a relação entre agências de turismo e escolas

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a relação entre agências de turismo e escolas
UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI
ROBERTA MONTEIRO DE OLIVEIRA
TURISMO PEDAGÓGICO:
A RELAÇÃO ENTRE AGÊNCIAS DE TURISMO E ESCOLAS
São Paulo
2008
ROBERTA MONTEIRO DE OLIVEIRA
TURISMO PEDAGÓGICO:
A RELAÇÃO ENTRE AGÊNCIAS DE TURISMO E ESCOLAS
Dissertação de Mestrado apresentado à Banca Examinadora,
como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre do
Programa de Mestrado em Hospitalidade, área de concentração
em Planejamento e Gestão Estratégica em Hospitalidade da
Universidade Anhembi Morumbi, sob a orientação do Prof. Dr.
Raul Amaral Rego.
São Paulo
2008
FICHA CATALOGRAFICA
O51
Oliveira, Roberta Monteiro de
Turismo pedagógico: a relação entre agências
de turismo e escolas / Roberta Monteiro de Oliveira 2008.
107f.: il.; 30 cm.
Orientador: Raul Amaral Rego.
Dissertação (Mestrado em Hospitalidade) Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2008.
Bibliografia: f.85-99.
1. Hospitalidade. 2. Turismo pedagógico. 3.
Agências de turismo. 4. Serviços. 5. Educação. I.
Título.
CDD 647.94
ROBERTA MONTEIRO DE OLIVEIRA
TURISMO PEDAGÓGICO:
A RELAÇÃO ENRE AGÊNCIAS DE TURISMO E ESCOLAS
Dissertação de Mestrado apresentado à Banca Examinadora,
como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre do
Programa de Mestrado em Hospitalidade, área de concentração
em Planejamento e Gestão Estratégica em Hospitalidade da
Universidade Anhembi Morumbi, sob a orientação do Prof. Dr.
Raul Amaral Rego.
Aprovado em 13 de outubro de 2008
Prof. Dr. Raul Amaral Rego
(orientador)
Prof. Dr. Mário Carlos Beni
Profa. Dra. Mirian Rejowski
Dedico este trabalho a todas as pessoas que
acreditam que as limitações podem ser
transformadas em superação e os obstáculos
são lições a serem aprendidas.
Agradeço
A Deus pela fé que rege os meus dias e por me fazer acreditar que os sonhos podem se
tornar realidade.
Ao Junior, meu companheiro de todos os momentos, pelo carinho e compreensão e
principalmente por me incentivar e acreditar nos meus objetivos.
Ao Arthur, meu amado filho, por ser meu raio de sol e pela infindável energia que
auxiliou no término desta etapa de minha vida, o mestrado, e o início de outra, ser mãe.
A minha mãe por ser o exemplo de coragem e determinação e por me ensinar que a
paciência e o amor são os alicerces da vida. Ao meu pai que me ensinou que devemos
transformar os percalços que a vida nos apresenta em aprendizado.
As minhas irmãs Rosemeire, Rosana, Regina e aos meus cunhados Philippe, Lage,
Casagrandi, Renata e Fabiano agradeço pelas palavras de incentivo e carinho nos momentos
de desalento. Aos meus sobrinhos pelo carinho e alegria por tornarem os meus dias mais
coloridos e aos meus sogros Rosa Maria e Mauro por compreenderem e assim abdicaram de
preciosos momentos em família.
Aos amigos, Ana Chaves pela sabedoria e paciência em entender minhas dificuldades
e me incentivar nos momentos mais incertos; ao Renê por ter acreditado em meu potencial
enquanto professora e a Luciane pela cumplicidade.
Aos meus alunos que são a essência do meu aperfeiçoamento, enquanto educadora e
profissional.
Aos professores do Curso de Mestrado por compartilharem o conhecimento
intelectual e os inesquecíveis momentos de convívio social e principalmente ao Prof. Raul
pelas sábias orientações e por me mostrar as diferentes possibilidades de ampliar o meu
conhecimento científico.
Aos mestres Mário Beni, Mirian Rejowski e Maria do Rosário que me concederam
imprescindíveis informações, auxiliando-me no aprimoramento da minha pesquisa.
A Milena da Escola Carandá, ao Silvio do Colégio Santa Cruz, ao José da Agência
Ambiental, ao Marcelo da Agência Quíron e as demais pessoas que contribuíram com
preciosas informações sobre o planejamento, realização e avaliação do estudo do meio, tema
desta pesquisa.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Estrutura dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino
fundamental...................................................................................................30
Figura 2 Diagrama de Serviços - Agência de turismo especializada em turismo
pedagógico....................................................................................................56
Figura 3 Natureza e determinantes das expectativas do cliente em relação aos
serviços........................................................................................................................58
Figura 4 Ginásio Santa Cruz, em 1952........................................................................63
Figura 5 Colégio Santa Cruz, em 2007........................................................................64
Figura 6 Fotografia tirada em 05/06/2007 – Sr. Valdomiro e Sra. Valquíria..............78
Figura 7 Fotografia tirada em 05/06/2007 – alunos entrevistando meeiro..................79
Figura 8 Fotografia tirada em 05/06/2007 – Representantes do MST.........................79
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 Escola: Plano de visitas técnicas e viagens de estudos do meio – Visita ao
Assentamento do MST.................................................................................................38
Quadro 2 Circuitos de distribuição..............................................................................45
Quadro 3 Agência de Turismo: Plano de visitas técnicas e viagens de estudo do meio
– Visita ao Assentamento do MST..............................................................................60
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABAV- Associação Brasileira de Agências de Viagens
IFTA – Federação Internacional das Agências de Viagens
EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo
GDS - Global Distribution Systems
MEC – Ministério da Educação
MST - Movimento dos trabalhadores rurais sem terra
PCNs - Parâmetros Curriculares Nacionais
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO........................................................................................................................10
1 CAPÍTULO 1 – EDUCAÇÃO, VIAGENS E O ESTUDO DO MEIO................ .................17
1.1 Propostas pedagógicas e o estudo do meio.....................................................................17
1.2 O estudo do meio no cenário brasileiro..........................................................................20
1.3 O uso do estudo do meio como atividade pedagógica....................................................24
1.4 A inserção do estudo do meio nos Parâmetros Curriculares Nacionais..........................27
1.5 A inserção do estudo do meio no planejamento pedagógico..........................................34
1.6 Principais questões identificadas para pesquisa..............................................................39
2 CAPÍTULO 2 – AGÊNCIAS DE VIAGENS........................................................................40
2.1 Breve caracterização das agências de viagens................................................................40
2.2 Os serviços prestados pelas agências de viagens............................................................44
2.3 A especialização das agências de viagens em turismo pedagógico................................50
2.4 O planejamento dos serviços de turismo pedagógico.....................................................54
2.5 A análise das necessidades e expectativas da escola......................................................57
2.6 Principais questões identificadas para pesquisa..............................................................61
3 CAPÍTULO 3 – RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO..........................................62
3.1 Colégio Santa Cruz.........................................................................................................63
3.2 Escola Carandá................................................................................................................67
3.3 Quíron Turismo Educacional..........................................................................................71
3.4 Agência Ambiental Expedições......................................................................................74
3.5 Visita ao Assentamento – MST - realizada pela
Escola Carandá e Quíron Turismo Educacional...........................................................76
CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................... ...82
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.....................................................................................85
BIBLIOGRAFIA AMPLIADA................................................................................................90
APÊNDICES – Roteiros Entrevista........................................................................................100
ANEXOS – Termos de Consentimento...............................................................................103
RESUMO
A presente pesquisa tem como objetivo estudar o relacionamento entre as escolas particulares
e as agências de turismo especializadas em turismo pedagógico, no que diz respeito ao
planejamento, realização e avaliação de viagens para estudos do meio, verificando as
atribuições das agências de turismo e das instituições escolares. Do ponto de vista das escolas,
buscou-se compreender as teorias pedagógicas que perpassam a educação contemporânea,
bem como as metodologias utilizadas no processo ensino-aprendizagem, com destaque para
as formas de inserção dos estudos do meio no planejamento de ensino. Do lado das agências,
buscou-se, na teoria, a compreensão das características dos serviços prestados pelas agências
de turismo no segmento educacional, com ênfase no processo de desenvolvimento do roteiro
turístico com finalidade pedagógica, analisando as formas pelas quais as agências desenham
este tipo de roteiro. Para isso recorreu-se à literatura específica sobre agências de turismo e à
literatura sobre marketing de serviços, principalmente quanto ao uso de diagramas de
serviços. O trabalho abrangeu uma pesquisa de campo a partir de um estudo comparativo
entre duas escolas do ensino fundamental e duas agências especializadas em turismo
pedagógico. O instrumento utilizado foi roteiro de entrevista semi-estruturado com
coordenador pedagógico e com orientador educacional, além dos agentes de viagens que
organizam essas atividades de campo. Nos resultados de pesquisa apresentados, procurou-se
identificar as formas pelas quais as escolas e agências interagem na formatação das viagens,
destacando as atribuições de cada uma no processo de planejamento, elaboração, realização e
avaliação dos serviços. Verificou-se que as agências pesquisadas desenham os roteiros à luz
das diretrizes pedagógicas, oferecendo soluções compatíveis com os requisitos e restrições
impostas pelas escolas. Em relação às escolas analisadas, os resultados evidenciaram um bom
grau de satisfação com os serviços prestados.
Palavras -chave
Turismo Pedagógico. Estudo do Meio. Agências de Turismo. Serviços. Educação.
ABSTRACT
The present research aims at studying the relationship between private schools and travel
agencies specialized in pedagogical tourism, regarding planning, accomplishment and
evaluation of the traveling by means of study, verifying the attributions of the travel agencies
and the school institutions. From the school's point of view, the search was to comprehend the
pedagogical theories that postpone the contemporary education, as the methodologies used in
the teaching-learning process, with emphasis for the insertion forms by means of study in the
teaching planning. On the other hand, the travel agencies searched, in theory, the
characteristics comprehension of the service given by the travel agencies on the educational
segment, with emphasis in the developing process of a touristic guide with pedagogical
finality, analyzing the forms which the agencies draw this kind of guide. For this, specific
literature was overrun about travel agencies and service marketing, especially as the use
of service diagrams. The labor included a field research from a comparative study between
two elementary teaching schools and two travel agencies specialized in pedagogical tourism.
The used instrument was a semi-structured interview guide with a pedagogical coordinator
and with an educational guider, besides the travel agents who organize these field activities.
The presented research results were to search identification of forms which the schools and
agencies interact on the definition of the trips, emphasizing the attribution of each one in the
planning process, elaborating, accomplishment and evaluation of the services. It was verified
that the searched agencies design the guides based on pedagogical discernment, offering
compatible solutions with the requirements and restrictions imposed by the schools.
Regarding the analyzed schools, the results attested a good grade of satisfaction with the
services given.
Key words
Pedagogical Tourism. By means of study. Travel Agencies. Services. Education.
10
INTRODUÇÃO
O ato de ensinar e aprender faz parte da evolução humana, considerando-se que desde
sempre o homem utilizou técnicas para suprir suas necessidades de sobrevivência e que são
passadas de geração à geração por meio do senso comum ou da ciência. Nesse sentido,
Rubem Alves (2000) menciona que a construção do conhecimento implica no despertar do
interesse, dúvida, indagação, ocasionando assim a investigação sobre um determinado
assunto, visando a descobrir soluções e respostas. Assim, o senso comum corresponde àquilo
que as pessoas acreditam, almejam, seja por meio de crenças ou idéias. Já a ciência apesar de
ter início no senso comum, tem como objetivo especializar-se em um determinado assunto,
comprovando-o por meio de métodos e técnicas no âmbito da investigação, reflexão e
experimentação, possibilitando legitimar as hipóteses teóricas.
Tanto o senso comum como a ciência podem ser instigados por meio do processo de
educação, que contempla o ato de ensinar e aprender, sendo preciso a participação do
emissor e receptor para que ele aconteça no universo que condiz à relação entre pai e filho,
professor e aluno, mestre e aprendiz, preceptor e discípulo etc. Nessa conexão o importante é
o aprendizado mútuo, socializando conhecimentos, tendo como cenário o núcleo familiar,
escolar, profissional; independentemente do nível social ou núcleo cultural em que o
indivíduo se encontra.
Para Brandão (2006) a educação ajuda a pensar tipos de homens, guerreiros ou
burocratas, passando o saber uns aos outros, dando continuidade ao processo de produção de
crenças e idéias que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes, construindo, assim, tipos
de sociedades, sendo que não há uma única forma, nem um único modelo de educação.
Assim, a escola não é apenas o lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor.
O saber tribal, que vai do fabrico do arco e flecha à recitação das rezas
sagradas aos deuses da tribo, não é aprendido na escola. Tudo o que se sabe,
aos poucos se adquire, por viver muitas e diferentes situações de trocas entre
pessoas, com o corpo, com a consciência. As pessoas convivem umas com as
outras e o saber flui, pelos atos de quem sabe-e-faz, para quem não-sabe-eaprende. São situações de aprendizado. A criança vê, entende, imita e
aprende com a sabedoria que existe no próprio gesto de fazer a coisa.
(BRANDÃO, 2006. p. 17-18).
11
Podemos constatar essa afirmação no trecho da carta1 escrita pelos Índios das Seis
Nações para os governantes de Virgínia e Maryland, Estados Unidos (Estes queriam que os
índios enviassem alguns de seus jovens às escolas dos brancos). Os chefes agradecendo e
recusando escreveram o seguinte:
[...] nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para
nós e agradecemos de todo o coração.
Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm
concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão
ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a
nossa.
[...] Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do
Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para
nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de
suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o
inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles
eram, portanto, totalmente inúteis. Não seriam como guerreiros, como
caçadores ou como conselheiros.
Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não
possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão oferecemos aos nobres
senhores de Virgínia que nos enviem alguns dos seus jovens, que lhes
ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens”. (BRANDÃO,
2006 P. 8).
Cada grupo tem sua cultura; não podemos dizer que a educação de determinado povo é
melhor do que a outra, pois cada qual tem as suas especificidades. Assim, não devemos e nem
podemos ser etnocêntricos2. Na educação não há verdade absoluta.
A educação escolar, eixo norteador desta pesquisa, pode ser aprendida tanto em sala
de aula por meio da teoria, como também, em muitos casos é importante que a prática, ou
seja, o ato de fazer, vivenciar ou mesmo observar estejam inseridos no processo de
aprendizagem do aluno.
Há diferentes maneiras de se utilizar a prática como aprendizado, por exemplo, as
atividades realizadas em laboratórios, podendo ser na esfera escolar (laboratório de química),
social (entrevistas com a comunidade), atividades de campo (visitas técnicas em museus,
teatros, centros comerciais, indústrias, bairros etc.) ou mesmo viagens para outros lugares,
sejam tradicionais ou emergentes. É importante salientar que as escolas utilizam diferentes
1
texto retirado do livro O que é educação de Carlos Rodrigues Brandão, 2006 p. 8
Etnocentrismo é uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os
outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a
existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo,
como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc. (ROCHA, 1999. p. 7)
2
12
denominações para o estudo do meio, sendo elas: “atividades extraclasse”, “visitas técnicas”,
“trabalhos de campo”, “viagens de estudo” de um dia ou mais, “vivência extraclasse”, etc.
As atividades de campo, há muito tempo, acontecem em diversos lugares do mundo.
Nos Estados Unidos as viagens de estudo do meio são conhecidas como viagens de campo
(field trips); no Reino Unido como viagem escolar (school trip). No Brasil, o estudo do meio
teve início por volta de 1910, durante a Escola Moderna, tendo Ferrer3 como idealizador e a
pedagogia libertária como referência. Ainda hoje há muitas escolas que contemplam essas
atividades de campo em seus currículos, tendo como referências os Parâmetros Curriculares
Nacionais – PCNs, articulando assim o conhecimento teórico e prático, possibilitando que o
aluno, por meio desse aprendizado, desenvolva conhecimento intelectual, e que a escola
traga, à luz da sua formação, aspectos sociais, ambientais e culturais, formando cidadãos mais
conscientes.
É importante que os professores conheçam a política de educação e os projetos
educacionais que fazem parte do sistema, pois é a partir do conhecimento global que será
possível fazer um adequado planejamento educacional e curricular, o plano de ensino, de
curso, de unidade e de aula. Foi então que se constatou a necessidade de elaborar um
instrumento denominado “plano de estudo do meio como” demostrado no capítulo 1.
Com base nesse cenário, verificou-se a necessidade de estudar e compreender um
pouco mais deste universo, aspirando-se que este trabalho sirva como referência teórica para
as escolas, agências de turismo e também para a academia, pois constatou-se que este nicho
de mercado ainda é emergente e que há pouca bibliografia específica sobre o assunto. Desta
maneira, entende-se que há muito que ser produzido e desenvolvido, sendo este o início de um
longo caminho.
Os orientadores educacionais poderão utilizar essa pesquisa para compreender quais
são as atribuições e responsabilidades de uma agência de turismo, bem como entender a
função do agente de viagem no processo de formatação de pacotes turísticos. Por outro lado,
as agências de turismo encontrarão informações sobre o universo escolar, ou seja, aspectos
relevantes sobre a finalidade de documentos como os PCNs, o projeto pedagógico da escola, o
currículo escolar, os conteúdos básicos e as metodologias de ensino.
3
O educador espanhol Francisco Ferrer Guardiã (1859-1909) fundador da escola moderna, nacionalista e
libertária, foi o mais destacado crítico da escola tradicional, apoiando-se no pensamento iluminista. Ferrer foi um
revolucionário que acreditava no valor da educação como remédio absoluto para os males da sociedade.
(GADOTTI, 2001. p. 174)
13
O interesse pelo tema foi despertado com base na atuação no ensino superior, no
processo de realização de viagens e visitas técnicas com alunos do Curso de Turismo, bem
como na necessidade de ampliar conhecimentos relacionados às áreas concernentes à
Hospitalidade e Turismo. Desse modo, o objetivo principal desta pesquisa foi compreender as
relações existentes entre as escolas e as agências de turismo (operadoras), verificando a
especialização das viagens de estudos do meio.
Os objetivos específicos da pesquisa são: verificar os fundamentos das atividades de
estudos do meio no cenário educacional brasileiro; entender a importância do estudo do meio
como método de ensino; conhecer e compreender as funções das agências de turismo;
verificar os procedimentos das agências de turismo, especializadas em turismo pedagógico, e
das escolas no processo de planejamento, realização e avaliação das viagens de estudos do
meio.
Algumas questões foram pensadas, tais como:
• As agências de turismo oferecem pacotes e roteiros desenvolvidos de acordo com as
diretrizes pedagógicas das escolas?
• As agências de turismo têm contribuído para que os estudos do meio cumpram
plenamente com os objetivos contemplados no planejamento curricular?
Para uma melhor compreensão do tema, buscaram-se como referenciais teóricos obras
de alguns autores, tais como: Ghiraldelli (1992) e Gadotti (2001) que fundamentaram os
estudos sobre educação aqui apresentados; Pontuscka (1994) e Haydt (2003) no que se refere
ao estudo do meio como método de ensino; Rejowski (2001; 2002; 2008), Cordeiro (2008) e
Beni (2006) sobre a evolução, tipologia e conceitos das agências de turismo no mundo e no
Brasil; Piza (1982) sobre a utilização do Turismo como possibilidade de aprendizagem no
âmbito escolar – Turismo Pedagógico; Lovelock; Wright (2001), Zeithaml; Bitner (2003),
Cobra (2001) como base para o entendimento e compreensão dos aspectos inerentes a
marketing de serviços; bem como Dencker (1998), Schlütler (2003) e Yin (2001),
colaborando no contexto metodológico da pesquisa científica.
É importante ressaltar que a nomenclatura utilizada para agências de turismo, neste
estudo, tem como base a pesquisa realizada pela autora Rejowski, (2008, p.3) da qual se
utiliza o termo “agências de viagens” para designar a trajetória dessas empresas no mundo,
termo mais usual, e “agências de turismo” ao referir-se a essas empresas no cenário brasileiro,
termo legalmente utilizado.
Este estudo está estruturado em três capítulos. No primeiro, constam algumas questões
sobre a função do estudo do meio como recurso pedagógico em diferentes linhas, a trajetória
14
desse método de ensino no Brasil, bem como o estudo do meio no contexto que se refere ao
planejamento educacional.
O segundo capítulo refere-se a alguns aspectos evolutivos das agências de turismo no
mundo e no Brasil, tipos de serviços oferecidos por essas agências e as diferentes
denominações das viagens, com o objetivo de aprendizagem.
No terceiro capítulo foram apresentados os resultados obtidos dos estudos de casos, a
partir da análise das entrevistas realizadas, visando a compreender as atribuições de cada um
no processo de planejamento, realização e avaliação das atividades relacionadas ao estudo do
meio.
A metodologia utilizada nesta pesquisa foi o estudo comparativo entre duas escolas do
ensino fundamental e duas agências de turismo, especializadas em turismo pedagógico,
pretendendo-se compreender os fenômenos que envolvem aspectos relacionados ao Turismo
Pedagógico, tanto no contexto das instituições escolares, quanto das operadoras turísticas.
Segundo Yin (2001, p.21) o estudo de caso tem algumas características principais como:
[...] permite uma investigação para se preservar as características holísticas e
significativas dos eventos da vida real – tais como ciclos de vida individuais,
processos organizacionais e administrativos, mudanças ocorridas em regiões
urbanas, relações internacionais e a maturação de alguns setores.
