COMUNIDADES VIRTUAIS - Universidade Anhembi Morumbi

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COMUNIDADES VIRTUAIS - Universidade Anhembi Morumbi
UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI
SUELY TREVIZAM ARAUJO
COMUNIDADES VIRTUAIS:
Interfaces do Contexto Cultural no Orkut e suas
Comunicações
SÃO PAULO
2008
SUELY TREVIZAM ARAUJO
COMUNIDADES VIRTUAIS:
Interfaces do Contexto Cultural no Orkut e suas
Comunicações
Dissertação de Mestrado apresentada à
Banca
Examinadora,
como
exigência
parcial para a obtenção do título de Mestre
do Programa de Mestrado em Comunicação,
área de concentração em Comunicação
Contemporânea da Universidade Anhembi
Morumbi, sob a orientação da Profa. Dra. Maria
Ignês Carlos Magno.
SÃO PAULO
2008
FICHA CATALOGRÁFICA
.
ARAÚJO, Suely Trevizam
Comunidades Virtuais: Interfaces do Contexto Cultual no Orkut e
suas Comunicações / Suely Trevizam Araújo. – São Paulo: 2008.
75p.
Dissertação de Mestrado – Universidade Anhembi Morumbi,
2008
1.Virtual. 2. Comunidade Virtual
SUELY TREVIZAM ARAUJO
COMUNIDADES VIRTUAIS:
Interfaces do Contexto Cultural no Orkut e suas
Comunicações
Dissertação
Banca
de
Mestrado
Examinadora,
apresentada
como
à
exigência
parcial para a obtenção do título de Mestre
do Programa de Mestrado em Comunicação,
área
de
concentração
Contemporânea
da
em
Comunicação
Universidade
Anhembi
Morumbi, sob a orientação da Profa. Dra. Maria
Ignês Carlos Magno.
Aprovada em ----/-----/-----
Profa. Dra. Maria Ignês Carlos Magno
Profa. Dra. Maria Elisabete Antonioli
Prof. Dr. Paulo Alexandre Cordeiro de Vasconcelos
RESUMO
Recentemente, os sociólogos descobriram que laços de vizinhança e parentesco são
apenas uma porção de todas as pessoas envolvidas em redes comunitárias. Eles
perceberam que a comunidade não tem que ser um grupo solidário de vizinhos
densamente entrelaçados, também podem existir como rede social de filiação,
amizades e colegas de trabalho que não necessariamente vivem próximos. Essa
revolução conceitual significou um deslocamento da comunidade em termos de
espaço – vizinhanças – para sua definição em termos de redes sociais. Esta
pesquisa objetiva acompanhar o surgimento das comunidades virtuais como novas
formas de sociabilidade, destacando e analisando comunidades da rede social orkut.
Para análise foram selecionadas, de forma arbitrária, três comunidades que,
segundo dados do próprio site, são as maiores comunidades da atualidade: “Eu
Odeio Acordar Cedo”, “Eu amo a minha Mãe” e “Só mais cinco minutinhos”.
Palavras-chave: Virtual. Comunidade Virtual. Ciberespaço. Orkut. Sociabilidade.
ABSTRACT
Recently, the sociologists found out that ties of kinship and neighbourhood are only a
part of all persons involved in community networks. They realized that the community
doesn’t have to be a supportive group of neighbours densely interwoven, may also
exist as a social network of membership, friends, work colleagues who do not
necessarily live nearby. This conceptual revolution meant a shift of the community in
terms of space – neighbourhoods – to define them in terms of social networks. This
research aims to monitor the emergence of virtual communities as new forms of
sociability, highlighting and analyzing social networking communities - orkut. For
those analysis were selected in an arbitrary manner, three communities which,
according to data from the site, are the largest communities: “I hate wake up early”, “I
love my mother” and “Just more five minutes”.
Key words: Virtual. Virtual Community. Cyberspace. Orkut. Sociability.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Ranking da quantidade de comunidades por idioma ..........................
36
Tabela 2 -Tópicos do Fórum da Comunidade “Eu amo a minha Mãe”.................
47
AGRADECIMENTOS
A Deus, acima de tudo, por ter aberto as portas para eu realizar o
mestrado, por ter provido tudo quanto precisei no decorrer dessa caminhada e por
ter-me capacitado com Sua sabedoria.
À minha amada família, por terem acreditado no meu potencial desde o
início, cobrindo-me com amor, carinho e oração em todos os momentos e
compreendendo a minha ausência em seu convívio. Vocês são preciosos na
minha vida!
Ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade
Anhembi Morumbi pela oportunidade da realização do mestrado.
À Profa. Dra. Maria Ignês Carlos Magno pelo incentivo, apoio e
sensibilidade, principalmente em momentos de dificuldade.
Também agradeço aos professores Dra. Maria Elisabete Antonioli e Dr.
Paulo Alexandre Cordeiro de Vasconcelos, que aceitaram participar da banca,
ajudando-me a crescer com suas contribuições.
À querida amiga Profa. Aída Conci, pela disposição em revisar meu
trabalho.
Enfim, ofereço a minha gratidão a todos que direta e indiretamente
contribuíram para que eu concluísse meu trabalho!
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 10
1. DA COMUNIDADE TRADICIONAL À VIRTUAL.......................................................................... 15
1.1 COMUNIDADES .......................................................................................................................... 15
1.2 VIRTUAL ................................................................................................................................... 22
1.3 COMUNIDADES VIRTUAIS ........................................................................................................... 26
2. INTERNET – CIBERESPAÇO – COMUNICAÇÃO...................................................................... 30
2.1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................. 30
2.2 INTERNET: REDE MUNDIAL DE REDES ........................................................................................ 30
2.3 INTERNET NO BRASIL ................................................................................................................ 32
2.4 CIBERESPAÇO ........................................................................................................................... 33
2.5 CIBERCULTURA ......................................................................................................................... 36
2.6 COMUNICAÇÃO ......................................................................................................................... 37
3. OBJETO DO ESTUDO................................................................................................................. 38
3.1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................. 38
3.2. ORKUT .................................................................................................................................... 39
3.2.1 Introdução ........................................................................................................................ 39
3.2.2 Como ser usuário............................................................................................................. 39
3.2.3 Dinâmica .......................................................................................................................... 40
3.2.4 Perfil ................................................................................................................................. 42
3.2.5 Comunidades................................................................................................................... 44
4. ANÁLISE DAS COMUNIDADES ORKUT .................................................................................... 48
4.1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................. 48
4.2. COMUNIDADES DO ORKUT ........................................................................................................ 49
4.2.1 Eu Odeio Acordar Cedo - E.O.A.C .................................................................................. 49
4.2.2 Eu amo a minha Mãe!...................................................................................................... 53
4.2.3 Só mais 5 minutinhos....................................................................................................... 58
4.2.4 Sociabilidade no orkut...................................................................................................... 61
5. CONCLUSÃO............................................................................................................................... 65
6. REFERÊNCIAS BIBIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................... 67
NOTAS ............................................................................................................................................. 73
INTRODUÇÃO
Este trabalho apresenta uma abordagem teórica sobre a formação das
comunidades virtuais, por meio das mudanças processadas no interior dos meios
e das tecnologias.
Com o desenvolvimento das tecnologias, novas formas de comunicação e
socialização
surgem
como
alternativas,
facilitando
a
transmissão,
o
armazenamento, o tratamento e a integração das informações na vida grupal
humana.
A internet inaugurou uma nova forma de comunicação: a possibilidade de
interação. O fluxo de informação se dá em duas vias: receptor e emissor. O
usuário pode receber a informação como também emitir sua opinião sobre o
assunto e se transforma em sujeito ativo no processo de comunicação.
É uma revolução nas relações humanas: o usuário se comunica com
pessoas que podem estar do outro lado do mundo, ultrapassando barreiras
geográficas e culturais.
O acesso à internet é um facilitador do crescimento de redes. A rede pode
ter início através de uma pessoa e atingir as comunidades virtuais que, em sua
definição mais ampla, agregam pessoas com interesses comuns no ciberespaço,
estruturando novas formas de sociabilidade.
Essa pesquisa tem por objetivo acompanhar as transformações
tecnológicas e aprofundar o estudo das comunidades virtuais como novas formas
de sociabilidade.
Com o desenvolvimento e transformações tecnológicas em seus vários
aspectos, a ampliação da potencialidade dos recursos já desenvolvidos e
disponibilizados merece atenção. Assim, considera-se o seguinte problema de
pesquisa: como as comunidades, que pertencem à rede social – orkut, mediada
pela internet, geram mudanças sociais.
10
O presente trabalho pode ser caracterizado como uma pesquisa
exploratória descritiva, de caráter qualitativo, com enfoque nas comunidades
virtuais enquanto componente tecnológico de mudanças sociais.
Na pesquisa será realizado um levantamento bibliográfico, enfocando o
conceito
de
comunidades,
histórico
das
comunidades
tradicionais
às
comunidades virtuais e, fatores que levam estas comunidades a gerar redes de
sociabilidade no ciberespaço contemporâneo.
Objetivos
Os resultados finais a serem alcançados pelo presente trabalho envolvem
os seguintes objetivos geral e específicos:
Objetivo Geral
•
Acompanhar o surgimento das comunidades virtuais como novas
formas de sociabilidade, destacando e analisando comunidades da rede
social - orkut.
Objetivos Específicos
•
Levantar diferentes conceitos de comunidades, chegando ao conceito
de comunidade virtual.
•
Acompanhar as mudanças processadas no interior dos meios e das
tecnologias.
•
Discutir como a internet estrutura novas formas de sociabilidade.
Justificativa
Existem estudos, no Brasil, que estão sendo explorados, sobre o impacto
da comunicação mediada por computador nas relações humanas, mas ainda
11
existem lacunas a serem preenchidas, principalmente devido ao rápido aumento
do uso de computadores pelos brasileiros.
Este trabalho não se propõe a suprir esta carência, mas a fazer um
estudo sobre a formação das comunidades virtuais, por meio das mudanças
processadas no interior dos meios e das tecnologias.
Há uma diversidade de ferramentas e sistemas que se propõem a ser um
componente tecnológico de apoio ao desenvolvimento de comunidades virtuais. A
escolha da rede orkut, como objeto de estudo, deu-se por algumas razões:
•
É considerada a maior e melhor rede social do mundo, na opinião dos
brasileiros.
•
Mais de 70% dos participantes são brasileiros.
•
O maior interesse dos usuários é fazer amigos, 84,30% (Telles, 2006).
•
É uma nova forma de contato entre as pessoas, possibilitando interação
direta e imediata com o público-alvo.
Referenciais Teóricos
Dentre vários sistemas que se propõem a suportar a criação e
manutenção de comunidades virtuais, optou-se por analisar comunidades
pertencentes à rede social orkut.
Como existem diversos autores que apresentam fatores de sucesso com
comunidades virtuais, optou-se, para este trabalho, por utilizar os que definem
critérios claros sobre os componentes tecnológicos de suporte à comunidade. Os
autores que nortearam a pesquisa foram Michel Maffesoli, Pierre Lévy, Manuel
Castells, André Lemos e André Parente, porém é importante ressaltar que muitos
outros autores alimentaram o desenvolvimento deste estudo.
12
Metodologia
O presente trabalho pode ser caracterizado como uma pesquisa
exploratória descritiva de caráter qualitativo.
Segundo Lakatos & Marconi (1991), a pesquisa exploratória propicia a
formulação de familiaridade do pesquisador com o ambiente, fato ou fenômeno, e
modifica ou clarifica conceitos. Neste estudo, foi feita uma pesquisa exploratória
para construção de evidências, levantamento de conteúdos e para se filtrar o
necessário à evolução na criação do trabalho.
O procedimento técnico adotado foi a pesquisa documental bibliográfica
dos principais tópicos abordados.
A literatura consultada é composta de referências teóricas publicadas em
livros, revistas científicas, anais de congressos e artigos disponíveis na internet.
O objeto da pesquisa foi a rede social orkut que conta com milhares de
comunidades dos mais variados temas, desde as mais fúteis até comunidades
que discutem e esclarecem doenças raras. Para análise foram selecionadas, de
forma arbitrária, três comunidades, que segundo dados do próprio site são as
maiores comunidades da atualidade: “Eu Odeio Acordar Cedo”, “Só mais 5
minutinhos” e “Eu amo a minha Mãe”. A análise foi composta de duas fases. A
primeira consistiu na observação dos mais diversos perfis de usuários, buscando
regularidades entre os perfis observados. A segunda consistiu na observação da
forma como os usuários interagem entre si, através de: fóruns, enquetes e
recados nas comunidades que fazem parte desta pesquisa. A partir disso, serão
apresentadas indicações de como este ambiente trabalha no sentido de formar
um tipo de sociabilidade.
13
Estrutura do Trabalho
Com vistas a atingir os objetivos propostos, o trabalho está organizado
em quatro capítulos, a saber: fundamentação teórica da pesquisa, apresentação
do objeto da pesquisa, análise dos dados e considerações finais.
O primeiro capítulo apresenta os diferentes conceitos de comunidade, na
ótica de diversos autores, passando da visão clássica até o mais recente que é a
comunidade virtual.
O capítulo dois traz reflexões sobre internet, ciberespaço, suas
potencialidades conectivas e interativas, mediadas pelas tecnologias de
informação e comunicação.
O terceiro capítulo apresenta a rede social – orkut, principal objeto deste
estudo e apresentação das comunidades escolhidas.
No quarto capítulo, é apresentada a análise das comunidades do orkut,
apontando e correlacionando questionamentos sobre as formas de sociabilidade.
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1. DA COMUNIDADE TRADICIONAL À VIRTUAL
O presente capítulo tem o objetivo de identificar algumas das definições
relacionadas ao conceito de comunidade, chegando até o conceito de
comunidade virtual.
1.1 Comunidades
A palavra comunidade é oriunda do termo latino communis e quer dizer:
pertence a todos, ou a muitos.
Etimologicamente, a palavra comunidade deriva de comum: algo que
pertence a todos. Conceitualmente, várias são as definições dadas para o termo.
O dicionário de Ciências Sociais (1986) cita que já foram encontradas 94
definições, embora não haja um consenso entre os cientistas sociais além da
referência de que as pessoas vivem em comunidade. A dificuldade em
estabelecer um significado preciso para esta palavra fez com que ela fosse
usada, quase sempre, como sinônimo de sociedade, aldeia, organização social,
associação de bairro, conjunto habitacional ou clube esportivo. Todas estas
significações, porém, corroboram a idéia de que, para existir, uma comunidade
deve ocupar um locus, um território específico, um espaço geograficamente
determinado onde as pessoas estejam ligadas pelos mesmos interesses.
