olhares sobre a crise brasileira - Sinduscon-SP

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olhares sobre a crise brasileira - Sinduscon-SP
OPINIÃO: José Pastore, Luciano Amadio Filho, Flávio Boan
Nº 148
ano 12
set 2015
4
olhares
sobre a crise
brasileira
Economistas de diferentes tendências
discutem causas e buscam saídas para
a armadilha que trava o crescimento.
INDICADORES E ANÁLISES:
Conjuntura da Construção passa a circular
trimestralmente em encarte nesta revista
w w w. s i n d u s c o n s p . c o m . b r
editorial
Impõe-se uma profunda
reforma do Estado
José Romeu Ferraz Neto
Presidente do SindusCon-SP
N
ão adianta mais o governo propor reduções pontuais de gastos e elevações de tributos para o
resgate da confiança e a retomada dos investimentos. Isto foi demonstrado com clareza pela forte
reação contrária à maioria dos
itens do pacote fiscal lançado em
setembro. Somente uma profunda reengenharia do Estado será
capaz de liberar vultosos recursos
para investimentos, promover o
crescimento econômico e recuperar a confiança dos investidores.
Essa reforma precisa pôr fim
ao engessamento do Orçamento e
à expansão contínua das despesas
públicas, frequentemente sem fontes de financiamento adequadas.
Executivo e Legislativo devem
enfrentar corajosamente o desafio
de promover uma reforma profunda da Previdência, revendo as regras de concessão de benefícios
e substituindo progressivamente
o atual regime de contribuição
pela exigência de uma idade mínima para aposentadoria.
A máquina pública precisa
ser renovada e enxugada para
tornar-se produtiva. Os mesmos
desafios devem ser enfrentados
por Estados e municípios, com a
adequação de suas despesas ao
fluxo de sua arrecadação ao longo
do tempo.
Tudo o que for prejudicial à
produtividade da economia necessita ser erradicado, a começar pela elevada carga tributária
e complexa arrecadação. Não há
sentido em seguirmos desestimulando o emprego formal por meio
de uma legislação trabalhista anacrônica. Os negócios não podem
continuar submetidos ao alto grau
de insegurança jurídica existente.
É preciso repensar o sistema
educacional e instituir um ensi-
“POR SEU EFEITO
EM CASCATA, UMA
CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA
À PREVIDÊNCIA SÓ
CAUSARÁ MAIS INFLAÇÃO
E RECESSÃO”
no técnico estimulante e de alta
qualidade, a exemplo do existente em países como a Alemanha.
O estímulo aos investimentos
privados deve ser priorizado, removendo-se entraves ideológicos
ao capital privado e tornando as
parcerias público-privadas e concessões cada vez mais atrativas.
As agências reguladoras precisam reconquistar sua independência em relação ao Estado, que
necessita assumir integralmente
seu papel de fomentar investimentos, como ocorre em nações
como o Japão.
Quanto à construção, lamentamos a tentativa do governo de instituir uma Contribuição Provisória
à Previdência, que por seu efeito
em cascata só causará mais inflação e recessão. E certamente a
elevação da tributação exclusiva
sobre alienação de bens será prejudicial aos negócios imobiliários.
Já era esperada a rejeição,
por parte de parlamentares, de
vincular metade de suas emendas a projetos do PAC. Portanto,
o corte adicional do pacote fiscal
de R$ 3,8 bilhões nas obras de
infraestrutura deste programa
afetará a construção e aumentará
o desemprego.
Um dos pontos positivos do
pacote foi a substituição do
Orçamento pelo FGTS, como fonte de R$ 4,8 bilhões destinados à
faixa 1 do Programa Minha Casa,
Minha Vida. Espera-se agora que
novas contratações não comprometam o andamento do que já
está sendo edificado.
Mas não podemos perder de
vista a necessidade de uma profunda reforma do Estado. Para
tanto, será indispensável superar
a profunda crise política instaurada no país, algo que não se vislumbra no momento.
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3
JORGE ROSENBERG
Sumário // setembro 2015
06
03
20
EDITORIAL
Foto do mês
capa
Palavra do presidente
4 OLHARES SOBRE
A CRISE brasileira
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22
OPINIÃO
PRESIDENTE DA APEOP,
LUCIANO AMADIO filho
COBRA AÇÕES DO GOVERNO
FEDERAL PARA A RETOMADA
ECONÔMICA
NOTÍCIA
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24
destaque
FIM DA DESONERAÇÃO
TRIBUTÁRIA DA
CONSTRUÇÃO CIVIL AGRAVA
O QUADRO PARA AS
EMPRESAS DO SETOR
NOTÍCIA
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26
Notícias da Construção conversa
com quatro economistas, que
são unânimes ao considerar o
atual momento econômico do
País como de crise aguda e ao
rejeitar as propostas do governo
para combatê-la
OPINIÃO
PARA JOSÉ PASTORE,
É IMPOSSÍVEL PENSAR
EM CONSTRUÇÃO CIVIL
SEM TERCEIRIZAÇÃO
4
notícias da construção // setembro 2015
GOVERNO FRUSTRA AS
ExPECTATIVAS EM TORNO
DA FASE 3 DO MINHA CASA,
MINHA VIDA
PREFEITO FERNANDO
HADDAD ENVIA PROJETO
DO CÓDIGO DE OBRAS
À CÂMARA MUNICIPAL
NOTÍCIA
GOVERNO PAULISTA LANÇA
PPP NA ÁREA DE HABITAÇÃO
DE INTERESSE SOCIAL
PRESIDENTE
José Romeu Ferraz Neto
VICE-PRESIDENTES
28
NOTÍCIA
PREMIAÇÃO DO MASTER
IMOBILIÁRIO 2015 APONTA
AS TENDÊNCIAS DO
MERCADO
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CONCRETO
FlÁvIO BOAN FALA SOBRE
GESTÃO NA INDÚSTRIA
DA CONSTRUÇÃO
33
SINDUSCON-SP em ação
39
OPINIÃO
DAVI TANGERINO E ALDO
ROMANI NETTO ANALISAM A
NOVA LEI ANTICORRUPÇÃO
40
AGENDA
Eduardo Carlos Rodrigues Nogueira, Eduardo May Zaidan,
Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, Haruo Ishikawa,
Jorge Batlouni, Luiz Antônio Messias, Luiz Claudio Minnitti Amoroso,
Maristela Alves Lima Honda, Maurício Linn Bianchi,
Odair Garcia Senra, Paulo Rogério Luongo Sanchez,
Roberto José Falcão Bauer, Ronaldo Cury de Capua
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(Ribeirão Preto), Germano Hernandes Filho (São José do Rio Preto),
Márcio Benvenutti (Campinas), Mario Cézar de Barros (São José
dos Campos), Mauro Rossi (Mogi das Cruzes), Paulo Edmundo
Perego (Presidente Prudente), Ricardo Aragão Rocha Faria (Bauru),
Ricardo Beschizza (Santos), Sergio Ferreira dos Santos (Santo André)
REPRESENTANTES JUNTO À FIESP
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João Cláudio Robusti
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com colaboração das Regionais: Bruna Dias (Bauru);
Ester Mendonça (São José do Rio Preto); Giselda Braz (Santos);
Geraldo Gomes e Maycon Morano (Presidente Prudente);
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Marcio Javaroni (Ribeirão Preto); Lívia Lopes e Simone Marquetto
(Sorocaba); Sueli Osório (Santo André) e Vilma Gasques (Campinas).
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5
CAPA
Céu azul desapar
Conversamos sobre o momento conturbado pelo qual o País
atravessa com quatro destacados economistas brasileiros. Para
todos, está claro que a crise é aguda e tende a se agravar.
Aquele céu azul que vislumbrávamos em nossa matéria de capa
de três meses atrás agora está tomado por nuvens negras
TEXTO: PAULO SILVEIRA LIMA
FOTOS: JORGE ROSENBERG (NAKANO E SCHWARTSMAN), RODRIGO JORGE (VELLOSO) E KIKO FERRITE (GIANNETTI)
N
as duas últimas semanas de setembro,
Notícias da Construção procurou economistas de tendências variadas para conversar
sobre a atual crise que envolve o cenário político e econômico brasileiro. Eles parecem concordar
com o senso comum, com a percepção disseminada
de que vivemos uma crise aguda sem precedentes
na história recente do País. Tal como a maioria dos
empresários do setor da construção civil, os professores Yoshiaki Nakano, Raul Velloso, Alexandre
Schwartsman e Eduardo Giannetti da Fonseca não
conseguem vislumbrar uma saída dessa crise.
O pacote de ajuste fiscal adotado pelo governo
federal, cuja efetividade depende de aprovação pelo
Congresso Nacional, é visto com reservas por todos,
sendo alvo de pesadas críticas. “Eu acho que é praticamente uma brincadeira”, afirma Nakano. “O pacote
é basicamente uma piada”, considera Schwartsman.
“Essas medidas são uma espécie de esparadrapo
para cuidar de uma fratura”, compara Giannetti.
“A crise é grave porque nós estamos numa espécie de beco sem saída, temos um grande número de
anos, ainda, até o final desse governo, e existe uma
pressão muito forte a favor do impeachment, que vem
de vários lados”, analisa Velloso. Para Nakano, a crise
é produto da conjunção de taxas de juros “em um
nível absurdo”, da tendência permanente de apreciação da taxa de câmbio e de uma carga tributária muito alta. Esses fatores, juntos, travam o crescimento do
País. Além disso, afirma Nakano, vivemos “um violento processo de desindustrialização”. Velloso lembra que duas décadas atrás a indústria representava
30% do PIB, até cair para 9,1%, no último dado disponível do IBGE. Giannetti resume: “Esta é a maior
crise da história do real, sem dúvida”.
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notícias da construção // setembro 2015
Um governo acuado pela ameaça de impeachment
no comando de uma economia que recentemente
perdeu o grau de investimento, como consequência
do rebaixamento de rating pela agência Standard &
Poors, não poderia deixar de atrair olhares desconfiados dos analistas. “Não dá para vislumbrar o fim
da crise. Não se sabe o que esse governo vai fazer”,
afirma Nakano. “Eu ficaria muito surpreso se o Brasil
voltasse a crescer no ano que vem. Não vai. No médio prazo depende muito do imponderável da política, que é difícil de ser previsto”, analisa Giannetti.
Na edição nº 145, Notícias da Construção, após
ouvir atores importantes da cadeia produtiva da construção, publicou matéria de capa mostrando que havia uma expectativa do mercado por uma melhora do
cenário econômico no curto prazo. O céu azul, retratado naquela ocasião, agora está tomado por nuvens
negras, carregadas. As perspectivas para a economia
em geral, e para as empresas do setor em particular,
não são nada animadoras.
“O aperto de política fiscal e o aperto de política monetária vão trazer impactos negativos para
a atividade econômica. Elas são desenhadas para
isso: provocar queda de atividade para que a inflação não escape”, afirma Schwartsman ao se referir
ao pacote do governo. “Infelizmente, acho que nós
vamos passar ainda uns dois ou três anos muito
difíceis, e a melhor coisa que o setor privado faz é
pagar dívidas, desalavancar e não arriscar muito”,
recomenda Nakano.
“A indústria da construção é, infelizmente, uma
das mais afetadas por este quadro, pois depende
muito de crédito de longo prazo. Este é um momento que exige muita cautela dos empresários”,
alerta Giannetti.
ece do horizonte
ECONOMISTAS DE PESO
Para ajudar o leitor a entender o atual momento econômico nacional e os desdobramentos da crise, Notícias
da Construção conversou com nomes de peso. Professor e diretor da Escola de Economia da FGV, Yoshiaki
Nakano foi secretário da Fazenda do Estado de São Paulo de 1995 a 2001, secretário especial para assuntos econômicos do Ministério da Fazenda e consultor do Banco Mundial. É doutor em Economia pela
Universidade de Cornell (EUA).
Doutor em Economia pela Universidade de Yale (EUA), Raul Velloso é professor da Escola Nacional de
Administração Pública. Atuou no Ministério do Planejamento como secretário nacional adjunto (1990-91) e
secretário para Assuntos Econômicos (1985-89).
O cientista social Eduardo Giannetti da Fonseca tem doutorado em Economia pela Universidade de
Cambridge (Inglaterra), onde foi professor entre 1984 e 2001. Atualmente é professor no Insper.
Alexandre Schwartsman é doutor em Economia pela Universidade da Califórnia, Berkeley (EUA).
Foi diretor do Banco Central e atualmente também é professor do Insper.
Notícias da Construção conversou com os especialistas em separado, endereçando a eles as mesmas
questões. Acompanhe a seguir alguns trechos das entrevistas.
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CAPA
Notícias da Construção // O senhor
consegue traçar algum paralelo entre a
crise atual e algum outro momento da
nossa história econômica recente?
Eduardo Giannetti da Fonseca // Não.
Esta é a maior crise da história
do real, sem dúvida. Em termos
de gravidade, intensidade, eu
acho que o paralelo é com o final do governo Collor. Mas é um
quadro totalmente diferente, eu
acho que aquela crise da hiperinflação, do confisco da poupança
e do impeachment foi muito pior
do que esta até agora.
Yoshiaki Nakano // No âmbito econômico, talvez a gente encontre
semelhança com alguma coisa
séria do ponto de vista fiscal.
Mas como isso se mistura com
a crise política, que me lembre,
não houve nada parecido. Na
verdade, temos uma presidência
que tem se revelado totalmente
incompetente para dirigir o País,
não só no desastre das medidas
econômicas que foram tomadas
no passado – além de tudo, o PT
montou um esquema de governo baseado na corrupção, com
Mensalão e Petrolão, achando
que uma vez no poder pode fazer
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de tudo. Agora, o que se vê é um
vai e vem que deixa qualquer
um doido, ninguém consegue
prever. Ou seja, total incerteza. E
desembocamos já naquilo que se
costuma chamar de crise de confiança. Acho que estamos vivendo uma situação séria e eu não
vejo precedentes.
Alexandre Schwartsman // Crises são
momentos infelizes, e cada uma
é infeliz à sua maneira. Esta é
diferente daquilo que a gente viveu em outros momentos, eu não
consigo achar um paralelo claro.
Tipicamente, as crises brasileiras
estavam associadas a balanço de
pagamentos, toda manifestação
se dava no balanço de pagamentos. Não é o caso agora.
Raul Velloso // Pode ter paralelismo
em relação a alguns aspectos,
mas não quanto a todos os aspectos que a crise tem. As crises do
passado recente, em sua maioria,
se manifestaram numa situação
de escassez aguda de divisas.
Essa é uma diferença fundamental, porque quando há uma crise
com escassez aguda de divisas, e
isso em geral tem a ver com algum choque externo, isso facilita
notícias da construção // setembro 2015
o trabalho de aprovação de medidas impopulares, porque o governo tende a usar a ameaça externa
como justificativa para apresentar
uma medida impopular. Hoje,
existe um problema de divisas, no
sentido de que há uma pressão
sobre a taxa de câmbio, mas não
tem um choque externo, não tem
nada vindo de fora que possa ser
usado como motivo. Por mais que
o governo argumente que há algo
vindo do exterior, nós não fomos
atingidos por nenhum choque
externo – e isso a população percebe. Sem crise externa, o governo não consegue uma desculpa
forte para justificar a crise interna. Ele teria que dizer, e obviamente não diz, que a culpa
é dele. Isso coloca o governo no
corner. Os partidos de oposição,
se fossem eficientes, estariam dizendo todo dia: “A culpa é sua!
Assuma a responsabilidade!”
NC // Quais as peculiaridades desta
crise? O quão grave ela é?
Nakano // A atual crise tem dois
componentes. Um de mais longo prazo, que claramente já vem
acontecendo desde os governos
anteriores – tanto do Lula como
do FHC –, que é a fixação da
taxa de juros em um nível absurdo, a tendência permanente de
apreciação da taxa de câmbio e
uma carga tributária muito alta,
que está travando o crescimento do País. E nesta última fase
(de 2004-2015), há um violento
processo de desindustrialização,
destruindo a indústria brasileira.
A indústria do Brasil já chegou a
representar 30% do PIB, e hoje,
o último dado do IBGE é de 9,1%
do PIB. Por quê? Com juros absurdos, o custo médio do capital,
incluindo o do financiamento do
BNDES, comparado com o retorno, ficou extremamente elevado
– custo de 15%, com retorno nominal abaixo de 6%. Isto leva os
empresários a não investir, ou a
investir somente o mínimo necessário para sobreviver. E a taxa de
câmbio é a maior responsável por
essa situação. Isso provocou uma
expansão do setor de serviços,
que o governo provocou de um
lado e o câmbio ajudou a subir,
e o setor de serviços, chamado de
non-tradable, não sofre competição internacional – se tem pressão inflacionária, bota no preço
e repassa. A produtividade não
aumenta, muitas vezes cai. Isso
rebate na indústria. Com o câmbio apreciado, entram importados
e ela tem de comprimir os preços
e, consequentemente, a margem
de lucro. Agora, a indústria está
sendo incapaz de responder à demanda. A indústria é incapaz de
expandir a produção, é incapaz
de concorrer tendo esses juros,
câmbio e impostos. O problema é
a total imprevisibilidade do câmbio, que leva o industrial a não investir na produção. E o câmbio é
totalmente imprevisível no Brasil
porque está na mão do Banco
Central. O BC diz que faz política
de meta de inflação e na verdade
está o tempo todo fazendo política de âncora cambial. Aprecia
o câmbio para segurar a inflação. Se for ver o preço do setor
industrial, verifica-se que subiram metade do setor de serviços. Fora isso, a política tributária também sufoca a indústria.
Temos uma legislação absurdamente complexa e que impõe um
custo enorme para se fazer sua
administração fiscal.
Velloso // A crise é grave porque
nós estamos numa espécie de
beco sem saída, temos um grande número de anos, ainda, até o
final desse governo, e existe uma
pressão muito forte a favor do
impeachment, que vem de vários lados. Então, isso cria uma
armadilha porque não há um
fato relevante capaz de justificar,
para muitos, esse impeachment.
Numa linguagem simples, não
há um crime parecido com o da
perua Elba da época do Collor.
Então, isso cria uma situação em
que ninguém consegue prever o
que irá acontecer. O governo começou a emitir um sinal de mudança sobre aquilo que ele vinha
fazendo, quando sinaliza que vai
empregar pedaços importantes
da sua administração para atrair
o PMDB. Se realmente fizer isso,
ele reduz um pouco essa armadilha de que falei, pois à medida
que ganhar governabilidade, muita coisa que está agonizando nessa crise, como a pressão sobre o
dólar, vai se arrefecer.
Schwartsman // A atual crise está
muito ligada à dinâmica fiscal. O
que existe é uma percepção de
que há uma dívida que inverteu
uma trajetória de queda e passou
a ter uma trajetória de elevação.
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9
CAPA
Isso acaba de alguma forma se traduzindo numa taxa de juros alta,
em inflação pressionada, o que
acabou forçando o Banco Central
a subir os juros provavelmente
mais do que ele queria. É um sintoma de que o governo é incapaz
de lidar com esse problema. E ao
ser incapaz de lidar com o problema, teremos que lidar com a crise
da segunda pior maneira possível,
que é através da inflação – a pior
é não pagar, a segunda também
é não pagar (mas fingir que paga,
que é com inflação).
NC // Como é que chegamos até aqui?
Schwartsman // O Brasil já vinha perdendo fôlego em termos de crescimento a partir do fim de 2010.
Uma economia que entre 2004 e
2010 cresceu em média 4% ao
ano, com altos e baixos, chega no
início de 2011 já mostrando que
o modelo de crescimento havia se
10
exaurido. Do lado da demanda,
houve uma dependência muito
grande de consumo, que exigiu o
endividamento das famílias para
manter o ritmo de expansão do
consumo. Mas o mais importante
é que do lado da oferta, a gente
já via sinais crescentes de gargalos importantes. Havia gargalo no
mercado de trabalho e tinha um
gargalo no nível de investimento,
particularmente na questão da
infraestrutura. O Brasil tem uma
taxa de investimentos muito baixa, mas, em infraestrutura, ainda
mais baixa. A economia desacelerou essencialmente por conta
disso. E aí vem a segunda parte
da história. Esse fenômeno está
ligado ao esgotamento do modelo
de crescimento. Era basicamente
colocar gente desempregada para
trabalhar e aproveitar a capacidade ociosa. Acabou gente desempregada, acabou capacidade ociosa, a capacidade de crescimento
se torna muito menor. Esse é um
pedaço. O outro pedaço é a reação de política econômica. A reação de política econômica para
isso sugere que o governo viu essa
desaceleração fundamentalmente
como um problema de falta de demanda. Essa insistência em dizer
que havia uma crise mundial que
teria derrubado a economia brasileira é uma bobagem: de 2011 a
2014, o PIB mundial cresce basicamente o que ele havia crescido
entre 2007 e 2010. Ou seja, não
houve nenhuma alteração significativa do cenário externo. Além
disso, teve uma política fiscal que
foi extraordinariamente expansiva. O aumento do gasto público,
no governo Dilma, foi da ordem
de 0,7% do PIB por ano. Maior do
que a gente observou no período
Lula, que foi 0,2% do PIB/ano,
e do período Fernando Henrique,
notícias da construção // setembro 2015
que foi de 0,3% do PIB/ano.
Ora, se existe uma crise de oferta e você estimula a demanda, o
que vai acontecer? O equilíbrio
externo vai para o saco. A assinatura desse processo é muito clara;
a inflação fica pressionada – a
inflação média, no governo Dilma,
foi de 6,2% ao ano, lembrando
que isso foi conseguido controlando os preços administrados e
o câmbio. Ao mesmo tempo, se
observa é uma piora expressiva
das contas externas. A combinação dessas duas coisas é sintoma de que a economia está com
excesso de demanda. Fica claro
que não funcionou porque houve erro de diagnóstico. Tentouse curar um problema de oferta
criando-se mais demanda. Isso
não apenas não resolve, como
agrava os problemas.
Velloso // O problema é que nós
tivemos um período bastante favorável, em termos de choques
externos positivos e de ocupação
de capacidade ociosa, e esse período levou o governo a adotar um
modelo voltado a agradar a população. Tem quem diga que é um
modelo voltado ao consumo, mas
eu acho que a melhor maneira de
caracterizar isso é como mais uma
experiência populista da América
Latina. Nessas experiências populistas – e algumas delas ainda
estão ocorrendo em fase aguda,
caso da Argentina e da Venezuela
–, os governos se aproveitam de
facilidades momentâneas para
conduzir a economia de forma a
agradar a massa de eleitores. Mas
como não existe milagre na vida
real, uma hora essa fase se esgota
e aí começam a vir os problemas.
As dificuldades já haviam surgido, o governo não quis mudar e
daí tudo se agravou.
CAPA
Giannetti // Esta crise resulta de
uma combinação de três coisas: a
mudança do ambiente externo, o
problema fiscal que vem se agravando no País desde 1988, e os
equívocos da política econômica
do governo Dilma. Essas três coisas combinaram para gerar este
quadro muito grave de reversão de
expectativas que estamos vivendo.
NC // As medidas recentemente anunciadas pela equipe econômica são suficientes para tirar o País do buraco?
Nakano // Eu acho que é uma brincadeira. Porque nós sabemos que
aumentar impostos vai causar
uma forte resistência do país inteiro, pois está todo mundo cansado de pagar impostos. Agora,
realmente, de corte de gastos,
está meio nebuloso o que eles
anunciaram. Anunciar que não vai
dar reajuste para o funcionalismo
não é corte – nem dizer que não
vai contratar mais ninguém. E o
orçamento enviado ao Congresso
prevê aumento de gastos. É óbvio
que todo mundo espera que o governo corte os gastos para valer.
Engessamento do orçamento é
desculpa. Se decidir cortar, corta. Dinamarca e Irlanda cortaram
mais de 10% do PIB. Basta mudar as normas – por isso se chama
ajuste. Não dá para acreditar que
vai fazer ajuste sem mudar as regras, mudar as leis, mudar as instituições. Mas falta competência
do governo em tomar decisões e
estabelecer prioridades.
Velloso // Essas coisas precisam
ser examinadas de uma forma
bastante concreta. Se elas, sendo aprovadas, permitirem que as
duas outras agências de risco não
retirem o grau de investimento,
as coisas podem se acalmar. Eu
acredito que – e aí é uma questão
de crença, não tem teoria, ciência
12
nenhuma nisso –, se ele conseguir
aprovar o ajuste fiscal, subentendendo que ele fecha o acordo
com o PMDB, e nada assim de
mais grave da Operação Lava Jato
acontece nos próximos meses,
acredito mesmo que pode funcionar, no sentido de não perder o
segundo grau de investimento, e
aí haveria até uma reversão nesse
quadro de subida da taxa de câmbio. Mas nesse caminho que eu
tracei há riscos muito altos.
NC // O que precisa ser feito?
Nakano // Fazendo melhor gestão,
é possível cortar enormemente os
gastos. Os preços pagos pelo governo na compra de bens e serviços aumentaram 128% de 2005
a 2014. Os preços pagos pela
família para o seu consumo aumentaram 88%. Essa diferença
representa 2,5% do PIB. Só isso.
E o que fazer? Controla! Pega todos os contratos e controla. Baixa
um decreto estabelecendo que
todo contrato deve passar pelo
notícias da construção // setembro 2015
Ministério da Fazenda e compara o contrato público com o que
é praticado no mercado. Há diferenças de 30%, 40%, corta,
negocia. É possível enxugar sem
fim. Você circula pelas repartições e tem dirigente que tem
seis secretárias. Tem quatro, seis
telefones. Para quê? Controla xerox, papel, lápis, caneta. Tem que
sentir que há controle em tudo.
Se fizer uma gestão desse tipo é
possível cortar 3% do PIB fácil.
Velloso // Eu acho que teria uma
garantia maior de calmaria nos
mercados se o governo tivesse
indicado pelo menos umas cinco
medidas que afetassem os três
itens de maior peso no gasto, que
são a Previdência, a Assistência e
o pessoal. Ainda que essas medidas demorassem a tramitar, o governo poderia dizer, nesse caso,
que a CPMF seria provisória, para
fazer o papel de ponte entre o
momento atual e o momento após
a aprovação das medidas. Mas
ele precisaria ter submetido as
medidas ao Congresso ao mesmo
tempo que anunciou o pacote fiscal. Uma delas, por exemplo, seria suspender qualquer aumento
para os servidores durante este
mandato. E tem outras medidas
permanentes, como, por exemplo, revisão da idade mínima para
aposentadoria pelo INSS. Se colocasse que a idade mínima de
aposentadoria para os homens
fosse, por exemplo, igual à dos
servidores públicos (65 anos), teria um impacto muito positivo e
permanente nas contas.
Giannetti // É uma longa discussão,
mas nós teremos que passar por
reformas estruturais, uma revisão no pacto federativo, um tratamento muito mais consistente
dos nossos problemas previdenciários. Há muita coisa a ser feita,
e essa crise é uma oportunidade
de o País repensar coisas que ele
vem evitando e contornando há
muito tempo.
Schwartsman // O governo teria que
vir com um plano fiscal crível. Que
o nosso orçamento é muito engessado, é a pura verdade. Então, é
preciso tratar desse problema.
Porque o orçamento é engessado? Ah, por que tem vinculações.
Então, vamos pensar num programa que desvincule receitas de
despesas. Ah, porque tem uma
regra de salário mínimo, com reajustes constantes, que impacta na
Previdência. Então vamos pensar
se é o caso de manter a atual política do salário mínimo, e se for
o caso de manter, se é possível
também manter a vinculação com
os benefícios previdenciários. E se
for para manter, analisar se é realmente razoável uma pessoa poder
se aposentar com 50 e poucos
anos, ou se teremos fazer como os
países ricos e colocar uma idade
mínima. É preciso de coisas desse
naipe. Vamos discutir os problemas a sério. Alternativas há, o que
falta é coragem, é competência,
é convicção.
NC // Com relação ao setor produtivo,
em especial a indústria da construção,
que medidas são necessárias para uma
retomada?