De acordo com Dencker (1998, p. 127) o estudo de caso é “estudo profundo e
exaustivo de determinados objetos ou situações. Permite o conhecimento em profundidade
dos processos e relações sociais”. A autora enfatiza ainda que esse estudo pode envolver
exame de registros, observação de ocorrência de fatos, entrevistas estruturadas e nãoestruturadas ou qualquer outra técnica de pesquisa. O objetivo do estudo de caso, por sua vez,
pode ser um indivíduo, um grupo, uma organização, um conjunto de organizações ou até
mesmo uma situação.
Nesse sentido, Yin (2001, p. 27) ressalta que “o estudo de caso é a estratégia escolhida
ao se examinarem acontecimentos contemporâneos, mas quando não se podem manipular
comportamentos relevantes” tendo como questões do tipo “como” ou “por que” sobre o qual
o pesquisador tem pouco ou nenhum controle. Schramm apud Yin (2001, p.31) cita que:
[...] a essência de um estudo de caso, a principal tendência em todos os tipos
de estudo de caso, é que ela tenta esclarecer uma decisão ou um conjunto de
decisões: o motivo pelo qual foram tomadas, como foram implementadas e
com quais resultados.
15
Assim, pretendeu-se verificar, por meio do estudo de caso, questões que envolvam
todo o processo das viagens, desde a escolha do destino até os resultados obtidos, bem como
as decisões de cada um, pedagogos e agentes de viagens em todo o processo da viagem.
O objetivo principal deste estudo foi compreender as relações existentes entre o papel
desempenhado pelas escolas e agências de turismo, no processo de elaboração de roteiros
turísticos de interesse pedagógico, tendo como base: Como é o processo de planejamento,
realização e avaliação das viagens de estudos do meio, considerando as atribuições das
instituições escolares e turísticas?
Para realizar tal análise foi preciso entender aspectos no âmbito da educação, estudos
do meio, propostas pedagógicas, agências de viagens, funções do agente de viagem,
expectativas dos clientes, roteiros turísticos etc.
Para tanto, algumas questões foram indagadas por meio de entrevistas aos
orientadores pedagógicos e aos agentes de viagens, tais como: quais critérios a escola utiliza
para a realização da escolha dos destinos a serem visitados? De que maneira a agência de
turismo colabora com a escola durante o processo de planejamento das viagens de estudos do
meio?
Segundo Yin, para a entrevista ter êxito, o entrevistador
[...] tem que ser bom ouvinte e não ser enganado por suas próprias ideologias
e preconceitos, ser adaptável e flexível; ter noção clara sobre as questões que
estão sendo estudadas, ser imparcial em relação a noções preconcebidas,
incluindo aquelas que se originam de uma teoria. (2001 p. 81).
Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas4 com a coordenadora pedagógica da
Escola Carandá e com o orientador educacional do Colégio Santa Cruz, ambos profissionais
responsáveis pelas viagens de estudo do meio, no ensino fundamental.
A escolha para realizar a pesquisa no Colégio Santa Cruz deu-se pelo fato de ser um
das primeiras escolas a realizar o estudo do meio, utilizando-se dos serviços de uma Agência
de Turismo, como cita em seu artigo Piza (1992) “em 1962, três colégios realizaram esse
roteiro: “Sion”, “Santa Cruz” e o “Deux Oiseaux”. O destino escolhido foi Cidades Históricas
– Minas Gerais”. E também por esta escola ser considerada uma das mais tradicionais da
cidade de São Paulo atuando na área educacional há 56 anos.
4
Os roteiros das entrevistas semi-estruturadas aplicados nas escolas e agências de turismo encontram-se no
apêndice 1.
16
O Colégio Carandá foi escolhido por realizar atividades de campo há mais de 30 anos
e, também, por realizar atividades de estudo do meio em assentamentos do MST –
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. A escola também conta com os serviços de
uma agência especializada em Turismo Pedagógico.
As agências de turismo (operadoras) Quíron Turismo Educacional e a Agência
Ambiental Expedições foram escolhidas por serem especializadas em Turismo Pedagógico e
por ambas prestarem serviços ao Colégio Santa Cruz, sendo que a Quíron também presta
serviços ao Colégio Carandá.
As entrevistas foram realizadas com o Sr. Sílvio Hotimsky, orientador educacional,
(Colégio Santa Cruz) e Srta. Milena Terron, coordenadora pedagógica, (Escola Carandá) que
planejam, juntamente com os professores, as atividades de campo e com os agentes de
viagens Sr. José Zuquim (Agência Ambiental) e o Sr. Marcelo Salum (Agência Quíron)
responsáveis pelo processo de elaboração, realização e avaliação das viagens de estudos do
meio.
A pesquisadora realizou visita ao assentamento do MST na cidade de Sumaré - SP. Os
métodos utilizados foram de observação e entrevistas não estruturadas, sendo que os
entrevistados foram: o professor, a orientadora educacional, os alunos, o monitor e os
anfitriões. O objetivo era compreender a opinião de cada um referente aos aspectos que
envolvem atividades de estudo do meio. Para tanto, foi utilizado caderno de campo, máquina
fotográfica e gravador. De acordo com Schütler as entrevistas não estruturadas “consistem em
uma conversa sem restrições entre o pesquisador e o entrevistado sobre temas relacionados
com o objeto de estudo” (2003, p. 107).
17
CAPÍTULO 1 – EDUCAÇÃO, VIAGENS E O ESTUDO DO MEIO
1.1 Propostas pedagógicas e o estudo do meio
Com o objetivo de aprimorar a educação, tornando-a um aprendizado flexível,
dinâmico e mútuo entre professores e alunos, muitos educadores começaram tratar o aluno
como o centro do processo de ensino, um ser pensante que tem condições de dar a sua opinião
e expressar seus interesses, contrariando a educação tradicional.
Nesse sentido, há muito tempo a educação vem sendo estudada por diferentes nações,
tendo diversos pensadores de renome, que a partir de idéias pedagógicas propuseram-se
compreender, analisar e discutir a Educação e as suas influências na evolução humana. No
âmbito do pensamento pedagógico, serão abordadas as idéias de alguns educadores que
ressaltaram o estudo do meio como recurso de aprendizagem e que muitas escolas se
inspiraram, tendo-as como referência.
Dentre esses educadores citaremos Ferrer e a Escola Moderna como movimento da
pedagogia libertária; Freinet, abordando a educação pelo trabalho e a pedagogia do bom
senso; Dewey, instigando o aprendizado por meio do aprender fazendo; Montessori,
defendendo métodos ativos; Piaget, com a psicopedagogia e a educação para a ação;
Nidelcolff, discutindo a formação do professor e a escola para o povo e os educadores
brasileiros, Paulo Freire com a concepção dialética de aprendizagem e Maurício Tragtenberg.
Segundo Ghiraldelli (1992), Francisco Ferrer5 foi um livre pensador espanhol, criador
da Escola Moderna, considerada um movimento da pedagogia libertária cartacterizada por
abordar a questáo pedagógica a partir de uma perspectiva libertária e igualitária, eliminando
relações autoritárias presentes no modelo educacional e tradicional. Preocupado em
desenvolver um outro tipo de formação pedagógica em oposição a formação educacional
gerida pelo Estado ou pela Igreja, esse educador foi relevante na inserção do estudo do meio
no Brasil, como veremos mais adiante.
Outro educador, Celéstin Freinet6, de acordo com Gadotti (2001, p. 178) foi um dos
precursores da Escola Nova, sendo que seus princípios pedagógicos eram baseados na
5
6
(1859-1909)
(1886-1966)
18
valorização do trabalho manual, tendo destaque tanto na prática quanto na teoria da educação.
Para o autor, Freinet:
[...] centrava a educação no trabalho, na expressão livre, na pesquisa. O
estudo do meio, o texto livre, a imprensa na escola, a correspondência
interescolar são algumas das técnicas que empregava. Para ele a escola
popular do futuro seria a escola do trabalho. (GADOTTI, 2001, p. 178).
Deste modo, percebe-se que o estudo do meio é apresentado como instrumento de
aprendizagem, possibilitando que o aluno vivencie o meio social e se prepare para adaptar-se
à vida comunitária. Freinet dava à criança consciência de sua capacidade a fim de convertê-la
em autora de seu próprio futuro em meio à grande ação coletiva.
Já Maria Montessori7, nascida na Itália, também pioneira da educação pré-escolar e da
Escola Nova, utilizava-se de métodos ativos, a partir dos quais propunha:
[...] despertar a atividade infantil através do estímulo de promover a autoeducação da criança, colocando meios de trabalhos adequados à sua
disposição. Portanto, o educador não atuaria diretamente sobre a criança,
mas ofereceria meios para a sua auto-formação, pois ela acreditava que só a
criança é educadora da sua personalidade. (GADOTTI, 2001, p. 151).
O mesmo autor informa que o material criado por Montessori teve papel
preponderante no seu trabalho educativo, pressupondo a compreensão das coisas a partir delas
mesmas, tendo como função estimular e desenvolver na criança um impulso interior que se
manifestasse no trabalho espontâneo do intelecto. Essa pedagogia foi inicialmente praticada
com crianças da educação infantil e das primeiras séries do ensino fundamental, sendo que o
material utilizado era composto por peças sólidas de diversos tamanhos, formas e cores com a
finalidade de prepará-las para resolver “problemas” por meio da concentração e, ao
finalizarem as atividades, socializarem os resultados com o grupo.
Dessa forma, percebe-se que as escolas que utilizam a educação, inspiradas em
Montessori, possuem ambientes com inúmeras opções de atividades lúdicas, fazendo com que
a criança utilize a criatividade e a reflexão para resolver situações e compartilhar os resultados
com o grupo.
Segundo Gadotti (2001, p. 148), o filósofo e pedagogo norte-americano, John Dewey8,
também exerceu grande influência sobre toda a pedagogia contemporânea, pois foi defensor
7
8
(1870-1952).
(1859-1952)
19
da Escola Nova, na qual propunha aprendizagem por meio da atividade pessoal do aluno.
“Através dos princípios da iniciativa, originalidade e cooperação, pretendia liberar as
potencialidades do indivíduo rumo a uma ordem social que, em vez de ser mudada, deveria
ser progressivamente aperfeiçoada”. O estudo do meio era utilizado para que o aluno
verificasse realmente a realidade, pois nessa pedagogia acreditava-se que o papel do educador
era mostrar um caminho e não se omitir, pois a omissão é também uma forma de intervenção.
Jean Piaget9 ganhou renome mundial com seus estudos sobre os processos de
construção do pensamento nas crianças. Fosnot (1998) enfatiza que a idéia mais importante da
teoria desse psicólogo suíço é ter considerado que a aprendizagem não é um processo passivo,
sendo preciso buscar meios para despertar o interesse dos alunos e dar a eles um papel mais
ativo, assim:
Não nascemos sabendo das coisas e não aprendemos nos impregnando do
mundo. Construímos ativamente nossos conhecimentos em nossas interações
com pessoas e objetos, de acordo com nossas possibilidades e interesses.
Apesar de todas as suas ramificações, essa é a idéia central do
construtivismo. (FOSNOT, 1998, p. 46).
A partir desta concepção, percebe-se que o estudo do meio é utilizado como forma de
conhecer o mundo e fazer parte atuante dele.
Ainda de acordo com Gadotti (2001), a educadora Maria Teresa Nidelcoff
desenvolveu suas atividades práticas com crianças da classe trabalhadora nos bairros
operários de Buenos Aires (Argentina). Sua obra situa-se entre aquelas que buscam o estudo
da própria realidade como técnica de transformação e mudança, utilizando-se o estudo do
meio como instrumento de aprendizagem.
No Brasil há também alguns nomes que merecem destaque, como o educador Paulo
Freire10. A obra desse autor fundamenta-se no aprendizado mútuo, ou seja:
[...] na teoria do conhecimento aplicado à educação, sustentada por uma
concepção dialética em que educador e educando aprendem juntos numa
relação dinâmica na qual a prática, orientada pela teoria, reorienta essa
teoria, num processo constante de aperfeiçoamento. (GADOTTI, 2001, p.
253).
9
(1896-1980)
(1921-1997). Paulo Freire natural de Recife, considerado um dos grandes pedagogos da atualidade e
respeitado mundialmente, ganhou diversos prêmios tendo como destaque o Prêmio Educação para Paz da
Unesco, em 1986.
10
20
Percebe-se, portanto, que esse educador acreditava na prática como processo de
aprendizagem, evidenciando conceitos como compartilhar conhecimentos entre o professor e
aluno.
Gadotti (2001, p. 261) cita também Maurício Tragtenberg como um dos poucos
pensadores anarquistas contemporâneos. As propostas desse autor são contextualizadas nas
“lutas das classes subalternas e de participação política do trabalhador na empresa e na escola,
visando a reeducação dos próprios trabalhadores em geral e dos trabalhadores em educação,
em particular”. Esse autor chama a atenção dos estudantes para aspectos sociais, informandoos sobre seus direitos utilizando-se da corrente de pensamento influenciada pela ação políticopedagógica.
Esses são alguns nomes que ressaltaram a importância do estudo do meio como
processo de aprendizagem, contribuindo na formação sócio-cultural do aluno. Muitas escolas
brasileiras fundamentam-se nesses ideais pedagógicos.
1.2 O estudo do meio no cenário brasileiro
Compreende-se que, atualmente, no cenário brasileiro, há inúmeros problemas na
educação que precisam ser sanados; muitos deles poderiam ser resolvidos se houvesse maior
envolvimento dos gestores na melhoria da qualidade de ensino no nível fundamental e médio.
É notório que estas deficiências são reflexo da desigualdade social, tendo suas origens no
Brasil do século XIX.
A educação no Brasil passou e ainda passa por diferentes desafios. Durante a Primeira
República11, dois movimentos ideológicos tiveram grande destaque, sendo eles: o entusiasmo
pela educação e o otimismo pedagógico liderados pelos intelectuais das classes dominantes.
Nesse período, o país precisava se adequar à nova fase; diante dos acontecimentos da época,
como por exemplo, o fim do regime de escravidão, a adoção do trabalho assalariado e a
expansão da lavoura cafeeira. A modernização estava acontecendo naquele momento e a
educação precisava passar por mudanças e adequações. Muitas famílias queriam uma melhor
escolarização para seus filhos, através de carreiras burocráticas e intelectuais que
proporcionassem caminho mais promissor (Ghiraldelli, 1992).
11
(1889 – 1930)
21
Um dos momentos importantes na história da educação aconteceu na Primeira Guerra
Mundial12, quando surgiu significativo entusiamo pelo patriotismo e nacionalismo. Os
intelectuais almejavam o desenvolvimento do país e sabiam da importância da educação
popular, que era na época considerada caótica, pois o analfabetismo era generalizado13. Nesse
momento, surgiram as “ligas contra o analfabetismo” que se multiplicaram pelo país - Liga de
Defesa Nacional (1916) e Liga Nacionalista do Brasil, (1917) – fundadas por intelectuais que,
imbuídos pelo fervor nacionalista, pregavam o civismo, o escotismo, um patriotismo
exacerbado, desenvolvendo campanhas com o objetivo de erradicar o analfabetismo. Foi
nessa época que três correntes pedagógicas distintas formaram o cenário das lutas políticopedagógicas: Pedagogia Tradicional, Pedagogia Nova e Pedagogia Libertária.
A Pedagogia Tradicional era gerida por intelectuais ligados às oligarquias dirigentes e
pela Igreja. A Pedagogia Nova emergiu no interior de movimentos da burguesia e das classes
médias que buscavam a modernidade do Estado e da sociedade. Já a Pedagogia Libertária teve
a sua origem com os intelectuais ligados aos projetos dos movimentos sociais populares. É
essencial enfatizar que essas correntes tiveram que enfrentar ou assimilar os preceitos de
uma herança pedagógica constituída pela pedagogia Jesuítica, a partir do documento Ratio
Studiorum14.
A educação dos jesuítas destinava-se à formação das elites burguesas, para
prepará-las a exercer a hegemonia cultural e política. Eficientes na formação
das classes dirigentes, os jesuitas descuidaram completamente da educação
popular. (GADOTTI, 2001, P. 72).
Assim, com base nesse cenário, onde a educação era para poucos, havia grande
número de analfabetos, pois, com se deduz as escolas eram destinadas aos filhos das classes
sociais mais abastadas. Os jovens pobres, desde cedo, eram obrigados a trabalhar para ajudar
os pais. Os empresários não sentiam necessidade de que o trabalhador fosse alfabetizado, pois
o trabalho realizado na fábrica era braçal, havendo entretanto, resistências.
Os anarquistas não concordavam com essa concepção. A filosofia desse
grupo fundamentava-se no fato de que “ninguém nasce escravo, pobre, rico,
trabalhador, doutor, político ou presidente. As diferenciações existentes
foram criadas por uns poucos, por uma minoria, ocasionando deveres sem
direitos, obrigações sem possibilidades iguais, situações que o tempo
12
(1914 – 1918)
Em 1920, 75% da população era analfabeta. (GHIRALDELLI, 1992, P. 18)
14
Ratio Studiorum é o plano de estudos, de métodos é a base filosófica dos jesuítas. Representa o primeiro
sistema organizado de educação católica. Ela foi promulgada em 1599, depois de um período de elaboração e
experimentação. (GADOTTI, 2001, p. 72)
13
22
consolidou, tornou costume convertendo em leis, em normas de vida”
(RODRIGUES apud PONTUSCHKA p. 166).
A Pedagogia Libertária chegou ao Brasil pelas mãos dos imigrantes e duas vertentes
foram divulgadas pela imprensa ligada ao movimento operário da Primeira República:
Educação Racionalista ligada ao nome do anarquista Raul Robim15 e a Educação Racionalista
ligada às obras de Ferrer. Para Ghiraldelli (1992) essa pedagogia buscava moldar o ensino
para a construção de um novo homem, sem divisão de classes, sem hierarquia burocratizada,
sem centralização de poder, baseando-se na transformação social contida nas propostas do
movimento operário de linha anarquista. Para que acontecessem as reflexões e análises
críticas era necessário que os alunos vivenciassem como as coisas de fato aconteciam. Este
método resultou no surgimento do estudo do meio.
As escolas anarquistas foram as primeiras no Brasil a introduzir atividades
semelhantes ao estudo do meio nas escolas que seguiam a pedagogia de
Ferrer, fundador da Escola Moderna de Barcelona, Espanha.
(TRAGTEMBERG apud PONTUSCHKA, 1994, p. 165).
Foi então, por volta de 1910, que surgiram as escolas livres, chamadas de Escolas
Modernas, tendo Ferrer como idealizador. Era um local de debates, diálogos e reflexões que
levaram o aluno a pensar de forma crítica, tornando-o consciente de seus direitos e deveres
como aluno e cidadão. A Escola Moderna era laica, não havia distinção de sexo ou classe
social, também não era gratuita, recebendo sustento diferenciado de cada família. O objetivo
era desenvolver a educação em amplo sentido: livre expressão, produção de textos críticos,
contato com métodos experimentais.
Escola Racionalista de Ferrer é mista e prega a coeducaçao sexual e das
classes. Na medida em que não é financiada pelo Estado ou Igreja ela é
paga, conforme as possibilidades financeiras do aluno; preocupa-se com a
difusão da cultura junto ao povo, estabelece o curso noturno e uma
Universidade Popular. (TRAGTENBERG, 1982, p. 102).
As escolas das primeiras décadas do século XX tinham como objetivo oferecer um
ensino fundamentado na observação e formação do espírito crítico. Os trabalhos realizados
fora da sala por tais escolas tinham como objetivo que os alunos, observando, descrevendo o
15
(1837-1912)
23
meio, dito natural, e o social do qual eram parte, pudessem refletir sobre desigualdades e
injustiças, promovendo mudanças na sociedade, no sentido de saná-las.
De acordo com Pontuscka (1994), o estudo do meio era uma forma dos anarquistas
estudarem o meio em que viviam, visando a modificá-lo. Conhecer os problemas e buscar
soluções era o que queriam. Afinal, não eram simples coadjuvantes, mas os atores principais
de uma história real, porém desleal. Assim, já em 1900, Luigi Basile fundou a Escola Dante
Alighieri, situada no bairro do Brás em São Paulo, sendo o reduto de imigrantes,
principalmente italianos anarquistas.
Os cidadãos, na época das Escolas Modernas, estavam buscando seus direitos e, claro,
incomodando os políticos e patrões que os tratavam de forma limitada e preconceituosa, visto
que, para muitos, o saber significava uma forma de poder. Foi então que no final da década
de 1920, o movimento foi frontalmente combatido. As escolas foram fechadas e os líderes
mortos. Desta forma, as Escolas Modernas utilizavam o estudo do meio como instrumento
para conhecer a realidade, visando a transformá-la em uma sociedade mais justa. Com o
término das mesmas, esse método sofreu mudanças no movimento da Escola Nova. Isso
veremos com mais detalhes a seguir.
Com o fim da Primeira Guerra, o cenário financeiro e mercantil internacional passava
por transformações. A Inglaterra perdeu espaço para os Estados Unidos, e o Brasil, tradicional
cliente dos bancos ingleses, estreitou parcerias com os norte-americanos, refletindo mudanças,
não apenas na vida econômica do brasileiro, mas também, na área cultural que se estendeu
para o campo educacional pedagógico.