Acredita-se que as pessoas que vivem em comunidade possuem um senso de
interdependência e integração.
Segundo
o
Dicionário
de
Filosofia
(Abbagnano,1999),
o
termo
comunidade, pode-se dizer, foi primeiramente estabelecido a partir de uma
perspectiva dialética por Kant, que deu esse nome à terceira categoria da relação,
à ação recíproca, e também à terceira analogia da experiência ou princípio da
comunidade. A partir do Romantismo, esse termo começou a ser usado para
15
indicar a forma de vida social cuja característica acontece pelo vínculo orgânico
inerente entre seus membros.
O Dicionário de Sociologia (1986) define que o termo comunidade está
essencialmente ligado ao solo, em virtude dos seus componentes viverem de
maneira permanente em determinada área, além da consciência de pertencerem,
ao mesmo tempo, ao grupo e ao lugar, e de partilharem o que diz respeito aos
principais assuntos das suas vidas. Têm consciência das necessidades dos
indivíduos, tanto dentro como fora do seu grupo imediato e, por essa razão,
apresentam tendência para cooperar estritamente.
O sociólogo alemão Ferdinand Tonnies (1947) parece ter sido aquele que
mais longe levou o primeiro sentido de comunidade, como tipo de grupo social em
oposição à sociedade. Para o sociólogo, o conceito de comunidade era definido a
partir de uma situação de confronto, de contraste, opondo a compreensão de
comunidade ao conceito de sociedade. A comunidade seria, para Tonnies, um
tipo de vivência em conjunto real e orgânica, cujas ações seriam frutos da
tradição, dos costumes. Já a sociedade, seria um agregado mecânico e artificial,
cujas metas e ações, oriundas de uma convenção, de uma lei, são definidas em
termos da adequação dos meios ao fim.
Outras significações da palavra comunidade também são encontradas e
entre elas destaca-se: “... lugar onde as pessoas vivem agremiadas, comunhão,
uniformidade e identidade” (Sanmya F. Tajra, 2002).
Uma comunidade é uma unidade de interação e convivência entre
indivíduos, na qual pessoas vivem, trabalham ou se divertem. No mundo físico é,
por exemplo, a família, o local de trabalho, o clube dentre outros. Até pouco
tempo, tinham como base fundamental a proximidade geográfica.
A história da humanidade apresenta, em diferentes momentos, a
formação e o relacionamento de grupos sociais nas diversas regiões do planeta.
Sendo o homem um ser gregário, sempre buscou o convívio em grupos. A família,
predominantemente, constituiu seu primeiro grupo social. Depois da família,
outros grupos foram surgindo, ligados por interesses comuns como, por exemplo,
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as instituições religiosas. A comunidade, então, pode ser caracterizada de
maneira simplificada como um conjunto de pessoas que vivem num mesmo
espaço, partilhando os mesmos valores, crenças e cultura.
Dentre as diversas definições para as comunidades, Samuel Koenig
(1967) considera a comunidade como um grupo de pessoas que vivem juntas e
se relacionam mutuamente, que compartilham interesses particulares e também
todo um conjunto de interesses amplos e completos que incluem suas vidas. O
autor considera, nas comunidades, os pequenos agregados como aldeias, e os
grandes agregados como cidades, tribos e nações.
Tonnies estabelece uma série de manifestações típicas de cada estado
de associação: na comunidade prevaleceria a cooperação, na sociedade a
competição; na comunidade predomina o sentimento, na sociedade a razão; na
comunidade o espaço seria íntimo, na sociedade ele seria público; na
comunidade as ações seriam espontâneas, na sociedade elas seriam calculadas.
Contrapondo esta definição, o sociólogo Joseph Fichter diz que o termo
comunidade sofre uma grande variação de significados e, às vezes, é até usado
como sinônimo de sociedade ou origina outras expressões, como comunidade
católica, comunidade negra, como desígnio de categorias sociais. Para o autor,
comunidade tem uma definição bem técnica:
É um grupo territorial de indivíduos com relações recíprocas que se
servem de meios comuns; é um setor organizado da sociedade total, não
precisamente uma sociedade (FICHTER, Joseph. 1973, p.154).
Na sociologia brasileira, Florestan Fernandes (1972, p. 56-60), ao tratar
de comunidade, toma como referência os fatores intrínsecos de estabilidade
física, visto que considera a comunidade como uma cidade, um bairro,
estabelecendo novos elementos ao conceito, a exemplo do espaço físico e da
dinâmica dos padrões. Depreende-se dessa posição que a comunidade se
estabelece como um sistema vivo, mutável e variável, que possui um sistema de
inter-relações de sistemas menores, podendo vir a ter uma configuração
geográfica e funcional. A especificação geográfica compreende o povo de uma
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vila, de um bairro. A comunidade funcional se expressa pelas pessoas que têm
interesses comuns.
No entendimento de Max Weber, o conceito de comunidade baseia-se na
orientação da ação social. Para ele, a comunidade funda-se em qualquer tipo de
ligação emocional, afetiva ou tradicional. Weber utiliza como exemplo básico de
comunidade a relação.
Chamamos de comunidade a uma relação social na medida em que a
orientação da ação social, na média ou no tipo ideal – baseia-se em um
sentido de solidariedade: o resultado de ligações emocionais ou
tradicionais dos participantes (WEBER, Max. 1987, p. 77).
A idéia do agir societário através da qual Max Weber constrói sua
teorização é semelhante à do filósofo Martin Buber, quando utiliza como exemplo
básico de comunidade a relação.
Há que se salientar a importância marcante e influente da obra de
Ferdinand Tonnies para as reflexões de Max Weber e Martin Buber.
O conceito de comunidade sofreu alterações, sendo despojado da
exigência de uma territorialidade comum por parte dos indivíduos, valorizando o
caráter corporativo, o sentimento de comunidade, bem como os interesses
comuns.
Com o advento da modernidade, o filósofo social inglês Antony Giddens
(1991) trabalha a relação entre o tempo e o espaço na comunidade.
Os tempos pré-modernos são marcados pela maioridade da população
vivendo em pequenas vilas. Para a maioria da população, o senso de espaço seja
geográfico ou mais importante, social, era estreito. Muitos vilões eram proibidos,
pelos senhores feudais, de andarem pelas redondezas de suas comunidades
particulares. Neste sentido, presume-se que, para tais populações, as idéias de
espaço eram fixas. O autor sugere que se devam descrever tais trabalhadores
como encaixados em suas comunidades locais.
Giddens aponta para a invenção do relógio como um marco importante
para a transição das sociedades tradicionais para as modernas. O relógio não é
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baseado no tempo sazonal, mas num tempo social e artificial. Esta noção de
tempo é linear e não cíclica e, portanto, pode ser usada para previsões.
Igualmente, o relógio permite uma medida de tempo universal e não, como era o
caso, de noções tradicionais de tempo, para uma definição um tanto rústica. Tal
noção moderna de tempo ajuda a produzir um sentimento entre os indivíduos de
que o mundo está encolhendo. As distâncias passaram a diminuir a partir do
momento em que as comunidades começaram a calibrar seu senso de tempo
com o de outra comunidade do outro lado do globo.
O processo de modernização distanciou os indivíduos e as comunidades
das sociedades tradicionais destas noções estreitas de tempo, espaço e status. A
modernização desencaixou o indivíduo feudal de sua identidade fixa no tempo e
no espaço. Resumindo, Giddens diz que a modernização e a modernidade são
baseadas em um processo, segundo o qual uma idéia fixa e estreita de lugar e
espaço (que prevalece nos tempos modernos) é gradualmente destruída por um
cada vez maior conceito de tempo universal. Giddens descreve isso como uma
chave para o processo de desencaixe.
Os elementos que caracterizariam a comunidade são enumerados por
Marcos Palácios:
O sentimento de pertencimento, a territorialidade, a permanência, a
ligação entre o sentimento de comunidade, caráter corporativo e
emergência de um projeto comum, e a existência de formas próprias de
comunicação (PALÁCIOS, Marcos. 1995:10).
O sentimento de pertencimento, ou pertença, seria a noção de
que o indivíduo é parte do todo, coopera para uma finalidade comum com os
demais membros (caráter corporativo, sentimento de comunidade e projeto
comum), desencaixa-se da localização: “é possível pertencer a distância” (Marcos
Palácios, 1995, p. 95); a territorialidade, o locus da comunidade; a permanência,
condição essencial para o estabelecimento das relações sociais.
Ainda mais recentemente, os sociólogos descobriram que
laços de vizinhança e parentesco são apenas uma porção de todas as pessoas
envolvidas em redes comunitárias, porque com carros, aviões e telefones podemse manter as relações mesmo em longas distâncias.
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Analisando sob o ponto de vista das novas comunidades,
Barry Wellman (1999) atenta para o fato de que os laços como vizinhança e
parentesco são apenas uma parte das redes de comunidades gerais das
pessoas, pois a evolução dos meios de transporte e comunicação permite manter
relações a longa distância. Comunidades não precisam ser grupos solidários de
vizinhos com relações densas, mas podem também existir como redes sociais de
familiares, amigos e colegas de trabalho que não necessariamente residem na
mesma vizinhança. Esta revolução conceitual, segundo Wellman, parte da
definição de comunidade em termos de espaço e vizinhança para defini-la em
termos de redes sociais.
A mudança do conceito de comunidade e das próprias
relações baseada no avanço tecnológico desde a Revolução Industrial é
justificada por Jennifer Preece, quando diz que:
Antes da Revolução Industrial as pessoas viviam próximas umas das
outras, e a maioria das suas necessidades era suprida pelos outros na
sua comunidade local. A comunidade era altamente delimitada e autosuficiente. Mas com o advento das tecnologias – melhor transporte, o
telefone, e mais recentemente e-mail e outros meios de comunicação via
computador – as pessoas se espalharam para novas localizações
geográficas. O resultado é que as relações familiares e de amizades
agora têm que ser suportadas a longas distâncias. Conseqüentemente,
as pessoas hoje contam menos com relações baseadas localmente do
que há cinqüenta anos. (PREECE, Jennifer, 2000, p.175).
Num livro publicado em 2003, intitulado Comunidade: a busca por
segurança no mundo atual, Zygmunt Bauman, sociólogo reconhecido por seus
trabalhos sobre o fenômeno da globalização, procura analisar o que estaria se
passando atualmente com a noção de comunidade. É possível perceber uma série
de conceitos em jogo no texto do autor: individualismo, liberdade, transitoriedade,
cosmopolitismo dos "bem-sucedidos", comunidade estética, segurança. Bauman
supõe que haja uma oposição entre liberdade e comunidade. Considerando-se que
o termo "comunidade" implique uma "obrigação fraterna de partilhar as vantagens
entre seus membros, independente do talento ou importância deles", indivíduos
egoístas, que percebem o mundo pela ótica do mérito (os cosmopolitas), não
teriam nada a "ganhar com a bem-tecida rede de obrigações comunitárias, e muito
que perder se forem capturados por ela" (Bauman, 2003, p. 59).
20
O texto defende a idéia de que, hoje, comunidade e liberdade são
conceitos em conflito:
Há um preço a pagar pelo privilégio de “viver em comunidade”. O preço é
pago em forma de liberdade, também chamada “autonomia”, “direito à
auto-afirmação” e à “identidade”. Qualquer que seja a escolha, ganha-se
alguma coisa e perde-se outra. Não ter comunidade significa não ter
proteção; alcançar a comunidade, se isto ocorrer, poderá em breve
significar perder a liberdade. (BAUMAN, Zygmunt, 2003, p.10)
É interessante perceber que a aparente oposição entre liberdade e
comunidade que se encontra em Bauman deve-se, de fato, ao sentido que ele
atribui à noção de comunidade:
Tecida de compromissos de longo prazo, de direitos inalienáveis e
obrigações inabaláveis [...] E os compromissos que tornariam ética a
comunidade seriam do tipo do “compartilhamento fraterno”, reafirmando o
direito de todos a um seguro comunitário contra os erros e desventuras
que são os riscos inseparáveis da vida individual. (BAUMAN, Zygmunt,
2003, p. 57)
Como é possível notar, para o autor a vida individual está envolta em
riscos, e querer viver em liberdade deve significar viver sem segurança. Já a
comunidade, o lugar da segurança, remete-nos ao sentido mais tradicional que
conhecemos, em que os laços por proximidade local, parentesco, solidariedade de
vizinhanças seria a base dos relacionamentos consistentes.
De acordo com Bauman (2003), o mundo não mais se resume a apenas
“comunidade cercada”, tão valorizada no mercado imobiliário, pois o conceito de
lugar, onde se espera estar seguro e passar toda a vida também sofre mudanças.
Pode-se perceber que não mais se pertence a um único local, ou seja, pode-se
começar a enxergar a cosmopolidade.
Como se pode observar, essa discussão é bastante significativa,
abrangente e há que se atentar para a diversidade do conceito comunidade, as
várias características e elementos que o compõem, o poder simbólico de
coletividade que a mesma carrega, não deixando de mencionar as relações
estabelecidas por diferentes autores no que diz respeito à comunidade e à
sociedade e tempo versus espaço virtual.
21
Algo semelhante também ocorre com comunidade virtual. O conceito de
comunidade, combinado a aspectos tecnológicos, evoluiu para o conceito de
comunidade virtual, apresentado a seguir. Antes de chegarmos a este conceito é
importante conceituarmos o termo virtual.
1.2 Virtual
Na verdade é muito difícil falar sobre o significado da palavra virtual, pois
virtual hoje qualifica muita coisa. Segundo o Dicionário Virtual Aurélio da Língua
Portuguesa, o termo “virtual” (do latim escolástico virtuale) é um adjetivo e pode
ter vários significados, como se pode ver a seguir: o que existe como faculdade,
porém sem exercício ou efeito atual; suscetível de se realizar; potencial. Já na
Filosofia diz-se do que está predeterminado e contém todas as condições
essenciais à sua realização.
Na Física, o virtual é o oposto do real, do efetivo, a propósito de
grandezas
introduzidas
por
convenção
com
objetivos
de
pesquisa
ou
representação, por exemplo: "deslocamento virtual"; ou ainda de fenômenos ou
entes que se apresentam sob aspectos não correspondentes à realidade, por
exemplo: na óptica se diz: "foco virtual, imagem virtual".
O virtual abole a delimitação do território geográfico, expandindo suas
possibilidades. O centro das atividades não fica restrito a um conjunto de salas e
a um tempo inflexível. O tempo e o espaço adaptam-se ao ritmo de cada um,
diluídos numa ampla rede de informação e comunicação, possibilitando um
incremento qualitativo.
