Lembranças Literárias

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Lembranças Literárias
LEMBRANÇAS
LITERÁRIAS
PASTOR WAGNER ANTONIO DE ARAÚJO
VOLUME 1
1
Sumário
001 - PROCURA-SE UMA IGREJA ....................................................................... 3
002 - O DIABO ................................................................................................... 7
QUEM É O DIABO? ............................................................................................ 7
003 - MEMÓRIAS DE UM PÚLPITO .................................................................. 12
004 - O PORÃO ................................................................................................ 17
005 - EM POUCAS LINHAS ............................................................................... 22
006 - FOLHINHA DE OLIVEIRA ......................................................................... 22
007 - QUEM SOU EU?...................................................................................... 26
008 - ESTIVE ORANDO ... ................................................................................. 27
009 - DUAS SACOLAS....................................................................................... 31
010 - ENCONTREI MEU NOME ........................................................................ 32
011 - DEUS VIU ................................................................................................ 36
012 - A MULHER SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS ......................................... 41
013 - AINDA SOU DO TEMPO .......................................................................... 43
014 - DOUTOR TRÊS HORAS ............................................................................ 48
015 - E AINDA ESTOU AQUI... .......................................................................... 54
015 - A FROTA ................................................................................................. 59
016 - A CARA DA IGREJA.................................................................................. 66
017 - QUANDO TUDO PARECIA PERDIDO... .................................................... 69
018 - PEREIRA E PEDRO ................................................................................... 75
019 - ERA UMA VEZ PAULO, OU QUEM QUER QUE FOSSE... (20/03/2013 .... 77
020 - COMUNHÃO COM DEUS ........................................................................ 83
2
021 - HONRANDO AS CÃS ............................................................................... 86
022 - DESAFIO PARA OS CRENTES ................................................................... 88
023 - CONSTRANGEDOR.................................................................................. 91
025 - CAMINHANDO NO PASSADO... .............................................................. 97
026 - O ABECEDÁRIO DE DEUS ...................................................................... 100
027 - O PASTORZINHO E SEU DUELO ............................................................ 107
028 - SE EU MORRESSE AMANHÃ ................................................................. 111
029 - LAVE O ROSTO...................................................................................... 113
030 - MEU PEQUENO JASON ......................................................................... 115
031 - DE QUEM É O PROBLEMA? .................................................................. 117
032 - PUREZA ................................................................................................ 120
033 - AGORA!!!.............................................................................................. 123
035 - JOVENS NA DIREÇÃO DE DEUS, NA CONTRA-MÃO DO MUNDO ......... 129
036. MALDIÇÃO DE CRENTES ........................................................................ 137
037 - IGREJAS SADIAS PREGAM A SALVAÇÃO ............................................... 140
038 - RECORDAÇÕES DE PORTUGAL ............................................................. 142
039. ... E JOÃO NÃO VEIO ... .......................................................................... 143
040 - UMA SURPRESA NAS PESQUISAS - conto missionário ......................... 179
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001 - PROCURA-SE UMA IGREJA
Procura-se uma igreja que use a Bíblia Sagrada do jeito que era
usada no passado não muito distante. Que use a Bíblia como revelação
de Deus. Aliás, uma boa bíblia tradicional e FIEL, e não as publicações
"à la carte" (bíblia para idosos, para jovens, para gays, para
empresários, etc.). Não importa que tenha capa preta e letras de tipos
antigos. Não importa que uma ou outra palavra precise ser consultada
no dicionário.
Afinal, a Bíblia deve servir também para aprimorar os
conhecimentos de seus leitores. Que use a Bíblia acreditando nela.
Confiando em seus escritos, linha por linha, letra por letra. Que creia
em sua inerrância e em sua total confiabilidade. Que a use no púlpito,
não por pretexto para eventos sociais, políticos ou comerciais, mas
como a Palavra de Deus, revelação divina para todos os povos.
Procura-se uma igreja que tenha púlpito. Sim, porque o tablado
das igrejas tem abrigado toda sorte de coisas, menos um púlpito. Lá
encontram-se baterias, guitarras, pandeiros, atabaques, portamicrofones, câmeras, luzes, castiçais de Israel, óleos de Jerusalém,
cartazes comerciais, "links" ao vivo para a TV e Internet, mas
dificilmente se encontra um púlpito. Para aqueles que não estão
familiarizados, púlpito é aquele móvel que os pastores antigamente
usavam para colocar as suas bíblias e pregar a Palavra de Deus.
Usualmente era colocado no centro da plataforma, numa disposição
que alcançasse todos os presentes, ou mesmo em um dos lados, no
alto. O lugar era mais ou menos aquele onde estão os "levitas" ou os
animadores do "auditório gospel". Encontram-se muitos desses móveis
antigos nos "museus eclesiásticos".
Procura-se uma igreja com templo. Não precisa ser um grande
templo, nem um pequenino templo. Não precisa ter torre, relógio e
cruz, nem tampouco ter um órgão de tubo e um vestíbulo. Apenas um
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templo, um lugar reservado para adoração a Deus, um lugar onde as
pessoas se consagrem para a oração, a meditação, o respeito e a
dedicação a Deus. eralmente encontram-se ex-templos onde hoje
estão casas lotéricas, açougues, mercados ou agências bancárias,
porque as igrejas que os usavam acabaram por alugar grandes
auditórios, cinemas, fábricas, pizzarias ou ginásios esportivos. O
templo tornou-se tão obsoleto quanto a adoração tradicional bíblica. O
templo não era adequado para a atual "aeróbica cristã", que faz com
que os participantes suem tanto quanto uma boa aula de ginástica.
Procura-se uma igreja que tenha um templo, seja de tijolos, de barro
ou de bambus, mas que seja "Casa de Oração", lugar de adoração, de
reverência, de alegria espiritual, de encontro com Deus. Se for grande,
muito bom. Se for pequeno, bom também. Se tiver ar condicionado,
ótimo. Caso contrário, não haverá problema, desde que o povo tenha
consciência de que "a minha casa será chamada CASA DE ORAÇÃO".
(citação das palavras de Jesus em Mateus 21.13).
Procura-se uma igreja que cante hinos. Uma igreja que ainda
ouse usar um "Cantor Cristão", um ""Hinário para o Culto Cristão", um
"Hinário Evangélico," um "Melodias de Vitória", um "Salmos e Hinos"
ou outro hinário que contenha as preciosidades da hinódia evangélica.
Uma igreja que ouse cantar coisas que vão de encontro à música
chamada "do momento", e ao encontro do coração de Deus, em
adoração firmada em verdades da Palavra do Senhor, e não em palhas
e restolhos de emoção fútil. Uma igreja que ainda use os hinos
publicados em forma de livrinho, não apenas um retro-projetor com
transparências, que priva as pessoas de levarem a letra para casa e
estudá-la, decorá-la, entoá-la em sua devocional particular. Uma igreja
que cante "Rocha Eterna", "Fala, Deus", "Bendita a Hora de Oração",
"Vamos à Igreja", "Já Refulge a Glória Eterna", "A Doce Voz do Senhor",
"Tu és Fiel", "O Rei Está Voltando", "Grande é Jeová", etc. Uma igreja
que embase o que canta na Palavra de Deus, rejeitando cânticos que
não têm razão de ser, como os que dizem que Deus está "passeando"
(estaria Ele de férias?) "Agarre as penas das asas dos anjos" (seriam
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eles galinhas despenando?), "Dá-me a mão e meu irmão serás" (é tão
simples assim? Nem de Cristo se precisa?). Uma igreja que não tenha
um "hit parade", ou um índice das "10 mais de hoje", mas cante coisas
de ontem, de hoje e de sempre, concretas, profundas e permanentes.
Procura-se uma igreja de gente renascida. Não reencarnada, pois
reencarnação não existe (cf Hebreus 9.27). Mas uma igreja de gente
que foi regenerada pelo novo nascimento, através de sua conversão a
Cristo (Cf. João cap. 3 e II Co 5.17). Uma igreja que abre as portas para
o povo do mundo, mas coloca um aviso: "o pecador é bem-vindo; o
pecado não!". Uma igreja que tenha gente que leve a sério o que
aprende, que pratique o que ouve ser pregado, que procure ser "luz do
mundo" e "sal da terra", que manifeste as "virtudes daquele que nos
chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". Uma igreja de gente
que não fume. Gente que não beba álcool. Gente que não use drogas.
Gente que não fale palavrões. Gente que não seja escravizada pelo
entretenimento, que não toma a forma do mundo, mas que renova dia
a dia o seu entendimento pela Palavra da Verdade. Uma igreja que não
tenha receio de firmar posturas indigestas à maioria das outras igrejas,
como exigir de seus membros uma vestimenta decente, um namoro
moralmente aceitável, um casamento que possua "leito sem mácula",
uma fraternidade construtiva, cidadãos cumpridores de seus
compromissos, crentes honestos em suas transações. Uma igreja que
pregue o que é certo e viva o que pregue.
Procura-se uma igreja que tenha amor não fingido. Uma igreja
que não faça acepção de pessoas. Que não faça uma entrada "só para
automóveis", para evitar que crentes pobres ou sem condução
congreguem ali. Uma igreja que não coloque os crentes bem sucedidos
nos bancos da frente, e reserve os últimos assentos para os pobres e
os inexpressivos socialmente. Uma igreja que não dê assistência
apenas para os que têm polpudos salários, desprezando os que
contribuem apenas com três míseras moedas de centavos. Uma igreja
que não trate seus membros pelo grau de instrução, dignificando o
douto e desprezando o inculto, uma igreja que use de amor,
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misericórdia e atenção para com todos. Uma igreja que não tenha duas
leis, dois pesos e duas medidas, disciplinando severamente os que não
fazem diferença no orçamento mensal, e encobrindo os adultérios, as
desonestidades, as falcatruas, as maledicências e os muitos pecados
dos mais ricos. Uma igreja que não coloque um político no púlpito e
uma pobre velhinha malcheirosa no canto, junto à porta de saída.
Procura-se uma igreja que tenha pastor. Mas não um pastor do
tipo "profissional da área religiosa", mas "profissional da área
celestial". De preferência um pastor que não tenha especialização em
vendas, "tele-marketing", venda de consórcios ou carnês do baú.
Também não precisa ser especialista em análise de mercados e doutor
em planos mirabolantes de crescimento de igreja. Procura-se uma
igreja cujo pastor esteja mais interessado em pastorear cada um como
um filho, do que contar cada um como um número. Esse pastor
poderia ser até de origem humilde, sem o grau de "latus census" ou
"restritus census". Que tenha apenas "bom census" de levar a sério o
seu chamado de "ganhador de almas, amigo do rebanho, pregador da
Palavra, intercessor em oração pela sua comunidade, porta-voz da sã
doutrina, líder respeitado, manso e cordato", porém, peremptório em
suas afirmações. Um pastor que tenha cara de pastor, coração de
pastor, postura de pastor, vida de pastor.
Que use a Bíblia, não o "manual de igrejas do sucesso" ou "plano
de restauração do propósito do discipulado dos grupos da unção" , ou
quaisquer outras inovações evangélicas que estejam em alta BMIF Bolsa de Mercadorias de Igrejas com Futuro. Procura-se um pastor que
esteja de joelhos diante do Pai, pois é a única forma de não cair; um
pastor que sorria com os que sorriem, chore com os que choram, que
visite o pobre, e também o rico; que ame o bonito, e acolha também o
feio; que se importe com a dor de um idoso e com a alegria de um
jovem. Um pastor que diga a verdade, pela bíblia, doa a quem doer,
sem, contudo, jamais perder a ternura. Um pastor que não busque a
glória dos homens, mas a glória de Deus; que não esteja de olho nas
recompensas terrenas, mas nas celestiais. Um pastor que saiba ser
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homenageado, rendendo glórias a Deus, e saiba também resignar-se
quando for esquecido. Um pastor segundo o coração de Deus.
Procura-se essa igreja.
Aos que souberem do seu paradeiro, favor ligarem para os
crentes de bom senso, notificando o achado. Talvez não restem muitas
dessas por aí. E me avisem também, para que eu saiba para onde ir, se
acaso precisar".
Pr. Wagner Antonio de Araújo
002 - O DIABO
QUEM É O DIABO?
Que evangelho é esse? Que igreja é essa? Os noticiários mostram
pastores indiciados por levarem propinas de casas lotéricas,
envolvendo-se em ilícitos na política brasileira.
Igrejas crescem astronomicamente, mas os seus membros não
conhecem a Deus, não dão valor aos visitantes, não vivem o que
pregam.
Que igreja é essa, que se instala num lado da avenida como uma
mega-igreja, e, no outro, concorre com ela mesma, com um templo
maior ainda!
Que povo é esse, que inventa a cada dia novas modalidades de
culto, como a unção zoológica, o urinar para demarcar territórios,
soprar para receber o Espírito Santo, tocar chofar ou comer gafanhotos
e vestir-se de couro...
Há três inimigos da vida da igreja de Cristo, que são: O MUNDO,
A CARNE E O DIABO. Queremos conhecer quem é o Diabo.
Quando Deus criou todo o Universo, não o fez para ser um caos,
vazio (Isaías 45.18).
Deus criou o mundo para ser admirado, e para que o Seu nome
fosse louvado.
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Diz a bíblia que, ao criá-Lo, os filhos de Deus rejubilavam (Jó
38.7). Esses filhos de Deus não eram os homens, criados muito tempo
depois, mas os anjos.
Um deles era especialmente poderoso, e seu nome era “Anjo de
Luz”, “Querubim da Guarda”, comparado e chamado também de “Rei
de Tiro” (veja-se Ezequiel 28).
Apesar de não haver um texto que especifique tal enredo,
entendemos que houve uma batalha no Céu (Apocalipse 12.7), quando
Lúcifer (anjo de luz) levou um terço da corte angelical consigo
(Apocalipse 12.4).
Desde então, parte desses anjos caídos passou a estar guardada
no abismo para o julgamento (Judas 6), e outra parte espalhada pela
atmosfera e o universo (Efésios 3.10).
Lúcifer e seus anjos caídos passaram a ser conhecidos como
demônios.
Ele, especificamente, foi identificado como Satanás (Jó 1.14), pai
da mentira (João 8.44), Apoliom e Abadom (Apocalipse 9.11) O
significado dessas palavras é inimigo, adversário, maligno, tudo o que
não presta.
Ainda que tenha se tornado demônio e seja maligno, Lúcifer e
seus anjos caídos mantiveram a hierarquia militar que existia quando
eram do céu.
Há no céu um escalão angelical, onde encontramos pelo menos
um arcanjo, que são é chefe dos anjos, e a expressão “Senhor dos
Exércitos”, que identifica a corte angelical como uma gigantesca força
militar.
Quem é o nosso inimigo chamado Satanás?
O maligno está hierarquizado numa estrutura muito bem
montada.
Ele, Lúcifer, não está fisicamente entre nós, mas se faz
representar pelos seus subalternos.
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Somente no cumprimento das últimas profecias é que Satanás se
envolverá com a raça humana, através das duas bestas e do anticristo,
ambos mencionados no livro do Apocalipse.
Satanás é o cabeça, o chefe, o mandatário, o pior.
Jesus o chama de “pai da mentira”. (Jo 8,44), “príncipe deste
mundo” (João 12.31). Paulo o indica como “o deus deste século” (II
Coríntios 4.4).
Isso me faz pensar no esnobe povo evangélico, que pendura
placas em várias cidades do país, dizendo “O Brasil (ou a cidade) é do
Senhor Jesus – povo de Deus, declare isso”.
Frase muito bonita. Mas seria verdadeira? Jesus declarou
peremptoriamente: “O meu Reino não é deste mundo” (João 18.36).
Teria Ele mudado? Morreram em vão os mártires, que ansiavam por
um novo mundo, um lar onde nem a morte, nem a doença, nem a
injustiça, nem a idolatria, nem o pecado existissem?
Certamente que Jesus não mudou.
Ouçamos o que nos diz a bíblia sobre a hierarquia satânica.
Leiamos Efésios 6.12: “pois não é contra carne e sangue que temos
que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta
os dominadores/príncipes deste mundo tenebroso, contra as hostes
espirituais da iniqüidade nas regiões celestes.”
O primeiro escalão de poderes no império do mal é chamado de
PRINCIPADOS.
Equivale ao presidente de um país, ao rei de uma nação, ao líder
máximo de um povo.
Trata-se do demônio de mais alta patente dentro de uma área
geográfica ou de um povo étnico. Isso é o que concluímos com as
citações do Anjo Gabriel, que, ao ser portador das respostas das
orações de Daniel, afirmou que o Príncipe da Pérsia havia lutado
contra ele, que o Príncipe da Grécia lhe faria outra guerra, e que só
Miguel, o Príncipe de Judá, ficou e ficaria do seu lado.
Que príncipes são esses? São anjos que governam, e, no caso,
anjos malignos que governam sobre um povo e fazem oposição aos
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príncipes bondosos, que são os anjos não caídos (veja-se Daniel
10.13,20,21).
Tais principados são os piores inimigos de um povo, e que
possuem autoridade destrutiva sobre ele. Assim como um presidente,
coordenam, de forma organizada, tudo o de ruim que acontece
naquela região ou com aquele povo: seus seqüestros, seus pecados,
suas mortes, suas interpéries climáticas, sua cultura, sua sexualidade.
Seu objetivo: fazer o povo perder-se e levá-los todos para a
condenação eterna. Eles estão diretamente subordinados a Satanás e
são de poder incalculável, menor apenas (malignamente falando) ao
poder de Lúcifer.
O segundo escalão de poderes é chamado de POTESTADES.
Assim como um presidente possui o seu ministério, os
PRINCIPADOS também colocam responsáveis em cada área de atuação
sobre aquele povo e/ou sobre aquele país.
No Brasil temos o Ministério da Cultura, Ministério da Ação
Social, Ministério do Trabalho, etc. No maligno temos as potestades
que cuidam da perversão sexual, da injustiça social, das tempestades e
catástrofes naturais, dos levantes e escândalos públicos, da sedução
política, etc.
São poderosíssimos seres espirituais, diretamente subordinados
aos PRINCIPADOS.
O terceiro escalão de poder é chamado DOMINADORES DESTE
MUNDO TENEBROSO.
Tais seres são demônios subordinados às POTESTADES,
responsáveis em áreas específicas de malignidade, como demônios
destruidores de cidades inteiras, especializados em fomentar a
jogatina, a perversão sexual, o roubo, os assassinatos, etc.
Esses seres, menores que as potestades, são os líderes mais
manifestos nos cultos malignos, chamados “orixás”, “exus”, ou, no alto
espiritismo, chamados de “guias espirituais”, com nomes famosos,
inspiradores de grandes escritores esotéricos.
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Eles têm sob sua autoridade muitos e muitos soldados rasos,
muitos e muitos subalternos, muitos e muitos demônios.
O quarto e último escalão é denominado HOSTES ESPIRITUAIS DA
MALDADE.
Esses são os demônios comuns.
Esses são os que infestam as pessoas endemoninhadas, uma das
quais possuía em si algo em torno de 2 mil deles! (veja-se Marcos
5.13).
Esses são os trabalhadores braçais, os que encaram corpo-acorpo os seres humanos.
Esses são as assombrações, os fantasmas, os espíritos dos
centros, os “pretos velhos”, os “caboclos”, os “guias” dos gurus, etc.
Esses são os trabalhadores braçais do maligno.
O seu número é de milhões e milhões, um terço dos anjos
originais.
O seu poder é limitado e há uma ordem divina para que nós, os
cristãos, os expulsemos (Marcos 16.17).
Todo crente legítimo tem poder de expulsar demônios.
Como combater Satanás? Como combater todos os demônios de
sua hierarquia, já que eles são muito mais fortes do que nós?
01) O Espírito Santo habita em nós, e o Espírito Santo é o próprio
Deus (I Coríntios 3.16). Maior é o Espírito do Senhor do que o poder
que está no mundo, do que o poder das trevas. (I João 4.4).
02) O Maligno não pode tocar num crente em Jesus Cristo, não
pode penetrá-lo, invadir a sua alma (I João 5.18). Portanto, se alguém
quiser expulsar o demônio de você, expulse ele, porque é um
mentiroso e sua doutrina é maligna (II Jó 10-11).
03) Mas é possível um crente tornar-se frágil e vítima dos
ataques de Satanás, de fora para dentro, ou seja, Satanás nos tenta e
caímos, perdendo o poder espiritual, a integridade moral, deixando de
fazer escolhas corretas e iluminadas pelo Senhor. A bíblia nos diz para
não darmos lugar ao Diabo (Efésios 4.27), nos diz para vigiarmos e
orarmos para não cairmos em tentação (I Pedro 5.8).
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04) Só existe uma maneira de vencer, e ela está resumida em
Tiago 4.7: “SUJEITAI-VOS A DEUS, MAS RESISTI AO DIABO, E ELE
FUGIRÁ DE VÓS”.
A vitória contra Satanás é simples, nós é que complicamos.
As armas são redondas e o caminho é muito claro.
O diabo não liga para gritarias, ameaças, shows cheios de
emoções, palavras de determinação, efeitos especiais, nada disso.
Entretanto, quando um crente é obediente, quando um crente
guarda os mandamentos de Jesus, ah, daí ele não suporta e não é
capaz de resistir ao poder de Cristo, à luz da vida que brilha no coração
dessa pessoa.
Leia João 14.,21 15.10. Veja o quanto o Senhor Jesus Cristo
valoriza um servo obediente! Por isso, para se obter vitória contra o
inferno, há de se ter obediência aos mandamentos de Jesus, ao lado de
uma vida piedosa, de oração, leitura bíblica, dedicação financeira,
comunhão na igreja e perseverança no testemunho.
Que Cristo vença a cada dia em nossas vidas!
003 - MEMÓRIAS DE UM PÚLPITO
ACAMPAMENTO DE CARNAVAL 2004 DA
PRIMEIRA IGREJA BATISTA DE LAUSANE PAULISTA, SÃO PAULO, SP
PRELEÇÕES DO PR. WAGNER ANTONIO DE ARAÚJO
1ª PALESTRA – dia 21 de fevereiro de 2004
" 03 de setembro de 1978
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Hoje eu nasci. Eu era uma árvore frondosa junto à floresta da
Amazônia. Estava no caminho das máquinas que arrumavam a estrada
que construiram. Então me cortaram. Pensei que seria o meu fim.
Levaram-me para a a madeireira e fizeram de mim uma prancha bem
trabalhada. Fui para São Paulo, num estoque gigantesco de madeiras.
Fiquei 3 anos ali. Na semana passada vieram me buscar. Levaram-me
para uma marcenaria. Cortaram-me, colaram-me, pregaram-me e
transformaram-me num púlpito de igreja. Disseram que serei muito
útil nos trabalhos de Deus. Fico feliz. Fiquei muito bonita, aliás, muito
bonito, pois agora não sou mais A TÁBUA, mas O PÚLPITO. Vamos ver
o que me acontece..."
" 09 de setembro de 1978
Acabo de chegar à igreja. Nossa, que lugar grande! Eles estão
terminando o templo e vão inaugurá-lo amanhã. Todos os bancos
novinhos em folha, o chão com revestimento de ardósias, o teto com
lindo forro de gesso. Acho que será uma festa e tanto! ..."
" 10 de setembro de 1978"
Agora descobri para que sirvo. O pastor coloca a bíblia sobre
mim, mantem-na aberta num trecho e prega o que está escrito. Que
honra servir a Deus desse jeito! Parece que todos gostaram de mim!
No final do culto muita gente veio até mim e deu toques com a mão,
falando da beleza do acabamento, da qualidade da madeira, do quanto
combinou com os bancos, etc. Estou muito satisfeito! Colocaram um
montão de bíblias e folhetos no armário que está dentro de mim.
Também resolveram guardar microfones e cordas de violão. Sou
polivalente! ..."
" 05 de junho de 1982
Estamos em conferências aqui na igreja. Uns pastores
americanos foram convidados para pregar. Eu já estou conhecendo
bem as Escrituras Sagradas. Também, pudera: dia após dia ouço o
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pastor e os pregadores que se sucedem. Até critico os pregadores!
Tem uns que são ótimos. Outros, porém, percebo que estão
enrolando, ou apenas apelando às emoções. Mas está sendo ótimo
este evento..."
" 04 de julho de 1984
É mês da mocidade. O culto desta manhã foi dirigido por eles.
Um rapaz magrinho, de 16 anos, foi convidado para pregar. Nossa! Ele
tem futuro! Já faz pose de gente grande, ele realmente leva jeito de
pregador! Gostei. A mocidade está de parabéns. Espero que muitos
novos talentos apareçam aqui. Terei prazer em auxiliá-los!..."
" 10 de maio de 1991
A igreja está trocando de pastor - Parece que houve um
problema com o anterior e eles resolveram aceitar o seu pedido de
exoneração. Eu gostava tanto dele! Apesar de que muitas vezes
apanhei: ao pregar, ele dava uns socos em mim, frisando alguns textos.
Eu agüentava, era pra Deus! Mas agora ele foi embora. Que triste.
Espero que o outro seja tão bom quanto este..."
" 18 de agosto de 1996
Cinco cupins tentaram entrar na minha base hoje à tarde. Eles
sairam em revoada de primavera, perderam as asas, cairam no chão e
foram devorar as minhas bases. Graças a Deus eles sentiram o gosto
do veneno que colocaram em mim quando me fizeram. Ficaram tontos
e foram embora. Falei como o pastor: "Yess!...". Ou como o presidente
dos jovens: um a zero pra nós!..."
" 03 de janeiro de 1998
Hoje eu servi de pedestal para bebês: o pastor apresentou o
primeiro bebê nascido neste ano. Colocou-o sobre mim. Que ternura!
Quase que o bebê me molha, mas foi ficou só no "quase". Estou feliz!
Como me sinto útil no trabalho do Senhor!..."
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" 15 de novembro de 1998
Estou sentindo algo estranho. O pastor é meio esquisito, parece
que não gosta de mim. Outro dia, quando ele foi me usar, disse:
"porcaria de tranqueira que só ocupa espaço..." O microfone estava
desligado, mas eu escutei em alto e bom som. O pessoal daqui não
estã mais me usando como antes. A criançada cresceu, virou
adolescente, e agora toca muito bem os instrumentos. Mas o pastor
acha tão bonito, que diz não haver necessidade de pregação, e manda
colocar-me de lado, cobrindo-me com a toalha da mesa de Ceia. Estou
achando estranho, mas, tudo bem. Deve ser uma fase..."
" 7 de fevereiro de 2000
Hoje aconteceu um acidente. Colocaram-me no centro da
plataforma novamente (fazia meses que eu ficava no canto, utilizado
só uma vez por mês). O pregador era de fora. Sempre colocam um
copo com água para que o visitante beba. Parece que os pregadores
agora ficam roucos (quando vim pra cá não tinha dessas coisas!). Só
que, na hora em que ele foi dar um tapa na bíblia e,
conseqüentemente em mim, ele derrubou o copo e a água caiu.
Penetrou toda em meu interior. Ah, meu Deus! Senti um pequeno
estufamento na parte superior. Espero que seja passageiro e que
amanhã eu volte ao normal..."
" 23 de outubro de 2000
Estou encostado na parede do batistério da igreja há 3 meses.
Eles não me usam mais. A plataforma serve agora para instrumentos
musicais e para as pessoas que chegam chorando. O auditório da igreja
mudou muito! Eles pulam tanto durante o culto que chegam a suar!
Depois choram; eu não entendo! Se sofrem tanto, por que fazem?
Tenho saudades do meu tempo de ser usado como apoio dos
pregadores! No meu armário as bíblias estão cheias de traças. As
cordas de violão enferrujaram (só usam instrumentos elétricos agora).
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Tenho duas hóspedes: uma barata, que está com um ninho repleto de
ovos, e uma aranha, que adormeceu e há mais de um mês não acorda.
Vamos ver o que acontece..."
"02 de janeiro de 2001
Colocaram-me no porão. Dizem que a igreja tem que se
modernizar, que não há lugares para velharias. Seria meu novo nome?
"Velharia"? Prefiro ser chamado de púlpito. Aqui eu divido o espaço
com o órgão, com pedestais usados, com uma pilha de hinários
antigos, com as roupas do coral, e com bastante poeira. Às vezes
aparece um casal de namorados procurando alguma privacidade, ou
um irmão buscando refúgio para oração. Mas a maioria do tempo a
porta permanesse trancada. É tão escuro e monótono! O que vão fazer
comigo?..."
" 28 de novembro de 2001
Fui desmontado a golpes de martelo, marreta e pé-de-cabra.
Esfolaram meu acabamento. Quebraram meus encaixes. Colocaramme numa carroça de um homem chamado "catador de lixo". O que
será que farão comigo?..."
" 05 de dezembro de 2001
Estou numa grande pilha de madeiras velhas. Encontrei pedaços
de uma árvore lá da Amazônia, ficava pertinho da minha copa. Que
saudade! Mas saudade mesmo estou da igreja. Será que virão me
buscar? Irão me reformar? Disseram que eu serei "reciclada". O que
viria a ser isso? Espere: estou vendo uma coisa.... Estão pegando as
madeiras da pilha ao lado e ateando fogo! Deixe-me escutar o que eles
dizem: "Tião, pode queimar essa pilha toda, porque não presta pra
nada! ..." Era isso que chamavam de "reciclagem"? Acho que estou
correndo perigo!..."
" 21 de dezembro de 2001
Hoje eu morri queimado..."
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FIM.
Pr. Wagner Antonio de Araújo
004 - O PORÃO
- Telefone pra você, Caio!
- Já estou indo, mamãe!
- Caio corre até o telefone, para atender ao Renan:
- Olá, Renan! E aí, tudo certo pra daqui à pouco?
- Sim - responde Renan - Já estou com o jornal do meu pai e o
almanaque dos países europeus. Em meia hora estarei aí. Caio, a Vivi já
confirmou?
- Não, Rê, vou ligar pra ela agora. Até mais!
- Até.
Caio pega o seu caderno de escola, abre na última página e vê o
telefone das garotas da "8a. E", a sua classe. Ele é um garoto muito
bonito, e, como tal, cheio de pretendentes para daqui alguns anos.
- Vera, Vilma, Vitória, humm..... tá aqui: Vivi: 7896-7644.
Está tocando. Ela atende:
- "Oi, aqui é a Vivi. No momento não posso atender. Mas deixe o
seu nome e o seu número de telefone que em breve ligarei.
Obrigado..."
Caio sabe que ela está lá e grita:
- Vivi, pare de ser chata, atende o telefone! Vivi! Vivi! VIVI!!!
- Não precisa gritar, eu não sou surda! - responde Vivi - o que
você quer?
- Tudo certo pra daqui à pouco?
- Tudo. A Sheila já fez a lista do pessoal da classe e eu do pessoal
da igreja.
- Ótimo. Agora só falta confirmar com o Cássio...
Toca a campainha. Caio diz:
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- Tá confirmado, Vivi, o Cássio chegou. Te vejo daqui a 20
minutos.
- Tudo bem. Até.
Caio recebe Cássio:
- E aí, Cacá, tudo bem? Trouxe?
- Claro! - ele mostra uma fita de videocassete. - Gravei o jornal da
tarde. Tem tudo que a gente precisa.
- Ótimo. MAMÃE, a gente pode ir pro porão?
- Não façam bagunça, que eu não sou empregada de vocês pra
ficar arrumando a casa todo dia...
- Tudo bem, mãe!
Os dois descem. São 15 degraus até lá, um porão subterrâneo,
que o seu pai tinha construído pra guardar as tranqueiras, mas que
Caio, com muito custo reinvindicou para si como o QUARTEL GENERAL.
O pai protestou, mas decidiu deixar seu filho usá-lo por enquanto.
Um porão bem arrumado, bem rebocado e pintado, com respiração
direta do quintal lá em cima. Na parede um grande mapa-mundi, na
outra fotos de crianças da Índia, Etiópia, Guatemala e favelas. Na outra
uma cartolina toda marcada, com os dias da semana anotados à
caneta. ao redor da mesa cinco cadeiras, quatro cadernos e quatro
bíblias velhas.
- Só falta a Vivi, a Sheila e o Renan chegarem, Caio.
- É. Hoje temos muito o que fazer! O General conta conosco e
nós não podemos falhar em nossa missão! Ouvem-se passos pela
escada. Os garotos olham ansiosos: são os dois coleguinhas, Renan e
Viviane.
- E aí, galerinha? Chegamos! A Sheila não vem, viu? Ela teve que
sair com a mãe dela comprar um peru pro Natal.
- Que vocês chegaram já deu pra perceber! Agora, que chato que
a Sheila não pode vir! - Diz Cássio.
Cada um procura a sua cadeira ao redor da mesa. Levantam
plaquinhas de identificação junto de si. As plaquinhas foram feitas pelo
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irmão da Viviane. São bonitas, parecem da Marinha Americana. Seus
dizeres:
* Cáio: Comandante
* Viviane: Serviço Secreto
* Renan: Inteligência
* Cássio: Conselheiro
* Sheila: Comunicações
Caio toma a frente e começa a reunião:
- Pessoal, estamos com uma missão urgente! A Argentina entrou
em colapso, as pessoas perderam o emprego, vão passar um péssimo
Natal, as crianças estão tristes e o governo está perdido. O mundo está
preocupado e precisamos fazer alguma coisa específica hoje!
- Concordo - Diz Renan.
- Eu também, fala Vivi. Cássio só acena com a cabeça.
Caio então passa a palavra a Vivi. Ela diz:
- Gente, eu fiquei sabendo que em nossa classe tem 4 alunos que
estão sendo obrigados pelos pais a freqüentarem um centro de
umbanda, e estão desesperados, porque detestam aquilo! Eu tenho
falado de Jesus pra eles e parece que estão aceitando a mensagem!
- Nossa, Vivi, que situação terrível! Os pais não podem obrigar os
garotos a se envolver com os demônios! Temos que falar com o
General!
- APOIADO! - gritaram todos.
A seguir o Renan abre o almanaque que trouxe, abre no verbete
AFEGANISTÃO e diz:
- Pessoal, o país é pobre, tem muitas tribos, eles não têm o que
comer, a Rússia voltou lá pra ajudar na alimentação e eles não
permitem que se abram igrejas no país. Temos que falar com o
General!
Mais um APOIADO!
Cássio então coloca a sua fita no velho videocassete do porão e
todos passam a assistir o Jornal da Tarde. No programa, todas as
reportagens nacionais e internacionais. Tiroteios, crianças com fome,
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governos opulentos, idolatria, comemorações natalinas mundanas, os
gols do Ronaldinho na Itália.
Caio diz:
- Renan, hoje é a sua vez de falar com o General.
Tudo
bem.
Todos
em
posição
de
sentido!
Então, com as cabecinhas abaixadas, mãos em posição de oração,
todos acompanham as palavras desse garoto de 11 anos:
- Jesus, aqui é o Renan. Aqui comigo estão Caio, Viviane e Cássio.
O Senhor vai bem? Que bom, porque a gente sabe que o Senhor está
ótimo. Jesus, precisamos de sua ajuda. A Vivi vai falar sobre o
problema da Argentina:
Vivi, com a cabeça abaixada e olhos fechados, diz:
- Senhor, eles estão sofrendo muito! As crianças estão sem
comida, seus pais sem emprego, deve ter muitos cristãos ali pedindo
que o Senhor socorra suas famílias. Ah, Jesus, por favor! Dá um jeito!
Coloca no coração dos chefes daquele país uma solução! Dá comida,
trabalho, paz e prosperidade pra eles! E, acima de tudo, ajuda que os
cristãos falem de ti para as pessoas que moram ali!
E todos dizem "Amém".
Renan continua:
- E agora, Jesus, nosso General, o Cássio vai falar do Afeganistão:
- Pois é, Jesus, Senhor, a coisa lá tá difícil; eles estão com as
pernas amputadas pelas minas que os russos fizeram, o Bin Laden
fugiu e a comida acabou. Ah, Senhor, a gente tem tanto aqui, mas não
sabe como fazer pra comida chegar lá! Ajuda eles, General! E tem mais
um probleminha: eles não deixam falar de ti pra ninguém! Muda o
coração deles, Jesus! E se precisar de mim, estou pronto pra ir lá falar
do teu amor...
Um "Amém" cheio de confiança. A Vivi sussurra:
- Você vai mesmo, Cássio?
- Se Ele quiser eu irei sim, Vivi. Mas fica quieta que a gente tá
orando!
- Tá - desconcertada, volta a fechar os olhos.
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- Senhor - continua Renan -, a Viviane também tem uma coisa
importante pra falar. Fala, Vi...
- Jesus, como que a gente faz pros pais dos nossos 4 colegas não
obrigarem eles a irem pro terreiro de umbanda? Eles estão indo todo
dia lá, têm que bater atabaques, tocar berimbau, eles tem que ver
gente estrebuchando, gritos, cheirar aquelas coisas fedidas, eles estão
com medo, Senhor! O que a gente faz? Ajuda a gente a ajudar a eles!
Outro amém. Por fim, Renan conclui:
- General, obrigado por mais um encontro do nosso quartel
general. Amanhã, se o Senhor permitir, a gente volta. E esperamos
trazer novidades boas! A bênção, Senhor!
E todos dizem: "Amém"!
Quando abrem os olhos, eles se assustam, mas abrem um lindo
sorriso unânime: têm a impressão de terem visto alguém junto à porta,
olhando para eles, com um sorriso meigo e gracioso. O interessante é
que todos viram isso, e viram asas nessa pessoa:
- Você viu o que eu vi, Caio?
- Noooosssa! Que "da hora"! Acho que era um anjo!
- Foi 10! - Diz Renan.
- Era um anjo de verdade, Caio! E dos grandões! Seria um
querubim? - pergunta Renan!
- Sei lá! Só sei que estou todo arrepiado!
- Gente, vamos brincar? - Pergunta Vivi.
- VAMOS!
Apagam a luz do porão e sobem pra tomar chocolate com
bolachas.
E o porão volta a ficar vazio, porão que virou palco de fantasias
de crianças.
Fantasias?
"Vede, não desprezeis a nenhum destes pequeninos; pois eu vos
digo que os seus anjos nos céus sempre vêm a face de meu Pai, que
está nos céus. (Mt 18.10)
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"Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí
estou eu no meio deles."(Mt 18.20)
"e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não
vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos
céus."(Mateus
18.3)
"O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra."
(Sl 34.7)
"Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem
acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai,
que está nos céus. (Mt 18.19)
Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas, Osasco, SP
005 - EM POUCAS LINHAS
O amor pode ser comparado a uma porta.
Uma porta aberta.
Aberta para se entrar.
Aberta para se sair.
Aberta para se ficar, se quiser.
Pr. Wagner Antonio de Araújo
006 - FOLHINHA DE OLIVEIRA
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Gênesis 8.11: "À tarde, ela voltou a ele; trazia no bico uma folha
nova de oliveira; assim entendeu Noé que as águas tinham minguado
de sobre a terra."
Depois de meses vagando sem rumo pelas águas do dilúvio a
arca de Noé foi encontrando um local para ficar. Não deve ter sido fácil
atravessar um mar sem fim, navegar sem leme e saber que não havia
porto para o destino. Mas Noé não tinha tempo para pensar nisso.
Havia um zoológico em seu navio. Não havia depressão ou
pensamentos furtivos que vingassem ao som de uma hiena risonha ou
de uma araponga gritenta, ou de um elefante faminto. Geralmente
quem está ocupado pouco tempo tem para divagações.
A vida, porém, não podia continuar daquele jeito. Estar na arca
era uma realidade; sair dela uma necessidade. Logo que percebera um
movimento de ajuste da arca naquelas volumosas águas da enchente,
Noé percebera que Deus lembrara-se dele e de todos os habitantes da
sua embarcação. "Será que já podemos sair? Haverá terra seca onde
caminhar e viver?"
Noé sentiu a arca parar em algumas montanhas, as de Ararate.
Mas ainda não significava que a terra estava disponível. Era preciso ter
paciência, ter estratégia, ter esperança. Resolveu soltar um corvo.
Afinal, se o corvo não voltasse, de duas uma: ou morrera afogado ou
encontrara algum local de pouso. Mas, para tristeza sua, o corvo só
dava voltas e voltas sobre o aguaceiro, sem encontrar local onde
colocar seus pés.
Resolveu então tentar com outro pássaro, já que o corvo
acostumara-se a ir e vir o tempo todo. Soltou uma pomba. Esta,
também sem encontrar local de pouso, voltara para Noé. Talvez Noé
pensasse: "Bom, já tentei um corvo, já tentei uma pomba, acho que é
melhor desistir e encarar a realidade: tudo o que restou foi isso." Mas
não pensou.
Ele esperou outros sete dias e fez "o teste da pomba"
novamente: soltou-a. Ela foi embora. Voou, voou, voou, até que voltou
para ele. "Pobre pomba, deve estar cansada, nada encontrou além de
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água". Mas, espere! Que surpresa agradável! "Uma folha nova de
oliveira!" Sim, ela trazia em seu pezinho uma folhinha, um raminho,
alguma coisa que enganchou ou que pegou numa árvore cuja
folhagem era nova, era verde, era viva! Aleluia! "Já há terra seca!"
Acredito que ao olhar da arca para o horizonte Noé não tenha
visto nada mais que água. Mas a folhinha de oliveira dizia o contrário:
além do que a vista enxergava havia terra seca e verdejante brotando
novamente! E foi nessa confiança, nesse alento, nessa esperança, que
Noé aguentou outros sete dias e soltou a pomba novamente. E soltoua para sempre, pois ela não voltou para ele. Ela encontrara lugar para
viver, para morar, para prosseguir. Pronto! Era tudo o que Noé
precisava. Estava pronto para sair da arca. Preparou-se e, no devido
tempo, abriu os portais da arca para que todos saíssem. Nós, seres
vivos do século XXI, somos frutos dessa arca, desse Noé, dessa pomba
e dessa folhinha de oliveira.
Folhinha de oliveira - que importância ela teve para a fé do herói
Noé! Naquela folha estava o sinal da esperança, do futuro, do porvir,
era a materialização do que o coração sentia. Era o sinal necessário!
Essa folhinha não era a terra toda. Ela não tinha a floresta inteira
em seu bojo. Não trazia terra, não trazia cereal, não trazia pedras, não
trazia madeiras. Era apenas a portadora da esperança. E como
precisamos de folhinhas de oliveira!
Sim, precisamos pela fé de folhinhas trazidas pela pomba da
esperança e da confiança no Senhor. "Jesus, porém, respondendo,
disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes,
não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte
disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;" (Mt
21:21); "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a
prova das coisas que se não vêem." (Hb 11:1)
Precisamos de folhinhas de esperança. Quantas vezes as
dificuldades e vicissitudes da vida levam embora toda a esperança
possível! Vemos a enchente levar os nossos móveis, um acidente levar
os nossos queridos, a doença levar a nossa vitalidade, a idade levar o
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nosso tempo! Mas quando deixamos Deus trazer até o nosso coração e
a nossa mente uma folhinha de esperança, então tudo se restaura,
tudo se alegra, tudo se fortalece e somos capazes de reconstruir os
nossos móveis, amar os queridos que nos restam ou adotar novos
amigos e entes; somos fortes para lutar contra a doença e à favor da
vida e encaramos o tempo como uma dádiva, não perdendo mais um
minuto sequer da nossa curta existência aqui!