Nakano // Infelizmente, acho que
nós vamos passar ainda uns dois
ou três anos muito difíceis, e a melhor coisa que o setor privado faz é
pagar dívidas, desalavancar e não
arriscar muito, com esses juros e
essa situação de insegurança. É
lógico que uma ou outra empresa
pode ter alguma coisa melhor para
fazer, mas no geral, acho que todo
mundo vai ter que segurar.
Schwartsman // Neste ano e em boa
parte do próximo não há muito o
que fazer. Aperto de política fiscal
e aperto de política monetária vão
trazer impactos negativos para
a atividade econômica. Não há
nada muito óbvio para ser feito.
Agora, num prazo mais longo, há
coisas que podem ser feitas. Em
algum momento vai se rever a política monetária. Vai ter que tratar da questão da produtividade.
Produtividade depende de reformas – tributária, do mercado de
trabalho, avanços na questão das
concessões, coisas que acabam
se traduzindo de alguma forma
em aumento da produtividade.
Giannetti // A indústria da construção é, infelizmente, uma das mais
afetadas por este quadro: depende
muito de crédito de longo prazo.
Este é um momento que exige
muita cautela dos empresários.
Tem que saber que depois de um
período de muita euforia, o quadro
virou dramaticamente e que a vida
é assim: quem não se preparou
naquele momento para atravessar
este momento vai se arrepender.
NC // Qual a perspectiva de a economia
voltar a andar?
Nakano // Não dá para vislumbrar
o fim da crise. Não se sabe o que
esse governo vai fazer. O que se
pode prever é que esta situação
confusa irá continuar e talvez até
piore, com um eventual processo
de impeachment.
Velloso // As coisas não estão muito claras, é muito difícil saber o
que vem pela frente. A saída da
crise será puxada pela carruagem
das exportações e dos investimentos. O lado das exportações está
garantido pela taxa de câmbio. O
lado dos investimentos em geral
tem muito a ver com as expectativas e com a saída desse imblóglio
em que nós estamos metidos com
a ameaça de perda do grau de investimento. E como o governo vai
reagir a isso, a um novo revés? Vai
seguir uma rota populista ou vai
se tornar um verdadeiro governo
ortodoxo? É muito difícil fazer previsões tendo tantas indefinições.
Schwartsman // Não dá para prever,
mas dá para chutar. Meu chute é
que seja em algum momento em
meados do ano que vem. Há algumas coisas que eu acho que podem ajudar um pouco. Muito provavelmente no início do ano que
vem o BC começa a virar a mão na
política monetária, derruba a taxa
de juros. Tem a questão da depreciação da moeda, que pode dar
algum impulso às exportações.
Talvez haja uma melhora no setor
industrial que ajude, mas serão
coisas modestas. Eventualmente,
o País se recupera, não vai ficar
nesta draga indefinidamente.
Giannetti // Eu não tenho uma previsão para fazer, mas eu ficaria
muito surpreso se o Brasil voltasse a crescer no ano que vem.
Não vai. No médio prazo depende
muito do imponderável da política, que é difícil de ser previsto.
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13
opinião
Mãos à obra
O
A Apeop entende que a única
chance de evitar profunda desmobilização do parque produtivo
nacional é implementar, de fato,
o PIL com ampla participação
das empresas do setor. Exercício
de avaliação de impacto da parcela julgada factível dos investimentos anunciados nos modais de logística mostrou que
o programa gera aumento no
PIB de R$ 256,4 bilhões, cria
“É PRECISO CASAR
A DEMANDA POR
INFRAESTRUTURA COM
A DISPONIBILIDADE DE
CAPITAL PARA INVESTIR
EM BONS PROJETOS”
4,9 milhões de empregos e
eleva a arrecadação em mais
R$ 16,7 bilhões em impostos.
Mas a viabilização do programa requer soluções engenhosas
para recuperação das expectativas e da capacidade de investimento e crédito de longo prazo
das empresas, uma vez que a
fórmula de financiamento baseada em BNDES, Banco do Brasil
e Caixa Econômica Federal está
esgotada. A Apeop, junto com a
Câmara Brasileira da Indústria
da Construção (CBIC), tem
apresentado propostas para promover mecanismos de financiamento de longo prazo e ampliar
a participação de maior número
de empresas.
Outra frente de trabalho foi
aberta junto aos governos estaduais e municipais para que
preservem minimamente os
gastos de investimento e promovam programas de concessões e parcerias. Diante da penúria fiscal de União, Estados
e municípios, é preciso casar
a demanda real e imediata por
infraestrutura no País com a
disponibilidade de capital para
investir em bons projetos com
retorno adequado aos investidores. Existe demanda, existe
capital, existem empresas aptas ao trabalho. Falta viabilizar
os bons projetos e envolver o
maior número possível de construtoras. Os governos já têm a
consciência da necessidade de
aumentar o número de empresas neste mercado. Falta traduzir isso na prática.
A falta de perspectiva de
uma recuperação sustentável
da economia tem o potencial de
gerar ampla desmobilização do
parque produtivo de engenharia, com efeitos significativos
no longo prazo. Lutar contra
isso é nossa principal obra neste momento.
DIVULGAÇÃO
setor de construção
deve ter em 2015 um
dos piores anos de nossa história. Estudo da
Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop)
divulgado em setembro estima
uma contração de 11,5% do PIB
do setor neste ano, o que é uma
péssima notícia para nós e para
todo o País dados o tamanho,
a natureza e a capilaridade econômica e social da construção.
A queda da atividade do setor
e a desaceleração das obras trouxe o nível de utilização da capacidade instalada na construção para
60%, patamar mais baixo da série
da CNI iniciada em 2012. As demissões, já na casa das centenas
de milhares, são o retrato mais
dramático desse quadro.
Poderia seguir enumerando
dados sobre a profundidade e a
letalidade dessa crise, mas esta
realidade, infelizmente, já conhecemos bem. Devemos, portanto,
focar na construção de soluções.
Para que 2016 seja um ano
de recuperação, principalmente
sob o prisma das obras públicas,
precisamos agir pela implementação, por parte do governo federal, de ao menos parte das obras
de infraestrutura, especialmente as anunciadas no Programa
de Investimentos em Logística
(PIL) 2015-18.
LUCIANO AMADIO FILHO
Presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop)
14
notícias da construção // setembro 2015
Destaque
Governo dá tiro no
pé com reoneração
Leandro Ciuffo
Aprovada no Senado, reoneração da
Folha de Pagamento preocupa mercado,
pode provocar demissões e estimula a
terceirização da mão de obra
Planalto ignora promessa eleitoral e perpetra mais um engodo político
16
notícias da construção // setembro 2015
O
2%, caso da construção civil, passarão a
governo brasileiro pregou uma
contribuir com 4,5%. Alguns setores foram
peça no setor da construção civil.
beneficiados com alíquota de 1,5%, como
O Senado chegou a aprovar, por
transportes de carga, empresas jornalísti45 votos contra 27, o aumento
cas e de radiodifusão, empresas de vestuda arrecadação em cerca de R$ 10 bilhões
ário, entre outros. Outros setores mantiveao ano. Com exatamente o mesmo texto
ram a alíquota de 1%, como suinocultura,
que já havia passado na Câmara dos Deavicultura, piscicultura e embutidos, bem
putados, a pauta foi criada para ampliar a
como aqueles que utilizam misturas e pascontribuição previdenciária que empresas
tas para a preparação de produtos de pade 56 setores da economia pagam ao Insdaria, pastelaria e da indústria de bolachas
tituto Nacional do Seguro Social (INSS).
e biscoitos.
O relator da proposta, senador Eunício
Um pequeno alento é o dispositivo que
Oliveira (PMDB-CE), optou por não incluir
torna opcional a adesão ao programa de
emendas à redação do projeto. O setor hadesoneração, permitindo que as emprevia solicitado emenda para que as obras
sas façam suas contas e escolham qual a
em andamento não fossem afetadas pelas
sistemática mais
novas alíquotas,
adequada à sua
somente as novas.
realidade.
Essa
No entanto, o seNÃO HÁ FUNDAMENTOS
norma será aplinador
justificou
JURÍDICOS MUITO SÓLIDOS cável a partir de
que, com a alteraPARA A DISCUSSÃO
dezembro
deste
ção, a matéria teano, devendo ser
ria de voltar para
JUDICIAL DAS REGRAS
feita a opção por
a Câmara e, com
uma ou outra sisisso, a regra detemática no momento do recolhimento da
moraria ainda mais tempo para entrar em
contribuição em dezembro, válida somente
vigor. “Com todo o respeito, não vou fazer
para esta última parcela de 2015, sem afeemendas de redação apenas para dar oportar os recolhimentos anteriores.
tunidade de veto”, sentenciou Oliveira.
Para os anos seguintes, inclusive 2016,
Respeitando promessa eleitoral da
a opção deverá ser realizada no mês de japresidente Dilma Rousseff, a Receita
neiro. A opção é irretratável e válida para
Federal havia desonerado a folha de patodo o exercício.
gamentos das empresas, por meio da reA discussão judicial das novas regras
dução das alíquotas pagas ao Instituto
é possível, mas não há fundamentos juríNacional de Seguridade Social (INSS), em
dicos muito sólidos, na opinião da maiodiferentes valores, de acordo com o setor
ria dos membros do Conselho Jurídico do
da economia. Isso representou, para a
SindusCon-SP. Um único ponto tem reais
Receita, uma renúncia fiscal da ordem de
possibilidades de êxito na visão deles: disR$ 25 bilhões anuais.
cutir a aplicação para as obras em curso,
A lei da reoneração estabelece que as
para as quais o impacto não estava previsto
empresas que hoje pagam alíquota de 1%
no orçamento e em contrato iniciais.
de contribuição previdenciária sobre a reO engodo político e a trapalhada legisceita bruta ao INSS passarão a pagar 2,5%.
lativa causam indignação, mas as regras
Já os setores que hoje pagam alíquota de
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17
Destaque
constitucionais para essas mudanças foram minimamente respeitadas, ficando difícil imaginar que o STF acolha argumentos menos objetivos, concluem.
A criação da forma opcional, que antes não existia, também é outro ponto que
fragiliza a discussão. Mais importante do
que ficar lamentando o quadro de instabilidade legal, será projetar os efeitos financeiros dentro de uma e outra sistemática,
para que a escolha pela opção menos ruim
– difícil falar em melhor nesse quadro! –
seja feita.
-presidente de Obras Públicas, “foi um
tiro no pé, um desastre”. O empresário
afirma que a reoneração deve levar à
inversão da tendência vista nos últimos
anos de contratações formais. O empresário também entende que a opção por
pagar 20% da folha até permitiria um
equilíbrio dos custos. Já a opção pelos
4,5% do faturamento não faria bem para
a maioria das empresas. “Some-se a
isso a unificação da PIS e da Cofins, e
a vida das empresas complica muito”,
lamenta Messias.
SINDUSCON-SP CONDENA A MEDIDA
Ainda sob o impacto da proposta de criação da Contribuição para a Seguridade
Social, que unifica o PIS e a Cofins e eleva a alíquota de 3,65% para 9,25% do
faturamento, o mercado não recebeu bem
a reoneração.
A construção civil já fechou 384 mil
empregos nos últimos dois semestres e
esse número deve chegar a 500 mil até
o fim deste ano. Se o projeto for aprovado da forma como foi anunciada pelo
governo, a recuperação do setor ficará
mais prejudicada, adiando a retomada do
crescimento e do emprego no País.
Em artigo intitulado “Salvem os robôs”, José Romeu Ferraz Neto, presidente
do SindusCon-SP, e Eduardo Capobianco,
representante da entidade junto à Fiesp,
afirmam que, “com esse aumento, o governo federal terá um alívio no déficit da
Previdência, mas precisará pagar mais
pelas obras contratadas, devido ao necessário reequilíbrio econômico-financeiro
dos contratos. Pior será para os governos
municipais e estaduais que precisarão
pagar mais por suas obras sem receber
mais recursos, pois a contribuição previdenciária vai só para o governo federal”.
Para Luís Antônio Messias, vice-
18
notícias da construção // setembro 2015
"REONERAÇÃO DEVE
LEVAR À INVERSÃO
DA TENDÊNCIA VISTA
NOS ÚLTIMOS ANOS
DE CONTRATAÇÕES
FORMAIS", AFIRMA
LUÍS ANTÔNIO MESSIAS
Na opinião de Carlos Eduardo Lima
Jorge, presidente da Comissão de Obras
Públicas, Privatizações e Concessões
da Câmara Brasileira da Indústria da
Construção (CBIC), a reoneração vem em
um momento extremamente impróprio,
por conta da depressão que atinge o setor da construção civil. Lima Jorge se diz
preocupado principalmente porque o projeto de lei não atendeu à solicitação do
setor de preservar as alíquotas das obras
em andamento. “As novas alíquotas deveriam valer para novas obras. Em obras
públicas, dá para precificar, mas no setor
privado isso deverá trazer problemas. Será
um processo demorado para recalcular
tudo e muito complicado de ser colocado
em prática”, afirma.
opinião
Construção civil sem terceirização é impensável
A fragmentação do trabalho e
a sua realização pelas mais diversas profissões especializadas são
a marca da economia moderna.
Hoje, tudo é feito em cadeias produtivas ou redes de produção. Para
atender as necessidades da produção e as expectativas dos consumidores, as empresas realizam
subcontratações que maximizam a
especialização, a qualidade, a pontualidade e a tolerância a custos
razoáveis que, no final das contas,
se transformam em preços que cabem no bolso do consumidor.
Este último, em tudo o que
compra, deseja a melhor qualidade pelo menor preço. Por isso,
“SÚMULA DO TST QUE
PROIBE A TERCEIRIZAÇÃO
É IRREAL”
costumo dizer que o maior beneficiário da terceirização é o consumidor. Ele jamais teria capacidade
de comprar um apartamento de
uma construtora que, em lugar
de subcontratar as várias etapas
da obra, tentasse fazer tudo por
si mesma, com um gigantesco
quadro de pessoal no qual os profissionais ficariam mais tempo na
ociosidade do que no trabalho.
Sim, o que faria um operador de
trator depois de completada a etapa da terraplenagem para a construção de um prédio que demora
24 meses para ficar pronto? Quem
pagaria essa ociosidade?
Construção civil sem terceirização é impensável. Daí o irrealismo
da Súmula nº 331 do Tribunal
Superior do Trabalho (TST), que
proíbe as empresas de terceirizarem tarefas rotuladas pela Egrégia
Corte como atividades-fim. O recorrente argumento da precarização é válido, mas tem seus limites. De fato, ainda há trabalho
precário no ramo da construção civil. Mas a situação está mudando
com grande rapidez. O setor responde por mais de 9 milhões de
empregos no Brasil (9% da força
de trabalho). Entre 2004 e 2013
houve uma elevação de 151% na
formalização desses empregos. O
rendimento real médio aumentou
62% nesse período. Poucos foram
os setores da economia que tiveram esse desempenho. Os trabalhadores da construção civil vêm
mostrando uma redução gradativa
da jornada de trabalho, uma melhoria do seu nível educacional e
elevação do padrão de vida pessoal e de suas famílias.
Daqui para frente, o grande
desafio para a construção civil é o
de elevar substancialmente a sua
produtividade. Para tanto, será
preciso melhorar a educação e a
qualificação dos seus trabalhadores e ter liberdade para contratar e
subcontratar os especialistas que
podem fazer o serviço de forma
mais eficiente e com menor custo.
Ou seja, educação e terceirização
estão na base da melhoria da produtividade, e tudo deve ser feito
para que esse ambiente seja construído da forma mais segura possível. A terceirização é um processo-chave nessa cruzada.
DIVULGAÇÃO
O
leitor deste artigo imagina
quanto custaria o apartamento que construiu caso
sua empresa tivesse incorporado no quadro de pessoal todos
os funcionários que entraram na
execução da obra? Ou seja, se tivesse utilizado como empregados fixos
os armadores de concreto, carpinteiros, pedreiros, azulejistas, eletricistas, encanadores, pintores, vidraceiros e tantos outros? Certamente,
o preço seria estratosférico e impossível de ser pago por qualquer
consumidor, mesmo com o financiamento mais generoso do mundo.
A construção de um prédio, de
um viaduto ou de uma residência
se dá em etapas sucessivas desde o começo até o fim da obra. A
começar pela compra do terreno,
a construtora subcontrata os serviços de uma imobiliária. Para
verificar a viabilidade da obra, ela
se vale de um especialista em planimetria. Para fazer as fundações,
busca uma empresa de terraplenagem e assim por diante.
Como são dezenas de tarefas,
o mercado criou e oferece uma
grande quantidade de empresas
e de profissionais especializados.
Existem, por exemplo, várias especialidades na profissão de pedreiro:
um assenta tijolos; outro faz revestimento interno; o seu colega cuida
do revestimento externo; o que coloca azulejos não é o mesmo que
assenta pisos. O que trabalha em
obras residenciais é diferente daquele que trabalha na construção
de uma ponte ou de um presídio.
Esse é o mundo da construção civil.
JOSÉ PASTORE
Professor de Relações do Trabalho da Universidade de São Paulo (USP), presidente do Conselho de
Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP e membro da Academia Paulista de Letras
www.sindusconsp.com.br
19
foto do mÊs // setembro 2015
SÃO PAULO CORPORATE TOWERS
Localizado na Av. Presidente Juscelino Kubistchek,
o empreendimento foi projetado pelo escritório
Pelli Clarke Pelli Architects. São duas torres de
escritórios altamente autossustentáveis, cada uma
com 64 mil metros quadrados de área, distribuídos
em 29 pavimentos. Seu desenvolvimento envolveu
mais de 50 projetistas, nacionais e estrangeiros,
que harmonizaram cada etapa do edifício de forma
a criar um complexo moderno e eficiente, tornandose o primeiro empreendimento comercial com a
pré-certificação LEED Platinum 3.0 Core and Shell.
Possui uma usina de geração de energia composta por
quatro geradores de 2 MW cada, sendo um a diesel e três
a gás, e foi projetado para consumir menos água
potável – conserva uma grande quantidade de água
por meio da utilização de dispositivos e da coleta e
reutilização de águas cinzas, pluviais e de condensação
do sistema de ar-condicionado. A incorporação e a
construção ficaram a cargo da Camargo Corrêa.
20
notícias da construção // setembro 2015
Jorge Rosenberg
www.sindusconsp.com.br
21
Notícia
Anúncio do MCMV3 desaponta o mercado
A
guardado com grande expectativa
pelas empresas do setor desde o final de junho, quando a presidente
da República havia se comprometido publicamente com os empresários e os
movimentos sociais, o anúncio da fase 3 do
Minha Casa, Minha Vida (MCMV3) no dia
10 de setembro gerou uma grande frustração em todas as partes envolvidas com o
programa de Habitação de Interesse Social
(HIS) do governo federal.
O que a presidente anunciou, na verdade, não foi o lançamento da fase 3 do
programa, mas sim a postergação do início
do MCMV3 – agora a depender, segundo o
ministro das Cidades, Gilberto Kassab, da
aprovação do Orçamento Geral da União
pelo Congresso Nacional. Em entrevista
22
notícias da construção // setembro 2015
coletiva ao lado do titular do Ministério
do Planejamento, Nelson Barbosa, Kassab
adiantou alguns detalhes da fase 3, cuja regulamentação se dará por “medida provisória a ser editada em até 30 dias”.
O MCMV Faixa 1, dedicado às famílias de baixa renda e que possui 95% do
valor subsidiado, só terá definição sobre
novas contratações após a aprovação do
orçamento de 2016 pelo Congresso. “Em
relação aos atrasados, o governo atualizou
o pagamento e vem se esforçando para
manter em dia”, afirma o vice-presidente
de Habitação Popular do SindusCon-SP,
Ronaldo Cury, que junto a representantes
de outras entidades do setor participou da
reunião com a presidente e os ministros,
no Palácio do Planalto.
opinião
Ensaios de desempenho em HIS têm dados deficientes
foram detectados, em grande parte dos relatórios, ao menos uma
das seguintes deficiências:
a)os itens ensaiados não estavam suficientemente bem descritos, tendo-se textos como:
“paredes em placas cimentícias duplas”, sem especificar
a espessura das chapas, sua
densidade e a forma de fixação/montagem dessas chapas;
b) foi utilizado método de ensaio
improvisado, como, por exemplo,
emprego de maçarico de aplicar manta asfáltica em vez de for-
DESCRIÇÃO PRECISA
DA AMOSTRA É
FUNDAMENTAL
PARA DEMONSTRAR
DESEMPENHO
no para realização de ensaio de
resistência ao fogo de paredes;
c) o método de ensaio citado no
relatório não era o adequado
para o caso – aqui pode se tratar tanto de um erro de edição
de texto, como de aplicação
do método errado;
d)o método de ensaio não foi
aplicado integralmente como
especificado na norma de ensaio, como por exemplo uso
de faixas de frequência mais
estreitas em ensaios de isolação sonora que as previstas; e
e)
os valores apresentados
como resultados são atípicos
para os elementos descritos.
Se, para uma análise imediatista de resultados, a descrição precisa da amostra não é
fundamental, pois tanto solicitante como laboratorista ainda têm o
elemento ensaiado vivo em suas
memórias, o mesmo não se aplica
quando o objetivo é demonstrar o
desempenho a terceiros ou quando
se pretende analisar históricos de
resultados visando à melhoria contínua dos processos produtivos.
Sobre o uso de métodos de
ensaio não normatizados, não
é incomum verificar, em fases
iniciais de desenvolvimento de
produtos e soluções, a utilização
de procedimentos simplificados,
de baixo custo e rápida execução para se ter estimativas preliminares de desempenho, mas
que devem ser confirmadas pela
realização de ensaios com os métodos normatizados.
Esse quadro nos leva a pensar
que, além de investimentos em
equipamentos e instalações laboratoriais adequados, deve-se buscar
aprimorar a capacitação de equipes
para identificar a real necessidade
do solicitante, dominar os fundamentos do método de ensaio e,
finalmente, ter conhecimento técnico sobre os fenômenos físico-químicos atuantes para poder avaliar a
coerência do resultado obtido.
As questões que estão resumidamente apresentadas aqui serão
alvo de aprofundamentos em artigos futuros.
DIVULGAÇÃO/SindusCon-SP
E
m pronta resposta dada
pelo setor de construção de
edificações a um pedido do
Ministério das Cidades de
envio de relatórios de ensaios de
desempenho, a serem usados na
composição de fichas técnicas de
sistemas construtivos tradicionais
que visam subsidiar os programas
federais de apoio à habitação de
interesse social (HIS), foram encaminhados, apenas no último
trimestre de 2014, mais de mil
resultados de ensaios, realizados
tanto em laboratório como em edificações, em várias fases de obra.
Todo esse material foi enviado
a especialistas nas diversas áreas
de desempenho para análise e
obtenção dos dados para a composição das mencionadas fichas.
A análise permitiu classificar os
resultados em quatro grandes grupos, em função do seu objetivo:
1) verificar o atendimento de um
produto a sua norma prescritiva específica;
2)fazer o controle de produção
de elementos de vedação;
3) caracterizar o desempenho de
uma edificação; e
4)determinar o desempenho de
uma solução construtiva, para
uso em geral.
Ressalta-se que, desses quatro
grupos, os dois últimos eram o alvo
da solicitação do ministério. Esse,
porém, não é o ponto que merece destaque, mas sim a pequena
possibilidade de aproveitamento
dos dados enviados, uma vez que
FULVIO VITTORINO
Doutor em Engenharia Mecânica pela USP, diretor do Centro Tecnológico do Ambiente Construído
do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT-USP
www.sindusconsp.com.br
23
Notícia
Novo Código de Obras segue
para Câmara Municipal de SP
Prefeitura paulistana pretende, com a revisão
da legislação, simplificar os procedimentos
de trâmite dos projetos no licenciamento
O
prefeito Fernando Haddad enviou à Câmara Municipal de
São Paulo, na primeira semana de setembro, projeto de lei
estabelecendo o novo Código de Obras e
Edificações da capital paulista. O código
atualmente em vigência, de 1992, ficou
superado após a recente revisão do Plano Diretor e da Lei de Parcelamento, Uso
e Ocupação do Solo (LPUOS). O projeto
que segue à apreciação dos vereadores foi
elaborado pelo grupo de trabalho formado
por técnicos da prefeitura e representantes de entidades do setor – SindusCon-SP,
Secovi-SP e Asbea – tendo como diretriz a
racionalização dos procedimentos de trâmite dos projetos na Secretaria Municipal
de Licenciamento.
“Desde o início da gestão a meta é
reduzir a tramitação dos projetos para o
máximo de 90 dias”, declarou Haddad
durante a cerimônia que marcou o envio
do projeto ao Legislativo. “O código atual é extremamente burocrático e penoso,
precisava ser modernizado, pois de 1992
para cá o mundo mudou”, disse. O prefeito destacou que, com o novo código,
o profissional passa a ter mais responsabilidades sobre os aspectos técnicos da
obra. “Estamos devolvendo à sociedade o
que é dela.”
24
notícias da construção // setembro 2015
A secretária municipal de Licenciamento, Paula Motta Lara, explicou que,
a partir do novo código, haverá uma diminuição dos requisitos a serem analisados
pelos técnicos da Secretaria. “A análise
técnica da prefeitura fica limitada aos aspectos urbanísticos, ambientais e de vizinhança”, afirmou. Dessa forma, a SEL irá
confrontar o projeto com o Plano Diretor,
a LPUOS e as legislações pertinentes a
tombamento, meio ambiente, acessibilidade e segurança. “Não iremos entrar no mérito da estrutura ou da compartimentação
interna do edifício”, ressaltou.
O texto do projeto de lei elimina a
obrigatoriedade de licenciamento de atividades com pouca relevância urbanística, como obras complementares de até
30 metros quadrados, reformas internas
sem aumento de área e construção de muros e de piscinas, por exemplo. Também
extingue a figura do projeto modificativo,
exceto para pequenos ajustes de projeto
com alterações inferiores a 5% da área.
O prazo de validade do alvará foi extendido para dois anos, e as instâncias decisórias, dentro da SEL, foram reduzidas de
cinco para três. A secretária Paula avalia
que a nova lei irá tornar o processo de
licenciamento “mais ágil, transparente,
seguro e moderno”.
FÁBIO ARANTES/SECOM
Prefeito
Haddad
assina projeto
do Código
de Obras
para envio à
Câmara
SINDUSCON-SP ACREDITA QUE PROJETO
AINDA POSSA SER MELHORADO
Na visão de Odair Senra, vice-presidente
de Imobiliário do SindusCon-SP, a minuta
do projeto do Código de Obras tem alguns
pontos positivos que merecem destaque,
como, por exemplo, a simplificação da
análise dos projetos por meio de projeto
simplificado – o qual considera somente
os elementos relacionados à volumetria,
à implantação e aos índices urbanísticos,
que são elementos essenciais na relação
do edifício com a cidade. Já as questões
internas do projeto passam a ficar sob a
responsabilidade do autor do projeto.
“Também vale destacar a simplificação do
capítulo destinado aos estacionamentos,
que elimina as exigências de dimensões de
vagas, espaços de circulação e manobra,
declividades, raios etc.”, afirma.
Por outro lado, acredita Senra, alguns
pontos da minuta precisam ser mais bem-discutidos. Na legislação atual, os limites
das áreas não computáveis são estabelecidos para obras complementares, mobiliário
e marquises. “Na proposta do novo código,
essas áreas estão limitadas a 30 metros
quadrados independentemente do tamanho do empreendimento. Seria mais correto que fossem proporcionais, por exemplo, ao tamanho do lote“, avalia. “As faixas
de aeração e insolação também precisam
ser revistas e deveriam ser relacionadas à
altura das edificações. Quanto mais alta
a construção, mais afastada da divisa ela
deve ser, para proporcionar uma melhor
ventilação e entrada de luz solar”. Da forma que está, em terrenos mais estreitos,
será difícil implantar um edifício pelo tamanho do recuo exigido.
