por provocar um adiamento do rompimento da dependência e um
prolongamento da condição juvenil. Outra consequência apontada por Ribeiro e Lourenço (2003) reside no fato
de que a juventude tida como esperança exige uma redução da participação no presente, tanto no âmbito singular
desses jovens, como na esfera social.
Em contraponto a essa condição de moratória social relacionada às questões socioeconômicas e de
independência dos jovens, tem-se cada vez mais cedo uma inserção dessa população no "mundo dos adultos"
quanto ao quesito da vida afetiva e sexual. Camarano (2006) discorre acerca do rearranjo da nupcialidade, que
muitas vezes é o fator que caracteriza a transição para a vida adulta, em que os jovens cada vez mais cedo saem
da casa dos pais e constituem um novo domicílio e uma nova família, adquirindo responsabilidades que são
vistas como pertencentes à adultez. Mais uma vez, fica claro que essa conceituação de vida adulta é perpassada
por questões socioeconômicas. Se, por um lado, observa-se que os jovens de estratos mais abastados possuem
condições de se desvincular das suas famílias e constituir a sua própria, adquirindo responsabilidades e
autonomia, inclusive financeira, o mesmo não é verdade para os jovens das classes pauperizadas. Nestes espaços,
é comum a constituição de novas famílias sem que se ocupe um novo domicílio, devido às condições precárias
de sobrevivência, o que acaba gerando um adensamento demográfico tanto dentro do lar como na comunidade
em geral e trazendo implicações diretas na convivência familiar e comunitária.
A partir dessas considerações, defende-se que o ingresso no mercado de trabalho não necessariamente se
constitui como único fator implicado na transição da juventude para a vida adulta. Este processo de transição
consiste em fenômeno complexo e multicausal que se dinamiza a cada sociedade e a cada contexto histórico. No
contexto atual, com a consolidação do modo de produção capitalista, um dos principais elementos – ou o
principal – dessa complexidade é a classe social na qual o jovem está inserido. Seja considerando os aspectos de
construção de um novo núcleo familiar ou de limites e possibilidades de inserção tardia na lógica de mercado, a
desigualdade na distribuição dos recursos apresenta-se como fator determinante para as diferentes experiências
de moratória social vivida pelos jovens.
Não obstante o apresentado, Quiroga (2005) discute que essa noção de moratória social – na qual os jovens
têm a garantia de complacência da sociedade para a espera do exercício da vida adulta e responsável – foi
ressignificada nos últimos anos. A juventude provocou uma reversão em seu lugar social e se impôs enquanto
segmento e enquanto condição social não homogeneizável. Sobre esse aspecto, Aquino (2009) aponta uma nova
visão sobre a juventude: a de ator estratégico do desenvolvimento. Tal noção apresenta implicações diretas na
atenção das autoridades a essa população e provoca uma reatualização da visão preparatória da juventude. O
autor destaca alguns fatores decorrentes dessa nova significação, quais sejam: a reivindicação de uma boa
educação, que favoreça a formação do capital humano dos jovens; a exigência de um recorte específico para a
juventude nas ações públicas; e o apoio à participação política dos jovens.
No Brasil, o forte movimento juvenil da década de 1990 contribuiu significativamente para o surgimento
dessa nova concepção da juventude. Nessa década, bastante crítica no processo socioeconômico mundial,
observou-se uma crise do Estado de Bem-Estar social nos países desenvolvidos, o que refletiu em índices
elevadíssimos de desemprego e precarização das relações de trabalho, inclusive no Brasil. Nesse período, há um
acirramento da desigualdade social e uma deterioração das condições de trabalho e de sobrevivência, agravando
vários problemas sociais como fome, criminalidade, violência e pobreza (Alencar, 2008; Anderson, 1995). O
receituário neoliberal começava a ser seguido e a economia nacional estava sujeita às determinações de capitais
internacionais, entravando o desenvolvimento de políticas sociais ao mesmo tempo em que fortalecia o processo
de privatizações (Yamamoto, 2007). Paralelamente a esse contexto socioeconômico, aconteceu um fenômeno
singular na história do país, a denominada "onda jovem": os índices demográficos da população juvenil
cresceram significativamente nessa década.
Tal conjuntura implicou em diversas consequências, que caracterizaram esse período histórico. Instaurou-se
um contexto na América Latina em que o abandono das crianças e jovens, bem como a violência da qual eram
vítimas se tornaram uma problemática de saúde pública. Ao mesmo tempo, vários movimentos culturais, como
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o rap, ohip-hop e o funk, emergiram em todo o país, o que fortaleceu os espaços de convivência dos grupos de
jovens, favorecendo a sua mobilização social e política e se constituindo de espaços singulares no exercício da
formação da identidade desses jovens (Iulianelli, 2003; Aquino, 2009). Quiroga (2005) e Alves (2005) apontam
que, no Brasil, especificamente o movimento hip-hop, em que inicialmente os jovens se organizavam para
construir uma nova forma de lazer, se constituiu de um movimento fundamental no protagonismo juvenil contra
a violência urbana que veio assolando a juventude brasileira na década de 1990.
Nesse novo contexto ideológico, os jovens, gradativamente, vão ocupando um lugar diferenciado no
imaginário da sociedade, passando a ser vistos a partir das suas especificidades e necessidades e começando a
ganhar importância como uma fase específica do ciclo de vida, e não mais como uma mera transição para a idade
adulta. Desta forma, o foco da juventude se transfere para o presente. Para Aquino (2009), as configurações dos
espaços de convivência e interação dos jovens preenchem as lacunas deixadas por instituições como as escolas e
favorecem o estabelecimento de várias (sub)culturas juvenis, que influenciam fortemente na renovação dos
valores e práticas sociais.
A partir dessa reconsideração da condição juvenil, passa a ocorrer um fenômeno que pode ser denominado de
juvenilização da sociedade, no qual – apesar de persistir a ambiguidade do papel social do jovem – o que se
observa é uma adoração do modelo cultural construído para a juventude. Vale fazer breve reflexão a respeito das
questões implicadas nesse processo de valorização da juventude na sociedade contemporânea.
Em um período em que as desigualdades econômicas e sociais estão cada vez mais acirradas, a sociedade está
vivenciando um processo de individualização que se intensifica à medida que o capitalismo impõe a cultura da
"liberdade individual" e da meritocracia. Nesse sentido, observa-se, mais intensamente a partir do século XXI,
que a velocidade da modernização econômica e a ênfase no imediatismo têm gerado um novo conteúdo para a
representação social da experiência de "ser jovem". A indústria cultural está cada vez mais dirigida às novas
gerações: ora à infância, impondo papéis que antes se restringiam à adultez, ora à juventude, tida como uma
geração que consegue acompanhar a modernidade e que convive com a incessante nostalgia dos adultos, que são
alvo da promessa do rejuvenescimento (Ribeiro & Lourenço, 2003). Sobre esse aspecto, Ribeiro (2004) aponta
que a juventude contemporânea constitui certo ideal social que talvez nunca termine, visto que cada vez mais a
sociedade está marcada por valores associados à mocidade, como a ideia de liberdade pessoal. Para Fraga e
Iulianelli (2003),
Os valores da juventude passaram a ser os mais desejados pelos indivíduos, projetando o tema da juventude
sobre todas as faixas etárias. Os jovens participam de forma dúbia da cultura de massa: integram-se a ela, mas
consomem determinados produtos em função dos quais lhes possa ser atribuída uma singularidade. Os jovens,
contudo, somente são invitados ao consumo em torno de um modelo.
Diante disso, tem-se um processo de alargamento da etapa da juventude, pelo menos no que se refere ao ideal
vislumbrado pela sociedade contemporânea. No entanto, como bem aponta Quiroga (2005) ao distinguir entre
jovens e juventude, os primeiros constituem um segmento populacional, enquanto a última trata-se de uma
condição social, que não é passível de homogeneização. Ao se construir uma concepção da juventude de forma
tão idealizada incorre-se no risco de cair no vazio da discussão construída historicamente acerca das
peculiaridades dessa população, tanto no que diz respeito às suas especificidades comparadas às outras faixas
etárias, como com relação às distinções existentes entre as próprias formas diferenciadas de juventude. Desta
forma, conforme apontam Ribeiro e Lourenço (2003), constitui-se uma noção objetivada e naturalizada do
jovem, que diverge daquela ideia de jovem dotado de aspectos sociais e experiências históricas cuja ação é
voltada para o futuro.
As consequências da consolidação desse ideal da juventude apresentam-se nas exigências impostas aos
jovens para sua adequação às mudanças da sociedade atual, que criam vários obstáculos à sua projeção da vida.
A abstração da categoria juventude dá margem à manipulação da experiência subjetiva desse jovem, dificultando
o seu processo identitário e contribuindo para uma crise, uma vez que, ao mesmo tempo em que ele faz parte de
uma concepção voltada para os ideais de autonomia, liberdade e vigor, trata-se de um sujeito muitas vezes
ameaçado e limitado, exposto a realidades claramente afastadas das suas condições particulares.
Nesse sentido, Fraga e Iulianelli (2003) apontam para uma reflexão: ter a juventude valorizada significa
proporcionar espaços sociais relevantes a esse grupo populacional? Ora, é sabido que existe uma distância
abismal entre essa representação ideal da juventude e as diversas realidades em que se encontra a maioria dos
jovens do Brasil. A distinção que mais se faz presente é a que coloca em lados opostos os jovens de classes
sociais distintas, de modo que a ambiguidade nas representações outrora apresentadas logo encontra os sujeitos
que as sustentam: para os jovens pobres, resta o estigma da marginalidade e associação à violência e
criminalidade e, para os demais, prevalece a ótica progressista, embasada na ilusória liberdade individual.