Necessitamos de folhinhas de saúde. O nosso corpo tem um
prazo de validade, ele prega-nos peças: quando pensamos que tudo
vai bem, que não há enfermidade, que não há qualquer deficiência,
surge-nos uma gripe sorrateira, um acidente, um enfraquecimento
súbito, um mal degenerativo, então todos os nossos planos vão por
água abaixo. Precisamos de folhinhas de saúde, pequenas graças do
Senhor, conquistadas a cada dia diante do Pai em oração. Elas nos
enchem de esperança, nos movem para uma situação melhor, para
lutar mais um pouco, para não desistir! A graça de Deus aliada à nossa
força de vontade, pode realizar verdadeiros milagres de regeneração
em nosso físico! Sou um exemplo disto: desenganado em 1982 por
problema congênito e infeccioso no coração, vivo hoje como um
milagre diário do poder do Senhor!
Carecemos de folhinhas de felicidade. Temos o costume de
colecionar amarguras, coisas que outros nos fizeram e que nos
aborreceram duramente. Somos eficazes em lembrar datas, fatos,
pessoas, situações que nos magoaram e constrangeram. Mas
precisamos mudar a nossa maneira de pensar e iniciar o processo de
regeneração memorial: guardar só o que é bom. E celebrar as
felicidades! Talvez uma nota boa que o filho tirou nas provas; talvez
uma viagem tranquila que fizemos; a quitação do carro ou da casa; a
compra de uma blusa ou de um jogo de copos para a cozinha.
Devemos celebrar a flor que nasceu em nossa árvore, o calo que não
doeu, o arroz que não queimou na panela, a regeneração de um
pecador que achou em Cristo a vida eterna! Diz-nos a Bíblia: "porque
este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto não vos entristeçais;
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porque a alegria do Senhor é a vossa força." (Ne 8:10). Regozijai-vos
sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos. (Fp 4:4).
Acima de tudo, porém, temos a folhinha de eternidade. Sim.
Porque se esperássemos no Senhor só nesta vida seríamos os mais
miseráveis de todos os homens, conforme nos diz Paulo em I Coríntios
15.19. Mas nós esperamos no Senhor para o porvir também, e cremos
de todo o nosso coração! Por isso, ainda que este nosso corpo se
degenere, ainda que o fim de nossa vida se aproxime, ainda que não
haja folhinhas de nada para qualquer planejamento que temos,
NINGUÉM NOS TIRARÁ A FOLHINHA DE ETERNIDADE que o Senhor nos
deu em Suas palavras, ao dizer: "Não vos deixarei órfãos; voltarei para
vós." (Jo 14:18). "E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez,
e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós
também." (Jo 14:3)
Olhemos e enxerguemos a FOLHINHA DE OLIVEIRA que o Senhor
nos trouxe. Ela pode estar no pezinho da pomba que sobrevoou o
nosso coração nesta manhã, no raio de sol que penetrou a janela do
quarto, no sorriso meigo da criança, no leve movimento daquele
moribundo no hospital, na semente jogada na seara, nos joelhos
dobrados em oração. Tempos melhores virão e o Senhor nos
fortalecerá! Creamos nisto!
Wagner Antonio de Araújo
007 - QUEM SOU EU?
Quem sou eu para estar cantando?
Quem sou eu para estar aqui louvando?
Quem sou eu para ter a vida eterna?
Quem sou eu para ouvir a voz tão terna de Jesus?
Não mereço, Senhor, não sou digno,
Nem sequer de, prostrado, adorar!
Não esqueço Teu amor tão benigno
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Que se deu pra minh’alma salvar!
Quem sou eu para a graça alcançar minha vida?
Quem sou eu para ter o perdão dos pecados?
Quem sou eu para ter uma casa lá em cima?
Quem sou eu para ter o Senhor ao meu lado
Todo dia?
Não mereço, Senhor, não mereço!
Eu sei que não há bem em mim!
Mas, contrito, Senhor, agradeço,
Quero ser um cristão ‘té o fim!
Eu sou teu, meu Senhor, para sempre!
Quero amar-te e andar sempre em frente!
Vou lembrar-me que jamais mereci
Mas, que um dia, Teu amor recebi
Em meu ser!
Sou Teu filho, Senhor, Teu pertence,
Comprado por Teu sangue na cruz!
Teu discípulo serei para sempre,
E aos Teus pés estarei, Rei Jesus!
Pastor Wagner Antonio de Araújo
008 - ESTIVE ORANDO ...
Essa foi a frase que me veio à cabeça ao abrir o velho álbum de
fotografias da igreja de minha juventude.
- “Quem é ele, papai?”
- “Bem, meu filho, ele já não está mais entre nós, ele foi morar
com Jesus, no Céu. Ele era o irmão Landinho, um irmão muito
especial.”
- “Especial, papai? Por que?”
- “Bem, meu filho, o irmão Landinho gostava de falar com Deus,
e Deus gostava de atender às suas orações…”
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Enquanto conversava com meu filho, a imaginação soltou-se e eu
fui flutuando pelo tempo, até os meus dias da juventude. Lá estava o
irmão Landinho, sério e meigo, junto com a família. Não perdia um
culto, não falhava na Escola Bíblica Dominical, nunca passara uma
semana sem levar um macinho de folhetos evangelísticos para dar às
pessoas que encontrasse na rua, no ônibus ou no mercado. Ele era
muito estimado por todos nós.
Gostávamos de ouvir os seus conselhos e almoçar em sua casa
nos dias de domingo. Nunca o vimos bravo ou rancoroso com quem
quer que fosse. Era um conselheiro, um pai, um amigo.
O irmão Landinho tinha algo muito especial, que fazia dele um
ser único: ele orava. Sim, muita gente ora; eu oro, nós oramos, mas a
oração daquele homem era especial. Não era como a nossa,
esporádica e formal. Era uma oração diferente, prioritária e profunda.
O irmão Landinho era chamado quando tudo o mais havia falhado. Até
o pastor recorria a ele nas horas de aflição! Ele era uma espécie de
“pronto-socorro de última hora”. E funcionava!
Todos nós conhecíamos o livramento que Deus dera à sua
pequena Sheila, de apenas 16 anos. Tempo de revolução sexual,
década de 60, a menina envolveu-se com uns rapazes motociclistas,
que desafiaram Landinho à porta de casa: “Aí, velho, dentro da sua
casa manda você, mas lá fora mandamos nós, morou?” A menina
engraçara-se por eles, e, por mais que os pais falassem que era
perigoso andar com más companhias, ela estava encantada, ludibriada,
quase caindo em pecado.
Foi quando Landinho disse: “Filha, eu orarei por você”. Só isso.
Mais nada.
Entrou em seu quarto, trancou a porta, disse para a esposa não
incomodá-lo, e ajoelhou-se. Falou ao Pai: “Senhor, tu disseste em Tua
Palavra: ‘clama a mim e eu te responderei’. Eu estou clamando pela
filha que me deste! Livra-a das mãos malignas, ó Deus!…” E chorou.
Naquela noite os rapazes não vieram buscá-la para os passeios
noturnos na cidade. Sheila ficou preocupada. Às 23 horas as amigas da
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escola ligaram para ela, dizendo: “Sheila, mataram os nossos amigos!
Eles se envolveram numa briga e foram esfaqueados! ” Sheila bateu à
porta do quarto de Landinho, aos prantos, arrependida, pedindo
perdão. Landinho, em lágrimas, orou pela filha. Essa história propagouse, e a oração de Landinho passou a ser desejada e temida: desejada
por quem precisava, e temida por quem devia algo.
E funcionava! Uma vez a prefeitura resolvera passar uma avenida
bem em cima do templo da igreja, e por mais que o advogado tentasse
resolver a questão, nada derrubava a decisão judicial. Foi quando o
pastor resolveu chamar o Landinho. “Meu irmão, não sei o que fazer!”
Landinho, com ar meigo e humilde, disse: “Oremos, pastor!” E oraram,
de joelhos, no gabinete pastoral. Após a prece, Landinho abraçou o
pastor e disse: “Vamos esperar pelo melhor, pastor. Deus já nos
ouviu!”. Dois dias depois o projeto da avenida foi abandonado pela
prefeitura, pois surgiram denúncias de irregularidades no processo, e o
problema resolveu-se.
E no Dia da Bíblia? A praça central foi requisitada, instalaram-se
tablados, contratara-se som, tudo foi planejado para um grande culto.
A praça estava cheia de gente, muitos aguardavam com curiosidade o
início dos trabalhos. De repente uma tempestade avançou pela cidade,
com ventos, granizo, aguaceiro, e estava chegando para a praça. Os
irmãos viram a multidão dispersar-se temeram: “Oh, Deus, tenha
misericórdia! Gastamos uma fortuna nisso, e o povo está indo
embora!” Um jovem gritou lá no meio dos equipamentos: “Peçam pro
Landinho orar!” Isso mesmo! Mas, onde estava ele? Encontraram-no
atrás do palco, de joelhos, pedindo ao Senhor que desviasse a
tempestade, porque muitos estavam perdidos e precisavam de Cristo
naquela tarde. De repente, sem que as pessoas compreendessem, a
tempestade formou uma clareira sem chuva, bem na praça, onde só
sentíamos os respingos da água que caía a uns 300 metros, mas
nenhuma gota de chuva caía na praça. Foi quando o pastor,
aproveitando a chance, afirmou, cheio do Espírito Santo: “Estão vendo,
senhoras e senhores? Esse é o Deus da Bíblia, a quem pregamos e
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servimos! Entreguem-se hoje a ele!” Uma pequena multidão, em
lágrimas, aceitou a Cristo. Vários membros da igreja são fruto daquela
tarde da Bíblia.
- “O senhor gostava dele, né, papai? Por que o senhor fala dele
com tanto carinho?”
- “Sabe, meu filho, através do irmão Landinho eu ganhei dois
presentes de Deus. Uma moça muito bonita era membro da igreja,
mas estava namorando um rapaz rico e não crente. Eu a amava, mas
ela não queria saber de mim. Então eu fui almoçar na casa do irmão
Landinho. Ele olhou para mim, sorriu e me perguntou se eu sentia algo
por ela. Eu fiquei encabulado, e ele disse que não precisava responder.
Depois, completou: ‘eu orei por você’. Meu filho, eu senti as minhas
pernas estremecerem, porque alguma coisa iria acontecer”.
- “E aconteceu, pai?”
- “Ah, garoto, com certeza! Eu me casei com ela! É a sua
mamãe!”
- “Nooossa! Que legal! Mas, e a outra coisa, papai?”
- “A outra bênção é você, meu filho: mamãe não podia ter filhos.
Nós sonhávamos com você, mas era impossível. Nenhum tratamento
na época nos daria um filho. Foi quando Landinho ligou pra nossa casa,
sem saber de nosso desespero, e disse: ‘Esta tarde eu orei por um filho
para vocês’.
Nós sentimos uma alegria tão grande! E dois meses depois
descobrimos que Deus iria nos dar você. Sabe, garoto, Landinho pegou
você no colo primeiro do que eu – eu fiz questão disso”.
Nós dois choramos juntos, eu e o meu filho. Minha esposa,
fazendo bolinhos de chuva lá na cozinha, deixou por um pouco a
panela e veio nos dizer: “Eu amo vocês!”
Ah, meu Deus, que falta nos fazem os Landinhos! Senhor, dá-nos
outros que orem assim também!
Wagner Antonio de Araújo
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009 - DUAS SACOLAS
O crente deve munir-se sempre de duas boas sacolas. Deve
andar com elas na mente, no coração. Não precisa carregá-las nas
mãos, porque de nada adiantariam. Essas sacolas são simbólicas, não
materiais. Mas, que devem existir, ah, se devem!
Uma delas é furada. Sim, não tem fundo. Não está estragada
não; ela foi feita para não ter fundo. A outra é completa, com fundo.
Na sacola furada nós devemos guardar tudo o que nos magoa;
tudo o que não presta; todas as afrontas e injustiças que cometeram
conosco; todas as más recordações; todas as lágrimas que
derramamos por dores e amarguras. Essa sacola é uma bênção. Nós
colocamos tudo ali, em grandes quantidades, e a sacola nunca fica
cheia! É ali que devem ser guardadas as discussões e as brigas que
tivemos. Ali também devem estar as humilhações a que nos
submeteram, as críticas que recebemos, as decepções que sofremos. É
por isso que a bíblia diz: "Tendo cuidado de que ninguém se prive da
graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos
perturbe, e por ela muitos se contaminem." (Hb 12:15)
Já na outra sacola, a completa, devemos guardar outras coisas.
Devemos guardar os amigos. Devemos guardar as alegrias e as coisas
boas que nos acontecem. Devemos guardar os jantares em família, os
passeios e as festas alegres. É ali que devemos guardar as coisas boas
que nos marcam, para nunca sermos ingratos com quem quer que
seja. Ela é o depositário das boas memórias. Nessa sacola deve ficar o
primeiro encontro, o primeiro beijo, o dia da conversão e batismo, o
passeio e o intercâmbio da igreja, a formatura, o noivado e o
casamento, o nascimento do primeiro filho, o dia da promoção, o dia
em que a sogra cozinhou bem (...brincadeirinha...), enfim, as coisas
que dão alegria e contentamento à vida. É nesse sentido que as
Escrituras afirmam: "Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua
mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos
quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento" (Ec 12:1)
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Somos tão mesquinhos e mal-direcionados, que custamos a
aprender em que sacola guardar o que! Geralmente invertemos as
memórias: guardamos o que não presta num cofre com sete chaves,
de onde nunca sai, e, com isso criamos grandes tristezas e dissabores
para as nossas vidas, amizades e futuro; e armazenamos as coisas boas
na sacola furada, esquecendo-nos com a maior facilidade de cada uma
delas! É incrível! Se, há quinze anos atrás, alguém nos respondeu torto,
com ira, basta olharmos para o seu rosto, e nos lembramos com
detalhes daquele dia. Mas, àquele que nos sorriu ante-ontem, com
carinho e consideração, simplesmente nos esquecemos!
Jogamos fora uma amizade de dez anos, com páginas incríveis de
demonstrações de carinho e consideração, por causa de uma única
desavença!
Como diria Tiago, "Meus irmãos, não convém que isto se faça
assim. (Tg 3:10)
Vamos organizar as nossas memórias. As coisas boas devem ir
para a sacola completa. As ruins para a sacola furada.
Veremos como é gostoso ser feliz!
Wagner Antonio de Araújo
010 - ENCONTREI MEU NOME
Eu tinha apenas 14 anos, e já notava o quanto as pessoas
consideravam aquela senhora repulsiva.
Seu nome era Conceição. Trajava uma blusa azul rasgada, uma
muleta metálica toda esfolada, um prendedor de cabelos amassado,
um vestido até os joelhos e sempre se sentava no último banco.
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Sabíamos que nunca a igreja ficaria fechada, fosse no Carnaval,
com os retiros, fosse no dia de Ano Novo, Natal, Dia da Pátria ou
qualquer outro evento em que quase todos viajassem.
A irmã Conceição não faltaria. Isso era tão certo quanto dizer que
Belo Horizonte fica em Minas Gerais.
Mulher pobre, morava com uma filha solteirona.
Notava-se que tinha pouca higiene, não por ser suja, mas por ser
idosa e não haver pessoas que cuidassem dela. Seus outros filhos eram
todos já sessentões e haviam seguido caminhos tortuosos, alguns eram
bêbados, outros vagabundos, enfim, não era o que se esperava de uma
família cristã.
Ah, mas isso fora resultado de uma vida sem Deus em outros
tempos. Vinda de Portugal, Conceição não tinha o temor do Senhor.
Viúva precoce, lutou como poucas para sustentar os seus filhos.
Lavou roupas, foi doméstica, fez salgadinhos, ela foi uma heroína.
Agora, idosa, já pelos 90 anos, estava na época de usufruir da gratidão
dos filhos que, infelizmente, não acontecia.
Há alguns anos Conceição conhecera a Cristo durante um culto
ao ar livre. O irmão Idelino Lopes de Oliveira, hoje Pr. Idelino, pregava
num culto da pracinha. Conceição o ouvia com atenção, até que, não
podendo mais evitar a emoção e o desejo, entregou-se a Cristo,
tornando-se naquela tarde mais uma remida pelo Cordeiro de Deus.
Foi batizada e desde o início tornou-se membro de nossa Igreja
(Batista de Sumarezinho, São Paulo, SP). Eu, convertido aos 14 anos, já
a encontrei com anos de igreja.
Mas eu percebia algo impressionante: Conceição nunca fora
eleita para cargo algum. Seu nome nunca fora cogitado para nada,
nunca compôs qualquer comissão, jamais estivera à frente de qualquer
atividade da igreja.
Aliás, as pessoas nem gostavam muito dela, principalmente de
pedir-lhe que orasse. Suas orações eram longas, comovidas, sua voz
era trêmula, suas palavras difíceis de se entender, com mistura de
sotaques.
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Geralmente ela entrava muda e saía calada, apesar de alguns a
cumprimentarem quando não tinham outra opção. Pela manhã e à
tarde, ao abrir os portões, a zeladora contemplava Conceição, a
primeira a chegar. E ao término das atividades, quando a bênção era
impetrada, Conceição ia embora, descendo a ladeira, mancando com
sua velha bengala.
Quantos problemas nossa igreja passara em 4 anos!
Problemas com membros, problemas entre igreja e pastor,
problemas de saúde, problemas de assalto, problemas de toda
espécie.
Mas, miraculosamente, no meio das aflições e da expectativa de
estarmos no final da estrada, sem a mínima possibilidade de solução,
sem futuro, uma bênção inesperada acontecia, um novo caminho e
uma brilhante solução despontava ante os olhos estarrecidos e
estupefatos de toda a congregação. E, ao darmos graças, lá estava
Conceição, quietinha, lágrimas nos olhos e sempre uma palavra de
conforto para nos dar.
Deixei a igreja para congregar em outra. Foi lá na outra que
recebi a notícia:
Conceição adoeceu e quer vê-lo. Meu Deus, ela adoecera mais
ainda? E agora? Fui visitá-la. Tadinha, sofria tanto naquela cama, sem
cuidados, mas estava tão feliz e alegre! Ela orava, e orava, e orava!!!
Não havia o que confortá-la.
Eu é que saí confortado! Certa noite o pastor disse que ela pediu
para que deixassem-na partir para a Glória Celestial, pois Jesus a
chamava. E Jesus a levou.
Passados os primeiros dias, a igreja tomou conhecimento de um
tesouro inigualável, algo assustador, maravilhoso, celestial,
impressionante. Entre os seus míseros e parcos pertences (um móvel
velho, sua cama quebrada, seus farrapos de vestir, seus velhos objetos
e bíblia), encontraram cadernetas.
Havia cadernos e mais cadernos, cadernos surrados, cadernos
velhos, rotos, costurados, amarelados, com letras tão mal-escritas, à
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lápis, à caneta, à pena, cadernos escritos por dentro e por fora. Eram
os CADERNOS DE ORAÇÃO.
Descobrimos que Conceição era muito mais do que qualquer um
de nós poderia imaginar. Encontrei o meu nome naquele caderno.
Encontrei quando entrei na igreja como visitante, encontrei
quando adoeci mortalmente em 1982, encontrei anotações de
agradecimento, e pelo futuro ministério que um dia teria.
Encontramos os nossos nomes todos ali.
Aos poucos começamos a entender porque Sumarezinho nunca
sucumbira ante os ferrenhos ataques terroristas do Diabo: Conceição
não dormia, ela orava! Ela clamava!
Vi o nome de quem nunca a cumprimentou! Vi o nome de
pessoas que a chamavam de "velha fedida"! Vi o nome de gente
granfina que nunca imaginou ser alvo das orações de alguém.
Ali estava um tesouro incomensurável, em "vasos de barro", em
papel velho e amarelo, que representava muito mais do que todos nós
um dia já havíamos oferecido a alguém ou a Deus.
O meu nome estava lá. Cada situação, cada dificuldade, cada
desafio. Conceição orava por mim. E por que? O que eu havia feito
para merecer as suas orações?
O que os pastores que nunca a recomendavam para cargo algum
faziam para figurar em suas constantes súplicas? Cada presidente da
República, cada artista de TV, cada pregador visitante, cada criancinha
que nascia, estávamos todos lá, sendo apresentados a Deus pela
Conceição.
Minhas palavras na época foram: "Meu Deus, quem ocupará o
lugar dela?" Ninguém. Aliás, ninguém de que se tenha notícia, pois
pode bem acontecer de outra Conceição ter se colocado "na brecha" e
esteja orando, orando, orando...
Como sinto vergonha, dor, rubor de faces, ante a grandeza da
Conceição e a minha pequenez! Ela nunca pediu NADA para si, nada
havia em seus cadernos por si própria, mas pedia tudo para os outros!
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Que resignação, que vida em prol do próximo, que abnegação
desmedida!
Conceição é uma das heroínas da fé que passearão com Cristo
com vestes resplandecentes e coroa na cabeça. Em lugar da muleta
terá palmas para saudar o Rei por quem viveu o tempo todo em que
foi crente. Seu nome está não em um caderninho, mas no Livro da Vida
do Cordeiro!
E eu me pergunto: quem, além da Conceição, foi tão esquecido
quanto ela? Nós não éramos dignos de uma mulher de sua qualidade e
coração! Ela foi "um dom de Deus" para nós, foi a nossa intercessora.
O que eu tenho sido nas mãos de Deus? O que nós temos sido
diante d’Aquele que um dia teve aos Seus serviços uma serva como
Conceição?
Quisera eu que mais Conceições surgissem hoje. Talvez pela falta
delas é que nossas igrejas estão tão pobres espiritualmente, ainda que
muitas tenham tesouros que a traça corrói e os ladrões roubam!
As riquezas que Conceição buscava as nossas igrejas hoje têm
esquecido, por isso cambaleiam ante os "Boeings" que o DiaboTerrorista atira contra as nossas estruturas interiores.
"Senhor, obrigado porque um dia houve uma Conceição que
orou por mim". Obrigado porque as orações dela foram atendidas.
Ajuda-me, Senhor, a seguir o exemplo daquela tua serva, há tantos
anos dormindo em Cristo, para que novos heróis e heroínas na fé se
apresentem para ocupar a brecha que ficou vazia.
Em nome de Jesus. Amém."
Wagner Antonio de Araújo
011 - DEUS VIU
Deus viu você no ato de sua concepção. Ele viu cada célula se
multiplicando, cada molécula, cada milagre de partição na geração da
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vida. Seu DNA ele conhecia decór e salteado. E exultou, quando
fortaleceu a sua mãe, durante toda a gestação.
Deus viu você nascer. O instante mágico, em que você saiu do
ventre dela, quando respirou o primeiro ar, deu o primeiro choro,
bocejou de sono, mamou, abriu os olhinhos, vestiu as primeiras
roupinhas, carimbou o papel com as digitais do pezinho, tomou o
primeiro banho, usou o primeiro talco, em todos esses momentos, Ele
estava ali, com você, acompanhando e festejando a criação
maravilhosa que permitira!
Deus viu você crescer. Viu quando aprendeu a brincar, a correr, a
andar de bicicleta, a comer comidas esquisitas (verduras e legumes),
viu as primeiras palmadas e também as primeiras medalhas. Deus viu
sua estréia na creche, e no pré-primário, e no ensino fundamental. Viu
seu choro ao ter que ficar sem a mamãe, e viu a alegria, quando ela
voltava para buscá-lo. Deus viu a alegria do presente de Natal, e
também a felicidade da viagem de férias, quando o papai levava a
família para a praia ou para o campo. Sim, apesar de não ser visto com
os olhos normais, Ele estava lá, presente, sendo testemunha de tudo!
Deus viu você amar. Ele viu a primeira vez em que olhou para a
menina da escolinha e sentiu o coração bater mais forte. Viu quando
você ganhou o primeiro beijo, no rosto, nossa, que sensação de
vergonha, calor e alegria! E você era tão pequeno! E você, menina,
Deus viu os seus olhinhos brilharem quando aquele garoto brincava
com a molecada ou quando ele vinha irritar você, agarrando em seu
pescoço e saindo correndo. Deus viu quando você se vestiu bonita
para poder sentar-se ao seu lado. E viu quando, pela primeira vez,
amou alguém. E Deus sorriu, feliz por ter colocado em seu coração tão
grande doçura e ternura!
Porém, Deus também viu você virar um pecador. Ah, esse virus
maldito, alojado em nossa essência, em nosso DNA espiritual, sempre
acorda, desperta e mata a pureza, trazendo feiura e sujeira ao que
dantes era lindo e puro. Deus viu a primeira vez que você odiou, viu o
surgimento do egoísmo, viu a primeira mentira, o primeiro insulto, a
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primeira trama, a primeira transa fora do casamento, a malvadeza, o
primeiro porre, o primeiro cigarro, ou até os tóxicos. Deus viu. Deus
sentiu. Deus sofreu.
Mas Deus também viu quando você conheceu o que Ele havia
feito por você. Viu o dia quando um evangelista lhe trouxe um folheto,
uma bíblia, um cd, uma mensagem, um apoio, e lhe apresentou Jesus
Cristo, o Filho de Deus, que morrera na cruz e ressuscitara, para matar
o pecado dentro de você, e garantir-lhe vida eterna. Deus viu o quanto
fora difícil para você convencer-se de que era pecador, mas deu uma
força enorme lá dentro, lá na sua mente, para convencê-lo do pecado,
da justiça e do juízo, e fazer você não só saber, mas sentir e crer. E foi
ali, com essa ternura criativa, que Deus ajudou você a converter-se. Foi
naquele lindo dia, em que você chorou, confessando a Cristo e
desejando segui-lo, que Deus lhe deu um novo coração, uma nova
vida, que limpasse e purificasse o que o pecado turbara.
Deus viu.
Ele viu!
Ele sempre viu e esteve com você!
E agora você o deixou. Você, que tornou-se tão feliz com Cristo,
que buscava amá-lo e servi-lo a cada dia, que cantava e tocava para
Ele, que falava do seu amor e buscava estar sempre ativo no meio das
pessoas que também o amavam, agora o abandonou. Você
simplesmente o rejeitou na prática, ainda que mantenha uma
aparência mínima de cristão. Ele sabe que você não o ama mais. Ele
sabe que você não o busca mais. Ele sabe que você rompeu toda a
relação com Ele, e que só se lembra dele para criticá-lo ("por que não
me deu isso? Por que permitiu aquilo? Por que não me deixou em paz?
Por que Ele não desaparece e para de me cobrar?")
Ele vê que você o considera um estorvo, um apêndice, um
alguém descartável (para não dizer desprezível...). Hoje, até aqueles
que antes eram seus irmãos, amigos mesmo, se tornaram inoportunos
para você. A simples presença deles já lhe enerva e incomoda.
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E Ele só fez amá-lo! O melhor que tinha, Ele fez por você: criou-o.
E agora você o pune por isso! Ele deu o próprio filho dele, para sofrer
em seu lugar, e hoje você o quer longe, para poder viver do jeito que
quiser, em franca rebeldia e oposição!
O que foi que Deus lhe fez, para você estar aí, perdido, com cara
e coração rebelados? É justo estar assim? É justo ter jogado a sua
bíblia no lixo, ou na caixa em cima do guarda-roupa? É certo
abandonar a igreja e buscar diversão na pista de dança, na garrafa de
cerveja e na permissividade e libertinagem sexuais? Como você se
sentiria, se fosse o seu filho que fizesse isso com você? Você conhece a
dor do desprezo de um filho? Não? Ou talvez já até conheça, mas não
quer aceitar que é essa dor que Deus sente por um discípulo que se faz
"filho pródigo".
Mas, mesmo assim, Ele não lhe abandonou. Ainda lhe
acompanha; às vezes de longe, porque você não o aceita mais. Às
vezes só com um olhar paternalmente terno, mas não mais como um
partícipe de suas realizações. Não porque não queira, mas porque você
não apenas o rejeita, mas faz tudo aquilo que Ele disse para não fazer.
Ele escolheu deixar você livre para escolher; ainda que, em Sua
soberania, pudesse transformar você num ser inexistente. Para Ele,
isso não resolveria; Deus ainda espera ser amado por você
espontaneamente. Ele não desistiu de você...
Olhe para Ele.
Olhe para Seu Filho, cravado na cruz do Calvário, com uma coroa
de espinhos na cabeça, pregos enormes em suas mãos e pés, sangue,
mosquitos e inflamações na pele, pelas chibatadas que ganhou. Olhe.
Veja, aqui do pé da cruz. Contemple-o. Está vendo? Ele está aí por
você! E, mesmo que você esteja rejeitando-o, Ele ainda não se
arrepende de ter feito isso. Simplesmente porque lhe amou, como
amou! Ainda que tivesse vindo ao mundo única e exclusivamente por
sua causa, Ele teria vindo, e consideraria ter valido à pena!
Agora olhe-o ressuscitado. Veja que vestes resplandescentes,
branquíssimas e iluminadas! Olhe para a coroa em sua cabeça:
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magnífica, cravada de jóias, uma coroa de Rei! Olhe para os seus olhos,
ternos e compassivos! E olhe para os seus braços: estão abertos: Ele
quer que você volte! Ele quer recebê-lo de volta! Puxa, por que você
não corre de novo para os braços dele?
Deixe de lado o que você usou para abandoná-lo. Largue o
pecado. Abandone a vida promíscua, o vício, as crendices e
incredulidades, banhe-se nas águas do arrependimento, e,
humildemente, se achegue a Ele, dizendo: "Tem ainda um lugarzinho
pra mim em Seu coração, Senhor?" Tenho certeza de que Ele correrá
para os seus braços, abraçando-lhe afetuosamente, recebendo-o
alegremente, e limpando você de toda sujeira que trouxe (não foi
assim com o pai do filho pródigo?)
Ele lhe viu. Ele lhe fez. Ele lhe quer ainda!
"Senhor, quantos que lêem esse texto, estão longes do teu
caminho, vivendo vidas distantes de ti. Ao invés de estarem aos teus
pés, te servindo e adorando, estão gastando a juventude em coisas de
nenhum valor, que te agridem e ferem! Quantos trocaram o culto
pelos shows e inferninhos dos palcos! Quantos trocaram a irmandade
pelas gangues, a comunhão pela excitação, a oração pela blasfêmia, a
pureza pela imundice, a beleza pela mediocridade, a vida pela morte!
Quantos hoje não sabem o que é ter uma relação de valor contigo,
quantos não te amam, não te adoram, não te servem! E eles estavam
contigo, Senhor; eles faziam parte dos discípulos; mas, estão perdidos
e distantes agora. Pai Santo, em nome de Jesus Cristo, o teu filho,
desperta em seus corações um desejo intenso, insuportável, incurável,
de voltar aos pés da cruz, de purificar-se com o sangue do Cordeiro de
Deus, de beberem novamente da água da vida, e alimentarem-se do
pão da vida! Traze-os de volta, Senhor! Usa-nos, nós, os que também
fomos resgatados, a resgatar os que ainda estão perdidos. Toca-lhes!
Infunde-lhes a fé! Convence-os do pecado! Inflama-lhes o coração,
enchendo-os de sede da Palavra de Deus! Faze isso, Deus querido!
Cada um de nós tem alguém em mente, mas sabemos que tu conheces
a todos. Toca em todos os que carecem. Em nome de Jesus. Amém."
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Ele vê você agora, aí, neste momento, enquanto está lendo este
texto. Foi Ele quem me mandou escrever, e foi Ele quem fez a
mensagem chegar até o seu computador. Volte pra Jesus! Volte!
Continue a obra que você fazia tão bem! Comece outra vez!
Um abraço.
Wagner Antonio de Araújo
012 - A MULHER SEGUNDO O CORAÇÃO
DE DEUS
INTRODUÇÃO
• A mulher foi a obra-prima da criação divina, idealizada para ser
a ajudadora do homem (Gn 2.18)
• O pecado, contudo, danificou a ambos, fazendo-os cair da
graça e tornarem-se pecadores (Rm 3.23; 6.23)
• Deus, ao enviar Seu Filho ao mundo, trouxe também a
possibilidade da restauração da raça humana e dos papéis que ambos
deveriam ocupar (II Co 5.17)
• Gostaríamos de destacar 14 coisas que existem no coração,
caráter e vida de uma mulher regenerada por Cristo, uma mulher
segundo o coração de Deus.
1. TEM CONSCIÊNCIA DA RAZÃO DA SUA EXISTÊNCIA, MISSÃO E
PECULIARIDADE FEMININAS
• Sabe que foi criada para ser a ajudadora do homem (Gn 2.18)
• Sabe que foi dotada do dom da maternidade, mediante o qual
educa e renova o mundo (I Tm 2.15)
• Não disputa o papel do homem, mas está feliz em cumprir e
valorizar o seu próprio papel na história e na vida (I Tm 3.11)
2. TRAJA-SE COM FEMINILIDADE, HUMILDADE E MODÉSTIA
• Usa roupas femininas e procura figurar-se com mulher na
sociedade em que vive (Dt 22.5; I Co 11.15; I Tm 2.9)
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• Não se vale de artifícios de vaidade e luxo para embelezar-se,
mas usa a modéstia e a beleza interior (I Pe 3.3-5)
• Ensinam as moças mais novas com o testemunho e o exemplo
(Tt 2.3-5)
3. SERVE A DEUS COM DEDICAÇÃO E DESPRENDIMENTO
• Sevem a Deus com total submissão e dedicação (Lc 1.38)
• Servem a Deus com orações, jejuns e seus bens (Lc 2.37)
• Servem a Deus com o testemunho e a evangelização (I Pe 3.1;
At 9.36)
4. SÃO FILHAS, ESPOSAS E MÃES DEDICADAS
• Como filhas são submissas à orientação dos pais (Mt 19.19)
• Como esposas, amam aos seus próprios maridos e lhe são
submissas (Ef 5.22; Cl 3.18; Tt 2.4-5)
• Como mães criem seus filhos na admoestação do Senhor (I Tm
5.9-10)
5. SÃO HOSPITALEIRAS
• Exemplo de Lídia (At 16.15,40)
• Exemplo de Marta e Maria (Lc 10.38; Jo 12.2)
• Exemplo de Sara (Gn 18.6; I Pe 3.6)
6. SÃO SÁBIAS, COMEDIDAS E DE POUCAS PALAVRAS
• De tão raras, são mais preciosas do que finas jóias (Pv 31.10)
• Não são faladoras, fofoqueiras, mas sábias e virtuosas (I Co
14.34; I Tm 3.11; Tt 2.3-5)
• Não vivem como faladoras e fofoqueiras, mas guardam no
coração as coisas importantes (I Tm 5.11-13)
7. SÃO HONRADAS, TRABALHADORAS E HONRAM O MARIDO
• São gestoras do lar, mantendo filhos em submissão e a casa em
ordem (Pv 31.10-31)
• Não têm preguiça, não acusam o cônjuge, mas trabalham com
as próprias mãos na mantença do lar (mesmo texto)
• Seus maridos são elogiados por tê-las como esposas e mães de
seus filhos (idem)
8. ESPELHAM-SE NA ABNEGAÇÃO E DOÇURA DE MARIA (Lc 1.30)
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9. IMITAM A FÉ DE ANA (I Sm 1,2)
10. SÃO BOAS FILHAS, OBEDIENTES COMO RUTE (Rt 1.16)
11.BUSCAM A PAZ E A RECONCILIAÇÃO, COMO ABIGAIL (I Sm
25.32)
12. CONVERTEM-SE COM A DEDICAÇÃO DE MARIA MADALENA E
DAS OUTRAS MULHERES QUE SERVIAM AO SENHOR COM O SEUS BENS
(Lc 8.2-3)
13. SÃO CAPAZES DE LUTAR EM SILÊNCIO, DANDO TESTEMUNHO
PARA A CONVERSÃO DO MARIDO E DOS FILHOS (I Pe 3.1)
14. SÃO FIÉIS (I Tm 3.11)
Estariam as distintas jovens e senhoras dispostas enquadradas a
cumprirem o que ensina a Palavra de Deus sobre a posição e
testemunho feminino?
Não estariam motivadas a serem novas mulheres a partir de
hoje, guiadas pela Palavra de Deus, que é viva e eficaz?
Que Deus nos abençoe!
Autor: Pr. Wagner Antonio de Araújo
013 - AINDA SOU DO TEMPO
Ainda sou do tempo em que ser crente era motivo de críticas e
perseguições. Nós não éramos muitos, e geralmente éramos
considerados ignorantes, analfabetos, massa de manobra ou gente de
segunda categoria. Os colegas da escola nos marginalizavam. Os
patrões zombavam de nós. A sociedade criticava um povo que cria
num Deus moral, ético, decente, que fazia de seus seguidores pessoas
diferentes, amorosas, verdadeiras e puras. Não era fácil. Mas nós
sobrevivemos e vencemos. Sinto falta daquela perseguição, pois ela
denunciava que a nossa luz era de qualidade, e ofuscava a visão
conturbada de quem não era liberto. E, por causa dessa luz, muitos
incrédulos foram conduzidos ao arrependimento e à salvação. Mas
hoje é diferente.
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Ainda sou do tempo em que pornografia era pecado. Nós não
considerávamos fotos eróticas ou filmes pornô um ‘trabalho
profissional’, mas uma prostituição do próprio corpo e uma corrupção
moral. Ao nos convertermos, convertíamos também os nossos olhos, e
abandonávamos as revistas pornográficas, os cinemas de prostituição
e os teatros corrompidos. Os que eram adúlteros se arrependiam e
pagavam o preço do que fizeram, e começavam vida nova. Os
promíscuos mudavam seu comportamento e tornavam-se santos em
todo o seu procedimento. Nós, os adolescentes, deixávamos os
namoros e os relacionamentos orientados pelos filmes mundanos, e
primávamos por ser como José do Egito, que foi puro, ou o apóstolo
Paulo, que foi decente. Mas hoje é diferente.
Ainda sou do tempo em que nos vestíamos adequadamente para
o culto. Aliás, além do nosso testemunho moral, nós nos
identificávamos pelas roupas. Se pentecostais, usávamos roupas
sociais bastante formais, e éramos conhecidos aonde quer que íamos,
pois ninguém mais se vestia tão formalmente assim em pleno domingo
à tarde. Se de outras denominações, como eu, não chegávamos a esse
extremo, mas nos trajávamos socialmente, com o melhor que
tínhamos, dentro de nossas possibilidades, porque críamos que, se
íamos prestar um culto a Deus, a ocasião nos exigia o melhor, e
buscávamos dar o melhor para Deus. Era a famosa ‘roupa de missa’,
‘roupa de igreja’. Mesmo pobres, tínhamos o melhor para Deus. E
sempre algo decente: camisas sociais, calças bem passadas, um sapato
melhor conservado, um blaizer ou uma blusa bem alinhada. As
mulheres usavam seus melhores vestidos, suas melhores saias e seus
conjuntos mais femininos. Mas hoje é diferente.
Ainda sou do tempo em que nossos hinos falavam de Cristo e da
salvação. Cantávamos muito, e nossas músicas não eram tão
complexas como as de hoje. Mas todos acabávamos por decorá-las.
Suas mensagens eram simples e evangelísticas: ‘foi na cruz, foi na
cruz’, ‘andam procurando a razão de viver’; ‘Porque Ele vive, posso
crer no amanhã’, ‘Feliz serás, jamais verás tua vida em pranto se
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findar’, ‘O Senhor da ceifa está chamando’; ‘Jesus, Senhor, me achego
a ti’, ‘Santo Espírito, enche a minha vida’, ‘Foi Cristo quem me salvou,
quebrou as cadeias e me libertou’, etc. Não copiávamos os ‘hits’
estrangeiros, ou as danças mundanas, mas buscávamos algo clássico,
alegre, porém, solene. E dançar o louvor? Jamais! Não ousávamos,
nem queríamos; nunca soubéramos que o louvor era ‘dançante’; as
danças deixamos em nossas velhas vidas mundanas. Porém, mesmo
não as tendo, éramos alegres e motivados. Mas hoje é diferente.
Ainda sou do tempo em que as denominações e igrejas tinham
personalidade. As denominações eram poucas e bastante
homogêneas. Sabíamos que a Assembléia de Deus era pentecostal e
usava indumentária formal; os presbiterianos eram os melhores
coristas que existiam; os melhores solistas eram batistas, etc. Nossas
liturgias eram bastante diferentes: os conservadores eram formais,
seus cultos silenciosos, enquanto um orava, os outros diziam amém. Já
os pentecostais oravam todos ao mesmo tempo e cantavam a Harpa
Cristã. Nós nos considerávamos irmãos, não há dúvida. Mas tínhamos
personalidade. Hoje tudo é diferente.
E eu não sou velho! Isso tudo não tem 26 anos ainda! Na década
de 80 ser crente era ser assim! Meu Deus, como o mundo mudou!
Como a chamada Igreja Evangélica se deteriorou! Hoje eu sinto
vergonha de ser considerado evangélico!
Hoje é moda ser crente, ou melhor, ‘gospel’. Você é artista
pornô, mas é crente. Você é do forró pé-de-serra, mas é crente. Você é
ladrão, mas é crente. Você é homossexual assumido, mas é crente.
Não importa a profissão, o comportamento, a moral, a índole, ser
crente é apenas um detalhe. Aliás, dá cartaz ser crente: hoje muitos
cantores ‘viram crentes’ pra vender seus CD’s encalhados, pois o ‘povo
de Deus’ compra qualquer coisa. Não há diferença entre o santo e o
profano, o consagrado e o amaldiçoado, o lícito e o proibido, o justo e
o injusto. Qualquer coisa serve. O púlpito pode ser uma prancha de
surf, uma cama de motel ou um palanque eleitoral; a forma não
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importa. Ser crente é apenas um detalhe, uma simples nomencalatura
religiosa.
Hoje os crentes tatuam as suas peles e já existem denominações
que dão opções de símbolos para que seus jovens se tatuem. O
‘piercing’ deixou de ser escandalo e passou a ser ‘fashion’, e está
pendurado na pele flácida de roqueiros evangélicos e ‘levitas’ das
igrejas, maculando a pureza de um corpo dedicado ao Deus libertador.
Mulheres há que enchem seus umbigos e outras partes de pequenas
ferragens, repletas de vaidade e erotismo mundano, destruindo, assim,
qualquer padrão cristão de consagração corporal. Meninos tingem
seus cabelos de laranja, e mocinhas destróem seus rostos com
produtos, pois agora todo mundo faz, e ‘Deus não olha a aparência’.
(Ainda bem, pois se olhasse, teria ânsia de vômito…).
Hoje ir à igreja é como ir ao mercado ou às barracas de feira e de
artesanato: um evento efêmero, informal, meramente turístico. Não
há mais cuidado algum no trajo cultuante. Rapazes vão de bermudas,
calções (e, pasmem os senhores, de sungas!), até sem camisa, porque
Deus não é ‘bitolado, babaca ou retrógrado’. Garotas usam suas minisaias dos ‘rebeldes’ e exibem umbigos cheios de ‘piercings’, estrelinhas
e purpurinas pingando dos cabelos e roupas, numa passarela contínua
do modismo eclesiástico. Se alguém ainda vai modestamente ao culto,
seja jovem, seja velho, ou é ‘novo convertido’, ou é ‘beato’. É típico
encontrarmos pastores dizendo aos ‘engravatados’: ‘Pra que isso,
irmão? Vai fazer exame laboratorial?’ E, continuamente, vão
demolindo qualquer alicerce de reverência e solenidade para o ato do
culto.
