Canário-da-terra - Criação Comercial

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Canário-da-terra - Criação Comercial
Canário-da-terra - Criação Comercial
Gilberto Schickler 1
José Egmar Falco2
I - APRESENTAÇÃO
Este boletim foi elaborado com o objetivo de divulgar uma
nova alternativa de produção avícola - a criação racional de
pássaros cantadores brasileiros, mais especificamente a criação
do canário-da-terra verdadeiro (Sicalis flaveola brasiliensis Linnaeus, 1766), que é a espécie mais criada do gênero Sicalis.
Com
informações
provenientes
de
pesquisas
bibliográficas, acompanhamento de uma criação experimental
particular e visitas a diversos criadores, foi possível sintetizar os
principais aspectos relacionados à descrição, vida silvestre,
canto, instalações, alimentação, reprodução e manejo sanitário
da referida espécie. Um comentário sobre a legislação relativa à
criação de pássaros silvestres conclui este documento.
Informações adicionais poderão ser obtidas junto ao
Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras.
1
Zootecnista/UFLA - Prop. Criadouro FaunaBrasil - Tel: 031 332-7069
2
Professor Titular do Departamento de Zootecnia/UFLA ([email protected])
II - INTRODUÇÃO
Milhões de pessoas no Brasil possuem animais silvestres
em casa, a maior parte constituída de aves canoras. Entre essas,
uma das mais estimadas é o canário-da-terra.
A maioria dessas aves não possuem registro no IBAMA,
sendo mantidas ilegalmente em cativeiro.
Atualmente, essa demanda é suprida, em sua quase
totalidade, pelo tráfico ilegal e por capturas diretas na natureza
que, em geral, provocam a morte de muitos indivíduos, em razão
de procedimentos cruéis e formas inadequadas de alimentação e
transporte.
São pouquíssimos os criadores comerciais de pássaros e,
portanto, a oferta de pássaros registrados também é muito
pequena.
III - JUSTIFICATIVA
Por que alguém preferiria possuir um pássaro nascido em
cativeiro, registrado, ao invés de um exemplar capturado ?
• Trata-se da maneira mais prática de possuir um
pássaro silvestre, sem agredir o meio ambiente e sem
infringir a Legislação Brasileira. Com certificado de
2
registro, o cidadão tem direito de transitar com seu
pássaro por todo território nacional;
• São pássaros selecionados pela qualidade do canto,
cor, fertilidade e outras características desejáveis;
• São aves dóceis, saudáveis e adaptadas à vida em
cativeiro;
• É possível a determinação de idade, da paternidade,
do local de nascimento, entre outras informações.
IV - CARACTERÍSTICAS
4.1 - Nome popular
O
canário-da-terra
verdadeiro
recebe
diversas
denominações: chapinha, canário-da-terra do nordeste, canáriodo-Ceará ou da Bahia, canário-da-telha, cabeça-de-fogo (o
macho), cravuda, coróia ou chusca (a fêmea). Nos EUA é
conhecido como safron finch.
4.2 - Classificação
• Classe: Aves
• Ordem: passeriformes
• Família: emberizidae
• Nome científico: Sicalis flaveola brasiliensis
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4.3 - Descrição
A coloração predominante do macho é o amarelo-vivo e,
na região anterior do alto da cabeça, o alaranjado (Figura 1).
Fêmeas e jovens possuem as partes superiores do corpo
pardo-oliváceas com densa estriação parda, e por baixo são
amarelas com estriações pardacentas; o peito e a região ao redor
da cloaca são amarelados.
Figura 1 - Casal de canários. Macho à
esquerda.
O filhote possui uma plumagem semelhante à da fêmea,
com as mudanças de coloração ocorrendo a partir dos 6 meses
de idade; com 18 meses, apresenta a plumagem de adulto.
Medem, quando adultos, em média 13,5 cm de comprimento e
pesam cerca de 20 gramas.
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4.4 - Distribuição e habitat
Ocorre praticamente em todo o território brasileiro, com
exceção da região amazônica.
Possui como habitat bordas de matas, áreas de cerrado,
caatinga, campos naturais e pastagens, além de áreas cultivadas.
Em ambientes urbanos, pode ser visto em jardins e bosques,
como já registrado em alguns parques de São Paulo e Curitiba.
4.5 - Vida silvestre
Territorialidade:
Quando
em
reprodução,
pássaros
territorialistas dominam uma determinada área, onde nidificam e
não permitem a presença de outros da mesma espécie. O canto
é utilizado para atrair fêmeas e afastar concorrentes. O território
também inclui o local de alimentação, cortejamento e repouso.