Pierre Lévy, um dos mais renomados estudiosos da atualidade, em sua
obra O que é o virtual, define virtual como uma palavra derivada do latim
medieval, virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência. Segundo ele,
na filosofia escolástica, virtual apresenta o que existe em potência e não em ato.
22
O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado, no entanto
concretização efetiva ou formal. A árvore está virtualmente presente
semente. Em termos rigorosamente filosóficos, o virtual não se opõe
real, mas ao atual: virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras
ser diferente (LÉVY, Pierre, 1996, p.15).
à
na
ao
de
O virtual existe como potência, não é, portanto, um conceito oposto ao
real, mas é oposto ao conceito atual. A atualização e a virtualização são dois
conceitos diferentes. A atualização é uma solução de um determinado problema,
um resultado de fatores que se conjugam e originam uma solução. Pierre Lévy
(1996, p.18) define a atualização como “uma criação, invenção de uma forma a
partir de uma configuração dinâmica de forças e de finalidades.” A virtualização é
oposta à atualização, pois não se trata de uma solução, mas sim uma “mutação
de entidade”, uma deslocação da entidade no espaço.
Lévy (1996) destaca quatro pólos do conhecimento: o virtual, o atual, o
possível e o real. Segundo o autor, para se compreender o virtual é preciso fazer
a distinção entre esses quatro pólos do conhecimento: o virtual, o atual, o possível
e o real.
Assim, o real está relacionado com a materialidade, pertence à ordem
imediata das substâncias, das propriedades físicas e das determinações. Esses
objetos reais têm seus limites claramente definidos e perceptíveis aos nossos
sentidos. O possível é quando um objeto tem sua existência apenas idealizada no
plano abstrato de um projeto ainda não executado. Ele existe no plano das idéias,
restando apenas a sua existência material, para se tornar real. O virtual não é o
oposto da realidade, apenas possui uma realidade que lhe é própria, sua natureza
vai distanciar-se do atual pelo fato de envolver o abandono do território imediato.
O virtual está próximo do possível, contudo não é da mesma natureza do
possível, pois já tem implícita a resolução do problema, faltando apenas a
realização. A noção de virtualidade está fortemente associada à criatividade.
Esses quatro pólos do conhecimento: possibilidade, realidade, virtualidade e
atualidade estão fortemente correlacionados.
O autor diz também:
A virtualidade não tem absolutamente nada a ver com aquilo que a
televisão mostra sobre ela. Não se trata de modo algum de um mundo
23
falso ou imaginário. Ao contrário, a virtualização é a dinâmica mesma do
mundo comum, é aquilo através do qual compartilhamos uma realidade.
Longe de circunscrever o reino da mentira, o virtual é precisamente o
modo de existência de que surge tanto a verdade como a mentira
(LÉVY, Pierre, 1996, p.148).
Ao tratar da questão do virtual, André Parente (1999, p.14) destaca três
concepções do conceito: uma primeira afirma que “o surgimento de uma
tecnologia do virtual é capaz de explicar o fato de a imagem, na cultura
contemporânea, ter-se tornado auto-referente e, por isso, ter rompido com os
modelos de representação”; uma segunda indica o virtual tecnológico como “um
sintoma e não uma causa das mutações culturais. Para além deste ou daquele
meio (cinema, televisão, vídeo...) as imagens contemporâneas são virtuais, autoreferentes, ou seja, a imagem pós-moderna é um significante sem referente
social” e finalmente uma terceira concepção aponta o virtual como “uma função
da imaginação criadora, fruto de agenciamentos os mais variados entre a arte, a
tecnologia e a ciência, capazes de criar novas condições de modelagem do
sujeito e do mundo”. O virtual, portanto, não se apresenta como um “para além do
real”; mas se coloca como “uma vontade (ou não) de constituição do real
enquanto novo”.
De acordo com Parente, as primeiras concepções do virtual encaram o
simulacro somente como pura repetição do mesmo e reduzem a imagem ao
clichê: não se pode mais distinguir a cópia do original, portanto, não há mais
original e a imagem só remete a si própria (simulacros despotencializados); o
virtual se apresentaria então como a recriação de um real recalcado, ou seja, de
um real que se confunde com sua representação dominante. Parente ressalta, no
entanto, que o modo como se percebe o virtual é uma questão de escolha do
sujeito, e aponta como opção o simulacro potencializado: neste caso o virtual é
encarado como ilusão que afirma o real enquanto novo.
Neste estudo da virtualidade, no texto, Realidade virtual: uma realidade
na realidade, a professora Diana Domingues, pesquisadora da Universidade de
Caxias do Sul, instala sua hipótese no primeiro parágrafo:
Numa perspectiva da comunicação interativa e da ciência da interface, a
realidade virtual, ao proporcionar experiências conectadas a mundos
virtuais habitáveis que permitem a presença efetiva do homem no interior
24
de imagens, em comportamentos que replicam e transgridem as ações
do homem no mundo real, é uma realidade dentro da realidade
(DOMINGUES, Diana, 2006, p. 79).
Domingues (2006, p. 80) observa que:
A Realidade Virtual não deve ser examinada como a ausência do real ou
a negação do real, mas como uma expansão da capacidade perceptiva
de se viver no real por tecnologias de realidade virtual, que oportunizam
a experiência sensível antes não vivida em imagens.
Os autores ressaltam que a realidade virtual não pode ser o contraponto
do real. A realidade virtual instrumentaliza-se com a produção de novas
tecnologias, além do que, tem sido considerada como uma espécie de mundo
alternativo, uma ampliação da realidade, que a relativiza abrindo novas
possibilidades, diferentes do que já experimentamos e conseqüentemente
desenvolvendo-se entre si e com a própria sociedade.
O mundo alternativo da realidade virtual não é, no entanto, o primeiro
mundo fictício inventado pela tecnologia. A realidade é mais o resultado do
cruzamento, da contaminação das imagens, das interpretações, das múltiplas
reconstruções que a mídia distribui. Portanto, antes mesmo que o mundo
alternativo da realidade virtual adviesse, o princípio de realidade entrara em crise,
como se fosse necessário primeiro explodir a visão do mundo em múltiplas visões
de mundo e só num segundo momento fazer a realidade virtual como ampliação
da realidade.
A interseção do virtual com o real proporciona o surgimento de novas
formas de sociabilidade, denominadas por Pierre Lévy de comunidades virtuais.
Segundo pesquisadores contemporâneos, estas comunidades são diferentes das
reais, e ao mesmo tempo muito semelhantes. Em uma comunidade virtual,
podemos colocar-nos diretamente num meio de assuntos que nos interessam,
debater e travar conhecimentos com indivíduos que compartilham de nossos
interesses e que podem nos seduzir pela expressão escrita.
25
1.3 Comunidades Virtuais
"Comunidade Virtual" seria o termo utilizado para os agrupamentos
humanos que surgem no ciberespaço
[1]
, através da comunicação mediada pelas
redes de computadores (CMC).
Com o uso das tecnologias, verifica-se que o homem vai moldando os
espaços e se moldando neles. Em especial, as tecnologias que proporcionaram
grande interação entre os usuários, têm sido grandemente consideradas e
discutidas, uma vez que, por meio delas, é possível estabelecer uma
comunicação de dupla mão entre os participantes.
Uma comunidade virtual pode ser definida como uma comunidade de
pessoas compartilhando interesses comuns, idéias e relacionamentos, através da
internet ou de outras redes colaborativas.
Muitas teorias foram e são formuladas, nos campos da Sociologia,
Psicologia e Antropologia, para explicar os motivos que levam as pessoas a se
organizarem em comunidades, sejam elas virtuais ou não. Este trabalho traz
diferentes estudos, autores e conceitos de comunidades virtuais, que serão
discutidos posteriormente, no decorrer desta dissertação.
O possível inventor do termo, Howard Rheingold (1993), foi o primeiro
autor a difundir o conceito de comunidade virtual. O autor define “comunidade
virtual” como:
... agregações sociais que surgem na internet, quando um número
suficiente de pessoas levam adiante discussões públicas longas e com
suficiente sentimento humano, a ponto de estabelecerem redes de
relacionamentos no ciberespaço (1993, p. 5).
De acordo com o autor, na rede telemática, os agregados sociais
permitem
às
pessoas
estabelecer
diálogos
públicos
e
privados
com
sincronicidade ou assincronicidade no ciberespaço. O autor considera o
ciberespaço como um locus dessas comunidades, sem fronteiras delimitadas,
vindo a se constituir em uma redefinição do espaço imaginário, no qual as
26
pessoas reconfiguram sua sociabilidade. Com o advento das redes telemáticas,
resultado da união das telecomunicações com a informática, as comunidades
irrompem propiciando uma maneira diferente de união dos seus participantes, não
mais pela proximidade territorial, mas pela conexão com os elementos
telemáticos. Possibilitam-se, desse modo, outras formas de proximidades, nas
quais os relacionamentos sociais, o conhecimento e os interesses comuns são
efetivados pela via eletrônica. Rheingold (2003, p. 23) adverte, contudo, que o
simples fato de os usuários da internet visitarem determinados sites ou
responderem a mensagens não evidencia a constituição de uma comunidade.
Para ele, nem tudo que se faz e se comunica por computador em rede
caracteriza, efetivamente, uma comunidade.
Tido como um defensor das comunidades virtuais, Rheingold (2003, p.
34) argumenta que na internet é possível aos homens realizar atos da vida real,
separando-se dos seus corpos, sem perder a dimensão do real.
Segundo Danny Goodman (1996), a designação de “comunidade virtual”
aos grupos on-line justifica-se porque internautas passam a se conhecer, saber
das preferências e antipatias uns dos outros, acabando por experimentar uma
sensação de sociabilidade. As interações se dão em espaços virtuais, mas são
reais. Por utilizarem o potencial cooperativo do ciberespaço, podem se originar
comunidades mais coesas e sociáveis do que muitos grupos físicos.
Michel Maffesoli (1995, p. 50) define as comunidades virtuais como:
Microentidades baseadas na escolha e na afinidade. Afinidades eletivas
que encontramos em organizações formais que funcionam segundo as
regras de solidariedade de uma franca-maçonaria generalizada.
Inumeráveis tribos religiosas, sexuais, culturais, esportivas, musicais, de
estrutura idêntica: ajuda mútua, partilha de sentimentos, ambiência
afetual. Sem centro preciso nem periferias identificáveis.
Para Castells (1999, p. 385), as comunidades virtuais
se entendem como uma rede eletrônica de comunicação interativa
autodefinida, organizada em torno de um interesse ou finalidade
compartilhados, embora algumas vezes a própria comunicação se
transforme no objetivo.
27
Desse modo, podem-se diferenciar as comunidades virtuais de outros
grupos de discussão, pela qualidade dos laços de relacionamento entre os
participantes. Essas comunidades são formadas a partir do uso contínuo dos
ambientes de comunicação mediada por computadores.
Segundo Pierre Lévy, a criação de uma comunidade no ciberespaço
[...] não é irreal, imaginária ou ilusória, trata-se simplesmente de um
coletivo mais ou menos permanente que se organiza por meio do novo
correio eletrônico mundial (LÉVY: 2000, p. 130).
Por essa ótica, diversos grupos sociais, antes com dificuldades nos
contatos ou dispersos pela ausência de intermediação propiciada pelas
tecnologias de comunicação e informação, podem agora, via rede, aglutinarem-se
e efetivamente delimitarem um “lugar” para o encontro e trocas de seus
interesses. Assim, as comunidades virtuais potencializam uma atualização dos
contatos e encontros (virtuais) efetivamente.
De acordo com Tajra (2002), comunidade virtual pode ser entendida como
um conjunto de pessoas disponíveis para interesses comuns, que não
necessariamente estão presentes, mas podem estar em diferentes posições
geográficas e temporárias. Lemos (2002, p. 93) completa que “essas
comunidades seriam agregações em torno de interesses comuns, independentes
de fronteiras ou demarcações territoriais fixas”.
Para Teixeira Filho (2002), uma comunidade virtual pode organizar-se
sobre uma base de afinidade por intermédio de sistemas de comunicação. Seus
membros estão reunidos pelos mesmos interesses e pelos mesmos problemas, e
apesar da “não presença” em uma comunidade virtual, as pessoas encontram
muitos dos elementos humanos de uma interação normal.
Assim, pode-se verificar nas comunidades virtuais, a aplicabilidade do
conceito de “sociabilidade”, definido por ligações orgânicas, efêmeras e
simbólicas (Lemos, 2002).
Vimos, ao longo do capítulo, que as comunidades virtuais ainda trazem
vários elementos que a caracterizam como uma comunidade. O sentimento de
28
pertencimento e a territorialidade são os mais importantes, e sem eles, não se
pode falar em nenhum tipo de comunidade, seja ela na tradição ou até mesmo na
pós-modernidade.
Numa comunidade virtual os integrantes estão imersos no ciberespaço, e
as relações sociais são diferentes das que ocorrem na vida real. O espaço e o
tempo são desmaterializados, não são mais fatores que prendem as pessoas à
sua localidade ou ao seu tempo, como ocorria nas comunidades na tradição e em
menor escala nas comunidades na modernidade. O ciberespaço surge como um
espaço transnacional, sem barreiras ou demarcações geográficas.
As mudanças tecnológicas se tornaram muito rápidas: da internet
disseminada nos anos 1990 até a internet que temos hoje (chats, webcans,
fóruns, transações on-line, webblogs...), pode-se perceber que inovações surgem
a cada dia.
29
2. INTERNET – CIBERESPAÇO – COMUNICAÇÃO
2.1 Introdução
As novas tecnologias trouxeram as mais variadas mudanças para o atual
cenário social; o homem tem a possibilidade de conexão com o mundo em tempo
real, através da rede, sem precisar sair de casa. A virtualidade é fascinante aos
olhos da sociedade. Através da internet você pode estar em todos os lugares e
conhecer tudo a respeito do mundo com alguns “cliques”. Quebram-se todas as
fronteiras geográficas. Para o mundo virtual, o globo terrestre torna-se
desterritorializado. O espaço virtual consegue mesclar todas as culturas. Surgem
então novos conceitos como ciberespaço e cibercultura.
Através da internet estabeleceu-se um novo espaço e tempo de interação
social, em que surgem novas formas de comunicação e sociabilidade.
2.2 Internet: Rede Mundial de Redes
A internet surgiu com apenas uma rede, denominada ARPANET
[2]
, um
sistema aberto de comunicação por computador, descentralizado e flexível, que
seria sua primeira fonte. Era um sistema de origem militar, ligado ao
Departamento de Defesa dos Estados Unidos e à sua agência de pesquisas.
