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KARDEBRAILE
Órgão da Sociedade Pró-Livro-Espírita
em Braille – SPLEB
Publicado em tinta, em Braille e em versão eletrônica
ANO LI - março - 2011 - Nº 142
Rio de Janeiro
BRASIL
IMPRESSO
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Comissão Editora:
Diretora Responsável: Ana Cristina Zenun Hildebrandt
Coordenadora: Franceschina Angelina Giglio Maio
Revisor do texto: Susana Dias Ferreira
Revisor do Braille: Maria Salete Semitela de Alvarenga
E-mail: [email protected]
EXPEDIENTE
SEDE PRÓPRIA - Rua Thomaz Coelho, 51 - Vila Isabel
Rio de Janeiro - RJ - Brasil - CEP 20540-110
Tels.: (0xx21) (Geral 2288-9844) - (Administração 2208-4989)
Fax: (0xx21) 2572-0049
E-mail: [email protected]
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Contas para doações: Banco Bradesco: Agência: 0226-7 - C/C: 97531-1
Banco do Brasil: Agência 0288-7 – C/C 22563-0
Distribuição gratuita
O conteúdo dos artigos assinados é da inteira responsabilidade de seus
autores.
FUNCIONAMENTO
De 2ª a 6ª Feira – 9h às 17h / Sábado – 9h às 12h
“A Voz da Sociedade Pró-Livro-Espírita em Braille”
Você, leitor, que é splebiano ou amigo da SPLEB, não deixe de ouvir e
prestigiar o nosso programa radiofônico que, sob a direção e apresentação
de Luiz Cláudio de Oliveira Millecco, é transmitido todos os domingos, às
11:15 (onze e quinze) horas, através da onda da Rádio Rio de Janeiro, na
frequência de 1.400 KHZ, a “Emissora da Fraternidade da Fundação Cristã
Espírita Cultural Paulo de Tarso”. Ouça e fale com seus amigos.
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EDITORIAL
A Doutrina Espírita - Consolador Prometido por Jesus - se propõe a nos
esclarecer, formando homens de bem, através de seu estudo e prática,
impulsionando, assim, o progresso da humanidade e a evolução do planeta.
A SPLEB, fiel a seu objetivo de proporcionar aos cegos o estudo da Doutrina
Espírita em suas próprias fontes, identifica-se perfeitamente com os propósitos do
Espiritismo, na medida em que leva esclarecimento e oferece oportunidades de
trabalho no Bem a seus leitores, voluntários e frequentadores, tanto na produção
dos livros quanto nas reuniões mediúnicas e de estudos doutrinários.
Kardebraile amplia essa corrente de fraternidade e crescimento, já que transpõe
os limites de nossa Instituição. Mais uma vez, comparecemos, pontualmente, a fim
de discutir com os amigos importantes temas da atualidade, informar sobre as
atividades da SPLEB, caminhando com os leitores na busca do Reino de Deus.
Vivemos tempos de transição. Fatos marcantes têm abalado nossas estruturas e
provocado mudanças de conceitos e padrões. Parece que o desequilíbrio aumenta
a cada dia. O tumulto, no entanto, é compreensível, pois são momentos de
definição, resgate e escolha. É o cansaço do mal que nos levará a desejar e
promover o bem, como informam os Espíritos a Kardec.
Nesta edição, buscamos algumas respostas da Espiritualidade a nossas
questões, de maneira a seguirmos, corajosamente, habilitando-nos a fazer, cada
vez mais, o melhor para nós e nossos irmãos, em suma, a vontade do Pai.
Que Jesus abençoe nossos propósitos em 2011 e que Kardebraile continue a ser
um instrumento para nossa reflexão. Boas leituras!
PENSAMENTOS DE MARTIN LUTHER KING
“Saiba que seu destino é traçado pelos seus próprios pensamentos, e não por
alguma força que venha de fora. O seu pensamento é a planta concebida por um
arquiteto para construir um edifício denominado prosperidade. Você deve tornar o
seu pensamento mais elevado, mais belo e mais próspero.”
“Quando os nossos dias se tornarem obscurecidos por nuvens negras e baixas,
quando as nossas noites forem mais negras do que mil noites, lembremo-nos de
que no universo há um grande e benigno poder, capaz de abrir caminho onde não
há caminho, e de transformar o ontem sombrio num luminoso amanhã.”
“Cada dia é o dia do julgamento, e nós, com nossos atos e nossas palavras, com
nosso silêncio e nossa voz, vamos escrevendo continuamente o livro da vida. A luz
veio ao mundo e cada um de nós deve decidir se quer caminhar na luz do
altruísmo construtivo ou nas trevas do egoísmo.”
“O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente.”
Fonte: http://pensador.uol.com.br/autor/Martin_Luther_King/
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SETOR DE ATENDIMENTO MARIO KLINGER
NÚCLEOS,
BIBLIOTECAS,
INSTITUIÇÕES
PARA
INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS E LEITORES CADASTRADOS
DEFICIENTES,
Coordenadora: Ana Lucia Belchior Tavares da Silva
NÚCLEOS = 02: SALVADOR – BA; SÃO BERNARDO DO CAMPO – SP.
BIBLIOTECAS:
BRASIL = 18.
MANAUS – AM; CAMAÇARI, SALVADOR – BA; GOIÂNIA – GO; ARAXÁ,
UBERLÂNDIA, OURO PRETO, MUZAMBINHO, ITABIRA – MG; BELÉM – PA;
SAPÉ - PB; CASCAVEL – PR; OLINDA – PE; BARRA MANSA, RESENDE, RIO
DE JANEIRO – RJ; CAMPINAS, SÃO PAULO – SP.
EXTERIOR = 02 - PORTUGAL.
INSTITUIÇÕES PARA DEFICIENTES = 15.
BRASIL: FEIRA DE SANTANA, SIMÕES FILHO – BA; CONSELHEIRO LAFAIETE,
JANAÚBA, JOÃO PINHEIRO – MG; RESENDE, RIO DE JANEIRO – RJ; SANTA
MARIA – RS; GUARULHOS, SANTOS, SÃO PAULO – SP; ARACAJU – SE.
INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS = 21.
BRASIL: MANAUS – AM; SALVADOR – BA; BRASÍLIA – DF; TUPICIGUARA,
UBERABA, CONSELHEIRO LAFAIETE – MG; CASCAVEL, CURITIBA – PR;
ITAPERUNA, ITAQUI, MIGUEL PEREIRA, RIO DE JANEIRO, VALENÇA, VOLTA
REDONDA - RJ; ARARAQUARA, FRANCA, SÃO PAULO, SERRA NEGRA – SP.
LEITORES CADASTRADOS
ÁFRICA = 1
ARGENTINA = 2
BRASIL = 159
EQUADOR = 1
PORTUGAL = 6
VENEZUELA = 1
VOCÊ É UM FILHO DE DEUS, SEMPRE
ABENÇOADO PELO PAI.
Quando ocorrer no âmago de sua alma, e também no fundo de seu
subconsciente, a conscientização de que você é filho de Deus, o êxito e a
prosperidade lhes serão fatos consumados. Você não terá motivo algum para sentir
preocupação ou temor. A Sabedoria divina irá orientá-lo para que tome medidas
mais adequadas a cada situação.