Hoje as nossas músicas pouco falam de Cristo. Somos bitolados
por um amontoado de ‘glórias’, ‘aleluias’, ‘no trono’, ‘te exaltamos’, ‘o
teu poder’, etc. Misturamos essas expressões, colocamos uma pitada
de emoções, imitamos os ícones dos megaeventos de louvores, e
gravamos o nosso próprio cd, que, de diferente, tem a capa e o timbre
de algumas vozes, talvez alguns instrumentos, mas, no mais, não
passam de cópias das cópias das cópias. E Jesus? Ah, quase nunca o
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mencionamos, e, quando o fazemos, não apresentamos qualquer
noção do que Ele é ou representa para o nosso louvor. Não falamos
mais que Ele é o caminho, a verdade e a vida, não o apresentamos
como Senhor e Salvador, não informamos ao ouvinte o que se deve
fazer para tê-lo no coração, apenas citamos seu nome ou dizemos um
aleluia para ele.
Hoje, entrar em uma igreja é como ter entrado em todas: é tudo
igual. O mesmo sistema, as mesmas cantorias, a seqüência de eventos,
os rituais emocionais, as pregações da prosperidade, de libertação de
maldições ou de mega-sonhos ‘de Deus’ (como se Deus precisasse
sonhar, como se fosse impotente ou dependente da vontade humana).
Transformamos nossas igrejas em filiais de uma matriz que não
sabemos nem onde fica, mas que se representa nas comunidades da
moda. Não há mais corais, não há mais solistas, não há mais escolas
dominicais fortes, não há mais denominações com características
sólidas, não há mais nada. Tudo é a mesma coisa: uma hora e meia de
‘louvor’, meia hora de ‘ofertas’ e quinze minutos de ‘pregação’, ou
meia hora de ‘palavra profética e apostólica’. Que desgraça!
Hoje trouxemos os ídolos de volta aos templos: são castiçais,
bandeiras de Israel, candelabros, reproduções de peças do tabernáculo
do velho testamento, bugigangas e quinquilharias que vendemos,
similares aos escapulários católicos que tanto criticávamos. Hoje não
nos atemos a uma cruz sem Cristo, simbólica apenas. Hoje temos
anjinhos, Moisés abrindo o Mar Vermelho, Cristo no sermão da
Montanha. O que nos falta ainda? Nossas bíblias, para serem boas,
têm que ser do ‘Pastor fulano’, com dicas de moda, culinária, negócios
e guia turístico. Hoje temos bíblias para mulheres, para homens, para
crianças, para jovens, para velhos, só falta inventarmos a bíblia gay, a
bíblia erótica, a bíblia do ladrão, a bíblia do desviado. Bíblias puras não
prestam mais. E, mesmo tendo essas bíblias direcionadas, QUASE
NINGUÉM AS LÊ! Trazemos rosas para consagrar, rosas murchas para
abençoar e virar incenso em casa, sal groso para purificar, arruda para
encantar, folhas de oliveira de Israel e água do Rio Jordão (Tietê?) para
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abençoar, vara de Arão, de Moisés, e sabe lá de quem mais! Voltamos
às origens idólatras! Parece o povo de Israel, que, ao morrer um rei
justo, emporcalhavam o país com suas idolatrias e prostitutas cultuais.
E se alguém ousa ser autêntico, é taxado de retrógrado. Com isso,
surgem os fundamentalistas radicais que abominam tudo, ou os
neopentecostais, que são capazes de transformar a igreja num circo,
fazendo o povo rir sem parar ou grunir como animais.
Meu Deus, o que será daqui há alguns anos? Será que teremos
que inventar um nome novo para ser evangélico à moda antiga?
Parece que batista, assembleiano, presbiteriano, luterano ou
metodista não define muita coisa mais! Será que ainda haverá púlpitos
que prestem, pastores que pastoreiem, louvores que louvem a Deus?
Será que seremos obrigados a usar ‘piercing’ para nos filiarmos a
alguma igreja? Será que nossos cultos serão naturistas? Será que ainda
haverá Deus em nosso sistema religioso?
É CLARO QUE HÁ EXCEÇÕES! E eu bendigo a Deus porque tenho
lutado para ser uma dessas exceções. É claro que o meu querido leitor,
pastor, louvador, membro de igreja, missionário, também tem buscado
ser exceção. Mas eu não podia deixar de denunciar essa bagunça toda,
esse frenesi maligno, esse fogo estranho no altar de Deus! Quando
vejo colegas cuspindo no povo, para abençoá-los, quando vejo
pastores dizendo ao Espírito Santo ‘pega! pega! pega!’, como se fosse
um cachorrinho, quando vejo pastores arrancando miúdos de boi da
barriga dos incautos doentes que a eles se submetem, quando vejo um
evangelho podre arrastando milhões, quando vejo colegas cobrando
dez mil reais mais o hotel, ou metade da oferta da noite, para pregar o
evangelho, então eu me humilho diante de Deus, e digo: ‘Senhor, me
proteja, não me deixa ser assim!’
Que Deus tenha piedade de nós.
Wagner Antonio de Araújo
014 - DOUTOR TRÊS HORAS
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Era sábado pela manhã e as linhas telefônicas nas casas dos
formandos estavam congestionadas.
Meninas com salão de estética e beleza marcados, rapazes
nadando logo de manhã pra evitar o "stress", a companhia responsável
pela formatura e baile acertando os últimos detalhes no auditório da
Universidade e no Salão Nobre.
Todos estavam ansiosos, preocupados, assustados, cheios de
expectativas. Carros iam e vinham da portaria das faculdades.
O pessoal da decoração dava os últimos toques na arrumação da
mesa do Corpo Docente, a empresa de som ligava cabos enormes em
todos os pontos do auditório, a iluminação colocava as últimas
lâmpadas que faltavam, a floricultura acertava os corredores por onde
as moças e os rapazes iriam descer e o outro por onde iriam subir.
As camareiras davam os últimos retoques nas lindas togas de
formatura, os fotógrafos montavam o estúdio móvel na porta do Salão
Nobre, a cantina precavia-se de muitos salgadinhos e refrigerantes,
enfim, tudo corria contra o tempo, contra o relógio.
Três da tarde. A cerimônia iria começar às 4h,
impreterivelmente. O Prof. Dr. Astrogésilo Pessoa Couto, grande
celebridade e Reitor da Universidade, não se dava ao luxo de começar
um minuto atrasado. Dizia-se que acertava o seu relógio pelo Big-Ben
de Londres, até que inventaram o tal "relógio atômico", que ele fez
questão de instalar no seu computador. Assim, acontecesse o que
acontecesse, às 4 horas a cerimônia iria começar.
Muita gente rica chegando. O estacionamento da faculdade mais
parecia um desfile de moda e revenda de automóveis importados:
BMW, HONDA, DAEWOO, AUDI etc. Até FERRARI e JAGUAR
apareceram!
Madames muito bem vestidas estavam presentes. Havia gente
da TV, cujos filhos estariam se formando.
Mas tinha também um bom grupo de gente simples, humilde,
lutadora, que também tinha filhos se formando ali. Seus trajes
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demonstravam que haviam alugado no "Black Tie" mais próximo do
bairro. Não tinham familiaridade com a roupa, com os saltos, com as
gravatas, com os colares. Até ficavam um tanto desconcertadas, pois
queriam fazer bonito e não envergonhar os filhos.
Quatro horas. Como já dissemos, a empresa responsável pela
cerimônia deu início ao evento.
Algo em torno de 700 pessoas presentes. Também, pudera: 89
formandos, 35 em Letras, 12 em Pedagogia, 30 em Direito e 12 em
Engenharia de Informática. Uma grande festa. Lugares contados,
reservados para duas ou três pessoas de cada formando, e o restante
disputado palmo a palmo pelos presentes do lado de fora ou em pé
nos arredores. Havia um telão para que todos acompanhassem do lado
de fora.
Primeiramente a entrada do Reitor. Palmas efusivas. Então a
mesa diretora e, por fim, o corpo docente, palmas afetuosas.
Apresentação das funções de cada um e tudo o que, de praxe, se
costuma fazer numa cerimônia de formatura e colação de grau.
Cantaram o Hino Nacional Brasileiro com o tradicional CD da
Banda da Polícia Militar do Estado de São Paulo, gravação épica e
universal para o Brasil.
As palavras do Paraninfo, do Patrono da Turma, enfim, tudo o
que se costuma haver nessas páginas indeléveis na vida de quem se
forma.
No momento da entrada, as torcidas no meio do auditório.
Alguns estavam organizados, com línguas-de-sogra e cornetinhas
(reprimidas pelo Reitor tão logo descobrira). Outros, mais discretos,
levaram faixas, onde se lia: "SONINHA, VALEU O ESFORÇO - PARABÉNS,
DOS SEUS PAIS QUE LHE AMAM"; "AÍ, MARCÃO, VALEU, SEU BABACA!
SEUS AMIGOS"; "CARLINHOS, PARABÉNS! TE AMO! SUA NOIVA". Cada
um se emocionava do seu jeito. Umas garotas choravam. Outras
coravam. Os rapazes erguiam as mãos como se fosse um gol do seu
time. Outros faziam o "V" da vitória, e um a um foram chegando com
suas togas bem alinhadas e majestosas.
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Chegada a hora de passar a palavra ao orador das turmas
(combinaram ter um só orador, pelo tempo despendido na cerimônia e
pela proximidade do horário do baile, que se seguiria dentro de uma
hora), o Julinho, ou melhor, Dr. Júlio Lacerda Loyola Anastácio (nome
de advogado desde nascença), foi aclamado, quase levado nos braços
dos formandos, que estavam do lado direito do auditório, que tinha
formato de teatro.
Sua prédica havia sido impressa para todos acompanharem. Os
formandos sugeriram o que o Julinho teria que falar. Estava tudo
previamente combinado.
"Ilustríssimo Senhor Doutor Professor Astrogésilo Pessoa Couto,
digníssimo Reitor de nossa egrégia Universidade, Senhor Professor
Carlos Marques Lara, digníssimo pró-reitor da área de humanas, etc...
etc..." Num outro trecho as tradicionais palavras: "Foram árduas as
nossas batalhas: cansados do labor diurno, cá chegávamos, com fome,
tanto do pão quanto do saber, e éramos fartos pelos nossos valorosos
Mestres, que tudo davam de si... etc".
Tudo ia muito bem. Até que Julinho se engasgou, ao dizer uma
palavra que estava além do texto: "Agora, Senhor Reitor e senhores
formandos, preciso dizer algo pessoal..." Os formandos gelaram.
- "Ele vai fazer besteira".
- "Julinho, cala a boca, termina logo".
- "Ih, cara, sujou. Ele vai embolar tudo".
- "Sabia que no final ele iria melar".
Mesmo conhecendo a cara de desaprovação da turma, Julinho
continuou, branco, pálido, engasgado, mas firme, dizendo: - "Senhor
Reitor, Corpo Docente, Formandos, Familiares e Amigos: Preciso
confessar algo, para fazer justiça e, ao mesmo tempo, reconhecer o
que é certo. Todas as coisas aqui foram muito importantes: aulas,
colegas, materiais didáticos, a seriedade de nossa secular instituição,
tudo. Mas há algo que está faltando no meu texto, e não lerei o que
vou dizer, porque o que tenho pra falar vem das letras escritas a ferro,
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dentro da minha alma. Devo este dia inesquecível e histórico às 3 da
manhã de cada dia desses 5 anos.
- "Três da manhã?", pensaram os formandos. "Esse cara bebeu.
Ah, Julinho, para de enrolar e desce logo... Ah, se te pego na saída..."
- "Nunca desfrutei de amizade com o meu pai. Na verdade
sempre o desprezei. Tanto é assim que ele não está aqui, entre os
meus convidados, porque não pode se locomover e eu não fiz o menor
esforço para trazê-lo. Aqui estão minha mãe e irmã, mas não meu pai.
E ele é responsável pelas três da manhã. Durante 5 anos eu acordei
várias vezes no meio da madrugada, e, não raras vezes, às 3h da
manhã. Meu pai, que empregou quase todo o seu parco salário no
meu curso, mesmo sendo por mim ignorado, entrava no meu quarto,
com hercúleo esforço, às vezes caía, mas sempre levantava, e orava a
Deus. Sim, ele me apresentava a Deus. Tenho marcas no meu cobertor
que não foram feitas por doces ou refrescos que derrubei, nem pontas
de cigarro que deixei acesas na minha cama. São as lágrimas do meu
pai, que pedia a Deus para fazer-me feliz, fazer-me íntegro, para
guardar-me de acidentes, para proteger-me de bandidos, para abrir o
meu entendimento na compreensão das matérias, para abrir-me
oportunidades de trabalho na área. Ele chorava, pedia, dizia a Deus
para que tocasse no meu coração e fizesse de mim um homem e um
cristão. Mas, Senhor Reitor, não foi isso o que mais me tocou. O que
marcou a minha vida, e é a razão desta homenagem, era a frase com a
qual ele sempre se emocionava e chorava copiosamente junto a mim.
Ele dizia: 'Deus, como eu amo ao meu filho, fruto de mim mesmo!
Deus, como eu o admiro! Deus, como eu o quero bem! Deus, faça o
que quiser comigo, mas abençoe o meu filho, porque, depois de Ti, ele
é a razão do meu viver! E dá-me o privilégio de que um dia ele me
ouça, que ele me ame também!'
Júlio chorava. O Reitor tossia, para disfarçar a emoção, os
formandos estavam com a cabeça baixa, pois sabiam que o Júlio tinha
feito a coisa certa e estavam envergonhados de terem desaprovado
sua atitude no início.
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O auditório se derretia. E, num ápice de dor e amor, Júlio gritou:
- "Meu pai, como eu queria te dizer EU TE AMO!"
De repente a porta do corredor central se abre subitamente, e
uma cadeira de rodas entra, guiada por uma enfermeira, e o pai de
Júlio entra, magrinho, cabelos grisalhos, rosto cansado, voz baixa, mas
grita com toda a força do seu ser:
- "Eu sei que você me ama, filho! EU SEMPRE TE AMEI! Seja feliz,
meu filho, seja feliz!!!"
Júlio quebra o protocolo e sai correndo da tribuna corredor
adentro e vai abraçar o seu pai, chorando no seu ombro copiosa e
demoradamente.
Todos, unanimemente, chorando e gritando "BRAVO! BRAVO!",
aplaudiam longamente a cena fantástica e novelesca que ora se fazia
viver no mundo real! Foram 5 minutos, os cinco minutos mais
importantes já vividos naquela universidade!
Chamado novamente à tribuna, recebeu o seu grau e diploma.
Então gritou:
- "PAI, ISSO É POR VOCÊ! TE AMO!"
O pai sorriu, mas já não tinha forças para falar. No seu coração
ele via galardoado todo o seu esforço, o salário minguado dedicado à
faculdade do rapaz, e, principalmente, às três horas de toda
madrugada. Ele estava feliz. Podia morrer tranqüilo. Mas, morrer, já?
Ele não tinha planos para morrer agora, naquele instante. Queria
desfrutar dessa alegria indizível.
Deus ainda lhe deu alguns anos, os melhores da vida dos dois, do
Dr. Júlio e do seu pai, que se tornaram os melhores amigos. Aliás, Júlio
ficou conhecido na comunidade acadêmica como "Doutor Três Horas".
"Honra a teu pai e à tua mãe, para que se prolonguem os teus
dias, na terra que o Senhor teu Deus te dá." (Ex. 20.12.)
Que Deus dê aos leitores, que têm pais vivos, a oportunidade de
honrá-los em vida. Flores no túmulo murcham. Flores no coração
desabrocham, PARA SEMPRE!!!
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Wagner Antonio de Araújo
015 - E AINDA ESTOU AQUI...
Corria o ano de 1982. No auge dos meus 17 anos, lá estava eu,
buscando servir a Deus, na Igreja Batista de Sumarezinho. Já havia sido
professor de Escola Bíblica Dominical, presidente da União de Jovens,
líder de juventude na associação de igrejas batistas da região oeste da
capital, etc. Eu não era o melhor. Havia muitas outras pessoas
melhores do que eu, mas, citando o poeta, "Havia gente bem melhor,
mas o meu nome eu escutei..." E, se eu escutara o meu nome, nada
mais importante para mim do que servir ao Senhor. Era estudante
colegial à noite e auxiliar administrativo no BCN SERVEL de Alphaville,
em Barueri, Grande São Paulo. Comecei ali como office-boy, e, digo
sem pestanejar: foi a melhor fase da minha vida, em termos
profissionais!
Contudo, era época de primavera. As rosas desabrochavam nos
jardins, mas as chuvas da primavera traziam também alguns virus,
algumas enfermidades. A molecada contraiu catapora. Eu, que não era
vacinado (no meu tempo de bebê não havia o remédio disponível),
acabei por contraí-la. O médico da empresa deu-me uma semana de
licença. "Que bom! Vou descansar!" Descansar? Como? Coçava tudo!
Eu não parava de me coçar, tinha febre, e até a fome havia perdido, o
que realmente denota uma enfermidade considerável para mim...
A semana passou rapidamente. Meu pai rumara para Salvador,
para participar do Centenário dos Batistas Brasileiros. Fora com a
Igreja Batista Betel, com o saudoso caravaneiro Pr. Silas Mello. Mamãe
e meu irmão é que estavam em casa.
No dia marcado retornei. O médico, como de praxe, examinoume detalhadamente. Ao usar o estetoscópio no meu peito, fez cara de
suspense, ficou pálido e não parava de auscultar-me. Perguntei-lhe o
que era. Ele nem respondeu. Preparou uma guia de internação para o
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ambulatório central. Gelei. Caro leitor, você também não ficaria
atônito? Eu fiquei.
Liguei para a minha mãe, que rumou logo para a Vila Mariana. Eu
fui de carro da empresa. Lá chegando, o outro médico me examinou.
Imediatamente tomou o telefone na mão: ligou para uns 4 hospitais,
gritando com os atendentes que me arrumassem uma vaga, porque
era caso de vida ou morte. "Vida ou morte?!!"
Por fim, corremos ao pronto socorro do Hospital São Joaquim, na
Beneficência Portuguesa. O médico exigiu todos os exames
novamente. Surgiu em mim a esperança de que fosse tudo um grande
mal-entendido. Pedi à minha mãe que me preparasse aquele bife à
milanesa para o jantar, porque tinha confiança de estar em casa à
noite.
O médico, depois que obtivera o resultado dos exames, chegou
de mansinho, colocou a mão no meu ombro e disse: "Está vendo
aquela maca? Está vendo aquele soro? Está vendo aquele enfermeiro?
É tudo para você. Suba, porque você será internado imediatamente na
UTI."
Amigos, minha mãe, pobre mulher, começou a chorar
desesperada. Os filhos eram toda a sua riqueza. Mulher sofrida, de
corpo frágil pelas interpéries até então enfrentadas, agora ficara frente
à frente com um destino devastador! O médico confidenciara-lhe que
o meu caso era gravíssimo, provavelmente irreversível. A catapora
havia infeccionado vários órgãos do meu corpo, principalmente o
coração. Não sabiam bem o que fazer, mas iriam tentar de tudo.
Incentivou-a, porém, a deixar as documentações em ordem, a verificar
preço para caixão, as formalidades de sepultamento, etc. "Minha
senhora, talvez ele não passe desta noite".
Eu, deitado naquela maca, imaginava um jeito de fugir dali.
Detestava hospitais, morria de medo de injeções, tinha ânsia de
vômito com o cheiro forte de éter, estava no lugar onde eu realmente
não queria estar.
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O elevador demorava a chegar. Quando chegou, o enfermeiro
gritou com a ascensorista, dizendo: "Você quer que o moleque morra
no elevador?" Pensei: "Meu Deus, o que estará acontecendo?" Ao
chegar, obrigaram-me a me despir. Fim do meu sonho de fuga! Fugir
nu era demais para mim. Resignadamente e à força, submeti-me ao
hospital. Logo colocaram-me um soro, deram-me umas seis injeções
doloridas, rasparam o meu peito, ligaram eletrodos, três máquinas
com o mapeamento do meu coração, cérebro e outras funções. Enfim,
virei um autêntico "ROBOCOP" enferrujado... Logo o companheiro do
lado veio a falecer - minha primeira experiência dura com a morte! Vi
várias ali. Escutei gritos aterrorizantes, de pessoas que desciam da
cirurgia, que não suportavam a dor da enfermidade, e que partiam
deste mundo cheias de sofrimento. Logo depois transferiram-me para
um quarto isolado, pois eu era uma ameaça à saúde de todos: estava
convalescendo da varicela...
Lá fora, minha mãe tentava encontrar forças para voltar para
casa. Ligou para a Mocidade da igreja, que correu ao hospital, visando
receber informações, boletins médicos, etc. Meu pai foi notificado e
estaria voltando assim que fosse possível. O pastor da igreja também
estava em Salvador. Segundo minha mãe, foi uma noite não dormida,
foi uma noite de vigília. No domingo, segundo dia de UTC - UTI, o
médico de nossa igreja foi visitar-me. Ao falar com a junta médica, ao
reunir-se com a equipe, muniu-se de informações preciosas. Seu
testemunho no culto da noite em nossa igreja foi: "Irmãos, eu sou
médico, falarei como profissional da medicina. Nosso irmão Wagner
está com uma enfermidade terrível. Só um milagre poderá tirá-lo de lá.
Oremos para que ele parta em paz e que Deus console a família".
Comoção geral.
O meu coração batia sem ritmo. Parava um pouco, batia um
pouco, semelhante aquele comercial de companhia aérea, onde diziam
"viaja um pouquinho, descansa um pouquinho, etc." Numa das
passagens de turno médico, (eu não dormi um minuto dos 3 dias e
meio de UTC - UTI), os médicos disseram: "Às três horas ele teve
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princípio de infarto; às 5 ele foi socorrido com medicamentos por
ameaça de derrame, etc". Enquanto diziam isso, o meu coração
disparou. Perceberam que estavam falando muito alto e que eu estava
ouvindo.
"Acho que vou morrer". Foi a conclusão a que cheguei. Naqueles
três dias fiquei amarrado a 4 enfermeiras, cada uma com um turno de
6 horas. Elas eram as únicas pessoas com quem eu podia conversar.
Em sendo JESUS o meu grande assunto, acabei por contar toda a
história da criação, a formação do povo de Deus, os reis, os profetas, o
ministério de Cristo, os atos dos apóstolos, as profecias do fim do
mundo, etc. Acredito piamente que, se eu ficasse um pouco mais ali, as
enfermeiras é que precisariam ser internadas. Elas não me suportavam
mais! Mas o que é que eu podia fazer? A boca fala do que o coração
está cheio, e eu tinha que lhes falar como estava feliz por ter Jesus no
meu coração!
Fiz uma oração. Lembro-me dela, porque foi um verdadeiro
"a.C./d.C." na minha vida. Eu disse:
"Senhor, eu acho que vou morrer hoje. Talvez amanhã, não
tenho bem certeza, mas as coisas estão muito difíceis. Quero
agradecer-te pelos 17 anos que vivi. Senhor, quantas coisas eu pude
fazer! Estudei, brinquei, chorei, apanhei, conheci lugares, me converti,
trabalhei na igreja, falei de Jesus, foi muita coisa boa. Muito obrigado.
Quero que o Senhor me perdoe as faltas que me são ocultas. Mas
gostaria de pedir-te uma coisa: gostaria de não morrer. É possível,
Senhor? Bem, se o Senhor achar que é, então eu farei uma coisa,
quando sair daqui: serei pastor. Não estou chantageando a ti, ó, Deus.
É uma oferta de gratidão. Terei prazer em fazê-la. Em nome de Jesus.
Amém."
Acalmei o coração. Nessa hora entrou na UTC o Dr. Hugo, um
venezuelano. Levaram-me de cadeira de rodas à sala de um moderno
equipamento recém-instalado no hospital, um tal de "ultra-som". Eu já
não andava mais. Colocado em outra cama, recebi aquela dose
generosa de gosma pelo peito. O médico começou a apertar uma
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espécie de microfone na gosma espalhada, e via um monte de
chuviscos num monitor ligado ao equipamento. Enquanto ele passava
a máquina em mim, uma listagem saia do computador. Quando ele leu
a listagem, saiu correndo no corredor, gritando: "Potássio! Potássio!"
Logo uma enfermeira, junto com ele, trouxeram outro soro.
Arrancaram o que estava em mim e puseram o novo. Quando o líqüido
correu a minha veia, eu gritei no corredor. O médico mandou
adicionarem xilocaína, mas, de forma alguma deixassem de me injetar
aquela substância.
A igreja orava. O povo clamava a Deus. Meu pai e o pastor
chegavam de viagem. A mocidade estava triste, apreensiva,
aguardando nas misericórdias do Senhor, que são a causa de não
sermos consumidos.
Após dois vidros de soro e umas 3 horas depois do início do
processo, o meu coração foi ganhando ritmo, ganhando nova vida,
entrando na normalidade, e eu fui sentindo sono, um gostoso estado
de sonolência benfazeja. Quando acordei, estava num quarto. Era o
sexto andar da ala nova do hospital. Eu tivera melhora. Deus ouvira as
orações, em especial a minha, que era o maior interessado no assunto.
Ele concordara com o oferecimento que fizera. Seláramos um acordo
com aquela dedicação. Foram mais 9 dias de hospital. Fiquei sabendo
do meu problema: eu nascera com uma grave disfunção genética, má
formação. O nome das enfermidades que eu tivera: miocardite,
endocardite, taquicardia crônica, prolapso da válvula mitral, ausência
generalizada de potássio no sangue. Não sou médico, não entendo
disso, mas sei que eu deveria estar morto, à luz das estatísticas. Mas
estou aqui, vivo para a glória de Deus. Bendito seja o Senhor, o médico
dos médicos, doutor dos doutores, que tudo faz como lhe apraz!
Os nove dias de quarto normal foram inesquecíveis. Os
enfermeiros marcavam em seus relógios o horário das 22 horas.
Vinham uns 15 no meu quarto. Lá eu pregava num culto improvisado e
só eu e outros 3 cantávamos, porque os outros nada sabiam. Dos três
que cantavam, dois eram desviados do Evangelho e só um era crente
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fiel. Ao final, bendito seja Deus, 8 decisões ao lado de Cristo. Aleluia!
Cheguei acompanhar a história de alguns deles.
Setembro de 1982. Dezembro de 2001. Estou há 19 anos vivendo
um tempo extra. Cresci (e engordei também...). Tive recaídas, tenho
crises de quando em quando, tomo 18 comprimidos diários, faço
acompanhamento, mas, quem me vê, é incapaz de dizer: "ele é
doente". Exceto pelos exercícios físicos, dos quais sou proibido, levo
uma vida absolutamente normal. E por que? Porque Deus quis assim.
E eu sou pastor. Ó, inaudita felicidade, pude cumprir a minha
parte da oração! É claro, eu já pensava nisso desde os 14 anos, mas ali
foi o meu chamado absoluto! E aqui estou, com 10 anos de caminhada
pastoral.
O futuro? O futuro para mim é Cristo. O passado? Dias
inesquecíveis com o Senhor. O presente? Bem, o presente eu posso
construir. A nossa vida é a colheita do que semeamos. Quero continuar
semeando boas sementes. Tenho certeza de que elas produzirão
muitos frutos. E eu ficarei feliz em ver que não atravessei a vida em
vão. Quero viver cada dia no centro da vontade do meu Pai celestial.
Glórias, pois, a Ele.
E obrigado pela paciência, dileto leitor. Obrigado pela leitura.
Pr. Wagner Antonio de Araújo,
Igreja Batista Boas Novas, Osasco, SP.
015 - A FROTA
- "Cuidado com os postes, Seu Geraldo! Não são de borracha
não!"
- "Vê se vai pela sombra, Seu Geraldo! Cuidado com as costelasde-vaca!"
- "Só passeando, né, Seu Geraldo?"
Era assim todo dia. O Seu Geraldo era o taxista do bairro,
conhecidíssimo, muito estimado. Também pudera: 12 anos no volante,
levara muita mulher grávida pro hospital e trazido mãe e filho pra casa.
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O povo era-lhe muito agradecido. Às vezes um fiado, outras um
chequinho pré-datado, mas sempre tranqüilo. Ele dizia:
- "Deus ajuda a quem cedo madruga. E quem ajuda a quem cedo
madruga também recebe ajuda do Senhor". E lá ia o Seu Geraldo pro
batente, alegre, sorridente e confiante.
Ele era crente. Ele e toda a família. Não era rico, nem classe
média. Era um lutador, tentava manter as contas em ordem, o leitinho
da molecada e o cabeleireiro da mulher. Devagarinho as coisas
andavam. Fiéis na igreja, o dízimo era sagrado. Todo dia 10 lá estava o
Seu Geraldo todo faceiro, levando o envelopinho da família:
- " 100 meus, 50 da patroa e 25 de cada guri. Marca certinho,
Irmão Astolfo ", as costumeiras orientações que passava pro
tesoureiro. Nunca falhava. Nos meses de poucas corridas caia um
pouquinho, mas na alta temporada o dízimo acabava compensando o
tempo dificil.
Não perdia um culto de oração. Geralmente ele mais agradecia.
Mas, às vezes, dizia ter um sonho: queria ter uma frota!
- "Ah, pastor, já pensou? "GERALDO TAXI EXPRESS', que
maravilha! Eu ia levar toda a igreja de taxi pro culto! Não, não todo dia,
senão eu iria à falência. Mas no domingo os meus carros ficariam de
prontidão: "perdeu o ônibus? Chame o Geraldão!" E assim o Seu
Geraldo ia levando, sonhando, trabalhando.
Num belo dia chegou um telegrama: era para ele apresentar-se
no Fórum. O que seria? Ficou preocupado, nem dormiu à noite. Mas,
para sua surpresa, era coisa boa: um parente distante deixara uma
quantia em dinheiro para os parentes, e ele fora contemplado com uns
bons trocados.
- "Olha aí, meu velho! Venho orando por você por muito tempo!
Já dá pra comprar mais um carro, uma frotinha!"
Frota não era, porque em sua cidade, grande e populosa, uma
frota era composta de 50 unidades. Mas deu para comprar 6
automóveis "0" quilômetro, registrar e colocar na praça.
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Que alegria! Com direito a culto de ação de graças e tudo!
Contratou motoristas, colocou um para dirigir o seu velho chevrolet e
passou a administrar.
Todos estavam muito felizes. Todos, exceto a esposa. Ela notara
algo diferente no marido: parecia que o esposo perdera um pouco o
brilho e a espontaneidade.
Não só a esposa notara; o pastor também. Seu Geraldo começou
a faltar nos cultos de oração, os seus prediletos. Seu lugar já era
marcado no banco número 5 do lado direito; mas, agora, estava vazio,
aliás, sempre vazio. Ele comprara um sítio muito bonito, próximo da
cidade, e, quando não estava com os amigos, estava cuidando da
chácara.
- "E então, irmão Geraldo, estou sentindo sua falta! " Dizia o
pastor, no domingo.
- "Pois é, pastor, está muito corrido pra mim agora, mas logo as
coisas engrenam. É como sinal de trânsito: quando parece que não
abre nunca, o verdão aparece! Já, já eu volto!" O já-já não chegava
nunca.
Posteriormente, quando o pastor lhe perguntava isso, a resposta
era grosseira:
- "Pastor, vê se faz o seu trabalho. Tem gente de sobra pra ouvir
o senhor por lá. Eu já sei tudo o que o senhor prega". O pastor sofria.
O Seu Geraldo prosperou. Em dois anos ele transformou os 7
taxis numa frota de 50. Como? "Bênção de Deus", dizia ele. Contratara
muitos motoristas, colocara o nome de sua empresa bem bonito e
graúdo nos seus automóveis: "GERALDO TAXI EXPRESS". Na
inauguração fez um "coquetel", mas não chamou a igreja. Nem o
pastor.
Um dia a igreja precisava ir a um velório. Povo muito humilde,
não havia condução pra todo mundo. Dna. Zulmira, sua esposa, falou
com ele:
- "Geraldo, pede pros carros ajudarem a transportar o pessoal
pro velório e cemitério. Lembra que você brincava que queria ajudar?"
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- "Ah, mulher, larga mão de ser mané! Sou eu burro de carga de
alguém? Esse povo que se vire! Não vou carregar o pessoal de graça de
jeito nenhum. Que se danem!"
- " Mas, bem, você dizia que ..."
- "Ora, mulher, quando se é pobre se fala muita besteira. Larga a
mão de conversa e vai pro seu velório, que eu tenho encontro
marcado com o pessoal lá do bar. Vai logo, não me enche!"
- "Mas, bem, ...."
- "Cala a boca, beata! Parece besta! Ah, e quer saber mais? Tô
cheio desse negócio de igreja. Só sabem cobrar, viver de "pindura" em
quem tem mais o que fazer! Vai, dá logo o fora se não quiser levar um
tapão na orelha"
Zulmira estava desconsolada. E não era para menos. Seu marido
dera para jogar truco com os amigos, beber "socialmente", ir pro clube
no final de semana. Às vezes a obrigava a acompanhá-lo. Tirou os
meninos da Escola Bíblica Dominical e matriculou-os em grupos de
excursões - algumas vezes iam para as montanhas, outras para a praia,
e, ainda outras, para o exterior. "Coisas de classe", dizia ele.
Zulmira chorava. O tesoureiro, antes tão acostumado com os 200
reais do Seu Geraldo, agora recebia 50 da mulher, que ela separava
"escondido" do marido. De vez em quando o Seu Geraldo vinha ao
culto, terno "Hugo Boss", cheirando a "chanel número 5", sapatos
importados, BMW na porta. Chegava atrasado, ouvia o sermão e saia
sem cumprimentar ninguém. "Tenho compromissos", dizia ele: ia para
o encontro dos "prósperos", os ricaços do clube.
Zulmira orava. Os meninos, cuja base cristã era firme (a mãe
orava e lia a bíblia todos os dias com eles), também oravam. A igreja
orava.
Certo dia um dos taxis acidentara-se. Sem perceber, Geraldo não
atualizara o seguro daquele carro. Assim, para indenizar a família
(houve vítimas fatais nos dois automóveis), precisou vender outro
carro. Ao mesmo tempo 4 ex-motoristas o processaram, pois atrasara
os seus proventos e tirara direitos que eles tinham a receber. Com os
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juros e multas, acabou por vender outro carro. Mais dois motoristas
demitidos, indenizações a pagar, e outro carro seguia para a revenda.
Passaram-se 5 meses. A família mudara-se dali. Não
freqüentaram mais aquela igreja. Não que Zulmira não protestasse;
mas o marido estava transtornado. O pastor nem sequer soube para
onde foram. Sumiram. A igreja tinha um prazo de 8 meses para
desligar membros ausentes. A igreja orava.
Numa quarta-feira, no culto de oração, enquanto o pastor lia o
texto responsivo com a congregação, eis que entram na igreja o Seu
Geraldo e a família. Foram direto para o empoeirado banco número 5,
do lado direito. O pastor sorriu, mas continuou o culto.
Parecia que a família estava feliz. A igreja estava perplexa. Mas
continuou a celebração. Cantaram os hinos do Cantor Cristão (hinário
da igreja), oraram, ouviram uma breve meditação e escutaram uns
dois ou três solos.
Antes de terminar, o pastor franqueou a palavra a quem quisesse
contar uma bênção ou pedir uma oração. O Seu Geraldo emocionou-se
no banco, mas sua esposa o abraçou afetuosamente. O pastor pensou
que alguém tivesse adoecido. Zulmira pediu a palavra para o Geraldo.
O pastor assustou-se, mas, em respeito a Zulmira, concedeu.
Lá foram os 4 para a frente: Geraldo, Zulmira, Bruno e Aloísio.
Seu Geraldo pediu a palavra. Abriu a bíblia em Mateus 16.26, onde se
lê: "De que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a
sua vida? ou que dará o homem em troca da sua vida?" A seguir, falou:
"Fui membro desta igreja por longos anos e taxista antigo no
bairro. Amava a Jesus e também a igreja. Um dia, há cerca de dois anos
e meio atrás, ouvi um pastor dizer que, como crente, eu tinha
obrigação de ser rico, de usar as credenciais de Filho do Rei. Não foi
daqui não, foi um pastor da televisão. Eu fiz um voto e ganhei o que
pedi. Ganhei herança, prosperei nos taxis e criei uma frota. Irmãos, (e
agora Geraldo chorava), antes eu nunca tivesse pedido isso pra Deus!
Se ganhei dinheiro com a frota, perdi a minha fé, perdi a minha família,
a minha saúde, os meus amigos e até a minha dignidade. Fumei, bebi,
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adulterei, pintei o caneco e dancei o samba de uma nota só. De 51
carros, contando com o meu, perdi tudo, exceto o meu velho taxi. Tirei
a família da igreja e ganhei a desgraça. De que vale querer ser rico,
quando não se sabe ser fiel? Por isso pedi pra Zulmira, essa heroína
(agora era ela quem chorava), que pedisse pro Senhor me ajudar,
porque eu já não agüentava mais ter que vender carros pra pagar
processos na justiça, ex-funcionários, tratamento de bebida, pagar
propinas, etc. Eu deixei de dizimar, deixei de vir aos cultos, deixei de
ser fiel. Vim aqui pedir ao meu Deus e à minha igreja: P E R D Ã O !!!
PERDÃO, SENHOR! PERDÃO, PASTOR! (todos choravam copiosamente).
Eu perdi tudo, mas não perdi o meu Salvador! Ele me deu mais do que
eu merecia: me deu a salvação, me deu esposa, filhos, um bom pastor
e uma boa igreja! Obrigado, meu Deus! Antes com Cristo sem riquezas
materiais do que, tendo tudo, não ter nada! "
Foi uma choradeira geral. O pastor abraçou o irmão, osculou a
esposa e os meninos, e disse ao povo:
"Aprendamos, irmãos, que o verdadeiro Evangelho não é comida
nem bebida; Cristo não dá ouro ou bens para gastarmos segundo os
nossos prazeres. Ele até permite, quando insistimos demais, mas por
nossa própria conta e risco. Está aí o resultado das riquezas temporais:
quando postas em primeiro lugar, levam o homem à falência.
Lembremo-nos do que nos ensina o Senhor: "Não ajunteis tesouros na
terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e os ladrões minam e
roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça e a ferrugem
consomem, nem os ladrões minam e roubam. Porque, onde estiver o
vosso tesouro, alí estará também o vosso coração". Mt 6.19-21. E diz
mais: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça, e as demais
coisas vos serão acrescentadas". (Mt 6.33)
Seu Geraldo trouxe, do carro, um panelão de salsichas em
molho, preparado com amor por Dna. Zulmira, e dois sacos de pão
francês, que pegara na padaria da esquina. Fizeram uma
confraternização, um culto de ação de graças. Foi lindo!
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Dia seguinte. 5 da manhã. Lá vai o Seu Geraldo pela Avenida
Brasil, descendo com o seu velho chevrolet, passando em frente à casa
dos vizinhos. As frases soavam como música aos seus ouvidos:
- "Cuidado com os postes, Seu Geraldo! Não são de borracha
não!"
- "Vê se vai pela sombra, Seu Geraldo! Cuidado com as costelasde-vaca!"
- "Só passeando, né, Seu Geraldo?"
E ele, feliz da vida, foi fazer as corridas do dia, sem esquecer-se
de que também estava correndo uma outra corrida, a da consagração
rumo à vida eterna com Cristo. Agora sabia que era o homem mais rico
do mundo, pois tinha algo que o dinheiro não deu nem nunca dará:
felicidade.
- "Vai com Deus", dizemos nós também ao Seu Geraldo.
Pastor Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
[email protected]
Pós-escrito (2001)
Quero testemunhar algo ocorrido há pouco. Este texto foi escrito
com muito carinho e amor. Quando terminei, repassei as frases, para
tirar um ou outro erro. Quase ao término, o computador travou. Bateu
o desespero: e agora? Eu nunca consegui salvar texto algum, depois do
travamento. E, infelizmente, não o tinha copiado parcialmente para a
pasta de rascunhos. Antes de desligar o equipamento, orei, pedindo ao
Senhor que, se o que escrevi fosse abençoar alguém, que fizesse algo
por nós. E algo aconteceu: fechei alguns programas abertos
automaticamente, mas tudo estava parado. De repente o e-mail
"libertou-se", e pude gravá-lo. Mas foi o tempo de gravá-lo e travar
tudo de novo. Ei-lo aqui, como mais uma prova da graça do Senhor. Eu
bendigo a Deus por essa vitória. Louvado seja Deus! Amém.
66
016 - A CARA DA IGREJA
Vou à igreja para buscar a Deus.
Encontro uma igreja sem cara de igreja.
Igreja com cara de clube
Igreja com cara de show
Igreja com cara de esporte
Igreja com cara de terreiro e centro espírita
Igreja com cara de hospício
Igreja com cara de palanque político
Igreja com cara de programa de entretenimento.
Igreja com cara de gangue.
Igreja com cara de autoajuda.
Igreja com cara de oficina.
Igreja com cara de danceteria.
Fico desesperado.
Pergunto: meu Deus, onde foi parar a Igreja?
Questiono: e a igreja católica romana? Ainda tem cara de Igreja
romana?
Então assisto a Canção Nova (canal católico).
Retiro de Carnaval.
Show de pagode.
Show de aché.
Show de samba.
Show de rock.
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Show de música eletrônica
Show de frevo.
Show de forró.
Fico desesperado.
Pergunto: meu Deus, onde foi parar a Igreja?
Questiono: e a igreja evangélica? Ainda tem cara de Igreja
Evangélica?
Daí eu olho a Rede Gospel (canal evangélico) e os milhares de
sites evangélicos.
E então eu vejo.
Retiros com hip hop.
Retiros com manto púrpura da unção.
Danças e coreografias até nas orações.
Pregadores que gritam.
Mulheres que cantam e repetem, repetem, repetem, explodem.
Guitarras envenenadas.
Clamores por ofertas.
Desafios de crescimento.
Fico desesperado.
Pergunto: meu Deus, onde foi parar a Igreja?
Pego a minha bíblia, vou para o meu quarto, dobro os meus
joelhos.
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E ouço Jesus: "Quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé
na terra?" (Lc 18.8)
E então percebo.
Nunca a Igreja cresceu tanto em toda parte.
Nunca o evangelho foi tão popular e vulgar.
Mas o que cresce não é a Igreja, mas o parasita que se alimenta
da raiz.
Cresce uma Igreja com cara de mundo.
Cresce uma Igreja com cara de salão de bailes.
Cresce uma Igreja com cara de clube esportivo.
Cresce uma Igreja com cara de empresa.
Cresce uma Igreja com cara de pecado.
Cresce uma Igreja que brinca com o nome de Jesus.
Cresce uma Igreja que faz do Espírito Santo um rojão de São
João, só para explodir e levar o povo ao delírio.
Fico desesperado.
No lugar de Deus o povo fez um bezerro de ouro.
Ouro dos números. Ouro das ofertas. Ouro da prosperidade. Pó
de ouro na roupa dos enganadores. Ouro dos canais comprados. Ouro
dos analfabetos bíblicos que não sabem a diferença entre trigo e joio.
E ouço o Senhor dizer:
Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para
cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está
próxima. (Lc 21:28)
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E então tranquilizo o coração no Senhor e digo:
Mestre, satisfaz a minha alma, pois a Igreja do Senhor perdeu a
cara, ganhou uma máscara. Perdeu a fé.
E ouço o Mestre dizer:
Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que
ninguém tome a tua coroa. (Ap 3:11)
Então choro, sofro, silencio e adormeço. Durmo no colo do Pai.