Quando os militares passaram a não considerá-la tão importante,
permitiram o acesso aos cientistas que, mais tarde, cederam a rede para as
universidades e estes passaram para universidades de outros países, permitindo
a expansão da pesquisa.
30
A internet só avançou quando inventaram a Word Wide Web
[3]
, em 1990,
e o navegador, em 1993, mas o número de usuários em todo o mundo já
ultrapassava 350 milhões.
Castells (1999, p. 379) afirma que:
A coexistência pacífica de vários interesses e culturas na Rede tomou a
forma da World Wide Web – WWW (Rede de Alcance Mundial), uma
rede flexível formada por redes dentro da internet onde instituições,
empresas, associações e pessoas físicas criam os próprios sites, que
servem de base para todos os indivíduos com acesso poderem produzir
sua home page, feita de colagens variáveis de textos e imagens.
Com o surgimento da World Wide Web, o conteúdo da rede ficou mais
atraente com a possibilidade de incorporar imagens e sons desprovidos de limites
territoriais tradicionais. Muito embora cada participante da internet tenha seu
próprio endereço, nem sempre o destinatário fica sabendo da localização física do
remetente.
De acordo com Cebrian (1999, p.120):
A internet oferece todas as possibilidades com as quais nem mesmo os
mais entusiastas escritores de ficção ou os utópicos sonhadores de
Alexandria poderiam sonhar. A quantidade de informações é tal, que
com menos de 12 anos de idade pode-se ter tido acesso a um número
muito superior do que aquele que um adulto na Idade Média seria capaz
de recolher durante toda sua vida.
Nos dias de hoje, a internet pode ser entendida como uma vasta rede
internacional composta de redes de computadores individuais e milhões de
usuários individuais espalhados por todo o mundo. Não é possível mensurar a
dimensão da internet, porque não há um ponto central de controle e porque a
rede cresce em uma taxa quase exponencial.
A internet é um sistema global de comunicação, através do qual milhões
de pessoas podem se comunicar e compartilhar um imenso acervo de
informações, recursos e serviços.
Por meio da internet é possível compartilhar dados e recursos em escala
global, e não apenas local. Na internet não existem fronteiras para a
comunicação. Na internet não existem chamadas internacionais. Não há diferença
31
entre acessar dados num computador em Sidney ou num computador localizado
em São Paulo. Não importa que um esteja na Austrália e outro aqui no Brasil. O
que importa é que ambos estão ligados numa imensa rede global de
computadores.
A internet é constituída de redes interligadas pertencentes a empresas,
corporações, órgãos governamentais, centros de pesquisa, universidades, etc.
Quando o usuário se liga à internet, passa a fazer parte dessa imensa rede.
A internet, portanto, constitui-se num amplo mecanismo de disseminação
de informação, serviços e entretenimento. A internet não vem substituir, mas
adicionar. Ela traz novas formas de trabalhar e de se comunicar. Pode ainda
comunicar decisões rapidamente através do correio eletrônico ou trabalhar em
conjunto num mesmo documento.
A internet possibilita novos padrões de interação social. As pessoas
passam a se comunicar por e-mail, mensagens instantâneas, pelo Messenger,
pelo orkut, enfim, a interatividade virtual passa muitas vezes a ser maior e mais
freqüente do que a comunicação face a face.
2.3 Internet no Brasil
A história da internet no Brasil começou em 1991 com a Rede Nacional
de Pesquisa, uma operação acadêmica subordinada ao Ministério de Ciência e
Tecnologia. Em 1994, a EMBRATEL lança o serviço experimental a fim de
conhecer melhor a internet, porém somente em 1995 é que foi possível a
utilização pelo setor privado, para exploração comercial da população brasileira.
O número de usuários brasileiros da internet é muito difícil de ser
estimado, pois o crescimento é rápido, tornando as informações velozmente
desatualizadas.
32
O crescimento da Web chegou a um ritmo tão extremo que, segundo
Wertheim (2001, p.166) “especialistas temem jamais ser capazes de acompanhálo em sua totalidade”.
O escritor canadense Marshall McLuhan (1996), um dos principais
precursores da teoria da comunicação, percebendo a rapidez com que os meios
de comunicação desenvolviam novas tecnologias, anteviu um mundo novo:
totalmente interconectado e tomado pelas mídias eletrônicas. As novas mídias
aproximariam as pessoas de tal maneira que, como em uma aldeia, todas
poderiam conhecer-se e comunicar-se. O advento da internet, esta gigantesca
rede mundial de computadores, veio confirmar as previsões. Ela criou um novo
espaço para o pensamento, para o conhecimento e para a comunicação. Este
espaço que não existe fisicamente, mas apenas virtualmente, é o ciberespaço.
2.4 Ciberespaço
O termo ciberespaço foi utilizado pela primeira vez em 1984 pelo escritor
William Gibson como sendo um espaço não físico ou territorial, que se compõe de
um conjunto de redes de computadores através das quais todas as informações
circulam.
Segundo Pierre Lévy (2000; p. 92-93)
ciberespaço é um novo meio de comunicação que surge da interconexão
mundial dos computadores. Especifica não apenas a infra-estrutura
material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de
informações que ela abriga, assim como os seres humanos que
navegam e alimentam este universo.
Para Lemos (2002, p.137), o ciberespaço pode ser tanto o lugar onde
estamos quando entramos num ambiente simulado, de realidade virtual, como o
conjunto de redes de computadores, interligadas ou não, em todo o planeta. O
ciberespaço é o ambiente simbólico onde as comunidades virtuais se constituem.
O ciberespaço potencializa o surgimento de comunidades virtuais e de
agregações eletrônicas em geral que estão delineadas em torno de interesses
33
comuns, de traços de identificação, pois ele é capaz de aproximar, de conectar
indivíduos
que
talvez
nunca
tivessem
oportunidade
de
se
encontrar
pessoalmente. É um ambiente em que o espaço e o tempo não são barreira.
Complementando essas reflexões, Diana Domingues (2002: p. 28) diz
que, no ciberespaço
ocorre todo um processamento das informações que, ao entrarem no
computador em suas redes e sub-redes, traduzem-nos em paradigmas
computacionais e os devolvem, gerando outros tipos de experiências
estéticas. O corpo e sua capacidade cognitiva conectam-se a bancos de
dados eletrônicos e à sua capacidade de gerenciar e devolver sinais,
ampliando as formas de sentir, pensar, sonhar numa fusão do imaginário
humano com o imaginário de máquinas. Os sistemas artificiais com suas
redes nervosas de silício alimentam os sistemas biológicos e geram
situações inimagináveis”.
O ciberespaço e sua relação com a informação pode ser entendido pela
sua aplicação. Uma das principais funções do ciberespaço é o acesso à distância
aos diversos recursos de um computador: uploads; utilização remota de
aplicativos; acesso remoto à memória de computadores.
Outra manifestação do ciberespaço é o correio eletrônico. O e-mail se
tornou um dos principais canais de comunicação nos dias de hoje, sendo uma das
interfaces do ciberespaço utilizado desde comunicação formal de uma
organização até recado de amigos, etc. Também utilizado como propagação de
idéias, boatos e propaganda, esta ferramenta tornou-se uma forma de
comunicação sem precedentes na história, onde as barreiras tempo/espaço são
rompidas e o próprio criador de uma mensagem não tem a medida das
proporções que esta pode atingir.
As conferências eletrônicas e os groupware’s são dispositivos sofisticados
que permitem a um grupo de pessoas discutirem em conjunto sobre temas
específicos por meio de videoconferências. Teletrabalho, teleconferência, são
palavras comuns no cotidiano de diversas organizações e instituições de pesquisa
nas quais, em tempo real, pessoas dispersas no espaço geográfico colaboram,
compartilhando informações no ciberespaço.
34
Com as comunidades virtuais, ocorreram modificações significativas nas
relações sociais valendo-se das possibilidades do ciberespaço onde pessoas se
aglutinam por interesses e semelhanças dentro de comunidades virtuais.
Relações profissionais e afetivas antes limitadas ao tempo/espaço real agora são
possíveis, em meio virtual, em tais comunidades. Ex.: ORKUT.
O hipertexto é uma forma de apresentação não linear de apresentar e
consultar informações, vinculando dados contidos em seus documentos, criando
uma rede de associações através de hiperlinks. Esta é a forma de apresentação
da informação no ciberespaço, onde as barreiras textuais são rompidas e dá ao
usuário autonomia de navegação para solucionar sua lacuna informacional.
O ciberespaço é uma dimensão comunicacional. Sua lógica é a da
articulação de memórias através das conexões. No mundo todo, pessoas
conectam-se a fontes remotas de dados, comunicam-se, enviam mensagens,
interagem
em
ambientes
virtuais
em
tempos
diversos,
síncronos
e/ou
assíncronos. Isto ocorre pela combinação complexa de tecnologias de informação
e de comunicação.
Nessa perspectiva, o ciberespaço é constituído com base em uma
comunicação, em linguagens e diálogos homem-máquina, máquina-máquina,
operados em equipamentos físicos e localizados. Vemos a tela, mas não
visualizamos a quantidade de informações, de comandos, expressões e códigos
que estão por trás das imagens.
Lemos (2006) coloca que essa difusão provocada pelas novas
tecnologias de comunicação altera os processos de comunicação, de produção,
de criação e de circulação de bens e serviços, fazendo então emergir a
cibercultura: “trata-se de uma nova relação entre as tecnologias e a sociabilidade,
configurando a cultura contemporânea” (LEMOS, 2006, p. 52).
35
2.5 Cibercultura
A cibercultura é a relação entre as tecnologias de comunicação,
informação
e
a
cultura,
emergentes
a
partir
da
convergência
informatização/telecomunicação na década de 1970. Trata-se de uma nova
relação entre tecnologias e sociabilidade, configurando a cultura contemporânea
(Lemos, 2002).
A cibercultura é resultado de uma crescente troca social sob vários
formatos, tais como: blogs, chats, fóruns, orkut, pod-casts, sistemas peer to peer,
entre outros. Com a cibercultura tem-se enriquecido a diversidade cultural
mundial, ou seja, dinamizando a cultura em nível planetário. A cibercultura está
pondo em sinergia processos de cooperação, de troca e de modificação criativa
de obras, dadas as características da tecnologia digital em rede.
Dentro deste cenário da cibercultura, a autora Diana Domingues (2002:
p.30) diz que:
O ser humano experimenta o fenômeno da comunicação interagindo e
recebendo respostas em tempo real dos sistemas artificiais. As
tecnologias interativas estão nos proporcionando diálogos entre o corpo
e os sistemas artificiais que permitem a aquisição e comunicação de
sinais biológicos com sinais de máquinas. Interfaces e computadores
capturam, gerenciam e devolvem sinais emitidos pelo corpo.
A cibercultura coloca a humanidade diante de um caminho sem volta,
devido à avidez dos usuários para experimentar coletivamente formas de
comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas propõem. Como
conseqüência, estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação,
e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço
nos planos econômico, político, cultural e humano. Os espaços se encurtaram, a
comunicação se expandiu.
36
2.6 Comunicação
O homem, através da comunicação no ciberespaço, gera a sociabilidade,
um processo dinâmico, em que cada sujeito que se relaciona encontra-se,
momentaneamente, na mesma realidade e age de maneira simultânea e
interativa. Desta forma, há a necessidade de uma ordem ou regras para que a
comunicação interpessoal possa ocorrer sem ruídos e de forma clara. É esse
agente da comunicação que vai valorizar o repertório de mensagens enviadas de
um ao outro, cada sujeito utilizando a sua dinâmica interna de experiências,
valores e atitudes, para filtrar e dar sentido às mensagens recebidas e,
conseqüentemente, respondê-las de forma sociável. O espaço virtual, acessado
pelas novas tecnologias de comunicação, é apenas o meio das relações
interpessoais. Esse meio virtual faz parte de um conjunto de categorias
específicas do mundo das comunicações, ou melhor, os meios de comunicação,
que segundo McLuhan (1971) são extensões do homem e foram inventados para
multiplicar a força e o alcance da capacidade humana de emitir mensagens.
Segundo Rebeca Recuero (2007, p. 5), a comunicação pode ser:
..síncrona, caso os usuários estejam on-line enviando a mensagem
quase que imediatamente ou assíncrona, quando um indivíduo manda
uma mensagem e, só depois de um certo tempo, o destinatário irá
respondê-la.
A comunicação interativa mediada por computador (CMC) – popularizada,
principalmente, através da internet – levou ao surgimento de redes sociais, que
através de suas comunidades virtuais geram uma comunicação interativa
organizada em torno do compartilhamento de interesses ou propósitos,
desenvolvendo-se de forma contínua através dos textos, imagens, signos e
códigos.
Essas redes sociais estão crescendo e tomando espaço muito
rapidamente, no mundo e, principalmente no Brasil, o orkut, é o exemplo, portanto
será o objeto deste estudo.
37
3. OBJETO DO ESTUDO
3.1 Introdução
O processo de evolução da informática tem ocorrido de forma muito
rápida. Na pós-modernidade, conforme Maffesolli (2000), a tecnologia favoreceu
uma visão de encanto para o mundo. Pode-se falar do surgimento de um ”mundo
imaginal”, uma vez que as maneiras de ser e pensar são transmitidas pela
imagem, pelo imaginário, pelo simbólico, pelo imaterial. Tem-se a imagem como
meio, vetor, elemento primordial do vínculo social.
Com as transformações ocorridas no final do século XX, especialmente as
decorrentes da conexão do sistema de telecomunicações com a informática,
demarcam-se significativas mudanças na relação entre tecnologia e sociedade.
Nesse contexto, verifica-se uma expansão exponencial das formas de
comunicação, principalmente via computadores em rede. Essa expansão, através
da internet, ocorre sem delimitação de fronteiras, por diversos espaços, o que
propicia trocas de informações e a emergência de diferentes relações sociais, que
interligam realidades reais virtuais. Isso altera significativamente o meio e
favorece o surgimento de relações antes não estabelecidas, que irão tecer uma
complexa rede de possibilidades. É nesse espaço, e nesse presente
desterritorializado, que vêm surgindo novas formas de sociabilidade.
Um desses novos espaços virtuais de sociabilidade, que tem ganhado dia
a dia mais adeptos, especialmente no Brasil, é o orkut. Este sistema consiste na
criação de inúmeras comunidades virtuais administradas por um participante, as
quais podem ser relacionadas aos perfis dos demais participantes do site. Há
espaço para o envio de comentários, o fomento de discussões e até mesmo o
agendamento de eventos pertinentes ao tema tratado em cada uma das milhares
de subdivisões dos diversos campos sociais existentes e ali integrados. Todos os
38
integrantes desta rede têm o direito de criar e aderir às comunidades, acumular
amigos virtuais com interesses equivalentes.
