Dicionário de Estrela

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Transcrição

Dicionário de Estrela
José Alfredo Schierholt
ESTRELA
ONTEM E HOJE
Estrela, 2002
© José Alfredo Schierholt
1ª Edição
Capa: Estrela - Ontem e Hoje
Calçadão no Centro da Cidade de Estrela
Produção de Capa: Leipelt Prod. - Comunicação & Marketing - (51) 3712-1446
Arte e ilustração da capa: Ricardo Lagemann e Éder Clei
Direção de Arte: Waldemar Roberto Leipelt
Correção de texto: Profª Cláudia Argiles da Costa
Revisão ortográfica: Profª Marguite Prediger Heemann
Editoração eletrônica. Novak - Editora Multimídia
Impressão e acabamento: Evangraf
Ficha catalográfica
Para pedidos deste livro e encaminhamento por escrito de correções:
José Alfredo Schierholt
Rua Olavo Bilac, 491
95 900-000 - LAJEADO - RS
Fone 0xx51 3714-3695
E-mail: [email protected]
Dedicação
Dedico este livro a Francisco Antônio Oliveira
e nele todos os aborígenes, primeiros habitantes desta terra abençoada,
a todos os anônimos escravos e povoadores luso-brasileiros,
bem como aos pioneiros imigrantes alemães, italianos e demais etnias.
SUMÁRIO
Aborígenes: - Primeiros habitantes - Sítios arqueológicos - Legado indígena
Formação étnica: - Povoadores luso-brasileiros - Contribuição afro-brasileira Colonização alemã - Imigração italiana - outras etnias
Urbanização: - Distrito - Freguesia - Município - Cidade
História política: - Poder Executivo
Poder Legislativo
Poder Judiciário - Ministério Público
Segurança Pública - Guerras e revoluções
Educação - Cultura - Meios de Comunicação
Sociedades: Sociedade Ginástica de Estrela - Sociedade Rio Branco - Rotary
Clube - Lions Club - Escotismo - Círculo Operário Estrelense - SESI
Saúde e meio ambiente
Esportes - Estrela Futebol Clube
Comunidades religiosas: Paróquia de Santo Antônio e de São Cristóvão - IECLB
- IELB - Igreja Adventista - Assembléia de Deus - Igrejas Pentecostais Mormons - Centro Espírita - Umbanda - Gnósticos - Loja maçônica
Força econômica - Agricultura - Comércio - Indústria - ACIE
Meios de transporte: - Navegação - Rodovias - Ferrovia - Aviação
Geografia: - Superfície - População - Limites - Hidrografia - Orografia Geomorfologia
Brasão municipal
Hino a Estrela
Postscriptum
MENSAGEM DE ABERTURA
Para o cidadão alheio à pesquisa, que se interessa em conhecer a história do seu
município, e queira aprofundar seus conhecimentos gerais de forma abrangente, tomando em
consideração a evolução histórica do meio em que se encontra para chegar a uma visão geral da
problemática atual, terá que enfrentar alguns obstáculos quase que intransponíveis. Resumem-se
estas, basicamente, em dois itens: primeiro, o tempo necessário para buscar a documentação e,
segundo, a insuficiência de arquivos antigos organizados,ou seja: como procurar e aonde
procurar?
O que para o estudante e qualquer cidadão comum seriam barreiras quase que
invencíveis, para o historiador experiente se toma um desafio, um tanto maior quanto mais
difícil de se chegar às origens, às circunstâncias em que se deram fatos de importância histórica,
à procura da solução do quebra-cabeças feito por inúmeros pequenos acontecimentos da microhistória local e regional que influenciaram decisivamente para compor a macro-história e viceversa.
Felizmente, para os estrelenses. Dois fatores afortunados vêm ao encontro do curioso e
eventual estudioso: a presença de um pesquisador experiente em nossa região, já conhecido por
suas obras anteriores, fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Vale do Taquari,
professor José Alfredo Schierholt e a parceria do poder público municipal, patrocinando a
pesquisa, e a iniciativa da Associação Comercial e Industrial de Estrela, patrocinando a
impressão gráfica da obra.
Com competência, credibilidade e imparcialidade, o livro Estrela 2001 proporciona aos
estudiosos da região em geral e aos estrelenses em particular um compêndio de minuciosas
pesquisas, que será, por muito tempo, a enciclopédia padrão para quem queira saber algo sobre a
origem do município de Estrela, de sua cultura, de suas comunidades, de suas famílias, de suas
sociedades esportivas, dos partidos políticos e muito, muito mais, demonstrando que o
município-mãe que deu origem aos demais municípios da região do Vale do Taquari continua se
destacando em todos os setores da atividade humana.
A bondade do Autor em nos confIar a tarefa de prefaciar sua volumosa obra,
certamente, provem da amizade que se firmou nos anos de reuniões e palestras em conjunto,
para difundir os ideais da preservação do legado cultural dos nossos ancestrais.
Agradeço sensibilizado a honrosa incumbência.
Finalmente, formulamos nossos votos de que esta obra, que se destaca como um marco
na historiografia do Vale do Taquari, tenha a aceitação dos estudiosos e do público letrado que
ela merece.
Estrela, 15 de outubro 2001
Werner H. E. Schinke,
Presidente do Centro Cultural
25 de Julho Vale do Taquari
Abreviaturas convencionais
ACAT = Aeroclube Alto Taquari
ACIE = Associação Comercial e Industrial de Estrela
AIB = Ação Integralista Brasileira
APEUAT - Associação Pró-Ensino Universitário no Alto Taquari
ARENA = Aliança Renovadora Nacional
as. = associado
CDL = Câmara de Dirigentes Lojistas
d. = diplomado
DAER = Departamento Estadual de Estradas de Rodagem
E. E.= Escola Estadual
E. M.= Escola Municipal
f. = filho de
FATES = Fundação Alto Taquari de Ensino Superior
FFFCMPA = Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre
FU e FUG = Frente Única e Frente Única Gaúcha
FURG - Fundação Universidade do Rio Grande
FUVATES = Fundação Vale do Taquari de Educação e Desenvolvimento Social
MDB = Movimento Democrático Brasileiro
p. ou pp. = página (s)
PCB = Partido Comunista Brasileiro
PDS = Partido Democrático Social
PDT = Partido Democrático Trabalhista
PFL = Partido da Frente Liberal
PL = Partido Libertador e ou Partido Liberal
PMDB = Partido do Movimento Democrático Brasileiro
PPS = Partido Progressista Brasileiro e Partido Popular Socialista
PRL = Partido Republicano Liberal
PRP = Parido de Representação Popular
PRR = Partido Republicano Rio-grandense
PSB = Partido Socialista Brasileiro
PSD = Partido Social Democrático
PSDB = Partido Social Democrático Brasileiro
PT = Partido dos Trabalhadores
PTB = Partido Trabalhista Brasileiro
PUC-RS = Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
RS = Rio Grande do Sul
SJ = Societas Jesu - Sociedade de Jesus - Companhia de Jesus ou jesuíta
SMAT = Sociedade de Medicina do Alto Taquari
UCPel = Universidade Católica de Pelotas
UCS = Universidade de Caxias do Sul
UDN = União Democrática Nacional
UFPel - Universidade Federal de Pelotas
UFRGS = Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UNIMED - Cooperativa de Serviços de Saúde dos Vales do Taquari e Rio Pardo Ltda.
UNISC = Universidade de Santa Cruz do Sul
UNIVATES = Unidade Integrada Vale do Taquari de Ensino Superior
UPF = Universidade de Passo Fundo
USB = União Social Brasileira
V. ou v. = veja.
ABORÍGINES
PRIMEIROS HABITANTES
Sob o impacto da abertura dos jogos olímpicos em Sydney, na Austrália, com ênfase
especial à atleta aborígine australiana, iniciamos estudos da pré-história de Estrela.
As tribos pataxós se manifestaram contra a comemoração dos 500 anos do
Descobrimento do Brasil, no Porto Seguro. Para os nossos aborígines tais comemorações foram
ofensivas. Realmente, brasileiros autóctones recordam 500 anos de uma invasão do europeu em
solo americano, posse de terras, escravização e genocídio. Comemorar o quê? A adoção forçada
de uma cultura ocidental, de uma religião estranha, de uma civilização que se impunha, a ferro e
fogo, por interesses de domínio? Sob que óptica, afinal, se deve estudar a nossa história?
Lusitana? Genuinamente brasileira?
A pré-história da civilização indígena, no antigo território estrelense, faz parte de todo
um contexto histórico do continente americano.
Algumas civilizações ameríndias chegaram a um estado cultural bastante adiantado. Os
apaches viviam nos Estados Unidos. Divididos em duas grandes ramificações, no Yucatán
mexicano, em Honduras e Guatemala, estavam os maias da fase de domínio clerical, e no
México, a fase de domínio militar, com destaque os astecas. As ruínas de enormes pirâmides e
templos provam seu alto grau de progresso, iniciado no segundo milênio depois de Cristo. Os
incas, desde Quito, no Equador, até Santiago do Chile, chegaram a montar um império e
construíram cidades, sendo Cuzco a capital, no Peru.
Quando os europeus invadiram o continente americano, o que chamamos de
“Descobrimento da América”, em 12 de outubro de 1492, a civilização aborígine foi
rapidamente destruída. Os navegadores estavam a serviço dos reis, dos nobres e de ricos
empresários. Seus funcionários e soldados, da pior espécie humana, abusaram de sua
superioridade em obedecer cegamente seus comandantes. Subjugaram populações inteiras para
transformá-las em súditos do reino. Todos os povos foram obrigados a rejeitar suas crenças
milenares e a adotar o cristianismo. Os templos, pirâmides, toda e qualquer manifestação de seu
culto ao Sol ou a outros seres divinos foram derrubados, vistos como obras do demônio. Na
verdade, os europeus estavam procurando ouro e metais preciosos. Os invasores exigiram dos
povos autóctones a indicação de locais de jóias, minas e riquezas. A supremacia de armas de
fogo e técnicas de guerras dos europeus desmoronou a defesa dos ameríndios. Tudo foi
destruído em poucos decênios. As populações foram dizimadas.
Hoje, as ruínas servem como pontos turísticos, sem que, em grande parte, os turistas
entendam o significado dos sinais, símbolos e imagens existentes em sua arquitetura, cerâmica e
desenhos.
Alguns missionários acompanhavam as expedições dos europeus. A Igreja se
considerava impotente para impedir a ação destruidora das hordas de Colombo, Cortez, Pizarro
e outros conquistadores. Os padres defendiam os índios, mas não tinham recursos locais para se
opor à selvageria dos conquistadores. Para que entrassem no céu, os missionários batizavam
multidões de índios pagãos, antes de serem mortos. Rezavam missas, pregavam o Evangelho a
todas as criaturas, estimulando o oprimido a ter paciência e a obedecer às leis do Rei e da Igreja,
perdoar os inimigos, ensinar as crianças e jovens a doutrina cristã e se preparar para a
comunhão, administrar os sacramentos e enterrar os mortos. Muitos padres também ensinavam a
construir casas, igrejas e colégios, plantar, criar aves e gado vacum e cavalar.
Outras civilizações estavam mais atrasadas, como as que se localizavam no Brasil. As
terras brasileiras foram invadidas por navegadores espanhóis, descendo pelo litoral norte, a
partir de 1898. Pedro Álvares Cabral, em 22 de abril de 1500, em nome do rei de Portugal,
apenas veio tomar posse oficial das terras sob a jurisdição portuguesa, em virtude do Tratado de
Tordesilhas. Sua linha demarcatória ou imaginária rasgava o Brasil de alto abaixo, desde a Ilha
do Marajó até Laguna, no Farol Santa Marta, português, e a partir da Barra do Camacho,
espanhol. Pertencia à Portugal apenas uma terça parte do seu território atual. As outras duas
partes cabiam à Espanha.
Os portugueses encontraram o aborígine brasileiro na idade da pedra. Quem começou a
estudar a civilização indígena brasileira foram os padres jesuítas. A maior nação era a tupiguarani.
Para facilitar a compreensão de sua evolução histórica, divide-se a região sul em três
grandes províncias: Ibiaçá, Tape e Uruguai. Não há unanimidade quanto à sua denominação,
localização e limites. Chegou-se ao consenso de que a região do Vale do Taquari se localizava
entre o Tape e Ibiaçá.
As tribos eram nômades. Movimentavam-se pela floresta de acordo com o período de
caça, pesca e coleta de frutas, especialmente o pinhão. Usavam os mesmos trilhos e se
estabeleciam nos mesmos locais, onde havia fontes de água e melhores condições de viver a
temporada.
O nome do rio Taquari vem do tupi-guarani. Segundo alguns historiadores, Tibiquari
significava “rio da Taquara Pequena”. Segundo outros, “rio do Barranco Fundo”, o que parece
ser menos provável, pois há mais de 25 rios brasileiros com o nome Taquari sem que haja
“barranco fundo”, especialmente, o grande afluente da margem esquerda do rio Paraguai,
formando o pantanal do Mato Grosso do Sul, de pouco barranco.
Ibia é a região alta do Vale do Taquari, estendendo-se por toda a região do planalto. Na
opinião de Batista Caetano, os guaranis denominavam de Ibia a “terra erguida, barranco,
ladeira, terra a pique” e Ibia-çá é um composto: çá (de e-ça), significando corda, laço,
articulação, juntura, fio, e, como adjetivo, “amarrado, ligado, etc.”: São, pois, as terras ligadas
ao Ibia, terras altas. Suas tribos eram identificadas por Ibiaçanguaras, ou ibianguaras, os carijós.
Ibiaçanguaras são habitantes indígenas da Ibiaçá. São também conhecidos por diversos
etnólogos como ibianguaras. Eram antropófagos e polígamos.
Ibiraperobi era o cacique a serviço dos bandeirantes paulistas e que se converteu em
janeiro de 1635, quando da passagem do padre Ximenes pelo rio Guaporé.
Parapoti foi o célebre cacique tupi e guia dos bandeirantes paulistas no apresamento dos
indígenas no vale do Taquari, em Corvo, em 1635.
Identificado pelos brancos como feiticeiro, Ibapiri foi um famoso guia religioso, na
cultura aborígine, entre os ibiaçanguara ou carijós, com larga influência nas bacias do Taquari e
Guaporé. Foi um dos principais instigadores no trucidamento do padre Cristóvão de Mendonça,
em 26-4-1635. Embora sua sede fosse em Cariroí, hoje Campo do Meio, um de seus principais
seguidores foi Chemorube ou Chemboabate, no Vale do Taquari.
Os índios ibiraiaras, apelidados “bilreiros” pelos bandeirantes, dominavam a zona sul da
província de Ibiaçá, mais à margem esquerda do Rio Taquari. Os carijós habitavam mais à
margem direita do Taquari e seus afluentes. Há também estudos que identificam no primitivo
território de Estrela os aborígine Guananás. Todos falavam dialetos guaranis, o que facilitou a
comunicação com os padres jesuítas espanhóis, que já conheciam os guaranis do Paraguai.
Os missionários queriam acabar com a vida nômade dos aborígines, pois ficava difícil
acompanhá-los em suas andanças pelo mato e impor-lhes o cristianismo. Era preciso reduzi-los
em aldeias, construir igrejas, escolas e povoados. De reduzir vem a palavra redução. As
reduções jesuíticas mais importantes são os sete Povos das Missões. Parece ser muito esquisita a
ótica de historiadores que incorporam na História do Rio Grande do Sul os Sete Povos das
Missões como um quisto, um elemento estranho, por ser de influência espanhola.
Os primeiros missionários a catequizar aborígine no Rio Grande do Sul foram
portugueses. Desceram pelo litoral. O padre Leonardo Nunes, em 1550, teve contato com índios
da Província de Patos. Nova tentativa portuguesa foi lá por 1605 em diante. A falta de mais
padres e a sua distância com a residência dos padres em São Paulo impediram o aldeamento dos
índios da região. Os missionários jesuítas espanhóis vinham do Paraguai, iniciando em 1628 a
fundação dos Povos das Missões
Os padres Francisco Jiménez e João Suárez, em 3-1-1635, desceram da redução de
Santa Tereza, nas proximidades de Passo Fundo, pelo Rio Taquari, fazendo a primeira
exploração missionária, com o objetivo de fundar no Vale do Taquari uma redução, um núcleo
populacional organizado em povoado ou povo. Os misssionários não tiveram muita sorte, pois
os índios estavam desconfiados. Por toda a parte já existiam pombeiros, quer dizer, grupos
ligados a bandeirantes. Os jesuítas levaram 150 famílias para a redução de Candelária. Outras
famílias acompanharam catequistas para a redução de Santa Teresa.
Por onde os bandeirantes e entradistas passavam, destruíam tudo. Levavam homens,
rapazes e moças, a fim de vendê-los como escravos na Capitania de São Vicente. O padre Inácio
de Siqueira, em 1635, viu no porto de Laguna 62 embarcações prontas, com destino ao Rio
Grande do Sul, para buscar cativos 12.000 carijós.
Um dos pontos de concentração de índios escravos foi no rio Taquari. Segundo tópicos
extraídos de uma carta do padre Jiménez pelo historiador Aurélio Porto, transcritos por Lothar
Hessel no Correio do Povo, de 17-12-1978, Raposo Tavares fixou sua bandeira, em 1636, no
antigo porto de Corvo, hoje Colinas.
A expedição armada estava composta por 150 mamelucos sul-americanos e 1.500 índios
tupis, a serviço dos brancos. Como o objetivo dos bandeirantes não pudesse ser apenas apresar
índios para os levar cativos à Capitania de São Vicente, tinham consigo dois padres, um dos
quais talvez clérigo excomungado. Os padres tentavam catequizar os aborígines, batizá-los, para
que não morressem pagãos, se tornassem súditos do reino e fiéis à Igreja, isto é, dóceis e
obedientes às autoridades civis e eclesiásticas...
Dos velhos e crianças que restaram nas matas poucos conseguiram sobreviver. Há dados
que se referem à existência de índios Patos no Vale do Taquari. Tinham vindo rio acima, desde
a Lagoa dos Patos, estuário do Guaíba, subindo pelo Rio Pardo, sempre fugindo dos intrusos
brancos em seu milenar território.
Alguns índios chegaram a ter contato com brancos, recebendo redes de pesca, machados
para abrir troncos de árvores, transformados em igaras. Preferiram a liberdade ao trabalho,
seguindo as nascentes dos rios. Sua passagem por sítios arqueológicos mais antigos pode
confundir os arqueólogos, encontrando material indígena de períodos bem distintos. Há
depoimentos de antigos serranos e ervateiros que dizem ter encontrado índios, talvez Botocudos
da região do planalto, à procura de pinhão, pesca e caça mais abundantes, o que sempre havia
nas margens de rios e arroios mais fortes.
Houve também agrupamentos de aborígines que retornaram ao Vale do Taquari, a
exemplo de Gravataí, denominada “Aldeia dos Anjos” e outros centros de civilização indígena.
Em Taquari viviam de forma muito pobre. O Recenseamento feito em 1814 acusa a existência
de 42 índios no território de Taquari, o que correspondia a 2.4% da população, percentagem que
baixou para 2% em 1872 e para 1% em 1900, ou seja, 149 índios, no limiar deste século.
O governo provincial, pelo Of. n.º 9, de 9-4-1856, solicitou informações à Câmara de
Vereadores de Taquari sobre a existência de terras no município pertencentes aos Índios. Já no
dia 30, os vereadores informaram que sim. Infelizmente, o documento não registrou a área, nem
o seu local. Pretendiam, quiçá, identificar as terras devolutas como pertencentes aos índios?
Não se fala mais em aborígines nos documentos da região, depois dessa data.
Descendentes dos coroados ou caingangues, a Aldeia dos Índios junto à BR-386, nas
adjacências do acesso ao Bom Retiro do Sul, não faz parte da história primitiva dos aborígines
de Estrela. Desde 1975, lá foram se estabelecendo, para sobreviver da fabricação de cestos,
balaios e peneiras. Desde abril de 2002, a comunidade já tem a Escola Estadual Manuel Soares.
Mais detalhes estão no Dicionário de Estrela.
Sítios arqueológicos
Os locais onde se encontram restos e sinais da existência de aborígines chamamos de
sítios arqueológicos. Em vários lugares, ao lavrar a terra, agricultores ainda encontram restos de
cerâmica, pedras polidas e lascadas que serviam como instrumento de caça, pesca e armas de
guerra.
Raríssimos são os documentos que comprovam descendentes de índios se integrarem à
sociedade, no decorrer da história na região. O Paladino, de 26-3-1922, noticiou o acidente
ocorrido na gasolina “Nelly”, de propriedade de Felício Lamder (Lanner, empresário em
Encantado), tendo como prático Francisco Antônio de Oliveira, mais conhecido por Chico
Sabino, brasileiro, indiático, com 45 anos de idade e antigo empregado da Companhia de
Navegação Arnt e Companhia Beleza, de Lajeado. Informa a notícia que o aborígine, nascido lá
por 1877, ao ligar o motor da embarcação, foi atingido por uma peça, ficando estraçalhado na
região pubiana e mesmo assim, manobrou e conduziu “Nelly” até o porto de Estrela, sendo
submetido à intervenção cirúrgica do Dr. Snel, aguardando restabelecimento no Hotel Müller,
em estado gravíssimo.
Os primeiros sítios arqueológicos foram descobertos pelos próprios povoadores e
imigrantes. Os objetos encontrados nas lavouras foram praticamente destruídos pelos arados.
Apenas algumas cerâmicas foram guardadas, por algum tempo, doadas para colecionadores.
Raros objetos permaneceram em Estrela.
Na grande Exposição dos Produtos Municipais, promovido em Estrela no seu 50º
aniversário da criação de lei emancipatória, houve três expositores que mereceram o diploma da
"Menção Honrosa" por terem expostos objetos de bugres: Livinus Zimmermann, Jacó Eggers e
Eugênio Ruschel. O registro foi feito pelo intendente Coronel André Marcolino Mallmann no
Relatório apresentado ao Conselho Municipal de Estrela, em 12-10-1926, e publicado n' O
Paladino, de 31-10-1926. Observe-se a identificação dada aos primeiros habitantes deste
território: bugres eram os aborígines. A palavra tem origem francesa, para designar no Brasil
meridional, tribo genérica da região entre os rios Iguaçu, Piquiri e as cabeceiras do Uruguai.
Mesmo que esteja consignado nos dicionários também o significado de uma nação genérica
dada ao índio, especialmente o bravio e ou aguerrido, os imigrantes alemães herdaram dos
açorianos o termo bugre para identificar o índio contemporâneo e vizinho ao branco. Arredios e,
às vezes, agressivos, por se sentirem prejudicados com a invasão dos brancos em seu território,
os bugres eram vistos como desconfiados, passando o termo a ter o sentido figurado de
indivíduo inculto, grosseiro e rude.
Os principais sítios arqueológicos já descobertos no Vale do Taquari se localizam na
margem direita do Arroio Castelhano, na foz do Taquari, na Fazenda da Demanda, em
Carneiros e Picada Scherer, na margem direita do Taquari, em Forqueta, Arroio do Meio, na
margem direita do rio Forqueta. Também na zona alta da região, em Progresso e Vila Fão,
existem sítios arqueológicos, apenas localizados, mas não estudados. Grupos de pesquisadores
já percorreram a região, levando peças para estudos em museus da Universidade de Santa Cruz
do Sul e da Univates. Não se tem conhecimento de pesquisas arqueológicas na margem
esquerda do Taquari e seus afluentes. A tradição conta inúmeros achados de material cerâmico
aborígine no Costão, Beija-Flor, Roca Sales, Teutônia, Arroio do Ouro, Novo Paraíso.
Entretanto, tais sítios não foram ainda cadastrados e cientificamente reconhecidos por
arqueólogos.
Legado aborígine
Além dos sítios arqueológicos, restaram-nos algumas das contribuições dos aborígines à
civilização. Arno Alvarez Kern, em Chinoca, texto publicado em Nós, os Gaúchos, 1992, p.
70, sintetiza o legado indígena: Chimarrão e poncho, churrasco e palheiro, boleadeiras e fogo
de chão, milho e mandioca, redes e cachimbos, tabaco e erva-mate, e tantos outros traços
culturais, eram coisas das quais os seus antepassados açorianos, naquelas ilhas perdidas no
Atlântico, jamais haviam ouvido falar.
A meu ver, o mais importante tributo que os aborígines nos legaram é o enriquecimento
da farmacologia. Grande parte dos medicamentos tem na fauna e na flora sua matéria prima, o
que era de pleno domínio dos indígenas. Seus pajés conheciam os segredos das ervas, raízes,
tubérculos e cascas das plantas em geral, tanto para a cura, como para a extração do veneno
usado nas flechas e lanças, para a caça e para a guerra.
A arte culinária foi enriquecida com o cardápio dos índios. Além da variedade de carnes
e frutas do mato, há uma série de plantas, como o aipim, milho, cará, gengibre, erva-mate e
outras que fazem parte da alimentação do brasileiro. Infelizmente, o fumo foi desviado de sua
finalidade ritualística para servir de droga contra a saúde.
O glossário brasileiro foi enriquecido pelo vocabulário indígena, como Taquari,
Languiru, Inhandava, Guaporé, araçá, angico, babá, caboclo, bagual, bóia, tatu, arirana, cuia,
biboca, pipoca, tacape, pajé, mandioca, pitanga, igara, ximango, itaipava, caipira, tauá, carioca,
piranha, sabiá, cutia, guarani, Tupanciretã, caribé, xucro, tucano, samambaia, igarapé, guaraná,
perau, buraçanga, guanxuma, pato, cobaia...
Seus conhecimentos geográficos serviram de base para a costura do mapa brasileiro. As
trilhas dos aborígines, seguidas pelos bandeirantes e entradistas, se transformaram nas primeiras
estradas, ligando o litoral ao interior.
ESTRELA
INICIOU EM 1802
Um estudo das origens dos topônimos, baseado em documentos, conduz o pesquisador
aos pioneiros que desbravaram o respetivo território, seja por águas, seja por terras. Os
primeiros nomes foram dados pelos aborígines, chegando aos nossos dias através dos
missionários, em seus escritos e mapas, como Taquari, Guaporé, Jacuí... Os mais antigos nomes
de acidentes geográficos, localizados em ambas as margens dos rios navegáveis, de maior e
menor porte, foram dados por marinheiros, ou "marítimos", como eram chamados os
trabalhadores e estivadores nas embarcações do rio Taquari. Deram os primeiros nomes de
arroios, cachoeiras, portos, peraus e morros, servindo de referenciais em seus relatórios aos seus
patrões. Identificavam localidades por seus perigos, segurança na navegação e pousadas nas
barrancas para passar a noite.
Outra série de nomes antigos foi dada pelos mateiros e piqueiros, contratados para abrir
piques, geralmente nos antigos trilhos dos índios. Ervateiros, serranos e tropeiros também deram
nomes a acidentes geográficos, quer para identificar pontos de referências em seus trajetos, quer
para passar a noite com segurança, com seus cargueiros e tropas de gado. As pousadas
preferidas tinham fontes de água e pasto, em campo mais aberto, para não perder nenhum
animal. Também caixeiros viajantes, atravessando serras e planaltos, consagravam os nomes,
para levar aos chefes e companheiros os relatórios de suas viagens, percursos menos extensos e
mais seguros de pernoite.
Os agrimensores em seus mapas e primeiros proprietários de terras informavam no
Cartório de Registro de Imóveis as confrontações de suas propriedades. Quando o informante
desconhecia o nome do arroio, dava como ponto de referência o proprietário vizinho, ou nome
de algum intruso ou povoador antigo.
Os critérios para a denominação desses acidentes geográficos podem ser os mais
variados, quer como descritivos da natureza do lugar, quer como assemelhados a localidades de
algum dos pioneiros; ou relacionados a alguma data que lembre nome de santo do dia em que
determinado acontecimento ocorreu, bem como a algum nome/sobrenome de marinheiro,
escravo, povoador que tenha aí se notabilizado nalgum fato.
Arroio da Estrela deu origem ao nome da cidade e do município de Estrela. Quando não
há documento que comprove a origem de um toponímico, surgem os poetas e contadores de
estórias para contar e cantar a origem do nome através de lendas e contos. O arroio nasce com o
nome de Arroio Grande, em Bom Retiro do Sul, recebe o nome de arroio Estrela desde a ponte
das Posses e se lança no rio Taquari, no centro da cidade.
No Correio do Povo, de 3-6-1966, Nilo Ruschel informou que a origem da “Fazenda
da Estrela” decorre de um desmembramento de gleba maior, dentro dos vastos limites da
freguesia de São José de Taquari, na circunscrição antiga. Pertencia, a primeira propriedade,
ao marechal-de-campo (Antônio Manuel) Silveira Sampaio, que deve tê-la recebido por
serviços prestados ao governo português. Dona Ana Emília de Sampaio, uma de suas filhas,
casou-se com o coronel José Luís Mena Barreto, que participou das lutas cisplatinas. Morreu
muito moço, com 27 anos, no combate “Rincón de las Gallinas”, junto ao Rio Negro, onde as
armas brasileiras foram derrotadas pelas uruguaias, em 24 de setembro de 1825. Desse
matrimônio nasceu (Antônio) Vítor de Sampaio Mena Barreto, o qual foi engajado nas forças
brasileiras, conquistou no Paraguai o posto de coronel.
À luz de documentos, não está totalmente correta esta informação.
Esta gleba estava ligada à sesmaria dos irmãos Teixeira.
A menção mais antiga do nome de Estrela se encontra na relação de bens imóveis que
os irmãos João e José Inácio Teixeira adquiriram ao formar uma sociedade imobiliária, em
Porto Alegre, em 1794. Filhos de João Teixeira Machado e Ana Maria de Jesus, nascidos na ilha
de Florianópolis, de origem açoriana, ambos residiam em Porto Alegre, ligados a negócios,
navegação, tráfico de escravos e comércio de terras.
José Inácio Teixeira, o Sênior, era casado com Severina Narcisa de Bittencourt. Sabe-se
que tinha a filha Severina, que se casou com o imigrante prussiano Carlos Godofredo von Ende,
médico de bordo, residentes em São Leopoldo. João era solteiro. Em 8-10-1807 adotou um
menino exposto, a quem deu também o nome de José Inácio Teixeira, o Júnior. Em 17 de
novembro foi batizado, recebendo por padrinho o seu tio homônimo, que o criou na sua
infância. Para distingui-los, o afilhado é mais conhecido por Júnior ou Juca Inácio e, mais tarde,
Patriarca do Pareci, casado com Margarida de Sena e Paiva.
A sociedade dos irmãos Teixeira durou 30 anos. Ajuntaram uma fortuna em bens. De
Dom João por graça de Deus Príncipe Regente de Portugal e dos Algarve, daquém e dalém
Mar em África de Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio e da Etiópia, Arábia, Pérsia e
da Índia, etc. Faço saber aos que esta minha Carta de confirmação de sesmaria virem... nestes
termos iniciais centenas de apaniguados do governo português receberam terras pertencentes
aos índios, origem de extensos latifúndios em mãos de poucos proprietários... Na margem
esquerda do rio Taquari, em 1800, João Inácio Teixeira recebeu, 3.900 braças de frente por meia
légua de fundo, equivalente a uns 28 quilômetros quadrados, hoje território de Estrela. Seu
irmão recebeu quase a mesma quantia na margem direita.
Inserta a civilização indígena na pré-história, aqui inicia a história de Estrela.
Para que pudessem melhor explorar seus latifúndios, lá por 1802 ou 1803, os irmãos
Teixeira dividiram-nos em fazendas, estabelecendo nelas uma sede para a moradia de seus
administradores, feitores, capitães-de-mato e peões, além da rústica senzala para alojar os
escravos. São exatamente 200 anos de história, fato que devia ser destacado nas aulas de estudos
sociais e divulgado pela mídia regional.
Aos latifundiários interessava a extração da madeira de lei e erva-mate, cujos fardos
eram acondicionados sobre toras, presas com cipós, formando balsas, levadas pelas águas do
Taquari, até Porto Alegre. Não somente os troncos escolhidos, mas também o sapeco, o carijó e
o barbaquá da erva fazem parte da história primitiva do povoamento. Nas sedes das fazendas,
entretanto, tinham que prover pela subsistência desses trabalhadores braçais. Cultivavam
alguma fruta, hortaliça e cereais, especialmente o milho, para o trato de aves, suínos, gado
vacum e cavalar.
Em 10-9-1824 os irmãos Teixeira assinaram a Escritura de Distrate de Sociedade. Entre
dezenas de bens imóveis, coube ao outorgante João a Fazenda da Estrela com seus pertences do
tráfego fluvial e 138 escravos.
Onze anos depois, arrebentou a Revolução Farroupilha, que por 10 anos encharcou o
solo gaúcho com sangue de irmãos.
As fazendas ruíram. José Inácio Teixeira Júnior, o Juca Inácio, Patriarca do Pareci,
herdou tudo, vendendo as fazendas para diversos latifundiários. Em 22-6-1830, Juca Inácio e
sua mulher permutaram com Vitorino José Ribeiro e sua mulher a Fazenda da Estrela, sita na
margem do Rio Taquari, distrito da Vila do Rio Pardo, a qual houveram por herança do
falecido João Inácio Teixeira... com casa de vivenda, de engenho, arvoredos e utensílios de
lavoura e tráfico, bois e mais gado vacum, permutam como permutado tem, com os ditos
outorgados Vitorino José Ribeiro e sua mulher, por uma morada de casas de sobrado que os
mesmos possuem nesta cidade, sita na Rua da Ponte, com cinco sacadas na frente com grades
de ferro e três portas e duas janelas nas lajes, e um portão ao lado do oeste... e mais 20
escravos.
Nas margens dos rios e arroios permaneceram dezenas de peões mal pagos, escravos
fugidos, desertores do exército, perseguidos e presos políticos, réus condenados à revelia,
foragidos da lei, criminosos e endividados. Os que preferiram permanecer nas matas, acabaram
por se mesclar com índios remanescentes e escravos errantes. Dessa mescla resultou o caboclo,
identificado no decorrer dos anos com os serranos e ervateiros. Muitos deles tiveram que fugir
floresta adentro e serra acima quando, lá por 1854 em diante, vieram os agrimensores dividir os
latifúndios em pequenos lotes coloniais.
Menos de 40 anos depois, toda essa população anônima foi despertada com a passagem
de grupos messiânicos. Milhares de caboclos engrossaram fileiras pelas trilhas da serra,
seguindo a voz e promessas de chefetes maragatos, na Revolução Federalista.
A presidência da Província enviou à Câmara Municipal de Vereadores de Taquari o
Ofício n.º 9, de 4-5-1852, solicitando informações sobre terras devolutas nas margens do Rio
Taquari, próprias para se estabelecer uma colônia. Na sessão extraordinária de 19 de maio o
pedido foi apreciado. A Câmara informou em 10 de julho que na distância de doze léguas,
contadas do porto desta Vila, começam as terras devolutas na margem esquerda, acima da
Fazenda Beija Flor. Mas acha que as cachoeiras dificultam a navegação. Recomendou as terras
na margem direita. De fato, no ano seguinte, a empresa imobiliária Batista Fialho & Companhia
comprou as fazendas dos Conventos e Lajeado.
O documento mais antigo que faz referência expressa à data do início da colonização de
Estrela encontramos no segundo livro de Atas da Câmara Municipal de Taquari, página 220, na
sessão extraordinária de 14-8-1856, sob a presidência de Geraldo Caetano Pereira:
Depois do que, passou-se a ler uma petição do Tte. Cel. Vitorino José Ribeiro, pedindo
para que se ateste se o suplicante, tendo dado com a colonização em sua Fazenda denominada
da Estrela em outubro do ano passado (1855) é ou não verdade ter já distribuído quarenta e
duas colônias, e se tem proporções e a necessária capacidade para levar a um grau elevado
este ramo de indústria no município, e, posta em discussão, deferiu-se: Atesta-se pela
afirmativa o que requer o suplicante, e tanto mais quando essa Câmara no relatório das
necessidades do município que dirige a Presidência da Província em data de 2 do corrente já
tratou da colonização da Fazenda mencionada. – Portanto, a Colônia de Estrela foi fundada em
outubro de 1855.
Em atas anteriores a essa data, encontramos uma petição de Antônio Fialho de Vargas,
que havia fundado oficialmente em 20-3-1855 a Colônia dos Conventos, requerendo para
considerar-se como de servidão pública o porto de embarque na Fazenda da Estrela, de
Vitorino José Ribeiro, que se opõe a esta via de comunicação para o suplicante. A petição, lida
na reunião de 14-4-1855, não foi atendida pelos vereadores, entendendo que o caminho era
particular. O passo foi criado somente mais tarde, em 2-7-1872, servindo a Lajeado e São
Gabriel da Estrela, do interesse de todos os novos moradores.
FORMAÇÃO
ÉTNICA
Apenas para facilitar o estudo da formação étnica da população de Estrela pode-se
dividir sua história em três períodos distintos: povoamento, colonização e urbanização.
Da civilização indígena, praticamente, nada nos restou, a não ser os sítios
arqueológicos, que jazem adormecidos no território estrelense, sem que arqueólogos os
descubram e nos apresentem suas conclusões científicas. O toponímico Chá da Índia, localidade
defronte à cidade de Arroio do Meio, nada tem a ver com nossos primitivos aborígenes. Está
mais relacionada ao arbusto do chá-da-índia, talvez lá conhecido, de cujas folhas se faz uma
infusão, medicina caseira conhecida por todo o mundo.
Possivelmente os primeiros povoadores, talvez desde 1801, tenham encontrado algumas
tribos de indígenas errantes. Nada há que registre sua presença.
Apenas a tradição dos pioneiros da imigração é relativamente farta em documentar
descobertas de panelas de barro, cerâmica indígena, ou mesmo esporádicos encontros com
índios, identificados como bugres pelos teuto-brasileiros. Se no Sul do Brasil o termo bugre é
uma designação genérica dada ao aborígine, especialmente o bravio, para os primeiros
agricultores se revestia de conotação pejorativa. Em localidades com maioria lusa, preferia-se
dizer índios – distingue Lothar Hessel em suas “Apreciações raciais e sociais no Alto Taquari
(1910-1930)", publicadas em Nós, os Teuto-gaúchos, 1996, p. 54. - Indiada, por exemplo, não
tem a conotação pejorativa que afeta as palavras bugrada, negrada e quejandas.
Entre as cláusulas na concessão de sesmarias, feita pelo Príncipe Regente Dom João VI,
constava a obrigação dos latifundiários não derrubar os tapinhoães e perobas, madeira nobre
para a construção das naus da Rainha de Portugal. Tinham que promover o povoamento e o
desenvolvimento do latifúndio, o que faz supor a existência de peões, escravos e seus
administradores nas sedes das fazendas. Foram eles os pioneiros anônimos do povoamento. Esta
história poucos conhecem.
Constituindo em torno de 15% da população, Lothar Hessel pode estar certo quando,
nas supracitadas “Apreciações”, distingue entre os “brasileiros” (de sangue luso, por vezes
mesclado com ameríndio) dois grupos: de uma parte, os bem ou medianamente situados na
vida. Geralmente, ocupavam cargos públicos na Intendência e Subintendência, Coletoria,
Cartórios, Delegacia e Subdelegacia de Polícia, Guarda Municipal, magistério público...
Falavam e escreviam bem o vernáculo. Muitas vezes, entendiam ou até falavam o alemão... O
segundo grupo estava composto por peões, empregados, biscateiros, geralmente mal vestidos e
pior alimentados, residindo em casas bem modestas.
Mister é acentuar a evolução histórica do gaúcho. O próprio termo tem origem e data
imprecisas. Vem do castelhano gáucho, talvez de origem quêchua, designando filhos de
aborígine com branco espanhol ou português. Desde o início, o termo era pejorativo, para
identificar mestiço de índio, peão errante, de estância em estância, prestando serviços de prear
gado em troca de comida, proteção e refúgio em alguma tapera. Tinha mesmo fama de ladrão de
gado.. Com o tempo, aprendeu a ser trabalhador sedentário nas estâncias, hábil manejador do
laço e da boleadeira. Por isso, exerceu um papel importante no século 18, como instrumento de
fixação portuguesa na zona de fronteira, contribuindo no domínio das fronteiras com as regiões
platinas. Com isso, deixou de ser nômade. Criou raízes nos pagos onde vivia, servindo o
estancieiro-caudilho como peão e soldado fiel. Por essa razão, no decorrer do século 19, a
conotação pejorativa foi se transformando em personagem de gaúcho valente, com devotado
apego à terra, à mulher e à liberdade.
Entretanto, há características bem distintas do peão das estâncias na fronteira e do peão
das fazendas na região açoriana, mormente no período do povoamento em Estrela, de 1801 a
1855, quando iniciou a fase da colonização. Tais estudos precisam ser aprofundados e melhor
divulgados, também entre os tradicionalistas.
Segundo Hessel, os descendentes de escravos e mulatos formavam, no máximo, 5% da
população de Estrela. Seguramente, é uma percentagem a ser dividida pela metade. E os
negros? Geralmente pobres, assalariados e prolíferos, eram quase brasileiros “de terceira”...,
expressão que nunca se usou - assegura Hessel.
O Kalender für die Deutschen in Brasilien – 1924, sob o título Deutschsprechende
Neger, transcrito e comentado por Telmo Lauro Müller, no recorte etnográfico “Negros da fala
alemã” publicado em Nós, os Teuto-gaúchos, 1996, p. 238, informa que os sobrenomes
alemães os escravos receberam de seus donos e em geral os mantiveram por razões afetivas.
Citou o caso de Jacó Elias Brusius, escravo vendido com nove anos de idade por 600$ ao Sr.
Brusius, de Estrela. Em Teutônia é conhecido o caso do escravo Paulo, de 32 anos, que Adão
Zimmermann vendeu a Jacó Arnt, conforme Guido Lang em seu livro Colônia Teutônia –
História e Crônica: 1898-1908, p. 53. Custou a fortuna de um conto de réis. Pagou de imposto
municipal 80 mil-réis. A escritura da compra do negro foi registrada em 31-3-1881. Carlos Arnt
teve também o escravo Manuel. Estimava-o tanto, que se tornou como que membro da família.
Jaz sepultado ao seu lado, com o nome de Manuel da Silva Arnt.
A menção mais antiga de imigrantes alemães em Taquari é de 25-4-1836, no início da
Revolução Farroupilha, quando Carlos Frederico Oto Heise oficiou ao Juiz de Paz de Taquari
no sentido de impedir a passagem, pelo distrito, de alemães sem passaporte assinado pelo
mesmo Heise.
Segundo depoimento oral do Prof. Rodolpho W. Schreiner, hoje nonagenário em
Lajeado, seu avô Friedrich Schreiner tinha uma casa comercial em Taquari. Esta foi duas vezes
assaltada. Na primeira vez, pelos farrapos, e na segunda, ao ser retomada a vila pelos legalistas,
em 3-5-1840.
O fenômeno da colonização, iniciada em 1855 em Estrela, deu o caldo grosso de 82%
ou mais na formação étnica dos estrelenses, no primeiro distrito.
Hessel também distingue duas categorias de “alemães”: De um lado, os pequenos
burgueses-industriais, seus funcionários mais graduados, bancários, hoteleiros, religiosos,
professores, etc.; de outro, os colonos. Aqueles, com algum sentimentozinho de elite.
Integravam o quadro de sócios da Sociedade Ginástica de Estrela quase só gente daquele
primeiro grupo (ou só), ao passo que os colonos, misturados com gente de variada espécie, iam
rodopiar no salão do Bairro Oriental, por várias décadas o único bairro no Alto-Taquari.
A elite dos teuto-brasileiros falava melhor o “Hochdeutsch”, um alemão mais esmerado.
Afinal, tinha freqüentado mais aulas em alemão, com melhores professores. Tinha até
biblioteca, quer comunitária, quer doméstica. Liam mais livros, jornais e revistas em língua
alemã, sabendo ler e entender bem mais que os “alemães” do “interior”. A maioria desses
colonos falava um dialeto, seja “Hunsrück”, seja “Westfälischeplatt” ou “sapato-de-pau”, com
média menor de aulas primárias, ministradas em língua alemã por professores de menos
preparo, menos leitura... Filhos de colonos, em grande maioria, cursavam até o terceiro ano,
alguns ainda o quarto ano, quando faltavam à aula para se dedicar mais à lavoura, mormente nas
épocas do plantio e colheita. Na época, dizia-se "terceiro livro" ou "quarto livro", para se
identificar as séries. Filhos da elite cursavam todas as aulas da localidade, procurando aulas de
complementação, mesmo fora do lugar.
A elite não deixava notar nenhum apreço nem desapreço maior pelos colonos. Nem
sempre sobrava tempo ao colono para um banho mais completo, depois de ordenhar vacas ou
tratar porcos, antes de ir à missa do cedo nos domingos e dias santos de guarda. A elite sentia o
cheiro da roça e torcia o nariz, mas aceitava a realidade. Os colonos amarravam os cavalos nas
proximidades da igreja. Diante das lojas e armazém havia um espaço, em varas de madeira
estendidas, onde prendiam os animais. Os “citadinos” viam nos colonos gente da mesma raça –
observa Hessel em seu estudo - e, sobre isso, úteis à economia da região e do País. Mas,
curiosamente, não ocultavam de todo certo menosprezo por quem entre eles fosse pobre e não
fosse dono nem de sua casa de moradia. Muitas vezes, depois da missa e do culto, havia ocasião
de bons negócios, e mesmo compras nos armazéns. Se as portas da frente das "vendas"
estivessem fechadas aos domingos, podiam os colonos entrar pela porta dos fundos, onde os
comerciantes e seus familiares atendiam a freguesia, sob as vistas grossas da fiscalização...
As duas raças, entre si, também mantinham certas características próprias. Os
“brasileiros” tinham apreço maior para quem tivesse alguma educação social, boas maneiras,
etc., o que em geral ocorria com os bem ou medianamente abastados. Apreciavam nos
“alemães” a capacidade de organizar seu trabalho, cuidar dos seus negócios, de se informar dos
acontecimentos, de se unir entre si. Por outro lado, consideravam-nos desconfiados, cabeçudos,
orgulhosos, apelidando aos menos capazes de alemão batata.
As relações e diferenças entre as diversas raças ficavam mais tensas quando se tratava
de casamentos. A prevenção já vinha de longe, no aconselhamento dos pais quanto à escolha de
amizade dos filhos na escola, igreja e sociedade. Afirmavam não ter haver preconceitos.
Evitavam apenas as conseqüências das diferenças entre pessoas quanto à cor, origem, estudos,
posses, meio social e principalmente religião. Não se sabe de casamento que tenha ocorrido
naquelas décadas - 1910-1930 - escreve Lothar Hessel – entre negro e branca ou entre negra e
branco.
Se não alimentavam preconceitos raciais, cuidavam das diferenças entre si, evitando
possíveis casamentos. Para isso e por isso, as sociedades dos brancos não admitiam negros
como sócios na SOGES, nem noutras sociedades. Não sendo sócios, também não podiam
freqüentar os bailes. Os negros, por sua vez, também não estimulavam o casamento entre
brancos e pretos. A exemplo dos brancos, os negros tinham o seu salão de festas e bailes. Para
citar um exemplo, havia o Salão dos Morenos, na esquina de Rua Borges de Medeiros com a
Coronel Müssnich, aos cuidados de Aristides Viana e Silva, mais conhecido por "Seu Velho
Aristides". O Salão tinha duas dependências distintas. No salão de festas, onde era servida
comida típica, todos podiam entrar. A comida tinha um sabor especial, muito apreciada pelos
brancos. Entretanto, nas dependências do salão de baile, o "Velho Aristides" não deixava os
brancos entrar para dançar.
Em 20-2-1977, foi inaugurado o "Salão dos Morenos", que também servirá de sede à
Associação Atlética Municipal - cf Nova Geração, de 5-3-1977. Com 300m² de área, o salão
abrigou o carnaval, destacando-se os Mensageiros da Alegria e a Escola de Samba Academia
Estrelense. O grande benemérito da obra foi Gabriel Mallmann.
Raros eram os casamentos entre “pelo duro” pobre e o teuto-brasileiro. Com certa
freqüência, ocorriam casamentos entre filhos de fazendeiros ou funcionários graduados com
filhos de imigrantes mais abastados. A prevenção era aconselhada, estimulada ou mesmo
exigida por pastores e padres quando se tratava de casamentos. Não havendo como impedir o
casamento, admitia-se a mulher “trocar” de religião, para “acompanhar” o marido. Neste caso, a
parte católica era excomungada. Os casamentos mistos eram combatidos. Não havendo como
impedir, depois de longo ou contraditado namoro, a parte católica devia obter uma licença
especial do bispo, em cerimônia na sacristia, com o compromisso de batizar e educar a prole na
fé católica.
Ensinava-se, na época, que, dificilmente, podia dar certo o casamento entre negros e
brancos, entre ricos e pobres, entre católicos e evangélicos, entre jovens e idosos, entre
estudados e analfabetos ou semi-analfabetos, entre os de estatura muito baixa e de estatura
muito alta, entre pessoas que não sabiam falar a mesma língua... Hoje, tais diferenças recebem a
roupagem do preconceito...
A partir de 1880, na zona alta do antigo território de Estrela veio o elemento italiano.
Geralmente os mais pobres, à procura de terras mais baratas nas encostas da serra, migrantes
dos primeiros centros de imigração. Eram trabalhadores. Os alemães e teuto-brasileiros não lhes
eram tão estranhos. Já na Itália eram vizinhos dos “tedeschi” austríacos. Os italianos eram
identificados como “gringos”, mas sem a conotação depreciativa de estrangeiro, como se denota
quase no Brasil inteiro. Como atesta Hessel, no Alto Taquari não havia essa depreciação, era
antes uma diferenciação: não eram “alemães”, nem “brasileiros”. Os ítalo-brasileiros e teutobrasileiros se integraram bem, especialmente em São José dos Conventos Vermelhos,
originando a dinâmica população de Roca Sales. A integração das duas raças também se
corporificou, unindo Daltro Filho e Arroio da Seca para formar o novo município de Imigrante.
A formação étnica deve ser estudada de forma um pouco mais pormenorizada.
Povoadores luso-brasileiros
Na Serra Geral do primitivo território de Taquari, havia uma fazenda, conhecida por
Tabatinga, onde João Pereira da Silva Bilhar possuía um engenho de serrar madeira. Por ter
tapado um caminho por ser de servidão de dezesseis moradores para condução dos gêneros de
suas lavouras a saírem no campo para as estradas públicas, foi processado, segundo ata da
Câmara de Vereadores, de 7-5-1856.
No arquivo municipal de Taquari há o livro de qualificação dos votantes da paróquia
de S. José de Taquari, aberto e assinado, em 16-1-1863, pelo presidente da Junta de
Qualificação, Primórdio Centeno de Azambuja. Embora a listagem dos eleitores apenas faz
constar o número do respectivo quarteirão, sem identificar o nome do domicílio eleitoral, é
possível descobrir alguns dados, comparando-os com outras fontes primárias. Assim, o 5º
quarteirão corresponde ao primitivo território de Estrela, talvez Arroio do Ouro, com 56
eleitores, todos de etnia luso-brasileira. Boa parte dos nomes é ilegível. Os que aqui transcrevo,
entre parêntesis está a idade que tinham, em 1863. A profissão não indicada é de lavrador:
Antônio Israel Ribeiro (52, fazendeiro), Albino Vitorino da Silva (42), Antônio de
Medeiros Lima (74), Antônio José do Nascimento (53), Albino José da Rocha (35), Bernardino
da Silva Ribeiro (47), Custódio Vitorino da Silva (73). Fidêncio Vitorino da Silva (34,
carpinteiro), Francisco Laurentino Padilha (35, construtor), Julião da Silva Castro (52), José
Antônio da Rocha (57), João Fagundes de Brito (36, capataz), Florentino Cardoso (36), José
Marcelino de Bittencourt (32, carpinteiro). Entre os 56 eleitores deste quarteirão há somente um
eleitor de procedência germânica: Jacó Fett (35, lavrador). Ou não havia mais, ou não se
habilitaram para serem eleitores.
No 7º quarteirão, há 44 eleitores, dos quais 27 são luso-brasileiros, como Antônio José
Fernandes Lima (64, fazendeiro), João Gomes da Silva Porto (30, negociante), José das Neves
Barbosa (54). No 8º quarteirão há só 14 eleitores, sendo 4 luso-brasileiros, dos quais José
Joaquim da Rocha Filho (30, negociante). No 9º quarteirão havia 37 eleitores, todos lusobrasileiros, entre os quais Aleixo da Silva Rocha (36) e José Inácio de Barcelos (37), ambos
negociantes. No 10º quarteirão tinha 81 eleitores, todos luso brasileiros. Nenhum comerciante.
Apenas Tristão de Souza e Ávila (42) era fazendeiro. No 11º quarteirão havia 29 eleitores, todos
luso-brasileiros, bem como os 44 eleitores do 12º quarteirão, os 104 eleitores do 13º quarteirão e
os eleitores dos demais quarteirões. Em sua maioria, os eleitores eram casados e tinham filhos,
podemos supor um povoamento denso, com dezenas de moradias.
Fica no ar a pergunta: por quê o povoamento luso-brasileiro fica num plano tão
inferiorizado na história dos vales de etnia germânica?
Contribuição afro-brasileira
Em plano ínfimo está o estudo da cultura afro-brasileira em geral. Além de enriquecer a
etnia, vocabulário, culinária, farmacologia, folclore, ritmo e música, a contribuição afrobrasileira foi muito rica e diversificada, visto num contexto geral.
As crenças religiosas de origem afro-brasileira integram o acervo cultural popular. São
inúmeras correntes e ramificações. Diversas seguem um conjunto de doutrinas e rituais
alinhados em federações identificadas. Outras são independentes.
Suas caixas de rufo e tamboris, seus símbolos e requebros, herdados da mitologia
africana, vieram nos porões dos navios negreiros, impregnados na alma dos negros. Aqui se
manifestaram com força total, integrando-se no sincretismo religioso brasileiro. Em torno de
30% da população brasileira tem sangue africano. Por natureza, são profundamente religiosos,
inclinados a cultos, rituais, ritmos e símbolos. Suas manifestações religiosas se exteriorizam na
música, na arte, no carnaval, nas danças, nos contos e mesmo em certos esportes. A capoeira,
por exemplo, é um jogo atlético, de ataque e defesa, de origem banta. Sobreviveu à repressão
secular da Igreja e da polícia imperial.
O que de fato pode ser facilmente comprovado é que a Igreja, ou mais concretamente,
os padres jesuítas conseguiram que fosse proibida a escravização de aborígines. A proibição não
foi tão difícil de ser obtida das autoridades, pois interessava aos mercantes escravistas e
companhias de navios negreiros. Como religião oficial do estado monárquico português a Igreja
Católica não empregou força suficiente para impedir a escravidão negra. As próprias casas
paroquiais, igrejas e casas religiosas tinham escravos. Além do mais, nem havia condições de
sobrevivência de “religiões” africanas no Brasil, pois a Igreja e o Governo proibiam qualquer
manifestação e prática de suas crenças. Os escravos estavam obrigados a abraçar o catolicismo,
tornavam-se mais dóceis e seu trabalho rendia mais. Tinham igrejas, escolas, sociedades
próprias...
Os cultos afro-brasileiros eram praticados na clandestinidade. Os escravos disfarçavam
seus 12 orixás como santos católicos: No alto está Oxalá, que representa Jesus Cristo, seguindose Xangô, São Jerônimo, suas três “esposas”, sendo Oxum, Nossa Senhora Aparecida ou da
Conceição, uma delas, a deusa das águas doces. A outra “esposa”, Iemanjá, é a deusa das águas
salgadas, representada também por Nossa Senhora. Há correntes que dizem ser filha de Nossa
Senhora. Bará é o “deus” das encruzilhadas e da malícia. Para ser admitido como membro, os
iniciados aprendem alguns rituais e seus significados, tornando-se simples orixás. Com o tempo,
os mais crentes são incorporados em “cavalos de santos”, como entidades que chegam para
atuar no mundo. Durante os rituais de Candomblé e Batuque, o orixá traz o Axé às pessoas, com
danças ao som dos tambores e fórmulas em dialeto africano.
Quando iniciou a colonização de Estrela, havia no município de Taquari 1.177 fogos ou
moradias, para um total de 9.932 habitantes, dos quais eram 6.995 pessoas livres (70%), 236
libertos e 2.701 escravos, cf De Província de São Pedro a Estado do Rio Grande do Sul Censos do RS: 1803-1950, da Fundação de Economia e Estatística, 1881, p. 69.
Especificamente, como grupo radicado em Estrela, os escravos e seus descendentes nas
primitivas fazendas não praticavam cultos africanos. Os padres e donos de escravos proibiam
qualquer manifestação religiosa que não fosse a católica. Tinham suas superstições e crendices,
veladas e secretas, herdadas de pai para filho. Cultivavam suas receitas de chás e comida, suas
rezas e benzeduras, mas tudo era controlado, ridicularizado e combatido pelos padres e pastores.
No arquivo municipal de Taquari, no livro para registro de ofícios e representações
dirigidos ao Governo Provincial e Geral e Assembléia Provincial e Geral, aberto em 2-3-1850
pelo presidente Manuel Fernandes da Silva, está registrado o Ofício n. 39, de12-10-1850, com
ricas informações sobre escravos. A Câmara de Taquari tomou conhecimento de haver crescido
o número de escravatura empregada na lavoura. Os vereadores estavam alertando as
autoridades em criar meios de prevenção a qualquer sinistro acontecimento: a prevenção pela
segurança reclama a dispensa de onze homens, inclusive o Capitão-do-mato da Guarda
Nacional móvel, e da 1ª linha para cada um dos dois distritos desse município serem
empregados na destruição de quilombos e ajuntamentos que ainda mais perigosos possam
desenvolver intenções devastadoras. Como se vê. Cada criança que nascia de mulher escrava
era um escravo novo a mais para o seu dono. Nas Fazendas do antigo território de Estrela havia
também numerosos escravos, pois somente eles trabalhavam, ao lado de poucos peões
remunerados. O documento comprova, pois, a existência de quilombos no Vale do Taquari.
Há um pequeno registro muito interessante, no Livro de Qualificação dos Votantes da
Freguesia de Taquari, em 1865, na página 72. O eleitor de nº 630, no 13º Quarteirão eleitoral, é
Zeferino Joaquim da Rosa, com 53 anos de idade, capitão do Mato - como se identificou na
coluna da profissão. Talvez fosse em alguma estância, hoje, na Fazenda Vilanova.
Possivelmente estivesse a serviço dos irmãos Antônio ou Ricardo de Azambuja Vilanova ou de
João Pereira da Silva Bilhar, todos fazendeiros.
No Arquivo Público do Estado – 2º Notariado, L. 50, Fls. 182, há a escritura de
permutação da Fazenda da Estrela, com 20 escravos, de José Inácio Teixeira Júnior, com um
sobrado de Vitorino José Ribeiro, em Porto Alegre, em 22-6-1830. O documento cita os nomes
e algumas profissões dos escravos que estavam em Estrela:
... e assim mais eles outorgantes possuíam vinte escravos ladinos que se acham na
referida Fazenda da Estrela, de nomes Claudino, João Cafundá, Bernardo, Vitorino, Gonçalo,
Lourenço, Pedro, Caetano, Tomás, Vicente que foi da “chacra”, André capenga, João,
Venâncio, José Castelhano, José Canteiro, Manuel queima forro, Manuel cozinheiro, Bento,
Inácio petiço e Fermiano, os quais são de diferentes idades... com todos os achaques novos e
velhos, e vícios de ânimo, aos outorgados pelo preço e quantia de quatro contos de réis...
Dados significativos também encontramos nos inventários de ricos fazendeiros, verbi
gratia, Antônio Israel Ribeiro, em 1880. Entre os bens arrolados, constavam 19 escravos:
Francisco, de 19 anos, avaliado em 900$000; Maria, de 3 anos, valendo 350$000; Maria, 34
anos, 400$000; Rufina, 28 anos, 600$000; Augustinho, 49 anos, 500$000; Luís, 71 anos,
avaliado 50$000 , tão somente a quantia de 5$000; Paulo, de 64 anos, avaliado 50$000 , tão
somente a quantia de 5$000; Antônio, de 69, avaliado 50$000 , tão somente a quantia de
5$000. Estes 8 escravos renderam 2:765$000 à herdeira Úrsula Ribeiro Brandão, casada com
Belo Augusto Brandão
Dos citados 8 escravos, o de mais valor era o jovem Francisco, valendo a soma de Maria
e Agostinho, devido à expectativa de vida útil para o trabalho escravo. No mesmo inventário
constava um boi, avaliado em 24$000. Francisco valia a soma de 37.5 bois! Observe-se o ano de
1880: estavam em vigor as leis do sexagenário e do ventre livre. Por isso, a valor de apenas
5$000 Luís, Paulo e Antônio. Restou um mistério: por que o valor de 350$000 para Maria, de 3
anos? Seu nome não consta no livro especial de batizados de criança que nascia livre da
escravidão! Pelo visto, mesmo que escravos atingissem 60 anos de idade, ou nascessem livres,
continuavam na senzala e na listagem de inventários, com valor de mercadoria.
No mesmo inventário, ao herdeiro Adolfo Martins Ribeiro coube o escravo Vicente, de
33 anos de idade, avaliado por 1 conto de réis; o escravo Firmino, de 23 anos, também
avaliado por 1 conto de réis; o escravo Luís, de 71 anos, avaliado por 50$000, tão somente a
quantia de 5$000; o escravo Paulo, de 64 anos, avaliado por 50$000 , tão somente a quantia de
5$000; o escravo Antônio, avaliado por 50$000 , tão somente a quantia de 5$000. Ao herdeiro
Fausto Martins Ribeiro, residente em Uruguaiana, coube o escravo Bonifácio, avaliado por um
conto de réis; a escrava Leocádia, avaliada por 650$000; o escravo Luís, de 71 anos, avaliado
por 50$000 , tão somente a quantia de 5$000; o escravo Paulo, de 64 anos, avaliado por
50$000 , tão somente a quantia de 5$000; o escravo Antônio, de 71 anos, avaliado por 50$000 ,
tão somente a quantia de 5$000; o escravo Sebastião, avaliado por 500$000.
Ao herdeiro Tenente João Frederico Ribeiro, residente em Porto Alegre, não coube
escravos. Os 19 escravos arrolados foram avaliados em quase sete contos de réis, uma fortuna
preste a evaporar-se, tendo em vista que em torno de cinco ou seis anos depois estava sendo
abolida a escravidão no Rio Grande do Sul.
No mesmo período foi feito o inventário de Crispiniano José Martins, no outro lado do
rio Taquari, dando origem ao nome da Lagoa Crispim. Entre os bens constavam os escravos
Teodoro e Antônio. Cada um valia 800$000 e uma rês de cria: 18$000. Portanto, 1 escravo
tinha o valor de 44 terneiros...
Observando-se o livro especial de registro de crianças negras que foram batizadas na
igreja matriz de Santo Antônio da Estrela, em virtude da Lei do Ventre Livre, houve 43 meninas
e 48 meninos. Dos 91 batizados, o primeiro foi em 25-4-1874: Maria, filha de Rita, escrava de
Antônio Geraldo Pereira, sendo padrinhos Antônio e Florisbela Soares. Quase 13 anos depois,
foi feito o último batizado, em 21-3-1887, de Maria Antônia, filha de Isabel Maria Joaquina,
escrava de Tristão Gomes da Rosa., sendo padrinhos Joaquim Antônio de Andrade e Fausta de
Oliveira.
Das 91 mães dos batizandos, 14 eram escravas de Tristão Gomes da Rosa. Também
havia escravas de proprietários de etnia germânica: Adão Mallmann tinha 4 destas mães
escravas: Firmina, Simiana, Firminiana e Gemiana. Miguel Ruschel tinha os escravos Águeda e
Bento, que serviram de padrinhos. Carolina Koch era dona dos escravos Guilherme e Juliana.
Carlos Arnt era dono da escrava Sofia, mãe de Virgilino, nascido em 8-10-1886.
No mesmo ano, cf. a Gazeta de Taquary, de 30-10-1887, transcrita por Hessel, foi
constituída uma Comissão Abolicionista, com o vigário Padre Eugênio Steinhardt, o presidente
da Câmara, Henrique Teodoro Rohenkohl, o coletor Afonso Martins Ribeiro e os cidadãos Luís
Paulino de Morais, Tristão Gomes da Rosa e Antônio Geraldo Pereira. Praticamente não havia
mais escravos no Rio Grande do Sul. Menos de um ano depois, foi abolida a escravidão no
Brasil, no papel...
A Lei Áurea de 13-5-1888 libertou 723.419 escravos, sendo 348.174 homens (54%) e
338.804 mulheres (46%). A maioria era menor de 30 anos: 336.174 escravos (46.4%),
seguindo-se os de 30 a 40 anos: 195.726 escravos; de 40 a 50 anos: 122.097 escravos; De 50 a
55 anos: 40-600 escravos e de 55 a 60 anos: 28.822 escravos.
O prejuízo dos donos de escravos alcançou a cifra de 485.224 contos de réis,
calculando-se a média 670 mil-réis cada escravo. O Rio Grande do Sul estava com a matrícula
de 8.442 escravos, ao custo total de 5.947 contos de réis, cf O Paladino, de 1-12-1928. Do
Vale do Taquari não há dados.
Na verdade, a Lei Áurea esvaziou as senzalas, mas abandonou no olho da rua mais de
220.000 famílias, sem eira, nem beira. Quantos contos de réis tiveram os negros de prejuízo?
Quem os indenizou pelos anos de trabalhos forçados? Grandes fortunas de hoje têm na base
grandes injustiças e crimes!!!
A notícia da libertação total dos escravos no Brasil chegou em Estrela depois de alguns
dias. Registra o livro do Tombo da Paróquia de Santo Antônio, em 26-5-1888: houve Te Deum
solene, com sermão, em ação de graças, pela libertação dos escravos por lei de 13 de maio: em
que todas as classes da sociedade tomaram parte. Fica aí a dificuldade em entender como todas
as classes sociais tomaram parte. Fica a pergunta: todas as classes sociais? Também a dos
donos de escravos, chamados "proprietários"?
A maioria dos escravos libertos na vila de Estrela, conseguiu estabelecer-se em ranchos
no bairro Oriental, de onde vinham prestar serviços por empreitada ou tarefas no centro de
Estrela. No interior os escravos tiveram que se fixar nos "cafundós", palavra de origem africana.
Os serviços pesados de carga e descarga nos portos de Taquari, prestados pelos negros, fizeram
com que muitos seguissem os barcos e se fixassem nas proximidades de Porto Alegre. A exescrava Maria Madalena das Dores foi uma das que por mais tempo sobreviveu a escravatura,
sendo muito popular em Estrela, conhecida por Tia Maria, vindo a falecer em 12-8-1925, com
104 anos de idade.
Como devem estar lembrados os mais antigos, o WC (water closet) nas moradias faz
parte de uma casa há, relativamente, pouco tempo. As "casinhas", "patentes" ou "latrinas"
ficavam no fundo do quintal. Como não se conhecia o vaso para defecar, sentava-se sobre uma
bancada, com o orifício ovalado, apropriado para a bunda, palavra de origem africana, para
designar as nádegas. Quando o recipiente, um caixote de madeira, estava cheio, lá vinha o negro
cabungueiro, especialmente contratado, para deslocar o excremento humano e espalhá-lo na
horta, pomar ou até nas barrancas de um arroio ou rio. Este recipiente era chamado cabungo
pelo africano, o que passou a identificar a própria latrina. A palavra foi amplamente usada pelo
imigrante alemão, cuja corruptela "capunga" faz parte do glossário gaúcho, só não inserido no
dicionário por desconhecimento dos lexicógrafos paulistas e cariocas, que decidem no Brasil o
que entra ou deixa de entrar em nossos dicionários.
A riqueza do nosso vocabulário é, talvez, a maior contribuição dos negros no Brasil, o
que perdura para sempre, sem que nossas gerações se dêem conta disso, quando usam, todos os
dias, palavras como camundongo, papagaio, moleque, curinga, tanga, samba, xingar,
engambelar, cochilar, gambá, angu, bombo, minhoca, bengala, mocotó, caçula, cambada,
matungo, cachimbo, corcunda, cachaça, sinhá, batucar, marimbondo, lombo, milonga, fubá,
dengoso, quitute, quitanda, tutu, bugio, mocambo, tunda, senzala, dunga (valentão), catita,
encabular, fulo, banzé, canjica e mais centenas de palavras.
O assunto "preconceito" também entra na história de Estrela. Existia de ambos os lados.
Colonização alemã
Entendemos por povoamento o estabelecimento de habitantes em sesmarias e datas
concedidas pelo governo português. Por colonização entendemos a divisão e transformação
destas sesmarias e datas, para nelas habitarem e trabalharem grupos de migrantes ou mesmo
imigrantes. Neste sentido, é possível se falar em colonização açoriana em Taquari e Santo
Amaro. Entretanto, aos poucos, deixaram de cultivar trigo e cereais, passando para a
agropecuária, devido ao baixo preço da produção agrícola e, diversos, para a pecuária pura.
A colonização alemã deve ser entendida dentro de um contexto histórico, observando-se
os seus fatores internos e externos. Assim como não encontramos um termo bem apropriado
para identificar o cultivo do chimarrão, churrasco, pilchas, linguajar típico dos gaúchos e outras
tradições, fora das fronteiras do Rio Grande do Sul, quer noutros estados brasileiros, quer na
Argentina ou no Uruguai, - gauchismo, talvez - também não encontramos a palavra adequada
para identificar o cultivo das tradições, costumes e língua materna dos imigrantes alemães germanidade, quem sabe.
Quanto ao tema "Deutschtum" ou Germanidade, à primeira vista um tanto delicado, é
mister observar um aspecto da natureza humana que lhe é essencial: a sociabilidade. O corte do
cordão umbilical não torna o homem um ser isolado, mas seus laços de família se estendem aos
demais que convivem com ele no grande grupo. Ora, o grande grupo tem um conjunto
imensurável de valores, riquezas e vivências, sem as quais o indivíduo isolado dificilmente
consegue sobreviver. Ora, se o ato de emigrar constitui, de certa forma, um corte umbilical deste
conjunto, fica fácil entender porque num grupo de imigrantes se estreitam ainda mais os laços
dos que devem enfrentar uma situação totalmente nova. Isolados num ambiente novo, estranho,
às vezes hostil, imigrantes procuram reagrupar-se, adaptar-se ao novo ambiente, reunir valores e
formar um novo grande grupo, com novas vivências.
Para quem não sabe, 1.621.000 brasileiros vivem hoje em 5 países: 800.000 nos EEUU,
455 no Paraguai, 254.000 no Japão, 60.000 na Alemanha e 52.000 em Portugal - cf O
Informativo do Vale, de 29-9-2001. Por isso, ao leitor sincero, que se flagrar um nacionalista
xenófobo, vou convidar para uma emigração imaginária de um grupo de famílias brasileiras,
que, por razões fortes, fossem obrigadas a deixar sua pátria, terra natal, colegas de escola e
trabalho, separar-se para sempre de pais, irmãos, filhos, parentes e amigos... Imaginemos, por
exemplo, atravessar um oceano, desembarcar num porto desconhecido ao sul da África ou da
Indonésia, seguindo alguma propaganda de país que oferece terras e vantagens a imigrantes, ver
pessoas de aspectos tão diferentes, ouvir línguas estranhas. Vamos seguir o guia num barco, rio
acima, em busca da terra que nos indicaram, em meio a uma floresta... Teríamos que abrir um
pique e uma clareira, erguer nossa choupana provisória, tudo em mutirão entre os conterrâneos.
Obviamente, continuaríamos a falar a nossa língua, seguir a nossa crença religiosa e ensinar a
ler e escrever aos filhos, caso não houvesse escola. Não deixaríamos do chimarrão,
churrasquinho, caipirinha, culinária, cultivando nossas tradições possíveis... Entretanto,
deveríamos adaptar-nos a uma nova situação. Com o tempo, o contato com os nativos nos
ensinaria uma nova língua, novos conhecimentos sobre a agricultura, comércio, indústria, bem
como outros hábitos... Por outro lado, iríamos alertar nossos filhos de algum hábito indesejável
dos nativos. Não gostaríamos de ser hostilizados pelos nativos, nem ser por eles marginalizados.
Que não nos fosse proibido o uso da nossa língua, nem houvesse interferência em nossa vida
familiar, social, religiosa...
Mutatis mutandis, algo semelhante aconteceu com quase todas as levas de imigrantes ao
Brasil. Com a ameaça da independência do território do Uruguai, que se concretizou em 1828,
D. Pedro I planejou povoar e colonizar o Rio Grande do Sul com imigrantes alemães, para
garantir sua integração ao Império brasileiro e, também, para reforçar o Exército imperial.
Por outro lado, na época, o povo alemão sofria as conseqüências das guerras
napoleônicas e a falta de unidade política. Para que esta se concretizasse, novas guerras estavam
previstas. De fato, as lutas contra a Dinamarca e a Áustria, a revolução de 1848 e a guerra
franco-prussiana estraçalharam famílias inteiras. Com a revolução industrial, a Alemanha estava
se proletarizando.
Major Jorge Antônio von Schaeffer, oficial alemão a serviço no Brasil, foi encarregado
de recrutar colonos alemães, recebendo comissão por cada imigrante. Schaeffer sabia onde se
localizavam agricultores sem terra. Soldados fartos com vida de quartel e operários sem
emprego ou mal pagos. Na época, numerosas famílias emigravam para outros continentes.
Schaeffer propagou o projeto de colonização do Rio Grande do Sul, prometeu terras e muitas
vantagens. Na Alemanha, ser dono de um pedaço de terra era um sonho praticamente impossível
de se realizar a qualquer colono. Pelo morgadio, só o filho mais velho herdava a propriedade
rural, indivisível, para administrá-la. Os demais irmãos deviam viver na propriedade,
trabalhando em regime familiar, ou sair de casa, para estudar, tornar-se clérigo, militar ou
aprender alguma profissão. Os imigrantes dos dois primeiros navios vieram de Holstein,
Hannover e de Hamburgo, em cujo porto emigrantes esperavam, às vezes, longo tempo para
embarcar, viajando para outros continentes, de preferência para a América.
Cabia ao imigrante pagar sua passagem, o que era muito cara, especialmente em se
tratando da família toda. O governo brasileiro garantia terra, subsídio de 40 talers por mês,
durante um ano, 2 éguas, 2 porcos, duas galinhas, enxada, machado, serrote, fechadura e
dobradiças. No início, a alimentação foi fornecida pelo governo, produzida por escravos na
Feitoria Velha, depois São Leopoldo, onde a primeira leva de 38 imigrantes chegou em 25-71824, seguindo-se muitas famílias. Ao se iniciar a colonização de Estrela, já tinha vindo em
torno de 7.500 imigrantes ao Rio Grande do Sul.
É preciso frisar o fato de que a história de Estrela não começou com a vinda de
imigrantes alemães. Já havia mais de meio século de povoamento luso-brasileiro, quase
anônimo, nas antigas fazendas em território estrelense.
Um pequeno contingente de imigrantes, em Estrela, tem sido os "Brummer". Quem
eram eles? Terminada a Guerra contra o ditador argentino Juan Manoel Rosas, em 1852, a
grande maioria dos 1800 soldados de um exército profissional, mercenários contratados pelo
governo imperial brasileiro, preferiu permanecer no Brasil em vez de retornar à Alemanha. O
contrato previa o pagamento em soldo, mas o governo também oferecia terras. Sabiam os
soldados que os estados alemães continuavam em guerra pela sua unificação, concluída com a
guerra franco-prussiana, em 1870, custando milhares de vidas. Entre os que preferiram ficar no
Brasil e escolheram terras no primitivo território de Estrela, destacaram-se Julius Georg
Schnack, Gustav Heinrich Göllner e Wilhelm Heydt. Depois vieram outros. O apelido
"Brummer" se deve ao soldo muito baixo que os militares recebiam, fazendo zunir sobre o
balcão das bodegas as moedas de bronze, de pouco valor. Por reclamarem e resmungarem,
foram apelidados por "Brummer", termo depreciativo, no início. Depois, foi motivo de orgulho
e de identificação.
No quartel, cada "Brummer" tinha aprendido uma profissão, para ser auto-suficiente.
Este conhecimento foi de grande valia nas colônias por onde se fixaram, sendo geralmente
pessoas líderes, irrequietos, é verdade, mas dotados de livre iniciativa, os mais capazes, hábeis ,
inteligentes e politizados, como que o fermento nas colônias, vilas e cidades. Não eram
imigrantes indecisos e arrependidos, com um pé no Brasil e outro na Alemanha. Decidiram ficar
no Brasil, onde fixaram os dois pés, para fazer do Brasil uma nova pátria, sem perder o que
chamamos de germanidade.: falar o alemão e português; aprender bem ler, escrever e fazer
contas, bem como uma profissão; participar na construção de sua comunidade: escolas, igreja,
cemitério, clube, esporte, ginástica, festas, Kerb...
Por esta razão, dissolvida a força militar dos "Brummer", o governo provincial estava a
procura de terras devolutas pela Província. Solicitou à Câmara Municipal de Vereadores de
Taquari se havia áreas disponíveis na margem esquerda do rio Taquari, acima da Fazenda
Beija Flor e na margem direita, acima da Fazenda de Francisco Silvestre. Como se vê, o
governo tinha algum conhecimento desta região. A Câmara desaconselhou a área acima de
Beija Flor, diante do trânsito dificultado por quatorze catadupas ou cachoeiras, não fazendo
menção de algumas pequenas – aqui se chamam itaipavas – não deixará prosperar a colônia
que em tal altura se estabelecer. Mas sugeriu que comprasse as fazendas dos Conventos e
Lajeado e, especialmente, a Fazenda Boa Esperança dos herdeiros do falecido Freitas
Travassos desta Vila, com quatro léguas por terra de bom caminho. Por esse ofício n. 31, em
13-7-1852, a Câmara desaconselhou as terras de Estrela para uma nova colônia.
Em 20-5-1853, pelo Of. n. 8, o governo provincial voltou a pedir à Câmara as mesmas
informações, dando o destaque a áreas próximas a águas navegáveis. Além de áreas na serra
geral de Santo Amaro, os vereadores indicaram as terras que há na Serra Geral deste distrito.
Indicaram, pois, as áreas mais altas do antigo território de Estrela.
O livro de Atas da Câmara de Vereadores faz referências a problemas com registros de
terras, na época feita pelos párocos de freguesias, que tinham tarefas hoje cartorárias. A ata de
9-1-1855 faz referências a registros de terras, na margem direita do Rio Taquari, feitos em São
Jerônimo. No ano seguinte, eram feitos pelo pároco de Santo Amaro. Na margem esquerda,
eram feitos em Taquari.
Histórico é o registro feito no livro de Atas da Câmara de Vereadores de Taquari, na
reunião extraordinária de 14-8-1856, na página 220, pelo secretário Antônio Batista da Costa,
sob a presidência de Geraldo Caetano Pereira. Eis a transcrição:
Depois do que, passou-se a ler uma petição do Tte. Cel. Vitorino José Ribeiro, pedindo
para que se ateste a colonização em sua Fazenda denominada da Estrela, em outubro do ano
passado, é ou não verdade ter já distribuído quarenta e duas colônias, e se tem proporções e a
necessária capacidade para levar a um grau elevado este ramo de indústria no município. E,
posta em discussão, deferiu-se. Ateste-se pela afirmativa o que requer o suplicante, e tanto mais
quando esta Câmara no relatório das necessidades do município que dirige a Presidência da
Província, em data de 2 do corrente, por tratar da colonização da Fazenda mencionada.
Certamente este Relatório deva constar no Arquivo Público do Estado. O fundador da
Colônia de Estrela afirma que iniciou a colonização em outubro de 1855. Em menos de 10
meses havia distribuído 42 colônias. Algum concorrente ou adversário estava pondo em dúvida
sua capacidade de promover o progresso a um grau elevado. A Câmara deu-lhe o atestado
positivo. A colonização prosperou.
Imigração italiana e outras
Observando-se a Lista dos Eleitores de Estrela, em 1890, percebe-se que o “italiano”
mais próximo de Estrela tinha uma casa de negócio no 9º quarteirão eleitoral: Giovani
Muttinelli. Mais adiante, no 10º quarteirão, estava Francisco Martini, lavrador. No 15º
quarteirão, hoje Roca Sales, havia 9 eleitores “italianos”, dos quais os negociantes Cândido
Giongo, os irmãos negociantes Domingos e Querino Tomazoni e Olímpio Cavagna. Este último,
nascido lá por 1855, filho de Inocente Cavagna, foi o primeiro “gringo” a ingressar na política.
Foi eleito conselheiro municipal, em 17-9-1896. Renunciou com todos os colegas, em 27-101897. Reassumiu como suplente, em 1902 e foi reeleito, em 1904.
Só no 15º quarteirão, já em Roca Sales havia os eleitores Pascoal Bertoldi, Benjamin
Bertoldi, Francisco Bertoldi, Romano Bertoldi, Ricieri Maglia, José Brock, José Stengheli e
Cézari Pessine (deve ser Piccinini).
Entre os pioneiros de Arroio da Seca foi João Batista Tonini. Veio da Itália, onde
nasceu em 1823. Foi um dos sete primeiros moradores que abriu a picada ao longo do Arroio
da Seca, no sentido oeste-leste, ou seja, da confluência do rio Taquari rumo às nascentes - cf
Lothar Hessel, em Nova Geração, de 13-3-1976, p. 10.
Marcante foi a vinda de um pequeno grupo de intelectuais italianos para a vila de
Estrela, em 1912. Os irmãos Giovani, como médico, e Augusto Campelli, como farmacêutico,
compraram a Clínica e Escola de Parteira de Dr. Gabriel Schlatter. Reformaram o sobrado e
nele montaram uma nova clínica cirúrgica, tendo como assistente Dr. Guido Nastruci. Chegou a
vir o cônsul italiano para a festa da inauguração. Sobrou dinheiro para Dr. Giovani Campelli
entrar como sócio, com cinco contos de réis, numa empresa que, depois, foi a origem da fábrica
de cerveja Polar. Arrebentando a I Guerra Mundial, o amor à pátria falou mais alto e fê-los
voltar para a Itália. Depois da guerra. Dr. Giovani ainda voltou para Porto Alegre, por mais
alguns anos, regressando definitivamente para Itália, onde faleceu.
Na listagem de comissários seccionais, nomeados em 1913 pelo intendente Manuel
Ribeiro Pontes Filho, constam alguns sobrenomes que parecem indicar a procedência italiana:
No 1º distrito de Estrela: Francisco Cornelli. Em Novo Paraíso: Alberto Primmi.
Na vila de Estrela, Paulo Bergamaschi foi funcionário no Banco Pelotense. Era
jornalista, assumindo interinamente o jornal local, cf O Paladino, de 12-2-1922. Residia
também em Estrela Orestes Lúcio Bergamaschi, um dos líderes e o primeiro presidente da
Associação Comercial e Industrial de Estrela e que se casou com Íris Ruschel.
No bairro Oriental, um dos pioneiros imigrantes italianos foi Ectorino Fiorini, falecido
em 23-9-1936, pai de Adolfo, Albino, João e quatro filhas, todas casadas com famílias de
origem germânica: Carlos Droll, Adolfo Müller, Willy Lohmann e a viúva Emília Fiorini
Knobloch.
A miscigenação racial é saudável, o que nem sempre teve apoio de pais
preconceituosos.
Na rua Fernando Abbott, em Estrela, Albino Tirelli, sucessor de Antônio Renz, estava
estabelecido com Ourivesaria e Relojoaria – completo sortimento em jóias – Nesta oficina
conserta-se todo e qualquer artigo deste ramo - cf O Paladino, de 2-10-1921.
Quanto mais próximo do núcleo urbano de Estrela, mais lenta se tornava a aculturação
de raças. Conseguiu vencer barreiras só nos últimos anos, com a vinda de professores e
funcionários públicos. O fato muito tem influído na cultura, na economia e no próprio
desenvolvimento da cidade. Percorrendo-se o Cemitério católico de Estrela, logo cai na vista os
sobrenomes, levantados por Vera Diedrich, como Agostini, Angeli,, Bagatini, Balestro,
Banassina, Barbieri, Bassegio, Benini, Betti, Biolin, Butignol, Carara, Caumo, Chrestani,
Cofferri, Comin, Dacota, Dalagnol, Dalmoro, Dalpian, Dartora, Delai, Ferrari, Ferraza, Fiorine,
Fontanella, Ghislene, Ghilardi, Giacomeli, Grassi, Guaragni, Gheno, Manfredini, Martini, ,
Mezacasa, Moriggi, Muraro, Mussulini, Nicolini, Paladini, Pedralli, Pellegrini,Piccinini,
Possamai,Preto,Quartieri,Rigatti, Serruoti, Sfoglia, Sicorra, Simeoni ou Simioni, Taiani, Tibiti,
Turatti, Turella, Walari,, Zambito, Zanella e Zeni. Mesmo no cemitério evangélico há os
sobrenomes de Bartholdi, Conte e Fiorini.
Também na vida política e econômica é marcante a presença da etnia italiana, como
Agnoletto, Agostini, Albarello, Antoniolli, Baesso, Bagatini, Bagestan, Balbinot, Barbieri,
Bassegio, Bastian, Bazanella, Belini, Belmonte, Benini, Berté, Berti, Berticelli, Betti, Bianchini,
Biguelini, Bochi, Bortolini, , Bortolotto, Bottoni, Bezetti, Brancher, Bresolin, Busato, Calsa,
Cantu, Cappelatti, Carbone, Casagrande, Castoldi & Cherini, Ceratti, Cherini, Chesini,
Chiarelli, Chiesa, Cicceri, Coferri, Colpo, Consi, Constantin, Conte, Corbellini, Cover e
Ponzoni, Dadall, Dall Prá, Dalcomo, Dall Orsoletta, Dalpian, Daltoé, Dartora, Daroit,
Degasperi, Delai, Deitos, Delazeri, Demarchi, Destesani, Donato, Facini, Ferrari, Ferrazza,
Ferri, Fiorini, Fontanella, Fontanive, Foppa, Fornari, Fracaro, Franceschi, Frozza, Fumegalli,
Fungheto, Gandini, Garbin, Genezzini, Gerelli, Gheno, Giongo, Giovanella, Girardi, Gottardi,
Grando Granetto, Grassi, Guaragni, Guglielmini, Guindani, Guzzo, Guzzon, Laste, Lizot,
Locatelli, Longhi, Lovato, Lucietto, Lussani, Mafissoni, Malfatti, Maluessi, Manfredini,
Mânica, Mariani, Marin, Mantese, Martini, Masiero, Matiello, Mazzarollo, Meneghini,
Mezacasa, Mezzomo, Miorando, Modesti, Molina, Morelli, Moretto, Moriggi, Muccillo, Negri,
Nicolodi, Odorizi, Orighella, Orlandini, Orsolin, Paladini, Pastoriza, Pavanelo, Pavi, Pavoni,
Pedotte, Pelegrine (i), Perin, Petrini, Petuco, Piccinini, Pivatto, Portella, Portolan, Possamai,
Pozzebon, Pretto, Prilla, Pruvinelli, Pucinelli, Quartieri, Radaellli, Reginatto, Rigatti, Rissi,
Ritta, Romagna, Rossetto, Sachini, Salvadori, Sbardelotto, Scalabrini, Schena, Seffrin, Sessi,
Sesti, Sfoglia, Simeoni, Soldi, Spanholo, Tallini, Tonelli, Torriani, Turatti, Valandro, Vanzin,
Vettorello, Zambiazi, Zanatta, Zancanaro, Zanella, Zanini, Zanluchi, Zuchetti e muitos outros.
Trentini é de origem austríaca-alemã, do Tirol, quando pertencia à Itália Irredenta, de possessão
austríaca.
Com a finalidade de pesquisar a história e genealogia das famílias da etnia itálica, bem
como cultivar as tradições e a língua italiana, foi fundada a Società Fiori dei Piani, com sede em
Estrela. Com o apoio de toda a Estrela, em 3-9-2000, os associados inauguraram a sede própria,
em Santa Rita, estando na presidência Olir Moretto.
Guido Lang, em Colônia Teutônia, tem o capítulo 10: A colônia de austríacos, como
um fato desconhecido na história da colonização do RS. Eram imigrantes procedentes da
Boêmia. Estes ocuparam a Picada Neu Osterreich (Nova Áustria - atual linha BrasilPaverama) e parte da Picada Hermann (atual Germana Fundos), onde iniciaram propriamente
a colonização. Ampliaram o núcleo colonial inicial a partir de 1876, quando chegou nova leva
de pioneiros. As primeiras quatro famílias foram: Wenzel Reckziegel, Wilhelm Schaurich, José
Tischer Sênior ou I e José Tischer Sênior Júnior ou II. Depois vieram: Wenzel Terneny, Joseph
Klammt, Joseph Ullrich, Franz Nirich, Wenzel Jantsch, Stefan Keil, Karl Kril. Eram todos
católicos, talvez os únicos da colonização de Teutônia. O livro dos eleitores de Estrela, de 1890,
traz alguns nomes, com a idade e filiação: Francisco Keil, 65, filho de Floriano; Francisco
Nöhrig Filho, 50; os irmãos Wenzel, 45, José, 39, e Estêvão , 32, filhos de Francisco Jantsch;
Francisco Antônio Tischer, 46, filho de José; José Klammt Filho, 38 e Sigismundo Reckziegel,
com 30 anos de idade, filho de Wenzel.
A mesma lista de eleitores de Estrela, de 1890, traz alguns nomes, no 15º quarteirão
eleitoral, de origem polonesa, como João Chimanko e João Stromwski. Observe-se que há
também a grafia "von" Stromwski, o que tem aparência germânica.
Encontramos em Estrela o sobrenome Persson. Nils Albert Persson veio da Suécia, no
apagar das luzes do século19, em Novo Paraíso. Era um artista em fabricar móveis.
De procedência holandesa é a família Snel, notabilizando-se na área médica e
farmacêutica, como pode ser observado no Dicionário.
De origem polonesa é o sobrenome Szmidt, também com destaque na área médica.
De origem espanhola, talvez do Uruguai, temos Izaguirre. Sobressaiu-se Antônio Soares
Izaguirre como presidente do Conselho Municipal de Estrela, eleito conselheiro em 27-10-1897.
No cemitério católico há o sobrenome Barrionuevo. Também há sobrenomes de origem russa,
como Akwa (Vendelino Akwa, * 14-2-1903, + 24-4-1985).
Primeira menção de imigrante árabe está no livro de Livro de Registro de Batismos da
Comunidade Evangélica de Conventos. Em 8-12-1896, foi batizado, em Estrela, Waldemar
Pedro, filho de Antônio Miguel Pedro e de Pauline Sommer (neto de Pedro Sommer e de
Caroline Lambert). Na virada dos séculos 19 e 20, sírios e libaneses chegaram ao RS ostentando
passaportes da Turquia. Vieram sírios para Estrela, como Elias e Miguel Simaan Abech, em
1914. Sua irmã Faride Simaam Habache, cf O Informativo, de 2-3-2001, vive ainda, com 85
anos de idade, na Rua Coronel Flores. Elias Abech tinha casa comercial em Estrela, na rua
Fernando Abbott, n.º 14.
Hisau Hatori, mais conhecido por Hugo Hatori, desde 1995 tem consultório de
Acupuntura, formado em Escola Técnica de Tóquio.
URBANIZAÇÃO
Entre os diversos núcleos coloniais que estavam florescendo na margem esquerda do
Taquari, entre Arroio do Ouro e Novo Paraíso, destacava-se a sede da própria Fazenda da
Estrela, na margem esquerda do Arroio Estrela, na sua embocadura.
Da primitiva sede da Fazenda da Estrela, estabelecida lá por 1801 pelos irmãos João e
José Inácio Teixeira, talvez realmente nada mais tenha restado. Os sesmeiros moravam em
Porto Alegre, donde administravam seus bens e latifúndios. Denominado nos documentos como
pertences do tráfego, na Fazenda da Estrela tinham construído grandes galpões e ranchos para o
administrador, peões e escravos, seus feitores e, esporadicamente, algum capitão-de-mato.
Trafego parece estar mais relacionado a embarcações que transportavam produtos e
mantimentos aos que trabalhavam nas fazendas da região. Por essa razão, discordamos da
opinião de Lothar Hessel que afirma ser daquela época, isto é, bem antes de 1824, a primeira
casa de alvenaria de Estrela. No mesmo período, no outro lado do Taquari, os irmãos Teixeira
também fixaram a sede da Fazenda dos Conventos, com seus pertences, sem que se encontre
vestígio de algum sobrado ou construção de alvenaria. Se tivessem construído "sobrados" de
alvenaria nas duas fazendas mais distantes de sua sociedade imobiliária, teriam que investir,
antes, nalguma olaria, para a fabricação de tijolos e telhas, mesmo que os oleiros fossem
escravos. Também não se encontraram nos locais rastros de pedreiras de arenito.
Como nas demais fazendas, os povoadores extraíam madeira de lei e erva-mate para os
seus patrões, cujos fardos eram transportados em balsas, sobre as toras, descendo o Taquari,
rumo a Porto Alegre, ou mesmo nas embarcações privadas. Desmanchada a sociedade
"imobiliária" em 1824, a fazenda em decadência foi herdada por José Inácio Teixeira Júnior,
que a permutou com um imóvel em Porto Alegre, à rua da Ponte, seis anos depois, com Vitorino
José Ribeiro. Certamente este não veio logo morar na Fazenda da Estrela, em 1830. Só depois,
sem que se saiba a data. Salvo melhor cálculo, a primeira casa de alvenaria, construída nos
limites da cidade de Estrela, foi construída antes de 1830, quando Vitorino José Ribeiro aí veio
morar., pois já havia casa de vivenda e de engenho. Onde esteve localizado? Sua foto foi
reproduzida no Álbum Comemorativo do Cinqüentenário do Município de Estrela, p. 18, e
no livro O Município de Estrela, de Lothar Hessel, p. 19. Estava na Rua Júlio de Castilhos,
exatamente defronte à atual moradia de Dr. Werner Schinke. Parte desta primeira casa de
Estrela cedeu seu espaço para o prolongamento da rua Doutor Tostes, na esquina. Teria sido
construído antes de estourar a Revolução Farroupilha? Mesmo que fosse amigo de Bento
Gonçalves, Ribeiro não aderiu à Revolução. Por isso mesmo, é plausível que viesse morar tão
longe de Porto Alegre, e fixar moradia em Estrela só depois da guerra farrapa, isto é, depois de
1845, quando já estava com 42 anos de idade. Lothar Hessel lembra-se desta primeira moradia,
demolida em 1927, quando nela morava Ricardo Thimmig. Lothar lembra bem da demolição,
pois a petizada vasculhava os escombros à procura de bolinhas de gude...
Na esquina defronte, onde reside a família Schinke, estava localizado o segundo prédio
mais antigo de Estrela, de alvenaria, com dois pavimentos, construído por Vitorino José Ribeiro.
Quando? Não se sabe. Ao que tudo indica, já existia quando iniciou a colonização, em 1855,
pois abrigava os primeiros colonos, que lá chegavam para comprar seus lotes coloniais.
A terceira construção em alvenaria, no atual centro urbano de Estrela, foi erguida lá por
1860, onde, no ano seguinte, se estabeleceu a família dos Mena Barreto. Embora fosse de um
único pavimento, era muito espaçoso.
Por ser sede da fazenda e moradias das famílias Ribeiro e Barreto, a área só foi dividida
em lotes coloniais mais de 10 anos depois de iniciada a colonização.
Antônio Víctor de Sampaio Menna Barreto é considerado o fundador do núcleo urbano
de Estrela por ter dado início à colonização da sede de Santo Antônio da Estrela e,
principalmente, por ter lançado o fundamento do núcleo urbano. Foi ele que traçou o primeiro
"plano diretor". Destinou uma área de terrenos para a capela, ao lado de seu sobrado, para a
escola, do outro lado da igreja, e toda a área para a praça. Pouco depois, tomando conhecimento
de que seria necessário um terreno para a casa paroquial dos padres, empenhou-se para que
fosse estabelecida a moradia dos padres também junto à praça, nas proximidades da Casa de
Cultura Dr. Lauro Reinaldo Müller, cujo espaço foi, mais tarde, cedido para a fábrica da Polar.
O fundador de Estrela escolheu como santo protetor do povoado a Santo Antônio, seu
primeiro prenome. Do seu segundo prenome, pelo qual era chamado de Coronel Vítor, se
originou o santo protetor de Novo Paraíso, São Vítor.
Talvez um dos primeiros a se estabelecer no local tenha sido Filipe Pedro Knierim, filho
de Adão Knierim. Com 27 anos de idade, iniciou como lavrador, tornando-se um dos primeiros
“negociantes" em Estrela.
Filho de Christian Horn, Pedro Horn deve ser mencionado entre os pioneiros. Com 45
anos de idade, talvez desconfiado dos rumos iniciais do Movimento Mucker, lá por 1868,
deixou a região de Campo Bom e veio para a Colônia de Estrela, com sua família. Comprou de
Antônio Vítor Sampaio Mena Barreto a área ao sul de sua propriedade, onde hoje se encontra o
Morro dos Horn e o Centro Educacional Estrela da Manhã.
Foi em 24-6-1872 que chegou em Estrela a família de Sebastião Ruschel e seus 7 filhos,
cf O Paladino, de 25-6-1922, noticiando a festa jubilar dos 50 anos da chegada em Estrela.
Mereceu um capítulo especial no livro de Lothar Hessel, razão pela qual não precisa ser repetido
aqui. Seguiram-se numerosas outras famílias, cujos pioneiros estão relacionados no Dicionário
deste livro, sem que tivéssemos condições técnicas e tempo para completar o trabalho.
DISTRITO
EM 18-3-1872
Os distritos especiais, na época, constituíam uma subdivisão jurisdicional de um termo
judiciário, podendo pertencer, inclusive, a outro município que não aquele que compreendia o
termo. Tinham funções especificamente judiciárias. Os distritos de Paz constituíam uma
subdivisão territorial com funções político-administrativas, como os distritos de hoje.
Estudando-se uma estatística de Estrela, elaborada por Otávio Augusto de Faria, em
1912, todo o primeiro distrito estava dividido em 30 subdivisões administrativas, denominadas
comissariados. A própria vila, como sede do 1º distrito, tinha 7 comissariados, incluindo a área
suburbana, Chacrinha e Boa União, área rural.
No Sul, sem dúvida, as linhas mais antigas de Estrela são Figueira, picada Ribeiro e os
dois comissariados de Arroio do Ouro, já por serem mais próximas de Bom Retiro do Sul e
Taquari, na margem esquerda do rio Taquari, banhadas pelos arroios da Areia e do Ouro. Mais
afastados, estão os comissariados da linha Delfina, picada São João do Bom Retiro e Porongos.
Abrangendo o Leste: linha Glória, Santa Rita, ao seu lado Posses; mais acima, São Jacó, os 4
comissariados de Novo Paraíso, também mais antigo que o núcleo urbano de Estrela, os dois
comissariados da linha Lenz e picada Winck. Ao Norte: linha São José e Costão, na margem
esquerda do Taquari e os dois comissariados da picada Geraldo.
As colônias de Estrela, Lajeado e Teutônia foram se desenvolvendo lentamente nas
primeiras duas décadas. Um decênio de lutas fratricidas na Revolução Farroupilha precisou de
um decênio de trabalho para equilibrar suas finanças e voltar ao ritmo de crescimento, embora
as lutas platinas na guerra contra o ditador Rosas também perturbassem o clima de paz. Foi
exatamente no longo período de 6 anos da Guerra do Paraguai que as colônias se consolidaram.
A Província do Rio Grande do Sul ficou arrasada. O maior contingente de soldados e
voluntários era gaúcho. Estancieiros e fazendeiros sem peões, cavalos e gado requisitados pelo
governo, colônias desmanteladas por falta de braço humano deixaram as finanças da Província
com saldo negativo. Morto Francisco Solano López, em 1-3-1870, da estaca zero se partiu para
o trabalho de reconstrução.
Para equilibrar o orçamento, o governo se voltou para as colônias. Pelos relatórios que
os diretores das colônias enviavam às chefias de estatística sabia-se da riqueza que estava sendo
produzida, como exportação de mandioca, centeio, trigo, milho, feijão, batatas, banha... Em
1866, agricultores de Teutônia participaram da Exposição Agrícola e Industrial de Porto Alegre.
Era preciso arrecadar mais impostos, como a criação do passo no Taquari, junto à fazenda da
Estrela, em 2-7-1872. Uma percentagem dos recursos arrecadados servia para investir em algum
melhoramento. Sabe-se que a Lei provincial n.º 742, em 1871, autorizou a Câmara Municipal de
Vereadores de Taquari a empregar o saldo de 5:218:000 do exercício para construir uma ponte
sobre o arroio Estrela e outra, sobre o arroio Sampaio. Logo depois, pela Lei n.º 771, de 4-51871, o governo criou a primeira escola pública na Colônia da Estrela, para meninos, e, por ato
de 30 de setembro, determinou que fosse estabelecida no recém criado povoado de Estrela.
Uma das formas de arrecadar mais tributos era elevar o status político dos núcleos
coloniais.
A Colônia de Santo Antônio da Estrela foi elevada à categoria de 2º distrito especial de
Taquari, em 18-3-1872, com efeitos judiciários.
FREGUESIA
EM 2-4-1873
Quando Antônio Vitor de Sampaio Mena Barreto planejou e executou o projeto de
estabelecer um povoado em Estrela, junto à sede de sua fazenda, o núcleo urbano se
desenvolveu com muita rapidez. Estando bem desenvolvidas as linhas coloniais de Novo
Paraíso, pelo lado de cima, a linha de Arroio do Ouro, pelo lado de baixo, valorizou os lotes
coloniais de entremeio, e mais ainda, os lotes urbanos do núcleo, onde reservara terrenos para
igreja, escola, praça e cemitério. Acionou as forças políticas junto ao governo provincial para
que a colônia de Estrela se desmembrasse da paróquia de São José de Taquari e fosse a sede
distrital também elevada à categoria de Freguesia.
Segundo a Constituição de 1824, a religião oficial do Brasil era a católica. Desde 1827,
a Santa Sé atribuía o direito de criar paróquias e o direito do padroado, isto é, o direito de
indicar os padres que deveriam ser nomeados para os principais cargos eclesiásticos no País.
Embora o governo pagasse aos membros do clero salários como se fossem funcionários
públicos. Esclareça-se de passagem, os salários eram indignos. Além das funções eclesiásticas,
cabiam aos párocos funções cartorárias, isto é, registros com efeitos civis de nascimento,
casamento, óbito, de terras, preparar a igreja para as eleições municipais para vereadores e
juizes de Paz. Era a ingerência do Estado em assuntos eclesiais, tão a gosto dos conhecidos
inimigos da Igreja.
Depois dessa explicação, o leitor vai entender a razão de ter Dr. João Pedro Carvalho de
Morais, presidente da Província do Rio Grande do Sul, assinado a Lei n.º 857, de 2-4-1873,
criando a Freguesia de Santo Antônio de Estrela.
A nova medida tinha efeitos políticos. Pela Lei n.º 909, de 30-4-1873, mais escolas
públicas foram criadas no distrito de Estrela: em Teutônia, Novo Paraíso e São José dos
Conventos (Lajeado).
Entretanto, para que surtisse seus efeitos práticos, cabia ao Bispo do Rio Grande do Sul
confirmar canonicamente a criação da Paróquia de Estrela, o que foi feito por Provisão
Eclesiástica de 11-7-1873, cuja história está num capítulo especial neste livro.
Segue, pois, a história política de Estrela, como distrito de Taquari.
Como os lajeadenses estavam dependendo da freguesia de Santo Amaro para os
registros de batizados, matrimônios e falecimentos, com efeitos civis de nascimentos,
casamentos e óbitos, pela Lei n.º 916, de 24-4-1874, o primitivo território da Colônia dos
Conventos foi desanexado de Santo Amaro e adjudicado à paróquia de Estrela.
Menos de um ano depois, pela Lei n.º 963, de 29-3-1875, o governo dividiu Estrela em
dois distritos de Paz, ficando o primeiro na sua sede, na margem esquerda do Taquari, e o
segundo, na margem direita, com a sede em Santo Inácio do Lajeado, desanexando este
território de Santo Amaro.
Examinando no Arquivo Municipal de Taquari os investimentos e despesas públicas de
Taquari no território do vasto distrito de Estrela, durante o longo período de estar emancipado
mas não instalado, podemos destacar alguns fatos e extrair nomes de pessoas e locais, atestando
a evolução histórica de estradas e pontes:
No distrito de Estrela, em junho de 1877, Frederico Kich foi fiscal, substituído por
Carlos Kuhn, dois anos depois. Manuel Antônio Rodrigues foi o arrematante no Passo da
Estrela. No ano seguinte, Cristiano Jacó Endres foi agente arrecadador de impostos em Estrela..
Em 21-4-1879 Henrique von Reichenbach recebeu a primeira prestação de 330$000 para a
construção da ponte sobre o arroio São Gabriel, hoje Cruzeiro do Sul, recebendo a Segunda, de
660$000 em 3-5-1880.
Em 15-11-1879, para a construção de uma ponte na estrada Arroio do Meio-São
Caetano, a Comissão Filipe Christ recebeu o auxílio de 350$000 e Pedro Blauth recebeu
150$000 para a compostura da picada São José dos Conventos.
Em 30-1-1880, foi pago 1:500$000 a Primórdio Centeno de Azambuja para a picada
que da colônia Santa Clara vai ao último lote da Colônia Nova Berlim. Interessava-lhe: tinha
dois latifúndios na margem esquerda do arroio Sampaio
Em 3-5-1880, o município de Taquari pagou a primeira prestação de 415$000 a
Sebastião Gerhardt da ponte sobre o Arroio Grande em São Caetano.
Em 6-8-1880 foi pago 400$000 a Carlos Arnt para compostura da estrada próxima a
Teutônia. Depois recebeu a Segunda parcela do mesmo valor. O fiscal Guilherme Gomes da S.
Porto recebeu 50$000 para despesas de desbarrancamento da entrada da ponte do Arroio da
Estrela e 150$ para a compostura desta ponte. Deve ter havido uma enchente!
Em 13-12-1880, José Fialho de Vargas recebeu a primeira prestação de 450$000 pela
factura da ponte sobre a sanga Beija-Flor. A segunda, de 500$000, foi paga em 22-7-1881.
Roberto Süptitz recebeu 350$000 para ser aplicado nos melhoramentos da picada São José.
Estranha é uma resolução aprovada pelos vereadores de Taquari, na sessão de 11-111880, onde constava que metade dos ordenados do secretário e porteiro já pagos, desde todo o
exercício de 1876-1877 até o último findo em setembro, que se debita à conta do Cofre
Municipal de Estrela, pois Estrela estava emancipada, mas sua instalação só ocorreu em 1882...
Certamente, tratava-se de impostos arrecadados no distrito de Estrela...
Em 5-1-1881, foram pagos 150$000 a Bento Manuel de Azambuja e Guilherme Matte,
membros da comissão encarregada de mandar compor a estrada que do porto da Estrela segue
ao Lajeado para o mesmo serviço.
EMANCIPAÇÃO
Com a anexação da margem direita do rio Taquari, triplicou em tamanho o território de
Estrela. Mais. Triplicou também a população e a força econômica. Unindo-se as lideranças,
sentiram-se fortes. O próprio governo provincial via o potencial na região. Estava surgindo a
consciência emancipacionista.
Não chegou ao nosso conhecimento o processo de como um núcleo populacional
conseguia sua autonomia política, na época. Sabe-se que não havia o plebiscito. Lideranças do
distrito devem ter se reunido e chegado à conclusão de necessidade de se separar de Taquari. É
de se supor a organização de uma “comissão emancipadora”, já que não temos no arquivo
qualquer documento que faça referências ao fato.
Podemos supor um jovem advogado, como João Ubaldo Nery, que, ao retornar como
voluntário da Guerra do Paraguai, assumiu um cargo público em Estrela, empenhando-se pela
campanha emancipacionista, ao lado de outros. Citando apenas estrelenses, como os fazendeiros
Antônio Vítor de Sampaio Mena Barreto, o fundador da cidade, Antônio Geraldo Pereira,
Antônio Israel Ribeiro, pai e filho, Serafim José Martins, Tristão de Souza e Ávila, Cândido
José Cardoso, Tristão Gomes da Rosa, o octogenário Francisco Matias de Souza e Ávila;
negociantes, como Cristiano Endres, Lourenço Dexheimer, Miguel Buchmann, Inácio José da
Silveira, Antônio Teixeira dos Santos, João Francisco da Costa; carpinteiros como Sesefredo
Pereira Fraga, Cândido José de Moura, Pedro José de Moura, Justiniano Pereira Duarte
Sobrinho, Marciano Dutra da Silva; sapateiros Manuel Francisco e Martinho Ney Bueno; o
marceneiro Jacó Scheibler e outros. Famílias de destaque contribuíram, com seu trabalho, pelo
desenvolvimento de Estrela, como Ruschel, Mallmann, Horn, Eckert, Schossler, Mörschbächer,
Brentano, Schnack, Heydt, Altenhofen, Sulzbach, Knierin, Rohenkohl, Heineck, Mensch,
Weisheimer, Endres, Heberle, Elly, Marmitt, Schneider, Altmayer, Eidelwein, Collet, Diedrich,
Scherer, Scheibler, Altmann, Fett, Gregory, Sehn, Matte, Keller, Müller, Zimmermann,
Gerhardt, Hauschild, Noll, Kautzmann, Till, Michel, Massing, Caye, Lenz, Palm, Christ,
Etzberger, Schwingel, Kern, Kunz, Buchmann e outras, que podiam dar força ao movimento
emancipacionista.
Sabe-se que as lideranças elaboraram um documento. Especialmente, nos primeiros
meses de 1876, percorreram os eleitores de Estrela para a assinatura de um memorial,
solicitando a criação do Município de Estrela. Era a forma plebiscitária, no período imperial. O
memorial foi protocolado na Assembléia Provincial e apreciado pelos deputados, em 1-4-1876.
No dia 25 de abril, pelo Projeto de Lei n.º 177, foi criada a Vila de Estrela, sancionada no mês
seguinte, em 20 de maio.
CRIAÇÃO
EM 20-5-1876
O pedido das lideranças estrelenses para que seu território se desmembrasse de Taquari
chegou até seus representantes na câmara dos deputados provinciais, onde o projeto foi
apresentado, discutido e aprovado. Dessa forma, a Assembléia Legislativa Provincial decretou a
criação do novo município de Estrela, como 44º município gaúcho. Em de 20 de maio de 1876,
o decreto foi sancionado pelo conselheiro Tristão de Alencar Araripe, presidente da Província
de São Pedro do Rio Grande do Sul, pela Lei n.º 1.044:
Art. 1.º - É elevada à vila a freguesia de Santo Antônio da Estrela.
§ 1.º O respectivo município guardará as divisas que tinha como freguesia.
§ 2.º Assim constituído este município pertencerá à comarca de Taquari.
Art. 2.º - Ficam revogadas as disposições em contrário.
Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da
referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém.
O Secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr.
Palácio do Governo na Leal e Valorosa cidade de Porto Alegre aos vinte dias
do mês de maio de mil oitocentos setenta e seis, qüinquagésimo quinto da Independência e do
Império. As. Tristão de Alencar Araripe.
Competia à Câmara de Taquari tomar as providências na execução da lei. No entanto, as
autoridades de Taquari, município-mãe, não tiveram pressa para tomar conhecimento e executar
a referida Lei, nem cumprir e fazê-la cumprir tão inteiramente senão quase seis anos depois.
A emancipação de Estrela ficou no papel, engavetado no Palácio do Governo
Provincial. Mas o centenário da assinatura do Araripe foi festejado. Todos os anos é
relembrado. Nada acontecia para que Estrela se emancipasse de fato.
Na verdade, Estrela continuou dependente de Taquari. A emancipação somente se
consumou no dia de sua instalação. Esse centenário, em 21-2-1982, não foi lembrado.
Embora criado município, os estrelenses e lajeadenses continuavam a peregrinação a
Taquari, para fazer seus registros públicos, queixar-se na delegacia de polícia, buscar seus
direitos na justiça, pagar seus tributos, sem retorno em investimentos, por quase 6 anos.
Por quê? O que houve? Quais as providências que deixavam de ser tomadas?
À luz de documentos, encontramos sérios indícios.
As denúncias do atraso da instalação chegaram até o palacete do governo provincial,
pois pelo Of. n.º 178, de 21-2-1877, o presidente João Pedro Carvalho de Morais mandou se
proceder a eleição de vereadores e juizes de Paz para este novo município. Por força desta
ordem, os eleitores de Estrela foram convocados para a eleição, em 5-4-1877. Primeiramente foi
organizada a Mesa Paroquial, sob a presidência de Teodósio José Pereira, 1º juiz de Paz de
Taquari. Para tomar parte da Mesa, convocou os seus imediatos em votos, na respectiva eleição:
João José Porto, Tristão de Souza e Ávila, Serafim José Martins, Domingos José Viana e
Antônio Batista da Costa, deixando de comparecer Virgílio Ferreira Brandão e Antônio Israel
Ribeiro. Foi eleito presidente da mesa eleitoral Bento Manuel de Azambuja. A primeira parte da
ata foi elaborada por João Cândido Alves Alvim. A segunda parte da ata, foi feita por
Guilherme Gomes da Silva Porto. Cabia-lhes apenas registrar o adiamento dos trabalhos para
amanhã, às 10 horas, porque não havia recebido da Câmara Municipal a Lista pela qual devia
fazer a chamada dos votantes. Os eleitores compareceram, os mesários estavam no local, mas a
Câmara não havia entregue a listagem dos eleitores habilitados.
Na manhã seguinte, retornaram os eleitores e os mesários. Como a lista não tivesse
chegado, o mesário Antônio Geraldo Pereira requereu, por ofício, que a Mesa pedisse em
Certidão à Câmara de Taquari uma cópia da Lista dos Eleitores, que a Mesa oficiasse ao Juiz de
Direito e Juiz Municipal do Termo para que providenciem o que as circunstâncias exigem. E
mais, enviar uma representação ao Presidente da Província contra a Câmara Municipal de
Taquari, por ter deixado de mandar a esta Mesa a lista dos votantes do 1º e 2º distrito.
Dois dias depois, houve nova concentração de eleitores e mesários na igreja matriz, para
a eleição, sob a presidência de Bento Manuel de Azambuja. Foi lido o ofício do presidente da
Câmara de Taquari. Sentiu-se ofendido; a culpa não é da Câmara e nem do presidente dela, e
sim de quem foi encarregado de remeter, explicou o presidente Pedro Michel. Anexou ainda
uma certidão na qual transcreve a decisão tomada pelos vereadores de Taquari, na sessão
extraordinária da Câmara, em 25-3-1877, onde por indicação do senhor vereador presidente foi
resolvido ordenar-se ao Procurador da Câmara, digo, da Casa a suprir para a eleição da
Estrela com urna, papel, penas e tinta o que terá lugar no dia 8 de abril próximo, bem como o
Secretário para extrair as competentes listas dos votantes daquela Paróquia e apresentá-la no
dia 8 ao referido juiz de Paz presidente. Era o que se continha na referida ata... Como não
tivesse chegado a lista, nem urna e papéis, foi adiada a eleição.
Na manhã seguinte, dia 11, retornaram somente os mesários Antônio Geraldo Pereira,
Paulo Mallmann e Joaquim Pereira Fialho de Vargas. Foi nomeado por eles Félix Gomes da
Silva como oficial de justiça juramentado, eleito Antônio Geraldo Pereira como presidente da
Mesa Paroquial, secretariado por José Joaquim da Rocha Filho. Compareceu perante a mesa
Mamélio Rodrigues de Souza. Trouxe a informação preciosa do secretário da Câmara de
Taquari, João Gonçalves Caminha, de que a esperada lista dos eleitores tinham ido para a
Estrela na mala do tenente coronel Antônio de Azambuja Vilanova.
Quem terá sido ele? Consta na lista de eleitores, de 1873, um Antônio Azambuja
Vilanova, 58 anos, casado, fazendeiro no 13º quarteirão. Pertencia a Estrela, onde era eleitor.
Por que terá retido a lista? Manobra? Sem a dita lista, a eleição não aconteceu e o presidente
suspendeu os trabalhos.
Na manhã do dia seguinte, o mesmo presidente Antônio Geraldo Pereira reiniciou os
trabalhos. Foi lido o Of. n.º 370 do vice-presidente da Província, de 11 de abril, portanto, do dia
anterior, comunicando ter responsabilizado a Câmara de Taquari. Tão logo que recebam as
listas, deve a Mesa paroquial convocar os votantes por edital, com antecedência de 8 dias, a
fim de prosseguir essa mesa paroquial no processo da mesma eleição. Novamente foram
suspensos os trabalhos para o dia seguinte.
No dia 13, em nova reunião dos mesários, foi lido o ofício do Juiz de Direito de
Taquari, Francisco Marques da Cunha, no qual pede a compreensão dos mesários, dizendo que
suas funções de juiz terminam com a qualificação dos eleitores e remessa das listas à Câmara
Municipal, mas como cidadão empreguei os meios ao meu alcance para que fossem dadas
providências, a fim de serem remetidas as listas... A mesa enviou um ofício ao Juiz Municipal
de Taquari para que viesse com sua presença evitar qualquer perturbação da ordem pública,
notoriamente ameaçada. Não tendo vindo ainda as listas...
Na manhã seguinte, dia 14, Antônio Geraldo Pereira presidiu a reabertura dos trabalhos.
Chegou a informação pelo Juiz Municipal de que o secretário da Câmara mandou ontem (dia
13) as listas para a chamada dos votantes pelo porteiro (Joaquim Teodoro dos Anjos) da
mesma Câmara ao Sr. tenente coronel Primórdio de Azambuja, supondo o dito secretário ser
este o presidente da Mesa. Resolveu esta oficiar ao referido tenente coronel pedindo tais
listas...