Em 1896, nos Estados Unidos, o professor universitário John Dewey (18591952) criou a University Elementary Scholl, acoplada à Universidade de
Chicago. Dewey foi sem dúvida o maior filósofo da educação nos EUA.
Seus textos causaram grande impacto na sociedade americana.
A partir dos anos 20 os textos de Dewey, e também de escolanovistas
europeus, começaram a conquistar a intelectualidade jovem no Brasil
preocupada com questões educacionais.
O imperialismo americano impôs não só padrões novos de consumo de bens
materiais, mas também padrões novos de consumo de bens culturais, que
trouxeram ao país as teorias pedagógicas do Movimento da Escola Nova.
(GHIRALDELLI, 1992, p.25).
Sendo assim, o movimento da Escola Nova colocava a criança, e não mais o professor,
no centro do processo educacional, refletindo sobre a liberdade e interesse do educando.
Adotava métodos de trabalho em grupo, incentivava a prática de trabalhos manuais,
24
valorizava os estudos de psicologia experimental. Dewey formulou cinco passos para o
funcionamento do raciocínio indutivo: tomada de consciência do problema, análise de
elementos e coleta de informações, sugestões para a solução de problemas – hipóteses,
desenvolvimento das sugestões apresentadas e experimentação e recusa ou aceitação das
soluções.
O Brasil passava por um processo de urbanização, industrialização e modernização na
década de 1920. Muitos jovens intelectuais como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo,
Lourenço Filho, Francisco Campos, etc, promoveram reformas educacionais fundadas nos
princípios da Pedagogia Nova, que era vista como pensamento educacional completo, pois
possuía uma política educacional, organizacional e metodológica própria. Essas características
foram fundamentais para que as reformas educacionais fossem realizadas e, além de combater
a Pedagogia Tradicional, sufocou as possíveis transformações que estavam sendo defendidas
pela Pedagogia Libertária.
Portanto, os escolanovistas resgataram o estudo do meio das Escolas Modernas,
embora com outros objetivos, pois os anarquistas almejavam conhecer o meio, propondo-se
transformar a sociedade, já o movimento escolanovista desejava estudá-lo para integrar o
aluno ao seu meio.
1.3 O uso do estudo do meio como atividade pedagógica
A educação na esfera escolar compõe-se de dois pilares fundamentais que dão alicerce
ao aprendizado: teoria e prática. Esses dois elementos se completam e ambos são importantes
na vida do aluno. Aranha (1989, p. 27) ressalta que a “teoria não é anterior nem superior à
prática, ou vice-versa, porque ambas estão presentes numa constante relação de troca mútua”.
De acordo com Ponstuschka (1994, 249) o estudo do meio é “desde uma saída de
alunos e professores, cujo objetivo principal seja entretenimento, até trabalhos
interdisciplinares que demandem pesquisas de campo, bibliográfica, iconográfica e portanto,
investimento em trabalho individual e coletivo”.
Já Mendonça e Neiman (2003) enfatizam que para atingir os objetivos desse tipo de
estudo, deve ser organizado e ter como princípio a realização de um trabalho educacional
completo, no qual o lazer tem um caráter fundamental, pois eles abordam que a aprendizagem
25
por intermédio do lúdico pode ser mais marcante, por ser social e natural, do que as
tradicionais tentativas de transmitir conhecimento.
Segundo Nérici (1981, p. 350) “o estudo do meio representa o estudo dos diversos
conjuntos significativos da natureza e da sociedade, que interessam à vida do educando, a fim
de torná-lo mais consciente da realidade que o envolve e da qual tem de participar”.
Sendo assim, esse encontro entre o aluno e o meio favorece a descoberta ou
constatação de assuntos abordados inicialmente na teoria, mas que podem ser observados,
analisados e questionados, tendo como base o cenário real, contribuindo assim com a
construção do conhecimento. Essas atividades possibilitam também a interação entre alunos,
professores, comunidade local, sendo, portanto, um aprendizado não só escolar, mas pessoal e
social.
O estudo do meio por tratar-se de uma atividade que possibilita o envolvimento de
diversas disciplinas como geografia, história, ciências naturais etc precisa ser bem articulado
entre os professores, sendo necessário um adequado planejamento, realização e avaliação.
Desta forma, Haydt (2003) salienta que é importante ter objetivos bem definidos, deixando
claro aos alunos a razão pela qual foi escolhido aquele destino, os aspectos que serão
analisados e como os alunos serão avaliados.
Ao final de cada atividade de campo, é essencial que o professor encontre propostas
para que os alunos organizem as informações obtidas, sistematizando interpretações, teorias,
dados, materiais e propostas para problemas detectados, atribuindo a esse trabalho uma
função social, como conhecimentos que possam ser socializados e compartilhados com outras
pessoas.
No processo de avaliação, o aluno poderá apresentar os dados de diferentes maneiras
de expressão com o objetivo de descrever o que foi observado e estudado, sendo por meio de
apresentação de peça teatral, elaboração de jornal, contendo fotos e relatos dos moradores
entrevistados, painel de discussão, etc, possibilitando que os professores realizam uma
avaliação adequada. Krasilchik salienta que “A avaliação dá ao professor informações sobre o
seu ensino, permintindo identificar onde seu trabalho deixou de dar resultados esperados,
como e onde os estudantes tiveram dificuldade, permitindo que falhas possam ser reparadas".
(KRASILCHIK, 2002, p.168).
Assim, entende-se que estudar o meio possibilita que o aluno traga para o debate as
observações vivenciadas, ampliando os seus conhecimentos. Por exemplo, quando a
professora pede que o aluno entreviste o carteiro do seu bairro ou seus familiares, ao
compartilhar as respostas com os colegas, ele está inserindo a sua realidade em sala de aula,
26
pois todos, juntamente com a professora, elaboram as questões, baseadas na teoria,
e
transpõem os muros escolares para obter as respostas, utilizando-se do saber fazer,
correlacionando, assim, a teoria com a prática. Nesse sentido, Veiga ressalta que:
No processo escolar, o pedagógico e o social necessitam ser trabalhados de
forma interativa para não se incorrer na negação do próprio ato educativo. O
tratamento simultâneo do pedagógico e do social exige o emprego de uma
metodologia processual-dialética em todo o continuum do processo
educativo. (VEIGA, 2006, P. 47).
Haydt (1999) evidencia que a escola, que utiliza o estudo do meio como método
pedagógico, deve apresentar diretrizes e condições por meio das quais os alunos possam
entrar em contato com a realidade, tanto circundante como mais distante, promovendo o
estudo do meio de forma direta, objetiva e ordenada, propiciando, assim, a aquisição de
conhecimentos geográficos, históricos, econômicos, sociais, políticos, científicos, artísticos.
Esse recurso pedagógico possibilita que o aluno desenvolva habilidades como observar,
pesquisar, entrevistar, organizar e sistematizar os dados coletados para, assim, analisá-los e
tirar suas próprias conclusões, utilizando-se de diferentes formas de expressão para descrever
o que foi observado e estudado, sendo assim:
[...] pedagogos e professores de disciplinas específicas continuam a
conceituar o Estudo do Meio como técnica ou um conjunto de técnicas, no
entanto, ele somente atingirá os objetivos para uma possível transformação
se for utilizado como método, superando conhecimentos puramente
escolares, levando aluno e professor a um compromisso com a sociedade e
suas transformações e mesmo despertando a consciência de não utilizar o
Estudo do Meio somente como forma de consumo das informações,
considerando as pessoas como objeto, mas como sujeitos que em suas
diferenças podem crescer mutuamente, podem trocar, podem ensinar e
aprender. (PONTUSCHKA, 1994, p. 173).
Para Giaretta o estudo do meio é:
[...] um método de ensino que estabelece uma relação entre teoria e prática,
utilizando um objeto de estudo para que o aluno possa continuar o processo
de aprendizado, iniciado em sala de aula. (GIARETTA, 2003, p. 45).
Portanto, entende-se que o foco principal das atividades, que têm como propósito
estudar o meio, contribui com as necessidades de aprendizagem do aluno, sendo essencial que
os professores conheçam o perfil do grupo, bem como os conteúdos que serão ministrados no
curso durante o ano letivo, para assim optarem pelo melhor destino, levando em consideração
27
aspectos pedagógicos, organizacionais e financeiros. Nesse sentido, o coordenador
pedagógico pode contar com o auxílio de agências de viagens especializadas, pois estas
conhecem os serviços e infra-estrutura adequadas para melhor atendê-los.
1.4 A inserção do estudo do meio nos Paramêtros Curriculares Nacionais
A educação tem papel primordial no desenvolvimento das pessoas, pois nela está
contida a possibilidade de transformar alunos em profissionais atuantes, que farão parte de um
mercado globalizado exigindo, cada vez mais, jovens capazes de adaptar a era da tecnologia,
competitividade e avanços científicos. Com base nesse contexto, as escolas, procurando
atender as necessidades educacionais e humanísticas dos alunos, precisaram adequar-se,
utilizando o planejamento educacional e curricular, como referência. Nesse sentido, foram
elaborados os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs - para orientar os educadores, sendo
que estes parâmetros “procuram, de um lado, respeitar diversidades regionais, culturais,
políticas existentes no país e, de outro, considerar a necessidade de construir referências
nacionais, comuns ao processo educativo em todas as regiões brasileiras” (BRASIL, 1998, p.
5). Sendo assim, a escola é um dos locais onde o jovem tem condições de ter acesso ao
conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários ao
exercício de cidadania.
Os PCNs foram elaborados, coletivamente, por grande número de pedagogos e
publicados no final do século XX pelo MEC – Ministério da Educação. Seu objetivo é servir
como referência para o trabalho das escolas de ensino fundamental e médio da rede pública.
No entanto, muitas escolas da rede particular também os utilizam. Desta forma, estes
documentos têm de estar atualizados, correspondendo às necessidades educacionais referentes
aos conteúdos e técnicas, seja em função de avanços da ciência acadêmica, seja por vontade
de reformular os métodos de ensino, tendo como contribuição “ampliar e aprofundar um
debate que envolva escolas, pais, governos e sociedade e dê origem a uma transformação
positiva no sistema educativo brasileiro” (BRASIL, 1998, p. 5).
Os PCNs orientam de que maneira os alunos podem ser capazes de compreender os
seus direitos e deveres perante a sociedade, utilizando-se do diálogo como forma de mediar
conflitos, conhecer não só o Brasil, mas diferentes dimensões de seu patrimônio sócio-cultural
e ambiental, como também outros povos e nações, reconhecendo-se como cidadão e
28
utilizando-se de diferentes linguagens, informações e recursos tecnológicos, como meios para
produzir, expressar e comunicar suas idéias e construir conhecimentos. Seguem os objetivos
que estão contemplados nos PCNs do ensino fundamental do terceiro e quarto ciclos:
• compreender a cidadania como participação social e política, assim como
exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no diaa-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças,
respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito;
• posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes
situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e
de tomar decisões coletivas;
• conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais,
materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção
de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao país;
• conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro,
bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações,
posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças
culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras
características individuais e sociais;
• perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente,
identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo
ativamente para a melhoria do meio ambiente;
• desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de
confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de
inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na
busca de conhecimento e no exercício da cidadania;
• conhecer o próprio corpo e dele cuidar, valorizando e adotando hábitos
saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo
com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva;
• utilizar as diferentes linguagens — verbal, musical, matemática, gráfica,
plástica e corporal — como meio para produzir, expressar e comunicar
suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos
públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de
comunicação;
• saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para
adquirir e construir conhecimentos;
• questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los,
utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a
capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando
sua adequação. (BRASIL, 1998, p. 7-8).
29
Percebe-se que os objetivos agora englobam aspectos formativos e não apenas
informativos, onde os alunos estão inseridos não somente em questões pedagógicas, mas
também no que se refere aos aspectos psicológicos, valorizando, assim, a participação do
estudante no processo de aprendizagem. Nesse sentido, os educadores elaboraram os PCNs do
terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental, como demonstrado na figura 1, contemplando
as seguintes disciplinas: língua portuguesa, matemática, ciências naturais, história, geografia,
arte, educação física e língua estrangeira, matérias que são subdivididas em diferentes eixos
temáticos, devendo ser flexíveis, pois:
[...] não representam um programa de curso e tampouco uma proposta
curricular a ser seguida de forma dogmática. Eles representam subsídios
teóricos que devem ser entendidos como ponto de partida, e não de chegada,
para o professor trabalhar os conteúdos no ensino fundamental. (BRASIL –
geografia, 1998, p. 37).
Os PCNs contemplam as atividades de campo como o estudo do meio, tanto nas
disciplinas tradicionais, como nos temas transversais, desde que sejam articulados às
atividades de classe. Neles estão contidos eixos temáticos que têm como função nortear e dar
diretrizes ao planejamento pedagógico do professor, permitindo a seleção e a organização de
conteúdos, conforme as especificidades da disciplina e dos objetivos pedagógicos. Já os temas
emergentes, denominados de temas transversais (Ética, Pluralidade Cultural, Trabalho e
Consumo, Saúde, Orientação Sexual, Meio Ambiente) também estão contemplados nos PCNs
e merecem especial atenção do professor, pois possibilitam a formação integral do aluno,
além de garantir a interdisciplinaridade no currículo das escolas. É importante ressaltar que os
assuntos transversais podem e devem ser abordados em todas as disciplinas, bem como nas
atividades práticas.
Os educadores que elaboraram os PCNs validaram o estudo do meio como um
importante recurso didático. No entanto, ressaltaram que essa atividade deve, ter como
princípio, ampliar o conhecimento do aluno referente a sua identidade enquanto aluno e
cidadão, tanto na esfera local quanto global, articulando, assim, capacidades como
observação, reflexão, comparação, discussão e análise de assuntos pertinentes aos fatores
naturais, sociais, econômicos e políticos dos quais faz parte. Nérici enfatiza que:
O estudo do meio se presta para trabalhos de alto valor informativo e
formativo para o educando, principalmente pelo seu aspecto integrativo, uma
vez que um mesmo fato do meio pode ser estudado por todas ou quase todas
as disciplinas de um currículo, o que torna os estudos mais ricos e
significativos. (NÉRICI, 1981, p. 351).
30
Figura 1: Estrutura dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental
Fonte: Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais. Secretaria de
Educação Fundamental. Brasília, 1998
Portanto, o estudo do meio, por se tratar de uma atividade interdisciplinar e por
viabilizar a articulaçao de disciplinas, propicia ao aluno que ele aprenda conceitos teóricos em
sala de aula e depois tenha possibilidade de vivência-los.
Podemos identificar, por exemplo, que na disciplina de Ciências Naturais os assuntos
referentes à relação entre homem e natureza, contribuem para o desenvolvimento de uma
consciência social e planetária, tendo quatro eixos temáticos: Terra e Universo, Vida e
Ambiente, Ser Humano e Saúde, Tecnologia e Sociedade, culminando em conhecimento
maior sobre a vida e sobre sua condição singular na natureza, permitindo ao aluno se
posicionar acerca de questões polêmicas, dentre as quais os desmatamentos, acúmulo de
poluentes, etc. bem como, aspectos que tangem à herança biológica, como as condições
31
culturais, sociais e afetivas, contribuindo para a percepção da sua integridade pessoal e na
formação da sua auto-estima.
Por exemplo, nas Ciências Naturais os objetivos propostos envolvem visitas a
ambientes naturais, áreas de preservação ou conservação, áreas de plantações, ambientes
industriais e comerciais, entre outros locais, podendo ser realizadas nas proximidades da
escola ou em locais mais distantes. O importante é fazer com que o aluno reflita sobre os
aspectos ambientais e sócio-culturais dos quais faz parte e que essas atividades estejam
contempladas nos planos de ensino e que sejam adequadamente planejadas. Assim:
O desenvolvimento de atividades em espaços com essas características traz a
vantagem de possibilitar ao estudante a percepção de que fenômenos e
processos naturais estão presentes no ambiente como um todo, não apenas
no que ingenuamente é chamado de natureza.. Além disso, possibilitam
explorar aspectos relacionados com os impactos provocados pela ação
humana nos ambientes e sua interação com o trabalho produtivo e projetos
sociais. (BRASIL – Ciências Naturais, 1998, p.126).
Um dos objetivos principais das Ciências Naturais é propiciar condições ao aluno
vivenciar o que se denomina método científico, ou seja, a partir de observações, levantar
hipóteses e testá-las, pois se acredita que a investigação mais ampla garante melhor
aprendizagem dos conhecimentos científicos. Sendo assim, o trabalho de campo é
fundamental, pois além de ser articulado com as atividades de classe, contempla desde visitas
planejadas a ambientes naturais, como áreas de preservação, conservação, áreas de produção
primária (plantações) e industrial, até a praça próxima à escola. Esse planejamento dependerá
de como está inserido no plano de ensino do professor.
Os PCNs, que abordam os aspectos referentes à disciplina de Geografia, apresentam
assuntos relacionados à compreensão de diferentes sociedades que interagem com a natureza
na construção de seu espaço, bem como à área do conhecimento comprometida em tornar o
mundo compreensível para os alunos, explicável e passível de transformações, valorizando os
aspectos socioambientais que caracterizam seu patrimônio cultural e ambiental.
O estudo do meio é um recurso didático muito utilizado nesta disciplina, tendo
interface com outras disciplinas como história, ciências naturais, artes etc. Esta
interdisciplinaridade possibilita ao aluno aprender a trabalhar recortes temporais e espaciais
de forma local e global, observando, conhecendo, explicando, comparando e representando as
características do lugar em que vive e de diferentes paisagens e espaços geográficos com sua
historicidade. Entretanto, “sem perder de vista as especificidades de cada uma das áreas, o
32
professor pode aproveitar o que há em comum para tratar um mesmo assunto sob vários
ângulos” (BRASIL – geografia, 1998, p. 53).
Na disciplina de História, o aluno tem a possibilidade de refletir de forma geral noções
de diferença, semelhança, transformação e permanência entre nações, adquirindo novos
domínios cognitivos, possibilitando melhor conhecimento sobre si, seu grupo, sua região, seu
país, o mundo, bem como práticas sociais, culturais, políticas e econômicas construídas por
diferentes povos. As atividades escolares com essas noções também evidenciam para o aluno
as dimensões da História, entendida como conhecimento, experiência e prática social,
fortalecendo os laços de identidade com o presente, e com gerações passadas refletindo em
um melhor entendimento do presente. (BRASIL – história, 1998).
Um dos objetivos desta disciplina é conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes
grupos, em diversos tempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas
e
sociais,
reconhecendo
semelhanças
e
diferenças
entre
eles,
continuidades
e
descontinuidades, conflitos e contradições sociais. Assim, deve contribuir para a formação do
estudante como cidadão, possibilitando a sua participação social, política e atitudes críticas
diante da realidade atual, aprendendo a discernir os limites e as possibilidades de sua atuação,
na permanência ou na transformação da realidade histórica na qual se insere (BRASIL –
história, 1998).
O estudo do meio também é parte integrante desta disciplina como recurso didático,
pois propicia contatos diretos com documentos e locais históricos, incentivando os estudantes
a construírem suas próprias observações, especulações, indagações, explicações e sínteses
para questões históricas, como, por exemplo, sobre a preservação do patrimônio histórico
cultural da localidade onde vivem.
É no local, conhecendo pessoalmente casas, ruas, obras de arte, campos
cultivados, aglomerações urbanas, conversando com os moradores das
cidades ou do campo, que os alunos se sensibilizam para as fontes de
pesquisa histórica, isto é, para os .materiais. sobre os quais os especialistas
se debruçam na interpretação de como seria a vida em outros tempos, como
se dão as relações entre os homens na sociedade de hoje, como o passado
permanece no presente ou como são organizados os espaços urbanos ou
rurais. O estudo do meio é, então, um recurso pedagógico privilegiado, já
que possibilita aos estudantes adquirirem, progressivamente, o olhar
indagador sobre o mundo. (BRASIL – história, 1998, p. 94).
33
Portanto, os alunos além de identificarem significações pessoais com as atividades,
têm a possibilidade de enxergar a si próprios como sujeitos participativos e compromissados
com a História e com as realidades presente e futura.
Desta forma, os PCNs ressaltam que o estudo do meio não se relaciona à simples
aquisição de informações fora da sala de aula ou a simples constatação de conhecimentos já
encontrados em fontes bibliográficas ou periódicos científicos, pois trata-se de uma atividade
realizada in loco na paisagem humana e geográfica que tem, como princípio, instigar o aluno
ao aprendizado, pois é um recurso didático que:
[...] envolve uma metodologia de pesquisa e de organização de novos
conhecimentos, que requer atividades anteriores à visita, levantamento de
questões a serem investigadas, seleção de informações, observação de
campo, confrontação entre os dados levantados e os conhecimentos já
organizados por pesquisadores, interpretação, organização de dados e
conclusões. Possibilita o reconhecimento da interdisciplinaridade e de que a
apreensão do conhecimento histórico ocorre na relação que estabelece com
outros conhecimentos físicos, biológicos, geográficos, artísticos. (BRASIL –
história, 1998, p. 93).
