ambiente e energia - Formação PME

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ambiente e energia - Formação PME
Ambiente
e Energia
Ficha Técnica PRONACI
Edição 2002
Ficha Técnica PRONACI
Ambiente e Energia
Concepção: CATIM - Centro de Apoio Tecnológico à Indústria
Metalomecânica
Conteúdos: Bruno Santos, Cláudia Ribeiro, Eduarda Fernandes,
Patricia Soares, Rita Arnaud, Sofia Araújo
Colaboração: Iris Ferraz
Coordenação: Francisco Alba
PRONACI - Programa Nacional de Qualificação de Chefias Intermédias
AEP - Associação Empresarial de Portugal
Setembro de 2002
“Todos têm direito a um ambiente de vida humano,
sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o
fazer”.
In Artº 66 - Constituição da República
A preservação do Ambiente assume um papel cada vez mais
preponderante na melhoria da nossa qualidade de vida,
reflectindo-se no modo como conduzimos todas as nossas
actividades. Esta nova consciência traduz-se, naturalmente,
na realidade industrial, pelo que o desempenho ambiental das
empresas constitui um factor determinante para a sua competitividade.
Nesta Ficha Técnica apresentamos-lhe as principais questões
envolvidas na problemática ambiental ao nível de Resíduos,
Águas e Águas Residuais, Emissões Gasosas, Ruído e Energia.
Expomos-lhe ainda os principais conceitos e procedimentos
associados a um Sistema de Gestão Ambiental (SGA),
instrumento voluntário para melhoria do desempenho
ambiental de uma organização.
Pretendemos fornecer-lhe os elementos necessários para que
possa preparar o diagnóstico ambiental da sua empresa e
identificar as acções de melhoria a adoptar.
Aumente a competitividade da sua empresa,
Preserve o Ambiente!
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ÍNDICE
Página 4
Resíduos
O que são os resíduos?
Em que consiste a política dos 3 R's?
Como deve ser feita a gestão de resíduos?
Página 9
Águas e Águas Residuais
Água: elemento fundamental à vida
O que é a poluição da água?
Como se avalia a qualidade da água?
Como é feito o tratamento de águas?
Como é feito o abastecimento de água?
Como deve ser feita a rejeição de águas residuais?
Como proteger os recursos hídricos?
Página 15
Emissões Gasosas
O que é a Atmosfera?
O que é a Poluição Atmosférica?
Página 21
Ruído
O ruído no meio ambiente
O que é o ruído?
Quais as actividades mais incomodativas?
Quais os principais efeitos nocivos do ruído?
Como controlar o ruído?
Como diminuir o ruído?
Página 25
Energia
O que é a Energia?
Quais as principais fontes de Energia?
Como se podem diminuir os Impactes Ambientais?
Quem são os maiores responsáveis pelo consumo de energia em
Portugal?
Página 29
Gestão Ambiental
O que é um Sistema de Gestão Ambiental (SGA)?
Quem pode implementar um SGA?
Quais as vantagens?
Constitui uma exigência legal?
Que normativos podem ser utilizados?
O que é a Certificação Ambiental?
Página 32
Levantamento Ambiental
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RESÍDUOS
O que são os Resíduos?
Os resíduos são todas as substâncias ou objectos de que o detentor
pretende ou é obrigado a se desfazer. De acordo com a sua origem, os
resíduos são classificados em: urbanos, industriais, hospitalares e
outros. Relativamente às suas características os resíduos podem ser
considerados perigosos ou não perigosos.
Qual a produção de resíduos em Portugal?
Produção de resíduos industriais
declarada em 1999 por concelho
(em toneladas)
Produção de resíduos sólidos urbanos
por concelho (sem recolha selectiva)
(em toneladas)
Fonte: INR (1 999)
Fonte: INR (2 000)
Até 1 000
< 6 251
1 001 a 5 000
6 251 a 12 500
5 001 a 25 000
12 501 a 25 000
25 001 a 125 000
25 001 a 50 000
125 001 a 625 000
50 001 a 100 000
> 625 000
> 100 000
Os resíduos provocam poluição?
A acumulação não controlada de resíduos pode dar origem a diversos problemas, tais como:
• Contaminação do solo, da água e do ar;
• Propagação de doenças contagiosas;
• Acidentes ocasionais (explosões e incêndios, etc.);
• Odores desagradáveis;
• Impacte visual.
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O que fazer?
De forma a controlar os problemas associados à produção de resíduos foram estabelecidos dois objectivos principais:
• A prevenção da produção e/ou da nocividade dos resíduos;
• A valorização ou, caso não seja possível, a sua eliminação adequada.
Com vista ao cumprimento dos objectivos de Prevenção e
Valorização, foi definida uma política usualmente designada por
Política dos 3R’s.
Em que consiste a Política dos 3R’s?
1º Reduzir - Evitar a produção de resíduos.
2º Reutilizar - Utilizar um produto mais do que uma vez para o
fim para o qual foi produzido ou para outro fim.
3º Reciclar - Recuperar os componentes dos resíduos para produzir novos produtos.
Sabia que... na reciclagem de uma lata se poupa energia para
manter uma televisão ligada durante 3 horas?
Como Reduzir?
Evitando consumos desnecessários, utilizando produtos em
embalagens familiares ou sem embalagens excessivas, recorrendo
a novos materiais, designs inovadores e tecnologias com maior
respeito pelo ambiente, etc..
Como Reutilizar?
Optando por embalagens com tara ou com recarga, aproveitando o
verso das folhas usadas para rascunho, preferindo pilhas recarregáveis, actualizando os processos produtivos e adoptando tecnologias mais limpas, entre outros.
Sabia que... em média um Português produz cerca de 1 kg de resíduos por dia?
Como Reciclar?
A reciclagem apenas é possível se o produtor do resíduo o
encaminhar para uma empresa capaz de o transformar novamente
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em matéria prima e se os consumidores separarem os diferentes
tipos dos resíduos e os depositarem nos locais adequados.