Na época não reprodutiva, costumam viver em bandos.
Alimentação: Na natureza, utiliza sementes de capimcolchão
(Digitaria
horizontalis),
capim-colonião
(Panicum
maximum), capim-marmelada (Brachiaria plantaginea), caruru-deespinho
(Amaranthus
spinosus),
grama-batatais
(Paspalum
notatum) e capim-navalha (Hypolytrum pungens), entre outros.
Apreciam
verduras,
como
dente-de-leão
(Taraxacum
officinale), serralha (Sonchus oleraceus) e tanchagem (Plantago
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major); insetos como drosófilas, aleluias e cupins; além de sobras
de ração de aves, suínos e bovinos.
Reprodução: Nidifica em cavidades, apresentando grande
plasticidade na ocupação de sítios reprodutivos. Utiliza ninhos
confeccionados por outras espécies (ex: Furnarius rufus: joão-debarro), buracos em troncos, mourões de cercas e até mesmo
plantas epífitas. Como abrigo artificial, aceita com facilidade o
colmo de bambu-gigante, crânio de boi, cabaça, entre outros.
Seja qual for o local escolhido, a espécie sempre confecciona um
pequenino ninho em forma de cesta, podendo chocar até 3 vezes
no mesmo local.
4.6 - Canto
Ocasionado pela passagem do ar na siringe ou órgão
vocal situado na conjunção da traquéia com os brônquios
primários.
O canto possui uma relação estreita com o comportamento
reprodutivo das aves. No início da primavera, quando os dias
começam a ficar mais longos, os testículos dos machos
aumentam de volume, produzindo hormônio sexuais, cujas
funções incluem o estímulo ao canto, aumento da libido e da
agressividade.
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Torneios: Os pássaros que participam de torneios
recebem um
tratamento especial. Cada “atleta” possui seu
esquema de treinamentos, que incluem passeios diários de carro
e a pé, competições de canto simuladas e aulas de canto.
Disputam provas de canto clássico (exame individual:
duração de 5 minutos e ganha aquele que apresentar o canto
mais perfeito, de acordo com um padrão pré-determinado); canto
livre (exame individual: duração de 5 minutos e ganha aquele que
apresentar o maior número de cantos; não é analisada a
qualidade do canto), e fibra (exame em grupo: dispostos em
círculo e colocados um ao lado do outro, a uma distância de 20
cm - os pássaros tentam sobrepor seus oponentes através do
canto, já que não o podem fazer fisicamente. Ganha aquele que
apresentar mais cantos no final da prova).
Nas provas de fibra, já foram observadas aves cantando
cerca de 300 vezes em 30 minutos. Isso é o resultado de muita
dedicação do criador; sabe-se que essas aves alcançam um alto
valor de mercado.
4.7 - Principais ameaças
A causa maior da progressiva extinção de espécies tem
origem na perturbação geral da ecologia terrestre, que é
ocasionada pelo crescimento geométrico da população humana e
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pela ocupação de áreas cada vez maiores que os homens vêm
disputando com os animais selvagens, considerando, ainda, os
efeitos colaterais indesejáveis causados pela multiplicação de
atividades industriais.
Queimadas periódicas, desmatamento e aplicação de
agrotóxicos vêm provocando acentuado declínio nas populações
de canários. Devem ser ressaltadas as conseqüências danosas
provocadas
pelo uso de defensivos agrícolas em áreas
cultivadas, que freqüentemente causam envenenamento de
bandos inteiros.
O canário-da-terra é um pássaro com canto muito
apreciado em todo país, e por isso vem sofrendo um significativo
declínio
populacional,
devido
a
capturas
clandestinas
na
natureza. Além da aptidão para o canto, são muito valentes, e,
por isso, costumam ser utilizados como “canários-de-briga”. Eles
são colocados em grandes gaiolas onde as agressões se
prolongam por mais de meia hora, gerando ferimentos e perdas
de indivíduos.
Segundo o artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais (Lei n°
9605 de 12/02/98), quem mata, captura, vende ou mantém em
cativeiro, ilegalmente, animais da fauna brasileira, está sujeito a
detenção de 6 meses a um ano, e multa. O artigo 32 da mesma
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lei determina detenção de 3 meses a um ano, e multa para quem
promover brigas de canários (rinhas).