Reabrindo os trabalhos eleitorais na manhã do dia 15, foi lido o ofício de Primórdio
Centeno de Azambuja, morador no novo sobrado, hoje Casa Branca, em Cruzeiro do Sul, no
qual informa ao presidente Antônio Geraldo Pereira e demais mesários que não lhe entregou a
lista por não reconhecer como legítima a Mesa eleitoral por ele presidida. Recebida no dia 13 de
abril das mãos do porteiro da Câmara, Primórdio entregou a documentação eleitoral ao seu
irmão Bento Manuel de Azambuja, dois dias depois.
Voltou Bento Manuel de Azambuja a presidir a Mesa, na manhã do dia 16, secretariada
por Guilherme Gomes da Silva Porto, que fez constar na ata da reabertura que se haviam
retirado no dia dez do corrente declarando que assim praticavam por aguardarem ordens da
Presidência da Província. Por isso, com a lista e talões dos eleitores nas mãos, o presidente
designou em edital o dia 24 para a eleição de vereadores e juizes de Paz, e historiou ao
presidente da Província em ofício todos os acontecimentos.
Depois de afixados o Edital das eleições nos lugares mais públicos, efetivamente, em
24-4-1877, Bento Manuel de Azambuja reinstalou a mesa paroquial, presidindo o processo
eleitoral, com os mesários Antônio Geraldo Pereira, Paulo Mallmann, Joaquim Pereira Fialho de
Vagas e, servindo de secretário, Guilherme Gomes da Silva Porto. Nos dias 25, 26 e 27 foram
feitas as três chamadas dos eleitores.
A apuração dos votos foi feita em 29-4-1877 a apuração de 336 cédulas para
vereadores da Câmara Municipal desta Vila, com o seguinte resultado final:
Antônio Geraldo Pereira: 186 votos
João Heberle Sobrinho: 177 votos
Antônio Fialho de Vargas: 175 votos
Adão Zimmermann: 168 votos
Carlos Altmayer: 167 votos
Oscar von Borowski: 163 votos
Miguel Buchmann: 162 votos
José Eidelwein: 158 votos
Primórdio Centeno de Azambuja: 149 votos
Filipe Pedro Knierim: 149 votos
Com número inexpressivo de sufrágios seguem: José Joaquim da Rocha Filho e
Felisberto Fagundes Mena Barreto, com 3; João Zimmermann, com 2, Antônio Vítor de
Sampaio Mena Barreto e João Mallmann Sobrinho com 1 voto.
Para a apuração das cédulas para a eleição de juizes de Paz a Mesa Paroquial se reuniu
em 30-4-1877, sob a presidência de Bento Manuel de Azambuja, com os seguintes resultados:
1º distrito, em Estrela:
Henrique Teodoro Rohenkohl: 106 votos
Pedro Schneider: 104 votos
Paulo Mallmann: 102 votos
João Mallmann Filho: 98 votos
Jacó Caye: 92 votos
João Eckert: 89 votos
Antônio Israel Ribeiro: 85 votos
Jorge Henrique Schwingel: 84 votos
Com menor número de votos: João Mallmann Sobrinho, José Eidelwein, Adão
Mallmann e Antônio Vítor de Sampaio Mena Barreto com 1 voto cada um.
Para o 2º distrito, em Lajeado:
Joaquim Pereira Fialho de Vargas: 73 votos
Bento Manuel de Azambuja: 73 votos
Frederico Heineck. 72 votos
Guilherme Matte Filho: 70 votos
Jacó Scherer Filho 70 votos
Guilherme Mensch: 69 votos
Pedro Blauth: 68 votos
Damásio José Espíndola: 68 votos
Filipe Weisheimer: 1 voto
Houve vários protestos de mesários e eleitores, registrados em ofícios, transcritos no
mesmo livro de atas. Nos lugares mais públicos foram afixados os Editais com o resultado das
eleições para vereadores e juizes de Paz.
Com a página 35 terminam os registros no citado livro de atas. Termina com isso a
documentação referente ao período de 20-5-1876 a 21-2-1882, a vida uterina da história de
Estrela
A grande pergunta que se faz: se houve eleições para a formação da primeira Câmara
Municipal, por que o novo município de Estrela não foi instalado?
A Câmara de Taquari continuava a ter plenos poderes de legislar no território de Estrela.
Assim, pela Lei n.º 1.154, de 2-5-1877, criou o distrito de Taquari e marcou seus limites:
Ao sul o município de Taquari; a leste, com as divisas da colônia com o distrito da
Estrela; a oeste, partindo da fazenda do Pinhal e seguindo pela estrada pública até a fazenda
da Conceição; dali segue por uma estrada que foi concedida pelo finado Barão do Guaíba à
sociedade da Teutônia até encontrar a divisa das terras do coronel Antônio José Ribeiro com o
território da dita colônia, seguindo pela divisa das terras que foram do falecido José Francisco
dos Santos Queima; e dali em linha reta até encontrar o rio Taquari.
De cara se percebe aqui que a Câmara de Taquari desconhece a emancipação de Estrela,
denominando-a de distrito. Quanto ao finado Barão do Guaíba, trata-se do latifundiário Manuel
Alves dos Reis Louzada.
No ano seguinte, no território do novo município de Estrela foi criado o distrito policial
de Teutônia, em 10-4-1878.
Enquanto isso, Estrela crescia. Segundo Lothar Hessel, em 1878, contava com dez casas
comerciais, 1 cervejaria, 1 fábrica de sabão, 5 alambiques, 5 moinhos, 5 ferrarias, 12
carpintarias, 10 sapatarias e 4 alfaiatarias.
A data sempre foi considerada de grande importância. Pelo Ato n.º 16, de 20-5-1917, o
intendente Pontes Filho decretou feriado municipal o dia vinte de maio que assinala a data da
criação do município.
A lei que emancipou Estrela estabelecia: guardará as divisas que tinha como freguesia.
Quais eram?
A estrada da colônia Teutônia, desde o porto de embarque da mesma colônia na
fazenda do Dr. Morais, até o arroio da Estrela, e por este acima até suas vertentes, e daí em
linha reta até a estrada do Maratá, seguindo até o rio das Antas, e por este abaixo até o já
referido. O território da freguesia foi duplicado no ano seguinte, em 24-4-1874, pela Lei n.º 916,
ao ser desmembrada de Santo Amaro a parcela na margem direita do rio Taquari, depois
freguesia de Santo Inácio de Lajeado.
Depois da criação do Município, muitas outras famílias, como Bentz, Schwertner,
Müssnich, Huber, Raupp, Meyer, Lengler, Schütz, Fischer, Petter, Kronbauer, Pohl, Knecht,
Petry, Wendt, Strauss, Etgeton e tantas outras vieram aumentar a população de Estrela.
Na medida que se desenvolvia Estrela, cresceu o olho do governo do Rio Grande do Sul. Por ato
de 15 de setembro, ainda do mesmo ano (de 1878), foi criada na Vila de Estrela uma Coletoria
Provincial, sendo nomeado coletor o cidadão Pedro R. Machado - cf Álbum Comemorativo do
Cinqüentenário do Município de Estrela, de 1926, p. 62.
INSTALAÇÃO
EM 21-2-1882
As lideranças de Estrela não suportavam mais tantos anos de lei criada, emancipando o
Município, sem ser instalada. Desde a assinatura da lei emancipadora, já 11 presidentes e ou
vice-presidentes da Província tinham entrado em exercício. O próprio vice-presidente Joaquim
Pedro Soares estava entrando em exercício pela segunda vez ao se defrontar com o adiamento
da instalação do município de Estrela. Em 14-2-1882, mandou um ofício à Câmara de
Vereadores de Taquari, determinando imediata instalação. Os vereadores, entre os quais
Antônio Fialho de Vargas, representando Estrela, tomaram conhecimento do ofício. Seu
presidente, Januário Batista da Costa, teve que cumprir a determinação. Entretanto, quem
executou a ordem foi o vice-presidente João Caetano Pereira.
A solenidade da instalação do Município se deu na sala de aula do sexo masculino, do
histórico sobrado de Miguel Ruschel, na falta absoluta de prédio apropriado nesta Vila, nada
se apõe a que esta Câmara continue a funcionar temporariamente em uma das salas da casa do
vereador Miguel Ruschel, mas que no entretanto a municipalidade diligencie no sentido, de
quanto antes, fazer aquisição de edifício para tal fim. A temporalidade durou 5 anos...
Em 1975, passei várias semanas pesquisando no Arquivo Municipal de Estrela.
Manuseei muitos livros antigos, que agora estão sumidos, entre os quais o 1º livro das Actas da
Câmara de Estrela. O termo de abertura do livro estava assinado por João Caetano Pereira,
presidente interino da Câmara Municipal de Taquari, no próprio dia 21-2-1882. Felizmente,
transcrevi a Ata de Instalação do Município, publicada no Jornal de Lajeado, de 18-2-1976,
aqui reproduzida:
Auto de instalação da Vila de Santo Antônio da Estrela da Comarca de Taquari. Aos
vinte e um dias do mês de fevereiro do ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil
oitocentos oitenta e dois, nesta Vila de Santo Antônio da Estrela, Comarca de Taquari, da
Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, no salão da aula pública do sexo masculino, às
nove horas da manhã, presente o Tenente João Caetano Pereira, presidente interino em
exercício da Câmara Municipal da Vila de Taquari, de cujo município foi desmembrado este
Município da Estrela, comigo secretário adiante nomeado pelo Sr. Presidente foi declarado que
na forma do ofício do Presidente da Província, de catorze do corrente mês e do disposto no
Decreto de treze de Novembro de mil oitocentos e setenta e dois, o objetivo desta reunião era
instalar esta Vila e dar Juramento e posse aos Vereadores eleitos como consta das atas das
eleições e segundo os diplomas apresentados e foram eleitos os seguintes cidadãos: Jorge
Carlos Lohmann, Miguel Ruschel, Henrique Theodoro Rohenkohl, Luís Paulino de Morais,
Tristão Gomes da Rosa, Bento Manuel de Azambuja e Patrício Antônio Rodrigues.
Imediatamente juramentou com as formalidades da Lei aos vereadores seguintes: Henrique
Theodoro Rohenkohl, Patrício Antônio Rodrigues, Jorge Carlos Lohmann, Tristão Gomes da
Rosa e Miguel Ruschel, que em seguida tomaram posse; neste ato compareceu mais: vereador
Bento Manuel de Azambuja, que tendo apresentado seu diploma prestou juramento e tomou
assento. Faz parte deste auto na forma do artigo terceiro do dito Decreto de treze de Novembro
de mil oitocentos e trinta e dois, o Decreto da criação desta Vila e limites do Município que tem
o teor seguinte. Lei n.º 1044, de 20 de maio de 1876. Artigo 1º - É elevado à Vila a Freguesia
de Santo Antônio da Estrela. § 1º - O respectivo Município guardará as divisas que tinha como
Freguesia. § 2º - Assim constituído, este Município pertencerá à Comarca de Taquari. Art. 2º Ficam revogadas as disposições em contrário. - Lei n.º 856, de 27 de março de 111873 - Art. 1º
- Fica elevada à categoria de Freguesia o povoado de Santo Antônio da Estrela, situado à
margem esquerda do rio Taquari. Art. 2º - Os limites da Freguesia serão: a estrada da Colônia
Teutônia, desde o porto de embarque da mesma Colônia, na Fazenda do Doutor Morais, até o
Arroio Estrela, e por este acima até suas vertentes e daí em linha reta até a estrada do Maratá,
seguindo até o rio das Antas e por este abaixo até o porto já referido. Art. 3º - A Freguesia se
denominará Santo Antônio da Estrela. Art. 4º - Ficam revogadas as disposições em contrário.
Lei n.º 916, de 24 de abril de 1874 - Art. 1º - Fica desmembrado da Freguesia de Santo Amaro,
e pertencendo à Freguesia de Santo Antônio da Estrela o território determinado pelas divisas
seguintes: A partir da foz do arroio Castelhano, e por ele acima até encontrar o travessão da
sesmaria do Desterro - digo Lei n.º 1341, de 27 de maio de 1881 - Art. 1º - Fica criada uma
Freguesia no segundo distrito do Município de Estrela, com a invocação de Santo Inácio. Art.
2º - As divisas desta Freguesia serão: da Barra do arroio Castelhano no Taquari, pelo mesmo
arroio acima até o travessão do lado deste das terras de Ubatuba, por este travessão a rumo
norte até encontrar o arroio Sampaio; por este acima, até a estrada que vai de Santa Cruz às
Quatro Léguas, daqui a rumo do nordeste a encontrar o arroio Fão, por este até sua foz no
Forqueta, daí a rumo nordeste até o arroio Carreiro e por este até abaixo até sua foz no rio
Taquari, no lugar denominado Santa Bárbara e dali descendo pelo Taquari até a barra do
arroio Castelhano.. Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário. Lei n.º 963, de 29 de
março de 1975. Art. 1º - A Freguesia da Estrela fica dividida em dois Distritos de Paz. Art. 2º O primeiro Distrito compreenderá o território situado à margem esquerda do rio Taquari, e o
segundo, o território situado na margem direita do mesmo rio. Art. 3º - Revogam-se as
disposições em contrário. E para constar se lavrou o presente auto afixando-se Edital e
remetendo-se cópia ao Presidente da Província. A. Ribeiro Batista, secretário da Câmara
Municipal da Vila de Taquari.
Três prédios históricos:
Paço Municipal - Intendência - Prefeitura
Este velho e histórico sobrado, a segunda sede da Fazenda da Estrela, foi construído por
Vitorino José Ribeiro, de dois pisos, herdado por Antônio Víctor de Sampaio Mena Barreto e
vendido a Miguel Ruschel, serviu por quatro anos como "Paço da Câmara Municipal". Foi a
primeira sede da Administração Municipal, demolido em 1952, por Arnaldo José Diel,
construindo em seu espaço uma bela moradia, hoje-residência-museu de Dr. Werner Schinke.
Um pouco mais no alto, Antônio Víctor de Sampaio Mena Barreto construiu uma casa
de grandes proporções, para a época, e nele morou 13 anos, vendendo-a para ser sede da
administração municipal: Em 18 de dezembro (de 1885), os membros da Câmara Municipal,
reunidos em sessão, deliberam adquirir a casa oferecida pelo coronel Victor de Sampaio Mena
Barreto, para nela funcionarem as sessões da Câmara, e cuja transação foi efetuada pela
importância de 16:000$000 cf o Álbum Comemorativo do Cinqüentenário do Município, p.
73.
Não se sabe mais ao certo quando Mena Barreto construiu aquele casarão. Talvez já
estivesse construído em 1872, quando lá se transferiu, depois de ter vendido o citado sobrado a
Miguel Ruschel. O novo Paço da Câmara Municipal era espaçoso. No frontispício havia 2
portas e 6 janelas. Na lateral, ao que nos indica o Brasão do Município, havia 4 janelas.
Mena Barreto se transferiu para a sede de sua fazenda, na linha Glória.
Nesse segundo prédio, a administração municipal de Estrela funcionou por 68 anos.
Nele também esteve a Câmara Municipal de Vereadores, depois denominada Conselho
Municipal, a Comarca e o Fórum, a Delegacia de Polícia. O prédio ficou conhecido por
Intendência, nome alterado para Prefeitura Municipal, com a Revolução de 1930. Infelizmente,
em 1954, a histórica Intendência foi demolida. Durante o período da demolição e da construção
do novo prédio, o prefeito Adão Henrique Fett transferiu seu gabinete e algumas secretarias para
o antigo prédio do Colégio Elementar 7 de Setembro, na parte dos fundos. Outras secretarias e
repartições municipais estiveram funcionando onde se encontra a Secretaria da Agricultura.
Lembra Ruben Gerhardt que a construção do atual prédio da Prefeitura não levou bem um ano.
Sua inauguração estava dentro do programa dos festejos do 79º aniversário do município, cujos
detalhes estão descritos mais adiante, neste livro.
O primeiro mapa geral do grande município de Estrela foi esmiuçado em 1887. Está na
escala de 1: 160,000 - desenhado e assinado por Procópio Hensr, agrimensor. Em anexo,
desenhou um mapa menor, com a Planta das Terras concedidas pelo Governo Geral a José
Francisco dos Santos Pinto.
Desde quando Estrela é cidade?
Estrela não ostentou o título de cidade desde sua instalação como sede municipal.
Na história do Brasil, inicialmente apenas as capitais das províncias gozavam dos foros
de cidade. Primitivamente, só as sedes municipais tinham o título de vila. O pelourinho na
praça, para o açoite público de escravos, era o símbolo. Estrela não tinha o pelourinho.
No Rio Grande do Sul, seguindo número de habitantes, critérios políticos ou de
importância histórica, somente algumas sedes municipais conseguiam o título político de
cidade, como, entre outros, Porto Alegre, em 1822; Rio Grande e Pelotas, em 1835; Rio Pardo,
em 1846; Bagé, em 1859; São Leopoldo, em 1864; Santa Maria, em 1876; Santa Cruz do Sul,
em 1905; Caxias do Sul, em 1910. Na região, só Taquari obteve o título de cidade, em 1891.
Para que uma vila pudesse obter o título de cidade, um volumoso e intrigado processo
era montado. Advogados eram contratados para ajuntar documentos, dados históricos e
estatísticos. Promessas eleitorais moviam políticos junto a ministérios e altas autoridades
federais. Getúlio Vargas acabou com isso. Em 31-3-1938, o presidente assinou o Decreto de n.º
7.199, estabelecendo que todas as sedes municipais fossem elevadas à categoria de cidade.
Até então, as demais sedes municipais tinham o título de Vila, a cuja categoria foram
elevadas todas as sedes distritais, desde a citada lei, ainda em vigor.
Quando entrou essa lei em vigor, para os estrelenses? Iniciou antes desta data, não
oficialmente. O Paladino, de 12-3-1938, na página 2, usou o termo "vila de Estrela" num Edital
e "esta cidade", anunciando a vinda do grande circo "Olímpico", o que se repetiu nas edições
seguintes, sem noticiar o próprio Decreto de n.º 7.199.
Mas, para que a lei pudesse surtir efeito jurídico, na sede municipal devia ser nomeada
uma comissão preparatória para a solene sessão inaugural do quadro territorial da República, o
que se deu em 1-1-1939, na sala do Júri, numa das dependências da velha Prefeitura Municipal.
Presidiu a solenidade o juiz municipal Dr. Aristides Dutra Boeira, na forma da lei. A ata da
solenidade já veio pré-elaborada, cabendo apenas preencher com os dados específicos do ato,
exarado por Rudolfo Maria Rath, ajudante do escrivão do Civil e Crime e assinada pelas 47
pessoas presentes.
Com pinta de cidade, houve uma importante alteração de numeração das casas em
Estrela. Durante décadas, a enumeração das casas numa rua era feito de acordo com a
construção que ia surgindo. Assim, por exemplo, a Fábrica de Cerveja Estrela estava na Rua
Marechal Deodoro n.º 16, o que significava ser a 16ª construção naquela rua. Cada nova
construção alterava o número do endereço, fenômeno que ocorria também em outros centros
urbanos. Atribuir a numeração das casas pelo critério da metragem, desde o início da rua, com o
número par à direita e ímpar, à esquerda, é modernização.
No decorrer dos seus 120 anos de sede municipal, efetivamente instalada, Estrela
alterou a denominação da maioria de suas antigas ruas.
Quiçá tenha sido Pércio de Oliveira Freitas quem maiores alterações tenha feito, nessa
área, pelo Ato Municipal n.º 20, de 18-4-1899, segundo Lothar Hessel:
Os primitivos nomes de ruas estrelenses eram:
Rua Pinheiro Machado - Rua da Praça
Rua Júlio de Castilhos - Rua da Igreja
Rua Fernando Abbott - Rua da União
Rua Tiradentes - Rua do Arroio
Rua Ernesto Alves - Rua São Miguel
A antiga rua da Ladeira ou rua da Praia passou a ser chamada rua Deodoro da Fonseca,
mais tarde, substituída, felizmente, pelo nome atual de rua Arnaldo José Diel . Nenhum desses
personagens tinha algum vínculo com Estrela. Mas, a ditadura castilhista impôs a denominação
de seus líderes políticos, a maioria vivos e detentores do Poder, para que fosse cultivado o
personalismo político, na época, denominado civismo.
Entre as supracitadas ruas que correm de norte a sul, havia uma rua da Entrada, que o
intendente mudou para 18 de Outubro, denominação alterada em 1909 para rua Coronel
Müssnich, em homenagem a Nicolau Müssnich, que havia falecido em 30 de setembro do
mesmo ano, no cargo de intendente eleito.
Outras alterações ainda fazem parte de antigo núcleo urbano, de direção leste-oeste,
como:
Rua Chachá Pereira - Rua Boa Vista
Rua Venâncio Aires - Rua Arroio do Ouro
Rua Marechal Floriano - Rua Novo Paraíso
Rua Coronel Flores - Rua Santo Antônio
Rua 13 de Maio - Rua Direita
Rua 15 de Novembro - Rua São Gabriel
Rua Geraldo Pereira - Rua São Jacó
Rua General Osório - São José
Rua 14 de Julho - Rua Santa Rita
Rua da Estrela - Rua 7 de Setembro, desde 1903, rua Doutor Tostes.
Praça Santo Antônio - Praça Benjamin Constant - hoje, Praça Mena Barreto
Quanto à denominação de logradouros públicos, algumas considerações podem ser
feitas.
Segundo o mapa do perímetro urbano de Estrela, que nos foi entregue pela Prefeitura
em 2-7-2001, há em Estrela 275 denominações de vias públicas, sendo oito praças, quatro
travessas, quatro estradas e apenas duas avenidas: Rio Branco e Guilherme Siepmann.
Dentre as 275 denominações, apenas 18 homenageiam a mulher, e mais três nomes de
santas. A mulher estrelense tem apenas 7.5% dessas homenagens. Esse "machismo" se deve à
evolução cultural, cabendo à mulher apenas tarefas domésticas. Raramente exercia funções de
contato com o público, o que foi conquistando aos poucos, como parteira, professora,
enfermeira, assistente social, telefonista...
Desde a Constituição Federal de 16-7-1934, a mulher pode votar e ser candidata a cargo
eletivo. Deixou passar quase 40 anos para fazer uso pleno da democracia. Afinal, as mulheres
vereadoras entraram com quantos projetos de nomes de ruas que homenageiam a mulher?
A Lei n.º 2542 disciplina o processo legislativo de matérias que versam sobre
denominação oficial de ruas públicas, assinado em 23-6-1993, pelo prefeito em exercício
Alfredo Inácio Barth. Reza a lei que o projeto de ser acompanhado dos seguintes documentos:
a) - biografia do indicado; b) - abaixo-assinado de pessoas sugerindo a indicação; c) informação de número de moradores da rua a que se refere o projeto; d) - "croqui" de
localização da rua; e) - certidão judicial de inexistência de antecedentes criminais do indicado.
Art. 2º - Caso não for possível ao Autor do projeto a obtenção de algum dos documentos
relacionados nas alíneas do artigo anterior, deverá fazer acompanhar a respectiva justificativa.
Esta lei mereceu, quase oito anos depois, uma alteração, acrescentando o Parágrafo
Único: Quando se tratar de denominação de datas, somente serão admitidas referências às
datas que representam fatos históricos nacionais, estaduais e municipais ou ainda, a via
pública já seja conhecida por essa denominação. São critérios na denominação de nome de ruas
que lembram datas, estabelecidos pela Lei nº 3425/2001, assinado pelo prefeito Geraldo
Fernando Mânica, em 4-5-2001.
As duas citadas leis não estabelecem critérios na denominação de nomes, a não ser de
datas.. Ao que parece, nenhum projeto de lei até foi rejeitado, como se houvesse um acordo de
cavalheiros entre vereadores. Ouvi tais considerações entre funcionários municipais. Aqui em
Estrela é assim. Aprovam os projetos para não "ofender" os familiares, parentes e amigos ou
para ganhar mais eleitores. Ter sido bom, honesto e trabalhador é uma obrigação de qualquer
cidadão. Nós temos vários nomes de gente que foi importante em Estrela, mas foram
esquecidos. Certamente, podiam ter feito referências a pessoas ilustres já falecidas, como juízes
de Direito, promotores de Justiça, chefes do Poder Executivo e presidentes ou membros do
Poder Legislativo. Assim, sem incluir a rua Dona Berta, há 14 nomes da família Horn, incluindo
duas praças; há 14 nomes da família Sulzbach, apenas para citar o que mais cai na vista. Por esta
razão, tomamos a liberdade de encaminhar à Câmara de Vereadores, em 14-5-2002, um projeto
de lei que estabelece critérios atualizados para denominação de próprios municipais.
Além disso, salvo melhor juízo, não está sendo observada a lei que obriga anexar ao
projeto de lei os dados biográficos, como data e local de nascimento e de falecimento, filiação,
estado civil, profissão e tudo quanto o homenageado tem feito para merecer a denominação.
Estudantes, professores e o público em geral percorrem os arquivos da Prefeitura, Biblioteca
Pública, Museu Municipal, Casa de Cultura, Centro de Cultura e Câmara de Vereadores em
busca de dados sobre o nome da rua onde moram, sem que consigam cumprir a tarefa,
frustrados pela inexistência de informações. A seguir, encontram dificuldades de obter respostas
em livros e não sabem quem são ou onde moram os familiares e parentes dos homenageados.
Por falta de tempo e de espaço, na primeira edição deste livro também não há condições de
alimentar expectativas dos leitores. O leitor inteligente chega facilmente à conclusão para saber
a causa dessa omissão.
Contra a modernização é prosseguir na urbanização com a abertura de ruas e avenidas
estreitas, com pouco espaço para pedestres, árvores, estacionamento e trânsito. Certamente, o
projeto de Estrela Novo Tempo, já reativado, possa rever essa omissão imperdoável do Poder
Executivo e Legislativo, com vias bem mais largas e mais praças para a população.
Também poderia ser melhor observada a linguagem técnica das denominações de
logradouros públicos. No Dicionário se encontram os verbetes: avenida, rua, travessa e beco,
que não é nome pejorativo.
A diversificação da economia e a descentralização de setores já são passos que o
município vem adotando com a finalidade de se adequar ao Estatuto das Cidades. Com esse
objetivo, o secretário da Indústria e Comércio, Renato Zanella Filho, anunciou que uma equipe
de engenheiros da Administração, com a assessoria da Univates, está elaborando um novo Plano
Diretor para o município. A intenção é promover o desenvolvimento e para isto devem ocorrer
consultas e opiniões de vários segmentos da sociedade - cf Zanella, em O Informativo, de 8-62002. Ele acredita que a lei possibilitará mudanças a fim de proporcionar um crescimento
ordenado de Estrela, pois o atual Plano Diretor foi implantado em 1970.
A BR-386, a Rota do Sol, a Transantarrita, o Porto de Estrela e o ramal ferroviário
atraem indústrias, acentuando a densidade demográfica e ampliando em leque o perímetro
urbano.
Depois do recesso de julho, a Câmara vai apreciar projeto de lei que propõe ampliação do
perímetro urbano de Município, estendendo-o a uma faixa de 250 metros, a contar do eixo das rodovias
BR-386, Rota do Sol e Transantarrita, em toda a extensão dentro do território de Estrela - cf O
Informativo, de 27-7-2002.
HISTÓRIA
POLÍTICA
PODER EXECUTIVO
No município de Estrela, o Poder Executivo foi exercido por nove presidentes da
Câmara, da Junta Municipal e do Conselho Municipal. Teve 11 intendentes municipais, dos
quais um nomeado e dez eleitos ou reeleitos, todos substituídos, eventualmente, por
subintendentes ou vice-intendentes. Assumiram 25 prefeitos municipais, dos quais 11 foram
nomeados e 14 foram eleitos, com mandato popular, substituídos, eventualmente, por viceprefeitos e presidentes da Câmara de Vereadores. Eis a listagem, com seus títulos e datas de
posse:
Presidentes da Câmara, Juntas e Conselho
Tristão Gomes da Rosa - presidente da Câmara: em 21-2-1882
Henrique Teodoro Rohenkohl - presidente da Câmara: em 8-1-1883
Bento Manuel de Azambuja - presidente da Câmara: em 8-1-1887
Luís Paulino de Morais - presidente da Junta Municipal: em 18-1-1890
Bento Rodrigues da Rosa - presidente da Junta Municipal: em 7-8-1890
Joaquim Alves Xavier - presidente da Junta Municipal: em 26-2-1891
Júlio May - presidente do Conselho Municipal: em 30-11-1891
Luís Paulino de Morais - presidente da Junta Municipal: em 9-1-1892
Júlio May - presidente do Conselho Municipal: em 22-6-1892
Intendentes municipais
Joaquim Alves Xavier – intendente nomeado: em 18-10-1892
- Pércio de Oliveira Freitas – subintendente nomeado: em 26-5-1893
Pércio de Oliveira Freitas - intendente eleito: em 15-10-1896
Francisco Ferreira de Brito – intendente eleito: em 15-10-1900
- Ernesto Zietlow – vice-intendente nomeado em 1901 (?)-1903
- Dr.. Geraldo Nicolau Snel – vice-intendente, nomeado em 1903 - 1904
Francisco Ferreira de Brito - intendente reeleito: em 15-10-1904
- Manuel Ribeiro Pontes Filho – vice-intendente, nomeado em 31-12-1904
Nicolau Müssnich – intendente eleito: em 15-10-1908
- Manuel Ribeiro Pontes Filho – vice-intendente nomeado em 30-09-1909
Manuel Ribeiro Pontes Filho - intendente eleito: em 25-11-1909
- Fernando Erdmann Scheeren – vice-intendente, nomeado em 7-05-1910
Manuel Ribeiro Pontes Filho - intendente reeleito: em 15-10-1912
Manuel Ribeiro Pontes Filho - intendente reeleito: em 15-10-1916
Manuel Ribeiro Pontes Filho - intendente reeleito: em 15-10-1920
- Frederico Neuhaus Filho – vice-intendente, nomeado em 10-1-1921
André Marcolino Mallmann – intendente eleito: em 15-10-1924
- Helmuth Fett – vice-intendente, eleito para o mesmo período
Augusto Frederico Markus – intendente eleito: em 15-10-1928
Prefeitos municipais
Augusto Frederico Markus - prefeito nomeado: em 17-12-1930
- Eugênio Ruschel - subprefeito: nomeado para o mesmo período
Cel. Martin Leonardo: prefeito nomeado: em 29-10-1934
José Hauschild Filho – prefeito nomeado: em 7-2-1935
Edmundo Alfredo Steyer – prefeito eleito: em 4-1-1936
Edmundo Alfredo Steyer - prefeito nomeado: em 10-11-1937
João Sabino Mena Barreto - prefeito nomeado: em 4-1-1940
Cláudio de Toledo Mércio – prefeito empossado em 31-07-1941
Acelino Pauletti – prefeito empossado em 2-9-1943
Augusto Frederico Markus – prefeito nomeado: em 14-7-1945
Dr. Luís Amado de Figueiredo: prefeito nomeado: em 19-11-1945
Acelino Pauletti – Prefeito nomeado: em 17-12-1945
Augusto Frederico Markus – prefeito nomeado: em 1-3-1946
Oscar Leopoldo Kasper – prefeito eleito: em 9-12-1947
- Augusto Driemeyer - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
Adão Henrique Fett – prefeito eleito: em 31-12-1951
- Fredolino Stapenhorst - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
- Alberto Schmitz – presidente da Câmara de Vereadores, em 16-7-1953
- Dr. Ito João Snel - Presidente da Câmara de Vereadores, em 1955
Aloysio Valentim Schwertner – prefeito eleito: em 31-12-1955
- Alfredo Driemeyer - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
- Aloysio Pedro Knecht – presidente da Câmara de Vereadores, em 16-3-1959
Bertholdo Gaussmann – prefeito eleito: em 31-12-1959
- Carlos Baltazar Mallmann - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
Adão Henrique Fett – prefeito eleito: em 31-12-1963
- Aloysio Valentim Schwertner - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
Bertoldo Gaussmann – prefeito eleito: em 31-1-1969
- Dr. Rogério Nonnenmacher - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
- Günther Ricardo Wagner - Presidente da Câmara: de 19-6-1970 a 29-6-1970
Gabriel Aloysio Mallmann – prefeito eleito: em 31-1-1973
- Aloysio Valentim Schwertner - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
Hélio Musskopf – prefeito eleito: em 31-1-1977
- Orlando Schäffer – vice-prefeito eleito: em 14-05-1982
Gabriel Aloysio Mallmann – prefeito eleito: em 31-1-1983
- Clóvis Antônio Schwertner - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
Leonildo José Mariani - prefeito eleito: em 1-1-1989
- Celso Brönstrup - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
Günther R. Wagner - prefeito eleito: em 1-1-1993
- Alfredo Inácio Barth - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
- Carli Reinoldo Rücker: presidente da Câmara: de 13-4-1995 a 24-4-1995
- José Inácio Birck: presidente da Câmara: de 31-1-1996 a 2-3-1996
Leonildo José Mariani - prefeito eleito: em 1-1-1997
- Hedo Thies - vice-prefeito, eleito para o mesmo período
Geraldo Fernando Mânica - prefeito eleito: em 1-1-2001
- José Inácio Birck - vice-prefeito, eleito para o mesmo período.
PODER EXECUTIVO
Nos primeiros 10 anos e oito meses de história, o poder executivo foi exercido sob a
antiga legislação do Brasil Império, com ligeiras e inexpressivas alterações, sem que houvesse
nítida distinção entre as atribuições dos poderes. Por isso, a presidência do Poder Legislativo
fica inserido no início desse capítulo do Poder Executivo. Não existia a figura do "chefe do
executivo". A Câmara atendia às necessidades do Município e pedia ao governo provincial os
recursos e autorizações.
A administração municipal de Estrela nasceu sob o governo provincial de Francisco de
Carvalho Soares Brandão, quando lhe faltavam 6 dias para entregar o governo ao seu sucessor,
em 27-2-1882, José Leandro de Godói e Vasconcelos. Já em 28 de outubro, foi empossado José
de Antônio de Souza Lima; em 16-7-1883, José Júlio de Albuquerque Barros; em 28-10-1885,
Henrique Pereira de Lucena; em 9-1-1886, Miguel Calmon du Pin e Almeida; em 25-1-1887,
Bento Luís de Oliveira Lisboa; em27-1-1888, Rodrigo de Azambuja Vilanova; 8-12-1888,
Joaquim Galdino Pimentel e, em 24-7-1889, Gaspar da Silveira Martins, o último presidente da
Província no Brasil Império.
Assim, em quase 8 anos de regime monárquico, Estrela sofreu a instabilidade
administrativa de 10 nomeações de presidentes provinciais.
Havia no Paço Municipal estrelense um procurador-contador, para atender as finanças;
um fiscal, para cuidar da arrecadação; um arruador, para alinhar as construções de casas; um
porteiro, que atendia os munícipes e um secretário, para elaborar as atas das reuniões, redigir
ofícios e cuidar do expediente interno. Todos atuavam sob a coordenação do presidente da
Câmara.
TRISTÃO GOMES DA ROSA
Presidente eleito da Câmara de Vereadores
De 21-2-1882 a 8-1-1883
Na terça-feira de 21-2-1882, com a instalação do novo município de Estrela, sob a
presidência de João Caetano Pereira, presidente interino da Câmara Municipal de Taquari, foi
empossada a primeira Câmara de Vereadores, composta por 7 vereadores.
Reunidos na mesma data, por quatro votos, foi escolhido Tristão Gomes da Rosa como
primeiro presidente da Câmara. Segundo a legislação imperial em vigor, além das atribuições
legislativas, acumulava o presidente também atribuições executivas, como hoje o presidente da
Câmara em exercício de "prefeito" municipal.
No dia seguinte, foram nomeados os primeiros funcionários públicos municipais:
1º) - Secretário geral: Bento Rodrigues da Rosa, cargo que ocupou até 31-10-1882,
esporadicamente substituído por Virgílio Pereira da Silva, João Lourenço Dexheimer e
professor Nicolau Müssnich. Assumiu esta função João de Deus Mena Barreto.
2º) - Procurador e contador: João Lourenço Dexheimer. Fazia as vezes de secretário da
Fazenda. Seu fiador foi Valentim Schwingel, aceito pela Câmara.
3º) - Fiscal: João Ubaldo Nery.
4º) - Porteiro: Antônio Joaquim Martins. Além de receber e orientar as pessoas na
Intendência, buscava e levava correspondências.
5º) - Arruador: Félix Gomes da Silva. Tinha a seu cargo o alinhamento das construções
nas ruas.
Na reunião do dia 23, os vereadores estrelenses pediram a autorização da Câmara de
Taquari para que Estrela pudesse pôr em execução o seu Código de Posturas. Para tudo se
pedia licença e informações, seja a Taquari, seja ao governo provincial. O fiscal e o arruador
não sabiam, por exemplo, se deviam ou não guiar-se pelo Código de Posturas de Taquari.
Recorreram ao governo provincial para que fossem fornecidos os padrões de pesos e medidas do
sistema métrico francês visto não poder à sua custa fazer tal aquisição. Pediu também
autorização ao governo para no pagamento de seus empregados e mais despesas necessárias,
regular-se pelo orçamento de despesa da Câmara Municipal de Taquari neste exercício.
Dois dias depois, a Câmara resolveu felicitar o Coronel (Antônio) Vítor ( Mena
Barreto) pela instalação deste município, agradecendo seus esforços por ele feitos e pedindo
que continue a dispensar seus serviços.
O governo provincial foi rápido em atender os vereadores de Estrela. Em 1-3-1882, o
recém empossado presidente Dr. José Leandro de Godoy e Vasconcelos autorizou a Câmara de
Estrela adaptar seu Código de Posturas, na parte que for aplicável, ao Código de Taquari.
Autorizou também a Câmara a alugar uma sala do prédio de Miguel Ruschel para a
administração municipal. Na falta de um Regimento próprio, podia servir o Regimento n.º 35,
de 8-10-1858.
Enquanto vigorasse o orçamento para 1882 de acordo com o estabelecido no ano
anterior pela Câmara de Taquari, no que coubesse ao distrito de Estrela, a primeira providência
da nova Câmara foi montar o primeiro Orçamento da Receita e Despesa para o exercício de
1883, calculado em 9:373$332, bem como o primeiro Código de Posturas. Os dois projetos
foram remetidos à Assembléia Legislativa Provincial para estudo e aprovação, em 14-3-1882. O
Código de Posturas foi transformado em Lei, de número 1.367, em 9-5-1882.
Como a administração municipal funcionasse no histórico sobrado de Miguel Ruschel, a
Assembléia Legislativa aprovou, pela Lei 1.390,de 1-6-1882, a emissão de apólices até o valor
de 16 contos de réis, para a aquisição de um edifício próprio para a Câmara. O juro foi de 7% ao
ano.
Uma das grandes empresas industriais em Estrela, no último quartel do século 19, era o
engenho de Fernando Ehlers. Para realizar alguns melhoramentos, requereu ao governo
provincial para que encaminhasse uma petição ao governo geral do Império, solicitando garantia
de juros para estabelecer um engenho central neste município, sob o capital de oitocentos
contos; resolveu (a Câmara) informar - declarando ser de suma conveniência a realização de
tal melhoramento visto que toda a região deste município é em extremo favorável à cultura da
cana.
Nas primeiras reuniões da Câmara os vereadores se deparam com o problema da
desanexação da colônia de Teutônia. Lideranças e moradores de Teutônia enviaram um abaixoassinado ao governo provincial pedindo para passarem a pertencer ao município de Taquari. O
presidente da Província remeteu à Câmara uma cópia dos signatários, pedindo Parecer e
informações. Os vereadores se manifestaram contrários à pretensão considerando tal
desmembramento inconveniente aos interesses públicos.
A insaciável ganância dos grandes latifundiários empacou na Câmara de Vereadores de
Estrela. José Francisco dos Santos Queima - deve ter sido Pinto e não Queima - requereu ao
governo provincial mais terras devolutas em Estrela. O presidente José Leandro de Godoy e
Vasconcelos pediu informações à Câmara pelo Of, no 1632, de 2-8-1882. A Câmara resolveu
informar de não haverem mais terras devolutas no Vale do Rio Taquari e sim mais centrais.
Terras devolutas, sem dono legal, existiam nas proximidades da divisa da Colônia Conde d' Eu,
Santa Cruz e Soledade.
O município foi dividido em três distritos especiais: 1º Estrela, 2º Conventos e 3º
Teutônia.
O governo provincial criou a Delegacia de Polícia e 8 escolas, sendo duas na vila de
Estrela, uma novo Paraíso, Arroio do Ouro, Conventos, Arroio do Meio, picada São José e
Teutônia.
Os moradores da vila de Estrela achavam que a Rua da Igreja necessitava de
melhoramentos. A comissão especial formada pelo vereador capitão Miguel Ruschel, Pedro
Buchmann e José Raupp devia dar o orçamento e um Parecer da despesa para abertura e
compostura da Rua da Igreja.
HENRIQUE TEODORO ROHENKOHL
Presidente eleito da Câmara de Vereadores
De 8-1-1883 a 8-1-1887
As mínimas coisas que ocorriam no vasto território de Estrela, repercutiam na Câmara.
Do sumido livro de Atas das Sessões, já tínhamos extraído alguns tópicos, publicados no Jornal
de Lajeado, de 9, 16, 23 e 30-8-1974, como também de 27-2-1976.
Uma das principais preocupações desta gestão foi a educação e o ensino no vasto
território de Estrela. O governo criava escolas, mas não as mantinha condignamente. Entraves
burocráticos centralizados impediam o funcionamento normal. Quando o professor Nicolau
Müssnich reabriu o ano letivo em fevereiro de 1883, encontrou apenas 5 cadeiras e 5
escrivaninhas. Henrique Alves Bastos, encontrou sua escola em Teutônia sem móveis. Para
alguns dias de afastamento dos professores, para tratamento de saúde, tinham que dirigir-se ao
governo provincial. Assim, Branca da Costa Bard, em 8-1-1883, conseguiu 15 dias para tratar
da sua saúde, em janeiro...
Foi completada a construção da igreja Matriz de Santo Antônio da Estrela, recebendo a
bênção eclesiástica em setembro de 1883.
Já tendo cedido grande parte de seu território, em 1881, para formar a nova freguesia de
Santo Inácio do Lajeado, pela lei n.º 1.445, de 26-4-1884, a freguesia de Santo Antônio da
Estrela estava perdendo seu segundo pedaço de território: a Colônia Dona Isabel, transformada
em freguesia de Santo Antônio de Dona Isabel, hoje Bento Gonçalves, e a Colônia Conde d' Eu,
transformada em São Pedro de Conde d' Eu, hoje Garibaldi.
No segundo distrito de Estrela, com sede em Lajeado, foi criado uma escola do sexo
masculino, pelo lei n.º 1.461, de 30-4-1884.
Como tudo estava concentrado no governo provincial, os presidiários pobres não tinham
comida, já que, na época, os próprios familiares tinham que alimentar seus membros presos na
cadeia municipal.
Chegou à apreciação da Assembléia Legislativa os dados estatísticos do distrito de
Teutônia, com 2.500 habitantes, colhendo 10.000 sacos de feijão, 20.000 sacos de milho e
45.000 quilos de banha. Por essa razão, os deputados acharam por bem autorizar a construção de
uma igreja, sob a invocação de Bom Jesus. Pela lei n.º 1.519, de 4-12-1885, foi criada a
freguesia de Bom Jesus da Teutônia. Não se deram conta que a esmagadora maioria era
evangélica. Apenas uma dezena de famílias, boêmios austríacos, era católica. Por isso, os
alicerces da igreja esperaram um século até a sua construção...
O maior destaque desta legislatura foi a aquisição de um prédio para a Câmara
Municipal. Em 18-12-1885, os vereadores decidiram pela compra do sobrado do coronel Víctor
de Sampaio Mena Barreto, ao lado da igreja matriz, por 16:000$000.
O município recebeu mais quatro escolas, em 1885, e outras três, no ano seguinte.
BENTO MANUEL DE AZAMBUJA
Presidente da Câmara de Vereadores
De 8-1-1887 a 4-1-1890
Para melhor conhecer o município, o empresário industrial e agrimensor Fernando
Ehlers elaborou a Planta da Colônia de Teutônia, em 1886, com a escala 1 : 40.000 e no ano
seguinte, o agrimensor Procópio Hensr assinou o Mapa do Município de Estrela, com a escala 1
: 160.000
Entre os problemas enfrentados com as contínuas cheias do Taquari e seus afluentes, foi
levada a grande ponte sobre o Boa Vista, na estrada geral para Teutônia. A reconstrução foi
autorizada. O crédito especial de 11:486$894 recebeu o aval de Gaspar Silveira Martins, o
último governador do Brasil Imperial, pelo Ato 77, de 29-8-1889.
Houve um notável surto de pedidos de nacionalização. Já em 1886, naturalizaram-se
brasileiros 30 imigrantes alemães, em Estrela. No ano seguinte, vieram mais 53 imigrantes
alemães na vila de Estrela e 16 seguiram para Teutônia, e mais 23 pediram a naturalização,
concedida pela Câmara de Vereadores.. Em 1888, entraram 14 imigrantes: 5 italianos, 6 belgas e
3 alemães.
O último acontecimento histórico para Estrela, antes da República, foi a criação da
Comarca de Estrela, pela lei 1.865, de 17-6-1889. Era presidente da Província Dr. Joaquim
Galdino Pimentel.
A proclamação da República foi vivamente festejada em Estrela, apenas por um grupo
de pessoas. A população em geral não sabia, nem entendia bem do que se tratava. As lideranças
políticas se dividiam entre conservadores e liberais. Raros eram os republicanos, geralmente os
mais jovens e rebeldes, os "modernos" da época, que não encontravam espaço político nos dois
velhos partidos.
Para recordar o fato, a derrubada de Dom Pedro II aconteceu na hora de sua sexta, em
Petrópolis, acordado pelo major Frederico Solon de Sampaio Ribeiro (conhecido em Estrela),
com a ordem expressa e imediata de arrumar as malas e embarcar com sua família para a
Europa. Em Porto Alegre, a notícia chegou às 22 horas e, só à meia noite para o dia 16-11-1889
tomou posse o primeiro governador, Mal. José Antônio Correia da Câmara. Em Estrela, a
notícia veio pelo primeiro barco que chegou no porto. As primeiras notícias vieram
desencontradas, até chegar os primeiros jornais nos dias seguintes, confirmando os ofícios do
governo provisório, de 16-11-1889, como está detalhado no capítulo das repercussões de
guerras e revoluções em Estrela.
LUÍS PAULINO DE MORAIS
Presidente nomeado da Junta Provisória
De 18-1-1890 a 30-4-1890 (?)
Ao dissolver a Câmara de Vereadores, o governador político José Antônio Corrêa da
Câmara, 2º Visconde de Pelotas, nomeou uma Junta Provisória para administrar o município,
composta por Luís Paulino de Morais, como presidente, Jacó Schüller e Luís Jaeger,
empossados em 18-1-1890.
Administrar o quê? Como tudo tinha caráter provisório, tanto no governo estadual como
no municipal, nada podia acontecer que fosse investimento em Estrela ou que trouxesse algum
benefício à população.
Algumas semanas depois, Luís Jaeger assumiu como 1º substituto de Presidente da
Intendência, como se identificou na Ata de instalação dos trabalhos eleitorais da Junta
Municipal de Estrela, em 7-5-1890.
As perturbações políticas e clima pré-revolucionário também repercutiam em Estrela. O
ambiente estava tenso. O secretário geral da administração e da Câmara, João de Deus Mena
Barreto, foi exonerado e substituído por Luís Pereira de Azevedo, advogado.
Meio ano depois da posse dessa corporação, dois membros decidiram pedir exoneração.
BENTO RODRIGUES DA ROSA
Presidente nomeado da Junta Municipal
De 7-8-1890 a 26-2-1891
Em substituição aos renunciantes, foram nomeados Bento Rodrigues da Rosa e
Henrique Hörlle, que, com Jacó Schüller, prosseguiram no colegiado administrativo, número
enriquecido para cinco membros, com a posse, em 12-9-1890, de Pedro Ruschel e Carlos Stoll.
Por proposta de Luís Jaeger, Luís Pereira de Azevedo foi exonerado de suas funções de
secretário geral, e substituído por Francisco Oscar Karnal, no mesmo dia 7 de agosto.
Um dos acontecimentos importantes, nesse período, foi o recenseamento de município
de Estrela, com o total de 23.541 habitantes e 2.611 eleitores. O 1º distrito de Estrela: tinha
5.783 habitantes e 598 eleitores. O 2º distrito de Lajeado tinha 1449 eleitores (55,49% do total)
e aproximadamente 12.784 habitantes (54,30% do total) e o 3º distrito de Teutônia tinha 564
eleitores e em torno de 4.974 habitantes.
O mais notável acontecimento histórico neste curto período da história de Estrela, foi a
proposta indicada pelo presidente Bento Rodrigues da Rosa e aprovada por seus pares, na sessão
de 15-8-1890, para que seja adotada a bandeira da República Rio-grandense de 1835 para o
Estado do Rio Grande do Sul, como consta no Livro de Atas :
Considerando que cada Estado da República tem o direito de ter, subordinada à
bandeira da Nação, a sua bandeira especial;
Considerando que a bandeira da República de 35 é para o povo deste Estado a mais
preciosa relíquia de seu passado;
Considerando que esse passado de heroísmo, abnegação e sacrifícios constitui a mais
brilhante página da história rio-grandense;
Considerando que o povo do Rio Grande cumpre o mais sagrado dever, adotando para
sempre, como prova de respeito aos heróis da epopéia de 35, o pavilhão tantas vezes hasteado
no campo de suas glórias,
Proponho:
Que se solicite ao General Governador do Estado, que seja adotada por Decreto seu,
como bandeira do mesmo Estado, a da República Riograndense de 1835, invocando-se neste
sentido o concurso de todas as Intendências Municipais junto ao mesmo Governador, que,
auxiliado por esta espécie de proclamação, não porá dúvida em atender ao que se lhe pede. Sala das Sessões, na Estrela, 15 de agosto de 1890 - Bento da Rosa.
Na Câmara de Estrela o pavilhão farrapo já tremulava, desde 23-11-1889. Com a
proposta de Bento Rosa, aprovada pelo governo estadual, tremula em todos os pagos e em todos
os tempos, menos no período do Estado Novo, quando chamas do totalitarismo o chamuscou.
Talvez fosse "arrumador de osso" ou tivesse algum livro de receitas médicas ou
vendesse e receitasse medicamentos homeopáticos, soubesse fazer algum curativo e mesmo
algum procedimento de primeiros socorros, Francisco Albano Berlet requereu à Junta licença
para clinicar na vila de Estrela, o que foi concedido, na falta de facultativo, em 21-1-1891.
O seu último ato administrativo, igualmente de repercussão histórica, foi presidir a
solenidade da instalação do novo município de Lajeado, no próprio dia 25-2-1891, na véspera
de entregar a administração municipal à nova Junta Municipal.
JOAQUIM ALVES XAVIER
Presidente nomeado da Junta Municipal
De 26-2-1891 a 30-11-1891
Retirando-se Bento Rodrigues da Rosa e Carlos Stoll, foram empossados seus
substitutos Joaquim Alves Xavier e Guilherme Schreinert, permanecendo os demais colegas
Jacó Schüller, Henrique Hoerlle e Pedro Ruschel. Talvez tenha Joaquim Alves Xavier assumido
a presidência, o que não dá para documentar.
Com a instalação do novo município de Lajeado, Francisco Oscar Karnal pede demissão
do cargo de secretário geral, sendo substituído por Jacó Bernhardt.
Coube a esta Junta a tarefa de organizar a primeira eleição municipal do período
republicano. Talvez a única alteração havida era a militância partidária. Os antigos partidos
Conservador e Liberal desapareceram da arena. O Partido Republicano, que antes abrigava
jovens e políticos sem espaço no período imperial, inesperadamente tem a força total, recebendo
a adesão interesseira dos velhos conservadores. Os liberais, alijados do poder, ficaram na
oposição, por quase 46 anos fazendo parte da minoria impotente, até às eleições de 17-111935...
Como conseqüência da implantação da República, o clima político no país e no Estado
estava perturbado. No Rio Grande do Sul seis governadores tomaram posse no executivo
estadual, num espaço de poucos meses. Júlio de Castilhos assumiu o poder e pessoalmente tinha
elaborado a Constituição Política do Estado, candidatando-se e fazendo-se eleger, pelo voto
indireto e aberto, pela Assembléia dos Representantes, sem que a oposição tivesse vez e voto.
A nova Constituição Estadual de 1891 distinguia os poderes legislativo, executivo e
judiciário. As suas atribuições eram específicas, exercidas por longo tempo no mesmo local.
JÚLIO MAY
Presidente eleito do Conselho Municipal
De 30-11-1891 a 9-1-1892
No país, o presidente Deodoro da Fonseca havia dado um golpe de Estado, em 3-111891. Como militar, não aprendeu suportar críticas. Não aturava a oposição. Não tinha
formação democrática. Nunca tinha se familiarizado com idéias republicanas. Usou a força
militar para implantar a República, sem a consulta popular. Aliás, o povo achou que aquilo era
um ensaio de desfile militar e assistiu tudo bestializado, na expressão de Quintino Bocaiúva.
Recebeu o apoio de Júlio de Castilhos. Entretanto, para evitar derramamento de sangue, Fonseca
renunciou a presidência, assumindo o vice-presidente Floriano Peixoto. Como efeito, Castilhos
viu-se obrigado também a renunciar, assumindo no Rio Grande do Sul uma Junta Governativa,
no dia 12. Esse novo governo entrou para a história como "governicho", nome pejorativo.
Em Estrela, o clima era de ansiedade. Estava-se em campanha política municipal, com
eleições marcadas para o feriado de 15-11-1891. Os 7 conselheiros escolheram Júlio May para
presidente do Conselho, empossado em 30-11-1891.
Voltou o Conselho a pedir um intendente para Estrela, como chefe específico do Poder
Executivo, segundo estabelecia a Constituição Política do Estado de 1891. Apenas em 14-101892, Joaquim Alves Xavier foi nomeado intendente de Estrela.
O artigo 63 da Constituição Política estadual de 1891 estabeleceu que os municípios
deviam ser administrados por um intendente e seu conselho municipal, eleitos simultaneamente,
de 4 em 4 anos. Mas, o artigo 7º das Disposições Transitórias conferia ao Presidente do Estado a
atribuição de nomear os intendentes do primeiro período municipal. Considerando que, só após
a promulgação da Lei Orgânica Municipal, feita pelo intendente, constituído automaticamente o
município, deve o quatriênio ser contado a partir da data desse ato, prosseguindo, então, através
de eleições.
Com a interrupção exercício do Poder Legislativo de Estrela, de 9-1-1892 a 22-6-1892,
voltou Estrela ao regime da ditadura.
LUÍS PAULINO DE MORAIS
Presidente nomeado da Junta Municipal
De 9-1-1892 a 22-6-1892
Passadas as festas natalinas e o ano novo, em 9 de janeiro foram empossados os novos
membros da Junta Municipal: Luís Paulino de Morais, João Antônio da Cunha, Guilherme
Endres, Jacó Schüller e Pedro Huber Sênior.
Em maio irrompe no município uma epidemia de varíola, tendo dado provas
inequívocas de suas altas qualidades de sentimentos, o vigário da paróquia, Pe. Eugênio
Steinhart, o qual, sempre com o mesmo carinho foi, desde o começo da epidemia, o abnegado
enfermeiro dos doentes - cf o Álbum do Cinqüentenário. Somente em setembro entrou em
franco declínio a cruenta epidemia.
No mesmo período, o interior de Estrela foi assolado por outra praga: nuvens de
gafanhotos destruíram as lavouras.
JÚLIO MAY
Presidente eleito do Conselho Municipal
De 22-6-1892 a 18-10-1892
Derrubado o "Governicho", reassumiu o governo estadual Júlio de Castilhos, em 17-61892. De imediato, nomeou Vitorino Monteiro como vice-presidente do Estado, renunciando ele
o governo e dando-lhe posse legal. Monteiro anulou os atos administrativos anteriores. Com
isso, a Junta Municipal de Estrela foi dissolvida e, em 22 de junho, Júlio May reassumiu a
presidência do Conselho.
A primeira providência, foi retornar ao pedido de nomeação de um intendente para
Estrela, o que foi atendido em 14 de outubro, com posse marcado para 4 dias depois.
Aqui, então, terminam as funções executivas que o Poder Legislativo exercia, através de
seu presidente.
Assim, pois, aqui começam as funções próprias do Poder Executivo Municipal de
Estrela.
JOAQUIM ALVES XAVIER
Intendente nomeado
De 18-10-1892 a 26-5-1893
Estando no governo estadual Dr. Fernando Abbott, secretário estadual do Interior e
Exterior no exercício de presidente do Estado, tomou posse em Estrela o primeiro intendente,
Joaquim Alves Xavier, na terça-feira de 18-10-1892.
O seu primeiro ato administrativo foi promulgar a Lei Orgânica do Município. Teve que
organizar a Intendência, distribuindo as tarefas e competências para os poucos funcionários.
Providenciou a cobrança de impostos e taxas, para haver receita orçamentária. As atribuições
administrativas que a Câmara de Vereadores e o Conselho Municipal tiveram, nos 10 anos e
alguns meses de vida municipal deixaram em completa desorganização os serviços burocráticos
e o arquivo. Hoje, não restou praticamente nenhum documento desse período.
Quando assumiu, estava terminando a epidemia da varíola. Não nos chegaram dados
sobre número de mortes e doentes, nem sobre as providências tomadas. Certamente encontrou
as colônias devastadas pelos gafanhotos, o que deve ter repercutido na arrecadação de impostos.
O efeito de instabilidade política no Estado também afetou Estrela. Em 31-12-1892,
pelo ato n.º 31, o secretário do Interior e Exterior, Dr. Fernando Abbott, no exercício de
governador do Estado, extinguiu a Comarca de Estrela. A cidade lembra dele com o nome de
uma de suas mais belas ruas...
Depois de irromper no Estado a Revolução Federalista, em 5-2-1893, no Vale do
Taquari as hostilidades iniciaram com a invasão da vila de Estrela, em 27-5-1893, sob o
comando de José Altenhofen, com o intuito exclusivo de derrubar o seu cunhado, intendente
Joaquim Alves Xavier. Este fugiu, na véspera, para Taquari, abandonando o cargo. Assumiu seu
substituto legal.
PÉRCIO DE OLIVEIRA FREITAS
Subintendente do 1º distrito
De 26-5-1893 a 12-1-1895
Intendente nomeado
De 12-1-1895 a 15-10-1896
Intendente eleito
De 15-10-1896 a 15-10-1900
Enquanto governava no Rio Grande do Sul o presidente Júlio Prates de Castilhos (de
25-1-1893 a 25-1-1898), coube a Pércio de Oliveira Freitas governar o município, por 7 anos e
mais de 4 meses. Como não houvesse vice-intendente, iniciou como subintendente do 1ª distrito,
nos difíceis anos da Revolução Federalista. Em 12-1-1895, ainda no período revolucionário
Pércio saiu da interinidade e foi nomeado intendente titular. Nas eleições municipais de 7-91896,foi confirmado pelas urnas, como primeiro intendente eleito de Estrela.
O município de Estrela era um imenso campo de lutas fratricidas. Por essa razão, o
Álbum do Cinqüentenário, na p. 80, registra: O intendente Pércio, na impossibilidade de
efetuar a cobrança de impostos relativos aos exercícios de 1890 a 1894, por falta quase que
absoluta de escrituração, propõe ao Conselho a anulação das respectivas taxas.
Estando Antônio Augusto Borges de Medeiros na presidência do Estado, desde 25-11898, pelo Ato n.º 13, de 18-5-1898, Pércio criou o distrito de São José dos Conventos
Vermelhos, nome alterado para Roca Sales, dois anos depois.
FRANCISCO FERREIRA DE BRITO
Intendente eleito duas vezes
De 15-10-1900 a 15-10-1904
De 15-10-1904 a 15-10-1908
Governou Estrela, quando Borges de Medeiros prosseguia inalterado na presidência do
Estado. Aliás, Estrela recebeu a visita de Borges de Medeiros, em 28-4-1903. Um dos resultados
de sua passagem pelo Vale, foi a criação da Comarca do Alto Taquari, em 6-5-1903. Um ano
antes, em 16-5-1902, Estrela tinha também recebido a visita ilustre do barão von Treutler,
enviado extraordinário e ministro plenipotenciário do império alemão.
Criou a Secretaria de Obras Públicas. O primeiro secretário foi Dr. Oscar Duarte de
Barros, nomeado em 16-5-1903.
Chico Brito, como era conhecido, foi eleito pela primeira vez em 7-9-1900, quando
tinha 37 anos de idade. Cônscio da grandes responsabilidades que vinha de assumir, soube, nas
raias do justo e do possível, conciliar, inteligentemente, os interesses da administração
municipal com os do par, sem sacrificar aqueles a estes. Debaixo deste ponto de vista, surto de
sua ação política e administrativa, encetou a espinhosa missão que lhe fora confiada,
revelando-se administrador de pulo e político enérgico – são respingos biográficos d’ O
Paladino, de 27-11-1921, no 11º aniversário de falecimento.
Os efeitos de sua administração - prossegue o jornal, - por causas diversas começaram
a manifestar-se no transcorrer de seu segundo biênio. O primeiro, que foi de organização,
desbravou o caminho e determinou a orientação a seguir. Entretanto, esse biênio, apesar das
circunstâncias fortuitas que o pontuaram, não foi de todo estéril. Ao passo que a ordem refaziase nos departamentos do poder municipal e como natural conseqüência desse auspicioso fato,
iniciavam-se os melhoramentos compatíveis com os recursos de que podia dispor,
melhoramentos esses deram-lhe o título de administrador operoso e inteligente.
Ao terminar o primeiro período quatrienal, o Ex.mo Sr. Dr. Borges de Medeiros,
preclaro republicano da situação rio-grandense, em expressiva carta, concitou-o a aceitar, por
mais um quatriênio, a reeleição para o cargo que soubera honrar, sendo reeleito em 7 de
setembro de 1908. Acumulou também os cargos de delegado de polícia e presidente do
conselho escolar – concluiu o articulista do jornal O Paladino, de 27-11-1921.
Seu destaque foi a abertura de estradas: 14 km, ligando Campinhos ao porto de Roca
Sales; entre Languiru e Boa Vista, na divisa com Garibaldi; entre Fazenda Lohmann e Estrela;
entre linha Seca e Daltro Filho. Alargou e melhorou várias outras estradas. Criou o distrito de
Roca Sales.
Durante seu governo surgiu uma grave crise entre o Executivo e o Legislativo, em 1610-1902, ao ser votada a lei do orçamento.
Segundo relatório do governo estadual, de 1903, o intendente acumulou as funções de
delegado de polícia. Seu subdelegado do 1º distrito foi Antônio Carlos Porto. Em 1904, o
subintendente na vila foi Carlos Matte Sobrinho, acumulando o cargo de comandante da Guarda
Municipal; em Teutônia, foi subintendente Adolfo Zimmermann e, em Roca Sales, Napoleão
Maioli Primo.
Em 1905, fundou a Escola Agrícola Previdência.
Decorridos os oito anos de governo, três anos depois veio a falecer, com 58 anos de
idade.
ERNESTO ZIETLOW
Vice-intendente nomeado
De 1901 (?) a 1903.
Não há documento que indique a data de sua nomeação como vice-intendente de
Estrela. Talvez, tenha sido após a promulgação da Lei Orgânica Municipal, pelo Ato n.º 42, de
19-11-1901.
Em face do dispositivo do § 1º, acrescentado ao artigo 38 da Lei Orgânica Municipal, o
intendente Brito declara insubsistente a nomeação do vice-intendente cidadão Ernesto Zietlow,
por existir entre ambos parentesco por afinidade, que incompatibilizava aquele de exercer o seu
cargo. Para substituí-lo, o intendente Brito nomeou o cidadão Dr. Geraldo N. Snel, depois de
tornar pública a sua escolha - cf Álbum Comemorativo do Cinqüentenário do Município de
Estrela, p. 94.
O recenseamento indicava para o fim do século 16.957 habitantes em Estrela, onde foi
instalado a Coletoria federal. A vila contava com 153 casas, em 1902.
GERALDO NICOLAU SNEL
Vice-intendente nomeado
De 1903 a 1904
Esteve à frente da administração local por ocasião em que o intendente de então,
coronel Francisco Ferreira de Brito, entrara no gozo de uma licença – cf O Paladino, 30-41922, ao noticiar sua transferência para Porto Alegre, em 26 de abril.
Segundo o Relatório de 15-10-1904, o intendente Brito informou ao Conselho achar-se
acéfalo o cargo de vice-intendente, em virtude da renúncia feita pelo honrado major Dr.
Geraldo N. Snel.
NICOLAU MÜSSNICH
Intendente eleito
De 15-10-1908 a 30-9-1909
A Comissão Executiva do Partido Republicano (PR) se reuniu, em 28-3-1908, e decidiu
pela escolha do coronel Nicolau Müssnich, como candidato a intendente, cf O Alto Taquary,
de 4-4-1908. A eleição se deu em 7-9-1908. A apuração dos votos, dez dias depois, proclamou
Nicolau Müssnich como eleito, empossado em 15-10-1908.
No mesmo período, andava pelos municípios da região o coronel Ramiro de Oliveira,
emissário de Borges de Medeiros, para que o PR escolhesse candidatos autenticamente
borgistas. O mesmo semanário, na edição seguinte, de 11 de abril, publicou notícia da
Federação, órgão oficial do governo e PR, sobre a escolha do candidato Müssnich a intendente.
Tudo tinha sido combinado antes da reunião da dita comissão, como expressamente se disse no
seu início: que, entre os presidentes desta comissão e o eminente chefe do partido havia já
acordo prévio sobre a escolha aludida; que em tais condições esperava que esta comissão,
louvando-se no acordo preexistente, sagrasse a escolha feita, que recaía na pessoa do nosso
correligionário, o distinto tenente-coronel Nicolau Müssnich. Assinaram o documento: Ramiro
de Oliveira, Francisco Ferreira de Brito, Adolfo Ribeiro Soldado (?), José Hauschild Filho,
Antônio Carlos Porto, Manuel Ribeiro Pontes Filho.
Durante sua administração, governava o Rio Grande do Sul o presidente Carlos Barbosa
Gonçalves, de 25-1-1908 a 25-1-1913.
Sobre a administração de Nicolau Müssnich, na falta de outras fontes e documentos,
nada melhor que a transcrição de testemunha da época, n’. O Paladino, de 2-4-1922:
Figura de destaque em nosso seio político, republicano de crença, portador dum
caráter íntegro, soube sempre pautar a sua existência no caminho reto e digno do dever e
honra, possuidor de aprimoradas qualidades, de exemplar chefe de família e de homem
público, por isso que no âmbito de suas relações e no conceito geral dos seus comunícipes
ainda vive latente, a sagração de imorredouras saudades.
Dotado de um coração bem formado, forte e magnânimo, estava sempre pronto a dar o
bálsamo de sua mão caritativa a todo aquele que o procurava, resguardando-se de vendavais
da miséria debaixo de sua frondosa e santa proteção.
Tal era o conceito de si feito, nesse particular mister que chegou a ser cognominado o
“Pai dos Órfãos”.
No exercício do cargo de Intendente Municipal de Estrela, se torrão natal, revelou a
par de sua extrema bondade, capacidade de administrador profícuo, leal e honesto, não
esmorecendo nunca, quando de si era exigido o sacrifício, em benefício da comunhão social
deste recanto do Brasil, conquistando por todos esses títulos, que aureolam o seu sagrado
nome, a benemerência, no partido político em que militava e o estímulo e confiança dos seus
cidadãos.
Nicolau Müssnich veio a falecer no cargo, em 30-9-1909, na força de seus 49 anos de
idade. Foi um quinta-feira de profunda tristeza para o povo de Estrela, o que ficou vivo na
memória por décadas.
MANUEL RIBEIRO PONTES FILHO
Vice-intendente nomeado
De 30-9-1909 a 25-11-1909
Intendente eleito quatro vezes:
De 25-11-1909 a 15-10-1912
De 15-10-1912 a 15-10-1916
De 15-10-1916 a 15-10-1920
De 15-10-1920 a 15-10-1924
No decorrer dos 15 anos e 15 dias de administração municipal, prosseguia incólume a
presidência de Borges de Medeiros no Rio Grande do Sul.
Durante o governo, Pontes Filho teve vários secretários gerais de administração. Vago o
cargo desde 30 de março, pelo ato n.º 39, de 14-6-1923, nomeou Orzolino Pereira Martins,
funcionário estadual.
Teve o governo municipal mais longo na história de Estrela: 15 anos e 15 dias. Embora
a Constituição Federal não tivesse o dispositivo de reeleição, mas a Constituição Política do Rio
Grande do Sul permitia a reeleição, desde que obtivesse o sufrágio de ¾ do eleitorado. O
próprio governo do Estado estimulava a eleição, dentro do princípio positivista: conservar,
melhorando!
Foi uma de suas principais metas de governo. Não tendo recursos suficientes, tentou
obter apoio do governo estadual. Ao surgir o semanário O Regional, em 14-7-1912, Pontes
Filho solicitou o apoio desse novo órgão de imprensa republicana para que reforçasse o pedido
feito à Secretaria Estadual de Obras da abertura da estrada de rodagem que venha a ligar o
povoado de Roca Sales com o povoado de General Osório, hoje Muçum. De fato, em resposta,
o governo prometeu iniciar a construção.
A falta de energia elétrica entravava o desenvolvimento de Estrela, cf. O Regional, de
28-7-1912: As múltiplas reclamações que hão sido dirigidas à firma Ruschel Irmãos, desta vila,
por parte de interessados que se vêem embaraçados nas suas indústrias pela inação desta firma
concessionária da instalação hidroelétrica, destinada ao suprimento de Força e Luz elétricas
na vila, a declarar-nos temos à pedido, que nenhuma culpa deve se atribuir àquela laboriosa
firma comercial; porque conforme se vê do Edital da Intendência Municipal de 20 de junho do
corrente ano, publicado em nosso número de 14 pp., ainda não tem a dita firma contrato
firmado com a Municipalidade e isso porque pende ainda de solução a consulta a que se refere
o mesmo edital.
O contrato de concessão de privilégio para iluminação elétrica, pública e particular, e
fornecimento de energia elétrica na vila de Estrela foi assinado em 14-3-1913, entre a
Intendência e a firma comercial Ruschel Irmãos. O Edital de concorrência havia sido expedido
em 25-4-1912, para um prazo de 10 anos. A municipalidade entregava em usufruto à
concessionária a queda d' água ou cascata do Arroio Estrela.
Segundo Nilo Ruschel, nas memórias “Estrela de 90 Anos – V” (Correio do Povo, de
29-5-1966), a iluminação pública na vila de Estrela teve notável melhoramento em 1896,
quando o intendente Pércio Freitas aumentou de 20 para 50 o número de lampiões a querosene.
Estrela foi pioneiro na região na iluminação elétrica nas ruas. Quando a empresa
Ruschel Irmãos conseguiu trazer para o seu hotel os benefícios da luz elétrica aventou-se sua
utilidade como iluminação pública, a exemplo de Porto Alegre. O Serviço foi inaugurado
provisoriamente em 1-7-1914 e considerado definitivamente a 24 do mesmo mês e ano, em face
do parecer apresentado nessa data pelos profissionais Drs. Vivaldo Guaracy e Harry Reess,
designados especialmente e por conta da Municipalidade pelo então diretor da Escola de
Engenharia de Porto Alegre – Cf O Paladino, de 6-11-1921, noticiando haver necessidade de
reparos na iluminação pública.
Do fornecimento de mais energia elétrica dependia a instalação em Estrela de uma
fábrica de tecidos de importante firma local, noticiou a mesma edição do jornal.
Pela iluminação pública e dos próprios municipais, o município pagava a mensalidade
de 600$000, em 1922. Para fins comparativos, na época, a jóia para ser associado do Grêmio
Esportivo Estrelense era de 10$000, a mensalidade 2$000 e a assinatura d’ O Paladino era
10$000.
Seu empenho pela educação no município foi um dos pontos altos de Pontes Filho. Sob
seu governo estiveram em Estrela os Irmãos Maristas, de 1913 a 1920, mais precisamente
assumindo a Escola Paroquial São Luís.
Também sob seu governo as duas “Aulas” estaduais da vila foram extintas ou
transformadas em Grupo Escolar, em 1920, hoje E. E. Vidal de Negreiros.
Outra das características do governo de Pontes Filho foi sua integração à nacionalização
dos habitantes de Estrela, incentivada pela Liga de Resistência Nacional de Porto Alegre e
congêneres. Como a educação e cultura no interior do Estado permanecesse por décadas num
plano inferiorizado, em poucos meses o governo quis que todos os habitantes no Brasil falassem
a língua portuguesa, substituindo professores por policiais e escolas por cadeias.
O intendente de Estrela, entretanto, soube fazer a campanha nacionalista de forma
racional, sem aberrações. Uma das formas foi festejar os feriados nacionais com programação
que envolvesse a população. Para exemplo, aqui é transcrita d’ O Labor, de 15-9-1917, a
comemoração do dia 7 de setembro:
Pela manhã, às 6 horas, foi festivamente hasteado o pavilhão brasileiro, ao som do
hino nacional e ao espocar de foguetes de dinamites, no quartel do Tiro Brasileiro n.º 227, no
edifício da Intendência municipal e na sede do “Grêmio Literário Estrelense”.
Às 15 horas, teve lugar, na praça Benjamin Constant, a entrega da bandeira, oferecida
pelas senhoritas estrelenses aquele Tiro. Produziu belíssima oração, interpretando os
sentimentos das ofertantes, o Sr. Coronel Ribeiro Pontes, provecto Intendente Municipal.
Às 20 horas, na sede do “Grêmio Literário”, à Rua Marechal Floriano n.º 2, efetuou-se
a sessão cívica em homenagem à magna data de 7 de setembro.
Aberta a sessão pelo presidente, Sr. José Galliza, convidou ele para dirigir os trabalhos
da mesma o presidente honorário, coronel Ribeiro Pontes. Este, assumindo a presidência, usou
da palavra explicando os fins da sessão que se ia realizar, os quais eram para comemorar a
data grandiosa da Independência de nossa amada Pátria e concedeu a palavra ao primeiro
orador oficial, Sr. major Carlos Candal Júnior, que com sua palavra fluente de patriota
ardoroso, discorreu longamente sobre a data que se comemorava, comovendo o auditório,
preso por largo espaço de tempo às suas insinuantes frases, repassadas de ardor cívico.
Seguiram-se com a palavra o presidente efetivo do “Grêmio”, Sr. José Galliza, com
uma bela peça oratória, primando pela moral cívica; o sócio Sr. Acydino de Araújo e Silva e o
advogado do nosso foro, Sr. Júlio Pinto de Morais.
Produziram todos orações patrióticas e inspiradas, sendo, ao terminar, calorosamente
felicitados e saudados por uma estrepitosa salva de palmas.
A concorrência foi numerosa, achando-se os salões do Grêmio repletos de senhoras,
senhoritas e grande número de sócios e convidados.
Achavam-se representados: o Ex.mo. Sr. Dr. Leonardo Ferreira da Silva, juiz desta
Comarca; pelo Sr. coronel Pontes Filho; “O Independente”, pelo Sr. Francisco Guerreiro e
“O Labor”, pelo nosso companheiro de trabalho, Sr. Cândido Rodrigues de Lima.
Foi uma festa cívica que deixou grandes impressões em todos os assistentes.
Ao “Grêmio Literário Estrelense” saudamos efusivamente pela bela festa que levou a
efeito.
Estrela contava com 511 eleitores federais qualificados – cf O Labor, 1-12-1917.
No final da penúltima gestão, em novembro de 1919, ocorreu um período de muitas
chuvas, a 7ª pior enchente em ordem cronológica e em ordem de volume, ou seja, 26,60m acima
do leito normal, sendo a de 1941, a pior do século, com 28,13m. As conseqüências imediatas foi
atender as necessidades primárias da população. A receita orçamentária do município decaiu
verticalmente, adiando, por isso, lamentavelmente, a solução definitiva do problema financeiro
municipal, amortizando-se a dívida passiva existente - cf. O Paladino, de 16-10-1921.
Ainda na última gestão teve que reconstruir estradas e pontes. Restaurou a estrada
Coronel Müssnich, no distrito de Roca Sales, numa extensão de 10.5 km, a partir do povoado
Marquês do Herval. Restaurou a estrada General Canabarro, num percurso de 20 km, a partir
do km 7, entre o povoado Glória e o distrito de Bom Retiro. Mencionou ainda a construção da
estrada vicinal, no comissariado 11 do distrito de Corvo, próximo à divisa com o município de
Garibaldi...E ainda a construção de um novo trecho de estrada à picada Ano Bom... Depois, a
construção de um trecho novo da estrada à picada Frank, próximo à picada Clara...
Construção de um pequeno trecho de estrada nova que dá acesso da picada Geraldo à Wolf.
A ponte mista sobre o arroio Conventos Vermelhos, na linha Júlio de Castilhos, Roca
Sales, foi construída por Antônio Matias Brentano, vencendo a concorrência, ao custo de treze
contos e quinhentos mil-réis, devendo custar mais um conto de réis se a Municipalidade
resolver a construção de uma coberta de zinco - cf O Paladino, de 22-1-1922.
No decorrer dos anos teve Pontes Filho o cuidado de oferecer alguns melhoramentos na
praça Benjamin Constant. Na sua Mensagem Intendencial de 12-10-1921 mencionou a reforma
e pintura de bancos, construindo mais 12 bancos novos no logradouro público, cada vez mais
procurado pela nossa população urbana e onde os forasteiros se comprazem, freqüentando-o
assiduamente.
Em 5-1-1924, inaugurou um Coreto na Praça Benjamin Constant, para execução de
concertos e música ao povo.
Durante a última administração de Pontes Filho deu-se a campanha eleitoral para a
eleição presidencial para o quatriênio de 15-11-1922 a 15-11-1926. O Partido Republicano
estava apoiando a candidatura do ex-presidente Nilo Peçanha- José Joaquim Seabra, abrindo O
Paladino, amplos espaços favoráveis à campanha: O sufrágio da chapa Nilo-Seabra será
unânime, dando o eleitorado estrelense o mais frisante exemplo de civismo e Amor pátrio – na
edição de 2-10-1921. O jornal prevenia os leitores do que chamava de Bernardite - derivado de
(Artur) Bernardes - a uma nova doença, de fato, a Bernardite ataca de preferência o sistema
nervoso quando este se acha depauperado, criticando os que apoiavam este candidato.
Resultado: 1.173 estrelense votaram em Nilo Peçanha e apenas 114 votaram (9%) em Artur da
Silva Bernardes – Urbano dos Santos da Costa Araújo, em 1-3-1922, efetivamente eleitos
presidente e vice-presidente da Republica.
Com o mesmo ardor, Pontes Filho e políticos republicanos locais apaixonaram-se pela
reeleição de Borges de Medeiros à presidência do Estado, no governo desde 1898. Ficava difícil
estabelecer um ambiente para propagar a candidatura da oposição, Joaquim Francisco de Assis
Brasil. Para criar núcleos favoráveis aos “federalistas”, esteve em Estrela Dr. Antônio de Morais
Fernandes, cf O Paladino, de 12-11-1922. Os 2.865 eleitores estaduais de Estrela tiveram
ocasião de escolher seu presidente do Estado em 25-11-1922. O resultado foi: 1.035 votos para
Borges de Medeiros e 318 votos para Assis Brasil. A nível municipal, a oposição alcançou
23.5%, vencendo Borges de Medeiros mais uma vez. Apenas o distrito de Roca Sales teve 86
eleitores borgistas e 142 assisistas.
A população de Estrela participou da campanha em benefício dos famintos da Rússia–
cf O Labor, 2-9-1922. - O “Liederkranz Lajeado” apresentou uma hora de arte. O vasto salão
da Ginástica estava arquicheio. O festival rendeu 786$000.
Já existindo os distritos da sede, Pinheiro Machado (hoje Languiru) e Roca Sales, criou
os distritos de Corvo, pelo Ato n.º 254, de 26-7-1913 e Boa Vista (hoje bairro Teutônia), pelo
Ato n.º 62, de 25-12-1918.
Pontes Filho investiu na sua última gestão no que se denominava lajeamento dos
passeios, no centro da vila. O tesoureiro municipal, Henrique Senger, em 1-5-1922, publicou
um Edital, marcando um prazo de seis meses para os proprietários urbanos fazerem o
lajeamento dos passeios fronteiros às suas casas e terrenos onde estejam já colocados cordões,
dentro do perímetro limitado pelas ruas Marechal Deodoro, Dr. Tostes, Tiradentes e Venâncio
Aires - cf. O Paladino, de 14-5-1922.
No Brasil inteiro se programou os festejos da Independência do Brasil. O Paladino, de
13-8-1922, divulgou a nominata das 11 comissões e a Comissão Central, assim composta:
Manuel Ribeiro Pontes Filho, intendente municipal, presidente; Padre Eduardo Wolter,SJ,
vigário; Ernesto Dietschi, pastor do Culto Evangélico; André M. Mallmann, presidente do
Conselho; Luís Guedes da Fontoura, juiz distrital; Jacó Pedro Morsch, gerente do Banco
Pelotense; Alberto Dexheimer, gerente do Banco do Comércio e Reinaldo Schwambach,
industrialista. Na edição de 20-8-1922, foi acrescentado Luís Inácio Müssnich, secretário.
Pontes Filho autorizou Luís I. Müssnich construir dois kiosques na praça Benjamin
Constant, nos pontos que defrontam a Intendência e a casa comercial de Artur Preussler. Essa
concessão vigorará durante o tempo das festas comemorativas do centenário, podendo a
respectiva construção ser de madeira ou de outro material, em estilo simples, por tratar-se de
obras de caráter provisório – cf O Paladino, de 20-8-1922. O Turn-Verein Estrela programou
um baile, em 8 de setembro, em comemoração ao primeiro centenário da independência do
Brasil. Enquanto isso, a mesma edição divulgava que a Comissão estava ajuntando donativos
pró centenário... a fim de ajudar a enfrentar as despesas que se farão com os festejos. Em
donativos a comissão ajuntou 4:094$400 e a loteria deu 1:063$400. Do total de 5:681$800
sobrou apenas 28$000. A maior despesa feita foi com a música para os dias de festas, cobrando
Eduardo Henrich 1:000$000 – cf O Paladino, de 15-10-1922.
O programa geral dos festejos, com duração de 5 dias, foi divulgado no mesmo
semanário, na edição de 27-8-1922. Iniciava no dia 6, à tarde, com passeata cívica dos alunos do
Colégio Elementar, seu festival à noite e a salva de 21 tiros à zero hora. O dia 7 iniciou com a
alvorada do corneteiro e tamboreiros do Tiro 227, em cuja sede foi hasteada a Bandeira às
5h30min e, meia hora depois, na Intendência Municipal, seguindo-se a recepção dos reservistas
participantes do “Raid Pedestre” e parada militar dos Tiros, reservistas e alunos do Colégio
Elementar. Às 9h foi inaugurada a Exposição Industrial Preparatória Municipal na sala do
Fórum, com missa campal, de acordo com o rito católico, oficiando três sacerdotes. Às
9h30min – Ofício divino no tempo evangélico, conforme prescrições do Sínodo Riograndense.
Às 12h – hasteamento do Pavilhão Nacional no edifício do Colégio Elementar, que às 14h
inaugurou a exposição de trabalhos manuais, além de preleções sobre os principais fatos... Na
Intendência, às 15h, houve uma sessão cívica com a inauguração do quadro histórico
INDEPENDÊNCIA OU MORTE, e discursos de Luís Guedes da Fontoura, professor Rúdi
Schäfer e João de Oliveira Castro, bancário. Às 16h: passeata cívica dos alunos do Colégio
Elementar, conforme programa oficial a qual se associarão os colégios Evangélico, São Luís e
Santo Antônio. Às 16h30min: início da Tômbola e outras diversões pró festas do Centenário na
praça Benjamin Constant. Às 20h: Marche au flambeau dos colégios da vila... Às 21h: cinema
ao ar livre na praça Benjamin Constant e fogos de artifício sob a direção de competente
pirotécnico. No dia 8, seguiram-se diversões populares, futebol, tômbola, cinema ao ar livre,
bem como nos dias 9 e 10, com Encerramento da Exposição Industrial.
Como se vê, nenhum monumento comemorativo foi erguido em Estrela, como foi feito
noutras cidades, como no centro de Santa Cruz do Sul, uma belíssima obra de arte, e na praça
central de Lajeado, um monolito muito pobre e modesto.
Um dos destaques na programação geral foram os Jogos Olímpicos, com 13 provas,
como diversas modalidades de corridas em distância, de obstáculos, salto de distância com
trampolim, salto em altura, salto de barra, corrida de batatas, de estafetas e lançamento de peso.
Todas as modalidades, medidas e seus vencedores estão n’ O Paladino, de 17-9-1922. As
senhoras e senhorinhas participaram do concurso de tiro, cabendo o primeiro lugar a Sílvia
Vasconcelos.
Para homenagear o centenário da imigração alemã, em 25-7-1924, Pontes Filho
inaugurou a ponte metálica sobre o Arroio da Seca, na E. R. General Osório - cf O Paladino,
de 27-7-1924, hoje em Colinas.
Para a posse de seu sucessor, Pontes Filho incluiu na programação, em 15-10-1924, às
11h, a inauguração do Cais do Porto, ao extremo oeste da rua C.el. Flores. O Paladino, no
mesmo dia 15, traz a notícia de um melhoramento tão relevante e com o qual pode a nossa urbs
gabar-se de ser possuidora do melhor e mais belo cais do Rio Taquari.
Menciona com destaque a encampação dos serviços de força e luz elétrica, pois
redundará numa segura fonte de receita, que permitirá às administrações futuras distribuírem
maiores somas destinadas a melhoramentos materiais, beneficiando também a coletividade com
a ampliação que será feita na Usina.
FERNANDO ERDMANN SCHEEREN
Vice-intendente nomeado
Em 7-5-1910 a 1920
Sua primeira nomeação como vice-intendente de Estrela foi em 7-5-1910. Exercia as
funções de comissário seccional de Boa Vista, no 1º distrito, hoje Vila São José, onde era um
líder comunitário.
Pelo Ato n.º 238, de 11-1-1913, foi reconduzido à função, empossado 30 dias depois.
Folgo em vos afirmar que essa nomeação mereceu, novamente, os aplausos dos nossos
concidadãos - cf Mensagem ao Conselho Municipal, apresentado em 15-10-1913.
FREDERICO NEUHAUS FILHO
Vice-intendente nomeado
Em 10-1-1921
Ou se perderam as fontes de informação ou sua administração teve caráter meramente
interno.
Naquele ano. foram criadas as escolas municipais em Canabarro, linha Fernando
Abbott, Arroio da Seca, linha Glória, Posses e na linha Borges de Medeiros.
ANDRÉ MARCOLINO MALLMANN
Intendente eleito
De 15-10-1924 a 15-10-1928
Ainda durante o seu governo, continuava o velho Borges de Medeiros como presidente
do Estado. Entre as cláusulas assinadas no pacto, após a Revolução Assisista, constava que
também o intendente não podia mais ser reeleito e que o vice-intendente não podia mais ser
nomeado, mas eleito.
André Marcolino Mallmann foi eleito em 15-8-1924, tendo como vice-intendente
Helmuth Fett. O Paladino, na edição da posse, enfatizou principiar uma administração sem
solução de continuidade e prenhe de benefícios em prol do progresso e engrandecimento do
município. A programação da posse iniciou com a alvorada musical, às 5h, diante da
Intendência, executada pela banda da Brigada Militar de Porto Alegre, com 24 músicos, sob a
batuta de Justino Cardoso da Silva, seguiudo-se uma salva de 21 tiros de morteiros. André
Marcolino Mallmann começou seu governo sob as bênçãos de Deus. Às 7h30min, achando-se a
igreja matriz literalmente tomada por familiares e cavaleiros, realizou-se, com grande
solenidade, uma missa em ação de graças pela nova administração a iniciar-se, oficiando o
vigário da paróquia Pedro Hillesheim, acolitado pelos padres Balduíno Spengler e Estevão
Hertz, tendo comparecido a estes atos religiosos as autoridades locais. Seguiu-se na praça a
inauguração do obelisco comemorativo aos 100 anos da imigração alemã no RS. Empossados os
novos conselheiros municipais, eleita a sua Mesa diretora, presidida por Frederico Neuhaus
Filho, uma comitiva foi buscar os eleitos, intendente e vice-intendente, em suas residências,
para a posse oficial.
Em 21-7-1925, foi perfurado o primeiro poço artesiano em Estrela, na propriedade de
Luís Inácio Müssnich, suprindo as necessidades da fábrica de cerveja e de alguns vizinhos.
Perfurado pelos equipamentos de Carlos Selinger, com 207 m de profundidade, o poço fornecia
apenas 20 m³ de água por hora. Três anos depois, as necessidades da população obrigaram a
perfuração de novo poço, obra que foi concluída apenas em 1935.
No seu primeiro ano de governo, lamentou o surto de tifo, vitimando três pessoas em
Estrela. Também registrou dois casos de lepra em Teutônia e um na Barra da Seca, devendo os
doentes isolar-se em suas casas, por falta de leprosário.
A rede telefônica em Estrela, em 1925, tinha 197 assinaturas, dos quais 120 na sede
municipal. Adquirida a Usina Hidroelétrica, o intendente enfrentou a tremenda seca no final de
1924, impedindo que houvesse água suficiente na represa para fornecer luz e força para Estrela.
Em 1925, havia 315 casas com instalação de luz, com 1.045 lâmpadas, o que eqüivale a média
de 3,3 lâmpadas por moradia, num total de 4.600 velas. A iluminação pública está atualmente
(em 12-10-1925) com 163 lâmpadas e um consumo de 5.075 Watt. É fornecido a 33 motores de
diversas forças num total de 115 HP, aproveitados em marcenarias, fundições, fábricas de
banha, de móveis, de café, moinho de trigo e milho... A rede distribuidora na Vila é atualmente
de 42.000 metros. Havia apenas 1 eletricista na Vila e 1 na Usina em Santa Rita.
Durante seu governo houve as eleições presidenciais. Os candidatos Washington Luiz
Pereira e Fernando Melo Viana, respectivamente para presidente e vice-presidente da
República, obtiveram em Estrela 1259 votos cada um, cf O Paladino, de 7-3-1926, sem
mencionar nomes e número de votos de outros candidatos.
Em nível de Estado, houve as eleições para presidente do Rio Grande do Sul, sendo
eleito Getúlio Dorneles Vargas, empossado em 25-1-1928.
Coube a André Marcolino Mallmann a tarefa de festejar os 50 anos de Município. O
mais importante, o que perdura ainda hoje, é a publicação do Álbum Comemorativo do
Cinqüentenário do Município de Estrela, com 204 páginas, elaborado por Achyles Guerra
Diniz, em português e alemão. É um Raio X perfeito de Estrela. Eugênio Toth ilustrou a
pesquisa, com 227 fotos. O autor e o fotógrafo receberam 2:000$000, cada um. A comissão
central tinha como presidente honorário o próprio intendente coronel André Marcolino
Mallmann e o presidente efetivo Luís Inácio Müssnich, sendo secretário Alberto Dexheimer,
tesoureiro Afonso José Horn, auxiliados por um notável grupo de lideranças em várias
comissões.
Em 20-5-1926, após a missa e o culto divino, foi plantada uma árvore dos 50 anos.
Estará lá hoje e identificada? Às 17h, foi inaugurada a Exposição dos Produtos Municipais, nas
dependências do Colégio Elementar, nos fundos da Intendência.
Para que pudesse atender às necessidades de mais luz e energia elétrica, a
municipalidade inaugurou a segunda usina geradora, em 13-5-1927. Custou mais de 180 contos
de réis, elevando o patrimônio na Santa Rita para 330:336$200, incluindo as três estações
transformadoras, inclusive todo o material elétrico e a rede elétrica.
No final de seu governo, na posse solene de seu sucessor, o juiz distrital Luís Guedes da
Fontoura se estendeu em elogiosas considerações à fecunda e prospecta administração do c.el.
André M. Mallmann, no quatriênio que findava, evidenciando as obras relevantes e duradouras
de seu governo probidoso e progressista - cf o ALTO TAQUARY, de 20-10-1928.
As receitas públicas no período:
Nos anos de 1925 e 1926, a Receita das Mesas de Rendas e Coletorias estaduais tiveram
um decréscimo em 52 municípios e um aumento em 33 municípios, entre os quais Estrela, em 4º
lugar, pois o Estado arrecadou aqui 357:410$458, em 1925, e aumentou para 505:142$691 em
1926, o que correspondente a 37.5%, com um notável superavit de 147:732$233 na arrecadação.
No ano 50º aniversário de Estrela, a arrecadação da Exatoria Federal foi de 369:967$850 o que
corresponde a 26.8% e os impostos municipais ajuntaram a receita de 482:013$900 equivalente
a 35.7%.
A arrecadação da dívida ativa do Estado, em 1926, a ser procedida pelos exatores,
revelou ser o estrelense fiel pagador de impostos: o total de 870$000, o segundo município
menos endividado, depois de Nova Trento. José Claro Viana era o cobrador da dívida ativa em
Estrela, nomeado em 24-4-1919. Os devedores de Lajeado alcançavam a cifra de 69:356$330,
sem haver cobrador. Talvez fosse o mesmo de Estrela.
A exportação de Estrela, em 1926, para fora do Rio Grande do Sul, resultou no total
oficial de 3.420:222$730 em banha, para 1.515,546 toneladas, sendo mais de 85% só para o Rio
de Janeiro.
Em 1926, a indústria de bebidas produziu 407.386 litros de cerveja, 251.686 litros de
cachaça, 29.858 litros de refrigerantes, 25.000 litros de vinagre. 3.514 litros de licores 3.058
litros de Bitter e vermute, 2.400 litros de vinho1.512 litros de álcool e 940 litros de xaropes.
Quanto à produção de fumo, em 1926, Estrela industrializou 25.050 maços de cigarro,
1.000 sabonetes...
HELMUTH FETT
Vice-intendente eleito
Um dos mais dinâmicos empresários, diretor da empresa H. Fett Irmão & Cia –
Exportadores Industriais, grande fábrica de banha e manteiga, Helmuth Fett contribuiu nessa
gestão como vice-intendente. Não há documentos no Arquivo Municipal que comprovem suas
atividades político-administrativas, nem se entrou em exercício como vice-intendente.
A oposição política enfrentava uma série de dificuldades para se articular, pois o Partido
Republicano Riograndense, no decorrer dos anos, tinha montado um esquema de domínio
político muito forte. Além da máquina administrativa, poder policial e grande parte da imprensa,
a oposição tinha que suportar as dificuldades em obter crédito e a dureza do setor fiscal e
tributário.
Em 9-4-1928, realizou-se no salão Rosenbach, uma reunião dos próceres do Partido
Libertador deste município, ficando eleita a sua diretoria local e constituída dos seguintes
membros - cf O Paladino, de14-4-1928:
Presidente honorário, Jacó Müller; presidente efetivo, Pedro Isírio da Silva; 1º vicepresidente, E. Alfredo Steyer; 2º vice-presidente, Sylvio Piccinini; 1º tesoureiro, Guilherme
Sauer; 2º tesoureiro, Antônio Frontino de Azeredo; 1º secretário, Raul Lopes da Silva; 2º
secretário, Elygio C. Fava. Membros: Carlos Adão Diefentheler, Carlos Schiehl, Carlos
Leopoldo Schüller, Carlos Willy Müller e Jorge Werlang. Delegados distritais: Albino Closs, do
2º distrito; Teobaldo Zart, do 3º distrito; Pedro Brentano, do 4º distrito e Henrique Driemeyer,
do 5º distrito. Estiveram presentes à reunião os Srs. Dr. Décio Martins Costa e Mozart de
Mello, membros do Partido Libertador de Lajeado e Taquari.
Enquanto isso, a Comissão Executiva do Partido Republicano se reuniu e escolheu
Augusto Frederico Markus e José Hauschild Filho como candidatos a intendente e viceintendente. Essa corporação política submeteu à homologação do chefe do Partido
Republicano Riograndense essas indicações, devendo serem as candidaturas proclamadas,
depois da resposta de Sua Excita. cf O Paladino, de 19-5-1928. - Sabemos que serão
reservadas duas vagas para a oposição no Conselho Municipal.
Realmente, a edição de 21-7-1928, O Paladino, - como Folha republicana - dedicou
toda a página de capa para o Partido Republicano e seus candidatos, prosseguindo na página 2,
onde reservou apenas 13 linhas de uma coluna para a nominata dos candidatos do Partido
Libertador.
O resultado das eleições do dia 15 O Paladino já publicou 3 dias depois, na edição de
18-8-1928:
Augusto Frederico Markus foi eleito intendente, com 947 votos (77%), cabendo ao seu
"oponente" Francisco Xavier Ruschel 283 sufrágios (23%). Para vice-intendente foi eleito José
Hauschild Filho, com 879 votos (71.6%), derrotando Edmundo Alfredo Steyer, com 348 votos
(28.4%).
AUGUSTO FREDERICO MARKUS
Intendente eleito
De 15-10-1928 a 17-12-1930
Prefeito nomeado
De 17-12-1930 a 29-10-1934
A posse de Augusto Frederico Markus se revestiu de grande solenidade, com a
participação de muitas pessoas, na segunda-feira do dia 15-10-1928.
Com ele também foram empossados o vice-intendente, major José Hauschild Filho e os
sete conselheiros municipais. Prestado o compromisso do estilo, - registrou o Alto Taquary, de
20-10-1928 – pronunciou o discurso oficial o Sr. major Luís Guedes da Fontoura. Depois dos
elogios ao seu antecessor, saudou, em nome do Partido Republicano, o novo intendente, vice e
conselho. Discursaram, logo após, os Srs. Cel. Mallmann, Achyles Dinis, major João R. de
Castro e Antônio Cardoso, este em nome do intendente, merecendo todos os oradores ruidosos
aplausos da numerosa assistência que vivou os próceres do Partido Republicano e ao Dr. Assis
Brasil, presidente do diretório do libertador.
Como guarda-livros, acumulando o cargo de secretário da administração, em 15-101928, Markus nomeou Max Grachten; para tesoureiro, José Fischer; para escriturário, Alfredo
Ribeiro Pontes. Eugênio Ruschel, desde 11-5-1925, continuou como subintendente do 1º
distrito.
Sob seu governo realizou-se o pleito para a presidência da República. O presidente do
Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas, foi lançado candidato à presidência por uma coligação dos
partidos políticos de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. Como O Paladino de 22-21930 publicou, Getúlio se afastou do governo gaúcho, em obediência a um escrúpulo de ordem
moral, até 1º de março, dia da eleição. Getúlio Vargas e João Pessoa, para presidente e vicepresidente da República, obtiveram em Estrela 3.244 votos, cada um, e Júlio Prestes e Vital
Soares, candidatos situacionistas, apenas 4 votos, talvez de funcionários públicos federais. Para
o Senado, o republicano Paim Filho obteve 1.950 votos e o libertador Assis Brasil conseguiu
1.117 sufrágios. O Deputado federal mais votado foi Simões Lopes, republicano, com 4.018
votos e Plínio Casado, libertador, com 2.710 votos.
Sob seu governo foi construído o Hospital Estrela, entregue ao público em 14-4-1929,
segundo o depoimento de Edithe Genehr Markus, dado em 29-9-2000:
Na década de 1920, quando um grupo de estrelenses resolveu edificar uma casa de
saúde em nossa cidade, lá estava o Sr. Markus, trabalhando para que esta iniciativa se tornasse
uma realidade. Graças a homens dinâmicos como Augusto Frederico, contamos hoje com o
bem aparelhado Hospital Estrela, inaugurado em sua gestão frente ao executivo municipal
Uma das primeiras obras foi a construção da ponte na estrada da picada Frank, 5º
distrito deste município, sobre um arroio próximo à casa comercial do Sr. Edmundo Alfredo
Steyer - cf O Paladino, de 22-3-1930, mencionando notícia publicada em Terra Gaúcha, órgão
de imprensa do Rio de Janeiro. Ora, Steyer era seu adversário político...
Conforme o seu Relatório do 2º ano de administração, apresentado ao Conselho
Municipal em 20-10-1930, com 74 páginas, há dezenas de obras executadas por sua
administração, com fotos das pontes sobre o Arroio Garibaldi, de 5m de vão, na linha Júlio de
Castilhos, e sobre o Arroio Boa Vista, em Canabarro, ambas cobertas com zinco. Mencionou os
melhoramentos nas estradas de Marechal Hermes, Novo Paraíso e Serrinha. No centro urbano
de Estrela, investiu no nivelamento, assentamento de cordões, calcetamento de sarjetas,
terraplenagem de ruas. Colocou 934m de cordões, terraplenagem na Rua Borges de Medeiros e
fez a reforma da Segunda parte na Praça Benjamin Constant (hoje Mena Barreto), substituindo
os velhos plátanos por árvores de ornamentação. Ampliou o número de telefones. Melhorou a
força e luz, com 397 moradias com luz elétrica, com 5.7 lâmpadas por residência e 213
lâmpadas iluminam praça e ruas. Realmente, a "situação financeira" acusava um saldo positivo
de 78:134$900.
Esteve Augusto Frederico Markus à testa do governo municipal em três oportunidades
diferentes, totalizando em torno de 6 anos de governo. A falta de documentos nos impede a
exatidão dos fatos. Cada uma das oportunidades se revestem de características especiais. Iniciou
como intendente eleito, cargo eletivo que exercia quando a ditadura de Getúlio Vargas lhe tirou
o mandato de “intendente”, prosseguindo no poder como chefe do executivo municipal
nomeado pelo interventor federal, com o novo título de “prefeito”, desde 3-12-1930. Foi, pois, o
último intendente e o primeiro prefeito de Estrela. Nas duas oportunidades seguintes, voltou a
ser prefeito nomeado.
A deliberação ulterior veio em 3-12-1930, quando o interventor Flores da Cunha
nomeou o Cel. Augusto Frederico Markus para o cargo de prefeito deste município. Markus
passou a governar o município com o novo título de prefeito nomeado, portanto, o primeiro
prefeito de Estrela, desde 3 de dezembro, empossado em 17 de dezembro. Essa nomeação
correspondeu plenamente à expectativa do republicanismo local cf O Paladino, de 6-12-1930. Uma das razões que poderosamente para a satisfação com que foi recebida a notícia da
recondução do C.el. Markus no governo do município é a excelente e incontrastável situação
financeira do município, a que s. s. presta grande atenção, sem prejuízos da execução de obras
necessárias ao ininterrupto progresso de nossa comuna.
Não consta nos arquivos a nomeação de um vice-prefeito. Seu eventual substituto devia
ser o primeiro subprefeito do 1º distrito, Eugênio Ruschel.
Em 15-12-1931, apresentou seu terceiro Relatório, apresentado ao Interventor Flores da
Cunha, com o saldo de 137:809$700. Voltou a gastar recursos num total de 37:000$000 na
Estrada General Osório, pertencente ao Estado... Na estrada Ano Bom construiu um desvio,
contornando o morro Pão de Açúcar. Construiu um estrada na picada Lenz e na picada Borges
de Medeiros, ligando-a à Seca Rica. No centro urbano de Estrela prosseguiu nos melhoramentos
de ruas e da praça, construindo cordões, calçamento de sarjetas, nivelamentos e aterros.
Nesse meio tempo, Markus fez algumas alterações no seu quadro de funcionários. Em
31-10-1931 nomeou José Manuel Porto para secretário da administração e Emílio Tietzmann
como tesoureiro, em 4-1-1932.
O quarto Relatório o prefeito Markus apresentou ao mesmo Interventor em 1-1-1933,
com o Saldo progressivo de 340847$300. Menciona os melhoramentos feitos nas estradas do
interior, tapando os buracos com cascalho que vimos retirando das margens do rio Taquari e de
alguns arroios do interior. A ponte sobre o arroio Estrela, no perímetro urbano, mereceu uma
reforma geral. O madeiramento foi substituído e acrescidos mais dois pilares, todos ligados com
ferro e cimento. Teve que investir vultosa soma para manter e aumentar a produção de luz e
força na Usina Elétrica, bem como no abastecimento de água, rede telefônica e na instrução
pública. O recenseamento acusou a população de 26.038, havendo no perímetro urbano 2.540
habitantes. Quanto à religião, havia 14.196 católicos, 11.804 "protestantes" e 38 de outros
"credos". Os 3.002 analfabetos davam 11.5% sobre a população.
Também em Estrela entrou em vigor, pela primeira vez no Brasil, o horário de verão, de
3-10-1931 a 31-3-1932. Quanto à nova hora de verão O Paladino, de 10-10-1931 informou:
Entre nós, está sendo ela observada, de acordo com as instruções que o Governo do Estado
transmitiu ao Sr. prefeito municipal.
A história do município deve ser estudada dentro do contexto geral da história do Brasil
e do Rio Grande do Sul. Assim, vitoriosa a Revolução de 30, em 11-11-1930 foi rasgada a
Constituição de 1891, cassados todos os mandatos eletivos e nomeados os interventores federais
para governar os Estados e os prefeitos para administrar os municípios.
Para dar uma nova imagem, foram mudados os nomes de Intendência para Prefeitura,
Intendente, Vice-intendente e Subintendente para Prefeito, Vice-prefeito e Subprefeito. O Poder
Legislativo também foi extinto, substituído, depois, por um Conselho Consultivo.
Markus permaneceu no poder municipal à espera dos acontecimentos. Somente em 1811-1930 foi nomeado Flores da Cunha como interventor do Rio Grande do Sul e, dois dias
depois, ratificados todos os atos de governo, praticados desde 24 de outubro. Termina aqui a
fase da República Velha, ou a República dos Coronéis e inicia a Era Vargas.
Com o mandato cassado, Markus permaneceu no poder do executivo municipal, com o
caráter de prefeito nomeado.
Max Grachten, seu secretário geral da Administração desde 1-1-1931, solicitou
exoneração do cargo, sendo substituído em 31-10-1931 por José Manuel Porto, nomeado pelo
ato n.º 41.
Segundo o Relatório de 1931, apresentado pelo prefeito Markus ao interventor Flores da
Cunha, o saldo do exercício administrativo de 1931 foi de 137 contos de réis, bem acima da
média dos saldos de 101 contos nos quatro anos anteriores, o que ele atribui à boa e regular
arrecadação dos impostos, lembrando os tempos difíceis, desde 1929.
Quanto às despesas, é interessante observar que o município, em 1932, tinha 4
caminhões e um automóvel. A remoção do lixo era feito em duas carroças.
São Paulo foi o primeiro Estado a reclamar o retorno à constitucionalidade, já em abril
de 1931 e, em 6 de junho, João Neves criticou a demora para a convocação às eleições gerais.
Por toda a parte as opiniões se dividiam. Os favorecidos apoiavam a ditadura. Os democratas
exigiam uma Constituição.
A maioria da população estrelense tinha somente O Paladino para ser informar,
normalmente com 4 páginas semanais, das quais metade ocupada com publicidade. Na sua
edição de 2-3-1932 encontramos a primeira menção do descontentamento de brasileiros pelo
fato de Getúlio Vargas perenizar seu Governo Provisório. O semanário publicou o discurso do
interventor Flores da Cunha, proferido em Caxias, em 28-2-1932: Somos, e temos a coragem de
afirmar, pela constitucionalização do país! E, como é que agiu semanas depois?
Markus foi nomeado vitaliciamente pelo interventor federal Flores da Cunha como
oficial do Registro de Imóveis. Foi empossado em 21-6-1932. Para isso, solicitou licença para
afastamento de prefeito municipal, por 20 dias.
Criar um Justiça Eleitoral foi um dos objetivos de Revolução de 1930, visando pôr
termo à fraude que campeava no regime anterior. A Constituição de 1934 fez voltar à
denominação de Câmara de Vereadores, em substituição ao Conselho Municipal. Os
representantes do povo retornaram a chamar-se vereadores, em vez de conselheiros.
O novo Código Eleitoral de 1932 dividiu o Estado em 44 Zonas Eleitorais,
correspondentes às 44 Comarcas existentes. Desta forma, a 18ª zona compreendia os municípios
de Lajeado, Estrela, Encantado e Guaporé. O sistema eleitoral vigente, que mediou de 1932 a
1937, dava direito ao voto às mulheres, pela primeira vez na história, e aos que tinham 18 anos
de idade. Antes só tinham direito ao voto os homens, com 21 anos completos. Os mendigos,
analfabetos e praças de pré (militares em serviço ativo, salvo os oficiais) não podiam ser
eleitores.
Terminada a Revolução em 2-10-1932, anistiados os revolucionários, preparou-se o
Brasil para a volta à constitucionalidade, reorganização dos partidos políticos. Em 8-10-1932,
foi fundada a Ação Integralista Brasileiro, sob a chefia de Plínio Salgado. Entre seus militantes,
em Estrela, destacava-se Aloysio Valentim Schwertner. No dia 26, Getúlio Vargas marcou o dia
3 de maio de 1933 para as eleições à Assembléia Constituinte. A notícia do fortalecimento da
Frente Única Gaúcha, com a coligação do Partido Republicano Rio-grandense e do Partido
Libertador, em 2-11-1932, também repercutiu no Vale do Taquari, bem como a fundação do
Partido Republicano Liberal, por Flores da Cunha, em 15-11-1932.
O coronel Frederico Markus presidiu a reunião regional de prefeitos e chefes políticos
do Partido Republicano Liberal. Em Estrela, no domingo de 19-11-1932, seguindo roteiro
preestabelecido pela interventoria federal, o prefeito convocou o funcionalismo público
municipal, estadual e federal, da qual foi lavrada uma ata, em que ficou consignada a plena
solidariedade de todos ao Partido Republicano Liberal. Desse acontecimento o coronel
Augusto Frederico Markus deu ciência, por telegrama, ao general Flores da Cunha, interventor
federal no Estado e presidente do Partido.
Fica fácil entender: Derrotada a Revolução Constitucionalista, era preciso preparar as
próximas eleições e garantir a eleição de representações fiéis ao governo, para eleger Getúlio
Vargas no Colégio Eleitoral, de forma indireta. Para assegurar a vitória no Rio Grande do Sul,
nada melhor que criar um partido novo, que unisse republicanos e libertadores, um tipo de
"frente única": Partido Republicano Liberal. A fórmula também era simples: usar a máquina
administrativa, mormente policial, fiscal, tributário e nomeação de pessoas de confiança aos
cargos públicos. Assim, o funcionalismo público municipal, estadual e federal foi encurralado
em uma das salas da Prefeitura para aderir ao partido ou perder o emprego. Aliás, este filme,
aqui em preto e branco, já foi visto muitas vezes, de forma colorida...
Solenemente aberta ao público, em 28-12-1832, realizou-se no salão nobre da
Prefeitura, a posse da Comissão Diretora do Partido Liberal deste município - cf O Paladino,
de 31-12-1932. A posse foi presidida pelo major Oscar da Costa Karnal, prefeito de Lajeado
desde 20-10-1932, e membro da Comissão estadual do partido florista. Aliás, Flores da Cunha
foi o alvo das atenções, notadamente pela sua atuação nos últimos acontecimentos que
conturbaram a vida política do nosso Estado. Karnal historiou longamente a brilhante cruzada
liberal que teve como ponto de partida a arrancada memorável de 3 de Outubro e finalizou com
um hino ao Partido Republicano Liberal e à personalidade ilustre do general Flores da Cunha.
A Comissão Diretora de Estrela estava constituída pelos personagens, há muito tempo
bem conhecidos: coronel Augusto Frederico Markus, José Hauschild Filho, Ernestino Leopoldo
Lautert, Clemente Affonso Mallmann e Ruben Lauer. A ata estava assinada por 70 membros,
cuja listagem O Paladino divulgou na mesma edição de 31-12-1932.
A par dos acontecimentos políticos, o prefeito dedicava seu tempo à administração,
agora com mais responsabilidade, já que não havia mais o Poder Legislativo. Seu mandato,
afinal, deveria ter terminado em 15-10-1932. Um dos problemas era a água potável para a
população, para impedir surtos epidêmicos, mormente o tifo. A higiene era fundamental. Uma
das últimas edições de 1932 d’ O Paladino noticiou o exame bacteriológico das águas usadas
ali (Estrela) por algumas pessoas, acusando o referido exame uma quantidade elevada de colibacilos por cm³. Assim, a água retirada do rio Taquari apresentava 1000 co-bacilos por cm³; a
do poço municipal e do arroio Estrela mil e poucos e a de uma fonte de Santa Rita 10.000, além
de grande quantidade de bactérias termógenas. São informações d’ A Semana, de 2-1-1933.
O governo do Estado havia determinado a construção da “Rodovia Alto Taquari”. Para
isso, enviou o engenheiro Alfredo Waldeck, acompanhado de uma turma de trabalhadores,
iniciando os trabalhos. Tratava-se do prolongamento da velha e conhecida estrada Borges de
Medeiros, que liga Estrela a Passo Fundo via Guaporé, A Semana, de 17-7-1933 botou a boca
no trombone e criticou o discurso eleitoreiro de Flores da Cunha.
O prefeito de Estrela foi eleito presidente da Comissão Central do Partido Republicano
Liberal, de caráter regional, segundo reunião feita em Lajeado e noticiada por A Semana, de 91-1933. Foi muito aplaudido o discurso do prefeito de Encantado, coronel Armando Ribeiro
Severo.
A edição de 24-4-1933 d’ A Semana deu notícias das duas grandes facções políticas: o
Partido Republicano Liberal, fundado e liderado por Flores da Cunha, a Frente Única Gaúcha,
formada pelo Partido Libertador, sob o comando de Assis Brasil e pelo Partido Republicano
Riograndense, sob a direção de Borges de Medeiros. Apuradas as urnas no RS, as eleições de 35-1933 deram 132.056 votos (73%) ao PRL e 37.155 (20%) para a Frente Única, restando
11.522 sufrágios não aproveitados. Na região, a vitória do PRL foi muito mais ampla. Em
Lajeado ultrapassou os 90%. A utilização de chapas de cartolina foi um dos fatos pitorescos na
eleição, denunciada por A Federação, de 9-5-1933, como expediente tendente a possibilita a
identificação do voto, face `espessura do material utilizado. O Tribunal Eleitoral concluiu
inexistir violação do sigilo do voto, eis que ambos os partidos se valeram desse expediente. Em
15-11-1933, foi instalada a Assembléia Nacional Constituinte.
Nesse meio tempo, em nível municipal, as atividades prosseguiam normalmente. Na
primeira semana de maio de 1934, Estrela participou da grande Exposição de São Leopoldo, em
homenagem à integração do trabalhador alemão no desenvolvimento do Rio Grande do Sul. A
Indústria e Comércio de Relógios Públicos Schwertner Ltda. conquistou o Grande Prêmio.
Em 16-7-1934, foi promulgada a nova Constituição Federal e, no dia seguinte, Getúlio
Vargas foi eleito Presidente da República por via indireta, com mandato até 3-5-1938.
Voltou o Brasil ao regime democrático.
Preparavam-se os partidos políticos. Em 18-8-1934 reuniram-se no Hotel Ruschel, em
Estrela, os libertadores e republicanos, para constituírem a Comissão Mista da Frente Única
Riograndense para as próximas eleições. O objetivo era derrotar os candidatos situacionistas. Os
62 líderes que assinaram a lista aprovaram a seguinte diretoria do Comitê Misto: Presidente
Manuel Ribeiro Pontes Filho, 1º vice-presidente Willy Müller, 2º vice Reinaldo Schwambach,
1º secretário Waldemar Jaeger, 2º secretário Henrique Schmidt, 1º tesoureiro Ari P. Brack, 2º
tesoureiro Oscar Becker. Vogais: Leopoldo Krabbe, Francisco Pires da Rosa, Roberto Goellner,
Adolfo Lautert, Willy Kirst, Miguel Assis Ribeiro, Paulo Oscar Ruschel, Adolfo Faller, Carlos
Schüll, Oscar Noll, Alfredo Schaumberg, Clemente Horn, Antônio F. de Azeredo, Frederico
Drewes, Júlio Closs, Max Bentz, Amândio M. dos Santos, José Massing, Ernesto Oppermann,
Cláudio Horn, Luís F. Kronbauer, João Petry, Wilimar Schneider, Osmar Maciel, Oto Francisco
Stürmer, Francisco Goergen, Miguel Müller, Walter Zimmermann e Jacó Cláudio Leindecker.
Depois de brindes de cerveja em homenagem a Borges de Medeiros, Raul Pilla e outros, a
reunião se encerrou. No dia seguinte, receberam a visita de Cândido Carneiro Júnior, o famoso
“general Candoca” que havia comandado em Soledade o levante constitucionalista em setembro
de 1932.
Na edição seguinte do mesmo semanário lajeadense, na reportagem concedida por
Pontes Filho e Darci Barcelos, ficou confirmada a escolha de 22 nomes de verdadeiras
notabilidades, ou melhor, de juristas, para representarem a Assembléia Legislativa Estadual.
No dia 26 de agosto, foi organizada uma caravana de 6 automóveis – décadas depois
denominada carreata – de Estrela para Canabarro e Teutônia. Henrique Drimeyer, eleito
presidente honorário do Comitê distrital da FU, discursou em alemão.
O Tribunal Eleitoral dividiu o Estado em 16 círculos eleitorais apuradores. O 15º
Círculo estava composto pelos municípios de Lajeado, Estrela, Arroio do Meio, Encantado,
Soledade e Guaporé. No plano político e de segurança, o ambiente nacional revelava-se tenso,
encaminhando-se para o estado de sítio. Decididamente, Getúlio Vargas, Flores da Cunha e
outros tinham vocação mais para caudilhos e ditadores, sem educação para o exercício da
democracia.
Nesse clima e nessa perspectiva é que se realizava a campanha eleitoral e as eleições.
Em 7 e 8-9-1934 realizou-se o 2º Congresso do Partido Republicano Liberal. Flores da Cunha é
proclamado candidato único a governador. Entre os candidatos ao Senado, Câmara dos
Deputados e Assembléia Legislativa para o Vale do Taquari, destaca-se também Oscar da Costa
Karnal. Ele havia sido um dos que acusaram Manuel Ribeiro Pontes Filho, prefeito de Lajeado,
ter apoiado os revolucionários constitucionalistas, sob o comando de Candoca. Por essa razão,
Karnal o sucedeu na prefeitura, de 20-10-1932 a 19-10-1934, saindo em campanha eleitoral.