Ao nível urbano a reciclagem é constituída pelas seguintes fases:
• Deposição Selectiva (colocação de cada resíduo em locais
especificamente criados para esse efeito - Ecopontos e
Ecocentros);
• Recolha Selectiva (recolha e transporte dos recipientes para
triagem);
• Triagem (separação dos diversos materiais colocados num contentor);
• Fabrico (produção de novos produtos a partir do material triado).
A deposição / recolha selectiva é a parte mais importante de todo o
processo de reciclagem e coincide com a etapa onde todos participamos.
Composição física dos resíduos sólidos urbanos (RSU)
36% matéria orgânica
24% papel e cartão
21% outros
11% plástico
2% metal
6% vidro
Fonte: INR (2 000)
Fases da reciclagem de RSU
escola
Lixo
Ecocentro
Ecoponto
Centro de triagem
Reciclagem
Recolha
Selectiva na origem
7
Como tratar os restantes resíduos gerados?
De forma a eliminar os resíduos existentes sem danos para o ambiente recorre-se a diversos tipos de tratamento:
O que é?
Vantagens
Processo biológico em
que a matéria orgânica
(excrementos de animais, restos de plantas
e de comida,...) é decomposta por acção de
microorganismos, dando origem a um composto adubante
Redução do volume de
resíduos enviado para
aterro
Necessidade de deposição dos refugos
inorgânicos em aterro
Aproveitamento da
matéria orgânica
Só é interessante para
resíduos com elevada
carga orgânica
Tratamento de resíduos
por via térmica, com
ou sem recuperação
de calor
Concentração dos
tóxicos num material
mais maneável
Produção de cinzas volantes com características tóxicas
Recuperação de energia
contida nos resíduos
Produção de águas
residuais
Redução do volume inicial da massa de resíduos em 80 a 90%
Obriga à existência de
aterro para deposição
dos resíduos finais
Baixa especificidades
dos resíduos tratados
Custos de investimento
e de operação elevados
Exige pouco espaço
Eventuais emissões de
furanos e dioxinas
Custos de exploração
e investimentos baixos
Área de implantação
extensa
Permite canalizar e
aproveitar o biogás
Produção de lixiviados
(água da chuva que em
contacto com os resíduos fica poluída)
Aterro
Incineração
Compostagem
• Físicos - Filtração / Destilação;
• Químicos - Neutralização, Oxidação e Redução;
• Imobilização - Solidificação / Estabilização, Vitrificação;
• Biológicos - Compostagem, Digestão Anaeróbia;
• Térmicos - Incineração, Pirólise;
• Confinamento - Aterros.
Instalações de eliminação (confinamento)
de resíduos utilizadas
para a sua deposição
controlada acima ou
abaixo da superfície
de solo
Produção de composto
Fertilizante
Permite recuperar
áreas degradadas
Desvantagens
Necessidade de separação dos resíduos
8
Destino final dos resíduos sólidos urbanos em Portugal
% dos RSU produzidos
100
80
60
40
20
0
1995
1996
1997
1998
1999
2000
Metas PERSU
2000
Lixeira
Compostagem
Recolha Selectiva
Aterro Sanitário
Incineração
Fonte: INR (2 000)
Como deve ser feita a gestão de Resíduos?
A legislação portuguesa estabelece uma série de regras a que
devem obedecer as operações relacionadas com a Gestão de
Resíduos:
• Separação selectiva de resíduos (triagem);
• Catalogação dos resíduos (atribuição de um código de identificação ao resíduo, de acordo com uma lista europeia);
• Envio dos resíduos a entidades licenciadas para a sua gestão
(armazenagem, valorização ou eliminação);
• Transporte de resíduos realizado apenas por entidades licenciadas e utilizando as respectivas guias de transporte;
• Quantificação dos resíduos produzidos;
• Comunicação anual dos resíduos produzidos através do preenchimento do mapa de registo de resíduos.
Resíduos
Separação
Separação
Materiais recicláveis
Outros
Matéria
orgânica
Matéria
orgânica
Outros materiais
Incineração
Outros
(Papel, plástico,
vidro, óleos,
madeira...)
Incineração
Outros
tratamentos
Outros
tratamentos
Confinamento
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ÁGUAS E ÁGUAS RESIDUAIS
Água: elemento fundamental à vida
A água é um dos compostos mais abundantes à face da Terra, ocupando cerca de 70% da superfície do planeta. No entanto, a percentagem de água directamente disponível para consumo humano
é de apenas 1%.
A água encontra-se em permanente circulação entre os oceanos, a
terra e a atmosfera, completando um percurso usualmente designado por ciclo hidrológico ou ciclo da água.
Ciclo da água
chuva
evaporação
lago
infiltração
rio
r
ma
aquífero
O que é a poluição da água?
A acção humana leva à introdução de substâncias e calor na água e
no solo que alteram as características naturais da água - poluição
aquática.
As principais fontes de poluição da água são o comércio, os serviços, a indústria, a agricultura e as actividades domésticas. As
águas resultantes destas actividades são designadas como águas
residuais, mais especificamente:
• domésticas, quando provêm de instalações residenciais e serviços;
• industriais, quando têm origem noutras actividades que não as
anteriores.
Dos poluentes responsáveis pela degradação do meio hídrico, destacam-se a matéria orgânica, os nutrientes inorgânicos (azoto e fósforo), os sais dissolvidos, os sólidos suspensos/sedimentáveis, os
hidrocarbonetos e as substâncias tóxicas (metais pesados, ácidos e
bases inorgânicos, detergentes, compostos organo-halogenados,
compostos fenólicos, amónia, cianetos,…).
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De acordo com a sua natureza e concentração, os poluentes apresentam diferentes efeitos sobre o meio ambiente e a saúde pública,
apresentando-se a seguir alguns dos mais relevantes.
Efeitos da poluição sobre a saúde humana:
• Gastroenterites;
• Diminuição da taxa de fixação do oxigénio;
• Alterações do sistema nervoso central;
• Alteração das reacções enzimáticas naturais;
• Anomalias bioquímicas.