4.8 - Estratégia de conservação
Considera-se como principal estratégia de conservação,
atualmente, o incremento de programas de educação ambiental
visando à redução de capturas na natureza e ao combate a
traficantes de animais silvestres.
A legislação atual permite a compra de animais silvestres
de criadores profissionais registrados no IBAMA. Sem agredir a
natureza,
é
possível
obter
um
pássaro
de
qualidades
aprimoradas, saudável e principalmente ambientado à vida em
cativeiro.
4.9 - Reintrodução
A reintrodução desta espécie em locais onde foi extinta ou
o revigoramento populacional tem sido realizados com sucesso
em muitos locais. Para isso, é fundamental o acompanhamento
de um profissional qualificado, o qual irá analisar a viabilidade do
projeto, além da permissão do IBAMA.
O processo procura imitar a ocupação de território feita
pelos canários na natureza. Na época de reprodução, o macho
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escolhe um local (que ofereça a cavidade para nidificação,
alimento e segurança) e canta para atrair as fêmeas da região.
V - INSTALAÇÕES
5.1 - Localização
O melhor local para construção é numa área com suave
declividade,
voltada para o norte, em
terreno de boas
características de drenagem (solos arenosos), evitando-se,
assim, construções próximas a várzeas (terreno úmido) e áreas
poluídas. O criadouro deve estar próximo dos fornecedores de
insumos e do mercado consumidor.
5.2 - Orientação
Este é um fator que está positivamente relacionado com o
clima e com a localização das instalações. No entanto, há uma
regra básica que deve, em geral, ser respeitada, para os tipos de
construções utilizadas em explorações de confinamento avícola.
O eixo longitudinal dos galpões deve estar orientado no sentido
leste-oeste, com o que se conseguirá que a superfície exposta a
oeste seja a menor possível, evitando-se o superaquecimento no
interior do recinto pela forte insolação nas longas tardes de verão.
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5.3 - Criadouro
O local de criação deve ser bem iluminado, arejado e sem
correntes de ar. A temperatura ideal está situada ao redor dos
25ºC e a umidade relativa de 60% (Figura 2).
Figura 2 - Criadouro Lagopas (Ribeirão Preto - SP).
Proprietário: Aloísio Pacini Tostes.
No aproveitamento de recintos que não recebem uma
iluminação solar suficiente,
devemos utilizar sistemas de
iluminação artificial. Fundamental o fornecimento de vitamina D3
e desinfecção freqüente do ambiente em recintos com baixa
iluminação solar.
Janelas: Todas as janelas devem ser amplas, com tela do
tipo mosquiteiro, para impedir a entrada de insetos transmissores
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de doenças e também para evitar a fuga de pássaros. Moscas,
mosquitos e pernilongos são sempre perigosos em qualquer
criação, pois são transmissores de várias doenças, como a
bouba, malária, salmonelose e coccidiose.
Pardais e pombos são outro problema. Ambos podem
veicular ácaros que transmitem a toxoplasmose, entre outras
doenças. Os pombos são transmissores também da ornitose, que
é uma zoonose que se constitui em grande problema na criação
de aves.
Pedilúvio: São utilizados para desinfetar o calçado das
pessoas que entrarão no criadouro, e estão localizados na
entrada de cada galpão. No seu interior pode-se colocar uma
espuma plástica embebida em desinfetante ou apenas o
desinfetante em pó.
5.4 - Gaiolas
A criação em gaiolas tem como vantagens a facilidade da
manutenção, observação e contenção das aves.
As gaiolas devem ser feitas totalmente de arame soldado,
pois são higiênicas, fáceis de limpar e dificultam a proliferação de
piolhos. A bandeja no fundo da gaiola deve ser de chapa
galvanizada, coberta com papel a ser trocado três vezes por
semana. Sobre a chapa, há uma grade que impede os pássaros
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de entrarem em contato com as sobras de comida e
excrementos, além de uma grade que permite a divisão da gaiola
ao meio, no sentido vertical.
As gaiolas de matrizes mais utilizadas têm como
dimensões: 60 cm (comprimento) por 32 cm (altura) por 28 cm
(largura). Reprodutores: 30 cm X por 32 cm X por 28 cm, de
arame galvanizado.
Poleiros: Com ranhuras longitudinais, de madeira, sem
farpas, e de diferentes espessuras, possibilitando o exercício das
articulações dos pés. Devem ser limpos mensalmente.
Comedouros e bebedouros: Os comedouros para
sementes devem ser lavados semanalmente e os bebedouros e
outros recipientes diariamente (figura 3).