Isto posto, tem-se que a valorização da idealizada juventude, construída no seio da sociedade de consumo,
não está associada, em nenhum aspecto, à oferta de espaços sociais relevantes à população jovem. Ao contrário,
tem-se o fato de que os jovens das classes subalternizadas não se adéquam às molduras simbólicas da juventude,
o que só contribui para o aumento da significação da pobreza como sinônimo de risco social e para a escassez
desses sonhados espaços sociais relevantes.
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Vale relembrar que as distinções aqui apresentadas são fruto de uma realidade de extremas desigualdades,
que provoca consequências concretas no desenvolvimento da identidade e na vida destes jovens. Desta forma,
cabe apresentar algumas informações acerca da configuração sócias demográfica da juventude contemporânea
no Brasil.
Os principais indicadores sócios demográficos apresentados pelas pesquisas oficiais referentes a jovens
relacionam-se a índices como educação, trabalho, saúde, violência, dentre outros. As informações apresentadas a
seguir, referem-se, em sua maioria, à população na faixa etária de 15 a 24 anos, visto que os relatórios
apresentados utilizam essa faixa etária como referência para a população juvenil.
Como já foi citado anteriormente, as diferentes condições socioeconômicas, no que diz respeito aos índices
de acesso à educação, reflete a ineficácia da política educacional brasileira. Trata-se de um dos aspectos que
mostra que o desenvolvimento econômico no país vem acontecendo em detrimento do desenvolvimento social.
O Estado atuante no contexto do modelo neoliberal, em vez de se voltar para aspectos essenciais à população,
como a educação, serve às normas do mercado, que regula a economia e limita o acesso à educação de qualidade
para alguns que podem pagar.
Diante das informações apresentadas, entende-se que grande parcela da população juvenil apresenta reais
dificuldades de concretização de seus projetos de vida, visto que a sua esfera social determina os limites até onde
esse jovem pode progredir na sociedade e contribui para a marginalização dos setores mais pobres, em que o
acesso a políticas de educação, segurança, bem como ao mercado de trabalho formal apresentam-se de maneira
escassa. Isso quer dizer que, como uma construção social, não há um único modo de vivenciar a juventude, já
que a mesma ora se apresenta sob diversas faces, entre o ideal e o real.
Como aponta a literatura na área, a combinação de fatores como inserção deficitária na educação e no
mercado de trabalho, ausência de oportunidades de lazer e de formação ética para uma cultura de paz têm sido os
principais responsáveis por situar esses jovens à margem de uma participação democrática que colabore na
construção de identidades pautadas por compromissos de cidadania. Desta forma, esses são alguns dos
indicadores que devem colocar a questão juvenil em um papel central na atenção tanto do Estado como da
sociedade civil.
A principal preocupação das políticas públicas tem sido combater a violência, por meio da segurança pública,
enquanto as iniciativas da sociedade civil estão, em grande parte, centradas na profissionalização desses jovens.
No entanto, cabe a seguinte reflexão: será essa a única forma, ou a forma mais eficaz de intervenção de ambos os
setores com relação aos jovens?
Defende-se aqui que, para além da realização de políticas e ações paliativas que busquem apenas minimizar
os índices apresentados, é necessária a compreensão de que as ações voltadas para os jovens devem ir além da
garantia de um direito e estar orientadas ao fomento da participação. A juventude consiste numa categoria social
relevante, seja pelas dificuldades ou potencialidades. Cabe então pensar os desafios inerentes à questão da
atenção aos jovens, aproximando a temática da juventude das reflexões sobre o desenvolvimento do país. Não
basta somente realizar investimentos nas condições sociais e econômicas, mas sim identificar áreas estratégicas
para a construção de projetos juvenis de vida, que incorporem sentimento de pertencimento por parte dos jovens
em relação à sociedade e desenvolvam ações que possam oferecê-los às ferramentas necessárias para a
emancipação e construção da autonomia. Isso por que se acredita em ações que considerem os jovens como
sujeitos políticos, capazes de contribuir com outro projeto de sociedade melhorada.
2 CONCLUSÃO
Portanto, diante de um estudo bibliográfico minucioso que perpassa desde bibliografias acerca da história do
desenvolvimento do jovem no mercado de trabalho até os dias de hoje podemos observar que , ainda percebe-se
que a dificuldade da inserção do jovem no mercado de trabalho se dá não só pelas questões relacionadas a idade
desses jovens, mas principalmente devido a falta de qualificação profissional adequada e de qualidade que
atendam as necessidades do chamado terceiro setor. Mas também vale ressaltar que o Maranhão apresenta um
desenvolvimento continuo no setor industrial o que tem levado o jovem a qualificar-se mais em cursos
profissionalizantes que buscar uma formação acadêmica universitária, em contra partida o Governo estrutura e
sustenta, com auxílio do Governo Federal, programas de qualificação e inserção dessa mão de obra no mercado
de trabalho industrial da região.
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3 AGRADECIMENTOS
Aos colegas que participaram da confecção deste trabalho: Maria das Graças Rezende e Maysa Rabelo
alunas do Curso de Serviço Social da Faculdade Atenas Maranhenseprestamos nossos sinceros agradecimentos
REFERÊNCIAS
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EFEITOS DA POLÍTICA DO BENEFÍCIO GOVERNAMENTAL SOBRE
O COMPORTAMENTO DE PEQUENAS COMUNIDADES AGRÍCOLAS
NA ILHA DE SÃO LUIS DO MARANHÃO
Recebido em 24/06/2013
Aprovado em 28/07/2013
Ana Rúbia Carvalho da Cruz, [email protected]
Camila Maria da Silva Santos, [email protected]
Edeilza de Jesus Quaresma, [email protected]
Ellen Monyque Silva Araújo, [email protected]
Glauciane Borges Mendes, [email protected]
Patrício Moreira de Araújo Filho, patrí[email protected]
1 Curso de Serviço Social, Faculdade Atenas Maranhense, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
2 Faculdade Pitagoras São Luís-MA, Av. São Luís Rei de França, 32 - Turu - São Luís MA.
ABSTRACT. This article aims to analyze the effects of the policy of government benefits on the behavior of
small farming communities on the island of São Luis do Maranhão, the use of these benefits for families whose
livelihood and income for family farmers, highlighting what and how government policies and programs aimed
at agricultural development and social interfere in the lives of small farmers emphasizing its importance in this
context, the positive, negative and its representativeness for the population of the rural area, we as an object of
study households in Iguafba community located in the municipality of the Palace Lumiar.A family farming
generates many jobs in the field, and also contributes to the increase of food production both for the personal
consumption of small farmers as well as for marketing, in St. Louis is very used by communities living around
this city. The research took as its starting point the programs and policies developed by the government that are
essential in improving the quality of life of rural inhabitants, it is worth mentioning the family allowance, Pronaf
(National Program for Family Agriculture), Brazil without poverty in the countryside the light for all programs,
rural electrification, among others that will be cited.
KEYWORDS: Benefits, Family Farming, Maranhão, Iguaíba, Development.
RESUMO. O presente artigo tem como objetivo analisar os efeitos da política dos benefícios governamentais
sobre o comportamento de pequenas comunidades agrícolas na Ilha de São Luis do Maranhão, a utilização
desses benefícios pelas famílias que tem como meio de subsistência e renda a agricultura familiar,destacando
quais são e como os programas e políticas do governo voltados ao desenvolvimento agrário e social interferem
na vida do pequeno agricultor enfatizando nesse contexto a sua importância, os pontos positivos, negativos e
sua representatividade para a população da área rural, teremos como objeto de estudo famílias residentes na
comunidade de Iguaíba situada no município de Paço do Lumiar.A agricultura familiar, gera muitos empregos
no campo, e contribui também para o aumento da produção de alimentos tanto para o consumo pessoal do
pequeno agricultor como também para a comercialização, em São Luís é muito utilizada por comunidades que
vivem em torno desse município.A pesquisa teve como ponto de partida os programas e políticas desenvolvidos
pelo governo que são essenciais na melhoria de qualidade de vida dos habitantes do meio rural, vale ressaltar o
Bolsa família, o Pronaf (Programa Nacional de Agricultura familiar), Brasil sem miséria no campo, os
programas luz para todos, eletrificação rural, entre outros que serão citados.
PALAVRA – CHAVE: Benefícios, Agricultura Familiar, Maranhão, Iguaíba, Desenvolvimento.
1. INTRODUÇÃO
O Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) conceitua a agricultura familiar como uma forma de
produção onde predomina a interação entre gestão e trabalho; são os agricultores familiares que dirigem o
processo produtivo, dando ênfase na diversificação e utilizando o trabalho familiar, eventualmente
complementado pelo trabalho assalariado.
Nos últimos anos o apoio ao desenvolvimento das famílias agricultoras aumentou e também sofreram
intensas transformações, especialmente aquelas no âmbito rural, ou seja, formuladas a partir de ações específicas
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do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), as importantes políticas de cunho agrícolas visam
principalmente o crescimento dos níveis de emprego e renda, melhoramento dos processo de produção,
sustentabilidade, não podendo esquecer as que se destinam de modo geral á melhoria social e qualidade de vida
do pequeno agricultor como por exemplo os programas de transferência de renda principalmente o bolsa família
e vários outros benefícios do governo.
O MDA évoltado principalmente para o desenvolvimento da agricultura familiar brasileira. Sua missão é
promover a política de desenvolvimento do Brasil rural, a democratização do acesso à terra, a gestão territorial
da estrutura fundiária, a inclusão produtiva e a ampliação de renda da agricultura familiar, contribuindo com a
soberania alimentar, o desenvolvimento econômico, social, e ambiental do país.
Todos os programas desenvolvidos ou executados pelo MDA são sempre com a finalidade de melhorar as
condições de quem trabalha no meio rural brasileiro, apoiando a agricultura familiar, os assentados da reforma
agrária e os povos e comunidades tradicionais.