Efeitos da poluição sobre o meio ambiente:
• Desoxigenação da água;
• Variações de salinidade e de temperatura;
• Turvação;
• Alteração/destruição da fauna e da flora;
• Eutrofização (fenómeno associado ao desenvolvimento desequilibrado de microorganismos, microalgas e outras plantas
aquáticas).
Como se avalia a qualidade da água?
A qualidade da água representa a adequação da água para um determinado fim: consumo doméstico, indústria, produção de energia, etc.. Em Portugal cerca de 75% do consumo de água está associado à agricultura.
Agricultura
Fonte: DGA (1999)
0,5%
14%
7%
Energia
4%
Turismo
74,5%
Consumo Urbano
Indústria
De modo a proteger o meio aquático e a saúde pública, a legislação
portuguesa estabelece diversas normas que nos permitem avaliar a
qualidade da água através de um conjunto de parâmetros físicos,
químicos e biológicos de referência. Neste âmbito, são considerados os seguintes tipos de utilização da água:
• Águas para consumo humano;
• Águas balneares;
• Águas de rega;
• Águas para suporte da cida aquícola.
Quando as características da água não satisfazem os padrões de
qualidade estabelecidos é necessário efectuar o seu tratamento.
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Sabia que... uma família média gasta cerca de 3500 litros de água
por semana?
Como é feito o tratamento de águas?
O tratamento de águas é geralmente efectuado a partir da combinação de três tipos de métodos:
• Físicos, em que são efectuadas unicamente operações físicas;
• Químicos, em que são utilizados produtos químicos;
• Biológicos, os quais são caracterizados pela utilização de
microorganismos.
Repare-se que alguns destes tratamentos assentam na transferência da poluição da fase líquida para a fase sólida, pelo que é necessário assegurar o tratamento das lamas resultantes.
Físicos
Químicos
Tipos de tratamento
Objectivo
Equalização
Regularização de caudais e concentrações
Filtração
Remoção da matéria em suspensão através de filtros
Decantação
Remoção da matéria em suspensão através da acção de gravidade
Neutralização
Regularização do pH de água
residual
Desinfecção
Eliminação da actividade microbiológica
Coagulação-Floculação
Remoção da matéria dissolvida e
em suspensão por precipitação
Lamas activadas
Biológicos
Leitos percoladores
Digestão Anaeróbia
Remoção da matéria orgânica
biodegradável na presença de ar
Remoção da matéria orgânica
biodegradável na ausência de ar
Como se selecciona o tratamento?
A selecção do tratamento assenta em três operações primordiais:
• Identificação dos contaminantes das águas residuais;
• Definição dos objectivos a atingir com o tratamento;
• Definição dos parâmetros de controlo.
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Como é feito o abastecimento de água?
O abastecimento de água é efectuado através de captações que se
designam como superficiais ou subterrâneas conforme se refiram
ao fornecimento de:
• Água subterrânea (água que existe debaixo da superfície do
solo);
• Água superficial (água existente à superfície do solo).
Todas as captações estão sujeitas a licenciamento e/ou notificação
junto das Direcções Regionais do Ambiente e Ordenamento do
Território (DRAOT).
Para ser utilizada para consumo humano, a água tem geralmente de
ser tratada pelo que é encaminhada para uma Estação de
Tratamento de Água - ETA.
Uma vez que a qualidade da água tratada se reflecte directamente
na saúde das populações, é necessário efectuar um controlo regular das suas propriedades.
Esquema exemplificativo de uma ETA
Oxidação
Armanezamento
Distribuição
Coagulação - floculação
Decantação
Desinfecção
Filtração
Tratamento de lamas
Como deve ser feita a rejeição de águas residuais?
As águas residuais devem ser separadas de acordo com as suas
características, de modo a minimizar os efeitos da sua descarga e
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os custos do seu tratamento. Daí que as unidades fabris devam
possuir redes separativas para as águas residuais domésticas,
industriais e pluviais provenientes das suas instalações.
A rejeição de águas residuais em meio natural também se encontra
sujeita a licenciamento junto da respectiva DRAOT. No caso de descarga em colector municipal, a respectiva licença é da tutela da
autarquia responsável pelo sistema colectivo e a DRAOT deverá
apenas ser notificada. Em ambas as situações é necessário ter em
especial atenção os valores limites de descarga estabelecidos pela
entidade reguladora da descarga.
O tratamento das águas residuais é realizado nas Estações de
Tratamento de Águas Residuais - ETAR. Ao nível doméstico, o tratamento é classificado em:
• Preliminar – Pré-tratamento destinado à remoção de sólidos e à
equalização de caudais e concentrações;
• Primário – Tratamento mecânico e físico-quimico que remove
cerca de 35% da poluição existente na água;
• Secundário – Tratamento biológico que remove entre 80% a
90% da poluição;
• Terciário – Tratamento de afinação.
Esquema exemplificativo de uma ETAR
Águas
residuais
Tratamento preliminar
Tratamento primário
Tratamento secundário
Descarga
Tratamento de lamas
Como proteger os recursos hídricos?
De forma a preservar os recursos hídricos existentes é necessário
efectuar um controlo rigoroso do consumo da água da poluição
provocada pelas nossas actividades.
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Sabia que... uma torneira a pingar pode desperdiçar mais de 190
litros de água por dia?
Tal como no caso da gestão de resíduos industriais, a gestão do
consumo da água assenta em três princípios fundamentais: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
A adopção de procedimentos com maior respeito pelo ambiente
passa, assim, pela utilização de tecnologias menos poluentes e
pela alteração de pequenas acções tanto a nível doméstico como
industrial, tais como:
1. Em casa
• Não lavar a loiça com água corrente;
• Usar a máquina de lavar cheia e com o mínimo de detergente;
• Consertar rapidamente eventuais fugas de autoclismos ou torneiras.
2. Na empresa
• Utilizar circuitos fechados;
• Efectuar a limpeza com jacto de água + ar comprimido;
• Substituição dos produtos químicos utilizados por outros menos
poluentes.