A rede social orkut é o objeto deste estudo, e como tal será apresentada
neste capítulo.
3.2. Orkut
3.2.1 Introdução
O nome orkut deve-se ao criador do site, o engenheiro de computação,
Orkut Buyukkokten. Segundo Araújo (2006), o orkut (www.orkut.com) foi criado
pela Google no início de 2004 e, segundo dados estatísticos, que constam em
sua página, já em abril do mesmo ano o número de usuários girava em torno de
190.000 cadastrados e, ao final de maio, já eram mais de 300.000.
Embora tenha sido criada pela Google, essa rede social não faz,
oficialmente, parte do portfólio de produtos da marca.
Em abril de 2005, ganha versão em português e, em 2006, é criado um
mecanismo que permite saber, por parte do usuário, quem visita seu perfil; no
entanto, apesar desta suposta exposição, alguns usuários se sentiram
incomodados e por isso foi criado o mecanismo de manter-se oculto.
3.2.2 Como ser usuário
O orkut é um software social que tem como objetivo principal a criação de
uma rede social ou comunidade virtual.
39
Primeiramente, para entrar no orkut a pessoa deve ser convidada por um
amigo, via e-mail, que faz parte da sua comunidade presencial, já cadastrado, e
que passou pelo mesmo processo anteriormente, ou criar uma conta no Google,
além disso, deve ter no mínimo 18 anos.
Ao se cadastrar, no orkut, o convidado preenche um questionário, dividido
em três categorias: social, profissional e pessoal. No perfil social, o usuário pode
descrever um pouco de si mesmo, de características como gostos, livros
preferidos, músicas, programas de TV, filmes, etc.; no perfil profissional, faz-se a
seleção da atividade profissional com informações sobre grau de instrução e
carreira; já no pessoal é apresentado o perfil pessoal do indivíduo de forma a
facilitar as relações interpessoais. Apresenta informações físicas, e sobre o tipo
de pessoa com quem ela gostaria de se relacionar, ou mesmo até mesmo
namorar/casar. A partir desse questionário, a pessoa pode montar o seu perfil,
que poderá ser visto por qualquer usuário, desde que sejam dadas as permissões
necessárias no painel de gerenciamento do site. Também é possível incluir fotos,
vídeos e favoritos ao seu perfil.
Além destes recursos, existem outros que só são executados por outras
pessoas no seu perfil, como: escrever um depoimento, enviar uma mensagem
particular, uma “paquerada”, ignorá-lo ou até mesmo denunciá-lo ao orkut para
que seu perfil seja investigado.
3.2.3 Dinâmica
O usuário tem um painel com a relação de seus amigos e outro painel
com a relação das comunidades. Quando se adicionam novos amigos é possível
organizá-los em grupos, classificá-los como: legal, confiável e sexy numa escala
de 1 a 3 para cada amigo. Pode-se também definir o nível de amizade em: não
conheço, conhecido, amigo, bom amigo e melhor amigo.
40
Um dos recursos do orkut é a criação e participação em comunidades. As
pessoas podem entrar nas comunidades (as comunidades não possuem limite de
participantes, mas o usuário pode adicionar no máximo 1.000 comunidades), que
podem funcionar como fóruns de interesses comuns. Por exemplo: se alguém
gosta de futebol, pode entrar em uma comunidade com o nome genérico “Eu amo
futebol”. Outras pessoas podem participar dessas três áreas de interação: o
fórum, os eventos e as enquetes.
O fórum funciona por meio de tópicos. Uma pessoa elabora um assunto,
com um título e um texto e permite que outros possam lê-lo e deixar alguma
mensagem. É possível conversar no orkut, porém não de forma instantânea.
Os eventos são explanações fixas, que normalmente comunicam algum
acontecimento. Eles não podem ser respondidos. Na maioria dos casos, os
eventos são utilizados para fazer spam do tipo "fique rico, trabalhando em casa"
ou "festa em tal bar".
As enquetes são usadas para recolher informação quantitativa dos
membros de uma comunidade.
Cada comunidade possui um dono, o qual poderá escolher até dez
mediadores que poderão autorizar ou não a entrada de um novo perfil, no caso da
comunidade ser "fechada" (moderada). Se ela for "aberta" (pública), qualquer um
pode entrar, incluindo perfis falsos. Quando algum perfil comete algum ato
impróprio na comunidade, ele também pode ser banido pelo dono ou por algum
dos mediadores, sendo apenas removido, podendo entrar novamente quando
quiser, ou então será definitivamente expulso. Na sua versão inicial, o orkut não
permitia que o dono pudesse delegar funções de moderador a outros usuários,
havendo, portanto, um só moderador, o dono, o que tornava difícil manter a
organização da comunidade. A possibilidade de delegar a mediação a outros
usuários foi efetivada junto a um pacote de melhorias, na data de 20 de outubro
de 2006.
É nas comunidades que ocorre a prática da sociabilidade.
41
3.2.4 Perfil
O Brasil é o país com o maior número de membros. O sistema possui
aproximadamente sessenta milhões de usuários cadastrados, até agosto de 2007,
sendo que cerca de 55% dos usuários declaram-se brasileiros. Na verdade, estes
dados não apresentam exatidão, pois muitos membros criam mais de um perfil ou
declaram residir em outros países.
O orkut é procurado por aproximadamente 60% de pessoas na idade
entre 18 e 25 anos. Porém, este número não é real, pois jovens com idade inferior
a 18 anos também podem participar da rede, colocando idade incorreta.
De acordo com as alternativas de que o orkut dispõe, 64,34% dos
usuários estão participando para fazer novos amigos e encontrar os antigos; em
segundo lugar estão aqueles que procuram contatos profissionais, com 19,51%.
Desde o dia 22 de abril de 2006, os usuários do sistema podem contar
com a ferramenta "visualizações do seu perfil", que mostra o número de vezes
que outros membros do orkut visualizaram seu perfil e lista os últimos dez
membros. A nova ferramenta deixou muitos usuários descontentes. Eles
argumentaram a favor da liberdade de navegar livremente pelas páginas. Por
outro lado, havia aqueles que preferiam a ferramenta tal como foi criada porque
funcionava bem para saber quem vigiava seus recados.
Por causa da polêmica, o orkut disponibilizou um recurso para desativar a
opção na página de configurações e assim permitir o acesso a perfis
anonimamente. Entretanto, isso faz com que o usuário também não saiba quem
visualizou o seu perfil. A fim de manter o recurso ativado e não deixar que saibam
que visitou perfis, uma minoria de usuários criou perfis alternativos com
informações falsas, conhecidos como fakes.
Fakes são perfis falsos (fakes ou bogus) criados com alguns possíveis
objetivos: Fazer-se passar por algum conhecido pessoal, famoso ou personagem
fictício; difundir conteúdo ilegal, como racismo, pornografia infantil e ameaças;
42
visitar quem viu o seu perfil oficial; debater anonimamente; denunciar crimes no
orkut, podendo organizar-se em hierarquias.
Muitas vezes, um usuário não deseja exibir sua foto
e coloca um
desenho, foto de celebridade ou de algo de que ele gosta, o que teoricamente é
proibido pelas regras do orkut. Isso é, a cada dia, mais comum e é relativamente
aceito pela comunidade para os que querem permanecer anônimos. Neste caso,
usa-se o nome real e muitos até sobem fotos reais para o álbum, mas preferem
manter a foto do perfil com um desenho qualquer. A mesma política deveria ser
válida para comunidades, porém, mesmo as maiores comunidades do orkut têm
imagens consideradas impróprias (imagens protegidas por direitos autorais, artes
ou fotos de crianças).
Como o perfil é falso, os amigos deste perfil geralmente são falsos
também, tornando mais difícil o rastreamento do autor original e agindo da forma
mais anônima possível. Os usuários podem fazer denúncias contra esses falsos
perfis, mas as denúncias raramente atingem o seu objetivo, que seria o
banimento do falso perfil do sistema. De qualquer forma, não adianta muito
deletar o perfil falso, pois o autor original pode criar um novo a qualquer momento.
Cometer um "orkuticídio" é um termo usado no sentido figurado de
"suicídio" para quando algum usuário exclui ou pretende excluir sua conta no
sistema. O termo foi bastante usado pela imprensa brasileira. O orkut mantém-se
tão atualizado com as tendências que comunidades sobre todos os assuntos
continuam a surgir. Para o termo “orkuticídio” também já surgiram algumas
comunidades. A maioria delas com poucos integrantes, já que muitos deles se
"orkuticidaram". No “orkuticídio”, muitas pessoas perdem grandes amigos e só
ficam sabendo dessa perda após perceber a subtração destes no número de
amigos.
43
3.2.5 Comunidades
Além da ligação entre usuários, o orkut permite a construção de
comunidades, cujas temáticas são as mais diversas. Dentre as 28 (vinte e oito)
categorias pelas quais uma comunidade pode ser classificada, existem,
certamente, muito mais de dez mil comunidades.
As comunidades foram criadas para que membros com interesses mútuos
pudessem trocar idéias e conhecer pessoas. Porém, alguns entram em
comunidades postando mensagens contrárias ao assunto delas, buscando
chamar a atenção para si mesmos, criar confusões ou menosprezar os
integrantes destas. E, como é possível postar mensagens anonimamente em
algumas comunidades, alguns utilizam essa possibilidade para xingar e humilhar
os integrantes delas, semear caos e discórdia.
As comunidades estão sujeitas às restrições e a violação destas pode
resultar no cancelamento da comunidade. Dentre estas restrições, pode-se
destacar que: as comunidades não deverão conter material como pornografia
infantil ou pedofilia, que viole as leis válidas no mundo real. São vedadas imagens
de conotação sexual e não deverão apresentar material que demonstre
preconceito; também não deverão apresentar ameaças diretas de violência contra
qualquer pessoa. É importante ressaltar que as comunidades não poderão ser
utilizadas para fins comerciais, pois o orkut é um serviço apenas para uso
pessoal.
O idioma mais comum das comunidades é o português, com mais de 10
vezes a quantidade de comunidades do segundo idioma mais usado, o inglês. O
terceiro mais comum é o inglês britânico, que foi introduzido no segundo trimestre
de 2006 para distinguir entre as pessoas que chamam o esporte da Copa do
Mundo de “football” e as que o chamam de “soccer” (futebol). Espanhol e hindi
ocupam quarto e quinto lugares conforme mostrado na tabela 1:
44
Idioma
Português
Inglês
Comunidades
40.460.878
3.738.534
Maior comunidade
Eu amo a minha MÃE!
Membros
9.480.777
Nike
624.095
118.657
Inglês (UK)
469.538
David Beckham
Espanhol
186.323
Pra que serve o Orkut?
79.734
Hindi
43.837
Cafe Coffee Day
55.492
Estoniano
37.199
Estonia
63.505
Todos
34.294
Caipirinhas
Francês
25.118
Paris
Telugu
23.925
311.487
21.772
!!!
!!! [É, tá bom!]
15.665
Tabela 1 - Ranking da quantidade de comunidades por idioma.
Fonte: Blog Orkut
Algumas comunidades do orkut existem desde que o site chegou e ainda
era novidade aqui no país. Hoje, ter uma comunidade já se tornou um fato normal
para qualquer usuário e alguns deles ficaram famosos por serem donos de
comunidades com grande expressão na rede.
Esses usuários nunca apareceram na TV, nem sequer pensavam em
levar uma vida assim, mas depois do orkut as coisas mudaram um pouco.
Cantadas e recados vindos de todos os cantos do país chegam diariamente para
eles. “Recebo cerca de 60 mensagens por dia e não posso negar que isso é
gostoso”, diz o carioca João Paulo Mascarenhas, 28, criador da “Eu Odeio
Acordar Cedo”, uma das maiores comunidade do orkut. João Paulo é consultor de
uma agência de viagens de intercâmbio e coordena cerca de 4,5 milhões de
integrantes em sua página sem ganhar um tostão. Apenas pelo prazer de ser
famoso e querido no mundo virtual.
Ao contrário do que muita gente pensa, não é só criar uma comunidade e
“deixar rolar”. Conduzir a empreitada dá trabalho. Só respondo mensagens que
me interessam, garante o gaúcho Fábio Possamai, 27, da comunidade “Só mais
cinco minutinhos”, que tem mais de 1,8 milhão de pessoas que adoram enrolar
um pouco mais na cama pela manhã. Quem pede coisas como: relacione a minha
comunidade, não tem resposta, diz Fábio, que já perdeu a conta de quantos
amigos fez. Ele é formado em Biologia, estuda Filosofia e ainda tem tempo para
45
gerenciar mais cinco comunidades. Sem pensar na parte da fama, criar uma
comunidade no orkut sempre foi uma diversão à parte para os usuários. Inventar
uma comunidade e ver que as pessoas se encontram ou simplesmente fazem
parte dela, porque gostam do tema, é uma sensação muito boa dando a
impressão de estar fazendo algo legal no orkut, diz o usuário Diego Carvalho que
controla três comunidades no site.
O ponto principal do orkut é a ferramenta de busca em que você pode
encontrar pessoas ou velhos amigos com quem há muito você perdeu contato.
Mas nada se compara às comunidades regadas a ódio e amor. Estas
comunidades de pessoas se unem em torno de um gosto: “Eu odeio isso”, “eu
odeio aquilo”. Comunidades assim, que proclamam algum tipo de ódio, são muito
comuns, bem como as que declaram amor por algo ou alguém.
O orkut liberou algumas estatísticas interessantes: das mais de 46
milhões de comunidades criadas no site de relacionamentos, mais de 40 milhões
são configuradas para o idioma português, isto é, feitas por brasileiros para
público brasileiro. O número é mais de 10 vezes maior que o segundo idioma, o
inglês, com quase quatro milhões de comunidades.
Os dados divulgados no blog oficial do orkut mostram que a comunidade
“Eu amo a minha Mãe!” é a que possui mais membros. Segundo as estatísticas,
ela possui 3.903.588 membros, porém ao entrar na página da comunidade, vê-se
que, na verdade, eles são 9.475.965 atualmente, mantendo o posto de "maior
comunidade do orkut".
Vale lembrar que uma comunidade com milhares de membros no orkut
pode ser sinal de dinheiro envolvido, devido a anunciantes interessados no
grande público que freqüenta as páginas de discussão da comunidade. Além
disso, o dono da comunidade pode receber ofertas de compra.
No blog oficial também foi publicado o ranking de categorias e países
mais influentes em cada uma delas. No topo da lista, a categoria "Pessoas" é a
que mais possui comunidades, com destaque para Madagascar e Brasil como os
países mais representativos nessa categoria.