Nesse sentido, os educadores, que elaboraram o PCNs de História, tiveram a
preocupação em apresentar sugestões de metodologias de trabalho na organização de estudos
do meio que norteiam o trabalho dos professores, sendo eles:
• criar atividades anteriores à saída, que envolvam levantamento de
hipóteses e de expectativas prévias;
• criar atividades de pesquisa, destacando diferentes abordagens,
interpretações e autores (reportagens, jornais, enciclopédias, livros
especializados, filmes) sobre o local a ser visitado. Existem propostas de
estudo do meio que sugerem que as pesquisas sejam desenvolvidas após o
estudo de campo. Nesse caso, o professor pode experimentar e avaliar
diferentes alternativas metodológicas;
• se possível, integrar várias áreas, permitindo investigações mais
conjunturais dos locais a serem visitados que incluam, por exemplo,
pesquisas geográficas, históricas, biológicas, ambientais, urbanísticas,
literárias, hábitos e costumes, estilos artísticos, culinária, etc;
• antes de realizar a atividade, solicitar que os alunos organizem, em forma
de textos ou desenhos, as informações que já dominam, para que
subsidiem as hipóteses e as indagações, no local;
• se possível, conseguir um ou mais especialistas para conversar com os
alunos sobre o que irão encontrar na visita ou sobre o tema estudado.
Como no caso da pesquisa, a conversa com o especialista pode ser
posterior ao estudo de campo;
34
• o professor deve visitar o local com antecedência, para que possa ser,
também, informante e guia ao longo dos trabalhos;
• organizar, junto com os alunos, um roteiro de pesquisa, um mapa do local
e uma divisão de tarefas;
• conseguir com antecedência ou posteriormente, para estudo em classe,
mapas de várias épocas sobre o local, para análise da transformação da
paisagem e da ocupação humana;
• conversar com os alunos antes da excursão sobre condutas necessárias no
local, como, por exemplo, interferências prejudiciais aos patrimônios
ambientais, históricos, artísticos ou arqueológicos. (BRASIL – história,
1998, p. 94-95).
Contudo, tanto as disciplinas citadas quanto, as de Arte, Educação Física, Língua
Portuguesa e Estrangeira podem estar presentes em atividades que contemplam o estudo do
meio. Como exemplo, atividades ligadas às linguagens artísticas, contemplando as artes
visuais, a música, o teatro e a dança podendo, assim, colaborar no processo de avaliação da
visita, ou seja, o professor de arte instiga os alunos a apresentarem peças teatrais, refletindo o
que foi observado e o conhecimento adquirido durante o estudo. Pode-se, também, se utilizar
dos temas transversais para agregar valor a essas atividades. Nesse sentido, o professor de
Educação Física pode orientar os alunos em assuntos que englobam a ética, pluralidade
cultural, trabalho e consumo, saúde e meio ambiente, pois o aluno, ao fazer a visita ou
viagem, estará distante do seu núcleo familiar, devendo saber como se portar perante os seus
colegas, professores e comunidade local.
1.5 A inserção do estudo do meio no planejamento pedagógico
Como apresentado anteriormente, os PCNs são utilizados como referência na
elaboração do projeto educativo da escola, articulando e contribuindo no processo de
planejamento educacional, curricular, de ensino, plano de curso e plano de aula.
De acordo com Turra et al. (1995, p. 16), o planejamento educacional “constitui a
abordagem racional e científica dos problemas da educação, evolvendo o aprimoramento
gradual de conceitos e meios de análise, visando a estudar a eficiência e a produtividade do
sistema educacional, em seus múltiplos aspectos”. Assim, é fundamental que os professores
conheçam a política de educação e os projetos educacionais que fazem parte do sistema
35
educacional, pois é a partir do conhecimento global que será possível fazer um adequado
planejamento curricular, ou seja, o currículo de hoje deve ser funcional, sendo necessário:
[...] promover não só a aprendizagem de conteúdo e habilidades específicas,
mas também fornecer condições, favoráveis à aplicação e integração desses
conhecimentos.
Este planejamento é relativo à escola. Através dele são estabelecidas as
linhas-mestras que norteiam todo o trabalho.
O planejamento curricular deve refletir os melhores meios de cultivar o
desenvolvimento da ação escolar, envolvendo, sempre, todos os elementos
participantes do processo. (TURRA et al., 1995, p. 17-18).
Sendo assim, é a partir de um adequado planejamento curricular que os educadores
terão subsídios para fazer um plano de ensino mais funcional, indicando, assim, atividade
direcional, metódica e sistematizada que será empreendida pelo professor junto a seus alunos,
em busca de propósitos definidos. É importante que esse plano seja feito anualmente ou
semestralmente.
O plano de ensino pode abranger três tipos: o plano de curso, o plano de unidade e o
plano de aula. Turra et al., definem o plano de curso como:
[...] um instrumento de trabalho, amplo, genérico, sintético, que serve de
marco de referência às operações de ensino-aprendizagem que se
desencadearão durante o curso, derivadas dos fins a serem alcançados. Pode
referir-se a uma disciplina, ou a uma área de estudo, em particular
considerando, entretanto, o relacionamento que deve existir entre várias
disciplinas, ou áreas de estudo, no sentido de manter a integração do
conhecimento como um todo. (TURRA et al., 1995, p. 235-236).
Já o plano de unidade ou unidade de ensino é um documento mais específico e
analítico das tarefas que serão realizadas em um determinado período de tempo, comparado
ao plano de curso, pois:
[...] enquanto o plano de curso oferece uma descrição geral, uma visão
panorâmica, dos meios de ensino que serão utilizados para o alcance dos
objetivos gerais do curso, o plano de unidade procura reunir, num todo
organizado, mais específico, temas ou conteúdos listados no plano de curso,
que guardem uma estrutura intima, isto é, que se inter-relacionem e se
complementem, compondo um conjunto mais facilmente compreensível,
devido a sua significação. (TURRA et al., 1995, p. 248).
O mesmo autor ressalta que o plano de aula é um instrumento de trabalho que
sistematiza os objetivos, conteúdos, procedimentos, cronograma e recursos que serão
36
utilizados para a realização de uma atividade com o propósito de organizar as atividades que
se desenvolvem entre professor e aluno, numa dinâmica de ensino-aprendizagem.
Sendo assim, para que os resultados das atividades referentes ao estudo do meio sejam
positivos, é necessário que estejam atrelados aos conteúdos curriculares e que tenham suas
propostas contidas nos PCNs, além de serem previamente discutidas as melhores
possibilidades para serem inseridas nos planos de ensino, plano de curso e que tenha um plano
de unidade para ser organizado de forma sistematizada e coerente. Para isso, é importante que
se realizem três etapas fundamentais para o êxito dessas atividades de campo que são:
planejamento, desenvolvimento e avaliação.
Além dos diversos instrumentos utilizados pela escola como: planejamento
educacional e curricular; o plano de ensino, de curso, de unidade e de aula, constatou-se a
necessidade de elaborar um instrumento denominado plano de estudo do meio16, tendo, como
referência, as informações contidas no plano de aula elaborado por Turra et al. (1995, p. 257).
ver Quadro 1.
O objetivo desse instrumento é ter melhor visibilidade da proposta direcionada às
atividades de campo, seja em uma visita ou viagem. As informações contidas são as
seguintes: dados de identificação (curso, turma, disciplina, professores responsáveis,
semestre), tema central, local e duração da viagem; objetivos, conteúdos, procedimentos,
recursos e avaliação.
No campo que se refere aos dados de identificação constam as informações específicas
da escola como disciplinas envolvidas, professores responsáveis, turma, semestre etc. Já no
campo, que enfatiza os dados do estudo do meio, encontram-se o assunto central, o local, a
duração da viagem. Também podem-se identificar os dados da agência de viagens
responsável, como nome, guia de turismo, telefone, site e e-mail. Os dados mais específicos
são as datas, os locais que serão visitados, os objetivos de cada atividade, o cronograma
diário, contendo o período que os estudantes ficarão em cada local, os conteúdos que serão
ministrados pelos professores, os recursos utilizados e de que maneira serão avaliados. Assim,
pretende-se que as informações contidas nessa ficha facilite a organizaçao da viagem
auxiliando os professores e a agência de turismo em todo o seu processo.
O estudo do meio, muitas vezes, além de ser planejado e avaliado pelos orientadores
educacionais e professores, é também por eles realizado, ou seja, o processo de contato com o
16
As informações contidas no plano de estudo do meio referem-se a visita realizada com a Escola Carandá ao
Assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e a registros (textos e filme)
pesquisados pela autora sobre a reforma agrária no Brasil.
37
Quadro 1 – Escola: Plano de visitas técnicas e viagens de estudos do meio – Visita ao Assentamento do MST
Fonte: Roberta Monteiro. Quadro adaptado do plano de unidade elaborado por Turra et al., 1995, p. 257
39
destino a ser visitado é feito pela escola, sendo que poderia ser realizado por profissionais
especializados, principalmente na organização e realização das viagens de estudos do meio,
como veremos no próximo capítulo.
1.6 Principais questões identificadas para pesquisa
A partir dos aspectos analisados neste capítulo, podem ser destacadas algumas
questões a serem investigadas no estudo das relações entre as escolas e as agências de
viagens.
Em primeiro lugar, considera-se relevante identificar quais as diferenças de tratamento
do estudo do meio nas escolas, conforme variam suas propostas pedagógicas. Do ponto de
vista das agências especializadas em turismo pedagógico, qual seria o grau de compreensão
sobre esta possível influência da proposta pedagógica sobre as necessidades da escola para a
formatação do estudo do meio? Como decorreria a comunicação entre as escolas e as
agências, sobre este tema, que pode parecer complexo para não especialistas no assunto
No que diz respeito aos Parâmetros Curriculares, as escolas estariam tratando o estudo
do meio em conformidade com tais Parâmetros? Tais orientações estariam sendo discutidas
entre as escolas e as agências, no planejamento conjunto do estudo do meio?
Em relação ao método de planejamento pedagógico, as estruturas dos planos de aula,
ou das unidades de aprendizagem, estariam sendo contempladas pela agência como base para
a formatação da viagem de estudo do meio, para a elaboração do roteiro turístico?
Estas e outras questões oriundas da reflexão teórica estão consolidadas no roteiro da
pesquisa de campo.
40
CAPÍTULO 2 - AGÊNCIAS DE VIAGENS E TURISMO PEDAGÓGICO
2.1 Breve caracterização das agências de viagens
Os aspectos históricos relacionados ao surgimento das agências de viagens e turismo
remetem ao século XVIII e, segundo Acerenza (2003), especificamente no ano de 1670, teve
início um fenômeno chamado grand tour, onde jovens da nobreza e da classe média
realizavam viagens ao redor do mundo, com duração média de três anos, com o objetivo de
complementar os conhecimentos teóricos e obter experiência prática. Este tipo de viagem
costumava ser destinada para os jovens que iriam assumir os negócios da família, ou ingressar
na carreira política. Apesar de o principal objetivo do grand tour ter sido ligado diretamente
aos aspectos culturais e educacionais, os jovens dedicavam-se, também, aos prazeres do local
visitado, desfrutando de atividades de lazer nesse período.
No período que se inicia no século 16 e chega até quase meados do século 19
é que se estabelecem as bases do turismo moderno. Durante este período,
origina-se o denominado grand tour, do qual se deriva posteriormente o
termo turismo, e é nessa época que começam a se desenvolver os centros de
férias, muitos dos quais perduram, como é o caso concreto de Bath, na
Inglaterra. (ACERENZA, 2003, p. 64-65).
Somente em meados do século XIX a organização profissional das viagens começou a
ter destaque, pois até então o turismo não se configurava como importante fenômeno social e
econômico como veremos em alguns relatos de renomados autores.
Rejowski e Perussi (2008) abordam alguns aspectos evolutivos importantes sobre o
cenário das agências de viagens no mundo e no Brasil. É importante salientar que, apesar da
prestação de serviços a viajantes ter ocorrido nos tempos antigos de forma espontânea, foi em
meados do século XIX que surgiram registros na literatura ocidental, inicialmente na Europa e
depois na América do Norte, sobre essa temática.
O primeiro agente a registrar os passageiros em embarcações de navios a vapor para
alguns portos do Canal de Bristol, Inglaterra e para Dublin, Irlanda, foi Robert Smart, no ano
de 1822. Em 1840, surge a agência de viagens “Abreu Turismo” sediada na cidade do Porto,
tendo como idealizador Bernardo de Abreu. Os serviços oferecidos eram passagens de trem
de Lisboa para Porto e de navio para América do Sul. Essa agência foi referência também no
41
Brasil, pois possibilitou a vinda de muitos imigrantes ao providenciar a documentação
necessária exigida na época (REJOWSKI & PERUSSI, 2008).
O inglês Thomas Bennett, cônsul-geral da Inglaterra em Oslo, destacou-se pela criação
de pacotes turísticos individuais. Ele organizava passeios pela Noruega para visitantes
ingleses. Dessa experiência surgiu, em 1850, a agência de viagens, que oferecia transporte e
hospedagem. Em 1863, Stangen fundou a primeira agência de viagens na Alemanha. Já na
Itália o nome de destaque foi Massimiliano Chiari que, em 1871, abriu em Milão uma agência
para recepcionar turistas estrangeiros. Na França, a primeira agência de viagens foi fundada
por Alphonse Lubin, em 1873, na cidade de Lyon (REJOWSKI; PERUSSI, 2008).
No ano de 1876, a agência La Compagnie dés Wagon-Lits foi fundada na
Bélgica, com foco na comercialização de bilhetes ferroviários europeus. Essa
empresa obteve tal crescimento que, em 1890, contava com 160 escritórios
espalhados pela Europa e Norte da África. A empresa consolidou-se a partir
de 1925, com a abertura do primeiro “Palácio da Viagem” em Paris,
oferecendo serviços turísticos principalmente para viajante de negócios
(CHOI apud REJOWSKI; PERUSSI, 2008, p. 5).
No continente americano, em 1889, situada em Saint Augustine, Flórida, surge a
primeira agência de viagem “Ask Mr. Foster”. Em 1979, a empresa foi adquirida pela
“Carlson”, mas foi somente em 1990 que o nome “Ask Mr. Foster” foi retirado do mercado.
Rejowski salienta que:
Apesar da American Express ter sido fundada em 1850, antes da Ask Mr.
Foster, a sua atuação era no transporte expresso de valores, documentos e
encomendas. Somente em 1890 vinculou-se ao turismo, a partir do
crescimento dos seus negócios em Paris e Londres onde dava assistência a
turistas americanos. (REJOWSKI, 2002, p. 55).
Um nome de grande destaque e referência na área de Turismo é o de Tomas Cook que
não poderia faltar nessa breve descrição sobre o tema, pois ele é considerado o primeiro
agente de viagem profissional, sendo um homem empreendedor e visionário. Sua atividade
teve inicio com o planejamento e realização de uma viagem para cerca de 570 pessoas de
Leicester a Lougborugh, cujo principal objetivo era a participação em um Congresso
Antialcoólico que aconteceu em 5 de julho de 1841. Cook fretou um trem e, por apenas um
shilling, muitos tiveram a oportunidade de viajar. O caráter dessa viagem era filantrópico, mas
como Cook tinha a mente preparada e o espírito aberto, percebeu que este segmento poderia
ser comercialmente explorado. Dessa lacuna, encontrada no mercado, nasceu em 1851 a
42
“Thomas Cook & Son”, em Leicester. A cidade escolhida para sediar a filial foi Londres, em
1865, tendo como gestor o filho, John Mason Cook.
Rejowski e Perussi (2008) mencionam que no ano de 1891, mais de 30 mil bilhetes
haviam sido vendidos pela agência “Cook” e 1,8 milhões de milhas de estradas de ferro, rios e
oceanos foram percorridos. Em 1892, ano do falecimento de Thomas Cook, sua empresa
possuía 84 escritórios e 85 agências ao redor do mundo, empregando cerca de 1.700 pessoas e
sendo considerada a mais importante da época.
A maior contribuição de Cook para o turismo está, sem dúvida, na
introdução do conceito da excursão organizada nessa atividade, conhecida
hoje com o nome de pacote turístico, pois permitiu que uma grande massa da
população tivesse acesso às viagens de férias. (ACERENZA, 2002, p. 73).
Em 1878, havia um total de 250 agências de turismo no mundo. O mercado teve de se
organizar e se preparar para atender às necessidades daqueles que queriam viajar, surgindo,
então, várias entidades ligadas ao setor. Esse crescimento provocou a criação , em 1919, da
International Federation of Travel Agencies (IFTA – Federação Internacional das Agências
de Viagens). Com o passar do tempo as agências de viagens foram se aprimorando para
atender várias necessidades dos consumidores. Na Europa, em 1925, surgiram as agências
especializadas em excursões rodoviárias. Em 1928, surgiram as primeiras operadoras
turísticas (atacadistas) nos Estados Unidos, organizando os tours e utilizando as agências de
viagens como intermediadoras para a venda dos produtos.
Na década de 1930, as classes burguesa e média, buscando viajar em pacotes de férias,
optavam por realizar viagens com grupos em automóveis e ônibus, lembrando que o boom das
viagens aéreas só aconteceu em 1950, ocasionando o turismo massivo.
Cinco anos após o término da Segunda Guerra Mundial, eclode o turismo
massivo, com visitas organizadas para a clientela de poder aquisitivo regular.
Nessa época, ressurgem as operadoras turísticas, responsáveis diretas pelo
fenômeno da massificação do turismo, desenvolvendo o conceito de produto
turístico aliado aos pacotes de viagens (package tours) e as vôos charters.
(REJOWSKI; PERUSSI, 2008, p. 6).
Em 1957, a companhia britânica “Horizon” foi pioneira em oferecer pacotes de férias,
promovendo viagens para Córsega com hospedagem e transporte. Com a eclosão do turismo
massivo, houve crescimento e desenvolvimento das companhias aéreas, maior integração e
expansão das operadoras e agências de viagens, surgimento de técnicas de marketing e
43
avanços tecnológicos, ocasionando desta forma, consumidores mais exigentes e produtos
turísticos diferenciados e, portanto, mercado mais competitivo17.
No Brasil, durante muito tempo o transporte utilizado entre continentes foi o navio que
levava brasileiros à Europa e trazia imigrantes, havendo empresas especializadas para atender
esse púbico.
Em 1904, Charles Miller, o introdutor do futebol no Brasil, assumiu a
empresa que havia sido fundada por seu tio em 1880; a empresa passa a
ostentar o seu sobrenome e a representar a Royal Mail Lines (conhecida
como Mala Real Inglesa), cujos navios levaram muitos brasileiros para a
Europa e trouxeram muitos imigrantes para o Brasil. (REJOWSKI;
PERUSSI, 2008 p. 8).
Apesar de, em 1919, a “Exprinter” (Expresso Internacional) já realizar atividades na
cidade de Porto Alegre e a “Wagon-Lits”, em 1936, na cidade de São Paulo, eram filiais de
empresas sediadas em outros países, sendo que somente em 1943 surgiu a primeira agência de
viagens realmente brasileira.
A primeira agência de viagens eminentemente brasileira foi fundada no ano
de 1943 – a Agência Geral de Turismo [...]. Na época São Paulo tinha menos
de dois milhões de habitantes, não havia grandes redes hoteleiras e nem a
aviação comercial estava desenvolvida no Brasil. Mas havia uma procura
relevante de turismo marítimo para viagens nacionais e internacionais. A
Agência Geral começou criando excursões de ônibus, e [...] lançou o
primeiro Carnaval Aéreo para o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que eram
feitas reservas de hotéis nas estâncias balneárias (cura de 21 dias)
(REJOWSKI, 2001, p. 38).
Ainda segundo Rejowski (2001), as agências de viagens começaram a crescer
consideravelmente no Brasil, entre o ano de 1947 e 1950, tanto assim, que em 1956 foi
fundado o Sindicato das Empresas de Turismo do Estado de São Paulo. Em 1959, surgiu a
Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) ano em que foi criada também sua
Delegacia Regional de São Paulo. Com base nesse cenário, o setor teve que se organizar e se
profissionalizar, surgindo assim órgãos públicos e privados.
Outra importante colaboração para o amadurecimento do setor foi o interesse de
diversos estudiosos de diferentes países e áreas do saber, em pesquisar os aspectos sociais,
17
Esse progresso perdura até os dias atuais, levando em consideração principalmente as necessidades e
desejos dos consumidores.
44
culturais, ambientais e econômicos ocasionados pelo Turismo, levando em consideração, não
somente o papel do turista, como também, do anfitrião, fomentando discussões e análises
sobre o tema.
2.2 Os serviços prestados pelas agências de viagens
Sabe-se que as agências de turismo fazem parte do setor terciário da economia e têm
como função intermediar as empresas turísticas e o consumidor final. Para a realização de tal
atividade, é necessário conhecimento de mercado, desde os meios de hospedagem ofertados
no destino, até os atrativos naturais e culturais oferecidos no local, perpassando pelo
transporte, alimentação, aluguel de carro, valor de ingressos em eventos, bem como clima,
cultura, geografia, economia, hábitos, costumes etc.
Para tanto, é importante que a agência de turismo analise as oportunidades e ameaças
que envolvem a cidade, ao montar um pacote turístico, pois a partir desse estudo, terá visão
ampla sobre os problemas que o turista irá encontrar, podendo assim alertá-lo e orientá-lo
sobre as precauções necessárias para minimizar os percalços. Com o objetivo de atender o
cliente de maneira satisfatória é importante que a agência de turismo conheça as necessidades
e motivações do consumidor, pois assim terá subsídios para pesquisar, classificar e filtrar as
melhores opções e condições, assessorando-o e orientando-o. Com tais informações, terá base
para oferecer destinos que atendam as necessidades e desejos deste consumidor. Para que isso
ocorra, é importante que o agente de viagem analise tanto o perfil do cliente, como também,
os seus medos, limitações, desejos etc.