O capítulo sobre segurança também
deveria ser simplificado. “A Prefeitura poderia não entrar no mérito da análise das
questões de segurança, exigindo apenas
que o projeto atenda as normas técnicas
pertinentes e as do Corpo de Bombeiros”,
afirma o empresário.
Outro ponto que deve ser reavaliado é o
das condições permitidas para alteração do
projeto original para que este possa ser considerado um projeto modificativo. Hoje, elas
são muito restritivas. “Devemos pensar na
possibilidade de alteração de 5% do gabarito, permitindo, por exemplo, a supressão de
um andar ou mesmo um pequeno aumento
do pé-direito”, considera Senra.
Finalmente, o vice-presidente do
SindusCon-SP sugere que haja um
comunique-se único, que seja válido
também para os técnicos municipais.
“A regra estipulada pelo novo código deve
ser igual para todos”, conclui.
Roberto D’Elboux
www.sindusconsp.com.br
25
JORGE ROSENBERG
Notícia
Governo paulista viabiliza PPPs de HIS
D
e forma inédita, o governo do Estado de São Paulo está viabilizando
Parcerias Público Privadas (PPPs)
na área de Habitação de Interesse
Social (HIS). Ao lado do prefeito da capital
paulista, Fernando Haddad (PT), o governador Geraldo Alckimin (PSDB) promoveu,
na primeira semana de setembro, evento
para marcar o início das obras das primeiras
126 unidades que serão construídas na rua
São Caetano, no bairro do Bom Retiro, com
previsão de entrega em outubro de 2016.
Em um terreno de 2 mil metros quadrados cedido pela prefeitura, a Conopus
Holding, empresa vencedora da licitação,
irá construir oito blocos de cinco andares.
Com plantas de um e dois dormitórios, as
unidades serão destinadas prioritariamente
a moradores de baixa renda que trabalham
no centro de São Paulo, mas que moram em
locais distantes da região central. Segundo
o governo, o objetivo do projeto é recuperar
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notícias da construção // setembro 2015
áreas degradadas para promover a melhora
da qualidade de vida, a oferta de moradias e
a otimização da mobilidade urbana.
Outros cinco empreendimentos compõem o primeiro lote da PPP vencida pela
Conopus, que tem um total previsto de
3.683 unidades. Os conjuntos habitacionais serão construídos na avenida Marquês
de São Vicente e nas ruas do Bosque, dos
Gusmões, Canindé e João Teodoro. A meta
do governo paulista é a construção, por esse
modelo de PPP, de um total de 14 mil unidades no centro expandido da capital.
FAZENDA ALBOR
Em agosto último, o secretário estadual de
Habitação, Rodrigo Garcia, esteve reunido
com empresários da construção na sede do
SindusCon-SP para apresentar o novo projeto de PPP de HIS, em área na região metropolitana de São Paulo conhecida como
Fazenda Albor. Nessa área de 2,7 milhões
Governador
Alckmin
e prefeito
Haddad nas
obras da
PPP Centro
serviços públicos, cuja construção também
de metros quadrados, localizada no limiestará a cargo do parceiro privado.
te dos municípios de Arujá, Guarulhos e
Garcia pretende replicar esse modelo de
Itaquaquecetuba, serão construídas 10 mil
negócios para as outras regiões metropolitamoradias populares. Aproveitando o fato de
nas no interior do Estado. “Nós já estamos
o terreno estar situado nas proximidades
em discussões avançadas com Campinas.
do aeroporto internacional e do trecho lesO prefeito Jonas Donizette (PSB) nos prote do Rodoanel, o projeto também prevê a
curou, nossa equipe está dialogando com
instalação de um centro de logística no loessa que é a maior
cal – uma parte da
cidade do interior,
área é destinada à
“MODELO AINDA NÃO É O
e estamos avalianconstrução de galpões industriais.
IDEAL, PORÉM HÁ ESTUDOS do levar uma PPP
para lá”, afirma.
O terreno será
QUE PODEM INDICAR
“Apoiamos
o
divido em seis lomodelo de PPPs
tes sendo três em
SOLUÇÕES PRÁTICAS”
adotado, mas avaArujá e dois em
liamos que ele
Itaquaquecetuba
precisa de ajustes e temos trabalhado com
destinados às moradias de interesse social. A
o governo do Estado para o seu aperfeiçoasexta área, localizada em Guarulhos, é a destimento. Por enquanto, o modelo ainda não
nada aos galpões. “Aquela região possui caracé o ideal para os empresários, porém, há
terísticas comerciais e essa estratégia assegudiversos estudos em andamento que pora o crescimento urbano de forma planejada.
dem indicar soluções práticas. Acionamos
A área poderá ser explorada comercialmente
até mesmo instituições internacionais para
pela empresa vencedora do edital como conencontrar formas de superar algumas das
trapartida aos investimentos feitos na região”,
barreiras do modelo”, afirma o vice-presiesclarece Rodrigo Garcia. No início deste mês,
dente de Habitação Popular do SindusCono governo estadual realizou o chamamento púSP, Ronaldo Cury. Para ele, o modelo traz
blico para a PPP da Fazenda Albor.
como ponto positivo o fato de envolver
O secretário ressalta que ali será constiobras de comércio, infraestrutura e logístituída praticamente uma nova cidade, com
ca, além das de habitação popular.
mais de 30 mil pessoas. Esse contingente populacional irá demandar postos de
saúde, escolas e toda a infraestrutura de
Douglas Santos
www.sindusconsp.com.br
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Jorge Rosenberg
Notícia
Fiabci-Brasil
e Secovi-SP
entregam
Prêmio
Master
Imobiliário
2015
A
21ª edição do Prêmio Master
Imobiliário teve sua noite de premiação no último dia 2 de setembro, no Clube Atlético Monte
Líbano, em São Paulo. Promovido pela seção brasileira da Federação Internacional
das Profissões Imobiliárias (Fiabci-Brasil)
e pelo Secovi-SP, o evento reuniu empresários do mercado imobiliário e líderes de
entidades do setor. Em 2015, mais de 60
trabalhos foram inscritos, entre projetos,
empreendimentos e iniciativas de empresas e profissionais de diferentes segmentos
imobiliários de todo o Brasil.
Conhecida como o “Oscar do Mercado
Imobiliário”, a premiação foi criada em
1994 e desde então aponta tendências
de mercado. Já em 1995, os 12 projetos selecionados refletiam o conceito de
condomínio-clube, até então uma novidade. Inovações tecnológicas, como construção a seco, simplificação nos canteiros de
obra e redução do uso de argamassa também tiveram presença relevante naquele
ano. Em 1998 e 1999, muitos flats foram
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notícias da construção // setembro 2015
premiados, apontando uma tendência que
havia chegado para ficar. Em 2005, 20 trabalhos foram contemplados, com destaque
para os apartamentos compactos que começavam a surgir no centro de São Paulo.
Em 2007, o Master premiou condomínios para famílias com renda média-baixa,
além do desenvolvimento imobiliário nos
bairros Mooca e Tatuapé. Em 2010, foram
premiados condomínios para baixa renda
(Minha Casa, Minha Vida) e residenciais no
centro de São Paulo, com a revitalização
de áreas deterioradas. Em sua 21ª edição,
a premiação segue apontando tendências e
refletindo o papel relevante da construção
civil na economia brasileira.
Além das categorias Empreendimento
e Profissional, há também a premiação
Hors-concours. Desde 2000, esse prêmio
especial é concedido, de comum acordo,
pelas entidades promotoras do Prêmio
Master Imobiliário. O objetivo é homenagear pessoas e empresas que contribuíram para o desenvolvimento do setor
imobiliário.
Vera Cruz II,
nossa Foto do
Mês em julho,
foi um dos
empreendimentos
premiados
Notícia
Confira no quadro os vencedores em cada categoria.
Hors-concours
RECONHECIMENTO E
LÁUREA MÁXIMA DO
SETOR IMOBILIÁRIO
Carvalho Hosken S.A.
Rio de Janeiro (RJ)
Categoria
Empreendimento
RESIDENCIAL
Case: Autoria Madalena
Alfa Realty Desenvolvimento
Imobiliário
MDL
São Paulo (SP)
COMERCIAL
Case: Berrini One
Bueno Netto
São Paulo (SP)
RESIDENCIAL
Case: Île Saint Louis
Cyrela
São Luís (MA)
COMERCIAL
Case: Novo Mundo Empresarial –
complexo multiúso com hotel cinco
estrelas e a maior estrutura de
negócios do Nordeste
Odebrecht Realizações
Imobiliárias S.A.
Cabo de Santo Agostinho (PE)
RESIDENCIAL
Case: Concept – Ousadia e
Sofisticação
Patrimônio Construções e
Empreendimentos Imobiliários
Urbis Empreendimentos Imobiliários
Manaus (AM)
30
COMERCIAL
Case: JK Shopping
PaulOOctavio Investimentos
Imobiliários Ltda.
Taguatinga (DF)
PUBLICIDADE
Case: Ilha Pura
Ilha Pura
Rio de Janeiro (RJ)
RESIDENCIAL E COMERCIAL
Case: F.L 4300
Stan Incorporadora S.A.
SDI Desenvolvimento Imobiliário
São Paulo (SP)
DESTAQUE IMOBILIÁRIO
Case: 60 anos da Construtora
Paulo Mauro
Incorporadora e Construtora
Paulo Mauro
São Paulo (SP)
Categoria
Profissional
COMERCIALIZAÇÃO
Case: Alphaville Dom Pedro
Alphaville Urbanismo S.A.
Campinas (SP)
USO DA ARTE NA ARQUITETURA
Case: Brookfield Home Design
Pinheiros – soma arquitetura e talento artístico na criação de uma
obra onde se pode viver e morar
Brookfield Incorporações
São Paulo (SP)
PRESERVAÇÃO DO
MEIO AMBIENTE
Case: EntreVerdes Campinas
Entreverdes Urbanismo
THCM – Desenvolvendo Cidades
Grupo Garnero
Campinas (SP)
MARKETING
Case: Tijolo Moeda Forte
Fernandez Mera Negócios
Imobiliários
Publicidade Archote
São Paulo (SP)
MARKETING
Case: Open House Gafisa
Gafisa S.A.
São Paulo (SP)
notícias da construção // setembro 2015
OPORTUNIDADE ESTRATÉGICA
Case: Royal Campinas
Odebrecht Realizações
Imobiliárias S.A.
Campinas (SP)
SOLUÇÕES ARQUITETÔNICAS
Case: Oscar Niemeyer Monumental
PDG
Niterói (RJ)
SOLUÇÕES ARQUITETÔNICAS
Case: Casas Sobrepostas –
uma nova experiência de viver
RRG Construtora
São Paulo (SP)
SUSTENTABILIDADE
Case: Vera Cruz II – um marco
de sustentabilidade e inovação
RFM Construtora
São Paulo (SP)
RESPONSABILIDADE SOCIAL
Case: Valorização dos funcionários
no ambiente de trabalho – Olhares
do Canteiro – Fotografia
Toledo Ferrari Incorporadora
e Construtora
Setin Incorporadora
São Bernardo do Campo (SP)
“Gestão eficiente pode ser a
tábua de salvação das empresas
neste cenário de crise”
Mestre em Engenharia de Produção pela UFMG e sócio-diretor da Falconi Consultores, Flávio Boan tem experiência
na liderança de projetos de melhoria de resultados em
praticamente todos os segmentos da economia
Notícias da Construção // O quanto uma gestão eficiente pode
ajudar uma empresa num cenário de baixa atividade econômica como o atual?
Flávio Boan // Acho que pode ser a tábua de salvação,
porque neste cenário de atividade econômica mais
restrita a gestão ajuda a apontar todas as ineficiências que a empresa tem e que muitas vezes, em cenários de crescimento, ficam escondidas atrás do excesso de demanda. O papel da gestão é exatamente
o de apontar onde estão essas ineficiências e propor
ações para que elas sejam eliminadas.
NC // Gestão da estrutura, gestão de processos ou gestão
financeira: qual deveria ser a prioridade de uma empresa da
construção civil?
FB // Eu começaria pela gestão financeira, porque nenhuma empresa quebra porque sua estrutura está mais
ou menos inchada, ou porque os seus processos estão
piores ou melhores. As empresas quebram porque não
têm caixa, por problemas financeiros. Caixa, para a empresa, é como o oxigênio, aquilo de que ela precisa
para sobreviver. Eu diria até que às vezes problemas de
caixa podem ter sido causados por problemas de estrutura (estrutura muito inchada), por problemas de processos (aqueles que são muito caros, que geram perdas
de receita, retrabalhos, atrasos). Essas podem ser causas de problemas financeiros, mas não são as únicas.
Então, eu começaria pela gestão financeira, no que diz
respeito à entrada e à saída de dinheiro, em especial
porque em nosso país o custo do capital é muito alto.
NC // De uma maneira geral, como o senhor avalia o atual
estágio da gestão das empresas do setor?
FB // Eu acho que tem muito ainda por avançar. Todas as
grandes empresas do setor são ou já foram nossas clientes. Temos percebido nelas avanços importantes. Mas a
grande maioria, se a gente olhar em termos quantitativos, é de empresas ainda de gestão familiar, que não têm
um planejamento das suas operações – planejamento
financeiro e de investimentos – feito com muito critério.
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notícias da construção // setembro 2015
Boa parte dessas empresas ainda não experimentou a
profissionalização de sua gestão e o aporte de conhecimento gerencial para poder aumentar a sua eficiência.
NC // Temos gestores capacitados para os desafios que o atual
cenário econômico impõe?
FB // Eu acho que o setor vem se profissionalizando, já
há muitos gestores capacitados, que estão enfrentando
esta crise com muita coragem. Tenho certeza que eles
vão vencer essa crise, que é estrutural, e daqui a dois
ou três anos as empresas sairão mais fortes do que entraram. Mas no curto prazo temos algumas prioridades:
buscar a redução de custos e zelar pelo cumprimento
dos prazos, o que tem muita correlação com custos.
Como o ciclo da construção civil é longo – não menos
de dois, três anos –, se não houver uma gestão muito
criteriosa do cumprimento dos prazos, um empreendimento que era para dar resultado positivo em três
anos sai do lucro para o prejuízo ao ser concluído em
quatro, pois os meses adicionais não geram receitas,
e sim gastos não previstos.
NC // Existe uma receita básica para uma empresa evoluir em
termos de produtividade? Como se tornar mais eficiente?
FB // Existem alguns conceitos universais. Foco total
na saúde financeira, ou seja, não descuidar do caixa.
Alinhar os interesses da companhia aos interesses dos
gestores, dos executivos – temos visto casos recentes
de empresas em dificuldades que não conseguiram entregar para os acionistas a rentabilidade prevista e que
remuneraram com bônus e recompensas elevadas os
executivos que estavam à frente da operação de um
empreendimento deficitário. Ou seja, o executivo lucrou e o empreendedor arcou sozinho com o prejuízo.
Esse alinhamento é muito importante, pois influencia
diretamente nas decisões que são tomadas. E, por fim,
capacitar os gestores em conhecimento gerencial, sobre métodos, planejamento, governança e soluções de
problemas. Esses são conceitos universais, que devem
ser adaptados à realidade de cada empresa.
DIVULGAÇÃO
concreto // conversa com flávio boan
SINDUSCON-SP EM AÇÃO
Gerenciamento de resíduos e BIM 4D
são destaques no Concrete Show
O
SindusCon-SP participou ativamente do
Concrete Show, realizado no fim de agosto,
com a promoção de duas palestras que trataram sobre o gerenciamento de resíduos
e a gestão nos processos construtivos. Os painéis
proporcionaram ao público presente a oportunidade
obter informações mais detalhadas sobre as regras
que estão em vigor envolvendo o Controle de Transporte de Resíduos (CTR) e a adoção do BIM 4D no
desenvolvimento de projetos.
A palestra Resíduos da Construção Civil – Avanços
Obtidos nos 13 Anos da Resolução Conama 307
abordou a entrada em vigor do Controle de Transporte
de Resíduos (CTR). A regulamentação estabelece que
as construtoras e outros grandes geradores, transportadores e áreas de transbordo e triagem devam assegurar a destinação correta dos resíduos da construção
civil (RCC), de acordo com as normas estabelecidas
na Resolução nº 058/Amlurb 2015.
Segundo o secretário municipal de Serviços de
São Paulo, Simão Pedro Chiovetti, que esteve presente ao painel, 390 empresas e 1.302 pessoas físicas – como transportadores –, três aterros contratados e outras três áreas autorizadas já se cadastraram
na capital paulista. Desse modo, a prefeitura espera
combater o descarte feito por operadores clandestinos em pontos irregulares.
Pontos importantes como a reutilização e reciclagem de materiais gerados nos canteiros de obras, a
questão da logística reversa e a adoção do Sistema
Estadual de Gerenciamento Online de Resíduos Sólidos (Sigor) foram debatidos durante a palestra. Cases
bem-sucedidos, como a implantação pelo município de Jundiaí de gestão dos pequenos geradores,
foram apresentados. Na avaliação do vice-presidente do Sinduscon-SP, Francisco Vasconcellos,
o seminário tratou de “ações que contêm o princípio
da sustentabilidade na veia”.
“O seminário foi ótimo, principalmente para
quem não conhecia o assunto ou tinha uma visão
compartimentada sobre o tema. Foi possível obter
uma visão global sobre quais caminhos devem ser
tomados e o que está acontecendo na atualidade.
Isso é muito difícil de ocorrer: ter num só local uma
visão global e bastante completa do estado da arte”,
ressalta Vasconcellos.
GANHOS PROPORCIONADOS PELO BIM 4D
Outro importante painel apresentado pelo
SindusCon-SP durante o Concrete Show tratou do
Building Information Modeling (BIM, Modelagem de
Informação da Construção). Durante a palestra BIM
4D para Planejamento e Controle de Obras, o arquiteto e urbanista Rogério Suzuki apresentou os conceitos básicos sobre o BIM 4D e destacou os possíveis
ganhos de tempo obtidos com a utilização correta da
ferramenta na execução dos projetos. Ele ressaltou
que, na atualidade, o mercado demanda por projetos
mais complexos e eficientes que sejam realizados em
prazos menores. Suzuki observou ainda que a utilização do BIM 4D possibilita melhorar o modelo de gestão envolvendo várias disciplinas de forma integrada.
“O BIM 4D, desde que bem-utilizado, pode ser um
poderoso aliado no controle e na gestão de obras, pois
permite visualizar a sequência construtiva, detectar
mais facilmente ganhos e falhas de planejamento,
comunicar-se com equipe de execução, explicitar melhor ao público leigo os tempos de execução e com isso
diminuir os riscos e facilitar o controle. Dependendo
do software utilizado, é possível visualizar desvios na
execução, por meio da comparação do executado com
uma linha de base”, afirma Suzuki.
SindusCon-SP dá boas-vindas a seus novos associados
Bulgarelli Engenharia e Comércio Ltda.
CLM Construções e Empreendimentos Ltda.
Construtora e Incorporadora Souza Maria Ltda.
Mesquita Construções e Comércio Ltda.
MVA Construtora Ltda.
Tap e Pagano Construtora Ltda.
VBP Engenharia Ltda.
Com a participação de vocês, vamos fortalecer ainda mais o nosso setor. Contem sempre conosco!
www.sindusconsp.com.br
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SINDUSCON-SP EM AÇÃO
E
m 2018, Londres ganhará um complexo sistema ferroviário que ampliará a capacidade do
The Tube (seu famoso metrô) em 10%. Isso
significa que transportará mais 1,5 milhão
de passageiros, que levarão 45 minutos a menos em
suas viagens, sejam para o trabalho ou lazer. Trata-se do Crossrail, o maior projeto de infraestrutura de
engenharia civil da Europa.
O Crossrail, quando pronto, terá 132 km de extensão – 90 km na superfície e 42 km em dois túneis
gêmeos – e atravessará Londres, de leste a oeste.
Serão nove estações subterrâneas e mais 28 na superfície. São números que impressionam, principalmente quan-do olha-se para o cronograma da obra:
iniciou-se em 2009, boa parte termina este ano e
finaliza em 2018, ao custo de 16 bilhões de libras.
“Quando iniciamos a fase de entrega, o governo disse ‘isso é inédito: um projeto com apenas
duas semanas de atraso e dentro do orçamento’”,
revelou Neill Pawsey, gerente sênior de projetos do
Crossrail, que veio ao Brasil a convite da Bentley
Sustaining Infrastructure, empresa de soluções
de software para projetos, análises, construção,
operação e manutenção, e responsável pela obra,
durante palestra na sede do SindusCon-SP, no início de setembro.
Um projeto desse porte tem grandes desafios.
A base de tudo, segundo Pawsey, foi responder a
pergunta: “como a Crossrail atenderá as demandas
dos usuários?” A partir desta questão, foi formulado um grande documento em BIM que respondesse
diversos “por quês”, de maneira que todos os gestores tivessem certeza do que seria bom. Com os
trabalhos iniciados, diversas mudanças começaram
a surgir dentro do ambiente BIM. O que ninguém
imaginava é que, ainda em 2009, o mundo sofresse
uma grave crise econômica. “Esse é o tipo de imprevisto que não dá para prever. E o nosso projeto
estava desenhado até 2016. Foi preciso readequar
tudo”, disse o gerente sênior.
Na mesma época, o projeto ganhou um reforço
tecnológico. A portabilidade e mobilidade dos tablets
auxiliou o trabalho e uma série de atividades inerentes ao scopo do projeto pôde ser simplificada. E o
melhor: a inclusão de sistemas que possibilitassem
operar esses gadgets não interferiu no cronograma.
Todos os contratos incluídos no BIM são
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notícias da construção // setembro 2015
BRENDAN BELL/CROSSRAIL LIMITED
Crossrail, a ferrovia digital
Londres será cortada por túneis escavados por shields
Academia também
Todo o processo de desenvolvimento dos
sistemas BIM feitos pela Bentley para
o Crossrail envolveu ainda um trabalho de transferência de conhecimentos para a força-tarefa do processo.
Durante o projeto, a Bentley Academic
Programs trabalha ativamente no sentido de compartilhar sistemas, processos e atitudes. No caso do Crossrail,
mais de 3 mil profissionais envolvidos
no projeto passaram pela a academia,
sendo muitos deles da própria Bentley –
“educação começa em casa”, diz Neill
Pawsey, gerente sênior do Crossrail.
Nesta academia, as pessoas ficavam cada vez mais envolvidas e cientes
de todo o processo e, ainda, podiam
trabalhar com o uso de modelagem de
sistemas 4D. Estima-se que, graças ao
trabalho da academia, o projeto economizou 8 milhões de libras, reduziu riscos de contingência, e detectou riscos
e possíveis problemas com precisão.
complexos. No Crossrail não foi
jamais se encontrem durante uma
diferente. Eles vem de segmenobra. Mas todos tem de enxergar
tos distintos, com características
e entender da mesma maneira os
bem particulares. “Usamos prindados do projeto”, ensina.
cípios básicos, comuns a todos,
A primeira fase do projeto do
que puderam ser aplicados a
Crossrail começou com a defidiferentes modelos de negócio”,
nição de uma plataforma única,
diz Pawsey, complementando
com programas únicos para toque “isso é o BIM! Não é uma
dos. “Escolhemos trabalhar com
evolução. É uma revolução”.
documentos em PDF e Excel e
E a base de todo BIM são os
centralizamos os sistemas em
dados e a maneira de tratá-los no
um confederado, uma espécie de
sistema. A forma de coletá-los
banco de dados que pudesse ser
também é imcomum a todas
portante, princias empresas en“O BIM NÃO É
palmente se eles
volvidas, de mavêm de empreneira amigável e
UMA EVOLUÇÃO.
sas
diferentes
compartilhada”,
É UMA REVOLUÇÃO” afirmou Pawsey.
e concorrentes.
Quando os dados
“Contratamos
têm integridade, o processo flui e
a Deloitte para nos dizer quais
a informação chega para as pesseriam os melhores de sistemas
soas certas. É assim que o prode documentos oriundos de difejeto funciona. Tudo isso permite
rentes fontes. Ela apontou o EB
que os investimentos possam
– Electronic Dashboards. Nem era
ser feitos e os prazos cumpridos.
um sistema da Bentley, a principal
“BIM não é custo. É investimengestora do projeto Crossrail, mas
to”, reforça Pawsey.
ficava no centro de tudo, graças a
sua possibilidade de compartilhar
ENVOLVIMENTO E FOCO
metadados”, informa. E deu certo!
Todo esse desenvolvimento,
NO PROCESSO
Outro aspecto vital do BIM em
o trabalho de convencimento das
um projeto desta dimensão é o
partes, de captação e inserção
envolvimento dos gestores com
dos dados, de disponibilização,
as pessoas do campo de obras. A
de adequação aos sistemas esequipe de Pawsey passou muito
colhidos, e mesmo o retrabalho
tempo com as pessoas da ferroapós o início da crise mundial,
via, para entender as necessidapassou ainda por uma aferição.
des e enxergar as oportunidades.
Com tudo no sistema BIM, a
“Empreiteiras vendem incerteBentley fez uma validação e um
zas. Mas com o BIM elas pascontrole de qualidade das inforsam a ter certezas que ajudam
mações. “Registramos tudo”,
a cumprir os prazos e orçamenrevela Pawsey. “Até as falhas e
tos”, garante.
defeitos virtuais foram catalogaPawsey destaca que o foco
dos de maneira a aprendermos
do BIM é nos processos. É assim
com os nossos erros”, afirma.
que todos os envolvidos enxer“Entregamos o que o governo
gam os dados de que necessitam,
queria. E isso só foi possível porquando necessitam, e os resultaque melhores informações, quandos aparecem. “Há diferentes tido bem compartilhadas, ajudam
pos de profissionais que, talvez,
a tomar decisões inteligentes.”
SAIBA MAIS
Bentley:
http://www.bentley.com/pt-BR/
Crossrail:
http://www.crossrail.co.uk
Apresentação de Neill Pawsey:
https://www.youtube.com/
watch?v=lVtedB1_X6c
Números do
projeto Crossrail
Custo total do projeto
14.800.000.000 libras
Modelagens de CAD
1.250.000
Documentos digitais armazenados
815.000
Ativos fixos marcados
650.000
Usuários únicos de documentos
8.250
Usuários únicos do CAD
650
Principais contratos (construtivos)
61
Principais contratos (design)
25
Centrais gerais de intercâmbios
8
Gerentes de infraestutura futura
2
Crossrail
1
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35
JORGE ROSENBERG
SINDUSCON-SP EM AÇÃO
Tadeu Navarro:
Objetivo é
oferecer suporte
para nivelar o
entendimento
Lei Anticorrupção,
compliance e
terceirização em
debate qualificado
Temas são destaque no
3º Congresso Jurídico
da Construção
36
notícias da construção // setembro 2015
É
indubitável a necessidade
de uma profunda transformação dos setores produtivos brasileiros e, em particular, da construção civil, para
fazer face à crise que já resultou
na demissão de mais de 800 mil
trabalhadores da construção desde 2014, dos quais 505 mil neste ano. O SindusCon-SP, visando
propiciar condições para que o
setor possa liderar a retomada do
crescimento do País, além de participar ativamente na proposição
de soluções, estimular a reflexão e
oferecer oportunidades de debates
sobre os impactos da conjuntura econômica e política, está elaborando material para
os associados, com orientações específicas
para adequação das empresas às exigências da Lei nº 12.846/2013, conhecida
como Lei Anticorrupção, conforme antecipa
Alexandre Tadeu Navarro, coordenador do
Conselho Jurídico.
A cartilha com orientações, atualmente
em fase de elaboração pela equipe técnica do SindusCon-SP, sob coordenação do
Conselho Jurídico, contribuirá para o aumento da conscientização e da adoção do
compliance no Brasil. “O objetivo é oferecer
aos associados, principalmente às pequenas e médias empresas, suporte para nivelar
o entendimento”, destaca Tadeu Navarro.
