Que atire a primeira bomba - Revista Cristã de Espiritismo

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Que atire a primeira bomba - Revista Cristã de Espiritismo
ACONTECE
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QUE ATIRE A
todas as fotos foram tiradas da internet
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J
Nós, espíritas,
cientes dos fatos,
apenas lamentamos.
Mas quando
sairemos da
lamentação para
começarmos agir?
Waldir Fragatte
Revista Cristã de Espiritismo
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á percorri pelas páginas da
bíblia inúmeras vezes.Uma
das passagens que mais tocou
meu coração, foi a de uma mulher adúltera que estava prestes
a ser apedrejada, quando Nosso
Mestre interveio: “Aquele que
não tiver pecado que atire a primeira pedra.”
Vão-se anos, em que, pela
primeira vez, tive o prazer da
leitura bíblica e, graças a esse
episódio que me tocou profundamente, busquei cada vez mais
os ensinamentos de Jesus. Mas
o ser humano, além da busca
dos conhecimentos espirituais,
ainda necessita de regras duras
para coibir abusos, selvageria e
violência de um ser humano
contra outro.
Hoje, a frase se modificaria de
forma contundente:
“Aquele que não tiver pecado,
que atire a primeira bomba.”
Ontem à noite, resolvi folhear
os jornais, o que já havia feito
pela manhã como de costume.
Lá estava uma notícia que
passou despercebida:
“OTAN intensifica os ataques
em território Sérvio.”
Penso que, de tantas notícias
sobre os ataques que vêm acontecendo há quase dois meses,
involuntariamente virei a página
por já ter me informado o suficiente sobre esse embate entre
Davi e Golias. Culpei-me.
O massacre dos Kosovares de
origem Albaneza, mortos por
Sérvios, estão em todos os noticiários diariamente, avançando
até pela madrugada.
Ninguém pode alegar ignorância sobre esses fatos. Eles estão em nosso cotidiano. Corpos
mutilados, queimados, estão estampados na fotografia do jornal
bem a minha frente e eu, inconscientemente viro a página para as
notícias do esporte.
Será que endureci meu coração? Bem... talvez me reconforte o princípio de que eles passem por um resgate espiritual,
uma mácula deixada no passado, que os levem a esse sofrimento coletivo.
Guerras sempre se fizeram
presentes na história da humanidade. Com o tempo, tudo se esquece. E nós, aceitamos passivos.
Boris Yeltsin, presidente da
Rússia, já se preocupa com o
rearmamento nuclear pelo temor
de uma “guerra mundial”, enquanto estamos estáticos ou fingindo não perceber o que está
acontecendo.
Nós aqui, quando cientes de
todos os fatos, apenas lamentamos. Mas até quando ficaremos a
lamentar que seres humanos,
nossos irmãos, sejam dizimados
apenas por opção étnica?
Quando alguns de nós buscamos na Doutrina Espírita o
ápice das revelações de espíritos por Deus designados, para
que os ensinamentos nos cheguem ao seu devido tempo, fal-
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PRIMEIRA BOMBA...
ta-nos a compreensão de fatos
que nos margeiam, pois ainda o
tempo de novas revelações não
nos é permitido.
Guerra, não se explica. Menos
ainda, se justifica.
Por mais que busco nas escritas e nos meus ensinamentos,
não consigo aceitar o fato de seres humanos que incorporam o
espírito da matança no mesmo
instante em que vestem uma farda militar, fuzilam sem piedade
seus semelhantes a mando de
outro semelhante que toma de
poderes para ditar regras e atos
que ele mesmo não vai cumprir.
Apenas observa à distância. Um
instrumento usado para que
acontecimentos que farão parte
da história da humanidade cumpra rigorosamente seu papel.
Considerando esse raciocínio,
nós espíritas, insistiríamos na tertúlia até a exaustão. Quando
essa prostração se desse, ainda
em diálogos, cederíamos para
que não houvesse perdas humanas, por amar nossos irmãos
como amamos a nós mesmos.
Esse seria o verdadeiro início
e o exercício da mediunidade
que todos temos.
Em I Corintios cap. 12, vemos:
“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que
sejais ignorantes.
Vós bem sabeis que éreis
gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.
Portanto vos quero fazer com-
preender que ninguém que fala
pelo Espírito de Deus diz: Jesus
é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão
pelo Espírito Santo.
Ora há diversidade de dons,
mas o Espírito é o mesmo.
E há diversidade de mistérios,
mas o Senhor é o mesmo.
E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que
opera tudo em todos.
Porém, a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o
que for útil.
Porque a um pelo Espírito é
dada a palavra da sabedoria; e a
outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência.
E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro pelo mesmo Espírito, os dons de curar.
E a outro a operação de maravilhas: e a outro a profecia; e a
outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a interpretação
das línguas.
Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um
como quer.”
Como vemos, todos temos
nossa parte para desenvolver ao
máximo de nossas forças. Uma
dádiva que nos foi deixada para
que, com perseverança, enveredemos pelos caminhos da retidão e conseqüente perfeição.
Fatos como a guerra, mesmo
que civil, não podem passar
despercebidos por qualquer de
nossos irmãos. Ao atentar para
aqueles que iniciam à mediunidade devem ser destacados esses acontecimentos para que
não se atenham apenas às suas
reformas, evitando assim, complexo narcisista.
Um médium, pára-raio dos
acontecimentos, deve estar sempre vigilante.
Nossos irmãos que buscam
conhecimentos de seus dons espirituais, os ensinamentos sobre
a mediunidade, vigilância sobre
seus atos, podem, assim como
eu, estarem alheios ou ainda
sentirem-se impotentes para
acreditar que possam fazer algo
em benefício da humanidade.
Partindo do preceito de que
“a união faz a força”, penso que
se todos nós elevássemos o nosso pensamento e tivéssemos a
pretensão de um mundo melhor,
o fardo de todos seria aliviado.
Os problemas do mundo são
tantos e tão abrangentes que
apenas um homem, um médium, sente-se impotente para
fazer uma oração pela paz e
conforto de nossos companheiros de jornada.
Convoco-o a acreditar no que
dita o seu coração.
Certamente, para o fim dessas mazelas, iniciará comigo a
oração que Nosso Divino Mestre
nos ensinou:
Tente... você consegue.
Eu começo, e você continua.
“ Pai Nosso que estais no céu...
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