INTERNACIONAL - 16.03.15: Radicais prejudicam

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INTERNACIONAL - 16.03.15: Radicais prejudicam
:: SINDICARNE - Sindicato da Indústria de Carnes & Derivados no Estado do PARANÁ ::
INTERNACIONAL - 16.03.15: Radicais prejudicam setor de carne na Índia
Swansy Afonso e Prabhudatta Mishra Sagradas na Índia, onde são consideradas madrinhas, as vacas só podem ser
abatidas legalmente em cinco Estados
Radicais prejudicam setor de carne na Índia Por Swansy Afonso e
Prabhudatta Mishra Com a intensificação de uma disputa de séculos pela carne bovina na Índia, o transportador de gado
Shafiullah Mohammad Sharif Shah um dia se viu no meio do conflito. Em dezembro, justiceiros hindus incendiaram um
de seus caminhões quando ele transportava seis búfalos asiáticos para um matadouro do governo perto de Mumbai.
Os justiceiros espancaram Shah e liberaram os animais. Como esses ataques estão se tornando comuns, os negócios
desaceleraram tanto que Shah teme perder seus cinco caminhões se não conseguir pagar a prestação mensal de 150 mil
rúpias (US$ 2.390). A Índia é dominada por 1 bilhão de hindus, que veneram as vacas leiteiras, as consideram
sagradas e encaram o vegetarianismo como um ideal. Mas alguns Estados ainda permitem seu abate para a produção de
carne, e essa produção cresceu muito com búfalos asiáticos de pouca relevância religiosa. O país é o segundo maior
exportador de carne bovina do mundo. A receita dos embarques aumentou 11 vezes em uma década, para US$ 4,35
bilhões por ano. Mas, nos últimos 12 meses, grupos da linha dura hindu redobraram esforços para coibir o abate de
fêmeas e combater uma rede de pequenos frigoríficos ilegais que produzem carne bovina para consumo no mercado
doméstico. "A atmosfera no matadouro é muito tensa", afirmou Shah, de 38 anos. "Estamos sendo assediados em
todo lugar e os ataques estão piorando. O setor não sabe como lidar com isso e todos, dos transportadores e
comerciantes até os fazendeiros, têm medo". Os justiceiros não distinguem os búfalos asiáticos das vacas leiteiras
e atacam os transportadores de ambos. Os caminhões que carregam gado são bloqueados com frequência pelos
ativistas, que pegam os telefones dos motoristas, os espancam e levam o gado para centros de cuidado de animais, de
acordo com a Associação de Mercadores de Gado de Maharashtra (AMCMA). Os ataques aumentaram desde maio, com
a eleição do primeiro-ministro Narendra Modi, cujo partido, Bharatiya Janata, apoiado pelos hindus, é favorável ao
endurecimento das restrições sobre o abate de vacas, legal em cinco dos 29 Estados indianos. Os simpatizantes de
Modi, entre eles os grupos hindus de direita Bajrang Dal e Rashtriya Swayamsevak Sangh, pediram a proibição da carne
bovina no país, e ativistas atacaram empresas estabelecidas legalmente para interromper a produção. Ainda que as
organizações não queiram proibir o abate dos búfalos asiáticos, elas estão promovendo o vegetarianismo e o fim das
exportações de carne de búfalo, argumentando que o segmento utiliza água e terras valiosas. Nos últimos dez
meses, foram registrados cerca de 600 incidentes de assédio em Maharashtra, o terceiro maior produtor de carne de
búfalo asiático do país, ante entre 200 e 300 casos anuais nos cinco anos anteriores, informou Khaliq Qureshi,
presidente da AMCMA em Mumbai, em entrevista em 27 de fevereiro. As cifras quase certamente são maiores, porque
com frequência comerciantes e transportadores não informam os ataques à associação. A carne bovina se transformou
em um grande negócio para a Índia, que a vende por preços menores que os outros fornecedores da Ásia. As exportações
chegaram a US$ 4,4 bilhões no ano-fiscal 2013-2014, comparado com os US$ 395 milhões de uma década atrás,
segundo a Autoridade de Desenvolvimento da Exportação de Produtos Agrícolas e de Comida Processada, uma instituição
estatal. Em comparação, as exportações dos EUA alcançaram US$ 6 bilhões no último ano-fiscal. A expansão da carne
bovina aborreceu alguns hindus, que veneram as vacas, consideradas a encarnação terrestre da deusa Kamadhenu.
Muitas vezes, os animais andam soltos e são alimentados perto dos templos. Nas áreas rurais, os donos das casas
cobrem chãos e paredes com esterco de vaca para evitar a poluição, e alguns borrifam os ambientes internos com urina
de vaca para purificar o ambiente. "Está se propagandeando que é pecado não ser vegetariano neste país", disse
Mohammad Ali Qureshi, presidente da Associação de Comerciantes Suburbanos de Carne Bovina de Mumbai e membro
da terceira geração de uma família que conta com um matadouro na cidade. "As vacas são consideradas madrinhas na
Índia. Quando é que o búfalo-asiático virou o padrinho? Não existe nenhuma conexão religiosa. Os grupos querem
esmagar de forma mental e financeira o segmento de carne bovina". Fonte: Valor Econômico
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Produzido em: 1 October, 2016, 16:10