Amanhã, quando acordar, ainda serei peregrino a testemunhar o
quanto puder do Senhor e da verdadeira cara da Igreja de Jesus.
Wagner Antonio de Araújo
017 - QUANDO TUDO PARECIA
PERDIDO...
Era a última noite de conferências. A organização missionária
tinha realizado uma grande série de encontros, visando esclarecer o
povo de Deus sobre a importância da santificação e do envolvimento
de todos na obra de missões.
Aquele pastor estava sentado na 5a. fila, da direita para a
esquerda, na ala central. Ao seu lado um velho obreiro, amigo de longa
data. Na verdade, como a cidade era pequena, quase todo mundo se
conhecia.
Uma velha missionária estava pregando. Dizia ela que aprendera
de forma dura a falar com Deus como uma filha conversa com sua
mãe. Disse que na selva, onde se encontrava, recebera um anúncio de
70
que os canibais a comeriam naquela noite. Tremendo de medo,
praticamente desesperada, pôs-se de joelhos, declamando as mais
lindas orações que conhecia, mas não conseguia encontrar paz para a
sua alma. Foi então que decidiu deixar a formalidade de lado e gritar,
como uma criança em desespero:
- Papai, eu estou com medo! Não vou desistir, não vou negar a
fé, mas estou desesperada! Ah, papai, me conforta! Me faz sentir o teu
amor, carinho, consolo! Preciso do teu colo! Preciso do teu acalanto!
Segundo ela, os índios ajoelharam-se diante dela, enquanto
orava. Após a oração, vendo aquela cena inusitada, perguntou o que
significava aquilo. O cacique dizia que não era por ela, mas pelos
"índios luminosos" ao seu redor, com flechas fulgurantes apontadas
contra eles. "Que índios?" Ela não via, mas os índios entendiam que a
proteção dela era divina, por isso resolveram naquela noite comer
outro alimento, resolveram comer do "pão da vida". Eles se
converteram e a missionária foi vitoriosa. Ela concluiu, dizendo:
- Pastores, parem de fugir do colo de Jesus! Ele é o caminho para
a solução de seus problemas! Não importa o tamanho da crise, não
importa a dificuldade que enfrentam, pulem no colo de Jesus, como
uma criança pularia no colo de seu pai, quando este chegasse do
trabalho! Falem com Jesus, conversem com Jesus, chorem com Jesus,
adormeçam com Jesus!!!
- "Que audácia"- disse, encolerizado, o pastor da quinta fileira -,
"essa mulher não tem o mínimo pudor teológico. Onde já se viu dirigirse a Deus sem a devida reverência? Quem ela pensa que é para orar
como se estivesse conversando com um ser igual a ela? Também,
pudera, perco o meu tempo para ouvir uma maltrapilha evangelista de
índios! Ora, façam-me o favor!"
- "Pois eu acho que ela tem razão", exclamou o amigo do pastor,
muito mais velho que ele - "sabe, se eu tivesse pensado nisso há mais
tempo, teria evitado muito sofrimento. Gostei muito das palavras da
mocinha."
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- "O que, reverendo? Até o senhor? Ah, meu Deus, este mundo
está perdido! Onde estão os fiéis! Não os vejo mais!!!" E,
esbravejando, foi embora, não aguardando nem o término da
conferência.
Ele pegou o carro e ruidosamente dirigiu-se ao prédio onde
morava. Ao chegar à portaria, recebeu um recado: o porteiro queria
falar-lhe. Após estacionar, foi até a guarita. Então, a trágica notícia:
- "Patrão, o seu filho foi preso por porte de drogas. Ele disse que
só as consumia, mas os tiras não quiseram saber. Ele está na delegacia
do condado. Disseram que um advogado estaria lá, mas as coisas estão
difíceis..."
- "Meu Deus", pensou o pastor, "só me faltava essa!"
Subiu para o apartamento. Ao entrar, deparou-se com um sulfite
pendurado na porta da geladeira, escrito a baton:
- "Querido, acho que é hora de pararmos com a farsa. Estou
tendo um caso. Não lhe amo mais. Por isso, estou indo embora. Na
próxima semana passo para pegar as minhas coisas. Cuide-se. Mary".
Suas mãos tremiam. Seu coração disparara. Ele não podia
acreditar no que lia! "Desgraça pouca é bobagem", dizia ele no seu
íntimo. Seu filho era usuário de drogas, disso ele já sabia. Tentou criálo na igreja, tentou evangelizá-lo, mas "como um bom filho de pastor",
pensava, "primeiro irá ser um terror, pra depois converter-se", e se
iludia com esse pensamento. Mas, sua esposa? Ele, que ouvia algum
comentário sobre um provável romance dela com um colega de
trabalho, jamais acreditara nisso, pois a amava. Porém, desde há muito
o relacionamento não andava bem das pernas: poucos encontros,
conversas só por secretária eletrônica, carinhos não havia mais. Agora,
a verdade! E como dói a verdade!
Mal acabara de ler o papel, ligam para o seu telefone. Ele atende,
ávido por notícias do filho ou da esposa.
- "Pastor? Aqui é Joseph Smith, vice-presidente da igreja. Pastor,
nós, do conselho de diáconos, decidimos realizar uma reunião
consultiva nesta noite. Não estamos contentes com o senhor. Achamos
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que o seu tempo em nossa igreja terminou. Estaremos decidindo isso
hoje pelo voto. Só estou ligando para que não venha a dizer
posteriormente que a igreja fez isso à sua revelia. Acho que o seu
ministério já deu o que tinha que dar. Que Deus lhe abençoe, pastor!"
E agora? Esposa nos braços de outro; o filho na delegacia; a
igreja colocando-o para fora.
A dor no peito começou a atacar. Um infarto do miocárdio? Um
derrame? Um desmaio? Enquanto ponderava, assentando-se no sofá
da sala, veio-lhe a mente o que ouvira por parte da missionária, na
conferência:
- Pastores, parem de fugir do colo de Jesus! Ele é o caminho para
a solução de seus problemas! Não importa o tamanho da crise, não
importa a dificuldade que enfrentam, pulem no colo de Jesus, como
uma criança pularia no colo de seu pai, quando este chegasse do
trabalho! Falem com Jesus, conversem com Jesus, chorem com Jesus,
adormeçam com Jesus!!!
Ele pensou: "as eu nunca fiz isso! O que os outros vão pensar? Eu
sempre acreditei diferente! Não, não vou ceder aos emocionalismos
baratos daquela maltrapilha. Vou orar do meu jeito."E começou:
"Senhor nosso Deus, divino mestre, soberano Senhor dos céus e da
terra..." E as lágrimas começaram a cair copiosas dos seus olhos.
Quanta dor! Chorava desesperado, em meio a gritos de agonia...
Dobrou os joelhos junto ao sofá, e disse, em meio ao pranto:
- "Deus, eu nunca fui bom em oração, me desculpe! Chamar-te
de Pai eu nunca chamei. Mas agora estou desesperado! Pai, olha o que
me fizeram! Pai, estou sofrendo muito! O meu filho está preso,
Senhor! Minha esposa está nos braços de outro e minha igreja me
odeia! Senhor, Senhor, Senhor, me acuda, me socorre, Senhor!" Seu
choro invadia os cômodos vazios da casa. Seu canarinho, espantado,
parara de cantar, pasmo ao ver o seu dono desse jeito.
Ele abriu o coração. Disse tudo o que estava atravessado pela
garganta há muito tempo. Falou das tristezas, falou das frustrações,
falou da família, falou da fé, falou da incredulidade. Falou, falou, falou.
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Chegou a adormecer de canseira e dor, mas acordou e continuou. Ao
término, após o "em nome de Jesus", ele levantou-se e disse:
- "Acho que nunca orei tanto na minha vida! Acredito ter batido
o recorde: 10 minutos! Nem no dia do meu batismo foi assim!"
E olhou no relógio. "O que?" Era meia-noite quando ajoelhara, e
agora já passava das 13 horas do outro dia... Ele orou durante toda a
madrugada e manhã! E nem percebera quanto tempo passara assim,
de joelhos diante de Deus! Sorriu confortado, e pensou:
-"Bem, o meu problema não se resolveu, mas Deus está comigo.
É tudo de que eu preciso! Louvado seja Deus!"
Era um outro homem. Jamais dera graças assim, tão
convictamente. Foi até a cozinha, pegou o leite na geladeira, o Toddy
no armário, fez um achocolatado, pegou um pedaço de bolo, colocou
tudo sobre a mesa, deu graças de forma linda, como um filho
agradecendo ao Pai pelo suprimento, e comeu gostosamente.
Enquanto tomava o seu café, o interfone tocou:
- "Patrão, o senhor não vai acreditar! Sabe quem está aqui
embaixo? É o seu filho! É, a polícia resolveu dar uma chance pra ele,
disse que ainda era tempo dele se consertar. Só que ele está com
vergonha de subir, pois pensa que o senhor irá bater muito nele. Ele
me pediu para dar dois recados: "Me perdoe!" e "Eu amo o senhor!" .
O que é que eu faço, patrão? Falo pra ele subir?"
- "Claro!"
O garoto correu, subiu as escadas voando, nem esperou o
elevador. O que eram 8 andares, frente ao desejo intenso do abraço de
perdão do pai? A porta já estava aberta, e não houve nem tempo de
dizer nada, pois o pai o abraçou e o beijou, e ambos, pai e filho,
choraram copiosamente e por longo tempo, ao pé da escadaria do
prédio...
Entrando, o pai preparou outro café, para tomá-lo com o filho.
Assim que misturou o chocolate ao leite, tocou o telefone.
- "Alô"?
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- "Pastor? Aqui é o Joseph Smith. Pastor, eu nem sei como lhe
dizer. Não sei o que aconteceu. A igreja simplesmente mudou de
opinião (porque não posso acreditar que as reclamações que ouvia
eram mentiras). Resolveram não só lhe dar total apoio, como também
que o seu salário será melhorado. Bem, pastor, desculpe ter causado
inconveniente e transtorno para o irmão. Receba os meus votos de
sucesso e felicidade."
As lágrimas corriam quentes pela face do pastor, que agora
chorava de alegria! Deus agira enquanto ele estivera de joelhos! Nada,
absolutamente nada, poderia tirar de seu peito essa convicção!
Enquanto se refazia emocionalmente, bateram na porta. O
pastor estranhou muito, porque o porteiro não poderia ter deixado
alguém entrar, sem avisar. Olhando pelo "olho mágico" da porta, a
surpresa final: a esposa, com duas malas às mãos. Abriu a porta. A
mulher, com o rosto inchado de tanto chorar, disse:
- "Querido, Jesus perdoou a mulher adúltera e fez dela uma
pessoa transformada. Não mereço a sua compaixão, mas eu lhe
imploro: me perdoa! Eu pequei! Tem um espaço no seu peito para
mim?"
Cena inesquecível: marido e mulher num longo e demorado beijo
de dor, perdão e carinho, seguido de um abraço com choro e lágrimas
indescritíveis, não de quem está triste, mas de quem reencontrou a
vida! O garoto, quebrantado com tantas bênçãos, agarra os pais num
abraço envolvente, juntando o seu choro ao choro do casal. E o
canarinho (ah, que alegria!), voltou a cantar no viveiro...
E a cena descrita vem comprovar que, não importa o quanto
queiramos fugir, teremos que resolver os nossos problemas no colo de
Jesus. Ele é o caminho para a solução de nossos problemas! Não
importa o tamanho da crise, não importa a dificuldade que
enfrentemos, pular no colo de Jesus, como uma criança pularia no colo
de seu pai, quando esse chegasse do trabalho, é a única solução!
Falemos com Ele, conversemos com Ele, choremos com Ele,
adormeçamos em Seus braços!
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E digamos, com convicção: OS MEUS PROBLEMAS JÁ NÃO SÃO
MAIS MEUS, SÃO DE JESUS.
Wagner Antonio de Araújo
018 - PEREIRA E PEDRO
Há dias em que estamos tão felizes, que damos "bom dia" até
pra poste. Em outros, ai dos cachorros que cruzarem os nossos
caminhos, não é mesmo? Damos chutes pra todo lado! Nós somos
assim. E isso não é questão de ter ou não ter dinheiro; é uma questão
interior! Já dizia o velho Salomão: "O coração alegre aformoseia o
rosto, mas pela dor do coração o espírito se abate." (Pv 15:13)
Eu me lembro do seu Pereira. Ele era o entregador de crachás na
entrada do BCN do Edifício Andraus, no centro de São Paulo, onde eu
trabalhava. Ele era apenas um recepcionista, de baixo salário e sem
perspectiva de crescimento na carreira. Estava assim há anos. Mas nos
recebia com um sorriso tão benéfico, tão gentil, que alegrava e
enriquecia o nosso dia! E um detalhe: ele tinha um dos braços
ressequido!
Também me lembro do Pedro. Êta, Pedrão! Era boy, foi
promovido a porteiro. Isso em Alphaville, em Barueri, onde também
trabalhei. De cabeça baixa, lendo revista, a gente passava e pegava o
crachá. Se não estivesse no lugar, perguntávamos a ele. Sem levantar a
cabeça, e com voz incomodada, ele esbravejava: "Veja aí na caixa, pô"
E sequer verificava quem era. Um rapaz azedo. Torcíamos para não ter
problemas, porque senão, era triste.
Todos temos um pouco dos dois, dentro de nós. Ora estamos
bem, e funcionamos como ímã: todos querem ficar junto de nós. Só
falta darmos autógrafos! Outras vezes, ninguém nos procura, e sequer
querem sentar-se do nosso lado. Pensamos até que o nosso
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desodorante venceu, ou o nosso hálito está acebolado demais!
Conseguimos a façanha de afastar a todos!
Em quaisquer circunstâncias, devemos saber que Deus continua
a nos amar intensamente, sem sombra de variação. Ele não muda! "Se
formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo."
(2Tm 2:13). Deus não nos ama pelo que nós fizemos a Ele, mas pelo
que Cristo, o Seu Filho, fez por nós ("Nós o amamos porque ele nos
amou primeiro." (1Jo 4:19). Ai de nós, se Deus nos tratasse por
merecimentos! Seríamos carvões ambulantes, cinzas caminhantes! "As
misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos,
porque as suas misericórdias não têm fim;" (Lm 3:22)
Quando estivermos de mau humor, o melhor a fazer é parar,
entender que não podemos acrescentar um fio de cabelo em nossa
cabeça, ou aumentar um côvado à nossa estatura. Ser realistas é o
remédio. "O que não tem remédio, remediado está". Há outras coisas
que podem ser mudadas, seja por dedicação nossa, seja por
transformação, seja por milagre. Para essas, uma boa dose de
esperança, faz o dia amanhecer mais claro! Diz a bíblia: "A paciência
traz a experiência, e a experiência a esperança." (Rm 5:4)
Ninguém tem o poder de estragar o nosso dia, se nós não
quisermos. Para tanto, não devemos deixar a cabeça ao léo, vagando
em besteiras. Já diziam os antigos que "mente vazia, oficina do Diabo".
Não vamos correr o risco. Vamos encher nossos pensamentos de
coisas boas! Devemos nos ligar nas coisas do Alto, onde Cristo está
assentado à direita do Pai (conforme Tiago 1.17).
Atentemos para a ordem divina, e transformemos os nossos dias
ruins, em dias bem melhores: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é
verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é
puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma
virtude, e se há algum louvor, nisso pensai." (Fp 4:8)
Wagner Antonio de Araújo
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019 - ERA UMA VEZ PAULO, OU QUEM
QUER QUE FOSSE... (20/03/2013
Consolai, Consolai o meu povo, diz o vosso Deus! (Isaías 40.1)
Eram duas da tarde e Paulo aguardava com expectativa a
chegada do motoboy. Afinal, estavam prontos os convites para o seu
casamento. Sítio alugado, serviço de "bufê", igreja grande, enfim, tudo.
Agora era iniciar as visitas na casa de amigos e parentes. Como ele
desejou esse dia! Na mesa o retrato de Angélica, ao seu lado, em trajes
de banho, fazendo pose de apaixonada, na Ilha Bela, litoral paulista,
em frente de São Sebastião. Que lindo!
Mas Paulo estava preocupado. Já era sexta-feira e ele só falara
com Angélica na segunda à noite, e, ainda assim muito rapidamente.
Ele tinha a impressão de que algo estava acontecendo.
Chega o motoboy e Paulo recebe os pacotes.
"Ah, tá'qui a minha felicidade. Ei, rapaz, leve um pra você, faço
questão que você vá ao casamento". O rapaz agradeceu, recebeu o
cheque da entrega e foi embora. Lá no corredor o diretor da empresa
chega com um executivo e entra na sala de reuniões, mas Paulo está
tão feliz que só tem olhos para a janela e para suas lembranças do
futuro...
Toca o ramal. "Seu Paulo, Dna. Angélica na linha 2".
Todo feliz, Paulo diz:
- "Olá, amor! Que bom que você ligou! Chegaram os nossos
convites! Ficaram lindos, do jeito que você queria! Passo aí hoje à
noite pra você ver?"
Angélica, gaguejando um pouco, voz um pouco rouca, de quem
chorara, diz, em tom sentido, mas firme:
- "Querido, é sobre isso que eu gostaria de falar. Queria lhe falar
pessoalmente, mas vai ficar difícil, você sofreria muito mais. Sabe o
Ferreira Júnior, aquele que namorou comigo faz uns três anos? Pois é,
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bem, eu o reencontrei num culto lá da igreja da minha mãe, a gente se
falou, ele me convidou para tomar um suco, a gente conversou, se
gostou de novo, e acho que pintou um clima. Eu lamento, amor, mas
não posso enganar você: eu fiquei com ele e vou reatar meu namoro.
Perdão, querido, perdão! Não fica triste, você vai achar a sua cara
metade. Te amo também, mas vou tentar o Júnior. Tchau." Desligou
antes que o Paulo pudesse dizer qualquer coisa.
O computador estava ligado, a figura do convite na tela, e o
Paulo tremia, segurando-se na escrivaninha. Lágrimas incontidas saiam
de seus olhos, e uma interrogação do tamanho do mundo aparecia:
"Por que comigo? O que foi que eu fiz?"
Lá no corredor a sala de reuniões se abriu e o diretor saiu com o
executivo sorrindo, fumando e falando alto. Entrou na sala do Paulo,
como quem tem novidades.
- "Paulinho, tudo bem? Vim apresentar-lhe o Maurício Dantas,
economista e administrador de empresas".
- "E aí, Dr. Maurício? Tudo bem? Prazer."
O diretor continuou:
- "Paulo, você se lembra quando lhe falei de que precisávamos
de sangue novo aqui na firma? Pois é, é disso que a nossa organização
precisa: garra, ousadia, criatividade! O Maurício veio pra trazer tudo
isso. Mas tudo tem um custo, Paulinho. Infelizmente não temos
condições de manter dois executivos no mesmo espaço. Passe no
departamento pessoal e acerte tudo, pagaremos tudo o que você tiver
direito. Valeu, você foi jóia pra nós. Certamente achará emprego fácil".
E saiu, rindo e falando alto com o Maurício, que olhou para o Paulo
com o olhar de quem diz "Sinto muito, cara, eu não sabia que ia dar
nisso".
Paulo, abobado com o telefonema e o fim do noivado de dois
anos, agora recebe demissão! A secretária entra correndo e diz:
- " Paulo, pelo amor de Deus, calma! Gente, ele está branco, tá
suando e tremendo! Tragam uma água com açúcar, rápido!" Foi uma
correria.
79
Paulo tomou a água com açúcar, ficou estático por uma hora,
orou um pouco (ele era temente a Deus), mas a sua oração foi:
"Senhor, sou humano. Preciso de consolo. Como faço? Não suporto
tudo isso!"
Passou a mão no telefone e ligou para o Pastor da sua igreja.
Ofegante, pediu para a esposa do pastor chamá-lo. "Sinto muito",
disse ela, "ele viajou para o interior, para organizar o trabalho de nossa
congregação, e o celular está fora de área. Posso ajudar?" Não, ela não
podia. Não se sai por aí contando as tragédias para quem não se
conhece muito bem, a gente precisa de pessoas íntimas, e o pastor,
apesar de ser meio distante, certamente lhe ouviria, e não gostaria que
sua esposa se aborrecesse com problemas de membros.
Então começou o seu martírio. Ele ia arrumando as coisas e
lembrando de alguém: "Sim, Francisco! O 'tio' Francisco aconselha
toda a juventude, ele vai me ajudar!" Ligou para o irmão Francisco. Do
outro lado da linha o irmão diz: "rapaz, você não está com sorte. Só
poderei conversar com você no domingo à noite, após o culto, estou
saindo de viagem. Vou orar por você no caminho, certo?" Ah, Paulo,
agora sentia-se só, sem um ombro para chorar!
Até tentou falar novamente com a "ex" noiva, mas ela insistia
para que ele não ligasse mais. Tentou falar com o diretor, mas esse
tinha ido embora, "tomar café" com o Maurício, apresentando-o para
os vendedores. E agora? "Irmã Joana, não, se eu contar pra ela todo
mundo fica sabendo. Irmã Glorinha ... não, ela ia dizer que não tenho
fé; irmão Calixto, Deus me livre! Jamais! Ele diria que eu tenho idade
para resolver os meus próprios problemas e que sou frouxo. Meu
Deus, eu não agüento! Estou sem opção! É mole?"
Paulo não achou uma pessoa disponível: "Sinto muito, Paulo,
estou saindo para a prova de Química"; "Paulo, ligue depois das onze,
é a hora que eu chego da faculdade"; "Paulo, dá pra ser breve, porque
estou no trânsito, compromisso inadiável"; "Paulo, agora estou
brincando com meus filhos"; "Paulo, depois do jogo, ok? É o coringão e
o Flu!"; "Paulo, estou orando, não posso confortar você"... "Meu
80
Deus..." Carregando duas caixas de papelão até o carro, Paulo desabou
em lágrimas.
Paulo era crente. Mas Paulo era humano também! Ele não estava
agüentando o peso das duas caixas, não as de papelão, mas do
papelão que fizeram com ele, terminando o noivado bruscamente e
demitindo-o do serviço sem a menor piedade. Paulo precisava de um
conforto, mas não encontrava.
Foi até a lanchonete da esquina, pateticamente chamada
"Consolo's Bar". "Pede uma cerveja, Paulo!" Foi o que pensou. Mas,
lembrando-se de que não bebia, pediu soda com limão e gelo.
Chorava, bebia o refrigerante, pensava em algo, desesperava-se.
Imaginava-se na igreja, a bênção do pastor, a assinatura no cartório
civil, a viagem de lua-de-mel, os beijos, a maciez dos cabelos de
Angélica, e agora os beijos que outro lhe roubava! Pensava em sua
mesa de trabalho, sua secretária, seu carro, e agora a fila de segurodesemprego, a humilhação de ter que começar tudo de novo!
"Não, eu não agüento mais isso! Deus, eu vou fazer uma
besteira! Chega! Ninguém está aí pra mim! Não tenho um amigo, um
irmão, um pastor que me acolha agora! Deus, não deixe que eu faça
uma besteira, mas eu vou fazer porque cheguei ao meu limite! Me
perdoe! " Eram 22 horas e Paulo estava próximo do Jaguaré, em São
Paulo. Ele lembrou-se da Ponte da Cidade Universitária, que liga a USP
à Praça Panamericana. Pensou no Rio Pinheiros. Pensou em jogar-se
dali. Simularia um roubo, jogar-se-ia no rio, e tudo acabaria em duas
ou três matérias de jornais, e pronto. "Não agüento mais! Deus, não
me deixe fazer besteira! E me perdoe, porque não suporto mais!" E
saiu correndo.
De fato ninguém estava disponível para o Paulo. Mas Deus
amava o Paulo, e, ainda que ninguém olhasse por ele, Deus o amava e
estava atento para sua dor.
Roberto, um velho amigo, de uma igreja próxima à dele, estava
preso no trabalho naquele momento. Ele tinha tentado sair às dezoito,
mas o carro estava com problemas e foi necessário chamar a
81
seguradora. "Em dez minutos estaremos aí", chegaram às 15 pras 10...
Problema simples, era só trocar o cabo do acelerador. Pronto. Roberto
só queria chegar em casa, tomar um banho, jantar com a esposa, beijar
os filhos e dormir! Roberto era um bom cristão. Pronto o carro,
Roberto foi atravessar a Ponte do Jaguaré (trabalhava nas imediações),
mas não se sabe por qual motivo (?) decidiu atravessar a ponte da
Cidade Universitária. "Dá na mesma",pensou ele.
Ao chegar à curva da ponte, Roberto viu uma cena horrível: um
rapaz de pé, em cima do carro, com a camisa rasgada, descalço, pronto
para pular o rio."O que é isso, meu Deus?" Acelerou e foi chegando ao
meio da ponte. Olhou bem para o carro e pensou: "Não é possível!
Será que é o Paulinho? Não, deve ser alguém muito parecido. Peraí: é
o Paulinho sim, o farol está quebrado no mesmo lugar!PAULINHO!!!"
Gritou pro rapaz e parou imediatamente o carro.
"Paulinho, meu garoto, o que você está fazendo? Pelo amor de
Deus, não se jogue!"
O Paulinho, rosto inchado, lágrimas nos olhos, cabelos
desgrenhados, sentou-se no teto do carro e chorou copiosamente por
um tempo. Roberto, ao ver o rapaz daquele jeito, orou ao Senhor,
dizendo:"Senhor, se os teus anjos me guiaram até aqui pela Tua
vontade, permita que eu o salve da morte! O que eu faço, Senhor?"
Paulinho chorava.
- "Pode chorar, Paulinho. Chore mesmo. Vou ficar aqui com
você." Paulo olhou para Roberto, olhos espantados, saiu do teto, já
um pouco amassado pelo seus pés, correu para os braços dele, e
começou a chorar tudo o que queria ter chorado nos braços de tanta
gente próxima a quem procurou, mas que não estavam disponíveis,
que não tinham tempo para ele. Aos poucos a ponte foi enchendo de
gente, e o guarda de trânsito chegou-se e perguntou: "Precisa de
ajuda, cidadão?" Roberto disse: "Sim, policial: afaste todos daqui
porque o meu amigo está precisando de mim, só de mim, não de
curiosos ou repórteres." O guarda entendeu e manteve o trânsito
numa só faixa. Paulo molhava o paletó de Roberto. Chorava como um
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menino. Chorava como uma criança. Abraçava como um filho ao pai,
uma filha à mãe, um desesperado ao salvador, um moribundo ao
médico, um carente ao benfeitor.
Roberto, depois de quarenta minutos, disse ao ouvido de Paulo:
"Vamos lá pra casa, meu filho. Lá você pode chorar mais tranqüilo. E
depois, se quiser, pode dormir, ou tomar chocolate quente. Eu vou
estar com você".
Cada um entrou em seu carro e foram embora da ponte. Paulo
só queria um ombro. Alguém que o acolhesse. Um colo de mãe e um
abraço de pai. Só isso. Mais nada. Não fossem os anjos de Deus e os
propósitos eternos do Altíssimo, Paulo estaria morto. Mas havia um
Roberto, um simples Roberto que não sabia porque o carro enguiçara,
um Roberto que mudara de trajeto de repente, um Roberto que não
parou para condenar, para criticar, mas para acolher, para abraçar,
para fazer silêncio, para ouvir o choro, para enxugar lágrimas, para
estar presente.
Quantos Paulos me lêem agora! Quantos já precisaram de
consolo e não encontraram! E quantos de nós deixaram para consolar
amanhã, ou quando fosse possível, e deixaram os Paulos escaparem de
seus ombros, talvez para sempre! Que justificativa terão diante de
Deus, quando o Senhor perguntar: "Aonde estavas?"
Lembremo-nos do que diz a Bíblia: "Consolai, consolai o meu
povo!" Somos agentes da consolação! Ainda que tenhamos que ser
como o Bom Samaritano, que consolou a alguém que nunca mais iria
ver, pagaria as despesas quando voltasse à hospedaria, valerá à pena
consolar. Consolando é que somos consolados. Mesmo sem retornos
materiais. Mesmo que nunca mais o vejamos.
Será que alguém da igreja se lembra do seu número de telefone
para desabafar? Será que lhe procuram para conversar? Será que a sua
companhia é um refrigério, um privilégio? Será que você é uma opção?
Abra o coração. Coloque-se ao dispor dos outros, embale a criança nos
braços, acolha o entristecido com um abraço, ganhe a confiança com
um olhar meigo e sincero, que não ameaça e nem condena, mas
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perdoa e compreende! Faça silêncio para que o outro possa desabafar,
atire lenços ao invés de pedras. Está na hora de consolar, consolar o
povo de Deus!
"Oh, Deus, assim como muitos de nós já precisaram de
consoladores e não encontraram, outros de nós conhecem bem de
perto os "robertos" do caminho. Ajuda-nos a sermos consoladores
presentes. E que um olhar nosso, um abraço nosso, um momento
gasto com o nosso irmão ou com o nosso próximo possa fazer um
grande milagre, o milagre do consolo! Em nome de Jesus. Amém".
Pr. Wagner Antonio de Araújo
020 - COMUNHÃO COM DEUS
Perguntei a um jovem: "como está a sua comunhão com Deus?"
Ele me respondeu, com ares de quem não sente a menor crise de
consciência: "Não posso dizer que vai bem, mas o básico eu faço: oro
antes de dormir e leio um versículo da bíblia, pelo menos". Pobre
garoto! Engana-se a si mesmo! Tal relação espiritual em muito se
assemelha aos casais de namorados, com relacionamento em estágio
terminal: não há o que conversar, não há o que comentar, só se pede,
nada se dá, e a culpa é sempre do outro. Para o menino, Deus ainda
deveria estar muito contente de haver um rapaz que lê um
"versiculozinho" ou que faz uma "oraçãozinha-merreca" antes do
ronco. É mais um jovem evangélico, a demonstrar, de forma grotesca e
rústica, a péssima qualidade espiritual da igreja do século XXI.
Quando não há comunhão, a grande questão é: "até onde será
que eu posso ir? Posso beber? Posso fumar? Posso ficar? Posso
transar? Quantas vezes eu posso pedir perdão pelo mesmo pecado? Se
ninguém ver, estará tudo bem? Será que não é apenas preconceito,
uso e costumes, questões culturais?" Aquele que vive um estado
espiritual meramente vegetativo, caça brechas, nas quais possa
enquadrar-se como alguém menos pecador do que realmente é. É a
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vontade de auto-justificar-se à todo custo. Seu cristianismo é pura
tradição.
Quando há comunhão, a questão é outra. Não se pergunta:
"posso fazer isso?", mas "devo fazer isso? Será que edifica? Será que é
construtivo? Isso beneficiará a mim e aos demais? Não será motivo de
escândalo? E se um irmão mais fraco me vir assim, estaria eu em paz
comigo mesmo e com Deus? O que quero está baseado no amor
altruísta?" No coração do legítimo comungante, a glória de Deus e a
edificação do próximo vêm em primeiro lugar. O gosto pessoal passa
por esses crivos. E as decisões são baseadas nisso, mediante a
revelação contida nas Escrituras Sagradas. É a chamada "lei da
liberdade em amor", mencionada por Tiago, em sua epístola.
Para Cristo, quem o ama guarda os seus mandamentos. E quem
não o ama, não guarda. É simples, não? Alguns considerariam
simplista, mas não é. Deus é um ser definido. Não há morno, mas
quente ou frio. Não há talvez, mas sim ou não. Não há purgatório, mas
céu ou inferno. Deus é tão claro e definido como o código binário, da
informática: ou é zero, ou é um. Não há dois ou mais. Ou se está
ligado, ou desligado. Ou se é salvo, ou se é perdido. Ou se ajunta, ou se
espalha. Ou se é à favor, ou se é contra. Ou se é fiel, ou se é infiel. Ou
se está certo, ou se está errado. Citando novamente os dizeres do
Senhor, ou se ama a Jesus, guardando os mandamentos, ou
simplesmente não se ama.
Você é do tipo que ama a Jesus? Ou nunca lhe passou pela
cabeça que o amor, desejado por Cristo, traduz-se em atitudes, não
meramente em palavras? É fácil demais nos escorarmos na justificação
pela fé, mediante a graça do Senhor. O difícil é entender e aceitar que
essa graça, motivada pela fé que ela nos outorga, produz
indubitavelmente um fruto, e esse fruto se chama obediência. Quem
não obedece, ainda não experimentou, de fato, do amor de Deus em
sua vida. O Apóstolo Paulo diz: "o amor de Cristo nos constrange" II
Coríntios 5.14. Se o amor de Cristo não estiver a constranger o nosso
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coração, então não houve salvação, nem justificação, nem
regeneração, e estamos perdidos.
E não se está falando aqui de perfeição. Nenhum de nós é
perfeito. Nem um de nós é isento de pecado. Todos tropeçamos e
caímos. Infelizmente nós ainda não alcançamos a perfeição, e nem a
alcançaremos enquanto na Terra. Mas falamos de comunhão: quanto
mais próximos do Senhor, mais tocados e transformados somos, e
menos coisas erradas e egoístas praticaremos. Em comunhão, subimos
os degraus da santificação constantemente, e buscamos não descê-los
de novo. Vamos nos esquecendo do que fica para trás, e vamos
prosseguindo, sempre melhorando, sempre vislumbrando um
comportamento mais correto, mais santo, mais justo, mais perfeito.
"Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando
mais e mais até ser dia perfeito." (Pv 4:18). "Irmãos, quanto a mim,
não julgo que haja alcançado a perfeição; mas uma coisa faço, e é que,
esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que
estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana
vocação de Deus em Cristo Jesus." (Fp 3:13-14)
Mas ainda pecamos, mesmo sendo crentes. Contudo, há uma
diferença básica: os que são regenerados pecam esporadicamente,
vitimados pelas armadilhas da carne, do mundo e de Satanás. E
arrependem-se amargamente, logo após a tragédia, seja ela grande ou
pequena. O Espírito Santo nos convence do pecado (João 16.8). Se
somos do Senhor, não teremos paz de espírito em meio ao erro. A
consciência nos acusará, a vergonha nos corará, a tristeza do Senhor
nos enquadrará. Mas é para o nosso bem, "Porque a tristeza segundo
Deus opera arrependimento para a salvação" (2Co 7:10). Seu propósito
é disciplinar, para que não pequemos mais. Deus diz, em Primeira
João: "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis;
e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o
justo." (1Jo 2:1). E, para fortalecimento maior da confiança que temos
no Senhor, encontramos também: "Porque sete vezes cairá o justo, e
se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal." (Pv 24:16); "Ainda que
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caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão." (Sl
37:24).
Mas os não-regenerados não se arrependem. Erram, zombam,
brincam de enganar a Deus manhã após manhã, e, não raras vezes,
tentam enganar a si mesmos com uma falsa comunhão, com uma
"oraçãozinha-merreca" e um "versiculozinho" por dia. Irmãos,
definamo-nos diante de Deus! Saiamos de cima do muro, e
escolhamos hoje a quem queremos seguir! "Arrependei-vos, pois, e
convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham
assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor," (At 3:19). A
vitória sobre o pecado só é possível quando nos rendemos ao Senhor,
e render-se significa recebê-lo como Senhor e Salvador, de verdade,
não só da boca para fora. Por que não fazê-lo agora, aqui mesmo,
neste momento?
Digamos, se for o nosso caso: "Senhor, perdoa-me, pois sou
escravo do pecado. Não consigo libertar-me e nem tenho vontade de
libertar-me. Ajuda-me, opera em meu coração, dá-me a fé e o
arrependimento necessários, e, com tua mão, segura bem a minha,
conduzindo-me à regeneração pela fé em Teu nome. Quero amar a
Jesus, e, em decorrência disso, guardar os seus mandamentos,
demonstrando todo o meu amor. Por favor, atende-me. Em nome de
Jesus, amém".
Deus nos abençoe!
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
Good News Partnership Missions no Brasil
021 - HONRANDO AS CÃS
Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião; e
temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR. (Lv 19:32)
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Quando eu era pequeno, pensava que “cãs” eram as fêmeas dos
“cães”. Foi quando descobri que cãs eram os cabelos brancos de um
idoso, sinônimo de pessoas muito experientes e bastante vividas.
Deus nos manda honrar os idosos. Nesse sentido, deveríamos
nos levantar para eles, deveríamos respeitar a face deles. E,
infelizmente, o mundo ocidental de hoje não faz isso. O mundo
oriental, já tão contaminado com nossos maus costumes, também tem
relegado ao segundo plano o respeito para com os mais velhos.
Parece que nossas igrejas começam a ignorar os idosos também.
Se não os ignoram, pelo menos os classificam como seres de segunda
classe, gente de menor importância, meramente um “grupo da
terceira idade”, ou da “melhor idade”. Estou para afirmar que esse não
é o desejo do ancião, nem de Deus.
Dizer ao velho que ele é velho e que deve se colocar no lugar de
velho, não traz benefício algum. Pelo contrário, demole sua autoestima e lhe tira qualquer perspectiva de relevância numa sociedade
de jovens. O idoso não precisa de ninguém a repetir-lhe o que as
juntas do seu corpo cansado falam o tempo todo. Ele não precisa ser
lembrado de que já está prestes a partir. Também não precisa ser
colocado no rol dos “que dão trabalho”, e que vão ocupar-se de coisas
de pouco valor (jogar dominó, dar milho aos pombos, dançar a valsa da
saudade).
O idoso é digno. O idoso é importante. O idoso é fundamental, e
precisa ser valorizado. O idoso tem características especiais, que não o
tornam menos importante que os demais.
Há muitos pastores que, em suas visitações quotidianas, visitam
apenas os idosos ricos, que poderão cobrir-lhes de recursos para seus
sonhos nem sempre exequíveis. Se o velho é pobre e sem dinheiro, só
receberá visitas quando estiver no leito de morte, ou quando a família
ameaçar deixar a igreja. Que vergonha! O idoso é uma bênção! Não é
um entulho! Não é um peso! Aliás, não raras vezes, pastores idosos
são tão desprezados quanto os idosos da igreja: não prestam para
administrar igrejas, não são convidados para pregar, não recebem o
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carinho e a mantença de suas ex-ovelhas, que têm agora um pastor
jovem. Que tristeza!
A igreja que valoriza os idosos honra a Deus. Há muito para eles
fazerem no Reino de Deus! Primeiramente, são bons ouvintes. Servem
como conselho consultivo. Depois, como confessores: como
precisamos de um ombro amigo para abrir o coração, e como os idosos
são compreensivos! Tive em meu ministério, uma Dna. Maria (Vila
Souza), uma Celina (Boas Novas Jd. Brasil), Alice (Bela Vista Osasco),
Isabel e Sinair (Boas Novas Osasco), sem contar a minha amada e
saudosa mamãe. Eu não seria o que sou, se essas mulheres não fossem
minhas confidentes. Quantos conselhos recebi! E eram todas idosas,
octogenárias!
Valorizar o idoso equivale a honrá-lo. Prestigiar sua presença,
visitá-lo, sentir sua falta, levar a igreja ao seu lar, telefonar-lhe, dar-lhe
presentes, dar-lhe tarefas possíveis e importantes, buscar sua
participação, torná-lo importante, útil e ativo. O idoso rejuvenescerá.
Ele reencontrará motivos para continuar vivendo. E a igreja provará
que todos são importantes na família divina.
Honremos os nossos idosos!
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
022 - DESAFIO PARA OS CRENTES
"Tudo quando fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o
Senhor, e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a
recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo, pois
aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não
há acepção de pessoas" (Colossenses 3.22-25)
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Estamos chegando num momento crucial da existência da Igreja
do Senhor, uma época de semeaduras e colheitas. Esperamos uma
grande colheita, pois, como diz a Palavra de Deus, "Aquele que semeia
pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com
abundância também ceifará" (II Coríntios 9.6)
O campo é o mundo, prezados irmãos. Há muito povo neste
Brasil precisando de Cristo e de Sua salvação. São pobres, ricos,
ignorantes, eruditos, sãos, doentes, homens, mulheres, crianças,
velhos, religiosos, ateus, todo tipo de gente, cuja alma é eterna e que
foram amadas por Deus, valendo mais do que o mundo inteiro!
"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu filho
unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a
vida eterna"(João 3.16).
Sei que Satanás, o adversário, tudo faz para prejudicar a obra de
Deus. Ele é o usurpador, o inimigo. Ele odeia a Cristo e também aos
seguidores de Cristo. Estamos invadindo o território do adversário. Ele
luta contra Deus, contra a marcha do evangelho. No entanto, Cristo
prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a igreja.
"Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela" (Mateus 16.18)
Que tipo de crentes Deus espera que sejamos, para que opere
com Sua graça eficazmente, deixando Satanás sem a mínima vantagem
em nenhuma ocasião?
1) CRENTES AUTÊNTICOS - Em nossa época vivemos uma triste
realidade: tudo é imitável. Há produtos falsificados, aparelhos
falsificados, verdadeiras réplicas. No entanto, um crente autêntico
jamais poderá ser copiado, pois há um diferencial inconfundível. Não
são as roupas, não são as palavras bonitas, não são os versículos
decorados ou os hinos apresentados. Um crente verdadeiro possui o
FRUTO DO ESPÍRITO: "Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio
próprio" (Gálatas 5.22,23). Você possui o Fruto do Espírito?
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2) MENSAGEIROS DAS BOAS-NOVAS - Temos uma mensagem a
propagar a todas as pessoas: Só Jesus Cristo salva! Este é o nosso lema,
o nosso "slogan", a nossa marca registrada. Jesus ordenou: "Ide,
portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome
do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as
coisas que vos tenho ordenado." (Mateus 28.19). Devemos usar todos
os recursos possíveis: folhetos, cultos ao ar livre, conferências,
programas de rádio, visitas, cursos nos lares, telefonemas, cartas, etc.
Nossa missão é divulgar a salvação em Jesus
Cristo, e tudo investimos para este fim.
3) VIDA CRISTÃ DEDICADA - Precisamos de uma qualidade de
vida que agrade a Deus e desperte os homens para Deus. A Bíblia diz:
"Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o
Senhor" (Hebreus 12.14). Os simples ouvintes da Palavra não têm
nenhuma vantagem diante de Deus. Somente os praticantes
experimentam a vitória: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e
não meramente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se
alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem
que contempla num espelho o seu rosto natural; pois a si mesmo se
contempla e se retira, e para logo se esquece de como era a sua
aparência. Mas aquele que considera atentamente na lei perfeita, lei
da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas
operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar" (Tiago
1.22-25)
4) IRMÃOS AMADOS - Fomos feitos uma família. Na Casa do
Senhor não há Araújo, Lima, Pacheco, Rodrigues, Fatel, Curcino ou
Ferreira. Somos todos DO SENHOR. José do Senhor, Wagner do
Senhor, Maria do Senhor. Temos todos um mesmo Pai, Deus. Temos
todos um mesmo Senhor, Jesus. Temos todos um Espírito, o Espírito
Santo. Não há lugar para contendas. Todos num respeito mútuo, com
tarefas claras, sem ira nem amargura, sem desejo de domínio, sem
fraqueza ou relaxo, sem insubordinações ou anarquismos.