46
No ranking das mais numerosas comunidades e que foram escolhidas,
aleatoriamente, para objeto de estudo desta pesquisa, estão: “Eu Odeio Acordar
Cedo”; “Eu amo a minha Mãe!” e “Só mais 5 minutinhos...”
A justificativa para escolha destas comunidades ocorreu por acreditar que
quanto mais pessoas tiverem acesso ao ciberespaço, mais se desenvolverão
novas formas de informações pelos mais diferentes atores, que terão a
possibilidade de produzir, fazer circular e consumir a informação presente, de
acordo com seus próprios valores (culturais, estéticos), difundindo-a por sua vez
de uma nova maneira.
A seguir entenderemos como se estabelecem as relações destes
usuários e de que forma as comunidades ligadas a eles podem desenvolver um
tipo de sociabilidade.
47
4. ANÁLISE DAS COMUNIDADES ORKUT
4.1 Introdução
A nova forma de comunicar e vivenciar a realidade, possibilitada pelas
redes de computadores que compõem a internet, e que constituem um artefato
tecnológico inovador, estabeleceu um novo espaço e tempo de interação social,
dentro dos quais emergem formas de sociabilidade.
O orkut gerou uma sociedade virtual que une pessoas de todos os perfis,
mas que têm interesses comuns no convívio, na troca de idéias, no “estar-junto”,
no expor seus dados pessoais, suas ideologias ou informações profissionais que
são recebidas e reconhecidas pelos outros.
Como já foi dito, no capítulo anterior, todo usuário do orkut pode se
associar a diversas comunidades que existem dentro do site. Essas comunidades
são grupos de interesse em que são levantados ou não debates sobre os temas a
que se propõem. Cada comunidade tem um fórum no qual são propostos tópicos
de debate e todo membro pode fazer seu comentário. A maioria das
comunidades é aberta, no sentido de permitir a entrada de quem quer que deseje
participar.
No orkut, a interface é composta pelos elementos visuais, como cor e
formato do site, os ícones coloridos e a maneira como estes estão dispostos, as
imagens postadas pelos próprios usuários e códigos da linguagem escrita. Os
recursos disponíveis nessa comunidade virtual priorizam, a princípio, a
comunicação e localização dos usuários inseridos nela, mas possui também
outras funções e finalidades, como a construção de uma identidade on-line e sua
exibição a outros usuários. Ou seja, além de disponibilizar infinitas possibilidades
de criação de laços e compartilhamento de interesses, foi aberto ao usuário um
espaço individual com recursos mais amplos para a construção e exposição de
sua identidade on-line.
48
Dentre as comunidades mais populares do site estão: “ Eu Odeio Acordar
Cedo”; “Eu amo a minha Mãe!” e “Só mais 5 minutinhos...”, que são o objeto
desta pesquisa.
Neste capítulo, será apresentada a análise destas comunidades, através
dos mais diversos perfis de usuários e a forma como estes usuários interagem
entre si por meio de fóruns, enquetes e recados dentro das comunidades. Por fim,
serão apontados alguns questionamentos sobre as formas de sociabilidade.
4.2. Comunidades do Orkut
4.2.1 Eu Odeio Acordar Cedo – E.O.A.C.
A comunidade apresenta 5.848.677 membros e é representada pela foto
a seguir:
Seu dono, João Paulo Mascarenhas, que aparece como João Holden, faz
a seguinte descrição:
Para todos aqueles que acham que o dia só começa após o meio-dia.
"Eu faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã" (Chico Buarque)
A maior comunidade do orkut!
49
Ainda na página principal, João Holden faz as seguintes observações:
Serão apagados:
- Jogos que não tenham relação com o tema da comunidade.
- Propagandas de outras comunidades.
Vamos manter a nossa comunidade organizada.
A comunidade é apresentada no idioma português, criada em 23 de maio
de 2004, às 19 h 55 min, possui os seguintes moderadores: Gabriel Skrilatt,
Renato, Anselmo, LuILa, Mediador, ΨMåU_® [E.O.A.C], DeDeZiNhA,
Ð㋡M
ҒЯдηҜ. Os moderadores contam com alguns privilégios, tais como: excluir
tópicos, mensagens e eventos inadequados da comunidade e podem ainda
aceitar, recusar, expulsar e remover membros e suas postagens.
Esta comunidade é do tipo público e aberto para não-membros, isto
significa que qualquer usuário do orkut pode acessá-la e fazer o pedido para ser
incluído, podendo também pedir exclusão de acordo com seu interesse.
No fórum são apresentados vários tópicos, pelos moderadores, que
buscam um maior número de postagem; existem muitos tópicos repetidos e sem
sentido dentro da proposta da comunidade. Eis alguns dos tópicos desta
comunidade:
Qual o dorminhoco(a) mais gato(a) da Pag? [chat] com 193.462
postagens, cujo autor é LuILa e que pela foto é do sexo feminino.
Vamos formar Casais de dorminhocos? com 11.577 postagens cujo autor
é JeanLost All© , do sexo masculino.
CONFESSIONÁRIO =p com 3.496 postagens cujo autor é Si, do sexo
feminino. Este fórum é interessante, pois todas as postagens começam por
“confesso que...”.
São várias as enquetes, dentro da comunidade, que são representadas
como pesquisa para conhecer o usuário. Seguem-se abaixo algumas:
Qual é o time da maior torcida entre as pessoas que odeiam acordar
cedo?
50
Apresentação
Uma_Mega_Enquete_para_Geral_Votar_em_Massa. Enquete criada
para remecher (sic) com a rivalidade entre vários times e detonar em
votos. Nesta enquete varias torcidas iram (sic) dar seu voto para o time
que honram. Uma enorme nação repartida em rivalidades entre vários
times. Vote em seu time! Saudações João Holden Criador Gabriel
Skrilatt
A proposta é fazer com que o internauta sinta-se mais atraído pelos
conteúdos ali expostos, considerando-se parte de um processo de mediação que
não mais tende à centralização de meios de comunicação hegemônicos, mas que
é propiciado, em certa medida, por ele, de acordo com os próprios interesses.
Existem relações de poder envolvidas. O poder da detenção do discurso e de
suas possíveis alterações; o poder de ser também um emissor de informações; o
poder de mudar totalmente as concepções de esfera pública, de construir novas
realidades sociais, de estipular novas relações entre local e global, entre tempo e
espaço, entre conteúdos aparentemente distantes, mas que podem relacionar-se
intimamente, dependendo do objeto acerca do qual pretende tratar.
Até o presente momento, 15 de agosto, têm-se 1.494 votos e o primeiro
colocado é o Flamengo com 287 votos (19%), seguido do Corinthians com 308
votos (18%).
Outra enquete, com 447 votos, até o presente momento, é “Qual o estilo
musical mais escutado entre as pessoas que odeiam acordar cedo?” Com 61
votos (13%) está rock (Heavy Metal e estilos em geral) e em segundo lugar, com
41 votos (9%), aparece o estilo eletrônico.
A enquete “De que parte do Brasil você odeia acordar cedo” quer revelar
qual é o estado brasileiro que mais atua na comunidade. Dos 199 votos, 25% (51
votos) são do estado de São Paulo.
Dentro ainda da enquete, é apresentada a pesquisa criada pelo
moderador ΨMåU_® [E.O.A.C], cuja intenção é procurar saber o que os membros
da E.O.A.C. acham ou esperam da comunidade. Segundo o moderador:
51
Estamos querendo organizar a comunidade e evitar aquele monte de
tópicos repetidos e falidos, deixando a nossa comuna mais bonita para
todos.
A votação, nesta enquete, teve início em agosto e seu término será no dia
15 de outubro (cerca de dois meses). As possibilidades de resposta são: SIM queremos uma comunidade limpa e organizada ou NÃO - gostamos assim
mesmo (explique).
Até a presente data, agosto de 2008, têm-se 670 votos cujos resultados
são: SIM - 531 votos (79%) e Não - 139 votos (20%). É importante ressaltar que
somente os membros da comunidade podem votar nesta enquete. Dentro das
explicações da escolha, os participantes acreditam que se a comunidade ficar
limpa e organizada não será mais interessante, pois perderão a liberdade de
postar ou criar passando a “obedecer a normas” o que de certa forma irá
descaracterizar as comunidades do orkut.
Os participantes podem fazer comentários a respeito da escolha, tanto no
fórum quanto na enquete, porém se observa que a minoria faz algum registro.
Alguns dos comentários geram discussões, como as que se seguem:
É um achincalhe a comunidade “Eu odeio acordar cedo”. Ela incentiva o
atraso, a ignorância, a pobreza e a preguiça. Isto é péssimo para o
Brasil. Não podemos continuar sendo um país de jecas-tatus.
Deveríamos ter sim uma comunidade chamada “Eu adoro acordar cedo”,
adoro ter mais tempo para trabalhar, estudar, ajudar o país a se
desenvolver. O dono desta comunidade de preguiçosos é um tremendo
imbecil que nunca fez nada pelo bem da humanidade. É preguiçoso e
odeia acordar cedo porque deve passar as noites bebendo nas noitadas.
Preguiça não constrói um homem, não constrói um país! Esta
comunidade é um desserviço ao país! É uma vergonha monstruosa! Dr..
Enzo Fragonelli
Médico, agosto 22nd, 2007 at 8:28 pm.
Em contraponto à posição do Dr. Enzo, Dinho se coloca da seguinte
forma:
Bom, só porque a pessoa “odeia acordar cedo”, não quer dizer que ela
seja preguiçosa. Garanto que muito mais da metade do povo dessa
comunidade acorda cedo, às vezes até mais cedo do que alguns que
“adoram acordar cedo”. Eu acordo cedo porque preciso, se eu pudesse
escolher, escolheria dormir até tarde, pra ficar acordado de madrugada,
escolheria trabalhar a noite. Jô Soares só acorda depois do meio-dia,
nem por isso é um fracassado. Aliás, o programa dele é ótimo, e quem
52
acorda cedo, como eu, perde um ótimo programa da madrugada. Bom, é
o que eu acho! abraços a todos”. Dinho, outubro 4th, 2007 at 11:31 am.
Reforçando a posição de Dinho, Iza Mendonça conclui que:
Bem… Apesar de achar toda essa discussão uma bobagem, fiquei
indignada com a opinião de algumas pessoas. Concordo com o Dinho, o
fato de alguém não “gostar” de acordar cedo, não quer dizer que ela é
preguiçosa ou vagabunda. Rotular toda uma comunidade dessa forma só
mostra a falta de cultura de algumas pessoas. Essa foi uma das
primeiras comunidades da qual fiz parte no orkut e eu sempre acordo
cedo… Aliás, bem cedo… Mas porque faço isso não preciso ser hipócrita
e dizer que “adoro” acordar cedo, afinal de contas, poder acordar mais
tarde aos domingos é muito bom!!! E não “sou” ou me “tornei” uma
pessoa preguiçosa por fazer parte dessa comunidade. Eu trabalho, tenho
dois filhos, tomo conta da minha casa, adoro ler… Leio desde bulas de
remédio até a Bíblia e acho que qualquer forma de leitura é valida. Minha
filha só tomou gosto pela leitura depois de receber muitos “gibis” como
presente… Hoje ela lê livros que muitos adultos nem sequer têm
interesse em folhear. Então rotular as pessoas só por causa do que elas
gostam ou não de fazer, por causa das comunidades de que elas fazem
ou não parte só mostra o quanto vocês são preconceituosos. Iza
Mendonça, outubro 24th, 2007 at 9:32 am
Essas discussões, que fazem parte dos fóruns e enquetes, mostram
idéias divergentes e/ou convergentes criando-se formas de mediação alternativas,
libertárias e que fazem os usuários sentirem que pertencem às comunidades nas
quais atuam socialmente.
4.2.2 Eu amo a minha Mãe!
Esta comunidade foi criada em 17 de julho de 2004, apresenta 9.480.777
membros, e pertence à categoria Família e Lar; está no idioma português e tem
como dono Fabiana Bottini e os moderadores são: 【ツ】_ Wal_【ツ】, Valéria,
Mi e
Iรค.
Na descrição da página é apresentado:
Comunidade pra quem é apaixonado pela sua MÃE!
Mãe carinhosa e dengosa
Mãe amiga, mãe irmã
Mãe de todos nós, Mãe das mães
53
Mãe dos filhos
Mãe-pai: duas vezes mãe
Mãe lutadora e companheira
Mãe educadora, mãe mestra
Mãe analfabeta, sábia mãe
Mãe do silêncio, mãe comunicação
Mãe dos doentes e dos sãos
Mãe de quem magoou e de quem perdoou
Mãe rica, mãe pobre
Mãe dos que já foram, mãe dos que ficaram
Mãe dos guerreiros e dos guerreados
Mãe que sorri, mãe que chora
Mãe que abraça e afaga
Mãe presente, mãe ausente
Mãe do sagrado, mãe da luz
Mãe de Jesus e mãe nossa.
MÃE, simplesmente MÃE!
Para servir de ilustração desta comunidade, o criador colocou a imagem
do coração que, além de designar um órgão vital do corpo humano, também
significa,
num
sentido
analógico,
valores
de
ordem
moral.
Assim,
metaforicamente, se diz: fulano tem um “coração de ouro”; sicrano tem um
“coração de pedra”. No primeiro caso, significando que fulano é bondoso,
generoso, etc.; no segundo, que sicrano é insensível, mesquinho, etc. Pode-se
dizer também que sicrano tem o “coração aberto”, e beltrano, “coração fechado”.
E assim por diante, poder-se-iam fazer inúmeras correlações simbólicas a
propósito de coração.
O coração também representa a imagem do
Imaculado Coração de
Maria, que é uma devoção católica, e aparece em alguns quadros. Consiste na
veneração do coração de Maria, mãe de Jesus. Esta relação está reforçada pelos
comentários feitos pelos usuários desta comunidade, que colocam a figura da
mãe com idolatria pois todas as mães são perfeitas e só querem o melhor para
seus filhos.
No fórum, os tópicos que mais se relacionam ao nome da comunidade
são: “A Melhor Mãe é a de quem postar por último!”, com 2.284 postagens, cujo
54
autor é ♣ ßяuиö ♠. Os comentários, na sua grande maioria são de cada um
dizendo que sua mãe é a melhor do mundo, alguns colocando poemas e
dedicatórias às suas mães. Outro fórum bastante interessante, nesta comunidade,
é o “Diz aí Qual o nome da Melhor Mãe do Mundo?, com 610 postagens e tendo
como autora
ޮΧ©Î££Å.... Nos comentários, os participantes falam o nome de
sua mãe acompanhado, na sua maioria, de qualificativos demonstrando o amor
que lhe dedicam.