Os serviços oferecidos pelas agências de turismo são diversos, merecendo destaque a
montagem de pacotes turísticos; elaboração de roteiros turísticos, organização de viagens
individuais ou coletivas para diferentes públicos, inclusive roteiros personalizados
denominados de forfaits18. As agências de turismo estudam as melhores oportunidades,
visando a atender diferentes públicos, podendo especializar-se em determinado nicho de
mercado ou atendendo uma diversa gama deles. Elas realizam pesquisas de dados e
18
Forfait é a viagem totalmente organizada, ou conjunto de serviços, incluindo passagens de ida e volta,
hospedagem, alimentação, alojamento, traslados, excursões locais, gratificações etc, programas conforme os
desejos dos clientes, com um preço final fixo. É a viagem elaborada, mediante a orientação do cliente e uso de
determinados produtos turísticos, selecionados dentre as ofertas existentes. (TOMELIN, 2001, p.105)
45
informações sobre o destino, serviços turísticos e atrativos, objetivando oferecer o melhor
produto para cada cliente.
Após o estabelecimento dos produtos ou serviços turísticos a serem ofertados, bem
como seus preços e as técnicas de comunicação empregadas, o passo seguinte é definir o
processo de distribuição, utilizando-se da melhor maneira para que o produto chegue até o
cliente. Ou seja, deve-se assegurar que os produtos sejam colocados ao alcance do
consumidor, da melhor forma possível. De acordo com Beni, a distribuição poderá ser feita de
três maneiras:
A empresa efetua a distribuição e venda diretamente aos consumidores; a
empresa pode optar por intermediários, como as operadoras turísticas e
agências de viagens; a empresa pode optar também pela venda direta e
através de intermediários simultaneamente. (BENI, 2006, p. 194).
Já para Casteli apud Beni (2006, p. 196), pode ser realizada de várias formas, como
mostra o quadro 2.
Quadro 2: Circuitos de distribuição
Fonte: Castelli apud Beni (2006 p. 196).
A primeira forma de distribuição acontece direto do produtor (P) ao consumidor, sem
interferência de intermediários. Já a segunda tem como intermediador o varejista (V). A
terceira forma conta com dois intermediários: o atacadista (A) e o varejista. Neste caso, o
atacadista não entra em contato com o consumidor e nem o varejista com o produtor. Na
quarta maneira surge o papel do revendedor (R), como intermediário entre o atacadista e o
varejista. É importante salientar que quanto maior o número de intermediários entre o
produtor e o consumidor, menor será o controle de distribuição pelo produtor.
46
Beni (2006) salienta que alguns produtos necessitam de intermediação para chegar ao
consumidor final, onerando, muitas vezes, o preço final. Para tanto, é importante que tais
produtos passem somente por intermediários dispensáveis, pois é nesse processo de
intermediação que o cliente tem informações das quais dificilmente disporia. Nesse sentido,
muitos destinos estão sendo transformados em produtos e inseridos nos sistemas globais de
distribuição, denominados como GDS (Global Distribution Systems), que se integram à
Internet, dos quais estão sendo disponibilizados serviços e complementos aos clientes 365
dias/ano e 24 horas/dia, facilitando o conhecimento e rapidez das informações sobre os
destinos, ficando sob responsabilidade do consumidor apenas fazer a reserva via web e
escolher a agência que irá se responsabilizar pela documentação.
O autor ressalta ainda que “cerca de 150 mil terminais e 1 milhão de operadores fazem
negócios com novos mercados. Hoje, por exemplo, fazer uma reserva de hotel, em qualquer
localidade do planeta, demora apenas 7 segundos” (2006, p. 200). Devido a essa velocidade e
versatilidade nas informações contidas no Setor Turístico, no âmbito da tecnologia da
informação, conceitos e responsabilidades, é importante que a agência esclareça ao
consumidor informações corretas e precisas, principalmente no que diz respeito aos direitos e
deveres de ambas as partes (agência – cliente), para que não haja dúvidas. Para tanto, é
necessário saber as atribuições desempenhadas por estas empresas.
Dentre as diferentes funções das agências de turismo, Petrocchi e Bona (2003)
salientam que essas empresas são organizações que têm a finalidade de comercializar
produtos turísticos, orientando as pessoas que desejam viajar, estudando as melhores
condições, tanto em nível operacional quanto financeiro, assessorando assim, sobre os
destinos e itinerários que mais condizem com as necessidades dos clientes.
Já Tomelin e Teixeira (2005, p. 688) relatam que as referidas empresas são
responsáveis pela produção e intermediação de serviços de agenciamento de viagens.
Enfatizam que “as relações com os demais elementos que compõem a atividade turística são
de extrema interdependência, pois nada é feito de forma isolada. Um hotel terá um
crescimento na sua taxa de ocupação, se utilizar todo o potencial de promoção e distribuição
que as agências puderem oferecer”. A partir dessa afirmação, constata-se o quão são
importantes estas parcerias envolvendo não somente as agências e empresas do trade, mas
fundamentalmente os consumidores.
Neste sentido, Torre apud Tomelin; Teixeira (2005, p. 688) destaca que as agências
devem se preocupar com a “organização, promoção, reservas e vendas de serviços de
transporte, alojamento, alimentação, visitas a lugares e a eventos de interesse, transporte local
47
e, ainda, devem facilitar o trâmite de documentos como: passaportes, vistos, seguros, créditos
etc”.
Os conceitos acima expostos sobre as funções das agências de viagens são citados de
forma geral. No entanto, para que houvesse um melhor entendimento, foram estabelecidas
nomenclaturas com a finalidade de caracterizar as atribuições das empresas que prestam
serviços de agenciamento. Braga (2008) cita que no Brasil, conforme o Decreto Federal nº
5.406 de 30 de março de 2005, quando foi estabelecida nova denominação para as empresas
do setor turístico, como um fato que precede a lei, as agências produtoras passaram a ser
chamadas de operadoras turísticas, e as distribuidoras, de agências de viagem, sendo definidas
da seguinte maneira:
• Operadoras turísticas ou agências produtoras: aquelas que têm como
objetivo principal construir pacotes19. Conjugam transporte da origem até o
destino turístico, transporte na localidade visitada, serviços de guias
acompanhantes e locais, hospedagem, alimentação, passeios, atividades de
entretenimento, conexão com outros destinos, viabilizando o usufruto e
convívio do turista com o espaço turístico.
• Agências de viagens ou agências distribuidoras: aquelas que fazem
conexão entre os produtos turísticos e os consumidores. Atuam como
intermediadoras entre o público consumidor e os equipamentos e serviços
turísticos, tais como empresas de transportes, meios de hospedagem,
serviços receptivos, restaurantes, locais de entretenimento, seguro viagem,
documentação de viagem e pacotes turísticos. (BRAGA, 2008, p. 22).
É importante ressaltar que na legislação, tanto as operadoras turísticas, quanto as
agências de viagens, enquadram-se na categoria de agências de turismo. Lohmann (2008)
destaca que as operadoras turísticas além de serem responsáveis pelo planejamento,
elaboração, marketing e reserva, no que envolve a operação dos pacotes turísticos, podem
vender diretamente para o consumidor final ou utilizar canal de distribuição, notadamente às
agências de viagens.
De acordo com o mesmo autor, as agências de viagens oferecem três funções básicas:
intermediação, operação e consultoria. Nos serviços ofertados, envolvendo sua intermediação,
exercem papel de mediadora entre as empresas do setor e os turistas. No processo de
operação, sua função é planejar, organizar e vender pacotes elaborados, para atender um ou
19
Pacotes turísticos é a combinação de diversos serviços turísticos, de forma a organizar uma viagem para um
grupo de pessoas, visando à diminuição de custos e, conseqüentemente, oferecendo um preço final menor do que
a soma dos valores dos serviços individualizados. A produção do pacote turístico constitui o principal serviço
das operadoras turísticas (BRAGA, 2008, p. 22)
48
mais turistas. Esses pacotes, geralmente, distinguem-se daqueles oferecidos pelas operadoras
turísticas, uma vez que são personalizados (forfaits). Já no que tange aos serviços de
consultoria, as agências tratam de informar e aconselhar os viajantes em seus planos de
viagens, sem necessariamente vender qualquer tipo de produto turístico.
As agências de viagens, visando a atender as diferentes necessidades dos
consumidores, que estão cada vez mais exigentes, e que fazem parte de um mercado
competitivo, baseiam-se em elementos norteadores como a globalização e a tecnologia da
informação, seguindo as tendências mercadológicas, das quais envolvem transações
eletrônicas de bens e serviços, no que diz respeito aos negócios on-line, conforme
argumentam Santos e Murad:
Após a popularização da rede internacional de informações, a World Wide
Web, ou apenas www, em 1994, as empresas começaram a disponibilizar
informações de suas empresas na Internet através de portais (sites) e a partir
daí a realizar transações eletrônicas de bens e serviços, o chamado ecommerce. (SANTOS; MURAD, 2008, p. 105).
Assim, verifica-se que a Internet se tornou instrumento importante para o trade
turístico, possibilitando uma maneira das empresas divulgarem seus serviços diretamente ao
consumidor, podendo este planejar a viagem de forma rápida e, dependendo da empresa, de
forma confiável, consultando preços; escalas; conexões de passagens aéreas em diferentes
companhias, acomodações em hotéis, locação de carros entre outros serviços e, dependendo
do interesse, poderá consolidar a compra, realizando esse trâmite, também por meio das
agências virtuais, o que constitui mais uma facilidade para o consumidor.
Contudo, é importante dominar não só as informações sobre os produtos e serviços
oferecidos no destino, mas, principalmente, saber a motivação da viagem, os desejos e
limitações do cliente, pois, só assim, poderá satisfazer, não somente as necessidades
essenciais, mas dedicar atenção especial, no que é surpreendente e inesperado, superando as
expectativas. Beni (2006) enfatiza que, nessa nova era do turismo, compram-se
predominantemente idéias, não produtos e Tomelin (2001) acrescenta:
Perceber mudanças, detectar novas necessidades, evoluir nas relações como
o cliente exige know how, treinamento, ferramenta e transformar uma massa
disforme de dados em informação, conhecimento profundo e ação dirigida,
podendo, finalmente, mensurar o resultado de todas estas ações que deverão
refletir competências de inovação praticadas pelo novo profissional – o
agente de viagens. (TOMELIN, 2001 p. 107).
49
Portanto, devido ao leque de canais de distribuição que o mercado oferece, o agente
deve aprimorar seus conhecimentos e utilizar-se de teorias modernas como, por exemplo,
customização, ou seja, valorizar as necessidades, oferecendo exatamente o que o consumidor
quer, preocupando-se com a qualidade na prestação de serviços, tendo como objetivo fidelizálos.
Os clientes desejam que o agente seja muito mais que o articulador do processo
construtivo da viagem, que o acompanhe em todo o planejamento, da viagem até o seu
retorno. Assim, é essencial que o agente faça parte, seja “cúmplice” de cada momento. Petra
define este profissional como:
O agente, ao atender um cliente, deve considerar principalmente três
aspectos: psicológico, material e intelectual. O psicológico para identificar
características peculiares do individuo e suas motivações de viagem; o
material, para definir claramente quanto o cliente quer e pode gastar na
viagem; e o intelectual para levantar o nível educacional e seus interesses
intelectuais. Com esses três aspectos, o agente constrói um perfil do cliente,
básico para a oferta de serviços e produtos adequados ao mesmo. (PETRA,
1986, p. 43).
Desta maneira, o agente de viagem deve ter como palavras de ordem a customização e
a fidelização. A customização permite à empresa, ao cliente ou a ambos, desenvolver um
produto, serviço ou comunicações que reflitam o valor que o cliente procura, mas não é
sinônimo de personalização. Segundo Gordon apud Tomelin (2001, p. 104) “customizar é
valorizar a personalidade do cliente, atendendo suas necessidades, desejos, gostos,
administrando seus temores”. Para Kotler e Keller a customização ocorre quando “a empresa
é capaz de produzir individualmente bens diferenciados” (2006, p. 12).
Assim, a relação entre o agente de viagem e o cliente tem início, mas não pode ter fim.
É preciso que haja preocupação contínua do primeiro em relação ao segundo, mantendo-o
informado sobre diversos assuntos, conforme suas motivações de viagens. Há estratégias que
podem trazer bons resultados, como encaminhar prospectos sobre congressos, feiras ou
mesmo descontos em datas especiais, além da utilização do call center, transformando a
central de atendimento em central de relacionamento; para isso é essencial que a agência
tenha banco de dados atualizado e confiável.
50
2.3 A especialização das agências de viagens em turismo pedagógico
Verifica-se que as pessoas viajam por diferentes motivações: saúde, negócios, lazer,
religião, cultura, educação, entre outros. Devido a essa diversidade, muitas agências optaram
por especializar-se em determinado nicho de mercado, podendo focar as estratégias de vendas
em destinos como, por exemplo, Disney World ou segmentos, como Turismo Pedagógico.
Seguem abaixo as definições de Petrocchi e Bona (2001) referentes aos tipos de agências:
• Agências corporativas: focadas no mercado das empresas, vendem
principalmente passagens aéreas e reservas de hotéis para organizações e
executivos;
• Agências generalistas: atuam na comercialização de produtos turísticos
em geral, como os de lazer, de negócios ou qualquer outra modalidade.
Podem comercializar serviços de um hotel numa região próxima ou
pacotes turísticos para destinos internacionais. Sua atuação é pautada no
atendimento às necessidades dos clientes;
• Agências especializadas: atuam focadas exclusivamente em um nicho de
mercado ou em um tipo específico de destino ou de turismo.
(PETROCCHI e BONA, 2003, p. 152-153).
As escolas, que adotam o estudo do meio em seu currículo, podem ser consideradas
como parte de um nicho de mercado bem distinto, composto por clientes com necessidades
específicas, que vão bem além da mera realização de uma viagem. As viagens e visitas de
estudo do meio devem possibilitar ao aluno aprender, muito além de conceitos teóricos em
sala de aula, vivenciando-os por meio das atividades empíricas. Para isso, os alunos devem ser
envolvidos de fato com o meio, estabelecendo relações, entre a teoria e a prática, que atendam
às necessidades didático-pedagógicas. Entretanto, verifica-se que essas atividades, muitas
vezes, além de serem planejadas e avaliadas pelos coordenadores pedagógicos e professores,
são também por eles realizadas, ou seja, o processo de contato com o destino a ser visitado é
feito pela escola, sendo que poderia ser realizado por profissionais especializados,
principalmente, na organização e realização das viagens de estudo do meio.
Contudo, percebe-se que o turismo utilizado como recurso de aprendizagem tem sido
difundido por meio de modalidades como turismo educativo, turismo de intercâmbio cultural,
turismo educacional, turismo de estudo e turismo pedagógico que foram tendo destaque no
decorrer do tempo.
51
Segundo Swarbrooke e Horner (2002), o turismo educativo tem uma longa história,
datando dos dias em que os membros enriquecidos das elites grega e romana viajavam para
melhorar sua compreensão do mundo. Em décadas mais recentes, o turismo educativo
desenvolveu-se de diversas maneiras, dentre elas: o intercâmbio de estudantes, onde os jovens
viajam para outros países com o objetivo de estudar e aprender mais sobre a língua e cultura
de outros povos e as viagens de férias com interesse especial, sendo a principal motivação
aprender algo novo, como a prática da pintura e aulas de culinária desenvolvidas em um
determinado destino.
Ansarah (2005), denomina essa segmentação como Turismo de Intercâmbio Cultural
que é resultado de segmentos já existentes, consolidando novos segmentos no mercado, sendo
atividades realizadas em vários destinos no exterior, tendo como ênfase as facilidades nas
negociações aduaneiras e crescente valorização do conhecimento de outras culturas e idiomas,
impulsionando a demanda por práticas educacionais no exterior.
[...] o mercado convencionou como intercâmbio toda e qualquer viagem de
estudos de idiomas, cursos de áreas específicas, estágios no exterior, trabalho
remunerado, ou seja, toda e qualquer viagem com a função de agregar algum
conhecimento (GIARETTA apud ANSARAH, 2005, p.292).
Beni (2006), ressalta que o Turismo Educacional tem como referência a antiga prática
utilizada na Europa e também nos Estados Unidos, tanto por colégios, quanto pelas
Universidades particulares, sendo também adotada no Brasil por algumas escolas de elite.
Essas viagens culturais consistiam no acompanhamento de professores especializados da
própria instituição de ensino, tendo como objetivo promover o desenvolvimento educacional,
principalmente em destinações no exterior. No entanto, as viagens estão sendo cada vez mais
disseminadas no âmbito regional e nacional.
Américo Pellegrini (2000, p. 273) denomina o Turismo de Estudo como sendo “a
modalidade de turismo que inclui programas para aprendizado, treinamento, ou ampliação de
conhecimentos in situ, envolvendo os professores e os alunos com profissionais locais”. Dessa
forma, percebe-se quão importante é o envolvimento tanto da escola, quanto do destino a ser
visitado no processo de aprendizagem do aluno, ao estudar o meio ambiente, pois acredita-se
que essa reflexão e essa análise farão dele um cidadão mais consciente.
O Turismo Pedagógico é um segmento que está tendo importante destaque no Brasil.
Giaretta (2003, p. 45) o define como sendo uma “prática educacional usada por instituições de
ensino num contexto teórico e prático, que em alguns casos envolvem viagens, com
deslocamento e finalidade de estudo”.
52
A agência de turismo que se especializa em determinado nicho de mercado necessita
de aproximação bem consolidada, entre agente de viagem e cliente, devido às peculiaridades e
objetivos que deverão ser atingidos durante a viagem.
No Brasil na década de 1960, surge a primeira agência de turismo a atuar com o
objetivo de fomentar o turismo pedagógico. Sediada em São Paulo, a Toledo Piza
Empreendimentos Ltda, teve como idealizador Domingos de Toledo Piza, licenciado em
Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, bacharel em
Direito pela Faculdade de Direito da USP.
Piza relata que sua trajetória com o estudo do meio, teve início na experiência
pedagógica que exerceu durante os anos de magistério, dentre eles, atuando como professor
de Pedagogia, Filosofia da Educação e História da Educação, no Instituto Caetano de
Campos. Foi em um encontro, reunindo os colégios mais elitizados de São Paulo (Santa Cruz,
Sion, Assunção, Deux Oiseaux), no ano de 1962, que Piza teve apenas 15 minutos para
apresentar o processo educativo “Estudo do Meio”. A temática desse Seminário foi sobre o
“curriculum” da Escola Nova. A proposta foi a realização de uma viagem de cunho
pedagógico, tendo os serviços da VARIG, como transportadora, e dele como organizador. No
final da explanação, o “Colégio Sion” solicitou um programa, tendo como centro de interesse
Minas – Cidades Históricas. “Iniciaram-se, assim, os primeiros roteiros sistematizados sob o
enfoque do “Estudo do Meio”, no mercado de viagens no Brasil”. (PIZA, 1992, p. 72).
Piza (1992) salienta que o primeiro roteiro sistematizado de “Estudo do Meio”, tendo
por centro de interesse Minas – Cidades Históricas, foi feito através de uma Companhia Aérea
e não de uma Secretaria de Educação. Em 1962, três colégios realizaram esse roteiro: “Sion”,
“Santa Cruz” e o “Deux Oiseaux”. No ano seguinte, o “Deux Oiseaux” solicitou um roteiro ao
Nordeste, tendo como foco as seguintes cidades: Fortaleza, Recife, João Pessoa, Salvador e
Paulo Afonso. Em 1973, já contando com grupo de profissionais de turismo, professores,
líderes e universitários, Piza publicou folhetos, divulgando os programas de viagem de cunho
pedagógico, para os colégios de São Paulo. Nesta ferramenta constava “modus fasciendi” do
processo, incluindo a possibilidade, tanto de operacionalizar, quanto customizar e
personalizar, adaptando as necessidades de cada Colégio. “Os roteiros eram passíveis de
adaptação, mediante o centro de interesse escolhido e a orientação pedagógica de cada
colégio”. (PIZA, 1992, p. 74).
Ainda segundo o autor, um dos objetivos da viagem de estudo do meio é conscientizar
os alunos de que as atividades são realizadas fora da sala de aula, mas nela se iniciam e
53
terminam, mantendo sempre o foco de ensino-aprendizagem para começar a desenvolver as
fases, como descritas a seguir:
•
Primeira fase: Preparação
Escolha e o preparo teórico do centro de interesse, relacionado com a viagem. Os
professores das diversas disciplinas envolvidas ministram o conteúdo necessário, inserido em
um plano integrado de ensino preestabelecido.
•
Segunda fase: Execução
Realização da viagem, onde os dados são registrados por meio de figuras, entrevistas,
filmagens, conforme o interesse de cada disciplina envolvida: história, geografia, biologia,
ciência. Nesta etapa é de suma importância a interação entre professores, guias e alunos, bem
como a comunidade local e os locais visitados, adquirindo conhecimentos e gerando análises
e discussões.
•
Terceira fase: Avaliação
Durante a realização da viagem, diariamente, por 15 minutos, promover um “bate
papo” informal, para verificar se os resultados estão sendo realmente profícuos. É nessa fase,
que a capacidade de raciocínio, memorização, compreensão, expressão verbal e escrita, além
do relacionamento e trabalho de grupo, serão desenvolvidas.
