visualizar arquivo

Сomentários

Transcrição

visualizar arquivo
ASPECTOS FAMILIARES
A ADOLESCÊNCIA NORMAL COMO
FATOR DE RISCO
MOTIVOS E CONSEQUÊNCIAS DO PORQUÊ ULTIMAMENTE A
INTERNET TEM SE TORNADO UM ENORME PROBLEMA SOCIAL
POR DANIELA OSTERMAYER E RAQUEL MOURÃO—MARÇO/2015
podem ocorrer desde a
gestação até a idade
adulta, podem ser de
origem psicológica (ex:
perdas significativas,
traumas, dificuldades
importantes
de
relacionamento,
bullying, etc.) ou nãopsicológica
(ex:
doenças físicas).
Encontros entre amigos têm
cada vez mais a presença da
tecnologia e a diminuição
da interação pessoal
Para
que
um
determinado transtorno
mental se desenvolva, é
necessária
a
combinação de uma
tendência genética com
determinados eventos
do meio ambiente.
Esses eventos, que
Também no caso dos
problemas com o uso
das tecnologias, um
número muito grande
de fatores (genéticos e
ambientais)
pode
influenciar
esse
comportamento. Por se
tratar de um fenômeno
relativamente recente e
pelo
fato
de
as
tecnologias evoluírem
de
maneira
muito
rápida e fazerem cada
vez mais parte das
nossas
vidas,
é
fundamental
que
sejamos
bastante
sensatos
para
não
Aspectos genéticos
As raras pesquisas genéticas até o presente
momento demonstram
que alguns genes que
estão relacionados a
dependências químicas
e comportamentais podem também estar presentes em indivíduos
com dependência de
tecnologia, talvez aumentando a capacidade
das pessoas a desenvolver esse transtorno.
Esses estudos falam a
favor de que estes
transtornos podem ter
uma base genética comum, mas ainda são
iniciais.
considerar
como
problema algo que
pode ser, cada vez
mais, um estilo de vida.
Ainda se ressalta que os
estudos existentes não
permitem que se afirme
que todas as pessoas
que têm algum tipo de
problema com o uso
das
tecnologias
apresentam
esse
quadro
devido
às
mesmas causas. Os
motivos para o uso
intenso e problemático
diferem muito em cada
indivíduo e devem ser
sempre investigadas na
história pessoal de cada
sujeito.
Cartum representando o
que a Internet pode causar
com o ser humano
Abaixo, há algumas
características
já
estudadas do ponto de
vista científico e que
mostraram
alguma
relação
com
o
desenvolvimento
de
dependência
de
internet/tecnologias:
“Eu temo o dia
em que a tecnologia ultrapasse
nossa interação
humana e o
mundo terá
uma geração de
idiotas”
-Albert Einstein
A ADOLESCÊNCIA NORMAL COMO FATOR DE RISCO
Os jovens de hoje já nasceram num mundo inundado pelas novas tecnologias e têm
nelas um importante instrumento de socialização. A Internet proporciona ao adolescente um espaço de experimentação onde ele se sente mais à vontade para pôr em
prática as principais tarefas dessa fase da sua vida. A sociabilidade (relacionada ao
menor contato cara a cara) e o maior controle do que se mostra aos outros propiciam um ambiente muito menos angustiante ao jovem que se debate com a construção da própria identidade.
Quando estas (e outras) dificuldades normais da adolescência se encontram intensificadas por qualquer motivo, alguns jovens podem acabar utilizando a Internet não
mais como um facilitador, por exemplo, do contato íntimo com outras pessoas, mas
sim como a principal (e às vezes única) maneira de fazer isso.
Ilustração representando a Internet do ponto de
vista de um ciberviciado.
Fuga dos problemas / escapismo
“Tratamento
terapêutico
pode ajudar
os viciados a
ter uma vida
mais
saudável “
Independente do momento de vida em que a pessoa se encontra, todos temos sempre inúmeros problemas e desafios a resolver. Naturalmente o ser
humano não é muito acostumado ao sofrimento e
tende a buscar uma maneira menos dolorosa de enfrentar suas dificuldades
(isso não significa que
existam saídas simples e
indolores para essas situa-
ções, e de um modo ou de
outro nos deparamos com
a necessidade de encarar
esses conflitos). Entretanto, quando esses conflitos
geram intensa angústia e a
pessoa não se sente capaz
de lidar com isso, podem
ocorrer estratégias de
evitação, isto é, tentar se
desviar ou “escapar” do
problema. Nessas horas,
os inúmeros e incríveis
serviços disponíveis na
Internet (jogos de intensa
imersão, infinitos vídeos e
as redes sociais) podem
acabar servindo como um
ambiente em que o jovem
consegue ocupar sua mente de modo a afastar do
seu pensamento as coisas
que estavam gerando
grande ansiedade.
Na grande maioria dos
estudos, o escapismo é
apontado como uma das
Timidez excessiva, depressão e outros
Na maioria dos casos em
que uma pessoa apresenta
dependência de tecnologia, é possível identificar a
presença secundária de
outro transtorno mental.
Tecnicamente chama-se
isso de comorbidade, e as
situações mais comumente
associadas são ansiedade
Social (também conhecida
como fobia social ou timidez excessiva), depressão
e o transtorno de déficit de
atenção/hiperatividade.
Inicialmente se pensava no
uso intenso da Internet
como uma maneira de aliviar os sintomas desagradáveis desses transtornos,
o que de fato acontece e
está bem comprovado
cientificamente. Além dessa
hipótese, estudos mais recentes
têm apontado também para a
possibilidade de que seu uso
intenso pode acabar levando o
indivíduo a uma série de prejuízos (fracasso escolar, dificuldades de relacionamento, isolamento social, aumento de peso e
sedentarismo) facilitando a depressão, ansiedade e agressividade.
ASPECTOS FAMILIARES
Alguns estudos apontam que quanto
maior o envolvimento dos pais na
relação dos filhos com as tecnologias, menores as chances de eles terem problemas em decorrência desse uso.
Isso não significa que os pais devem
proibir ou mesmo colocar filtros no
computador dos filhos para saber o
que eles estão fazendo na Internet.
Quanto mais os pais conversarem de
modo verdadeiro e interessado com
os filhos sobre essas questões, mais
confiável será essa relação, e
maior será a segurança no uso
das tecnologias.
O que dizem os especialistas?
Muitos especialistas declaram que o cibervício deveria estar listado juntamente
com a cocaína, a heroína,
entre outras drogas que
geram vício. Alguns especialistas consideram o vício pela Internet um
“problema
psíquico”.
“Enquanto o álcool, a maconha e a cocaína podem
ser consideradas drogas
que facilitam o contacto
social, a adicção à Internet
seria um sintoma que se
desenvolve em pessoas de
vocação solitária.” diz o
psiquiatra José Luis Muñoz
Mora. Reforça que seriam,
além de pessoas solitárias,
também não desejosas do
convívio interpessoal e
entusiasmado. “Trata-se
de uma opção de postura
social, compensada e gratificada pela Internet, pois
são comuns os traços de
introversão na personali-
dade de informáticos compulsivos.” afirma. "Quando
essas pessoas se veem offline, elas passam a apresentar um humor muito
mais negativo, assim como
indivíduos que deixam de
usar drogas ilegais, como
o ecstasy", disse Phil Reed,
professor da Universidade
de Swansea, na GrãBretanha, e coordenador
do estudo.
“6% a 10%
dos
aproximadamente 189
milhões de
internautas
americanos
sofrem de
vício pela
internet.”