Karnal também não estava satisfeito com o PRL de Estrela, onde recebera poucos votos.
Em 14-10-1934, houve eleições para a Câmara dos Deputados e Assembléia
Constituinte do Estado. Novamente concorreram o Partido Republicano Liberal e a Frente
Única. Sem expressão nas urnas, participaram a Liga Eleitoral Proletária, Ação Integralista
Brasileira e o Trabalhador Ocupa Teu Posto. Para a Câmara dos Deputados, nenhum dos
candidatos tinha vinculação com o Vale do Taquari. Para a Assembléia Constituinte, o mais
conhecido foi Oscar da Costa Karnal, eleito 2º suplente pelo PRL. Pela FU, entre os candidatos
conhecidos, foi eleito pelo quociente partidário Nicolau Snel, e suplentes: Adroaldo Mesquita,
Camilo Martins Costa e seu irmão Dr. Décio Martins Costa (empossado em 10-5-1935) e
Guilherme Ludwig. Em nível regional, a Frente Única venceu as eleições, com larga margem, o
que fez com que o interventor Flores nomeasse novos prefeitos e delegados, de sua inteira
confiança.
O resultado destas eleições influiu para que o Cel. Markus renunciasse ao cargo de
prefeito. Não nos chegaram documentos acerca desta renúncia, mas o povo não deu a vitória
eleitoral aos candidatos floristas, quer dizer, o eleitorado não apoiava mais o governo federal,
estadual, nem municipal.
EUGÊNIO RUSCHEL
Subprefeito no exercício de prefeito
Entrou em exercício como prefeito municipal várias vezes, destacadamente nos
períodos de 27-11-1931 a 4-1-1932 e de 21-6-1932 a 9-7-1932.
Convocado pelo interventor para tomar parte de um Congresso de Prefeitos em Porto
Alegre, Markus passou o governo municipal ao seu sucessor imediato, Eugênio Ruschel,
subprefeito do 1º distrito, em 27-11-1931.
Depois de exposta a difícil situação das finanças do Estado, foi fixada uma taxa sobre a
pecuária a ser cobrada pelas municipalidades e resultante do convênio entre estas e o governo
do estado, com o que o prefeito deste município não concordou - cf O Paladino, de 28-111931. A medida iria prejudicar os suinocultores de Estrela. Por esta razão, Markus endereçou,
no dia anterior, sua renúncia como prefeito, de caráter infelizmente irrevogável. Incontinenti, um
movimento de lideranças, num abaixo-assinado de 120 pessoas, deu apoio ao prefeito
municipal, pedindo para que não renunciasse. Uma comitiva aguardava o seu regresso no porto
de Bom Retiro.
Markus, porém, continua inabalável na sua atitude - noticiou O Paladino, de 5-121931. - Em face da renúncia do Sr. Prefeito municipal, continua à testa da administração o
subprefeito, Sr. Eugênio Ruschel, que assumira o cargo quando da ida do coronel Augusto
Markus à capital. A designação foi feita através de uma Portaria, para responder pelo governo
enquanto durar a sua ausência.
Do secretário estadual do Interior, Sinval Saldanha, o subprefeito Eugênio Ruschel
recebeu o seguinte fonograma: "Ficais autorizado a assumir até Segunda ordem cargo Prefeito
desse município. Saudações.
O Balancete da Receita e Despesa do mês de novembro, foi assinado por Eugênio
Ruschel, como subprefeito, nas funções de prefeito, sendo tesoureiro José Fischer e o contador
Alfredo Ribeiro Pontes.
Enquanto lideranças, no início de dezembro, encaminhavam um Memorial ao Sr. Cel.
Augusto Markus apelando para que não efetivasse a sua renúncia ao cargo, a fim de continuar
a prestar a esta comuna os mesmos relevantes serviços, Eugênio tocava o barco para frente.
Convocou os membros do Conselho Consultivo para a reunião de 22-12-1931, deu-lhes posse,
instalando seus trabalhos. Assinou a aposentadoria requerida pelo tesoureiro José Fischer.
Encaminhou ainda o Orçamento para 1932, para ser discutido pelo Conselho Consultivo.
Cronologicamente, a primeira fonte primária, em Estrela, que trata do voto feminino na
vida democrática brasileira, está n' O Paladino, de 25-12-1931, p. 15, sob a manchete A Lei
Eleitoral e o Voto Feminino - O ante-projeto da lei eleitoral, aceitando o voto feminino, tem
causado na imprensa do Rio um movimento de interesse em torno do assunto. As feministas
mais em evidência foram entrevistadas. As restrições mais combatidas são as que exigem da
mulher eleitora ter rendas próprias ou trabalho. O debate foi longe até que a mulher estrelense
pudesse votar, de fato...
Coronel Markus reassumiu o governo municipal, em 4-1-1932. Para que pudesse
assumir o cargo de oficial do Registro de Imóveis, Markus entrou em licença por 10 dias,
reassumindo Ruschel, de 21 de junho a 11-7-1932, as funções de prefeito municipal.
Certamente, foi mera formalidade, enquanto aguardava a nomeação de um ajudante para o seu
cartório.
MARTIM LEONARDO
Prefeito nomeado
De 29-10-1934 a 7-2- 1935
Como resposta do governo estadual ao resultado adverso das eleições de 14 de outubro
e conseqüente renúncia do coronel Markus foi nomeado Martim Leonardo para prefeito de
Estrela, coronel da Brigada Militar, aliado ao delegado de polícia, geralmente outro colega de
farda.
Pouco dele se sabe. Atuava em Estrela como alto funcionário, sem dialogar com a
comunidade. Como oficial da Brigada Militar, era conhecido na região, pelo menos em
Encantado, onde havia sido subprefeito, com funções de prefeito interino, de 21-9-1932 a 1810-1932, acumulando o cargo de delegado de polícia. Tinha sido também coletor estadual em
Bento Gonçalves, segundo A Semana, de 29-10-1934.
A nomeação de oficiais da Brigada Militar para prefeitos municipais se devia ao temor
de algum levante armado, patrocinado pela Frente Única.
Entre algumas obras feitas pela administração de Martim Leonardo está a reconstrução
do grande pontilhão de alvenaria sobre a Sanga Funda, na estrada que liga esta vila a Bom
Retiro, cf O Paladino, de 12-1-1935.
Em 25-1-1935 foi concluída a perfuração de mais um poço artesiano. Na profundidade
de 214 metros foi encontrado o terceiro lençol, que aumentou consideravelmente a produção
que é de 15.000 litros por hora. A água jorra à altura de cerca de um metro - cf O Paladino, de
26-1-1935. Com o compressor de ar, o poço produziu 30.000 litros, segundo manchete do
mesmo semanário, na edição seguinte. Carlos Sölinger e seus operários ganharam um churrasco
do prefeito, no caponete Horn.
Segundo o balancete de 1934, assinado pelo tesoureiro Emílio Tietzmann e o prefeito
Martim Leonardo, a receita foi de 625:586$000 e a despesa líquida foi de 538::413$600
sobrando 87:173$300 de saldo do exercício.
Para competir com a máquina (leia-se repartições públicas, polícia civil e militar)
administrativa estadual e municipal a serviço dos getulistas e floristas, as lideranças da Frente
Única estavam cada vez mais atuantes, tanto republicanos como libertadores. O PL iniciou o
ano de 1935 sob a presidência de Carlos Willy Müller, em Estrela. Em cada sede distrital havia
uma comissão atuante. Seus membros ajuntaram um conto de réis, no ano anterior, como auxílio
inicial ao reaparecimento do jornal “Estado do Rio Grande”, sendo designada uma comissão,
a fim de conseguir assinantes para o mesmo jornal, sendo logo tomadas vinte assinaturas.
A história de Estrela deve ser vista neste contexto geral e regional. Assim como em
Lajeado, em 1-11-1934, fora empossado o major Ramiro Barcelos Feio, que tinha sido
comandante do 2º Batalhão de Caçadores da Brigada Militar, e em Encantado, em 15-11-1934,
tomara posse o tenente-coronel Serafim de Moura Assis, comandante do 3º Corpo Auxiliar
(famoso Batalhão Pé-no-Chão) da Brigada Militar, em Estrela assumia o coronel Martim
Leonardo, em 29-10-1934.
A nível de Estado, o governo florista venceu as eleições, com a vitória do PRL. Mas, no
Vale do Taquari a vitória foi da oposição, sem temor de represálias. Flores da Cunha, aliás,
tinha rompantes políticos que a todos assombravam. Arroio do Meio pode servir de exemplo.
Um pouco antes das eleições havia entrado com pedido de sua emancipação. O PRL local queria
o nome de Flores da Cunha para o novo município. Nas eleições de 14-10-1934, o distrito de
Arroio do Meio deu só 164 votos para o PRL e 910 sufrágios (84%) para a Frente Única.
Entretanto, por decreto, o interventor emancipou o território em 28-11-1934, com o nome de
Arroio do Meio. Em sinal de gratidão, foi dado o nome de Praça Flores da Cunha, cuja placa de
bronze foi descerrada pelo prefeito de Estrela, coronel Martim Leonardo. Um ano depois, por
decreto, o prefeito de Nova Trento adotou o nome de Flores da Cunha para o município.
Obviamente, tudo se fazia por decreto. Dar nomes de pessoas vivas, chefes políticos, a
municípios, distritos, povoados, ruas e avenidas era um dos instrumentos de domínio ditatorial.
O atual município de Getúlio Vargas tem esse nome pelo decreto n.º 5.788, de 18-12-1934.
Nada por plebiscito ou consulta popular.
A derrota dos floristas nas urnas na região provocou a racha no PRL, liderada por Oscar
da Costa Karnal. Procurava os culpados. Desconfiava dos prefeitos, mesmo que fossem
militares. Coronel Martim Leonardo? Não há documentos comprobatórios. Diante de boatos da
destituição do major Ramiro Barcelos Feio, um abaixo-assinado de peso foi feito em 30-1-1935.
Ficou mais nove meses no governo de Lajeado. Entretanto, Oscar da Costa Karnal esteve
também em Estrela, pregando a dissidência do PRL. Foi mal recebido por toda parte.
Em 12-4-1935, foi instalada a Assembléia Constituinte Estadual e, três dias depois, por
via de eleição indireta, Flores da Cunha foi mantido no poder, eleito constitucionalmente
governador do Rio Grande do Sul. Em 28-6-1935, foi promulgada a Constituição do Estado do
Rio Grande do Sul, retornando-se ao regime democrático. Mas nos municípios ainda eram
mantidos os prefeitos nomeados, para assegurar as eleições municipais, sobretudo, para garantir
a vitória do PRL.
Em 23-2-1935, na SOGES, foi prestada uma homenagem de reconhecimento ao Cel.
Martim Leonardo pelos trabalhos prestados ao município, com discurso de Antônio Cardoso, na
hora do banquete.
JOSÉ HAUSCHILD FILHO
Prefeito nomeado
De 7-2-1935 a 4-1-1936
Nomeado prefeito de Estrela pelo Dr. João Carlos Machado, Secretário do Interior, no
exercício interino da Interventoria Federal desde Estado, em 6-2-1935, no dia seguinte José
Hauschild Filho deixou a Coletoria Estadual para o seu substituto legal, Odorico de Azevedo
Lima, e foi empossado como novo prefeito de Estrela. Seu secretário geral de administração
continuou sendo José Manuel Porto e seu tesoureiro, Emílio Tietzmann. O inspetor escolar foi
Rudolfo Maria Rath.
Um dos problemas enfrentados pelo novo prefeito foi a enchente nos dias 20 a 22-61935, inundando grande parte da vila e povoados, destruindo estradas e pontes.
Para a grande Exposição no Parque Farroupilha, festejando o centenário da Guerra dos
Farrapos, em setembro e outubro de 1935, a Cia. Navegação Arnt-Aliança Ltda. punha à
disposição dos visitantes da região oito barcos. Os vapores “Estrela” e “Lajeado” davam
preferência aos passageiros do “Alto Taquari”, isto é, de Estrela e Lajeado.
Foi concluída a perfuração de um poço artesiano para fornecimento de água potável à
população da Vila, bem como a construção de um reservatório de água com capacidade de
2.000 litros, o que hoje pode ser privilégio de uma única moradia. Aliás, na época, o serviço de
água era explorada por iniciativa privada. Cada qual tinha que resolver seu problema.
Flores da Cunha se empenhou para que tivesse a maioria dos prefeitos e vereadores
eleitos pelo PRL. A campanha eleitoral foi acirrada.
Os primeiros sinais de democracia se manifestaram quando a Comissão Diretora do
Partido Republicano Liberal resolveu consultar o eleitorado sobre o nome a ser escolhido para
o cargo de prefeito municipal no próximo período constitucional deste município - cf O
Paladino, de 12-1-1935. A edição seguinte, na página de capa, estava com manchete e foto o
Cel. André Marcolino Mallmann como candidato do PRL, obtendo na prévia 1.287 votos. O
próprio jornal abria amplos espaços, páginas inteiras, para a propaganda eleitoral do PRL, em
português e alemão. Embora justificasse não ser mais Folha Republicana, desde 7-1-1933, O
Paladino argumentava o apoio: Essa candidatura partiu, pois, da vontade livre do nosso povo.
E nós, na qualidade de órgão dos interesses gerais, batalharemos denodadamente pela vitória
de seu candidato... - cf O Paladino, de 28-9-1935.
Da Frente Única O Paladino não divulgou nenhuma candidatura, nem como notícia, na
edição do dia 16, véspera da eleição. Silêncio total.
Enquanto isso, a Frente Única de Estrela estava atuante, em preparação para as eleições
municipais. Ainda na madrugada do domingo de 6-10-1935, os deputados Dr. Adroaldo
Mesquita da Costa e Dr. Décio Martins Costa chegaram em Estrela, acompanhado de Geraldo
Snel Filho, deputado eleito que foi nas eleições suplementares e que renunciou a cadeira à
Constituinte, de acordo com as deliberações da Comissão Mista – segundo notícia d’ A
Semana, do dia seguinte. Com o título de “grande filho de Estrela”, dado pelo Dr. Décio
Martins Costa, Geraldo Snel Filho fez o discurso político em alemão, conclamando a todos
votar nos candidatos da FU. O comício realizou-se no Salão Oriental, com a presença de
grande massa popular, especialmente do interior do município, bem assim de numerosa
caravana lajeadense. Os visitantes foram saudados pelo famoso advogado Dr. Voltair
Bittencourt Pires.
Com o falecimento súbito de Pontes Filho 37 dias antes das eleições, coube à Frente
Única escolher novo candidato a prefeito municipal. Foi aclamado Edmundo Alfredo Steyer e,
para ocupar seu espaço como candidato a vereador, foi conclamado Guilherme Siepmann,
gerente do Hotel Siepmann, da Vila de Estrela. Atendendo ainda a inelegibilidade de Sílvio
Piccinini, foi substituído por Eugênio Piccinini.
Em clima muito tenso, realizaram-se as eleições no domingo de 17-11-1935. Na edição
seguinte, do dia 23, O Paladino não mencionou a vitória da oposição. Apenas registrou os
números dos eleitores: do total de 3.943 eleitores, houve a abstenção de 886: o que dá 22,4%.
Não noticiou quantos votos foram dados para a FU, nem para o PRL. Não mencionou os nomes
dos novos vereadores, nas edições seguintes, uma falha clamorosa do jornal. O Paladino
prejudicou a própria memória da história de Estrela, com essa omissão. Ainda bem que o jornal
vizinho, A Semana, noticiou alguns fatos sobre Estrela.
Para prefeito, venceu a Frente Única com o total de 1.740 votos, o que representava
57% dos que votaram. Teve o prefeito Edmundo Steyer na Câmara de Vereadores a maioria,
com quatro vereadores.
O PRL obteve o total de 1.220 votos e elegeu três vereadores. A fim de impugnar a
eleição, recorreu à Junta Regional, cf A Semana, de 2-12-1936.
EDMUNDO ALFREDO STEYER
Prefeito eleito
De 4-1-1936 a 10-11-1937
Prefeito nomeado
De 10-11-1937 a 4-1-1940
Originário de família maragata, militante do Partido Libertador, que já tinha perdido
uma eleição para a máquina republicana, a vitória de Edmundo Alfredo Steyer constituía uma
resposta da oposição ao governo situacionsita.
A festa da posse foi no sábado de 4 de janeiro, o que O Paladino, de 11-1-1936
noticiou com a manchete na página 3: A posse do Primeiro Prefeito Constitucional do
Município de Estrela - Presentes grande massa de moradores de todos os recantos do
município, representantes de todas as classes sociais e dos municípios vizinhos, o presidente da
Câmara de Vereadores, Sr. Carlos Mallmann, declarou aberta a sessão, nomeando Dr. Ito J.
Snel secretário ad hoc no impedimento do secretário eleito, Sr. Guilherme Siepmann. Convidou
a seguir para tomarem assento à mesa os Srs. Prefeito Municipal, Cel. José Hauschild Filho,
Delegado de Polícia Tte. Laureano da Rosa Brasil, Cel. José Rodrigues Sobral, Dr. Rosauro
Tavares, Dr. Ernesto Emílio Welke e os Revemos. Vigário Cônego Pedro Hillesheim, Padre
José Junges e Padre Francisco Xavier Zartmann.
Uma comissão composta dos Srs. Cel. José Rodrigues Sobral, Carlos Willy Müller e
Dr. Ito J. Snel foi encarregada de introduzir o prefeito eleito no recinto da reunião.
À sua chegada foi o Sr. Edmundo Alfredo Steyer recebido por uma salva de palmas.
Convidado pelo presidente da Câmara, S. S. proferiu o seguinte compromisso:
"Prometo cumprir e fazer cumprir a lei orgânica que for votada, as leis da União e do
Estado e exercer o meu cargo sob as inspirações do patriotismo, da lealdade e da honra".
Após vários discursos, o novo prefeito proferiu uma bem curta oração que passamos a
transcrever na íntegra: "Exmas. Senhoras. Ilmos. Senhores. Ilmos. Senhores Vereadores.
Agradeço a distinção que me foi conferida pelo Eleitorado do Município de Estrela, pelo
comparecimento dos presentes e aos Senhores Vereadores pela minha posse no cargo de
Prefeito deste Município. Durante a minha administração, terei em mira o progresso desta
comuna, administrando sem cores partidárias, procurando satisfazer o que prometi ao
eleitorado em meu programa vastamente divulgado antes das eleições, governando o município
de acordo com a lei orgânica que for votada.
Ao terminar, o orador foi vivamente ovacionado.
A reportagem d' O Paladino concluiu com a informação de que, lá fora, na praça, foi
feito um discurso em alemão, pelo médico Dr. Welke e, em português, discursou Dr. Rosauro
Tavares. A festa e o churrasco foi no capão Horn. Apesar do violento temporal que sobreveio ao
meio da festa e que afugentou uma parte dos manifestantes, esta prosseguiu em um ambiente de
franca cordialidade até ao anoitecer, tendo falado ainda diversos oradores.
Steyer foi um político equilibrado, sobretudo prudente. A dispensa dos cargos de
confiança causaram, depois, muita polêmica, combatida pelo semanário estrelense.
Logo depois da posse, teve que verificar as contas, contabilizar as dívidas públicas,
rever as receitas e arrumar a Casa. Tentou Steyer dar um cunho empresarial à sua administração.
Afinal, era gerente de sua casa comercial na picada Clara, interior do distrito de Languiru, com
filial em Porto Alegre, atendida pelos filhos.
Seu secretário geral de administração foi Paulo Eugênio Derrear, até 22-6-1937, ao ser
substituído por Jacó Joaquim Reinaldo Müller.
Os partidários do Partido Republicano Liberal continuavam em ação. Aproximava-se a
eleição presidencial. Por ocasião do aniversário do governador Flores da Cunha, em 5-3-1937,
os floristas fundaram o Grêmio Republicano Liberal "General Flores da Cunha". O movimento
político-partidário vinha de cima para baixo, chegando em Estrela tudo montado, com os
estatutos aprovados na assembléia de 12-3-1937 e eleita a diretoria. Dinarte Vasconcelos
explicou os fins da entidade. Augusto Frederico Markus propôs que fosse aclamado presidente
Pompílio Fernandes, delegado de Polícia; Dr. Rodolfo Pierri, vice-presidente; Dinarte
Vasconcelos, secretário; Hélio Mayer, tesoureiro e Antônio Cardoso, orador. Markus propôs
ainda que os demais cargos fossem preenchidos por aclamação. O Paladino, de 13-3-1937,
também traz a nominata, o que deixa perceber tratar-se de uma associação de funcionários
públicos, comprometidos com o governo estadual situacionista, para não perderem seus cargos.
O sistema é, pois, antigo...Talvez, pela primeira vez, estão incluídos nomes femininos, como
Rita Ribeiro de Almeida, secretária do Clube, diretora do Grupo Escolar, e outras.
Para atrair mais sócios para o clube florista, foi instalada uma mesa de pingue-pongue
na sede do Clube, em 27-3-1937, estando presente grande número de excelentíssimas senhoras,
senhoritas e cavalheiros. O orador e advogado Dinarte Vasconcelos, convidou Luci Markus e
Dr. Pompílio Fernandes para jogar a primeira partida - cf O Paladino, de 3-4-1937.
No Brasil a crise política aumentava. Dominada a Intentona Comunista, em 27-11-1935,
Getúlio Vargas decretou o estado de sítio, prorrogado por mais 90 dias, em 24-12-1935. Em 213-1936, decretou o estado de guerra, por 90 dias. Terminando este prazo, em 17-6-1936, foi
autorizada a prorrogação da “ditadura” temporária, preparação psicológica do novo golpe de
Estado que se avizinhava.
Em 3-1-1938, deveria realizar-se o pleito para presidente da República, deputados (4
anos) e metade do Senado (8 anos), segundo a Constituição de 1934. O prazo para qualificação
estava encerrado em 24-10-1937 e a inscrição, em 4-11-1937.
A campanha eleitoral reacendeu paixões e interesses também nos municípios da região,
já no decorrer de 1936. Ainda que no país, estados e municípios houvesse retornado o regime
democrático, era preciso desarmar os ânimos. Em 17-1-1936, foi assinada a Ata da Pacificação
do Rio Grande do Sul, na sala de sessões da Assembléia Legislativa. As lideranças tentavam
encontrar um “modus vivendi” para o exercício da democracia. Já no dia 13 de fevereiro Flores
da Cunha declarava a intenção de renunciar ao Governo do Estado, pois não aceitava o estado
de sítio, nem estado de guerra.
Enquanto isso, a Frente Única exigia o exercício pleno do regime democrático. Em 308-1936, foi lançado o Manifesto da Frente Única Rio Grandense, cujo octólogo foi aceito por
Flores da Cunha, com algumas restrições.
O Partido Republicano Liberal, com a maioria no governo estadual, estava se dividindo.
Lindolfo Collor deixou a Secretaria das Finanças, em 18-10-1936, e liderou a dissidência. Em
Estrela, o ex-delegado de polícia Leopoldo Miraflores, percorreu o município e a região
pregando a dissidência, segundo A Semana, de 30-11-1936. Bruno de Mendonça Lima chegou
a expor o programa avançado do Partido Socialista Nacional. Metade apoiava Getúlio Vargas.
Outra metade apoiava Flores da Cunha.
Através da Aliança Nacional Libertadora - ANL, liderada por Luís Carlos Prestes, os
comunistas pregavam a linha dura de esquerda e queriam o poder pelas armas.
A Ação Integralista Brasileira pregava a linha dura de direita. Chegaram a promover o
“Natal da Criança Pobre”, segundo A Semana de 23-11-1936, publicando a listagem de
doadores, seus donativos e dinheiro, num total de 500$000. Sua expressão política nas urnas era
muito fraca. Nas eleições para prefeito, em Estrela, os integralistas obtiveram apenas 40 votos
nas urnas, dos quais 23 nas duas seções de Corvo e 12 sufrágios nas 7 seções da vila de Estrela.
Em 18-8-1936, foi preso o chefe municipal da AIB em Estrela, o que repercutiu na esfera
estadual.
Uma das primeiras e mais importante das conseqüências foi a aproximação da
Dissidência Liberal com a Frente Única. O mês de maio de 1937 foi decisivo. No dia 10, o
Partido Republicano Liberal (florista) manifestou apoio público à candidatura de Armando
Sales de Oliveira à presidência da República. No dia 22, Plínio Salgado é lançado à mesma
candidatura pela AIB. No dia 27, a Frente Única e Dissidência Liberal (getulista) deu apoio à
candidatura José Américo de Almeida para novo presidente da República. Todos os
acontecimentos repercutiam em Estrela e na região. Enquanto Getúlio Vargas governava em
estado de sítio e estado de guerra, Flores da Cunha organizava Corpos Provisórios armados pelo
Norte do Estado, com a finalidade de construir estradas. Essa era a denúncia da oposição, feita
ainda em 30-9-1936.
Na verdade, foi organizado o Batalhão Rodoviário, que construiu a estrada que liga a
Capital ao Cristal. De 1933 a 1937, dois Batalhões Ferroviários, da Brigada Militar construíram
a Estrada de Ferro Severino Ribeiro e a da Capital à Belém Novo. O prefeito E. Alfredo Steyer
tomou conhecimento desses fatos porque não recebia auxílio do Estado: as finanças estavam
literalmente quebradas. A dívida interna, em 1930, era de 5 mil e 663 contos de réis. Em 1936,
estava em torno de 200 mil contos de réis, sem que Flores da Cunha tivesse feito muitas obras.
Estrela praticamente nada tinha recebido de retorno pelos impostos arrecadados. Flores da
Cunha ajudava seus amigos com aposentadorias ilegais. Afastava do serviço ativo, com
pesados ônus para o Estado, os homens pouco dóceis ao mandonismo imperante. E mais, os
inativos, que em 1930 absorviam apenas 2.000 contos, hoje exigem uma verba superior a 8.000
. Da renda dos impostos cerca de 80% se despendem somente com o pessoal contos... segundo
o Manifesto da Dissidência Liberal, publicado n’ A Semana, de 28-6-1937.
Os acontecimentos políticos se precipitavam inexoravelmente para o fim da democracia.
Enquanto o general Eurico Gaspar Dutra apresentava a Flores da Cunha a relação do material
bélico que devia devolver ao Exército, em 2 de agosto, Daltro Filho assumia o comando da III
Região Militar, em 17 de agosto. Aparentando neutralidade, Getúlio Vargas não se empolgava
com eleições, não apoiava oficialmente alguma candidatura, mas em 7 de setembro chegou a se
despedir do povo como Presidente da República. Foi uma palhaçada, pois 11 dias depois,
propôs a Eurico Gaspar Dutra a preparação de um golpe de Estado. No dia 28, Góis Monteiro
ainda negou a veracidade dos boatos e no dia 30 é divulgado o Plano Cohen, projeto falso que
cria um clima favorável à opinião pública para o golpe de Estado. Assim, fica fácil a Câmara
dos Deputados aprovar, em 1º de outubro, a mensagem do Executivo que pede a decretação de
um novo estado de guerra, aprovado pelo Senado e assinado por Getúlio Vargas, no dia
seguinte. Retornou o país a mais um estado de exceção, o que João Neves denunciou na Câmara
Federal, criticando a possibilidade de um 3º mandato presidencial de Getúlio Vargas.
Perseguindo esse roteiro, Getúlio exonerou por decreto o comandante da Brigada
Militar e a federalizou no dia 14, entregando o comando ao general Daltro Filho. Sem soldados
para guerrear, Flores da Cunha renunciou ao cargo de governador no dia 17, exilando-se no
Uruguai, em Rivera, bem na divisa com o Brasil... No dia seguinte, o general Manuel de
Cerqueira Daltro Filho é nomeado interventor do Rio Grande do Sul e supremo comandante da
3ª Região Militar. Mas, talvez por mera coincidência, faleceu exatamente três meses depois.
Com rapidez, pois, se precipitavam os fatos, culminando com o golpe de Estado.
É curiosa demais a notícia que se lê no próprio Diário Oficial, de 10-11-1937, na
véspera desse golpe. O fotógrafo Manuel Flores havia inventado uma máquina de votar.
Segundo a sessão da Assembléia Legislativa, pela Lei 48, art. 13, s, competia ao Tribunal
Superior regular o uso de máquinas de votar... Certamente não se tratava de urna eletrônica...
Na verdade, não podendo mais fazer uso da velha “máquina” de fraudar eleições, o governo
temia enfrentar as urnas da democracia. Preferiu regressar à ditadura. Finalmente, em 10-111937 foi dado o golpe e instaurado o Estado Novo. Voltava o Brasil à plena ditadura. Em 18-111937, fechou o jornal Diário Oficial, surgindo em seu lugar o Jornal do Estado, cuja edição de
23-11-1937 publicava a extinção da Justiça Eleitoral, desnecessária num regime totalitário. O
Brasil adotava o modismo em alta na Alemanha, Itália, Espanha, URSS...
Imperava a censura nas correspondências e na imprensa. O Paladino, em sua edição
natalina de 1937, publicou na página de capa, em manchetes garrafais: Os Partidos Políticos e
os Males Nacionais. Era um Especial para O Paladino, assinado por Caetano Rossi Berlese.
Quem terá sido ele? Perambulou em Estrela, por alguns dias. Berlese escreveu que os partidos
políticos foram os culpados da situação criada no país. Não podíamos continuar como até
ontem, quando todos mandavam e opinavam, sem proveito real para o progresso do Brasil.
Estava estabelecida a balbúrdia na família brasileira. A política, responsável pelo atraso em
que esteve mergulhado o País longos anos, devia ser destruída, na sua modalidade em
agremiações. Por isso, o totalitarismo e a ditadura do Estado Novo não sabiam conviver com
agremiações e partidos políticos, isto é, com a democracia, e por isso, em 2-12-1937, dissolveu
todos os partidos políticos, cujo decreto-lei O Paladino publicou na íntegra, na edição de 11-121937.
Nesta mesma edição, voltou Berlese a doutrinar os estrelenses para propagar o Estado
Novo, como lei da evolução que tudo leva de roldão. E mais. Operam-se assim verdadeiros
milagres de ordem política, como acaba de suceder ao nosso amado país, que, em quase 50
anos de República, não realizou o que, em menos de um mês, o fez. Foi preciso a etapa
preliminar compreendida na revolução de 30. Sem ela, o Brasil não suportaria o Estado Novo,
sem uma reação conseqüente do seu progresso. Agora, como um sinal, providencial, eis nos na
Terceira República. Sobre Getúlio Vargas, o imortal Chefe Nacional, escreveu que é esse o
homem feito para o seu tempo. Ponderado e refletido, culto, tolerante, magnânimo e honrado.
Homem cuja mentalidade multiforme exprime todas as facetas do caráter do povo brasileiro.
Única qualidade que o teria possibilitado a realizar a monumental, ciclópica obra da Terceira
República, o Estado Novo.
O Serviço de Divulgação da Polícia do Rio mandou para a Prefeitura desta cidade
magnífico retrato oficial, de grande formato, do Senhor Presidente da República - cf O
Paladino, de 2-4-1938. A confecção e distribuição desses "retratos oficiais, de grande formato"
para todas as prefeituras do Brasil, e de formato menor, para as repartições públicas, deve ter
custado uma fortuna, cujas cifras se desconhecem. Mas, o objetivo foi cultivar o personalismo,
isto é, concentrar o prestígio do Chefe da Nação, a exemplo de outros países totalitários.
Sete anos depois da Revolução de 1930, com mais um "canetaço" Getúlio Vargas
cassava todos os mandatos eletivos dos senadores, deputados federais e estaduais, governadores,
prefeitos e vereadores: também os 7 vereadores e o prefeito tiveram seus mandatos cassados.
Edmundo Alfredo Steyer, a partir de 10-11-1937, permaneceu à testa do governo municipal,
com o caráter de prefeito nomeado.
Durante o seu governo é que se fabricaram caminhões de carga cada vez mais potentes,
velozes e pesados. Como as carretas pesadas continuassem a trafegar as mesmas estradas, em
dias de chuva provocavam traiçoeiros atoladores, o terror para os motoristas. A colocação de
cascalhos junto às rodas, facilitavam sua saída dos “tatus”, o que inspirou o prefeito Steyer a
encascalhar as estradas racionalmente. A primeira estrada foi de Estrela até picada Geraldo,
rumo a Poço das Antas, visando a possibilitar a saída do município em veículo automotor
mesmo em tempos de enchente, segundo Lothar Hessel em seu Município de Estrela, p. 61.
Como nas demais sedes municipais, em virtude do Decreto n.º 7.199, de 31-3-1938,
entre os grandes acontecimentos deve ser mencionada a elevação de Estrela à categoria de
cidade. A solenidade da instalação ocorreu em 1-1-1939.
No mesmo ano de 1939 Estrela teve melhorado o serviço de fornecimento de energia
elétrica. Depois de três anos de reforma, foi inaugurada a nova usina termelétrica.
Marcante foi a visita a Estrela do interventor federal Osvaldo Cordeiro de Farias, nos
dias 19 e 20-7-1939. Depois de visitar, desde o dia 15, Lajeado, Arroio do Meio, Encantado
(Muçum?), foi recepcionado em Roca Sales, no dia 19, de manhã, saudado pelo Dr. José de
Abreu Conceição. O interventor respondeu dizendo que jamais vira, em todo o Brasil, um
distrito rural tão adiantado. Às 13h30min a caravana se dirigiu para Estrela. Desde o Costão foi
o carro oficial ladeado por uma coluna de motociclistas. Cerca de uma hora antes, os colegiais
desta cidade e do interior do município já haviam tomado posição na rua Tiradentes, em toda a
sua extensão, e, por esta ala formada pela juventude de Estrela, S. Excia. dava entrada na
cidade. De toda a programação, com fartos discursos, jantar-banquete, "Polonaise" marcada por
Cordeiro de Farias no baile, visitas às indústrias, o fato marcante foi o lançamento da pedra
fundamental do Grupo Escolar, hoje prédio da Escola Estadual de 2º Grau de Estrela, na Rua
Coronel Müssnich, n.º 702. Embora previsto para o dia 20, às 8h30min, na reportagem O
Paladino, de 22-7-1939, não faz referência à inauguração de uma Usina Suplementar. Ao que
parece, trata-se da firma Alberto Fett & Cia. Ltda., destinada ao fornecimento de mais energia
elétrica para a própria fábrica.
Como pela Constituição não havia sido eleito um vice-prefeito, em caso impedimento
deste, devia a Câmara votar seu substituto, um novo prefeito, como ocorreu em Arroio do Meio,
onde o prefeito eleito, Dr. Walmor Franke, havia renunciado, em junho de 1937, nomeado
subprocurador interino da Fazenda do Estado do RS, sendo eleito pelos vereadores seu próprio
presidente do legislativo municipal, Gustavo Wienandts, como novo prefeito.
No fim do ano, Steyer renunciou. A data exata não se sabe. Talvez ao terminar seu
mandato eleitoral.
JOÃO SABINO MENA BARRETO
Prefeito nomeado
De 4-1-1940 a 31-7-1941
A data de posse é desconhecida. Pouco se sabe de sua administração.
Com o aumento da cidade, maior era o consumo de água reclamada pela população. Por
isso, novo reservatório de água foi construído em 1941, composto de um depósito de cimento
armado, com capacidade para 50.000 litros.
Regulamentou a abertura e fechamento do Comércio e Barbearias em Estrela, através do
Decreto nº 39, de 30-5-1940. A abertura pela manhã era facultativa, fechando às 12h, e, no
verão, reabrindo às 14h e encerrando as portas às 20h, e, no inverno, das 13h30min às 19h. As
barbearias podiam atender até às 21h, nos dias de semana, e até às 23h, nos sábados. Nos
domingos, as portas deviam permanecer fechadas. O Decreto n.º 40, de 19-9-1940, estabelecia
o horário de verão, de 1º de outubro a 31 de março. Qualquer infração dava uma multa de
50$000 a 1:000$000.
Enfrentou dificuldades na interpretação de diversas leis relacionadas aos limites de
Estrela com municípios vizinhos. Depois de longos estudos, assinou o Decreto n.º 42, de 27-121940, fixando os limites intermunicipais, interdistritais do Município e delimita as áreas
urbanas da Cidade e Sedes Distritais.
Sob seu governo intensificou-se a campanha nacionalista em Estrela Não era nada fácil
para o povo de Estrela falar o português, com tanta rapidez. Talvez tenha Mena Barreto também
acumulado as funções de delegado de polícia. Faltam-nos documentos desse período.
Foi o primeiro prefeito a dar apoio total ao Aero Clube do Alto Taquari - ACAT,
fundado em 13-7-1940, no salão de festas do Clube Ginástico Estrela, hoje SOGES.
DR. CLÁUDIO DE TOLEDO MÉRCIO
Prefeito nomeado
De 31-07-1941 a 02-09-1943
Dentre os prefeitos nomeados de Estrela, foi talvez a administração mais dinâmica. Sem
Câmara de Vereadores, teve a ocasião de realizar uma administração racional, de ação rápida.
Na ausência de mais dados no Arquivo Municipal, entre as primeiras e mais importantes
decisões do prefeito Mércio, destacamos o Decreto n.º 12, assinado em 29-12-1941, pelo
subprefeito João Pereira, que autorizava a aquisição das terras necessárias e destinadas ao
Aeroporto do Alto Taquari. O Decreto nº 6, assinado em 19-9-1942, autorizava a construção do
Aeroporto Municipal, em terras de sua propriedade, situadas na Boa Vista, imediações desta
cidade. Para atender a despesa decorrente da presente autorização, fica aberto o crédito
especial de Rs. - 20:000$000 (vinte contos de réis), que será coberto pelo saldo disponível do
exercício anterior
O seu primeiro aniversário de governo foi festejado com o reaparecimento do jornal A
Semana, em 31-7-1942, com 16 páginas. Além de manchetes garrafais na capa, toda a página
dois traz as maquetas de suas obras: Vila Operária - Abrigo na Praça - Praça de Roca Sales Biblioteca - Belvedere e escadaria - Praça de Corvo - Calçamento - Caixa d' água - Usina Praça de Teutônia - Avenida - Praça de Esportes - Campo de tênis e basquete - Subprefeitura de
Ouro Branco - Patronato Agrícola de Teutônia e Aeroporto Municipal.
Empossado, sua primeira providência foi solucionar problemas advindos de chuvas e
enchente, ocorrida uns dias antes da posse. Três meses depois, outra enchente causou grandes
danos àquele município, destruindo ambas quase a totalidade das obras de arte, estragando
estradas, danificando tudo e acarretando para os cofres públicos despesas incomuns - cf A
Semana, de 11-9-1943, onde consta suas principais obras aqui relacionadas.
Contava somente com recursos orçamentários. A guerra (mundial), a falta conseqüente
de gasolina, as duas tremendas secas e finalmente a sabotagem de um ou dois politiqueiros,
sem escrúpulos que tentaram converter Estrela, inutilmente, num campo fértil às suas
ambições, não constituíram obstáculos à admirável obra administrativa do Dr. Cláudio de
Toledo Mércio. Os elogios do jornal podem ser suspeitos, pois A Semana pertencia a N. M
Mércio, sendo seu irmão Dr. Bayard diretor-gerente. O nome ou nomes dos politiqueiros não
são mencionados.
Na área da saúde, dotou o Posto de Higiene de uma cozinha dietética, dando a ela um
autoclave; prestou grande assistência à maternidade e à infância, sendo chamado pai da
pobreza de Estrela, que Até hoje chora a sua saída.
Fundou o Patronato Agrícola em Teutônia,, obra de notável valor social, que abriga
hoje mais de trinta crianças que antes viviam abandonadas, dando a essas crianças instrução e
tudo o que necessitam. Nos dias 16 e 17-3-1943 realizou concurso público para preenchimento
de cargos de professores municipais, obrigatório para quem ainda não tinha feito. Havia provas
escrita e oral, perante uma banca.
Entre as obras públicas de maior destaque mencionaremos primeiro o Aeroporto que aí
está para receber aviões de todas as partes, dando ao Brasil mais uma defesa.
Construiu uma caixa d' água com capacidade para 250.000 litros a fim de que no verão
não falte água à população, colocando no local um compressor para tirar maior rendimento do
poço.
Construiu uma bela praça de esportes, dotada dos mais variados aparelho para recreio
das crianças de Estrela.
Mandou construir um belíssimo muro frente ao Grupo Escolar Vidal de Negreiros,
artisticamente feito de pedra grés.
Como "cartão de visita de Estrela, construiu esse magnífico edifício que a família
estrelense denominou Edifício Cláudio Mércio, como homenagem a quem o fizera, e que serve
de local para a Estação Rodoviária, e onde se acha instaladas as sedes das Associações
Comercial e Rural. Mais tarde, foi instalado um bar, a Rádio Alto Taquari. Por último, foi
demolido, retornando o espaço à praça Mena Barreto.
Cita o jornal o embelezamento da praça, com passeios amplos de mosaicos, com
calçamento de paralelepípedos, com iluminação subterrânea, com belos jardins. Também
iniciou o calçamento da cidade a paralelepípedos, com a íntima colaboração dos proprietários,
calçando além da avenida mais quase dois mil metros quadrados de calçamento nas ruas
Coronel Flores, Júlio de Castilhos e Fernando Abbott. Além disso, foram alargados grande
número de passeios, construídos cordões e feita a colocação de lajes novas ou mosaicos...
Citou a reforma da rede de iluminação das ruas calçadas e mais de parte da rua
Floriano Peixoto, onde foram colocadas cúpulas no meio da rua, retirados os postes e colocada
a rede por sobre os prédios. Duplicou a potência da Usina Hidroelétrica, comprando um
gerador por 45.000 cruzeiros. Reconstruiu a barragem da Usina 1, destruída pela enchente de
1941. Mencionou a reforma na rua Coronel Müssnich, para servir o Grupo Escolar , em grande
escala de aterros e escavações
Atendeu também o interior. Construiu o prédio de dois pavimentos para a Subprefeitura,
Centro Telefônico e residência do subprefeito de Ouro Branco, hoje Languiru.. Construiu a
praça de Roca Sales, sem terminá-la, e reformou o seu Centro Telefônico.
Foi seu substituto eventual João Pereira, subprefeito do 1º distrito. Assinava na
qualidade de Responsável pelo Expediente os documentos, como o Decreto n. 12, de 29-121941. Acumulou as funções de subdelegado, e, por algum tempo, de delegado de Polícia.
Mércio, ao que parece, mexeu com Estrela. No dia em que Dr. Cláudio deixou a
Prefeitura, dizia-nos um amigo, o povo de Estrela apareceu na rua com cara de enterro.
Porque, como o Dr. Cláudio... só daqui a cem anos! - termina a reportagem d' A Semana, de
11-9-1943.
ACILINO PAULETTI
Prefeito nomeado
De 4-9-1943 a 7-7-1945
Não se conhece o paradeiro dos documentos e relatórios das principais realizações deste
período discricionário da vida municipal de Estrela. Nem jornais da região chegaram aos nossos
dias. Acelino Pauletti era tratado por "doutor" pelos funcionários, por ser economista e técnico
do Departamento das Prefeituras Municipais, graduado funcionário da Secretaria do Interior cf A Semana, de 18-9-1943. Nomeado em 2-9-1943, tomou posse no cargo, dois dias depois, às
15h, com a presença de crescido número de pessoas.
O primeiro reservatório de água foi inaugurado em 10-11-1944, com capacidade de
500.000 litros de água. Como nas demais cidades, a solenidade da inauguração de um serviço
público revestiu-se de caráter político. Acelino Pauletti cumpria ordens para aproveitar a
ocasião a fim de enaltecer o governo de Getúlio Vargas, comemorando o aniversário do atual
regime brasileiro (o golpe que implantava a ditadura). Durante o seu governo muitas famílias
foram molestadas pelo poder policial por serem de origem germânica e não terem aprendido
português nas escolas, por incúria do próprio governo.
A grande notícia no seu governo foi o fim da II Guerra Mundial, em 8-5-1945. Com a
derrocada das potências ditatoriais do nazismo e fascismo, um sopro muito forte de democracia
veio direto do governo norte-americano sobre a ditadura de Getúlio Vargas.
Dois partidos políticos foram criados pelo governo: O Partido Trabalhista Brasileiro PTB e o Partido Social Democrático - PSD.
Para aglutinar a classe trabalhadora, grandemente beneficiada pelas novas leis
trabalhistas, Getúlio Vargas fundou o Partido Trabalhista Brasileiro. Não se sabe onde estão os
arquivos particulares do Diretório Municipal do PTB em Estrela, para resgatar data de fundação,
suas lideranças e decisões. Tudo deve ter iniciado, talvez, já em fins de maio de 1945.
Para aglutinar as classes conservadoras, Getúlio Vargas incentivou a fundação do
Partido Social Democrático. Os dois partidos preconizavam o "social", nascendo no mesmo
bolso do colete, para que facilmente se unissem em nível federal, elegendo seu sucessor, como
de fato aconteceu com a eleição, no ano seguinte.
O diretório Municipal do PSD em Estrela foi fundado em 10-6- 1945, por 19 membros,
na Agência Ford, desta cidade de Estrela, e tendo em mente o movimento político atual,
resolveram estabelecer demarches no sentido da organização imediata do Diretório do Partido
Social Democrático cf livro de Atas do PSD, presidida por Antônio Cardoso. Cinco dias depois,
no Abrigo Municipal, houve a Segunda reunião, para tratar da constituição definitiva do
Diretório do PSD. Estiveram presentes Tarso Dutra e Paulo Dutra, representantes do PSD
estadual e Dr. Acelino Pauletti, Prefeito Municipal. Assinaram esta ata 76 pessoas. Nesta
reunião estava sendo comunicada a despedida de Acelino Pauletti do governo municipal, cuja
ação de intervenção, desenvolvida, aliás a contento geral, neste município, e terminou pedindo
que com uma prolongada e merecida salva de palmas, o povo estrelense aqui representado,
manifestasse uma verdadeira quitação ao brilhante governo do Dr. Acelino Pauletti, neste
município. Encerrada a oração do Dr. Tarso Dutra, a Assembléia correspondeu com uma
vibrante salva de palmas, as suas últimas palavras.
AUGUSTO FREDERICO MARKUS
Prefeito nomeado
De 14-07-1945 a 19-11-1945
Conforme a Ata n. 3 do Partido Social Democrático, de 20-6-1945, em face do pedido
de exoneração formulada pelo Dr. Acelino Pauletti como prefeito municipal, as lideranças do
PSD já tinham preparado o seu sucessor. Entrando-se a tratar deste assunto, o Cel. Augusto
Markus, que pedira prazo para resolver se deveria ou não aceitar sua indicação na reunião
realizada com a presença do Dr. Tarso Dutra, informou que, uma vez que todos se
manifestavam desejosos de que ele se definisse afirmativamente, e como via que contaria com
solidariedade valiosa de seus companheiros, dava o seu assentimento. Esta deliberação foi
recebida com satisfação por todos. Em 6-7-1945 foi comunicada ao secretário geral do
Diretório Central do PSD, oficialmente, a indicação do nome de Augusto Frederico Markus
para ser nomeado novamente prefeito. A nomeação e posse foi imediata, embora não se tenha a
data certa, pois não foi encontrado o livro de posse dos prefeitos.
A reunião seguinte foi em 14-8-1945, para tratar da organização dos Subdiretórios
Distritais do nosso Partido, a fim de intensificar-se a qualificação eleitoral. Certamente, as
lideranças de Estrela nem imaginavam o que estava acontecendo a nível federal, culminado com
a queda da ditadura, dois meses depois.
Se com Augusto Frederico Markus terminou o período da República Velha e iniciou a
Era Vargas, com Markus também termina esse período, com a restauração da democracia. Suas
realizações à testa do governo municipal também sumiram do Arquivo Municipal.
DR LUÍS AMADO DE FIGUEIREDO
Prefeito nomeado
De 19-11-1945 a 17-12-1945
Com a derrubada do presidente Getúlio Vargas, em 29-10-1945, ruiu o Estado Novo,
assumindo a presidência da República o ministro José Linhares, presidente do Supremo
Tribunal Federal, que vinha também presidindo o Tribunal Superior Eleitoral. Por esse motivo,
o tenente coronel Ernesto Dorneles, interventor federal do RS, também foi deposto, assumindo o
desembargador Samuel Figueiredo da Silva, presidente do Tribunal de Apelação do Estado, em
1-11-1945.
O Poder Judiciário assumiu as funções de chefe do poder executivo de forma
excepcional, apenas para desmontar a máquina da ditadura e garantir a lisura das eleições,
marcadas para 2-12-1945. Também nos municípios os prefeitos municipais foram substituídos
pelos juizes de Comarca. Assim, assumiu em Estrela Dr. Luís Amado de Figueiredo, como
prefeito nomeado provisório, apenas para dar garantia à realização do pleito na área de
jurisdição da Comarca de Estrela. Iniciava-se no Brasil o Período Democrático, mais conhecido
por Período Populista.
Nada há registrado sobre a saída do juiz de direito da Prefeitura. Provavelmente
renunciou ao cargo depois de ter certeza estar a administração nas mãos de um técnico honesto e
capaz.
ACILINO PAULETTI
Prefeito nomeado
De 17-12-1945 a 1-3-1946
Voltou o Departamento das Prefeituras Municipais a ceder Dr. Acelino Pauletti para as
funções de prefeito de Estrela. Quase não há registros de sua Segunda passagem pela prefeitura
de Estrela. Pelo decreto de 21-12-1945, nomeou Augusto Driemeyer para exercer as funções de
subprefeito de Roca Sales, percebendo os vencimentos consignados em lei. O documento foi
registrado no livro competente a fl. 29 e publicado pelo secretário José Moesch.
Ao que parece, foi meramente transitório. Infelizmente, o próprio diretório municipal do
Partido Social Democrático deixou de se reunir, ou, pelo menos, deixou de registrar em atas
suas reuniões. O Livro de Atas reabre seus registros com a Ata da Convenção Municipal de 36-1947. Nesse meio tempo, Pauletti já tinha retornado às suas funções e entregou nas mãos do
coronel Markus as rédeas do governo. Presumo que a data seja 23 de março, já que a partir de
então o filho, Edmundo Markus, assina os registros no Cartório.
AUGUSTO FREDERICO MARKUS
Prefeito nomeado
De 1-3-1946 a 9-12-1947
Onde terão ficado os relatórios e documentos desse período ainda um tanto obscuro da
história de Estrela?
Junto a seus familiares não foram encontrados relatórios de sua administração. De
Taquari, a professora Edith Genehr Markus nos enviou alguns dados biográficos, com algumas
informações de sua administração:
Mesmo realizando obras de saneamento, abrindo ruas e estradas, melhorando o
sistema de eletrificação, construindo escolas, Augusto Frederico sempre conseguiu equilibrar
as finanças do Município, tornando Estrela uma comuna organizada e conceituada junto aos
Órgãos Governamentais.
Mais adiante, Edith destaca outros pontos administrativos: Igualmente, batalhou pelo
aproveitamento e a industrialização do leite em todo o município e a comercialização dos
produtos coloniais.
Na educação foi um incentivador na criação e expansão das escolas particulares de
nosso município, tanto na área do ensino primário como no secundário, pois deu sua parcela
de incentivo, trabalhando e colaborando na instalação da Escola Agrícola de Teutônia e o
Colégio Martin Luther da sede.
Estrela se desenvolvia sob o governo federal do presidente general Eurico Gaspar Dutra,
guiado por uma nova Constituição, promulgada em 18-9-1946. Sob essa luz, deu-se a eleição
democrática no Estado em 19-1-1947, eleito Dr. Valter Só Jobim, empossado em 26-3-1947. O
presidente da Assembléia Legislativa constituinte foi Dr. Edgar Luís Schneider.
O novo governador Valter Jobim era muito amigo de Estrela, homenageado com o
nome do Estádio do Estrela Futebol Clube. Foi nesse clima de retorno à plena democracia que
Augusto Frederico Markus exerceu a sua última gestão administrativa no município.
OSCAR LEOPOLDO KASPER
Prefeito eleito
De 9-12-1947 a 31-12-1951
A melhor fonte de informações do exercício da democracia encontramos nos livros de
atas das reuniões e convenções dos partidos políticos. No resgate desse período da
redemocratização, percebe-se que, em vários pontos, o lado vulnerável da democracia ainda
hoje está em vigor. Se o leitor pensa que o exercício da democracia acontece apenas no dia das
eleições, está equivocado. Inicia antes. Consiste na participação efetiva dos membros na ação
partidária, especialmente nas convenções municipais quando são escolhidos os candidatos aos
cargos eletivos. A nível municipal, onde estarão os livros de atas de partidos políticos atuantes
em Estrela?
Prevendo a derrubada da ditadura, Getúlio Vargas fundou o Partido Social Democrático
- PSD, aglutinando as forças conservadoras. A seguir, para arrebanhar também as forças
trabalhistas na formação de coligações, fundou o Partido Trabalhista Brasileiro - PTB, em 15-51945. Já em 2-12-1945, também os estrelense foram às urnas. Foi eleito para presidente da
República o Gen. Eurico Gaspar Dutra, pela coligação getulista do PSD e PTB
Na mesma data da eleição para prefeito e vereador, sob o governo do Estado o
interventor Pompílio Cilon Fernandes da Rosa, em 19-1-1947, realizaram-se também as eleições
para governador do Estado, com três candidatos: Décio Martins Costa, pelo PL, com 18,90%;
Alberto Pasqualini, pelo PTB, com 37,64% e o eleito Walter Jobim, pelo PSD, com 41,23% (ou
seja, 229.129 votos), empossado em 26-3-1947. Para o Senado foi eleito Joaquim Pedro Salgado
Filho. Os estrelenses também elegeram os membros da Assembléia Legislativa, com os
seguintes partidos e número de cadeiras: PTB 23; PSD 16; PL 5; UDN 4; PRP 4 e PCB 4 (logo
depois extinto).
Na Ata de reunião extraordinária do Conselho Consultivo do Partido Social
Democrático, realizada em 15-9-1947, em Estrela, no salão do Abrigo Municipal foi elaborada
a chapa para as eleições municipais. Vendo o presidente do PSD, José Alfredo Artur Buchmann,
que um grupo já havia preparado para a reunião uma chapa, com a indicação de nomes,
renunciou ao cargo de presidente, assumindo o vice-presidente Osvaldo Arenhart, efetivado no
cargo. A nominata foi tirado do bolso do colete, como ainda hoje... Foram submetidos à
aprovação do plenário os nomes dos candidatos do Partido às próximas eleições municipais,
sendo para prefeito o Sr. Oscar L. Kasper; para vice-prefeito, o Sr. Augusto Driemeyer,
nominata que transcrevemos no capítulo do Poder Legislativo. Apenas 29 pessoas estavam na
convenção. Eles decidiram tudo. Consta na ata a informação que o Partido de Representação
Popular deu o apoio às candidaturas de Kasper e Driemeyer.
Oscar Leopoldo Kasper foi indicado pelo Partido Social Democrático para candidato à
chefia do governo municipal. Apresentou-se ao eleitorado, condensando as necessidades de
Estre1a em três pontos essenciais, como base de sua ação administrativa: Ensino - Estradas Energia elétrica. Eleito em 15-11-1947, obteve 3.673 votos, derrotando J. Artur Buchmann e
Adão Henrique Fett, com 2.572 votos. Assumiu o governo em 9-12-1947.
Em seu livro O Alto Taquari, editado em 1951, na p. 38, João O. Belo destaca alguns
aspectos de sua administração, reconhecendo-a como uma das mais eficientes, senão a melhor,
que Estrela tem possuído.
Não pretendemos diminuir os méritos de seus antecessores, somos os primeiros a
exaltá-1os; foram homens cheios de boa vontade, de dedicação e de dinamismo; dentro das
possibilidades da época em que governaram, muito fizeram; se mais não puderam realizar em
beneficio do município que governavam é porque havia influência de fatores outros, que não a
ausência de esforços e de vontade de trabalhar e proporcionar ao município medidas salutares
e necessárias, de impulsionar o progresso de Estrela, através de todos os setores da atividade
administrativa. Em tempos passados, competia ao administrador, em primeiro lugar, tomar
parte no jogo pernicioso da política partidária e extremamente facciosa; deixasse as
preocupações de ordem administrativa, deixasse os interesses do município para plano
secundário, pois ele é o próprio município exclusivamente da benevolência dos administradores
centrais. Ao povo cabia ratificar as escolhas e as indicações dos governos das capitais. E a
zona colonial ainda tímida, sem maior expressão eleitoral, não sabia fazer sentir as suas
necessidades com a intensidade merecida. Hoje esta região já possui força própria em todos os
sentidos; os governos a conhecem, consideram e temem nos prélios eleitorais, razão porque
procuram atender aos seus reclamos, através da colaboração que prestam a administração
municipal; esta, portanto,(já livre, em parte, das relações da política) deve possuir pessoas
escolhidas dentro de um critério em que sejam levadas em consideração as qualidades
realizadoras, a operosidade, o conhecimento das necessidades do município.
Nesse sentido, a escolha do senhor Oscar Leopoldo Kasper foi das mais felizes e a
administração o comprova: Foi uma das que mais decisivamente concorreram para colocar
Estrela em seu atual nível de progresso.
Sob seu governo, foram vivamente festejados os 75 anos de Município. A Exposição de
Estrela constitui magnífica amostra das realizações do município foi a manchete em duas
linhas, de página inteira, do Jornal do Dia, de 27-5-1951. Os presidentes de Honra da Direção
Geral dos Festejos foram: Cel. Ernesto Dorneles, governador do Estado, e Cel. Oscar Leopoldo
Kasper, prefeito. Integravam a Comissão Central: presidente, Dr. Lauro Reinaldo Müller; vicepresidente, Dr. José Cachapuz Medeiros; secretário geral e presidente da Comissão de
Alojamento e Alimentação, Dr. José Moesch; 1º secretário, Helmuth Mallmann; tesoureiro e
presidente da Comissão de Medalhas, Pércio Armando Mallmann. Presidentes das demais
comissões: Namur Nery, do Préstito de Gala e Bailes; João Weiler Klein, da Ornamentação de
Ruas; Dr. Ito João Snel, dos Festejos Escolares; Bertoldo Gausmann, de Futebol; Wendelino
Dewes, da Orquestra Sinfônica e Escola Orfeônica; Antônio Cardoso, da Exposição e orador;
Odilon Porto, do Churrasco; Cel. André Marcolino Mallmann, do Obelisco. Os colaboradores e
entidades envolvidas ultrapassavam duas dezenas. A Exposição Agropecuária se deu no Ginásio
Cristo Rei.
Na edição especial do Jubileu Diamante Estrela - 1876 - 20 de Maio - 1951, pp. 7 e
8, há tópicos de sua administração.
Na área do ensino, preencheu o cargo de orientadora do ensino municipal. Foram
criadas 7 novas escolas, melhorando-se as 21 já existentes. Foram majoradas as subvenções
municipais às escolas particulares. Realizou 3 concursos para preenchimento de cargos de
professores municipais. Sob seu governo foi oficializado o Ginásio Santo Antônio. Destinou o
auxílio de Cr$ 150.000,00, ao Ginásio Cristo Rei e à Sociedade Educacional Evangélica, em
organização, além de contribuir na terraplenagem de seus espaços para construções.
Ao entrar no governo, Estrela tinha dois velhos cargueiros para as estradas. No início,
despendeu Cr$ 900.000,00 para montar um Parque de Máquinas. Na área de obras, adquiriu
uma motoniveladora-transporte, a fim de conservar as estradas já existentes e rasgar novos
trilhos de escoamento da produção e artérias vitais para o desenvolvimento de novas
indústrias. Deu preferência ao interior: Picada Catarina, Linha Schmitt, Almirante Barroso,
Campinhos, Picada Geraldo... Deu atenção especial à continuação do calçamento da cidade,
colocando 4.800m² com pedras regulares.
Em 1948 instalou nova turbina de 130 H. P. melhorando-se uma das usinas
hidroelétricas. Instalaram-se 6 novos transformadores. Ampliou em 5 km a rede elétrica.. Para
coroar isto tudo, foi adquirido um grupo Diesel-Elétrico de 500 h com gerador e material
elétrico, na Suíça.
Melhorou o abastecimento de água, adquirindo um novo compressor, ao mesmo tempo
em que uma Segunda rede de recalque era construída. Revestimento e funcionamento do 2º
poço artesiano, adquirido da viúva Luís I. Müssnich.
Reformou a rede telefônica, construindo-se nova rede para Picada Geraldo e BeijaFlor. Reconstrução da rede da cidade. Construídas linhas novas a Bom Retiro do Sul e linha
Glória.
Quanto à assistência médico-social, criou o cargo de médico da municipalidade para
atender aos indigentes do município. O serviço de ambulatório e clínico-cirúrgica atendeu
grande número de beneficiados.
Na medida das possibilidades financeiras do município, as metas do ensino, estradas e
energia elétrica foram atendidas.
AUGUSTO DRIEMEYER
Vice-prefeito eleito
Não se encontram registros da atuação de Augusto Driemeyer, em exercício como
prefeito.
O processo eleitoral para a sucessão municipal iniciou depois das férias de 1951. A
oposição estava crescendo: Talvez o contágio do movimento "queremista", levando Getúlio
Vargas novamente ao Catete, em 3-10-1950, influenciasse a nível municipal. Nas mesmas
eleições, para o governo do estado houve os seguintes resultados: Bruno de Mendonça Lima,
pelo PSB, com 0,11%; Edgar Luiz Schneider, pelo PL, com 11,23%; Cilon Rosa, pelo PSD,
com 39,47% e o vitorioso Gen. Ernesto Dorneles, pelo PTB, com 45,85% ou seja, 329.884
votos, assumindo em 31-1-1951. Para o senado foi eleito Alberto Pasqualini. As cadeiras na
Câmara dos Deputados foram assim distribuídas: PTB 10; PSD 8; PL 2; PRP 1 e UDN 1. Na
Assembléia Legislativa: PTB 21; PSD 17; PL 6; PRP 4; UDN 4; PSP 2 e PSB 1.
Em Estrela, em 20-3-1951, lideranças dos partidos entraram num entendimento no
sentido de escolher um candidato comum ao cargo de prefeito municipal, tendo se realizado
uma reunião conjunta, no dia 20 de março último, em que ficou resolvido que os diversos
partidos participantes apresentassem, no dia 11 do corrente, uma lista de candidatos, a fim de
submetê-los ao exame e escolha definitiva em nova reunião a se realizar no dia 18 também do
corrente mês - cf a Ata de reunião extraordinária do PSD, em 9-4-1951. O PSD, então,
deliberou não apresentar lista de candidatos. Em vista disso, embora pudesse apoiar os
candidatos de outros partidos, que, porventura, forem proclamados, ficava o PSD desligado
dos entendimentos e desobriga os demais partidos das obrigações assumidas reciprocamente...
O que, de fato, aconteceu, não houve entendimento entre os correligionários na escolha de
nomes. Além disso, o PSD aguardava orientação de cima... visto que esse diretório não deseja
ferir o princípio da disciplina partidária. Conseqüentemente, o PSD não participou de reuniões
nos dias 11 e 18 de abril.
Apenas em 25-8-1951 se reuniu o PSD em sessão extraordinária, na residência do
prefeito, para o preenchimento de vagas no Diretório. No dia seguinte, no mesmo local, houve
nova sessão extraordinária, para que fosse nomeada uma comissão à qual deviam ser delegados
os poderes para tratar em nome do Partido Social Democrático de Estrela com o Partido
Libertador sobre o assunto da Coligação desses dois partidos em torno dos nomes de Adão Fett
para prefeito e do companheiro Fridolino Stapenhorst para vice-prefeito. A escolha dos
membros da comissão recaiu nos nomes de José Oswaldo Arenhart, Augusto Frederico Markus
e Bertoldo Gausmann. Assim funcionava a democracia. Os nomes já estavam escolhidos.
ADÃO HENRIQUE FETT
Prefeito eleito
De 1-1-1952 a 31-12-1955
A situação estava com vantagem na campanha eleitoral. Foi escolhido um candidato que
tinha visão administrativa e empresarial. Adão Henrique Fett já tinha provado ter todas as
condições para prosseguir no projeto que visava o desenvolvimento de Estrela.
O Partido Social Democrático solidificou a aliança com o Partido Libertador, lançando
as candidaturas de Adão Henrique Fett, pelo PL, e Fredolino Stapenhorst, pelo PSD. Desta vez,
Fett venceu o pleito, com 3.841 votos, derrotando André Marcolino Mallmann e Dr. Paulo
Ludwig, com 2.963 votos. O novo prefeito contou com 3 vereadores do PSD e 3 do PL. Ficou
de fora o PRP. Por outro lado, cresceu o PTB, elegendo três vereadores.
Saneou inicialmente as finanças municipais. No interior, abriu novas estradas e
melhorou outras, além de construir duas dezenas de pontes. Melhorou sensivelmente o Serviço
de Abastecimento d’ Água. Calçou 14 quadras com paralelepípedos. Modernizou a estrutura
administrativa, criando o Serviço de Assistência Social, o Serviço de Fomento Agropecuário e o
Departamento Municipal de Estradas de Rodagem – DMER.
No setor de eletrificação rural estendeu mais de 100 quilômetros de rede. Fez notáveis
investimentos na então Usina Hidroelétrica Municipal.
Construiu a primeira fase do Parque Municipal 20 de Maio.
Em vez de escolher outro espaço mais amplo e descentralizador, lamentavelmente Fett
demoliu a histórica Intendência municipal e no seu acanhado espaço edificou a nova Prefeitura,
na época uma das mais modernas e completas do Estado. Sua inauguração integrou os festejos
do 79º aniversário da emancipação do município, em 20-5-1955, cf Voz do Alto Taquari, de 96-1955, com a manchete Inaugurado o novo Palácio Municipal. No descerramento da placa
inaugural, discursou Dr. Renato Alves de Oliveira. No Salão Nobre foi posto numa moldura o
próprio retrato do prefeito Adão H. Fett, sendo a seguir entronizadas as bandeiras Nacional e
Rio Grandense, usando a palavra no momento o Dr. Lauro Reinaldo Müller. Em
prosseguimento às solenidades, no saguão da nova Prefeitura, foram inaugurados os retratos
dos senhores vereadores municipais, discursando na ocasião o Sr. Evaldo Velho Osório, o qual
após uma brilhante oração foi calorosamente aplaudido pelo grande público presente. O
grande desfile estudantil encerrou as solenidades, participando diversas escolas do interior
estrelense, os Ginásios Cristo Rei, Martin Luther e Santo Antônio, além da associação dos
escoteiros "Inhai", todos desta cidade.
Para que permanecesse a imagem da Intendência, perpetuou-a nas Armas e Bandeira do
Município.
No Rio Grande do Sul acontecia a alternância do poder. Nas eleições 3-10-1954, houve
cinco candidatos ao governo do estado: João Sampaio, pelo PSB, obteve o ridículo dos 73
votos; José Diogo Brochado da Rocha, do PSP, obteve 0,88%; Wolfram Metzler, pelo PRP, fez
8,48%; Alberto Pasqualini, pelo PTB, perdeu novamente, com 42,51% e Ildo Meneghetti, pela
Frente Democrática (PSD-PL-UDN), venceu com 46,17%, ou seja, 386.821 votos, apesar da
comoção nacional da morte de Getúlio Vargas, ocorrida em plena campanha política, 39 dias
antes do pleito. Elegeu o Prof. Armando Pereira da Câmara para senador. Para a Câmara dos
Deputados: PTB 11; PSD 7; PL 3; PRP 2 e a UDN 1. Para a Assembléia Legislativa: PTB 23;
PSD 15; PL 7; PRP 4; UDN 3; PSP 2 e PSB 1.
No final de seu governo, em 3-10-1955 Juscelino Kubitschek de Oliveira foi eleito
presidente da República, pela coligação PTB-PSD. No mesmo dia houve eleições municipais.
FREDOLINO STAPENHORST
Vice-prefeito eleito
Forte comerciante na linha Ano Bom, hoje Colinas, Fredolino foi militante do Partido
Social Democrático.
Embora tenha desaparecido o livro de posse dos prefeitos, da época, sabe-se que entrou
em exercício como prefeito, várias vezes. Também é do conhecimento em Colinas de que se
empenhou pela eletrificação rural de Ano Bom. Não recebeu o necessário prestígio, nem
encontrou suficiente espaço político para ser candidato vitorioso à sucessão municipal. Foi
lançado candidato pela situação, mas não foi preparado em tempo para vencer a eleição, sendo
derrotado pela percentagem mínima de 3%.
DR. ITO JOÃO SNEL
Presidente da Câmara de Vereadores
Nessa oportunidade, ocupou a presidência do Legislativo e exerceu o cargo de Prefeito
pelo espaço de 11 meses, em 1952, substituindo o então prefeito Adão Henrique Fett - cf Nova
Geração, de 29-1-1972, noticiando o seu falecimento.
O livro de posse dos prefeitos, vice-prefeitos e presidentes da Câmara, em exercício
como prefeito municipal, daquele período, foi extraviado, misteriosamente. Jornais locais, na
época, não existiam ou não sobreviveu algum exemplar.
Não nos chegaram registros de sua administração interina, relativamente longa, de
quase um ano, segundo o referido jornal, registrado 20 anos depois.
ALBERTO SCHMITZ
Presidente da Câmara de Vereadores
Estando impedido de assumir o vice-prefeito, entrou o professor Alberto Schmitz, como
presidente da Câmara, em exercício de prefeito municipal, em 16-7-1953. Não há documentos e
jornais da época que nos informem por quanto tempo e o que tem feito nesse período de
interinidade.
O movimento em torno da sucessão municipal ganhou corpo em meados de 1954. Os
acontecimentos políticos nacionais e estaduais sempre influíram entre as lideranças políticas de
Estrela. Ildo Meneghetti foi empossado governador em 31-1-1955.
Em Estrela, o PTB e o PRP se coligaram na oposição, lançando Aloysio Valentim
Schwertner candidato a prefeito e Alfredo Driemeyer a vice-prefeito.
O PSD se reuniu em convenção em 17-8-1955. Os 30 convencionais decidiram, em
votação secreta, escolher Fredolino Stapenhorst para prefeito e tendo em vista os entendimentos
com o Partido Libertador, resolveu a convenção aprovar a candidatura de João José Horn,
para o cargo de vice-prefeito.
ALOYSIO VALENTIM SCHWERTNER
Prefeito eleito
De 1-1-1956 a 31-12-1959
Embora fosse uma administração dinâmica e empresarial, Adão Henrique Fett não
conseguiu eleger seu sucessor. Venceu a oposição, na pessoa do empresário Aloysio Valentim
Schwertner. Ele era comerciante, diretor da gráfica e livraria O Paladino, filiado ao Partido de
Representação Popular, uma sobra ideológica da antiga Ação Integralista Brasileira, liderada
por Plínio Salgado.
Quanto às eleições municipais de 3-10-1955, o único jornal da região, Voz do Alto
Taquari, de 13-10-1955, assim noticiou o resultado do pleito: Na cidade e município de Estrela
venceu o pleito para prefeito o Sr. Aloísio Schwertner, vencendo assim seu concorrente
Stapenhorst. Coube tudo numa frase o que o jornal de Lajeado soube informar sobre as eleições
em Estrela. Dos 5668 sufrágios, obteve 2.952 votos, o que corresponde a 52%. Foi derrotada a
candidatura de Fredolino Stapenhorst - João J. Horn, com 2.633 votos.
O primeiro contratempo enfrentado foi a histórica enchente de 1956. Quase alcançou o
nível de 1941, mas os efeitos foram mais graves, pois a população e moradias em zonas
alagadiças aumentaram em grandes proporções. Conseguiu abrigar todas as famílias atingidas
pelas águas. Coube-lhe, de imediato, reconstruir estradas e pontes. Alargou e empedrou as vias
já existentes, abriu novas estradas municipais e vicinais.
Com a encampação do fornecimento de água pela Corsan, impediu que a captação de
água, feita pelos poços artesianos, fosse substituída pelo rio Taquari, através da Estação de
Tratamento de Água.
Como tivesse herdado o caos em energia elétrica, primeiramente ampliou a capacidade
em 200 HP, com o aumento da barragem da Segunda represa. Não foi suficiente. A demanda em
Estrela exigia mais. Enfim, a CEEE encampou os serviços de fornecimento de luz e energia.
O setor de obras construiu e reformou várias escolas, oferecendo melhores condições
para a melhoria no ensino e aprendizagem. Prosseguiu o projeto e construiu mais pavilhões no
Parque 20 de Maio, todo em ferro, que custou Cr$ 900.000,00 de investimento. No setor da
agricultura, fomentou especialmente a suinocultura. Em 1958, acompanhando um grupo de
empresários e políticos, dentre eles Leonel Brizola, que carinhosamente o chamava de
"Alemão", fez uma viagem de estudos pelos Estados Unidos. O objetivo era a captação de muito
dinheiro para grandes projetos, num ano eleitoral, sendo eleito Brizola para governador do
Estado. Um dos efeitos foi a construção da Estrada da Produção, hoje BR-386. Várias empresas
industriais e comerciais se estabeleceram em Estrela.
Nova Geração, de 11-1-1969, sintetiza suas principais realizações: empenhou-se
sobretudo em construir estradas para maior comunicação entre as vilas do Interior e a sede.
Construiu várias pontes para o interligamento das mesmas. Labutou para a encampação do
fornecimento da Luz Elétrica.
Imprimindo um cunho empresarial à sua administração, sem gastar mais do que
arrecadava, deixou mais de R$ 3.500,00 em caixa para o seu sucessor.
ALFREDO DRIEMEYER
Vice-prefeito eleito
Como foram extraviados os livros de posse anteriores, temos registrado o exercício de
Alfredo Driemeyer como vice-prefeito de 24-1-1958 a 7-3-1958. A ata de sua posse foi
elaborada e assinada pelo secretário do Gabinete, Armindo Heinen.
Sem que se encontrem registros documentados na Prefeitura que informem suas
atividades à testa do executivo municipal de Estrela, sabe-se que deu total apoio ao programa
governamental de Aloysio Schwertner.
Assumiu a prefeitura quando Schwertner fez uma viagem pelos Estados Unidos da
América do Norte, convidado pelo governo americano.
Militante do Partido Trabalhista Brasileiro, Alfredo tinha uma sortida Casa Comercial
na picada Schmidt, hoje Westfália. Faleceu antes que terminasse o seu mandato eletivo, em 175-1958, com 50 anos de idade.
PEDRO ALOYSIO KNECHT
Presidente da Câmara de Vereadores
Entrando em férias regulamentares o titular Aloysio Schwertner e não havendo viceprefeito, por ter falecido Alfredo Driemeyer,. entrou em exercício como prefeito Pedro Aloysio
Knecht, de 16-03-1959 a 16-04-1959.
Manteve-se na interinidade. Nada há no arquivo que documente alguma decisão sua
nesse período.
No último ano do mandato de Aloysio Schwertner deu-se a campanha eleitoral. Em
nível estadual, em 3-10-1958 houve um notável embate eleitoral, com apenas dois candidatos:
Walter Peracchi de Barcelos, pela coligação PSD-PL-UDN, obteve 41,20% do eleitorado e
Leonel de Moura Brizola, pelo PTB e apoio do PRP, venceu com 55,18%, ou seja, 670.003
votos, empossado em 31-1-1959. Guido Mondim foi eleito senador. A Câmara Federal ficou
assim composta: PTB 14; PSD 7; PL 2 e PRP 1. A Assembléia Legislativa: PTB 24; PSD 13;
PL 7; UDN 3; PRP 3; PSP 2; PDC 2 e PR 1. Como se vê, o novo Partido Democrata Cristão e o
velho Partido Republicano estavam atuantes.
Como não foi encontrado o livro de atas dos demais partidos políticos, consultamos o
do Partido Social Democrático, cuja convenção municipal ocorreu em 8-8-1959, presidido, a
convite, por Augusto Frederico Markus. Foi realizada a votação secreta para a escolha do
candidato para o cargo de prefeito municipal, verificando-se, após o escrutínio, ter sido
escolhido o Sr. Bertoldo Gausmann, por unanimidade de votos Tendo em vista os
entendimentos mantidos com o Partido Democrata Cristão, resolveu a convenção aprovar a
candidatura de Carlos Baltazar Mallmann para vice-prefeito.
BERTOLDO GAUSSMANN
Prefeito eleito
De 1-1-1960 a 31-12-1963
A dupla Bertoldo Gausmann - Carlos Baltazar Mallmann venceu as eleições, com o
total de 3.987 sufrágios (55%), derrotando Evaldo V. Osório - Pedro Aloysio Knecht, com
3.252 votos.
Na área da Educação, Gausmann adquiriu terrenos para as escolas estaduais de
Languiru, Canabarro e Arroio da Seca; construção das escolas municipais de Delfina, Arroio da
Seca, São José e Capivara; construção e inauguração de seis escolas municipais, com a ajuda do
governo estadual, em Delfina, São Jacó, Chacrinha, Seca Baixa e Figueira; instalação do
Ginásio Comercial CNC de Canabarro e do Ginásio Industrial em Estrela, hoje C. I. E. Criou a
Biblioteca Municipal, uma velha aspiração do povo estrelense.
Na área de segurança e Poder Judiciário: compra da área de 1.480m², construção do
Quartel dos Bombeiros, com instalação em 15-12-1964; construção e inauguração de três
imóveis para a Polícia Rodoviária, localizadas na rua 20 de Maio. Inauguração do Fórum, com
gabinetes para o juiz, promotor público, escrivão e sala para o júri.
Na área da comunicação e administração do Interior: Em 26-1-1960 foi inaugurado o
Centro Telefônico de Canabarro; foi instalada no Centro Telefônica Municipal uma nova mesa,
para 300 assinantes, instalando a antiga, de 100 telefones, em Languiru. Em 18-1-1960 foi
iniciada a construção da linha telefônica direta de Teutônia a Arroio da Seca, passando por
Almirante Barroso, e, 7 dias depois, uma linha de Teutônia a Corvo. Em 28-4-1961 foi
adquirida a casa de Rosa Horbach, em Arroio da Seca, para o Centro Telefônico e a
Subprefeitura.. Em 15-10-1962, foi construído o prédio de dois pisos em Teutônia, para a
Subprefeitura e o Centro Telefônico.
Na área de iluminação e energia: foi dado apoio decisivo na criação da CERTEL,
iniciando-se a eletrificação rural no município. Ampliou a rede de iluminação pública na cidade
e sedes distritais. As lâmpadas comuns foram substituídas pelas fluorescentes, num total de 635.
No Parque 20 de Maio construiu um reservatório de água para 100.000 litros. Estendeu
2.550m de canos galvanizados, ligando Boa União, até a ponte de Moinhos. Abriu mais um
poço artesiano. Construiu ainda a rede de esgotos em diversas ruas da cidade.
Grande investimento tem feito sua administração em obras, ruas, estradas e pontes. Sob
seu governo foi instalada em Estrela a agência da Caixa Econômica Federal e o Estado iniciou a
Estrada da Produção, em 1-5-1960, em Santa Rita. Ampliou o espaço em mais pavilhões no
Parque 20 de Maio, para a I Exposição de Gado Leiteiro, em 20-5-1960. No Brasil, vivia-se
período perturbado. Juscelino Kubitschek raspara os cofres federais para construir Brasília,
inaugurada em 21-4-1960 e seu sucessor, Jânio Quadros, eleito em 3-10-1960, tentou dar um
golpe de Estado com a renúncia à presidência da República, em 25-8-1961, impedindo os chefes
militares a posse de seu vice João Goulart.
CARLOS BALTAZAR MALLMANN
Vice-prefeito eleito
Num total de 56 dias, em três oportunidades, entrou Carlos Baltazar Mallmann em
exercício como vice-prefeito. Foi militante do Partido Democrata Cristão - PDC, um de seus
fundadores, em Estrela.
Em nível estadual, houve a saudável alternância de poder. Em 7-10-1962 deram-se as
eleições, havendo três candidatos: Fernando Ferrari, pelo MTR - Movimento Trabalhista
Renovador, com 21,45% do eleitorado; Egídio Michaelsen, pelo PTB, com 35,46% e Ildo
Meneghetti, eleito pela ADP, com 502.356 sufrágios. - Ação Democrática Popular, uma
coligação do PSD, PL, UDN, PRP e o novo PDC, que venceu com 37,10% dos eleitores,
empossado em 31-1-1963 e, eventualmente, substituído pelo deputado Cândido Norberto dos
Santos, presidente da Assembléia Legislativa. Com a pequena vantagem de 22.225 votos, o
engenheiro Meneghetti venceu mais uma eleição, graças à divisão dos trabalhistas, que tinham
realizado obras importantes, como a BR-386. Para o Senado, foram eleitos Mem de Sá e Daniel
Krieger. A Câmara Federal ficou assim: PTB 14; PSD 7; coligação ADP 7 e MTR 1. A
Assembléia Legislativa: PTB 23; PSD 11; PDC 4; MTR 4; PRP 3; UDN 3; PL 6 e ARS
(aliança) 1.
A campanha eleitoral em Estrela iniciou mais cedo. A oposição se aproveitou do
rompimento da coligação PSD e PL, lançando a candidatura de Adão Henrique Fett. Assim, a
situação preferiu uma renovação, apostando na rejeição do eleitorado à personalidade um tanto
autoritária de Fett, manifestada mormente no último ano de seu governo. Na convenção
Municipal do PSD, em 3-8-1963, no Abrigo Municipal, na presença do deputado estadual
Antonino Fornari, chegaram à decisão de uma candidatura própria, sem coligação. Foi feita a
votação secreta da escolha dos candidatos a prefeito e vice-prefeito... Verificou-se após a
escrutinação, que foram escolhidos os correligionários Arnaldo Krabbe e José Freitas Bello,
por unanimidade de votos, dos 41 convencionais presentes. Esse lançamento de um nome do
interior, em última hora, resultou numa derrota fragorosa para PSD.
ADÃO HENRIQUE FETT
Prefeito eleito
De 31-12-1963 a 31-1-1969
Derrotando a dupla Arnaldo Krabbe - José Freitas Bello, foram eleitos Adão Henrique
Fett - Aloysio Schwertner, na eleição de 10-11-1963, a última eleição antes vir novo período de
ditadura.
A primeira ata de posse de Adão Fett foi elaborada e assinada por José Freitas Bello, o
candidato a vice-prefeito derrotado. Por essa razão, a ata não foi aceita. Redigiu-se uma segunda
ata de posse, no mesmo dia, elaborada e assinada por Nedy Reis (Guglielmini), como secretária
substituta, sob cujo título, também, assinavam Adonis Valdir Fauth e Érico Sauer, no decorrer
de 1966.
Na falta de relatórios de sua administração no Arquivo Municipal, a memória de Estrela
fica mais avivada com o surgimento do semanário Nova Geração, cuja segunda edição, de 201-1966, faz referências à Exposição Agropecuária e Industrial a realizar-se em maio vindouro,
quando os festejos de aniversário da cidade atingirão seu clímax. Os festejos dos 90 anos de
Estrela foram uma marca desta administração.
No término de seu governo, publicou num Suplemento Especial - Estrela-RS, em
janeiro de 1969, sob a coordenação de Érico G. Sauer e João Carlos Terlera a II Administração
Adão Henrique Fett 1-1-64 - 31-1-1969.
Na área agrícola, empenhou-se pela maior produtividade, através do Serviço de
Fomento Agrícola, criado por ele na I Administração. Havia uma disparidade entre o preço do
quilo de porco e o preço do quilo do milho. Era preciso aumentar a produtividade do milho,
através da adubação e calagem. O projeto "Operação Tatu" tentava recuperar as terras cansadas,
através da correção do solo, do qual se beneficiaram 2.500 agricultores, num primeiro momento.
Foram distribuídos 5.000 quilos de semente selecionada. O transporte de adubo, cal e sementes
foram feitos por veículos da Prefeitura Intensificou-se o Serviço de Inseminação Artificial., o
Combate à Formiga Cortadeira. Em 15-8-1968 foi assinado um convênio com a Associação
Brasileira de Criadores de Suínos para melhorar a suinocultura. .
Na área da educação, conseguiu a cedência de 32 professores estaduais para as escolas
comunitárias. Em março de 1964 contava com 5 professores da DIMEP, aumentando em julho
de 1966 para 38 professores pelo Estado, através de convênios, todos inscritos no INPS. Lutou
pela qualificação dos 53 professores, sendo 30 formados. Para todos foram dados três cursos de
aperfeiçoamento profissional. Com a criação de Círculo de Pais e Mestres foi viável a execução
da Merenda Escolar.. Na cidade, construiu a Escola Rui Barbosa, na rua Coronel Brito e a
Escola Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, inaugurada em outubro de 1968.
Instalou 16 Parques de Recreação Infantil.
Criou a Comissão de Assistência Social. Da Cel. Brito removeu a Chácara da Prefeitura
para o Bairro Boa União.. Na Escola Rui Barbosa e Castelo Branco instalou o Centro de
Recuperação de Menores, tirando 200 crianças da mendicância na cidade.. Através do general e
depois presidente Ernesto Geisel conseguiu uma kombi-ambulância do Ministério da Saúde.
Nesse período, !3.557 carentes receberam consultas médicas,, com 112 operações grandes, 40
médias, 61 pequenas e 29 fraturas atendidas, sendo responsável pelo setor Dr. Lauro Reinaldo
Müller, ao custo total de NCr$ 23.436,35 nos cinco anos de governo. No setor habitacional,
além de tirar da área alagadiça a Chácara da Prefeitura, conseguiu junto à COHAB a construção
de 57 novas moradias, no bairro Boa União, Vila Popular, com escola própria.
Lideranças de Estrela estavam reclamando da Administração o efetivo funcionamento
do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico.
A interrupção da ponte Estrela-Lajeado, depois de três anos inaugurada, foi um dos
graves problemas enfrentados pela população e autoridades regionais. Em outubro, foi liberada
uma pista, só para carros leves, no período da Feira. A operação "tartaruga" na sua reforma
provava exaustivamente a incapacidade administrativa do governo "revolucionário", num
período em que reclamar dava cadeia. O transporte coletivo era precário, uma vez que as
empresas podiam superlotar os ônibus em quase uma centena de pessoas, viajando duas terças
partes dos passageiros de pé.
Na área urbana, implantou o Plano Diretor, a coqueluche advinda com a Revolução de
64. Mas as novas ruas continuavam a ser abertas com a mesma estreiteza. Foi executado o
Levantamento Aerofotogramétrico, pela Divisão de Levantamento Geográfico do Exército, em
convênio com a Secretaria de Obras Públicas. Além do levantamento das ruas existentes e seus
prováveis prolongamentos, foi feito um nivelamento das ruas longitudinais e transversais, bem
como o entroncamento das ruas e estradas, completando-se com o cadastro geral. Prolongou a
Júlio de Castilhos, ligando-a com a estrada à Bom Retiro do Sul. Para que as rodovias
municipais tivessem permanente conservação, por NCr$ 50.000,00 foi instalada uma Usina de
Britagem, com 144m³ de produção diária.
Melhorou também o setor de comunicações. Reformou toda a rede telefônica, no
interior e na cidade, onde 370 assinantes foram beneficiados.
Concluiu as obras do Quartel do Corpo de Bombeiros, equipando-o e instalando-o. Por
esta razão, foi agraciado com o "Título de Bombeiro Honorário do Estado do Rio Grande do
Sul, em 1967. Instalou na Prefeitura a Inspetoria Regional do Imposto de Renda, que abrangia
uma dezena de municípios. Depois de três anos, foi a sede mudada para as dependências da
ACIE.
No Centro Telefônico foi instalado o sistema de microondas para as chamadas ligações
longa distância. Procurou atender o interior com uma frota de 14 caminhões, 3 patrolas, 4
tratores e 2 camionetas. Uma ambulância servia para o transporte dos doentes.. A encampação
da energia elétrica pela CEEE desafogou Estrela de um histórico pesadelo. A construção
completa do Parque 20 de Maio foi uma obra que consagrou a segunda administração de Adão
Fett.
Nesse período surgiu a Revolução Militar de 31-3-1964. Deposto o presidente João
Goulart em 1-4-1964, governou interinamente o presidente da câmara dos deputados Pascoal
Ranieri Mazzilli, até a posse do Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco, em 15-4-1964. Em
Estrela, a última reunião do PSD foi em 28-9-1965, sob a presidência de José Freitas Bello.
Alguns meses depois, surgiu o bipartidarismo, fundando-se em Estrela a Aliança Renovadora
Nacional - ARENA e o Movimento Democrático Brasileiro - MDB.
O novo Código Eleitoral foi instituído pela Lei 4.737, de 15-7-1965. A Constituição de
1967 restaurou a Justiça Eleitoral.
Estrela recebeu a visita do governador Ildo Meneghetti, particular amigo de Fett. O
discurso principal, para homenagear e agradecer todos os benefícios recebidos, no final de seu
governo, foi proferido pelo Dr. Rogério Nonnenmacher. Como cidadão estrelense ainda
voltaria muitas vezes a Estrela. - Disse ainda, que em breve serão substituídos os velhos poços
artesianos, para dar lugar a uma moderna hidráulica - cf Nova Geração, de 13-1-1967.
Durante o seu governo foi empossado presidente da República o ilustre taquariense
Artur da Costa e Silva, em 15-3-1967.
ALOYSIO VALENTIM SCHWERTNER
Vice-prefeito eleito
Os 58 dias de governo Aloysio Schwertner exerceu em quatro oportunidades diferentes,
somente em 1966 e 1967.
Nova Geração, de 3-2-1966, registrou o primeiro período quando o vice-prefeito entrou
em exercício no Executivo municipal. Coube-lhe completar as obras do Parque de Exposições
20 de Maio, para as festas do 90º aniversário da Emancipação Política de Estrela. Segundo o
projeto, planejava a administração desapropriar áreas próximas, para ampliar o espaço físico e
preparar, desde já, o local para as festas do Centenário. O Sr. José de Freitas Belo (presidente
da Câmara de Vereadores), em contato com o Sr. Governador do Estado, solicitou a liberação
da verba de 50 milhões de cruzeiros, destinada ao Parque. Prometeu o Chefe do Executivo
Estadual que a verba seria recebida em duas parcelas, sendo a primeira no corrente mês e a
outra em abril próximo. Logo a seguir, adoeceu e foi submetido a uma cirurgia em 24-2-1966,
em Porto Alegre.
Era seu projeto concluir obras que não conseguiu realizar na sua primeira administração
e executar os projetos que lhe foram solicitados em sua campanha eleitoral, uma vez que seu
governo era a situação. Embora o PSD não estivesse presente em nível municipal, apenas em
nível estadual, a característica política na segunda gestão de Adão Fett foi a ingerência do
governo militar de 1964 em todas esferas.
O serviço municipal de abastecimento de águas e esgotos, em 1964, passou para a
Secretaria de Obras Públicas do Estado - CORSAN. O Serviço de Fomento Agropecuário
passou a ser incrementado através da Lei Municipal n.º 711, com a criação do Conselho
Municipal de Fomento Agropecuário. Logo depois, pela Lei Municipal n.º 729, de 5-8-1964, foi
criado o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico e, pela Lei n.º 784, de 7-10-1965,
com a Comissão de Assistência Social, foi incrementado o serviço de atendimento aos
necessitados. Em 12-12-1964 foi instalada a Inspetoria do Imposto de Renda e inaugurada a
estação do Corpo de Bombeiros.
Ampliou consideravelmente o espaço para as exposições no Parque 20 de Maio,
promovendo, de 20 a 30-5-1966 a Feira de Maio, pelo 90º aniversário da emancipação política
de Estrela.
Em 27-2-1967 voltou pela quarta vez em exercício no Executivo, acelerando as obras e
visitando interior do município.
BERTOLDO GAUSSMANN
Prefeito eleito
De 1-2-1969 a 31-1-1973
Exatamente um decênio depois de sua primeira administração, Gausmann realiza sua
segunda, sucessor de um governo situacionista. A eleição se deu em 15-11-1968. A dupla
Bertoldo Gausmann - Rogério Nonnenmacher fez 4.253 votos e na sublegenda a dupla Dr.
Gustavo Simon - Dr. Ito Snel fez 2.870 votos, totalizando 7.123 sufrágios. A oposição fez uma
campanha acirrada, mas perdeu, obtendo, pelo MDB 1, a dupla Aloysio Schwertner - Plínio A.
Rheinheimer, 4.128 votos e, na sublegenda, pelo MDB 2, a dupla Ruben Gerhardt - Renato
Wagner, 1.229 votos, num total de 5.357 sufrágios, ou seja, 43% do eleitorado. Gausmann
também obteve a maioria na Câmara. Teve, pois, todas as condições para repetir o sucesso da
gestão anterior. De seus familiares obtivemos uma cópia de suas principais realizações, bem
como do Suplemento Especial, sob a coordenação de Érico Sauer, seu secretário geral da
administração.
Na área federal, deram-se fatos marcantes. A ditadura militar deu um novo golpe
militar, ao adoecer o presidente Artur da Costa e Silva. Não permitiu a posse do vice-presidente
Pedro Aleixo. A Junta militar, formada pelos ministros militares Gen. Aurélio de Lira Tavares,
Alm. Augusto Hamann Rademaker Grünewald e o Brig. Márcio de Souza e Melo assumiram o
governo em 31-8-1969, por dois meses, até ser montada a engrenagem no Congresso Nacional
que garantisse a eleição do Gen. Emílio Garrastazu Médici, empossado em 30-10-1969. Desse
governo, talvez a mais cruel das ditaduras que o Brasil já produziu, Gausmann esperava
recursos para investir em Estrela.
Na área estadual, as eleições de 1970, em Estrela, deram 7.615 votos para Tarso Dutra e
7.378 para Daniel Krieger, eleitos senadores pela ARENA, sendo derrotados Brochado da
Rocha, com 4.603 votos, e Paulo Brossard, com 4.758 votos, ambos pelo MDB. O candidato
mais votado à Câmara Federal foi Norberto Schmidt, com 4.234 sufrágios, pela ARENA e
Harry Sauer, com 1.717, pelo MDB. O mais votado à Assembléia Legislativa foi Dr. Rogério
Nonnenmacher, com 7.316 votos, correspondendo a 81% da legenda da ARENA. Pelo MDB,
foi Valdir Lopes, com 1.246 sufrágios.
Na área da educação, Gausmann fez a escolha certa para seu secretário da Educação,
Dr. Rogério Nonnenmacher, seu vice-prefeito. Sua maior obra foi, em 1970, criar o projeto
pioneiro da Escola Comunitária para aplicar o auxílio superior a um milhão de cruzeiros às 36
escolas particulares, em três anos, através de convênios. Não menos destacável foi a luta pela
qualidade na educação. Deu apoio para os cursos em Regime Especial de Férias, através de uma
Extensão da Faculdade de Letras da Universidade de Passo Fundo, formando-se 500
professores. Empenhou-se para que no Colégio Santo Antônio fosse instalado o Curso Normal,
bem como a criação do Ginásio Industrial para jovens carentes em recursos para estudos.
Obteve a doação de 1.200 m² para a construção de uma escola no Costão. Em convênio com o
MEC, em 1971 construiu 8 escolas novas: em Capivara, Porongos, Santa Rita, linha Lenz,
Beija-Flor, Santo Antônio, linha Herval e linha Almirante Barroso. Em 28-5-1970 Adquiriu a
área de 2.468m² para a construção de 3ª DE, moradia do juiz de Direito e Secretaria de Obras
Públicas do Estado, na rua Cel. Müssnich. Comprou 2.538 livros para a Biblioteca Pública
Municipal. Em 2-9-1972, por Cr$ 40.000,00 adquiriu 6.206m² de terrenos ao lado da piscina da
SOGES para o campo de futebol do Cristo Rei. Compra e doação de 726m² para a ampliação do
Grupo Escolar 20 de Maio. Fez a terraplenagem para construção de 8 praças de esporte.
Na área da saúde, sua administração forneceu 1.024 fichas para consultas médicas, além
de manter os convênios com a Santa Casa, Hospital Psiquiátrico São Pedro e Instituto Santa
Luzia. Adquiriu e doou uma área de terrenos de 478m² para a construção de um novo Posto de
Saúde, obtendo Cr$ 100.000,00 do governo do Estado para as obras. Na Chácara da Prefeitura e
nos Moinhos construiu duas casas para o funcionamento de Clubes de Mães. Em 1971, adquiriu
e doou 765 m² de área para o Edifício do IPÊ, com 18 apartamentos e duas salas, e 1.875m² para
a construção da agência do IPÊ. Comprou e doou a área para a construção da agência do INPS.
Na área da comunicação, adquiriu de 1.281m² da Rádio Alto Taquari, defronte ao
Martin Luther. Comprou e doou 12.027m² de terras para a Rádio Alto Taquari, na Chacrinha,
para a torre metálica retransmissora. Para a reforma da rede telefônica foram adquiridos1.200
postes, 4.000 kg de fio galvanizado, 2.000 roldanas. Construção da linha telefônica direta do
Centro de Canabarro à cidade e de Arroio da Seca à cidade e à Teutônia. Foi assinado o
convênio com a CRT para a instalação de 400 telefones automáticos DDD, autorizado pela
Câmara, pela Lei 1.179, de 19-5-1972.
Além do atendimento normal do Serviço de Fomento Agropecuário, com calcário,
fertilizantes, análises de solo e sementes selecionadas, em 8-8-1969 foram adquiridas 7.260m²
de terras na Avenida Cristo Rei para a sede da ADERE e aparelhou seu maquinário com 1
colheitadeira, 8 tratores, 8 arados, 4 grades, 2 pulverizadores, 1 carreta e uma Kombi. Foram
reincorporados ao patrimônio do Município os imóveis do ex-Instituto do Açúcar e do Álcool.
Importante para Estrela foi a Exposição Estadual de Orquídeas, no Ginásio de Esportes
da SOGES, promovido pela Federação dos Orquidófilos do Rio Grande do Sul e patrocinado
pela Prefeitura municipal.
Para atender melhor o setor de obras, aparelhou o Departamento Municipal de Estradas
de Rodagem, adquirindo 2 carregadeiras novas, 2 tratores esteiras novos e 2 patrolas novas,
além de 5 veículos. Gausmann investiu Cr$ 1.033.894,34 no parque de máquinas. Para a
Garagem e Oficina Municipal, em 28-2-1970, comprou as antigas instalações da Motolândia
Estrela, na rua Bruno Schwertner, nº 187. Ampliou este espaço em mais 1.773 m², comprando 5
terrenos dos herdeiros Müssnich. As dependências da antiga Garagem Municipal foram
reformadas e repartidas em diversos setores administrativos, como Emater, Incra, Secretaria da
Agricultura e outros.
As sedes administrativas dos distritos também tiveram investimentos. Na então vila de
Corvo foram adquiridas 7.366m² para a subprefeitura, o mesmo acontecendo com Arroio da
Seca, ampliando-se o espaço para mais 450m², e Canabarro, onde foi adquirida uma área de
770m², com galpão, em 4-12-1969.
Foi feito um levantamento topográfico da cidade e vilas distritais. No interior,
encascalhou 200 km e ensaibrou 300 km de estradas municipais, construindo mais de 300
bueiros e pontilhões. Da linha Geraldo a linha Wolf abriu trechos novos e na linha Boa Vista
Fundos abriu estrada nova, com uma ponte. Sobre a estrada de ferro no centro urbano de
Colinas foi construído um viaduto metálico, com recursos do DAER. Sobre o arroio Boa Vista,
na linha Clara Fundos, a velha ponte de madeira foi substituída por uma ponte de alvenaria, na
estrada que vai a Salvador do Sul. Sobre o mesmo arroio na estrada de Novo Paraíso a linha São
José, nova ponte foi erguida no mesmo local onde a enchente levou a anterior. A ponte na vila
de Arroio da Seca recebeu uma chapa de concreto e no interior de seu distrito foram construídas
4 pontes. Além da construção de mais outras, também mereceram reformas várias pontes, como
na linha Wink - Geraldo, Pontes Filho - Clara, São Jacó - Glória, na linha São José, na linha
Clara (Steyer) e outras.
Também aplicou vultosos recursos na cidade, tanto no centro como nos bairros. Coubelhe fazer o vultoso aterro na ponte sobre o arroio Estrela, inaugurando o acesso entre o centro e
o bairro Oriental, com calçamento e passeios. Com isso, teve que retificar totalmente a rua Cel.
Müssnich, alargando-a de 9,90 para 17,20m, construindo muros de arrimo e muito aterro, até
achegar ao Hospital. Também a avenida Rio Branco teve que ser alargada e melhorada, com
calçamento, até o Parque 20 de Maio. Herdou de administrações passadas a desgraça de ruas
estreitas e falta de áreas para praças públicas. Adquiriu uma área de 5.465m² na rua Rio Branco,
defronte o Posto Atlantic, para uma praça pública no bairro Oriental. Além de 14 escrituras de
indenizações amigáveis, assinou 7 escrituras de desapropriação de terras e terrenos para ruas e
estradas. Calçou a Joaquim Nabuco e concluiu os calçamentos da Geraldo Pereira, Borges de
Medeiros, Marechal Floriano, Nilo Peçanha, Bruno Schwertner, Chachá Pereira e Fernando
Abbott, num total de 4.804m² e mais 7.200m lineares de cordão.
Obras que não aparecem são as redes de água e esgoto. Mesmo que a Corsan tenha
assumido o serviço de abastecimento de água, a administração Gausmann teve sua participação
importante. Adquiriu 1.043m² de área na rua Bahia com Pernambuco para a construção do
reservatório de água da Corsan. Intercedeu para que o interior também fosse atendido. A
primeira sede distrital atendida no Rio Grande do Sul foi Teutônia, preparando-se Languiru para
o mesmo benefício. Na cidade, importante foi a colocação de rede de escoamento pluvial, com
as bocas de lobo, especialmente a rede que leva as águas nas adjacências do Hospital para o rio
Taquari. A rede de luz foi ampliada. Eletrificou a linha Germano e a Porongos, com recursos
estaduais.
Incentivou a Indústria e o Comércio em Estrela. Doou a final da rua Dr. Tostes à
Cervejaria Polar S/A para a ampliação de sua fábrica.
Empenhou-se pela construção do Trevo de Acesso na BR-386, com o viaduto, cujo
Decreto n.º 20.361, para desapropriação e indenização da área, foi assinado em 13-7-1970.
Para a construção do Entroncamento Rodo-Ferro-Hidroviário no Vale do Taquari havia
vários projetos. Gausmann empenhou-se decisivamente para que fosse na margem esquerda do
rio Taquari, onde de fato foi construído o Terminal Graneleiro e Porto de Estrela.
Muito embora fosse uma administração cheia de realizações para Estrela, suficientes
para garantir a eleição de um sucessor situacionista, a oposição se aproveitou do clima de reação
contra o governo revolucionário da União. O que Bertoldo Gausmann agradecia, no final de seu
governo, o auxílio substancioso do governo federal e estadual, as lideranças oposicionistas
transformaram em bandeira na campanha eleitoral, vencendo as eleições municipais na
sucessão.
DR. ROGÉRIO NONNENMACHER
Vice-prefeito eleito
Nas três oportunidades, Dr. Rogério Nonnenmacher governou por 93 dias o Município:
de 30-1 a 2-3-1970, de 30-1- a 2-3-1971 e de 1-2-1972 a 1-3-1972.
No início de sua gestão, foi criado o Gabinete de Coordenação e Planejamento do
Ensino. Como exercia as funções de secretário de Educação e Cultura, estava totalmente voltado
aos problemas das escolas municipais e à área de cultura do Município. Implantou o Plano
Escola Comunitária. O Plano inclui as escolas do DIMEP, as municipais e as escolas
particulares, num total de 49 escolas, com cerca de 3.000 alunos - cf a revista Conheça, nº 11 e
12 de 1969. Promoveu um Curso de Criatividade Comunitária, do qual participaram
representantes de 10 municípios. Fundou a Associação Pró-Ensino Superior em Estrela APESE, para abrir o curso de Agronomia. Outras forças impediram sua concretização.. Em
1970 em diante, planejou e coordenou um vasto programa de educação média, especialmente na
área rural, através dum trabalho integrado dos Cursos Supletivos e do Colégio do Ar. O objetivo
era preparar os adolescentes para exames de Madureza, havendo mais de 1.000 candidatos.
Embora tivesse caráter interno, Dr. Rogério procurou acelerar as obras em execução,
como a ponte sobre o arroio Boa Vista, em linha Clara, a conhecida ponte do Steyer, bem como
a ponte sobre o arroio Estrela, na linha São Jacó. Diversas ruas receberam calçamento.
GUNTHER RICARDO WAGNER
Presidente da Câmara de Vereadores
De 19-6-1970 a 29-6-1970
Participando o prefeito Gausmann da Feira Mecânica Nacional, em São Paulo, e não
podendo assumir o vice-prefeito Dr. Rogério, candidato a deputado estadual, foi empossado
Günther Ricardo Wagner, presidente da Câmara Municipal de Vereadores, como prefeito em
exercício. Na sua posse, salientou que seus planos de governo não sofrerão solução de
continuidade - cf Nova Geração, de 20-6-1970, seguindo as metas e os planos de
administração.
GABRIEL ALOYSIO MALLMANN
Prefeito eleito
De 31-1-1973 a 31-1-1977
Nas eleições municipais de 15-11-1972, compareceram 16.161 eleitores para depositar
em 82 urnas os seus votos, dos quais 9.585 deram a vitória a Gabriel Aloísio Mallmann, para
prefeito, e Aloysio Valentim Schwertner, para vice-prefeito, pelo Movimento Democrático
Brasileiro - MDB. A ditadura escancarada da Revolução de 64, com vestes de democracia
ensangüentadas pela tortura e assassinatos, deu a vitória à oposição em Estrela. A campanha não
foi fácil. Fazer oposição era correr possíveis riscos de represálias. Na área municipal, a situação
lançou a dupla Rogério Nonnenmacher - Seno Dreyer, que obteve 3.599 votos, e na sublegenda,
Gustavo Simon, obteve 2.035 votos e Adão Henrique Fett, 519 sufrágios, perdendo com o total
de 6.153 votos, ou seja, 39% do eleitorado, uma fragorosa derrota da ARENA.
Desde 15-3-1974 governava o Brasil o presidente Ernesto Geisel, eleito por colégio
eleitoral. Contando com a máquina das administrações federal e estadual, a Aliança Renovadora
Nacional - ARENA arrecadou 6.153 votos, através de três candidatos: Rogério NonnenmacherSeno Dreyer: 3.599 votos. Gustavo Adolfo Simon-Elton Klepker: 2.035 votos e Adão Henrique
Fett - Milton D. Stapenhorst: 519 votos.
A primeira atitude à frente do Executivo estrelense foi extinguir o então famigerado
Wegsteuer (imposto que os agricultores pagavam para conservação das estradas). Foi
idealizador da idéia de abrir a Trans Santa Rita, para possibilitar o desenvolvimento ao sul da
cidade. Trouxe indústrias, tendo Estrela na época se tornado um pólo de geração de empregos.
Instalou praças, abriu estradas, remodelou a cidade em sua estrutura básica. Construiu prédios
novos em quase todas as escolas do interior. Transferiu a estação rodoviária para próximo à
BR 386, tirando-a do centro. Sendo um apaixonado pelo futebol, projetou o município através
do Estrela FC, colocando-o no campeonato estadual - cf Nova Geração, de 3-7-1998.
Na área da Educação, destacou-se a Lei n.º 1444/75 que sancionou a instituição da
Fundação Estrela da Manhã de Ensino Superior - FEMES, que tinha sido aprovado pela
Câmara, através da Resolução n.º 76/75, de 19-11-1975.
ALOYSIO VALENTIM SCHWERTNER
Vice-prefeito eleito
Nos 45 dias de governo, em três períodos de férias do titular, Aloysio Schwertner entrou
em exercício como chefe do Poder Executivo. Repercutiu a visita de cortesia feita ao seu
gabinete pela comissão da ARENA de Estrela. Durante o encontro que durou 30 minutos, foi
mantido um diálogo muito franco a respeito de vários assuntos, especialmente os de natureza
política, manifestando o vice-prefeito Aloysio Schwertner sua disposição de sempre manter o
diálogo franco e sincero - cf Nova Geração, de 16-2-1974. Gabriel Mallmann desaprovou o
encontro, retomando o governo, depois de 15 dias de férias no litoral catarinense.
Dos 14 dias de "férias", de Gabriel Mallmann, de 1-11- a 15-11-1974, não transpirou
nada pela imprensa quanto à interinidade do vice-prefeito. O MDB foi vitorioso nas eleições,
por 2.941 votos... Igualmente nada foi comentado sobre o exercício de vice-prefeito, de 15-9-a
1-10-1975.
Schwertner procurou dar apoio, em todos os sentidos, à administração de Gabriel
Mallmann. Nunca interferiu nos assuntos administrativos. Não se encontram no Arquivo
municipal relatórios de sua passagem como vice-prefeito.
A ARENA procurava divulgar as obras do governo federal, como propaganda política
eleitoral. O MDB explorava a truculência, torturas e perseguições políticas da Revolução Militar
de 64.
HÉLIO MUSSKOPF
Prefeito eleito
De 1-2-1977 a 14-5-1982
Hélio Musskopf foi eleito em 15-11-1976, pelo MDB 1, obtendo 8.180 sufrágios,
auxiliado, pela soma na legenda, dos 1.420 votos, obtidos por Pedro Eugênio Horn, pelo MDB
2, sendo derrotada a dupla Nilo Fensterseifer-Hugo Afonso Ruschel, pela ARENA, com 8.661
votos, ou seja, 48% do eleitorado, percentual bem menor que na eleição anterior.
O povo queria o retorno à democracia plena. Com a chamada "Abertura Política", pela
Lei n.º 6.767, de 20-12-1979, acabou a farsa do bipartidarismo. Do seu ventre brotaram os
velhos partidos políticos, que estavam escondidos nas sublegendas. Hélio Musskopf passou a
integrar o novo PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Dos 7 vereadores que
com ele fizeram a campanha eleitoral pela situação, apenas um passou para o novo PDT Partido Democrático Trabalhista. Este partido surgiu em 1979, para aglutinar as forças
trabalhistas no Brasil e exilados, tendo à frente Leonel Brizola. Na Carta de Lisboa propunham
as bases da ressurreição do PTB, mas, no ano seguinte, a Justiça Eleitoral decidiu que a sigla do
PTB ficasse com a ex-deputada federal Ivete Vargas, considerada menos "perigosa" pelos
militares....
Durante o seu governo, em 15-3-1979, foi empossado João Batista de Oliveira
Figueiredo como presidente da República, eleito por colégio eleitoral.
Teve 6 anos de governo. O mandato constitucional pelo qual o povo elegeu Musskopf
foi de 4 anos. Embora não aproveitasse o período inteiro, os dois anos a mais, ampliado pelo
governo revolucionário, tiveram o caráter "biônico", o que também ocorreu com vereadores e
senadores.
Uma das primeiras metas anunciada foi a construção da Rodovia Transantarrita. Já tinha
sido meta da gestão anterior.
A administração Musskopf e Schäffer contou com Roldão Rodrigues Neto como
secretário geral e Antônio Cledy Menezes Veloso, chefe de Gabinete, cf ESTRELA-RS, um
livrete publicitário de 42 páginas ilustradas, publicado em 1982, Hélio Musskopf destaca
algumas realizações de sua administração que realmente deixarão marcas profundas na
Comunidade estrelense pela grandeza e importância que representam à nossa terra e a sua
gente.
A primeira das obras é o novo Plano Diretor de Estrela, que surgiu da uma necessidade
em função do intenso crescimento urbano gerado pela implantação do Entroncamento Hidrorodo-ferroviário em nosso município. Esta euforia, juntamente com a necessidade de
crescimento, foi ter como resultado um processo de urbanização desordenado, inadequado e
conflitante. Surgiram loteamentos clandestinos, população de baixa renda ocupando áreas
inundáveis e perigosas do ponto de vista social. Indústrias se instalando na malha urbana,
enfim, este progresso teria que ser planejado e controlado a tempo de não causar profundos
males sociais à nossa gente.
A segunda realização foi a Reforma Administrativa que Hélio implantou pela Lei n.º
1594, de 26-9-1979, modernizando a estrutura para responder e atender à demanda de serviços,
obrigações e responsabilidades que a comunidade exige.
A terceira realização também foi de infra-estrutura para as obras públicas: o
Equipamento de Britagem e Usina de Asfalto. Serviu mais para os seus sucessores.
Um dos objetivos de sua administração foi sustar o êxodo rural. Seu secretário da
Agricultura foi o Engº Agrº Clóvis Antônio Schwertner. Para isso, medidas foram tomadas para
melhorar as condições de vida no meio rural. E uma dessas medidas foi a implantação em todas
as Vilas, Linhas e Picadas do Município de aproximadamente 200 mil metros de rede de água
encanada. - Em 40 localidades do interior foram perfurados poços artesianos - Construímos,
reformamos e ampliamos várias pontes e viadutos em diversos pontos do Município Construímos mais de 50.000 metros de redes de telefonia rural, com linha dupla, e instalamos 2
(duas) novas centrais nos distritos de Corvo e Arroio da Seca. - Em cada comunidade, num
total de 64, foram construídas canchas de esportes de funções múltiplas, das quais 36 de
concreto. - !2 clubes varzeanos receberam a implantação de seus campos de futebol.
Ainda na área rural, assinou convênio com a Secretaria da Agricultura para o Projeto de
Inseminação Artificial para o gado leiteiro e suíno, sendo contratados 2 veterinários; convênio
com o IBDF para o Programa de Reflorestamento, atendendo 300 agricultores. Foi implantado
um viveiro de mudas nativas, frutíferas e ornamentais, com 35.000 mudas. - Dezenas de açudes
foram construídos para incentivar a piscicultura com a distribuição de alevinos. - Incentivou a
Flori-Horti-Frutigrangeira com a implantação de hortas nas propriedades do meio rural. Com
a Feira do Pêssego e mensalmente a Feira Livre foi necessária a construção de um prédio para
funcionamento do Mercado Público permanente, oportunizando ao produtor rural a venda
direta dos seus produtos ao consumidor. - A prestação de Assistência técnica aos agricultores
atingiu o número de mais de 9.000 consultas, encaminhando 4.000 propostas de orçamentos
para o crédito rural junto ao Banco do Brasil.
Depois que deixou a Câmara de Vereadores, Reynaldo Silvestre Mallmann assumiu a
Secretaria de Obras, sendo Armindo Lohmann o capataz de Obras. Musskopf não se descuidou
da Cidade. Fez a abertura de novo acesso à cidade, com pista de 22 metros de largura e
extensão de 4.500 metros. - Conseguimos, após muita luta, o asfaltamento do Trevo de Acesso,
através do DNER - sua iluminação, onde foram instalas 89 luminárias, vapor de sódio de 400
Watts, com postes de 15 metros de altura, bem como a aprovação do Projeto e construção dos
acessos ao entroncamento Rodo-Ferro-Hidroviário. - Implantou três novas praças e recuperou
outras tantas - Foram construídos 4 sanitários públicos com chuveiros. - Construiu o calçadão
na rua Fernando Abbott - Adquiriu dois (2) modernos coletores de lixo. Adquiriu um moderno
carro-bomba, um carro tanque auxiliar e uma viatura leve para o Corpo de Bombeiros local,
com a participação dos municípios vizinhos. Implantou mais de 8.000 metros de redes de
esgoto cloacal, centenas de bueiros foram construídas e realizadas várias canalizações de água
pluvial. - Dotamos de infra-estrutura 10 (dez) loteamentos carentes com instalação de água
potável, eletrificação, iluminação pública e ensaibramento de ruas. - Realizamos durante a
nossa administração 132.489 m² de pavimentação com paralelepípedos.
Faltou-lhe energia político-administrativa para impedir o Loteamento Marmitt e o
surgimento de moradias em áreas alagadiças. Cada enchente trazia prejuízos e conseqüências
sociais incalculáveis para os moradores e o povo de Estrela.
Pelo Projeto CIATA, todas as economias da cidade e sedes distritais foram
recadastradas, elevando o número de contribuintes em mais de quatro mil.
Seu secretário de Educação, Cultura e Ação Social foi Côn. Sereno Hugo Volkmer.
Contribuiu para que Estrela mantivesse a fama de Município mais alfabetizado do Brasil,
obtendo em todas as 9 escolas municipais, 3 estaduais e 32 subvencionadas o índice de 83% de
aprovação., sendo na 1ª série 79%. A matrícula das crianças na idade inicial foi de 100%. Construímos, reformamos e ampliamos 12 prédios escolares. - Sob seu governo foi implantada
a Escola Estadual de 2º Grau. Construiu o prédio onde foi instalado o Centro de Artes e
Artesanato. Criou a Escola de Artes e Artesanato, com professora contratada pelo Município,
com 200 alunos. Instituiu a Feira Industrial Artístico Artesanal de Estrela, para a
comercialização dos produtos artesanais.
Também deu especial atenção ao esporte em todos os níveis e modalidades, a cultura,
as artes, a educação e o lazer. - Implantou 12 parques de diversões infantis na sede e interior Pela Lei n.º 1.533, de 30-11-1977, foi oficializada a Banda Municipal de Estrela, mantendo
paralelamente uma Escolinha de Música que oportuniza a realização profissional de muitos
jovens. Adquiriu o histórico prédio, restaurado, onde foi instalada a Biblioteca Pública, um
modesto Museu Municipal, a Casa de Cultura.
Na área da saúde, a assistência médica, odontológica, hospitalar e farmacêutica aos
indigentes, carentes, escolares e todo o quadro de funcionários foi uma tônica na atual
administração. Foram efetuados atendimentos odontológicos a todos os estudantes na faixa
etária dos 7 aos 14 anos na própria escola por dentista contratado pelo município. Dr. Sérgio
Ulkoski acompanhava o Trailer Odontológico por todo o Município. Foram mantidos convênios
com proprietário de uma Ambulância particular para levar indigentes ao Hospital Estrela,
Hospital Psiquiátrico São Pedro, Santa Casa e Asilo Pella e Betânia, onde há a reserva de 20
vagas para idosos carentes. Contribuiu na construção da Casa do Idoso Estrelense, (Vovolândia
São Pedro) com toda a mão-de-obra, fornecimentos de brita, areia e ainda, somente no
corrente exercício, foram destinados Cr$ 6.000.000,00 (seis milhões) em dinheiro.