Um conjunto de programas e ações são disponibilizados pelo MDA, para o agricultor familiar visando à
questão da inclusão social dos trabalhadores de baixa renda e a garantia ao acesso do financiamento da produção,
já que muitas vezes o agricultor não tem como garantir a sua safra pois não tem como investir na sua produção
de alimentos .
2. SOBRE AGRICULTURA FAMILIAR
O sistema de produção familiar caracteriza-se por ter na família seu parâmetrodecisório, seja definindo as
necessidades de consumo de seus membros ouestabelecendo a extensão e o uso da capacidade de trabalho
disponível, seja comodirigente do processo de apropriação de terra (COSTA, 2006). Sob essa perspectiva,
osistema de produção familiar apresenta disposição e capacidade de inovar se forematendidos os critérios que
assegurem, antes de tudo, a reprodução da família. A hipóteseprincipal desta abordagem é fundamentada no
funcionamento do estabelecimento comobjetivos essencialmente voltados para o atendimento de um “padrão
reprodutivo” quevincula “rotina de trabalho” e “hábito de consumo” (FREITAS, 2004).
A agricultura familiar é responsável por garantir alimentos saudáveis e de qualidade na mesa de brasileiras e
brasileiros, tanto que 70% da produção de alimentos consumidos provêm deste setor. É por isso que a
Agricultura Familiar é reconhecida como ilidade concreta de promoção do desenvolvimento local com
sustentabilidade econômica, social e cultural. Gera postos de trabalho em número bem maior que a agricultura
empresarial, se preocupa com a sustentabilidade socioeconômica e ambiental e preserva as tradições e os
costumes locais.
Mas, os desafios da agricultura familiar para atender a demanda por alimentos saudáveis e em quantidade
são muitos, a começar pela renda. Sem uma renda que garanta vida digna, as famílias continuarão abandonando
o meio rural. A insuficiência de investimentos em infraestrutura produtiva, de beneficiamento, armazenamento,
transportes e preços remuneradores, bem como o acesso a políticas públicas de cunho social como saúde,
educação, previdência e transporte públicos, são fatores decisivos para a permanência das pessoas no campo.
Por outro lado, é necessário aprofundar conhecimentos sobre sistemas de produção que proporcionem
melhoria contínua das condições de vida de agricultores familiares garantindo renda e sustentabilidade
ambiental, de modo que todas as potencialidades do estabelecimento de produção possam ser aproveitadas sem
prejuízos à natureza.
Estes resultados somente serão alcançados se as famílias estiverem organizadas estrategicamente. Com essa
finalidade, o Movimento Sindical desenvolve a estratégia do Sistema CONTAG (Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Agricultura) de Organização da Produção (SISCOP), entendendo que o cooperativismo e do
associativismo são os meios mais apropriados para se alcançar sustentabilidade social, econômica e ambiental.
Sem estar organizada a agricultura familiar terá muito mais dificuldades de se fortalecer e continuar a existir.
Para o Movimento Sindical a agricultura familiar é a melhor forma de promover a inclusão e o
desenvolvimento com sustentabilidade do campo, garantindo produção de alimentos com qualidade e em
quantidade para atendimento à demanda da população. Neste sentido a Secretaria de Política Agrícola CONTAG
atua fortemente na elaboração, negociação e difusão de políticas púbicas e programas destinados à agricultura
familiar.
3. POLÍTICAS PÚBLICAS E PROGRAMAS
As políticas públicas estão presentes na vida cotidiana das populações do campo e da cidade e tem entre seus
principais objetivos atender as necessidades humanas e fazer valer os direitos sociais de todos. Quando o
governo direciona políticas para os públicos de menor renda, possibilita que eles se sintam parte da sociedade,
que por vezes é tão desigual em diferentes níveis.
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No meio rural são identificadas diversas demandas, possíveis de serem trabalhadas por meio de políticas
sociais que, quando aplicadas de forma eficiente, promovem melhoria na qualidade de vida de toda a população,
atendendo homens, mulheres, jovens, crianças, adultos e pessoas da terceira idade. Para isso, nos últimos anos, o
MSTTR (Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais) tem ampliado o seu campo de atuação
nas áreas sociais, conquistando avanços importantes na Previdência Social, Educação no Campo, Saúde Pública
e Proteção infanto-juvenil.
Vale destacar que muitos avanços conquistados devem-se à ampliação das relações com as FETAGs
(Federações dos Trabalhadores na Agricultura) e STTRs (Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais),
que com suas Secretarias de Políticas Públicas discutem, encaminham as temáticas e colaboram com a efetivação
das políticas negociadas nos estados e municípios.
A Secretaria de Políticas Sociais da CONTAG, além das demandas já citadas, também luta para a
implementação e consolidação do Projeto Alternativo de Desenvolvimento Rural Sustentável (PADRSS), que
apresenta grandes avanços nas políticas para o campo e engloba diversas bandeiras de luta.
3.1 Programa nacional de fortalecimento da agricultura familiar – PRONAF
O PRONAF (Decreto nº 1.946, de 28 de junho de 1996) financia projetos individuais ou coletivos, que
gerem renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária. O programa possui as mais baixas taxas
de juros dos financiamentos rurais, além das menores taxas de inadimplência entre os sistemas de crédito do
país. O Pronaf objetiva operar quatro grandes linhas de ações:
*Apoio à infraestrutura e serviços nos municípios
*Capacitação/profissionalização de agricultores familiares
*Negociação de políticas públicas
*Crédito Rural
Destina-se a estimular a geração de renda e melhorar o uso da mão de obra familiar, por meio do
financiamento de atividades e serviços rurais agropecuários e não-agropecuários desenvolvidos em
estabelecimento rural ou em áreas comunitárias próximas (Resolução 4.107, de 28/6/2012).
Podemos ver abaixo tabelas que representam significativamente o Pronaf no Maranhão e no Nordeste.
Tabela 1. Anuário Estatístico do Crédito Rural 2012 no MA.
Fonte: Banco Central do Brasil
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Tabela 2. Valores de Financiamento – Unidades de Federação.
Fonte: Banco Central do Brasil
Gráfico 1. Valores de Financiamento – Região Geográfica
3.2 Programa de aquisição de alimentos (PAA)
O Programa de Aquisição de Alimentos foi instituído pelo Art. 19 da Lei nº 10.696, de 02 de julho de 2003,
e foi alterada pela Lei nº 12.512, de 14 de outubro de 2011, este programa facilita a compra da produção da
agricultura familiar com isenção de licitação, a preços compatíveis aos praticados nos mercados regionais, para
atendimento às populações em situação de insegurança alimentar. Permite a estocagem da produção em períodos
de baixa dos preços nos mercados ou para formação de estoques estratégicos do governo, além de promover a
organização do associativismo e cooperativismo e de valorizar a biodiversidade e a produção orgânica e
agroecológica de alimentos.
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O orçamento do PAA é composto por recursos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
(MDS) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Esse programa possui dois públicos beneficiários:
os fornecedores que podem participar individualmente ou por meio de suas cooperativas ou organizações
formalmente constituídas como pessoa jurídica de direito privado e os consumidores de alimentos.
3.3 Garantia-SAFRA
É um programa que garante condições mínimas de sobrevivência a agricultores familiares de Municípios
sistematicamente sujeitos a perda de safra por motivo de estiagens ou excesso de chuvas, localizados na área de
atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE).
É voltado aos produtores com renda familiar de até 1,5 salários mínimos por mês, desde que possuem
declaração de aptidão ao Pronaf e tenham feito a adesão ao Garantia-Safra (Lei nº 10.420, de 10 de Abril de
2002).
3.4 Mais Alimentos
É uma linha de crédito do Pronaf que financia compra de equipamentos para os agricultores familiares. E
possibilita o acesso dos mesmos à tecnologia, o que aumenta a produtividade e renda da família, além de tornar
seus produtos mais competitivos no mercado, incentivando à indústria nacional de máquinas e implementos
agrícolas.
3.5 Programa nacional de alimentação escolar (PNAE)
Instituído pela Lei nº 11.947/2009, o Pnae prevê a compra de ao menos 30% dos alimentos provenientes da
Agricultura Familiar para serem servidos na escola da rede pública de ensino. É garantia de geração de renda
para os agricultores e o município, dinamizando a economia local.
3.6 Programa nacional de crédito fundiário (PNCF)
O objetivo desse programa é facilitar o acesso à terra e aumentar a renda dos trabalhadores rurais. Ele
financia a aquisição de imóveis rurais não passíveis de desapropriação e também prevê investimentos em
estrutura básica, estruturação da unidade produtiva e projetos comunitários de convivência com a seca no
semiárido e de recuperação ambiental.
4 AGRICULTURA FAMILIAR DO MARANHÃO
Levantamento feito pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar do
Maranhão (Sedes/MA) indica que 15.928 agricultores familiares no Estado estão aptos a receber os benefícios do
programa Garantia Safra, do Governo Federal. Estes agricultores vão receber R$ 760 em caso de perda de suas
safras, ocasionada por estiagem ou enchente. No total, são R$ 12, 1 milhões disponíveis.
No Maranhão, os 15.928 agricultores familiares aptos ao benefício Garantia-Safra estão situados nos
municípios deAfonso Cunha (350), Anapurus (798), Belágua (392), Brejo (1.034), Buriti (1.473), Cantanhede
(799),Capinzal do Norte (146), Chapadinha (1.834), Codó (382), Coelho Neto (426), Coroatá (471), DomPedro
(318), Duque Bacelar (408), Itapecuru-Mirim (891), Mata Roma (839), Matões do Norte (624),Miranda do Norte
(223), Nina Rodrigues (669), Paulino Neves (59), Pedreiras (200), Pirapemas (152),Presidente Vargas (179),
Santa Rita (465), São Benedito do Rio Preto (516), São João do Sóter(654), Timbiras (74), Timon (322),
Trizidela do Vale (202), Tutóia (334) e Vargem Grande (694).