Do livro “Convite à Prosperidade”, vol 1 – Masaharu Tanigucchi
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ACONTECE NA SPLEB
A nossa Tarde Fraterna ocorreu em 19 de dezembro, na Casa de Jacira. Com
harmonia e alegria comemoramos mais um ano de oportunidades. Agradecemos à
Espiritualidade Amiga sempre presente. Agradecemos também a todos que
caminham conosco e colaboram com nossa causa. Parabéns à comissão de
eventos. Também agradecemos o carinho de todos que nos enviaram mensagens
de Feliz Natal e de Próspero Ano Novo. Que o Amor de Jesus permaneça em
nossos corações.
Estão previstas, para este ano, duas edições do bazar “Delia Videira”.
Agradecemos a todos que sempre colaboram conosco e com nossa causa.
Setor de Atividades Doutrinárias
Coordenadora: Ana Cristina Zenun Hildebrandt
Todas as terças-feiras, às 20 h, você pode participar de estudos doutrinários,
ouvindo palestras e tirando dúvidas sobre os ensinamentos de Jesus. A
programação se encontra em nosso mural.
A reunião de Reabastecimento Espiritual, dirigida ao voluntariado de nossa
Instituição, acontece na primeira 5ª feira de cada mês, às 17 horas.
Escola de Evangelização Irmão Marius
Coordenadora: Ruth Cocco da Motta
As atividades da Escola recomeçam em março, aos sábados, às 15 h, na SPLEB.
Traga suas crianças a partir de 3 anos para conhecer o Evangelho! Também há
reunião para pais.
Audioteca José Álvares de Azevedo
Coordenadora: Solange Duarte Pinto de Magalhães
A Audioteca já disponibiliza 190 obras gravadas em CD’s, no formato “mp3”, que
podem ser retiradas pelos usuários na SPLEB ou enviadas por cecograma.
Atualmente o ledor Gilberto Coelho está procedendo a conversão do acervo de
obras em fitas cassete para CD’s no formato “MP3”. Em face do grande número de
obras em fitas cassete, estamos necessitando de mais voluntários que possam
realizar esta conversão. Em vista desse trabalho e de novas gravações no formato
“MP3”, estamos necessitando de CD’s graváveis. Agradecemos àqueles que,
periodicamente, têm doado CD’s e capas, possibilitando a realização de nosso
trabalho. Informamos abaixo os nossos horários de atendimento:
Quartas-feiras, de 9:15 às 12:00 h – atendimento aos ledores e serviços internos.
Não há atendimento aos usuários.
3ªs-feiras – Márcia, de 9 às 11 h
Sábados – Maria da Penha, de 10 às
5ªs-feiras – Joana, de 9h 30 às 11
12 h
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Grupo Vocal da SPLEB Ladário Teixeira
Os ensaios são às 5ªs feiras, às 15 h, em nossa sede. A regência é do prof.
Sebastião Anselmo. O retorno às atividades está previsto para março.
Cursos Balbina de Moraes
Coordenadora: Maria Salete Sulamita Vieira da Cunha
Em 2010, o Curso Balbina de Moraes diplomou 03 alunos: Rachel Maria Campos
Menezes de Moraes, Laurinda Nunes e Eurides Santos Oliveira. Parabéns
brailistas! Venha você também aprender o Sistema Braille.
Biblioteca Casimiro Cunha
Bibliotecário: Miguel J. Cúneo
Os leitores devem deixar o número de seu telefone de contato, que será colocado
na ficha existente no livro. Lembramos a necessidade de ficha cadastral.
Imprensa Braille Mario Travassos
Supervisor: José Walter de Figueiredo
Continuamos nosso trabalho de transcrição do que nos é solicitado. Algumas
obras serão, em breve, oferecidas.
TÓPICOS E NOTÍCIAS
GRUPO AMIGOS DA PAZ - SEMANA DA NÃO-VIOLÊNCIA
Participe do Grupo Amigos da Paz! Venha orar e trabalhar pela paz!
O Grupo Amigos da Paz, cujas reuniões acontecem nos primeiros e terceiros
domingos de cada mês, às 17 h, na SPLEB, convida a todos para Semana da NãoViolência que ocorrerá em abril, de 04 a 08. Confira nossa programação:
Dia 04 - segunda-feira – 15 h - Tema: “MÚSICA E ESPIRITISMO” - Palestrante:
Luiz Cláudio Millecco. Local: Casa de Jesus – R. Pereira Lopes, 146 – Benfica
(próximo à Igreja Consolata).
Dia 05 – terça-feira- 19h 30 - Tema: “ESPIRITUALIDADE E NÃO-VIOLÊNCIA” Palestrante: Jorge Damas. Local: SPLEB.
Dia 06 - quarta-feira - 19h 30 – Tema: YOGA, CAMINHO PARA A PAZ” –
Palestrante: MARILDA VELLOSO. Local: SPLEB.
Dia 07 – quinta-feira – 19h 30 – Tema: “MARTIN LUTHER KING, O APÓSTOLO
DA NÃO-VIOLÊNCIA” – Palestrante: Pastor Alexandre Marques. Local: Grupo
Espírita Discípulos de Samuel – R. dos Artistas, 151 – Vila Isabel.
Dia 08 – sexta-feira – 19h 30 – Tema: “NA PLENITUDE DO AMOR, A PAZ” –
Palestrante: Gilda Carneiro da Silva Andrade. Local: SPLEB
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RÁDIO RIO DE JANEIRO
A Rádio Rio de Janeiro, a emissora da fraternidade, leva a mensagem espírita
aos diferentes pontos do nosso planeta, através da frequência (1.400 KHz-AM) e
da rede mundial de computadores. Você pode colaborar, fazendo parte do Clube
da Fraternidade, com o valor mínimo de R$ 10,00 (dez reais). Ligue para (21)
2461-1400 ou 2478-1400.
TESTE DO OLHINHO
Existem vários tipos de exames realizáveis logo que o bebê nasce, antes mesmo
da alta hospitalar, além de possibilidades de diagnósticos precoces que evitam
sequelas mais graves. Conhecemos o teste do pezinho e menos conhecido é o
teste da orelhinha. Hoje queremos lembrar a importância do Teste do olhinho.
O teste do olhinho (ou o teste do reflexo vermelho) é um exame que deve ser
realizado, rotineiramente, em bebês na primeira semana de vida. Pode detectar e
prevenir diversas patologias oculares. Este teste ainda é pouco conhecido - até por
não ser obrigatório de forma nacional e ser realizado em apenas alguns locais.
Para alívio das mamães, o teste é fácil, não dói, não precisa de colírio e é rápido
(de dois a três minutos, apenas). Uma fonte de luz sai de um aparelho chamado
oftalmoscópio, tipo uma "lanterninha", onde é observado o reflexo que vem das
pupilas. Quando a retina é atingida por essa luz, os olhos saudáveis refletem tons
de vermelho, laranja ou amarelo. Já quando há alguma alteração, não é possível
observar o reflexo ou sua qualidade é ruim, esbranquiçada. A comparação dos
reflexos dos dois olhos também fornece informações importantes.
O teste previne e diagnostica várias doenças que, segundo dados estatísticos,
atingem cerca de 3% dos bebês em todo o mundo. Bebês prematuros devem
obrigatoriamente realizar esse teste visual, para afastar o risco da retinopatia da
prematuridade, principal causa da cegueira infantil na América Latina.