Assuntos
dos
mais
atuais,
Lei
Anticorrupção e compliance foram discutidos no 3º Congresso Jurídico da Construção
Civil, realizado no início de setembro em
São Paulo, que contou com mais de 300
participantes. O fórum, que teve como tema
Adaptando-se para a mudança de paradigma
da construção, debateu ainda novidades legislativas, dos pontos de vista civil e imobiliário; atualidades de contratos de construção
e impactos tributários; além da terceirização,
sob os âmbitos trabalhista e previdenciário.
“Se ajustes profundos não forem feitos,
os próximos anos terão um sabor amargo para toda a sociedade. O Executivo e o
Legislativo têm a responsabilidade de resgatar a confiança da iniciativa privada, para
que ela volte a investir e a gerar empregos”,
destaca o presidente do SindusCon-SP, José
Romeu Ferraz Neto. Ele ressalta a necessidade de uma reforma trabalhista que flexibilize a contratação de profissionais, estimule
o emprego formal e reafirme a legalidade da
terceirização na construção moderna.
Sobre esse tema, o Projeto de
Lei nº 4.330/2004, em tramitação no
Senado, que trata de contratos de terceirização no mercado de trabalho, foi debatido no último painel do Congresso Jurídico.
www.sindusconsp.com.br
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SINDUSCON-SP EM AÇÃO
As limitações à terceirização das atividades-meio, estabelecida pela Súmula nº 331 do
Tribunal Superior do Trabalho, são um entrave ao crescimento, em especial no heterogêneo setor de construção civil. “O setor
precisa subcontratar para empreender”,
pontua Renato Romano, consultor jurídico
do SindusCon-SP.
Ao comparar a legislação trabalhista
brasileira com a de outros países, Yone
Frediani, desembargadora aposentada do
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região,
cita como exemplo a Itália, onde existem
mais de 40 formas legais de prestação de
serviço. “Terceirização não significa precarização do trabalho”, conclui.
No debate sobre a Lei Anticorrupção e
compliance, o promotor de Justiça no Estado
de São Paulo, Roberto Livianu, coordenador
da campanha Não Aceito Corrupção, parabenizou o SindusCon-SP “pela coragem e
determinação na busca pelo debate, diante
do atual momento que o Brasil atravessa”.
Flávio Dematté, coordenador geral de
Responsabilização de Entes Privados da
Controladoria-Geral da União (CGU), observa
aumento da procura por parte das empresas
por programas de compliance. “Uma das
premissas é a de que os programas sejam
constantemente aperfeiçoados”, afirma.
EXTINÇÃO DE FRAUDES
A Lei nº 13.097, promulgada em janeiro
deste ano, também foi amplamente analisada no tocante aos Registros na Matrícula
do Imóvel, durante painel sobre novidades
legislativas. Considerada positiva por consolidar o entendimento da jurisprudência
de proteger o adquirente de boa-fé, a nova
legislação tem prazo de dois anos, até
20 de janeiro de 2017, para entrar plenamente em vigor. Nessa data, passa a ser
obrigatório, por parte dos credores, o registro de citações na matrícula dos imóveis
e a averbação de ações que possam levar
o proprietário à insolvência, sem os quais
deixa de existir possibilidade de fraude
à execução.
Outro aspecto positivo da lei é a proteção
à aquisição de incorporações imobiliárias,
38
notícias da construção // setembro 2015
lotes e condomínios da perda do bem, blindando o imóvel de eventuais outras dívidas
da construtora até a finalização da obra.
Os juristas concordam que as medidas aumentam a segurança jurídica para o setor
imobiliário. “Antes, a legislação protegia o
credor; agora, foca na boa-fé do adquirente
do imóvel”, observa Olivar Vitale, membro
do Conselho Jurídico.
CONTRATO DE ALIANÇA
Pouco conhecido e ainda não utilizado na
construção civil, o contrato de aliança impressiona pela abordagem colaborativa, não
usualmente utilizada nas relações comerciais. Leonardo Toledo da Silva, sócio da
Porto Lauand Advogados, mestre e doutor
em Direito Comercial pela Universidade de
São Paulo (USP), discorreu sobre a modalidade, que teve início nos anos de 1990 na
Escandinávia e é adotada em mais de 300
contratos na Austrália e em projetos pioneiros nos setores industrial e de infraestrutura
brasileiros. As indefinições sobre o enquadramento trabalhista e tributário desses
contratos foram o tema apresentado pelo
auditor da Receita Federal Carlos Henrique
de Oliveira, na palestra Efeitos Tributários
do Contrato de Aliança.
Os contratos baseiam-se no relacionamento cooperativo das partes, com riscos
compartilhados, trabalho realizado conjuntamente, inclusive no mesmo ambiente
físico, e transparência. “Todos ganham ou
perdem todos, o que requer uma mudança
profunda na cultura organizacional”, resume Toledo da Silva. De acordo com ele, a
implantação depende de uma mudança
intensa na cultura organizacional das empresas, visto que não há responsabilização
jurídica por uma falha não intencional – os
conflitos devem ser resolvidos por meio da
governança interna da aliança. Fernando
Marcondes, membro do Conselho Jurídico,
afirma que, baseado nas suas experiências
nos tribunais de Arbitragem, “da forma que
estamos fazendo é para dar errado, pois procuramos culpados”.
Carla Dazzi
opinião
Compliance no setor da construção
DAVI TANGERINO
4) tem mecanismos de apuração
e de punição;
5) é regularmente auditado. O tamanho e a complexidade dos
programas de compliance variam conforme a robustez da
pessoa jurídica, servindo os
itens mencionados como parâmetros mínimos.
O mesmo se repete no
Decreto nº 8.420/2015, bem
como nas posteriores portarias
(nº 909/2015 e nº 910/2015)
e instruções normativas emitidas
pela Controladoria-Geral da União
(nº 1 e nº 2), cujos aspectos em
MOMENTO ATUAL
EVIDENCIA A
IMPORTÂNCIA DOS
PROGRAMAS DE
COMPLIANCE
muito se assemelham à experiência norte-americana. O referido decreto define os parâmetros
para aplicação da lei e, em linhas
gerais, estabelece diretrizes para
apuração da responsabilidade administrativa de pessoa jurídica,
aplicação de sanções administrativas, celebração do acordo de
leniência e instituição dos chamados programa de integridade.
Exemplo claro dessa semelhança é a opção legislativa em
estabelecer que, caso a pessoa
jurídica apresente informações e
Advogado criminalista, sócio da Trench,
Rossi e Watanabe, membro do Conselho
Jurídico do SindusCon-SP
documentos referentes à existência e ao funcionamento de programa de integridade, a comissão processante deverá examiná-lo segundo alguns parâmetros,
dentre os quais se destacam:
1) comprometimento da alta direção da pessoa jurídica;
2) existência de padrões de conduta, código de ética, políticas e
procedimentos de integridade,
aplicáveis a todos os empregados, administradores e terceiros;
3) registros contábeis que reflitam
de forma completa e precisa as
transações da pessoa jurídica;
4)controles internos de demonstrações financeiras;
5) procedimentos específicos para
prevenir fraudes e ilícitos no âmbito de processos licitatórios;
6) medidas disciplinares em caso
de violação do programa;
7)transparência da pessoa jurídica quanto a doações para
candidatos e partidos políticos,
entre outros.
Os efeitos últimos da adoção
de programa de compliance, sobretudo no âmbito criminal, ainda
estão em aberto, mas por certo
servirão de diretiva para a fixação
de responsabilidades dentro das
pessoas jurídicas. O que se sabe
é que a sanção administrativa
será mitigada quando os programas existirem e forem efetivos. Os
constantes escândalos de corrupção apontam para a importância
da adoção desses mecanismos.
fotos: arquivo pessoal
A
entrada em vigor da
Lei nº 12.846, conhecida como Nova Lei Anticorrupção, celebrará seu
segundo aniversário em janeiro de
2016. Com a edição da lei, apressam-se – com razão – as empresas
em inteirar-se do que sejam os “mecanismos e procedimentos internos
de integridade, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades”
e “aplicação efetiva de códigos de
ética e de conduta no âmbito da
pessoa jurídica”, reunidas essas expressões em um mesmo inciso do
artigo 7º, que cuida das variáveis
a serem consideradas na aplicação
das sanções previstas. Entendidas
genericamente como compliance
– do inglês, conformidade, integridade –, terão o condão de mitigar
a sanção aplicada àquelas pessoas
jurídicas condenadas por práticas
corruptas, nos termos da lei.
A fonte primeira da lei foi o
U.S. Code Sentencing Guideline
Manual, documento que reúne um
conjunto de diretivas (guidelines)
aos juízes federais estadunidenses
na aplicação de sanções punitivas
às pessoas jurídicas. Nele, entende-se por programa efetivo de ética
e compliance aquele que:
1) contém um corpo de normas e
procedimentos;
2)é conhecido por todos os funcionários e terceiros relevantes;
3)é administrado com efetiva
autoridade (e com os recursos
apropriados);
ALDO ROMANI NETTO
Advogado criminalista
do quadro da Trench,
Rossi e Watanabe
www.sindusconsp.com.br
39
agenda
PALESTRAS GRATUITAS
OUTUBRO
OUTUBRO
DIVULGAÇÃO/SINDUSCON-SP
Eventos
Palestra Fiesp: Gerenciamento de
Resíduos Sólidos
Dia 6, das 10h às 12h, na Regional Santos
Uso Prático da 1ª Norma BIM Brasileira –
ABNT NBR 15965
Dia 6, das 19h às 21h, na sede do SindusCon-SP,
em São Paulo
CURSOS
6º Seminário Internacional BIM –
Modelagem da Informação
da Construção
Dia 22, das 8h às 18h,
no Caesar Business Faria Lima, em São Paulo
Encontro Empresarial Sinduscon-SP e
FIABCI-Brasil – “Panorama dos Distratos
no Brasil”
Dia 28, das 8h às 13h, na sede do SindusCon-SP,
em São Paulo
NOVEMBRO
8º Seminário sobre Legalização de
Empreendimentos no Município de São Paulo
Dias 10 e 11, das 8h às 18h,
no Caesar Business Faria Lima, em São Paulo
2º Fórum Internacional Segurança
e Saúde do Trabalho
Dias 12 e 13, das 8h às 18h,
na sede do SindusCon-SP, em São Paulo
Rodada de Inovação da Construção
Dia 12, das 9h às 18h, na Regional Ribeirão Preto
Rodada de Inovação em Sustentabilidade
Dia 24, das 9h às 18h, na Sede do SindusCon-SP,
em São Paulo
OUTUBRO
Gestão de Custos na Construção Civil
Dia 15, das 9h às 18h, na Regional Mogi das Cruzes
Programa de Capacitação de Gestores e Equipes
Dia 16, das 9h às 18h, na sede do SindusCon-SP,
em São Paulo
Gerenciamento e Administração do Tempo
Dia 16, das 9h às 18h, na Regional Campinas
Sistema Público de Escrituração Digital e
seus Cruzamentos
Dia 20, das 9h às 18h, na sede do SindusCon-SP,
em São Paulo
Nova FDIS ISO 9001:2015
Dia 21, das 9h às 18h, na sede do SindusCon-SP,
em São Paulo
Contabilidade na Construção Civil
Dia 27, das 9h às 18h, na Regional São José
dos Campos
O Novo Procedimento de Encerramento de Obra
pela Internet
Dia 28, das 9h às 18h, na Regional Bauru
Prince2 – Gerenciamento de Projetos –
nível básico
Dias 30 e 31, das 9h às 18h, na sede do
SindusCon-SP, em São Paulo
Informações: www.sindusconsp.com.br
Inscrições: [email protected] ou (11) 3334-5600
40
notícias da construção // setembro 2015
Regional
Um passo atrás: retração econômica
afeta lançamentos e emprego
com bastante dificuldade para medir o risco antes de
tomar uma decisão. Quem pode adiar está adiando,
quem não pode está tomando o risco [de construir]”,
diz Zaidan. “Hoje, as obras iniciadas em 2013 estão
terminando e não se tem uma decisão, que deveria ter sido tomada em 2014, para repor o emprego.
Então você começa a ver o desemprego”, analisa.
INTERIOR SENTE OS IMPACTOS
Dados apurados em sete regionais do SindusCon-SP
revelam que a tendência de desaceleração está
muito forte em quase todo o Estado. De todas as regionais analisadas, somente duas –
São José do Rio Preto e a do Grande ABC – registram um tímido aumento no número de contratações de trabalhadores. Já nos municípios de Bauru,
Innovare em
Santo André:
exceção
DIVULGAÇÃO
O
cenário econômico brasileiro, de forte desaceleração com consequente queda na
renda da população, tem causado impacto
em diversos segmentos do setor produtivo.
A redução de postos de trabalho é o principal efeito
observado. Segundo dados da pesquisa de emprego realizada pelo SindusCon-SP em parceria com
a Fundação Getulio Vargas (FGV), com base nos indicadores do Ministério do Trabalho e Emprego, o
índice de empregos vem registrando reduções consecutivas nos últimos 12 meses. No mês de julho de
2015, 414 mil postos de trabalho haviam sido eliminados, o que representou uma queda de 11,67%.
No Estado de São Paulo, o índice encerramento
de posições de emprego no setor chegou a 6,72%,
no acumulado do ano. Esses impactos também foram percebidos no segmento imobiliário. De acordo
com levantamento feito pelo Secovi-SP, o número
de lançamentos imobiliários residenciais caiu de
108.980 unidades para 89.504, entre 2010 e
2014, na cidade de São Paulo e nos 39 municípios
que compõem sua Região Metropolitana. Uma redução de 17,8% num período de cinco anos.
Para o vice-presidente de Relações CapitalTrabalho do SindusCon-SP, Haruo Ishikawa, os dados
são muito preocupantes e apontam um sentimento
de falta de confiança na recuperação da economia.
“Na época em que o setor mais contrata estamos
vendo um crescimento no número de demissões.
A situação é muito difícil e o nível de confiança está
muito baixo”, afirma.
A avaliação de Ishikawa encontra respaldo
na citada pesquisa, que apurou que em maio
deste ano o setor contabilizava 3,191 milhões de
trabalhadores com carteira assinada. Em julho, esse
número caiu para 3,134 milhões, o que representou o fechamento de 57 mil postos de trabalho em
apenas um mês. “A tendência é que até dezembro,
no total dos 12 meses do ano, esse número chegue
a 500 mil. Isso só na construção civil, mas imagine
em toda a cadeia produtiva”, alerta.
Na avaliação do vice-presidente de Economia do
SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, as empresas têm
evitado “tomar risco”. “Estamos já há alguns meses
www.sindusconsp.com.br
41
Regional
pois a demanda existe e é forte em todo o País.
Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos e
“Na região de Campinas não é diferente. Estamos
Sorocaba o viés é de queda do nível de emprego.
construindo 8 mil unidades e pretendemos manter
As demissões e a estagnação na criação de noeste número no próximo ano. É claro que não somos
vas vagas no setor são reflexos da recessão sentiimunes à crise e estamos atentos aos movimentos
da pela construção civil desde o fim de 2014, na
econômicos”, afirma.
região do Vale do Paraíba. As cidades de Taubaté
Em Ribeirão Preto, nos últimos 12 meses, foram
e Pindamonhangaba registraram queda de 3,96%
fechadas mais de 6 mil vagas formais. Esse resule 3,06%, respectivamente, no nível de emprego
tado, explica o diretor da Regional Ribeirão Preto,
em julho com relação a junho. Na região do Alto
Fernando Paoliello Junqueira, reflete o atual moTietê, cidades como Mogi das Cruzes e Suzano
mento de preocupação vivido pelo setor. “A instabiapuraram uma retração de 2,57% e 6,46%,
lidade política do País faz com que o mercado não
na devida ordem. Apesar de um índice positivo
sinta confiança para investir, comprar imóveis. Com
em 0,06% na variação mensal, São José dos
isso, as construtoras acabam se retraindo.”
Campos registrou queda de 8,61% no acumulado
É o que também afirma Maurício Palazzo, dido ano contra o mesmo período de 2014. Em 12
retor da Venire Empreendimentos Imobiliários,
meses, a queda foi de 9,46%, o equivalente ao
de Jaboticabal. Segundo o empresário, embocorte de 1.477 postos.
ra possa considerar suas vendas deste ano bem
Para o diretor regional de São José dos Campos,
próximas às do mesmo período em 2014, não há
Mário Cézar de Barros, o setor da construção civil é o
confiança para novos lançamentos. “Falta seguranque reage mais rápido aos estímulos da economia e
ça em relação ao futuro”, declara.
consequentemente o que se retrai
O período de recessão e a total
mais imediatamente. “Se existe
HARUO:
falta de credibilidade são aponuma mudança na economia, ela
“A SITUAÇÃO É MUITO
tados pelo diretor da Regional
parte para uma retração e isso
Sorocaba, Elias Stefan Junior,
implica desemprego”, destaca.
DIFÍCIL E O NÍVEL
como um fator agravante para o
Em Bauru, o estoque de trabaDE CONFIANÇA ESTÁ
setor. “Mais uma vez a incompelhadores com carteira assinada em
MUITO BAIXO”
tência do Estado será paga pelos
julho de 2014 era de 10.283, encidadãos e pelo empresariado, por
quanto, no mesmo mês de 2015,
meio da abusiva taxa de juros e a escalada sem fim
era de 9.977. Neste ano, a variação absoluta nesno aumento de impostos.” Na região de Sorocaba,
te primeiro semestre fechou com saldo negativo de
em julho, 87.010 pessoas trabalharam no setor
367 postos de trabalho. O diretor da Regional Bauru,
com carteira assinada, enquanto no mesmo períRicardo Aragão, salienta que é preciso uma mudanodo do ano passado eram 92.875 funcionários –
ça drástica com relação à legislação e mais apoio do
retração de 6,31%.
governo ao setor da construção. “O atual cenário é
Segundo Renan Pérsio, diretor de Incorporações e
assustador: economia desaquecida, leis que desfavoNovos Negócios da Prohidro, as demissões começarecem os empresários, aumento de tributos. É inconram no ano passado. “Tentamos outras alternativas,
cebível as construtoras terem que demitir para pagar
mas em alguns casos não tem como. Antes tínhamos
mais impostos”.
300 colaboradores diretos, agora são 100”, conta.
Na região de Campinas o setor também não vem
“O interior passa neste momento por uma forte
enfrentando seus melhores dias. Em 2015, o volume
retração, cujos reflexos serão desemprego, poucos
de mão de obra foi reduzido em 8,14%, com um total
lançamentos e um desmonte dos quadros técde 2.735 trabalhadores a menos no mercado. “O monicos. No meu entender, isso gera uma tragédia.
mento é de busca por oportunidades. Precisamos ficar
Profissionais treinados e qualificados que poderiam
atentos para corrigir falhas e melhorar os projetos”, diz
contribuir enormemente para os desafios nacionais
o diretor da Regional Campinas, Marcio Benvenutti.
estarão desempregados e eventualmente imigranO diretor de Produção da MRV Engenharia em
do para outros países”, analisa o vice-presidente
Campinas, Túlio Pereira Barbosa, diz que a consde Interior do SindusCon-SP, Eduardo Carlos
trutora entende que o mercado para o produto para
Rodrigues Nogueira.
o qual ela atua há 35 anos é bastante resiliente,
42
notícias da construção // setembro 2015
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO E
GRANDE ABC SÃO OÁSIS NO ESTADO
Na região de São José do Rio Preto houve mais contratações que demissões em cinco dos seis meses
de 2015. A razão para esse dado alentador está no
comportamento peculiar do mercado imobiliário local. De acordo com o Secovi, diferentemente do que
ocorre em outras cidades, a região não apresenta
picos de euforia ou depressão. O detalhamento da
pesquisa revela uma estabilidade. Foram 2.174 lançamentos até maio de 2013, 3.009 até maio do ano
seguinte e 3.029 até maio de 2015.
Para o diretor da Hugo Engenharia, Hilton Hugo
Fabri, neste cenário há uma seleção natural do
mercado, que hoje tem produtos melhores e construtoras que se profissionalizaram. “Nós vendemos
R$ 70 milhões em 2014. Neste primeiro semestre
já foram comercializados R$ 35 milhões com
perspectiva de repetir até o final de 2015 o mesmo
desempenho do ano anterior”, revela.
O diretor da Regional Rio Preto, Germano Hernandes
Filho, também acredita que os lançamentos seguraram os empregos e que a retração de julho foi baixa.
No entanto, ele observa que esse cenário pode mudar
num futuro não tão distante. “Há uma tendência de
queda no futuro. Os números da economia apontam
para um segundo semestre complicado”, alerta.
A região do Grande ABC registrou variação positiva no índice de emprego, com alta de 1,36%
e criação de 604 postos de trabalho. A maior alta
ocorreu em São Bernardo do Campo, com 260 novas
vagas. O mercado da região apresentou uma pequena recuperação no número de lançamentos. “Neste
primeiro semestre lançamos dois empreendimentos, o Innovare, com 85 unidades de duas suítes e
dois dormitórios, em Santo André, e o Attuale, a
10 minutos do metrô Vila Prudente, com 148 unidades de dois e três dormitórios. Tivemos sucesso
nas vendas e antecipamos as obras”, comemora
Gilberto Daniel de Souza, da Construtora Lorenzini.
Na avaliação do diretor da Regional Santo André,
Sergio Ferreira dos Santos, apesar dos bons resultados, é preciso observar tudo com muita cautela.
“Tivemos uma pequena evolução neste mês, mas
que não deve se manter. Acreditamos que haja uma
acomodação nestes números até o final do ano, com
perspectivas de que, para o próximo ano, o setor
comece aos poucos uma recuperação”, avalia.
www.sindusconsp.com.br
43
Regional
CPRs conscientizam sobre métodos
de segurança nos locais de trabalho
E
FALTA DE PARTICIPAÇÃO
laborada com o intuito de estabeleINTEGRADA PREJUDICA
cer diretrizes que ordenem as conO FUNCIONAMENTO
dições e meio ambiente de trabalho
O regramento prevê que os CPRs sejam
da indústria da construção, a Norma
formados por três a cinco representantes
Regulamentadora nº 18 (NR-18) inclui entitulares, além de suplentes, de governo,
tre os seus itens a criação do Comitê Pertrabalhadores e empregadores, e por três
manente Nacional (CPN), de abrangência
a cinco titulares e suplentes de entidades
nacional; e dos Comitês Permanentes Regiode profissionais especializadas em segunais (CPRs), instituídos nos Estados. Desrança e saúde do trabalho, para o apoio
de o seu estabelecimento, o SindusCon-SP
técnico-científico. No entanto, de acortem sido um forte aliado na implemendo com o vice-presidente de Relações
tação de medidas que contribuam para
Capital-Trabalho do SindusCon-SP, Haruo
a conscientização de empresas e trabalhaIshikawa, no interior do
dores sobre a importânEstado muitas vezes essa
cia da adoção de proceCOMITÊS
SÃO
composição se vê comdimentos de segurança
nos canteiros de obra.
ESTRATÉGICOS PORQUE prometida pela ausência
Atualmente, o sindicato
DESENVOLVEM AÇÕES E de representantes do governo – via Ministério do
participa dos CPRs insCONTEÚDOS
ADEQUADOS
Trabalho – e dos sindicatalados na capital e nas
tos dos trabalhadores.
cidades de Bauru, RibeiÀS CARACTERÍSTICAS
“No
interior,
o
rão Preto e Campinas,
REGIONAIS
SindusCon-SP acaba viaalém do Comitê de Sebilizando os CPRs, mas
gurança do Trabalho de
encontramos algumas dificuldades porque
Sorocaba e da Comissão Paritária de Fiscauma das partes às vezes não está presente.
lização de Presidente Prudente. Estas duas
Mas a parte principal que falta nessa comisúltimas atuam em substituição aos CPRs
são é o governo. Sem a participação de um
nesses municípios.
auditor do Ministério do Trabalho, o comitê
Os CPRs têm como missão estudar e
acaba não funcionando, pois é preciso ter a
propor medidas para o controle e a melhochancela governamental”, afirma Ishikawa.
ria das condições e dos ambientes de tra“O CPR da capital funciona muito bem,
balho, implementar a coleta de dados sobre
mas para manter as comissões funcionando
acidentes de trabalho, participar e propor
no interior a dificuldade é maior. É preciso
campanhas de prevenção de acidentes, enhaver um esforço de todas as partes, tanto
tre outras competências. Apesar da ampla
do governo quanto dos trabalhadores. Essa
abrangência de temas para os quais busca
é a grande dificuldade”, avalia.
desenvolver mecanismos que ampliem o
O empresário ressalta que, embora as
conhecimento sobre as normas de segurandificuldades de implementar os comitês no
ça dos trabalhadores da construção civil,
interior sejam muitas, o SindusCon-SP tem
a NR-18 nem sempre consegue ser bem
feito o seu papel com a realização de fóruns
executada em razão da falta de integrantes
e palestras nas regionais. O conteúdo busca
que completem a sua composição.
44
notícias da construção // setembro 2015
conscientizar sobre os procedimentos de
segurança no trabalho e valorizar a importância de se investir em métodos de prevenção de acidentes. “O SindusCon-SP tem um
slogan que diz: investir em segurança dá
lucro. Segurança é investimento.” Ishikawa
observa ainda que os CPRs regionais possuem um papel estratégico em razão de capacidade de desenvolver ações e conteúdos
que sejam adequados às características das
edificações de cada localidade.
“A cidade de São Paulo conta com características típicas. Aqui, nós temos empreendimentos verticais e de grande altura.
Se você pega o município de Presidente
Prudente, por exemplo, encontrará mais
construções de casas térreas. As edificações
são diferentes, mas é preciso ter o mesmo
tipo de cuidado na área de segurança”,
afirma. “A atividade em cada localidade
oferece um tipo de risco e requer uma
análise diferente. Isso ressalta a importância da criação dos CPRs por região, porque
as discussões entre os representantes dos
comitês avaliam a necessidade de cada
região. Cada região tem uma peculiaridade
de trabalho”, explica.
REGIONAIS RESSALTAM A
IMPORTÂNCIA DOS CPRs
No município de Bauru, a Regional
SindusCon-SP está atualmente responsável pela coordenação do CPR local. As
primeiras discussões do grupo de trabalho
trataram acerca das condições nos ambientes de trabalho na indústria da construção
civil e culminaram com o encaminhamento de sugestões de alteração da Norma
Regulamentadora nº 35 (NR-35), durante o
período de consulta pública, e da própria
BRUNA DIAS
Reunião do CPR em Bauru
www.sindusconsp.com.br
45
Regional
NR-18, com destaque ao item que aborda
os elevadores em obras.
A Regional Campinas tem focado seus
esforços no processo de conscientização
da adoção de métodos de segurança nos
canteiros. “Fazemos trabalhos preventivos,
com visitas às obras e somos bem atuantes.
Normalmente nos reunimos uma vez por
mês e realizamos duas visitas, sempre com
o intuito de orientar. Além disso, temos quatro encontros anuais com os representantes
das Cipas para discutir as normas regulamentadoras”, diz Marcio Benvenutti, representante do SindusCon-SP no CPR regional.
Segundo Benvenutti, os resultados do
trabalho de conscientização já podem ser
vistos nos canteiros de obra. “Estamos empenhados para que não haja mais nenhum
acidente em obras”, conta. A ideia, afirma
ele, é ampliar os debates e fazer com que
todos os envolvidos no processo construtivo sejam responsáveis pela prevenção
de acidentes no setor e incentivem debates para o aperfeiçoamento permanente
das normas técnicas, regulamentadoras
e de procedimentos.
A área da Regional Ribeirão Preto, que
envolve 92 cidades, conta com mais dois
CPRs ativos que cobrem também as cidades de Franca e São Carlos. De acordo com
o diretor da regional, Fernando Paoliello
Junqueira, mais dois comitês deverão ser
instituídos. “Agora vamos partir para a
instituição do CPR também em Araraquara
e Jaboticabal”, revela. “Esses comitês
nos permitem trabalhar ativamente nas
áreas de saúde e segurança do trabalhador, que são muito importantes para nós”,
completa Junqueira.