Osmar Braga Pereira foi seu secretário da Fazenda. Os proprietários de um só terreno e
casa de alvenaria de 50m² e de madeira até 60m²ficaram isentos do IPTU e taxas. Os pequenos
profissionais autônomos foram isentos do ISQN, beneficiando 670 serventes, faxineiras,
doceiras, lavadeiras, vendedores de bilhetes. Foram expurgados da dívida ativa os pequenos
valores, beneficiando cerca de 1.000 contribuintes. Apesar disso tudo, a cobrança dos impostos
predial e territorial, em 1981, atingiu o índice de 93%, encerrando aquele exercício com um
saldo em caixa de Cr$ 1.376.353,87 como virtual superávit de nossos balanços.
ORLANDO SCHAEFFER
Vice-prefeito eleito
De 14-5-1982 a 31-1-1983
Orlando Schaeffer foi o vice-prefeito que mais vezes e por mais tempo entrou em
exercício como chefe do Executivo Municipal: 458 dias, ou seja, um ano e 3 meses, em 15
oportunidades, iniciando em 3-2-1977. No período em que entrou em exercício como chefe do
Executivo, prosseguiu as obras em andamento: Casa de Cultura, os trabalhos de instalação de
redes de água potável nas localidades de Novo Paraíso e linha Wink, Cantão, linha Germano,
Arroio da Seca e linha Harmonia. Cerca de 550 famílias deverão ser beneficiadas com estes
projetos de água. Destacou ainda o asfaltamento da rua Germano Hasslocher - cf O
Informativo do Vale, de 25-5-1982.
Nesse período, em 15-11-1982 ocorreram as eleições estaduais. Jair Soares foi eleito
governador com 1.294.962 votos, vencendo Pedro Simon pela diferença de apenas 22.643
sufrágios. Alceu Collares fez 775.546 votos e Olívio Dutra 50.713. Para o Senado, Paulo
Brossard obteve 1.209.309 votos, Carlos Chiarelli 906.791, Getúlio Dias 730.904, Alberto
Hoffmann 364.781 e Raul Pont 47.322 votos. Em 1982, para a Câmara, o PDS elegeu 13, o
PMDB, 12 e o PDT, sete. Para a Assembléia, o PDS elegeu 23, o PMDB, 21, e o PDT, 12 - cf
Zero Hora, de 11-7-2001, p. 10.
GABRIEL ALOÍSIO MALLMANN
Prefeito eleito
De 1-2-1983 a 31-12-1988
Em nível estadual, as eleições foram muito disputadas. Para governador concorreram
quatro candidatos: Olívio Dutra, pelo novo PT - Partido dos Trabalhadores, arrecadou apenas
1,18% do eleitorado gaúcho. Alceu Collares, pelo PDT, obteve 18,12%. Pedro Simon, pelo
PMDB, conseguiu 33,49% e Jair Soares venceu, do PDS, venceu com magra diferença, venceu
com 34,08%, ou seja, com a diferença mínima de 21.819 votos, graças à racha dos trabalhistas.
Em nível municipal, derrotando a dupla Alfredo Inácio Barth - Luiz Roque Schwertner,
com 5.961 sufrágios, pelo PDS, a dupla Gabriel Mallmann - Clóvis Antônio Schwertner foi
eleita em 15-11-1982, pelo PMDB, obtendo 8.093 votos, ou seja, 58% do eleitorado. Conseguiu
também a maioria na Câmara, com 8 vereadores do PMDB, sendo 5 vereadores do PDS, na
oposição. Era geral o comentário que circulava, por todo o território de Estrela, da corrupção
eleitoral, através da "compra" de votos, na distribuição de ranchos e inúmeros "favores".
A prostituição eleitoral de eleitores e candidatos, ambos corruptos, era uma prática
generalizada nos municípios, o que prosseguiu em eleições posteriores, de forma generalizada,
com honrosas exceções.
No seu discurso de posse da segunda gestão, Gabriel deu ênfase às classes menos
favorecidas. Logo, em 1-3-1983, fixou um Posto de Trabalho Avançado no bairro Boa União,
em prédio alugado, para nele funcionar um Subposto de Saúde, onde atendia Dr. Eduardo Snel,
nas tardes das segundas e quintas-feiras. Na Câmara entrou com o projeto de extinguir o
Conselho de Desenvolvimento Urbano de Estrela - CODURE, para ter maior autonomia nas
decisões concernentes ao interesse do município que se façam necessárias - cf Nova Geração,
de 11-3-1983. Mais tarde, no seu governo foi estabelecida a Comissão Pró-Desenvolvimento
Habitacional, sendo Dr. Gustavo Adolfo Simon escolhido como presidente em 24-6-1985.
Osmar Braga Pereira foi o secretário da Fazenda; Almiro Arnildo Lohmann, o secretário
municipal de Obras, Viação e Serviços Urbanos. Para a secretaria da Educação nomeou Nair
Maria Fischer. Em 11-3-1983, instalou a rede de 5.000 m de água na linha Ano Bom e, dois dias
depois, inaugurou o novo prédio da Escola Municipal "Teutônia", junto à Granóleo. Em 20-51985, inaugurou a Escola Municipal Adão Henrique Fett, em linha Geraldo Alta.
O serviço social e a secretaria de Obras tiveram um trabalho intenso devido às
calamitosas enchentes, com o deslocamento de famílias desabrigadas e a restauração das
estradas.
Sua administração cuidou dos melhoramentos nas ruas e avenidas da cidade. A rua Júlio
de Castilhos foi pavimentada até o Centro Social Hans Wirz do SESI, em 1985. Dotou a cidade
de moderna iluminação a mercúrio, transferindo as fluorescentes para o interior. Investiu em
redes de água potável para quase todas as localidades do interior. Interiorizou a
administração, criando as subprefeituras de Delfina e Costão, colocando também uma
capatazia em Glória. Remodelou o Parque Municipal, onde construiu o Ginásio Oscar Chaves
Garcia - cf Nova Geração, de 3-7-1998.
Segundo dados oficiais da Coordenadoria Geral do Imposto de Circulação de
Mercadorias e Divisão de Estudos Econômicos-fiscais do Estado do Rio Grande do Sul órgãos da Secretaria da Fazenda - Estrela subiu do 15º andar para a sétima posição, no que
diz respeito à arrecadação do ICM, ano base 1983-1984 - cf Nova Geração, de 12-4-1985. - O
crescimento observado foi de 400,41%. - O fato se deve a várias empresas, entre as quais a
Farol, na época com 390 operários.
Segundo levantamento e cadastramento feito pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais
havia em Estrela 168 agricultores sem terra, candidatos a obterem terra, através da Reforma
Agrária.
Durante o seu governo, deu-se o movimento "Diretas já". Foi eleito presidente da
República Tancredo Neves, morto antes da posse. Ao invés de haver nova eleição, assumiu o
vice-presidente José Sarney (de 15-3-1985 a 15-3-1990). Para o governo de Estado,
concorreram cinco candidatos: Fúlvio Petraco, pelo PSB, alcançou 5,28% do eleitorado; Clóvis
Ilgenfritz, do PT, 5,32%; Carlos Chiarelli, do PFL, 10,87%; Aldo Pinto, do PDT, 23,65% e
Pedro Simon, pelo PMDB, venceu com 41,68%.
Os quatro anos da primeira administração de Gabriel Mallmann foram considerados
positivos. Os últimos dois anos foram muito perturbados, permanentemente contestado por
adversários, sem respaldo do seu partido e abandonado até por antigos companheiros e pelo
eleitorado nas urnas, não conseguindo eleger um sucessor do seu partido. Permanentemente
acossado pela Justiça e pelo Tribunal de Contas, faleceu, cumprindo pena no abrigo
penitenciário de Lajeado.
CLÓVIS ANTÔNIO SCHWERTNER
Vice-prefeito eleito
Num total de 74 dias, em três oportunidades, Clóvis Antônio Schwertner, também
secretário municipal da Agricultura entrou em exercício como vice-prefeito. De 16 de abril a
15-5-1985, durante as férias do prefeito titular em Brasília, Schwertner assumiu a Prefeitura.
Apesar do caráter interino, prosseguiu nas obras encetadas, dando ênfase na recuperação de
estradas. Na sua segunda intervenção administrativa, de 15-4-a 14-5-1985, Clóvis assume e
promete recuperar estradas - cf manchete do Jornal Nova Geração, de 19-4-1985. Prosseguiu
também no seu projeto "Salva Taquari", visando a precaver o desbarrancamento e erosão das
férteis várzeas de um dos vales mais propícios à agricultura do Estado e do país - cf Nova
Geração, de 3-5-1985. No terceiro exercício de 4 a 19-8-1986, entregou melhoramentos em
telefonia e rede elétrica aos moradores de linha Wolf. Mais de 300 pessoas compareceram à
festa que foi realizada no salão da comunidade - cf Nova Geração, de 15-8-1986.
Deu notável contribuição na administração. Na área rural, como engenheiro agrônomo,
Clóvis Schwertner ofereceu à Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio o projeto "Uma
horta em cada quintal", para o aproveitamento de terrenos baldios na cidade, e, ao mesmo
tempo, dar ocupação a desempregados ou operários que queiram diminuir suas despesas
domésticas em comprar legumes, plantá-los nos fundos de seus terrenos ou em parceria com
terrenos vizinhos, mantendo-os livres de capoeira e embelezando a cidade. Como incentivo às
mais belas hortas e canteiros foram distribuídos prêmios aos melhores classificados.
Durante sua administração, Clóvis foi indicado para ser delegado regional do Instituto
Brasileiro de Defesa Florestal - IBDF, empossado em Brasília, em 2-7-1985, substituído por
Harri Martin Rückert, na Secretaria da Agricultura. Uma de suas metas era o apoio a pequenos
projetos de reflorestamento.
LEONILDO JOSÉ MARIANI
Prefeito eleito
De 1-1-1989 a 31-12-1992
Eleito pelo PDT, com apoio do PDS, obtendo 8.349 votos, Leonildo José Mariani
elaborou um programa de governo voltado à população mais carente e para a agricultura.
Montou um secretariado de pessoas sérias, competentes preocupadas com o bem da
comunidade estrelense, segundo nos afirmou. Para a Secretaria da Administração convidou
Alfredo Ignácio Barth, com experiência como secretário da administração de Lajeado. Em 1991,
assumiu esta secretaria pelo jovem advogado Geraldo Fernando Mânica, até então assessor de
Planejamento do município. Com sua saída, foi substituído pela advogada Adriana Vier
Balbinot.
O Secretário da Fazenda foi João Manuel Dutra, cedido pelo Estado. Alcides Dall’
Orsoletta foi secretário da Indústria e Comércio substituído por Milton Adir Immich e em 1992
por Eduardo Souza. Terezinha Cleiva Saraiva Bender , secretária da Educação, Cultura e Ação
Social. José Itamar Horn, secretário de Esporte e Lazer. Hilário Eidelwein da Agricultura e
Meio Ambiente. Celso Brönstrup foi secretário de Obras, Viação e Serviços Urbanos de 1989
a 1990; em 1991 a 1992 foi substituído por Alcides Dall’ Orsoletta e Darci Gomes dos Santos.
Conforme dados existentes no Arquivo Municipal de Estrela, a herança administrativa
deixada pelo antecessor estava numa situação caótica. Segundo estatísticas do BANRISUL,
Estrela estava, em 1988, entre os quatro municípios mais endividados do Estado do Rio Grande
do Sul. A prática dos cheques sem fundo era comum. Só em 1988, havia o calote de 125
cheques de um único Banco. A dívida a ser paga, em 1989, equivalia a duas vezes a receita total
de 1988. PIS/PASEP/FGTS/IAPAS deixaram de ser pagos, desde 1983. Em 16-12-1988, a
firma EDF extraiu 572 notas contra o município de Estrela, das quais 524 estavam preenchidas
da primeira até a última linha. O valor destas notas ultrapassava o orçamento de 1988. O parque
de máquinas estava sucatado: 15 máquinas pesadas, retros, carregadeiras, tratores e até o
britador foram vendidas, só em 1988. Herdou um caos total.
Para não perdermos de vista o que ocorria na União e no Estado, lembramos que
durante o seu governo, entre os principais fatos de repercussão nacional, devem ser
mencionados: o Plano Verão, em janeiro de 1989, surgindo o Cruzado Novo (NCz$), a eleição
de Fernando Collor de Mello, em 17-12-1989, pelo Partido de Renovação Nacional e seu
famoso Plano Collor (Cr$), de abril de 1990. Com mandato cassado pelo impeachment, foi
substituído pelo seu vice, Itamar Franco, em 2-10-1992. Em nível estadual, as eleições nos
deram os dois candidatos no segundo turno: Nélson Marchesan, pelo PDS, com 28,9% dos
eleitores, e Alceu Collares, pelo PDT, venceu, com 45,66% dos votos.
A primeira tarefa do Prof. Leonildo José Mariani foi reconquistar a credibilidade da
Administração Pública Municipal. Era necessário cortar despesas, acertar o pagamento para os
330 credores e pagar as três folhas de pagamento atrasadas. Em seis meses, estavam as finanças
sob absoluto controle e o crédito restabelecido.
Área social e comunitária passaram a receber atenção. Foram assinadas 176 leis
referentes a auxílios financeiros para as comunidades, de 1989 até 1992.
Com o auxílio do município, no mesmo período, foram implantados mais de 120.000
metros de redes de água nas associações comunitárias e construídos 13 centros comunitários de
funções múltiplas em Estrela. Todos receberam substanciais auxílios do município: o Ginásio da
Comunidade de linha Lenz, Novo Paraíso, Costão, Geraldense, Moinhos, São João do Bom
Retiro, São Luís, Figueira, Arroio do Ouro, Alto da Bronze, Santa Rita, Ano Bom, linha Wolf,
Glória, São José e dois ginásios em Delfina.
Tido como um orgulho de sua administração, o Centro Municipal de Atendimento
Integrado - CEMAI foi criado em 10-10-1990. O local que servia, até 1988, para "brigas de
galos de rinha", foi transformado em local de atendimento às crianças carentes. Reformas e
novas construções deram lugar ao Centro Municipal de Atendimento Integrado - CEMAI.
Criado por iniciativa da Primeira Dama, professora Rejane Maria Wendel, foi inaugurado no
mesmo dia 10 e teve como diretora, durante 10 anos, a professora Dorli Schneider.O seu
objetivo é atender, em turno integral, às crianças carentes, dos 7 aos 14 anos.
No final de 1992 o CEMAI atendia 170 crianças e no final de 2000 atendia 320
crianças. Estrela ostentava no final do milênio o orgulho de manter um outdoor na entrada da
cidade onde se lia "Estrela não tem crianças de rua."
Como professor, Mariani teve a Educação como a grande prioridade em sua
administração, através de
- Concursos, qualificação e valorização dos professores.
- Ampliação da Escola La Salle na Linha São Jacó, da Escola Teutônia e da Casa da
Criança Estrelense. Creches instaladas em prédios alugados no Bairro Oriental e Chacrinha
(Arroio do Ouro).
- Construção da Creche Estrelinha, no Bairro das Indústrias, Creche Pequeno Mundo em
Corvo, hoje Colinas, Creche Lar Infantil, Bairro Auxiliadora, que estava com paredes e telhado
sem aberturas, sem reboco, sem piso, sem água e sem luz.
- Construção dos primeiros módulos da nova Escola Odilo Afonso Thomé.
No Censo Educacional de 1990, Estrela apresentava 96,38% da população adulta
alfabetizada.
Criou uma Lei inédita no Estado, de nº 2114-90: concede o equivalente a ½ salário
mínimo mensal para as famílias com membros portadores de necessidades especiais
(deficientes). Hoje, são 64 famílias atendidas.
Através da Primeira Dama, foi executado pelo município um trabalho especial para os
idosos (3ª idade). Hoje, são 25 grupos e mais de 1.300 idosos atendidos no Centro, Bairros e
Interior.
Através de leis, a Administração sempre tem auxiliado na manutenção do Pronto
Socorro.
Em 1989 e 1990, o município foi assolado por cinco enchentes. A de 1990, por pouco
atingiu a quota de 1941. Foram 169 as famílias alojadas em abrigos requisitados pelo município.
Administração Mariani - Brönstrup iniciou, então, a aquisição de terrenos e a remoção
das famílias carentes de áreas alagadiças. Foram adquiridas duas grandes áreas: a do Sulzbach,
próximo ao Marmitt, e a do Eidelwein, próxima à Chácara. Foram removidas 150 famílias, nos
anos de 1990 a 1992. Foi adquirida ainda a área para o Loteamento III, implantado pela
administração Wagner e este adquiriu a área do Loteamento IV, implantado na segunda
administração de Mariani. Ao todo, foram beneficiados com terreno e /ou casa 410 famílias nos
últimos onze anos.
Criada a Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente, separada da Indústria e Comércio,
foi promovida uma revolução na Agricultura em Estrela, executada por um quadro técnico, com
inseminadores, técnicos em agropecuária, auxiliares, médicos e veterinários.
Foi planejada e executada a Campanha de Everminação, de certa forma inédita no País.
Foram distribuídas 63.000 kg de sementes no Troca-Troca, implantado o Sistema de
Interiorização e incentivada a inseminação artificial. Foi ampliado o horto florestal. Foi dado
apoio a mais de 200 silos, distribuídas mais de 2 milhões de mudas e feita a campanha do
calcário, da ração, bem como a distribuição de sementes, por causa da estiagem, em 1991.
Através de convênio celebrado com a UNISC foi elaborado um projeto para despoluir
os Arroios e Rio Taquari.
No Natal de 1991, na Campanha Estrela Nota 10, o Poder Público ofereceu um
automóvel zero km, para incentivar o Comércio de Estrela.
Entre os investimentos em obras, merecem destaque: a transformação em ponte da
antiga Pinguela. A antiga ponte de madeira, que vai para o Parque Esportivo Municipal, em
estado intransitável, foi substituída por uma moderna ponte de alvenaria, com apoio do DAER,
concluída na administração Günther Wagner.
Nos quatro anos de Administração Mariani - Brönstrup foi executado um terço de toda a
pavimentação de Estrela, num total de 140.588 m².
CELSO BRÖNSTRUP
Vice-prefeito eleito
Nos quatro momentos de governo interino, num total de 86 dias, Celso Brönstrup deu
notável contribuição ao primeiro governo de Mariani. Iniciou como secretário municipal de
Obras, Viação, Serviços Urbanos e Trânsito, de maio de 1989 a maio de 1991. Encontrou o
Parque de máquinas sucatado e sem recursos para novos equipamentos.
Tanto como secretário, como vice-prefeito, procurou trabalhar em harmonia com a
administração. Coube-lhe a tarefa de recuperar as vias públicas, danificadas constantemente por
cinco enchentes.
Uma de suas batalhas foi a criação e estabelecimento de um Distrito Industrial, no Km 2
da Rota do Sol, em Novo Paraíso, em área de terras de Mário Cláudio Vier. Vários empresários,
através da ACIE, não apoiaram o projeto, temendo a escassez de mão-de-obra. Diante da
discussão criada, o prefeito Mariani preferiu um meio termo, para evitar confronto, o que fez
com que o secretário devolvesse o cargo. Mesmo assim, como vice-prefeito, na interinidade,
tocou o barco para frente, apenas lamentando a falta de ousadia do prefeito. Ainda assim,
assumiu a chefia do Executivo, durante 77 dias, nas férias do titular: de 18 a 21-7-1989; de 2 a
31-1-1990; de 4-2-1991 a 1-3-1991 e de 15-1-1992 a 3-2-1992.
O projeto do Distrito Industrial foi desconsiderado, preferindo alguns empresários ir ao
encontro dos interesses dos bancos, fazendo vultosos depósitos em cadernetas de poupança e
demais especulações financeiras, sem risco e com lucro mais fácil...
GÜNTHER RICARDO WAGNER
Prefeito eleito
De 1-1-1993 a 1-1-1997
Vencendo as eleições como candidato situacionista, Günther Ricardo Wagner assumiu a
administração no mesmo ritmo do seu sucessor. Encontrou a casa em ordem e por isso, tinha
plenas condições de dar uma continuidade administrativa. Eleito pelo PDT, no decorrer do seu
segundo ano de administração trocou de partido, ingressando no Partido Liberal, levando
consigo dois vereadores e conquistando outro vereador, que tinha sido eleito pelo PMDB.
Em 13 ocasiões entregou o governo municipal, num total de 185 dias, ao seu substituto,
na mais perfeita integração e confiança, mesmo para dois presidentes da Câmara de Vereadores.
Wagner foi um prefeito empreendedor e arrojado em obras. Deu especial atenção ao
asfaltamento de estradas no município, no centro e nos bairros
Transformou a avenida Rio Branco em verdadeira avenida, desapropriando áreas para o
seu alargamento. Para a coordenação do trânsito, especialmente defronte à Rodoviária, construiu
a rótula, denominada de "Günther Ovo". Implantou as rótulas junto à E.E. de 2º Grau de Estrela
e junto à CORSAN, no entroncamento da Rua Geraldo Pereira e na Júlio de Castilhos.
Juntamente com as implantadas defronte ao CIE e Escola Estadual Vidal de Negreiros pelo
Prefeito Mariani, tais rótulas ordenam o trânsito urbano, diminuindo o número de acidentes e
substituindo a instalação de sinaleiras.
Construiu o belíssimo Parque Princesa do Vale, ao longo da avenida Júlio de Castilhos.
A área inicial para a construção do parque tinha sido adquirida em 1992. Além de instalar o
parque, Wagner adquiriu para o município toda a área do lado esquerdo da Júlio de Castilhos,
até lindar com a área do Hospital.
Para melhor atender as mais de 800 crianças da Educação Infantil e as mais de 1.600
crianças e jovens da Educação Fundamental foi criada na administração Günther-Barth a
Cozinha Central. Pessoas concursadas, nutricionistas formadas preparam, diariamente,
alimentação para todas estas crianças. Tem capacidade para produzir mais de 1.000 refeições,
distribuídas com Kombi do município para as 10 creches municipais, a creche Colméia, a APAE
e o CEMAI.
Completou a construção da Escola Municipal de Ensino Fundamental Odilo Afonso
Thomé. Ampliou a Escola Municipal Pedro Jorge Schmidt na linha Delfina, onde implantou e
calçou a principal avenida. Em parceria com o Estado, construiu a moderna Escola Municipal
Leo Joas, no bairro das Indústrias, bem como o Ginásio Esportivo da Escola Estadual de 2º
Grau de Estrela. A construção do Ginásio Esportivo da Escola Estadual de 2º Grau de Estrela,
além da participação decisiva de 30% assumido pelo Prefeito Günther, foi fruto da insistência
da diretora da Escola, Marlise Gerhardt e do Delegado de Educação, Leonildo José Mariani.
No seu governo, foram construídas as creches nos bairros Oriental, Marmitt e Chacrinha
Arroio do Ouro.
Durante o seu governo, foi eleito Fernando Henrique Cardoso para presidente da
República, empossado em 1-1-1995, e no Estado, iniciou o governo de Antônio Brito.
ALFREDO INÁCIO BARTH
Vice-prefeito eleito
Além das nove oportunidades, num total de 129 dias, em que entrou em exercício como
prefeito, substituindo Wagner em seus impedimentos, Barth sempre permaneceu ligado à
administração, participando de reuniões com o secretariado. Como vice-prefeito, contribuiu no
traçado e execução de metas, realizando avaliações de trabalho, mormente nos dois primeiros
anos.
A continuidade administrativa, acelerando obras, acompanhando as atividades em todos
os setores foi a meta que teve em todas as suas intervenções pessoais. O objetivo sempre foi o
desenvolvimento seguro, dinâmico e harmonioso do município de Estrela.
CARLI REINOLDO RÜCKER
Presidente da Câmara de Vereadores
Devendo o titular se afastar de Estrela, e estando o vice-prefeito impedido de assumir o
seu lugar, entrou o presidente da Câmara Carli Reinaldo Rücker em exercício na chefia do
governo municipal, em 13 de abril de 1995, por 11 dias.
Deu continuidade administrativa, acelerando as obras em andamento. Tomou a decisão
de melhorar a iluminação pública na Av. Rio Branco, optando pelas lâmpadas a vapor de sódio.
No dia 24, reassumiu a presidência da Câmara.
JOSÉ INÁCIO BIRCK
Presidente da Câmara de Vereadores
Num total de 45 dias, em três oportunidades entrou o presidente da Câmara municipal
em exercício como chefe do Poder Executivo: de 31-1-1996 a 2-3-1996; de 1 a 6-4-1996 e de 14
a 23-8-1996.
Administrou Estrela na perfeita interinidade, acompanhando e acelerando as obras
municipais.
LEONILDO JOSÉ MARIANI
Prefeito eleito
De 1-1-1997 a 31-12-2000
Prof. Leonildo José Mariani procurou oferecer o que encontrou de melhor para Estrela.
Administrou o município em sua segunda gestão de forma racional, dinâmica, equilibrada e,
sobretudo, humana.
Incluindo secretários, assessores, diretores e chefias, Mariani contou com 104
servidores com cargos de confiança, embora existam 154 CCs criados em lei. Também contou
com o trabalho de 34 servidores que recebiam FG. Os 16 cargos restantes permaneceram vagos,
como contenção de despesa. Sem alterações, manteve as oito secretarias existentes.
Sob o encargo de Luíza de Souza Pacheco, a Secretaria Municipal da Administração é
considerada uma secretaria-meio, pela qual tramitam os mais variados assuntos de interesse da
Administração, desde a correspondência oficial até assuntos jurídicos. A Secretaria Municipal
da Fazenda esteve a cargo de Carli Reinoldo Rücker, depois substituído por Ivanete Daltoé
Kuhn.
A Secretaria da Saúde e Assistência Social e Habitação teve como titular o professor
Arlei Simon dos Santos, com uma notável atuação, destacando-se auxílios ao Hospital de
Estrela, contratação de médicos, clínicos gerais, especialistas, dentistas e enfermeiras, bem
como excelente serviço de ambulâncias e fornecimento de medicamentos. Até o final de 2000,
os recursos investidos em saúde, 30% procederam da esfera federal ou estadual e 70% foram
recursos do município. A partir de 1-1-1977, os Camilianos, que administravam o Hospital de
Estrela, cortaram o atendimento pelo SUS. Felizmente, em setembro de 1997, as Irmãs
Franciscanas voltaram a assumir sua administração.
O município destinou, em 40 meses, mais de R$ 800.000,00. Até o final do ano 2000,
implantou 14 postos de saúde. A média de atendimento ultrapassou a 4.000 mensais.
A Secretaria Municipal da Indústria e Comércio foi dirigida por Francisco José Vier
Para incentivar o desenvolvimento de Estrela, apoiou empresas locais e buscou atrair novas
empresas. Algumas empresas receberam forte apoio da municipalidade, como doação de área de
terras à Cooperativa Languiru - fábrica de rações. O mesmo ocorreu com a Parmalat e Postes
Indaial, o berçário Industrial na Boa União.
Estabeleceram-se, em Estrela, 46 novas empresas em 2000 e o espaço físico aumentou o
número de empregos para 755, com a média 83 vagas por empresa, ou seja, mais 288 empregos.
Importante, certamente, foi a implantação do terminal de contêineres no Porto Fluvial.
Na Secretaria Municipal da Agricultura e Meio Ambiente, Rugarth Dalferth, seu titular,
imprimiu uma linha de diálogo com os agricultores, num trabalho feito por médicos
veterinários, um engenheiro agrônomo, técnicos agrícolas, inseminadores e um biólogo.
Mais de 1.380 famílias de agricultores de Estrela recebiam, diariamente, atenção de
médicos veterinários, inseminadores, técnicos, transportes, serviços de máquinas e caminhões.
Desde o seu recente lançamento, Estrela vem dedicando atenção especial ao Banco da Terra cf dados da administração Mariani.
O Meio Ambiente teve total atendimento. Com o advento da Resolução CONAMA
237/97 e da Resolução CONSEMA 05/98, os municípios ganharam responsabilidade na área
ambiental e autonomia para realizar os licenciamentos ambientais de atividades de impacto
ambiental local, tanto para Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de
Operação (LP) - cf a mesma fonte.
Por formação e princípios, Mariani procurou logo se adaptar à legislação, para
preservar o Meio Ambiente, dando todo apoio ao Secretário Rugarth e Luciane Turatti,
responsável pelo Setor do Meio Ambiente e a advogada Terezinha Horst, assessora jurídica.
Além de ser criado o Conselho Municipal do Meio Ambiente, através da Lei nº
3294/99, sancionada em 22-12-1999, foi instituído o Código do Meio Ambiente do município
de Estrela.
Estrela protocolou, em 2000, junto à Fundação Estadual de Proteção Ambiental FEPAM, o pedido de licenciamento para implantar o Parque Náutico e Estação de Tratamento
de Esgotos. A área para o Parque Náutico foi adquirida de Fritz Seyboth, em 1997. Estrela
acaba de estar classificado, em terceiro lugar, entre as 11 únicas cidades do Rio Grande do Sul
que estão de acordo com os padrões do Conselho Nacional do Meio Ambiente - Conama - cf
Correio do Povo, de 1-4-2001.
Uma das grandes obras é a Usina de Tratamento do Lixo, ao custo de mais de um
milhão de reais, modelo no Rio Grande do Sul e no Brasil, foi inaugurada, em 22-7-2000.
A Secretaria de Obras, Viação, Serviços Urbanos e Trânsito esteve a cargo de Darci
José Barth, tendo como auxiliares os engenheiros Nestor Noll, Fernando Arenhart, Carlos
Gerhardt e arquiteto Cristiano Vilanova Horn. No final de 2000, Estrela possuía o melhor
parque de máquinas do Vale do Taquari e uma completa oficina mecânica, coordenada por Dani
Mallmann.
Procurou investir sempre nas melhorias do município. Um dos grandes investimentos
foi a implantação de redes de esgoto, tanto pluvial como cloacal, na cidade, nos bairros e até no
interior, ultrapassando 70.000 metros, nos anos de 1989 até 2000.
Investimento marcante, entre 1997 e 2000, foi a abertura da Transacácia; o serviço de
máquinas no asfaltamento do trecho da BR 386 até a Conpasul, na estrada municipal de São
Jacó, sendo o maior investimento feito pela Conpasul. Em agosto e setembro de 2000, foi
asfaltada a estrada de Novo Paraíso até a divisa com Teutônia. Destacou-se ainda a participação
do asfaltamento da RS 129, no trecho Estrela até divisa com Colinas; o trecho da linha Glória; a
manutenção de estradas municipais e o acesso às propriedades de todos os agricultores de
Estrela.
A Secretaria de Educação e Cultura teve como titular a professora Marlise Gerhardt
como titular. Foi destinado nesta área 30,41% do Orçamento, em 2000.
Além do Plano de Carreira, implantado em 1999, com salário mais justo, a
administração fez notáveis investimentos no setor imobiliário, destinado à educação e cultura,
tais como: reforma do prédio da Casa da Cultura II e as construções e ampliações de diversas
escolas, num total superior a 1.135m².
Estrela mantém 10 Escolas Municipais de Educação Infantil, com 829 crianças e 103
educadoras, e 9 Escolas Municipais de Ensino Fundamental, com 1.740 estudantes e 133
professores.
Entre as melhorias nas Escolas, em busca da qualificação, destaca-se a Informática na
Educação, com três laboratórios, integrando-a na Base Curricular. As Bibliotecas receberam o
total de 8.931 livros e 148 coleções.
A padaria do CEMAI consumiu 2.000 kg de farinha de trigo por mês na confecção de
pães e biscoitos distribuídos nas Escolas Municipais, para complementação da Merenda Escolar.
A Cozinha Central forneceu 1.112 almoços por dia, para os alunos.
Sob a direção de Andréas U. Hamester, a Casa da Cultura Dr. Lauro Reinaldo Müller
proporcionou 17 oficinas, 17 cursos, 3 palestras, 5 peças de teatro, o lançamento dos livros Nas
Barrancas e Divagações e Relembranças, de Assis Sampaio e promoveu mais 19 eventos
culturais variados. A Biblioteca Pública Municipal, com mais de 20.000 volumes foi
informatizada, em 1999. Foi encadernada toda a coleção do jornal Nova Geração, desde 1966.
O Turismo teve a coordenação de Antônio Cledy Menezes Veloso.
A Secretaria de Esportes e Lazer esteve sob a direção de Adroaldo Aracy Brandão
Nunes. Organizou programações e eventos de prática de esportes em todas as suas modalidades,
bem como programas de lazer a todas as idades, tanto no interior como na cidade, seus bairros e
vilas.
Aproveitando o Parque Princesa do Vale, o mais belo espaço esportivo e de lazer da
região, a SMEL coordenou inúmeras atividades realizadas no parque. A Copa SMEL reuniu, em
2000, 12 times, com 900 atletas participantes. No interior, aproveitou os 12 ginásios existentes,
buscando a integração entre as comunidades, com a participação de mais de 700 esportistas e
atletas.
HEDO THIES
Vice-prefeito eleito
Mesmo como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Estrela, Hedo Thies
assumiu o governo municipal em 10 oportunidades, administrando o Município por 96 dias.
Sempre acompanhou a administração, em contato permanente, assistindo reuniões com o
secretariado.
Uma das tarefas mais gratificantes foi acompanhar o processo do asfaltamento da
estrada que liga Estrela a Colinas, por ser sua terra natal..
Entre as várias oportunidades que entrou em exercício como chefe do executivo
municipal há o fato que marcante da destruição parcial da ponte sobre o Arroio Estrela, em
virtudes das cheias de agosto de 1997. Acompanhou o processo de sua reconstrução. Mesmo
divergindo do Prefeito Mariani, este democraticamente lhe passou a chefia do executivo todos
os anos.
Transição
O orçamento do município para 2001 foi fixado em R$ 15.867.000,00. Sua elaboração
foi feita de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, em vigor desde maio de 2000. Os
maiores percentuais foram atribuídos às secretarias de Educação, com 31,66%; Saúde, com
18,58% e Obras, com 17,11%. A proposta tem, como inovação, uma “reserva de contingência”
no valor de R$ 1 milhão, o equivalente a 6,30%. É uma medida nova, que compensará os
valores resultantes de “restos a pagar do exercício anterior, bem como programas que poderão
surgir no decorrer do próximo exercício, ou mesmo contrapartida de convênios não previstos
pela administração. Já as dívidas contratadas e parcelamentos assumidos correspondem a
8,63% do orçamento do próximo ano - cf O Informativo Vale do Taquari, de 15-11-2000. O
salário do prefeito é de R$ 6.600,00 e do vereador é de R$ 1.617,00.
No final da tarde de 28-11-2000, o prefeito Prof. Leonildo José Mariani e o prefeito
eleito, Dr. Geraldo Fernando Mânica, e seu vice-prefeito José Inácio Birck reuniram-se para
iniciar o processo de transição no Executivo. Declarando as portas da Prefeitura abertas à nova
administração, Mariani ofereceu o Salão Nobre da Prefeitura para servir de gabinete de
transição e determinou a seus secretários o acesso a todas as secretarias, para que o novo
governo se informe de toda a situação existente.
Na solenidade da posse, em 1-1-2001, às 10h30min, com celebração ecumênica,
Mariani apresentou ao novo governo o Relatório de sua administração, bem como o andamento
de vários projetos encaminhados junto ao governo do Estado e da União, como a ampliação do
Cemai e implantação da Estação de Tratamento de Esgotos.
Finalmente, deixou os originais do presente livro, como último investimento, para que,
oportunamente, pudesse ser impresso e publicado.
A dívida desta administração gira em torno de R$ 1.900.000,00 - cf Folha Popular, de
4-7-2001 - resultante de heranças administrativas anteriores, INSS, folha de pagamento de
dezembro, fornecedores, etc. Além disso, o Município assumiu diversos compromissos, sempre
aprovados pela Câmara de Vereadores, num total de R$ 4.000.000,00, pagáveis em até 180
meses - cf dados fornecidos ao autor deste livro. Trata-se de investimentos em obras, a médio e
longo prazo, especialmente a área e casas populares dos Loteamentos III e IV, pavimentação de
ruas e a Usina de Tratamento de Lixo. A Receita tem a receber R$ 4.500.000,00, referentes a
IPTU, ISS e Contribuição de Melhorias, especialmente, pavimentação de ruas. Em torno de R$
3.000.000,00 estão em cobrança judicial, uma obrigação legal do Executivo, para não ser
condenado por renúncia de Receita, embora as cobranças trouxessem grandes desvantagens
eleitorais. Outros prefeitos executaram os seus devedores logo após as eleições - confessou
Mariani. Tentando acrescentar mais outra explicação da derrota do seu candidato à sucessão
municipal, lembrou que o candidato da oposição fez uso do mesmo slogan usado por ele, na
campanha eleitoral de 1988: Estrela quer mudar... Como Estrela tem candidatos competentes,
num regime democrático a alternância de poder faz muito bem à coletividade.
GERALDO FERNANDO MÂNICA
Prefeito eleito
De 1-1-2001 a 31-12-2003.
No lançamento de suas candidaturas para prefeito e vice-prefeito, Dr. Geraldo Mânica e
José Inácio Birck apresentaram ao eleitorado de Estrela um Plano de Governo, em construção,
denominado de União por Estrela.
De um total de 124.493 eleitores do Vale do Taquari, 20.034 são de Estrela, com quatro
candidatos a prefeito e vice-prefeito, nas eleições de 1-10-2000.
Se a campanha se manteve, de forma geral, em alto nível, o custo financeiro de cada
candidato, em média geral, foi bastante alto.
Pela primeira vez, a modernidade das urnas eletrônicas chegou à região, dificultando as
fraudes e possibilitando a apuração em poucos minutos, com grande confiabilidade.
Os resultados finais foram:
Geraldo Mânica e José Inácio Birck, pela coligação União por Estrela, do Partido
Democrático Trabalhista e Partido Socialista Brasileiro, foram vitoriosos na oposição, com
5.544 votos (31,75%).
Alfredo Barth e Günther Wagner, pela coligação dos Partido Progressista Brasileiro e
Partido Liberal, foi a situação vencida, com 4.622 votos (26,47%).
A dupla Carlos Rafael Mallmann e João Aleixo Akwa, pelo PSDB, surpreendeu
analistas, com 4.348 votos (24,90%).
A dupla Paulo Berti e Marco Antônio Schmidt concorreu pela coligação do Partido de
Movimento Democrático Brasileiro e Partido Trabalhista Brasileiro, obtendo 1.982 votos
(11,35%).
A dupla Paulo Gregory e Lúcio Goethel concorreu pelo Partido dos Trabalhadores,
conseguindo apenas 968 sufrágios (5,54%). Circulam boatos de que um grupo de petistas, na
última hora, preferiu votar no candidato mais forte da oposição. Hoje, estão contribuindo para o
sucesso do governo, especialmente na área da cultura.
Houve ainda 302 votos em branco, 294 eleitores anularam seu voto e 1.972 deixaram de
votar, o que corresponde a 9,84%.
Ao que parece, o equilíbrio dos eleitores em distribuir os votos, quebrando a hegemonia
de 12 anos da situação, se manifestou pela vontade de mudar, preferindo a alternância do poder.
Por isso mesmo, o novo governo prosseguirá no ritmo de desenvolvimento, estreitando ainda
mais os laços de união entre estrelenses, sem rancores e sentimentos de vingança.
O Orçamento Municipal para 2001 foi de R$ 15.867.000,00. Como ocorre em quase
todos os municípios onde a oposição assume o poder, Mânica calculou a dívida herdada em R$
3.000.000,00. Inicialmente, procurou restabelecer o equilíbrio das finanças públicas e estimular
as empresas e os cidadãos a colocarem seus impostos em dia, oferecendo descontos e condições
de longo prazo, em até quatro anos, para o parcelamento dos débitos. Além disso, terceirizou
parte dos serviços públicos.
Separando-se da Agricultura, foi criada a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
O slogan do atual governo é A força nas mãos do povo. Sua equipe de governo está
assim formada: Carlos Artur Hauchild - Secretário da Administração e Recursos Humanos;
Roberto Lohmann Branco - Secretário da Fazenda; Cláudia Argiles da Costa - Secretária da
Educação, Turismo e Cultura; Rosicler Couto Sodré - Secretária da Saúde, Assistência Social e
Habitação; Paulo Corvalão da Rosa - Secretário do Desenvolvimento Urbano; Nardir
Rosemundo Steffens- Secretário de Esportes e Lazer; Hilário Eidelwein - Secretário da
Agricultura; Vicente Hoss - Secretaria do Meio Ambiente e de Saneamento Básico; Renato
Antônio Zanella Filho - Secretário de Planejamento e Industria e Comércio; Gustavo Scherer Departamento da Saúde; Moacir Engster — Departamento de Trânsito; Marli Cortez —
Departamento de Assistência Social; Carla da Costa Campos - Departamento de Planejamento;
Carlos Antônio Veloso - Departamento de Turismo e acumula o setor de Cultura desde 4-102001.
Somente em 17-5-2002, recebi o texto atualizado desta administração, que segue na
íntegra, em itálico:
“Estrela possui a melhor mão-de-obra do Brasil”.
Esta afirmação é de Antônio Carlos Teixeira Álvares, diretor superintendente da
Brasilata, conhecedor do assunto, vinculado a empresas de grande porte, instaladas nas
maiores capitais brasileiras e também no exterior.
A qualidade de vida é outro fator importante. A Organização das Nações Unidas
(ONU) elegeu Estrela um dos melhores lugares para se viver no Brasil.
Qualidade na Administração
A Prefeitura de Estrela busca ser um exemplo de qualidades na prestação de seus
serviços, como um princípio norteador das atividades públicas. A fim de alcançar tais
objetivos, implementa o Programa de Qualidade na Prefeitura e suas Secretarias.
Os cargos públicos foram preenchidos por pessoas que possuem conhecimento técnico
da área. A administração também conta com os serviços de estagiários universitários,
estudantes das faculdades da região, salários de baixo custo e alta qualidade, bem como
terceirização dos serviços públicos, que a legislação permite, com a redução de efetivo de
funcionários, com cargos em comissão (CC) e contratação de serviços de cooperativas.
Os prefeitos adotam políticas de participação popular, como forma de integração entre
a população e o executivo, bem como a valorização do poder legislativo, demonstrando a
importância destes na comunidade.
Outro objetivo é evitar que os contribuintes tenham que se submeter a tuas para
pagamento de impostos e retirada de carnês e de todos os serviços prestados.
O Orçamento Municipal de 2001 foi de R$ 15.867.000,00. Como ocorre em quase todos
os municípios onde a oposição assume o poder, há uma grande dívida.
Secretaria Municipal da Agricultura
O município de Estrela realizou eleição direta para Secretaria da Agricultura, fato
considerado inédito nas administrações brasileiras nesta área. O primeiro Secretário, eleito
por voto direto, Hilário Eidelwein, assumiu a pasta da agricultura no dia 15-5-2001. Nove
programas, treze projetos e vinte e seis sub-projetos, foram elaborados com a finalidade de
atender todas as áreas da agropecuária. A inspeção animal e vegetal são prioridade, pois é
saúde pública, acessos e estradas de produtores são atendidas pelo parque de máquinas para
escoamento da produção, financiamento de bens e produtos, sem juros, será concretizado pelo
fundo rotativo, feiras de peixes vivos (04 mensais ), frango caipira, carne de caprinos, ovinos e
mel, são alternativas de produção.
A assistência veterinária e agronômica foram intensificadas, determinando aumento da
qualidade da produção, com incremento na tecnologia pela transferência de embriões em
bovinos, conseqüência da inseminação artificial planejada e eficazmente executada. Leite,
carne bovina, suína e de aves são produzidos utilizando-se tecnologias de ponta e projetos de
nutrição, alimentação volumosa, protéica e utilização de forma equilibrada de micro e macro
nutrientes contribuem para tal.
O incremento das ações em feiras, mostras e exposições são o espelho do trabalho e da
produção do meio rural. Brucelose, tuberculose, mamite são doenças eficazmente controladas,
pelas ações dos médicos veterinários, através da utilizações de medicamentos prescritos de
forma racional e recomendação de manejo adequado do rebanho do município, além de
campanhas quadrimestrais de combate a endo e ectoparasitores,
Implantação de software de Cadastro Rural – Gestão Rural Municipal – para
tabulação de dados referentes a produção agropecuária, serviços prestados de máquinas,
atendimentos veterinários, inseminações e assistência técnica. Este sistema é complementado
pela utilização de GPS (Sistema de Posicionamento Global) e notebook, para zoneamento e
georeferenciamento de todas unidades produtivas.
A cooperação entre entidades ligadas ao setor, proporcionam treinamentos, cursos e
atividades práticas aos produtores, resultando num crescimento contínuo da agropecuária e da
cultura do trabalhador rural.
Planejamento, Indústria e Comércio
O potencial agrícola e industrial da cidade de Estrela é conhecido e reconhecido, sendo
o segundo município em produtividade agrícola no Estado. Localização estratégica, BR-386,
Rota do Sol, proximidade dos pólos consumidores da Grande Porto Alegre e de Caxias do Sul,
bem como Passo Fundo, entre outros, coloca-nos em situação privilegiada. Entroncamento
rodo-hidro-ferroviário para viabilizar o transporte multi-modal, são fatores que levaram a
atual gestão a implementar uma política de atuação de empresas, preferencialmente nas áreas
agroindustriais, metal-mecânica, bem como indústrias de alta tecnologia e de produção limpa.
A política industrial visa também incentivar a implantação de um distrito
agroindustrial e implantar o Sistema de Suspensão Municipal através da Secretaria Municipal
da Agricultura.
Visitas às empresas, apoio ao projeto de extensão empresarial, capacitação
empresarial, qualificação da mão-de-obra e assessoria para obtenção de financiamento são
políticas prioritárias da atual administração.
Secretaria do Meio Ambiente e do Saneamento Básico
Em função da preocupação com as questões ambientais no município de Estrela a atual
administração criou a Secretaria do Meio Ambiente e do Saneamento Básico, sendo o
município pioneiro da Região do Vale do Taquari e terceira secretaria a ser criada no Estado.
A atual secretaria é administrada pelo Engenheiro Agrônomo Vicente Hoss que conta
com a colaboração de um Agrônomo, um Biólogo e uma estagiária de Biologia nos quadros
técnicos.
Sendo a estrutura organizacional na gestão ambiental do município composta por um
Conselho Municipal do Meio Ambiente (COMDEMA), reunindo-se mensalmente. Sob a
presidência do Arquiteto Günther Flintsch e vice-presidente o Geólogo Manfred Köeln.
Secretaria Municipal da Saúde e Assistência Social
A Secretaria Municipal da Saúde e Assistência Social tem como prioridade a saúde
preventiva, a construção da pessoa como ser humano em toda a concepção como resgate dos
valores inerentes ao ser independente.
A valorização da gestante, do idoso e da criança, são aspectos fundamentais do
trabalho realizado como base e obrigação para o atingimento de metas elementares de uma
vida digna.
Nos diversos programas em execução pelos laboradores da área da saúde estão a
atenção aos diabéticos, aos hipertensos, as gestantes, sistema de saúde do trabalhador,
assistência farmacêutica, imunizações, saúde da mulher e vigilância epidemiológica.
Na assistência a saúde desenvolve seus programas de carências nutricionais a crianças
de 0 a 5 anos, serviço de atendimento especializado – SAE HIV/AIDS, redução de danos e o
plantão social.
Sempre atentos na integralidade da atenção á saúde mental com acompanhamento das
assistentes sociais, psicólogas e psiquiatra, é disponibilizado programas e terapias de grupos e
individuais em transtorno de humor, alcoolista, psicóticos, famílias psicóticas, adolescentes
escolares, crianças escolares, relações humanas no trabalho, psiquiátrica, psicoterapia
individual e terapia familiar.
Para um efetivo ingresso na saúde preventiva está em implantação o Programa de
Agentes Comunitários de Saúde – PACS e o Programa de Saúde da Família – PSF (médicos da
família), onde a detecção e o acompanhamento das causas e efeitos nocivos à saúde realizados
individualmente pelos agentes comunitários de saúde como o objetivo principal de prevenir
agravos.
Na assistência social a secretaria conta com o corpo profissional qualificado com
programas e objetivos de valorização da pessoa para o resgate sócio-educativo e o seu
desenvolvimento pessoal, com ênfase no apoio em meio aberto com crianças na faixa etária dos
7 aos 18 anos em horário inverso da escola regular; Pousada da Criança e do Adolescente
para atendimento de crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social; benefício de
prestação continuada ao idoso; grupos de convivência de atendimento a pessoa idosa para
valorização e interação na família e comunidade; abrigo para a garantia no atendimento do
idoso carente em instituição asilar; benefícios de prestação continuada as pessoas portadoras
de deficiência; reabilitação/estimulação ao portador de necessidades especiais; grupo de
convivência de pessoas portadores de deficiência; orientação e apoio sócio-familiar visando a
garantia dos direitos fundamentais e fortalecimento dos vínculos familiares; família cidadã com
renda mínima para acesso de bens, serviços, cidadania e direitos sociais; plantão social para
pronto atendimento; apoio as mulheres vítimas de violência com apoio social, psicológico,
jurídico e abrigo – Casa de Passagem.
Secretaria Municipal do Desenvolvimento Urbano
A Secretaria Municipal do Desenvolvimento Urbano, não apenas mudou de nome, mas
também a visão de trabalho. Para ser mais dinâmica está descentralizando as tarefas através
da criação de capatazias nos bairros e interior. Nesta descentralização, encontra-se também o
Departamento de Trânsito que tem um trabalho de suma importância, que é o de proporcionar
mais segurança e desenvolvimento ao município. Também há a criação de equipes de trabalho,
o que deixa a administração e os próprios funcionários mais seguros nas funções que exercem.
Com uma visão humanitária, como a de toda a administração, tem-se também um
projeto da construção de um novo prédio para a acomodação da secretaria, proporcionando
aos seus colaboradores um ambiente melhor de trabalho, com refeitório e local de lazer. A
qualificação da mão-de-obra, assim como o aumento da auto-estima das pessoas, também faz
parte deste projeto futuro, que engloba também a implantação do Programa de Qualidade
Total na Secretaria.
Secretaria de Educação, Cultura e Turismo
A Secretaria de Educação, Cultura e Turismo busca a participação de diversas pessoas
para nortear suas ações com segurança e atendendo os anseios da sociedade local. Se entende,
que se está inserido num espaço de transformações de permanente evolução e conexão a um
universo que se amplia e se redimensiona a cada momento.
É sob o slogan “Estrela: História e Valores que constroem a pluralidade cultural de
seu povo” que se tem buscado ampliar sua forma de atuação. São oito setores permanentes de
construção de políticas públicas: artesanato, artes cênicas, artes visuais, história, música,
social crítica, tradição e folclore.
Como cultura prevê a durabilidade de suas ações, o Projeto Resgate Cultural é o
grande enfoque no setor, congregando outros tantos projetos com o propósito de desenvolver o
município como um pólo de informações, espaços e programas na área de história e outros
setores do universo cultural.
A Biblioteca Municipal, destaca-se como centro de conhecimento oportunizando o
acesso da população a um acervo bibliográfico como à constante informação. O projeto
“internet cidadã", recentemente adquirida, é uma das mais novas implementações.
A prática educacional tem propiciado a compreensão da realidade social e dos direitos
e responsabilidades em relação a vida pessoal e coletiva. Esse projeto exige o compromisso
com a construção da cidadania.
A gestão municipal objetiva a criação e garantia de espaços onde todos os envolvidos
sejam co-partícipes, co-autores e co-responsáveis na prática durante o processo ensinoaprendizagem.
Na busca de uma educação adequada à realidade, o setor de educação vem
desenvolvendo ações as quais estão inseridas em programas. Dentre eles, destacamos: centros
de convivência, atendimento extra-classe CEMAI, paz nas escoas e alimentação saudável.
Inúmeras são as ações de forma integrada que estamos implementando para que o
turismo em Estrela gere seus benefícios. Dentre estas ações destacamos a atualização do
inventário turístico do município, para que possamos avaliar toda a real potencialidade que
dispomos.
O Programa denominado Redescobrindo Estrela, onde destacamos de forma didática e
objetiva aos estudantes, explicando e informando sobre o potencial turístico do município.
A sintonia da Educação, Cultura e Turismo tem propiciado um processo permanente de
construção, de análise, reflexão e avaliação. A SMECTUR tem como premissa “olhar” o ser
humano como um todo, pois acredita que a valorização do profissional como um todo leva a
uma melhoria na qualidade de vida. E, a partir do momento em que o ser humano recebe uma
atenção especial, com certeza terá mais estímulo e equilíbrio para desempenhar sua função.
O Centro de Cultura e Turismo Bertoldo Gausmann, na rua Pinheiro Machado com
esquina da Marechal Floriano, foi inaugurado em 11-4-2002. Nele funcionam os Departamentos
de Cultura e Turismo. O Centro de Cultura foi conquistado ao longo de vários anos, desde a
primeira gestão do ex-prefeito Leonildo Mariani - destacou o prefeito Geraldo Mânica; - um
espaço regional, aberto para todas as manifestações culturais - cf Cláudia Argiles Costa, no
discurso de inauguração, em O Informativo, de 12-4-2002.
JOSÉ INÁCIO BIRCK
Vice-prefeito eleito
Está no seu plano de ação a integração total na administração.
Dá um cunho próprio pela forma participativa das comunidades, de acordo com os
ideais do Partido Socialista Brasileiro modernizado, sem as cores do autoritarismo e
totalitarismo de governos socialistas, cujas muralhas de força militar foram derrubados pela
força popular.
Para modelo de sintonia, está servindo sua atuação estrelante como vereador
comunitário, o que nesta administração é amplo e extensivo a todo o município de Estrela.
Conclusão
A divulgação dos resultados da gestão fiscal dos municípios em 2000 pelo Tribunal de
Contas do Estado mostrou que Estrela está dentro do limite de 54% para o Executivo e 6% do
Legislativo, de gastos com pessoal, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Pessoal Fiscal.
Cf Zero Hora, de 13-10-2001, o Executivo de Estrela tem o índice de 51,65%, portanto, dentro
do limite. O Legislativo de Estrela pode servir de modelo na redução de despesas.
Na sessão de 22-10-2001, a Câmara autorizou a abertura de crédito especial de R$
82.5000,00. Os recursos foram liberados pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil e serão
aplicados na construção de 18 residências em alvenaria, no Loteamento Popular IV, para
famílias que tiveram suas casas destruídas pela enchente de 2-10-2001. Os beneficiados devem
comprovar, no mínimo, dois anos de residência em Estrela. As moradias não poderão ser
vendidas num prazo de dez anos. Além disso, os terrenos alagadiços desocupados, passarão para
a propriedade do município, destinados à área verde.
O município recebeu o Certificado de Regularidade Previdenciária - CRP. O regime
próprio em Estrela é estabelecido pela Lei Municipal 3.525, de 1-3-2002. O documento, de
número 98865-6639, foi emitido pelo Ministério da Previdência Social - cf O Informativo, de
30-5-2002.
PODER
LEGISLATIVO
Durante quase um século o Poder Legislativo esteve funcionando nas mesmas
dependências do Poder Executivo, isto é, na Intendência e Prefeitura Municipal.
No decorrer dos anos, o próprio espaço para a administração municipal era muito
limitado na Prefeitura. O Poder Executivo considerava do seu "direito" ocupar as salas
ocupadas pela Câmara e esta não tinha prédio próprio. Um fato, mais pitoresco que
insólito, deu-se em 2-4-1975, quando a Câmara estava reunida em sua sede, na Prefeitura
Municipal, sob a presidência de José Walmor Fernandes, estendendo-se a sessão noite a
dentro. O secretário da Administração, Jesus Renato Tavares Paz, foi encarregado de
aguardar o término da reunião, para fechar o prédio. Como Jesus viu tudo em paz,
chaveou a porta e foi para casa, com a intenção de retornar lá pelas 20 horas, como era
costume. Entretanto, a reunião terminou mais cedo e Vereadores ficaram presos no prédio
da Prefeitura, foi a manchete da Nova Geração, de 5-4-1975. A oposição culpou o prefeito
Gabriel Mallmann. Desse incidente, Gabriel foi inocente e só Jesus, o culpado,
involuntário...
Depois de 95 anos na Prefeitura, velha e nova, a Câmara procurou outros espaços.
Em 5-3-1980, realizou sua primeira sessão no antigo prédio do Banco da Província e,
depois, Banrisul, alugado por Friedrich W. Seyboth, na rua Coronel Flores n.º 353, onde
se encontra, hoje, uma loja Super Nova 1,99, e, no andar superior, a empresa de Telemensagens, de Jadir Pletsch. Em 1986, transferiu-se para a parte térrea da Rádio Alto
Taquari, na rua Fernando Abbott, n.º 427, até o mês de abril de 1994, quando alugou as
atuais dependências, na Rua Arnaldo J. Diel, n.º 140.
O então presidente da Câmara, Paulo Floriano Scheeren, defende uma sede própria
para o Legislativo - cf O Informativo do Vale, de 23-8-2001. Obteve informações do
deputado federal Ênio Bacci de que há disponibilidade de verbas para esta finalidade.
No período do Brasil Império, desde a lei imperial de 1-10-1828 (por isso Dia do
Município), o Poder Legislativo era exercido pela Câmara Municipal de Vereadores, eleitos por
sufrágio direto dos eleitores de 1º grau, com mandato de quatro anos. O presidente, geralmente
o mais votado, mas eleito pelos seus pares, tinha algumas funções ou atribuições de Poder
Executivo, pois não existia a figura do intendente, nem de prefeito. As decisões votadas eram
executadas por um procurador, auxiliado por secretário, fiscal, arruador, porteiro e guardas
municipais.
No período republicano, o Poder Legislativo foi exercido pelo Conselho Municipal,
denominando-se os membros conselheiros municipais. Suas atribuições eram limitadas,
servindo para apreciar e aprovar o orçamento anual, bem como sua arrecadação tributária.
Getúlio Vargas alterou a denominação, voltando a ser Câmara de Vereadores, em 1936. No ano
seguinte, a ditadura getulista voltou a tirar dos brasileiros o poder de eleger seus governantes e
representantes na Câmara. A restauração da vereança se deu em 1947.
O leitor poderá estranhar a numeração das legislaturas. Entendemos por legislatura o
espaço de tempo durante o qual os legisladores exercem os seus poderes, eleitos pelo povo
como seus representantes, no regime democrático. Por esta razão, não são qualificadas, nem
computadas como legislaturas os períodos de exercício das Juntas e dos Conselhos Consultivos,
por serem seus membros nomeados, sem o exercício da democracia.
CÂMARA DE VEREADORES
1ª Legislatura
De 21-2-1882 a 8-1-1883
TRISTÃO GOMES DA ROSA
O mesmo período
Depois da solene instalação do novo município de Estrela, em 21-2-1882, foi
empossada a primeira Câmara de Vereadores, com mandato-tampão de quase um ano, composta
por 7 vereadores eleitos:
Henrique Teodoro Rohenkohl - vice-presidente,
Patrício Antônio Rodrigues,
Jorge Carlos Lohmann,
Tristão Gomes da Rosa - presidente,
Miguel Ruschel,
Bento Manuel de Azambuja,
Luís Paulino de Morais.
Faltou na posse e ato de juramento o vereador Luís Paulino de Morais. Depois da
solenidade da instalação do município, os seis vereadores se reuniram para eleger a mesa
diretora da Câmara, com atribuições de chefe do Poder Executivo, na falta de um intendente.
Transcrevemos a Ata da 1ª Sessão da Câmara de Vereadores, realizada no dia seguinte,
divulgada pelo Jornal de Lajeado, de 18-2-1976:
Aos vinte e dois dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e oitenta e dois, no Paço da
Câmara Municipal desta Vila de Santo Antônio da Estrela, depois de instalada e empossada a
Câmara Municipal, constituiu-se a mesma sessão, sendo presentes os vereadores Henrique
Teodoro Rohenkohl, Miguel Ruschel, Jorge Carlos Lohmann, Tristão Gomes da Rosa, Bento
Manuel de Azambuja e Patrício Antônio Rodrigues, passaram por escrutínio secreto eleger
dentre si, na forma da 2ª parte do parágrafo quinto do art. 22 da Lei n.º 3029, de 1881, o seu
presidente e vice-presidente, tendo obtido votos: para presidente - Tristão Gomes da Rosa,
quatro votos, e Henrique Teodoro Rohenkohl, dois votos. Para vice-presidente: Henrique
Teodoro Rohenkohl quatro votos e Miguel Ruschel dois votos. Publicado o resultado, tomou o
presidente o seu respectivo assento. Imediatamente resolveu a Câmara nomear para o seu
secretário interino João Lourenço Dexheimer, que, depois de ter prestado juramento na forma
da lei, entrou em exercício. Compareceram e apresentaram seus diplomas e solicitaram o seu
juramento os Juizes de Paz desta Vila, Senhores José Luís Raupp, Nicolau Ruschel e Jacó Kern,
e os Juizes de Paz do 2º distrito (Lajeado), Senhores Filipe Jacó Hexsel, Luís Jaeger e Pedro
Brentano, sendo-lhes pelo presidente deferido o juramento na forma da lei. A Câmara passou a
oficiar ao Ilmo. e Exmo. Sr. Dr. Vice-presidente da Província comunicando de ter prestado o
respectivo juramento e tomado posse, enviando cópia da Ata de instalação; e ao Dr. Juiz de
Direito da Câmara de haver prestado juramento e tomado posse. E levantou o presidente a
sessão, convidando os Senhores Vereadores, para comparecerem no dia vinte e três, às nove
horas da manhã, para quando ficou adiada a sessão. Para constar lavrei a presente ata, que
depois de lida e aprovada será assinada. Eu, João Lourenço Dexheimer, secretário interino,
que a escrevi. Seguem as assinaturas dos vereadores presentes.
Efetivamente, no dia seguinte, voltou a se reunir a Câmara. Nessa segunda sessão, do
dia 23, dividiram-se os vereadores em diversas comissões legislativas: Para a Comissão de
Polícia, Economia Policial, Legislação e Matéria Contenciosa (litígios..): Patrício Antônio
Rodrigues e Luís Paulino de Morais. Comissão de Fazenda, Obras e Melhoramentos: Miguel
Ruschel e Bento Manuel de Azambuja. Comissão de Estatística, Limites e Divisão e de
Redação: Henrique Teodoro Rohenkohl e Jorge Carlos Lohmann.
O presidente Tristão Gomes da Rosa, latifundiário e escravocrata, não participava de
comissões, mas coordenava todos os trabalhos, pois, de fato, era como se fosse o primeiro
"intendente" de Estrela, presidente da Câmara no exercício de "prefeito", termo usado desde
1930.
Como lhes sobrara só mais um ano de mandato, coube a esta Legislatura preparar a
próxima eleição municipal.
2ª Legislatura
De 8-1-1883 a 8-1-1887
HENRIQUE TEODORO ROHENKOHL
O mesmo período
Em 8-1-1883, foi empossada a segunda Legislatura, eleita para o quatriênio
mencionado, com atribuições legislativas e executivas, constituída dos seguintes vereadores:
Bento Manuel de Azambuja,
Henrique Teodoro Rohenkohl
Jorge Carlos Lohmann,
Paulo Mallmann,
Pedro Buchmann,
Pedro Ruschel,
Patrício Antônio Rodrigues.
Na sessão de 7-1-1884, foi eleito Henrique Teodoro Rohenkohl para presidente da
Câmara e Patrício Antônio Rodrigues para vice-presidente, o que se repetiu na sessão de 7-11885.
Muitas vezes as atribuições legislativas dos vereadores se misturavam com atividades
executivas.
3ª Legislatura
De 8-1-1887 a 18-1-1890
HENRIQUE TEODORO ROHENKOHL
1887-1888
PATRÍCIO ANTÔNIO RODRIGUES
1889-1890
Em 8-1-1887, foram empossados os novos vereadores, para o quatriênio 1887-1891:
Bento Manuel de Azambuja
Henrique Teodoro Rohenkohl
Patrício Antônio Rodrigues
Joaquim Alves Xavier
Pedro Schneider, substituído por Paulo von Borowski
Antônio Víctor Mena Barreto
Adolfo Martins Ribeiro.
Foram suplentes:
Pedro Ruschel assumiu em 11-2-1889.
Pedro Blauth
Feliz Kuhl
Com a nomeação de Joaquim Alves Xavier para delegado de polícia, deixou a Câmara,
retomando sua cadeira em 15-12-1888.
O 3º Livro de Atas da Câmara está no Arquivo Histórico, em Porto Alegre, na Lata
112. A sessão extraordinária de 6-3-1888, presidida por Henrique Teodoro Rohenkohl, tomou o
juramento de Pedro Friedrich, como segundo juiz municipal a entrar em exercício em Estrela,
bem como nomear Inácio José da Silveira como fiscal no 1º distrito.
Em virtude do falecimento do vereador Pedro Schneider, capitão na Guerra do
Paraguai, em 20-7-1888, houve eleição municipal, sendo eleito Paulo von Borowski. Este, na
sessão de 12 de setembro, entrou com pedido para que se solicitasse ao presidente da Província
a mudança do colégio eleitoral de Teutônia da casa de Júlio May para a da aula pública. O
pedido foi deferido. Em 11-2-1889, Pedro Ruschel assumiu como vereador. Em 26-7-1889,
Pedro Buchmann pediu exoneração de cargo de Inspetor Escolar, substituído por Antônio
Geraldo Pereira. Em 2-8-1889, Jacinto Luís Bigliardi, recebeu 109$000 correspondente à
metade das despesas feitas no melhoramento do Perau, na estrada próxima de Encantado.
A última sessão da Câmara foi em 7-1-1890.
A sessão extraordinária de 23-11-1889, de adesão à República está descrita no capítulo
das repercussões de guerras e revoluções em Estrela.
Pelo ato provincial n.º 41, de 4-1-1990, foi dissolvida a Câmara Municipal de Estrela.
Acabou a democracia. Reuniram-se ainda os vereadores, no dia 18, pela última vez, para
entregar o governo municipal, documentos, arquivos e o dinheiro em caixa aos membros de um
colegiado que acabara de ser nomeado. Esta história está detalhada no capítulo do Poder
Executivo.
CONSELHO MUNICIPAL
4ª Legislatura
De 30-11-1891 a 15-10-1896
JÚLIO MAY
1891-1895
MIGUEL RUSCHEL
1895-1896
Em 15-11-1891, houve eleições municipais em Estrela. Foram eleitos os 7 conselheiros
do primeiro Conselho Municipal, com mandato de 5 anos:
Júlio May
Jacó Schenck
Nicolau Gerhardt
João Ubaldo Nery
Filipe Jacó Wild
Miguel Ruschel
Henrique Arnt.
A posse foi em 30-11-1891. Governava o Rio Grande do Sul o general reformado
Domingos Alves Barreto Leite. A este o Conselho de Estrela endereçou o pedido da nomeação
de um intendente, para administrar o município. Foi nomeado Joaquim Alves Xavier, cuja
história faz parte do Poder Executivo.
O Poder Legislativo, de acordo com a Constituição, apenas tratava de elaborar o
Orçamento da Receita e Despesa, bem como receber a prestação de contas do Intendente,
aprovando-a ou não.
Uma das tarefas do Conselho, de capital importância, era a redação, discussão e
aprovação do projeto da Lei Orgânica do Município, adaptada à nova Constituição Política.
Segundo o histórico do Álbum do Cinqüentenário, os conselheiros reuniram-se depois de
eleitos e antes da posse, pois ainda em outubro o Conselho autorizou a sua impressão para
entrar na ordem dos trabalhos.
A ordem pública durou poucas semanas. A oposição cerrada de Júlio de Castilhos não
deixou em paz o governador Barreto Leite e seu vice-governador, Barros Cassal. O
"Governicho" dissolveu o Conselho Municipal de Estrela.
De 9-1-1892 a 22-6-1892, ficou interrompido o exercício do Poder Legislativo de
Estrela.
Novas alterações no governo estadual repercutiam na vida política de Estrela. Em 8-61892, o velho Marechal do Exército, José Antônio Corrêa da Câmara, como vice-governador,
recebeu de seu colega de farda o governo do Estado. Não se sentiu com saúde para entrar em
exercício, nomeou para o seu vice outro militar, general João Nunes da Silva Tavares, tomando
posse no dia 17, em Bagé. No mesmo dia, Júlio de Castilhos retomou o poder em Porto Alegre e
nomeou para seu vice-governador, horas depois, Vitorino Ribeiro Carneiro Monteiro, dando-lhe
posse e entrando logo em exercício. Com isso, acabara o "Governicho" e, em Estrela, no dia 22
de junho, também voltou a vida política à normalidade, dissolvendo-se a Junta Municipal.
Voltou o Conselho a solicitar ao governo estadual a nomeação de um intendente.
Demorou alguns meses. Apenas em 14-10-1892 veio a nomeação de Joaquim Alves Xavier para
primeiro intendente de Estrela, empossado quatro dias depois.
Promulgada a Lei Orgânica do Município, havia condições legais para que a vida
política voltasse à normalidade.
Prosseguem o Conselho e a Intendência nos seus trabalhos regulares - cf Álbum do
Cinqüentenário.
A ordem durou pouco tempo. Os republicanos no poder entendiam de República na
teoria. Desconheciam, no entanto, o exercício da democracia. Com a Constituição Política, de
inspiração positivista, como instrumento legal, com a Brigada Militar como instrumento de
força, Júlio de Castilhos estaqueou no Palácio de Governo a sua "ditadura científica". Nos
municípios nomeou seus intendentes de confiança, na maioria acumulando o cargo de delegado
de polícia. Era uma máquina administrativa truculenta e imbatível à oposição. As eleições
estaduais para a Assembléia dos Representantes, com voto a descoberto, sem vez para as
minorias, era uma farsa. A oposição não veio votar. Júlio de Castilhos se considerou eleito e
tomou posse em 25-1-1893. Estava tudo pronto para a Revolução.
Em 1-5-1893, o intendente Joaquim Alves Xavier convocou os membros do Conselho
para uma sessão extraordinária. Mesmo que lideranças políticas, econômicas e religiosas, desde
o início, tivessem optado pela neutralidade, comprometendo-se todos a permanecer apenas no
plano das idéias, sem se envolver em ações militares, Estrela foi invadida por grupos de
amotinados maragatos, em nome da Revolução, o que está resgatado noutro capítulo.
As atividades do Conselho foram interrompidas. Após demorada interrupção de 15
meses, o Conselho reenceta os seus trabalhos, tendo lugar a 1ª sessão ordinária em 28-121894, na residência de Miguel Ruschel, em virtude de achar-se a Intendência ocupada por
forças legais, que guarneciam a Vila - cf o Álbum do Cinqüentenário. - Na mesma sessão o
Conselho resolveu solicitar ao Governador do Estado a exoneração do coronel Joaquim Alves
Xavier, por abandono do cargo de Intendente do município. A vila de Estrela voltou a ser
invadida por forças revolucionárias.
Infelizmente, o historiador não informa quem era o presidente do Conselho. Talvez
fosse Júlio May, que perdeu tudo em Teutônia durante a Revolução, vindo para Costão, por
pouco tempo, ainda em 1894. Ao ser nomeado intendente de Lajeado, em 21-1-1895, podemos
supor que tenha resignado ao cargo de presidente do Conselho e seu próprio mandato de
conselheiro, pois não ocuparia as duas funções no mesmo período. Entretanto, não encontramos
documentos.
Reunido o Conselho em 11 de março (de 1895), é lido um ofício do secretário de
Estado, em que comunicava haver sido o intendente, cidadão Joaquim Alves Xavier, exonerado
do seu cargo pelo Governador do Rio Grande. Serenam os ânimos da agitação política -
registra o mesmo Álbum do Cinqüentenário. Como não ouve produção, nem arrecadação de
impostos, nem despesas maiores, o Conselho recebeu o pedido do intendente Pércio de Oliveira
Freitas a anulação das respectivas taxas.
Em 20-4-1896, pela lei n.º 3, foi estabelecido o processo para o alistamento eleitoral e a
eleição municipal, decretado pelo Conselho e sancionado pelo intendente. Enquanto os cidadãos
procuravam inscrever-se na lista dos eleitores e obter seu título eleitoral, a campanha ocorria
sem anormalidades.
5ª Legislatura
De 15-10-1896 a 15-10-1900
JOÃO UBALDO NERY
1896-1898
ANTÔNIO SOARES IZAGUIRRE
1898-1900
No feriado de 7-9-1896 realizaram-se as eleições municipais. A apuração dos votos foi
feita 10 dias depois. Para intendente foi confirmado no poder e eleito Pércio de Oliveira Freitas.
Para o Conselho Municipal foram eleitos os seguintes conselheiros, sem que o
documento indicasse sua filiação partidária, nem número de votos:
João Ubaldo Nery
Jacó Schüller
Pedro Schmitt
Carlos Matte Sobrinho
Frederico Genehr Filho
Olympio Cavagna
Francisco Weidlich.
Não se encontram no Arquivo da Prefeitura, nem na Câmara de Vereadores, livros de
atas das reuniões. Talvez estejam nalgum arquivo público em Porto Alegre, cujo acesso,
localização e horário nem sempre facilitam o pesquisador.
Ao que parece, apenas Francisco Weidlich tenha sido eleito pelo Partido Liberal. É
certo que entrou Dr. Geraldo Nicolau Snel como suplente, sendo ele liberal.
Um ano depois de exercer o mandato - gratuito, deve ser frisado - na reunião de 27-101897, com exceção de Pedro Schmitt, todos os conselheiros e o citado suplente renunciaram ao
mandato: um incidente havido entre o primeiro conselheiro, presidindo a sessão, e o secretário
da Intendência Municipal, cidadão Otávio Coitinho da Silva, motivou a renúncia daqueles
conselheiros - cf o Álbum do Cinqüentenário.
Três meses depois, em 27-10-1897, houve novas eleições municipais, para o
preenchimento das 6 vagas. Dois dias depois, foram apurados os votos, com os seguintes
eleitos:
Jacó Schüller, reeleito
Frederico Genehr Filho: reeleito
Henrique Mallmann II
Adolfo Martins Ribeiro
Antônio Soares Izaguirre
Valentim Kern.
Para evitar novas renúncias e problemas, em 19-3-1898, o intendente Freitas nomeou
Francisco Ferreira de Brito como novo secretário geral da Administração.
6ª Legislatura
De 15-10-1900 a 15-10-1904
JOSÉ BUCHMANN
1900-1902
CARLOS DA COSTA BANDEIRA
1902-1904
Em 7-9-1900, houve novas eleições municipais, eleito Francisco Ferreira de Brito como
intendente, e empossados os seguintes conselheiros:
José Buchmann
Nicolau Ruschel Sobrinho
Antônio Vítor Mena Barreto
Jorge Steyer
Henrique Schüller
Carlos da Costa Bandeira
Guilherme Lohmann
Olympio Cavagna.
No dia imediato, o conselheiro Antônio Vítor Mena Barreto propôs na sessão que fosse
feita a aquisição dos retratos dos Drs. Júlio de Castilhos, inolvidável organizador do Rio
Grande e Borges de Medeiros, benemérito presidente do Estado, sendo essa proposta
unanimemente aceita, incluindo o voto de algum liberal, possivelmente de Jorge Steyer.
O 3º distrito de Estrela alterou sua denominação de Conventos Vermelhos para Roca
Sales, em 9-11-1900. Em 19-11-1901, foi aprovada a Lei Orgânica Municipal.
Na sessão de 15-10-1902, houve novos problemas no Conselho: Nicolau Ruschel
Sobrinho, Antônio Vítor Mena Barreto e Jorge Steyer, levados por dissensões íntimas,
resignaram seus cargos, ao ser votada a lei do orçamento. Sem renúncia ou declaração os
conselheiros Lohmann, Cavagna e Bandeira deixaram o recinto, para impedir a aprovação do
Orçamento, por considerar prejudicial ao município. O presidente convocou os suplentes em
número correspondente para votar de afogadilho um orçamento inteiramente estranho à
proposta do administrador. em 11-11-1902, foram convocados os 4 suplentes: Jacó Kern Filho
e Luís Dexheimer, que não compareceram, sendo empossados: Jacó Trentini e José Luís Raupp.
O presidente do Estado Borges de Medeiros, pelo Of. 2210, de 22-10-1902, informou ao
Conselho manifesta transgressão dos preceitos da Lei Orgânica, urge que o conselho se reúna
novamente para, tomando por base a proposta orçamentária do intendente, votá-la
integralmente ou com as modificações que forem de razão.
Na verdade, o conselho não podia aprovar o imposto focolar, por ser inconstitucional,
mas também não podia eliminar de vez a taxa de exportação, uma das maiores do orçamento,
sem a decretação de outra equivalente, pois doutro modo seria anarquizar os serviços, não
oferecendo na receita os tributos destinados a acudir aos múltiplos encargos da despesa.
Denominava-se focolar o imposto recolhido como auxílio para abrir ou conservar estradas,
cobrado dos colonos. Era inconstitucional por já haver o imposto territorial.
Certamente deve ter causado um impacto no Conselho e na comunidade o falecimento
do ex-presidente do Conselho, major Carlos da Costa Bandeira, em 17-10-1904, dois dias
depois de entregar a presidência do Conselho ao sucessor.
7ª Legislatura
De 15-10-1904 a 15-10-1908
NICOLAU MÜSSNICH
O mesmo período
Em 7-9-1904, houve eleições municipais. Reeleito Francisco Ferreira de Brito como
intendente, para o Conselho Municipal foram eleitos os seguintes conselheiros:
Nicolau Müssnich
Antônio Carlos Porto
Luiz Dexheimer
Carlos Wildner
Frederico Dreyer
Adolfo Martins Ribeiro
Olympio Cavagna.
A posse foi em 15-10-1904. Coube ao Conselho autorizar um empréstimo de
15:000$000 do Banco Pelotense ao município para o combate sistemático à praga do gafanhoto.
Depois da terrível seca, foram organizadas turmas de combate ao terrível ortóptero.
Em 11-3-1907, o Conselho aprovou um projeto do Executivo de reforma da Lei
Eleitoral de Estrela, promulgada pelo intendente Brito, pelo ato n.º 114.
8ª Legislatura
De 15-10-1908 a 15-10-1912
JOÃO UBALDO NERY
O mesmo período
As eleições municipais ocorreram em 7-9-1908. Eleito Nicolau Müssnich para
intendente, foram eleitos os seguintes conselheiros para o Conselho Municipal:
João Ubaldo Nery
Adolfo Zimmermann
Leonardo Kortz
João Gerhardt
Paulo Berti
André Göllner
Jacó Lang.
Vindo a falecer inesperadamente o intendente Nicolau Müssnich, o vice-intendente
Manuel Ribeiro Pontes Filho entrou em exercício. Convocou o eleitorado estrelense para eleger
um novo intendente, no pleito de 15-11-1909, sendo ele mesmo candidato único, vencedor,
completando o quatriênio.
9ª Legislatura
De 15-10-1912 a 15-10-1916
MANUEL PEREIRA DE MIRANDA
O mesmo período
Em 7-9-1912 retornou o eleitorado estrelense para reeleger Manuel Ribeiro Pontes Filho
como intendente e escolher o novo Conselho Municipal:
Manuel Pereira de Miranda
Filipe Mallmann
Henrique Guilherme Schwingel
Roberto Pilz
Henrique Júlio Hoerlle
Pedro Erpen
Guilherme Lengler.
Como não se encontram registros, não há certeza quanto ao exercício da presidência de
Manuel Pereira de Miranda.
O conselheiro Pedro Erpen, representante de Roca Sales, não completou o seu mandato,
vindo a falecer um ano antes, em 14-10-1915.
10ª Legislatura
De 15-10-1916 a 15-10-1920
HENRIQUE SENGER
1916-1918
ANDRÉ MARCOLINO MALLMANN
1918-1920
Retornaram os eleitores estrelenses às urnas em 7-9-1916 para confirmar Pontes filho
para mais um quatriênio na Intendência e renovar os membros do Conselho Municipal:
André Marcolino Mallmann
Henrique Senger
Henrique Schneider
Pedro Braun
Henrique Beckmann
Emílio Lengler
Adolfo Fensterseifer.
De iniciativa do intendente, o Conselho apreciou e aprovou a reforma da Lei Orgânica
de Estrela, em 18-5-1917. Pontes Filho a promulgou, dois dias depois, pelo Ato n.º 15.
De acordo com o art. 127 da Lei Orgânica, em 7-2-1920, foi decretada e promulgada a
lei de aposentadoria do funcionalismo público municipal.
11ª Legislatura
De 15-10-1920 a 15-10-1924
ANDRÉ MARCOLINO MALLMANN
De 12-10-1920 a 15-06-1924
LEOPOLDO ADOLFO MARDER
De 15-6-1924 a 15-10-1924
Em 7-9-1920, efetuaram-se as eleições municipais, para reeleger, mais uma vez, Pontes
Filho para intendente, e eleger os novos membros do Conselho Municipal:
Augusto Frederico Markus - 1º secretário
André Marcolino Mallmann - presidente
Manuel Dillenburg
Pedro Schaeffer Filho
Leopoldo Adolfo Marder - vice-presidente
Adolfo Gerhardt - 2º secretário
Guilherme Tiggemann Filho
Em 12-10-1921, foram empossados os membros do Conselho Municipal.
Os festejos de centenário da Independência do Brasil foram um dos grandes
acontecimentos. O modernismo na literatura e artes em geral, a partir do mesmo ano de
1922, explodiu pelo Brasil inteiro.
Leopoldo Adolfo Marder assumiu como vice-presidente eleito da Câmara, por
quatro meses do período eleitoral.
Sem dúvida, a fundação do semanário O Paladino, em 7-9-1921, foi um acontecimento
ímpar para Estrela. Não fosse essa coleção do jornal, grande parte da memória dos estrelenses
estaria perdida no espaço.
Felizmente, a Revolução de 1923 não trouxe maiores prejuízos diretos para o município
de Estrela. Um de seus efeitos foi a proibição do intendente de ser reeleito. Lamentavelmente,
76 anos depois, voltou-se ao sistema da reeleição imediata.
12ª Legislatura
De 15-10-1924 a 15-10-1928.
FREDERICO NEUHAUS FILHO
O mesmo período
Na eleição municipal de 15-8-1924, eleito André Marcolino Mallmann para intendente,
houve só 10 candidatos para o poder legislativo de Estrela, sendo eleitos e empossados, em 1510-1924:
Henrique Hergemöller, o mais votado, com 1.225 votos
Henrique Franken Filho
Frederico Neuhaus Filho - presidente
Cristiano Fensterseifer
Affonso José Horn - secretário
Pedro Schneider Sobrinho
Frederico Schneider - vice-presidente
Ficaram na suplência: Jacó Pedro Kilpp e Sílvio Piccinini. Raul Lopes da Silva recebeu
6 votos.
13ª Legislatura
De 15-10-1928 a 3-12-1930
JOSÉ RAYMUNDO RUSCHEL
De 15-10-1928 a 15-10-1929
ALBERTO SCHMITZ
De 15-10-1929 a 15-10-1930
JOSÉ RAYMUNDO RUSCHEL
De 15-10-1930 a 3-12-1930
Eleito Augusto Frederico Markus como último intendente de Estrela, nas eleições
municipais de 15-8-1928 o Partido Republicano Rio-grandense e Partido Libertador elegeram os
sete últimos conselheiros de Estrela, com o respectivo número de votos:
José Raymundo Ruschel - PRR: 1.088
Edvino Schaeffer - PRR: 1.105
Alberto Schmitz - PRR: 1.090
Reinoldo Willrich - PRR: 1.080
Henrique Afonso Hoffmann - PRR: 1.101
Clemente Afonso Mallmann - PRR: 771
Reinaldo Dahmer - PL: 674.
O último foi o único conselheiro que os libertadores conseguiram eleger. Antônio
Matias Brentano, com 488 votos, foi seu suplente.
Segundo o Relatório de Augusto Frederico Markus, apresentado em 20-10-1930 ao
Conselho Municipal, na segunda Mesa diretora, estava na presidência do Poder Legislativo
estrelense o professor Alberto Schmitz, sendo vice-presidente Edvino Schaeffer, secretário José
Raymundo Ruschel e demais conselheiros Clemente Afonso Mallmann, Reinoldo Willrich,
Reynaldo Dahmer e Matias Brentano.
Foi um período muito perturbado. A Mesa diretora teve três alterações.
Como está historiado noutra seção deste livro, a varredura feita por Getúlio Vargas em
todo o território nacional, em 3-12-1930, também atingiu o povo de Estrela, sendo cassados os
mandatos de seus representantes no Conselho Municipal.
O Conselho Municipal de Estrela se reuniu, sob a presidência de José Raymundo
Ruschel, para tomar conhecimento do Decreto n.º 19.398 do novo governo. Num único
"canetaço" Getúlio Vargas fez a maior cassação de todos os tempos: extinguiu os mandatos
eleitorais de todos os presidentes e vice-presidentes dos Estados e Territórios, de todos os
senadores, deputados federais e estaduais, de todos os intendentes, vice-intendentes e
conselheiros municipais do Brasil. Ao mesmo tempo, inaugurou o maior festival de nomeações
de interventores federais e prefeitos municipais. Depois de explicar os motivos da reunião, em
nome dos conselheiros, o presidente Ruschel disse que, ao deixar o mandato que o povo
estrelense lhes conferira levavam na consciência a satisfação plena de o ter cumprido com
fidelidade, e faziam votos pela felicidade pessoal do ilustre edil... - cf O Paladino, de 22-111930 - O Cel. Markus lamentou a dissolução do Conselho que o privava da sua colaboração,
visto que recebera ordem do Dr. Presidente do Estado de permanecer à testa do governo até
ulterior deliberação.
Por 5 anos e 1 mês ficou Estrela sem o exercício do Poder Legislativo. O Conselho
Municipal foi extinto. O interventor municipal, com o novo título de prefeito, nomeado pela
Interventoria estadual, estava assessorado por uma corporação, identificado por Conselho
Consultivo.
CONSELHO CONSULTIVO
O Governo Provisório de Getúlio Vargas, de fato, estava se transformando numa
ditadura unipessoal, o que em nível municipal estava representado no prefeito municipal.
Perdendo o caráter eletivo de intendente, Augusto F. Markus permaneceu à testa do Executivo
como prefeito nomeado, um cargo de confiança pessoal do interventor Flores da Cunha, a quem
única e exclusivamente prestava contas, caso fosse solicitado. O interventor municipal não devia
a mínima explicação de seus atos aos estrelenses. Era um governo pessoal.
Passado o primeiro aniversário da Revolução, o coronel Markus recebeu do
interventor do Estado um telegrama pedindo informações sobre quais eram os três dentre
dez maiores contribuintes de impostos do nosso município, a fim de ser providenciado sobre
a constituição do Conselho Consultivo de Estrela, na forma do decreto do Governo Provisório
da República, n.º 20.348, de 29 de agosto do corrente ano - cf O Paladino, de 22-11-1931. Em resposta, o Sr. Cel. Augusto Markus informou os nomes dos Srs. Helmuth Fett, como
sócio da importante firma H. Fett, Irmão & Cia., proprietária da moderna fábrica de
manteiga, aqui instalada e membro do Conselho Fiscal da Sociedade de Banha Sul Rio
Grandense Ltda., proprietária da refinaria 85, desta vila; Luiz Ignácio Müssnich,
industrialista local, proprietário da importante Cervejaria Estrela, e Alfredo Edmundo Steyer,
forte comerciante, estabelecido na Teutônia.
Estabelecia o decreto, que, além desses três, mais dois totalizariam os cinco
membros do Conselho Consultivo, sendo um de confiança nomeado pelo interventor e
outro, nomeado pelo prefeito. O escolhido do prefeito foi André Marcolino Mallmann,
gerente do Banco Pfeiffer. Restava ainda o escolhido de Flores da Cunha.
Por Decreto n.º 4.903, de 11-12-1931, o interventor federal do Estado nomeou
Helmuth Fett, André Marcolino Mallmann e Edmundo Alfredo Steyer para constituírem
o Conselho Consultivo de Estrela. As atribuições desta corporação eram as mesmas que
cabiam aos antigos Conselhos Municipais - cf O Paladino, de 25-12-1931. Cabia-lhes a
tarefa de aprovar orçamentos e contas do município.
Convocados por Eugênio Ruschel, subprefeito do 1º distrito, em exercício de prefeito,
os membros do Conselho Consultivo se reuniram, em 22-12-1931, tomaram posse e instalaram
seus trabalhos. Ruschel lhes apresentou o projeto da Lei do Orçamento para 1932.
Em 14-1-1932, voltaram os três conselheiros a se reunir, aprovando as contas da
Prefeitura, sem qualquer objeção, segundo telegrama enviado à interventoria federal.
Com a transferência do conselheiro Helmuth Fett para Porto Alegre, reuniu-se em 25-31932 o Conselho Consultivo sob a presidência de André Marcolino Mallmann cf O Paladino,
de 2-4-1932. O jornal não mencionou outros membros, nem se a reunião teve apenas dois
membros, André M. Mallmann e Edmundo Alfredo Steyer.
Na falta de um volume da coleção do jornal O Paladino, com 88 edições, de n.º 559, de
15-4-1933 ao n.º 647, de 6-1-1935, fica difícil o resgate deste capítulo, já que nada há sobre o
Conselho Consultivo no Arquivo Municipal. Ao que parece, ficou André Marcolino Mallmann
como membro e presidente do Conselho, no decorrer de 1934. Em 5-4-1935, ele assinou um
telegrama ao general Flores da Cunha aplaudindo demarches do acordo político rio-grandense
rejubilo-me manutenção candidatura preclaro chefe governador constitucional - cf O
Paladino, de 13-4-1935, data em que Flores da Cunha foi eleito governador, pelo voto indireto,
deixando de ser interventor federal. Em 10-9-1935, o Conselho Consultivo aprovou o projeto do
Orçamento para o exercício de 1936, assinado pelos conselheiros André Marcolino Mallmann,
presidente, Luís Inácio Müssnich e Edmundo Alfredo Steyer, sancionado pelo prefeito José
Hauschild Filho, pela Lei n.º 126, de 30-11-1935.
Com o falecimento de Luís Inácio Müssnich, o governador do Estado nomeou Ernestino
Leopoldo Lautert, comerciante em Estrela, para substituí-lo no Conselho Consultivo - cf O
Paladino, de 2-11-1935.
O conselheiro André Marcolino Mallmann, candidato ao cargo de prefeito deste
município nas eleições de amanhã, solicitou, há dias, sua exoneração do cargo de membro do
Conselho Consultivo - cf O Paladino, de 16-9-1935.
Guilherme Siepmann foi o delegado do Partido Republicano Rio-grandense junto ao
Serviço Eleitoral, em preparação às eleições.
CÂMARA DE VEREADORES
14ª Legislatura
De 4-1-1936 a 10-11-1937
CARLOS BALTAZAR MALLMANN
1936
GUILHERME SIEPMANN
1936-1937
De acordo com a nova Constituição, o poder legislativo era exercido pela Câmara de
Vereadores e não mais pelo Conselho Municipal.
Com o retorno da democracia, em 17-11-1935 houve eleições municipais em Estrela,
onde 3.943 eleitores estavam habilitados para votar, abstendo-se de votar 886 (ou seja, 22,4%).
O número quase duplicou. Pela primeira vez, as mulheres também podiam votar, embora nem
todas tivessem se habilitado. O governo situacionista escolheu 7 candidatos à Câmara, através
do Partido Republicano Liberal, representando todo o município:
José Alfredo Lenhard, comerciante na vila de Estrela
Leopoldo Krabbe, comerciante na linha São Jacó,
Adolfo Albino Musskopf, dentista em Languiru
Sílvio Orlandini, industrialista em Roca Sales;
Nicolau Messe Sobrinho, comerciante no distrito de Roca Sales
Reinaldo Gastmann, agricultor no distrito de Corvo
Henrique Hergemöller, agricultor no distrito de Teutônia
Esta listagem foi publicada 5 vezes n' O Paladino. Para os candidatos da oposição não
havia espaço no jornal.
Os 7 candidatos da Frente Única - FU não tiveram seus nomes divulgados pelo
semanário estrelense. A Semana, de 7-10-1935, noticiou o comício feito, no dia anterior, em
Estrela, onde foi confirmada a seguinte listagem de seus candidatos à vereação:
Carlos Baltazar Mallmann, Henrique Sommer, Sílvio Piccinini, Jorge Carlos Trentini,
Dr. Ito João Snel, Teobaldo Buecker e Guilherme Siepmann.
Este último candidato foi lançado na última hora, em lugar de Edmundo Alfredo Steyer,
uma vez que Steyer ocupou a vaga deixada pelo candidato a prefeito, Manuel Ribeiro Pontes
Filho, que faleceu 37 dias antes do pleito.
A primeira Câmara de Vereadores, da era republicana, ficou assim constituída:
José Alfredo Lenhard - PRL
Leopoldo Krabbe - PRL
Sílvio Orlandini - PRL
Dr. Ito João Snel - FU
Guilherme Siepmann - FU
Carlos Baltazar Mallmann - FU
Jorge Carlos Trentini - FU
O Partido Republicano Liberal obteve 1.172 sufrágios, elegendo 3 vereadores. Cf O
Paladino, de 25-12-1935, ficaram 5 suplentes do PRL.
A Frente Única obteve 1.725 votos, quase 60%, elegendo 4 vereadores. Cf O Paladino,
de 11-1-1936, restaram 3 suplentes.
Em 4-1-1936, com a posse do primeiro prefeito constitucional do município, também
foram empossados os primeiros vereadores. A Mesa diretora, nessa Legislatura, esteve assim
constituída: para presidente, Carlos Baltazar Mallmann, e para secretário, Guilherme Siepmann,
de 4 a 16-1-1936. Poucos dias depois, na sessão de 16 de janeiro, Carlos Mallmann e Guilherme
Siepmann renunciaram os cargos de presidente e secretário, respectivamente, para que haviam
sido eleitos na sessão de instalação. Procedida nova eleição, verificou-se haverem sido eleitos
para os cargos, respectivamente, os srs. Guilherme Siepmann e Dr. Ito J. Snel, com sete votos
cada um - cf O Paladino, de 18-1-1936.
Portanto, com 12 dias de duração, já na sessão seguinte houve a renúncia do presidente
Carlos Baltazar Mallmann, sendo eleito Guilherme Siepmann para novo presidente e Dr. Ito
João Snel, para secretário, de 16-1-1936 a 10-11-1937.
Fortunato Pimentel, em Aspectos Gerais de Estrela, em abril de 1951, p.37, menciona
a presidência da Câmara ocupada por Ernestino Leopoldo Lautert, depois de Carlos B.
Mallmann. Mas, seu nome nem consta entre os eleitos. Talvez, por falta de titulares, fosse
convocado como suplente. Faltam-nos documentos.
Se os jornais não deram as notícias, nem constam nos arquivos os livros de registros da
época, fica o desafio aos pesquisadores para reconstituir a memória.
Os nomes dos candidatos da Ação Integralista Brasileira também não foram publicados,
nos citados jornais, tendo obtido no Município apenas o total de 45 votos, dos quais 25 em
Corvo, 15 na vila de Estrela, 3 em Languiru, 3 em Teutônia e nenhum voto em Roca Sales.
A primeira e mais importante tarefa da nova Câmara de Vereadores foi a elaboração,
discussão e aprovação da Lei Orgânica do Município, aprovado já no mês seguinte, assinado por
todos os vereadores, menos Sílvio Orlandini.
CONSELHO CONSULTIVO DE ADMINISTRAÇÃO
Depois de 1 ano e 10 meses de vida democrática em Estrela, nova terraplenagem de
Getúlio Vargas soterrou o poder legislativo de Estrela, retornando o quisto do Conselho
Consultivo.
As atribuições de criar um Conselho Consultivo de Administração foram conferidas ao
prefeito pelo artigo 12, n.º III, do Decreto-Lei Federal n.º 1.202, de 8-4-1939. Os sete membros
eram por ele livremente escolhidos, dentre as diversas classes sociais. Eles escolheriam entre si
o presidente, vice-presidente e secretário. Indicariam ao prefeito o nome de um funcionário
municipal, nomeado por este, para exercer, em comissão, as funções de Secretário Privativo do
Conselho. Reuniam-se, ordinariamente, uma vez por mês e, extraordinariamente, quando por
necessidade eram convocados. Gozavam da prerrogativa de criar e adotar um Regimento
Interno. Suas atribuições, em linha geral, eram as dos vereadores, com a essencial diferença: os
processos e pareceres deste Conselho não tinha caráter obrigatório para as decisões do prefeito.
Só davam bons conselhos... O prefeito podia até presidir as sessões, quando e como bem
entendesse... O poder era absoluto.
Não há documentação no Arquivo Municipal que resgate esse período obscuro da
história de Estrela, como então, de qualquer município. Demorou 10 anos até que Estrela tivesse
vida plenamente democrática. Ao que tudo indica, o Conselho Consultivo estava composto por
cinco membros. Certamente, havia uma tentativa de certa representatividade, mas seus membros
não eram eleitos livremente pelas entidades. Eram nomeados pelos próprios interventores,
estadual e municipal. Cabia-lhes dar meros conselhos, quando solicitados, sem força de voto e
veto.
Em todos aspectos - político, econômico, social, cultural, o movimento de 1930
configurou o mais desenganado antiliberalismo da nossa história, repelindo o Estado de direito
e ignorando a sociedade civil. Teve como substrato ideológico o nacionalismo e o
antiesquerdismo. A federação foi trocada por centralismo ainda mais atrofiante que o do
Império - cf Décio Freitas, em Zero Hora, de 1-10-2000. A democracia plena foi construída e
reconquistada lentamente, para sofrer novo golpe, quase duas décadas depois.
CÂMARA DE VEREADORES
15ª Legislatura
De 9-12-1947 a 31-12-1951
ALBERTO SCHMITZ
O mesmo período
O governo municipal de Oscar Leopoldo Kasper, como prefeito, e de Alberto Schmitz,
como presidente da nova Câmara de vereadores, deve ser inserido dentro do contexto da história
do Brasil e do RS.
O retorno à democracia era um anseio nacional que culminou com a derrubada de
Getúlio Vargas e o desmoronamento do seu Estado Novo. Entre as pregações democráticas,
precursoras dos partidos políticos, estava a União Social Brasileira, pregada por Alberto
Pasqualini no Rio Grande do Sul. Na região, destacava-se como propagador da USB Dr. Baiard
de Toledo Mércio, através do seu jornal O Alto Taquari. Como Getúlio Vargas havia lançado a
semente do Partido Trabalhista Brasileiro, em 1945, com ele se identificou a USB, propagando
as idéias sociais em benefício do trabalhador. A classe empresarial e conservadora se abrigou
sob as asas do Partido Social Democrático, também de inspiração getulista, com o objetivo de
unificar as forças., o que levou de volta Getúlio Vargas ao poder, em plena democracia...
Na convenção partidária do Partido Social Democrático - PSD, de 15-9-1947, os que
estavam no poder elaboraram a chapa dos candidatos a prefeito, Oscar Leopoldo Kasper, a viceprefeito, Augusto Driemeyer e para vereadores os senhores Roberto Reckziegel, Arnaldo
Goellner, Adolfo Lautert, R. Afonso Augustin, Alberto Schmitz, Walter Merger, Irineu d'
Anunzio Rota, Fridolino Stapenhorst e Ewaldo Ahlert. Depois de lidos estes nomes, os
presentes coroaram os mesmos com calorosa salva de palmas, em sinal de franco apoio.
Sem dúvida alguma, nas convenções partidárias do Partido Trabalhista Brasileiro - PTB,
do Partido Libertador - PL, do Partido de Representação Popular - PRP e da União Democrática
Nacional - UDN, o fenômeno era o mesmo. Um grupo faz a chapa e os membros presentes
batem palmas. Resta ao eleitor comparecer na eleição e votar nos candidatos que o "grupo"
escolheu...
Segundo a Constituição de 1946, cabia a Estrela 9 vereadores. Feita a campanha
eleitoral, em 15-11-1947, foram eleitos os seguintes vereadores da nova Câmara Municipal:
Alberto Schmitz, de Roca Sales - PSD - Presidente da Câmara.
Adolfo Lautert, da linha Glória - PSD
Wilibaldo Wiethölter, de Beija-Flor - PL
Ruben Gerhardt, de Estrela - PRP
João José Horn, comerciante em Estrela - UDN
Ewaldo Ahlert, comerciante em Teutônia - PSD
Fridolino Stapenhorst, comerciante em Colinas - PSD
João Spies, de Roca Sales - PTB
Irineo d' Anunzio Rota, de Roca Sales - PSD.
Dos 9 vereadores eleitos, 5 foram do PSD, e um vereador para cada um dos 4 partidos.
Com 518 votos, Irineu D’ Anúncio Rota foi o mais votado. Interesses privados em Roca
Sales impediam para que exercesse a presidência da Câmara de Vereadores. Foi escolhido
presidente da Câmara Alberto Schmitz, professor na linha Júlio de Castilhos, com larga
experiência como conselheiro e presidente do Conselho Municipal.
É preciso mencionar a divergência de datas quanto à posse dos vereadores. Fortunato
Pimentel, em Aspectos Gerais de Estrela, em abril de 1951, p.37, afirma que foi em 26-111947 a abertura da Câmara de Vereadores, sob a presidência de Alberto Schmitz.
16ª Legislatura
De 31-12-1951 a 31-12-1955
ALBERTO SCHMITZ
1952-1954
DR. ITO JOÃO SNEL
1955
Em 1-11-1951, houve eleições municipais, eleito Adão Henrique Fett para prefeito.
Como se percebe, o PRP e a UDN não elegeram nenhum representante na Câmara. O
"Queremismo", denominação dada ao movimento que queria o retorno de Getúlio Vargas como
sucessor de Eurico Gaspar Dutra, aterrissou em Estrela e cresceu, elegendo três vereadores pelo
Partido Trabalhista Brasileiro. O Partido Libertador aglutinava antigas forças, marginalizadas
pelo castilhismo, também levou três vereadores para a Câmara. O Partido Social Democrático,
sentindo-se vitorioso na coligação com o PL para eleger seu prefeito, não se empenhou muito na
campanha, perdeu duas vagas e elegeu também três vereadores. Era o perfeito equilíbrio de
forças políticas. No salão nobre da Câmara de Vereadores há o quadro mais antigo, com as fotos
dos seguintes vereadores:
Prof. Alberto Schmitz - PSD - presidente da Câmara
Olívio Dahmer - PL - vice-presidente
João Spies - PTB - secretário
Dr. Ito João Snel - PL - líder do governo e presidente.
Prof. Guillebaldo Ahlert - PSD
Prof. Edvino Schneider - PL
Dr. Renato Alves de Oliveira - PTB
Beno Gaussmann - PSD
Érico Driemeyer - PTB
Na falta de arquivo, ao que consta, entre os suplentes assumiram também:
Wilibaldo Wiethölter, do PL; Adolfo Lautert, da linha Glória, pelo PSD; José Frontino Braun,
do PTB, e Osvino Walter Tende.
Em 1955, Dr. Ito João Snel assumiu a chefia do Poder Executivo.
17ª Legislatura
De 1-1-1956 a 31-12-1959
ALOYSIO PEDRO KNECHT
O mesmo período
A campanha eleitoral em nível federal e estadual e os acontecimentos políticos também
ecoavam em Estrela, mormente depois da morte de Getúlio Vargas.
No livro atas do Partido Social Democrático apenas constam 11 assinaturas de membros
presentes na sessão extraordinária de 14-4-1954. Entre os signatários estava o deputado federal
Willy Carlos Fröhlich. A campanha eleitoral deflagrou, de fato, no mês de agosto. O PTB
sentia-se motivado. Na primeira reunião do PSD, em 13-8-1955 compareceram 30
convencionais e dias depois, voltaram a se reunir para a escolha dos candidatos a prefeito e
vice-prefeito. Passando ao segundo ponto da ordem do dia "Escolha dos candidatos a
vereadores" foi feita a votação secreta, resultando a seguinte constituição: Oscar Kasper,
Ernesto Landmeier, Adolfo Lautert, Oscar Willy Schwambach, Helmuth Tenn-Pass, Guillebaldo
Ahlert e Arnaldo Krabbe.
Com Aloysio Valentim Schwertner como novo prefeito, no pleito municipal de 3-101955, foram eleitos os seguintes vereadores:
Dr. Ito João Snel - PL - Líder da oposição
Renato Alves de Oliveira - PTB - Líder do governo
Evaldo Velho Osório - UDN
Guillebaldo Ahlert - PSD
Aloysio Pedro Knecht - PRP
Oscar Leopoldo Kasper - PSD
Oscar Willy Schwambach - PSD
Willibaldo Wiethölter - PL
Ivo José Hoss - PRP
O PTB se contentou com uma cadeira e deixou duas vagas para o retorno do PRP. O PL
ficou com duas cadeiras e deixou uma vaga para a volta da UDN.
Pedro Aloysio Knecht foi presidente da Câmara Municipal. Em 16-3-1959, entrou em
exercício como prefeito, ao gozar as férias regulamentares o titular Aloysio Schwertner, e por
ter falecido o vice-prefeito Alfredo Driemeier.
18ª Legislatura
De 31-12-1959 a 31-12-1963
ERVINO STOLL
1960
WERNO KICH
1961
WERNO DREYER
1962
GUILEBALDO AHLERT
1963
A campanha eleitoral em Estrela foi bem animada e disputada. De outros partidos não
nos chegaram as atas, mas do Partido Social Democrático temos registros da Convenção
Municipal de 8-8-1959. Depois de consagrado o nome de Bertoldo Gausmann para prefeito,
procedeu-se a escolha dos candidatos a vereador, foi feita a votação secreta, apresentando o
seguinte resultado: Augusto Frederico Markus, Ervino Stoll, Arnaldo Krabbe, Rudenberto
Meyer, Cristiano Alfredo Horn, Guillebaldo Ahlert e José Freitas Bello.
Nas eleições municipais de 8-11-1959, foram eleitos os seguintes vereadores:
Aloysio Pedro Knecht - PRP
Guilebaldo Ahlert - PSD - de Corvo - presidente em 1963
Werno Kich - PTB - presidente em 1961
Werno Hetzel - PSD de Corvo
Romeu Mílton Wagner - PL - Estrela
Bruno Tiggemann - PSD - de Languiru
Aloysio Valentim Schwertner - PRP
Werno Dreyer - PTB - vice-presidente em 1961 e presidente em 1962
Lucildo Schaeffer - PRP
Ervino Stoll - Presidente em 1960
Entre os suplentes, talvez além de outros, constavam Ivo José Hoss, pelo PRP, e
Asônio, pelo PTB. Faltam registros.
O Brasil voltou a viver um período difícil. Na expectativa de um governo transparente e
renovador, Jânio Quadros renunciou a presidência da República, em 25-8-1961. O vicepresidente João Goulart assumiu a presidência, 13 dias depois, sob o regime parlamentarista.
Depois, voltou a ter plenos poderes, até 31-3-1964, quando as forças militares o derrubaram.
19ª Legislatura
De 31-12-1963 a 30-1-1969
JOSÉ FREITAS BELLO
1964-1966 e de 1968-1969
GUSTAVO ADOLFO SÍMON
1967
A campanha eleitoral iniciou oficialmente em agosto de 1963. Não temos as atas das
convenção municipais do PTB, PRP, PL, UDN e PDC. O PSD teve sua convenção em 3-81963, quando em votação secreta, foram escolhidos os candidatos à Câmara de Vereadores,
recaindo a escolha nos seguintes: José Freitas Bello, Arnaldo Goellner, Antônio Osvaldo
Mallmann, Pedro Virgílio Sulzbach, Orlando Kumberto Krabbe, Benno Willrich, Anselmo
Lagemann, Raymundo Lagemann, Ernani Dienstmann, Milton Schneider, Erno Schäfer e Willy
Porsche.
Com Adão Henrique Fett de retorno à Prefeitura, nas eleições municipais de 10-111963, foram eleitos os seguintes vereadores:
Dr. Rogério Nonnenmacher - PDC - ARENA
José Freitas Bello - PSD - ARENA, vice-presidente em 1967.
Arnildo Knebel - MDB
Pedro Eugênio Horn - MDB, secretário
Raymundo Lagemann - PSD - ARENA
Gustavo Adolfo Simon - UDN - ARENA, vice, menos em 1967
Seno Dreyer - ARENA
Lucildo Schaeffer - ARENA
Helmuth Brackmann - MDB
Dr. José Lino Eloy - MDB
Romeu Wagner - ARENA
Como se vê, colocaram mais cadeiras na Câmara, para 11 vereadores. As forças
políticas estavam desequilibradas: 7 da ARENA e 4 do MDB. Filiar-se na oposição, então,
podia correr algum risco e ser vigiado pelo DOPS.
Nesse período surgiu o bipartidarismo, uma sugestão dada ao governo militar pelo
empresário Arnaldo José Diel. Este tinha um certo acesso aos chefes da Revolução de 1964
devido à amizade com as famílias Markus e Geisel. Embora houvesse somente a Aliança
Renovadora Nacional e o Movimento Democrático Brasileiro, as diversas correntes políticas e
ideológicas fizeram com que o artificialismo do sistema logo se manifestasse, surgindo a
ARENA 1, ARENA 2 e ARENA 3, como o MDB 1, MDB 2 e MDB 3. Cada uma dessas
sublegendas se transformou, posteriormente, nos atuais partidos políticos.
Como vereador mais votado, Dr. Rogério Nonnenmacher foi líder do governo, assim
proclamado e reconhecido no fim do seu mandato pelo prefeito Adão Henrique Fett. Os dois
últimos, ao que parece, saíram antes de findar o mandato.
Nessa Legislatura os vereadores estudaram e aprovaram a nova Lei Orgânica do
Município, adaptada à Constituição Federal de 1967, o novo Código de Posturas, a
Reclassificação e Reestruturação do Quadro Funcional da Prefeitura.
20ª Legislatura
De 31-1-1969 a 31-1-1973
JOSÉ FREITAS BELLO
1969 - 18-6-1970
GÜNTHER RICARDO WAGNER
De 18-6-1970 a 1973
Com Bertoldo Gausmann de volta como prefeito, nas eleições municipais de 15-111968 houve 26 candidatos à vereança, para 13.758 eleitores, comparecendo 12.999 nas urnas,
com 5,45% de abstenção. Foram eleitos 5 vereadores pela ARENA e 4 pelo MDB:
Günther Ricardo Wagner - ARENA: 1.018 votos - 2º presidente
Elton Klepker - ARENA: 763 votos - vice-presidente
Guillebaldo Ahlert - ARENA: 754 votos - líder do governo
José Balensifer - ARENA: 690 votos - 1º Secretário
José Freitas Bello - ARENA: 675 votos - 1º presidente
Odilo Afonso Thomé - MDB: 660 - líder da oposição
Syrio Schaeffer - MDB: 584 votos
Werno Schwingel - MDB: 565 votos
Siegfried Klein - MDB: 542 votos
Os suplentes foram:
Willy R. Zimmermann - ARENA: 650 votos
Seno Dreyer - ARENA: 626 votos. Assumiu em 19-6-1970.
Godofredo Lagemann - ARENA: 573 votos
Norberto Jasper - MDB: 509 votos
Érico G. Sauer - ARENA: 467 votos
Rudi Wallauer - MDB: 445 votos
Orlando Schäffer - MDB: 408 votos
Abel L. dos Santos - MDB: 361 votos
Armando Anschau - ARENA: 310 votos
Pedro Eugênio Horn - MDB: 270 votos
Attilo Schneider - ARENA: 249 votos
Lauro Scheeren - MDB: 239 votos
Eduardo Souza - MDB: 174 votos
José U. Plentz - ARENA: 106 votos
José Walmor Fernandes - MDB: 133 votos
Erny Schwambach - ARENA: 87 votos
21ª Legislatura
De 31-1-1973 a 31-1-1977
ORLANDO SCHÄFFER
1973 e 1974
JOSÉ WALMOR FERNANDES
1975 e 1976
Em virtude da Lei Estadual n.º 6.327, que fixa o número de vereadores para cada
município com base no número de eleitores inscritos, Estrela preparou-se para alterar sua
representação na Câmara. A elevação para 13 vereadores foi aprovada pelo próprio Legislativo,
em 12-7-1972. Em 30-6-1972, Estrela tinha então, em torno de 16.533 eleitores.
Com Gabriel Aloísio Mallmann como novo prefeito, nas eleições municipais de 15-111972 houve 40 candidatos à vereança para 17.082 eleitores, comparecendo às urnas 16.161, com
a abstenção de 5.7%. De forma equilibrada, para as 13 cadeiras foram eleitos os seguintes
vereadores:
José Walmor Fernandes - MDB, com 1.350 votos - Vice-presidente
Syrio Schaeffer - MDB, com 853 votos - Líder da bancada
Orlando Schaeffer - MDB, com 745 votos - Presidente
Norberto Jasper - MDB, com 737 votos - 2º Secretário
Pedro Eugênio Horn - MDB, com 709
Siegfried Klein - MDB, com 670 votos - 1º Secretário
Gernot Costa - ARENA, com 648 votos
José Adão Braun - ARENA, com 641 votos - Líder da bancada
Willy Ruben Zimmermann - ARENA, com 538 votos
Rúdi Wallauer - MDB, com 534 votos
Arnildo Dahmer - ARENA, com 522 votos
Dr. Hércio Pêgas - ARENA, 511
Ary Hermann - ARENA, com 485 votos.
Alfredo Inácio Barth - ARENA, suplente em exercício: 1974-1975
O Movimento Democrático Brasileiro obteve o total de 7.931 votos. Dos seus
18 candidatos, elegeu 7 vereadores, sendo seus suplentes: Reinaldo Silvestre Mallmann, Jesus
Renato Tavares Paz, Ido Kronbauer (assumiu em 17-9-1975), Dionísio Fridolino Mallmann,
Auri Jacobs, Lauro Antônio Scheeren, Manoel Jaci Morais, Hugo Osterkamp, Astor José
Schardong, Benno Bünnecker e João Lindolfo da Costa. Como Pedro Eugênio Horn e Rudi
Wallauer renunciaram seus mandatos para assumir subprefeituras, assumiram logo os dois
primeiros suplentes.
A Aliança Renovadora Nacional conseguiu o total de 7.466 votos. Dos seus 22
candidatos, elegeu 6 vereadores, sendo seus suplentes: Milton Spellmeier, Godofredo Frederico
Lagemann, Alfredo Inácio Barth, Willy Ricardo Wolf, Liane Ferrari Stapenhorst, Teobaldo
Ferreira da Silva, Aury Naeher, Lothar Rückert, Islon Ziebell, Érico Guilherme Sauer, Oscar
Drebes, Flávio Sanders, Canísio Francisco Heisler, José Lauro Horn, José Balensifer e Orlando
Skrypcsak.
22ª Legislatura
De 31-1-1977 a 31-1-1983
REINOLDO SILVESTRE MALLMANN
1977-1978
JOSÉ WALMOR FERNANDES
1979-1980
JOSÉ ADÃO BRAUN
1981-1983
No pleito municipal de 15-11-1976, houve 19.731 eleitores, elegendo Hélio Musskopf
para prefeito. Para as 13 vagas na Câmara, concorreram 53 candidatos, dos quais 24 pela
ARENA, obtendo o total de 8.904 sufrágios, e 29 pelo MDB, conseguindo o total de 9.340
votos. Com resultado equilibrado, foram eleitos os seguintes vereadores:
Renato José Wagner - MDB - PMDB: 723 votos
Syrio Schaeffer - Líder do PMDB - Canabarro: 708
Egon Édio Hoerlle - PDS, - Teutônia: 671 votos
Arnoldo Guilherme Rex - PMDB - Arroio da Seca: 558
Nair Maria Fischer - PMDB - Sede - secretária: 433
Ary Herrmann - ARENA - PDS: 629
Alfredo Ignácio Barth - Líder do PDS - Sede: 556
Olívio Heylmann - PMDB - Corvo: 519
Willy Ricardo Wolf - PDS - Languiru: 599
José Adão Braun - ARENA - PDS: 572
José Walmor Fernandes - PDT - Sede - 1º sec. 446
Gernot Costa - PDS - Sede: 521
Reynoldo Silvestre Mallmann - MDB - PMDB: 532
O MDB arrecadou 9.340 votos nas urnas, recolocando 7 vereadores. Mais tarde,
assumindo Reynoldo Silvestre Mallmann a Secretaria de Obras, ocupou seu espaço como
suplente Danilo Rückert, com 372 votos. Foram também suplentes: Jacó Henrique Closs,
seguindo-se os demais, em ordem alfabética: Abel Labres dos Santos, Adauto de Azevedo,
Armando Stroher, Darci Kaplan, Dionísio Fredolino Mallmann, Edio Lagemann, Eduardo
Souza, Erni Staggemeier, Guido Pedro Schmidt, Gündher Wolfgang Müller, Helmuth
Brackmann, Ido Kronbauer, Jesus Renato Tavares Paz, Manoel Jaci Moraes, Norberto Jasper,
Oterno Mallmann, Roque Arno Diehl, Sídio Cláudio Feine, Siegfried Goldmeier e Werner
Wilibaldo Halmenschlager.
A ARENA alcançou o total de 8.904 votos, conquistando 6 cadeiras na Câmara. Darci
Vogel, com 502 votos, e Dr. Hércio Pêgas, com 342 votos, foram suplentes, seguindo-se os
demais, em ordem alfabética: Erci Pedro Albarello, Érico Driemeyer, Ério von Mühlen, Gabriel
Natalício Diehl, Ildo Schäffer, Ingorn Kronbauer, Lauro Frederico Tiggemann, Ledi Schneider,
Lirio Weber, Luiz Roque Schwertner, Milton Spellmeier, Orlando Skrsypcsak, Osmar Antônio
Mallmann, Remo John, Willy Aldino Eidelwein e Wilson Frederico Drebes.
Havendo uma disputa interna no MDB, foi surpresa a escolha de Reynoldo Silvestre
Mallmann para presidente da Câmara. Olívio Heylmann foi eleito vice-presidente; Nair Fischer,
secretária e Arnaldo Guilherme Rex, 2º secretário.