Historicamente ausente das políticas públicas, a comercialização da produção agrícola familiar sempre
geroufrustração e desestímulo para os pequenos agricultores, entregues, invariavelmente, a intermediários que,
quandoadquiriam suas colheitas, o faziam por preço vil.
Mediante a isso, encontramos o Senhor Ivanelson Ferreira Fonseca que nos cedeu uma entrevista sobre o seu
empreendimento localizado no Bairro do Iguaíba – Região Metropolitana de São Luis, confirmando que não é
usuário de nenhum benefício governamental, e declara ainda, que os mesmos não satisfaziam as necessidades do
seu negócio, que se estende em média a 6 hectares, queixando-se da enorme burocracia, o que dificulta a
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inserção nesses programas e facilita a independência do seu negócio. Podemos observar o empreendimento
citado, logo nas figuras abaixo.
Figura 1. Agricultura Familiar – Iguaíba/MA.
Legenda: Plantação de Acerola.
Figura 2. Agricultura Familiar – Iguaíba/MA.
Legenda: Plantação de Graviola.
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Figura 3. Agricultura Familiar – Iguaíba/MA.
Legenda: Plantação de Coco.
Figura 4. Agricultura Familiar – Iguaíba/MA.
Legenda: Plantação de Carambola.
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Figura 5. Agricultura Familiar – Iguaíba/MA.
Legenda: Sistema de Irrigação da Área.
Figura 6. Agricultura Familiar – Iguaíba/MA.
Legenda: Propriedade do Agricultor: Ivanelson Ferreira Fonseca.
6. CONCLUSÕES
Diante dos conhecimentos obtidos por este estudo, por meio de pesquisa documental e pesquisa de campo,
feita no Iguaíba, concluímos que os programas nem sempre estão disponíveis aos pequenos agricultores, devido
a imensa burocratização destes, que diminui o acesso das famílias a esses benefícios, dificultando a efetiva
inclusão dos agricultores nos programas e políticas implementados pelo governo, deixando de compor a renda
desses trabalhadores, não dando o necessário suporte a sua subsistência, com isso, o programa deixa de
contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país.
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O governo disponibiliza diversos programas e são destinados recursos para cumpri-los, mas ainda não são
suficientes pela enormidade de famílias que necessitam deles. O financiamento, na verdade é ponto de partida
para as famílias que desejam plantar, depois disso muitas se associam ou então se tornam independentes como
ocorreu no caso relatado anteriormente.
7. AGRADECIMENTOS
Aos colegas que participaram da confecção deste trabalho:Gracielle Sousa Fonseca, Nádia de Jesus Teixeira,
Nadilma Costa da Silva e Valdiana dos Santos Araújo alunas do Curso de Serviço Social da faculdade Atenas
Maranhense prestamos nossos sinceros agradecimentos.
REFERÊNCIAS
CONTAG. A Confederação Nacional dos Trabalhadores
<http://www.contag.org.br/>.Acesso em: 10 de jun. de 2013.
na
Agricultura.
Disponível
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Sustentável na Amazônia Oriental; resultadose implicações do projeto SHIFT socioeconômica. Belém:
UFPA/NAEA, 2006. p 21-59.
FREITAS, A. C. R. Crise ecológica e mudança técnica da agricultura camponesa de derruba e queima da
Amazônia Oriental. 2004. 170 f. Tese (doutorado em Ciências:Desenvolvimento socioambiental) –
Universidade Federal do Pará – Belém: UFPA,2004.
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Benefício Garantia-Safra, destinado a agricultores familiares vitimados pelo fenômeno da estiagem,
nas regiões que especifica. (Redação dada pela Lei nº 10.700, de 9.7.2003). Disponível em:
<http://www.contag.org.br/imagens/f2197lei-garantia-safra.doc> Acesso em: 10 de jun. 2013.
MDA. Por um Brasil Rural com Gente Feliz/ Políticas Agrícolas e Programas para os Municípios/
Ministério do Desenvolvimento Agrário. Disponível em: <www.mda.gov.br> Acesso em: 10 de jun.
2013.
PAA. (Decreto nº 6.447, de 7 de Maio de 2008) - Regulamenta o art. 19 da Lei no 10.696, de 2 de julho de
2003, que institui o
Programa
de Aquisição
de Alimentos.
Disponível em:
<http://www.contag.org.br/imagens/f2200decreto-paa.pdf>. Acesso: 10 de jun. 2013.
PNAE. (LEI Nº 11.947, DE 16 DE JUNHO DE 2009). Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e
do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica; altera as Leis nos 10.880, de 9
de junho de 2004, 11.273, de 6 de fevereiro de 2006, 11.507, de 20 de julho de 2007; revoga dispositivos da
Medida Provisória no 2.178-36, de 24 de agosto de 2001, e a Lei no 8.913, de 12 de julho de 1994; e dá
outras
providências.
Disponível
em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2009/lei/l11947.htm> Acesso em: 10 de jun. de 2013.
PRONAF.(Decreto nº 1.946, de 28 de junho de 1996) - Cria o Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura
Familiar
PRONAF,
e
dá
outras
providências.Disponível
em:
<http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/112235/decreto-1946-96> Acesso em: 10 de jun. de 2013.
______. (Resolução nº 4.107, de 28 de Junho de 2012) - Altera as disposições do Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), de que trata o Capítulo 10 do Manual de Crédito
Rural (MCR), para aplicação a partir da Safra 2012/2013. Disponível em:
<http://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/2012/pdf/res_4107_v1_O.pdf> Acesso em: 10 de jun. de 2013.
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A MALÁRIA E A SUA RELAÇÃO COM OS FATORES CLIMÁTICOS
EM SÃO LUÍS DO MARANHÃO NO ANO DE 2010
Recebido em 04/06/2013
Aprovado em 15/07/2013
Jéssica Laiz Carvalho dos Santos, [email protected]¹
Hallan David Velasco Cerqueira. [email protected]¹
Hermínio de Sousa Lima, [email protected]¹
1. Faculdade Pitágoras de São Luís, Curso de Farmácia. São Luís – Maranhão.
ABSTRACT:Malaria is a serious global problem, affecting approximately 100 countries, with the highest
prevalence in Africa, the Amazon region of South America and Southeast Asia. Brazil is responsible for about
300,000 cases of malaria each year. The aim of this study was to correlate the meteorological data of the city of
São Luís (MA) cases of malaria in 2010. The data of malaria cases were collected in the National Health and
meteorological data were provided by the INMET. Being evaluated total examinations for malaria diagnosis,
tests positive and the natives were nearly correlated with average rainfall, temperature and humidity in the year
2010. It was observed that most of the tests were performed from the month of july and the highest incidence in
the month of august, the month in which there was a sharp decline in the rain. We conclude that the temperature
and humidity of the city are favorable for the development of both parasites and mosquitoes and the rain is a
major factor for the incidence of the disease, they may promote or destroy the breeding places of mosquitoes.
KEYWORDS: Malaria. Temperature, humidity, rain, São Luís.
RESUMO: A malária constitui um grave problema mundial, atingindo aproximadamente 100 países, com maior
prevalência na África, Região Amazônica da América do Sul e Sudeste Asiático. O Brasil é responsável por
cerca de 300.000 casos de malária por ano. O objetivo desse trabalho foi correlacionar os dados meteorológicos
da cidade de São Luís (MA) com casos de malária no ano de 2010. Os dados de casos de malária foram
coletados na Agência Nacional de Saúde e os dados meteorológicos foram fornecidos pelo Intituto Nacional de
Meteorologia (INMET). Sendo analisado o total de exames realizados para diagnóstico da malária, exames
positivos e autóctones os quais foram correlacionados com a média de chuva, temperatura e umidade no ano de
2010. Observou-se que a maior parte dos exames realizados foram a partir do mês de julho e apresentou a maior
incidência no mês de agosto, mês em que houve uma diminuição acentuada da chuva. Conclui-se que a
temperatura e umidade da cidade são favoráveis para o desenvolvimento tanto dos plasmódios como dos
mosquitos e que a chuva é um fator de grande importância para a incidência da doença, pois podem favorecer ou
destruir os criadouros dos mosquitos.
PALAVRAS CHAVE: Malária, temperatura, umidade, chuva, São Luís.
1 INTRODUÇÃO
A malária é um problema de saúde pública mundial, colocando em risco mais de 40 % da população mundial
(cerca de 2,4 bilhões de pessoas) em aproximadamente 100 países (BRAZ, et al, 2013; RENALT et al, 2007).
É uma doença que atinge principalmente países de clima tropical e subtropical, sobretudo em países em
desenvolvimento e subdesenvolvidos. A malária tem maior número de casos na África, na Região Amazônica da
América do Sul e no Sudeste Asiático, sendo o Brasil o país com maior número de casos da América do Sul,
com aproximadamente 300.000 casos anuais. No Brasil, a Amazônia Legal é a região com maior incidência da
doença, englobando os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima, Pará e
Tocantins (CIMERMAN, 2008; NEVES, 2005).
A malária é uma doença infecciosa, causada pelo protozoário do gênero Plasmodium e transmitida pela
picada do mosquito fêmea no gênero Anopheles. Também conhecida como paludismo, febre terçã (benigna ou
maligna), febre quartã, tremedeira ou febre (NEVES, 2005).
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Os principais sintomas são febre, calafrios, cansaço, cefaléia, náusea, tontura e mal estar e chegar até a uma
anemia e complicações em outros órgãos, a intensidade dos sintomas dependem do grau da doença e do parasito
infectante (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).