Por outro lado, o alargamento da rede de monitorização da qualidade da água e a fiscalização de todas as actividades com potenciais impactos sobre o meio aquático é essencial para a protecção
da saúde humana e do ambiente.
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EMISSÕES GASOSAS
O que é a Atmosfera?
É a camada de ar, composta por uma mistura de gases
(essencialmente 78% de Azoto e 21% de Oxigénio), vapor de água
e partículas, que envolve a Terra.
O que é a Poluição Atmosférica?
Diz-se que o ar está poluído, ou que existe Poluição Atmosférica,
sempre que a composição do ar se altera quer por modificação das
proporções dos seus constituintes quer por introdução de novas
substâncias (poluentes).
Que tipo de poluentes existem e qual a sua origem?
Poluente
Origem
Efeito
Clorofluorcarbonetos
(CFC’s)
Sistemas de refrigeração,
sprays
Destruição da camada de
ozono;
Efeito de estufa
Monóxido de Carbono (CO)
Combustão incompleta de
combustíveis fósseis
Efeito de estufa:
problemas respiratórios
Metano (CH4)
Agricultura, pântanos, aniEfeito de estufa
mais
Dióxido de Carbono (CO2)
Queima de combustíveis
fósseis, indústria, animais
e plantas
Efeito de estufa
Compostos Orgânicos
Voláteis (COV’s)
Tintas e vernizes, limpeza
de superfícies, lavandarias,
meios de transporte
Contribuem para a formação de outros poluentes; Formação de smog;
Cancerígenos
Sulfureto de Hidrogénio
(H2S)
Queima de combustíveis
fósseis, indústria, decomCorrosão de materiais
posição da matéria orgânica
Óxidos de Azoto (NOx)
Queima de combustíveis
fósseis, transportes
Chuvas ácidas
Ozono (O3)
Combinação de outros
poluentes por acção da
luz solar
Formação de smog;
Problemas respiratórios
Partículas
Queima de combustíveis
fósseis, indústria, transportes e vulcões
Afecta a penetração
da luz solar;
Doenças pulmonares
Óxidos de Enxofre (SOx)
Queima de combustíveis
fósseis
Problemas respiratórios;
Chuvas ácidas
Óxido Nitroso (N2O)
Fertilizantes, queima de
combustíveis fósseis
Efeito de estufa
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Como são emitidos os poluentes pelas actividades humanas?
Os poluentes podem ter várias origens entre as quais se encontram
os meios de transporte, as unidades industriais e a agricultura.
CO
2
CO
CH 4
NO 2
NO
CO
N2O
2
Partículas
N2O
CH 4
CFC
Existem dois tipos de fontes de emissão poluentes para a
atmosfera: fontes móveis (meios de transporte) e fontes fixas (ex.
chaminés de unidades industriais). Estas fontes podem também ser
classificadas em fontes de área (ex. zona industrial) ou pontuais.
Consideram-se ainda fontes difusas, ou seja, as emissões dispersas
(ex. fugas de equipamentos).
Quais são as consequências da Poluição Atmosférica para o
Ambiente?
Destruição da Camada de Ozono
O Ozono é um gás que se encontra entre 20 e 50 km de altitude e
que, a esta altitude e em volta da Terra, forma uma camada
protectora das radiações ultravioleta (UV) provenientes do sol. Esta
camada está a ser danificada principalmente pelas emissões de uma
família de químicos, denominados CFC's - Clorofluorcarbonetos, que
ao atingirem estas altitudes se combinam com o Ozono, através de
reacções químicas, e provocam a diminuição da espessura da
camada tornando o nosso planeta mais vulnerável ao efeito dos UV.
Os CFC's são usados no fabrico de alguns produtos (caixas de ovos,
espumas), nos sistemas de refrigeração de frigoríficos e ar
condicionado e nas embalagens para fazer sair o produto em forma
de spray (laca de cabelo, espuma de barbear).
Em 1988 vários países assinaram um acordo, "Protocolo de
Montreal", para a redução do consumo de CFC's em 50% até 1999.
Neste momento, a maior parte dos produtos já apresenta a
referência "não contém CFC's", "não destrói o Ozono" ou "amigo
do Ozono".
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Efeito de Estufa - Alterações Climáticas
Uma parte da radiação solar que atinge a superfície da Terra é
absorvida, mas a outra reflecte-se sob a forma de radiação infravermelha e é, por sua vez, absorvida por alguns gases que constituem a atmosfera (Dióxido de Carbono e outros).
A estes gases damos o nome de GEE’s, ou seja, Gases com Efeito de
Estufa, e são eles que fazem com que a atmosfera funcione como
uma estufa natural, deixando a radiação entrar mas não a deixando
sair. Só assim é possível manter uma temperatura aceitável à vida
no planeta.
Sabia que... a Suécia tem 4000 lagos desprovidos de peixe devido às chuvas ácidas?
O problema é que estes gases estão a acumular-se em demasia na
atmosfera, quer através do aumento de emissões de GEE’s por
acção do Homem quer por interferências nos processos naturais de
remoção (desflorestação), permitindo que apenas uma pequena
quantidade de calor seja expelida para o espaço.
Este processo de acumulação designa-se por "Aquecimento
Global" sendo uma das causas das mudanças estranhas que se têm
verificado no clima. O Dióxido de Carbono é o gás responsável por
mais de metade do aquecimento que o planeta tem vindo a sofrer,
mas existem outros gases que provocam o mesmo efeito, como o
Metano e o Óxido Nitroso.
18
0,7
Aumento de Temperatura (ºC)
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0
-0,1
-0,2
-0,3
1880
2000
Chuvas Ácidas
Ao queimar combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural) nas
centrais eléctricas e nos meios de transporte para produzir energia,
geram-se grandes quantidades de gases como o Dióxido de Enxofre
e os Óxidos de Azoto, que quando se misturam com as gotículas de
água nas nuvens, voltam à Terra sob a forma de Ácido Sulfúrico e
Ácido Nítrico - chuvas ácidas. Estas afectam não só a natureza
(plantas e animais) como também os edifícios e monumentos.