Após a viagem, já em classe, o aluno poderá ser avaliado de diversas formas: trabalhos
em grupo, dramatização de situações, conclusões individuais, exposição de material coletado,
apresentação de fotos e slides, e outras manifestações criativas sobre a experiência vivida,
verificando, assim, se a viagem atingiu os objetivos inicialmente propostos, pois com base nos
resultados obtidos nos trabalhos dos alunos, é possível avaliar o trabalho dos professores e
guias, assim como a eficácia da viagem.
Piza (1992, p. 77) salienta que por meio da sua operadora organizou “os primeiros
roteiros sistematizados e com preocupação ecológica a serem veiculados no mercado de
viagens no Brasil, dirigidos a um público estudantil de colégios tradicionais e elitizados da
cidade de São Paulo”. Com base nessas experiências precursoras, aliando o Turismo e a
Educação, foram desenvolvidos mais de 68 roteiros, nacionais e internacionais. A Agência
Toledo Piza foi considerada, dentro da filosofia de ensino, como – “Escola é Vida” – pois
acreditava-se que somente por meio da vivência da realidade que o aprendizado se
concretizaria. Assim, os serviços oferecidos pela agência eram roteiros especializados, tanto
em estudo do meio, quanto em viagens de confraternização, conforme o objetivo a ser
atingido pela Escola.
54
2.4 O planejamento dos serviços de turismo pedagógico
Para a caracterização das atribuições e responsabilidades das agências de viagens e das
escolas, no que diz respeito ao turismo pedagógico, optou-se pelo uso de um diagrama de
serviço, ferramenta capaz de formatar e especificar os processos tangíveis.
Um diagrama de serviço é uma figura ou um mapa que representa com
precisão o sistema do serviço, para que as diversas pessoas envolvidas na sua
execução possam compreender e trabalhar com o serviço de forma objetiva
no que diz respeito aos seus próprios papéis ou aos seus pontos de vista
individuais. (ZEITHAML; BITNER, 2003, p. 69).
O diagrama de serviço representado na figura 2, exemplifica os quatro campos de ação
que caracterizam o serviço de turismo pedagógico: as ações dos clientes, o contato de linha de
frente, o contato de retaguarda e os processos de apoio. Estes campos de ação são separados
por três linhas horizontais. A primeira é a linha de interação, representando as interações entre
cliente (escola) e empresa (agência). A segunda linha horizontal é a linha de visibilidade que
separa todas as atividades de serviços, visíveis ao cliente, daquelas que não o são. Essa linha
também separa o que os funcionários de contato fazem na linha de frente e o que é feito na
retaguarda.
A terceira é a linha de integração interna, que separa as atividades do pessoal de
contato, daquelas do pessoal ligado a outras atividades, e funcionários responsáveis pelo
apoio aos serviços. As linhas verticais, que cruzam a linha de interações, representam os
contatos internos, bem como as evidências físicas que referem-se ao contato com os
elementos tangíveis do serviço.
No processo de serviço elaborado, como exemplo, primeiramente, a agência de
turismo encaminha via correio ou e-mail, prospectos sobre os serviços da agência
especializada em turismo pedagógico (linha de visibilidade). Depois do primeiro contato, o
agente de turismo (linha de interação) agenda um horário com o coordenador pedagógico e
professores, com o objetivo de compreender informações sobre a inserção do estudo do meio
no processo de ensino-aprendizagem, tendo como referências a proposta pedagógica, o
currículo e o perfil do aluno, visando a entender o universo escolar, tanto no que diz respeito
às necessidades pedagógicas, quanto às organizacionais, das quais servirão como base para a
formatação do desenho do roteiro turístico.
55
A partir do entendimento das necessidades pedagógicas e organizacionais da viagem,
o terceiro passo é contatar as empresas prestadoras de serviços (linha de integração interna),
desde hotéis, restaurantes, serviços de recepção, horários e valores dos atrativos, até, se
necessário, agendar horários com palestrantes, artesãos etc.
56
Figura 2: Diagrama de Serviços - Agência de turismo especializada em turismo pedagógico
Fonte: Roberta Monteiro. Figura adaptada do diagrama de serviços de hospedagem em hotéis, elaborado por Zeithaml; Bitner, 2003, p. 197
57
Depois de algumas reuniões com o coordenador pedagógico (linha de interação),
culminando no fechamento do roteiro turístico, será realizada a viagem (evidências físicas),
tendo o guia de turismo como representante da agência. Após a viagem, é importante que o
agente de turismo (linha de interação) realize avaliações com os coordenadores e professores,
visando a verificar se os objetivos e expectativas da viagem foram atendidos, começando
assim um novo ciclo.
2.5 A análise das necessidades e expectativas das escolas
É importante que os agentes de viagens conheçam os tipos de expectativas do
consumidor, evidenciando o universo que contempla as viagens pedagógicas. De acordo com
Zeithaml e Bitner,
as expectativas dos clientes são crenças a respeito da execução do serviço
que funcionam como padrões ou pontos de referência com relação aos quais
o desempenho é julgado. Conhecer o que o cliente espera é o primeiro e
possivelmente o mais importante passo na prestação de serviço de qualidade
(2003, p. 66).
De acordo com Zeithaml e Bitner (2003, p. 78), as expectativas dos clientes podem ser
determinadas pelos seguintes elementos: serviço desejado e adequado; zona de tolerância;
intensificadores permanentes e transitórios de serviços; necessidades pessoais; alternativas
percebidas de serviços; papel do serviço percebido pelo próprio cliente; fatores situacionais;
promessas explícitas e implícitas de serviços; boca a boca, experiência passada. Estes
elementos são ilustrados, conforme a figura 3.
No centro da figura está a perspectiva detalhada das expectativas, ressaltando os dois
níveis - desejado e adequado - e a zona de tolerância que os separa. Os elementos, mostrados
com a seqüência de caixa dos lados do modelo, representam as fontes que influenciam a
formação das expectativas.
Um fator que influencia o serviço adequado é o serviço esperado, que é o nível de
serviços que os clientes acreditam que irão receber. Desta maneira, se a escola contratar os
serviços de agência especializada em turismo pedagógico, a expectativa é que o guia de
turismo, não só acompanhe e esclareça informações sobre o atrativo, natural ou cultural, mas
que exerça papel de articulador entre o aluno e o meio, auxiliando os professores em assuntos
58
mais específicos que foram, previamente, estudados em sala de aula, como por exemplo:
botânica, história, geografia, etc.
INTENSIFICADORES PERMANENTES DE SERVIÇOS
- expectativas derivadas
- filosofias pessoais de
serviços
PROMESSAS EXPLÍCITAS
DE SERVIÇOS
- propaganda
- venda pessoal
- contratos
- outras comunicações
NECESSIDADES
PESSOAIS
INTENSIFICADORES TRANSITÓRIOS DE SERVIÇOS
- emergências
- problemas com serviços
ALTERNATIVAS
PERCEBIDAS DE
SERVIÇOS
PAPEL DO SERVIÇO
PERCEBIDO PELO
PRÓPRIO CLIENTE
FATORES SITUACIONAIS
- mau tempo
- catástrofe
- aumento caótico da demanda
SERVIÇO
ESPERADO
serviço
desejado
zonda de
tolerância
serviço
adequado
PROMESSAS IMPLÍCITAS
DE SERVIÇOS
- tangíveis
- preço
BOCA A BOCA
- pessoal
- "especialistas" (relatos de
consumidores, propaganda, consultores, pessoas
que nos substituem na
compra de serviços
EXPERIÊNCIA PASSADA
SERVIÇO ESPERADO
SERVIÇO
PERCEBIDO
Figura 3 - Natureza e determinantes das expectativas do cliente em relação aos serviços
Fonte: Zeithaml e Bitner, 2003, p. 78
O serviço desejado é o nível de serviço que o cliente desejaria receber. Desta maneira,
as escolas desejam que as viagens de estudo do meio organizadas pelas agências de turismo
tenham êxito organizacional e operacional, proporcionando aos alunos ferramentas, onde
estes possam aprender conforme previamente planejado e discutido em sala de aula.
Já o serviço adequado pode ser definido como o nível de serviço que o cliente aceitará,
ou seja, a expectativa mínima tolerável, o nível mais baixo de desempenho aceitável na sua
perspectiva. Exemplificando: a escola tem serviço adequado ao contratar uma agência de
viagens que atenda a diversos públicos, sabendo que irá usufruir do serviço de guia de turismo
que acompanhará a turma e irá informar de forma genérica os aspectos principais sobre os
59
atrativos, sem ater-se em transmitir informações mais específicas, por falta de conhecimento
ou de empatia, sobre o assunto a ser estudado pelo grupo, ou seja, cumprirá o roteiro
planejado, mas sem estabelecer relações entre a vivência e a teoria, de forma a atingir os
objetivos de ensino-aprendizagem esperados pela escola.
De acordo com Zeithaml e Bitner (2003, p. 69) a zona de tolerância pode ser definida
como sendo:
[...] a região formada pelo reconhecimento dessa variação e pela
disponibilidade em aceitá-la. Se os serviços ficarem aquém do nível de
serviço adequado – nível mínimo considerado aceitável -, os clientes ficarão
frustrados e sua satisfação com a empresa não deverá ser determinada. Se o
desempenho dos serviços ultrapassar os limites superiores da zona de
tolerância – com o desempenho excedendo o serviço desejado -, os clientes
ficarão muito satisfeitos e é provável que fiquem igualmente surpresos.
Sob esta ótica, um plano de viagem de estudo do meio deveria tentar traduzir
claramente as expectativas da escola, especificamente no que diz respeito aos componentes do
plano de ensino, com o objetivo de diminuir a lacuna entre o serviço esperado e o serviço
prestado, estabelecendo um instrumento de controle comum para a agência e a escola. O
quadro 3, elaborado para exemplificar esta idéia, caracteriza um plano de visita a um
assentamento de trabalhadores rurais. Este modelo de roteiro turístico adaptado ao plano de
ensino poderia ser ainda mais detalhado, conforme os objetivos de aprendizagem almejados
pela escola contratante do serviço de uma agência de viagens.
60
Quadro 3 Agência de Turismo: Plano de visitas técnicas e viagens de estudo do meio – Visita ao Assentamento do MST
Fonte: Roberta Monteiro. Quadro adaptado do plano de unidade, elaborado por Turra et al., 1995, p. 257
61
2.6 Principais questões identificadas para pesquisa
Com base nos aspectos analisados neste capítulo, pode-se destacar algumas questões
que julgamos ser interessantes, tais como:
Verificar se as agências de turismo que atendem o público escolar são operadoras
turísticas ou agências de viagens;
Identificar se as agências utilizam documentos da escola como, por exemplo, o quadro
curricular e o conteúdo de cada disciplina envolvida nas atividades de estudos do meio?
Entender a função das agências de turismo no processo de planejamento, elaboração,
realização e avaliação das atividades de campo;
Verificar de que maneira os agentes de viagens identificam as necessidades
pedagógicas e as expectativas dos educadores e como eles avaliam se foram realmente
atendidas.
Estas e outras questões provenientes da reflexão teórica estão consolidadas no roteiro
de pesquisa de campo.
62
CAPÍTULO 3 – RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO
Com o objetivo de observar empiricamente as relações entre escolas e agências, foi
realizada a pesquisa de campo junto a dois colégios, Santa Cruz e Carandá, e duas agências,
Quíron Turismo Educacional e Ambiental Expedições.
A escolha para realizar a pesquisa no Colégio Santa Cruz deu-se pelo fato de ser um
das primeiras escolas a realizar o estudo do meio utilizando-se dos serviços de uma Agência
de Turismo. A Escola Carandá foi escolhida por realizar atividades de campo há mais de 30
anos e também por realizar atividades de estudo do meio em assentamentos do MST. A
pesquisadora teve a oportunidade de participar de uma visita a um assentamento como
observadora, verificando assim as atribuições da escola e da agência de turismo durante a
viagem na qual irá relatar a sua experiência neste capítulo.
A agência de turismo (operadora) Quíron Turismo Educacional foi escolhida por
prestar serviços tanto ao Colégio Santa Cruz como ao Colégio Carandá, podendo contribuir
com informações de ambas instituições. A Agência Ambiental Expedições foi escolhida por
organizar viagens de estudos do meio em ambientes naturais, como Pantanal, ao Colégio
Santa Cruz.
Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, utilizando-se roteiro elaborado a partir
das variáveis destacadas na revisão teórica. Foram entrevistados o orientador educional Sr.
Sílvio Hotimsky (Colégio Santa Cruz) e a coordenadora pedagógica Srta. Milena Terron
(Colégio Carandá), que planejam as atividades de campo juntamente com os professores, e
com os agentes de viagens Sr. José Zuquim (Agência Ambiental) e o Sr. Marcelo Salum
(Agência Quíron), responsáveis pelo processo de elaboração, realização e avaliação das
viagens de estudos do meio.
Além das entrevistas, a pesquisa de campo incluiu acompanhamento de uma visita ao
Assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realizada pelo
Colégio Carandá e pela Agência Quíron Turismo Educacional.
63
3.1 Colégio Santa Cruz
O Colégio Santa Cruz tem suas tradições fundadas na Congregação de Santa Cruz20.
No Brasil, no ano de 1952, alguns padres canadenses iniciaram as atividades pedagógicas.21.
Durante os primeiros 15 anos, o Colégio Santa Cruz foi um colégio de
padres, já que, além de lecionar, ocupavam todos os cargos de direção.
Recém-chegados do Canadá, os jovens eram encaminhados para cursos de
especialização e integrados à equipe, que chegou a contar, em 1962, com 12
religiosos. (COLÉGIO SANTA CRUZ, 2008).
Inicialmente, o Colégio teve suas instalações no Ginásio Santa Cruz (sediado na Av.
Higienópolis, 890)22, em casa emprestada pela Cúria Metropolitana de São Paulo. Nesta época
oferecia apenas o regime de semi-internato, com 60 alunos do sexo masculino divididos em
duas classes de 1º série ginasial (atual 5º série).
Figura 4: Ginásio Santa Cruz, em 1952
Fonte: Colégio Santa Cruz, 2008.
20
Fundada em 1835 pelo padre Basil Moureau, na cidade francesa de Le Mans. Teve seus ideais levados para o
Canadá em 1847. Naquele período, o objetivo era reconstruir o sistema escolar franco-canadense, devido a
intervenção dos ingleses, um século antes.
21
No período de 1952 a 1992 o colégio foi dirigido pelo padre Lionel Corbeil e, a partir de 1993, pelo professor
Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães.
22
Desde 1957 o colégio situa-se na Avenida Arruda Botelho, 255, Alto de Pinheiros, contemplado com uma área
de 50.000 m2
64
Atualmente, o Colégio conta com 192 professores e cerca de 2.750 alunos
matriculados nos cursos de educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e ensino
supletivo.
Figura 5: Colégio Santa Cruz, em 2007
Fonte: Colégio Santa Cruz, 2008.
O projeto educacional tem com proposta preparar jovens, tendo como referência três
princípios norteadores, sendo eles: “a tradição e o saber humanístico do passado, a dimensão
tecnológica e global que aponta para o futuro e a interação contínua com as necessidades e
expectativas presentes”. Contudo, para realizar tal projeto baseou-se na articulação do
dinamismo curricular e a tecnologia disponível à aprendizagem, incentivando o aluno de todas
as faixas etárias a ser capaz de ter domínio crítico do conhecimento, da produção criativa e
multicultural, da consciência política e da ação social.
Em 06 de junho de 2008 foi realizada entrevista com o Sr. Silvio Hotimsky, graduado
em Ciências Sociais, pós-graduado em Psicologia Social e especialista em Psicanálise,
participa de trabalhos de campo há mais de 25 anos.
No colégio há quatro orientadores educacionais no ensino fundamental 2 (5º a 8º
séries), sendo que cada dupla é responsável por um ciclo. Eles organizam as atividades de
estudos do meio, contanto com a colaboração da agência de turismo, ainda que as propostas
sejam elaboradas pelos professores, que discutem e propõem um determinado destino e
conteúdos para serem vistos.
“A viagem é uma parte do trabalho, em toda a viagem tem questões, temas,
conceitos a serem desenvolvidos e a viagem é um dos elementos, ou seja, o
65
trabalho em campo é um meio, pois compreende-se em um pré-campo,
campo e pós-campo” (Informação verbal)23.
Na etapa que se refere ao planejamento das atividades relacionadas ao estudo do meio,
os professores elaboram uma proposta de trabalho, geralmente no ano anterior sendo
repassadas aos orientadores pedagógicos da turma. Uma vez aprovada, os detalhes são
discutidos entre os professores, orientadores e agentes de viagens, afinal “é um trabalho em
conjunto entre escola e operadora” e as adequações são feitas durante a organização e
realização das viagens. Esses trabalhos estão atrelados ao projeto pedagógico e utilizam os
PCNs como referência, entre outros documentos da Escola.
Há duas agências parceiras: a Agência Quíron (atende 5ª e 7ª séries) e a Agência
Ambiental (atende 6ª e 8ª séries). Seguem abaixo as atividades desenvolvidas no ensino
fundamental:
• 5ª série: estuda-se a Baixada Santista, região industrializada, densamente
povoada e de capital importância econômica do litoral de São Paulo, com
destaque para as transformações ocorridas e os impactos causados.
• 6ª série: os alunos conhecem o litoral sul de São Paulo, região
escassamente povoada, pouco desenvolvida, com uma economia ainda
marcada pelo extrativismo e artesanato, mas com sintomas de evolução
tecnológica e áreas de minuciosa preservação ambiental.
• 7ª série: a viagem é para as cidades históricas de Minas Gerais,
sensibilizando o aluno para uma produção cultural que, em seus aspectos
econômico, histórico, topográfico, geológico, arquitetônico, religioso,
artístico e humano, é de fundamental relevância na formação da identidade
nacional, qualquer que seja a definição que dermos a ela.
• 8ª série: os alunos conhecem o grande ecossistema do Pantanal, onde são
desenvolvidas pesquisas voltadas para os problemas ecológicos e
condições de desenvolvimento sustentável. (COLÉGIO SANTA CRUZ,
2008).
Após a escolha dos destinos pela escola, as operadoras fazem, inicialmente, reunião
com os orientadores pedagógicos e depois com os professores. A escola apresenta a
bibliografia que será utilizada pelos alunos, os principais conceitos que serão utilizados em
campo; mostram toda a trajetória que se pretende realizar e a partir daí se estabelece uma
23
Dados da entrevista. Pesquisa realizada com o Sr. Silvio Hotimsky, orientador educacional, do Colégio Santa
Cruz em 06/06/2008.
66
conversa com o objetivo de melhor viabilizar a proposta pedagógica, financeira e operacional
da viagem.
Neste momento, identificam-se quais locais a escola quer visitar, o contato com as
autoridades e a comunidade. A agência operacionaliza todo o processo, realizando a melhor
logística para o êxito da viagem. “Este trabalho é muito mais que personalizado, pois
demanda um saber educacional. As agências viabilizam o que a escola deseja para as
atividades em campo” (Informação verbal)
Por ser uma atividade interdisciplinar, muitos professores se envolvem em todo o
processo da viagem (pré, durante e pós), mas, segundo o Sr. Silvio, infelizmente há professor
que ainda questiona o objetivo das viagens de estudos do meio, não entendendo o propósito
deste método de ensino. Mesmo assim, o Colégio incentiva todos os professores
encaminharem projetos para a realização destas atividades in loco, pois considera que essas
atividades devem estar alinhadas com o conteúdo curricular das séries.
O material didático é elaborado pela escola sendo que a agência apenas auxilia com
algumas informações sobre a localidade. Na 7º série os professores elaboram uma apostila,
entregando-a pronta aos alunos e na 8º série os alunos têm de elaborá-la.
O Sr. Silvio foi questionado se há resistência dos pais em deixar seus filhos realizarem
esses trabalhos de campo e ele informou que “os pais confiam na escola. É uma atividade
considerada bem tradicional no colégio. Muitos pais que são ex-alunos já realizaram as
viagens que os filhos fazem atualmente.”
Referente aos aspectos financeiros que correspondem ao pagamento da viagem o Sr.
Silvio informou que:
Apesar de as viagens serem planejadas antecipadamente e previamente
comunicadas aos pais, alguns têm dificuldades em pagar. Nesse sentido,
tanto a escola, quanto a operadora tentam, da melhor forma, sanar essa
dificuldade, dividindo o valor do pacote em mais parcelas, facilitando,
assim, o pagamento da viagem. (Informação verbal).
Segundo o Sr. Silvio, o colégio trabalha com duas agências para realizar essas viagens:
a operadora Quíron que organiza as viagens a centros urbanos como a cidades de Santos (SP)
e Cidades Histórias (MG); a operadora Ambiental especializada nos meios naturais como
Lagamar (SP) e Pantanal (MT). Ele afirma que está satisfeito com as duas agências e que
ambas operam as viagens em conjunto com a escola, colaborando em todo o processo da
viagem pré, durante e pós-campo.
67
A preocupação com a saúde e segurança dos alunos são itens que o Colégio preza
bastante. Desta maneira, é entregue ao aluno um formulário que deve ser rigorosamente
preenchido. É uma das normas para que o aluno viaje com o grupo.