A incidência da doença depende de alguns fatores importantes como ecológicos, socioeconômico,
saneamento e meteorológicos como a temperatura, chuva e umidade relativa (CIMERMAN, 2008).
Segundo o Sistema Nacional de Vigilância e Saúde, o Estado do Maranhão no ano de 2010 apresentou 2.349
casos autóctones de malária, correspondendo a 0,72 % do total de casos notificados da Amazônia Legal.
São Luís, a capital do Estado, localizada ao norte do mesmo apresenta clima tropical quente e úmido com
duas estações bem definidas (verão e inverno). Segundo dados fornecidos pela Fundação Nacional de Saúde
(FUNASA), foram registrados no ano de 2010, 105 casos autóctones de malária em São Luís, sendo que o maior
número de casos apresentou-se em agosto com 15 casos autóctones.
Segundo Mendonça (2005), os vetores e parasitas da malária precisam de fatores climáticos essenciais para
sua sobrevivência, o presente estudo tem como objetivo associar fatores meteorológicos (temperatura média,
umidade relativa e índice pluviométrico), obtidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia, com dados da
incidência da malária, fornecidos pela Fundação Nacional de Saúde, no município de São Luís no ano de 2010,
ressaltando o índice pluviométrico, que é a principal variável meteorológica da região tropical, contribuindo com
informações da problemática da transmissão da malária na capital e oferecendo subsídios para o planejamento do
controle da doença.
O presente trabalho tem como objetivo correlacionar fatores meteorológicos (temperatura média, umidade
relativa e índice pluviométrico) com a incidência da malária no município de São Luís.
2 METODOLOGIA
Escolheu-se o município de São Luís para análise dos dados epidemiológicos da malária, os quais foram
cedidos pela Fundação Nacional de Sáude e correlacionando-os com os dados meteorológicos (temperatura
média, umidade relativa e ìndice pluvimétrico) com suas médias mensais dos anos de 2008 a 2010, sendo os
mesmos obtidos a partir do INMET (Instituto Nacional de Meteorológia). O ano de 2010 foi o escolhido por ser
o ano do último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o qual proporcionou
uma maior confiabilidade na contagem da população local.
A partir dos dados colhidos foram tabulados e construído gráficos e tabelas para correlacionar o número dos
casos de malária com os dados meteorológicos.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A malária é uma doença infectoparasitária de grande preocupação, devido ao grande índice de morbidade e
mortalidade causado anualmente (PARENTE et al., 2012). É causada pelo parasita do gênero Plasmodium e
transmitida pelo mosquito do gênero Anopheles, concentrando-se em áreas endêmicas favorecidas pelo clima
tropical, sendo a região amazônica a área de maior incidência (MANOEL et al., 2010).
A doença está presente em mais de 100 países, ameaçando 40 % da população mundial. Nas Américas é
transmitida em aproximadamente 21 países. No Brasil, foi constatado no ano de 2010, 334 mil casos, dos quais,
99,6 % estão presentes na Região Amazônica (BRAZ et.al, 2013; RENAULT et al., 2007).
O estado do Maranhão faz parte dos estados que compõem a Região Amazônica e está caracterizado como
área endêmica para a malária. A capital do Maranhão, São Luís, situa-se na mesorregião do Norte Maranhense, é
um município com incidência de malária, apresentando no ano de 2010 105 casos da doença conforme a tabela
1.
Como pode-se observar, no ano de 2010 foram realizados 1.313 exames para diagnóstico da malária, sendo o
mês de agosto, com o maior número de exames realizados. Notou-se também o maior índice de lâminas positivas
no mês de agosto, com um total de 28, sendo que dessas 15 são casos autóctones, ou seja, a maioria dos casos de
malária são de moradores de São Luís.
Tabela 1: Resumo epidemiológico da malária em São Luís (MA), no ano de 2010.
MÊS
JANEIRO
EXAME
79
TOTAL
POSITIVO
11
AUTÓCTONE
PLP (%)
2
14
FEVEREIRO
72
9
0
13
MARÇO
103
6
0
6
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ABRIL
80
9
1
12
MAIO
103
7
1
7
JUNHO
124
7
2
6
JULHO
172
4
0
3
AGOSTO
213
28
15
13
SETEMBRO
129
11
5
9
OUTUBRO
93
9
1
10
NOVEMBRO
64
1
0
2
DEZEMBRO
81
3
0
4
1313
105
27
100
TOTAL
PLP – Percentual de Lâminas Positiva
Fonte: SIVEP – Malária, 2013.
O estado do Maranhão situa-se no Nordeste brasileiro, próximo a linha do equador, onde se encontra
temperaturas altas e duas estações bem definidas – período chuvoso e período seco – sendo que São Luís por ser
uma Ilha é cercado por águas salinas, proporcionando uma média de umidade relativa constante ao longo do ano
(FEITOSA, TROVÃO, 2006)
No gráfico 1 é possível notar que nos anos de 2008 a 2010 a temperatura permanece alta em todos os meses
dos anos, típica da região Nordeste. Quanto à umidade, por ser uma cidade cercada pelo mar, observa-se que o
indice permanece relativamente alto em todos os meses dos anos. Em relação à chuva, apresenta um aumento
nos meses de janeiro a julho e diminuição nos meses de agosto a dezembro, o que define a duas estações bem
definidas: verão chuvoso e inverno seco, fato observado por Feitosa e Trovão (2006), o quê vem convalidar a
escolha dos dados meteorológicos no ano de 2010 como referência para o presente estudo.
Gráfico 1: Médias dos dados meteorológicos de São Luís (MA) dos anos de 2008 a 2012
Fonte: INMET - Estação meteorológica instalada na cidade de São Luis - MA (2º 35' S; 44º 12' W com
62 m). ID 32003.
São Luís apresenta um clima tropical quente e úmido, com temperaturas altas o ano todo, com duas estações
bem definidas: inverno seco, que se inicia no mês de julho a dezembro e verão chuvoso, do mês de janeiro a
junho (REBÊLO, 2001).
Observou-se no gráfico 2, os dados meteorológicos do município no ano de 2010, apresentando médias de
temperatura alta de janeiro a dezembro, isso se explica pelo fato de São Luís estar localizado próximo à linha do
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equador. Como a cidade é litorânea, podemos observar que a umidade prevalece constante o ano inteiro devido a
grande incidência dos ventos advindos no Oceano Atlântico para o interior da Ilha (INSTITUTO
MARANHENSE DE ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS E CARTOGRÁFICOS, 2011).
É possível notar, no gráfico 2, que a chuva não é bem distribuída, apresentando um aumento nos meses de
janeiro a julho, onde o mês de abril apresenta o maior índice, com 393,7 mm. A partir do mês de agosto, há uma
diminuição extremamente perceptível, onde há uma queda de 105,4 mm no mês de julho para 7 mm no mês de
agosto, chegando a 0 mm no mês de outubro e permanecendo escassa até o mês de novembro, essa variação de
pluviosidade associada com médias constantes de umidade e temperatura proporcionando um habitat favorável à
proliferação de mosquitos transmissores de doenças, tais como: dengue, febre amarela e malária.
Gráfico 2: Dados meteorológicos de São Luís (MA) no ano de 2010.
Fonte: INMET - Estação meteorológica instalada na cidade de São Luis - MA (2º 35' S; 44º 12' W com
62 m). ID 32003.
Sendo a malária uma doença infecciosa cujos sintomas são constituídos basicamente por calafrios, febre
intermitente e cefaléia. Os sintomas da fase inicial como mal estar, náuseas, tonturas, cansaço, mialgia, febre
contínua e sudorese são inespecíficos, levando os profissionais da saúde a confundir com outras enfermidades
retardando o diagnóstico (COSTA et al, 2010).
No entanto se faz necessário o diagnóstico laboratorial, sendo o método clássico para a detecção do parasita a
gota espessa. Essa técnica se baseia na visualização dos parasitas através de microscopia óptica, aplicando a
coloração com derivados de Romanowsky (azul-de-metileno e Giemsa), sendo um método muito utilizado pela
sua facilidade de realização, sua eficiência e baixo custo (CIMERMAM, et al., 2008, p.148).
Nos dados analisados observou-se um aumento de exames realizados a partir do mês de julho a setembro,
onde o mês de agosto apresentou o maior pico de exames realizados com resultados positivos, sendo estes na sua
maioria autóctones conforme o gráfico 3. O que leva a deduzir que há condições favoráveis no município de São
Luís, no período de julho a setembro, que estão facilitando a maior incidência do vetor e consequentemente a
maior transmissão da malária nesse período.
Gráfico 3: Resumo epidemiológico da malária em São Luís (MA), no ano de 2010.
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NTE: número total de exames; NEP: número de exames positivos; NEPA: número de exames positivos
autóctone.
Fonte: SIVEP – Malária, 2013.
Segundo Marques e colaboradores (2008), a dinâmica de transmissão da malária é variável de acordo com
cada tipo de região, considerando a interação de vários fatores de risco, como aspecto da natureza ecológica,
econômica, sociocultural e de saúde pública.
Os vetores e parasitas de doenças tropicais não conseguem se adequar e nem sobreviver a outros tipos
climáticos, com outras condições ambientais. Esses microorganismos precisam da temperatura, do fluxo de água,
dos tipos de culturas, da vegetação natural, ou seja, um meio geográfico tropical para sobreviverem. São
essenciais as condições de calor elevado e considerável umidade para o desenvolvimento principalmente do
vetor Anopheles (MENDONÇA, 2005).