Nas zonas urbanas e industriais, a concentração deste tipo de
gases atinge frequentemente valores muito elevados, sendo o
sector de produção de energia o que mais contribui para o seu
aumento.
22 000 kt
NH3
5 000 kt
17 000 kt
4 000 kt
1 000 kt
6 000 kt
1 000 kt
NO x
12 000 kt
13 000 kt
SO2
Kt de CO2 equivalente
Indústria
Agricultura
Resíduos
Outros
Transportes
Energia
Fonte: I.A (2000)
É possível diminuir as emissões de poluentes?
Habitualmente considera-se que o controlo da poluição atmosférica
implica a utilização de equipamentos de remoção de poluentes,
mas existe um conjunto de outras medidas, como o pré-tratamento
ou a substituição de matérias-primas e combustíveis e a adopção
de tecnologias menos poluentes, que podem ser tomadas ao nível
19
do processo com ganhos significativos para a qualidade do ar.
A utilização de energias alternativas, como a eólica ou a solar, são
também medidas interessantes do ponto de vista ambiental, uma
vez que permitem a obtenção de energia através da acção do vento
e da luz solar sem recorrer à queima de combustíveis fósseis.
Que tipo de equipamentos de remoção de poluentes existem?
Existem diferentes equipamentos que se podem utilizar consoante
o tipo de poluente que se pretende remover. Dado o elevado custo
e complexidade destes sistemas, a sua selecção deve ser efectuada
com cuidado, tendo por base a composição física e química do
poluente em questão.
Equipamento Aplicação
Descrição
Ciclones
Partículas de grandes
dimensões
Remoção das partículas por gravidade após impacto contra as paredes do equipamento
Electrofiltros
Partículas de pequenas
dimensões e aerossóis
Remoção das partículas através da
utilização de um campo eléctrico
que as carrega positiva ou negativamente
Filtros de mangas
Partículas de pequenas
dimensões
Filtração do efluente gasoso
através de um conjunto de mangas
filtrantes (algodão ou teflon)
Remoção por impacto e absorção
após passagem do efluente gasoso
em contracorrente com um líquido
(água ou outro)
Lavadores
húmidos
CO2, NOx, partículas e
Incineração
COV’s
Oxidação a elevadas temperaturas
do efluente gasoso
Adsorção
Metais pesados, COV’s
Remoção dos poluentes por
adsorção em superfícies sólidas
Absorção
CO2, NOx, SO2
Remoção dos poluentes por
absorção em superfícies líquidas
aerossóis
Como se controlam as emissões gasosas de poluentes?
As emissões de poluentes para a atmosfera podem ser controladas
através da caracterização dos gases emitidos pelas chaminés e
através das redes de medida da qualidade do ar. Relativamente às
chaminés das unidades industriais, existe em Portugal legislação
específica que obriga à caracterização das suas emissões, pelo
menos, duas vezes por ano e ao cumprimento dos valores limite
estipulados. Esta refere também que as chaminés têm de ser circulares, não podem possuir "chapéus", devem dispôr de tomas de amostragem para captação das emissões e, sempre que necessário, de
20
uma plataforma para suportar os operadores responsáveis pela
medição. São expressamente proibidas as queimas a céu aberto de
qualquer tipo de resíduos urbanos e industriais.
Sabia que... em cada ano um automóvel produz, em média, quase
quatro vezes o seu peso em CO2?
No que diz respeito às redes de qualidade do ar, estas estão, na sua
maioria, associadas às grandes fontes poluidoras como centrais
térmicas, cimenteiras ou indústrias químicas instaladas nos
grandes centros urbanos e industriais (Lisboa, Porto, Setúbal,
Sines, Estarreja, Barreiro/Seixal). No entanto, prevê-se o seu
alargamento com a instalação de estações de medida em mais
zonas do país, possibilitando o aumento de vigilância a vários
poluentes.
21
RUÍDO
O ruído no meio ambiente
O problema do ruído no meio ambiente tem-se tornado, cada vez
mais, numa fonte de preocupação para a comunidade. As fontes de
ruído são inúmeras, podendo destacar-se as seguintes:
• Tráfego (rodoviário, ferroviário e aéreo);
• Indústria;
• Unidades de comércio e serviços;
• Estaleiros de obras;
• Actividades de lazer (espectáculos e diversões).
O que é o ruído?
O ruído pode ser definido como todo o som indesejado ou toda a
energia acústica susceptível de alterar o bem estar das pessoas.
A sua intensidade é medida em Decibéis dB(A) - Unidade logarítmica do nível de pressão sonora que corresponde praticamente à mais
pequena variação da pressão sonora que um ouvido humano pode
distinguir nas condições normais de audição.
140 dB
Doloroso
Descolagem de avião
120 dB
Foguetes
Perigoso
Concerto
100 dB
Martelo pneumático
Fatigante
Posto de trabalho barulhento
80 dB
Trafego
Incomodativo
Conversação
50 dB
Escritório
Repousante
Biblioteca
0 dB
Sala de estar
22
Quais as actividades mais incomodativas?
De acordo com uma sondagem efectuada à população portuguesa,
os motociclos e os automóveis são as actividades que provocam
maior incómodo.
Discotecas
Comboios
Obras
1%
5%
9%
Aviões
10%
Conversação
10%
Indústria
11%
TV/Rádio
13%
Automóveis
49%
Motociclos
70%
Fonte: DGA (1 999)
Quais os principais efeitos nocivos do ruído?
Os efeitos nocivos do ruído sobre o ambiente e a saúde humana
dependem de vários factores, nomeadamente do tempo de exposição, da sua intensidade, do tipo de ruído (temporário ou permanente), da distância da fonte e da sensibilidade individual. Ao nível
da saúde humana podem destacar-se os seguintes efeitos:
• Perda da capacidade auditiva;
• Dificuldades de comunicação;
• Diminuição da capacidade de concentração;
• Pertubações do sono;
• Fadiga;
• Efeitos ao nível cardiovascular e fisiológico;
• Efeitos na saúde mental (ansiedade, stresse emocional, dores
de cabeça,…).