Na enquete, a maior participação está para “Você acha que uma
madrasta pode ocupar o lugar da Mãe? Criada por Valéria, com 1.626 votos, com
os seguintes resultados: não, acho que mãe só tem uma” com 771 votos (47%);
“sim, acho que tudo se conquista com muito carinho” apresenta 132 votos (8%);
“não aceito ninguém no lugar da minha mãe” com 602 votos (37%) e “acho que
podemos nos dar muito bem” 121 votos (7%).
Outra enquete, criada por Vitalina, pergunta “O que fazemos quando
sentimos que está chegando a hora de nossa mãe partir?” Aparece como um
pedido de ajuda, pois sua mãe está quase morrendo, câncer em fase terminal,
está descontrolada e gostaria que a ajudassem. Em apenas três horas e meia,
após a abertura da enquete, já apresentava 24 votos, em que 50% dizem que
fariam o impossível para fazê-la feliz, 29% entregariam a Deus e o restante, 20%,
choraria.
Acompanhando esta enquete, após dois dias, com 110 votos, o resultado
é o seguinte: 66 votos (60%) dizem que fariam o impossível para fazê-la feliz, 29
votos (26%) entregariam a Deus e o restante, 10%, diz que choraria. Seguem
abaixo, alguns dos comentários, na íntegra e conforme a escrita dos usuários da
rede:
“Olha essa pergunta e muito dificil pra uma filha q ama muito sua maee
faço o possivel pra ve la feliz! mas óoo eu entregaria nas mãos de Deus
se ela estivesse sofrendO e melhor ele mOrre doque fica sofrenduh não
éhh achu q se acontecece uma coisa comu essa comiguh iri a choraa
muitoo pqqq eu amooo muito minha maee e que sempre Deus venha
abençoaer elaa sempre msm......te amO maue demais”. ♥*•lιtα♥*•
“olha só espero não passar por isso mas acho que faria o impossível pra
ve-la feliz e entragaria nas mãos de Deus, porque Ele td pode” Paula.
“Bom se pensarmos bem, todo mundo sabe que sua hora chegará, mas
se falando de uma pessoa tão importante, lógico que vc vai chorar, vai
55
tentar faze-la o mais feliz possível, acho que todo ser humano que ainda
tem uma mão faria isto, mas o impossível só Deus é quem pode.....
melhor fazer o que vc deseja qdo ela está em vida, do que depois vc se
arrepender e ficar se lamentando que poderia fazer isso ou aquilo, viva
cada dia como se fosse o último.....”Clayton
bom entrego nas mao de deus pq sei q com deus ela vai descancar em
paz!!!!!Suzy p!nk
nos falamos que não vivemos sem nossas mães se ela esta quaze na
hora de partir e so agradecer por tudo o que ela fez por nos educou,nos
criou então devemos tambem fazela feliz por que tambem sabemos que
la com DEUS ela estara nos olhando e estara sorrindo quando
nascemos todos riam eso nos choravamos ,quando morremos so nos
♥◘nninh◘♥
estaremos rindo e nossos familiares chorando.
Embora não se tenha a veracidade da pergunta, a interação entre os
membros é muito intensa, inclusive com a participação nos comentários, e de
uma forma envolvente e bastante séria. É importante observar também que o
orkut tem sido o ambiente perfeito para a proliferação de uma nova forma de
linguagem. Essa “nova língua”, denominada por muitos como internetês
miguxês,
[5]
[4]
ou
está sendo muito estudada, seja por teóricos da comunicação ou
lingüística ou discutida por pessoas comuns. Essa nova linguagem se caracteriza
pela alternância de letras maiúsculas e minúsculas, a troca de “R” por “L”, de “S”
por “X”, uso de caracteres gregos, uso de letras repetidas, uso de “H” no final das
palavras. O orkut e o MSN são ambientes perfeitos para o uso e desenvolvimento
dessa nova e própria linguagem.
A tabela 2 mostra que há uma grande quantidade de tópicos criados, com
muitas postagens, porém não apresentam comentários, somente os tópicos mais
polêmicos conseguem criar uma discussão.
Tópico
Autor
postagens
JOGO DO FAROL BEM LEGAL !!!
┌∩┐(Ò.ó)┌∩┐®™
1284
Beija ou Passa??
Iรค
32291
JOGO DO IMPOSSIVEL (CONTE ATÉ 12...SE
CONSEGUIR)
【ツ】_ Wal_【ツ】
95901
1-gostosa(o) 2-linda(o) 3-pegavel 4-sai fora!!!!!
****viver ou
1187
oraçao milagrosa
Mah barbosa!
1
Win Big Money Playing Poker:
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jordan
1
♥ Amodoro demais minha mãe ♥
♥Carla, Coutinho
1
Códigos
Drigao
1
FESTA A FANTASIA
♥ ROBERTHAH ♥
1
56
ADIVINHE algo da pessoa ABAIXO
Samuel♫
2648
BricAdeira: Do SI tI DeSSe?
→Indiia
1824
Tópico
Autor
postagens
QUANTOS ANOS VCS ACHAO QUE TEM A
PESSOA ACIMA??
[[ ingrid
131
Como é o nome da pessoa abaixo???
♥ ¬¬ Ŀįþě ¬¬ ♥
562
huummm ou affffff
~~BrUnO
463
[Que NoTa De 0 a 10!! Vc Dah Pra PessOa De
Cima??
Mi
2153
qual a idade da pessoa acima
adilson
924
Qm eh o mas gato ou gata da pag?
Lipee
1120
Continue a história com apenas 3 palavras...
Leonardo
2177
Jogo : Cara de ANJO ou cara de SAFADO(A) ?
♥•¸ღ♥ Greiciane
2781
PIMENTA OU COLÍRIO????
Rodrigo
862
~~~> *FICO* - *NAMORO* - *NOIVO* - *CASO* *PASSO
ℝαƒαεℓ
1008
Bonito ou Feio ? Vamos J.O.G.A.R !!!
Rafael Biriba
3715
Qual a profisão da pessoa acima. \o/
Enrico Francesco
6105
Beija ou Passa???????????
Edison
58441
VC BEIJA O DE CIMA OU ARRISCA NO DE
BAIXO
****viver ou
529
DIZ AÍ QUAL O NOME DA MELHOR MÃE DO
MUNDO ??
ޮΧ©Î££Å...
634
A melhor mãe é a de quem postar por último!
♣ ßяuиö ♠
2301
( NOVO)MAIS TEMAS PARA ORKUT QUE
LEGAL
BART
247
FRASE QUE SUA MAE SEMPRE FALA?
 'ºPεđяoOº' 
912
Jogo Da Rima...
●•>.ω.เ.ℓ.ℓ.<•●
1496
O Jogo das 4 letra só mudar UMA.
suzana
1612
->qual o(a) mais bonito(a) da pagina?<-
GUGA VIBE -VOTE-
1818
Dê uma nota de 0 a 10 pra pessoa de cima!
Tiago
342
***HOMENS X MULHERES***
【ツ】_ Wal_【ツ】
43474
_______JOGO DAS MELHORES FRASES____
【ツ】_ Wal_【ツ】
629
Vamos tentar contar até o infinito...
Marih te Amo
815
O Jogo Da Velha
♥Gabriele♥
1679
o q vc faria com a pessoa acima??
.gяєgσяу
812
JOGO DO SORVETE
;)karynna;)ღ ღ
654
Jogo do Policial...essa é muito boa!!!
Qual é o nome da sua mãe..
QUAL O NOME DA MÃE DA PESSOA DE CIMA
Iรค
269
- LorãO -
597
Aline
199
SEMPRE UP !!(.....SEMPRE....)☻
αηdяєw
******DIVULGACÃO DE COMUNIDADES
AQUI******
【ツ】_ Wal_【ツ】
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Tabela 2 - Tópicos do Fórum da Comunidade “Eu amo a minha Mãe”
Fonte: http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=176183
Como se pode perceber os tópicos apresentam enfoques variados, com
cerca de 90% das postagens acima de 100.
4.2.3 Só mais 5 minutinhos
Esta comunidade, criada em 28 de maio de 2004, às 20 h 02 min,
apresenta 1.989.202 membros, e tem como dono Fábio Valenti Possamai com os
moderadores Ycaro, - J є s s i c α, ♥ Laurilene, → s.w.a.t. ♂ e pertence à
categoria Atividades.
Na descrição da página apresenta-se a seguinte chamada:
Se você é daqueles que quando ouve o despertador tocar, vai
lá...desliga o treco, depois vira pro lado e diz "Ahhhh, só mais 5
minutinhos..."
Depois descobre que está atrasado de novo, e que os "5 minutinhos" se
transformaram em vários "minutaços"!!!
Abaixo a imagem que representa a comunidade:
A comunidade apresenta cerca de dez enquetes com baixa participação
dos usuários na votação, e a que mais se aproxima da proposta é “Quanto tempo
você gostaria de dormir mais?” Criada pelo Igor, tem 55 votos, sendo que 56% (o
equivalente a 31 votos) dizem que gostariam de “dormir até a hora da escola ou
do trabalho acabar”. Este tópico tem apenas 3 comentários que não respondem à
questão proposta.
Outra enquete com maior votação, 55 votos, foi criada por Luciana que
propõe “Não Leia” e faz a seguinte apresentação:
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Oi meu nome é Samara, tenho 14 anos (Teria se estivesse viva), morri
aos 13 em Cascavel-PR. Eu andava de bicicleta Quando não pude
desviar de um arame farpado. O pior foi que o dono do lote não quis me
ajudar, riu bastante mim após agonizar por 2 horas enroscada no arame
eu faleci, através dessa mensagem eu peço que façam com que eu
possa descançar em paz. Envie isso para 20 comunidades e minha alma
estara sendo salva por você e pelos outros 20 que receberão. Caso não
repasse essa mensagem vou visitar-lhe hoje a noite assim vc poderá
conhecer o tal arame bem de pertinho. Dia 15 de Julho Mariana resolveu
rir dessa mensagem, uma noite depois ela sumiu sem deixar vestigios. O
mesmo aconteceu com Kare dia 18 de Outubro. Não Quebre essa
corrente por favor,a não ser que queira sentir a minha presença.
Como resultado, esta enquete tem: 22 votos,
40%, dizendo que não
leram; 15 votos, 15%, que dizem “o que é isso!” e 18 votos, 32%, que dizem que
leram; sete participantes desta enquete fizeram comentários criticando e xingando
a proposta.
Comparando as comunidades estudadas, percebeu-se que cada uma
apresenta algumas características comuns e outras extremamente próprias,
inclusive associadas com o nome que lhes foi dado.
A comunidade “Eu amo a minha Mãe” apresenta um aspecto de
seriedade, pois existe uma grande demonstração de carinho, respeito e amor dos
participantes em relação à figura da mãe, que está inclusive registrada pela
descrição da página, associada com a apresentação de um poema enfocando a
Mãe de Jesus. As enquetes e fóruns apresentam questões relacionadas à figura
da mãe.
A comunidade “Eu Odeio Acordar Cedo”, embora apresente um nome que
caracteriza preguiça, não significa que seus membros não levantem cedo,
inclusive em seus depoimentos registram que odeiam acordar cedo, mas
continuam fazendo isso para estudar ou trabalhar. O dono e seus moderadores
querem organizá-la e para tal montaram uma enquete junto aos usuários. De
acordo com informações obtidas na comunidade, existe muito material que não
condiz com a proposta do nome. Por outro lado, muitos usuários acreditam que
ao tentarem esta organização irão descaracterizar o real sentido das
comunidades virtuais onde todos têm o direito de postar sua opinião.
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A comunidade “Só mais 5 minutinhos” apresenta um grande número de
participantes, pois muitos usuários do orkut se identificam com seu nome. Ela
difere em relação às outras por estar despojada de organização e seriedade.
Existe um pequeno número de enquetes e poucos participantes, porém em
relação ao fórum não se pode dizer o mesmo, há um grande número de
propostas, diversificadas e que resultam na interação de seus participantes que
na sua maioria são jovens.
Dentre as características comuns destacamos que a grande maioria de
membros é jovem e sua linguagem é uma mistura da língua portuguesa com
internetês.
Percebe-se que as comunidades, constituídas por grupos de pessoas
interessadas no mesmo assunto, apresentam aspectos particulares, dependendo
do tema e da quantidade de pessoas que as formam. A grande maioria das
comunidades dedica-se principalmente a discutir frivolidades, ou o que se poderia
chamar de cultura inútil.
Da mesma forma que os scraps
[6]
, o espaço de troca das comunidades
permite o travamento de uma interação do tipo mútua dentro dos tópicos, nos
quais ocorrem as discussões entre os participantes. A interação é mútua, mas
assim é apenas entre os indivíduos que mantêm uma efetiva participação dentro
da comunidade, ou seja, que mantêm um bom nível de intensidade de trocas.
É comum, no orkut, as pessoas inserirem-se nas comunidades apenas
para fazer parte delas, ou seja, apenas mostrar que mantêm uma afinidade com o
tema e para que assim a comunidade apareça no seu perfil para os outros
usuários, como uma espécie de caracterização do seu eu. Na medida em que a
pessoa insere-se na comunidade e não participa dos debates, a interação que ela
trava ali dentro é parcial.
No momento em que a pessoa cria um tópico, mas não segue na
discussão, a interação é meramente interrompida ou deixada para aqueles que
seguem o debate, não chega ao menos a se caracterizar como reativa, pois a
pessoa sequer participa das discussões.
60
Existem várias dessas comunidades dentro do orkut. Ao observar suas
movimentações diárias, percebe-se claramente que a maior parte das
comunidades que possui um grande número de participantes, quando não tem um
baixo nível de atividade, de criação de tópicos, tem sempre os mesmos membros
como participantes efetivamente ativos.
4.2.4 Sociabilidade no orkut
Durante o processo de evolução humana, diversas ferramentas
“tecnológicas” foram criadas para facilitar a comunicação e a interação social
entre os povos. Desde a criação da escrita, há milhares de anos, até o advento da
internet no fim do século XX, o homem sempre teve fascínio pelo desconhecido e
busca cotidianamente alternativas que ampliem a troca de informação, a difusão
de conhecimento e o estabelecimento de novas relações sociais.