Durante esta Legislatura, o governo militar extinguiu o bipartidarismo. Os vereadores
da Aliança Renovadora Nacional - ARENA passaram para o Partido Democrático Social. Os
vereadores do Movimento Democrático brasileiro, durante algumas semanas, tentaram resgatar
o antigo Partido Trabalhista Brasileiro, dividiram-se em duas novas siglas partidárias: Partido
do Movimento Democrático Brasileiro e apenas um do Partido Democrático Trabalhista.
Aqui entra na história um novo partido político, em 1979. No início, não tinha nome,
mas ideologia política definida. Um partido surgido nas bases. Em 1980, firmou-se a
denominação de Partido dos Trabalhadores - PT. Demorou a criar raízes em Estrela. Mesmo que
fosse simpática a qualquer pessoa que trabalhasse, a sigla não tinha força suficiente para se
impor por si mesma. Sem adjetivo qualificativo, suas divisões internas foram surgindo com o
tempo, na medida e na forma como conquistava o espaço. Outra razão da delonga em conquistar
o trabalhador estrelense foi seu campo de ação na esquerda. A bandeira vermelha, sem a foice e
o martelo da URSS, mas com a estrela da China Comunista ou de Cuba no seu centro, tardou a
ser desfraldada e assustou o eleitor por 16 anos, ao eleger seu primeiro vereador.
De 31-1-1981 a 31-1-1983, o governo discricionário ampliou o mandato dos vereadores.
Como o mandato em regime democrático só pode ser dado nas urnas, nesse período de dois
anos, sem mandato constitucional legítimo, foram vereadores "biônicos", uma "obra de arte" do
General Ernesto Geisel, Presidente da República.
Ainda durante esta Legislatura ocorreu a mudança de local da "Casa do Povo", da
Prefeitura Municipal para o prédio n.º 353, na rua Dr. Flores, proporcionando maior autonomia
e soberania ao Poder Legislativo.
23ª Legislatura
De 1-2-1983 a 31-12-1988
RENATO JOSÉ WAGNER
1983 e 1984
DR. FRANCISCO PAULO DE OLIVEIRA
1985 e 1986
RENATO JOSÉ WAGNER
1987 e 1988
Com Gabriel Aloísio Mallmann de retorno à testa da Prefeitura, em 15-11-1982 foram
eleitos os seguintes vereadores:
Darci Kaplan - PMDB
Almiro Arnaldo Lohmann - PMDB
Renato José Wagner - PMDB - presidente e líder do governo
Adauto de Azevedo - PMDB - líder da bancada
Reinaldo Silvestre Mallmann - PMDB - vice-presidente
Vítor Maurício Horn - PDS
Pedro Antônio Barth - PDS
Nélson Danilo Knack - PDS - líder da bancada
Lilian Fleck Lengler - PDS
Ary Herrmann - PDS
Elmar André Schneider - PMDB - líder do governo
Airton Böhmer - PMDB - 1º secretário
Dr. Francisco Paulo de Oliveira - PMDB - presidente
Darci Kaplan renunciou a vereança para novamente ser subprefeito de Arroio da Seca,
cf Nova Geração, de 4-4-1985.
Assumiram vários suplentes, como: Elimar Rex, Arno Roque Diehl e Luís Carlos Führ,
todos do PMDB.
No final desse período, um grupo de dissidentes do PMDB, em 25-6-1988 - ano em que
foi promulgada a nova Constituição do Brasil - fundou o Partido da Social Democracia
Brasileira - PSDB. O mascote é um tucano, ave considerada genuinamente brasileira. Seu
principal expoente foi Fernando Henrique Cardoso, bem como Mário Covas, ambos senadores.
24ª Legislatura
De 1-1-1989 a 31-12-1992
ÍRIO BRUNE
1989
DR. FRANCISCO PAULO DE OLIVEIRA
1990
PAULO ROBERTO BERTI
1991
ÊNIO ADOLFO LAUTERT
1992
Eleito Leonildo José Mariani como novo chefe do executivo municipal, no pleito
municipal de 15-11-1988, foram eleitos os seguintes vereadores constituintes:
Belkis Carolina Calsa - PTB
João Aleixo Akwa - PTB - PSDB
Maria Regina Oliveira Freitas - PSDB
Írio Brune - PMDB
Natalício Edvino Horn - PMDB
Almiro Arnaldo Lohmann - PMDB
Ênio Adolfo Lautert - PMDB - presidente da Constituinte
João Roberto Frielink - PMDB
Dr. Francisco Paulo de Oliveira - PMDB
Joemir Ramos da Silva - PDT
Paulo Roberto Berti - PDT
Ademar Dadall - PDT
Pedro Antônio Barth - PSD
Com a renúncia de Francisco de Oliveira, assumiu o suplente
Dr. Gustavo Adolfo Simon.
A elaboração e promulgação da nova Constituição Municipal foi o trabalho mais
importante desta Legislatura, com participação popular. A Lei Orgânica foi promulgada em 4-41990, sendo presidente Ênio Adolfo Lautert.
25ª Legislatura
De 1-1-1993 a 31-12-1996
PEDRO ANTÔNIO BARTH
1993
NARDI AFONSO DA SILVA
1994
CARLI REINALDO RÜCKER
1995
JOSÉ INÁCIO BIRCK
1996
Eleito Günther Ricardo Wagner para prefeito, no pleito de 3-10-1992 foram eleitos os
seguintes vereadores:
Carli Reinaldo Rücker - PPB
José Inácio Birck - pelo PDT, trocou pelo PL
Jaci Inácio Hauschild - PPB
Renato Alfredo Horn - pelo PDT, trocou pelo PPB
Pedro Antônio Barth - PPB
Nardi Afonso da Silva - pelo PDT, trocou pelo PL
Gilberto Fensterseifer - pelo PMDB, trocou pelo PL
Natalício Edvino Horn - PMDB
João Carlos Ferreira - pelo PSDB, trocou pelo PMDB
Adão Dias de Freitas - PSDB
Paulo Roberto Berti - pelo PDT, trocou pelo PMDB
João Aleixo Akwa - PSDB
Irineu Haberkamp - PPB
Durante o segundo ano da administração de Günther Ricardo Wagner, eleito pelo PDT,
houve um festival de troca de partidos, como nunca se tinha visto na história de Estrela,
surgindo forte o Partido Liberal. Aliás, o exemplo dos funâmbulos veio de cima, de deputados e
senadores: de 1994 a 1998, 64% dos deputados federais trocaram de legenda - cf Décio
Freitas, em Zero Hora, de 8-7-2001, p. 19.
Darci José Barth poderia ter assumido como titular, preferindo o cargo de secretário de
Obras.
26ª Legislatura
De 1-1-1997 a 31-12-2000
ADEMAR DADALL
1997
JACI INÁCIO HAUSCHILD
1998
ADEMAR DADALL
1999
GILBERTO FENSTERSEIFER
2000
Retornando Leonildo José Mariani como prefeito, em 3-10-1996 realizaram-se as
eleições municipais, sendo eleitos os seguintes vereadores:
Jaci Inácio Hauschild - PPB
Renato Alfredo Horn - PPB
José Léo Käfer - PPB
Dorli Maria Schneider - PPB
Luiz Fernando Schneider - PMDB
Nardir Rosemundo Steffens - PMDB
Paulo Floriano Scheeren - PMDB
Mirtis Cecília Musskopf - PMDB
João Aleixo Akwa - PSDB
Paulo Roberto Gregory - PT
Nardi Afonso da Silva - PL
Gilberto Fensterseifer - PL
Ademar Dadall - PDT
Segundo informações da secretaria da Câmara Municipal de Vereadores, nessa
Legislatura assumiram os seguintes suplentes:
Vilson José Francisco - PSDB
Roke Mallmann - PSDB
Gustavo Scherer - PL
Ilsi Marin - PL
Luciano Luiz de Freitas - PT
Moacir Engster - PDT
Larri Schwingel - PMDB
João Carlos Ferreira - PMDB
Moacir Daroit - PPB
Vilson Tillvitz - PPB.
A Mesa diretora da Câmara procurou manter a austeridade dos gastos. Com a Receita de
R$ 9.835.823,39 prevista no Orçamento de 2000, os gastos orçados de R$ 302.525,78
correspondiam a 3.08% e a média, no Estado, era de 5,15% - cf Zero Hora, de 26-3-2000,
quando o limite estava na faixa de 8%.
O Orçamento Municipal de Estrela para 2001 é de R$ 15.867.000,00, aprovado pela
Câmara de Vereadores, com a abstenção de apenas um voto, do vereador Paulo Gregory, do PT.
Justificou seu voto por tratar-se de uma peça de ficção, pois repete valores do ano passado.
Disse que os atuais secretários, pelo menos em sua maioria, não participaram da elaboração
deste projeto - cf Folha Popular, de 15-12-2000.
A última sessão do Legislativo foi em tom de despedida. Renato registrou que ao longo
desse período foram construídas em torno de 500 casas populares. Me citem um município que
construiu tantas casas como Estrela, desafiou. O vereador do PT, Paulo Gregory, ao usar da
tribuna, disse que a avaliação dos quatro anos de mandato foi altamente positiva e que houve
um bom relacionamento, tanto externo como interno dos vereadores - cf Folha Popular, de 2012-2000. O prefeito Leonildo José Mariani parabenizou os edis como uma das Câmaras mais
econômicas deste Estado: nenhuma diária foi cobrada pelos vereadores nesse período, nem
houve sessões extraordinárias. O salário dos vereadores é R$ 1.617,00 mensais.
A pesquisa do Poder Legislativo está incompleta e pode ter falhas. Não foi permitido o
acesso às fontes primárias no Arquivo. Os últimos dados foram fornecidos por Paulo Eidelwein.
27ª Legislatura
De 1-1-2001 a 31-12-2004
PAULO FLORIANO SCHEEREN
2001
JOEL BARCELOS MALLMANN
2002
Em 3-10-2000, houve eleições municipais, comparecendo 18.060 eleitores para votar,
através da urna eletrônica, o prefeito Dr. Geraldo Fernando Mânica e eleger os seguintes
vereadores, seus partidos políticos e número de votos:
Paulo Floriano Scheeren - PMDB, depois PPS, com 595 - presidente
Luiz Fernando Schneider - PMDB, com 554
Larri Antônio Schwingel - PMDB, com 518
Nardi Afonso da Silva - PL, com 467
Francisco Miguel da Costa - PPB, 447
Jaci Inácio Hauschild - PPB, com 426 - vice-presidente
Gilberto Fensterseifer - PL, com 421
Renato Alfredo Horn - PPB, com 373
Ademar Dadall - PDT, com 361 - secretário
Joel Barcelos Mallmann - PSB, com 351
Vânia Maria Steffens Gregory - PMDB, depois PPS, com 349
Marco Antônio de Azevedo Bohneberger - PSDB, com 331
Vilson José Francisco - PSDB, com 231 (+ 17-1-2001)
Os demais candidatos votados, como suplentes, foram:
Pela coligação PDT-PSB: Gustavo Scherer (308), José Itamar Alves (280), João Carlos
Ferreira (227), Vicente Oscar Hoss (183), Moacir Engster (178), Gustavo Gewehr (165), Marli
Cortez Lima (130), Pedro Valdelino Schwertner (118), Sérgio Paulo Petter (67), Roque Afonso
Hauschild (66), Irajá Silva de Souza (38), Sérgio Leopoldo Horn (36), Marco Antônio Flor (26),
José Nestor Weiss (21), José Nelson Vicente Fernandes (20) e Lia Schardong (14).
Pelo PL: Edegar Luís Cabral (405), Dra. Irene Terezinha Heim da Silveira (241)
(assumiu a suplência em 8-10-2001), Gerson Luiz Junqueira (137), Aury Medeiros da Silva
(135), Marcelo do Nascimento (98), Maria Nelci da Rosa (94), Elmo Luiz Diedrich (87)Breno
José Madke (51), Gleci Pinto (41), Ilse Marin (38), Christa Scheibe Martins (23), Adair Faleiro
de Castro (22), Raul Soares de Oliveira (20) e Liane Coutinho de Almeida (20).
Pelo PPB: Darci José Barth (351), Pedro Antônio Barth (319), Jorge Scherer (233),
Hedo Thies (227), José Leo Kafer (206), Andréas Ulrich Hamester (206), Maria Laíre de Ávila
(175), Cel. Carmo Gaspar Horn (165), Marli Klein Vier (150), Antônio Albino Kohler (111),
Juliana Rose Jasper (100), Elisabeth de Oliveira (43), Júlio César Thomé (29) e José Itamar
Horn (23).
Pela coligação PMDB-PTB: Belkis Carolina Calsa (313), Mirtis Cecília Musskopf
(285), Volnei Leandro Zancanaro (257), Antônio Silvestre Sulzbach (234), Protógenes da
Cunha Nunes (200), Lisiane Teresinha Costa da Silva (184)Paulo Alvício Linck (164), Anelise
Maria Mallmann (146), Arcelino Müller (141), Adão Dias de Freitas (129), Ruben Pedro
Diedrich (76), Fabiano Eugênio Diehl (71), Jonas Alcido Webers (52), Nair Maria Fischer (51),
Sérgio Inácio Bagestan (48) e Jaci Freitas (36).
Pelo PSDB: Rudimar Hagemann (214), Clóvis Roberto Görgen (199), Rosângela
Pereira da Silva (182), Erno Heydt (142), Doralino Nogueira da Rosa (119), Airton Luís
Diedrich (118), Juracema Maria Paladini (103), Antônio Valmir Rodrigues (90), Ardêmio Matte
(78), Gilberto Camilo Weisheimer (69), Maria Eloísa Diedrich (33), Eloir João Sulzbach
(29)Olécio Huff (26), Lucimar Artêmio Pedroso da Silva (25) e Almiro Closs (16).
O PT não conseguiu o número suficiente para eleger vereador e suplente, obtendo seus
candidatos a seguinte votação: Valmor José Griebler (220), Luciano Luís de Freitas (143), José
Renato Schneider (142), Miriam Teresinha Volkmer Destefani (132), Marco Aurélio Wermann
(112), José Carlos Bruxel (79), Marcelo Arenhart (63), Valdeci Teresinha de Assumpção (52),
Carlos Alberto Diel (48), Mauro Augusto Balensifer (37), Jônatas dos Santos (36), Liane Jaeger
(23)Vyvian Ceres Kontz (19), Michel Antunes (16), Lucieno Roberto Martins Goethel (12),
Juraci Padilha dos Santos (12) e Edna Rosane Silva de Fraga Sulzbach (11 votos).
Nesta Legislatura, assumiram os seguintes vereadores suplentes:
Belkis Carolina Calsa - pela coligação PMDB-PTB
Mirtis Cecília Musskopf - pela coligação PMDB-PTB
Darci José Barth - pelo PPB
Pedro Antônio Barth - pelo PPB
Edegar Luís Cabral - pelo PL
Drª. Irene Terezinha Heim da Silveira - pelo PL
Rudimar Hagemann - pelo PSDB
Clóvis Roberto Görgen - pelo PSDB
Gustavo Scherer - pela coligação PDT-PSB
José Itamar Alves - pela coligação PDT-PSB.
Qualquer observador pode chegar a algumas conclusões. Houve um notável equilíbrio
dos eleitores estrelenses nesta eleição, com 595 sufrágios para o primeiro lugar. A situação
parece ter subestimado a força da oposição.
Raramente pesquisas eleitorais obedecem as normas científicas, fazendo-se apenas um
levantamento de opinião pública.
Percebeu-se a força do elemento jovem, altamente politizado. Nota-se também que as
áreas de maior carência econômica votam em candidatos com menor preparo intelectual e
profissional. Afinal, candidatos com nível superior teriam enorme competência para legislar...
Ao que se comenta, foi a caminhada cívica em que menos corrupção eleitoral tenha
existido, uma vez que são corruptos tanto os eleitores quanto os candidatos que negociam o voto
por vantagens.
É interessante colocar Estrela no contexto do Brasil, onde, nas eleições de 1-10-2000,
houve 296.902 candidatos masculinos à Câmara, eleitos 53.257 homens, e 70.321 candidatas,
das quais foram eleitas 7.000 mulheres vereadoras. Estrela voltou à condição de 1976, ao eleger
a única mulher vereadora, embora 25% dos candidatos fossem do sexo feminino.
Os diretórios municipais de oito partidos políticos atuantes em Estrela, em ordem
alfabética, têm os seguintes presidentes: do PDT é Nestor Sulzbach; do PL é Arlei Simon dos
Santos; do PMDB é Paulo Berti; do PPB é Andréas Hamester; do PPS é Celso Brönstrup; do
PSB é Carlos Artur Hauschild, do PSDB é Valdir Buhl e do PT é Paulo Roberto Gregory.
Em 12-11-2001, o racha do PMDB no Estado fez com que em Estrela 25 filiados
deixassem o partido. Logo depois, cerca de 50 pessoas - cf O Informativo, de 5-12-2001, se
bandearam para o Partido Popular Socialista - PPS. Foi o município com o maior número de
deserção. Vânia Maria Steffens Gregory e Paulo Floriano Scheeren, vereadores, o secretário de
Esportes e Lazer, Nardir Rosemundo Steffens, Celso Brönstrup e Felipe Alexandre Diehl são os
principais líderes.
Em 14-12-2001, o Partido Socialista Brasileiro de Estrela realizou sua convenção
municipal. Dos 172 filiados, 39 compareceram e elegeram os membros do diretório e delegados,
sendo eleito presidente Carlos Artur Hauschild; vice-presidente, Renato Antônio Zanella Filho;
secretário geral, Gustavo Scherer; 1º secretário, José Itamar Alves; 2º secretário, José Nestor
Weiss; 1º secretário de finanças, Hilário Eidelwein; 2º secretário de finanças, Sérgio Carlos
Follmann, e secretário de comunicação, Marcos Müller.
Também o PSB local foi atingido, perdendo 40 filiados para o PTB, liderados por
Pedro Valdir Pereira, Elda Blankenheimer e Teresinha dos Santos - cf O Informativo, de 283-2002. O diretório municipal tem como presidente Alexandre Engster dos Santos, 1º vice João
Luís Lenhard, 2º vice Clori Antônio Borges, secretário Fabiano Eugênio Diehl, secretário ajunto
Pedro Valdir Pereira, tesoureira Emilce Terezinha Mallmann, 1º vogal e delegado Carlos Rafael
Mallmann e 2º vogal Vanderlei Luís Gregori, cf O Informativo, de 2-4-2002. O PTB foi
enriquecido com a filiação de Carlos Rafael Mallmann, desligando-se também do PMDB.
A Mesa diretora da Câmara desta Legislatura iniciou com esta composição: Presidente:
Paulo Floriano Scheeren; vice-presidente: Jaci Inácio Hauschild; secretário: Ademar Dadall e
líder do Governo: Joel Barcelos Mallmann.
As reuniões desta Legislatura iniciaram de forma equilibrada e criteriosa. Entre as
primeiras decisões de repercussão foi não conceder o título de Cidadão Estrelense ao deputado
Sérgio Zambiasi, presidente da Assembléia Legislativa, proposto pelo vereador Luiz Fernando
Schneider. Não que o ex-radialista da Rádio Alto Taquari de Estrela não merecesse o título, mas
a decisão tomada pela comissão especial está embasada em lei municipal de 1994, que
estabelece os requisitos necessários - cf O Informativo, de 3-4-2001.
Conclusão
Como se vê nessa evolução histórica de 120 anos de efetiva emancipação política de
Estrela, o Poder Legislativo teve as mais diferenciadas atribuições. Como vereadores e
conselheiros, eleitos em 27 Legislaturas, os representantes do povo prestaram relevantes
serviços. Iniciou com 7 representantes, quando o Município tinha mais de 5.000 km² de
superfície. Seu número aumentou para 9 vereadores, a partir de 1947, e para 13, desde 31-11973.
Muito louvável tem sido a preocupação da atual Legislatura para que o povo visite sua
Casa e assista reuniões dos seus representantes, iniciando em março de 2001, com moradores de
Arroio do Ouro, seguindo de Delfina, Figueira, Geraldo, Wolf, São Luís. A sessão de 9-4-2001
foi assistida pelos moradores do Bairro Boa União, depois os Loteamentos Populares, em 4-62001, Novo Paraíso e linha Lenz. A prefeitura põe ônibus à disposição do público.
Por quase um século, seu trabalho foi gratuito. Hoje, recebem R$ 1.617,00 mensais. Sua
atividade parlamentar não é apenas participar de uma sessão semanal. Integram diversas
comissões, que se reúnem quando precisam. Devem estudar os projetos de lei, emitir parecer e
argumentar seu voto.
É saudável a discussão em torno do número de vereadores nas Câmaras municipais,
bem como suas atribuições, salários e obrigações.
Pela legislação em vigor, fazem parte das atribuições de um vereador: Discutir e
propor a criação de leis de interesse da população - Fiscalizar a aplicação dos recursos da
prefeitura - Aprovar ou não propostas encaminhadas pelo prefeito - Denunciar irregularidades
- Apoiar a organização social em sindicatos, entidades comunitárias e associações - Prestar
contas de sua atuação à comunidade - cf Zero Hora, de 1-4-2001. Assim, não basta ser
honesto, bom, interessado, virtudes que devem qualificar qualquer cidadão. Deve ter
conhecimento de legislação, organização social, administração pública e conhecimentos gerais.
Cabe às convenções municipais dos Partidos Políticos a escolha de candidatos capazes. Merece
total apoio o projeto de se obrigar os eleitos a um curso específico de vereança, ministrado por
uma instituição idônea.
Composta pelo presidente Joel Barcelos Mallmann, vice-presidente Francisco Miguel da
Costa e secretária Vânia Gregory, a nova mesa diretora da Câmara foi empossada em 28-122001, reiniciando as atividades, em 4-3-2002.
O recesso parlamentar ou período de férias dos vereadores estrelenses é o mais longo do
Vale do Taquari, com 90 dias. Já há mais tempo debate-se a necessidade de reduzir o recesso,
para servir de estímulo ao trabalho e maior produtividade ao povo estrelense. Neste sentido, o
projeto de emenda à Lei Orgânica, reduzindo as férias para 60 dias, isto é, de 1º de janeiro a 14
de fevereiro e de 16 a 31 de julho, assinado por todos os 13 vereadores, foi rejeitado na sessão
de 14-4-2002. Era necessária a aprovação pelo voto de dois terços da Câmara. Os vereadores
Gilberto Fensterseifer, Nardi da Silva, Paulo Scheeren, Larri Schwingel, Jaci Hauschild e
Ademar Dadall abstiveram-se de votar, em defesa dos 90 dias de férias.
Na sessão de 21-5-2002 foi aprovado o projeto de lei que autoriza o Executivo a
reajustar os vencimentos dos servidores públicos, aposentados e pensionistas do município no
percentual de 10%, a título de revisão geral e aumento, a contar de 1º de maio de 2002. Para o
reajuste dos salários do prefeito, vice, vereadores, secretários e servidores da Câmara, a Mesa
Diretora encaminhou matéria, que também foi aprovada ontem, com a abstenção do vereador
Gilberto Fensterseifer (PL) - cf O Informativo, de 22-5-2002.
PODER
JUDICIÁRIO
A sede da Comarca está no Fórum, na rua 15 de Novembro nº 5, defronte à praça
Henrique Roolart.
A história do Poder Judiciário de Estrela deve ser visto no contexto das leis judiciárias
em vigor, em suas respectivas épocas.
No período do Brasil Imperial, a Justiça era regida pela Lei Regencial s/n.º, de 29-111832. Determinava o Código de Processo Criminal que os termos e comarcas deviam ser
criados pelos presidentes de Província em Conselho. No ano seguinte, foram criadas as cinco
primeiras comarcas gaúchas: Rio Grande, Piratini, Missões, Rio Pardo e Porto Alegre, à qual
pertencia Estrela. Estabelecia a lei que houvesse um Juiz de Paz, um Escrivão e os inspetores
necessários em cada distrito de paz. Em cada termo havia um Conselho de Jurados, um Juiz
Municipal, um Promotor, um Escrivão e Oficiais. Cada Comarca tinha um Juiz de Direito.
Em virtude da Lei n.º 799, de 25-10-1872, dividindo a Província em 16 Comarcas,
passou o território estrelense a integrar a 3ª Comarca, com sede em Taquari, desmembrada de
Porto Alegre, abrangendo os termos de Taquari e Triunfo. Dois meses depois, pelo Decreto n.º
5.178, de 16-12-1872, a nova Comarca de Taquari foi classificada como de 2ª entrância, sendo
Dr. Joaquim José Henriques o primeiro Juiz de Direito, com jurisdição em Estrela.
Diversas atribuições judiciárias eram exercidas pelos párocos, nas respectivas
freguesias. Assim, as celebrações de batizados, casamentos e sepultamentos tinham efeitos
civis, valendo seus registros como certidões de nascimento, casamento e óbito. Também os
registros de terras eram feitos em livros paroquiais, por largo tempo. As igrejas matrizes
serviam de local para as eleições municipais de vereadores e de juizes de Paz.
JUIZ DE PAZ
Elevada Estrela à categoria de distrito especial e sede de paróquia, cabia à nova comarca
de Taquari providenciar as eleições para juiz de Paz. À luz de documentos, registraram-se aqui
uma série de descaminhos e falta de unidade entre lideranças.
Instalada a paróquia de Estrela, o presidente Joaquim de Azambuja Vilanova, em 15-111873, assinou o seguinte termo de abertura: Este livro há de servir para nele se lançar as atas
das eleições da Freguesia de Santo Antônio da Estrela, cujas folhas vão por mim numeradas e
rubricadas com a rubrica de que uso: Joaquim de Azambuja Vilanova. O capitão Vilanova era
presidente da Câmara de Vereadores de Taquari, na 7ª legislatura, da qual participavam também
os vereadores Antônio Vítor Sampaio Mena Barreto e Antônio Fialho de Vargas, representantes,
respectivamente, das colônias de Estrela e Lajeado.
A eleição deveria ter ocorrido em 26-12-1873. Geraldo Caetano Pereira, 1º juiz de Paz
de Taquari, enviou um ofício ao presidente da Província comunicando o adiamento da eleição.
Pelo Of. n.º 35, de 10 de janeiro, o presidente da Província comunicou-lhe designar a 4ª
dominga de fevereiro (dia 22) para se levar a efeito a mesma eleição, devendo Vossa Mercê,
com antecedência de 30 dias, convocar os oito cidadãos seus imediatos em votos e residentes
na Paróquia, para organizar a Mesa Paroquial. A primeira ata, elaborada pelo secretário João
Gonçalves Caminha, registrava os trabalhos realizados para a organização da mesa paroquial
na eleição de Juiz de Paz da Freguesia de Santo Antônio da Estrela, em 22-2-1874. As eleições
deviam se proceder segundo o artigo 14 do Decreto n.º 1812, de 23-8-1856, depois de
observada a cerimônia religiosa. O governo queria que fosse aproveitada a missa conventual,
isto é, a missa principal do domingo, para que os eleitores cumprissem com sua obrigação
eleitoral. A eleição, a lista eleitoral, constituição da mesa, mesários, votação, apuração e
proclamação dos eleitos eram regulados pela Lei n.º 387, de 19-8-1846, mormente os artigos 42
e 104. Após a leitura do ofício do presidente provincial, João Pedro Carvalho de Morais,
Geraldo Caetano Pereira tomou acento à mesa e instalou o processo eleitoral. Antônio Israel
Ribeiro manifestou dúvidas quanto à legalidade e alegou que os juízes de paz, convocados, não
eram os competentes para organizar a mesa. A alegação não foi aceita. Por haver duas listas de
eleitores, a eleição foi adiada. Nova convocação para a formação da mesa eleitoral e votação
dos 4 juízes de Paz de Estrela se deu em 19-4-1874, sob a presidência de José de Azambuja
Vilanova, 3º juiz de Paz de Taquari. Finalmente, em 22-4-1874 foi feita a apuração, com os
seguintes resultados:
Paulo Mallmann: 107 votos
Antônio Vítor de Sampaio Mena Barreto: 106 votos
Pedro Schneider: 104 votos
Antônio Geraldo Pereira: 103 votos
Nicolau Schossler: 7 votos
José Joaquim da Rocha Filho: 6 votos
João Heberle Sobrinho: 5 votos
Sesefredo Pereira Fraga: 4 votos:
Miguel Buchmann 3 votos
Guilherme Gomes da Silva Porto: 2 votos
Pedro Knierim: 1 voto.
O que causa espécie é que houve uma eleição paralela, no mesmo local e horário, com o
mesmo objetivo e sob a mesma legislação, registrando seus atos jurídicos noutro livro de atas,
com o seguinte termo de abertura:
Neste livro se escreverão as Atas da Mesa Paroquial para eleição de juízes de Paz da
Paróquia de Santo Antônio da Estrela. Vai rubricado e numerado, conforme manda a lei. Igreja
matriz da Paróquia de Santo Antônio da Estrela, dia da eleição 19 de abril de 1874.
Juiz de Paz Presidente da Mesa
João Ferreira Brandão
Redigida pelo secretário Cristiano Jacó Endres, Escrivão juramentado, a primeira ata
registra que o quarto juiz de Paz João Ferreira Brandão, convidado pelos cidadãos convocados
Antônio Israel Ribeiro, Guilherme Gomes da Silva Porto e Antônio Israel Ribeiro Filho, e
mesários eleitos pela primeira turma Afonso Martins Ribeiro e João Mallmann Sobrinho para
presidir uma nova mesa, visto como o terceiro juiz de Paz, que antes se apresentava para
dirigir os trabalhos procurava por todos os meios anular a eleição encravando no seu processo
nulidades insanáveis, como fosse a exclusão do cidadão Tristão Gomes da Rosa... Afinal, dois
dias depois, em 21-1-1874, foi feita a primeira eleição e apurados os votos com os seguintes
resultados:
Miguel Buchmann: 79 votos
Guilherme Gomes da Silva Porto: 79 votos
Antônio Israel Ribeiro: 79 votos
Carlos Altmayer: 74 votos
Antônio Vítor de Sampaio Mena Barreto: 3 votos
João Eckert: 2 votos
Paulo Mallmann: 2 votos
Filipe Pedro Knierin: 1 voto
Cristiano Jacó Endres: 1 voto
Antônio Geraldo Pereira: 1 voto.
Como os resultados foram bem diversos, o caso passou a ser dirimido pelo governo
provincial. Segundo Aviso de 10-11-1874, a eleição foi anulada. No ano seguinte, houve nova
eleição, novamente presidida por José de Azambuja Vila Nova, 3º juiz de Paz de Taquari, em 23-1875, com os seguintes resultados:
Antônio Geraldo Pereira: 146 votos
Paulo Mallmann: 146 votos
Pedro Schneider: 144 votos
Carlos Born: 143 votos
José Joaquim da Rocha Filho: 19 votos
Jacó Kronbauer: 19 votos
Jacó Kern: 17 votos
Sesefredo Pereira Fraga: 17 votos e outros, menos votados.
A última função de juiz de Paz, nas sedes distritais, é a de presidir a solenidade dos
casamentos civis. Seu número, no decorrer das décadas, em cada distrito, foi variando. Alguns
foram reconduzidos várias vezes. Vê-se, por exemplo, que, por Ato do Governador do Estado,
publicado no Diário Oficial, por Boletim da Secretaria do Interior e Justiça, foram
reconduzidos diversos juízes de Paz, com funções no município de Estrela. Todos já exerciam
suas atividades, sendo apenas prorrogadas as suas funções. A novidade diz respeito à
nomeação do 1º suplente de Juiz de Paz da sede, cuja escolha recaiu na pessoa de Renato José
Wagner. A nomeação e as reconduções têm o prazo de três anos, com as seguintes indicações:
Reinhardo Miguel Forster (titular), Renato José Wagner (1º suplente), Pércio Armando
Mallmann (2º suplente), todos da sede do município; Almiro Beinecke (titular), Eugênio
Schneider (1º suplente), e Asônio Gerhardt (2º suplente); todos do distrito de Corvo; Levino
Closs (titular); Roberto Dreyer (1º suplente), e Esmillo Schneider (2º suplente) do distrito de
Languiru; Ewaldo Ahlert (titular), Orlando Schäffer (1º suplente) e Edmundo Richter (2º
suplente), do distrito de Teutônia - cf Nova Geração, de 8-7-1972.
No decorrer dos anos, sempre houve juízes de Paz, cuja relação é longa, perdida em
documentos. Resgatamos alguns nomes mais recentes, como Roque Luiz Schwertner, de 21-121979 a 10-8-1984, sendo 1º suplente José Renato Wagner e 2º suplente Ênio Bassegio, seu
sucessor, até 19-8-1998, quando assumiu o professor Ildo José Salvadori.
JUIZ MUNICIPAL
Com as atribuições semelhantes ao moderno Juizado de Pequenas Causas havia no
Brasil, herdado pelo Brasil Império, o Juiz Municipal e de Órfãos em cada município. Em cada
Distrito de Paz havia um juiz de Paz. Era a forma descentralizadora do Poder Judiciário. Como
foi extinto pela Constituição de 1946, seus arquivos foram recolhidos nas capitais, dificultando
sua reconstituição histórica.
Um dia depois da instalação do novo município de Estrela e posse da Câmara de
Vereadores, em 22-2-1882, segundo a Ata: Compareceram e apresentaram seus diplomas e
solicitaram o seu juramento os juízes de Paz desta Vila, Senhores José Luís Raupp, Nicolau
Ruschel e Jacó Kern, e os juízes de Paz do 2º distrito (Lajeado), Senhores Filipe Jacó Hexsel,
Luís Jaeger e Pedro Brentano, sendo-lhes pelo presidente deferido o juramento na forma da lei.
Pelo Ato n.º 39, de 30-3-1882, é criado o Conselho de Jurados do Município de Estrela.
O juiz de Direito da Comarca de Taquari informou ao presidente da Província, em ofício de 243-1882, que existem 67 cidadãos aptos para jurados. Conforme Regulamento n.º 120, de 31-11842, artigo 223, preenchendo esta condição, criava-se no Município um Conselho de Jurados.
Concluído o mandato, em 8-1-1883 foram empossados os novos juízes de Paz para o
quatriênio 1883-1887, no 1º distrito: Miguel Ruschel, João Schossler e Jacó Kern; e no 2ª
distrito: Filipe Jacó Hexsel, Luís Jaeger e Roberto Süptitz.
Pelo Ato n.º 9, de 15-2-1884, do presidente da Província Barão de Sobral foram
nomeados para suplentes do juiz municipal e órfãos do termo de Estrela: Joaquim Alves Xavier,
Luís Jaeger e Pedro Huber Sênior.
Para o quatriênio 1887-1891, foram empossados, em 8-1-1887, no 1º distrito: Matias
Schott, Paulo Mallmann e Jacó Kern; no 2 distrito: Jacó Dick, Jacó Heineck e Filipe Christ.
Um dos primeiros juízes de Paz do primeiro distrito de Estrela foi Henrique Teodoro
Rohenkohl. Dos 193 eleitores, recebeu 106 votos, o mais votado.
Segundo o Relatório apresentado ao presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Dr.
Júlio Prates de Castilhos, em 15-8-1895 pelo secretário d’ Estado dos Negócios do Interior e
Exterior, Dr. João Abbott, foi declarado sem efeito a nomeação de João Mallmann Sobrinho
para 1º suplente do juiz distrital da sede de Estrela, por não ter entrado em exercício no prazo
legal. Tinham sido nomeados juiz distrital do 1º distrito de Estrela, Urbano Inácio Pimenta,
sendo seu 1º suplente Carlos Matte Sobrinho e 2º, Cristiano Horn. Juiz distrital do 2º distrito,
em Teutônia, Frederico Henrique Blömcher, seu 1º suplente Alberto Scheibe e 2º, Rodolfo
Beutter.
De acordo com as disposições estabelecidas pelo Decreto n.º 9.420, de 28-4-1885, os
ofícios de justiça nas vilas e cidades deviam ser providos mediante concurso. No período de 19-1894 a 15-10-1895 foi Nicolau Müssnich provido na serventia vitalícia do ofício de escrivão
de órfãos do município de Estrela.
Com o desaparecimento ou deslocação de muitos livros de posse e registros de nossos
arquivos, pouco se sabe sobre o Juizado Distrital e Municipal de Estrela. Segundo relatório
apresentado ao presidente Borges de Medeiros, era juiz distrital de Estrela do 1º distrito de
Estrela o bacharel Afonso Duarte de Barros, nomeado em 29-1-1903. Logo depois, Frederico
Poeckel foi juiz distrital do 1º distrito de Estrela, empossado em 10-12-1903. Do 2º distrito
(Teutônia) foi Guilherme Brust, sendo Eberhardt Horst, seu suplente. Do 3º distrito (Roca
Sales), Olímpio Cavagna foi nomeado juiz em 21-2-1903, sendo seus suplentes José Brock,
Clemente Kumer e Pascoal Bertoldi.
Pelo ato de 18-4-1903, foi supresso o Ofício de 2º Partidor de Estrela, porque seu titular,
João Antônio Maria, foi fixar residência em Taquari.
O primeiro juiz municipal de Estrela, ao que tudo indica, foi Joaquim Alves de
Menezes. Por falta de livros de posse e demais documentos, fica difícil resgatar outros nomes na
história mais que secular de Estrela. O Livro dos Eleitores de Estrela, de 1890, registra o eleitor
número 98: Vítor Emanuel de Camargo, com 27 anos de idade, filho de Dr. M. I. Pires de F.
Camargo, casado, como juiz municipal.
O Correio do Povo, de 31-7-1968, resgata o “estrilo do juiz de Estrela”, Joaquim Alves
de Menezes, preocupado com a situação dos presos recolhidos à cadeia pública, solicita
providências urgentes ao governo, no sentido de regularizar a situação, posto que “não tendo a
Coletoria desta Vila ordem de suprir com comida os presos pobres da cadeia”, já estava
entalado com a “viandeira” indo ao “espeto” a mais de dois contos de réis... A reclamação foi
feita ao governo provincial em 13-3-1884. O presidente conselheiro Dr. José Júlio de
Albuquerque Barros mandou que a situação fosse resolvida, efetuando-se o pagamento devido à
alimentação dos presos pobres.
Segundo o Relatório anual do presidente estadual Júlio de Castilhos, em 1895, foi
nomeado Urbano Ignácio Pimenta Juiz Distrital de Estrela, reconduzido a esta função em 1899.
Apenas menções raras e esparsas, perdidas em jornais de outros municípios, resgatam
alguns nomes de juízes distritais. Um deles foi o bacharel Afonso Duarte de Barros, cf. O Alto
Taquary, de 20-8-1905, ao noticiar sua remoção da comarca de Montenegro para o de Lagoa
Vermelha.
Segundo O Paladino, de 2-10-1921, era juiz distrital e de órfãos do termo de Estrela
o capitão Luís Guedes da Fontoura, sendo seu escrivão Afonso Maria Müssnich.
A Lei estadual n.º 269, de 15-6-1922, decretou e promulgou a reforma de alguns artigos
da Constituição Política do Estado. No que se refere ao poder judiciário, o artigo 54 estabelecia
que os juizes de comarca deviam ser nomeados pelo Presidente do Estado, mediante concurso e,
na inspiração da doutrina positivista, sem dependência de diploma. Em cada município deveria
funcionar um júri. Caberia ao presidente do Estado nomear, quadrienalmente, para cada distrito
municipal, o juiz distrital.
Entre os acontecimentos importantes na área judiciária de Estrela, anterior à criação
definitiva de sua Comarca, ocorreu a reforma do seu Fórum, em 20-8-1936, antes da instalação
dos trabalhos da 3ª sessão ordinária, presidida pelo juiz de Direito da Comarca do Alto Taquari,
com sede em Lajeado, Dr. Décio Pelegrini. A solene inauguração das novas instalações estão
registradas n' O Paladino, de 22-8-1936. A reforma foi promovida pelo juiz municipal, Dr.
Rodolfo Pierri. Ele próprio desenhou os móveis que foram fabricados para as diversas salas. No
discurso inicial, o advogado Dr. Voltaire de Bittencourt Pires destacou o fato de ser o Fórum de
Estrela o segundo do Estado, em beleza e arte, que se pode comparar ao do foro de Porto
Alegre. Em nome do juiz Pelegrini, falou Dr. Walter Torres, promotor público da Comarca.
Depois de Dr. Rodolfo Pierri, foi Túlio Barbosa Leal juiz Municipal de Estrela,
empossado em 25-5-1939. A Constituição de 1946, extinguiu o Juizado Municipal.
COMARCA DE ESTRELA
A história da comarca de Estrela se divide em dois distintos períodos: do século 19, ao
ser criado e extinto duas vezes, e do século 20, ao ser criado definitivamente.
A criação da Comarca de Santo Antônio da Estrela, das efemérides judiciárias riograndenses, foi um dos últimos acontecimentos do Brasil Império. Foi criada pela Lei n.º 1.865,
de 17-7-1889. Era presidente da Província Dr. Joaquim Galdino Pimentel.
O Decreto Federal n.º 223, de 27-2-1890, declara de primeira entrância a comarca de
Santo Antônio da Estrela.
Ao que parece, é um período totalmente desconhecido pelos estrelenses. Poucas fontes
chegaram aos nossos dias.
O primeiro juiz de Direito da comarca de Santo Antônio da Estrela foi Dr. Genuíno
Firmino Vidal Capistrano. Com 43 anos de idade, ao que parece, não era gaúcho.. Abriu e
assinou, em 11-4-1890, o termo de abertura do livro dos eleitores de Estrela:
Servirá este livro para as atas dos trabalhos da Comissão municipal de revisão, a fim
de ser organizado o alistamento dos eleitores deste município, na conformidade do Decreto n.º
200 A, de 8 de fevereiro de 1890. Em todas as suas folhas, já numeradas, vai por mim
rubricado com a rubrica Dr. GenuínoVidal, de que uso. Leva no fim o termo de encerramento.
Santo Antônio da Estrela, 11 de abril de 1890.
O Juiz de Direito
Dr. Genuíno Firmino Vidal Capistrano.
Ele mesmo também se habilitou como eleitor, registrado no 1º quarteirão eleitoral, n.º
34.
A instalação dos trabalhos da Junta Municipal se deu em 7-5-1890, presidida pelo Juiz
Municipal, Vítor Emanuel de Camargo. Faziam parte da Comissão Luís Jaeger, presidente da
Intendência 1º substituto; Adolfo Martins Ribeiro, delegado de Polícia; Luís Pereira de
Azevedo, secretário da Junta Municipal; Bernardino José Machado, oficial de Justiça. Nas
reuniões seguintes, Luís Paulino de Morais assinava como presidente da Intendência e André
Sulzbach, como oficial de Justiça, substituído depois por Manuel Eloy de Souza. Mais não se
sabe.
Há um fato curioso e misterioso, anotado também no livro Lajeado I, p. 292: Dr. José
Manuel de Araújo, juiz de Direito em exercício em Palmeira, desde 30-5-1890, havia sido
removido para a comarca de Estrela, onde tomou posse em 24-12-1891. Certamente não foi na
noite de Natal. Teria entrado em exercício, por dois meses, antes de ser extinta a comarca?
Sabe-se que o juiz foi declarado avulso, pelo Decreto de 31-12-1894. Teria se envolvido com os
federalistas?
Durante o período chamado "Governicho", pelo Decreto n.º 17, de 27-2-1892,
estabelecendo a divisão judiciária do Estado, Barreto Leite extinguiu a comarca de Estrela, que
passa a ser termo de Taquari, onde Dr. Manuel Orfelino Tostes assumiu, em 11-3-1892. Quase
quatro meses depois, pelo Decreto n.º 31, de 18-6-1892, Vitorino Monteiro tornou insubsistente
o Decreto anterior, ficando, desta forma, restabelecida a comarca de Estrela. Seis meses mais
tarde, pelo Decreto n.º 37, de 31-12-1892, fixando nova divisão judiciária no Rio Grande do
Sul, volta a ser extinta a comarca de Estrela, retornando o termo a integrar a comarca de
Taquari.
Nessa situação, permaneceu por mais de um decênio. Os que precisavam recorrer à
Justiça, deviam deslocar-se constantemente a Taquari.
Terminada a Revolução Federalista, com a assinatura da Paz em Pelotas, em 23-8-1895,
meses antes lideranças se movimentaram para que uma comarca na região fosse criada e assim
fossem acelerados os processos empilhados na comarca de Taquari e, sobretudo, aparassem as
seqüelas da Revolução. Na reunião do Conselho Municipal de Lajeado, em 1-3-1895, os
conselheiros apreciaram o requerimento do advogado estrelense João Ubaldo Nery, solicitando
a interferência da corporação para que enviasse ao governo estadual o pedido de restabelecer,
em Estrela, a comarca, ou que fosse criada a comarca de Lajeado, composta dos termos de
Lajeado, Estrela e Venâncio Aires. Encontramos no Arquivo da Comarca, abandonado às traças
num prédio conhecido por Figueiró, documentos de 1898, assinado pelo Dr. Manuel Orfelino
Tostes.
O Estado não tinha mais dinheiro. O presidente Júlio de Castilhos tinha que recuperar as
finanças. Por essa razão, alguns anos mais esperou Júlio May, retornando à luta pela criação da
comarca de Lajeado, no limiar do novo século. Obtendo o aval dos conselheiros, May voltou
com o pedido ao governo:
“O Conselho Municipal do Lajeado, obedecendo à voz do povo que representa, vem
perante V. Excia., supremo Diretor do Estado, pedir-vos o desmembramento de seu território
da comarca de Taquari, para formar só, ou com o da Estrela, que lhe fica vizinho, uma
Comarca Judiciária. O motivo determinante desse pedido é o movimento do foro, que é grande,
já na sede, já nos distritos de que se compõe o vasto município. Sua população condensada,
relativamente a outros que gozam de benefícios de comarca, é hoje computada em 31.390
almas. Consta a maioria dos habitantes de colonos prósperos, cheios de negócios e de
interesses, que os faz demandar a ação da justiça pública quase que diariamente. Está reduzida
a uma alçada mínima, como é a dos juízes distritais, obriga as partes a dispêndios com partes,
advogados ou procuradores na sede da Comarca, quanto é certo que noventa por cento dos
processos têm de ir forçosamente ao conhecimento e decisão do juiz superior. Além disso, o
hábeas corpus, garantido pela Constituição Federal e pela do Estado, esse meio seguro da lei
contra a violência e o arbítrio, ficará sempre burlado, tendo de recorrer-se à Taquari.
Enquanto um correio desce e regressa, por ter de forçosamente passar pela Capital do Estado,
o paciente ficará privado dele, sujeito ao autoritarismo, que, para honra da autoridade do
município, não existe. Mas, ninguém pode prever o futuro, e prevenir um mal é evitá-lo. A
justiça próxima torna-se pronta e segura em seus efeitos. E ela a garantia do cidadão, a base
da Nação, as colunas de aço da República. E V. Excia. como um dos mais decididos apóstolos
da liberdade, e, sobretudo, magistrado reto, seguramente melhor compreenderá as vantagens
que advirão ao povo e ao Estado com a criação da nova comarca. Confiando o Conselho
Municipal, por inteiro, no interesse que V. Excia. liga ao progresso e bem-estar da colônia, que
é o celeiro do Rio Grande, espera que, no futuro orçamento, seja incluído o aumento da
despesa a realizar-se com a já citada criação; despesa pequena, insignificante mesmo, diante
dos benefícios que produzirá. - Saúde e Fraternidade” - cf Of. n.º 5, de 19-8-1901, no Arquivo
Municipal de Lajeado.
Uns meses depois, falecia Júlio May, em pleno exercício de intendente. Seu sucessor,
Francisco Oscar Karnal, retomou a bandeira, acionando os conselheiros municipais. Ao
presidente Borges de Medeiros endereçou o Conselho Municipal a reivindicação da comarca,
argumentando ter Lajeado em torno de 3.500 km2 , 35.000 almas e 3 distritos judiciais. Alegou
“as dificuldades de transporte nas cheias do rio e as maiores ainda nas baixas, as
comunicações postais feitas por intermédio da Capital, a falta de telégrafo do Estado naquela
cidade, concorrem para delongas e demoras prejudiciais aos mais legítimos interesses da
colônia. Ainda mais. A comarca de Taquari é hoje a maior do Estado”. Provou ainda que a
“renda anual que o município de Lajeado dá ao Tesouro do Estado e sua população merece
este favor do governo, dando-lhe o juiz superior dentro de sua própria arca - cf Of. N.º 5, de
27-6-1902, existente no Arquivo de Lajeado.
Logo depois, em 1-8-1902, o próprio intendente Karnal se dirigiu ao governo, pedindo a
separação da comarca de Taquari, para constituir-se a comarca do “Alto Taquari”, formada
pelos termos de Lajeado e Estrela, “calculados em 50.000 almas”.
Nova estratégia foi montada. Borges de Medeiros foi convidado a visitar o Vale do
Taquari. Ai vir para Lajeado, em 27-4-1903, reforçou o pedido da comarca, pessoalmente.
Recebeu o aval positivo. Borges atendeu o pedido e criou a comarca do Alto Taquari, em 6-51903, pelo Decreto n0 618, com sede em Lajeado, constituída dos termos de Lajeado e Estrela.
A denominação de Comarca de Lajeado data de 31-3-1938 em diante, pelo Decreto nº 7.199.
Para os estrelenses, a medida da criação da comarca do Alto Taquari também foi
vantajosa para Estrela. As grandes sessões de júri, envolvendo as partes estrelenses, eram
realizadas em Estrela, funcionando o Fórum na própria Intendência Municipal, por vários anos.
Os juizes de Direito da Comarca do Alto Taquari, que vinham presidir os júris em
Estrela, nesse período, foram:
Dr. Alberto Juvenal Do Rego Lins: 1903
Dr. Alberto Rodrigues Fernandes Chaves: 13-11-1905
Dr. Inocêncio Borges da Rosa: 29-11-1911
Dr. Manuel Luís Romero: 22-10-1912
Dr. Leonardo Ferreira da Silva: 10-2-1916
Dr. Érico Ribeiro da Luz: 29-3-1921
Dr. João Solon Macedônia Soares: 1925
Dr. Décio Pelegrini: 30-10-1931
Dr. Edgar José Ramos.
Foi durante o exercício desse juiz, Dr. Edgar José Ramos, que as lideranças de Estrela
insistiram na emancipação do Poder Judiciário, solicitando à interventoria federal a criação da
Comarca de Estrela.
Assim, pelo Decreto-lei n.º 720, de 29-12-1944, foi criada a comarca de Estrela,
composta pelos termos de Estrela e Encantado, reduzindo o território da comarca de Lajeado
com os termos de Lajeado e Arroio do Meio. Entretanto, a criação da comarca de Estrela foi
mais explícita, ou confirmada pelo Decreto-lei n.º 797, de 21-5-1945.
Pelo Dec.-lei nº 1.205, de 8-10-1946, com a criação da comarca de Encantado, ficou
reduzido o território da comarca de Estrela.
Pela Lei 1.008, de 12-4-1950, a comarca de Estrela foi classificada como de 1ª
entrância. Pela Lei nº 2.666, de 6-8-1955, a comarca de Estrela perde o território do novo
município de Roca Sales, que passou para Encantado.
Pelo ato n.º 1, de 3-3-1959, o Conselho Superior de Magistratura determinou que as
comarcas não instaladas de Bom Retiro do Sul e Venâncio Aires, fiquem sob a jurisdição do
juiz de Direito da comarca de Estrela. A instalação da comarca de Venâncio Aires foi
determinada em 30-12-1960. Assim também ocorreu, em 17-8-1961, com a comarca não
instalada de Roca Sales.
Pela Lei nº 6.124, de 28-12-1970, a comarca de Estrela foi elevada à 2ª entrância.
Não foi encontrado o primeiro livro de posse de juízes e serventuários da Justiça da
Comarca de Estrela, cuja listagem aqui está incompleta, obtida por rastreamento em
documentos. O segundo Livro histórico da Vida Judiciária da Comarca foi aberto pelo Dr.
Günther Theodor Helmuth Radke, em 22-12-1972, o que nos permitiu dados mais completos.
Assim, chegamos à seguinte nominata de juízes do Direito na Comarca de Estrela:
Dr. Luís Amado de Figueiredo, juiz (1945-1946) e prefeito
Dr. Gabriel Pereira Borges Fortes: de dezembro de 1952 a dezembro de 1954
Dr. Luiz Rodrigues Pinto: 1961
Dr. Odilo Becker, até 15-9-1969
- Dr. Sérgio Marques Peixoto, titular de Venâncio Aires, substituto.
Dr. Günther Theodor Helmuth Radke: de 10-10-1969 a 13-3-1975
- Dr. Valter Arno Heidel, 1º juiz substituto
Dr. Hélio Werlang: de 1-7-1975 a 30-6-1977
Dr. Luiz Matias Flach: de 9-8-1977 a 30-11-1978
Dr. Moacir Leopoldo Haeser: de 21-3-1979 a 25-6-1980
Dr. Benedito Felipe Rauen Filho: de 1-10-1980 a 16-11-1981
Dr. Aramis Nassif: empossado em 20-1-1982
- Dr.Roberto Arriada Lorea -Substituto do Juizado Especial Cível, em 1988
- Dr. Niguel Antônio Juchem, juiz substituto, em 18-4-1989
Dr. Eduardo Becker, em 19-9-1989, 1ª Vara e desde 5-3-1997, 2ª Vara
- Drª Maria Aline Brutomesso
- Dr. Sandro Luz Portal
- Dr. Carlos Eduardo Richinitti, Plantonista, em 13-1-1994
- Drª Ketlin Carla Pasa Casagrande, Juíza de Direito Plantonista - 1995
- Dr. Clóvis Moacyr Mattana Ramos, Juiz de Direito Substituto, em 1996-1997
Dr. Sandro Luz Portal, em 3-11-1997, 1ª Vara
Drª Tatiana Elizabeth Michel Scalabrin, em 18-7-2000, 1ª Vara e diretora do
Fórum.
A denominação de ruas é para reavivar a memória do povo e prestar homenagem aos
que foram importantes na história. Dr. Genuíno Firmino Vidal Capistrano, primeiro Juiz de
Direito de Estrela, na primeira e curta fase de sua comarca, e Dr. Luís Amado de Figueiredo,
primeiro juiz na segunda fase, ao mesmo tempo prefeito nomeado de Estrela, falecido como
desembargador em 1978, não mereceram nomes de rua nesta cidade.
O mais antigo Juiz de Direito ainda vivo é Dr. Gabriel Pereira Borges Fortes, residente
em Porto Alegre. Nasceu em 4-3-1920, em Venâncio Aires. Depois de servir como pretor em
sua terra natal, foi nomeado juiz de Direito em Marcelino Ramos, Estrela, Lagoa Vermelha e
Porto Alegre, onde chegou a se aposentar com as vantagens do cargo de Desembargador do
Tribunal de Justiça. Foi professor na UFRGS em várias cadeiras de Direito, Imprensa, História e
Cultura Brasileira.
Em 8-11-1994, foi instalado na comarca de Estrela o Juizado Adjunto Especial e de
Pequenas Causas Cíveis, numa solenidade ocorrida no então Hotel Polartur.
Com a instalação da 2ª Vara na Comarca de Estrela, Dr. Eduardo Becker foi
reclassificado para esta Vara, em 5-3-1997.
Também funciona em Estrela a Pretoria. Temos condições de registrar diversos
pretores, como:
Dr. Manoel José Bizarro Júnior, de 12-4-1982 a 25-11-1983
Dr. Carlos Rafael Santos Júnior, de 16-1-1984 a 21-6-1985
Drª Valéria Lúcia Chemello Faviero, empossada em 31-10-1985
Drª Rosaura Marques Borba, empossada em 23-9-1987
Dr. Sylvio Antônio de Oliveira Corrêa, de 2-4-1990 a 29-8-1994
Drª Alba Docelina Ribeiro Tenório, empossada em 13-9-1994.
Em 8-7-1988, Drª Greice Grazziotin Portal foi eleita por aclamação para o cargo de Juiz
Leigo, cuja solenidade de posse foi presidido por Dr. Roberto Arriada Lorea. Atualmente, atuam
nessa funções Daniel Horn, Cassiane Berti, Vítor Hugo Diehl e Alexandre Genaro Soares
Lemes.
Em outubro de 1992, foi inaugurado no Fórum, na Av. Rio Branco n.º 928, a sistema de
informatização, agilizando os processos. A sede hoje é na Rua 15 de Novembro, n.º 5.
Em 30-11-2001, foi assinado o Termo de Adesão ao Plano de Gestão pela Qualidade do
Judiciário.
Em 22-5-2001, foi instalado no Cartório Eleitoral, junto ao Fórum, o sistema de prontaentrega de títulos eleitorais da 21ª Zona Eleitoral, que abrange os municípios de Estrela,
Teutônia, Bom Retiro do Sul, Imigrante, Colinas, Poço das Antas, Fazenda Vilanova e
Westfália.
O Poder Judiciário promoveu a primeira Ronda da Cidadania em Estrela, em 15-122001, no Centro de Atividades do Sesi. A população carente teve acesso a uma série de serviços
gratuitos, entre os quais certidão de nascimento, reconhecimento de paternidade, carteira de
identidade, CPF, carteira de trabalho, título eleitoral, consulta com advogados e promotores de
justiça, testes e orientações na área da saúde.
Defensoria Pública
Defensoria Pública do Estado é um serviço destinado apenas aos cidadãos considerados
legalmente pobres. O defensor público é um advogado, selecionado através de concurso
público, que trabalha exclusivamente no Estado, atendendo as pessoas carentes que procuram a
Justiça para resolver seus problemas e conflitos e que não podem pagar as despesas de um
processo judicial.
Dr. Léo Schmidt Dreger é que ficou por mais tempo na Defensoria Pública de Estrela.
Vindo da comarca de Caxias do Sul, desde novembro de 2001, Dr. Waldemar Menchik
Júnior atende a Defensoria Pública de Estrela, que atende mensalmente em torno de 280
pessoas, numa média diária de 13 consultas. O horário é das 8h30min às 11h30min, de segundas
a quintas-feiras.
Junta de Conciliação e Julgamento
Órgão judicante de primeira instância da Justiça do Trabalho, instalado em Lajeado,
na rua Benjamin Constant nº 872, 2º andar, em 30-5-1967, constituído pelo juiz-presidente,
Dr. Luiz José Guimarães Falcão, e, como Vogal e Suplente dos Empregadores, Ruy Morais
de Azambuja e Adelar Straatmann, respectivamente, e Vogal dos Empregados, Pedro Valmor
Schardong e Alcebíades de Oliveira. Funcionava nas terças e sextas-feiras, pela tarde em
Lajeado, atendendo também os litigantes de Arroio do Meio e de Cruzeiro do Sul; nas
segundas-feiras, em Estrela, para atender os litigantes deste município e de Bom Retiro do
Sul; nas quintas-feiras, em Encantado, atendendo os litigantes desta cidade e de Roca Sales.
Justiça Federal
Desde 3-4-2001, Estrela e o Vale do Taquari conta com uma Vara da Justiça Federal,
instalada na rua Alberto Torres nº 613, no 2º e 3º andar, em Lajeado, fone 0xx51-3714.6070.
Fruto de antiga aspiração, a reivindicação foi feita por uma comissão formada pela Associação
Comercial e Industrial de Lajeado, Univates, OAB e Prefeitura Municipal de Lajeado. Isto
significa que as empresas da região terão uma redução de, em média, 80% nos gastos com
processos que tramitam nas 10 Varas de Porto Alegre e na de Santa Cruz do Sul.
MINISTÉRIO
PÚBLICO
Como órgão do Executivo, com atribuições específicas de fiscalizar a aplicação da lei
nos processos cíveis e fazer a acusação nos processos criminais, o Ministério Público em Estrela
não tem ainda a sua história resgatada. O Ministério Público é identificado pelo povo
simplesmente como Promotor Público, hoje, Promotor de Justiça.
Embora não remonta esta figura no Judiciário além do Decreto n.º 1.030, de 14-111890, já havia promotor público atuando nas comarcas, como em Estrela consta no Livro dos
Eleitores, aberto em 11-4-1890: Tancredo Pita Pinheiro, jovem de 22 anos de idade, o primeiro.
O segundo Luís Pereira Azevedo, nomeado em 8-2-1892, com 29 anos de idade.
Depois de supressa a Comarca em 27-2-1892 e recriada em 29-12-1944, estiveram em
Estrela os seguintes Promotores de Justiça e as respectivas datas de nomeação:
Dr. José Barcelos da Cunha, em 4-1-1945
Dr. Renato Alves de Oliveira, em 23-11-1948
Dr. Adalberto Alexandre Snel, em 20-6-1952
+ Dr. Ênio dos Santos Gualdi, em 27-1-1955
Dr. Ney Menna Barreto Vieira, em 9-7-1957
Dr. Armindo Edgar Laux, em 13-5-1958
Dr. Ney Fayet Souza, 7-8-1961
Dr. Marco Aurélio Costa Moreira Oliveira, em 23-9-1963
Dr. Itálico José Marcon, em 15-5-1964
Dr. Atlé Coutinho Boos, em 2-9-1965
Dr. Raimundo Valiatti, em 171-5-1974
Dr. José Antônio Garcez, de 24-11-1977 a 11-5-1979
Dr. Rogério Nonnenmacher, de 15-6-1979 a 9-10-1980
Dr. Maurivan Fornari Poeta, de 26-1-1981 a 28-9-1982
Dr. Eugênio Cruz Speggiorin, de 8-2-1983 a 2-4-1984
Drª. Jussara Lahude Ritter, de 1-7-1986 a 25-4-1991
Dr. Silvério José Huppes, de 1-11-1991 a 31-3-1997
Drª. Ieda Husek Wolff, de 19-3-1992 a 16-10-1996
Drª. Adalgisa Wiedemann Chaves, de 16-4-1997 a 1-5-2002-07-27
Drª. Odete Pinzetta, de 16-4-1997 a 20-5-2002-07-27
Drª. Márcia Rosana Cabral Bento, de 17-7-1997 a 7-2-1999
Drª. Simone Spadari, desde 4-4-1999
Dr. Gustavo Schneider de Medeiros, desde 1-6-2002-07-27
No Ministério Público de Estrela também tiveram passagem alguns promotores de
Justiça, como auxiliares e substitutos eventuais, como Dr. Vasco Della Giustina (1972), Dr.
Paulo Roberto Pereira Angeli (1976), Dr. José Barroco Vasconcelos (24-3-1977) e Dra. Veleda
Maria Dobke (1984-1985).
O Ministério Público inaugurou sua nova casa em 11-8-1999, na Rua Cel. Müssnich
557, salas 101/102, onde atende o público das 10h às 11h30min.
Entretanto, a sede própria e definitiva o Ministério Público terá quando for construído o
seu prédio. A área para essa finalidade já foi destinada. Leonildo José Mariani sancionou, em
19-12-2000, a Lei Municipal n.º 3390, através da qual o município doou uma área de 346,3m²
ao Estado, para a construção da sede própria. O imóvel localiza-se na esquina das ruas Coronel
Müssnich e 13 de Maio, ao lado da Secretaria da Agricultura. A proposta foi aprovado pela
Câmara, em 18-12-2000. O projeto do novo prédio foi concluído em maio de 2002, aguardandose recursos para a sua construção.
A Promotoria de Justiça Especializada reuniu, em novembro de 2001, os prefeitos de
Estrela, Bom Retiro do Sul e Colinas, além de representantes da Agência Florestal e Univates. O
objetivo foi discutir a implantação de um projeto de recuperação da mata ciliar do rio Taquari. A
promotora Odete Pinzetta expôs aos prefeitos algumas das normas que constam no Código
Florestal Federal. Pela lei, a área de cem metros contada das margens do rio é considerada de
preservação permanente. Segundo a promotora, se a lei fosse cumprida, os últimos
alagamentos e enchentes seriam de menor proporção - cf O Informativo, de 27-11-2001. Entre
os efeitos, em junho de 2002, há em Estrela o II Seminário Estadual sobre Reflorestamento,
registrado no capítulo do Meio Ambiente deste livro.
CARTÓRIOS
TABELIONATO
Cartório do Ofício Público Judicial e Notas
O 1º Cartório do Ofício Público Judicial e Notas de Estrela foi criado pela Lei
Provincial n.º 1.343, de 1881. O primeiro oficial a tomar posse nessas funções foi Antônio
Geraldo Pereira. Em fevereiro de 1891 foi nomeado, vitaliciamente, para o ofício de tabelião do
público judicial desta Vila, o cidadão Adolfo Martins Ribeiro - cf Álbum Comemorativo de
Cinqüentenário do Município de Estrela, p. 77.
José Luís Mena Barreto desistiu da Serventia Vitalícia do Ofício de Escrivão de Órfãos
do termo de Santo Antônio da Estrela, o que foi aceito pelo Ato n. 188, 22-11-1887, assinado
por Joaquim Jacinto de Mendonça, 3º vice-presidente da Província no exercício da presidência.
Em 2-10-1894, foi nomeado como escrivão de Órfãos e Ausentes Nicolau Müssnich,
cargo que passou definitivamente para seu filho Afonso Maria, em 15-10-1908, e este para o
neto Estanislau Müssnich.
Pelo decreto 2.990, de 29-7-1922, o presidente Borges de Medeiros criou o Ofício de 2º
Notário de Estrela, sendo nomeado Henrique Senger seu titular. Solicitando sua aposentadoria,
foi concedida pelo Despacho 24.255, extinguindo-se o tabelionato.
Antônio Carlos Porto também foi tabelião em Estrela.
A Serventia Registral e Notarial de Estrela - Cartório de Registro Civil, Títulos e
Documentos, Pessoas Jurídicas, Protestos e o Centro de Registro de Veículos Automotores CRVA de Estrela, desde 6-5-2002, atendem no novo endereço, na rua Fernando Abbott, nº 154,
esquina com a rua Venâncio Aires.
Registro Civil de Pessoas
Em 19-9-1995, foi dada a posse de Regina de Fátima Marques Fernandes como oficial
do Registro Civil das Pessoas Naturais e Registros Especiais.
REGISTRO DE IMÓVEIS
Muitas pessoas procuram nos Registros de Imóveis as primeiras escrituras de terras,
para saber qual seu antigo proprietário, superfície original, valor venal da época, confrontações
limítrofes e demais dados que possam ser interessantes.
Embora Estrela fosse instalado município em 21-2-1882, não há dados daquela época
em seus livros. Terá que ir no Arquivo Público de Porto Alegre, na Rua Riachuelo, 1031.
Segundo consta do arquivo de Serviço do Registro de Imóveis de Estrela, o primeiro
lançamento de registro de um imóvel é de 19-4-1890. Portanto, mais de oito anos após a
emancipação, já no período do Brasil República. O primeiro oficial do Registro de Imóveis foi
José Antero de Siqueira, então, com 30 anos de idade. Um dos oficiais que muito se destacou na
história de Estrela foi Augusto Frederico Markus. Assumiu, vitaliciamente, em 21-6-1932, pelo
interventor federal Flores da Cunha, entrando em licença como prefeito municipal, até 11-71932, ao receber seu ajudante, Mário Hauschild. Mais tarde, quando Augusto assumia a
Prefeitura mais vezes, entrou seu irmão Edmundo Markus para o substituir. Também sua filha
Ruth foi ajudante, por pouco tempo, até 1954.
Nos últimos anos também teve uma atuação destacada Miguel de Oliveira Figueiró.
Nos seus 110 anos de história, o Registro de Imóveis de Estrela já teve competência
sobre os municípios de Lajeado (até 1894), Roca Sales, Teutônia, Imigrante e Colinas. Hoje,
somente os imóveis de Colinas permanecem na competência desse Registro.
Atualmente, o Serviço do Registro de Imóveis de Estrela encontra-se instalado no 2º
andar, Sala 204, do Centro Comercial Alfa, na Rua Cel. Müssnich, n.º 557. Nos 253 m² de área,
o titular e atual oficial, Dr. Luiz Carlos Moreira de Souza, conta com o auxílio dos escreventes
Gustavo Antônio Diel, Fábio Sontag e Maria da Glória Artmann. Os serviços registrais estão
totalmente informatizados.
SEGURANÇA
PÚBLICA
Desde que o homem se organizou em sociedade, uma das preocupações era a
manutenção da ordem, para que os excessos da liberdade individual não invadissem as
fronteiras da liberdade do próximo e, mormente, da coletividade. Para isso, a própria sociedade
criou mecanismos de lei e de força, que tiveram no decorrer da história várias denominações.
GUARDA NACIONAL
1882 - 1922
Sua origem é de Portugal. No período do Brasil Império também no Vale do Taquari
havia a Guarda Nacional, formada por pessoas de elite, com hierarquia e patentes militares, sem
que fossem militares profissionais. A finalidade aparente da organização era estar à disposição
da pátria em caso de guerra e da ordem, em caso de revolução. A finalidade de fato era status
social, para obtenção de favores e benesses das autoridades maiores...
Como havia uma organização hierárquica, cada vez que surgisse algum movimento
social e político que exigisse a manutenção da ordem, em auxílio à corporação policial, a
Guarda Nacional era reorganizada.
O presidente da Província José Leandro de Godói e Vasconcelos, pelo Ato n.º 102, de
31-7-1882, organizou o 25º Corpo de Cavalaria do Serviço Ativo da Guarda Nacional da
Freguesia de Estrela:
Estado Maior:
Tenente ajudante de secretário: Antônio Israel Ribeiro
Tenente quartel-mestre: Felisberto Fagundes Mena Barreto
1ª Companhia:
Capitão: Paulo Mallmann
Tenente: Nicolau Schossler
Alferes: Pedro Kronbauer Sobrinho
2ª Companhia:
Capitão: Henrique Teodoro Rohenkohl
Tenente: Boaventura Antônio Rodrigues
Alferes: João Antônio da Cunha
3ª Companhia, com a sede era em Teutônia:
Capitão: Pedro Schneider
Tenente: Guilherme Endres
Alferes: Carlos Emílio Arnt
4ª Companhia, com a sede em Lajeado:
Capitão: Carlos Born
Tenente: Luís Jaeger
Alferes: Paulo Pires Corrêa.
Periclitante ficou a situação após a implantação do regime republicano. O governo do
Estado literalmente procurou militarizar os municípios. O general Cândido José da Costa criou,
em Estrela, o 38º Batalhão de Infantaria da Reserva, com 8 Companhias, pelo Ato n.º 105, de
14-2-1891. Criou o 102º Corpo de Cavalaria, com 3 Esquadrões, em Teutônia, e mais o 40º
Batalhão de Infantaria da Reserva, com 6 Companhias. Ficou também pertencendo ao Comando
Superior de Estrela o antigo 25º Corpo de Cavalaria, com 2 Esquadrões, desligado do Comando
Superior da Guarda Nacional de Taquari.
Pelo Ato seguinte, na mesma data, nomeou os oficiais para a Guarda Nacional de
Estrela e Lajeado ( emancipado, mas não instalado), do Comando Superior:
Tte. Cel. Chefe do Estado Maior: Afonso Martins Ribeiro
Major Ajudante de Ordens: José Antero de Siqueira
Major Ajudante de Ordens: Adolfo Martins Ribeiro
Capitão Secretário Geral: Guilherme Ripper
Capitão Quartel Mestre Geral: Filipe Jacó Wild
Capitão Cirurgião-mor: Pedro Ruschel
Tte. Cel. Comandante do 38º Batalhão: Miguel Buchmann
Major Fiscal do 38º Batalhão: Pedro Buchmann
Tte. Cel. Comandante do 101ª Corpo de Cavalaria: Luís Jaeger
Major Fiscal do 101º Corpo de Cavalaria: Carlos Born
Tte. Cel. Comandante do 39º Batalhão: Frederico Henrique Jaeger
Major Fiscal do 39º Batalhão: Francisco Oscar Karnal.
Major Comandante da 6ª seção de Infantaria: Frederico Heineck
Tte. Cel. Com. do 102º Corpo de Cavalaria: Carlos Emílio Arnt
Tte. Cel. Com do 40º Batalhão de Infantaria: Júlio May
Major Fiscal do 40º Batalhão de Infantaria: Henrique Hörlle.
No decorrer dos anos, a Guarda Nacional foi alterando e renovando seu quadro, embora
não entrassem em ação nas funções em que eram nomeados.
Os integrantes da Guarda Nacional, “um vistoso corpo de oficiais sem soldados”,
agrupavam-se no “Clube da Guarda Nacional”, com diretoria e sede própria. O que faziam? Não
havendo problemas de “Ordem Pública”, tratavam de fazer campanhas, como por exemplo,
erguer vistosos monumentos. Esta talvez seja a razão de haver tão ricos monumentos nas
grandes cidades. Lá por 1913, as Guardas Nacionais de vários municípios deram notáveis
contribuições para o “monumento ao Barão do Rio Branco”, como registra A Federação, de 11-
2-1914. A mesma edição notificou a nomeação de oficiais, feita pelo Decreto de 24-12-1914,
para várias comarcas. Há no Arquivo Municipal de Lajeado uma anotação manuscrita com
dados sobre os valores das patentes militares:
Coronel - 456$000
Tenente Coronel - 376$000
Major - 315$000
Capitão - 107$000
Tenente - 90$000
Alferes - 60$000
Não somente as patentes militares eram caras. Cada qual devia possuir o seu fardamento
e distintivos completos e impecáveis.
Em 1918, foram enviados à Delegacia do Exército de 2ª Linha, em Porto Alegre, os
livros de registros de Ofícios, Patentes, Compromissos, Ordens do Dia, Alistamentos, Atas de
Qualificação da Guarda Nacional, pelo juiz distrital, e pelo intendente municipal. Ainda em
1921, o juiz distrital enviou ao mesmo órgão o “Quadro Demonstrativo dos Oficiais” da antiga
Guarda Nacional, que faleceram ou que se mudaram do lugar. No ano seguinte, a Guarda
Nacional foi extinta.
A grande maioria dos membros da Guarda Nacional ostentavam a patente militar em
seus nomes, como status, até o fim da vida.
GUARDA MUNICIPAL
Cabia aos municípios organizar e manter a força policial armada, de caráter militar,
fardada, disciplinada. Foi denominada Guarda Municipal. Criado e instalado o município, logo
após a proclamação da República, também Estrela teve que estabelecer um contingente militar
mais forte para manter a ordem durante os dois anos de crise política e perturbação social que
precederam a revolta dos maragatos.
A militarização do município, seja através da Guarda Municipal, seja através do Corpo
Provisório, descrita no livro “Revolução Federalista do Vale do Taquari”, deve ter gasto alta
percentagem das despesas no Orçamento municipal. Em Lajeado chegou a 70%, em 1894. A
Guarda Municipal estabeleceu o seu quartel na própria Intendência municipal. O município
devia arcar com a alimentação e despesas gerais do Corpo Provisório, e mesmo da Brigada
Militar e do Exército, quando em trânsito neste território, no combate aos federalistas.
No exercício de 1898, a despesa da Guarda Municipal de Estrela foi de 9:678$011 o que
foi reduzido em 1899 para 6:371$278, o que correspondia a 13% do orçamento todo. Foi um
gasto significativo. Ainda em 1925, na "Polícia administrativa" Estrela gastava 11.7% da
despesa.
Além dos vencimentos dos soldados da Guarda Municipal, a sede e nos distritos, e do
carcereiro, havia as despesas com fardamento, armas, munição, cavalgaduras para guarnecer os
distritos, luz e asseio na cadeia. Hoje, tais despesas são do Estado.
Um dos comandantes foi Carlos Matte Sobrinho, substituído pelo tenente Ulisses
Bandeira, cf O Alto Taquary, de 12-11-1905.
Pelo Ato n.º 171, de 15-2-1911, o intendente Manuel Ribeiro Pontes Filho
nomeou João Francisco da Silveira para exercer o cargo de Comandante da Polícia
Administrativa de Estrela.
Se o município solicitasse ao governo do Estado auxílio direto da Força Estadual
quando necessário, cabia à municipalidade uma contribuição mensal.
A atual Constituição Federal estabelece como dever do Estado a segurança pública e os
“municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção dos seus bens, serviços
e instalações, conforme dispuser a lei”. A Constituição Estadual acrescenta os “serviços
auxiliares de combate ao fogo, de prevenção de incêndios e de atividades de defesa civil.
JUNTA DE SERVIÇO MILITAR
Como Estrela nasceu no tempo do Brasil Império, quando a religião oficial do Estado
era a Igreja Católica, entre diversas tarefas de caráter civil, cabia ao pároco, como funcionário
público, organizar a Junta Paroquial de Alistamento.
A Junta Paroquial do Alistamento dos cidadãos para o Serviço do Exército e Armada,
era composta pelo juiz de paz como presidente, do delegado ou subdelegado de Polícia, às vezes
algum professor público se o pároco estivesse ausente, escolhiam um secretário para a
elaboração das atas e escrituração do alistamento, tudo de acordo com o artigo 18 do
Regulamento aprovado pelo Decreto 5.881, de 27 de fevereiro de 1875. Os editais de instalação
e dos trabalhos da Junta eram afixados na porta da igreja matriz, com prazo de 30 dias.
Proclamada a República, deixou de ser denominada Junta Paroquial e o alistamento
militar passou a ser tarefa da Intendência e, desde 1930, da Prefeitura. Hoje é presidente da
Junta de Alistamento Militar o prefeito municipal, enquanto o cargo de delegado cabe a um
militar do Exército.
TIRO DE GUERRA E A
ESCOLA DE INSTRUÇÃO MILITAR
Durante o governo do presidente Afonso Augusto Moreira Pena, pelo Decreto
Legislativo n.º 1.503, de 5-9-1906, foi criado o Tiro de Guerra, regulamentado pelo Ministério
da Guerra, em 5-2-1907, ano em que se organizou a Confederação do Tiro de Guerra, em Rio
Grande.
Entretanto, vários anos se passaram para que nos municípios fossem instalados os Tiros
de Guerra e as Escolas de Instrução Militar. O número dos que se alistavam era elevado,
chegando a 87, em Estrela, em 1910, e a 190 recrutas, em 1914. Com essa medida, os jovens se
alistavam e se matriculavam nessas unidades para cumprir com suas obrigações do Serviço
Militar. Dessa forma, não precisavam deixar suas famílias para ficar nos quartéis, onde
aprendiam alguma profissão, mas sentiam o gosto pela vida urbana, o que provocava o êxodo
rural desde cedo, desajustados ao seu meio ambiente.
O Álbum Comemorativo do Cinqüentenário do Município de Estrela, de 1926,
registra a fundação do Tiro de Guerra n. 227, em Estrela, em 28-5-1916. Seus passos iniciais
foram complicados. O 3º Exército impunha uma série de exigências, como por exemplo,
organizar uma entidade mantenedora da instituição, com diretoria formada. O intendente Pontes
Filho é que tomou a dianteira.
A primeira diretoria estava assim formada: presidente de honra, Manoel Ribeiro Pontes
Filho; presidente efetivo, Luís Inácio Müssnich; vice-presidente, Sílvio Azambuja; secretário,
Ervino João Schmidt; tesoureiro, Alberto Dexheimer; diretor do Tiro, Odorico de Azevedo
Lima; vogais: Alberto Sport, Carlos Hennemann, Fernando Noronha de Azambuja, Miguel
Monteiro Vasques, e Pedro Braun. Comissão de Contas: Alberto Ruschel, Artur Buchmann e
Bento Luís Osório. Em 28 do mesmo mês, o Tiro de Estrela é reconhecido pela Confederação
do Tiro Brasileiro e fica incorporado sob o número 227.
Em 16-7-1916, chegou em Estrela o seu primeiro instrutor, tenente João Marques da
Cunha. Em 15 de outubro, o Tiro recebeu a honrosa visita do general Ildefonso Pires de Morais
Castro e de seu ajudante de ordens, tenente Álvaro Furtado. Em 18-9-1921, assumiu como
instrutor o sargento Idílio de Vasconcelos.
Em Corvo, havia o Tiro de Guerra n.º 298 fundado em 25-1-1917. Seu primeiro
instrutor foi sargento Inocêncio Machado de Bittencourt. O primeiro presidente da entidade
mantenedora foi Pedro Brentano Sobrinho, sendo José Prediger vice-presidente, Francisco de
Azambuja secretário, Adolfo Gerhardt tesoureiro e o diretor do tiro foi João Steffen.
Em Teutônia, o TG 648 é de 6-1-1920. Seu primeiro instrutor foi o sargento Inocêncio
Machado de Bittencourt. A mantenedora estava presidida por Henrique Afonso Hoffmann.,
secretariado por Adolfo Koefender e Roberto Pilz foi tesoureiro.
Ainda não foi feito um levantamento estatístico, de 1916 a 1945, quantos jovens
permaneceram em Estrela, junto a seus familiares, para cumprir com seus deveres do Serviço
Militar. Sem dúvida, a instituição do Tiro de Guerra e as Escolas de Instrução Militar
forneceram mais de 500 reservistas de 2ª Categoria à Pátria.
Muitas famílias, depois da extinção do Tiro de Guerra em 1945, suspiravam pelo
retorno da instituição, para impedir o êxodo rural. Muitos jovens do interior retornavam do
serviço militar nos quartéis, com instruções militares e com muito amor à Pátria, mas
desajustados ao seu meio ambiente. Perdiam o amor à profissão e vida rural, sonhando com vida
urbana, ser funcionário público ou qualquer emprego para morar na cidade.
BRIGADA MILITAR
O recolhimento dos livros e registros de repartições públicas para Porto Alegre impede
um acesso mais freqüente às fontes.
Durante o sangrento período da Revolução maragata, a Brigada Militar permaneceu
constantemente no Vale do Taquari para combater os federalistas.
Em 1902, a Brigada Militar retornou à região, a chamado do intendente Francisco Oscar
Karnal, para acabar com os “Monges de Pinheirinho”, em Roca Sales. A iniciativa partiu do
intendente de Lajeado, por imposição de lideranças de Encantado.
A comissão apuradora das eleições de 25-11-1922, deu 106.360 votos para Borges de
Medeiros contra 32.215 de Assis Brasil. Faltavam, pois, 3.239 votos para que a oposição
vencesse. A vitória foi considerada fraudulenta. Borges de Medeiros foi reempossado em 25-11923. Mandou a Brigada Militar por toda parte para manter a ordem. Alguns dias depois,
estourando a Revolução, o presidente Borges criou um Esquadrão Provisório no Vale do
Taquari. Um Destacamento da Brigada Militar permaneceu aqui para treinamentos e
policiamento, durante a Revolução Assisista. O nome vem de Assis Brasil.
Desde 1927, a Brigada Militar permaneceu na região, às custas dos municípios. Na
Revolução Constitucionalista, o Regimento Presidencial, sob o comando do Tte. Ramiro
Barcelos Feio, depois Prefeito nomeado de Lajeado, veio combater as forças do “general”
Candoca, no Combate do Fão, nos dias 12 e 13-9-1932.
Desde aquela época, a Brigada Militar está presente na história de Estrela. Vários de
seus oficiais e integrantes foram nomeados prefeitos e delegados de Estrela.
Por vários anos, a Brigada Militar estava sediada na rua 13 de Maio, ao lado da Casa de
Cultura.
Em 28-11-1984, foi inaugurada a nova e atual sede do Pelotão da Brigada Militar, na
rua Coronel Brito n.º 129, sendo Gabriel Mallmann prefeito municipal e Jair de Oliveira Soares
governador do Estado.
Em 24-9-1991, foi lançada a Patrulha Ecológica, com o objetivo de efetuar o
policiamento em ambientes e mananciais e o controle do desmatamento predatório.
Em 19-11-2001, a BM de Estrela recebeu um Corsa quatro portas, adquirida com
recursos do governo do Estado e do Fundo Nacional de Segurança Pública e vai completar a
frota de três veículos, composta de um Corsa, uma pick-up cabine dupla e uma moto. Vinte e
cinco policiais trabalham na companhia de Estrela -cf O Informativo, de 20-11-2001.
Tenente José João Menezes Trindade passou o comando do Pelotão da PM de Estrela,
no início de outubro de 2000, para o capitão Roberto Ortiz Pereira. Em 18-4-2002, houve a
troca de comando entre Lajeado e Estrela, assumindo o capitão Edis Manini a unidade
estrelense.
CORPO DE BOMBEIROS
A guarnição do Corpo de Bombeiros de Estrela é a única do Vale do Taquari. Durante a
administração municipal de Bertoldo Gausmann foi adquirida uma área de 1.480m², no bairro
dos Estados, para a construção da guarnição militar do Corpo de Bombeiros. Com a colaboração
dos clubes de serviço, a Prefeitura Municipal construiu o prédio, inaugurado em 15-12-1964.
A Guarnição está com sede na rua Pernambuco nº 315 - fone 193 ou 712-1242. Presta
socorro aos 38 municípios da região. Em 2002, sob o comando do capitão Marcelo Maya, um
efetivo de 42 homens zela, em permanente prontidão, por mais de 308.000 vidas. Segundo o
sargento Renato Braz Gerhard, que há 14 anos faz parte da corporação, uma das grandes
conquistas foi a aquisição do desencarcerador, também conhecido como tesoura hidráulica - cf
O Informativo, de 15-12-2001. O equipamento foi adquirido em 1999, dentro do programa de
melhor amparo, através do Fundo de Reequipamento de Bombeiros - Funrebon, criado dois
anos antes.
Em período de veraneio, parte do efetivo se desloca para salvar vidas em balneários da
região e no litoral do Estado.
DELEGACIA DE POLÍCIA
Por Ato do governo provincial, de 9-5-1882, foi criada a Delegacia de Polícia em
Estrela. Seus titulares variavam constantemente. No decorrer da história, assinavam seus termos
de posse em vários livros e em diferentes repartições policiais, seja na capital, seja na própria
Delegacia de Estrela. Onde se encontram tais livros de posses é uma incógnita. Para resgatarmos
alguns nomes, só foi possível através de certidões avulsas e assinaturas em outros registros, bem
como nos jornais da região. As datas indicadas servem apenas como referenciais do respectivo
período, a não ser que haja expressa data de posse ou vinda a Estrela.
Primeiramente, a Delegacia estava sediada na parte de trás das intendências. Aliás, digase de passagem, quase sempre ocupava as piores peças da repartições públicas. Se a causa era
para castigar o preso, castigava também o servidor público. Em 1941, a Delegacia se localizava
na rua 13 de Maio n.º 271, onde estava o Colégio Elementar 7 de setembro. Hoje está na Av.
Rio Branco, n.º 138, em prédio próprio, apenas um pouco mais confortável.
Na falta de livro de posse dos delegados de polícia de Estrela, fica impossível
resgatá-los. É possível rastrear alguns nomes em documentos e jornais, com datas que apenas
servem como referenciais:
Joaquim Alves Xavier: 1888
João Ubaldo Nery: em 9-8-1889
Adolfo Martins Ribeiro: 1890
Manuel Joaquim de Morais: 1898-1899
Francisco Ferreira de Brito: em 1903
Carlos Matte Sobrinho, em fins de 1905, até 1908
Antônio Carlos Porto, em 1908, indo além de 1913
Capitão Perciliano Bento Xavier dos Anjos: de 1916 a 20-3-1923
Capitão Valdomiro Mércio Pereira: de 26-3-1923 a outubro de 1924
Eugênio Ruschel, cf O Paladino, de 2-8-1925
Tenente Acácio Ferreira de Oliveira, em 21-2-1929
2º Tenente Aparício Alves de Souza, em 21-3-1930
Capitão Américo Monteiro da Costa, em 9-7-1930
1º Tenente Adonis Ventura Homem, em 19-12-1930
Tenente Nilo Silveira Neto, em 13-3-1931
Cap. Eugênio Medeiros, em 30-10-1931
Tenente Osório Ribeiro, em 15-2-1932
Tenente Laureano da Rosa Brasil, em 10-3-1932
Leopoldo Miraflores, em 21-2-1936
Pompílio Fernandes, em 21-11-1936
Cap. Pio Barcelos do Nascimento, empossado em 20-11-1937
Dr. Dalton de Bem Stumph, de 8-4-1938 até 15-12-1939
Dr. Alcino Campos Álvares: pediu férias de 90 dias, em 6-11-1941
João Pereira - novembro-dezembro de 1941 e janeiro de 1942
Agostinho Ghislene, empossado em 19-4-1944
João Pereira (1945?)
Waldo Bandeira Fraga - 1965
Adão Darde: 1971
Dr. Hugo Heisler: 1975-1981
Dr. Pedro Paulo Fernandes: 21-10-1981
Dr. Paulo Sérgio Schmidt: 1992
Dr. João Antônio Lopes de Lima, desde 1996.
Em 27-7-1985, foi ampliado o espaço físico em 100 m² na Delegacia de Polícia.
Em 26-10-1977 o secretário da Segurança do Estado, coronel Rubem Mora Jardim,
presidiu em Estrela a solenidade de inauguração da Ciretran e do Posto de Identificação que
atende a população de Estrela, Taquari e Bom Retiro do Sul.
A falta de segurança da população e o aumento do número de assaltos preocupam
entidades. Jorge Andres, presidente da Associação Comercial e Industrial de Estrela e
Waldemar Leipelt, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas assinaram uma correspondência
às autoridades policiais, solicitando providências e maior policiamento para manutenção da
segurança da população e todas as demais medidas que a situação requer - - cf O Informativo
Vale do Taquari, de 7-11-2000.
3ª REGIÃO POLICIAL
Pelo Decreto n.º 3378, de 27-10-1924, foi o Rio Grande do Sul dividido em 19 Regiões
Policiais. Estrela tornou-se sede provisória da 3ª Região, com jurisdição sobre Estrela, Lajeado,
Taquari, Encantado e Guaporé. Em 17-11-1924, foi nomeado Manuel Ribeiro Pontes Filho
como subchefe e titular desta 3ª Região Policial. Logo depois, a sede foi para Lajeado e, em 254-1925, para Taquari, sendo Pontes Filho eleito intendente daquele município.
Essa repartição pública foi, posteriormente, alterada. No decorrer de 1968 o Vale do
Taquari voltou a pleitear uma Delegacia Regional, sob a liderança de Dr. Dalton de Bem
Stumpf, prefeito de Lajeado. Com sede em Lajeado, os livros de registro da 19ª Delegacia
Regional de Polícia foram abertos em 30-1-1969, onde Estrela faz parte integrante.
CONSELHO MUNICIPAL DE TRÂNSITO - COMTRAN
Face a entrada em vigor do novo Código de Trânsito Brasileiro, através da Lei n.º 9503
de 23 de Setembro de 1997, o trânsito de veículos adquiriu urna importância cada vez maior na
vida das Pessoas. O mercado de trabalho e as relações da sociedade moderna estão estruturadas
no transporte diário de mercadorias e de pessoas, somando-se a isto os deslocamentos para lazer
e outros fins.
Estas características, aliadas ao êxodo rural, produz um crescimento vertiginoso dos
Centros Urbanos, a ampliação do Sistema Viário e o implemento do número de veículos em
circulação.
A situação tende a se agravar, considerando-se a previsão de duplicação da frota atual
de veículos do País de 27 para 54 milhões, em menos de uma década.
O novo Código tem o objetivo de mudar esta realidade, principalmente ao estabelecer a
participação de toda a sociedade através do Sistema Nacional de Trânsito.
Para atender o que determina o novo Código, ou seja a municipalização do Trânsito, os
Municípios tiveram que se adaptar, criando urna nova estrutura que passou a denominar-se
Divisão de Trânsito, a qual em nosso município ficou ligada ao Departamento de Trânsito, na
Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Possui as seguintes atribuições e competências.
1 - Cumprir e fazer cumprir a legislação e as normas de trânsito, no âmbito de suas
atribuições.
2 - Planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, pedestres, animais e
promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas.
3 - Implantar, manter e operar o sistema de sinalização, os dispositivos e os
equipamentos de controle viário.
4 - Coletar dados estatísticos e elaborar estudos sobre os acidentes de trânsito, suas
causas, bem como elaborar recursos de infrações de trânsito recebidas pelo Município.
5 - Autorizar e fiscalizar a realização de obras e eventos que interfiram na livre
circulação de veículos e pedestres de acordo com o regulamento pertinente, arrecadando as
multas que aplicar.
6 - Exercer as atividades previstas para o Órgão Executivo Municipal de Trânsito,
conforme o disposto no § 2º do artigo 95 da Lei Federal n.º 9.503 do CTB.
7 - Implantar, manter e operar o sistema de Estacionamento Rotativo Pago nas vias
Públicas, arrecadando os valores daí decorrentes.
8 - Estabelecer, de acordo com a legislação, linhas e itinerários para os serviços de
Táxi-Lotação.
9 - Estabelecer, de acordo com a legislação, medidas para aperfeiçoar os serviços de
Transporte Coletivo de passageiros, bem como a concessão de novas linhas e itinerários.
10 - Estabelecer, de acordo com a legislação, os pontos de Táxi e a concessão para
exploração dos serviços de aluguel (Táxis).
11 - Analisar e dar parecer quanto às tarifas de automóvel de Aluguel (Táxi),
Transporte Coletivo de passageiros e Táxi-Lotação.
12 - Integrar-se a outros órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito para fins
de arrecadação e compensação de multas impostas na área de sua competência. com vistas a
unificação do licenciamento, a simplificação e a celeridade das transferências de veículos e de
prontuários dos condutores de uma para outra unidade da Federação.
13 - Implantar as medidas da Política Nacional de Trânsito e do Programa Nacional de
Trânsito.
14 - Promover e participar de projetos e programas de educação e segurança de
Trânsito de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo CONTRAN (Conselho Nacional de
Trânsito).
15 - Planejar e implantar medidas para redução da circulação de veículos e
reorientação do tráfego, com o objetivo de diminuir a emissão global de poluentes.
16 - Zelar pela frota de veículos e máquinas do município, bem como providenciar nos
licenciamentos, seguros obrigatórios e contra terceiros.
17 - Registrar e Licenciar, na forma da legislação, ciclomotores, veículos de tração e
propulsão humana e de tração animal, fiscalizando, autuando, aplicando penalidades e
arrecadando multas decorrentes de infrações.
18 - Conceder autorização para conduzir veículos de propulsão humana e de tração
animal.
19 - Articular-se com os demais órgãos do Sistema Nacional de Trânsito no Estado, sob
a coordenação do respectivo CETRAN.
20 - Fiscalizar o nível de emissão de poluentes e ruído produzidos pelos veículos
automotores ou pela sua carga, além de dar apoio às ações específicas da Secretaria Municipal
da Agricultura e Meio Ambiente.
21 - Vistoriar veículos que necessitem de autorização especial para transitar e
estabelecer os requisitos técnicos a serem observados para a circulação desses veículos.
22 - Executar outras tarefas correlatas.
Em 30 de junho de 1998, através da lei 3.086, foi criado o COMTRAN - Conselho
Municipal de Trânsito, com a finalidade de auxiliar a administração, na orientação,
planejamento, interpretação e julgamento de matéria de sua competência.
O COMTRAN é o órgão encarregado do estudo e solução dos problemas concernentes
do trânsito urbano, cabendo-lhe propor medidas tendentes ao aperfeiçoamento dos serviços de
transporte coletivo, de automóvel de aluguel e de particulares, sua fiscalização, bem corno
examinar e emitir pareceres nos casos de recursos interpostos da aplicação de penalidades por
infração às normas que regem tais serviços e opinar sobre quaisquer assuntos que lhe forem
submetidos à apreciação.
O COMTRAN tem como atribuições principais:
1 - Propor:
a) - A fixação do número de táxis na cidade e no interior do Município;
b) - Os pontos de táxi no perímetro urbano;
c) - Os pontos de paradas de ônibus;
d) - Os locais de estacionamento nas vias públicas;
e) - As formas e locais de sinalização das vias públicas urbanas e placas indicativas nas
estradas municipais;
f) - Limites de peso de veículos e suas cargas:
g) - limites de velocidade das vias públicas;
2 - Apreciar e dar parecer sobre:
a) - Tarifas para as linhas Municipais de ônibus;
b) - Tarifas para as linhas de ônibus e lotação;
c) - Concessão de linhas de ônibus e lotação;
d) - Concessão de placas de táxi;
O conselho é composto por 8 membros, nomeados pelo Prefeito, com renovação bienal,
sem prejuízo da recondução, representantes das seguintes entidades:
1 representante da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, que preside o Conselho.
1 representante da Brigada Militar
1 representante da Policia Civil
1 representante da Câmara Municipal de Vereadores
1 representante da Associação Comercial e Industrial de Estrela
1 representante do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários
1 representante das Associações de Moradores de Bairros
1 representante do Clube dos Diretores Lojistas
O mandato dos membros do Conselho é gratuito e considerado de relevância para o
Município.
CONSELHO TUTELAR
O Conselho Tutelar de Estrela foi criado sob a Lei Federal n.º 8069, de 13-7-1990 e Lei
Municipal n.º 2198, de 18-3-1991, tendo por objetivo garantir os direitos das crianças e dos
adolescentes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA.
Os primeiros conselheiros foram eleitos em 20-5-1992, empossados com um mandato
de 3 anos: Inge Kich Linn, Liane Almeida, Rosângela Pereira da Silva, Rosemarie Neururer e
Terezinha Vogel Schneider. Em 24-5-2001, dos 21 candidatos inscritos, foram eleitos os atuais
membros, em ordem de votação: José Carlos Bruxel (44 votos), Lorena Hauschild (34),
Rosângela Pereira da Silva (31), Celina Berti (27) e Dorli Maria Schneider (26 votos).
Suplentes: Mônica Juliana Opetter, Lúcia Caye Kuhn, Luiz Elmo Goergen, Anelise Eidelwein e
Cristina Hart.
Até início de 2001, foram registradas 4.400 ocorrências, sendo em maior número os
casos referentes à desestrutura familiar, problemas de conduta, negligência e maus tratos.
Com o apoio do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e da
Secretaria Municipal de Educação e Cultura, o Conselho Tutelar escolheu o slogan e o logotipo.
Amparo e carinho, este é o melhor caminho foi o slogan vencedor do concurso, de autoria do
estudante Willian de Oliveira, da Escola Municipal Arnaldo José Diel. O logotipo premiado tem
como autor Júlio César Zimmermann, da Escola Estadual Nicolau Müssnich. O concurso contou
com a participação de cerca de cem trabalhos, de estudantes de 4ª a 8ª séries das escolas da
cidade. Também foram premiados Cristian Ruceri, da E. M. Arnaldo Diel, com desenho mais
criativo, e Michele Silva da Costa, com a melhor poesia - cf O Informativo Vale do Taquari,
de 8-11-2000.
No Galpão Cristo Rei, em 5-9-2001, ocorreu a I Conferência Regional da Criança e do
Adolescente dos Vales do Taquari e Rio Pardo, promovido pelo Conselho Estadual dos Direitos
da Criança e do Adolescente, da 3ª e 6ª Coordenadorias Regionais de Educação e da Secretaria
do Trabalho, Cidadania e Assistência Social - Divisão da Criança e do Adolescente. Centenas de
jovens participaram da discussão sobre o tema O estatuto da Criança e do Adolescente está aí,
só falta cumprir. Foi apresentado o filme A Invenção da Criança, de Liliane Sulzbach.
GUERRAS
REVOLUÇÕES
Nesse capítulo serão abordadas as repercussões em Estrela, diretamente ou
indiretamente, dos acontecimentos tristes da história do Brasil e do Rio Grande do Sul: as
guerras, revoluções e golpes de Estado.
Como nada nos restou da história dos aborígines, a não ser sítios arqueológicos não
estudados, a história de Estrela iniciou com as sesmarias e sua divisão exploratória em fazendas,
acima citado, lá por 1801.
Portanto, o início de Estrela se deu quando o território do Rio Grande do Sul ainda não
estava configurado, sem seu perfil geográfico definitivo. Aliás, foi em 1801, numa manobra
guerreira nativa, que o território das Missões foi incorporado para formar o São Pedro do Rio
Grande do Sul.
As fazendas no primitivo território de Estrela integravam, pois, a Colônia Portuguesa.
Em 1807, foi criada a capitania de São Pedro, dividida, no ano seguinte, em quatro grandes
municípios, ficando Estrela pertencendo a Porto Alegre. No mesmo ano de 1808, em 7 de
março, desembarcou a família real, no Rio de Janeiro, pequena cidade de 46 ruas, 19 campos ou
largos, (praças, na linguagem de hoje), seis becos e quatro travessas. A primeira emancipação
política deu-se com a proclamação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 16-121815, perdida com o retorno de Dom João VI para Portugal.
D. Pedro I ficou no Brasil. O Dia do Fico, 9-1-1922, teve o centenário festejado em
Estrela, conforme foto existente no arquivo do Instituto Histórico e Geográfico do Vale do
Taquari, com desfile e feriado. Também há fotos que registram o centenário da Independência
do Brasil, em 7-9-1922, festejado em Estrela, com desfile estudantil e popular, além da
entronização de um quadro de metal “O Grito do Ipiranga” na Intendência.
GUERRA CONTRA URUGUAI
1822-1828
Conquistar, invadir ou incorporar territórios são ações do homem que em nada o
dignificam. Em 1816, Dom João VI invadiu e anexou o território do Uruguai ao Brasil. Com a
proclamação da Independência do Brasil, surgiu também entre os uruguaios o movimento de
libertação, acabando Dom Pedro I por transformar o Uruguai numa província brasileira,
conhecida por Cisplatina. Foi uma conquista injusta, o que provocou uma guerra impopular, de
gaúchos contra gaúchos, um conflito oneroso, e terminou com a derrota do Brasil e a
independência do Uruguai, em 1828. Lothar Hessel sintetiza a importância indireta de Estrela
nessa guerra:
Já no ano seguinte, em 1825, ocorreu no Uruguai um fato histórico que iria influir nos
destinos de Estrela e na formação da primeira vila e município do Alto Taquari.
Pois nesse ano, a 24 de setembro as forças platinas de Frutuoso Rivera não só
derrotaram as brasileiras no combate de Rincón de las Gallinas, como lhe mataram o
comandante, o jovem coronel José Luís Mena Barreto, nascido no Rio Pardo, a 9 de março de
1796. Esse coronel se casara em 1818 com Ana Emília de Sampaio, portuguesa da vila de
Chaves, matrimônio do qual resultaram três filhos: Maria Camila, João Sabino e Antônio Vítor
de Sampaio Mena Barreto, o fundador de Estrela.
Entre as conseqüências dos anos de conflito, várias fazendas entraram em declínio, entre
as quais a Fazenda da Estrela com seus pertences do tráfego dos irmãos João e José Inácio
Teixeira, distratando a sua sociedade, em 1824.
REVOLUÇÃO E GUERRA DOS FARRAPOS
1835-1845
Entre várias revoluções surgidas no Brasil, na época, está a do Rio Grande do Sul. O
plano era a derrubada do presidente Braga, pois ele havia decretado um imposto territorial de
10$000 por légua quadrada, para reformar as finanças falidas do governo. Os estancieiros e
peões acamparam na "Várzea" de Porto Alegre, de onde invadiriam o Palácio do Governo, no
dia 20-9-1835. Mas, a luta iniciou à noite anterior. Na madrugada, o presidente Braga fugiu para
Rio Grande. Denomina-se "revolução" o período de lutas entre brasileiros. "Guerra" é o período
separatista de lutas entre imperiais e rio-grandenses, após a proclamação da República Riograndense, em 11-9-1836. Em 4-10-1836, deu-se a batalha do Fanfa, com a prisão de Bento
Gonçalves. Depois, os farrapos retomam Taquari, de onde são desalojados em 7-3-1840. Em 35-1840, houve o Combate do Taquari. Os farrapos retomam as posições, em 13-11-1841.
Como em toda a região, as fazendas da Estrela, de Santo Antônio e Arroio do Ouro
também sofreram as conseqüências dos 10 anos de lutas fratricidas. General David Canabarro
arrecadava cavalos, gado e mantimentos para as forças farrapas. A região servia para refúgio de
desertores, trânsfugas, marginais da lei, escravos fugidos, feridos em recuperação. Vários peões
e escravos de fazendas foram convocados, recrutados ou mesmo forçados a entrar na revolução.
No Of. 35, de 30-7-1850, lido na Câmara de Vereadores de Taquari, consta a
informação de quem em tempo da revolução refugiaram-se alguns homens na Serra do
Roncador, na margem direita do Rio Taquari e um deles obteve quebrar algumas pedras que
estavam à superfície da terra e tirar prata, com que mandou fazer uma pequena obra em Porto
Alegre...
GUERRA CONTRA ROSAS - OS BRUMMER
1851-1852
O ditador argentino Juan Manuel Ortiz de Rosas ameaçava a independência do Uruguai
e a estabilidade política e econômica do Prata, o que acabou envolvendo o Brasil. Em 29-51851, foi assinado um tratado de alianza ofensivo y defensivo entre a República Oriental, el
Imperio del Brasil y el Estado Libre de Entre Rios.
Sem exército, o imperador Dom Pedro II contratou a tropa de Schleswig-Holstein,
prestes a desmobilizar-se, por força de um tratado de paz com a Dinamarca, em 1850.
Em torno de 1.800 soldados alemães acamparam em Pelotas, em 6-7-1851. Apesar do
treinamento militar, os soldados não conheciam a língua, a alimentação, as condições
climáticas, a falta de estradas, pontes e, especialmente, a tática militar e sua integração com o
exército brasileiro. As modernas carroças com canhões, trazidas da Áustria, para nada serviam
nos banhados da região. A decisão tinha sido tomada por gente de gabinete do Rio de Janeiro,
que nada entendiam das características bélicas da região de campanha. Afinal, na Batalha de
Monte Caseros, em 3-2-1852, apenas 80 "Brummer" estavam na retaguarda do exército
brasileiro ( ou melhor, gaúcho), ferindo-se três... Rosas embarcou num navio inglês, em fuga
para Londres, antes do corneteiro dar o sinal da derrota argentina.
Muitos dos soldados da Legião Alemã preferiram ficar no Brasil. Receberam o apelido
"Brummer", o que em alemão significa zangão e resmungão, sentindo-se mal pagos. O primeiro
soldo foi em moeda de cobre, que eles faziam zunir no balcão das bodegas. Outros optaram por
receber terras em regiões distantes, entre as quais Estrela. De sentido inicialmente pejorativo, os
"Brummer" começaram a se orgulhar do apelido, por sentirem que eram líderes e pioneiros em
tudo. Tinham aprendido nos quartéis alemães rudimentos em enfermagem, construção,
carpintaria, ferraria, funilaria... Os "Brummer" foram imigrantes melhor preparados, irrequietos,
politizados, inclinados à iniciativa própria, como que o fermento do progresso no meio em que
viviam. Além das profissões mencionadas, vários foram professores, pastores, músicos,
agrimensores, construtores de moinhos, comerciantes, navegadores...
Na região, os "Brummer" mais notáveis foram Júlio Jorge Schnack, Gustav Heinrich
Göllner, capitão Pedro Schneider, Conrado Frederico Sudbrack, João Diderico Hauschild,
Carlos Oto Mieth, Ernesto Bechlin, Pedro Jorge Kölln. No cemitério evangélico de Novo
Paraíso está a sepultura de Wilhelm ou Guilherme Heydt, um dos pioneiros na Colônia de
Estrela, onde faleceu nonagenário, em 1921. O Alto Taquary, de 16-7-1905, noticiou o
falecimento, no dia 4 de julho, do "velho" Wendt, sem mencionar o prenome, com 84 anos de
idade, lembrando ter sido um "Brummer", morador na linha Geraldo.
Sem dúvida nenhuma, o mais notável de todos foi Franz Lothar de la Rue, primeiro
diretor da Colônia de Teutônia. Faleceu com apenas 47 anos de idade, em 11-7-1871, em Porto
Alegre, por ter contraído doença, adquirida no período da colonização.
GUERRA DO PARAGUAI
1864-1870
Nem bem se passara um decênio do início da colonização, viu-se o Brasil envolvido na
Guerra do Paraguai. O motivo principal foi o domínio da navegação na bacia do Rio da Prata. O
mais interessado foi a Inglaterra. Francisco Solano Lopes, com 77.000 soldados e 130 canhões,
declarou guerra ao Brasil a 8-9-1864. A Tríplice Aliança entre a Argentina (6.00 soldados),
Uruguai 3.100 soldados) e Brasil (18.300 soldados) foi assinada a 1-5-1865. Novamente, muitos
gaúchos foram convocados para a guerra. Outros se ofereceram como voluntários. O Rio
Grande do Sul parou e empobreceu nesses 5 anos de lutas.
Do vale do Taquari, também muitos estiveram na guerra, quer como voluntários, quer
como convocados. Alguns nomes foram lembrados. Outros, permanecem no anonimato.
Originários do vale do Taquari ou nele posteriormente residentes, participaram os seguintes
voluntários: Filipe Bentz, João Birck, João Heberle Sobrinho; cabo Jacó Kuhn, Henrique
Dullius, Antônio Müller, Jacob Schossler, Jacó Schuck, Wilhelm Fritz, Pedro Schossler, Filipe
Renz (?),Pedro Schneider, em Estrela; Valentin Friedrich (V.), Jacó Scherer; Pedro Schneider,
Carlos Spohr, Guilherme Fritsch; Carlos Heberle, Filipe Dieter, em Lajeado; Adão Dullius, em
Cruzeiro do Sul. A listagem está incompleta.
Jacó Schossler foi veterano voluntário na Guerra do Paraguai - cf O Paladino, de 4-71926, noticiando seu falecimento, com 83 anos de idade, residente em Arroio do Ouro. O
veterano capitão Pedro Schneider morava em Teutônia. Era um "Brummer" e como tal, formou
uma bateria, sob seu comando. Entre os combatentes encontramos os nomes de Bier, Risswitz,
Schimmelpfennig, Mächtig e Zendler - cf Cem Anos de Germanidade no Rio Grande do Sul
1824-1924, p. 162. Os excessos do exército imperial chegaram às raias do genocídio.
MOVIMENTO DOS MUCKER
1873-1874
"Mucker" foi o apelido dado pela população da grande São Leopoldo a um grupo de
seguidores de Jacobina Maurer, mulher de João Jorge Maurer, identificando-os como
"fingidos", "hipócritas".
Na encosta inferior do Ferrabraz, em Sapiranga, numa colônia conhecida por LeonerHof ou Terras do Leão, seu primitivo sesmeiro, um significativo grupo de imigrantes alemães e
teuto-brasileiros, abandonados, sem capela, escola e estradas, sentiu-se na necessidade de
enfrentar alguns problemas comuns, através de reuniões.
Entre os moradores, destacava-se João Jorge Maurer, mais conhecido por "Hannjörg",
pois Johannes Georg receitava ervas e medicamentos caseiros, curava torções musculares e até
"arrumava" osso quebrado. Como curandeiro, conquistara a fama de "médico milagroso". Sua
mulher Jacobina, da família Mentz, sofria de epilepsia e ou de outras doenças psicológicas, além
de ter herdado da família princípios religiosos pietistas e anabatistas, o que dava um cunho
religioso aos seus ataques, convulsões e distúrbios de consciência, durante as quais surgiam as
mais famosas receitas do marido. Estavam preparados alguns ingredientes para se formar uma
nova seita de crendices populares.
Ao que parece, um ex-pastor itinerante, João Jorge Klein, foi o mentor intelectual da
seita, dando o caráter misterioso, o ritual, com orações, cânticos e passagens bíblicas.
Procuravam adeptos. O proselitismo também causava adversários. A região se dividia. Uns,
contra. Outros, a favor. O fanatismo chegou ao ponto extremo. A seita se isolava. Seus adeptos
não freqüentavam escolas, cultos e botequins. Não se associavam na comunidade paroquial,
deixando de pagar o dízimo ou anuidades; não freqüentavam cultos ou missas, nem batizavam,
confirmavam ou casavam os filhos, o que irritava padres e pastores. Não se matriculavam na
"aula", o que diminuía a receita do professor. Não participavam de festas, nem vinham fazer
negócios na "venda", o que enraivecia os comerciantes. Não compareciam nas eleições, o que
encolerizava o poder político.
As hostilidades começaram com incêndios de casa, emboscadas e assassinatos. Vários
chefes "mucker" foram processados, presos e soltos. Donos de armazéns, padres, pastores e
políticos locais exigiam do delegado de polícia enérgicas providências. O levante terminou, com
dois ataques ao "Bunker" de Jacobina, com a participação do 130 soldados do Exército e
numerosos voluntários. O massacre final se deu em 2-8-1874.
Dos 23 sobreviventes processados, 18 foram condenados à prisão, no júri de 17-2-1876.
Cinco foram libertados. Outro grupo conseguiu refugiar-se na floresta. Andaram errantes, como
foragidos da lei. Alguns se reorganizaram no Pirajá, em Nova Petrópolis. Outros se fixaram na
Colônia Bastos, em Lajeado, e no Fuchs-Eck, em Arroio do Meio. Grupo menor, quase
anônimo, como que silenciosamente, se estabeleceu em Estrela, hoje Roca Sales. Depois, alguns
também migraram para outras regiões, como Teutônia. Leonardo Fuchs se fixou em linha Boa
Vista Fundos, o que deu o apelido de “Mucker-Eck” ao cantinho onde morou. Com 37 anos de
idade, envolveu-se no movimento “Mucker”.
O assunto "Mucker", em diversos lugares, ainda hoje é tabu. De seus descendentes,
dificilmente, se conseguem informações. Possivelmente, o filme A Paixão de Jacobina, dirigido
por Fábio Barreto, grande parte rodado no Parque Histórico de Lajeado, familiarize o público
com o tema. São rodadas cenas também em Marques de Souza (Tamanduá), Teutônia e na linha
Wolf, em Estrela. Infelizmente, o enfoque exagerado dado a cenas de namoro e nudez interessa
apenas à bilheteria. Talvez, em maio de 2002, o expectador possa saber quanto de realidade
histórica há no filme. Outros dados estão no Dicionário, em Mucker e A Paixão de Jacobina.
PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
1889
Já houve época em que o professor exercia grande influência nos destinos de uma
comunidade. Benjamin Constant foi professor na Academia Militar, do Rio de Janeiro, onde
pregava abertamente o regime republicano. Foi um grupo de seus alunos, jovens oficiais,
liderado por ele, que soube aproveitar a flacidez da monarquia brasileira e implantar a
República.
Havia um personagem, ligado à história de Estrela, de grande influência nos últimos
acontecimentos do Brasil Império. Tratava-se do general Frederico Solon de Sampaio Ribeiro,
mais conhecido por Solon Ribeiro. Filho de Vitorino José Ribeiro e Ana Emília de Sampaio,
passara largas temporadas de guri nos tempos da velha Estrela - anotou Lothar Hessel. Veio de
Porto Alegre com a família para morar em Estrela, onde figura no Livro para a Qualificação
dos Votantes, de 1863, com 25 anos de idade, eleitor n.º 378, no 7º Quarteirão eleitoral, de
profissão militar. Na reunião do dia 11-11-1889, na residência de Deodoro da Fonseca, o major
Solon Ribeiro representou o Exército, obtendo a certeza da adesão de Deodoro à causa. Ele
espalhou, também, o boato de um movimento contrário, precipitando os acontecimentos. Não
foi na calada da noite, nem na floresta ou distante dos quartéis. Em pleno meio dia, na própria
Capital do Império, pondo-se à frente de uma pequena tropa, o velho comandante Deodoro da
Fonseca, proclamou a República, em 15-11-1889. Solon Ribeiro foi encarregado de levar a Dom
Pedro II a notícia da implantação da República, sua deposição do trono imperial e sua
deportação imediata para a Europa, com a família imperial.
No Rio Grande do Sul, a mudança de governo se deu à meia noite, para o dia 16 de
novembro. No Vale do Taquari, mais boatos que notícias desembarcavam nos portos e ecoavam
pelas vilas e linhas coloniais, depois de vários dias.
Na Câmara de Vereadores de Estrela, em 23-11-1889, houve uma sessão
extraordinária, sob a presidência de Patrício Antônio Rodrigues e mais três vereadores: Adolfo
Martins Ribeiro, Antônio Vítor Mena Barreto e o suplente Pedro Ruschel. Estava na Ordem do
dia inteirar-se dos fatos consumados. Nenhum deles discursou, pois não havia vereador filiado
ao Partido Republicano. A Proclamação da República, tão somente, lhes parecia um golpe de
Estado, de cor latino-americana, obra de caudilhos, talvez, de curta duração... O recinto estava
repleto de senhores e cidadãos de todas as classes sociais. Para quebrar o silêncio oficial da
Câmara, assumiram a tribuna, agora "republicana", João Severino Ribeiro de Almeida Taques,
Luís Pereira de Azevedo e o novo juiz de Direito de Estrela, Dr. Víctor Emanuel de Camargo.
Os três, vibrantes de entusiasmo, congratularam-se com o povo brasileiro pela maior e a mais
heróica de suas conquistas. Foi arrancada do pórtico do Paço da Câmara o escudo que
ostentava as armas imperiais, bem como hasteado o pavilhão de 35, tudo abrilhantado pela
banda de música "Lyra Taquaryense" que executou escolhidas peças de seu vasto repertório cf o livro de Atas da Câmara.
Tremulando a bandeira farrapa, a execução da Marselhaise, hino da França, deve ter
arrancado aplausos dos presentes. Foram ainda expedidos telegramas de congratulações ao
Chefe do Governo Provisório, Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, ao Governador do Rio
Grande, Visconde de Pelotas, e à "Federação", órgão da propaganda republicana.
Em 17-12-1889, a Mesa leu o ofício da Câmara Municipal de Herval, pedindo a
liberdade a Gaspar da Silveira Martins, presidente do RS, preso em alto-mar. Os vereadores de
Estrela não quiseram complicar-se e responderam que o Governo deve por si resolver de acordo
com o bem público.
REVOLUÇÃO FEDERALISTA
1893-1895
Durante os 67 anos de governo imperial e parlamentarista, havia no Brasil os dois
partidos que se revezavam no poder: o Conservador e o Liberal.
Num cochilo político, na hora da sesta, o Partido Liberal foi alijado do poder, ao ser
dado o golpe da República. Os conservadores aderiram ao Partido Republicano e os liberais se
passaram para a oposição, acusados de monarquistas e vistos como inimigos da nova República.