Banheira: Oferecidas aos pássaros quatro vezes por
semana na época de reprodução e duas vezes durante o resto do
ano, com o objetivo principal de manter a plumagem limpa. São
colocadas pela manhã e retiradas assim que forem utilizadas, de
forma que a água não seja ingerida pelos animais.
5.5 - Ninho
Caixa de madeira com 25 cm comprimento por 14 cm de
largura e 12 cm de altura, orifício de entrada medindo 5 cm de
diâmetro, tampa superior móvel e fundo côncavo.
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Figura 3
Acessórios:
• comedouro externo (1)
• com. interno (4,5,6,7,8)
• com. "tipo unha" (10)
• gaiola individual (3)
• bebedouro (2)
• Banheira (9)
Colocado na parte externa da gaiola de forma que não
ocupe espaço, facilite o acompanhamento da incubação, do
desenvolvimento dos filhotes e anilhamento.
Material para confecção: barbante de sisal desfiado
principalmente, crina de cavalo (esterilizada) ou raiz de capins.
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VI - MANEJO ALIMENTAR
6.1 - Alimentação básica
Os canários-da-terra são essencialmente comedores de
sementes (granívoros).
O alimento deve ser fornecido à vontade. O pássaro terá à
sua disposição os diversos alimentos componentes da ração, e
determinará por si próprio a quantidade a ingerir de cada um.
É fundamental que os alimentos sejam de qualidade, livres
de contaminação e guardados de forma adequada.
Sementes: Utiliza-se uma mistura composta por 50% de
alpiste, 30% de painço amarelo, 10% de senha e 10% de niger.
Um comedouro deverá estar permanentemente na gaiola,
renovado e lavado a cada dois dias.
Ração:
Mistura
composta
por
2/3
de
ração
de
codorna/postura e 1/3 fubá grosso de milho - um comedouro
permanentemente na gaiola, renovado e lavado a cada dois dias.
Areia: Aves em geral ingerem areia e pedriscos junto com
o alimento, que auxiliam a digestão. Em cada gaiola, deverá ter
um recipiente com areia esterilizada para atender a essa
necessidade - um comedouro permanentemente na gaiola,
renovado e lavado a cada semana.
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Outros: De 2 a 3 vezes por semana, podem ser
oferecidos um dos seguintes alimentos: escarola, couve, jiló,
almeirão ou milho verde. Devem ser bem lavados, colocados de
forma que não entrem em contato com fezes e restos de
alimentos e retirados em 20 minutos no máximo da gaiola.
Fêmeas em incubação não devem receber esses alimentos.
6.2 - Alimentação suplementar na reprodução
Alimento vivo: Larvas do besouro Tenebrio molitor→ 1ª
semana - uma larva por filhote, três vezes ao dia, ..., 5ª semana cinco larvas por filhote três vezes ao dia). Com o besouro-doamendoim
(Palembus
dermestoides),
ofereça
o
triplo
da
quantidade.
Ovo: Mistura preparada diariamente: um ovo de galinha
junto com ½ copo de sementes, cozidos por 20 minutos (triturar
gema e clara e misturar às sementes). Fornecer três vezes ao dia
em um “comedouro de unha”.
Rações comerciais para filhotes de pássaros: Em geral,
utiliza-se um comedouro de unha, três vezes ao dia. Sobras
devem ser retiradas 1 hora após o fornecimento.
Polivitamínico: Misturado à água do bebedouro, duas
vezes por semana.
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Suplemento de cálcio: A casca de ovo de galinha, assim
como a farinha de ostras, podem ser utilizadas como fonte
alternativa de cálcio para fêmeas em reprodução. As cascas
devem ser trituradas, esterilizadas em forno comum e fornecidas
junto com areia. Podem ser utilizadas areias com suplementação
mineral completa para aves.
VII - MANEJO REPRODUTIVO
7.1 - Reprodutores e matrizes
Aquisição: O plantel pode ser formado por pássaros
provenientes
de
criadores
registrados,
doação,
permuta,
empréstimo ou compra.
O IBAMA e a Polícia Florestal eventualmente poderão
fornecer animais apreendidos.
Avaliação: Um sistema de ranking pode ser elaborado
para a avaliação das características como cor, forma, sanidade,
canto, fertilidade e libido.
7.2 - Formação do casal e cópula
Viveiros: A temporada de reprodução no centro-sul do
Brasil vai de novembro a maio, coincidente com o período
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chuvoso, de temperaturas elevadas e principalmente com dias
mais longos.