De um modo geral, o ruído é responsável pela degradação das condições naturais do ambiente e consequente alteração dos ecossistemas.
Sabia que... 30 a 40% da nossa informação é recebida através da
audição?
Como controlar o ruído?
De modo a preservar o ambiente e a qualidade de vida, a legislação
23
portuguesa estipula diversas medidas de prevenção e controlo da
poluição sonora, definindo, entre outros, limites para a emissão de
ruído. Estes valores têm por base dois períodos de referência (diurno e nocturno) e o tipo de zona avaliada (sensível ou mista), sendo
esta classificação da competência das Câmaras Municipais.
Das restantes disposições legais estabelecidas, realça-se que:
• As obras de remodelação realizadas no interior de habitações,
escritórios ou estabelecimentos comerciais só podem produzir
ruído durante o período diurno dos dias úteis, entre as 8 e as 18
horas, salvo casos especiais.
• Quando uma dada situação provoca ruído de vizinhança as pessoas incomodadas podem apresentar queixa junto das autoridades policiais, que deverão adoptar as medidas necessárias
para a paragem ou diminuição dos níveis sonoros.
Como diminuir o ruído?
A qualidade do ambiente e o bem estar das pessoas são habitualmente afectados pelo intenso trânsito de veículos automóveis, pelas unidades industriais e, muitas vezes, pelo ruído associado às
actividades domésticas.
Existem, no entanto, algumas medidas que podem ser tomadas e
que permitem diminuir os níveis de ruído.
Não acelerar o carro quando este está parado
Evitar o uso da buzina
Ruído
Rodoviário
Controlar o volume do rádio
Regular periodicamente o motor do carro
Utilizar os transportes públicos
Utilizar máquinas, aparelhos e ferramentas pouco ruidosas
Verificar o correcto funcionamento e operação do equipamento
Promover a manutenção periódica dos equipamentos
Ruído
Industrial
Utilizar coberturas e revestimentos para isolamento acústico da
fonte
Utilizar paredes exteriores e “entre fogos” duplas com caixa de ar
preenchidas com material fono-absorvente
Utilizar silenciadores e atenuadores sonoros
Falar em tom moderado, principalmente em ambientes fechados
Ruído
Doméstico
Introduzir elementos elásticos nos revestimentos de pisos nas
habitações (alcatifas, soalhos em parquet de corticite,...)
Utilizar portas acústicas em casos de acesso directo da rua para a
habitação
Utilizar janelas com bom isolamento
24
A nível urbano, a utilização de transportes públicos é, sem dúvida,
uma das principais apostas para a redução do ruído ambiente.
A título de curiosidade, refira-se que no “Dia Sem Carros”, que
decorreu no dia 22 de Setembro de 2001, o ruído rodoviário dentro
da área condicionada da capital baixou cerca de 80%.
Sabia que... uma redução de 20% na velocidade de um automóvel
reduz 3dB (A) ao nível do ruído?
Por último, saliente-se que em alguns países os electrodomésticos,
brinquedos, máquinas e motores são acompanhados por um rótulo
designado por “Selo Ruído” que fornece informações aos consumidores sobre o ruído emitido pelo respectivo produto.
A consciencialização das pessoas para os problemas do ruído, fundamentalmente numa perspectiva ambiental, é essencial para a
resolução das múltiplas questões que se colocam actualmente no
domínio da protecção contra o ruído.
25
ENERGIA
O que é a Energia?
A Energia pode ser definida como a capacidade para produzir
trabalho. Manifesta-se sob diversas formas (movimento dos
corpos, electricidade, calor, luz), transformáveis umas nas outras
de acordo com a Lei de Conservação de Energia.
“A energia não se cria nem se destrói. Transforma-se.”
Todas as formas de vida consomem e produzem energia. No
entanto, actualmente, as principais fontes de energia não são os
seres vivos.
Quais as principais Fontes de Energia?
Sol
Nuclear
Calor da terra
Quedas
de água
Vento
Mar
Combustíveis
As fontes de energia podem ser divididas em dois tipos:
• não renováveis, que se esgotam à medida que vão sendo
utilizadas;
• renováveis, cuja utilização não conduz ao seu esgotamento.
Ao longo dos anos tem-se assistido a um progressivo aumento do
consumo de energia, quer pelo aumento da população mundial quer
pelo alargamento dos bens consumidores de energia (automóvel,
aquecimento, iluminação) a uma maior fatia da população.
Actualmente, as necessidades energéticas da humanidade são
satisfeitas essencialmente a partir da queima de combustíveis
fósseis (carvão, petróleo e mais recentemente o gás natural).
26
1992
17 781
1994
18 083
1996
19 087
Carvão
Electricidade
Petróleo
Gás natural
1998
21 863
2005
23 073
2010
25 180
Outros
Unidades: ktep Fonte: DGE
No entanto, o previsto esgotamento a curto prazo destes recursos
e as emissões para a atmosfera associadas à sua queima têm
conduzido à necessidade de utilização de fontes de energia menos
poluentes. Infelizmente, todas as fontes de energia têm efeitos
negativos sobre o ambiente.
Combustíveis
fósseis
- Emissão para a atmosfera de gases poluentes responsáveis
pelo efeito de estufa e pelas chuvas ácidas.
- Esgotamento de recursos naturais.
Energia
hídrica
- Modificação do ecossistema.
- Introdução de uma barreira à migração das espécies existentes
no meio.
Energia
solar
- Impacte visual provocado pelas grandes dimensões dos painéis
solares.
Energia
eólica
- Impacte visual provocado pelas grandes dimensões dos
aerogeradores (moinhos de vento).
- Ruído emitido pelos aerogeradores.
- Morte de aves quando os parques eólicos interceptam rotas
migratórias.
Energia
nuclear
- Produção de resíduos radioactivos que permanecem
extremamente perigosos para a humanidade e outros tipos de
vida durante milhares de anos.