Os fatos repercutiram no Rio Grande do Sul. Ótimos oradores e teóricos, em número
pequeno, de repente, os republicanos tinham todo o poder nas mãos. O governo provisório
coube ao General Câmara, do Partido Conservador, sob o comando de Júlio de Castilhos.
Despejados do poder, perdendo todos os cargos e vantagens, os liberais passaram à oposição,
sob a liderança de Gaspar da Silveira Martins. Muitos foram perseguidos, presos e acusados de
monarquistas e anti-republicanos.
Todos estes fatos repercutiram em Estrela. Além de fechar a Câmara, uma Junta
Municipal foi nomeada para a administrar o município.
Júlio de Castilhos implantou a chamada ditadura científica. Elaborou, sozinho, a
Constituição Política de 14 de julho de 1891 e a impôs a todos os gaúchos, deixando a oposição
na minoria, politicamente marginalizada. Com o sistema do voto a descoberto, instaurou a
fraude eleitoral, com fachada de democracia. Ele mesmo foi candidato, eleito pelo voto indireto,
para chefe do Estado do Rio Grande do Sul. Deu plenos poderes aos intendentes e delegados de
Polícia, armou a Brigada Militar e Corpos Provisórios, o que custou mais de 50% do orçamento
do Estado.
A única forma encontrada pela oposição para derrubar a ditadura de Júlio de Castilhos,
se fazer valer nas urnas e obter uma Constituição estadual, surgida de forma democrática, era a
revolução pelas armas. Os liberais organizaram um exército em território uruguaio e entraram
pela fronteira do Estado, em 5-2-1893.
Havia no Uruguai uma região habitada por descendentes de imigrantes espanhóis de La
Maragateria, valentes e fiéis a seus chefes. Centenas deles acompanharam os chefes irmãos
Aparício e Gomercindo Saraiva. Considerados como mercenários, os uruguaios eram mal vistos
pelos republicanos e por isso denominados maragatos, para identificá-los como ladrões,
assaltantes, assassinos, ao lado dos federalistas.
Na região do Vale do Taquari, também as colônias se proclamavam neutras.
Taquari se comprometeu a defender o novo governo. Por isso, Júlio de Castilhos a
elevou à categoria de cidade, em 9-7-1891, como baluarte inexpugnável do castilhismo. Os que
não concordaram, tiveram que se afastaram, para organizar nas matas as forças revolucionárias.
Entre outros, Aníbal Geraldo Pereira, João Vilanova, Manuel Farias, Elói Joaquim de Morais,
José ou Juca Mendes.
Todo o Rio Grande do Sul estava convulsionado.
Estrela, o Vale da Seca, Lajeado, Teutônia, Venâncio Aires, Arroio do Meio e muitas
linhas coloniais foram várias vezes invadidas, por centenas de pessoas que se diziam
federalistas, homiziadas na zona alta, especialmente em Guaporé, Roca Sales e Encantado. De
onde veio esta população?
Antigos povoadores e posseiros de terras, às margens do Taquari e seus afluentes,
ervateiros e serranos - hoje os Sem-terra - foram arregimentados para engrossar as fileiras dos
federalistas, com a promessa de reaver terras de onde foram expulsos, ao se estabelecer, a partir
de 1855, a imigração alemã, e a imigração italiana, duas décadas depois.
Era o "exército da liberdade", composto por pobres e marginalizados, sem armas, sem
munição e sem estratégia militar. Invadiam colônias, primeiramente, para matar a fome. Em
nome da Revolução, praticavam crueldades onde encontrassem resistência ou onde
enfrentassem forças adversárias. Requisitavam os melhores cavalos, bois, vacas, porcos e
fornadas de pão. Contingentes republicanos, em perseguição aos maragatos, também invadiam
colônias. Muitos cometiam as mesmas barbaridades, na zona de predominância federalista.
Homens e rapazes que não quiseram entrar nas forças castilhistas ou federalistas, tiveram que se
esconder nas matas e fundos de lavouras, deixando mulheres, filhas e crianças à mercê da sorte.
Incêndios, roubos, estupros e todo tipo de violência eram praticados, por ambas as forças,
durante os longos meses da Revolução.
Lideranças religiosas e empresariais de Estrela e Lajeado proclamaram soluções
pacifistas, o que tão somente adiou as hostilidades, por algumas semanas.
Em 27-5-1893, à frente de duas dezenas de cavalarianos, colonos e peões desgostosos,
José Altenhofen invadiu Estrela, para derrubar da Intendência o seu cunhado Joaquim Alves
Xavier. Os motivos foram de ordem pessoal. Sentiu-se prejudicado na partilha da herança.
Aliás, vingança, inveja, contas a pagar, juros abusivos, preços injustos e negócios mal feitos,
tudo isso entornou o caldo para que crimes fossem cometidos, por conta da Revolução.
No dia imediato, militares e voluntários, sob o comando de Manuel Lautert, seguiram de
Taquari para Estrela, expulsando os federalistas invasores. Altenhofen retornou ao “quartelgeneral” das matas, aguardando melhor oportunidade para retomar Estrela.
Realmente, a vila de Estrela foi invadida, pelo menos, cinco vezes. Há divergência entre
memorialistas e pesquisadores quanto às datas. Não há espaço aqui para detalhar os fatos, o que
já foi feito em outros livros.
Os prisioneiros geralmente eram degolados, com requinte de crueldade. Não havia
prisões e quartéis, nem alimentação e condições para aferrolhar como prisioneiros os derrotados
nos combates e entreveros. A degola foi uma solução de emergência e de economia de munição,
também para provocar terror e impedir adesão às hostilidades. O lado cruel e desumano da
Revolução Federalista impede que esse capítulo esteja detalhado em nossos manuais de
História. Por esta razão, em 340 páginas escrevi A Revolução Federalista no Vale do
Taquari.
MONGES DE PINHEIRINHOS
1902
O lançamento de mais um livro de Gino Ferri, Roca Sales- Cidade da Amizade, em
26-10-1998, suscita o episódio, relembrado no último tópico, d’ Os Monges de Pinheirinho,
livro esgotado que Gino lançou, com duas edições, em 1975 e 1976.
O crítico literário Hildebrando Dacanal já fez uma candente condenação da ótica dos
vencedores. Filhos e netos de posseiros de antigas terras devolutas, nas margens de rios e
arroios do Vale do Taquari, tiveram que recuar serra acima e se refugiar floresta a dentro, diante
da força legal dos que empunhavam armas e títulos de concessões de sesmarias e latifúndios,
adquiridos do governo. Só para citar um exemplo: José Francisco dos Santos Pinto deve ter
recebido mais de 400 km² de terras, para serem vendidas a grupos imobiliários, promotores de
colonização alemã e italiana. A população anônima, que já vivia na região, foi desalojada de
seus ranchos. Eram os Sem-terra de antanho. Anotando na p. 257 em seu diário Voluntários do
Martírio, Dr. Ângelo Dourado informou que durante a marcha dos federalistas, em 1894, perto
da zona colonial que vai até Estrela, teve ele ocasião de ver o tal monge... Tem uma bandeira
branca com a figura de uma pomba vermelha no centro. Sua presença bastou para que os
nossos lutassem até vencer, quase sem armas. Esse povo serrano é fanático. E mais adiante: O
monge é moço ainda, figura simpática ascética. Onde ele passa, acompanham-no descobertos.
Muitos serranos foram enganados, por chefetes maragatos, durante a Revolução
Federalista. Foi lhes prometido uma vida mais humana, caso vencessem os republicanos. Foram
derrotados e novamente abandonados, em busca de esperanças, seguindo pregações messiânicas
e sebastianistas dos “monges”. Circulavam boatos de que as “hordas” viviam de rapinagem. Os
colonos tiveram medo. Foram em busca da proteção policial. O primeiro confronto foi armado.
Gino escreve que o Coronel Ramiro Barcelos determinou que as autoridades locais fizessem um
reconhecimento do local onde os fanáticos estavam acampados, para saber qual o seu número,
sua posição, seu meio de vida e principalmente de suas intenções, inclusive, prender o chefe do
bando, caso se fizesse necessário.
Como se vê, essas determinações tiveram caráter militar. Mais adiante esclarece quanto
a horário, dia e número de pessoas envolvidas: Na madrugada de 4 de maio de 1902, os dois
subdelegados, acompanhados de um grupo de dez pessoas...
Segundo o “Diário” de Franz Prediger, residente em Palmas, no sábado de Aleluia, em
29-3-1902, subiram pelo Taquari os primeiros soldados. No início da noite do dia 3 de maio, os
italianos de Encantado atacaram em Guaporé um grupo de fanáticos. Alguns foram mortos. E
domingo, dia 4, subiu um agrupamento militar . E no dia 5, mais um grupo de 30 soldados. No
dia 6, o Nick Benkenstein desceu e nos contou que, em Encantado, houve dois enterros: o do
viajante Eduard Sattler e de João Lucca, e que os dois haviam tomado parte no combate, foram
mortos e que o Guerino Lucca somente foi ferido. Esperava-se mais força militar do governo.
No dia 8, Ascensão do Senhor, subiu um contingente militar de 110 homens, com carros de
munição.
Prediger memoriza, a seguir, outras coisas, entre as quais a visita do embaixador alemão
em Lajeado G. W. Treutler, no chuvoso dia 16. No dia seguinte, anota:
Mais uma vez veio uma notícia triste, que cortaram os pescoços (degolaram) de alguns
presos, também a mulher do Enéas, e no dia 21, eles pegaram mais alguns em Guaporé,
também o “padre” Enéas, e mataram todos a tiros. No dia 22, pegaram mais 4 fanáticos em
Pinheirinho e os levaram a Muçum. No dia 23, os mesmos foram fuzilados. Os que escaparam
foram os seguintes: Simão Merello, João Enéas, João Jacó, João Merello, Francisco Merello,
Poncianinho, Antônio Lisboa, Silvano Janjan, um tal Linos e José Bugre.
Mais adiante, em junho: No dia 16, eles pegaram o Antônio Lisboa, lá em cima, e o
degolaram. Em julho: No dia 11, os militares prenderam três homens em Arroio das Pedras e
os fuzilaram. A seguir: No dia 15, o resto dos soldados saiu de Encantado.
A história oficial diz que os “fanáticos” “morreram em combate com as forças
militares”. Na verdade, munidos de rudes armas de caça, foram sumariamente degolados ou
fuzilados. Foi a maneira que o governo e a sociedade encontraram para solucionar o problema
social por eles mesmos criados.
Um dos raros sobreviventes foi Ricardo da Silva, que teve três filhos envolvidos no
movimento, mortos no massacre. O Alto Taquary, de 12-2-1905, noticiou sua morte, ocorrida
em 5-2-1905.
I GUERRA MUNDIAL
1914-1918
O estudo de línguas estrangeiras, em currículo escolar, sempre foi livre. Por isso, o
ensino da língua alemã e italiana, em escolas do Rio Grande do Sul, foi ministrada desde o
início da respectiva imigração, de forma optativa, uma escolha feita pelos pais em suas escolas
comunitárias.
Entretanto, o governo não investia o suficiente para que as escolas fossem melhor
equipadas para o ensino do vernáculo. Para os colonos teuto-brasileiros foi uma surpresa a
entrada do Brasil contra a Alemanha. Quanto à campanha nacionalista, mormente o uso da
língua portuguesa nas escolas, deve se reconhecer o empenho de Dom João Becker, Arcebispo
de Porto Alegre. Ao que parece, a I Guerra Mundial havia chegado ao fim e a campanha
nacionalista, de fato, nem tinha principiado. Algumas denominações de entidades, com palavras
germânicas, foram alteradas e traduzidas para a língua portuguesa, como também nomes de
linhas coloniais foram modificadas, tomando nomes brasileiros.
Por excesso de germanismo cultivado por imigrantes alemães e teuto-brasileiros e/ou
por omissão do poder público, muitos estrelenses continuaram a falar apenas a língua herdada
de seus pais, desde os albores da colonização. Já Dom Pedro II, poliglota, incentivava a fala de
mais idiomas no Brasil Império. Sua mãe era austríaca. Sua esposa era italiana. A língua
francesa era a predominante entre os cultos e a língua inglesa iniciava o seu domínio na área
tecnológica. Depois, a doutrina positivista, que inspirou o governo republicano, defendia o
direito natural de se comunicar na língua em que se nasceu. Esse é o pano de fundo em que se
encontrava a região colonial ao estourar a primeira guerra mundial. Interessava às grandes
empresas norte-americanas que os Estados Unidos interviessem no conflito europeu a favor dos
aliados. Para isso, precisava garantir o domínio nos mares e ter a costa brasileira à disposição da
sua marinha. O Brasil não soube manter a neutralidade. Para que também houvesse o apoio
interno da população brasileira à política de beligerância norte-americana, em 26-10-1917, o
Brasil proclamou estado de guerra com a Alemanha. Restringiu-se, além do fornecimento de
gêneros essenciais, ao patrulhamento do Atlântico sul e ao envio de uma missão médico-militar
à Europa. Nos Estados de formação étnica germânica, itálica e nipônica o nacionalismo foi
implantado à força, manchando as cores verde e amarela, com perseguições, prisões e
arbitrariedades de policiais e políticos, embriagados de um xenofobismo destruidor e
desmedido. Em dois anos de agitação, munidos de algemas, cassetetes e revólveres, agentes
nacionalistas quiseram destruir uma cultura e implantar outra...
Em numerosas escolas se ensinava o alemão e em alemão. Quer dizer, ensinava-se a
história do Brasil em alemão e o português em alemão, havendo livros com textos de literatura
portuguesa traduzidos em língua alemã, para a compreensão do alunado.
No Relatório de 30-8-1918, apresentado pelo presidente Borges de Medeiros à
Assembléia Legislativa há as informações prestadas pelo secretário Protásio Alves:
Alarmado o Governo Federal de nacionalização de brasileiros oriundos de
estrangeiros em regiões coloniais, resolvei intervir por meio de escolas primárias,
subvencionando as que fossem criadas pelos governos estaduais, regularizando o assunto pelo
Decreto 13.014, de maio do ano pp. O governo do Estado, por sua ininterrupta
Com o tempo, insistia-se mais o ensino da língua portuguesa, o que ficava expresso na
lei, ao ser criada a escola. Quando o intendente Pontes Filho, em 1921, criou as escolas
municipais na Linha Brasil e Fazenda Lohmann, no distrito de Roca Sales, o decreto especificou
para o ensino português, além da aritmética, geografia e história pátria. A imposição da língua
portuguesa era mais difícil nas 34 escolas particulares. Somente recebiam subvenções e auxílio
onde se ensinava também o português. Apenas 19 aceitaram ser escolas subvencionadas pela
Municipalidade. Com certeza, nos 44% restantes o professor não conhecia o ensino português
ou os pais não queriam que seus filhos o aprendessem.
A Liga de Resistência Nacional de Porto Alegre sugeriu à Intendência de Estrela para
que substituísse nomes estrangeiros de algumas picadas. Por isso, pelo Ato n.º 6, de 15-1-1919,
alterou as Picadas Moltke, Berlim, Bismarck, Köln, Glückauf, Krupp e Frederico Guilherme
para, respectivamente, Marechal Mallet, Olavo Bilac, Castro Alves, General Canabarro,
Paissandu e Onze de Novembro.
Terminado o conflito mundial, a campanha nacionalista foi esquecida, ou melhor,
adiada. Além do alemão, nas aulas complementares, também se ensinava francês, o que era
considerado chique na alta sociedade.
A primeira menção documentada do ensino de língua inglesa, em Estrela, encontramos
n' O Paladino, de 8-5-1927, com a notícia da chegada de Thomaz Ciril Harrison, que instalará
aqui uma aula do idioma inglês. Consta-nos que diversos alunos já se inscreveram para
freqüentar essa aula. Aula tem aqui seu primeiro sentido consignado no dicionário, identificado
por sala ou escola, como era a linguagem da época.
REVOLUÇÃO ASSISISTA
1923-1924
Assim ficou conhecida a Revolução liderada por Assis Brasil, em 1923.
Embora a Constituição Federal não estabelecesse a reeleição dos presidentes dos
Estados, a Constituição Política do Estado do Rio Grande do Sul permitia a reeleição do
governante, desde que obtivesse ¾ do eleitorado. Nesse caso, o candidato da oposição
necessitava apenas de ¼ de sufrágios para se eleger. Entretanto, a máquina administrativa, as
nomeações pessoais de juizes distritais, delegados e subdelegados de polícia, os comandos da
Brigada Militar, a escolha dos mesários para o processo eleitoral e juntas apuradoras dos votos,
incluindo o sufrágio dos mortos, garantiam a vitória do presidente, bem como a reeleição de
intendentes, quando interessava ao Partido Republicano Rio-grandense (PRR) sua manutenção.
A prática deste regime estava dentro da doutrina positivista: conservar melhorando... Dr.
Antônio Augusto Borges de Medeiros, à testa do governo desde 25-1-1898, apenas interrompido
pelo qüinqüênio 1908-1913, estava se lançando como candidato pela quinta vez, com eleições
marcadas para 25-11-1922. A oposição estava cansada do marasmo borgista e lançou a
candidatura de Joaquim Francisco de Assis Brasil, mesmo prevendo a derrota, diante da fraude
eleitoral.
Ao se aproximar o período eleitoral no Estado, O Paladino – Folha Republicana edição de 13-8-1922, deflagrou a campanha política em Estrela e na região, através de
telegramas endereçados aos líderes do PRR: O Republicanismo local... opina pela reeleição...
com a mais decidida simpatia desta folha. Telegrama do poder legislativo: Em nome totalidade
membros do Conselho Municipal... é pela reeleição... Telegrama do poder executivo: Em nome
deste município tenho insigne honra de aplaudir sem reservas patriótico movimento popular em
torno próxima sucessão presidencial Estado optando simpática reeleição eminente estadista
Dr. Borges de Medeiros, cuja candidatura se impõe para felicidade do Rio Grande do Sul.
Saudações cordiais – As. Pontes Filho, intendente.
Dez dias antes da posse, em 15-1-1923, pelo Decreto n.º 3.085, Borges de Medeiros
abriu o crédito extraordinário de mil contos de réis, para a manutenção da ordem pública - cf
O Paladino, de 28-1-1923, prevendo a revolta do povo contra a usurpação do poder. No dia
seguinte, pelo Decreto n.º 3.086, criou o Corpo Provisório da Brigada Militar, com sede em
Passo Fundo. O efetivo militar de 270 homens estava composto por 19 oficiais, sendo 1 tenentecoronel comandante, um major fiscal, 1 capitão ajudante, 4 capitães comandantes de esquadrão,
4 tenentes, 8 alferes e 251 praças, sendo 4 sargentos-ajudante, 1 primeiro sargento quartel
mestre, 4 primeiros sargentos, 12 segundos sargentos, 4 terceiros sargentos forriéis, 24 cabos,
192 soldados, 1 clarim-mor e 12 clarins.
Em várias partes do Rio Grande do Sul, houve confrontos e combates. Afinal, mais uma
vez os revoltosos não tinham armas suficientes, nem apoio suficiente em suas bases, para
derrubar o governo. Foram derrotados. Mais complicado era o desarmamento dos envolvidos.
Ao delegado de polícia apresentou-se Manuel Antunes Filho, capitão do bandoleiro de Leonel
Rocha (v. no Dicionário), que fez declaração escrita e testemunhada, dizendo estar
arrependido de tomar parte na mazorca, tendo conseguido evadir-se aos grupos sediciosos, o
que há muito desejava fazer, sendo obtado por Leonel. Diz ainda estar satisfeito com as
garantias que lhe têm sido oferecidas pelas autoridades constituídas as quais reconhece como
legais, comprometendo-se não mais se envolver na mazorca, o que declara espontaneamente cf A Federação, de 27-10-1923. Pela pacificação, muito se empenhou Dom João Becker.
Como conseqüência, abrandaram-se as relações entre o governo e a Igreja Católica, por tabela,
também as Igrejas Cristãs.
O Paladino, de 16-12-1923, noticiou o término da revolução. O intendente Pontes Filho
se achava assistindo os exames finais no Colégio Evangélico ao receber o fonograma da
assinatura da paz. Interrompeu os atos didáticos e foi entoado o Hino Nacional, em regozijo. O
mesmo se deu no Colégio Santo Antônio, onde o padre Jacó Seger presidia a solenidade de
encerramento do ano letivo. O sargento Idílio de Vasconcelos, à frente da tropa do Tiro de
Guerra 227, em formatura, assistiu o hasteamento do pavilhão nacional, ao canto do Hino
Nacional. Na vila de Estrela houve, à tarde, animado corso de automóveis. O intendente foi
elogiado no discurso por manter inalterável a ordem no município durante o período
revolucionário.
Com novo surto revolucionário iniciado, em 29-10-1924, em São Borja, Santo Ângelo,
São Luís Gonzaga, Uruguaiana e Alegrete, também em Estrela foram mobilizadas as forças.
Pelo telegrama-circular n.º 1096, de 30-10-1924, foram convocados para a incorporação, dentro
de 48 horas, os reservistas de 1ª categoria das classes de 1899, 1900 e 1901 das armas de
Infantaria, Engenharia e Cavalaria.. Quem não se apresentasse, seria punido de acordo com as
disposições do Código Penal Militar.
Pelo Decreto de 17-11-1924, foi estabelecido o Estado de Sítio para o Rio Grande do
Sul, até 31 de dezembro do corrente ano. No ano seguinte, foi decretado estado de sítio pelo
presidente Artur Bernardes, até o fim do ano, também no RS.
Conhecendo-se o ambiente perturbador, no qual grupos armados invadem linhas
coloniais e povoados para assaltos, roubos, incêndios, estupros e requisições em nome de
supostos comandos militares, em algumas localidades se juntam moradores para organizar a
defesa contra tais invasões. Assim, no distrito de Corvo, foi fundada a Selbstschutzverein
"Einigkeit" ou Sociedade de Defesa Mútua União - cf O Paladino, de 7-12-1924, com 400
cidadãos associados. A sociedade tinha como objetivo a defesa das famílias e propriedades
dessa circunscrição contra a incursão possível de elementos perturbadores da ordem e de
costumes. A comissão da sociedade, formada por Carlos Francisco Rohde, Henrique José
Prediger, Henrique Stapenhorst, Frederico Lindemann, Alfredo Rex e A. Lengler foi recebida
pelo subchefe de Polícia, Manuel Ribeiro Pontes Filho.
REVOLUÇÃO LIBERAL - I DITADURA
1930 - 1934
Durante a campanha eleitoral para a presidência do Estado, Dom João Becker apoiou a
candidatura de Getúlio Vargas, como também na campanha eleitoral de 1930. O arcebispo
saudou o candidato Getúlio Vargas com termos muito fortes de apoio: Falta-nos na suprema
direção da Pátria um Moisés, que tenha a audácia cívica de escolher a Nosso Senhor Jesus
Cristo para guia da Nação, que tenha coragem de restabelecer os direitos, os ensinamentos e
as leis de Deus em todos os departamentos da sociedade brasileira - cf Pe. Frederico Laufer,
SJ, A Igreja Católica de 1912 a 1957, na Enciclopédia Rio-grandense, 1957, 4º vol., p. 62.
O resultado geral das eleições presidenciais repercutiu em Estrela, bem como o
assassinato do candidato a vice-presidente da República na chapa de Getúlio Vargas, João
Pessoa, presidente de Pernambuco, em 26-7-1930, em Recife, na Confeitaria Glória, noticiado
pel' O Paladino, de 2-8-1930.
Também ecoavam na imprensa local os boatos de alteração da ordem no Estado. De
dias a esta parte o Sr. Cel. Augusto F. Markus, intendente deste município, tem sido interpelado
por elementos da colônia, que, preocupados com os boatos de revolução propalados no
interior, indagam sobre o momento - cf O Paladino, de 9-8-1930. Markus condena todo e
qualquer movimento que venha perturbar a ordem e a tranqüilidade no Rio Grande do Sul e
declarou que confia na ação do governo do Estado e na do Chefe do Partido Republicano...
Enfim, sinceramente não crê que o Rio Grande do Sul se levante em armas...
Em Porto Alegre, só no último momento, Getúlio Vargas concordou em iniciar a
Revolução. Marcada a data e horário, às 17h30min, de 3 de outubro, sexta-feira, depois do
expediente, tropas da Brigada Militar, sob o comando de Oswaldo Aranha e Flores da Cunha,
assaltaram o quartel-general da 3ª Região Militar, na Rua da Praia, a algun quarteirões do
palácio. Depois de 20 minutos e 20 mortos, a principal unidade militar no sul do país estava em
poder dos rebeldes - como lembra Zero Hora, de3-10-2001. O Paladino, de 4-10-1930, de
nada sabia. Só na edição seguinte, dia 11, o intendente Augusto Frederico Markus foi
encarregado pelo Cel. Claudino Nunes Pereira, comandante geral da Brigada Militar, de acordo
com o fonograma do dia 7, a recrutar urgentemente voluntários de boa conduta, reservistas de
preferência, para incorporação provisória nos corpos da Capital, enviando-os imediatamente
para aqui. Markus foi forçado a aderir à revolução, no que foi elogiado por um "Gaúcho
Revoltado", na coluna da primeira página da mesma edição do dia 11-10-1930.
Na página 2, há mais notícias: Daqui já seguiram muitos voluntários, tendo à sua frente
o Dr. Atílio Capuano, médico aqui residente, que foi se apresentar a fim de seguir para o
campo das operações.
Para darmos detalhadas notícias radiográficas, conosco tem cooperado com solicitude
todos os amadores da vila, salientando-se entre eles o nosso amigo Romualdo Schardong, que
já merece o título de herói entre a população entusiasta.
O super-homem estrelense do momento é incontestavelmente o telegrafista Sr. João
Barcelos, que é aguardado com ansiedade quando dobra a esquina trazendo a circular do
Serviço de Informação.
Histórico comício, em Estrela, ocorreu em 9-10-1930, comparecendo mais de 1.500
pessoas. Da sacada do SOGES, discursou Athayde Osório Rodrigues, gerente do Banrisul. Da
sacada do Hotel Bentz, discursou o advogado Dinarte Vasconcelos. Defronte ao Banco
Pelotense, Achyles Guerra Diniz fez seu discurso. Diante da Intendência, foi a vez do Dr. Atílio
Capuano, seguindo depois do discurso a Porto Alegre. Dia 12, houve um novo comício, logo
após a missa. Todos os oradores afoguearam o povo para levar Getúlio Vargas ao Catete. Se não
deu pela urnas, seja agora pelas armas.
O intendente Markus também abriu subscrições, para angariar dinheiro a fim de atender
prementes e eventuais necessidades das famílias dos voluntários estrelenses. Para o mesmo fim,
em 12-10-1930, as senhoras da sociedade promoveram uma quermesse na praça central. Depois
do primeiro contingente, em 10-10-1930, seguiu o segundo grupo de voluntários, formados por
jovens de Roca Sales, liderados pelo sargento Alcibíades Silveira Castilhos.
Desde o dia 7 de outubro, entrou em vigor uma importante determinação policial:
Comunico-vos não poderá haver trânsito sem salvo-conduto policial...
Na reunião do Conselho Municipal, presidida por José Raymundo Ruschel, em 20-101930, foi tirado da sala nobre da Intendência o retrato emoldurado do Gal. Paim Filho, por ter,
como senador, apoiado o presidente Washington Luís, contra a Revolução de 3-10-1930 e
perdido o direito de riograndense - cf O Paladino, de 27-10-1930.
O Correio do Povo publicou uma carta, assinada por Pedro Teixeira de Souza e Palídio
Ferreira Bastos, conclamando o povo a doar um mil-réis ouro para a Pátria Nova - cf O
Paladino, de 27-10-1930. Equivalia a 6$000, para o reerguimento da situação financeira do
país. A campanha foi feita também em todo o vale do Taquari. As manifestações tiveram, em
alguns setores, o caráter de fanatismo, doando-se jóias e outros valores. É mister lembrar que a
situação econômica no Brasil estava numa fase de reconstrução, como efeito do bum da Bolsa
de Valores de Nova Iorque, em 1929.
O Paladino abriu amplo espaço para noticiar os passos da Revolução, a invasão no Rio
de Janeiro pelas forças armadas, a deposição e prisão de presidente Washington Luís Pereira de
Souza e a posse da Junta Governativa, em 24 de outubro. A notícia da deposição do presidente
da República foi dada aos estrelenses por Adão Fett, que se encontrava no Rio de Janeiro. Às
15h25min, terminava a irradiação do término da Revolução, o fim da Primeira República e o
início da República Nova, da era Vargas no Brasil, em 3-11-1930. A Rádio Sociedade Gaúcha
foi a que mais se destacou. Com as novas instalações, concluídas no ano seguinte, estava em
primeiro lugar na América do Sul - cf O Paladino, de 2-5-1931.
Em Estrela, também se estabeleceu uma Junta Revolucionária, organizada para tomar
as providências imediatas no sentido de colaborar em prol da causa da nacionalidade. Estava
composta por Athayde Osório Rodrigues, Luís Inácio Müssnich, Bertoldo Zekner, Helmuth Fett
e Francisco Pires da Rosa.
Albino Müssnich foi nomeado censor do Correio local. Solicitou a publicação no jornal
local de um Aviso ao Público - O fechamento das malas postais será feito às 5 horas da tarde.
A fim de evitar perda de tempo, é de conveniência que toda correspondência seja entregue
ABERTA nesta repartição - cf O Paladino, de 27-10-1930. Aliás, a censura nas comunicações
perdurou por longo tempo...
As lideranças de Estrela se preocuparam com a manutenção das famílias dos voluntários
que partiram para o campo das operações militares. Um grupo de cavalheiros lembrou a
organização da Liga Pró-Revolucionários de Estrela, que devia sindicar das necessidades de
cada uma, enquanto senhoras e senhoritas de nossa sociedade tomavam a si a tarefa de
organizar a Legião da Cruz Vermelha - cf O Paladino, de 22-11-1930. Desta forma, estavam
todos empenhados em bem servir a causa redentora do Brasil.
A Liga Pró-Revolucionários estava assim constituída: Helmuth Fett, Odorico de
Azevedo Lima e Alberto Dexheimer.
A Legião da Cruz Vermelha Estrelense teve a seguinte diretoria: Joana Markus, Iracema
Fett, Érica Schmidt, Hilda Müller, Alice Lautert, Ercília Lautert e as senhoritas Ruth Aveline e
Quinota Porto.
Não foi publicada uma listagem de voluntários, a não ser de forma esparsa, como Dr.
Atílio Capuano, Vítor Jahn, Adão Fett, sem registro de alguma participação bélica. Entretanto, a
arrecadação financeira foi excelente, sem que se precisasse aplicar tais recursos a familiares de
voluntários. Foram arrecadados em torno de 20 contos de réis. Numa reunião, em 1-5-1931,
lideranças aprovaram a idéia, unanimemente aplaudida, de se aplicar o dinheiro na construção
de um Ginásio. Para comparar, um automóvel Chevrolet zero quilômetro, tipo turismo
aperfeiçoado, custava 6:850$000 e um chassis de caminhão Chevrolet, 7:970$000, zero
quilômetro.
REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA
1932
Dificilmente estrelenses assinavam jornais do Rio e São Paulo. Aparelhos de rádio não
eram comuns. Assim, poucas pessoas tinham informações do que acontecia no Brasil. Ao
estourar a Revolução Constitucionalista em São Paulo, no sábado de 9-7-1932, O Paladino de
nada sabia. O que não dá para acreditar, a surpresa pegou o próprio interventor Flores da Cunha,
segundo declarou: Colhido de surpresa, apesar da lealdade para com todas as correntes de
opinião do país, pelo movimento sedicioso que estalou em São Paulo, cumpre-me declarar ao
Rio Grande do Sul e à Nação que me conservarei fiel aos deveres de delegado do Governo
Provisório - cf O Paladino, de 16-7-1932. Por outro lado, Borges de Medeiros e Raul Pilla
conclamavam os gaúchos para manter a Frente Única, solidarizando-se com os paulistas, para
derrubar Getúlio Vargas, por não cumprir as promessas feitas quando assumiu o Governo
Provisório.
Enquanto isso, os governos se valiam da força policial e militar. Felizmente, a
Revolução Constitucionalista não teve efeitos destruidores em Estrela. Diante de seu porto,
apenas forças da Brigada Militar passavam, para reprimir levantes na zona alta de Lajeado, onde
se deu o Combate do Fão, na barra do Dudulha, na noite chuvosa de 12 para 13-9-1932, com
mortos e feridos. A anistia imediata acalmou os ânimos. Os rebeldes se convenceram não haver
armas nem munição suficientes para derrubar o governo provisório. Em 26-5-1931, João Neves
informou a Borges de Medeiros que o ódio ao Rio Grande está tomando, em São Paulo, as
proporções de um culto cívico. O clima foi lembrado por dezenas de anos...
O Paladino, de 27-8-1932, com a manchete Pró-Pacificação publicou matéria de uma
circular de Dom João Becker, que mandou dar todos os dias, às 20 horas, 21 badaladas do sino
grande da Matriz, a fim de convidar o povo a fazer preces a Deus, em casa ou onde estiver,
pela pacificação de nossa Pátria. Anexou a oração a ser feita, mas não delimitou o tempo da
badalação...
Mesmo assim, o chefe de Polícia do Estado, em telegrama, havia ordenado rigorosa
censura postal, razão pela qual o delegado local de Polícia, tenente Laureano da Rosa Brasil
mandou afixar um aviso na agência do Correio local para que a correspondência seja entregue
até às 18 horas e aberta, a fim de facilitar a censura - cf O Paladino, de 31-12-1932.
ESTADO NOVO - II DITADURA
1937-1945
Os estrelenses devem ter lido com generalizada euforia a matéria jornalística, n' O
Paladino, de 21-8-1937, sob a manchete Golpe de vista sobre a sucessão presidencial, em
menos de três meses antes do Golpe de Estado, dado por Getúlio Vargas, em plena campanha de
sucessão presidencial. O texto era oficial, produzido pelo Serviço de Imprensa do Departamento
de Propaganda. Cada cidadão se interessa pelo noticiário político do dia como se interessaria
pelas fases evolutivas de um acontecimento seu, intimamente pessoal. Esse clima democrático
promissor e emocionante, fruto de uma nova mentalidade política formada no espírito da
revolução de 30, é a mais oportuna afirmação da vitalidade do nosso regime restaurado nos
seus mais belos princípios de igualdade e fraternidade. Essa obra de sã política, de sadio
interesse pelos problemas magnos da Nação, o Brasil, os brasileiros o devem ao Governo
Getúlio Vargas que soube sempre colocar interesses e a suprema necessidade do país acima de
quaisquer competições particularistas ou de qualquer exploração de personalismo. Quem diria,
então, o que aconteceu algumas semanas depois...
Na edição de 23-10-1937, O Paladino noticiou: Como é sabido, o país se acha sob o
estado de guerra, medida excepcional adotada para combater o comunismo. Por isso, toda a
Brigada Militar foi convocada. O governador Flores da Cunha fugiu do Rio Grande do Sul, em
17-10-1937, e se asilou na linha de fronteira, em território do Uruguai. Getúlio Vargas decretou
a intervenção no Estado, nomeando interventor interino o general Manuel de Cerqueira Daltro
Filho, comandante da 3ª Região Militar, a quem está, também, afeta a execução do estado de
guerra. Renunciaram também todos os secretários estaduais. Daltro Filho nomeou Maurício
Cardoso, José P. Coelho de Souza, Walter Jobim, Oscar Fontoura e Viriato Dutra,
respectivamente, para as pastas do Interior, Educação, Obras Públicas, Fazenda e Agricultura.
Com a renúncia de Poti Medeiros, assumiu na Chefatura de Polícia o capitão José da Costa
Monteiro. Esta era a máquina que devia administrar o Rio Grande do Sul na hora do Golpe de
Estado. Enquanto isso, estava na Câmara dos Deputados, o anteprojeto da criação de um Banco
Central. A balbúrdia interna era grande. E a externa? Pior! Já interessa ao eleitor saber do seu
candidato que pensa ele de uma política voltada para Washington ou Berlim. Muito se discute o
problema de saber se é mais preferível ao Brasil ingressar na órbita dos países totalitários, que
são os que necessitam de matérias primas e, portanto, estão interessados na sua extração, ou se
é mais prudente ficarmos com os Estados Unidos, líder da corrente democrática e
suficientemente ricos para não cobiçarem com a mesma intensidade, as nossas riquezas
naturais - cf O Paladino, de 23-10-1937.
O golpe de Estado foi dado na quarta-feira de 10-11-1937. Getúlio Vargas promoveu a
terceira cassação geral de todos os mandatos eletivos na história do Brasil. Fechou o Congresso
Nacional, Senado, Câmara dos Deputados, todas as Assembléias Legislativas nos estados e
Câmara de Vereadores nos municípios. Voltou a nomear interventores federais nos estados e
prefeitos nos municípios. O Paladino, de 13-11-1937, não deu a notícia na página de capa, onde
apenas consta uma coluna com a manchete Grito de alerta contra as forças subversivas, matéria
do conhecido Serviço de Imprensa do Departamento de Propaganda, sobre a pastoral dos bispos
contra o comunismo ateu. Aliás, foi a infiltração comunista a causa da implantação do Estado
Novo.. Na página 2 do semanário estrelense há meia coluna sobre o novo regime ditatorial, com
o título: O Brasil tem nova Constituição, ampliando os poderes do presidente da República,
substituiu o Senado por um Conselho Federal e criou Conselhos de Economia e de Defesa
Nacional.
Um dos momentos mais chocantes, logo após a implantação do Estado Novo, foi a
Bandeira do Rio Grande do Sul, como os demais pavilhões estaduais, ser atirada no fogo. Essa
medida, posta em execução na solenidade do "Dia da Bandeira", foi executada para o
robustecimento da unificação da Pátria, sob a unidade de um pavilhão. Filinto Müller, chefe de
Polícia do Distrito Federal, ainda determinou que os versos da "Oração à Bandeira", de Catulo
da Paixão Cearense, fossem amplamente distribuídos, na capital e pelos Estados. Entre as
conseqüências, desapareceram também todas as bandeiras de associações religiosas, esportivas,
sociais, mormente, de partidos políticos, que foram extintos pelo Decreto-lei de 2-12-1937.
O governo totalitário tupiniquim copiou alguns modismos dos títeres nazi-fascistas
europeus. Além de uma única bandeira, queria um só Exército. Por isso, acabou com as guardas
municipais e polícias militares próprias em cada Estado. A Brigada Militar do RS também foi
incorporada ao Exército, embora em seus quartéis, mas sob o mesmo comando militar do III
Exército. Todas as demais paradas e manifestações político-partidárias foram proibidas. Foi
dada uma nova dinâmica ao civismo. As paradas militares do Exército, Infantaria, Cavalaria e
agrupamentos de arma pesada, a Marinha e a Aeronáutica se revestiam de caráter solene, numa
demonstração de força e unidade. Nas escolas se cultivava o civismo através da decoração dos
"pontos" da História e Geografia do Brasil, das marchas estudantis, hasteamento da Bandeira,
execução do Hino Nacional e do Hino da Bandeira
Outro modismo xerocado foi o cultivo à pessoa do Presidente da República. Era o Chefe
da Nação, com o poder único, total e absoluto. Uma rede de 1.300 e poucos jornais, espalhados
por todo o território nacional, distribuiu artigos e comunicados, em que esclarecia a opinião
pública sobra as manobras de infiltração de ideologias políticas da extrema direita e da
extrema esquerda. Para realizar esse trabalho, com o êxito desejado, e felizmente alcançado, o
Serviço de Divulgação procedeu completo levantamento sobre a vida política e administrativa
dos 1.572 municípios, conseguindo reunir, na Capital da República, monografias completas, a
esse respeito. Lançou por todo o Brasil a palavra de ordem de todo respeito ao Chefe da
Nação, vendo rapidamente solicitados os 90 mil retratos do Presidente da República, que
distribuiu às repartições públicas, estabelecimentos comerciais e particulares.
Esse texto, parcialmente transcrito, também é do governo, publicado n' O Paladino, de
20-5-1939. Foram, pois, distribuídos uma média de 57 retratos por município. No Salão Nobre
da Prefeitura Municipal, no domingo de 8-5-1938, foi solenemente entronizado o retrato do
Chefe da Nação Brasileira - cf O Paladino, de 7-5-1938. O jornal não registrou o fato, na
edição seguinte. Mas, com a manchete Significativa Homenagem ao Chefe da Nação - A 11 do
corrente, foi solenemente inaugurado o retrato de S. Excia. o Dr. Getúlio Vargas, na Coletoria
Federal deste município, de seis colunas, na página de capa, da edição de 23-7-1938, o
semanário informou a presença de grande número de pessoas, representantes das autoridades
civis e militares, e de todas as classes sociais, bancários, professorado, indústria e comércio, na
segunda-feira de 11-7-1938. Foram vários discursos laudatórios a Getúlio Vargas, em defesa do
"Estado Novo". Os oradores eram funcionários federais e estaduais...
Os jornais estavam cheios de colunas, que cultivavam, diariamente, esse personalismo.
Para atrair o Brasil à guerra e se beneficiar da posição estratégica na costa brasileira, o governo
norte-americano mandava jornalistas para o Brasil, com a encomenda de reportagens favoráveis
ao governo de Getúlio Vagas, para jornais e revistas. "Fortune", a admirável revista da elite
americana, acaba de publicar longa reportagem sobre o Brasil. Entre ilustrações e mapas em
que se faz a comparação dos territórios do Brasil e dos Estados Unidos, discorre o texto
ensinando aos americanos que o regime em vigor não é uma ditadura fascista. O Sr. Getúlio
Vargas, com a implantação, nada mais fez do que preservar o regime democrático no Brasil cf O Paladino, 25-12-1939, que reproduzia matéria jornalística mandada pelo próprio governo
totalitário. A técnica era a mesma da propaganda de Goebels: repetir a mentira até parecer que é
verdade. Embora o Estado Novo não fosse fascista, de cor cinzenta, preta ou parda, mas era
ditadura, verde e amarela. Que Getúlio tenha preservado o regime democrático no Brasil era a
imagem mais mentirosa espalhada pelo mundo. Nem o próprio Getúlio Vargas tinha um partido
único. Não havia partidos, sindicatos livres, cargos eletivos...
Ação Integralista Brasileira - AIB
1932-1937
Movimento político, partido e ideologia de extrema direita, AIB foi fundada por Plínio
Salgado, em 1932, baseado nos moldes fascistas, para combater o comunismo.
O Paladino, de 28-3-1936, em Notas do Integralismo, informou que em 1935, foram
instalados no Brasil 4.343 núcleos, ou seja, 112 por dia e 3.7 por hora. Os seus gastos foram,
em dezembro (de 1935) 921:500$000 ou seja, 30:710$000 por dia...Mais adiante, prognosticou:
Conforme cálculos estatísticos, em 1937, votarão na legenda Integralismo 1.250.700 eleitores.
Durante o período acima mencionado, ingressaram no Integralismo 399.000 brasileiros. O que
mais interessa: No nosso município há 250 soldados brasileiros de Deus, da Pátria e da
Família, inscritos em 10 núcleos. Em 25 de novembro de 1934, foi instalado o primeiro núcleo,
sob o nome de Teutônia. Em seguida foram criados: pinheiro Machado, Picada Germano, Boa
Vista da Teutônia, Picada São Jacó, Major Bandeira, Nicola Rosica (?), Arroio da Seca, Beija
Flor, Roca Sales. Em breve, será instalado na vila de Estrela um núcleo de centralização.
Atualmente, acha-se a sede da Chefia Municipal em Teutônia, sendo Chefe Municipal o
professor Alfredo Rex, que nos forneceu estas notas.
Mesmo obtendo apenas 45 votos no pleito municipal de 17-11-1935, dos quais 25 no
distrito de Corvo e apenas 15 em todo 1º distrito de Estrela, a Ação Integralista Brasileira
continuava atuante.
O Paladino, de 21-3-1936, noticiava há dias, realizou-se uma passeata do núcleo
integralista de Teutônia, tomando parte da mesma cerca de 70 camisas verdes. À Praça
Benjamin Constant, os integralistas, em formatura, cantaram o hino integralista e outras
canções. Após, desfilaram pelas principais ruas da vila. Aliás, em Teutônia, apenas 3 votos
integralistas entraram nas urnas.
Como os demais partidos, a AIB fechou em 2-12-1937. Reabriu com a restauração da
democracia, em 1945, com nova sigla e linha partidária, através do Partido de Representação
Popular - PRP.
Abandonando totalmente a ideologia do totalitarismo e o aparato paramilitar, o PRP
teve maior aceitação, em Estrela, que a AIB. O fato se deve às idéias municipalistas que o
partido de Plínio Salgado defendia, o que outros partidos, de certa forma, desconsideravam.
Com os anos, também o municipalismo não empolgou mais os políticos, embriagados com o
centralismo forte do poder da era moderna, agora com a embalagem da globalização.
II GUERRA MUNDIAL
1939-1945
A imprensa brasileira, no período democrático, era liberal. Nos anos de 1934 a 1937,
abria amplo espaço, tanto para combater o nazismo, como para elogiá-lo. A apreciação sobre o
seu conteúdo deve ser feita no seu contexto histórico. Assim, por um lado, grande parte das
críticas tinha cunho xenofobista. Por outro lado, elogios eram dados a Hitler como o chefe de
uma pátria que os imigrantes deixaram, mas onde ainda se encontravam familiares, parentes e
amigos. Laços de família não têm fronteiras políticas.
Examinar, hoje, o conteúdo dos livros, jornais e revistas relacionado ao fascismo em
geral, dentro e fora do Brasil, é um assunto apaixonante. Pelo fato de nos ser muito próximo,
nem sempre é fácil permanecer isento e ver os fatos dentro da sua conjuntura.
Pretendo ater-me ao que ocorria em Estrela e ao que os estrelenses liam e ouviam. Quais
as orientações que recebiam de fora e como reagiam dentro de sua comunidade?
Tanto os imigrantes alemães e teuto-brasileiros, na vila e linhas coloniais de Estrela,
como os imigrantes italianos e demais etnias, mantinham correspondência postal com seus
familiares, parentes e conterrâneos na Alemanha, Itália, Áustria, Suíça, Holanda, Hungria,
Polônia, Portugal e outros países da Europa. Poucos tinham recursos para visitar familiares,
rever sua terra, atualizar conhecimentos profissionais, estudar ou, raramente, fazer negócios. O
Paladino, várias vezes, registrava estas viagens, especialmente de pastores e médicos que
reviam familiares e, ao mesmo tempo, regressavam às universidades, em busca de novos
conhecimentos, tecnologia e até equipamentos, como Raio X.
Antes das emancipações de Roca Sales e Teutônia, os evangélicos de Estrela perfaziam
68% da sua população, segundo o Hundert Jahre Deutschtum in Rio Grande do Sul - 18241924, p. 448. A Igreja Evangélica, embora tivesse organizado em São Leopoldo o Sínodo Riograndense, fundado por Dr. Wilhelm Rotermund, permanecia ligada ao Conselho Supremo da
Igreja na Prússia, em Berlim. Da Alemanha vieram os primeiros pastores formados. Como
missionários, deixavam seus familiares na distante pátria para dar sua contribuição ao Reino de
Deus. Como a "fé entra pelos ouvidos", a pregação, cantos e orações não podiam ser em latim,
nem em português, mas na língua dos imigrantes, isto é, em alemão. Com o tempo, também em
português.
Da Igreja da Prússia vinham orientação doutrinária, literatura, diretrizes eclesiásticas e
normas disciplinares. Enquanto não fosse conhecida a verdadeira cara de Hitler, nem seu anticristianismo e método de matar judeus, o "Führer" era visto como "chefe da nação", termo
adotado também no Brasil. Mutatis mutandis, na época, todos os brasileiros torciam pelo Brasil,
mas nem todos os brasileiros eram getulistas ou defensores do "Estado Novo"... Assim, os
alemães torciam pela Alemanha, mas nem todos eram hitleristas ou defensores dos métodos
nazistas.
A Igreja Católica tinha e tem o seu centro em Roma. Suas orientações, diretrizes e
normas chegavam à Paróquia de Santo Antônio, via Arquidiocese de Porto Alegre. Os Bispos
publicavam suas cartas pastorais, comunicados aos fiéis nas missas conventuais, isto é, de maior
afluência de povo aos domingos.
Neste sentido, e no seu contexto histórico, deve ser apreciada a 23ª Carta Pastoral de
Dom João Becker, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, Sobre o Novo Estado Brasileiro,
publicada em 12-10-1933. O documento oficial foi estudado pelo clero e comentado nos
sermões dominicais, no decorrer de 1934 e anos seguintes. Não terá o título desta Carta Pastoral
inspirado Getúlio Vargas a batizar de "Estado Novo" seu governo totalitário, como que
"legitimando" o posterior golpe de Estado?
Afinal, a citada Carta Pastoral foi escrita depois que a Santa Sé havia celebrado as
concordatas com a Itália, em 1929 e com a própria república alemã, em 20-7-1933. Dom João
Becker tinha feito, um pouco antes, uma longa viagem de estudos pela Alemanha. Foi rever sua
terra natal e parentes na Alemanha, de onde viera menino, com sua família, para o Brasil.
Percorreu cidades e aldeias. Observou detalhadamente todo o desenvolvimento. Teve
oportunidade de conhecer como Hitler tomou o poder e o que o povo alemão esperava dele.
Chegou a publicar sua viagem num livro luxuoso e ilustrado, de leitura inesquecível.
A 23ª Carta Pastoral de Dom João Becker é, pois, um documento importante para se
entender o período áureo da Alemanha, sem guerra e holocausto, arrancando admiração no
mundo inteiro, do próprio Getúlio Vargas... Logo no início da Carta Pastoral, o Arcebispo
manifesta sua admiração pela Revolução de 1930, pelo modo de sua realização, rapidez de seus
processos e amplitude de sua extensão. Depois de 21 dias de lutas, sem que houvesse diuturnas
resistências ou considerável derramamento de sangue fraterno, foi proclamado o atual governo
provisório com poderes discricionários. Do regime anterior, disse que a república de 1891
apostatara de Deus, criticando o ateísmo oficial... o positivismo agnóstico... Por isso, torna-se
evidente a necessidade de união, perseverança e sacrifício. É mais um motivo para dar apoio
ao governo na obra gigantesca que ora empreende. Pede, pois, aos estrelenses da época, a todos
os brasileiros, inspirados no verdadeiro civismo e amor fraterno, ofereçam sua boa vontade e
seus esforços à reconstrução do Estado brasileiro e à reorganização social e política da nossa
pátria.
Mais adiante, o Arcebispo fala sobre o conceito de condutor, o que em alemão significa
"Führer": Condutor é aquele que tem a vontade de amoldar e conduzir outros a um fim
elevado. Aponta as qualidades do condutor. Por isso, chama-se de sedutor aquele que prepara e
arrasta as massas populares para fins perversos; demagogo, aquele que, sem escrúpulo na
aplicação de meios, explora o instinto e a psicologia momentânea do povo nos comícios e nas
assembléias. Finalmente, ensina que o condutor tem uma função social. O povo obedece às suas
ordens. Pode ser que um guia de valor não seja seguido durante algum tempo, mas uma vez
conhecidas as suas virtudes, sua força e boas intenções, arrasta as multidões. Era o que Dom
João Becker deve ter visto na Alemanha, quem sabe, ao vivo...
É preciso deixar claro que Dom João Becker condena o anti-semitismo: É desumano e
contra os preceitos cristãos desprezar, odiar e perseguir o povo judeu, unicamente por motivos
raciais e religiosos. Depois, diz: Contudo, é diferente da nacionalidade e da religião judaica o
espírito internacional do judaísmo. Pois, é certo que existem muitos judeus incrédulos,
verdadeiros ateus, os quais exercem uma influência sumamente perniciosa em quase todos os
departamento da vida cultural moderna. Administração e comércio, indústria e finanças,
advocacia e medicina, em suma, todas as atividades humanas estão, em grande parte,
contaminadas e corrompidas pelos princípios materialistas e liberais, oriundos, sobretudo, do
judaísmo internacional. A Rússia bolchevista é criatura de Deus. Os seus principais
organizadores e dirigentes eram e são judeus. O predomínio judaico continua no governo e em
todas as instituições da república soviética. À frente da propaganda comunista acham-se, em
todo o mundo, judeus renegados e ímpios... e por aí vai, como se os "Protocolos dos Sábios de
Sião", na época difundidos por Gustavo Barroso, tivessem servido de inspiração a Dom João
Becker. Então ele conclui: É legítimo direito e grave dever do Estado neutralizar e combater
essa influência dissociativa e deletéria, sobremaneira prejudicial ao indivíduo, à família, à
sociedade e à própria organização estatal. Esse dever do Estado na Alemanha causou o
holocausto de 6 milhões de judeus, o que, com certeza absoluta, nem Dom João Becker haveria
de imaginar fosse acontecer.
Depois de toda essa longa explanação por 128 páginas, Dom João Becker dá a sua
orientação aos católicos quanto ao estado integral brasileiro. Durante 40 anos de república, as
oligarquias políticas governavam muito mais o nosso país do que os preconizados princípios
democráticos, culpando os partidos, e nos partidos, os chefes, apoiados na força ou na máquina
eleitoral que manipulavam os estados da União brasileira... Não obstante esse processo,
cultuava-se o cediço e adulterado lema de um governo do povo pelo povo. Esse era também o
tom dos discursos de Getúlio Vargas, contra a democracia, em defesa da ditadura. Continua o
Arcebispo: O sistema antigo de partidos baqueou. A revolução de trinta ainda não sazonou os
frutos que teve em mira. Continuam os trabalhos pacíficos nesse sentido: a revolução branca.
Mais adiante fala da Revolução de 1932: muitos constitucionalistas ora exageram ora
diminuem as atribuições, tanto do Estado como dos cidadãos.
Dom João Becker também tece considerações em torno da Ação Integralista Brasileira,
fundada por Plínio Salgado, em 1932, o totalitarismo verde-amarelo: Como em países europeus,
surgiu entre nós a poderosa idéia do integralismo nacional. À semelhança dos poços artesianos
que nascem do mesmo lençol d' água oculto no seio da terra, o movimento integralista sobe,
irresistível, em altos jatos, do subsolo da consciência nacional, em todos os estados da
federação brasileira. Oferecerá a ação integralista a felicidade ao Brasil ou aumentará os
fatores de sua perturbação interna e de sua infelicidade? Tudo depende do teor do seu
programa e do método dos seus processos.
Seguem os elogios aos ditadores:
Mussolini, na Itália, reformou sua pátria pelo estado totalitário, tangendo
harmonicamente, as cordas mais sensíveis do coração do seu povo: a latinidade, indo até
Rômulo e Remo, e a religião católica, cuja sede se acha em Roma.
Hitler, o grande remodelador da Alemanha, que salvou a sua pátria das garras do
bolchevismo, criou o estado totalitário, apelando para o sentimento racial do arianismo e
implantando a cruz suástica nas instituições públicas. Os resultados de sua atividade estupenda
não só empolgam a Alemanha, mas todo o mundo.
O império germânico quer ser o Estado de um povo cristão. O novo estado, segundo
Hitler, levanta-se em atitude enérgica e combativa contra qualquer movimento ateizante e do
liberalismo amoral. Povo cristão é aquele que professa um cristianismo de dogmas
determinados e eclesiasticamente organizado.
O estado integralista brasileiro deve ter por fundamento a lídima brasilidade e
catolicidade. Explana, a seguir, a doutrina integralista, baseado nas fontes originais do próprio
Plínio Salgado, em " O que é Integralismo" e de Gustavo Barroso, em "Integralismo em
Marcha", obras citadas por Dom João Becker.
Esta 23ª Carta Pastoral foi escrita numa hora infeliz. Sua publicação serviu em cheio
para que os asseclas nazi-fascistas se infiltrassem nas sociedades de ginástica, clubes e
organizações culturais, escolares e mesmo eclesiásticas, nas cidades, vilas e linhas coloniais.
Todas as demais cartas pastorais e diretrizes emanadas da Arquidiocese não tiveram o mesmo
alcance. É preciso reconhecer que o próprio Dom João Becker foi um dos pioneiros que mais se
empenhou para que se ensinasse o português nas escolas, já na primeira fase da campanha de
nacionalização, durante a primeira guerra mundial, e, especialmente, depois.
O Paladino, de 14-9-1935, com as manchetes Novos processos diplomáticos - O início
de um movimento de justiça - Hitler e a História critica a falsidade com que os diplomatas
escondem a realidade de seus países. Quando Hitler assumiu o poder na Alemanha, diz o texto
do próprio jornal, encontrou a Europa agitando hipocritamente o problema do desarmamento,
em conferências e mais conferências, enquanto subreticiamente cada nação se armava até os
dentes. E mais. Hitler reagiu à miséria do estrangulamento de sua pátria, com uma sucessão
impressionante de medidas patrióticas que revelaram, não somente o seu gênio político, como a
sua extraordinária fibra de lutador. Armou-se para enfrentar impassível as ofensivas
demagógicas dos que queriam a morte da Alemanha.
O domínio de Hitler na Alemanha coincidiu com a popularização dos rádios receptores.
Mesmo que fosse caro, um aparelho de rádio era status. Quem era imigrante alemão ou tinha
muitos parentes e familiares na Alemanha, ouvir diretamente uma emissora em língua alemã,
com músicas, notícias e a própria língua bem falada, proporcionava horas de muita emoção. O
Paladino, de 8-2-1936, por exemplo, divulgava a programação radiofônica do Rádio Alemão,
para os dias 8 a 15 de fevereiro, sempre à noite: dia 8, às 19h: Carnaval em Colônia, há 100
anos. Dia 9, às 21h45min: canções, versos, anedotas, contos tipicamente regionais. Dia 10, às
20h: nova música de Câmara para cordas e sopro. Dia 11, às 20h: Sentinela durante 4 horas peça de Schubert, com 5 solistas e orquestra. Assim, havia apenas programações artísticas. Não
há divulgação de discursos. Embora nessa programação não constasse os bombásticos discursos
do Führer e seus asseclas, com certeza, havia o "horário político" nazista!
O Paladino, de 12-12-1936, com a manchete A Guerra aí está - Hitler previu no
"Minha Luta" o tratado agora assinado. A eterna incógnita Britânica, publicava a ameaça da II
Guerra Mundial, em matéria assinada por Jeff Newberry, chefe dos repórteres do "Observer's
Internationals Sindicate".
Em caso de guerra, os Estados Unidos da América do Norte precisavam aniquilar sua
potência rival no mundo, dando seu apoio interesseiro à Inglaterra e França. Para isso, precisava
do litoral brasileiro por duas razões: os mares livres para os seus navios de guerra, e o espaço
próximo da África, para as operações aéreas. O Brasil, necessária e urgentemente, deveria
terminar seu namoro com a Alemanha, deixar a posição de incômoda neutralidade e ingressar
como aliado. Aliás, os norte-americanos não suportavam mais ver a Alemanha ocupar o
primeiro lugar na importação, fornecendo ao Brasil carvão, máquinas e produtos industriais, cf
O Paladino, de 13-2-1937: Nossa importação da Alemanha, no ano passado (1936), atingia
633.061 toneladas, por 718.107 contos, ou 5.026.409 libras esterlinas; equivale a 22,88
porcento do total da nossa importação. Exportávamos para a Alemanha 216.774 toneladas, por
442.180 contos ou 3.524.934 libras esterlinas, perfazendo 12,54 por cento do total da
exportação. Já sabemos a partir de quando se fala em dólares...
Havendo, então, ampla liberdade para que brasileiros se manifestassem contra ou a
favor da Alemanha, Itália, Estados Unidos ou de qualquer país do mundo, os respectivos
imigrantes e seus descendentes falavam livremente a língua materna, seja em casa, seja na
sociedade. Muitas pessoas sabiam falar duas ou mais línguas, sem que o fato causasse
constrangimento, mesmo numa delegacia de Polícia. Nas regiões de colonização alemã, as
manifestações pela "terra natal" de seus pais e avós eram mais vivas e participativas. Nesses
ambientes é que nazistas procuravam infiltrar-se para conduzir a "saudade", transformar a
amizade e concentrar a simpatia pela Alemanha no cultivo da pessoa do "Führer". Em vez de
erguer um "Viva!" à Alemanha, proferiam a saudação "Heil Hitler". Em vez de cantar o hino
nacional alemão e empunhar a bandeira alemã, os quintas-colunas preferiam cantar o hino
nazista e a bandeira com a cruz suástica.
Idêntico fenômeno do endeusamento por Hitler ocorrido na Alemanha, fato que até hoje
envergonha a maioria dos alemães, mais tardiamente e com menos intensidade, é óbvio, refletia
no sul do Brasil. A legítima, saudável e culta germanidade estava sendo enxovalhada pelo
pangermanismo e hitlerismo de um pequeno grupo mal orientado. O fato não tinha apoio dos
teuto-brasileiros, a não ser um inexpressivo número. Nem tudo estava muito claro. A técnica
usada pelos asseclas nazistas era muito sutil, causando confusão nas comunidades. Como uma
atitude extremista criava outra, exatamente a contrária, na mesma intensidade, a reação não se
fez por esperar. Os extremistas preferiram valer-se da força. Aqui entra em campo um novo
personagem: a polícia. Nem sempre preparada, facilmente levada por paixões e vontade de
mostrar serviço, a polícia foi o instrumento usado para forçar a campanha nacionalista.
Conseguindo Osvaldo Aranha convencer Getúlio Vargas para que o Brasil se alinhasse
aos Estados Unidos, contra a Alemanha, ainda antes do início da Segunda Guerra Mundial,
Filinto Müller aparelhou as Chefaturas de Polícia dos Estados para que a campanha nacionalista
fosse feita urgentemente, na marra. O "serviço secreto" recebia uma grande quantidade de
denúncias. A Repartição Central de Polícia do Estado publicava a revista mensal "Vida
Policial", dirigida por Ernani Ruschel. O seu n.º 6 chegou na redação d' O Paladino, segundo
sua edição de 18-2-1939, com vasta reportagem fotográfica sobre a atividade nazista em nosso
Estado. Os nazistas realizavam verdadeiras "paradas" nas quais abundavam as "infalíveis"
bandeiras com a clássica cruz gamada, tal como na Alemanha.
A confusão que se generalizou é, de certa forma, de fácil compreensão, analisando-se os
diversos personagens, suas posições e outras variáveis sociais e políticas. De um lado, a
população, em sua quase totalidade de origem alemã nas zonas coloniais baixas, ou de origem
italiana, nas regiões altas. Faltou incentivo e investimento do governo para o ensino real em
língua vernácula, permanecendo o suo de duas línguas, sem que uma exclua a outra. De outro
lado, o grupo de nazi-fascistas. No meio deles, chega o terceiro personagem, a polícia, com
decretos, ordens, cassetetes e algemas, sem distinguir hino alemão ou nazista, a Bíblia, o
"Deutsches Evangelisches Gesangbuch" e o "Mein Kampf". Basta misturar estes ingredientes
para ver no que é que deu...
O Paladino publicou a última coluna em língua alemã na edição de 13-3-1937. A
campanha de nacionalização era executada e vigiada, mais de perto, pelo delegado de polícia de
Estrela, Dr. Dalton de Bem Stumpf, então jovem acadêmico de Direito. Transmitiu a ordem
superior da proibição de anúncios, cartazes ou avisos em língua estrangeira - cf O Paladino, de
10-12-1938 - na meritória obra da nacionalização.
A proibição de propaganda nazi-fascista não acontecia somente no Brasil. Propaganda
nazista havia em toda a parte, como por muitos anos perdurou a propaganda de partidos
comunistas, no período da chamada "guerra fria". Especialmente os países em torno da
Alemanha sofriam a influência da propaganda nazista, numa clara intenção de criar ambiente
favorável de domínio. O Conselho Federal da Suíça, ainda em 1938, baniu em seu território os
emblemas dos partidos totalitários, nazista, fascista e comunista.
Pela Circular n. 0/475, o Delegado da Ordem Política e Social, ficavam proibidas
quaisquer atividades políticas de estrangeiros no Brasil, ficam também, em conseqüência e de
ordem do Sr. Capitão Chefe de Polícia do Estado, proibidas todas as manifestações favoráveis
ou contrárias aos chefes de partidos políticos de nações estrangeiras - cf O Paladino, de 9-91939.
Dom João Becker, em 2-8-1939, em carta circular retornou a insistir para que os
sermões fossem em língua portuguesa. Depois da prática em português os Revdos. Sacerdotes
poderão repetir a mesma no idioma das pessoas estrangeiras presentes à cerimônia religiosa,
se o número delas for bastante elevado e se julgarem, oportuno - cf O Paladino, de 12-8-1939.
Tais medidas foram confirmadas pelo Decreto-Lei n.º 1.545, de 25-8-1939, assinadas
pelo famoso capitão Aurélio da Silva Py, chefe de Polícia do Estado.
Com o ataque inesperado dos 183 aviões japoneses, sob o comando de Mitsuo Fuchida,
à base naval de Pearl Harbor, em 7-12-1941, no dia seguinte, o conflito europeu tornou-se uma
guerra mundial, envolvendo mais de 50 países. O afundamento de 6 navios brasileiros, com
morte de 607 pessoas, em 21 dias, entre julho e agosto de 1942, causado pelos alemães e
italianos, conforme acusação norte-americana, fez com que, em 14-9-1942, o 4º Congresso da
União Nacional de Estudantes exigisse do Brasil declaração de guerra contra o Eixo. Em
seguida, foi criada a Força Expedicionária Brasileira - FEB. A partir de 7-7-1944, em quatro
escalões, 25.223 soldados partiram para a Itália. O contingente de 1.180 gaúchos embarcou em
8-2-1945. Nos 239 dias de FEB na guerra, morreram 454 combatentes. Em 7-5-1945, tudo
terminou. Morreram mais de 10 milhões de soldados aliados e 6 milhões do soldados do Eixo.
A guerra custou 1,15 trilhão de dólares.
Restam-nos, pelo menos, algumas grandes lições. Afinal, a História continua a ser
mestra da vida. Quantas distorções, por vários anos, permaneceram com a óptica torcida.
Dr. Werner Schinke tem uma cópia do Of. N.º 40/48, de 19-2-1948, assinado pelo
delegado de polícia José Henrique Mariante, comunicando ter encontrado, entre vários outros
objetos, apreendido, um busto do Vater Jahn, criador da Ginástica sueca e propagador dos
princípios de saúde e desenvolvimento físico da sociedade universal. Surpreso fiquei em
encontrá-lo nesta Repartição, apreendido como adepto do nazismo, quando a sua existência no
mundo foi de cem anos antes, nascido em 1778 e falecido em 1851, denominado Pai da
Ginástica. Nada tinha a ver com a doutrina daquele que deixou o Universo em desorganização,
a sua pátria em perfeito caos. Assim, isentando Vater Jahn da responsabilidade de 5ª colunista,
a devolvo a essa digna Sociedade o busto em referência, para que volte a seu papel digno de
patrono de uma agremiação cujo caráter de brasilidade nunca foi posto em dúvida.
Certamente, seus colegas policiais, poucos anos antes, além de pôr em dúvida a brasilidade da
Sociedade Ginástica Santa Cruz, nada sabia a respeito de Vater Jahn, mandando prendê-lo.
Mesmo que estivesse morto mais que um século antes, admira-se não ter sido destruído o busto,
como foram destruídos tantos papéis, documentos, livros de atas, bibliotecas inteiras... pelo
simples fato de estar numa outra língua, desconhecida dos ignorantes.
Outra distorção da época a entrar no novo milênio é a estatística da Guerra e o engodo
em torno de três grandes holocaustos e genocídios cometidos por três algozes da Humanidade:
1º - 6.000.000 de pessoas teriam sido assassinadas nos campos de concentração por
Adolf Hitler e seus asseclas. Não foram só judeus. Também foram condenados os que tiveram a
ousadia de manifestar-se contra o nazismo. Esse holocausto mereceu vários filmes e livros. É
amplamente recordado.
2º - 15.000.000 ou mais, talvez 20.000.000 de russos Josef Stalin e outros chefes
soviéticos mataram para manter o regime comunista na URSS. Os milhões de mortos na China,
Coréia do Norte, Cuba... não interessa contabilizar, pois os simpatizantes do comunismo
continuam a gozar de muita simpatia. Prestes é visto como herói...
3º - É desconhecida a estatística de populações assassinadas nos últimos dias da guerra,
quando Wiston Churchill mandou seus aviões descarregar o resto de seu arsenal bélico sobre as
cidades alemãs já vencidas, especialmente sobre Dresden. De preferência, as bombas foram
jogadas exatamente sobre as multidões nas estradas, fugindo das cidades e vilas em chamas.
Esse genocídio ninguém comenta... Só os sobreviventes guardam as cenas de terror cometidos
pelos aliados.
Embora houvesse no Brasil retornado o regime democrático, os movimentos de rebeldia
de ordem política foram reprimidos pelo governo de Getúlio Vargas. O Paladino, de 13-3-1937,
informava aos leitores do Vale do Taquari que os presos políticos em São Paulo, desde 1935,
eram em número de 743, por atividades subversivas ou suspeitas de comunismo. Destes foram
postos em liberdade 322, por falta de provas; ultimamente, foram soltos outros 94 detidos; 19
conseguiram evadir-se. Assim 292, cujo processo principiará em breve. Trata-se apenas dos
perseguidos políticos de São Paulo. Muitos destes fatos foram depois esquecidos...
REVOLUÇÃO MILITAR
1961 - 1964
Muito estrelenses lembram o movimento ou Campanha da Legalidade. Jânio Quadros
foi eleito em 3-10-1960 com a esperança de um governo transparente, contra a corrupção e
voltado ao desenvolvimento, como tinha sido quando governador de São Paulo. Entretanto,
chocou as elites com seus bilhetes de ordens, proibição de rinhas de galo e namoro com
ditaduras de esquerda, que fuzilavam os democratas no Paredón e ou os eliminavam nos
campos de concentração.
Depois de sete meses, em 25-8-1961, Jânio assinou mais um bilhete, renunciando o
governo, na expectativa de voltar nos braços do povo, sem as forças ocultas do Congresso, que
lhe era hostil. Como o vice-presidente João Goulart estivesse na China Comunista, assumiu o
governo Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da câmara dos deputados. Enquanto isso, as forças
militares deram o golpe de Estado, impedindo a volta e posse de Jango, como inconvenientes.
Para isso, incontinenti, fecharam as emissoras de rádio e mantiveram os jornais sob censura. De
imediato, seu cunhado Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, reagiu e iniciou a
Campanha da Legalidade. Com a Rádio Guaíba instalada no porão do Palácio Piratini, às
14h20min do dia 27, conclamou o Brasil para resistir ao golpismo militar. Felizmente, o 3º
Exército e a Base Aérea de Canoas se recusaram a bombardear Porto Alegre. Uniram-se com a
Brigada Militar, para manter intacta a Constituição. Apenas o governo de Goiás deu apoio ao
RS. As lideranças e o povo de Estrela também temiam uma revolução sangrenta. João Goulart
tomou posse, em 7-9-1961, encasulado no regime parlamentarista.
Alguns meses depois, num memorável plebiscito, o Parlamentarismo imposto pelos
militares foi rejeitado pelo povo brasileiro, através de 80% dos eleitores. Estrela votou em peso
pelo regime presidencialista.
Na verdade, Jango não tinha preparo para ser presidente da República. Foi incapaz de
conduzir, de forma equilibrada, as necessárias reformas sociais, políticas e econômicas. Sob a
liderança do governador Carlos Lacerda, os mesmos militares completaram o golpe de Estado,
dois anos e meio depois, através da Revolução de 31-3-1964. Jango voou para Porto Alegre,
onde, em vez de Brizola, encontrou Ildo Meneghetti no Piratini. O deputado Brizola e o
presidente Jango preferiram escafeder-se para o Uruguai. Entretanto, em Estrela, não teve
grandes acontecimentos a destacar, dado o caráter pacifista e trabalhador de seu povo. Mesmo
assim, vereadores, políticos, professores e lideranças sentiam-se vigiados por espiões do regime
militar, infiltrados na Polícia Civil, Brigada Militar e na ARENA.
O prefeito municipal Adão Henrique Fett, particular amigo do então governador Engº
Ildo Meneghetti, que visitava Estrela seguidamente, ao estourar a revolução, aconselhou o
governador a sair de Porto Alegre e transferir a sede do governo em local mais seguro,
indicando Passo Fundo, onde havia um quartel da Brigada Militar. O Prefeito pôs à disposição
do governador um veículo da municipalidade, cf Nova Geração, de 31-1-1969. Mais tarde,
recebeu Ildo Meneghetti da parte da Câmara de Vereadores o título de Cidadão Estrelense.
Também alguns militares, policiais civis e políticos da ARENA, espiões disfarçados a
serviço do governo revolucionário, percorriam ruas, escolas e repartições públicas a procura de
subversivos. Os registros de suas atividades constrangedoras, que chegavam às raias do ridículo
e insensatez, continuam denegrindo os arquivos do DOPS e outros órgãos secretos de repressão
militar. Lamentavelmente, muitos anos depois, alguns se apresentaram como vítimas,
exagerando perseguições políticas, alegando torturas, para obter polpudas indenizações, pagas
pelo bolso do contribuinte. Se fossem indenizadas todas as vítimas de ditaduras passadas...
EDUCAÇÃO
E CULTURA
De terceiro município gaúcho mais alfabetizado, já em 1890, Estrela passou para a
primeira posição, em poucos ano
s. Por várias décadas, ostentou a honra de ser o município mais alfabetizado do Brasil.
Estrela, desde há muito, ocupa o 1º lugar nas estatísticas, como o município do Brasil que o
menor número de analfabetos possui - escreveu Rumara, Rudolfo Maria Rath, cf O Paladino,
de 8-7-1939. Com a emancipação de Teutônia, essa posição vem se alternando com Estrela,
Arroio do Meio e outros, como Westfália.
Esta construção tem sua história. Em sua base está a escola comunitária.
Cada pequena linha colonial tinha a sua "aula". Os pais prestigiavam a sua escola e o
seu professor. A família fazia questão da freqüência dos filhos na escola, acompanhando e
cobrando, diariamente, as lições de casa.
Não há documento que comprove a existência de alguma escola na fase do povoamento da
região. Instalado município em 3-12-1849, a Câmara de Vereadores de Taquari, pelo Of. 35,
informou à Presidência da Província o estado das Aulas Públicas de instrução primária. Não
existia. Nas sedes das fazendas não havia escola. Os filhos dos fazendeiros recebiam as primeiras
instruções escolares em seus próprios sobrados. Sabe-se, por exemplo, que o tenente-coronel
Francisco Matias de Souza e Ávila, fundador da Fazenda Chico Matias, na margem direita do arroio
Capivara, era um homem letrado. Mantinha uma rica biblioteca em seu palacete. Quem quisesse
prosseguir nos estudos, devia matricular-se no colégio particular de Leandro Ribeiro, em Taquari
ou mesmo em Porto Alegre.
Em Taquari, em 1850, professor Manuel de Azambuja Cidade dava aulas de primeiras
letras em escola do sexo masculino, freqüentada por 60 alunos.
Como não nos chegaram registros mais detalhados sobre o ensino, nada se sabe quanto à
iniciativa privada dos primeiros imigrantes alemães em Taquari, a partir de 1834 e, mais
fortemente, a partir de 1849. Esmagadora minoria, de imediato aculturaram-se os teuto-brasileiros.
Freqüentaram as aulas oferecidas à população da vila. Por isso, quase todos desaprenderam a língua
alemã, com relativa rapidez.
Ao se resgatar a história da Educação em Estrela, desde os seus primórdios, é que mais se
realça uma realidade que caracteriza a região do Vale do Taquari: as soluções dos problemas são
encontradas e resolvidas pelas próprias lideranças, em conjunto, buscando o bem comum da
comunidade. Nem havia como esperar do governo imperial ou provincial a abertura das primeiras
estradas, a construção das primeiras pontes, portos, maxambombas, barcos... As comunidades
construíam suas escolas e colégios, capelas e igrejas, hotéis-hospitais... Sem que houvesse sistema
de educação, rede escolar específica, didática e pedagogia, as comunidades se reuniam para
enfrentar, com rapidez e decisão unânime, o problema do ensino para os filhos. Alguém alugava
uma sala, o melhor elemento era escolhido como professor e as crianças aprendiam a ler, escrever,
fazer contas... Não nos restaram cadernos de chamada, relatórios e atas escolares... As escolas
comunitárias exerceram um papel histórico no Vale do Taquari.
Já que não é possível resgatar toda a história da educação, para se ter uma visão de
conjunto, nada melhor que detalhar um determinado momento, sempre fundamentado em
documentos.
Primeiras escolas particulares
Para que Estrela fosse o município mais alfabetizado do Brasil, o ensino particular teve
um papel de vital importância. No decorrer dos anos, seu caráter é confessional, competitivo e, de
certa forma, também elitista.
A mais antiga escola particular no antigo território de Estrela é a de Canabarro, em 1869,
junto à casa comercial de Carlos Emílio Arnt, o segundo diretor da Colônia de Teutônia. Vindo
especialmente da Alemanha para lecionar, Ernst Jahnfrüchter foi lá professor e pastor leigo, abrindo
uma escola também em Languiru, no ano seguinte. Ao regressar, em 1873, para a Alemanha, foi
substituído pelo pastor Ferdinand Häuser. São informações de Friedhold Altmann, de saudosa
memória.
Assim, vamos tentar apresentar um quadro histórico das escolas comunitárias mais antigas
de Estrela, com datas de fundação e nomes de professores também mais antigos:
Canabarro - Escola Evangélica - em 1869 - Ernst Jahnfrüchter
Languiru - Escola Evangélica - em 1870 - Ernst Jahnfrüchter
Frank - Associação Escolar Júlio de Castilhos - em 2-9-1872
Estrela - Escola Paroquial S. Luís - em 1875 - Jacó Loschieder
Harmonia - Escola comunitária - em 1875 - Jorge Pedro Behm
Bismarck - Escola comunitária – em 1879 – Reinaldo Hennig
Silveira Martins - E. comunitária - 1882 – Frederico Guilherme Feldmann
Delfina - Escola comunitária - ? - Pedro Jorge Schmidt
Harmonia - Escola comunitária - 05-01-1882 - Emílio Thies
P. Schmidt - Escola comunitária - 23-09-1883 - Henrique Driemeyer
P. Welp - Escola comunitária - 1886 - Guilherme Hasenack Fº
Novo Paraíso - Escola comunitária - 1888 - Júlio Junge
P. Lenz - Escola comunitária - 1896 - Matias Sulzbach
São Jacó - Associação Escolar São Jacó - 1896
Arroio do Ouro - Escola comunitária – 1897 - Augusto Engel
Arroio da Seca - Associação Escolar 7 de Setembro - 13-2-1897
P. Catarina - Escola comunitária - 01-04-1898 - Adolfo H. Hetzel
Estrela - Escola Santo Antônio - 11-01-1898 - Irmã Jacinta Tiedig
Linha Glória - Escola comunitária - 1905 - Pedro Braun
Estrela - Escola Evangélica - 1906 - Pastor Imanuel Haetinger
São Jacó - Escola comunitária - 1908 - Henrique Brockmann
Capivara - Escola comunitária - 02-01-1910 - Adolfo H. Hetzel
Beija Flor - E. comunitária -27-01-1913 - Luís Kern ? Evaldo Kuhn
Borges de Medeiros - E. comunitária - 1915 – Reinaldo Schnack
B. Boa Vista - Escola comunitária - 17-01-1921 – Teobaldo Hoss
No decorrer dos primeiros 9 anos de administração municipal de Estrela, no vasto território
do distrito de Lajeado, houve também uma notável preocupação para com a educação, incentivada
pela iniciativa privada. Para o seu resgate, por mais interessante e merecido que seja, não há espaço
e tempo para a busca neste livro.
No rol dos eleitores de Estrela, em 1890, havia 18 professores. Na margem esquerda do
Taquari, além dos já mencionados professores pioneiros, foram eleitores, também os seguintes
educadores: João Mildner, Alberto Kuyot, Maximiliano Beutler, Cristiano João Schmidt, Curt
Niemeier, Frederico Schultz, Walter Raabe, Hugo Wetzel e Henrique Winkelmann. Naturalmente,
como a mulher não podia votar, não constam os nomes das professoras.
Segundo o Recenseamento de 1890, havia no Rio Grande do Sul 723.179 habitantes, sendo
412.809 analfabetos, o que representava 57%. Dos 51 municípios existentes, Estrela contava com
22.762 habitantes, dos quais 11.598 analfabetos, o que representava 50.9%. Infelizmente, nesse
percentual estão incluídas as crianças de 0 a 8 anos.
No acima citado Livro para o registro do professorado de Estrela, havia ainda a rede de
Aulas particulares subvencionadas pelo governo municipal em 1916, com o compromisso de
ensinar em português, num total de 20 escolas e matrícula de alunos, no 2° trimestre:
Na sede: Colégio S. Antônio, na R. Coronel Flores, com 100 alunas.
Colégio S. Luís, na R. Júlio de Castilhos, com 42 meninos.
Colégio Evangélico (misto), na R. Pinheiro Machado, com 41.
No 1° distrito: na picada Geraldo: Adolfo Bacumer: 35.
Em Arroio do Ouro: Augusto Engel, com 40.
Em Santa Rita: João Schmidt, com 40.
Em Novo Paraíso: Júlio Junge, com 38.
Em Novo Paraíso: Matias Sulzbach, com 26.
Na picada Wink: Pedro Paulo Mörschbächer, com 38
Na linha Glória: Pedro Braun, com 32.
Na linha Major Bandeira: Rodolfo Beutler, com 21.
No 2° distrito (Teutônia): na Boa Vista: Alfonso Rost, com 40.
Na picada Harmonia: Emílio Thies, com 16.
Na picada Schmidt: Guilherme Sommer, com 38.
No 3° distrito: em Roca Sales: Paulina Rech, com 31.
Na Serrinha: Germano Bücker, com 31.
Na Fazenda Lohmann: Com. Evan. (1917: Johannes Antonius): 59.
No 4° distrito, em Corvo: Pedro Reinaldo Bohn, com36.
Na linha Beija Flores: Emílio Dhein: 20.
Na linha Poço: Reinaldo Erlekamph, com 19 alunos.
O incrível, à primeira vista, é a relação, a seguir, de escolas ou aulas particulares existentes
no município em 1916, sem receber subvenções, por não lecionarem português, nem em português,
isto é, ensinavam tudo em alemão, mesmo a História do Brasil:
No 1° distrito, em S. Jacó: Henrique Brockmann, com 32 alunos.
No 2° distrito: em Glückauf: Guilherme Eckel, com 25.
Na picada Boa Vista (Teutônia): Artur Rössler, com 26.
Em Leopoldina, na linha Welp: Carlos Winckel: total de 79.
Na picada Clara: Alfredo Rex: com 28 alunos.
Na picada Clara: Carlos Zimmermann: com 53.
Na picada Krupp: Guilherme Feldmann Sobrinho, com 33.
Na picada Schmidt: Henrique Driemeyer, com 75.
Na picada Berlim: Henrique Sommer, com 35.
Na picada Harmonia: Jorge Pedro Behm, com 36.
Na picada Capivara: Adolfo H. Hetzel, com 24 alunos.
Atualmente, em Estrela subsistiram apenas duas escolas particulares, cujos históricos estão
amplamente no Dicionário:
Colégio Santo Antônio
Colégio Martin Luther.
A iniciativa privada também atua na área da formação profissional do jovem, seja no ensino
de língua estrangeiras, seja na qualificação profissional, especialmente na área da Informática. As
entidades interessadas em constar no Dicionário deverão remeter os dados ao autor deste livro.
Em 9-5-2002, no Estrela Palace Hotel, foi realizada a formatura da primeira turma de 12
alunos do Projeto Pescar. As aulas profissionalizantes foram ministradas por voluntários da
empresa, que acompanha os alunos na sua colocação no mercado de trabalho. A Fundação Pescar
existe ha 25 anos e está presente em cinco estados brasileiros. A cada ano são formados 1,2 mil
alunos e 70% são colocados no mercado de trabalho. "A filosofia deste projeto é não dar o peixe
e, sim, ensinar a pescar" - cf O Informativo, de 10-5-2002.
Escolas estaduais
Não deixa de ser interessante inserir na história da Educação Pública do Rio Grande do
Sul a evolução ocorrida em Estrela. A mais distante data e fato, no RS, está na provisão régia de
17-7-1770, época em que iniciava o povoamento de Taquari, quando Manuel Simões Xavier foi
autorizado, em Porto Alegre, a ensinar a ler, escrever e contar - cf O Paladino, de 24-5-1930.
Contar aqui é o exercício da aritmética. - Nos anos de 1770 a 1779 ensinavam aquelas matérias
ali os professores Tomás Luís Osório, José da Silva Braga e Manuel da Silva Castro. No
começo do ano de 1800, foram afixadas nas esquinas das antigas ruas Formosa (hoje Duque de
Caxias) e da Graça (ora Andradas) da cidade de Porto Alegre, cartazes onde se lia o seguinte
aviso:
"Antônio d' Ávila, recém chegado a este continente, participa ao público que vai abrir
na rua da Ponte, perto da ponte, uma escola para ensinar a ler, escrever e contar, e doutrina
cristã. As pessoas que quiserem se aproveitar do seu préstimo podem trazer os seus filhos para
a dita escola".
A fim de obter-se recurso para manter o professorado, estabeleceu-se, por Decisão n.º
24, de 24-11-1813, na capitania de S. Pedro do Rio Grande do Sul, o subsídio literário, sendo
isento deste imposto o gado que se cortasse para salgar e secar.
Um decênio depois, veio a imigração alemã, a partir de 1824, e com ela, o ensino nas
colônias, de iniciativa totalmente privada. Quanto ao secundário, a data de 1846, a primeira
despesa de 22:461$829 autorizada por lei provincial, com a construção do Atheneu RioGrandense. Nesse meio tempo, Taquari estava se emancipando, em 1849. No dito Ateneu
funcionavam o Externato, a Diretoria da Instrução Pública (entenda-se hoje a SEC), as aulas
da Instrução Secundária, a Escola Normal mista e a escola das Primeiras Letras. Nesse
contexto, pobre em educação, surgiram as colônias no Vale do Taquari, onde a educação estava
à mercê dos próprios colonos, fato que os "nacionalistas" nunca souberam reconhecer.
Sua história inicia com o art. 30 da Lei Provincial n.º 771, de 4-5-1871, que criou uma aula
do sexo masculino, a qual foi localizada, por Ato de 30 de setembro, na povoação de Estrela,
instalada em 30-9-1871.
O governo provincial, pela Lei n.º 909, de 30-4-1873, criou aulas do sexo masculino em
Teutônia (Languiru?), em Conventos (em São José dos Conventos, atual bairro de Conventos ?, ou
Santo Inácio dos Conventos, atual cidade de Lajeado ?), em Novo Paraíso e uma escola do sexo
feminino no povoado de Estrela., cedendo Antônio Vitor de Sampaio Mena Barreto uma sala do seu
sobrado para essa escola.
Na falta de documentos, que nos forneçam nomes anteriores, o primeiro professor público
em Estrela, em 1873, foi Adolfo Marder, talvez por indicação dos jesuítas. Por ter batido demais em
dois alunos, foi suspenso, em 1876, transferindo-se para Arroio do Meio, substituído por Sebastião
Amoretti (notabilizou-se em Taquara, onde é lembrado com nome de avenida), até 1879, ao assumir
Nicolau Müssnich. Este ainda lá estava em 1890.
Na véspera da instalação do município de Estrela, pelo Ato n.º 28, de 20-2-1882, o governo
provincial organizou o plano para a distribuição das escolas públicas de instrução primária da
Província, que contava com 286 aulas públicas do sexo masculino e mistas e (apenas) 100 do sexo
feminino. Na vila de Estrela, Nicolau Müssnich encontrou sua aula masculina só com 5 cadeiras e
classes. Na Barra do Arroio do Meio, lecionava Adolfo Marder; na picada S. José dos Conventos,
Adão Aloysio Rockenbach; em Novo Paraíso, Matias Becker; em Lajeado, Branca da Costa Bard;
em Arroio do Ouro, Jacó Loschiedel. Em Teutônia, Henrique Alves Bastos encontrou a escola sem
móveis. A escola estadual de Roca Sales foi criada em 30-4-1884, pela Lei n.º 1.445.
Segundo o Quadro demonstrativo das aulas públicas do Estado, havia em Estrela, em
1895, 6 professores estaduais, sendo 1 efetivo, 3 interinos normalistas e 2 interinos nãonormalistas. Lajeado contava com 9 professores, dos quais 3 efetivos e 6 interinos nãonormalistas.
De acordo com o Quadro demonstrativo do movimento das escolas públicas do Estado
no ano de 1902, em Estrela havia 12 escolas estaduais, sendo 4 masculinas, 1 feminina e 7
mistas. Seus 12 professores, dos quais 8 efetivos, atendiam o total de 291 alunos, sendo 231
meninos e só 60 meninas. A média, pois, era de 24.2 alunos por professor. Na 3ª região, a média
era de 40.5 alunos por professor. Para comparar, em Lajeado havia 18 escolas, com 695 alunos
para 18 professores, o que dava a média de 38 alunos por professor.
O quadro escolar, em 1912, apresentava os seguintes dados, em Estrela:
Nas escolas públicas: 556 alunos (321 m e 235 f) = 21,4%
Nas escolas municipais: 131 alunos ( 116 m e 15 f) = 5,1
Nas escolas subvencionadas: 83 alunos (43 m e 40 f) = 3,1%
Nas escolas particulares: 1828 alunos (924 m e 904 f) = 70,4%
Do total geral de 2.598 alunos, chegamos a duas conclusões: apenas uma quarta parte
dos alunos estudavam em escolas mantidas pelo governo. Havia percentagem mais alta (54%)
de meninos nas escolas e índice menor de meninas (46%).
No Livro para o registro do professorado de Estrela, aberto em 30-6-1916, pelo
intendente Manuel Ribeiro Pontes Filho, encontramos documentado o funcionamento de 4
escolas estaduais mistas (i. é, masculino e feminino) na Vila de Estrela, com 185 alunos e as
seguintes professoras e endereços:
Idalina Porto, na Rua Coronel Flores, com 63 alunos.
Diva Rosa de Azambuja, na Rua Tiradentes, com 70.
Josefina de Azevedo Flores, nos subúrbios da vila, com 22.
Maria da Glória Teixeira de Melo, na Chacrinha, com 30.
As duas primeiras escolas isoladas foram transformadas em um Grupo Escolar, sob a
direção da professora Rita Ribeiro de Almeida, com 225 alunos matriculados, hoje Escola
Estadual Vidal de Negreiros. As duas últimas escolas foram removidas para Costão e
Taquari, respectivamente, no ano seguinte. A escola da Chacrinha do Norte voltou a
funcionar, em 1924, com 19 alunos, sob a regência de Josefina Azevedo Flores, transferida de
Costão.
Ainda em 1916, davam aulas em escolas estaduais, no interior de Estrela:
Luís Kern, em Beija Flor, com 38 alunos. Em 1917, foi removido para São Jacó, e, em
1919, para Tupanciretã.
Pedro Emanuel Simon prelecionava em Corvo, com 29 alunos. Fechando sua escola,
em 1917, foi dar aulas no 1º semestre na sede de Roca Sales, com 71 alunos, transferido para
Caçapava, fechando a escola.
Luís Bernardo Buss, nomeado em 1917 para a escola de Languiru, com 30 alunos, teve
que mudar-se para Canabarro, em 1919. Faleceu, no 4º trimestre de 1922.
Não era fácil entender a rede escolar vigente em Estrela, segundo a Mensagem
Intendencial do intendente Pontes Filho, em 12-10-1921, ao Conselho Municipal: a difusão da
instrução primária em Estrela era feita por um “Grupo Escolar” e três aulas isoladas, mantidas
pelo Estado, 13 federais contratadas, 21 municipais, sendo 8 custeadas pelo município e 13
subvencionadas pelo Estado, e mais 34 particulares, das quais 10 são subvencionadas pela
Municipalidade, entre estas os três colégios da vila – o denominado Santo Antônio, dirigido
pelas revdas. Irmãs Franciscanas, mantendo seus créditos de boa fama, o não menos
acreditado Colégio Evangélico, dirigido pelo conceituado Pastor Ernesto Dietschi e o
(Colégio) Paroquial (São Luís), dirigido pelo competente e esforçado professor Rudi Schaeffer.
A 3ª Coordenadoria Regional de Educação, em 16-5-2002 ainda não tinha condições de
fornecer dados atualizados, por isso, em 2001, havia em Estrela as seguintes Escolas Estaduais,
com seu nº de matrículas e respectivas diretoras:
E. E. de Educação Básica Nicolau Müssnich: 1.272 - Maria Elenita V. Sulzbach
E. E. de Ensino Fundamental Vidal de Negreiros: 852 - Marlei Teresinha S. Heemann
E. E. de Ensino Fundamental de Moinhos: 280 - Mara Rúbia Werle
E. E. de Ensino Fundamental Pedro Braun: 112 - Ione Friedrich Bergmann
E. E. de Ensino Fundamental Madre Branca: 125 - Ana Virgínia Brentano
E. E. de Ensino Fundamental Costão: 12 - Maria Isabel Crestani
E. E. de Ensino Fundamental 20 de Maio: 275 - Denice Moraes Wiebbelling
E. E. de Ensino Fundamental Guido Inácio Gregory: 8 - Silvane Lopes
E. E. de Ensino Médio Estrela: 672 - Maria Isabel Knaack
Centro Interescolar de Estrela: 839 - Dulcira Weiler Miralles
Instituto Estadual de Educação Estrela da Manhã: 228 - Denise Closs
Conjunto Educacional de Ensino Médio de Estrela: Vyvian Ceres Tams.
O Centro Interescolar de Estrela é a Escola de Educação Profissional, com alunos
matriculados em outras escolas. O Conjunto Educacional de Ensino Médio de Estrela é uma
proposta alternativa, que não teve alunos em 2001.
Este total de 4.675 estudantes dá a média de 425 por educandário.
Escolas municipais
Segundo o mesmo acima mencionado Livro para registro do professorado de Estrela de
1916, havia uma outra rede de escolas em Estrela: 19 Aulas públicas subvencionadas pelos
governos do Estado e do Município, com o respectivo professor e o total de 736 alunos
matriculados:
No 1° distrito: em Arroio do Ouro: Olinda Simioni (Oppermann, desde 1920), com
35 alunos.
Em linha Glória: Francisca Mena Barreto, com 29.
Em Figueira: Idalina Aurora Lourenço, com 15.
Em Posses: Júlia de Morais Camargo, com 32.
Em Boa Vista: Frieda Scheeren, com 48 alunos.
No 2° distrito: na picada Germano: Arved Mazenbacher, com 45.
Na picada Catarina: Adolfo H. Hetzel, com 40.
Na picada Welp: Guilherme Hasenack Filho, com 51.
No 3° distrito: em Roca Sales: Lia de Figueiredo e Silva, com 40.
Na linha 31 de Outubro: José Langen, com 33.
Na linha Marechal Hermes: Regina Verônica Michelon, com 28.
Na linha João Abbott: Alcina da Costa Leite, com 33.
Na Bento Gonçalves: Laurentina da Costa Leite, com 36.
Na linha Marechal Floriano: Pedro Gundi, com 52.
Na linha Fernando Abbott: Maria Glória Thomson Freitas, com 14.
Na linha Júlio de Castilhos: Alberto Schmitz, com 80.
Na linha Marechal Floriano: Elmira Junqueira, com 38.
No 4° distrito: na Ernesto Alves: Matilde Rohde, com 68.
Na linha Parobé: Olímpio Pinto Fernandes, com19 alunos.
Com a supressão das aulas de Roca Sales e Parobé, no ano seguinte, foram criadas escolas
novas:
Em 1917, Júlia de Morais Camargo, transferida para Costão, com 15 alunas, por abandono
de cargo, foi exonerada. Também Elmira Junqueira e Lia de Figueiredo e Silva pediram
exoneração.
Ainda em 1917, tiveram início as aulas municipais: em Arroio da Seca, com Olímpio Pinto
Fernandes, com 26 alunos; na linha Bento Gonçalves, com Maria Manuela Thompson Freitas, 18
alunos e na linha Clara, Arnoldo Frederico Knewitz, com 63 alunos.
A cada ano ocorriam alterações, o que seria enfadonho registrar tudo aqui, mas pode ser
interessante para cada localidade, individualmente.
Deve ser mencionada a notícia, divulgada pelo semanário O Alto Taquary, de 29-1-1905,
segundo a qual o intendente de Estrela, Francisco Ferreira de Brito, havia fundada a Escola
Agrícola "Previdência", destinada a preparar abegões, ou agentes agrícolas. Se por abegão se
entender "feitor de propriedade" rural, pode se identificar o formando de tal escola
profissionalizante como um técnico agrícola. Com duração de 5 anos, os primeiros 2 estavam
destinados ao ensino das disciplinas preparatórias e 3 para o das superiores, com trabalhos
práticos em campo de demonstração. Certamente, por falta de professores, o projeto foi ousado
demais para a época. Mas, houve a preocupação e a tentativa. Faltou ver o projeto como um
investimento, e não mera despesa no orçamento...
Com um total de 1.824 estudantes, numa média de 202,6 por escola, Estrela mantém as
seguintes Escolas Municipais de Ensino Fundamental, com seus respectivos diretores, séries e
número de alunos, em 1-6-2002:
- E M E F Odilo Afonso Thomé: Lisete Mallmann, do Jardim à oitava e 435 alunos
- E M E F Leo Joas: Maria Laíre de Ávila, do pré à 8ª e 489 alunos
- E M E F Pedro Jorge Schmidt: Elaine Schmidt, do pré à 8ª e 237 alunos
- E M E F Arnaldo José Diel: Ana Cristina Mollmann, do pré à 8ª e 201 alunos
- E M E F Arroio do Ouro: Rosângela Landmeier, do pré à 4ª e 36 alunos
- E M E F La Salle: Gislaine Teresinha Hauschild, do pré à 4ª e 56 alunos
- E M E F Sen. Pinheiro Machado: Maria Cristina W. Mallmann, pré à 4ª e 45 alunos
- E M E F José Bonifácio: Marguite Prediger Heemann, do pré à 8ª e 181 alunos
- E M E F Profª Ruth Markus Huber: do pré do pré à 4ª e 144 alunos
- E M E F Cônego Sereno Hugo Volkmer: inicia em 2003.
Atendendo o total de 868 crianças, numa média 86.8 por creche, o município mantém as
seguintes Escolas Municipais de Educação Infantil, com suas respectivas diretoras e número de
crianças, em 1-6-2002:
- E M E I Arco-Íris: Marisa Gorgen, com 137 crianças
- E M E I Casa da Criança Estrelense: Márcia Inês Wickert, com 143 crianças
- E M E I Criança Feliz: Débora Dornelles, com 66 crianças
- E M E I Estrelinha: Geni Bilhar da Silva, com 173 crianças
- E M E I Girassol: Cleonice Fiegenbaun, com 94 crianças
- E M E I Paraíso: Adriana Schardong, com 66 crianças
- E M E I Pingo de Gente: Janete Inês Birck da Silva, com 36 crianças
- E M E I Cantinho do Lar: Janete Inês Birck da Silva, com 46 crianças
- E M E I Raio de Sol: Loiva Scheeren, com 59 crianças
- E M E I São João: Carina Locatelli, com 48
Da iniciativa privada e comunitária, Estrela conta com o Centro Social Colméia. A Creche
Particular Castelo Encantado foi desativada.
Cada uma das unidades acima mencionadas, são verbetes no Dicionário.
Desde 1-1-2001 como secretária de Educação e Cultura e Turismo, professora Cláudia
Argiles da Costa informou aos Vereadores na Câmara, na reunião de 6-8-2001, que sua pasta busca
um construir em conjunto, para fazer um aprender e ensinar. Além de 1.837 alunos matriculados
na rede de ensino municipal, são atendidas 911 crianças nas 10 creches que estão subordinadas à
Secretaria de Educação. O Centro Municipal de Atendimento Integrado (Cemai), que atua como
escola integral, atende 180 crianças até14 anos, além de mais 60 que fazem parte da guarda-mirim
- cf a Folha Popular, de 11-8-2001. Assim, os números diminuíram muito pouco, segundo dados
de meados de 2002.
A educação ambiental nas escolas municipais é outra preocupação da municipalidade, cf O
Informativo, no Suplemento Meio Ambiente, de 15-10-2001, onde se destacam as escolas
Senador Pinheiro, Pedro Jorge Schmidt e Leo Joas.
Aulas federais
Para os nossos dias, muito estranho pode parecer o que consta no citado Livro para registro
do professorado de Estrela de 1916, consigna 13 aulas federais contratadas pelo Estado, conforme
Portarias datadas de 10 de abril de 1919. É um conjunto de escolas municipais que recebiam
subvenções do Governo Federal. Todas as escolas iniciaram entre os dias 1º a 12 de maio de 1919,
nas seguintes localidades, nomes de professores e número total de 367 alunos matriculados:
No 1º distrito: S. João do Bom Retiro: Catarina Elisabeta Hermann, com 24.
Em Novo Paraíso: Elfrida Alves de Morais Bergel, com 35.
Em Posses: Fernandina Freitas, com 33
Na Glória: Francisca Mena Barreto: com 26.
Na Delfina: Gabriel Fischer, com 32.
No Bairro União: Joaquina de Azevedo Porto, com 27.
Na Figueira: Juliana Pontes, com 20.
No 3º distrito: na Marechal Floriano: Alcina da Costa Leite, com 47.
Na Fernando Abbott: Maria Manuela Thompson Freitas: 26.
Na linha Nova: Maria Carolina Peres, com 16
No 4º distrito: em Beija Flor: Judite Porto, com 34.
Em Corvo: Leocádia Cardoso, com 22
Na Seca Rica: Maria Paraná Hessel, com 25 alunos.
Em 1923, foi criada também a aula federal na linha Borges de Medeiros, em Roca Sales,
onde, em 23-10-1923, foi empossada Maria Olímpia Maioli, com 17 alunos. A escola foi removida
para Roca Sales, no ano seguinte, com 37 alunos. Em 1924, Gabriel Fischer foi exonerado em maio
e Adolfina Fischer, nomeada para a escola da Vila Zimmermann, em Teutônia, com 19 alunos, e
substituída, em 1-4-1925, por Idalina Lourenço, vindo Adolfina Fischer para Novo Paraíso.
A aula federal de Corvo fechou com 14 alunos, no 3º trimestre de 1924. Com a extinção da
escola de Novo Paraíso, reabriu em 1928 a de Corvo, para onde foi transferida Maria Paraná
Hessel, mãe de Lothar Hessel, substituída por Adolfina Fischer, na Seca Rica.
Em 1929, as aulas federais não se encontram mais relacionadas no citado livro de registros.
Onde estarão suas demais fontes primárias de pesquisa?
Investimentos
É deveras interessante observar o investimento feito pela municipalidade em educação, no
decorrer da história. Examinando-se o orçamento de receita e despesa, para o exercício de 1922,
num total de 205:000$000, observa-se que, para a Instrução Primária estão destinados 11:300$000
o que corresponde a 5.5%, um pouco mais que o Estado aplicou no ensino do RS (5.3%), no ano
seguinte, gastando 4.374:152$931 em Instrução pública, havendo a despesa total de
82.001:367$477.
Os investimentos em Educação abrangiam várias áreas, mesmo a alimentação de alunos
carentes. A primeira vez que se documenta essa preocupação é a Cruzada Pró Sopa Escolar - cf O
Paladino, de 7-10-1939 - uma patriótica iniciativa do governo do estado, comovem acontecendo
em todo o Estado. O prefeito Edmundo Alfredo Steyer convocou lideranças e autoridades, em 5-101939, para executar o projeto. Ele mesmo assumiu a presidência da comissão, convocando para dois
dias depois os presidentes das sociedades locais, entidades de classe, padres e pastores, a fim de
conjugar esforços de todos para um feliz êxito de tão nobre iniciativa. No dia marcado,
compareceram os convidados, várias senhoras e professoras, sendo fundada a Sociedade Estrelense
de Amparo à Infância Escolar. A cidade foi dividida em 4 zonas, sendo percorridas por voluntárias,
a fim de angariar contribuições para o fundo destinado à Sopa Escolar.
No decorrer dos anos, os investimentos para a Educação foram aumentando, chegando a
ultrapassar os 30%, em 2000. O projeto do Orçamento 2001 fixa em 31,66% o investimento em
educação.
Conselho Escolar
Já na década de 1920, o intendente de Estrela, Manuel Ribeiro Pontes Filho criou o
Conselho Escolar, com representantes da vila e de cada distrito, para se assessorar nas decisões em
assuntos relacionados à educação. Estava convencido de que administrar as escolas públicas era
lidar com um inconfundível elemento eminentemente político, mas não partidário, pois que a
instrução deve ser difundida, indistintamente, como praticam os governos orientados, julgamos
oportuna e inadiável a resolução a ser tomada pelo ilustre conselho escolar local, apresentando
em tempo a quem de direito, um plano de uma nova localização a determinadas escolas federais,
transferindo a outros pontos por falta de alunos, segundo o decreto n.º 13.014, de 4-5-1918 – cf O
Paladino, 30-10-1921.
O Conselho Escolar era o precursor do atual Conselho Municipal de Educação.
Conforme a mesma edição do jornal, estava assim composto:
Luís Guedes da Fontoura – presidente
André. M. Mallmann - vice-presidente
Manuel P. de Miranda – membro do 1º distrito
Henrique Beckmann – membro do 2º distrito
Napoleão Maioli Primo – Membro do 3º distrito
Francisco de Azambuja – Membro do 4º distrito
Roberto Pilz – Membro do 5º distrito
Como se vê, o Conselho escolar estava bem representado, pois Luís Guedes da Fontoura
era juiz distrital. André Marcolino Mallmann, era presidente do poder legislativo. Manuel Pereira
de Miranda era coletor federal. Os demais membros representavam e conheciam os problemas
escolares de seus respectivos distritos.
Campanha nacionalista
Noutro capítulo deste livro está descrita a campanha nacionalista. Seu objetivo nas
escolas foi o ensino da língua vernácula. Havia escolas no interior onde não se ensinava nada
em língua portuguesa, em flagrante desrespeito à nova Pátria que adotaram.
Com a manchete Fechadas três escolas particulares neste município, O Paladino, de 36-1939, noticiou o fato por não corresponderem à Lei de Nacionalização. Tratava-se dos
professores e diretores M. Reinoldo Antoni e Walter Kahlmann, no distrito de Languiru e João
Antonius, no distrito de Teutônia. Um dos professores declarou ser estrangeiro, bem como sua
mulher e tinha registrado os seus filhos no consulado alemão. O acinte de suas declarações,
como que desprezando os demais imigrantes alemães ou seus descendentes que registravam
seus filhos em cartórios brasileiros, é o que irritava as autoridades.
Curso ginasial
Na medida que os estudantes completavam o curso primário, somente algumas famílias
tinham condições de dar continuidade ao estudo dos filhos. O ensino médio e superior podiam ser
cursados somente em cidades maiores, mormente em Porto Alegre, um privilégio para poucos. O
próprio Estado precisava e precisa ser cutucado pela iniciativa privada para oferecer melhores
condições na qualidade do ensino público e comunitário. Merece ser destacada a atuação de Otelo
Rosa, montenegrino de nascimento, mas que passou seus primeiros anos em Estrela, Lajeado e
Taquari. Também prosseguiu seus estudos em Porto Alegre e chegou a ser o primeiro titular da
Secretaria Estadual de Saúde e Educação, criada em 1935. Dois anos depois, foi criado o Conselho
Estadual de Educação, dando condições para a renovação que marcou profundamente a nova etapa
da educação no Rio Grande do Sul. Pela primeira vez o Estado enfrentava o problema da educação,
dentro de um planejamento orgânico, com diretrizes definidas. No programa constava também a
formação, atualização e dignificação do professor.
A primeira menção de um Ginásio em Estrela encontramos depois da Revolução de
1930. Em 1-5-1931, na sede do Centro Republicano "Getúlio Vargas", os membros da Junta
Revolucionária, da Liga Pró-Revolucionários de Estrela, extintos, e o representante da Cruz
Vermelha, sob a presidência do prefeito Augusto F. Markus, reuniram-se lideranças para tratar
de um projeto da construção de um ginásio. Helmuth Fett, presidente da extinta Junta
Revolucionária disse que promovera aquela reunião, a fim de se deliberar sobre assuntos de
vital interesse para Estrela. Disse que o prefeito lembrou, há dias, a construção nesta vila ou
nas suas imediações, de um edifício para um Ginásio, com apoio moral e material do Estado,
do Município e da população do Alto Taquari cf O Paladino, de 2-5-1931. - Helmuth Fett
explicou, então, que foram angariadas quantias num total superior a vinte contos de réis
durante o período revolucionário e que não tendo sido as mesmas dada aplicação, se lembrara
que seriam essas quantias bem aplicadas revertendo em benefício da construção do Ginásio.
Submetida a idéia à apreciação dos presentes, foi ela unanimemente aplaudida.
Fazer bem o curso primário e a complementação profissionalizante, com duração em torno
de 7 anos, era o máximo que por décadas existia em Estrela. E com isso várias famílias tradicionais
de Estrela se contentavam. Estudar mais, lutar pelo prosseguimento dos estudos dos filhos no
ensino médio e superior, não lhes parecia tão importante. Contentavam-se com o que havia, da
melhor forma possível. Mais não precisava...
Esta mentalidade, com os anos, foi alterando. Um dos fatores de alteração era a
miscigenação racial. Vale citar como exemplo Nilo Ruschel. Prosseguiu seus estudos em Porto
Alegre, mais por influência do lado materno, de etnia luso-brasileira, da família Miranda.
Interessante é um levantamento feito por Rumara cf O Paladino, de 8-7-1939: No decorrer da
semana que hoje se finda, regressaram à capital do Estado, a fim de reencetar os estudos, os
seguintes jovens: Osmar Markus, Hugo Musskopf, Herbert Sommer, Kurt Siepmann, Lothário M.
Musskopf, Bruno Markus, Dagoberto Snel, Fábio Azambuja, Sírio Siepmann, Hariberto Snel,
Olavo Gewehr, Thelmo Horn, Adalberto Snel, S. Abech, Arno Markus, Danilo Horn, Nóbile
Orlandini, José Azambuja, Gastão Müssnich, Nivaldo Saraiva, Marno Bosse, Bruno Beckmann, Ivo
Wiebusch, Darci Azambuja, Vera Dexheimer, Ilda Dexheimer, Eunice Lopes, Ruth Smid, Ceres
Lopes, Flávia Ohlweiler, Clélia Rocha, Dolores Vier, Edith Müssnich. Estes 33 jovens, como
outros anteriores e muitos outros, posteriormente, tinham que encontrar em Porto Alegre pensão e
moradia, pois cada viagem de vapor demorava em torno de 10 horas. A maioria só retornava aos
lares nas férias de verão e de inverno.
Representada na ordem numérica sua antigüidade e importância, a 3ª Delegacia de
Educação foi criada pelo Decreto Estadual n.º 7.641, de 28-12-1938, sendo seu primeiro titular o
professor e jornalista Júlio Ruas. Em 1941, a sede foi transferida de Taquari para Estrela, com área
de atuação em 28 municípios da região. Através do Decreto 40.360, assinado em 17-10-2000 pelo
governador Olívio Dutra, as 29 Delegacias de Educação do Estado passam a chamar-se
Coordenadorias Regionais de Educação - CREs.
Depois dos antigos cursos profissionalizantes de guarda-livros, o Comercial e Propedêutico,
coube à iniciativa privada dos grandes colégios montar o curso ginasial nas cidades, seguindo-se em
alguns educandários o Magistério e noutros, a Contabilidade, bem como Científico, o Clássico e
outras habilitações do 2º Grau, a maioria preparando os jovens para o ingresso nas Universidades,
ou também para o mundo do trabalho.
Ensino de 3º Grau
Os primeiros formandos do 2º Grau sonhavam com o 3º grau. Por vários anos, apenas os
afortunados conseguiam cursar uma Universidade fora da região.
A preocupação está registrada em Nova Geração, de 17-2-1966, com a manchete O Ensino
superior em Estrela, na página de capa, noticiando a instalação de curso científico no então
Ginásio e Escola Normal Martin Luther. No Editorial, se questiona: Não seria o caso,
perguntamos, de a direção do referido estabelecimento, que assim se revela empreendedora e
dinâmica, estudar a instalação de uma FACULDADE, com características regionais?
A agricultura chegou a ter tal importância em Estrela e na região, que houve sérios
estudos para a implantação de uma Faculdade de Agronomia em Estrela, como extensão da
PUC. “Os contatos foram mantidos com o Reitor da PUC, com o Cardeal-Arcebispo Dom
Vicente Scherer e com o provincial dos Irmãos Maristas, pois a Faculdade seria vinculada à
PUC, devendo funcionar no prédio do Ginásio Cristo Rei. – Jornal de Letras, maio de 1969 .
Uma comissão formada pelo Dr. Odilo Becker, Dr. Ivar Paulo Hartmann e Arlindo José
Fischer esteve em Porto Alegre, mantendo contatos com o Irmão José Otão, reitor da PUC-RS,
com o Irmão Provincial dos Irmãos Maristas e com o Cardeal Vicente Scherer, para averiguarse da possibilidade de instalação da Faculdade de Agronomia no prédio ora ocupado pelo
Ginásio Cristo Rei (sem que viesse em prejuízo deste), utilizando-se também as terras da Escola
Normal Rural Estrela da Manhã. Existem amplas possibilidades de instalação da Faculdade,
que seria parte integrante da PUC (não seria extensão), pois a mesma não possui esta
Faculdade atualmente, podendo vir a instalá-la aqui. Haverá necessidade de arrecadação de
fundos de ordem de 100 milhões velhos, pela comunidade, no espaço de quatro anos, bem como
a montagem de alguns laboratórios - cf Nova Geração, de 19-4-1969.
E a formação universitária dos professores rurais? Esta foi a principal preocupação das
lideranças de Estrela. Os estudos de seus egressos, professores rurais em sua quase totalidade,
precisavam ser completados.
Sem perda de tempo, a modalidade encontrada foi o convênio com instituições de
ensino superior. Estrela teve o ensino universitário algumas semanas antes que Lajeado,
segundo Nova Geração, de 25-1-1969, com a manchete Aula inaugural - FACULDADE DE
ESTRELA e a notícia da sessão solene de abertura dos Cursos Superiores em nosso Município,
ocorrido em 17-1-1969. Em Lajeado as aulas do Curso de Letras, mantido pela Associação PróEnsino Universitário no Alto Taquari - APEUAT, iniciaram em 10-3-1969. A aula inaugural foi
proferida pelo ministro da Educação Tarso Dutra, sobre o tema "Ensino Superior e
Desenvolvimento Municipal". - Logo a seguir o Governador do Estado usou também da
palavra, estimulando os jovens vestibulandos... Estrela vivia dias históricos.
Para manter os cursos superiores, foi fundada a Associação Pró-Ensino Superior em
Estrela em 28-4-1969, registrada em 29-5-1969, sendo presidente Prof. Rogério Nonnenmacher
e vice-presidente Dr. Hugo Szmidt. A modernidade exigia a atualização e o avanço do
magistério.
Lideranças de Estrela, aproveitando-se da amizade com o vice-reitor da Universidade de
Passo Fundo, Dr. Bruno Markus, solicitaram à Reitoria uma extensão da Faculdade de
Educação para Estrela. Como se tratava de outro Distrito Geo-educacional, representantes da
Universidade de Passo Fundo, de Caxias do Sul e do Município de Estrela se reuniram na
residência de Dr. Ney Santos Arruda, a fim de deliberarem sobre a abertura de cursos para
Formação de Professores, ficando decido que os planejados cursos em Estrela seriam
ministrados, por tempo limitado, e destinados, exclusivamente, a professores não titulados,
encerrando as atividades acadêmicas no momento em que a APEUAT abrisse os mesmos cursos
em Lajeado, segundo O Informativo, de 27-5-1972, e Nova Geração, de 3-6-1972, edição que
publicou o Edital do Concurso Vestibular. Assim, a Universidade de Passo Fundo instalou a
extensão da Faculdade de Educação no Centro Educacional Estrela da Manhã. visando
transformar a escola em Centro Universitário. A solenidade ocorreu em 20-4-1972, com a
presença do Magnífico Reitor da Universidade de Passo Fundo, Dr. Murilo Annes, dos vicereitores Pe. Alcides Guareschi, que ainda é o diretor da Faculdade de Educação, e do Dr.
Bruno Markus, que é também diretor da Faculdade de Odontologia e para satisfação dos
estrelenses é filho deste Município - cf Nova Geração, de 29-4-1972.
O diretor da Faculdade de Educação, em Estrela, foi Pe. Hugo Volkmer. O coordenador
do curso, foi Albano Wagner e diretor técnico, Pe. Guido Both.
O vestibular se deu em 1-7-1972 e, dois dias depois, tiveram início as aulas, em Regime
Intensivo de Férias. Dos 362 candidatos inscritos no vestibular, oriundos de 62 municípios e 3
Estados da Federação, foram aprovados 264. Os 18 primeiros professores universitários
ministraram aulas para os cursos de Letras "Português", Letras "Inglês", Estudos Sociais I,
Estudos Sociais II, Ciências Naturais I e Ciências Naturais II. A Aula Inaugural foi proferida no
final da primeira etapa, em 29-7-1972, pelo secretário estadual de Educação, Cel. Mauro Costa
Rodrigues. Dom Vicente Scherer, um dos baluartes na instalação, veio prestigiar o ato solene.
No trabalho para a instalação, salienta-se o professor Albano Wagner, a verdadeira molamestra, como coordenador, e da comissão liderada pelo Diretor do Centro Educacional, Padre
Lauro José Oppermann e o subdiretor do Centro e Diretor do Curso, Cônego Hugo Volkmer Nova Geração, de 29-7-1972.
Em janeiro de 1973, as aulas recomeçaram com mais de 600 acadêmicos, dos quais 130
com pensão completa nas próprias dependências do Centro Estrela da Manhã e mais 120,
preferindo apenas as refeições.