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5) CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO - Ser cheio do Espírito Santo deve
ser uma realidade em nossas vidas. Preenchidas as condições, o
Espírito Santo enche as nossas vidas. Vida reta e íntegra, leitura bíblica
e momentos de oração constantes, nenhuma raiz de amargura, buscar
o Reino de Deus em primeiro lugar, amar o próximo como a si mesmo,
oferecer a Deus o corpo como sacrifício vivo, prestando ao Senhor um
culto racional, são todas atitudes que, juntas, nos dão plena condição
de sermos cheios do Espírito. "logo, já não sou eu quem vive, mas
Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé
no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por
mim."(Gálatas 2.20). "E não vos embriagueis com vinho, no qual há
dissolução, mas enchei-vos do Espírito" (Efésios 5.18)
Diante destas realidades, pois, conclamo aos queridos leitores
que, no poder do Espírito Santo, vivamos para a glória de Deus,
fazendo valer Sua Palavra, a saber, que somos mais que vencedores
por meio daquele que nos amou (Conforme Romanos 8.37)
Pr. Wagner Antonio de Araújo
023 - CONSTRANGEDOR...
- Irmã, por favor, me ajude, porque ainda não consegui localizar
a igreja!
- Mas, pastor, o senhor está bem pertinho! Olha, siga duas ruas à
frente após o semáforo e desça à esquerda. No quarto cruzamento vire
à esquerda e vá para o número 252.
- Ah, meu Deus, direita, esquerda, semáforo, irmã, eu vou me
atrasar um pouquinho!
O pastor estava procurando a igreja Batista da Vila Colônia. Mas
a cidade é grande e era a sua primeira vez naquela região. Levou
consigo o guia de ruas, mas, por via das dúvidas, deixou o celular
ligado. Tentou orientar-se com a secretária da igreja, que era a esposa
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do pastor local. Mas ele estava tão aflito, que não conseguia nem
achar o semáforo.
- Segunda, terceira, ah, droga, cadê esse semáforo? Eu vou
chegar atrasado! Meu Deus, me ajude!
- Calma, pastor, o senhor vai conseguir já, já! - disse a secretária,
do outro lado da linha.
Subitamente o pastor cruzou a terceira travessa, enquanto falava
com a moça. Foi quando tentou cruzar a terceira travessa. Não
percebeu que havia um semáforo bem no cruzamento, e o sinal era
vermelho. Ele passou. Na rua que cruzava um outro veículo vinha
devagar, obedecendo ao sinal verde. Ao perceber o descuido do
pastor, acabou brecando violentamente e conseguiu evitar uma
tragédia. Bem, evitou a batida, mas a tragédia... Ele esqueceu de
desligar o celular. A irmã o chamava:
- Pastor, pastor, o que aconteceu?!
O outro motorista, que fora cortado, sem saber que o pastor
estava perdido, começou a gritar:
- Seu imbecil, não viu que o sinal estava vermelho pra você?
- Imbecil é a sua mãe, seu palhaço! Eu cruzo no vermelho
quantas vezes quiser e ninguém tem nada com isso! Vai encarar?
- Olha, não me ameace não, porque você não sabe com quem
está mexendo...
- Ah, judiação do nenê! Tô morrendo de medo! Vem, vem me
pegar, seu sem-vergonha! Vem se você for homem!
A secretária, atônita, pensou:
- Meu Jesus, e agora? Ele vai apanhar na rua! E o meu marido
que não chega...
O motorista do outro carro parou e desceu. Tinha um pedaço de
pau dentro do carro, que ele tirou com ares de superioridade. O
pastor, por sua vez, sangue quente, enfiou a mão por debaixo do
banco e tirou o extintor de incêndios.
- Ele quer briga? Pois vai ter! - pensou.
93
Ambos estavam na rua. O celular do pastor estava pendurado na
cinta. E a secretária já estava rouca de tanto gritar, inutilmente.
- Olha aqui, seu barbeiro - falou o outro motorista - É melhor ir
andando, se você tiver amor pelos seus filhos. Você está errado e vai
apanhar aqui e agora. Assim, saia enquanto é tempo!
- Seu cafajeste, pensa que a rua é só sua? Só você sabe guiar?
Vem, vem aqui com o papai, que eu te dou um banho de espuma!
A secretária já estava roxa de tanto gritar e agora ficava pálida:
eles iam brigar!
Mas, subitamente, o outro motorista disse:
- Quer saber de uma coisa? Você é insignificante demais pra
mim. Não vou estragar meu pedaço de pau numa cabeça tão oca
quanto a sua. Dá o fora, imbecil!
- ahahahah, amarelou, né, palhaço? Pois eu é que não vou gastar
o meu extintor num cara que não honra as calças. Vá pro inferno e não
cruze mais comigo!
- Vá pro inferno você, babaca!
Os dois entraram nos seus carros e saíram cantando pneus,
quase batendo novamente. Mas foram embora. O pastor parou o carro
e começou a xingar:
- Cara fdp, v, c, &*()( #[email protected]%^^^& (palavras intraduzíveis,
caríssimo leitor. Qualquer dúvida, pergunte para a secretária, que
estava na linha, ouvindo tudo).
Então, lembrando-se das conferências da noite, cujo tema era
MANSOS COMO CRISTO, parou um pouco, tentou lembrar-se do
endereço e tentou ligar pra secretária. Sem aperceber-se que havia
linha no aparelho, apertou os botões e disse:
- Alô? Já atendeu, irmã? Que rapidez!
Ela, escandalizada, envergonhada, decepcionada, sem ter o que
dizer, falou:
- Desce a segunda à direita e vira à esquerda. Número 252.
E rapidamente o pastor chegou à igreja. Estacionou, escolheu o
seu melhor sorriso, disse consigo mesmo que aquelas coisas
94
acontecem e são passageiras, desceu do carro e, em lugar do extintor,
tomou a bíblia e o hinário.
As pessoas, ansiosas por cumprimentarem-no, aproximaram-se.
Ele, cortez e cavalheiro, a todos atendeu com carinho. O pastor da
igreja, que chegara atrasado, estava ocupado na sala de reuniões e iria
entrar no decorrer do culto, para apresentar o pregador.
O culto começou. Orações, leituras responsivas, corinhos da
equipe de louvores, números especiais, um culto e tanto! O pastorvisitante estava feliz.
Então, antes de passarem a palavra para ele, chamaram o pastor
da igreja, para que ele fizesse a apresentação. O pastor da igreja não o
conhecia pessoalmente, só por fama de bom pregador.
Foi quando o pastor entrou, pela porta dos fundos, ao lado da
esposa, a secretária da igreja. O pastor visitante estava de costas,
falando com um corista.
O pastor da igreja olhou para o auditório, olhou para o pastor e
ficou mudo. O povo imaginava que ele estivesse escolhendo as
palavras para apresentá-lo de forma polida e diplomática. Afinal, ele
gostava de honrar os visitantes. Mas o silêncio estava custando a
passar, e começava a ser constrangedor. Algumas bagas de suor
escorriam pela testa do pastor. O pastor visitante, de repente, sentado
onde estava, envermelhou-se e abaixou a cabeça, no maior silêncio
também.
Agora a igreja estava preocupada.
Os adolescentes diziam:
-"Aí, meu, da hora esse suspense! Acho que pintou sujeira, saca
só!"
Um garotinho de dois anos olhou pra mãe e perguntou:
- "Mamãe, o pastor usa flaldas também? Ele tá fazendo a mesma
cala que eu faço quando tô fazeno cocô". E a mãe: "Cala a boca,
menino!"
Um seminarista cutucou a namorada, com ares irônicos, e falou:
95
- Tá vendo, bem? Até ele esquece o esboço de vez em quando.
Não sei porque só falam de mim".
Silêncio na igreja. Um olhava para o rosto do outro, sem saber o
que fazer. O coral fazia gestos ao regente, que os mandava aguardar.
Eram duzentas pessoas suando, sem saber nem porquê.
E o pastor, no púlpito, começou a chorar. A igreja pensou que ele
tivesse recebido uma notícia ruim. Mas, estranhamente, o pastor
visitante também, e de soluçar!
Um universitário, novo convertido, exclamou:
- Poxa, cara, surrealismo pós-moderno! Divino!
O choro dos dois, cada um no lugar onde estavam, era tão
comovente, que muitos começaram a chorar também, sem terem a
mínima idéia do porquê. Um crente pentecostal, que estava alí,
arriscou a dizer para os seus colegas de banco:
- Aleluia, irmãos, acho que ele recebeu o batismo! Eu sabia! Um
dia ia acontecer! Aleluia!
O pastor visitante levantou-se e desceu da plataforma, chorando.
Realmente comovente. Estava indo embora pelo corredor lateral,
quando o pastor da igreja disse, ao microfone:
- ESPERE!!!
- Pra quê?
- Porque somos crentes!
Então o pastor visitante estacou, virado de costas. O pastor da
igreja começou:
- Irmãos, há cerca de uma hora eu e ele quase saímos no tapa no
cruzamento da rua de cima, por causa de uma briga de trânsito. Ele iria
me dar um banho de extintor de incêndios, e eu iria surrá-lo com um
pedaço de pau que guardo no carro. Amados, quando é que eu iria
imaginar que esse era o homem que eu havia convidado para pregar
aqui na igreja hoje?
E o pastor visitante, do corredor, exclamou:
- E como eu iria saber que o senhor era o pastor da igreja que eu
estava procurando?
96
Voltaram a chorar. Agora a igreja chorava de gosto, porque sabia
a razão.
Um velho diácono, experiente, sincero, leal e consagrado, tomou
a palavra e disse:
- Igreja, que sermão melhor poderíamos ouvir sobre ser MANSO
COMO CRISTO? Esses pastores, humanos, pecadores, falhos,
mostraram para nós tudo quanto não devemos fazer, e certamente
muitos de nós fazemos até pior! Nós só não temos coragem de dizer!
Mas, se eles pecaram, Jesus é fiel e justo para perdoá-los e purificá-los!
E essa é a maior lição! Pastores, vocês são crentes! Lembrem-se do
que diz a Bíblia: "irai-vos e não pequeis, não se ponha o sol sobre a
vossa ira" (Rm 12.19). Vocês acham que Jesus faria o que vocês
fizeram? Ele era manso! Sejam mansos também! E agora façam o favor
de se reconciliarem e glorificarem ao Senhor! Vamos, pastores, o que
estão esperando?
Envergonhados, pálidos, assustados, os pastores saíram de seus
lugares e, nas escadas da plataforma, abraçaram-se, pedindo perdão
um para o outro, em lágrimas comoventes, que marcaram a vida
daquela igreja. Naquele dia o sermão não foi pregado com palavras,
mas proclamado com atitudes. Não pelo pecado que cometeram, mas
porque aprenderam que pecar custa muito caro. E Deus usou o velho
diácono como nunca havia usado. Seja Deus engrandecido.
Faz 4 anos que isso aconteceu. E há 4 anos essa igreja não tem
mais problemas de ressentimentos ou mágoas, porque, assim que
surgem os problemas, são tratados com responsabilidade. Afinal,
ninguém quer passar o vexame que os pastores passaram.
POIS SENDO RESGATADOS POR UM SÓ SALVADOR
DEVEMOS SER UNIDOS POR UM MAIS FORTE AMOR
OLHAR COM SIMPATIA OS ERROS DE UM IRMÃO
E TODOS AJUDÁ-LO COM BRANDA COMPAIXÃO
SE TUA IGREJA TODA ANDAR EM SANTA UNIÃO
97
ENTÃO SERÁ BENDITO O NOME DE "CRISTÃO"
ASSIM O QUE PEDISTE EM NÓS SE CUMPRIRÁ
E TODO O MUNDO INTEIRO A TI CONHECERÁ
(hino 381 do Cantor Cristão, AMOR FRATERNAL, segunda e
quarta estrofes
Pr. Wagner Antonio de Araújo
[email protected]
20/04/2002
025 - CAMINHANDO NO PASSADO...
Sim. Esse é o melhor título para minha última crônica de
dezembro.
Após fechar a conexão, percebi que o sono custava-me a chegar.
Resolvi caminhar. Eram 5 horas da manhã, a energia física em
pleno vigor, e o desejo de fazer algo concebido há muito: caminhar.
Foi o que fiz. Coloquei meu velho tenis, usado em minha primeira
viagem a América, Tenis que me serviu quando eu era bem mais
magro. Foi esse o tenis que chamei por cúmplice da minha loucura
boêmia.
Saí portão afora. Que luar lindo! Lua cheia em plena aurora!
Silêncio na rua, como soi acontecer nas ruas do interior paulista. Uma
São Paulo adormecida, prestes a despertar para mais um dia de
trabalho. Tão bonita quanto esta, que brilha lá fora hoje à noite, noite
de 31 de dezembro de 2001...
Eram 5 da manhã e calculei o meu destino: iria fazer o caminho
que por tantos dias, meses e anos fiz, em minha adolescência: o
caminho para o BCN, onde eu trabalhava. "Ah, que saudades eu tenho
da aurora da minha vida". Alí, naquelas ruas, estava eu novamente. Eu
descia ao banco e subia 4 vezes ao dia e não ficava cansado! Daqui até
98
lá são 12 quarteirões cheios de subidas e descidas, cheios de travessas
e obstáculos. Decidi voltar ao meu tempo de office boy.
Que impressionante! Como as ruas se transformaram! As casas,
dantes habitadas por gente que eu conhecia de "bom-dia, boa-tarde",
agora com novas fachadas, novos carros, outras simplesmente deram
lugar a enormes arranha-céus. Que vazio no meu peito, senti-me como
um peixe fora d'água, pois o local era o mesmo, mas o tempo levou
embora as coisas que me eram caras.
Cheguei ao BCN. Que tristeza! Uma faixa enorme dizia: "futuras
instalações da faculdade SENAC". Aquele prédio, duplo, 7 andares, 486
funcionários, a quem eu conhecia nome por nome, a quem presenteei
bíblias talvez para mais da metade deles, aquele prédio que conheço
profundamente, conheço suas portas, suas salas, seus banheiros, suas
escadas, seus elevadores, aquele prédio que ficava aceso dia e noite,
agora estava todo apagado, empoeirado, como que a mostrar para um
saudosista os fantasmas de anos e dias que nunca mais voltarão! Olhei
para a porta e foi como se eu visse o guarda Lourival, o guarda Mello,
os carros do despacho de agências, aquele entra e sai constante!
Sombras de um passado antigo!
Decidi continuar o caminho para o bairro da Lapa. Caminhadas
que fazia sempre, rumo a minha velha escola. Comecei a suar. Minha
gordura impedia que eu me deslocasse como o jovem garotão de 16
anos de outrora. Casas modernas, novos comércios, a banca de jornal
do seu Manoel, que já deve ter falecido há muito, novos tempos. E eu,
o velho jovem, a reviver memórias de minha adolescência! Efemérides
que nunca sonhei ter um dia!
Subi até a minha escola, onde aprendi a viver. Lá no Thomaz
Galhardo eu comecei a estudar à noite. Lá eu comecei a ser homem,
responsável. Lá eu namorei, lá eu vivi o meu tempo de convertido
novo, lá eu criei meu primeiro ministério evangelístico, "Ministério
Shalom", onde tínhamos cultos todos os dias na hora do recreio, com
mais de 40 participantes. Lá que evangelizei meus colegas, colegas
99
hoje casados, pais de família, cada um seguindo seu próprio rumo, seu
próprio destino.
Mas, que surpresa! Nem o colégio era mais o mesmo! Nosso
péssimo governo, verdadeiro rolo compressor de tudo que ainda
prestava neste Estado, mudou a Escola Estadual de 1o. e 2o. Graus
para Escola Estadual de Ensino Fundamental - ah, meu Deus, o grande
Thomaz Galhardo, que formou gerações de trabalhadores e
pensadores por tantos anos, que nos dava o preparo até o 3o. colegial,
escola disputada na época, agora tornando-se apenas escola de
primeiro grau, mormente com classes infantis! Nada contra o ensino
de crianças, mas o Thomaz tinha o período da manhã para primário, o
da tarde para ginásio e o da noite para colegial - uma autêntica
sinfonia, com começo, meio e fim. Hoje, uma simples escolinha de
bairro.
E eu olhei para o meu passado pelas paredes pixadas do meu
colégio - foi como se escutasse os meus antigos professores a ensinarme, a turma do fundão a bagunçar, os carros que vinham encontrar as
namoradas à porta no final das aulas. Efemérides!!!
Retornei para casa. Descobri que há dois caminhos na vida: um é
aquele em que se cultua o ontem, como único tempo de felicidade,
mesmo que na época não tenha sido tão valorizado. E o hoje, que
encara a realidade e procura tentar fazer das experiências atuais
memoráveis para os dias futuros. Não temos escolha. Temos que
continuar caminhando, ainda que deixemos para trás grandes
recordações. Certamente que, ao longo do caminho, encontraremos
experiências e pessoas tão boas e marcantes quanto as que tivemos
nos tempos de outrora! Às vezes precisamos disso, desse reencontro
conosco mesmos, com as ruas por onde caminhamos no
antigamente...
Ah, se a lua cheia continuasse a brilhar como brilhava! Mas veio
o sol e clareou o dia, sol que amanhã cedo brilhará sobre o Brasil...
"Senhor, obrigado por me deixar caminhar pelo meu passado por
um pouco, relembrando quantas coisas o Senhor fez em mim, por mim
100
e através de mim, relembrando dos amigos que deixei, dos professores
que ajudaram na minha formação, do serviço que fez de mim um
homem responsável e honesto, das oportunidades de evangelismo que
tive.
Pr. Wagner Antonio de Araújo
026 - O ABECEDÁRIO DE DEUS
Quanta saudade nos traz a lembrança da primeira escola onde
fomos alfabetizados! Tempo de descobertas, tempo de surpresas,
tempo de desafios! Alguns estudaram na escolinha da roça, onde
aprenderam a tabuada e o á-bê-cê. Outros, de origem urbana,
recordam-se com doçura do pré-primário. Mas cada um de nós tem
uma história para contar sobre aqueles primeiros anos!
O abecedário mais popular em todo o Brasil durante muitos anos
foi “Caminho Suave”, ainda publicado e utilizado por alguns
professores. Eu, entretanto, aprendi a ler e a escrever com a cartilha
“Convite à Leitura”. Mas todas as cartilhas propiciavam ao infante a
mesma oportunidade: familiarizá-lo com as letras, as sílabas, os
formatos de escrita e de imprensa e, finalmente, com a leitura de
todos os textos em português.
Comumente, antes da era da pedagogia construtivista, nossos
mestres nos ensinavam a formar sílabas: bê-á-bá; cê-á-cá, de-á-dá, etc.
E as primeiras letras que aprendíamos eram A-B-C-D. O nosso alfabeto
inicia-se com essas letras. E ABCD é sinônimo de alfabeto.
Hoje, contudo, aprenderemos um outro alfabeto, não mais pelo
abecedário dos homens, mas pelo abecedário de Deus. No nosso
alfabeto as primeiras letras são ABCD. No divino, as letras principais
são OBDC.
Qual o significado de O-BÊ-DÊ-CÊ ? Sem dúvida, trata-se de uma
ilustração, que vem em boa hora para ajudar-nos a nos comunicar de
forma satisfatória com o nosso Criador. A linguagem através da qual
101
nos comunicamos com Deus é a linguagem da OBEDIÊNCIA, da
submissão, da entrega voluntária da nossa vontade e da aceitação da
vontade de Deus para as nossas vidas. Obediência é a linguagem que
toca o coração de Deus.
Vejamos então: o que nos lembram cada uma das letras que
formam esse acróstico?
1) O, DE “ORDEM”
Obediência não é uma opção para os Filhos de Deus, tanto
quanto obediência não é uma opção para os nossos filhos. Obedecer é
uma ORDEM. Trata-se de uma condição indispensável no
relacionamento pais-e-filhos, algo obrigatório e indispensável.
Certamente pela falta da obediência é que estamos vivendo numa
sociedade completamente confusa, violenta, imoral e desumana.
Samuel, quando repreendia Saul por este ter feito sacrifícios sem
a presença dele, o que era indispensável para aquele momento,
afirmou peremptoriamente: “Samuel, porém, disse: Tem, porventura,
o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se
obedeça à voz do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o
sacrificar, e o atender, do que a gordura de carneiros” (I Samuel
22.15). Deus considera a obediência à Sua Palavra melhor do que
sacrifícios, e atender aos Seus mandamentos melhor do que ofertas.
Vejam a importância de se obedecer ao Senhor!
Jesus, o nosso único e Todo-Suficiente Salvador, condicionou o
nosso amor a Ele pela obediência que lhe prestássemos, na
observância de Seus mandamentos. Disse-nos Ele: “Vós sois meus
amigos, se fizerdes o que eu vos mando.” (João 15.14) E
complementou: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.”
(idem, 14.15).
O saudoso Pastor Dr. Rubens Lopes, brilhante príncipe dos
púlpitos batistas nas décadas de 40 a 70, pastor da Igreja Batista de
102
Vila Mariana, SP, criou uma frase inesquecível: “Não se pode amar sem
obedecer, tanto quanto não se pode obedecer sem amar”. Grande
verdade! A verdadeira obediência não se impõe; se conquista ! E, para
o relacionamento dos homens com o Criador, a obediência é aspecto
indispensável, sem a qual não há comunhão.
2) B, de “BÊNÇÃO”
Ao cristão cabe a obediência, não como penalidade, mas como
privilégio. Foi assim que Jesus Cristo, o Unigênito do Pai, encarou a
necessidade exemplar de ser-Lhe submisso: “Disse-lhes Jesus: A minha
comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua
obra.” (João 4.34). Obedecer era uma bênção para Jesus, pois lhe
satisfazia a alma agradar ao Pai em todos os aspectos e sentidos! “E
aquele que me enviou está comigo; não me tem deixado só; porque
faço sempre o que é do seu agrado.” (João 8.29)
Quando obedecemos ao Senhor e cumprimos os Seus
mandamentos recebemos bênçãos decorrentes de tal obediência,
bênçãos condicionadas à nossa submissão. É um erro pensarmos que,
junto com a salvação, que nos é garantida pela fé, obteremos também
o galardão, que é fruto de nossa obediência e dedicação. Quem é salvo
tem prazer em obedecer. Quem está perdido não tem em si o espírito
de submissão. Por isso é indispensável que, na avaliação de nossa vida
cristã, nos questionemos sobre nossa obediência a Deus.
“E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás por
cima, e não por baixo; se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu
Deus, que eu hoje te ordeno, para os guardar e cumprir. “
(Deuteronômio 28.13) Uma bênção aos hebreus, caso fossem fiéis a
Deus, que os criou e constituiu, coisa à qual não se ativeram. Assim, “E
entraram na terra, e a possuíram; mas não obedeceram à tua voz, nem
andaram na tua lei; de tudo o que lhes mandaste fazer, eles não
fizeram nada; pelo que ordenaste lhes sucedesse todo este mal.”
(Jeremias 32.23)
103
Que bênçãos estariam reservadas para nós, se diligentemente
obedecêssemos ao Senhor? Várias, dentre as quais citamos:
A bênção do pão de cada dia: “Meu Deus suprirá todas as vossas
necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus.”
(Filipenses 4.19) “Ora, Deus é poderoso para fazer tudo muito mais
abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o
poder que em nós opera.” (Efésios 3.20)
A bênção da oração respondida: “Muito pode a oração de um
justo em seus efeitos” (Tiago 5.16)
A bênção da proteção contra Satanás: “Sujeitai-vos, pois, a Deus;
mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4.7)
A bênção de ganhar almas para Cristo e obter galardões: “O fruto
do justo é árvore de vida; e o que ganha almas sábio é.”(Provérbios
11.30); “E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a
imarcescível coroa da glória.” (I Pedro 5.4)
Se nós gastássemos um pouco do tempo que perdemos em
coisas de nenhum valor, numa pesquisa sincera, piedosa e profunda
sobre quais são as bênçãos decorrentes da obediência, ficaríamos
impressionados com a infinidade de promessas que encontraríamos.
Queira o Espírito Santo que as que acabamos de citar despertem o
interesse de todos na obediência ao Senhor. É correto esperar pelas
bênçãos do Senhor, como fez Moisés, que, “tendo em vista a
recompensa”, desprezou sua posição política no Egito, preferindo o
vitupério de Cristo! (cf. Hebreus 11.26)
3) D, de “DECISÃO”
O saudoso Reverendo Josué Alves de Oliveira, pastor da Igreja
Congregacional de Santos, SP, em seu opúsculo “A Excelência do
Ministério”, explica-nos com maestria a diferença entre ser um escravo
de homens e sermos escravos de Deus: “O escravo dos homens não
tem vontade própria, nem liberdade de ação. Sua vontade é a do seu
senhor, imposta por violência e prepotência. Não é o caso de Paulo e
104
dos ministros em geral, que servem por amor e plena submissão ao
Senhor Jesus. São escravos voluntários porque ouvem o chamado e,
em prova de gratidão pela maravilha da salvação, querem servir. É
uma decisão voluntária e pessoal. “ ( pág. 78, capítulo III). Conquanto o
Rev. Josué estivesse expondo a questão quanto aos ministros do
Senhor, a explicação é válida para todo e qualquer servo de Deus, que
se dispõe voluntariamente a obedecê-lo: tem que ser uma decisão
pessoal, e, se imposta, que o seja pela consciência, e nunca pela força.
Disse Josué ao rebelde povo hebreu: “Mas, se vos parece mal o
servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos
deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos
deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa
serviremos ao Senhor.” (Josué 24.15). A própria nomeação de Israel
como “povo de Deus”, “nação sacerdotal” não foi um ato de imposição
divina, mas baseado em um compromisso do povo para com o
Senhor:“Também tomou o livro do pacto e o leu perante o povo; e o
povo disse: Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e
obedeceremos.” (Êxodo 24.7). Logo, se foram vítima dos caldeus e de
tantos outros, houve uma origem de quebra do compromisso
voluntário que fizeram.
Ser de Cristo é um ato miraculoso, que acontece no cerne da
alma humana. O Espírito Santo trabalha em nossos corações, enquanto
ainda somos perdidos e pecadores, e convence-nos do pecado da
justiça e do juízo. A seguir, de uma forma ou de outra, somos levados à
conversão, seja através de um apelo evangelístico, seja por um estudo
bíblico, um programa televisivo ou a leitura de um folheto. Então,
naquele dia, decidimos seguir ao Senhor. Somos admitidos como filhos
amados, como soldados do Reino, como cidadãos dos céus. Assim
como recebemos a Cristo como Salvador, também o admitimos como
único senhor. E senhor significa dono, proprietário, autoridade. Nós
voluntariamente decidimos obedecer-lhe.
Trata-se de algo
voluntariamente aceito, e que deve ser assumido ao longo da vida.
105
Ao ter Jesus nós decidimos obedecer ao Senhor: “Se alguém me
quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu
servo; se alguém me servir, o Pai o honrará.” (João 12.26). Nunca Jesus
obrigou quem quer que fosse a seguí-Lo. Suas expressões são sempre
persuasivas, nunca intimidatórias: “Então disse Jesus aos seus
discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a
sua cruz, e siga-me;” (Mateus 16.24); “...se é que queres entrar na
vida, guarda os mandamentos.” (Mateus 19.17b); “Perguntou ao cego:
Que queres que te faça? Respondeu-lhe o cego: Mestre, que eu veja.”
(Marcos 10.51); “Vinde a mim” (Mt 11.28a); etc. Se aceitarmos o seu
convite, teremos vida; do contrário, arcaremos com as conseqüências:
“Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao
Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.”(João
3.36)
Quando eu me converti ao Senhor sabia que estaria mudando de
vida, ainda que não soubesse como faria. Deus a mudou por mim.
Assim acontece com quem ama ao Senhor: é transformado pelo Seu
poder. Mas tudo vem de um compromisso que com Ele assumimos,
qual seja, o de obedecer-lhe: “O céu e a terra tomo hoje por
testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a
bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua
descendência.” (Deuteronômio 30.19)
4) C, de “COMPROMISSO”
Em nosso acróstico do abecedário divino, “c” é a última letra. Ela
nos alude ao compromisso que temos com o Senhor, algo que nos faz
perseverar até a morte, até o fim. O que mais vemos nos dias atuais
são pessoas que traem a confiança de outrem, seja de um cônjuge,
seja de um governador, seja de um povo. As pessoas estão se tornando
volúveis, ou, como querem os entendidos das bolsas de valores,
“voláteis”. Ninguém pode confiar mais em ninguém, pois, se confiar,
estará sujeito a tristes decepções ao longo da vida. Certamente que a
106
confiança excessiva é pecado diante de Deus, que amaldiçoou homens
que confiavam em homens (cf. Jeremias 17.5). Contudo, Jesus Cristo
ensinou-nos a lealdade, ao afirmar que o nosso falar deveria ser “sim,
sim; não, não”, e o que disso passasse seria considerado de
procedência maligna (cf Mt 5.37). Hoje, porém, as pessoas têm
considerado algo normal um “amadurecimento de opinião, mudança
de sentimentos, alteração de rumos”, em coisas com as quais se
comprometeram em nome da honra! Dizem os mais velhos que “o fio
do bigode” selava um negócio, querendo com isso indicar
compromisso oral pura e simplesmente. Hoje, em dias “voláteis”, nem
que se amarre a pessoa a uma pedra não se consegue ter segurança de
sua integridade e cumprimento da palavra! Aliás, pessoas inconversas,
pois as cristãs são cumpridoras de seus deveres e decisões. Os que
assim não são correm o risco de serem falsos crentes, pois não
possuem o compromisso básico no Senhor, qual seja, o de serem
verdadeiros.
Tornamo-nos obedientes ao Senhor voluntariamente e
assumimos um compromisso eterno. Não voltamos atrás. Por isso
cremos que os salvos jamais se perdem, pois perseveram até o fim: “E
sereis odiados de todos por causa do meu nome, mas aquele que
perseverar até o fim, esse será salvo.” (Mateus 10.22). Jesus foi
peremptório ao rapaz que se ofereceu como seguidor do Senhor, mas
que desejava despedir-se dos de casa: “...Ninguém que lança mão do
arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.” (Lucas 9.61).
Muitas vezes as provações são grandes, terríveis, sufocantes.
Mas o Senhor nos ajuda, nos acompanha, nos assiste. Contudo,
perserverar será nossa tarefa, e não dEle. Se voltarmos atrás, será por
nossa escolha e risco. “Bem-aventurado o homem que suporta a
provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o
Senhor prometeu aos que o amam.” (Tiago 1.12). “Sê fiel até a morte,
e dar-te-ei a coroa da vida.” (Apocalipse 2.10b) ; “Não vos sobreveio
nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará
que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação
107
dará também o meio de saída, para que a possais suportar.” (I
Coríntios 10.13). É bem verdade que o apóstolo Paulo certa feita
afirmou o contrário, dizendo: “Porque não queremos, irmãos, que
ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos
sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até
da vida desesperamos” (II Coríntios 1.8); porém, também está escrito:
“Fiel é esta palavra: Se, pois, já morremos com ele, também com ele
viveremos” (II Timóteo 2.11). Nada pode destruir um servo do Senhor.
CONCLUSÃO
Lembremo-nos do bem-aventurado Policarpo! Ele, com sua
fidelidade, tornou-se símbolo do cristianismo autêntico, que não teme
aos homens, mas submete-se a Deus!
Lembremo-nos do Apóstolo Paulo, cuja vida vivida em prol do
Reino de Deus propiciou-nos a bênção de termos a instrução bíblica
necessária, pois dispôs-se a ser porta-voz do Senhor!
Lembremo-nos que há um céu nos esperando, aguardando para
galardoar os “mais que vencedores por Cristo Jesus”!
Cumpramos o ABECEDÁRIO DE DEUS!
Pr. Wagner Antonio de Araújo
027 - O PASTORZINHO E SEU DUELO
Obrigado, Senhor, por me chamar para o ministério.
Como? Não entendi. Pode repetir? "Buraco Quente"? Senhor,
aquilo é uma favela!
Sim, eu sei, tem gente lá, mas, Senhor, eu pensei que o Senhor
quisesse me aproveitar num lugar melhor; aliás, eu tenho dois convites
aqui, igrejas ótimas, são Suas também!
Não? Nâo me quer lá. Poxa, Senhor, tudo bem. E onde é essa
igreja? Naquela rua? Aquela ali, sem asfalto? Ah, Senhor, por favor,
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manera comigo! Eu comprei um carro novo agora! Pelo menos um
lugarzinho com asfalto!
Não? É ali mesmo? Tá bom. E o que o Senhor quer que eu faça?
Pregue? Administre? Visite? Ensine? Pode escolher.
O que? Está brincando, não é, Senhor? Não? O Senhor quer que
eu faça de tudo um pouco? Mas Mestre, é muito pra mim! Eu me
especializei em pedagogia religiosa, sou craque nisso, o resto eu só sei
o básico! Como? Mesmo assim? Ai, ai, ai, tá certo, Senhor.
Mas, Mestre, e o salário? Penso que o Senhor não vai querer que
eu passe necessidades, não é? Já tenho aqui o meu orçamento
direitinho. Preparei-o baseado no salário da pastorada da cidade. Tirei
a média. Com isso acho que dá pra me manter. Quanto pagarão,
Senhor?
COMO? Só isso? Mas como eu vou viver, Deus? Assim já é
demais! Como? "Pela fé?" Ah, Senhor, isso funcionava com Hudson
Taylor, Jorge Muller, mas não comigo, que sou inteirado em economia.
Não dá, Senhor! Por essa miséria eu não trabalho.
Como? Vou trabalhar sim? Mas Deus, e como vou me manter? O
Senhor? O Senhor suprirá? Como? Ah, pelos "corvos", como Elias. Tá
certo, Deus, a estória é bonitinha, mas hoje em dia só tem pardais e
pombas. Vai mudar? Como, trazendo corvos? Ah, não? Vai trazer carne
e pão por pombas e pardais? Meu Deus, ...
E por quanto tempo ficarei ali, Senhor? Será só um estagiozinho,
não? Não? O Senhor tem planos longos aqui pra mim? Ah, Senhor,
misericórdia! Ah, quer que eu fique bastante tempo, não? Quanto
tempo? COMO? A vida toda? Ah, eu não aguentarei, meu Deus...
Tenha piedade!
Senhor, por que esse plano pra mim? Os meus colegas estão nas
primeiras igrejas, outros foram pra missões e aparecem nos jornais, eu
também tenho direito, também sou Seu filho! Plano melhor? Como
isso pode ser um plano melhor? Eu sou qualificado, Senhor! Sim, sei
que foi o Senhor quem permitiu, mas pra que tanta qualificação senão
tiver utilidade? Ah, terei? Ali, naquele lugarejo? Tá bom.
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Está certo, Senhor. Não estou nada contente. Não Lhe entendo,
Deus. Mas tudo bem. Não vou discutir.
(ele então pensa:)
"... E eu que queria ser famoso, ser rico, ter meu nome na placa
da igreja, um programa de TV e um montão de pastores trabalhando
pra mim. Agora serei pastor nessa favela sem asfalto, escondido,
trabalhando com púlpito, visita, ensino, administração... Se eu
soubesse que era assim... "
O jovem pastorzinho terminou de reclamar e resolveu orar. E
enquanto orava cheio de ressentimento e tristeza ouviu um barulho.
Era seu hinário que havia caído no chão. Tomou-o e, antes de fechá-lo,
viu o hino 298 CC com uma marca feita pelo seu primeiro pastor:
"filho, um dia você precisará desse hino; use-o!". Então ele leu:
Nem sempre será pra o lugar que eu quiser,
que o Mestre me tem de mandar;
é tão grande a seara já a embranquecer,
a qual eu terei de ceifar.
Se, pois, a caminho que nunca segui,
a voz a chamar-me eu ouvir,
direi: "Meu Senhor, dirigido por ti, irei tua ordem cumprir."
Eu quero fazer o que queres, Senhor; serei sustentado por ti.
E quero dizer o que queres, Senhor, que o servo teu deva dizer.
Eu sei que há palavras de amor e perdão,
que aos outros eu posso levar;
porque nas estradas dos vícios estão,
perdidos que devo ir buscar.
Senhor, se com tua presença real,
tu fores pra fortalecer,
darei a mensagem de servo leal,
farei, meu Senhor, meu dever.
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Eu quero encontrar um obscuro lugar,
na seara do meu bom Senhor;
enquanto for vivo, sim, vou trabalhar,
em prova do meu grato amor.
De ti meu sustento só dependerá,
tu, pois, hás de me proteger;
a tua vontade, sim, minha será;
e eu, pronto o que queres a ser.
E então disse em oração ao Senhor:
"Deus, perdoe a minha arrogância. Quem sou eu para escolher a
lavoura? Quem sou eu para ditar as normas? A Igreja é Sua, a minha
vida pertence ao Senhor. Toma-me, usa-me o quanto quiser, quando
quiser e onde quiser!
E foi assim que esse pastor começou o seu trabalho. Ele continua
naquela igreja. O local ainda não tem asfalto. O seu carro novo ficou
esfolado e já foi trocado. Mas muitas vidas que residem naquele bairro
não são mais as mesmas. Jesus as salvou. E o Reino de Deus ali chegou.
Se esse jovem pastor não fosse para lá a Obra do Senhor estaria
incompleta. Ele aprendeu a humildade, aprendeu que servir a Deus
não é algo para ganhar fama, dinheiro ou poder, mas para doar vida,
mensagem, amor, tempo e dedicação. Hoje ele e a igreja são muito
felizes. E espero que assim continuem.
A todos os meus colegas "sem nome", desconhecidos, cujos
ministérios têm sido a causa da salvação de inúmeras pessoas nos
lugares onde muitos "grandes" não vão pessoalmente, ofereço este
texto.
Do conservo e também pequeno com eles,
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Wagner Antonio de Araújo
028 - SE EU MORRESSE AMANHÃ
Se eu morresse amanhã, gostaria de fazer do dia de hoje o mais
feliz de minha vida. Gostaria de rever todos os meus amigos, todos os
meus irmãos em Cristo, e conversar demoradamente com cada um.
Gostaria de passar bons momentos com minha mãe, conversar
bastante com meu irmão, cunhada e irmã adotiva, e viver
romanticamente um maravilhoso jantar com minha namorada.
Se eu morresse amanhã, gostaria de gastar grande parte do dia
semeando as boas-novas do Evangelho. Gostaria de sair com um
pacote de folhetos na mão, distribuindo-os pelas casas, nas esquinas,
nos bares e aglomerações humanas. Gostaria de dizer aos meus
parentes tudo quanto Jesus fez em meu coração, perdoando-me,
salvando-me, transformando-me e incumbindo-me de levar as boas
notícias do amor de Deus em Cristo. Gostaria de pregar ao ar-livre uma
mensagem bíblica, evangelística, repleta de emoção e autoridade
espirituais. Gostaria de dizer a todo o mundo que sou um crente!
Se eu morresse amanhã, passaria grande parte do dia orando.
Mas não seria uma oração morta, uma reza. Seria um autêntico e
fervoroso encontro com Deus. Diria ao Senhor o quanto eu o amo, o
quando eu o glorifico por tudo o que fez e por tudo o que planejou
para o futuro. Confessaria todos os meus pecados ocultos, arrependerme-ia de cada um deles, e pediria ao Senhor que me aceitasse assim
mesmo, de mãos vazias. Comprometer-me-ia em dar o melhor de mim
nestas horas derradeiras, vivendo plenamente minha nova vida em
Cristo. Oraria pela conversão dos meus amigos, parentes e
desconhecidos. Clamaria a Deus pelo Brasil, para que Ele curasse esta
ferida nacional que não sara, que faz o nosso povo sofrer tanto.
Suplicaria pela conversão de cada concidadão, pediria para que o
Evangelho se alastrasse de norte a sul, transformando o país numa
autêntica nação cristã.
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Se eu morresse amanhã, cantaria todos os hinos que conheço.
Ainda que ninguém tocasse p’ra mim, cantaria à capela mesmo, sem
música. Cantaria os hinos dos hinários cristãos, corinhos jovens, hinos
de coral, músicas de programas evangélicos que aprendi no rádio,
cantaria com toda a minha voz, pelas ruas e pelas praças. Cantaria sem
me envergonhar. Ouviria todos os meus discos cristãos, ouviria cultos
antigos que gravei ao longo da vida. Escolheria três pregações e as
ouviria novamente.
Se eu morresse amanhã, não ficaria esperando a morte
dormindo. Não deitaria num leito mórbido, aguardando a hora
derradeira. Teria certeza de que meu Senhor me aguardaria na outra
margem do Rio Jordão, além da morte. Ficaria servindo ao meu Senhor
até o final. Fosse pregando, fosse orando, fosse evangelizando, fosse
cantando, fosse visitando, fosse mantendo comunhão com os irmãos,
gostaria de morrer servindo-o. Se assim fosse morreria feliz. Feliz
porque teria certeza de minha salvação, pois minha vida foi entregue
exclusivamente a Jesus Cristo, desde o dia em que me converti a Ele.
Se VOCÊ morresse amanhã, o que faria? Ficaria desesperado?
Correria freneticamente sem parar? Cuidaria para gastar todo o seu
dinheiro, não deixando nada para a família? Acertaria a conta com os
seus credores? Cobraria os devedores? Se submeteria a qualquer ritual
que lhe desse alguma expectativa de viver um pouco mais? Contaria
cada segundo, cada minuto, com o coração na mão, aterrorizado com
a foice que a morte logo traria, para ceifá-lo deste mundo para
sempre?
EU e VOCÊ morreremos algum dia. Porém eu morrerei feliz, pois
Jesus Cristo me salvou, através de sua morte na cruz. A dívida que
Deus me cobraria no além foi paga por Cristo em Sua morte. Quando
eu chegar até Deus, Jesus mostrará ao Pai a conta paga e me conduzirá
ao céu, ao Paraíso, à Nova Jerusalém. Tal perdão eu ganhei no dia em
que confessei meu pecado ao Salvador e implorei o seu perdão e
amor. Cri em Sua palavra, aceitei-o como Senhor e Rei de minha vida, e
hoje vivo para Ele, para o Seu louvor. Se você confessar os seus
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pecados a Ele, reconhecendo-se incapaz de salvar-se, e implorar o
perdão de Deus, Ele com prazer irá salvá-lo. Disse Jesus: “Vinde a mim
todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos
aliviarei”.(Mateus 11.28).
Eu não sou melhor do que você. Não mereço outro lugar senão a
eterna separação de Deus, pois sou um pecador, como você também o
é. A Bíblia diz que todos somos pecadores (Romanos 3.23). Mas assim
como eu confiei em Cristo e lhe dei a minha vida, você também poderá
fazê-lo neste instante, esteja onde estiver. Ele disse certa feita: “Na
verdade, na verdade vos digo que, quem ouve a minha palavra, e crê
naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em juízo,
mas passou da morte para a vida”. (João 5.24). Não há outro remédio,
nem outro caminho. “Eu (Jesus) sou o caminho, e a verdade, e a vida.
Ninguém vem ao Pai senão por mim”. (João 14.6).
Não espere amanhã para começar a viver melhor. Entregue-se a
Cristo e viva feliz hoje, com perspectiva de uma eternidade feliz e
realizada. Você pode. Faça-o. Que Deus o abençoe. Amém.
Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas, Osasco, SP
029 - LAVE O ROSTO
Depois lavou o seu rosto, e saiu; e conteve-se, e disse: Ponde
pão. (Gn 43:31)
Essa atitude de José, filho de Jacó, tem muito a nos ensinar.