Viveiros
aéreos,
com
o
fundo
apenas
de
grade,
proporcionam um ambiente em que a higiene pode ser mantida
com facilidade.
Sempre coloque o macho primeiro. Deixe-o pelo menos
uma semana antes de soltar a fêmea.
Gaiolas: Este método foi desenvolvido pelo criador
Marcílio Picinini, de Matias Barbosa, MG. Nesse sistema de
criação, é possível a utilização da poligenia, ou seja, o
aproveitamento de determinados reprodutores de alta qualidade
em diversas fêmeas, possibilitando o desenvolvimento de
linhagens e outras formas de melhoramento genético do plantel.
Machos e fêmeas não devem viver juntos. Eles só devem
ficar na mesma gaiola na fase de reprodução e, mesmo assim,
apenas pelo tempo que durar a copulação.
Utilizam-se gaiolas individuais, dispostas em prateleiras e
separadas por placas de madeira, de modo que os pássaros não
se vêem. Percebe-se a chegada da fase de acasalamento
quando as fêmeas começam a levar fios e raízes para o ninho.
O reprodutor deve ficar separado e cortejar a matriz por
meio do canto. Isso pode levar de 2 a 3 dias; após esse período,
deixa-se a gaiola do reprodutor lado a lado à da matriz, sem a
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placa divisória. Se a fêmea se mostrar receptiva, abre-se a
passagem entre as gaiolas, e o reprodutor, em alguns segundos,
faz a cobertura, voltando para sua gaiola em seguida (Figura 4).
As gaiolas de criação não devem ser removidas das
prateleiras na época de reprodução.
7.3 - Maturidade sexual
Por volta dos 10 meses de idade.
7.4 - Postura
Tem início após o término da confecção do ninho, ou seja,
aos 2 a 3 dias pós-cobrição. São postos de 4 a 6 ovos,
fortemente pintalgados de marrom, a intervalo de 1 dia. Podem
ocorrer de 3 a 5 posturas por temporada.
7.5 - Incubação
Duração de 13 dias, à partir da postura do último ovo.
7.6 - Nascimento dos filhotes
Os filhotes nascem sem penas e com os olhos fechados,
totalmente dependentes da mãe. Deixam o ninho aos 15-20 dias
de idade, tornando-se independentes aos 35-40 dias.
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Figura 4: A - postura de cortejamento, B - postura de
solicitação, C - cópula
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Anilhamento: Feito quando os filhotes estão com 7-10
dias de idade. Após esse período, a anilha não pode ser mais
introduzida no membro posterior, e, se já colocada, não poderá
ser retirada.
A anilha fechada é a “carteira de identidade” do pássaro, a
prova de que nasceu em cativeiro. Nela constam o número de
identificação do criador, o número de registro do pássaro e o ano
de nascimento.
A técnica de colocação da anilha é simples: basta passá-la
pelos 3 dedos anteriores, deixando por último o dedo posterior,
não importando em qual dos membros inferiores.
Separação dos filhotes: Com cerca de 40 dias são
separados da mãe e colocados em amplos viveiros, para um
pleno desenvolvimento corporal.
Devem permanecer nesse local até completarem 2 meses
de idade pelo menos, quando já podem ser comercializados.
Uma forma de agregar valor ao pássaro é o treinamento
de canto em filhotes machos. Devem ser colocados em gaiolas
individuais, em recintos onde somente possam escutar o canto de
mestres, fitas ou CD’s gravados com cantos de qualidade.
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7.7 - Controle do plantel
Cada matriz e reprodutor deve ter uma ficha individual de
controle contendo: n.º da anilha individual, sexo, data de
nascimento, pais, n.º de filhos, n.º de anilhas dos filhos e
histórico. As fichas de matrizes, em particular, contendo: n.º de
ovos/postura, data postura, data eclosão, n.º de filhotes
separados, dia da separação, n.º das anilhas e destino do filhote.
VIII - MANEJO SANITÁRIO
8.1 - Quarentena
É o período de isolamento a que são submetidos os
pássaros recém-adquiridos, para avaliação do estado geral,
adaptação ao novo sistema de manejo (tipo de alimento, gaiola,
tratador) e para o controle de doenças infecto-contagiosas .
A quarentena deve ter a duração mínima de 21 dias,
período suficiente para identificação das principais doenças
(realização de exames parasitológicos e microbiológicos) que
podem estar presentes nas aves recém-adquiridas ou que
estiveram em exposições ou torneios.