Atualmente, o planeta se encontra interligado por uma teia virtual que
cresce velozmente, o ciberespaço, potencializado por ferramentas de informação
e comunicação antes inimagináveis. A internet revolucionou a comunicação entre
as pessoas, derrubando barreiras geográficas, abrindo novas oportunidades de
relacionamento. O maior fenômeno de popularidade entre os jovens internautas é
o site de relacionamentos orkut. Os brasileiros estão entre os maiores usuários
deste site, tanto que a língua predominante no site deixou de ser o inglês para ser
o português recentemente e o verbo “orkutar” passou a fazer parte do cotidiano
juvenil. Hoje, milhares de pessoas distantes fisicamente, sem nenhum contato
presencial, podem se comunicar e interagir socialmente utilizando o espaço
virtual. Essa forma de sociabilidade, apesar de recente, cresce vertiginosamente,
fascinando principalmente crianças e adolescentes.
O que se pode perceber ao observar o funcionamento das comunidades
do orkut é que as pessoas que participam dessa rede de relacionamento
dedicam-se a uma grande celebração do “estar-junto”, termo presente na análise
de Michel Maffesoli. Segundo o autor, na modernidade, estamos numa outra
61
lógica de sociabilidade, centrada no cotidiano e na atração de sensibilidade
(1996:52).
O orkut é fruto da pós-modernidade que estamos vivenciando. No
entanto, segundo Maffesoli (1997), é possível identificar tendências claras de
valores aceitos culturalmente: o popular, o passageiro, o banal, o emocional, o
subjetivo, a identificação, o hibridismo, o presenteísmo. O importante, ainda
segundo o autor, não é mais negar padrões anteriores, como fazia o homem
moderno. O homem pós-moderno é um ser mimético, transformando-se segundo
as situações e as relações com os seus grupos. Os valores mudam rápido. A
moda muda rápido. Amparadas por inúmeros aparatos tecnológicos, as pessoas
se conhecem mais facilmente e em maior número. As amizades trocam de acordo
com cada etapa da vida, pois não se vive mais em um lugar só. Crenças e
opiniões também mudam, segundo a idade, o endereço, o acesso tecnológico e o
site na internet.
A questão pós-moderna tem como resultado um emaranhado de idéias
que
envolvem:
tecnologia,
tribalismo,
hibridismo,
estética,
fragmentação,
efemeridade, descoberta do outro, desconstrução, jogos de linguagem, entre
outros.
O orkut aponta para algumas das características da sociedade
contemporânea tais como o simulacro, o tribalismo e a busca do prazer imediato e
individual (mesmo que através do outro). Além disso, o site, como boa parte da
tecnologia na pós-modernidade, segundo Maffesoli (2000), favoreceu um
reencantamento do mundo, um (re)nascimento de um “mundo imaginal” e de um
modo de ser e de pensar perpassado pela imagem, pelo imaginário, pelo
simbólico e pelo imaterial. A imagem como meio, vetor, elemento primordial do
vínculo social.
O tribalismo é entendido como a característica cultural que reúne os
indivíduos de grupos de identificação (MAFFESOLI, 1995, 1997, 2001), em torno
de totens [7] contemporâneos, como, por exemplo, o futebol, a religião, as festas e,
nesse caso, as comunidades do orkut. As escolhas, a subjetividade e os
sentimentos entram em cena para disparar esses momentos de vibração em
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comum, de sensação compartilhada. Essas relações ou interações sociais
acontecem dentro de um substrato cultural que vem sendo modificado pela
produção imaginária individual e coletiva (onde ganham força as tecnologias de
produção cultural). Essas relações modificadas abrem novas possibilidades de
interações. Muitas adesões, crenças, movimentos sociais, entre outros, não
podem mais ser explicados apenas pela razão, pela ideologia ou pelo conteúdo.
O imaginário é a dimensão que esclarece alguns desses pontos.
De acordo com Maffesoli (2004), esse homem moldado pelo imaginário
pós-moderno não quer apenas informação na mídia, mas também, e
fundamentalmente, ver-se, ouvir-se, participar, contar o próprio cotidiano para si
mesmo e para aqueles com quem convive. Na sociedade, busca-se existir diante
do outro através dessas interações sociais. Isso explica algumas situações que
geram os conglomerados de emoções e sentimentos partilhados. O estar-junto
busca,
[...] no quadro reduzido das tribos, encontrar o outro e partilhar com ele
algumas emoções e sentimentos comuns. No balanço cíclico dos valores
sociais, assiste-se ao retorno do ideal comunitário, em detrimento do
ideal societário (MAFFESOLI, 1995, p. 54).
O tribalismo é evidente no orkut, explicitado nas comunidades ou nos
grupos de amigos que têm nas imagens exibidas, uma forma de identificação e
classificação.
Dentro das comunidades, percebem-se certos padrões de textos, formas
de escrever, maneiras diferentes de grafar as palavras, de acordo com a
identidade e o perfil de cada grupo. Comunidades informais escrevem de forma
mais informal, comunidades acadêmicas ou profissionais escrevem de forma mais
formal.
Na comunidade virtual, o individuo escolhe a comunidade de que quer
fazer parte, por identificação e sabendo que vai encontrar pessoas que irão
compartilhar idéias e promover discussões. Nesse aspecto, torna-se importante
esclarecer que é o interesse em comum partilhado que transmite o sentimento de
pertencimento.
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Maffesoli (1997) expõe que, muitas vezes, como uma espécie de autoproteção – “favorecer a conservação de si” – o indivíduo acaba vestindo
máscaras, escondendo um pouco do verdadeiro eu, para que consiga o aceite ou
a inserção em determinadas tribos. As máscaras são trocadas conforme as
situações que são vividas. Às vezes, acabam escondendo ou omitindo alguma
convicção ou crença, pois o que se quer é compartilhar, evitando conflitos e talvez
a exclusão de determinados grupos dos quais participa. “[...] vê-se que a
conservação de si permite difundir suas idéias e assim reforçar, na longa duração,
a integridade do grupo em questão” (p. 106). Dessa forma, as máscaras ajudam a
restaurar o equilíbrio do grupo.
Algumas comunidades virtuais costumam promover encontros e eventos
fora do ambiente virtual como uma maneira de reforçar o contato face a face, uma
forma de as pessoas se conhecerem pessoalmente, excluir possibilidades do uso
de máscaras, e, em última instância, complementar a relação social mantida na
comunidade.
64
5. CONCLUSÃO
A mídia digital, através do espaço virtual, então, propõe uma nova
maneira de as pessoas se reunirem em comunidades. É o que se pode verificar
nas comunidades virtuais em que as pessoas têm a opção de criar vínculos ou
não. Elas podem querer aprofundar algum tipo de relacionamento, amigável,
amoroso, social, ou não. A partir deste encontro virtual, elas vão decidir encontrarse no mundo real, ou não.
Conforme Pierre Lévy, a mídia digital traz à tona uma nova maneira de as
pessoas conviverem, mas alerta:
compreender o lugar fundamental das tecnologias da comunicação e da
inteligência na história cultural nos leva a olhar de uma nova maneira a
razão, a verdade, e a história, ameaçadas de perder sua preeminência
na civilização da televisão e do computador (LÉVY, 1995:87).
As novas formas de sociabilidade, influenciada pelas novas tecnologias e
gerada no ciberespaço, são pautadas na superexposição das informações
pessoais. Na construção de um “eu virtual”, o internauta constrói seu perfil
baseado no outro, no olhar do próximo e no sentir-se igual a ele.
A interação no novo espaço, o virtual, é estabelecida de acordo com os
interesses e as qualidades comuns expressas em comunidades, que garantem a
publicação dessas informações. Na construção de uma identidade para o meio
cibernético, a personalidade torna-se solúvel, sujeita à desconstituição de forma
efêmera, tal como seu surgimento, baseado numa farsa pelo simples adicional em
determinado grupo.
A excessiva exposição da intimidade satisfaz não apenas o internauta,
que busca o reconhecimento nos demais, mas também o outro que contenta sua
curiosidade ao saber, bisbilhotar a vida alheia.
Na interface do orkut ainda é possível notar que a representação social
dos usuários encontra-se condensada em forma de símbolos. Algumas
ferramentas, por exemplo, são dispostas na página de apresentação do usuário
por meio de números – número de amigos, número de membros, porcentagem de
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beleza, etc. Estes números não simbolizam somente a quantidade. Eles resumem
elementos importantes da representação social do usuário. O número de
membros, por exemplo, não simboliza somente esse aspecto quantitativo, mas
representa a aceitação do usuário pelos integrantes da comunidade virtual. Notase, assim, que no orkut a quantidade, muitas vezes, é vista como qualidade. Ou
seja, os usuários vêem os ícones como termômetros de suas características, que
passam a serem elementos de sua representação social. A representação social
também ocorre por meio de ações e comportamentos do indivíduo, ou seja, ela
não é moldada apenas pelo perfil do usuário e os símbolos e imagens que ele
contém. A sua participação em subcomunidades e seu relacionamento com
outros membros também contribuem para que o usuário se represente
socialmente e crie uma identidade na rede, pois essa construção só se efetiva
frente a outros. Assim, por ser um site que funciona por meio da criação de perfis
e, ainda, que privilegia os relacionamentos sociais e a comunicação em rede, o
orkut é um ambiente propício para que ocorra a representação social.
O orkut é mais uma maneira de entendermos como as novas tecnologias
estão fazendo parte da vida social dos internautas. Através dos meios de
comunicação surgem espaços de sociabilidade que disponibilizam o acesso a
dados e a informações de domínio particular. A exposição pessoal é imanente.
Percebemos, portanto, uma inter-relação entre as mídias, as novas
tecnologias e a sociedade através de uma interação entre as novas relações de
comunicação e novas vias de informação, e como a sociedade faz uso desses
meios.
Espera-se que a presente pesquisa tenha contribuído para o debate em
torno das novas tecnologias e suas implicações para a sociedade, através dos
meios de comunicação que trazem consigo a possibilidade de refletirmos sobre a
nossa realidade no ciberespaço e de como agimos diante dele, pois cada vez
mais esse espaço virtual vai fazer parte do meu e do seu cotidiano.
66
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Orkut. Revista Consultor Jurídico, 19 de novembro de 2004. Disponível em:
<http://conjur.estadao.com.br/static/text/31280,1>. (acesso em 7 nov. 2007)
_________.
O
que
é
spam?
http://informatica.terra.com.br/virusecia/spam/interna/0,,
Disponível
em:
OI195623-EI2403,
00.html. (acesso em 18 nov. 2007)
71
_________. Ofensa virtual: Juiz de MG manda internauta tirar página do Orkut.
Revista
Consultor
1º
Jurídico,
de
outubro
de
2004.
Disponível
em:
<http://conjur.estadao.com.br/static/text/30355,1>. (acesso em 7 nov. 2007)
_________. Poderes do MP: Juíza rejeita denúncia de racismo no Orkut. Revista
Consultor
Jurídico,
6
de
julho
de
2005.
Disponível
em:
<http://conjur.estadao.com.br/static/text/36075,1>. (acesso em 7 nov. 2007)
_________. Serviço do Orkut forma "banco de dados mundial". Folha de São
Paulo.
25
de
maio
de
2004.
Disponível
em:
<http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u16039.shtml>. (acesso em
7 nov. 2007)
________.
Comunidade
Eu
Odeio
Acordar
Cedo.
Disponível
em:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=68685.
________.
Eu
Amo
a
minha
Mãe.
Disponível
em:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=176183.
________.
Só
mais
5
minutinhos.
Disponível
em:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=74785.
72
NOTAS
[1] Na definição de Lemos (1998, on-line), o ciberespaço pode ser entendido sob duas
perspectivas: "como o lugar onde estamos quando entramos em um ambiente virtual", ou seja,
num ambiente como as salas de chat, por exemplo, ou ainda, como o "conjunto de redes de
computadores, interligadas ou não, em todo o planeta". Ele seria caracterizado como um espaço
virtual, não oposto ao real, mas que o complexificaria, público, imaterial, constituído através da
circulação de informações. (Lévy, 1999:94, Manta e Sena, 1998 on-line).
2] eCMetrics é uma empresa de pesquisa e inteligência de mercado da América Latina, com sede
nos Estados Unidos. A pesquisa eCMasterProfile-SL, encomendada pela Vázquez & Junqueira
Arquitetos, foi realizada entre agosto e setembro de 2007, com 1.267 internautas, por meio de
entrevistas on-line.
[3] WWW significa World Wide Web e é o ambiente multimídia da internet, a reunião de texto,
imagem, som, vídeo e movimento na internet.
[4] "internetês" é a polêmica linguagem utilizada para "simplificar" o português – ou "comer” as
letras.
[5] Miguxês é o nome popular de um socioleto do idioma português, utilizado comumente por
adolescentes lusófonos na internet e outros meios eletrônicos, como mensagens escritas de
telefone celular. Seu nome deriva de miguxo, termo utilizado para "amiguinho".
O miguxês conta com ortografia, vocabulário e estrutura próprios, não devendo ser confundido
com o internetês – embora ambos os socioletos tenham origem comum, há diferenças entre eles,
como:
•
Objetivo. O internetês enfoca a agilidade na escrita, reduzindo o número de teclas a
se digitar por palavra. O miguxês enfoca numa aproximação escrita da fala infantil,
considerada atraente e/ou engraçada.
•
Grupo. O miguxês é utilizado principalmente por adolescentes do sexo feminino,
sendo muito menor a porcentagem de adolescentes do sexo masculino que o usam. O
internetês, entretanto, é usado por ambos os sexos na mesma proporção, e inclusive
por não-adolescentes.
•
Local. Embora ambos os socioletos coexistam em mensagens instantâneas de celular
e internet, o internetês encontra maior uso em jogos on-line e canais de bate-papo que
o miguxês.
73
[6] O termo scrap (recado) tornou-se tão popular que é comum ouvir um ou outro dizer, por
exemplo: "você recebeu o scrap que mandei ontem?" ou "ainda não respondi ao seu scrap". Cabe
aos usuários, destinatários ou autores dos scraps, a sua eliminação ou manutenção. Muitos os
eliminam para manter a privacidade. Outros os mantêm como "índice de popularidade". Existem
várias formas de se "manter popular", e cabe a cada um como fazer isto.
[7] Totem é qualquer objeto, animal ou planta que seja cultuado como deus ou equivalente por
uma sociedade organizada em torno de um símbolo ou por uma religião, a qual é denominada
totemismo. Por definição religiosa podemos afirmar que é uma etiqueta coletiva tribal, que tem um
caráter religioso. É em relação a ele que as coisas são classificadas em sagradas ou profanas.
Segundo Schoolcraft, analisando os termos dos totens tribais da América do Norte, diz que o
totem:
é na verdade um desenho que corresponde aos emblemas heráldicos
das nações civilizadas e que cada pessoa é autorizada a portar como
prova da identidade da família à qual pertence. É o que demonstra a
etimologia verdadeira da palavra, derivada de 'dodaim', que significa
aldeia ou residência de um grupo familiar.
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