Atualmente, o CPR Ribeirão está finalizando a edição de uma cartilha orientadora, batizada de Sugestões Técnicas de
Procedimentos (STP), que deve ser lançada
até o fim do ano. “Com base nas experiências de todos que participam do comitê,
46
notícias da construção // setembro 2015
essa cartilha tem como ideia explicar como
fazer o que a legislação prevê”, diz o auditor
fiscal do trabalho Édson Bim, que integra o
CPR local.
COMITÊ DE SEGURANÇA E
COMISSÃO PARITÁRIA
A Regional Sorocaba integra, desde 2014,
o Comitê de Segurança do Trabalho, um
braço do Programa SindusCon-SP de
Segurança (PSS). Segundo o coordenador
Fernando Alonso, o grupo foi criado para
suprir a ausência do CPR Sorocaba, que
deixou de se reunir na cidade em 2013.
“A implantação do nosso comitê teve o intuito de contribuir para zerar o número de
acidentes de trabalho, o que vem ao encontro do compromisso do SindusCon-SP”,
explica Alonso.
Os participantes são técnicos e engenheiros de segurança das empresas
associadas ao sindicato, bem como profissionais da área de saúde e medicina do trabalho, tais como o Seconci-SP,
o Centro de Referência da Saúde do
Trabalhador (Cerest), a Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador (Cist), o
Sindicato dos Técnicos de Segurança do
Trabalho no Estado de São Paulo (Sintesp),
o Sesi e o Senai.
Já em Presidente Prudente, a regional integra a Comissão Paritária de
Fiscalização (CTP). Criado em 1999, o
grupo tem como objetivo combater a informalidade no mercado de trabalho da
construção civil, melhorar a qualidade do
emprego e das condições de segurança no
ambiente de trabalho, além de aumentar a
produtividade e a qualidade da construção.
Periodicamente, o CTP promove visitas aos
canteiros de obras, para orientar empresas,
empreiteiros, engenheiros e donos de obras
sobre o devido cumprimento das normas
de segurança do trabalho e das legislações
trabalhista e previdenciária.
classificados
classificados
NOVIDADES DO MERCADO
JORGE ROSENBERG
SindusCon-SP fecha parceria
com Reed Exhibitions
O presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto,
e o presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado,
Juan Pablo de Vera, assinaram em 22 de setembro
acordo de parceria para a realização do ConstruBR na
Feicon Batimat 2016. “A Reed é reconhecida internacionalmente por sua excelência na organização de plataformas de lançamento de inovações para o mercado
profissional. Agregaremos a isso nossa expertise na produção de conteúdo relevante e atual com lideranças do
setor da construção no Brasil”, afirmou Romeu Ferraz.
“Reconhecemos a liderança e representatividade do
SindusCon-SP em trazer aos participantes, empresários
e profissionais do setor soluções e respostas a essas
dificuldades que estamos passando”, declarou Juan
Pablo. Realizado pela primeira vez em 2014 em São
Paulo, o ConstruBR retorna de maneira ainda mais forte
em 2016, destacando a produtividade como principal
solução para o futuro do setor no País.
Inovações de plástico
no novo Galeão
Ponto de abastecimento
domiciliar de GNV
A conclusão das obras de melhoria de infraestrutura
para os Jogos Olímpicos de 2016, com investimentos de R$ 2 bilhões, caminha em ritmo acelerado no
Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão). Com
o objetivo de oferecer um espaço mais amplo, moderno e funcional, o Consórcio Construtor Galeão
investiu em soluções inovadoras, como produtos de
plástico para as áreas de estacionamento, cobertura
e drenagem. A Braskem foi a responsável pelo fornecimento dos materiais. A aplicação de BubbleDeck
– sistema composto de esferas de polipropileno inseridas de forma uniforme entre duas telas de aço
– foi realizada nas lajes do edifício-garagem. A tecnologia reduz em 25% o uso de concreto na obra,
contribuindo para uma emissão de CO2, em média,
46 kg menor por metro quadrado de laje construída.
A Comgás está implantando o primeiro ponto domiciliar de abastecimento de gás natural veicular
(GNV) do Brasil. Por meio de um dispenser ligado
à rede de gás natural, o sistema permite que o consumidor possa abastecer seu veículo em casa, enquanto deixa o carro na garagem. Esse conceito já
existe em países como Itália, onde o equipamento é
visto como um eletrodoméstico de fácil manuseio.
A novidade será apresentada durante o evento de
lançamento da Smart Eco House, uma casa inteligente na zona norte de São Paulo. A experiência vai
permitir observar o comportamento do equipamento, sua praticidade e aplicabilidade para o segmento
e contribuir para a criação de normas e certificações
para que o produto possa ser usado de acordo com
a legislação brasileira.
50
notícias da construção // setembro 2015
AnoXIII|nº3|SETEMBRO2015
ANÁLISE
SETORIAL DA
PRODUTIVIDADE
DO TRABALHO
BALANÇO E
PERSPECTIVAS DA
INFRAESTRUTURA
O PARADIGMA DA
SUSTENTABILIDADE
E SEUS DESAFIOS
ALTERNATIVAS
PARA O
FINANCIAMENTO
HABITACIONAL
E URBANO
Tânia Rêgo/Agência Brasil
AUMENTO DO
DESEMPREGO E
CRESCIMENTO
DO PESSIMISMO
CC-set-2015.indd 1
26/09/15 16:22
NESTA EDIÇÃO
4
9
12
15
19
PERSPECTIVAS
BALANÇO E PERSPECTIVAS
PARA A INFRAESTRUTURA
ESTUDO
UMA ANÁLISE SETORIAL
DA PRODUTIVIDADE DO
TRABALHO NO BRASIL
SUSTENTABILIDADE
UM NOVO PARADIGMA
PARA O SETOR
PLANEJAMENTO
ALTERNATIVAS PARA
O FINANCIAMENTO
HABITACIONAL E O
DESENVOLVIMENTO URBANO
CONJUNTURA
PESSIMISMO CRESCE
A Conjuntura da Construção está
disponível para download nos sites:
www.construdata.com.br
www.sindusconsp.com.br
CC-set-2015.indd 2
Conjuntura da Construção é uma publicação trimestral conjunta do SindusCon-SP
e da FGV. É permitida a reprodução total ou parcial da publicação.
Vice-presidente de Economia do SindusCon-SP: Eduardo May Zaidan
Editores: Ana Maria Castelo e Edney Cielici Dias (executivo)
Colaboraram nesta edição: Denise Inoue, Laurent Broering, Flávia Souza Teles,
Robson Gonçalves, Sérgio Camara Bandeira
Produção Gráfica: Lucia Paiva
Ilustração da capa e infográficos: Mario Kanno
Fotos: Thinkstock
Jornalista Responsável: Rafael Marko. MTE 12522
Publicidade: Ana Maria Castelo, Tel.: (11) 3799 2371, Fax: (11) 3799 2375,
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Presidente: José Romeu Ferraz Neto
Vice-presidentes: Eduardo Carlos Rodrigues Nogueira, Eduardo May Zaidan,
Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, Haruo Ishikawa, Jorge Batlouni,
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Honda, Maurício Linn Bianchi, Odair Garcia Senra, Paulo Rogério Luongo
Sanchez, Roberto José Falcão Bauer, Ronaldo Cury de Capua
Representantes junto à Fiesp: Eduardo Ribeiro Capobianco,
Sergio Porto,Cristiano Goldstein, João Claudio Robusti
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(Ribeirão Preto), Germano Hernandes Filho (São José do Rio Preto), Márcio
Benvenutti (Campinas), Mario Cézar de Barros (São José dos Campos), Paulo
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Instituto Brasileiro de Economia
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dezembro de 1944, como pessoa jurídica de direito privado, tem por finalidade
atuar no âmbito das Ciências Sociais, particularmente Economia e Administração,
bem como contribuir para a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável.
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Conselho Diretor
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Ernane Galvêas, José Luiz Miranda, Lindolpho de Carvalho Dias, Manoel Pio
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Baptista Vianna, Gilberto Duarte Prado, Jacob Palis Júnior, José Ermírio de Moraes
Neto, José Júlio de Almeida Senna, Marcelo José Basílio
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Cruz S.A.), Carlos Moacyr Gomes de Almeida , Heitor Chagas de Oliveira, Jaques Wagner
(Estado da Bahia), Tarso Genro (Estado do Rio Grande do Sul), Luiz Chor (Chozil
Engenharia Ltda.), Marcelo Serfaty, Marcio João de Andrade Fortes, Orlando dos
Santos Marques (Publicis Brasil Comunicação Ltda.), Raul Calfat (Votorantim
Participações S.A.), Ronaldo Vilela (Sindicato das Empresas de Seguros Privados,
de Previdência Complementar e de Capitalização nos Estados do Rio de Janeiro
e do Espírito Santo), Angélica Moreira da Silva (Federação Brasileira de Bancos),
Sandoval Carneiro Junior, Sérgio Ribeiro da Costa Werlang, Mauro Sérgio da
Silva Cabral (IRB-Brasil Resseguros S.A.), Tomas Brizola (Banco BBM S.A).
Suplentes: Aldo Floris, Emerson Furtado Lima (Brookfield Brasil LTDA), Luiz
Roberto Nascimento Silva, José Carlos Schmidt Murta Ribeiro, Manoel Fernando
Thompson Motta Filho, Murilo Pinto de Oliveira Ferreira (Vale S.A.), Nilson
Teixeira (Banco de Investimentos Crédit Suisse S.A.), Olavo Monteiro de Carvalho
(Monteiro Aranha Participações S.A.), Patrick de Larragoiti Lucas (Sul América
Companhia Nacional de Seguros), Rui Barreto (Café Solúvel Brasília S.A.),
Sergio Lins Andrade (Andrade Gutierrez S.A.), Victorio Carlos de Marchi.
28/09/15 17:26
EDITORIAL
Medidas necessárias
e ajuste incerto
umo ao encerramento de 2015, as sinalizações
necessárias para a reversão de expectativas não
foram tomadas. A Sondagem da Construção registra o vale mais profundo desde seu início em 1999 e o
desemprego setorial vem acumulando saldos crescentes.
É como se o país titubeasse em frente a um abismo, incapaz de tomar a decisão correta. O nó político tudo impossibilita e apaga a esperança do horizonte dos brasileiros.
O roteiro básico de saída da crise não é desconhecido,
muito pelo contrário. É necessário estancar a sangria de
gastos que vem minando a sustentabilidade fiscal brasileira e, paralelamente, desobstruir e pavimentar as vias
do investimento, o que passa pela retomada sustentável
da indústria, da infraestrutura, da habitação. Para isso, é
necessário desatar o nó político, o nó da imobilidade, o
nó da desesperança.
Esta edição traz subsídios para as visões de futuro, reflexões para o país que precisa trabalhar, gerar renda e emprego e, assim, melhorar a qualidade de vida de sua população. É o país que tem como desafio os investimentos
em infraestrutura, cujos níveis se encontram muito abaixo do desejável. É o país que possui problemas habitacionais e urbanos que asfixiam suas cidades. É o país em que
se desenham novos paradigmas de sustentabilidade, de
eficiência e de produtividade – desafios a esperar respostas firmes e comprometidas da sociedade.
Por acreditar que estas questões não podem ser colocadas
em segundo plano é que esta revista mantém vivo o debate de alternativas, tendo convicção na defesa do futuro do
Brasil. O momento requer coragem e decisão.
Boa leitura.
R
Frase
“Não foi o mundo que
nos obrigou a ter 39
ministérios, 35 mil cargos
em comissão, a fazer
investimentos além do que
era possível, o imprudente
inchamento do Estado.
O Brasil viveu dez anos
mágicos. Agora, a realidade
de novo se encontrou
conosco. Mas dizer que a
crise brasileira é devida à
situação internacional é
uma distorção excessiva.
A influência exterior está
muito aquém de nossa
responsabilidade. Quem
criou esta crise, por
mistura de gigantismo do
Estado, gastos excessivos,
corrupção, demagogia e
triunfalismo, fomos nós.”
Marcos Azambuja, ex-secretário
geral do Itamaraty, no jornal Valor
Econômico de 18 de setembro.
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
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3
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PERSPECTIVAS
BALANÇO E
PERSPECTIVAS PARA
A INFRAESTRUTURA
Queda dramática de investimentos evidencia a necessidade de avanços
institucionais e visão de prioridade estratégica para o Brasil
Cláudio Frischtak* e Katharina Davies**
O país necessita de uma revolução em infraestrutura, mas o Estado simplesmente não tem a capacidade e os meios de levá-la adiante.
O setor privado será o elemento estruturante dessa revolução.
Há o reconhecimento de que o
investimento em infraestrutura
necessita ser uma política de Estado – uma política inteligente,
estabelecendo as obrigações estatais no âmbito do planejamento
e regulação, mas com suas limitações no plano do financiamento e
da execução. A política desenhada
para mobilizar o potencial de contribuição do setor privado, por sua
vez, deve ocorrer sem subsídios ou
artificialismos. De fato, o envolvimento do setor privado se tornou
imprescindível não somente por
conta das restrições fiscais de natureza conjuntural. Razão mais importante é o filtro que a iniciativa
privada estabelece quanto à qualidade dos projetos, a eficiência na
execução e os serviços resultantes.
Nessa perspectiva, é essencial
um maior envolvimento dos bancos privados e mercados de capitais no financiamento dos projetos.
Pois quando são empresas privadas
Ao Estado cabe
assegurar que os
projetos obedeçam
a uma lógica de
planejamento e que
sejam regulados e
fiscalizados por agências
de fato independentes.
a propor os projetos, contratar as
obras, equipamentos e serviços, e
quando essas empresas têm seus
recursos direta ou indiretamente
expostos ao risco do projeto e de
sua execução, o interesse público
tende a ser mais bem atendido. Ao
Estado cabe assegurar que os projetos obedeçam a uma lógica de planejamento e que sejam regulados
e fiscalizados por agências de fato
independentes, e não como apêndices do executivo.
Balanço geral
O Brasil investiu no ano passado
2,37% do PIB em infraestrutura, o
mesmo que o ano anterior – apenas as telecomunicações apresentam ganhos reais e como proporção
do PIB e nos demais setores houve retrocesso. Deveríamos investir
3% do PIB apenas para compensar
a depreciação do capital fixo per
capita e para sustentar um crescimento entre 4% e 5% a.a. – hoje
acima do nosso potencial, mas alcançável com reformas na economia – os investimentos em infraestrutura deveriam ser da ordem de
6% do PIB. Ademais, a modernização da nossa infraestrutura irá requerer um esforço dessa ordem de
magnitude por cerca de duas décadas, tal qual se realizou nas economias asiáticas, no sul da Europa e
se vem fazendo no Chile e, mais recentemente, no Peru.
As projeções da Inter.B sugerem uma contração em todos os
segmentos em 2015, mais concentrada em transportes rodoviários e
aeroviários. Projetamos para este
ano que os investimentos deverão
cair para 1,79% do PIB (com base
numa expansão nominal de 6,9%,
sendo o crescimento real projetado de -1,6%). Reverter esse quadro
e ampliar os investimentos de forma sustentável é o grande desafio.
Não apenas há necessidade de
ampliar os investimentos, mas tam-
4 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO – SETEMBRO 2015
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O PERFIL DOS INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA
Investimentos em infraestrutura por instância pública e privada, % PIB
2,5
2,0
1,41
1,02
1,01
1,11
1,27
1,22
1,28
Privado
0,79
0,96
1,29
1,26
1,06
0,99
1,15
1,09
Público
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
1,5
0,99
1,0
0,5
0,0
Em % do total investido em 2014
54,01%
Empresas Privadas
23,22%
Empresas Estaduais e Autarquias
O setor privado respondeu
por 52% do investimento
na média do período 2007
a 2014. Nesse último ano, o
percentual alcançou 54%
11,96%
Governo Federal (OGU)
10,82%
Empresas Estatais Federais
Os investimentos em tranportes
foram o que mais aumentaram
no período e representam a
maior parcela do total realizado
Investimentos em infraestrutura por segmento % PIB
1,2
1,0
0,96
Transportes
0,68
Eletricidade
0,53
Telecomunicações
0,20
Água e Saneamento
0,8
0,6
0,69
0,63
0,62
0,4
0,2
0,18
0,0
2001/10
2011
2012
2013
2014
Fonte: Inter. B
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
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5
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bém melhorar a eficiência com que
são realizados. O país desperdiça
um grande volume de recursos que
aplica por conta das conhecidas dificuldades de execução concentradas no setor público.
Público e privado
Não houve uma alteração significativa na composição dos investimentos em infraestrutura no período 2007-14. Os investimentos
se mantiveram aproximadamente
com a mesma participação no PIB,
com um pequeno aumento no âmbito privado e diminuição da esfera pública.
Os investimentos em infraestrutura tiveram uma expansão nominal
de 7,10% em 2014, um crescimento
real de apenas 0,66%. Esse valor diz
respeito à soma dos investimentos
nos setores de energia, telecomunicações, saneamento e transportes. Como porcentagem do PIB, não
houve alteração: os investimentos
permaneceram em 2,37%.
Ao decompor o valor total de R$
130,9 bilhões investidos em 2014, a
maior participação advém do setor
privado. Com gastos totais no valor de R$ 70,7 bilhões e representando uma variação nominal de
12,31% com relação a 2013, as empresas privadas foram as que mais
investiram em infraestrutura, tendência observada nos últimos anos,
desde 2007. O governo e as estatais
federais – no seu conjunto – investiram aproximadamente o mesmo
que as empresas e autarquias estaduais, 0,54% e 0,55% do PIB, respectivamente.
Numa comparação do período
2007-12 e a média dos dois últimos
anos, enquanto o incremento de
gastos foi de 0,18% do PIB, a participação privada se ampliou em
0,11% e o setor público em 0,7%.
Essas mudanças foram pouco per6 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 6
Em 2015, os gastos em
infraestrutura somarão
R$106,4 bilhões, o
que representa uma
queda nominal de
19% em relação a
2014 e uma queda
real próxima a 28%.
ceptíveis, ainda que em 2014 as dificuldades das empresas estatais
federais, assim como estaduais e
autarquias de ampliarem seus investimentos tenham ficado mais
explícitas, num preâmbulo para o
corrente ano.
Visão setorial
Quando desagregados setorialmente, os maiores desembolsos vêm
ocorrendo historicamente no setor
de transportes, que somaram R$ 53,1
bilhões em 2014. Porém o incremento nominal nos gastos (1,99%) não
acompanhou a inflação, por conta de uma diminuição de 25,1% nos
investimentos das empresas estatais federais, seguida do próprio governo federal. O setor que recebeu
o segundo maior volume de investimentos em 2014 foi o de energia,
com aportes de R$ 37,5 bilhões, uma
expansão nominal de apenas 0,67%
e que resulta em uma queda real nos
investimentos. O maior gasto foi das
empresas privadas, principalmente
no subsetor de geração. As empresas estaduais e autarquias são as que
menos investem em infraestrutura
de energia – o governo federal investe no setor por meio da Eletrobras, que apresentou crescimento
nominal de 1,63% no ano passado
em relação a 2013.
Os investimentos totais em 2014
de fato não se reduziram em termos reais por conta do comporta-
mento em telecomunicações, que
apresentou investimentos na ordem de R$ 29,3 bilhões, e a maior
variação positiva em relação ao ano
anterior (32%).
Finalmente, o saneamento absorveu recursos de R$ 11 bilhões, ou
0,2% do PIB, possivelmente menos
de um terço que deveria estar sendo investido no setor. Tradicionalmente, a maior parte dos investimentos em saneamento no país é
decorrente de gastos de empresas
estaduais e autarquias, ainda que
nos últimos três anos tenham ocorrido um aumento da participação
privada, como se verá mais abaixo.
O setor de transportes abrange os
subsetores rodoviário, ferroviário,
portuário, aeroportuário, hidroviário e de mobilidade urbana. No seu
conjunto, são as empresas privadas,
assim como as estaduais e autarquias que têm posição dominante.
O setor rodoviário é o que concentrou a maior parte dos investimentos em transportes. No ano de 2014,
ao contrário do observado nos anos
anteriores, o principal investidor em
rodovias no Brasil foram empresas
estaduais e autarquias. Ainda que a
maior gasto tenha sido de responsabilidade dos Estados, vale ressaltar que o governo federal também
aumentou seus investimentos em
19% na comparação com 2013. O setor ferroviário representou um aumento de 12,2% em relação ao ano
anterior. A maior parte foi decorrente dos gastos de empresas privadas. Os investimentos no setor portuário são da mesma forma predominantemente privados. Ainda que
os desembolsos do governo federal
tenham se expandido, a queda nos
gastos do setor privado dominou o
saldo final, gerando uma redução
de 16,9% nos gastos totais no setor.
O setor aeroportuário teve a maior
queda no investimento, com queda
– SETEMBRO 2015
26/09/15 16:22
PERSPECTIVAS DO INVESTIMENTO EM INFRAESTRUTURA
Investimento em infraestrutura, % PIB
8
7
2,37
2,37
2,31
2,37
6
6% do PIB
5
2,27
2,26
4
3
2,17
2
1
0
2007
1,78
2007
1,80
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
Os investimentos
em infraestrutura
deveriam ser da
ordem de 6% do
PIB para atender
às necessidades
brasileiras
2015*
Projeções para 2015 a 2018 por setor
(R$ bilhões)
Para o período 2016 a 2018, se os projetos mais viáveis do
Plano de Investimento em Logística (PIL II) e o Plano de
Investimento em Energia Elétrica (PIEE) se concretizarem,
Para 2015, projeta-se
haverá uma recuperação dos investimentos a partir de
uma retração nos
2016, e de forma mais acentuada a partir de 2017.
investimentos de 19%
150
134,2 TOTAL GERAL
130,9
128,0
30,2
ENERGIA ELÉTRICA
20,5
TELECOMUNICAÇÕES
113,6
120
37,5
36,0
106,4
35,2
36
32,6
90
18,2
29,3
18,2
16,9
13,4
19,8
11,0
60
53,1
60,3
11,1
10,0
50,4
44,1
26,0
9,2
9,0
2014
0
0,7
6,5
2,3
6,5
3,9
2015
7,5
4,7
1,1
6,6
5,7
2016
Rodoviário
6,7
30
3,8
7,5
31,0
24,7
8,9
27,7
69,7 TOTAL TRANSPORTE
9,2
27,7
23,8
4,7
SANEAMENTO
13,7
60,3
7,3
7,5
Mobilidade Urbana
2 9,1
Portos
13,4
8,6
Ferroviário
Aeroportos
Hidrovias
128
8,0
6,7
1,2
11,0
7,3
2,0
2017
2,0
2018
Fonte: Inter. B
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
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7
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de 17,4% em relação a 2013. Os investimentos do setor historicamente foram direcionados pela Infraero, porém, com as privatizações a
partir de 2012, os gastos privados
no setor aumentaram, e assim, as
concessionárias privadas passaram
também a impulsionar os investimentos. Em 2014, no entanto, ambas as instâncias (pública e privada) diminuíram os aportes no setor,
marcado principalmente pela queda
de 25% dos investimentos públicos
e a desaceleração nos investimentos pós-Copa dos aeroportos privatizados. Quanto à mobilidade urbana, a maior parte dos investimentos
de R$ 8,9 bilhões decorreu de decisões de gastos de empresas estaduais e autarquias. Assim, a queda
dos investimentos do governo federal em 40% não afetou significativamente o setor como um todo, sendo
compensada pelo aumento em 12%
dos gastos da esfera estadual. O setor que apresentou maior variação
positiva nos investimentos recebidos foi o hidroviário, com um aumento em 16,67% relativos ao ano de
2013. Esse acréscimo se deve principalmente à participação privada
no setor, que aumentou em 50% os
gastos com obras hidroviárias. Ainda assim, o setor continua sendo o
que menos recebe investimentos
e possivelmente permanece como
sendo o modal de transportes mais
subutilizado.
Perspectivas
A primeira projeção para 2015
aponta que os gastos em infraestrutura somarão R$106,4 bilhões,
o que representa uma queda nominal de 19% em relação a 2014, e
uma queda real próxima a 28%. Todos os setores apresentariam uma
queda nos investimentos, com exceção do hidroviário. Nesse caso,
é esperado um aumento da ordem
8 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 8
É possível reverter o
declínio projetado para
este ano desde que haja
um efetivo e sustentado
compromisso
com a estabilidade
macroeconômica e
responsabilidade no
trato da coisa pública.
de 59% em relação a 2014. Para os
demais subsetores de transporte,
foram projetados quedas nominais de: 9% em rodovias, 27% em
ferrovias, 27% em mobilidade urbana, 18% em aeroportos e 40%
em portos. Ainda que seja esperada uma diminuição total dos gastos com transporte (21% em relação a 2014), o setor continuará sendo aquele que mais recebe investimentos, com um total previsto em
R$ 42,9 bilhões.
No caso do setor de energia elétrica, projeta-se uma diminuição
em 13% dos investimentos, totalizando R$ 34,6 bilhões. Esse setor será, com toda probabilidade,
um dos com menor queda (após o
setor de saneamento), pois as empresas que estão construindo grandes ativos de geração e transmissão
possuem obrigações regulatórias e
contratuais, inclusive data determinada em que devem começar a
operar, diminuindo a possibilidade de postergar os investimentos.
Ademais, para as geradoras, havendo como escoar a energia (a exemplo das hidrelétricas do rio Madeira) há um forte incentivo de antecipar a conclusão e suprir o mercado livre.
No caso do setor de telecomunicações, projeta-se que, ao contrário
de 2014, irá se observar uma forte
queda nos investimentos, que deverão totalizar R$ 19,8 bilhões, uma
variação negativa de 32%. Assim, os
investimentos no setor voltariam
ao nível histórico de cerca de R$
20 bilhões anuais, reflexo de um
aumento desproporcional e atípico em 2014.
Finalmente, também se projeta
uma redução dos investimentos no
setor de saneamento para R$ 10,0
bilhões, direcionado pelos ajustes
sendo realizados nas empresas estaduais que dominam o setor como
o governo federal.
Para o período 2016 a 2018, se os
projetos mais viáveis do Plano de
Investimento em Logística (PIL
II) e o Plano de Investimento em
Energia Elétrica (PIEE) se concretizarem, haverá uma recuperação
dos investimentos a partir de 2016,
e de forma mais acentuada a partir de 2017.
Em conclusão, estamos vivendo
um período de forte ajuste nas contas públicas e baixa visibilidade. Na
medida em que o investimento por
definição é “uma aposta no futuro”,
e sendo os ativos de infraestrutura de longa duração, o elemento de
incerteza cobra um prêmio e leva
ao retraimento dos investimentos.
É possível reverter o declínio projetado para este ano, desde que haja
um efetivo e sustentado compromisso com a estabilidade macroeconômica, a responsabilidade no
trato da coisa pública, e uma agenda construtiva para a infraestrutura. Muito do que se requer é mais
bom senso econômico, menos voluntarismo, e a disposição de defender o setor frente às barganhas
políticas que levam a investimentos
de elevados custos e má qualidade.
* Cláudio Roberto Frischtak é doutor em economia pela
Universidade Stanford e presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios.
** Katharina Davies é analista da Inter.B
– SETEMBRO 2015
26/09/15 16:22
ESTUDO
UMA ANÁLISE SETORIAL
DA PRODUTIVIDADE DO
TRABALHO NO BRASIL
Setores mais intensivos em mão de obra, como construção, comércio,
transporte, ainda possuem um nível de produtividade muito baixo
Fernando Veloso*
Uma característica marcante do
desenvolvimento econômico é o
processo de transformação estrutural, definido como o deslocamento da atividade econômica entre diferentes setores ao longo do tempo. Em geral, toda economia passa
por uma redução da participação
do setor agrícola e um aumento da
importância do setor de serviços
no emprego e no PIB ao longo do
tempo. A participação relativa da
indústria tende a se elevar inicialmente, mas posteriormente sofre
uma redução em favor do setor de
serviços.