Como se podem diminuir os Impactes Ambientais?
A diminuição dos impactes no ambiente provocados pela produção
de energia é da responsabilidade de todos: Governo, Indústria e
Cidadãos. Se algumas medidas são simples, passando apenas pela
alteração de hábitos diários, outras são mais complexas envolvendo estratégias energéticas a nível mundial.
Sabia que... o simples isolamento do telhado permite reduzir em
cerca de 20% os curstos energéticos?
27
Redução dos consumos de energia
• Maximização do aproveitamento da luz natural;
• Utilização de níveis de iluminação correctos;
• Utilização de equipamentos de iluminação eficientes (a escolha
do tipo de lâmpada é muito importante);
• Desligar os sistemas de iluminação sempre que não são
necessários;
• Isolamento conveniente de todas as superfícies aquecidas (ou
arrefecidas);
• Optimização da utilização das redes de vapor, água quente ou
termofluídos;
• Optimização da utilização de equipamentos térmicos;
• Manutenção de uma combustão afinada nos sistemas de
produção de energia térmica (caldeiras);
• Limitação ao máximo da temperatura dos gases de combustão;
• Recuperação da energia contida nos gases de combustão;
• Manutenção regular dos equipamentos;
• Utilização de sistemas de produção combinada de calor e electricidade (cogeração).
Consumos excessivos de combustível num automóvel
Condução agressiva
(pode atingir +50%)
Motor desafinado
( +10% em média para
qualquer trajecto)
Arranque a frio
( +50% nos primeiros 5km
para uma temperatura exterior
de 20ºC e +70% para 3ºC)
Porta-bagagens no tejadilho sem
carga(pode atingir +50%)
Bagagens suplementar
(+3% em cidade para
100kg)
Pneus com pressão abaixo
da recomendada (+3% se a
pressão estiver abaixo da
recomendada em 0,3 bar)
Substituição dos combustíveis utilizados
Utilização de gás natural
Comparando com o carvão, fuelóleo e gasóleo, o gás natural emite
cerca de metade de CO2, menos NOx e, devido à ausência de
enxofre e de resíduos sólidos na sua composição, não origina a
produção de SO2, poeiras e cinzas. A sua utilização permite ainda
maior eficiência dos sistemas de combustão.
28
Utilização de fontes de energia renováveis
Utilização de energia solar
Este recurso pode ser utilizado para produção de energia, aquecimento de água e ar e aquecimento de edifícios.
Utilização de combustíveis renováveis
Neste grupo podemos encontrar os biocombustíveis (tais como o
biodiesel e bioetanol, produzidos a partir de produtos naturais, como os cereais), o biogás (produzido a partir da decomposição biológica de matéria orgânica, principalmente de resíduos) e a biomassa (matéria vegetal que pode sofrer decomposição biológica).
Em 2010, 39% da energia produzida em Portugal deverá ter origem
em fontes alternativas.
Sabia que... uma lâmpada fluorescente gasta menos 1/4 de energia e dura 10 vezes mais que uma lâmpada normal?
Quem são os maiores responsáveis pelo consumo de
energia em Portugal?
Fonte: DGA (1998)
Energia
6%
10%
8%
Indústria
31%
Agricultura
45%
Consumo Urbanos
Outros
Convém referir que a legislação portuguesa estabelece determinadas
obrigações para as instalações que apresentem consumos energéticos acima de determinado limite, nomeadamente:
• Examinar as condições energéticas em que operam;
• Elaborar e cumprir um plano de racionalização do consumo de
energia, sujeito à aprovação da Direcção-Geral de Energia sob
a responsabilidade de um técnico qualificado.
29
GESTÃO AMBIENTAL
O que é um Sistema de Gestão Ambiental (SGA)?
Um SGA é um conjunto de acções integradas no sistema de gestão
global da empresa, das quais constam uma organização estrutural,
o planeamento das actividades, distribuição de responsabilidades,
determinação de práticas, procedimentos, processos e recursos
para o desenvolvimento, implementação, revisão ou manutenção
da política ambiental dessa mesma empresa. Trata-se de um meio
que permite, a qualquer tipo de organização, controlar e minimizar
o impacto das suas actividades ou produtos no ambiente.
Quem pode implementar um SGA?
Todas as organizações – industriais, comerciais ou de serviços.
Quais as vantagens?
A implementação de um SGA apresenta inúmeras vantagens, quer
a nível interno quer a nível externo, das quais se destacam:
• Benefícios financeiros;
• Melhoria da imagem e do marketing;
• Cumprimento integral da legislação aplicável.
Constitui uma exigência legal?
Não. Trata-se de um processo voluntário, aplicável a todas as
organizações que pretendam:
• Implementar, manter e melhorar um SGA;
• Assegurar a conformidade com a política ambiental;
• Demonstrar esta conformidade a terceiros.
Que normativos podem ser utilizados?
Actualmente existem dois tipos de normativos que poderão ser
adoptados por uma organização para implementação de um SGA:
• EMAS - Regulamento Comunitário de Eco-Gestão e Auditoria
(Regulamento CE nº 761/2001);
• NP EN ISO 14001 (Regulamento Internacional).
30
Quais as principais diferenças?
EMAS
ISO 14001
Regulamento Comunitário
Norma Internacional
Levantamento Ambiental obrigatório
Levantamento Ambiental não obrigatório
Declaração do Ambiente pública
e obrigatória
Política do Ambiente pública mas sem
obrigatoriedade de publicação
Reconhecimento externo realizado por
verificador ambiental acreditado
Reconhecimento externo realizado por
auditores de ambiente
Registo no EMAS
Certificação por entidade competente
No entanto, convém realçar que, tendo em conta a actual versão do
EMAS, uma organização pode facilmente, após ter implementado a
Norma ISO 14001, passar a estar sob a alçada do EMAS.
Para tal apenas terá de possuir um Levantamento Ambiental documentado, uma Declaração Ambiental definida e pública e recorrer a
verificadores ambientais acreditados.