O teste pode ser realizado por um pediatra que, identificando alguma alteração
encaminha o bebê ao oftalmologista para exames mais específicos. Pelo menos
60% das causas de cegueira ou de grave sequela visual infantil podem ser
prevenidos ou tratáveis, se detectadas precocemente.
Mais de metade das pessoas só tem o problema descoberto quando estão cegas
ou quase cegas para o resto da vida. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia
Pediátrica prevê cerca de 710 novos casos de cegueira por ano.
Dicas:
1. A mamãe e o papai podem observar as fotografias de seu filho. Se em vez do
reflexo vermelho que fica nos olhos, aparecer uma mancha branca, procure um
oftalmologista.
2. Pergunte ao pediatra do seu bebê quais exames foram realizados no período
do nascimento. Se o teste do olhinho não estiver entre eles, converse com o
médico sobre a possibilidade de realizá-lo.
3. A catarata não é um problema só de idoso, não! A catarata congênita é uma
patologia presente ao nascimento e uma, em cada cem crianças nascidas,
apresenta essa alteração.
Fonte: universovisual.com.br
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PROGRAMA TRANSIÇÃO
A visão espírita para um novo tempo. Na REDE TV. Novos horários:
Domingos, 16h 15 e 5ªs feiras (reapresentação), 1h 45. No site, ainda é possível
assistir aos programas anteriores e também copiar áudios, em MP3, gratuitamente.
Fonte: http://www.programatransicao.tv.br/
RADIO BOA NOVA
Sediada em Guarulhos (SP), com foco em conteúdo espírita, foi visitada por um
leitor nosso, para ver a possibilidade de mudança na configuração do site, para
que os deficientes pudessem acessar. Após a visita, eles reconfiguraram
completamente o site, a fim de tornar a navegação plena e completamente
acessível ao deficiente visual, de forma autônoma.
A gravação de todos os programas está disponível para que os deficientes visuais
possam ouvir. Os apresentadores são figuras proeminentes do espiritismo no país.
www.radioboanova.com.br (sugestão de Carlos Alberto Franco Lima por e-mail)
2011 – ANO INTERNACIONAL DAS FLORESTAS
Segundo dados do Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente, as florestas representam 31% da cobertura terrestre do planeta,
servindo de abrigo para 300 milhões de pessoas de todo o mundo e, ainda,
garantindo, de forma direta, a sobrevivência de 1,6 bilhões de seres humanos e
80% da biodiversidade terrestre. Em pé, as florestas são capazes de movimentar
cerca de $ 327 bilhões todos os anos, mas atividades baseadas na derrubada das
matas ainda são bastante comuns em todo o mundo. Falando da importância da
preservação das florestas, a ONU – Organização das Nações Unidas - declarou
que 2011 será, oficialmente, o Ano Internacional das Florestas. A ideia é promover
durante os próximos 12 meses, ações que incentivem a conservação e a gestão
sustentável de todos os tipos de floresta do planeta. A exploração das matas sem
um manejo sustentável pode causar uma série de prejuízos para todos. Entre eles:
a perda da biodiversidade; o agravamento das mudanças climáticas; o incentivo a
atividades econômicas ilegais, como a caça de animais; o estímulo a
assentamentos clandestinos e a ameaça à própria vida humana.
Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br
VOCÊ SABIA?
Você sabia que Pitágoras, filósofo grego que viveu alguns séculos antes de
Cristo, assim como Sócrates, Platão e outros tantos filósofos da antiguidade, tinha
a convicção da reencarnação dos espíritos?
Não se utilizavam do termo reencarnação, mas a ideia da pluralidade das
existências era conhecida e admitida. E você sabia que a palavra reencarnação foi
cunhada por Allan Kardec, codificador do Espiritismo no século XIX? Como
dissemos, a palavra é nova, mas a ideia já existia desde tempos muito remotos.
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COLABORAÇÕES
NO CORAÇÃO DO CRISTO
Ana Cristina Zenun hildebrandt
Ó coração ferido,
Ó coração magoado!
Olha Jesus do lado,
Pronto pra salvar...
Ah! Se Jesus tão terno
Te toca o coração
Brota no teu peito
A fonte do perdão.
Os versos acima, interpretados por Gislene Cantinni, numa bonita canção, são
frequentemente repetidos em algumas reuniões da SPLEB. A letra é,
evidentemente, católica, mas expressa o sentimento de entrega total ao Cristo, de
confiança num Jesus libertador, que cura as feridas da alma, "salvando-nos" de
nossas mágoas através de seu exemplo e de seu amor.
Lembrei-me dela com mais insistência a partir de dezembro de 2010, quando a
Espiritualidade amiga de nossa Casa preparava o ambiente para a recepção do
símbolo e das palavras para 2011.
O ano que passou foi turbulento, cheio de surpresas (nem sempre agradáveis) e
as palavras Esperança e Perdão, recebidas para 2010, foram muito necessárias
para que nossos trabalhos transcorressem harmoniosamente. Seria preciso, então,
muita atenção para que as palavras de 2011 fossem tão significativas e úteis como
as anteriores.
Como o leitor de Kardebraile já deve estar acostumado, palavras e símbolos
norteadores de cada ano não são captados em uma comunicação mediúnica
convencional. Eles vêm por intuição, vidência, geralmente por mais de um médium.
E este ano não foi diferente...
As palavras seguem a linha de 2010: o Perdão continua sendo importante em
nossas vidas - e como é difícil perdoar! E se foi indispensável ter esperança para
prosseguir na tarefa, a perseverança tornou-se fundamental. Perseverança e
Perdão são, portanto, as palavras para 2011.
O símbolo irradiava luzes, mas não aparecia com a clareza necessária. Certo dia,
ao marcar com um palestrante o tema de uma reunião de terça, senti que o ano
novo seria dedicado a Jesus. "Mas todos os anos são de Jesus!" pensei. Foi
quando uma companheira viu, durante uma das Reuniões Mediúnicas, a imagem
do Sagrado Coração de Jesus, como normalmente se vê nas igrejas. O coração do
Cristo era de um vermelho vivo, luminoso, e dele partiam raios ainda mais
luminosos e de várias cores.
Aí, tudo fez sentido. O símbolo para 2011 é o Coração de Jesus, bem vivo e
vibrante, cheio de amor por nós, no qual podemos nos refugiar em nossos
momentos de angústia e indecisão. Entregando a ele nosso coração ferido e
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magoado, alcançaremos, passo a passo, a capacidade de perdoar e a força
necessária à perseverança.
Não estamos liberados dos desafios, surpresas... Eles nos obrigam a crescer,
pois nos fazem ver nosso interior, modificar valores e reiterar ideais. Entretanto,
rogando a assistência de Jesus e de nossos Amigos Espirituais - seus
representantes junto de nós - descobriremos o caminho.
Jesus nos oferece consolo e bom ânimo. A luz que irradia de seu coração toca a
fraca luz que existe no nosso. A herança Divina também nos pertence, bastando
que tenhamos vontade e trabalhemos para, à medida que evoluirmos
espiritualmente, conquistarmos essa luz.
Que "olhemos" para o coração de Jesus. Sintamos suas luzes multicores
penetrando nosso coração, se expandindo por nosso corpo, iluminando nossa
mente... Peçamos a Ele que nos abençoe e digamos como Sai Baba: "entrego,
confio, aceito e agradeço."
O AMOR
Léon Denis – “O Problema do ser, do destino e da dor”
(...) Todo poder da alma resume-se em três palavras: - Querer, Saber, Amar!