Pode-se observa,r que a temperatura alta e a constante umidade no município de São Luís, ou seja, os fatores
climáticos essenciais para o desenvolvimento do vetor da doença são encontrados o ano todo. O único fator
meteorológico que varia de acordo com as estações – inverno e verão - é o índice pluviométrico, que segundo o
gráfico 4, aumenta no verão do mês de janeiro a julho e diminui no inverno, a partir de agosto a dezembro. O
interessante é que em julho a média pluviométrica é de 105,4 mm e diminui de maneira expressiva para 7 mm no
mês de agosto, onde há maior número de incidência da doença. Chuvas muito pesadas podem arrastar os
mosquitos para locais inadequados, destruindo seus criadouros e ocasionando a diminuição da incidência da
malária. No entanto, chuvas fracas e moderadas são favoráveis à proliferação dos anofelinos, pois constituem
criadouros com água parada e limpa (DIAS, 2003).
Segundo Dias (2003), considera-se a chuva como principal fator determinante de periodicidade estacional da
malária, pois a chuva está relacionada com a distribuição e a densidade do vetor.
Gráfico 4: Correlação dos dados meteorológicos com o número de casos autóctones de São Luís (MA),
no ano de 2010.
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Fonte:INMET - Estação meteorológica instalada na cidade de São Luis - MA (2º 35' S; 44º 12' W com 62
m). ID 32003 / SIVEP – Malária, 2013.
No gráfico 5, evidencia a relação entre o número de casos da malária autóctones e a chuva no ano de 2010
em São Luís, onde os períodos mais chuvosos apresentam pouquíssimos casos de malária que variam de 0 a 2
casos por mês. No mês de agosto onde há uma diminuição no índice de chuva observamos um aumento de casos,
já no mês de setembro onde o índice de chuva é bem menor e o número de casos tende a diminuir (5 casos de
malária). Um trabalho feito na cidade de Macapá no estado do Amapá no período de 2003 a 2010, o maior
número de casos ocorre nos meses de julho e agosto. Nesses meses é evidenciada uma diminuição dos níveis de
chuva (OMENA, et al, 2012), dados que atestam a semelhança com o presente estudo.
GRÁFICO 5: Correlação dos dados meteorológicos, volume de chuva acumulado, com o número de
casos autóctones de São Luís (MA), no ano de 2010.
Fonte:INMET - Estação meteorológica instalada na cidade de São Luis - MA (2º 35' S; 44º 12' W com 62
m). ID 32003 / SIVEP – Malária, 2013.
Observa-se que no período de chuva abundante em São Luís há uma diminuição de número de casos da
malária, quando a chuva diminui evidencia-se um aumento substancial, no período de seca também ocorre uma
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diminuição considerável, sendo então a chuva moderada um importante fator para a transmissão da malária na
cidade de São Luís.
4 CONCLUSÃO
A literatura evidencia que a sobrevivência dos plasmódios depende da temperatura acima de 20 °C até 33 °C
e a umidade é fator importante, pois em clima seco a vida média do mosquito é muito curta, impedindo que os
plasmódios concluam sua evolução.
O presente trabalho mostra que a cidade que São Luís apresenta o ano inteiro temperatura e umidade
favoráveis para o desenvolvimento do mosquito e dos plasmódios.
Todavia, apresenta meses com elevado números de casos de malária em relação aos demais meses do ano,
fato justificado pela oscilação do índice pluviométrico, onde nos meses de novembro a julho apresentam uma
elevação na precipitação, ocasionando uma diminuição do número de casos de malária e nos meses de agosto a
setembro observa-se uma redução das chuvas proporcionando condições favoráveis ao desenvolvimento do
vetor. Esse fato pode ser explicado pela presença de água parada em meses que a chuva é moderada,
contribuindo para formar criadouros favoráveis para o mosquito, enquanto nos meses com chuva abundante os
criadouros são destruídos e os mosquitos são arrastados para locais desfavoráveis para sua evolução.
Como medida de controle da malária no município de São Luís pode-se sugerir a partir do presente trabalho
uma campanha de conscientização e educação sobre as mediadas de controle da malária ao longo do ano e
intensificando-se principalmente nos meses anteriores a agosto, onde nos meses de agosto e setembro, deve-se
ampliar as medidas de controle vetorial como: aplicação de inseticidas e larvicidas e principalmente a atenção à
saúde dos indivíduos portadores dos sintomas da malária.
REFERÊNCIAS
BRAZ, Rui Moreira, DUARTE, Elisabeth Carmen, TAUIL, Pedro Luiz. Caracterização das Epidemias de
Malária nos Municípios da Amazônia Brasileira em 2010.Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, 29
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ISSN: 2317-7403
REPRESENTAÇÃO DOS ASPECTOS SÓCIO-SANITÁRIOS E COMO
INTERRELACIONAM-SE NO PROCESSO DE DISSEMINAÇÃO DA
ESQUISTOSSOMOSE NO BAIRRO COROADINHO, SÃO LUÍS - MA.
Recebido em 03/06/2013
Aprovado em 12/07/2013
Hermínio de Sousa Lima, [email protected]
Vanessa Cristina de Oliveira Cruz, [email protected]
Ivone Garros Rosa, [email protected]
1. Faculdade Pitágoras de São Luís, São Luís – Maranhão.
2.Núcleo de Imunologia Básica e Aplicada – Departamento de Patologia - Universidade Federal do Maranhão – Campus do
Bacanga, São Luís – Maranhão.
ABSTRACT: Social representation and influence of the socio-sanitary and how interrelate in the process of
spread of schistosomiasis in the neighborhood "Coroadinho" become evident when observing the sanitary
conditions of the neighborhood, the level of sanitation in the neighborhood, the level awareness of the
population, as well as the origin of these families in endemic areas in the state, are crucial for the maintenance
and dissemination of helminths in the district. This paper discusses aspects of the ecosystem place that are
responsible for the maintenance of schistosomiasis in the neighborhood Coroadinho city of São Luís, MA.
KEYWORDS: Schistosomiasis, Neighborhood, São Luís, Maranhão.
RESUMO: A representação social e influência dos aspectos sócio-sanitários e como interrelacionam-se no
processo de disseminação da esquistossomose no bairro “Coroadinho” tornam-se evidentes ao observar as
condições sanitárias do bairro, o nível de condições sanitárias do bairro, o nível de conscientização de sua
população, assim como a procedência das referidas famílias de áreas endêmicas do interior do Estado, são
fatores determinantes para a manutenção e disseminação de helmintos no bairro. O presente trabalho aborda os
aspectos do ecossitema local que são responsaveis pela manutenção da esquistossomose no bairro Coroadinho
da cidade de São Luís, MA.
PALAVRAS-CHAVE: Esquistossomose, Bairro, São Luís, Maranhão.
1. INTRODUÇÃO
A esquistossomose, doença provocada pelo agente patológico Schistossoma mansoni, teve sua provável
origem nas bacias de dois importantes rios, o Nilo na África e no Yangtze na Ásia. Tudo indica que sua história é
bastante antiga já que existem relatos de ovos de Schistossoma sp. em vísceras de múmias egípcias de idade
aproximada a 1250 a.C. (ARIADNA, et. al., 2001; SANTOS, et. al., 2001). Constituindo um grande problema de
saúde pública em cinquenta e dois paises da América do Sul, do Caribe, da África e da região oriental do
Mediterrâneo, essa endemia esta associada à pobreza e ao baixo desenvolvimento econômico que gera a
necessidade de utilização de águas naturais contaminadas para o exercício da agricultura, trabalho doméstico
e/ou lazer (KATZ, 1999; KATZ, et. al. 2000).
O ciclo vital do S. mansoni depende da interação entre o homem, o molusco e o meio ambiente, porque, para
completar o ciclo, o esquistossomo precisa de um hospedeiro intermediário, o molusco do gênero Biomphalaria
(BARBOSA, et. al., 2000; GIOVANELLI, et. al., 2001). Patologicamente, a doença pode evoluir de forma
assintomática até as formas clínicas graves, com comprometimento de diversos órgãos, como intestino, fígado e
baço, com surgimento das varizes esofagianas e, posteriormente, a presença de ascite, que é o quadro final
irreversível da doença (SALZET, et. al., 2000; COELHO-CASTELO, et. al., 2002; ASSEF, et. al., 2005).
Acredita-se que existam no Brasil no mínimo 2,5 milhões de portadores de esquistossomose e cerca de 25
milhões de indivíduos expostos aos riscos de contraí-la (LESCANO, et. al., 2004). O modo de ocupação dos
ambientes urbanos, no que diz respeito à periferia das cidades, vem se desenvolvendo de maneira caótica e
desordenada, tornando-se atualmente um grande desafio para as autoridades sanitárias (BARBOSA, et. al.,
2000).
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O Maranhão, particularmente a cidade de São Luís, reflete bem essa problemática, pois os bairros de
periferia não dispõem de rede de abastecimento de água potável e saneamento básico, como podemos observar
no “Bairro do Coroadinho” (GONÇALVES, 1995). De acordo com os dados da Fundação Nacional de Saúde –
Maranhão (FNS– MA) ao longo da última década, o bairro possui elevado índice de pessoas contaminadas e é
estritamente favorável à procriação do hospedeiro intermediário da esquistossomose – molusco do gênero
Biomphalaria.
O objetivo deste estudo foi identificar qualitativamente os aspectos sociais, as condições sanitárias do Bairro
Coroadinho e como interrelacionam-se no processo de disseminação da esquistossomose.
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1. Triagem do bairro
O critério utilizado para escolha do Bairro foram os trabalhos de levantamento e controle elaborados pela
FNS – MA, no período de 1996 – 2006, propiciando assim uma visão de acompanhamento desta patologia no
Estado do Maranhão, particularmente a ilha de São Luís. Baseado nestes dados escolheu-se o Bairro
“Coroadinho” por apresentar alto índice de casos positivos e elevada prevalência para a doença.