Depois de chorar por ver seus irmãos após tantos anos de ausência,
comer com eles e ainda não ter se dado a conhecer, fê-lo chorar de
novo. Com isso, pressupomos que suas emoções devem ter alcançado
um pico: sofreu, sentiu saudades, sentiu raiva, sentiu dó; quantas
lembranças lhe vieram à mente, saudades da mãe, do pai, da infância.
Tudo isso lhe fez chorar.
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José é tão humano, tão normal, tão comum em suas reações,
que sentimos grande simpatia por ele. Suas atitudes expressam
exatamente como nos sentimos, como nos expressamos, como nos
emocionamos. Eu nunca li o texto concernente à sua história, sem
derramar uma ou outra lágrima.
Contudo, a elegância de José e a sua maneira de superar a crise,
faz dele um dignatário da coroa de primeiro ministro, um elegante e
brilhante líder. Diz o texto que ele não reteu suas lágrimas; antes, as
derramou, como qualquer um de nós. Contudo, após a dor, lavou o
rosto e foi comer. Não quis sentir-se de rosto ressecado por lágrimas
ou manter-se no clima de tristeza. Ele lavou o rosto e mandou
servirem pão.
Essa atitude muitas vezes nós não temos. Mantemo-nos numa
situação de tristeza continuada, de emoção sem limites, de dor
contínua e sufocante. Principalmente nos instantes em que perdemos
alguém que nos era querido, ou um bom emprego, ou descobrimos
estar com câncer, ou ao término de um namoro, noivado ou
casamento. Há tantas situações que nos fazem chorar, e que, em
sendo realimentadas, provocam rostos abatidos!
É preciso lavar o rosto. Isto é, não apenas a face, a pele, não
apenas barbear-se (ou arrumar a barba), pentear o cabelo, cuidar dos
dentes ou vestir-se adequadamente. É preciso lavar o rosto, virar a
página, ser forte, ser homem, ser um filho do Rei. Há muito por fazer:
há um mundo para ser conquistado, há um Jacó para ser trazido e
sustentado por nosso trabalho e empenho; há uma família para
manter, há uma profissão a desenvolver, há uma faculdade a terminar,
há vidas a salvar, há uma carreira a explorar, há um futuro a desbravar.
Isto não é fácil. Se não lavarmos o rosto, nos sentiremos ainda
em lágrimas. Precisamos renovar. Precisamos remoçar. Precisamos
fazer alguma coisa para nos olhar no espelho e dizer: “posso todas as
coisas naquele que me fortalece”, ou “somos mais que vencedores por
aquele que nos amou”, ou “o choro pode durar toda uma noite, mas a
alegria vem pela manhã”, ou “o Senhor é o meu Pastor, e nada me
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faltará”, ou “cairá o justo, mas o Senhor o levantará”, ou “vá mas não
peques mais”.
Sozinhos nós não conseguiremos. Mas colocando o Senhor como
nosso amparo, nosso libertador, nosso socorro bem presente na hora
da angústia, teremos a mesma força de José, que chorou, mas
conseguiu superar. E ele não chorou só aqui. Fez isso outras vezes,
porque era um ser humano, sensível e de coração quebrantado. Mas
em todas as vezes que fez isso, certamente lavou seu rosto, ergueu-se
na força do Senhor e foi avante. Nós também lavaremos nossos rostos,
nos ergueremos na força do Senhor e iremos avante, firmes,
constantes, olhando para o alto e para a frente, com a graça de Deus!
Wagner Antonio de Araújo
030 - MEU PEQUENO JASON
Hoje é um dia tão feliz para mim e para a sua mãe! Sabe, faz três
dias que você nasceu. Estávamos tão ansiosos pela sua chegada que
nem nos demos conta de quanto você era importante para nós!
Espero que goste do seu bercinho. Nós o compramos
especialmente para você. Daqui a alguns meses você poderá brincar
com os bichinhos que penduramos, com os mordedores, com os
animaizinhos que fazem barulho quando os apertamos.
Como eu estou feliz, meu filho! "Meu filho"! Meu Deus, como é
gostoso dizer MEU FILHO! Eu nunca imaginei que um dia pudesse ter
uma vida procedente de mim! Desculpe a lágrima, meu filho, mas é
que estou muito feliz!
Quando sua mãe e eu nos conhecemos, sentimos os nossos
corações se unirem de forma mágica, foi como o pôr-do-sol no outono,
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como o vento frio nas faces avermelhadas de dois apaixonados!
Fizemos tantos planos, tantas juras, tantas promessas! Por vezes
pensávamos que nunca daria certo, mas perseveramos e nos casamos.
Ah, Jason, você nem imagina como fomos felizes! Quando
viajamos na lua-de-mel, sonhávamos com o dia em que acalentaríamos
você em nossos braços! E foi justamente numa linda noite de lua cheia,
numa pousada no alto de uma montanha, que nós, apaixonadamente,
unimos tudo o que tínhamos, tudo o que éramos, tudo o que
sentíamos e mergulhamos num êxtase de alegria e beleza, num
amálgama de felicidade e ternura!
Foi alí que você foi formado, meu filho, pelo amor eterno do
nosso Criador. Sua mãe tornou-se mais doce ainda, tornou-se meiga,
tornou-se frágil, tornou-se sensível, você passou a residir dentro dela,
como um lindo presente que estava se formando!
Ah, Jason, seus dedinhos pequenos, agarrados em minha mão,
como me emocionam! Você é tão frágil, tão sublime, tão carente,
como eu amo você!
Quero assistir os seriados antigos com você, ensinar-lhe a cantar
as canções inesquecíveis, brincar de cavalinho, pular cordas e pintar o
sete. Quero ser um pai de verdade para você, meu filho! Quero contar
as velhas histórias, mostrar-lhe os velhos lugares e andar passo a passo
com você!
Filho, sei que agora você está com soninho. Sei que não está
entendendo nada do que falo, do que choro ou do que sinto; você
ainda é uma flor em botão. Por isso estou escrevendo tudo; assim um
dia você poderá ler e reviver comigo as emoções que senti quando
você veio morar conosco, tomar conta do seu bercinho e invadir o
nosso coração com o seu encanto!
Acho que para mim a vida tem agora um novo sentido, meu
filho! Agora você é a minha razão de viver, de aprender, de vencer, de
lutar! Não, não deixei a mamãe de lado não, querido. Eu e a mamãe
sentimos o mesmo por você. Nem eu e nem ela temos ciúmes por
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amarmos a você. É como se você fosse a ponte que solidifica mais e
mais o amor que ela e eu sentimos um pelo outro.
Muito obrigado, Jason, por nos fazer felizes e por existir!
Agora, deixe-me ajoelhar junto ao seu bercinho. Vou falar com o
Criador, aquele que cuida de você, da mamãe e do papai. Aliás, quero
que você aprenda a amá-lo junto comigo. Por isso, querido, hoje
mesmo, aqui de joelhos, quero ensinar-lhe a buscá-lo sempre, até nas
horas alegres e lindas, como essa.
"Papai do céu, aqui sou eu, o papai do Jason. É tão gostoso ser
pai, Papai! Eu não imaginava o quão rico é o sentimento de
paternidade; agora posso imaginar o Teu sentimento por Jesus Cristo,
o Teu Filho querido! Muito obrigado por fazer-me capaz de gerar, e
muito obrigado por fazer minha esposa capaz de conceber! Muito
obrigado por dar vida ao meu bebê!
Ajuda-me a ser um bom pai, a ser amoroso, sincero, meigo,
disciplinado, correto, bíblico e presente. Sim, Papai do céu, não quero
perder nenhum momento do Jason.
Eu Te dou a minha palavra, Papai do céu, que ensinarei o homem
que irá crescer a amar-Te sobre todas as coisas, a servir-Te, a colocarTe em primeiro lugar de sua vida. E, quando ele ficar velho, haverá de
se lembrar que o pai dele era um homem que andava com Deus. Me
ajuda, Papai do céu. Eu nunca fui um grande santo, um homem muito
consagrado. Procuro fazer o melhor, mas sou tão falho! Em nome de
Jesus, me ajuda a falhar menos, a lutar mais e a perseverar sempre!
Em nome de Jesus,
Amém.
Boa noite, Jason! Dorme com Deus, meu filho! Deus te abençoe!
(texto fictício)
Pr. Wagner Antonio de Araújo,
031 - DE QUEM É O PROBLEMA?
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Se você odiar, de quem será o problema? O problema será só
seu, tenha certeza. O seu ódio não afetará o objeto do seu ódio. Só
você será afetado. O ódio não vem de Deus. "Aquele que diz que está
na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas." (1Jo 2:9). E
quanto ao inimigo? "Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de
comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto,
amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça." (Rm 12:20). Sei que é
muito difícil. Mas quem disse que seria fácil? Somente com Cristo
seremos capazes, pois é Ele mesmo quem diz: "...porque sem mim
nada podeis fazer. (Jo 15:5)
Se você desejar o mal, o problema será só seu, porque o mal não
apenas não afetará a outra pessoa, como voltará dobrado contra você!
Não raras vezes, queremos que o inimigo se esfacele, se arrebente nas
pedras, não é mesmo? E ainda dizemos: "Pesa a mão, Jesus!". Mas não
é bem isso que encontramos nas Escrituras! "Quando cair o teu
inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele
tropeçar; (Pv 24:17). O mal dos outros não deve ser a nossa alegria.
Tudo o que você desejar, voltará pra você. Cristo mandou que os seus
discípulos desejassem paz nas casas onde se hospedassem. Caso a casa
não fosse digna daquela paz, a paz voltaria para os discípulos! O mal
também volta, caso os alvos do seu ódio não sejam dignos desse
sentimento. Se a paz voltava, voltava dobrada. O mal também volta, e
com juros. Portanto, é o que Jesus quis dizer quando afirmou: "Se,
porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se,
portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais
trevas!" (Mt 6:23)
Se você ficar magoado, o problema será só seu, porque, além de
não ter o problema resolvido, ganhará uma porção de outros, como
úlceras, gastrites, depressões emocionais, obesidade, e até infartos do
miocárdio. A mágoa intoxica a você e destrói sua vontade de viver.
"Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a
malícia sejam tiradas dentre vós." (Ef 4:31). Não deve haver espaço
para a mágoa em nossa mente e coração. "Tendo cuidado de que
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ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de
amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem."
(Hb 12:15). É por causa da mágoa que grandes amizades se destróem,
igrejas se degeneram, missões fracassam, e famílias se dividem. Além
disso, pensamos que a mágoa faz o outro sofrer. Mas não faz não. Ela
faz a gente sofrer. E sofremos pra cachorro! Fora com a mágoa! O
remédio para a mágoa é o perdão.
Se você ficar indignado, o problema será só seu, porque a
indignação pura e simples impede uma ação razoável e aceitável.
Indignar-se e reagir positivamente, é uma coisa. Indignar-se só pelo
gosto de contestar, de falar contra, de ficar nervoso, é que é o
problema. De que adianta? Quando vivemos indignados, estragamos o
nosso dia, o ambiente onde estamos, e deixamos de ser agradecidos!
Ao final, de que valeu? De nada! "O que não tem remédio, remediado
está!". E, se ainda tem remédio, ao invés de ficarmos resmungando,
vamos pegar vassoura e água, e limpar o estrago! Se assim agirmos,
experimentaremos uma situação de paz inimaginável! "E a paz de
Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em
vossos corações; e sede agradecidos." (Cl 3:15). Com tristeza disse o
profeta: "Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Voltando
e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa
força, mas não quisestes." (Is 30:15). Bom, se para eles não dá mais,
para nós ainda dá! "Eis o tempo aceitável, eis agora o dia da salvação"
II Co 6.2
MAS - e sempre há um MAS, aleluia! -, se você for feliz, amoroso,
perdoador, receptor só das coisas boas, a bênção será de todos,
porque é bom demais estar perto de alguém em bom estado interior!
Seja uma bênção!
Para terminar, quero citar Letícia Thompson, em sua bela poesia
"Construa Sonhos", citada por Meire Michelin (lista Em Nome do
Amor):
Viver é tirar proveito dos momentos que nos são ofertados, é
sentir prazer neles, é o suspiro que vem do âmago e que não sabemos
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explicar. Viver é amar a própria vida do jeito que ela se oferece e se
isso não nos satisfaz, ainda é possível colocar um colorido aqui ou lá
de vez em quando se colocamos um pouco de boa-vontade.
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
032 - PUREZA
Logo de manhã, depois de um banho quente e aconchegante (ou
frio e refrescante), sentimos toda a força e energia para começarmos
um dia produtivo. Usamos nossos apetrechos de higiene, nossos
sabonetes, talcos, cremes, perfumes, colônias, "shampoos", polvilhos
pra chulé, enfim, deixamos o corpo digno para o uso de uma roupa
limpa, bem passada e cheirosa. Ah, como é bom!
Suponhamos que o dia esteja quente, e que nós soframos os
efeitos do calor. Suamos, molhamos a camisa, nossos cabelos ficam
úmidos, nosso rosto torna-se engordurado. Ao chegar a tarde, tudo o
que buscamos é um bom chuveiro, uma ducha, um banho, para livrarnos do mal-estar, do cansaço, dos odores, das impurezas. E como é
bom, quando termina, sairmos do banheiro! A sensação de liberdade,
de bem-estar, de vida nova, de pureza! Parece que isso nos deixa
animados, aptos para mais uma rodada de afazeres, agora estudantis,
ou familiares.
Nossa vida se assemelha à rotina do corpo. Assim como os
banhos são obrigações diárias, sob a pena de, não os observando, nos
tornarmos repugnantes para nós mesmos - quem dirá para os outros! a nossa mente, coração, alma, espírito, também precisam diariamente
de uma limpeza, de uma purificação, de um banho. Certa feita Jesus
lavou os pés aos apóstolos. Pedro, um tanto precipitado, disse que não
poderia aceitar isso. O Senhor lhe disse que se não aceitasse o lavar
dos pés não teria parte com Ele. Então Pedro pediu um banho inteiro,
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ao que o Mestre respondeu: "Quem já está limpo, não precisa senão
lavar os pés! Vós já estais limpos..." (João 13.10).
É fato conhecido que "o sangue de Jesus Cristo nos purifica de
todo pecado" (I João 1.9), e que nos tornamos partícipes disso quando
nos entregamos ao Senhor, pela fé. "Pela graça sois salvos, por meio
da fé" (cf. Efésios 2.8). Mas ainda há os pés para lavar. Esses pés
representam a nossa vida diária, empoeirada pelas preocupações e
erros, pelas desavenças e rancores, pelas mágoas e rebeldias, pelas
mentiras e más intenções, enfim, por tudo aquilo que nos faz culpados
diariamente. Infelizmente, enquanto não ressuscitarmos com o corpo
glorificado, ainda teremos as duas naturezas em nós, lutando uma
contra a outra, numa disputa hercúlea e terrível, cabendo a cada um
de nós "vigiar e orar" (I Pedro 4.7).
Precisamos purificar mente e o coração todos os dias!
Precisamos limpar a alma! E como fazer isso? Através da COMUNHÃO!
Sim, leitores amigos, a comunhão com Deus, o contato diário, direto,
absoluto, privado, secreto, com o nosso Criador, a nossa alma e o
Espírito do Senhor, a nossa vida e a vida do Altíssimo! Sem comunhão
não há limpeza, e vamos nos tornando empoeirados, engordurados,
desanimados, descaracterizados, exalando, ao invés do "bom perfume
de Cristo", os maus odores de uma vida rebelde. "Como purificará o
jovem o seu caminho? Observando-o conforme a Tua Palavra" (Salmo
119.9).
Nós precisamos de bíblia, diletos leitores! Sim, precisamos ler a
Palavra de Deus! Assim como as crianças esperneiam para fugir do
banho, como o personagem Cascão, da Turma da Mônica (Maurício de
Souza Produções), assim nós esperneamos para voltarmos a nossa
atenção à Palavra de Deus. Mas, porque amamos aos filhos, nós os
banhamos; se nos amarmos, vamos também nos banhar com a Palavra
de Deus, pois ela tem, em si, os elementos purificadores
indispensáveis!
Ela é luz! Ela clareia a nossa estrada, desvenda diante de nossos
olhos os caminhos de Deus, nos faz entender as veredas eternas, pelas
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quais Ele nos faz andar! "Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e
luz para os meus caminhos!" (Salmo 119.104)
Ela é comida! Em Apocalipse, o anjo diz a João para comer o rolo,
que era a Palavra de Deus, e vários outros profetas, no Velho
Testamento, assim o fizeram também! "Não só de pão viverá o
homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus" (Mateus 4.4)
Ela é fortalecedora! Quando estamos fracos e desanimados em
nossa vida cristã, somos revigorados e transformados pelo seu poder,
e sentimo-nos fortes para reagir! Foi isso que aconteceu com os
sacerdotes e escribas, no tempo do Rei Josias, que encontraram o Livro
de Deuteronômio jogado em algum canto do templo. Eles nem
conheciam o texto, mas, ao lê-lo, foram tocados pelo Senhor! Ao lerem
o mesmo texto para o rei, esse também foi transformado, e fez uma
reforma nacional, levando a Pátria aos pés de Deus! " Assim será a
palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes
fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei." (Isaías
55.11)
Ela pode tirar-nos da inércia de uma vida desanimada, cheia de
permissividade, uma vida sem graça e sem gosto, onde não temos
vitória alguma sobre o pecado, e nos levantar, erguendo-nos das
trevas, colocando-nos em pé, e vitoriosos! A nossa mente, sem a
Palavra de Deus, está cheia de tudo o que não presta, cheia das
sujeiras do dia a dia: notícias sangrentas, cobiças, malícias, fofocas,
más intenções, preocupações, imaginações vis, pornografia, planos
malignos, etc. Assim, contra tudo isso, nós injetamos em nossa mente
uma dose cavalar de bíblia, e nos levantamos vencedores! " Quanto ao
mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o
que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de
boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."
(Filipenses 4.8).
Amados leitores, desliguemos por um pouco os nossos
computadores, apertemos o botão "off" ou "close" dos nossos
televisores, DVDs, videogueimes ou joguinhos, fechemos por um
123
pouco os livros da faculdade ou os romances e literaturas, e abramos
as nossas velhas e esquecidas bíblias! Honremos Àquele que no-la
confiou, façamo-la de âncora, de elixir, de tônico, de remédio, de
estimulante! Vamos ler a bíblia! Paremos um pouco com tudo, e
invistamos um tempo para ouvir Deus falar! Vamos! Não inventemos
desculpas! Não sejamos preguiçosos! Lutemos contra a nossa má
vontade! Invistamos em nossa comunhão! Busquemos a pureza de
nossa alma! Leiamos a Bíblia agora!
Josué 1.8: "Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes
medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme
tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu
caminho, e serás bem sucedido."
Wagner Antonio de Araújo
033 - AGORA!!!
Começar é mais difícil que terminar. Principalmente quando se
trata de literatura. Ao me propor escrever nova série de textos, similar
às CRÔNICAS DE DEZEMBRO, pensei: "como começar?"
Então um pequeno conto, uma fábula muito interessante,
chegou à caixa de entradas da minha conta de e-mail. Infelizmente,
como sói acontecer no ambiente virtual, o texto chegou sem
paternidade, anônimo. Quisera Deus que seu autor estivesse lendo
isso agora, para sussurrar-me seu nome, e, assim, dar-me a chance de
fazer-lhe justiça!
Vejam só que criatividade (isto é simplesmente uma fábula, não
um fato):
Era uma vez, há muitos e muitos anos, uma escola de anjos.
Conta-se que, naquele tempo, antes de se tornarem anjos de
verdade, os anjos aprendizes passavam por um estágio.
124
Durante um certo período, eles saíam em duplas para fazer o
bem e, no final de cada dia, apresentavam ao anjo-mestre um relatório
das boas ações praticadas.
Parece que, naquele dia, o mal estava de folga. Enquanto
voltavam tristes, os dois se depararam com dois lavradores que
seguiam por uma trilha.
Neste momento, um deles, dando um grito de alegria, disse para
o outro:
- Tive uma idéia. Que tal darmos o poder a estes dois lavradores
por quinze minutos para ver o que eles fariam?
O outro respondeu:
- Você ficou maluco? O anjo-mestre não vai gostar nada disto!
Mas o primeiro retrucou:
- Que nada, acho que ele até vai gostar! vamos fazer isto e
depois contaremos para ele.
E assim o fizeram.
Tocaram suas mãos invisíveis na cabeça dos dois e se puseram a
observá-los.
Poucos passos adiante, eles se separaram e seguiram por
caminhos diferentes.
Um dos lavradores, viu um bando de pássaros voando em
direção à sua lavoura. Passando a mão na testa suada, disse:
- Por favor, meus passarinhos, não comam toda a minha
plantação! Eu preciso que esta lavoura cresça e produza, pois é daí que
tiro o meu sustento.
Naquele momento, ele viu, espantado, a lavoura crescer e ficar
prontinha para ser colhida em questão de segundos.
Assustado, ele esfregou os olhos e pensou: devo estar cansado.
E acelerou o passo.
Logo adiante, ele caiu ao tropeçar em um pequeno porco que
havia fugido do chiqueiro.
Mais uma vez, esfregando a testa, ele disse: você fugiu de novo,
meu porquinho!
125
A culpa é minha. Eu ainda vou construir um chiqueiro decente
para você.
Mais uma vez, espantado, ele viu o chiqueiro se transformar
num local limpo e acolhedor, todo azulejado, com água corrente e o
porquinho já instalado no seu compartimento
Esfregou novamente os olhos e apressando ainda mais o passo,
disse mentalmente: estou muito cansado!
Assim, ele chegou em casa e, ao abrir porta, a tranca que estava
pendurada caiu sobre sua cabeça. Ele, então, tirou o chapéu, e
esfregando a cabeça disse:
- de novo, e o pior é que eu não aprendo. Também, não tem me
sobrado tempo.
Mas ainda hei de ter dinheiro para construir uma grande casa e
dar um pouco mais de conforto para minha mulher.
Naquele exato momento aconteceu o milagre. Aquela humilde
casinha foi se transformando numa verdadeira mansão diante dos seus
olhos.
Assustadíssimo, e sem nada entender, convicto de que era tudo
decorrente do cansaço, ele se jogou numa enorme poltrona que estava
na sua frente e, em segundos, estava dormindo profundamente.
Não houve tempo sequer para que ele tivesse algum sonho.
Minutos depois, ele ouviu alguém pedir socorro: compadre! Me
ajude! Eu estou perdido!
Ainda atordoado, sem entender muito o que estava
acontecendo, ele se levantou correndo.
Tinha na mente, imagens muito fortes de algo que ele não
entendia bem, mas parecia um sonho.
Quando ele chegou na porta, encontrou o amigo em prantos.
Ele se lembrava que, poucos minutos antes, eles se despediram
no caminho e estava tudo bem.
Perguntando o que havia se passado, ele ouviu a seguinte
história:
126
- Compadre, nós nos despedimos no caminho e eu segui para
minha casa. Acontece que poucos passos adiante, eu vi um bando de
pássaros voando em direção à minha lavoura.
Este fato me deixou revoltado e eu gritei:
- Vocês de novo, atacando a minha lavoura. Tomara que seque
tudo e vocês morram de fome!
Naquele exato momento, eu vi a lavoura secar e todos os
pássaros morrerem diante dos meus olhos!
Pensei comigo, devo estar cansado, e apressei o passo.
Andei um pouco mais e cai, depois de tropeçar no meu porco,
que havia fugido do chiqueiro
Fiquei muito bravo e gritei mais uma vez:
- Você fugiu de novo? Por que não morre logo e pára de me dar
trabalho?
Compadre, não é que o porco morreu ali mesmo, na minha
frente?
Acreditando estar vendo coisas, andei mais depressa, e, ao
entrar em casa, me caiu na cabeça a tranca da porta.
Naquele momento, como eu já estava mesmo era com raiva,
gritei novamente:
- Esta casa...Caindo aos pedaços, por que não pega fogo logo e
acaba com isto?..
Para minha surpresa, meu compadre, naquele exato momento a
minha casa pegou fogo, e tudo foi tão rápido que eu nada pude fazer!
Mas...compadre, o que aconteceu com a sua casa?...De onde
veio esta mansão?
Os anjos, depois de tudo observarem, foram embora, muito
assustados, contar para o anjo-mestre o que havia se passado.
Estavam muito apreensivos quanto ao tipo de reação que o
anjo-mestre teria.
Mas tiveram uma grande surpresa.
O anjo-mestre ouviu com muita atenção o relato. Parabenizou os
dois pela idéia brilhante que haviam tido e resolveu decretar que,
127
a partir daquele momento,
todo ser humano teria 15 minutos de poder ao longo da vida.
Só que, NINGUÉM, jamais, saberia quando estes 15 minutos de
poder estariam acontecendo.
Será que os 15 minutos próximos serão os seus?
Essa lindíssima fábula, cuja autoria não foi mencionada (como
acontece com textos que escrevi), ilustra muito bem o pouco que
quero dizer neste primeiro dia.
Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas. É o primeiro dia
do último mês do ano. É o início de uma nova fase, na vida de quem se
propôs a algo. É um marco, um momento histórico, um divisor de
águas. Exatamente hoje alguém está conhecendo o grande amor de
sua vida. Talvez esteja entrando no emprego que lhe trará o sucesso
tão amplamente planejado, ou ainda o dia em que receberá a alta
médica, o resultado do exame, a aprovação na faculdade, o "sim" da
noiva amada. Quanta coisa não estaria acontecendo exatamente hoje?
Há coisas tristes também. É o dia em que se perde um amigo, um
parente, um amor. Pode ser o dia da despedida, do boletim médico a
decretar um tratamento severo, uma mudança súbita de cidade ou
país. Pode ser o roubo de um carro, de uma casa, um seqüestro.
Infelizmente o mundo jaz no Maligno, e no mundo teríamos aflições.
Mas hoje pode ser mais importante que tudo isto, porque pode
ser o dia em que você diga: "De agora em diante buscarei primeiro o
Reino de Deus, e toda a sua justiça". Que bênção! Lembro-me da
história de um conhecido sanfoneiro evangélico, que, enquanto
divertia seus ouvintes no baile do final de semana, lembrava com
carinho das palavras inesquecíveis de sua mãe, que, evangelizando-o,
dissera: "um dia você haverá de dar o melhor para Jesus". Então, em
prantos, anunciou no microfone: "Pessoal, agora a última música de
minha carreira, porque sairei daqui, rumo a uma nova vida, vou ser um
crente em Jesus Cristo". O povo, atônito, ouviu-o tocar: "Oh, quão
cego eu andei e perdido vaguei..."
128
Lembro-me, igualmente, do testemunho do Cantor Fernandinho,
de saudosa memória, muito conhecido do meio renovado paulistano.
Cantor de boates, dono de uma voz privilegiada, era um jovem triste,
porque não conhecia a sua mãe verdadeira. Um dia, a Vovó Marta,
uma evangelista da década de 70, levou-o a Cristo, juntamente com o
Cantor Nicoleti, e ele converteu-se. Abandonou a noite, abandonou o
mundo, e disse: "Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida, hei de
viver só para Jesus". E isto ele fez, e como fez!
Que tal começarmos de novo, leitores? Aquelas promessas de ler
a bíblia e orar todos os dias, compromissos tão batidos e não
cumpridos, que tal começarmos firmes agora? Entregarmos folhetos
evangelísticos no nosso trabalho, testemunharmos a nossa fé entre os
colegas de escola, irmos à igreja com freqüência e envolver-nos numa
igreja local, fazendo dela a nossa congregação, por que não
começarmos AGORA? Aquele regime alimentar tão sonhado e nunca
obedecido, aquela poupança para adquirir uma propriedade ou o
pagamento de previdência privada para aposentadoria condigna,
enfim, há tanta coisa protelada, que pode ser começada A G O R A!!!
Pare de prometer. Cumpra. Pare de treinar; jogue! Pare de
sonhar; realize! Pare de querer; faça acontecer! Há dois tipos de
pessoas, conforme nos ensina Anthony Hobbins, em seu livro
"Desperte o Gigante Interior": os que estão interessados e os que
estão empenhados. Passamos a nossa vida interessados em fazer
alguma coisa. Mas as coisas só acontecem quando nos empenhamos
nas mesmas. Está aí o filho pródigo, para nos ensinar. No dia em que
sentiu a barriga vazia e a solidão lhe fazer companhia, determinou-se
voltar para casa,... e voltou mesmo! Faça o mesmo! Aja! Não seja um
sonhador, mas um realizador!
Tem relacionamentos para consertar? Vá até as pessoas
envolvidas e reconcilie-se! Tem cartas para enviar? Vá ao correio e
mande-as! Tem telefonemas a fazer? Faça-os! Tem tarefas difíceis na
gaveta? Tire-as e realize-as! A melhor forma de fazer as coisas é
começar pelas mais difíceis! Faça-as de uma vez por todas! Não tem
129
sido um bom mordomo do dízimo do Senhor? Coloque uma pedra no
caminho e comece de hoje em diante! Deus lhe deu dons e talentos, e
você os enterrou? Corra para o quintal, desenterre-os, e coloque-os ao
serviço de Cristo! Faça o dia de hoje valer alguma coisa!
Salmos 118.24: "Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos, e
alegremo-nos nele."
Wagner Antonio de Araújo
035 - JOVENS NA DIREÇÃO DE DEUS, NA
CONTRA-MÃO DO MUNDO
Falar sobre esse tema num congresso de três associações é ao
mesmo tempo um privilégio e um desafio. Privilégio porque tenho a
honra de encontrar jovens de diversas igrejas de uma das mais
importantes regiões da Grande São Paulo. O NORTE.COM alcança hoje
as dimensões da importância dos antigos ‘CON-CAP” da JUBESP ou dos
famosos “INTER-LESTE” na Penha. Porém, também é uma
responsabilidade enorme, porque pregar para vocês nos faz “temer e
tremer”, visto que o que dissermos ajudará na formação da opinião, da
ação e da estratégia divina para muitas vidas e juventudes batistas.
Que o mundo está nas trevas, não é preciso esforço para
perceber. Estamos vivendo dias inesquecíveis e ruins. Contemplamos
as bolsas de valores no mundo inteiro num pânico sem precedentes,
amedrontadas pelas mentiras dos relatórios contábeis das grandes
empresas. Verificamos a incapacidade dos governos mundiais em
ajudar os seus povos a superarem suas crises. Enquanto prego o
Paraguai vive um estado de exceção, com toque de recolher e a
130
possibilidade de uma revolução. Israel perde soldados e palestinos
perdem cidades. Africanos morrem de AIDS e o Brasil embebeda-se
diante de um televisor, assistindo “Casa dos Artistas” e “Big Brother
Brasil”. Enquanto isso as nossas igrejas “entretém bodes”, sem dar à
luz e alimentar “ovelhas”.
Que mundo é esse?
Não muito diferente da época em que viveu um dos mais
importantes homens de Deus de todos os tempos, que ousou ir na
contra-mão da sociedade de sua época, optando por Deus, optando
pela justiça, optando pela ação, ao invés de viver de palavras.
Estamos no ano 640 antes de Cristo. Judá, o Reino do Sul,
acabara de perder por assassinato o seu imperador ímpio, chamado
Amom. Ele era um idólatra, e seu pai fora pior do que ele: Manassés, o
mais imundo dos reis de Judá. Logo, um menino de 8 anos não teria a
menor noção de reinar sobre um país ou de fazer distinção entre a
verdadeira adoração e o culto abominável para Deus.
Josias, cujo nome significa “Deus sustenta”, “Deus sara” ou
“Deus apóia”, reinou de 640 a 609 antes de Cristo.
Judá adorava a Deus da forma mais imunda possível. Nos altos
dos morros e montanhas eles mantinham altares onde queimavam
animais e crianças para os seus ídolos. Debaixo de árvores frondosas e
em casas especializadas eles faziam “roupinhas’ para as suas imagens
de escultura, além de dar aos homens “sessões de sexo cultual”, ou
seja: transarem como ato de adoração aos deuses e até ao Deus
verdadeiro. Em cada casa haviam “terafins”, ou imagens domésticas de
adoração. Seus deuses eram as entidades mais execráveis que se podia
conceber na mente humana: o deus-sol, chamado “shamash”, para
quem consagravam cavalos e prestavam sacrifícios. Tofete e Moloque
– a versão de um deus-racional dos amonitas, que era oco, feito de
bronze, tinha brasas dentro do seu interior e servia literalmente para
“queimar crianças”, sob a justificativa de “aplacar a sua ira e obter os
seus favores”. Havia também “bezerros de ouro”, nas cidades do
extinto Reino do Norte, chamadas Dã e Betel, bezerros que eram a
131
“imagem de Deus”, para que o povo não precisasse ir ao templo de
Jerusalém render culto. Havia em Jerusalém uma coisa enorme
chamada “poste-ídolo”, que era uma imagem feminina da deusa
“Aserá”, a esposa-amante do deus “Baal”, cujo significado era “senhor”
ou “marido”, a entidade da fertilidade e protetor contra as
tempestades. O “Livro da Lei” desde décadas estava perdido, a geração
daquela época nem conhecia o seu conteúdo, pois fora abandonado
desde os tempos do Rei Manassés, o maior idólatra que Judá jamais
teve. Os templos que Salomão edificara para a sua multidão de
esposas estavam em plena atividade de adoração.
Esse era o mundo onde Josias nasceu e no qual viu-se obrigado a
reinar com 8 anos de idade.
Nós não pedimos para nascer em nossa época, nem no Brasil.
Nós estamos aqui por permissão de Deus. E o que encontramos hoje?
Um país falido, sem moral, sem padrões éticos e sem a menor
esperança de melhorias. O mundo evangélico brasileiro cresce
avassaladoramente em número, mas parece que não está
influenciando beneficamente na mesma proporção. E a nossa
juventude tem um grande desafio: ir na contra-mão de tudo o que está
imperando por aqui.
Isso não significa tornarmo-nos “rebeldes sem causa”, ou
“anarquistas”, que eram contra qualquer tipo de governo. O nosso
desafio é o mesmo desse menino: ir na contra-mão do mundo, mas em
direção de Deus!
Josias foi um jovem na contra-mão do mundo em seu tempo.
Quando tinha 26 anos, quando já reinava há 18 anos, mandou os
escrivães e os sacerdotes irem até o esquecido “Templo do Senhor”,
para avaliarem a necessidade de uns reparos e reformas, e dar ordens
sobre o destino das ofertas. Hilquias, o escrivão, olhando as coisas
jogadas no templo, encontrou um rolo todo escrito, ao qual chamou
“Livro da Lei” que era uma cópia do Livro de Deuteronômio. Leu-o e
levou-o ao Rei, para que este ouvisse o seu escrito.
132
Acompanhando o texto bíblico, nós encontramos 3 ATITUDES DE
JOSIAS que fizeram dele um JOVEM VENCEDOR ANDANDO NA
CONTRA-MÃO DO SEU TEMPO, MAS NA DIREÇÃO DE DEUS.
Primeiramente, Josias HUMILHOU-SE PERANTE DEUS.
Em 22.11 Josias ouve a leitura do “Livro da Lei” e humilha-se
diante do que ouviu, diante do que escutou. Como estamos precisando
de Bíblias na vida da nossa juventude! Temos vivido de alimentos não
consistentes, que não suprem a nossa necessidade! Queremos viver no
“Monte da Transfiguração”, porque é “bom estarmos ali”, mas
esquecemo-nos que somente um contato sério e constante com a
Palavra de Deus irá nos fazer “abrir os olhos e humilharmo-nos diante
do Senhor”! Josias ouviu a leitura e HUMILHOU-SE. Qual tem sido a
nossa atitude para com a Bíblia? Temos feito prioridade do Senhor o
contato com as Escrituras? Josias humilhou-se e mandou CONSULTAR
a profetiza Hulda (22.14). Ele queria saber até que ponto o seu país
estava amaldiçoado pelo Senhor. Ele levou à sério o que estava escrito
no rolo. A profetiza lhe disse que infelizmente tudo o que estava
previsto iria acontecer (22.16).
Há um ponto na história de uma vida ou de uma nação em que o
castigo é INEVITÁVEL. Judá tinha provocado de tal forma a ira de Deus
que não havia a menor chance de deixar de ser castigado. Eles iriam
arcar com as conseqüências do ato de idolatria e de vida abominável
que viviam.
E a atitude do Rei Josias, não contaria nada? Claro que sim! Deus
promete a Josias que ele “seria poupado”, porque tivera uma
“ATITUDE SÉRIA” de humilhação perante Deus (22.19-20).
A humilhação de Josias mudou o tempo do juízo, atrasando o
castigo e dando oportunidade para a nação experimentar um período
jamais visto em toda a sua história. O rei teria tempo de colocar em
prática a Palavra, a qual havia feito tão maravilhosa transformação em
seu coração.
Em segundo lugar, Josias EMPENHOU-SE EM MUDAR.
133
Ele não ficou no reino das palavras, das boas intenções. Ele agiu,
e como agiu!
Harold Robbins, autor do livro “Desperte o Gigante Interior”, diz
que há duas maneiras de encarar o futuro: uma é estar “muito
interessado” em mudar e viver coisas boas, em mudar de emprego, de
atitude, assumir compromissos, etc. Só que o estado de “muito
interessado” nunca causará qualquer mudança, porque ele é estático,
e não dinâmico. O segundo modo de encarar é “estar totalmente
empenhado” em colocar em prática aquilo a que se determinou a
fazer.
Há muita gente aqui que gosta muito da Palavra de Deus, que
concorda com as Escrituras, que desejaria muito que as igrejas fossem
mais fortes, mais consagradas, que nossa juventude fosse mais
consagrada. Sim, isso é bom, mas é inútil, se não vir acompanhado de
ação! Geraldo Vandré, o poeta contrário à revolução militar de 64,
cantou: “Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz
a hora, não espera acontecer!” E é a mais pura verdade! Quem deseja
mudar, vai morrer desejando, mas quem quer mudar, muda! Vocês já
ouviram falar na origem do ditado “de pensar morreu o burro”? Contase que havia um burro muito burro. Ele tinha dois fardos de feno à sua
frente. Ele olhava para um e dizia “vou comer deste”. Mas daí olhava
para o outro e dizia: “não, acho que vou comer daquele”. E assim
passou-se o tempo, até que ele morreu de fome, sem ter comido
qualquer um deles...
Josias foi um homem de ação, ele se EMPENHOU em mudanças
radicais, ele não ficou sentado esperando o futuro passar por ali! Ele
foi à luta, e eu quero desafiar essa juventude do norte.com a fazer a
mesma coisa, a entrar na contra-mão do seu tempo e seguir na direção
de Deus!
Josias agiu da seguinte forma:
1) Subiu ao templo e mandou ler o “Livro da Lei” para o povo
(23.1-2)
2) Renovou a aliança entre o povo e Deus (23.3)
134
3) Limpou a Casa do Senhor de todo o lixo acumulado, idolatria e
sujeira (23.4)
4) Destituiu os ministros de Baal (23.5)
5) Tirou o “poste-ídolo” do templo e do centro da cidade (23.6)
6) Tirou o prostíbulo-cultual, a casa de “roupinhas” de imagem
(23.7)
7) Profanou os altares nas montanhas (23.8)
8) Destruiu o ídolo “Tofete”, onde sacrificavam crianças (23.10)
9) Tirou os cavalos consagrados ao deus-sol (23.11)
10) Tirou os altares oficiais construídos pelos reis anteriores a
ele, altares de idolatria (23.12)
11) Destruiu os altares de “Astarote”, “Quemos” e Milcom, os
tempos abomináveis construídos pelo Rei Salomão (23.13)
12) Encheu de ossos humanos o lugar do “poste-ídolo” (23.12)
13) Destruiu o altar de Betel, onde o povo adorava o “bezerro de
ouro” (23.15)
14) Queimou os ossos enterrados ao pé de Betel, de sacerdotes
abomináveis (23.16)
15) Respeitou o sepulcro do profeta de Deus que profetizara que
ele faria isso (23.17-18)
16) Destruiu os altares de Samaria (23.19)
17) Matou os sacerdotes de Baal (23.20)
18) Celebrou a Páscoa por decreto (23.21), tudo isso aos 26 anos
de idade, no seu 18o. ano de reinado.
19) Aboliu o ESPIRITISMO e a IDOLATRIA DOMÉSTICA (23.24)
20) Foi o mais empenhado de todos os que se converteram
radicalmente ao Senhor (23.25)
E você, jovem do século XXI, diante de quem estou hoje
proclamando a Palavra de Deus, terá que se empenhar em que? Que
desafios o Senhor coloca para você, para dizer “não ao mundo”, e sim
para Jesus?
1) Não namorar como os mundanos namoram, mas deixar a vida
de intimidades plenas para depois do casamento;
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2) Não viver uma vida de hipocrisia diante de Deus, como um
mero assistente de cultos e congressos, mas pagar o preço, orando,
fazendo devocionais diariamente, testemunhando de Cristo,
procurando andar nos ensinos do Senhor;
3) Não fazer as próprias escolhas sem buscar em primeiro lugar
saber qual é o desejo de Deus para você, pois não há lugar melhor ou
mais abençoado do que o centro da vontade de Deus para cada um de
nós;
4) Dizer não ao entretenimento de “emburrecimento” de massa,
como os programas de TV com “reality show” ou as músicas que
ensinam padrões contrários às Escrituras
5) Abandonar o estereótipo do mundo, a aparência com
roqueiros, o linguajar torpe, o comportamento revoltoso e rebelde, e
passar a ser bom filho, bom pai, bom esposo, boa esposa, bom
membro de igreja, bom funcionário, bom patrão;
6) Etc.
Em último lugar, Josias FOI PERSEVERANTE.
Ele foi morto numa guerra contra o Faraó-Neco, com 31 anos de
império e 39 anos de idade. Morreu jovem, mas seguiu com as
decisões de ser de Deus e contra o mundo até o fim. Ele não se vendeu
para os reinos próximos, ele não se alugou por um pouco de paz com
os vizinhos, ele perseverou nas decisões de fidelidade ao Senhor.
E você, caro jovem, também está sendo desafiado hoje a não se
vender por um pouco de prazer, nem baixar os padrões a troco de não
perder os amigos. Deus tem padrões éticos, morais e sociais muito
superiores aos que o mundo hoje aceita e admite.
Se a juventude hoje caminha para o amor livre e para a
libertinagem, você continua firme nos padrões de moral e decência
criados por Deus para os homens e as mulheres.
Se o mundo hoje vive um clima de entretenimento, pois é mais
fácil manipular as massas entretendo-as e deixando-as sem ação, você
faz diferente, trabalhando por um futuro melhor, estudando,
136
dedicando-se a projetos realmente consistentes e que farão diferença
na sua vida e na vida do próximo.
Se nas igrejas hoje o cristianismo é nominal, com roupa de
crentes e atitudes de incrédulos, você fará a diferença, não aceitando
ou admitindo o pecado, fazendo um protesto com a própria vida, com
as atitudes, com o comportamento de “sal da terra" e “luz do
mundo’”.
Josias provou que vale à pena ir na contra-mão do mundo e em
direção a Deus. Há 2700 anos ele viveu e morreu, e nós estamos
falando dele hoje, no século XXI! Aquele que faz a vontade de Deus
permanece para sempre e nunca será esquecido! Que diferença fará
daqui a 1 ano a vida do Claudinho, de “Claudinho e Bochecha”, o rapaz
que faleceu na semana passada? Que diferença fará você para a sua
igreja, sua família, seus amigos, seu país, seu mundo?