Querer, isto é, fazer convergir toda a atividade, toda a energia, para o alvo que
se tem de atingir, desenvolver a vontade e aprender a dirigi-la.
Saber, porque sem o estudo profundo, sem o conhecimento das coisas e das
leis, o pensamento e a vontade podem transviar-se no meio das forças que
procuram conquistar e dos elementos a quem aspiram governar.
Acima, porém, de tudo, é preciso amar, porque, sem o amor, a vontade e a
ciência seriam incompletas e muitas vezes estéreis. O amor ilumina-as, fecundaas, centuplica-lhes os recursos. Não se trata aqui do amor que contempla sem agir,
mas do que se aplica a espalhar o bem e a verdade pelo mundo. A vida terrestre é
um conflito entre as forças do mal e as do bem. O dever de toda alma viril é tomar
parte no combate, trazer-lhe todos os seus impulsos, todos os seus meios de ação,
lutar pelos outros, por todos aqueles que se agitam ainda na via escura (...)
(...) Ó homem, procura em volta de ti as chagas a pensar, os males a curar, as
aflições a consolar. Alarga as inteligências, guia os corações transviados, associa
as forças e as almas, trabalha para ser edificada a alta cidade de paz e de
harmonia que será a cidade de amor, a cidade de Deus! Ilumina, levanta,
purifica! Que importa que se riam de ti! Que importa que a ingratidão e a maldade
se levantem na tua frente! Aquele que ama não recua por tão pouca coisa; ainda
que colha espinhos e silvas, continua sua obra, porque esse é seu dever, sabe que
a abnegação o engrandece (...).
(...) Quem, pois, num dia de verão, quando o Sol irradia, quando a imensa cúpula
azulada se desenrola sobre nossas cabeças e dos prados e bosques, dos montes
e do mar sobem a adoração, a prece muda dos seres e das coisas, quem, pois,
deixará de sentir as radiações de amor que enchem o Infinito?
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PARÁBOLA DO AMOR
Carla Maria de Souza
Todas as parábolas nos trazem ensinamentos importantes e sublimes. Porém,
minha preferida sempre foi a do filho pródigo. Sinto que ela revela, com toda a sua
plenitude, o amor de Deus por nós. Foi a forma que Jesus encontrou de nos dizer:
"Não percam nunca as esperanças. Ninguém está sozinho. O amor de Deus é
infinito."
O filho saiu de casa com tudo o que o pai lhe dera, pois queria ganhar o mundo.
Quantos de nós julgamos que não precisamos de Deus, pois somos
autossuficientes. "Religião é para os fracos, que não se trabalham e não
conseguem resolver nada sozinhos." - muitos dizem - confundindo crença em Deus
com religião, o que é diferente.
Saímos então pelo mundo, agindo como queremos, esquecidos de tudo o que o
Pai nos ensinou e que está em nós, já que temos uma Centelha Divina, onde está
gravada a Lei Maior, mesmo que não queiramos nos lembrar dela. Então, faltamos
com a caridade, somos egoístas, orgulhosos, invejosos, ingratos, enganamos
nosso próximo, agimos com violência porque estamos muito longe do nosso Pai e
procuramos até esquecer que ele existe.
Mas, um dia, toda a herança que o filho pródigo recebeu acabou e ele ficou sem
nada. Dinheiro, sucesso e, consequentemente, amigos foram desaparecendo.
É assim que fazemos. Temos em nosso coração um enorme tesouro que a traça
não rói e os ladrões não levam, mas deixamos que ele se vá. Todo talento ou
capacidade que recebemos deve ser bem aproveitado. Imaginemos o caso da
mediunidade, por exemplo. Utilizá-lapara obter vantagem pessoal ou,
simplesmente, não utilizá-la são formas de desperdício da herança paterna. No
primeiro caso, é como se apropriar de algo que não nos pertence. Se cobramos,
seja o que for, uma roupa, alimento, por um trabalho mediúnico, estamos
recebendo por um trabalho que é do espírito. Receber por um serviço que você
não prestou é crime. Se, simplesmente, não dermos vazão à nossa capacidade
mediúnica, bem, ninguém será castigado por isso. Mas não é uma grande pena
desperdiçar uma oportunidade de fazer o bem, de utilizar um dom seu? É
desperdiçar a oportunidade de investir no próprio progresso através do serviço.
O filho pródigo desperdiçou, inconsequentemente, tudo o que tinha e tornou-se
vazio, sem nada para oferecer, nem para si. Com isso os amigos, que eram como
ele, não quiseram mais sua presença. Ele atraiu para junto de si pessoas
sugadoras, como ele mesmo. Nunca pensavam em produzir nada, só usufruir.
Assim, como ele não tinha mais o que oferecer, não era mais interessante.
Quem não conhece ninguém assim? Pessoas que sugam sua paciência, seu bom
humor, que estão sempre precisando de um passe, de um conselho da
Espiritualidade, de uma palavra amiga que pode custar duas horas de telefone,
mas que são incapazes de dar uma sopa a um doente, sempre sem tempo para o
próximo, mesmo que esse próximo já a tenha servido em inúmeras ocasiões? E se,
porventura, em uma situação apenas, elas não forem atendidas no que buscam,
tornam-se tremendamente sensíveis e magoadas.
Pois era com gente assim que o personagem da parábola andava, já que ele
mesmo nada fazia, nem para si nem para ninguém.
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Não vou defender aqui uma atitude exclusivista, no entanto, é natural o espírito
procurar por aqueles com quem mais se afiniza. Se queremos falar sobre filosofia,
por exemplo, procuraremos pessoas que gostem deste assunto e até que
entendam dele para esclarecerem nossas dúvidas; se buscamos informações
sobre nossa família, procuraremos parentes mais velhos; se queremos
informações fúteis sobre a vida alheia, sobretudo de pessoas famosas,
buscaremos as revistas próprias para isso. Assim, buscando progredir, é
importante que busquemos o convívio com aqueles que querem o mesmo que nós.
Quem está satisfeito como está não vai nos compreender, nem nós a ele.
Nosso personagem chegou ao fundo do poço. Dividia a comida com os porcos e,
só então, concluiu: "Meu Pai não trata um servo assim."
Entendeu, por fim, pela dor, que, na casa do Pai, ainda que como empregado,
estaria melhor do que em qualquer outro lugar. É comum que precisemos chegar
ao máximo do desespero para entendermos que precisamos de Deus, que
precisamos retomar nosso caminho.
E quando isso acontece, sinceramente, quando somos verdadeiros em nossa
intenção de mudar, sentimos Deus prontamente ao nosso lado, como o Pai abriu
os braços para o filho logo que o viu apontar na estrada.
Sem perguntas, sem cobranças, sem censura. A estrada pode ser longa, difícil de
percorrer, cheia de obstáculos, mas Deus estará conosco e a confiança no que
encontraremos no final nos anima.
O filho confiou no amparo do Pai e teve muito mais do que esperava. Ele se
contentaria em ser servo, mas, para o Pai, jamais deixou de ser filho e foi recebido
nesta condição.
Ninguém fica mais feliz do que nosso Pai com nosso retorno e as coisas
passadas devem servir apenas como lição e não como culpa a ser eternamente
carregada. Ele sabe que tudo fez parte de nosso aprendizado, não porque ele
tenha determinado assim, afinal nos afastamos por nosso próprio livre-arbítrio, mas
porque foi o caminho que nós escolhemos. O caminho do egoísmo, do
individualismo, da ambição, do esquecimento de que somos filhos de Deus e,
consequentemente, de que todo aquele a quem de alguma forma ferimos é nosso
irmão.