2.2. Obtenção de dados sociais da comunidade “Coroadinho”
As coletas dos dados abrangeram os aspectos sócio-sanitários da comunidade. Eles foram obtidos através de
entrevistas semi-dirigidas à população do Bairro Coroadinho, obedecendo aos seguintes critérios de iniciação:
Reunião com líder comunitário com a finalidade de conscientizar a população da importância desse trabalho para
a comunidade; visitas mensais ao bairro, realizadas durante os meses de junho de 2005 a junho de 2006.
2.3. Conscientização da comunidade
As entrevistas aplicadas às famílias seguiam-se com abrangente conversa, fazendo o esclarecimento da
doença, ciclos biológicos dos hospedeiros, cuidados de preservação e mostrando que a localidade apresenta
condições favoráveis à proliferação do vetor e a disseminação da doença.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O aspecto físico do bairro, representado pela falta de esgoto, fossa e coleta de lixo, denunciou um agravante
constante da esquistossomose mansônica, intensificada pela falta de estrutura sanitária e o contato permanente
dos moradores com os criadouros infestados de caramujos positivos, que em períodos de chuvas regulares,
principalmente, mantinham contatos com água possivelmente contaminada (IMAGENS 1 e 2).
IMAGEM 1: Condição das fossas sanitárias dos moradores.
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IMAGEM 2: Crianças brincando junto ao esgoto a céu aberto.
A ausência de informação sobre a doença é constantes entre os moradores entrevistados, muitos siquer
sabem como se transmite a esquistossomose, fato relacionado à baixa escolaridade dos entrevistados onde muitos
possuem somente o ensino fundamental, portanto, os moradores descartam qualquer risco advindo das valas de
esgoto existentes nas ruas, onde muitas crianças brincam e passam horas em contato com as águas infestadas de
cercárias.
As diversas famílias que habitam o bairro são provenientes de áreas endêmicas, no Maranhão, como São
Bento, Viana, Cajapió e São Vicente de Férrer, demonstrando a crescente imigração para os grandes centros
urbanos a procura de melhores condições de vida. Essas pessoas, ao chegarem à cidade, ocupam locais sem
infraestrutura adequada para a sobrevivência de uma comunidade.
As considerações citadas nesse estudo, acerca da existência da esquistossomose no Bairro Coroadinho,
deixam clara a necessidade da realização de medidas urgentes para no combate à doença e ao molusco
disseminador da esquistossomose. No entanto, embora não existam dados precisos, as estimativas apresentadas
mostram a extensão da esquistossomose no bairro, justificando a necessidade de esforços cada vez maiores,
visando ao controle desta importante endemia parasitária.
4. CONCLUSÃO
A emigração principalmente de pessoas oriundas do interior do Estado, contribui consideravelmente para a
manutenção da esquistossomose na localidade do bairro "Coroadinho".
Em períodos de chuvas regulares aumentam a possibilidade de disseminação da esquistossomose mansônica
em virtude do aumento no número e positividade dos moluscos e o maior contato com o hospedeiro definitivo,
considerando a falta de instalações sanitárias e esgotos.
O processo educativo não deve ser baseado tão somente nas mudanças de hábitos daquela população, mas
também como parte de um grupo social, voltado para importância do esclarecimento e conhecimento dos meios
de transmissão da parasitose. (LOUREIRO, 1989). A educação sanitária e o saneamento básico são elementos
essenciais e indispensáveis para o controle das doenças parasitárias comuns e especialmente a esquistossomose
mansônica na localidade "Coroadinho", bairro da periferia de São Luís do Maranhão.
O que ficou constatado é que as soluções para o problema das parasitoses entéricas serão equacionar
adequadamente os dejetos humanos, impedindo assim que as fezes contaminadas com os ovos S. mansoni sejam
distribuídas na superfície do solo e levadas a cursos e poços d’água, implantar sistema de esgotos e promover
educação sanitária, tornando a população consciente dos riscos aos quais está exposta.
5. AGRADECIMENTOS
Ao Núcleo de Imunologia Básica e Aplicada da Universidade Federal do Maranhão, pelo apoio na
elaboração e desenvolvimento deste trabalho.
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CONTROLE DE QUALIDADE PARA MÉIS DE APIS MELLIFERA:
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Recebido em 02/06/2013
Aprovado em 24/07/2013
Gilberth Silva Nunes1, [email protected]
Ivone Garros Rosa1, [email protected]
José Malheiros Silva1, [email protected]
Kátia Danielle Araújo Lourenço Viana2, [email protected]
Caio Pavão Tavares1,[email protected]
Sâmara Letícia Silva de Lima1, [email protected]
1. Núcleo de Imunologia Básica e Aplicada – Departamento de Patologia - Universidade Federal do Maranhão – Campus do
Bacanga, São Luís – Maranhão.
2. Curso de Nutrição – Departamento de Ciências Fisiológicas - Universidade Federal do Maranhão – Campus do Bacanga,
São Luís – Maranhão.
ABSTRACT: This review article aims grouping scientific papers regarding specific regulations for
commercialization of honey bee species Apis mellifera and highlight the physicochemical analysis developed to
ensure consumer safety. They are related to some of the most important articles published about the subject, to
clear the main physical-chemical analysis that honey bees should be submitted as it is a product widely
consumed in nature.The paper also points out the legislations used in the inspection of honeys commercialized
inside and outside of Brazil.
KEYWORDS: Honey, Labelling, Physical chemistry
RESUMO: Esse artigo de revisão tem por finalidade agrupar trabalhos científicos referentes à
regulamentações especificas para comercialização dos méis de abelha da espécie Apis mellifera e destacar as
analises físico-químicas desenvolvidas para garantir a segurança do consumidor. São relacionados alguns dos
mais importantes artigos publicados sobre o assunto, para esclarecer as principais analises físico-químicas que
o mel de abelhas deve ser submetido já que é um produto in natura largamente consumido. O trabalho também
aponta as legislações usadas na fiscalização dos méis comercializados dentro e fora do Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: Mel, Rotulagem, Físico-química
1. INTRODUÇÃO
A apicultura vem ganhando espaço no Brasil como uma atividade rentável, pois apresenta retorno rápido do
capital investido. Além disso, as condições climáticas são bastante favoráveis ao desenvolvimento das abelhas
do gênero Apis (APICULTURA, 2004).
Como produto alimentício das abelhas melíferas tem se o mel, que é produzido a partir do néctar das flores
ou das secreções procedentes de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores de plantas que
ficam sobre partes vivas de plantas, que as abelhas recolhem, transformam, combinam com substâncias
específicas próprias, armazenam e deixam madurar nos favos da colméia (BRASIL, 2000).
Além de sua qualidade como alimento, esse produto único é dotado de inúmeras propriedades terapêuticas,
sendo utilizado pela medicina popular sob diversas formas e associações como fitoterápicos (PEREIRA et al.,
2003).
As análises físico–químicas de méis contribuem na fiscalização de méis importados e no controle da
qualidade do mel produzido internamente. Seus resultados são comparados com padrões citados por órgãos
oficiam internacionais, ou com os estabelecidos pelo próprio país, protegendo o consumidor de adquirir um
produto adulterado (MARCHINI, 2000).
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2. REGULAMENTAÇÃO PARA COMERCIALIZAÇÃO DE MEIS DE ABELHA
No Brasil, os produtos alimentícios são submetidos a constantes controles sanitários visando a saúde do
consumidor. Para contribuir nesse sentido, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Ministério
da Saúde estabelece os padrões de identidade e qualidade característicos para cada produto, assim como as
principais normas sobre a rotulagem para os alimentos embalados (GOMES et al., 2005).
Em 2000, a Instrução Normativa nº 11, de 20 de outubro, aprovou o Regulamento Técnico de Identidade e
Qualidade do Mel, revogando a Portaria nº 367 de 04 de setembro de 1997. A Instrução estabelece a definição, a
classificação, a designação, a composição, e os requisitos quanto às características físico-químicas, sensoriais,
condições de acondicionamento, aditivos, contaminantes, condições higiênicas, critérios macroscópicos e
microscópicos, pesos e medidas, rotulagem, amostragem e definição dos métodos de análises que deverão ser
seguidos (BRASIL, 1997; BRASIL, 2000).
Enfim, embora existissem várias normas estabelecendo e disciplinando o autocontrole, foi instituída uma
ferramenta que padroniza critérios para a verificação destes programas por parte do SIF em sua rotina de
fiscalização, através do Ofício Circular nº 24 DILEI/CGI/DIPOA, de 11 de setembro de 2009 (BRASIL, 2009).
O mel foi incluído no Plano Nacional de Controle de Resíduos em Produtos de Origem Animal (PNCR) a
partir de 2006, e anualmente o plano é reajustado para oferecer as garantias de controle e monitoramento em
relação aos tipos de resíduos, limites máximos e laboratórios credenciados. O PNCR/2010 está descrito na
Instrução Normativa nº 08, de 29 de abril de 2010 (BRASIL, 2010a).
Atualmente, o mel deve seguir as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) no que se refere a rotulagem nutricional, conforme descrito nas resoluções: RDC nº 359 e RDC nº
360, de 23 de dezembro de 2003, contudo deve atender a Instrução Normativa MAPA nº 22, de 24 de novembro
de 2005, que aprova o Regulamento Técnico para produtos de origem animal embalados (BRASIL, 2003a;
BRASIL, 2003b; BRASIL, 2005).
Em fevereiro de 2010, o Ministério da Agricultura através do Ofício Circular nº 01/2010 do
DILEI/CGI/DIPOA, que trata sobre a auditoria de rotulagem de mel, produtos apícolas e compostos apícolas,
estabeleceu o cancelamento de todos os produtos apícolas que não estivessem adequados à nova legislação
descrita pela Instrução Normativa nº 22/2005 (BRASIL, 2010b).