Moody era um jovenzinho, quando escutou um pregador dizer:
“O mundo está para ver o que Deus fará com um jovem inteiramente
entregue em Suas mãos”. Moody disse: “Eu quero ser esse jovem”. E
foi o Billy Graham do século XIX. Quantos têm aceitado o chamado do
Senhor para irem aos campos missionários, proclamar a salvação em
Cristo! Quantos ousam fazer a diferença!
Agora é com vocês.
Josias já fez a parte dele.
E você, caríssimo jovem, fará a sua?
Jesus Cristo, o nosso Salvador e Senhor, supremo exemplo de
tudo isso que dissemos, pois ousou deixar a glória celestial para vir ao
mundo “buscar e salvar” aqueles que se haviam perdido, aguarda uma
atitude de cada um de nós. Qual será a nossa atitude? Eternamente
desejosos, ou ativamente empenhados nas mudanças?
Que Deus nos abençoe!
São Paulo, 17 de julho de 2002
Pr. Wagner Antonio de Araújo
137
036. MALDIÇÃO DE CRENTES
"Suas portas estarão fechadas"
"Que o Anjo do Senhor o persiga"
"Não terá prosperidade"
"Não terá mais sossego nem de dia nem de noite"
"A mão de Deus pesará sobre a sua vida"
"Ficarás enfermo e morrerás"
É incrível, mas essas palavras têm sido ditas por ministros
chamados cristãos e por crentes imaturos que aprendem sempre e
nunca aprendem nada. Basta que alguém divirja de suas opiniões ou
não concorde com os seus comportamentos aberrantes, e as profecias
e maldições "ungidas" começam.
Dias atrás Benny Hinn decretou a morte de quem lhe
perseguisse. Aqui no Brasil assistimos estupefatos os tubarões
evangélicos da mídia amaldiçoando o trabalho dos concorrentes e dos
amotinados. E então eu me pergunto: que cristianismo é esse?
Esse é o cristianismo da lama, o cristianismo neopentecostal
popular. Ele é uma mistura de misticismo, baixo espiritismo, magia
negra e ódio. Nele são citadas expressões bíblicas contra os inimigos
de Israel e acusações pesadas, mas não se identifica o espírito cristão
do Mestre e Senhor em tempo algum. Esquecem-se que Cristo é o
explendor da glória de Deus e que Ele interpretou toda a Escritura à luz
de Sua pessoa, de Sua mensagem e de Seu sacrifício vicário, onde
reconciliou o mundo com o Pai ("Isto é, Deus estava em Cristo
reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados;
e pôs em nós a palavra da reconciliação." (2Co 5:19)
Na bíblia dos amaldiçoadores só há lugar para a vitória pessoal e
qualquer pessoa ou organização que se colocar no caminho é
amaldiçoada e entregue ou a Satanás ou ao Anjo do Senhor. O Diabo
ou Deus, dependendo da imprecação, recebe uma lista de tarefas para
executar contra a pessoa ou a instituição. Deus e o Diabo tornam-se
servos do amaldiçoador. Geralmente as questões citadas e as
138
obrigações divinas são: acabar com a dignidade do amaldiçoado,
descarregar sobre ele enfermidades mortíferas, mostrar publicamente
a humilhação e, por fim, conduzi-lo à morte. Coisa muito similar ao
fundamentalismo islâmico e aos terreiros de quimbanda.
Será preciso lembrar a esses supostos cristãos amaldiçoadores
que eles estão seguindo a um Cristo falso, pois tem cara de Cordeiro
mas a boca é do Dragão: "E vi subir da terra outra besta, e tinha dois
chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão." (Ap
13:11). A aparência é de um suposto cristianismo, mas a boca, ah, essa
está coroada de tudo aquilo que não convém.
Qual a diferença do cristianismo autêntico para o falso
cristianismo amaldiçoador?
1) Cristo perdoa ao invés de amaldiçoar: "E dizia Jesus: Pai,
perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." (Lc 23:34). Seus
seguidores seguem por esse caminho: "E Estêvão, pondo-se de joelhos,
clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E,
tendo dito isto, adormeceu (At 7:60).
2) Cristãos perdoam até quem não merece ser perdoado: "E,
quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra
alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas
ofensas." (Mc 11:25)
3) Cristãos seguem o caminho da humilhação e não da
ostentação de poder: "Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também
a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses;" (Lc
6:29); "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que
a seu tempo vos exalte;" (1Pe 5:6)
4) Cristãos nunca amaldiçoam: "Abençoai aos que vos
perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis." (Rm 12:14)
5) Cristãos suportam as perseguições: "Suportando-vos uns aos
outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra
outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também." (Cl
3:13)
139
4) Cristãos não tomam o nome de Deus em vão, fazendo uso de
maldições de um Deus que nos ensinou a não amaldiçoar: "Não
tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não
terá por inocente ao que tomar o seu nome em vão." (Dt 5:11)
5) Cristãos não usam de palavras torpes, chulas ou iradas contra
outrem, nem contra o inimigo. Pelo contrário, eles tratam o inimigo
humano de forma boa, atitude que, não raras vezes, causa um
constrangimento no mesmo, ao ponto de sentir a própria cabeça
incomodada como se estivesse cheia de brasas vivas: "Portanto, se o
teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber;
porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça."
(Rm 12:20)
6) Cristãos vivem o que pregam: eles deixam-se encher pelo
Espírito Santo, que tira deles as características do velho homem
pecador e os identifica com Cristo, Seu caráter e Seu próprio Ser:
"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de
entranhados afetos de misericórdia, de benignidade, humildade,
mansidão, longanimidade; "(Cl 3:12);
6) Cristãos têm corações quebrantados e não vivem debaixo do
sonho de vingança: "Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a
vossa ira." (Ef 4:26); "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal
com o bem" (Rm 12:21)
7) Cristãos possuem em si a disposição de amar até quem não os
ama, perdoar quem não mereça e ajudar sem fazer acepção de
pessoas: "E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis?
Também os pecadores amam aos que os amam. "(Lc 6:32); "Antes
sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoandovos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo" (Ef
4:32)
8) Cristãos não cobram territórios ou cercam áreas de atividades;
para eles, o campo é o mundo e eles cooperadores no Reino de Deus:
"E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde
Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio;" (Rm
140
15:20); "Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de
Deus e edifício de Deus." (1Co 3:9); "Mas que importa? Contanto que
Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em
verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda. "(Fp 1:18)
9) Cristãos não humilham irmãos diante dos outros: "Ora, se teu
irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir,
ganhaste a teu irmão; "(Mt 18:15);
10) Cristãos se parecem com Cristo: "Aquele que diz que está
nele, também deve andar como ele andou." (1Jo 2:6)
Diante do acima exposto, afirmo categoricamente: o cristianismo
ameaçador, amaldiçoador e perseguidor não é o cristianismo de Cristo
Jesus, o Filho de Deus, mas de Satanás, o usurpador, que até se veste
como Cristo, mas é o Diabo.
Que avaliemos o cristianismo de nossos pastores, de nossos
líderes, de nossos irmãos, de nossos amigos, e que busquemos nos
aproximar do autêntico cristianismo perdoador e abençoador do
Senhor Jesus. Afinal, foi pelo perdão e pela misericórdia que um dia
fomos aceitos diante do Pai por meio de Jesus. Que sejamos também
misericordiosos e que entreguemos todas as nossas causas nas mãos
dAquele que julga retamente.
Amém.
09/03/2013
Wagner Antonio de Araújo
037 - IGREJAS SADIAS PREGAM A
SALVAÇÃO
"E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do
céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual
devamos ser salvos." (At 4:12)
141
Igrejas sadias pregam a salvação. Não uma salvação qualquer
(existencial, cultural, motivacional, emocional). A mensagem bíblica é
que Cristo veio ao mundo "salvar os pecadores, dos quais eu sou o
principal" (cf. I Tm 1.15).
Assim, nos púlpitos e nas salas de aula das igrejas sadias os
assistentes são confrontados com a dura realidade bíblica: todos
somos pecadores. “porque todos pecaram e destituídos estão da glória
de Deus;”(Rm 3:23).
Igrejas sadias não criam máscaras para entreter os pecadores,
apresentando-lhes apenas uma alternativa melhor para viver. Igrejas
sadias mostram com clareza que os homens, por si só, estão
condenados à morte eterna e ao Lago de Fogo e Enxofre. “porque o
salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida
eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor”(Rm 6:23); “mas, quanto aos
tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos
fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos,
a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a
segunda morte.”(Ap 21:8).
Igrejas sadias apresentam o plano de salvação idealizado pelo
próprio Deus para tirar do homem o seu pecado original e transformálo em nova criatura, em um filho adotivo, em um cristão autêntico.
Tais igrejas crêem que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é o Messias, o
ungido, o enviado do Pai para reconciliar consigo o mundo: “isto é,
Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes
imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da
reconciliação.”(2Co 5:19); “nisto está o amor, não em que nós
tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou
seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.”(1Jo 4:10)
Igrejas sadias levam os pecadores a crerem em Jesus, não
mediante teatros emocionais e envolvimentos sorrateiros com
atividades secundárias, mas através do confronto com a Palavra, com a
decisão, com a conversão: “os céus e a terra tomo hoje por
testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a
142
bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua
descendência,”(Dt 30:19).;“quem tem o Filho tem a vida; quem não
tem o Filho de Deus não tem a vida.”(1Jo 5:12). "De sorte que a fé vem
pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo." (Rm 10:17).
Igrejas sadias não convertem as pessoas, mas pregam a Palavra
de Deus, usada pelo Espírito Santo no convencimento e na conversão:
(cf. João 16.8). Porém, no que compete ao seu testemunho, tudo
fazem para levar os pecadores a mudar de vida: “Saiba que aquele que
fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte
uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados” (Tg 5:20)
Igrejas que usam seus púlpitos para propagar outros mediadores
que não Jesus, que gastam o tempo inteiro em ensinar regras sociais
ou leis mentais para o sucesso e para a felicidade não são sadias. São
igrejas enfermas, que podem estar doentes, ou já serem apóstatas,
heréticas e pecaminosas.
A missão dada por Cristo à Igreja foi para que ela propagasse a
Sua salvação, apresentando-o como o enviado pelo Pai para a salvação
dos pecadores. Igrejas que não pregam o evangelho puro e simples, o
evangelho da cruz, negaram a fé e estão debaixo da condenação do
Senhor: “Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra
eles batalharei com a espada da minha boca.” (Ap 2:16)
Que as nossas igrejas propaguem a salvação em Cristo. “Porque
Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação,
por nosso Senhor Jesus Cristo,” (1Ts 5:9).
15/09/2012
Wagner Antonio de Araújo
038 - RECORDAÇÕES DE PORTUGAL
Caros leitores
Em 2005 tive a oportunidade de pregar em Portugal. Na ocasião
enviei e-mails reportando passo a passo a viagem.
143
Por ser longo não o publicarei nas listas. Se alguém interessar-se
pelos textos, basta acessarem este link:
www.prwagnerantoniodearaujo.blogspot.com.br
Abraços.
Wagner Antonio de Araújo
039. ... E JOÃO NÃO VEIO ...
- Alô? João?
- Maria? Olá, Maria! Tudo bem?
- Tudo, João. E aí, como está o coração???
- Ah, Maria, não começa de novo, por favor...
- Tá legal, João. Não liguei pra isso não. Quero te fazer um
convite. Posso?
- Manda bala.
- É que o Sammy Tippit vai pregar no ginásio da prefeitura, e vai
sair uma kombi de cada igreja aqui da baixada, eu queria te convidar
pra ir comigo. É grátis, vai ser no domingo à tarde, e vamos ter boa
música e uma boa pregação. Topa?
- Topo.
- Como?!? Você topa?
- Topo, poxa! Era pra não topar?
- Não, claro que era pra topar! É que eu fiquei superfeliz!
- Tá. Que horas tenho que chegar? "Tô à fim" de ir à noite, no
culto, também.
- Nossa, cara, que legal! Olha, chega às 13:30, a perua vai
estacionar às 14. Assim a gente não perde a condução, e ainda
conversa um pouquinho. Nossa, estou superfeliz, João!
- Tá legal. Vou no culto da noite também. Só que agora tenho
que desligar, que o chefe tá chegando. Beijinho. Tchau.
Maria amava João. Eles namoraram por alguns meses, dois anos
antes. Mas João voltara para a velha namorada (foi um fogo de palha,
que durou um mês) e Maria ficara magoada, triste, mas não
desesperançada. Sempre que podia, enviava telemensagens, e-mails,
144
cartas, recadinhos. João nunca respondia. Ou, quando o fazia,
inventava as desculpas mais esfarrapadas. Mas Maria era persistente,
e continuava cheia de esperanças. João era membro de outra igreja.
Mas, atualmente, não ia em lugar algum. Ele se achava um cristão
auto-suficiente.
A felicidade de Maria justificava-se: afastado que estava, João
prometera ir à cruzada! Sammy Tippit envolvera todas as igrejas da
região nesse evento evangelístico. Cada congregação ganhara uma
perua para buscar os visitantes e membros. O ginásio comportava
umas duas mil pessoas; assim, conseguir-se-ia encher todas as
arquibancadas.
Ainda era quinta-feira. Maria não se agüentava de tanta
felicidade! Até o domingo ela fez de tudo, para demonstrar a sua
gratidão ao Senhor, e implorar-lhe a bênção: jejuou, orou por horas,
leu muitos capítulos da bíblia, evangelizou, enfim, fez muito mais do
que estava acostumada. No seu "diário", decorou cada um desses dias
com um arabesco diferente, colorido e trabalhado. Ela estava tão
ansiosa, que perdera até a fome. Estava tão feliz, que cumprimentava
a tudo pelo caminho: "Bom dia, poste!", "Bom dia, gato!", "Bom dia,
hidrante!". Ah, como é linda a paixão!
Já era sábado. Gastou um bom dinheiro no cabeleireiro,
produzindo-se de forma brilhante. Pedira à mãe para apertar o vestido
que comprara para o casamento da prima, e emprestara os sapatos de
veludo colorido de Soraia, colega de escola. Ela teria, enfim, um
encontro! Sim, João iria à cruzada!
Chega o domingo. O relógio marcava 13 horas, e Maria já se
encontrava na porta da igreja. O sol brilhava forte, Maria estava
debaixo da sombrinha, sem incomodar-se. O zelador ainda não abrira
o templo. 13:30: começaram a chegar as meninas da sua turma de
mocidade. Também os adolescentes, seus alunos, que iriam cantar no
"grande coral da baixada". Ela estava orgulhosa por ver os meninos
integrados em atividades musicais de louvor, tão clássicas e solenes.
145
Faltavam 10 minutos para as 2 da tarde, e a perua chegara.
Maria agora suava frio. João não aparecia na rua, nem de um lado,
nem do outro. "Será que ele esqueceu? Oh, meu Deus, estou tão
ansiosa!" Às duas em ponto todos estavam presentes, menos o João.
Maria inventou, então uma desculpa, dizendo ter esquecido um
prendedor de cabelos no banheiro feminino, e pediu para entrar. Pois
sim. Ela queria ganhar tempo, para que o seu amor chegasse.
Mas às duas e dez o motorista da perua ameaçou deixá-la, caso
não entrasse. Com um grande bico, carrancuda, entrou no veículo,
rumo ao ginásio. E João não veio.
Chegaram no ginásio. Gente de toda a parte, de todos os lados,
pessoas felizes, com faixas das igrejas, com camisetas coloridas, fitas
nos cabelos, bandeirolas na mão, cada um fazendo a sua própria
campanha. Maria conduziu o seu grupo para as escadas que davam de
frente ao palco, onde o coral e o Sammy estariam. Sentaram-se e
conversavam muito. Mas Maria observava os portões. "Será que o
meu amor perdeu-se, será que ele vem de ônibus? Será que ele vai me
surpreeender? Oh, Deus, por favor, não me deixe sozinha..."
Estava ventando muito nas escadas onde estavam. Marcos e as
garotas pediram a ela se poderiam sentar-se lá do outro lado, pois não
estavam se agradando do vento. Maria disse que sim. Perguntaram-lhe
se não iria com eles, e ela disse que já estava bem acomodada ali. E
eles foram embora, deixando-a sozinha. "Poxa, que amigos da onça eu
tenho! Ninguém quis ficar comigo".
Começou o culto. O coral cantava maravilhosamente. Alguns
solos, avisos, e Sammy Tippit pregou a Palavra de Deus. Depois do
apelo evangelístico, dezenas e dezenas de pessoas desceram das
escadas, em lágrimas, entregando-se a Jesus.
Maria ficara feliz, com certeza. Mas o seu coração estava
arrasado. O João não viera. E ela queria que essa tarde fosse uma
tarde completa: ela e o João. Ela queria estar ao lado de quem amava.
Seu coração pulsava forte por João, mesmo que dois anos os
separassem.
146
Assim que Sammy orou pelos decididos, o povo foi se levantando
para ir embora, pegar a condução. Mas o coral ainda cantava. Maria
ficou até o fim. Maria ouviu parte por parte. Seus garotos estavam
cantando, ela fez questão de prestigiá-los. Quando terminaram, ela
levantou-se e aplaudiu efusivamente a apresentação, e desatou a
chorar. E chorava copiosamente. Seu coração doía. Ela já não sabia se
chorava de alegria pelas conversões, ou pelo gozo de ver seus
meninos cantando uniformizados, ou se lamentava a ausência de João,
que a fizera passar vergonha, com uma roupa de festa num lugar onde
todos estavam de camisetas. Olhou à sua volta. Não sobrara ninguém!
Ela estava absolutamente sozinha. A única que ficara sentada na
arquibancada! Sentiu-se só. Sentiu-se melancólica, ao ver-se no final
do grande evento.
Maria chorou, e ninguém a consolou.
- "Senhor, por que comigo? O que foi que eu te fiz? A Gláucia, a
Cíntia, a Beth, a Zenaide, todas são felizes, estão namorando, e não
sofreram assim! Elas me pressionam, Senhor, dizem que não sou
normal! Onde está o João, Senhor? Onde estão os meus amigos?
Aonde está a minha felicidade?"
Ah, sim. A dor que Maria sentia era muito grande. Não era
manha não. Nos seus 21 anos, Maria era virgem. Guardara-se para
agradar ao seu Criador, honrando ao Senhor Jesus. Maria era
trabalhadora, desde os 14 anos nunca deixara de exercer alguma
função, e agora era secretária numa boa empresa. Era a primogênita
da família, uma filha excelente. Seu quarto era um brinco, seus pais
muito a amavam. E, na igreja, um exemplo: recepcionista de visitantes,
professora dos adolescentes, cantava solos, dava cursos de artesanato
e participava da sociedade de moças. Sua beleza era inconfundível:
uma pinta bem debaixo da orelha direita exercia um charme especial.
Quando sorria, lindas covinhas se abriam, e os seus loiros cabelos
brilhavam mais ainda, combinando com aqueles olhos de um azul
claríssimo! Linda, trabalhadora, inteligente, amada, Maria não queria
147
outro homem, só o João, seu primeiro e grande amor. Maria sentia-se
só.
Quantos de nós não somos como Maria, detentores de um vazio
enorme dentro do coração, frustrados com as coisas que não
acontecem, ou fartos de outras que teimam em acontecer! Quantos de
nós ficamos sentados, sem um amigo verdadeiro do nosso lado!
Ninguém conhece as profundezas de nossos corações!
Ainda nas escadas do ginásio, Maria orou com a bíblia no colo:
"Senhor, fala comigo! Eu não agüento mais! Senhor, eu preciso
ouvir a tua voz!"
Então ela fez algo incomum em sua formação bíblica. Resolveu
abrir a sua bíblia aleatoriamente. Sua bíblia estava toda marcada,
grifada, sublinhada, com canetas de todas as cores. Então, ao abri-la,
deparou-se com um versículo saltando da página, como se dissesse
"me leia, por favor!". Ei-lo:
"Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o
Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma
esperança.
O texto era Jeremias 29.11. Maria leu, releu, leu novamente, e
orou: "Senhor, se és tu quem falas comigo, então mostra-me que
planos são estes! Que futuro é este! Que esperança é esta! Sinto-me
sozinha, sinto-me abandonada, indesejada! Senhor, eu preciso saber
quais são os teus planos para mim! "
Maria foi embora na perua. Chegando na igreja, foi ao banheiro,
lavou seu rosto, arrumou-se um pouco e foi ao seu lugar especial, no
quarto banco à esquerda, próximo do ventilador.
Com o coração pesado, Maria sentia vontade de estar invisível,
de não ser notada, de ser só ela e Deus, naquele momento. O pastor
solicitava os cânticos, Maria só ouvia as canções, acompanhava com o
pensamento. Mas, por fora, apenas lágrimas quentes rolavam de suas
faces. João não viera ao culto também. Não, ela nem olhava para a
porta do templo. De que adiantaria?
148
Maria chorava. Enquanto o pastor pregava, Maria estava à
quilômetros de distância, sentindo o rosto a queimar, o peito a doer, o
corpo a moer. Duas senhoras, sentadas próximas, lhe perguntaram:
"Maria, o que há? Você está bem? Está sentindo dores? Quer que
tragamos água, ou a acompanhemos até o banheiro?" Gentilmente
Maria desculpou-se, dizendo: "Não, irmãs. Eu estou em comunhão
com Deus". As irmãs, imediatamente, recuaram. É como se estivessem
tocando em solo sagrado. As lágrimas derramadas na presença de
Deus, não devem ser represadas.
Ah, quando o peso é grande demais, quando a dor é forte
demais, quando o abandono é longo demais, quando a frustração é
profunda demais, sentimo-nos como Maria! O rosto nos queima, as
canções soam longe, a pregação nos escapa, o mundo muda de ritmo,
parece que tudo custa a passar! Estar com o Senhor é o melhor lugar,
em tempos de perturbação!
Maria dizia em seu íntimo:
"Senhor, que planos tens para mim? Que esperança me dás, se
as coisas que mais quero não consigo ter? Aonde está o meu João?
Aonde está o respeito das minhas amigas? Eu sou diferente, Senhor!
Todas têm namorados, todas estão quase se casando, e eu estou aqui,
sozinha, chorando por um homem que não me ama! Fala comigo,
Senhor!"
O culto terminara. O pastor dera a bênção apostólica e fora à
porta, despedir os membros. Maria, que era uma das primeiras a
confraternizar-se, ficou sentada. Suas pernas pesavam, ela estava
fraca, sentia-se mal, queria morrer. "Fala-me, Senhor!"
Depois do tumulto do instante inicial, o corredor foi se tornando
mais livre, e as crianças corriam de um lado para o outro. Julinho, um
garotinho espoleta, correndo por todos os lados, tropeçou numa
bíblia, pegou-a correndo, deu-a aberta à Maria, e disse: "Tó, tia, tô
indo. Tchau".
149
Maria tomou a bíblia e, antes de fechá-la e colocá-la no encosto
do banco, viu acesos alguns versículos grifados, e decidiu lê-los antes.
Ei-los:
Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a
contentar-me com as circunstâncias em que me encontre.
Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e
em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como
em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer
necessidade.
Posso todas as coisas naquele que me fortalece.
Então ela pensou:
"Meu Deus! Paulo dava graças mesmo padecendo necessidades?
Paulo passava fome também! Era isso que ele queria dizer, quando
falava POSSO TODAS AS COISAS NAQUELE QUE ME FORTALECE!"
Foi como o sol a nascer no horizonte da vida de Maria. O Espírito
Santo mostrara-lhe algo que lhe era encoberto: "ANTES DE PENSAR
NAQUILO QUE NÃO SE TEM, AGRADEÇA PELAS COISAS QUE TEM; E
ENTREGUE O FUTURO AO SENHOR, QUE TEM PLANOS DE PAZ PARA
VOCÊ". Sim, era disso que ela precisava! Mas, como tirar a dor do
coração? Como esquecer do João, ou do opróbrio, de ser tratada como
"a diferente"?
Maria ajoelhou-se, tomou as mãos e fez um gesto, como a
colocar sobre o banco um pacote. E disse:
"Senhor, eu não sou capaz de agradecer pela necessidade. Eu
não sou capaz de gostar do teu plano para com a minha vida. Mas EM
CRISTO, que me fortalece, eu serei capaz. Capacita-me, ó, Pai! Agora,
Senhor! Eu te dou o meu coração, e todas as minhas frustrações. Dáme um coração igual ao teu, meu Mestre!"
Sammy Tippit afirmou, em uma palestra aos pastores, que o
verdadeiro avivamento só virá, quando houver arrependimento para
os arrependidos. E isso só pode acontecer quando nos rendemos
inteiramente ao querer do Senhor. Ainda que não o entendamos,
150
ainda que não enxerguemos que futuro isso terá; Deus tem o melhor
para aquele que deposita nEle a sua confiança.
A dor não saiu rapidamente, mas Maria levantou-se dali
decidida.
Ela decidiu não ligar mais para o João. Se alguém estava
perdendo, nessa história, esse alguém era ele, e não ela. Portanto, se
ele não dava valor, então era porque o Senhor não o havia designado
como companheiro para ela. Maria decidiu virar a página e não
esperar mais por ele. E foi o melhor que fez.
Disse ela: "Se eu pensar no quanto sou infeliz sozinha, os meus
problemas não desaparecerão. Pelo contrário, só tornarão a minha
vida mais amarga. E se eu pensar nas coisas que tenho, e no quanto o
Senhor me ama, a paz do céu encherá o meu coração. E eu serei feliz.
Então entrego a minha solidão ao Senhor".
Ela decidiu também ignorar o opróbrio das amigas. Ela lhes
explicou que, se elas estavam namorando e iam se casar em breve,
que agradecessem ao Senhor por isso, mas que não quisessem obrigála a ter a mesma coisa, pois, em sua vida, os planos de Deus eram
outros, e isto tinha que ser respeitado. Suas amigas entenderam, e não
a forçaram mais a correr atrás de alguém.
Sua fisionomia já não estava abatida. Pelo contrário, Maria agora
estava mais simpática que nunca! Lecionava com mais amor e vigor,
aos seus adolescentes; cantava com gratidão ao Senhor; recebia os
visitantes com grande simpatia; enfim, tudo ficou melhor. Ela dizia:
"EM TUDO DOU GRAÇAS, MESMO PELAS COISAS QUE NÃO GOSTO.
DEUS TEM PLANOS PARA MIM, PLANOS DE PAZ, PLANOS DE VIDA,
PLANOS DE ESPERANÇA. VOU CONFIAR!"
E Maria tornou-se feliz.
Dias atrás, soube que casou-se! Sim, um jovem garboso e
elegante (garboso? essa palavra é arcaica; hoje se diz "saradão"...),
muito crente, gentil e responsável, atravessou o seu caminho quando
ela menos esperava. Os dois se gostaram tanto, se entenderam tão
bem, se atraíram tanto, que casaram-se, numa festa de fazer cair o
151
queixo! O primeiro filho chama-se JEREMIAS (mas o sobrenome não é
29.11...), e o PAULO está prestes a nascer. Que coisa!
Deus é assim! Converte o nosso pranto em folguedo, converte o
nosso opróbrio em vitória. Deus ergue o caído, fortalece o fraco e
torna um plebeu em príncipe.
Mas tudo começa com QUEBRANTAMENTO...
O que? Como vive a Maria e seu esposo? Querem saber se o
Jeremias é espoleta? Bom, minha gente querida, quem sabe, um dia
desses, eu lhes conto um pouco. Mas isso é caso para uma próxima
PÁGINA SOLTA.
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
[email protected] - www.uniaonet.com/bnovas.htm
Obs: Esta é uma obra de ficção. Foi escrita na madrugada do dia 01 de
agosto de 2004. Este texto, "...E JOÃO NÃO VEIO..." nasceu como uma
ilustração, durante a pregação da Palavra do Senhor, no culto do 26o.
aniversário da Igreja Batista de Lauzane Paulista, na capital paulista,
em 31/07/2004. Naquele culto, para a honra e a glória de Deus, um
grande quebrantamento veio, da parte do Espírito Santo, sobre toda a
congregação. À semelhança de Maria, muitos e muitos renderam-se à
vontade de Deus, entregando as suas próprias a Ele. Vamos fazer o
mesmo?
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38 - RECORDAÇÕES DE PORTUGAL - narrativa da viagem de 2005
Ola, amigos!
Graca e paz!
152
Enquanto escrevo, o sol esta se pondo. E jah sao dez e quinze da
noite! Eu nunca havia visto isso.
CORRERIA DE SAIDA - Com dificuldade terminei os preparativos
para viajar: comprei malas, mas malas AZUIS! Tive um almoco
maravilhoso com o jovem Raul, adolescente da igreja. Providenciei
filmes e preparacao de malas, e fui conduzido ao aeroporto pelos
irmaos Valter e Manoel Melo.
La no aeroporto, a fila era enorme. Enquanto eu fazia o check'in,
alguns irmaos da igreja chegaram, de surpresa, para se despedirem e
me emocionarem! Posso cometer injustica, esquecendo'me de
alguem, mas estavam la a Izamara, a Lana e o Caio, a Iris, a Andreia, a
Zulene, e o Ministro de Musica Joao Marcos. Que coisa boa!
MATADOURO - Entrei na fila para fazer a imigracao. A multidao
deveria estar por volta de 300 pessoas. Fomos andando e parando,
como o corredor por onde os bois andam, quando viram bife e filet
mignon. Bem, depois de muito esforço, de troca de portoes, de
inspecao com maquinas, de um onibus lotado para o aviao,enfim,
chegamos.
UM 777 - Esse boeing eh enorme, um monstro mesmo. Ao
chegar ao assento, espantei-me: poltronas amplas, esticador de pes,
controles no braco, e aeromocas vindo perguntar se queria alguma
coisa. Pensei: puxa, a classe economica estah parecendo executiva!
Que maravilha! Depois vim saber que ou foi um erro da empresa, ou
precisaram usar essa area, pelo numero de passageiros que havia.
Bem, tomara que sempre precisem dessa area para os economicos!
VOO TRANQUILO – Sim, o voo foi abencoadissimo. Apesar de
algumas turbulências, e do meu nervosismo (minha primeira viagem
desse porte, transcontinental), tudo correu bem. Ate um tapaolho eu
ganhei para poder descansar melhor.
PISEI NAS TERRAS PORTUGUESAS – Seria vergonhoso dizer que
me emocionei quando pisei pela primeira vez na Europa? Acho que
seria. Então não direi. Entretanto, é mais estressante a entrada no pais
do que todo o voo! Nas filas para ganhar um visto, o nervosismo de ter
153
que se explicar e não ser compreendido. Mas ateh ai tudo bem, sem
problemas. O grande problema foi A MALA. Oh, bendita mala! A minha
foi a ultima! Mas estava la, graças a Deus!
NÃO CUMPRIMENTE POLICIAIS – esse negocio de ser cortez tem
que ter limites. Principalmente quando se cumprimenta policiais. Se
você encontrar um, da federal, no aeroporto, quando esta entrando no
pais não diga BOM DIA. Por causa de um bom dia, o policia me
revistou, me questionou, quase me mandou abrir a mala, mas depois
me liberou. Caramba!
RECEPCAO - Que alegria encontrar o Pastor Marcos Amazonas
dos Santos, acompanhado do irmão teotónio, membro da mesma
igreja! Me receberam tão bem! E eu pensei que o irmão da igreja se
chamasse JOAQUIM, e fui conversando, chamando’-o de Joaquim.
Ateh que o Pastor Marcos me corrigiu. Por que será que fiquei com
Joaquim ou Manuel na cabeça?
ALMOÇO – Encontramos o Pastor Samuel, de uma igreja de
Lisboa, e ele nos acompanhou no almoço, na praça de alimentacao de
um shopping, em Benfica. Os dois pastores são ávidos torcedores de
times rivais, o Benfica e o Porto, tiveram assunto para muito tempo.
Comi porco. Eu iria comer javali, mas eles mudaram de ideia.
METRO – Aqui a palavra eh paroxítona. Mas o metro éh otimo,
parece são Paulo. Boas estacões, passagens eletronicas, tudo muito
bem organizado. O Pr. Marcos Amazonas conseguiu uma bencao muito
grande nesta tarde: sua igreja ganhou o status de IGREJA, pois antes
era ASSOCIACAO RELIGIOSA. E esse foi um alvo de muitos meses, e
razão de muitas oracoes. Andamos muito por Lisboa, mas achamos o
lugar certo. Aleluia!
RONCOS E BABAS – Fomos embora para Coimbra, são quase 200
quilometros. Paramos para uma coca’cola, mas eu estava
absolutamente cansado. E vi pouco da viagem. O pastor me acusou de
ter roncado e babado, enquanto ele dirigia. Eu acho isso o cumulo, não
posso acreditar. Eu não ouvi nada. Infâmia! Mas o sono esteve pesado!
154
CALDO VERDE – Comi essa comida diferente, mas tão gostosa! A
irmã Lilian, esposa do Pastor Marcos, eh um doce de pessoa,
tremendamente crente, cordial e simpática. E muto boa mãe também,
pois o Mateus e a Debora são crianças altamente educadas,
simpáticas, alegres, muito cheias da graça do Senhor.
TCHAU – Vou indo, porque aqui jah eh tarde. E, com a graça de
Deus e as oracoes dos amigos, espero cumprir toda a agenda que o
Pastor Marcos preparou para mim, para que o nome do Senhor seja
glorificado.
Um abraço a todos.
Com amor,
Wagner António de Araújo
Coimbra, Portugal, Europa
[email protected]
MEMORIAS DE PORTUGAL - 02 - O FIM DE SEMANA
Caros amigos
Diletos irmaos
Nao ha prazer maior, na vida de um pastor, de um crente, do que
ver a operacao de Cristo nos coracoes das pessoas. E nao tem sido
diferente neste tempo em Portugal. Com os meus olhos, alem de
contemplar a terra de onde os meus ancestrais vieram, contemplar a
paisagem, as vinhas, as aldeias, estou vendo tambem a obra que o
Espirito Santo faz em cada coracao. Bendito seja o Senhor.
SÁBADO
Finalmente pude dormir ate tarde. Foi a primeira vez, desde que
comecamos o trabalho com a Good News. E como foi bom! O Pr.
Marcos foi muito generoso comigo, permitindo qu eu descansasse.
Alias, este lar eh um lar segundo o coracao de Deus. A irma Lilian,
esposa do pastor, eh uma ternura de pessoa. trata de mim como de
155
um filho. Ha duas criancas na prole do pastor, a alegria do papai e a
mamae: o Mateus, de 11 anos, que ainda fala um pouco de portugues
brasileiro, e a Debora, de 6 anos, que so fala portugues portugues. Sao
criancas doceis, alegres, educadas, carinhosas, sao os filhos que todos
gostariam de ter.
VALE DE CANAS
Sabado foi Dia das Crianças por aqui. E a igreja resolveu ir ateh o
vale de canas, um parque arborizado, muito bem cuidado e tratado,
para divertir os seus pequenos. Eu estava um tanto retraido, porque a
igreja de Coimbra eh composta da nata da sociedade pensante
europeia. A Universidade de Coimbra tem muitos doutores e
professores crentes, da igreja. O povo eh exigente intelectualmente, e
eu, coitado de mim, um simples bacharel. Mas aos poucos fui
conhecendo um pouco essas familias. Dr. Jonatas, a maior autoridade
portuguesa em direito, Dr. Artur, expert na area de quimica, Prof.
Teotonio, autoridade em fisica, e por ai vai.
UM BOM LANCHINHO
Depois das conversas, reuniram as crianças e as tias contaram
historinhas, muito agradaveis. As criancas tinham feito pequenos
bonecos com copos descartaveis e com cartolina, e utilizaram tudo isso
para as historinhas. Entao, depois da aula, tivemos um gostoso
piquenique. Lanchinhos diferentes, doces tipicos daqui, mousse de
chocolate, etc. A intelectualidade nao impediu a açao do Espirito Santo
e a confraternizacao. Bendito seja Deus!
FAZENDO BOLETINS
O Pr. Marcos eh um pastor muito eficiente e trabalhador. Ja
chegava ah meia noite, e ainda estavamos na igreja, tirando copias dos
boletins, dos canticos da manha, acertando os ultimos detalhes para os
servicos de hoje, domingo, dia 05 de junho de 2005.
156
UMA AULA INESQUECÍVEL
A Igreja Batista de Coimbra, fundada pelo inesquecível
missionário António Maurício, formada por uma centena de crentes de
diversas partes do mundo, intelectuais em sua grande maioria, eh uma
igreja simplesmente maravilhosa. Confesso que me senti pequeno
demais e retraído para qualquer atividade. Mas uma coisa me salvou: a
aula da Escola Bibica Dominical veio primeiro. E o professor foi o irmão
António Teotónio. Eu confesso, com sinceridade: posso contar nos
dedos as aulas em toda a minha vida que foram tão boas, tão
inspirativas e tão profundas, quanto a que tive hoje, sobre a salvação e
sua conceituaçao. Meu Deus, como me fez bem! E como o irmão
Teotónio, Professor de Física, foi piedoso!
DESCULPE-ME, LUIZ DE CARVALHO
Sim. Tenho que pedir desculpas a ele. É que em todo lugar que
vou, levo o playback de suas canções, e canto. Acabo fazendo com que
não comprem o CD, porque canto mal demais, e as pessoas festejam
quando termino! (perdão, padrinho!). O meu cd PORQUE ELE VIVE jah
esta furado. Cantei, e isso me ajudou a tomar a palavra. Falei sobre OS
TRÊS SÍMBOLOS CRISTÃOS. Ao final, abraços e UM BEIJINHO (as irmãs
osculam nossas faces duas vezes, mas eh UM BEIJINHO). Palavras de
encorajamento, palavras amigas, mas uma delas eu não vou esquecerme. Partiu de uma intelectual. *Pastor, a sua palavra foi interessante,
bem organizada, deu para compreender o inicio, o meio e o fim, e fez
sentido para mim. Deus tocou em mim e vou buscar pratica-la..
Obrigado por ter vindo” Puxa, isso foi fantástico!
FRANGOS, SUA SINA EH O NOSSO PRATO!
Sim. Os frangos assados, fritos, a passarinho, são consumidos
pelos crentes daqui também. Então eu descobri que os empenados
não tem sossego nem em Portugal. Que frangos gostosos preparam
aqui!
157
VILA VERDE
Não houve tempo de descanso. O irmão Joaquim (esse era
Joaquim mesmo!) veio buscar-me. No dia anterior, ele tomara o
cuidado de pedir a minha ficha para o pastor Marcos. Eu iria pregar
numa igreja de aldeia, e de outra denominação, A IGREJA DOS
IRMÃOS. E lah fui eu. Para ANDORINHA, mas teria que passar em VILA
VERDE, outra aldeia.
O caminho para a aldeia foi maravilhoso: vinhas por toda parte,
milharais crescendo, hortas esparramadas pelos sítios, coisa fantástica.
Então, passamos na casa do irmão Joaquim, para pegar o aparelho de
CD, porque, para variar, eu iria cantar … LUIZ DE CARVALHO… e a sogra
dele estava à nossa espera. Uma autentica portuguesa, daquelas que
eu conhecia no Brasil. Idosa, dócil, meiga, porem, muito crente no
Senhor Jesus Cristo. Aleluia!
ANDORINHA
Em Andorinha vi um JEGUE. Isso mesmo: um jegue. Uma
portuguesa, com chapéu e roupas pesadas estava a falar com alguém.
Quando eu a fotografei, a moça com quem ela estava a falar quase me
bateu! Bem, espero que a foto tenha saído, para valer a bronca.
Chegamos num salão, sem placa, numa viela que dava para um
campo. Quando entrei, era uma igreja! O povo estava orando e
cantando! Logo que cheguei, percebi que o Espírito de Deus estava
naquele lugar, na face das pessoas, no sorriso que esboçaram, nas
canções que entoavam. Uma igreja diferente. As mulheres usam véu .
As viúvas vestem-se todas de preto, ate o véu. Eles não tem pastores,
mas não criam caso com quem tem. Eles são muito amigos dos Batistas
por aqui.
A minha pregação foi emocionada. Quando digo que os meus
ancestrais vieram daqui, e que seria emocionante um deles ter
158
sobrevivido, para saber que houve um regresso, então não me
contenho. E eles comigo, porque sabem que perderam muitos
parentes com a emigração para o Brasil.
Falei sobre a minha experiência com Deus, quando aos dezessete
anos, fui libertado da morte ( vide E AINDA ESTOU AQUI). Por incrível
que pareça, JAH CONHECIAM A MINHA HISTORIA! Eles disseram que
aqui em Portugal essa experiência foi muito conhecida, e que estavam
felizes por ver ao vivo e em cores, a pessoa que foi tirada da morte
pelo poder de Deus!
Ao final, eles, que não são abastados, enfiaram no bolso do meu
paletó alguns euros. Eu protestei, mas eles fizeram questão de dizer:
serve para tomar um “pequeno almoço” (café da manhã). Meu Deus,
que prova linda de amor e carinho! Claro que vou tomar um pequeno
almoço!
CANTANHEDE
Fomos para essa outra cidade. O calor aqui eh muito, mas muito
forte. Eu, de terno pesado, correndo para outra cidade, pingando, para
pregar novamente. La a igreja já era completamente diferente. Era
uma igreja urbana, bem menor, Batista, e estava me aguardando para
começar. Um dirigente angolano estava à frente. Passou-me a palavra,
e eu cantei, depois fizemos um circulo, e pude contar a experiência da
irmã Conceição, que era portuguesa (vide ENCONTREI MEU NOME). Ao
final, no apelo para que alguém reconsagrasse sua vida ao Senhor,
todos, do dirigente aos visitantes, isso fizeram. Aleluia!
CAFÉ E CAMA
O irmão Joaquim trouxe-me para casa. Tomamos antes um café,
e depois, viemos para cah, Jah jantamos, e eu agora vou dormir o sono
do dever cumprido. O trabalho soh começou. Tudo quanto sou, ou
cada centímetro da força que tiver, quero dedicar ao meu Senhor, que
por mim doou a própria vida.
159
Saudades da mamae, do Daniel, da Milu, da Igreja Batista Boas
Novas de Osasco, do Brasil, e dos amigos.
Ateh breve!
Wagner Antoniop de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
[email protected]
Sent: Thursday, June 16, 2005 2:00 AM
Subject: RECORDAÇÕES DE PORTUGAL 3 E 4
RECORDAÇÕES DE PORTUGAL - 03 - DE FRENTE PRA TRÁS 1
Olá, amigos. Graça e paz!
Hoje é quarta-feira, dia 08 de junho de 2005, são 11 e 44 da
manhã por aqui.
Estive com problemas no computador, por isso não escrevi
antes. Mas projeto contar, pelo menos em rápidas pinceladas, como
está sendo esta minha viagem para Portugal, mormente sobre estes
últimos dias, isto é, segunda, terça e quarta. Mas, assim como li numa
estorinha do Bidu, o cachorrinho do Franjinha (personagens do
Maurício de Souza), onde havia um cachorrinho muito esquecido que,
para lembrar-se de onde viera, tivera que lembrar-se dos fatos de trás
pra frente, assim vou tentar voltar no tempo, para não perder as coisas
principais, deixando registrados os acontecimentos-chave.
JUMBO
Quando eu era pequeno (e isso não faz tanto tempo assim...),
havia uma rede de supermercados chamada JUMBO, depois
JUMBOELETRO, e agora soh ELETRO. Era da família DINIZ. Que
surpresa monumental chegar em Portugal e encontrar o velho JUMBO,
160
com o mesmo logotipo, e uma vasta rede de supermercados
funcionando! Só não é mais da família Diniz: de resto, é tudo igual.