Qual o mais aconselhado?
A opção sobre que sistema utilizar prende-se essencialmente com
regras de grupo, opções de mercado e contactos comerciais. Uma
empresa que tenha relações comerciais com todo o mundo, provavelmente terá maior reconhecimento com a implementação da
ISO 14001. Por outro lado, se trabalhar essencialmente com o mercado europeu, o EMAS também poderá ser aconselhado. Uma vez
que, após a última revisão do EMAS, uma organização com um SGA
implementado pela ISO 14001, pode facilmente passar para o EMAS,
muitas empresas possuem já os sistemas implementados de acordo com estes dois referenciais.
Quais as fases de implementação?
Instituído pelo Regulamento CE nº 761/2001 de 19 de Março, o
EMAS está aberto a todas as organizações, tal como acontece com
a ISO 14001. As linhas comuns destes dois sistemas regem-se pelos
princípios da Melhoria Contínua, com base em quatro pilares fundamentais: Planear, Executar, Verificar e Actuar.
31
Melhoria Contínua
objectivo global
Análise do SGA
pela direcção
Política Ambiental
actuar
Acções de verificação
e Correcção
SGA
Planeamento
planear
verificar
Implementação
e Operação
executar
O que é a Certificação Ambiental ?
A Certificação Ambiental permite demonstrar, interna e externamente, e de uma forma credível, que o SGA se encontra em conformidade com os requisitos da Norma NP EN ISO 14001. É realizada
por entidades certificadoras, como é o caso da APCER (Associação
Portuguesa de Certificação), a qual faz parte de uma rede internacional de organismos certificadores, a IQNET. Para além deste organismo existem diversas empresas que também actuam em Portugal
neste âmbito. O reconhecimento externo é realizado através da
emissão de certificado, utilizado como forma de diferenciação. No
caso do EMAS, a auditoria externa é realizada por verificadores
ambientais acreditados, que se encarregam de verificar todo o sistema. Após a validação da informação constante na Declaração
Ambiental, a empresa poderá proceder ao seu registo no EMAS. A
entidade competente por efectuar este registo em Portugal é o
Instituto do Ambiente.
32
LEVANTAMENTO AMBIENTAL
Propomos-lhe agora que efectue uma breve avaliação da situação
ambiental da sua empresa. Para facilitar a sua abordagem a estas
questões, apresentamos-lhe uma check-list constituída essencialmente por acções de carácter prático.
Sim
Não
Existem fugas de água nas canalizações e torneiras?
Existem derrames acidentais de banhos processuais?
Possui algum sistema para reutilização das águas
de processo?
Sabe qual é a quantidade de água utilizada no
processo?
Controla regularmente o consumo de água?
Já efectuou alguma acção de melhoria para reduzir o
consumo de água?
Conhece as características das águas residuais
industriais?
Conhece o destino das águas residuais industriais?
E das domésticas?
As águas residuais domésticas e industriais são sujeitas a algum tipo de tratamento antes da descarga?
A empresa separa as águas pluviais, industriais e
domésticas?
A empresa possui chaminés que encaminhem as
emissões gasosas para a atmosfera?
As chaminés existentes são circulares?
As chaminés existentes apresentam chapéus?
A altura das chaminés existentes é superior ao
mínimo legal (10 m a contar da base do solo)?
Águas e Águas Residuais
Emissões Gasosas
33
Sim
Não
Sabe se as emissões gasosas são incómodas para a
vizinhança?
A empresa efectua o autocontrolo regular das
emissões gasosas?
Controla a quantidade de solventes que utiliza?
Separa os diversos tipos de resíduos existentes
(papel, limalhas, vidro, tecido, plástico)?
Os resíduos contaminados com sangue e seringas
que se geram no posto médico da empresa são
separados dos restantes?
Entrega os seus resíduos a empresas licenciadas
para o efeito?
Faz o aproveitamento de algum tipo de resíduos
(papel, limalha, vidro,...)?
Os resíduos encontram-se identificados com um
código de acordo com a Lista de Resíduos europeia?
No transporte de resíduos são utilizadas as guias de
acompanhamento de resíduos?
Existem fugas de óleos nas máquinas com derrames
para o chão?
Os óleos residuais são guardados em recipientes e
locais próprios?
Os resíduos perigosos encontram-se armazenados
em condições de segurança?
Sabe se os níveis de ruído produzidos pela fábrica
provocam incomodidade para a vizinhança?
Sabe se a empresa já avaliou os níveis de ruído que
emite para o exterior?
(cont.)
Resíduos
Ruído
34
Sim
Não
Deixa as luzes ligadas nos períodos de paragem?
As máquinas ficam ligadas para além do necessário?
Controla o gasto de energia de cada máquina?
Possui um registo dos consumos dos diferentes
tipos de energia?
A empresa possui um programa de Melhoria
Ambiental?
A empresa dá formação em gestão ambiental?
A empresa possui procedimentos de gestão das suas
águas residuais, resíduos e emissões gasosas?
A empresa tem um sistema de gestão ambiental
implementado ou em implementação?
(cont.)
Energia
Gestão Ambiental
Para um diagnóstico mais aprofundado, aconselha-se a leitura
completa dos diplomas legais deste domínio e o contacto com
especialistas da área.
A produção de ferramentas de trabalho para os encarregados e para as
chefias intermédias das nossas empresas constitui uma das tarefas mais
importantes do PRONACI.
AEP - Associação Empresarial de Portugal
O desenvolvimento integrado das empresas depende cada vez mais de projectos que recorrem a metodologias e instrumentos de formação diferenciados e adaptados aos seus destinatários.
Gpf - Gabinete de Coordenação de Parcerias e Formação Profissional
UNIÃO EUROPEIA
Fundos Estruturais
AEP - Associação Empresarial de Portugal • PRONACI - Programa Nacional de Qualificação de Chefias Intermédias
4450-617 Leça de Palmeira • Tel.: 22 998 15 00 / Fax: 22 998 17 71 • www.aeportugal.pt/pronaci

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