ORAÇAO CENTRANTE - por Thomas Keating Origem

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ORAÇAO CENTRANTE - por Thomas Keating Origem
ORAÇAO CENTRANTE - por Thomas Keating
Origem, Desenvolvimento e Orientação.
A Oração Centrante é um nome contemporâneo para a prática daquilo que
Jesus, no Sermão da Montanha, descreve como "rezar em segredo". Quando
fores orar, ensina Ele, "entra no teu quarto (interior), fecha a porta e ora ao teu
Pai em segredo; e teu Pai que vê em segredo, te recompensará." (Mt 6,6). No
decorrer do tempo, essa oração ganhou outros nomes como "oração pura",
"oração da fé", "oração da simplicidade", "oração do coração", etc.
O ensinamento de Jesus tem suas raízes no Antigo Testamento. Por exemplo,
a experiência de Deus no Monte Horeb, como "pura experiência"; a coluna de
nuvem pela qual Javé conduziu seu povo por quarenta anos através do deserto;
a nuvem no templo construído por Salomão no tempo de sua consagração; e a
exortação do Salmo 46:10, que diz, "Aquietai-vos e conhecei que eu sou Deus".
No Novo Testamento ouvimos que Maria foi coberta por uma sombra, no
momento da Encarnação; a nuvem que cobriu os discípulos no Monte da
Transfiguração; o silêncio atento de Maria de Betânia aos pés de Jesus na casa
de Maria, Marta e Lázaro; e a escuridão que cobriu a terra no momento da
Crucificação de Jesus.
A Tradição Cristã, especialmente dos Padres e Madres do Deserto no quarto
século, interpretou este conselho sábio de Jesus como referindo-se ao
movimento para além da consciência psicológica ordinária, ao silêncio interior
no nível espiritual de nosso ser e para além dele, ao mistério da união que
acontece na Habitação Divina, dentro de nós.
Esta tradição continuou com os hesicastas da tradição ortodoxa oriental, em
particular pelo monge sírio do século sexto, conhecido como Pseudo-Dionísio;
Mestre Eckhart, Ruuysbroek e os místicos da região do Reno (Alemanha); o
autor anonimo de "A Nuvem do Não-Saber", do quarto século; a tradição
Carmelita com Teresa de Ávila, João da Cruz, Teresa de Lisieux e mais
recentemente, o monge trapista Thomas Merton.
Esta tradição se tornou conhecida como contemplação Apofática. Esta não é
uma oposição à chamada contemplação Catafática, que recorre ao exercício de
nossas faculdades racionais para atingir a união divina. De fato, a contemplação
catafática é normalmente necessária como preparação para a experiência
Apofática que passa além do exercício das faculdades humanas para descansar
em Deus. O Sabático do Antigo Testamento é uma figura desse descanso. Jesus
convidou seus discípulos ao mesmo descanso quando disse: "Aprendei de mim
pois sou manso e humilde de coração e vocês encontrarão descanso para suas
almas." Descansar em Deus é o termo usado por Gregório o Grande, no século
sexto, para descrever a oração contemplativa como compreendida no seu
tempo.
A tradição cristã tem excelentes orientações e guias para os iniciantes na jornada
espiritual, preservadas especialmente na prática antiga da Lectio Divina, que se
tornou a prática central dos monges e monjas Beneditinos através dos tempos.
A leitura orante dos textos do Antigo e Novo Testamentos levam à reflexão
sobre os mistérios de Cristo; respondendo com atos de fé, esperança e amor; e
finalmente, ao descanso em Deus, como fruto da meditação discursiva e sua
simplificação gradual. As três Virtudes Teologais acima mencionadas tornaramse as principais inspirações transformadoras do Espírito Santo, conduzindo à
união divina.
A Oração Centrante coloca em prática as duas primeiras recomendações da
fórmula de Jesus em Mateus 6,6, deixando para trás todas as preocupações
externas e por descontinuar, pelo menos na intenção, o diálogo interior que
usualmente acompanha a consciência psicológica. A última consiste de
comentários e emoções racionais a eventos, pessoas e perceções sensoriais
entrando ou deixando nossa vida cotidiana.
A Terceira recomendação de Jesus - orar em segredo - parece ser a prática que
mais tarde se tornou conhecida na tradição cristã como oração contemplativa.
Embora ainda haja muitas interpretações legítimas da palavra "contemplação",
o estágio da oração que S. João da Cruz descreve como "contemplação infusa",
tornou-se geralmente aceite na teologia espiritual subsequente, como o sentido
definitivo.
Há na verdade, nos escritos dos místicos cristãos, excelentes descrições do
pleno desenvolvimento da jornada espiritual. Porém esse processo, desde o seu
início até o final, quando em geral desemboca na união transformativa, não é
tão claro assim. Há muitas formas de espiritualidade cristã, algumas das quais
organizadas em estágios. Mas até essa abundância de variedades e
recomendações torna difícil para o 'buscador' comum, encontrar um mapa ou
guia com que possa se orientar e 'negociar'. Esses estágios vieram a ser
chamados respetivamente, o caminho purgativo, iluminativo e unitivo. O
purgativo e o unitivo são bem diferenciados, mas a abordagem de um e de outro
não parece considerar adequadamente os obstáculos físicos, psicológicos e
espirituais que dificultam o processo, especialmente as motivações
inconscientes e os hábitos do comportamento negativo.
A Oração Centrante foi concebida como um caminho para se mover do início
até o final da união transformadora. Sugere um método prático de entrar
naquilo que Jesus designou de "aposento interior" e por deliberadamente
desapegar-se de preocupações externas, simbolizadas pelo sentar
confortavelmente, fechar os olhos e consentir na presença e ação de Deus
dentro de nós. À medida que essa disposição de recetividade consciente se
estabiliza através da prática por duas vezes, diariamente, somos gradualmente
preparados para a graça do Espírito Santo, de orarmos, ou mais exatamente, de
nos relacionarmos com o Pai em segredo. Isto foi interpretado pelos Padres e
Madres do deserto, (também a tradição Apofática), como significando o
desapego de nossos projetos pessoais, expectativas por consolações divinas,
nossas descobertas psicológicas e autorreflexões de qualquer tipo. Na Oração
Centrante, o símbolo sagrado, tal como a palavra de oração, ou 'palavra sagrada',
ou apenas um 'olhar' interior dirigido a Deus, ou notar a própria respiração,
ajuda a manter a intenção e o consentimento de nossa vontade direcionados à
presença de Deus e sua ação dentro de nós.
A Oração Centrante é o primeiro de dois estágios que levam a orar em segredo".
O último pressupõe o relacionamento com Deus além de pensamentos,
sentimentos e atos particulares. A única iniciativa que nos cabe durante o
período de Oração Centrante é manter nossa intenção original de consentir na
presença e ação de Deus em nós. A Oração Centrante conduz diretamente à
experiência "apofática" ou "contemplação infusa", que é puro dom de Deus.
Há outras maneiras de nos encaminharmos ou nos dispormos para a oração
apofática ou oração em segredo. A Oração Centrante atende a uma necessidade
crescente por tempo e espaços de silêncio em nossas vidas, devido ao barulho
incessante, à invasão da media por todo lado, e o passo acelerado com que
caminhamos hoje.
A base teológica da Oração Centrante é abordada no capítulo três do livro
"Invitation do Love", ('Convite a Amar', ainda sem tradução em Português). O
processo da Lectio Divina é descrito no capítulo cinco e a base teológica da
Oração Centrante é melhor discutida no capítulo final do capítulo intitulado:
"Toward Intimacy with God" (Em direção à Intimidade com Deus")

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