Mas, então, estamos de volta, dispostos a agir novamente como filhos
obedientes. Porém, não devemos nos esquecer de um importante personagem
desta história que, de vez em quando, nos toma completamente. Espíritas, alerta
máximo! Cuidado com o filho mais velho! O hábito de achar que somos melhores
porque oramos mais, praticamos esta ou aquela religião, temos certos gestos que
consideramos de caridade, pode nos trazer a ideia de que somos mais
merecedores do que os outros e isto é um erro. Em primeiro lugar, porque tendo a
dimensão do todo, Deus tem um conceito de justiça perfeito e sabe o que é melhor
para cada um. Sabemos o que desejamos, mas nem sempre sabemos de que
precisamos. Em segundo lugar, porque o único espírito que realmente pode se
arvorar em nosso irmão mais velho, além, é claro, de nossos mentores, é Jesus,
que tem o mesmo amor por todos nós, igualmente, e fica igualmente feliz quando
um de nós retorna. Ele aprendeu a ser feliz com o que faz feliz ao Pai.
Aprendamos, com esta parábola carregada de amor, que o mundo com que
sonhamos, o Reino de Deus que tanto desejamos, começa nas nossas atitudes e
pensamentos, onde nunca devemos nos esquecer da vontade do Pai.
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MANIFESTO PELA CONCÓRDIA E PELA PAZ
Leonardo Boff
Nenhum ser humano é uma ilha… por isso não perguntem por quem os sinos
dobram. Eles dobram por cada um, por cada uma, por toda a humanidade. Se
grandes são as trevas que se abatem sobre nossos espíritos, maiores ainda são as
nossas ânsias por luz.
A palavra maior e última que clama em nós e nos une a toda a humanidade é por
solidariedade e compaixão pelas vítimas, é por paz e sensatez nas relações. Todas
as relações.
As tragédias dão-nos a dimensão da inumanidade de que somos capazes. Mas
também deixam vir à tona o verdadeiramente humano que habita em nós, para
além das diferenças de raça, de ideologia e de religião. E esse humano em nós faz
com que juntos choremos, juntos nos enxuguemos as lágrimas, juntos oremos,
juntos busquemos a justiça, juntos construamos a paz e juntos renunciemos a
qualquer tipo de vingança.
A sabedoria dos povos e a voz de nosso coração nos testemunham: não é
terrorismo que vence terrorismo, nem é ódio que vence ódio. É o amor que vence o
ódio. É o diálogo incansável, a negociação aberta e o acordo justo que tiram as
bases de qualquer terrorismo e fundam a paz.
A tragédia que nos atinge o coração nos convida a repensarmos os rumos das
políticas mundiais, o sentido da globalização dominante, a definição do futuro da
humanidade e a salvaguarda da Casa Comum, a Terra. O tempo é urgente. Desta
vez não haverá uma arca de Noé que salve alguns e deixe perecer os demais.
Temos que nos salvar todos, a comunidade de vida de humanos e não-humanos.
Para isso, precisamos abolir a palavra inimigo. É o medo que cria o inimigo. E
exorcizamos o medo quando fazemos do distante um próximo e do próximo, um
irmão e uma irmã. Afastamos o medo e o inimigo quando começamos a dialogar…
a nos conhecer… a nos aceitar… a nos respeitar… a nos amar… enfim, numa
palavra, a nos cuidar. Cuidar de nossas formas de convívio na paz, na
solidariedade e na justiça. Cuidar de nosso meio ambiente para que seja um
ambiente inteiro, no qual seja possível o convívio entre os diferentes. Cuidar de
nossa querida e generosa Mãe Terra.
Caminhemos rumo a relações mais inclusivas entre todos, na direção de mais
compaixão e solidariedade entre os seres vivos, humanos e não-humanos, no
caminho da reverência diante da vida, do compromisso pela justiça, pelo cuidado e
pela paz, na alegre celebração da existência. Cada um é chamado a colocar o seu
tijolo na construção deste santuário da paz, da benquerença e da cooperação
mundial e planetária.
Que o Espírito Criador que nos habita e que conduz misteriosamente os caminhos
da história nos acompanhe com sua luz e com seu calor, para realizarmos esses
propósitos coletivos e humanitários. Amém. Assim seja. Fonte: leonardoboff.com.br
13
CAMPANHA PERMANENTE
O culto do Evangelho no lar não é uma inovação
Amplie o bem que existe em você. Participe:
faça e ensine a fazer o Evangelho no Lar e no Coração
O culto do Evangelho no lar não é uma inovação. É uma necessidade em toda
parte, onde o Cristianismo lance raízes de aperfeiçoamento e sublimação.
A Boa-Nova seguiu da Manjedoura para as praças públicas e avançou da casa
humilde de Simão Pedro para a glorificação no Pentecostes.
A palavra do Senhor soou, primeiramente, sob o teto simples de Nazaré e, certo,
se fará ouvir, de novo, por nosso intermédio, antes de tudo, no círculo dos nossos
familiares e afeiçoados, com os quais devemos atender às obrigações que nos
competem no tempo.
Quando o ensinamento do Mestre vibre entre as quatro paredes de um templo
doméstico, os pequeninos sacrifícios tecem a felicidade comum.
A observação impensada é ouvida sem revolta.
A calúnia é isolada no algodão do silêncio.
A enfermidade é recebida com calma.
O erro alheio encontra compaixão.
A maldade não encontra brechas para insinuar-se.
E aí, dentro desse paraíso que alguns já estão edificando, a benefício deles e dos
outros, o estímulo é um cântico de solidariedade incessante, a bondade é uma
fonte inexaurível de paz e entendimento, a gentileza é inspiração de todas as
horas, o sorriso é a sombra de cada um e a palavra permanece revestida de luz,
vinculada ao amor que o Amigo Celeste nos legou.
Somente depois da experiência evangélica do lar, o coração está realmente
habitado para distribuir o pão divino da Boa-Nova, junto da multidão, embora
devamos o esclarecimento amigo e o conselho santificante aos companheiros da
romagem humana, em todas as circunstâncias.
Não olvidemos, assim, os impositivos da aplicação com o Cristo, no santuário
familiar, onde nos cabe o exemplo de paciência, compreensão, fraternidade,
serviço, fé e bom ânimo, sob o reinado legítimo do amor, porque, estudando a
Palavra do Céu em quatro Evangelhos, que constituem o Testamento da Luz,
somos, cada um de nós, o quinto Evangelho inacabado, mas vivo e atuante, que
estamos escrevendo com os próprios testemunhos, a fim de que a nossa vida seja
uma revelação de Jesus, aberta ao olhar e à apreciação de todos, sem
necessidade de utilizarmos muitas palavras na advertência ou na pregação.
Fonte: XAVIER, Francisco Cândido. Luz no Lar. Por diversos Espíritos. 8. ed. Rio
de Janeiro: FEB, 1997. Cap. 1, p. 11-12.
Sugestão importante: introduza em seu lar a
prática do Evangelho.
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APELO
Eno Theodoro Wanke
Ponta Grossa, Pr., 23/06/1905 - Rio de Janeiro, RJ, 05/2001
Eu venho da lição dos tempos idos
e vejo a guerra no horizonte armada.