De acordo com o Sr. Silvio, é necessário que a agência seja muito bem informada e
flexível para adequar-se a adaptações que devem ser realizadas, devido a mudanças de última
hora. Ele informou como exemplo, uma viagem à Chapada dos Guimarães, onde devido a um
deslizamento de terras24, que impossibilitou a entrada dos alunos no parque, a agência teve
que oferecer outros locais para que os objetivos pedagógicos da viagem fossem mantidos, não
causando prejuízo aos alunos. “Os monitores contratados pela agência são muito mais que
guias eles são pessoas qualificadas por terem conhecimento sobre determinados assuntos e
também por terem aptidão para lidar com adolescentes” (Informação verbal).
A etapa de avaliação com os alunos tem como princípio que sejam socializadas as
informações obtidas durante a viagem com os demais colegas. Segundo o Sr. Silvio (2008),
“Cada trabalho de campo gera um produto. Este ano os alunos têm de fazer um painel e um
artigo científico. Neste momento, é entre eles, e no final do ano são incluídas outras turmas”.
A avaliação do aluno pode acontecer de diversas formas, ou seja, desde um relato
ficcional que pode transformar-se em uma peça teatral ou artigo científico dando destaque a
um problema que culmina em debates, a até, por exemplo, uma avaliação mais objetiva,
contando com perguntas e respostas.
É importante ressaltar que, quando questionado sobre sua opinião referente à
terminologia utilizada, o entrevistado afirmou não achar apropriado o termo “Turismo
Pedagógico”, pois, para ele, o termo turismo associa-se a passeio, quando a finalidade dessas
viagens é estudo, preferindo assim referir-se a essa atividade como “trabalhos em campo”.
3.2 Escola Carandá
A Escola Carandá, está atuando na área de educação desde 1978, situa-se na Rua
Diogo de Faria, 1338, bairro Vila Mariana na cidade de São Paulo – SP - e dá subsídios para
24
“Deslizamento fere cinco na Chapada dos Guimarães: Grupo de 35 turistas estava fazendo trilha no parque de
Mato Grosso”. (http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora acesso em 15 de junho de 2008)
68
que os alunos sejam “seres integrais, que só se desenvolvem harmoniosamente se o intelecto,
a emoção e a socialização forem tratados com o mesmo cuidado”.
A Escola Carandá nasceu com o objetivo educacional que visa
primordialmente o Ser Humano - único, total, livre, flexível, responsável,
cooperador e criativo que utiliza seus conhecimentos para criticar, participar,
cooperar e reformular a sociedade em mudança.
Nela, o aluno aprende a enfrentar os desafios que a vida e os novos tempos
irão propor. Desenvolve, harmoniosamente, suas potencialidades
intelectuais, físicas e emocionais. (ESCOLA CARANDÁ, 2008).
No dia 13 de junho de 2008 foi realizada entrevista com a Srta. Milena Terron,
coordenadora pedagógica do ensino fundamental ciclos 3 e 4 (5º a 8º séries). Formada em
pedagogia trabalha na escola há 10 anos.
De acordo com a Srta. Milena, as viagens de estudos do meio acontecem desde o
início de suas atividades, ou seja, há 30 anos. É um trabalho interdisciplinar que se aprimora a
cada ano. A linha pedagógica utilizada pela escola é a construtivista: “incentivamos que o
aluno construa o seu conhecimento por meio de perguntas, reflexões, discussões e que não
absorva apenas informações passadas pelo professor, incentivamos o diálogo”. A
terminologia utilizada pela escola é “estudo do meio” ou “saídas curriculares”, mas não se
opõe à terminologia “turismo pedagógico”.
No ensino fundamental, ciclos 1 e 2, (1º a 4º séries) o estudo do meio é realizado por
meio de visitas, ou seja, os alunos não dormem no destino, já no ensino fundamental 2, ciclos
3 e 4 (5º a 8º séries) os alunos realizam tanto visitas, quanto viagens sendo que em muitos
casos precisam pernoitar no destino.
Na 5º série os alunos visitam o Parque Varvito situado na cidade de Itu (SP). O grupo
também viaja para a cidade de Santos (SP). O objetivo desta primeira viagem é entender a
essência do estudo do meio como método de ensino, ou seja, como devem observar, analisar e
registrar as informações que são necessárias para o aprendizado.
Já na 6º série os alunos realizam a visita ao centro da cidade de São Paulo verificando
a arquitetura, entre outros elementos, e a viagem é realizada para Rancho Paumar25 em Itatiba
(SP). De acordo com a Srta. Milena, esta viagem tem como objetivo “propiciar que o aluno
tenha um olhar diferenciado para observar elementos da natureza e perceber a importância da
cooperação perante o grupo”
25
http://www.paumar.com.br/quem_somos.htm
69
Na 7º série a visita é para o Assentamento do MST26 (Movimento dos Trabalhadores
Rurais sem Terra) localizado na cidade de Sumaré (SP). Já a viagem tem como destino o
Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Picinguaba27 em Ubatuba (SP). “Os alunos
estudam a mata Atlântica, mata de restinga, os costões rochosos, além de conhecerem um
pouco da cultura caiçara em conversas com moradores locais”.
Na 8º série os alunos lêem o livro O Cortiço, de Aluisio de Azevedo e visitam um
cortiço, além de viajarem para as Cidades Históricas, verificando, in loco, um pouco mais
sobre a história do Brasil Colonial.
De acordo com a Srta. Milena, pelo fato da Quíron trabalhar há muito tempo com a
escola, as necessidades pedagógicas são sempre atendidas, havendo apenas algumas reuniões
prévias. Entretanto, quando é um destino que será realizado pela primeira vez, como acontece
este ano com o Núcleo Picinguaba, em substituição à Ilha do Cardoso (SP), o processo de
planejamento tem de ser mais detalhado havendo mais reuniões com os orientadores
pedagógicos e professores. Em alguns casos, os professores das disciplinas envolvidas vão
antecipadamente ao destino para coletar informações mais específicas, com o objetivo de
elaborar o material didático mais detalhado e, assim, completo. Além disso, a escola conta
com a colaboração do monitor, por ser especialista em determinada área. “No caso de
Picinguaba solicitamos que o monitor seja biólogo e que conheça muito bem a localidade para
auxiliar-nos na elaboração do roteiro e da apostila que será utilizada pelos alunos”.
Nos demais casos, onde os destinos já foram realizados, os professores adequam as
informações nas apostilas, conforme as necessidades pedagógicas de cada turma. Por fim, a
Quíron providencia a impressão com o logotipo da escola e da operadora, além da quantidade
necessária. Esse material é encaminhado previamente aos professores, complementando o
livro didático utilizado em sala de aula.
A Srta. Milena informou que, neste ano, os professores de história, do ensino infantil
ao médio, reuniram-se diversas vezes para verificar se há lacunas no aprendizado dos alunos,
pois é preciso que se tenha uma seqüência no conteúdo. A entrevistada ressalta que os “PCNs
são utilizados para reflexão, discussão e conforme o interesse é feita adaptação no currículo”
O estudo do meio está contemplado no projeto pedagógico com o título de “saídas
curriculares”. O Colégio utiliza este método de ensino há mais de 30 anos e considera os
resultados como sendo muito positivos. Sobre a relevância do estudo do meio, a entrevistada
26
27
A visita ao Assentamento será detalhada mais no final deste capítulo.
http://www.saopaulo.sp.gov.br/saopaulo/turismo/int_tureco_picing.htm
70
citou o caso de um aluno que tinha dificuldades na disciplina de história e, ao voltar da
viagem de Ouro Preto, apresentou significativo progresso no aprendizado nessa disciplina.
Referente à parte financeira a operadora passa o valor do pacote à escola, utilizando
contrato de prestação de serviços e, a escola com base no valor e levando em consideração as
horas extras dos professores que irão acompanhar a viagem, repassa o cálculo aos pais já no
inicio do ano. Quando necessário, a agência de turismo parcela em mais vezes para os pais
que têm dificuldades em pagar
Além de os professores acompanharem os alunos em todas as viagens, uma
orientadora educacional também os acompanha. Segundo a entrevistada, “enquanto o
professor preocupa-se com o conteúdo, a orientadora Isa Maria Telles Silveira, psicóloga,
acompanha os alunos com o objetivo de auxiliar nos aspectos psicológicos e sociais”.
A Srta. Milena elogiou o trabalho da agência de turismo referente à logística da
viagem e à escolha dos serviços turísticos oferecidos (hospedagem, alimentação, transporte),
observando que gosta muito de ter a parceria com a Quíron, pois eles auxiliam a Escola
sempre que este precisa modificar ou inovar algo, “da melhor maneira possível”. Quando algo
não atende às expectativas, basta informar que a Agência providencia alterações nas próximas
viagens. O contato com o destino é feito pela agência inclusive quando tem palestras ou
entrevistas com pessoas da comunidade. Ela salienta ainda que “os monitores além de serem
profissionais qualificados, são muito atenciosos com o grupo. Eles auxiliam os alunos
despertando interesse em determinados assuntos, pois já leram a apostila que será utilizada
pelos discentes”.
Além da ficha de saúde, a escola solicita que seja assinado um termo de compromisso
para que o aluno esteja ciente sobre aspectos como bebida, levar objetos indevidos, quebrar
algo durante a viagem, alguns procedimentos e comportamentos que deverão ser respeitados.
A avaliação realizada aos alunos começa já no destino, é diária e individual. A
coordenação estipula um peso para cada requisito há pesos diferentes levando em
consideração os seguintes critérios: organização, cooperação, responsabilidade, além da parte
educacional que cada professor tem o livre arbítrio para avaliá-lo, podendo ser por meio de
uma avaliação escrita, peça teatral, elaboração de um jornal. De acordo com a Srta Milena,
todos os alunos devem entregar a apostila preenchida para serem avaliados, mesmo aqueles
que não foram à viagem.
71
3.3 Quíron Turismo Educacional
A Quíron Turismo Educacional atua no mercado de viagens de estudos do meio e
formatura desde 1992. Situa-se na cidade de São Paulo, na Rua Fernão Dias 125. Foi
realizada entrevista em 19 de junho de 2008 com Sr. Marcelo Salum, economista e pósgraduado em planejamento e marketing turístico, atuando neste nicho de mercado, desde 1992
como agente de viagem.
O Sr. Marcelo informou que, durante o processo de planejamento das viagens ocorrem
previamente reuniões com os coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e
professores. O intuito desses encontros é entender as necessidades pedagógicas da turma de
alunos que irá realizar o estudo do meio, levando em consideração o conteúdo ministrado
pelos professores das disciplinas envolvidas. Apesar da operadora não ter contato com o
projeto pedagógico, nem com o quadro curricular da turma, o Sr. Marcelo salienta que “todas
as informações importantes são passadas verbalmente pelos orientadores e professores”. Com
base nessas informações, o agente de viagem e os professores começam a desenhar o roteiro
turístico, desde o destino e atrativos a serem visitados até contatar as pessoas da comunidade
consideradas importantes de serem entrevistadas pelos alunos, visando a melhor suprir as
necessidades pedagógicas dos discentes.
Os monitores que acompanham os grupos de alunos durantes as viagens são, inúmeras
vezes, guias de turismo (muitos registrados pela EMBRATUR – Instituto Brasileiro de
Turismo), e todos os profissionais que prestam serviços na operadora são graduados nas mais
diversas áreas (história, geografia, biologia, ecologia, etc). Esses profissionais, além de
passarem informações gerais e específicas sobre determinado destino ou atrativo, são
qualificados para se preocuparem com questões referentes à integridade física e psíquica dos
alunos e professores28.
No que se refere às linhas pedagógicas, o Sr. Marcelo informou que a maioria das
escolas considera-se construtivista, por trabalharem com o estudo do meio e já terem a
concepção de que o aluno tem a possibilidade de construir o seu conhecimento. Entretanto,
observou que a referência pedagógica utilizada pela escola não interfere no planejamento ou
operação das viagens, já que as escolas informam antecipadamente as suas necessidades.
28
Desta maneira, a agência faz uma ficha de saúde que é passada para os alunos e professores preencher,
colocando se há alguma contra-indicação a remédios, alergia a algum inseto.
72
Apesar da operadora já ter alguns destinos estabelecidos para a realização das viagens
de estudo, como veremos a seguir, ela adapta os roteiros turísticos mais “tradicionais” ou
elabora um novo roteiro, pois o objetivo é atender as necessidades pedagógicas, financeiras e
organizacionais de cada grupo de aluno. Como exemplos de roteiros, foram citados:
• Praia do Forte (Salvador / BA): arte barroca baiana, Brasil Colonial,
preservação ambiental, conservação ambiental, manifestações culturais;
• Pantanal – (MT): regime hídrico do Rio Paraguai, o homem pantaneiro,
fauna e flora do Pantanal e Bonito, turismo e seus impactos, formações
cársticas;
• Brasília – Chapada dos Veadeiros (DF / GO): organização política e
federal, planejamento urbano, arquitetura moderna, movimentos
migratórios e expansão urbana, unidades de conservação: cerrado e matas
de galeria;
• Cavernas do Petar (SP): espeleologia, preservação
comunidades quilombolas, geomorfologia e biodiversidade;
ambiental,
• Projetos Literários - Grande Sertão Veredas (MG): viagem de barco
com pernoite pelo Rio São Francisco, a biodiversidade do Parque Nacional,
grande sertão veredas, espeleologia no Parque Nacional e Cavernas do
Peruaçu;
• Os sertões: Guerra de Canudos (BA): início do Brasil República,
diferenças sociais entre o litoral pré-industrial e o interior agrário, o
sertanejo, a flora e a fauna da caatinga brasileira, a literatura prémodernista, transformação de energia: UH Paulo Afonso;
• São Paulo (SP): urbanização, industrialização, imigração, patrimônio
histórico e cultural;
• Campinas I (SP): Holambra (monocultura do café e transporte ferroviário,
imigração, astronomia, relação entre zonas urbanas e rurais e produção e
comércio agrícolas);
• Campinas II (SP): Indaiatuba e Sumaré (ocupação do interior paulista,
relação de trabalho e propriedade e movimentos sociais/MST);
• Roteiro dos Bandeirantes (SP): Santana de Parnaíba, Pirapora, Porto
Feliz, Salto e Itu (bandeirantismo, problemática ambiental e social do Rio
Tietê, geomorfologia dos varvitos de Itu e preservação patrimonial e
memória);
• Tiradentes, São João del Rey, Congonhas do Campo, Ouro Preto,
Mariana, Sabará, Parque Natural do Caraça (MG): arte barroca
mineira, Brasil Colonial, conspiração mineira e exploração do ouro,
arquitetura e estratos sociais, processo seletivo de memória, patrimônio
histórico e ambiental, ambientes naturais: cerrado, matas de galerias,
campos rupestres e mineração atual;
• Oeste Paulista I (SP): Limeira, Iracemápolis, Cordeirópolis:
(industrialização do interior, preservação patrimonial e ocupação do solo:
73
cana-de-açúcar e cítricos);
• Oeste Paulista II (SP): Ribeirão Preto, Sertãozinho, Araçatuba e Ilha
Solteira: (relações de trabalho e propriedade, ocupação do interior:
monoculturas e pecuária, industrialização, movimentos sociais – MST,
preservação ambiental e transformação de energia);
• Barra Bonita, Corumbataí e Jundiaí (SP): gerenciamento de recursos
hídricos, transformação e utilização de energia, impactos ambientais,
produções industrial e artesanal;
• Juréia (SP): biodiversidade, ambiente litorâneos,
conservação: ocupação humana e preservação ambiental;
unidades
de
• Baixada Santista (SP): Santos, Cubatão, Bertioga e Guarujá (Patrimônio
histórico e cultural, biodiversidade, preservação ambiental, ambientes
litorâneos, vocações turística, industrial, comercial e portuária);
• Ilha do Cardoso (SP): Iguape, Cananéia, Ilha do Cardoso e Ilha Comprida
(Patrimônio histórico, cultural e arqueológico (sambaquis), preservação
ambiental, biodiversidade, ambientes litorâneos, unidades de conservação,
comunidades locais (indígenas, quilombolas e caiçaras);
• Angra dos Reis (RJ): patrimônio histórico e cultural, arquitetura colonial,
preservação ambiental, biodiversidade, unidades de conservação,
comunidades caiçaras, utilização de recursos naturais, etc. (QUIRON,
2008)
Tendo delineado as informações de planejamento como data, destino, quantidade e
perfil dos alunos, começa então a parte operacional, ou seja, a operadora inicia o contato com
os prestadores de serviços turísticos. Desde os meios de transportes que serão utilizados
durante a viagem, sejam aéreo, rodoviário, fluvial ou marítimo até a procedência e a reserva
dos restaurantes.
De acordo com o Sr. Marcelo, quando a viagem ocorre pela primeira vez com um
grupo de alunos, a operadora encaminha um colaborador da empresa que, juntamente com o
professor, planejam o trajeto que os alunos irão fazer, visando a adquirir mais informações
sobre a localidade, além de minimizar possíveis transtornos e manter um contato direto com a
comunidade receptora.
Além do planejamento e organização outra etapa essencial para o bom
desenvolvimento das atividades pedagógicas é o da avaliação. O Sr. Marcelo enfatizou que é,
neste momento, que ele verifica se houve problemas durante a viagem e faz questão de saber a
opinião e sugestões dos professores que acompanharam o grupo, pois é por meio dos docentes
que o agente de viagem verifica se as necessidades pedagógicas dos discentes foram supridas.
Neste sentido, muitas escolas fazem questão de chamar o agente de viagem e os
monitores que acompanharam o grupo para presenciarem os trabalhos posteriormente
desenvolvidos pelos alunos, seja uma peça de teatro, jornal, mesa redonda, etc. Este é o
74
momento de finalização das atividades de campo realizadas, para assim dar início às
atividades de estudo do meio do semestre/ano seguinte.
Foi perguntado se alguma escola, no final de cada viagem, sociabiliza os trabalhos
escolares, elaborados pelos alunos, com a comunidade visitada. Ele disse que infelizmente
não, mas que incentivaria esta ação da escola perante a comunidade que a recebe, já que a
escola vai justamente para estudar a localidade, podendo, assim, colaborar com possíveis
problemas, portanto, integrando o senso comum com o cientifico. No entanto, o Sr. Marcelo
não concorda que, ao visitar uma localidade, a escola leve “agradinhos” como livros
didáticos, pois o aluno pode tornar-se conivente com a situação e achar que está fazendo a sua
parte enquanto cidadão, porém sem enxergar de fato a situação real das pessoas que moram na
localidade. Contudo, ele diz não ser contra a comunidade cobrar uma taxa para mostrar a sua
cultura, como por exemplo, as comunidades quilombolas e indígenas.
A operadora facilita o pagamento das viagens, dividindo-a em diversas parcelas,
possibilitando que todos os alunos participem das viagens, pois são atividades pedagógicas
que irão colaborar com a formação do aluno. Algumas escolas pedem que a agência coloque
no valor um percentual a mais, podendo assim negociar com os pais dos alunos que precisam
desta atenção.
3.4 Agência Ambiental Expedições
A Agência Ambiental Expedições encontra-se na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 156
na cidade de São Paulo – SP e, atua no mercado, desde 1987, realizando viagens em
ambientes naturais, principalmente no segmento de Ecoturismo, Turismo Pedagógico, de
Incentivo e Receptivo.
A operadora de turismo conta com o know how dos sócios e geógrafos Israel
Waligora e José Zuquim (conhecido como “Zezão”), além de uma equipe de colaboradores
que auxilia no processo de organização e realização dessas viagens. Há 21 anos vem atuando
com escolas do ensino fundamental, médio e com algumas universidades, tendo como
objetivo levar grupos de estudantes para conhecerem diferentes ecossistemas. Dentre os
diversos locais que a operadora organiza, tanto no Brasil quanto no exterior, destacam-se:
75
Pantanal, Fernando de Noronha, Amazônia, Macho Pichu, Patagônia, Namíbia, Quênia,
Tanzânia, entre outros.
Em 17 de julho de 2008, foi realizada entrevista com o Sr. José Zuquim, onde questões
como planejamento, organização e avaliação das viagens de estudos do meio foram
abordadas.
De acordo com Sr. Zuquim “a proposta da operadora não é transformar os estudantes
em ambientalistas, mas cidadãos conscientes da importância da natureza e das comunidades
tradicionais que nelas habitam”. Vale ressaltar que esse ideal vem de uma época em que ainda
não estavam em evidência aspectos como sustentabilidade e escassez de recursos naturais.
Durante o planejamento dessas viagens são realizadas diversas reuniões com
coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais, bem como, com os professores
responsáveis pelas disciplinas envolvidas. Esses encontros servem para conhecer e entender
as necessidades pedagógicas da escola. É o momento em que a operadora tem acesso a
documentos como projeto pedagógico, quadro curricular, bem como a conteúdos
desenvolvidos pelos professores em sala de aula. Com base nessas informações, a operadora
consegue diagnosticar os objetivos pedagógicos da viagem orientando, quando necessário, o
melhor destino a ser visitado.
Segundo o Sr. Zuquim, é “neste momento que viramos quase que um consultor da
escola”. Para ele, no entanto, muitas escolas não se preparam previamente para a realização
do estudo do meio. Mas como a operadora sabe que é um serviço qualificado e de custo
elevado, ela faz questão de utilizar todo o seu conhecimento pedagógico adquirido durante
esses anos para auxiliar e, assim, prestar um serviço no qual o aluno possa usufruir a essência
do estudo do meio, ou seja, a interface entre a teoria e a prática.