Como a produtividade média do
trabalho na agricultura em geral
é menor que nos outros setores, a
transformação estrutural provoca um aumento da produtividade
agregada da economia nos seus estágios iniciais. Na medida em que
a indústria perde espaço para os
serviços, no entanto, é possível que
ocorra uma desaceleração do crescimento da produtividade agregada, já que a indústria (em particular, a indústria de transformação)
em geral caracteriza-se por uma
produtividade do trabalho mais
elevada.
Enquanto a
produtividade recuou,
em média, 0,2% ao ano
entre 1995 e 2003, o
crescimento acelerou
para 2,2% ao ano
entre 2003 e 2013.
Nesse sentido, este artigo apresenta dados sobre produtividade
setorial da economia brasileira com
base em medidas de valor agregado
e horas trabalhadas em cada setor.
A metodologia de cálculo da produtividade setorial é baseada em Veloso, Matos e Coelho (2014). Com relação ao valor adicionado (VA), utilizamos os dados dos 12 setores das
Contas Nacionais Anuais (20002011) e Trimestrais (1995- 2013).
As séries de valor adicionado seguem a reformulação divulgada pelo
IBGE neste ano. O marco metodológico anterior (Sistema de Contas
Nacionais Referência 2000) introduzido em março de 2007 (com séries históricas iniciando em 1995)
foi substituído pelo SCN Referência
2010.1 Com isso, houve uma revisão
das séries de valor adicionado para
os 12 setores da economia desde 1995.
O setor que sofreu a maior alteração foi o da construção. Pela metodologia antiga, o VA era calculado
apenas utilizando os insumos típicos para produção. Agora é calculado utilizando também a massa salarial, medida pela Pnad para o emprego informal e pela Paic para o emprego formal, deflacionando com o
IPCA de mão de obra. Para o cálculo da proporção utilizada entre insumos típicos e massa salarial, o IBGE
utiliza, respectivamente, a proporção
do consumo intermediário e o valor
da produção e a razão do valor adicionado menos o excedente operacional bruto sob o valor da produção.
Com relação ao fator trabalho,
usamos uma medida de horas trabalhadas obtida a partir da Pesquisa
Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad), de acordo com a metodologia proposta em Veloso, Matos
e Coelho (2015). A Pnad é divulgada
anualmente e o último dado disponível é de 2013.
1 Para mais detalhes, ver “Notas metodológicas da
nova série do Sistema de Contas Nacionais (SCN) - referência 2010”.
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9
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EVOLUÇÃO DA PRODUTIVIDADE
Tabela 1 – Participação setorial no VA (preços constantes de 2009) e no emprego: 1995-2013 (%)
VA (%)
Agropecuária
Ext. Mineral
Transformação
Construção
SIUP
Indústria
Comércio
Transporte, armazenagem e correio
Serviços de informação
Interm. financeira e seguros
Outros Serviços
Serviços imobiliários e aluguel
APU
Serviços
Total
1995
4,7
1,8
18,5
5,9
2,7
29,0
12,8
4,0
2,6
5,3
16,9
7,8
17,0
66,4
100,0
Horas (%)
2013
5,4
2,2
15,0
6,2
2,6
26,0
12,6
4,2
4,7
6,8
15,9
8,8
15,6
68,6
100,0
1995
22,9
0,3
11,8
6,8
0,6
19,6
17,0
4,6
0,4
1,1
24,8
0,3
9,1
57,4
100,0
2013
10,9
0,3
13,0
9,7
0,5
23,5
19,0
6,0
1,1
1,4
26,6
0,8
10,8
65,7
100,0
Tabela 2 – Taxa de crescimento médio da produtividade (% a.a., horas trabalhadas)
1995-2013
6,3
3,1
-0,5
-0,4
2,5
-0,4
1,3
Agropecuária
Ext. Mineral
Transformação
Construção
SIUP
Indústria
Total
1995-2003
6,2
6,1
-2,1
-2,4
3,0
-1,6
0,2
2003-2013
6,4
0,8
0,8
1,1
2,1
0,6
2,2
Gráfico 1 – Produtividade do trabalho
agregada e dos principais setores
Gráfico 2 – Produtividade do trabalho
dos subsetores da indústria
(R$ por hora trabalhada, preços constantes de 2009)
(R$ por hora trabalhada, preços constantes de 2009)
Indústria
Serviços
Agropecuária
Total
Indústria
Construção
Transformação
SIUP (Dir.)
Ext. Mineral (Dir.)
140
25
25
130
120
20
20
110
100
15
15
90
80
10
70
10
60
5
50
5
0
1995
2000
2005
2010
2013
1995
40
2000
2005
2010 2013
Fonte: Elaboração dos autores a partir de dados da Pnad e Contas Nacionais Trimestrais
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Análise dos dados
A Tabela 1 mostra a evolução da
participação setorial no VA e nas
horas trabalhadas para os 12 setores de atividade do PIB entre 1995
e 2013. O setor de serviços concentra a maior parcela do valor adicionado e do emprego. Em 1995, a
participação dos serviços nas horas trabalhadas era de 57,4%. Em
2013, essa participação elevou-se
para 65,7%. Também houve um aumento da participação dos serviços no VA de 66,4% em 1995 para
68,6% em 2013.
Entre 1995 e 2013, a agropecuária
teve pequena elevação da participação relativa no VA (de 4,7% para
5,4%). Por outro lado, o peso relativo da indústria diminuiu. Apesar do
ganho de importância da indústria
extrativa mineral (aumento de 1,8%
para 2,2% do VA) e da construção
(elevação de 5,9% para 6,2%), houve redução significativa da participação da indústria de transformação (de 18,5% para 15,0%).2
Com relação à evolução da produtividade do trabalho, entre 1995
e 2013, a produtividade do trabalho
da economia brasileira cresceu, em
média, 1,3% ao ano (Gráfico 1 e Tabela 2). Esse crescimento da produtividade, no entanto, não foi homogêneo ao longo do período. Antes
de 2003, a produtividade cresceu,
em média, 0,2% ao ano, mas acelerou a partir desse ano. Entre 2003
e 2013 o crescimento médio foi de
2,2% ao ano.
Existe grande heterogeneidade
na trajetória das produtividades
setoriais. Na agropecuária, observa-se um crescimento elevado entre 1995 e 2013, enquanto a indústria apresenta queda ao longo do
período, em particular na indús2 Essa queda de participação da indústria de transformação no valor adicionado tem sido objeto de vários
estudos recentes, como Bonelli, Pessoa e Matos (2013)
e Bacha e de Bolle (2013).
com exceção de uma pequena recuperação no biênio 2003-2004.
Enquanto a
produtividade da
agropecuária cresceu
a taxas elevadas
entre 1995 e 2012,
a indústria teve
queda e os serviços,
pequeno avanço.
tria de transformação e na construção. Observa-se também no Gráfico 1 que a produtividade de serviços teve crescimento modesto entre 1995 e 2013. Como esse setor
concentra 2/3 das horas trabalhadas na economia, sua dinâmica é
determinante para a evolução da
produtividade agregada.
Como mostra a Tabela 2, a indústria de transformação apresenta dois momentos distintos: uma
forte queda de produtividade no
período inicial (1995-2003) e uma
pequena recuperação no período
2003-2013. O setor de construção
apresenta uma trajetória parecida,
com queda de 2,4% a.a. entre 1995
e 2003 e aumento de 1,1 % a.a. entre 2003 e 2013.
O Gráfico 2 mostra a evolução da
produtividade no período 19952013 para os setores que compõem a
indústria. A primeira ressalva é que
extrativa mineral e SIUP, por serem
setores com produtividade muito
acima dos demais, estão representados no eixo da direita. O setor de
construção apresenta uma ligeira
queda entre 1995 e 2009, seguida
de uma estabilidade desde então.
Outro ponto interessante é que as
séries da indústria de transformação e do agregado da indústria são
praticamente indistinguíveis. Essas séries apresentam uma queda
contínua no período 1995-2009,
Conclusão
Entre 1995 e 2013, a produtividade por hora trabalhada da economia brasileira cresceu, em média,
1,3% ao ano. No entanto, essa taxa
de crescimento variou significativamente no período. Enquanto a
produtividade recuou, em média,
0,2% ao ano entre 1995 e 2003, o
crescimento acelerou para 2,2%
ao ano entre 2003 e 2013.
Por trás desse comportamento
da produtividade agregada, existe
grande heterogeneidade na trajetória das produtividades setoriais.
Enquanto a produtividade da agropecuária cresceu a taxas elevadas
entre 1995 e 2012, a indústria teve
queda da produtividade e o setor de
serviços teve um pequeno avanço.
Também deve ser destacado que
os setores mais intensivos em mão
de obra, como construção, comércio, transporte e outros serviços,
ainda possuem um nível de produtividade muito baixo. A elevação da
produtividade desses setores tem
grande potencial para aumentar a
produtividade agregada.
* Pesquisador da FGV/Ibre.
Referências
Bacha, E. e de Bole, M. (2013). O Futuro da Indústria no
Brasil: Desindustrialização em Debate. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira.
Bonelli, R., Pessôa, S. e Matos, S. (2013). “Padrões de
Crescimento Industrial no Brasil”, In: Veloso, F.; Ferreira, P.; Giambiagi, F. e Pessôa, S. (Orgs.). Desenvolvimento Econômico: Uma Perspectiva Brasileira. Rio de
Janeiro: Campus/Elsevier, pp. 347-380.
Veloso, F. Matos, S. e Coelho, B. (2014). “Produtividade do Trabalho no Brasil: uma Análise Setorial.” In: Regis Bonelli; Fernando Veloso. (Org.). Ensaios IBRE de
economia brasileira - II. Rio de Janeiro: Editora Elsevier.
Veloso, F. Matos, S. e Coelho, B. (2015). “Metodologia
de ajuste da série de população ocupada da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad)”. Nota
Técnica. IBRE/FGV.
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11
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SUSTENTABILIDADE
UM NOVO PARADIGMA
PARA O SETOR
A construção sustentável comprovadamente dispõe de
ferramentas e métodos que reduzem custos e melhoram
a produtividade e os resultados financeiros
Francisco Antunes de Vasconcellos Neto*
A indústria da construção civil,
assim como o restante da indústria
brasileira, vive momentos muito difíceis. Tecnicamente, o pais vive uma
recessão, após queda do PIB por dois
trimestres consecutivos e o índice de
desemprego tendo alcançado a marca dos 8,3%, o maior nível desde 2012.
Estima-se que, em 2015, em torno de
500 mil trabalhadores da construção
perderão seus empregos e, com isso,
perde-se quase todo o investimento
feito pelas empresas em formação e
treinamento.
No entanto, apesar de o setor, antes da fase atual, ter experimentado um crescimento expressivo, sua
produtividade manteve-se em níveis muito baixos se comparada à
de outros países. A persistência dessa baixa produtividade, neste momento de crise, transforma essas
dificuldades em obstáculos quase
intransponíveis ou muito difícil de
serem superados.
Mas nem tudo é pessimismo. Para
algumas empresas, essa baixa produtividade é encarada como oportunidade, pois acreditam que, nessas
horas, é que ocorrem as grandes mudanças de paradigma e, portanto, as
melhorias de processos acontecem.
Os conceitos de sustentabilidade,
Está definida uma
equação complicada:
produzir construções
mais sustentáveis,
trabalhando com
maior produtividade,
num país em crise
profunda. Belo desafio.
de construções sustentáveis, estão
já demonstrando as grandes mudanças que o setor enfrentará neste
front e que será necessária uma nova
forma de produzir construções em
um futuro próximo. Dez anos atrás,
esse conceito, até então limitado às
discussões acadêmicas e a algumas
poucas experiências empresariais,
ganhou corpo, regras, metodologias
e – claro – respeito.
A experiência e os padrões de eficácia comprovados mostram a viabilidade dos conceitos de sustentabilidade para a grande maioria dos
empreendimentos. A construção
sustentável deixou de ser vista como
uma alternativa onerosa, pois comprovadamente dispõe de ferramentas e métodos que reduzem custos,
melhoram a produtividade e os resultados financeiros.
Premissas como a economia de
recursos naturais através do uso de
materiais reciclados, da gestão dos
resíduos gerados nas obras, do uso
racional da água e da eficiência energética se unem a outros atributos que
reduzem o impacto ambiental na implantação dos empreendimentos na
estrutura urbana.
Questões como a mobilidade urbana, o acesso à infraestrutura, o paisagismo e outros atributos sociais são
analisadas e inseridas na concepção
do projeto não apenas como temas
periféricos, mas, sim, como prioridades que ao serem analisadas em profundidade podem mudar a decisão
de se construir ou não um edifício.
Isso muda tudo. Um novo paradigma está sendo construído e se
consolidando ano a ano, não apenas
pelos empresários ou empresas do
setor, mas por seus clientes, sejam
eles grandes ou pequenos, privados
ou institucionais, não importa, pois
quem está liderando esse processo
é a sociedade como um todo. Por ser
uma ação externa, as empresas não
têm controle sobre esse processo, da
mesma forma que, em sociedades democráticas, não têm controle sobre
12 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO – SETEMBRO 2015
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o preço dos seus produtos, que é definido pelo mercado.
Está definida, portanto, uma equação complicada: produzir construções mais sustentáveis, trabalhando com maior produtividade, num
país em crise profunda. Belo desafio.
Mercado altamente
competitivo
Detalhando esse contexto, pode-se enxergar certas semelhanças e
potencialidades entre o desafio de
aumentar a produtividade das empresas e o de produzir construções
mais sustentáveis.
Num mercado altamente competitivo, principalmente em tempos de
crise, sobrevivem as empresas que
venderem seus produtos e serviços
com maior margem de lucro. O lucro
é função direta da produtividade da
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XXXXXXXX
empresa, da relação entre o preço de
venda e o custo de produção. Aumentar a produtividade da empresa significa aumentar o lucro e, consequentemente, aumentar a capacidade da
empresa de sobreviver e até crescer.
É possível, portanto, aumentar a
produtividade de uma empresa através do aumento do preço unitário dos
produtos ou através do aumento da
quantidade produzida, mantendo-se
o custo de produção. Da mesma forma, podemos aumentar a produtividade mantendo a receita e atuando
na diminuição dos custos dos fatores de produção: os insumos materiais, a mão de obra e o capital. Existe, claro, uma terceira via, a de atuar
nas duas frentes simultaneamente.
Atuar no aumento das receitas, através do aumento de preços do produto, não seria uma estratégia possível
numa economia estável, pois a contrapartida provavelmente seria a perda de vendas e market share e, consequentemente, diminuição da receita
com perda da produtividade global da
empresa. Imagine isso numa economia recessiva. Impossível.
Focar o aumento da produção, otimizando o uso dos recursos disponíveis, parece em princípio ser uma
boa estratégia, mas, novamente, as
empresas dependeriam do mercado
e este, numa crise como a atual, onde
as vendas despencam e os distratos de
contratos prevalecem, não responderia positivamente a esse movimento.
As empresas do setor estão fazendo isto: adotar ações para a manutenção das vendas e do nível de produção ou, na impossibilidade dessa estratégia, cuidar para que a perda seja a mínima possível e buscar a
otimização dos fatores de produção.
E onde, nesse raciocínio, se encaixa a construção sustentável?
Os fatores de produção são sempre escassos em uma empresa e a
competente gestão desses fatores é
14 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
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Estudos demonstram
que, se forem
adotados princípios de
sustentabilidade desde o
momento da concepção
de um empreendimento,
o edifício poderá gerar
economias de até 40%
ao longo de sua vida útil.
o que distingue as empresas que sobrevivem e prosperam daquelas que
sucumbem em face das dificuldades
e crises. Para otimizar os fatores de
produção, podem ser adotadas atitudes que estão relacionadas ao ambiente externo à empresa, ou atitudes
que se relacionam com os processos
internos de produção da empresa.
A escolha dos insumos que vamos
consumir e a forma como vamos nos
relacionar com nossos fornecedores
são tipicamente ações externas que
influenciam os fatores de produção.
Por outro lado, o ambiente de trabalho e a relação estabelecida com os
colaboradores, a otimização dos processos de produção, privilegiando a
desburocratização, a transparência e
a eliminação de desperdícios, são tipicamente ações internas que também
impactam nos fatores de produção.
Muito além da
discussão do preço
O uso racional dos recursos naturais, o uso de material reciclado,
o uso eficiente de água e de energia
nos processos produtivos das construções sustentáveis, gera economias em todo o processo produtivo
e continua gerando economias em
toda a vida útil do edifício. Estudos
demonstram que, se forem adotados
princípios de sustentabilidade desde o momento da concepção de um
empreendimento, o edifício poderá
gerar economias de até 40% ao longo de sua vida útil.
Esses edifícios, para atingirem esse
padrão de desempenho, são fruto de
um processo produtivo que privilegia o trabalho em equipe, o compartilhamento de ideias, a inovação e o
compromisso com o desempenho
final do produto.
Para obter sucesso nesse processo,
a relação com os fornecedores também é alterada, pois se privilegiam
os atributos qualitativos de cada fornecedor com base na sustentabilidade do produto final e não mais numa
simples discussão do preço do insumo em si. Questões como o local onde
o insumo é retirado da natureza ou
produzido, transporte, qualidade,
desempenho e aderência às normas
técnicas passam a ser critérios de decisão de compra, assim como o preço.
Essas novas práticas de conceber,
projetar, construir e operar edifícios,
atuam diretamente na produtividade
das empresas e no alinhamento destas com um novo padrão de demanda
mais e mais exigido pela sociedade.
Não é coincidência que novas tecnologias apontam diretamente nessa direção, ao oferecerem ferramentas que
facilitam e otimizam a transparência
de informações e o trabalho compartilhado em equipe. Não por acaso, novas ferramentas de projeto e gestão,
como o Building Information Modeling – BIM, estão se tornando indispensáveis e revolucionando o setor.
No entanto, talvez o fator de maior
importância nesse processo seja a
quebra de paradigmas há muito arraigados nas empresas de construção
em relação aos seus métodos de produção e modelos de negócio.
Enfim, os desafios são grandes, o
mercado está em crise, mas as oportunidades estão aí para aqueles que
acreditarem.
* Vice-presidente do SindusCon-SP.
– SETEMBRO 2015
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PLANEJAMENTO
XXXXXXXX
ALTERNATIVAS PARA
O FINANCIAMENTO
HABITACIONAL E O
DESENVOLVIMENTO
URBANO
Praticamente todos os municípios brasileiros apresentam pouco ou
nenhum recurso para investir na provisão habitacional de interesse
social e tampouco no desenvolvimento urbano de modo geral
Kazuo Nakano*
Para iniciar uma discussão a respeito de alternativas para o financiamento habitacional e do desenvolvimento
urbano é preciso, antes de tudo, apresentar um entendimento amplo a respeito do sentido básico desse desenvolvimento no qual a provisão habitacional para a população de baixa renda
possui papel preponderante. O desenvolvimento urbano não concerne somente à execução de obras para a implantação de serviços, equipamentos e
infraestruturas que converte um solo
não urbanizado em um solo urbanizado. Tampouco se trata da promoção e
produção de empreendimentos imobiliários, tais como novos loteamentos
e edificações em determinadas localizações urbanas.
Em sintonia com Marcelo Lopes de
Souza1, entende-se o desenvolvimen1 SOUZA, Marcelo Lopes de. “O que Devemos entender por Desenvolvimento Urbano?”. In: SOUZA, Marcelo Lopes de. ABC do Desenvolvimento Urbano. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
Grande número
de prefeitos corre
atrás de contratos de
repasses geridos por
diferentes ministérios
e, principalmente, de
emendas parlamentares
que, em geral, são
descontínuos e
contribuem pouco
para o fortalecimento
de processos de
planejamento.
to urbano como a criação e universalização de condições de vida em espaços da cidade nos quais se produzem
mudanças a partir das quais ocorrem,
na vida cotidiana das pessoas, altera-
ções de um estado pior para um estado melhor. Desse modo, tais mudanças de condições propiciam, para
todos os cidadãos e cidadãs, melhor
qualidade de vida e maior bem-estar
social que favorecem o desenvolvimento das capacidades humanas as
quais, por sua vez, contribuem para
a promoção e fortalecimento da vida
coletiva com base nos princípios da
democracia, da ética, da equidade e
da sustentabilidade.
Apesar de o desenvolvimento urbano não se limitar somente à provisão de serviços, equipamentos e infraestruturas urbanas e à construção
de novos loteamentos e edificações,
essas ações são fundamentais, pois
promovem transformações nos espaços habitacionais que, por conseguinte, afetam diretamente tanto as
condições de vida das pessoas quanto o bem-estar social. Tais ações, em
geral viabilizadas pelo investimen-
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xisinra-
rupedas
us-
to de grande quantidade de recursos
públicos oriundos de toda a sociedade, são promotoras do desenvolvimento urbano desde que realizadas
de acordo com aqueles princípios da
democracia, da ética, da equidade e
da sustentabilidade.
Bloqueio do
financiamento urbano
Normalmente, os recursos que financiam a provisão de serviços, equipamentos e infraestruturas de mobilidade urbana, saneamento básico,
habitação, saúde, educação, assistência social, lazer, esporte, cultura, dentre outros setores, integram os orçamentos públicos cujos recursos são
arrecadados junto à sociedade como
um todo e administrados por diferen-
tes entes da Federação. Os orçamentos e as finanças da grande maioria
dos municípios brasileiros são altamente dependentes das transferências intergovernamentais originárias
de governos estaduais e da União. A
dependência desses municípios em
relação ao Fundo de Participação dos
Municípios (FPM) do governo federal é largamente conhecida.
Nesses municípios, há pouca arrecadação própria e baixa capacidade de endividamento por causa
da existência de base econômica local frágil, predomínio de população
de baixa renda e ineficiência na gestão das finanças públicas. Em geral,
a maior parte dos orçamentos municipais está comprometida com o
custeio da máquina pública, princi-
palmente com a folha de pagamento dos funcionários da administração direta e indireta, e também com
as obrigações constitucionais relativas à destinação de recursos para
a implementação das políticas básicas de saúde e educação.
Nesse contexto nacional, praticamente todos os municípios brasileiros apresentam pouco ou nenhum recurso para investir na provisão habitacional de interesse social e tampouco no desenvolvimento urbano
de modo geral. Com isso, grande número de prefeitos corre atrás de contratos de repasses geridos por diferentes ministérios e, principalmente, de emendas parlamentares que,
em geral, são descontínuos e contribuem pouco para o fortalecimento
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de processos de planejamento.
Diante dos déficits verificados em
vários setores de atendimento das
necessidades sociais e urbanas, responsáveis pelo agravamento das precariedades e iniquidades existentes
nas cidades brasileiras, somados à
baixíssima capacidade de investimento e de endividamento de governos municipais e estaduais, tem-se
um bloqueio no financiamento do
desenvolvimento urbano. Esse bloqueio se agiganta em contextos marcados por crises econômicas e recessões, como na atual conjuntura nacional. Como superar, ou pelo menos
contornar, esse bloqueio?
Em primeiro lugar, é preciso planejar e estabelecer prioridades. No que
diz respeito à promoção do desenvolvimento urbano e à viabilização
de provisões habitacionais, especialmente de interesse social destinada
às populações de baixa renda, é necessário fortalecer os instrumentos
e processos de planejamento e gestão urbana de modo a definir quais
são as medidas regulatórias mais
importantes e quais são os investimentos prioritários. O bom planejamento se faz mais importante nos
momentos de escassez dos recursos.
Os instrumentos de planejamento e
gestão urbana podem fornecer alternativas para as prefeituras obterem
recursos que podem ser investidos
na produção habitacional?
Alternativas para
o investimento
A resposta à pergunta acima é sim.
Uma das principais bases para o poder público realizar o planejamento
e a gestão urbana de modo eficiente
e efetivo é o cadastro imobiliário e a
planta genérica de valores. Essas bases cartográficas e de dados são usadas para estabelecer os valores venais sobre os quais são aplicadas as
alíquotas de cobrança do IPTU. Na
É necessário fortalecer
os instrumentos
e processos de
planejamento e gestão
urbana de modo a
definir quais são as
medidas regulatórias
mais importantes e quais
são os investimentos
prioritários. O bom
planejamento se faz
mais importante nos
momentos de escassez
dos recursos.
maior parte dos municípios brasileiros, essas bases encontram-se incompletas e desatualizadas. A simples
melhora na cobertura e atualização
dessas bases e daqueles valores venais pode aumentar a arrecadação
municipal sem que haja reajuste nas
alíquotas. Isso ocorreu na década de
1990 quando o Município de Belém
organizou seu cadastro multifinalitário de modo bastante detalhado em
um sistema de informação geográfica (SIG). Parece que, posteriormente, a manutenção desse cadastro não
foi bem feita e o trabalho realizado,
infelizmente, perdeu-se em grande
parte. Observações similares podem
ser feitas em relação à cobrança do
ISS. O IPTU e o ISS são as principais
fontes municipais de arrecadação.
Uma experiência incomum de arrecadação municipal em âmbito municipal foi implementada no Município de São Paulo na década de 2000.
Essa experiência ficou conhecida
como “Cidade Limpa” e baseou-se
em um esquema de controle e fiscalização que conseguiu reduzir significativamente a presença de placas, anúncios e outdoors no espaço
e na paisagem urbana gerando, assim, maior conforto visual para os
transeuntes.
Após um período conflituoso seguido pelo reconhecimento dos resultados benéficos alcançados com
a adoção das medidas de controle,
restringiram-se os espaços que eram
tradicionalmente explorados por estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e empresas de comunicação. Com isso, criou-se uma
oportunidade para a prefeitura conceder onerosamente outros espaços
para a exposição de anúncios, peças
publicitárias e propagandas como em
mobiliários urbanos, equipamentos públicos, estações e veículos de
transportes coletivos, dentre outras
superfícies e dispositivos. Com isso,
esses espaços passaram a ser fontes
alternativas de geração de recursos
para o poder público.
Outra alternativa para as prefeituras obterem recursos para o financiamento da provisão habitacional e do
desenvolvimento urbano é a aplicação dos instrumentos de mobilização
da valorização fundiária que devem
ser instituídos no ordenamento jurídico municipal a partir do Plano Diretor. Essas prefeituras podem lançar mão da outorga onerosa do direito de construir, da transferência do
direito de construir e de operações
urbanas consorciadas. Todos esses
instrumentos baseiam-se no uso inteligente de potenciais construtivos
adicionais de imóveis valorizados e
localizados em áreas urbanas bem
providas por serviços, equipamentos e infraestruturas urbanas. Esses
potenciais construtivos adicionais
devem ser entendidos como bens
públicos dominicais e, portanto, serem outorgados onerosamente ou
mediante exigências de contrapartidas e compensações. Pode-se fixar
um percentual dos recursos obtidos
com essas outorgas para a provisão
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habitacional de interesse social. Ademais, pode-se autorizar a transferência do direito de construir mediante
doação de imóveis para a prefeitura
utilizar nessa provisão. Nesses casos, o potencial construtivo adicional passível de ser transferido pode
ser ampliado e multiplicado por fatores de incentivo.
É preciso dizer que aqueles instrumentos de mobilização de valorizações fundiárias funcionam melhor em cidades com mercados fundiários e imobiliários relativamente
fortes. Isso vale principalmente para
as operações urbanas consorciadas
que “pegam” em áreas urbanas onde
investidores privados vêem vantagens econômicas e possuem interesses. Nessas operações urbanas consorciadas, é possível trabalhar com
perímetros ampliados e expandidos
nos quais se pode aplicar parte dos
recursos arrecadados junto à iniciativa privada exclusivamente na provisão habitacional de interesse social
ou em urbanização de assentamentos precários ocupados por populações de baixa renda.
Um instrumento de política urbana que está entrando em cena nas cidades brasileiras é a chamada cota
de solidariedade. Esse instrumento
foi pensado, principalmente, para
ser aplicado em contextos urbanos
com valorização imobiliária muito
alta a ponto de inviabilizar o acesso
à terra urbana para a provisão habitacional de interesse social. Não cabe
em todo e qualquer contexto urbano, pois a intenção é acessar localizações inseridas em circuitos com alta
mercantilização das terras urbanas.