Os professores dos diversos cursos, nos anos de 1972 e 1973, em ordem alfabética,
foram: Albano Backes (Canoas), Albano Weiler (Estrela), Pe. Alcides Guareschi (Passo Fundo),
Pe. Benno Müller (Lajeado), Cláudio F. Barbieri (S. Leopoldo), Pe. Eli Benincá (Passo Fundo),
Fernando Becker (S. Leopoldo), Côn. Hugo Volkmer (Estrela), José Alfredo Schierholt
(Lajeado), Lauro Dick (S. Leopoldo), Reynoldo Ullmann (P. Alegre), Roque Brand (S.
Leopoldo), Roque Danilo Bersch (Arroio do Meio), Sérgio Borghetti (P Alegre), Sônia Faillace
(Lajeado), Dr. Tamir de Barba (S. Leopoldo) e Venâncio Eugênio Diersmann (Lajeado).
Associação Pró-Ensino Superior em Estrela foi transformada em Fundação Estrela da
Manhã Ensino Superior – FEMES, criada pelo Decreto n.º 1.444, de 20-11-1975, como entidade
mantenedora do ensino de 3º grau em Estrela.
Faculdade de Educação terá colação de grau para 242 formandos 4ª feira - é a
manchete, na página 4, do jornal Nova Geração, de 21-2-1976. A Universidade de Passo
Fundo, sob a Reitoria de Bruno Edmundo Markus, através do Centro Educacional Estrela da
Manhã, formou 242 novos professores, em 25-2-1976, dos quais 149 em Ciências e 93 em
Letras. A oradora da turma foi Maria de Lourdes Barros.
Em 14-2-1978, iniciou um curso de Docentes Leigos, em regime especial de férias, para
120 professores que buscam sua habilitação profissional para o exercício do magistério do
ensino de 1º grau, provenientes das Delegacias de Educação de Estrela, Soledade, Gravataí,
Guaíba, Canoas e São Leopoldo. Devido a sua proximidade com os cursos superiores mantidos
pela FATES, a FEMES deixou de existir, em 1984.
Apenas em 10-3-1969 iniciaram as aulas do curso de Letras da Faculdade de Educação e
Letras do Alto Taquari, sob a direção do Pe. Éricko Jacob Schmitz. No ano seguinte, em 2-3-1970,
iniciaram os cursos de Ciências Contábeis e Economia, sob a direção do Prof. Ney Santos Arruda.
Ambas as Faculdades, como extensão da Universidade de Caxias do Sul, funcionaram no prédio do
Colégio Estadual Presidente Castelo Branco, sendo mantidas pela Associação Pró-Ensino
Universitário do Alto Taquari. Enquanto era construído o prédio 1 do Campus Universitário, no
decorrer de 1972, o curso de Letras funcionava no Colégio Madre Bárbara e os cursos de Economia
e Ciências Contábeis funcionavam no Colégio Evangélico Alberto Torres. Em 16-1-1972 a Câmara
Municipal de Vereadores aprovou o projeto de Lei que criou a Fundação Alto Taquari de Ensino
Superior e, em 26-1-1973, foi inaugurado o prédio próprio do Campus. Mais detalhes se encontram
no meu livro APEUAT - Raízes do Ensino Superior.
Surgindo mais intensamente o espírito regional, o município de Estrela decidiu dar apoio ao
3º grau ministrado no Vale do Taquari. O prefeito Gabriel Mallmann destinou parte do Laboratório
do Estrela da Manhã para os cursos de Ciências na FATES. Num encontro entre prefeitos
municipais da região com a direção da FATES, Gabriel Mallmann disse ter encontrado a solução
para que cada município pague sua contribuição à FATES: descontar do ICM no Tesouro do
Estado - cf Nova Geração, de 9-8-1985, - é o ovo de Colombo.
A proximidade da Univates não impede que lideranças de Estrela lutem pela instalação de
algum curso universitário em prédios de escolas públicas em Estrela. Os Grêmios Estudantis das
escolas estaduais de Ensino Médio iniciaram um movimento para que um dos núcleos da
Universidade Estadual seja implantado no município - cf O Informativo, de 30-8-2001. O grupo
salienta que Estrela tem vários pontos positivos para entrar na disputa, como a existência de prédios
públicos municipais ociosos. O grupo vai realizar novas reuniões.
Dos acadêmicos estrelenses na Univates temos os seguintes dados:, em 1998: 160 alunos
(9,3%); em 1999: 209 (9,2%); em 2000: 288 (9,8%); em 2001: 404 (10,2%) e em 2002, 467 alunos.
Embora de Lajeado procedem em torno de 37,9% dos estudantes, como em 2001, é único
município instituidor a contribuir com verbas mensais, beneficiando a todos os municípios da
região, sendo Estrela o 2º maior beneficiado. Não temos dados dos que cursam outras faculdades.
Estudantes da Unisc, Unisinos e Ulbra têm ônibus especiais à disposição, diariamente.
Luta contra o analfabetismo
Segundo um "Almanaque" de Pelotas, editado em 1895 e reproduzido pelo Almanaque do
Correio do Povo, de 1982, o município de Estrela, em 1890, com 22.762 habitantes, tinha 11.164
com instrução, o que corresponde a 49%, depois de São Leopoldo (57%) e Bagé (51%), com a
média de 28% no Rio Grande do Sul, então com 63 municípios.
No decorrer dos anos, a percentagem foi melhorando.
Há um quadro estatístico demonstrativo do movimento de imigrantes neste Estado
durante o ano de 1898, assinado em 11-7-1899 pelo diretor de Obras Públicas, Terras e
Colonização, Francisco de Ávila Silveira, e que nos dão ricas informações. Dos 261 (incluídos
96 menores de 12 anos) imigrantes alemães, 85 não sabiam ler, o que corresponde a 32.5%. Dos
989 (incluídos 360 menores de 12 anos) imigrantes italianos,357 não sabiam ler, dando 36%.
Lamentavelmente, não há o dado de quantos imigrantes, maiores de 8 ou 9 anos, eram
analfabetos. Certamente a percentagem acima mencionada poderá ser dividida. A maioria
desses imigrantes foram para Ijuí.
A Estatística oficial do governo do Estado também fez a Apuração dos nubentes
segundo a instrução nos anos de 1909 a 1912, onde Estrela está em 1º lugar em número de
noivos alfabetizados: 1.254 e 70 analfabetos, o que corresponde a 5,29%. São Leopoldo estava
em 2º lugar, com 8,11% e Lajeado, em 3º, com 11,93%.
O índice de alfabetização da população estrelense, em 1911, era de 68,47%.
As lideranças de Estrela permanentemente estavam preocupados com a Educação e
mesmo contra a situação existente do analfabetismo, embora num índice bem mais baixo que
noutras localidades.
Bem que se conhecesse o MOBRAL e movimentos congêneres, foi em Estrela fundada
a Liga Infantil contra o Analfabetismo, em 13-5-1930, dentro da Semana de Educação do
Colégio Elementar 7 de Setembro, sendo presidente Talita Terra.
Esteve em Estrela, em 26-6-1930, Dr. Jacy Tupy Caldas, professor da Escola Normal de
Porto Alegre, fazendo propaganda em prol da alfabetização no Rio Grande do Sul. Na reunião
havida no Colégio Elementar 7 de Setembro compareceram representantes de todos os colégios
locais, lideranças e autoridade, sendo fundado o Comité de Alfabetização e a criação da Caixa
Escolar do Município de Estrela. Depois, foi aclamado presidente o Sr. Cel. Augusto Frederico
Markus, intendente municipal - cf O Paladino, de 28-6-1930, com diretoria completa.
A campanha para erradicar completamente o analfabetismo era e é como que uma
segunda natureza aos estrelenses. A identificação como o município mais alfabetizado do Brasil
já vem de longa data. Raras são as pessoas do nosso município que não sabem ler, e, podemos
afirmar sem medo de errar que, nesta vila, são raríssimas, mormente as de idade escolar, e isso
graças ao devotamento das autoridades municipais e eclesiásticas e ao professorado em geral - cf O Paladino, de 19-7-1930. - Prova esta asserção a estatística realizada em 1920, que
colocou o município de Estrela em primeiro lugar entre todas as municipalidades brasileiras,
quanto à alfabetização. A citação extraída do jornal embasava a notícia da criação da Biblioteca
na SOGES.
Não há mister argumentar a necessidade da instrução continuada, pois a analfabetização
é um processo lento e certo para quem deixa de ler e perde o hábito de escrever. Há pessoas que
já trocaram o sofá da sala de TV mais de uma vez e nunca entraram numa Biblioteca pública
para buscar e ler um livro. A EEEF Vidal de Negreiros, desde abril de 2002, implantou a
Educação de Jovens e Adultos (EJA). Esta modalidade de ensino permite que pessoas fora de
idade escolar voltem para a sala de aula. Os estudantes podem avançar na série, conforme vão
demonstrando aproveitamento nas disciplinas. Estão em andamento duas turmas de 50 alunos cf O Informativo, de 28-5-2002.
8º Núcleo do CPERS
Fundado em 21-4-1945, o Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul está
presente em Estrela, através do seu 8º Núcleo, dentre os 48 existentes, com sede na rua 13 de
Maio n.º 328.
O 8º Núcleo do CPERS-Sindicato foi fundado em 22-9-1976, pelo presidente Hermes
Zanetti, no Centro de Artes Ciências e Tecnologia, sendo a primeira diretora Profª Ruth Mylius
Schwertner, com duas gestões, de 1976 a 1979. Coube-lhe montar a secretaria e a primeira sede,
na rua Geraldo Pereira n.º 470, no bairro Alto da Bronze, inaugurada em 23-4-1977.
Sob a direção do Prof. Auran Terra, na gestão 1979-1982, foi inaugurada a segunda e
atual sede do 8º Núcleo, em maio de 1980.
A entidade promoveu dezenas de congressos, encontros, simpósios e assembléias, tanto
para ampliar e aprofundar conhecimentos e técnicas profissionais, como para reivindicar
melhorias no ensino e nos salários. Desde 1979, salvo melhor cálculo, 303 dias de greve foram
necessários para que o governo não achatasse demais os salários dos professores.
Para a Gestão 1999-2002 foi eleita diretora Jucele Bernadete Azzolin Comis. Nos dias
26 e 27-6-2002, os 2.235 professores associados do 8º Núcleo puderam comparecer às urnas,
para o próximo triênio. Para presidente do Cpers, a chapa 1 Linha de Frente recebeu 828 votos
(62,53%), contra 463 votos (34,96%) dados à Chapa 2. Para diretora do 8º Núcleo, foi reeleita
Jucele Bernadete Azzolin Comis, com 853 votos (64,42%) e na oposição, o candidato da chapa
2 Pó de Giz, Nestor José Sulzbach, recebeu 448 votos (33,83%).
CULTURA
Educação anda de mãos dadas com a cultura, em Estrela. Difícil, impossível mesmo é se
medir a cultura de um povo. De município mais alfabetizado do Brasil pode decorrer, sob vários
aspectos, ser Estrela um dos municípios mais bem evoluídos em cultura.
Constantemente, seja de iniciativa privada, seja pública, no decorrer da história secular
de Estrela, ocorreram promoções culturais. Na impossibilidade de resgatar todas, algumas das
manifestações culturais aqui são resgatadas especificamente.
A municipalidade investiu alto na oferta de espaços para o fazer cultura. Primeiramente,
foi a Casa de Cultura Dr. Lauro Reinaldo Müller, na rua 13 de Maio, esquina com a Pinheiro
Machado. Desde 2002, funciona o Centro de Cultura e Turismo Bertoldo Gausmann, localizado
na rua Marechal Floriano, 433, esquina com a Pinheiro Machado.
Bibliotecas
Além das bibliotecas domésticas que havia em cada lar, formadas por livros de cultura
geral e lazer, revistas, almanaques, anuários e jornais, praticamente em todas as comunidades,
evangélicas e católicas, existiam pequenas bibliotecas, especialmente na cidade de Estrela. A
leitura era um dos lazeres preferidos dos estrelenses.
Mencionamos em nosso Dicionário as primeiras bibliotecas públicas privadas, como o
Gesellschaft Germânia Estrella e o Gabinete Estrelense de Leitura.
Não se tem memória quando o município criou uma biblioteca pública pela primeira
vez. Várias administrações deram algum destaque. Nos moldes atuais, a Biblioteca Municipal
foi criada pela Lei 564, de 1960, e inaugurada em 20-5-1963, funcionando em um prédio com
salas amplas e arejadas, de propriedade da Prefeitura Municipal. Em 1965, possuía 2.124
livros, 19 folhetos e 63 periódicos, tendo havido 4.450 consultas. É atendida durante todo o dia
por três eficientes bibliotecárias.
A Casa de Cultura Dr. Lauro Reinaldo Müller está num prédio histórico, na rua 13 de
Maio, construído em 1905 e restaurado em 1982. Em suas dependências funcionam a
Biblioteca Municipal, pequeno museu e oficinas de música e arte.
O novo Centro de Cultura e Turismo Bertoldo Gausmann está num prédio, na rua
Pinheiro Machado com esquina da Marechal Floriano, construído em 1925 e restaurado
em 2000-2002. Promove eventos culturais, permanentemente, como a exposição de
fotografias "Florestas Urbanas, do fotógrafo Cláudio Zagonel Neto. Retrata áreas
urbanas de Estrela e Lajeado, encerrada em 20-6-2002.
Feiras de Livro
No decorrer das décadas, já houve várias Feiras de Livro em Estrela.
O Colégio Martin Luther foi, sem dúvida, a entidade que mais se destacou nestes
eventos, sempre prestigiando os escritores da região.
De 9 a 12-10-2001, no salão de esportes do Colégio Santo Antônio, realizou-se a I Feira
Municipal do Livro, denominada A Mochila do Saber. Foi promovida pela Secretaria Municipal
de Educação, Cultura e Turismo e pela Armazém - Livraria e Papelaria, com apoio do Sesc, Sesi
e Manipulare. Tendo como patrona Voní T. Loposzinski, a feira trouxe nomes consagrados
como Luiz Antônio de Assis Brasil, valorizou escritores regionais, entre eles José Alfredo
Schierholt, Ivete Huppes, Marlene Müller Vargas, Ana Cecília Togni e Assis Sampaio - cf O
Informativo, de 15-10-2001, deixando de mencionar Gino Ferri e Nara Knack. A feira vendeu
mais de três mil livros. Executou vários projetos complementares, como Poemas da Cidade,
etapa estudantil, com declamações e versos escritos; Campanha Manipulare doação de livros,
para as escolas carentes do Município; Campanha Armazém, oferecendo livrinho infantil de R$
1,00 e Restauração de Livros, com Oficina de Restauração de livros na Biblioteca Municipal.
No Auditório Alternativo houve também muita música, Banda Juvenil, Coral e Orquestra do
Sesi, teatro, pintura, desenho, capoeira, brincadeiras, debates, palestras e o 3º Planeta Criança.
Museu Municipal
Estrela já teve projeto de criar um Museu Municipal, segundo consta no Correio do
Povo, de 10-7-1981, noticiando a entrada de um projeto na Câmara Municipal de Vereadores,
através do qual o prefeito Hélio Musskopf pede autorização para adquirir o imóvel na Rua 13 de
Maio. A finalidade era para nele instalar o Museu Histórico de Estrela, onde está a Biblioteca
hoje. Então, foi secretário municipal de Educação e Cultura o padre Sereno Hugo Volkmer.
Pela Lei n.º 1.952, de12-11-1987, o prefeito Gabriel Aloísio Mallmann instituiu o
Museu Municipal, definiu suas finalidades e designou uma Comissão Pró-Museu. Além de não
investir, significativamente, no Museu Municipal, também não apoiou a iniciativa privada.
No segundo piso da Casa de Cultura há somente algumas peças antigas, mas o Museu
Municipal não existe.
Museu Schinke
Com muito orgulho para Estrela e para o Vale do Taquari, a "Residência-museu" do
casal Dr. Werner e Gisela Schinke, na rua Doutor Tostes n.º 320, é um ponto de referência
inconfundível e atração turística ímpar na região.
A moradia foi construída pelo empresário Arnaldo José Diel, em 1953, ocupando a área
onde estava localizado o histórico sobrado de Antônio Vítor de Sampaio Mena Barreto, o
fundador de Estrela, adquirido por Miguel Ruschel, em 1871.
Desde que o casal Schinke se estabeleceu em Estrela, em 1957, iniciou a montagem do
acervo museológico. As primeiras peças Gisela herdou do pai e outras tantas, da família
Schinke. Porém, a maior parte foi adquirida ao longo dos anos. Algumas foram doadas, pois os
doadores se desfaziam dos objetos, sabendo que estariam bem cuidadas e preservadas. Vale
destacar que no Museu-residência os objetos estão dispostos em ordem, inteiros, restaurados,
preservados, limpos e organizados, com agradável visual, em vitrines iluminadas, mostruários e
prateleiras.
O acervo está cadastrado em programa de computador, atualmente (em 15-10-2001)
com 2.800 fichas catalogadas. O trabalho prossegue até sua conclusão, sem período
estabelecido.
O museu particular da família Schinke mantém livros de registro de visitantes. Centenas
de mensagens e assinaturas de autoridades ilustres, de todas as partes do mundo, seja em visita
individual, seja em grupos de turistas, estrangeiros ou nacionais, testemunham a importância de
um museu para o município e a região.
Paralelamente à coleta, restauração e manutenção do acervo, o casal vem participando,
regularmente, de congressos, simpósios e encontros sobre o tema Museus. Ao longo dos anos,
realizou dezenas de palestras e apresentações audiovisuais em escolas, clubes de serviço e
núcleos culturais, divulgando o acervo, bem como a necessidade de conservação do patrimônio
histórico e cultural.
O professor e historiador Dante de Laytano (* 1908, + 2000), de saudosa
memória, assim se expressou sobre dona Gisela: uma artista, pintora, imaginosa e
sabedora do ofício, herdeira de um nome legendário de seu pai, trabalhando com amor
incomum e devoto encanto pelo seu Museu. Obra-prima de salvamento da memória da
cidade e do município de Estrela, lição de entusiasmo, vida e defesa da glória das
antigüidades restauradas nos mostruários, coleções e peças - cf Caderno Cultural nº
3, de 1985, p. 13.
O envolvimento da comunidade local em torno de inúmeras atividades culturais, tendo
como objeto o acervo, ainda não produziu, no entanto, uma fórmula capaz de trata-lo como um
"museu" propriamente dito, uma questão se deve a vários fatores combinados: um
local/ambiente adequado, que pudesse expor, pelo menos parte do mesmo, e as questões
relativas à manutenção e segurança que remetem para uma infra-estrutura adequada. Dessa
forma, o acervo continua a integrar-se, por ora, na residência do casal, deixando o
encaminhamento dessa questão para uma solução que contemple seus interesses como também
de sua utilização pública.
É de se desejar que a iniciativa privada e setores públicos amadureçam um projeto,
traçando metas e buscando parcerias para que objetos em desuso ou substituídos pela
modernidade não sejam jogados às traças ou para o ferro velho. Para isso, a base sempre será o
museu em sua conceituação moderna, dinâmica e acessível, com a devida segurança ao público,
enfim, ao turismo cultural.
Núcleo Filatélico de Estrela
Como estudo e divulgação dos selos do correio que se usam no Brasil e nas diferentes
nações, metodicamente selecionados, a filatelia tinha seus aficionados em Estrela.
Dr. Lauro Reinaldo Müller foi um dos filatelistas de maior destaque no Rio Grande do
Sul e no Brasil, conquistando vários prêmios em exposições nacionais e internacionais. Para
incentivar no município esse estudo, foi criado o Núcleo Filatélico de Estrela.
Quando o Aero Clube Alto Taquari, com sede em Estrela, organizou uma Festa
Aviatória Internacional, em comemoração à Semana da Asa, o Núcleo Filatélico de Estrela
mandou confeccionar uma folhinha comemorativa para rememorar a festa. Para corroborar no
sentido de que se concretizem essas duas iniciativas, de tão elevado alcance patriótico, social e
cultural, o prefeito Augusto Frederico Markus, através do Decreto n.º 5, de 21-11-1947,
oficializou a folhinha comemorativa. O referido selo era de 10 centavos, havendo a numeração
de 1 a 482.
Escritores e poetas
Toda cultura inicia pela produção intelectual do ser humano. Grande parte deste acervo
cultural foi perdido, ou se encontram noutras cidades. Seus expoentes devem ser conhecidos e
sua memória resgatada.
Estrela valoriza seus escritores e suas obras. A atual Administração municipal está
promovendo para os dias 9 a 13-10-2001, a I Feira Municipal de Livros, cuja patrona é Voní T.
Loposzinski, lançando seu sexto livro Supremos Momentos II.
A seguir, em ordem alfabética, relacionamos diversos nomes e obras, cujos dados
biográficos se encontram no Dicionário:
Adonis Valdir Fauth, juiz de Direito aposentado, além de jornalista e fundador do
jornal Nova Geração, é cronista em vários jornais e revistas. Escreveu o livro “A Imigração
Suíço-Valesana no Rio Grande do Sul”, lançado em novembro de 2000.
Alexandre Garcia viveu em Estrela, por alguns anos e onde seu pai, de saudosa
memória, teve uma atuação importante na comunicação de rádio. Alexandre Garcia iniciou no
jornalismo em 1953, em O Uirapuru, na Escola Estadual Vidal de Negreiros. Quando guri, já
gostava de fazer papel em novelas irradiadas, na Rádio Alto Taquari de Estrela, levado pelo seu
pai. Seus dois livros mais conhecidos são: João Presidente e, mais tarde, em 1991, Nos
Bastidores da Notícia.
Alfredo Ludwig, nascido lá por 1890, em Taquari, filho de Dr. Ernesto Reinholdo
Ludwig, é o autor do livro A Colonização nos Países da América do Sul, de 175 páginas, em
1916, publicou seu novo estudo Medicina de Hahnemann, em 1935. Foi um acontecimento
magno para a região. Gerente da agência do Banco do Rio Grande do Sul em Estrela, o autor
mandou imprimir seu livro em Lajeado, na gráfica de Martinewski & Cia., editoresproprietários do jornal A Semana, cuja edição de 9-3-1936 deu a auspiciosa notícia. Na época,
ainda não havia linotipo. As letras de cada palavra, eram manualmente compostas, até formar
uma linha. Ora, o livro lançado tinha 600 páginas, impressas em papel acetinado. A primeira
notícia da montagem gráfica do livro saiu no mesmo semanário, edição de 3-9-1934. A obra
custava 25$000. Ao que parece, não podia ser considerado caro, se compararmos a assinatura
anual do mesmo jornal por 12$000. Em Lajeado, na primeira semana, foram vendidos 50
exemplares. Em linguagem popular, o autor explica todas as moléstias e o tratamento
homeopático dos enfermos, de acordo com os sintomas que apresentam. A homeopatia
propriamente, como se sabe, não procura tratar as enfermidades e, sim, os enfermos. O
semanário cita referências elogiosas publicadas pelo Diário de Notícias: "um dos competentes
em matéria homeopática e dos grande professores da homeopatia no Rio Grande do Sul"... e
pelo Correio do Povo ( - "ex-lente da Faculdade de Medicina Homeopática do Rio Grande do
Sul, e que é um dos valores da ciência de Hahnemann no nosso Estado"... Ludwig também
lançou, em 1940, o 1º volume de Uma Viagem pelo Rio Grande do Sul. Com 220 páginas,
impresso pela Tipografia do Centro S. A.- Centro da Boa Imprensa – em Porto Alegre, o livro é
escrito em estilo jornalístico, resultado de muitas viagens, iniciadas em Taquari, de barcos,
veículos e carroças. Percorre empresas industriais, comerciais e agrícolas em Estrela, Lajeado,
Roca Sales, Guaporé, Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul, Caxias, Garibaldi, Cachoeira do Sul,
Tupanciretã, Júlio de Castilhos, Ijuí, Santo Ângelo, Novo Hamburgo, Taquara, Carazinho, São
Leopoldo, Estância Velha... para citar as visitas que mereceram capítulos.
Alvino Bertoldo Braun, sacerdote jesuíta, nasceu em linha Glória e brilhou no cenário
da ciência e hagiografia, sediado em Florianópolis, onde foi diretor do jornal O Apóstolo. Em
1932, publicou um Estudo sobre os Phalloides Rio-grandenses (cogumelos); em 1937, Vida de
Santo Inácio de Loyola; em 1948, Vida de Santa Maria Goretti; em 1954, Vida da Serva de
Deus Albertina Berckenbrock; em 1957, Elementos de Mineralogia e Geologia.
Antônio Carlos Porto tem seu nome no livro de Ari Martins, Escritores do Rio
Grande do Sul, p. 447. Embora não tivesse publicado livro, seus escritos fazem parte de
arquivos de programa radiofônicos em emissoras de rádio onde atuou. Consta na "Bibliografia"
alguns textos, como De Cima a Baixo, coluna esportiva diária, na Folha da Tarde Esportiva,
de Porto Alegre, em 1967-1970; O Comentário, programa diário esportivo, iniciado em 1969,
no mesmo jornal; Jornalismo Esportivo, conferência no Colégio Júlio de Castilhos, Porto
Alegre, em 3-6-1969. Não é de sua autoria o programa dominical de música erudita Concertos
Correio do Povo, mencionado por Ari Martins. Reside em Porto Alegre, onde é um dos
entusiastas da Associação dos Estrelenses de Porto Alegre - AEPA.
Aquiles Guerra Diniz foi funcionário público. Deu sua marca para sempre, como autor
do Álbum Comemorativo do Cinqüentenário do Município de Estrela, em 1926. São 204
páginas, ilustradas com 227 fotos de Eugênio Toth.
Arno Sommer foi professor e memorialista. Ao regressar ao Vale do Taquari e
trabalhar na 3ª Delegacia de Educação escreveu suas memórias. Em 1984,. lançou suas
Reminiscências da Colônia Teutônia - Estrela - Décadas 20 e 30, com 116 páginas e 20 fotos.
Seu segundo livro de memórias foi em língua alemã, Von Teutônia in die Welt, ( de Teutônia
pelo mundo), livro de 152 páginas. As mesmas memórias saíram em língua portuguesa, com A
Caminhada de um Professor, de 72 páginas. Os dois livros foram publicados alguns meses
após seu falecimento.
Bayard de Toledo Mércio foi secretário geral da administração em Estrela, jornalista e
advogado. Em 1940, publicou o romance Longe do Reno e, em 1941, Os Principais Fatos do
Município de Taquara, uma separata da Revista do IHGRS.
Berenice Anschau tem diversas poesias inéditas. A poesia Estrela, forte mãe terra está
na contracapa do "folder" Calendário de Eventos 1997 - Estrela-RS - 121 Anos. O seu livro
de poesias Lágrimas de Cristal está pronto para ser impresso, à espera de patrocínio. Na orelha
da capa Luiz Antônio de Assis Brasil escreve: Rever Estrela pelos olhos da emoção de Berenice
Anschau é, ao mesmo tempo, um movimento nostálgico e vital, pois seus versos possuem o Dom
de pôr de pé todo o imaginário de uma época não tão distante, mas que o correr dos anos
esmaecia em minha memória.
Bernardo Bolle, jesuíta em Estrela e Lajeado, de 1892 a 1906, traduziu do alemão para
o italiano o Catechismo della Dotrina Cattolica, em 1902, para atender as regiões altas, de
colonização italiana. Em 1920, saiu a lume Rafael, um guia para pessoas casadas e, no ano
seguinte, Geistlicher Tornister (Leva-tudo cristão).
Cláudio de Toledo Mércio, nos arroubos de acadêmico de Direito, publicou Bagaço,
poemas, em 1936 e De Pé, Irmãos! poema revolucionário, em 1945.
Ernesto Reinhold Ludwig fundou em Estrela o primeiro jornal, Der Pionier, em 1890.
Dele escreve seu próprio filho Alfredo, em Uma Viagem pelo Rio Grande do Sul, em 1940, p.
12, lembrando seu falecido pai: O Dr. Ludwig era o advogado mais procurado do Alto Taquari,
e fora dele Jamais fez fortuna - não sabia cobrar honorários! Intelectual completo, primoroso
escritor, jornalista e polemista experimentado, fogoso orador, sempre ao lado dos
desprotegidos, dos perseguidos. Gozava meu pai de imenso prestígio; um pedido seu era
ordem.
Ernesto Zietlow quase não deixou pegadas em Estrela. Publicou em 1904, em Leipzig,
a obra Suptropische Agrikultur, período em que se empenhou em Estrela na fundação de uma
escola agrícola em Estrela.
Flávia Elisabeta Braun, nascida na linha Glória, em parceria com Élbio Gonzales e
Rosa Maria Ruschel, publicou a Cartilha do Guri, em 1963; Segundo Livro do Guri, em 1964;
Terceiro Livro do Guri, em 1965 e o Quarto Livro do Guri, em 1966.
Francisco Reckziegel é mais conhecido no meio literário pelo seu pseudônimo Assis
Sampaio. Começou a escrever suas crônicas semanais para o jornal Nova Geração, de junho de
1972 a 1989, para O Informativo do Vale, de 1973 a 1989 e de 1997 a 2000, e também, de
1979 a 1989, os comentários dominicais na Rádio Alto Taquari, de Estrela. Seu pseudônimo
literário vem de seu santo padroeiro S. Francisco de Assis e sua terra natal, Sampaio, em
Venâncio Aires. Em 1985, teve a co-participação do livro 50 Anos de Seminário Seráfico, de
Taquari. Em 1995, obteve o prêmio no concurso literário Histórias de Trabalho, do Núcleo
Cultural Usina do Gasômetro, da Prefeitura de Porto Alegre, na categoria Lembranças e
Vivências. De mais de 500 crônicas, selecionou 86, atualizando algumas, e as publicou, em
1997, no livro Nas Barrancas, de 196 páginas, ilustradas com 12 fotos, sendo os quadros a óleo
sobre tela de Gisela Schinke, na capa, e de Berenice T. Anschau, no verso da capa. Em 1999,
obteve a Menção Honrosa no concurso "Santa Cruz - 150 Anos de Colonização Alemã", da
UNISC. Em setembro de 1999, publicou Divagações e Relembranças, uma nova seleção de 86
crônicas, escritas no mesmo período e jornal. Em 200 páginas e 16 fotos, traz 48 "divagações",
temas mais genéricos, senão abstratos e sonhadores, e 38 "Relembranças" que dizem respeito,
em grande parte, à vida da cidade e seus agentes, embora outros sejam recordações pessoais e
de intimidade familiar. Teve seu trabalho selecionado na sétima edição do Concurso Histórias
de Trabalho, um projeto da Prefeitura de Porto Alegre, através da Secretaria da Cultura, com o
apoio da Rede Unitrabalho e do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler). Foram
inscritos 700 textos, entre os quais 38 selecionados por um grupo de 24 jurados - cf O
Informativo, de 23-12-2000. - foi homenageado no início de junho de 2001, ao ser lançado o
livro Histórias de Trabalho. A mais recente obra é intitulada Recortes de Jornal, onde Assis
Sampaio, que escreve no jornal O Informativo desde 1973, reúne cerca de noventa textos já
publicados - cf O Informativo, de 13-6-2001.
Frederico Guilherme Jaeger, embora guaporense de nascimento, criou-se em Estrela,
por vários anos e publicou no jornal Nova Geração diversas poesias e poemas. Muitas vezes
usava seu pseudônimo literário, Guilherme Martin. Entre diversos livros publicados está Receita
de Três. É membro da Academia de Letras e Artes de Paty do Alferes, RJ.
Friedhold Altmann, educador e escritor, nascido em Estrela, na linha Frank, publicou
A Roda - Memórias de um Professor, em 1991, e selecionou as 76 melhores crônicas
publicadas em jornais no livro ... E as Nossas Crianças?..., em 1994.
Gabriel Pereira Borges Fortes, por dois anos juiz de Direito em Estrela, publicou
Imprensa Gaúcha: 150 Anos, publicado junto com o Relatório da Diretoria da S. A.
Moinhos Rio-grandenses - SAMRIG, 1976-1977. Em 2000, lançou Estudos Históricos e
Outros Escritos, pela Ediplat, com 280 páginas.
Gelson Olavo Dahmer, empresário e escritor, em 2001, publicou o livro O Resultado,
no 7º Congresso Internacional de Tintas, promovido ela Associação Brasileira de Tintas, em
São Paulo, onde representou a Brasilata, um dos patrocinadores do evento. Prefaciada por
Rogério Antônio Kober e João Carlos de Britto, a obra trata de assuntos de Administração de
Empresas. As empresas perseguem o lucro, pois é ele que faz com que progridam e consigam
cumprir seus objetivos sociais e econômicos - cf o Autor, em O Informativo, de 29-9-2001.
Gert Schinke, embora nascido em Salvador do Sul, com um ano de idade veio com
seus pais morar em Estrela.. Publicou Ecologia Política, em 1986.
Guido Lang, nascido em Teutônia, na época pertencente a Estrela, publicou os livros
Jacob Lang - a História de um imigrante e pioneiro, em 1992; Colônia Teutônia: História e
Crônica (1858-1908), em 1995; Campo Bom: História e Crônica (1826-1996);
Reminiscências da Memória Comunitária de Campo Bom - Coletânea de Textos, em 1977;
História do Cotidiano Campo-bonense - Coletânea de Textos, em 1998, e Cinqüenta Anos da
Calçados Fillis e Contos do Cotidiano Colonial - "Coletânea de Textos", em 2000.
Ione Maria Ghislene Bentz, por muitos anos residente em Estrela, presidente da
FATES, é doutora em Letras. Quando fez o mestrado, defendeu a dissertação de Mestrado na
área da Teoria literária na obra intitulada O Rastro Instituído, na PUC-RS, cf Nova Geração,
de 11-11-1976. Aprofundando seus estudos, defendeu a tese do doutorado Linguagem: a ilusão
do referencial. Proposta de análise do discurso, em 3-1-1979, obtendo a nota 10, com
distinção. Em co-autoria com Wilson C. Guarany, publicou Metacomunicação, com a primeira
edição, e O Rastro Instituído, ambos em 1974. Professora na UFRGS, publicou uma série de
artigos e estudos em revistas especializadas de Universidades. Integra atualmente o Conselho
Editorial da Editora Unisinos.
Ivânea Fritsch, estrelense, radicada em Porto Alegre, em 4-12-2000, lançou seu livro
Resíduos Sólidos e seus Aspectos Jurídicos, Legais e Jurisdicionais, fruto do trabalho de
conclusão do curso de pós-graduação em Direito Municipal - cf O Informativo Vale do
Taquari, de 14-1-2000. O lançamento se deu durante a Expo-Aids, evento promovido por
organismos internacionais que atuam na área do saneamento básico e engenharia sanitária,
realizado no Centro de Eventos da PUC-RS. Co-editado pela ONU, o livro aborda muitos
aspectos entrelaçados, como a história da limpeza pública em Porto Alegre. Nessa área, é uma
obra inédita na América Latina, relacionada ao direito ambiental aplicado aos resíduos sólidos,
em que a autora é autoridade, por ser procuradora-geral do Departamento Municipal de Limpeza
Pública de Porto Alegre.
Ivar Paulo Hartmann, promotor público aposentado, Publicou três livros pela Editora
Tchê: Getúlio Vargas, em 1984, O País dos Gaúchos, em 1986 e Manual do Guerrilheiro, em
1988. Cronista da Nova Geração, entre 1967 e 1974, hoje escreve crônicas para mais de dez
jornais, entre os quais a Folha Popular.
João de Oliveira Belo passou por Estrela e deixou uma faixa luminosa para nunca
apagar. Foi exator estadual e autor do livro O Alto Taquari - Aspectos de seu desenvolvimento,
de 237 páginas, impresso na gráfica de O Paladino, em 1951.
José Junges, padre cooperador em Estrela, publicou o livro de poesias Flores Agrestes.
Fez o povo de Estrela cantar seus versos no Hino da Festa do Diamante, em 1951.
Leonardo Tochtrop é dicionarista, professor, economista e inspetor escolar em Estrela,
foi imigrante alemão, com quatro anos letivos como diretor e professor no Colégio Paroquial
São Luís, em Estrela. Em plena II Guerra Mundial, deu aulas de língua e literatura alemã na
UFRGS, de 1943 a 1963. Publicou pela Globo o Dicionário Alemão-Português, cuja segunda
edição, de 1947, tem 678 páginas. Segundo Lothar Hessel, em Momentos Culturais sul-riograndense, Leonardo Tochtrop foi fundador e diretor do Instituto Cultural Brasileiro-Alemão,
além de autor de diversos livros de cunho didático.
Lothar Francisco Hessel, nascido em Estrela, iniciou sua vida de escritor e historiador
1943 em A Semana, jornal de Lajeado, onde tinha o pseudônimo literário de Celso Araripe. No
ano seguinte, transferiu-se para Porto Alegre, para estudar e trabalhar. Desde o romance Brava
Gente, em 1957, publicou dezenas obras e escritos, relacionados no Dicionário. Destacamos
para Estrela O Município de Estrela - História e Crônica, em 1983; e O Município de
Imigrante - Registros e Memórias, em 1998, além de dezenas de artigos em O Taquaryense e
Nova Geração.
Luiz Antônio de Assis Brasil é, indubitavelmente, o maior escritor gaúcho, na
atualidade. Não só viveu a infância e parte de sua adolescência em Estrela, mas gosta de Estrela
e muitas vezes vem rever o Colégio Santo Antônio e a Escola Estadual Vidal de Negreiros, onde
estudou, ruas, praças e o velho porto por onde brincou, para se inspirar. Doutor em Letras,
publicou vários livros, entre os quais Um Quarto de Légua em Quadro (1976), A Prole do
Corvo (1978), Bacia das Almas (1981), Manhã Transfigurada (1982), A Virtudes da Casa
(1985), O Homem Amoroso (1986), Cães da Província (1987), Videiras de Cristal (1990,
servindo de roteiro para o filme Paixão de Jacobina), Perversas Famílias (1993), Pedra na
Memória (1993), Os Senhores do Século (1994), Breviário das Terras e Concerto Campestre
(1997) e O Pintor de Retratos (2001, da L&PM).
Maria Elena Haro Raffo de Molinari, mais conhecida por Maël, passou por Estrela
como um meteoro, deixando pegadas. Apareceu esta senhora, de boa idade, em Estrela lá por
1980, de São Paulo ou do Uruguai – escreveu o Pe. Hugo Volkmer, então secretário Municipal
de Educação na orelha do livro El Cofre, de Maël. E acrescentou acreditar ela na tendência,
pouco aproveitada, dos descendentes germânicos para o artesanato. Dedica-se, quase que
furiosamente, a despertar esta latência no Vale do Taquari. Realiza cursos, palestras,
demonstrações e já organizou três feiras artesanais (Finartes). Viajou o Rio Grande inteiro em
promoções de venda. E com isso tudo, ainda pinta seus quadros. E agora vem também com
poesia. São poesias simples, sem pretensão de posicionamento filosófico. Simplesmente
fotografias ou pinturas de sentimentos humanos, possivelmente autobiográficos. Na mesma
orelha, o deputado Hélio Musskopf, então prefeito municipal, atesta que Maël veio de longe... É
uma mulher muito especial, porque acredita na conquista de cada dia. Aqui está e luta conosco,
para elevar Estrela, usando o meio em que ambos acreditamos – a cultura.
Marilene Müller de Vargas - Estrelense de nascimento, escritora e romancista, autora
de Eugênia - História de uma mulher, uma novela de ficção, publicada em setembro de 1999,
com 94 páginas, pela AGE Editora, Porto Alegre. Quase a biografia de uma mulher, é uma obra
literária, de leitura fluente. Está baseada em fatos verídicos, parcialmente ocorridos em Rio
Azul. De rara beleza, eleita miss, pelo fato de ser de família católica, Eugênia não recebeu a
bênção dos pais ao se casar, em 5-12-1924, com Antenor, noivo protestante, sendo escorraçada
pela família. Com a perda prematura do marido, em 30-1-1937, Eugênia contratou um caminhão
de carga para trazer sua pequena mudança, os filhos e o negro caixão com o corpo do Antenor
foi amarrado sobre os móveis... Depois de trezentos quilômetros de estradas ruins, noutro dia,
mal recebida pela família, sepultou o corpo. Viúva aos 30 anos de idade, mãe de seis filhos, por
dificuldades da vida, abandonada pelos pais e irmãos, enveredou pelo caminho da miséria e
mendicância, vista como precursora da mulher livre de padrões morais. Batalhou para
sobreviver, como doceira e faxineira. Teve mais três filhos, dos quais a primeira, aos dois anos
de idade, foi arrancada de seus braços para ser adotada. Nunca mais a viu. Com 57 anos de
idade, em pleno trabalho da sua cozinha, foi vítima de latrocínio, em 31-8-1964, nos subúrbios
da Capital, o último capítulo de um destino cruel, marcado pela tragédia. Já tem mais dois
livros em andamento, um dos quais leva o título Filhos Adotivos: um Pacto de Silêncios.
Nilo de Miranda Ruschel, estrelense de nascimento, além de muitos artigos em jornais
e revistas, participou na poliantéia Rio Grande do Sul - Imagem da Terra Gaúcha, edição de
1942 (nas páginas 109-117), como um dos pioneiros no turismo como fonte de recursos e
cultura. Em 1960, publicou O Gaúcho a Pé, enfocando sociologia, , geografia, novela e
reportagem, pela Sulina. Em 1971, publicou suas crônicas em Rua da Praia, com 298 páginas e
13 fotos.
Paulo Giongo nasceu em Estrela, de onde saiu para estudar em Passo Fundo e nunca
mais teve a sorte de voltar a residir em sua terra e a quem conhecemos nos bancos
universitários. É autor de muitas peças de teatro, como A França não há de morrer, que serviu
de estréia do Dolorges Caminha; A Voz da liberdade, um drama. O sono dos Prisioneiros, uma
tradução de Cristopher Fry. Vera, alta comédia. Por quem não dobram os sinos e A Arte de Ter
amigos, comédias.
Reinaldo Alberto Braun, sacerdote jesuíta, nascido em linha Glória, Estrela,
obviamente destacou-se fora de Estrela. Defendeu a tese para Láurea em Exegese intitulada
Mysterion Eusebéias, publicada em latim. Com introdução e anotações exegéticas, traduziu e
publicou as Epístolas aos Colossenses, Efésios, Filemon e Filipenses, em 1965. Traduziu a
Vida de Jesus, publicada em Buenos Aires.
Rosa Maria Ruschel, professora primária, é co-autora com Zenna Teresinha Braun, do
Primeiro Livro do Guri - Matemática. Em parceria com Élbio Gonzales e Flávia E. Braun
publicou a Cartilha do Guri, em 1963; Segundo Livro do Guri, em 1964; Terceiro Livro do
Guri, em 1965 e o Quarto Livro do Guri, em 1966.
Rúdi ou Rudolfo Schäfer, – professor e diretor da Escola Paroquial São Luís, em
Estrela, publicou a obra Lese- und Uebungsbuch zur Erlernung der portugiesischen Sprache
(Livro de Leitura e Exercícios para o Aprendizado do Português) e a História Pátria e
Corografia do Rio Grande do Sul. Onde estarão seus exemplares?
Rudolfo Maria Rath, mais conhecido por Rumara nos meios literários e jornalísticos,
em 1958 publicou Município de Estrela - Breves dados sobre o Município e sua importância
no Alto Taquari. Escreveu muitos textos publicados em revistas e jornais do seu tempo.
Sílvio Meincke, pastor da Comunidade Evangélica de Estrela, em 26-5-1988, publicou
a obra Luta pela Terra e Reino de Deus, com 152 páginas e 40 ilustrações. Também é o autor
de A Fonte, com 132 páginas.
Siziane Koch publicou, em sociedade com Susana Mendoza, em 1999, Estrela Nosso
Município, de 120 páginas. O livro se destina aos alunos das séries iniciais, com exercícios
didáticos para Estudos Sociais. A coleta de dados foi feita por Michele Koch e Antônio Cledy
Menezes Veloso.
Suzana Kilpp é professora, farmacêutica e escritora estrelense. Iniciou-se na literatura
em 1977, participando com três poesias no 2º volume da Coleção Vereda, as “Histórias
Ordinárias”, da Editora Documento. Em 25-9-1980, lançou na Sociedade Ginástica de Estrela
seu livro Quaresma, depoimentos lúdicos, contos, poemas e fotografias. No ano seguinte,
editou Geração Grapette (Anthropos-Fazia), depoimentos ainda lúdicos. São desenhos, versos,
prosa poética de reflexão, num misto de contos e poesia, com muita graça, humorismo e certa
irreverência. Em 1992 chegou a vez de um romance: Ana Quaresma. Uma pesquisa histórica
foi a obra que saiu quatro anos depois, em 1996: Os cacos do teatro: Porto Alegre, anos 70 e,
em 2000, novo livro de história: e Apontamentos para uma história da televisão no Rio
Grande do Sul. Tem diversos artigos, contos e poesias publicados em outros livros, revistas e
jornais.
Teodoro Bentz, à primeira vista, por mais estranho que possa parecer, pode ser inserido
nesse quadro como literato. Recebi da Profª Drª Ione Maria Ghislene Bentz um opúsculo em
língua alemã, letra gótica, onde há interessantes textos e fotos sobre Estrela de autoria de
Theodor Bentz. Lebenslauf des Bäckermeisters und Gastwirtes Theodor Bentz in Estrella,
publicado em 1931, pela Tipografia do Centro, em Porto Alegre é um opúsculo de 74 páginas
ilustradas, concluindo com Schlusstusch - ou seja, "toque final". Nas poesias canta as saudades
do Reno, a terra que o viu nascer. Certamente o Taquari foi um dos elementos fortes para fixá-lo
em Estrela... Um poeta que se assina apenas pelo nome, talvez melhor pelo sobrenome "S."
(talvez seu conterrâneo Bruno Schwertner?), em 12-5-1903, enalteceu Teodoro Bentz como
personagem importante na história de Estrela, com fotos dele, do hotel e da vila. Lothar Hessel
identifica Teodoro como poeta cronista, eis que deixou testemunho disso em dois opúsculos em
alemão, com interessantes notas sobre a Estrela que conheceu. Por mais de 25 anos Teodoro
Bentz foi agente do Deutsches Volksblatt. Com os viajantes mandava à Porto Alegre as
notícias de Estrela.
Voní T. Loposzinski é mais conhecida pelo seu pseudônimo literário. Veio de
Venâncio Aires para Estrela. Depois de muita leitura e exercícios de prosa e verso, iniciou sua
primeira fase literária com Fascinação, uma obra lírico-poética, lançada em 1992. A segunda
fase está voltada para o atavismo da família Loposzinski, criando heróis de dois mundos, a
Polônia e o Brasil, projeta-os no primeiro romance Arco-Íris Polonês, em 1995. A 2ª edição,
revista por Hilda Agnes Hübner Flores, apresenta um novo visual, com capa de paisagem dos
“Imigrantes” de Anagiolo Tommasi, assinando a autora como Voni T. Loposzinski. De 230
páginas aumentou para 254, contendo inscrições de lugares e cidades que passou a conhecer
com a sua viagem à Polônia, após a primeira edição. Em novembro de 1995, lançou seu novo
romance, Adeus Bialogard, escrita durante sua estadia na pátria de seus ancestrais, em 1994.
Em 11-9-1998, lançou Jasminny, Minha Vida, romance que narra a grande frustração amorosa
de Jasminny que vive o drama da mãe solteira, a problemática da esterilidade, a doença e morte
do consorte, amores secretos, rejeições afetivas e, no clímax, o seu imprevisível e patético
reencontro com Luckjano, seu primeiro amor, e o filho Lucky. Em 27-10-2000, na Livraria
Armazém em Estrela, lançou seu quinto livro, Supremos Momentos I, seu primeiro romance
infanto-juvenil. Trata-se de uma narrativa onde os personagens infantis e adultos jogam os
destinos de suas vidas num lugar determinado e ao mesmo tempo ilimitado, chamado Polisine.
Apresenta temas como consumismo, racismo e a magia do primeiro amor, envolvendo a
personagem Harynna. Leandro Loposzinski ilustrou as páginas da obra. Em 9-10-2001, lançou
Supremos Momentos II. Em 30-4-2002, o trabalho Os Peregrinos foi um dos 40 selecionados,
na sétima edição do concurso Histórias de Trabalho, projeto desenvolvido pela Secretaria
Municipal de Cultura de Porto Alegre. O certame reuniu 955 participantes de todo o Brasil,
julgados por 24 jurados. Supremos Momentos III é a próxima obra, completando uma trilogia.
Werner H. E. Schinke e Gisela Schulz-Schinke participaram como co-autores do livro
Nós, os teuto-gaúchos, editado em 1966, pela Editora da Universidade UFRGS, Porto Alegre,
nas páginas 26 a 30, com o texto Missão e preservação. Como presidente do Centro Cultural 25
de Julho Vale do Taquari, publicou diversas edições do Caderno Cultural, como está
mencionado alhures neste capítulo.
Zenna Teresinha Braun nasceu na linha Glória, em Estrela. É co-autora, juntamente
com Rosa Maria Ruschel e Flávia Elisabeta Braun, do Primeiro Livro do Guri - Matemática,
editado pelas Edições Tabajara, com larga difusão pelo Estado e pelo Brasil. A obra teve por
objetivo proporcionar ao professor do primeiro ano recursos para desenvolver o Programa de
Matemática, que possam levar o aluno a uma melhor compreensão e apreciação das noções
nele contidas e sua aplicação na vida cotidiana.
Artistas plásticos e artesanato
Além da música, canto e teatro, também a pintura e artes plásticas faziam parte do
currículo escolar nos Colégios São Luís, Santo Antônio e Martin Luther.
Realizar exposições de arte também já tem longa tradição em Estrela, como forma para
que os pais e a comunidade pudessem apreciar os dotes artísticos dos filhos e Estrela
incentivasse seus artistas. Lamentavelmente, muitas fontes sumiram para nos atestar suas datas e
nomes. Citamos neste livro a Exposição de 1926, pelo 50º aniversário de Estrela. O Colégio
Santo Antônio conquistou uma Medalha de Ouro por Obras manuais e pintura de suas alunas
Outros conquistaram prêmios por obras manuais, o que hoje denominamos artesanato.
Fora da sala de aula, também se desenvolvia em Estrela dons artísticos. José Carlos
Dauth e suas alunas expuseram seus quadros de pintura, no palco da SOGES, como noticiou O
Paladino, de 28-4-1928. A venda dos quadros se destinava à construção do Hospital, como está
mencionado no capítulo da saúde, neste livro.
Como se vê, em Estrela, as exposições de arte e artesanato têm longa tradição.
Apesar do apelo feito ao público de Estrela, pela imprensa, para que nos fossem dadas
informações para este livro, nesta área de artes plásticas e artesanato há falta de pormenores
importantes. Da Casa de Cultura nos foi entregue uma listagem de 17 artistas plásticos e
artesãos, que aqui ficam registrados para a memória, em ordem alfabética, acrescidos de mais
dados que nos foram remetidos e que constam no Dicionário deste livro:
Adroaldo Eckert, no bairro dos Estados, é um artesão que se dedica a trabalhos de
artesanato em madeira, com entalhes.
Ana Solange Müller, também no bairro dos Estados, é artista plástica voltada à pintura
em tela e porcelana.
Andréia Vanice Amaral é a mais recente revelação de artista plástica em Estrela, onde
reside, no bairro das Indústrias. Atualmente, está cursando o 2º grau no Instituto Estadual de
Educação Estrela da Manhã (IEEEM) - cf Folha Popular, de 1-9-2001. Sem nenhum curso de
desenho e arte, tem facilidade em retratar rostos de pessoas, através de fotos, como também
paisagens da natureza. Iniciada em 29-8-2001, sua primeira exposição de arte está ocorrendo no
Saguão da Arte, no corredor do segundo pavimento da Prefeitura.
Berenice T. Anschau, no bairro Cristo Rei, é artista plástica, especializada em pintura
em tela.
Branca Sulzbach e seu filho Tarcísio, mais conhecido por Wik, na linha Novo
Paraíso, são artistas plásticos, com preferência em pintura em tela.
Dalila G. Dhalen, na linha São José, dedica-se ao artesanato, preferindo trabalhos em
palha.
Dalila Konzen, na rua Venâncio Aires, é artista plástica distinguindo-se na pintura em
tela e porcelana.
Edison Paulo W. Mayer residiu num total de 19 anos em Estrela, notável artista
plástico, especializado em pintura sobre tela, agora residente em Lajeado. Tem participado de
várias exposições.
Gisela Schulz-Schinke é uma das artistas plásticas que mais se destaca em Estrela e no
Vale do Taquari. Desde menina, prefere retratar a natureza, através da pintura paisagística, o
que herdou do pai. Tem seu estúdio na própria residência-museu, na Rua Doutor Tostes.
Gládis Müller Lara é artista plástica em Estrela, na rua Pinheiro Machado,
distinguindo-se na pintura em tela, com a participação em várias exposições de renome.
Ministra aulas particulares a um grupo de artistas plásticas.
Harda Tallini, na rua Tiradentes, é artista plástica, distinguindo-se na pintura em
porcelana.
Juliana Paim Buss é artista plástica em Estrela. Seu desenho Paz foi classificada no
projeto Descobrindo Talentos - Artes Plásticas, divulgado pelo Sesi, cf O Informativo, de 4-122001. Participa da Bienal do Artista Gaúcho, em Porto Alegre, em 2002.
Liane Sabino, no bairro dos Estados, é artista plástica, voltada para a pintura em tela.
Marlene Ruschel, no bairro Oriental, é artista plástica, especializada em pintura em
tela.
Marlene Scheinpflug, na rua Nilo Peçanha, dedica o seu tempo livre no artesanato em
geral.
Maurício Martins, no Alto da Bronze, é artesão, preferindo a produção em cerâmica.
José Guido Blume e seus filhos Guilherme e Marconi destacam-se como artesãos,
especializados em cerâmica.
Sérgio Werle é artista plástico, especializado na pintura em tela. Criou o monumento
do Chuck & Ruth.
Decisão importante foi tomada entre o Município e o Estado, em 17-8-2001, para ser
construída a Casa do Artesão em Estrela. A fase seguinte será definir o local.
De 13 a 16-9-2001, realizou-se no Ginásio de Esportes da Soges a II Bienal do
Artesanato de Estrela, promovida pela Associação dos Artesãos do Município e realizado pela
Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Educação e Turismo e Casa de Cultura Dr. Lauro
Reinaldo Müller, em parceria com a Casa do Trabalhador de Estrela. Cerca de 50 artesãos
expuseram e comercializaram seus trabalhos. Apresentações musicais abrilhantaram o evento.
Com a finalidade de promover troca de experiência, defesa de direitos comuns, estudo da
legislação específica, comercialização de produtos, realização de feiras, cursos, encontros e
exposição dos trabalhos de pintura, bordado, crochê, cerâmica, madeira, papel reciclado, etc. foi
fundada a Associação de Artesãos de Estrela. Sob a presidência de Marlene Scheinpflug, na
Sociedade Rio Branco, como mostra de talento e criatividade, deu-se a Feira do Artesanato de
Páscoa, de 2002, reunindo em torno de 700 visitantes do Vale do Taquari.
Monumentos
Pelo Brasil inteiro foi vivamente festejado o Centenário da Proclamação da
Independência do Brasil. O banimento da Família Imperial foi sustado... Monumentos alusivos
foram erguidos em praças públicas, como um de notável proporções em Santa Cruz do Sul e um
bem modesto, no centro da Praça Marechal Floriano, em Lajeado. Em Estrela, a Intendência
adquiriu em maio de 1922 um quadro de metal “O Grito do Ipiranga”, reprodução da tela de
Pedro Américo. Tinha 80 cm de largura, por 110 cm de comprimento, sobre uma moldura de
jacarandá. Onde estará?
O projeto do obelisco do 1º Centenário da colonização alemã no RS é um projeto de
Orzolino Pereira Martins. Ficou exposto na vitrine da casa comercial de Artur Francisco
Preussler, cf O Paladino, de 21-9-1924.
O monumento foi inaugurado em 15-10-1924, dentro do programa de posse do
intendente André Marcolino Mallmann.
O que é realmente muito estranho é o Conselho Municipal de Estrela autorizar, pelo Ato
n.º 61, de 11-10-1924, contribuir com a quantia de um conto de réis para o monumento
comemorativo do centenário da imigração alemã a erigir-se em Novo Hamburgo. Para o
obelisco em Estrela foi autorizada a abertura de um crédito necessário, sem indicar o valor...
No Relatório do l.º aniversário de governo, o intendente André Marcolino Mallmann
informou que para a construção foi despendida a quantia de 2:000$000, contratado com o
competente canteiro Sr. Asmus C. Ehrichsen, desta vila.
Em 13 de maio de 1979, na festa da Rua Treze, dentro da programação, às 9h foi
entregue ao público o Monumento de Cascalhos, que serviu para marcar o aniversário do
Município e também para lembrar a submersão do cascalho pela represa das águas do Taquari.
Os cascalhos foram transportados de Encantado até Estrela. O presidente da Comissão de
Festejos foi Clóvis Antônio Schwertner.
Na Praça Benjamin Constant, defronte à igreja matriz de Estrela, foi inaugurado o
monumento em homenagem a Antônio Vítor Sampaio Menna Barreto, em 21-5-1988. Obra dos
artistas plásticos Wik e Branca Sulzbach, o monumento lembra o fundador da cidade de Estrela.
A Associação Estrelense de Porto Alegre sugeriu que o nome da praça fosse alterado, sugestão
aprovada pela Câmara de Vereadores, cujo presidente Renato Wagner leu na solenidade de
inauguração o teor da lei que denomina Praça Antônio Vítor Sampaio Menna Barreto ao
logradouro público. O descerramento da placa alusiva foi efetuado pelo juiz de Direito Dr.
Aramis Nassif e pela professora Hilda Menna Barreto, neta do homenageado.
Vistoso é o monumento na mesma praça, diante da Prefeitura Municipal, lembrando os
75 anos de emancipação política de Estrela, inaugurado em 21-5-1951. É uma homenagem dos
municípios de Lajeado, Arroio do Meio e Encantado, emancipados de Estrela. Foi esquecido
Guaporé, por desconhecer a história.
Outros "monumentos" também devem ser mencionados, como o memento em
homenagem à Mãe estrelense, com as seguintes inscrições:
E aquela menininha, sem mãe, perguntou: Para que servem as mães? Responderamlhe: as mães servem para dar, as mães dão, dão tudo, dão sempre, sem pensar em si mesmas.
As mães simplesmente dão-se...
Homenagem à mãe - 11-5-1958 - Rotary Club de Estrela.
Noutra placa, logo abaixo:
Mãe, és eterna, és um pouco de todos - És a vida - És mulher, Mãe de Deus e Mãe dos
homens - Obrigado, mãe!
Rotary Clube de Estrela - 12-5-1991
Na mesma praça, há também um marco comemorativo do Sesquicentenário da
Revolução Farroupilha - 20 de setembro 1835 - 1985. - Gabriel Aloysio Mallmann, Prefeito
Municipal - Clóvis Antônio Schwertner, Vice-prefeito municipal. Na parte frontal do memorial,
numa pedra em forma geográfica do Rio Grande do Sul, há a inscrição: A luta pela terra virá
pelos ideais farroupilhas.
Em 1981, também foi recordado os 60 anos do jornal O Paladino. Na administração de
Hélio Musskopf foi gravada essa comemoração, numa pedra de granito e plantado um ipê.
Junto ao Trevo da Cidade, foi construído o monumento Chuck & Ruth, mascotes da
cidade, badalados em função do festival do Chucrute, termo que criou a dupla Chuck e Ruth.
Alusiva à colonização e cultura dos imigrantes alemães, a obra é criação de Sérgio Werle, com
direitos de imagem da Comunidade Evangélica. Foi construído por Marcos Datsch de Oliveira,
artista plástico de Lajeado, custeada pelas empresas Brasilata, Univale, Artecil, Certel e Auto
Viação Estrela. Construídos em concreto, os bonecos têm cinco metros de altura, inaugurados
em 23-5-2002.
Meios de Comunicação
Correio e telégrafo
A Agência do Correio federal já funcionava em Estrela, desde 1881, segundo Nilo
Ruschel, em Correio do Povo, de 29-5-1966. Observou que a nomeação de Jacó Müller foi, na
época, a primeira e única de sobrenome alemão, para um cargo público. De resto, o
funcionalismo público, por intencional propósito ou atendendo à irresistível vocação, era
composto de brasileiros – observou Ruschel. Como resgatar outros nomes, se os arquivos
sumiram?!
Graciliano de Vargas Nery foi agente do Correio em Estrela, cf O Paladino, de12-81923.
Por muitos anos, funcionou os serviços de Telégrafo e Correio na rua Fernando Abbott.
Mudou-se a estação telegráfica para a rua Floriano Peixoto, prédio A. B. - cf O Paladino, de
24-1-1931. João Carvalho de Barcelos foi telegrafista, por vários anos, em Estrela, destacandose sua ação por ocasião da Revolução de 1930. Só no ano seguinte, sua repartição obteve uma
linha telefônica, cf O Paladino, de 16-5-1931.
Em 15-5-1896 foi instalado na Vila de Estrela a estação telegráfica da rede estadual. O
primeiro telegrafista foi Carlos de Oliveira Paes. A comunicação definitiva se deu em 2-121896.
Poucos documentos nos restaram para um estudo e análise de seu uso, importância e
evolução. Observando-se, por exemplo, o quadro da Diretoria de Viação, assinado pelo diretor
J. L. de Faria Santos, em 15-7-1899, no qual há a “Demonstração do movimento da linha
telegráfica de 1º de julho de 1898 a 30 de junho de 1899, das 12 estações existentes, Estrela
ocupava o 9º lugar, com o total de 898 telegramas, somando 11.602 palavras, o que dá a média
de 12.9 palavras por unidade, ao custo total de 1:833$380. O salário do telegrafista foi, durante
o aludido ano, de 3:144$984 e o aluguel foi de 420$000, mais 1$660 de material de consumo,
somando a despesa de 3:536$644 o que deu o déficit de 1:703$264. A estação de Lajeado estava
em 11º lugar, com 565 telegramas e o total de 7.818 palavras, com a média de 13.8 palavras por
mensagem.
Rádio
O primeiro meio de comunicação, sonoro, para um público maior, em Estrela, foi o
serviço de alto-falante, denominado estação radiográfica.
Verificando-se o Programa das festas jubilares da Paróquia de Santo Antônio da
Estrela – 1873 – 1923 – observa-se que, nos quatro dias de festas, havia uma promoção sui
generis para a época, executada em 24-8-1923, às 14h: o início dos festejos populares à Praça
Benjamin Constant e inauguração da “estação radiográfica”. Uma comissão de senhorinhas
cuidava o setor, anotando as mensagens que iam ao ar pelo alto-falante, com dedicatórias
musicais, que tinham seu preço durante a quermesse, como forma de angariar fundos para a
reforma da igreja. À noite, houve cinema ao ar livre. Como o cinema era mudo, o espetáculo
era apresentado ao som da excelente Banda de Música de Lajeado, dirigida pelo conhecido
maestro Irmão Mário e uma banda desta localidade – cf O Paladino, de 12-8-1923.
Outra notícia interessante O Paladino, de 18-8-1928, deu com a manchete:
Aparelhos de rádio
Requereram permissão para instalar em suas residências aparelhos de rádio-telefonia,
os senhores Oscar Markus, residente na Boa Vista, 5º distrito deste município, e Albino Inácio
Müssnich, funcionário do Banco da Província do Rio Grande do Sul.
O Paladino, de 17-5-1930, avançou um pouco mais nas informações, como que
manifestando sua evolução histórica em Estrela, com a manchete
Rádio-Telefonia
O Sr. Adão Fett, cujos conhecimentos técnicos em matéria de rádio-telefonia (entendase radiodifusão) já há revelado tantas vezes, está empenhado em instalar nesta vila, uma
"Brodcasting" (estação difusora de rádio). Não sabe, entanto, qual o local que Adão Fett poderá
dispor para isso, e se poderá contar com outros elementos constitutivos do grupo, que deverá
colaborar na estação a ser instalada... Estrela terá um centro admirável de cultura intelectual.
Como se vê, Estrela acompanhava a evolução dos meios de comunicação. O padre
Roberto Landell de Moura ( *21-1-1861), com 32 anos de idade, realizou a primeira experiência
precursora de rádio, transmitindo a voz a uma distância de oito quilômetros sem utilização de
cabos e fios. Por isso, Nilo Miranda Ruschel lembrou seu nome ao ser formada a Fundação
Educacional Padre Landell de Moura. No RS, a radiodifusão iniciou, de fato, em 7-9-1924, em
Porto Alegre, através da Rádio Sociedade Rio-grandense, na casa de Juan Ganzo Fernandez,
com um discurso, notícias de futebol, turfe e música. O transmissor tinha vindo de Buenos
Aires. Pouco tempo depois, a rádio saiu do ar. Em 1925, surgiu a Sociedade Rádio Pelotense.
Maior impulso foi dado quando surgiu a Rádio Sociedade Gaúcha, em 8-2-1927, entrando no ar
em 19 de novembro, com sede no Grande Hotel, na Praça da Alfândega. Nesse contexto, entra a
história dos meios de comunicação em nosso município.
Quem recordou o funcionamento de radiodifusão na clandestinidade, em Estrela, foi
Rudolfo Maria Rath, um de seus pioneiros, em Nova Geração, de 22-3-1969, ao noticiar o
falecimento de Raul Spalding: Ligou-se Raul Spalding, também, à radiodifusão, pois foi o
melhor "speacker" da Estação que Roberto Stangler, os irmãos Schwertner, etc. montamos
aqui, nos idos de 1930, clandestinamente, mais por esporte, e que muita alegria deu a muitos
em nossa cidade.
A radiodifusão em Estrela está sendo feita pela Rádio Alto Taquari Ltda. e a Rádio FM
102.9, cuja história estão no Dicionário.
Radioamador
As aulas de física nas escolas, postas em prática em oficinas domésticas, foram as
responsáveis para que a radiodifusão se popularizasse. Já na primeira década do século 20 foi
possível estabelecer a comunicação à grande distância, através das ondas curtas. Não foram
cientistas, nem empresas comerciais especializadas os pioneiros na comunicação, mas a
categoria dos radioamadores, curiosos que manipulavam aparelhos emissores de rádio, para o
seu próprio prazer, sem objetivos de lucro, movidos tão somente pela vontade de se comunicar
com outros radioamadores. Em 1912, os radioamadores foram expurgados da faixa de ondas
longas, podendo operar em comprimentos de ondas inferiores a 200m. Durante a I Guerra
Mundial, a comunicação foi totalmente proibida. A partir de 1919, iniciou-se a experiência com
ondas curtas. O esporte espalhou-se por toda a parte.
Em Estrela, além de Adão Henrique Fett, outros gostavam de se comunicar. O
fenômeno pode ser comparado, de certa forma, com a Internet de hoje. Merece destaque muito
especial Eduardo Snel, quando acadêmico de Medicina. Seu hobby era o radioamadorismo.
Participando do "Worl Wide VPX SSB Contest - o maior concurso mundial de
radioamadores, Eduardo Snel colocou-se em 1º lugar no mundo inteiro, no concurso realizado
em abril do ano passado, que durou 48 horas, sendo obrigatório um descanso de 18 horas.
Neste período, Eduardo fez 3.0000 comunicados, em todas as freqüências. A promoção é da
revista americana CK e os resultados foram divulgados somente neste mês, pois os
organizadores conferem para ver se realmente todos os comunicados declarados foram
realmente efetuados. Participaram do concurso mais de 5.000 radioamadores, de todos os
países do mundo - cf Nova Geração, de 18-3-1972.
Jornais e revistas
A evolução histórica dos principais jornais de Estrela está resgatada em nosso
Dicionário, através dos verbetes O..., Der Pionier, Correio da Estrela, Avante, O Estrelense,
Voz de Estrela, O Regional, A Guilhotina, O Paladino, Raio X, O Clarim, O Combate, O
Uirapuru, Folha Estudantil, Sininho, O Transparente, O Anel, Gente de Estrela, o jornal
Nova Geração, a Folha de Estrela. Lamentavelmente, seus diretores não nos enviaram o
histórico completo de seus próprios jornais, para fazer parte deste livro. Alguns dados estão nos
respectivos verbetes no Dicionário.
De 13 destes jornais, não se conhecem exemplares. Temos apenas algumas folhas
esparsas e danificadas. É lamentável ter que aceitar essa realidade. O Museu Hipólito da Costa,
em Porto Alegre, guarda todos os jornais que lhe são remetidos (fone 51-224-4252). Na região,
não temos uma instituição que zele pela sua memória, nem uma instituição universitária.
Chega-se à conclusão ser muito antigo o hábito de se jogar fora o jornal. Quem pensa
em publicar seus relatórios e a história de sua empresa em jornal, para fins de memória, está
fazendo um péssimo investimento, com certeza absoluta!
Da coleção encadernada d' O Paladino faltam várias edições, como por exemplo, as 39
edições, de 12-4-1929 a 18-1-1930. O volume de 1934 foi emprestado a um grupo de
aventureiros, hoje fantasma (São Leopoldo?), estranhos à região, que se aproveitam de datas
importantes nos municípios para vender espaço publicitário. Além de não devolver parte da
coleção, os picaretas nem nos deixaram seus nomes e endereços. Períodos importantes na vida
de Estrela ficam como que deletadas.
Acentuado erroneamente, O Uirapuru era o Órgão mensal do Grupo Escolar Vidal de
Negreiros. Aluno do 5º ano, com 10 anos de idade, Alexandre Eggers Garcia, era o diretor e
Renê Morais, o gerente - Redatores: Os alunos das diversas classes eram os redatores. A edição
especial de 20-5-1951, em homenagem aos 75 anos de Estrela, é que temos para analisar.
Continha 8 páginas, no seu segundo ano de circulação. A Saudação a Estrela é assinada pela
professora Ilka Fialho Brust. Maria Lopes Abreu era diretora, como consta no histórico da
escola, na página 2. Beatriz Gausmann, da 4ª classe A, descreve a riqueza econômica de Estrela.
Glacy Martins, do 3º ano B, traz a Lenda da Origem de Estrela. Escreveram também Marta van
der Vem, Macário Reis, Carlos Maria Ferreira, Dulce Scheren. É de se supor que a Escola Vidal
de Negreiros tenha em seu arquivo a coleção de seu próprio jornal.
O jornal. Nova Geração está encadernado, com uma coleção na redação do próprio
jornal e outra, na Casa de Cultura. Dr. Adonis Fauth, um de seus fundadores, residente em Santa
Cruz do Sul, tem 9 volumes encadernados, até 1977, faltando três: parte de 1967, todo o ano de
1968 e todo o ano de 1970.
A Folha de Estrela é um semanário que circula nas quintas-feiras, no município de
Estrela e região, desde 20-5-1999. Auxiliado apenas por Júlia Graciela Schwan, secretária e
revisora, Paulo Roberto Pochmann de Quevedo é seu editor e diretor. Informa que a tiragem é
de 1.000 exemplares. Identifica seu jornal como pluralista e apartidário, praticando um
jornalismo ao estilo da Folha de São Paulo. Seu maior compromisso é com o leitor. Nossa
equipe busca informações em primeira mão - furos jornalísticos - e já colocou em debate temas
polêmicos que, depois, receberam cobertura dos demais órgãos da imprensa regional e
estadual. Nossa política editorial é muito bem recebida pelo público leitor. A sede está na rua
15 de Novembro, n.º 79.
Fique por Dentro é um informativo editado pela Secretaria de Administração e
Recursos Humanos, que está sendo remetido aos servidores com a folha de pagamento - cf O
Informativo, de 8-5-2002. - O secretário Carlos Artur Hauschild explica que o objetivo é
manter os funcionários esclarecidos sobre as questões pertinentes ao seu interesse.
Telefone
Dez anos depois de inventado por Graham Bell, nos Estados Unidos, a primeira ligação
telefônica em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, deu-se em 15-9-1886, inaugurada pela
União Telephônica do Brasil. Um dos interlocutores foi Manuel Deodoro da Fonseca, então
vice-presidente da Província do Rio Grande do Sul. Em 27-8-1889, foi instalada a primeira linha
telefônica em Taquari, de iniciativa privada. Os distúrbios político-militares que se
desencadearam com a implantação da República, culminando com a Revolução Federalista,
adiou a comunicação telefônica no Vale do Taquari. A iniciativa privada instalou o primeiro
telefone em Bom Retiro do Sul, em 1-10-1903, e a rede telefônica municipal de Taquari foi
inaugurada em 13-12-1903. Naturalmente, as lideranças de Estrela buscavam, na mesma época,
tal melhoramento. Mas, era caro. O projeto de ligar Estrela com Teutônia e Roca Sales nasceu
em 1901. Demorou três anos para se tornar realidade. Embora muito lento, o telégrafo quebrava
o galho e era mais barato.
Pelo Of. 485, de 28-4-1902, o intendente de Lajeado, Francisco Oscar Karnal, solicitou
ao presidente do Estado, Borges de Medeiros, uma linha telefônica entre Lajeado e Estrela.
Medeiros respondeu que o telégrafo era gratuito para as duas Intendências. Na visita de Borges
de Medeiros à região, em 27-4-1903, entre diversas reivindicações, Karnal retornou ao pedido
desta linha telefônica.
A rede telefônica em Estrela, ligando a Vila com o 2º e 3º distritos, ficou
definitivamente construída em 1903. Na Intendência é instalado um aparelho receptor e, no
Corvo, uma estação intermediária - cf Álbum Comemorativo do Cinqüentenário do
Município de Estrela, p. 94.
O primeiro Centro Telefônico de Estrela, com prédio próprio, foi instalado em 1909,
com 26 linhas, sob os encargos de Rachel Amália Pereira. No mesmo ano, o governo do Estado
entregou a estação telefônica de "Bom Retiro". Para telefonista, Pontes Filho nomeou a mulher
de Francisco de Lourenz. No ano seguinte, em 16 de agosto, os intendentes de Estrela e Taquari
firmaram um acordo referente ao tráfico mútuo do serviço telefônico. O mesmo ocorreu, em
1911, com o município de Garibaldi, enquanto a capacidade da central de Estrela foi ampliada
para 100 linhas. Em 1914, o Centro Telefônico recebeu uma prédio de alvenaria., na rua 13 de
Maio.
A rede telefônica de Estrela, em 1920, era municipal. O capital investido era de 30
contos de réis. A Estação da sede tinha 90 linhas e mais 5 Estações em cada sede distrital. A
rede tinha 150 km e 540 km de fios. O município tinha o total de 127 aparelhos, dos quais 73
estavam na Vila de Estrela.
Em 1926, Cristina B. Schütz foi a Encarregada-Chefe do Centro da Vila.
O telefone socorreu e complementou o telégrafo, em 1932.
Como o leitor poderá acompanhar nos "relatórios" do Poder Executivo, a comunicação
telefônica em Estrela evoluiu sempre para melhor, até chegarmos ao estágio da modernidade,
através do DDD e telefonia celular. As dependências modernas da CRT foram inauguradas em
março de 1975.
Em 1998, o prefeito Leonildo José Mariani entregou na sede da Companhia Rio
Grandense de Telecomunicações S/A - CRT um projeto, elaborado pelo Departamento de
Engenharia e Secretaria da Indústria e Comércio, para a instalação de DDD em todos os bairros
da cidade e especialmente no interior do município.
A modernidade em matéria de telefones celulares, obviamente, também está trazendo os
benefícios, acelerando e facilitando a comunicação. A enorme torre da CRT, instalada no centro
da cidade, é a imagem que o povo tem da globalização.
Para março de 2001 tinha sido programado o sistema automático de telefonia para o
interior, o que em meados de setembro ainda não aconteceu. A previsão da CRT foi instalar
1.316 terminais, dos quais 298 na cidade, 292 no distrito de Costão, 156 em Glória, 311 em
Delfina e 259 em Novo Paraíso. O sistema WLL dispensa o uso de cabos. O custo para a
empresa foi de R$ 1.760,00 para cada terminal. Cada usuário deverá pagar apenas R$ 51,89 pela
instalação. O investimento da CRT está acontecendo em 56 sedes de Municípios e em apenas
seis será estendido a localidades do interior - cf O Informativo, de 27-10-2000.
Há em Estrela, quase, 3.000 telefones instalados. A população dispõe de 44 telefones
públicos, mais conhecidos por orelhões. Aparelhos celulares estão numa quantidade
incalculável, em constante mutação, especialmente, desde a instalação da inusitada torre no
centro da cidade, concluída em 1995.
Vergonhoso desatendimento - A CRT Brasil Telecom fechou a loja de Estrela - cf
Jornal do Vale, de 28-8-2001. - A justificativa da empresa é que o atendimento pode ser
prestado aos clientes por via telefônica.
Cinema - TV
Lembrando que em 28-12-1895 se deu a primeira projeção de filme, pelos irmãos
Lumière, no Salão Indiano do Grand Café do Boulevard de Capucines, em Paris, a sétima arte
veio rápido ao Brasil. Folheando-se o Echo do Sul, em setembro de 1907, duas programações
cinematográficas estavam sendo executadas em Porto Alegre. Os ingressos para teatro custavam
6$000 e as sessões do cinematógrafo custavam apenas 1$000. Como a fita era muda e de curta
duração, conjuntos musicais animavam as exibições.
Em diversas edições, em 1908, O Alto Taquary anunciava a importação de um
Cinematógrafo (abreviado para cinema, mais tarde) completo, pronto a funcionar, garantido e
perfeito: 1:000$000 com primeiro pagamento de 150$000 - Fitas para o mesmo, metro a
1$200. Para comparar preços, era o mesmo preço de um piano "Knaabe" ou "Standart", ou o
valor de 5 bicicletas importadas.
O cinema deve ter surgido em Estrela lá por 1911. Seu pioneiro foi Albino Bohrer. O
primeiro registro documentado de exibição cinematográfica em Estrela e no Vale do Taquari
encontramos no semanário estrelense O Regional, de 28-7-1912:
Chamamos a atenção das exmas. famílias da vila e do interior do município para o
conhecido Cinema Hirtz que se acha atualmente funcionando nesta vila, no Pavilhão municipal
à Praça Benjamin Constant.
Dirige esse popular estabelecimento de diversões o nosso amigo Albino Bohrer, cujos
programas são caprichosamente organizados de belíssimos e modernos filmes de arte.
A empresa que dispõe de excelentíssimos aparelhos e luz elétrica, dará funções: hoje,
quarta-feira, sábado e domingo próximo.
O mesmo espaço era ocupado para concertos, teatro e programações artísticas, como
bailado, declamações de poesias e sessões de homenagens a pessoas e datas cívicas. Sobre o
enorme pano de boca no palco havia o espaço publicitário, pintado a mão por artistas e vendido
às empresas. Uma rara foto desse tipo de publicidade existe em Lajeado. No “pano de boca” do
Cine Teatro Brasil, de Matias Rockenbach, Cândido Rodrigues de Lima desenhou 25 espaços
publicitários. No verso do recibo de 30$000 para cada “reclame” estava a foto do quadro
inteiro, onde constatamos também empresas de Porto Alegre e Estrela, como a casa comercial
de Luís Inácio Müssnich, Kortz & Dexheimer e outras.
Contemporâneo também foi o Cinema Fregoli, mencionado pelo semanário O
Regional, de 13-7-1913.
Com os anos o maquinário foi se aperfeiçoando. Os filmes tiveram maior metragem e
melhor apresentados, atraindo bem mais público. O documentário, infelizmente, desapareceu,
sem que possamos resgatar a sua evolução e constante desenvolvimento. Alguns de seus sinais
afloram, de tempos em tempos.
Não se sabe quando foi estabelecido o Cinema Estrelense. Pode ter sido lá por 1916. O
apreciado Cinema Estrelense levará hoje A Justiça. Pelas fotografias expostas no lugar de
costume parece ser um admirável film cinematográfico – cf O Paladino, de 23-10-1921.
Alguns dias depois, o mesmo semanário noticiou a exibição de um film sensacional da
Fox. A Fox, num arrojo dos maiores, editou, de uma forma surpreendente, o film Evangelina,
síntese do famoso poema de Longfellow, o delicioso poeta que descreve na sua obra prima, com
inspiração arrebatadora, a natureza da Arcádia e os costumes singelos dos seus habitantes. Foi
traduzido do inglês para o português por Franklin Dória, o Barão de Loreto.
O Paladino, de 7-3-1926, divulgava a exibição do grandioso film A Cidade e as Serras
- 7 longos e belíssimos atos - no Cinema Estrelense, da Empresa Ruschel & Müssnich. Nas
edições seguintes, a empresa se identificava como Cine Estrelense.
Igualmente merece desengavetar o Cinema ao ar livre: Talvez em Estrela tenha se
exibido pela primeira vez cinema ao ar livre, no Vale do Taquari, comprovado em documento.
Trata-se de uma programação pelo Centenário da Independência do Brasil, nas noites de 7 e 89-1922, na praça Benjamin Constant. No dia 7: Cartucho sem bala, com Eddie Polo, e O
Índio Correio, com Pete Morrison, dois Far West, e o Fogo de Palha, uma comédia com Harry
Sweet. No dia 8: A Âncora de Salvação, um Far West, com Ben Wilson, e a comédia Hotel de
Billie. No dia 8: Jogando um Trunfo, um Far West, com Edite Polo; O Cavaleiro Audaz,
com Harry Garcy, e Papai Folgazão, uma comédia.
Entre os sócios do Cinema Estrelense estava Afonso Ruschel - cf O Paladino, de 8-101922.
Em 4-3-1929, a Sociedade Ginástica comprou de Ruschel & Müssnich o maquinário e a
existência do Cine Estrelense, por 9:000$000. As exibições dos filmes já eram feitas nas
dependências da SOGES.
Grande novidade O Paladino, de 11-4-1931, noticiou ao chegar no Cine-Teatro Ideal,
em Lajeado, o cinema falado, com o acoplamento de um "Vitafone", com um filme falado e
cantado em alemão e italiano A noite é nossa. Na edição de 2 de maio, a diretoria da SOGES
solicitou a empresas de Porto Alegre para a instalação de um cinema sincronizado. Para esta
finalidade, em 26-8-1931, chegou Augustinho Ubatuba, representante da Companhia
Cinematográfica UFA em Estrela, entregando um orçamento para a diretoria da SOGES.
Alberto Dexheimer, dinâmico presidente da SOGES, seguiu para Porto Alegre, a fim de adquirir
o aparelho sonoro de cinema - cf O Paladino, de 17-10-1931. O equipamento foi instalado e
inaugurado em 7-11-1931, com a projeção dos filmes Piratas de Meia Cara e Ébrios de
Amor.
O Cine Guarani já fica mais perto da nossa memória. Na falta de documentação, parece
que o Cine Guarany, com y, se estabeleceu em Estrela em 1934. Funcionava nas dependências
da SOGES. Seu fundador e primeiro proprietário foi Reinhardo Miguel Forster, cf Folha
Popular, de 23-6-2001. Depois de apresentar as operetas alemãs da fita La Duquesita del
Tabaris (Der wahre Jacob), como complemento, teremos oportunidade de ver, pela 1ª vez, na
tela do Guarani, um desenho colorido da United Artist, e desenhado pelo famoso camundongo
Mickey - cf O Paladino, de 26-1-1935.
Em maio de 1942, o Cine Guarany exibiu o filme Warner Frothers, cuja renda de
bilheteria foi doada para o Aero Clube do Alto Taquari.
Em 1950, assumia a direção do Cine Guarany o Sr. Ivo Bergesch que, em 1952,
inaugurava uma sala moderna para a época, com equipamentos importados da Alemanha. A
sessão inaugural aconteceu em 13 de setembro com o filme Ave do Paraíso - cf Eligius
Hallmann, no Caderno Especial dos 120 anos de Estrela,
Estabelecida na rua Marechal Floriano nº 226, certamente, trata-se de uma nova casa
de espetáculos do velho Cine Guarani. Um dos primeiros filmes depois da inauguração de sua
tela mágica e equipamentos modernos foi O Cangaceiro, onde entra a história do notável
artista estrelense, Alberto Ruschel. - cf Correio do Povo, de 9-8-1980, p. 13. - Nascido em
Arroio do Ouro, alfabetizado no Colégio Santo Antônio, Alberto Ruschel nunca esqueceu suas
origens, mesmo que migrasse na adolescência para outras cidades, estados e países. Não
conseguiu saber o por quê do nome Arroio do Ouro, sua terra natal. Foi como discotecário da
Rádio Gaúcha que despertou nele a inclinação para a música. Maior de idade, como operário
no setor industrial, em Rio Grande, em meados da década de 1930 integrou um conjunto
musical, para animar festas e bailes em fins de semana. Quando tinha em torno de 22 anos de
idade, recebeu o convite de um amigo para se transferir para o Rio de Janeiro. No início da
década de 1940, com seu amigo Paulo ingressou como músico profissional, integrando o
Quitandinhas Serenader's. O sucesso foi total. Com 30 anos de idade, fez sua primeira
experiência como ator de cinema, servindo de dublê de corpo no filme Interlúdio. Um ano
depois, em 1947 mostrou a cara na tela, quando o Quitandinhas Serenader's animou a
chanchada (1º) Esse mundo é um pandeiro, da Atlântida, ao lado do Grande Otelo, Oscarito e
Eliana Macedo. O filme foi um grande sucesso de bilheteria - cf O Informativo do Vale Revista Lazer, de 19-8-2000. Depois de participar ainda dos filmes carnavalescos (2º) É com
esse que eu vou e (3º) E o mundo se diverte, Alberto foi para São Paulo, para ingressar na
Vera Cruz. Lá interpretou seu primeiro papel como ator, no filme (4º) Ângela, em 1951,
conquistando seu primeiro prêmio como ator, o Troféu Saci. Em 1952, representou o papel de
Teodoro, o ator principal no filme (5º) O Cangaceiro, a história de aventura no cangaço
brasileiro, de Lima Barreto. Quando o filme foi exibido no telão do novo Cinema Guarany,
Alberto Ruschel veio para Estrela, que o recebeu em festa num desfile pelas ruas da cidade.
Foram dias em que as 450 poltronas da sala escura foram todas ocupadas - lembrou Gonda
Bergesch, viúva de Ivo, a antiga bilheteira estrelense. De maior sucesso da Vera Cruz, o filme
ficou por seis anos seguidos em cartaz em Paris, e por quatro anos em Berlim e Tóquio, tendo
sido exibido em oitenta países. A glória para o longa metragem viria em 1953, no Festival de
Cannes, "O Cangaceiro" ganhou a Palma de Ouro de Melhor Filme de Aventura e a menção
especial pela música "Mulher Rendeira", tema do filme.- cf o mesma reportagem acima
mencionada. Seguiram-se mais sete filmes no Brasil: (6º) Apassionata, que lhe deu mais um
Troféu Saci, de melhor ator, (7º) Esquina da Ilusão, que lhe deu o Prêmio Governador do
Estado da Guanabara, como melhor ator, (8º) Três Garimpeiros, (9º) O Cara de Fogo, que lhe
deu o terceiro Troféu Saci, como melhor ator, (10º) Paixão de Gaúcho, (11º) A Morte
Comanda o Cangaço, que lhe deu o segundo Prêmio Governador do Estado da Guanabara,
como melhor ato e (12º) O Jogador. Alberto partiu para Espanha, em 1957, onde participou de
três filmes: (13º) Orgullo, (14º) Ha Passado un Hombre e (15º) Puente del Diablo. Voltou
para o Brasil e participou de mais três filmes: (16º) Amor Dez, Matemática Zero, (17º) Palácio
dos Anjos e (18º) O Capanga. Foi para a Argentina, onde foram produzidos (19º) Aconcágua e
(20º) Luta nos Pampas. Regressou ao Brasil, para terminar sua longa carreira artística com
(21º) Pontal da Solidão. Está aqui um desafio para os estrelenses: obter uma cópia dos filmes
de Alberto Ruschel, não só para fins de memória, mas para que as locadoras de vídeo exibam às
gerações de hoje do Vale do Taquari o acervo artístico de quem foi o mais internacional dos
estrelenses.
Durante 28 anos o público de Estrela pôde rir com as comédias e sátiras do Gordo e o
Magro, com as chanchadas de Zé Trindade, Mazzaropi, Teixeirinha e outros, com as peças de
Oscarito e Grande Otelo, centenas de atores e atrizes, até que James Coburn, Maximilian Shell e
James Mason, estrelando no filme Cruz de Ferro, o Cine Guarany fechou suas portas no início
de agosto de 1980. Foi transformado numa grande loja paraquedista, sem que o público se
conformasse com o destino. Hoje, atuando no ramo da sétima arte, abriga a Guarany Vídio e
Bazar, nome mantido por Cristofer Bergesch.
Memória audiovisual
Já existe a arte de filmar há muitos anos. Qual é a imagem filmada de Estrela mais
antiga? Será a de 1939 quando da visita do interventor Oswaldo Cordeiro de Faria? Estrela já
tem mais de duas centenas de ex-intendentes, ex-prefeitos, conselheiros municipais, vereadores,
juizes e promotores: quantos deles temos em audiovisuais? Por que não guardamos a imagem de
quem teve passagem importante na história de nosso município?
Estiveram nesta vila os srs. Valter Porto e Víctor Ciacci, diretores da Editora
Cinematográfica Brasileira, com sede à rua Dr. Flores, 323, em Porto Alegre, e que estão
executando um filme deste município - cf O Paladino, de 21-5-1932. - Esse filme será exibido
dentro de poucos dias nesta vila, devendo posteriormente ser passado em Porto Alegre, no
interior do Estado e no Rio de Janeiro.
Uns sete anos depois, quando da peregrinação política pelo vale do Taquari do
interventor Osvaldo Cordeiro de Farias, Estrela foi filmado novamente, nos dias 19 e 29-7-1939.
O Paladino, de 9-9-1939, com a manchete Estrela no filme, voltou a registrar a existência de
filmagem: A empresa R. Conrado, que tem filmado as festas ultimamente realizadas nesta
cidade filmou, também, os festejos da Semana da Pátria, o Colégio Santo Antônio e a sede do
C. Ginástico Estrela. Com mais estas filmagens, aumentou-se bastante a película "Estrela no
Filme", cuja projeção está anunciada para breve.
Em 1962, a D. G. Filmes realizou um documentário sobre Estrela, em preto e branco.
Um decênio depois, os jornalistas Israel Costa, Carlos Azevedo Lima, Antônio Diniz e José
Dias, da mesma empresa D. G. Filmes, de Porto Alegre, trataram na Prefeitura Municipal da
realização de um documentário colorido sobre Estrela, que seria apresentado em todos os
cinemas do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. A D. G. Filmes é órgão oficial da
Secretaria de Educação e Cultura, sendo seus documentários aproveitados nos colégios de todo
o Estado - cf Nova Geração, de 3-6-1972.
E quem agora não se faz a pergunta: onde há uma cópia desta "Estrela no Filme"?
Somos informados de que raras cópias estão nas mãos de particulares. Como o público tem
acesso aos audiovisuais privados? Onde estão as cópias dos documentários de 1962, 1972 e
outros? Por que o poder público não tem capacidade para cuidar melhor da memória do
Município? Como seria valioso se Estrela tivesse seu arquivo próprio de imagem e som de seus
ex-prefeitos, presidentes da Câmara e vereadores, juizes, promotores públicos, desenvolvimento
da cidade e do Município. No futuro, outras gerações vão nos cobrar pela omissão presente.
Neste sentido, em 20-5-2002, no 3º Parkchoppfest, depois da palestra do Prof. José
Alfredo Schierholt, o vereador Luiz Fernando Schneider lançou a idéia da criação de um Museu
de Imagem e Som em Estrela, o que foi apoiado pelo prefeito municipal, palestrante e público
presente.
Teatro
Em 13-1-1900, O Taquaryense publicou a notícia de que Alfredo Tubino apresentou
uma programação teatral de fantoches em Estrela, no Salão Wallau. Foi lamentada a falta de
espaço e o péssimo hábito dos homens terem a cabeça coberta onde se acham senhoras e os
apartes dirigidos aos representantes, interrompendo os diálogos.
Programas culturais, oferecendo ao público peças teatrais, mescladas com declamações
poéticas, cantos e concertos, por dezenas de anos constituíam um dos lazeres preferidos da
sociedade. Para nos dar uma idéia do seu funcionamento, transcrevo um “Chá dançante”,
segundo a edição de 7-5-1934 d’ A Semana:
A Sociedade dos Intrometidos realizará no dia 10 próximo, quinta-feira, o seu
anunciado Chá Dançante e Hora de Arte, em benefício dos cofres sociais. O bem elaborado
programa conta com o concurso de destacados elementos da sociedade estrelense, prometendo
sucesso extraordinário.
Às 17,30 terá lugar o encontro de basquete entre os quadros de F. B. C. Americano, de
Santa Cruz e os quadros estrelenses.
O programa da Hora de Arte é o seguinte:
1.-Princesa, às vossas ordens, cantado por Teodoro Bentz; 2. Bailado, por um grupo
de meninas; 3. Na favela, cantado pelo menino Nivaldo Saraiva; 4. Três Lágrimas, declamado
pela senhorita Cléa Lautert; 5. Bailado, por um grupo de 10 meninas; 6. Minueto, pelas
meninas Diva Barcelos e Ceci Saraiva; 7. Confessión, cantado pela senhorinha Odila
Barcelos; 8. Bailado, por um grupo de 6 senhoritas
O Paladino, de 6-12-1941, noticiou em grande manchete de capa:
Alcançou êxito retumbante o Teatro-Revista organizado pela senhorita Jenny
Schwertner, que foi muito além da expetativa. Uma casa cheia aplaudiu entusiasticamente a
genial organizadora e seu elenco. Na página 3 informa ainda que o grupo de artistas estava
composto de elementos da sociedade de Estrela. Colaborou na execução do evento a senhorita
Jessie Prezedmolski. Participaram ainda do elenco A. Ermino Müssnich, Fritz Seybbot e grande
número de jovens. A parte musical esteve a cargo de Nenê Spalding, secundada por Helma
Müssnich, Walter Zimmermann, Albino Müssnich e do consagrado artista Adolfo Guilherme
Frederico Ziebell, que era proprietário de um “snoocker” no Bar Elite. O texto da peça
principal do teatro era de Jenny Schwertner, em 3 atos, entremeados com 13 números de
danças, balé, recitais e rápidas passagens cômicas.
As artes cênicas estão sendo restauradas em algumas escolas e sociedades. Veja-se no
Dicionário o verbete Companhia de Danças e Teatro Liberart Cie & Soges.
Circo
Circo é uma diversão popular desde o tempo dos romanos, quando os imperadores
promoviam o circo para distrair o povão, afim de ver os problemas administrativos de seu
governo.
Não consta que tenha surgido em Estrela algum grupo circense. Mas, desde cedo
vinham para Estrela grupos de artistas para divertir o público. O Paladino, de 21-11-1926
noticiou a chegada do Circo Apolo que alcançou sucesso. Armou seu pavilhão junto ao quartel
do Tiro de Guerra n.º 227. No ano seguinte, veio o afamado Circo Palermo, cf O Paladino, de
27-7-1927.
O Circo Elegant, de São Paulo, armou seu pavilhão nos fundos da casa comercial
do Sr. Walter Schneider. Este circo anuncia quatro funções nesta localidade - cf O
Paladino, de 29-1-1929.
Músicos
Talvez nossa geração não consegue entender as dimensões de como a música era uma
arte, uma diversão e um lazer cultivado praticamente na maioria das famílias, núcleos coloniais
e bairros.
Entre os dotes femininos estava, com destaque, a habilidade em conhecer a música e
executar algum instrumento. Era muito comum haver nas casas de família um violino, violão,
flauta. Em casas de família mais abastada igualmente havia um piano na sala. Não servia para
enfeite ou esnobismo, manifestações mais modernas. Os instrumentos musicais serviam,
efetivamente, para a execução da arte e forma de lazer. O orgulho dos pais era mostrar aos
visitantes o quanto os filhos sabiam tocar os instrumentos.
A menção mais antiga em fontes primárias da existência de músicos em Estrela é a
banda de Laurindo Paraná, animando o Carnaval de 1901, registrado pelo primeiro jornal de
Lajeado O Alto Taquary, de 24-2-1901.
O mesmo jornal, nas edições de 1908, publicavam enormes espaços comerciais,
anunciando um esplêndido piano da afamada fábrica norte-americana de Knaabe, por
1:000$000, sendo o primeiro pagamento de 150$000. - Um bom piano alemão, por 800$000 e o
primeiro pagamento de 120$000. Pianos com automático tocado à mão, à corda, ou
automaticamente da Marca "Standart", a 1:000$000 - Guitarra superiores a 30$, 40$ e
50$000 - Mandolinas (instrumento de cordas) a 20$, 30$ e 40$000 - Um gramofone de
Concerto com 12 discos do tamanho maior por 200$000 - Outros gramofones a 50$, 80$ e
100$000. Bastava a entrada de 15% na compra. Apenas para comparar preços: a bicicleta
Cleveland, importada, custava 200$000 e a bicicleta feminina, 150$000.
Nos currículos escolares, especialmente das escolas particulares, constava a música
como disciplina, com instrumentos musicais, formando os alunos conjuntos para apresentações
e horas de arte. Dos professores para alunos, a arte da música se desenvolvia nas igrejas, com
harmônios e violinos, solenizando festas, missas, cultos e exéquias, ou nas escolas e sociedades.
A música foi um dos lazeres preferidos do público estrelense. Sociedades, blocos
carnavalescos formavam seus próprios conjuntos musicais, não só para animação de bailes,
festas e cinema mudo, mas também para horas de arte, nos intervalos de teatro e concertos. Com
o surgimento do rádio, do cinema sonoro, popularização dos gramofones e, mais tarde, da
televisão, o lazer da música foi cedendo seu espaço e gosto para outros lazeres.
Onde encontrar registros de conjuntos musicais, bandas, jazz e orquestras que já
existiram em Estrela? Ao apelo feito nas emissoras e jornais para que estrelenses fornecessem
dados para este livro, quase nada está sendo recordado. Alguns nomes de músicos e entidades se
encontram no "Dicionário" ou estão mencionados nalgum texto deste livro. Normélio David
Eckert mencionou vários músicos e conjuntos, como a "Banda do Padre Junges", ligada à
Paróquia de Santo Antônio. Pe. José Junges, além de músico, era poeta, vigário cooperador da
paróquia. Citou Helmuth Trein. Com precoce formação musical, especialmente através do
talento do professor Léo Winkel, Helmuth Trein integrou as grandes orquestras e conjuntos
musicais de Estrela, além de se tornar exímio professor de música. Integrou o Jazz União,
provavelmente o conjunto musical mais importante da história de Estrela, pelo seu renome e
atuação durante quase 3 décadas( 1940/50 e 1960) nos principais salões de baile do Vale do
Taquari, do Estado e Santa Catarina. Integrou também o Jazz Copacabana, o conjunto
Zíngaros Alegres, fundado pelo professor Adolfo Ziebbel. Como exímio violinista, por 22 anos,
compôs com o bandoneonista Ervino Sulzbach uma inigualável dupla (Dupla H-81 - o que vem
do prefixo ZYH-81 da emissora), com atuação nos sábados à tarde na Rádio Alto Taquari.
Do famoso Jazz União, Eckert escalou a formação do seu quadro, em 1962, integrado
pelos seguintes músicos, com respectivos instrumentos musicais: André Edwino Eidelwein
(Edy) - pistom e maestro; Sélpio Drebes - 2º pistom; Vitus José Eidelwein (Juca) - trombone e
contrabaixo; Arnaldo Eidelwein - sax tenor; Werno Dickel - 1º sax alto; Ervino R. Sulzbach bandôneon e 3º sax alto; Helmuth Trein - violino e contrabaixo; João Soares (Janga) - bateria e
vocal; Luís Gomes dos Santos - banjo e vocal; Virgílio Silvestre Eidelwein - acordeom; Emir
Vianna Moraes (Biluca) - cantor e ritmista.
Muitos outros nomes integraram este extraordinário conjunto musical, marcadamente
envolvendo a família Eidelwein. Mais alguns destaques do Jazz União no curso dos anos:
Mathias Eidelwein, Domingos Grassi, Telmo de Borba, Nelson Santos (Nuti) e o filhos do
maestro Edy Eidelwein: Renato e Jorge Eidelwein, Inês Eidelwein Kalsing e Odete Eidelwein
Krohn, entre outros.
Veja no Dicionário o verbete Super Banda Maringá. Será preciso destacar que o
Dobrado Estrelense é de Emílio Stein. Ainda é conhecido hoje?
Desde 1977 está funcionando a Banda Municipal de Estrela. Seus músicos recebem uma
ajuda de custos do município, para se apresentar nas festividades e promoções culturais de
Estrela. As Retretas Semanais ofereciam à população horas de lazer e o gosto pela música. Um
de seus maestros foi Gerson Thomás de Carvalho, o Pernambuco. Atualmente a batuta está nas
mãos de Otélio da Rosa.
No Calendário de Eventos 1997 há uma página de Dados sobre entidades de Estrela,
com as seguintes bandas de música: Grupo Estrela, Nativa, Conjunto Os Remanescentes,
Bandinha Alegre, Musical Mundo Novo, Banda Nuvem Negra, Banda Sputinik, Banda Trauma,
Banda Valete de Copas, Banda Identidade Oculta e Banda The Petter's.
Em 26-8-2001, a Casa de Cultura Dr. Lauro Reinaldo Müller executou mais uma edição
do evento Conversa de Músico, no Kaku's Bar, junto à Sociedade Rio Branco. Participaram
Marcus Vinícius, Jovana Caye Kuhn, Luiz Ruschel, Paulinho Gregory Jr, além das bandas
Matilha, Estação do Sol, Lenny Band, Zarabatanna, Swing Aprendiz e Dark Steet.
O Som das Pedras do Vale ecoou na Pedreira da Compasul, na linha Santa Rita, em 5 e
6-4-2002, sob os aplausos de, quiçá, 10 mil pessoas. Organizado por Fábio da Silva Jaeger, na
primeira noite, a festa foi de Dante Ramon Ledesma, Orquestra de Teutônia, Beto Pires e Rui
Beriva. A noite do sábado foi dos jovens, com os shows rock das bandas Instinto, Ex-Cravos de
Jô, Duda's, Estação do Sol, Mary Jam, Kooks e Bandaliera. Nos intervalos, artistas
equilibravam-se sobre pernas-de-pau e divertiam a moçada. Também teve rappel e, no alto da
pedreira, integrantes do Circo Louco apresentaram números de malabarismo com fogo. A
promoção foi da Univates e Compasul, com apoio da Fruki e Certel, dentro da Lei de Incentivo
à Cultura (LIC). Foram arrecadados quase cinco toneladas de alimentos não perecíveis que
serão doadas a entidades carentes -cf O Informativo, de13-4-2002. Em 29-4-2002, foram
entregues 4,2 toneladas de alimentos não-perecíveis a 16 entidades assistenciais dos municípios
de Lajeado, Estrela, Teutônia, Taquari, Cruzeiro do Sul, Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul cf Zero Hora, de 30-4-2002.
No encerramento do 3º Parkchoppfest, em 20-5-2002, foi lançado o CD do Festival de
Música do Cidade Juventude, evento ocorrido no ano anterior. Integram o CD: Sinhô e Banda
Tere & Corma, Zarabatana, Capitão Caverna, Ismael Fernandes, Dissidentes, Israel e os
Palestinos, Banda Pulsar, Croquete de Rodoviária, What's Up! E Banda Zôo - cf O
Informativo, de 25-5-2002.
Na área da música, é praticamente impossível resgatar a arte e o lazer domésticos. Em
diversas famílias a educação musical recebida nas escolas teve seu prosseguimento. Nem
sempre houve a oportunidade de participar de concertos públicos, restringindo-se a saraus
privados, em festas de casamentos, aniversários e encontros familiares. Os pais estimulavam o
bom gosto dos filhos pela música, investindo na compra de instrumentos musicais, como
violino, violão, piano, harpa, cítara e outros instrumentos. Em diversas casas, encontramos o
piano em lugar de honra na sala de visita, não como objeto de adorno ou status, mas utilizado
para degustar o dom musical.
Canto coral
É uma das características do imigrante alemão. Ainda hoje, também na Alemanha, cada
comunidade religiosa, de qualquer confissão, mantém o seu coral, legado que foi trazido ao
Brasil, ainda cultivado. Diversas sociedades de canto estão registrados no Dicionário.
Com cerveja ou sem cerveja, onde se encontrava um grupo de pessoas, terminados os
assuntos principais, improvisavam uma sessão de canto. Não havia festa sem canto, nem função
religiosa. Também não podia haver cerimônias fúnebres, sem um coral, como um conforto aos
enlutados. Também os pastores e padres incentivavam o canto religioso, para abrilhantar o culto
e atos de louvor a Deus. Geralmente, o professor também era regente do coral e organista, pois o
canto e a música faziam parte essencial nas aulas.
Sendo um assunto muito extenso, reservamos um espaço para a mais antiga sociedade
de canto, na região, provada em documentos. Trata-se da Cäcilien Verein Estrella ou
Sociedade Santa Cecília da Comunidade Católica de Estrela, fundada em 25-5-1876, quando
Estrela ainda pertencia a Taquari. Segundo pesquisa feita por Leônidas Erthal, naquela data, 72
paroquianos, juntamente com o pároco, Pe. Francisco Schleipen, fundaram a Sociedade Santa
Cecília, cujo motivo fundamental era o coral, nos moldes dos Corais Cicilianos Universais,
fundados com a permissão dos bispos alemães, principalmente para “incrementar um canto
digno de igreja, para a maior honra de Deus e a misericórdia dos crentes”. Assim reza o
primeiro artigo dos estatutos, originais manuscritos em língua alemã, de letra gótica.
O estatuto original continha só treze artigos e foi assinado pelos 72 sócios fundadores:
David Scheeren, Anton Scheeren, Matias Becker, Henrique Teodoro Rohenkohl, Heinrich
Wenningkamp, Matias Schott, Pedro Gabriel, João Mallmann Filho, Jacó Steffen, Jacó Eckert,
Jorge Marmitt, Pedro Ruschel, José Ruwer, Filipe Knecht, Pedro Paulo Eckert, Pedro Friedrich,
Pedro Horn, João Heberle Filho, José Mallmann, Frederico Mafrinz, Frederico Hauschild, Pedro
Kollet, Nicolau Ruschel,, Jacó Mallmann, Nicolau Heberle, Filipe Schossler, Matias Schütz,
Paulo Schwertner, Matias Mallmann, Carlos Miguel Kroeff, João Eberardo Mallmann, Miguel
Petter, Pedro Heberle, João Horn, Pedro Horn, Henrique Horn, Matias Ruschel, Daniel Mattes,
Guilherme Heberle, Adão Massing, Jorge Tischer, Paulo Mallmann, Jacó Sewen, Adão
Mallmann, Nicolaus Müssnich (pai), Matias Schuck, Pedro Ruschel Filho, Nicolau Müssnich
(filho), Henrique Teodoro Rohenkohl (filho),Frederico Gerhardt, Estêvão Fell, Miguel Ruschel,
Pedro Birck, João Bierck, Filipe Braun, Matias Ruschel, Miguel Klaus, José Thiesen, Valentin
Petry, Henrique Schmitz, Francisco Dillenburg, Nicolau Petry, Cristiano Horn, João Portz,
André Xavier Diel, Paulo Schneider, José Horn, Nicolau Müssnich, Adão Massing Filho,
Henrique Horn, João Gerhardt e João Kern - cf Nova Geração, de 24-4-1976. Como se pode
observar no Dicionário, alguns sócios fundadores, cantores, ainda eram meninos.
A nominata dos sócios fundadores indica, ainda, os pioneiros da Paróquia e do próprio
Município de Estrela, da sua parte católica.
Sujeita às leis canônicas, a presidência cabia sempre ao pároco. A primeira diretoria
estava composta pelo Pe. Francisco Steinhardt como presidente, David Scheeren como
secretário e Pedro Friedrich, tesoureiro.
Além de uma vida exemplar, com indicação aprovada pela diretoria, para ser sócio
pagava-se a jóia de 1$000rs e a mensalidade de 0$320 rs. Os ensaios do coral eram feitos uma
hora antes da missa dominical, bem como antes da reunião mensal, em cada primeira sexta-feira
do mês e na última quarta-feira antes da lua cheia, às 19h. Tais medidas, certamente, tinham sua
razão de ser. Os sócios moravam distantes da igreja matriz, incluindo Lajeado. Para evitar
muitas idas à igreja, aproveitava-se a missa e a novena das nove comunhões em honra do
Coração de Jesus e noites de luar, com maior claridade nas estradas, na última quarta-feira da
lua cheia, para os ensaios bimensais, especialmente de cantos novos. Dos cinco mandamentos
da lei da Igreja, o primeiro era participar da missa nos domingos e dias de festa de guarda.
Aproveitava-se a ida à missa dominical para mais um ensaio geral do coral, geralmente de
missas cantadas, em latim. Um grupo menor dos cantores também ensaiava o cantochão ou
gregoriano, para os salmos responsoriais, antífonas e demais cantos sacros em latim.
Todos os cantos a serem ensaiados deviam ter o deferimento do presidente (pároco).
Apesar do tempo que passou, desde a fundação, das duas grandes guerras e a proibição da
língua alemã, a sociedade conseguiu preservar, em bom estado, os estatutos originais e muitas
partituras, do século 19, em latim e em língua alemã.
Entre os documentos antigos arquivados encontram-se as atas e o livro-caixa, da época
da fundação. Com o passar do tempo, houve várias alterações no Estatuto, a fim de adaptá-lo ao
tempo presente. Tanto a filosofia, quanto os costumes, praticamente, permanecem inalterados,
desde a fundação, até hoje. Podemos citar a eleição da nova diretoria a cada dois anos, a festa
anual, em novembro, comemorando o dia da padroeira, a missa anual pelos sócios falecidos, a
presença da bandeira e do coral no cemitério, quando do falecimento do sócio.
Atualmente, a sociedade oferece um churrasco ao associado, no dia da festa da
padroeira. Antigamente, era oferecido um café muito gostoso, do tipo colonial, num dos hotéis
da cidade ou no Colégio S. Antônio, no dia da comunhão geral.
Hoje, a sociedade conta com aproximadamente quatrocentos e trinta sócios. Mantém um
coral, formado de vinte cantores, um organista e um regente, apresentando-se todos os primeiros
domingos de cada mês, na missa irradiada, das 19hs, na igreja matriz. Ocasionalmente,
apresenta-se também em festivais, encontro de corais, festas, e noutras oportunidades.
Encontramos dificuldades para relacionar os primeiros regentes do coro, pois, dos
documentos de que dispomos, pouco ou quase nada podemos contar. Talvez o primeiro tenha
sido o professor Nicolau Müssnich. Sendo ele professor, músico, sócio fundador da sociedade,
pela quantidade de partituras por ele trabalhadas, concluímos que deve ter regido o coro por
muito tempo, quiçá, até o fim da vida, falecendo em 30 de setembro de 1909 - cf dados do Prof.
Leônidas Erthal.
Segundo os dois livros de atas, as atividades da Cäcilien Verein Estrella, de 1876 a
1919, estão devidamente registradas, surgindo um hiato nos registros de 1919 a 1940, período
em que a entidade estava em plena atividade. Talvez o pároco registrasse os principais fatos no
Livro do Tombo da Paróquia. De 1913 a 1917, foi regente Ir. Rodolfo Abel, diretor do Colégio
Paroquial São Luís, substituído pelo regente Nicolau Körbes, até 1920.
Reinhardo M. Forster, como secretário, de 1940 a 1959, voltou a redigir as atas da
entidade. Em 1942, Affonso Ruschel foi eleito vice-presidente e Wendelino Dewes, regente.
Dois anos depois, foi vice-presidente Alberto Dexheimer. Nesse meio tempo, houve a alteração
do nome alemão Cäcilien Verein para Sociedade Santa Cecília, bem como o pároco deixou de
ser o "eterno" presidente. Nos anos de 1948 a 1951, a diretoria tinha à frente André Marcolino
Mallmann e, na tesouraria, Roberto Reckziegel, que, no ano seguinte, foi presidente e Pércio A.
Mallmann, tesoureiro. Em 1957, a presidência passou para Albino Schnorr.
A partir de 1959, a diretoria ficou preenchida com os demais cargos, sendo eleitos:
presidente, Arlindo José Fischer; vice-presidente, Albino Schnorr, 1º secretário Álvaro Thomas;
2º secretário, José Balensifer; 1º tesoureiro, Fritz Seyboth; 2º tesoureiro, Beno Sulzbach. O
regente foi Sigismundo Rücker, de 1959 a 1972, ao ser substituído por José Balensifer. Nos
anos subseqüentes, foram realizadas diversas eleições de diretoria, ocupando cargos: José
Balensifer, Henrique Knack, Francisco Reckziegel, Menno Johann, José A. Schwertner, Mário
C. Vier, André Scheibel, Octaviano Sehn, Selvino Birck, Guido Pedro Schmidt, Otacílio Koch,
Arlindo José Fischer, Pedro Eidt, Leônidas Erthal, Álvaro Thomas e Renato Horn.
No ano do centenário, a diretoria estava assim constituída: presidente, André Scheibel;
vice-presidente, Pedro A. Eidt, 1º secretário, José Balensifer; 2º secretário, Renato Horn; 1º
tesoureiro, Leônidas Erthal; 2º tesoureiro, Paulo Horn e Conselho Fiscal: Werner
Halmenschlager, Albino Schnorr e Elmo Sulzbach.
Outra alteração importante foi o primeiro artigo, fruto da reforma estatutária de 1966. O
Concílio Ecumênico Vaticano II exigia maior participação popular nos cantos da Igreja, caindo
em desuso o canto gregoriano e a missa em latim. Assim, perdeu o Coral uma certa motivação
para cantar dentro da igreja, o que foi preenchido com as apresentações de canto profano, fora
da igreja. Um novo elemento veio exigir maior dedicação dos cantores: o caráter artístico do
coral, um novo público, novo gênero e ritmos musicais.
Sob a batuta de Wendelino Dewes, em 5-12-1943, o coral Santa Cecília abrilhantou a
solenidade das primícias sacerdotais de padre Antônio Leopoldo Haas, em Venâncio Aires,
integrado pelos seguintes cantores: Anita Ruschel, Theodoro Antônio Bentz, Dalila Ruschel,
Albino Müssnich, Reinhardo M. Forster, Helma Müssnich, Ermino Müssnich, Lúcia Müssnich,
Egon Menz, Clara Müssnich, Ademar Horn, Waltrude Schmidt, Heini Psichholz, Laura
Lenhard, Aloysio Thomé, Nelly Lenhard, Soni Ruschel, Edmea Eckert, Leoni Horn, Liria
Hartmann, Helena Vier, Elaine Leindecker, Geny Schossler, Anita Braun Irene Mallmann - cf
A Semana, de 25-12-1943.
Também a comunidade evangélica, ao longo de sua centenária história, sempre
desenvolveu o canto coral, quer abrilhantando os cultos festivos e dominicais, quer consolando
famílias enlutadas por perda de entes queridos.
Além das crianças, jovens e adultos, também idosos apreciam a música vocal, criando o
grupo Amigos do Canto, com apresentações na Igreja Matriz, cf Zero Hora, de 13-6-2002.
Fazendo parte do Projeto Orquestra Infanto-Juvenil, que conta com 40 crianças em
Estrela, no Coral do Sesi as crianças têm entre 7 e 12 anos, sob a regência de Edson Wiethölder,
cf O Informativo de 15-7-2002.
Na atualidade, o Município investe recursos nessa área. O Coro Municipal de Estrela foi
reativado em 16-4-1999, sob a batuta de Ricardo de Souza Mello. Ao retomar as atividades em
12-6-2001, foi nomeado seu regente Márcio Buzatto, acadêmico de música na Ufrgs. Mais
detalhes, também de outros corais, estão no Dicionário.
Centro Cultural 25 de Julho Vale do Taquari
Terminada a Segunda Guerra Mundial em 1945, com suas desastrosas conseqüências
para a Alemanha vencida, e passando fome sua população; numerosos grupos de descendentes
de alemães no Sul do Brasil se engajaram, sob a tutela e iniciativa das duas grandes Igrejas
Cristãs, na campanha de envio de mantimentos e viveres para a Europa, sob a sigla S.E.F.
(Socorro à Europa Faminta). Tamanho foi o engajamento destes núcleos disseminados pelo
nosso Estado, que, terminada a imperiosa prioridade deste socorro humanitário, os líderes teutobrasileiros, agora fortalecidos em sua união nesta causa beneficente, resolveram sensibilizar os
deputados de origem alemã na Assembléia Estadual para restaurar o monumento ao Imigrante
Alemão em São Leopoldo (danificado durante a Guerra), como também reativar ou estimular a
fundação de sociedades que cultivassem as tradições trazidas ao Brasil pelos imigrantes
alemães, que foram totalmente subjugadas com a proibição do uso da língua e do fechamento
das escolas e sociedades de cunho germânico a partir da entrada do Brasil na última Guerra
Mundial contra a Alemanha e Itália (1942).
A data da chegada dos primeiros colonos alemães em São Leopoldo, o 25 de Julho de
1824, consagrada na década de 1930, por Decreto estadual, como sendo o feriado do ‘Dia do
Colono”, seria o nome das novas sociedades culturais.
O monumento foi restaurado às custas do Estado, e a idéia de agregar o movimento 25
de Julho vingou. No ano de 1951, nasceu um Centro Cultural 25 de Julho, em Porto Alegre, em
Novo Hamburgo e Panambi, seguidos de muitos outros em nosso Estado, como também em
Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Com o importante incentivo de líderes, como Fritz
Rotermund, Bruno Born, Dr. Wolfram Metzler, Leopoldo Petry, Dr. Albano Volkmer, Padre
Balduíno Rambo SJ, Prof. Theo Kleine e outros, foi possível reunir todos estes centros culturais
numa Federação dos Centros de Cultura Alemã no Brasil (FECAB).
Estrela, uma cidade marcada pelo elemento teuto-brasileiro, não teve, até o início da
década de 1980, algo parecido como um Centro de Cultura Alemã, que se propusesse a cultivar
as tradições culturais alemãs no sentido mais amplo, muito embora já existisse um grupo de
danças folclóricas ativo, ligado à Comunidade Evangélica.
