Que música escolher para a entrada da noiva? Eu penso que esta

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Que música escolher para a entrada da noiva? Eu penso que esta
Que música escolher para a entrada da noiva?
Eu penso que esta deve ser provavelmente a decisão mais difícil de um casal de noivos
porque este é o momento de maior expectativa, não só da cerimónia como também do
dia mais importante das suas vidas. É perfeitamente natural porque também têm
consciência que existe uma atmosfera de ansiedade nos convidados. Todos querem ver a
noiva. Assim, é compreensível que os noivos desejem que sobretudo este momento seja
muito mais bonito do que possam eventualmente imaginar.
Este momento tão solene tem que ter obrigatoriamente um acompanhamento musical
adequado. E a melhor musica é aquela que os noivos escolherem, porque eles são
soberanos e no momento certo saberão escolher a sua música. Existem naturalmente
muitas obras e eu tomei a liberdade de seleccionar alguns temas musicais que constatei
serem o alvo da preferência da maior parte dos noivos que tive o prazer de conhecer. Os
meus comentários são muito simples, julgo que suficientes mas exclusivamente de
índole histórica.
Permitam-me realçar, na qualidade de músico, a fundamental importância de conhecer
sempre um bocadinho dos autores, da época em que viveram ou ainda vivem e
principalmente o motivo que os levou a criar determinadas músicas, porque acredito
sinceramente que as suas obras carregam sempre esse seu testemunho, a sua
personalidade, o seu pedacinho de história. É como se tivessem vida.
“Ave Maria”, Franz Shubert(1797-1828).
A discografia deste compositor é riquíssima mas este tema é um dos meus preferidos
porque existe no seu todo uma forma cândida, uma brandura e uma pureza invulgares.
Na realidade o que este compositor austríaco escreveu foi uma canção para piano e voz
chamada “Ellen Gesang III”, ou seja, “ Canção de Ellen nº3” e a letra é uma tradução de
um trecho de uma obra de Sir Walter Scott,“ The Lady of the lake”, onde nesta
passagem, Ellen Douglas, uma das personagens do livro, fazia uma súplica à Virgem
Maria. Mais tarde foi feita uma adaptação de uma letra em Latim e a música começou a
ser mais conhecida por “Ave Maria” e hoje é sem dúvida a obra mais conhecida de
Shubert. Recomendo vivamente as versões para orquestra interpretadas por Rachael
Lampa ou Sarah Brightman.
“Ave Maria”, Charles Gounod(1818-1893).
Este compositor Francês, autor de algumas óperas e variadíssimas obras religiosas, não
fez mais do que adaptar uma letra e uma linha melódica a um dos prelúdios de Johann
S. Bach, o prelúdio nº1, (Wohltemperierte Klavier I No. 1). O resultado é
extraordinário. Eu sinto que existe qualquer coisa de feminino nesta música, talvez pela
sua notória graciosidade e provavelmente seja essa a razão pela qual eu só conheça
versões interpretadas por senhoras. A letra também é uma prece dirigida à Virgem
Maria. A Nana Mouskouri é simplesmente maravilhosa a cantar esta música.
“Bridal Chorus”, Richard Wagner(1813-1883)
Solene e cerimoniosa, esta peça pertence a uma ópera chamada “Lohengrin”, uma das
várias óperas deste compositor baseadas em histórias da mitologia alemã, onde no
segundo acto uma princesa chamada Elsa, perturbada pela acusação que recaía sobre o
noivo, um cavaleiro desconhecido, de ser um impostor, decide mesmo assim e movida
pelo seu extremo amor a entrar na igreja acompanhada pelo seu pai, o Rei Heinrich,
para desposar o seu amado, que mais tarde revela chamar-se Lohengrin, filho de Sir
Parsifal, o protector do Cálice Sagrado. Depois desta ópera ter sido apresentada pela 1ª
vez em 1850, tornou-se uma constante a sua “marcha nupcial” ser tocada na recepção
das noivas nas cerimónias religiosas. Wagner, com uma personalidade controversa e
com um carácter muito especial, amigo pessoal de Nietzsche com quem partilhava
muitos conceitos ideológicos, foi autor de obras tais como “Tristão e Isolda” e “O anel
dos Nibelungos” com a sua famosa “Cavalgada das Valquírias”.
