Perfume ou detergente?

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Perfume ou detergente?
Perfume ou detergente?
S
omos espíritas, tentamos ser espíritas, queremos
ser espíritas dentro e fora da casa espírita. Tomara, mas tomara mesmo, que consigamos ser espíritas fora do
ambiente do centro espírita. Afinal, o mundo está aí, com
suas lutas e desafios, testando nossa capacidade de sermos
melhores a cada dia.
Mas não é o mundo lá fora o objeto de reflexão deste
artigo. É o mundo dentro da casa espírita. Melhor dizendo, é
a nossa postura em relação ao centro espírita que frequentamos. Por essa razão, cabe formular a pergunta: Que tipo de
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espírita você é: perfume ou detergente?
Muitas são as pessoas que, ao comprar um perfume, pedem para sentir sua fragrância. Uma amostra do perfume é
espirrada no nosso braço ou naquela tirinha de papel para
que possamos escolher o melhor aroma. É um cheiro gostoso, agradável, chique, que nos remete a sensações de elegância, bem-estar, sofisticação.
Já o detergente é pego sem muita atenção na prateleira
do supermercado e jogado no carrinho junto a várias outras
compras.
O perfume não. Quer o compremos para dar de presente
ou para uso pessoal, ele ganhará uma embalagem elaborada,
fina, que chame atenção. Tanto que adoramos dar perfume
de presente. Ao mesmo tempo, ninguém em sã consciência
presentearia alguém com um vidro de detergente.
O perfume merece lugar de destaque na nossa casa; o
detergente não.
O perfume custa caro; o detergente não.
O perfume tem um frasco bonito; o detergente não.
Mas, apesar de todas estas aparentes desvantagens, o detergente ganha de lavada, literalmente, do perfume. Afinal,
é o detergente que limpa a casa, apesar de, depois da tarefa
cumprida, voltar para o canto do armário da área de serviço.
E o perfume, embora reine impávido e reluzente no toucador
ou na bancada do lavatório, não tem capacidade de encarar
uma limpeza pesada, algo que o detergente faz com a maior
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facilidade. Só que, estranhamente, a sociedade vangloria o
perfume e se esquece do detergente. E acaba reproduzindo
isso na relação social, pois damos mais valor à pessoa perfume do que à pessoa detergente.
No centro espírita, esta célula social da qual fazemos
parte, acontece o mesmo fenômeno. Quem tem “olhos de
ver”, como dizia Jesus Cristo, já deve ter notado que há espíritas perfumes e espíritas detergentes. E deve ter notado,
também, que há os espíritas desavisados, que adulam o espírita perfume e nem notam a existência do espírita detergente.
Quem é o espírita perfume? É o espírita que não tem
tarefa no centro espírita; só faz presença. Aparece para espirrar um cheirinho de lavanda aqui, um aroma de almíscar
ali, uma fragrância de alfazema acolá... É bonito, sorridente,
carismático, bem cuidado... Por essa razão, fascina os desavisados. Não estou dizendo que o espírita perfume seja assim
propositalmente, com o intuito deliberado de iludir as pessoas. É assim sem ter noção, sem segundas intenções. É o que,
por enquanto, ele tem para dar.
E o espírita detergente, quem é? É aquela pessoa que de
fato está na casa espírita. Deixa tudo limpo, em ordem. Ou
então, evangeliza, aplica passes... Enfim, é a pessoa que abraçou uma tarefa e sempre a exerce com dedicação, disciplina
e assiduidade. E se faltar, sua ausência será sentida. E como!
Para termos uma ideia melhor de ambos e de que como
agimos perante eles, vamos imaginar a seguinte situação: um
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renomado expositor e escritor espírita virá à casa que frequentamos para fazer uma palestra e autografar seu mais recente livro. Em seguida, haverá um buffet beneficente. Os detergentes, é claro, combinam de chegar cedo. Limpam tudo,
arrumam a mesa do orador e o local para a venda de livros,
preparam o salão onde será o buffet, fazem o café, dispõem
os doces e salgados nas mesas. Os perfumes são convidados
para ajudar, se comprometem a ir mas não aparecem. Quinze
minutos antes de o evento começar, eles chegam arrumados,
perfumados (é claro) e sorridentes, acercando-se do orador
para cumprimentá-lo e abraçá-lo.
Terminado o evento, enquanto os detergentes arrumam
tudo, os perfumes conversam com o orador, elogiam a sua
palestra e falam sobre a grandiosidade dos conceitos espíritas, mas são incapazes de lavar um copo ou carregar uma
cadeira. E logo se vão, deixando os detergentes responsáveis
por colocar a casa em ordem novamente.
Por que isso acontece? Porque numa sociedade dominada pela imagem, nos deixamos por ela seduzir e passamos a
adular, dentro da casa espírita, a turma do perfume.
Isso significa que devemos adular a turma do detergente? Adular não; valorizar sim. Dar valor não tem nada a ver
com estender tapete vermelho. É ficar ombro a ombro com
pessoas que, muitas vezes, carregam o centro espírita nas
costas sem nos darmos conta.
Os perfumes só aparecem de vez em quando para es20
pirrar seu aroma agradável. Ao mesmo tempo, os detergentes estão em todos os lugares, muitas vezes sobrecarregados,
abraçando várias tarefas que são imprescindíveis para o bom
funcionamento do centro espírita. Os perfumes às vezes têm
até fã-clube. Enquanto que os detergentes...
Mas como ficar ombro a ombro com os detergentes? Simples, seja você também um detergente. Quando isso
acontecer, os perfumes perceberão que precisam ser detergentes. Afinal, repito, os perfumes não agem assim por mal.
Simplesmente ainda não perceberam o real significado do
trabalho numa casa espírita.
Que tipo de espírita é você? Perfume ou detergente?
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