Enfim, no dia 25 de Julho de 1982, um grupo de 27 pessoas, reunido no salão do Lar do
Jovem, em Estrela, tomou a decisão de fundar o “Centro Cultural 25 de Julho Vale da Taquari”,
com sede em Estrela, em cujos estatutos consta: que o mesmo “tem por fim cultivar e pesquisar
a história riograndense e brasileira, mormente em suas relações e origens teuto-brasileiras;
promover atividades de caráter cívico; cultural, social e desportivo, com finalidade de reviver
as tradições legadas pelos antepassados de seus associados; estimular a coleção e guarda de
objetos e documentos, preservar monumentos e estilos arquitetônicos típicos da região e manter
intercâmbio cultural com sociedades congêneres”.
A primeira Diretoria, eleita em 29-8-1982, foi a seguinte:
Presidente: Dr. Werner H. E. Schinke; vice-presidente: Francisco Reckziegel; secretária:
Edith Müssnich Ruschel; tesoureiro: José Wingen. Relações Públicas: Pastor Guido Leonhardt.
Departamento de Belas Artes: Gisela Schinke. Departamento de Música: Prof. Beno Neumann.
Departamento de Ensino e Esporte: Prof. Hans Dieter Franz. Departamento Jurídico: Dr.
Gustavo Adolfo Simon. A gestão da Diretoria tinha o mandato de um ano, de agosto até julho.
Inicialmente, a tarefa principal foi a formulação dos estatutos, sua aprovação pela
Assembléia, o registro oficial do Centro Cultural nas repartições competentes e o agendamento
das primeiras atividades culturais.
No decorrer dos cinco anos de funcionamento do C.C. 25 de Julho Vale do Taquari,
foram realizados 8 concertos musicais, 3 apresentações de bandas alemãs (pioneiras na região),
17 palestras culturais, 3 recitais, 9 excursões culturais, 6 corridas rústicas, cinco “Noites de
Variedades”; publicação de 36 Boletins Mensais de Informação (bilíngües) para os sócios;
editados cinco “Cadernos Culturais” (com artigos originais em português e alemão) e
organizados 3 Cursos para Regentes de Corais. No seio do atuante Departamento de Música
surgiu a “Orquestra do Centro Cultural 25 de Julho”, que, mais tarde, se emancipou, tomando o
novo nome a “Orquestra de Concertos Vale do Taquari - OCVAT”.
As reuniões de Diretoria foram sempre realizadas na Residência-Museu do casal
Werner e Gisela Schinke, que dirigiu o Centro Cultural, até 1987.
Pelo fato de ter o C. C. 25 de Julho oferecido um formidável currículo cultural à
comunidade local e regional, e tendo em vista a colaboração inestimável das comunidades
Evangélica e Católica e da Sociedade Ginástica Estrela, que sempre cederam seus salões para as
respectivas atividades do “25”, não foi cogitado adquirir um imóvel próprio, mesmo porque as
entidades acima citadas estavam, inteira ou parcialmente, envolvidas, por meio de seus
membros, com as atividades do “25”, o que dispensava de se cogitar em investimentos
patrimoniais.
Ao final da quinta investidura como presidente, sempre reeleito, o Dr. Werner Schinke
decidiu, em 1987, não mais aceitar uma nova presidência, alegando motivos pessoais. Ficou
eleito para Presidente o Dr. Leo Schmitt Dreger (Estrela); vice-presidente: Prof. Friedhold
Altmann (Lajeado); e nomeados: 1º secretário: Dr. Erny Iser (Estrela); 2º secretário: Profª Célia
Buenecker; 1º tesoureiro: Wolfgang Collischonn (Lajeado); 2º tesoureiro: Adolfo Schaefer
(Lajeado); secretário de Cultura: Prof. José Renato Schneider (Estrela). Relações Sociais: casal
Afonso Valdir Fingem (Estrela). Relações Públicas: Prof. Danilo Doss (Estrela). Divulgação:
Prof. José Alfredo Schierholt (Lajeado). Assuntos Especiais: Dr. Werner Schinke (Estrela).
Assessoria Jurídica: Dr. Gustavo Simon (Estrela). Conselho Fiscal: Arcênio Drehmer, Erno
Feine e Helmuth Horst.
Vale registrar, as palavras proferidas pelo eminente e saudoso Prof. Friedhold Altmann,
na Assembléia de 27-8-1987, e transcritas no livro de Atas: “enaltecendo o mérito do C. C. 25
de Julho como entidade que desencadeou um movimento regional, chamou artistas; libertou
valores e forças até então ocultas e encapsuladas; chamou de fora conferencistas e artistas que
fecundaram o trabalho cultural do Vale do Taquari. Ressaltou que excursões culturais,
concertos, cursos etc. representam um cabedal extraordinário nos mais variados setores. O C.
C. 25 de Julho é uma entidade que tem sempre algo a dar, é um nome, um bom nome, que
garante pureza, decência, tradição sadia e boa, procurando tornar nossa vida mais válida,
mais humana, mais digna, sem alarde e sem muitos aplausos...
A partir de 1988, o C. C.25 de Julho “Vale do Taquari” entrou em recesso. (Texto de
Dr. Werner Schinke)
Grupos folclóricos
Festival do Chucrute
Como em todo o Rio Grande do Sul, a miscigenação racial trouxe também para Estrela
um folclore bem diversificado, a mescla folclórica: ditados, cantigas de ninar, contos
tradicionais, crendice e superstições, técnicas ergológicas, canos tradicionais belíssimos, os
Kerb e suas muitas danças, cada uma mais linda que a outra (Chotes Carreirinha, Hacken
Schotisch, Herr Schmidt, Kreutz Polka, algumas já incorporadas ao repertório tradicionalista
dos CTGs - cf Antônio Augusto Fagundes, em "Cultura Especial", na Zero Hora, de 23-7-1994,
p. 11
A dança foi sempre considerada uma arte, mesmo a dança de salão. Nas grandes festas,
bailes de gala, casais que dançavam bem eram vistos com agrado. Com freqüência eram
oferecidos cursos de danças. O Paladino, de 27-1-1924, anunciou um Curso de Danças, no
salão da Sociedade Turn-Verein Estrela, ministrado por Carlos Schwarz, professor de danças.
Os atuais Grupos de Danças Folclóricas Alemãs de Estrela foram fundados em 1964.
Era uma tradição na região de colonização alemã, herdada por imigrantes, a sociedade de
cantores ou o coral da comunidade evangélica organizar o seu baile anual de aniversário da
comunidade, chamado Vereins-ball. Também em Estrela, cabia ao coral evangélico preparar e
executar essa promoção, conhecida também como Baile do Coro ou do Coral. A tarefa cabia aos
casais. Os jovens, por isso, ficavam um tanto à margem.
Para preparar o evento de 1964, houve uma integração entre jovens e casados. Para
inovar, surgiu a idéia de se iniciar com danças folclóricas, em trajes típicos. Um grupo de 10 a
12 pares de jovens da sociedade se reuniam para ensaiar, em conjunto, algumas danças, que
eram características de bailes antigos da velha colônia, chamada Alt-Kolonie, em torno de São
Leopoldo. Os ensaios aconteciam no porão-garagem da residência de Humberto José Vier, sob a
direção do casal Adolfo Guilherme Frederico Ziebell e Helga Vier Ziebell.
Foi a surpresa que o grupo preparou para aquela noite. Durante semanas, ensaiaram
polkas, valsas, schottisch e folclore rheinländer. Já durante os ensaios, cada vez mais animados,
previam o sucesso e sua repercussão na região.
Sua primeira apresentação foi um sucesso total. De um público sabidamente crítico os
elogios foram rasgados e animadores. Helga C. Ziebell procurou, de imediato, se preparar para
uma segunda edição, aprimorando as danças, adquirindo material didático sobre danças típicas
do folclore alemão e trajes autênticos, que caracterizam origens étnicas. O espírito de inovação
foi como que uma epidemia: animou a cidade inteira. Já para 1966, se programou uma janta
antes do baile. Novamente a inspiração recorreu às tradições da culinária, herdada dos
colonizadores teuto-brasileiros. Depois de várias propostas, foi aprovada a sugestão de Gernot
Costa de identificar como Baile do Chucrute, um prato típico dos imigrantes, nome que marcou
o evento, a partir de 7-5-1966, com o primeiro Baile do Chucrute - cf Nova Geração, de 15-41967 - hoje atração turística na região e no Rio Grande do Sul.
O Festival do Chucrute é sempre realizado no mês de maio, em dois finais de semana
que intercalam o dia 20 de maio, data de aniversário da cidade - registra o Bauernzeitung,
jornal de Petrópolis, RJ, edição de junho-julho de 1998.
Nos anos 67 e 68, foi solicitado ao professor alemão Elmar Goetz, que lecionava
danças folclóricas no Lar da Juventude de Gramado/RS que desse orientação e trouxesse
material técnico-didático para o grupo estrelense, o que fez, por dois anos seguidos, na época
que precedia o Baile do Chucrute (ex-baile do coro) - completou a mesma edição do citado
jornal Bauernzeitung.
Realizou-se nos dias 18 a 25-5-2002, no Pavilhão do Cristo Rei, a 37ª edição do
Festival do Chucrute. É uma tradição de longa data, promovida pela Comunidade Evangélica
de Estrela. A rainha oficial foi Fernanda Horn e a mirim Vanessa Johann. A organização esteve
a caro dos casais comendadores Harri e Ivone Rückert, Larri e Maria Cecília Schwingel,
Andreas Hamester e Vanessa Xavier, Jari e Anelise Hausmann, Carlos e Letícia Schwambach e
Gilmar e Vernice Leonhardt. O festival abriu em 11 de maio com um desfile típico dos Grupos
Folclóricos por Estrela e Lajeado e com o Baile Típico iniciou o festival, em 18 de maio.
Desfilaram e dançaram 430 dançarinos dos grupos folclóricos, de 3 a 80 anos.
Os Grupos Folclóricos sempre participam da vida cultural e social de Estrela. Os
critérios para a formação das 12 categorias de dança se fundamentam na idade: Mirim (3 aos 6
anos), Infantil (7 e 8), Juvenil (9 e 10), Semi-Um (11 e 12), Semi-Dois (12 a 14), Especial (15 a
20), Oficial A e B (16 a 30 anos), Esperas (categoria de apoio composta por novatos e reservas
que aguardam nas categorias Especial e Oficial), Sênior (recém casados, com média de 35
anos), Coroas (casados com média de 45 anos) e 3ª Idade (dos 60 aos 80 anos de idade).
Mantidos pela Comunidade Evangélica, os Grupos de Danças Folclóricas Alemãs de
Estrela estão em atividades ininterruptas, por quase quatro décadas. Representam hoje o mais
antigo agrupamento de danças folclóricas alemãs de todo o Brasil. Foram mais de 1.550
apresentações, por mais de 500 cidades do Brasil, em seis diferentes Estados. E mais, já fizeram
apresentações em cinco países da Europa: Alemanha, Áustria, Suíça, França e Bélgica. Foram
duas turnês para o velho continente. Os Grupos conseguiram caracterizar a cidade de Estrela
com a dança folclórica, levando seu nome a muitas cidades, sempre sob os aplausos de milhares
de pessoas.
Em 2001, prosseguiram as turnês. Nas férias de julho, 54 dançarinos realizaram
apresentações por seis municípios catarinenses. Foram dez dias de viagem, onde o grupo
recebeu muitos elogios e aplausos, de um público médio de 700 pessoas em cada show - cf
Andréas Hamester, em O Informativo, de 13-8-2001.
Todos os atuais 440 dançarinos atuam irmanados com os Casais Conselheiros e
Diretoria, organizando as grandes promoções, com a participação de 1.500 ex-dançarinos nos
seus 38 anos de história. A cada ano se renova a forma de comemorar. Em 1999, houve a
Exposição dos 35 Anos, com dezenas de trajes antigos, painéis de fotos alusivos às
apresentações, exibição de material da Dança dos Lenhadores, Lenda da Floresta de
Grünnenwald, Carnaval da Pomerânea, etc. Os grupos, com suas ex-rainhas e princesas, foram
intensamente aplaudidos no desfile por ruas da cidade. Houve também o grande encontro com
convidados especiais de grupos de dança de Luzerna , SC, e de Santa Maria.
Fazem parte da história dos 38 anos: O casal Adolfo Ziebell, como primeiro instrutor e
músico, executando as melodias durante os ensaios e apresentações e Helga Ziebell, primeira
instrutora e coordenadora. O casal Gudrun e Gernot Costa, como conselheiros, colaboradores e
dançarinos. O casal Hedy e Bruno Behs, como conselheira, tesoureiro e dançarinos. O casal Ira
e Nelson Schwambach, como conselheiros, membros de diretoria e dançarinos. O casal Renate e
Ary Hillgemann, como conselheiros, membros de diretoria e dançarinos). O casal Nilda e
Marino Hamester, como conselheiros/Sonoplastia e Iluminação. Concórdia Costa - a Tia Néne,
como colaboradora.
Registra-se também os Instrutores: Adolfo Ziebell e Helga Ziebell: 1964-1968. - Helga
Ziebell e Elmar Götz (o alemão): 1968-1970. - Beno Neumann: 1971-1984. - Andréas
Hamester, de 1985 em diante.
Instrutores de Categorias Menores: Mana Fischer, Fátima Lisboa, Ane Marie Horst,
Márcia Silva e, atualmente, Nestor Junge, Gisele Silva e Mônica Nunes.
Instrutores da Categoria 3ª Idade: Irma Portz.
Nos dias 18 e 19-8-2001, no Pavilhão Cristo Rei, em Estrela, realizou-se o I Festival do
Folclore, executado pela Casa de Cultura Dr. Lauro Reinaldo Müller. Foi a parte cultural junto
ao I Brot Fest. Nas tardes de sábado e domingo, apresentaram-se, entre outros, a Banda
Municipal de Estrela,o grupo afro Negras Raízes,musical La Chanson, grupo de danças lusobrasileiras, musical Os Remanescentes, grupo de danças folclóricas italianas Fiori dei Piani,
grupo de danças folclóricas alemãs, grupo musical Regional da Saudade, musical Musicenter,
grupo Dono da Mata, invernada do CTG Estrela do Rio Grande, musical Hugo Müssnich,
capoeira com o mestre Karcará, coral Tutti Fratelli e o CTG Raça Gaudéria - cf Jornal do
Vale, de 21-8-2001.
Entre os dias 5 e 7-9-2001, os Grupos Folclóricos estiveram em Curitiba, onde fizeram
o show de abertura do Campeonato Mundial de Canoagem. A apresentação, na Ópera de
Arame, foi para mais de 500 atletas, vindos de 35 países de todo o mundo. O grupo estrelense
compareceu com seus 50 dançarinos e exibiu um programa de folclore brasileiro, incluindo a
cultura indígena (Xingu), gaúcha, afro-brasileira, bumba-meu-boi e frevo. Na mesma viagem, o
grupo esteve em Joinville e em Florianópolis - cf Jornal do Vale, de 14-9-2001. A seguir, a
categoria dos Coroas ainda fez apresentações em Piratruba (SC).
Em Estrela também se cultivam outras modalidades de danças, especialmente artísticas,
cênicas e coreográficas. A Companhia de Danças e Teatro Liberart Cie & Soges, dentre 2.700
bailarinos de RS, conquistou o segundo lugar na modalidade de dança moderna e
contemporânea no evento Porto Alegre em Dança, no início de setembro de 2001. Atingiu a
média superior a oito. A equipe de jurados foi formada por professores e bailarinos de renome
nacional e internacional. Sobre o trabalho da Liberart, o júri observou que foi muito bem
pesquisado, elaborado e executado, possuindo uma excelente proposta coreográfica e ocupação
do espaço cênico- cf O Informativo, de 22-9-2001.
Centro de Tradições Gaúchas
O tradicionalismo cultivado em Estrela deve ser visto e estudado dentro do seu contexto
histórico no Rio Grande do Sul. A par do cultivo de tradições de outras etnias, especialmente
alemão, o gauchismo é desenvolvido em Estrela com todo o entusiasmo por notável participação
popular.
O peão de fazendas, na maioria descendente de missioneiros e vaqueiros, hispano e
luso-brasileiros, recebeu o apelido de gaúcho para identificar o errante, de pago em pago, em
busca de algum biscate para sobreviver. Cantado em prosa e verso, passou do sentido pejorativo
para o apreciativo, servindo de ufania e honorabilidade. Cezimbra Jacques, em 22-5-1898,
fundou o Grêmio Gaúcho de Porto Alegre, com características de primeiro centro
tradicionalista. No ano seguinte, Simões Lopes Neto fundou a União Gaúcha de Pelotas.
Lamentavelmente, o gaúcho Getúlio Vargas, com a Constituição de 1937, fuzilou as
manifestações regionalistas, emudeceu os hinos regionais e recolheu as bandeiras estaduais,
para implantar o centralismo e assegurar o totalitarismo, sob a fachada do nacionalismo.
Derrubada a ditadura, um sopro forte reacendeu a chama tradicionalista. Em 1947, sob a
liderança de Paixão Cortes, foi fundado o Departamento de Tradições Gaúchas do Grêmio
Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos, sendo acesa a primeira Chama Crioula. No ano
seguinte, com o CTG 35 em Porto Alegre, foram fundados os primeiros Centros de Tradições
Gaúchas.
Independente desta evolução histórica, merece registro especial a fundação em Estrela
Bloco carnavalesco Gaúcho, que efetivará bailes no Salão Oriental - cf O Paladino, de 20-21927. A conotação "carnavalesco" não tira a motivação qualificativa de ser também "Gaúcho",
já que o grupo mantinha uma orquestra própria. Com essa observação não estamos fazendo uma
alusão tradicionalista no conceito de hoje, mas apenas reconhecer que havia já em Estrela o
espírito gauchesco, uma identificação cultural dentro de uma sociedade de formação étnica
germânica, predominantemente. O presidente da entidade era João da Silva, talvez o "nome"
mais conhecido no Brasil inteiro, em todos os tempos...
Na edição de 25-8-1928, O Paladino dá a notícia de um baile nos salões do "Grêmio
Gaúcho" em Venâncio Aires, promovido pelo bloco carnavalesco "Última Hora" e animado
pelo Ideal Jazz-Band, de Estrela.
Atendendo o apelo para o fornecimento de dados históricos, o CTG Estrela do Rio
Grande, com sede rua Jacó Hallmann, n.º 281, nos informou que no Galpão Cristo Rei, em
reunião de 5-10-1973, foi debatida a idéia de se criar um Centro de Tradições Gaúchas em
Estrela. Estavam presentes 28 pessoas, entre as quais, um estudante de Lagoa Vermelha, em
forma de versos declamou que com a fundação desse CTG uma "Estrela brilhará no Rio
Grande “.Daí veio o nome “Estrela do Rio Grande”. O nome do declamador é Álvaro Machado
de Mesquita, conhecido como “Fura Fronha”. Conforme documentos originais daquela reunião,
concorreram ainda outros nomes : “Estrela do Vale do Taquari”, “Estrela do Taquari”,
“Rodeio de Estrela”, “Rancho de Estrela”, “Chaleira Preta”, “Querência de Estrela” e "20 de
maio". Já no dia 17, foi redigida a ata por Germano Walter Schmidt, a fim de fundar o CTG,
tendo como padrinho o CTG "35", de Porto Alegre. Já em 1º de dezembro, ocorreu o fandango
de fundação do CTG, animado por “Irmãos Bertuzzi”, com posse do 1º patrão, José Luiz
Schwertner.
Em 1974, a sede do CTG foi transferida para o Galpão do Colégio Estrela da Manhã,
depois, sede dos escoteiros Rudolfo Maria Rath, atualmente desativado. Em 1983, foi reativado
o CTG junto a nova sede, próximo ao Laguinho, na BR 386. Em 1985, no mês de setembro,
junto ao Parque Municipal, foi inaugurado o Galpão do CTG - hoje sede da ASPUME . Dentre
os principais dados históricos, destacam-se:
Em 1984, lançamento da pedra fundamental junto à sede, no Parque Municipal.
1985: Francisco Zart se destaca como dos melhores ginetes do país.
1988: 1º fandango da Prenda Jovem.
1989: 1ª Festa Campeira.
1991: 1º Festival de Gaita Ponto, entre outras...
Com o passar dos tempos, os integrantes de patronagens sentiram a necessidade de um
espaço físico mais amplo, chegando à conclusão de negociar o galpão - hoje ASPUME - por
área de terras.
Em 1996, foi adquirida uma área de terras com 32.298,00m2, localizado junto ao Parque
Municipal, onde foi construído um galpão de madeira e se realizam reuniões, tertúlias e ensaios
da invernada artística.
No período de construção do novo galpão do CTG, as promoções como tertúlias e
semana farroupilha, foram realizadas no galpão da Brigada Militar. Em 1999, com muito
esforço, foi construída a pista de rodeios, inaugurada em 19 de novembro, no 5º Rodeio
Estadual.
Os dados históricos foram coletados pela 1ª Sota Capataz - Gestão 1999-2000, obtidos
através de entrevistas junto a ex-integrantes de patronagens. O CTG Estrela do Rio Grande
sempre teve como propósitos e finalidades divulgar e cultuar tradições gaúchas; desenvolver
atividades culturais, artísticas, campeiras e demais festividades de congraçamento
tradicionalista.
A última promoção foi 5º Rodeio Crioulo Estadual, nos dias 17, 18 e 19-11-2000, na
sede do CTG, junto ao Parque do Imigrante, com a participação de centros de 29 municípios do
Estado e a inscrição de 160 duplas. No sábado, de manhã e de tarde, houve provas do tiro de
laço em duplas e provas de rédea, e, à noite, janta e fandango, animado pelo grupo Thê Guri. No
domingo, nova rodada do tiro de laço em dupla, do laço individual, provas de estafeta e
gineteadas. O patrão do CTG, Gerson Junqueira, distribuiu diversos prêmios e troféus aos
vencedores. No sábado e domingo, foi servido almoço típico gauchesco, com carreteiro,
churrasco, feijão mexido e saladas diversas.
Em 2-12-2000, foi empossada a nova patronagem do CTG Estrela do Rio Grande, assim
composta: Patrão: Carlos Roberto Martins - 1º capataz: Gilberto Portela - 2º capataz: Moacir
Engster dos Santos - 1ª sota capataz: Luciana Pereira - 2º sota capataz: Milton Eckhardt - 1º
encarregado das pilchas: Acimar Barreto dos Santos - 2º encarregado das pilchas: Renato
Sulzbach.
O CTG Estrela do Rio Grande foi um dos grandes destaques do IV Rodeio Internacional
e Festival Artístico Gaúcho, no Parque dos Vinhedos, em Caxias do Sul, nos dias 29 e 30-112001. Franciele Daldon conquistou o 5º lugar na modalidade "Concurso Intérprete Solista
Vocal", com a música "Mate por Ti", acompanhada pelos músicos Fernando Graciola e Fábio
Toecher.
Bela história também tem o CTG Raça Gaudéria. Conhecendo os objetivos do
tradicionalismo, numa bela tarde de domingo, numa roda de chimarrão, uma gauchada muito
macanuda, reunida pelo ideal de resgatar a Cultura em nossa cidade, e, preocupada em
oferecer para seus filhos e netos um ambiente de lazer seguro, sem droga e sem violência,
resolveu de comum acordo, no dia 10 de março de 1990, fundar o CTG Raça Gaudéria - cf
RAÇA GAUDÉRIA, agosto 2000, edição 1.
De geração em geração, abrindo as porteiras pela história do Rio Grande é o lema da
entidade. Sem galpão próprio, alugou o Galpão Cristo Rei para seu salão de fandango e tertúlia.
Em 15-6-1990, foi empossada a primeira patronagem: patrão, Euclides Kummer; 1º
capataz fiel, José Jorge Junqueira; 2º capataz fiel, Leda T. de Oliveira; 1º sota capataz, Rejane
Beatriz Kummer; 2º sota capataz, Sandra Maria Andres.
Depois de muitos sacrifícios, promoções, ajuda de pessoas, foi construído seu Galpão
Crioulo, com mais de 1.200m² de área construída, localizada na rua Andréas Göllner, n.º 378,
no Loteamento Popular III, bairro Boa União. O Galpão abriga, ainda, o Clube de Mães Amigas
da Tradição.
Todos os segundos sábados de cada mês, seus tradicionalistas realizam uma tertúlia. A
entidade mantém cursos de dança, estudos da história do Rio Grande do Sul e de Estrela. Para
isso, está fazendo uma campanha para Biblioteca própria. Em agosto de 2000, iniciou a
publicação mensal do seu jornal CTG Raça Gaudéria. Além de informar todas as promoções,
o seu órgão esclarece e luta pela autenticidade nas pilchas, diretrizes da indumentária da prenda
atual, traje de honra (gala), acessórios permitidos, símbolos do sul, história da Revolução
Farroupilha.
A patronagem para a gestão 2000-2001 é a seguinte:
Patrão: Elmo Luiz Diedrich - 1º capataz: Valmor de Araújo - 2º capataz: Décio Jacoby 1ª sota capataz: Fabiane Fritsch - 2ª sota capataz: Isa Cruz Vieira - 1º agregado fiel: Darci Braun
- 2ª agregada fiel: Maria Helena Araújo - Capataz das falas: Roberto Fritsch - Capataz das
Campeiras Renê Bechincamp - Departamento do Patrimônio: Cleto e Elis Werle - Departamento
Jurídico - André Roberto Mallmann - Departamento Clube de Mães: Teresa Jacob Departamento Cultural: Eloísa Wink - Departamento Jovem: Marco Antunes e Cristine Beppler
- Coordenador Artístico.
Vários Centros de Tradições Gaúchas funcionavam no interior do município de Estrela,
antes que se emancipassem novos municípios. Assim, nomeamos os CTG Rincão das Coxilhas
e Porteira dos Pampas, em Canabarro, Teutônia. Na Seca, hoje Imigrante, mencionamos o
CTG Recanto Verde. O Centro de Tradições Gaúchas Querência dos Gaúchos foi fundado
em 27-3-1991, com sede em Corvo, hoje Colinas. O Centro de Tradições Gaúchas Flor dos
Pampas tem a sede em Costão, Estrela.
Os Centros de Tradições Gaúchas poderão manter contato com o Instituto Histórico e
Geográfico do Vale do Taquari, para ir além de alguns conhecimentos da Revolução
Farroupilha, e conhecer, mais de parto, a história de sua região, bem como da Revolução
Federalista, ocorrida no Vale, em 1893-1895.
Antigos Kerb
Típicas nas regiões de etnia germânica são as festas de Kerb. Talvez, a origem do
termo possa estar na palavra "Kerbe" e seu verbo "kerben", significando entalhe e entalhar.
Desde o século 18, quando era inaugurada uma igreja ou capela, no portão de madeira da
entrada principal, feita em forma de arco, fazia-se um entalhe ou um corte, repetido a cada
ano, no seu aniversário, festejado pela comunidade e sua vizinhança. Assim, sabia-se quantos
anos tinha a igreja, desde a sua inauguração. O hábito de festejar o aniversário de
inauguração e ou seu santo padroeiro também foi trazido pelos imigrantes para o Brasil e
cultivado nas linhas coloniais, o que se chamava Kerb.
Cada igreja e capela tinham o seu dia próprio de Kerb. Hoje, muitas localidades nem
lembram mais a data.
Em Novo Paraíso, os bailes de Kerb se faziam no Salão de Pedro Petter, como nos dias
21, 22 e 23-10-1928 - cf O Paladino, de 20-10-1928. Em Canabarro, as três alegres noitadas de
“Kerb” eram no último fim de semana de janeiro, nos dias 26, 27 e 28, cf O Paladino, 18-11941, com bailes no Salão do Sr. Guilherme Schneider Sobrinho. Na semana anterior, era
festejado em Bom Retiro.
Em cada comunidade, a preparação do Kerb era feita em mutirão, para deixar a
capela, a escola, o salão, o cemitério, seus respectivos pátios e caminhos, tudo limpo e asseado.
As folhagens, galhos de coqueiro ou palmito, com bandeirolas coloridas, davam ares de festa.
A missa ou o culto se revestia de caráter solene, com música e canto coral, tudo bem ensaiado,
com muita antecedência. Depois da cerimônia religiosa, ao som da banda e rojões, iniciava-se
a festa profana, muitas vezes com quermesse, cuja palavra tem origem saxônica: Kirche +
Messe, ou seja, igreja + missa.
O mesmo acontecia na casa de cada morador, pois as visitas anuais de retribuição dos
familiares e parentes, nos Kerb da vizinha, vinham ver os melhoramentos na casa, galpões e
roças. Enquanto os homens se ocupavam desses assuntos "econômicos", as mulheres tratavam
de assuntos "domésticos" e "familiares", mostrando as novidades na sala, quartos, cozinha,
jardim, horta, pomar, ou mesmo louças novas, algum armário, crochês e bordados. Repassar o
álbum de fotos da família era um ritual infalível. Comentavam os acontecimentos principais da
família, no decorrer do ano, educação dos filhos, problemas de saúde, troca de receitas de
ervas, comida, plantas, aves domésticas. À tarde, os homens jogavam cartas, e as mulheres,
depois de lavar a louça, tomavam um longo chimarrão à sombra das árvores, sempre em
animada conversa.
Os jovens aguardavam, com ansiedade, o "Baile de Kerb", o ponto alto, para os quais
preparavam os melhores trajes e vestidos. Os que vinham a cavalo, mostravam suas qualidades
de cavaleiros, em arreios de couro e adornos prateados, ainda mais quando o belo sexo estava
nas proximidades.
Os salões estavam enfeitados. No centro da pista, ao alto, estava o "Kerwekranz", a
"coroa do Kerb", de onde pendiam garrafas de cerveja e gravatas. Quem conseguisse arrancar
uma gravata ou cerveja, tinha o direito de chamar a bandinha ao seu redor e pedir a execução
de uma peça musical. Em compensação, cabia-lhe pagar uma rodada de cerveja ao seu grupo.
Antigamente, nos sábados, não havia baile, pois o padre ou o pastor não queria as pessoas
sonolentas na igreja, na manhã seguinte. As três noites de baile estavam destinadas,
especificamente, para os jovens, os casais e uma noite para todos. Afinal, a maioria
aproveitava as três noites. O baile iniciava logo, ao escurecer, e terminava lá pelas duas ou
três horas da madrugada. Se alguém trouxesse alguma criança, havia uma sala ao lado do
salão, onde podia dormir.
Para as crianças, os três dias de Kerb eram inesquecíveis. Além do reencontro de
primos e amigos, os folguedos e brincadeiras eram aguardados com muita ansiedade.
Ao meio dia, o "Kerweessen" (almoço de Kerb) era o que havia de melhor. Os assados
de porco e galinha, chucrute, batata cozida em água, bolinhos de carne moída formavam o
cardápio. Mais tarde, o churrasco e a maionese de batata foram ganhando seu espaço. Tudo
era regado a cerveja caseira, Spritzbier, vinho e Sangerie, uma espécie de refrigerante caseiro,
de vinho com água, para as crianças e mulheres. Os mais abastados tomavam cerveja e gasosa
industrializadas.
À meia tarde, era servido à mesa o tradicional café colonial. Oferecia-se em
abundância as cucas, pão de trigo com lingüiça, nata, manteiga e "Schmier", termo próprio da
região, para significar o doce de frutas, feito com melado de cana. Muitas vezes, tinha também
tortas e bolos.
O Kerb estrelense era vivamente festejado, sempre no fim de semana mais próximo do
dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, padroeiro de Estrela. Luiz Bennemann, por exemplo,
convidava o público em geral para os bailes e festas no seu Salão Oriental, nos dias 14, 15 e 16
de junho de 1925, com boa mesa e bebidas de todas as qualidades.
Em várias localidades, também havia a tradição de se comemorar o Nach Kerb, que
consistia numa noite de baile, após as festas de Kerb. Em Estrela, por exemplo, um mês depois
dos Kerb de 14, 15 e 16-6-1930, em 12 de julho, realizou-se o Nach Kerb na SOGES,
promovido por um grupo de rapazes de nossa melhor sociedade - cf O Paladino, de 19-7-1930,
animado pelo Batuque-Jazz, a orquestra de Dalton Lima, de Lajeado.
A imprensa naturalmente não registraria os costumes, tradições e "promoções"
particulares, em dias de Kerb, na intimidade dos lares estrelenses. Noticiavam, algumas vezes,
a euforia da população, como O Paladino, de 24-6-1939, registrou com a manchete Os "Kerb"
de Estrela. Iniciou no dia 10: Sábado à tarde, notava-se que todos estavam contaminados pelo
entusiasmo para as noitadas, ansiosamente esperadas. O domingo veio cheio de sol e de alegria.
Cedo, já se ouvia a algazarra da comissão improvisada de propaganda que, em um caminhão,
percorria as ruas da nossa "pacata Estrela", dizendo a "todo mundo", que era chegado o dia do
início da festa do nosso Padroeiro. Mais adiante: Antes da missa solene, na igreja matriz, o
excelente conjunto musical do Sr. Walter Zimmermann, reuniu-se na praça Benjamin Constant,
dando uma retreta. A "amostra" agradou sobremodo a todos que assistiram à tocata. Após a
missa, a referida orquestra, há dias "batizada" de "Jazz Bando Estrela", foi cumprimentar, na
casa paroquial, o padre Reinaldo Juchem, vigário, o qual ofereceu doces e finos líquidos aos
componentes do "Bando", bem como aos porta-bandeiras das Sociedades Santa Cecília, local e
de Picada Delfina, e às suas guardas de honra. À tarde, o Bando Musical, na parte térrea do
edifício do Clube Ginástico, executou várias marchas, etc., comparecendo grande número de
sócios e forasteiros, dando assim início aos festejos. Finalmente, já pelas 20 horas, estavam
iniciadas as danças, com uma freqüência estupenda. O mesmo, notou-se tanto na 2ª como na 3ª
noite. Para os na 1ª noite, 59% eram forasteiros; na 2ª, 60%, e na 3ª, 52%. Como se verifica
pelos dados acima, a 2ª noite, cognominada a "noite dos velhos" (na década de 70, os "coroas"),
teve especial atração, em vista do anunciado concurso de trajes de chita. Houve concursos de
valsas, realizados em as 2ª e 3ª noites dos "Kerb". Foi vencedor, na 2ª noite, o casal Alfredo
Meyer e esposa e, em segundo lugar, Artur Steyer e senhorita Selma Rodrigues da Fonseca. A
comissão julgadora estava formada por G. Weidlich, B. Schirach, J. Calvino Reis e Alberto
Dexheimer. Na 3ª noite, obteve o l.º lugar o par F. Weiler e Clélia Spalding; o 2º lugar: Carlos
Willy Müller e senhora Olívio Dahmer e o 3º lugar: Valdo Jaeger e J. Dexheimer. No Concurso
Vestidos de Chita, venceu Erna Ruschel; obteve o 2º lugar, Jenny Schwertner, e o 3º lugar ficou
para Nair Rocha e Meta Spalding, empatadas.
Durante os dias de Kerb, houve Jogos de Bolão: - Cometa x Riachuelo (V. Aires) - Não
Pode x Danúbio (P. Alegre) - Torneios de Basquete.
A descrição detalhada acima serve apenas como amostra das promoções sociais da
época. Quem sobreviveu, poderá recordar...
Primeiros Carnavais
A mais antiga menção de festejos carnavalescos em Estrela, documentada em fontes
primárias, está no jornal Der Pionier, de 11-3-1897, citado por Lothar Hessel. A casa
comercial de João Carlos Wallau, além de outros produtos, vendia confetes, grande variedade
de máscaras e enfeites de carnaval, para damas e cavalheiros.
O mais antigo grupo carnavalesco de Estrela, documentado, é o Clube Saca-rolhas (V.)
no desfile de rua, no Carnaval do século 19. A banda de Laurindo Paraná animava os
folguedos, enquanto em carros alegóricos desfilavam um grupo de gaúchos rio-grandenses,
grupo de índios, rainha, bosque de fadas, alegoria ao Brasil e Argentina; uma fábrica de cargos,
onde um Satan tirava de um moinho as diferentes profissões liberais'' - cf O Alto Taquary, de
24-2-1901.
Outra menção é de 1908: O folgazão Momo visitou esse ano a nossa região, recebendo
em homenagem animadas festas. Na vizinha vila da Estrela formou-se alegre préstito composto
de crítica, Zé-Pereira e garboso esquadrão de cavalarianos - cf O Alto Taquary, de 3-3-1908.
Pelo visto, Zé Pereira era antigo e as alegorias carnavalescas preferiam as críticas
humorísticas.
Um dos mais antigos blocos burlescos foi o Grupo Mephistófeles, fundado em 24-21924. Uma foto desse grupo está no Álbum Comemorativo do Cinqüentenário do Município,
p.88, diante do Hotel Central, no Carnaval de 1926. Grupo carnavalesco “Zé Pereira”
animava os bailes de carnaval, também, na segunda década do século passado, segundo foto de
1926, integrado por Sadi de Azambuja Pontes, Olinto Fontoura, Albino Müssnich, Eugênio
Kasper, J. Beno Schütz, João Carlos Wallau Filho e Maximiliano Lauer. O nome mais completo
era Zé Pereira Oxford - cf O Paladino, de 6-3-1927.
O Paladino, de 19-9-1926, cita dois blocos atuantes: o Bloco Amantes do Choro veio
tomar parte da festa de posse da primeira diretoria do Bloco dos Intrometidos. Em 4-10-1926,
ambos os blocos se fundiram num só, tornando os "Intrometidos" mais fortes. A edição
seguinte, do dia 26, mencionou o Bloco Saudades, que havia promovido um animado baile no
salão da Sociedade Ginástica.
Além do Bloco das Tesouras e do Mal-me-quer - cf O Paladino, de 20-2-1927, havia o
Bloco dos Gaúchos, fundado anexo ao Salão Oriental, no bairro do mesmo nome,
mantenedores de uma orquestra.
Na semana passada, foi fundado por distintas senhoritas do Oriental o "Grupo das
Caturritas" - noticiou O Paladino, de 21-1-1928, - que fará galharda estréia no próximo
carnaval, concorrendo para o seu brilhantismo.
Contemporâneo foi, igualmente, o bloco Dois Cometas, participando João Heidrich, A.
Maisonna, José Carlos Maurer, Albino Müssnich e Aníbal Carlos Kessler.
Na década de 1930, havia também o bloco Zé dos Intrometidos. No mesmo período, um
grupo de caixeiros-viajantes e seus familiares se organizaram para fundar o bloco carnavalesco
denominado Gafanhotos, insetos que não param de pular e comer... Não só animavam festas
burlescas em Estrela, mas também participavam de folguedos em lugares vizinhos. A Semana,
de 20-2-1933, noticiou que o carnaval de Estrela está animadíssimo, tendo o Zé dos
Intrometidos feito diversos assaltos, assim como também os cordões ali formados. Na
reportagem de 25-2-1933, O Paladino mencionou a promoção da Sociedade Carnavalesca dos
Intrometidos, em matéria assinada por Rumara. Rudolfo Maria Rath, seu autor, usa de enigma
futurista: O Zé, então, nem se fala. Ao seu ruflar até o obelisco, que na revolução do ano de
2001 ficou firme, estremecerá.- Afinal, 68 anos depois, estamos em pleno ano de 2001...
A edição de 11-3-1935 registrou a participação do Zé dos Intrometidos e dos
Gafanhotos num baile de fantasia, promovido pelo Esporte Clube Lajeadense, em seu salão de
festas. Os Gafanhotos trouxeram uma fantasia alusiva à crítica de que foi alvo a classe em um
boletim de propaganda política após as eleições de outubro. Os distintos visitantes foram muito
festejados e concorreram grandemente para o sucesso inegável do baile do Esportivo.
Na edição de 6-1-1940 O Paladino menciona a ditadora do carnaval, senhorita Clélia
Spalding.
Primeiros Concursos de Beleza
A primeira menção de concurso de beleza feminina, em Estrela, encontramos n’ O
Paladino, de 9-4-1922, quando a Revista da Semana e o vespertino A Noite, do Rio de
Janeiro, promoveram em Taquari um concurso de beleza, para saber qual a mulher que devia
ser chamada rainha da beleza brasileira. Como o município de Estrela não tomasse parte nesse
plebiscito, devido não termos correspondência direta com os promotores, o próprio jornal local
promoveu um “plebiscito” entre a população estrelense, cuja beleza feminina é compatível com
a de qualquer centro do Estado. Para maior lisura na apuração, designaremos previamente
uma comissão de pessoas idôneas para procedê-la, cujo resultado será publicado
semanalmente. Cumprida a promessa, o resultado final deu 5.370 votos para Célia Veloso,
5.057 para Gabriela Ruschel, 1.796 para Helma Becker, 926 votos para Célia Ramos Morsch,
660 para Olga Petter, 507 para Maria Bittencourt Ruschel e mais de uma centena com menor
número de votos, num total de 16.905 votos, cf. O Paladino, de 9-7-1922. A edição de 7-91922, em papel couchê, publicou as fotos das duas mais votadas.
Célia Veloso conquistou o coração de Dr. Eraldo Christ, com quem casou, em 1-3-1924.
Gabriela casou-se com Waldemar Jaeger, em 1-12-1924, mas teve um destino cruel, marcado
pela tragédia.
Em 1929, o Diário de Notícias promoveu um concurso de beleza estadual, para a
escolha das mais belas do Rio Grande, foi eleita por 1823 votos, nesta vila, a Exma. Srta. Cléa
Lautert, estremecida filha do Sr. Ernestino Leopoldo Lautert. O 2º lugar, com 1.760 votos,
coube a Exma. Srta. Alice Porto, dileta filha do Sr. Cap. Antônio Carlos Porto - Cf O Paladino,
de 9-3-1929. A vencedora, Cléa Lautert, Miss Estrela, na quinta-feira do dia 7-3-1929, seguiu
para Porto Alegre, participar do concurso de beleza. Venceu Bela Ortiz, Miss Uruguaiana.
No decorrer das décadas, a beleza da mulher estrelense brilhou sempre nas passarelas e
concursos. Naturalmente, a beleza da mulher estrelense na praia do rio Taquari, com a escolha
da Miss Cascalho, a imprensa não registrava. Eram brincadeiras sadias. Cada verão em Estrela
era um período esperado e inesquecível.
No decorrer dos anos, os concursos de beleza se tornaram cada vez mais sofisticados,
com trajes cada vez mais reduzidos.
Para rainha do Jubileu de Diamante de Estrela, em 1951, foi eleita Romilda Vier, com
seis princesas: Maria Beatriz Porto, Otília Müssnich, Íria Schneider, Gertha Ahlert, Isoldi
Orlandini e Eunice Ribeiro Lopes, a mais bela do Alto Taquari que coroou a rainha - cf João
Oliveira Belo, em O Alto Taquari - Aspectos de seu Desenvolvimento.
Em 1954, Miss Estrela Otília Müssnich participou de um certame estadual de beleza, na
Festa da Uva em Caxias do Sul, a única a desfilar sem chapéu. Casou-se com Dr. Gustavo
Simon, dois anos depois. Em 1966, Aneli Fuchs, nascida em Corvo, eleita rainha do Rotary,
entre cinco representantes da sociedade estrelense, foi escolhida a rainha da Femai e foi
indicada para representar Estrela no concurso Miss Rio Grande do Sul, em 14-6-1968, colocada
em 4º lugar, sagrando-se princesa.
A revista ESTRELA 1876-1992, p. 46, também menciona alguns destaques, como Ane
Elizabeth Horst, em 1974, eleita Rainha das Praias do Taquari e Princesa das Piscinas do Rio
Grande do Sul. Em 1976, ela conquistou o título de Miss Rio Grande do Sul e Miss Simpatia do
Brasil.
Em 1991, Juliana Wülfing foi eleita a mais bela mulher de Estrela. Em março do ano
seguinte, conquistou o título de Miss Rio Grande do Sul. Em abril de 1992, Cristine Ströher e,
em 1997, Soraia Schwan foram eleitas Miss Estrela.
A Garota Verão 2001, de Estrela, Júlia Quevedo Grave, foi escolhida em 26-1-2001. A
promoção é da Sociedade Rio Branco, sob a presidência de André Mallmann, em parceria com
a RBS-TV. Com a participação de 17 candidatas, Priscila Schmitt foi eleita primeira princesa e
Scheila Lenhardt, segunda princesa. Em 25-1-2002, Fernanda Schmachtenberg, entre 12
candidatas, foi eleita Garota Verão 2002.
Em evento promovido pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, em 31-3-2001, a
beleza estrelense de 16 candidatas esteve na passarela, ao ser eleita Fernanda Wülfing, irmã de
Juliana, Miss Estrela 2001, representando a Associação Atlética do Banco do Brasil. Para
primeira princesa foi escolhida Ângela Braun, da Vídeo Foto Wilson e para segunda princesa,
Priscila Schmitt, representando a Rádio Alto Taquari de Estrela. Em 4-5-2001, dentre dez
candidatas, Deise Cristina Tietz foi eleita Miss Estrela 2002, sendo Júlia Grave 1ª Princesa e
Katherine Hallmann 2ª Princesa.
Arte culinária
A arte culinária das famílias de origem alemã foi herdada de imigrantes. Nos dias
comuns servia-se o "Alltagsessen", a comida de todos os dias. Nos dias de domingo, Kerb,
Schitzefest (festa dos atiradores), dias santos de guarda, especialmente "Weinachten" (Natal) e
"Ostern" (Páscoa), o cardápio chamava-se "Sontagsessen". Alguns manjares permaneceram no
seu original, como o "Riebelesuppe" (sopa de massa granulada), "Eierschmier" (Schmier de
ovos), "Pfannkuchen" (panqueca), "Kartoffelsalat" (salada de batata) ou "gekocht" (batata
cozida). Entretanto, com a fartura da horta brasileira, a arte culinária foi enriquecida, um
tanto alterada, com um receituário próprio, ou seja, teuto-brasileiro. Seus principais
ingredientes são: feijão, arroz, aipim, farinha de mandioca, canjica, chuchu, e outros manjares
desconhecidos na Alemanha. Da abundância de carne de rês ("Spiessbraten" ou churrasco),
suínos ("Schweineprode" ou porco assado), aves ("Gefüllte Hahn" ou galo recheado), peixe nos
arroios e caça nas matas resultou um dos cardápios mais gostosos do mundo...
Na Alemanha a bata inglesa é o condimento principal na mesa. Há literatura que fala
de batata quente com requeijão servida no desjejum. Ao meio dia, retorna a batata cozida,
denominada "Eintopf", como prato único e principal, acompanhado de algum molho e salada.
À noite, reaparece a batata, cozida na casca, conhecida por "Pellkartoffel". Devido à gordura,
na Alemanha quase não se usa a batata frita, como no Brasil, mas usa-se a batata com
maionese. No Brasil, a batata não é o alimento principal na mesa. Tornou-se apenas um
ingrediente complementar. Mesmo assim, os brasileiros apelidavam os imigrantes e teutobrasileiros de "alemão batata". O sentido do termo dependia da boca de quem o pronunciava.
"Quinta coluna" e "alemão batata" eram os termos ofensivos preferidos pelos policiais e
xenofobistas, no período do Nacionalismo.
A conserva em vinagre e salmoura de repolho picado tomou o nome de Chucrute,
originário do termo "Surcrut", do dialeto alsaciano, perto da França, onde o "Sauerkraut" azeda-erva em alemão - era identificado por choucroute, em francês.
A farinha de milho, mais abundante e barato, era o ingrediente principal do pão, para
os dias comuns. Às vezes, à farinha se misturava um pouco de massa de batata inglesa ou de
cará. Nos dias de domingo e festas servia-se o pão branco, com farinha de trigo. Fazia-se
também o pão de mel ("Lebkuchen"), a cuca ("Hefekuche") polvilhada com "Streusel", ou farelo
feito de açúcar, farinha, canela e margarina.
Como em prato de brasileiro não pode faltar o feijão, os imigrantes o adotaram com
gosto.
Quem deixou resgatada a memória da feijoada típica da região foi Aloísio Raimundo
Schneider, no Correio do Povo, de 25-5-1969. Essa feijoada era preparada e servida a bordo
dos vapores da Companhia Arnt ou da Aliança. Havia quem viajasse a Porto Alegre só para
saborear o prato feito com o “Feijão Taquari”. O segredo da receita foi descoberto e
divulgado pelo jornalista:
Ferve-se uma porção de feijão preto ou mourinho com bastante água. Temperos
habituais: sal, pimenta vermelha, cebolinha, alho, e manjerona. Quando estiver meio macio,
acrescentam-se umas costelas defumadas de porco e rodelas de lingüiça nova. Corta-se salsa em
duas porções: uma se põe logo e outra, quase no fim.
Com o feijão já macio, põe-se em outra panela grande bastante cebola cortada. Deixa-se
dourar em azeite ou banha. Quando estiver bem dourada, ajunta-se o feijão com bastante calda.
E aqui há um segredo: quando o feijão estiver cozinhando e a calda for pouca, junta-se água fria
e nunca quente, um copo de cada vez. Quando estiver fervendo, amasse com um garfo ou
socador mais ou menos a quarta parte do feijão, a fim de conseguir uma calda mais encorpada.
Nesse ponto, adicionam-se umas duas colheres de gordura (banha ou azeite).
Bem quente o feijão, ajunta-se farinha de mandioca (não muito fina). Aos poucos e
mexendo sempre para não encaroçar. Nem junte farinha demais para não ficar excessivamente
encorpado. Nessa fase acrescenta-se a segunda porção de salsa cortada. Deixa-se ferver por
poucos instantes em fogo baixo, até formar bolhas. Mexendo sempre. Cuidado para não
queimar, senão perdeu toda a poesia... e o feijão.
O interior de Estrela também tinham uma "arte culinária", apropriada aos meios de
vida. Interessantes são algumas observações feitas por Lothar Hessel em Arroio da Seca. Como
a farinha de trigo era cara, mesmo que extraído das mós de pedra do moinho do dentista
Wilibaldo Lautert, na época de Natal se fazia os docinhos de massa, besuntados com merengue,
que grudavam bolinhas coloridas de açúcar como enfeite. Em português se dizia doce de
alemão. O pão de milho puro era chamado pão pururuca, ao feito exclusivamente de farinha
de milho; prote (ou proto), com o fechado, para o pão de forma, com algo de trigo. Ao que tudo
indica, prote, deve ser corruptela de Brot, o pão, em língua alemã. A cuca era chamada de
klösse, o recurso foi aportuguesar: clês. Nas padarias e vendas também se vendiam os
Lebkuchen, doce ou cuca de mel. Schmier era um doce pastoso, de se espalhar sobre a fatia de
pão, feito melaço, misturado com outra fruta, especialmente laranja, melancia-de-porco,
marmelo, etc. Kässchmier (traduzido, significa Schmier de queijo) era feito de leite coalhado,
deixando-se escorrer o soro, semelhante ao requeijão moderno.
Toda esta riqueza de culinária estrelense está sendo resgatada e revivida na promoção
denominada Brot Fest ou Festa do pão, cuja primeira edição foi nos dias 18 e 19-8-2001. O
evento reuniu doceiros, confeiteiros e padeiros, com feira específica de seus produtos.
Delícias da Colônia é um roteiro turístico rural lançado em Estrela, em 13-4-2002.
Iniciou na visita ao comércio de pedras preciosas na BR-386. A seguir, o grupo de turistas
apreciou o processo de fabricação de cachaça no Alambique Berwanger, na linha São José. A
terceira visita foi no Pesqueiro Carpas & Cia., onde foi servido o almoço. Seguiu-se a visita ao
distrito de Costão, para degustar as delícias da fábrica de chocolates Sirlei. A quinta visita foi
conhecer a Kolonie Haus, que tem à disposição produtos coloniais como schmier, biscoitos,
pães, cucas e caldo de cana. Encerrando o passeio, houve a visitação à Cerâmica e Artesanato
Cisne Branco - cf O Informativo, de 15-4-2002. Em final de abril, a programação foi lançada
em nível de Estado, em Porto Alegre.
Piquenique - Convescote - Férias
Constituía um dos lazeres mais freqüentes e populares, por várias décadas, também em
Estrela. A população era convidada para se divertir na orla de alguma floresta, junto a um
prado.
Para se entender melhor como e para que serviam tais eventos, nada melhor que
transcrever uma curta notícia n' O Paladino, de 20-10-1928: Se não chover, realiza-se,
amanhã, no capão Horn, um pic-nic promovido pelo Colégio São Luís, para o qual são
convidadas as excelentíssimas famílias. Reina animação para esta festa.
Poucos dias depois, para o feriado de 15 de novembro, no mesmo local, o Bloco dos
Intrometidos promoveu um convescote - em benefício de seus cofres - Haverá churrasco,
variadas iguarias, doces, chopps, divertimentos, etc., sendo conferidos prêmios aos vencedores
de diversas provas. - Tocará excelente orquestra. - cf O Paladino, de 10-11-1928. Contam-nos
pessoas de idade, muitos de nossos avós se conheceram em tais encontros de lazer e iniciaram
a construção de seu sonho feliz. Hoje, nem a palavra "convescote" é mais usada. Está formada
pelo termo convívio e mais o sufixo nominal "ote", diminuição, resultando um banquete
realizado num piquenique... Por que não relançar a palavra e o mesmo tipo de lazer?
Entre os estrelenses, também é tradição muito antiga a busca da saúde e recuperação de
energias na orla marítima. Na época, quando ainda não existia o automóvel, uma viagem às
praias era muito demorada, em torno três dias ou mais. Tramandaí era a mais freqüentada. Mais
tarde, com a abertura de melhores estradas, o automóvel diminuía a distância, o tempo e o
desgaste.
Dramática era a situação de um falecimento durante o veraneio. O Paladino, de 18-11941, noticiou o falecimento de Júlio Carlos Lohmann, adiantado agricultor da linha Arroio do
Ouro, em 16 de janeiro. Era vice-presidente da União Colonial, membro da Associação Rural
de Estrela e pioneiro da cultura de acácia-negra. O trágico acontecimento se deu em
Tramandaí.
Rivalidade entre Estrela e Lajeado
Escondê-la? Faz parte da história cultural.
Talvez a primeira menção desta rivalidade, documentada em fontes originais, esteja na
Ata da sessão de 14-8-1856, na Câmara de Vereadores de Taquari. Antônio Fialho de Vargas,
fundando a Colônia dos Conventos, formalmente, em 20-3-1855, e Vitorino José Ribeiro, a
colonização de Estrela, em outubro de 1855, lutam pelo uso de uma estrada. No período da
Revolução Federalista, estrelenses e lajeadenses se uniram em defesa do bem comum.
Na área da saúde, a rivalidade trouxe benefícios, principalmente quando irrompiam
epidemias. Nos setores da educação, cultura, turismo e sociedades os interesses comuns
continuam prevalecendo. A competição no setor econômico promove o desenvolvimento da
região. Um dos fatores que proporcionou a união foi a BR-386 e a ponte sobre o Rio Taquari,
inaugurada em 20-9-1962, agora duplicada, estreitando ainda mais os laços entre Lajeado e
Estrela. Hoje, os perímetros urbanos de Lajeado e de Estrela, de Cruzeiro do Sul e de Arroio do
Meio, se unem e formam, praticamente, um bloco urbano, a metrópole do Vale do Taquari.
É no esporte que a animosidade é mais conhecida. Olides Canton acaba de publicar no
seu livro Cidades Vizinhas - Amor e Ódio - cf Zero Hora, de 31-1-2002 - um capítulo sobre os
encontros do Estrela FC e o Esportivo Lajeadense: pelos idos de 1940, em plena ditadura do
bom velhinho, o Chefe de Polícia do Rio Grande do Sul proibiu jogos de futebol entre os dois
times, tal o risco que o confronto representava para a segurança.
Pontos Turísticos
Vários itens acima apontados são pontos de referência obrigatórios para o Turismo em
Estrela.
No decorrer dos anos, quem não podia gozar as férias em praia, procurava o lazer na
própria região. Com o tempo, surgiram as sedes campestres nos clubes. As margens dos rios e
arroios serviam de lazer ao natural, para amenizar o calor no verão.
O camping Recanto Verde está localizado no distrito de Delfina. No período de
veraneio, durante a semana, recebe em torno de 50 pessoas e, nos finais de semana, o número
salta para 800. O local oferece infra-estrutura para banho em piscinas naturais, área de camping
e boas alternativas de alimentação. Além das placas indicativas de alerta em locais de risco, os
banhistas têm à sua disposição salva-vidas, nos fins de semana. Além de outros, o Balneário
Ehrenbring também integra o roteiro dos pontos turísticos de Estrela e região.
Delícias da Colônia é um roteiro turístico interno em Estrela. Inicia-se por um city tour
na parte histórica, passa pelos monumentos Chuck e Ruth e prossegue o seguinte roteiro: Pedras
Ametista Murilo Xavier, o Alambique Berwanger, o Pesqueiro Carpas & Cia., Sirley
Chocolates, Morro Redondo e, no final, chega-se à Kolonie Haus. O roteiro Delícias da
Colônia é percorrido num trajeto de 28,7 km, sendo que 4,6 km são em estradas de chão. As
visitas podem ser agendadas com o Departamento de Turismo da Prefeitura de Estrela - cf O
Informativo, de 29-5-2002.
A cidade de Estrela oferece aos turistas duas agências de Turismo: Stern Turismo Ltda,
na rua Coronel Brito nº 28 e Ruben Ruschel & Cia., na rua Venâncio Aires nº 216. Hotéis:
Estrela Palace Hotel, a antiga Polartur, na rua 20 de Maio nº 375 e Century Hotel, antigo Hotel
Bentz, na rua Coronel Flores nº 234.
Os principais restaurantes: Blumen, Pitschmann (no Hotel Estrela Palace), Soges,
Aquilus, Kaku's (SRB), Estrelense (Rodoviária), Prato Cheio, Munique Beer Bar Coliseu,
Picanha Neul's, Big-309, Panela de Ferro, Posto Laguinho, Carro de Boi e Cândido. As
principais lanchonetes: Panífico Estrelense, Super Pão, Padaria Bruxel, Barranco´s Bauru, Água
na Boca e Ki-Lanches (Zé). As sorveterias: Ki-tentação, Sorvehaus e Big Sorvete.
Através da Smectur, o município de Estrela acaba de firmar parceria com a PUC-RS a
fim de definir ações para a elaboração de um programa de sensibilização e conscientização
sobre a importância do turismo como fomentador de desenvolvimento - cf O Informativo, de
25-5-2002. - A parceria deverá atrair investimentos e benefícios, tanto para Estrela como para
toda a região.
Parkchoppfest
De 16 a 20-5-2002 Estrela festejou os 126 anos de criação do município, através 3º
Parkchoppfest, no Parque Princesa do Vale. A promoção foi do Rotary Club, Prefeitura
Municipal, Sesi, Associação de Ecologia e Canoagem, Tipografia Gerbaza Ltda. e Univias.
O evento envolveu turismo (passeios turísticos), cultura (shows), esportes (torneios e
competições), lazer (Cidade dos Brinquedos) e muito chopp. Abriu com a entrega da Chave da
Cidade dos Brinquedos ao Sesi, no dia 16, seguindo-se torneios e jantar. Participaram o CTG
Estrela do Rio Grande, Grupo Tche Bochincho, Acie, Smel, Smectur, Câmara de Vereadores,
Sesi, Grupo La Chanson, Grupo Horizonte, Grupo Estrela Guia, Banda Barbarella, Rotary Club,
CTG Raça Gaudéria, Câmara dos Dirigentes Lojistas, Banda Melanina e Banda Dark Street.
No almoço festivo do dia 20, numa retrospectiva histórica de Estrela, com 200 anos de
povoamento, 147 de colonização e 120 anos de instalação municipal, foi apresentado ao público
o roteiro deste livro Estrela Ontem e Hoje pelo autor. À noite, encerraram-se as comemorações
com o lançamento do CD Festival de Música Cidade Juventude.
Associação dos Estrelenses de Porto Alegre - AEPA
Quem já tomou a água dos poços artesianos de Estrela e saboreou uma Guaraná ou
Polar geladinha nesta cidade não tem como esquecer a Princesa do Vale. Um grupo de
estrelenses que moram na capital do Estado reuniu-se em 2-6-1982, numa noite de quarta-feira,
na Alameda 14 de Julho nº 105, no bairro Boa Vista. Estiveram presentes nessa primeira
reunião: Érico Sauer, Eugênio Senger, Antônio Carlos Senger Porto, Danilo Senger Ribeiro,
João F. X. Müssnich, Rudolfo Müssnich, Alfredo Müssnich, Darcy Arenhart e Hans Georg Joas.
Tomaram a decisão de lançar as bases da Associação dos Estrelenses de Porto Alegre - AEPA.
Para a segunda reunião, em 24-6-1982, foi sugerida também a participação de Erhard Joas,
Dorivaldo Driemeyer, Carlos Ervino Müssnich, Gastão Xavier Müssnich, Petrônio Ribeiro
Lopes, Clóvis Ribeiro Lopes, Nelson Fischer e Renê Hanquet, sendo eleito Danilo Senger
Ribeiro o primeiro presidente.
Segundo o estatuto, elaborado pelo economista e desembargador estrelense, Dr.
Francisco José Moesch, e aprovado na assembléia de 13-8-1984, a AEPA é uma entidade sem
fins lucrativos, com objetivos precípuos de cultura, assistência e recreação, congregando
pessoas nascidas no município de Estrela ou que mantém com aquela cidade vínculos afetivos.
Incentiva a confraternização e a aproximação entre os filhos de Estrela, seus descendentes e
familiares, bem como todos os amigos daquele município, residentes nesta capital e na Grande
Porto Alegre, dentro de um clima de descontração e amizade, com o pensamento de que
recordar é viver, o lema da AEPA. Seu idealizador foi Nilo Ruschel.
Entre várias atividades de cunho cultural merece registro o patrocínio dado à publicação
do livro O Município de Estrela - História e Crônica, do Prof. Lothar Francisco Hessel e o
apoio ao presente livro Estrela Ontem e Hoje, bem como o Dicionário de Estrela.
No seu 20º aniversário, a AEPA teve dez presidentes: Danilo Senger Ribeiro (19821984), Ademar Horn (1985-1986), Álvaro Paes (1986-1988), Antônio Carlos Porto (19881990), Norberto Sommer (1990-1992), Erhard Joas (1992-1994), Alfredo Müssnich (19941996), Geraldo Ruschel (1996-1998), Hans Georg Joas (1998-2000) e Arno Müller (20002002).
Mais de 500 pessoas mantém contato com a entidade e participam de eventos e se
atualizam através de boletins circulares, sob a responsabilidade do jornalista Antônio Carlos
Porto.
SOCIEDADES
CLUBES DE SERVIÇO
SOCIEDADE GINÁSTICA ESTRELA
Denominada Turnverein Estrela, foi fundada em 28-5-1907, nos salões do Hotel
Bentz, tomando o nome de Sociedade Ginástica Estrela, 44 anos depois. Foram 11 jovens os
sócios fundadores: Adolfo Gonçalves, Alberto Dexheimer, Alfredo Goulart, Artur Francisco
Preussler, Clemente A. Ruschel, Conrado Hemb, Cristiano Oscar Goedtel, Filipe Leopoldo
Dexheimer, Rodolfo Bernhardt, Walter N. Bernhardt e João Carlos Harres.
A finalidade da sociedade era desenvolver a capacidade física, moral e o
associativismo dos seus associados, por meio da ginástica, atletismo e outros ramos
esportivos, bem como promoções sociais, culturais e lazer. A primeira diretoria estava assim
constituída: presidente Alberto Dexheimer, secretário Filipe Leopoldo Dexheimer, tesoureiro
Conrado Hemb e mestre de ginástica Arthur Francisco Preussler.
Os estatutos da Turnverein Estrela foram registrados em 3-6-1911. Assim foi
possível comprar os terrenos para construir o prédio, em 25-7-1911.
A pedra angular foi lançada em 15-8-1915, com discurso de Hans Schnitzler. A obra
foi contratada com o antigo e competente construtor local Germano Kartsch, pela quantia
de 29:300$000 que, por ocasião de sua inauguração, em 11 de novembro de 1916, ascendia
a 41:793$700, inclusive as instalações e o mobiliário.
De todos os presidentes, muito se destacou Alberto Dexheimer e sua equipe, com
mais de duas décadas de administração, nas quais tomava as decisões mais importantes e
históricas do clube.
Várias alterações e aumentos foram feitos no prédio. Lothar Hessel lamentou a
destruição do belo pórtico que os alegres jovens de 1907 idealizaram para satisfação sua e
das gerações seguintes.
Estava na presidência, mais uma vez, Alberto Dexheimer, quando foram festejados
os 25 anos de fundação. O maior entusiasta da fundação e que nela exerceu papel
preponderante foi Conrado Hemb - cf O Paladino, de 28-5-1932. Na festa do 25º
aniversário, apenas Conrado Hemb, Oscar Goedtel e Alfredo Goulart tinham falecido.
Sentindo a necessidade de ampliar o seu espaço para os treinamentos da ginástica
olímpica, em 19-6-1933, foram comprados mais terrenos para a construção de um ginásio
esportivo, inaugurado em 3-2-1935. Novamente se destacou Alberto Dexheimer e sua equipe.
Em 30-3-1942, houve alteração estatutária, havendo a fusão com a Sociedade dos
Intrometidos. Em 16-7-1945, houve nova alteração dos estatutos, denominando-se a entidade
Clube Comercial de Estrela. Em 1951, era presidente José Moesch, quando mudou a
denominação para Sociedade Ginástica Estrela. Grande parte do seu arquivo desapareceu,
sendo difícil resgatar sua história.
Além disso, a Sociedade também promovia reuniões e bailes de sociedade.
Refletindo a evolução dos tempos, entre o antigo e o moderno, merece registro o longo e
inflamado debate das danças “modernas” na SOGES.
A assembléia geral de 20-12-1921, discutiu e aprovou a proposta de Matias Ruschel
Sobrinho para que futuramente não mais fosse permitido, em nossa sociedade, as danças
modernas, citando como tais o One-steap, Foxtrott e Tangos. Posta em votação esta
proposta, foi a mesma, depois de discussão acalorada, aceita com grande maioria, votando
apenas o número insignificante de vinte e oito sócios contra. Foram ainda incluídas como
danças proibidas as que mais a diretoria achar inconvenientes. Criaram-se três partidos: os
conservadores e os avançados, nas extremidades, e os moderados, no centro.
Na festa comemorativa do 15º aniversário, em 28-5-1922, sob a presidência de
Alberto Dexheimer, foi orador oficial Dr. Eraldo Christ. O orador lamentou a existência, no
seio do Turn-Verein-Estrela, de correntes que se digladiam em torno da resolução tomada
pela assembléia geral que proibiu as danças modernas. Alimentava a esperança de ver
dentre em breve os elementos sociais chegarem a um acordo, motivo que o levara a
submeter-se às injunções da maioria e aceitar como consumados os fatos, em vista de achar
tarde para reagir e, terminando, disse que o assunto, mal proposto, talvez, e atirado
bruscamente à tela da discussão, estava liquidado – cf O Paladino, de 4-6-1922.
Na assembléia geral de 25-6-1923, presidida por Afonso Maria Müssnich, o assunto
voltou fervendo. Propôs Dr. Alexandre Snel que sejam permitidas em nossa sociedade as
assim chamadas danças modernas, somente depois de aprovadas pela diretoria e
suficientemente instruídas as duas partes interessadas por profissional de exclusiva
confiança da Diretoria e remunerado o profissional pelas partes interessadas. Esta proposta
foi aceita por grande maioria. Desta forma, voltou o assunto a ser exeqüível, já que o
número de adeptos das danças da atualidade triplicou - cf O Paladino, de 1-7-1923.
A SOGES já tinha um Departamento Cinematográfico:
Uma sala de exibição de filmes era um dos antigos desejos dos associados, a
exemplo de outros clubes sociais. Em 1928, foram adquiridas da firma Ruschel & Müssnich,
pela quantia de 9:000$000, as instalações do cinema. Os equipamentos foram aperfeiçoados
em 1931, pagando-se 12:000$000 pelo aparelho sonoro. Mais detalhes há noutra parte deste
livro.
Importante foi a evolução do Departamento de Esportes:
Em 3-2-1935, foi festivamente inaugurado o campo esportivo da SOGES. A
primeira parte do programa constou na inauguração da ponte que dá acesso ao campo,
custeada pelo SOGES. Antônio Cardoso, orador oficial, convidou o prefeito Martim
Leonardo para romper a fita que interceptava a passagem pela ponte. A seguir, uma fila de
automóveis e logo depois grande número de pedestres passaram sobre a ponte. A renda da
passagem rendeu 240$700. Ao meio dia, foi servido um churrasco e, à tarde, realizaram-se
danças ao ar livre e outras diversões.
Sobre o Departamento de Ginástica há o depoimento pessoal de Rudolfo Maria Rath,
dada ao presidente Dr. Werner Schinke, anexado no Boletim da SOGES, em 30-5-1971. Rath
recorda sua primeira vinda a Estrela, como atleta da SOGIPA, em 1927, no Campeonato
Regional pelo então “Turnerschaft von Rio Grande do Sul”. Três anos depois, veio morar em
Estrela,tornando-se sócio da SOGES, para praticar a ginástica, então dirigida pelo professor
Leo Joas. Surgindo a Campanha Nacionalista e a entrada do Brasil na II Guerra Mundial,
Joas foi despedido por uma diretoria, imposta pela Polícia - depôs Rath. - Com isso, a nossa
sociedade passou a não mais manter Departamento de Ginástica. Na verdade, pode ter
faltado a habilidade, competência e interesse dos presidentes Sady de Azambuja Pontes e
João de Oliveira Belo, por coincidência de etnia luso-brasileira.
Em 1958, pelos festejos do centenário da Sociedade Ginástica de Joinville, uma
equipe olímpica de ginastas suíços veio também dar uma exibição em Estrela, graças ao
empenho de Rath. Foi um grande sucesso. Três anos depois, quando Ivo Bergesch era o
presidente da SOGES, Rath insistiu no retorno ao Departamento de Ginástica. Começamos
por “procurar” os aparelhos. Encontrados, apresentaram-se grandemente danificados.
Encetei uma campanha e conseguimos recuperar a maior parte - relembrou Rath:
A firma Augustin nos doou o couro para o “cavalo” e o Sr. Getúlio Azambuja, um
outro couro, para o “cabrito”. A firma Costa nos pagou o custo de um “Plinto”. Os
Senhores Helmuth H. Mallmann e Edmundo Hergemoeller nos deram, cada um, Cr$
10.000,00 em dinheiro (velhos).
A firma Schwertner nos auxiliou, com serviços e ferragens, num valor global de
mais de Cr$ 600,00. O Paladino nos forneceu, gratuitamente, durante todos estes anos,
impressos, volantes e propagandas. As firmas Persson e o Sr. Theobaldo Bückcr também nos
doaram materiais (madeira e mão-de-obra) em diversas ocasiões. A Sociedade com nada
entrou.
Reparados os aparelhos, já em 1963 participávamos de competições oficiais (P.
Alegre e Novo Hamburgo).
Em 1965, participei do reerguimento da Federação (Ex-Turnerschaft, já
mencionada) e durante 2 anos paguei, do meu bolso, as taxas de filiação, já que a diretoria
por isso não se interessava.
A ginástica era praticada no salão de festas. Concluído o Ginásio Esportivo, não
mais se permitiu a utilização do salão, e tivemos que ir para o novo local. Ali, não
encontramos ambiente, nem vez, pois que nem para a devida guarda dos aparelhos o mesmo
(hoje ainda) não apresenta condições, sem falar em outras deficiências técnicas que ele
apresenta para prática de ginástica, como deve ser praticada.
Depois de muitas lutas e incompreensões, afinal, conseguimos voltar para o Salão
de Festas, onde, presentemente estamos instalados.
Rumara ou Rudolfo Maria Rath concluiu com o Perfil de 1971 da SOGES:
A ginástica vem sendo praticada por cerca de 100 crianças, entre meninos e
meninas, de 6 a 15 anos de idade, com separação por sexos, praticando, cada grupo, 2 vezes
semanalmente, com o maior entusiasmo.
Quando da estada, aqui, do Sr. Mal. Ernesto Geisel, este, entusiasmado com o que
viu, nos presenteou com uma cama elástica e 3 acolchoados grandes, ainda em uso, sendo
que a cama, em breve necessitará de lonagem nova.
Estamos com uma boa aparelhagem que deve ser do valor de cerca de Cr$ 2.000,00.
Instando junto à Brigada Militar, e por intermédio da Federação, consegui a
entrega à sociedade, de uma moderna paralela, do tipo olímpico, bem como de um cavalo,
também de medidas oficiais. Estes 2 aparelhos são apenas de “posse” da sociedade, devendo
ser devolvidos à Federação no caso de aqui não mais se vir a praticar a ginástica (condição
imposta, na oportunidade, também a outras coirmãs contempladas com aparelhos).
O nosso salão oferece condições especiais para a ginástica, dada a flexibilidade do
piso (tão bom quanto aos modernos pisos europeus: Schwung-Boden) e pelas suas
dimensões, um pouco maiores do que o mínimo exigido pelos regulamentos internacionais.
As pequenas interrupções, com o uso do salão para outros fins sociais, não têm
resultado em prejuízo maior para a ginástica, que a mocidade vem praticando com
entusiasmo cada vez maior.
Importante na SOGES também foi a sua Biblioteca:
Depois de comentar o fato de ser Estrela o município mais alfabetizado do Brasil,
desde 1920, O Paladino, de 19-7-1930, informa:
Não corresponde, porém, em absoluto, a esse invejável grau de instrução a nossa
principal Sociedade - a Ginástica, que não possui uma biblioteca, fato que há muitos anos
vem sendo objeto de cogitações das diretorias, sem contudo lograr solução. Felizmente,
parece que essa realização se fará brevemente, pois ficou assentada pela atual diretoria
daquela Sociedade a instalação, em sua sede, de uma biblioteca, empenhando-se a mesma
para poder instalá-la ainda este ano. A seguir, solicita-se doação de livros, para a formação
do seu Gabinete de Leitura.
Quanto à sede da Soges, relata-nos Dr. Werner Schinke que havia originalmente no
topo da fachada o emblema dos quatro F, encimado por uma coroa, como mostra a antiga
fotografia. (Não sabemos quando foi feita a “reforma” da bela fachada original e por qual
motivo ela foi despojada do emblema que identificava sua origem). O distintivo de sócio da
SOGES mostra em fundo vermelho uma estrela branca de cinco pontas e no centro da estrela a
formação dos quatro F em dourado. O busto em gesso de Friedrich Ludwig Jahn sobre um
pedestal ficava no hall de entrada da Soges. até a década de 1960.
Há três décadas, entrou em função o Departamento de Piscinas, sob a direção de Dr.
Victor A. Busatto. O apoio decisivo foi dado na assembléia geral extraordinária, de 29-31971. A obra foi entregue em novembro do mesmo ano. A SOGES era uma família de 207
associados, portadores de títulos patrimoniais da Piscina, quase todos quites, ou com as suas
obrigações em dia com a tesouraria.
A Sociedade Ginástica Estrela tem no seu quadro social, atualmente, em torno de
1700 sócios e mais os dependentes dos mesmos.
Na sede campestre da SOGES, no Alto da Bronze, rua 25 de Julho, estão as piscinas
de uso coletivo, semiolímpica, toboágua, quadra de basquete, quadra de vôlei de areia,
quadras de tênis, campos de mini-futebol, com vestiários, onde são realizados campeonatos
internos de futebol sete, quiosque, ampla área verde conservada, com mesas e churrasqueiras.
Na sede social há o ginásio de esportes com vestiários, pistas de bolão com
rearmamento automático, boate, salão social, jardim de inverno, terraço e bar.
Está em andamento a escolinha de futebol infantil, escolinhas de patinação,
escolinhas de basquete, danças, aulas de tênis, ginástica masculina noturna, ginástica
feminina noturna e diurna.
Além dos campeonatos internos de futebol-sete 1ª e 2ª divisão, são realizados
campeonatos de futebol-sete, categoria master, participando dos campeonatos de futebol
infantil na região e Estado. Duas vezes seus atletas foram campeões estaduais. A Soges
participa de campeonatos de bolão e, durante as férias de julho, são realizados os jogos de
inverno, uma integração entre o quadro social, nas mais diversas modalidades esportivas,
como vôlei, basquete, futsal, pingue-pongue, canastra, bolão, sinuca e cabo-de-guerra.
A diretoria, formada pelo presidente, André Ramon Scheibel; vice-presidente
administrativo, Ildo Salvadori; vice-presidente social, Francisco Vilmar Horn; vicepresidente esportivo, Amarildo Sfoglia e vice-presidente cívico-cultural, Andreas Hamester,
entregou a gestão sem dívidas.
Maria e Eduardo Wagner é novo casal presidente, para o biênio de março de 2001 a
março de 2003, sendo Nádia e Marcos Balbinoti o casal vice-presidente. Seu projeto é
continuar nas obras iniciadas, concluindo a quadra de tênis coberta, a piscina térmica,
implantar uma nova subestação transformadora na sede campestre, melhoramentos no
acesso à sede - cf Folha Popular, de 7-4-2001. Iniciada na gestão anterior, a quadra de tênis
coberta foi inaugurada em 9-8-2001, com jogos festivos entre a diretoria e conselheiros do
clube.
O Baile das Debutantes, em 20-10-2001, foi um marco de juventude e integração das
famílias estrelenses. O ensaio das debutantes foi coordenado por Bernardete Heemann Betti.
A decoração do ambiente coube a Harda Tallini e o show musical foi do Conjunto Atração
Banda Show.
Presidentes
Alberto Dexheimer: 1907-1908, 1913-1916, 1918-1920, 1922, 1927-1929,
1931-1934, 1937, 1939 e 1941-1942; João F. Müssnich: 1909-1910; Arthur Francisco
Preussler:- 1911; Bruno Schwertner: 1912 e 1924; Eugênio Snel: 1917; Francisco Xavier
Ruschel: 1917; Henrique Schaeffer: 1921; Affonso Maria Müssnich: 1923; Reinaldo
Schwambach: 1925, 1930 e 1935-1936; João Francisco Ruschel: 1926 e 1940; Affonso J.
Horn: 1938; Augusto Frederico Markus: 1940 e 1946; Albino Müssnich: 1940; Sady de
Azambuja Pontes: 1942; João de Oliveira Belo: 1942/1943; Willimar Schneider: 1943-1945,
1948, 1956 e 1961; Ivo V. Ruschel: 1947; Bertholdo Gausmann: 1949-1950; Aloísio
Schwertner: 1950; José Moesh: 1951-1952 e 1953-1954; Carlos Armando Mallmann: 1953;
Helmuth Henrique Mallmann: 1955; Friedholdo M. Eidelwein; 1957; Kurt Siepmann: 19571958; Edmundo Hergemoeller: 1959-1960; Ivo Bergesch: 1961; Ivo Marino Müller: 1961:
Arlindo José Fischer: 1962, 1963; Rogério Nonnenmacher: 1962; Günther Ricardo Wagner:
1964; Arnaldo José DieI: 1965-1966; José Brito de Azambuja: 1967; Milton Dario
Stapenhorst: 1968, 1973 e 1982; Norberto Sommer: 1968; Oscar Brendler: 1969-1970; Dr.
Werner Helmuth Erich Schinke: 1971-1972; Romeu Milton Wagner: 1973; Gernot Costa:
1974; Jorge Raul Ruschel: 1975; Friedrich Wilhelm Seyboth: 1976; José Armindo Müller:
1977-1978; Gustavo Adolfo Simon: 1979; Dr. Nelson Júlio Balestro: 1980; Germano Walter
Schmidt: 1981; Hélio Musskopf: 1983; Roni Schaunberg: 1983; Igor Weidlich: 1984, 19851986 e 1989-1990; Sérgio Afonso Mânica: 1987-1988; Paulo Arthur Ritter: 1991-1992;
Nestor Müller: 1993-1994; André Ramon Scheibel: 1995-2001 e Eduardo Wagner: 20012003.
SOCIEDADE RIO BRANCO
Com o objetivo de proporcionar a difusão do civismo, da cultura física e
principalmente do futebol amador, um grupo de líderes se reuniu em 17-4-1947 para fundar
uma sociedade para os moradores do bairro Oriental. Assim nasceu o Sport Clube Rio
Branco. O encontro se deu na Casa Comercial de Leopoldo Beckmann, na Av. Rio Branco,
n.º 1149, em cujas dependências se estabeleceu a primeira sede.
Entre as primeiras lideranças estão Max Henrique Erichsen, Osvaldo Alfredo
Mallmann e Carlos Erichsen. Num antigo potreiro, de propriedade de Albino Leonhart, foi
preparado e alugado um campo de futebol. Os próprios sócios se reuniam em mutirão, nos
fins de semana, para aplainar melhor o campo, plantar grama e fixar o "estádio". Hoje, o local
abriga a fábrica de calçados Cartel. Em 1949, sob a presidência de Osvino Tenn-Pass, toda a
área foi cercada, construindo lá a copa e dois vestiários. Além disso, promoveu a escolha da
1ª Rainha do Clube, sendo eleita Asta Kronbauer. Sua coroação se deu em 28-1-1949, no
Salão Britto.
No ano seguinte, os associados se reuniram em assembléia para a reforma dos
Estatutos Sociais, alterando-se a denominação para Sociedade Rio Branco. A alteração foi
registrada em 22-4-1950, sendo presidente, Osvino J. Tenn-Pass; primeiro vice-presidente,
Júlio Hamester, e segundo vice-presidente, Leopoldo Seibe.
No mesmo ano de 1950, Armando Gemmer e Edvino Kronbauer lideram o
movimento de construir um Salão Social para bailes e festas sociais.
Sob a presidência de Arno Eckel foi feita nova reforma estatutária, registrada em 16-1965, tomando o nome de Sociedade Rio Branco. Também foi comprada a sede social,
passando a ser propriedade do clube. Foi registrada a reforma do Estatuto Social, sendo
presidente Arno Eckel.
Atualmente, o prédio da Sede Social tem 2.525m², contendo dois salões de festas,
sendo o menor para 200 pessoas e maior, para 660 pessoas. O Departamento de Bolão
montou quatro canchas para os seus associados.
Em novembro de 1982, foram festivamente inauguradas suas piscinas, já na sede
campestre, situada na rua Artur Francisco Preussler, n.º 172. Com 27.360m² de superfície, a
sede campestre tem dois salões de festas, sendo o menor para 40 pessoas e o maior para 80
pessoas. Anexos aos amplos sanitários e vestiários femininos e masculinos, estão as piscinas
para o mundo infantil, médio e adultos, com capacidade aproximada de 250 usuários. Os
sócios dispõem no local dois campos de futebol, com 6 x 35 metros cada, bem como campo
de vôlei de 15 x 28 metros. A área de camping tem espaço para 30 barracas.
A SRB também abre espaço para eventos culturais, como a apresentação da peça
infantil do Rapunzel, dos Irmãos Grimm, em 18-8-2001, e da dupla italiana, o violinista
Cláudio Colmanet e o pianista Pio Sagrillo, em 30-8-2001, promoções da Casa de Cultura Dr.
Lauro Reinaldo Müller.
O Baile da Saudade vem se realizando desde 1981. A edição de 15-9-2001 foi
abrilhantada pelo Santa Cruz Banda Show, com exibição de partes de filmes e fotos, num
telão, recordando, com saudades, bons tempos vividos na sociedade.
Presidentes:
Max Henrique Erichsen: 1947; Theodomiro Felício: 1948 e 1958;Osvaldo
Alfredo Mallmann: 1949; Oswino João Tenn-Pass: 1950-1952 e 1960-1962; Álvaro Thomas:
1957; Elídio Fauth: 1959; Orlando Thomas: 1963; Arno Eckel: 1964-1966 e 1968; Adelmo
Pedro Friedrich: 1967; Roque Roberto Wendt: 1969; Antônio Rocha: 1970; Romeu
Möllmann: 1971-1972; Gilberto Evaldo Koefender: 1973-1975; Elmo João Sulzbach: 1976;
Aloísio Hinterholz: 1977; Ido Kronbauer: 1978; Idilo Norberto Bresolin: 1979; Carmo Jasper
Horn: 1980; Aury Medeiros da Silva: 1981-1983 e 1986-1987; Inácio Élbio Holz: 19841985; Carlos Alberto Heberle: 1988-1989; Lídio de Negri: - 1990; Ademir Geraldo
Mallmann: 1991-1993; Inácio Bruxel: 1994-1998; Laurentino Mariano da Silva: 1999 e o
casal Maria Luíza e André Roberto Mallmann: 2000.
ROTARY CLUBE
No salão de festas do Hotel Bentz, em 10-3-1949, reuniram-se lideranças de Estrela
para a fundação do Rotary Club de Estrela. A presidência do ato solene coube ao governador
do 72 Distrito Rotário, Bruno Born. Depois que discorreu sobre a história e as finalidades do
Clube, sua organização e projeção no cenário internacional, o presidente foi argüido pelos
presentes sobre detalhes e informações a respeito da entidade rotária.
O objetivo do Rotary é estimular e fomentar o ideal de servir, como base de todo o
empreendimento digno, promovendo e apoiando:
- o desenvolvimento do companheirismo como elemento capaz de proporcionar
oportunidades de servir;
- o reconhecimento do mérito de toda ocupação útil e a difusão das normas de ética
profissional;
- a melhoria da comunidade pela conduta exemplar de cada um na sua vida pública e
privada;
- a aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando a consolidação das boas
relações da cooperação e da paz entre as nações.
O Rotary Clube de Estrela comemorou, em 10-3-1999, seus 50 anos de existência,
com muitas comemorações, tendo como ponto marcante a inauguração do Belvedere Rotary
Clube, através de decreto municipal do prefeito municipal Leonildo José Mariani.
São considerados sócios fundadores do Rotary Club de Estrela os seguintes
membros:
Augusto Frederico Markus, eleito presidente - Bruno Schwertner, vice-presidente Dr. Lauro Reinaldo Müller, secretário - Ivo Vicente Ruschel, tesoureiro - Theodoro Antônio
Bentz, diretor de protocolo - Helmuth Henrique Mallmann, diretor sem pasta - Aloysio
Schwertner, Arnaldo Goellner, Bertoldo Gausmann, Carlos A. Koefender, Erich Costa,
Edwino Kilpp, Dr. Ito João Snel, José Oswaldo Arenhardt, Dr. Joachim F. C. E. Lamprecht,
Oscar L. Kasper, Reinaldo Affonso Augustin e Rudolf Wirz.
O presidente do Rotary Internacional 1999-2000 foi Carlo Ravizza e o governador do
Distrito 1999-2000, Pedro Lima Nolibos, de Encantado.
Rotary Clube de Estrela - 50 Anos estava sob a presidência de André Ramon
Scheibel, vice-presidente Carlos Beraldo Pietschmann, secretario Ildo João Salvadori e
tesoureiro Alaor Kramer Borges. A diretoria composta pelo presidente Carlos Beraldo
Pietschmann, vice-presidente Antônio Albino Köhler, secretario Alaor Kramer Borges e
tesoureiro Gentil Bartolomeu Cruz Krahl deu posse ao novo e atual Conselho diretor, em 266-2001, assim composto: presidente Airton Böhmer, vice-presidente Paulo Lothar Musskopf,
secretário Alaor Kramer Borges, vice-secretária Lisiane Costa da Silva, tesoureiro Gentil
Bartolomeu Cruz Krahl e vice-tesoureiro Adriano Hauschild.
O Clube realiza as reuniões semanais na SOGES, nas terças-feiras, às 20 horas.
Interact Clube de Estrela
Como clube de serviço em Estrela, criado dentro do Rotary Clube, em 1-7-1969, o
Interact Clube de Estrela congregou em torno de 30 jovens, de 14 a 18 anos de idade, o que
mereceu o Editorial na Nova Geração, de 5-7-1969. Teve a supervisão dos rotarianos Dr.
Odilo Becker e Ito Snel.
A primeira diretoria esteve assim constituída: presidente, Antônio L. Rücker; vicepresidente, Sonja Lauer; secretária, Helenice Diel; tesoureiro, José Henrique Buchmann.
Diretores: Carlos A. Gerhardt, Hardy Musskopf e Thêmis E. Becker.
O Rotaract, para jovens de 19 a 29 anos de idade, que não tem em Estrela, e o
Interact são como escolas de iniciação de adolescentes e jovens para atividades sociais e
formação de lideranças.
LIONS CLUB
Fazendo parte do Lions Clube Internacional, fundado pelo Companheiro Leão,
Melvin Jones, em 7-6-1917, em Chicago, nos Estados Unidos, o Lions Clube de Estrela foi
fundado em 19-10-1958. Recebeu a Carta Constitutiva em 27-6-1959, sendo seu primeiro
presidente o Companheiro Leão Ivo Marino Müller.
As reuniões ocorrem na 1ª e 3ª quartas-feiras do mês, às 20h30min, no Estrela Palace
Hotel.
O clube é composto, atualmente, de 22 Companheiros Leão, 2 Companheiras Leão e
22 domadoras.
A definição do Leonismo, segundo José Carlos Martins, presidente 1999-2000, se
identifica desta forma: “O Leonismo é um movimento, composto de homens de elevada
reputação e que se propõem, sem fins políticos ou religiosos, a promover os princípios éticos,
o bem-estar da coletividade e o congraçamento universal.”
A Comissão de Saúde do Lions Clube de Estrela, composta por Dr. Hugo Zmidt e as
domadoras Drª Eliane Oliveira Corbellini e Glicéria Kilian, em parceria com o médico
Nélson Júlio Balestro e a Óptica São José, realizou teste da visão com estudantes de Cemai,
num total de 130 consultas. Os que necessitam, recebem óculos, o que lhes facilita os
estudos.
A diretoria, presidida por Carmo Gaspar Horn, com Teresinha de Jesus Machado
Horst como secretária e Luís Carlos Jungbluth como tesoureiro, em 4-7-2001, empossou a
atual diretoria: presidente - Alcides Dall' Orsoletta e domadora Gessi; secretário - Luís
Carlos Cárdias e domadora Marli; tesoureiro - Luís Carlos Jungblut e domadora Janete; e,
diretor geral - José Carlos Martins e domadora Marice - cf Jornal do Vale, de 7-8-2001.
O Léo Clube estava composta por jovens, ligado ao Lions Club. A presidente Gisele
Vaz passou a presidência para Jari Hauffmann, em meados de 1983. Ivone Jaeger, em 17-121983, foi eleita Garota Léo na IV Olimpíada de Léo Clubes, em Gramado, representando o
Distrito L-7 na IV Convenção Nacional Léo Castor Brasil, em julho de 1984, em Maceió.
Nas competições esportivas o Léo Clube Estrela obteve um honroso vice-campeonato em
futebol de salão masculino - cf Nova Geração, de 23-12-1983.
ESCOTISMO
Para facilitar a compreensão do leitor comum, lembramos que o escotismo ou
escoteirismo é uma organização internacional masculina, considerada extra-escolar,
voluntária, fundada pelo general britânico Baden-Powell (* 1857 + 1941), em 1907, na ilha
de Brownsea.
O escoteirismo visa desenvolver, entre meninos e rapazes, um comportamento
baseado em valores éticos, por meio da vida em equipe, do espírito comunitário, da liberdade
responsável e do estímulo ao aprimoramento da personalidade, quer no campo individual,
quer no campo coletivo. Para meninas e moças, a organização se chama bandeirantismo.
Escoteiros e bandeirantes se tornam, geralmente, líderes ao natural e pessoas bem sucedidas
na vida pessoal, familiar, profissional e social.
Em Estrela, quem procurou desenvolver o escoteirismo foi Rodolfo Maria Rath,
iniciando com a divulgação do escotismo no jornal O Paladino e no meio em que atuava, nas
escolas e sociedades de ginástica, na década de 1930.
Já se acha preenchido o número de candidatos para a formação da primeira
"Patrulha" de escoteiros estrelenses. É grande o interesse reinante entre os rapazes e mesmo
dos respectivos pais que, reconhecendo a utilidade dos trabalhos do escoteiro e seu papel
importante como meio de educação, vêem no escotismo um bom aproveitamento do tempo,
unindo o útil ao agradável - educação, instrução, ordem, disciplina, vida regrada e ao ar
livre. Tão pronto a primeira patrulha esteja na altura, será escolhido o melhor noviço, para
ser o chefe dos "lobinhos (agremiação de menores), para os quais existe um belíssimo
programa de ocupação e entretenimento - cf O Paladino, de 30-3-1935.
As inscrições para a formação da segunda patrulha foram abertas em 13-5-1935, na
sede da SOGES. Deviam trazer a autorização assinada pelos pais, bem como um atestado de
sua professora, de que são alunos modelares - cf O Paladino, de 11-5-1935.
O escoteirismo palmilhou as mesmas pegadas da Sociedade dos Amigos de Alberto
Torres, cujos detalhes estão no Dicionário. São os precursores dos atuais movimentos em
defesa da ecologia.
Dali em diante, a organização se desenvolveu em Estrela, com brilhantismo, o que se
pode acompanhar no citado semanário estrelense.
Outros pormenores de agrupamentos podem ser encontrados nos verbetes Grupo de
Escoteiros Armando Anschau, Grupo de Escoteiros Inhay's e o Grupo de Escoteiros
Rudolfo Maria Rath, no Dicionário deste livro.
PELOS 50 ANOS DO CÍRCULO OPERÁRIO ESTRELENSE
O Círculo Operário Estrelense foi fundado, em 12-3-1951. Está inserido numa
histórica caminhada, que começou, por assim dizer, em 1909, quando o padre João Batista
Reus fundou a Liga Operária.
Preocupado com a falta de formação humana e promoção do trabalhador, o padre
Reus organizou esta liga, estabelecendo pessoalmente seus estatutos. A partir deste
movimento inicial, surgiu a idéia de reunir as Associações Operárias Católicas existentes no
País em uma única Confederação, forte e atuante. Por isso, o padre João Leopoldo Brentano,
jesuíta estrelense, em 1932, fundou em Pelotas, o Movimento dos Círculos Operários.
Como havia outro movimento, de cunho esquerdista, que se preocupava com o
operariado, preferiu o padre jesuíta dar um cunho cristão, sem que fosse um sindicato ou
partido político, mas um movimento preocupado intensamente com o social, assistencial e
esportiva do trabalhador e sua família.
Em março de 1999, surgiu a primeira edição do AZ O jornal - Projeto AprendiZ do
Círculo Operário Estrelense, com 3.000 exemplares, encartados nos jornais Nova Geração e
O Informativo do Vale Sucursal Estrela.
O Movimento Circulista incorporou a idéia de reunir as Associações Operárias
Católicas existentes no Brasil, em uma única Confederação forte e atuante. Este plano
começou a ser posto em prática em 15-3-1932, com a fundação do Círculo Operário de
Pelotas, no Rio Grande do Sul.
Um dos objetivos, desde os primórdios, era despertar nos trabalhadores o valor do
Sindicato e levá-los a participar da vida sindical. O Movimento Circulista jamais pretendeu
ser sindicato ou tomar o lugar do Sindicato. Exatamente o contrário. É correto afirmar que o
Movimento Circulista nasceu como força auxiliar do Sindicato, prestando-lhe solidariedade.
Prova desta atitude é o esforço feito em preparar e viabilizar a fundação de 13 sindicatos, de
uma só vez, nos idos de 1934 e 1935.
Foi o primeiro grupo de sindicatos, reconhecido pelo Ministério do Trabalho, criado
pela Legislação Trabalhista do governo de Getúlio Vargas. Com esta ação solidária, os
Círculos Operários saíram fortalecidos e prestigiados.
Em 12-5-1941, por Decreto, foi concedido à Federação dos Círculos Operários, o
direito de atuar no governo como Órgão Técnico e Consultivo do Ministério do Trabalho.
Os Círculos são Associações Civis de Trabalhadores para trabalhadores, registradas
em cartório, de acordo com a legislação referente às pessoas jurídicas. O leigo é responsável,
assume, decide e executa. O estatuto exige que os circulistas tenham vivência cristã e levem a
sério seu compromisso. Não precisam ser, necessariamente, da religião católica.
O Circulismo é um movimento autônomo. Não é da Igreja, isto quer dizer, não recebe
ordens do Bispo. Tem identidade própria, cuja finalidade principal é a promoção integral e
libertadora da classe trabalhadora, nos setores econômicos, social, político, cultural e moral.
Adota a mesma linha de independência e orientação como a CIAT ( Central LatinoAmericana de Trabalhadores). Não é assistencialista, nem paternalista, mas é mutualista, que
significa ajuda mútua, com recursos próprios. Desperta, desta maneira, a criatividade e o
espírito de iniciativa nas pessoas da comunidade, descobrindo potencialidades, talentos e
abrindo caminho para a promoção.
Durante sua caminhada, os Círculos lutaram pelo Salário Família, Férias
remuneradas e o 13º Salário, sendo que, com a criação do órgão consultivo criado pelo
governo, ficou mais fácil defender as causas dos trabalhadores.
Os Círculos Operários não recebem ordens da autoridade civil ou política. Estão em
posição de autonomia, civil e política, perante as autoridades do governo, não em oposição a
elas.
Sem compromisso com nenhum partido político, tem a própria linha política, com
reivindicações especiais, tendo como base a democracia. Os circulistas católicos contam com
a proteção de São José Operário e de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças.
Um exemplo de força, amor e dedicação ao Movimento Circulista foi o Padre Ignácio
Valle S.J., que edificou a Universidade do Trabalho, atualmente denominado Colégio Santo
Inácio, sede da FCORS - Federação dos Círculos Operários do RS - localizada em Porto
Alegre, sob a direção de Ivan Walter Langer e Maria Assunta Tanssini.
Com 44 no RS, existem em todo o Brasil 220 Círculos, espalhados em 18 Estados,
com 50 núcleos, 280 bases, 10 Federações e a Confederação com sede em Brasília.
O Circulo Operário Estrelense - COE foi fundado em 12-3-1951. Portanto, tem meio
século de história, com sede na rua Dr. Tostes, n.º 87, no centro. Na ocasião, reuniu-se um
grande número de trabalhadores de Estrela e Roca Sales, na residência de Ricardo Capella,
para estudar a possibilidade de ser fundado um Circulo Operário em Estrela. Neste dia, foi
nomeada uma comissão, presidida pelo Dr. Renato Alves de Oliveira, promotor público, um
dos principais responsáveis por este acontecimento. Junto com ele esteve Lino Braun,
deputado estadual, na época. A primeira diretoria foi eleita dois meses depois, em 16-5-1951,
ao ser empossado Pedro Francisco da Costa. A sede provisória foi inaugurada no dia 20-51951, com a presença do governador do Estado, Cel. Ernesto Dornelles.
Em 1954, foi doado ao Círculo Operário de Estrela um terreno, pela Prefeitura
Municipal, onde foi construída a atual sede, nas gestões de Albano Sulzbach e Werno Kich,
inaugurada em agosto de 1961. Durante 23 anos, a entidade atendia o operariado estrelense,
sem interrupção e de forma intensa, em diversos períodos.
O COE esteve desativado, por um período de 18 anos, sendo apenas administrado seu
patrimônio.
Em 14-9-1983, com o apoio do pároco Pe. Hugo Sereno Wolkmer, iniciou-se o
processo de reativação, somente efetivado em janeiro de 1995, sob a presidência de Renato
André Schmidt. Foram novamente abertas as inscrições à comunidade estrelense para compor
o quadro social da entidade e oferecer aos sócios convênios com 21 estabelecimentos
comerciais, laboratórios, farmácias, médicos e dentistas, com descontos especiais.
Em 25-11-1995, foi realizada na sede do COE a 1ª Noite Artística, por iniciativa de
Luana Samara Schmidt, Janine Brandão e Mônica Grave, atualmente componentes do
Departamento Jovem. Elas convidaram quatro amigas a participarem, todas com a idade entre
8 a 10 anos, na época. Escreveram, interpretaram textos, encenaram, cantaram, criaram várias
coreografias. Enfim, montaram um show com espaço e cenário improvisado, tudo sob a
coordenação de Iara Schmidt, responsável pelo Departamento de Formação, que enfatizou a
ideologia circulista em vários momentos. O COE apoiou esta iniciativa por acreditar na
importância da liberdade de expressão para a formação do ser humano.
Atualmente, sob a presidência de Rogério Sulzbach, vem-se realizando um intenso
trabalho neste sentido junto aos jovens e adolescentes de Estrela, através do Projeto
Aprendiz, uma escola construindo o futuro, iniciado em 4-4-1998. Na ocasião, denominavase “Escola Construtores do Futuro”, com o apoio de amigos, empresários e várias entidades.
O mentor e Coordenador Pedagógico do Projeto foi o jovem seminarista Edson André Cunha
Thomassim, natural de Porto Alegre. De passagem pela Paróquia Sto. Antônio, ele aceitou o
desafio de elaborar um projeto inovador, a pedido da direção do Círculo Operário de Estrela.
A finalidade é formar novos líderes que possam, no futuro, dar continuidade ao
Movimento Circulista, oferecer um novo e diferente recurso de ocupação e aprendizado aos
jovens, adolescentes e crianças, bem como aos adultos que ingressassem nas atividades
programadas. O objetivo é cultivar o sentimento de solidariedade, senso crítico, a prática da
justiça e o amor às pessoas, através de recursos humanos, culturais, pastorais, recreativos e
outros, possibilitando a perspectiva de um futuro melhor. Enfim, busca-se lideranças com
formação circulista, que cultivem o espírito circulista.
O ano 2001 iniciou de forma intensa. Através do Projeto AprendiZ, encontros
comunitários estão sendo realizados. Trata-se de terapia de grupo, coordenada por Denise
Uchoa. O primeiro encontro foi em 3-4-2001, a partir das 9h, no antigo prédio da AES Sul,
na rua 13 de Maio, aberto para ao público.
Merece destaque o projeto Cidade Juventude, evento regional de cidadania, cultura e
esporte, realizado de 20 a 23-4-2001. Coordenado por Édson Thomassim, o projeto foi uma
feira aberta, com ênfase na temática da juventude, reunindo pessoas com espírito jovem de todas
as idades. Além da Administração municipal, o projeto recebeu apoio da Associação Comercial
e Industrial de Estrela, como forma de revitalização da comunidade local e regional, na área
turística e comercial.
SESI - SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA
Centro de Atividades Hans Wirz
Contribuir para o fortalecimento da Indústria e o exercício de sua responsabilidade
social, prestando serviços integrados de educação, saúde e lazer, com vistas a melhoria de
qualidade de vida para o trabalho e ao desenvolvimento sustentável é, em resumo, a grande e
principal missão do SESI - O Serviço Social da Indústria, também em Estrela.
O SESI é uma organização de direito privado, não sendo estatal ou pública. Foi
criado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com autorização do Governo Federal
na gestão do Presidente Eurico Gaspar Dutra. Foi através do Decreto de Lei n.º 9.043, de 25
de junho de 1946, que determinou uma contribuição compulsória sobre a folha de pagamento
das empresas industriais, de comunicação e pesca.
O objetivo da organização é prestar serviços que elevem a qualidade de vida do
trabalhador da indústria e de sua família, contribuindo dessa forma para a produtividade e
qualidade industrial.
O SESI tem uma coordenação nacional, denominada de Conselho Nacional, de
caráter deliberativo, formado pelos presidentes das Federações Industriais dos Estados.
O Departamento Nacional tem a função integradora das ações dos diversos
Departamentos Regionais. Estes, localizados em todos os Estados da Federação e vinculados
às Federações das Indústrias, levam às empresas, aos trabalhadores, suas famílias e
comunidades, através dos seus Centros de Atividades (CATs), espalhados por mais de 4 mil
municípios em todo o Brasil, serviços de caráter social essenciais aos mesmos, como saúde,
educação, lazer, entre outros.
O Centro de Atividades Hans Wirz do SESI de Estrela, situado na Rua Júlio de
Castilhos, n.º 1782, foi inaugurado em 15-4-1978. Construído pela empresa Mello Pedreira
S/A, possui uma área de aproximadamente 30.000 m². Sua estrutura física é de 2.363 m²,
constituindo-se de Ginásio Esportivo (de 1.450m²), Área Verde e Unidade SócioAdministrativa, onde são desenvolvidos os programas de atuação. O custo da obra foi de,
aproximadamente, 10 milhões de cruzeiros (quase metade do orçamento do município de
Estrela, para este ano) - cf Nova Geração, de 2-4-1977.
Além do município sede, a jurisdição abrange igualmente os municípios de Bom
Retiro do Sul, Imigrante, Colinas, Fazenda Vilanova, Poço das Antas e Teutônia. Neste, em
1999, foi inaugurado o Centro Esportivo. O complexo oferece uma grande variedade de
opções para a população aproveitar, entre elas o esporte, área verde e salão de festas.
No total, a jurisdição do CAT de Estrela conta com mais de 10.000 industriários,
além dos dependentes que também têm direito ao atendimento pelo SESI.
Educação e cultura
O completo desenvolvimento do indivíduo depende do ensino de qualidade a que ele
tem acesso. Ciente desta condição, e por entender que a educação é realmente essencial para
a formação integral do cidadão, o SESI centraliza suas ações em atividades que promovem o
seu crescimento.
Através da Educação Infantil (4 e 6 anos) e Infanto Juvenil (7 a 14 anos), o SESI
garante a tranqüilidade dos pais. Atendimentos complementares como saúde, nutrição, lazer,
serviços sociais e projetos em oficinas foram disponibilizados a 375 crianças e adolescentes.
Nas atividades prestadas no período extra-classe, constam trabalhos manuais, coral, teatro e
esporte. Além destas, inovações ocorreram durante o ano, entre as quais tiveram destaque a
formação do conjunto instrumental e o laboratório de informática. Este último, inclusive,
além de possibilitar o acesso à tecnologia para crianças, envolve os adultos do ensino
supletivo. Assim como estas, ganhou importância, pelos ótimos resultados apresentados, o
“Projeto Verde é Vida — Preserve esta Esperança”. Seu objetivo é oportunizar um processo
educativo direcionado à preservação, sensibilização e valorização do meio ambiente. Incutir
nos alunos e na comunidade que os envolve a relação de solidariedade com a Terra, a qual se
faz necessária para que os desastres ambientais não mais acometam a humanidade.
Em um projeto desenvolvido em parceria com creches, o SESI fez repasses mensais
para 8 instituições da região. Em torno de 660 crianças foram beneficiadas.
Na Educação de Jovens e Adultos, 1.300 alunos, dos 15 a 56 anos, participaram das
aulas do supletivo de 5ª a 8ª série em escolas de suplência, através do Telecurso 2000. As
turmas de 1ª a 4ª série, em parceria com o Senai, beneficiaram 135 alunos. Estas ações são
desenvolvidas com empresas e prefeituras e visam à preparação e ao aprimoramento, a partir
de uma visão de aprendizagem como processo contínuo.
Outrossim, há incentivo a atividades sociais no decorrer de cada ano. Assim, por
exemplo, em 3-10-2001, encerraram-se as inscrições para o concurso de novos talentos em
artes plásticas, nas modalidades Pintura, Desenho, Escultura, Gravura e Fotografias. Nos
estilos Artes Cênicas e Montagens Teatrais somente se inscreveram alunos de 10 a 18 anos e
as empresas contribuintes do Sesi.
Desenvolvimento Humano
O desenvolvimento humano trabalha aspectos relacionados à melhoria da qualidade
de vida e desempenho pessoal e profissional dos clientes, promovendo mudanças ambientais
através de ações estratégicas. O fortalecimento das relações interpessoais e da auto-estima,
além da preparação para as mudanças organizacionais, são duas das suas principais metas.
Durante o ano, o funcionário da indústria recebeu atendimento através de cursos,
palestras, workshops nas áreas de Relações Interpessoais, Prevenção ao Uso de Drogas e
Qualidade de Vida. Também desenvolveram-se atividades de auxílio a casos sociais e
treinamento com chefias e funcionários em desenvolvimento humano. As ações de política
social, com a Ação Comunitária em Teutônia e a participação na Semana Gaúcha Contra o
Uso de Drogas, reverteram em benefício da população usuária.
No Projeto de Prevenção ao Uso de Drogas no Trabalho e na Família as atividades
foram desempenhadas nas unidades da Calçados Reifer e Cooperativa Languiru, abrangendo
aproximadamente 2.100 funcionários. Em 1999, os trabalhos foram acompanhados por
grupos de chilenos e uruguaios. A Associação Chilena de Seguridade e a Fundação
Manciales do Uruguai pretendem também desenvolver o projeto em seus países, sendo que
visitaram a Avipal de Lajeado para ter modelos da prática.
Saúde
O propósito do programa é oferecer uma linha completa de medicamentos a custos
inferiores à média de mercado e valorizar o salário real do trabalhador. A Farmácia do SESI
não atende só o industriário e seus familiares, mas também é opção de compra para a
comunidade em geral.
Além do consumidor tradicional, as duas farmácias do SESI pertencentes ao Centro
de Atividades, em Estrela e Teutônia, possuem convênios com cerca de 70 empresas
industriais, permitindo a compra mensal de medicamentos para seus funcionários.
Buscar estratégias que promovam a integral saúde bucal dos industriários e suas
famílias é prioridade do subprograma Saúde Odontológica. Para isto, ele realiza atividades de
promoção da saúde, prevenção das doenças mais freqüentes e das seqüelas que elas podem
deixar.
Os atendimentos para o trabalhador da indústria e dependentes são feitos no
consultório dentário localizado no próprio SESI, nas unidades móveis e nos gabinetes
instalados dentro das empresas. As últimas, em especial, destacam-se pela comodidade
oferecida, já que não existe a necessidade do deslocamento do local de trabalho. A Indústria
de Calçados Blip, Calçados Reifer (unidades de Bom Retiro do Sul e Teutônia), Indústria de
Bebidas Polar Antárctica, Paquetá, Dakota e STI Metalúrgica têm gabinetes do SESI. Os
trabalhadores recebem serviços de restauração, extração, aplicação de flúor, profilaxia,
limpeza e selante.
A saúde preventiva tem atenção especial através do Projeto Empresa do Sorriso. Seu
principal objetivo é reduzir a incidência de cárie dental e a doença gengival. O SESI procura
conscientizar sobre a importância do atendimento odontológico para a melhoria das
condições da saúde bucal. Orienta e educa no ambiente de trabalho, com palestras e a
formação de hábitos de higiene oral, que incluem a utilização da escova dentária e o uso do
fio dental. Calçados Reifer, Cooperativa Languiru, Motolândia Estrela, Plastrela e Calçados
Blip são empresas que estão comemorando os resultados da Empresa do Sorriso.
A Saúde ocupacional é uma prestação de serviços que tem como objetivo dar suporte
e assessoria técnica a indústrias nas questões que envolvem saúde e trabalho. A Saúde
Ocupacional visa à atuação preventiva como estratégia para garantir as melhores condições
de saúde ambiental e individual. Através dela, o SESI vem obtendo redução nos índices de
acidentes e doenças, além de comemorar a maior produtividade do trabalhador. O resultado
final é a elevação do nível de qualidade de vida.
Os atendimentos incluem levantamento de riscos ambientais, assessorias, sensos
audiométrico e visual, cursos, campanhas, exames complementares (toxicológicos e
laboratoriais) , consultas, exames médicos e ocupacionais, inspeção de segurança,
treinamentos, prevenção de câncer de próstata e ginecológico.
Entre os profissionais que atuam no programa estão técnicos em segurança do
trabalho, engenheiro em segurança, auxiliar de enfermagem, Fonoaudióloga, assistente social
e professores de Educação Física.
O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) é o carro chefe
entre as atividades desempenhadas. A adesão de empresas cresceu em torno de 37% em
1999, evidenciando o interesse de novos grupos ao trabalho de resultados satisfatórios
verificados. Atualmente, são abrangidos 13% dos trabalhadores das indústrias conveniadas ao
SESI.
Lazer
O Lazer do SESI promove atividades nas áreas físico-esportivas, sociais, artísticas e
culturais. Seu objetivo é oportunizar aos trabalhadores, seus familiares e comunidade em
geral, o acesso aos bens de lazer, além de valorizar os direitos dos cidadãos, reduzir os níveis
de estresse e proporcionar as oportunidades de melhor aproveitamento do tempo livre. Ele
também promove a otimização dos espaços físicos disponíveis, próprios do SESI, bem como
das empresas e comunidades, através de ações que visam a educação para e pelo lazer.
Entre as atividades prestadas estiveram os Jogos do SESI com a festa de entrega de
prêmios e abertura oficial dos jogos; campeonatos de voleibol de praia; futebol de campo;
bocha; futebol sete (adulto e veterano); futebol de salão (adulto e veterano); bolão masculino
e feminino; voleibol masculino e feminino; bolão para casais; atletismo masculino e
feminino, exclusivos para o trabalhador.
No trabalho do Lazer Artístico e Social ocorreram a "Festa da Lanterna"; os projetos
"Domingo com Música" no SESI e "Domingo com Música" no Balneário; show do grupo
Academia Dançante, de Passo Fundo; apresentação de piano; curso de dança de salão e
gauchesca; fandango e lazer de intervalo artístico nas empresas. Além disso, houve a
participação no Planeta Criança, excursões, teatro (peça “O Rio”, do grupo Luz e Cena),
realização de Festa Junina e batizado de capoeira. Todas as atividades proporcionaram muitos
momentos de lazer e entretenimento às comunidades.
O Lazer Físico-Esportivo realizou, durante o ano, a etapa do Vôlei Verão Regional;
Campeonato aberto da Primavera (SESI - Elegê); Copa SESI de Futsal, com a participação
das categorias livre, veterano (acima de 35 anos), master (acima de 40 anos); Torneio de
Futevôlei (SESI - Askat); Torneio de Futsal no Dia Nacional do SESI - Semana do
Bombeiro; Copa Garoto de Futebol Sete, envolvendo equipes nas categorias pré-mirim,
mirim, infantil e infanto-juvenil.
Sacolas Econômicas e financiamento
Com 18 diferentes tipos de Sacolas Econômicas e, também, atendendo a empresas
com composições especiais, como as Cestas de Natal, o SESI propicia o acesso à alimentação
e produtos para higiene e limpeza doméstica com qualidade e preços baixos. A economia
atinge, em média, 20 % em relação aos valores de mercado. Os 15.938 atendimentos, além de
feitos à comunidade em geral, expandem-se, destacadamente, a 88 empresas localizadas na
área de abrangência dos Centros de Atividades de Lajeado e Estrela.
Em 1999, foram introduzidos novos produtos ao mix de mercadorias da Sacola
Econômica. Entre eles a carne, o refrigerante, o leite tipo longa vida. Com o Cartão SESI,
lançado durante o ano, os usuários também receberam mais facilidade e agilidade. A moderna
ferramenta que facilita na hora da compra, pois dispensa o trabalhador do pagamento
imediato, sendo o valor descontado apenas do final de cada mês.
O programa facilita a aquisição de materiais de construção, móveis, eletrodomésticos,
casas pré-fabricadas, aparelhos auditivos, próteses ortopédicas e odontológicas. Procura
valorizar a renda da população, através da prática de taxas financeiras menores do que a
média de mercado, com prestações compatíveis com o ganho mensal dos que buscam o
serviço. No total, foram fechados 356 contratos em 1999, com as aquisições dos artigos
podendo ser feitas em 92 lojas do ramo. Os financiamentos vão de 4 6 8, 10 a 12 vezes,
variando conforme a renda familiar do trabalhador.
Inauguração do Centro Esportivo em Teutônia
Uma das principais novidades de 1999 foi a instalação do Centro Esportivo do SESI
em Teutônia. Na inauguração do complexo, houve o desenvolvimento de inúmeros eventos.
Entre eles torneio de futebol de campo, futebol de areia, voleibol feminino, criançódromo
(com balão pula-pula e cama elástica), pesque-leve e diversas apresentações artísticas.
O Centro Esportivo dispõe ainda de um salão de festas, quadra de futebol de areia, de
voleibol de praia e um campo de futebol. A área verde oferece churrasqueiras, um lago e
pista de caminhada com trilhas internas.
Direção e Conselheiros
O presidente da Fiergs é Renan Proença.
O Superintendente Regional é Édison Danilo Massulo Lisboa.
O Gerente Regional é João Carlos Schäfer
O Conselho Consultivo do SESI de Estrela tem como presidente Luiz Fernando
Andres e os conselheiros são: Nestor Schneider, Marco Antônio Fontana, Luiz Darlei
Eidelwein, Leo Nello Lyra de Leone e Hercio Krabbe.
SESC - SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Criado pelo governo federal em 13-9-1946, o Serviço Social do Comércio - SESC é
uma entidade de direito privado. É destinado a contribuir pela valorização do trabalhador,
através de sua capacitação profissional. Para isso, desenvolve atividades de caráter educativo
nas áreas de saúde, educação, cultura e lazer. Para viabilizar a tarefa e custear os eventos
permanentes, a receita é obtida pela legislação, que estabelece a contribuição com 1% da folha
de pagamento das empresas para a manutenção do SENAC e 1,5% para o SESC.
Embora não haja uma unidade sediada em Estrela do Serviço Social do Comércio SESC, os comerciários estrelenses são atendidos com programas culturais e recreativos
promovidos pelo SESC, em parceria com a Acie, Casa de Cultura e outras entidades. Assim,
apoiou a Feira do Livro -A Mochila do Saber - nos dias 9 a 13-10-2001, no Colégio Santo
Antônio.
O atendimento odontológico ainda é realizado em gabinetes localizados em Lajeado,
mas está sendo implantado em Estrela, para breve, o projeto Balcão Sesc-Senac.
SAÚDE E
MEIO AMBIENTE
Higiene
Sabe-se que o surto de epidemias sempre esteve ligado a higiene. Nas primeiras
décadas, nos núcleos populacionais maiores havia também incidência maior de epidemias.
Um dos mais graves problemas higiênicos era a localização de latrinas ou patentes no
quintal ou na horta, ao lado do galpão, estrebaria ou mesmo perto da casa, ao lado de um
córrego... levando dejetos cloacais ao arroio mais próximo, de cujas águas se serviam para
lavar roupa ou mesmo como água potável.
Entre as autoridades estrelenses que mais se empenhou quanto às mudanças de
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