“Marcha Nupcial”, Félix Mendelssohn (1809-1847)
É por excelência a peça musical que, pelo seu sucesso, mais e melhor se identifica com
um evento matrimonial. Majestosa e empolgante, foi apresentada em 1858 durante o
casamento de um princesa real Inglesa e o impacto foi tal que rapidamente se tornou
moda, costume que se perpetuou até aos dias de hoje. Esta peça musical pertence a uma
obra chamada “ Sonho de uma noite de verão” que o compositor escreveu na sua
adolescência e que mais tarde aumentou para ser adaptada à peça de Shakespeare com o
mesmo nome. Mendelssohn nasceu em Hamburgo e cedo demonstrou o seu virtuosismo
e tornou-se um dos mais conceituados músicos da sua época. Conheceu e manteve uma
relação de amizade com Goethe que exerceu uma notória influência na vida do
compositor.
“Cânon”, Johann Pachelbel(1653-1706)
Nascido em Nuremberga, Alemanha, foi um famoso compositor e organista de música
de igreja. O seu prestígio levou-o a exercer as suas funções em lugares como a catedral
de St. Stephen em Viena e nas cortes de Eisenach e Stuttgart. O seu trabalho influenciou
a obra de Bach, de quem era próximo e amigo da família. Este tema, também chamado
de “Cânon e Guigue” em Ré maior, é muito elegante, principesco e é a sua obra mais
conhecida da qual existem várias versões.
“Ária”Johann Sebastian Bach(1685-1750)
O seu exuberante virtuosismo no órgão, cravo e clavicórdio promoveu o seu prestígio
na sua época mas, na minha opinião, as suas obras foram sem dúvida o legado musical
mais precioso de todos os tempos. Com Bach desabrochou a era barroca. A sua família
era numerosa e todos eram talentosos músicos que ocupavam vários cargos importantes
e que naturalmente evidenciavam um certo relevo na sociedade. Esta ária é perfeita.
Também conhecida como “ Air on G string”, faz parte da “Suite para Orquestra nº3 em
Ré maior”, (BWV 1068) é de uma beleza divinal e da qual existem inúmeras versões
incluindo uma versão “hip-hop”.
“Music for the Royal Fireworks”, Haendel (1685-1759)
Esta obra fantástica é de uma excelência ímpar foi a maior e a última das criações para
orquestra deste fabuloso compositor alemão nascido em Halle. A sua obra e o seu
prestígio eram tal que o próprio Ludwig Van Beethoven afirmou peremptoriamente que
Friedrich Haendel tinha sido o maior de todos os compositores. Viajava com
regularidade e fixou residência em Inglaterra depois de uma das suas viagens a Londres
tornando-se inclusive um súbdito britânico. Compôs esta peça em 1749 para a
celebração do tratado de Aix-La-Chapelle cujas festividades se realizaram em Green
Park. A expectativa foi tal que o ensaio geral em Vauxhall Gardens movimentou uma
audiência de 12.000 pessoas o que provocou um congestionamento do tráfego de 3
horas na ponte de Londres. Este momento musical é soberbo.
“She”, Letra e Música de Herbert Ketzmer e Charles Aznavour
O sucesso da comédia romântica de Roger Michell “Notting Hill” com Júlia Roberts e
Hugh Grant nos principais papéis ressuscitou êxitos de outrora. Da sua fabulosa banda
sonora destacam-se duas versões desta música com duas interpretações magníficas de
Elvis Costello e Charles Aznavour. O tema é realmente muito bonito.
“Haja o que houver”, Letra e Música de Pedro Ayres Magalhães, (Madredeus)
Confesso que me arrepiei na primeira vez que ouvi esta música numa cerimónia. É um
tema muito, muito lindo. É difícil encontrar palavras que possam descrever a beleza
desta canção que diz que qualquer que seja a circunstância ou adversidade nada temas
porque podes contar sempre comigo. Que melhor mensagem para um casal que se
prepara para uma vida em comunhão?
É fácil encontrarem estas e muitas outras músicas na Internet. Se possível, procurem
ouvir várias versões do mesmo tema. Depois de alguma pesquisa eu penso que o melhor
critério a seguir é ouvirem também os vossos corações.
Texto de Luís e Sandra