As aves são colocadas em gaiolas limpas, em recinto
distante da criação em pelo menos 100 metros. Como regra
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básica de manejo, essas aves devem ser tratadas após o término
das atividades no plantel de criação para evitar a disseminação
de doenças.
8.2 - Muda
Ocorre na época mais fria do ano (outono e inverno).
Nesse período, o pássaro troca de penas (por cerca de 2 meses)
e se recupera da atividade reprodutiva. Estará mais susceptível a
doenças, devendo-se ter atenção quanto a correntes de ar,
temperatura e umidade.
8.3 - Vermifugação
Todo plantel deve ser vermifugado antes da época da
muda (maio). O exame de fezes irá determinar o vermífugo mais
apropriado. No final da muda, outra vermifugação deverá ser feita
para que as aves iniciem a fase reprodutiva livres de verminoses.
IX - LEGISLAÇÃO
9.1 - Criação amadora
Modalidade de criação de passeriformes que permite a
manutenção de espécimes
em cativeiro e participação em
torneios em todo território nacional (somente para pássaros com
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anilha fechada), apenas para pessoas associadas a clubes de
criadores de pássaros.
A comercialização é permitida somente entre criadores
registrados em clubes de criadores.
Segundo a portaria n.º 57, de 11 de julho de 1996, o
associado, para estar devidamente legalizado perante o IBAMA,
deverá:
• Estar em dia com suas obrigações junto ao clube
que estiver agregado;
• Possuir carteira de identificação atualizada, a ser
fornecida pela federação;
• Estar com a relação de passeriformes corretamente
preenchida e legível;
• Estar com o respectivo Certificado de Transação de
Passeriformes (CTP), no caso de pássaros recémadquiridos, para comprovar sua procedência.
9.2 - Criação comercial
A portaria n.º 118-N, de 15 de outubro de 1997,
regulamenta o funcionamento de criadouros comerciais de
animais da fauna silvestre brasileira.
O interessado deverá inicialmente apresentar uma cartaconsulta ao superintendente regional do IBAMA, contendo
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informações, tais como: identificação da pessoa física ou jurídica
que esta solicitando a licença, localização do empreendimento,
objetivo da criação, espécie a ser criada e o número inicial de
matrizes.
Aprovada
a
carta-consulta,
o
interessado
deverá
apresentar um projeto mais detalhado da criação, elaborado por
um zootecnista ou outro profissional habilitado.
A portaria n.º 117-N, da mesma data, determina que o
criadouro comercial registrado estará autorizado a comercializar
seus próprios produtos, não sendo necessária a inscrição como
comerciante junto ao IBAMA, desde que possua nota fiscal
adequada. O artigo 13 dessa portaria esclarece que a pessoa
que intencione comprar animais silvestres, com o objetivo de
mantê-los como animais de estimação, não necessitará de
registro no IBAMA.
O criadouro deverá fornecer aos compradores orientações
por escrito sobre a alimentação, alojamento, manejo sanitário e
sobretudo, a recomendação de não-soltura ou devolução dos
animais à natureza, sem o prévio consentimento da área técnica
do IBAMA.
Comercialização: Os filhotes podem ser comercializados
com idade superior a 2 meses, através de lojas de animais
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estimação credenciadas junto ao IBAMA ou diretamente no
criadouro. Cada filhote deve ser vendido acompanhado de
documento fiscal específico, certificado de procedência e guia de
manejo, contendo normas legislativas quanto à posse de animais
silvestres.
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XI - BIBLIOGRAFIA
Carastan, E. J. Pássaros. Rio de Janeiro: Ed. JB, 1986. 292p.
Machado, A. B. M., Fonseca, A. B. F. Livro vermelho das
espécies ameaçadas de extinção da fauna de Minas
Gerais. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas, 1998. 605p.
Machado, L. O. M. Alguns aspectos do comportamento e da
biologia
de
Sicalis
flaveola
(Linnaeus,
1766)
(PASSERIFORMES - EMBERIZIDAE). São Paulo: USP,
1980. 190p. (Tese de Doutorado em Zoologia).
Portaria n.º 117-n e n.º 118-N. Diário Oficial, n.º 200, seção 1,
quinta-feira, 16 de outubro de 1997.
Sick, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova
Fronteira, 1997. 912p.
Tostes, A. P. Uma visita ao criadouro de Aloísio Pacini Tostes.
Atualidades Ornitológicas, Ivaiporã, n.62. 1984.
27
CA NÁ RIO-DA -TERRA
CRIA ÇÃ O COM ERCIA L
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