Será que os homens bons não fazem
nada?
Será que não me prestarão ouvidos?
É preciso ganhar maturidade,
no fomento da paz e da verdade,
na supressão do mal e da loucura...
Eu vejo a Humanidade Manejada
em prol dos interesses corrompidos.
É mister acabar com esta espada
suspensa sobre os lares oprimidos!
Que a estrutura econômica da
guerra se faça em pó!
E que reinem sobre a terra
os frutos do trabalho e da fartura!
Colaboração de Luiz Carlos Nunes D’Angelo
CALAMIDADES
Quando olhamos para o mundo à nossa volta, parece-nos que se multiplicam as
catástrofes, os desastres, os cataclismos. Em um momento como este, no mês de
janeiro, em que as atenções se voltaram para o que houve na região serrana do
Rio de Janeiro, os questionamentos são vários e envolvem até a Justiça (ou para
alguns, a injustiça) Divina. Por que acontece esse tipo de coisas? Qual a finalidade
desses acidentes que causam a morte de várias pessoas? Como a Justiça Divina
pode ser percebida nessas situações? Por que algumas pessoas escapam?
O Espiritismo, enquanto doutrina libertadora, progressista e evolutiva, e por isso
mesmo considerada consoladora, objetiva auxiliar-nos a entender o porquê dos
acontecimentos de nosso dia-a-dia, inclusive dos mais trágicos. Assim, entendendo
a Lei Natural e a Lei de Justiça Divina, se obtém a aplicação desses princípios no
cotidiano, favorecendo sua vivência, promovendo a coerência entre o crer e o agir.
Naturalmente, as respostas exigem reflexão aprofundada com base em princípios
fundamentais do Espiritismo, como a multiplicidade das encarnações e a
anterioridade do Espírito. Esses pontos somam-se ao fato de que nós, enquanto
Espíritos em processo evolutivo, temos um passado de descumprimento da lei
divina que precisa ter seu rumo corrigido, não apenas para equacionar nossos
problemas de consciência, mas também para nos harmonizar com nossos
semelhantes, afetados pelas nossas ações de desvirtuamento da Lei.
Entendendo o que a Doutrina nos diz sobre o assunto, substituamos a postura
usual de críticos e questionadores. Conheçamos o caminho para aplicarmos, de
forma dinâmica e prática em nosso dia-a-dia, a Doutrina que abraçamos, pela
análise do mundo e sua transformação, percebendo a profundidade de conceitos
como fatalidade, resgate coletivo, regeneração do planeta, além de favorecer o
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entendimento de ensinamentos de Jesus, relacionados àquilo que alguns chamam
de sinais dos tempos.
Fatalidade, destino, azar são palavras sempre lembradas em situações como
essa - palavras que não combinam com a Doutrina Espírita. Que conceitos estão
por trás dessas palavras? Em "O Livro dos Espíritos", as questões de 851 a 867
tratam de fatalidade e, entre outras informações, destaca-se o fato de que "a
fatalidade só existe no tocante à escolha feita pelo Espírito, ao encarnar, de sofrer
esta ou aquela prova. Ao escolhê-la, ele traça para si mesmo uma espécie de
destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra". (LE 851)
Mais à frente (LE 853), está dito que "fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o
instante da morte. Chegado esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não
podeis furtar-vos.”
A questão seguinte (LE 853a) melhor explica esse ponto, frisando que quando é
chegado o momento de retorno para o Plano Espiritual, nada "te livrará" e,
frequentemente, o Espírito também sabe o gênero de morte por que partirá daqui,
"pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência". Não
esquecer, jamais, que "somente os acontecimentos importantes e capazes de
influir na tua evolução moral são previstos por Deus, porque são úteis à tua
purificação e à tua instrução" (LE 859a).
Como vemos, a fatalidade só existe como algo temporário frente à nossa
condição de imortais, com a finalidade de realinhamento de rumo. No entanto, essa
situação não é engessada. Graças à Lei de Ação e Reação e ao Livre-Arbítrio, o
homem pode evitar acontecimentos que deveriam realizar-se, como também
permitir outros que não estavam previstos. (LE 860)
Então o que a Doutrina nos fala sobre esse caso? A resposta está no resgate
coletivo, conceito que envolve a correção de rumo de um grupo de Espíritos que,
em alguma outra encarnação, cometeu atos semelhantes - e muitas vezes em
conjunto - de descumprimento da lei divina e que, portanto, para individualmente
terem a consciência tranquilizada, precisam sanar o débito. Toda a problemática,
nesse caso, está no trabalho dos mentores na reunião desses Espíritos de modo a
que, juntos, possam se reajustar frente à Lei Divina.
O resgate de nossas ações contrárias à Lei Divina, ao Bem e ao Amor pode
ocorrer de várias formas, inclusive coletivamente. O objetivo, segundo LE 737, é
"fazê-lo avançar mais depressa" e as calamidades "são frequentemente
necessárias para fazerem com que as coisas cheguem mais prontamente a uma
ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos
séculos". Além disso, (LE 740), "são provas que proporcionam ao homem a
ocasião de exercitar a inteligência, de mostrar sua paciência e sua resignação ante
a vontade de Deus, ao mesmo tempo em que lhe permitem desenvolver os
sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo.”
E assim, entendemos o sentimento de solidariedade que essas calamidades
despertam, auxiliando todos a desenvolver o amor. O importante, diretamente para
16
os mais envolvidos, para que o progresso ocorra, como dito em "O Evangelho
Segundo o Espiritismo", capítulo 14, item 9, é "não falir pela murmuração", pois "as
grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de
aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus.”
Nesta frase selecionada no ESE está uma informação de cabal importância:
“indício de aperfeiçoamento do espírito”. A meta é impulsionar o progresso: a Lei
do Progresso - que determina ao homem o progresso incessante, sem retrocesso,
no campo intelectual e moral - cada um a seu tempo, seguindo seu ritmo próprio,
sendo que "se um povo não avança bastante rápido, Deus lhe provoca, de tempo
em tempos, um abalo físico ou moral que o transforma". (LE 783)
Como vemos, o progresso se faz sempre, e quando estamos atravancando-o,
Deus, em sua infinita bondade e justiça, lança mão de instrumentos que nos
impulsionem à frente. O objetivo é nos levar a cumprir a escala evolutiva, saindo de
nossa condição de Espíritos imperfeitos moralmente para a de espíritos
regenerados, até atingirmos a condição de Espíritos puros. Essa transposição, de
imperfeito moralmente para regenerado, marca a atual fase de transição que
vivenciamos, plena de flagelos destruidores, de calamidades, de acidentes com
grande número de mortos.
Nos evangelhos segundo Mateus, Marcos e João, há várias referências aos
sinais precursores de uma transformação no estado moral do Planeta,
caracterizada pelo anúncio de calamidades diversas que atingirão a humanidade e
dizimarão grande número de pessoas, para que, na sequência, ocorra o reinado do
bem, sejam instituídas a paz e a fraternidade universal, confirmando a predição de
que após os dias de aflição virão os dias de alegria. O que é anunciado nessas
passagens evangélicas não é o fim do mundo de forma absoluta e real, mas o fim
deste mundo que conhecemos, em que o mal aparentemente se sobrepõe ao bem
e, como afirma Allan Kardec, em "A Gênese", capítulo 17, item 58, "o fim do velho
mundo, do mundo governado pela incredulidade, pela cupidez e por todas as más
paixões a que o Cristo alude.”