O Sr. Zuquim enfatiza que muitos pedagogos ainda têm preconceito com a palavra
“turismo”. No entanto, ele acredita que muitos deles ainda não conhecem realmente o
potencial e a importância deste setor para a educação, pois a junção da Educação com o
Turismo só tende a trazer resultados positivos para o aprendizado dos alunos. Acrescenta
ainda que, “apesar de a escola e a operadora terem funções distintas, cada qual tem o seu
papel no processo da viagem, ou seja, a parte pedagógica é responsabilidade da escola e a
parte organizacional da agência, elas se complementam”. Contudo, apesar de a operadora não
elaborar material didático informativo para as escolas, fornece as informações necessárias da
localidade a ser visitada para os professores produzi-las. O Sr. Zuquim acredita que essas
viagens requerem trabalho de parceria e confiança entre a escola, a operadora e a comunidade
76
receptora, pois, para que o estudo do meio aconteça de maneira positiva, é importante o
envolvimento de cada uma das partes.
O planejamento das viagens acontece em um período de tempo significativo, pois a
operadora, além de precisar entender as necessidades pedagógicas da escola, precisa também
possibilitar aos pais dos alunos se organizarem financeiramente, pois muitos preferem pagar o
pacote em diversas parcelas, já que muitos têm mais de um filho estudando na mesma escola.
Nesse sentido, apesar de os contratos de prestação de serviços serem realizados com a escola,
os pais estão diretamente ligados com a operadora, no que diz respeito aos aspectos
financeiros.
Uma vez que as necessidades pedagógicas e financeiras foram sanadas pela operadora,
inicia-se o processo de contratação dos serviços turísticos (transporte, hospedagem,
alimentação, visitas a atrativos naturais e culturais), visando a atender as necessidades
organizacionais do grupo de alunos em questão.
O Sr. Zuquim salienta que os monitores que acompanham os alunos são graduandos
ou graduados, pois dependendo do foco da viagem, será designado um profissional específico
da área (ex: biólogo, geógrafo ou historiador) para acompanhar o grupo. Esse profissional é
qualificado e capacitado para auxiliar os professores, tanto em questões pedagógicas, como
organizacionais da viagem.
Por fim, a agência de turismo realiza o processo de avaliação com os coordenadores,
orientadores e professores. As informações obtidas nessas reuniões são repassadas aos
monitores e prestadores de serviços turísticos, quando necessário. O Sr. Zuquim informou que
algumas escolas ao estudarem determinado local e, ao voltarem no mesmo destino levam, o
material produzido na visita anterior, podendo ser fotos, filmes, projetos, etc. estreitando, cada
vez mais, os laços entre o aluno-turista e o anfitrião, mas que esta atitude ainda é incipiente.
3.5 Visita ao Assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)
realizada pela Escola Carandá e Quíron Turismo Educacional
A pesquisadora realizou a visita ao assentamento, pois acreditou ser importante ver in
loco como as atividades de estudo do meio acontecem de fato. Utilizou como método a
observação e fez entrevista não estruturada com o professor, orientadora pedagógica, alunos,
77
monitor e com os anfitriões, visando a entender melhor a opinião de cada um sobre os
aspectos que envolvem atividades de estudo do meio. Para tanto, foram utilizados caderno de
campo, máquina fotográfica e gravador. Vale ressaltar que não foi autorizado pela escola que
fossem feitas fotos dos rostos dos alunos, sendo permitido fotografias apenas de perfil.
Os responsáveis por acompanhar o grupo foram o Sr. José Cláudio Escobar da Costa,
professor de geografia e Isa Maria Telles Silveira, orientadora pedagógica, representando a
Escola Carandá e o monitor Eduardo Pedro Noffs, historiador graduado pela Universidade de
São Paulo, representando a Agência Quíron. Esta atividade de campo foi direcionada aos
alunos da 7º série.
A Escola Carandá contratou os serviços da operadora Quíron Turismo Educacional
para organizar a visita a duas propriedades rurais. A primeira é propriedade de meeiros,
contendo plantação de uvas e localizada na cidade de Indaiatuba (SP). A segunda propriedade
é um assentamento do MST, localizado em Sumaré (SP).
Essa atividade pedagógica
aconteceu em 05 de junho de 2007.
O objetivo de acompanhar esse grupo de alunos (da 7ª série do ensino fundamental),
na visita a um assentamento, foi para observar de que maneira o estudo do meio é planejado,
organizado e avaliado, tanto pela Escola quanto pela Agência, e como os alunos e os
anfitriões entendem essa atividade de campo.
A atividade iniciou-se com o monitor explicando o roteiro que o grupo iria fazer,
contextualizando fatos importantes do cenário agrário brasileiro. Ele deu algumas orientações
de comportamento e informações gerais.
A primeira parada foi no “Sítio dos Meninos” tendo como proprietários o casal Sr.
Waldomiro e Sra. Valquíria como registrado na figura 6. Mas antes de sermos recebidos por
eles, o professor de geografia fez algumas observações relembrando conteúdos desenvolvidos
em sala de aula, especificamente sobre meeiros e proprietários de terras, contextualizando os
alunos perante o que seria visto in loco e chamando atenção para alguns detalhes que
deveriam ser melhor analisados. A seguir, os alunos ouviram a palestra do proprietário da
fazenda. Diversos deles fizeram perguntas já planejadas em sala de aula, sendo todas
respondidas pelo entrevistado. Após esta reunião de recepção, foram oferecidos aos alunos
cachos de uvas recém-colhidos Neste momento, o objetivo era integrar o grupo de alunos com
os fazendeiros.
78
Segundo o Sr. Valdomiro, “é muito bom receber os alunos, pois muitas vezes eles
chegam à fazenda com uma imagem errada da função do meeiro; acham que são explorados”.
Para ele, na verdade é uma troca. Assim ele afirma que:
[...] eu forneço a terra para eles plantarem. Além de não pagarem água, luz,
aluguel, entre outras coisas, recebem também um salário mínimo [...] Em
troca eles plantam e depois a gente divide tudo em meio a meio (Informação
verbal)29.
Figura 6: Fotografia tirada em 05/06/2007 – Sr. Valdomiro e Sra. Valquíria
Fonte: Acervo particular Roberta Monteiro
Já para a Sra. Valquíria “é muito bom quando um aluno vê a plantação e experimenta a
fruta tirada direto do pé”.
Após a confraternização os alunos dividiram-se em grupos e aplicaram questionários
aos meeiros (ver figura 7), abordando algumas questões como “idade, tempo de trabalho na
fazenda, como ficou sabendo daquele lugar, se tem família etc”.
No final da visita os alunos fizeram uma roda de conversa e dialogaram sobre os
aspectos que mais lhes chamaram a atenção, estabelecendo relação sobre o que viram na
teoria e na prática, com auxílio de uma apostila elaborada pelos professores da Escola, com o
apoio da Quíron.
29
Dados da entrevista não estruturada realizada com o Sr. Valdomiro, proprietário do “Sítio dos Meninos”,
realizada em 05/06/2007.
79
Figura 7- tirada em 05/06/2007 – alunos entrevistando meeiro
Fonte: Roberta Monteiro
No segundo momento, o grupo dirigiu-se para o assentamento do MST na cidade de
Sumaré (SP)30. Os alunos chegaram ao local, foram recebidos pela Sra. Cecília31 e almoçaram
(refeição servida pelos assentados). Após o almoço, dois líderes comunitários (Sr. Calisto e
Sr. Leoni), ministraram palestra para os alunos abordando aspectos que remetiam à história do
assentamento, à reforma agrária no país e aos projetos que estavam sendo por eles
desenvolvidos, como demonstrado na figura 8. Depois da palestra os alunos entrevistaram
alguns moradores com perguntas já definidas. E por fim, no ônibus, fizeram algumas
colocações e voltamos para São Paulo.
Figura 8: Fotografia tirada em 05/06/2007 – Representantes do MST
Fonte: Acervo particular Roberta Monteiro
30
De acordo com Eduardo Noffs, monitor e historiador, esse assentamento é conhecido como o primeiro de São
Paulo. Em 2004 o Assentamento completou vinte anos da sua implantação e para comemorar foi publicado um
livro cujo titulo é "Terra Nossa Prometida", escrito por José Pedro, relatando seus vinte anos de luta.
31
A Sra. Cecília é o contato das agências com o assentamento. Ela informou que “é muito bom receber as
escolas, pois desta forma eles aprendem um pouco sobre a nossa história, além de ganharmos um dinheirinho.
Construímos este galpão e os banheiros, sendo que este ambiente serve como escola e também para recebermos
os convidados.”
80
Em entrevista não estruturada com os alunos foi perguntado sobre a opinião deles
referente às atividades fora da sala de aula e as respostas foram as seguintes: “Eu gosto muito
dessas visitas”, “muitas vezes, aprendo mais durante as visitas do que quando o professor fala
durante as aulas”, “É muito legal encontrar os monitores da Quíron nessas viagens, pois são
sempre bem informados e conseguem falar a nossa língua.”, “Tem assunto que o professor
explica e é chato e quando monitor fala é mais legal, faz a gente pensar no assunto”, “[...] é
bem legal aprender as coisas em sala de aula e depois ver tudo ao vivo e a cores”, “Quando a
viagem tem muita coisa para fazer fica muito cansativa e a gente às vezes não consegue
prestar atenção em tudo”.
Com base no depoimento dos alunos, percebeu-se que eles gostam dessas atividades
mas, para que estas possam ter bons resultados, precisam ser bem planejadas pelos
professores ainda em sala de aula. É preciso fazer com que o aluno se interesse
principalmente pelas informações que serão transmitidas e assim refletidas, mas também é
necessário que sejam programados momentos de entretenimento e confraternização.
Já para o monitor Eduardo,
[...] É importante compartilhar conhecimentos com os alunos e a gente
aprende muito com eles também, há muito adulto que é cheio de preconceito
e eles não. Infelizmente há pais que não deixam seus filhos visitarem
assentamentos, cortiços ou favelas... Isso é triste, pois acredito que o estudo
do meio serve para refletirmos sobre a realidade de nosso país (Informação
verbal)32
De acordo com a Sra. Isa, orientadora pedagógica, essas viagens são fundamentais
para o aprendizado do aluno, considerando que este é um aprendizado que eles levam por toda
a vida, que é inesquecível. A entrevistada trabalha há 25 anos com Educação e considera
muito gratificante quando um ex-aluno retorna à escola e lembra-se das suas experiências de
estudo do meio.
Desta forma, percebe-se que essas viagens não agregam apenas
conhecimento intelectual, mas social e humanístico.
Foi perguntado ao professor Cláudio se a Escola Carandá socializa as informações
adquiridas por meio das entrevistas realizadas com os fazendeiros, meeiros e membros do
assentamento, mas, segundo ele, as questões abordadas e refletidas em sala de aula ficam no
cenário escolar.
32
Dados da entrevista de Eduardo Noffs, historiador, monitor da Quiron Turismo Educacional, realizada em
05/06/2007.
81
Em suma, as entrevistas foram muito positivas para a pesquisa, pois por meio delas,
percebeu-se que houve cooperação e interesse dos educadores, agentes de viagens, monitor,
alunos e anfitriões, ao responderem questões significativas para se compreender melhor as
atividades de estudo do meio.
82
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Compreender a importância da educação e de que maneira ela pode contribuir
com a evolução humana, seja no âmbito familiar, social, cultural ou intelectual, foi essencial
para entender as diferentes formas de aprendizado utilizadas pelo Homem. Muitos educadores
se dedicaram ao saber humano, com o objetivo de criar métodos e técnicas, contribuindo com
o aprendizado das crianças, dos adolescentes e também dos adultos. Percebeu-se que esses
pensadores buscaram entender as necessidades educacionais do outro, e a partir delas,
desenvolveram princípios educacionais.
Nesse sentido, foi constatado por meio das entrevistas com docentes e discentes, que o
estudo do meio é um método de ensino bem eficaz, confirmando o que muitos autores
relataram em suas obras.
Identificou-se que muitas escolas particulares na cidade de São Paulo realizam
atividades de campo, utilizando os serviços de operadoras turísticas para organizar essas
viagens e visitas de estudos do meio, possibilitando ao aluno aprender além de conceitos
teóricos em sala de aula, experiência-los por meio das atividades empíricas envolvendo-os de
fato com o meio. Destarte, as Instituições de Ensino perceberam que é de fundamental
importância a relação entre a teoria e a prática, visando a atender às necessidades didáticopedagógicas, principalmente de algumas disciplinas como geografia, história, biologia,
ciências naturais, etc.
Estudar o universo das agências de viagens no mundo e no Brasil propiciou melhor
conhecer essas empresas prestadoras de serviços e as estratégias de marketing utilizadas, bem
como distinguir quais são as atribuições das agências de turismo, principalmente das
operadoras turísticas ou agências produtoras, que foram objeto de pesquisa deste trabalho.
Dessa forma, foi possível compreender que os diferenciais são fundamentais para que
a agência formate os pacotes turísticos, individuais ou coletivos, é necessário que ela conheça
o público e o destino a ser visitado, não somente levando em consideração os serviços
turísticos, mas inclusive a infra-estrutura básica, serviços públicos, atrativos e essencialmente
os anseios da comunidade local, pois acredita que é do êxito dessa relação de coexistência –
agência de turismo, turista e anfitrião - que poderá culminar em bons resultados, não somente
econômicos, mas fundamentalmente culturais e sociais.
83
Contudo, na prestação de serviços de viagens, o consumidor avalia, não somente os
equipamentos modernos e eficazes que a agência de turismo e os fornecedores de serviços –
hotéis, restaurantes – oferecem, mas também a forma ética e responsável pela qual esses
produtos estão sendo oferecidos ao mercado, bem como se as informações veiculadas são
fidedignas.
Assim, é importante que os agentes de viagem conheçam as necessidades e desejos
dos clientes, verificando os diferentes tipos de expectativas envolvidas, lembrando que as
mesmas são dinâmicas. Para que haja esse conhecimento por parte das agências de turismo é
preciso que sejam monitoras continuamente essas mudanças por meio de questionários e
entrevistas com os coordenadores pedagógicos e professores, levando em consideração,
fundamentalmente, as normas que norteiam os aspectos educacionais.
As viagens de estudos do meio e as visitas técnicas têm por objetivo estimular o senso
crítico do aluno, fazendo com que a reflexão e discussão dos assuntos, inicialmente abordados
em sala de aula, estejam presentes em todo o processo de ensino, trazendo à luz do saber não
somente o aprendizado pessoal ou escolar, mas o compromisso social, cultural e ambiental.
Entretanto, infelizmente, essa experiência ainda é para poucos, já que é um serviço de alto
custo, limitando-se aos alunos de escolas particulares.
Os destinos são escolhidos pelas escolas, visando a suprir necessidades pedagógicas
contidas no planejamento curricular de determinada série, mas em muitos casos, ao chegar a
esses locais, o grupo acaba refletindo sobre diversos problemas que são analisados. No
entanto, o universo estudado fica apenas no cenário escolar, sendo que poderia ser socializado
com a comunidade receptora. Deste modo, constatou-se ser ainda muito incipiente essa
atitude. Há possibilidades de mudar esse quadro, pois ao conversar com os educadores,
verificou-se grande interesse em desenvolver projetos que possam contribuir com o
desenvolvimento da localidade ou, até mesmo, sanar possíveis problemas diagnosticados
durante as viagens.
Para tanto, é fundamental que os anfitriões - poder público, privado e comunidade
local - acolham os turistas com hospitalidade na esfera comercial, doméstica, pública e
virtual. Neste sentido, a cidade deve preocupar-se constantemente com a melhoria da oferta
turística. Já a demanda - alunos, professores e agências de turismo - deve buscar locais onde
haja possibilidade de estudo e aprendizado, no qual a viagem passe a ser planejada como
atividade de ampliação/construção de conhecimentos e não como “passeio”.
Assim, identificou-se que as agências de turismo pesquisadas, demonstraram
preocupar-se, não apenas com a elaboração adequada de pacotes turísticos para o público
84
estudantil, mas também, com os roteiros que deverão estar atrelados ao planejamento
educacional, pois constatou-se que os educadores consideram os agentes de viagens como
parceiros, pois em todo o processo há interdependências de informações, desde o
planejamento, perpassando pela elaboração e a organização, até a fase de avaliação no que
tange aos aspectos pedagógicos e dados sobre o destino visitado.
Aspira-se que essa pesquisa seja o inicio de muitas, principalmente no que diz respeito
ao aspecto da hospitalidade, nos destinos que as escolas e agências de turismo utilizam para
desenvolver as atividades de estudo do meio.
85
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REVISTA HOSPITALIDADE, São Paulo: Anhembi Morumbi.
REVISTA COMUNICARTE, São Paulo: PUC Campinas.
CADERNOS UNIBERO, São Paulo: Centro Universitário Ibero-americano.
Entrevistas
HOTIMSKY, Sílvio. Sílvio Hotimsky. Depoimento [junho, 2008]. Entrevistador: Roberta
Monteiro de Oliveira. São Paulo: Colégio Santa Cruz, 2008. 1 cassete sonoro. Entrevista
concedida a Dissertação de Mestrado: Turismo Pedagógico: a relação entre agências de
turismo e escolas.
SALUM, Marcelo. Marcelo Salum. Depoimento [junho, 2008]. Entrevistador: Roberta
Monteiro de Oliveira. São Paulo: Quíron Turismo Educacional, 2008. 1 cassete sonoro.
Entrevista concedida a Dissertação de Mestrado: Turismo Pedagógico: a relação entre
agências de turismo e escolas.
TERRON, Milena. Milena Terron. Depoimento [junho, 2008]. Entrevistador: Roberta
Monteiro de Oliveira. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2008. 1 cassete sonoro. Entrevista
concedida a Dissertação de Mestrado: Turismo Pedagógico: a relação entre agências de
turismo e escolas.
ZUQUIM, José. José Zuquim. Depoimento [julho, 2008]. Entrevistador: Roberta Monteiro
de Oliveira. São Paulo: Ambiental Expedições, 2008. 1 cassete sonoro. Entrevista concedida a
Dissertação de Mestrado: Turismo Pedagógico: a relação entre agências de turismo e escolas.
100
APÊNDICES
101
Roteiro de Entrevista – Agências de Turismo
Objetivo: Verificar quais os principais destinos de turismo pedagógico e como são
organizadas as viagens de estudo do meio, tanto pelas agências quanto pelas escolas da cidade
de São Paulo.
Agência:
data:
Responsável:
função:
Formação:
Telefone:
e-mail:
Endereço:
1. Há quanto tempo a agência atua no mercado?
2. E no segmento de turismo pedagógico?
3. Quais foram os principais motivos que levaram a agência a atuar nesse segmento de
mercado?
4. Qual é a opinião do Senhor(a) sobre a utilização da terminologia turismo pedagógica
para designar as viagens de estudo do meio?
5. Quais diferenças existem na organização de uma viagem de estudo de uma viagem
tradicional?
6. Quais serviços são oferecidos nas viagens de turismo pedagógico?
7. Quais os principais destinos de viagens de estudo do meio que a agência vende?
8. Quais são os critérios para a escolha do destino e das atividades educacionais?
9. Por se tratar de uma viagem de estudo o Senhor(a) acha que os destinos estão
preparados para receber esse grupo? Por quê?
10. O Senhor(a) acha que a hospitalidade dos locais é um dos fatores determinantes para a
escolha do destino? Por quê?
11. Quem é o contato da agências nas escolas para tratar sobre as viagens de estudo?
12. Como a agência auxilia a escola para atender as necessidades didático-pedagógicas de
cada grupo?
13. A agência oferece algum material informativo para os alunos dos locais que serão
visitados?
14. A agência realiza algum tipo de avaliação da viagem com a escola? E com os alunos?
15. Qual é a opinião do Senhor sobre o mercado de viagens de estudo do meio?
102
Roteiro de Entrevista – Escolas
Objetivo: Verificar quais os principais destinos de turismo pedagógico e como são
organizadas as viagens de estudo do meio, tanto pelas agências quanto pelas escolas da cidade
de São Paulo.
Escola:
data:
Responsável:
função:
Formação:
Telefone:
e-mail:
Endereço:
1. Há quanto tempo a escola realiza viagens de estudo do meio?
2. Essas viagens sempre foram organizadas por uma agência de viagem?
3. Atualmente, a escola utiliza a prestação de serviços de quais agências?
4. Quais critérios são usados para escolha da agência? (preço, confiabilidade, gestão)?
5. Qual é a participação da escola durante o processo de organização da viagem?
6. Qual é a opinião do Senhor(a) sobre a utilização da terminologia turismo pedagógico
para designar as viagens de estudo do meio?
7. As viagens estão inseridas no projeto pedagógico?
8. Essas viagens são atividades interdisciplinares?
9. Quais disciplinas são tradicionalmente envolvidas?
10. A escola utiliza os PCN´s para auxiliar no planejamento das atividades de estudo do
meio? Como?
11. A agência atende as necessidades didático-pedagógicas da escola e de cada grupo de
alunos? Como?
12. Qual instrumento a escola utiliza para avaliar o processo de ensino-aprendizagem do
aluno?
13. Quais são os critérios para a escolha dos destinos e das atividades pedagógicas?
14. Quais os principais destinos de viagens de estudo do meio que a escola realiza?
15. Qual é a opinião do Senhor(a) sobre as viagens de estudo do meio na formação
educacional do aluno?
103
ANEXOS ?????

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