Bem-vindo ao passado!
SOMOS TODOS IGUAIS
À tarde de ontem, pude ver os estragos que o amor não
correspondido, faz no peito de um jovem português. Cá estava um
rapaz, em aconselhamento, buscando, no pastor, o consolo e as
orientações necessárias para superar a crise de um sentimento não
correspondido. "você sabe o que é ter um amor, meu senhor, ser
amado por uma mulher..." Rapazes são rapazes em qualquer lugar do
mundo! Partilhei com ele algumas dores e os muitos consolos do
Senhor, adicionando isso como ilustração, às orientações do Pastor
Marcos Amazonas dos Santos.
CAFÉ COM LÍNGUA
Antes disso, estivemos num centro comercial, que é o nosso
shopping center, tomancdo café com a irmã Maria Jorge. Que irmã
fascinante! Uma senhora muito alegre, com quem conversamos muitas
horas sobre as peculuaridades da língua portuguesa, no Brasil e em
Portugal. Infelizmente a porta-voz a língua no Brasil é a TV Globo, e
Portugal pensa que o falar deles representa a totalidade sonora de
nosso português. Falamos sobre palavras que são diferentes nos dois
países, e rimos muito. Fomos regados a uma BIQUINHA COM
BOLINHO, isto é, um café com mistura.
AULA COM OBREIROS
Já estou na segunda-feira, à noite. Os fatos que citei
correspondem à terça-feira.
RECORDAÇÕES DE PORTUGAL - 04 - DE FRENTE PRA TRÁS 2
ACONTECIMENTOS DE AGORA
161
Estou chegando do almoço e visita à parte baixa de Coimbra. Fui
almoçar com o Professor Artur Alfaiate e o Pastor Marcos Amazonas
dos Santos. Fomos ao centro comercial novo. Não vou dizer o nome do
que comi, mas é uma bengala de pão francês com uma série de coisas
dentro. Presunto (diferente do nosso), mussarela, etc.
Coimbra tem a chamada parte baixa, um lugar altamente
histórico. Fomos à igreja de Santa Cruz, onde encontramos sob os
nossos pés os túmulos de antigos monarcas portugueses. Um detalhe:
agora se pagam por velas de eletricidade, que brilham o tempo
suficiente da oração. Você coloca uma moeda, a vela acende.
Terminado o prazo do dinheiro, ela apaga...
Fiz um bom negócio nas lojinhas da escadarias do Arco da
Almedina. Encontramos a tal Dona Rosário, cuja comadre é prefeita de
Valparaíso. Os meus companheiros ficaram estupefactos ao verem
como consegui regatear o preço, baixando quase 40 por cento do valor
que deveria ter pago. Sou brasileiro pechincheiro! Tomamos um
refrigerante no antigo velorio da cidade. Mas sem defuntos.
Bem, agora aguardo a hora de ir para Agueda, onde devo pregar
a noite. Estamos com 39 graus de temperatura, pouca coisa.
VOLTANDO A SEGUNDA FEIRA
CONFESSANDO AS CULPAS
Na segunda-feira à noite eu fui o palestrante do curso OBREIRO
APROVADO, cujos participantes são de Coimbra e de Oliveira do
Hospital. Falamos a respeito da confissão na igreja. Pude contar as
experiências tidas nesses 17 anos de pastorado, 14 deles ordenados.
Lembrei-me do que aconteceu em Vila Souza, quando, após um
período de oração, as pessoas confessaram espontaneamente seus
pecados, e lembrei-me também da chamada Santa Convocação, que
fizemos na Boas Novas, e que trouxe tantas revelações! Bem, Deus ali
operou maravilhas também. Eles estavam felizes, porque Deus estava
a falar às suas vidas, e eu também.
162
VISITA AO HOSPITAL
À tarde dessa mesma segunda, fomos visitar a Dona Irene, que
caíra e quebrara uma perna, e agora convalescia no hospital, após
passar por procedimento cirúrgico. Mas, após a visita, quem ficou
doente fui eu, que, não acostumado com 40 graus de calor, caí
prostrado na cama, carecido de doses maiores de medicamentos. Mas
melhorei. Tanto melhorei, que até fui para a aula do curso OBREIRO
APROVADO!
VISITA À UNIVERSIDADE DE COIMBRA
Mateus, o pastor e eu fomos até a Universidade de Coimbra,
conhecer a Faculdade de Direito Foi muito interessante. Tiramos fotos,
conhecemos os corredores, andamos muito em todo aquele calorzão.
Tirei até uma foto junto à estátua de Dom Diniz!
ADENDO
Bem, jah historiei tudo. Exceto o culto da família, acontecido
ontem, aqui, antes de irmos ao supermercado JUMBO.
O Pastor Marcos reuniu a família na sala. Ele, sua esposa Lilian, o
Mateus e a Deborah. Primeiro eles cantaram. Depois eles oraram.
Depois fizeram a HORA DO DESABAFO, onde cada um falou sobre as
coisas que não estão boas em casa: a Deborah está demorando muito
para comer, o Mateus precisa de uma corneta para acordar, etc.
Depois os elogios: um melhorou nas brincadeiras, outro em aspirar a
casa, enfim, cada um recebeu um bom elogio. Daí fomos à hora da
leitura de uma história de missões contemporâneas. O Mateus leu
uma história de uma missionária na Índia, e todos debateram sobre o
tema. Após cantarem, terminaram o culto. Eles fazem isso uma vez por
163
semana, e estou motivado a escrever uma mini-esquete edificante,
para apresentar na Boas Novas, instando para que os lares da igreja
também façam isso, se não podem fazer diariamente o culto
doméstico. Posso dizer que o Pastor Marcos e sua família, são
verdadeiramente cristãos. Glória a Deus!
FIM
Agora vou ao banho e vou à Águeda. Quando puder, escreverei
mais. Se quiserem escrever-me, acho que agora entrei num acordo
com o computador. Ficarei grato em ler.
Um abraço, amigos.
Wagner Antonio de Araújo
[email protected]
de Coimbra, Portugal, Europa.
Sent: Thursday, June 16, 2005 2:01 AM
Subject: RECORDAÇÕES DE PORTUGAL 5 E 6
RECORDAÇÕES DE PORTUGAL 05 - ÁGUEDA
COMO IRÁS?
Vais de comboio! Foi o que o pastor Marcos me disse. E foi o que
aconteceu. E fui sozinho! Ele deixou-me à frente da Estação de trens
de Coimbra, para eu mesmo comprar o bilhete e ir sozinho para
Oliveira do Bairro, porque alguém estaria a me esperar por lá.
Que medo! Faltava 5 minutos para o trem sair. Eu, sozinho, a
circular de comboio por Portugal! Era muita emoção ao mesmo
tempo! Comprei o bilhete. 2,25. Uns 7 reais. Consegui descobrir qual
dos dois comboios ia para o Porto. Era o da linha 4. Mas, enquanto
alguém não confirmou-me categoricamente que eu estava no trem
certo, não sosseguei. Uma boa alma o fez. Então aquietei-me.
QUANTAS PARAGENS!
164
Coimbra2, Adémia, Fornos, Souselas, Pampilhosa, Mealhada,
Aguim, Curia, Mogofores, Paramo-Sangalhos, Oliveira do Bairro.
Quantas paragens (estações)! Eu estava a viajar de trem pela Europa!
Um vagão excelente, com ar condicionado e tocando músicas de
Giuseppe Verdi, Tchaikovsky, Mozart! Lá fora, vinhas e plantações de
milho, entrecortavam as pequenas vilas, aldeias e cidades. Também vi
favelas, mais ao lado de pontes e viadutos. E vi o que é tremer de
medo, nervoso por não imaginar se desceria no lugar certo!
APERTE O BOTÃO!
Chegamos em Oliveira do Bairro. O trem parou. Fui à porta. E a
bendita não abria! Ai, Jesus! Abre, pelo amor de Deus! Estava a ver a
hora que o comboio partiria, e eu ficaria estacado a esperar de pé!
Mas ainda há boas almas neste mundo! Um rapaz, que percebera não
ser eu da região, pos-se a perguntar-me se houvera apertado o botão
para abrir a porta. Eu disse que nem vira botão algum. Então mirei a
porta. Lá estava um botãozito amarelo, grande, com os dizeres:
PORTA. Ai, Jesus, que vergonha!
SOZINHO NUMA PARAGEM DESERTA
Saí do trem e fiquei só, numa estação deserta. Deu-me um
esfriar na barriga que só Deus para aquecê-la. A escada ficava distante
uns 200 metros. Caminhei até lá e tive que voltar por baixo, porque a
saída ficava exatamente onde eu havia descido... Enquanto caminhava,
pensava: meu Deus, por que trouxestes-me para cá? Como isso pôde
acontecer? E caminhava e agradecia ao Senhor, que enviara-me pelas
terras lusitanas, não para fazer turismo, mas para proclamar as
virtudes dAquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa
luz. Se algum turismo casual e eventual estava a fazer, era mera
consequência da necessidade de locomoção.
UMA MOÇAMBICANA
165
Uma jovem irmã branca, nascida em Moçambique, criada no Rio
de Janeiro e estabelecida em Águeda, foi buscar-me. Nem eu a
conhecia, nem ela a mim. Aliás, eu estava indo para uma igreja
desconhecida, onde não conhecia absolutamente ninguém.
Conversamos um bocadinho, mas apenas para quebrar-se o gelo do
que qualquer outra coisa. Uma pessoa maravilhosa, que trabalhou no
Acampamento Palavra da Vida, e no outro do finado Waldemar
Fomim. Seu pai é pastor cá em Portugal, e ela tirará férias no próximo
mês. Está desesperada para voltar ao nosso país.
UMA IGREJA DIFERENTE
A igreja está a funcionar na garagem de uma grande residência,
de propriedade d uma das irmãs da igreja. O calor estava quase
insuportável, e era quase 9 horas da noite, com raios de sol a clarear o
horizonte! Aos poucos os irmãos e irmãs foram chegando. Eu, sem
jeito, sem graça, sorrindo para todos, e todos para mim, mas
desconfortável porque não tinha com quem conversar, e eles não
tinham qualquer assunto a tratar comigo. Enfim, entramos. A mesma
jovem pos-se a dirigir o louvor. Alguns cânticos eram conhecidos, mas
completamente diferentes, porque assumiram um colorido todo
português, e foram transformados.
UMA APRESENTAÇÃO
O Pastor Heitor, o ministro daquela grei, apresentou-me assim:
irmãos, ouviremos o irmão Wagner, que veio de longe, de Coimbra,
para nos falar. Não o conheço, mas foi apresentado pelo Pastor
Amazonas. Esperamos que Deus o use. Pastor...
Que situação! Uma porção de gente a olhar-me tão assustada
quanto eu a eles! O que fazer agora? Todos absolutamente
desconhecidos! Ai, Jesus!
UMA GUITARRA QUEBRA-GELOS
166
Havia uma guitarra! Aleluia! Não era uma guitarra acústica
(violão), mas já dava para os gastos. Apresentei-me, dizendo que o
desconforto deles era o mesmo que eu sentia, mas teríamos que fazer
algo sobre isso. Perguntei o que eles achavam. Eles riram, mas não
sabiam o que propor. Então eu me propus a tocar alguma música cristã
brasileira, e fosse o que Deus quisesse.
Toquei: A MINHALMA ESTÁ CHEIA DE PAZ, A MINHALMA ESTÁ
CHEIA DE PAZ. TENHO GOZO CELESTE E PRAZER EM DIZER, A
MINHALMA ESTÁ CHEIA DE PAZ. Meus irmãos, precisavam ver a alegria
desse povo, porque ELES CONHECIAM O CANTO! Cantaram,
acompanharam com palmas, sorriam, etc. Estava quebrado o gelo! Ao
final eu disse: Ora, pois, pois, quer dizer que eu estava a manter-me
enganado o tempo todo, a pensar que esse cântico era brasileiro, e
não o era? Eles riram muito! Para complementar, cantei outro,
dizendo: esse os imãos não conhecessem: CAMINHANDO VOU PARA
CANAÃ, SE VOCÊ NÃO VAI, NÃO IMPEÇA-ME, etc. Pra que fiz isso!
Esses irmãos ficaram de pé e acompanharam cantando e com palmas,
ao ritmo do vira, papapa, papapa, etc!
A PARÁBOLA DA LARANJEIRA.
Ah, bendita parábola de John White! Lá estava eu, no meio da
faixa litorânea do Porto, a pregar sobre essa parábola de trinta anos
atrás! Os olhos dos irmãos nem se mechiam! Ao final, em lágrimas,
todos deram-se as mãos e oraram, oferecendo-se ao serviço do
Senhor! Ao findar o culto, os irmãos vinham cumprimentar-me, contar
suas lutas e pedir orações. E eu, prontamente, orava por seus
problemas. Isso consumiu quase uma hora além do culto! Só terminei
porque o Professor Artur Alfaiate, de Coimbra, fora me buscar, e não
poderia esperar mais.
Acredito que foi um momento inesquecível.
OREM POR MIM
167
Estou a atravessar um dilema. A igreja de Coimbra deseja ouvirme na próxima sexta-feira, não amanhã, mas na outra, e eu não estarei
mais aqui. Voltarei para o Brasil, com a graça do Senhor, na segundafeira. Entretanto, o Pastor Marcos Amazonas está a pressionar a
ROBERTOUR e a Igreja Batista Boas Novas, para liberar-me mais alguns
dias, para cumprir essa agenda. Orem por mim, para que eu decida o
que fazer. Até amanhã terei que decidir. Só o fato do interesse já
corresponde a uma honra grandiosa demais! Obrigado, Jesus!
Escrevam-me.
[email protected]
Wagner Antonio de Araújo,
Coimbra, Portugal, Europa.
RECORDAÇÕES DE PORTUGAL –06 – EM QUE PARTE ESTOU?
Olá, amigos. Estou fora da internet neste momento, por isso não
me lembro em que número estou. Mas não faz mal. Este texto é a
sequência do último. Creio que falei sobre a ida para Águeda, não é
mesmo? Então falarei do outro dia, do dia seguinte, acho que foi
quinta-feira, nove de junho de 2005.
UM LONGO CAMINHO
A minha agenda fora mudada, de última hora, para que pudesse
atender a uma igreja do litoral. Haviam sido informados da minha
presença na região, e quiseram uma visita. Tratava-se da Igreja dos
Irmãos de Gafanha da Nazaré, junto a Aveiro, no litoral. Então o Pastor
Marcos, eu e o Matheus (filho do Pastor Marcos), fomos encontrar o
irmão Joaquim Girão, que nos conduziria até a localidade. Mas eu não
sei quem sabia menos, se era o Pastor Marcos ou o irmão Girão. Isso
fez com que andássemos muito, e demorássemos. Estou a dizer isso
168
por causa de um grande problema: FICAMOS SEM JANTAR. Puxa vida,
eu havia mantido a barriga vazia, para degustar um leitão, mas fiquei a
ver navios mesmo. Literalmente. Em Aveiros.
UMA IGREJA DE UMA FAMÍLIA
Em lá chegando, encontrei alguns irmãos conhecidos, que
estiveram em Andorinha, no domingo passado, a me ouvir. Foram eles
os responsáveis em convidar-me para visitar a igreja deles. Mostraramnos o templo, as dependências, etc. Não é um grande templo, mas
atende muito bem a comunidade de 30 pessoas, 18 das quais daquela
família. Pus-me a pensar: se o pastor brigar com um daquela família, o
que será do ministério dele?? Mas isso é impossível de acontecer. Eles
não têm pastor. Têm anciãos (grande diferença!) E o ancião ... é da
família... rs
UM CULTO ABENÇOADO
Mulheres com véu e mulheres sem véu estavam espalhadas,
junto a irmãos que não usavam terno. O único batistão tradicionalzão,
era eu mesmo. Não me lembro se o Pastor Marcos estava de gravata.
Os jovens tinham teclado, bateria, havia um irmão a tocar violão
elétrico, e cantaram bonitas canções. Mas eu emocionei-me mesmo
quando cantaram EU SÓ CONFIO NO SENHOR! Puxa, o cântico da Boas
Novas, o mais querido e conhecido, ali, numa vila de pescadores
portugueses! Havia um casal muito bonito, que cantou uma música
flamenca, com letra cristã. Linda demais. Pena que a câmera já dava
sinais de fim da bateria. O irmão que cantou era ex-combatente na
guerra com a Guiné. As músicas eu gravei na câmera que meu irmão
Daniel me deu. Apenas o áudio, que quero compartilhar com quem
quiser. Mas direi quando, com a graça do Senhor, estiver no Brasil.
MINHA MISSÃO
Não vim a Portugal passear, nem comer, nem me divertir. Não se
trata de viagem turística ou de quem não tinha o que fazer, ou quem
169
vive às custas da boa fé que alguém deposite. Fui para pregar a Palavra
de Deus, para proclamar as virtudes daquele que nos chamou das
trevas, para a sua maravilhosa luz. É claro que, no decorrer do tempo,
vejo paisagens, alimento-me, e procuro ter algum descanso. Mas não
são ênfases, nem serão.
Minha missão estava a cumprir-se. Deram-me a palavra. Então
pedi ao Fernando, filho do irmão Joaquim Girão, para que tocasse
PORQUE ELE VIVE, porque havia esquecido o playback do Luiz de
Carvalho. Depois tomei emprestado o violão elétrico e perguntei se
eles conheciam a música CAMINHANDO VOU PARA CANAÃ. Ah,
novamente o fenômeno: cantaram e se alegraram. Mas não bateram
palmas, porque ali não se pode. Então preguei sobre o Salmo 37.
Quando comecei, o sonoplasta veio desligar-me o microfone. Poxa,
deveria ter vindo ligar! Acontece que o salão é muito pequeno, e,
digamos que eu estivesse um tanto entusiasmado com a Palavra de
Deus. Bendigo ao Senhor pelos efeitos, pois, ao final dos trabalhos,
muita gente veio agradecer a mensagem. É assim mesmo. Às vezes um
pregador da casa, ou patrício, prega as mesmas coisas, e não surte o
mesmo resultado. Mas quando um estrangeiro fala, ah, daí é
diferente! Vejo muito isso no Brasil, quando a Good News está a
trabalhar. Mas é como diz o ditado. Santo de casa não faz milagres.
Aproveitemos, então, os santos de fora, para a glória de Deus!
PÃO ... COM OVO...
Terminado o culto, eu estava doidão para jantar. Entretanto, o
irmão ancião fez questão de nos levar para sua própria casa,
demonstrando, assim, todo o carinho e o afeto. Ele é dono de uma
lavanderia. A casa é lindíssima, na beira da rodovia que liga à Espanha.
Eu queria muito ir até lá, mas fica longe, uns 300 quilômetros. A casa
parece americana, mas tem a mobília portuguesa, repleta das
cerâmicas e dos móveis bem trabalhados. A esposa dele nos contou
toda a história de sua conversão, da conversão da família, etc. E,
enquanto falava, ofertava-nos o café. Dentre as coisas, havia um pão-
170
de-ló de uma aldeia vizinha, amarelo, com recheio cheiroso com
açúcar, e que deveríamos comer como sobremesa, no prato. Deu
vontade de comer e repetir. Voltamos bem tarde, subindo para
Coimbra.
Até o próximo, se Deus quiser!
Wagner Antonio de Araujo
Viagem.usa.uol.com.br
Sent: Thursday, June 16, 2005 2:03 AM
Subject: RECORDAÇÕES DE PORTUGAL 7 E 8
RECORDAÇÕES DE PORTUGAL –07 – MUITO CALOR ... E ... BEM
Agora estamos na sexta-feira, dia 10 de junho de 2005. Um
feriado muito importante em Portugal. Dia de Camões, Dia das
Comunidades Portuguesas, enfim, Dia de Portugal. O país parou. E as
crianças do Pastor Marcos estavam absolutamente decididas a ir
celebrar esse dia na praia, como tantas outras pessoas. E eu fui de
mala.
Uma estrada boa, uma distância similar a de São Paulo e Santos.
A estrada lembra a subida de Campos do Jordão, no Vale do Paraíba.
Ao chegar em Figueiras, atravessamos uma ponte muito bela, com
designer ultra-moderno. Depois, ladeamos braços do mar, onde as
pessoas tentavam pescar alguma coisa.
UM PIQUENIQUE
Havia um parque, com churrasqueiras comunitárias e mesinhas.
Um campinho de futebol alegrava os garotos, e as meninas brincavam
171
de correr por entre as árvores. A irmã Lilian, esposa do Pastor Marcos,
levara gostoso empadão para comermos, acompanhados por arroz,
salada, deliciosas guloseimas. Ela só não contava com O FRIO. Sim,
estava calor até uma certa altura, mas, de repente, uma brisa gelada
passou a incomodar. Será que teríamos boa praia?
ENFIM, MAR!
Ah, o mar! Que maravilha! Na hora é maravilhoso, mas, depois,
como hoje, quando não usamos protetor solar, arde como pimenta e
fogo (quem nunca viu sol, quando vê, se queima). Eu, que não fui
preparado para a praia, ganhei essa dádiva familiar e acompanhei a
família. Que emoção saber que eu estava exatamente do outro lado do
Atlântico! Quando estou em Praia Grande, em São Paulo, olho pro mar
e me pergunto: qual seria a distância até Portugal e África? Agora fiz a
pergunta inversa! E praia é praia! Praia é o paraíso na Terra! Mas não
precisava ser tão literal...
ESTOU A VER BEM?
Então, enquanto a família do Pastor Marcos se divertia, e essas
coisas nós nunca mais nos esquecemos, e eu não queria atrapalhar, fui
caminhar pela orla, para orar, para apresentar ao Senhor a Boas Novas,
a minha família, o meu futuro casamento, etc. E fui caminhando,
tranquilo, contemplando pais, filhos, mães, filhas, jovens,
adolescentes, todos se divertindo, ao lado de .... de .... PELADOS! Sim!
Caminhando por alí, fui dar bom dia para um senhor careca de
bigodes. Quando disse “bom dia”, eis que o cidadão estava nu,
absolutamente nu, e a sua família também estava nua, exceto uma
menina, um pouco mais recatada. Pensei: “isso não está
acontecendo”. Caminhei mais um pouco, e lá estavam dois rapazes
tomando sol horizontalmente, uma senhora banhando-se
alegremente, todos convivendo com outros normais. Meu Deus, isso
então acontece na Europa! Pensei que colocassem plaquinhas dizendo:
praia de nudismo. Mas depois descobri que não são praias específicas,
172
mas cada um faz a sua própria conduta em termos de pudor, e o outro
tem que respeitar. Claro, bati naquela parte, e dei meia volta, porque
não estava à fins de ficar empeladando-me. Ao retornar, e confidenciar
ao Pastor Marcos, ele disse: “Essa estória está mal contada, rapaz!
Você estava é a participar do nudismo, diz a verdade, pá!” Já pensou?
Que manchete? E que tragédia obesal?
Até o próximo, se Deus quiser!
Wagner Antonio de Araujo
Viagem.usa.uol.com.br
RECORDAÇÕES DE PORTUGAL –08 – ÚLTIMA PARAGEM
Estou a terminar minha viagem. A viagem mais rica
missiologicamente, em toda a minha vida e carreira ministerial.
Preguei muito e em muitos lugares, e conheci uma multidão
heterogênea da igreja do Senhor. Coimbra, Andorinha, Cantanhede,
Coimbra de novo, Águeda, Gafanha da Nazaré, e agora Oliveira do
Hospital, a cidade mais distante, e de um povo abençoado.
Estou escrevendo no sábado, 11 de junho de 2005. Enquanto
escrevo, ouço, lá fora, as rãs na sua cantata noturna. O galo também
anuncia a mudança das horas. À tarde eu conheci uma oliveira de
verdade, e estou levando um galho, para dar uma folhinha para cada
membro da Boas Novas, pois é uma lembrança importante. Não temos
oliveiras no Brasil. Conheci uma cerejeira, uma pereira, uma fruta
amarela gostosíssima, mas que não me lembro o nome. Chupei
laranjas-bahia diretamente do pé, acompanhei um pastor de ovelhas a
conduzi-las pelo pasto, junto a três cachorros-pastores (não disse
pastores-cachorros), conheci o templo da igreja batista de Oliveira do
Hospital, conheci a poetisa Maria Arlete Bastos, que leu-me umas 40
poesias, e agora coloco-me para dormir, pois terei um domingo muito
atarefado.
173
Ao vir para cá, nesta manhã, junto com o irmão Prof. Dr. António
Theotónio, que é o tesoureiro da igreja de Coimbra (e foi diretor da
universidade de física de Coimbra)., viemos conversando sobre as
bênçãos do todo-poderoso. Almoçamos no Túnel Restaurante, e ali
pude conhecer uma chanfana bem cozida, no ponto. Uma comida
semelhante à carne de panela. Lá encontramos a irmã Arlete, que é
líder da igreja em Oliveira do Hospital. Estou distante uns 100
quilômetros de Coimbra, mais ao norte do país. Amanhã eu iria pregar
pela manhã, lecionar, e, logo em seguida, ser transportado para
Oliveira do Bairro, um lugar muito distante daqui, mais de cem
quilômetros, para pregar lá. Mas eles querem-me aqui o dia todo, e só
retorno para Coimbra à noite. E, no dia seguinte, vou para Lisboa,
tomar o vôo de volta para o Brasil. Então, ainda não sei bem quantas
vezes irei cantar, quantas vezes irei pregar, quantas vezes irei orar.
Mas sei quantas vezes irei agradecer ao Senhor. Afinal, pregar é a obra
que Ele confiou-me, e é tudo o que tenho na vida.
Esta viagem foi, em tudo, um milagre de Deus. Quando o irmão
António Theotónio me confidenciava que a mensagem de domingo foi
tão marcante no peito da igreja, que estão fazendo cópias e mais
cópias do CD para presentear, eu rendi graças ao meu Deus. Quando
soube que há igrejas que ficaram sem agenda para que eu as visitasse,
eu bendisse ao Deus de toda a glória. Quando soube que eles tudo
fizeram para que eu fosse embora só na sexta-feira que vem, para que
eu pudesse participar de outros cultos e encontros, inclusive o dos
professores e empresários da cidade de Coimbra, agradeci ao Senhor.
Se algum benefício pude representar, diante de tantos e tantos que
pude receber, devo isso ao Senhor, a quem entreguei a minha vida. E
agora parto, na data certa. Até aqui tudo está bem. Não quero ficar
mais, porque eu preciso da Boas Novas. Sinto sua falta. Espero que
sintam de mim também. Há muito, muito, muito o que fazer!
Vale à pena confiar em Deus. “Pastor Wagner, eu gostaria tanto
que você viesse visitar Coimbra e pregar por cá!”, disse-me o Pastor
Marcos Amazonas, pelo MSN , “Pastor, eu também gostaria, mas como
174
faria?” , “Wagner, eu não tenho como transportá-lo!” , “Sim, pastor, eu
também não. Mas deixemos nas mãos de Deus. Em sendo do agrado
dele, tudo se resolverá”. Pedi oração, e apresentei o que precisava. E,
em menos de 20 dias, tudo foi suprido, através de pessoas que se
sentiram motivadas a fazer isso, pessoas que leram minhas crônicas e
pessoas a quem o Espírito de Deus levantou para isso. Por isso, quando
contabilizo tudo isso, mesmo tendo sido desligado de algumas listas
muito amadas e queridas, sob a justificativa de que minhas viagens
não interessavam a ninguém, senão a mim mesmo, sinto-me com o
dever cumprido.
E pra que conto isso? Para me envaidecer? Buscar fama ou
cartaz? Aparecer? Longe de mim. Acontece que, de alguma forma, com
a graça do Senhor, essas coisas podem edificar algum servo de Deus,
que precisa de ânimo, algum irmão pode fortalecer-se, ao ver a
atualidade da graça do Senhor. Se Deus está agindo num miserável
pecador arrependido, indigno de sua graça, um homem falho,
imperfeito e limitado como eu, o que ele não poderá fazer na vida do
meu leitor, que certamente é muito melhor e tem alcançado
progressos muito maiores na vida cristã, intelectual e espiritual? Se
Deus usa a mim, certamente que usará ao meu leitor também! Por
isso, confie! Por isso creia! Por isso saiba: tudo pode mudar em
minutos! O que está caído, pode levantar-se! O que está velho, pode
renovar-se! O que está morto, pode ressuscitar! E o que é impossível,
pode acontecer!
Se Deus permitir, escreverei mais um texto. O que historiará os
fatos de amanhã, e o da chegada em São Paulo, se assim Deus
permitir. Orem por mim, por favor.
Até o próximo, se Deus quiser!
Wagner Antonio de Araujo
Viagem.usa.uol.com.br
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Sent: Thursday, June 16, 2005 2:05 AM
Subject: RECORDAÇÕES DE PORTUGAL 9 E FOTOS
RECORDAÇÕES DE PORTUGAL - 09 - FINAL
MANHÃ NA QUINTA
Sim, mas não quinta-feira, Quinta dos Tigelinhos, em Oliveira do
Hospital. É o nome do sítio onde hospedei-me, casa da poetisa e serva
de Deus Maria Arlete Bastos, sua filha Sandra, sua mãe Maria
Assumpção e sua neta Miriam. Logo pela manhã tomamos um
delicioso café, com queijo de ovelhas.
UMA IGREJA DIFERENTE
Fomos ao salão da Igreja Evangélica Baptista de Oliveira do
Hospital. O irmão Victor Costa estava a lecionar para a Escola Bíblica
Dominical. Logo que terminou, um grupo, oriundo da Assembléia de
Deus, e agora membro da igreja batista, cantou um belíssimo hino.
Finda a música, cabeu-me dar continuidade. Cantei com o playback do
Luiz de Carvalho. Dois hinos. E, logo depois, dei o meu testemunho
sobre a sobrevivência em 1982 e a graça que o Senhor tem para dar a
cada um de nós, que nEle confiarmos. Ao final, entoei QUE DOCE VOZ
TEM MEU SENHOR. Convidados para receber orações, toda a igreja foi
à frente, em lágrimas. Aleluia!
CONVÍVIO
Os irmãos almoçam juntos. Cada um leva o seu prato predileto e
a sua bebida preferida, e celebram o amor, a amizade e o convívio
cristão, uns com os outros. À mesa, muito amor, carinho, edificação
cristã e bom humor. Na pança, uma excelente oportunidade de matar
176
a fome. E na alma a esperança de que, se não nos encontrarmos mais
na Terra, nos encontraremos nos céus.
DE VOLTA À COIMBRA
De tardezinha o irmão Edson, diácono da igreja, nos levou à casa
do Pastor Marcos Amazonas. No caminho, conversamos sobre tantas
coisas! Irmã Arlete, também a esposa do Edson, eu, a Miriam, fomos
conversando pelos tantos quilômetros que separam Oliveira do
Hospital, de Coimbra.
UMA DESPEDIDA COM LÁGRIMAS
Subimos ao terceiro andar, casa do Pastor Marcos. Depois de
algumas conversas, eles me deram presentes (domingo foi dia do
pastor). No mesmo momento, o irmão Joaquim Girão ligou-me, ele e
sua esposa Albertina, para despedirem-se. Daí não deu mais. As
lágrimas invadiram-me os olhos, e a dor da saudade bateu na alma.
ARRUMANDO AS MALAS
O Pastor Marcos Amazonas é um excelente arrumador de malas.
Eu enfiei as minhas roupas goela abaixo em minhas duas malas, mas
não havia nada que as fizesse fechar decentemente. Mas o Pastor
Marcos, com seu jeito peculiar de aproveitar todos os espaços,
conseguiu, criando algum vácuo, fazer caber e ainda sobrar espaço!
Que coisa!
DESPEDINDO DOS DE CASA
A irmã Lilian despediu-se rapidamente, porque senão iria chorar.
O Matheus, filhão do pastor, jogou dominó comigo, para despedir-se
(e perdeu! We are champion!). Depois, com os olhinhos rasos de
lágrimas, me disse: pastor, eu nunca mais vou te esquecer."Quem
agüenta isso, irmãos? A Débora, a princesinha, adormecera, depois de
chorar bastante com um machucadinho no joelho. Uma alma sublime
e inocente!
177
ACORDANDO CEDO
Hoje, segunda-feira, logo de manhãzinha, o Pastor Marcos tocou
o pé na porta do quarto, anunciando que iríamos perder o avião, que
já era 8 e 30! Eu desesperei-me. Me vesti como pude. Quando olhei no
relógio, nem sete horas eram! Cara chato! Pegamos um pouco de
chuva pelo caminho. Eu presenciei todo tipo de clima por lá: sol de
estalar, chuva, frio, calor. Um autêntico privilégio. Recebi a ligação do
irmão Joaquim Girão, a despedir-se, e do irmão Theotônio também.
Amigos para sempre, sem dúvidas.
NÁDIA!
Lá em Coimbra, entrei correndo, para tentar fazer logo o checkin. E, antes de chegar à VARIG, a irmã Nádia encontrou-me. "Olá,
pastor!" Que alegria eu senti! Ela fazia-se acompanhar de seu esposo e
de sua mamãe! Nossa, foi maravilhoso! Pudemos tomar um gostoso
café, conversar sobre louvores, e eu até ganhei umas lembrancinhas,
que já estou a guardar com muito gosto! Ela tirou fotos e já as
publicou. As minhas aguardarão a revelação ainda. Irmã Nádia, foi um
presente de Deus conhecê-la pessoalmente, viu? Espero vê-la,
juntamente com seu esposo, a visitar o meu São Paulo e o meu Brasil!
Um beijinho, e muito, muito obrigado pelo carinho!
UM VÔO TRANQÜILO, GRAÇAS A DEUS
O VARIG 777-200 boeing, foi excelente. Não houve uma única
turbulência durante as dez horas de vôo de Lisboa a São Paulo. Voltei
nas poltronas executivas, mesmo sendo econômico! Fora as
comissárias de bordo, o resto estava ótimo. O problema foi que elas
não deixavam eu abrir a janelinha (abrir a tampa de dentro, claro). Eu
queria ver lá fora e levei três broncas. Fiquei bronqueado.
VALTER E IZAMARA
178
Ao chegar em Cumbica, Guarulhos, SP, não tive problemas nem
com as malas, nem com a alfândega. Também, que problemas eu
poderia ter, não é mesmo? Não trouxe nada de mais, a não ser uns
panos de prato para as famílias da minha Boas Novas. Trouxeram-me
aqui em casa. E agora, após jantar a comidinha da Milu, resolvi
encerrar essas narrativas sobre a viagem para Portugal.
E O FUTURO?
A Deus pertence. O Professor Theotônio encerrou sua despedida,
em lágrimas, dizendo desejar que retornemos não apenas visitar
Portugal, mas residir em Portugal. Será? Não sei! Certamente seria um
privilégio muito, muito grande! E qual seria a vontade de Deus?
Também não sei! Ainda é muito cedo para saber. Por ora tenho que
pensar que vou dormir durante toda a terça-feira, para descansar
desses 20 dias, acostumar-me ao fuso-horário, e estar com a minha
querida Igreja Batista Boas Novas. Mas já me disseram que quartafeira não terei a direção e o púlpito. Já me tomaram a direção, irmãos!
E agora? Bastou estar um pouco fora, e fui deposto!!!
FIM
Um abraço a todos. Obrigado por lerem.
COMENTEM EM [email protected]
Ficarei agradecido com algum retorno dos meus leitores. Alguma
coisa para eu guardar, talvez para dizer à minha alma que não foi em
vão ter escrito e compartilhado.
Deus a todos abençoe.
Câmbio Final.
VARIG ANTONIO DE ARAÚJO. Ops,
179
WAGNER ANTONIO DE ARAÚJO
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
[email protected]
040 - UMA SURPRESA NAS PESQUISAS conto missionário
Marcos estava feliz: só mais uma cidadezinha, e sua pesquisa
estaria completa. Ele trabalhava em agência de pesquisas de porta em
porta, e recebera a incumbência de detectar quais as instituições mais
importantes em cada uma das oito cidades estudadas. Polícia,
bombeiros, escolas, farmácias, até uma barraquinha de pastéis fora
identificada.
A oitava cidade era pequena, um pouco mais que as outras. Não
seria difícil levantar a amostragem. Ele já pegara a prática.
Escolheu uma rua central e foi a uma casa. Procurou a
campainha, mas não achou. Bateu palmas.
- Quem é?
- Pesquisa, minha senhora. Pode me dar atenção uns
minutinhos?
- Claro! O que deseja?
Marcos explicou: estava trabalhando para a implantação de um
novo negócio, e precisava saber dos moradores quais as coisas mais
importantes no bairro. Fez as clássicas perguntas (quantas pessoas
moram na casa? Qual a faixa salarial? Quantos estudam? Quantas
horas gastam em frente um televisor? Etc.). Então fez a última:
- Se a senhora pudesse escolher, qual seria a coisa mais
importante aqui no bairro, algo que não pode faltar de forma alguma?
- A Igreja Batista - respondeu convictamente.
- Como? ? ?
- A Igreja Batista!!
180
- Ué, ninguém respondeu isso até agora! Que surpresa! Vou
anotar bem pequenininho aqui do lado.
- Não senhor. Escreva aí IGREJA BATISTA. Aqui na cidade a igreja
batista é insubstituível. Ah, como eu agradeço a Deus por essa igreja! E
eu nem crente sou, hein? Mas já fui tão abençoada por eles!
- E o que eles fizeram de tão importante assim?
- Tiraram meus três filhos da rua, das más companhias, e os
levaram para o bom caminho. Só isso já teria valido!
Marcos agradeceu, e decidiu ir para outro ponto da cidade.
Talvez por lá ele conseguisse uma amostragem "normal". Bateu numa
outra porta, fez as perguntas, e complementou com a derradeira (Qual
a instituição mais importante do bairro?
- A Igreja Batista! Ah, moço, aqui em casa todos nós
freqüentamos essa igreja. E todo mundo aqui era "desandado", viu?
Meu marido largou a bebedeira, minha filha "aprumou" e meu filho tá
até "trabalhano de verdade"! Por isso não tem outra coisa pra sugerir
não! Tem que ser a igreja batista!
Marcos estava perplexo, porque, em todas as outras cidades,
nunca uma igreja fora citada como algo relevante. Mas aqui, as coisas
estavam diferentes!
Marcos fez a pesquisa pelas casas da cidade durante todo o
sábado. Eram cem casas. Em 98 delas a resposta foi a mesma: IGREJA
BATISTA! Ao final, fez um levantamento do porquê as pessoas
julgavam tão relevante a Igreja Batista da cidade. Aqui está a súmula:
A IGREJA BATISTA: TIROU CRIANÇAS DA RUA - ENSINOU MÚSICA
PARA ADOLESCENTES - SERVIU DE CONSELHEIRA PARA CASAMENTOS
EM DIFICULDADES - ENSINOU UMA PROFISSÃO AOS DESOCUPADOS SERVIU SOPÃO AOS POBRES - ARRECADOU AGASALHOS NO FRIO,
DISTRIBUINDO-OS - ENSINOU ADULTOS ANALFABETOS A LER E A
ESCREVER - DEU REFORÇO ESCOLAR ÀS CRIANÇAS CARENTES - FEZ
CONFERÊNCIAS BÍBLICAS - FEZ CURSO DE SEITAS E HERESIAS - VISITOU
OS LARES COM NÚCLEOS DE ESTUDOS BÍBLICOS - AJUDOU A PINTAR
ALGUMAS CASAS - TORNOU O CULTO DOMINICAL UM COMPROMISSO
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PRAZEIROSO - DEU UMA BÍBLIA PARA CADA MORADOR - DEU UMA
RELIGIÃO RELEVANTE PARA OS SEM-IGREJA - DEU PERSPECTIVA DE
VIDA E ESPERANÇA PARA A CIDADE - CONTRIBUIU COM O PROGRESSO
PESSOAL E COLETIVO.
Marcos estava muito impressionado. Decidiu visitar a igreja no
culto do domingo à noite. E, como era de se esperar, o pequeno salão
estava lotado. Muitas cadeiras foram colocadas do lado de fora, com
uma caixa de som servindo de contato entre o salão e a rua. Mas todos
estavam felizes, e as pessoas continuavam chegando. No culto,
orações, músicas bonitas, uma boa e simples pregação. Ao final, um
"friendship" (confraternização), quando todos comeram "de graça" os
pratinhos de quitutes que levaram.
Antes de ir embora, o pastor cumprimentou Marcos. Este lhe
perguntou: "Pastor, qual é o segredo para se fazer uma igreja tão
pequena como a sua, tão importante para uma cidade? Como vocês
conseguem?"
O pastor lhe disse:
- Filho, os batistas são COOPERADORES, trabalham em prol do
Reino de Deus. Assim, não estamos sozinhos aqui. Esta é a ponta de
um iceberg. Nós somos fruto da VISÃO MISSIONÁRIA de nossa
CONVENÇÃO BATISTA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Tudo o que somos e
temos, é algo compartilhado por batistas de outros lugares. Temos
algo chamado PLANO COOPERATIVO, quando nossas igrejas cooperam
financeiramente umas com as outras, e proporcionam as condições
para sustentar um trabalho como esse, em convênio. Nascemos assim.
Algumas igrejas investiram em nós: deram-nos terreno, capela, casa
pastoral. Outras entraram no sustento do pastor. E outras ajudam
indiretamente, com o PLANO COOPERATIVO. Além disso, recebemos
visitas de igrejas, que nos trazem o seu melhor: cursos, treinamentos,
atendimento médico-odontológico, pregações, visitações, mutirões
missionários, palestras sobre alcoolismo e drogas, e alguns fazem
cursos quinzenais de música, para dar capacitação aos nossos. Por isso
a nossa igreja é tão frutífera. O segredo é COOPERAR.
182
Marcos foi embora satisfeito. Se há algo que ele nunca se
esquecerá na vida, é que ainda há espaço para uma igreja ser
importante na vida de um bairro, de uma cidade e de um país. E, para
que isso ocorra, o segredo é COOPERAÇÃO, SOLIDARIEDADE,
PARTICIPAÇÃO. Ao invés de falarem sobre os problemas da igreja
como instituição falida, os batistas agem, trabalham e constróem a
igreja de amanhã, ajudando, investindo, amando, compartilhando.
Nesta campanha em prol de MISSÕES ESTADUAIS da
CONVENÇÃO BATISTA DO ESTADO DE SÃO PAULO, leve a sua igreja a
participar. Nas contribuições mensais, ensine a igreja a participar do
PLANO COOPERATIVO. Na oferta especial, ajude sua igreja a alcançar o
alvo proposto. Certamente histórias como a de Marcos se repetirão
em muitos e muitos pontos de nosso grande Estado de São Paulo.
Quem sabe não será a sua igreja uma protagonista de uma nova
história de sucesso?
Wagner Antonio de Araújo
pós-escrito: este artigo foi escrito para a CAMPANHA DE
MISSÕES ESTADUAIS DA CONVENÇÃO BATISTA DO ESTADO DE SÃO
PAULO, em 2005, na época em que a mesma era administrada DESSA
FORMA pelo Pastor José Vieira Rocha. A realidade institucional da
citada organização não é mais a mesma. Bendito seja Deus pelos bons
tempos daquela administração! (do autor). E que Deus tenha
misericórdia de Sua obra no mundo atual.

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