Para que esse novo mundo se instale (GE capítulo 18), é fundamental que a
população seja preparada para habitá-lo. Para tanto, teremos, todos nós, de
equacionar alguns problemas de nosso passado, construindo nosso progresso
moral. Não há transformação sem crise, e catástrofes e cataclismos são crises que
agitam a humanidade, despertando-a para a solidariedade, a fraternidade, o bem.
Temos, então, de ver a humanidade como "um ser coletivo no qual se operam as
mesmas revoluções morais que em cada ser individual". (GE, capítulo 18 item 12)
Nesse contexto, a fraternidade será a pedra angular da nova ordem social, com o
progresso moral, secundado pelo progresso da inteligência, assegurando a
felicidade dos homens sobre a Terra.
Comissão editora de Kardebraile, baseada num artigo de Katia Penteado, no livro
"Após a Tempestade", de Joana de Ângelis, através de Divaldo Pereira Franco e
em livros citados no texto.
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MUTANTES
Deepak Chopra
Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo
que pensamos e sentimos!
Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo
modificadas por eles.
Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao
contrário, pode fortificá-lo tremendamente.
A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida.
A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de
pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.
Quem está deprimido por causa da perda de um emprego, projeta tristeza por
toda parte no corpo - a produção de neurotransmissores por parte do cérebro
reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores
neuropeptídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as
plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e
até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lágrimas de alegria.
Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa
encontra uma nova posição.
Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos
que realmente desejamos.
A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão
por causa de um emprego perdido.
O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.
Shakespeare não estava sendo metafórico quando, próspero, disse: "Nós somos
feitos da mesma matéria dos sonhos."
Você quer saber como está seu corpo hoje? Lembre-se do que pensou ontem.
Quer saber como estará seu corpo amanhã? Olhe seus pensamentos hoje!
Ou você abre seu coração ou algum médico o fará por você!
Fonte: http://www.pensador.info/autor/Deepak_Chopra/
“Somos todos viajantes de uma jornada cósmica - poeira de estrelas,
girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos do infinito. A vida é eterna. Mas
suas expressões são efêmeras, momentâneas, transitórias.”
Fonte: “Deus Aguarda”, pelo espírito Meimei, através de Chico Xavier.
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EM BUSCA DA FELICIDADE
José Walter de Figueiredo
O que é felicidade? Não estou interessado na definição dos dicionários, mas no
conceito que cada um tem para si. Se eu perguntasse para 10 pessoas, o que é
felicidade, talvez obtivesse 10 respostas diferentes, tão subjetivo é esse conceito.
Há quem diga - e eu concordo - que a motivação principal da nossa vida é
encontrar a felicidade. Então, tudo o que faríamos seria para obtê-la.
Mas aí cabe a pergunta: por que não a obtemos? Ou será que já a temos e não
sabemos? É sobre esse tema tão controvertido, caro leitor, que me proponho a
refletir com você. Mas, desde já, vamos estabelecer um acordo:
Tudo que eu disser sobre isso, será tão-somente a minha opinião, e opinião, cada
um tem a sua. Portanto, não tome como verdade o que eu escrever aqui, mas
reflita e veja se faz sentido para você. O meu propósito é que você tenha mais um
ponto de vista para considerar ao formar a sua opinião.
A meu ver, o que nos impede de sermos felizes é o sofrimento. É ele a maior
causa da nossa infelicidade. Mas por que sofremos tanto? Não sei se você já
reparou, várias podem ser as causas do nosso sofrimento: falta de saúde, de
dinheiro, conforme costumamos falar, de um "amor", perda de um ente querido...
Mas tudo isso acontece porque queremos satisfazer os nossos desejos. Por
exemplo: Nós sofremos com a falta de saúde porque queremos ter saúde; com a
falta de dinheiro, um "amor", etc, porque queremos obter essas coisas; sofremos
com a perda de um ente querido porque queremos conservá-lo perto de nós. Mas a
vida, sobre a qual não temos controle, nem sempre contempla os nossos desejos.
Por vida, me refiro às situações da vida que envolvem pessoas, coisas e
acontecimentos.
Mas você pode estar se perguntando: E por que isso acontece? Vivemos em um
mundo de prova e expiação, segundo os espíritos disseram a Kardec. Ora, se o
mundo é assim, tudo que nos acontece aqui, por dedução, ou é prova ou expiação.
A sua profissão, status social, lugar onde vive, pessoas do seu relacionamento,
parentes, saúde, acontecimentos, etc, têm a mesma causa.
Então, quando acontecer o que você não deseja, diga pra você mesmo: "E daí?
Eu não vim a este mundo para me satisfazer, mas para cumprir uma programação
que eu mesmo fiz."
Bem, se, como vimos, sofremos porque nem sempre conseguimos satisfazer os
nossos desejos, por que, então, não acabamos com eles? Seria o ideal, mas não é
fácil. Você conhece alguém que não tenha desejos? E por que os temos?, Talvez
você se pergunte... Há uma teoria, com a qual eu concordo, que diz que, pelo fato
de termos sido criados por Deus, que é perfeito, nós também o somos. Portanto,
nada nos falta, já que a obra da Perfeição não pode ser imperfeita, ou seja, já
temos a felicidade e não sabemos. Também disseram os espíritos a Kardec que
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fomos criados simples e ignorantes, isto é, puros, mas sem o conhecimento. Não
sei se você concorda, mas, para mim, essa ignorância é, sobretudo, da presença
de Deus em nós. É tudo que precisaríamos para sermos totalmente e eternamente
felizes. Daí a razão dos nossos desejos, já que procuramos fora, o que já temos
dentro de nós e não percebemos. Ora, se já temos o que buscamos, então não
precisamos buscar mais nada, a questão é sabermos acessar o que já temos por
herança divina.
E como fazer isso? Combatendo em nós tudo que é gerado pelo egoísmo: a
posse material e moral, que gera o apego às coisas e às pessoas; querer sempre
ganhar e nunca perder, seja no aspecto material (coisas) ou moral (impor a nossa
opinião aos outros); querer a fama, ou seja, que falem bem de você e não que
falem mal; querer que tudo aconteça conforme as suas expectativas, esquecendose que veio a esse planeta para ser testado, para provar a você mesmo que é
capaz de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Perceba que por trás de todos os desejos há um profundo sentimento
individualista de "amor próprio", que contempla somente você. Mesmo que a mente
venha com argumentos que lhe pareçam lógicos, observe bem e veja se, no fundo,
um daqueles itens não estão sendo contemplados.
Então, leitor amigo, se você não é daqueles que, por indolência e falta de fé,
argumentam que esse trabalho é para espíritos superiores, que somos ainda muito
inferiores, que vão deixar isso para a próxima encarnação, etc, comece a pôr em
prática já os seus conhecimentos, observando os pensamentos, as emoções e as
imagens que lhe vêm à mente.
Você não precisa de nada para ser feliz. Comece a se libertar de todas as
quinquilharias que adquiriu por engano, achando que o levariam à felicidade. Ela
não depende de coisas, acontecimentos, nem de pessoas.