A cota de solidariedade foi adotada no recente Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo sancionado em 2014. Foi inspirada em
um instrumento denominado como
inclusionary housing aplicado desde
a década de 1980 na cidade de Nova
Uma das principais
bases para o poder
público realizar o
planejamento e a gestão
urbana é o cadastro
imobiliário e a planta
genérica de valores.
Na maior parte dos
municípios brasileiros,
essas bases encontramse incompletas e
desatualizadas.
York. Com a aplicação desse instrumento, grandes empreendimentos
imobiliários, previstos para ser implantados em lotes ou glebas maiores
e com alta metragem de área construída, ficam obrigados a destinar
um percentual das unidades imobiliárias ou dessa área construída
para a provisão habitacional de interesse social.
No Município de São Paulo, abriu-se a possibilidade desse percentual
ser convertido em terrenos ou glebas desocupadas que devem ser doadas para a prefeitura. Caso o investidor não queira destinar parte das
unidades imobiliárias produzidas
ou da área construída do empreendimento para provisão habitacional
de interesse social, tampouco tenha
interesse em doar terreno ou gleba
desocupada para o poder público,
pode pagar em dinheiro. Esse recurso financeiro deve ser obrigatoriamente utilizado para aquela provisão habitacional.
A aplicação do parcelamento, edificação e utilização compulsória,
IPTU progressivo no tempo e desapropriação mediante pagamentos
em títulos da dívida pública também
pode ajudar a prefeitura a acessar lotes ou glebas, bem como edificações,
que se encontram ociosos, não edificados, não utilizados ou subutilizados. Uma vez notificado em relação
à aplicação daqueles instrumentos
de política urbana, os proprietários
desses imóveis ociosos podem propor a realização de consócio imobiliário para a prefeitura. A realização
desse consórcio imobiliário pode
viabilizar o acesso àqueles imóveis
ociosos por parte da prefeitura em
prazos mais curtos. Esses imóveis
podem ser aproveitados para a realização de empreendimentos habitacionais de interesse social.
O problema da terra
A promoção do desenvolvimento
urbano com provisão adequada de
habitações de interesse social depende largamente do acesso a terras urbanas por parte da prefeitura.
De maneira geral, esse acesso está
bloqueado porque, a décadas, essas
prefeituras deixaram de lado as políticas de formação de banco de terras. Esse bloqueio se torna mais sólido quando as prefeituras possuem
poucos recursos financeiros e os preços dos imóveis urbanos ficam cada
vez mais altos. Os instrumentos de
política urbana mencionados anteriormente, bem como parcerias público-privadas formatadas com base
no interesse público e social, podem
ajudar a superar ou pelo menos contornar esses bloqueios. Depende das
capacidades técnicas e institucionais
das prefeituras. Depende, principalmente, dos compromissos políticos
com uma agenda de desenvolvimento urbano e de provisão habitacional
enraizada na busca incessante por
melhorias nas condições de vida das
pessoas e no bem-estar social.
* Arquiteto urbanista, mestre em estruturas urbanas e
ambientais pela FAU-USP e doutor em demografia pelo
Nepo-Unicamp. É professor do curso de pós-graduação em direito imobiliário da FGV Direito SP, do curso de
graduação em arquitetura e urbanismo e do mestrado
profissional em projeto, produção e gestão do espaço
urbano do FIAM FAAM Centro Universitário.
18 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO – SETEMBRO 2015
CC-set-2015.indd 18
26/09/15 16:22
CONJUNTURA
PESSIMISMO CRESCE
Sondagem da Construção mostrou que a avaliação do desempenho
das empresas atingiu o pior resultado desde agosto de 1999; o emprego
com carteira na construção registrou sua 17ª retração consecutiva
Ana Maria Castelo e Robson Gonçalves
A cada pesquisa realizada com os
empresários da construção, o pessimismo sobe alguns degraus. A última Sondagem da Construção realizada pelo SindusCon-SP em agosto
mostrou que a avaliação do desempenho das empresas piorou significativamente na comparação com a
pesquisa realizada há 12 meses e alcançou novo piso da série iniciada
em agosto de 1999. Ou seja, os empresários da construção estão mais
pessimistas do que estavam naquele
ano. A percepção de desempenho é
um indicador síntese que acompanha alguns quesitos relacionados
ao nível corrente da atividade (emprego, volume de negócios e faturamento), assim como à situação da
empresa (rentabilidade e concorrência). Todos os componentes retratam uma situação bastante negativa para as empresas, mas tem sido
o emprego o que tem registrado os
piores desempenhos a cada trimestre. Por ser uma atividade intensiva
em mão obra, o mercado de trabalho reflete rapidamente e de forma
intensa o declínio setorial.
O encarecimento do crédito é outro grande problema para as empresas que assinalaram aumento nas dificuldades financeiras – o quesito se
mantém próximo do recorde da série alcançado no trimestre anterior.
As perspectivas de desempenho
O IBGE também mostra
um cenário crítico para o
emprego na construção:
no trimestre findo em
junho, o número de
ocupados alcançou
7,137 milhões, o que
representou redução
de 673 mil vagas na
comparação com
o mesmo trimestre
do ano passado.
também seguiram se deteriorando
revelando um pessimismo grande
dos empresários em relação à retomada do crescimento. De fato, as
notícias de novos cortes nos investimentos públicos se somam à queda nas vendas no mercado imobiliário e ao adiamento dos investimentos das empresas, contribuindo para
aumentar a percepção negativa em
relação à evolução da atividade setorial nos próximos meses.
Esse pessimismo é agravado pela
avaliação ainda mais negativa do empresário da construção em relação ao
cenário econômico. Por fim, o único
indicador a ter evolução favorável foi
o que capta a percepção em relação
aos custos setoriais. O indicador melhorou significativamente, refletindo a evolução dos custos, especialmente, no que diz respeito aos custos com materiais, que têm se mantido abaixo da inflação.
Muita coisa mudou no cenário setorial nesses últimos 16 anos. O crédito habitacional multiplicou-se por
10, já descontada a inflação do período, atingindo em julho de 2015 quase
10% do PIB. A produção formalizou-se de modo importante – as empresas passaram a responder por mais
de 60% do PIB setorial - e o emprego com carteira cresceu, alcançando um total de mais 3 milhões de trabalhadores.
No entanto, os números do IBGE
para o segundo trimestre de 2015
confirmaram uma guinada brusca,
mostrando retração severa no PIB do
setor da construção. A queda de 8,2%
foi o pior resultado para esse indicador desde o final de 2003 e configura a quinta retração consecutiva na
comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Ou seja, desde
o segundo trimestre de 2014, o PIB
setorial passou a ser menor que o do
ano anterior.
Na verdade, a perda de dinamismo já podia ser percebida desde o
segundo trimestre de 2013, quando
o setor alcançou seu melhor resultado. Desde então a atividade da cons-
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 19
19
26/09/15 16:22
EFEITOS DA CRISE NO PIB DA CONSTRUÇÃO
PIB
Brasil
Construção
Brasil
Construção
São Paulo
Redução de postos de trabalho na cadeia
da construção (12 meses até julho - em mil)
0
-1,9
-2
-2,6
-2,1
-4
-5,5
-6
-8
Tri/Tri anterior
Tri/tri ano anterior
-7,1
-8,4 -8,2
-10
Acumulado ano
Fonte: IBGE, Fundação Seade
trução encolheu 13%. A desaceleração se acentuou por conta do arrefecimento do mercado imobiliário
e das dificuldades persistentes para
fazer decolar os investimentos em
infraestrutura.
Por fim, a retração severa veio com
a paralisação e postergação do cronograma das obras públicas e do
Programa Minha Casa Minha Vida
(PMCMV) e com a maior dificuldade na obtenção do crédito por parte das famílias e das empresas, quadro que foi se tornando claro ao longo de 2015.
De fato, a grave crise fiscal compromete a capacidade do setor público
de realizar investimentos. Assim,
nem o lançamento do PMCMV fase
3 deve alterar os ânimos setoriais.
Antes de iniciar as contratações de
uma nova fase, o governo terá que
encerrar o pagamento das contratações já realizadas, o que só deverá
ocorrer em 2016.
Para os empresários, o cenário se
torna mais difícil ante as incertezas
nos cenários político e econômico.
Esse quadro se agravou com a perda do grau de investimento determinado pela S&P, fato que tende a
-7,6
-8,8
-9,3
-9,3
Total da
-9,7
Construção
-15,6
-21,9
414,2
-33,4
mil
-35,7
-47,3
-93,9
-194,6
Comércio de materiais
Obras de acambamento
Outros serviços
Preparação de terrenos
Incorporação de imóveis
Obras de instalação
Serviços de engenharia
Indústria de materiais
Infraestrutura
Imobiliário
Fonte: Caged, SindusCon-SP/FGV
dificultar e encarecer a captação de
recursos em um momento em que o
setor depende cada vez mais de fontes privadas de financiamento. O governo reagiu ao rebaixamento com
o anúncio de um pacote de cortes de
gastos cujos impactos sobre a construção ainda não estão claros.
A piora do rating do País não afetará as projeções de curto prazo, mas
os números recentes do IBGE contribuíram para a revisão das expectativas setoriais para o ano que passaram para uma retração de 7% no
PIB e de 11% no estoque de empregados com carteira.
Mercado de trabalho
O fechamento de postos de trabalho vem se acentuando nos últimos meses, indicando o aprofundamento da crise setorial. A pesquisa SindusCon-SP/FGV, realizada a partir do Caged, mostrou que
em julho o emprego com carteira na
construção registrou sua 17ª retração consecutiva na comparação dessazonalizada com o mês anterior.
Em julho, as empresas da construção empregaram 3,134 milhões
de trabalhadores com carteira o
que, na comparação com julho de
2014, representa queda de 11,67%.
Ou seja, desde aquele mês o setor
perdeu 414,2 mil postos.
Vale notar que, nessa mesma comparação, o País perdeu 778,7 mil empregos com carteira considerando
todas as atividades. A construção
foi a atividade com o segundo maior
saldo líquido negativo. O pior resultado foi o da indústria de transformação, com a redução de 427,8 mil
empregos.
Somando-se os números da indústria de materiais de construção, que
registrou retração de 47,3 mil empregos nessa comparação 12 meses, e do
comércio de materiais de construção, com queda de 9,2 mil, a cadeia
da construção acumulou redução de
471 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses.
Os números da PNAD contínua
do IBGE também mostram um cenário crítico para a ocupação no setor em todo País. No trimestre findo
em junho, o número de ocupados na
construção alcançou 7,137 milhões, o
que representou redução de 673 mil
vagas na comparação com o mesmo
trimestre do ano passado.
20 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO – SETEMBRO 2015
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INDICADORES
CUSTOS
SETORIAIS E
INFLAÇÃO
Em agosto, o IPCA registrou alta acumulada
em 12 meses de 9,53%, pressionado especialmente pelos preços administrados. O resultado previsto para o ano deverá situar-se um
pouco abaixo desse patamar, o que representará uma aceleração expressiva na comparação com a taxa acumulada de 6,41% em 2014.
Por sua vez, os custos setoriais mantêm
tendência de menor elevação na comparação com a inflação, assim como em relação
ao resultado alcançado em 2014.
O INCC-M alcançou em agosto alta de 7,12%
em 12 meses. No mesmo período do ano passado, o indicador havia subido 7,09%. A principal contribuição para a alta mais comedida dos preços setoriais vem da cesta de materiais e equipamentos, que registra aumento em 12 meses de 5,99%. No mesmo período
do ano passado, o aumento foi 6,71%. Itens
com participação elevada como aço, cimento e concreto registram taxas acumuladas
de -0,80%, 3,98% e 1,49%, respectivamente.
O componente mão de obra continua a responder pela maior pressão sobre os custos –
registra taxa acumulada em 12 meses de 8,20%
ante 7,93% no ano passado. Ou seja, a despeito da retração forte no mercado de trabalho,
a inflação elevada pressiona os acordos. De
todo modo, como parte expressiva deles foram realizados no primeiro semestre, quando
a inflação registrava taxas menores, o resultado em 12 meses do componente mão de obra
está abaixo da inflação. Entre as capitais que
compõem o INCC, apenas Recife ainda tem
acordo para ser realizado em 2015.
Materiais de construção –
consumo e produção
22
Mercado imobiliário
23
Investimentos em habitação
24
Rentabilidade do mercado
brasileiro de imóveis comerciais
25
Custo da construção residencial
no Estado de São Paulo
26
Preços de materiais de
construção no Estado
de São Paulo
27
Emprego da construção
nos Estados
28
Emprego da construção
nos Estados
29
Emprego da construção
brasileira por segmento
30
Emprego da construção
paulista por segmento
31
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 21
21
26/09/15 16:22
MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO – CONSUMO E PRODUÇÃO
No primeiro semestre de 2015, a produção e o consumo aparente de vergalhões diminuíram
respectivamente 15,16% e 10,84% na comparação com o mesmo período de 2014. A Produção Brasileira
de Materiais de Construção caiu 10,08% até julho em relação ao mesmo período do ano anterior.
CONSUMO DE CIMENTO ANUAL – BRASIL
CONSUMO DE CIMENTO ANUAL – SÃO PAULO
mil toneladas
mil toneladas
80.000
20.000
70.000
71.703
15.472
15.000
60.000
50.000
10.000
40.000
30.000
5.000
16.440
20.000
3.552
10.000
0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Fonte: SNIC
2011
2012 2013 2014 2015*
* dados referentes ao período de janeiro a março.
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Fonte: SNIC
VERGALHÃO BRASIL
2011
2012
2013
2014 2015*
* * dados desde março de 2014 são estimativas
PRODUÇÃO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO – BRASIL
mil toneladas
Por mês - Média 2012 = 100
5.000
115
Produção
Produção
4.000
Consumo
Consumo
4.252
4.238
108
109,30
101
3.000
94
2.000
1.903
85,50
87
1.898
1.000
80
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Fonte: MDIC-SECEX / Aço Brasil
2011
out/12 dez/12 mar/13 jun/13 set/13 dez/13 mar/14 jun/14 set/14 dez/14 mar/15
2012 2013 2014 2015*
* dados referentes ao 1º semestre
Fonte: IBGE
Consumo de cimento
Brasil
Mil t
2014 Abr*
Mai*
Jun*
Jul*
Ago*
Set*
Out*
Nov
Dez
2015 Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
5.784
6.147
5.505
6.257
6.337
6.462
6.636
5.886
5.251
5.643
4.918
5.878
No mês
1,1
6,3
-10,5
13,7
1,3
2,0
2,7
-11,3
-10,8
7,5
-12,8
19,5
Vergalhões ‑ Brasil
São Paulo
Variação (%)
Período
jul/15
Produção
Variação (%)
Consumo aparente
Variação (%)
Variação (%)
No ano
Mil t
No mês
No ano
Mil t
No mês
No ano
Mil t
No mês
No ano
3,8
3,2
2,4
1,8
1,2
1,4
1,3
0,9
1,0
-18,1
-7,9
-38,1
1.286
1.361
1.190
1.364
1.419
1.400
1.405
1.245
1.091
1.156
1.066
1.330
-0,9
5,9
-12,6
14,6
4,0
-1,4
0,4
-11,4
-12,4
6,0
-7,8
24,8
3,7
3,9
2,9
2,7
2,3
2,5
2,6
2,5
2,5
-11,8
-0,7
-35,4
393
381
343
338
355
374
376
355
213
322
331
329
339
323
259
-1,2
-3,1
-9,9
-1,7
5,1
5,4
0,5
-5,4
-40,1
51,2
3,0
-0,8
3,2
-4,7
-19,9
4,7
2,5
0,4
-1,3
-2,5
-2,9
-3,2
-4,1
-5,4
-12,0
-10,2
-12,8
-13,0
-13,5
-15,2
328
384
320
370
383
356
389
338
273
324
273
358
320
290
334
-8,8
17,0
-16,6
15,4
3,4
-7,0
9,4
-13,0
-19,2
18,3
-15,6
31,1
-10,7
-9,4
15,1
0,8
0,0
-0,8
-1,4
-2,0
-3,1
-3,3
-4,3
-4,2
-10,8
-18,9
-12,8
-10,5
-13,5
-10,8
Produção brasileira
de materiais de
construção (índice:
média
de 2002 = 100)
93,90
97,80
88,20
97,90
101,00
100,70
104,30
95,40
81,00
84,00
82,00
92,50
83,90
84,30
80,90
85,50
Fonte: SNIC, IABr e IBGE.
* Dados para consumo de cimento são preliminares.
22 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 22
– SETEMBRO 2015
26/09/15 16:22
MERCADO IMOBILIÁRIO
Os lançamentos no mercado imobiliário da cidade de São Paulo registraram retração de 15% até julho na
comparação com o mesmo período do ano passado. Na Região Metropolitana de São Paulo (excluindo a
capital) houve crescimento de 22,3%.
VELOCIDADE DE VENDAS
LANÇAMENTOS
em % – média anual
unidades
60.000
25
São Paulo
RMSP
Belo Horizonte
40.000
15
Porto Alegre
31.778
30.000
10
8,9
7,7
7,4
5
9,2
6,7
20.000
4,8
10.000
19.173
10.478
9.574
0
0
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015*
Fonte: CBIC
Município de São Paulo
50.000
20
**dados de Belo Horizonte e Porto Alegre até junho, São Paulo até maio
2.000
* dados até julho
INVESTIMENTO EM HABITAÇÃO CDHU
UNIDADES HABITACIONAIS
R$ mil
São Paulo
80.000
Investimentos*
Repasses a CDHU**
1.500
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015*
Fonte: Embraesp
Entregues no ano
60.000
50.000
1.026
1.000
Em andamento
70.000
1.515
40.000
31.332
30.000
634
500
30.510
20.000
10.897
10.000
353
0
1.317
0
2005
2006
2007
Fonte: Secretaria da Fazenda SP e CDHU
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015*
Fonte: CDHU
* dados até junho
Velocidade de venda (%)
2014 Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
2015 Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Belo
Horizonte Porto Alegre São Paulo
4,5
8,3
7,0
4,8
10,5
5,0
6,8
17,4
2,9
8,7
3,5
8,4
9,2
2,7
7,9
12,8
7,0
6,5
6,4
9,7
6,9
6,5
6,8
16,0
5,3
4,1
19,7
10,4
8,2
7,7
ICMS no Estado
de São Paulo
Lançamentos
Município de São Paulo
Período
* unidades entregues no ano até junho e unidades em andamento em junho
9,8
9,4
4,8
3,4
7,7
11,1
3,9
10,1
10,7
2,7
2,7
4,4
7,2
7,1
RMSP
Unidades habitacionais
No mês Em 12 meses Unidades
Repasses à
Investi‑
Em andamento
CDHU
mentos
Entregues no
(média
No mês Em 12 meses (R$ milhões) (R$ milhões)
ano
do ano)
-7,7
13,7
-10,0
-59,7
117,4
90,0
-41,9
169,7
-25,8
-88,3
59,7
-11,4
291,1
-20,5
-15,3
-59,5
-27,1
45,9
77,0
-70,2
64,8
51,1
30,8
12,6
6,0
-94,3
89,9
431,7
-20,3
56,3
34,7
-61,8
Variação (%)
Unidades
CDHU
2.358
2.681
2.413
973
2.115
4.018
2.336
6.301
4.675
546
872
773
3.023
2.403
2.036
825
2,9
3,4
-7,0
-7,4
-11,9
-6,4
-9,9
-6,3
-4,3
-3,2
-0,7
-5,4
-2,2
-4,1
-1,7
-0,7
Variação (%)
987
1.440
2.549
759
1.251
1.890
2.472
2.783
2.950
168
319
1.696
1.351
2.111
2.844
1.085
-17,8
-16,7
-20,3
-13,8
-12,6
-18,2
-27,1
-30,7
-23,1
-22,7
-22,2
-21,1
-18,2
-15,4
-13,8
-12,8
88
78
58
99
133
58
117
58
53
45
45
107
45
45
65
97
149
95
147
176
97
169
94
117
82
94
153
91
113
101
544
657
1.439
1.247
862
713
363
867
3.594
180
171
16
348
602
34.467
37.066
35.811
35.994
34.707
34.155
33.981
33.117
31.332
31.283
31.283
31.160
31.542
31.194
30.510
Fonte: Secovi-SP, Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, CDHU e Bacen/Decad
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 23
23
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INVESTIMENTOS EM HABITAÇÃO
Em julho de 2015, o saldo total da carteira de crédito com recursos direcionados para financiamento
imobiliário somou R$ 547 bilhões, o que representou 9,59% do PIB do País. As concessões de créditos
para financiamentos imobiliários caíram 2,5% nos últimos 12 meses em relação aos 12 meses anteriores.
CARTEIRA DE CRÉDITO
FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO
R$ milhões
% do PIB
3.500
60%
3.000
50%
2.500
40%
2.000
10%
8%
6%
30%
1.500
20%
1.000
10%
500
0
dez/2007 dez/2008 dez/2009 dez/2010
Saldo Total
Fonte: Banco Central
dez/2011
dez/2012
dez/2013
0%
dez/2014
4%
2%
0%
dez/2007 dez/2008 dez/2009 dez/2010 dez/2011
Pessoa Física
% do PIB
dez/2012 dez/2013 dez/2014
Pessoa Jurídica
Fonte: Banco Central
CONCESSÕES DE CRÉDITO
Financiamento Imobiliário - R$ milhões
15,0
12,0
9,0
6,0
3,0
0
dez/2011
dez/2012
dez/2013
Fonte: Banco Central
Pessoa Jurídica
dez/2014
Pessoa Física
SBPE mês a mês
Saldo Total da Carteira
de Crédito
Período
(R$) milhões
% do PIB
Saldo Total de Financiamento
Imobiliário
Total - R$
(milhões)
% do Crédito
Total
Saldo de Financiamento
Imobiliário Pessoa Jurídica
% do PIB
% do Crédito
Imobiliário
Saldo de Financiamento
Imobiliário Pessoa Física
% do PIB
% do Crédito
Imobiliário
Concessões de crédito com recursos direcionados Financiamento Imobiliário
Total
Pessoa Jurídica
Pessoa Física
2014 Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
2.830.844
2.857.674
2.896.570
2.919.447
2.956.599
3.017.456
52,66%
52,90%
53,26%
53,41%
53,83%
54,65%
452.424
461.755
468.682
478.901
487.877
497.848
15,98%
16,16%
16,18%
16,40%
16,50%
16,50%
1,15%
1,16%
1,17%
1,18%
1,19%
1,20%
13,64%
13,58%
13,53%
13,45%
13,35%
13,30%
7,27%
7,39%
7,45%
7,58%
7,70%
7,82%
86,36%
86,42%
86,47%
86,55%
86,65%
86,70%
14.529
13.719
14.971
15.541
14.178
16.387
2.488
2.341
2.728
2.944
3.096
4.010
12.041
11.378
12.243
12.597
11.082
12.377
2015 Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
3.012.721
3.024.316
3.060.731
3.061.492
3.082.530
3.100.215
3.110.762
54,36%
54,39%
54,59%
54,35%
54,52%
54,61%
54,53%
505.986
512.101
519.553
528.421
534.231
540.398
547.012
16,79%
16,93%
16,97%
17,26%
17,33%
17,43%
17,58%
1,20%
1,21%
1,21%
1,21%
1,21%
1,22%
1,23%
13,11%
13,15%
13,01%
12,87%
12,84%
12,85%
12,85%
7,93%
8,00%
8,06%
8,17%
8,24%
8,30%
8,36%
86,89%
86,85%
86,99%
87,13%
87,16%
87,15%
87,15%
15.030
10.702
13.573
13.761
10.400
11.191
10.837
3.225
2.198
1.994
1.863
1.922
2.359
1.966
11.805
8.504
11.579
11.898
8.478
8.832
8.871
Fonte: Bacen/Decad, CBIC
24
CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO – SETEMBRO 2015
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RENTABILIDADE DO MERCADO BRASILEIRO
O IGMI-C é um índice de rentabilidade do mercado brasileiro de imóveis comerciais cujo objetivo é
retratar a evolução da valorização dos preços e dos rendimentos do segmento de imóveis comerciais
em todo o Brasil.
Índice geral do mercado imobiliário brasileiro ‑ Comercial
Total
Capital
Variação (%)
Índice
(base 1°tri/
2000 = 100)
No trimestre
No ano
2004 2
3
4
208,50
213,52
218,62
3,56
2,41
2,39
7,90
10,50
13,14
2005 1
2
223,55
231,19
2,26
3,42
3
4
239,23
245,11
2006 1
2
Renda
Variação (%)
Em 12 meses
Índice
(base 1°tri/
2000 = 100)
No trimestre
No ano
15,58
14,26
13,14
146,19
147,39
148,83
1,29
0,82
0,97
3,81
4,67
5,69
2,26
5,75
11,04
10,89
150,47
152,25
1,10
1,18
3,47
2,46
9,43
12,12
12,04
12,12
154,86
156,79
254,73
266,87
3,93
4,76
3,93
8,88
13,95
15,43
3
4
275,79
285,60
3,34
3,56
12,52
16,52
2007 1
2
297,88
311,55
4,30
4,59
3
4
326,45
343,62
2008 1
2
Variação (%)
Em 12 meses
Índice
(base 1°tri/
2000 = 100)
No trimestre
No ano
Em 12 meses
7,72
6,72
5,69
143,74
146,02
148,09
2,27
1,58
1,42
4,01
5,66
7,15
7,43
7,18
7,15
1,10
2,30
4,26
4,14
149,79
153,15
1,15
2,24
1,15
3,42
6,58
6,54
1,72
1,25
4,06
5,35
5,07
5,35
155,84
157,72
1,76
1,21
5,23
6,51
6,72
6,51
160,96
164,89
2,66
2,44
2,66
5,16
6,97
8,30
159,73
163,44
1,27
2,32
1,27
3,62
6,63
6,72
15,28
16,52
167,59
169,81
1,64
1,33
6,88
8,30
8,22
8,30
166,22
169,93
1,70
2,23
5,39
7,74
6,66
7,74
4,30
9,08
16,94
16,74
174,82
178,45
2,95
2,07
2,95
5,09
8,61
8,22
172,22
176,55
1,35
2,52
1,35
3,90
7,82
8,03
4,79
5,26
14,30
20,32
18,37
20,32
183,11
187,88
2,61
2,61
7,83
10,64
9,26
10,64
180,39
185,18
2,17
2,65
6,15
8,97
8,52
8,97
371,69
394,70
8,17
6,19
8,17
14,86
24,78
26,69
196,61
202,37
4,64
2,93
4,64
7,71
12,46
13,41
191,70
197,94
3,52
3,25
3,52
6,89
11,31
12,11
3
4
416,59
443,58
5,55
6,48
21,23
29,09
27,61
29,09
206,91
212,69
2,24
2,79
10,13
13,20
13,00
13,20
204,49
212,02
3,31
3,69
10,43
14,50
13,36
14,50
2009 1
2
481,10
513,30
8,46
6,69
8,46
15,72
29,43
30,05
223,33
230,70
5,00
3,30
5,00
8,47
13,59
14,00
219,35
226,79
3,46
3,39
3,46
6,96
14,42
14,57
3
4
538,21
568,49
4,85
5,63
21,33
28,16
29,19
28,16
234,83
240,13
1,79
2,26
10,41
12,90
13,49
12,90
233,74
241,61
3,06
3,37
10,24
13,95
14,31
13,95
2010 1
2
605,38
640,38
6,49
5,78
6,49
12,65
25,83
24,76
248,30
254,97
3,40
2,69
3,40
6,18
11,18
10,52
249,07
256,78
3,09
3,09
3,09
6,28
13,55
13,22
3
4
675,01
713,45
5,41
5,69
18,74
25,50
25,42
25,50
260,87
265,93
2,31
1,94
8,64
10,74
11,09
10,74
264,72
274,66
3,09
3,75
9,57
13,68
13,26
13,68
1
2
748,68
780,81
4,94
4,29
4,94
9,44
23,67
21,93
270,61
274,53
1,76
1,45
1,76
3,24
8,99
7,67
283,39
291,45
3,18
2,84
3,18
6,11
13,78
13,50
3
4
809,99
842,12
3,74
3,97
13,53
18,04
20,00
18,04
277,18
280,71
0,96
1,27
4,23
5,56
6,25
5,56
299,53
307,60
2,77
2,69
9,05
11,99
13,15
11,99
2012 1
2
878,79
910,98
4,35
3,66
4,35
8,18
17,38
16,67
285,25
288,71
1,62
1,21
1,62
2,85
5,41
5,16
316,02
323,76
2,74
2,45
2,74
5,25
11,51
11,09
3
4
946,61
991,02
3,91
4,69
12,41
17,68
16,87
17,68
293,00
298,92
1,49
2,02
4,38
6,49
5,71
6,49
331,60
340,46
2,42
2,67
7,80
10,68
10,71
10,68
2013 1
2
1.037,18
1.081,88
4,66
4,31
4,66
9,17
18,02
18,76
305,38
311,69
2,16
2,07
2,16
4,27
7,06
7,96
348,97
356,80
2,50
2,24
2,50
4,80
10,43
10,20
3
4
1.126,83
1.171,54
4,15
3,97
13,70
18,22
19,04
18,22
317,48
322,32
1,86
1,52
6,21
7,83
8,35
7,83
365,00
373,91
2,30
2,44
7,21
9,83
10,07
9,83
2014 1
2
1.214,21
1.257,80
3,64
3,59
3,64
7,36
17,07
16,26
326,12
330,70
1,18
1,40
1,18
2,60
6,79
6,10
383,12
391,50
2,46
2,19
2,46
4,70
9,79
9,73
3
4
1.299,91
1.338,26
3,35
2,95
10,96
14,23
15,36
14,23
334,38
336,69
1,11
0,69
3,74
4,46
5,32
4,46
400,25
409,29
2,23
2,26
7,04
9,46
9,66
9,46
2015 1
2
1.379,80
1.420,16
3,10
2,93
3,10
6,12
13,64
12,91
339,41
341,73
0,81
0,68
0,81
1,50
4,07
3,33
418,68
428,07
2,29
2,24
2,29
4,59
9,28
9,34
Período
2011
O IGMI-C é um índice de rentabilidade do mercado brasileiro de imóveis comerciais, cujo objetivo é retratar a evolução da valorização dos preços e dos rendimentos do segmento de imóveis comerciais em todo o Brasil.