Para atender o mercado externo, o produtor deve seguir as exigências específicas de cada país (imposição de
barreiras técnicas), porém o volume de exportações e as crescentes exigências da União Europeia, após o fim do
embargo despertou o interesse em focar nas exigências deste mercado (LIMA, 2008).
A composição e o beneficiamento do mel na União Europeia (UE) são regulamentados pela Diretiva
2001/110/EC, de 20 de dezembro de 2001. A Diretiva estabelece os tipos de méis que podem ser
comercializados na UE e conferem informações sobre níveis de umidade, teor de hidroximetilfurfural, atividade
enzimática e agrotóxica e ainda exige que a origem floral e geográfica do mel seja indicada na sua embalagem.
3. CARACTERÍSTICAS FÍSICO - QUÍMICAS DO MEL DE ABELHA
Os requisitos de qualidade físico-químicas do mel foram estabelecidos pelo MAPA, na Instrução Normativa
n° 11, de 20 de outubro de 2000, a qual constitui o Regulamento de Identidade e Qualidade do Mel.
Quanto às características sensoriais, o mel pode conter cor variável (incolor a pardo-escura); deve ter sabor e
aroma característicos conforme a sua origem floral e, de acordo com o seu estado físico, pode apresentar
consistência variável.
Quanto às características físico-químicas, para o critério de maturidade (completa maturação do mel nos
favos), os parâmetros a serem avaliados se referem às análises de teor de umidade, teor de açúcares redutores e
sacarose aparente.
Na composição do mel de Apis, a água é o segundo componente em quantidade, variando de 15 a 21%,
dependendo do clima, origem floral, estágio de maturação (ALMEIDA-ANACLETO, 2007; PEREIRA, 2008
MENDES et al., 2009) e teor de umidade da planta (KAHRAMAN et al., 2010).
O conteúdo de umidade pode influenciar na maturidade, sabor, conservação, viscosidade, peso específico,
cristalização, palatabilidade, contribuindo para estabilidade quanto à fermentação, uma vez que o alto teor de
umidade e altas temperaturas de estocagem aceleram o desenvolvimento de leveduras neste substrato,
diminuindo a vida de prateleira do mel (ARAÚJO et al., 2006; SILVA, 2007; ABRAMOVIC et al., 2008).
Os açúcares encontrados no mel são principalmente a glicose, sacarose, frutose, e maltose, eles influenciam
diretamente na viscosidade, higroscopicidade, granulação e valor energético (ARRUDA, 2003; SODRE, 2005;
ALMEIDA-ANACLETO, 2007). Os açúcares redutores (glicose e frutose) são as frações dominantes
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representando em torno de 85 a 95% dos carboidratos presentes no mel (SODRÉ, 2005; MENDES et al., 2009;
AJLOUNI, SUJIRAPINYOKUL, 2010).
A glicose por ter pouca solubilidade, determina a tendência de cristalização e a frutose por ter alta
higroscopicidade, determina a sua doçura. A proporção média de frutose no mel é de 39,3%, enquanto de glicose
é 32,9%, sendo que um mel com altas taxas de frutose pode permanecer líquido por um longo período ou nunca
cristalizar (OSACHLO, 2004; SODRÉ, 2005).
O conteúdo de sacarose é importante para sabermos se as abelhas foram alimentadas com açúcar no início da
florada ou se houve adulteração do mel pela adição direta de sacarose (GARCIA-CRUZ et al., 1999; SILVA,
2007). Além disso, o teor elevado de sacarose no mel, que normalmente não ultrapassa 6%, significa na maioria
das vezes, uma colheita prematura do mel, isto é, um produto em que a sacarose ainda não foi totalmente
transformada em glicose e frutose pela ação da enzima invertase (VARGAS, 2006; SILVA, 2007; MENDES et
al., 2009).
Para satisfazer a condição de pureza, os méis devem apresentar grãos de pólen e precisam atender às
especificações para os teores de sólidos insolúveis em água e minerais (cinzas).
O teor de sólidos insolúveis do mel representa a presença de substâncias insolúveis em água, como a cera e
grãos de pólen, patas e asas de abelhas, além de outros elementos inerentes do mel ou do seu processamento. A
realização desta análise permite a detecção de impurezas presentes no mel, sendo uma importante medida de
controle higiênico sanitário (SILVA, 2007; MENDES et al., 2009).
A porcentagem de cinzas expressa os minerais presentes no mel, esses elementos aparecem em baixa
quantidade, mas influenciam na coloração e estão em maior concentração nos méis escuros. A sua proporção
pode ser alterada em função de diversos fatores como a origem floral, região, espécie de abelhas e tipo de
manejo (ALMEIDA, 2002; ARRUDA, 2003).
A determinação do teor de cinzas visa verificar sua qualidade, sendo possível determinar algumas
irregularidades no mel, como, por exemplo, contaminação provocada pela não decantação ou filtração no final
do processo de extração do produto (MENDES et al., 2009).
Na avaliação das condições de deterioração, é necessário averiguar os teores de acidez livre,
hidroximetilfurfural (HMF) e atividade diastásica. O mel não deve apresentar indícios de fermentação e deve ser
acondicionado em embalagem adequada para alimentos, que mantenha as condições previstas para o
armazenamento e que confira uma proteção elevada contra a contaminação (BRASIL, 2000).
A origem da acidez do mel deve-se à variação dos ácidos orgânicos causada pelas diferentes fontes de
néctar, pela ação de enzimas, pela ação das bactérias durante a maturação do mel e ainda pela quantidade de
minerais presentes no mel (EVANGELISTA-RODRIGUES et al., 2005; WELKE et al., 2008).
A acidez está relacionada ao conteúdo de glicose, uma vez que o ácido glucônico é formado pela conversão
da glicose pela ação da enzima D-glicose-oxidase, em ácido glucônico e sua lactona. Presente naturalmente no
mel, esse parâmetro tende sempre a aumentar mesmo durante o armazenamento, pois a enzima permanece em
atividade no mel após seu processamento (PEREIRA, 2008; MENDES et al., 2009).
O HMF é formado durante a hidrólise ácida e desidratação de hexoses, sendo considerado uma propriedade
química do mel. É o resultado de açúcares simples como glicose e frutose que são quebradas na presença de
ácido glucônico e dos ácidos do mel. A medida do teor de HMF é usada para avaliar a qualidade de mel e
geralmente está presente em pequenas quantidades no mel recém-colhido (SILVA, 2007; AJLOUNI,
SUJIRAPINYOKUL, 2010).
O HMF é utilizado como indicador de qualidade, uma vez que tem origem na degradação de enzimas
presentes nos méis e apenas uma pequena quantidade de enzima é encontrada em méis maduros. Teoricamente,
méis com maior taxa de frutose darão origem a maiores taxas de HMF, ao longo do processo de armazenamento.
O conteúdo de HMF no mel também pode ser afetado pela acidez, pH, conteúdo de água e minerais (SILVA et
al., 2008; MENDES et al., 2009). Os méis originados de países tropicais podem apresentar naturalmente um alto
conteúdo de HMF, sem que tenha sofrido superaquecimento ou adulterações, isso pode ocorrer por influência da
alta temperatura ambiental (ARRUDA, 2003).
O pH determinado no mel se refere aos íons de hidrogênio presentes em uma solução e pode influenciar na
formação de outros componentes como na velocidade de produção do HMF (ALMEIDA, 2002; MENDES et al.,
2009).
A cor do mel está relacionada com sua origem floral, mas é influenciada pelos fatores climáticos durante o
fluxo do néctar, pela temperatura durante o amadurecimento do mel na colméia e pelo seu processamento. O
tempo de estocagem, a luz, o calor e as possíveis reações enzimáticas podem afetar esta propriedade física
(SMITH, 1967; SEEMANN, NEIRA, 1988; CAMPOS, 1998).
No geral, a coloração do mel apresenta várias tonalidades (branco água, extra branco, branco âmbar, âmbar
claro, âmbar e âmbar escuro) podendo ser resumida em mel claro e mel escuro (COUTO, COUTO; WIESE,
2000). A cor pode variar de branco aquoso a próxima de preto, com variante tendendo para matrizes de verde ou
vermelho ou mesmo azul, sendo o mel de cor clara o mais aceito mundialmente com melhor preço (CRANE,
1983).
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Os fatores que determinam a velocidade de escurecimento do mel estão relacionados à proporção de frutose,
glicose, conteúdo de nitrogênio e aminoácidos livres, a reação de sustâncias polifenólicas com sais de ferro, ao
conteúdo de minerais e a instabilidade da frutose em solução ácida. Também foi observado que a cor escura é
um indicador da presença de alto conteúdo de minerais (SCHADE et al., 1958; CAMPOS, 1998; BARTH,
SINGH, 1999).
Em estudo com amostras de méis misturados (mel de melato e mel floral), foi observado que o aumento do
teor de melato na mistura diminui a luminosidade, aumenta ligeiramente a quantidade de cor vermelha e diminui
sensivelmente a cor amarela, originando um produto mais escuro (CAMPOS, 1998).
Nas legislações nacionais e internacionais vigentes, não há exigência da realização de análises microbiológicas
para o mel. São estabelecidas, apenas, práticas de higiene na manipulação do produto.
4. CONCLUSÃO
Considerando as mudanças ocorridas na legislação para méis de abelhas do gênero Apis mellifera, os órgãos
de fiscalização precisam ser mais rigorosos no sentido garantir produtos com qualidade e segurança suficiente
para manter a saúde do consumidor. Observou-se também a necessidade de estabelecer análises microbiológicas
obrigatórias no momento das coletas e na exposição do produto apícola nas prateleiras.
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