Sua característica principal, assim como o amor, é a incondicionalidade. Saiba
que uma coisa é não conseguir o seu intento imediatamente, pelas dificuldades
que temos, e outra é não acreditar em você ou não estar disposto a vencer o
mundo, conforme Jesus, porque para muitos é mais fácil se lamuriar do que
enfrentar a si próprio. Não se esqueça de que, como na parábola do filho pródigo, o
Pai só espera um gesto seu para, de braços abertos, recebê-lo em Seu Reino.
AJUDE A NATUREZA! NÃO DESTRUA!
Carlos Torres Pastorino
"Ajude a Natureza! Não destrua os bens que a natureza coloca a seu dispor, para
ajudá-lo a progredir.
Coopere com as árvores, porque elas cooperam com a vida, na purificação do ar
que você respira. Colabore com a pureza das fontes, porque elas lhe fornecem
água para dessedentar seu corpo.
Auxilie o solo a produzir, para que o pão seja sempre farto na mesa de todos.
Ajude a Natureza!" Livro “Minutos de Sabedoria”
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A IMENSA ALEGRIA DE SERVIR
Gabriela Mistral
Toda natureza é um desejo de serviço.
Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco.
Onde houver uma árvore para plantar,
planta-a tu;
onde houver um erro para corrigir,
corrige-o tu;
onde houver uma tarefa que todos recusem,
aceita-a tu.
Sê quem tira
a pedra do caminho,
o ódio dos corações
e as dificuldades dos problemas.
Há a alegria de ser sincero e de ser justo;
há, porém, mais do que isso,
a imensa alegria de servir.
Como seria triste o mundo
se tudo já estivesse feito,
se não houvesse uma roseira para plantar,
uma iniciativa para lutar!
Não te seduzam as obras fáceis.
É belo fazer tudo
que os outros se recusam a executar.
Não cometas, porém, o erro
de pensar que só tem merecimento executar
as grandes obras;
há pequenos préstimos que são bons serviços:
enfeitar uma mesa.
arrumar uns livros.
pentear uma criança.
Aquele é quem critica,
este é quem destrói;
sê tu quem serve.
Servir não é próprio dos seres inferiores:
Deus, que nos dá fruto e luz,
serve.
Poderia chamar-se: o Servidor.
E tem os seus olhos fixos nas nossas mãos
e pergunta-nos todos os dias: - Serviste hoje?
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VAMOS REFLETIR JUNTOS?
CONFLITO INTERIOR
Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece
dentro das pessoas.
Ele disse:
- Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau - É a
raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo,
culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e egocentrismo.
O outro é Bom - É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade,
bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.
O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: - Qual lobo vence?
O velho índio respondeu:
- Aquele que você alimenta!
GRUPO UNIVERSALISTA DOS CIRENEUS –
TELE-CRISTO – DEUS AMA VOCÊ
Luiz Cláudio de Oliveira Millecco
É curioso: desde a infância acontece uma coisa muito significativa na vida da
gente – nós desejamos ardentemente uma coisa – essa coisa, por hipótese, chega
à nossa mão. Na hora é aquela satisfação, aquela alegria – depois o vazio volta. O
que significa isso? Significa, antes de mais nada, que todo ser humano foi criado
para crescer e a busca da plenitude é o nosso destino. Significa também que nós
costumamos buscar fora o que está dentro de nós. É verdade que as coisas de
fora podem completar a nossa felicidade, mas não podem nem tirar nem nos dar
esta felicidade. É verdade que as pessoas e coisas de fora provocam a nossa
alegria – mas a alegria já está dentro de nós, escondidas na nossa alma. No dia
em que nos encontrarmos, no dia em que percebermos esta felicidade e o principal
sinônimo dela que é Deus dentro de nós, então, continuaremos a ser felizes com
todas as felicidades de fora, mas, ao mesmo tempo, conseguiremos viver
perfeitamente, caso nos falte qualquer uma delas. Que tal pensar?
Para um diálogo amigo conosco, ligue, de 2ª a 6ª, das 15 h às 21 h, para os
telefones: 2261-2612 e 2581-4174. Para ouvir uma mensagem, 2568-4472. Ou
escreva para a Rua Dr. Garnier, 217 – Rocha. E lembre-se:
“Você é importante para Deus e para nós também.”
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O REINO DE DEUS DENTRO DO HOMEM
Huberto Rohden
“Mestre – perguntaram, um dia, os homens -, onde está o reino de Deus?”
“O reino de Deus – respondeu o Nazareno – não vem com o aparato exterior;
nem se pode dizer: ei-lo aqui! Ei-lo acolá! O reino de Deus está dentro de vós”.
Entretanto, os homens, cegos para essa luz, continuam a procurar o reino de
Deus fora de si mesmos, em vãs exterioridades.
O reino de Deus é o reino da verdade e do bem.
O reino da justiça e da paz.
O reino do amor e da caridade.
O reino da humanidade e da pureza.
Quando o homem tem dentro da alma essas coisas, está no meio do reino de
Deus – porque dentro dele está o reino de Deus.
Ninguém pode entrar no reino de Deus – se nele não entrar o reino de Deus.
O homem que uma vez entrou no reino de Deus – encontra Deus por toda parte.
Encontra a Deus na grandeza do cosmo visível – e nos mistérios da alma
invisível.
Vê a Deus no fulgor do relâmpago – e no matiz das flores do prado.
Ouve a Deus no bramir da procela – e no silêncio das noites estreladas.
Adivinha a Deus nos indefesos labores da abelha – e nos indolentes devaneios da
borboleta. Contempla a Deus nos etéreos primores do arco-íris – e nas pupilas de
inocente criança.
Percebe a Deus no sorriso feliz de uma noiva – e nas lágrimas acerbas do
agonizante.
O homem que dentro de si descobriu a Deus – descobre-o por toda parte fora de
si.
Pois Deus é espírito onipresente – basta possuir a necessária vidência espiritual
para encontrá-lo em cada uma das suas obras, espelhos e enigmas da Divindade.
É justo, ó homem, que tenhas lugares de culto onde, com teus irmãos, cantes
louvores a Deus – mas não restrinjas a esse momento o culto divino.
Cultua a Divindade onipresente e onividente no santuário do Eu e do lar.
Adora o Altíssimo nas maravilhas da Natureza e nos prodígios da cultura.
Venera o eterno Anônimo até nos gemidos da dor e nos paradoxos do mal.
Se dentro de ti não encontraste o reino de Deus – em nenhuma parte o
encontrarás.
Por toda parte verás o reino de Satã – dentro e fora de ti.
Pois o homem não enxerga as coisas como elas são – mas, sim, como ele é.
Projeta ao mundo externo o colorido do seu mundo interno.
O homem sem Deus contempla, sem Deus, o mundo repleto de Deus.
O homem repleto de Deus encherá de Deus as almas sem Deus.
Proclama em tua alma, ó homem, o reino de Deus – e tua plenitude transbordará
em outras almas.
Só pode fazer bons os homens quem é bom ele mesmo.
Só pode encher de Deus quem está cheio de Deus.
O homem divinizado diviniza os homens.
Livro “De Alma Para Alma”
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TEMA DE AGOSTINHO
LUIZ ANTONIO MILLECCO FILHO
“Fizeste-me para ti, Senhor
Inquieto está o meu coração
Até que encontre alívio em ti”
“Fizeste-me para ti, Senhor
Inquieto está o meu coração
Até que encontre alívio em ti”
Penetra os labirintos da minha vida
Fecunda meus amores com teu amor
Comanda sem reservas o meu
destino
Alimenta minhas lutas com tua paz
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