Fonte: FGV
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
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25
26/09/15 16:22
CUSTO DA CONSTRUÇÃO RESIDENCIAL NO ESTADO DE SÃO PAULO
O Custo Unitário Básico (CUB) representa o custo por metro quadrado de construção residencial do
projeto-padrão R8-N, calculado de acordo com NBR 12721/2006.
Custo da construção residencial no Estado de São Paulo ‑ Padrão R8‑N
Índice
(Base Fev/
07 = 100)
No mês
No ano
Mai
143,34
3,28
4,31
Jun
145,82
1,73
Jul
146,52
Ago
146,72
Set
Out
Período
2012
2013
2014
2015
Global
Variação (%)
Mão‑de‑obra
Variação (%)
Em 12 meses
Índice
(base Fev/
07 = 100)
No mês
No ano
6,04
158,01
5,21
6,10
6,11
6,54
162,44
2,81
0,48
6,62
6,99
163,33
0,14
6,77
7,06
163,33
146,83
0,07
6,85
7,00
163,26
147,12
0,20
7,06
7,15
163,44
Material
Variação (%)
Em 12 meses
Índice
(base Fev/
07 = 100)
No mês
No ano
8,49
127,25
0,80
2,05
2,97
9,07
9,49
127,45
0,16
2,21
2,60
0,55
9,67
10,02
128,00
0,43
2,65
2,98
0,00
9,67
10,02
128,43
0,34
3,00
3,26
-0,04
9,62
9,83
128,74
0,24
3,25
3,35
0,11
9,74
9,95
128,16
-0,45
2,78
2,75
Em 12 meses
Nov
147,39
0,18
7,26
7,27
163,90
0,28
10,05
10,12
129,20
0,81
3,62
3,57
Dez
147,44
0,03
7,29
7,29
163,90
0,00
10,05
10,05
129,31
0,09
3,71
3,71
Jan
147,43
-0,01
-0,01
7,18
163,90
0,00
0,00
9,98
129,29
-0,02
-0,02
3,54
Fev
147,42
0,00
-0,01
6,80
163,90
0,00
0,00
9,54
129,27
-0,02
-0,03
3,20
Mar
147,77
0,24
0,23
6,63
164,36
0,28
0,28
9,44
129,52
0,19
0,16
2,94
Abr
148,03
0,18
0,40
6,66
164,52
0,10
0,38
9,55
129,91
0,30
0,46
2,91
Mai
154,60
4,44
4,86
7,86
176,53
7,30
7,71
11,72
130,39
0,37
0,84
2,47
Jun
156,76
1,39
6,32
7,50
180,00
1,97
9,82
10,81
130,82
0,33
1,17
2,64
Jul
157,25
0,32
6,66
7,33
180,72
0,40
10,26
10,65
131,11
0,22
1,39
2,43
Ago
157,51
0,16
6,83
7,35
180,84
0,07
10,34
10,72
131,51
0,31
1,70
2,40
Set
157,70
0,12
6,96
7,40
180,95
0,06
10,40
10,84
131,78
0,21
1,91
2,36
Out
157,97
0,17
7,14
7,37
181,07
0,07
10,48
10,79
132,21
0,33
2,24
3,16
Nov
158,12
0,09
7,24
7,28
181,07
0,00
10,48
10,48
132,53
0,24
2,49
2,58
Dez
158,21
0,06
7,30
7,30
181,23
0,09
10,57
10,57
132,56
0,02
2,51
2,51
Jan
158,28
0,05
0,05
7,36
181,28
0,03
0,03
10,60
132,61
0,04
0,04
2,57
Fev
158,65
0,23
0,28
7,61
181,71
0,24
0,27
10,87
132,93
0,24
0,28
2,83
Mar
158,77
0,08
0,36
7,44
181,91
0,11
0,38
10,68
132,97
0,03
0,31
2,67
Abr
159,02
0,15
0,51
7,42
181,96
0,03
0,41
10,60
133,44
0,35
0,66
2,72
Mai
161,74
1,71
2,23
4,62
185,90
2,16
2,58
5,31
134,74
0,97
1,64
3,33
Jun
166,21
2,77
5,06
6,03
193,59
4,14
6,82
7,55
135,52
0,58
2,23
3,59
Jul
167,19
0,59
5,68
6,32
194,79
0,62
7,48
7,79
136,30
0,57
2,82
3,96
Ago
167,97
0,47
6,17
6,65
196,02
0,63
8,16
8,40
136,61
0,23
3,06
3,88
Set
167,99
0,01
6,18
6,52
196,02
0,00
8,16
8,33
136,50
-0,08
2,98
3,58
Out
168,19
0,12
6,31
6,48
196,43
0,21
8,39
8,48
136,39
-0,09
2,89
3,16
Nov
168,23
0,02
6,34
6,40
196,43
0,00
8,39
8,48
136,46
0,05
2,94
2,97
Dez
168,28
0,03
6,37
6,37
196,43
0,00
8,39
8,39
136,57
0,08
3,03
3,03
Jan
168,83
0,33
0,33
6,66
197,31
0,45
0,45
8,84
136,71
0,10
0,10
3,09
Fev
169,00
0,10
0,43
6,52
197,31
0,00
0,45
8,58
137,08
0,27
0,37
3,12
Mar
169,10
0,06
0,48
6,50
197,67
0,18
0,63
8,66
137,28
0,15
0,52
3,24
Abr
169,66
0,33
0,82
6,69
197,31
-0,18
0,45
8,43
138,48
0,88
1,40
3,78
Mai
173,41
2,21
3,05
7,21
204,17
3,48
3,94
9,83
138,80
0,23
1,63
3,01
Jun
175,52
1,22
4,30
5,60
208,16
1,95
5,97
7,53
138,91
0,08
1,71
2,50
Jul
176,00
0,27
4,59
5,27
209,06
0,43
6,43
7,33
138,91
0,00
1,71
1,91
Ago
175,94
-0,03
4,55
4,74
209,06
0,00
6,43
6,65
138,68
-0,17
1,54
1,51
(*) Valor referente ao último mês do período.
Fonte: SindusCon‑SP/IBRE‑FGV
26 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 26
– SETEMBRO 2015
26/09/15 16:22
PREÇOS DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO NO ESTADO DE SÃO PAULO*
O CUB para obras sem desoneração registrou alta de 4,55% no ano até agosto. O custo dos materiais
teve aumento de 1,54%, enquanto a mão de obra subiu 6,43% no mesmo período.
Agosto de 2015 – Ordem decrescente de variação percentual em 12 meses
Variação (%)
Material (*)
Unidade
Preço
Mês
milheiro
474,95
0,00
7,04
8,75
Índice
588,04
0,28
5,34
7,55
m
2
15,99
1,27
4,24
7,10
lata
169,18
0,46
4,79
6,18
Emulsão asfáltica c/elastômero p/imperm.
kg
7,25
0,00
4,47
5,07
Chapa compensado plastificado 18mm
m2
30,13
0,00
4,40
4,62
unidade
9,77
0,00
2,73
4,49
m2
55,54
0,00
4,10
3,70
Bloco de concreto 19x19x39cm
unidade
1,97
0,00
3,14
3,14
Registro de pressão cromado Ø=1,27cm
unidade
60,65
0,30
3,11
3,02
Areia média lavada
m3
67,78
0,19
2,28
2,74
Janela de correr 2 folhas 1,2x1,2 m
m2
265,46
1,59
2,75
2,59
Tubo PVC-R rígido p/ esgoto Ø 150 mm
m
23,69
0,00
2,02
2,51
saco
20,96
-0,10
1,85
2,49
Tubo de ferro galv. c/ costura Ø 2 1/2"
m
43,46
0,00
0,56
2,40
Placa de gesso p/ forro s/ colocação
m
2
10,65
0,00
2,01
2,01
unidade
89,32
-0,13
1,12
1,91
m
2
308,37
0,22
1,45
1,63
R$/m2
453,12
-0,17
1,54
1,51
unidade
63,38
0,49
1,31
1,49
m2
16,56
0,00
0,67
1,10
Bancada de pia de mármore 2x0,6x0,02cm
unidade
284,43
0,00
0,56
0,97
Fechadura, tráfego moderado acab. cromo
unidade
40,25
0,55
0,88
0,88
rolo
71,68
-0,42
0,60
0,83
unidade
169,98
-0,09
0,30
0,79
m3
73,29
-0,56
0,25
0,70
R$/mês
197,20
0,00
0,19
0,58
Concreto FCK=25 MPa
m3
248,94
-0,17
-0,51
-0,22
Aço CA-50 Ø 10 mm
kg
3,53
-1,40
-1,67
-3,29
Bloco cerâmico p/ alv vedação 9x19x19cm
IGP-M -Agosto/2015
Telha ondulada fibrocimento 6 mm
Tinta látex branca PVA
Alimentação tipo marmitex nº 8
Vidro liso transparente 4 mm c/ massa
Cimento CPE-32 saco 50kg
Porta lisa p/ pintura 3,5x70x210cm
Esquadrias correr 4 folhas al. 2,0x1,4m
CUB- Materiais
Disjuntor tripolar 70 A
Placa cerâmica (azulejo) 15x15cm 1ª linha
PEI II
Fio cobre antichama isol. 750 V 2,5 mm2
Bacia sanit. branca c/ cx. acoplada 6 L
Brita 2
Locação de betoneira elétrica 320 l
Ano
12 Meses
(*) Preços médios informados pelas construtoras
Fonte: Secon/SindusCon‑SP
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 27
27
26/09/15 16:22
EMPREGO DA CONSTRUÇÃO NOS ESTADOS
Em julho de 2015 o setor da construção empregava 3,13 milhões de pessoas. No acumulado do ano
até julho, o estado do Ceará foi o único a registrar crescimento no nível de emprego no setor em
relação ao mesmo mês do ano anterior.
EMPREGO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
dezembro
3.500.000
Brasil
3.000.000
São Paulo
3.134.034
2.500.000
2.000.000
1.500.000
1.000.000
813.883
500.000
0
2007
2008
Fonte: SindusCon‑SP/FGV e MTE 2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
*dados ref. a julho
ESTADOS QUE MAIS EMPREGAM NA REGIÃO NORDESTE
ESTADOS QUE MAIS EMPREGAM NA REGIÃO NORTE
dezembro
dezembro
250.000
140.000
187.500
105.000
Amazonas
Pará
Rondônia
110.120
172.583
123.496
125.000
70.000
113.072
Bahia
0
30.542
35.000
62.500
2007
2008
2009
Fonte: SindusCon‑SP/FGV e MTE Pernambuco
2010
2011
2012
24.105
Ceará
2013
2014
0
2007
2015*
*dados ref. a julho
2008
2009
Fonte: SindusCon‑SP/FGV e MTE Rondônia
Acre
Amazonas Roraima
2014 Abr
35.829
8.161
35.625
Mai
37.180
8.283
2011
2012
2013
2014
2015*
*dados ref. a julho
Região Norte
Período
2010
Região Nordeste
Pará
Amapá
Tocantins Maranhão
4.024
115.090
8.869
14.505
34.924
4.003
120.219
8.602
15.483
Rio Grande
do Norte Paraíba
Pernambuco
Alagoas
Sergipe
173.628
37.264
36.205
207.821
54.478 169.689
36.354
36.306
207.022
203.778
Piauí
Ceará
60.255
40.506
109.814
53.715
53.778
60.326
40.804
111.133
52.843
Bahia
Jun
37.232
8.469
34.560
4.099
125.795
8.532
16.153
61.174
40.418
110.269
51.645
54.617
167.453
35.881
36.213
Jul
37.202
8.833
33.829
4.022 130.637
8.730
16.806
63.900
40.493
111.219
50.510
54.828 164.638
35.817
35.939
205.187
Ago
36.540
8.853
33.638
4.184
8.703
17.270
65.768
40.192
113.662
49.883
54.705 163.809
35.981
35.882
207.323
131.796
Set
34.906
8.714
33.940
4.127 134.035
8.601
17.172
67.230
39.034
115.956
51.194
163.561
36.199
35.507
209.587
Out
33.752
8.401
33.402
3.986
131.047
8.568
16.580
64.288
40.049
116.478
50.953
54.595 159.842
55.035
36.638
35.193
204.605
208.006
Nov
32.552
7.822
32.569
3.678
126.814
8.420
15.669
61.246
39.474
117.368
49.895
53.809
153.167
36.239
34.799
Dez
30.541
7.153
31.190
3.529
115.908
7.658
14.199
57.195
38.856
113.006
47.940
52.548
147.481
35.149
33.621
197.939
2015 Jan
29.921
6.799
30.952
3.483
114.093
7.314
14.057
55.677
38.340
111.898
47.868
52.209
142.793
34.729
33.629
195.304
Fev
27.393
6.609
30.737
3.439
112.705
7.023
14.085
53.983
37.941
112.488
47.126
51.247 139.480
34.527
33.334
191.199
Mar
27.158
6.384
30.624
3.400
111.678
6.706
13.936
52.964
37.306
111.654
46.670
50.618 136.889
34.557
33.284
189.024
Abr
26.138
6.377
30.000
3.283 109.298
6.512
13.580
51.628
36.410
111.028
46.150
49.528
132.388
34.683
33.021
185.971
Mai
25.638
6.313
29.859
3.055
109.156
6.224
13.739
52.983
35.461
111.530
45.315
48.572
129.213
34.187
32.754
181.030
Jun
24.570
6.394
30.374
2.774 108.043
6.240
13.797
55.011
34.450
112.537
44.311
47.509
126.873
33.412
32.536
175.977
Jul
24.105
6.387
30.542
2.607
6.309
13.565
56.548
33.622
113.072
43.692
46.315 123.496
33.524
32.558
172.583
110.120
Fonte: SindusCon‑SP/IBRE‑FGV e MTE
28 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 28
– SETEMBRO 2015
26/09/15 16:22
EMPREGO DA CONSTRUÇÃO NOS ESTADOS
A região Sudeste, que compreende 50,21% do total de empregados com carteira na
construção, apresentou redução de 10,1% na comparação de julho de 2015 contra
julho de 2014. A região Nordeste teve queda de 14,1% na mesma comparação.
ESTADOS QUE MAIS EMPREGAM NA REGIÃO SUDESTE
dezembro
1.000.000
São Paulo
Minas Gerais
Rio de Janeiro
813.883
800.000
600.000
400.000
354.558
347.260
200.000
0
2007
Fonte: SindusCon‑SP/FGV e MTE 2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
*dados ref. a julho
EMPREGO NA REGIÃO CENTRO‑OESTE
EMPREGO NA REGIÃO SUL
dezembro
dezembro
200.000
120.000
179.490
GO
DF
MT
MS
100.000
164.337
131.304
150.000
90.322
80.000
68.583
60.000
100.000
49.641
PR
RS
40.000
SC
31.194
50.000
2007
2008
Fonte: SindusCon‑SP/FGV e MTE 2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
*dados ref. a julho
Minas
Gerais
Espírito
Santo
2007
2008
2009
Fonte: SindusCon‑SP/FGV e MTE Região Sudeste
Período
20.000
2010
Região Sul
Rio de
Janeiro
São
Paulo
Paraná
Santa
Catarina
2011
2012
2013
2014
2015*
*dados ref. a julho
Região Centro‑Oeste
Rio Grande
do Sul
Mato Grosso
do Sul
Mato
Grosso
Goiás
Distrito
Federal
90.990
2014 Abr
409.598
71.972
384.198
898.008
185.503
135.471
182.705
40.731
56.452
105.203
Mai
411.237
71.367
384.891
891.703
189.224
135.997
181.614
39.964
57.173
107.620
89.361
Jun
410.357
71.344
383.768
886.578
188.365
136.089
180.261
39.561
57.313
108.607
86.684
Jul
410.716
70.857
381.551
886.872
188.556
136.618
179.270
39.889
57.542
108.633
85.100
Ago
409.941
71.114
382.644
884.037
188.666
137.480
178.276
40.746
57.285
108.695
84.072
83.449
Set
411.417
71.560
383.267
883.802
189.858
137.455
179.333
40.692
56.621
108.908
Out
409.920
70.302
381.412
876.535
187.967
136.741
178.460
38.150
56.172
107.279
81.373
Nov
399.764
69.344
377.685
867.523
186.319
135.559
177.953
36.215
53.678
103.030
79.127
Dez
377.233
65.986
371.376
838.899
178.593
130.221
172.135
33.196
47.508
93.791
75.843
2015 Jan
378.882
66.115
362.984
844.528
181.012
133.122
172.534
32.320
47.283
94.568
74.883
Fev
378.059
63.956
358.431
839.250
180.740
133.316
171.665
32.054
47.625
94.225
73.698
Mar
373.026
63.227
357.048
837.792
180.054
133.858
171.148
31.685
47.707
92.255
73.291
Abr
366.994
62.462
355.704
837.169
179.117
134.285
171.467
31.661
48.520
92.067
73.065
Mai
359.425
60.232
356.412
826.875
179.490
133.248
168.720
31.734
48.732
90.457
71.382
Jun
352.336
59.235
357.202
819.853
177.458
132.492
166.104
31.312
49.539
91.382
69.734
Jul
347.260
58.006
354.558
813.883
175.901
131.304
164.337
31.194
49.641
90.322
68.583
Fonte: SindusCon‑SP/IBRE‑FGV e MTE
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 29
29
26/09/15 16:22
EMPREGO DA CONSTRUÇÃO BRASILEIRA POR SEGMENTO
O segmento de Edificações, que representa 38% do emprego no setor da Construção, registrava
retração de 14,1% em julho de 2015 em relação a julho de 2014. A maior variação aconteceu no
segmento de Infraestrutura, que em julho de 2015 empregava 15,2% menos empregados do que
em julho de 2014.
EMPREGO NO BRASIL ‑ EDIFICAÇÕES
EMPREGO NO BRASIL ‑ INFRAESTRUTURA
dezembro
dezembro
1.262.138
971.980
1.365.162
1.364.108
1.364.830
1.287.147
493.022
1.189.693
593.296
575.328
539.275
598.833
549.125
522.066
431.740
1.063.160
366.677
825.673
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
Fonte: SindusCon-SP/IBRE-FGV e MTE *dados ref. a julho
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
Fonte: SindusCon-SP/IBRE-FGV e MTE *dados ref. a julho
EMPREGO NO BRASIL ‑ INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS
EMPREGO NO BRASIL ‑ ENGENHARIA E ARQUITETURA
dezembro
dezembro
269.836
275.661
288.707
285.895
277.528
282.716
261.962
222.403
196.815
200.852
158.941
155.757
2007
306.503
253.339
241.964
112.643
295.331
132.614
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
Fonte: SindusCon‑SP/IBRE-FGV e MTE *dados ref. a julho
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
Fonte: SindusCon-SP/IBRE-FGV e MTE *dados ref. a julho
Obras
Serviços
Preparação de
terreno
Edificações
Infra‑
Estrutura
Obras de
instalação
Obras de
acabamento
Total
Incorporação
de imóveis
Engenharia e
Arquitetura
2014 Mar
142.408
1.395.322
605.134
445.569
183.990
2.772.423
298.229
299.205
Abr
143.498
1.394.711
610.147
441.501
185.329
2.775.186
299.227
298.937
182.570
780.734
3.555.920
Mai
145.111
1.391.577
615.973
438.816
185.981
2.777.458
299.573
297.779
182.990
780.342
3.557.800
Jun
145.115
1.383.236
615.552
436.109
185.826
2.765.838
299.691
297.477
182.209
779.377
3.545.215
Jul
146.530
1.384.331
615.965
435.458
186.171
2.768.455
299.430
297.704
182.605
779.739
3.548.194
Período
Outros serviços
181.016
Total
Total
778.450
3.550.873
Ago
147.471
1.384.690
615.217
435.468
186.533
2.769.379
299.874
297.972
183.920
781.766
3.551.145
Set
148.857
1.385.795
616.416
438.622
187.283
2.776.973
300.828
298.596
184.763
784.187
3.561.160
Out
147.960
1.371.750
603.480
433.479
187.271
2.743.940
298.334
296.174
184.240
778.748
3.522.688
Nov
144.872
1.350.171
585.728
431.012
185.705
2.697.488
297.405
291.033
181.798
770.236
3.467.724
Dez
137.937
1.287.147
549.125
417.909
179.651
2.571.769
288.707
282.716
175.502
746.925
3.318.694
2015 Jan
136.212
1.286.563
538.332
415.870
182.943
2.559.920
288.992
280.763
177.622
747.377
3.307.297
Fev
133.940
1.275.507
531.597
411.841
182.275
2.535.160
288.000
276.616
176.559
741.175
3.276.335
Mar
132.946
1.261.930
526.409
413.231
182.259
2.516.775
287.551
272.878
176.739
737.168
3.253.943
3.228.506
Abr
132.317
1.248.395
522.826
408.241
181.934
2.493.713
287.000
271.040
176.753
734.793
Mai
132.032
1.227.490
521.670
403.486
180.310
2.464.988
284.503
266.562
175.683
726.748
3.191.736
Jun
132.225
1.207.595
521.150
402.033
178.451
2.441.454
281.460
263.455
175.086
720.001
3.161.455
Jul
130.966
1.189.693
522.066
402.089
176.850
2.421.664
277.528
261.962
172.880
712.370
3.134.034
Fonte: SindusCon‑SP/IBRE‑FGV e MTE
30 CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
CC-set-2015.indd 30
– SETEMBRO 2015
26/09/15 16:22
EMPREGO DA CONSTRUÇÃO PAULISTA POR SEGMENTO
No Estado de São Paulo, o emprego na construção diminuiu 8,2% em julho na comparação com o
mesmo mês do ano anterior. No período, o segmento de Edificações teve queda de 10,7% e o de
infraestrutura de 9,8%.
EMPREGO EM SÃO PAULO ‑ EDIFICAÇÕES
EMPREGO EM SÃO PAULO ‑ INFRAESTRUTURA
dezembro
dezembro
296.904
273.210
237.929
290.800
273.859
250.800
260.150
250.258
208.783
109.024
113.214
2009
2010
125.668
121.739
116.648
108.307
106.476
2014
2015*
96.108
76.115
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
Fonte: SindusCon-SP/IBRE-FGV e MTE *dados ref. a julho
2007
2008
2011
2012
2013
Fonte: SindusCon-SP/IBRE-FGV e MTE *dados ref. a julho
EMPREGO EM SÃO PAULO ‑ INCORPORAÇÃO DE IMÓVEIS
EMPREGO EM SÃO PAULO ‑ ENGENHARIA E ARQUITETURA
dezembro
dezembro
68.754
72.855
71.527
72.026
73.331
71.613
2007
45.807
2008
2010
2011
2012
2013
2014
2015*
Fonte: SindusCon-SP/IBRE-FGV e MTE *dados ref. a julho
2007
2008
2009
Preparação de
terreno
2012
91.733
78.818
86.070
2010
2013
2014
2015*
Fonte: SindusCon-SP/IBRE-FGV e MTE *dados ref. a julho
Obras
Período
2011
95.368
50.651
51.855
2009
90.996
64.575
60.996
38.897
87.985
Serviços
Edificações
Infraes‑
trutura
Obras de
instalação
Obras de
acabamento
Total
Incorporação
de imóveis
72.847
Engenharia e
Arquitetura
273.210
250.80095.180
296.904
Outros
serviços
290.800 Total
225.206
Total
40.843
284.023
119.375
147.674
77.637
669.552
Abr
41.100
285.302
119.298
147.448
78.579
671.727
208.783
73.501
95.083
57.697
226.281
Mai
40.833
282.189
118.930
145.671
78.578
666.201
73.663
94.224
57.615
225.502
891.703
Jun
40.283
279.992
118.784
143.769
78.140
660.968
73.682
94.601
57.327
225.610
886.578
237.929
57.179
273.859
2014 Mar
256.606
894.758257.506
898.008
Jul
40.228
280.108
118.058
144.467
78.427
661.288
73.521
94.617
57.446
225.584
886.872
Ago
40.034
278.341
117.858
143.615
77.898
657.746
73.694
94.937
57.660
226.291
884.037
883.802
Set
39.866
277.407
117.067
144.288
78.338
656.966
73.978
95.270
57.588
226.836
Out
39.843
274.533
115.660
142.434
78.583
651.053
73.523
94.479
57.480
225.482
876.535
Nov
39.239
270.807
114.406
142.102
77.686
2007
644.240
2008
2010
73.121 2009 93.490
2013
223.283
2014867.523
2015*
838.899
201156.672 2012
Dez
38.090
260.150
108.307
138.071
75.275
619.893
72.026
91.733
55.247
219.006
2015 Jan
38.096
262.310
107.728
139.342
76.988
624.464
72.139
91.084
56.841
220.064
844.528
Fev
37.916
260.315
106.619
139.170
76.592
620.612
72.105
89.874
56.659
218.638
839.250
837.792
Mar
37.801
259.197
106.845
139.185
76.086
619.114
72.278
89.501
56.899
218.678
Abr
37.970
260.414
106.595
136.455
76.411
617.845
72.664
88.992
57.668
219.324
837.169
Mai
37.534
257.506
106.701
132.561
74.930
609.232
72.355
87.776
57.512
217.643
826.875
Jun
37.246
254.351
106.642
131.567
74.402
604.208
71.998
86.576
57.071
215.645
819.853
Jul
36.828
250.258
106.476
132.648
73.390
599.600
71.613
86.070
56.600
214.283
813.883
Fonte: SindusCon‑SP/IBRE‑FGV e MTE
SETEMBRO 2015 - CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO
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